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Custos indirectos associados à obesidade em Portugal

Pereira, João,Mateus, Céu

Abstract

RESUMO - A obesidade constitui um importante problema de saúde pública com consequências económicas de grande dimensão. Os obesos têm um risco acrescido de contrair doenças e de sofrer morte prematura devido a problemas como a diabetes, hipertensão arterial, AVC, insuficiência cardíaca e algumas neoplasias malignas. O presente estudo tem como objectivo estimar o custo económico indirecto (valor da produção perdida) associado à obesidade em Portugal no ano de 2002. O estudo adopta uma abordagem tipo custos da doença baseada na prevalência. Os dados são retirados do Inquérito Nacional de Saúde e estatísticas de rotina publicadas pelo INE e por outros organismos oficiais. Consideram-se como obesas pessoas com índice de massa corporal (IMC) ≥ 30 kg/m2 e estabelecem-se como limites etários para participação em actividades económicas produtivas as idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. A estratégia de imputação de custos ao factor de risco obesidade caracteriza- se por estimar, para a população portuguesa, as proporções de doença e morte prematura atribuíveis à obesidade e em multiplicar as estimativas populacionais encontradas pelo valor da produtividade económica potencial das pessoas afectadas. O custo indirecto total da obesidade em Portugal no ano de 2002 foi estimado em 199,8 milhões de euros. A mortalidade contribuiu com 58,4% deste valor (117 milhões de euros) e a morbilidade com 41,6% (83 milhões de euros). Os custos da morbilidade advêm de mais de 1,6 milhões de dias de incapacidade anuais, principalmente por faltas ao trabalho associadas a doenças do sistema circulatório e diabetes tipo II. Os custos da mortalidade são o resultado de 18 733 potenciais anos de vida activa perdidos, numa razão de 3 mortes masculinas por cada morte feminina. Os resultados indicam que a obesidade acarreta consideráveis perdas económicas para o país. Comparando os resultados com um estudo complementar que calculou os custos directos (em cuidados de saúde) da obesidade, verifica-se que a componente indirecta representa 40,2% do total dos custos da obesidade. A implementação de estratégias que prevenissem ou reduzissem a incidência e prevalência de obesidade em Portugal poderia gerar ganhos de produtividade elevados. Para conhecer a dimensão destes ganhos é necessária mais investigação sobre os benefícios clínicos e relação custo-efectividade de estratégias para a redução da obesidade.

Full text

65 VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003 Cus os da doença João Pe ei a é dou o em Economia pela Uni e sidade de Yo k e p o esso associado de Economia da Saúde e A aliação Económica em Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade No a de Lisboa. Céu Ma eus é mes e em Polí ica Social Eu opeia pelo ISEG/UTL e assis en e con idada de Economia da Saúde e A aliação Econó- mica em Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e si- dade No a de Lisboa. Cus os indi ec os associados à obesidade em Po ugal JOÃO PEREIRA CÉU MATEUS A obesidade cons i ui um impo an e p oblema de saúde pública com consequências económicas de g ande dimen- são. Os obesos êm um isco ac escido de con ai doenças e de so e mo e p ema u a de ido a p oblemas como a diabe es, hipe ensão a e ial, AVC, insu iciência ca díaca e algumas neoplasias malignas. O p esen e es udo em como objec i o es ima o cus o económico indi ec o ( alo da p odução pe dida) associado à obesidade em Po ugal no ano de 2002. O es udo adop a uma abo dagem ipo cus os da doença baseada na p e alência. Os dados são e i ados do Inqué- i o Nacional de Saúde e es a ís icas de o ina publicadas pelo INE e po ou os o ganismos o iciais. Conside am-se como obesas pessoas com índice de massa co po al (IMC) ≥≥ ≥≥ ≥30 kg/m2 e es abelecem-se como limi es e á ios pa a pa icipação em ac i idades económicas p odu i as as idades comp eendidas en e os 15 e os 64 anos. A es a égia de impu ação de cus os ao ac o de isco obesidade ca ac- e iza-se po es ima , pa a a população po uguesa, as p o- po ções de doença e mo e p ema u a a ibuí eis à obe- sidade e em mul iplica as es ima i as populacionais encon adas pelo alo da p odu i idade económica po en- cial das pessoas a ec adas. O cus o indi ec o o al da obesidade em Po ugal no ano de 2002 oi es imado em 199,8 milhões de eu os. A mo ali- dade con ibuiu com 58,4% des e alo (117 milhões de eu os) e a mo bilidade com 41,6% (83 milhões de eu os). Os cus os da mo bilidade ad êm de mais de 1,6 milhões de dias de incapacidade anuais, p incipalmen e po al as ao abalho associadas a doenças do sis ema ci cula ó io e diabe es ipo II. Os cus os da mo alidade são o esul ado de 18 733 po enciais anos de ida ac i a pe didos, numa azão de 3 mo es masculinas po cada mo e eminina. Os esul ados indicam que a obesidade aca e a conside á- eis pe das económicas pa a o país. Compa ando os esul- ados com um es udo complemen a que calculou os cus os di ec os (em cuidados de saúde) da obesidade, e i ica-se que a componen e indi ec a ep esen a 40,2% do o al dos cus os da obesidade. A implemen ação de es a égias que p e enissem ou eduzissem a incidência e p e alência de obesidade em Po ugal pode ia ge a ganhos de p odu i i- dade ele ados. Pa a conhece a dimensão des es ganhos é necessá ia mais in es igação sob e os bene ícios clínicos e elação cus o-e ec i idade de es a égias pa a a edução da obesidade. 1. In odução A obesidade é, hoje em dia, uma impo an e causa de doença e de mo e. As pessoas obesas êm um isco ac escido de con ai di e sas doenças, como a diabe- es de ipo 2, insu iciência ca díaca, aciden es as- 66 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Cus os da doença cula es ce eb ais, os eoa i e, canc o do endomé io e canc o da mama. O excesso de peso ambém ag a a algumas doenças c ónicas, como a asma, hipe ensão e dislipidemia (Pi-Sunye , 1993; U. S. Depa men o Heal h and Human Se ices. NIH, 1998). Exis e ainda e idência de que a obesidade es á associada à mo alidade p ema u a po di e sas causas, como, po exemplo, a doença co oná ia, doenças cé eb o- - ascula es e ce os ipos de canc o (Manson e al., 1995; Seidell e al., 1996; Solomon e Manson, 1997; Calle e al., 1999). Em Po ugal exis em ce ca de 900 000 adul os obe- sos [índice de massa co po al (IMC) = 30 kg/m2], enquan o o núme o de pessoas com excesso de peso ou obesas (IMC = 25 kg/m2) ascende a quase me ade da população (Pe ei a e al., 2000). Com base na expe iência de subg upos da população nacional (Jácome-Cas o e al., 1998) e das populações de ou os países a luen es (Mokdad e al., 1999), é bas- an e p o á el que ao longo dos p óximos anos o p oblema enha a ag a a -se, com consequências assinalá eis pa a os se iços de saúde e pa a a socie- dade po uguesa em ge al. Nes e con ex o, o na-se impo an e a alia com igo o po encial impac o de es a égias de p e enção e a amen o da obesidade em Po ugal. Ha endo cada ez mais p essões sob e os ecu sos do sis ema de saúde, e sendo as pa ologias associadas e condiciona- das pela obesidade p oblemas de g ande dimensão, a a aliação de e á con empla an o os bene ícios clíni- cos das in e enções como a sua elação cus o-e ec- i idade. Um p imei o passo pa a es a análise se á o de iden i ica as consequências económicas — ou cus os — do p oblema. Do pon o de is a da sociedade, as doenças dão luga a dois p incipais ipos de cus o económico: os cus os di ec os e os cus os indi ec os. Os cus os di ec os ( e e idos po alguns au o es como cus os em cuida- dos de saúde) ep esen am as despesas do sis ema de saúde e dos pacien es e seus amilia es com o a a- men o, p e enção e diagnós ico de de e minadas doenças ou p oblemas de saúde. Os cus os di ec os da obesidade o am já calculados po di e sos in es- igado es num núme o es i o de países (Hughes e McGui e, 1997; Ko e al., 1998). Pa a Po ugal, Pe ei a e al. (1999) es ima am em mais de 46 milhões de con os (230 milhões de eu os) os cus os di ec os da obesidade pa a o ano de 1996, um alo que co espondia a 3,5% das despesas o ais do sec- o da saúde. A maio a ia da despesa com o a a- men o da obesidade e co-mo bilidades des ina-se a medicamen os pa a a a doenças do apa elho ci - cula ó io. Os chamados cus os indi ec os ep esen am o alo da p odução pe dida de ido à doença e à mo e p e- ma u a. A doença eduz a p odu i idade económica da população, enquan o a mo e eduz o núme o de pessoas com capacidade p odu i a. Po exemplo, se um ope á io obeso de 45 anos, sem os demais ac o- es de isco, so e um en a e agudo de miocá dio, o empo que ele al a ao abalho em consequência da doença implica á a sua subs i uição po ou o aba- lhado . Se o ope á io ie a mo e pouco empo depois, a sociedade pe de á mui os anos da sua p o- dução económica. Ul imamen e, á ios au o es êm-se e e ido aos cus os indi ec os como cus os de p odu i idade essencialmen e pa a e i a a con usão ge ada pela de inição di e en e que é dada ao e mo em ges ão e con abilidade (D ummond e al., 1997). Po azões de adição, p e e imos usa nes e abalho a denomi- nação mais co en e em economia. Mui o embo a a componen e indi ec a dos cus os seja de capi al impo ância pa a a e i o po encial bene í- cio de es a égias de p e enção, p a icamen e não exis em es ima i as do seu alo ela i amen e ao p oblema da obesidade. Dos poucos es udos sob e cus os da obesidade disponí eis na li e a u a in e na- cional, nenhum analisa de o ma adequada a ques ão dos cus os indi ec os. O p esen e es udo em como objec i o calcula os cus os económicos indi ec os associados ao p o- blema da obesidade em Po ugal. O abalho eco e ao mé odo de cus os da doença e u iliza como p in- cipais on es de dados o Inqué i o Nacional de Saúde de 1995-1996 e a in o mação demog á ica e de saúde ecolhida pelo Ins i u o Nacional de Es a ís ica. Os cálculos de cus os epo am-se ao ano de 2002. 2. Cus os da doença: e isão de li e a u a 2.1. Os es udos sob e cus os da doença A me odologia dos es udos sob e cus os da doença (CdD) oi in oduzida na década de 1960 num aba- lho pionei o de Do o hy Rice (1967), endo sido ape eiçoada desde en ão, que em e mos de p oce- dimen os, que em e mos de de alhe, po á ios ou os au o es (po exemplo, Ha unian e al., 1980, Hodgson e Meine s, 1982, Koopmanschap e Ru en, 1993, e Hodgson, 1994). Ao con á io de ou as écnicas de a aliação econó- mica mais conhecidas, como, po exemplo, a análise cus o-e ec i idade, os es udos CdD não p e endem compa a os cus os e e ei os de al e na i as e apêu- icas, mas apenas es ima os cus os das p óp ias doenças. Nes es e mos, podem se is os como um complemen o da in o mação epidemiológica adi- cional sob e o impac o da doença a ní el nacional 67 VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003 Cus os da doença (po exemplo, axas de mo alidade especí icas). Di e em des e ipo de in o mação, p incipalmen e, po que con abilizam o sac i ício económico deco - en e (cus o de opo unidade) da expe iência e a a- men o dos p oblemas de saúde. Os es udos CdD adop am ob iga o iamen e a pe s- pec i a da sociedade e podem se di ididos em dois ipos: baseados na p e alência ou na incidência das doenças. Os p imei os in es igam odos os cus os associados a de e minado p oblema de saúde num pe íodo de empo especí ico, no malmen e um ano. Os segundos calculam os cus os, ao longo do ciclo da ida, de p oblemas de saúde diagnos icados em de e minado ano. Os es udos baseados na p e alên- cia, po azões de disponibilidade de dados, são bas- an e mais comuns na li e a u a. T adicionalmen e, o impac o económico da doença em sido ca ego izado, nos es udos CdD, em e mos de cus os di ec os e cus os indi ec os. Os p imei os ep esen am despesas com a p e enção, diagnós ico, a amen o, eabili ação, in es igação, o mação e in es imen o em saúde. Tais cus os comp eendem despesas com in e namen os, consul as médicas, medicamen os, cuidados de en e magem, anspo e de doen es, cuidados p es ados po amilia es, cus os de adminis ação dos se iços e a iadíssimas ou as ca ego ias de despesa indispensá eis à p es ação de cuidados de saúde. Os cus os indi ec os (ou de p odu i idade) ep esen- am uma medida do alo da p odução pe dida deco - en e dos episódios de doença, incapacidade ou mo e p ema u a. Ao con á io dos cus os di ec os, não ep esen am despesas e ec i amen e inco idas. No en an o, pa ece incon o ná el que as pe das de p odução mo i adas pela doença a ec am o endi- men o nacional e po isso es e ipo de cus os de e ambém se conside ado nas a aliações económicas. Tipicamen e, os es udos CdD eco em ao mé odo de capi al humano pa a es ima os cus os indi ec os. No caso dos episódios de doença ou incapacidade, es e mé odo con abiliza a p odução po encialmen e pe - dida, alo izando o empo de ausência ao abalho a a és dos salá ios médios dos abalhado es a ec a- dos. No caso da mo e p ema u a, o empo p odu i o po encialmen e pe dido é calculado a a és de uma es ima i a dos ganhos u u os dos abalhado es a ec- ados, ac ualizada pa a o momen o p esen e. Em a aliação económica, os cus os indi ec os não se es ingem às po enciais pe das de p odução econó- mica. Podem comp eende , adicionalmen e, o empo de laze sac i icado pelos amilia es e amigos pa a isi a em ou acompanha em os doen es e o empo de abalho pe dido pa a p es a apoio a amilia es doen- es. No en an o, os es udos CdD a amen e con abili- zam es es aspec os, como ambém não conside am os chamados cus os in angí eis das doenças (po exem- plo, cus os psico-sociais, pe das de opo unidade de emp ego, do e descon o o, e c.). Nes es e mos, as es ima i as CdD são ge almen e conside adas como um limi e baixo (lowe -bound) do e dadei o alo dos cus os indi ec os pa a a sociedade. 2.2. Cus os indi ec os nos es udos sob e cus os da obesidade Embo a exis a na li e a u a in e nacional um núme o azoá el de es udos sob e cus os da obesidade, p a i- camen e nenhum analisa de o ma adequada os cus os indi ec os do p oblema. A a és de uma pesquisa Medline®, usando as pala- as-cha e obesi y, economics, cos , indi ec cos e cos o illness, e complemen ada po consul a às e e- ências bibliog á icas dos a igos iden i icados e pes- quisa manual de e is as, li os e li e a u a «cin- zen a» disponí el numa biblio eca especializada, o am iden i icados dez es udos, publicados em e is as com pee e iew, que seguem a me odologia CdD. Es es es udos es ão e e enciados no Quad o I, que ap esen a uma análise sumá ia da o ma como o am analisados os cus os indi ec os da obesidade. Pa a além dos es udos ci ados, es ão publicadas ou as análises económicas da obesidade que, no en an o, não co espondem aos c i é ios es abeleci- dos. Po exemplo, a igos de e isão (po exemplo, Hu on, 1994, Wes , 1994, Hughes e McGui e, 1997, e Ko e al., 1998), análises de cus o que eco em a me odologias di e en es da CdD ou que adop am pe spec i as que não a da sociedade (po exemplo, Hei ho e al., 1997, Quesenbe y e al., 1998, Thompson e al., 1998, Bu on e al., 1998, e Allison e al., 1999) e a aliações económicas de e apêu icas (po exemplo, Dahms e al., 1978, Ma in e al., 1995, Van Geme e al., 1999, e Mae zel e al., 2003). Como é e iden e do Quad o I, apenas os es udos ealizados nos Es ados Unidos po Coldi z (1992) e Wol e Coldi z (1994, 1998) e o es udo ancês de Lé y e al. (1995) calcula am os cus os indi ec os da obesidade. Os es an es abalhos, embo a e e indo semp e a impo ância das pe das de p odu i idade po pa ologias elacionadas com a obesidade, deb u- ça am-se apenas sob e a componen e di ec a. O es udo de Coldi z (1992) é pouco elucida i o quan o à es imação de cus os indi ec os. Pa a além de não explici a a me odologia de cálculo, não dis in- gue na ap esen ação de esul ados as componen es de cus o di ec o e indi ec o. Não é possí el, po an o, iden i ica que o mon an e es imado, que a adequa- ção da me odologia usada pa a calcula os cus os indi ec os da obesidade. 68 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Cus os da doença Wol e Coldi z (1994) calcula am os cus os indi ec- os da obesidade nos EUA em ce ca de 23 mil milhões de $ US no ano de 1990. Es e alo co es- ponde a ce ca de 50% dos cus os di ec os ap esen a- dos no mesmo abalho. Pa a es ima em os cus os da mo bilidade, os au o es eco e am ao Na ional Heal h In e iew Su ey de 1988, es a i ica am a população po g upo e á io, sexo e exis ência de obesidade e ob i e am o núme o adicional de dias de abalho pe dido, assumindo que es e alo se de ia a p oblemas elacionados com a obesidade. De seguida, o núme o de dias oi mul iplicado pelo núme o de pessoas obesas na população e pelo alo do salá io diá io do espec i o g upo e á io e sexo pa a ob e uma es ima i a de cus os. Rela i amen e aos cus os da mo alidade, embo a seja ap esen ada uma es ima i a na o dem dos 19 mil milhões de $ US, a me odologia que oi seguida não se encon a de idamen e explicada. No es udo publicado em 1998 são ap esen adas duas es ima i as de cus os indi ec os da obesidade (Wol e Coldi z, 1998). Em p imei o luga , segue-se idên ico p ocedimen o ao do es udo an e io pa a calcula os cus os da p odu i idade pe dida de ido a al as ao abalho, mas ago a usando ambém a base de dados de 1994 do Na ional Heal h In e iew Su ey. Os esul ados — na o dem dos 4 mil milhões de $ US — são semelhan es aos ob idos an e io men e. A ou a análise ap esen ada po Wol e Coldi z (1998) es ima os cus os indi ec os da obesidade em ce ca de 48 mil milhões de $ US, o que ep esen a 92% da componen e di ec a calculada no mesmo es udo. A me odologia seguida nes e caso é idên ica à que oi u ilizada no mesmo abalho pa a o cálculo dos cus os di ec os. Os au o es eco e am a es udos que ha iam calculado o cus o global de pa ologias pa a as quais a obesidade cons i ui ac o de isco. Pa a ob e os cus os indi ec os da obesidade aplica- am à componen e indi ec a global p e iamen e es i- mada, e ambém a pa i de in o mação disponí el na li e a u a, a p opo ção de isco a ibuí el à obesidade pa a cada uma de seis pa ologias: diabe es de ipo 2, doenças da esícula, canc o da mama, canc o do endomé io, canc o do cólon e os eoa i e. Embo a o es udo de Wol e Coldi z (1998) seja aquele em que o a amen o dos cus os indi ec os é mais com- ple o, ele so e de duas alhas undamen ais. Em p i- mei o luga , o ecu so a es ima i as de cus o disponí- eis na li e a u a signi ica que os au o es não êm qualque con ole sob e a de inição das a iá eis em es udo e pode ão, po isso, es a a soma componen es de cus o po pa ologia que não são compa á eis. Segundo, e p o a elmen e mais decisi o pa a a iabi- lidade das es ima i as, os au o es assumem que a asso- ciação en e obesidade e isco de mo e é idên ica à associação en e obesidade e isco de con ai doença. Na ealidade, a e idência apon a pa a co elações bas- an e mais acas no p imei o caso (c ., po exemplo, Pi-Sunye , 1993, e Calle e al., 1999), o que signi ica que as es ima i as de Wol e Coldi z endem a sob es- ima os cus os indi ec os da obesidade. Lé y e al. (1995) ap esen a am uma es ima i a de cus os da p odu i idade pe dida de ido a al as ao abalho em F ança. A pa i de in o mação desag egada sob e a du ação e causas do absen ismo de 150 000 abalhado es dos se iços de elec ici- Quad o I Cus os indi ec os nos es udos sob e cus os da obesidade Cus os Cus os da mo bilidade da mo alidade Coldi z, 1992 EUA S S Ap esen ados conjun amen e com cus os di ec- os; me odologia de cálculo imp ecisa. Wol e Coldi z, 1994 EUA S S Me odologia de cálculo de cus os de mo ali- dade imp ecisa. Segal, 1994 Aus ália N N Seidell, 1995 Holanda N N Lé y e al., 1995 F ança S N Cus os da mo bilidade não são ep esen a i os. Wol e Coldi z, 1996 EUA N N Re e em «índices» de cus os de mo bilidade, mas não são es ima i as CdD. Swinbu n e al., 1997 No a Zelândia N N Wol e Coldi z, 1998 EUA S S U ilizam a mesma me odologia e p essupos os usados na análise de cus os di ec os. Bi mingham e al., 1999 Canadá N N Hughes e al., 1999 Reino Unido N N No as: S — sim, cus os indi ec os es imados; N — cus os indi ec os não es imados. Es udo País Obse ações 69 VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003 Cus os da doença dade e gás, e ex apolando pa a a população ancesa no ano de 1992, os au o es calcula am o cus o do absen ismo a ibuí el à obesidade em FF 575 milhões. Na u almen e, as es ima i as são apenas ep esen a i as do uni e so de abalhado es dos se - iços de elec icidade e gás. Lé y e al. ap esen a am ainda o núme o de mo es po causas elacionadas com a obesidade, e e indo que ep esen am 33% do o al de mo es anuais em F ança, mas não azem qualque en a i a de es ima que a p opo ção a i- buí el à obesidade, que o cus o económico da mo - alidade p ema u a pa a a sociedade ancesa. Em suma, a in o mação disponí el a ní el in e nacio- nal sob e cus os indi ec os da obesidade é bas an e limi ada. No capí ulo seguin e ap esen amos uma me odologia, aplicada ao caso po uguês, que nos pe mi e melho a as es ima i as p oduzidas an e io - men e. En e os aspec os-cha e des a análise des aca- -se o ecu so a dados comple os ou ep esen a i os das oco ências anuais de mo e ou doença no país, a conside ação de ou as pe das empo á ias de p o- du i idade pa a além do absen ismo e, na análise dos cus os da mo alidade, a u ilização de in o mação epidemiológica que diz espei o à p óp ia mo ali- dade e não ao isco de con ai doença. Es e úl imo aspec o é pa icula men e impo an e. A associação en e o peso co po al e a mo alidade em ge ado bas an e con o é sia na li e a u a (Solomon e Manson, 1997). Recen emen e, oda ia, Calle e al. (1999) ap esen a am um es udo p ospec- i o em que o am seguidos, ao longo de ca o ze anos, mais de um milhão de adul os ame icanos (457 785 homens e 588 369 mulhe es). O es udo egis ou 201 622 mo es e examinou a elação en e o IMC no início e o isco de mo e ao longo do pe íodo de obse ação. A qualidade do es udo e dimensão da amos a é al que os esul ados de qual- que me a-análise de abalhos in es igando a elação en e o IMC e o isco de mo e se ia ine i a elmen e dominada pelos dados ap esen ados po Calle e al. Nes es e mos, pa ece-nos ap op iado usa a in o ma- ção e i ada desse es udo pa a calcula os cus os da mo alidade p ema u a de ida à obesidade. 3. Me odologia 3.1. Abo dagem O es udo adop a uma abo dagem ipo CdD, baseada na p e alência e na pe spec i a da sociedade, pa a calcula os cus os económicos indi ec os da obesi- dade em Po ugal con inen al no ano de 2002. Os cálculos ab angem os cus os associados à mo bili- dade e à mo alidade p ema u a. De aco do com a de inição da OMS (WHO, 1998), conside am-se como sendo obesas pessoas cujo IMC ≥30 kg/m2. Pa a além disso, es abelecem-se como limi es e á ios pa a pa icipação em ac i idades económicas p odu i as as idades de 15 a 64 anos, inclusi e. A es a égia de impu ação de cus os ao ac o de isco obesidade é comum pa a as análises da mo bi- lidade e da mo alidade. Consis e essencialmen e em es ima , pa a a população po uguesa, as p opo ções de doença ou mo e a ibuí eis à obesidade e em mul iplica as es ima i as populacionais encon adas pelo alo da p odu i idade económica po encial das pessoas a ec adas. Pa a a p imei a pa e des e cálculo u ilizámos o isco a ibuí el à população (RAP), uma medida que o - nece uma es ima i a do g au em que de e minada oco ência é a ibuí el a um ac o de isco indi idual (Rockhill, 1998). Especi icamen e, u ilizámos a seguin e ó mula: P(RR –1) RAP =[P(RR –1)+1] onde P é a p opo ção de indi íduos obesos e RR o isco ela i o de con ai de e minada doença ou so e mo e p ema u a em indi íduos obesos s. indi íduos não obesos. Os alo es de P o am es i- mados di ec amen e a pa i do Inqué i o Nacional de Saúde (ap esen ado de seguida), enquan o as es ima- i as de RR o am ob idas na li e a u a in e nacional a pa i de es udos p ospec i os. O empo p odu i o po encialmen e pe dido po mo i- os de doença ou mo e é alo izado, à semelhança de ou os es udos CdD, a a és dos salá ios médios do g upo de pessoas a ec adas pela oco ência (is o é, o mé odo de capi al humano). 3.2. Fon es de dados Pa a além das es ima i as sob e p e alência da obe- sidade, odos os alo es e e en es ao impac o da mo bilidade na população po uguesa po causas elacionadas com a obesidade o am calculados a pa i dos dados mic o do Inqué i o Nacional de Saúde (INS) de 1995-1996. O INS é um inqué i o po meio de en e is a ea- lizado a uma amos a de ag egados amilia es. A amos a é ep esen a i a da população ci il não ins i ucionalizada do con inen e. Os dados são ecolhidos a a és de um ques ioná io que con ém di e sas pe gun as sob e doenças c ónicas, incapaci- dade empo á ia e espec i as pa ologias, u ilização e despesas em cuidados médicos e ca ac e ís icas 70 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Cus os da doença sócio-demog á icas dos inqui idos. C ucialmen e, no ano de 1995-1996 o INS ecolheu in o mação sob e a al u a e peso dos inqui idos, o que nos pe mi e calcula o IMC. O núme o de pessoas inqui idas nesse ano oi de 49 718. A in o mação e e en e ao núme o de óbi os e suas causas, bem como as es ima i as da população nos g upos e á ios ab angidos, oi ob ida jun o do Ins i- u o Nacional de Es a ís ica. Rela i amen e aos óbi- os, os dados são ecolhidos pelo INE a pa i dos e be es de óbi o, que incluem in o mação sob e a doença ou condição que p o ocou di ec amen e a mo e, a da a e local do óbi o e a idade e sexo do alecido. Pa a alo iza o empo p odu i o po encialmen e pe - dido eco eu-se à base de dados SISED do Minis é- io do T abalho e Solida iedade. T a a-se de uma on e adminis a i a que ecolhe in o mação sob e a es u u a e epa ição dos salá ios dos abalhado es po con a de ou em. Em 1996 os dados o am apu- ados a pa i de in o mação ela i a a 1 984 575 a- balhado es. U ilizámos in o mação sob e o ganho médio mensal desag egado po sexo e escalão e á io publicada pelo INE. O ganho médio mensal co es- ponde ao soma ó io das emune ações base com diu u nidades e emune ações po ho as ex ao diná- ias, assim como ou as p es ações egula es. De o ma a pode da uma ep esen ação mais ac ual do impac o económico da obesidade em Po ugal, odos os alo es inancei os o am ac ualizados pa a p eços de Dezemb o de 2002, usando o índice de p eços no consumido sem habi ação do INE. 3.3. Mo bilidade A es ima i a dos cus os da mo bilidade conside a ês si uações dis in as de incapacidade empo á ia: as al as ao abalho po mo i os de doença (absen- ismo); o alo do abalho domés ico não emune- ado que, po mo i os de doença, não é assegu ado; as pe das de p odu i idade de abalhado es que, em si uações de doença, assegu am os seus pos os de abalho com limi ações. Pa a ob e es ima i as do núme o de dias pe didos u ilizámos, espec i amen e, pa a cada uma des as si uações: o núme o de dias de absen ismo pa a as pessoas emp egadas; o núme o de dias de acamamen o pa a mulhe es que e e i am a sua ac i idade como sendo «donas de casa»; o núme o de dias de ac i idade limi ada, con abilizados a 20% do o al decla ado. Nes e úl imo caso, assumi- mos que os abalhado es com ac i idade limi ada po mo i os de saúde p oduzem, em média, 80% do no mal. Cada uma das ês a iá eis oi ecolhida no INS com um pe íodo de e e ência de duas semanas. Pa a calcula os cus os da mo bilidade selecciona- am-se apenas oco ências dos ês ipos de incapaci- dade em que a p incipal causa e e ida oi uma de oi o pa ologias. Em p imei o luga , como é na u al, a pa ologia obesidade e hipe alimen ação. Adicional- men e, selecciona am-se ou as se e pa ologias pa a as quais exis e ampla e idência de que a obesidade seja um ac o de isco: o canc o da mama eminina, diabe es de ipo 2, hipe lipidemia, doença hipe en- si a, doenças do sis ema ci cula ó io, doenças da esícula e a opa ias (Quad o II). Pa a man e a Quad o II Pa ologias conside adas pa a a de e minação da p opo ção de mo bilidade associada à obesidade Código diagnós ico Risco p incipal (CID-9-MC) ela i o Neoplasia maligna da mama eminina 174.xx 1,3 Swinbu n (1997) Diabe es de ipo 2 250.2x 16,7 Swinbu n (1997) Hipe lipidemia 272.xx 1,4 Bi mingham (1999) Obesidade e hipe alimen ação 278.xx – Doença hipe ensi a 401.xx-405.xx 4,3 Swinbu n (1997) Doenças do sis ema ci cula ó io 390.xx-398.xx 3,3 Swinbu n (1997) 410.xx-459.xx 3,3 Doenças da esícula 574.xx-575.xx 10,0 Swinbu n (1997) A opa ias 713.xx-716.xx 2,1 Wol e Coldi z (1998) No a: Fon e RR signi ica on e secundá ia de isco ela i o em es udo económico sob e cus os da obesidade. Pa ologia Fon e RR 71 VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003 Cus os da doença compa abilidade com abalhos an e io es [incluindo o es udo de Pe ei a e al. (1999) sob e cus os di ec- os da obesidade em Po ugal] usámos alo es de isco ela i o pa a cada uma des as pa ologias que o am ci ados em es udos sob e cus os da obesidade. Es es es udos ize am e isões da li e a u a epide- miológica e, em ge al, os alo es usados o am p o- duzidos a pa i de es udos p ospec i os de la ga escala. Os alo es médios de incapacidade ela ada pelos inqui idos o am mul iplicados po 26 pa a se ob e uma es ima i a anual e pelo ac o de p ojecção 188,51 pa a se ob e o alo es imado de dias pe didos po mo i o de doença na população do con inen e. Seguidamen e, es es alo es o am mul iplicados po uma es ima i a do ganho médio diá io, ob ida a pa i dos alo es mensais publicados pelo INE. No caso das pessoas emp egadas, os alo es o am ponde ados pelo peso do absen ismo em cada g upo e á io, dando um ganho médio diá io de 53,26 eu os (p eços de 2002), e, no caso das domés icas, usou-se, numa óp ica de cus o de opo unidade, o ganho médio diá io das abalhado as do sexo eminino, 38,51 eu os (p e- ços de 2002). Adicionalmen e, os alo es ela i os à ac i idade limi ada o am co igidos pela axa de pa - icipação no me cado de abalho a pa i de alo es publicados pa a a população do con inen e. Ao cus o anual da incapacidade pa a cada uma das oi o pa ologias oi depois aplicado o espec i o RAP, calculado a pa i dos alo es de isco ela i o ap e- sen ados no Quad o II, e a axa de p e alência da obesidade pa a o g upo e á io 15-64 anos, dando assim o cus o da obesidade (po mo i os de incapa- cidade empo á ia). 3.4. Mo alidade Pa a calcula os cus os da mo e p ema u a de ida à obesidade usámos in o mação ap esen ada po Calle e al. (1999) sob e o isco ela i o de oco ência de mo e en e sujei os obesos e não obesos. Os alo es ap esen ados nes e es udo es ão desag egados em doze escalões de IMC, qua o dos quais acima de 30 kg/m2. Pa a es ima o isco ela i o de mo e de indi- íduos com IMC ≥30 ponde ámos os alo es publi- cados pelo o al de mo es em cada escalão de IMC acima de 30 kg/m2, endo ob ido iscos ela i os de 1,83 pa a os homens e 1,58 pa a as mulhe es. Embo a o es udo de Calle e al. ap esen e iscos ela- i os desag egados po ês causas de mo e (doenças cá dio- ascula es, canc o e ou as causas), não nos oi possí el usa es a in o mação, já que ela em en- globada pa a odos os g upos e á ios. A in o mação que u ilizámos e e e-se ao o al de mo es no g upo e á io 30-64 anos. Tendo em con a es a limi ação, e admi indo que seja pouco p o á el ha e mo es elacionadas com a obesidade an es dos 30 anos, op ámos po apenas con abiliza o impac o econó- mico da mo alidade p ema u a en e os 30 e os 65 anos. O mé odo pa a de e mina os cus os oi o seguin e. P imei o, ecolheu-se in o mação sob e o núme o o al de óbi os em Po ugal, po sexo e g upo e á io, no ano de 1996. A es es alo es aplica am-se p opo - ções de isco a ibuí el à população (RAP) pa a cal- cula o núme o de mo es a ibuí eis à obesidade. As p opo ções RAP o am calculadas a pa i dos alo- es de isco ela i o ela ados em Calle e al. (1999) e de es ima i as da p e alência de obesidade na co - esponden e população inqui ida pelo INS. De seguida, calculámos os anos de ida ac i a po en- cialmen e pe didos, mul iplicando o núme o de óbi- os a ibuí eis à obesidade, em cada célula de sexo e g upo e á io, pelo empo espe ado de pa icipação no me cado de abalho. Es a úl ima a iá el oi cal- culada como a di e ença en e o pon o in e médio de cada escalão e á io e o limi e no mal de pa icipação no me cado de abalho (is o é, 65 anos de idade). Pa a ob e uma es ima i a do cus o económico da mo alidade mul iplica am-se os anos de ida ac i a po encialmen e pe didos em cada g upo e á io e sexo pelos espec i os alo es de ganho médio anual no ano de 2002. Dado que nem odas as pessoas em idade ac i a abalham, co igimos as es ima i as de cus o pelas axas de ac i idade e de desemp ego nos espec i os g upos e á ios e sexo. Finalmen e, ac ua- lizámos, pa a o ano-base do es udo, a pe da po encial de p odução nos anos subsequen es usando uma axa de descon o de 5%. 4. Resul ados 4.1. Cus os da mo bilidade Os alo es de isco a ibuí el à população (RAP), es i- mados pa a a componen e mo bilidade, a iam en e 3,2% pa a a neoplasia da mama eminina e 63,5% pa a a diabe es de ipo 2 (Quad o III). Os cálculos suge em ainda que, em Po ugal, ele adas pe cen a- gens da mo bilidade po doenças da esícula (50,0%), hipe ensão (26,8%) e doenças do sis ema ci cula ó io (20,3%) se de em ao p oblema da obesidade. As pa ologias es udadas de am o igem, no ano de 1996, a mais de 6 milhões de dias de incapacidade. Des e o al, es imamos que 1 623 479 podem se a i- buídos à obesidade (Quad o IV). Em e mos dos ês ipos de incapacidade, as al as ao abalho ep esen- am 66,4% do o al de dias de mo bilidade de idos à 72 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Cus os da doença obesidade (pe das de 1 077 460 dias), o abalho não assegu ado pelas domés icas, 13,8% (223 592 dias), e o abalho assegu ado com limi ações pelos ac i os, 19,9% (322 427 dias). A p incipal causa dos dias de incapacidade são as doenças do apa elho ci cula ó io e a diabe es de ipo 2, que, no seu conjun o, ep esen am mais de dois e ços do o al de dias pe didos (Quad o IV). As doenças da esícula (com 19,4% do o al) e as a opa ias (10%) ambém são impo an es causas dos dias pe didos associados à obesidade. Enquan o as doenças do sis ema ci cula ó io es ão na o igem do maio núme o de dias de absen ismo (36,2%) e de ac i idade limi ada (42,5%), já pa a os dias de acamamen o de abalhado as no la é a diabe es de ipo 2 que ep esen a a maio a ia de pe das (47,4%). No que se e e e aos cus os, a nossa es ima i a apon a pa a pe das económicas na o dem dos 83 milhões de eu os a p eços de 2002 (Quad o V). Es e alo epa e-se po 57,3 milhões de eu os (69,0%) po mo i os de absen ismo, 8,6 milhões de eu os (10,4%) de ido ao abalho domés ico não assegu- ado e 17,1 milhões de eu os (20,6%) de ido à ac i- idade limi ada no abalho. Quad o III Pe cen agem de mo bilidade a ibuí el à obesidade (IMC ≥≥ ≥≥ ≥30) na população em idade ac i a (15-64 anos) em Po ugal po pa ologia, 1996 Pa ologias Risco a ibuí el à população Neoplasia maligna da mama 3,2% Diabe es de ipo 2 63,5% Hipe lipidemia 4,4% Obesidade 100,0% Doença hipe ensi a 26,8% Doenças do sis ema ci cula ó io 20,3% Doenças da esícula 50,0% A opa ias 10,6% Quad o IV Dias de incapacidade empo á ia associada à obesidade na população em idade ac i a em Po ugal po pa ologia, 1996 Dias Dias de acamamen o de ac i idade To al (domés icas) limi ada Neoplasia maligna da mama 2 211 0 311 2 523 Diabe es de ipo 2 308 302 105 881 81 841 496 024 Hipe lipidemia 213 0 813 1 026 Obesidade 0 0 5 152 5 152 Doença hipe ensi a 35 471 2 627 15 713 53 811 Doenças do sis ema ci cula ó io 389 745 60 803 136 874 587 422 Doenças da esícula 222 893 39 191 52 462 314 545 A opa ias 118 625 15 089 29 262 162 976 To al 1 077 460 223 592 322 427 1 623 479 Fal as ao abalho 73 VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003 Cus os da doença Rela i amen e aos cus os po pa ologia (Quad o V e Figu a 1), as doenças do sis ema ci cula ó io ep e- sen am 30,3 milhões de eu os (36,5% do o al), a diabe es de ipo 2, 24,8 milhões de eu os (29,9%), e as doenças da esícula, 16,1 milhões de eu os (19,4%). A neoplasia da mama, hipe lipidemia, obe- sidade e hipe alimen ação e a doença hipe ensi a ep esen am, no con ex o global dos cus os da mo bi- lidade associados à obesidade, p opo ções pouco sig- ni ica i as. 4.2. Cus os da mo alidade A pa i dos alo es de isco ela i o en e obesos e não obesos ap esen ados po Calle e al. (1999), es- imámos o isco a ibuí el à população em 7,7% pa a os homens e 6,5% pa a as mulhe es, ambos no g upo e á io 30-64 anos. A es ima i a do núme o de óbi os de idos à obesidade é ap esen ada no Quad o VI. Calculamos que, em 1996, dos mais de 20 000 óbi os oco idos na população em análise, 1494 são Quad o V Cus os da mo bilidade associados à obesidade (em eu os) na população em idade ac i a em Po ugal po pa ologia, 2002 Dias Dias de acamamen o de ac i idade To al (domés icas) limi ada Neoplasia maligna da mama 117 771 0 16 581 134 352 Diabe es de ipo 2 16 419 858 4 078 302 4 358 760 24 856 920 Hipe lipidemia 11 360 0 43 296 54 656 Obesidade 0 0 274 397 274 397 Doença hipe ensi a 1 889 152 101 196 836 867 2 827 215 Doenças do sis ema ci cula ó io 20 757 422 2 342 007 7 289 766 30 389 195 Doenças da esícula 11 871 066 1 509 534 2 794 052 16 174 652 A opa ias 6 317 851 581 200 1 558 450 8 457 501 To al 57 384 480 8 612 239 17 172 169 83 168 888 Figu a 1 Cus os da mo bilidade associada à obesidade (em eu os) 35 000 000 30 000 000 25 000 000 20 000 000 15 000 000 10 000 000 5 000 000 0 Neoplasia maligna da mama Diabe es ipo II Hipe lipidemia Obesidade Hipe ensão Doenças do sis ema ci cula ó io Doenças da esícula A opa ias Fal as ao abalho 80 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Cus os da doença Summa y PRODUCTIVITY COSTS ASSOCIATED WITH OBESITY IN PORTUGAL Obesi y is a majo public heal h p oblem wi h signi ican eco- nomic consequences. Obese pe sons ha e an inc eased isk o mo bidi y and p ema u e dea h om diseases such as diabe es ype 2, ca dio ascula disease and gallbladde disease. The a icle es ima es he p oduc i i y cos s (indi ec cos s) o ill- ness and p ema u e dea h associa ed wi h obesi y in Po ugal o he yea 2002. A p e alence-based cos o illness app oach is adop ed. Da a a e d awn om he Na ional Heal h In e iew Su ey and he Na ional S a is ical Ins i u e’s da a-base on demog aphic and mo ali y e en s. Obesi y is de ined as BMI ≥ 30 kg/m2 and he age limi s o labou o ce pa icipa ion a e aken o be 15 and 64 yea s. The impu a ion o e en s o he isk ac o obesi y is based on na ional p e alence a es o mo bidi y and mo ali y and ela i e isks d awn om la ge-scale p ospec i e in e na- ional s udies. A human capi al app oach is adop ed o calcu- la ing indi ec cos s. In con as o p e ious s udies in he in- e na ional li e a u e cos s a e measu ed di ec ly om su ey and mo ali y da a. To al p oduc i i y cos s o obesi y in Po ugal in 2002 a e es ima ed as € 199.8 million. P ema u e mo ali y accoun s o 58.4% and mo bidi y o 41.6% o p oduc i i y cos s. Mo bid- i y cos s a e he esul o 1.6 million annual disabili y days, mainly due o absence om wo k due o ci cula o y sys em and diabe es ype 2 p oblems. Mo ali y cos s a e he esul o 18,733 po en ial yea s o li e los , wi h a a io o 3:1 o male o emale dea hs. Obesi y imposes a conside able economic bu den on he Po - uguese economy. Compa ing he esul s wi h a complemen- a y s udy on he di ec (heal h ca e) cos s o obesi y in Po - ugal, indica es ha he indi ec componen ep esen s 40.2% o o al cos s. P e en i e and he apeu ic s a egies ha educe obesi y p e alence can po en ially b ing abou signi ican p o- duc i i y gains. Fu he esea ch is needed o e alua e he clini- cal bene i s and cos -e ec i eness o obesi y con ol s a egies.