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Prevalência de obesidade em adolescentes do distrito de Viseu

Amaral, Odete,Pereira, Carlos,Escoval, Ana

Abstract

RESUMO - Introdução: A prevalência de obesidade apresenta valores preocupantes em todas as idades e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um importante problema de saúde pública. Diversos estudos mostram que a sua prevalência tem aumentado significativamente nas últimas décadas, particularmente nos países industrializados. O objectivo da presente investigação foi calcular a prevalência de excesso de peso e de obesidade em adolescentes do distrito de Viseu. Métodos: Realizámos um estudo transversal onde avaliámos os alunos de vinte e seis das quarenta e oito escolas públicas do terceiro ciclo e secundário do distrito de Viseu, frequentadas por um total de 23 895 alunos, do 7.o ao 12.o ano. A recolha dos dados foi efectuada através de um questionário auto-aplicado e respondido pelos alunos em sala de aula. Dos 8768 questionários distribuídos recolhemos 7644 (87,2%). Foram excluídos da análise os questionários sem informação para o sexo e para a idade. Ficámos com uma amostra global de 7563 adolescentes, sendo 4117 (54,4%) do sexo feminino. O excesso de peso e a obesidade foram avaliados utilizando o índice de massa corporal (IMC) calculado pela razão entre o peso auto declarado em quilogramas e o quadrado da altura, em metros, também auto declarada (kg/m2). Definimos excesso de peso para valores compreendidos entre o percentil 85 e 95, obesidade para um percentil superior ou igual a 95, e excesso de peso e obesidade para um percentil superior ou igual a 85. Resultados: No total da amostra, a prevalência de excesso de peso é de 13,7%, superior no sexo masculino (16,0% vs. 11,6%). A prevalência de obesidade é de 3,4%, superior no sexo masculino (4,2% vs. 2,8%). A prevalência de excesso de peso e obesidade é de 17,1%, superior no sexo masculino (20,2% vs. 14,4%). Os concelhos situados a norte do distrito de Viseu apresentam prevalências superiores, de excesso de peso (15,9% vs. 13,0%, OR = 1,3; IC95% 1,1-1,5), de obesidade (4,5% vs. 3,6%, OR = 1,3; IC95% 1,0-1,7) e de excesso de peso e obesidade (19,1% vs. 15,7%, OR = 1,3; IC95% 1,1-1,4). A prevalência de excesso de peso e obesidade é superior entre os adolescentes com o índice de aglomeração superior a um. Conclusões: Regista-se uma elevada prevalência de excesso de peso e de obesidade, superior no sexo masculino, com diferenças geográficas significativas.

Full text

47 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos adolescen es Ode e Ama al é assis en e da Escola Supe io de Saúde de Viseu; mes e em Ges ão de Se iços de Saúde pelo Ins i u o Supe io de Ciências do T abalho e da Emp esa (ISCTE). Ca los Pe ei a é p o esso coo denado da Escola Supe io de Saúde de Viseu; mes e em Saúde Pública pelo ICBAS/Faculdade de Medicina do Po o; dou o em Biologia Humana pela Facul- dade de Medicina do Po o. Ana Esco al é p o esso a auxilia de Polí icas e Adminis ação de Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública; mes e em Ciências Emp esa iais pelo Ins i u o Supe io de Ciências do T abalho e da Emp esa (ISCTE); dou o a em Ges ão pelo Ins i u o Supe io de Ciências do T abalho e da Emp esa (ISCTE). Subme ido à ap eciação: 27 de Se emb o de 2006. Acei e pa a publicação: 20 de No emb o de 2006. P e alência de obesidade em adolescen es do dis i o de Viseu ODETE AMARAL CARLOS PEREIRA ANA ESCOVAL In odução: A p e alência de obesidade ap esen a alo es p eocupan es em odas as idades e é econhecida pela O ganização Mundial da Saúde como um impo an e p o- blema de saúde pública. Di e sos es udos mos am que a sua p e alência em aumen ado signi ica i amen e nas úl i- mas décadas, pa icula men e nos países indus ializados. O objec i o da p esen e in es igação oi calcula a p e a- lência de excesso de peso e de obesidade em adolescen es do dis i o de Viseu. Mé odos: Realizámos um es udo ans e sal onde a aliá- mos os alunos de in e e seis das qua en a e oi o escolas públicas do e cei o ciclo e secundá io do dis i o de Viseu, equen adas po um o al de 23 895 alunos, do 7.o ao 12.o ano. A ecolha dos dados oi e ec uada a a és de um ques ioná io au o-aplicado e espondido pelos alunos em sala de aula. Dos 8768 ques ioná ios dis ibuídos ecolhe- mos 7644 (87,2%). Fo am excluídos da análise os ques io- ná ios sem in o mação pa a o sexo e pa a a idade. Ficámos com uma amos a global de 7563 adolescen es, sendo 4117 (54,4%) do sexo eminino. O excesso de peso e a obesidade o am a aliados u ilizando o índice de massa co po al (IMC) calculado pela azão en e o peso au o decla ado em quilog amas e o quad ado da al u a, em me os, ambém au o decla ada (kg/m2). De inimos excesso de peso pa a alo es comp eendidos en e o pe cen il 85 e 95, obesidade pa a um pe cen il supe io ou igual a 95, e excesso de peso e obesidade pa a um pe cen il supe io ou igual a 85. Resul ados: No o al da amos a, a p e alência de excesso de peso é de 13,7%, supe io no sexo masculino (16,0% s. 11,6%). A p e alência de obesidade é de 3,4%, supe io no sexo masculino (4,2% s. 2,8%). A p e alência de excesso de peso e obesidade é de 17,1%, supe io no sexo masculino (20,2% s. 14,4%). Os concelhos si uados a no e do dis- i o de Viseu ap esen am p e alências supe io es, de excesso de peso (15,9% s. 13,0%, OR = 1,3; IC95% 1,1-1,5), de obesidade (4,5% s. 3,6%, OR = 1,3; IC95% 1,0-1,7) e de excesso de peso e obesidade (19,1% s. 15,7%, OR = 1,3; IC95% 1,1-1,4). A p e alência de excesso de peso e obesidade é supe io en e os adolescen es com o índice de aglome ação supe io a um. Conclusões: Regis a-se uma ele ada p e alência de excesso de peso e de obesidade, supe io no sexo masculino, com di e enças geog á icas signi ica i as. Pala as-cha e: p e alência; obesidade; adolescen es; saúde dos adolescen es. 48 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos adolescen es In odução A obesidade é econhecida pela O ganização Mun- dial de Saúde (OMS) como um impo an e p oblema de saúde pública, a ec ando c ianças, adolescen es e adul os (US Na ional Ins i u es o Heal h, 2000; WHO, 2000). Os dados do In e na ional Obesi y Task Fo ce (IOTF) mos a am que nos úl imos anos a p e alência de obesidade em aumen ado signi ica- i amen e em á ias egiões do mundo, sendo, em g ande pa e, esponsá el pelo aumen o da mo ali- dade e mo bilidade com implicações signi ica i as no indi íduo, na amília e na comunidade (Die z e Bellizi, 1999; Cole e al., 2000). Esse aumen o da p e alência de obesidade e conse- quen e aumen o do isco de desen ol imen o de doenças c ónicas na idade adul a, que lhe es á asso- ciado, de e se igo osamen e moni o izado (WHO, 1995; Cole e al., 2000). Essa moni o ização pe mi e a alia a e olução do p oblema, p ocede a compa a- ções en e á ias egiões e ou países e de e mina a e icácia das in e enções in oduzidas pa a minimi- za o p oblema. Pa a que al acon eça, o na-se necessá io uni o miza os concei os de excesso de peso e obesidade pa a que possam se amplamen e u ilizados. O excesso de peso signi ica o aumen o do peso endo po base a al u a do indi íduo, sem se e i ica um aumen o do ecido adiposo. A obesidade e lec e, quali a i amen e e quan i a i amen e, a p opo ção de ecido adiposo (T oiano e Flegal, 1998; Pi-Sunye , 2000; Kain e al., 2002). Embo a os indi íduos obe- sos ap esen em di e enças an o na quan idade de go du a como na sua dis ibuição co po al (Na ional Task Fo ce on he P e en ion and T ea men o Obesi y, 2000; Pi-Sunye , 2000; OMS, 2004), as doenças associadas à obesidade es ão mais elaciona- das com a dis ibuição mo ológica da go du a (Na ional Task Fo ce on he P e en ion and T ea - men o Obesi y, 2000; OMS, 2004). Assim, basea- dos em ca ac e ís icas mo ológicas, exis em dois sub-g upos di e en es: a obesidade ginóide ( ipo pê a) — cuja go du a se dis ibui sob e udo nas egiões das coxas, ancas e nádegas, ca ac e ís ica do sexo eminino; e a obesidade and óide ( ipo maçã) – cuja go du a se dis ibui p incipalmen e no abdómen e es á p esen e sob e udo no sexo masculino (Na ional Task Fo ce on he P e en ion and T ea - men o Obesi y, 2000; OMS, 2004). Es udos demons a am que a obesidade do ipo and óide es á associada a á ios dis ú bios me abólicos, ais como dislipidémias, hipe ensão a e ial, doença ca díaca, in ole ância à glicose e p oblemas pulmona es (apneia do sono) (Na ional Task Fo ce on he P e- en ion and T ea men o Obesi y, 2000; Pi-Sunye , 2000). A obesidade ginóide es á associada, sob e- udo, a al e ações ci cula ó ias e ho monais (Na ional Task Fo ce on he P e en ion and T ea men o Obesi y, 2000). A melho ia da si uação socioeconómica deco en e das al e ações das condições de ida das populações, associou-se a uma mudança nos hábi os de ida designadamen e nos pad ões alimen a es, aduzidos num aumen o no consumo de comidas ápidas e no seden a ismo. Simul aneamen e o am obse ados aumen os na p e alência de excesso de peso e obesi- dade (OMS, 2004). Con udo, a dimensão do p o- blema e a sua e olução ap esen a uma impo an e a iabilidade geog á ica. Um es udo ealizado en e 1997-1998, em eze países eu opeus, Is ael e EUA, num o al de 29 242 adolescen es de ambos os sexos com idades comp eendidas en e eze e quinze anos, e idenciou di e enças signi ica i as nas p e alências de excesso de peso e de obesidade en e os adoles- cen es sendo supe io nos EUA, I landa, G écia e Po ugal (Lissau e al., 2004). Os dados mais ab angen es sob e a p e alência de obesidade em odo o mundo são os do P ojec o MONICA-OMS — um es udo ealizado em qua en a e oi o países com uma amos a de indi íduos com idades comp eendidas en e in a e cinco e sessen a e qua o anos, que mos am uma signi ica i a a ia- bilidade geog á ica das p e alências de excesso de peso e de obesidade (Mola ius e al., 2000). Po ou o lado egis ou ambém um impo an e aumen o na p opo ção de obesos (Mola ius e al., 2000). Nos EUA a p e alência de excesso de peso e de obesi- dade aumen ou conside a elmen e em c ianças, ado- lescen es e adul os desde os anos sessen a (Ogden e al., 2002; Hedley e al., 2004). Os dados do Thi d Na ional Heal h and Nu i ion Examina ion Su eys (NHANES III), ela i o ao pe íodo comp eendido en e 1988 e 1994, en ol endo c ianças com idades comp eendidas en e os oi o e os dezasseis anos, e ela am que 25% inham excesso de peso e 12% e am obesas (Ande sen, 2003). Uma me a-análise, incluindo os es udos Na ional Heal h Examina ion Su ey (NHES I: 1960-1962) e Na ional Heal h and Nu i ion Examina ion Su eys (NHANES I: 1971- -1974; NHANES II: 1976-1980; NHANES III: 1988- -1994), mos ou que a p e alência de excesso de peso (IMC ≥25,0 kg/m2) oi de 30,5% em 1960- -1962; 32,0% em 1971-1974; 31,5% em 1976-1988 e de 32,0% em 1988-1994 e, a p e alência de obesi- dade (IMC ≥30,0 kg/m2) oi de 12,8% em 1960- -1962; 14,1% em 1971-1974; 14,5% em 1976-1980 e de 22,5% em 1988-1994; independen emen e de ac- o es como a idade, o sexo e a e nia (Flegal e al., 1998). Ou o es udo, ealizado nos EUA com uma amos a de 4722 c ianças e adolescen es dos dois aos 49 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos adolescen es dezano e anos, mos ou que a p e alência de excesso de peso en e 1960 e 1988-1994 na aixa e á ia dos seis aos onze anos aumen ou de 4% pa a 11% e en e os doze e dezano e anos aumen ou de 5% pa a 11% (Ogden e al., 2002). Compa ando os esul ados dos es udos NHANES III (1988-1994) e NHANES (1999-2000) e i ica-se que a p e alência de excesso de peso aumen ou de 10,5% pa a 15,5% em adoles- cen es com idades comp eendidas en e os doze e os dezano e anos, de 11,3% pa a 15,3% em c ianças com idades comp eendidas en e os seis e os onze anos e de 7,2% pa a 10,4% em c ianças com idades comp eendidas en e os dois e os cinco anos (Ogden e al., 2002). Rela i amen e aos adul os, ambém se e i icou um aumen o da p e alência de excesso de peso de 55,9% em 1988-1994 pa a 64,5% em 1999- -2000, e de obesidade, de 22,9% em 1988-1994 pa a 30,5% em 1999-2000 (Flegal e al., 2002). O mesmo es udo e idenciou que a p e alência de obesidade g au III (IMC ≥40,0 kg/m2) aumen ou de 2,9% pa a 4,7% (Flegal e al., 2002). Em Espanha, num es udo ealizado com c ianças en e os no e e os doze anos o am calculadas p e a- lências de excesso de peso de 26,6% e de obesidade de 3,9%; supe io es no sexo eminino (Ma inez e al., 2002). No mesmo es udo, o isco ela i o (RR) de excesso de peso e obesidade em 1998 oi de 2,9 (IC95% 2,21-4,04) ela i amen e aos indi íduos que inham excesso de peso e obesidade em 1992 (Ma inez e al., 2002). Na Suécia, em 1997, a p e- alência de excesso de peso e a de 12,3%, 11,6% e 11,4% em apazes com idades de doze, quinze e dezoi o anos, e de 6,8%, 5,5% e 4,8% em apa igas com idades de doze, quinze e dezoi o anos, espec i- amen e (Be g e al., 2001). No mesmo es udo, a p e alência de obesidade oi de 7,9%, 8,9% e 7,3% pa a os apazes com doze, quinze e dezoi o anos, e de 5,1%, 4,2% e 3,9% pa a as apa igas com doze, quinze e dezoi o anos, espec i amen e (Be g e al., 2001). Um es udo ealizado na G écia mos ou que a p e alência de excesso de peso e de obesidade em c ianças com idades comp eendidas en e os seis e os dez anos oi de 25,3% e 5,6%, espec i amen e, e nos adolescen es com idades comp eendias en e os onze e os dezasse e anos oi de 19,6% e 2,9% (K assas e al., 2001). Um es udo ealizado no Chile com c ian- ças e adolescen es mos ou que, en e 1987 e 2000, a p e alência de obesidade aumen ou de 5,1% pa a 14,7% no sexo masculino, e de 4,0% pa a 15,8% no sexo eminino (Kain e al., 2002). Na Aus ália, en e 1985 e 1995, em indi íduos com idades comp eendi- das en e os se e e os quinze anos e i icou-se igual- men e um aumen o da p e alência de excesso de peso de 9,3% pa a 15,0% no sexo masculino, e de 10,6% pa a 15,8% no sexo eminino (Ma ga ey, Daniels e Boul on, 2001). No mesmo es udo, a p e- alência de obesidade aumen ou de 1,7% pa a 4,5% no sexo masculino e de 1,6% pa a 5,3% no sexo eminino (Ma ga ey, Daniels e Boul on, 2001). No e e ido es udo, o pico da p e alência de excesso de peso e obesidade e i icou-se en e os doze e os quinze anos no sexo masculino e en e os se e e os onze anos no sexo eminino (Ma ga ey, Daniels e Boul on, 2001). Na Áus ia, en e 1985 e 2000, a p e alência de excesso de peso aumen ou de 10,9% pa a 15,5% e a p e alência de obesidade aumen ou de 1,8% pa a 4,9% (Rami e al., 2001). Dados sob e p e alência de obesidade em Po ugal, ob idos num es udo que en ol eu a população do con inen e, mos a am que 50% da população em excesso de peso, des acando que na população en e dezoi o e sessen a e cinco anos, 13% dos homens e 16% das mulhe es são obesos. A p e alência de excesso de peso no o al da amos a oi de 35,2%. A p e alência de obesidade de g au I oi de 11,8%, de g au II oi de 1,8% e de g au III oi de 0,8%. Dos es an es 50% com um IMC in e io a 25,0 kg/m2, 47,8% ap esen a am peso no mal e 2,6% inham alo es compa í eis com mag eza (Gal ão Teles e al., 2002). Um es udo ealizado com base nos egis- os das inspecções mili a es ela i as ao pe íodo de 1960-1990, mos ou que a p opo ção de jo ens com um IMC in e io a 25,0 kg/m2 e a de 8,1% em 1960 e de 18% em 1990, e a p opo ção de jo ens com um IMC supe io a 30,0 kg/m2 e a de 0,9% em 1960 e de 2,9% em 1990 (Cas o e al., 1998). Ou o es udo ealizado no dis i o de Se úbal e idenciou p e alên- cias de excesso de peso de 49,1% no sexo masculino e 37,7% no sexo eminino (Ma ins e al., 1992). Esse mesmo es udo mos ou que a p e alência de obesidade no sexo masculino e a de 15,3% e no sexo eminino e a de 20,3% (Ma ins e al., 1992). Ou o es udo ealizado em 1995 com indi íduos das cinco adminis ações egionais de saúde, compa ando os dois sexos (1907 homens e 2574 mulhe es com ida- des comp eendidas en e os 18 e os 65 anos), e elou que 15,4% das mulhe es e 12,9% dos homens e am obesos (Ca mo e al., 2000). Num es udo ealizado em es udan es da Uni e sidade de Coimb a (2835 apazes e 3366 apa igas com idades comp eendidas en e os 18 e os 23 anos), concluí am que 20,3% dos apazes e 10,5% das apa igas ap esen a am excesso de peso e que 2,7% dos apazes e 1,3% das apa igas ap esen a am obesidade (Padez, 2002). Um es udo mais ecen e, baseado nos dados do Inqué- i o Nacional de Saúde (INS) de 1995/1996 com uma amos a de 49 718 indi íduos de ambos os sexos e com mais de quinze anos, mos ou que a p e alência de excesso de peso (25,0 ≤IMC ≤29,9 kg/m2) e a de 41,1% no sexo masculino e 33,5% no sexo eminino 50 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos adolescen es e a p e alência de obesidade (IMC ≥30,0 kg/m2) e a de 12,2% no sexo eminino e 10,4% no sexo mas- culino (Dias e Pe ei a, 1998). Ou o es udo baseado nos dados do INS (36 682 homens e 61 702 mulhe es com mais de dezoi o anos) mos ou que en e 1995- -1996 e 1998-1999 a p e alência de excesso de peso no sexo masculino aumen ou de 39,4% pa a 41,9% e no sexo eminino de 31,8% pa a 31,9% (Ma ques- -Vidal e Dias, 2004). No mesmo es udo, a p e alên- cia de obesidade no sexo masculino aumen ou de 10,1% pa a 11,3% e no sexo eminino de 12,5% pa a 14,0% (Ma ques-Vidal e Dias, 2004). Um es udo ealizado com dados ela i os ao pe íodo comp eendido en e 1983 e 1987, u ilizando uma amos a de 150 000 ec u as dos dezoi o dis i os de Po ugal, mos ou que a p e alência de excesso de peso e de obesidade aumen ou en e 1983 e 1987 (Ca doso e Viei a, 1990). A p e alência de excesso de peso e obesidade e a supe io en e os homens da egião Cen o. As p e alências mais baixas o am obse adas na egião Sul. Analisando a egião Cen- o, e i ica-se que as zonas de Coimb a e os conce- lhos limí o es ap esen am p e alências supe io es de excesso de peso e de obesidade (Ca doso e Viei a, 1990). O objec i o da p esen e in es igação oi quan i ica a p e alência de excesso de peso e de obesidade em adolescen es do dis i o de Viseu. Pa icipan es e mé odos E ec uámos um es udo ans e sal cujo espaço amos- al e a cons i uído po qua en a e oi o escolas públi- cas do e cei o ciclo e secundá io do dis i o de Viseu, equen adas po um o al de 23 895 alunos do sé imo ao décimo segundo ano. Es es dados o am disponibilizados pelo Cen o de Á ea Educa i a de Viseu (CAE). O dis i o de Viseu é cons i uído po in e e qua o concelhos: Cin ães, Resende, Lamego, A mama , Tabuaço, São João da Pesquei a, Pene- dono, Se nancelhe, Moimen a da Bei a, Ta ouca, Cas o Dai e, São Ped o do Sul, Vila No a de Pai a, Sá ão, Penal a do Cas elo, Viseu, Vouzela, Oli ei a de F ades, Mangualde, Nelas, Ca egal do Sal, San a Comba Dão, Mo água e Tondela. Das qua en a e oi o escolas do dis i o de Viseu a a- liámos in e e seis, uma escola po cada concelho com excepção dos concelhos de Viseu e de Penal a do Cas elo em que o am a aliadas duas escolas. A decisão de a alia duas escolas nes es concelhos de eu-se à necessidade de engloba alunos do 7.o ao 12.o ano. No concelho de Penal a do Cas elo, a escola secundá ia (Escola Básica 2,3 e Secundá ia de Penal a do Cas elo) em alunos apenas a pa i do décimo ano pelo que oi necessá io a alia ambém a escola básica (Escola Básica 1,2,3 ciclo de Penal a do Cas elo). No concelho de Viseu a escola básica seleccionada alea o iamen e (Escola Básica 2,3 D . Aze edo Pe digão) de en e as ês possí eis possuía alunos a equen a o sé imo, oi a o e nono ano de escola idade, azão pela qual decidimos en- globa ou a escola secundá ia equen ada po alu- nos do décimo, décimo p imei o e décimo segundo ano (Escola Secundá ia Emídio Na a o) de en e as duas possí eis. Nos es an es concelhos em que ha ia mais do que uma escola, op ámos po inclui a escola que i esse alunos do sé imo ao décimo segundo ano de escola idade. Dos 8768 ques ioná ios dis ibuídos pelas in e e seis escolas, o am ecolhidos 7644 (87,18%). Os ques- ioná ios o am dis ibuídos pelas escolas com base no núme o de alunos o necido pelo CAE. Nos alu- nos da Escola Secundá ia Emídio Na a o de Viseu e Escola Secundá ia de Moimen a da Bei a só oi possí el a a aliação de ês u mas em cada ano (10.o, 11.o e 12.o ano), uma ez que os p esiden es dos conselhos execu i os jus i ica am que os espec i os alunos se encon a am em exames e como al não e a possí el dispensa um empo lec i o pa a p ocede- em ao p eenchimen o do ques ioná io. No concelho de Ca egal do Sal só nos oi pe mi ido aplica os ques ioná ios na Escola Básica de Ca egal do Sal (do 7.o ao 9.o ano) po que a escola secundá ia ecusou pa icipa no es udo. Uma ez que a nossa opção oi engloba uma escola de cada concelho, odos os alunos o am conside a- dos elegí eis pa a pa icipa no es udo desde que i essem idades comp eendidas en e doze e dezoi o anos e equen assem en e o sé imo e o décimo segundo ano de escola idade. Em dias p e iamen e combinados com os p esiden es dos conselhos execu i os das escolas p ocedemos à en ega dos ques ioná ios que o am dis ibuídos pelos di ec o es de u ma que, po sua ez, ma ca- am o dia e a ho a pa a o seu p eenchimen o. Foi igualmen e combinada uma da a pa a a ecolha dos ques ioná ios e quinze dias depois e ec uada no a isi a à escola pa a ecolhe e en uais ques ioná ios dos alunos em al a. Dos 7644 ques ioná ios ecolhidos, o am excluídos da análise aqueles que não ap esen a am in o mação pa a o sexo (n= 32), pa a a idade (n= 35) e pa a a idade e o sexo (n= 14). A amos a global analisada icou cons i uída po 7563 adolescen es, sendo 3446 (45,6%) do sexo masculino e 4117 (54,4%) do sexo eminino. Ve i icamos que a dis ibuição po idades nos dois sexos em conjun o ap esen a uma p opo ção de 11,3% com 12 anos, 15,1% com 13 anos, 17,2% com 14 anos, 19,1% com 15 anos, 16,5% com 16 51 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos adolescen es anos, 13,3% com 17 anos e 7,6% com 18 anos. A maio p opo ção de adolescen es do sexo mas- culino encon a-se a equen a o sé imo ano de escola idade, num o al de 763 (22,2%). No sexo eminino, a maio p opo ção das adolescen es encon- a-se a equen a o 10.o ano de escola idade, num o al de 807 (19,6%). Conside ando ambos os sexos, a maio p opo ção (20,3%) dos adolescen es equen- a o 7.o ano de escola idade, 18,4% equen am o 8.o ano, 18,2% o 9.o, 18,5% o 10.o, 12,1% o 11.o e 12,6% o 12.o. A maio ia dos pais dos adolescen es de ambos os sexos ap esen a a uma escola idade de 5-6 anos (39,4%). Rela i amen e ao índice de aglome ação, 68,4% dos adolescen es de ambos os sexos enquad a- -se no índice in e io a 1,0 (pessoa po assoalhada), 17,3% no índice 1,0 e 14,3% no índice supe io a 1,0. Quan o ao local de esidência, a maio ia dos adolescen es inqui idos (66,1%) i e na aldeia, 25,9% na ila e 8,0% na cidade (Tabela I). A ecolha de dados oi e ec uada a a és de um ques- ioná io au o-aplicado, espondido pelos adolescen es Tabela I Ca ac e ização da amos a Masculino Feminino To al nPe cen agem nPe cen agem nPe cen agem 3446 45,6 4117 54,4 7563 100,0 Idade (anos) 12 1373 10,8 1482 11,7 1855 11,3 13 1523 15,2 1615 14,9 1138 15,1 14 1651 18,9 1647 15,7 1298 17,2 15 1636 18,5 1806 19,6 1442 19,1 16 1577 16,7 1674 16,4 1251 16,5 17 1419 12,2 1583 14,2 1002 13,3 18 1267 17,8 1310 17,5 1577 17,6 Ano de escola idade 171763 22,2 1768 18,7 1531 20,3 181689 20,0 1700 17,0 1389 18,4 191654 19,0 1722 17,5 1376 18,2 10 1588 17,1 1807 19,6 1395 18,5 11 1384 11,2 1532 12,9 1916 12,1 12 1367 10,7 1587 14,3 1954 12,6 Habili ações li e á ias dos pais 0-4 1772 22,5 1861 21,0 1633 21,7 5-6 1333 38,8 1636 39,9 2969 39,4 7-12 1841 24,5 1066 26,0 1907 25,3 >12 1248 17,2 1230 5,6 1478 16,3 S/ in o mação 1240 17,0 1313 7,6 1553 17,3 Índice de aglome ação < 1,0 2359 68,5 2810 68,3 5169 68,4 1,0 1579 16,8 1731 17,8 1310 17,3 > 1,0 1508 14,7 1576 14,0 1084 14,3 Local de esidência Aldeia 2196 64,4 2759 67,6 4955 66,1 Vila 1922 27,0 1015 24,9 1937 25,9 Cidade 1294 18,6 1306 17,5 1600 18,0 52 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos adolescen es em sala de aula. Os alunos de seis u mas do décimo segundo ano esponde am o a dos empos lec i os, pelo ac o de se encon a em em exames e não se iá el a sua dispensa pa a o e ei o. Não se obse ou qualque ecusa po pa e dos alunos. An es do aba- lho de campo, que deco eu en e No emb o de 2003 e Ab il de 2004, oi e ec uado um es udo pilo o que en ol eu 245 adolescen es de uma escola cujos ques- ioná ios não o am englobados na análise inal. Es e es udo oi e ec uado com o objec i o de es ima a p e alência de obesidade nes as idades, bem como a alia a adap abilidade do ins umen o de colhei a de dados e demais p ocedimen os de ecolha de in o mação. Da análise dos esul ados, não hou e luga à ealização de al e ações. Em elação à ca ac e ização da obesidade eco emos ao IMC, calculado pela azão en e o peso, au o- -decla ado, em quilog amas e o quad ado da al u a, ambém au o-decla ada, em me os (kg/m2) (índice de Que ele , 1869) (Ga ow e Webs e , 1985). No p esen e es udo, po se a a de adolescen es com idades comp eendidas en e doze e dezoi o anos, o excesso de peso e a obesidade o am classi icados segundo os pe cen is ela i os ao IMC segundo o sexo e as di e en es idades. Em di e sos es udos, en ol endo c ianças e adolescen es dos dois aos dezoi o anos êm sido amplamen e u ilizados os pe cen is, pois ap esen am uma al a especi icidade pa a o diagnós ico de excesso de peso e de obesi- dade, com um pon o de co e no pe cen il 85 pa a o excesso de peso e 95 pa a a obesidade (Rosne e al., 1998; Cole e al., 2000). Con udo, uma das limi a- ções é a baixa sensibilidade pois ap esen a mui os alsos nega i os em especial quando se p e ende diagnos ica adolescen es em isco pa a obesidade (Rosne e al., 1998). Ou a limi ação epo a-se ao ac o de não a alia a dis ibuição da go du a co po- al, o que cons i ui po si só um ac o p edic o inde- penden e pa a ce as co-mo bilidades (Na ional Task Fo ce on he P e en ion and T ea men o Obesi y, 2000). A es a égia de análise ela i a aos pe cen is de IMC e espec i os pon os de co e conside ada nes a in es igação oi a seguin e: • Peso adequado (PA) — pe cen il ≤85; • Excesso de peso (EP) — 85 ≥pe cen il < 95; • Obesidade (O) — pe cen il ≥95; • Excesso de peso e obesidade (EP + O) — pe cen il ≥85. Na p esen e in es igação, os alo es u ilizados pa a a de inição de excesso de peso e de obesidade o am os p opos os po Cole (Cole e al., 2000) (Tabela II). Fo am excluídos da análise os ques ioná ios sem in o mação pa a o peso (n= 163), pa a a al u a (n= 380) e pa a o peso e al u a (n= 265). Fo am analisados os dados ela i os a 6755 adolescen es, dos quais 3657 (54,1%) e am do sexo eminino. A idade dos adolescen es, em anos, oi ob ida a pa i de uma pe gun a abe a sob e a da a de nascimen o e e e ida a in a e um de Dezemb o de 2003. O ní el socioeconómico diz espei o à si uação social e económica do ag egado amilia . Pa a es a a iá el u ilizámos como indicado a escola idade dos pais e o índice de aglome ação. A escola idade dos pais oi classi icada em qua o ní eis com base no sis ema do ensino po uguês. No ní el I o am englobados os que possuíam en e ze o e qua o anos de escola i- Tabela II Pon os de co e in e nacionais, pa a de ini excesso de peso e obesidade, segundo o sexo e a idade IMC 25 kg/m2IMC 30 kg/m2 Idade Masculino Feminino Masculino Feminino 12 21,22 21,68 26,02 26,67 13 21,91 22,58 26,84 27,76 14 22,62 23,34 27,63 28,57 15 23,29 23,94 28,30 29,11 16 23,90 24,37 28,88 29,43 17 24,46 24,70 29,41 29,69 18 25,00 25,00 30,00 30,00 Fon e: COLE, T. J.; BELLIZZI, M. C.; FLEGAL, K. M.; DIETZ, W. H. — Es ablishing a s anda d de ini ion o child o e weigh and obesi y wo ldwide : in e na ional su ey. BMJ. 320 (2000) 1-6. 53 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos adolescen es dade, no ní el II os que possuíam cinco ou seis anos de escola idade, no ní el III os que possuíam en e se e e doze anos de escola idade, no ní el IV os de en o es de um cu so médio ou supe io . O índice de aglome ação oi ob ido a pa i do quocien e en e o núme o de pessoas que habi am a casa e o núme o de assoalhadas (a aliado pela soma do núme o de qua os e salas), sendo classi icado em ês g upos: • < 1,0 pessoa po assoalhada; • 1,0 pessoa po assoalhada; • >1,0 pessoa po assoalhada. Quan o maio o alo do índice de aglome ação pio é o es a u o socioeconómico do ag egado amilia . No p ocessamen o e análise dos dados o am u iliza- dos os p og amas Epi-In o 6.04ª (Dean, Dean e Coulombie , 1994) e S a is ical Package o he Social Sciences (SPSS 11.5). As a iá eis con ínuas o am desc i as a a és de medidas de endência cen- al (média) e medidas de dispe são (des io pad ão). Fo am ainda calculadas p e alências, exp essas em pe cen agens com os espec i os in e alos de con- iança a 95% (IC95%). Pa a compa ação de a iá eis con ínuas, independen emen e da na u eza da dis i- buição, u ilizámos os es es de Mann Wi ney e de K uskal-Wallis e pa a compa ação de p opo ções o es e de qui quad ado. A magni ude da associação en e um ac o e a doença oi es imado a a és do cálculo do odds a ios (OR) com os espec i os in e - alos de con iança a 95%. O p ojec o oi subme ido à Comissão de É ica do Hospi al de São João, Po o. Foi ob ida au o ização, jun o do CAE, pa a con ac a mos as escolas e pos e- io men e p ocede mos à ecolha dos dados. A di ul- gação dos esul ados não az e e ência nominal aos adolescen es nem con ém in o mação passí el de iden i ica qualque pa icipan e. Resul ados No o al da amos a a p e alência de excesso de peso é de 13,7%, a p e alência de obesidade é de 3,4% e a p e alência de excesso de peso e obesidade é de 17,1%. Na Tabela III e i icamos que o sexo mas- culino ap esen a uma p e alência supe io de excesso de peso (16,0% s. 11,6% p< 0,01) e de obesidade (4,2% s. 2,8% p< 0,01). A maio p opo ção de adolescen es com excesso de peso e com obesidade egis a-se aos 12 anos, com 17,5% e 5,4%, espec i- amen e. A meno p opo ção de adolescen es com excesso de peso e i ica-se aos 17 anos (10,0%) e com obesidade aos 16 anos (2,4%). A p opo ção de adolescen es com excesso de peso e obesidade no sé imo ano é de 25,3%, de 17,9% no 8.o ano, de 18,8% no 9.o ano, de 13,4% no 10.o ano, de 13,8% no 11.o ano e de 10,7% no 12.o ano. O excesso de peso e obesidade ap esen a uma elação in e sa com as habili ações li e á ias dos pais, pois à medida que o ní el de escola idade dos pais aumen a a p e alência de excesso de peso e obesidade diminui. A p e alên- cia de excesso de peso e obesidade nos adolescen es cujos pais êm en e 0-4 anos de escola idade é de 19,7%, en e 5-6 anos é de 16,5%, en e 7-12 anos é de 16,3% e pa a aqueles que possuem mais do 12.o ano é de 13,9%. En e aqueles que não inham in o - mação ela i a à escola idade dos pais a p e alência de excesso de peso e obesidade é de 19,1%. Em ela- ção às ca ac e ís icas habi acionais, a maio p e a- lência de excesso de peso e obesidade (21,0%) e i ica-se en e os que ap esen am um índice de aglome ação supe io a 1,0 (pessoa po assoalhada). Rela i amen e ao local de esidência, não se egis am di e enças signi ica i as na p e alência en e os que i em em aldeias, ilas e cidades. Analisando a dis ibuição das p e alências po con- celhos do dis i o de Viseu (Tabela IV) podemos e i ica que o excesso de peso a ia en e 10,2% no concelho de Mo água e 19,2% no concelho de Resende. Po ou o lado, a p e alência de obesidade a ia en e 1,4% no concelho do Sá ão e 6,4% no concelho de Lamego. O concelho que ap esen ou a maio p e alência de excesso de peso e obesidade oi Lamego com 22,8%, e o concelho que ap esen ou a p e alência mais baixa oi Nelas com 13,1%. Os concelhos si uados a no e do dis i o de Viseu ap esen am p e alências supe io es de excesso de peso e obesidade (19,1% s. 15,7%, OR = 1,3; IC95% 1,1-1,4) (Figu a 1). Discussão A obesidade é um impo an e p oblema de saúde pública que a ec a c ianças, adolescen es e adul os. Nas úl imas décadas, a p e alência de obesidade em c ianças, adolescen es e adul os em egis ado aumen os signi ica i os, o iginando impo an es epe cussões no indi íduo, na amília e na comuni- dade. Num es udo e ec uado com uma amos a de adoles- cen es de eze e quinze anos em eze países eu o- peus, Is ael e EUA, as p e alências mais al as de obesidade o am egis adas nos EUA, na I landa, na G écia e em Po ugal (Lissau e al., 2004). Num es udo ealizado em 1993, no dis i o de Se úbal, o am calculadas p e alências de excesso de peso de 49,1% no sexo masculino e 37,7% no sexo eminino e p e alências de obesidade de 15,3% no sexo mas- 54 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos adolescen es Tabela III P e alência de excesso de peso e de obesidade EP O EP + O nPe cen agem (IC95%) nPe cen agem (IC95%) nPe cen agem (IC95%) Sexo Masculino 497 16,0(14,8-17,4) 130 4,2(3,5-4,9) 1627 20,2(18,9-21,7) Feminino 426 11,6(10,6-12,7) 102 2,8(2,3-3,4) 1528 14,4(13,3-15,6) To al 923 13,7(12,9-14,5) 232 3,4(3,0-3,9) 1155 17,1(16,2-18,0) p< 0,01 < 0,01 < 0,01 Idade 12 126 17,5(14,9-20,4) 139 5,4(3,9-7,3) 1165 22,9(20,0-26,1) 13 166 17,1(14,8-19,6) 134 3,5(2,5-4,8) 1200 20,6(18,2-23,3) 14 187 16,7(14,6-18,9) 143 3,8(2,8-5,1) 1230 20,5(18,2-22,9) 15 176 13,5(11,7-15,4) 144 3,4(2,5-4,5) 1220 16,9(14,9-18,9) 16 117 10,2(8,5-12,0) 128 2,4(1,7-3,5) 1145 12,6(10,8-14,6) 17 194 10,0(8,2-12,1) 126 2,8(1,9-4,0) 1120 12,8(10,8-15,1) 18 157 10,4(8,1-13,2) 118 3,3(2,0-5,1) 1175 13,7(11,0-16,8) p< 0,01 < 0,01 < 0,01 Ano de escola idade 7244 19,3(17,2-21,6) 176 6,0(4,8-7,4) 1320 25,3(23,0-27,8) 8173 14,5(12,7-16,7) 140 3,4(2,5-4,5) 1213 17,9(15,8-20,2) 9189 15,5(13,6-17,6) 140 3,3(2,4-4,4) 1229 18,8(16,7-21,1) 10 143 10,9(9,4-12,8) 132 2,5(1,7-3,4) 1175 13,4(11,7-15,4) 11 196 11,1(9,2-13,4) 123 2,7(1,7-3,9) 1119 13,8(11,6-16,3) 12 177 8,4(6,7-10,3) 121 2,3(1,5-3,4) 1198 10,7(8,8-12,8) p< 0,01 < 0,01 < 0,01 Habili ações li e á ias dos pais 0-4 228 15,9(14,1-17,9) 155 3,8(2,9-4,9) 1283 19,7(17,7-21,8) 5-6 348 12,9(11,7-14,2) 196 3,6(2,9-4,3) 1444 16,5(15,1-17,9) 7-12 237 13,7(12,1-15,3) 146 2,6(2,0-3,5) 1283 16,3(14,6-18,1) >12 147 10,5(7,9-13,6) 115 3,4(2,0-5,4) 1162 13,9(10,9-17,4) S/ in o mação 160 14,5(11,3-18,1) 119 4,6(2,9-6,9) 1179 19,1(15,5-23,0) p0,02 0,02 0,01 Índice de aglome ação < 1,0 625 13,5(12,5-14,5) 146 3,1(2,7-3,7) 1771 16,6(15,7-17,7) 1,0 149 12,9(11,1-14,9) 134 2,9(2,1-4,0) 1183 15,8(13,8-18,0) > 1,0 149 15,6(13,4-18,0) 152 5,4(4,1-7,0) 1201 21,0(18,5-23,7) p< 0,01 < 0,01 < 0,01 Local de esidência Aldeia 621 14,1(13,1-15,1) 151 3,4(2,9-4,0) 1772 17,5(16,4-18,7) Vila 223 12,8(11,3-14,4) 161 3,5(2,7-4,4) 1284 16,3(14,6-18,0) Cidade 169 12,7(10,1-15,7) 116 3,0(1,8-4,6) 1185 15,7(12,8-18,9) p0,61 0,61 0,34 Ab e ia u as: EP — Excesso de peso (25,0 ≤IMC < 30,0 kg/m2); O — Obesidade (IMC ≥30,0 kg/m2); EP + O — Excesso de peso e obesidade (IMC ≥25,0 kg/m2). culino e 20,3% no sexo eminino (Ma ins e al., 1992). Ou o es udo ealizado em Po ugal e baseado no INS com uma amos a de 36 682 homens e 61 702 mulhe es com mais de dezoi o anos mos ou que a p e alência de excesso de peso e de obesidade aumen ou en e 1995 e 1999 (Ma ques-Vidal e Dias, 2004). No sexo masculino a p e alência de excesso de peso aumen ou de 39,4% pa a 41,9% e no sexo eminino de 31,8% pa a 31,9%. A p e alência de obesidade aumen ou de 10,1% pa a 11,3% no sexo 55 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos adolescen es Tabela IV P e alência de excesso de peso e de obesidade no dis i o de Viseu EP O EP + O Concelhos nPe cen agem (IC95%) nPe cen agem (IC95%) nPe cen agem (IC95%) São Ped o Sul 54 11,9(9,1-15,1) 11 2,4(1,3-4,2) 165 14,3(11,3-17,7) Mangualde 31 12,9(9,1-17,6) 172,9(1,3-5,7) 138 15,8(11,6-20,8) P. do Cas elo 35 11,6(8,3-15,6) 12 4,0(2,2-6,7) 147 15,6(11,8-20,0) S. a C. Dão 48 13,0(9,8-16,7) 14 3,8(2,2-6,1) 162 16,8(13,2-20,8) Nelas 25 11,3(7,3-15,9) 141,8(0,6-4,3) 129 13,1(9,1-18,0) Viseu 60 14,8(11,6-18,5) 18 4,4(2,7-6,8) 178 19,3(15,6-23,3) V. N. de Pai a 28 13,8(9,6-19,1) 194,4(2,2-8,0) 137 18,2(13,4-24,0) Mo água 26 10,2(6,9-14,4) 11 4,3(2,3-7,4) 137 14,6(10,6-19,3) O. de F ades 30 14,5(10,2-19,8) 11 5,3(2,8-9,1) 141 19,8(14,8-25,7) Vouzela 32 14,8(10,5-19,9) 173,2(1,4-6,3) 139 18,0(13,3-23,5) Lamego 69 16,4(13,1-20,2) 27 6,4(4,4-9,1) 196 22,8(19,0-27,0) Tondela 84 11,2(9,1-13,6) 19 2,5(1,6-3,7) 103 13,8(11,4-16,4) Ca egal do Sal 17 13,9(8,6-21,0) 164,9(2,0-9,9) 123 18,9(12,6-26,5) Tabuaço 23 11,9(7,9-17,1) 10 5,2(2,7-9,0) 133 17,1(12,3-22,9) Ta ouca 45 17,8(13,4-22,9) 183,2(1,5-5,9) 153 21,0(16,3-26,3) M. da Bei a 33 12,0(8,5-16,2) 141,5(0,5-3,5) 137 13,4(9,8-17,8) Sá ão 59 13,3(10,3-16,7) 161,4(0,6-2,8) 165 14,6(11,6-18,1) Cin ães 40 13,2(9,7-17,4) 12 4,0(2,2-6,6) 152 17,2(13,2-21,7) A mama 26 17,5(12,0-24,2) 164,0(1,7-8,2) 132 21,5(15,4-28,6) S. J. Pesquei a 39 16,2(11,9-21,2) 11 4,6(2,4-7,8) 150 20,7(16,0-26,2) Penedono 11 16,2(8,8-26,3) 122,9(0,5-9,4) 113 19,1(11,1-29,8) Se nancelhe 25 18,9(12,9-26,3) 143,0(1,0-7,2) 129 22,0(15,5-29,6) Resende 50 19,2(14,7-24,3) 193,5(1,7-6,2) 159 22,6(17,8-28,0) Cas o Dai e 33 12,4(8,8-16,8) 141,5(0,5-3,6) 137 13,9(10,1-18,5) Ab e ia u as: EP — Excesso de peso (25,0 ≤IMC < 30,0 kg/m2); O — Obesidade (IMC ≥30,0 kg/m2); EP+O — Excesso de peso e obesidade (IMC ≥25,0 kg/m2). masculino e de 12,5% pa a 14,0% no sexo eminino (Ma ques-Vidal e Dias, 2004). Um es udo ealizado nos EUA, na Rússia e na China mos ou que a p e- alência de excesso de peso oi de 6,5% na China, 15,0% na Rússia e 25,5% nos EUA (Wang e Wang, 2002). Os esul ados da p esen e in es igação mos- am que a p e alência de excesso de peso no o al da amos a é de 13,7% e a p e alência de obesidade é de 3,4%. Embo a ele adas, as p e alências de excesso de peso e obesidade encon adas, são in e io es às egis adas nou os países. No sexo masculino egis- am-se p e alências supe io es de excesso de peso (16,0% s. 11,6%) e de obesidade (4,2% s. 2,8%). Es es dados apoiam as conclusões de ou os es udos que mos am p e alências de excesso de peso e obe- sidade supe io es no sexo masculino (Be g e al., 2001; K assas e al., 2001; Rami e al., 2004; Padez, 2002). Em Espanha, um es udo ealizado com uma amos a de 3534 c ianças e adolescen es dos 2 aos 24 anos mos ou que a p e alência de obesidade é supe- io no sexo masculino (15,6% s. 12,0%) (Se a e al., 2003). Num es udo ealizado na cidade do Po o, en ol endo indi íduos com mais de 17 anos o am calculadas p e alências de excesso de peso supe io- es no sexo masculino (49,9% s. 36,5%) (San os, 2003). Nesse es udo, a p e alência de obesidade e a supe io no sexo eminino (26,1% s. 13,9%) (San- os, 2003). Ou os es udos mos am que as p e alên- cias, an o de excesso de peso, como de obesidade, são supe io es no sexo eminino (Ca mo e al., 2000; Maga ey, Daniels e Boul on 2001; Ma inez e al., 2002). Es as di e enças en e os sexos podem expli- ca -se, em pa e, pelas idades dos indi íduos es uda- dos ou pelas es a égias de análise. Um es udo eali- zado em Espanha com uma amos a de 90 997 c ianças com idades comp eendidas en e os 6 e os 7 anos e os 13 e os 14 anos mos ou que a p e alência de excesso de peso e obesidade aos 6/7 anos e a supe io no sexo eminino (p< 0,001) e aos 13/14 anos e a supe io no sexo masculino (p< 0,001)