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A Linguagem Dahliana, um Desafio para o Tradutor: proposta de tradução de alguns poemas da obra Dirty Beasts (1983)

Beites, Inês Filipa Sobral

Abstract

É graças ao papel vital que o tradutor assume enquanto mediador entre culturas que grandes obras da literatura infantil integram o imaginário de muitas gerações espalhadas pelo mundo. No entanto, independentemente do estatuto canónico que lhes é atribuído, a literatura infantil continua a ser um género subestimado, de natureza bem mais complexa do que se pensa. Um texto de literatura infantil pode evidenciar uma enorme criatividade linguística e interessantes recursos narrativos, transportando-nos muitas vezes para antigas tradições literárias como as dos nursery rhymes e do nonsense. Tais qualidades, que tornam único este género literário, remetem-nos para o universo do aclamado escritor britânico Roald Dahl (1916-1990). A sua escrita singular é pautada especialmente pela transgressão linguística e pelo humor negro, considerado por muitos demasiado ousado para crianças. Reconhecendo o desafio que constitui a tradução deste género literário e a obra de Dahl em particular, o presente Trabalho de Projecto visa a elaboração de uma proposta de tradução para português europeu de alguns poemas de Dirty Beasts, livro vindo a lume em 1983, ainda sem tradução publicada entre nós. A proposta de tradução e respectivo comentário faz-se acompanhar de um enquadramento teórico sobre tradução de literatura infantil e tradução de poesia, bem como de uma introdução ao mundo da obra dahliana, com especial ênfase nos problemas de tradução que levanta.

Full text

A Linguagem Dahliana, um Desa io pa a o T adu o : P opos a de adução de alguns poemas de Di y Beas s (1983) Inês Filipa Sob al Bei es Julho, 2020 T abalho de P ojec o Mes ado em T adução (Á ea de Especialização — em Inglês) T abalho de P ojec o ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em T adução ealizado sob a o ien ação cien í ica da P o ª Dou o a Ma ia Zulmi a Cas anhei a. AGRADECIMENTOS Gos a ia de ag adece em p imei o luga à minha O ien ado a, a P o .ª Dou o a Ma ia Zulmi a Cas anhei a, pela sua simpa ia, pelo seu apoio e pela sua disponibilidade ao longo de odo es e pe cu so que oi um e dadei o desa io e exigiu mui as ho as de pesquisa pa a chega a bom po o. Gos a ia de ag adece ambém o eno me e p ecioso con ibu o da au o a de li os in an is e adu o a Luísa Ducla Soa es, que ama elmen e se disponibilizou a escla ece odas as minhas ques ões quan o à adução des e ão di ícil géne o li e á io e aos desa ios que se encon am na adução de Roald Dahl. Po im, ag adeço aos meus pais pelo apoio incondicional e po pe mi i em que odos os meus sonhos se conc e izem. Aos meus amigos, um eno me ob igada pelas pala as de incen i o e po es a em semp e p esen es em odos os momen os da minha ida. A Linguagem Dahliana, um Desa io pa a o T adu o : P opos a de adução de alguns poemas da ob a Di y Beas s (1983) Inês Filipa Sob al Bei es RESUMO: É g aças ao papel i al que o adu o assume enquan o mediado en e cul u as que g andes ob as da li e a u a in an il in eg am o imaginá io de mui as ge ações espalhadas pelo mundo. No en an o, independen emen e do es a u o canónico que lhes é a ibuído, a li e a u a in an il con inua a se um géne o subes imado, de na u eza bem mais complexa do que se pensa. Um ex o de li e a u a in an il pode e idencia uma eno me c ia i idade linguís ica e in e essan es ecu sos na a i os, anspo ando-nos mui as ezes pa a an igas adições li e á ias como as dos nu se y hymes e do nonsense. Tais qualidades, que o nam único es e géne o li e á io, eme em-nos pa a o uni e so do aclamado esc i o b i ânico Roald Dahl (1916-1990). A sua esc i a singula é pau ada especialmen e pela ansg essão linguís ica e pelo humo neg o, conside ado po mui os demasiado ousado pa a c ianças. Reconhecendo o desa io que cons i ui a adução des e géne o li e á io e a ob a de Dahl em pa icula , o p esen e T abalho de P ojec o isa a elabo ação de uma p opos a de adução pa a po uguês eu opeu de alguns poemas de Di y Beas s, li o indo a lume em 1983, ainda sem adução publicada en e nós. A p opos a de adução e espec i o comen á io az-se acompanha de um enquad amen o eó ico sob e adução de li e a u a in an il e adução de poesia, bem como de uma in odução ao mundo da ob a dahliana, com especial ên ase nos p oblemas de adução que le an a. PALAVRAS-CHAVE: T adução Li e á ia, Li e a u a In an il, Roald Dahl, Di y Beas s, Desa ios T adu ó ios. Roald Dahl’s Language, a Challenge o he T ansla o : T ansla ion p oposal o some poems om Di y Beas s (1983) ABSTRACT: Thanks o he i al ole played by he ansla o as a media o be ween cul u es, g ea li e a y wo ks o child en’s li e a u e a e pa o he imagina y o many gene a ions sp ead ac oss he wo ld. Howe e , ega dless o he canonical s a us o hese wo ks, child en’s li e a u e emains an unde es ima ed gen e, o a a mo e complex na u e han one migh hink. A child en’s li e a u e ex can display eno mous linguis ic c ea i i y and in e es ing na a i e esou ces, o en anspo ing us o ancien li e a y adi ions such as nu se y hymes and nonsense. Such quali ies, which make his li e a y gen e unique, e e us o he wo ld o he acclaimed B i ish w i e Roald Dahl (1916- 1990). His singula w i ing is ma ked especially by linguis ic ansg ession and black humou , conside ed by many oo da ing o child en. Recognizing he challenge ha he ansla ion o his li e a y gen e and Dahl’s wo k in pa icula ep esen , his P ojec Wo k aims a elabo a ing a p oposal o ansla ion in o Eu opean Po uguese o some poems om Di y Beas s, a book ha came o ligh in 1983, no ye published in Po ugal. The ansla ion p oposal and i s commen a y a e accompanied by a heo e ical amewo k on he ansla ion o child en’s li e a u e and he ansla ion o poe y, as well as an in oduc ion o Dahl’s uni e se, wi h special emphasis on he ansla ion p oblems i aises. KEYWORDS: Li e a y T ansla ion, Child en’s Li e a u e, Roald Dahl, Di y Beas s, T ansla ion Challenges. Índice In odução ............................................................................................................................... 1 Pa e I ...................................................................................................................................... 5 Enquad amen o Teó ico ......................................................................................................... 5 A adução de li e a u a in an il: especi icidades e desa ios .............................................. 6 A adução de poesia: especi icidades e desa ios .............................................................. 11 Pa e II .................................................................................................................................. 16 O uni e so de Dahl: ca ac e ís icas da sua esc i a e p oblemas de adução ..................... 16 Roald Dahl: b e e ap esen ação do au o e seu es a u o ................................................. 17 Di y Beas s (1983) ............................................................................................................. 21 T aduzi Dahl: p oblemas e di iculdades ......................................................................... 22 As ilus ações ..................................................................................................................... 27 A sono idade das pala as: poesia, jogos de pala as e lei u a em oz al a .................... 31 A T adução enquan o p ocesso c ia i o ........................................................................... 35 Humo : da esca ologia aos jogos de pala as ................................................................... 39 T adução, adap ação e ec iação ...................................................................................... 47 Pa e III ................................................................................................................................. 53 C ia u as de A epia em Quem Não Podes Con ia : ............................................................ 53 P opos a de adução e comen á io ...................................................................................... 53 In odução às aduções........................................................................................................ 54 “O Po co” .......................................................................................................................... 57 “O Papa-Fo migas” .......................................................................................................... 59 “O Sapo e o Ca acol” ........................................................................................................ 63 Comen á io às aduções .................................................................................................. 70 Conclusão .......................................................................................................................... 77 Bibliog a ia P imá ia: ....................................................................................................... 79 Bibliog a ia Secundá ia: ................................................................................................... 79 Anexo 1: Capa de edição de Di y Beas s, de Roald Dahl, de 2016 .................................. 89 Anexo 2: Tex os de Pa ida ............................................................................................... 90 Anexo 3: En e is a a Luísa Ducla Soa es: a adução de Re ol ing Rhymes................ 105 1 In odução Na década de 90 do século XX o mundo académico assis iu ao econhecimen o e expansão dos Es udos de T adução como á ea au ónoma, complexa e mul i ace ada, e não mais como um amo da Linguís ica ou da Li e a u a Compa ada: The 1980s was a decade o consolida ion o he ledging subjec known as T ansla ion S udies. Ha ing eme ged on o he wo ld s age in he la e 1970s, he subjec began o be aken se iously, and was no longe seen as an unscien i ic ield o enqui y o seconda y impo ance. Th oughou he 1980s in e es in he heo y and p ac ice o ansla ion g ew s eadily. Then, in he 1990s, T ansla ion S udies inally came in o i s own, o his p o ed o be he decade o i s global expansion. (Bassne 2014:1-2) O o íssimo impac o dos media nas sociedades con empo âneas e o enómeno da globalização con am-se en e os a o es de e minan es que conco e am pa a que a adução osse c escen emen e is a como uma a i idade i al, que implica um p ocesso de negociação en e línguas e cul u as mediado pela igu a do adu o (Bassne 6). Se conside a mos, po ou o lado, a na u eza dinâmica e e olu i a das línguas e cul u as, expos as às mudanças ope adas pelas ci cuns âncias his ó icas, sociais, ideológicas, polí icas, eligiosas, mo ais, pode emos apidamen e pe cebe que e e pala as de um sis ema linguís ico pa a ou o, e de uma cul u a pa a ou a, é uma a e a complexa e que implica semp e pe das e ganhos (Bassne 38). As escolhas do adu o são condicionadas po uma mul iplicidade de ac o es, que de o dem linguís ica, que de o dem ex alinguís ica. Co obo a-se assim a ese de que a adução não é um ac o inocen e (Oi inen 1996: 42). T aduzi implica um p ocesso de eesc i a pa a um di e en e público (ibidem: 39), p ocesso esse que, no caso da li e a u a, en ol e mui as ezes sucessi as e aduções e adap ações ao longo dos empos, pa a as mais di e sas cul u as. A “ oz” do adu o pode se mais ou menos isí el, sendo que no domínio da adução de li e a u a in an il ela pode e uma p esença maio , des acando-se o adu o como igu a pa icula men e ac i a no p ocesso de mediação (Coillie and Ve schue en V). A li e a u a in an il cons i ui uma ma é ia sensí el e de na u eza complexa. Ainda que seja conside ada um géne o meno den o do polissis ema li e á io de á ias cul u as e a é mesmo, nas pala as de O’Connell, “uncanonical and cul u ally ma ginalized” (O’Connell 18), cons a a-se que a esc i a de li e a u a in an il e a sua adução são egidas po uma sé ie de cons angimen os, a iá eis de cul u a pa a cul u a, que as o nam 2 desa ian es e bas an e exigen es. No caso da adução, pa a além do adu o enquan o in é p e e e ecodi icado do ex o de pa ida, des acam-se ainda duas ou as igu as que cons i uem pa e in ínseca do ac o de negociação: os adul os (enquan o mediado es, comp ado es, edi o es, educado es e co-lei o es) e as c ianças (lei o es implíci os), com gos os, necessidades, ap idões cogni i as e emocionais especí icas (Puu inen 54). E ec i amen e, ques ões de con eúdo e es ilís icas ( imas, i mo, jogos de pala as, neologismos, onoma opeias, nonsense, e c.), p eocupações pedagógicas e didác icas, p oblemas de a iculação en e ex o e ilus ação, en e ou as, exigem do adu o c ia i idade e omadas de decisão a ní el das es a égias a adop a , nomeadamen e de domes icação e de adap ação cul u al, ou das écnicas a aplica , como sejam as de adição, omissão ou explici ação. O esc i o b i ânico Roald Dahl (1916-1990) inha, sem dú ida, um alen o único pa a a esc i a que não deixa a ninguém indi e en e. Os adul os (pais e educado es) iam- no, equen emen e, como uma ameaça aos alo es undamen ais impos os pela sociedade e pelo sis ema educa i o; as c ianças, po sua ez, encon a am nele uma igu a amiga, que os comp eendia como ninguém. Uma “c iança ge iá ica”, oi capaz de comunica mais acilmen e com o público in an il do que com o adul o (S u ock 402), o que aliás se eio a espelha no sucesso inigualá el que a ingiu jun o daquele um pouco po odos os can os do mundo (à da a da comemo ação do cen ésimo ani e sá io do au o , Luísa Ducla Soa es e ela que os li os des e au o se encon am disponí eis em qua en a e duas línguas, com edições que ul apassam os dois milhões de exempla es em países como a China), a é ao apa ecimen o do enómeno da saga Ha y Po e (Soa es 29), sé ie que, à semelhança do es ilo na a i o dis in i o de Dahl, ansbo da em neologismos e jogos de pala as cheios de signi icado, que desa iam a c ia i idade dos adu o es. A sua i e e ência, o humo neg o, a capacidade de en abiliza c ia i amen e a sono idade e os i mos possí eis e impossí eis da língua inglesa (Puga 19), a o ma como desa ia a au o idade da igu a adul a e lhe e i a oda a sua c edibilidade ao ep esen á-la equen emen e nas suas ob as como uma c ia u a hedionda e sem esc úpulos, são apenas alguns dos elemen os da ó mula que compõe o sucesso de Dahl e que despe am o in e esse da academia em es udá-lo. Ainda que a di e gência de opiniões não enha o iginado an os abalhos académicos como o iginou a igos p ó e con a Dahl (Soa es 29), é possí el encon a an o no plano in e nacional como nacional, ensaios c í icos e disse ações dignos de a enção. Em Po ugal, no âmbi o dos Es udos de T adução, des acam-se duas disse ações de Mes ado concluídas já na úl ima década: uma 3 ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a po Ana Te esa P a a, in i ulada T adução de Li e a u a In an il e Ju enil: Análise de Duas T aduções Po uguesas de Cha lie and The Chocola e Fac o y, de Roald Dahl (2010), e ou a ap esen ada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa po Ana B ígida Ma ias Pai a, com o í ulo O Es a u o do(a) T adu o (a) de Li e a u a In an il: O Caso das T aduções Po uguesas de Roald Dahl (2014). Es es são es udos bas an e dis in os mas ambos ele an es, pois não só nos ajudam a e uma isão mais cla a do me cado da adução de li e a u a in an il em Po ugal e do es a u o con e ido aos seus adu o es, como ambém nos pe mi em compa a di e en es abo dagens adu ó ias e pe cebe como de e minadas condicionan es podem a ec a as decisões dos adu o es. É ainda impo an e des aca o li o lançado pela Biblio eca Nacional de Po ugal no 100º ani e sá io de Roald Dahl, o ganizado po Rogé io Miguel Puga, In e p e a e T aduzi o Imaginá io de Roald Dahl, que con a com a con ibuição de uma sua adu o a, Luísa Ducla Soa es, e ambém com a pa icipação de Ana B ígida Pai a. Mesmo assim, no que oca a es e au o mui o es á po explo a e o p esen e T abalho de P ojec o dis ingue-se dos es udos académicos acima e e idos po se e es i de um ca ác e p á ico, anco ado, con udo, num enquad amen o eó ico ei o a pa i de bibliog a ia disponí el sob e li e a u a in an il e a p oblemá ica da sua adução, bem como de ensaís ica sob e Roald Dahl e a sua ob a, o iginal e aduzida. Pelos mo i os a ás enume ados, a esc i a de Dahl ap esen a elemen os que o nam o p ocesso adu ó io uma a e a di ícil. Como man e e ec ia o uni e so e a iqueza exp essi a da esc i a dahliana, o humo , o i mo, a luência, são algumas das ques ões que es e p oje o en a en en a a a és de um exe cício p á ico de adução, acompanhado do le an amen o e análise dos p oblemas adu ó ios encon ados e da jus i icação das soluções adop adas. Es e é um domínio que nos ascina pela sua complexidade e exigência, nomeadamen e pela c ia i idade que eque , e pa eceu-nos que Dahl, um esc i o que ag ega á ias das ca ac e ís icas que o nam a adução de li e a u a in an il um desa io es imulan e, se ia uma boa escolha pa a es a as compe ências que se exigem ao adu o li e á io quando e e e ein en a as pala as do au o de pa ida, sem com isso des i ua o ex o o iginal. Es e abalho, e lec e, assim, um pouco do que é o p ocesso de aduzi , passando po di e sas ases, ainda que nes e caso não enha exis ido um condicionamen o eal po pa e do me cado da li e a u a in an il, com p azos ape ados e ou as exigências, 10 di ícil e go e nado po cons angimen os que a iam de cul u a pa a cul u a. P ecisamos de pe cebe o público-al o e ce as noções que lhe es ão associadas, como os concei os de in ância e de li e a u a in an il, que ge am an a discó dia, po o ma a en ende as di iculdades de aduzi as ob as que se inse em nes e géne o li e á io. Tal ez o p imei o aspec o a conside a de a se o ac o de que es e pe ence simul aneamen e ao sis ema li e á io e ao sócio-educa i o, is o é, não se e só o p opósi o de en e e , é ambém u ilizado como uma e amen a pa a educa e socializa a c iança. Es a dupla na u eza ai, consequen emen e, a ec a a p odução esc i a e a adução das ob as, que são condicionadas pelas no mas li e á ias, sociais e educa i as igen es (O’Connel 17-18). Assim, ao analisamos as “al e ações”, “adap ações” e ou as “manipulações” de um ex o, de emos e p esen e que são essas no mas e as di e enças a ní el social e educa i o en e a cul u a de pa ida e a de chegada que in luenciam as es a égias do adu o (c . O’Sulli an 2003). Po ou o lado, não nos podemos esquece de uma igu a mui o impo an e e que es á semp e p esen e du an e odo o p ocesso, o adul o: o adul o que selecciona o que é conside ado boa li e a u a, o adul o que esc e e, o que aduz, o que publica. Es a ci cuns ância ge a a p esença de um duplo público-al o, o qual o adu o em de le a em con a: “T ansla o s ha e o ake in o accoun an adul p esence wi hin he ex in a numbe o o ms, om he spec e o he con olling adul p esence looking o e he child’s shoulde , o a play ul i ony in ended o he adul eading aloud o a child.” (La hey 2006: 5). Ou o pa âme o a conside a p ende-se com as es a égias adu ó ias a ponde a com is a à esolução dos p oblemas linguís icos e cul u ais le an ados pelos ex os, umas mais sou ce- ex o ien ed, ou as mais a ge - ex o ien ed. En e as á ias p opos as eó icas des acamos a de Gideon Tou y, que de ende uma abo dagem desc i i a da adução e e lec e sob e os alo es ou ideias ge ais que são pa ilhados po uma comunidade, a que chama no mas, as quais egem a p á ica adu ó ia. Segundo Tou y, o adu o pode op a en e a adequação, em que es a á a ade i às no mas do sis ema de pa ida (o que pode o na o ex o incompa í el com as no mas do sis ema de chegada), e a acei abilidade, em que espei a as no mas do sis ema de chegada. No malmen e, a adução é um comp omisso en e es es dois ex emos (Puu inen 56). Assim, de aco do com a posição de Tou y, a busca de eg as e es a égias que pe mi am ao adu o con o na os desa ios ine en es ao ex o, sejam eles linguís icos, sociais, polí icos ou cul u ais, de e le a em conside ação as expec a i as da sociedade. No mesmo ano em que Tou y publicou a sua ob a Desc ip i e T ansla ion S udies – and 11 Beyond (1995), ambém Law ence Venu i deu à es ampa The T ansla o ’s In isibili y. A His o y o T ansla ion, onde e lec e sob e dois ipos de es a égias de adução: domes icação e es angei ização. A p imei a manei a de aduzi p i eligia a anspa ência, a luência, edundando num apagamen o da “es anheza” do ex o de pa ida e na in isibilidade do adu o . Já o segundo mé odo é não- luen e, dando isibilidade ao adu o , que o ien a o seu abalho no sen ido de o na e iden e a iden idade es angei a do ex o de pa ida e esis i assim à subjugação às no mas e pad ões da cul u a de chegada. As e lexões eó icas de Tou y e Venu i dão-nos a consciência de que o ac o adu ó io é ei o de decisões condicionadas po de e minados c i é ios. No caso da adução in an il, e endo em con a as exigências impos as pelo adul o, um desses c i é ios pode passa po aze um ajus amen o do ex o, po o ma a o ná-lo ap op iado e ú il pa a a c iança de aco do com o que a sociedade pe cepciona (num de e minado momen o) como educa i amen e bom pa a ela, e um ou o se á adequa o en edo, a linguagem e a ca ac e ização das pe sonagens ao en endimen o da sociedade em elação à capacidade de le e comp eende da c iança (c . Sha i ). G aças ao adu o , enquan o mediado en e dois sis emas linguís icos e cul u ais, o Pinóquio, como diz Eme O’Sulli an, pode se um cidadão i aliano, ancês ou po uguês. Na adução de li e a u a in an il a p esença do adu o é bas an e isí el, podendo aze -se no a a a és do emp ego de uma écnica de ampli ying na a ion, em que explici ações são adicionadas pa a que aquilo que é obscu o possa se en endido, ou de educ i e na a ion que, como se deduz, elimina delibe adamen e de e minadas pa es do ex o (O’Sulli an 2005:114-116). A adução de poesia: especi icidades e desa ios A adução de poesia, pelos desa ios que coloca e di iculdades que le an a, em sido objec o de p o unda e lexão e deba e ao longo dos séculos. Enquan o géne o li e á io, a poesia ca ac e iza-se po de e minadas ma cas ex uais dis in i as que Jones suma iza do seguin e modo: In ex ual- ea u e e ms, poe y ypically communica es meaning no only h ough su ace seman ics, bu also by using ou -o - he-o dina y language, non-li e al image y, esonance and sugges ion o gi e esh, “de amilia ized” pe cep ion and con ey mo e han p oposi ional con en ; among i s speci ic echniques a e linguis ic pa e ning (e.g. hyme o alli e a ion), wo d associa ion, wo dplay, ambigui y, and/ o eac i a ing an idiom’s li e al meanings. (Jones 117) 12 Que is o dize , po um lado, que a poesia pa ilha com ou os géne os li e á ios ce as ca ac e ís icas ex uais e, po ou o, que de e minados ecu sos es ilís icos assumem na poesia uma p esença pa icula men e o e, capaz de despe a emoção, delei e es é ico, e c. Jean Boase-Beie , no capí ulo “T ansla ing he Special Shape o Poems”, chama a a enção pa a o modo como ais ca ac e ís icas ex uais “in e ac wi h he shape o poems – i s a angemen in lines – o gi e he pa icula e ec s ha poe y ansla ion hopes o p ese e.” (Boase-Beie 2011: 116) Po na u eza, a poesia, com a sua linguagem ica em me á o as e ambiguidades que se p es am a múl iplas lei u as, dá ao adu o libe dade in e p e a i a e lança-lhe desa ios a ní el da c ia i idade, mas, po ou o lado, es e en en a “espa ilhos” a ní el da mé ica, do i mo, da ima, das es u u as sin á icas, e c., que cons angem bas an e o seu abalho. En e os desa ios linguís icos com que o adu o se depa a con am-se as me á o as, as ali e ações, as exp essões idiomá icas, os ocadilhos, que con e em complexidade semân ica, no idade de exp essão, musicalidade, e a é, em alguns casos, um e ei o humo ís ico ao poema. No en an o, como se calcula, mui as ezes es es ecu sos podem não aze sen ido quando aduzidos li e almen e pa a a língua de chegada. É de no a que cada sis ema linguís ico em as suas pa icula idades lexicais, sin á icas, oné icas, di e en es eg as g ama icais, e que po isso p ocu a p oduzi o mesmo e ei o do ex o de pa ida a a és do p incípio da equi alência o na-se uma a e a bas an e di ícil de ealiza (Singh 2). Pegando num exemplo p á ico des e T abalho de P ojec o, sabemos que Dahl ma ca a di e ença pela o ma c ia i a como manipula e explo a a língua inglesa a a és da ansg essão e in enção linguís ica, de modo a p o oca um e ei o humo ís ico jun o dos seus lei o es. O a, cada ez que al acon ece, o adu o ê- se numa si uação complicada, se pensa mos que e á de pensa em ac os de ansg essão acei á eis na língua de chegada e em ou os meios de ec ia um e ei o co esponden e ao ansmi ido pelo o iginal (c . Pai a 2016: 46). Apesa de a componen e linguís ica se um núcleo cen al da adução, elemb amos, a a és das pala as de Susan Bassne , que po de ás de cada língua exis e uma cul u a, e que as duas não podem se dissociadas: “T ansla ion is abou language, bu ansla ion is also abou cul u e, o he wo a e insepa able” (Bassne 2007: 23). A adução en ol e cons angimen os cul u ais, nomeadamen e as pala as ou exp essões ca egadas de signi icado e cono ações especí icas de uma de e minada cul u a, elacionadas po exemplo com c enças, alo es, cos umes, e c. Cabe ao adu o 13 encon a soluções pa a o p oblema da adução dos e e en es cul u ais, o e ecendo-se- lhe opções que passam pela adução li e al, pela equi alência cul u al, pela na u alização, pela no a de odapé ou pela omissão, en e ou as. O eó ico belga And é Le e e e, nome cen al dos Es udos de T adução e especialis a em adução li e á ia, analisou de o ma c í ica os á ios mé odos u ilizados em di e en es aduções inglesas de um de e minado poema de Ca ulo. Todas as aduções ap esen am es a égias p óp ias, as quais espelham bem os mecanismos po de ás do p ocesso adu ó io. As lei u as do adu o , as suas p óp ias in e p e ações e a unção a ibuída à adução de e mina am as escolhas ei as. A di e sidade de es a égias, no en an o, não é de modo algum indicado a de uma pio ou melho adução pois, como a i ma Bassne , “ he a ia ions in me hod do se e o emphasize he poin ha he e is no single igh way o ansla ing a poem jus as he e is no single igh way o w i ing one ei he .” (Bassne 2014: 111). No en an o, ol ando à ques ão inicial, as di e en es es a égias adop adas na adução do poema de Ca ulo p i eligia am alguns elemen os poé icos, deixando cai ou os. A oné ica em de imen o do sen ido ge al do ex o, a mé ica em de imen o do ex o como um odo, a é uma comple a ec iação do o iginal, onde p o a elmen e há apenas em comum com o ex o do poe a omano o í ulo e o pon o de pa ida, são algumas das es a égias iden i icadas na análise das di e en es aduções do poema. O es udo de Le e e e pe mi e uma comp eensão mais p o unda daquilo que implica a adução de poesia, pois a pa i da sua lei u a pe cebe-se que descu a ce os aspec os que compõem o ex o em a o de ou os, não conside ando o poema como uma es u u a o gânica, pode esul a numa “ ansla ion ha is demons ably unbalanced”. (Bassne 2014: 94) Pe an e os aspec os acima mencionados e e en es à p oblemá ica da adução de poesia, a ideia com que se ica é a de que se a a de uma a e a di ícil, pa a alguns quase ina ingí el, um e dadei o queb a-cabeças. Va sha Singh chama à a enção pa a a e dadei a essência da poesia, que ai pa a além do campo linguís ico, exis indo elemen os di íceis de ep oduzi , como as emoções/sen imen os, as mensagens implíci as do poe a e, cla o, o seu es ilo único, que são, no undo, a pa e mais impo an e a p ese a . Nes a pe spec i a, econhecendo que exis em sensações, emoções, e c., de ce a o ma in aduzí eis, oco e-nos a amosa exp essão de Robe F os a p opósi o da adução de poesia: “Poe y is wha ge s los in ansla ion”. Ainda assim, não esquecendo a di e sidade de es a égias ao se iço de uma adução mais ou menos “colada” ao o iginal, o que, como já oi di o, não o na as 14 di e en es e sões mais ou menos álidas, há quem conside e que o mé odo p e e í el é semp e o da adução li e (Ba be 335). Yoshikazu Nakaji, au o de um a igo sob e a adução de poesia enquan o p ocesso c ia i o, de ende que, independen emen e de qualque ci cuns ância, uma adução ideal se ia aquela que conseguisse ans e i uma mensagem de uma língua pa a ou a (ideia, sensação e om) sem pe de nem ac escen a nada. No en an o, de e no a - se que a adução en ol e in e p e ação do ex o e po isso, como diz, um ce o g au de modi icação é ine i á el e a equi alência “um sonho impossí el” (Nakaji 66). Compa ando a adução a uma ob a musical, Nakaji ac escen a ainda que o p ocesso adu ó io passa po dois momen os essenciais que se complemen am na p á ica: um momen o de lei u a e um momen o de o mulação. O adu o é p imei amen e um lei o , e enquan o analisa e en a comp eende o ex o, u ilizando odos os ecu sos de que dispõe, começa a ans e i pa a aquilo que lê a sua p óp ia isão, sendo es e o momen o em que o ex o começa a so e al e ações (Nakaji 66). A lei u a e análise do con eúdo e da es u u a do poema e ela-se, assim, de impo ância máxima, pois é nes a ase que se inicia o p ocesso de descodi icação e ecodi icação na men e do lei o - adu o . Sabendo o peso que a es u u a o mal e as pala as êm em poesia, é undamen al que o adu o consiga iden i ica num poema es a égias linguís icas que desa iam o lei o cogni i amen e, ob igando-o a e lec i sob e o uso das pala as, bem como sob e o p óp io o ma o dos e sos, que pode ambém ele eicula sen ido, ainda que de uma o ma isual. A cons ução da mensagem ai mui as ezes, como sabemos, pa a lá do signi icado imedia o de uma pala a. F equen emen e, ambém a ausência de pala as é e elado a, e o sabe le nas en elinhas, ou o se capaz de aze uma lei u a simbólica, são essenciais. Finalmen e, me ecem-nos des aque alguns aspec os da adução do ex o poé ico explo ados po Ewald Ose s em “Some Aspec s o he T ansla ion o Poe y”, pois ajudam-nos ambém a pe cebe as consequências das opções omadas. Reconhecendo que a poesia não se cinge aos c i é ios o mais da mé ica e da ima, Ose s p opõe-nos que olhemos pa a as ca ac e ís icas mais especí icas da língua, em conc e o pa a aquilo a que chama “ ensão in e na” ou “ empe a u a”. O au o explica es e concei o de “ ensão”, do pon o de is a da adução, como sendo compos o po uma pala a, um conjun o de pala as, ou ases, cuja ca ga, ou impac o que ão p o oca no lei o , em o igem na sua “o he ness”, na manei a como di e e do discu so comum, bem como na eacção de su p esa que desencadeia (Ose s 7). A pa i des a noção é-nos possí el pe cebe que, 15 mais do que em qualque ou o géne o li e á io, em poesia as pala as êm um peso mui o o e e cada escolha ei a em uma in enção po de ás. Assim, os mais pequenos po meno es, mesmo os elemen os oné icos de uma pala a ou de uma ase, são escolhidos de en e as múl iplas possibilidades do léxico de uma língua, com o in ui o de desencadea no lei o da língua de pa ida de e minadas sensações e eacções (Ose s 8- 10). Des a o ma, não é de ânimo le e que o adu o de e op a po es a ou aquela pala a, ou exp essão; pelo con á io, as decisões adu ó ias de em se ponde adas. A linguagem me a ó ica emp egue, o léxico u ilizado, as es u u as sin á icas epe idas, os jogos de sons, a é a ausência de pala as ca egam po enciais de sen ido e ge am expec a i as no lei o , pelo que o adu o de e e lec i sob e os ecu sos e con enções possí eis da língua de chegada, po o ma a a ende à componen e semân ica como um odo, não se concen ando unicamen e na o ma: “Because o m o poe y is ne e he ocus o a en ion in i s own igh , bu only inso a as, because i is an elemen o s yle, i has a cogni i e coun e pa and so has poe ic e ec s, me ely cap u ing he o m i sel would no be a ansla ion, e en i i could be done.” (Boase-Beie 2011: 133) 16 Pa e II O uni e so de Dahl: ca ac e ís icas da sua esc i a e p oblemas de adução 17 Roald Dahl: b e e ap esen ação do au o e seu es a u o Em 13 de Se emb o de 1916 nasce na cidade de Llanda , no País de Gales, um dos esc i o es b i ânicos mais aclamados e a amados no uni e so da li e a u a in an il. Filho de pais no uegueses, Roald Dahl ecebe de he ança um e a-a ô engenhoso, capaz de aça apidamen e planos de uga de uma ig eja em chamas (S u ock 14), e um nome que homenageia um explo ado no ueguês das egiões pola es (ibidem 36), Roald Amundsen (1872-1928). Como pode emos e i ica a a és da lei u a de biog a ias do au o , a sua ida oi ma cada po momen os con u bados e po pe das.Não obs an e, po mais somb ios que ossem alguns episódios da sua ida, a esc i a e a c ia i idade o am semp e pala as de o dem: um e úgio e uma o ma de ameniza os p oblemas do quo idiano, que e am apidamen e ans o mados em his ó ias elabo adas e cheias de a i ícios. Na e dade, o mundo do an ás ico acompanhou-o semp e, pois desde pequeno, g aças aos seus pais, o imaginá io da adição o al nó dica, nomeadamen e os olls e ou as c ia u as mágicas maldosas que habi a am as lo es as eple as de escu idão, ma ca am p esença assídua na sua ida, o que i ia mais a de, inclusi amen e, a e lec i - se nas suas his ó ias, em pe sonagens como o gigan e de BFG (1982) e os mons os de The Minpins (1991) (Puga 11). No en an o, como bem o sabemos, não só de c ia u as g o escas se ize am as suas ob as. Em mui as delas ec iou ambém momen os ma can es da sua exis ência, nomeadamen e da sua in ância, aos quais icamos a de e algumas das pe sonagens mais icónicas e hila ian es. Exemplo disso é a his ó ia de Cha lie and he Chocola e Fac o y (1964), onde c i ica maus hábi os e de ei os das c ianças, ais como a ganância e o egoísmo, ou o zelo pa en al em excesso, ou ainda a obsessão pela ele isão (S u ock 397); mas onde ambém, mais uma ez, as suas i ências i iam de ce a o ma a se imo alizadas. Pa a um me o lei o , Cha lie and he Chocola e Fac o y pode á se apenas mais uma en e an as ou as his ó ias que b o a am da imaginação do au o , mas se le mos po exemplo as suas memó ias em Boy: Tales o Childhood, ou a biog a ia de S u ock, S o y elle : The Li e o Roald Dahl, ica emos a sabe que mui as das na a i as de Dahl êm um pouco da sua pe sonalidade, dos seus alo es e das suas expe iências de ida. No caso da ob a de Dahl acima mencionada, é possí el econhece elemen os biog á icos que i iam a epe cu i -se na sua na a i a, al como o ascínio po chocola es, que se desen ol eu du an e o empo em que equen ou a Rep on School. Nes a ins i uição, os 18 alunos ecebiam no im de cada pe íodo uma caixa com ba as de chocola e de uma amosa áb ica que de e iam p o a e classi ica numa escala de um a dez (“The Ma ellous Wo ld o Roald Dahl.”). Indo ainda mais longe, desde o momen o em que os seus olhos se c uza am com os ebuçados lico osos, os gobs oppe s mul icolo es exibidos nas mon as da e í el M s. P a che , e sob e udo os amosos chocola es Cadbu y, á ias o am as ezes em que an asiou sob e o local onde ganha am o ma e sabo . A paixão con inuou a c esce mesmo na idade adul a e chega a e ela no seu li o au obiog á ico Boy que “ ha one chocola e c ea ion was ‘ oo sub le o he common pala e’”, au odenominando-se, assim, um g ande conhecedo des a a e (apud S u ock 395). O desdém pela au o idade e pelos cas igos co po ais que e am, na al u a, o mé odo p e e encial u ilizado pa a disciplina — “pa o a cul u e o houghening child en up ha would su i e in England well in o he 1950s and 1960s.” (S u ock 71) —, é ou o dos elemen os biog á icos p esen es nas suas his ó ias. Na o igem es á um episódio bas an e ma can e i ido no empo da escola p imá ia, Ca hed al School, si uada na sua cidade na al de Llanda , a que Dahl chamou “The G ea Mouse Plo o 1924” (Puga 11). Nele es ão eunidos os ês “ing edien es” p incipais que compõem as suas amas: a igu a adul a hedionda e au o i á ia (a iú a M s. P a che ), uma loja de doces e um cas igo iolen o esul an e das aquinices ípicas daquela idade, em que um a o mo o é colocado num asco de gobs oppe s, doces mui o popula es na G ã-b e anha en e as duas gue as mundiais (S u ock 47), à enda na loja da e e ida M s. P ache . Du an e os seus empos de escola, Dahl desen ol eu á ias paixões, nomeadamen e pelo despo o e pela o og a ia (Puga 11), mas oi semp e na companhia dos li os e dos seus he óis li e á ios, como Cha les Dickens e E nes Hemingway, os quais ma ca am sem somb a de dú idas a sua esc i a (S u ock 271), que Dahl ul apassou as á ias ad e sidades que a ida lhe ese ou. São á ios os exemplos dados ao longo da biog a ia de S u ock que demons am a capacidade ina a de Dahl pa a u iliza a sua imaginação e en e e aqueles que o odea am, desde as ca as que esc e ia pa a a sua mãe e que acaba am po se , de ce a o ma, os seus p imei os ensaios de icção (S u ock 84), a é às pessoas que se c uza am na sua ida e i e am a opo unidade de es emunha o seu inc í el alen o pa a c ia his ó ias cons uídas, po ezes, a pa i de me os anseun es que obse a a na ua e que e am anspo ados pa a o campo do imaginá io a pa i das suas acções e da sua o ma de anda (S u ock 102). No en an o, embo a não esquecida, no ínicio da sua ida adul a a esc i a icou um pouco pa a ás, quando decidiu emba ca numa no a a en u a, jun amen e com ou os 19 explo ado es, pa a a en ão inexplo ada New oudland. Aí a is ou animais exó icos e pe igosas c ia u as que habi a am aquelas e as e que, inclusi e, se i am igualmen e de inspi ação pa a a c iação de algumas das suas pe sonagens, como a do c ocodilo em The Eno mous C ocodile (“The Ma ellous Wo ld o Roald Dahl.”). Nessa iagem c uzou- se ambém com po os de cul u as e cos umes bas an e di e en es dos seus, como é o caso de um seu c iado neg o, que lhe inspi ou a c iação do pequeno he ói da his ó ia de Cha lie and he Chocola e Fac o y, num ascunho inicial (S u ock 109), ou os polémicos Oompa-Loompas que, nas p imei as edições daquela ob a, nada mais e am do que pigmeus a icanos que abalha am pa a a áb ica de Willy Wonka em oca de g ãos de ca é (Bu le 3). Pode emos a é dize que Dahl oi, sem dú ida, um homem dos se e o ícios, com uma ida eple a ambém ela de a en u as: “A spy, ace igh e pilo , chocola e his o ian and a medical in en o !” (“Abou Roald Dahl”). Depois de um pe íodo em Á ica, segui am-se ou os abalhos dis an es daquele que o o nou um nome conhecido da li e a u a b i ânica a é aos dias de hoje, ais como pilo o da RAF na Segunda Gue a Mundial ou espião ao se iço da BSC (B i ish Secu i y Coo dina ion). Um dos episódios mais ma can es da sua ida, passado nos empos em que abalha a como pilo o da Fo ça Aé ea, e que icou conhecido na biog a ia de S u ock como “A Monumen al Bash on he Head”, eio a in luencia g andemen e o u u o da sua ca ei a li e á ia. Impossibili ado de con inua a pilo a de ido a um desas e de a ião que o deixou empo a iamen e cego e com cons an es e e í eis do es de cabeça, Dahl começa a dedica -se cada ez mais à esc i a. O seu sen ido de humo , ca isma e c ia i idade não deixa am ninguém indi e en e e, po esse mesmo mo i o, pouco empo depois de se e i a da RAF é con idado a in eg a a Embaixada B i ânica em Washing on, onde ganha pela p imei a ez alguma no o iedade quando C.S. Fo es e (1899-1966), um omancis a b i ânico ambém ele a abalha em Washing on azendo p opaganda p ó- b i ânica e incumbido de publica uma his ó ia baseada na expe iência da gue a, ou e os ela os de Dahl ace ca do aciden e no dese o líbio em 1940. A na a i a a que chamou “Piece o Cake” é de al o ma ca i an e que Fo es e , ascinado, acaba po aze publica a his ó ia no jo nal The Sa u day E ening Pos , ago a com o í ulo de “Sho Down O e Libya”, algo mais jo nalís ico e p opagandís ico. O encon o com Fo es e e a oca de ideias que i e am, dos quais esul ou uma his ó ia de ce a o ma oman izada, o am, como diz Liccy Dahl, um pon o de i agem na ca ei a do esc i o (“The Ma ellous Wo ld o Roald Dahl.”). 26 do quo idiano. A endendo a udo o que já oi di o an e io men e, não é de es anha , assim, a o ma desen ol a como a a nos seus li os de e minados emas e nos az olha pa a eles com ou os olhos. Numa mis u a de epulsa, iolência ca á ica, sub e são, Dahl consegue a anca um so iso ao seu lei o , que sol a uma ga galhada quando é colocado de su p esa pe an e cená ios de ho o , onde pequenas c iancinhas são o ape i i o de mal adas c ia u as, po cos in eligen es de o am ag icul o es, ou a di ec o a de uma escola, con a iamen e à ideia que emos de um adul o, é udo menos uma igu a p o ec o a e pega numa c iança pelos cabelos. São es as si uações o a do comum que di e em os mais no os e despe am os seus “impulsos mais básicos”, ao mesmo empo que os ensinam a olha com humo pa a si uações abu e ansiedades do dia-a-dia, e a é a aze oça de assun os delicados com os quais somos ensinados a não goza . Vol a emos a es e ema mais adian e. Ma ia Luísa Bliebe nich Ducla Soa es So omayo Ca dia nasceu em Lisboa, em 20 de Julho de 1939. Desempenhou du an e a sua ida á ios ca gos de impo ância ligados às ciências da comunicação e ao ensino, mas é al ez à li e a u a in an o-ju enil po uguesa que mui os associam o seu nome. Com um pe cu so ex ao diná io de mais de duas décadas enquan o esc i o a, Luísa Ducla Soa es con a já com mais de uma cen ena de li os o iginais des inados aos mais jo ens, azão pela qual al ez enha ido um maio à on ade em aduzi pa a um público que já lhe é amilia . É aliás o seu papel como adu o a que p e endemos pô aqui em des aque, pois a sua capacidade in en i a e o seu gos o em b inca com imas, como e elou na en e is a que concedeu a Ana B ígida Pai a em 2014, ize am nomeadamen e com que a ob a de Roald Dahl Re ol ing Rhymes (1982), in i ulada em po uguês His ó ias em Ve so pa a Meninos Pe e sos (1989), espelhasse com b ilhan ismo o génio do au o o iginal. T a ando-se de uma ob a nada ácil de e e pa a uma ou a língua, a adução de Luísa Ducla Soa es em ido á ias eedições, e elando-se um e dadei o sucesso de endas em Po ugal, pa a não ala dos elogios de c í icos como José An ónio Gomes, como no a Ana B ígida Pai a na sua disse ação. Po odos es es mo i os, a adução da ob a Re ol ing Rhymes oi, sem dú ida, uma on e de inspi ação undamen al pa a a elabo ação des e T abalho de P ojec o, em que ap esen amos uma p opos a de adução pa cial da ob a Di y Beas s. Lendo a adução da au o a, e ambém a en e is a que Luísa Ducla Soa es concedeu a Ana B ígida Pai a, pôde cons a a -se que a adu o a não en e edou po uma es a égia de adução li e al, ainda que esse pudesse se o caminho mais ácil. Con udo, a esc i o a de li os 27 in an is, econhecendo a magia e o encan o dos poemas de Dahl e a impo ância da imas e do i mo nesses mesmos poemas, conseguiu se iel ao esquema básico da ob a, que a ní el do con eúdo, que a ní el do ocabulá io, quando possí el, ainda que al enha exigido dias e noi es de abalho e inúme os ascunhos, a é encon a a melho opção. Di y Beas s ap esen a bas an es semelhanças com a ob a Re ol ing Rhymes, azendo aliás pa e da pequena colecção de pa ódias esc i as em e so pelo céleb e au o . Também po esse mesmo mo i o a adução po uguesa His ó ias em Ve so pa a Meninos Pe e sos, de Luísa Ducla Soa es, cons i ui uma inspi ação pa a es e abalho: não só pelos anos de expe iência e ní el de conhecimen os des a adu o a, que acei ou o desa io de aduzi a poesia de Dahl, mas ambém pela capacidade c ia i a e elada e pela o ma como conseguiu ansmi i a essência do au o b i ânico ao público po uguês, sem comp ome e o seu humo ca ac e ís ico. Reconhecendo as especi icidades da esc i a de Dahl que le an am p oblemas de adução, p ocede -se-á em seguida a uma iden i icação de alhada das que encon ámos ao ealiza mos a adução de alguns poemas de Di y Beas s. As ilus ações G andes ou pequenas, colo idas ou monoc omá icas, as ilus ações são um dos elemen os ca ac e ís icos que compõem a na a i a dos li os in an is. P imam não só po con e i em o ma e co , mas ambém po se em um complemen o dos signos e bais. Po si sós, as imagens são a é capazes de con a uma his ó ia inicialmen e concebida pelo imaginá io do au o em o ma de pala as, a a és de desenhos, símbolos e ou as ep esen ações g á icas que o ilus ado anspo a pa a o papel. Assim sendo, comp eende-se acilmen e que as ep esen ações isuais que ilus am as páginas de um li o in an il desempenham um papel de ex ema impo ância, pela sua capacidade de aduzi pa a o seu público-al o di ec o, as c ianças, pala as a a és de imagens. Ainda que a igu a adul a es eja p esen e (não só no já e e ido p ocesso de selecção, edição e adução das ob as li e á ias) enquan o co-lei o a, o na-se e iden e que es a ca ac e ís ica dis in i a do géne o ganha g andes p opo ções essencialmen e jun o dos mais no os que, mesmo não sabendo le , são capazes de cap a e elemb a g andes clássicos da li e a u a a a és das ilus ações. 28 Assim, e no seguimen o des a mesma linha de pensamen o, conseguimos pe cebe que os ilus ado es acabam po se mui as das ezes co-au o es, abalhando semp e que possí el em simbiose com o au o do ex o. P o a disso são as memo á eis ilus ações de Quen in Blake (n. 1932) que in eg am algumas das ob as de g andes nomes da li e a u a in an il, como Russell Hoban (1925-2011), Joan Aiken (1924-2004) e Roald Dahl (“Biog aphy”). A a és de es emunhos do p óp io ilus ado , cons a a-se que o p ocesso de c iação a ís ica aca e a mui o mais do que da la gas à imaginação. Exis em, na e dade, impo an es de alhes que p ecisam de se es udados e pensados an es de igu a em no papel. Como é que as pe sonagens se ap esen am, quais as suas exp essões, como se enquad am na página, se ão o mé odo e o meio u ilizados numa ilus ação adequados à a mos e a do li o a que se des inam? Se á que exis e con inuidade na acção en e as ilus ações? Es as são apenas algumas das ques ões que Quen in Blake e e e e que o nam as ilus ações, do seu pon o de is a, in e essan es, ao mesmo empo que mos am a necessidade de uma boa p epa ação e planeamen o, consoan e as exigências de cada his ó ia (Blake). Na o igem da pa ce ia que su giu en e Roald Dahl e Quen in Blake es e e, pa a além dos in e esses em comum (nomeadamen e pela comédia e pelos exage os) que pe mi i am que se es abelecesse uma ligação en e os dois, ambém uma dinâmica de abalho única. No p ocesso de c iação de pe sonagens e cená ios, o ilus ado adop a a uma abo dagem ime si a no ex o, a im de cap a o espí i o da ob a: “Blake adap ed his g aphics o espond o he s yle o he e bal ex and u he in e p e he pa icula wo ld ha Dahl had c ea ed” (Sco 160). Po sua ez, Dahl “conduzia” o aço de Blake: “Then Dahl explici ly hands o e o Blake, p omp ing him wi h ‘i looked like his’, ‘ his is wha happened’, and Blake esponds wi h mul iple ske ches ha inally d i e he wo ds om he page al oge he .” (Sco 168). Assim, é de no a em Quen in Blake o espei o pelo es ilo singula do esc i o b i ânico e a necessidade que inha de o aze sob essai ou complemen a , anspondo os cená ios g o escos e a linguagem peculia pa a o campo da ilus ação: No only does he gi e g aphic de ini ion o Dahl’s o en g o esque de ini ions and qui ky language, he also de elops de ails o ac ion ha Dahl simply hin s a . His illus a ions de elop and de ine cha ac e and in e pe sonal ela ionships, sus ain and ein o ce one mood, and suppo Dahl’s dis inc i e na a i e oice ha wea es a complex ange o emo ions bo h da k and ligh wi h a w y, whimsical and some imes aw humou . In addi ion, Blake ma ches he a ec o his illus a ion o he gen e o he piece, exagge a ing he biza e and media ing he iolen as he judges app op ia e. (Sco 161) 29 Cada ilus ado em a sua o ma de abo da um ex o, a iando no que oca à a enção dada aos po meno es, ao es ilo do desenho, à escolha de co es e mo imen os, e c. No caso de uma pa ce ia como a de Blake/Dahl, es a acaba semp e que possí el po espelha a isão conjun a de au o e ilus ado , sendo que as imagens são um elemen o impo an e que em da o ça e signi icado às pala as: “bo h e bal and isual ex complemen one ano he .” (Sco 168). A animação di undida pela BBC que deu ida à ob a sa í ica Re ol ing Rhymes é um bom exemplo do g ande desa io que é anima e passa uma his ó ia do papel pa a o ec ã. Jakob Schuh e Jan Lachaue , os ealizado es des e ilme di idido em dois episódios, e e em no a igo esc i o po Ian Failes pa a o websi e de no ícias elacionadas com animação Ca oon B ew que adap a a ob a de Dahl implicou a capacidade de esol e de o ma c ia i a de e minados p oblemas, como a inco po ação dos poemas o iginais, encon a o ipo de humo neg o ce o ou a inclusão na animação de his ó ias pe encen es a uni e sos di e en es (pe sonagens de á ios clássicos) e de pe íodos de empo dis in os (es ações do ano, de e minadas ho as do dia, e c.). Esquemas de co que c iam con as es en e cená ios luminosos e somb ios, ca ac e ís icos das ob as de Dahl em que a emá ica do g o esco é p edominan e, e e ei os isuais em cenas em que há ausência de som, são apenas algumas das soluções p esen es nes e ilme e que mos am a p eocupação dos dois ealizado es em p ese a a essência da his ó ia e do seu c iado . Fize am-no não só a a és do diálogo en e as pe sonagens, mas ambém das animações, que po sua ez p o a am, no caso, se mais e icazes do que o que é di o ou esc i o no que oca ao despe a de sen imen os de su p esa ou choque no elespec ado , sendo su icien es pa a ansmi i o desen ola dos acon ecimen os. Acima de udo, nes e ilme, en ou-se anspo a do li o pa a o ec ã o humo peculia e a oz semp e p esen e do na ado , numa his ó ia con ada em e so (Failes). É possí el es abelece um pa alelismo en e as p o issões de ilus ado e de adu o . Ac i idades à pa ida mui o dis in as, possuem, quando obse adas de pe o, simili udes quan o às me odologias u ilizadas e quan o ao p odu o inal, na medida em que a c iação a ís ica se assemelha à c iação e bal du an e o p ocesso de aduzi (Pe ei a 105-106). O abalho de um adu o , al como o de um ilus ado , implica a obse ação de alhada de odas as componen es do ex o. Ainda que pe an e o olha do lei o exis am de e minados elemen os que passam despe cebidos, o adu o , bem mais cien e dos desa ios que implica e e pala as de uma língua pa a a ou a, con empla o ex o em odas as suas pa icula idades, sejam elas ao ní el linguís ico, cul u al ou das 30 ilus ações, não pe dendo de is a a coexis ência de signos e bais e não- e bais (c . La hey 2006:11). Apesa da pa icula a enção dada aos signos e bais nos Es udos de T adução, no seu a igo de 2008 publicado na e is a Me a, Rii a Oi inen demons a, a pa i de algumas das ob as mais emblemá icas da li e a u a in an il, que as imagens, sons e mo imen os ambém desa iam o adu o e que, po isso, me ecem igualmen e e lexão e des aque. No im das con as, como sabemos, aduzi não implica apenas uma ansposição linguís ica, mas, mais do que isso, eque que se conside e o con ex o em que a adução oco e (no mas igen es, cul u a, público, e c.), e ainda, no caso pa icula da li e a u a in an il, os es ímulos sono os e isuais que são cada ez mais comuns nes e géne o li e á io, sob e udo se ala mos em adap ações pa a cinema e ele isão (Oi inen 2008: 76-77). Se po mui o empo o p ocesso adu ó io oi is o como um ac o me amen e linguís ico, inúme as o am as abo dagens que su gi am a pa i de 1972, com a p opos a de uma no a á ea de es udos au ónoma dedicada à adução, e u ando al ideia e de endendo que se olhasse pa a a adução de um ou o ângulo. Desde en ão, di e en es ocos de in e esse e p oblemá icas o am sendo des acados, acompanhando ine i a elmen e as mudanças sociais e cul u ais que se ize am sen i . Recuando a 1959, o linguis a Roman Jakobson (1896-1982) ap esen a-nos, a a és do seu ensaio “On Linguis ic Aspec s o T ansla ion”, uma no a isão do concei o de adução que, de ce a o ma, e olucionou a manei a como olhamos pa a es a complexa ac i idade; isão essa que con inua ele an e nos dias de hoje e nos pe mi e analisa , de uma o ma mais ap o undada, as inúme as aduções com que con ac amos, especialmen e se se i e em conside ação a in luência cada ez maio que os gigan es da mul imédia, onde se inclui a indús ia cinema og á ica, exe cem sob e o me cado li e á io in an il (c . O’Sulli an 2005: 149-150). Nes e seu es udo, Jakobson dis ingue ês ipos de adução: adução in alinguís ica e adução in e linguís ica (conside ada como “ ansla ion p ope ”), em que os signos e bais são o p incipal e comum denominado , e ainda adução in e semió ica, onde, con a iamen e aos dois an e io es, a in o mação e bal é con e ida pa a ou os códigos de in o mação não- e bal, ou ice- e sa. A iden i icação da adução in e semió ica eio pe mi i que elemen os a p io i elegados pa a segundo plano, po não aze em pa e daquilo que se conside a a se uma on e p imá ia, como acon ece com as ilus ações, ossem es udados do pon o de is a da adução (Pe ei a 105). Exemplo disso mesmo é o p esen e T abalho de P ojec o, em que 31 se abo da um aspec o ão impo an e como são as imagens que acompanham o li o de Roald Dahl. Como já se iu, nos li os in an is as ilus ações são pa e impo an e da his ó ia, complemen ando, ampli icando e azendo “ecoa ” a esc i a, num diálogo de igual pa a igual. É ambém a a és dos elemen os isuais que o lei o ica a conhece melho os di e en es cená ios, os aços de uma sociedade, as ca ac e ís icas mais ma cadas de uma pe sonagem e an os ou os po meno es do en edo (Oi inen 2008: 84). Tais elemen os ganham ainda ou as p opo ções se i e mos em con a o ac o de que exis e uma cul u a en aizada em cada his ó ia, espelhada a a és dos desenhos ( ep esen ações de pe sonalidades, eligiões, luga es, comida, e c.), especialmen e quando a ob a se o na canónica e a a essa os di e en es can os do mundo, que a a és das aduções ei as pa a a página, que a a és do cinema, c is alizando as pe sonagens e uni e sos no empo e a uma escala global. Todos es es aspec os condicionam o adu o . Po um lado, não se pode esquece que es e é ambém um lei o e que as suas expe iências pessoais, cul u a, espaço e empo em que se inse e i ão in luencia , em ce a medida, as suas escolhas adu ó ias; po ou o, as es ições na ho a de adap a e a o ma como as páginas es ão con igu adas, com pequenas caixas de diálogo acompanhadas de imagens que de em es a em sin onia en e si, limi am a sua libe dade. Assim, le an a-se o elho dilema: domes ica-se o ex o po o ma a consegui uma p oximidade com o lei o da língua de chegada, a iscando uma incoe ência en e imagem e ex o, ou man êm-se os elemen os comple amen e es anhos à cul u a de chegada, com a consciência de que isso pode á a ec a a ecepção e comp eensão da ob a (c . Oi inen 2008: 79-84)? A sono idade das pala as: poesia, jogos de pala as e lei u a em oz al a A li e a u a in an il dis ingue-se pela ino ação linguís ica que ap esen a. Reple a de jogos de pala as, neologismos, ocadilhos e an os ou os ecu sos da língua que enchem a ob a de co e despe am a cu iosidade dos mais no os que en am pela p imei a ez em con ac o com a li e a u a, a adução de li e a u a in an il cons i ui um g ande desa io, não só pelas especi icidades linguís icas em si, mas ambém pelo ac o de mui as ob as pe encen es a es e géne o li e á io se em concebidas pa a se em lidas em oz al a. Os sons e os i mos con ibuem pa a a es é ica das na a i as, que e ão de ag ada ao 32 ou ido do exigen e lei o , o que, po sua ez, ob iga o adu o a e le i sob e a luência e a na u alidade das pala as numa no a língua: “Since child en o all ages o en hea s o ies a he han ead hem, ansla o s ha e a pa icula esponsibili y o p oduce ex s ha ead aloud well.” (La hey 2016: 93). Assim, quando se p ocede à ca ac e ização da na u eza e es u u a do ex o de li e a u a in an il e se ponde am as e amen as necessá ias pa a consegui inden i ica e ul apassa os obs áculos ine en es à adução, há que econhece a impo ância dos es ímulos audi i os pa a o ipo de público a que se des ina. A pon uação, os sons e os i mos ma cam em pa icula o compasso da na a i a e, especialmen e se ala mos em poesia, queb a a cadência e a luidez das imas, po exemplo, pode comp ome e a ecepção jun o do público. Di eccionando ago a a nossa a enção mais especi icamen e pa a as peculia idades da esc i a de Dahl, não é su p esa pa a quem conhece o seu es ilo na a i o que um dos aspec os mais salien es, e que ans o mam os seus li os em êxi o, é o ac o de o au o b i ânico consegui des ia -se das con enções da língua, o nando-a di e ida e ca i an e pa a le em oz al a: “I is w i ing ha begs o be ead aloud, and he phonological de ices men ioned ea lie help cap u e he ene gy o his s o ies’ usually b ash ex e io , besides he g aphemic ep esen a ion o onoma opoeia” (Rudd 65). O a, se econhecemos nas ob as de Dahl uma quase ob iga o iedade de se em lidas em oz al a, Di y Beas s não é excepção. O i mo e algumas b incadei as com as pala as da língua inglesa que ma cam os poemas o nam a ob a apela i a; no en an o, da pe spec i a da adução, al i mo e c ia i idade linguís ica ep esen am um e dadei o queb a-cabeças pa a o adu o . Pa a explica de que modo pode se desa ian e ans e i es as pa icula idades pa a ou o idioma, bas a-nos a ende às di e enças de es u u a en e as línguas, nes e caso en e a língua inglesa e a língua po uguesa ( alamos mais especi icamen e do po uguês eu opeu, pa a o qual se aduzi am os ês poemas seleccionados). Enquan o que, como se sabe, o inglês é uma língua sin é ica, em que se consegue ansmi i mui a in o mação em ases cu as, o po uguês, pelo con á io, em uma na u eza analí ica, o que, aplicado em conc e o à adução de e sos como os de Dahl, acaba po o na o ex o mais denso e menos luido, co endo-se o isco de queb a o i mo do ex o. Pa a pe cebe melho a dimensão des as di e enças, obse e-se a dispa idade do núme o de sílabas mé icas en e o ex o de pa ida e o de chegada. No caso conc e o, cada um dos poemas de Dahl incluídos em Di y Beas s ap esen a e sos de oi o sílabas mé icas; no en an o, em po uguês, exis e a necessidade acen uada de ans o ma esses 33 e sos oc ossilábicos em e sos alexand inos (de 12 sílabas), o nando-se a lei u a mais pesada e pe dendo-se o e ei o quase que musical do o iginal inglês. Tendo es es ac o es em conside ação, a a e a de economiza pala as du an e o p ocesso adu ó io o na-se bas an e di ícil e alcança um núme o de sílabas mé icas ão eduzido pa ece quase impossí el. Exige-se ao adu o a capacidade de ein en a , e o mula ezes sem con a e usa a língua de o ma c ia i a, de modo a en a man e as ca ac e ís icas do o iginal, o que mui as ezes não é conseguido. Da ob a T ansla ing Child en’s Li e a u e, de Gillian La hey, uma lei u a essencial di eccionada não só aos adu o es p o issionais, mas ambém a in es igado es e es udan es da adução des e géne o li e á io — a qual nos põe a e le i de o ma c í ica sob e a p á ica da adução a a és de á ios exemplos eais e espec i as explicações —, conseguimos e i a algumas conclusões sob e a melho o ma de aze ace a es e p oblema. Assim, La hey, diz-nos que uma es a égia u ilizada mui o equen emen e é a de le em oz al a as passagens aduzidas, colocando-se o adu o na pele de um lei o , a im de consegui encon a o i mo e a es u u a sin ác ica ce os. Es e exe cício e ela-se an ajoso, pois pe mi e que se ganhe uma maio consciência das desa monias que, de ou a o ma, pode iam passa despe cebidas no papel (La hey 2016: 94). Pa a além das á ias lei u as que de em se ei as com o objec i o p incipal de lima as a es as do ex o, exis em de e minados passos que de em se seguidos an es de se pode chega à ase em que o ex o se começa a “compo ”. Sa ah A dizzone, uma adu o a de li e a u a in an il e de young adul ic ion, p opõe um mé odo em cinco ases que pode, de ce a o ma, complemen a a já e e ida lei u a: inclui uma p imei a lei u a do ex o, que po sua ez az ge mina as p imei as en a i as de adução, ma cadas po á ias opções que pos e io men e ão sendo eliminadas. Após es es p imei os passos, p ocede-se a no a lei u a. Nes a ase, o esul ado da adução pode á se mui as ezes li e al. É en ão que se começam a aze as modi icações necessá ias pa a que o ex o se molde um pouco mais à língua de chegada, man endo semp e alguns aços que denunciam a sua o igem (La hey 2016: 94). Não obs an e, endo em con a que o que con e e aos ex os de Dahl uma qualidade que os o na ão di e en es são odos os ocadilhos, exp essões idiomá icas e uma g ande dose de imaginação, a c ia i idade é, pa a além de qualque undamen ação eó ica de base, uma “ e amen a” que não pode al a ao adu o , uma ez que o que se p e ende é p ese a ao máximo a na u eza das suas ob as, com odas as ca ac e ís icas que as o nam apela i as. A ex ema p eocupação em não ugi ao sen ido, ou mesmo em p ese a de e minados aspec os o mais da ob a, 34 podem man e o adu o p eso ao ex o de pa ida, o que acaba po des ui a musicalidade das ases e a sua o iginalidade. Relemb ando as pala as de Susan Bassne , exis em semp e pe das e ganhos em adução; cabe ao adu o compensa as incon o ná eis pe das linguís icas e cul u ais de o ma ino ado a. Os ocadilhos e ou os ecu sos es ilís icos, que podem cons i ui uma on e de i onia nas ob as li e á ias pa a os mais pequenos, le an am pois o p oblema de como se ans e idos de um sis ema linguís ico pa a ou o. T ês es a égias são, a es e espei o, equen emen e u ilizadas: c ia i idade, compensação e adap ação. O adu o de e analisa a unção e a essonância das pala as no ex o e p ocu a , p imei amen e, equi alen es na língua de chegada; na impossibilidade de pode segui po essa ia, e á p e e encialmen e de en a compensa as possí eis pe das com ou os ocadilhos e jogos de pala as que sejam amilia es na língua e cul u a de chegada. A adução li e al pode ia se ambém uma opção, mas es e é um caminho que aca e a os seus iscos, pois mui as das ezes pode con undi ou aliena o lei o (La hey 2016: 99-100). A p opósi o des a emá ica da sono idade e i mo das pala as, não podemos pe de de is a que os ex os seleccionados pa a adução são poemas. A adução de poesia é conside ada a mais di ícil pa a os adu o es e é equen emen e execu ada po poe as já expe ien es e conhecedo es dos seg edos des e ipo de esc i a. Não obs an e, e dependendo da na u eza do poema e da impo ância ela i a do seu signi icado e da sua musicalidade, no que oca à adução de poesia podem conside a -se duas g andes es a égias possí eis: a ec iação de um no o poema inspi ado po uma adução li e al inicial (“a c ib”), ou man e o i mo e a mé ica, al e ando o con eúdo semân ico (ibidem 101). A o ma e o som são po no ma a g ande p io idade dos adu o es de li e a u a in an il, os quais necessi am, nes e caso, de possui um ex ao diná io domínio de écnicas de esc i a de poesia que incluem o uso da ali e ação, da assonância e de ou as igu as es ilís icas que pe mi em a c iação de pad ões de som que encan am os mais no os (ibidem 101). Pa a e o ça es a ideia de que na poesia, e em especial na esc i a pa a c ianças, é impo an e o i mo e a sono idade das pala as, pode mos soco e -nos das pala as de Twain ace ca das con apa idas de aduzi poesia: T ansla ing poe y is a no o iously di icul en e p ise, and i is no su p ise ha ansla ion is o en equa ed wi h be ayal. One can hink o he e o o ansla ion as a scale o choices, om he li e al side o highly in e p e i e and in en i e on he o he . The dange s o he li e al app oach include woodenness, incomp ehensibili y o awkwa dness because o idioms, me apho s, o ph ases ha a e no used in he a ge language, li elessness, and a i iciali y. The pe ils a he o he 35 end o he scale a e ob ious: depa u e om he meaning and s ylis ic quali ies o he o iginal, be ayal o he spi i o he sou ce wo k. (apud S ahl, 220) A T adução enquan o p ocesso c ia i o Ainda que po mui o empo enha sido incluída na ca ego ia da sub-li e a u a, conside ada pouco exigen e e ca ac e izada po uma linguagem simplis a, ajus ada às capacidades in e p e a i as de quem a lê, a li e a u a in an il goza hoje de um p es ígio que an es não lhe e a a ibuído e o p esen e T abalho de P ojec o p e ende con ibui pa a e o ça a ideia de que se a a de um géne o complexo e al amen e imagina i o. Mui as ezes passamos os olhos pelas páginas de um li o sem nos ape cebe mos da iqueza da linguagem em que es á esc i o e da o ma como al mes ia pe mi e, de uma o ma sub il, ansmi i e despe a á ias sensações o es no ecep o , como o iso, o escá nio, o espan o ou a is eza. As pala as são capazes de p ende a a enção do lei o de o ma pode osa e na li e a u a in an il elas ganham uma impo ância mui o pa icula . Nes e géne o li e á io encon amos uma panóplia de ecu sos linguís icos eco en es, como po exemplo os jogos de pala as, as imas e o nonsense, os quais eque em, indubi a elmen e, uma boa dose de c ia i idade po pa e do adu o . No que conce ne à de inição de c ia i idade, num sen ido la o, es a pode se en endida como uma o ma o iginal ou in en i a de encon a soluções pa a de e minados desa ios, ou, azendo uso de uma exp essão hoje em dia mui o comum, a c ia i idade é a capacidade de “pensa o a da caixa” pa a esol e p oblemas. Vá ios in es igado es êm analisado e discu ido o uncionamen o da men e humana no que oca aos p ocessos c ia i os, en e os quais se salien am Fauconnie (1994) e Tu ne (1996), que dão um papel de des aque à c ia i idade e à imaginação como agen es p incipais no p ocesso de pensa e oma decisões. É assim possí el concebe a adução como uma ac i idade que eque , de o ma mais ou menos ma cada, a capacidade de se c ia i o ace aos desa ios de na u eza di e sa que o ex o ap esen a (Boase-Beie 53). Quando aplicada ao âmbi o da adução es a mesma noção não é, con udo, linea , pois pode colidi com as concepções do ex o o iginal como de endo uma posição de supe io idade e au o idade. Es a isão, ainda assim, em indo a se con a iada pela c í ica li e á ia e pelos Es udos de T adução, g aças à con ibuição de eó icos como Ba ns one, que equipa a qualque p ocesso de c iação, desde escul u as e pin u as a ob as li e á ias, ao p ocesso de adução, pois em odas elas se e i ica uma ans e ência e ep odução de ideias que êm o igem na men e humana e ganham pos e io men e o ma 42 pu pose we canno ully disce n, and hen suddenly all is esol ed om a di ec ion we didn’ expec . (apud S allcup 33) A a e são e o ho o são adicionados a es a ó mula quando, de o ma inespe ada, somos con on ados com cená ios de iolência e de exibição de pode e o ça sob e os mais acos, deixando o lei o num mis o de sen imen os de con usão e de epulsa, mas sol ando uma ga galhada de alí io po sabe que, apesa da deso dem ins alada, no im udo acaba á po e uma solução: “Dahl is ca e ul o le us know ha he e a e no se ious consequences o he child en. This ensu es ha each scene s ays on he side o slaps ick and ne e dissol es in o he ho o o ac ual blood, go e and b oken bones” (S allcup 34). Assim, uma das p imei as g andes conclusões que conseguimos e i a des as eo ias cen ais do humo é que as mesmas andam de mãos dadas com o sen imen o de supe io idade: que seja pelo sen imen o de exclusão que p o oca ao indi íduo, ou conjun o de indi íduos, al o de oça, ou pela sensação que causa no lei o ao sabe que oi apaceado e as suas capacidades cogni i as es adas. Não negando, e iden emen e, a impo ância de conhece os concei os que nos ajudam a mapea as di e en es ace as do humo , num T abalho de P ojec o como o p esen e o na-se pa icula men e necessá io comp eende os p oblemas e implicações de aduzi o humo pa a uma ou a língua e que es a égias usa pa a se se bem-sucedido nessa a e a. O humo , nas suas di e en es o mas, é uma ca ac e ís ica uni e sal do se humano: “The e is no socie y in which humou has no been epo ed o exis ”. No en an o, quando se a a da pe cepção que cada um em ace ca do humo , especialmen e endo em con a que as si uações ep esen adas, os emas e os assun os podem se especí icos de uma cul u a, di e en es ques ões se le an am. Se á o humo aduzí el? Se á o humo um obs áculo à adução? Como aduzi o humo e de que o ma adap á-lo às no mas da cul u a de chegada? (O’Sulli an 2005: 28-29). Pa a nos ajuda a esponde a es as pe gun as eco emos a ês nomes que nos dão e amen as impo an es pa a analisa e iden i ica o papel que o humo desempenha. Assim, o p imei o eó ico que que emos menciona é Roman Jackobson, que econhece a possibilidade de aduzi en e sis emas semió icos di e en es, sublinhando que o signi icado é a essência de um ex o e que o adu o de e p ocu a man ê-lo, dispondo pa a isso de á ios mé odos, en e eles a pa á ase (A a do 174). Em de e minadas ci cuns âncias, há que “da a ol a” ao ex o, pa a que es e se o ne mais comp eensí el, nomeadamen e nos casos em que as di e enças cul u ais podem cons i ui um obs áculo 43 à in eligibilidade. Po que alamos de humo , e como se sabe, es e pode se di ícil de en ende ; impo a pois e em men e es es aspec os daqui pa a a en e. De e-se a Vic o Raskin, linguis a e p o esso na Pu due Uni e si y (EUA), o desen ol imen o da «Seman ic-based Sc ip Theo y o Humo » (1985), onde p e endeu ap esen a “ he necessa y and su icien condi ions, in pu ely seman ic e ms, o a ex o be unny” (c . Raskin 1985). Anos mais a de, em 1991, es a eo ia em a se e is a. Jun amen e com Sal a o e A a do, ou o g ande nome da Linguís ica, Ruskin elabo ou «The Gene al Theo y o Ve bal Humou ». Mais comple a que a an e io , de endem os seus au o es que “each joke can be iewed as a 6- uple”, azendo-se ale , pa a isso, de seis pa âme os designados de «Knowledge Resou ces»: “language”, “na a i e s a egy”, “ a ge ”, “si ua ion”, “logical mechanism” e “sc ip opposi ion”. Quan o ao p imei o pa âme o, como o nome indica, diz espei o à edação do ex o e à colocação dos elemen os uncionais que o cons i uem. Aqui en a a noção de pa á ase, pois a sinonímia e ou as cons uções sin á icas são al e na i as álidas que anspo am a mensagem sem comp ome e o con eúdo semân ico. Des e caso excluem- se os ocadilhos, uma ez que “jokes based on he signi ian (mos ly puns) a e a ma ginal excep ion” (A a do 177). Quan o ao segundo elemen o, e e e-se ao ipo de na a i a em que a piada se inse e, que seja um simples diálogo, (pseudo) ocadilho ou uma con e sa pa alela. Es e pon o pode anspo a -nos pa a es udos in e -cul u ais, uma ez que de e minados egis os são únicos de uma de e minada cul u a: “conside ing o example knock-knock jokes which a e unknown ou side o he Anglo-Saxon wo ld”, o que po sua ez deixa ao adu o “ he ask o ep oducing he joke using a di e en Na a i e S a egy”. O e cei o pa âme o diz epei o ao al o, ou aquilo a que chamam “bu o he joke”. Incluem-se aqui as ep esen ações es e eo ipadas de g upos de indí iduos. Mais uma ez se chama a enção pa a o ac o cul u al, pois é do conhecimen o ge al que os al os das piadas es e eo ipadas dependem mui o de luga pa a luga . Assim, pa a um ame icano, “I alians a e di y and iolen ”, e pa a os i alianos “Sco s a e a a icious”. Seguidamen e, emos a si uação que se p ende com o ema e os elemen os en ol en es da piada, desde os objec os, os pa icipan es, os ins umen os, as ac i idades, e c. Quan o ao pa âme o mais p oblemá ico de odos, “logical mechanism”, A a do a gumen a que “p esupposes and embodies a ‘local logic’, i.e. a dis o ed, play ul logic ha does no necessa ily hold ou side o he wo ld o he joke” (A a do 180). Enquad am-se nes e pa âme o “ ole e e sals”, exagge a ions”, “jux aposi ions”, “ alse analogies”, “igno ing he ob ious”, en e mui os ou os (c . A a do 180). Finalmen e, o úl imo pa âme o, o 44 mais abs ac o de odos os acima mencionados, le a-nos a conhece ês concei os que cons i uem o discu so humo ís ico: “sc ip ”, “o e laping” e “opposi eness”. Assim, um “sc ip ”, em e mos ge ais, co esponde a um conjun o de in o mações que nos é dado sob e algo, como um objec o (imaginá io ou eal), um e en o ou uma acção: “I is a cogni i e s uc u e in e nalized by he speake which p o ides he speake wi h in o ma ion on how he wo ld is o ganized, including how one ac s in i ” (A a do 181). “O e lapping” e e e-se à combinação de mais do que um “sc ip ”, ou seja, é possí el encon a echos de ex o que podem e mais do que uma lei u a. A a do dá como exemplo um cená io onde se desc e e alguém a aco da , a p epa a o pequeno-almoço e a sai de casa, o qual pode ia se lido como uma simples ida pa a o abalho, ou uma iagem pa a i à pesca. Es a sob eposição de guiões le a-nos à úl ima de inição, a de “oposi eness”, quando exis e oposição en e esses mesmos guiões — aquilo a que Raskin chamou “local an onymy”: “Raskin de ined local an onyms as “ wo linguis ic en i ies whose meanings a e opposi e only wi hin a pa icula discou se and solely o he pu poses o his discou se” (1985:108)” (A a do 182). Ci emos ainda uma ez mais A a do: Any humo ous ex will p esen a Sc ip Opposi ion; he speci ics o i s na a i e o ganiza ion, i s social and his o ical ins an ia ion, e c., will a y acco ding o he place and ime o i s p oduc ion. I should also be s essed ha each cul u e, and wi hin i each indi idual, will ha e a ce ain numbe o sc ip s ha a e no a ailable o humou (i.e., abou which i is inapp op ia e o joke). Fo example, medie al cul u e ound i pe ec ly accep able o laugh a physical handicaps, while his is no longe accep able in some mode n (sub)cul u es. So ob iously any a emp o gene a e humou using one o he sc ip s no a ailable o humou will ail, o be ma ked ( his is a possible explana ion o gallows humou ). (A a do 182) E ei o p ocu ado de nume osas o mas, seja a a és de exp essões e si uações que dependem da componen e linguís ica — onde podemos iden i ica , a í ulo exempli ica i o, os neologismos e os ocadilhos linguís icos, nos quais se inse em as homo onias — , ou a a és do p óp io es ilo na a i o, onde impe am o humo neg o, a linguagem de sub e são mo al e as c í icas con unden es que põem nomeadamen e em ques ão a igu a do adul o (Soa es 29), o iso é uma das p incipais p eocupações de Roald Dahl, que conhece mui o bem o seu público lei o e sabe que es e ap ecia o nonsense e o humo esca ológico (Pai a 2014a: 53). Ainda que seja expec á el o inal eliz nas úl imas páginas de cada con o, uma boa his ó ia não se az sem “na a i e excesses o olk acon eu s” eple os de “comic exagge a ions” e “bu lesque humou ”, onde não al am c ia u as a e ado as que amed on am os mais no os e pesados cas igos pa a os ilões. 45 Mas, se os adul os u ilizam es a “na a i e iolence in o de o discipline and socialize child en in he name o guiding and healing hem” (Ta a 71), a iolência bu lesca, “which depends o i s e ec on dis o ion and exagge a ion”, e a iolência e alia ó ia, “which u ns on he no ion o physical punishmen ”, despe am nos mais no os um “undisguised glee o bo h – a wi ch’s p epa a ions o a cannibalis ic eas o he whacks in lic ed on illain’s backside by a magic cudgel” (ibidem 72). Combinado com o espec áculo de ho o es p esen es nes as his ó ias, o humo se e ambém pa a ameniza as “anxie ies ega ding aboo subjec s” (S allcup 38): um humo conside ado in an il que lida com assun os obscenos e onde “shi and o he ‘di y’ bodily subs ances a e he a ou i e opics o jokes among child en” (Gees 127). Assim, “ hey o en ind jokes abou body and bodily unc ions pa icula ly unny” (S allcup 38). A cons a ação de que o humo é uma peça undamen al da li e a u a in an il e da ob a de Dahl em pa icula , le a-nos ine i a elmen e a econhece que a sua adução cons i ui um eno me desa io, exigindo um g ande ní el de c ia i idade e, po ezes, uma o e in e enção a ní el ex ual. Segundo A a do, os seis pa âme os a ás mencionados de em se p ese ados na adução semp e que possí el. No en an o, se necessá io, o adu o pode pe mi i -se aze o seu ex o di e i do o iginal: “i possible, espec all six Knowledge Resou ces in you ansla ion, bu i necessa y, le you ansla ion di e a he lowes le el necessa y o you p agma ic pu poses.” (A a do 183). De en e as á ias componen es humo ís icas p esen es na ob a de Dahl, des acamos o caso pa icula dos jogos de pala as. Es es são, segundo Jacqueline Hen y, um enómeno que eco e ao que chama “aciden es da língua”, nomeadamen e as homo onias, as pa onímias e os e mos polissémicos, pa a aze b incadei as com a língua e explo a as pa icula idades e ambiguidades semân icas e oné icas (apud Wecks een 104). Quan o à esolução des e p oblema, quando ques ionado sob e a aduzibilidade ou in aduzibilidade dos ocadilhos A a do a i ma: “Those puns ha exhibi in he SL a se o ea u es which is consis en wi h a se o ea u es in he TL, such ha he p agma ic goals o he ansla ion a e ul illed, will be ansla able.” (A a do 190). Já na opinião de Co inne Wecks een, de emos olha pa a es e enómeno endo em con a a sua dimensão cono a i a e ambígua, pois são es es os elemen os undamen ais que compo am em si a o iginalidade, a incong uência e a comicidade (Wecks een 104). E é po es e mesmo mo i o, a im de conse a as ca ac e ís icas que con e em singula idade ao ex o, que se o na mui as ezes impo an e aduzi não an o de aco do com o sen ido, mas de modo c ia i o. Is o é, acompanhando o pensamen o de Wecks een 46 ace ca da manei a como Balla d pe spec i a a a u ilização da c ia i idade pa a ins adu ó ios, es a pode sob epô -se à li e alidade: C ea i i y […] can be a mo e e ec i e han accu acy in he ansla ion o wo d-play. Wo dplay is an a ea pa excellence whe e wo d- o -wo d ansla ion usually misses he poin . Wha is mo e ele an han seman ic meaning in many ins ances o wo dplay is he s ylis ic de ice i sel , he ela ionship be ween wo ds. And his is, pe haps, why many leading schola s ha e a gued ha puns a e un ansla able […]. (apud Wecks een 105) O deba e sob e o humo e a sua in aduzibilidade su ge com equência quando se ala des e ópico, pois es á in imamen e ligado a ques ões linguís icas e cul u ais que podem se ex emamen e di íceis de aduzi e adap a . Ainda que não exis a nenhuma ó mula mágica pa a soluciona os p oblemas da adução de humo de o ma pe ei a, e sendo que nunca exis em duas aduções iguais, pode-se no en an o en a encon a algumas es a égias que pe mi am comba e a sua apa en e in aduzibilidade. Tais es a égias assen am no conhecimen o e domínio que o adu o de e possui não só da língua de pa ida mas especialmen e da língua de chegada, po o ma a se capaz de encon a nela exp essões, e imologias e e e ências cul u ais que não deixem que o e ei o humo ís ico do ex o de pa ida acabe po se des anece , ou dê a é azo a más in e p e ações. Se pega mos num dos exemplos mais g i an es da nossa p opos a de adução, onde a homo onia despe a o iso e, ao mesmo empo, o ho o de e um se humano se con undido com alimen o pa a papa- o migas (an e aun ) no poema “The An -ea e ”, pe cebe emos apidamen e que é necessá io encon a uma o ma de despe a no lei o uma eacção semelhan e sem en a em con on o com as ilus ações. Nes e caso, encon amos de alhes mui o especí icos da his ó ia aos quais não podemos echa os olhos, ou con o na a a és da ec iação de ou o cená io. Na impossibilidade de adap a es a cena ca ica a, e não ha endo manei a de man e o jogo de pala as com homo onias equi alen es, p ocu ou-se compensa es a i emediá el pe da e ainda assim conse a o humo a a és de uma exp essão po uguesa. A compensação é, aliás, uma écnica que não pode se e i ada quando se ala da adução de jogos de pala as. A elação en e sons e signi icados no ex o de pa ida ge a p oblemas de adução que o çam o adu o a eco e a al e na i as de eesc i a que en ol em es a égias compensa ó ias (Wecks een 116). Dep eende-se en ão que a c ia i idade é, no im de con as, um jogo de compensação e equilíb io: se po um lado exis em cons angimen os ligados a ques ões 47 o mais e semân icas, o adu o possui ambém a libe dade de e o mula o ex o de pa ida e eesc e ê-lo na língua de chegada (ibidem 123). T adução, adap ação e ec iação A es a égia da adap ação é uma das modalidades de in e enção ex ual mais equen es no que diz espei o à adução de li e a u a in an il. Pa a comp eende mos melho o que signi ica adap a , ecupe amos aqui algumas conside ações de Linda Hu cheon na sua ob a A Theo y o Adap a ion. Ainda que nes e caso o concei o es eja a se pensado no con ex o cinema og á ico, encaixa-se ambém no âmbi o em oco. Diz Hu cheon que a adap ação pode se en endida como um ac o c ia i o e in e p e a i o que implica uma ansposição in e semió ica de um sis ema de signos pa a ou o (po exemplo, pala as pa a imagens), podendo ambém oco e den o do mesmo sis ema de signos: uma “ ansmu ação”, “ anscodi icação” e “ e o ma ação” que implica uma e o mulação de con enções e de signos (Hu cheon 16). Geo ges Bas in, po seu u no, inicia o e be e “Adap a ion”, incluído em Rou ledge Encyclopedia o T ansla ion S udies (Second Edi ion), nos seguin es e mos: Adap a ion may be unde s ood as a se o ansla i e in e en ions which esul s in a ex ha is no gene ally accep ed as a ansla ion bu is ne e heless ecognized as ep esen ing a sou ce ex . As such, he e m may emb ace nume ous ague no ions such as app op ia ion, domes ica ion, imi a ion, REWITING, and so on. S ic ly speaking, he concep o adap a ion equi es ecogni ion o ansla ion as non-adap a ion, a somehow mo e cons ained mode o ans e . (Bas in 3) Ve i icamos assim que a elação en e adução e adap ação é p oblemá ica e que es a pode se enca ada como algo desp es igian e. Acon ece, po ém, que es e p ocedimen o, quando u ilizado em géne os li e á ios ma ginalizados como é caso da li e a u a in an il, pode se emp egue com uma libe dade maio do que a usada na adução de ou os géne os: “ he ansla o o child en’s li e a u e can pe mi himsel g ea libe ies ega ding he ex , as a esul o pe iphe ical posi ion o child en’s li e a u e wi hin he li e a y polysys em” (Sha i 26). No en an o, se olha mos pa a es a o ma de manipulação de uma ou a pe spec i a, pe cebemos que, mui o pelo con á io, não em de e uma cono ação nega i a. Aliás, é g aças à adap ação que mui os bes -selle s ganham no o iedade e a a essam as on ei as do seu país de o igem, indo a se ap eciados nou as línguas e cul u as. A saga Ha y Po e é, nes e caso, um bom exemplo 48 pa a se pe cebe o quão impo an e se pode o na a in e enção c ia i a do adu o . Pa a além de encon a mos nes as his ó ias de J. K. Rowling cená ios que nos eme em pa a locais lond inos e, po an o, possi elmen e desconhecidos de mui os lei o es, o léxico emp egue pela au o a des e uni e so mágico inclui no as pala as que causam os maio es p oblemas aos adu o es; pala as essas que ca egam consigo um signi icado undamen al pa a aden a nes e mundo mágico e pa a conhece melho as pe sonagens que ali habi am. Os seus nomes o am escolhidos a dedo, o nando o desa io mui o maio pa a o adu o que e á de aze os seus p óp ios julgamen os quan o às melho es es a égias a adop a . Aqui udo de e se analisado ao po meno . Os jogos de pala as e a oné ica, que nos o necem elemen os necessá ios pa a a comp eensão dos acon ecimen os, bem como as o mas de a amen o e os dialec os, são alguns ou os exemplos que demons am a complexidade do p ocesso de adução (c . Jen sch 190- 197). À medida que se mul iplica am as di e en es e sões que ela am a jo nada do jo em ei icei o, começou a o na -se cada ez mais e iden e que es a já não e a só a his ó ia de um apaz que ing essou numa escola de magia conhecida como Hogwa s, um cená io en ol o em magia e com á ios aços da cul u a b i ânica, mas ambém a de um apaz que es uda a em Poula d (Pou du la d), algu es em F ança; ou em Rox o (junção das pala as Ox o d e Roque o ), na Hung ia (Vox Video). A o igem omânica que se esconde po de ás de alguns dos nomes, como Mal oy (bad ai h), Voldemo ( ligh o dea h) e Si ius ( he Dog S a ), o na-se essencial pa a a comp eensão das di e en es pe sonalidades (Jen sch 191) e, se em algumas aduções os nomes são deixados no o iginal, nou as são ei as al e ações pa a ajuda o lei o a p onuncia nomes mui o di e en es do habi ual, ainda que “The law in his a gumen is ha many o Rowling’s newly coined wo ds a e so unusual ha e en English speake s disag ee on hei p onuncia ion” (Jen sch 200). É sob e udo nes as al u as que a expe iência e a c ia i idade en am na equação. Os jogos de pala as e ali e ações são, en e ou os, uma peça imp escindí el pa a guia o lei o nes e mundo mágico e obscu o onde as pala as ca egam um ce o mis icismo. E se há quem consiga econhece es a impo ância e ajuda o lei o a e uma maio pe cepção des e mundo, esse alguém é o adu o que não se inibe de i pa a além das pala as da au o a b i ânica. Ainda que exis am mui os elemen os que icam pe didos na adução, exis em an os ou os que bene iciam de no os sen idos. Po en e as inúme as e sões da saga Ha y Po e em mais de sessen a línguas, sal am à is a algumas soluções bas an e in e essan es, como é o caso do amoso “So ing 49 Ha ”, um e mo que po si só pa ece não ap esen a g andes p oblemas pois nem seque é um ocadilho. No en an o, pa a alguns que de ce a o ma se deixa am le a pela o ma ino ado a como J.K. Rowling cunha no as pala as, o desa io é ambém o de não o na o ex o ainda mais es imulan e. O adu o ancês, po exemplo, pe an e o pequeno mas pode oso acessó io de es uá io que decide o des ino dos alunos den o da escola, decidiu aglu ina as pala as “choix” e “chapeau” (Choixpeau magique), eme endo assim pa a a unção e pa icula idade des e objec o na his ó ia. Mas é al ez o anag ama “Tom Ma olo” — cuja eo ganização das le as da ia o igem ao nome do ilão mais emido des a saga — que nos p ende mais a a enção pela o ma genial como oi esol ido, pois nes e caso o adu o ancês não só conseguiu ec ia o e ei o p e endido pelo o iginal, como ainda da um segundo sen ido a es a cha ada a a és da pala a “Jeduso ”, ou seja, “game o he cu se” (Jen sch 198). Somam-se os exemplos de adap ações de li os que são cul u almen e “unmis akably B i ish” e que, po isso, passam po um p ocesso de adap ação que os o na “less o eign o he a ge coun y”. Es e p ocesso não exclui ambém os Es ados Unidos da Amé ica que, ainda que pa ilhe a mesma língua, em as suas especi icidades e, po isso, nem mesmo um simples paco e de “c isps” se li a do esc u ínio do adu o a en o (Vox Video). No que oca à p odução li e á ia pa a o público in an il, o peso da imagem de in ância p ojec ada pelos adul os é eno me e isso az-se sen i a a és de uma sé ie de exigências impos as po odos os agen es en ol idos no p ocesso de p odução, edição e seleção dos li os. Po en e emas abu, p opósi os educa i os, opiniões p econcebidas sob e aquilo que as c ianças comp eendem, alo izam, que em le , e uma imensa “ambi ion o many a ansla o o make e e y hing a bi mo e beau i ul and ull o genuine eeling”(S ol 75), á ias são as azões po de ás das múl iplas ozes que se azem ou i numa adução. Os pa a ex os são um espaço em que a oz do adu o pode e uma in e enção pa icula men e signi ica i a e assumi di e en es o mas: “i may speak in a ac ual, explana o y, o didac ic one, i may be mu ed o ake cen e s age o i may y o simula e he na a i e one o he sou ce ex ” (O’Sulli an 2005: 113-115). Na e dade, é in e essan e cons a a que um ipo de li e a u a conside ado ão simples pode ap esen a an os desa ios: “simple hings a e no always easy o ansla e” (Milošič 3). A inal de con as, como a i mou o adu o de li e a u a in an il Vasja Ce a , as c ianças p ocu am “good-nigh s o ies o in e es ing ad en u es” e pa e da magia e in e esse da his ó ia es á nos pequenos de alhes da língua, como as já mencionadas cha adas, os ocadilhos e o humo (Milošič 3-4); mas, se assim é, isso ambém se de e 50 ao adu o que ap oxima cul u as, elimina ba ei as que as sepa am, sem que o lei o se ape ceba. Assim unciona uma boa adução, nas pala as de Rii a Oi inen: num diálogo pe ei o onde “ he “I” o he eade o he ansla ion mee s he “you” o he ansla o , he au ho , he illus a o ” (apud O’Sulli an 2005: 78). Mui as ezes só nos ape cebemos de que se a a de uma adução “when he e a e li le impe ec ions — sc a ches, bubbles” —, como diz No man R. Shapi o, p o esso de T adução Li e á ia na Wesleyan Uni e si y em Middle own —, caso con á io pode íamos ju a a a -se de um o iginal, não osse na capa cons a um nome es angei o (Venu i 1). Ainda que em mui os géne os se eco a à adap ação, mais uma ez pa ece-nos que “ he pa icula oice o he na a o o he ansla ion would seem o be mo e e iden in child en’s li e a u e han in o he a eas due o he speci ic, asyme ical communica ion s uc u e”(O’Sulli an 2005:110) e que a g ande libe dade de aze modi icações ao ex o o iginal se de e à “subo dina e posi ion in he li e a y hie a chy and i s classi ica ion as epheme al, o popula li e a u e. (Sha i 1986)” (apud La hey 2016: 113). Em suma, “ he low s a us o child en’s li e a u e, di e en cul u al cons uc s o childhood and di e en no ions o wha is ‘good o he child’” são as azões que Sha i apon a pa a que se eco a an o à adap ação na li e a u a in an il, mui as ezes al o de “ adical CENSORSHIP and ab idgmen ” (La hey 2009: 32). Em Ingla e a, po exemplo, os KHM (Kinde -und Hausmä chen) da au o ia dos i mãos G imm após mais de 100 anos con inuam a e bas an e popula idade en e os mais no os, con ando equen emen e com o es o ço de edi o as, ilus ado es e adu o es pa a man e es es con os “a esh o e e y gene a ion o child en” (Blami es 173). Mas, al como em mui os ou os exemplos da li e a u a in an il mundial, as c ianças inglesas i e am acesso a uma e são com uma cono ação eligiosa mui o meno , sem os cená ios de ho o do o iginal, os quais o am subs i uídos po ambien es menos pesados e, como semp e, a his ó ia em um des echo “on a happie no e” (Blami es 166-167). No pano ama po uguês, é isí el a impo ância do papel das adap ações, eesc i as e ec iações na li e a u a pa a c ianças e jo ens, desde logo no que diz espei o a ex os da adição o al, sob e udo a pa i dos inais de Oi ocen os (Gomes 43). Ao longo dos séculos omos pe cebendo a impo ância do papel da adução, que no en iquecimen o dos sis emas li e á ios que no con ibu o pa a a a i mação de no as cul u as, e a li e a u a in an il é bem e elado a desses enómenos, pois como sabemos nasceu da ap op iação, adução e adap ação de g andes ob as já exis en es: “His o y eaches us ha his basic ole speci ically is hea ily in luenced by ansla ion, since he 51 epe oi e o child en’s books and child en’s (na a i e/li e a y) discou se a e sys ema ically de eloped on he basis o in e na ional adi ions” (Ghesquie e 20). Assim, deixamos de olha pa a um ex o como uma ep odução exac a e iél, pa a con empla mos ou os ac o es impo an es: “Since he 1970s he gene al end in he s udy o ansla ion has mo ed away om an emphasis on EQUIVALENCE and ai h ulness, owa ds desc ip i e app oaches ocusing on he pu pose, unc ion and s a us o he ansla ion in he a ge cul u e.” (La hey 2009: 32). Ques ões ligadas a pode , ideologia e ins i uições de em ambém se omadas em conside ação, pois nesse caso, como a i ma And é Le e e e na sua ob a T ansla ion, Rew i ing, and he Manipula ion o Li e a y Fame (1992), “ a he han p oducing ‘sameness’, ansla ion is ew i ing o he new eade s in he a ge cul u e” (apud Oi inen 1996: 39). Enquan o de ini limi es en e adução, adap ação e eesc i a se o na um ema sensí el de abo da , é impo an e e e que “in ansla ion s udies, ansla ion as such is seen as an ac o change and ew i ing, whe e p oblems a e sol ed by using di e en s a egies such as domes ica ion and o eigniza ion” (ibidem 42). O es a u o especial que a li e a u a in an il em po se di igi a dois públicos de aixas e á ias mui o di e en es e com expec a i as ambém elas dis in as, e a unção ins umen al que a adução pode e numa sociedade ao molda men alidades e di undi no os ideiais, mos am-nos que a adução é um eículo pode oso que se adap a a ou as ealidades e cul u as. Assim, quando compa amos um ex o com a sua adução pe cebemos que o que emos dian e de nós não é apenas uma me a ans e ência linguís ica, mas o e lexo de mui os ou os ac o es como a sociedade, o modo como es a pe cepciona o Ou o e o p óp io olha de quem aduz sob e as coisas. No im de con as, a adução é uma ac i idade que semp e oi egida po no mas ( elacionadas com ques ões linguís icas, polí icas, didác icas, es a égias de ma ke ing, e c.) e esse é mo i o mais que su icien e pa a jus i ica as di e en es abo dagens a um ex o. Não podemos espe a que uma c iança consiga le um li o que oi esc i o pa a adul os (“in adap a ions o child en Shakespea e’s plays will lose hei s ong sexual e e ences and bawdy language.”: Mil on 4), do mesmo modo que não podemos acei a que um ex o eple o de e mos écnicos so a omissões ou al e ações que podem, inclusi e, comp ome e a segu ança dos seus lei o es. Qualque que seja a es a égia que se aplique pa a co esponde às exigências do público de chegada pode á se mo i o de discó dia e sob e udo no que oca à li e a u a in an il “ o eigniza ion and domes ica ion a e e y delica e issues” (Oi inen 1996: 43). 58 Eis a espos a pa a es a cha ada!” Pensamen os como es es, alha a e dade, Não dão a um po co g ande anquilidade! Na manhã seguin e chega o Ag icul o B ando, Com um balde, pelo campo caminhando, E o Po quinho, com um g unhido assus ado , Consegue ao chão a i a o ag icul o … Ago a em a pa e bem mais ho ipilan e, Mas não a o nemos demasiado ele an e, Excep o algo que em de ica bem en endido, B ando oi pelo Po co mesmo comido. Comeu-o da cabeça aos pés, sem pa a , Mas igando os pedaços bem de aga . Le ou-lhe uma ho a a chega ao im, Tal e a o amanho daquele es im, E o Po co, é cla o, e minado o manja , Não sen iu qualque emo so, nem pensa ! De aga a sua cabeça genial coçou, E com um le e so iso, a i mou: “Eu i e uma o íssima in uição De que acaba ia po se a sua e eição. E en ão, po que ealmen e emi o pio , Pensei que comê-lo p imei o se ia o melho .” 59 “O Papa-Fo migas” Umas pessoas icas de Po ugal, Que i iam mui o pe o da capi al, Tinham um ilho chamado Vicen e, Um apaz go dinho e pouco a aen e — Ima u o, pa é ico e malc iado, E pio que udo, mui o mimado. Qualque coisa que deseja a, Logo o seu pai lha comp a a — Comboios elé icos, camiões, O úl imo modelo em a iões, Uma ele isão de al a de inição, Um saxo one, um iolão, U sinhos de peluche ca os que ala am, Animais que anda am e g asna am. Aquela casa an a alha inha Que da a pa a en usiasma qualque c iancinha. (Pa a além disso, o jo em Vicen e escolhia, Es ea dois pa es de sapa os po dia.) E ago a ali es a a ele a g i a : “Se á “Que já enho udo o que no mundo há? “Quão di ícil é no idades a anja ! “As escolhas começam a escassea !” Depois, coçando a o elha, ac escen ou: “Espe a aí! Mas que g ande génio eu sou! “Acho que a p óxima coisa a comp a “De e se um animal de es imação peculia — “Do ipo que em nenhum la encon a ão — “Um PAPA-FORMIGAS gigan e! Po que não?” Assim que o seu pai icou a sabe , 60 A odos os zoos esc e eu a co e . “Vossas excelências”, disse, “Ca os a ado es, “Tem papa- o migas algum dos senho es?” Eles esponde am logo, sem hesi ação, “Os nossos papa- o migas à enda não es ão.” Sem se da po encido, o pai dedicado, En iou mais mensagens pa a odo o lado. Disse: “Eu pago um milhão, ou a é mais, “A quem me a anja um desses animais.” Po im um senho indiano eio a encon a (Que numa enda pe o de Deli es a a a mo a ), O qual disse que sac i ica ia O seu animal po uma al a quan ia (O p eço a paga , se es i e in e essado, São cinquen a mil upias, negócio echado). O papa- o migas meio-mo o chegou. Olhou pa a Vicen e e balbuciou: “Es ou amin o. Pode ias po a o aze “Alguma coisinha pa a eu come ? “Uma côdea de pão? Uma asinha? “Não comi mesmo nadinha “Enquan o a iagem po ma du ou, “Po que de mim ninguém cuidou.” Vicen e g i ou: “Nada de ca ne ou de pão! “Vai caça o migas. São a ua e eição!” A c ia u a amin a pa a longe se a as ou. Noi e e dia, no ja dim, com a inco p ocu ou, Vasculhou mesmo udo quan o e a luga , Mas nem uma o miga conseguiu encon a . “Dá-me de come !”, a c ia u a suplicou. 61 “Vai p ocu a o migas!”, o apaz eplicou. Po acaso, naquele mesmo dia, De isi a eio a sua ia — Uma ho í el b uxa elha, oc ogená ia, Cujo nome, ao que pa ece, e a Hilá ia. Ao sob inho disse: “Sen a- e aqui ao sol com a ia “e amos lá pô a con e sa em dia.” Vicen e disse: “Penso que não lhe cheguei a ap esen a O meu no o animal de es imação, bem in ulga .” Apon ou pa a as ped as pe o de um poço Onde algo jazia, só pele e osso. “Papa- o migas!”, g i ou. “Não iques aí a boceja ! Es a é a o miga abiga da minha ia. Vem cump imen a !” (Cu iosamen e Po ugal em, Exp essões que não lemb am a ninguém. Pe cebe o que que em dize , Eis o p oblema a esol e . Nes a his ó ia não há o miga e dadei a, Mas sim uma ia bas an e ma ei a.) Vicen e g i ou: “Ó ulano, em cá! A minha ia que dize - e olá!” De aga a c ia u a a cabeça le an ou. “Isso é uma o miga abiga?”, pe gun ou. “Cla o que sim!”, g i ou ele. “Chama-se Hilá ia! “É uma o miga abiga oc ogená ia.” A c ia u a so iu. A sua ba iguinha oncou. Lambeu os beiços amin os e mu mu ou: “Uma o miga gigan e. Que igua ia alen e! “Vou e po im um jan a decen e! “Tenha ela os anos que enha, 62 “Se é uma o miga, a mim enha!” En ão, de mi a bem apon ada, Lançou-se sob e a senho a assus ada. Com o ça pelos cabelos a aga ou E ali mesmo in ei a a de o ou, Dizendo enquan o mas iga a um pé: “Maio o miga jamais come ei, olé!” En e an o o nosso he ói Vicen e já se inha escapado Pa a o elhei o do ja dim, bas an e a e o izado, E en ou a sua p esença dissimula A ás de um mon e de es ume que calhou ali es a . Mas o papa- o migas en ou, sub- ep ício (Mais cheiinho do que e a de início) E disse ao Vicen e: “Seu edelho, que su p esa, Acho que ais acaba po se a minha sob emesa.” 63 “O Sapo e o Ca acol” Nada melho pa a me aleg a Do que no lago de nenú a es b inca . Ti o sapa os, meias e o casaquinho E lá ou eu a ema no meu ba quinho. Mas on em, epen inamen e, Um sapo gigan e apa eceu-me à en e. E a ão g andalhão Como um po co go do e ma ulão. A so i pe gun ou: “Olá, como es á o meu amigo? Bom dia! Tudo bem! E consigo? (De alguma o ma o seu os o azia lemb a A i mã da mamã, a ia Pila .) Disse o sapo: “Não achas que enho boa igu a? “Olha pa a as minhas pe nas. Que o mosu a! “Tenho a ce eza de que nunca is e à en e “Um sapo de um e de ão esplandescen e!” Respondi: “A é ago a, do que pude cons a a , Pa eces mesmo a minha ia Pila .” E ele e o quiu: “Apos o con igo que a ia Pila “Não chega ão al o quan o eu a pula . “Sal a pa a as minhas cos as, amiguinho”, g i ou, “Le a - e numa bela a en u a eu ou.” Ao subi , pensei: “Ai! Onde me me i! Tão molhado e iscoso! Ainda caio daqui! 64 “Sen a- e mais a ás”, o denou. “Es á bem assim! Vou sal a , po isso aga a- e bem a mim.” Sal ou! E que sal o! Oh diabo! Jun o dos anjinhos ainda acabo! Os meus pob es ímpanos zumbi am e es ala am. Como uma bala subimos, a é os meus olhos cho a am. Aga ei-me bem e g i ei: “Ainda demo a?” “A que dis ância amos ago a?” O sapo espondeu, com um os o so iden e: “São oi ocen os quilóme os, semp e em en e!” Li e almen e, não oi nada mau, Demos um sal o de Lisboa a Bilbau. Acima de Bilbau pa ámos pa a bebe chá, E o sapo pe gun ou, endo a baía que lá há: “E se ap o ei ássemos es a andança, “E sal ássemos daqui pa a a F ança?” Respondi: “Oh meu Deus! Achas que sim? “Não que o que a água seja o meu im.” Mas os sapos, como e ás, es ão-se a bo i a Pa a o que nós, c iancinhas, possamos pensa . Nem se deu ao abalho de esponde . Sal ou à elocidade da luz, de ias e ! Voámos que nem lechas po cima do ma , O ma a ilhoso Senho Sapo e eu, seu pa . Depois, cada ez mais a desce , A uma es anha cidade omos e . 65 A e ámos b uscamen e, aliás, sal i ámos. O sapo anunciou: “Es amos em F ança! Chegámos!” E disse: “Vê lá se não é po ei o “Sal a pa a um país es angei o. “Não há ca oças, locomo i as, emba cações, “Não há ca os, nem uidosos a iões.” Foi en ão que ou imos um g i o a e ado , “Oh céus”, disse o sapo num clamo . Vi ei-me e i e uma e í el isão – À esque da e à di ei a, sem exceção, Pela es ada abaixo as pessoas co iam, Na nossa di eção seguiam, Homens e mulhe es, casados ou não, Empunha am uma aca a iada na mão. Não oi p eciso mui o pa a pe cebe , Que algo de e ado es a a a acon ece . Po ém, como pode ia sabê-lo um apazi o, Se ainda ninguém lhe inha di o, Que os anceses não são como as nossas gen es, Têm cos umes bas an e di e en es. Dizem “oui”, em ez de “sim”, E comem o mais peculia es im: Um ancês gos a de se delei a Com meia dúzia de CARACÓIS ao jan a ! Os glu ões udo de uma ez come ão, Des es imundos bichos, e ainda mais pedi ão. 66 (Em mui os dos ho éis chiques a ale , A é as cascas cos umam come .) Imagina! A é me dá a ol a à ba iga, É o mesmo que come uma lesma ou uma o miga! Mas espe a! Mais um pouco de es le . Nem de me ade icas e a sabe . Es es anceses ainda icam mais a sali a , Se alguém uma RÃ lhes o e a ! (É melho i es já busca um alguida , Não ás e on ade de omi a .) Na ã, a pa e mais ap eciada, Vai da coxa ao pé, não sob a nada. Os anceses de o am ca adas De pe nas de sapos e ãs co adas. Acham uma e dadei a loucu a De o a pe nas de ã a pinga go du a. Po isso a cidade in ei a e suas mulhe es Co iam pa a nós com a iados alhe es. G i a am em ancês: “Mas que bem! “Que pe nas que aquele sapo em! “É co a ! Es ola ! Cozinha ! F i a ! Pa a odos nós pode mos p o a !” “Sapo!”, g i ei. “Não sou coba dola, Mas não de e íamos da à sola? “Es es pa i es não e ie am ecebe . “Eles só e que em come !” 67 O sapo i ou-se e olhou pa a mim, E com oda a ieza disse assim: “Tem calma e ou e-me com a enção, “Cos umo i a F ança espalha a con usão “En e es es doidos anceses que anseiam come “A minha ca ne de sapinho en a a ale . “Sou um SAPO MÁGICO!”, disse num g i o, “E de me esconde nunca necessi o! “Fica aí! Não e mexas!”, o denou. E num bo ão que inha na cabeça ca egou. Em segundos, su giu uma luz o uscan e, Seguida do es ondo mais a epian e, Tudo em nosso edo aisca a, E po odo o lado o chão umega a… Quando os es ígios de umo se dissipa am, Os anceses, de aca a iada, pe gun a am: “Onde es á o sapo? Onde se me eu?” Sabes, ago a sen ado es a a eu Num ma a ilhoso CARACOL GIGANTE De casca sedosa, cas anha e adian e, Es a a já ão longe do chão Que a is a a uma g ande ex ensão. O ca acol disse: “Olá! Vi a! Alô! E a um sapo, e ago a ca acol sou. “De apa ência i e de muda “Pa a à panela não i pa a .” 74 pouco se conseguiu encon a nas a ian es linguís icas do po uguês pala as ou exp essões que não só p oduzissem um e ei o semân ico humo ís ico semelhan e, como se issem ambém de “mo o ” pa a o desen ola da acção seguin e. No en an o, sem es e elemen o a his ó ia acaba ia po pe de a g aça e o sen ido, pelo que oi p eciso encon a uma solução que sa is izesse minimamen e essas necessidades e, cla o es á, le asse ao des echo imaginado po Dahl. Além disso, as ilus ações o am, a es e espei o, um p oblema ac escido à adução, pois ep esen am elemen os da his ó ia que não podem se apagados ou al e ados, pa a não se ge a um con li o com o ex o. Assim, sabendo que a pala a “ o miga” se ia essencial pa a a acção, mas econhecendo igualmen e a impossibilidade de eplica o jogo de pala as do o iginal em ol a desse insec o, p ocu ou-se inspi ação nas his ó ias e exp essões popula es po uguesas que ou imos quando somos c ianças. Reco dando a his ó ia O Coelho B anquinho e a Fo miga Rabiga, anspo ámos uma das suas pe sonagens pa a a de Dahl, colocando-a na pele de uma ia idosa, i i an e e “ abiga” que acaba po se con undida com uma o miga, g aças a um mal-en endido. Com es a e e ência, necessa iamen e alguns elemen os da his ó ia o iginal icam comp ome idos e êm de se al e ados. Po esse mo i o, as pe sonagens des a his ó ia deixam de eme e pa a a ealidade ame icana, pa a i em aze pa e da po uguesa, e do mesmo modo uma das pe sonagens da his ó ia deixa de se chama Roy pa a se an es Vicen e. De igual o ma, deixa de exis i a e e ência às di e en es a ian es linguís icas do inglês e passa- se a explo a a iqueza do po uguês no que oca a exp essões em o no da emá ica dos bichos. Vá ios ing edien es p incipais que compõem a ó mula da esc i a humo ís ica encon am-se aqui eunidos e p ese ados, ainda que a a és de mecanismos di e en es. Assim, con inua a se possí el obse a elemen os undamen ais como o al o (bu o he joke), o con ex o e um logical mechanism. Mas se es es elemen os são essenciais ao ex o, os jogos de pala as êm pa a nós uma impo ância maio , endo em con a a p opos a de man e p esen e as ca ac e ís icas que o nam a esc i a de Dahl única, al como po exemplo não se aduz James Joyce “sans ai e sen i d’une maniè e ou d’une au e le s yle de pensée i landais, l’humou dublinois”(Eco 484). Ainda que a equi alência não seja mui as ezes um caminho possí el, pode emos semp e p ocu a ou as o mas de con o na os p oblemas de adução a a és de á ios ecu sos e mé odos (Eco 486-487). 75 A his ó ia de “O Sapo e o Ca acol” ambém nos ap esen a di e en es locais e po os, azendo-se des a ez uma ca ica u a dos anceses com base na icónica imagem que emos deles elacionada com a culiná ia. Assim, nes a que é uma iagem onde as pe sonagens anspo am o lei o pa a e as dis an es, acompanhamos uma ajec ó ia que le a o sapo e uma c iança desde um lago na Escócia a é F ança, passando pelos Cli s o Do e . Tal pe cu so, na adução, é subs i uído pelo i ine á io Lisboa-Bilbau-F ança, espei ando a e e ência à a essia ma í ima que ambém igu a nas ilus ações. Especialmen e quando os nomes de locais nos eme em pa a alguma desc ição especí ica, como po exemplo nas ob as de Ha y Po e , onde alguns luga es “may esona e h oughou a no el by con ibu ing o a depic ion o i s social milieu” (La hey 2016: 48), e num ex o como es e que alo iza o i mo e luidez da lei u a, op a po uma es a égia que le e a “di icul ies in p onuncia ion when a ex is ead aloud” (ibidem 49) não nos pa ece sensa o, pa a além do possí el desconhecimen o da dis ância geog á ica en e os locais: es es mo i os le a am-nos pois a op a pela domes icação des a e e ência. Pa a além disso, há ainda ou os aspec os igualmen e elacionados com a ealidade cul u al inglesa, como po exemplo os meios de anspo es desc i os, associados à imagem de desen ol imen o ecnológico da Ingla e a. T a ando-se, po ém, de meios de anspo e que ambém exis em em Po ugal, não su giu aqui uma di iculdade, mas ainda assim p ocu ámos adap a um pouco a si uação à ealidade po uguesa, subs i uindo bicycles po ca oças. P osseguindo o le an amen o dos casos de adap ação, é possí el encon a na nossa adução ou os elemen os que não exis em no ex o de pa ida. Mais conc e amen e a desc ição do ca acol ão g ande como um mons o, “wha a whale!”, que oi aduzida po ou o animal. Es a di e ença ez-se não só pa a man e a ima, mas pa a ansmi i as exage adas dimensões do bicho com capacidades mágicas. Fazendo uso das pala as de Eco, em adução “on ne di jamais la même chose” e po isso o que acon ece mui as das ezes é que quando “nous oulons souligne un ai du ex e o iginal qui nous semble pa iculiè emen impo an e, nous ne pou ons le ai e qu’aux dépens d’au es ai s ou au p ix de leu élimina ion.” (Eco 145-147). As e e ências cul u ais aos anceses não cons i uí am um g ande p oblema, pois ambém em Po ugal exis em imagens es e eo ipadas em ol a desse po o e da sua culiná ia, pa a além de que as ilus ações não pe mi i iam que se izessem g andes al e ações ao ex o. Mas p ocedemos à subs i uição das unidades de medida e e idas no o iginal (“ya ds”/”me es”) po “oui” e “sim” pa a man e a coe ência com o con ex o 76 po uguês e p ese a a es anheza que se p e endia ao ca ac e iza um po o com cos umes linguís icos di e en es e a é um an o ou quan o du idosos. Ao longo de qualque um dos ês poemas encon amos igualmen e exp essões in o mais da língua inglesa, algumas delas que a é já caí am em desuso, como “by gum”. Pe an e es e desa io, o mais impo an e não e a encon a uma adução exac a pa a a exp essão, mas sim encon a algo que p oduzisse o mesmo e ei o: “une aduc ion (su ou dans le cas de ex es à inali é es hé ique) doi p odui e le même e e que celui que isai l’o iginal” (Eco 125). Po isso, den o da iqueza da língua po uguesa p ocu ámos exp essões que e le issem a in enção do ex o o iginal, acabando a escolha po ecai em “Oh diabo!”. Po im, um dos elemen os mais impo an es dos li os in an is, especialmen e quando alamos de poesia, é o som e o i mo, “since child en ha e s o ies ead o hem and ansla ing o eading aloud demands conside able compe ence om he ansla o s.” (La hey 2009: 32). No en an o, es a é uma a e a di ícil dadas as di e enças que compõem os dois sis emas linguís icos. Acei ando o desa io de p ese a as p incipais ca ac e ís icas que pe mi em iden i ica uma ob a de Roald Dahl e man e a ima (ainda que a mé ica di i ja da o iginal e não se man enha egula ao longo das aduções dos ês poemas), seguiu-se a abo dagem p opos a po Saye s Peden, que p opõe “a o mula o ‘de-cons uc ion and e-cons uc ion and discusses a p ocess ha educes a poem ‘ o i s a chi ec u al ame: i s essen ial communica ion’” (A wa we 131); po ou as pala as, nes as aduções o essencial não passou po aduzi pala a po pala a aquilo que es á no o iginal, mas sim ansmi i o sen ido p incipal dos poemas conse ando os ecu sos o mais da ima e da mé ica. Pa a além disso, e a im de “poli ” o esul ado inal das imas, um p ocesso undamen al oi o de le e ele á ias ezes os ex os, de modo a pe cebe que aspec os pode iam ainda se melho ados: “A common s a egy when ansla ing o child en is ha o eading newly d a ed passages aloud o ind an app op ia e hy hm o syn ac ic s uc u e in he a ge language” (La hey 2016: 94). 77 Conclusão No o iginal ou em adução, o que le a o lei o a escolhe uma ob a é p o a elmen e a his ó ia que con a, as pe sonagens, o géne o em que se inse e, que seja um omance, uma epopeia, ou an os ou os que podem aze pa e das p e e ências indi iduais e que mo i am a lei u a. No en an o, se são es es ac o es que o nam a his ó ia especial pa a o lei o , na al u a em que en a no sis ema da li e a u a aduzida de uma ou a língua cabe ao adu o aze com que a oz do au o e o seu uni e so iccional sejam ou idos e en endidos num di e en e sis ema linguís ico, indo ainda de encon o às expec a i as dos lei o es da cul u a de chegada. É assim que nes e p ocesso in e comunica i o se c uzam, sem se e em, con inuamen e ês agen es di e en es: o au o , o adu o e o lei o . O que se ê equen emen e é o p odu o inal des e longo p ocesso, quando os li os são expos os nas li a ias e os nomes dos adu o es su gem, po ezes imidamen e, nas capas dos li os; mas aquilo que não emos é odo o abalho do adu o que es á po de ás, a é que “magicamen e” o li o apa eça nas p a elei as. Pode a é acon ece que os lei o es não se ape cebam que o país de o igem da ob a não é o seu. O que se e i ica mui as das ezes em e mos de es a égia adu ó ia, dada a na u eza da li e a u a in an il, é aquilo que Law ence Venu i de iniu como domes icação, pois só assim é possí el que de e minadas ob as pe du em e sejam acei es além- on ei as; é uma comunicação mul ila e al en e au o , lei o e adu o , sendo que es e úl imo unciona como in e mediá io que es abelece uma pon e en e os dois p imei os. No en an o, e ainda que o adu o enha de oma decisões em unção do público-al o, do ipo de ex o que em em mãos e do p opósi o em is a, não que is o dize que se de a p ende demasiado a es as condicionan es, adop ando posições ex emas. A adução de e se , sim, um comp omisso, uma negociação, en e espei a o o iginal e e em a enção o lei o de chegada. Como é sabido, os au o es não alcançam o mesmo sucesso em odo o mundo. De ido a ideologias sociais e polí icas, ao conse ado ismo de alguns países, ao gos o es é ico, e c., as suas ob as chegam às ezes a diamen e a alguns locais e a sua acei ação é pouca. Di e en es cul u as eagem de modo dis in o às mesmas coisas, como sucede po exemplo com o humo : uma de e minada si uação pode p o oca o iso num ce o con ex o cul u al e não p oduzi o mesmo e ei o nou o, ha endo a é a possibilidade de a ci cuns ância se conside ada o ensi a e insul uosa. 78 Ainda que esc e a pa a um público jo em, Roald Dahl não ecebeu mui a a enção po pa e dos lei o es po ugueses. Enquan o no Reino Unido é indiscu i elmen e um nome bem conhecido da li e a u a e um êxi o de endas, em Po ugal começou apenas a se edi ado em 1985, depois do sucesso da adap ação cinema og á ica da ob a Cha lie and The Chocola e Fac o y, de 1971 (Pai a 2014b: 367). An es disso, não podemos esquece o con ex o his ó ico-cul u al do país, o Es ado No o com o seu apa elho censó io, que a asou e possi elmen e p ejudicou o seu apa ecimen o na li e a u a in an il em po uguês, pois o seu ca iz i e en e e ansg esso não e a is o com bons olhos pelo mundo conse ado da edição de li e a u a in an il em Po ugal (ibidem 368). Pa a além disso, o ac o de Roald Dahl passa despe cebido no plano nacional pode es a elacionado com a possibilidade de a “imagem que o au o possuía do seu público de pa ida não coincidi com a imagem que em e i ó io luso se em dos lei o es in an is, dos seus desejos de lei u a e das suas capacidades de comp eensão” (ibidem 370). Aliás, conside a- se ainda que Po ugal em um longo caminho a pe co e no que oca ao a amen o de assun os abu como a iolência, a mo e ou a in imidação na li e a u a in an il, quando compa ado com ou os países como a Suécia, onde exis em cu sos uni e si á ios na á ea da li e a u a in an il desde os anos 80 do século passado e que não mos am qualque eceio em abo da de e minadas ma é ias mais sensí eis. Foi possí el e ao longo da elabo ação do p esen e T abalho de P ojec o, de um modo ge al, não só os p oblemas e as di iculdades da adução de li e a u a in an il e de poesia, como mais especi icamen e os desa ios que de e minados elemen os p esen es na esc i a de Dahl podem coloca ao adu o . Assim, a mensagem que que emos essal a ao conclui é que, independen emen e de odos os obs áculos que um ex o possa le an a , a adução é um exe cício de cons an e equilíb io en e pe das e ganhos. Munido de conhecimen os eó icos e de alguma c ia i idade, sabendo ambém busca e e ências e inspi ação na ob a de ou os adu o es e esc i o es, possuindo compe ências de pesquisa, o adu o de e ponde a conscienciosamen e as suas escolhas e soluções à luz de um bom domínio do au o e da ob a a aduzi , bem como, e iden emen e, das duas línguas en ol idas, p ocu ando que o ex o, ao se eesc i o numa ou a língua, se cons i ua, pa a usa as pala as de Umbe o Eco, como “un double du sys ème ex uel qui, sous une ce aine desc ip ion, puisse p odui e des e e s analogues chez le lec eu .” (Eco 19) 79 Bibliog a ia P imá ia: Dahl, Roald. Di y Beas s. London: Pu in Books, 2016 [1983]. Bibliog a ia Secundá ia: “Abou Roald Dahl”. <www. oalddahl.com/ oald-dahl/abou > Als on, Ann and Ca he ine Bu le , eds. Roald Dahl. Basings oke: Palg a e Macmillan, 2012. A a do, Sal a o e. “T ansla ion and Humou : An App oach Based on he Gene al Theo y o Ve bal Humou (GTVH)”. T ansla ing Humou . 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Con a a li e a u a melí lua, semp e poli icamen e co e a, e e o a ojo de escanca a as janelas e deixa en a os en os da o iginalidade, do humo , da descons ução de ce as adições. P: Que pe cepção em do luga da adução no uni e so da li e a u a in an il endida em Po ugal? Há mui as encomendas de adução de li e a u a in an il? Há mui a adução de li os in an o-ju enis e é bom que exis a, pois pe mi e que as c ianças e os jo ens conheçam o que de melho se p oduz pa a eles. In elizmen e as aduções nem semp e êm qualidade. Passam as mensagens, mas não o ascínio. O caso é especialmen e g a e no que diz espei o às aduções de poesia que são, ge almen e, um desas e. P: Já lhe acon eceu suge i a uma edi o a que publique uma de e minada ob a em adução, ou as escolhas pa em semp e das edi o as? Já suge i, pois du an e um pe íodo da minha ida ui consul o a li e á ia de duas edi o as e o meu abalho consis ia, em pa e, na lei u a de jo nais e suplemen os li e á ios pa a indica ob as pa a adução. P: Quais o am os p incipais desa ios que iden i icou à pa ida na adução des a ob a? Acei ei es a adução, em pa e, como desa io po o edi o me e con essado que já dois adu o es inham en ado e desis ido. En ão quis pô -me à p o a e en a , à minha 107 manei a, não abdicando de ce a c ia i idade mas man endo o que e a mais complicado: a mé ica. A mé ica, a ima, condicionam mui o uma adução mas, acei ando-a, emos, à pa ida, uma libe dade de exp essão que não nos é dada numa ob a em p osa. E en ão azemos uma adução bas an e pessoal, mas p ocu ando não des i ua o o iginal. Uma adução como es a não é en á el mone a iamen e. Não é um abalho linea , exige momen os de inspi ação. Eu gos o de le em oz al a udo o que é em e so po que a poesia eio da música e não pode i e sem ela. E se a sono idade não me ag ada, ou al e ando, al e ando… P: A seu e , no que oca à adução pa a um público in an il, a é que pon o de e o ex o se adap ado e quais são as si uações em que, pelo con á io, se de em p ese a algumas ca ac e ís icas do ex o de pa ida? Se o ex o já é di igido às c ianças na língua o iginal, não ejo azão pa a adap ações especiais. Pelo con á io, acho que há ob igação de man e não algumas mas odas as ca ac e ís icas undamen ais do ex o de pa ida. Caso con á io, é um a en ado ao au o . P: Quem lê a sua adução His ó ias em e so pa a meninos pe e sos, consegue pe cebe em á ias ocasiões que exis e um mis o de ein enção, adap ação e c ia i idade nas suas escolhas adu ó ias, como é o caso do í ulo. Po que azão escolheu um í ulo ão o iginal como es e, em ez de segui uma ia mais li e al? R: Acho que a adução li e al do í ulo não e ia o mesmo impac o que em em inglês, nem gos o da sono idade dessa adução em po uguês. Acho es a mais acu ilan e, pa ece- me que chega ao âmago do sen ido da ob a. P: Apesa do ní el de c ia i idade, adap ação e ein enção de que aqui alámos, conside ou impo an e p ese a alguns elemen os, como é o caso do esquema imá ico da ob a. Po que decidiu azê-lo? Po que o i mo me pa eceu essencial e a ima ambém. Há um espaço pa a o iginalidade na adução, mas con ém p ese a o que achamos impo an e e ca ac e ís ico. P: Nes e caso em que es amos pe an e uma ob a esc i a em e so, e i icou-se de o ma no ó ia uma p eocupação não só em aduzi o signi icado mas ambém a o ma, onde a sono idade e a luência das pala as são igualmen e elemen os impo an es do ex o. Assim sendo, e endo em con a que abalhou com duas línguas ão di e en es uma da ou a, eco eu a algum ipo de es a égia especí ica pa a 108 soluciona os desa ios ine en es às di e enças linguís icas no que diz espei o a aspec os como a sono idade ou a mé ica? Familia izei-me com a língua inglesa desde mui o no a, pois en ei pa a um colégio inglês aos 5 anos. Assim, habi uei-me a sal a de uma língua pa a a ou a, encan ei-me com as nu se y hymes, habi uei-me a sen i e a exp imi -me nessa dualidade. Comecei a abisca poeme os aos 10 anos, o p imei o li o que publiquei oi um li o pa a adul os de poesia e, assim, pa a mim é no mal exp imi -me em e so. Se me encan a a a o ma, a sono idade e a luência de Dahl, inha de en a es a à sua al u a (com humildade!) pa a não o ai . Pois ac edi o que há uma mo al na adução e quem não a quise segui que desis a. Como me empenhei semp e mui o nas aduções, desis i de aduzi pa a me dedica aos meus li os, pois a adução me exigia algo de mui o semelhan e ao da c ia i idade au o al. P: Ainda alando na adução de poesia em conc e o, como oi pa a si, naquela al u a, o p ocesso de aduzi em e so? T aduzi em e so pa a mim a é é di e ido pois enho esc i o milha es de e sos, es á- me de ce o modo na massa do sangue. P: Ou o aspec o cu ioso nas ob as de Dahl é a p esença de humo neg o, que se e lec e, po exemplo, nas di e sas igu as de es ilo ou na linguagem coloquial. Es e é um aspec o impo an e e que necessi a mui as ezes de soluções c ia i as, po o ma a consegui p oduzi um e ei o humo ís ico. De que o ma é que abo dou es a ques ão ao longo da sua adução? O humo neg o em nada di icul a uma adução, a é é es imulan e, o pio pa a um adu o como eu é a mono onia. O humo espe i a e az i à ona exp essões eng açadas em que poucas ezes pensamos. Pa a quem conhece bem as línguas não é di ícil sal a de umas igu as de es ilo, ou de uma ase coloquial em inglês, pa a uma co esponden e em po uguês. Cla o que pode ha e p oblemas com pala as ou exp essões desconhecidas. Vou con a - lhe o que me acon eceu com uma adução de Bellow. Depa ei com uma exp essão que não consegui encon a em qualque dicioná io ou ou a ob a de e e ência e ui a um 109 ins i u o de línguas i a a dú ida. Pe gun ei a um p o esso e o senho co ou, co ou, engasgou-se, pa ecia que lhe ia da um AVC… e a um pala ão dos pio es! P: No que diz espei o a es es con os, embo a econ ados de uma o ma mui o única, como nos diz o au o , exis em ainda neles exp essões bem conhecidas o iundas dos clássicos con os de adas, como é o caso de “Fee- i- o- um” ou “by he hai o my chinny-chin-chin”. Na sua adução p ocu ou de algum modo encon a alguma solução que izesse elemb a es es pequenos aços dos clássicos? Não enho aqui o o iginal nem a adução e não me eco do. P: As ilus ações são ambém um elemen o mui o impo an e da li e a u a in an il. Na ho a de aduzi , elas “a apalham” ou ajudam? Sen iu que as ilus ações limi a am de alguma o ma as suas escolhas adu ó ias? As ilus ações des e li o em nada me a apalha am. Acho-as adequadas, cheias de humo , a é inspi ado as. E iden emen e, há ce as ilus ações que não só podem a apalha o adu o como são um a en ado à ob a o iginal. Eu p óp ia, como au o a, já enho sido í ima de péssimos ilus ado es que des i uam o sen ido de uma ob a. Já aduzi li os com ilus ações mais ou menos amo as, p ocu ei nunca en a em con adição com elas e só lamen ei a pouca so e do au o e dos lei o es, na u almen e… P: Po im, como adu o a mui o expe ien e que é, que conselhos da ia a quem quei a dedica -se à adução de li e a u a in an il? Há quem julgue que aduzi pa a c ianças é mais simples que aduzi pa a adul os e assim acei e adu o es de baixíssimo ní el. São mais ba a os e “ pa a quem é bacalhau bas a… “ Nada mais e ado. T aduzi pa a c ianças é uma a e a exigen e que implica sabe di igi - se a elas, es a po den o da cabeça e do co ação das c ianças, conhece o ocabulá io que elas dominam sem cai no pe igoso in an ilismo. É p eciso não e medo de usa exp essões e pala as pouco habi uais que elas i ão descob i ( e com cada pala a ou expe iência no a ão c esce ). É p eciso e um sen ido da sono idade das pala as, pois esses li os são mui as ezes lidos em oz al a e essa sono idade ai se undamen al pa a as ca i a . 110 A li e a u a ( pa a c ianças ambém ) é uma o ma de a e e é bom que seja a is a ou, pelo menos, a esão compe en e quem esc e e ( em o iginal ou adução ) pa a c ianças. FIM