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Forum Sociológico (2013) N.º 23

Nunes, João Sedas

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Sociológico FORUM CESNOVA – G.T. MUNDOS SOCIAIS, TRAJETÓRIAS E MOBILIDADES SÉRIE II N.º 23  2013 Fundado Moisés Espí i o San o Di e o João Sedas Nunes Conselho de Redação Ana Alexand e Fe nandes | ISCSP-UTL; Pa ícia Pe ei a | FCSH-UNL; João Ped o Sil a Nunes | DINÂMIA-CET; João Sedas Nunes | FCSH-UNL; José Albe o Simões | FCSH-UNL; José Manuel Resende | FCSH-UNL; Miguel Cha es | FCSH-UNL; Luís Vicen e Bap is a | FCSH-UNL; Ma ia Leono Sampaio | FCSH-UNL; Luís Gou eia | FCSH-UNL Sec e a iado Ví o Pi es de And ade Luís Gou eia Conselho Edi o ial Alain Bou din | IFU-Pa is 8; Ana Nunes de Almeida | ICS-UL; Anália To es | ISCSP-UTL; An ónio Fi mino da Cos a | ISCTE; Ca los Miguel Fe ei a | ULHT; G aça Índias Co dei o | ISCTE; Hugo Mendes | Min. Educ.; Isabel Dias | FLUP; Joan Josep Pujadas | URV, Ta agona; João Gonçal es | FCSH; João Teixei a Lopes | FLUP; Jose Luís Vei a | UDC, A Co uña; Loïc Wacquan | Uni . Cali ó nia, Be keley-USA; Luc Bol anski | EHESS- -GSPM, Pa is; Luís Rod igues | FCSH-UNL; Manuel Ca los Sil a | ICS-Uni . Minho; Ma ia Alice Noguei a | FE-UFMG B asil; Ma ia Manuel Viei a | ICS- -UL; Nicolas Dodie | EHESS-Pa is; Pa ick Rayou | IUFM-C é eil; Rui Telmo Gomes | OAC-Lisboa; Tim Siebe | Uni . Massachuse s, Bos on-USA; Vi gínia Coelho | FCSH-UNL Logo ipo e Capa Ca olina Bas o Re isão de ex o Anabela P a es Ca alho Edi o CesNo a – Cen o de Es udos de Sociologia da Uni e sidade No a de Lisboa G upo de T abalho: Mundos Sociais, T aje ó ias e Mobilidades Edi ício I&D, A enida de Be na, n.º 26 1069-061 Lisboa Tele one: 00351 21 790 83 00 (ex . 1488) Fax: 00351 21 790 83 08 Email: [email p o ec ed] Si e: h p:// o umsociologico. csh.unl.p Apoios A publicação des e núme o oi apoiada pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, a a és do p oje o es a égico 2011/2012 do CesNo a FCSH/UNL. Execução V. Albe o San os Depósi o Legal N.º 64682/93 ISSN 0872-8380 Sociológico FORUM CESNOVA – GT MUNDOS SOCIAIS, TRAJETÓRIAS E MOBILIDADES SÉRIE II N.º 23  2013 A e is a Fo um Sociológico oi undada em 1992, a a és da c iação do Ins i u o de Es udos e Di ulgação Sociológica (IEDS), po inicia i a de alguns p o esso es do Mes ado em Sociologia Ap o undada e Realidade Po uguesa, en ão em cu so na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa (FCSH-UNL). Uma p imei a sé ie oi publicada a é 1995 e inha como p oje o edi a pequenos ex os ela i os a pesquisas em cu so, omen ando discussões e deba es em o no de ques ões canden es das Ciências Sociais. Após es e p imei o ciclo de publicações a e is a es e e ina i a du an e ce ca de ês anos. No decu so do ano le i o 1998-1999, uma equipa eno- ada de p o esso es e in es igado es mobilizou-se pa a a ea i a . Apesa das di i culdades logís icas e i nancei as, oi possí el conc e iza es e p oje o, que en oncou na c iação da Unidade de In es igação da FCSH-UNL Fo um Socio- lógico – Cen o de Es udos. A 2.ª Sé ie da e is a Fo um Sociológico, iniciada em 1999, man e e os obje i os inicialmen e de i nidos e p opôs-se ainda acen ua o seu cunho cien í i co, a ibu o undamen al pa a a sua a i mação pública. Es a sé ie co- nhece ago a uma no a ase, susci ada pela usão ins i ucional em que emba - cou a unidade de in es igação a que es a a ligada. A ualmen e, a e is a é uma publicação do ecém-c iado G upo de T abalho Mundos Sociais, T aje ó ias e Mobilidades do Cen o de Es udos em Sociologia da Uni e si- dade No a de Lisboa (CesNo a) e sendo disponibilizada on-line no ende eço h p:// o umsociologico. csh.unl.p . A Fo um Sociológico pau a-se po habi uais pad ões in e nacionais de edição, nomeadamen e subme endo as p opos as de publicação que lhe são ap esen adas a á bi os cien í i cos ( e e ees) concei uados que a aliam a qua- lidade dos a igos a publica . P eside ainda à e is a a ideia de que se cons i ua como ó um pe manen e de discussão, deba e e e l exão sob e a sociedade po uguesa mas ambém sob e ou as sociedades, dando luga à c í ica cien í i ca e undamen ada. Nes e sen ido, a e is a acolhe a igos assinados po in es igado es de múl iplas o ien ações e i liações ins i ucionais e cien í i cas, que po ia do seu abalho deem mos as de se comp ome e em com o p og esso da azão cien í i ca em ciências sociais. ESTATUTO EDITORIAL ÍNDICE Edi o ial .................................................................................................................................... A igos A igos Es ado Social e Alimen ação Escola : c ia i idade na aus e idade Mónica T uninge , José Teixei a, Ana Ho a, Síl ia Alexand e e Vanda A. da Sil a .................... En e dons: i ine á io de pesquisa sob e solida iedades amilia es no desemp ego Isabel Ma çano ............................................................................................................... P á icas cul u ais dos jo ens das classes sociais dominan es: e l exões em o no do ecle ismo cul u al Ma ia Luísa Qua esma ..................................................................................................... No as pe spe i as sob e as iden idades de classe José Ca alei o Rod igues .................................................................................................. O luga do consumo na p oblemá ica iden i á ia con empo ânea C is ina San os ............................................................................................................... De lo só dido a lo in age, de la ma ginalización a la dis inción. Gen i i cación y ocio noc u no en Cais do Sod é, Lisboa Jo di No e ..................................................................................................................... Cidadãos, écnicos e polí icos: do que alamos, quando alamos de pa icipação pública? Cecília Delgado ............................................................................................................... A ipla ace da on ei a: e l exões sob e o dinamismo das elações on ei iças a pa i de ês modelos de análise Ca la Ladei a Pimen el Águas ............................................................................................ TIC no ensino secundá io: usos e mediações Nuno de Almeida Al es, Ped o Ab an es, Ca la F. Rod igues e Paulo Coelho Dias ..................... As a es de aze o comum nos es abelecimen os de ensino: ou as abe u as sociológicas sob e os mundos escola es José Manuel Resende e Luís Gou eia ................................................................................. P ocessos no empo: uma e l exão sob e o alo que a his ó ia ac escen a à sociologia, a pa i do magis é io de Vi o ino Magalhães Godinho Augus o San os Sil a ....................................................................................................... 7 11 21 31 41 51 59 69 77 87 97 107 EDITORIAL 7 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) p. 7 EDITORIAL O O p esen e núme o – 23 – di e ge do o - ma o edi o ial que em pau ado a Fo um Sociológico desde que, em 1999, a sua IIª sé ie oi inaugu ada. A no idade é que o núme o não con ém dossiê, sendo in eg almen e compos o po a igos a ulsos, p ecisamen e onze. Es a especi i cidade, po ém, não signi i ca uma in l exão “singula is a” da polí ica edi o ial da Fo um Socioló- gico. Já no p óximo núme o e oma -se-á o modelo que ecob iu os p imei os in e e dois núme os da IIª sé ie. A inexis ência de um dossiê, econheça-se: semp e on e de (ac escido) conce o e consis ência, p opiciou uma excecional plu alização do con eúdo do núme o que o a se publica. No domínio dos a igos, comp eende emas di e sos embo a não a o con e gen es que quan o ao obje o a ado (escola, classes sociais, p á icas cul u ais, e c.) que quan o a pe spe i as de análise emp egues (p eponde ando en oques cons u i is as). B e e- men e, abo dam-se nes e núme o: os e ei os que a e ação do Es ado Social em Po ugal exe ce sob e as o mas ins i ucionais que se acomodam na p o isão da alimen ação escola pública; o papel suple i o das solida iedades amilia es à p o eção social do Es ado pe an e o desemp ego; as p á icas e as disposições cul i adas dos jo ens das classes dominan es; a sob ede e minação “indi idualis a” das iden idades de classe con empo âneas; a cen alidade do consumo nas cons uções iden- i á ias con empo âneas; a análise de p ocessos de gen i i cação pola izados na es u u ação da ludicidade u bana no u na; as (in)de e minações da pa icipação pública e dos seus p o agonis as; as insc ições semân icas e concep uais da noção de on ei a e as suas po encialidades heu ís icas; a di e sidade dos egimes de acção pedagógica que en ol em as TIC (Tecnologias de In o mação e Comunicação) acionados em con ex os escola es; las bu no leas , a pene ação dos juízos c í icos es udan is po g amá icas mo ais plu ais como meio pa a es i ui cul u as escola es incomp eensí eis à pe ceção adul a. A pa des e conjun o de a igos o n.º 23 inclui o ex o in eg al da con e ência de abe u a do ano escola de 2011/12 da Sociologia da No a, p o e ida po Augus o San os Sil a, in i ulada P ocessos no empo: uma e l exão sob e o alo que a his ó ia ac escen a à sociologia, a pa i do magis é io de Vi o ino Magalhães Godinho, mui o jus amen e dedi- cada a es e úl imo alecido em 26 de Ab il de 2011. Di -se-á, com igo , mais um obje o a densi i ca a he e ogeneidade que ca a e iza o núme o. Mas não é só – ou an o! – pela o iginalidade des acada que es e núme o é da maio impo ância pa a odos aqueles que êm esponsabilidades na sua edição. Há duas ou as azões que se lhe sob epõem. Po um lado, es e é o núme o que põe a e is a em dia – no seu momen o mais di ícil publicámo-la quase com ês anos de a aso – ao mesmo empo que auspicia o eg esso à pe iodicidade semes al que que emos ainda es e ano (2013) conc e iza . Po ou o lado, o n.º 23 cons i ui ambém – impo a essal á-lo – o segundo a da à es ampa sem quaisque condicionalismos (quan o a cus o de acesso e di e imen o empo al) em h p://www.sociologico. e ues.o g. Como se não osse mo i o bas an e de egozijo, es a possibilidade de associação ao sí io e ues.o g, p opo cionada po colabo ação p eciosa com o p oje o/po al OpenEdi ion (h p://www. openedi ion.o g/), a cuja equipa es amos de e as g a os, pe mi e à e is a insc e e -se numa banda de indexação bem mais ampla do que an es acon- ecia. Além dos mo o es de busca ge ais (Google) e cien í i cos (Google Schola , Base, OAIs e , Sci us), a e is a passa a in eg a lis as de ligações especia- lizadas (In u e, DOAJ) e bases de dados cien í i cas nacionais e in e nacionais (Sudoc, Wo ldCa , EZB, Jou nal TOCs). Ac esce a sua inclusão nos ca álogos dos p es ado es de se iços a biblio ecas (Se ials Solu ions, Ex-Lib is). Es amos, aliás, em c e que o mais a da em 2014 ha e á (mais) no idades quan o à indexação da e is a. Es ão assim, c emos, c iadas as condições logís icas pa a que a Fo um Sociológico se possa i ma como um dos pe iódicos de ciências sociais publicados em língua po uguesa de e e ência in e nacional, a aindo lei o es exigen es e au o es p es igiados. Fica aqui o con i e a od@s pa a que nos isi em e connosco colabo em, lendo a e is a, en iando o iginais pa a publicação, ecensões c í icas ou comen á ios, e dando a conhece os seus con eú- dos a a és das edes cien í i cas e sociais em que es ão inse idos. João Sedas Nunes ESTADO SOCIAL E ALIMENTAÇÃO ESCOLAR: CRIATIVIDADE NA AUSTERIDADE 15 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 11-19 os hábi os alimen a es de c ianças e amílias em con ex os sociodemog á i cos di e enciados, o am selecionadas oi o escolas do Ensino Básico público (1.º, 2.º e 3.º ciclos) si uadas em zonas das egiões de Lisboa, No e e Madei a, com pe i s con as an es que obedece am aos seguin es c i é ios de escolha: eco e u bano/subu bano; p oximidade de bai os sociais com população mul icul u al; p oximidade de á eas cujas amílias são ca ac e izadas po de e em ele ados ní eis de capi ais económico, cul u al e social; inse ção em p og amas de p omoção da saúde escola ; di e en es ipos de con a ualização das suas e eições (con eção local e com cozinha p óp ia; ou com o se iço de e eições subcon a ado a uma emp esa de ca e ing). O ma e ial empí ico oi ecolhido en e No emb o de 2011 e Ab il de 2013, o qual consis iu em en e is as com os p o esso- es e pessoal de cozinha das oi o escolas. Fo am ainda ealizadas en e is as com ep esen an es dos se iços públicos de educação e saúde, das câma as municipais com compe ência di e a sob e a ges ão das e eições das escolas selecionadas do 1.º ciclo, com uncioná ios e memb os da di eção das escolas, bem como com uncioná ios das emp esas de ca e ing. As dimensões de análise cob i am as opiniões sob e os hábi os alimen a es das c ianças e e en uais mudanças com a en ada em igo de inicia i as de p omoção de alimen ação saudá el; os e ei os da c ise económica na o ganização da alimen ação escola ; as p io idades p esen es e u u as no que espei a à qualidade alimen a nas escolas; os cons angimen os e limi es à ação pa a a melho ia da alimen ação escola ; as inicia i as e a anjos c ia i os nas escolas pa a con o na os e ei os das es ições o çamen ais do Es ado. Todo o ma e ial quali a i o ecolhido oi ansc i o e sujei o a análise de con eúdo a a és do so wa e NVi o 10. No p óximo pon o analisam-se di e en es a anjos c ia i os alocados na ede de p o isão es a al, bem como nas que eme gem de pa ce ias en e es a e ou as edes, sob e udo a comuni á ia e a domés ica. Es a análise não p e ende ap esen a os esul ados empí icos em si, mas an es u iliza exemplos dos dados ecolhidos pa a ilus a os á ios a anjos c ia i os eme gen es. C ia i idade descen alizada na ede de p o isão es a al: l exibilização e ap o ei amen o dos ecu sos ins i ucionais No conjun o das en e is as ealizadas a a o es-cha e do sis ema de e eições escola es nas ês egiões do país em es udo, encon am-se ela os sob e o aumen o do núme o de amílias que ade em aos se iços p es ados nos e ei ó ios escola es pa a aze ace à edução do seu pode económico. “(…) Não sei se é de ido à oika nem se não, o que se no a ago a é que há mais enca - egados de educação a solici a al e ação de escalão, independen emen e de a Segu ança Social lhes a ibui ou não essa al e ação… (…) Eles alegam di i culdades económicas e i nancei as.” (Responsá el dos se iços de ação social escola , No e, Fe e ei o 2013.) Algumas egiões êm ido di i culdades em asse- gu a o pagamen o das e eições g a ui as dos alunos com apoio da Ação Social Escola aos o necedo es, de ido a a asos nas ans e ências de e bas po pa e dos ó gãos cen ais do Es ado. Pe an e o ecu so c escen e às edes es a ais e à agilidade da sua espos a no a ual con ex o, e i i ca-se que algumas escolas e au a quias locais êm desen ol ido a anjos c ia i os pa a emedia p oblemas. Po exemplo, o ala gamen o do pe íodo de uncionamen o dos e ei ó ios du an e as é ias escola es de modo a ga an i o acesso das c ianças mais ca enciadas a, pelo menos, uma e eição quen e diá ia. Con udo, a au onomia das au a quias e dos agen es do sis ema educa i o é condicionada com base nos ecu sos de que dispõem. O ela o de duas uncioná ias de uma das câma as municipais (do a an e, Câma a Municipal A) mos a que a espos a que os se iços êm p ocu ado da não ep esen a uma solução sis emá ica e cen alizada, mas an es o esul ado da solida iedade e da c ia i idade dos p o i ssionais en ol idos e de aco do com a au onomia que de êm. “Nas in e upções le i as e nas é ias esco- la es, desde que enhamos um mínimo de se e, oi o c ianças, insc i as na componen e de apoio à amília, man emos o e ei ó io a unciona nas mesmas condições que du an e o ano le i o. Is o não em compa icipação es a al.” (Câma a Municipal A, No emb o 2011.) Nes e caso, o desen ol imen o de soluções socialmen e jus as pa e da inicia i a local e da sua capacidade de in e enção cí ica, al como de endido po Sulkunen (2009). Po ém, a descen alização da espos a social e a ans e ência dessa esponsabili- dade pa a os agen es ins i ucionais locais (au a quias e escolas) pode p o oca assime ias e i o iais e sociais, dependendo da capacidade de espos a des- es agen es locais. Pa a ilus a es a possibilidade, eja-se uma no ícia da imp ensa esc i a que dá con a de uma si uação em que o olume das dí idas acu- muladas pelos enca egados de educação e e en es ao pagamen o da alimen ação escola conduziu a di eção do ag upamen o a aze um ul ima o aos pais que es a am em dí ida. O não pagamen o des a dí ida esul a ia na p oibição dos espe i os educandos de equen a em o e ei ó io, negando assim o acesso a um se iço público3. Mónica T uninge , José Teixei a, Ana Ho a, Síl ia Alexand e e Vanda A. da Sil a 16 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 11-19 Apesa dis o, é inegá el a exis ência de a anjos c ia i os que eme gem da ede de p o isão es a al, colma ando mui as ezes as necessidades imedia as dos mais ca enciados. Os uncioná ios da mesma Câma a Municipal apon a am que, quando são e e- enciadas si uações de ca ência alimen a e/ou de no as di i culdades económicas, a ges ão do apoio municipal e da ação social escola na alimen ação ende a se l exibilizada com o p opósi o de esol e si uações pon uais ou imp e is as: “Nós emos, de ac o, um sis ema mui o acili ado em elação às ques ões da ca ência (…). Ou seja, o mecanismo es á mui o agili- zado pa a as amílias que enham qualque pe calço pode em passa a escalões com compa icipações mais diminuídas ou a cus o ze o, como é o escalão A.” (Câma a Municipal A, No emb o 2011.) O mesmo ipo de l exibilização e ap o ei amen o dos ecu sos ins i ucionais ambém se e i i ca nas escolas, como se con i ma no exce o seguin e: “Há casos em que os enca egados de edu- cação êm solici a essa al e ação de escalão. Nós alegamos semp e ‘– Ah, mas a Segu ança Social ainda não al e ou, po an o, nós emos que ponde a is o mui o bem’. Depois, eles azem o pedido, nós analisamos e os dois en a- mos euni in o mação pa a e se se jus i i ca, ou não, essa al e ação de escalão. Quando o p ocesso es á concluído, eme emos à di eção e no malmen e é o conselho adminis a i o da escola que, median e os nossos pa ece es, diz sim ou não.” (Responsá el dos se iços de ação social escola , No e, Fe e ei o 2013.) Es a l exibilização deco e de uma maio ou meno coo denação com as di eções e os se iços, da sensibilidade da escola pa a es e ipo de p oble- mas, e da sinalização de casos p oblemá icos a a és da igilância nos e ei ó ios ei a po p o esso es e uncioná ios: “Nunca deixamos as c ianças sem almoça . Mesmo quando há c ianças que se esquecem de ma ca a senha e o p og ama não deixa en amos semp e [deixá-los almoça ], inde- penden emen e de eles não e em o p ocesso comple o [em o dem].” (Responsá el dos se iços de ação social escola da escola EB 2,3, No e, Fe e ei o 2013.) “A gen e aqui sabe que há mui a (c ise), po que nós conhecemos as c ianças odas daqui, não é? Bas a nós mo a mos aqui nas edondezas pa a conhece . Nós sabemos que as c ianças […] êm di i culdades, os pais não lhes… p on o, não os a am como de e se . (…) Mas dize assim, que eles nos digam, ou… enho ome po is o…não (…) se a gen e pe cebe que eles [as c ianças] que em, somos capazes de... olha, aze uma sandes…’” (Pessoal de cozinha, Escola EB1, Lisboa Subu bano, Maio 2012.) Es es “a anjos” c ia i os são assim p o isó ios, não sendo pensados como soluções es a égicas de i ni i as pa a os p oblemas que a escola ou a au a quia en en am no seu dia-a-dia. São p ocessos inacabados que se podem ea anja e ans o ma consoan e as imp e isibilidades quo idianas. Mas apesa de se possí el implemen a a an- jos c ia i os den o dos limi es da ação ins i ucional “jogando” com os ecu sos disponí eis, obse am-se si uações em que as no mas que egulam o sis ema de e eições escola es (e.g. higiene, segu ança alimen a ) cons angem a au onomia das escolas pa a esol e p oblemas de ca ência alimen a . Um dos casos que ilus a bem es e cons angimen o é a p oibição do uso das sob as das e eições. A ual- men e, as emp esas o necedo as de se iços não pe mi em que as sob as sejam ap o ei adas de ido aos c i é ios ape ados de higiene e segu ança ali- men a es que de em se cump idos no o necimen o de e eições4. “Não há um dia em que possa dize , hoje a maio ia [dos alunos] comeu udo. [O despe - dício] ai pa a o meio dos p a os, ai logo pa a o lixo. (…) Os es os ambém, po exemplo, às ezes dos miúdos que al am [….]. Isso ai pa a o lixo.” (Pessoal de cozinha, Escola EB1, Lisboa Subu bano, Maio 2012.) Apesa das esis ências o e ecidas ela i amen e ao ap o ei amen o das sob as, algumas escolas disponibilizam, ao lanche ou ao i m do dia, o pão que sob ou do almoço e/ou do lanche de modo a emedia si uações de ca ência alimen a exis en es em casa. “(…) exis e alguma l exibilidade po pa e das escolas, po que algumas con i em com ealidades mui o di e en es, e há uma p eocu- pação da escola. À saída mui os podem le a o lanche ou ou a coisa que possa e sob ado. Mui os já es ão iden i i cados que ão chega a casa e não êm nada pa a come . Is o é uma si uação que a ia mui o em unção do local e da sensibilidade da escola.” (En e is a a uma ep esen an e de um se iço público de saúde, Madei a, Ma ço 2012.) Re o ça-se aqui a impo ância das edes de p o isão es a ais pa a ga an i o acesso a uma ESTADO SOCIAL E ALIMENTAÇÃO ESCOLAR: CRIATIVIDADE NA AUSTERIDADE 17 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 11-19 alimen ação egula e adequada, pa icula men e nos casos em que as edes de p o isão domés ica são insu i cien es. Além disso, ambém se iden i i ca um caso em que oi es abelecida uma pa ce ia en e a escola e a amília pa a o o necimen o do lanche à c iança, o qual não e a an es p o idenciado. Uma ez que e a equen e sob a pão do almoço, pediu-se aos pais pa a en ia em pa a a escola o echeio do pão (e.g. doce), maximizando-se assim o ap o ei amen o das sob as e a edução dos cus os dos lanches pa a as amílias. Es e exemplo ilus a a con a ualização en e as duas edes de p o isão: a es a al e a domés ica. A a és des as ilus ações empí icas, e i i ca-se que a c ise económica es á a e um e ei o es i i o no pode de comp a das amílias. Isso ep esen a di i culdades no acesso aos ci cui os de me cado e, em alguns casos, na o ganização da p o isão alimen a domés ica. Pe an e essas di i culdades, as amílias eco em mais às edes de p o isão es a ais como, po exemplo, as e eições escola- es. As es u u as go e namen ais que supo am as edes de p o isão es a ais (e.g. o necimen o de e eições escola es) ambém o am a e adas pela conjun u a económica a ual, não obs an e, desen ol eu-se um conjun o de inicia i as locais pa a en en a essas agilidades. Ao não ep esen- a em uma solução uni e sal, coadunam-se com a isão de que a sa is ação do bem-es a cole i o depende cada ez mais da au onomia, da c ia i i- dade e da cidadania dos indi íduos, aplicada nas es e as pessoal, pública e p o i ssional. As escolas, as au a quias e as amílias, quando limi adas pelos ecu sos que de êm, são mui as ezes ob igadas a con a ualiza en e si soluções que eme gem do con on o local com os desa i os. Des a o ma, su - gem p á icas ino ado as que in e e em a i amen e na o ganização dos mecanismos ins i ucionais que ga an em os di ei os sociais. C ia i idade cen alizada na ede de p o isão es a al: pa ce ias en e o Es ado e a comunidade Na secção an e io analisa am-se os a anjos c ia i os que deco iam da capacidade de au ono- mia dos agen es ins i ucionais descen alizados pa a ga an i o acesso das c ianças à alimen ação escola . Nes a secção, ap esen a-se uma inicia i a iden i i cada no deco e do abalho de campo, a qual oi desen ol ida ecen emen e. Es a inicia i a, ma e ializada num p og ama alimen a , em como obje i o a enua as ca ências de c ianças comp o- adamen e necessi adas a a és do o necimen o do pequeno-almoço na escola. Em No emb o de 2012, o Minis é io da Edu- cação e Ciência implemen ou o P og ama Escola de Re o ço Alimen a (PERA) com o obje i o de disponibiliza a p imei a e eição do dia às c ianças mais necessi adas e de sensibiliza as amílias pa a a impo ância do pequeno-almoço. Es e p oje o esul a de um conjun o de pa ce ias es abelecidas en e o Minis é io da Educação e Ciência e á ias en idades (e.g. Associação Nacional de Municípios Po ugueses, sec o emp esa ial, escolas, edes locais de ação social, Banco Alimen a con a a Fome ou ou as IPSS) e não ep esen a uma solução uni e sal mas sim um apoio social à p omoção da igualdade (MEC, 2012). Além disso, nes e p og ama, o o necimen o do pequeno-almoço g a ui o é conside ado apenas uma ase ansi ó ia, uma ez que o obje i o é sinaliza esses g upos da população e desen ol e uma in e enção que passa po disponibiliza em casa e na escola os alimen os p o enien es das pa ce ias es abelecidas. De aco do com o docu- men o publicado sob e o PERA (MEC, 2012), em 364 escolas, ap oximadamen e 12 000 alunos oma am o pequeno-almoço na escola e quase 50 % es a am cobe os po es e p og ama em 2012. Con a iamen e ao caso an e io , em que os a anjos c ia i os su giam ao ní el da inicia i a local e descen alizada (embo a den o das edes de p o isão es a al), nes e caso conc e o o Es ado cen al ino ou po meio de a anjos c ia i os pa a a enua p oblemas de ca ência alimen a . Não obs an e, es e p og ama sus en a-se no modelo con a ualis a apon ado po Sulkunen (2009), e como al ans e e esponsabilidades sociais, que an es e am p o idenciadas pelo Es ado, pa a um conjun o de en idades que a uam em di e en es edes de p o isão alimen a (emp esas, bancos alimen a es, IPSS, au o idades locais, e c.). No en an o, segundo as o ien ações cons i u- i as do PERA, es e p og ama não pode subs i ui inicia i as simila es que já enham sido desen ol- idas no âmbi o da au onomia local das escolas e das au a quias (MEC, 2012). Como se pode e i i ca nos exce os seguin es, pa a as escolas que es ão inse idas nas egiões em es udo e que i e am conhecimen o do PERA, es a inicia i a não oi mui o ú il. Is o po que a maio ia já inha em cu so a anjos c ia i os locais, como é o caso do o necimen o do suplemen o alimen a . “Já ou imos ala [do PERA] mas penso que, na minha opinião pessoal, nós já o emos… Quando a pessoa i que aquele menino eal- men e p ecisa [do suplemen o alimen a ], az o pedido e, a pa i daí, desencadeia-se odo o p ocesso.” (Responsá el dos se iços de ação social escola da escola EB 2, 3, No e, Fe e ei o 2013.) “Os ag upamen os, as di eções dos ag u- pamen os, os di e o es, pelo menos há já ês, qua o anos, que azem e o ços alimen a es Mónica T uninge , José Teixei a, Ana Ho a, Síl ia Alexand e e Vanda A. da Sil a 18 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 11-19 a alunos que chegam lá e omam o pequeno- -almoço pela manhã, é-lhes dado um e o ço a meio da manhã e a meio da a de ou o e o ço, pa a além do almoço que ambém passa a se o almen e g a ui o.” (Rep esen an e da Câma a Municipal C, Fe e ei o 2013.) Apesa de o Es ado e desen ol ido um p o- g ama cen al de apoio social, a maio ia das escolas em análise já in e eio pa a a enua as ca ências alimen a es das c ianças. Além disso, a conc e ização dos obje i os des e p og ama eside no ap o ei- amen o do capi al social do Es ado (no seu papel de acili ado ) pa a aze a pon e en e as amílias ca enciadas e as edes de p o isão comuni á ias. Nes e caso conc e o, no a-se assim uma mudança de papel do Es ado: de p o edo pa a acili ado . Des e modo, p e alece a isão con a ualis a do bem-es a social al como explici ado po Sulkunen (2009) e Some s (2008). Is o é, numa si uação de desman elamen o do Es ado Social, a p o eção dos cidadãos é ans e ida pa a as amílias, a sociedade ci il e o me cado, deixando de es a assegu ada exclusi amen e pelas edes de p o isão es a ais. Po ém, a p esença do Es ado con inua a se eque- ida, mesmo que eduzido a um papel de acili ado acionado po meio do seu capi al social. Comen á ios i nais Nes a análise e i i ca-se que, em Po ugal, o ag a amen o da si uação económica das amílias es á a aze que o seu consumo alimen a seja cada ez mais dependen e, an o das edes de p o isão es a al (acesso à alimen ação nas escolas públicas), quan o das edes comuni á ias que se o mam como al e na i a de acesso ao consumo alimen a (PERA). Pa indo dos deba es de Sulkunen (2009) e Some s (2008) sob e o Es ado Social, e u ilizando a ipologia de edes de p o isão de bens e se iços p opos a po Ha ey e al. (2001), iden i i ca am-se alguns a anjos c ia i os le ados a cabo em escolas selecionadas de ês egiões do país pa a ga an i a segu ança alimen a das c ianças. Nos exemplos empí icos analisados, ilus ámos a c ia i idade (des) cen alizada den o da ede de p o isão es a al. A análise de inicia i as c ia i as pe mi iu obse a di e en es o mas da sua exp essão nas edes de p o isão es a al. Po um lado, e i i cou-se a exis- ência de a anjos c ia i os descen alizados (ao ní el local da au a quia e da escola pública) que pe mi i am uma l exibilização e o ap o ei amen o dos ecu sos ins i ucionais. Po ou o lado, iden i i - ca am-se a anjos c ia i os cen alizados que o am consolidados a a és de pa ce ias en e o Es ado cen al e um conjun o de en idades que a uam em di e en es edes de p o isão alimen a (emp esas, bancos alimen a es, IPSS, au o idades locais, e c.). Como se pôde e a a és do PERA, a p i a ização e con a ualização dos se iços do Es ado colocou o acesso a alguns bens e se iços sob uma maio dependência das edes comuni á ias. No a-se aqui uma mudança de papel do Es ado – de p o edo a acili ado –, u ilizando o seu capi al social pa a aze pa ce ias en e os indi íduos, as amílias, a sociedade ci il e o me cado. Conclui-se que, apesa da a ual agilização do Es ado Social, as edes de p o isão es a ais con inuam a se cen ais pa a p o idencia bens e se iços, ais como a alimen ação escola , eco - endo a a anjos c ia i os que en am colma a os e ei os da c ise económica e das polí icas de eo neolibe al. Pe an e is o, há um conjun o de ques- ões pe inen es a explo a . A é que pon o é que as dinâmicas empi icamen e ilus adas – an o nas e eições escola es como no PERA – co obo am o a gumen o em o no do desman elamen o do Es ado Social (Sulkunen, 2009; Some s, 2008)? Is o po que, apesa do seu desman elamen o, o Es ado con inua a se equisi ado pa a ga an i a segu ança alimen a na escola pública, ainda que endo, po ezes, de econ i gu a o seu papel de p incipal p o edo pa a acili ado . Que ou os exemplos se podem encon a além da alimen ação escola de a anjos c ia i os, semp e p o isó ios e em abe o, pa a colma a as agilidades do Es ado Social? Se á que a análise mais ap o undada des es a anjos c ia i os nou as á eas de a uação do Es ado pode con ibui pa a desen ol imen os eó icos sob e as ins i uições (es a ais ou ou as) e a c ia i idade na aus e idade? Es as são algumas pis as pa a u u as in es igações e e l exões eó ico-empí icas. Ag adecimen os Es e a igo oi ap esen ado o iginalmen e ao VII Cong esso Po uguês de Sociologia (19-22 Junho 2012). Ag adecemos à audiência os comen á ios e c í icas ecebidos que ajuda am a e o mula subs- ancialmen e o p esen e ex o. Ag adecemos igual- men e os comen á ios cons u i os de dois e iso es anónimos pa a a melho ia des e a igo. Es e abalho bene i cia de i nanciamen o da Fundação pa a a Ciên- cia e a Tecnologia [PTDC/CS-SOC/111214/2009]. No as 1 Nes e a igo, a exp essão “a anjos c ia i os” epo a-se às á ias inicia i as de eo ganização das ins i uições de o ma a esol e p oblemas com que lidam no seu quo idiano. Es es a anjos nunca são de i ni i os, sendo si uações p o isó ias e semp e em abe o, as quais exigem l exibilidade e c ia i idade cons an es dos seus agen es. 2 Mais conc e amen e, e e imo-nos ao p oje o En e a Escola e Família: conhecimen os e p á icas alimen a es das c ianças em idade escola [PTDC/CS-SOC/11121/2009], ESTADO SOCIAL E ALIMENTAÇÃO ESCOLAR: CRIATIVIDADE NA AUSTERIDADE 19 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 11-19 i nanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, que em po obje i o analisa as á ias o mas de o ga- nização da alimen ação escola em Po ugal, iden i i ca di e sas inicia i as de alimen ação saudá el e as p inci- pais p io idades das polí icas públicas nes e âmbi o, nas escolas do Ensino Básico. 3 “Di e o a nega que c iança enha i cado sem come ”, no ícia publicada no Exp esso a 17 de Ou ub o de 2012. 4 Apesa de a maio ia das emp esas de ca e ing a i ma que não é pe mi ido o ap o ei amen o de sob as, iden i i cou-se uma associação con a o despe dício alimen a (Da iaco - da ) que desen ol eu, em conjun o com a Au o idade de Segu ança Alimen a e Económica (ASAE), um manual de boas p á icas. Es e manual possibili a a ecolha, o anspo e e a dis ibuição de e eições ap o ei adas a pa i das sob as alimen a es de es au an es, g andes supe ícies e ou os o necedo es. O cump imen o des as o ien ações possibili a que as sob as possam se legal- men e dis ibuídas. Bibliog a i a COMISSÃO EUROPEIA (2012), The dis ibu ional e ec s o aus e i y measu es: A compa ison o six EU coun ies, Repo , Social Si ua ion Obse a o y. COSTA, A. (2012),“Desigualdades Globais”, in Sociologia, P oblemas e P á icas, 68, pp. 9-32. CRUZ, I. (2011), “P á icas de consumo: o que az a di e ença?”, Sociologia Online, 4, pp. 7-25. DEVAULT, M. (1991), Feeding he amily: he social o ganiza ion o ca ing as gende ed wo k, Chicago, Uni e si y o Chicago P ess. DOWLER, E. e D. O’Conno (2012), “Righ s-based app oaches o add essing ood po e y and ood insecu i y in I eland and UK”, Social Science & Medicine, 74(1), pp. 44–51. EVANS, B. 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O desemp ego ge a p i ação de ecu sos ma e iais e disponibilidade de empo. Es e duplo aspe o p opo ciona e o ço de apoio e ocas amilia es. As solida iedades amilia es desempenham papel undamen al como al e na i a ou complemen o à p o eção social do Es ado. No con ex o do desemp ego é cla a a cen alização na es e a p i ada po enciado a de ganhos na amília nuclea , com des aque pa a as solida iedades emininas. Pala as-cha e: desemp ego; “sociedade-p o idência”; “ amilismo amo al”; dom; solida iedade Abs ac This a icle p esen s he p elimina y ou come o amily solida i ies in unemploymen in Po ugal. Assuming ha in he Po uguese socie y he e is place o sha ing and gi ing, we explo ed hei mani es a ions on unemploymen using some ques ions o a su ey abou he expe ience o unem- ploymen o 300 unemployed in he G ea e Lisbon a ea and 60 in e iews. The inqui y was ca ied ou be ween Decembe 2005 and Janua y 2006. Unemploymen causes dep i a ion o ma e ial esou ces and ime a ailabili y. This double unemploymen con ingency b ings he ein o cemen o amily suppo and sha ing. The amily solida i y plays a key ole as an al e na i e o complemen o he social p o ec ion o he S a e. In he con ex o unemploymen i is clea he cen e ing on p i acy-enhancing gains in he nuclea amily, wi h emphasis on emale solida i y. Keywo ds: unemploymen ; “wel a e-socie y”; “amo al amilism”; gi ; solida i y B e es conside ações eó icas Desemp ego O desemp ego é, a ualmen e, um dos p o- blemas incon o ná eis, p emen es e d amá icos, cuja comp eensão se elaciona com a exis ência de uma o ganização social economicamen e baseada no p edomínio de elações sala iais no modo de p odução capi alis a. A disjunção en e empo de abalho des i- nado a endimen o e empo de abalho p i ado ou domés ico cons i ui uma das ca a e ís icas do abalho assala iado. T a a-se de a i idade na es e a pública e à qual é econhecida u ilidade aduzida em endimen o e posição social. A composição do olume de desemp ego é bas an e di e enciada, acusando um desemp ego a duas elocidades: desemp ego de ansição e desemp ego de exclusão (Cla el, 2004). Se, no p imei o, o cu o empo de a as amen o do me - cado de abalho não comp ome e possibilidades de einse ção, no segundo, ao p olonga -se, co po iza a p eca iedade c ónica do desemp ego de exclusão. Isabel Ma çano 22 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 21-29 Po ugal, em 2006, con a a nos Cen os de Emp ego mais de 440 000 desemp egados, alo sobejamen e aumen ado desde en ão. P o eção no desemp ego, “sociedade-p o idência” e “ amilismo amo al” Na Eu opa, os Es ados-P o idência de i ni am o desemp ego, o es a u o de desemp egado, e desenha am “mediado es de compensação” (Gallie e Paugam, 2000), como p o eções sociais aos desemp egados pa a en en a em a p i ação de emp ego. O egime de p o eção no desemp ego em e ei o decisi o na p i ação i nancei a. As cobe u as es a ais ap esen am g ande he e ogeneidade na União Eu opeia (UE). O egime de p o eção mais p óximo da ealidade dos países do Sul da Eu opa é o “subp o e o ”, onde é maio a p obabilidade de os bene i ciá ios se con on a em com di i culdades i nancei as g a es ou i e em abaixo do limia de pob eza com o es possibilidades de o desemp ego se p olonga . Em Po ugal, em Agos o de 2009, apenas 46 % dos desemp egados insc i os nos Cen os de Emp ego (CE) ecebiam subsídio de desemp ego. Em 2011 a cobe u a do subsídio de desemp ego diminuiu (41,1 % no 4.º imes e), o que dá ideia do ag a amen o da agilidade da cobe u a da p o eção social. No caso da sociedade po uguesa, as lacunas de p o eção abe as pelo egime “subp o e o ” encon am-se compensadas pela ação de uma “sociedade-p o idência” (San os, 1995) onde as edes de elações sociais subs i uem o Es ado – pela eduzida “des-ins i ucionalização” do modelo de amília adicional e pelos apoios amilia es (Loison, 2002), apesa do en aquecimen o da “sociedade- -p o idência” nas úl imas décadas (Rod igues, s. d.). As ocas in e ge acionais pe manecem uma ealidade. No Sul da Eu opa e em Po ugal ende a p edomina um pad ão amilia em que os i lhos saem a diamen e de casa. Além disso, a adição pa ece combina -se com di i culdades económicas e a o ece um modelo de esidência amilia que, embo a endencialmen e nuclea , e idencia alguma dependência ex ensi a com “ins i ucionalização” do modelo de amília adicional e apoios en e amilia es. O concei o de “ amilismo amo al” a icula as noções de sociedade, me cado e Es ado e é ca a e izado pela cen alização na es e a p i ada com ganhos na amília nuclea desligados do bem comum. O concei o em alidade pa a sociedades o emen e desiguali á ias (Ban i eld, 1958; Elisa Reis,1995). Tal hipó ese, que suge imos álida pa a o con ex o po uguês do desemp ego, é alidada po M. Villa e de Cab al (2002) a p opósi o do campe- sina o pob e. É p o á el que os abalhado es mais des a o ecidos e os desemp egados a ingidos po ca ência económica se limi em a apoios e inicia i as em ci cui o p i ado. Solida iedade, dom e oca A esponsabilidade ou dependência mú ua en e duas ou mais pessoas na amília ca a e izam a solida iedade amilia . Daí esul a a coope ação e es ão p esen es elemen os de dádi a ou dom, independen emen e da ecip ocidade. Es a pode se di e ida. G ano e e (1973) in oduziu no os concei os de ede e classi i cou os laços sociais exis en es em acos (weak ies), aqueles nos quais o in es imen o é meno ou nulo (e.g., indi íduos pa icipan es de um g upo ou associação) e o es (s ong ies), nos quais os indi íduos empenham mais empo, in ensidade emocional e ocas (e.g., cí culo amilia e de amigos). O mo imen o de dádi as e e ibuições oi abo dado po Mauss (1923-1924) como enómeno complexo e pa adoxal das sociedades di as p imi i as ou a caicas. Em con apa ida, Lé i-S auss (1974 e 1978) assinalou a ealidade es u u al da oca. No caso do desemp ego, é legí imo pe gun a se oco em ocas e solida iedades, como oco em e como são iden i i cadas pelos en ol idos. Da , ecebe e e ibui é p óp io das elações sociais. No con ex o amilia podem oca -se bens de na u eza di e sa. O econhecimen o de neces- sidades amilia es e a disponibilidade pa a ajuda são duas condições básicas pa a conc e ização de dádi as sob o mas di e sas. No ciclo de ida amilia , á ias lógicas se en e ecem: “lógica da necessidade”, “lógica da ecip ocidade” e “lógica da complemen a idade” (A ias-Don u , 1998) po e e ência ao da , ecebe e e ibui de Mauss. As ocas oco em segundo elações de doação e ecip ocidade (Raze o in Ti iba, 2004).1 En e amilia es os dons assumem, equen e- men e, a o ma de ajuda ou apoio. O apoio social em sido conside ado de di e en es o mas (Cobb, 1976; Thoi s, 1982; Wa , Jackson e Banks, 1982). Dis inguimos dois ipos de apoio social (ins umen al ou ma e ial e socioemocional) que conse am os a ibu os de dádi a ou dom, são dinâmicos e mu u- amen e pe meá eis na ci culação de bens, se iços e a e os. Além disso, Casal (2005) p opõe que a base de egulação da dádi a en e amilia es não se baseia na no ma da ecip ocidade 2 mas no p incípio da dí ida3. Essa dí ida ende a se posi i a, pois ge a econhecimen o e sen imen o de ag ado pela dádi a ecebida, não exigindo e ibuição e qui ação. Aqui é usada a noção de elações de ecip ocidade no sen ido do l uxo bila e al ou unila e al, sem aco do do in e câmbio nem p oximidade empo al, con o me Raze o, in Ti iba (2004). ENTRE DONS: ITINERÁRIO DE PESQUISA SOBRE SOLIDARIEDADES FAMILIARES NO DESEMPREGO 23 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 21-29 Me odologia Com o obje i o de iden i i ca se oco em o- cas e solida iedades, como oco em e como são iden i i cadas pelos en ol idos, o am inqui idos 300 desemp egados4 e analisadas ques ões colocadas num inqué i o po ques ioná io mais as o. O inqué- i o deco eu en e dezemb o de 2005 e janei o de 2006, complemen ado com a ealização de sessen a en e is as a é julho de 2006. Resul ados empí icos Inqué i o po ques ioná io P o eção social e si uação inancei a A si uação i nancei a dos desemp egados pe mi e escla ece os ní eis de p o eção social dos inqui idos pa a en en a a p i ação de emp ego. Como o ipo de egime de p o eção no desemp ego em impo ância decisi a na p i ação i nancei a e es a, po sua ez, pode á implica maio en ol- imen o da ede amilia e social nos apoios no desemp ego, es e oi um pon o p é io à análise das ocas e solida iedades no desemp ego. Quan o ao endimen o i nancei o dos ag egados domés icos, ce ca de me ade dispõe de endimen os supe io es a 749  mensais. No escalão de endimen- os de 500  a 748  mês enquad am-se 23,2 %. O des aque incide, no en an o, sob e inqui idos cujos ag egados dispõem de endimen o mensal in e io a 499  mês, suge indo condições de pob eza e exclusão social pa a 17,6 %, com ealce pa a 2 % com endimen o igual ou in e io a 150  mês. Complemen ando es es dados com in o mação ela i a à capacidade de poupança, e i i ca-se que a sus en abilidade económica da gene alidade dos ag egados se ca a e iza de p ecá ia (37,2 % gas am odo o dinhei o disponí el, 40,1 % êm de p escindi de bens necessá ios e 6,4 % chegam a endi ida - -se). Somen e 16,3 % dos ag egados dão sinais de es abilidade económica com capacidade de poupança. Sob e a p o eção social, no a-se que a maio ia dos inqui idos (86,2 %) bene i cia de subsídio de desemp ego. En e os es an es (N=38), iden i i ca-se assinalá el p opo ção de si uações de p eca iedade, dado que, oco endo o desemp ego em mui os casos po mo i os não impu á eis aos inqui idos, es es não ecebem subsídio de desemp ego. Quan o ao escalão de subsídio de desemp ego e pensão, apa ece uma concen ação em o no dos limi es in e io e supe io do salá io mínimo nacional (37,2 % com subsídio en e 300  e 499  mensais e 26,5 % en e 500  a 748  mensais). Há que ealça ainda a pe cen agem de inqui i- dos com subsídios in e io es a 299  mensais (13 %), si uados assim em limia de pob eza e de exclusão, conside ando, nomeadamen e, 2,3 % no escalão mínimo de 0 a 150  mensais. Po con as e, 23 % dos inqui idos au e em p es ação mais gene osa ( alo supe io a 749 ). Tais dados assumem especial ele ância quando se e i i ca que ce ca de 2 / 3 dos inqui idos êm como p incipal on e de sob e i ência o subsídio. Des aca- -se ainda a assunção da amília como impo an e es u u a de sus en o e apoio pa a ce ca de 1/3 dos inqui idos, onde cônjuge/companhei o(a) assim como pais assumem pa icula des aque. A p opósi o ainda dos aspe os económicos, a g ande maio ia dos inqui idos (95 %) conco da em e i cado com menos dinhei o após o desemp ego. Ecologia habi acional e amilia A ecologia amilia ap esen a ca a e ís icas a o á eis à oco ência de ocas, como se e á. Mais de me ade dos inqui idos eside em casa p óp ia. Seguem-se si uações de esidência em casa alugada e em casa dos pais, em pe cen agens mui o p óximas. Meno pe cen agem eside em qua o alugado. Sendo a esidência em casa dos pais a o impo an e da comunidade de ecu sos e sus- en abilidade económica pe an e o desemp ego, conside ou-se ele an e ap esen a uma ca a e- ização da si uação amilia dos inqui idos em ais condições (N=57). Ce ca de 2/3 dos esiden es em casa dos pais são sol ei os; os es an es casados/ /união de ac o (19,3 %) ou di o ciados/sepa ados de ac o (15,8 %). Os inqui idos não se encon am em ci cuns- ância esidencial de isolamen o, sendo que mais de me ade i e com 2 ou 3 pessoas, 26 % com 4 ou mais pessoas e apenas 18,1 % com 1 pessoa. Quan o à cons i uição do ag egado amilia , no a-se que quase me ade em o seu p óp io ag egado amilia (mulhe /ma ido/companhei o/a e i lhos). Ce ca de 20 % cons i uem amília nuclea con i nada a cônjuges e 5 % apenas com i lhos. O ag egado amilia de 20 % dos indi íduos é amília ala gada a ês ge ações (pais/i mãos/a ós). No e-se que, em ce ca de 1/4 dos ag egados domés icos, coexis em mais pessoas à p ocu a de emp ego, a o que ce amen e con ibui pa a a agilização de au ossus en ação e equilíb io. O ac o de 25 % dos cônjuges/companhei os(as) dos inqui idos não abalha é digno de no a, pois pode á cons i ui indicado de p eca iedade, insegu ança e/ou di i culdade de sus en abilidade económica de 1/4 das amílias. Também o con ac o com pessoas desemp egadas é comum na es an e es e a social dos inqui idos (78,2 % êm ou os amilia es ou amigos desemp egados). Uma análise da p oximidade geog á i ca en e amilia es mais di e os pe mi e a i ma que, no Isabel Ma çano 24 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 21-29 ge al, exis e g ande p oximidade: quase 30 % esidem na mesma eguesia e ce ca de 24 % no mesmo concelho. Sociabilidade amilia Ao analisa a isi a en e amilia es, conclui-se que a pe iodicidade diá ia ou semanal é a p á ica mais comum (56,1 %), embo a 37 % exp essem isi as pon uais ou a sua inexis ência. Uma mino ia (6,8 %) exp essa uma p á ica mensal de isi as. A p oximidade geog á i ca e os con ac os sociais en e os amilia es mais chegados con i gu am p o eção psicológica e in eg ação social ace ao desemp ego. Solida iedade e ocas amilia es Tendo como undo os dados an e io es, ana- lisa am-se solida iedades amilia es e ocas en e indi íduos em si uação de desemp ego. Rela i amen e à ajuda de amilia es, a maio ia (70 %) a i ma não ecebe qualque ipo de ajuda, mas ainda assim é exp essi a a pe cen agem dos que dela bene i ciam (30 %). Quan o à ajuda, p edomina a i nancei a (53,4 %). No en an o, a ajuda no alojamen o é ambém iden i i - cada po bas an es inqui idos (21,9 %). Num e cei o ní el e com exp essão análoga su gem duas ajudas: cuida dos i lhos (12,3 %) e alimen ação (11 %). Solida iedades e ocas amilia es o am anali- sadas em en e is as complemen a es ao inqué i o, sendo no ó io que ocupação do empo, ocas, solida iedades e ajudas in e agem no con ex o do desemp ego. En e is as5 Da in es igação eme ge que no desemp ego se pe dem a iá eis o ganizacionais de ges ão do empo, embo a apa eçam ou os ma cado es, como as ob igações pa a com o Es ado, ou se e o cem de e es e ocas com a amília. A maio ia dos homens op a po c ia o inas que pe mi em sai de casa. Não só, pa a alguns, po que a casa é o espaço adicional eminino, mas po mo i os de isolamen o e de busca do con í io social e de emp ego. As mulhe es, mesmo as mais jo ens, endem a pe manece mais empo em casa e a man e um sen ido social pelo cuida da casa, i lhos, ne os ou pais idosos. As mães êm em comum o ac o de pau a em a ida pelas necessidades da p ole. O ma e ial das en e is as e idencia pad ões empo ais e de ocas comuns às idas de mulhe es, sob e udo ope á ias, mas com a iação em unção da idade. Mui as mulhe es, in l uenciadas pela adição ou limi adas pela al a de ecu sos i nancei os ou po ca ência de es u u as na sua á ea de esidência, assumem o cuidado de i lhos e pais. Assim, e i am ambém um ac éscimo das despesas. No global, as mulhe es comungam da ealização de a i idades no empo social amilia com a execução de a e as di e sas. A desc ição des as a i idades é assinalada pelas mulhe es das classes ope á ias e bu oc á icas como ações que p eenchem os dias; não são po ém des acadas pelas mulhe es de p o i ssões écnicas, in elec uais e cien í i cas. A pa i dos cinquen a anos su gem mais casos de desemp egadas que assumem ou o papel de apoio amilia ao oma con a de mães ou pais idosos, si uação ele an e na economia domés ica, que os pais pa ilhem ou não do mesmo ag egado domés ico. Em ge al, são poucos os homens que dedicam empo a a i idades domés icas, embo a passem mais empo em casa e dêem mais apoio a i lhos ou ne os. De ac o, e compa a i amen e às mulhe- es, os homens es ão menos p esen es no empo amilia : menos cen ados e ocupados em casa e mui o menos em a i idades domés icas, ainda que alguns a i mem “da uma ajuda” ou cozinha . Pa a mui os, se a casa é obje o de abalho, é-o enquan o es u u a a melho a (pin u as, pequenos a anjos ou g andes ob as), sublinhando alguns ela os o con ibu o des e abalho pa a a economia amilia . Vejam-se alguns exemplos de quem ecebe ajuda. A., com 22 anos, em uma i lha de in e e qua o meses. Ope á ia ab il, apenas concluiu o 6.º ano de escola idade. Desemp egada há dois anos, não au e e subsídio. O ma ido abalha em o i cina e ecebe o salá io mínimo nacional. Os pais i em na mesma eguesia e as mulhe es e c iança dos dois g upos domés icos encon am-se á ias ezes po semana. Os a ós dão apoio à jo em amília: cuidam da ne a quando necessá io, o e ecem alimen os da ho a, p epa am e eições, sendo as ocas sob e udo dinamizadas no eminino. B., sol ei a sem i lhos, em 25 anos e o 12.º ano de escola idade. Vi e com os pais e es á desemp e- gada há ês meses. Tem alguma expe iência como caixei a de loja, não au e e subsídio e con a com o apoio i nancei o e de alojamen o po pa e dos pais. É um dos casos a os que se dedica a algum abalho de olun a iado (com idosos), pa a além da p ocu a de emp ego. C. é mulhe de 27 anos, engenhei a indus ial, casada e sem i lhos. O ma ido é bancá io. Com expe iência de abalho na á ea come cial, deseja um emp ego na sua á ea p o i ssional. Desemp e- gada há dois meses, em subsídio que du a á po dez meses e ecebe apoio do ma ido. Cuida da casa, p epa a e eições e p ocu a emp ego. O subsídio não é mui o mas é impo an e pa a as minhas despesas. Assim não i co com- PRÁTICAS CULTURAIS DOS JOVENS DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES: REFLEXÕES EM TORNO DO ECLETISMO CULTURAL 31 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 Resumo Nes e a igo, p ocu a emos e l e i sob e as p á icas cul u ais dos jo ens “he dei os” que e- quen am dois p es igiados colégios p i ados po ugueses, endo po base os esul ados de uma in es igação de dou o amen o. Depois de p oblema iza mos as missões educa i as pe seguidas po es as escolas, no eadas pela me a de uma o mação in eg al que alia à dimensão académi- ca as dimensões cí ica, social e cul u al, incidi emos a nossa análise sob e as p á icas cul u ais dos alunos, e l e indo a é que pon o elas es ão em elação homológica com a posição ocupada no espaço social ou são exp essão de um ecle ismo “escla ecido” que se a i ma como um no o ope ado de dis inção simbólica. Discu i emos ainda o papel da socialização amilia e escola na o mação de disposições a o á eis aos consumos cul u ais “cul i ados”. Pala as-cha e: colégios p i ados; p á icas cul u ais; classes dominan es Abs ac This pape ocuses on he cul u al p ac ices o you h ha a end wo o he mos socially ecognized Po uguese p i a e schools and i is based on he esul s o a doc o al esea ch p ojec . Fi s ly, we will analyse he educa ional p ojec s o hese schools – in which we i nd no only academic goals, bu also ci ic and cul u al ones. Secondly, we will hink abou s uden s’ cul u al p ac ices and we will discuss i we can alk abou a pu e homological ela ion be ween hese consump ions and s uden s’ social posi ions o i we mus ha e o alk abou an “enligh ened” eclec icism as a new o m o dis inc ion. Finally, we will discuss he ole o amilia and schola socializa ion in he p omo ion o legi ima e cul u al consump ions. Keywo ds: p i a e schools; cul u al p ac ices; uppe classes Ma ia Luísa Qua esma In es igado a do Ins i u o de Sociologia da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o e P o esso a da Uni e sidad Au ónoma de Chile ([email p o ec ed]) PRÁTICAS CULTURAIS DOS JOVENS DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES: REFLEXÕES EM TORNO DO ECLETISMO CULTURAL Os colégios p i ados e a educação holís ica: no as in odu ó ias P oblema izando a pe inência do pa adigma bou diano das homologias en e pe ença classis a e p á icas cul u ais e con ocando as ecen es eses em o no das me amo oses dos mecanismos da dis inção (Coulangeon, 2011), p opomo-nos analisa a abe u a à polic omia cul u al dos es udan es de dois colégios p i ados si uados em Lisboa e e- quen ados pelas classes dominan es, onde le ámos a cabo uma in es igação de dou o amen o1 sob e o sucesso educa i o no ensino pa icula . Realizado num colégio laico e num eligioso, es e es udo e e como en oque analí ico as ep esen ações sociais dos di e en es agen es educa i os (di e o es, p o esso es, alunos, ex-alunos e pais) sob e o sucesso educa i o e as es a égias o ganizacionais pa a o alcança . Acionámos um conjun o de écnicas de in es iga- ção quali a i as e quan i a i as: en e is as semi- di e i as a onze ep esen an es dos ó gãos cole- giais, a eze pais e a seis ex-alunos; dois g upos de discussão o a com p o esso es, o a com alunos e duas en e is as de g upo a p o esso es; obse a- ções di e as em con ex o escola ; análise de on es documen ais, como P oje os Educa i os, Anuá ios, Regulamen os In e nos; inqué i o po ques ioná io aplicado a uma amos a ep esen a i a de 475 es udan es en e o 9.º e o 12.º ano, selecionada a pa i de um uni e so de 874 alunos e endo po base o sexo, o ano de escola idade e o ag upamen o cien í i co. Ma ia Luísa Qua esma 32 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 Num b e e e a o de ap esen ação dos colé- gios em es udo, salien a íamos o ac o de es a mos pe an e dois dos es abelecimen os de ensino de maio enome em Po ugal, que pela sua longa adição no campo da educação e da o mação das eli es nacionais, que po uma imagem pública de qualidade académica que a publicação dos ankings escola es ajudou a consolida , con e indo-lhes uma au a de “excelência” que unciona, pe si, como um signo dis in i o no pano ama do uni e so escola po uguês. A sele i idade sociocul u al do seu público escola não deixa á ambém de con ibui pa a a cons ução des a imagem, an o mais que, como diz Van Zan en, ende a p e alece a pe ceção de que a “qualidade da educação – no duplo sen ido da ins ução e da socialização – (…) depende es ei- amen e das ca a e ís icas do público dos alunos” (2009: 26). O a, como a análise dos dados con i ma, os dois colégios são equen ados po jo ens p o e- nien es de classes com ele ados capi ais cul u ais e/ou económicos: 41,9 % deles p o êm da Pequena Bu guesia In elec ual e Cien í i ca (PBIC); 20,6 % pe encem à Bu guesia Emp esa ial e P op ie á ia (BEP) e 31,7 % à Bu guesia Di igen e e P o i ssional (BDP). Apenas 5,8 % dos alunos são o iundos de ou as ações de classes, den o das quais encon- amos apenas duas com pe i l de baixa quali i cação escola e de meno olume de capi al económico, social e simbólico: Pequena Bu guesia de Execução (1,6 %) e Ope a iado (0,2 %) (Tabela 1). Bu guesia Emp esa ial e P op ie á ia 20,6 % Bu guesia Di igen e e P o i ssional 31,7 % Pequena Bu guesia In elec ual e Cien í i ca 41,9 % Pequena Bu guesia Técnica e de Enquad amen o In e médio 3,1 % Pequena Bu guesia de Execução 1,6 % Pequena Bu guesia P op ie á ia e Assala iada 0,9 % Ope a iado Plu iac i o 0,2 % To al 100 % (N=451) Tabela 1   Luga de classe amilia dos alunos A quase o alidade dos p ogeni o es des es alunos concluiu um g au académico de ní el supe- io : 38,1 % das mães comple a am a licencia u a, 23,8 % o mes ado, 12,1 % o dou o amen o e 9,8 % o pós-dou o amen o, alo es que en e os pais a ingem, espe i amen e, 33,2 %, 23,1 %, 17,9 % e 10,6 % (Tabela 2). “Elei os” po um público escola he dei o de uma posição social e cul u al o emen e capi alizada, com al as expe a i as no u u o e ele ados ní eis de in es imen o no quo idiano académico, indis- pensá eis pa a da con inuidade à he ança, es es colégios encon am no p oje o de o mação in eg al a espos a à dis in i idade almejada pelas classes dominan es (Pinçon e Pinçon-Cha lo , 1998). Os “he - dei os” des as amílias es a ão des inados a ocupa posições dominan es e unções di as de au o idade “(…) que, nunca sendo de i nidas (ou somen e em apa ência) unicamen e pela sua dimensão écnica, pedem «la gueza de is as», ap idões poli alen es, isão de « elance», «cul u a ge al», ideias ge ais, capacidades de sín ese, em suma, odas as i u- des insepa a elmen e in elec uais e mo ais que os ocupan es das posições dominan es nos di e en es campos a ibuem a si p óp ios (…)” (Bou dieu, 1989: 210) – aquisições que, mesmo sem es a em expli- ci adas no “cu ículo o i cial”, in eg am o “cu ículo escondido” (Pe enoud, 1995) de escolas que, como es as, es ão incumbidas de o ma as eli es u u as, como admi em os alunos en e is ados. Pai Mãe 1.º ciclo do Ensino Básico (4.º ano) 0,2 % 0,2 % 2.º ciclo do Ensino Básico (6.º ano) 0,5 % 0,2 % 3.º ciclo do Ensino Básico (9.º ano) 1,9 % 1,6 % Ensino Secundá io (12.º ano) 9,4 % 11,4 % Bacha ela o 3,3 % 2,6 % Licencia u a 33,2 % 38,1 % Mes ado 23,1 % 23,8 % Dou o amen o 17,9 % 12,1 % Pós-Dou o amen o 10,6 % 9,8 % To al 100,0 % (N=425) 100,0 % (N=428) Tabela 2   Ní el de escola idade dos pais PRÁTICAS CULTURAIS DOS JOVENS DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES: REFLEXÕES EM TORNO DO ECLETISMO CULTURAL 33 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 Numa con i mação da escola p i ada enquan o “comunidade de alo es” amplamen e pa ilhados (Es ê ão, 1998), os P oje os Educa i os e os enun- ciados discu si os dos di e en es ep esen an es colegiais con e gem na a i mação dos alo es e p incípios socializado es conside ados eixos es u- u an es da espe i a ação educa i a e que os alunos de e ão adqui i e a i a pa a se em dignos ep esen an es do espe i o colégio ou, como nos dizem os en e is ados, pa a pode em “ es i a camisola da escola”. No colégio eligioso, é e iden e a unanimidade dos agen es educa i os em o no do ideal de o mação in eg al de i nido no espe i o P oje o Educa i o e que in eg a ês dimensões undamen ais: pessoal, aduzida na cons ução de uma pe sonalidade incada e coesa; social, ma e- ializada na educação pa a um se “de elação” com a al e idade e pa a o “se iço dos ou os”, como nos diz o Di e o do colégio; e eligiosa, pa en e no acompanhamen o dos “(…) alunos no seu c escimen o da Fé, cen ada em C is o (…)” (P oje o Educa i o), na c ença de que o se humano só pode “(…) e uma pe sonalidade o e ao se iço dos ou os se o i ze em Deus” (Di e o do colégio eligioso). No colégio laico, ambém sob essai das en e is as e do inqué i o a mesma sin onia socializado a en e os di e en es agen es educa i os e a di eção colegial no que diz espei o à o mação dos alunos segundo os “g andes alo es humanis as” (P oje o Educa i o) que p esidi am à undação des e es abelecimen o de ensino, apos ado no desen ol imen o do pila humano (educação pa a a au onomia, e l exi idade, c ia i idade), académico (aquisição do pa imónio linguís ico, li e á io e cien í i co) e de cidadania. Assim, pa indo da a iculação en e os dados o necidos pela empi ia e os con ibu os eó icos, cons uímos um concei o de sucesso educa i o capaz de aba ca es e ideal de o mação de “banda la ga” pe seguido po colégios e amílias e que con- empla qua o dimensões: a académica, a social, a cí ica e a cul u al. Cingi -nos-emos, nes e a igo, à análise des e úl imo domínio de o mação plena, ocando a nossa a enção nas p á icas cul u ais dos alunos. Conscien es de que podemos es a “(…) con on ados, a cada momen o de cada sociedade, com um conjun o de posições sociais que se une po uma elação de homologia a um conjun o de a i idades (…)” (Bou dieu, 2001: 6), p oblema i- za emos a pe inência da elação homológica en e es as p á icas e as posições sociais dos alunos. Mas sabendo que os indi íduos “não são ei os de um só pedaço” (Lahi e, 2003: 32), endo cada um deles a capacidade de “(…) se ao mesmo empo « ulga » e «especial» (…)” (Sa age e al., 2000: 117), a ançamos com a hipó ese de es es jo ens não e em consumos cul u ais exclusi os em e mos de legi imidade cul u al, e elando sinais desse ecle- ismo não indis in o que, pa a Coulangeon (2011), ma ca á hoje a on ei a simbólica en e as classes dominan es e as es an es. F uições cul u ais dos jo ens das classes dominan es: en e a cul u a de massas e a “al a” cul u a Um dos elemen os es u u an es do quo idiano ju enil são as p á icas de laze e de sociabilidade que, sob o mas di e sas con o me os con ex os de ida, con ibuem pa a que os jo ens le em a bom po o a “ a e a po excelência do adolescen e” (Cos a, 1997: 143): a cons ução da iden idade psicossocial, assen e numa conquis a de au onomia ace aos pais que em como con apon o a sob e alo ização das edes amicais. Tomando como pano de undo e como plano compa a i o a ju en ude po uguesa, analisa emos a adesão dos alunos que às p á icas cul u ais in e- g adas na cul u a de massas, que às enquad adas na di a “cul u a cul i ada”. En e “os signos ju enis ge acionais” (Pais, 2003: 126) que podemos conside a comuns à gene alidade dos jo ens con am-se a equência de ba es/ca és, o consumo ele isi o, as idas ao cinema, o acesso à In e ne e a música – p á icas que, não obs an e a sua gene alização e massi- i cação, admi em a iações de in ensidade e de “qualidade” em unção, nomeadamen e, do capi al socioeconómico e cul u al, a é po que, como ale a Cuche, po mui o g ande que seja a pad onização de um p odu o, “(….) a sua eceção não pode se uni o me e depende mui o das pa icula idades cul u ais de cada g upo, bem como da si uação que cada g upo conhece no momen o da eceção” (2003: 123). Os alunos des es colégios não se dema cam des e pad ão de consumos mais massi i cados que es u u am as iden idades ju enis, “ anscendendo la gamen e as cli agens sociais” (Donna , 2004: 90) po o ça, nomeadamen e, do e ei o socializado in age acional do g upo de pa es. Assim, mais de me ade dos alunos po nós inqui idos (63,5 %) e- quen am assiduamen e os ca és e ba es, ade indo a uma p á ica amplamen e associada à “(…) busca de con í io pa a além do empo escola ” (Fe nandes e al., 2001: 241) que in eg a os hábi os da gene- alidade da população ju enil po uguesa (Gomes, 2003). A equência do cinema ambém ap oxima os nossos inqui idos dos es an es jo ens po ugueses. Iden i i cada po Fe nandes e al. como uma das “saídas cul u ais mais es u u adas” (2001: 256) dos jo ens, a ida ao cinema é p á ica habi ual de 64,3 % dos alunos inqui idos, que e e em ma ca p esença nas salas de espe áculo algumas ezes po mês. Con i mando a meno ece i idade dos mais jo ens aos “ alo es clássicos” da his ó ia da Sé ima A e (Lopes, 2000: 231), os inqui idos elegem como ob as cinema og á i cas a o i as i lmes que Ma ia Luísa Qua esma 34 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 são ep esen a i os da di usão do consumo global pelos ci cui os de dis ibuição cul u al e que se a i ma am como sucessos de bilhe ei a pelo e ei o de “macdonaldização” (Ri ze , 1993) da cul u a. Deles salien amos, pela sua maio exp essi idade, C epúsculo e Ha y Po e . No que diz espei o ao ele isionamen o e ao ecu so à In e ne , concluímos que eles ambém são laze es omnip esen es no quo idiano des es alunos, con i mando a o ça da “cul u a do ec ã” (Donna , 2009: 5): 63,7 % deles são espe ado es diá ios de ele isão e 62,2 % es ão ligados, quo idianamen e, à ede global, que em nos jo ens e nas classes sociais a o ecidas os seus p incipais u ilizado es, segundo o mesmo es udo. Rela i amen e à música – uma ou a cons- an e lúdica no es ilo de ida ju enil –, e i i camos que 46,4 % dos nossos inqui idos dizem assis i a espe áculos musicais algumas ezes po mês ou algumas ezes po semana. Todos os dias Algumas ezes po semana Algumas ezes po mês Ra amen e Nunca To al I a ca é/ba es 16,9 % 46,6 % 28,1 % 7,4 % 1,1 % 100,0 % (N=474) I ao cinema 1,5 % 20,5 % 64,3 % 13,3 % 0,4 % 100,0 % (N=474) Ve TV 63,7 % 27,0 % 3,2 % 5,3 % 0,8 % 100,0 % (N=474) Na ega na In e ne 62,2 % 31,0 % 4,4 % 1,7 % 0,6 % 100,0 % (N=474) I a espe áculos musicais 1,1 % 8,2 % 38,2 % 44,1 % 8,4 % 100,0 % (N=474) Tabela 3   P á icas cul u ais “massi i cadas”: i a ca é/ba es, i ao cinema, e T , na ega na In e ne , i a espe áculos musicais Os es ilos de música mais escolhidos como p i- mei as opções não êm, mais uma ez, os con o nos da “clássica” dis in i idade bou diana, con undindo-se com as p e e ências da es an e população ju enil (Fe nandes e al., 2001): pop- ock (37,1 %), hip- -hop/ ap (17,7 %) e house/disco (15 %). No en an o, su ge em qua o luga como es ilo de música a o- i a um géne o musical al e na i o que não pode á deixa de con i gu a um signo de dis inção dos alunos des es colégios ace ao es an e uni e so adolescen e: o jazz/blues, cujo gos o consegue es a ainda “(…) mui o menos disseminado do que o gos o pela música clássica (…)” (Lopes, 2000: 264) e que é escolhido po 7,2 % dos inqui idos2. Sendo uma opção musical ainda menos p e isí el na aixa e á ia dos inqui idos (Gomes, 2003), ela é, no en an o, compaginá el com a sua o igem de classe – PBIC e BD/BP –, con i mando as conclusões de Fe nandes e al. (2001). Ausen es des e uni e so de p e e ências es ão es ilos musicais que ocupam a base da hie a quia da legi imidade cul u al, como é o caso da popula “música pimba”, que não colhe a p e e ência de nenhum dos inqui idos. Também no que diz espei o aos p og amas ele isi os com maio audiência en e es es jo ens, cons a amos es a pe an e idên ica hib idez de consumos que oscilam en e o “e udi o” (como os p og amas cien í i cos, elei os po 17,9 % dos alunos) e o “massi i cado” (caso das sé ies es an- gei as, is as po 65,9 % dos inqui idos). Mas, al como na música, os jo ens e elam sinais de um ecle ismo “escla ecido”, p a icamen e excluindo dos seus consumos ele isi os p og amas associados ao “lixo cul u al”, como é o caso dos eali y shows, a que só 5 % dos inqui idos dizem assis i . Os inqui idos dema cam-se ainda dos demais jo ens, em e mos de “p á icas dis in as e dis in- i as” (Bou dieu, 2001: 9), no que diz espei o à lei u a e à equência de exposições/museus ou de espe áculos mais consag ados, como é o caso do ea o. A p á ica da lei u a em egis ado um declínio (Coulangeon, 2011). Donna (2009) dá con a da endência pa a a diminuição dos g andes e médios lei o es e pa a o aumen o dos não lei o es de li os e jo nais quo idianos, assinalando a pa icipação a i a dos jo ens no ecuo des e ipo de lei u as. Os hábi os de lei u a, apesa do seu dec éscimo en e as classes dominan es – hoje mais p opensas a a i idades cul u ais mundanas (Pinçon e Pinçon- -Cha lo , 2007) e mais p essionadas po um i mo p o i ssional que lhes e i a disponibilidade empo al pa a le (Coulangeon, 2011) – con inuam mais equen es en e os de en o es de capi ais cul u ais e económicos (Donna , 2009; Coulangeon, 2011). Ques ionámos os alunos sob e a egula idade com que liam a a és da a iá el “lei u a de li os, e is as e jo nais”. P e endendo a alia a equência PRÁTICAS CULTURAIS DOS JOVENS DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES: REFLEXÕES EM TORNO DO ECLETISMO CULTURAL 35 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 e não os con eúdos das suas lei u as, op ámos po não desag ega essa a iá el, ainda que conscien es de que ela aba ca p odu os com di e en es g aus de legi imidade cul u al que impo a ia e em con a no âmbi o de uma análise mais i na do pe i l de lei o des es jo ens. As espos as e idenciam a i ali- dade das suas p á icas de lei u a. Com e ei o, le é uma p á ica quo idiana pa a 34 % dos inqui idos e egula (algumas ezes po semana) pa a 32,9 % – esul ados mais o imis as do que os ob idos po Gomes (2003) e po Fe nandes e al. (2001) jun o da ju en ude po uguesa. Todos os dias 34,0 % Algumas ezes po semana 32,9 % Algumas ezes po mês 16,8 % Ra amen e 13,6 % Nunca 2,8 % To al 100,0 % (N=471) Tabela 4   Le (li os, e is as e jo nais) Não cons i uindo a p á ica da lei u a, pe si, o único a o de dis inção e sendo o indi íduo “(…) do ado de ca ego ias de pe ceção, de esquemas classi i ca ó ios, de um gos o que lhe pe mi em es a- belece di e enças, disce ni , dis ingui ” (Bou dieu, 2001: 10), p ocu ámos sabe jun o dos nossos inqui idos quem são os seus au o es li e á ios p e- e idos. No opo das p e e ências de uma signi i ca- i a pe cen agem de alunos encon amos au o es consag ados – mode nos (18,4 %), como Kunde a ou Mia Cou o, mas ambém clássicos (9,1 %), como Júlio Ve ne ou Gogol. O conhecimen o de au o es que, como es es, não in eg am os cu icula pa ece e idencia que a socialização escola “ o mal” não é, pa a es es alunos, a única ia de acesso à cul- u a cul i ada. As inicia i as ex acu icula es de âmbi o cul u al dinamizadas pelos colégios pode iam po encia a o mação das disposições de uição da li e a u a consag ada. No en an o, a inexis ência de di e enças es a is icamen e signi i ca i as en e os esul ados ob idos no colégio laico (que in es e a i amen e na p omoção de inicia i as cul u ais) e no eligioso (mais di ecionado pa a as a i idades cí icas) le a-nos a ela i iza o peso explica i o da socialização escola e a admi i a p eponde ância da a iá el “pe ença social”. Assinalamos que a maio ia dos inqui idos – numa cla a con i mação de que a lógica das homo- logias pu as não é aplicá el a um mundo plu al em que o indi íduo se ê inse ido em múl iplos con- ex os socializado es (Lahi e, 2003) – se mos am pe meá eis que à cul u a escola , que à cul u a audio isual e à “economia mediá ico-publici á ia” (Donna , 2004: 98), que são uma das ma cas da con empo aneidade. Ap oximando-se, nes e domí- nio, do pe i l de “consumido es cul u ais omní o os” (Pe e son e Ke n, 1996), es es alunos conciliam gos os e p á icas que são dis in os em e mos de legi imidade cul u al. Com e ei o, os inqui idos iden- i i cam maio i a iamen e como esc i o es a o i os au o es “ao gos o legí imo”, como os que cons am dos p og amas escola es (33,1 %) – clássicos, como Luís de Camões ou Eça de Quei ós, ou mode nos, como Sophia de Mello B eyne ou José Sa amago –, mas ambém são ap eciado es de bes selle s (24,1 %) – da au o ia de, po exemplo, Dan B own ou S ephenie Meye –, de ob as li e á ias adap adas ao cinema ou à ele isão (9,4 %) – como as de Nicholas Spa ks – e ainda de esc i o es o iundos do cená io mediá ico (5,9 %) – caso de José Rod igues dos San os ou de Miguel Sousa Ta a es –, deixando-nos adi inha o papel que os mass media desempenham na essi u a de uma “cul u a global” que se impõe pela ia da di ulgação de con eúdos in o ma i os e lúdicos ou da p omoção e enda de “es ilos de ida” (Wa e s, 2002) (Tabela 5). A pa da o e adesão dos jo ens inqui idos às p á icas de lei u a ju enil, encon amos ambém, nes e uni e so de discen es, ou as p á icas associadas à “al a cul u a”, como é o caso da equência de expo- sições/museus ou da ida ao ea o, que e i i camos se em incen i adas an o no quad o amilia como em con ex o escola , numa sin onia socializado a en e casa e escola de que adian e ala emos. Re e enciada po Fe nandes e al. (2001) como uma p á ica com uma adesão ju enil esidual, a isi a P imei o esc i o a o i o Segundo esc i o a o i o Te cei o esc i o a o i o Consag ado clássico 9,1 % 9,3 % 13,3 % Consag ado mode no 18,4 % 21,9 % 20,7 % Au o es mediá icos 5,9 % 6,0 % 5,9 % Au o es de bes selle 24,1 % 19,1 % 16,3 % Au o es ligados a sé ies e i lmes 9,4 % 7,9 % 7,4 % Consag ados lecionados na escola 33,1 % 35,8 % 36,3 % To al 100,0 % (N= 320) 100,0 % (N=215) 100,0 % (N=135) Tabela 5   Esc i o es a o i os3 Ma ia Luísa Qua esma 36 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 de exposições e museus é uma a i idade egula en e os nossos discen es: 36,7 % equen am es es espaços cul u ais algumas ezes po ano e 12,1 % no mínimo uma ez po mês. Também o ea o, cujo público é pa icula men e exíguo mesmo en e adul os (Conde, 1997), encon a nos colégios em análise um conjun o de equen ado es mais egu- la es do que os encon ados po Fe nandes e al. (2001): quase me ade dos nossos alunos (44,9 %) ai a espe áculos ea ais, 20,4 % deles uma ez po ano, 19,6 % algumas ezes po ano e 4,9 % pelo menos uma ez po mês. Se a ende mos à pe ença classis a des es es udan es, es a adesão não é su p eenden e, endo em con a que eles in eg am as classes sociais que mais con ibuem pa a os públicos de ea o e que são, jus amen e, as que ocupam o opo da hie a quia social (Conde, 1997) e que de êm, po an o, não só os capi ais cul u ais mas ambém os ecu sos económicos exi- gidos po es e ipo de consumo cul u al (Bou dieu, 1979). Mais su p eenden e é o ac o de es a mos pe an e adolescen es e de o ea o se uma p á ica cuja exigência em e mos de “ olume mínimo de capi al in o macional” (Lopes, 2000: 238) eque uma ma u idade o ma i a di i cilmen e a ingida na aixa e á ia dos nossos inqui idos. Pelo menos uma ez po mês Algumas ezes po ano Uma ez po ano Ra amen e Nunca To al Visi a exposições/museus 12,1 % 36,7 % 18,5 % 22,7 % 10,0 % 100,0 % (N=471) I ao ea o 4,9 % 19,6 % 20,4 % 33,4 % 21,7 % 100,0 % (N=470) Tabela 6   Visi a museus/exposições e i ao ea o Uma ou a ma ca di e enciado a en e os alunos des es colégios e a gene alidade dos jo ens eside no ac o de aqueles usu uí em, em g ande núme o, da opo unidade de ala ga os seus ho izon es cul u ais a a és das iagens ao es angei o. Ainda que, po o ça das passagens aé eas low-cos , os p incipais des inos eu opeus enham i cado à dis ância de um click pela In e ne e a p eços acessí eis a uma mais la ga camada da população, as é ias no es angei o não cons i uem ainda uma p á ica e dadei amen e massi i cada en e as amílias po uguesas, como se dep eende pela eduzida pe cen agem de 7,9 % que, em 2009, passa am é ias o a do país (Co eia, 2011). O a, quase me ade dos nossos inqui idos (43,3 %) dizem desloca -se além- on ei as uma ez po ano e 31,4 % a i mam mesmo azê-lo algumas ezes po ano – exp essi as pe cen agens que nos eme em pa a a impo ância con e ida pelas classes dominan es a “(…) es as on es de ap endizagem, «ao i o», dos g andes legados his ó icos da nossa ci ilização e, adicionalmen e, [a] um dos mais in e- essan es meios de aquisição de disposições e da- dei amen e cosmopoli as (…)” (Viei a, 2003: 540). Pelo menos uma ez po mês 2,5 % Algumas ezes po ano 31,4 % Uma ez po ano 43,3 % Ra amen e 17,2 % Nunca 5,5 % To al 100,0 % (N=471) Tabela 7   Passa é ias no es angei o O papel da socialização escola e amilia na inculcação de disposições a o á eis a consumos cul u ais dis in i os A socialização amilia não deixa á de con ibui pa a a aquisição de disposições cul u ais que, como lemb am Bou dieu e Passe on, não são p odu o de um “milag e da p edes inação” (1974: 63). As pala as de uma mãe são, a esse í ulo, elucida i as: “Ti emos uma saída à ópe a e i zemos uma saída ao ea o, mas udo ob igado, não é?, não o am eles que quise am i . E ambém acho que i zemos uma saída (…) aos museus, mas udo ob igado, com eles a esmunga e nós a desliga -lhes os elemó eis e a empu á-los e a dize -lhes que é udo an ás- ico e eles a dize em que é udo uma «seca» (…)” (colégio eligioso, BEP, 42 anos). Se a es imulação amilia às p á icas cul u ais consag adas cons i ui uma ma ca isí el de dis inção classis a, a posse de bens cul u ais ambém con i gu a um símbolo dis in i o de classe. De en e a mul iplicidade de bens cul u ais que admi imos es a em acessí eis aos nossos alunos, op ámos po incidi a nossa análise sob e as biblio ecas domés icas. Es ando nós pe an e amílias com ele ado capi al cul u al e sabendo nós que “(…) as p á icas de lei u a o nam- -se mais in ensas à medida que sobe que o capi al escola de o igem, que o capi al escola adqui ido (…)” (Lopes, 2000: 282), espe á amos que a cul u a esc i a i esse o e p esença no uni e so domés ico dos inqui idos. As hipó eses eó icas iniciais o am con i madas. Quando inqui idos sob e o núme o de li os – não escola es – que cons am das suas biblio- ecas domés icas, os es udan es a esponde “menos PRÁTICAS CULTURAIS DOS JOVENS DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES: REFLEXÕES EM TORNO DO ECLETISMO CULTURAL 37 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 de 50 ob as” o alizam a esidual pe cen agem de 3,6 %. A maio ia dos jo ens (63,3 %) dizem, pelo con á io, dispo de uma biblio eca com o mínimo de 300 li os, 38 % dos quais diz mesmo possui 500 ou mais ob as. A p esença de li os em casa não deixa á de p opo ciona a es es jo ens ganhos de dis inção (Bou dieu, 1979) ao ní el da amilia idade com a cul u a escola men e alo izada, ainda que, segundo Lahi e (2008), a me a posse de bens cul- u ais em con ex o amilia não seja su i cien e pa a a cons ução de compe ências cul u ais. Pa a que ela se conc e ize, são necessá ias ou as condições no plano da con i gu ação amilia , nomeadamen e em e mos de disponibilidade obje i a e subje i a dos pais. Es as condições pa ecem e i i ca -se nes as amílias que, em en e is a, nos alam do empo consag ado ao acompanhamen o dos i lhos, da p eocupação com a sua o mação cul u al no quad o de uma educação que p e endem holís ica e da sua mobilização pa a os ajuda a “cons ui suas p óp ias disposições cul u ais” (Lahi e, 2008: 339), nomeadamen e incen i ando-os a le , a equen a museus ou conce os de música clássica. Ac esce que quando a socialização amilia encon a p olongamen o na socialização escola aumen am as p obabilidades da e i cácia socializa- do a. Isso pode á explica o ac o de se no colégio laico, onde a dimensão a ís ica é mais es imulada, que encon amos alunos mais implicados na ida cul u al. São eles, po exemplo, os que, em maio núme o, e e em i a exposições/museus: apenas 8,2 % e 20 % dizem, espe i amen e, nunca e a a- men e equen a em es es locais, pe cen agens que, na escola eligiosa, sobem pa a, espe i amen e, 13,3 % e 27,7 %. Assim, os alunos do colégio laico ela am-nos, com en usiasmo, algumas das inicia- i as da sua escola pa a que “(…) a e e educação, associadas, con ibuam pa a da mais sen ido às ap endizagens humanas ans o mado as e mudan- cis as (…)” (An unes e Padilha, 2010: 104): “Veio ago a o Viei a Ne y ala de música, o colégio dá-nos esses aspe os assim mais… que con ibuem pa a a nossa o mação cul u al, eu acho” (aluna, colégio laico, PBIC, 17 anos). Os alunos do colégio eligioso, pelo con á io, são de opinião de que a sua escola “(…) põe a á ea de A es um bocado de pa e” (aluna, BEP, 17 anos). Pa ilhando uma ep esen ação social es e eo ipada do “a is a” – cujo pe i l “excên ico, i e e en e” e cujo “ empe amen o […] especial (…) cus a, a quem não é a is a, comp eende ” (aluno 44, BDP, 17 anos) –, eles legi imam o echamen o do colégio ao mundo das a es. Como lemb am, “(…) o colégio é mui o adicional, i xa-se imenso nas ideias e, basicamen e, a A e é o que ino a, é ino ado e é o que c ia no os alo es. E eu acho que há um bocado eceio disso!” (aluno3, BDP, 17 anos). Es a pe ceção dos adolescen es de ambos os colégios é co obo ada pelos pais. Enquan o no colégio eligioso es es nos dizem que ali “(…) há pouca p eocupação com aquilo que se chamam as A es” (P esiden e da Associação de Pais), na escola laica há pais que chegam a iden i i ca a educação a ís ica como uma das mo i ações pa a a escolha do colégio, como admi e uma das mães: “e a mui o impo an e a ques ão do apelo pa a as ques ões cul u ais e logo, desde o início, pe cebe o ipo de isi as que eles inham – que a maio pa e são a museus – e a p eocupação que êm em isi a exposições empo á ias que, depois, ão e esse cunho” (PBIC, 32 anos). As nossas obse ações di e as no e eno con- i mam o igo do colégio laico na dinamização de a i idades de p omoção e de di ulgação cul u al: elas ão desde a singela a i xação, nas pa edes do edi ício escola , de poemas de au o es consag ados da li e a u a nacional – de idamen e acompanhados pelas espe i as biog a i as – ou de ep oduções pic ó icas de econhecidos a is as, a é à ealização de e en os cong egado es de oda a comunidade educa i a, de que são exemplo as Semanas Temá- icas das A es e a da Li e a u a, pa a as quais são con idadas i gu as ele an es da ida cul u al. Le ando à p á ica uma das p opos as de Bou dieu (1987) pa a o ensino do u u o, o colégio laico, a a és da p omoção do con ac o di e o dos seus alunos com pe sonalidades ex e nas à escola, p o- cu a es imula a sua ece i idade ao pa imónio das A es e das Le as – uma p á ica colegial di undida desde a sua undação, como nos dá con a o mais an igo docen e da escola: “es e colégio nasceu de gen e de Cul u a. Tal ez não saiba mas es e colégio ealizou exposições onde, en e ou os, expôs o Júlio Poma , onde en e ou os expôs o Ál a o Cunhal”. Ainda hoje é isí el a p eocupação da Di e o a em man e i a essa “chama a ís ica”, p ocu ando não es ingi a ação da escola à ansmissão eó ica da cul u a académica, ou, como de ende, “não aze só os alunos se em excelen es alunos mas, depois, não e em o meno conhecimen o da Li e a u a, da Poesia, de uma exposição de Pin u a, dum Conce o. Po an o, p ocu amos que seja uma cul u a huma- nis a, em odas as suas e en es”. Pa a a conc e i- zação des a me a, a A e e as Le as não só êm ao colégio, como o colégio ai a é elas, logo desde os p imei os anos de escola ização: “Nós p ocu amos semp e isso, desde a mais en a in ância: le a os miúdos a…, en i m, isi as de es udo no âmbi o cul- u al, po exemplo, museus, a elie s…” (Di e o a do colégio laico). As exposições dos abalhos pic ó icos ealizados pelos alunos da p é-p imá ia, com que o ginásio é engalanado nos dias das ce imónias es i as da escola, como pudemos ap ecia , pa ece p o a que a sensibilização pa a as a es se inicia, pela p axis, logo no ensino in an il. Como nos oi explicando a nossa acompanhan e ins i ucional, enquan o íamos ap eciando os abalhos expos os, Ma ia Luísa Qua esma 38 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 os pequenos “a is as” inham sido incen i ados a uma ec iação pessoal que i e a como pon o de pa ida o con ac o di e o com ob as de alguns dos pin o es consag ados do campo a ís ico. Também o ea o in eg a a socialização escola des e colégio, que o p omo e, desde logo, enquan o a i idade ex acu icula . As “a es do palco”, sob a o ma de a e declama ó ia ou ea al, emon am, aliás, ao empo do undado des e es abelecimen o de ensino, como nos diz um dos alunos da década de 40, eco dando, com emoção, as a uações no ex e io do colégio: “eu i e aulas de «bem-dize » e quem é que da a as aulas de «bem-dize »? Não e a uma pessoa qualque , e a um a o de ea o, um diseu , da al u a, que se chama a o (…). Um dos g andes diseu s po ugueses, ao ní el do Villa e , po exemplo! E isso oi mui o in e essan e, po que nos ensina a, pa a já, a le ex os de au o es – olhe, po exemplo, o Gil Vicen e. O Gil Vicen e oi odo lido com ele. Lido e ep esen ado, pa a a ingi o que e a es e colégio. (…) En ão, azia-se semp e uma ep esen ação de ea o. Uma ez oi na To e de Belém e duas no Tea o T indade. Lemb o-me que oi Almeida Ga e ” (BDP, 79 anos). A adição d a- má ica ainda hoje se man ém i a, como pudemos cons a a em e en os como a Semana das A es e da Li e a u a, du an e a qual oi le ada à cena a habi ual ep esen ação ea al discen e. Apesa de a pedagogia inaciana e na d ama- u gia um impo an e aliado educa i o ao se iço da i nalidade úl ima da o mação jesuí ica que é a educação in eg al, o ea o ca ece de isibilidade nos discu sos dos agen es educa i os do colégio eligioso, diluindo-se ace à p oeminência de ou as a i idades, nomeadamen e as de âmbi o despo i o, como pudemos es emunha na Fes a das Famílias – o maio e mais impo an e e en o des a escola que, du an e ês dias, eúne oda a comunidade educa i a (alunos, pais, p o esso es, uncioná ios não docen es, an igos alunos…). A adesão dos jo ens à cul u a “cul i ada” az, pois, como demons ámos, a ma ca da socialização amilia e escola . O ecle ismo escla ecido como ope ado simbólico de dis inção: no as conclusi as Enquad ada num es udo mais amplo sob e o sucesso educa i o em dois colégios p i ados, es a análise sob e as p á icas cul u ais dos jo ens des as escolas p opõe, sem p e ensões de exaus i idade, ab i pis as de e l exão sob e o ecle ismo cul u al das classes dominan es – o no o signo de dis inção classis a (Coulangeon, 2011) que é, a i nal, exp essão das múl iplas e complexas pe meabilidades sociali- zado as. Nem mesmo o con inuum socializado en e amília e escola e a sele i idade social dos con ac os en e pa es – ma izados, ou mesmo inexis en es, nou os g upos sociais - ga an em, como pudemos e i i ca , a impe meabilidade dos “gos os dis in i- os” aos “gos os ulga es”. Assim, se es es jo ens e elam a in e io ização do legado de uma educação dis in i a – ade indo às p á icas de lei u a, isi ando museus/exposições, equen ando salas de ea o ou iajando equen emen e pa a o es angei o –, não es ão imunes, pese embo a o maio echamen o dos locus de in e ação e de educação em que se mo em, a gos os e consumos massi i cados, como é o caso do isionamen o de i lmes “come ciais” e das popula es sé ies ele isi as no e-ame icanas, da lei u a de bes selle s ou do ecu so à In e ne . Es as p á icas – equen es ou mesmo quo idianas – dos nossos inqui idos in eg am-se, como imos, no quad o dos consumos cul u ais globalizados e massi i cados que cons i uem, na a ualidade, um “ aço” ge acional e “ ansclassis a”. Impõe-se, pois, na linha das ecen es eo- izações, um eequacionamen o c í ico das eses bou dianas. Como, já na década de 70, obse a a DiMaggio (1987), não al am azões pa a ela i iza a “lógica” das homologias pu as, pe spe i ada do pon o de is a que das classes com mais capi ais (como aqui p ocu ámos aze ), que das classes popula es. Isso po que, como lemb a, nem o gos o se adqui e, unicamen e, po ia amilia nem o domínio dos códigos cul u ais da “al a cul u a” é condição sine qua non pa a equen a e ap ecia esse ipo de mani es ações cul u ais, o que põe em causa a elação de e minis a bou diana en e capi al cul u al e p á ica cul u al. Di íamos, assim, com Lahi e (2003), que nem o “homem plu al” de hoje – p odu o da inco po a- ção de uma mul iplicidade, em in e pene ação, de esquemas de pe ceção, de expe iências e de modelos de socialização – é passí el de ap eensão, em oda a sua complexidade e he e ogeneidade, po um concei o ígido de habi us, nem a coe ência e a homogeneidade dos esquemas in e io izados cons i uem a eg a, mas an es a exceção. Pa e- cem inegá eis as limi ações explica i as das eses bou dianas quando aplicadas a uma sociedade que, como a a ual, se ca a e iza pela di e sidade compo - amen al em e mos de p á icas – nomeadamen e cul u ais – e po um esba imen o da uni o mização in ag upal desses consumos (Lopes, 2000). Hoje, a homogeneidade, em e mos de legi imidade cul u al, dos gos os e das a i idades das classes dominan es cedeu luga a um no o ope ado de dis inção classis a: o ecle ismo “escla ecido” (e não casuís ico) das p e e ências e dos laze es cul u ais. Eis o que um olha sob e as p á icas cul u ais des es “he dei os” nos pa eceu comp o a . PRÁTICAS CULTURAIS DOS JOVENS DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES: REFLEXÕES EM TORNO DO ECLETISMO CULTURAL 39 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 31-39 No as 1 Es a in es igação sociológica oi le ada a cabo no âmbi o de uma ese de dou o amen o ealizada na Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o e i nanciada pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia. 2 Con a iamen e aos dados de Lopes (2000), há mais alunos des es colégios a escolhe , como es ilo musical a o i o, o jazz/blues do que a música clássica. 3 Pedimos aos inqui idos que indicassem ês esc i o es a o i os. Pe an e a he e ogeneidade dos nomes, codi i - camos as espos as em seis g upos: esc i o es “consa- g ados” ( econhecidos pelos especialis as do seu campo), subdi ididos em “mode nos” ou “clássicos”, con o me são ou não con empo âneos; au o es mediá icos ( i gu as dos mass media, como jo nalis as, comen ado es); “au o es de bes selle ” (aqueles que o me cado consag ou pelo êxi o de endas); “au o es ligados a sé ies e i lmes” (cujas ob as es ão associadas à p odução ele isi a e cinema og á i ca); “au o es consag ados lecionados na escola” (in eg ados nos cu icula). 4 A a ibuição de um núme o se e pa a dis ingui os en e is ados com idên icas ca a e ís icas sociog á i cas. Bibliog a i a ANTUNES, A. e P. Padilha (2010), Educação Cidadã, educação in eg al: undamen os e p á icas, São Paulo, Ed. L. Paulo F ei e. BOURDIEU, P. (1979), La dis inc ion. C i ique sociale du jugemen , Pa is, Les Édi ions de Minui . BOURDIEU, P. 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En e a no a ge ação de au o es su gi am igualmen e p opos as, com um ca á e p og amá ico mais de i nido, que, po coloca em a iden idade cul- u al no cen o da eo ia das classes, econhecem, desde logo, a impossibilidade de man e os an igos a qué ipos. Re e imo-nos à “análise cul u alis a das classes”, al e na i a a ançada po De ine (De ine e Sa age, 2000) e Sa age (2000) e mais a de subsc i a po Bo e o (2004, 2005), na senda de p opos as inicialmen e o muladas po Bou dieu em La Dis inc ion (1979). Ao con á io dos an igos modelos, que p essupunham se em as es u u as de desigualdade e as classes economicamen e de i nidas a da o igem às di e enças cul u ais e de es a u o, as p emissas de De ine e Sa age apon am pa a uma análise que p e ende incidi sob e o modo como os p ocessos cul u ais es ão embebidos em ipos especí i cos de p á icas sociais e económicas. Sa age não podia se mais cla o ace ca das suas in enções do que quando a i mou que o seu p oje o e a a a “a análise das classes como um modo de análise cul u al” (2000: 149), o que, em e mos ope a ó ios, ob iga a iden i i ca um ou á ios con ex os da ida social e e como neles se p oduzem e ep oduzem quo idianamen e p ocessos de desigualdade que en ol em, em simul âneo, p á icas económicas e cul u ais. A usão dos elemen os cul u ais e econó- micos dispensa a exis ência de consciências ou iden- idades o madas pelas classes enquan o en idades cole i as, assim como a p esença de conjun os de disposições cul u ais uni o mes; o que es abelece a elação en e classe e cul u a é o modo como os aspe os cul u ais es ão implicados em o mas de exclusão e dominação que são simul aneamen e simbólicas e ma e iais. Do mesmo modo, os indi íduos não êm de econhece classes ou iden i i ca em-se com g upos ou ca ego ias de classe pa a que os p ocessos de classe enham luga e as iden idades se exp imam. Cada localização de classe deixou de o nece aos seus memb os uma iden idade cole i a, o que ans e e pa a os sujei os o papel de de i ni as suas iden i- dades, eco endo a p ocessos que o çosamen e en ol em a compa ação e o con on o com memb os de ou as classes sociais. Sa age ê nessa indi idua- lização de p ocessos, que a é aqui e am cole i os, um dos aspe os mais adicais da ees u u ação con empo ânea do modo de a uação das classes. A ou a ans o mação que des aca e à qual chama “o pa adoxo da classe” (2000: xii) de i a do ac o de, apesa de as desigualdades económicas e sociais con inua em ex emamen e ma cadas, as pessoas não se em capazes de econhece a impo ância es u u al que as classes êm nas suas idas. Bo e o conco da com Sa age e De ine na concep ualização ge al que es es au o es ap e- sen am duma análise cul u alis a das classes, mas ac escen a-lhe uma isão hie á quica que, segundo ele, co esponde mais de pe o ao modo como as desigualdades uncionam no nosso empo, além de ma ca uma u u a com a e são oposicional do concei o adicional de classe social: “Os p ocessos indi idualizados e implíci os das desigualdades posicionais são mais bem desc i os como es a i i - cação social ou hie a quia. Mas, qualque que seja a nossa linguagem, é impo an e econhece que as ques ões colocadas pela hie a quia se es endem bas an e pa a além das que eme gem das classes” (2004: 1000). Como se pode e , e à imagem do que já acon eceu com as e sões da eo ia da desi- den i i cação de Skeggs e Reay, ambém Bo e o nos con on a com as elhas cli agens da análise das classes, ma xis as e webe ianas. Um dos ganhos em ep esen a as classes como o dem hie á quica é, de ende Bo e o, o na mais comp eensí eis os mo i os que le am à in isibilidade de p ocessos que es ão ão p esen es na nossa ida e que são ão decisi os nas opo unidades de que dispomos, nos es ilos de ida que des u amos e no sen ido que damos à nossa iden idade e à dos ou os. Se não emos uma maio consciência e l exi a das iden idades, uma das azões eside na p óp ia na u eza hie á quica das di e enciações, is o é, na exis ência de múl iplos es a os sob epos os e di ididos po on ei as que nem semp e são ní idas. Num es udo de Sou he on (2002) sob e as on ei as iden i á ias de ês g upos esiden es numa pequena cidade subu bana inglesa, descob iu- -se que as na a i as de iden i i cação de g upos, um “nós” e um “eles”, se o ma am com base na pa ilha de p á icas e de o ien ações ela i as à ida quo idiana que seguiam g osso modo linhas de di isão de classe. No en an o, as iden i i cações não e am pe ei as, po que apesa de ní eis de ecu sos simila es o dena em in e namen e as p á icas, os alo es e as a i udes, es as unidades subdi idiam- -se e in e pene a am-se em i ude “de a locali- zação esidencial den o da cidade ( ambém u o da mobilidade geog á i ca) cons i ui um «mundo social» que o necia o e eno pa a pe ceções sob e a epu ação, a compe ência e as con enções, dando subs ância e e o çando as ca ego izações sociais gené icas elacionadas com as ca a e ís icas de classe” (Sou he on, 2002: 191). As iden i i cações es a am, nes e caso assim como es a ão em mui os ou os, baseadas em ca ego izações de classe, mas o econhecimen o in e no de subg upos soma a a José Ca alei o Rod igues 48 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 41-49 esse a o os elemen os de s a us que esul a am da o ganização social local. Acabámos de e como a sob eposição do s a us à classe l uidi i ca as di isões en e es a os e com- plexi i ca a sua iden i i cação, mas a ep esen ação hie á quica das classes indica-nos ou os a o es pa a ala ga a comp eensão da endência pa a a in isibilidade das iden idades. Depois de p oduzidas, as hie a quias man êm-se e são ep oduzidas no âmbi o de odo o ipo de a i idades que p eenchem o quo idiano dos indi íduos e em elação a mui as das quais não há nem a in encionalidade nem a pe ceção imedia a de que delas esul em lu as de posicionamen o, ou que enham consequências pa a a iden i i cação dos indi íduos pa icipan es. “Uma ez que as hie a quias es ão embebidas nas elações sociais mais ín imas, e «localização social» e «cul u a» es ão unidas pela na u eza es u u- ada das p á icas sociais co en es”, desde que os indi íduos limi em as suas in e ações e es ilos de ida aos pad ões que os seus luga es hie á quicos de i nem, “as p á icas hie á quicas su gem como «segunda na u eza», i ele an es e ulga es” (Bo - e o, 2004: 995). Bo e o dá uma a enção pa icula ao domínio elacional, nomeadamen e ao mapeamen o das in e ações en e pa en es, amigos e ou os pa - cei os, con encido de que “di e en es pad ões de associação e es ilo de ida cons i uem a es u u a da es a i i cação social”, ou seja, que é no âmbi o des as elações p óximas que se jogam an agens sociais hie á quicas e se “ e elam pad ões maio- es de desigualdade” (Bo e o e P andy, 2003: 178). Es a posição em ao encon o da ideia de que a ep odução das hie a quias se az den o de cí culos sociais e que é a pa i das a i idades mundanas que as desigualdades se conc e izam e adqui em con inuidade, mas ao azê-lo, e ao loca- liza nos momen os mais ulga es da ida social a ep odução das desigualdades, ol a a salien a a na u eza quase mecânica e po en u a impe ce í el dos a os pa a os a o es que lhe dão o ma. Já uns anos an es, Sa age, e l e indo sob e a ins alação de uma cul u a indi idualis a, se ha ia e e ido a um disposi i o de “de l exão la e al” com e ei os em udo idên icos na c iação de “uma sociedade que o inei amen e ep oduz a desigualdade social ao mesmo empo que de l e e a a enção dos seus agen es la e almen e e não pa a cima e pa a baixo, o nando assim a ques ão da desigualdade social la gamen e «in isí el» e, de algum modo, «desin- e essan e»” (2000: 159). Os anos deco idos e o olume de abalho p o- duzido desde que es a ge ação de au o es elançou a análise das iden idades de classe pe mi em-nos aze alguns balanços e iden i i ca consensos. Um p imei o pon o de con e gência é o de que, numa sociedade em que as desigualdades conse am oda a ele ância es u u al, as an igas iden idades de classe dão sinais de en aquecimen o. Maio i a ia- men e os indi íduos mos am-se e aídos quando se a a de de i ni explici amen e a sua pe ença a uma classe, mas a ambiguidade e o modo de ensi o como se exp essam es á elacionado com o ela i o en aquecimen o das classes enquan o en idades cole i as, e não com o econhecimen o da ligação da sua condição a uma posição pa icula den o de um espaço o denado de desigualdades. Segundo aspe o consensual, o apagamen o das an igas iden idades de classe não signi i ca que as classes deixem de se impo an es pa a a de i nição das iden idades indi iduais; o que acon ece é uma ansmu ação das iden idades de classe que se modi i cam na sua na u eza e o mas de mani es ação. A impo ância das classes passa a e ela -se sob e udo no domínio mais es i o da ação e das a i udes quo idianas dos indi íduos ace ao mundo e às elações sociais. É es a on e de exp essão codi i cada e sub e ânea que pe mi e econhece a i alidade con empo ânea das iden idades de classe, mesmo quando elas não são exp essamen e nomeadas. O que mudou oi po an o a na u eza das iden idades de classe: deixa am de se iden idades cole i as, explíci as e oposicionais, pa a passa em a exis i sob uma o ma indi idual, implíci a e elacional. É ce o que classes sociais nunca de e mina am em absolu o as iden idades no passado e não há nenhuma azão pa a ac edi a que elas o es ejam a aze no nosso empo, mas pe manecem um ins- umen o p i ilegiado pa a o es udo das iden idades dos indi íduos e da sua elação com o mundo social. A a és dos signi i cados que lhes são a ibuídos, das sub ilezas e a iações discu si as com que se mani es am, das ap eciações e pe ceções que as sus en am, as classes sociais con inuam a demons- a odo o seu pode e e i cácia sob e a ação dos indi íduos, con e endo em classi i cações e dis inções subje i as a desigualdade de posições, de condições ma e iais e de opo unidades, com que cons angem a ida nas sociedades con empo âneas. Bibliog a i a ATKINSON, W. (2007), “An hony Giddens as ad e - sa y o class analysis”, Sociology, 41 (3), pp. 533-549. ATKINSON, W. (2008), “No all ha was solid has mel- ed in o ai (o liquid): a c i ique o Bauman on indi idualiza ion and class in liquid mode ni y”, Sociological Re iew, 56 (1), pp. 1-17. BAUMAN, Z. (1982), Memo ies o class, Lond es, Rou le- dge. BAUMAN, Z. (1989), A libe dade, Lisboa, Edi o ial Es ampa. BOTTERO W. (2004), “Class iden i ies and he iden i y o class”, Sociology, 38 (5), pp. 985-1003. 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Pa a o e ei o, e e uámos uma e isão da li e a u a, na qual p ocu ámos disseca e discu i as á ias pe spe i as que abo dam os dois concei os p incipais: iden idade e consumo. Com base na e l exão eó ica ealizada, concluímos que a dinâmica consumis a eme - gen e em epe cussões e e i as na cons ução de uma iden idade. De ac o, a a és do consumo, a i idade cen al na ida do indi íduo, ge am-se p á icas iden i á ias. Apesa de conside a mos a a -se de uma emá ica a ual, opo una e pe inen e, deno a-se a escassez de ob as que abo dam a p oblemá ica no pano ama sociológico po uguês (C uz, 2009). Assim, com es a comunicação in en a -se-á con ibui pa a a cla i i cação do ema, o qual espe- amos que possa se obje o de mais e no os ap o undamen os cogni i os, dadas as implicações e os desa i os que le an a no ecido social. Pala as-cha e: iden idade; consumo; con empo aneidade Abs ac The aim o he p esen a icle is o in e he ole consump ion akes place in he con empo a y iden i y p oblema ic. Fo his pu pose, we did a e iew o he li e a u e, in which we ied o dissec and discuss he a ious pe spec i es ha add ess he wo main concep s: iden i y and consump- ion. Th ough a heo e ical e l ec ion, we concluded ha he eme ging consump ion dynamics has e ec i e epe cussions on he cons uc ion o iden i y. In ac , h ough consump ion, cen al ac i i y in he indi iduals’ li es, iden i y p ac ices a e gene a ed. Al hough we conside ha his is a cu en and ele an heme, i is isible he lack o li e a u e on he opic in he po uguese sociological o e iew (C uz, 2009). The eby, wi h his communica ion we hope o con ibu e o he cla i i ca ion o he heme, which we hope i will ha e mo e and new cogni i e insigh s, gi en he implica ions and he challenges i aises o he social issue. Keywo ds: iden i y; consump ion; con empo anei y A iden idade Somen e na segunda me ade do século XX a e minologia iden i á ia é incluída no ocabulá- io das ciências sociais e a p oblemá ica e e en e à cons ução da iden idade é obje o de a amen o sis ema izado (Cos a, 2008). Não obs an e a a ual endência pa a enca a o campo social numa pe s- pe i a iden i á ia (Ransome, 2005) e a impo ância do acen uado c escimen o de ob as sociológicas que abo dam a iden idade, es a di usão é ecen e e ainda insu i cien e, pa a além da ap op iação indi e enciada de que o concei o é al o (Cos a, 2008). A iden idade é, em sociologia, um concei o mul- i ace ado, pois pe mi e di e sas abo dagens: iden- idade nacional; iden idade ge acional; iden idade de géne o; iden idade é nica; en e ou as (Cos a, 2008). Po ém, des aca-se uma conceção dico ómica: a iden idade pessoal, associada à noção de unicidade e singula idade (Go man, 1982; Giddens, 1989, 2004), e a iden idade social, ligada ao concei o de semelhança (Giddens, 2004). A iden idade do «eu- -nós» ep esen a a espos a à dú ida que o sujei o C is ina San os 52 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 51-58 em em sabe quem é, simul aneamen e, enquan o se indi idual e social (Ybema e al., 2009). A cons ução de uma iden idade é um jogo complexo que ca a e iza as sociedades a uais (Pin o, 1991): “Today we ha e a g ea deal o choice abou who we wan o be and he kind o li e we wan o lead” (Ahu ia, 2005: 172). De ac o, a a-se de uma p oblemá ica que su giu com a mode nidade, ao p opulsa os indi íduos pa a uma dinâmica social em que p edominam a libe dade e as possibilidades de escolha pa a modi i ca a p ó- p ia iden idade, consoan e a on ade demons ada. Ins au ou-se um apelo cons an e à no idade e à ansi o iedade, con on ando os sujei os com esse desa i o e esponsabilidade (Giddens, 1989). Com a l exibilidade iden i á ia, a emancipação do indi íduo implica ince ezas (Bauman, 2007). Numa sociedade apelidada de isco e ca ac e izada pela mudança, insegu ança e ob iga o iedade de decidi (F anklin, 1998), a esponsabilização das escolhas, as acções que aca e a e as espec i as consequências ecaem sob e os ac o es sociais (Bauman, 2007). Segundo C uz (2009), a passagem de um g ande núme o de esponsabilidades, que an e io men e se sociabili- za am, pa a os sujei os p ende-se com a chegada da sociedade de consumo. Assim, uma das ques ões ulc ais que se impõe aos indi íduos é: “Quem de o se ?” (Giddens, 1989). O sujei o é con on ado com um núme o c escen e de al e na i as, dispondo de uma maio ma gem sele i a (Elias, 1993). Es e pano ama pode á e o ça a ideia da exis ência de uma con empo ânea c ise de iden idade, já que os p ocessos his ó icos que, apa en emen e, sus en a am a i xação iden i á ia começa am a en a em colapso (Woodwa d, 2005): “No passado, quando as iden idades se ep oduziam, as pessoas singula es não inham nenhuma escolha: o g upo, em nome da adi- ção, subme ia cada um à sua lei e o indi íduo não e a mais do que um á omo de um co po social que se pe pe ua a al e qual. Mas, hoje em dia, as pessoas singula es aspi am, cada ez mais, a pode escolhe a sua iden idade (...)” (Wie io ka, 2007: 88). Numa sociedade em ápida ans o mação, como a a ual, a he ança socie al pe de, de uma o ma cada ez mais céle e, a sua impo ância, de i nindo- -se mais pelo u u o do que pelo espe i o passado (Tou aine, 1982). Es a inde e minação iden i á ia e consequen e dilema encon a am-se ausen es das sociedades adicionais, nas quais a iden idade e a socialmen e a ibuída e impos a, p e alecendo uma lógica condicionalis a. Consequen emen e, os con eú- dos cole i os pe maneciam idên icos, ansi ando nos con ex os ge acionais, pelo que a mudança de iden idade esba a a numa delimi ação p e iamen e es abelecida (Nunes, 1968). Po ém, p esen emen e, impe a a mobilidade (Fe ei a, 2000), uma ez que nenhuma iden idade é “dada” à nascença, sendo um p oje o negociá el e p og essi o, execu ado ao longo da ida (Bauman, 2007). Ainda assim, Go e e Wa (2004) assinalam que, apesa de o indi íduo se pode sen i in ei amen e li e na cons ução da sua iden idade, al não acon- ece, uma ez que a escolha iden i á ia é moldada pela sociedade, em que a o es sociais e cul u ais in l uenciam o p ocesso. Também Woodwa d (2004) sublinha que a p oblemá ica iden i á ia en ol e alguma possibilidade de o sujei o op a , ainda que com limi ações. Há algum con olo do a o social na p óp ia cons ução iden i á ia, mas pode ão exis i olhimen os ex e nos que o limi a ão. Exis e uma ensão en e o domínio exe cido pela pessoa na edi i cação da sua iden idade e o que é incu ido sob e a p óp ia pelos es an es indi íduos. Como consequência, al como e e em Ybema e al., a cons ução iden i á ia en ol e um sis ema negocial en e o “eu” e os “ou os”, daí a iden idade se , simul aneamen e, o que é p oje ado e pe ce- cionado: “(…) which p oduces a socially nego ia ed empo a y ou come o he dynamic in e play be ween in e nal s i ings and ex e nal p esc ip ions, be ween sel -p esen a ion and labeling by o he s, be ween achie emen and asc ip ion and be ween egula- ion and esis ance” (Ybema e al., 2009: 101). A c iação iden i á ia apa en a a icula a elação en e o sujei o e a sociedade, pelo que encon a as suas o igens no deba e sob e agência e es u u a (Ybema e al., 2009). A dimensão iden i á ia semp e o a um p oblema (Bauman, 1995, 2000, 2007; Viei a, 1999) ans- e sal a qualque sociedade (Viei a, 1999). Assim, se na mode nidade a ques ão se cen a a na o ma de cons ui uma iden idade e a man e es á el, no que Bauman (1995, 2000, 2007) denomina como a “mode nidade sólida”, numa “ i ania da e e nidade”, com o pós-mode nismo su ge a necessidade de e i- a a espe i a i xação e conse a odas as opções em abe o, no que o au o apelida de “mode nidade líquida”, ca a e izada po uma “ i ania do momen o”. No p imei o caso, a pala a-cha e é “c iação”, em que as iden idades e am cons uídas em “ e o e be ão”, no segundo es as são dispos as em “plás ico bio- deg adá el”, sendo o concei o implíci o: “ eciclagem”. E e i amen e, com o desen ol imen o do pós-mode nismo chega o econhecimen o de que o indi íduo não em apenas uma iden idade, dada a espe i a na u eza ince a, agmen ada (Hall, 2005), complexa (Mille e al., 1998), mul íplice (Ransome, 2005) e impu a (Pin o, 1991). Sendo a iden idade compos a po á ias dimensões, assen es em múl iplas pe enças (Maalou , 2002), es as se ão, po um lado, laços que unem os indi íduos aos seus semelhan es e, simul aneamen e, ep esen am a O LUGAR DO CONSUMO NA PROBLEMÁTICA IDENTITÁRIA CONTEMPORÂNEA 53 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 51-58 especi i cidade indi idual. Pais (2002) a i ma e expe imen ado uma “colonização do eu”, adqui indo múl iplas e díspa es possibilidades de “se ”. Como se p ocessa es e mecanismo? A a és da inco po a- ção da in o mação do meio que odeia o indi íduo, expos o às dinâmicas ci culan es do quo idiano, pelo que as a iadas pe enças sociais são cons i u i as de iden idades ambi alen es. A es e p opósi o, C uz (2009) a i ma que o a o social é plu al, em unção da di e sidade de con ex os em que é socializado. Go man (1982) de ende que a cons ução iden i á ia, enquan o um con ínuo p ocesso social, pe mi e o abandono de uma iden idade e a p ocu a de uma no a, pelo que os sujei os acumulam uma mul iplicidade de “ap esen ações do eu”. Também Mead (1967) ealça o ac o de qualque pessoa di idi -se em á ios “eus”. Pa a Lewis e Phoenix (2004), odo o indi íduo acumula um conjun o de di e en es iden idades, simul aneamen e, median e as di e en es posições sociais ocupadas. Ainda assim, Maalou (2002) ac edi a que, ao ei indica uma iden idade mais complexa, o indi íduo é ma gina- lizado, dada a di i culdade em comp eende uma iden idade compósi a. Ra ansi e Phoenix (2001) ac edi am que es a concep ualização iden i á ia po encia o e en ual su gimen o de con adições ou inconsis ências nas p á icas dos sujei os. Também Woodwa d (2004, 2005) e e e que as di e en es iden idades assumidas pelo indi íduo, exigência da complexa ida mode na, pode ão en a em ensão en e si. Tal como Sil a (2005), que de ende a exis ência de iden idades agmen adas, inconsis en es e opos as, Kopy o (1986) e Ta lo (1996) mencionam que es as pode ão se múl iplas e con l i uosas. Já Velho (1994), po sua ez, isa que o ac- o de a iden idade dos indi íduos se encon a em pe manen e econs ução não in iabiliza a- a -se de uma ansição pací i ca. A es e p opó- si o, Schwa z (1999) salien a que, apesa de a acumulação iden i á ia pode e algum im- pac o sinuoso, exis indo di e sos “eus” em pa a- lelo, de e ão se su i cien emen e coe en es pa a e i a em uma c ise de iden idade. Giddens (2004) a i ma que a plu alidade iden i á ia não po en- cia o su gimen o de con l i os, pois a maio ia dos sujei os o ganiza o sen ido e a expe iência das suas i ências em o no de uma iden idade p inci- pal, ela i amen e con ínua no espaço e no empo. Elias (1993) de ende, de igual o ma, que há uma con inuidade e olu i a, al como Viei a (1999), que ealça a exis ência de uma ela i a homogeneidade iden i á ia. Também Maalou (2002) ac edi a que a iden idade não se compa imen a, sendo una e i ida no seu odo e não como um aglome ado de pe enças au ónomas e jus apos as. Po ou o lado, Quad ado (2006) in e i a que, independen emen e de a iden idade do indi íduo se cons an emen e deslocada, o a o social pe ceciona-se como sendo o mesmo sujei o. A plu alidade encon a-se no ce ne da ques ão iden i á ia, dada a hib idez que a ca a e iza (Ra ansi e Phoenix, 2001; Wie io ka, 2007): “(…) we a ely hink o ou sel es as one hing a all imes and in all places” (Mille e al., 1998: 23). É po esse mo i o que, quando se abo da a p oblemá ica iden i á ia, é ins an ânea a sua ligação a uma alsa imagem de ha monia, de lógica e de coe ência, algo que com o l uxo das expe iências i idas pelos indi íduos apa- en a al a , pelo que só iluso iamen e as iden idades são i xas e pe manen es (Bauman, 2000). Ainda que haja uma endência pa a a i xação iden i á ia, es a é, simul aneamen e, uma impossibilidade (Sil a, 2005). Ao apa en a es abilidade, uma iden idade es a á a passa po uma e apa momen ânea e ansi ó ia, po um es ádio de esilien e engano (Ybema e al., 2009). A es e epe ó io de papéis sociais associam- -se as noções de me amo ose (Velho, 1994) e nomadismo (Lehmann e al., 1998). E e i amen e, as iden idades nunca es ão o al e de i ni i amen e es abelecidas, não de endo um ca á e es anque (O o e O o, 1971), ao encon a em-se num ela i o es ado de o mação e mu ação, ao se em p o isó ias, inacabadas (Ra ansi e Phoenix, 2001; Hall, 2005; Sil a, 2005), mu an es (Elias, 1993) e dinâmicas (Mille e al., 1998). O p ocesso social implicado na o mação iden i á ia é, inequi ocamen e, ecu si o, e l exi o e mul i ace ado, po se encon a em cons- an e cons ução (Ybema e al., 2009), pelo que só cessa com o alecimen o do a o social (O o e O o, 1971). Se es a dinâmica é equen emen e e e ida como a “p ocu a iden i á ia”, a qual é jus i i cada pelo ac o de os se es humanos necessi a em de uma eo ia cen al “sob e quem são” an es de pode em começa a elabo a o seu “eu” (Schwa z, 1999), O o e O o a i mam se mais co e o designá-la como “(...) « he ongoing de elopmen o iden i y»” (O o e O o, 1971: 405). É po esse mo i o que a de i nição iden i á ia é um p ocesso que en ol e alguma complexidade, já que não se a a de um mecanismo uni o me, nem es á ico, mas l exí el e em pe manen e ede i nição, cuja abo dagem de e á inclui a análise dos di e sos aspe os sociais e cul u ais que odeiam o indi íduo (Gonçal es, 1994). Nenhum elemen o que compõe a ida socie al pode se plenamen e comp eendido sem ele a a espe i a cul u a pa icula na qual oco e (Go man, 1983): “Aquilo que é c i é io de dis inção iden i á ia impo an e numa dada sociedade ou si uação social pode não e qualque signi i cado nou o local ou nou a época (...). Tudo depende da ele ância iden i á ia que é dada a es a ou àquela ca a e ís ica, no decu so dos p ocessos sociais” (Cos a, 1992: 53). É axiomá ico que a cons ução iden i á ia se sedimen a na dis inção: pa a se sabe quem se é, C is ina San os 54 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 51-58 o na-se necessá io es abelece -se quem não se é (Fea he s one, 1994; Sil a, 2005; Ybema e al., 2009). Aliás, a ma cação da di e ença, a pa i da qual as iden idades são ab icadas, é o componen e- -cha e em qualque sis ema classi i ca i o (Woo- dwa d, 2005). As iden idades só podem se “lidas” a con apelo, ou seja, não a a és da es abilidade, mas como algo que é cons uído de o ma desigual (Hall, 2005). Assim, o concei o iden i á io ap esen a uma índole compa a i a, dado que a de i nição dos indi íduos só é e e i ada ela i amen e à dema ca- ção dos ou os sujei os (Cos a, 1992): não exis e nenhuma iden idade do “eu” sem a iden idade do “nós” (Elias, 1993), dado o seu ca á e elacional (Lewis e Phoenix, 2004). A simili ude/uni o midade e a di e enciação/ /singula idade são dimensões cen ais na cons u- ção iden i á ia, sendo com base numa dialé ica de iden i i cação en e a in e ação in e na e ex e na que es as se cons i uem (Ybema e al., 2009). Ransome isa es a ambi alência, salien ando o papel do consumo no alen a des a dinâmica: “People s ill wan ed o see hemsel es as pa o socie y and ake ad an age o he suppo and p o ec ion his p o ides, bu wi hou becoming en i ely assimila ed in o i . (…) one o he dilemmas which lies a he hea o he iden i y/consump ion ela ionship which is ha h ough consump ion we a e exp essing a need o align ou sel es wi h o he s, and ye we also consume in o de o dis inguish ou sel es om hem” (Ransome, 2005: 106). O consumo Apesa de o consumo se i emo í el da con- dição humana (Bauman, 2007) e de e in adido a ida dos indi íduos (Baud illa d, 1995), só em 1980 a emá ica ganha maio exp essi idade na sociologia. A é en ão, apa en a a se um concei o do domínio exclusi o de economis as, publici á ios e ma ke e s (Bocock, 1993), endo sido enca ado como uma me a unção do p ocesso económico e não como um au ónomo enómeno social (F iedman, 1999). Po an o, é somen e no i nal do século XX que a maio ia dos sociólogos econhece a cen ali- dade que o consumo assume na a ual p oblemá ica iden i á ia (Ra ansi e Phoenix, 2001), a a és da espe i a capacidade de p o idencia uma á ea l exí el pa a a cons ução das maleá eis iden i- dades con empo âneas (Miles, 2000). Segundo Quei oz (2005), o signi i cado cul u al do consumo na cons ução iden i á ia é de al o dem que se pode conside a que nele eside a mais o e mo i ação da ação cole i a nas sociedades desen ol idas nos i nais do século passado. Uma es e a que o e ecia es abilidade iden i- á ia e um sen imen o de pe ença ao indi íduo en ou em declínio: “(...) «a job o li e» (...)” (Woodwa d, 2004: 29). Com a deslocação da ên ase da p odução de bens pa a o seu consumo (Dua e, 2009), assis e-se à passagem da sociedade dos p odu o es pa a a dos consumido es. T a a-se de um p ocesso g adual de emancipação dos sujei os, que deixa am de não e escolhas, passando de um cená io de cons angimen os e de al a de libe dade pa a um pano ama em que p e alece a au onomia indi idual (Bauman, 2007). Com es a ansição, a i ma Bauman, a sociedade, eple a de múl iplas e a iadas opo unidades, dá p imazia aos seus memb os enquan o consumido es, uma ez que a ida o ganizada em o no do papel de p odu o ende a se no ma i amen e egulada, ao in és do consumo, onde não exis em eg as (Bauman, 2000), pelo que o indi íduo é al o de menos es ições (Wa de, 1994). Po ém, Dohe y (2009) c i ica Bauman, po não conco da com o au o quando es e a gumen a que o abalho desempenha um papel diminuído na sociedade con empo ânea, ao e pe dido a posição p i ilegiada de ou o a na cons ução iden i á ia. Os esul ados da pesquisa que Dohe y desen ol e a demons am que a es e a labo al man ém a sua impo ância. De ac o, Mackin osh e Mooney (2004) ealçam que quando um indi íduo es abelece um con ac o elacional com alguém, pela p imei a ez, pe gun a qual a espe i a p o i ssão, numa en a i a de o conhece , dado o elacionamen o e e i ado en e o emp ego de ido e a iden idade. No en an o, os au o es, al como Ransome (2005), ac edi am que a ocupação p o i ssional desempenha um papel meno na a ual p oblemá ica iden i á ia. C ane (2000) ealça a c escen e ele ância a ibuída ao consumo, em de imen o da es e a labo al, dado o espe i o con ibu o pa a a cons ução da iden idade. É a a és do consumo que g ande pa e dos sujei os p ocu a exp essa a libe dade, o pode e as suas aspi ações sociais (Tomlinson, 1990), dada a au onomia e a independência que o ca a e izam (Ransome, 2005). O consumo mode no é indi idua- lis a, uma ez que o a o social de ém possibilidade de escolha. Se ou o a se assis ia à au o idade que a adição impunha, p esen emen e é o indi íduo quem di a as eg as (Campbell, 2004). Pa a Wa de (1994), a capacidade pa a escolhe eside no cen o do deba e sociológico sob e p á icas consumis as. O au o ealça que, quando o consumido oma as suas opções de consumo, sabe que há poucas sanções. Con udo, e po ou o lado, Wa de (1994) a i ma que o consumo é, numa pe spe i a sociológica, a con empo ânea o ma de suicídio, pois se a escolha co e a c ia au ossegu ança, p o a elmen e uma opção e ada en ol e um mecanismo de au odes- uição, pelo que exis i ão consequências pa a quem ome decisões ans iadas. Es a ob iga o iedade de decidi pode á ge a um es ado de ansiedade no indi íduo (Wa de, 1994), já que cada escolha O LUGAR DO CONSUMO NA PROBLEMÁTICA IDENTITÁRIA CONTEMPORÂNEA 55 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 51-58 se encon a sujei a a uma p essão social (Wilska, 2002). Também Bauman (2007) a i ma que os sujei- os pode ão se penalizados ao não demons a em possui p es eza na sua capacidade consumis a. É po esse mo i o que Wa de (1994) a i ma que o consumo pode se uma a i idade s essan e. C uz (2009) e e e que, endo em con a es e cená io, o a o social soco e-se de mecanismos compensa- ó ios e econ o an es, como a amília, os amigos e a publicidade: o que a pessoa consome não é independen e do con ex o em que se dão as elações es abelecidas com os ou os. Dada a in ínseca ola ilidade das iden idades, a habilidade consumis a pe mi e a ealização de an asias iden i á ias. De endo essa capacidade, o indi íduo é li e pa a c ia ou des aze a sua iden idade. É a a és da endição ao consumo que se ganha independência (Bauman, 2000), sendo u ilizado pelos a o es sociais pa a man e em “(…) hei sense o iden i y h ough ime and de i ne hemsel es in ela ionship o o he people” (Ahu- ia, 2005: 171). Aliás, segundo Bauman (2007), a cul u a consumis a ca a e iza-se pela cons an e p essão pa a que o indi íduo mude de iden idade. No en ende do au o , a a-se de um de e , dis a çado de p i ilégio. Pa a Leh onen e Mäenpää (1997), o a o aquisi i o pe mi e que os indi íduos modi i quem, olun a iamen e, as suas iden idades, equipa ando- -os a c ianças, b incando e jogando com di e sos papéis, dada a di e são implíci a no p ocesso que en ol e o “eu” e os possí eis “eus”. Ao longo do século XX, o empo disponí el pa a as a i idades ec ea i as, como o consumo, aumen ou (C ane, 2000). O quo idiano é pa icula - men e ma cado pelo laze e ócio (Campos, 2010). O a, as a i idades hedónicas cen am-se na comp a de bens (Miles, 2000): a me cado ia cul u aliza-se, po que su ge ans o mada em subs ância lúdica (Baud illa d, 1995). Apesa de a impo ância do consumo se ans e sal à sociedade, a pa icula p eponde ância a ibuída às comp as a ia median e a idade, sendo mais ele an e pa a os jo ens (Miles, 2000), o géne o, em que as mulhe es lhe a ibuem especial des aque, e a u banidade, em que um dos g andes p aze es da ci adina ida mode na é dedicada a uma é ica consumis a (Co igan, 1997). O a o de comp a é uma a i idade quo idiana social, enca ada como um in es imen o nas ela- ções sociais (Mille e al., 1998), uma ez que: “(…) shopping is as o en abou o he s as i is abou sel (and e en when i is abou sel , i is o en s ill abou o he s)” (Mille e al., 1998: 17). O pad ão de consumo cons i ui um pode oso meio in o ma i o pa a conhece a iden idade dos indi íduos, su gindo como o a o p imo dial na modelação da p esen e sociedade, ao se de e minan e no modo como os sujei os se elacionam com os ou os (Ransome, 2005; San os, 2011). P e alece um sis ema socio- lógico de signos, em que o consumo su ge como um modo no o e especí i co de socialização, como uma condu a a i a e cole i a, como coação e mo al, compondo um sis ema de alo es (Baud illa d, 1995). A cul u a de consumo possibili a a pe ença social a a és da posse ma e ial (Da iba e Cas o, 1998). Segundo Dua e (2009), o colapso do an e io sis ema de dis inções na u almen e ins i uídas e a espe i a subs i uição po um sis ema de es a i i ca- ção ansponí el acabou po pe mi i a l exibilidade iden i á ia. Assim, a p ocu a de bens pode á su gi como uma o ma de os indi íduos se ede i ni em pessoal e socialmen e, dadas as inúme as possibi- lidades po enciadas po uma es u u a social a i- á el. Uma ez que, numa hie a quia social ígida, o p ocesso de ligação en e obje os e posições sociais pe manece ia linea e ela i amen e con olado, com a mode nidade a p ocu a de p odu os o na-se um impo an e mecanismo de compe ição social e ede i nição pessoal, uma ez que os obje os são canais de exp essão e econs ução iden i á ia. De aco do com a au o a (Dua e, 2009), pa a se comp eende o a ual papel do consumo é necessá io inclui um ou o concei o: a iden idade. A pesquisa que e e uou, jun o de in e e qua o amílias, pe mi iu conclui que os pe ences podem se complemen os da iden idade do indi íduo e que o consumo o e ece al e na i as iden i á ias. Também a in es igação ope acionalizada po C uz (2009, 2010), na qual se analisa am as lis as de despesas (mapas mensais onde e am egis ados os mon an es dispendidos) de in a amílias, pe mi- iu in e i a elação exis en e en e as p á icas de consumo e os di e en es papéis sociais assumidos pelo sujei o. Cons a ou-se ainda que o consumo é a exp essão de um desejo ela i amen e cons angido pelos de e es sociais ( eg as de p esc ição), pelos sabe es adqui idos (socializações) e pelos pode es (económicos, cul u ais, elacionais, en e ou os). O consumo é um a o exp essi o (Tomlinson, 1990), pois os obje os são signos, em que a ci - culação, comp a, enda e ap op iação de bens cons i ui uma linguagem (Baud illa d, 1995). A p esen e sociedade, enca ada como a ci ilização da cono ação, ca a e iza-se pela a ibuição de signi i - cados aos géne os (Ba hes, 1985). Nenhum bem pe manece imune à signi i cação (Baud illa d, 1972). Aliás, A end (2001) ale a: chega á o momen o em que nenhum pe ence es a á a sal o do consumo. Como os obje os possuem ca a e ís icas sígnicas (San os, 2011), a a és da uição dos p odu os o indi íduo exp essa as suas ca a e ís icas, ou seja, os bens o na am-se símbolos iden i á ios, ao o - na em isí el a iden idade do espe i o usuá io. Nesse sen ido, são e e uadas in e ências ace ca da pessoa com base nos a igos adqui idos, dado o ca á e simbólico de ido pelos bens ma e iais. A iden idade do indi íduo é es abelecida, comunicada, C is ina San os 56 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 51-58 con i mada, man ida, ep oduzida e ans o mada a a és das elações es abelecidas com os p odu os (Di ma , 1992). Logo, o consumo é um componen e iden i á io, a iculado a a és das elações i madas com os bens (Mille e al., 1998). Ransome (2005) de ende que os indi íduos emp eendem dois ipos de consumo: uma sa is ação quo idiana básica de necessidades e desejos e uma sa is ação simbólica. É es a úl ima es e a, asso- ciada aos es ilos consumis as pós-mode nos, que os sujei os mais ambicionam a ingi , encon ando- -se elacionada com o “consumo de signi i cados”. T a a-se de uma dimensão ep esen a i a (San- os, 2011), pois o bem de ém uma unção social (Jhally, 1995). O a, a signi i cação de um símbolo não é absolu a (Appadu ai, 1986), nem in ínseca, mas socialmen e es abelecida (Di ma , 1992). As me cado ias de êm po encial socie al (Appadu ai, 1986), pelo que os indi íduos as u ilizam pa a se dema ca em socialmen e (Jhally, 1995). A ideia de que os obje os de em se impo an es pa a as pessoas em unção daquilo pa a que são usados e não de ido ao seu signi i cado in angí el o nou-se obsole a (San os, 2011): poucas são as escolhas do consumido in ei amen e acionais e ins umen ais (Gay e al., 1997). A seleção de bens engloba a espe i a cons an e a aliação, median e o seu po encial con ibu o pa a a p ojeção das iden- idades. Consequen emen e, as opções e e uadas não são inócuas (C ane, 2000). Aliás, segundo C uz (2010), analisa o consumo enquan o obje o de es udo p essupõe a consciencialização de que as p á icas de consumo, embo a complexas e di usas, não são alea ó ias. Pa a Campbell (2004), se o sujei o se con on a com uma c ise iden i á ia, es a pode á se esol ida com ecu so ao consumo, uma ez que a a i idade consumis a pe mi e que o indi íduo descub a o seu “eu”. Po esse mo i o, quando o sujei o se de i ne, á-lo, p a icamen e, com base nos seus gos os e p e e ências, po julga se em os pa âme os que melho o de i nem. Apesa de econhece que a espos a à pe gun a “Quem sou eu?” e á de inclui c i é ios como: géne o; aça; nacionalidade; e nia ou eligião, o au o ela i iza a impo ância des as dimensões. O a, es a concep ualização é ecen e. An e io men e, a iden idade encon a a-se anco ada no es a u o e posição que a pessoa ocupa a nas á ias ins i uições, al como o abalho e a amília. Os compo amen os de consumo, que assumem pa icula ele ância nas sociedades con empo âneas, são, simul aneamen e, p á icas sociais, cul u ais e iden i á ias: é pelo consumo que o sujei o de i ne a sua p óp ia iden idade (C uz, 2009, 2010). Con udo, Say e e Ho ne (1996) de e a am uma exceção: as í imas de desas es na u ais. O es udo e e uado jun o de í imas de incêndio demons ou que, após o aciden e, os sujei os passa am a a ibui uma meno impo ância à posse ma e ial. A sólida elação que exis ia, an es do inciden e, en e o “se ” e o “ e ” ans o mou-se numa ligação de alo i ni o, com meno ele ância na cons ução iden i á ia. Assim, o luga do consumo é a ida quo idiana, o qual su ge como uma ins i uição, ideologia (Bau- d illa d, 1995) ou mesmo como a eligião do século XX (Miles, 2000). Apesa de o abalho pe manece impo an e, é o consumo que assume um papel dominan e na de i nição iden i á ia (Ransome, 2005). É a a i idade do consumido , e não do p odu o , que se p esume p o idencia a in e ace essencial en e os indi íduos e a sociedade (Bauman, 2007), uma ez que a ida dos a o es sociais é de e minada mais pela o ma como consomem bens do que pela manei a como os p oduzem. O a, a p á ica mode na da iden idade libe ada não pode ia e eme gido a é a sociedade e a ingido o es ádio de consumo a l uen e, dada a acilidade com que p omo e a au ó- noma exp essão iden i á ia. Segundo es a lógica, qualque insinuação de que o consumo ap esen a limi es equi ale a suge i que exis em limi ações pa a a quan idade de iden idades que um indi íduo pode, sensa amen e, espe a e (Ransome, 2005). Em suma, apesa de o consumo ocupa um luga ne álgico na cons ução iden i á ia con em- po ânea, deno a-se a ausência de um esc u ínio cien í i co sob e es a p oblemá ica no pano ama sociológico in e nacional (Ahu ia, 2005) e nacional: a in es igação na á ea do consumo em sido pouco desen ol ida em Po ugal (C uz, 2009). Falk e Cam- pbell (1997) ale am pa a o ac o de o consumo, quando analisado de o ma supe i cial, pode não apa en a se um enómeno de pa icula ele ância socie al, dada a signi i cância social ma ginal que lhe é a ibuída. U ge, pois, in es iga um ema com e l exos p á icos no quo idiano iden i á io do indi í- duo, uma ez que só assim se á possí el emi i um discu so con empo âneo sob e as no as ques ões que se colocam ao a o social, a ualmen e ime so numa sociedade de consumo. Bibliog a i a AHUVIA, A. C. (2005), “Beyond he ex ended sel : lo ed objec s and consume s’ iden i y na a i es”, Jou nal o Consume Resea ch, 32, pp. 171-184. APPADURAI, A. (1986), “In oduc ion: commodi ies and he poli ics o alue” in A. Appadu ai (ed.), The social li e o hings: commodi ies in cul u al pe spec i e, Camb idge, Camb idge Uni e si y P ess, pp. 3-63. ARENDT, H. (2001), A condição humana, Lisboa, Reló- gio d’Água. BARTHES, R. (1985), A a en u a semiológica, Lisboa, Edições 70. BAUDRILLARD, J. (1972), Pa a uma c í ica da economia polí ica do signo, Lisboa, Edições 70. DE LO SÓRDIDO A LO VINTAGE, DE LA MARGINALIZACIÓN A LA DISTINCIÓN... 63 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 59-67 Cais do Sod é: de la decadencia a una noche gen i i cada La his o ia u bana de Cais do Sod é es á es e- chamen e elacionada con el c ecimien o u bano del en e ma í imo de la capi al po uguesa de inicios del siglo XVI. Du an e el einado de Manuel I (1495- -1521) ue on plani i cados y desa ollados nue os espacios ibe os que u ie on como obje i o amplia las ins alaciones po ua ias de la ciudad. Víc o Du ão (2012) señala que las á eas escogidas pa a al desa - ollo u bano ue on San os y Ca a-que-Fa as (hoy conocida como Cais do Sod é). Una ez que es os e enos limosos ue on u banizados, ápidamen e acogie on nue as ac i idades económicas elaciona- das con el á i co de me cancías po ua ias (Du ão, 2012). Es po es e mo i o que la mo ología u bana de Cais do Sod é, sus ac i idades co idianas y su ap opiación po pa e de ende os y come cian es locales y ex anje os, ma ine os y p os i u as, iene sus o ígenes en es e aje eado ambien e po ua io. Sin emba go, nada de ese pasado sigue exis iendo hoy en día. Como la pe iodis a de la BBC Ke y Ch is iani señala: “Cais do Sod é had ups aged Bai o Al o as Lisbon’s mos happening nigh li e dis ic ” (Ch is iani, 2012).7 El “ iejo” Cais do Sod é ha dado paso al “nue o” Cais. Lo que du an e muchas décadas a ás e a un ba io inundado de alcohol, comida ba a a, peep shows, música ado, ma ine os bo achos, episodios de iolencia calleje a, d ogas y p os i ución, comenzó a cambia a mediados de los años 1970, cuando algunas de las iendas y negocios di e sos de Cais do Sod é se econ ie ie on en pequeños locales de ocio noc u no, naciendo así locales que aún hoy día siguen abie os al público, como la Disco eca Jamaica, Ba Eu opa, Ba Tokyo y Viking. Además o os muchos ba es ab ie on o bien pasa on a lla- ma se como los pue os come ciales más amosos del mundo (pue o de Filadel i a, Shang i-La, Tokio, Ro e dam, Copenhague, Li e pool, Oslo, e c). A odo ello cabe suma le la Re olución de los Cla e- les de 25 de Ab il de 1974, que condujo a la caída del égimen ascis a de Salaza y que, en el campo del ocio noc u no, supuso el inicio del p oceso de “democ a ización” de la noche lisboe a. De ahí que Cais do Sod é ue a en onces eap opiado po jó e- nes de las clases medias de la ciudad, es udian es uni e si a ios, bohemios, in elec uales y pe iodis- as locales. Sin emba go, al “democ a ización”, y ya con una pe spec i a empo al más amplia, ha compo ado un “desplazamien o espacial” de la p os i ución ma ginal. Es e p oceso p esen a hoy día una e ue za igencia al y como la pe iodis a Cla a Sil a (2011) in o ma: “Na Pensão Amo ainda há camas, a má ios, cadei as e espelhos dos empos em que o p édio e a casa de p os i uição. Na e dade, no núme o 38 da Rua No a do Ca alho, em Lisboa, unciona am qua o pensões que aluga am qua os à ho a a p os i u as e a ma inhei os que a aca am no Cais do Sod é, indos de á ias pa es do mundo. Ago a, os qua os ambém podem se alugados ao dia, à semana ou ao mês, mas a emp esas – que nada êm a e com p os i uição.”8 La Rua do Alec im desciende desde La go de Camões has a Cais do Sod é. Jus o an es de llega , Alec im c uza a un ni el supe io la Rua No a do Ca alho, la cual cons i uye el eje e eb ado del clús e de ocio noc u no de Cais do Sod é. Apa e que bajo el puen e se encuen e uno de los locales más dinámicos de Lisboa en lo que a p og amación de e en os musicales se e i e e, Musicbox (an iguo Ba Texas)9, al puen e di ide la noche de Cais do Sod é en dos. En la pa e o ien al del clús e de Cais do Sod é aún siguen abie os los pequeños locales de ocio que ab ie on a pa i de inicios de la década de los se en a y o os que ab ie on pos e- io men e: Jamaica, Viking, Ba Eu opa, Ba Oslo, Ba Li e pool, Copenhaga, Tokyo. La clien ela más o menos i el – mayo i a iamen e lisboe a aunque en 2010 los es udian es E asmus e an cla amen e mayo ía de Ma es a Vie nes – esponde a su ez a la i delidad de es e ipo de locales man ienen en el cuidado de una noche “au én ica”, con una cie a so didez aunque ni excesi a ni “pelig osa”10 pa a el clien e: ce eza ba a a, alcohol blanco de mala calidad, p os i u as ba a as, d ogas (hachís y cocaína), los mismos emas musicales de siemp e (gene almen e de géne o ock y pop- ock de los años 70s, 80s y 90s); el diseño in e io de los locales con inua siendo el o iginal. Sin emba go, es a a mós e a algo decaden e es e-signi i cada po pa e de algunos consumido es (blancos) de clase media-al a los cuales, muchos de ellos, pe enecen al campo p o esional de la comunicación y la cul u a.11 Pa a algunos de ellos, consumi es e ipo de noche “decaden e”, “cu e” (en é minos popula es) signi i ca eco da aquellas noches cuando e an más jó enes. Pa a o os, signi i ca consumi una “decadencia eli izada”, “higienizada”, nada “pelig osa”, o almen e “con olada”: se a a de consumi un ocio noc u no inundado de emocio- nes con oladas en un ambien e hipe -secu i izado po pa e del s a del mismo local así como po un núme o signi i ca i o de policía sec e a que ope a en Cais do Sod é cada noche. 12 De hecho, el hecho que la Rua No a do Ca alho haya sido ce ada al á i co odado desde Sep iemb e de 2011 ha con ibuido al e o zamien o de la acción de la segu idad p i ada de los locales sob e el con ol del o den público en la calle. Ello supone, sin luga a dudas, un inc emen o de la secu i ización del espacio público, pe o ambién Jo di No e 64 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 59-67 una semip i a ización “encubie a” del eje cicio de la segu idad pública la cual p e ende e o za la ecología del miedo (Da is, 1990) como ga an e de un o den mic osocial es ablecido a lo la go de los años y que es á basado en elaciones de in e és en e chulos, pequeños a i can es, ca e is as, pe sonal de segu idad de los locales y miemb os de la policía.13 En la pa e occiden al, la noche es o almen e di e en e. En p ime luga po que la p esencia de dos agen es de la Polícia de Segu ança Pública compo a di e encias adicales sob e quién y cómo se eje ce el con ol del o den público en la calle. Aquí, los go ilas no ex ienden sus unciones de igilancia y con ol más allá de los lími es de su local. En segundo luga , la ipología de o e a de ocio noc u no y de consu- mido p esen a signi i ca i as di e encias g acias a la ecien e abe u a de es nue os locales de ocio noc u no los cuales p esen an un diseño in e io de ma cada endencia in age. Son locales que o man pa e, como ya ha sido suge ido an e io men e, de una es a egia lle ada a cabo po el sec o p i ado en conni encia con la adminis ación pública local pa a la eno ación u bana y social de Cais do Sod é. En es e con ex o, los locales Pensão Amo , Ba da Velha Senho a, y Sol e Pesca o ecen un no edoso ocio noc u no basada en el consumo de “lo in age” y “lo bohemio” como dis inción social (Figu a 2). A pesa de a a -se cla amen e de locales des inados a las nue as clases medias cosmopoli as y a las jó enes y adul os-jó enes pe enecien es a las clases medias-al as lisboe as ( al y como deja Fuen e: Pensão Amo © 2012. Figu a 2   Pensão Amo , achada desde la calle Rua do Alec im (a iba a la izquie da), escale as de acceso a la p ime a plan a (a iba la de echa), pe o mance pocos días después de la inaugu ación (abajo a la izquie da), y sala p incipal (abajo a la de echa). en e e la pe ición de es i bien y los p ecios del menú de es au ación de la Pensão Amo , o los p ecios de las apas de Sol e Pesca, po ejemplo), al “exclusi idad” no impide que algunos es udian es uni e si a ios po ugueses y E asmus (es os úl imos, una mino ía muy poco signi i ca i a) p e i e an acudi a es os nue os locales “gen i i cado es” pa a e i a la so didez que odea la “pe i e ia” de es e subsec o ecien emen e “higienizado” en é minos sociales. 14 Sin emba go, la econ e sión de Cais do Sod é a a és de la gen i i cación de su ocio noc u no no pod ía se comple amen e en endida sin ene en cuen a el papel undamen al que en es e p oceso p esen a la ecien emen e inaugu ada Pensão Amo . Es e nue o local de ocio noc u no ocupa un iejo edi i cio de cinco plan as de pa edes pin adas de ojo, con lámpa as de a aña, o os y dibujos en la pa ed de chicas salidas de cualquie caba e o bu del de los años ein e, casi desnudas y en pose e ó ica, mobilia io in age, e c. El p ime piso de la Pensão Amo p esen a un espacio mul i uncional en donde se celeb an a menudo cha las, p esen- aciones de lib os, con e encias, e c. También hay un espacio donde oma una copa de pie mien as, con un olumen musical muy disc e o, el DJ de u no desa olla su sesión. En el es o de los pisos las an iguas habi aciones de las p os i u as se han ans o mado en espacios de acogida de inicia i as a ís icas y c ea i as, así como en o i cinas de ges- ión cul u al (como la o i cina de ges ión del Quee Lisboa Fes i al). Cabe des aca la sala de caba e en donde la clien ela puede lee , cha la y/o bebe DE LO SÓRDIDO A LO VINTAGE, DE LA MARGINALIZACIÓN A LA DISTINCIÓN... 65 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 59-67 de mane a “dis inguida” en un espacio o almen e “higienizado” de cualquie in usión de clase in e- io . P ecisamen e son los go ilas del local quienes ejecu an al “higienización social” del local aplicando un c i e io de selección de la clien ela basado en la ca alogación absolu amen e a bi a ia de e nia “pelig osa” o “no pelig osa” y la apa iencia de s a us quo. En o as palab as, los inmig an es a icanos de las ex colonias po uguesas, los gi anos y odos los que no pa ecen pe enece a las clases media- -al a (blanca) de Lisboa ambién iene p ohibida su en ada en Pensão Amo .15 La “noche in age” como es a egia de gen- i i cación del ocio noc u no en Cais do Sod é no pe enece an sólo al ámbi o de las e l exiones ealizadas en es e ex o. El canal de la BBC-T a el in o mó ecien emen e que la Pensão Amo “once a b o hel, [i ] had been ebo n as an a space wi h a bo dello-chic ba ” (Ch is iani, 2012). E ique a Pensão Amo como un bu del “chic” sin duda alguna e ue za la esis expues a has a aho a en es e ex o ace ca del papel gen i i cado de dicho local. Po o a pa e, el uso de es e é mino suge i ía algunos cambios en el signi i cado del é mino “bohemia”. Po una pa e, Pensão Amo o ece un espacio de diseño de in e io eco dando los locales bohemios de las ciudades más ac i as en el ámbi o de la cul u a a lo la go de la década de los años 1920 y 1930, como po ejemplo Chicago (C essey, 1932), Nue a Yo k o el “Pa ís de Amé ica” (Bu ke, 1995), Ba celona (Villa , 1996) y Lisboa (Machado, 2008). Sin emba go, la e-signi i cacion del é mino bohémia se e e i ía a la dimensión “conduc ual” del indi i- duo el cual, si quie e pa icipa del consumo de la noche eli is a in age, iene que asumi los nue os códigos de conduc a asociados de la neobohemia: ges os y exp esiones aciales mínimos, con e sas despoli izadas, consumo de alcohol muy mode ado y de ma ca, co ección absolu a en las o mas de sen a se y/o de es a en la ba a, del a o con el cama e o y una p e e encia po el pago con a je a banca ia, e c. 16 Los indi iduos de es a bohobu gue- sía e i an exp esiones en público econocibles más allá de los lími es del espacio ín imo c eado en la mesa donde es án sen ados: el júbilo, la elicidad explíci a, las ca cajadas, el baile sensual 17 , el bebe casi compulsi amen e po que se iene sed o po que sencillamen e a uno le da la gana es inap opiado. Con odo, Pensão Amo o ece un menú de elegancia en un con ex o de ocio noc u no socialmen e higie- nizado, ema izado, de place p edecible y an asía con olada: ¿un ocio “Disneyzado”, en é minos de Alan B yman (2004)? Conclusiones La popula idad de la Pensão Amo en e los jó enes y jó enes-adul os de las clases medias-al as de Lisboa demues a el al o g ado de esiliencia y exiblidad del ocio noc u no glocal de pequeñas dimensiones y su impo ancia de p ime o den en los p ocesos de gen i i cación e higienización social de los cen os his ó icos de la ciudad pos indus ial. En es e sen ido, es e a ículo ha mos ado el caso de un ocio noc u no ecien emen e apa ecido el cual, basado en la p omoción de “lo in age” como ele- men o de acumulación de capi al cul u al y dis inción social, juega un papel undamen al en el p oceso de gen i i cación del an iguo ba io ma ine o de Cais do Sod é (Lisboa), sus i uyendo p og esi amen e aquel ocio noc u no “au én ico” que ca ac e izaba las noches del “ iejo” Cais po una nue a escena de la ida noc u na de ma cada ca ác e bohemio- -bu gués. Sin luga a dudas ello e ue za aún más la seg egación socio-espacial del ocio noc u no de Lisboa cuyo es udio, has a la echa, ca ece de e e en es bibliog á i cos. Es e a ículo demues a que las eo ías sob e los di e enciales de en a y alo del suelo como pa adigmas explica i os de la gen i i cación son cla amen e insu i cien es en algunos casos como, po ejemplo, en la explo ación de cómo al p oceso de ans o mación u bana – en con ex os de c isis i nancie a e inmobilia ia – pene an de o ma selec- i a en ba ios popula es deg adados de los cen o his ó icos median e la eno ación de un edi i cio abandonado y la gene ación de nue as dinámicas co idianas inculadas a los es ilos de ida y al consumo hedonis a de ocio noc u no de las nue as clases medias. Además, si bien ambas eo ías ( en -gap y alue-gap, en o iginal) pueden se ú iles en el análisis geog á i co de la gen i i cación en un pe íodo la go, son o a ez insu i cien es en el análisis e nog á i co del día a día del p oceso gen i i cado . Tal c í ica epis e- mológica es la que subyace a lo la go del desa ollo de es e a ículo. De hecho, y debido en g an pa e a la c isis i nancie a e inmobilia ia y la apa ición de los p ime os episodios de iolencia u bana y males a social du an e es os úl imos años, la gen i i cación adop a nue as o mas, apa eciendo de mane a más agmen ada, en la que los agen es gen i i cado es seleccionan aquellos edi i cios que cons i ui án las bases de lo que pod ía llama se “gen i i cación mic oci ú gica”. Se a a de una gen i i cación de “baja in ensidad” que es á llamada a ca ac e iza los p ocesos de eno ación u bana en es a nue a e apa de pos c isis. En ella, la “noche” global apa- ece como uno de los pila es undamen ales de la higienización social del espacio u bano así como del p oceso de e adicación de elemen os “pelig osos” pa a el p oceso de in e nacionalización de la ciudad. Jo di No e 66 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 59-67 Ag adecimien os Es e abajo ha con ado con el apoyo i nancie o de la Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia de Po ugal (FCT-SFRH/BPD/63178/2009) y el apoyo logís ico del Cen o de Es udos de Sociologia da Uni- e sidade No a de Lisboa (CesNo a). Quie o exp esa mi más p o undo ag adecimien o al P o eso Ma c Oli a, colega geóg a o del Ins i u o de Geog a i a e O denamen o do Te i ó io da Uni e sidade de Lisboa (IGOT-UL), po su ayuda, compañía, copas, ideas, e l exiones, c í icas y pun os de is a inno ado es en la ealización de és e y an os o os abajos de campo de (en) la noche; ambién a Emilio Cambei o, y a Adan Casán DJ El Ma ado , po sus espec i os pun os de is a “singula es” sob e la noche. No as 1 Como con ibución des acada, Te esa Al es, de la Uni- e sidad de Lisboa, ealizó en 2009 p esen ando una unidad didác ica ace ca de la economía del ocio noc u no en Lisboa. 2 Pa a una de allada ecopilación bibliog á i ca sob e los p ocesos de gen i i cación en ciudades occiden ales, éase Lees e al. (2008). 3 Rua do No e, 81. Ce ó sus pue as en o oño de 2010. 4 Fuen e: h p://spoiledmilk.lecool.com/lisboa/ p /2627?show_sha e_panel= ue 5 Fuen e: h p://www. acebook.com/pages/Cais- -Sod %C3%A9-Caba e /321365328077?sk=in o [acces- sed on: 20 Ma ch 2012, 3:47 pm]. 6 In o mación acili ada po J., 29 años, beca io p edoc o al de sociología u bana, esiden e de Cais de Sod é desde hace 7 años. En e is a lle ada a cabo in si u el 28 de Ene o de 2012, al ededo de las 2:00 am en Pensão Amo . En e is a egis ada manualmen e. 7 Ke y Ch is iani (2012).“The ebi h o Lisbon’s Cais do Sod é”, BBC-T a el Channel. [h p://www.bbc.com/ a el/ ea u e/20120320- he- ebi h-o -lisbons-cais-do-sod e, 24 Ma zo de 2012, 1:47 pm]. 8 Fuen e: “Cais do Sod é é sexy! Pensão Amo , Ba da Velha Senho a e O Po o: A oika de ba es que eio a asa a noi e Lisboe a”, Ruadebaixo, no. 76, Dezemb o 2011 [h p://www. uadebaixo.com/cais-do-sod e-sexy-como- nunca.h ml, 26 Ma zo de 2012, 5:42 pm]. 9 En Musicbox se ealizan la mayo pa e de Fes i ales de Música Unde g ound que se celeb an en Lisboa a lo la go del año. 10 Pa a más in o mación, léase: h p://bilioso.blogspo . p /2011/12/ ec udescem-as-ma ias-co upcao.h ml [08/07/2012, 12:24pm]. 11 In o mación acili ada po L., 37 años, miemb o de equipo de segu idad p i ada. En e is a ealizada in si u el 15 de Feb e o de 2012, sob e las 0:30 am. La in o mación no ue egis ada po mo i os de segu idad. 12 Idem. 13 C . No a 12. 14 C . No a 8. 15 Conclusiones de i adas de la obse ación l o an e ea- lizada en el acceso in e io del local. 16 Conclusiones ob enidas a pa i de la obse ación con- inuada a lo la go de a ios días del momen o de paga de aquellos clien es que u e la opo unidad de segui isualmen e el p oceso. 17 “Muchos a icanos y b asileños a eces bailan inadecua- damen e, con bailes muy sexuales, con mucho con ac o. A los que enimos aquí no nos gus a…” [ aducido po el au o , o iginal en po ugués]. Decla aciones de J., 34 años, esiden e en Lisboa, en Al ama, so wa e de elope . Sus decla aciones son compa idas po C., 38 años, abaja en una p omo o a inmobilia ia local; M., 30 años, beca io posdoc o al, ex anje o p o enien e de un país de la UE. En e is a ealizada in si u, 12 de No iemb e de 2011, sob e las 2:15 am. Con e sa egis ada manualmen e. Bibliog a ía BAPTISTA, L. (2005), “Te i ó ios Lúdicos (e o que se o na lúdico um e i ó io): Ensaiando um pon o de pa ida”, Fó um Sociológico, 13-14 (2): 47-58. 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Ques iona am-se homens e mulhe es, polí icos, écnicos e cidadãos sob e a impo ância da pa icipação pública, exemplos des a, e es a égias de es ímulo possí eis. Usa am-se simul aneamen e me odologias quali a i as e quan i a i as. Conclui-se que o concei o de pa icipação pública é di uso e desconhecido a mon an e e a jusan e do p ocesso. De ende-se que a cons ução de uma polí ica de pa icipação pública e e i a en ol e um p ocesso de capaci ação ala gado a odos e odas e hie a quicamen e ans e sal. Pala as-cha e: pa icipação pública; planeamen o u bano; cidade; es e a pública Abs ac The bene i s o public pa icipa ion and communi y in ol emen a e b oadly ecognised and en- cou aged by go e nmen al ins i u ions and ci il socie y. Howe e , i s e ec i eness and impac on Po uguese u ban planning a e ela i ely sca ce. I was used as s udy case he u ban p ojec – Polis P og amme, in Vila No a de Gaia – Po ugal, and bo h quali a i e and quan i a i e me hodologies we e used a he same ime. Women and men, wi h di e en le els o decision-making, we e asked abou he impo ance o public pa icipa ion, examples and s a egies o imp o e i . The esul s highligh he no ion o public pa icipa ion as some hing di use and unknown, ups eam and downs eam o he p ocess. The c ea ion o a public pa icipa ion policy needs o be suppo on he capaci a ion o e e yone in ol ed, men and women, c ossing he hie a chy o decision. Keywo ds: public pa icipa ion; u ban planning; ci y; public sphe e A impo ância da pa icipação As Nações Unidas en a izam a impo ân- cia da pa icipação como uma o ma de p omo e a democ acia e o alece o es ado de di ei o. Nos obje i os de desen ol imen o do milénio (2000- -2015) p oclama-se a necessidade de abalha cole i amen e pa a consegui que os p ocessos polí icos sejam mais ab angen es, de modo a pe mi i em a pa icipação e e i a de odos os ci- dadãos, em odos os países, e assegu a a libe - dade dos meios de comunicação pa a cump i em a sua unção, i.e., o di ei o de o público e acesso à in o mação. As an agens da pa icipação pública são eco- nhecidas. De aco do com Pe s (2000), ala gam o leque de ques ões a analisa em compa ação com os p essupos os ideologicamen e o ma ados que os écnicos in oduzem. Gonçal es (2000) e o ça es a posição ao a i ma que as pessoas são expos as a ou as on es de in o mação pa a além das on es cien í i cas e écnicas, e são capazes de assimila e ponde a a in o mação de di e en es o igens, o que con ibui pa a o en iquecimen o das soluções p opos as. Comp eensí el, num sis ema cien í i co que se especializou a é ao “limi e” da especializa- ção, a igno ância ace ca de um domínio especí i co da ciência é quase ão g ande en e cien is as que Cecília Delgado 70 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 69-76 abalham nou a á ea como en e os leigos (Fel , 2000). A expe iência demons a que o en ol imen o dos a o es em p ocessos de in e enção u bana, median e uma pa ilha de obje i os e soluções, é um a o decisi o pa a o sucesso dessas ope ações, não só a cu o p azo, mas ambém po que assegu a a manu enção dos esul ados ao longo do empo, deco en e de uma maio sa is ação e iden i i cação dos des ina á ios (Al es, 2001). O es udo “Pa icipa ion, Leade ships and U ban Sus ainabili y” (2004), ealizado pelo Cen- o de In es igação das Cidades da Uni e sidade de B is ol, compa ou o en ol imen o comuni á io em no e países da União Eu opeia e o modo como esse a o con ibui pa a a melho ia das decisões polí icas no âmbi o do desenho da cidade. Os casos es udados con i ma am que o en ol imen o comuni á io ans e sal, ao ní el das associações locais, das uni e sidades, dos g upos com in e es- ses especí i cos, da sociedade ci il, e c., é um a o ele an e na de i nição das polí icas de o denamen o u bano nomeadamen e po que: 1) ga an e que o pode ins i ucional iden i i ca com maio acuidade as necessidades e p eocupações locais; 2) con ibui pa a a melho ia da qualidade das decisões polí icas ao pe mi i iden i i ca al e na i as que mui as das ezes escapam ao se o ins i ucional e écnico; 3) possibili a o conhecimen o público das omadas de posição go e namen al; 4) assegu a a legi imidade das decisões e pe mi e um melho acompanhamen o da implemen ação dos p ocessos; 5) mobiliza ecu sos necessá ios à boa execução dos obje i os polí icos. Finalmen e, o en ol imen o comuni á io na ges ão e i o ial eduz a ins abilidade deco en e das al e ações na lide ança polí ica. No seu a igo “Re aming Public Pa icipa ion: S a egies o he 21s Cen u y”, Judi h Innes e Da id Boohe (2004) enunciam cinco p essupos os que jus i i cam a necessidade da pa icipação pública. As azões co obo am as conclusões do es udo an e io men e e e ido. Reconhece-se a necessi- dade de quem decide comp eende as p e e ências dos cidadãos de modo a inco po á-las nas suas opções e melho a a omada de decisão a a és da in o mação local dos cidadãos. Simul aneamen e, in oduz-se o p incípio da impa cialidade como meio de acau ela que as decisões sejam omadas com equidade, legi imidade e espei o pelos cidadãos. Po ou o lado, alude-se à pa icipação como um meio de alida e legi ima decisões polí icas. Po úl imo, assume-se a necessidade legal de o aze – po que a legislação assim o ob iga. Di e sos es udos apon am ainda a pa icipa- ção como um meio de aumen a a sa is ação dos cidadãos (Fe ei a, 2003; Gue a, 2006; Healey, 2006; Asche , 2010), na medida em que exis e uma co espondência en e os esul ados e as aspi ações des es. Em sen ido in e so, in e enções onde os p essupos os de diálogo e anspa ência não es ejam p esen es podem ge a um clima de con o é sia e insa is ação, aumen ando as cli agens sociais e limi ando os p essupos os democ á icos. Em sín- ese, é consensual que a pa icipação pública é um impo an e meio de in e câmbio de in o mação, de sal agua da de di ei os, de legi imação de decisões, e i a con es ações e é ambém uma ob igação ace aos p incípios democ á icos igen es. Em sín ese, de ende-se uma pa icipação ú il, an o socialmen e como poli icamen e, mas omi e-se que o concei o de pa icipação, con o me de endido po A ns ein (1969), implica uma posição que ende a ni ela o pode en e quem decide e os cidadãos, posição da qual a maio ia dos deciso es não es á dispos a a abdica . Os dilemas das pa icipação em Po ugal As elações en e cidadania e equidade p e a- lecen es em Po ugal são complexas e di e enciadas, sendo indiscu í el que o sen imen o de iniquidade social se elaciona com a al a de ecu sos pa a pa icipa na ida cí ica, le ando a que a g ande maio ia dos Po ugueses se sin a p o undamen e “dis an e do pode ”, a i mam Cab al e al. (2008). Ma oso (2008) de ende que em Po ugal o Es ado desempenha um papel in enso de egulação social, mas pe manece uma g ande dis ância en e ep e- sen an es e ep esen ados. É ainda um Es ado que en a imi a os pad ões de a uação dos Es ados e das polí icas mais desen ol idos, o que se e l e e numa legislação equen emen e mui o p og essis a, sem que os agen es polí icos in e io izem esses pad ões nas o ien ações ope acionais e na p á ica polí ica. Já em 1997 Lou enço e al. sublinha am a ausência de pa icipação em Po ugal mencionando o excessi o ca á e écnico dos documen os disponibilizados pa a discussão, o ac o de a pa icipação pública se mo i ada undamen almen e pelos in e esses pa icula es em de imen o dos in e esses di usos, a aca essonância da pa icipação pública nas deci- sões i nais, as debilidades écnicas das au a quias à me cê do Pode Cen al, a cien i i cação das decisões e a al a de in o mação cien í i ca adequada ao ní el de conhecimen os do cidadão em ge al. Es abelecidas as causas que pode ão jus i i ca o ní el eduzido de pa icipação em Po ugal, é p eciso pe cebe que es as ques ões não são exclusi amen e po uguesas mas um enómeno igualmen e equen e nou os países. Os mé odos de pa icipação pública adicionais não uncionam quando não c iam in o - mação signi i ca i a que pe mi a e acili e às en idades aze a di e enciação na omada de decisão ou não ga an am aos cidadãos que as suas ques ões sejam conside adas nas decisões a pos e io i, a i mam Innes e Boohe (2000). Sob e ém ainda o enó- meno NIMBY (no in my backya d synd ome) ou a CIDADÃOS, TÉCNICOS E POLÍTICOS: DO QUE FALAMOS, QUANDO FALAMOS DE PARTICIPAÇÃO PÚBLICA? 71 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 69-76 cons a ação da di e ença de p io idades en e os écnicos e o público em ge al, mui as ezes usadas pelos p imei os pa a desquali i ca a posição dos cidadãos, o ulando-a como egoís a, pouco in o - mada, me amen e emocional ou i acional (Lima, 2000). Esquece-se que o planeamen o u bano é um p ocesso dinâmico e in e a i o, ei o po odos e pa a odos, sujei o a e isão pe manen e e p essupondo anspa ência e on ade, simul aneamen e polí ica e da sociedade ci il. A ques ão Ra amen e são es abelecidas compa ações en e os di e sos g upos que compõem a pi âmide de decisão hie á quica: na base – os cidadãos que i em nas cidades, com pode es limi ados de in e enção; no meio da pi âmide – os écnicos que planeiam as cidades, e no opo – os polí icos que decidem as polí icas u banas. Pa e-se do p essupos o de que uma cidade mais equi a i a é uma cidade pensada a pa i da pe spe i a de odos e odas. E da hipó- ese de que essa pe spe i a a ia en e os g upos mencionados. De ende-se que a pa icipação pública é o ins umen o p i ilegiado pa a cons ui a isão cole i a da cidade – é pois p eciso pe cebe do que alamos, quando alamos de pa icipação pública? Es udo de caso: seleção da amos a A amos a des e es udo é compos a po cida- dãos, polí icos e écnicos, en ol idos no P og ama Polis em Vila No a de Gaia1 (2000-2007). A cidade de Vila No a de Gaia si ua-se na egião no e de Po ugal, na ma gem esque da do io Dou o, o qual es abelece a on ei a na u al com a cidade do Po o. Pa a a seleção da nossa amos a exis iam ês possibilidades: 1) es uda a o alidade da população; 2) es uda uma amos a ep esen a i a da popula- ção; 3) es uda componen es não necessa iamen e ep esen a i as, mas ca ac e ís icas da população. Op ou-se po es uda g upos, não necessa iamen e ep esen a i os, mas cujas ca ac e ís icas ossem ele an es pa a a nossa hipó ese. De aco do com Qui y e Campenhoud (2005), es a é a ó mula mais equen e nas Ciências Sociais – o in es igado ao di e si i ca os pe i s dos inqui idos chega á ine i- a elmen e ao momen o de sa u ação em que, po mais en e is as que aça, di i cilmen e alcança á in o mação adicional ele an e. Em ep esen ação do g upo de cidadãos, inqui iu-se um g upo de 100 alunos 2 que equen a a o ano que p ecede a en ada na uni e sidade. Uma pa e signi i ca i a dos alunos (66 %) si ua a-se na aixa e á ia dos 17 anos, os alunos com 16 anos ep esen a am 21 % da amos a e a pe cen agem de alunos com idade en e os 18 e os 20 anos de idade ep esen a a 13 %. Rela i amen e ao g upo dos polí icos e écnicos, inqui i am-se odos os écnicos e polí icos en ol idos no P og ama 3 . O uni e so o al da população pe ez 81 indi íduos. Des es 26 o am con abilizados como polí icos, ace à unção desempenhada no P og ama Polis ( e Tabela 1). No g upo dos polí icos incluí am-se odos os ele- men os do Conselho de Adminis ação da GaiaPolis, ou seja, os ep esen an es da CCDRN, da Au a quia de Vila No a de Gaia e da Pa que Expo; os P esi- den es das qua o Jun as de F eguesia ab angidas pela á ea de in e enção; o Coo denado Nacional do P og ama Polis; o Coo denado da Pa que Expo pa a o P og ama Polis; os dois Di e o es Ge ais da DGOTDU; os e eado es da Câma a Municipal de Vila No a de Gaia. Admi e-se que es as ca ego ias possam não se igo osamen e es anques e exclu- si as, na medida em que pon ualmen e decisões écnicas o am da esponsabilidade de elemen os do g upo dos polí icos, endo o in e so ambém oco ido. Conside ada a simili ude das espos as en e es es dois g upos ( e esul ados), es e a o não nos pa ece e exp essão nas conclusões. O g upo dos 55 écnicos englobou as equi- pas dos qua o Planos de Po meno , os a qui e os au o es dos p oje os elabo ados no âmbi o do P og ama Polis e os con a ados pela GaiaPolis, os uncioná ios da CCDRN e da Câma a Municipal de Vila No a de Gaia, a equipa da GaiaPolis e os a qui e os esponsá eis pelos p oje os dos p inci- pias lo es p i ados. A aixa e á ia dos écnicos e polí icos a iou en e os 28 e os 68 anos de idade. Des aque pa a a ausência de mulhe es no g upo de polí icos. O sexo eminino ep esen a a 38 % da amos a, sendo a aixa e á ia média in e io à dos homens. Tabela 1   Composição da amos a po géne o e g upos de decisão H + M – Pop To al H + M – Resp % ela i a Pop To al N.º Homens – Resp N.º Mulhe es – Resp Polí icos 26 21 80 21 0 Técnicos 55 47 85 29 18 Cidadãos 100* 100 100 40 60 * O g upo de polí icos e écnicos ep esen a a população o al. Os cidadãos uma amos a. Cecília Delgado 72 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 69-76 A o mação académica en e polí icos e écni- cos e a igual ou supe io à licencia u a, no en an o egis a am-se ês casos de o mação in e io à licencia u a no g upo dos polí icos. A á ea académica p edominan e nos écnicos e a a a qui e u a (79 %) e nos polí icos a engenha ia (43 %). A dis ibuição po á ea de esidência e a a seguin e: Po o (41 %); Vila No a de Gaia (29 %); Lisboa (18 %); ou as cidades (15 %). No conjun o, 82 % dos inqui idos esidiam na Á ea Me opoli ana do Po o – AMP, e 18 % o a da AMP. Todas as mulhe es i iam na Á ea Me opoli ana do Po o, em con as e 24% dos homens i iam o a da Á ea Me opoli ana do Po o. Abo dagem me odológica Na o mulação do inqué i o e da en e is a conside a am-se as obse ações esul an es do p é- - es e ealizado no con ex o de izinhança. Op ou-se po u iliza di e en es abo dagens linguís icas, de onde as di e en es o ma ações: (1) inqué i o aos cidadãos; (2) en e is a aos écnicos e polí icos. U ilizou-se uma en e is a com uma p opo ção idên ica de pe gun as abe as e semi echadas. Nos dois ques ioná ios o am usadas pe gun as- - i l o. No inqué i o o necido aos cidadãos oi usada a cidade de Vila No a de Gaia4, nas en e is as adminis adas aos polí icos e écnicos o P og ama Polis em Vila No a de Gaia. As amos as o am ecolhidas en e Ou ub o de 2007 e Junho de 2008. Aplica am-se dois ipos de abo dagens me odológicas: a écnica quan i a i a; e a écnica quali a i a na jus i i cação das espos- as. Semp e que possí el o am ealizados es es es a ís icos, nomeadamen e o Qui2. Conside ou-se es a pe an e uma co elação es a is icamen e signi i ca i a semp e que p ≤ 0,050. Como essal a me odológica, sublinhe-se que os esul ados ob idos são apenas álidos pa a a amos a es udada, não obs an e le an a em hipó eses a ap o unda em abalhos u u os. Resul ados Se é impo an e pa icipa : a isão dos écnicos e polí icos Ques ionados sobe a impo ância da pa - icipação pública pa a a omada de decisões no âmbi o do planeamen o u banís ico de uma cidade 99 % dos inqui idos esponde am se impo an e pa icipa . De ende-se a pa icipação pública como um ins umen o p i ilegiado de mediação en e os deciso es e as populações 5 . São os écnicos (57,5 %) e os homens (60 %) quem mais jus i i ca des e modo a impo ância da pa icipação pública, e menos os polí icos (48,5 %) e as mulhe es (40 %). A pa icipação é igualmen e assumida pelos écni- cos como algo “didá ico”, que in o ma o p ocesso: “os cidadãos, como u ilizado es do espaço, (...) podem lança mo es pa a as es a égias” (T-M)6. A pa icipação é ainda econhecida como um meio pa a eduzi po enciais con l i os: “a única o ma de as ações (...) não se em cu o-ci cui adas e se em acei es, desen ol idas e co igidas” (T-M). Po i m, a pa icipação pública é impo an e mas balizada, ou seja: “é impo an e que os cidadãos pa icipem, sejam ou idos, c i iquem, e c., e c., mas é ela i amen e impo an e. A de i nição da es a égia u bana de uma cidade cabe, em úl ima análise, numa democ acia ep esen a i a, aos ó gãos elei os” (P-M). Posicionamen o assumido po ce ca de um e ço dos écnicos. Se é impo an e pa icipa : a isão dos cidadãos A mesma ques ão colocada ao g upo de cida- dãos demons a que a maio ia dos inqui idos assume a impo ância de pa icipa , sendo de des aca que nenhum dos inqui idos admi e não se impo an e pa icipa . As espos as 7 baseiam-se no p incípio de que, como u ilizado es das cidades, os cidadãos em maio conhecimen o das suas necessidades (38 %). “São os cidadãos que i em e lidam com os p oble- mas do dia-a-dia, e como al conhecem bem o que é bom e mau pa a a sua cidade” (C-M). É ambém um g upo que possui um en endimen o di e en e de quem decide: “po que mui as ezes o que os polí icos pensam nem semp e é o que as pessoas pensam e que em, e mui as ezes é o público, em ge al, que sabe quais as necessidades pa a a sua cidade e assim ao pa icipa em a i amen e pode- iam expo as suas ideias e chega a um consenso” (C-F). Ac escen e-se que, ao pa icipa em nas deci- sões, os cidadãos con ibuem pa a um aumen o do sen imen o de pe ença e iden idade e i o ial, o que a o ece “que a cidade e l i a os seus gos os e aspi ações (...) e não a idealizada pelos a qui e os ou p esiden es” (C-F). Não deixa de se pe inen e e oca as azões po que oi o inqui idos espondem se indi e en e pa icipa . Des acam-se dois a o es: a a e a de decidi é uma ob igação de quem oi elei o pa a o aze – “as pessoas elegem alguém pa a oma essas decisões” (C-M), assim sendo: “o planeamen o u banís ico de e es a a ca go do P esiden e da Câma a” (C-F). Em segundo luga , o sen imen o da inconsis ência e desin e esse dos cidadãos nos a os pa icipa i os: “nem odas as pessoas êm as mesmas opiniões e podia ha e p oblemas” (C-F), as pessoas êm “(...) mais em que pensa ” (C-F). Po géne os, cons a amos que a azão a) “u ilizado es êm maio conhecimen o e ou a isão da ealidade” é mais eminina do que masculina. Em con apon o, a azão b) “di ei o e de e em democ acia – a cidade é de odos” é uma isão mais masculina do que eminina. A TRIPLA FACE DA FRONTEIRA: REFLEXÕES SOBRE O DINAMISMO DAS RELAÇÕES FRONTEIRIÇAS... 79 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 77-85 ealidade, onde dinâmicas de ap oximação e dis an- ciamen o podem compe i , simul aneamen e, den o do jogo de elações. A i nal, a pon e que sepa a duas comunidades é a mesma que iabiliza a a essia. Nes e a igo, começo po explo a os ês modelos de análise p opos os, pa a depois e l e i b e emen e, a í ulo de exemplo, sob e um es udo de caso: o sub il episódio da oda de Si i i2 do qui- lombo de Ma a Ca alo, uma comunidade si uada no município de Nossa Senho a do Li amen o, Es ado de Ma o G osso, egião Cen o-Oes e do B asil. A comunidade é designada como quilombo po se uma cole i idade com ca a e ís icas é nicas e iden i á ias di e enciadas, inculadas à ances alidade a icana. A pa i de uma pe spe i a me odológica quali a i a e a a és da obse ação di e a, busquei desc e e um dos pon os al os da es a em lou o a São Benedi o, ealizada numa das casas da comuni- dade. A a és da dança do Si i i, discu i os e ei os da ans o mação da on ei a que sepa a na on ei a que une, ealizando uma análise mic oscópica que sublinha a iqueza dos enómenos on ei iços. A on ei a que sepa a e a on ei a como en e Quando emp egamos a pala a on ei a, a imagem que eme ge com mais equência é a da on ei a que sepa a: espaço de di e enciação; linha de dema cação em elação à qual algo es á den o ou o a (Hanne z, 1997). Es a on ei a es á, po - an o, inculada a uma azão elacional e a o mas de julgamen o, disc iminação e dis inção. Pa a Alba e -Schulz e al. (2004), on ei a é uma cons ução e i o ial que põe a dis ância na p oximidade. Assim, a p oximidade espacial en e luga es é con adi a pela p esença de disposi i os que in oduzem um a as amen o – a a és de meca- nismos de o dem ma e ial (ba ei a, mu o, e c.) e ideológica (no mas, ep esen ações, e c.). Es a dis ância é ge almen e in e p e ada como um meio de p o eção – de uma população, um e i ó io, um pode . Des a manei a, a on ei a é concebida como um sis ema de con olo de l uxos a a és de uma i l agem. E, uma ez a a essada, induz a uma ex ao diná ia al e ação no co po ou obje o que a c uzou, de o ma que um pequeno mo imen o no espaço pode ans o ma um inside num o as ei o, ou o p odu o de me cado em con abando. Rena d (apud Alba e -Schulz e al., 2004) suge e uma g adação concei ual en e as noções de limi e e on ei a. O p imei o e mo ci cunsc e e dois conjun os sepa ados po descon inuidades na o ganização do espaço, não necessa iamen e es u- u an es. Já a on ei a é es u u an e, e elando um exe cício de pode . Um exemplo bas an e ób io dos ínculos en e on ei a e pode é a ideia de on ei a nacional: undacional pa a a mode nidade, o seu açado ambém implica a associação en e di isão espacial e signi i cados cul u ais especí i cos (Shields, 2006). Além disso, mui os dos es udos das on ei as es ão ol ados pa a as ans o mações ge adas pela globalização.3 Sob es a pe spe i a, a on ei a nacional em sendo con on ada po enómenos ais como os l uxos c escen es de pessoas, in o ma- ções, ecu sos e me cado ias. Mas, como imos, a celeb ação da queb a de ba ei as em sendo ques- ionada: Newman (2006), po exemplo, conside a um equí oco que a dissolução de on ei as seja en endida como um indica i o da ans e ência de pode en e di e en es eli es – pois, no con ex o da globalização, a emoção de on ei as no malmen e se e os in e esses dos que as e gue am no passado. O islumb e de um mundo sem on ei as ê-se ambém con on ado pela eme gência de no as segmen ações, ais como as di isões de cunho eligioso, é nico ou polí ico, que con adizem uma supos a endência de uni o mização do plane a. Ou o exemplo inse e-se no concei o de cidades duais, que chama a a enção pa a a na u eza ex emamen e seg egada das cidades, di ididas en e zonas “ o - i i cadas” das eli es e os espaços ocupados pelas populações empob ecidas (Fea he s one, 1995). Conside ada a pa i de ou o ângulo, a dis- cussão sob e as on ei as e ela simul aneamen e que em mui os con ex os a l uidez de um mundo com limi es ul apassá eis jamais deixou de exis i . Vis a de pe o, a ealidade mos a que mesmo as di isões mais palpá eis, como os mu os que sepa- am dois países, ap esen am ce a po osidade. No deco e da his ó ia, as de e minações dos cen os de pode jamais o am su i cien es pa a in iabiliza plenamen e a comunicação en e sujei os apa ados, o que denuncia ce a abs ação das linhas on ei- iças e a sua incapacidade de de e po comple o as e en uais endências de cosmopoli ismo. A é em e mos ins i ucionais, sine gias socioeconómicas êm ge ando o ap o undamen o de enlaces nos espaços ans on ei iços – nas chamadas cidades espelho – a exemplo dos p oje os de inclusão social egional no con ex o do Me cosul.4 Alba e -Schulz e al. (2004) conside am que dois aspe os o am equen emen e usados pa a legi ima os discu sos de cons ução ideológica dos e i ó ios: as on ei as na u ais e his ó icas. A opog a i a e a hid og a i a, po exemplo, se i am como undamen os pa a as di isões polí icas. 5 Po ém, nem semp e ais ca a e ís icas espalda am os açados das on ei as nacionais, a exemplo da colonização do Sul global, que lançou mão de na a i as legi imado as p óp ias. O mapa a i- cano e ela isso com anspa ência: g ande pa e das suas linhas oi açada a égua, dependendo basicamen e das negociações en e os impé ios colonizado es. Ca la Ladei a Pimen el Águas 80 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 77-85 “Tais linhas são mais do que ep esen ações ou dema cações; elas são on ei as i uais que p e i gu am linhas conc e as na paisagem”, obse a Shields (2006: 227). O au o ac escen a que es as di isões podem ainda ma ca a di e ença en e es a- dos adicalmen e di e en es – “en e o «ci ilizado» e o «não ci ilizado», po exemplo” (idem). Po an o, o concei o de on ei a ambém pode se u ilizado pa a pisa mos num e i ó io bem mais l uido do que o das di isas nacionais: ambém se e ela ú il pa a se pensa nos p ocessos de hie a quização do mundo, bem como nos mecanismos de cons ução das iden idades. Sousa Ribei o a i ma que cons ui o ou o signi i ca “cons ui a on ei a que dele me sepa a” (2001: 469). Des a o ma, a on ei a o na-se a linha imaginá ia sob e a qual se p oje a a noção de di e ença e a pa i da qual se o na possí el a a i - mação de iden idade. Na mode nidade, es es jogos de di e enciação o am ex emados a a és de uma desc ição do mundo pau ada po dico omias – en e neg o/b anco, ci ilizado/sel agem, e c. Es a isão essencialis a le ou à o ma ação das iden idades- - o aleza (San os, 2002) que, em úl ima análise, são o e és do cosmopoli ismo. De ce a manei a, po an o, é possí el dize que as na a i as hegemónicas são ca a e izadas po di e sas o mas de di isão, que moldam a manei a mode na de i e e comp eende o mundo. É po es e mo i o que o esba imen o dessas ba ei as – a ans o mação, no campo das sociabilidades, das on ei as que sepa am em on ei as que unem – é um p ocesso emancipa ó io. An es de chega mos a essa discussão, concen- emo-nos no segundo modelo de análise: a on ei a como en e é o limi e em expansão. É onde, em de e minado empo, se dá o a anço unila e al de um agen e ans o mado sob e o espaço – o que implica a exis ência de um e i ó io, ainda que me a ó ico, sob e o qual a ança . Vincula-se, po an o, a uma geog a i a e a uma ação que ende a acaba -se. Es á semp e em mo imen o – uma caminhada umo ao que es á pa a além dela – pois, quando es e mo i- men o cessa, a on ei a como en e ans o ma-se em on ei a que sepa a. A en e de ba alha ( on ) ilus a bem es a ideia: linha de soldados que con on am di e amen e o inimigo e que ganham e eno pa a o a anço das opas. Ou o exemplo é a conquis a do Oes e, p o agonizada pelos pionei os no e-ame icanos. Ac edi o, aliás, que odas as expansões impe iais se dão a a és dessa aceção de on ei a. Ou os ipos de limi e em expansão podem se analisados sob es e mesmo p isma, ais como as en es ag ícolas – que le am a é con i ns sel agens ou azios as benesses do a anço do p og esso. Da mesma o ma, a exp essão “a úl ima on ei a” (do que que que seja) signi i ca a ex emidade do conhecido, acei á el e plausí el. Quando a ciência se de on a com as on ei as do conhecimen o, é ambém no sen ido de limi e p óximo à e a sel agem: “Des e lado, os campos cul i ados; do ou o, o g ande desconhecido” (Hanne z, 1997: 21). Em ce a medida, es a in e p e ação es á a meio caminho en e a on ei a que sepa a e a on ei a que une. Isso po que, po um lado, é uma zona limí o e que di ide um espaço- empo já ans- o mado daquele que ainda não so eu a ação do agen e ans o mado . Po ou o lado, es a on ei a não deixa de se um luga de encon o. O que es á do lado de lá é um espaço p eenchido – po po os, cul u as, ou os cen os – e o con on o dá-se com maio es ou meno es ensões. Ou a ez, as elações de pode dão a ónica da análise. As hie a quias, na on ei a como en e, com- po am-se como os dois lados de uma moeda. A ace in e na – o in e io dos seus limi es – ca a e iza-se pela l exibilização das es u u as hie á quicas, em unção do dis anciamen o dos núcleos de pode . Mas a ace ex e na é a elação com o ou o, aquele que es á na on ei a ou pa a além dela. Nes e caso, ao in és do en aquecimen o das hie a quias, há o es o ço de sob eposição das no as sob e as an igas elações hie á quicas. Podem oco e negociações no espaço on ei iço, mas es as são agilizadas quando a en e de a anço se desloca pa a adian e, e o espaço deixa de se limí o e pa a ganha a es abilidade do cen o i adiado da expansão. Só assim – a a és da sob eposição de hie a - quias ou da ansi ó ia e condenada negociação en e hie a quias – a con inuidade do a anço é possí el. T a a-se, po an o, de um espaço de encon o, mas um encon o desigual. Não a o o ou o é in isibili- zado, liquidado ou expulso, pa a a ende à endência de con inuidade do mo imen o. No con ex o da en e pionei a dos Es ados Unidos, po exemplo, à medida que as on ei as coloniais cediam luga às on ei as nacionais – ou que, digamos, as on ei as como en e ganha am i xidez e se ans o ma am em on ei as que sepa- am –, ab iam ambém caminho pa a hie a quias endu ecidas, insc i as nas noções de cidadania e nos seus signi i cados mais exclusi is as: pa a os incluídos, uma no a e a de au onomia; pa a os excluídos, a pe da de s a us polí ico, ju ídico, social e pessoal (Adelman e A on, 1999). Esses e ou os exemplos e elam uma noção de on ei a que, apesa de alguns elos em comum, em mui o di e e da aceção de on ei a que une. A úl ima, en endida como espaço de in e ação, é po encialmen e ans o mado a, não de ido ao a anço sob e o ou o, mas sim de ido à a iculação com o ou o. A TRIPLA FACE DA FRONTEIRA: REFLEXÕES SOBRE O DINAMISMO DAS RELAÇÕES FRONTEIRIÇAS... 81 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 77-85 À luz do c epúsculo: a on ei a que une A bu lesca imagem de Cha les Chaplin no i lme Gold Rush, desc i a po Shields (2006), az à ona um ou o espaço, pa a além do es a den o ou do es a o a: o a o co e em ziguezague sob e a on ei a en e o México e os Es ados Unidos, pe seguido de um lado pela polícia e, do ou o, po lad ões. Es a cena su eal ilus a a possibilidade de se pensa na on ei a em si como um e cei o luga . Segundo o au o , “ on ei as são no ma i a- men e de i nidas pa a se em a a essadas, não pa a se em pe co idas. Se elas são seguidas, o seu s a us é al e ado, ans o mando-se em i uais, in e s iciais ou limina es espaços de «in e ação»” (Shields, 2006: 229). Es a e cei a aceção não se si ua, po an o, de um lado ou do ou o – e é po ompe com a bina idade que, segundo Sousa Ribei o (2001), es e encon o en e di e enças é ansg esso . No concei o de on ei a, es á semp e implíci a uma de e minada a iculação en e cen o e ma gem. Vimos que al ínculo é pau ado pelas elações de pode : de manei a ge al, quan o maio a o ça i a- diada pelo cen o, mais ígidas se ão as hie a quias e menos dinamismo exis i á nas ma gens. Como sin e iza Boa en u a Sousa San os, pa a cul u as do adas de o es cen os, as on ei as são pouco isí eis, “e isso é a causa úl ima do seu p o incia- nismo” (1993: 49). Mas, se as o ças cen ípe as não o em excessi as, as bo das podem e ela -se um e i ó io de c ia i idade. No seu sen ido mais amplo, as elações sociais são semp e cul u ais e polí icas – ep esen am dis- ibuições desiguais de pode (San os e Meneses, 2009). A me á o a da on ei a que une con ida, po an o, ao deslocamen o do oco, que é e i ado dos núcleos es u u an es pa a se concen a nos enómenos ma ginais; aqueles que oco em nos ins á eis espaços in e s iciais. Sousa Ribei o (2001) lemb a que os bo de s udies, embo a e endo a cono ação de p eca iedade e mesmo a bi a iedade das dis inções on ei iças, concebem a on ei a como uma zona de encon o. Es e espaço ansg ide, in e liga, econ i gu a e a sua iqueza es á p ecisamen e na jus aposição de di e sas in l uências. De na u eza ins á el, pode se me a o icamen e en endido como um e eno mo ediço, onde acon ecem o con on o e a in e - mediação – e onde o es abelecimen o de um cânon único é impossí el (San os, 2002). O espaço de encon o não é o mado a pa i do a anço no sen ido geog á i co. Pode eme gi e desapa ece , desde que haja um ambien e p opício à a iculação com a di e ença. É um luga ansi ó io e, de ce a o ma, p ecá io e olá il. Como a i ma Hanne z, “os cená ios das zonas in e s iciais pa ecem cheios de ida, mas não comple amen e segu os” (1997: 24). Sousa Ribei o de i ne es a on ei a como “um medium de comunicação, o espaço habi á el em que o eu e o ou o encon am uma possibilidade de pa ilha e, assim, a possibilidade de da o igem a no as con i gu ações de iden idade” (2001: 471). Ao in oduzi mo imen o na comp eensão das iden- idades, es a aceção con adiz a ideia monolí ica de cul u a: na es ei a de Bakh in, Sousa Ribei o (2005) lemb a que odo o a o cul u al i e, essencialmen e, nas on ei as. Bhabha (1994) u iliza a noção de ambi alência pa a ca a e iza os p ocessos desencadeados a pa - i do encon o com a di e ença. Ele en ende que, apesa da exis ência da di e enciação em elação ao ou o, há simul aneamen e a inco po ação des e ou o den o do mesmo, no campo da ep esen ação. Es a abo dagem descons ói a ideia de elações biná ias en e o alidades, ab indo ma gem pa a a inde e minação. Ao in és de cen a a sua a enção num lado e nou o, Bhabha c ê que o que es á no meio – in-be ween – é que pode se ealmen e e elado . Nes e sen ido, F iedman (2001) ale a pa a que, não obs an e as impo an es conquis as polí icas que a i xação na ideia de di e ença eio possibili a na eo ização das iden idades, ela ambém ende a ocul a o espaço exis en e nos in e s ícios dessa mesma di e ença, a pa i do qual são ge adas no as na a i as iden i á ias. Assim, op a po subs i ui a imagem de mosaico pela de c epúsculo, pa a ca a e iza os encon os in e cul u ais: A me á o a do mosaico silencia a manei a como a p óp ia di e ença se con i gu a e econ- i gu a a a és de um p ocesso de in e ação con ínuo, ou seja, a manei a como o espaço in e s icial se e ela e e i amen e luga de cons an e mig ação, de um pe manen e mo imen o de ai ém (F iedman, 2001: 6). Nes a zona c epuscula , não há eg as p ede- i nidas; udo depende das a iculações dadas na e eme idade do seu espaço- empo. Em cons an e negociação do seu posicionamen o, dá-se a pe cebe na sua mobilidade (Ma ins, 2001). Mas i e na on ei a não é uma a e a ácil: como ale a G uzinski (2001), e e indo-se ao seu concei o de pensamen o mes iço (eminen emen e on ei iço), es e choca com hábi os in elec uais que le am a p e e i os conjun os monolí icos aos espaços in e mediá ios. Pa a discu i a on ei a, é p eciso e em con a os seus limi es – a con u bada elação com a al e idade –, bem como as suas pe u bado as possibilidades. Es e jogo en e limi es e possibili- dades pode se ilus ado pelo encon o imaginá io en e o Mesmo e o Di e so, desc i o po Glissan : O que se chama em oda pa e a acele a- ção da his ó ia, que p o ém da sa u ação do Ca la Ladei a Pimen el Águas 82 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 77-85 Mesmo, como de uma água que ansbo da de seu con inen e, desbloqueou em oda pa e a exigência do Di e so. Es a acele ação, le ada pelas lu as polí icas, ez com que os po os que ainda on em po oa am a ace escondida da Te a (como hou e du an e mui o empo uma ace escondida da lua) i e am que nomea -se dian e do mundo o alizado. Se não se nomeas- sem, ampu a iam o mundo de uma pa e de si mesmo (Glissan , 1981: 191). No que se e e e aos limi es, a e o mulação das iden idades coloca-nos dian e de enc uzilhadas que nos conduzem ao desa i o da al e idade. Segundo Du an e (2007), no Ociden e, desde Pla ão, oda a ap oximação do ou o echa a p oblemá ica num cí culo icioso, a a és da cons ução de apa a os in e p e a i os que pe encem a uma semioc acia, ou seja, a um ho izon e de sen ido único. T a a-se de in eg a o ou o no domínio do mesmo, dando o igem ao exó ico. Said (2003) o e ece um exemplo des e des- e o. A pa i do seu concei o de o ien alismo, o au o conside a que o O ien e ajudou a de i ni o Ociden e como con aposição, on ológica e epis e- mológica, à sua imagem – uma ep esen ação do ou o como incapaz de ep esen a a si mesmo. A es e eo ipia é o esul ado e iden e de ais p ocessos, como sublinha Du an e: Se se ma a o ou o, é p ecisamen e po que seu os o oi subs i uído po um clichê. [...] O olha do ou o, a língua do ou o, o co po do ou o, a co do ou o, o odo do ou o, o desejo do ou o, os alo es do ou o, a cul- u a do ou o. Nessa pe spe i a, o gelo do ou o essal ado pelo es e eó ipo an ecipa o empo de sua mo e. É uma mo e em e ígie (Du an e, 2007: 10). Ou seja: pa a ealmen e se comunica com o ou o, o mesmo p ecisa de en a na on ei a. T a a-se de uma elação é ica, ou de uma é ica na elação – que, pa a Lé inas6 (apud Es e am, 2008), de e semp e p ecede a on ologia. O ema da al e idade inquie ou di e sos au o es. A en o às ans o mações do seu empo, Simmel (1983), po exemplo, iu nas in e ações en e os indi íduos o p óp io undamen o da ida. Focado nas in e ações sociais7 do mundo u bano em ascen- são, discu iu o indi idualismo en e aos p ocessos mode nos de uni e salização, c iando pon es en e a expe iência do sujei o e a o ganização social da mode nidade. No con ex o la ino-ame icano e desde uma pe spe i a pós-mode na, Canclini (1997) e l e iu sob e as on ei as en e o mode no e o chamado “popula ”, deb uçando-se sob e as denominadas cul u as híb idas. Tais discussões, aqui b e emen e ap esen adas, o e ecem pis as da complexidade do deba e em o no da ques ão da al e idade. Nesse sen ido, a pala a diálogo, ão desgas ada pelo uso co en e, exige bem mais do que a abs a a conexão en e um emisso e um ece o , si uados em polos opos os. Os sujei os, simul aneamen e emisso es e ece- o es, p ecisam de se desloca pa a o en e-luga on ei iço, despindo-se do con o o das elações de pode já c is alizadas pa a se lança em no e i ó io ins á el e su p eenden e da in e seção de mundos. Ap oximações epis emológicas: a oda de Si i i como on ei a O exemplo da es a de São Benedi o ealizada no quilombo de Ma a Ca alo o e ece ce a densi- dade aos énues i os que unem e di idem os g upos sociais no espaço de on ei a. A celeb ação, uma das mais amosas da comunidade, eúne di e en es g upos: na cozinha, nublados pelos apo es dos achos, abalha am di e sos sujei os de den o e o a da comunidade. O an i ião, Cize nando San- os, chegou a cons ui um empalizado de bambu e palha pa a ab iga quan os quisessem do mi nos dias de es a. O salão de baile e o o a ó io, ei os do mesmo ma e ial, ambém inham o p opósi o e éme o de se i às lou ações de São Benedi o. A p óp ia p epa ação des as es u u as esul a de uma conjunção de o ças que é es abelecida a a és de edes de en eajuda. Na sex a- ei a, p imei o dia de celeb ação, os au oca os começa am a chega , anspo ando pa en es e amigos de oda pa e. À medida que a es a a ança a, no os os os iam-se inco po ando na paisagem: polí icos e p op ie á ios de e as da egião mis u a am-se a quilombolas, abalhado es da cidade, pequenos la ado es. No sábado, chegou à es a de São Benedi o o au oca o eple o de es udan es da Escola João Sa o, do município de A apu anga (a ce ca de 400 km de Li amen o), que pa icipa am numa iagem de es udos pa a conhece de pe o a ea- lidade de um quilombo. Além disso, i ze am pa e da es a di e sos g upos de Si i i de ou os muni- cípios ma o-g ossenses e o g upo de dançan es do Congo 8 de Li amen o. Fo mou-se ali, po an o, uma g ande zona de encon o in e cul u al, ma - cada po maio es ou meno es a iculações en e os seus memb os. A ges ão des a di e sidade oi ei a a a és de um p incípio de o ganização que amplia a ou eduzia o espaço on ei iço. Ao con á io das es- as de san o ealizadas na egião, es a es i idade mescla a a celeb ação eligiosa com ap esen ações a ís icas. Des a o ma, o e en o incluiu o espe áculo e a expe iência: algumas pa es des ina am-se a se is as e ou as i idas. A TRIPLA FACE DA FRONTEIRA: REFLEXÕES SOBRE O DINAMISMO DAS RELAÇÕES FRONTEIRIÇAS... 83 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 77-85 Du an e as ap esen ações, a é de e minado pon o ha ia uma sepa ação cla a en e a is as e espe ado es: no ús ico ba acão de palha, que se ia como palco pa a as exibições, a pla eia e a passi a e esp emia-se encos ada à pa ede pa a assis i as danças. Além da di isão no espaço, o uso de i gu inos colo idos não deixa a dú idas sob e aqueles que pode iam ou não a a essa a linha imaginá ia que sepa a a aquele que age daquele que assis e à ação. Depois de á ias ap esen ações, o ence a- men o oi ei o pelo g upo de Si i i de Ma a Ca alo, lide ado po Cize nando, o an i ião. Foi a única dança que ocou o salão pelo e ei o, ao a li e. Sob o o e essoa da pe cussão, os jo ens, com oupas es ampadas, ap esen a am em i lei as as suas co eog a i as. Não hou e um des echo da ap esen ação: o Si i i ez uma sua e ansição, quando as i lei as de dançan es se ans o ma am em oda. O g upo do Congo oi o p imei o a en a naquele espaço, in eg ando-se na dança. Depois, ou os os os o am ing essando na oda: quilombolas, memb os de ou os g upos de Si i i, es udan es e p o esso es de A apu anga, amigos, pa en es. As pessoas en a am na dança espon aneamen e ou e am aleg emen e puxadas ao cen o da oda pelos pa icipan es. O cí culo i cou eno me, ocupando odo o e ei o. Se, an e io men e, uma in isí el on ei a que sepa a di idia os a is as dos espe ado es, ab iu-se, naquele ins an e, uma on ei a que une, p opícia às adu- ções in e cul u ais e egida não pela a gumen ação, mas pelo co po, pela pe o mance, pela ene gia da pe cussão. A iculações mudas o am ei as, exclu- si amen e no campo simbólico. Um exemplo oi o êx ase dos p o esso es e alunos de A apu anga. Apesa das en e is as e obse a- ções ei as pelos es udan es, a oda de Si i i oi o pon o que ge ou os p incipais comen á ios depois da es a. Os pa icipan es de A apu anga cons uí am pos e io men e, pa a a escola e pa a o pode público, a a és de ela ó ios e monog a i as, uma imagem do que é Ma a Ca alo. “Aquela oda é mágica; não sei como não caí, po que enho labi in i e”, exclama a, po exemplo, uma das coo denado as da iagem. Foi du an e a dança que aquele g upo, o iundo de ou a cul u a, se sen iu mais p óximo do que é a ealidade quilombola. Nes e sen ido, ale a pena elemb a que: Vi e na on ei a signi i ca i e o a da o aleza, numa disponibilidade o al pa a espe a po quem que que seja. [...] Signi- i ca p es a a enção a odos os que chegam e aos seus hábi os di e en es, e econhece na di e ença as opo unidades pa a o en iqueci- men o mú uo. Essas opo unidades acili am no os elacionamen os, no as in enções de sociabilidade (San os, 2002: 324). Depois de assis i a an as ap esen ações em que os mo imen os e am co eog a ados, a oda de Si i i pa ecia um e i ó io de libe dade. Como espaço in-be ween, ali a adição ganhou no os con o nos. Cada um dança a à sua manei a: o ei do Congo azia amplos mo imen os com a capa e melha, os es udan es in en a am os seus passos, eu mesma imp o isei os meus p óp ios caminhos quando me i no cen o da oda. Em de e minado momen o, a co oa do ei do Congo começou a se usada como senha pa a a de i nição do pa cei o. Coloca o chapéu em alguém pa a a escolha do pa não é uma ideia no a; a a-se de um cos ume que anima bailes da zona u al de á ias pa es do B asil. Não é, po ém, uma adição do Si i i e mui o menos do Congo – a inicia i a su giu espon aneamen e. Den o daquele espaço em suspensão, ins á el e ugaz, memb os de di e en es mundos b inca- am a in en a ou as o mas de i e o Si i i. A adição o nou-se, po an o, maleá el e p opícia às e o mulações. A co oa do ei oi ali ein en- ada, ein e p e ada, assumindo no as unções na on ei a. Conclusões: pa a além do Es ado de A e Vimos que a me á o a da on ei a ep esen a uma o ma de sociabilidade que se es abelece nas ma gens do encon o cul u al. Dian e da sua polis- semia, op ei po di idi o concei o em ês modelos de análise: on ei a que sepa a, on ei a como en e e on ei a que une. Vale eco da que a p imei a aceção es á incu- lada a uma azão elacional e se e e e ao que sepa a os g upos – enha es a on ei a a o ma conc e a de um mu o ou a sub ileza das di e enças iden i á ias. A segunda es á elacionada com o limi e da expan- são e implica, po an o, o a anço unila e al de um agen e ans o mado sob e de e minado espaço. Já a e cei a exp essa a l uidez dos p ocessos sociais cosmopoli as: no en e-luga , a jus aposição de di e sas in l uências pe mi e a eme gência de no as con i gu ações de iden idade. A pe ença simul ânea a mais de um uni e so cogni i o con adiz a ideia monolí ica de cul u a – que é en ão concebida em cons an e ans o mação. O encon o on ei iço oco e no espaço in e médio en e g upos sociais e “p essupõe o econhecimen o ecíp oco e a disponibilidade pa a en iquecimen o mú uo en e á ias cul u as que pa ilham um dado espaço cul u al” (San os e Mene- ses, 2009: 9). Po ém, es a a iculação não implica a exis ência de pu ismo nos polos comunican es. San os (2002) en a iza as o mas de es a -no-mundo que se ebelam con a a pe i i cação das elações sociais – concen ando-se nas possibilidades de l uidez e de cosmopoli ismo. Ca la Ladei a Pimen el Águas 84 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 77-85 No exemplo da oda de Si i i, explo ado no p e- sen e a igo, imos que, no encon o com o ou o, a on ei a que sepa a pode sub ilmen e ans o ma - -se em on ei a que une, pe mi indo a eme gência de espaços in-be ween. Des a manei a, a a iedade de g upos sociais eunidos num mesmo espaço – a es a – e de papéis a se em desempenhados – de dançan e ou de espe ado – o am nublados pela abe u a da oda, que mesclou os sujei os e as suas cul u as, azendo su gi no as con i gu ações e compo amen os. Es e exemplo, apesa de sub il e mic oscópico, pa ece-me ele an e po e idencia a amanha plas icidade das elações on ei iças, cujas con i gu ações ão além dos modelos essencialis as com que as cul u as comumen e são desc i as. Po an o, a ideia de on ei a que une nega os undamen alismos: o ca á e emancipa ó io da me á- o a mani es a-se nas endências ao cosmopoli ismo iabilizadas pela p oli e ação das ma gens. Es a o ma de sociabilidade ab e-se pa a a di e sidade – como ambém pa a os iscos e ince ezas – do en e-luga on ei iço. No as 1 O au o exempli i ca que os espaços echados dos ae opo - os in e nacionais, onde os iajan es a quem oi ecusada a en ada agua dam o momen o de expulsão, ipi i cam de modo d amá ico a dis opia de um não-luga on ei iço. 2 Si i i é uma dança ípica, ei a em oda ou i lei as, que anima as es as da egião. 3 O p ocesso de globalização e os seus impac os sob e as on ei as nacionais ge a am uma no a á ea de es udos: limology (Kolosso , 2006). 4 Sob e o ema, c . as ações do P oje o Me cocidades, disponí eis em h p://www.me cociudades.o g/p -b . 5 Reco endo a Fou ny-Kobe , os au o es ac edi am que hoje a endência é in e sa: há uma ex ao diná ia ope ação de esseman ização da na u eza, a i m de jus i i ca os p oje os e i o iais ans on ei iços. 6 Po ém, pa a Maldonado-To es (2008), a al e idade de endida po Lé inas pe manece aga ada às o mações espaciais de ca iz impe ial: é limi ada pela sua i liação é nica e pelo comp ome imen o eligioso. 7 O au o subs i ui a pala a socialização pelo concei o de sociação, en endido como o mas de coope ação en e os indi íduos. 8 Congo é uma dança d amá ica exis en e em á ias pa es do B asil, sob di e sas e sões. Em Ma a Ca alo, é um ea o a céu abe o que ep esen a a gue a en e dois einos. Re e ências bibliog á i cas ADELMAN, J. e A. S ephen (1999), F om Bo de lands o Bo de s: Empi es, Na ion-S a es, and he peoples in be ween in No h Ame ican his o y, disponí el em h p://www.his o ycoope a i e. o g/jou nals/ah /104.3/ah000814.h ml, acesso em 02/08/2009. ALBARET-SCHULZ, C., A. Beye e al. (2004), La on- iè e, un objec spa ial en mu a ion, disponí el em h p://espaces emps. e ues.o g/documen 842. h ml, acesso em 28/07/2009. BHABHA, H. (1994), The Loca ion o Cul u e, Lond es e No a Io que, Rou ledge. CANCLINI, N. (1997), Cul u as híb idas: es a égias pa a en a e sai da mode nidade, São Paulo, Edusp. DURANTE, D. (2007), “Al e idade e e l exão in e cul u al: seus obje i os no quad o das p á icas a ís icas em ge al e da ala li e á ia em pa icula ”, Re is a Sociopoé ica, disponí el em h p://eduep.uepb. edu.b /sociopoe ica/publicacoes/ 1n1.h ml, acesso em 25/05/2011. ESTEVAM, J. 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Rod igues In es igado a, Cen o de In es igação e Es udos de Sociologia (CIES-IUL) ([email p o ec ed]) Paulo Coelho Dias P o esso Adjun o, Escola Supe io de Educação – Ins i u o Poli écnico de San a ém, In es igado , Cen o de In es igação e Es udos de Sociologia (CIES-IUL) ([email protected] ) Resumo A conceção do u u o das sociedades con empo âneas como sociedades da in o mação e do conhe- cimen o ouxe uma e olução ecnológica às escolas. No en an o, a disseminação da ecnologia não ob e e ainda co espondência no plano dos usos das TIC em sala de aulas, nos p ocessos de ensino e ap endizagem no ensino secundá io. Com base num inqué i o ealizado a 324 p o es- so es de 12 escolas disseminadas pelo país e i i camos como as TIC são ainda incipien emen e u ilizadas nas salas de aulas, e o çando uma abo dagem conse ado a do ensino. Es a endência cen al ence a, no en an o, uma g ande di e sidade de si uações, de aco do com as di e enças en e os ecu sos ecnológicos nas escolas e com as ep esen ações e compe ências dos docen es. Pala as-cha e: ensino secundá io; ecnologias da in o mação e da comunicação; ensino; ap endizagem Abs ac The concep ion o he u u e o con empo a y socie ies as in o ma ion and knowledge socie ies has b ough a echnological e olu ion o schools. Howe e , he dissemina ion o echnology has no ye ma ched ICT use in he class oom, in he eaching and lea ning p ocesses. Based on a su ey o 324 eache s in 12 schools sca e ed h oughou he coun y we obse e ha ICT a e s ill incipien ly used in he class ooms, ein o cing a adi ional and conse a i e app oach o eaching. This cen al endency encompasses, howe e , a wide a ia ion, acco ding o di e ences ound be ween schools’ echnological esou ces and in ep esen a ions and compe ences o he eache s. Keywo ds: seconda y educa ion; in o ma ion and communica ion echnologies; eaching; lea ning As ecnologias da in o mação e da comunicação na escola: polí icas públicas, usos e bene ícios O impulso à c escen e in eg ação das ecno- logias da in o mação e da comunicação (TIC) na educação conheceu um signi i ca i o ec udescimen o po ocasião da eme gência e popula ização da noção da Sociedade da In o mação e do Conhecimen o enquan o modelo ideal de ees u u ação das socie- dades con empo âneas. Es a na a i a ace ca do desen ol imen o do u u o da sociedade, assen e no modo de p odução in o macional baseado no conhecimen o (Cas ells, 2000), es imulou o deba e e a subsequen e ação polí ica e p og amá ica dos es ados nacionais pa a a de i nição de polí icas públi- cas des inadas à ápida adequação mul idimensional à no a o ma de o ganização social (Al es, 2004). Es e deba e de i niu, desde logo, a educação como um dos eixos es u u an es do no o modelo Nuno de Almeida Al es, Ped o Ab an es, Ca la F. Rod igues e Paulo Coelho Dias 88 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 87-95 de sociedade. O p imei o dos a gumen os oi o de que a ees u u ação da economia e do emp ego implicada nes a mudança desenha a um no o pe i l de compe ências pa a o conjun o da mão de ob a (Yang, 2012): a li e acia in o má ica imp escindí el pa a odos e a o mação g aduada e pós-g aduada especializada de segmen os especí i cos, di igida à cons ução e manu enção das au oes adas da in o - mação e da espe i a a iculação com as emp esas e ins i uições e icula es (Cas ells, 2000). O segundo a gumen o p endeu-se com a a ualização ecnoló- gica des a dimensão es u u an e das sociedades con empo âneas: se as TIC o am paula inamen e es endendo a sua in l uência a odo e qualque domínio de ação social, como comp eende a sua ímida inse ção na escola, ins ância undamen al da o mação de compe ências e ansmissão do conhecimen o? Embo a a in en a iação dos po enciais bene- ícios da u ilização dos compu ado es na educação enha sido p a icamen e con empo ânea da sua eme gência inicial ou da expansão me can il dos mesmos (May i eld e Ali, 1996; Somekh, 2000; Welling on, 2005), oi sob e udo a sua associação à na a i a das sociedades da in o mação e do conhecimen o que a o eceu o desenho de polí icas públicas de in eg ação massi a das TIC nos p o- cessos de ensino e ap endizagem (Selwyn, 2008; Ni ala, 2009). Es a e olução ecnológica nas escolas, en u- sias icamen e impulsionada pelos esponsá eis nacionais pelas polí icas educa i as (Go e nos) e pelos p incipais ope ado es do me cado das TIC e das elecomunicações (Somekh, 2000; Pelg um, 2001; Welling on, 2005; Bes all, 2006), oi, de ce a o ma, o ganizada à e elia dos ges o es e egulado es (ins i uições cen ais da adminis ação educa i a e conselhos consul i os) e dos a o es (di e o es de escolas, docen es e alunos) dos p ocessos educa i os. A in eg ação das TIC nos cu icula nacionais ope ou-se sob e udo pela noção da li e acia in o má ica, ou seja, da do ação dos ecu sos mínimos implicados na ope ação de um compu ado e na u ilização da in e ne à saída da escola idade ob iga ó ia. Es a noção co esponde, assim, à p esc ição das compe ências conside adas necessá ias pela p ocu a nos ecu sos humanos pa a a sociedade da in o mação e do conhecimen o e não a um pensamen o es u u ado ace ca do modo como as TIC de em se in eg adas no ensino, co espondendo a um conjun o cla amen e de i nido de obje i os, necessidades e p e isão de esul ados (Welling on, 2005). A in eg ação da ecnologia nas escolas não oi, assim, acompanhada do deba e necessá io ace ca do g au de mudança implicado no maciço inc emen o das TIC nas escolas: de e cons i ui apenas mais uma disciplina ou implica uma p o unda e isão do cu ículo e nos mé odos de ensino e ap endizagem, e olucionando in eg almen e o modo como a escola unciona nos dias de hoje (A i am e Talmi, 2005)? A ausência des a cla i i cação o nece a gu- men os aos p incipais de a o es da in eg ação das TIC nos p ocessos de ensino e ap endizagem: a sua ine i cácia e imp odu i idade (ge al ou po disciplina) na melho ia dos esul ados escola es dos alunos (Peslak, 2005; Hikme e al., 2008). Con udo, es a conclusão al ez seja demasiado ap essada e esul an e de um equí oco ela i amen e ao luga das TIC na escola. A endendo à especi i cidade des a ecnologia, a espe i a u ilização em sala de aulas se ia mais adap á el ao abalho de p oje o (indi idual ou colabo a i o), enquad ado numa conceção mais cons u i is a da educação (Palak e Walls, 2009; Cos a, 2004), cen ada no aluno e não an o numa o ien ação educa i a de pendo adicionalis a, cen ada na ansmissão de conhe- cimen os po pa e do p o esso à pla eia de alunos, na espe i a assimilação po pa e des es e pos e io demons ação dos conhecimen os adqui idos na execução de um es e ou exame, culminando es e p ocesso na a ibuição de uma classi i cação. Nes a úl ima aceção do p ocesso educa i o, as TIC e ão ealmen e pouco a o e ece além da li e acia in o - má ica, cons i uindo a é um obs áculo à melho ia quan i a i a dos esul ados escola es dos alunos (Zhao e F ank, 2003: 816). A ausência de uma es a égia coe en e de in eg ação das TIC nas escolas p opiciou am- bém uma incipien e u ilização média em sala de aulas, em cla o con as e com os in es imen os e e uados e as expe a i as ge adas (Cuban e al., 2001, Somekh, 2004). Es e apa en e pa adoxo de e-se, no en ende dos en usias as do p ocesso – go e no e conglome ados TIC (Selwyn, 2008; Ni ala, 2009) –, à eduzida e i cácia da u ilização das TIC pelos p o esso es na sala de aulas, con- cen ada sob e udo nas adicionais a i idades de exposição e menos no abalho conjun o com os seus alunos. Mais uma ez, es a é uma explicação ap essada, sendo es a meno u ilização das TIC em sala de aulas esul an e de ci cuns âncias e p ocessos a e os ao conjun o dos a o es (escolas, p o esso es e alunos) e não an o deco en e da esponsabilidade de apenas um. Em Po ugal, a p og essi a in odução das TIC nas escolas e nos p ocessos de ensino e ap endiza- gem oi obje o de di e sos p og amas ao longo das úl imas décadas: Mine a, Nónio Século XXI e Plano Tecnológico da Educação1. A li e a u a disponí el (Pai a, 2002; Cos a, 2004; Cos a e Viseu, 2007), embo a an e io à execução des e úl imo plano, e ela di i culdades de implemen ação semelhan es às encon adas no plano in e nacional, ainda que se egis em di e enças signi i ca i as: uma implemen- ação dos ecu sos ecnológicos mais a dia, menos TIC NO ENSINO SECUNDÁRIO: USOS E MEDIAÇÕES 95 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 87-95 Re e ências bibliog á i cas ABRANTES, P. e al. 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Num olha que p ocu a i além daquilo que os es a u os legais de e minam, p e ende-se comp eende o que é comum nas sociabilidades escola es en e es es a o es a pa i das pe ceções dos alunos sob e si uações de injus iça no espaço escola e com base em dados ecolhidos num abalho e nog á i co ealizado em 6 escolas do Ensino Secundá io geog a i camen e dispe sas e com populações escola es socialmen e con as an es. Po ou o lado, na análise dos juízos c í icos mani es ados pelos alunos, p ocu a-se iden i i ca igualmen e possí eis cli agens segundo o géne o e o igem social dos discen es. Pala as-cha e: sociabilidades escola es; pe ceções de injus iça; econhecimen o Abs ac This a icle aims a examining how school ac o s build he sociabili y among hemsel es. Wi hin a look seeking o go beyond wha is de e mined in he legal s a u es, we in end o unde s and wha is common in school sociabili y among hese ac o s aking he pe cep ions o s uden s on si ua ions o injus ice wi hin school and based on da a collec ed in an e hnog aphy esea ch aken place in 6 Po uguese high schools geog aphically dispe sed and wi h socially con as ing school popula ions. Mo eo e , in he analysis o he c i ical judgmen s exp essed by s uden s, we also aim a iden i ying po en ial clea ages be ween gende and social o igin. Keywo ds: school sociabili y; pe cep ions o injus ice; ecogni ion E udo o en o le ou após o p ocesso de democ a ização escola ? Fo mas de quali i cação dos se es no cen o das ope ações c í icas dos alunos Pa ece es anha es a in e ogação. Con udo, es a indagação con inua a se cen al nas abo dagens sociológicas sob e os p ocessos de escola ização, mesmo quando es as ensaiam ou as abe u as analí icas sob e os mundos escola es expe ienciados po adul os e não adul os. De ac o, os mundos escola es são po oados po se es quali i cados a a és de i gu as ins i ucio- nalizadas (que no plano ju ídico assumem de e mi- nados es a u os), mas, apesa des as p ecisões, os seus sen idos ex a asam os cole es de o ças que daquele en endimen o se p essupõem a pa i de uma lei u a es i a. Tais espa gimen os de sen idos são azidos pelos múl iplos momen os de que se ecem as i ências escola es, que aquelas que oco em nas salas de aula, que as que acon ecem em ou os espaços. Assim, é nosso p opósi o nes e ex o aze ou os concei os analí icos que nos possam ajuda a comp eende como p o esso es e alunos, apesa dos i gu inos ju idicamen e de e minados, a uam no José Manuel Resende e Luís Gou eia 98 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 espaço escola na p ocu a daquilo que é comum; de que modo, nas sociabilidades de uns com os ou os ou en e pa es, con ocam nos seus eixos a uan es ou as ep esen ações e sen idos que não se ence am nos es a u os quali i cados po aquelas designações. T aça aquilo que é comum nas socia- bilidades escola es a pa i da pe ceção ope ada em ações pelos alunos con ida-nos a especi i ca um pouco melho de que es abelecimen os de ensino e de que alunos alamos quando ensaiamos o olha e nog á i co em 6 escolas do Ensino Secundá io localizadas em di e en es concelhos do con inen e po uguês. Dos 6 es abelecimen os de ensino escolhidos, 1 localiza-se num concelho a no e do dis i o de A ei o, 4 em dois concelhos do dis i o de Lisboa e 1 num concelho do dis i o de Po aleg e. Dos alunos inqui idos e en e is ados em cada uma das 6 esco- las, a sua ca ac e ização sociológica é con as an e, sendo, po isso, possí el de e mina endências ge ais que do pon o de is a da sua o igem social ma cam cada um des es espaços, di e enciando-os dos es an es ( e ambém Anexo). Tendo en ão em conside ação a mo ologia sociológica de cada uma des as 6 escolas, é possí- el a i ma que em duas das escolas do dis i o de Lisboa os alunos são o iundos sob e udo de di e sas ações das classes médias u banas. Apesa des a ap oximação numa des as duas escolas, as ações das classes médias mais quali i cadas encon am-se mais ep esen adas do que na ou a escola. As ou as duas escolas do dis i o de Lisboa e a escola do dis i o de Po aleg e ec u am alu- nos o iundos sob e udo de meios popula es, não obs an e a p esença de ou os, com ep esen ação menos signi i ca i a, que es ão localizados nas a- ções das classes médias u banas. Finalmen e, na escola a no e do dis i o de A ei o, e i i ca-se a in e seção de alunos localizados nas classes popu- la es ligadas à ag icul u a e a pequenas emp esas e com baixas quali i cações escola es da pa e dos seus ascenden es. Uma ez que o p opósi o cen al da in es iga- ção2 é o de cap a as pe ceções de injus iça p odu- zidas nas escolas secundá ias pelos alunos endo em con a o seu géne o, o abalho é conduzido, sob e udo, na base de duas en es obse acio- nais. De um lado, ealiza am-se en e is as (65) a discen es a equen a o 12.º ano de escola idade; do ou o, lançou-se um inqué i o po cená ios ao conjun o de alunos ma iculados em 2010/11 no ano e minal do secundá io (Resende, Dionísio e Cae ano, 2012). Nes e a igo abalhamos exclusi amen e in o mações a adas das en e is as ealizadas a um conjun o de alunos escolhidos pa a o e ei o3. Ao elege como eixo cen al da in es igação as elações en e as pe ceções das si uações injus as na escola e o géne o decla ado pelos alunos, a equipa de in es igado es p ocu a, po um lado, iden i i ca possí eis cli agens en e aquelas pe ceções segundo o géne o, mas ambém c uza aqueles mesmos en endimen os com as suas o igens sociais. Con- udo, es e eixo elacional eque ou os ac escen os adicionais de modo a p ecisa com mais cla eza o signi i cado sociológico do concei o “pe ceção injus a” de si uações escola es. A opção de cap a as pe ceções injus as pa ece- -nos mais adequada do que o seu con á io. Is o é, da o cen o às conside ações sob e as injus iças expe ienciadas na escola pelos alunos em sido a melho o ma pa a, a pa i delas, chega mos aos seus juízos sob e as medidas do jus o que a ibuem às di e en es ci cuns âncias que assinalam nas en e is as. Mas i do injus o ao jus o não é a única escolha assumida. Pa a unda com mais igo os “sen imen os sob e as i ências ac uais do injus o” na escola, o aciocínio sociológico aqui p esen e az in oca duas ou as ques ões que es ão di e amen e associadas a si uações de ca ga injus a. De um lado, apa ecem as si uações de desi- gualdade que são habi ualmen e eclamadas pelos discen es. As desigualdades de ap eciação dos p o- esso es em elação às suas qualidades pessoais, sociais e cogni i as são ques ões idas em con a. No en an o, es as não são as únicas si uações de desigualdade apu adas. Ou as deslocam-se pa a as o mas de a amen o de uns pa a com os ou os, em ecip ocidades c uzadas, onde ambém in e - êm as elações in e pessoais en e os pa es, ou elações mais ex ensi as que implicam conjun os mais amplos de ou os. Toma como e e encial as si uações de desi- gualdades expe ienciadas pelos alunos nas a es de aze o comum nas sociabilidades escola es, que en e eles e os adul os, que en e eles, os seus colegas e amigos, não esgo a o ques iona- men o sob e os “sen imen os de injus iça escola ”. Seguindo es e aciocínio, es a análise não deixa de conside a como ele an es ou as si uações enun- ciadas pelos en e is ados e que azem desloca o olha pa a ou os enquad amen os expe ienciais, que de na u eza disc iminan e, que de ca á e humilhan e. As eclamações que enunciam a pa i de na a i as, que po sua ez con ocam si uações concebidas pelos inqui idos como não ajus adas à sua dignidade como se es humanos, azem pa a a e l exão ou as e e ências no ma i as que não deixam de es a p esen es nas suas o mas de agi em comum. Da ên ase às ope ações c í icas ealizadas pelos alunos a pa i de si uações escola es po es es mencionadas nas en e is as como susce í eis de os con on a no seu ajuizamen o sob e o que é comum a odos na escola le a-nos a conside a o es abelecimen o de ensino como uma “a ena pública”, de um lado, e, simul aneamen e ao se AS ARTES DE FAZER O COMUM NOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO... 99 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 assumi es a e e ência concep ual, os seus espa- ços enquad am uma plu alidade de expe iências passí eis de os o na em capazes de ques iona as o mas de quali i cação que po ali são abalhadas po uns e po ou os, mas em pa icula , que são in es idas pelos p o esso es (Resende, 2010), do ou o lado. Assim, as salas de aula, a can ina, a biblio eca, ou simplesmen e o espaço do ec eio são con ex os quali i can es a pa i dos quais os alunos e i am das suas expe iências ali i idas um sem-núme o de oco ências que são iden i i cadas como p oblemá icas, e a pa i das quais alguns dos seus emas são ele ados a ca ego ias de p o á el ou e en ual dispu a isí el ou in isí el. As o mas de isibilidade das denúncias ou das exp essões de indignação a uan es são umas ezes dis in as, mas ou as agas ou inde i nidas. Desde a con on ação di e a com o ou os acusados de onde deco em a os comunicacionais que se desen olam com ou sem al e cações di e sas, a discussões esul an- es de ações conside adas indisciplinadas ou a mo imen ações mais iolen as a é aos silêncios p olongados que mos am abdicações de g aus a iá eis, os acon ecimen os que os espole am ao longo das suas aje ó ias azem p o a das suas inculações no sen ido de o na supo á el a ida comum na escola. T ans o mações no sis ema de ensino e nas sociabilidades den o do espaço escola : a no a é ica na elação en e p o esso e aluno No as o ien ações em ma é ia de polí ica educa i a pa a a escola eu opeia ma cam ans- o mações p o undas nos sis emas educa i os nas úl imas décadas (Resende, 2003; Almeida e Viei a, 2006). No os públicos escola es, o iundos de meios sociais e é nicos mais a as ados do uni e so cul u al ansmi ido na ins i uição escola , passam a p o a- goniza pe cu sos escola es mais longos no sis ema de ensino – aje ó ias das quais es a am a é en ão apa ados (Resende, 2010). A es e es o ço de massi i cação da escola idade co esponde uma o ien ação polí ica cen ada no modelo de desen ol imen o económico. O desígnio de p og esso nos indicado es de escola idade se e o ho izon e de melho ia do desempenho económico dos espe i os países. O ganismos in e nacionais cump em um impo an e papel nesse deside a o. Os esul ados pe iodicamen e ap esen ados em es udos in e nacionais (como o p og ama PISA, da OCDE) são acompanhados de o ien ações, di e i as, no sen ido de melho ia do desempenho dos sis emas educa i os segundos os pa âme os pa ilhados. Es e p edomínio do modelo de análise dos esul ados escola es assen e em in o mação es a ís ica, mensu á el, quan i i cá el, em epe - cussão igualmen e no abalho es a ís ico a ní el nacional e consequen es e l exões em ma é ia de polí ica educa i a (Dionísio, 2010). A cons i uição e publicação de ankings esco- la es, que o denam os es abelecimen os de ensino do país em unção dos esul ados alcançados pelo espe i o co po de alunos, são disso ilus ação. Concomi an emen e, ganha e eno o modelo de elação en e escolas segundo uma lógica me can il. Aos enca egados de educação é dada libe dade de escolhe a ins i uição escola dos seus educandos em unção exa amen e das in o mações ecebidas ela i amen e aos esul ados escola es ob idos (Melo, 2007). É o uncionamen o de um me cado escola , segundo um modelo de conco ência enquan o p incípio de jus iça de sal agua da da escola ização como bem comum (De oue , 1992). Es a e olução no que espei a à escola idade aca e a necessa iamen e impo an es mu ações nas sociabilidades den o do espaço escola em i ude da di e sidade na composição mo ológica que nele passa a obse a -se. Além de segmen os de alunos pe encen es a classes sociais mais des- a o ecidas, o núme o de alunos de nacionalidade não po uguesa aumen a nos es abelecimen os de ensino, onde, além de cons i ui um g upo onde se e i i ca equen emen e um a as amen o in e ge a- cional em elação à ins i uição escola , um di e encial en e a língua que es es alunos cul i am no espaço domés ico e a que é lecionada nas escolas di i cul a o seu ajus amen o à cul u a escola (Resende, 2010). Po ou o lado, es a úl ima é agilizada pelo con- sumo de p odu os cul u ais p o enien es dos no os supo es de di usão de in o mação dos meios de comunicação de massa. Es as indús ias cul u ais êm nos jo ens os seus po enciais consumido es e assumem pa icula impo ância na con i gu ação das sociabilidades dos adolescen es e jo ens na escola e na sua esis ência ace aos sabe es que es a ins i uição alo iza (Ba è e, 2002). Ac esce pois pa a os p o esso es um abalho de mo i ação de alunos que e idenciam uma elação débil com os con eúdos disciplina es que são lecionados – an o na p epa ação dos supo es pedagógicos como na p óp ia a aliação. A dis ância demons ada pelos jo ens em elação às expec a i as da ins i uição escola ela- i amen e à sua socialização polí ica conduz ao que Rayou (2007) desc e e como uma eap op iação da sua expe iência no espaço escola . Es es jo ens desen ol em no espaço escola compo amen- os pa a “ esis i ao s ess induzido pela seleção escola ” (idem: 19), pelo insucesso escola que expe imen am. Os alunos desen ol em um “eixo de socialização ho izon al” (idem: 18) que in e e e com o eixo de socialização e ical e cons ange a ação dos adul os que o supo am. De uma si uação em que os únicos c i é ios de sociabilidade são quase José Manuel Resende e Luís Gou eia 100 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 odos de ca á e escola , passam a coexis i ambém c i é ios de sociabilidade adolescen e e ju enil. Es e modelo de condu a dos alunos no espaço escola em como p incipal e e ência a noção de philia, que undamen a uma no a é ica de elação en e p o esso es e alunos e na qual, como se p ocu a demons a , a noção de espei o assume pa icula ele ância. A Ci é in isí el: a g amá ica de philia na es u u ação da expe iência no espaço escola en ec uzada com o sen ido do jus o O a igo cen a-se nas pe spe i as dos alu- nos na modelação da sua expe iência no espaço escola . Tal análise implica a adoção de um olha não adul ocen is a (Rayou, 2005) pa a um acesso às ca ego ias especí i cas da expe iência social adolescen e e ju enil, às suas o mas de i e em conjun o, aos concei os de jus iça subjacen es, às lógicas de ação que sus êm os seus compo amen os e condu as. O p essupos o da exis ência de uma ou a escola secundá ia, como desc e e Rayou, de uma ou a o ma de i e em conjun o que os alunos cons oem en e si e com eg as dis in as daquelas que o malmen e en o mam a ins i uição escola , implica um olha sob e as jus i i cações e sen idos de jus iça com base nos quais os jo ens o ien am as suas ações e es u u am a sua expe- iência social. É esse en oque sob e os juízos po - ado es de gene alidades p oduzidos que pe mi e pene a nas cons uções da ida polí ica dos jo ens. Conc e amen e, sendo o egime da philia um modo pa icula de ida em conjun o, com especi i cidades que o dis inguem de ou os uni e sos com os quais ompe, o não desligamen o dos p incípios de jus iça da escola epublicada o na es a g amá ica ju enil opaca (Rayou, 1998; Resende, 2010). Rayou desen ol e o modelo de compe ência que designa po philia a pa i do modelo desen ol ido po Luc Bol anski e Lau en Thé eno em On Jus- i i ca ion ([1991] 2006). Es a compe ência esul a de in e ceção de dois ipos de uni e sos dis in os. De um lado, o uni e so da jus iça. Nes e, os indi íduos são obje o de classi i cação que os di e- encia segundo di e en es p incípios de equi alência. De ou o lado, o uni e so do amo . Es e assen a já no p essupos o da inexis ência de hie a quia en e os indi íduos. O p óp io a o de classi i cação cons- i ui um insul o ao amo . A philia oscila pois en e o amo e a polí ica. Como p econiza Bol anski ([1990] 2012), ao con á io do egime da jus iça, o amo igno a odas as e e ências a equi alências gené icas pa a o con on o en e as pa es. A amizade pa ece desempenha um papel in e médio, pe mi indo a oscilação en e si uações de p ocu a de jus iça e a supe ação dessas si uações no amo . Nos jo ens, a amizade, ou a philia, cons i ui o p incípio de o gani- zação quo idiana da sociabilidade ju enil e o e úgio de indi e enciação e p o eção de p o as de oda a na u eza e, com isso, o supo e das denúncias de um sis ema escola di e enciado e da ecusa de con on ação en e desempenhos escola es, isuais e opiniões (Rayou, 1998). A paz mani es a-se pela ausência de equi- alências; a paz exclui, não apenas a iolência, mas igualmen e as dispu as em jus iça – a a és do en ol imen o de p incípios de equi alência, de modo a impo uma o dem de g andeza sob e pessoas po in e médio de p o as. No es ado de paz, as equi alências são inú eis. Sem dispu a, não há necessidade de o denação (Bol anski, [1990] 2012). A ecip ocidade egula a elação de amizade, philia. Es a p essupõe um p eexis en e p incípio de equi alência que pe mi e p imei amen e a alia os espe i os mé i os de ecip ocidade e, depois, con ola a ecip ocidade e a equidade das ocas en e si. Como e e e Bol anski, a ecip ocidade na amizade não é exe cida de o ma cega; ela é obje o de expec a i a ela i amen e à equi alência da con ibuição de cada uma das pa es (idem). É com base na philia que se desen ol e aquilo que Rayou de i ne como uma cul u a de e icência (mais do que uma cul u a de esis ência) e de dú ida ace às no mas e alo es do uni e so escola (Rayou, 1998). O p incípio de philia, enquan o ei indicação a uan e, cons i ui um meio pa a p o eção dos e ei os des alo izado es e es igma izan es da elegação e humilhação escola , cons i ui uma o ma de es- pos a ao desencan amen o escola e à a e ação da imagem de si. Nomeadamen e, a philia sus en a a cons ução de uma Ci é in isí el que ege as elações en e os jo ens e que os adul os não comp eendem. Como man e a ideia (ou ilusão) da exis ência de uma comunidade a e nal num mundo escola que p epa a pa a a di isão dos des inos sociais. As elações de amizade isam p ese a numa comunidade de iguais o máximo de empo possí el, sem di e enciações p o enien es de p o as pe s- pe i adas como injus as. Es as edes de amizade es ão imp egnadas na expe iência adolescen e endo em is a e a da e sua iza a passagem à ida adul a (Rayou, 2007). Nes a ó ica, o que essal a da a uação dos alunos é a conceção da escola como espaço de con í io en e pa es, e menos como e i ó io da sua o mação escola enquan o cidadãos. Nos seus modos de a ua obse a-se a p esença e ambém uma deslocação das ma cas do egime de philia pa a o egime do jus o quando as eclamações ambém se di igem à exigência de igualdade de a amen o en e adul os e não adul os. É no ó ia a ejeição de o mas de disc iminação posi i a: “É assim, há um p o esso e den o de uma u ma há AS ARTES DE FAZER O COMUM NOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO... 101 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 semp e esse p o esso que em p e e ência po A ou B ou C. É assim, nós não es amos a c i ica po que al ez em algumas disciplinas que nós sejamos os p i ilegiados. Mas não conco damos com isso apesa de nós se mos ambém os escolhidos” (En e is a 13: géne o eminino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Línguas e Humanidades). É sob e o p incípio da igualdade que a c í ica a um a amen o p e e encial po pa e dos docen es assen a: “Eu acho que a escola de ia-nos ansmi i essencialmen e igualdade. Eu acho que não é isso que acon ece. […] Como, no malmen e consigo e p o esso es que êm p e e ência po uns alunos, êm p e e ência po ou os; e isso acon ece egula men e, com mui a equência a é” (En e is a 15: géne o eminino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências e Tecnologias). A ausência de a amen o di e encial aduz-se mesmo na ejeição de a i udes de complacência po pa e dos p o esso es no que espei a às di i - culdades sen idas po alunos: “O que acon ece é às ezes da em demasiado alo ao es o ço. O es o ço é cla o que é impo an e mas… E aqui acon ece-nos bas an e pessoas que, po exemplo, êm mais di i culdades, mas que se es o çam mais e êm melho es no as do que pessoas que êm menos di i culdades mas que se es o çam menos. Isso é um pouco injus o!” (En e is a 16: géne o masculino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, A es Visuais). Sob o signo do espei o: o olha es udan il sob e a jus iça e humilhação no espaço escola A ques ão da igualdade de a amen o no espaço escola e i i ca-se es a in imamen e ligada à ideia de espei o, e es a p esen e nas elações de au o idade en e as i gu as do p o esso e do aluno. O egime de philia enquan o modelo de egulação polí ica en e os jo ens em pa icula e l exo na pola ização obse ada dos alunos na ideia de espei o quando p oduzem juízos ela i amen e ao seu es abelecimen o de ensino e ao espe i o co po docen e e uncioná ios. Pa ick Pha o (1997) p econiza, de um pon o de is a de uma sociologia cen ada na expe iên- cia e mo i ações p á icas dos a o es sociais, que o espei o consis e numa noção que liga o sujei o ao obje o espei ado de uma o ma pa icula . O espei o cons i ui uma posição p á ica da p imei a pessoa que consis e nes e limi a a sua libe dade de ação de o ma a não in ingi o alo eminen e que ela econhece a uma pessoa ou a um obje o a ibuído ou ajuizado como expec á el a se a i- buído a um e a ou o (Pha o, 2001). Exis e po an o um econhecimen o desligado de con ingências da compa ação social e hie a quização e, nessa medida, uma sub ação do indi íduo de p o as e consequen e classi i cação social. Po ou o lado, quando um obje o ou indi íduo é ajuizado como digno de espei o, al não oco e apenas nos limi es do pon o de is a do sujei o que espei a. Esse juízo é es endido, pa a o indi íduo que espei a, a odos os se es capazes de demons a espei o; o espei o é pa ilhado po odos (Pha o, 1997). E é nessa medida que o espei o pode cons- i ui o p incipal en a e à aplicação do p incípio da jus iça. A colisão com o p incípio de espei o pode conduzi à pe da das jus i i cações que sus en am a ação assen e na jus iça ou a causa de jus iça que jus i i ca essa ação pode-se ans o ma numa causa de des espei o (idem). O a, o espei o é um p incípio pa icula men e in ocado pelos alunos quando es es se exp imem sob e o jus o no âmbi o das a i idades escola es e nas á ias si uações de in e ação nes as ambiências onde as ques ões da jus iça es ão en ol idas. Como e e e Rayou (2007), pode-se ala de uma hipe o i a da pe spe i a do espei o nas lei u as c í icas dos alunos às con adições dos a os ligados à socialização polí ica, que do lado da ansmissão dos conheci- men os, que do lado das epa ações das condu as. Os alunos ei indicam o espei o como p incípio de jus iça assegu ado da sua dignidade enquan o indi íduos, independen emen e das di e enças nos desempenhos escola es ou ou os c i é ios. Nes a ó ica, os alunos eem no des espei o demons ado pelos adul os pa a com os jo ens no espaço escola a p incipal causa dos p oblemas ge ados. Como e e e um aluno: “P incipalmen e eu acho que espei o mú uo de e ha e , an o po pa e dos alunos como dos p o esso es. Alunos, uncioná ios. P o esso es, uncioná ios. Po que há mui os p o esso es que des espei am os uncioná ios. Não só os alunos como ambém os uncioná ios. E acho que é o que al a mui o nas escolas, é isso, o espei o mú uo” (En e is a 26: géne o eminino, Escola Secundá ia Luís de F ei as B anco, Técnico de Ges ão do Sis emas In o má icos). Essa elação assen a na o ma mais ou menos espei osa como a pala a é di igida aos alunos: “Pois, lá es á. No malmen e são os p o esso es que azem pa icipação dos alunos, e mui as ezes os alunos passam pelos maus da i a, quando mui- as ezes, quem começou a al a de espei o não oi o aluno, mas o p o esso , pela o ma como se di igiu.” (En e is a 8: géne o masculino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências Socioeconómicas). O espei o assume a o ma de econhecimen o da au o idade do p o esso mas com o p essupos o de ecip ocidade. A o dem hie á quica e ical no espaço escola pa ece se subs i uída po uma o dem negociada (Resende, 2011). Essa ho izon alidade na elação en e p o esso e aluno anspa ece em José Manuel Resende e Luís Gou eia 102 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 á ias decla ações de alunos en e is ados: “E é assim, eu pessoalmen e não me calo, enho que dize as coisas na ca a, mesmo que seja… Pode se p o esso , pode se o Papa, pode se a minha mãe, pode se o pai, há que ha e espei o […]. Po que eu acho que o p o esso não se de e sob epo sob e o aluno, mas ambém o aluno não de e acha que, p on o, que é um se que em, que é in e io ao p o esso e ambém não é acha que de e obedece a udo, não é?!” (En e is a 26: géne o eminino, Escola Secundá ia Luís de F ei as B anco, Técnico de Ges ão do Sis emas In o má icos). A no ma i idade p e iamen e igen e no que espei a à elação de au o idade en e aluno e p o- esso dá luga a uma elação em no os moldes. Sem con es a a au o idade do p o esso , os alunos o ien am-se pela expec a i a de uma elação peda- gógica de espei o mú uo. Essa pe spe i a, de es o, es ende-se a odos os ep esen an es da i gu a dos adul os no es abelecimen o de ensino (não apenas aos docen es): “Po se em adul os pensam que os alunos au oma icamen e êm que e espei o po eles, sem eles e em espei o pelos alunos. […] Os alunos êm que se espei ados pa a que os possam espei a , ou seja, po que sem o espei o… Eu sou uma pessoa que espei a quem me espei a não espei o quem é mais elho que eu, eu sou capaz de al a ao espei o a uma pessoa de cinquen a anos e e comple amen e espei o po uma pessoa de dez anos” (En e is a 25: géne o eminino, Escola Secundá ia Luís de F ei as B anco, A es Visuais). A mesma denúncia sob o p incípio do espei o pode obse a -se igualmen e nas obse ações p o- duzidas ela i amen e à elação en e os p o esso es e uncioná ios (se es de meno g andeza): “Não. É mais o con á io, eu sin o mais que os p o esso es a am, ob iamen e, alguns, a am os uncioná ios de uma manei a mui o, mui o mal. Do géne o, “Eu que o es e p oje o , já”. E não é “Pode-me da esse p oje o , se az a o ?”, ou “Pode-me aze ?” (En e is a 26: géne o eminino, Escola Secundá ia Luís de F ei as B anco, Técnico de Ges ão do Sis e- mas In o má icos). Po ou o lado, a desigualdade de a amen o ou disc iminação es á ambém na base de denúncias p oduzidas sob a g amá ica do espei o. O espei o só pode se a aliado segundo alo es escola men e neu alizados e ligados ao ca á e insubs i uí el de cada pessoa (Rayou, 2007). É nesse sen ido que as denúncias de alunos são di igidas a compo amen- os disc imina ó ios dos p o esso es com base nas di e enças de desempenho dos alunos: “Mas aquela p o esso a ambém e a idícula. Ha ia um colega meu que es a a sen ado na mesma ca ei a que eu, se hou esse uma pe gun a e ele espondesse, a p o esso a não ou ia. Eu espondia a mesma coisa, exa amen e que ele inha espondido, e ela ou ia a minha espos a” (En e is a 8: géne o eminino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências Socioeconómicas). É ambém sob a ideia de espei o que as ope- ações c í icas dos alunos são di ecionadas pa a si uações de humilhação. Se os alunos i em a in e io idade da sua g andeza numa escola a a és da o ma como são a ados no quo idiano pelos adul os – pa icula men e na i gu a dos p o esso es –, são equen es as denúncias dos alunos di ecionadas a si uações de des espei o po pa e dos docen es pe an e ulne abilidades e idenciadas pelos alunos: “Tinha uma colega minha que e a assim mais cheii- nha e nós ‘ a amos a co e , a é ‘ a amos a aze a a aliação dos doze minu os e ela hou e uma al u a em que ela ‘ a a cansada e pa ou e a p o esso a i ou-se pa a ela e disse «Mexe esse abo». Acho que isso não é de odo ag adá el. […] Mas is o a é pode se p ejudicial e psicologicamen e […] A é pa a o p o esso , não i ca bem.” (En e is a 29: eminino, Escola Secundá ia P o esso José Lucas Pi es, Línguas e Humanidades). A lógica do espei o in e e e igualmen e na ques ão da ges ão da p oximidade, da dis ância con enien e (Rayou, 1998) en e p o esso e aluno. Ao p o esso é econhecida a legi imidade de ação de p oximidade (Thé eno , 2006). Po um lado, es a ho izon alidade de elações numa é ica de de e es e de dádi as mú uos aba ca igualmen e a expec a i a de uma ação de p oximidade, de a endimen o aos p oblemas e necessidades conc e as dos alunos singula es. Como ilus a uma aluna en e is ada: “Se alguém i e um p oblema, es á pe ei amen e à on ade pa a pa ilha com a u ma, pa a pedi em ajuda... Acho que há semp e uma elação. Mesmo com o di e o de u ma, em mais que uma si uação o ‘s ô ajudou-nos em p oblemas que ínhamos em casa, ou p oblemas pessoais. E acho que isso é ó imo, c ia-se uma elação ex e io a p o esso - -aluno” (En e is a 8: géne o eminino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências Socioeconómicas). Po ou o lado, onde há espaço pa a a e e i i- dade, exis e ambém o econhecimen o dos limi es dessa ho izon alidade de elações. Como Rayou (1998) desc e e, um excesso de p oximidade aca - e a, no en ende dos alunos, o desmo onamen o da p óp ia si uação escola . É o caso da desc ição des e aluno en e is ado: “Ou seja, uma elação, amigá el, cla o que a dis ingui algumas coisas... Ele e á semp e a au o idade den o de uma sala de aula, mas acho que isso é o mais impo an e de udo” (En e is a 8: géne o masculino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências Socioeconómicas). Os jo ens econhecem po an o a manu enção da hie a quia en e alunos e p o esso es na cons u- ção da sua elação e com base no espei o mú uo: “[…] po que com essa a i ude inicial acaba po não AS ARTES DE FAZER O COMUM NOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO... 103 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 se omen a logo aquele espei o que é necessá io, po que uma coisa são os alunos e ou a coisa são os p o esso es. É cla o, apesa de e que ha e esse espei o mú uo, é uma coisa… São pa ama es, «di e en es» que êm de se assumidos. E depois o que acon ece é que se um p o esso não assume o seu papel de p o esso , o aluno ambém não ai co esponde ” (En e is a 10: géne o eminino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências e Tecnologias). Da mesma o ma que denunciam modelos de elações longínquas, os alunos econhecem a desigualdade de condição en e jo ens e adul os e ejei am uma elação es i amen e iguali á ia – que conduzi ia a si uações de des espei o de pa e a pa e. Uma p oximidade exage ada po encia a e osão da o dem hie á quica. A ques ão do espei o nos juízos c í icos dos alu- nos e i i ca-se igualmen e em injus iças obse adas no espaço ex e io ao da sala de aula; nos ela os dos alunos, o a endimen o no espaço do ba su ge com pa icula equência: “Mas a maio injus iça no ba é mesmo que os p o esso es chegam e são logo a endidos e nós às ezes es amos ali mon es de empo, po que exis em duas i las sepa adas. […] Isso já é uma g ande al a de espei o” (En e- is a 10: géne o eminino, Escola Secundá ia Ma ia Amália Vaz de Ca alho, Ciências e Tecnologias). Es e ela o do aluno suge e que a ob enção de a o- ecimen o po pa e dos adul os – nes e caso em conc e o, dos p o esso es – a pa i do seu es ado de g andeza den o do es abelecimen o de ensino é pe cecionada como injus a. Em unção de uma igualização en e jo ens e adul os, o anspo e da g andeza do p o esso pa a o espaço o a da sala de aula é pe cecionado como ilegí ima (Resende e Cae ano, 2012). Po ou o lado, segundo ambém o mesmo p incípio do espei o e e ido, é ambém aludido o a amen o di e encial en e p o esso es e alunos do pon o de is a das ci ilidades: “E depois, a manei a, o a endimen o ambém. Aos alunos é: «Que é que u que es?» A um p o esso : «Ah, bom dia! Tudo bem?» Acho que a educação az pa e da escola, az pa e em odo o sí io, an o na biblio eca como no ba . Se es amos a se educados na escola emos que se com oda a gen e educados… Não só com os p o esso es. E depois acho que ambém pa a c ia em um espei o pelos alunos êm que se da ao espei o! […] Po que é que disse bom dia ao p o esso e não me disse a mim?!” (En e is a 19: géne o masculino, Escola Secundá ia Luís de F ei as B anco, Ciências Socioeconómicas). A indignação exp essa e ela a a enção da i gu a do aluno à ques ão do econhecimen o na signi i cação daquilo que ele conside a como impo an e: a es ima de si pela a enção dada pela es ima do ou o, do adul o, a si mesmo, a g andeza pequena. É des a ecip ocidade ei a de coisa meno pa a o p o esso , como explici a es a denúncia, que os laços en e ambos são conside ados impo an es: a dignidade do espei o começa pela mu ualidade aduzida no cump imen o. Es es a os são ma iciais pa a a dig- nidade das elações ecidas de uns pa a os ou os. As denúncias e juízos c í icos p oduzidos pelos alunos aqui desc i os são di ecionados, assim, pa a o que lhes pa ece se em si uações de des espei o po pa e dos adul os. Na sua abo dagem a ques- ões de jus iça, a noção de espei o assume uma impo an e base na cons ução das suas pe spe i as. É a a és dela que são capazes de p a ica uma des-singula ização das si uações sob e as quais a sua análise ecai (Rayou, 2007). De es o, o des espei o e a humilhação pe manecem no cen o das eclamações mo ais con empo âneas. A a i ação da e e ência ao es- pei o é um elemen o pe sis en emen e p esen e e e elado das expec a i as e exigências mo ais e no ma i as nas o mas de in e ação com o ou o. A noção de espei o, no seu sen ido mo al, de e se en endida enquan o cons angimen o de ci ilidade, de ejeição da humilhação do ou o, de negação do seu alo – humilhação en endida enquan o o ma de injus iça. Do pon o de is a polí ico, a lógica do espei o cons i ui em si um elemen o que se inse e nas ques ões da jus iça e cons ução de eixos de no ma i idades comuns (Zaccaï-Reyne s, 2008). Faze o comum na Escola: o espei o e a oca de bens na base da expe iência do econhecimen o do ou o A philia, enquan o laço polí ico au ónomo desen ol ido pelos alunos, é sensí el, po um lado, às e e ências cí icas da igualdade, mas ambém à ques ão da p oximidade en e uns e ou os, ao econhecimen o das di e enças – sob o sen imen o de espei o exp esso pelos alunos. Po sua ez, es e impe a i o do espei o pe mi e in oduzi a ques ão do econhecimen o do ou o. O econhecimen o, ou a lu a pelo econheci- men o (Honne h, 2011), es á associado às lu as pela es ima social, pela mu ualidade enquan o oca de bens. As pe sis en es alusões dos alunos ao p incípio do espei o co espondem à demanda do seu eco- nhecimen o, do econhecimen o da sua g andeza po pa e dos adul os den o do es abelecimen o de ensino. A negação do econhecimen o não ep esen a apenas uma injus iça, na medida em que p ejudica os sujei os na sua libe dade de ação ou lhes in l ige danos; ela e e e-se a um compo amen o lesi o no qual os indi íduos são o endidos na comp een- são posi i a de si mesmos, econhecimen o da sua g andeza pequena, enquan o alunos. A expe iência de des espei o, de negação do econhecimen o de de e minadas ei indicações de iden i i cação de si, pode es imula uma esis ência José Manuel Resende e Luís Gou eia 104 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 97-106 social e um con l i o – uma lu a pelo econhecimen o. No en an o, como expõe Honne h, ais eações à injus iça do des espei o não su gem ine i a elmen e; elas dependem empi icamen e, sob e udo, de como é cons i uído o meio polí ico-cul u al en ol en e dos sujei os a ingidos. A expe iência de des espei o es á necessa iamen e en elaçada num p ocesso de modi i cações his ó icas (idem). As ans o mações na ins i uição escola nas úl imas décadas (acima desc i as sucin amen e) con on am os p o esso es com o p oblema p á ico de cons ução da o dem escola (Resende, 2010; Resende e Cae ano, 2012), is o é, de uma o dem ( e)compos a de aco do com uma dada dis ibuição das g andezas que undam o que há de comum en e os se es que a habi am. Enquan o a massi i cação escola , num con ex o de democ a ização, apela a uma au o idade cuja legi imidade es á cada ez mais sujei a a uma plu alidade de p o as, e sendo a socialização polí ica dos alunos menos ajus ada à o denação das g andezas que an e io men e en o ma o seu espaço, os ecu sos de au o idade eduzem- -se às capacidades a gumen a i as, elacionais e a uan es dos a o es, de uns com os ou os (Dube , 2002). O abalho do p o esso não consis e em aplica as eg as e as no mas de um es a u o, uma ez que es e papel não pe mi e po si só assegu a a o dem escola den o da sala de aula. Ele de e em pa icula ab ica uma elação escola que não lhe p eexis e o almen e (Dube e Ma uccelli, 1998), e a ua em sua con o midade de modo a eduzi , semp e que possí el, os e ei os ne as os da ambi- alência dos seus ges os que apa ecem imb incados nos egimes de en ol imen o das ações ecíp ocas en e es as duas dis in as g andezas. A exigência do espei o po pa e dos alunos suge e expec a i as de ecip ocidade, de negocia- ção e de ho izon alidade na elação cons uída com as i gu as dos adul os – e pa icula men e com os docen es. Ela é uma demanda pelo econhecimen o, pelo en endimen o daquilo que há de comum en e uns e ou os no espaço escola ; um p ocesso com ca a e ís icas semp e l exí eis pa a a coope ação segundo di e en es p incípios de jus iça (Resende e Cae ano, 2012). A adesão dos alunos, sem p ejuízo pa a o p essupos o da au o idade do p o esso , depende do econhecimen o po pa e dos docen es des a necessidade de cons ução de comp omissos. Po ou o lado, como Ricoeu (2007) p econiza, na dádi a do econhecimen o mú uo, as ques ões da au o idade legí ima êm necessa iamen e de se idas em con a. Se o econhecimen o deco e do cump imen o das exigências de espei o mú uo, de es ima social, es a exigência pode se conc e izada num es ado de paz – sem ecu so às al e na i as da lu a e da iolência. A en a o caso das p á icas de oca de dádi as mú uas. Nes as ocas, a g a idão assume um papel cen al pa a o es abelecimen o de uma elação de mu ualidade. Na espos a a uma dádi a, a ecip ocidade não deco e de o ma au omá ica – não exis e necessidade mecânica de ecip oca . É nesse sen ido que a p á ica de ocas de dádi as e de e es mú uos coloca em isibilidade, segundo o au o , dois aspe os undamen ais, in e elacio- nados, do econhecimen o mú uo. Po um lado, oco e uma oca de dádi as e dons, mas não de luga es, nem de g andezas. As pa es en ol idas possuem um ca á e insubs i uí el, sem con l uência en e si. Po ou o, nessa mu ualidade é conse ada uma dis ância adequada, in eg ando o elemen o do espei o nessa elação. É necessá io pois e em con a a assime ia en e o sel e o ou o nas expe iências de econhe- cimen o mú uo (idem), nes e caso en e si p óp io e o ou o que é espelhado po si, e que se obje i a nas o mas de en ol imen o ecíp ocas. As elações e icais de au o idade nas dispu as pelo econhe- cimen o mú uo cons angem as possibilidades de mu ualidade – sem con udo coloca em um en a e à p óp ia possibilidade de econhecimen o mú uo. Po ou o lado, o espei o e a economia do dom cons i uem p ecisamen e uma base pa a ga an ia desse econhecimen o do ou o. Eis aqui uma ou a en ada do olha socioló- gico pa a ques iona , e comp eende , es as ou as a qui e u as de como se az o comum na escola. Um me gulho e nog á i co mais ex ensi o, e desse modo, mais in ensi o, nos espaços que compõem os es abelecimen os de ensino ão-nos se ú eis não só pa a comp eende mos as a es de ece o comum, os seus undamen os, as p o as de o ça (Dodie , 2005) a que são sujei os, mas ambém pa a obse a mos os exe cícios de «in es imen o de o ma» (Thé eno , 1986; Resende, 2010) eali- zados pelos p o esso es no p ocesso de socialização polí ica escola cuja ele ância social eside nas capaci ações de que os alunos dão p o a pa a se mos a em p epa ados pa a con on a em ou os mundos, nomeadamen e, o mundo cí ico. A es a en ada uma ou a se impõe, pois é necessá io um maio ap o undamen o em elação àquilo que azem ao espei o e ao econhecimen o ecíp oco as expe iências que deco em das elações en e géne os e en e dis in as o igens de classe. Na e dade, e endo exclusi amen e po base as in o mações e i adas das en e is as, do ângulo do ques ionamen o deco en e das expe iências escola es o ien adas pelo lado do géne o, essal a que é en e os es udan es do géne o eminino que es á mais p esen e a denúncia de ques ões de humi- lhação e de des espei o pe an e a ulne abilidade da i gu a do aluno. É ambém en e elas que es á mais pa en e a alusão à igualdade pe an e as eg as e a igual- dade de a amen o en e os se es que habi am a PROCESSOS NO TEMPO: UMA REFLEXÃO SOBRE O VALOR QUE A HISTÓRIA ACRESCENTA À SOCIOLOGIA... 111 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 107-116 quem a usou, de que manei a, quem a conse ou, e c., e c.), e o esc u ínio do seu con eúdo à luz dessa con ex ualização. As consequências no plano das écnicas e mé odos de análise pa ecem-me ób ias. Mas são an as ezes esquecidas po sociólogos e economis- as (quando não pelos p óp ios his o iado es) que al ez alha a pena dedica -lhes umas b e es linhas. De en ada, eme e cada on e pa a o conjun o de que aça pa e e em que adqui a ele ância e sen ido. Nunca esquece que a ciência lida com egula idades – e é aí, não o a delas, que o ac o singula ganha singula idade. A análise his ó ica ou sociológica de on es, his ó icas ou con empo â- neas, é a iden i i cação, in e p e ação e a amen o de conjun os – sis emá icos ou não, mas semp e es u u ados – de on es: co po a documen ais; sé ies c onológicas; sé ies es a ís icas; conjun os monumen ais; sí ios (como os a queólogos alam de sí ios, is o é, espaços abalhados onde se insc e em monumen os, habi ações, u ensílios, paisagens, e c.). Depois, en ende o a amen o da on e como um duplo balanço: si uá-la no conjun o que lhe se e “a ualmen e” de con ex o, no quad o de cada in es igação conc e a; mas si uá-la ambém longi udinalmen e, na cadeia de ac os cul u ais e sociais de que é o (p o isó io e al e á el) esul ado p esen e. Finalmen e, incula semp e as ope ações écnicas de a amen o da in o mação cons uída a pa i das on es – o que os manuais chamam a análise dos dados – às ope ações écnicas dessa cons ução – o que se designa con encionalmen e po ecolha dos dados. Pon o undamen al: essas ope ações écnicas en ol em semp e opções e p oduzem semp e esul ados; pois umas e ou os êm de se inculados, não só en e si, em cada ase (“ ecolha” ou “ a amen o”), mas en e as duas ases. Po maio que seja a so i s icação ec- nológica e in elec ual do a amen o, a alidade cien í i ca da in o mação epousa semp e, em úl ima ins ância, sob e a alidade dos p o ocolos eó ico- -me odológicos associados à cons ução das on es de in o mação. Ques ões de modelização A ambição de qualque in es igação é con i- bui pa a a eo ia da ou das disciplinas cien í i cas a que se e e e. A eo ia sociológica, como a eo ia económica, cons i ui o conjun o de conhecimen os em cada momen o e con ex o disponí eis, que dize , aqueles que ão sendo subme idos e ão ul apassando a p o a da demons ação e do deba e o ganizado, in o mam o pa imónio comum (mais ou menos concebido como cânon) e es ão acessí eis pa a os p ocessos de socialização e encul u ação ípicos de uma ciência ins i ucionalizada (nas esco- las, nos cen os de in es igação, nos e enos de aplicação, no espaço público, e c.). Os his o iado es são no malmen e a essos a usa uma exp essão ão ambiciosa, mas, do meu pon o de is a, azem mal: no sen ido aqui usado, a eo ia é o pon o de pa ida e é o pon o de chegada do abalho de cada cien is a e o cimen o ag egado de cada comuni- dade cien í i ca. Em nenhuma ciência, mui o menos em nenhuma ciência social, é a eo ia, assim concebida, uni o me. O plu alismo e o deba e in e no são a o es de en i- quecimen o – desde que não signi i quem incomuni- cação e simples coexis ência, mas sim con o é sia e cons ução cumula i a (c ., po odos, Pi es, 2007). O a, a eo ia comp eende múl iplos ní eis de abs ação e gene alidade. Pa a o que nos impo a ago a, con ém dis ingui pelo menos dois: os sis e- mas de p oposições de ele ado g au de abs ação, independen emen e da o malização (mas endendo pa a ela), que cons i uem o ien ações pa a a pes- quisa e pa a a análise empí ica – a que chama ei modelos; e as explicações e e enciadas a ce os e de e minados p oblemas, en ol endo a conside ação de ce os e de e minados p ocessos sociais – a que chama ei eo ias egionais, pa a que se pe ceba como cono am coisa di e en e daquela e ocada pela pala a “ eo ia”, usada no singula e sem ou o adje i o que não o da sua i liação disciplina . Não ha e ia espaço, nes e ex o, nem se ia pe inen e, na ocasião, es a a disseca o alo ac escen ado po a iadíssimos abalhos his ó i- cos à eo ia sociológica. Re e ei, isso sim, alguns con ibu os disce ní eis no plano dos modelos de análise. E não é po qualque gos o da p o ocação ou exal ação da o iginalidade que iden i i ca ei ais con ibu os em o no do concei o de es u u a. An es po con icção: o his o iado que pense que é na ên ase no acon ecimen o singula e i epe í el que eside a con ibuição p incipal da sua ciência a isca-se, no meu modes o en ende , não apenas a passa ao lado do diálogo mais p o ícuo com a sociologia como a é a equi oca -se sob e a p óp ia his ó ia. Ca a e is icamen e, as achegas do labo his- o iog á i co ao desen ol imen o da eo ia de aiz sociológica sob e as es u u as sociais assumem duas o mas: ino ação, po um lado; co obo ação, po ou o. Pa a mim, a ino ação maio é, sem qualque dú ida, o encaixe dos enómenos sociais (dos ac os, na acepção mais ge al) nas es u u as de média, longa e mui o longa du ação. As lições de Fe nand B audel e da escola cujo eixo oi essa e is a sin- oma icamen e in i ulada: Annales, Économies, socié és, ci ilisa ions. Lições p epa adas, na i a- gem mode na da his o iog a i a, po Ma c Bloch ou Lucien Feb e, acompanhadas, no mundo anglo- -saxónico, po au o es como E ic Hobsbawm ou E.P. Augus o San os Sil a 112 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 107-116 Thompson – e que con e gem, po sua ez, com os es udos sociológicos de um Max Webe ou de um No be Elias. Os espaços ( ísicos e humanizados), as ci ilizações e as cul u as ma e iais, os di e en es ní eis de o ganização e dinamismo da ac i idade económica (desde a economia domés ica e local aos me cados e à mundialização), as ins i uições de econhecimen o, ocupação e adminis ação dos e i ó ios, as g andes linhas de o ganização social, as línguas, as eligiões, as men alidades – udo isso, com es a ou ou a designação, cons i ui um quad o, longamen e amadu ecido e densamen e consolidado, onde se insc e em, onde encaixam os ac os sociais: as p á icas, as es u u as e as zonas de mediação en e umas e ou as que pon uam a exis ência social das pessoas, dos g upos e das o ganizações. O papel da du ação no o denamen o social – na o dem social, em sen ido não no ma- i o – é a lição undamen al que o his o iado pode o e ece a um sociólogo a en o. Mas isso que en ão dize que a espessu a his- ó ica de cada es u u a social es á p esen e e a i a no p esen e dessa es u u a. Que a es u u a que o olha sociológico obse a é ambém a sua p óp ia his ó ia, o p ocesso da sua consolidação, sedimen a- ção, densi i cação, ma u ação; as me á o as a iam, mas odas no undo almejam cono a a o mação da es u u a como al, is o é – e não se a a de joga com as pala as –, a es u u ação. A diac onia es á p esen e na sinc onia, o passado no p esen e, sendo cada coisa o que é ambém po causa do que oi, e do que oi/ ai sendo. Tudo pensado no plu al, e iden- emen e, já sabemos que os empos e as es u u as são múl iplos e os seus c uzamen os ensos. Encaixa os ac os nas es u u as signi i ca encaixá-los nos p ocessos sociais. Como bem explica Vi o ino Magalhães Godinho (2011: 51-57, 154- -155), se p ocessos e es u u as ep esen am ”as noções ope a ó ias mais ge ais”, pa a his o iado es e sociólogos, e se os his o iado es endem a acen ua ins in i amen e a pe spe i a dos p ocessos – is o é, da insc ição dos ac os sociais no de i – ao passo que os sociólogos p ocedem analogamen e quan o às es u u as – is o é, alo izam os pad ões de egula idade, as cons an es, as in a ian es que a a essem di e en es si uações –, a a-se, oda ia, de inclinações que con e gem, e daí a impo ân- cia do diálogo in e disciplina . Os p ocessos es ão mui o longe de se cadeias de acon ecimen os sin- gula es e sucessi os; as es u u as não podem se eduzidas a ealidades es á icas. A es u u a pode se mais bem ape cebida como “a endência que as mudanças desenham, o i ine á io de pe cu so das ans o mações”; “os p ocessos len amen e con i gu am es u u as ou co oem-nas, ondulam em mo imen os de a anços e ecuo, de expansão e con ação, a u am-se em explosões súbi as ou espe adas, epondo-se a si uação an e io ou colo- cando os alice ces de um i e di e en e”. “Que dize – con inua Godinho – que es u u as e p ocessos são in e conexos, não podemos comp eende umas sem os ou os e ecip ocamen e. No in- ex o dos múl iplos espaços- empos” – e epa e-se como o au o o ça a linguagem pa a que não i que nenhum equí oco sob e o papel con o mado do espaço- empo (que não é apenas um con ex o, mas po assim dize o núcleo essencial do p óp io ex o). Encaixe dos ac os nas es u u as e des as na du ação; p esença da diac onia na sinc onia – e, po an o, ope acionalidade da abo dagem genealó- gica, a que p ocede de en e pa a ás no eixo do empo; in e conexão das es u u as e dos p ocessos sociais: eis, pois, o que se de e ca a e iza plena- men e como ino ações concep uais, que a his ó ia pode e de e aze à sociologia. Mas o his o iado einado na dilucidação de es u u as de di e sa con i gu ação – sejam elas os quad os demog á i cos e ma e iais da ida quo idiana, as ins i uições sociais da economia, as men alida- des, os cená ios geoes a égicos de in e ação das g andes po ências, e c. – es á bem habili ado pa a a assunção plena de ce os p incípios da análise sociológica. É caso en ão pa a ala , no que oca ao seu alo ac escen ado, não de ino ação, mas de co obo ação. Duas co obo ações me pa ecem especialmen e ele an es. A p imei a é a con i mação, em sede de in es- igação his ó ica, da obje i idade das es u u as sociais. Como ensinam á ias co en es sociológi- cas, mas sem o consenso uni e sal da disciplina, an es con inuando a mo i a acesas con o é sias, as es u u as não êm ce amen e uma ealidade subs an i a p óp ia: não são a o es como as pessoas o são e, pese embo a as acilidades de exp essão ou libe dades de es ilo, não êm a ibu os pessoais, como sen imen os, emoções e ou as disposições do géne o. Não são, em suma, an opomo i zá eis. Elas exis em em unção da ação conc e a de conc e os se es em elação: são esul ado, condicionamen o e ecu so de al ação. Di o is o, exis em: são ea- lidades obje i as, do adas de p op iedades eme - gen es de si mesmas, são anscenden es a cada a o e a cada ação e às di e síssimas con i gu ações ci cuns anciais de ações e a o es. Um Es ado, uma classe social, uma con i ssão e uma o ganização eligiosa, um egime demog á i co, um co po mili a , uma p o i ssão, um município, um sis ema écnico, um conjun o de eg as sociais, udo isso em uma p esença social p óp ia, obje i a embo a não subs- ancial, uma iné cia e um impac o disce ní el, que az agi os indi íduos, os g upos e as sociedades. Não é a pu a ag egação conjun u al das decisões e compo amen os indi iduais, p e endida po odas as a ian es do a omismo. A segunda con i mação espei a à concep uali- zação da elação en e es u u a e ação. Os sociólogos PROCESSOS NO TEMPO: UMA REFLEXÃO SOBRE O VALOR QUE A HISTÓRIA ACRESCENTA À SOCIOLOGIA... 113 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 107-116 não expe imen am di i culdade em explica que a es u u a ep esen a um condicionamen o ex e io à ação – po exemplo, as limi ações que os me ca- dos de p odu os e se iços colocam à inicia i a de cada emp esá io ou g upo de emp esá ios. Mas já se passa coisa di e en e quando se a a de mos a que a es u u a ge a a ação po que é in e nalizada nela – bas a que nem odos os sociólogos acei am es a p oposição. E, con udo, qualque especialis a ou simples es udan e da his ó ia das men alidades o comp eende bem – po que, p ecisamen e, es á há mui o habi uado (desde pelo menos o es udo undado de Lucien Feb e sob e as condições da desc ença no século XVI, a p opósi o de Rabelais) a e como as manei as de se , pensa e agi cole- i amen e o jadas e di undidas, nas di e en es épocas e espaços, moldam ão decisi amen e os compo amen os indi iduais e g upais. Moldam po assim dize po den o, is o é, enquan o são assu- midos e in e io izados como o sis ema de pe ceção e ap eciação p óp io de cada a o . Du an e bas an e empo, os his o iado es igno a am o concei o de habi us, p opos o po Pie e Bou dieu, pa a da con a des e p ocesso de inco po ação ( ambém em sen ido li e al) da es u u a. Po ém, a mui os sucedia o mesmo que a M. Jou dain, le bou geois gen ilhomme de Moliè e: aze p osa sem epa a … Ques ões de epis emologia A epis emologia é o conhecimen o sob e o conhecimen o cien í i co – uma e l exão o ganizada sob e as condições de p odução e alidação do conhecimen o cien í i co. Nes e plano, a his ó ia pode ajuda bas an e a sociologia a a ança em duas ques ões eco en es: a elação en e o ge al e o singula , do pon o de is a do alcance das eo ias; e a elação en e o desc i i o e o explica i o, do pon o de is a da in eligibilidade dos ac os. Uma das ideias undamen ais de Max Webe é que as ciências sociais são ciências cul u ais e his ó icas. Cul u ais, po que a in e p e ação de udo o que en ol e a ação dos homens e das mulhe es eque uma mediação a a és do sen ido que os homens e as mulhe es a ibuem ao que azem. His ó icas, po que es a mesma ca a e ís ica dis in- i a do compo amen o humano ace a ou os ipos de compo amen o con e e uma na u eza indi e a, mediada, a odo o conhecimen o que o conside a – e um con o no singula , e e ido a uma cons elação em conc e o, como al única, à eo ia que p ocu a explicá-lo (pa a maio desen ol imen o, c . Sil a, 1988). Es a ideia pa ece-me p o undamen e a ual. Mas ela de e con ibui pa a supe a alsas oposições. Em p imei o luga , o alcance egional ou local (uso me a o icamen e es as ma cações geog á i cas) das explicações his ó ico-sociológicas em nada impede ou pe u ba o não menos indispensá el abalho de modelização. P ecisamos é de comp e- ende que o modelo de análise não é o i m úl imo, mas um ins umen o da in es igação. Sob pena de o desca na mos a é ao pon o de i ca azio, o modelo de e se pe manen emen e sujei o à p o a da con on ação com con i gu ações de a iá eis conc e as, po aí singula es, no duplo sen ido de especí i cas e i epe í eis. A bem dize , a explicação p op iamen e di a incula-se à singula idade: à singula idade do p oblema ou p oblemas que omou po linha condu o a, à singula idade do obje o que a p opósi o dele ou deles de i niu, à singula idade do plano de obse ação (em sen ido amplo, da pesquisa empí ica) que a p opósi o dele delineou e do modo de abo dagem que assim p a icou. A consciência escla ecida des a na u eza, que o abalho do his o iado an o a o ece, é um bom an ído o con a os excessos de o malismo, isco semp e p esen e em ciências como a sociologia e a economia. Po que é ambém a consciência de uma e dade lógica elemen a , an as ezes esquecida: a máxima abs ação (a máxima abs ação, que abs- ai é in ínseco ao es o ço in elec ual) maximiza a gene alidade mas minimiza a densidade. A solução não es á, pois, em escolhe um ou ou o umo, mas sim em combina os dois – num mo imen o de ai ém en e o modelo e, di ia Robe Me on, a eo ia de médio alcance, en e as leis ge ais e as explicações con ingen es (no sen ido de inculadas a ci cuns âncias especí i cas), en e o conhecimen o global e o “conhecimen o local”. A exp essão en e aspas pe ence não a um his o iado , mas a um an opólogo, bem cien e da con l uência das manei as de pensa nas ciências humanas. Falo de Cli o d Gee z, que é, do meu limi ado ângulo de isão, quem melho acen ua a impo ância daquele mo imen o, sem nunca pe de de is a que se a a de um mo imen o in e no à eo ia, is o é, a um dado ní el de abs ação e gene alidade. Esse é o pon o: usando e es ando modelos em explicações indexadas a singula idades, e p ocu ando in e i des as explicações p oposições que possam obus ece e desen ol e modelos de maio gene alidade, es amos semp e a aze ciência, o que que dize , es amos a gene aliza . Cump indo, diz exp essi amen e Gee z (1983: 176), “a a e a do a í i ce, de e p incípios ge ais em ac os pa oquiais”. Es amos a “gene aliza não “a a és dos casos, mas [a] gene aliza den o deles” (Gee z, 1978: 36), es amos a “gene aliza em p o undidade” (Sil a, 1994: 71-74). Ambas as ó mulas ão ao limi e da coe ência lógica, pa a sublinha que, his o iado ou sociólogo, o cien is a lida com os p oblemas que ele p óp io de i niu po e e ência à p oblemá ica de que pa iu; e os p oblemas eme em pa a modalidades de elação en e ac os cuja elucidação implica des- Augus o San os Sil a 114 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 107-116 ce ao especí i co de cada con i gu ação dos ac os e dos seus con ex os. Não pa a igno a as ipologias ge ais que o ganizam aquelas modalidades, pelo con á io, pa a as aplica . Não pa a i ca aí, na i edu í el conc e ude de cada empi ia, mas pa a ilumina além dela, co obo ando ou econs uindo as ipologias – de o ma que as ipologias ago a abalhadas possam se i , po sua ez, de hipó e- ses de análise e in e p e ação na conside ação de ou as conc e as empi ias (e assim sucessi amen e). Reba a-se, pois, sem hesi ação, essa imagem eco en e do his o iado como aquele que puxa a explicação da gene alidade pa a a especi i cidade singula e con ingen e. Pelo con á io: não só a gene alidade es á semp e p esen e, po maio que seja a excecionalidade do caso conside ado (mesmo, po exemplo, na ob a do génio a ís ico); como, pelas azões que já abundan emen e imos, a his ó ia, na medida em que encaixa os ac os no empo, na medida em que a a os ac os como p ocessos e na medida em que es imula as abo dagens genealógicas (buscando o passado do caso con empo âneo, is o é, a sua o mação e desen ol imen o) e compa a i as (con as ando sis ema icamen e di e en es casos, de di e en es con ex os, elacioná eis em di e en- es dimensões), a his ó ia cons i ui um pode oso ecu so pa a os es o ços cien í i cos de in e p e ação po gene alização. Coisa análoga se diga do elacionamen o en e os di e sos ní eis de in eleção dos ac os. É habi ual con apo -se, mesmo na mais so i s icada ciência social, o que é explica i o e o que é desc i i o. Expli- ca se ia da con a de ce os ac os iden i i cando as causas de que p ocedem, as i nalidades que (sendo compo amen os indi iduais) p osseguem, ou as egula idades em que se insc e em. Desc e e se ia só econs i ui esses ac os numa linguagem p óp ia (dos audi ó ios a que são epo ados), sis ema izando-os e o nando comp eensí eis os seus con eúdos – enunciando, pois, a explicá-los. O a bem: a his ó ia “in insecamen e socio- lógica” e idencia duas coisas mui o impo an es. Uma é que, es ando em causa encadeamen os de si uações ou e en os no empo, a na a i a é indispensá el à sua plena in eleção. Há ce amen e, já o imos, á ias o mas de encadeamen o, não edu í eis apenas à sucessão linea – mas não se á p eciso in oca a li e a u a pa a eco da que há ambém á ias o mas de na a i a, não es amos limi ados à o denação linea . Nas ciências sociais, que odas lidam mais ou menos di e amen e com o empo, desc e e é ambém na a . Is o é, e em con a o elemen o dinâmico das ealidades sociais. Depois, desc ição e na ação são ambas imp escindí eis à explicação – e, designadamen e, à e são mais o e da explicação, a explicação causal. Quem quise i ca -se po p oposições de na u eza eleológica ou pela subsunção do caso na egula idade a que pe ença pode al ez dispensa (é uma concessão que aço, po azões de b e idade na a gumen ação) a ca a e ização subs an i a dos ac os sociais que conside a. Mas, como esc e eu Boa en u a de Sousa San os (1988), ”«o quê» do acon ece só é susce í el de explicação enquan o «como» do acon ece ”. É ambém is o que pedimos ao sabe especializado: que nos dê a conhece di e sas ealidades, na p óp ia iqueza e complexidade de cada uma, pa a que assim possamos comp eendê- -las melho (e, po aí, comp eende melho que a p óp ia ealidade em que i emos, que aquela que p oje amos). A his ó ia es á mui o longe de se apenas, ou sob e udo, na a i a. A explicação densi i ca e escla ece a desc ição e a na ação. Mas, pelo menos nas ciências sociais e humanas, a explica- ção comp eende, in eg a a desc ição e a na ação – exac amen e po que p ocu a o na in eligí el a ação humana, de e in e p e a e es i ui os seus con eúdos signi i can es e de e si uá-la nesse de i que, a i nal de con as, esul a do agi . Ques ões de comunicação A his ó ia pode con ibui pa a a eo ia e a in es igação sociológica, em múl iplos planos e de á ias manei as. Aliás, i ualmen e em odos os planos ele an es pa a a p odução cien í i ca – a cons ução disciplina da p oblemá ica e do obje o de es udo, o desenho me odológico, a elabo ação eó ica; e incluindo a e en e, não menos impo - an e, da e l exão epis emológica do cien is a sob e as condições e os esul ados do seu labo . Es es con ibu os deco em, em encadeamen o lógico, de um pon o de pa ida – uma pe spe i a, um oco que ilumina de ce a manei a as ealidades sociais. É a a enção ao empo, a conside ação do empo como a iá el-cha e (independen e e depen- den e) da con o mação dessas ealidades. O que que dize colocá-las, si uá-las a elas na du ação – nas es u u as e nos p ocessos, ou melho é dize , como Magalhães Godinho, na “in e conexão de es u u as e p ocessos” que se alongam no empo. Fazendo-o, logo essal am ce as o ien ações básicas pa a a pesquisa social: o encaixe dos ac os (e en os ou o inas, a i udes ou compo amen os, a ibu os pes- soais ou pad ões g upais, e c.) no espaço- empo, no quad o espácio- empo al que lhes se e de con ex o (e “in- ex o”) es u u al; a dilucidação da ensão, do jogo en e ep odução e mudança, con inuidade e ans o mação; a ele ação da espessu a e da densidade his ó ica das es u u as da nossa con- empo aneidade; a assunção da na u eza si uada, sociocul u al, dos p odu os da ação e da c iação humana que usamos ago a como es ígios, aços, es emunhos, ca as de ma ea do nosso olha , e a amos como on es; a indexação undamen al de PROCESSOS NO TEMPO: UMA REFLEXÃO SOBRE O VALOR QUE A HISTÓRIA ACRESCENTA À SOCIOLOGIA... 115 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 107-116 cada explicação ao conjun o de ac os que isola e sonda, em si mesmo singula . A his ó ia só é capaz de o e ece (ou co obo a ) es es con ibu os sob duas condições. A p imei a é en ende o empo, a du a- ção, não como um dado, mas como um p oble- ma. Não como uma da ação na c onologia, não como uma diac onia que o ganiza ia a na ação e a explicação causal po sequenciação linea de acon ecimen os, mas como um quad o social: uma ma é ia plás ica que as sociedades moldam, um eixe de múl iplos i mos e pulsações, á ias escalas, á ias pau as condu o as da ação de cada a o . Tempos, no plu al – encon os e desencon os de empos. E a segunda condição é en ende -se a his ó ia a si p óp ia como uma ciência social plena, plena- men e in eg ada no uni e so das ciências sociais e pa icula men e p óxima da sociologia, quando e ém sociedades complexas (e da an opologia, quando e ém sociedades elemen a es ou nichos especí i cos das sociedades complexas). Os con ibu os apenas azem sen ido, po an o, numa elação dialogal. Uma disciplina ac escen a alo à ou a de que ecebe ambém alo . P imado da con aminação sob e a es anquidade, p imado da a essia sob e a on ei a. Não se a a, bem en en- dido, de asu a as di e enças, apaga as ma cas e os limi es, dilui as disciplinas – a úl ima pessoa a pode emba ca nessa a en u a sem e o no se ia, aliás, o his o iado , po que ele de e aplica às p ó- p ias ciências o que sabe sob e a impo ância dos p ocessos e olu i os pa a a con i gu ação a ual das coisas. E, se é a ciência social a coisa a conside a , en ão é mis e comp eende que cada uma é hoje, ambém, o que a adição eó ica, a ins i ucionaliza- ção académica, o ensino especializado, o pe cu so no campo cien í i co, lhe de e mina am. Sendo a endência dominan e, ainda, a com- pa imen ação, con inuemos a coloca a ên ase na comunicação. Seguindo a b a a exo ação que nos deixou o p o esso Magalhães Godinho - “galguem odas as on ei as”: “Po que a g ande p eocupação em sido o ula , dema ca cada qual o seu ja dim. O a o que no undo impo a são os p oblemas, os ó ulos a apalham mais do que escla ecem. Há, sim, que aça com ni idez a linha di i- só ia en e ciência e ideologia, en e eo ia e dou ina. A o a essa dema cação, os g andes p og essos êm-se ealizado g aças a con e - gências en e ciências inicialmen e di e en es ou a é opos as, po se coloca em em pon os de is a dis in os. […] Mas se um conselho se pode da aos in es igado es e pensado es que, seguindo Mon aigne, p e endem «saisi l’humaine condi ion» – ap eende a condição humana – é que esqueçam odos os ó ulos e galguem odas as on ei as” (Godinho, 2011: 26). Ciência e ideologia, eo ia e dou ina são ins- âncias di e sas de sabe e p onunciamen o sob e o mundo. As in l uências ecíp ocas não de ogam a au onomia ela i a. Mas a ciência ambém é um discu so público. O discu so cien í i co, que se di ige em p imei o luga ao in e io da comunidade aca- démica, di ige-se e de e di igi -se, de o ma de i- ada, adap ada às ca ac e ís icas e in e esses dos di e en es audi ó ios, ao público – às ins i uições, aos g upos sociais. Po maio ia de azão no caso das ciências sociais e humanas, necessa iamen e p esen es, quei am ou não os seus cul o es mais igo is as, no espaço público – e que, po an o, de em e l e i sob e essa p esença e es u u á-la com cuidado e empe ança. O a, ambém aqui, nes e abalho de conso- lidação da comunicação pública, en endo que a sociologia pode i a p o ei o de um diálogo es ei o com a his ó ia. Em p imei o luga , pode colhe um p incípio a que chama ei de au onomia do eal. Lemb a-se o lei o ou lei o a do céleb e di o de Hamle a Ho ácio: “Há mais coisas no céu e na e a do que sonha a ua i loso i a”? Pois aplique-o ambém à ciência social. O “ eal” é semp e mui o mais complexo, mui o mais mul i ace ado, mui o mais dinâmico do que pode ap eende o conhecimen o, po mais a mas que p o idencie o seu a senal eó ico e écnico. A abs- ação indispensá el ao abalho cien í i co signi i ca semp e seleção, is o é, escolha, pa ição, iluminação dis o e apagamen o daquilo (daí os “ ipos ideais” de Max Webe ). E a consciência de al limi e implica a assunção da necessidade de emp eende cons an- emen e no as abo dagens, no as ap oximações ao eal que buscamos conhece . Em segundo luga , uma a i ude de humildade in elec ual. Incomple ude e ela i idade dos sabe es – não apenas (p imei o p incípio) po que a ealidade es á semp e pa a além do que em cada momen o sabemos dela, mas ambém (es a a i ude) po que o sabe é semp e en a i o, a sua ma iz é a conje u a. Po mais sólida que pa eça, uma eo ia ep esen a semp e, no seu melho , nada mais do que um co po de hipó eses pa a o ien a indagações u u as e pa a se esc u inado em indagações u u as. E, i nalmen e, uma disposição pa a en en- de e alo iza a cul u a humanis a. Isso que az que con inue a e sen ido, a meu e , ala de ciências sociais como ciências humanas: ciências sociais e humanas. Humanismo, o humanismo en iquecido pela cul u a e a p á ica cien í i ca, que dize con icção em duas possibilidades: a possibilidade de escla ece ques ões a a és do conhecimen o das múl iplas e di e sas c iações Augus o San os Sil a 116 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 107-116 humanas no espaço e no empo; e a possibilidade de assim con ibui pa a um deba e público, c í ico, o ganizado e cons u i o. Já ninguém pode á hoje eclama o papel de um Mon aigne, capaz de aba ca , numa isão de la go espec o, o amplíssimo ho izon e dos p oblemas que de i nem uma condição humana. Eu, pelo menos, emo p o undamen e os a au os eco en es de um ensaísmo p on o pa a odas as es ações, ei o de imp essões, a ojos e i gu as de es ilo que dis a çam mal o mais p ecá io e ince o senso comum. Mas, esquecendo ó ulos e galgando on ei as, não po pulsão de moda mas na senda de p oblemas, pode emos aspi a a uma o ina de abalho conjun o das ciências sociais e da cul u a humanís ica, capaz de se ele, esse abalho conjun o, o nosso Mon aigne de ago a – um olha de g ande en e gadu a sob e os homens e as mulhe es, esses que somos, sendo ao mesmo empo nós-sujei o e nós-obje o do conhecimen o que en amos cons ui . Re e ências bibliog á i cas GEERTZ, C. ([1973] 1978), A In e p e ação das Cul u as, Rio de Janei o, Zaha . GEERTZ, C. (1983), Local Knowledge, No a Io que, Basic Books. GODINHO, V. M. (1981), As Ciências Humanas: Ensino Supe io e In es igação Cien í i ca em Po ugal, Lisboa, Sociedade Po uguesa de Ciências Sociais e Humanas. GODINHO, V. M. (2011), P oblema iza a Sociedade, Lisboa, Que zal. PIRES, R. P. (2007), “Á o es concep uais: uma econs- ução mul idimensional dos concei os de acção e de es u u a”, Sociologia, P oblemas e P á icas, 53: 11-50. SANTOS, B. S. 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De em e no máximo 40 000 ca a e es (incluindo espaços, esumos, no as de odapé, bibliog a i a, quad os, g á i cos e i gu as, o que pe az ce ca de 18 páginas) e podem in eg a -se nos dossiês emá icos ou se publicados na secção “Ou os Tex os”. Os a igos p opos os pa a publicação são subme idos a pa ece de especialis as das á eas espe i as em egime de anonima o. A decisão i nal da publicação é da esponsabilidade do Conselho de Redação. Cada ex o de e inicia -se com um esumo, em po uguês e inglês, com um máximo de 1000 ca a e es (10 linhas), seguidos de 3 ou 4 pala as-cha e nesses mesmos idiomas. Também se publicam en e is as a especialis- as sob e emas ele an es no âmbi o das Ciências Sociais, bem como ecensões c í icas cujas emá icas sejam pe inen es no âmbi o das Ciências Sociais. Se ão ambém acei es documen os, no as analí icas e conclusi as esul an es de abalhos de in es iga- ção, e ou os documen os conside ados ele an es que não se enquad am no o ma o p e is o pa a os a igos. Tais documen os (p oje os, ma e iais sociog á i cos, documen os, ecensões) de e ão obse a os seguin es limi es de páginas: no caso de en e is as, uma a duas páginas; pa a ou os documen os, a é cinco páginas. Os ex os de em se ap esen ados em páginas A4, a espaço e meio (no ma ambém álida pa a a bibliog a i a), em ipo de le a “Times New Roman”, amanho 12 com as ma gens supe io , in e io , esque da e di ei a a 2 cm. Os quad os, g á i cos e i gu as de e ão se nume ados de o ma con ínua, em nume ação á abe, pa a cada um dos elemen os espe i os (Quad o 1; G á i co 1; Figu a 1). Ado amos a no ma de ci ação anglo-saxóni- ca: au o , ano de edição, página. Ex.: (Elias, 1983: 5). Quando as ansc ições ul apassa em as 5 li- nhas de ex o, de em i des acadas do co po do ex o em le a amanho 11 e ma gens la e- No mas pa a ap esen ação de o iginais ais de 1 cm. Pa a as ansc ições de meno dimensão, de e ão se u ilizadas as aspas duplas (“…”); pa a ci ações secundá ias (den o da p óp ia ansc ição), de e ão u iliza -se as aspas ancesas («…»); o i álico de e á se u ilizado apenas no caso de se a a de uma ci ação des acada em língua es angei a. As e e ências bibliog á i cas são ap esen adas de o ma al abe icamen e o denada po úl imo nome do p imei o au o no i nal do a igo. De e ão obedece às seguin es eg as: o úl imo nome do p imei o au o , p imei os nomes do p imei o au o ; no caso de ha e mais do que um au o , os seus nomes apa ecem pela o dem no mal, seguido do ano de edição (e o ano de edição o iginal caso se conheça), o í ulo da ob a, a localidade, edi o a; os í ulos de li os e e is as apa ecem em i álico e os í ulos dos ex os ou a igos en e aspas. No caso de os au o es se em múl iplos, pode iden i i ca -se o p imei o au o , ou os dois p imei os, seguido de “e al.”. Caso se conheçam, de em se assinalados os au o es quando o ganizado es da ob a ou quando esponsá eis pela sua edição. Essa in o mação de e se colocada en e pa ên esis, logo após os nomes a que dizem espei o: (o g.) ou (o gs.), (ed.) ou (eds.). Exemplos: BOLTANSKI, L. e L. Thé eno (1991), De la jus i i ca ion. Les économies de la g andeu , Pa is, Édi ions Gallima d. COWAN, P. A. e M. He he ing on (o gs.) (1991), Family T ansi ions, No a Jé sia, E lbaum. DODIER, N. (1989), “Le a ail d’accommoda ion des inspec eu s du a ail en ma iè e de sécu i é”, in L. Bol anski e L. Thé eno (eds.), Jus esse e jus ice dans le a ail, Pa is, CEE – PUF, pp. 91-114. DURKHEIM, E. ([1897] 1960), Le Suicide, Pa is, PUF. KRIEGER, N.; D. Rowley, e al. (1993), “Racism, Sexism, and Social Class: Implica ions o S udies o Heal h, Disease and Well Being”, Ame ican Jou nal o P e en i e Medicine, 9 (3), pp. 82-122. REVEL, J. (1986), “Les usages de la ci ili é”, in P. A iès e G. Duby, His oi e de la ie p i ée, ol. 3, Pa is, Seuil. NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE ORIGINAIS 118 FORUM Sociológico N.º 23 (II Sé ie, 2013) pp. 117-118 PROCESSO DE ARBITRAGEM CIENTÍFICA  A qualidade cien í i ca dos a igos publicados na e is a Fo um Sociológico é assegu ada po um p ocesso de a bi agem anónimo.  Os a igos p opos os são subme idos a uma p imei a análise po pa e do Conselho de Redação.  Os a igos que se in eg em no âmbi o dis- ciplina da e is a são pos e io men e sub- me idos a pa ece de especialis as das á eas espe i as ( e e ees), num mínimo de 2, em egime de anonima o.  Os e e ees se ão escolhidos de en e os memb os do Conselho Edi o ial, eco endo-se ambém a ou os epu ados especialis as no domínio das p opos as de publicação.  A decisão i nal de publicação é da esponsa- bilidade do Conselho de Redação, com base nos pa ece es emi idos pelos e e ees.  Os pa ece es dos e e ees são en iados aos au o es de o ma anónima, acompanhados de uma ca a do Di e o suge indo a ealização das al e ações ou co eções p opos as nos e e idos pa ece es.  No caso de se em suge idas aos au o es al e ações ou co eções, o Conselho de Redação zela á pela e e i a in odução das mesmas.  Os a igos a in eg a os Dossiês Temá icos se ão publicados segundo os c i é ios acima enunciados. Em complemen o, pode ão os o ganizado es do Dossiê aze con i es de publicação a especialis as no domínio em causa, os quais i cam sujei os à ap o ação do Conselho de Redação.  A lis a de e e ees se á publicada pe iodica- men e na p óp ia e is a, sem no en an o se iden i i ca em os a igos analisados po cada um. ASSINATURAS Todos os núme os da Re is a Fo um Sociológico podem se adqui idos p esencialmen e ou encomendados. Mo ada: Re is a Fo um Sociológico CesNo a – Cen o de Es udos de Sociologia da Uni e sidade No a de Lisboa Edi ício I&D, A enida de Be na, 26 – 1069-061 Lisboa E-mail: [email p o ec ed] Tele one: 00351 21 790 83 00 (ex . 1488) P eço po exempla : €10,50 (c/IVA) ASS INAT U RA S Todo s o s n ú me o s da Re is a F o um Socioló g ico p odem se ad q ui idos p esencialmen e ou enc ome nda dos . Mo ada: R e is a F o um Socioló g ico CesNo a – Cen o de Es udos de Sociolo g ia da Uni e sidade No a de Lisboa E di ício I&D, A enida de Be na, 26 – 1069-061 Lisboa E -mail: [email p o ec ed]. p Tele o ne: 0 0351 21 790 83 00 (e x . 14 88) P e ç o po exempla : €10,50 ( c/I VA) Re is a Fo um Sociológico CesNo a – Cen o de Es udos de Sociologia da Uni e sidade No a de Lisboa Edi ício I&D, A enida de Be na, 26 1069-061 Lisboa E-mail: [email p o ec ed] Si e: h p:// o umsociologico. csh.unl.p [Document text truncated for crawler view.]