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Ensinar Filosofia: Porquê? e Para Quê?

Tourais, Maria Banza

Abstract

O relatório que aqui se apresenta é o culminar de dois anos de formação no Mestrado em Ensino de Filosofia no Ensino Secundário. Este divide-se em duas partes. A primeira, foca a componente prática da nossa formação, procura descrever os aspetos mais relevantes do trabalho desenvolvido na Prática de Ensino Supervisionada, realizada ao longo do ano letivo 2020/2021, na Escola Secundária de Mem Martins. Por sua vez, na segunda parte, apresentamos uma reflexão crítica, tendo em conta a experiência vivida em ambiente escolar e os documentos de orientação educativa portugueses, sobre a pertinência e finalidade da presença do ensino de filosofia no ensino secundário em Portugal.

Full text

Ensina Filoso ia: Po quê? e Pa a Quê? Ma ia Banza Tou ais Rela ó io da P á ica de Ensino Supe isionada do Mes ado em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io Dezemb o, 2021 Ma ia Banza Tou ais, Ensina Filoso ia: Po quê? e Pa a Quê?, 2021 Rela ó io de P á ica de Ensino Supe isionada ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io ealizado sob a o ien ação cien í ica do P o esso Dou o Luís Manuel Ai es Ven u a Be na do. […] po en u a não é a p incipal a e a da educação, humaniza de o ma plena? Exis e ou a dimensão mais p op iamen e humana, mais necessa iamen e humana, que a inquie ação que desde há séculos le a a iloso a ? - Fe nando Sa a e , As Pe gun as da Vida AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Lou enço e Paula, que me ansmi i am o mais impo an e – a Fé. Aos meus a ós e i mãos que me ensina am an o sob e a educação. Ao Ma eus po me incen i a a con inua nos momen os de maio di iculdade. À P o esso a Cla a e ao P o esso Ca los, que me ize am sai da Ca e na e cul i a am em mim o amo à sabedo ia. A odos os p o esso es com quem me c uzei, em especial à P o esso a Inês, à I mã Ida e ao P o esso Paulo. Gos a a de aze pelos meus alunos, o mesmo que ize am po mim. À P o esso a Zulmi a pela disponibilidade pa a me ensina . Ao Césa com quem pa ilhei es a expe iência. Aos alunos do 10.º CSE1 e do 11.º CSE2 com quem ap endi mui o. Aos es an es memb os, docen es e não docen es, da Escola Secundá ia de Mem Ma ins pelo acolhimen o. Ao P o esso Dou o Luís Be na do pela o ien ação do ela ó io aqui ap esen ado. ENSINAR FILOSOFIA: PORQUÊ? E PARA QUÊ? TEACH PHILOSOPHY: WHY? AND FOR WHAT? Ma ia Banza Tou ais RESUMO / ABSTRACT O ela ó io que aqui se ap esen a é o culmina de dois anos de o mação no Mes ado em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io. Es e di ide-se em duas pa es. A p imei a, oca a componen e p á ica da nossa o mação, p ocu a desc e e os aspe os mais ele an es do abalho desen ol ido na P á ica de Ensino Supe isionada, ealizada ao longo do ano le i o 2020/2021, na Escola Secundá ia de Mem Ma ins. Po sua ez, na segunda pa e, ap esen amos uma e lexão c í ica, endo em con a a expe iência i ida em ambien e escola e os documen os de o ien ação educa i a po ugueses, sob e a pe inência e inalidade da p esença do ensino de iloso ia no ensino secundá io em Po ugal. The epo p esen ed he e is he culmina ion o wo yea s o aining in he Mas e ’s deg ee in Philosophy Teaching in Seconda y Educa ion. This is di ided in o wo pa s. The i s ocuses on he p ac ical componen o ou aining, seeks o desc ibe he mos ele an aspec s o he wo k de eloped in he Supe ised Teaching P ac ice, ca ied ou h oughou he school yea 2020/2021, a Mem Ma ins High School. In u n, in he second pa , we p esen a c i ical e lec ion, aking in o accoun he expe ience li ed in he school en i onmen and he po uguese educa ional guidance documen s, on he ele ance and pu pose o he p esence o philosophy eaching in seconda y educa ion in Po ugal. PALAVRAS-CHAVE: Filoso ia; Ensino Secundá io; Es ágio Cu icula ; Po ugal. KEYWORDS: Philosophy; Seconda y Educa ion; Cu icula T aineeship; Po ugal. ÍNDICE INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 3 CAPÍTULO I: ....................................................................................................................... 4 Desc ição Ge al da P á ica de Ensino Supe isionada ..................................................... 4 1. Ca ac e ização da Escola Coope an e ................................................................... 4 2. Núcleo de Es ágio de Filoso ia ............................................................................... 7 3. Ca ac e ização das Tu mas A ibuídas .................................................................. 7 3.1. A u ma 10.º CSE1 ............................................................................................. 8 3.2. A u ma 11.º CSE2 ............................................................................................. 9 4. Plani icação .......................................................................................................... 10 5. Obse ação e Lecionação de Aulas ..................................................................... 11 5.1. Obse ação ...................................................................................................... 12 5.2. Lecionação ....................................................................................................... 14 6. A aliação .............................................................................................................. 18 7. Reuniões .............................................................................................................. 19 8. Plano Anual de A i idades ................................................................................... 20 9. Conside ações Finais ........................................................................................... 22 CAPÍTULO II: .................................................................................................................... 24 Ensina Filoso ia: Po quê? e Pa a quê? .......................................................................... 24 – Conside ações sob e a Filoso ia nos documen os educa i os po ugueses ............... 24 T adição ilosó ica po uguesa ................................................................................... 25 Aos olhos da UNESCO ................................................................................................. 30 Documen os educa i os po ugueses ........................................................................ 34 CONCLUSÃO .................................................................................................................... 46 2 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 49 Documen os legais e ins i ucionais ............................................................................ 49 Li os e a igos ............................................................................................................ 49 Webg a ia ................................................................................................................... 51 ANEXOS ........................................................................................................................... 52 ANEXO A ..................................................................................................................... 53 ANEXO B...................................................................................................................... 55 ANEXO C ...................................................................................................................... 57 ANEXO D ..................................................................................................................... 60 ANEXO E ...................................................................................................................... 66 ANEXO F ...................................................................................................................... 68 ANEXO G ..................................................................................................................... 69 ANEXO H ..................................................................................................................... 70 ANEXO I ....................................................................................................................... 71 ANEXO J ...................................................................................................................... 72 ANEXO K ...................................................................................................................... 76 ANEXO L ...................................................................................................................... 77 ANEXO M .................................................................................................................... 78 ANEXO N ..................................................................................................................... 84 ANEXO O ..................................................................................................................... 86 3 INTRODUÇÃO O p esen e ela ó io, in i ulado “Ensina Filoso ia: Po quê? e Pa a Quê?”, é ela i o à P á ica de Ensino Supe isionada (PES), e é o culmina de dois anos de o mação no Mes ado em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io. Es e se á di idido em dois capí ulos. No p imei o capí ulo, p ocu a emos desc e e os aspe os mais ele an es do que oi a PES, desen ol ida ao longo do ano le i o 2020/2021, na Escola Secundá ia de Mem Ma ins, sob a o ien ação da P o esso a Zulmi a Sizi edo, e supe isionada pelo P o esso Dou o Luís Manuel A. V. Be na do. Com a desc ição e e ida p e endemos, po um lado, ca ac e iza de o ma sucin a a escola coope an e e, ambém, as u mas do 10.º CSE1 e do 11.º CSE2. Po ou o lado, p ocu a emos analisa c i icamen e o abalho que ealizámos enquan o es agiá ios, nas di e sas componen es: plani icação e lecionação, a aliação e ou as a i idades. Rela a emos, ainda, de o ma b e e, as di e sas euniões em que es i emos p esen es: euniões do G upo de Es ágio e euniões egula es na e da a i idade escola ( euniões do Depa amen o de Ciências Sociais, euniões do G upo 410 - Filoso ia, e ou as igualmen e ele an es). No segundo capí ulo, po sua ez, p e endemos e le i sob e a pe inência, sob e a impo ância, e, de alguma o ma, sob e a jus i icação do ensino da iloso ia no ensino secundá io. Nes a e lexão que p opomos, o pon o cen al passa á po conside a e analisa os documen os po ugueses que o ien am a o mação ge al e ilosó ica no ensino secundá io em Po ugal, e a pa i deles e i a as conclusões sob e as quais se jus i ica a disciplina de iloso ia e um luga de ca iz ob iga ó io no ensino po uguês. Pa indo da análise dos obje i os isados an o pa a o ensino po uguês, em ge al, como pa a o ensino secundá io, em pa icula , ap esen ados na Lei de Bases do Sis ema Educa i o, p ocu a emos comp eende como os documen os que o ien am a disciplina de iloso ia comp o am a sua pe inência no ensino po uguês, uma ez que pa ecem o ien a -se pa a os mesmos ins e obje i os. 4 CAPÍTULO I: Desc ição Ge al da P á ica de Ensino Supe isionada A P á ica de Ensino Supe isionada (PES) aqui desc i a oi ealizada, ao longo do ano le i o 2020/2021, na Escola Secundá ia de Mem Ma ins, sob a o ien ação da P o esso a Zulmi a Sizi edo, e supe isionada pelo P o esso Dou o Luís Manuel Be na do. An es de mais, é necessá io cla i ica que i emos a PES num ano ma cado pela pandemia po Co id-19, que assolou Po ugal e o mundo, e que ob igou alunos e p o esso es a adap a -se a dois egimes – p esencial e à dis ância. Se no ano le i o an e io , 2019/2020, as escolas o am su p eendidas pela necessidade de uma adap ação p ecipi ada a um mundo desconhecido e mui o pouco p epa ado, no ano le i o 2020/2021, as escolas p ocu a am p epa a -se de o ma a não se em apanhadas de su p esa com um no o ence amen o, c iando medidas pa a sua iza a ansição de ensino p esencial pa a ensino à dis ância, caso exis isse necessidade. In elizmen e, com o ag a amen o da pandemia e consequen e aumen o de casos a i os em Po ugal, o ence amen o dos es abelecimen os escola es ol ou a oco e a 22 de janei o de 2021, inicialmen e po um pe íodo de quinze dias, mas que se iu p olongado (no ensino secundá io) a é ao dia 19 de ab il. Es e ac o, ob igou não apenas a uma adap ação das escolas, em pa icula da escola coope an e, mas p omo eu igualmen e uma adap ação da PES à no a ealidade, pe mi indo que a nossa o mação passasse ambém pelo con ac o com o ensino à dis ância. Tal não é is o com pesa , mas sim como uma an agem pa a a nossa o mação, con ibuindo pa a a nossa lexibilidade enquan o u u os docen es. 1. Ca ac e ização da Escola Coope an e A Escola Secundá ia de Mem Ma ins oi undada em 1983, es ando há in a e oi o anos ao se iço das eguesias de Alguei ão-Mem Ma ins e Rio de Mou o, concelho de Sin a. 11 A p epa ação e desen ol imen o de ecu sos que auxiliassem o es udo e a ap endizagem dos alunos oi um dos abalhos mais desa ian es de odo o p ocesso de c iação. Fo am mui as as ezes que op ei pela u ilização do Powe Poin (Anexo D). P ocu ei que ossem simples e esquemá icos, pa a que não me oubassem a a enção dos alunos, mas os auxiliassem a acompanha os concei os cen ais a se discu idos em aula. Nesse sen ido, es e oi um ecu so ex emamen e ú il no egime de ensino à dis ância (E@D), pois se em aula o quad o é semp e um acessó io disponí el pa a algum apon amen o ápido, al não acon ece no E@D. Pa a além da cons ução de Powe Poin s, oi essencial a p ocu a de ou os ecu sos, como ex os (Anexo E), imagens (Anexo F) e/ou pequenos ídeos (Anexo G), que con ibuíssem pa a a comp eensão dos alunos da ma é ia em causa. Sen i, desde o início, a necessidade de es uda e conhece bem os manuais, o que se e elou impo an e pa a pe cebe quando e como u ilizá-los. A u ilização de di e en es ecu sos pe mi iu a aplicação de di e en es es a égias. No en an o, os g andes momen os de lecionação o am ma cados pela al e nância en e o mé odo dialógico e o mé odo exposi i o. No que espei a à plani icação, a minha maio di iculdade passou pela ges ão do empo. Teo iza o empo pa a cada a i idade, pa a alguém com pouca expe iência p á ica, demons ou se um desa io. Pa a ul apassa es a di iculdade p ocu ei ealiza o con olo do empo de cada a i idade em sala de aula, pa a i ganhando mais noção de empo. Com a ansição pa a o E@D as aulas passa am a se de dois ipos – aulas assínc onas e aulas sínc onas. Ao longo desse empo, a cons ução e es u u a das plani icações não so eu al e ações ele an es. Sen i, oda ia, a necessidade de c ia um documen o, a que chamei “plano de abalho” (Anexo H), que o ien asse os alunos no empo das aulas assínc onas. 5. Obse ação e Lecionação de Aulas De aco do com as “no mas in e nas de uncionamen o dos Mes ados de Ensino”, a PES de e inclui não apenas a lecionação, mas ambém a obse ação de aulas 12 do p o esso o ien ado . Du an e o ano le i o, omos al e nando en e es es dois momen os, os quais passo a desc e e ago a. 5.1. Obse ação As p imei as aulas obse adas con ibuí am, não an o pa a analisa a lecionação da p o esso a o ien ado a, mas sim pa a analisa o compo amen o das u mas que nos o am a ibuídas. Es a análise pe mi iu, po um lado, aça o pe il e ca ac e iza a u ma. Po ou o lado, e elou-se uma mais- alia pa a a lecionação, pois pe mi iu adap a as plani icações, ajus ando as es a égias a cada u ma e aos seus alunos com in e esses e pa icula idades conc e as. No que conce ne à lecionação, é de econhece o abalho da P o .ª Zulmi a ma cado, cla amen e, po uma as a expe iência. O es o ço pa a ino a e a plas icidade pa a se adap a às pa icula idades de cada u ma é de lou a . As aulas da p o esso a começa am, sem su p esa, com a esc i a do sumá io e a e i icação da p esença dos alunos. De seguida, a es a égia u ilizada a ia a consoan e ossem aulas de in odução de uma no a unidade ou subdomínio, ou aulas na sequência de aulas an e io es. Quando as aulas e am sequência de aulas an e io es, a p o esso a o ien ado a inha o cuidado de começa com uma b e e e isão dos con eúdos da aula an e io , con ibuindo, po um lado, pa a o es udo dos alunos, e po ou o lado, c iando uma linha condu o a, acili ando o acompanhamen o das aulas po pa e dos mesmos. Quando se a a a de aulas de in odução a um de e minado ema, a P o .ª Zulmi a começa a po ab i diálogo, possibili ando aos alunos expo as suas opiniões, opiniões essas sob e as quais e a cons uída a e lexão sob e os con eúdos p og amá icos. No es an e empo, as suas aulas e am, essencialmen e, exposi i as, mas em di e sos momen os e a dado espaço ao diálogo e ao deba e. No E@D a al a de pa icipação dos alunos po enciou aulas maio i a iamen e exposi i as, p incipalmen e, na u ma do 11.º CSE2. Con udo, a P o .ª Zulmi a apos ou na u ilização de ecu sos da Escola Vi ual, ídeos e exe cícios, o nando as suas aulas mais in e a i as. 13 De eg esso ao ensino p esencial, no 3.º pe íodo, a p o esso a ouxe consigo es es ecu sos e p omo eu abalhos de g upo em sala de aula, pe mi indo aos alunos abalha em coope ação e se a aliados a a és de um elemen o di e en e da adicional icha de a aliação suma i a. Todas as es a égias e ecu sos que em cima desc e i o am um exemplo e um con ibu o impo an e pa a a minha ap endizagem. Po esse mo i o, em mui os momen os de lecionação op ei po es a égias e ecu sos semelhan es, como p ocu a ei desc e e no p óximo pon o. Po im, de o ac escen a que omos con idados a assis i às aulas lecionadas pelo colega es agiá io que nos acompanhou nes e p ocesso. Uma ez que, as salas de aula e am ela i amen e pequenas e a si uação pandémica e a ins á el, a P o .ª Zulmi a julgou se melho man e a “bolha”, não in oduzindo mais um elemen o na sala. Po ém, com a passagem ao E@D, a ques ão da segu ança deixou de se le an a , e conseguimos assis i às aulas um do ou o. Pela desis ência do meu colega, es a oi uma expe iência que du ou poucas aulas, mas nem po isso deixou de se en iquecedo a, p incipalmen e, po que me pe mi iu o con on o com ecu sos e es a égias di e en es (es ando a leciona os mesmos con eúdos). P o a elmen e pela o mação comum que i emos, ape cebi-me que em mui as si uações abo damos a aula de o ma semelhan e. Ainda assim, a a és das suas aulas descob i ecu sos que não conhecia, como ídeos di e en es dos escolhidos po mim, e con on ei-me com es a égias pa a aplica exe cícios em aula que poucas ezes inha u ilizado (exe cícios de espos a echada, como exe cícios de co espondência, exe cícios de p eenchimen o de lacunas, exe cícios de e dadei os e alsos). Também ao ní el da ansmissão de con eúdos, a cla eza com que o colega Césa os ansmi ia, me ez epensa a o ma de expo de e minados con eúdos e me deu a conhece di e en es exemplos que pode ia aplica nas minhas aulas, de modo a con ibui pa a a melho comp eensão dos con eúdos po pa e dos meus alunos. 14 5.2. Lecionação Os momen os de lecionação o am, sem dú ida, os que me ize am sen i mais ealizada. Pe mi i am-me expe imen a e sen i , pela p imei a ez, o que é es a em sala de aula. É nes e momen o que odo o abalho do p o esso , do es udo do p og ama à plani icação da aula, se e le e. No undo, a a-se da aplicação dos mé odos e ma e iais pensados e p epa ados em casa. Foi-nos dada a libe dade de desen ol e o nosso p óp io es ilo, u iliza mos os ecu sos e es a égias que nos pa ecessem adequados à nossa lecionação, semp e que isso não p ejudicasse a ap endizagem dos alunos. Apesa disso, sendo es a a minha p imei a ez a leciona , ado ei como e e ência o mé odo da P o .ª Zulmi a, in oduzindo, po ezes, elemen os di e en es, que me pe mi i am a alia a(s) espos a(s) dos alunos a di e en es ipos de a i idades. À semelhança das aulas da p o esso a o ien ado a, as minhas aulas começa am semp e com a lei u a do sumá io e com a e i icação das p esenças dos alunos. Pa a além disso, ado ei a es a égia de começa as aulas semp e com uma pequena e isão da aula an e io , colocando pe gun as aos alunos. Quando a aula se ia de in odução a um con eúdo no o p ocu a a semp e con ex ualizá-lo no p og ama da disciplina, na his ó ia da humanidade, e incen i a a os alunos a e le i sob e o ema com base na sua expe iência. Apesa de deseja não e uma abo dagem ex emamen e exposi i a e maçuda pa a os alunos, ape cebi-me da acilidade que exis e em cai no mé odo adicional, cuja aula se cen a no p o esso . Gos a ia de e caído poucas ezes nesse e o, mas alguma al a de segu ança e eceio de pe de o con olo da aula, ez-me algumas ezes conduzi a aula de o ma exposi i a, e mesmo em momen os de diálogo com os alunos o ien a demasiado as suas espos as. Expe imen ei a al a de um manual a ualizado, de aco do com as Ap endizagens Essenciais impos as em 2018, e cons a ei a di iculdade que isso ge a a nos alunos. To nou-se, pa a mim, um de e colma a essa alha, acul ando ecu sos a im de que o essencial não lhes al asse. Pa a além des a di iculdade, na u ma 11.º CSE2 exis iam mesmo alunos sem manual. Po esse mo i o, semp e que decidia u iliza um ex o do 15 manual, p ocu a a semp e ansc e ê-lo pa a um ichei o PDF (Anexo I), que pudesse p oje a em aula e en ia pos e io men e po e-mail ou coloca na equipa da u ma, no Mic oso Teams. Po duas ezes, acon eceu-me não se possí el p oje a , po alha do compu ado , o Powe Poin que inha p epa ado. Ap endi que a exp essão he show mus go on, ão conhecida no mundo a ís ico, se aplica a ambém à ida de um p o esso , que se de e adap a às ci cuns âncias e às condições que lhe são ap esen adas. Não sendo en ão possí el p oje a os ma e iais inicialmen e p e is os, o quad o e elou-se um ecu so ú il nessas aulas. Também nas es an es aulas u ilizei o quad o pa a egis a concei os cen ais ou ideias expos as pelos alunos. Rela i amen e à lecionação online, as es a égias não se al e a am de o ma signi ica i a. Con udo, se me sen ia con o á el em sala de aula (p esencialmen e), o à- on ade online não oco eu de o ma ão na u al. Apesa do compu ado e ecu sos ecnológicos nunca e em cons i uído uma di iculdade, no E@D sen i uma maio insegu ança na lecionação que penso p ende -se, em g ande medida, com a di iculdade de e os alunos e deci a as suas eações. Em ambos os casos, p esencialmen e ou à dis ância, p ocu ei que o meu discu so osse pau ado po uma anquilidade e cla eza, que pe mi isse uma linguagem simples e i ando c ia con usão no pensamen o dos alunos. 5.2.1. Lecionação no 10.º CSE1 Foi na u ma 10.º CSE1 que sabo eei, pela p imei a ez, o momen o da lecionação. Con esso que me encon a a ne osa, mas esse ne osismo oi-se dissipando ao longo da aula, acabando po desapa ece quase na sua o alidade. Su p eendeu-me como a a i ude dos alunos que me ou iam, cap ada po uma lei u a da sala, me pe mi iu uma anquilidade. Embo a enha plani icado um maio núme o de aulas, lecionei, nes a u ma, um o al de 23 aulas. Uma soma conside á el, que em conjun o com as aulas obse adas me pe mi iu conhece bem a u ma, os seus alunos, e adap a -me as suas pa icula idades. 16 De modo a e um p imei o con ac o com a u ma, numa ou a pe spe i a que não a da obse ação, a P o .ª Zulmi a incen i ou-nos a leciona um conjun o de ês aulas, ideia com a qual conco dámos de imedia o. Nessas aulas, a minha lecionação incidiu no concei o de p oposição, e no conhecido quad ado da oposição. Tínhamos combinado, em núcleo, que os es agiá ios leciona iam de seguida as “Fo mas de in e ência álida” e as “P incipais alácias o mais”. In elizmen e, po e icado em isolamen o p o ilá ico, não pude começa quando p e is o, mas eg essei à escola ainda a empo de leciona g ande pa e des es emas. A lecionação des es con eúdos não oi pací ica, encon ando alguma esis ência nos alunos. Comp eendendo as suas di iculdades, p ocu ei con e i um sen ido aos con eúdos, explicando a sua impo ância. Foi, ambém, necessá io c ia mais momen os de ealização de exe cícios. Nes es, comp eendi que são momen os mais p opícios a diálogo en e colegas, podendo acilmen e pe de o con olo da aula. Essa consciência pe mi iu-me pe cebe a necessidade de eg as pa a elabo a os exe cícios, desde da um de e minado empo aos alunos e con olá-lo, a não e i a dú idas indi idualmen e. No 2.º pe íodo, pensámos, inicialmen e, leciona a subunidade “De e minismo e libe dade na ação humana”. Con udo, com a ansição pa a o E@D, o núcleo de es ágio conco dou que se ia impo an e p i ilegia a obse ação das p imei as aulas lecionadas pela P o .ª Zulmi a nes e egime, e adia a lecionação dos es agiá ios. Re omei, po isso, a lecionação no dia 17 de e e ei o com a subunidade “A dimensão pessoal e social da é ica”. A lecionação des a subunidade di idiu-se en e aulas sínc onas e assínc onas. Nas aulas sínc onas p ocu ei oca o undamen al, e pa a ap o unda es es conhecimen os c iei e disponibilizei um plano de abalho pa a os alunos nas aulas assínc onas. Os planos de abalho pa a as aulas assínc onas di idi am-se en e aulas pa a a ealização de exe cícios, pos e io men e co igidos em aulas sínc onas, e aulas de es udo o ien ado. Apesa da dis ância, os alunos p ocu a am con inua a pa icipa , con ibuindo com as suas dú idas e opiniões, o nando as aulas sínc onas in e a i as e ex emamen e in e essan es. De eg esso à escola, no 3.º pe íodo, e minei a lecionação en e aulas dedicadas ao p oje o do Plano Anual de A i idades e à lecionação da subunidade ela i a à “é ica u ili a is a de Mill”. Vis o a é ica ab i po as pa a emas mui o a uais, oi com pouca 17 su p esa que me con on ei com um g upo de alunos pa icipa i o e com um in e esse gene alizado da u ma. 5.2.2. Lecionação no 11.º CSE2 Também, na u ma 11.º CSE2 lecionei 23 aulas, endo, no en an o, plani icado um o al de 29 aulas, con ando com as aulas assínc onas que não en a am na soma de aulas lecionadas. Nes a u ma, comecei po leciona duas aulas de in odução à Filoso ia do Conhecimen o, cen ando-as na dis inção en e dogma ismo e ce icismo, e na dis inção en e acionalismo e empi ismo. À semelhança do que e e i no pon o an e io , o ac o de e icado em isolamen o impediu-me de leciona ês aulas plani icadas, que co esponde iam ao início da subunidade sob e “O acionalismo de Desca es”. A P o .ª Zulmi a assumiu essas aulas, dando-me a pala a aquando do meu eg esso à escola. P ocu ei da aos alunos algum con ac o com a p óp ia ob a de Desca es, le ando pa a a aula li os do au o , e ap esen ando exce os dos mesmos. Depa ei-me com alunos com mui a al a de hábi os de lei u a, e mui a di iculdade in e p e a i a. Po esse mo i o, cons i ui-se a necessidade de ul apassa essas limi ações, deci ando com os alunos aquilo que o au o p e endia dize . No 2.º pe íodo, já no E@D, ajus ámos com a P o .ª Zulmi a e lecionámos oda a pa e do p og ama de Filoso ia da Ciência que dizia espei o à Filoso ia de Poppe (“Ciência e cons ução – alidade e e i icabilidade das hipó eses” e “A acionalidade cien í ica e a ques ão da obje i idade”). Nas aulas sínc onas o desa io oi con a ia uma u ma nada pa icipa i a, in e pelando os alunos e pedindo a sua in e enção, não sendo na maio ia das ezes co espondida. Assim como pa a o 10.º ano, ambém pa a as aulas assínc onas do 11.º ano, c iei planos de abalho que con ibuí am pa a um ap o undamen o da ma é ia em es udo. Ao con á io do que acon eceu no 10.º ano, cujo pe íodo de lecionação mais in enso oco eu no 1.º pe íodo, no 11.º ano al acon eceu no 3.º pe íodo com a lecionação do módulo dedicado à Filoso ia da Religião. O 11.º CSE2, que a é en ão e a uma u ma com g andes esis ências à disciplina e mui o pouco pa icipa i a, 18 su p eendeu-me pela posi i a, com um o e in e esse pela ma é ia e com a pa icipação de quase oda a u ma em momen os de diálogo e discussão de ideias. Expe imen ei a u ilização de di e en es ecu sos, desde ex os a ídeos, e di e en es es a égias, mui o longe da simples exposição, que o am bem acolhidos pelos alunos e os puse am a e le i sob e um ema que cla amen e lhes despe ou a a enção. Não pode ia e e minado a lecionação com um melho eedback, po pa e dos alunos, que se e le iu pos e io men e no exe cício de a aliação suma i a. 6. A aliação A eunião do núcleo de es ágio de dia 08 de ou ub o, e e como ema cen al os c i é ios de a aliação da disciplina de Filoso ia na ESMM. A P o .ª Zulmi a in o mou que, de uma o ma ge al, são aplicados dois exe cícios de a aliação suma i a (comummen e designados po es es) po pe íodo, à exceção do 3.º pe íodo onde exis e a adição de aplica um es e e pedi um abalho aos alunos. A es es elemen os de a aliação é a ibuído um peso de 75%. Os es an es 25% são dis ibuídos pela pa icipação em aula e pelos abalhos ealizados den o ou o a de aula (20%), e ainda pelo compo amen o dos alunos (5%). A a aliação no E@D não pôde man e -se exa amen e com es es con o nos. Du an e o pe íodo em que o ensino oco eu à dis ância, a a aliação ealizou-se a a és de es es esc i os, ichas de abalho, exposições o ais indi iduais ou em g upo, egis o de pa icipação ao longo das aulas sínc onas, e cump imen o das a e as nas aulas assínc onas. A indicação da di eção oi que cada ins umen o u ilizado e ia o mesmo peso pe cen ual (100%) e que a classi icação esul a ia da média a i mé ica dos ins umen os de a aliação aplicados. No que diz espei o à es u u a dos exe cícios suma i os, a P o .ª Zulmi a en iou- nos exe cícios an e io es pa a que pudéssemos amilia iza -nos com a sua es u u a. Foi u ilizada uma es u u a que se ap oxima da es u u a do Exame Nacional – escolhas múl iplas, espos as cu as e, pelo menos, uma pe gun a de desen ol imen o –, mas adap ada ao empo de um bloco de 50 minu os. 19 À exceção do p imei o es e de cada ano, que o am elabo ados e es u u ados na in eg a pela p o esso a o ien ado a, os es an es es es o am semp e discu idos e e is os pelo núcleo. Independen emen e, do elemen o do núcleo que cons uía o es e, es e e a aplicado a odas as u mas da p o esso a. Fui esponsá el pela cons ução de ês es es esc i os (na sua o alidade), dois aplicados no 10.º ano (Anexo J) e um aplicado no 11.º ano (Anexo K). Pa e dos es an es es es o am cons uídos pelo meu colega, e os es an es o am cons uídos em pa ce ia com a P o .ª Zulmi a. A ambos os es agiá ios oi dada a possibilidade de expe imen a a alia es es, expe iência essa que conside o das mais ele an es na PES. Sendo a a aliação uma ob igação do p o esso , pode ealizá-la ensinou-nos que é um p ocesso po ezes di ícil, mas acima de udo con ibuiu pa a nos consciencializa mos da impo ância de de ini c i é ios igo osos que pe mi am uma a aliação obje i a e jus a. Foi-me, ambém, necessá io a alia ês ap esen ações o ais de g upos de abalho do 11.º CSE2 (Anexo L). A a aliação o al oi sem dú ida um desa io e implicou uma eno me concen ação. Ajudou-me e os c i é ios mui o bem de inidos, endo uma g elha de a aliação bem o ganizada ( e i ada do dossiê do p o esso que acompanha o manual de 11.º ano), o que me pe mi iu apon a apidamen e e acilmen e os aspe os mais ele an es das ap esen ações dos alunos. 7. Reuniões Os es agiá ios o am con idados a es a p esen es nas euniões do Depa amen o de Ciências Sociais e nas euniões do G upo 410 (Filoso ia). Nes as euniões omos con on ados com um ce o cansaço e um ce o desânimo po pa e dos p o esso es, pe an e a sua não alo ização e excesso de abalho bu oc á ico. Nes as euniões, o am ealizadas plani icações e de inidos o plano anual de a i idades e o pe il dos alunos. Foi, ambém, decidido como aze a ecupe ação das ap endizagens (de ido aos pe íodos de con inamen o e consequen e ensino à dis ância). Realizou-se o balanço das a i idades le i as de cada pe íodo e analisa am-se os esul ados ob idos pelos alunos. O segundo con inamen o e o eg esso ao E@D ob iga am a uma ede inição dos c i é ios de a aliação, abalho esse ambém ealizado 20 nes as euniões. P esencia odos es es abalhos, con ibui-o pa a a nossa ap endizagem dos p ocessos e linguagem u ilizados. 8. Plano Anual de A i idades O plano anual de a i idades (PAA) ap esen ou-se, desde o início, como uma p eocupação pa a o núcleo de es ágio, que cedo começou a pensa em possí eis a i idades. Vis o e mos pela en e um ano le i o a ípico, em que as a i idades na ESMM i e am de se epensadas pa a não coloca em isco a saúde de es udan es e p o esso es, o nou-se um desa io p oje a um plano que pudesse se aplicado em aula, sem p ejudica o pe cu so cu icula . O ema escolhido pela escola coope an e oi “Ap ende : a se , a i e , a conhece e a aze ”, ema es e que pe mi ia oca um as o conjun o de ques ões. O núcleo pensou abo da ques ões suge idas pela pandemia, mas concluímos que os alunos es a iam sa u ados des e ema. Após algum diálogo, escolhemos cen a o PAA na elação homem-ambien e e na alo ização dos esíduos, p oblemas da iloso ia ambien al e ex emamen e a uais, omando como pon o de pa ida a a i mação do senso comum – “não ale apena aze sepa ação de lixo, po que a segui é udo mis u ado”. Tínhamos como g ande obje i o p ocu a que os alunos con ac assem com di e en es posições ilosó icas (po exemplo, a ecologia p o unda e o an opocen ismo), e que a aliassem c i ica e iloso icamen e a c ença do senso comum. Após a escolha do ema a abo da açámos um plano de abalho (Anexo M) pa a que osse en egue à di eção. Pensámos, inicialmen e, ap esen a o p oje o aos alunos no início do 2.º pe íodo, e asea a sua aplicação a é ao im do ano le i o. No en an o, o ag a amen o da si uação pandémica e um no o con inamen o ob iga am- nos a adia a sua aplicação, condensando es e abalho no 3.º pe íodo. Tínhamos combinado, ambém, aplicá-lo não apenas às u mas de 10.º ano, mas ambém às u mas de 11.º ano. Con udo, com a al e ação das da as e com a ex ensão do p og ama não oi possí el conc e izá-lo com as u mas de 11.º ano. Pa a inicia o p oje o ap esen ámos o aile do documen á io T ashed (2012), de o ma a sensibiliza os alunos pa a o p oblema que lhe es a a subjacen e. No es an e 27 di ícil e mo oso, em g ande medida po que ia con a os ideias da ig eja ca ólica, e po que se depa a no início do século XIX com uma gue a ci il. Du an e es e empo e no século XIX, exis ia uma ma cada oposição en e os de enso es de uma educação clássica, cla amen e eli is a, e os de enso es de uma educação mode na, que de endiam um ensino secundá io ma cado po um p og ama ol ado pa a as ciências exa as e pa a os conhecimen os na u ais. Pe an e es e cená io, em 1823, su gem no os “documen os que apon am a necessidade de e o ma o ensino médio de Pombal” 8 , p opondo al e ações aos con eúdos a es uda . Es as p opos as man inham di e sas disciplinas, uma das quais a “Filoso ia acional e mo al”, e in oduzindo no as disciplinas ligadas à ciência e a línguas i as. Es as ideias apenas se colocam em p á ica no ano de 1836. Su gem, nes a al u a, os liceus com o obje i o de possibili a aos cidadãos, de o ma não eli is a, adqui i cul u a ge al, e no as o mas de pensa . Com a queda da Mona quia e com o su gimen o da P imei a República, no início do século XX, embo a enham exis ido al e ações socias e polí icas, o ensino secundá io não so eu g andes al e ações na sua es u u a. Ao longo do século XX, o am ei as di e sas mudanças, mui as ezes, ao ní el do con eúdo. Em 1905, a disciplina de iloso ia é en endida “como a sis ema ização e a mais al a gene alização de odas as ciências” 9 . Em 1918, há um eg esso do p og ama a uma isão clássica. Po sua ez, no ano de 1919, o p og ama de iloso ia sepa a-se da isão posi i is a, e ai pouco a pouco sepa a -se da psicologia. É de des aca que em momen os de c ise, como a di adu a no pe íodo do Es ado No o (1926-1974), a iloso ia, com maio ou meno ele ância, so endo e o mas e al e ações aos con eúdos, nunca deixou de igo a . Ao con á io do que acon eceu com ou os países, po exemplo, com o B asil, o egime di a o ial po uguês não eliminou a iloso ia, apenas a a as ou da e lexão e do espí i o c í ico, ap oximando-a ao máximo da his ó ia das ideias, impedindo-a, dessa o ma, de elabo a pensamen os polí icos e sociais al e na i os aos igen es. 8 Ibid., p. 574. 9 Ibid., p. 576. 28 En e 1954 e 1979, a disciplina de iloso ia azia pa e dos 6.º e 7.º anos do liceu, sendo a ca ga ho á ia de qua o ho as semanais. O p imei o ano da disciplina e a ma cado essencialmen e po con eúdos do âmbi o da psicologia, o segundo oca a emas como a me a ísica, a é ica, a es é ica, a eo ia do conhecimen o e a lógica a is o élia. Es e p og ama pe mi iu ao Es ado No o man e o ensino da iloso ia “emb enhado num classicismo en adonho, pouco ou nada p eocupado com a e lexão em o no de um pensamen o mais a ual, local e nacional” 10 . Segundo A u Manso 11 , “O ensino abs a o e li esco da Filoso ia que igo ou em Po ugal an es da democ acia oi e o mulado, mas o es igma em o no do mesmo pe manece jun amen e com a discussão sob e a sua u ilidade (…)” 12 No que diz espei o à en ada dos alunos no ensino supe io , após o secundá io, oi em empos necessá io que os alunos u ilizassem a no a da disciplina de iloso ia pa a e em acesso a um cu so no ensino supe io . A ualmen e, a iloso ia nem se cons i ui como disciplina ob iga ó ia pa a a en ada na licencia u a de iloso ia. Desde a e o ma de 1979/80, o seu ensino é ob iga ó io apenas pa a o 10.º e 11.º anos de escola idade, sendo a sua equência acul a i a no 12.º ano. Con udo, a escolha pela disciplina no 12.º ano é esidual. Exis e um p o undo desin e esse pela mesma. Esse de e-se não só a a o es sociais e económicos, que não lhe iden i icam qualque u ilidade, mas ambém pela o ma como mui as ezes a disciplina é abo dada em sala de aula. Sabemos que, mui as ezes, a lecionação da disciplina de iloso ia é ealizada seguindo o mé odo adicional, em que o ensino é cen ado no p o esso . Ac edi amos que u iliza al mé odo é um e o pa a o ensino/ap endizagem da iloso ia. A pequena 10 MANSO, A. (2018). O Luga da Filoso ia nos Cu ículos do Ensino Secundá io em Po ugal, No a Água, n.º 21, 171. 11 P o esso auxilia da Uni e sidade do Minho. 12 MANSO, A. (2014). A Disciplina de Filoso ia no A ual Con ex o Cu icula do Ensino Secundá io em Po ugal. In Mo ei a, A. F., PACHECO, J. A., MORGADO, J. C., SEABRA, F., FERREIRA, C., VIANA, I. C. … SANTOS L. L. C. P. (O g.), Cu ículo na Con empo aneidade: In e nalização e Con ex os Locais. San o Ti so: Ins i u o de Educação – Uni e sidade do Minho. p. 730. 29 expe iência que i emos com o modelo A gue wi h me, desc i a no capí ulo I, pe mi e- nos a i ma que modelos onde “o p o esso não mais se enca a como aquele que adqui iu as compe ências de uma ez po odas” 13 susci am nos alunos um maio in e esse, uma maio alo ização da disciplina, e um desen ol imen o p á ico de de e minadas compe ências. A u Manso a i ma algo, com o qual es amos de aco do, “Como po ugueses, de emos es a g a os pelo ac o de o ensino da iloso ia con inua a se ob iga ó io pelo menos nos 10.º e 11.º anos, se assim não osse, nem esse pouco conhecimen o os alunos pode iam adqui i .” 14 Não nos p eocupa an o os conhecimen os enquan o con eúdos lecionados e adqui idos pelos alunos, es amos g a os pela p esença da iloso ia no ensino pelas compe ências que a disciplina de iloso ia pode po encia nos seus alunos. Apesa de oda a his ó ia e das esis ências que se azem sen i , a iloso ia em esis ido no ensino po uguês e é alo izada nos documen os que o ien am as polí icas educa i as exis en es. In elizmen e, essa alo ização, na p á ica, pa ece passa mui o poucas ezes po um aumen o quan i a i o e quali a i o do ensino da iloso ia. Ao longo dos anos êm-se e i ado ho as le i as à iloso ia, a ibuindo maio ca ga ho á ia a disciplinas, como a ma emá ica e as ciências. A não ob iga o iedade do ensino de iloso ia no 12.º ano, e a consequen e equência esidual, comp o a es a ideia. Como exemplo, na ESMM es a disciplina há anos que não em qualque ipo de exp essão. O Dec e o-Lei n.º 55/2018 con e e au onomia às escolas pa a o ganiza em a ca ga ho á ia das disciplinas de aco do com o que conside am mais adequado. À iloso ia, nos anos de ca á e ob iga ó io, a ibui um empo mínimo de 150 minu os semanais. A nossa i ência na ESMM, az-nos ac edi a que 150 minu os semanais é pouco empo pa a alcança o obje i o complemen a de auxilia ou as disciplinas no 13 MARNOTO, I. (Coo d.). (1990). Didác ica da Filoso ia (Vol. 1). Lisboa: Uni e sidade Abe a. p. 25-26. 14 MANSO, A. (2018). O Luga da Filoso ia nos Cu ículos do Ensino Secundá io em Po ugal, No a Água, n.º 21, 174. 30 desen ol imen o de compe ências, de p incípios e alo es, que se espe am e i ica no aluno no im da escola idade ob iga ó ia. Aos olhos da UNESCO Embo a a UNESCO se cons i ua como uma o ganização com o e oz no mundo da educação, o nosso obje i o, ao ap esen a a sua pe spe i a, não é u ilizá-la como a gumen o de au o idade. Ap esen amos as suas ideias po que, po um lado, se ap oximam daquilo que de endemos no que conce ne à pe inência da disciplina de iloso ia em ge al, e no ensino secundá io em pa icula , e po que, po ou o lado, mui as das suas ideias são ap esen adas como on es na cons ução dos documen os educa i os po ugueses. Desde a sua o igem, a UNESCO econhece a impo ância da p esença da iloso ia na educação, ecomendando o seu ensino uni e sal. Na sua p imei a con e ência, em 1946, de e minou dois g andes ins pa a a educação ilosó ica: 1. “p ocu a os ins umen os in e nacionais adequados pa a o a anço dos es udos ilosó icos” 15 ; 2. “pô a iloso ia ao se iço da educação in e nacional dos po os” 16 . Num pe íodo de pós-gue a, e cien e de que mui os países es a am a sai de Es ados au o i á ios e o ali á ios, a UNESCO ac edi a a (e ac edi a) que a iloso ia e ia (e em) um papel impo an e no o alecimen o e na p ese ação das sociedades democ á icas. E po quê? Po que como a i ma Raquel Cos a 17 , “numa sociedade onde não haja iloso ia os sujei os são mais manipulá eis e es ão mais sujei os a ensões e a imposições ex e io es. A iloso ia ajuda a 15 Ibid., 173. 16 Ibid., 173. 17 In es igado a da Uni e sidade do Minho. 31 omen a a i udes de ole ância, de espei o, de abe u a e de ap endizagem ace a di e en es sabe es.” 18 E sublinha, “a iloso ia é uma escola pa a a libe dade” 19 . Po esse mo i o, a UNESCO conside ou u gen e eabili a a iloso ia e ecomendou o seu ensino ob iga ó io. Desde en ão, em di e sos momen os e documen os, a UNESCO em ea i mado essa impo ância. Exemplo disso é a ins i uição do Dia Mundial da Filoso ia, no ano de 2002, celeb ado odos os anos desde en ão, no mês de no emb o. A p esença da iloso ia no ensino não em um ca á e alea ó io, pelo con á io o ac o da disciplina es a no ensino, de o ma pe manen e, cump e inalidades especí icas, uma das quais ansmi i ins umen os aos alunos que os auxiliem na sua a i idade enquan o cidadãos de sociedades democ á icas e plu alis as. Sob e as esis ências que se êm ei o sen i no que diz espei o ao ensino da iloso ia no ensino secundá io, a UNESCO, no ela ó io Philosophy: A School o F eedom (2007), a i ma que “a p essão pa a aumen a o eino cien í ico e ecnológico é po ezes, e e adamen e, acompanhado po uma des alo ização das humanidades” 20 , e i icando-se que a iloso ia é uma das a p imei as a sen i essa des alo ização. De aco do com o mesmo ela ó io, as escolas êm alhado no desen ol imen o do pensamen o c í ico nos jo ens es udan es, não os p epa ando con enien emen e pa a uma sociedade democ á ica e plu alis a. Nes e sen ido, de ende que a iloso ia é 18 COSTA, R. (2016). A Filoso ia no Ensino: o ensino da iloso ia no ensino secundá io em Po ugal. In MANSO A. & MARTINS, C. (O g.), Ensino da Filoso ia em Po ugal: T adição e Ac ualidade da Fo mação. Famalicão: Húmus, p. 82. 19 Ibid., p. 82. 20 “ ha p essu e o inc eased scien i ic and echnical aining in some imes, and w ongly, accompanied by a de alua ion o he humani ies.” – UNESCO. (2007). Teaching philosophy in seconda y educa ion. In UNESCO, Philosophy: A School o F eedom. F ança. UNESCO, p. 52. 32 uma disciplina que pode colma a es a alha, possibili ando aos alunos desen ol e a capacidade de análise e de a gumen ação. Con udo, elemb amos e e o çamos que a o ma como é abo dada a disciplina con ibui á ou não pa a o desen ol imen o dessas capacidades. No que oca ao ensino da iloso ia no ensino secundá io, a UNESCO de ende a adolescência como um empo p opício pa a a ma u ação de ques ões ilosó icas, sendo a inclusão da iloso ia no ensino secundá io posi i a e pe inen e pois pode ajuda num pe íodo de p o undas e impo an es mudanças pa a os alunos. “Du an e a adolescência, a nossa elação com o mundo, com os ou os e connosco p óp ios coloca em mo imen o um p ocesso de es u u ação e es u u ação p oblemá ica, com as suas ques ões, medos, aleg ias e so imen os. Pa a além disso, a nossa pe ceção dos ou os muda” 21 A adolescência é is a como um empo p opício pa a o ques ionamen o ilosó ico, po que su ge nos jo ens a capacidade de e le i sob e o seu p óp io pensamen o e sob e o pensamen o dos demais, que o odeiam. Nesse sen ido, a UNESCO ecomenda que à iloso ia de e se dado um luga legí imo nos sis emas de ensino, com o obje i o de ajuda os jo ens: a pensa li e e c i icamen e; a desen ol e a capacidade de analisa acionalmen e a sua expe iência e a expe iência humana (em ge al); a examina -se a si p óp ios; a o e ece -lhes ins umen os necessá ios pa a a sua ida em comunidade; a exp essa e en ende di e en es pon os de is a, desen ol endo a ole ância. Segundo o ela ó io e e ido, a disciplina de iloso ia não em como im úl imo a o mação e p odução de ilóso os, mas sim o ma cidadãos li es, do ados das compe ências e e idas, e o e ece como exemplo o p og ama de iloso ia po uguês. Em 21 “Du ing adolescence, ou ela ionship o he wo ld, o o he s and o ou sel es se s in mo ion a p ocess o s uc u ing and p oblema ic es uc u ing, wi h i s ques ioning, ea s, joys and su e ing. In addi ion, ou pe cep ion o o he s changes” – UNESCO. (2001). Teaching philosophy a seconda y le el. In UNESCO, Teaching Philosophy: In Eu ope and No h Ame ica, F ança: UNESCO. p.40. 33 Philosophy: A School o F eedom, o p o esso Al edo Reis explica que a iloso ia em Po ugal ado a uma “dimensão ci ilizacional” 22 , ao su gi como: “um luga de encon o de conhecimen o e expe iência, um luga especial pa a o apa ecimen o de pensamen o c í ico, (…), pa a o exe cício da libe dade e pa a o ala gamen o de ho izon es” 23 Pe an e o ac o de em mui os países se e uma edução das ho as dedicadas à iloso ia, o documen o Teaching Philosophy: In Eu ope and No h Ame ica, publicado em 2011, chama a a enção pa a a se iedade do isco que se co e com essa edução: “os p o esso es de iloso ia não e ão empo pa a explica e con ex ualiza as di e en es eo ias e posições polí icas e e -se-ão ob igados a ol a a ap esen ações es á icas, e dessa o ma, co em o isco de pa ece em dogmá icos e de se em expos os a acusações de dou inação” 24 . Não ac edi amos se coincidência que es a mesma ideia enha su gido no decu so de uma eunião do g upo de iloso ia (g upo 410) da ESMM. Nessa eunião, os p o esso es lamen a am a al a de empo pa a p opo ciona aos alunos espaços de e lexão e deba e mais p olongados, pela necessidade de p i ilegia os con eúdos p og amá icos, sabendo que, em unção de alunos que se ão a aliados com exame esc i o é necessá io leciona odas as unidades do p og ama. A con icção e ce eza dos p o esso es ali p esen es de que e a necessá ia uma maio ca ga ho á ia le ou a que 22 Ibid., p. 75. 23 Ibid., p. 75. 24 “philosophy eache s will no longe ha e enough ime o explain and con ex ualize he di e en heo ies and poli ical posi ions and will ha e o all back on s a ic p esen a ions, and so un he isk o appea ing dogma ic and exposing hemsel es o cha ges o indoc ina ion.” – UNESCO. (2011). Teaching philosophy a seconda y le el. In UNESCO, Teaching Philosophy: In Eu ope and No h Ame ica, F ança: UNESCO. p. 42. 34 icasse egis ado em a a que de e ia se pedida à di eção uma maio ca ga ho á ia pa a a disciplina no ano le i o 2021/2022. Documen os educa i os po ugueses Comecemos es a análise ocando o documen o que, como o seu nome indica, “es abelece o quad o ge al do sis ema educa i o” 25 nacional – a Lei de Bases do Sis ema Educa i o. Segundo es e documen o, o sis ema educa i o po uguês em em is a uma o ganização que con ibua pa a, “a ealização do educando, a a és do pleno desen ol imen o de pe sonalidade, da o mação do ca ác e e da cidadania, p epa ando-o pa a uma e lexão conscien e sob e os alo es espi i uais, es é icos, mo ais e cí icos (…)” 26 Visa, ambém, que a sua o ganização con ibua “pa a desen ol e o espí i o e a p á ica democ á icos” 27 . No que diz espei o aos obje i os ap esen ados pa a o ensino secundá io, espe a-se que es e assegu e, “o desen ol imen o do aciocínio, da e lexão e da cu iosidade cien í ica e o ap o undamen o dos elemen os undamen ais de uma cul u a humanís ica, a ís ica, cien í ica e écnica que cons i uam supo e cogni i o e me odológico ap op iado pa a o e en ual p osseguimen o de es udos e pa a a inse ção na ida ac i a.” 28 En e ou os obje i os des acados, o ensino secundá io de e ambém, 25 Segunda al e ação à Lei de Bases do Sis ema Educa i o, lei n.º 49/2005 de 30 de agos o. p. 5124. 26 Ibid., p. 5125. 27 Ibid., p. 5125. 28 Ibid., p. 5127. 35 “Fomen a a aquisição e aplicação de um sabe cada ez mais ap o undado assen e (…) na e lexão c í ica” 29 . E ainda, que es e c ie, “hábi os de abalho indi idual e em g upo, e a o ece o desen ol imen o de a i udes de e lexão me ódica, de abe u a de espí i o, de sensibilidade e de disponibilidade e adap ação à mudança” 30 . Tendo es es obje i os em con a, es e documen o a i ma que de em aze pa e da o ganização do ensino secundá io disciplinas que o ien em os alunos pa a a ida a i a. Os obje i os ge ais e pa icula es des e dec e o-lei, le am-nos a c e que pa e da pe inência da disciplina de iloso ia no ensino secundá io pa e do ac o de es a se uma disciplina que pode con ibui pa a a o mação ge al, humana e cí ica dos alunos, con ibuindo pa a o ien á-los na sua ida. Pensamos que os documen os que êm o ien ado a disciplina de Filoso ia, nos úl imos anos, apon am nessa mesma di eção. As o ien ações do P og ama de Filoso ia 31 , homologado no ano 2001, espei am as indicações da UNESCO e do conhecido Rela ó io Delo s – Educação: Um Tesou o a Descob i . Com base nisso, o p og ama isa que a disciplina de iloso ia colabo e pa a a sedimen ação dos qua o pila es essenciais da educação, p opos os no ela ó io mencionado: 29 Ibid., p. 5127. 30 Ibid., p. 5127. 31 De emos no a que es e documen o oi e ogado pelo Despacho n.º 6605-1/2021. Con udo, o despacho oi publicado após o é mino da PES, endo o P og ama de Filoso ia igo ado du an e es e empo. Pa a além disso, econhecemos a pe inência dos seus obje i os e inalidades, e conside amo-los de e as a uais. 36 “ap ende a conhece , is o é adqui i os ins umen os da comp eensão; ap ende a aze , pa a pode agi sob e o meio en ol en e; ap ende a i e jun os, a im de pa icipa e coope a com os ou os em odas as a i idades humanas, inalmen e ap ende a se , ia essencial que in eg a os ês p eceden es.” 32 O Rela ó io Delo s de ende que a disciplina de iloso ia, à semelhança da disciplina de his ó ia, assume “um impo an e papel na cons i uição de uma consciência capaz de disce ni o alo da abe u a e da in eg ação e ambém de ein en a no as o mas de ida em comum” 33 . As inalidades e obje i os, da disciplina de iloso ia, p opos os no p og ama mani es am uma p eocupação com a o mação humana e cí ica dos jo ens. Não se p eocupam apenas com a ansmissão de de e minados con eúdos, mas e o çam a necessidade de o e ece aos alunos ins umen os pa a pensa em de o ma au ónoma, independen e, pa a pensa em em coe ência com os seus alo es e obje i os pessoais. O e ece -lhes, ambém, ins umen os pa a pensa em de o ma c í ica, p opo cionando- lhes opo unidades pa a se ques iona em, e pa a ques iona em o mundo que os odeia. A disciplina de iloso ia de e auxilia na p epa ação dos alunos pa a a ida pessoal e em comunidade, ajudando-os a desen ol e “uma consciência a en a, sensí el e icamen e esponsá el” 34 . Nes e sen ido, o p og ama econhece a impo ância da iloso ia pa a a o mação ge al dos jo ens, a i mando o alo da disciplina pa a a p ese ação e o alecimen o da democ acia (à semelhança do que é de endido pela UNESCO), is o po que, ac edi amos que o jo em que é es imulado a pensa e ques iona c i icamen e es a á menos sujei o à op essão de um sis ema. Em 2017, su ge O Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia 35 , que, como o nome indica, p ocu a aça o pe il (p incípios, alo es e compe ências) que se espe a que os alunos enham no im do 12.º ano ou ao comple a em 18 anos de idade. 32 DELOR, J. e al. (1998). Educação: Um Tesou o a Descob i . São Paulo: Co ez Edi o a. p. 90. 33 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. (2001). P og ama de Filoso ia 10.º e 11.º Anos Cu sos Cien í ico- Humanís icos – Fo mação Ge al. Lisboa: Minis é io da Educação – Depa amen o do Ensino Secundá io. p. 4. 34 Ibid., p. 9. 35 Também conhecido como O Pe il do Aluno pa a o Século XXI. 43 “a iloso ia é uma simples ideia de uma ciência possí el que em pa e alguma é dada in conc e o” 44 . Pa a ensina iloso ia se ia necessá io que ela exis isse, que es i esse cons i uída. Sem que ela se cons i ua a sua ansmissão não é possí el, não se pode “ ansmi i algo que nós p óp ios não sabemos bem o que é, que p oblemá ica exp essa, pa a que diálogo com o eal pode se con ocado, e c.” 45 . O único conhecimen o ilosó ico que pode se ensinado é o conhecimen o his ó ico, po que é um conhecimen o dado, is o é “a iloso ia ei a, (…), a conceção ilosó ica des e ou daquele au o ” 46 . É a iloso ia ex da is, ou seja, “soluções encon adas em ce os con ex os cul u ais e basicamen e cons i uídos po dados” 47 . Tal signi ica que podemos ensina a isão ilosó ica de um ou de ou o au o . Todos nós podemos comp eende e e e bem aquilo que ou os disse am, mas se ica mos po aí somos apenas uma cópia de ou em, “a másca a de um homem i o” 48 . Não desp ezamos a his ó ia da iloso ia, es amos con encidos que ela é a base da nossa cul u a. Como a i ma João Boa ida, “A his ó ia da iloso ia é o lei o onde a nossa cul u a assen a, base do seu en endimen o e pon o de pa ida da unção acional que ge a as ideologias, ou seja, o mo o da e olução e do desen ol imen o” 49 . Con udo, ainda que esse conhecimen o seja de e as impo an e, e apenas um g ande conhecimen o his ó ico da iloso ia, não assegu a “só po si, a componen e mais p o unda e ú il que é a capacidade acional de analisa e in e p e a , conce ualiza e 44 KANT, I. (1985). C í ica da Razão Pu a. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian. p. 661. 45 MARNOTO, I. (Coo d.). (1990). Didác ica da Filoso ia (Vol. 1). Lisboa: Uni e sidade Abe a. p. 69. 46 BOAVIDA, J. (2016). Pensamen o e Conhecimen o na Fo mação Filosó ica. In MANSO, A. & MARTINS, C. (O g.), Ensino da Filoso ia em Po ugal: T adição e Ac ualidade da Fo mação. Famalicão: Húmus. p. 97. 47 Ibid., p. 97. 48 KANT, I. (1985). C í ica da Razão Pu a. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian. p. 660. 49 BOAVIDA, J. (2016). Pensamen o e Conhecimen o na Fo mação Filosó ica. In MANSO, A. & MARTINS, C. (O g.), Ensino da Filoso ia em Po ugal: T adição e Ac ualidade da Fo mação. Famalicão: Húmus, p. 99. 44 eo iza ” 50 , compe ências que conside amos es a em na base da pe inência da iloso ia. O conhecimen o que os alunos ob êm a a és do conhecimen o his ó ico é um conhecimen o que não esul ou da sua p óp ia azão. No que diz espei o à iloso ia como a i idade da azão, apenas se pode ensina /ap ende a iloso a , po que ainda que a iloso ia não es eja dada, “p ocu amos ap oxima -nos po di e en es caminhos” 51 . Implica uma apos a numa de e minada a i ude, que pode se ap endida. O p o esso não de e, en ão, ica pela ansmissão de um conhecimen o his ó ico da iloso ia. De e auxilia o aluno na sua ap endizagem do iloso a . Como a i ma José Ba a a-Mou a 52 , “Ap ende não é «impo a » e epe i ; é ap op ia pa a desen ol e . Ensina , não é « ans e i » ichei os, é c ia condições e pas o pa a uma ap endizagem.” 53 O p o esso de iloso ia não de e limi a -se a imp imi nos alunos os con eúdos p og amá icos, mas de e p ocu a que os alunos adqui am o gos o pelo pensa , pelo ques iona e ajudá-los a se au odida as na sua ap endizagem. De e p ocu a ensina uma a i ude. Ac edi amos que é o ensino da iloso ia como iloso a que con ibui á pa a o cump imen o dos obje i os e inalidades dos documen os que o ien am o ensino da iloso ia em Po ugal. Resumindo, pensamos que, de aco do com a análise da Lei de Bases do Sis ema Educa i o, exis e nos undamen os do sis ema de ensino po uguês uma p eocupação com a o mação ge al, humanis a e cí ica dos jo ens po ugueses e a disciplina de iloso ia, no sen ido em que pode con e i um conjun o de e minado de compe ências, conside adas essenciais, assume um papel pe inen e no sis ema de ensino po uguês. 50 Ibid., p. 99. 51 KANT, I. (1985). C í ica da Razão Pu a. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian. p. 661. 52 P o esso ca ed á ico da Faculdade de Le as. 53 BARATA-MOURA, J. (1995). Filoso ia e Filoso a . Hegel e sus Kan ?. Philosophica, n.º 6. P. 68. 45 A disciplina de iloso ia, como nos é ap esen ada nos documen os que analisámos, não em po obje i o o ma ilóso os (pelo menos, não de o ma sis emá ica), mas sim o ma cidadãos au ónomos, c í icos, com capacidade de analisa e de se adap a a si uações no as, com capacidade de pensa acionalmen e e jus i ica as suas escolhas e posições. 46 CONCLUSÃO O ela ó io que concluímos man e e a es u u a a que inicialmen e nos ínhamos comp ome ido segui . Sendo assim, no p imei o capí ulo, desc e emos, com algum po meno , a nossa expe iência na Escola Secundá ia de Mem Ma ins, no âmbi o da componen e p á ica da nossa o mação pa a a docência – a P á ica de Ensino Supe isionada. P ocu ámos desc e e os aspe os que conside ámos de maio ele ância e concluímos que os meses passados na companhia da P o .ª Zulmi a Sizi edo o am essenciais pa a a nossa ap endizagem e acompanha -nos-ão na nossa p á ica enquan o p o esso es. Po sua ez, no segundo capí ulo, ap esen amos uma e lexão sob e a pe inência e inalidade da disciplina de iloso ia no ensino po uguês, is o que es a é uma disciplina de ca iz ob iga ó io nos p imei os dois anos do ensino secundá io. Começámos po p ocu a comp eende como a p esença secula da iloso ia no ensino po uguês oi e oluindo ao longo dos úl imos séculos, cons a ando que mesmo passando po di e sas e o mas, endo sido abo dada de di e en es o mas e assumindo di e sas designações ao longo do empo, a disciplina de iloso ia nunca deixou de igo a no nosso ensino. Essa cons a ação le a-nos a pensa que a sua p esença não é alea ó ia, mas que lhe em sido econhecida, pelas polí icas educa i as, uma ele ância com a qual conco damos e sob e a qual pensamos se impo an e con inua a e le i . Pos e io men e, ap esen ámos a pe spe i a da UNESCO no que oca ao ensino da iloso ia, em ge al, e no que oca ao ensino secundá io, em pa icula . Po um lado, as ideias de endidas po es a o ganização ão de encon o ao que de endemos ela i amen e à pe inência da disciplina de iloso ia, po ou o lado, uma ez que a sua pe spe i a é ida em conside ação nos documen os que o ien am a disciplina de iloso ia no ensino po uguês, conside ámos se ele an e comp eende a sua posição. A UNESCO de ende que à iloso ia de e se dado um luga de des aque, pois es a em um papel impo an e no o alecimen o e na p ese ação das sociedades democ á icas, pois é uma disciplina que o e ece ins umen os aos seus alunos, ins umen os esses que omen am a libe dade, a ole ância, o espei o po si e pelos 47 ou os, o espí i o c í ico. Rela i amen e ao ensino da iloso ia, de ende a adolescência como um empo p opício pa a a ma u ação de ques ões ilosó icas, is o que a iloso ia no ensino secundá io su ge num pe íodo de p o undas e impo an es mudanças pa a os alunos. O pon o ulc al des a e lexão passou po conside a e analisa os documen os po ugueses que o ien am a o mação ge al e ilosó ica no ensino secundá io em Po ugal, de o ma a e i a conclusões sob e a ele ância de e disciplina de iloso ia com ca iz ob iga ó io no nosso ensino. Iniciámos esse pe cu so com uma b e e análise da o ganização e dos obje i os isados na Lei de Bases do Sis ema Educa i o, concluindo que nele es á explíci a uma p eocupação com a o mação ge al e cí ica dos nossos alunos. Concluímos que es e documen o a i ma a necessidade, de aze em pa e da o ganização do ensino secundá io, disciplinas que o ien em os alunos pa a a ida a i a. Tendo isso em con a, ac edi amos que pa e da pe inência da p esença da disciplina de iloso ia no ensino secundá io se liga ao ac o de es a se uma disciplina cujos documen os que a o ien am apon am pa a uma con ibuição pa a a o mação ge al, humana e cí ica dos alunos. De o ma a comp o a essa ideia deb uçámo-nos sob e o P og ama de Filoso ia, homologado no ano 2001, onde nos depa ámos com uma p eocupação não apenas com a ansmissão de de e minados con eúdos, mas essencialmen e com a necessidade de o e ece ins umen os aos jo ens pa a pensa em de o ma au ónoma, c í ica, dando- lhes espaço pa a se ques iona em e ques iona em o mundo que os odeia. Seguidamen e, ocámos O Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia, que econhecemos i ao encon o an o dos obje i os ap esen ados na Lei de Bases do Sis ema Educa i o, bem como dos obje i os e inalidades do p og ama que e e imos an e io men e, e po esse mo i o, concluímos que es e pe il eio apenas e o ça a necessidade a pe inência da disciplina de iloso ia. Po im, conside ámos aqueles que são hoje os documen os de des aque no que oca ao cu ículo da disciplina de iloso ia – as Ap endizagens Essenciais. Conside amos que as inalidades e obje i os que es es documen os suge em são mui os p óximos 48 daqueles que e am já suge idos no P og ama de Filoso ia. No en an o, endo es es documen os su gido pos e io men e ao Pe il do Aluno à Saída da Escola idade Ob iga ó ia, analisámos como cada con eúdo da disciplina de iloso ia es á pensado pa a desen ol e um conjun o de e minado de compe ências isadas nesse pe il, os chamados “Desc i o es do Pe il dos Alunos”, omando como exemplo os con eúdos do 10.º ano. Achámos que se ia ele an e deixa a essal a de que ainda que exis a a in enção de p opo ciona espaço aos alunos que con ibuam pa a o desen ol imen o das compe ências enunciadas, que não podemos ga an i esse desen ol imen o. O que p ocu ámos des aca oi a ideia de que a disciplina de iloso ia em o po encial e a possibilidade pa a os desen ol e . Concluímos a i mando que a disciplina de iloso ia, na medida em que pode auxilia no desen ol imen o de um conjun o de e minado de compe ências, conside adas essenciais, assume um papel pe inen e no sis ema de ensino po uguês. 49 BIBLIOGRAFIA Documen os legais e ins i ucionais ESCOLA SECUNDÁRIA DE MEM MARTINS. (2020). Regulamen o In e no (RI). ESCOLA SECUNDÁRIA DE MEM MARTINS. Segunda al e ação à Lei de Bases do Sis ema Educa i o, lei n.º 49/2005 de 30 de Agos o. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. (2018). Ap endizagens Essenciais: Filoso ia 10.º Ano. Lisboa: Minis é io da Educação. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. (2018). Ap endizagens Essenciais: Filoso ia 11.º Ano. Lisboa: Minis é io da Educação. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. (2001). P og ama de Filoso ia 10.º e 11.º Anos Cu sos Cien í ico-Humanís icos – Fo mação Ge al. Lisboa: Minis é io da Educação – Depa amen o do Ensino Secundá io MARTINS, G. O., GOMES, C. A. S., BROCARDO, J. M. L., PEDROSO, J. V., CARRILLO, J. L. A., SILVA, L. M. U., … RODRIGUES, S. M. 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