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VOL. 25, N.o 2 — JULHO/DEZEMBRO 2007
Pandemia de g ipe
Bal aza Nunes é licenciado em Es a ís ica e In es igação Ope a-
cional, mes e em P obabilidades e Es a ís ica, Obse a ó io
Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de Saúde D . Rica do Jo ge.
Isabel Falcão é licenciada em Medicina, che e de se iço de Clí-
nica Ge al, Coo denado a da ede Médicos-Sen inela, Obse a ó-
io Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de Saúde D . Rica do
Jo ge.
José Ma inho Falcão é licenciado em Medicina, mes e em Epide-
miologia, che e de se iço de Saúde Pública, assesso do Obse -
a ó io Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de Saúde D .
Rica do Jo ge.
Ausenda Machado é licenciada em Engenhei a Química, Obse a-
ó io Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de Saúde D . Rica do
Jo ge.
Paulo Noguei a é licenciado e mes e em P obabilidades e Es a ís-
ica, Obse a ó io Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de Saúde
D . Rica do Jo ge.
Emanuel Rod igues é bacha el em En e magem, licenciado em
Es a ís ica e In es igação Ope acional, mes ando em Saúde
Pública. Obse a ó io Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de
Saúde D . Rica do Jo ge.
Eleono a Paixão é licenciada em Es a ís ica e In es igação Ope a-
cional, mes anda em Es a ís ica e Ges ão de In o mação. Obse -
a ó io Nacional de Saúde, Ins i u o Nacional de Saúde
D . Rica do Jo ge.
Subme ido à ap eciação: 4 de Ab il de 2007.
Acei e pa a publicação: 10 de Ab il de 2007.
Cená ios de impac o de uma e en ual
pandemia de g ipe na população po uguesa:
mo bilidade, mo alidade e necessidade
de cuidados de saúde
BALTAZAR NUNES
ISABEL FALCÃO
JOSÉ MARINHO FALCÃO
AUSENDA MACHADO
PAULO NOGUEIRA
EMANUEL RODRIGUES
ELEONORA PAIXÃO
In odução — O p esen e es udo desc e e os cená ios de
impac o que uma e en ual pandemia de g ipe pode á e na
população po uguesa e nos se iços de saúde. T a a-se de
uma e são ac ualizada dos cená ios p elimina es que êm
indo a se elabo ados e discu idos desde 2005.
Ma e ial e mé odos — Os cená ios assumem que a
pandemia oco e á em duas ondas das quais a p imei a
( axa de a aque: 10%) se á menos in ensa do que a segunda
( axas de a aque: 20%, 25% ou 30%). Nes e abalho são
desc i os apenas os cená ios espei an es à si uação mais
g a e ( axa de a aque global = 10% + 30%).
A elabo ação dos cená ios u ilizou o mé odo p opos o po
Mel ze , M. I., Cox, N. J. e Fukuda, K. (1999) mas com
quase odos os pa âme os adap ados à população po u-
guesa. Es a adap ação incidiu sob e:
1. du ação da pandemia;
2. axa de le alidade;
3. pe cen agem da população com isco ele ado de com-
plicações;
4. pe cen agem de doen es com suspei a de g ipe que p o-
cu a á consul a;
5. empo en e o início dos sin omas e a p ocu a de cuida-
dos;
6. pe cen agem de doen es que e á acesso e ec i o a
an i i al;
7. axa de hospi alização po g ipe e empo médio de hos-
pi alização;
8. pe cen agem de doen es hospi alizados que necessi a ão
de cuidados in ensi os (CI) e empo de in e namen o
em CI;
9. e ec i idade de osel ami i pa a e i a complicações e
mo e.
Resul ados — Os cená ios co esponden es à si uação mais
g a e ( axa de a aque global: 10% + 30%) são ap esen a-
dos sem qualque in e enção e, ambém, com u ilização de
osel ami i pa a ins e apêu icos.
6REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Pandemia de g ipe
Os esul ados sem in e enção pa a o cená io «p o á el»
indicam:
• núme o o al de casos — 4 142 447;
• núme o o al de indi íduos a necessi a de consul a —
5 799 426;
• núme o o al de hospi alizações — 113 712;
• núme o o al de in e namen os em cuidados in ensi os
— 17 057;
• núme o o al de óbi os — 32 051;
• núme o o al de óbi os, nas semanas com alo máximo
— 1.a onda: 2551, 2.a onda: 7651.
Quando os cená ios o am simulados en ando em linha de
con a com a u ilização de osel ami i (conside ando uma
e ec i idade de 10% e 30%), e i icou-se uma edução dos
alo es dos óbi os e hospi alizações calculados.
O p esen e a igo ambém ap esen a a dis ibuição sema-
nal, no pe íodo de desen ol imen o da pandemia, dos
á ios esul ados ob idos.
Discussão — Os esul ados ap esen ados de em se in e p e-
ados como «cená ios» e não como «p e isões». De ac o, as
ince ezas exis en es em elação à doença e ao seu agen e não
pe mi em p e e com igo su icien e os seus impac os sob e
a população e sob e os se iços de saúde. Po isso, os cená-
ios ago a ap esen ados se em, sob e udo, pa a ins de pla-
neamen o. Assim, a p epa ação da espos a à e en ual
pandemia pode se apoiada em alo es cujas o dens de g an-
deza co espondem às si uações de mais ele ada g a idade.
Des a o ma, a sua u ilização pa a ou os ins é inadequada
e é i amen e desenco ajada pelos au o es.
Pala as-cha e — g ipe; pandemia; mo bilidade; mo ali-
dade; se iços de saúde; epidemiologia; es udos epidemio-
lógicos
1. In odução
A e en ual oco ência de uma pandemia de g ipe
em cons i uindo, desde há alguns anos, uma p eo-
cupação c escen e de go e nos, planeado es e écni-
cos de saúde, bem como de o ganizações in e nacio-
nais, nomeadamen e a O ganização Mundial da
Saúde (WHO, 2005).
No século XX oco e am pandemias de g ipe em
1918, 1957 e 1968. A es ima i a do núme o de óbi-
os associados à g ipe oi mui o supe io na
pandemia de 1918 (ce ca de 40 milhões), em elação
às duas mais ecen es (ce ca de 1 a 4 milhões)
(WHO, 2005).
Desde 2003, o í us in luenza sub- ipo A(H5N1),
esponsá el po g a es epidemias em a es, enceu a
ba ei a da espécie e a ec ou humanos no Vie name
(2003-2005), China (2003-2007), Tailândia (2004-
-2006), Camboja (2005-2006), Indonésia (2005-2007),
Djibu i (2006), Egip o (2006-2007), Aze beijão
(2006), I aque (2006), Tu quia (2006), Laos (2007) e
Nigé ia (2007) (WHO, 2007a), pe azendo um o al
de 278 casos de in ecção e de 168 óbi os.
É, assim, plausí el, que uma pandemia de g ipe
possa oco e e se assim o , ce amen e, não poupa á
Po ugal.
Assim, em 2005 (21-02-2005), o Minis o da Saúde
p ocedeu, po in e médio da Di ecção Ge al de
Saúde, a uma p imei a ac ualização do Plano de
Con ingência pa a a G ipe (Po ugal. Minis é io da
Saúde. Di ecção Ge al da Saúde, 2005b), exis en e
desde 1997, adap ando-o à no a si uação de ameaça
de pandemia. No âmbi o des e plano es a a p e is a
a elabo ação de cená ios que, com base em axas de
a aque, du ação e g a idade da doença, desc e essem
as ca ac e ís icas que uma pandemia de g ipe pode ia
e em Po ugal.
Nesse con ex o, o Obse a ó io Nacional de Saúde
(ONSA), do Ins i u o Nacional de Saúde D . Rica do
Jo ge (INSA), p oduziu e publicou o ela ó io «Cená-
ios p elimina es pa a uma e en ual pandemia de
g ipe» (Nunes, Falcão e Ma inho Falcão, 2005) ela-
bo ados com base na aplicação FluAid 2.0 (Mel ze
e al., 1999) desen ol ida e disponibilizada pelo
Cen e o Disease Con ol dos E.U.A. Nou os paí-
ses, da mesma o ma, cená ios des a na u eza êm
sido delineados pa a supo e aos planos de con in-
gência nacionais, alguns exemplos são ap esen ados
no Quad o I.
Os cená ios de 2005, desen ol idos pelo ONSA/
INSA, pa a Po ugal, o am designados p elimina es
pois e a mui o escasso o conhecimen o sob e os alo-
es dos á ios pa âme os indispensá eis ao seu cál-
culo, e po que, na expec a i a de que a pandemia
pudesse oco e nos meses seguin es, se conside ou
impo an e que es es icassem disponí eis em pouco
empo, mesmo com poucos alo es nacionais e mui-
as ou as ince ezas.
Assim, pelas azões apon adas, oi planeada a ac ua-
lização dos cená ios p elimina es de 2005, cujos
mé odos e p incipais esul ados são desc i os no p e-
sen e a igo.
Finalmen e é impo an e e e i que es es abalhos
o am denominados «Cená ios» e, in encionalmen e,
não ecebe am a designação de «P e isões».
De ac o, são apenas cená ios, e não p e isões, uma
ez que os conhecimen os sob e uma e en ual
pandemia de g ipe, o seu possí el agen e, a e ec i i-
dade dos meios de lu a disponí eis e os impac os que
i á desencadea na população são ainda mui o escas-
sos e ince os.
Po es as azões, os au o es ecomendam i amen e
que os p esen es cená ios não enham a se u iliza-
dos pa a ins di e en es do planeamen o da lu a con-
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VOL. 25, N.o 2 — JULHO/DEZEMBRO 2007
Pandemia de g ipe
a a e en ual pandemia de g ipe e ale am ainda pa a
as po enciais consequências da sua inadequada u ili-
zação.
2. Mé odos
Aspec os ge ais
Os p esen es cená ios o am ob idos segundo me o-
dologia simila à ap esen ada po Mel ze , M. I.,
Cox, N. J. e Fukuda, K. (1999). Nessa me odologia
oi de inida uma sé ie de pa âme os ca ac e izando a
dimensão da pandemia ( axa de a aque) assim como
o seu ní el de impac o na população em es udo,
nomeadamen e em e mos de p ocu a de consul as,
hospi alizações e óbi os.
Des a o ma, pa a a escolha dos alo es dos pa âme-
os a in oduzi no modelo, os au o es ealiza am
uma sé ie de e apas com o objec i o de es abelece
os alo es que mais se adequassem à ealidade da
população po uguesa e, po ou o lado, que melho
se issem os objec i os de planeamen o de inidos
pa a os cená ios.
As e apas e ec uadas o am:
1. Em Ou ub o de 2005 oi ealizada uma consul a,
sob e os pa âme os, a pe i os indi iduais e ins i-
uições do Minis é io da Saúde, incluindo os es-
ponsá eis po se iços de in e namen o dos hos-
pi ais po ugueses e de ou as o ganizações liga-
das à saúde.
2. Du an e o ano de 2006, as bases de dados po u-
guesas ele an es, nomeadamen e da mo alidade
(INE), dos in e namen os hospi ala es (G upos de
Diagnós ico Homogéneo, GDH/IGIF), do sis ema
«Médicos-Sen inela» (INSA, 2003), do Inqué i o
Nacional de Saúde 98/99 (INSA, 2001) e da
amos a de amílias «ECOS — Em Casa Obse -
amos Saúde» (Con ei as, T., Nunes, B. e
B anco, M. J., 2003), o am explo adas de o ma
in eg ada, endo sido ob idos alo es e e en es à
população po uguesa.
3. Em simul âneo, uma ac ualização da e isão bi-
bliog á ica pe mi iu ob e indicações ele an es
que o am inco po adas nas decisões sob e os
alo es dos pa âme os.
4. Finalmen e, as ac i idades p epa a ó ias de ac ua-
lização dos cená ios ica am concluídas em 27 de
Junho de 2006, com uma eunião inal, o gani-
zada pelo ONSA/INSA que jun ou pe i os da
Di ecção-Ge al da Saúde, incluindo os esponsá-
eis pelos Planos Especí icos do Plano de Con in-
gência pa a a Pandemia de G ipe, do INFARMED,
do INSA, das Di ecções Regionais de Saúde
das Regiões Au ónomas, dos Cen os Regionais
de Saúde Pública e de hospi ais e cen os de
saúde.
Quad o I
Cená ios de impac o de uma pandemia de g ipe pa a alguns países p epa ados en e 1999 e 2006 (adap ado de
Eichne e al, 2007)
Taxa Consul as Hospi alizações Óbi os
País de a aque po 100 000 po 100 000 po 100 000 Re e ência
habi an es habi an es habi an es
Po ugal 35% 18 585 1450 108 Nunes, B., Falcão, I., Ma inho Falcão, J., 2005
Alemanha 15% 15 859 1437 117 Deu schland. In luenzapandemieplanung:
Na ionale In luenzapandemieplan., 2005
EUA
mode ado 30% 15 000 1320 177 U.S. Depa men o Heal h & Human Se ices
Pandemic In luenza Plan
se e o 30% 15 000 3666 705 U.S. Depa men o Heal h & Human Se ices
Pandemic In luenza Plan
CDC 35% 17 718 1277 178 Mel ze , M. I., Cox, N. J., Fukuda, K., 1999
Reino Unido 25% 25 000 1140 190 UK Heal h Depa men ’s UK in luenza
pandemic con ingency plan
F ança 25% 25 000 1199 120 Doyle e al, 2006
Holanda 30% 30 000 1164 126 an Genug en, M. L. e Heijnen, M. L., 2004 an
Genug en, M. L., Heijnen, M. L., Jage , J.
C., 2003
Canadá 35% 16 066 1359 137 Public Heal h Agency o Canada. Canadian
Pandemic In luenza Plan
8REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Pandemia de g ipe
Es a eunião oi cons i uída po 3 ases:
1. ap esen ação dos objec i os da eunião;
2. discussão, po painéis de pe i os, de g upos espe-
cí icos de pa âme os;
3. a ibuição indi idual, pelos pe i os, de alo es aos
pa âme os.
Os pa âme os abo dados e os esul ados ob idos são
ap esen ados no Quad o II.
No que espei a às medidas de in e enção pa a mi-
iga os e ei os da pandemia, oi decidido conside a
apenas a u ilização de osel ami i , não endo sido
incluído o e ei o de medidas de saúde pública. De
ac o, a aplicação des as medidas e ia um e ei o
p incipal, embo a não exclusi o, na diminuição da
incidência da doença e, po an o, nas axas de a aque;
mas, dado que a ixação p é ia das axas de a aque
oi uma das p incipais p emissas na elabo ação dos
cená ios, a inclusão daquelas medidas não oi consi-
de ada.
Ao con á io dos cená ios p elimina es de 2005, oi
conside ado que a pandemia e olui ia em duas
ondas, desiguais e não con íguas (Taubenbe ge , J.
K. e Mo ens , D., 2006; Ba ne e al., 2005).
Pa a e ei o do cálculo dos cená ios, admi iu-se que a
onda de meno in ensidade p ecede ia a de maio
in ensidade.
Pa a ob enção dos esul ados, oi desen ol ida uma
aplicação in o má ica implemen ada em Mic oso
Visual Basic o Applica ions — Mic oso Excel
2002, endo como base os mé odos implemen ados
nas aplicações FluAid 2.0 (Mel ze e . al. 2000) e
FluSu ge 2.0 (Zhang, X., Mel ze , M. I., Wo ley, P.,
2005) do Cen e o Disease Con ol dos EUA.
Pa âme os escolhidos
População po uguesa
Nos p esen es cená ios a população oi desag egada
po g upos e á ios dos 0 aos 14 anos, dos 15 aos 64
e 65 e mais anos. U ilizou-se a população po uguesa
ob ida no Censo 2001 (INE, 2001), a ní el nacional,
po Regiões Au ónomas e Regiões de Saúde.
Taxas de a aque
Fo am u ilizadas 3 axas de a aque o ais, de 30%,
35% e 40%, que ep esen am a pe cen agem da
população po uguesa que e á g ipe pandémica, com
exp essão clínica. A dis ibuição da axa de a aque
pelos g upos e á ios oi homogénea, conside ando
assim que o isco de in ecção se ia igual en e os
g upos e á ios.
No e-se que es es alo es são supe io es, em 5 unida-
des pe cen uais, aos alo es adop ados nos cená ios
p elimina es de 2005. Es a decisão oi undamen ada
na opinião, mui o gene alizada, dos pe i os consul a-
dos, de que o alo de 40% pode ia se alcançado
numa pandemia.
Os casos de in ecção sem exp essão clínica não
o am omados em conside ação nos ac uais cená ios.
De ac o, es es casos não e ão in luência di ec a na
p ocu a de cuidados de saúde nem na le alidade da
doença, embo a possam e e ei os na sua p opaga-
ção, na medida em que con ibuam pa a a dissemina-
ção do í us.
Ondas e du ação da pandemia
Conside ou-se que a pandemia e olui ia em duas
ondas, sendo a p imei a de in ensidade in e io à
segunda. Assumiu-se, ambém, que à onda de meno
in ensidade, designada po p imei a onda, co espon-
de ia uma axa de a aque de 10%. A onda de maio
in ensidade, designada po segunda onda, oi
delineada com ês alo es possí eis: 20%, 25% e
30%. O soma ó io da axa de a aque da p imei a
onda com cada uma das axas de a aque da segunda
onda co esponde ia às axas de a aque o ais de
30%, 35% e 40%.
A du ação de cada uma das ondas oi ixada em
8 semanas, pe íodo que co esponde à du ação média
de uma epidemia in e pandémica, is o é, ao núme o
médio de semanas consecu i as em que a axa de
incidência semanal se encon a acima da linha de
base (ap oximadamen e 50 casos/100.000 habi an es
(INSA, 2003; Rebelo-de-And ade, H., 2001).
Conside a-se que, numa e en ual pandemia, o
núme o de no os casos de g ipe, po semana, não
começa á nem cessa á ab up amen e, mas pelo con-
á io, so e á um ac éscimo inicial e um dec és-
cimo inal p og essi os de algumas semanas, além
das 8 ixadas pa a cada onda. Assim, decidiu-se
dis ibui o núme o o al de casos de g ipe, de hos-
pi alizações, de óbi os, e c., po dia e po um
pe íodo de 12 semanas (2 semanas abaixo da linha
de base, seguidas de 8 semanas acima da linha de
base, às quais se seguem mais 2 semanas abaixo da
linha de base, num o al de 84 dias). Des a o ma,
a cu a epidémica oi elabo ada de aco do com uma
dis ibuição de p obabilidade No mal de alo
médio 42, com o pico en e a 6.a e 7.a semana e com
um des io pad ão de 8,4 (10% do pe íodo o al de
dias com casos de g ipe), uncada no in e alo 0 a
84 e disc e izada em 84 pon os (dias que co espon-
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VOL. 25, N.o 2 — JULHO/DEZEMBRO 2007
Pandemia de g ipe
Quad o II
Resul ados da a ibuição indi idual, pelos pe i os, de alo es aos pa âme os escolhidos pa a discussão ( eunião de pe i os ealizada no INSA a 27.06.2006), e
exp essos em mediana (mínimo; máximo)
Impac o
Painel Mínimo P o á el Máximo n
I Taxa de a aque (pe cen agem) 25 (15; 30) 30 (20; 35) 35 (30; 40) 32
I Du ação da pandemia de g ipe (em semanas) 8 (4; 30) 10 (8; 30) 12 (8; 30) 30
I Taxa de le alidade po g ipe (pe cen agem) 0,3 (0,2; 40) 1,4 (0,4; 50) 2,4 (0,5; 60) 30
II Pe cen agem de indi íduos com suspei a de g ipe que eco e á a uma consul a 70 (25, 100) 88 (30, 100) 90 (30, 100) 30
II Tempo médio necessá io (desejá el) pa a cada consul a médica po g ipe (em minu os) 10 (8, 20) 15 (10, 25) 20 (10, 30) 30
II Tempo deco ido en e o início dos sin omas e a p ocu a de cuidados (em dias) 1 (0,3; 2) 2 (0,5; 3) 2 (0,5; 5) 30
II Pe cen agem de doen es com g ipe que e á acesso e ec i o (menos de 48h) a medicamen os an i i ais 70 (15, 80) 80 (10, 90) 90 (25, 90) 28
III Taxa de hospi alização po g ipe (pe cen agem) 1 (0,1; 25) 1,5 (1; 40) 2 (1,5; 60) 30
III Tempo médio de hospi alização po g ipe (em dias) 6 (1,4; 8,0) 8 (2; 10) 10 (2,8; 15) 29
III Pe cen agem de indi íduos hospi alizados com g ipe que i á necessi a de cuidados in ensi os 10 (4, 30) 15 (4; 30) 20 (15, 75) 26
III Tempo médio de in e namen o nos cuidados in ensi os 7 (3, 7) 10 (4, 10) 14 (5, 15) 24
III Pe cen agem de indi íduos hospi alizados com g ipe que i á necessi a de en ilação assis ida 10 (2, 40) 15 (6, 60) 20 (7, 75) 26
III Tempo médio de du ação da en ilação assis ida (em dias) 7 (3, 10) 10 (4, 12) 14 (5, 14) 25
IV E icácia/e ec i idade dos medicamen os an i i ais pa a eduzi o isco de se in e nado e de mo e
po complicações (pe cen agem) 10 (0, 60) 20 (10, 70) 30 (20, 80) 24
Os alo es ap esen ados na abela ep esen am a mediana (mínimo, máximo); núme o de pe i os esponden es; Painéis: I. In ensidade, du ação e le alidade da pandemia,
II. Cuidados p imá ios, III. Cuidados hospi ala es, IV. An i i ais
10 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Pandemia de g ipe
dem a 12 semanas) (Johnson, N. L. e Ko z, S.,
1970) (Figu a 1).
População po uguesa
com isco ele ado de complicações
A g a idade da doença e a p obabilidade de ela aca -
e a complicações, hospi alizações e mo e es á asso-
ciada à pe cen agem da população po uguesa que
so e de um conjun o de doenças c ónicas. Des a
o ma, conside a am-se es a em isco ele ado de
complicação odos os indi íduos que i e em, pelo
menos, uma das doenças c ónicas pa a as quais a
acina an ig ipal sazonal es á indicada (DGS, 2005a).
Indi íduos com suspei a de g ipe,
que eco e iam a consul a
O núme o de indi íduos que eco e ia a uma con-
sul a po suspei a de g ipe oi calculado, em cada
onda, da seguin e o ma:
Núme o o al de e dadei os casos de g ipe + 0,1 ×
× Núme o de indi íduos sem g ipe
Ou seja, o núme o de indi íduos que eco e ia a
uma consul a é dado pelo soma ó io dos indi íduos
com g ipe (casos), ob ido pela aplicação da axa de
a aque à população o al, mais 10% da es an e popu-
lação que, apesa de não e g ipe, eco e ia à con-
Figu a 1
Dis ibuição diá ia do núme o de casos de aco do com uma dis ibuição No mal de alo médio 42 e des io pad ão
8,4, uncada pa a o pe íodo de 0 a 84 dias (12 semanas) e disc e izada em 84 pon os (dias que co espondem a
12 semanas)
1.a
semana
2.a
semana
3.a
semana
4.a
semana
5.a
semana
6.a
semana
7.a
semana
8.a
semana
9.a
semana
10.a
semana
11.a
semana
12.a
semana
8 semanas de pe íodo pandémico
Taxa
de incidência
semanal
≤ 50
casos/100 000
habi an es
Taxa
de incidência
semanal
≤ 50
casos/100 000
habi an es
1 3 5 7 9 11131517192123252729313335373941434547495153555759616365676971737577798183
6
5
4
3
2
1
0
Pe cen agem
11
VOL. 25, N.o 2 — JULHO/DEZEMBRO 2007
Pandemia de g ipe
Quad o III
Dis ibuição da população po uguesa po g upo e á io
(Censos INE, 2001), segundo o isco de complicação
Al o isco
pe cen agem
00-14 1165 660 1 490 942 10
15-64 1 401 204 5 604 818 20
≥65 1779 007 1914 486 46
To al 2 345 871 8 010 246 22
Os alo es da pe cen agem de indi íduos em isco ele ado de
complicação po g ipe, es abelecidos nes es cená ios, o am
ob idos a pa i da explo ação das bases de dados ECOS es udo
«G ipe 2000» (B anco, M. J. e Nunes, B., 2000) e do consenso
dos pe i os.
Quad o IV
Pe cen agem de casos que i ia necessi a de hospi alização, po
g upo e á io e isco de complicação, de aco do com o ní el de
impac o
Ní el de impac o
G au de isco Mínimo* P o á el Máximo
(2 ××
××
× mínimo) (4 ××
××
× mínimo)
Al o Risco
00-14 0,83 1,66 3,31
15- 64 1,30 2,60 5,20
≥ 654,47 8,95 17,89
Baixo Risco
00-14 0,14 0,29 0,57
15-64 1,22 2,44 4,88
≥ 651,88 3,75 7,5
* Equi alen e aos alo es p opos os no FluAid 2.0(6) pa a o cená io
de impac o p o á el
Conside ou-se ainda que o empo médio deco ido en e o início
dos sin omas e a hospi alização se ia de 4 dias, de aco do com o
que oi e e ido pela OMS sob e os casos humanos de g ipe a iá ia
A(H5N1) (WHO, 2006a).
sul a po suspei a e a doença. Assim, pode con-
clui -se que, à medida que a axa de a aque osse
aumen ando, o núme o de indi íduos, sem g ipe, que
eco e ia a uma consul a diminui ia.
Es abeleceu-se ainda 1 dia pa a o empo médio
deco ido en e o início dos sin omas e a ida à con-
sul a.
Doen es com g ipe que se ão hospi alizados
Seguindo o mé odo u ilizado po Mel ze , M. I., Cox,
N. J. e Fukuda, K. (1999), o am conside ados ês
ní eis de impac o: o ní el mínimo, equi alen e ao
ní el p o á el da aplicação FluAid 2.0 — CDC
(Mel ze e al., 2000); e os ní eis p o á el e
máximo, ob idos mul iplicando o ní el mínimo (p o-
á el do FluAid 2.0) po 2 e po 4, espec i amen e
(Quad o IV).
Tempo médio de hospi alização po g ipe
O núme o médio de dias de hospi alização, em camas
de en e ma ia ge al, pa a os casos hospi alizados que
não i iam necessi a de cuidados in ensi os/ en ila-
G upo e á io Baixo isco Al o isco
12 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Pandemia de g ipe
ção assis ida (CI/VA), oi ixado em 8 dias. Es e
alo co esponde à mediana das espos as dadas
pelos pe i os na eunião de 27-06-2006 pa a o cená-
io «P o á el» (Quad o II).
Casos hospi alizados que i ão necessi a
de cuidados in ensi os/ en ilação assis ida (CI/VA)
Pa a e ei os de a aliação das necessidades de CI/VA,
oi conside ado, pelos pe i os, na eunião de
27.06.2006, que os indi íduos in e nados com g ipe,
em cuidados in ensi os, i iam se odos en ilados, e
que odos os doen es en ilados se iam in e nados em
cuidados in ensi os. Des a o ma, es abeleceu-se que
15% dos indi íduos hospi alizados necessi a iam de
CI/VA, e que o empo médio de in e namen o em CI/
VA, se ia de 10 dias.
Conside ou-se, ainda, que cada indi íduo com g ipe,
hospi alizado em CI/VA, ocupa ia aí, uma cama,
du an e 10 dias, seguindo-se a ocupação, po mais
2 dias, de uma cama numa en e ma ia ge al.
Casos com oco ência de óbi o ( axa de le alidade)
Segundo a opinião dos pe i os na eunião de
27.06.06, a axa de le alidade de e ia se aumen ada,
em elação aos cená ios de Junho de 2005. Pa a isso,
oi seguido o mé odo u ilizado pa a o aumen o da
axa de hospi alização, endo sido ixados ês ní eis
de impac o: o mínimo, que co esponde ao ní el
«p o á el» dos cená ios de Junho de 2005 e da apli-
cação FluAid 2.0 (Mel ze e al., 2000) e os p o á el
e máximo, que co espondem, espec i amen e, a
2 ezes e 4 ezes esse ní el mínimo (Quad o V).
Tempo deco ido desde o início
dos sin omas a é ao óbi o
Es abeleceu-se que o empo deco ido desde o início
dos sin omas a é ao óbi o se ia de 9 dias, alo e e-
ido pela OMS sob e os casos humanos de g ipe
a iá ia A(H5N1) con i mados a é ao momen o
(WHO, 2006a).
U ilização do an i i al osel ami i
A exemplo de mui os países no mundo, em Po ugal
oi escolhido o osel ami i como o á maco an i i al
a in eg a na ese a es a égica de medicamen os
pa a a pandemia de g ipe (Po ugal. Minis é io da
Saúde. Di ecção Ge al da Saúde, 2006b). Os cená ios
ac uais o am delineados omando em conside ação
apenas esse á maco.
O e ei o do osel ami i na edução das complicações
da doença, das hospi alizações, da u ilização dos
cuidados in ensi os e da mo e depende essencial-
men e de ês ac o es:
1. a e ec i idade do á maco (WHO, 2006b);
2. a sua p esc ição/ oma em empo ú il, i.e., menos
Quad o V
Pe cen agem de casos em que oco e ia óbi o, segundo o g upo
e á io e isco de complicação e de aco do com o ní el de
impac o
Ní el de impac o
G au de isco Mínimo* P o á el Máximo
(2 ××
××
× mínimo) (4 ××
××
× mínimo)
Al o Risco
00-14 0,063 0,126 0,251
15- 64 1,265 2,530 5,061
≥ 65 2,208 4,416 8,832
Baixo Risco
00-14 0,007 0,014 0,027
15-64 0,031 0,062 0,123
≥ 65 0,350 0,700 1,400
* Valo es p opos os no FluAid 2.0 pa a o cená io de impac o p o-
á el.
13
VOL. 25, N.o 2 — JULHO/DEZEMBRO 2007
Pandemia de g ipe
de 48 ho as após o início dos sin omas (Po ugal.
Di ecção Ge al da Saúde, 2006ab; Kaise e al.,
2003);
3. o núme o de doses disponí eis.
E icácia do osel ami i
Há pouca in o mação na li e a u a sob e a e icácia do
osel ami i na g ipe.
Alguns a igos indicam que a u ilização adequada
des e á maco, em si uação de g ipe sazonal, pode
ge a eduções da p obabilidade de hospi alização na
o dem de 60% (Kaise e al., 2003, Je e son e al.,
2006) e, do isco de mo e, na o dem de 90%
(Bowels e al., 2000).
Como é ób io, não exis e e idência de que aqueles
ní eis de edução possam se obse ados numa
pandemia p o ocada po um í us ainda desconhe-
cido (DGS, 2006a; Bowels e al., 2002), pelo que
êm ido pouca acei ação na comunidade cien í ica e
médica, em Po ugal e em ou os países. Face a es a
si uação, o g upo de pe i os, eunido em 27-06-2006,
ecomendou que ossem adop ados alo es mui o
mode ados do e ei o do osel ami i na edução das
hospi alizações e da mo e, designadamen e 10%,
20% e 30%.
Aplicação de osel ami i
Po ugal encomendou 2 500 000 doses indi iduais1
pa a u ilização e apêu ica (Po ugal. Minis é io da
Saúde. Di ecção Ge al da Saúde, 2006b).
Nos cená ios ac ualizados, o núme o de indi íduos
com g ipe (casos) e sem g ipe (mas com suspei a),
aos quais se ia p esc i o o osel ami i , oi calculado
pa a cada onda, conside ando que a axa de a aque da
p imei a se ia 10%, da segunda 20%, 25% e 30%,
e que as axas de a aque o ais se iam 30%, 35% e
40%.
Conside ou-se, ainda, que:
1. 90% dos e dadei os casos de g ipe eco e iam a
uma consul a médica den o do pe íodo de 48
ho as, o nando-se assim elegí eis pa a ecebe o
osel ami i .
2. dos 10% de indi íduos sem g ipe, que eco e-
iam a uma consul a po suspei a de g ipe (po
e em sin omas), 10% se iam e adamen e diag-
nos icados como endo g ipe ( alsos posi i os),
o nando-se, assim, elegí eis pa a ecebe o
osel ami i .
Des a o ma, em cada onda, o núme o de indi íduos
elegí eis pa a ecebe o an i i al se ia igual ao:
Núme o de casos de g ipe × 0,9 + (núme o de casos
sem g ipe × 0,1) × 0,1
Assim, na p imei a onda, a axa de cobe u a com
osel ami i , dos e dadei os casos de g ipe, i.e., a
pe cen agem de casos que se ia medicada com o
an i i al nas p imei as 48 ho as, se ia de 90%.
Pa a a segunda onda, a axa de cobe u a do
osel ami i i ia depende do núme o de casos elegí-
eis, dos alsos posi i os e das doses de á maco
ainda disponí eis, e ob ém-se pela ó mula seguin e:
Núme o de casos de g ipe elegí eis ÷ Núme o o al
de elegí eis × Núme o de doses de osel ami i dispo-
ní eis ÷ Núme o de casos de g ipe
onde,
Núme o casos de g ipe elegí eis = Núme o de casos
de g ipe × 0,9
Núme o o al de elegí eis = Núme o de casos de
g ipe × 0,9 + (Núme o de casos sem g ipe × 0,1) × 0,1
E ei o do osel ami i
O e ei o da aplicação do an i i al sob e o núme o de
in e namen os e sob e o núme o de óbi os de de e -
minado g upo e á io e de isco é ob ido pelas seguin-
es ó mulas:
Núme o de óbi os = TL × (1 – RA_L) × (Núme o de
casos de g ipe × Cobe u a an i i al) + TL × [Núme o
de casos de g ipe × (1 – Cobe u a an i i al)]
Núme o de hospi alizações = TH × (1 – RA_H) ×
× Núme o de casos de g ipe × Cobe u a an i i al +
+ TH × [Núme o de casos de g ipe × (1 – Cobe u a
an i i al)]
onde, TL e TH são, espec i amen e, a axa de le ali-
dade e a axa de hospi alização de de e minado g upo
e á io e de isco (ap esen ados nos Quad os IV e V);
RA_L e RA_H são, espec i amen e, as eduções das
axas de le alidade e de hospi alização de 10%, 20%
e 30%, a ibuí eis ao osel ami i .
3. Resul ados
No p esen e a igo apenas se ão ap esen ados e des-
c i os os esul ados e e en es ao cená io pandémico
1T a amen o comple o pa a cada indi íduo.
20 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Pandemia de g ipe
uma abo dagem desses e ei os com a u ilização de
osel ami i pa a ins e apêu icos.
Salien e-se que não o am incluídos os possí eis e ei-
os da u ilização do osel ami i na diminuição da
ansmissão da in ecção, nomeadamen e a a és da
sua aplicação pa a ins de p o ilaxia em indi íduos
se e amen e expos os ou na diminuição do empo de
eliminação de í us pelos doen es. De ac o, esses
e ei os, que, p o a elmen e, se ão pouco ele an es,
e lec i -se-iam nas axas de a aque da pandemia que,
pa a es es cená ios, o am p e iamen e ixadas em
30%, 35% e 40%.
Tal como em elação a odos os pa âme os u ilizados
na elabo ação dos cená ios ac ualizados, há g ande
ince eza na a aliação da e ec i idade des e á maco.
Há, po ém, e idência na li e a u a, e é con icção de
mui os dos pe i os consul ados, que o osel ami i e á
algum e ei o, mesmo que possa se pouco in enso.
Nes as condições, assumiu-se que os cená ios de e-
iam conside a uma e ec i idade p uden emen e
baixa, e, de aco do com a opinião exp essa pelos
pe i os, com eduções de 10%, 20% e 30% nas hos-
pi alizações e nos óbi os.
Os esul ados des a hipo é ica in e enção apon am
pa a uma edução do impac o inal de uma e en ual
pandemia de g ipe. Apesa dos esul ados pode em
se mais ou menos con o e sos, de ido ao não con-
senso em o no dos e ei os bené icos do á maco, é
de salien a que es es pe mi em pe spec i a a impo -
ância de ou as en es de p epa ação pa a uma
e en ual pandemia de g ipe que não só o planea-
men o acional dos ecu sos disponí eis.
Aspec os ge ais
Julga-se que os cená ios delineados no p esen e
es udo êm alo es mais ealis as do que os calcula-
dos em 2005. Es a al e ação pode á susci a acções
de planeamen o de cuidados ambula ó ios di igi-
das a si uações mais ex emas sendo po isso mais
ú il.
Salien e-se que as necessidades iden i icadas pode-
ão, sob e udo ela i amen e ao núme o de consul as
em si uação ex ema, não se sa is ei as exclusi a-
men e em consul as p esenciais mas ambém em con-
ac os ele ónicos ou de ou a na u eza. Pode ão se
execu adas po médicos, mas igualmen e, quando
jus i icá el, po p o issionais de en e magem e a é
po ou os p o issionais de saúde.
De ac o, os esul ados des es cená ios se em sob e-
udo pa a a p ocu a de soluções pa a as ques ões que
o equaciona dos po enciais impac os que a e en ual
oco ência da pandemia coloca, nas condições
ac uais.
Impo a ainda salien a dois aspec os undamen ais
no comba e a um e en ual pandemia de g ipe:
1. A impo ância de planea com base em cená ios
e e en es às á eas de in luência das á ias unida-
des de saúde espalhadas pelo país, sejam elas hos-
pi ais, cen os de saúde ou as duas, conside adas
em conjun o;
2. A impo ância de es a , an es da pandemia oco -
e , os p ocedimen os p e is os no Plano de Con-
ingência.
Se ia assim mais ácil acionaliza os ecu sos huma-
nos e ma e iais exis en es, de o ma a minimiza os
e ei os duma e en ual pandemia, bem como eduzi
as si uações de pânico que ine i a elmen e su gi iam
na população.
Ag adecimen os
Os au o es desejam exp imi o seu econhecimen o
ao g upo de pe i os pelo in e esse demons ado e
pelas con ibuições que de am pa a a elabo ação dos
p esen es cená ios.
No a inal
Os p esen es cená ios não in eg a am a o alidade das
opiniões e das suges ões exp essas pelos pe i os con-
sul ados. Assim, a esponsabilidade pelos esul ados
ago a ap esen ados não pode se -lhes a ibuída.
21
VOL. 20, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2002
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index.h ml.
22 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Pandemia de g ipe
WHO — A ian in luenza («bi d lu») : ac shee . Gene a : Wo ld
Heal h O ganiza ion, 2007b. [Consul . 23-03-2007] Disponí el em
h p://www.who.in /mediacen e/ ac shee s/a ian_in luenza/en/.
ZHANG, X.; MELTZER, M. I.; WORTLEY, P. — FluSu ge2.0 :
a manual o assis s a e and local public heal h o icials and hos-
pi al adminis a o s in es ima ing he impac o an in luenza
pandemic on hospi al su ge capaci y (Be a es e sion). Washing-
on, DC : Cen e s o Disease Con ol and P e en ion. U.S.
Depa men o Heal h and Human Se ices, 2005.
Abs ac
IMPACT SCENARIOS OF A HYPOTHETIC INFLUENZA
PANDEMIC IN THE PORTUGUESE POPULATION: MOR-
BIDITY, MORTALITY AND HEALTH CARE NEEDS
In oduc ion — The s udy desc ibes he impac scena ios o a
hypo he ic in luenza pandemic in he heal h and in he heal h
se ices o he Po uguese popula ion. I is an upda ed e sion
o he p elimina y scena ios published in 2005.
Ma e ial and me hods — The scena ios conside ha a wo
wa e pandemic will occu ; he i s one (a ack a e = 10%)
being less se e e han he second one (a ack a e = 20%, 25%
o 30%). This epo include only he scena ios co esponding
o he mos se e e si ua ion (a ack a e = 10% + 30%).
The scena ios we e based in he me hod p oposed by Mel ze ,
M. I., Cox, N.J. e Fukuda, K. (1999), al hough almos all pa-
ame e s we e adap ed o he Po uguese popula ion. The modi-
ica ions included 1. du a ion o he pandemic; 2. case- a ali y
a e; 3. Pe cen age o he popula ion wi h a high isk o com-
plica ions; 4. Pe cen age o pa ien s wi h a suspec ed se o
symp oms ha will seek ambula o y medical ca e; 5. Time
elapsed be ween symp oms onse and seeking medical ca e; 6.
Pe cen age o pa ien s wi h e ec i e access o an an i i al; 7.
a e o hospi al admission by in luenza and ime o hospi al
s ay; 8. Pe cen age o pa ien admi ed o hospi al ha will
need in ensi e ca e (IC) and du a ion o IC; 9. e ec i eness o
osel ami i o p e en complica ions and dea h.
Resul s — The scena ios co esponding o he mo e se e e
si ua ion (o e all a ack a e = 10%+30%) a e p esen ed bo h
wi hou in e en ion and wi h he he apeu ic use o
osel ami i . Resul s wi hou in e en ion o he «mos likely»
scena io a e:
To al numbe o cases — 4 142 447.
To al numbe o cases seeking o ambula o y ca e — 5 799
426
To al numbe o hospi al admissions — 113 712
To al numbe o admissions o in ensi e ca e uni s — 17 057.
To al numbe o dea hs — 32 051
When he scena ios we e calcula ed aking in o accoun he use
o osel ami i (conside ing a 10% o 30% o e ec i eness), a
dec ease o he numbe s o dea hs and hospi aliza ions was
ob ained.
The pape epo s also he alues o each o he componen s o
he scena ios in each o he weeks o he pandemic.
Discussion — The esul s epo ed mus be in e p e ed as «sce-
na ios» no as « o ecas s». In ac , he unce ain ies ela ed o
he disease, and i s agen , do no allow o ecas ing, wi h
enough alidi y, he impac s on he popula ion and on heal h
se ices. The scena ios epo ed mus be used, essen ially, o
planning pu poses. The e o e, he p epa a ion o he esponse
o a possible pandemic can be suppo ed by app oxima e alues
co esponding o he mos se e e si ua ions. The use o hese
scena ios o o he pu poses is inadequa e and he au ho s
s ongly discou age i .
Keywo ds — in luenza; pandemic scena ios; mo bidi y; mo -
ali y; heal h se ices; epidemiology; epidemiological s udies