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Slow journalism - o contributo do jornalismo lento para o ecossistema mediático: o caso da revista Visão

Ascensão, Rafael Covita

Abstract

O presente relatório de estágio tem como objetivo explorar o conceito de Slow Journalism, ou Jornalismo Lento, e o seu contributo para o ecossistema mediático, particularmente no caso da revista Visão, especificamente as características editoriais dos artigos identificados neste tipo de jornalismo publicados por este órgão de comunicação social e a perceção que os jornalistas que assinam estes artigos têm sobre o próprio conceito de jornalismo lento. Para alcançar o referido objetivo foi utilizada uma metodologia mista, que incluiu entrevistas semi estruturadas realizadas a três jornalistas da Visão e a um elemento da direção da revista, e uma análise de conteúdo a todas as edições impressas desta news magazine durante os seis meses de estágio (julho-janeiro), num total de 27 revistas analisadas, nas quais foram identificadas 36 peças de Slow Journalism. A maioria dos artigos analisados está inserida na temática de Sociedade e analisa aprofundadamente um determinado tema, assim como é digna de nota a expressão de artigos que englobam o género Perfil. Muitas das peças de Slow Journalism são tema de capa e funcionam como atrativo para a assinatura da revista, sendo muitos deles, por exemplo, colocados online num regime fechado e incentivando a assinatura. Foi notória entre os entrevistados a preocupação com a necessidade de produção deste tipo de jornalismo, embora os vários constrangimentos que condicionam e retêm muitas vezes a prática de um jornalismo mais lento e aprofundado, principalmente a falta de tempo e falta de meios (financeiros), no que aparentou ser um ciclo vicioso.

Full text

Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Jo nalismo ealizado sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Do a San os Sil a Slow Jou nalism - o con ibu o do jo nalismo len o pa a o ecossis ema mediá ico: o caso da e is a Visão Nome Comple o do Au o Agos o, 2021 Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Jo nalismo No a: lombada (nome, í ulo, ano) - encade nação é mica - Ag adecimen os À minha amília, pais, i mão e a ó, a quem de o udo. À minha namo ada, Ca a ina, po odo o apoio incondicional e po semp e ac edi a em mim. À minha o ien ado a, Do a San os Sil a, po odo o acompanhamen o, o ien ação e paciência du an e odo es e p ocesso. Aos meus amigos, pa a os quais se ia injus o es a a enume a po qualque que osse a o dem. De qualque modo, eles sabem quem são. À NOVA FCSH (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa), à UBI (Uni e sidade da Bei a In e io ) e aos p o esso es com que me c uzei ao longo do meu pe cu so, em especial àqueles cuja paixão a den e pelo jo nalismo ajudou a incendia a minha. À e is a Visão pela opo unidade de es ágio e a oda a equipa que me acompanhou. Aos en e is ados pa a es e ela ó io, os p o issionais da Visão, Miguel Ca alho, Rui An unes, Sa a Belo Luís e Vânia Maia. A odos os que ajuda am a aze de mim a pessoa que sou hoje. Um bem-haja. Slow Jou nalism - o con ibu o do jo nalismo len o pa a o ecossis ema mediá ico: o caso da e is a Visão Ra ael Co i a Ascensão Resumo O p esen e ela ó io de es ágio em como obje i o explo a o concei o de Slow Jou nalism, ou Jo nalismo Len o, e o seu con ibu o pa a o ecossis ema mediá ico, pa icula men e no caso da e is a Visão, especi icamen e as ca ac e ís icas edi o iais dos a igos iden i icados nes e ipo de jo nalismo publicados po es e ó gão de comunicação social e a pe ceção que os jo nalis as que assinam es es a igos êm sob e o p óp io concei o de jo nalismo len o. Pa a alcança o e e ido obje i o oi u ilizada uma me odologia mis a, que incluiu en e is as semies u u adas ealizadas a ês jo nalis as da Visão e a um elemen o da di eção da e is a, e uma análise de con eúdo a odas as edições imp essas des a newsmagazine du an e os seis meses de es ágio (julho- janei o), num o al de 27 e is as analisadas, nas quais o am iden i icadas 36 peças de Slow Jou nalism. A maio ia dos a igos analisados es á inse ida na emá ica de Sociedade e analisa ap o undadamen e um de e minado ema, assim como é digna de no a a exp essão de a igos que englobam o géne o Pe il. Mui as das peças de Slow Jou nalism são ema de capa e uncionam como a a i o pa a a assina u a da e is a, sendo mui os deles, po exemplo, colocados online num egime echado e incen i ando a assina u a. Foi no ó ia en e os en e is ados a p eocupação com a necessidade de p odução des e ipo de jo nalismo, embo a os á ios cons angimen os que condicionam e e êm mui as ezes a p á ica de um jo nalismo mais len o e ap o undado, p incipalmen e a al a de empo e al a de meios ( inancei os), no que apa en ou se um ciclo icioso. Pala as-cha e: Slow Jou nalism; Jo nalismo Len o; Abs ac The p esen in e nship epo aims o explo e he concep o Slow Jou nalism and his con ibu ion o he media ecosys em, pa icula ly in Visão magazine, speci ically he edi o ial cha ac e is ics o he a icles published by Visão ha a e iden i ied as his kind o jou nalism and he pe cep ion ha he jou nalis s who signed his a icles ha e abou he concep o Slow Jou nalism. To achie e his goal i was used a mixed me hodology which included semi-s uc u ed in e iews wi h h ee jou nalis s and one di ec ion elemen om Visão, complemen ed by a con en analysis o all he imp ess edi ions o he magazine du ing he six mon hs in e nship pe iod (July o Janua y), o alizing 27 magazine edi ions analyzed, in which he e we e iden i ied 36 Slow Jou nalism a icles. The majo i y o he analyzed a icles a e included in he Socie y’s heme and analyze in a deep way a speci ic heme, as i is equally no o ious he amoun o a icles ha a e included in he P o ile gen e. Many o he Slow Jou nalism’s a icles a e co e hemes and unc ion as an a ac ion o he magazine’s subsc ip ion. Among he in e iewees, he conce n wi h he p oduc ion o his kind o jou nalism was no o ious, al hough he a ious cons ain s ha condi ion and o en hold back he p ac ice o his slowe and in-dep h jou nalism, especially he lack o ime and ( inancial) esou ces, in wha seemed o be a icious cycle. Keywo ds: Slow Jou nalism; Índice In odução ................................................................................................................................ 1 Capí ulo I – A Re is a Visão e o Es ágio Cu icula ........................................................... 4 1.1. A Re is a Visão ....................................................................................................................... 4 1.2. - O Po quê da Escolha pela Visão ........................................................................................... 9 1.3. - O (início do) es ágio ........................................................................................................... 11 1.4. – A con inuação do es ágio .................................................................................................. 13 1.5. - Balanço ............................................................................................................................... 16 Capí ulo II – O Slow Jou nalism e o seu con ibu o pa a o ecossis ema mediá ico ........ 19 2.1 - Slow Mo emen (s) ............................................................................................................... 19 2.2. – O P oblema da Rapidez da In o mação ............................................................................. 21 2.3. - Slow Jou nalism .................................................................................................................. 27 2.4. – A ajuda do Slow Jou nalism no Comba e à Desin o mação .............................................. 41 2.5. - Cons ução Social da Realidade ......................................................................................... 45 2.6. - Comba e ao Chu nalism ..................................................................................................... 46 2.7. – Cono ação Social do Slow Jou nalism ............................................................................... 48 2.8. – Apoio ao Rela o da di e ença sociocul u al e de Assun os Sensí eis ................................ 49 2. 9. - Con a Como as His ó ias Acabam .................................................................................... 51 2.10. – Ve en e Financei a ......................................................................................................... 51 Capí ulo III – Desenho da in es igação ............................................................................... 57 Capí ulo IV - Ap esen ação de Resul ados ......................................................................... 62 4.1. C i é ios Edi o iais ................................................................................................................ 62 4.2. Au o ia (Jo nalismo Colabo a i o) ....................................................................................... 66 4.3. Temá ica e Âmbi o ............................................................................................................... 69 4.4. Secção, Capa e Géne o Jo nalís ico ...................................................................................... 72 4.5. Online ................................................................................................................................... 76 4.6. Elemen os Visuais................................................................................................................. 78 4.7. Ou as Es a égias Edi o iais ................................................................................................ 81 Conclusão ............................................................................................................................... 89 Re e ências ............................................................................................................................. 94 Índice de Figu as Figu a 1. Exemplo de uma capa da Visão, co esponden e à edição 1428 ( ela i a ao pe íodo en e 16/07/2020 a é 22/07/2020) .............................................................................................. 6 Figu a 2. F equência dos c i é ios edi o iais (g á ico).. ............................................................... 64 Figu a 3. Au o ia dos a igos (g á ico).. ....................................................................................... 68 Figu a 4. Temá icas (cumula i as) dos a igos (g á ico).. ............................................................ 70 Figu a 5. Âmbi o dos a igos (g á ico). ........................................................................................ 70 Figu a 6. G á ico e e en e à emá ica (p incipal) e âmbi o.. ..................................................... 71 Figu a 7. Secção (g á ico). Fon e: Au o ia p óp ia. ..................................................................... 72 Figu a 8. P esença na capa da e is a (g á ico).. ......................................................................... 73 Figu a 9. Géne os jo nalís icos (g á ico). .................................................................................... 74 Figu a 10. Géne os e subgéne os Jo nalís icos Segundo Classi icação (cumula i a) de Ma ques de Melo (g á ico).. ....................................................................................................................... 75 Figu a 11. Colocação dos a igos online (g á ico).. ..................................................................... 76 Figu a 12. A igo da e is a disponibilizado online mas não na ín eg a (em egime echado), incen i ando à assina u a. .......................................................................................................... 76 Figu a 13. Exemplo de Des aque Rele an e (Azul) e Des aque Pequeno (Ve de). Edição nº1432 da Visão, co esponden e ao pe íodo 13/8 a 19/8/2020. .......................................................... 78 Figu a 14. Uso de elemen os isuais (g á ico)............................................................................. 80 Índice de Tabelas Tabela 1. Au o ia dos A igos de Slow Jou nalism.. .................................................................... 67 Tabela 2 - C i é ios dos a igos de Slow Jou nalism.. ............................................................... 102 Tabela 3 - Ca a e ís icas dos a igos de Slow Jou nalism.......................................................... 105 1 In odução Esc e e bem um a igo, o a do esquema ígido da pi âmide in e ida, le a o seu empo (...) E o empo é um luxo de que os jo nalis as dispõem cada ez menos. (Ko ach e Rosens iel, 2004, p. 154) O jo nalismo em con inuamen e so ido di e sas adap ações p óp ias das mudanças dos empos e on ades. A pa de oda a i ência social, o su gimen o das no as ecnologias e a implemen ação da in e ne aca e a am consigo um aumen o exponencial de in o mação disponí el e a ualizada quase que ins an aneamen e, e ie am al e a a p odução e o consumo de jo nalismo, o qual desempenhou igualmen e um c ucial papel nes a acele ação: “Mode ni y is ma ked by no only he g ea e speed o social li e bu i also ushe ed in new unde s andings o ime, and jou nalism was cen al o such change” (C aig, 2016, p.464). Aden ou-se num ciclo no icioso e in o ma i o e iginosamen e ápido e comummen e conside ado supe icial, onde é ácil pe de -se de is a ou as o mas de p a ica jo nalismo, com ou as empo alidades de p odução (Le Masu ie , 2015). Su giu assim des e modo, e uncionando como con apeso, a ideia de um jo nalismo len o, o denominado concei o de Slow Jou nalism que é já conside ado po di e sos au o es e es udiosos, sendo alguns abo dados ao longo da p esen e in es igação. Ul imamen e a designação po uguesa “Jo nalismo Len o” em ambém omado um g ande ôlego, sendo, no en an o, p e e ida em de imen o da exp essão inglesa, uma ez que ainda são pa cas as e e ências e os es udos em língua po uguesa que usem es a denominação. Impo a desde já deixa pa en e o signi icado de jo nalismo a se usado al como o signi icado de no ícia, de modo a agiliza as conside ações, deixando semp e a sal agua da de que exis e uma ola ilidade em elação a es as, que depende das es u u as sociais onde se inse em. Iniciando as e lexões da pa e pa a o odo, Lúcia Vaz Ped o (Jo nal de No ícias, 2016) e e e que a no ícia é “um ex o jo nalís ico que ence a um con eúdo ac ual”, ep esen ando “o géne o undamen al do jo nalismo e ela a acon ecimen os de in e esse ge al com a meno subje i idade possí el”. No en an o, ao e mo no ícia é cono ado o a o da no idade, aliás como é e icazmen e e a ado na linguagem inglesa, em que 2 No ícias é aduzido como News, ou seja, no idades. Po an o, a no ícia ca ece de a ualidade “imedia a”, azendo en ão pa e do jo nalismo, mas não ep esen ando a sua o alidade. Pa a o e ei o, o en a e começa a pa i do momen o em que se conside a que udo o que em num jo nal é jo nalismo. Tal como a i ma Mo e zshon (in Co eia, 2009, p.4): “em igo não há p op iamen e jo nalismo, mas jo nalismos com o mas, mé odos e objec i os bem dis in os en e si, de aco do com os p opósi os de quem p oduz e do público a quem se des ina”. Con udo, pode se assumido (Co eia, 2009, p.5) que o jo nalismo se e e e a obje os, pessoas e es ados de coisas do mundo, que se iden i icam como ele an es – “no sen ido que epe cu em sob e o mundo da ida das audiências” – e a uais, no sen ido de que “se ealiza am no malmen e há pouco empo e anspo am alguma espécie de u gência no seu conhecimen o”, ep esen ando es es a o es um o e mo i o de con o é sia, po se em concei os complexos, como aliás o p óp io au o assume. O Ame ican P ess Ins i u e 1 a ança uma de inição mais elemen a do jo nalismo: “Jou nalism is he ac i i y o ga he ing, assessing, c ea ing, and p esen ing news and in o ma ion. I is also he p oduc o hese ac i i ies”. Sob epondo as e e idas de inições e concei os, o jo nalismo ap esen a essencialmen e in o mação, podendo es a se o ulada como no ícia ou não, dependendo da p esença de alguns c i é ios ine en es à esc i a jo nalís ica, embo a hoje seja quase impossí el ala de jo nalismo sem usa o e mo “no ícias”, se bem que al ez seja empo de começa a aze essa dissociação (Le Masu ie , 2015, p.139). Também o The Co esponden , ó gão conside ado como p a ican e de Slow Jou nalism, econhece o ac o inegá el de que de odas as o mas que o jo nalismo pode oma , a no ícia é de longe a mais in luen e (Wijnbe g, 2019). É de endido, no en an o, que o jo nalismo não a a só de expo as no idades ao público, mas an es en ende-se ambém como pa e undamen al do seu se iço “o con ibu o que es e p es a pa a a análise dos acon ecimen os, o escla ecimen o e a o mação dos seus lei o es” (G adim, 2000, p.18). De modo a e e i amen e agiliza a ques ão, pa e-se do eme imen o de jo nalismo como e e indo-se a mais do que as simples no ícias do dia, azendo uma dis inção cla a en e jo nalismo e no ícias, isão co obo ada po Ca e e o & Ba iain (2016) que de endem que as no ícias, po de inição, consis em em in o mação que é no a. Mas o jo nalismo o nece igualmen e in o mação que não é “no a”, de endo essa ideia ica pa en e. 1 O ganização sem ins luc a i os dos Es ados Unidos da Amé ica, que em como obje i o p omo e uma indús ia jo nalís ica ino ado a e sus en á el. 3 Es abelecidos es es concei os e a o ma como ão se aplicados ao longo das conside ações ealizadas nes e abalho, e o ne-se à ques ão indubi á el da elocidade no ciclo in o ma i o. Numa pe spe i a singula de elocidade, es a semp e oi ine en e ao jo nalismo, is o que semp e ope ou em di e en es elocidades, an o no que se e e e à c iação, ci culação ou consumo da in o mação. Se o “slow” do Slow Jou nalism, o ido em con a pela sua noção empo al, de pe mi i aos jo nalis as o empo que es es necessi am, en ão o Slow Jou nalism es á p esen e desde os p imó dios do jo nalismo (Le Masu ie , 2015). Não obs an e, aca e a mais algumas nuances pa a lá da empo al, al como ai se explanado ao longo do p esen e abalho. O p esen e ela ó io em assim como obje i o o de en a explo a es e concei o de Slow Jou nalism, quais as suas ca a e ís icas edi o iais e qual a pe ceção que êm alguns dos jo nalis as seus p a ican es, omando pa a isso como exemplo e como obje o de es udo um meio po uguês, a e is a Visão. O abalho encon a-se assim di ido em qua o capí ulos. P imei amen e, é ei a uma b e e desc ição da his ó ia e da composição da e is a Visão, assim como uma exposição e um balanço c í ico ela i amen e à obse ação pa icipan e du an e os seis meses do es ágio cu icula que conduziu à p odução do p esen e ela ó io. No segundo capí ulo, com a elabo ação da e isão de li e a u a – e pa indo-se da de i ação do Slow Mo emen e do Slow Food Mo emen – p e ende-se en a ap esen a alguns concei os essenciais do que é ou ep esen a o Slow Jou nalism e, igualmen e impo an e, qual o con ibu o que es e pode da ao ecossis ema mediá ico. Impo a e e que nes e capí ulo o obje i o não é, ob iamen e, o de en a a gumen a ou demons a que a p á ica de Slow Jou nalism é melho do que a p á ica dos es an es ipos de jo nalismo, em especial o Fas Jou nalism, mas sim en a disce ni o que é o Slow Jou nalism, pa a que se e, qual o seu uso e quais os seus p incipais con ibu os nas mais di e sas emá icas. O e cei o capí ulo é o esponsá el pela exposição da me odologia ado ada e o qua o pela ap esen ação dos esul ados. 10 que em mui os dos es ágios em es ações de ele isão, az-se de udo menos ele isão p op iamen e. En e a Visão, a Sábado e o Público, a escolha oi mais acé ima. No Público, o meu jo nal diá io de eleição e que, na minha (humilde) opinião, igu a no cimo do pódio nacional de boas p á icas jo nalís icas e ( ambém consequen emen e) de bom jo nalismo, a possibilidade de ganha a es aleca jo nalís ica, que se ganha numa edação de um jo nal como o Público, apa ecia em g ande des aque. Po ou o lado, agigan a a- se em mim o eceio de co e o “ isco” de me coloca em numa sec e á ia a “ba e ecla”, sem a possibilidade de i encia o que o jo nalismo de e se : p ocu as, pe gun as, in es igações, esc i as. No que oca à Visão e à Sábado, e is as semanais, es e isco p e igu a a-se-me meno e a opo unidade de esc e e e p epa a a igos com mais calma e mais acompanhamen o p econiza a-se mais exequí el endo em con a a pe iodicidade dis in a em elação a um jo nal diá io como o Público, da mesma o ma que um es ágio numa newsmagazine semanal pe ila a mais adequadamen e com a c escen e c ença pessoal de que o jo nalismo de e ab anda . A exis ência de um a o elacionado e p eponde an e, o de já e uma ideia do ema pa a abo da no ela ó io - Slow Jou nalism, um ema que já me susci a a in e esse a algum empo – ajudou igualmen e na decisão. Sob e uma das e is as ecai ia a decisão, a qual, de ido a uma maio iden i icação com os c i é ios edi o iais e as p á icas jo nalís icas, acabou po se a Visão. Já com a escolha ei a, an o em men e como em espí i o, desenhou-se pe an e os meus olhos um no o eceio: a chegada da pandemia p o ocado pelo no o co ona í us, além de mui as ou as consequências po en u a mui o mais unes as, es a a a di a a não eceção de no os es agiá ios po pa e dos ó gãos de comunicação social. Man i e o meu eque imen o de es agia na Visão, caso osse possí el, já com a ideia de o man e a é ao úl imo dia do p azo, onde caso ainda não i esse sido acei e muda ia a opção pa a uma disse ação ace ca do mesmo ema (Slow Jou nalism). Felizmen e acabou po não se necessá io, e ag adeço desde já à Visão pela opo unidade, ainda pa a mais numa al u a ão ince a com a que e a i enciada en ão, embo a o ligei o ali iamen o expe ienciado na al u a (maio 2020). Pa a minha su p esa, oi-me p opos o, após en e is a em ideochamada, que, em ez de ês meses como se ia de espe a , o es ágio i esse a du ação de seis meses, o que acei ei, endo es agiado en e 13 de julho e 12 de janei o na secção de Cul u a ( ambém conhecida como Vaga ) e na Visão Se7e. 11 1.3. - O (início do) es ágio P ecisamen e de ido à si uação pandémica i enciada, icou desde logo aco dado que o es ágio se ia ealizado numa p imei a ase em egime de ele abalho “e que depois logo se ia”. Não de inha p op iamen e um ho á io ixo. Es a a suben endido, ou em eo ia, que o ho á io e a en e as 10h e as 18h, mas, e ambém de ido ao egime de ele abalho, a agenda de abalho unciona a um pouco em unção do su gimen o de ma é ias a a a e de a e as a desempenha . Em e mos de obje i os mani es a am-se como mais ób ios o de comp eende , in insecamen e, como unciona uma edação de amanho conside á el, an o ao ní el do digi al como do ísico e desen ol e as minhas compe ências jo nalís icas, não só ao ní el de edação e elabo ação de con eúdos, como do es an e abalho ine en e e me odologicamen e jo nalís ico, a p ocu a pela in o mação, es abelecimen o de con ac os e ealização de en e is as, a í ulo de exemplo. No que oca ao abalho p op iamen e di o, colabo ei na edação e p odução de a igos pa a a secção de Cul u a e pa a a Visão Se7e, an o a ní el da pla a o ma online como pa a a e is a em papel. Realizei ambém algumas en e is as, ep oduzidas que em o ma o pe gun a e espos a que em ex o co ido. Po ezes ui o esponsá el pela cons ução do quiz, que su ge na secção de jogos no im da e is a. Fui acompanhado p incipalmen e pela Inês Belo (edi o a da Visão Se7e) e pela Flo bela Al es (coo denado a VISÃO Se e/Po o), Ped o Dias de Almeida (edi o de Cul u a) e Síl ia Sou o Cunha (Cul u a). Logo desde o início oi-me solici ado um email ins i ucional, acesso ao back o ice, onde se publica di e amen e pa a o si e – den o des e aspe o ag adeci bas an e a minha expe iência an e io no si e in o ma i o Espalha-Fac os e no jo nal digi al egional medio ejo.ne , onde a pla a o ma usada como back o ice e a a mesma e consequen emen e o uncionamen o e usabilidade, es ando eu mais à on ade sem me e sido necessá io explica em, o que inclusi e oi no ado - e acesso ao Con en S a ion, onde se inse em os con eúdos pa a a e is a, aqui sim, no idade e onde p ecisei de alguma ajuda sob e o seu uncionamen o. Fiquei su p eendido, posi i amen e, com a p a icidade do sis ema, no qual é possí el e odas as edições da e is a Visão (e dos ou os í ulos da ma ca) e isualiza a e is a na in eg idade, al como ai se imp essa. A inse ção de con eúdo é assim ei a, edi ando as caixas de 12 ex o ( í ulos, sub í ulos, ex o p incipal e c.) já p e iamen e colocadas, sendo possí el i isualizando cons an emen e como ai ica na e is a, algo que se me e elou bas an e p á ico e e icien e. Os meus dois p imei os abalhos o am pa a o online e pa a a e is a, nes a o dem. Comecei po aze um a igo pa a a e são online da Visão Se7e, a 14 de julho 2020, sob e a en ão no a edição do Fes i al Ja dins Abe os 5 , pa a o qual alei com um elemen o da o ganização. Como segunda incumbência iz um a igo ambém pa a a Visão Se7e, mas des a ez na e is a imp essa, sob e o no o Museu Be a do, em Es emoz, in eg almen e dedicado à azuleja ia, endo pa a o e ei o con ac ado com o coo denado da Coleção Be a do 6 . Ti e, assim, logo desde o início a opo unidade de esc e e an o pa a a edição online da e is a como pa a a sua edição imp essa, o que me pe mi iu começa desde logo a adqui i ap endizagens e conhecimen os em/sob e ambas as e en es. Ficou assim ambém desde logo pa en e que os con ac os a se em ealizados pa a a cons ução dos a igos se iam a iados, de modo a con i ma e ob e mais in o mação, i a dú idas, ob e decla ações, balanços e expe a i as (p incipalmen e endo em con a que quase odos os abalhos o am na secção de cul u a, em ol a de espe áculos, exposições, li os e c.). Em e mos de emas a se abo dados, o am maio i a iamen e suge idos pelos edi o es, enquan o ou os o am au op opos os. No que oca à secção de Cul u a, os abalhos que desen ol i o am p a icamen e na o alidade pa a a e is a imp essa e sob e udo pa a a subsecção “Pessoas”, onde me o meu abalho oi p incipalmen e baseado em en e is as p óp ias ei as a p o issionais da cul u a, à exceção de casos in e nacionais, como oco eu, a í ulo de exemplo, com o a igo “Neil Young: Deixa-me em paz, T ump”, ace ca do p ocesso que o músico Neil Young a ançou na al u a con a T ump pelo uso sem consen imen o de ob as suas nas campanhas polí icas do magna a 7 . Igualmen e no que se e e e à Visão Se7e online e que conside o digno de no a, edi o ialmen e é bas an e ap eciado, e pelo que me oi dado a pe cebe “ unciona mui o 5 h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/sai /2020-07-14-ja dins-abe os-nos-p oximos-dois- ins-de-semana-ha- isi as-e-passeios-g a is-aos-ja dins-de-lisboa/ 6 Edição n.º 1429 (23/7 a 29/7/2020). O a igo oi pos e io men e colocado no si e: h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/ e /2020-07-24-museu-be a do-es emoz-o-que-nos-dizem- os-azulejos/ 7 Edição n.º 1434 (27/8 a 2/9/2020). 13 bem”, aze a igos em o ma o de lis a, pelo que iz á ios den o des e géne o, como po exemplo “7 conce os a não pe de na no a empo ada da O ques a Me opoli ana de Lisboa” 8 , “Lisboa na Rua: 7 coisas a não pe de em agos o e se emb o na cidade – udo g á is” 9 ou “6 (bons) documen á ios pa a e an es das eleições nos EUA” 10 . 1.4. – A con inuação do es ágio O es an e deco e do es ágio baseou-se p a icamen e nes a mesma medida expos a acima. Os a igos po mim elabo ados e am semp e e is os pelo espe i o edi o da secção a que o a igo pe encia. Quando as al e ações e am mínimas, o edi o publica a o a igo sem me da o seu pa ece ou dispensando apenas umas b e es pala as, con udo, quando e am necessá ias al e ações mais p o undas, ansmi ia-me as indicações necessá ias pa a que eu a uasse em con o midade e modi icasse o a igo. Conside o que, de ido ao egime de ele abalho, pe di mui o da elação humana e de edação. A di iculdade oi ac escida pelo ac o de a minha zona de esidência se na eguesia de P aia do Riba ejo, eguesia do concelho de Vila No a da Ba quinha, enquan o que a edação da Visão es á localizada em Paço de A cos, Oei as. Além da dis ância em elação à edação p op iamen e di a, oi igualmen e de e minan e a dis ância em elação a Lisboa, local espei an e à esmagado a maio ia dos a igos po mim ealizados. Quando su gia ma é ia pa a eu a a , ou me manda am email ou con ac a am po elemó el pa a me da em con a do e ei o e uma b e e explicação do que e a p e endido. Depois a a a de ealiza o abalho, con ac ando as de idas pessoas en ol idas no assun o em ques ão, pedia mais in o mações, en e is as, ma e iais, e, in o mando o espe i o edi o , deixa a o a igo como ascunho no back o ice ou no con en s a ion: basicamen e, pu o jo nalismo de sec e á ia. Penso que seja inequí oco, e sem se em necessá ios ac escidos alongamen os nas explicações, que a dis ância e i a, e e i ou, uma eno me pa e da expe iência e ap endizagem que o es ágio de e con e i . 8 h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/ e /2020-09-19-7-conce os-a-nao-pe de -na-no a- empo ada-da-o ques a-me opoli ana-de-lisboa/ 9 h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/sai /2020-08-11-lisboa-na- ua-7-coisas-a-nao-pe de -em- agos o-e-se emb o-na-cidade- udo-g a is/ 10 h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/ /2020-10-30-5-bons-documen a ios-pa a- e -an es-das- eleicoes-nos-eua/ 14 E a e dade é que a maio ia do empo de es ágio deco eu, e e i amen e, nes es moldes, sal o uma b e e al u a p opiciada pelo sua iza das medidas es i i as deco en es da pandemia e em que me oi possí el es a isicamen e na edação, sensi elmen e um mês, en e ou ub o e no emb o, o que na p á ica se aduzi am em duas semanas, uma ez que os p o issionais da Visão es a am di ididos em dois u nos, co esponden es a uma semana de abalho, de modo a exis i em menos c uzamen os e menos pessoas ao mesmo empo no local. A expe iência oi o almen e di e en e, a odos os ní eis. Relemb ando que o es ágio e e início em julho, oi só em ou ub o que conheci pessoalmen e os p o issionais da Visão e que pude, ealmen e, i encia a expe iência de edação, e nessa al u a (ainda) não sabia que se ia po ão pouco empo. O abalho ealizado em edação acaba po se mui o mais dinâmico do que a a és de ele abalho, uma ez que, endo po pe o os elemen os da secção, al como ou os p o issionais da Visão, qualque dú ida que su gisse e a escla ecida em empo eal. As suges ões são ambém elas eco en es al como a oca de con ac os. Mas de sob emanei a, o a o que conside ei ealmen e mais posi i o com a ida ísica pa a a edação oi a possibilidade de sai da sec e á ia e aze “ abalho de campo”, i p esencialmen e aos sí ios, con ac a e en e is a di e amen e as pessoas, e os assun os ao i o, como sucedeu com as idas e pos e io es elabo ações de a igos, como sucedeu, a í ulo de exemplo, com o a igo publicado na p imei a semana de no emb o 2020, sob e a no a Biblio eca de Alcân a a, in eg ada na Rede de Biblio ecas Municipais de Lisboa 11 . Nes e pon o, o na-se ele an e admi i mas ambém medi a sob e a ela i a di iculdade com que me de on ei na al u a de esc e e sob e es es assun os que e dadei amen e p esenciei. De ido ao hábi o eco en e da ealização de um jo nalismo de sec e á ia, e elou-se um pouco complicado libe a -me dessa esc i a já modelada, “p é- ab icada” (assun o abo dado na e isão de li e a u a do p esen e ela ó io), e demons a que es i e no local. Rela i amen e a es a ques ão conside o ambém pe inen e e e i o ac o de, ao se em a igos des inados à e is a imp essa, o espaço disponí el se mui o eduzido, ob igando-me a se bas an e sin é ico, sob pena de deixa in o mação aliosa e/ou impo an e de o a, o que de ac o acon ece de qualque das manei as, in a ia elmen e. 11 Edição n.º 1444 (5/11 a 11/11/2020). 15 Mas, mesmo com a maio ia a se abalho de sec e á ia, es e não consis iu em pu a eciclagem de comunicados de imp ensa, como o dina iamen e acon ece no jo nalismo, o abalho não se basea a na p á ica de chu nalism 12 , pelo menos de uma manei a di e a ou “pu a e du a”. Não conside o hipoc i amen e que não enha sido p a icado, mas pelo menos o abalho desen ol ido, e que assim me oi pedido, ez-se quando menos um pouco além disso. E a ap o ei ado con eúdo dos comunicados de imp ensa, indubi a elmen e, mas es e e a semp e em odo o caso complemen ado com pesquisa e pedidos de mais in o mação, escla ecimen o e/ou decla ações de en idades esponsá eis. Embo a a Visão p a ique a publicação de a igos p o enien es da agência de no ícias Lusa, em nenhum caso me oi solici ado ou seque suge ido que a asse de a igos da Lusa, nem algo elacionado. No que oca à edição ísica, ou imp essa, da e is a, o espaço acaba po se bas an e condicionado, e logo dis ibuído e es ingido à pa ida em euniões edi o iais não ha endo “luga ” pa a a maio ia ( o alidade) das ideias e/ou suges ões que se ab ilhan assem na minha ideia. Nes e ângulo, a ece i idade pa a suges ões semp e oi g ande, desde logo o início que ui pos o à on ade nesse aspe o, con udo a ece i idade não condisse com acei ação. O espaço na e is a acaba ambém po se mui o limi ado, como é po demais e iden e, o que po ezes acaba po se ealmen e us an e, mas onde os papéis da sín ese e do seleciona o que é e dadei amen e mais impo an e ganham ele o, al como me a isou logo a Síl ia Sou o Cunha ao con ia -me a minha p imei a en e is a 13 na Visão (ao ealizado Vicen e Al es do Ó, a p opósi o do lançamen o do seu ilme “Golpe de Sol” nos cinemas a 13 de agos o): “há que se bas an e conciso pa a ob e o máximo de in o mação nos ca ac e es disponí eis e esis i à en ação de aze mui as (demasiadas) pe gun as à pessoa - depois não cabe, é uma us ação e co a é abalhoso”. Ap o ei ando o balanço do exemplo dado, is o e ela-se como e e i amen e desenco ajado no que oca às en e is as, quando os en e is ados o e ecem mui o sumo, mas onde se pode ap o ei a ão pouco. Mesmo que se saiba ap oximadamen e à p io i qual o espaço dedicado à en e is a e se esis a à en ação de aze mui as 12 Te mo e consequen e emá ica abo dados na e isão de li e a u a do p esen e ela ó io, ela i os ao jo nalismo onde os a igos são c iados a a és de p ess eleases e con eúdos o necidos po agências de no ícias e/ou de comunicação. 13 Edição nº1432 (13/8 a 19/8/2020). 16 pe gun as, limi ando o seu núme o, ica semp e a ama gu a de in a ia elmen e se exclui mui as (e aliosas) in o mações/decla ações. Is o oi mani es o pa a mim a a és de odas as en e is as que iz, mas, em especial a que ealizei ao esc i o Nuno Nepomuceno ace ca do seu no o li o, já pe o do meu úl imo dia de es ágio. Após a en e is a com o au o , i e de eduzi a in o mação ob ida a uma pa ca coluna 14 . 1.5. - Balanço Em e mos de balanço, embo a odas as inegá eis e signi ica i as condicionan es e limi ações ine en es à c ise sani á ia en ol en e, es e é semp e posi i o a ní el p o issional e de ap endizagem, dos conhecimen os que ap endi, mé odos de abalho que desen ol i. No inal, além de colabo ações com ou os a igos, p oduzi 38 a igos pa a o si e da Visão, 14 pa a a e is a, de di e en es o ma os e amanhos, e 3 quizzes ambém pa a a e is a. A expe iência oi ambém posi i a pelos p o issionais da Visão que me o am dados a conhece , ainda que de o ma bas an e supe icial. A Visão, pelo que me oi possí el a e i , em um bom mé odo e o ganização de abalho, com o qual ap endi no que oca a “ o inas jo nalís icas”, po assim dize , e pelo alinhamen o e cump imen o de abalho e p azos. O uncionamen o em equipa pa eceu-me coeso, p incipalmen e den o das espe i as secções o que é pe ei amen e na u al, com o qual ( e)ap endi que o abalho em equipa é semp e mais en á el. (Re)ap endi ambém alo es jo nalís icos, onde, além de mui os ou os, me oi sob e udo eque ido, e dessa manei a cimen ado nas minhas ape ências, que p esen easse o lei o com o máximo de igo e in o mação o mais comple a e con i mada possí el, nem que pa a isso se e elasse necessá io con i ma dez ezes com as on es. Tal como me oi di o no deco e do es ágio, “po ezes emos de nos aze de olos pa a que nos expliquem udo in im po in im, pa a que depois ambém o possamos aze jun o dos lei o es”. A secção em que ealizei o es ágio, a de cul u a, não oi no en an o a mais p o ícua em e mos de possibilidades pa a o desen ol imen o de a igos elacionados com o ema des a in es igação, o Slow Jou nalism. O abalho jo nalís ico que desen ol i baseou-se bas an e em ela a espe áculos a ís icos que iam en a em cena, a ealização de es i ais ou conce os, p incipalmen e no que se e e e ao online. No 14 Edição nº1453 (7/1 a 13/1/2021) 17 en an o, es a secção na qual es agiei oi ambém pa icula men e desa iada com a pandemia, na medida em que a cul u a oi, em g ande medida, suspensa. Mui os es i ais ica am po ealiza , di e sos conce os, ea os, espe áculos, não subi am a palco, mui as exposições não chega am a e a luz do dia, e com isso, pe de am-se mui os emas e mui o do con eúdo que pode ia se abo dado e da in o mação que pode ia se a ada É cla amen e no á el uma p e e ência ela i amen e à e is a, a qual em um a amen o di e enciado. Ademais, pelo menos em elação aos emas com que abalhei (cul u a e li es yle) mui as ezes o con eúdo que ai pa a o si e é o que “não cabe” na e is a. Penso que a apos a no online po pa e da Visão é bas an e diminu a, baseando- se p a icamen e de uma o ma exclusi a na publicação de con eúdos meno es e/ou que não cabem na e is a (po não e em ele ância su icien e quando compa ados com ou os emas), ou publicando pos e io men e, em géne o “copy-pas e” e sem al e a nada do seu con eúdo, a igos que já saí am na e is a, não ap o ei ando des a o ma as po encialidades que o online em pa a o e ece . Es e ac o pode-se de e à génese o iginá ia da Visão, que em na e is a imp essa a sua his ó ia e “bem maio ”. Na ealização dos a igos oi possí el, embo a semp e ads i o aos p óp ios c i é ios e linhas edi o iais da Visão, coloca em p á ica os conhecimen os e ensinamen os an o ap endidos na licencia u a de Ciências da Comunicação como no p esen e mes ado em Jo nalismo. Nes e campo, oi sob e udo p o ei oso a en a i a não de apenas edigi os a igos de uma manei a jo nalis icamen e i ep eensí el, o que é impe ioso e bas an e ocado nas componen es le i as sup a e e idas, mas de consegui alia isso a uma esc i a apela i a e incen i ado a na pe spe i a da lei u a po pa e do público em ge al. Fui po ezes chamado à a enção pa a es e ac o: não e a que es i esse e ado, apenas inha de consegui esc e e o mesmo mas de o ma mais apela i a e menos maquinal. O es ágio oi bas an e u í e o no campo dos conhecimen os, diga-se assim, e no ac o de me e ei o i a ás da in o mação, pedi pa a ala com as pessoas esponsá eis po de e minado acon ecimen o ou assun o, endo de passa pela maio ou meno pe meabilidade das agências de comunicação. Num quad o ge al, es as e am de ini i amen e a á eis e p es á eis, mas icou pa a de mais e iden e que mui as ezes a asam bas an e a p odução do con eúdo jo nalís ico: en e es abelece o con ac o com o agen e de comunicação, es e con ac a a de e minada pessoa com quem se p e ende ala e ol a de no o ao con ac o pa a dize quando a pessoa pode, ai-se pe dendo 18 empo. Não obs an e, é a a és des as que se adqui em ma e iais ex a pa a complemen a e consolida os con eúdos. Um pon o bas an e posi i o no es ágio oi o de e a o al libe dade, sem es ições, pa a en e is a p o issionais da cul u a pa a a pos e io edação dos a igos e o desa io ine en e de, mui as ezes, ( e de) se eu p óp io a a anja os seu con ac os e de cons ui essas pon es. Um pon o que conside o como bas an e alo izado pelos es agiá ios em jo nalismo, na medida em que é uma expe iência palpá el que êm no (e pa a o) me cado de abalho da á ea, é a assina u a das peças. Tan o na e is a como na Visão online, desde o p imei o ao úl imo dia, em odos os a igos po mim p oduzidos cons ou a minha assina u a, algo que ag adeço à Visão e espe i os esponsá eis. Is o p incipalmen e endo em con a que sei, po amigos e conhecidos meus na á ea, que isso mui as ezes não acon ece nou os ó gãos de comunicação, algo que conside o como ex emamen e inco e o de se p a icado e que de ia se analisado e co igido pelas en idades compe en es, de o ma a comba e -se es a p á ica eco en e da não- alo ização do abalho desen ol ido em pe íodos de es ágio, e apa ulc al pa a os u u os p o issionais da á ea, a qual po si mesma já é ão complicada e in incada po sinal. 19 Capí ulo II – O Slow Jou nalism e o seu con ibu o pa a o ecossis ema mediá ico 2.1 - Slow Mo emen (s) Numa e a em que a digi alização, a pa da globalização, eio di a p o undas e o mas nas no mas e i ências sociais, com uma no á el, econhecida e c escen e elocidade análoga a odos os aspe os das idas pessoais, começou a se pensado que e a p eciso p omo e a capacidade e o desejo de nos mo e mos a di e en es elocidades no nosso quo idiano e nas di e en es elações sociais (C aig, 2016), sendo exa amen e a solução pa a o p oblema expos o o ab andamen o: “Slowness p o ides us wi h espi e om he p essu es o ‘ as li e’, o e ing us oppo uni ies o e i al and c i ique” (p. 464). Como espos a su giu, assim, o Slow Mo emen que, numa pe spe i a ge al e ab angen e, p e ende e ea o ciclo acele ado em que a sociedade se encon a e de se começa , cul u al e socialmen e, a expe iencia e dadei amen e e a sabo ea as di e sas coisas da ida: “T a a-se de usu ui de bons momen os, sen i e i e cada ase, pe mi i -se aze aquilo que a cada um mais ealiza e da o de ido empo a cada coisa”, sus en a a Associação Slow Mo emen Po ugal 15 . Ca l Hono é, a ual “po a- oz” des a co en e de pensamen o, com li os publicados sob e o mo imen o e o ado de Ted Talks (con a com mais de ês milhões de isualizações no ídeo da sua con e ência em 2005), em publicado no seu si e pessoal que o Slow Mo emen é uma e olução cul u al: “A eac ion agains he dik a ha as e is always be e .” O Slow Mo emen alega que um modo de i e “len o”, em oda a sua ampli ude, en ol endo o empo necessá io às nossas p á icas, acili a não só o desen ol imen o pessoal como ambém uma o ien ação é ica no que oca a ou as pessoas, sí ios e empos (C aig, 2016). Na o igem des e mo imen o es i e am os p o es os de Ca lo Pe ini e um g upo de a i is as, iniciados nos anos de 1980, con a a homogeneização da culiná ia egional. O pon o al o dos p o es o dá-se em 1986 com a abe u a de um es au an e McDonald’s em Roma, o que le ou numa p imei a ase à emancipação do mo imen o Slow Food, que oi o icialmen e undado em Pa is (1989), com a assina u a do seu mani es o e que, 15 A Associação Slow Mo emen Po ugal é uma ONG (o ganização não go e namen al), e iden emen e po uguesa, sem ins luc a i os e que se enquad a com os alo es do Slow Mo emen , p e endendo di undi e aplica na p á ica os p incípios de endidos pelo mo imen o. Te e início em 2009. 26 mais em oga, o que e iden emen e aumen a o s ess, ansiedade, compe i i idade e insegu ança (Cohen, 2019). Mas ambém o público se sen e sob eca egado. De ido à as idão de in o mação disponí el, es e simplesmen e acaba po pe de o in e esse e a enção, a qual os ó gãos de comunicação en am sis ema icamen e ecupe a a a és da e o mulação na ap esen ação da in o mação que eco e cada ez mais a manche es, lis as e esumos (Dowling, 2016, p.541). Reco en emen e, o público acaba simplesmen e po se aliena in encionalmen e em elação à imensidade de in o mação à qual é expos o sem que seque enha de a p ocu a . Es e enómeno conduz a que a população se o ne passi a quando con on ada com demasiada in o mação, e além de es es consumido es de no ícias passi os se em menos in o mados, é pouco p o á el que se enham a in o ma (numa endência c escen e) (No denson, 2008). O enómeno do e i amen o de no ícias po pa e do público consis e numa p oblemá ica ex ensa e complexa, mas, en e ou as azões, que passam pelo ac o de as no ícias se em mui o nega i as ou não se em iá eis, um dos mo i os cen ais (Sko sgaa d and Ande sen, 2020) é e e i amen e a sob eca ga in e miná el de no ícias disponí eis: “ he e is simply oo much news ou he e o na iga e, and as a consequence people choose o igno e he news comple ely.” (Ande sen, 2020, p.1). Também no Reu e s Ins i u e Digi al News Repo (2019) se cons a a is o mesmo além de que, embo a em pe cen agens di e en es consoan e os países, o e i amen o (comum ou pon ual) a i o das no ícias é bas an e comum a g andes pa es da população: na lis a lide ada pelos países da C oácia (56%), Tu quia (55%) e G écia (54%), Po ugal, a í ulo de exemplo, ap esen a uma pe cen agem de 31%. Ou os a o es “pon uais” podem pesa nes as pe cen agens, como no caso do Reino Unido, onde hou e um c escimen o de 11% (pe azendo um o al de 35%), que é explicado em pa e pela “ us a ion o e he in ac able and pola ising na u e o B exi ” (p.25) Tal como de ende C aig (2016, p.470): The de elopmen o mode ni y and he mo e ecen eme gence o digi al cul u e ha e no only acili a ed he g ea e speed o in o ma ion ansmission and pace o li e bu also an exponen ial inc ease in in o ma ional complexi y. Such in o ma ional complexi y o e s g ea emancipa o y po en ial and means o knowledge p oduc ion bu i also can gi e ise o in o ma ion o e load, cogni i e dissonance, diso ien a ion and isk. 27 A analogia de San os-Sil a & G anado (2021, p.69) pa ece ilus a bem a si uação a ualmen e i enciada a pa da elocidade alucinan e da ansmissão de in o mação: “O nosso mundo es á a o na -se a empo ada de uma sé ie que nunca mais acaba, com um a gumen o mas igado pa a ocupa o máximo de episódios”. 2.3. - Slow Jou nalism A a és do abalho de pesquisa e e uado pa a o p esen e ela ó io oi, desde o p incípio, no ó ia a al a de e e ências em língua po uguesa sob e es e ema. A in es igação cien í ica exis en e em língua po uguesa é bas an e escassa, e a que exis e (em po uguês do B asil) e e e-se a Slow Jou nalism como Jo nalismo Len o, como ilus a o caso da in es igado a b asilei a Michelle P aze es. Des e modo, de ido à al a de in es igação em língua po uguesa op ou-se pela u ilização do e mo “Slow Jou nalism” pa a desc e e es e enómeno, sendo semp e, no en an o, emp egue o ocábulo “jo nalismo len o” aquando do uso de e e ências em po uguês. Tal como no Slow Mo emen , o Slow Jou nalism, que pa ece se um enómeno maio i a iamen e eu opeu (Luo, 2019), p e ende e o na a uma exis ência e p ocesso menos acele ados. O mo imen o Slow Jou nalism é desc i o po académicos como uma e u ação e/ou espos a ao inc emen o da elocidade nas p á icas jo nalís icas, o qual conduziu ao de inha de mui os dos seus alo es in ínsecos e à p oli e ação de enómenos comunicacionais nega i os. Assim, o jo nalismo len o “não p e ende desmon a a ese de que a elocidade az sen ido pa a o jo nalismo”, mas sim ques iona quando es a é de ac o um impe a i o, onde “o slow se ia a busca pelo con ex o, pela comp eensão, pela c edibilidade, pela acu ácia e pela qualidade” (P aze es & Ra ie , 2019, p.92). Ca e e o e Ba iain (2016, p.525) enquad am o e mo “as jou nalis ic p oduc s and p ac ices ha explici ly eme ge as a eac ion o he dominan end o newness, immediacy and a decon ex ualized na a ion o he news e en s”. Com es e pon o de is a conco da igualmen e Ha old Gess (2012), que en e ê o mo imen o de Slow Jou nalism como um desa io às condu as e é icas do as jou nalism e que epensa o jo nalismo como algo que o e ece con eúdo di e enciado ao público, pon o igualmen e conco dan e com a assunção de que o Slow Jou nalism ep esen a um jo nalismo mais p o undo e elaxado em compa ação com a “u gência in o ma i a” i ida, mui as ezes sem jus i icação (Ped iza, 2017). Como a ança Ande sen (2020, p.4), al ez um jo nalismo mais len o uncione en ão menos com no as his ó ias e mais como um 28 “cu ado ” de in o mação, que ajuda as pessoas a na ega en e o in indá el ecossis ema mediá ico a ual – um papel que pa ece encon a -se a ualmen e pe dido e que alguns í ulos de Slow Jou nalism isam ecupe a , dando aos lei o es apenas peças numa quan idade que seja possí el consumi (Nie o & Valo , 2019). Po ou o lado, es a len idão adjacen e ao jo nalismo p opo ciona-lhe a dis ância necessá ia em elação às lógicas e i mos dos ou os campos, o que pe mi e o su gimen o e adequação da c í ica (C aig, 2016, p.470). Também segundo Ne eu (2016, p.451) o su gimen o do Slow Jou nalism igu a como eação an o à u gência s essan e da “o e dose” de no ícias que ad êm de canais de no ícias de úl ima ho a, de disposi i os mó eis, ádios e e is as, sendo que o au o c i ica igualmen e a i ialidade do que é o ulado como no ícia, em especial no que se e e e a celeb idades e si uações sensacionalis as e melod amá icas. Não obs an e, embo a numa escala ala gada es es a o es possam se conside ados, não podem se idos como eg a ixa, pois a í ulo de exemplo no caso das celeb idades, conside e-se o econhecido pe il de F ank Sina a, da au o ia de Gay Talese, ‘F ank Sina a Has a Cold’ (1966) – embo a seja sob e uma celeb idade, o abalho é iden i icado como Slow Jou nalism, pois oi, “slowly p oduced, signi ican ly di e en om he low o celeb i ies’ po ayals” (Ne eu, 2016, p.452). P ecisamen e, o Slow Jou nalism pode se enca ado como algo assim não ão ecen e, se se i e em con a a e olução do jo nalismo, mo men e os es ilos jo nalís icos cuidados que igu a am nos anos 60 e 70, como o Gonzo Jou nalism ou o New Jou nalism - e se pensa mos em his ó icos jo nalis as como o e e ido Gay Talesse, T uman Capo e, Hun e S. Thompson, ou, ainda an es deles e al ez de um modo mais ebuscado, Ma k Twain, E nes Hemingway e F. Sco Fi zge ald - mas ai além disso. Nascido da us ação pa a com a qualidade do jo nalismo na imp ensa “mains eam” (Ba hke, 2019), o ó ulo de Slow Jou nalism começou a ganha popula idade nos anos 2000 de o ma a desc e e os a igos exis en e em blogues e ou as publicações cul u ais que u iliza am elemen os mul imédia e p o undamen e na a i os como o ma de comba e à “ e ishiza ion o Twi e ’s 140 cha ac e s cul u e” (Ca e e o & Ba iain, 2016, p.524), numa al u a em que se começa a a conside a a e dadei a in eg ação das po encialidades digi ais da in e ne na p odução no iciosa, que pode ia conduzi ambém a um jo nalismo mais ime si o (e ambém mais len o), como oi demons ado explici amen e anos mais a de a a és daquele que é co en emen e acei e como o p imei o con eúdo jo nalís ico me ecedo da adje i ação de ime si o 29 (Co dei o e Longhi, 2018), a epo agem mul imédia do New Yo k Times de 2012, Snow Fall: The a alanche a Tunnel C eek 16 . A ecnologia e a in e ne (com en oque nas edes sociais) podem, po um lado, conduzi a um jo nalismo mais “simplis a”, mas a e dade é que oi igualmen e abe a uma caixa de pando a ela i amen e às possibilidades na c iação de con eúdos jo nalís icos online, uma ez que a ecnologia ab iu espaço pa a no as o mas na a i as com especial en oque nas possibilidades das modalidades de s o y elling e ap esen ação das no ícias (Jacobson, Ma ino & Gu sche, 2016). No en an o, oi em 2007 que se começou a e le i se iamen e do pon o de is a académico sob e o e mo, sendo es e e e ido na al u a como um me cado eme gen e de abalhos esc i os não iccionais, como ensaios e epo agens, que demo ando mais empo a se p oduzidos, da am a conhece his ó ias e no ícias inédi as, esc i as segundo al os pad ões de qualidade (G eenbe g, 2007). Coni en emen e com o Slow Mo emen , o Slow Jou nalism ad oga po an o que o jo nalismo de e ab anda , p incipalmen e po que essa desacele ação no ciclo de p odução no iciosa ai ge a in o mação de maio qualidade ao mesmo empo que melho a igualmen e as suas condições de eceção po pa e do público (Ped iza, 2017). Es e “ empo ap op iado” não se a a de uma ques ão de du ação, i mo ou comp imen o, mas é an es, al como de ende Ball (2016), sob e uma e lexão po pa e dos jo nalis as pa a pe cebe como o en endimen o e comp eensão podem se alcançados no (e a a és do) jo nalismo. Po ém, se a ideia osse conduzida exclusi amen e pelo a o empo al da p odução e ci culação, essa conceção ambém não a ia nada de no o à p oblemá ica, pois essa len idão semp e exis iu desde o início do jo nalismo, cuja p odução semp e lidou com exigências e i mos in ínsecos (de e minados e o ganizados pelas p óp ias o ganizações) e ex ínsecos (e en os imp e isí eis, que ão além do planeado) (Nickel & Fonseca, 2019). Num pensamen o mais simplis a em elação ao a o empo al, bas a apenas conside a -se as e is as semanais ou mensais, que semp e exis i am. Mas o Slow Jou nalism ai mais além, ab angendo o a o empo al, e englobando o a o da p epa ação, da degus ação e abso ção de in o mação di a ‘ aliosa’. Foi p ecisamen e es a ideia de ab andamen o e de degus ação no jo nalismo que conduziu à c iação do Slow Media Mani es o (2010) que, 16 Snow Fall: The a alanche a Tunnel C eek, oi p oduzida po 11 p o issionais e esc i a po John B anch ( alendo-lhe um p émio Puli ze ). 30 en e ou os pon os, ad oga: “Slow Media a e no abou as consump ion bu abou choosing he ing edien s mind ully and p epa ing hem in a concen a ed manne .” No amen e, de modo análogo ao mo imen o Slow Food, onde são idos em con a os p odu o es, as o mas de p odução e os p óp ios p odu os u o da p odução, é ido que p omo e Slow Jou nalism: (…) is o ca e abou hose who p ac ice he c a and o ecognize he alue o wha he p ac ice p o ides, o ca e abou how jou nalis s in e ac wi h o he s, and i is mo i a ed by he ecogni ion ha ca e is equi ed in he p ac ice as i explo es, c i iques and communica es wha is happening in he wo ld. (C aig, 2016, p.462) Gess (2012, p.60) ai mais longe e aduz os concei os p e iamen e mencionados “good”, “clean” e “ ai ” do mo imen o Slow Food, pa a a ealidade do jo nalismo, onde: - Good pode se aduzido jo nalis icamen e como “well- esea ched jou nalism ha is mo e han jus a ga he ing o ‘ ac s’, bu aims o p o ide i s consume s wi h use ul in o ma ion ha is ele an o hem”, podendo o e mo se igualmen e aplicado ela i amen e à in o mação que seja bem p oduzida e ap esen ada de modo a se acessí el à comunidade, mas que ambém “bene i s he cul u al senses h ough he quali y o he w i ing, pho og aphy o audio p oduc ion”; - Clean pode se aplicado à p odução e consumo de jo nalismo “which is no co up o abusi e o he communi ies in which i is p ac ised, does no encou age ace o gende s e eo yping, suppo s he sus ainabili y o bo h ecosys ems and li elihoods, suppo s social jus ice, and de elops a sense o a communi y’s sha ed des iny”; - Fai emp egue na ideia en iesada de “jus iça” no jo nalismo, onde os jo nalis as não p a icam “ad ocacia”, sendo o e mo igualmen e aplicá el an o a o na acessí eis os media à comunidade como nas condições labo ais da p odução da in o mação de modo a “ensu ing ha condi ions o employmen and emune a ion in news o ganisa ions a e no exploi a i e”; * 31 Inês Pin o 17 (2018, pa a.5) conside a que o a ual consumo de no ícias nos dá demasiada in o mação com a qual acabamos po não ap ende nada, sendo esse o pon o a a o de um jo nalismo mais aga oso e con ex ualizado: Fala em slow jou nalism é apela à alo ização da in o mação como conhecimen o. As edes sociais podem e c iado a alsa ideia de es a mos cons an emen e in o mados, mas, na e dade, es amos só a le no as de odapé, his ó ias com manche es, mas sem co po de ex o. Is o o nece-nos uma isão demasiado limi ada do mundo. Sabemos udo e, ao mesmo empo, quase nada. Aliás, uma das ma cas do Slow Jou nalism é e e i amen e da uma chance ealís ica aos lei o es pa a que es es possam consumi a o alidade dos con eúdos an es que chegue no a in o mação (Ba hke, 2019), al como sucede com o dinama quês Ze land, ou com o To oise Media, um meio que “don’ co e e e y s o y, bu e eal a ew”, onde a equipa de p o issionais i a o empo necessá io “ o see he ulle pic u e, o make sense o he o ces shaping ou u u e, o in es iga e wha ’s unseen.”, al como e elam no seu si e 18 . O Slow Jou nalism pode assim consis i numa o e a de apenas algumas his ó ias pa a os lei o es le em, pe cebe em as no ícias, e segui em adian e com o seu dia e ou os a aze es (Nie o & Valo , 2019). Des e modo, o Slow Jou nalism a o ece a p o undidade, p ecisão, es ilo e con ex o ao in és da apidez e do se o p imei o, ac edi a no pode da na a i a e do de alhe, e demo a mais empo a in es iga e a apu a a e acidade das in o mações (Bel & Sou h, 2016), de modo a p oduzi in o mação di e sa, igo osa e de qualidade, di igida ao público, seja ele egional ou global, que deseje consumi in o mação “digna de no a” ap esen ada a a és de ele ados pad ões an o a ní el de es é ica como de é ica (Ca e e o & Ba iain, 2016). Is o adequa-se com a isão do Slow Jou nalism como algo “luxuoso”, um pouco exclusi o ou mesmo a é al ez eli is a. 17 Coo denado a do Mani es o - quiosque e p oje o que apos a no concei o de Slow Jou nalism, com o p opósi o de o nece à comunidade e amen as capazes de impulsiona o pensamen o c í ico - e esponsá el pela cu ado ia das publicações independen es, em en e is a ao Jo nal Económico. 18 h ps://www. o oisemedia.com/abou -us/ou -s o y/ O p oje o To oise Media começou a sua a i idade como ó gão de comunicação assumidamen e de Slow Jou nalism em janei o 2019 sob o mo e “slow down, wise up”. 32 O Slow Jou nalism é p e e encialmen e consen âneo a publicações imp essas (Ande sen, 2020, p.13), como é o exemplo das e is as Pon o 19 e Delayed G a i ica ion 20 , is o po que a in e ne (ainda) é comummen e enca ada como um espaço de dis ação e en e enimen o, uncionando mais adequadamen e com no ícias simples, “chocan es” e sensacionalis as, mui as ezes sob e agédias e/ou celeb idades, e de “úl ima ho a”, que ão ao encon o desse p isma, exis indo po no ma pouco con eúdo jo nalís ico ap o undado, icando es e mais ese ado pa a a imp ensa em papel (Maie , 2010). Es e enómeno pa ece ag a a -se ela i amen e ao con eúdo especí ico pa a disposi i os mó eis (sma phone) (San ana & Dozie , 2019): quando as pessoas, a meio do dia, pegam no elemó el pa a se a ualiza em, não espe am le g andes ex os con eúdos ap o undados e con ex ualizados, mas sim b e es in o mações sob e o que acon eceu no empo em que es i e am ausen es. Es e pon o de is a, onde as no ícias imp essas são is as como mais in luen es jun o dos lei o es, é sus en ado pelo es udo de San ana, Li ings one e Cho (2013), que a e iguou que o conhecimen o é mais impulsionado pelo jo nalismo imp esso do que o online, uma ez que os en ol idos no es udo demons a am e e e comp eende melho a in o mação ansi ada a a és de meios jo nalís icos imp essos ao in és de digi ais, além de que os acham mais in luen es. No en an o, o Slow Jou nalism pode esul a igualmen e no digi al/online (pa icula men e nos meios menos mó eis, como o compu ado ou o able ), a é po que a mul imedialidade (Cana ilhas, 2012) in ínseca às pla a o mas digi ais é uma pode osa e amen a a se u ilizada nes e ipo de jo nalismo, além de que segundo os algo i mos da Google, po exemplo, os dados e a in o mação que pe du am du an e mais empo no cibe espaço não são as no ícias cu as, mas sim os ex os longos (Ped iza, 2017). Aliás, ao con á io do que se possa e e nas p imei as ponde ações, o Slow Jou nalism não se e le e unicamen e ou essencialmen e a a és da esc i a (englobando ou não ou os con eúdos mul imédia, al como já oi abo dado p e iamen e). De ac o, pode-se conside a como exemplo dis o mesmo, o podcas 19 Re is a imes al imp essa, do meio de comunicação digi al e egional medio ejo.ne . No seu edi o ial é explicado que a e is a su giu “Po que na o agem dos dias há mui as his ó ias que se pe dem, e lexões que icam po aze , pon os que nunca chegam a uni -se pa a nos da em imagens mais ap oximadas da ealidade que nos odeia.” O p imei o olume oi lançado no e ão de 2020. 20 Re is a imes al imp essa do Reino Unido, que se in i ula como “A p imei a e is a de Slow Jou nalism do mundo”. 33 es adunidense Se ial 21 , lançado em 2014 pela WBEZ (es ação de ádio de Chicago), o qual e le e a in es igação de Sa ah Koenig e Julie Snyde sob e um assassina o em Bal imo e em 1999, que oi p oduzido numa his ó ia de 12 ho as dis ibuída po episódios e que se o nou, pelo menos na al u a, no podcas mais popula de semp e. O que le ou ao c escimen o e ez do podcas um sucesso oi a manei a len a como a his ó ia se ia desen olando com cada episódio a complica ou mesmo a con adize o(s) an e io (es) (Blanding, 2015). A despei o des as conside ações, a ualmen e a li e a u a sob e a emá ica não assegu a uma de inição una de Slow Jou nalism, sendo es e po no ma in e p e ado an o como endo uma conexão li e á ia, in es iga i a ou de análise ap o undada (Ca e e o & Ba iain, 2016; Ped iza, 2017). O e mo pode a é mesmo se dis inguido em géne o ou abo dagem (D ok & He mans, 2016). Os au o es enca am que o Slow Jou nalism, como géne o, es á elacionado sob e udo com a o ma e o es ilo em que a in o mação é ap esen ada, com o ma os longos onde o es ilo ende a oca -se no s o y elling na a i o (Le Masu ie , 2015). Es a conceção comp eende como essencial a cons ução de nichos e comunidades, onde o a o de iden i icação desempenha um papel p eponde an e (P aze es, 2018), e é associada sob e udo a con eúdos jo nalís icos longos de não icção, como po exemplo a epo agem, sob epondo-se assim uma a iculação com o jo nalismo li e á io. Es a associação en e o Slow Jou nalism e jo nalismo li e á io é, aliás, e e uada po di e sos au o es en e os quais a (já p e iamen e e e ida) pionei a de o igem inglesa Susan G eenbe g (2007), a po uguesa Alice T indade (2012), ou mesmo a aus aliana Megan Le Masu ie (2016). Es a noção mais li e á ia de Slow Jou nalism pode, no en an o, se e adamen e con undida com Long- o m Jou nalism, elemb ando, a í ulo de exemplo, a pla a o ma Long o m 22 que é conside ada uma pla a o ma dedicada a Slow Jou nalism mas que só ponde a “pieces o e 2,000 wo ds”. Embo a os con eúdos de Slow Jou nalism sejam e e i amen e maio i a iamen e longos, pois pode se gene alizado que o Slow Jou nalism eque o empo necessá io pa a e lexões ou in es igações ap o undadas sob e assun os o iginais (Le Masu ie , 2015), p incipalmen e quando compa ados com a ela i amen e eduzida in o mação 21 Podcas Se ial disponí el em h ps://se ialpodcas .o g/. O podcas ecebeu di e sos p émios e dis inções. 22 h ps://long o m.o g/ Pla a o ma c iada em 2010 e que ecomenda “new and classic non- ic ion om a ound he web”. 34 que cons a na maio ia das ‘no ícias’, es e não é um c i é io igo oso ou ca egó ico, a é po que Slow Jou nalism não é sob e amanho, na medida em que a ex ensão não é uma i ude po si mesma, mas é an es a qualidade que igu a como o a o dis in i o des es con eúdos (Benne , 2013). Nes e pon o, embo a indele elmen e, ica expos o o papel desempenhado pela edição jo nalís ica (G eenbe g, 2016), que pode ans o ma um ex o longo e pouco ocado num ex o edi ado, conciso e ocado, naquilo que não deixa de se Slow Jou nalism só po e pe dido pa e da sua ex ensão. Pos o is o, o Slow Jou nalism não é necessa iamen e ex enso, mas po no ma eque espaço (Le Masu ie , 2015, p.143), não cons i uindo is o, no en an o, um impe a i o, po que con as ando o a o dimensão com o a o empo, o na-se e iden e que um a igo ela i amen e pequeno pode e eque ido imenso empo de in es igação e mesmo de esc i a (Ped iza, 2017). Po ou o lado, D ok e He mans (2016) de endem que o e mo Slow Jou nalism eme e pa a os p incípios e mé odos ado ados em e mos p á icos, e não an o pelas ca a e ís icas “ ísicas” do abalho inal, enquad ando o Slow Jou nalism como um jo nalismo maio i a iamen e demo oso, uma ez que em de dispo do empo necessá io pa a o ap o undamen o da in o mação e de modo a consegui encon a (no as) nuances e pe spe i as, conside ando es e pon o pa icula men e ele an e quando analisam a p á ica de Slow Jou nalism pa a a a assun os complexos, mui as ezes cien í icos, que exigem uma ap oximação mais analí ica e pe sis en e do que as “no ícias de úl ima ho a”, os quais mui as ezes não dispõem de uma espos a conc e a e de ini i a. A igos jo nalís icos sob e meio ambien e, ou mais conc e amen e sob e as al e ações climá icas, são um exemplo des e ipo de con eúdos complexos e cien í icos adequados à p á ica de Slow Jou nalism, uma ez que as no ícias sob e ambien e desa iam o jo nalismo na medida em que os acon ecimen os ambien ais são complexos e con ínuos, podendo es ende -se po semanas, meses, anos ou mesmo décadas (Gess, 2012). Gess (2012) e le e igualmen e que es e ipo de his ó ias mais complexas mui as ezes su ge “à boleia” de ou as mais d amá icas que já enham os “ alo es-no ícia” necessá ios pa a cons a em nos media habi uais, como desas es ambien ais, po exemplo. De ac o, oi es a incapacidade de ap o unda jo nalis icamen e emas complexos, os quais ca ecem de empo e análise, que conduziu à a ual espécie de “au o- ma i ização” dos jo nalis as económicos pela não an ecipação da eclosão da úl ima c ise económica, iniciada com o colapso da i ma Lehman B o he s: (o jo nalismo) “ ailed o ale i s eade s o he coming disas e , o app ecia e he complici y o he 35 Wall S ee banks, and o unde s and he inabili y o unwillingness o egula o s o g asp he p oblem” (Gold, 2018, pa a. 8). Es a pe spe i a é co obo ada po Ne eu (2016) que conside a que a “len idão” pode se o p eço a paga pela aquisição de um en endimen o adequado e co esponden e à complexidade de de e minados assun os e ou a i idades que equei am um conhecimen o écnico ou cien í ico. O pon o semp e comum e conco dan e, é que o Slow Jou nalism desa ia o ciclo jo nalís ico de 24 ho as, de ine-se po c i é ios quali a i os como a con ex ualização, exa idão ou di e sidade da in o mação e é pau ado po pa âme os de ele ada qualidade, independen emen e das o mas de na ação, géne o, o ma o, ou ex ensão dos p odu os inais (Ca e e o & Ba iain, 2016). * A a és das conside ações an e io es, pode se le an ada uma ques ão pe inen e, al como o az Gess (2012, p.63): “Is slow jou nalim jus a epackaging o documen a y, li e a y o in es iga i e epo ing?”. Po á ias ponde ações que o am ap esen adas, a espos a a es a ques ão pode po ezes pa ece que pende pa a o a i ma i o, mas a ques ão da len idão ab e espaço a pe spe i as mais ilosó icas, al como sucede com o Slow Mo emen , num âmbi o ge al. De modo simila , pos o oda a in o mação an eceden e, o na-se igualmen e inegá el que é bas an e di ícil de ini Slow Jou nalism, e mo p o usamen e polissémico. É jo nalismo in es iga i o, explana ó io, li e á io, sus en á el, com ex ensão conside á el e na a i o? Ne eu, baseando-se no abalho p e iamen e ci ado de Le Masu ie eduz os c i é ios a oi o possí eis pa a a de inição de slow no jo nalismo: “as aking he ime o ga he ing and p ocessing news, as se ious in es iga ion, as limi ing he in o ma ion low, as na a i e, as ai , as communi y- se ing, as pa icipa o y, as aluing “un old” s o ies” (2016, p.453) – no en an o, con inua a se bas an e ex enso e cumula i o. O ema é complexo po que não ap esen a um ca á e de e minis a: “O jo nalismo len o pa ece se uma es u u a dinâmica que en ol e p odu o es, ece o es, escalas de empo, egimes de consumo, ou as es u u as e con ex os e condições de p odução” (P aze es, 2018, p.134). Como de endem Bel and Sou h (2016), de manei a ala gada e acili ada, pode, po conseguin e, se mais p á ico de ini Slow Jou nalism pelo que não é: as jou nalism. É an es uma eação con a o que mui os es udiosos da comunicação, além 42 “Em menos de uma ho a, o desapon amen o seguiu-se à aleg ia. A Tu quia ainda não en ou na gue a. E a apenas um minis o a ala sob e a e en ualidade de a Tu quia abdica em b e e da sua neu alidade. O endedo de jo nais em Dam Squa e g i a a “Tu quia ao lado da Ingla e a!”, e os jo nais es a am a se -lhe a eba ados das mãos. Foi assim que ou imos es e umo enco ajado .” Con udo, a chegada do século XXI ouxe consigo a con e são da in o mação numa a ma numa escala sem p eceden es, uma ez que as no as ecnologias azem da ab icação e manipulação de in o mação um p ocesso simples e as edes sociais ampli icam o emen e os con eúdos ( e dadei os ou alsos) endidos po polí icos, co po ações ou es ados, uma ez que es as in o mações são pa ilhadas po um público ac í ico (I e on & Pose i, 2018). Também P aze es e Ra ie (2019) ão ao encon o des a ideia do uso da imediação da (des)in o mação como a ma: “A elocidade su ge como aliado de a o es in e essados em p opaga in o mação com a iados g aus de dis o ção pa a in e esses especí icos – sejam eles polí icos, económicos ou isando a dis upção social” (p.89). A e e ida imediação da in o mação eio assim apa en a num p imei o momen o o e igo amen o da democ acia, con udo, na e dade e de i ado do ac o de o con eúdo ca ece de con olo edi o ial, pode su gi de qualque sí io, en ol e no as écnicas de esc i a, unciona den o de uma ede de audiências agmen adas, se en egue p a icamen e ins an aneamen e e se in e a i o (Fen on, 2010, p.6) conduziu não só à dependência de agências de in o mação como ambém à p ole a ização e p eca ização dos jo nalis as, onde se espe a que es es “p oduzam mais com menos empo, menos ecu sos e menos colegas” (Bas os, 2015, p.98). Nes a linha, le a-se a conside a a lógica de Co eia que associa o enómeno da desin o mação com “más p á icas da p o issão no con ex o de uma escassa au onomia e das o inas e hábi os consolidados no seu campo especí ico” (2019, p.30). A in o mação ge ada a a és des as más p á icas mani es as a a és da consul a de menos on es, da não con as ação dos ac os, e da es anda dização das na a i as jo nalís icas (Ped iza, 2017, p.130), e de uma “dependência a al de on es o a do e eno, como as o iciais ou as de a qui o” (San os-Sil a & G anado, 2021, p.10) o que mui as ezes esul a em in o mação con usa, dúbia, inco e a, ou mesmo alsa, que culmina em pe da de c edibilidade não só pa a o ó gão de comunicação em causa como pa a odo o jo nalismo em ge al, o qual en en a a ual e mani es amen e uma c escen e desc edibilização. 43 Es abelecendo que a desin o mação é cons i uída po “All o ms o alse, inaccu a e, o misleading in o ma ion designed, p esen ed and p omo ed o in en ionally cause public ha m o o p o i ” (Comissão Eu opeia, 2018, p.3), a sua disseminação, e, mais g a e ainda, a sua acei ação po pa e do público, oco e ambém de ido ao p óp io excesso e plu alidade da in o mação, no meio da qual se acaba po pe de o sen ido da busca pela e dade, insu gindo-se o Slow Jou nalism con a es a ealidade. Aliciando-se a es e enómeno (ou uncionando como causado as), exis em algumas ag a an es, que, na sua maio ia mas não só, de i am da ampla u ilização de edes sociais, a é po que pode-se pa i do en endimen o de que “o ake e o as ” pa ilham o mesmo ambien e de p opagação: as edes digi ais, “na medida em que an o as no ícias alsas em o ma o que simula o jo nalismo, quan o as no ícias “ e dadei as” empaco adas com b e idades lançam mão das eng enagens do con ex o de acele ação e excesso nas edes digi ais pa a p oli e a ” (P aze es & Ra ie , 2019, p.92). Exemplo des a co elação é a exis ência de bolhas de il o, e mo cunhado po Eli Pa ise , que es e desc e e como “o nosso uni e so de in o mações pessoal e único em que i emos online” sendo que o que se encon a nessa bolha de il o “depende de quem somos e depende do que azemos” e que “o p oblema é que não decidimos o que en a na bolha e, mais impo an e, não emos o que ica de o a” (Pa ise , 2011). A con i ência com es as bolhas de il o consis e basicamen e num es ado de isolação in elec ual, onde as c enças p eexis en es são econ i madas e onde não há luga ao con adi ó io. Conside a-se que es as oco ências minam o desempenho da democ acia e da cidadania, numa ação amplamen e exp essi a no ea o polí ico, al como se aduz com os episódios polí icos do B exi (2016) e das eleições p esidenciais dos Es ados Unidos da Amé ica (2016) e do B asil (2018), as quais culmina am com a eleição de dois a o es polí icos conside ados populis as, Donald T ump e Jai Bolsona o, espe i amen e. Complemen a a es e concei o, embo a mais an igo e ambém de uma manei a mais conscien e indi idualmen e, é o de “nichi ica ion”, ou seja, a exis ência de um público de conhecimen os e in e esses comuns e compa ilhados, deco en e de páginas iniciais e news eeds pe sonalizados, ale as de emails ou no ícias apenas ela i as a de e minados assun os, que conduz à diminuição da p obabilidade de con as ação de c enças e ideologias (No denson, 2008). Também a empo alidade associada à pa ilha de no ícias nas edes sociais aca e a p oblemas consigo, pois, de ido à in o mação ica disponí el na in e ne in inda elmen e, mui as no ícias ap esen am í ulos in empo ais e 44 a sua pa ilha nas edes sociais é po enciado a de desin o mação quando ei as num empo pos e io ao da no ícia, o que acon ece eco en emen e (San os-Sil a & G anado, 2021). O Slow Jou nalism, mesmo pela sua génese, é comummen e is o como uma o ma de jo nalismo que é capaz de se aliena de alimen a a conceção de uma e a baseada na pós- e dade 30 e de ap o unda emas de modo a in o ma e con ex ualiza o público com in o mação eo icamen e mais idedigna, na medida em que exis iu mais empo pa a consul a, con i mação e con as ação de in o mação e on es e mais cuidado no a amen o do con eúdo. Nes a linha de pensamen o, pode se omado como exemplo o caso de And é Ven u a, undado e di igen e do pa ido polí ico po uguês CHEGA 31 . O e e ido polí ico undou o pa ido a 9 de ab il de 2019 e, desde en ão, oi cons an emen e obje o de aceso deba e público e no iciabilidade na imp ensa po uguesa de ido a di e sas ques ões a u an es, onde oi despole ada uma in ensa e cons an e discussão, no qual a ques ão da desin o mação é cons an emen e e e ida. Mesmo com uma no ó ia di isão social ace ca do pa ido e dos seus mé odos e ideologias, o jo nalismo po uguês não oi além de no icia o básico, simples e ápido e não ap o undou a ques ão sob e a emá ica, a é ao dia 21 de maio de 2020, onde a e is a Visão (nº1420), a a és do jo nalis a Miguel Ca alho, ap esen ou uma in es igação sob e o pa ido CHEGA, o seu modo de uncionamen o e o seu con adi ó io líde And é Ven u a. Que is o dize que deco eu mais de um ano in ei o an es de se p a icado o que se pode conside a Slow Jou nalism, de modo a se ap o unda um dos emas mais a u an es, mo i o de discó dia e p o uso de desin o mação en e a sociedade po uguesa, e onde osse ap esen ada in o mação con ex ualizada, ap o undada, e de alhada sob e o ema - deco eu mais de um ano, an es que osse ealizado Slow Jou nalism sob e o (p o á el) ema po uguês mais con o e so e eple o de (des)in o mação, quando es e ipo de jo nalismo desempenha indubi a elmen e um papel ele an e no a ual sis ema de in o mação, ao agi como ba ei a à p oli e ação da demasiada (des)in o mação que ci cula sem con olo, p incipalmen e a a és da in e ne e das edes sociais (Ped iza, 2017). 30 Elei a Pala a do Ano 2016 pelo Dicioná io de Ox o d, onde es á desc i a como “ ela ing o ci cums ances in which people espond mo e o eelings and belie s han o ac s” 31 Pa ido polí ico cono ado com um alinhamen o polí ico de (ex ema) di ei a, onde es e é assumido como conse ado , nacionalis a e populis a. 45 Rela i amen e a es a emá ica da desin o mação, não se pode deixa de aze uma b e e elação com a ques ão da li e acia mediá ica, a qual já em 2007 a Comunidade Eu opeia de iniu como “a capacidade de acede aos media, de comp eende e a alia de modo c í ico os di e en es aspe os dos media e dos seus con eúdos e de c ia comunicações em di e sos con ex os”, sendo ad ogado que uma baixa li e acia mediá ica pode (e az) padece o Slow Jou nalism de eduzido econhecimen o público. 2.5. - Cons ução Social da Realidade Em di e sos es udos, o jo nalismo é conside ado como es ando in imamen e ligado à sociedade a uando não como espelho, mas como cons u o a i o da ealidade social. A ideia é a de que “a a i idade jo nalís ica e o os enunciados p oduzidos na sua ealização não se limi am a ep oduzi a ealidade mas in e êm na cons ução social da mesma” (Co eia, 2012, p.82-83), onde es a ealidade o e ecida pelas no ícias “é en ol a pelos modos de conhece ípicos dos jo nalis as e pelos modos especí icos que es es possuem de es u u a o conhecimen o a a és da linguagem” (idem). Mui as ezes es e ínculo é enca ado como uma elação simbió ica, onde embo a sendo ambém suges ionado pela ealidade, o jo nalismo é (quase plenamen e) acei e como um pode oso ins umen o no que à cons ução da ealidade social diz espei o, podendo impo es a ealidade cons uída de uma manei a mais ou menos signi ica i a, se aludi mos às eo ias dos e ei os 32 , passando a conceção i ânica que possa ad i des a conside ação. A e dade é que o jo nalismo desempenha um “e e i o papel de o mado da opinião pública, o necendo os mapas de signi icado que pe mi em uma e e i a con ex ualização às no ícias que p oduzem e que pe mi em a o dem e a in eligibilidade do mundo” (B andão, 2010, p.130). O p opósi o cen al do jo nalismo apa en a igualmen e se a c iação de cidadãos in o mados, no en an o, e especialmen e num ecossis ema mediá ico ão le iano, sensacionalis a, eple o de agmen ações de in o mação, onde não é cla o o signi icado de es a in o mado (Luo, 2019). Ne eu le an a, nes a pe spe i a, uma pe gun a opo una: “Is i easonable o conside ha he mos spec acula , shocking, o ou ageous e en s a e hose which allow us o make sense o he wo ld we li e in?” (2016, p.449). 32 Enunciadas po Se e in e Tanka d em 1979. 46 Numa cons an e dialé ica, na qual o jo nalismo en ega cons an emen e o signi icado da ealidade em igência ao público, onde os jo nalis as (de iam de) abalha de o ma a en ega o pano ama ge al numa al u a em que a demasiada in o mação o na di ícil de o público o cons ui po si mesmo (No denson, 2008), e numa sociedade “(…) onde cada ez exis e mais in o mação e menos sen ido” (B andão, 2010, p.132), o Slow Jo nalism em assim ambém como p e ensão a de con ibui com uma mais in o mada e con ex ualizada cons ução da ealidade pa a que possa deco e uma o mação mais opulen a e comple a do público, po que se “Fas jou nalism is mos ly abou in o ma ion. Slow jou nalism is mos ly abou meaning” (Goldbe g e al. as ci ed in Bel & Sou h, 2016, p.560). E is o udo, uma ez que a sociedade não demanda unicamen e in o mação: “They seek judgmen om someone hey can us , who can e e ou in o ma ion, dig behind i , and make sense o i . They wan analy ic dep h skep icism, con ex , and a p esen a ion ha hono s hei in elligence” (Ab amson, 2010, p.43). Es a linha de pensamen o pe ila com uma especial incidência en e a população mais no a: “Young people need slow news in o de o ge a ‘deep’ pic u e o some hing, o hea he complexi ies o he s o y o an e en ” (Meije , 2007, p.112). 2.6. - Comba e ao Chu nalism Toda a conjun u a jo nalís ica a ual, que ai desde a queda das ecei as da publicidade, ao consequen e despedimen o de p o issionais, e a um aumen o na demanda da p odu i idade, no que se ans o ma num McJou nalism que “gua an ees p edic able jou nalism no quali y jou nalism.” (F anklin e all. 2005, p.142). Os jo nalis as êm con inuamen e de aze mais a igos, mais dep essa, o que esul a num maio ní el de “cópia” e “a ualizações cons an es” no seu abalho (C aig, 2016, p.468). Assim, no en endimen o de Ne eu (2016), o Slow Jou nalism em ambém como obje i o ealiza um jo nalismo menos ci cula e mais independen e de comunicações o iciais e P ess Releases (PR), na medida em que ope a de manei a a es u u a uma no a “ecologia” de p odução de in o mação, eclamando po au onomia ace ao “exé ci o” de comunicados de imp ensa. Po ou as pala as, o Slow Jou nalism impõe- se ao denominado Chu nalism: “ he ecycling p ocess o news p oduc ion which d ew inc easingly on wi e se ice copy and public ela ions (PR) subsidies” (Johns on & Fo de, 2017, p.943). 47 A pla a o ma chu nalism.com 33 de ine, sucin amen e, a ep esen ação p á ica de Chu nalism: “is a news a icle ha is published as jou nalism, bu is essen ially a p ess elease wi hou much added”. É es a p á ica inc emen e de chu nalism que consequen emen e impede os jo nalis as de aze em o seu abalho de uma manei a mais ap o undada e po en u a de desempenha o seu papel i al de “wa chdog” (C aig, 2016). A a i mação de B ian Timpone, undado da Jou na ic 34 ( al como ci ado po Becca ia & Sain -Exupé y, 2013) expõe desemba açadamen e a g a idade do p oblema: “I we ep ocess a p ess elease, why would anyone pay epo e - ype wages o do ha ?” A e is a imes al publicada pela The Slow Jou nalism Company, a Delayed G a i ica ion – is a como uma pionei a no Slow Jou nalism e um paladino do Slow Mo emen e p incipalmen e do Slow Jou nalism, desde logo pelo seu ende eço “slow- jou nalism.com” e a mais ag essi a na sua “p omoção” como Slow Jou nalism (Dowling, 2016, p.535) – explici a bem o desejo de comba e es a a ual e usual p á ica dos meios de comunicação: “Mode n news p oduc ion is illed o he b im wi h ep in ed p ess eleases, kneeje k pundi y, ad e o ial nonsense and chu nalism. Slow Jou nalism is an an ido e o his: in elligen , cu a ed, non-pa isan news co e age designed o inspi e and in o m”. A pa de alguns au o es, a já ci ada Le Masu ie (2015) c ê que a p á ica de Slow Jou nalism conduzi ia a uma supe io anspa ência, onde es e se ia cla o quan o à o ma como ob e e a in o mação e, no que oca ao jo nalismo digi al, indica ia e conduzi ia os lei o es pa a as on es documen ais e de pesquisa, de o ma a exa amen e jus i ica como a in o mação oi ob ida, que seja a a és do uso de ligações ou de e e ências ex ualmen e inclusas que explici em a p o eniência e o mé odo usado pa a a ob enção da in o mação (Idem), além de de e in a ia elmen e iden i ica o que consis e em con eúdo p óp io e o que ad ém de comunicados de imp ensa, assun o exa amen e abo dado no pa ág a o an e io . Mais uma ez, azendo a analogia en e Slow Jou nalism e Slow Food, Ne eu (2016) a gumen a que es a anspa ência é 33 Si e sem ins luc a i os que p e ende ajuda o público a dis ingui con eúdo jo nalís ico o iginal de ‘chu nalism’. 34 Emp esa de Chicago (EUA), undada em 2006, que p oduzia “jo nalismo ba a o” com his ó ias locais au oma izadas e onde os con eúdos e am p oduzidos em condições ele adamen e p ecá ias, eco endo inclusi e a abalhado es ilipinos (She ield, 2012). 48 imp escindí el pa a a p omoção da (‘saudá el’) o igem das on es da in o mação – al como o mo imen o Slow Food apad inha a noção de se sabe de onde p o ém a comida, o Slow Jou nalism p omo e uma maio e anspa en e explicação da on e de in o mação e os seus possí eis iés, a é po que a gene alidade do jo nalismo em con empo aneamen e abalhado pa a ocul a ou olda do público a e dade sob e a sua o ma de ob e e p oduzi in o mações (Gess, 2012). Igualmen e den o do âmbi o da anspa ência, mas numa pe spe i a mais pessoal dos p o issionais (jo nalis as), o The Co esponden assegu a que não conside a que os jo nalis as de am ingi se neu ais ou impa ciais, mas an es de ende que a es a égia de e passa po demons a abe amen e a e dade: “in he belie ha anspa ency abou poin -o - iew is be e han claiming o ha e none.” 2.7. – Cono ação Social do Slow Jou nalism Ball (2016) en e ê ambém uma le e cono ação social no Slow Jou nalism, onde não só é ele an e alcança “ ecnicamen e” o público, como ambém, e mais impo an emen e, en ol e -se in elec ual e emocionalmen e com es e. Também Dowling (2016, p.541) concebe que os meios de Slow Jou nalism in endem a ans o ma os lei o es num público humanizado e homenageado pela sua capacidade de se in e essa po his ó ias ap o undadas, ao in és de os enca a como uma me cado ia p on a a se en egue aos anuncian es e publici á ios. Ainda den o de uma cono ação de ca iz mais social, é conside ado que o Slow Jou nalism ans o ma o seu público em “pa cei o” (Ne eu, 2016), pois a sua conceção de len idão pe mi e uma mais p o ícua en a i a de ap oximação do público, ela i amen e ‘imaginá io’ ou e e i amen e mais eal no caso de se a a de um ó gão de comunicação local, onde es e é con idado a con ibui de di e sas mane ias, seja a a és de comen á ios, da pa ilha de ídeos ou opinando num ó um (Idem). Na mesma linha de pensamen o, é po ezes adian ada a ideia de que com a p á ica de Slow Jou nalism, o público possa ajuda na in es igação ap o undada de de e minados assun os, ajuda a elucida ou a encaminha os jo nalis as, al como e e iu Paul B adshaw ao The Gua dian (in Kiss, 2009, pa a 13): “People can con ibu e hei expe ise o answe speci ic ques ions, and jou nalis s wi h no esou ces could use he si e o call on he communi y o help.” 35 Nes a pe spe i a, no que se pode po en u a 35 A igo do The Gua dian sob e dois no os p oje os de ajuda à di ulgação de no ícias locais. 49 conside a como uma ideologia humilde, o The Co esponden 36 econhece as suas limi ações: “Collec i ely, ou eade s know way mo e han we do abou mos o he s o ies we co e ”, e alimen a a ideia de o público pa icipa /ajuda na p odução de con eúdo, na medida em que o não enca a como um me o conjun o de consumido es de no ícias, mas sim como uma on e de con ibuição de conhecimen o. Mui as das pla a o mas de Slow Jou nalism pe mi em, aliás, o en io de suges ões e mesmo a igos que podem i a se publicados, numa pe spe i a de qualque pessoa pode se eelance . A Na a i ely 37 , a í ulo de exemplo, possibili a a submissão de a igos que le em os lei o es “inside ano he wo ld, ano he li e, h ough i id scenes and compelling na a i e a cs” e especi ica os a o es essenciais que o a igo de e con e pa a pode se publicado. Caso a publicação seja iá el e acei e, exis e um pagamen o que é ei o ao au o . 2.8. – Apoio ao Rela o da di e ença sociocul u al e de Assun os Sensí eis O Slow Jou nalism pa ece igualmen e igu a como espos a à c escen e necessidade de ela a a di e ença sociocul u al. Com o e olui dos empos, a pa das democ acias mode nas, os alo es conside ados adicionais e conse ado es que e am (en endidos como) ep esen a i os da maio ia da sociedade êm dado luga a uma maio exp essão das di e enças indi iduais, de mino ias, ou simplesmen e de ou as aças ou c edos díspa es. Po mo i os causais, o Slow Jou nalism é is o como di e enciado quando se a a de ela a es as mesmas di e enças, uma ez que o jo nalismo “ ápido”, pela sua génese, não dispõe dessa capacidade is o que depende e em de se apoia num conjun o mais i me de p essupos os polí icos, sociais e cul u ais (C aig, 2016). Nes a pe spe i a, os jo nalis as êm sido e a ados como acul u ais e como indo semp e de aco do à pe spe i a e opinião socialmen e dominan e, o que só pode se mudado se os jo nalis as consegui em dispo do empo necessá io pa a ou i ou as ozes e, mais impo an e ainda, consegui pe cebê-las. Também Thomas (2016) a gumen a que p incipalmen e quando se a a de nações não-ociden ais - sob e udo do con inen e a icano, onde es e é enca ado como o “con inen e sem espe ança” (Sco , 2017) - os 36 A pla a o ma The Co esponden oi lançada a 30 de se emb o 2019 pa a a ansmissão de “unb eaking news”. 37 Pla a o ma ocada no a o humano e s o y elling que “celeb a a humanidade a a és de con eúdos di e sos, au ên icos e de al a qualidade”. Os con eúdos ap esen ados podem se esc i os, em imagens e ídeos, e a a és de podcas s. 50 abalhos jo nalís icos ecaem in a ia elmen e em ep esen ações p é-concebidas de di e ença acial, pon o igualmen e conco dan e nas aceções de F anks (2010) que de ende que os jo nalis as são guiados pela elocidade inc emen e do ciclo no icioso, onde é espe ado que es es desempenhem a sua unção o mais ápido possí el, e que acabam po ealiza um abalho “supe icial and equen ly ull o s e eo ypes” (p.72). São, po an o, es as as azões que le am C aig (2016) a conside a que es e ipo de jo nalismo mais len o é necessá io numa sociedade ma cada pelo c escen e eme gi de exp essões de di e ença pois p opicia o empo necessá io pa a explo a essas ou as pe spe i as e ou i essas on es di e enciadas, de uma o ma que pe mi a não só eplica o que é di o, mas que ambém pe mi a o seu e dadei o en endimen o. Thomas (2016), a a és dos es udos que le ou a cabo no Ruanda en e 2012 e 2014, expe ienciou is o mesmo: “a mo e pa ien jou nalism, imbued wi h slow quali ies, was an e ec i e s a egy o lessening he cons uc ion o o he ness, a oiding media ha m, and c ea ing empa hic connec ions wi h dis an su e s” (p.480). Também quando se a a de ela a ma é ias alusi as a assun os en endidos como sensí eis (ul apassando a subje i idade que possa es a ine en e a es a assunção), o Slow Jou nalism pa ece ep esen a uma espos a iá el pa a a execução da a e a, uma ez que o Fas Jou nalism não em a capacidade de abo da adequada e comp eensi amen e algumas das ques ões mais p emen es e ambém delicadas (Thomas, 2016). Como ad oga Aidan Whi e, da E hical Jou nalism Ne wo k (EJN) 38 , aquando se p onunciou sob e os a aques di igidos ao Cha lie Hebdo, es es são empos pa a o Slow Jou nalism, onde os p o issionais dos media de em pensa com cuidado nas consequências que podem epe cu i a pa i do que é esc i o ou das imagens que são mos adas. “When we mo e oo as we can become complici in ac s o inhumani y”, de ende Whi e (2015, pa a.14), jo nalis a e undado da e e ida ede, ap esen ando como jus i ica i o pa a es a ase o exemplo das imagens em ídeo de um polícia a se execu ado du an e os a aques que ci cula am online, a gumen ando que es e nunca de ia e sido mos ado e pa ilhado. O Slow Jou nalism é ambém enca ado como mais indicá el pa a a a de emá icas mais delicadas e susce í eis, equen emen e elacionadas com iolência ísica 38 Rede c iada no Reino Unido em 2012 com o obje i o de p omo e e o alece os pad ões é icos den o da p á ica jo nalís ica. 51 e sexual, onde igu am es emunhos pessoais e onde o público é “chamado” como es emunha das a ocidades ela adas (Cox, 2018). 2. 9. - Con a Como as His ó ias Acabam Ou o obje i o ab açado pelo Slow Jou nalism é o de “con a como as his ó ias acabam” p e endendo des a o ma igu a como al e na i a às ezes em que os media “bomba deiam” o público com uma his ó ia ou assun o especí ico, quando depois simplesmen e abandonam esse mesmo assun o quando a agenda mediá ica a ança pa a o no o g ande ópico, deixando mui as ezes his ó ias “pendu adas” sem lhes da seguimen o e sem o nece ao público o inal ou os desen ol imen os subsequen es desse assun o. A Delayed G a i ica ion, uncionando aqui mais uma ez como exemplo p á ico, comp ome e-se a cump i com es e obje i o homólogo a á ias publicações de Slow Jou nalism: “We pick up he pieces a e he dus has se led so you can ead abou he medium- and long- e m impac o news e en s.” No caso da Visão es e aspe o é igualmen e isí el no ema já p e iamen e ci ado ace ca da in es igação a And é Ven u a, líde do pa ido polí ico po uguês CHEGA. Após um p imei o abalho in es iga i o po pa e do jo nalis a Miguel Ca alho, e a ado na já e e ida edição n. º1420 (21/05/2020) da e is a, o ema oi depois con inuamen e abo dado com ou as duas in es igações complemen a es sob e And é Ven u a e o seu pa ido, a edição n. º1429 (29/07/2020) e a edição n. º1449 (10/12/2020) 39 . Mui as ezes, um aspe o que ambém de ine os abalhos de Slow Jou nalism é o de es es abo da em um ema em conc e o, a a és de á ios ní eis, ou pe spe i as: “(…) he s o y wo ks on mo e han one le el so ha he speci ic subjec ma e lea es openings o o he , mo e uni e sal hemes” (G eenbe g, 2012, p.383). Is o e ela-se signi ica i amen e, mais uma ez, em assun os complexos, ca a e ís icos da necessidade do emp ego de um jo nalismo mais len o. 2.10. – Ve en e Financei a Na gene alidade, al como já oi explanado, a sociedade e a sua i ência so eu as mais di e sas al e ações, mesmo a ní el económico, pois as no as ecnologias o na am possí el a en ega de bens e se iços a um cus o bas an e eduzido (G eenbe g, 2012). Es as no as ecnologias e, p incipalmen e, a In e ne aca e am con li os em 39 Todas as ês edições cons i uí am o ema de capa da espe i a edição. 58 Obje i o e ques ões de in es igação Tendo em con a o que oi desc i o em cima, conside am-se as seguin es pe gun as, pa a as quais se p e endem encon a espos as e explicações: Q: Quais as ca a e ís icas edi o iais dos a igos deco en es da p á ica de Slow Jou nalism na e is a Visão? Q2 (complemen a ): Qual é a pe cepção que os jo nalis as da Visão êm sob e a p á ica de Slow Jou nalism? Me odologia Po o ma a esponde às ques ões sup a enunciadas, ado ou-se uma pos u a me odológica mis a (quan i a i a e quali a i a) assen e em dois p ocedimen os: análise de con eúdo e en e is as. O mé odo de obse ação pa icipan e oi ainda conside ado à pa ida, mas acabou po se excluído, uma ez que além da possí el pa cialidade e al a de isenção, os cons angimen os de i ados da c ise pandémica ela i a ao no o co ona í us o am ex ensos e comp ome edo es quan o à expe iência de edação, al como já oi p e iamen e abo dado. Análise de con eúdo Na análise de con eúdo, o si e online da Visão oi p e e ido à pa ida em p ol da e is a imp essa, uma ez que, e al como es á ambém explíci o nos esul ados adian e, o papel é o meio p e e encial a ní el edi o ial, desempenhando o online uma unção secundá ia e de “isco”, isando a ai os lei o es pa a a comp a pos e io da e is a imp essa ou pa a a comp a da assina u a digi al da mesma, algo que ambém se á ap o undado a a és das en e is as ealizadas. Como obje o de es udo são conside adas odas as edições imp essas da e is a du an e os seis meses de es ágio, en e a edição nº 1427 (9/7 a 15/7/2020) e a edição nº1453 (7/1 a 13/1/2021), o que pe az um o al de 27 e is as analisadas. No p ocesso não são conside ados os a igos que con emplam o géne o “en e is a”. A o alidade dos a igos o am en ão analisados à luz de cinco c i é ios, escolhidos como os mais ep esen a i os da ideia de Slow Jou nalism e ambém como os menos subje i os possí eis, ou seja os mais igo osos e impassí eis de se em 59 en iesados po uma noção subje i amen e pessoal. Is o po que a ca ego ização de Slow Jou nalism é ealmen e de e as subje i a e na e dade pode assemelha -se bas an e, po exemplo, a Fea u e Jou nalism 43 e a Jo nalismo Na a i o 44 . Desse modo, en ando con o na e comba e essa di iculdade e impo uma me odologia igo osa, se ão conside ados a igos de Slow Jou nalism aqueles que possuam a si ine en es me ade dos c i é ios p opos os (ou seja, po a edondamen o, os a igos que de enham ês dos cinco c i é ios). Es a escolha de c i é ios baseou-se nos abalhos p é ios de Ne eu (2016) e Ca e e o & Ba iain (2016) que en am elenca ca a e ís icas ine en es a es e ipo de jo nalismo, e que, nas suas junções, se aduzem em cinco c i é ios p incipais e especí icos, em elação ao con eúdo: 1) ai além da a ualidade – ou seja, não se es inge aos emas di ados pela agenda mediá ica; 2) é ap o undado - con ém in es igação, con ex o, di e sidade de on es, abo dagens; 3) u iliza écnicas na a i as; 4) se e a comunidade – no sen ido de se ú il, de ap esen a in o mações de que o público possa aze uso na sua ida; 5) é pa icipa i o – con a com a colabo ação de cidadãos comuns, enca a o público como uma mais alia. No o al, es a ação de análise em 27 e is as aduziu-se em 36 a igos conside ados de Slow Jou nalism 45 . Também de o ma a analisa os a igos, p ocedeu-se à cons ução de abelas em Excel 46 . Um dos indicado es conside ado pe inen e é, a í ulo de exemplo, a impo ância a ibuída a cada um dos emas conside ados de Slow Jou nalism, a a és da sua p esença ou ausência na capa da e is a, e em que medida de des aque. Rela i amen e ao géne o dos a igos, oi u ilizada como base a classi icação de Ma ques de Melo (complemen ada com a igos de in es igação de ou os au o es que 43 Concei o ambém ele mui o subje i o. Fea u e Jou nalism é habi ualmen e enca ado como géne o (S eensen, 2009) e como de endo, habi ualmen e, as seguin es ca a e ís icas: é na a i o; é menos “sensí el” à ques ão empo al e a p azos; pode con e desc ições subje i as e e lexões do jo nalis a; é, po no ma, um jo nalismo mais pessoal e emocional; é apela i o es e icamen e e az amplo uso da imagem (especialmen e o og a ia) 44 Também e e ido mui as ezes como Li e á io, o Jo nalismo Na a i o aplica o es ilo e as écnicas da icção à não- icção, a a és do ela o de his ó ias, e en os e si uações do p esen e (e não do passado, dis inguindo-se assim da na a i a li e á ia), po no ma a a és da desc ição a pa i de uma pe spe i a pessoal, ou seja a a és dos olhos de pessoas eais p esen es, que assim se o nam pe sonagens. (Van K ieken & Sande s, 2017). 45 Expos os numa abela com os espe i os c i é ios, no inal do ela ó io. 46 Tabela colocada no inal do ela ó io. 60 êm como base essa mesma classi icação) que di ide os a igos jo nalís icos em cinco géne os que po sua ez ambém se subdi idem: In o ma i o (No a, No ícia, Repo agem e En e is a); Opina i o (Edi o ial, Comen á io, A igo, Resenha, Coluna, Ca ica u a, Ca a e C ônica); In e p e a i o (Análise, Pe il, Enque e, C onologia e Dossiê); Di e sional (His ó ia de in e esse humano e His ó ia colo ida); U ili á io (Indicado , Co ação, Ro ei o, Se iço). Desde logo, endo em con a o concei o de Slow Jou nalism, podem se e i ados à pa ida o géne o Opina i o e os seus subsequen es “subgéne os” e ainda os subgéne os no ícia, no a e en e is a, ela i os ao géne o In o ma i o. Foi ainda usada na análise a classi icação de S een S eensen que di ide o géne o em Pe il, His ó ias de In e esse Humano e Repo agem (que se di ide po sua ez em News Repo age, Backg ound Repo age e Fea u e Repo age) To na-se assim impo an e pa a o p esen e ela ó io, uma ez que o am os géne os con emplados pelos a igos após a espe i a análise, explici a algumas das subdi isões dos géne os in e p e a i o e u ili á io da classi icação de Ma ques de Melo. Assim sendo, den o do géne o in e p e a i o, que desempenha um papel mais escla ecedo e educa i o, a sua di isão dá-se em: Dossie , que se aduz num conjun o de in o mações que p e endem, além de in o ma , con ex ualiza o lei o , ou seja acaba po se um “mosaico des inado a acili a a comp eensão dos a os no iciosos”, o que mui as ezes se aduz numa “Condensação de dados sob a o ma de ‘boxes’, ilus ados com g á icos, mapas ou abelas’” (Ma ques de Melo & Co denonssi, 2008); Pe il, ou seja, o ela o biog á ico, mais ou menos sin é ico, de igu as de no o iedade; Enque e que consis e em expe iências, ou seja “os ela os dos indi íduos, pois ep esen a a o ma como eles se elacionam com os acon ecimen os” (Idem). Já den o do géne o u ili á io, que ep esen a um jo nalismo que ajuda e colabo a na omada de decisões po pa e do público, es e subdi ide-se, al como explici a Tyciane Vaz (2008), em Indicado , quando ap esen a “Dados undamen ais pa a a omada de decisões co idianas (cená ios econômicos, me e eologia, nec ologia)”; Co ação, quando são o necidos “Dados sob e a a iação dos me cados: mone á ios, indus iais, ag ícolas, e ciá ios”; Ro ei o, a a és da ap esen ação de Dados indispensá eis ao consumo de bens simbólicos; Se iço quando em “In o mações des inadas a p o ege os in e esses dos usuá ios dos se iços públicos, bem como dos consumido es de p odu os indus iais ou de se iços p i ados”. 61 Po ou o p isma, endo em con a a ampla semelhança já enunciada en e o Slow Jou nalism e o Fea u e Jou nalism, se á ambém usada uma classi icação de S eensen (2018) aplicada a es e úl imo ipo de jo nalismo, onde os géne os são di ididos em Pe il, His ó ias de In e esse Humano e Repo agem, que se subdi ide po sua ez em News Repo age, Backg ound Repo age e Fea u e Repo age 47 : “The p ima y pu pose o news epo age is o in o m, while backg ound epo age explains and ea u e epo age en e ains.” (S eensen, 2018, p.6). En e is as Os dados ob idos a a és da análise de con eúdo das e is as o am complemen ados, con as ados e analisados, à luz das en e is as ealizadas a jo nalis as, e um elemen o di e i o da e is a Visão, especi icamen e os jo nalis as Miguel Ca alho (2 maio 2021), Rui An unes (28 ab il 2021) e Vânia Maia (5 maio 2021) e a subdi e o a da e is a, Sa a Belo Luís (19 maio 2021). De ido aos en a es colocados pela pandemia, as en e is as não o am ealizadas p esencialmen e, al como se ia p e e í el, mas sim po ia ele ónica. De o ma a demons a que as en e is as podem se aliosamen e complemen a es, é ambém a a és des as que se ai en a pe cebe a alo ização dos a igos de Slow Jou nalism, median e a con as ação da in o mação e i ada da análise de con eúdo (po exemplo, o des aque que é dado na capa) com a opinião do edi o . A a és des e con as e e des a complemen a idade (mais obje i a e menos subje i a) p e ende-se disce ni qual a impo ância edi o ial a ibuída aos a igos de Slow Jou nalism. As en e is as são igualmen e impo an es nas conside ações ace ca das condições de p odução dos a igos de Slow Jou nalism. De modo a in e i a quan idade de empo despendido na p odução des e géne o de con eúdos, a sua p epa ação (a ní el edi o ial, como é es abelecida a ideia da ealização daquele géne o de a igos, os deadlines impos os, en e ou os aspe os que sejam conside ados ele an es). 47 Op ou-se pela manu enção dos e mos em inglês uma ez que a sua adução pa a a língua po uguesa é complicada e passí el de dis o ção dos e mos. 62 Capí ulo IV - Ap esen ação de Resul ados No p esen e capí ulo são ap esen ados os esul ados deco en es da análise de con eúdo e e uada aos 36 a igos de Slow Jou nalism que compõem o co pus de análise. Re e en e à o ma, são idos em con a os aspe os mais ísicos e isuais dos a igos, como os emas sob e os quais os a igos se deb uçam, o seu âmbi o, géne o, secção, elemen os isuais, en e ou os que se e elem me i ó ios de inclusão. Quan o à análise e e en e à p odução, a qual se oca nos meios de p odução dos a igos e opções edi o iais e de ação, se ão esc u inados os aspe os e e en es aos c i é ios edi o iais, à au o ia, a disponibilização dos a igos no online, os a o es que condicionam a p odução e modus ope andi dos jo nalis as como a in es igação, a anspa ência ou a o ma de esc i a. Os esul ados da análise de con eúdo são paula inamen e con as ados e complemen ados com os dados quali a i os ecolhidos deco en es das en e is as semies u u adas ei as aos jo nalis as da Visão Rui An unes, Vânia Maia, Miguel Ca alho (que cons a na icha écnica da e is a como eda o p incipal e g ande epó e da Visão 48 ), e Sa a Belo Luís, sendo que es a úl ima ocupa igualmen e o ca go de subdi e o a da e is a, po o ma a agiliza de uma manei a lógica a co elação en e as assunções deco en es da análise e as espos as dos en e is ados. 4.1. C i é ios Edi o iais A a és da análise ealizada endo em con a os cinco c i é ios 49 enunciados na me odologia, apu ou-se que em 27 edições analisadas cons am 36 a igos que são conside ados Slow Jou nalism, o que ep esen a uma média de 1,33 a igos de Slow Jou nalism po edição. É ambém digno de no a que em quase odas as edições cons ou pelo menos um a igo de Slow Jou nalism, à exceção de 5 edições, ac o pa a o qual se 48 Sendo que à da a do úl imo núme o da e is a pe encen e ao Co pus de Análise – 13/01/2021 - e al já oi explici ado an e io men e, só exis em mais ês g andes epó e es: Cláudia Lobo, José Plácido Júnio e Rosa Ruela. 49 1) ai além da a ualidade – ou seja, não se es inge aos emas di ados pela agenda mediá ica; 2) é ap o undado - con ém in es igação, con ex o, di e sidade de on es, abo dagens; 3) u iliza écnicas na a i as; 4) se e a comunidade – no sen ido de se ú il, de ap esen a in o mações de que o público possa aze uso na sua ida; 5) é pa icipa i o – con a com a colabo ação de cidadãos comuns, enca a o público como uma mais alia 63 de e a ende endo em men e que duas das edições o am as “especiais” de im de ano (edição nº1451) e de Ano No o (edição nº1452), o que jus i ica a inexis ência de a igos de Slow Jou nalism nes as edições. Assim, de aco do com os cinco c i é ios edi o iais ado ados pa a a análise, apu ou-se que den o dos 36 a igos conside ados de Slow Jou nalism, os c i é ios com maio p esença, em igual mon an e (91,7%), o am os c i é ios de p o undidade e de u ilização de écnicas na a i as, sendo que a ampla equência des e úl imo c i é io edi o ial, e o ça a assunção de p omiscuidade en e o Slow Jou nalism e o Fea u e Jou nalism ou jo nalismo na a i o/li e á io. Não obs an e, es e c i é io é conside ado uma ma ca iden i icado a de Slow Jou nalism, al como co obo a a sua o e p esença na maio ia dos a igos, como é po demais e iden e em a igos como “Ma ão, um ou o Alen ejo” (edição nº1435, p.91) 50 . No que oca ao c i é io de p o undidade, es e engloba a o es como a di e sidade de on es e a con ex ualização, mas des aca ambém o a o da in es igação, que es á bas an e p emen e em á ias das peças que compõem o co pus de análise. Além de a igos his ó icos, cuja ealização ob iamen e ca ece de mui a in es igação a esse ní el (li e á io e de consul a) e de a igos de análise (pa a os quais é necessá ia mui a in es igação analí ica) ambém a igos como o “As mãos que €mbalam Ven u a (edição nº1429, p.36)” e “O es ado ocul o do Chega” (edição nº1449, p.40) - a igos de ca á e in es iga i o que se deb uçam sob e o polí ico And é Ven u a e o seu pa ido Chega - necessi a am de mui a in es igação. O jo nalis a Miguel Ca alho explicou que achou impo an e in es iga o enómeno do CHEGA, no sen ido de i além das polémicas e de en a pe cebe o seu su gimen o e como as pessoas ali chega am, ecusando-se a ac edi a que e a udo p e o e b anco (que e am odos acis as, xenó obos, neonazis e c.), que ia en ende e da a pe cebe o cinzen o que po no ma passa pelos pingos da chu a. Quis i além da no ícia pela no ícia, “soundbi e pelo soundbi e” e oi no encalce de descob i as dinâmicas, ibos, inchei as e emas de “um pa ido que es á a ex ema e adicaliza a sociedade po uguesa”. 50 A ase de en ada da peça exempli ica es a u ilização de écnicas na a i as: “A a esse-se a pé a Po a de Rodão – os ca os icam o a das mu alhas -, e en e-se na ila de Ma ão com os sen idos despe os. Às qua o da a de, o calo az-se sen i , mas o chei o a doce pai a no a , sinal de que há no as o nadas de bolachas e pas éis de cas anha na Ma ão com Gos o”. 64 Figu a 2. F equência dos c i é ios edi o iais (g á ico). Fon e: Au o ia p óp ia. Tal como es á ep esen ado no G á ico 1, impo a al-qualmen e e e que me ade dos a igos de Slow Jou nalism da Visão ap esen a o c i é io de pa icipação (50%), o que é signi ica i o. O Slow Jou nalism pa ece assim igu a , não só pela sua conceção mas ambém pelo exemplo edi o ial da e is a Visão, como um ipo de jo nalismo pa icipa i o, habili ado a da espaço à oz do público e das “pessoas comuns” e não apenas à das igu as p oeminen es, que po no ma ocupam o ecossis ema mediá ico. Além disso, des a o ma, oco e uma “humanização” do jo nalismo. Es e a o es á bas an e pa en e em a igos como o “Uma Ge ação Adiada” (edição nº1448, p.60), no qual são abo dadas as ma cas da pandemia nos jo ens e onde o am ecolhidos di e si icados es emunhos en e elemen os das ge ações mais no as, dando assim oz aos seus p oblemas e mos ando a sua ealidade. O c i é io de se i a comunidade (30,6%), no sen ido de ajuda de uma o ma ú il e p á ica a ida dos elemen os da comunidade, é ambém de se ido em con a, uma ez que ap esen a uma equência de pe o de um e ço en e os a igos que compõem o co pus em es udo. Es e c i é io ica explíci o em alguns a igos, podendo o “Ondas de p eocupação” (edição nº1427, p.27) – onde oi abo dada a possibilidade de uma segunda aga da pandemia Co id19 e onde, en e ou as in o mações ele an es, o am esplanadas dicas como a dos compo amen os a ado a no caso de os lei o es con ac a em com casos posi i os - se i como um bom exemplo. De i ado da p óp ia conceção de Slow Jou nalism é ambém na u al que o c i é io de i além da a ualidade (72,2%), ap esen e uma equência ele ada, pois a de inição de Slow Jou nalism já o p ognos ica em g ande pa e. O jo nalis a da Visão 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Vai além da a ualidade É ap o undado U iliza écnicas na a i as Se e a comunidade É pa icipa i o F equência dos c i é ios edi o iais 65 Rui An unes, em en e is a, oi ao encon o des e pon o, a gumen ando inclusi e que o seu abalho “A Vida dos b asilei os icos em Po ugal” (edição nº1428, p.28), “ oi ão slow que saiu 1 ano depois das p imei as con e sas”, is o po que icou de baixa. A jo nalis a da Visão Vânia Maia e e e uma si uação idên ica na p odução do a igo “Po ugal, a ou a Te a P ome ida” (edição nº1436, p.56), pois p oduziu o a igo (no emb o) e quando es e es a a p es es pa a se publicado (início de dezemb o), su giu a pandemia, a o que di ou o adiamen o da publicação do a igo e a dedicação da jo nalis a a es e “no o” ema a é ao início do e ão, al u a depois em que saiu e e i amen e o e e ido a igo. O episódio con ibuiu assim pa a a ideia de Slow Jou nalism da jo nalis a, que passa po : “ e o empo que se ache necessá io pa a aze o a igo, empo esse que, de uma o ma ób ia, ambém a ia mui o con o me os a igos. E essa ques ão do empo é mesmo o a o mais essencial, po que de es o, são as écnicas que já conhecidas, a de e i icação, ou i as di e sas pa es, en e ou as coisas, que são os mé odos que já se usam mais ou menos ap imo adamen e consoan e o empo disponí el”. Ou o dos jo nalis as en e is ados, Miguel Ca alho, explica que não há p op iamen e, nem pode ha e , um iming de inido quando se a am emas des e “géne o” de Slow Jou nalism, e e indo-se p incipalmen e a peças de in es igação, al como as que o jo nalis a da Visão ealizou sob e o CHEGA e And é Ven u a, dizendo que a a iação de empo necessá io é ine i á el, dando o seu exemplo em conc e o: “Quando eu comecei a puxa os ios sob e o CHEGA, não sabia onde ia pa a ”, além de que es e géne o de in es igação eque ia que conhecesse o pa ido po den o, osse a comícios, jan a es, ala com dezenas de mili an es e di igen es, indi íduos que po no ma nem alam acilmen e ao elemó el, apenas pessoalmen e. O jo nalis a da Visão econhece inclusi e que é um “p i ilegiado”, no sen ido em que a Visão lhe pe mi e um empo de in es igação e epo agem que não é dado a mui a gen e, mas que oi igualmen e algo que conquis ou, isão conco dan e com a da jo nalis a Vânia Maia que conside a que exis em p o issionais que consegui am conquis a um es a u o e o seu “espaço” mas que, pa a alguém que ainda não enha alcançado esse es a u o, “é mui o complicado consegui ealiza emas ap o undados e de pode publica apenas quando acha que conseguiu o melho possí el”. Não obs an e, aquando das p imei as in es igações pa a o p imei o a igo de in es igação sob e o ema, su giu a pandemia p o ocada pelo no o co ona í us e o CHEGA deixou de se 66 assun o, de ocupa o espaço mediá ico, pelo que icou “congelado”, desen ol endo Miguel Ca alho abalhos unicamen e elacionados com a pandemia, o que az sob essai o pode da agenda mediá ica e a submissão que es a impõe aos ó gãos de comunicação e aos seus p o issionais. Sa a Belo Luís, jo nalis a e subdi e o a da e is a, explica que mais do que um deadline, exis e um ho izon e empo al den o do géne o “ amos aze is o a é ao e ão”, uma ez que a imposição de deadlines especí icos mui as ezes acaba po se imp a icá el no que oca a es e géne o de a igos. Sa a Belo Luís e e e ainda, e indo de aco do com o que os jo nalis as en e is ados ambém disse am, que é ei a uma ges ão dos abalhos de longo p azo com os abalhos de cu o p azo: “os jo nalis as quando es ão a abalha nos a igos mais longos ão azendo ou as coisas mais pequenas e simples pelo meio, coisas do dia a dia, pa a o si e po exemplo. É p eciso ge i es a agenda, e os jo nalis as êm libe dade pa a o aze ”. 4.2. Au o ia (Jo nalismo Colabo a i o) No que à au o ia dos a igos conce ne, não oi possí el iden i ica a exis ência de de e minados jo nalis as da Visão mais di ecionados pa a a p odução de a igos de Slow Jou nalism (embo a alguns sejam dis inguidos como ‘G andes Repó e es’), uma ez que a au o ia des es a igos é demasiado he e ogénea, al como explici a a Tabela 1, abaixo ep esen ada. Es a he e ogeneidade de e-se, p o a elmen e, ao ac o da p odução des e géne o de a igos, de um jo nalismo mais len o, eque e mais in es igação, análise, es udo, p epa ação e in es igação, e, nesse sen ido, acaba po se dis ibuída po um la go núme o de jo nalis as de modo a não exis i uma sob eca ga pessoal. No mesmo sen ido, ao se necessá io um maio pe íodo de empo, êm de exis i mais pessoas dis ibu i amen e a abalha em p ol desses a igos. 67 Tabela 1. Au o ia dos A igos de Slow Jou nalism. Fon e: Au o ia P óp ia. Au o Géne o de Au o ia dos A igos To al Pa icipações 1 Ca a ina Gue ei o 1 indi idual 1 2 Cla a Soa es 1 indi idual 1 3 Filipe Fialho 1 indi idual 1 4 Flo bela Al es 2 em conjun o 2 5 J. Plácido Júnio 2 indi iduais 2 6 Luís Almeida Ma ins 1 indi idual 1 7 Luísa Oli ei a 1 indi idual + 2 em conjun o 3 8 Ma alda Anjos 1 indi idual 1 9 Ma ga ida Vaquei o Lopes 1 indi idual 1 10 Ma iana Almeida Noguei a 1 em conjun o 1 11 Miguel Ca alho 3 indi iduais 3 12 Miguel Judas 1 em pa , 1 em conjun o 2 13 Nuno Aguia 1 em pa + 1 em conjun o 2 14 Paulo Zaca ias Gomes 1 indi idual 1 15 Rosa Ruela 1 indi idual + 1 em pa + 1 em conjun o 3 16 Rui An unes 2 indi iduais + 2 em pa 4 17 Rui Ba oso 1 em pa + 1 em conjun o 2 18 Sand a Pin o 1 em conjun o 1 19 Sa a Sá 1 indi idual 1 20 Síl ia Caneco 1 indi idual 1 21 Sónia Calhei os 2 indi iduais + 3 em conjun o + 1 em pa 6 22 Susana Lopes Faus ino 1 indi idual 1 23 Susana Sil a Oli ei a 1 em conjun o 1 24 Vânia Maia 3 indi iduais + 1 em conjun o + 1 em pa 5 74 inclusi e ao uso de uma c onologia isual, a imagens e ou os elemen os, conside ou-se que o géne o jo nalís ico p edominan e e a o de Backg ound Repo age, o qual oi en ão ado ado em de imen o do News epo age. Não obs an e, a a és des a classi icação, a e iguou-se que, den o dos 36 a igos que compõem o co pus de análise, quase me ade (47,2%) des es compo a o géne o de backg ound epo age, seguido pelo géne o de pe il (22,2%), ea u e epo age (19,4%) e his ó ia de in e esse humano (11,1%). Já ela i amen e à classi icação de Ma ques de Melo, ealizando a análise de modo a impo unicamen e um géne o a cada a igo, o géne o in e p e a i o é esmagado amen e supe io (75%) em elação aos ou os dois géne os con emplados pelos a igos, in o ma i o (22,2%) e u ili á io (2,8%). Es es esul ados, embo a já expec á eis endo em con a a na u eza do Slow Jou nalism, podem se explicados, po exemplo no que oca à eduzida p esença de a igos do géne o u ili á io, po es e géne o comummen e se inse i e se engloba den o do géne o in e p e a i o. Figu a 9. Géne os jo nalís icos (g á ico). Fon e: Au o ia P óp ia Con udo, azendo uma análise cumula i a segundo a classi icação de Ma ques de Melo, as p esenças de cada um dos géne os aumen am e iden emen e bas an e, passando assim a con abilização a se : géne o in e p e a i o (29), in o ma i o (18) e u ili á io (11). A análise do G á ico 9 seguidamen e ep esen ado, onde es ão ambém 1 8 27 87 17 4 0 5 10 15 20 25 30 Class. Ma ques de Melo Class. S eensen Géne os Jo nalís icos U ili á io In o ma i o In e p e a i o Pe il Fea u e Repo age Backg ound Repo age His ó ia de In e esse Humano 75 617 16 10 17 7 3 1 1 010 20 30 40 50 60 U ili á io In o ma i o In e p e a i o Géne os e subgéne os Jo nalís icos Segundo Classi icação (cumula i a) de Ma ques de Melo Análise Dossie Pe il Enque e Repo agem Indicado Ro ei o Co ação Se iço desc iminadas cumula i amen e a o alidade de p esenças dos subgéne os dos a igos do co pus de análise, pe mi e in e i que den o do géne o in e p e a i o se des acam os subgéne os dossie (34,7%) – o que é no mal is o es e ambém se coaduna com o Slow Jou nalism pois, ao im ao cabo, consis e num “mosaico des inado a acili a a comp eensão dos a os no iciosos” (Ma ques de Melo & Co denonssi, 2008) – pe il (32,7%) e enque e 53 (20,4%), sendo es es alo es signi ica i os e conducen es à conside ação de que a p á ica de Slow Jou nalism na Visão aca e a consigo uma subs ancial p eocupação com a inclusão do a o humano, das pessoas comuns, a o igualmen e almejado pelos de enso es da p á ica de Slow Jou nalism. Figu a 10. Géne os e subgéne os Jo nalís icos Segundo Classi icação (cumula i a) de Ma ques de Melo (g á ico). Fon e: Au o ia P óp ia. 53 Vocábulo de o igem b asilei a co esponden e ao e mo inqué i o/sondagem. 76 4.5. Online Figu a 11. Colocação dos a igos online (g á ico). Fon e: Au o ia P óp ia. No que oca à colocação dos a igos de Slow Jou nalism no si e da Visão, a e iguou-se que o núme o de a igos disponibilizados online (11) oi supe io ao núme o dos que não o am colocados no si e (8). De uma o ma mais exp essi a, ep esen ando quase me ade dos a igos, o am mais os a igos colocados online mas não na ín eg a (16), de uma o ma que inci a à assina u a da e is a, al como exempli ica a Figu a 12. Figu a 12. A igo da e is a disponibilizado online mas não na ín eg a (em egime echado), incen i ando à assina u a. Ao se e e ua a co elação en e o a o da colocação dos a igos online (G á ico 10) com o da sua espe i a p esença na capa da de ida edição (G á ico 7) o nou-se possí el alcança algumas conside ações signi ica i as. Desde logo é no á el o ac o de 31% 46% 23% COLOCAÇÃO DOS ARTIGOS ONLINE Sim Sim, mas não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: Não 77 que dos 16 a igos que o am ema p incipal de capa, a sua o alidade oi colocada online em egime “ echado”, de modo a inci a à assina u a da e is a. Des e ac o se pode pa i pa a a assunção de que os emas p incipais de capa – ou seja, os me ecedo es de maio des aque e que p e endem cap a a a enção do público e conduzi à comp a/assina u a da e is a – são os mesmos que são colocados online de modo a a ai assina u as pelo que, po ex ensão, se pode dep eende que o Slow Jou nalism con ibui pa a a alo ização do jo nalismo e da publicação. Nes e campo, Sa a Belo Luís e e e que a essência da ideia é essa mas que não é ácil consegui aze essa co elação e i a essa conclusão: “a é po que acho que não haja essas comp as ‘po impulso’, acho que quem assina á-lo po que já e e expe iências com a Visão, um acumula de ci cuns âncias, que az a pessoa ac edi a que ale a pena assina a Visão”. No que oca aos es an es a igos, en e os que não o am simplesmen e colocados online (8), 5 não i e am qualque des aque na capa, 1 e e um pequeno des aque e 2 i e am um des aque ele an e; en e os que o am colocados online em egime “abe o” (11), 6 não i e am des aque na capa, 4 alcança am um pequeno des aque e apenas 1 e e um des aque ele an e. Rela i amen e à adequação do Slow Jou nalism no online, o jo nalis a Rui An unes deixa a conside ação: “O online ambém e ia mui o a ganha com es e ipo de a igos mais len os, pois com alguns dos que são publicados é pe ce í el que êm mui a adesão, que as pessoas os leem e gos am de le . Ou seja, não são só os a igos cu os e imedia os que ingam na in e ne , os ou os ambém ingam”. Não obs an e é igualmen e conco dan e no aspe o de não-colocação dos a igos da e is a no online uma ez que conside a isso um isco e um a o que des alo iza o papel, conco dando com a polí ica ado ada (an igamen e nem semp e se p ocessou assim) de não se disponibiliza online os emas de capa da e is a, isando p ecisamen e p o ege o papel. No que oca a es a ques ão do online, Miguel Ca alho é p agmá ico: “Pa a es e ipo de jo nalismo, no qual me econheço, acei o qualque o ma o. Exis em coisas b ilhan es no digi al, al como no papel. É-me um bocado indi e en e o meio, o impo an e é que es e ipo de jo nalismo exis a, pois se o bem ei o é undamen al pa a a democ acia”. Também elacionado com o online, os (poucos) a igos colocados no si e da Visão são, li e almen e, copiados na ín eg a do que é publicado na e is a sem ha e uma 78 mínima p eocupação com uma adap ação ao digi al. Is o demons a que a adoção de a igos de Slow Jou nalism é alo izada na e is a, num meio imp esso, e não an o no si e, uncionando a pla a o ma online mais como uma ca apul a de incen i o à assina u a da e is a, sendo que al como já oi analisado, a o alidade dos a igos de Slow Jou nalism que igu a am como des aque p incipal de capa o am colocados no si e em egime echado. Ou a hipó ese pode se a de es e mé odo i mais ao encon o da es a égia edi o ial da Visão, onde a apos a ecai sob e udo na e is a imp essa e nas suas endas/assina u as. Figu a 13. Exemplo de Des aque Rele an e (Azul) e Des aque Pequeno (Ve de). Edição nº1432 da Visão, co esponden e ao pe íodo 13/8 a 19/8/2020. Os a igos são ambém eco en emen e colocados no online já passado algum empo. Po exemplo o a igo “Co e ou caminha ? O e dadei o duelo” (edição nº1432, p.68), edição da semana en e 13/8 e 19/8/2020 saiu no si e da Visão apenas no dia 07/11/2020, quase ês meses depois. 4.6. Elemen os Visuais Numa pe spe i a global da e is a Visão, mas ambém nos a igos conside ados de Slow Jou nalism em pa icula , exis e um amplo uso de elemen os isuais; en e imagens e in og a ias, odos os a igos em análise possuem algum des es elemen os ou 79 ambos. No que oca à ques ão da p esença de imagens, excluí am-se à pa ida as imagens u ilizadas na(s) capa(s) ( an o da e is a como dos a igos, quando es es ap esen am uma capa indi idual) e conside a am-se como elemen os isuais as o og a ias, e a os, imagens de documen os, cap u as de elas, de oda e qualque dimensão. Pos o is o, cons a ou-se que nos 36 a igos ma cam p esença 350 imagens. Já no que se e e e à in og a ia, e conside ando-se como al os ex os isuais ob iga o iamen e associados a elemen os não e bais que auxiliem na comp eensão da in o mação ap esen ada ( uncionando es e pon o do auxílio na comp eensão como a o elimina ó io), e i icou-se a p esença de 28 in og a ias. O a is o ep esen a uma média de ce ca de 9,72 imagens e de ce ca de 0,77 in og a ias po a igo, deixando-se igualmen e a no a que de en e os a igos analisados apenas 1 não ap esen ou qualque imagem, enquan o 22 não dispuse am de elemen os in og á icos, de endo se deixado explíci o que es ão p esen es á ios elemen os isualmen e apela i os que dão in o mação, que são pa ecidos com in og a ias, mas que não podem se con abilizados como al dada a ausência do a o de auxílio na comp eensão de in o mação, ou seja, es es elemen os ago a e e idos mas não con abilizados unicamen e ap esen am in o mação des acada, de uma o ma di e en e, mas sem que seja dada uma ajuda p op iamen e di a pa a a comp eensão dessa mesma in o mação. Des es dados se conclui que exis e uma g ande apos a em elemen os isuais, p incipalmen e a ní el de imagens, não de endo, no en an o, se descu ado o núme o signi ica i o de in og a ias, a qual e iden emen e p edomina em a igos de ca iz explica i o e in e p e a i o. O jo nalis a en e is ado Rui An unes e elou que es a é uma p eocupação cons an e da Visão pa a a maio ia dos a igos, onde an o a ní el de imagem como de in og a ia exis e a en a i a de ap esen a a in o mação de ou as manei as e que “só mesmo quando esse ipo de in o mação não ai ac escen a nada ao a igo, não ac escen a alo , é que não é usada”. 80 Figu a 14. Uso de elemen os isuais (g á ico). Fon e: Au o ia p óp ia. Po ex ensão des a ideia elacionada com o eo isual, ambém alguns a igos se dis inguem po um e iden e cuidado es é ico no ó io, como acon ece po exemplo com o a igo “A 'In luence Maldi a'” (edição nº1432, p.28), algo que p o a elmen e ad ém da emá ica his ó ica associada, o que pe mi e uma p epa ação com mais anquilidade, em eo ia sem um deadline especí ico e que iabiliza assim uma maio p emedi ação na sua conc e ização. O mesmo se passa com ou os a igos es e icamen e apela i os como o “Manuel Vinhas: His ó ia de um mecenas” (edição nº1435, p.30), a igo que explo a a his ó ia de ida do mecenas e emp esá io undado da ce eja Cuca em Angola, Manuel Vinhas, que oi ambém uma das pe sonalidades mais igiadas pela PIDE do Es ado No o ou “Ma quês de Pombal: A his ó ia sec e a” (edição nº1438, p.30), peça que ab e uma “caixa de Pando a” sob e a igu a polí ica e his ó ica de Po ugal, Sebas ião José de Ca alho e Melo, onde é ei a uma biog a ia da ida des a igu a complemen ada com no as descobe as e eladas na biog a ia ei a pelo esc i o Ped o Sena-Lino. Também ine en e ao a o isual, embo a não de uma manei a ão ób ia, impo a e e encia o a o da ex ensão dos a igos que compõe o co pus de análise. Assim, de aco do com a análise e e uada, a e iguou-se que em e mos de núme o de páginas, es e a ia en e as 4 e 28 páginas, sendo impo an e essal a que o a igo com 28 páginas é caso único e excecional (sendo que o segundo a igo com mais páginas em apenas 14, ou seja me ade), de i ado ao ac o de o a igo se um “dossie especial” ealizado a a és de uma colabo ação en e di e sos jo nalis as da Visão, al como já oi abo dado. Des e modo a média do núme o de páginas po a igo de Slow Jou nalism na e is a Visão é, a edondando, de 9,17. A a és des a análise ao núme o de páginas pode-se igualmen e con i ma ( al como icou pa en e na e isão de li e a u a) que a ex ensão, nes e caso ep esen ada pelo núme o de páginas, não é um a o de e minan e pa a a “ca ego ização” de uma peça jo nalís ica como Slow Jou nalism, al como 93% 7% Uso de Elemen os Visuais Imagem In og a ia 81 exempli icam os a igos analisados e conside ados que con am com apenas 4 e 5 páginas, po exemplo 54 . Não obs an e, po no ma, embo a não exclusi amen e, es e ipo de a igos necessi a de algum espaço, daí a média esul an e em ce ca de um pouco mais de 9 páginas po a igo. 4.7. Ou as Es a égias Edi o iais É no ó ia a en a i a po pa e da Visão, ao no icia um acon ecimen o, de en a semp e da um con ex o. Um exemplo, nes e caso de ca á e his ó ico, é o do a igo “Mesqui a, basílica ou baixa polí ica? (edição nº1429 p.28)” – onde é no iciado o e o no de San a So ia ao uncionamen o como mesqui a após pe de o es a u o de museu pela mão do p esiden e da Tu quia E dogan – onde é ei o um enquad amen o his ó ico (incluindo o ecu so a uma c onologia). Es e é aliás o abalho da Visão segundo a subdi e o a da e is a, Sa a Belo Luís: “(A Visão) en a i pa a além das no ícias do dia e en a con ex ualiza essas no ícias, o e ecendo aos lei o es abalhos mais p o undos, que implicam mais epo agem, in es igação, e mesmo e lexão do p óp io jo nalis a. O abalho de uma New magazine em papel como a Visão semp e oi esse e con inua a sê-lo”. Também di e sos a igos conside ados de Slow Jou nalism e que cons am, po an o, no co pus de análise, con am com a p esença, logo a segui , de a igos complemen a es da in o mação dada nesse mesmo a igo. Pode-se oma como exemplo a peça “O domínio Chinês” (edição nº1447, p.34) - ace ca da China, da sua impo ância no mundo e da sua ecen e ascensão - que é imedia amen e p ecedida po um a igo complemen a , “O No o Impe ado Global” (edição nº.1447, p.42), sob e o P esiden e chinês, Xi Jinping. Nou as ocasiões, esses a igos complemen a es encon am-se inse idos den o do p óp io a igo “p incipal” (embo a um pouco à pa e, ou di e enciadamen e) como acon ece com a (mini)en e is a a Gilbe o Jo dan, CEO do g upo de emp eendimen os habi acionais And é Jo dan, que es á englobada no a igo “Reg esso ao campo” (edição nº1433, p.28), o qual se deb uça sob e o mo imen o das pessoas das cidades pa a o campo po causa da pandemia. Também o a igo A 'In luence Maldi a' (edição nº1432, p.28), sob e a his ó ia de ida de Ca a ina de B agança é complemen ado ao longo das páginas do p óp io a igo com “caixas” de 54 Respe i amen e, A Saúde não mo a aqui? (Edição nº1427, p.40), com 4 páginas e Ca a a ca a com o ag esso (edição nº1442, p.54) e A a e de molda o aço (edição nº1447, p.92), com 5 páginas. 82 ou as igu as his ó icas emininas e po uguesas de des aque. De uma o ma ainda mais di e enciada, o a igo “A Vida dos B asilei os icos em Po ugal” (edição nº1428, p.28) de ém den o da sua ex ensão um a igo complemen a elacionado com o B asil, “O ‘ es iadinho’ de Bolsona o e os mais de 1,8 milhões de in e ados”, sob e a si uação pandémica i ida no B asil naquela al u a. Ap o ei a-se ambém, uma ez e e ido es e a igo elacionado com a apos a de i e em Po ugal po pa e de b asilei os abas ados, pa a se des aca o a o humano, o ela o da di e ença sociocul u al e o da oz aos cidadãos, a o es que de aco do com a e isão de li e a u a ma cam assiduamen e p esença nos con eúdos de Slow Jou nalism, ac o que ealmen e se e i icou po di e sas ezes den o do co pus de análise com a igos como o e e ido “A Vida dos b asilei os icos em Po ugal” (Edição nº1428, p.28), “A Saúde não mo a aqui?” (Edição nº1427, p.40), “Co e ou caminha ? O e dadei o duelo” (edição nº1432, p.68), en e ou os que, simples e anali icamen e, se enquad am no géne o In e p e a i o (Enque e). Na opinião de Vânia Maia, au o a do sup a e e ido a igo “A Saúde não mo a aqui?” (Edição nº1427, p.40) - uma epo agem na Quin a do Mocho que isou analisa com a pandemia e a i ida num bai o ca enciado da capi al po uguesa - é o a o empo al que pe mi e a p esença de um maio a o humano/social: “pe cebe-se melho as ou as ace as de ou as ealidades se se dispo do empo pa a i mais undo. E essa humanização, c iada a a és de uma ligação que só o empo p opo ciona, só é possí el se ao in és de se en e is a as pessoas du an e só uma ho a, se se passa um dia com elas, se hou e um eencon o dois dias depois, ou seja, se os con ac os o em mais ex ensos de modo a que pe mi am uma maio p o undidade, algo que não é possí el quando as coisas são ei as de um modo mais ápido”. O dossie especial “Po ugal longe das mul idões” (edição nº1430, p.40), que já oi e e ido an e io men e nes e capí ulo, se e de exemplo pe ei o pa a uma análise ela i a a dois a o es ine en es à p odução à luz do Slow Jou nalism. Nega i amen e, cons a ou-se exis ência de publicidade no meio do dossie , a o c i icado po alguns eó icos do Slow Jou nalism, pois in e e e na expe iência da lei u a ( is a como algo essencial). Nou o p isma, posi i o, o con eúdo pa ocinado exis en e no a igo es á de idamen e iden i icado como al – con ibuindo pa a a anspa ência ad ogada pelo Slow Jou nalism a esse ní el, o de se iden i ica em cla amen e es e ipo de si uações de pa ocínio. Nes e pon o, ambém no a igo “O enasce do io Dou o” (edição nº1431, 83 p.56), é e e ido (embo a apenas no inal do a igo, após a assina u a da e is a e a a és de um as e isco) que “A VISÃO iajou a con i e da Dou o Azul”, uma emp esa de c uzei os lu iais, o que e o ça posi i amen e es a ques ão da anspa ência no que oca à p odução no iciosa, algo ad ogado pelo Slow Jou nalism. Den o ainda des e pon o da anspa ência, a e iguou-se que os a igos de Slow Jou nalism explici am po ia de eg a as suas on es, seja ao ní el da in o mação ex ual ou de elemen os isuais, não sendo comum a p á ica da não a ibuição de on es a a és de e e enciações gené icas do géne o “A Visão sabe que…”. Aliás, na gene alidade dos a igos de Slow Jou nalism da Visão obse ou-se a exis ência de múl iplas on es, en e especialis as, cien í icas, pessoais, documen ais, go e namen ais, sendo que é es e mui as ezes o a o que le a à demo a na conceção dos a igos. Segundo Rui An unes: “Mui as ezes os con ac os demo am ce ca de 2 semanas. O abalho de esc e e o a igo em si, po no ma, nem demo a mui o. Eu, que gos o de esc e e udo seguido e não po ‘puzzles’, demo o ce ca de um dia. O p ocesso de p ocu a, de con ac o com as on es e de ecolha de in o mações, é o que demo a mesmo mais empo”. Segundo o jo nalis a, é a exis ência de múl iplas en e is as e a sua pos e io ansc ição o que consome mais empo. Além das mui as on es ap esen adas, encon a-se a p esença do con adi ó io, e iden e em de e minados ipos de a igos mais p opícios a esse con as e como o já mencionado a igo “Pa que Na u al emb ulhado em plás ico” (edição nº1438, p.50), que, a í ulo de exemplo, ap esen a ni idamen e opiniões di e gen es em elação ao ema do a igo em pa ág a os seguidos e onde es a ci ação é escla ecedo a: “Má io Enca nação, 51 anos, geóg a o e ou o dos undado es da Jun os pelo Sudoes e, em na sua mão dois g á icos, e e en es ao pe íodo de 2012 a 2020, que desmen em o que oi a ás e e ido po Gonçalo Leal 55 .” Impo a ambém e e i que o a igo “Manuel Vinhas: His ó ia de um mecenas” (edição nº1435, p.30) é o único que cons a den o do co pus de análise que não oi p op iamen e ealizado pela Visão e os seus p o issionais, mas oi an es o esul ado de uma in es igação da jo nalis a Isabel Lindim, p opo cionada po uma bolsa de 55 Di e o -ge al de Ag icul u a e Desen ol imen o Ru al, que, no pa ág a o imedia amen e an e io , “desd ama izou” quando ques ionado em elação ao baixo caudal da ba agem de San a Cla a. 90 ca á e de in e esse humano, e os úl imos dois de ido à sua génese in empo al e susce í el de in es igação. São p i ilegiados, em la ga escala, os a igos de âmbi o nacional, o que é jus i icado pela máxima jo nalís ica da p oximidade, mas ambém pela maio acilidade na ealização dos a igos. Conclui-se que a esmagado a maio ia dos a igos de Slow Jou nalism não se enquad a em nenhuma ca ego ia da Visão, à exceção de qua o a igos de Li es yle e Cul u a que, logicamen e, o am inse idos nas suas espe i as secções (Visão Se7e e Vaga ). Den o do géne o jo nalís ico, como já se ia de espe a , a maio ia dos a igos ep esen a epo agens e a igos de análise, sendo digna de no a a apos a da Visão na ealização de pe is, an o de indi íduos da a ualidade como de pe sonalidades já alecidas. No que oca à e en e es é ica é no ó ia uma p eocupação com os a igos de Slow Jou nalism, pe ce í el sob e udo em a igos ealmen e a empo ais, como acon ece com os con eúdos his ó icos, não sob essaindo es a p eocupação, no en an o, de o ma ele an e em elação à gene alidade da e is a. É pe ce í el uma o e apos a em elemen os isuais como o og a ias e in og a ias, especialmen e em a igos de análise. A ex ensão dos a igos é a iá el, do que se pode conclui que es a ca a e ís ica não pode unciona como indicado pa a a igos de Slow Jou nalism. Não obs an e, com uma média de 9,17 páginas po a igo - núme o conside á el endo em con a que o núme o o al de páginas da e is a é po no ma de 115 páginas - é mani es o que es e ipo de a igos ap esen a alguma ex ensão. A g ande maio ia dos a igos de Slow Jou nalism da Visão em ambém, assim, uma p o undidade econhecí el e um amplo uso de écnicas na a i as, além de que a abo dagem é em g ande pa e ei a a emas – ou mesmo pela manei a como é ei a essa abo dagem – que ão além da a ualidade. Ou a ca a e ís ica bas an e e iden e é a de que os a igos de Slow Jou nalism possuem di e sas on es e são complemen ados com di e sos pon os de is a de “pessoas comuns”, o que os o na mais inclusi os e mais p óximos do público, humanizando o jo nalismo p a icado. Foi possí el a e igua que os a igos de Slow Jou nalism da Visão de êm uma au o ia bas an e dispe sa, sendo que em 36 a igos o am con abilizados no o al, em au o ia ou coau o ia, 24 jo nalis as. É de conside a que den o dos 36 a igos, 9 o am 91 ealizados em coau o ia, embo a a maio ia não numa pe spe i a de deba e, con on o de ideias e junção de pe spe i as - no que se ia uma en a i a de p opo ciona uma maio iqueza ao p odu o jo nalís ico - mas an es num sen ido de di isão e pos e io junção de abalho de o ma a sob eca ega menos cada um dos p o issionais en ol idos. É igualmen e palpá el o a o de anspa ência nes es a igos, uma ez que as on es são bem explici adas, seja ao ní el da in o mação ap esen ada em ex o como ao ní el de ou os elemen os, como as in og a ias, além de es as on es se em bas an e di e si icadas, en e especialis as, cien í icas, pessoais, documen ais, go e namen ais. Ficou pa en e que os a igos de Slow Jou nalism são conside ados aliosos e um a o de a ação pa a a e is a Visão, uma ez que quase me ade des es a igos cons am como ema p incipal de capa, enquan o ou o um qua o dos a igos e e algum ipo de des aque na capa. Den o da mesma pe spe i a, é ambém no á el o ac o de quase me ade des es a igos de Slow Jou nalism se colocado online numa pe spe i a “ echada” de inci amen o à assina u a da e is a, o que co obo a es a ó ica de os a igos de Slow Jou nalism unciona em como a a i os da e is a. Q2: Qual é a pe ceção que os jo nalis as da Visão êm sob e a p á ica de Slow Jou nalism? Rela i amen e à amilia ização com o concei o de Slow Jou nalism, os jo nalis as Miguel Ca alho e Vânia Maia a i ma am es a a pa da ideia do e mo, enquan o o jo nalis a Rui An unes e a jo nalis a e subdi e o a da Visão Sa a Belo Luís, con essa am não es a amilia izados com o concei o em si, embo a i essem p esen e a ideia ansmi ida pelo concei o. Não obs an e, pa a a o alidade des es p o issionais, os abalhos de Slow Jou nalism dema cam-se po se em mais p o undos, implicando “mais epo agem”, in es igação e e lexão do p óp io jo nalis a, além de empo, a o bas an e pe cecionado po odos os en e is ados, onde a p incipal ideia que es es êm é a de ha e empo pa a pode “idealiza ” o ema, não p op iamen e a sua conceção inal, mas sim a possibilidade de pode se ealizada uma análise p o unda ao ema, de se muda o ângulo de abo dagem, ealiza em odos os con ac os que se achem necessá ios. Ou seja, a p eocupação não é an o com o a igo ísico em si, mas sim com a disponibilidade empo al pa a pode enquad a o ema da melho manei a e de o pode ap o unda . 92 Na opinião dos en e is ados, es a ole ância (de empo) não é dada a mui a gen e de ido ao ené ico odopio da comunicação da in o mação e é is a como p ejudicial pa a o ecossis ema mediá ico e a é mesmo pa a a democ acia, sendo que de e ia ha e uma maio apos a nes a lexibilidade empo al. Independen emen e, é assumido e comp o ado po odos que o Slow Jou nalism não unciona, nem pode unciona , como um subs i u o do jo nalismo (mais) ápido - o qual é is o como essencial - mas an es como um alioso complemen o, no qual de e exis i uma apos a na medida em que há lei o es pa a esse ipo de jo nalismo mais len o. Tal como pensa Le Masu ie (2016, p.142): “I is highly unlikely ha he “luxu y” o long- o m jou nalism will e e ha e he powe o each o challenge he dominan cul u e o as news”, mas es e pode unciona como complemen o e mesmo como e úgio ace à p essão do consumo no icioso desen eado. É ambém opinião comum en e os jo nalis as da Visão que es e ipo de jo nalismo mais len o é uma g ande mais- alia no que oca à con enção do excesso de in o mação e undamen al pa a pe cebe o que é in o mação idedigna ou não (mos ando o mundo com mais calma e p o undidade), sendo que o papel de ap endizagem que es e jo nalismo pode desempenha é bas an e alo izado en e os p o issionais en e is ados. Exis e igualmen e uma no ó ia alo ização do papel em de imen o do digi al e uma pe ceção de que o Slow Jou nalism se adequa mais a es e meio do que ao digi al. No en an o, os en e is ados mos a am-se mais p eocupados que es e ipo de jo nalismo seja p oduzido, independen emen e de qual o o meio. De aco do com os dados au e idos nas en e is as, os jo nalis as em causa conside am que as bolsas de in es igação são bené icas pa a o apoio a es e ipo de jo nalismo que mui as ezes as edações não conseguem supo a , e que se e elam mui o impo an es pois pe mi em abo da p oblemas e his ó ias que não es ão na espuma dos dias. Ficou ainda po demais e iden e, nas opiniões dos p o issionais da Visão, de que a p á ica de Slow Jou nalism, ou o seu inc emen o, depende mui o do público e da sua p ocu a e disponibilidade pa a paga po es e ipo de jo nalismo e pela in o mação que cus a empo/dinhei o pa a se p oduzida. Os p o issionais en e is ados não conside am o Slow Jou nalism um “géne o independen e”, mas an es uma p á ica, pelo que alegam 93 que não é algo que de a se p a icado po uma edação (como a da Visão), mas que de e se an es uma conjugação do abalho das edações, de inanciamen os de bolsas e p oje os colabo a i os. Apesa disso, icou bas an e pa en e a ideia de que de e exis i uma mobilização da sociedade ci il, pois ao im ao cabo, “o público é que manda”. Aliás, e co obo ando Robe S. Boyn on (As ci ed in Ca e e o e Ba iain, 2016, p.534), é p e isí el que o u u o das no ícias á se de e minado po dois modelos económicos opos os, onde po um lado são p oduzidas no ícias b e es e g a ui as áceis de p oduzi e consumi , e po ou o são p oduzidos - p o a elmen e em meios especializados nes e ipo de con eúdos - abalhos mais longos e apela i os, com um cunho mais edi o ial, que ão se mais ca os mas cujo p eço é amo izado pela cap ação de comunidades especí icas de lei o es dispos as a paga po esse ipo de in o mação. Es a úl ima ponde ação pode igualmen e se elacionada com o a o da ma ca, o b anding, que desempenha um papel signi ica i o jun o das publicações de Slow Jou nalism, al como pa ece ambém acon ece com a Visão, al como icou pe ce í el pela en e is a ealizada com a subdi e o a da Visão, Sa a Belo Luís. Mais do que um “géne o independen e” o Slow Jou nalism é ambém enca ado como um pode oso concei o pa a o e(pensamen o) do papel do jo nalismo e da p á ica jo nalís ica, sendo comummen e ep esen ado como uma c í ica às “p á icas jo nalís icas hipe mode nas” (Ne eu, 2016, p.457), al como icou pa en e no abalho, inclusi e a a és das en e is as ealizadas aos p o issionais da Visão. Ao longo da ealização do p esen e abalho – e excep uando os cons angimen os da pandemia – não o am encon adas di iculdades de maio , além da al a de uma de inição una pa a o concei o de Slow Jou nalism, não pa ecendo, no en an o, que a possibilidade pa a que es a seja de inida es eja pa a b e e. Aliás, se á in e essan e analisa no u u o - con o me o desen ol imen o da sociedade, da comunicação e do p óp io jo nalismo - se o Slow Jou nalism e o ça á o seu posicionamen o como géne o independen e, ma cando p esença quase em exclusi idade em publicações p ecisamen e especializadas nesse ipo de jo nalismo, ou se unciona á a dois empos nas edações “no mais” a pa do jo nalismo mais ápido e menos ap o undado. 94 Re e ências Ab amson, J. (2010). Jill Ab amson. Daedalus, 139(2), 39–44. h ps://doi.o g/h ps://doi.o g/10.1162/daed.2010.139.2.39 Ande sen, K. (2020). Realizing Good In en ions? A Field Expe imen o Slow News Consump ion and News Fa igue. Jou nalism P ac ice, 0(0), 1–16. h ps://doi.o g/10.1080/17512786.2020.1818609 Ande son, C., Bell, E., & Shi ky, C. (2015). Pos -Indus ial Jou nalism: Adap ing o he P esen . Geopoli ics, His o y, And In e na ional Rela ions, 7(2), 32-123. h ps://www.js o .o g/s able/26805941 Ball, B. (2016). 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S eensen Online** Secção Visão Capa Páginas O enasce do io Dou o (edição nº1431, p.56) Cesal ina Pin o Li es yle Nacional In o ma i o (Repo agem) Fea u e Repo age Sim, mas não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps://u l.g a is/q ZoEx Independen e Pequeno des aque na capa 9 (56-64) A 'In luence Maldi a' (edição nº1432,p.28) Luís Almeida Ma ins His ó ia Nacional In e p e a i o (Pe il); In o ma i o (Repo agem) Pe il Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-08-12-ca a ina-de-b aganca-a- in luence -maldi a/ Independen e Tema P incipal 14 (28-41) O pode dos no os 90 anos (edição nº1432, p.49) Cla a Soa es Sociedade Âmbiguo In e p e a i o (Dossie , Enque e) Backg ound Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-11-15-os-jo ens-de-90-anos- que-con inuam-a-se - inspi ado es/#&gid=0&pid=1 Independen e Des aque ele an e 10 (48-57) Co e ou caminha ? O e dadei o duelo (edição nº1432, p.68) Sónia Calhei os Li es yle; Sociedade; Despo o Nacional U ili á io (Indicado ); In e p e a i o (Enque e) Fea u e Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-11-07-a inal-e-melho -co e - ou-caminha / Independen e Pequeno des aque na capa 6 (66-71) Reg esso ao campo (edição nº1433, p.28) Rosa Ruela Sociedade Nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Enque e, Dossie ) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-08-19-la ga - udo-e-i - i e - pa a-o-campo/ Independen e Tema P incipal 10 (28-37) Cou a, mais do que um amo de e ão (edição nº1433, p.92) Vá ios (Miguel Judas; Lucília Mon ei o) Cul u a; Sociedade; Li es yle Nacional U ili á io (Ro ei o); In o ma i o (Repo agem) Fea u e Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/sai /202 0-08-26-pa edes-de-cou a-mais-do-que- um-amo -de- e ao/ Visão Se7e Sem chamada de capa 6 (92-97) Conhece o cé eb o pa a muda o mundo (edição nº1434, p.30) Sa a Sá Ciência; Saúde Nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Dossie ) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-08-26-o-ce eb o-po -den o/ Independen e Tema P incipal 10 (30-39) 107 C i é ios A igo Au o Temá ica* Âmbi o Géne o - Class. Ma ques Melo Géne o - Class. S eensen Online** Secção Visão Capa Páginas Manuel Vinhas: His ó ia de um mecenas (edição nº1435, p.30) Isabel Lindim (não é da Visão - Bolsa Gulbenkian) Sociedade; His ó ia Nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Pe il) Pe il Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-09-02-manuel- inhas-a- ida- ascinan e-de-um-mecenas-incomodo/ Independen e Tema P incipal 12 (30-41) Ma ão, um ou o Alen ejo (edição nº1435, p.91) Susana Lopes Faus ino Li es yle Nacional In o ma i o (Repo agem); U ili á io (Ro ei o) Fea u e Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/sai /202 0-09-09-ma ao-das-al u as-passeio- pela- ila-medie al-alen ejana-no-al o-da- se a-de-sao-mamede/ Visão Se7e Sem chamada de capa 6 (92-97) Po ugal, a ou a Te a P ome ida (edição nº1436, p.56) Vânia Maia Sociedade; Polí ica; Religião Nacional In o ma i o (Rep o agem); In e p e a i o (Dossie ) Backg ound Repo age Não Independen e Des aque ele an e 10 (50-59) I à ede sem acaba pescado (edição nº1436, p.62) Paulo Zaca ias Gomes Tecnologia; Sociedade; Economia Âmbiguo In e p e a i o (Análise, Dossie ); U ili á io (Indicado , Se iço) Backg ound Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/econom ia/2020-10-10-consumo-as-a madilhas- das-comp as-online/ Independen e Pequeno des aque na capa 6 (60-65) Fecha a boca ou nem po isso? (ediçao nº1437, p.28) Vá ios (Luísa Oli e ia; Rosa Ruela) Saúde; Sociedade Nacional In o ma i o (Repo agem); U ili á io (Indicado ); In e p e a i o (Dossie , Enque e) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-09-16-a-ciencia-de-come - menos-pa a- i e -mais/ Independen e Tema P incipal 11 (28-38) Ma quês de Pombal: A his ó ia sec e a (edição nº1438, p.30) J. Plácido Júnio His ó ia Nacional In e p e a i o (Pe il); In o ma i o (Repo agem) Pe il Sim, mas… não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /his o ia/2020-09- 23-ma ques-de-pombal-a-his o ia- sec e a/ Independen e Tema P incipal 12 (30-41) Pa que Na u al emb ulhado em plás ico (edição nº1438, p.50) Luísa Oli ei a Ambien e; Sociedade Nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Dossie ) Backg ound Repo age sim, h ps:// isao.sapo.p / isao_ e de/ambie n e/2020-11-08-pa que-na u al-da-cos a- icen ina-ameacado-pelo-plas ico/ Independen e Pequeno des aque na capa 6 (50-55) 108 C i é ios A igo Au o Temá ica* Âmbi o Géne o - Class. Ma ques Melo Géne o - Class. S eensen Online** Secção Visão Capa Páginas Animais de Companhia: Amo c uel (edição nº1441, p.32) Rui An unes Sociedade Nacional U ili á io (Indicado ); In e p e a i o (Dossie ) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /edicao- imp essa/2020-10-14- isao- az-qua o- capas-com-animais-pa a- adocao/#&gid=0&pid=1 Independen e Tema P incipal 12 (32-43) Ca a a ca a com o ag esso (edição nº1442, p.54) J. Plácido Júnio Jus iça; Sociedade; Nacional In e p e a i o (Dossie ); Backg ound Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-11-22-jus ica- es au a i a-po - as- i imas-ca a-a-ca a-com-os- ag esso es-pa a-cu a -ambos/ Independen e Sem chamada de capa 5 (54-58) Bibliomó el de Pena iel (edição nº1442, p.80) Miguel Ca alho Sociedade; Cul u a Nacional In o ma i o (Repo agem) Fea u e Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/cul u a/ 2020-11-16-bibliomo el-de-pena iel-os- li os-que-a-pes e-nao-le ou/ Vaga Sem chamada de capa 6 (80-85) Os milioná ios mais disc e os de Po ugal (edição nº1443, p.32) Ca a ina Gue ei o Sociedade Nacional In e p e a i o (Pe il) Pe il Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-10-28-o-pode -dos-miliona ios- mais-disc e os-de-po ugal/ Independen e Tema P incipal 10 (32-41) Le an ados do Chão (edição nº1444, p.58) Vá ios (Cesal ina Pin o, Flo bela Al es, Luísa Oli ei a, Sónia Calhei os) Sociedade Nacional In e p e a i o (Enque e) His ó ia de In e esse Humano Não Independen e Sem chamada de capa 8 (58-65) A segunda aga da c ise económica (edição nº1445, p.30) Vá ios (Nuno Aguia , Rui Ba oso, Sónia Calhei os, Cesal ina Pin o) Economia; Sociedade Nacional In e p e a i o (Análise, Dossie , Enque e) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/econom ia/2020-11-11-como- amos-sob e i e -a- es a-c ise/ Independen e Tema P incipal 8 (30-37) Bei u e, a cidade que insis e em enasce (edição nº1445, p.58) Ma ga ida Vaquei o Lopes Sociedade In e nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Dossie ) Backg ound Repo age Não Independen e Sem chamada de capa 6 (58-63) 109 C i é ios A igo Au o Temá ica* Âmbi o Géne o - Class. Ma ques Melo Géne o - Class. S eensen Online** Secção Visão Capa Páginas O úl imo p ocu ado dos julgamen os de Nu embe ga (edição nº1446, p.66) Ma alda Anjos His ó ia In e nacional In e p ea i o (Pe il) Pe il Não Independen e Sem chamada de capa 6 (66-71) O domínio Chinês (edição nº1447, p.34) Vá ios (Nuno Aguia ; Rui Ba oso) Economia In e nacional In e p e a i o (Análise, Dossie ); U ili á io (Co ação) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/econom ia/2020-11-25-china-o-impe io-do-meio- con a-a aca/ Independen e Tema P incipal 8 (34-41) A a e de molda o aço (edição nº1447, p.92) Sónia Calhei os Li es yle; Sociedade Nacional In e p e a i o (Enque e); U ili á io (Indicado ) Fea u e Repo age Sim, h ps:// isao.sapo.p / isaose7e/comp a /2021-01-06-a-a e-de-molda -o-aco- des as-maos-saem-as-melho es- acas- po uguesas-a esanais/ Visão Se7e Sem chamada de capa 5 (92-96) Médicos ex ao diná ios (edição nº1448, p.36) Vá ios (Rui An unes; Vânia Maia) His ó ia Nacional In e p e a i o (Pe il) Pe il Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2020-12-02-g andes-medicos-que- ica am-pa a-a-his o ia/ Independen e Tema P incipal 9 (36-44) Os dez comba es da ida de Eanes (edição nº1448, p.52) Filipe Luís His ó ia; Polí ica Nacional In e p e a i o (Pe il) Pe il Não Independen e Pequeno des aque na capa 8 (52-59) Uma ge ação adiada (edição nº1448, p.60) Vá ios (Rui An unes; Sónia Calhei os) Sociedade Nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Enque e) His ó ia de In e esse Humano Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2021-01-03-a-ge acao-co id-19- ap ende -a- i e -com-o- u u o- suspenso/ Independen e Sem chamada de capa 7 (60-66) O es ado ocul o do chega (edição nº1449, p.40) Miguel Ca alho Polí ica Nacional In o ma i o (Repo agem); In e p e a i o (Dossie ) Backg ound Repo age Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/poli ica/ 2020-12-09-in es igacao-ameacas-jogos- de-pode -e-ligacoes-pe igosas-do-chega/ Independen e Tema P incipal 12 (40-51) 110 C i é ios A igo Au o Temá ica* Âmbi o Géne o - Class. Ma ques Melo Géne o - Class. S eensen Online** Secção Visão Capa Páginas As he dei as milioná ias (edição nº1453, p.30) Síl ia Caneco Sociedade Nacional In e p e a i o (Pe il) Pe il Sim, mas…não na ín eg a, inci ando à assina u a da e is a: h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/econom ia/2021-01-06-as-he dei as-miliona ias- do-impe io-quei oz-pe ei a/ Independen e Tema P incipal 10 (30-39) Eu ouxe o í us pa a casa (edição nº1453, p.40) Vânia Maia Sociedade Nacional U ili á io (Indicado ); In e p e a i o (Análise, Dossie , Enque e) His ó ia de In e esse Humano Sim, h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/socieda de/2021-02-06-co id-19-como-lida -com- a-culpa-de-in e a -alguem/ Independen e Pequeno des aque na capa 8 (40-47) *Temá icas escolhidas p e e encialmen e de aco do com as ap esen adas no si e da Visão. ** À da a de 13/04/2021.