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VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003
Cus os da doença
João Pe ei a é dou o em Economia pela Uni e sidade de Yo k e
p o esso associado de Economia da Saúde e A aliação Económica
em Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade
No a de Lisboa.
Céu Ma eus é mes e em Polí ica Social Eu opeia pelo ISEG/UTL
e assis en e con idada de Economia da Saúde e A aliação Econó-
mica em Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e si-
dade No a de Lisboa.
Cus os indi ec os associados à obesidade
em Po ugal
JOÃO PEREIRA
CÉU MATEUS
A obesidade cons i ui um impo an e p oblema de saúde
pública com consequências económicas de g ande dimen-
são. Os obesos êm um isco ac escido de con ai doenças
e de so e mo e p ema u a de ido a p oblemas como a
diabe es, hipe ensão a e ial, AVC, insu iciência ca díaca
e algumas neoplasias malignas. O p esen e es udo em
como objec i o es ima o cus o económico indi ec o ( alo
da p odução pe dida) associado à obesidade em Po ugal
no ano de 2002.
O es udo adop a uma abo dagem ipo cus os da doença
baseada na p e alência. Os dados são e i ados do Inqué-
i o Nacional de Saúde e es a ís icas de o ina publicadas
pelo INE e po ou os o ganismos o iciais. Conside am-se
como obesas pessoas com índice de massa co po al
(IMC) ≥≥
≥≥
≥30 kg/m2 e es abelecem-se como limi es e á ios
pa a pa icipação em ac i idades económicas p odu i as as
idades comp eendidas en e os 15 e os 64 anos. A es a égia
de impu ação de cus os ao ac o de isco obesidade ca ac-
e iza-se po es ima , pa a a população po uguesa, as p o-
po ções de doença e mo e p ema u a a ibuí eis à obe-
sidade e em mul iplica as es ima i as populacionais
encon adas pelo alo da p odu i idade económica po en-
cial das pessoas a ec adas.
O cus o indi ec o o al da obesidade em Po ugal no ano de
2002 oi es imado em 199,8 milhões de eu os. A mo ali-
dade con ibuiu com 58,4% des e alo (117 milhões de
eu os) e a mo bilidade com 41,6% (83 milhões de eu os).
Os cus os da mo bilidade ad êm de mais de 1,6 milhões de
dias de incapacidade anuais, p incipalmen e po al as ao
abalho associadas a doenças do sis ema ci cula ó io e
diabe es ipo II. Os cus os da mo alidade são o esul ado
de 18 733 po enciais anos de ida ac i a pe didos, numa
azão de 3 mo es masculinas po cada mo e eminina.
Os esul ados indicam que a obesidade aca e a conside á-
eis pe das económicas pa a o país. Compa ando os esul-
ados com um es udo complemen a que calculou os cus os
di ec os (em cuidados de saúde) da obesidade, e i ica-se
que a componen e indi ec a ep esen a 40,2% do o al dos
cus os da obesidade. A implemen ação de es a égias que
p e enissem ou eduzissem a incidência e p e alência de
obesidade em Po ugal pode ia ge a ganhos de p odu i i-
dade ele ados. Pa a conhece a dimensão des es ganhos é
necessá ia mais in es igação sob e os bene ícios clínicos e
elação cus o-e ec i idade de es a égias pa a a edução da
obesidade.
1. In odução
A obesidade é, hoje em dia, uma impo an e causa de
doença e de mo e. As pessoas obesas êm um isco
ac escido de con ai di e sas doenças, como a diabe-
es de ipo 2, insu iciência ca díaca, aciden es as-
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Cus os da doença
cula es ce eb ais, os eoa i e, canc o do endomé io
e canc o da mama. O excesso de peso ambém ag a a
algumas doenças c ónicas, como a asma, hipe ensão
e dislipidemia (Pi-Sunye , 1993; U. S. Depa men o
Heal h and Human Se ices. NIH, 1998). Exis e
ainda e idência de que a obesidade es á associada à
mo alidade p ema u a po di e sas causas, como,
po exemplo, a doença co oná ia, doenças cé eb o-
- ascula es e ce os ipos de canc o (Manson e al.,
1995; Seidell e al., 1996; Solomon e Manson, 1997;
Calle e al., 1999).
Em Po ugal exis em ce ca de 900 000 adul os obe-
sos [índice de massa co po al (IMC) = 30 kg/m2],
enquan o o núme o de pessoas com excesso de peso
ou obesas (IMC = 25 kg/m2) ascende a quase me ade
da população (Pe ei a e al., 2000). Com base na
expe iência de subg upos da população nacional
(Jácome-Cas o e al., 1998) e das populações de
ou os países a luen es (Mokdad e al., 1999), é bas-
an e p o á el que ao longo dos p óximos anos o
p oblema enha a ag a a -se, com consequências
assinalá eis pa a os se iços de saúde e pa a a socie-
dade po uguesa em ge al.
Nes e con ex o, o na-se impo an e a alia com igo
o po encial impac o de es a égias de p e enção e
a amen o da obesidade em Po ugal. Ha endo cada
ez mais p essões sob e os ecu sos do sis ema de
saúde, e sendo as pa ologias associadas e condiciona-
das pela obesidade p oblemas de g ande dimensão, a
a aliação de e á con empla an o os bene ícios clíni-
cos das in e enções como a sua elação cus o-e ec-
i idade. Um p imei o passo pa a es a análise se á o
de iden i ica as consequências económicas — ou
cus os — do p oblema.
Do pon o de is a da sociedade, as doenças dão luga
a dois p incipais ipos de cus o económico: os cus os
di ec os e os cus os indi ec os. Os cus os di ec os
( e e idos po alguns au o es como cus os em cuida-
dos de saúde) ep esen am as despesas do sis ema de
saúde e dos pacien es e seus amilia es com o a a-
men o, p e enção e diagnós ico de de e minadas
doenças ou p oblemas de saúde. Os cus os di ec os
da obesidade o am já calculados po di e sos in es-
igado es num núme o es i o de países (Hughes e
McGui e, 1997; Ko e al., 1998). Pa a Po ugal,
Pe ei a e al. (1999) es ima am em mais de 46
milhões de con os (230 milhões de eu os) os cus os
di ec os da obesidade pa a o ano de 1996, um alo
que co espondia a 3,5% das despesas o ais do sec-
o da saúde. A maio a ia da despesa com o a a-
men o da obesidade e co-mo bilidades des ina-se a
medicamen os pa a a a doenças do apa elho ci -
cula ó io.
Os chamados cus os indi ec os ep esen am o alo
da p odução pe dida de ido à doença e à mo e p e-
ma u a. A doença eduz a p odu i idade económica
da população, enquan o a mo e eduz o núme o de
pessoas com capacidade p odu i a. Po exemplo, se
um ope á io obeso de 45 anos, sem os demais ac o-
es de isco, so e um en a e agudo de miocá dio, o
empo que ele al a ao abalho em consequência da
doença implica á a sua subs i uição po ou o aba-
lhado . Se o ope á io ie a mo e pouco empo
depois, a sociedade pe de á mui os anos da sua p o-
dução económica.
Ul imamen e, á ios au o es êm-se e e ido aos
cus os indi ec os como cus os de p odu i idade
essencialmen e pa a e i a a con usão ge ada pela
de inição di e en e que é dada ao e mo em ges ão e
con abilidade (D ummond e al., 1997). Po azões
de adição, p e e imos usa nes e abalho a denomi-
nação mais co en e em economia.
Mui o embo a a componen e indi ec a dos cus os seja
de capi al impo ância pa a a e i o po encial bene í-
cio de es a égias de p e enção, p a icamen e não
exis em es ima i as do seu alo ela i amen e ao
p oblema da obesidade. Dos poucos es udos sob e
cus os da obesidade disponí eis na li e a u a in e na-
cional, nenhum analisa de o ma adequada a ques ão
dos cus os indi ec os.
O p esen e es udo em como objec i o calcula os
cus os económicos indi ec os associados ao p o-
blema da obesidade em Po ugal. O abalho eco e
ao mé odo de cus os da doença e u iliza como p in-
cipais on es de dados o Inqué i o Nacional de Saúde
de 1995-1996 e a in o mação demog á ica e de saúde
ecolhida pelo Ins i u o Nacional de Es a ís ica. Os
cálculos de cus os epo am-se ao ano de 2002.
2. Cus os da doença: e isão de li e a u a
2.1. Os es udos sob e cus os da doença
A me odologia dos es udos sob e cus os da doença
(CdD) oi in oduzida na década de 1960 num aba-
lho pionei o de Do o hy Rice (1967), endo sido
ape eiçoada desde en ão, que em e mos de p oce-
dimen os, que em e mos de de alhe, po á ios
ou os au o es (po exemplo, Ha unian e al., 1980,
Hodgson e Meine s, 1982, Koopmanschap e Ru en,
1993, e Hodgson, 1994).
Ao con á io de ou as écnicas de a aliação econó-
mica mais conhecidas, como, po exemplo, a análise
cus o-e ec i idade, os es udos CdD não p e endem
compa a os cus os e e ei os de al e na i as e apêu-
icas, mas apenas es ima os cus os das p óp ias
doenças. Nes es e mos, podem se is os como um
complemen o da in o mação epidemiológica adi-
cional sob e o impac o da doença a ní el nacional
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Cus os da doença
(po exemplo, axas de mo alidade especí icas).
Di e em des e ipo de in o mação, p incipalmen e,
po que con abilizam o sac i ício económico deco -
en e (cus o de opo unidade) da expe iência e a a-
men o dos p oblemas de saúde.
Os es udos CdD adop am ob iga o iamen e a pe s-
pec i a da sociedade e podem se di ididos em dois
ipos: baseados na p e alência ou na incidência das
doenças. Os p imei os in es igam odos os cus os
associados a de e minado p oblema de saúde num
pe íodo de empo especí ico, no malmen e um ano.
Os segundos calculam os cus os, ao longo do ciclo da
ida, de p oblemas de saúde diagnos icados em
de e minado ano. Os es udos baseados na p e alên-
cia, po azões de disponibilidade de dados, são bas-
an e mais comuns na li e a u a.
T adicionalmen e, o impac o económico da doença
em sido ca ego izado, nos es udos CdD, em e mos
de cus os di ec os e cus os indi ec os. Os p imei os
ep esen am despesas com a p e enção, diagnós ico,
a amen o, eabili ação, in es igação, o mação e
in es imen o em saúde. Tais cus os comp eendem
despesas com in e namen os, consul as médicas,
medicamen os, cuidados de en e magem, anspo e
de doen es, cuidados p es ados po amilia es, cus os
de adminis ação dos se iços e a iadíssimas ou as
ca ego ias de despesa indispensá eis à p es ação de
cuidados de saúde.
Os cus os indi ec os (ou de p odu i idade) ep esen-
am uma medida do alo da p odução pe dida deco -
en e dos episódios de doença, incapacidade ou
mo e p ema u a. Ao con á io dos cus os di ec os,
não ep esen am despesas e ec i amen e inco idas.
No en an o, pa ece incon o ná el que as pe das de
p odução mo i adas pela doença a ec am o endi-
men o nacional e po isso es e ipo de cus os de e
ambém se conside ado nas a aliações económicas.
Tipicamen e, os es udos CdD eco em ao mé odo de
capi al humano pa a es ima os cus os indi ec os. No
caso dos episódios de doença ou incapacidade, es e
mé odo con abiliza a p odução po encialmen e pe -
dida, alo izando o empo de ausência ao abalho
a a és dos salá ios médios dos abalhado es a ec a-
dos. No caso da mo e p ema u a, o empo p odu i o
po encialmen e pe dido é calculado a a és de uma
es ima i a dos ganhos u u os dos abalhado es a ec-
ados, ac ualizada pa a o momen o p esen e.
Em a aliação económica, os cus os indi ec os não se
es ingem às po enciais pe das de p odução econó-
mica. Podem comp eende , adicionalmen e, o empo
de laze sac i icado pelos amilia es e amigos pa a
isi a em ou acompanha em os doen es e o empo de
abalho pe dido pa a p es a apoio a amilia es doen-
es. No en an o, os es udos CdD a amen e con abili-
zam es es aspec os, como ambém não conside am os
chamados cus os in angí eis das doenças (po exem-
plo, cus os psico-sociais, pe das de opo unidade de
emp ego, do e descon o o, e c.). Nes es e mos, as
es ima i as CdD são ge almen e conside adas como
um limi e baixo (lowe -bound) do e dadei o alo
dos cus os indi ec os pa a a sociedade.
2.2. Cus os indi ec os nos es udos
sob e cus os da obesidade
Embo a exis a na li e a u a in e nacional um núme o
azoá el de es udos sob e cus os da obesidade, p a i-
camen e nenhum analisa de o ma adequada os
cus os indi ec os do p oblema.
A a és de uma pesquisa Medline®, usando as pala-
as-cha e obesi y, economics, cos , indi ec cos e
cos o illness, e complemen ada po consul a às e e-
ências bibliog á icas dos a igos iden i icados e pes-
quisa manual de e is as, li os e li e a u a «cin-
zen a» disponí el numa biblio eca especializada,
o am iden i icados dez es udos, publicados em
e is as com pee e iew, que seguem a me odologia
CdD. Es es es udos es ão e e enciados no Quad o I,
que ap esen a uma análise sumá ia da o ma como
o am analisados os cus os indi ec os da obesidade.
Pa a além dos es udos ci ados, es ão publicadas
ou as análises económicas da obesidade que, no
en an o, não co espondem aos c i é ios es abeleci-
dos. Po exemplo, a igos de e isão (po exemplo,
Hu on, 1994, Wes , 1994, Hughes e McGui e, 1997,
e Ko e al., 1998), análises de cus o que eco em
a me odologias di e en es da CdD ou que adop am
pe spec i as que não a da sociedade (po exemplo,
Hei ho e al., 1997, Quesenbe y e al., 1998,
Thompson e al., 1998, Bu on e al., 1998, e Allison
e al., 1999) e a aliações económicas de e apêu icas
(po exemplo, Dahms e al., 1978, Ma in e al.,
1995, Van Geme e al., 1999, e Mae zel e al., 2003).
Como é e iden e do Quad o I, apenas os es udos
ealizados nos Es ados Unidos po Coldi z (1992) e
Wol e Coldi z (1994, 1998) e o es udo ancês de
Lé y e al. (1995) calcula am os cus os indi ec os da
obesidade. Os es an es abalhos, embo a e e indo
semp e a impo ância das pe das de p odu i idade
po pa ologias elacionadas com a obesidade, deb u-
ça am-se apenas sob e a componen e di ec a.
O es udo de Coldi z (1992) é pouco elucida i o
quan o à es imação de cus os indi ec os. Pa a além de
não explici a a me odologia de cálculo, não dis in-
gue na ap esen ação de esul ados as componen es de
cus o di ec o e indi ec o. Não é possí el, po an o,
iden i ica que o mon an e es imado, que a adequa-
ção da me odologia usada pa a calcula os cus os
indi ec os da obesidade.
68 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Cus os da doença
Wol e Coldi z (1994) calcula am os cus os indi ec-
os da obesidade nos EUA em ce ca de 23 mil
milhões de $ US no ano de 1990. Es e alo co es-
ponde a ce ca de 50% dos cus os di ec os ap esen a-
dos no mesmo abalho. Pa a es ima em os cus os da
mo bilidade, os au o es eco e am ao Na ional
Heal h In e iew Su ey de 1988, es a i ica am a
população po g upo e á io, sexo e exis ência de
obesidade e ob i e am o núme o adicional de dias de
abalho pe dido, assumindo que es e alo se de ia
a p oblemas elacionados com a obesidade. De
seguida, o núme o de dias oi mul iplicado pelo
núme o de pessoas obesas na população e pelo alo
do salá io diá io do espec i o g upo e á io e sexo
pa a ob e uma es ima i a de cus os. Rela i amen e
aos cus os da mo alidade, embo a seja ap esen ada
uma es ima i a na o dem dos 19 mil milhões de
$ US, a me odologia que oi seguida não se encon a
de idamen e explicada.
No es udo publicado em 1998 são ap esen adas duas
es ima i as de cus os indi ec os da obesidade (Wol e
Coldi z, 1998). Em p imei o luga , segue-se idên ico
p ocedimen o ao do es udo an e io pa a calcula os
cus os da p odu i idade pe dida de ido a al as ao
abalho, mas ago a usando ambém a base de dados
de 1994 do Na ional Heal h In e iew Su ey. Os
esul ados — na o dem dos 4 mil milhões de $ US —
são semelhan es aos ob idos an e io men e.
A ou a análise ap esen ada po Wol e Coldi z
(1998) es ima os cus os indi ec os da obesidade em
ce ca de 48 mil milhões de $ US, o que ep esen a
92% da componen e di ec a calculada no mesmo
es udo. A me odologia seguida nes e caso é idên ica
à que oi u ilizada no mesmo abalho pa a o cálculo
dos cus os di ec os. Os au o es eco e am a es udos
que ha iam calculado o cus o global de pa ologias
pa a as quais a obesidade cons i ui ac o de isco.
Pa a ob e os cus os indi ec os da obesidade aplica-
am à componen e indi ec a global p e iamen e es i-
mada, e ambém a pa i de in o mação disponí el na
li e a u a, a p opo ção de isco a ibuí el à obesidade
pa a cada uma de seis pa ologias: diabe es de ipo 2,
doenças da esícula, canc o da mama, canc o do
endomé io, canc o do cólon e os eoa i e.
Embo a o es udo de Wol e Coldi z (1998) seja aquele
em que o a amen o dos cus os indi ec os é mais com-
ple o, ele so e de duas alhas undamen ais. Em p i-
mei o luga , o ecu so a es ima i as de cus o disponí-
eis na li e a u a signi ica que os au o es não êm
qualque con ole sob e a de inição das a iá eis em
es udo e pode ão, po isso, es a a soma componen es
de cus o po pa ologia que não são compa á eis.
Segundo, e p o a elmen e mais decisi o pa a a iabi-
lidade das es ima i as, os au o es assumem que a asso-
ciação en e obesidade e isco de mo e é idên ica à
associação en e obesidade e isco de con ai doença.
Na ealidade, a e idência apon a pa a co elações bas-
an e mais acas no p imei o caso (c ., po exemplo,
Pi-Sunye , 1993, e Calle e al., 1999), o que signi ica
que as es ima i as de Wol e Coldi z endem a sob es-
ima os cus os indi ec os da obesidade.
Lé y e al. (1995) ap esen a am uma es ima i a de
cus os da p odu i idade pe dida de ido a al as ao
abalho em F ança. A pa i de in o mação
desag egada sob e a du ação e causas do absen ismo
de 150 000 abalhado es dos se iços de elec ici-
Quad o I
Cus os indi ec os nos es udos sob e cus os da obesidade
Cus os Cus os
da mo bilidade da mo alidade
Coldi z, 1992 EUA S S Ap esen ados conjun amen e com cus os di ec-
os; me odologia de cálculo imp ecisa.
Wol e Coldi z, 1994 EUA S S Me odologia de cálculo de cus os de mo ali-
dade imp ecisa.
Segal, 1994 Aus ália N N
Seidell, 1995 Holanda N N
Lé y e al., 1995 F ança S N Cus os da mo bilidade não são ep esen a i os.
Wol e Coldi z, 1996 EUA N N Re e em «índices» de cus os de mo bilidade,
mas não são es ima i as CdD.
Swinbu n e al., 1997 No a Zelândia N N
Wol e Coldi z, 1998 EUA S S U ilizam a mesma me odologia e p essupos os
usados na análise de cus os di ec os.
Bi mingham e al., 1999 Canadá N N
Hughes e al., 1999 Reino Unido N N
No as: S — sim, cus os indi ec os es imados; N — cus os indi ec os não es imados.
Es udo País Obse ações
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Cus os da doença
dade e gás, e ex apolando pa a a população ancesa
no ano de 1992, os au o es calcula am o cus o do
absen ismo a ibuí el à obesidade em FF 575
milhões. Na u almen e, as es ima i as são apenas
ep esen a i as do uni e so de abalhado es dos se -
iços de elec icidade e gás. Lé y e al. ap esen a am
ainda o núme o de mo es po causas elacionadas
com a obesidade, e e indo que ep esen am 33% do
o al de mo es anuais em F ança, mas não azem
qualque en a i a de es ima que a p opo ção a i-
buí el à obesidade, que o cus o económico da mo -
alidade p ema u a pa a a sociedade ancesa.
Em suma, a in o mação disponí el a ní el in e nacio-
nal sob e cus os indi ec os da obesidade é bas an e
limi ada. No capí ulo seguin e ap esen amos uma
me odologia, aplicada ao caso po uguês, que nos
pe mi e melho a as es ima i as p oduzidas an e io -
men e. En e os aspec os-cha e des a análise des aca-
-se o ecu so a dados comple os ou ep esen a i os
das oco ências anuais de mo e ou doença no país,
a conside ação de ou as pe das empo á ias de p o-
du i idade pa a além do absen ismo e, na análise dos
cus os da mo alidade, a u ilização de in o mação
epidemiológica que diz espei o à p óp ia mo ali-
dade e não ao isco de con ai doença.
Es e úl imo aspec o é pa icula men e impo an e.
A associação en e o peso co po al e a mo alidade
em ge ado bas an e con o é sia na li e a u a
(Solomon e Manson, 1997). Recen emen e, oda ia,
Calle e al. (1999) ap esen a am um es udo p ospec-
i o em que o am seguidos, ao longo de ca o ze
anos, mais de um milhão de adul os ame icanos
(457 785 homens e 588 369 mulhe es). O es udo
egis ou 201 622 mo es e examinou a elação en e
o IMC no início e o isco de mo e ao longo do
pe íodo de obse ação. A qualidade do es udo e
dimensão da amos a é al que os esul ados de qual-
que me a-análise de abalhos in es igando a elação
en e o IMC e o isco de mo e se ia ine i a elmen e
dominada pelos dados ap esen ados po Calle e al.
Nes es e mos, pa ece-nos ap op iado usa a in o ma-
ção e i ada desse es udo pa a calcula os cus os da
mo alidade p ema u a de ida à obesidade.
3. Me odologia
3.1. Abo dagem
O es udo adop a uma abo dagem ipo CdD, baseada
na p e alência e na pe spec i a da sociedade, pa a
calcula os cus os económicos indi ec os da obesi-
dade em Po ugal con inen al no ano de 2002. Os
cálculos ab angem os cus os associados à mo bili-
dade e à mo alidade p ema u a.
De aco do com a de inição da OMS (WHO, 1998),
conside am-se como sendo obesas pessoas cujo
IMC ≥30 kg/m2. Pa a além disso, es abelecem-se
como limi es e á ios pa a pa icipação em ac i idades
económicas p odu i as as idades de 15 a 64 anos,
inclusi e.
A es a égia de impu ação de cus os ao ac o de
isco obesidade é comum pa a as análises da mo bi-
lidade e da mo alidade. Consis e essencialmen e em
es ima , pa a a população po uguesa, as p opo ções
de doença ou mo e a ibuí eis à obesidade e em
mul iplica as es ima i as populacionais encon adas
pelo alo da p odu i idade económica po encial das
pessoas a ec adas.
Pa a a p imei a pa e des e cálculo u ilizámos o isco
a ibuí el à população (RAP), uma medida que o -
nece uma es ima i a do g au em que de e minada
oco ência é a ibuí el a um ac o de isco indi idual
(Rockhill, 1998). Especi icamen e, u ilizámos a
seguin e ó mula:
P(RR –1)
RAP =[P(RR –1)+1]
onde P é a p opo ção de indi íduos obesos e RR o
isco ela i o de con ai de e minada doença ou
so e mo e p ema u a em indi íduos obesos s.
indi íduos não obesos. Os alo es de P o am es i-
mados di ec amen e a pa i do Inqué i o Nacional de
Saúde (ap esen ado de seguida), enquan o as es ima-
i as de RR o am ob idas na li e a u a in e nacional
a pa i de es udos p ospec i os.
O empo p odu i o po encialmen e pe dido po mo i-
os de doença ou mo e é alo izado, à semelhança
de ou os es udos CdD, a a és dos salá ios médios
do g upo de pessoas a ec adas pela oco ência (is o é,
o mé odo de capi al humano).
3.2. Fon es de dados
Pa a além das es ima i as sob e p e alência da obe-
sidade, odos os alo es e e en es ao impac o da
mo bilidade na população po uguesa po causas
elacionadas com a obesidade o am calculados a
pa i dos dados mic o do Inqué i o Nacional de
Saúde (INS) de 1995-1996.
O INS é um inqué i o po meio de en e is a ea-
lizado a uma amos a de ag egados amilia es.
A amos a é ep esen a i a da população ci il não
ins i ucionalizada do con inen e. Os dados são
ecolhidos a a és de um ques ioná io que con ém
di e sas pe gun as sob e doenças c ónicas, incapaci-
dade empo á ia e espec i as pa ologias, u ilização e
despesas em cuidados médicos e ca ac e ís icas
70 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Cus os da doença
sócio-demog á icas dos inqui idos. C ucialmen e, no
ano de 1995-1996 o INS ecolheu in o mação sob e
a al u a e peso dos inqui idos, o que nos pe mi e
calcula o IMC. O núme o de pessoas inqui idas
nesse ano oi de 49 718.
A in o mação e e en e ao núme o de óbi os e suas
causas, bem como as es ima i as da população nos
g upos e á ios ab angidos, oi ob ida jun o do Ins i-
u o Nacional de Es a ís ica. Rela i amen e aos óbi-
os, os dados são ecolhidos pelo INE a pa i dos
e be es de óbi o, que incluem in o mação sob e a
doença ou condição que p o ocou di ec amen e a
mo e, a da a e local do óbi o e a idade e sexo do
alecido.
Pa a alo iza o empo p odu i o po encialmen e pe -
dido eco eu-se à base de dados SISED do Minis é-
io do T abalho e Solida iedade. T a a-se de uma
on e adminis a i a que ecolhe in o mação sob e a
es u u a e epa ição dos salá ios dos abalhado es
po con a de ou em. Em 1996 os dados o am apu-
ados a pa i de in o mação ela i a a 1 984 575 a-
balhado es. U ilizámos in o mação sob e o ganho
médio mensal desag egado po sexo e escalão e á io
publicada pelo INE. O ganho médio mensal co es-
ponde ao soma ó io das emune ações base com
diu u nidades e emune ações po ho as ex ao diná-
ias, assim como ou as p es ações egula es.
De o ma a pode da uma ep esen ação mais ac ual
do impac o económico da obesidade em Po ugal,
odos os alo es inancei os o am ac ualizados pa a
p eços de Dezemb o de 2002, usando o índice de
p eços no consumido sem habi ação do INE.
3.3. Mo bilidade
A es ima i a dos cus os da mo bilidade conside a ês
si uações dis in as de incapacidade empo á ia: as
al as ao abalho po mo i os de doença (absen-
ismo); o alo do abalho domés ico não emune-
ado que, po mo i os de doença, não é assegu ado;
as pe das de p odu i idade de abalhado es que, em
si uações de doença, assegu am os seus pos os de
abalho com limi ações. Pa a ob e es ima i as do
núme o de dias pe didos u ilizámos, espec i amen e,
pa a cada uma des as si uações: o núme o de dias de
absen ismo pa a as pessoas emp egadas; o núme o
de dias de acamamen o pa a mulhe es que e e i am
a sua ac i idade como sendo «donas de casa»; o
núme o de dias de ac i idade limi ada, con abilizados
a 20% do o al decla ado. Nes e úl imo caso, assumi-
mos que os abalhado es com ac i idade limi ada
po mo i os de saúde p oduzem, em média, 80% do
no mal. Cada uma das ês a iá eis oi ecolhida no
INS com um pe íodo de e e ência de duas semanas.
Pa a calcula os cus os da mo bilidade selecciona-
am-se apenas oco ências dos ês ipos de incapaci-
dade em que a p incipal causa e e ida oi uma de
oi o pa ologias. Em p imei o luga , como é na u al, a
pa ologia obesidade e hipe alimen ação. Adicional-
men e, selecciona am-se ou as se e pa ologias pa a
as quais exis e ampla e idência de que a obesidade
seja um ac o de isco: o canc o da mama eminina,
diabe es de ipo 2, hipe lipidemia, doença hipe en-
si a, doenças do sis ema ci cula ó io, doenças da
esícula e a opa ias (Quad o II). Pa a man e a
Quad o II
Pa ologias conside adas pa a a de e minação da p opo ção de mo bilidade associada à obesidade
Código diagnós ico Risco
p incipal (CID-9-MC) ela i o
Neoplasia maligna da mama eminina 174.xx 1,3 Swinbu n (1997)
Diabe es de ipo 2 250.2x 16,7 Swinbu n (1997)
Hipe lipidemia 272.xx 1,4 Bi mingham (1999)
Obesidade e hipe alimen ação 278.xx –
Doença hipe ensi a 401.xx-405.xx 4,3 Swinbu n (1997)
Doenças do sis ema ci cula ó io 390.xx-398.xx 3,3 Swinbu n (1997)
410.xx-459.xx 3,3
Doenças da esícula 574.xx-575.xx 10,0 Swinbu n (1997)
A opa ias 713.xx-716.xx 2,1 Wol e Coldi z (1998)
No a: Fon e RR signi ica on e secundá ia de isco ela i o em es udo económico sob e cus os da obesidade.
Pa ologia Fon e RR
71
VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003
Cus os da doença
compa abilidade com abalhos an e io es [incluindo
o es udo de Pe ei a e al. (1999) sob e cus os di ec-
os da obesidade em Po ugal] usámos alo es de
isco ela i o pa a cada uma des as pa ologias que
o am ci ados em es udos sob e cus os da obesidade.
Es es es udos ize am e isões da li e a u a epide-
miológica e, em ge al, os alo es usados o am p o-
duzidos a pa i de es udos p ospec i os de la ga
escala.
Os alo es médios de incapacidade ela ada pelos
inqui idos o am mul iplicados po 26 pa a se ob e
uma es ima i a anual e pelo ac o de p ojecção
188,51 pa a se ob e o alo es imado de dias pe didos
po mo i o de doença na população do con inen e.
Seguidamen e, es es alo es o am mul iplicados po
uma es ima i a do ganho médio diá io, ob ida a pa i
dos alo es mensais publicados pelo INE. No caso das
pessoas emp egadas, os alo es o am ponde ados
pelo peso do absen ismo em cada g upo e á io, dando
um ganho médio diá io de 53,26 eu os (p eços de
2002), e, no caso das domés icas, usou-se, numa
óp ica de cus o de opo unidade, o ganho médio diá io
das abalhado as do sexo eminino, 38,51 eu os (p e-
ços de 2002). Adicionalmen e, os alo es ela i os à
ac i idade limi ada o am co igidos pela axa de pa -
icipação no me cado de abalho a pa i de alo es
publicados pa a a população do con inen e.
Ao cus o anual da incapacidade pa a cada uma das
oi o pa ologias oi depois aplicado o espec i o RAP,
calculado a pa i dos alo es de isco ela i o ap e-
sen ados no Quad o II, e a axa de p e alência da
obesidade pa a o g upo e á io 15-64 anos, dando
assim o cus o da obesidade (po mo i os de incapa-
cidade empo á ia).
3.4. Mo alidade
Pa a calcula os cus os da mo e p ema u a de ida à
obesidade usámos in o mação ap esen ada po Calle
e al. (1999) sob e o isco ela i o de oco ência de
mo e en e sujei os obesos e não obesos. Os alo es
ap esen ados nes e es udo es ão desag egados em
doze escalões de IMC, qua o dos quais acima de 30
kg/m2. Pa a es ima o isco ela i o de mo e de indi-
íduos com IMC ≥30 ponde ámos os alo es publi-
cados pelo o al de mo es em cada escalão de IMC
acima de 30 kg/m2, endo ob ido iscos ela i os de
1,83 pa a os homens e 1,58 pa a as mulhe es.
Embo a o es udo de Calle e al. ap esen e iscos ela-
i os desag egados po ês causas de mo e (doenças
cá dio- ascula es, canc o e ou as causas), não nos
oi possí el usa es a in o mação, já que ela em en-
globada pa a odos os g upos e á ios. A in o mação
que u ilizámos e e e-se ao o al de mo es no g upo
e á io 30-64 anos. Tendo em con a es a limi ação, e
admi indo que seja pouco p o á el ha e mo es
elacionadas com a obesidade an es dos 30 anos,
op ámos po apenas con abiliza o impac o econó-
mico da mo alidade p ema u a en e os 30 e os 65
anos.
O mé odo pa a de e mina os cus os oi o seguin e.
P imei o, ecolheu-se in o mação sob e o núme o
o al de óbi os em Po ugal, po sexo e g upo e á io,
no ano de 1996. A es es alo es aplica am-se p opo -
ções de isco a ibuí el à população (RAP) pa a cal-
cula o núme o de mo es a ibuí eis à obesidade. As
p opo ções RAP o am calculadas a pa i dos alo-
es de isco ela i o ela ados em Calle e al. (1999)
e de es ima i as da p e alência de obesidade na co -
esponden e população inqui ida pelo INS.
De seguida, calculámos os anos de ida ac i a po en-
cialmen e pe didos, mul iplicando o núme o de óbi-
os a ibuí eis à obesidade, em cada célula de sexo e
g upo e á io, pelo empo espe ado de pa icipação no
me cado de abalho. Es a úl ima a iá el oi cal-
culada como a di e ença en e o pon o in e médio de
cada escalão e á io e o limi e no mal de pa icipação
no me cado de abalho (is o é, 65 anos de idade).
Pa a ob e uma es ima i a do cus o económico da
mo alidade mul iplica am-se os anos de ida ac i a
po encialmen e pe didos em cada g upo e á io e sexo
pelos espec i os alo es de ganho médio anual no
ano de 2002. Dado que nem odas as pessoas em
idade ac i a abalham, co igimos as es ima i as de
cus o pelas axas de ac i idade e de desemp ego nos
espec i os g upos e á ios e sexo. Finalmen e, ac ua-
lizámos, pa a o ano-base do es udo, a pe da po encial
de p odução nos anos subsequen es usando uma axa
de descon o de 5%.
4. Resul ados
4.1. Cus os da mo bilidade
Os alo es de isco a ibuí el à população (RAP), es i-
mados pa a a componen e mo bilidade, a iam en e
3,2% pa a a neoplasia da mama eminina e 63,5%
pa a a diabe es de ipo 2 (Quad o III). Os cálculos
suge em ainda que, em Po ugal, ele adas pe cen a-
gens da mo bilidade po doenças da esícula (50,0%),
hipe ensão (26,8%) e doenças do sis ema ci cula ó io
(20,3%) se de em ao p oblema da obesidade.
As pa ologias es udadas de am o igem, no ano de
1996, a mais de 6 milhões de dias de incapacidade.
Des e o al, es imamos que 1 623 479 podem se a i-
buídos à obesidade (Quad o IV). Em e mos dos ês
ipos de incapacidade, as al as ao abalho ep esen-
am 66,4% do o al de dias de mo bilidade de idos à
72 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Cus os da doença
obesidade (pe das de 1 077 460 dias), o abalho não
assegu ado pelas domés icas, 13,8% (223 592 dias),
e o abalho assegu ado com limi ações pelos ac i os,
19,9% (322 427 dias).
A p incipal causa dos dias de incapacidade são as
doenças do apa elho ci cula ó io e a diabe es de ipo
2, que, no seu conjun o, ep esen am mais de dois
e ços do o al de dias pe didos (Quad o IV). As
doenças da esícula (com 19,4% do o al) e as
a opa ias (10%) ambém são impo an es causas
dos dias pe didos associados à obesidade. Enquan o
as doenças do sis ema ci cula ó io es ão na o igem
do maio núme o de dias de absen ismo (36,2%) e de
ac i idade limi ada (42,5%), já pa a os dias de
acamamen o de abalhado as no la é a diabe es de
ipo 2 que ep esen a a maio a ia de pe das (47,4%).
No que se e e e aos cus os, a nossa es ima i a
apon a pa a pe das económicas na o dem dos 83
milhões de eu os a p eços de 2002 (Quad o V). Es e
alo epa e-se po 57,3 milhões de eu os (69,0%)
po mo i os de absen ismo, 8,6 milhões de eu os
(10,4%) de ido ao abalho domés ico não assegu-
ado e 17,1 milhões de eu os (20,6%) de ido à ac i-
idade limi ada no abalho.
Quad o III
Pe cen agem de mo bilidade a ibuí el à obesidade
(IMC ≥≥
≥≥
≥30) na população em idade ac i a (15-64 anos) em
Po ugal po pa ologia, 1996
Pa ologias Risco a ibuí el à população
Neoplasia maligna da mama 3,2%
Diabe es de ipo 2 63,5%
Hipe lipidemia 4,4%
Obesidade 100,0%
Doença hipe ensi a 26,8%
Doenças do sis ema ci cula ó io 20,3%
Doenças da esícula 50,0%
A opa ias 10,6%
Quad o IV
Dias de incapacidade empo á ia associada à obesidade na população em idade ac i a em
Po ugal po pa ologia, 1996
Dias Dias
de acamamen o de ac i idade To al
(domés icas) limi ada
Neoplasia maligna da mama 2 211 0 311 2 523
Diabe es de ipo 2 308 302 105 881 81 841 496 024
Hipe lipidemia 213 0 813 1 026
Obesidade 0 0 5 152 5 152
Doença hipe ensi a 35 471 2 627 15 713 53 811
Doenças do sis ema ci cula ó io 389 745 60 803 136 874 587 422
Doenças da esícula 222 893 39 191 52 462 314 545
A opa ias 118 625 15 089 29 262 162 976
To al 1 077 460 223 592 322 427 1 623 479
Fal as
ao abalho
73
VOLUME TEMÁTICO: 3, 2003
Cus os da doença
Rela i amen e aos cus os po pa ologia (Quad o V e
Figu a 1), as doenças do sis ema ci cula ó io ep e-
sen am 30,3 milhões de eu os (36,5% do o al), a
diabe es de ipo 2, 24,8 milhões de eu os (29,9%), e
as doenças da esícula, 16,1 milhões de eu os
(19,4%). A neoplasia da mama, hipe lipidemia, obe-
sidade e hipe alimen ação e a doença hipe ensi a
ep esen am, no con ex o global dos cus os da mo bi-
lidade associados à obesidade, p opo ções pouco sig-
ni ica i as.
4.2. Cus os da mo alidade
A pa i dos alo es de isco ela i o en e obesos e
não obesos ap esen ados po Calle e al. (1999), es-
imámos o isco a ibuí el à população em 7,7%
pa a os homens e 6,5% pa a as mulhe es, ambos no
g upo e á io 30-64 anos. A es ima i a do núme o de
óbi os de idos à obesidade é ap esen ada no Quad o
VI. Calculamos que, em 1996, dos mais de 20 000
óbi os oco idos na população em análise, 1494 são
Quad o V
Cus os da mo bilidade associados à obesidade (em eu os) na população em idade ac i a em
Po ugal po pa ologia, 2002
Dias Dias
de acamamen o de ac i idade To al
(domés icas) limi ada
Neoplasia maligna da mama 117 771 0 16 581 134 352
Diabe es de ipo 2 16 419 858 4 078 302 4 358 760 24 856 920
Hipe lipidemia 11 360 0 43 296 54 656
Obesidade 0 0 274 397 274 397
Doença hipe ensi a 1 889 152 101 196 836 867 2 827 215
Doenças do sis ema ci cula ó io 20 757 422 2 342 007 7 289 766 30 389 195
Doenças da esícula 11 871 066 1 509 534 2 794 052 16 174 652
A opa ias 6 317 851 581 200 1 558 450 8 457 501
To al 57 384 480 8 612 239 17 172 169 83 168 888
Figu a 1
Cus os da mo bilidade associada à obesidade (em eu os)
35 000 000
30 000 000
25 000 000
20 000 000
15 000 000
10 000 000
5 000 000
0
Neoplasia maligna
da mama
Diabe es ipo II
Hipe lipidemia
Obesidade
Hipe ensão
Doenças do sis ema
ci cula ó io
Doenças da esícula
A opa ias
Fal as
ao abalho
80 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Cus os da doença
Summa y
PRODUCTIVITY COSTS ASSOCIATED WITH OBESITY
IN PORTUGAL
Obesi y is a majo public heal h p oblem wi h signi ican eco-
nomic consequences. Obese pe sons ha e an inc eased isk o
mo bidi y and p ema u e dea h om diseases such as diabe es
ype 2, ca dio ascula disease and gallbladde disease. The
a icle es ima es he p oduc i i y cos s (indi ec cos s) o ill-
ness and p ema u e dea h associa ed wi h obesi y in Po ugal
o he yea 2002.
A p e alence-based cos o illness app oach is adop ed. Da a
a e d awn om he Na ional Heal h In e iew Su ey and he
Na ional S a is ical Ins i u e’s da a-base on demog aphic and
mo ali y e en s. Obesi y is de ined as BMI ≥ 30 kg/m2 and he
age limi s o labou o ce pa icipa ion a e aken o be 15 and
64 yea s. The impu a ion o e en s o he isk ac o obesi y is
based on na ional p e alence a es o mo bidi y and mo ali y
and ela i e isks d awn om la ge-scale p ospec i e in e na-
ional s udies. A human capi al app oach is adop ed o calcu-
la ing indi ec cos s. In con as o p e ious s udies in he in-
e na ional li e a u e cos s a e measu ed di ec ly om su ey
and mo ali y da a.
To al p oduc i i y cos s o obesi y in Po ugal in 2002 a e
es ima ed as € 199.8 million. P ema u e mo ali y accoun s o
58.4% and mo bidi y o 41.6% o p oduc i i y cos s. Mo bid-
i y cos s a e he esul o 1.6 million annual disabili y days,
mainly due o absence om wo k due o ci cula o y sys em
and diabe es ype 2 p oblems. Mo ali y cos s a e he esul o
18,733 po en ial yea s o li e los , wi h a a io o 3:1 o male
o emale dea hs.
Obesi y imposes a conside able economic bu den on he Po -
uguese economy. Compa ing he esul s wi h a complemen-
a y s udy on he di ec (heal h ca e) cos s o obesi y in Po -
ugal, indica es ha he indi ec componen ep esen s 40.2%
o o al cos s. P e en i e and he apeu ic s a egies ha educe
obesi y p e alence can po en ially b ing abou signi ican p o-
duc i i y gains. Fu he esea ch is needed o e alua e he clini-
cal bene i s and cos -e ec i eness o obesi y con ol s a egies.