scieee Open visual document viewer

As Raízes Historiográficas das Relações Internacionais: Ranke Enquanto Precursor do Realismo

Neves, Ricardo Pereira

Abstract

As Relações Internacionais detinham, nas vésperas da sua consolidação académica em meados do séc. XX, um caráter profundamente eclético, com um corpo teórico derivado de outras áreas do conhecimento. Entre estas, destacavam-se a História e, em particular, a História Diplomática, cujo moderno fundador havia sido o historiador oitocentista Leopold von Ranke. Esta dissertação visa problematizar Ranke enquanto precursor intelectual do Realismo, não apenas da sua variante clássica, como também da sua variante neo-realista. Por via de um modelo de análise explicativo e com recurso a um método de pesquisa qualitativo, pretendemos apurar a influência da historiografia rankeana sobre estas duas variantes realistas, na forma de três dos seus principais autores: Morgenthau, Niebuhr e Waltz. Através de uma série de diálogos individuais entre Ranke e cada um destes realistas, estruturados por dois conceitos-chave que atuarão enquanto descritores – o Estado e o Equilíbrio de Poder –, procuramos efetuar um levantamento das continuidades e clivagens entre o historiador e os teóricos. Todos estes diálogos se alicerçam sobre um contraste ontológico entre Ranke e cada realista: recorremos à ontologia de cada autor enquanto um elemento que os distingue e contrasta fundamentalmente entre si. A partir destes diálogos, apuramos que continuidades e clivagens são transversais a todos os autores realistas analisados, permitindo-nos indagar a respeito da influência de Ranke sobre o corpus teórico realista. Simultaneamente, a seleção de Morgenthau e Niebuhr, enquanto realistas clássicos, e de Waltz, enquanto neo-realista, também nos permite pronunciar a respeito do desenvolvimento intra-teórico entre estas duas variantes, à luz do que o diálogo de cada autor com Ranke revelar. Concluímos que existem duas grandes linhas de influência entre Ranke e os autores realistas: por um lado, o recurso a um modelo da política internacional estatocêntrico, assente numa hierarquização dos Estados com base no poder e privilegiando, analiticamente, as ações e as interações das unidades estatais mais poderosas; por outro lado, o recurso a uma narrativa histórica da política internacional que a interpreta e representa como funcionando sob um Equilíbrio de Poder. Em simultâneo, concluímos que estas linhas de influência devem ser enquadradas num fundamental contexto de diferença entre Ranke e os três realistas, diretamente decorrente do seu respetivo contraste ontológico.

Full text

As Raízes His o iog á icas das Relações In e nacionais: Ranke enquan o P ecu so do Realismo Rica do Pe ei a Ne es Janei o, 2022 Disse ação em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais Especialização em Relações In e nacionais i Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ana Isabel dos San os Figuei edo Pin o e do P o esso Mes e Rui Fe nando Pi es Hen ique dos San os. ii À a ó Au o a, senho a mais ai osa iii AGRADECIMENTOS Começa ia po ag adece a odos os p o esso es, dos mais emo os aos mais ecen es, com quem i e o p aze de ap ende . Nomeadamen e, ag adeço a odo o co po docen e do Depa amen o de Es udos Polí icos da FCSH, com quem não só ap endi, como me di e i a azê-lo. A ideia emb ioná ia da qual i ia a esul a es a disse ação mui o de e aos escla ecimen os e ao enco ajamen o do P o esso Ca los Gaspa , a quem gos a ia de ag adece pa icula men e. À minha o ien ado a, a P o esso a Ana San os Pin o, po semp e e dado, a mim e a odos os seus alunos, o maio alen o possí el. Quem é eliz a aze o que az, não pode e i a p opaga essa elicidade a quem a es emunha. Ao meu co-o ien ado , o P o esso Rui San os, com quem i e o p i ilégio de abalha di e amen e ao longo de oda a disse ação. A sua eno me disponibilidade e incansá el bom- humo , a pa de odos os seus pe inen es conselhos e obse ações, ga an i am que es e abalho pudesse oma a sua o ma inal. Fica -lhe-ei pa a semp e ag adecido. À minha amília. Em pa icula , aos meus pais, po oda a libe dade que me dão e po odo o apoio que me ga an em. À minha i mã, po e is o e e is o algumas passagens, simpli icando o que eu an as ezes complico. À ga a Mia, po se uma iel companhei a. Aos meus iéis compinchas de longa da a, And é, Sé gio e Vidigal, numa o dem pu amen e al abé ica. Aos amigos que i e a so e de conhece na aculdade e de quem, odos os dias, sin o saudades: Felipe, Jone , A onso, Rod igo e Vicen e. À Ana, a quem de o alguma da legibilidade des a disse ação, mas que se di e e mais a le -me, como eu a ela. Que assim seja enquan o i e mos olhos pa a o aze e um amo pa a o jus i ica . A odos os acasos, is es e elizes, passados e indou os. i As Raízes His o iog á icas das Relações In e nacionais: Ranke enquan o P ecu so do Realismo Rica do Pe ei a Ne es [RESUMO] PALAVRAS-CHAVE: Realismo; Ranke; Es ado; Equilíb io de Pode As Relações In e nacionais de inham, nas éspe as da sua consolidação académica em meados do séc. XX, um ca á e p o undamen e eclé ico, com um co po eó ico de i ado de ou as á eas do conhecimen o. En e es as, des aca am-se a His ó ia e, em pa icula , a His ó ia Diplomá ica, cujo mode no undado ha ia sido o his o iado oi ocen is a Leopold on Ranke. Es a disse ação isa p oblema iza Ranke enquan o p ecu so in elec ual do Realismo, não apenas da sua a ian e clássica, como ambém da sua a ian e neo- ealis a. Po ia de um modelo de análise explica i o e com ecu so a um mé odo de pesquisa quali a i o, p e endemos apu a a in luência da his o iog a ia ankeana sob e es as duas a ian es ealis as, na o ma de ês dos seus p incipais au o es: Mo gen hau, Niebuh e Wal z. A a és de uma sé ie de diálogos indi iduais en e Ranke e cada um des es ealis as, es u u ados po dois concei os-cha e que a ua ão enquan o desc i o es – o Es ado e o Equilíb io de Pode –, p ocu amos e e ua um le an amen o das con inuidades e cli agens en e o his o iado e os eó icos. Todos es es diálogos se alice çam sob e um con as e on ológico en e Ranke e cada ealis a: eco emos à on ologia de cada au o enquan o um elemen o que os dis ingue e con as a undamen almen e en e si. A pa i des es diálogos, apu amos que con inuidades e cli agens são ans e sais a odos os au o es ealis as analisados, pe mi indo-nos indaga a espei o da in luência de Ranke sob e o co pus eó ico ealis a. Simul aneamen e, a seleção de Mo gen hau e Niebuh , enquan o ealis as clássicos, e de Wal z, enquan o neo- ealis a, ambém nos pe mi e p onuncia a espei o do desen ol imen o in a- eó ico en e es as duas a ian es, à luz do que o diálogo de cada au o com Ranke e ela . Concluímos que exis em duas g andes linhas de in luência en e Ranke e os au o es ealis as: po um lado, o ecu so a um modelo da polí ica in e nacional es a ocên ico, assen e numa hie a quização dos Es ados com base no pode e p i ilegiando, anali icamen e, as ações e as in e ações das unidades es a ais mais pode osas; po ou o lado, o ecu so a uma na a i a his ó ica da polí ica in e nacional que a in e p e a e ep esen a como uncionando sob um Equilíb io de Pode . Em simul âneo, concluímos que es as linhas de in luência de em se enquad adas num undamen al con ex o de di e ença en e Ranke e os ês ealis as, di e amen e deco en e do seu espe i o con as e on ológico. The His o iog aphical Roo s o In e na ional Rela ions: Ranke as a P ecu so o Realism Rica do Pe ei a Ne es [ABSTRACT] KEYWORDS: Realism; Ranke; S a e; Balance o Powe On he e e o i s academic consolida ion in he mid- wen ie h cen u y, In e na ional Rela ions had a p o oundly eclec ic cha ac e , wi h a heo e ical body impo ed om o he ields o knowledge. Among hese, one can highligh he ield o His o y and, pa icula ly, Diploma ic His o y, whose mode n ounde had been he nine een h-cen u y his o ian Leopold on Ranke. This disse a ion seeks o ques ion Ranke as an in ellec ual p ecu so o Realism, no only i s classical a ian , bu also i s neo- ealis a ian . Th ough an explana o y model o analysis and by ollowing a quali a i e esea ch me hod, we aim o highligh he in luence o ankean his o iog aphy o e hese wo ealis heo e ical a ian s, ep esen ed by h ee o hei main au ho s: Mo gen hau, Niebuh , and Wal z. By way o a se ies o indi idual dialogues be ween Ranke and each one o hese ealis s, s uc u ed by wo key-concep s ac ing as media o s – he S a e and he Balance o Powe –, we seek o highligh he con inui ies and clea ages be ween he his o ian and he heo is s. All hese dialogues a e ounded upon an on ological con as be ween Ranke and each ealis : we eso o each au ho ’s on ology as an elemen ha undamen ally dis inguishes hem om and con as s hem wi h each o he . Based on hese dialogues, we unde line which con inui ies and clea ages a e common o all he ealis schola s unde analysis, allowing us o inqui e abou Ranke’s in luence o e he ealis heo e ical co pus. Simul aneously, bo h Mo gen hau and Niebuh ’s selec ion, as classical ealis s, and Wal z’s selec ion, as a neo- ealis , will also allow us o add ess he in a heo e ical de elopmen be ween hese wo a ian s, conside ing wha each au ho ’s dialogue wi h Ranke e eals. We conclude ha he e a e wo majo lines o in luence be ween Ranke and he ealis au ho s: on he one hand, he use o a s a e-cen ic model o in e na ional poli ics, ounded on a powe -based hie a chiza ion o S a es and p i ileging, in analy ical e ms, he ac ions and in e ac ions o he mo e powe ul s a e-uni s; on he o he hand, he use o a his o ical na a i e o in e na ional poli ics ha in e p e s and ep esen s i as unc ioning unde a Balance o Powe . Simul aneously, we conclude ha hese lines o in luence should be amed unde a undamen al con ex o di e ence be ween Ranke and he h ee ealis s, ha a ises di ec ly om hei espec i e on ological con as . i Índice: In odução Iden i icação e Jus i icação do Tema …….…….……….……………………………………. 1 Enquad amen o Me odológico ……………………………………………………………..… 3 Es u u a da In es igação ………………………………………………………………...…... 8 Es ado da A e ………………………………………………………………………….....… 10 Pa e I: Leopold on Ranke Capí ulo 1: A His o iog a ia Rankeana • 1.1 – A On ologia P o idencial de Ranke …….………………….…..…..…...…. 13 • 1.2 – Ranke e o Es ado ……………………….………………….….….……….. 20 • 1.3 – Ranke e o Equilíb io de Pode ………….………………….….…....……... 25 Pa e II: Realismo Clássico Capí ulo 2: O Realismo Polí ico de Hans Mo gen hau • 2.1 – Uma Laicização Analí ica ………..….….….…….....….…..….…….......... 30 • 2.2 – Mo gen hau e o Es ado: As Unidades Cons i u i as do P esen e ……..….. 33 • 2.3 – Mo gen hau e o Equilíb io de Pode : Um Eco Associa i o .………......….. 38 Capí ulo 3: O Realismo Polí ico de Reinhold Niebuh • 3.1 – Um Cisma C is ão …..………..…………….…….....….…..….…….......... 51 • 3.2 – Niebuh e o Es ado: A ogan es In imações ………………….....…......….. 56 • 3.3 – Niebuh e o Equilíb io de Pode : Da Humildade à Mu ualidade .……..…... 63 Capí ulo 4: O Ho izon e Polí ico-No ma i o do Realismo Clássico ……………….....…. 70 ii Pa e III: Neo- ealismo Capí ulo 5: O Neo-Realismo de Kenne h Wal z • 5.1 – Pa cimónia Mic oeconómica ……………….…….....….…..….…….......... 79 • 5.2 – Wal z e o Es ado: The S a e Among S a es …………….…..….....…......….. 87 • 5.3 – Wal z e o Equilíb io de Pode : Uma Teo ia como Qualque Ou a .….…... 95 Capí ulo 6: Da Pa cimónia à Rigidez ………………………………………………….... 104 Conclusões …………………………………...………………………………..….….…… 113 Bibliog a ia .……………….….…………………………………………………………... 121 1 In odução 1 – Iden i icação e Jus i icação do Tema As Relações In e nacionais (RI) cons i uem uma á ea disciplina pau ada po uma plu alidade eó ica, com um he e ogéneo conjun o de escolas e abo dagens no seu seio. Ainda assim, es a á ea não es á isen a de uma hie a quização das á ias eo ias que a compõem, já que, ao longo do cen ená io desde a sua o malização académica, em indo a se equen emen e e a ada como sendo es u u ada po uma íade undamen al de eo ias: o Realismo, o Libe alismo e as “Teo ias Radicais” (de onde, a pa i de meados da década de 90, se des aca o Cons u i ismo). 1 En e es as ês abo dagens eó icas, a nossa in es igação oca - se-á na escola ealis a, cujo ad en o – em meados do séc. XX – é insepa á el da consolidação académica das RI, sob e udo nos Es ados Unidos. 2 Em pa icula , es e abalho p ocu a á p oblema iza a in luência de um his o iado alemão oi ocen is a sob e a escola ealis a e a é que pon o es e pode á se conside ado um p ecu so des a; o his o iado a a-se de Leopold on Ranke, cuja ob a con ibuiu pa a a cons i uição da mode na disciplina da His ó ia. An es de da mos início a es e exe cício, cabe-nos, po ém, pe gun a qual a sua pe inência e a sua ele ância pa a as RI. Como se pode jus i ica a ealização de uma in es igação que oma como obje o de es udo a elação de um empo almen e dis an e his o iado com a escola eó ica ealis a? A espos a a es a ques ão de e á começa po salien a o que já mencionámos: es a escola eó ica, pa a além de ainda cons i ui uma das mais signi ica i as abo dagens den o de oda a á ea disciplina , é indissociá el da p óp ia consolidação académica des a úl ima. Pos o is o, é ao deb uça mo-nos sob e as éspe as des a consolidação, no pós-Segunda Gue a Mundial, que nos ape cebemos do ecle icismo in elec ual e disciplina que pau a a as RI nessa al u a; o seu ainda di uso núcleo de emá icas deco ia de uma panóplia de ou as disciplinas, já mais ins i ucionalizadas: F ede ick Dunn enume a a a Geog a ia Polí ica, o Di ei o In e nacional, a Economia In e nacional e a His ó ia Diplomá ica enquan o algumas des as á eas, imp escindí eis pa a qualque in es igado que isasse oma como obje o de es udo ques ões do o o in e nacional; 3 po sua ez, Waldema Gu ian ac edi a a que qualque disciplina que p e endesse analisa as elações in e nacionais 1 Es a ipologia é ap esen ada e ad ogada po S ephen Wal : “The s udy o in e na ional a ai s is bes unde s ood as a p o ac ed compe i ion be ween he ealis , libe al, and adical adi ions.” (WALT, S. M. – In e na ional Rela ions: One Wo ld, Many Theo ies, p. 30). 2 Pa a um a igo que explo a es a elação mais ap o undadamen e, e GUILHOT, N. – The Realis Gambi : Pos wa Ame ican Poli ical Science and he Bi h o IR Theo y. 3 DUNN, F. S. – The P esen Cou se o In e na ional Rela ions Resea ch, p. 86. 8 cons uído e sus en ado pa a o maio bene ício secu i á io de cada uma das pa es, po ia do comp omisso e mú uo aco do. 23 Ac edi amos, pois, que es a dis inção en e dois modelos p opos a po Li le do a á um dos nossos desc i o es, o Equilíb io de Pode , de um maio igo concep ual, colma ando a sua apon ada ambiguidade. 3 – Es u u a da In es igação Cada Capí ulo do nosso abalho (exce uando os Capí ulos 4 e 6) se á di ido em ês secções, cada uma das quais dispondo de um pa ág a o in odu ó io no qual ap esen a emos, em linhas ge ais, os p incipais ópicos a se em abo dados nessa secção. O Capí ulo 1 se á des inado a uma análise da nossa a iá el independen e, a ob a his o iog á ica de Ranke: a sua p imei a secção e á como obje i o explici a qual a base on ológica do his o iado , enquan o a segunda e a e cei a secções se i ão pa a da mos con a da sua in e p e ação pa icula do Es ado e do Equilíb io de Pode , à luz daquela base on ológica. Tal análise se á assen e numa ipologia de pesquisa quali a i a (explo a ó ia- desc i i a) com ecu so a on es bibliog á icas secundá ias – an o ob as do p óp io his o iado aduzidas pa a inglês, como li e a u a c í ica de ou os au o es a espei o des a ob a. Selecionámos um conjun o bibliog á ico que se oca, pa icula men e, nos p incípios eó icos que subjazem a his o iog a ia de Ranke; al seleção pe mi i -nos-á ab i espaço pa a es a his o iog a ia pode se discu ida em e mos eó icos, de modo a mais e icazmen e da mos con a da sua base on ológica especí ica. Também selecionámos ou o conjun o de bibliog a ia, ocado na in e p e ação pa icula ankeana dos nossos dois desc i o es – o Es ado e o Equilíb io de Pode . O Capí ulo 2 ocupa -se-á com a ob a de Mo gen hau, que se á colocada numa elação de diálogo com a de Ranke: a sua p imei a secção p ocu a á explici a a base on ológica do ealismo polí ico de Mo gen hau, pa a con as á-la com a de Ranke; à luz des e con as e on ológico, a segunda e a e cei a secções p ocu a ão analisa , espe i amen e, a in e p e ação 23 “Wha he me apho implies is ha he po en ial exis s o es ablish a poli ical equilib ium on he basis o a consensus whe eby he essen ial secu i y needs o all he majo powe s a e sa is ied. An ex ension o his posi ion is ha any aspi ing hegemon will be me by an o e whelming collec i e esponse.” (LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 73). 9 de Mo gen hau do Es ado e do Equilíb io de Pode , em busca de cli agens e de simili udes com as in e p e ações de Ranke. O Capí ulo 3 a á o mesmo, mas com a ob a de Niebuh . No Capí ulo 4, o nosso p incipal in ui o se á ecupe a alguns pon os de discussão abo dados ao longo dos Capí ulos 2 e 3, sob e udo elacionados com as consequências polí ico-no ma i as da on ologia de Mo gen hau e de Niebuh , pa a as suas espe i as ob as. O nosso obje i o se á coloca es es elemen os num diálogo di e o com a ob a de Ranke, em busca de con inuidades e cli agens. O Capí ulo 5 lida á com a ob a do neo- ealis a Wal z: a sua p imei a secção deb uça - se-á sob e a base on ológica da eo ia de Wal z e con as á-la-á com a de Ranke; a segunda e a e cei a secções, à luz des e con as e on ológico, p ocu a ão analisa , espe i amen e, a in e p e ação wal ziana do Es ado e do Equilíb io de Pode , no sen ido de iden i ica cli agens e simili udes com as in e p e ações de Ranke. O Capí ulo 6, po im, desempenha á pa a Wal z a mesma unção que o Capí ulo 4 desempenhou pa a Mo gen hau e pa a Niebuh : analisa , sob e udo, as consequências polí ico-no ma i as da on ologia de Wal z pa a a sua ob a, com o in ui o de as coloca em diálogo com a ob a de Ranke. Pa a odos es es Capí ulos, selecionámos um conjun o de bibliog a ia p imá ia dos ês au o es ealis as, não só com base no seu g au de ele ância pa a o en endimen o dos seus espe i os ealismos, como na sua adequação à explo ação da sua on ologia e das suas in e p e ações do Es ado e do Equilíb io de Pode . 24 Em e mos de bibliog a ia secundá ia, eco emos a ob as que abo dam que a on ologia dos au o es ealis as, que a sua in e p e ação especí ica de ambos os desc i o es. No inal, com base nas conclusões ex aídas de cada diálogo en e Ranke e os ealis as, p ocu a emos aze um le an amen o daquelas que o em iden i icadas como as simili udes e as cli agens ans e sais a cada um des es au o es, pe mi indo-nos a ança conhecimen o a espei o da elação de Ranke com o co pus eó ico ealis a das RI. Em simul âneo, a inclusão, nes e exe cício, dos ealis as clássicos Mo gen hau e Niebuh , e do neo- ealis a Wal z, ambém nos de e á pe mi i i a conclusões a espei o do p óp io desen ol imen o in a- eó ico en e es as duas a ian es ealis as. 24 Des acamos, en e es as ob as, Poli ics Among Na ions de Mo gen hau, Mo al Man and Immo al Socie y de Niebuh , bem como Man, he S a e, and Wa e Theo y o In e na ional Poli ics de Wal z. Apesa de e mos eco ido a ou as ob as de cada um dos au o es, acaba am po se es as que se e ela am mais signi ica i as. 10 4 – Es ado da A e: São á ias as in es igações que, no passado, aludi am a uma elação de in luência en e a his o iog a ia de Ranke e o Realismo; podemos ag upá-las em dois conjun os dis in os: po um lado, as que e e i am a exis ência des a elação de o ma episódica e, po an o, pouco ap o undada, não cons i uindo es a o seu oco analí ico de aiz; po ou o lado, aquelas que, apesa de e em explo ado es a elação de um modo mais in ensi o, alcança am o que a nosso e são conclusões de escopo ela i amen e limi ado, ex ensí eis a apenas um ou ou o eó ico ealis a, em ez de ao co pus eó ico ealis a mais as o, pa a além do ac o de ambém não e em omado es a elação como o seu p incipal obje o de análise. Olhando pa a o p imei o conjun o, ci emos o caso de Koliopoulos (2010), que, num a igo onde se ques iona sob e a e olução das on ei as en e as disciplinas da His ó ia e das RI, az uma b e e alusão à ob a de Ranke: como nos explica, o oco analí ico do his o iado alemão sob e as G andes Po ências az eco no Realismo. 25 Também Lebow (2003) alude à exis ência de uma elação en e Ranke e a eo ia ealis a, apesa de depois não a ap o unda : limi a-se a dize que Ranke é um p ecu so de Kenne h Wal z po de ini , al como es e úl imo, as G andes Po ências em e mos das suas capacidades – ou seja, num sen ido ma e ial. 26 Já Haslam (2002), num exe cício de His ó ia das Ideias que isa ab ange o pensamen o ealis a no seu desen ol imen o desde Maquia el, az uma b e e alusão a Ranke e si ua-o enquan o um dos p ecu so es in elec uais do Realismo do séc. XX. A análise de Haslam em a pa icula idade de u iliza a igu a do his o iado F ied ich Meinecke como uma espécie de mediado a en e o pensamen o de Ranke e igu as ealis as como Mo gen hau, Ca , Wol e s ou Wal z; nes e sen ido, mais do que um an ecesso di e o, Ranke é e a ado pelo au o como alguém cuja in luência sob e es es úl imos pensado es pode, acima de udo, se discu ida de uma o ma indi e a, sendo Meinecke a igu a que os une numa mesma linhagem in elec ual ealis a. 27 Embo a econheçamos que o escopo analí ico da in es igação de Haslam p e enda ul apassa , espacial e empo almen e, uma igu a in elec ual como Ranke, não podemos deixa de conside a demasiado sucin a a o ma como o au o eco e ao his o iado : em oda a ob a, que ul apassa as 250 páginas, Ranke apenas igu a em duas, pa a além de se colocado, como imos, enquan o me o an ecesso indi e o. A ques ão não é a de es a colocação se mais ou 25 KOLIOPOULOS, C. – In e na ional Rela ions and he S udy o His o y, p. 9. 26 LEBOW, R. N. – The T agic Vision o Poli ics: E hics, In e es s and O de s, p. 336. 27 HASLAM, J. – No Vi ue Like Necessi y, p. 184-185. 11 menos coe en e, mais ou menos c edí el, mas simplesmen e a de deixa em abe o a ques ão de sabe se Ranke, em si mesmo, pode se coe en emen e e c edi elmen e si uado enquan o an ecesso di e o dos ealis as do séc. XX. Na sua ese de dou o amen o, Ca los Gaspa (2016) az uma e e ência ao ac o de Ranke e sido um dos p imei os au o es a o nece uma na a i a his ó ica da polí ica in e nacional sob a lógica de uncionamen o de uma balança do pode . Como indica, es a na a i a acaba ia po i a in luencia di e amen e odo um cânone eó ico den o do Realismo – compos o po au o es como Mo gen hau, A on, ou Wal z –, le ando-o a enquad a o his o iado alemão como um an ecesso in elec ual des e cânone ealis a pa icula . 28 Longe de cons i ui o obje o de es udo da in es igação de Gaspa , a in luência de Ranke sob e o Realismo su ge apenas nes a menção passagei a, deixando espaço pa a (e a é mesmo aliciando) uma in es igação que a ome como obje o, p oblema izando-a e desen ol endo-a. No segundo conjun o de análises, nas quais a explo ação des a emá ica, apesa de mais ex ensa, a inge conclusões que julgamos limi adas, comecemos po des aca o con ibu o de Smi h (2017). Numa in es igação onde se deb uça sob e a exis ência de “dois ealismos” – um conse ado e um c í ico – nos abalhos do ealis a clássico E. H. Ca , Smi h a ibui p imazia ao papel de Ranke na o mação do pensamen o e da ob a des e au o ; mais especi icamen e, Smi h e e e que a adição de “p imazia dos negócios es angei os”, o iginalmen e desen ol ida po Ranke, in luenciou de uma o ma cla a o “ ealismo conse ado ” de Ca , implíci o em The Twen y Yea s’ C isis e explíci o nas suas ob as his o iog á icas do pós- Segunda Gue a Mundial. 29 Apesa de a a es a elação de in luência de uma o ma mais comple a ace às me as menções dos abalhos an e io men e ci ados, Smi h nunca em a in enção de explo á-la mais ap o undadamen e, ao não p ocu a sabe se exis em ou as ideias con e gen es en e a his o iog a ia de Ranke e a ob a de Ca pa a lá da “p imazia dos negócios es angei os”. Po ou o lado, ao oca -se exclusi amen e em Ca , Smi h deixa po explo a a ob a e o pensamen o de ou os au o es ealis as. Fa enkop (1991) consegue desen ol e ainda mais ex ensamen e a elação en e Ranke e o Realismo: isando con apo aquilo que, no seu en ende , é o supos o pessimismo 28 “Wal z, como Mo gen hau ou A on, econhecia-se na adição clássica dos es udos his ó icos que ep esen a o sis ema de Es ados como uma sociedade in e nacional assen e na balança do pode , em que as unidades se concen am na de esa da sua segu ança e do seu es a u o no conce o das po ências.” (GASPAR, C. – Con inuidade e Mudança: O Sis ema in e nacional no Pos -Gue a F ia, p. 23-24). 29 SMITH, K. - The ealism ha did no speak i s name: E. H. Ca ’s diploma ic his o ies o he wen y yea s’ c isis, p. 6. 12 das análises ealis as clássicas com um olha e dadei amen e pessimis a sob e as elações in e nacionais como o de Oswald Spengle , Fa enkop a gumen a que o ealismo de au o es como Mo gen hau e le e um ce o o imismo nas suas análises da polí ica in e nacional, de endo-o, em g ande medida, a Ranke; a ideia de au onomia do Es ado enquan o a o in e nacional e, uma ez mais, a “p imazia dos negócios es angei os” são igualmen e ei e ados enquan o impo an es elemen os de in luência do his o iado sob e igu as ealis as do séc. XX. 30 Julgamos, no en an o, que Fa enkop pode ia e ido mais longe com as suas conclusões se o seu oco p incipal i esse sido, de ac o, ques iona -se sob e a in luência que Ranke e e sob e o Realismo; pelo con á io, es a elação de in luência não só apa ece subo dinada ao con as e en e o pessimismo de Spengle e o supos o pessimismo dos ealis as, como – e jus amen e de ido a isso – é apenas p essupos a: Fa enkop pa e do p incípio que uma elação de in luência en e Ranke e os ealis as exis e e se mani es a das o mas po si indicadas, sem p ocu a p oblema izá-la de aiz. É João Co eia Ma ques de Almeida (2000) quem mais sis ema icamen e ap esen a e desen ol e es a elação de in luência, ocando-se em pa icula na ob a de Mo gen hau. A “ eo ia in e nacional nacionalis a” desen ol ida na his o iog a ia ankeana é ap esen ada como uma an ecesso a da eo ia ealis a clássica de Mo gen hau, com Ma ques de Almeida a inse i an o uma, como ou a na adição de ealpoli ik. Des a o ma, o au o consegue iden i ica á ias linhas de in luência en e ambas: um a aque às adições de pensamen o libe ais e legalis as, o uso de uma mesma conceção do sis ema de Es ado – de inido em e mos de um es ado de gue a – e a adoção, po pa e de Mo gen hau, da ca ego ia his ó ica do “sis ema Ves e aliano” c iada po Ranke. 31 No en an o, apesa de se o abalho que mais sis ema iza es a elação, ambém aqui, al como na análise de Smi h, é ab angido apenas um eó ico ealis a, icando po explo a a elação que Ranke pode á ou não e com ou os eó icos e, des a o ma, com o co pus ealis a mais as o. Po ou o lado, al como odas as in es igações a é ago a ci adas, ambém a de Ma ques de Almeida não oma a in luência de Ranke sob e o Realismo como a sua emá ica cen al, o que o na ainda mais impe a i a a ealização de um es udo que o p ocu e aze . No emos, de passagem, que a ealização de um es udo como es e se o na mais p emen e na exa a medida em que podemos, com e ei o, encon a alusões di e as a Ranke e à 30 FARRENKOPF, J. – The challenge o Spengle ian pessimism o Ranke and poli ical ealism, p. 280-281. 31 MARQUES DE ALMEIDA, J. C. – Be ween Ana chy and Empi e (2000), p. 63-65. 13 sua his o iog a ia nas ob as dos mais canónicos au o es ealis as, o que nos e ela que es es, no mínimo, se encon a am amilia izados com o abalho do his o iado alemão: não só Mo gen hau se e e e di e amen e a Ranke, 32 como o neo- ealis a Wal z apa en a in eg á-lo en e os p oponen es da “ e cei a imagem”, na ipologia que o mula em Man, he S a e, and Wa . 33 Pe an e ais alusões, mais salien e se o na o ac o de, em odo o le an amen o bibliog á ico ei o, nenhum es udo ocado nes a emá ica e sido encon ado. Podemos, nes e sen ido, cons a a que se encon a po aze uma análise que se ocupe, exclusi amen e, com a in luência de Ranke sob e o Realismo, ou seja, uma in es igação que ome es a úl ima enquan o o seu obje o de es udo cen al e o e eça conclusões que possam, en ão, o nece espos as mais igo osas a seu espei o. Pa e I: Leopold on Ranke Capí ulo 1: A His o iog a ia Rankeana 1.1 – A On ologia P o idencial de Ranke Ao longo da p imei a secção des e Capí ulo, e emos como a his o iog a ia de Ranke pode se al o de uma discussão sob e os seus p essupos os eó icos e on ológicos undacionais. De seguida, explo a emos quais são es es p essupos os, des acando o ac o de es a his o iog a ia se sus en a numa on ologia de ca á e di ino e P o idencial. Po im, da emos con a de algumas consequências, pa a a ob a de Ranke, esul an es des a on ologia, em ês planos: epis emológico, empe amen al/sen imen al e polí ico-no ma i o. Não cons i ui um exage o dize que Leopold on Ranke oi um dos mais in luen es his o iado es de odo o séc. XIX, numa al u a em que a His ó ia enquan o disciplina academicamen e mode na se começa a a o ma e a consolida na Eu opa. A his o iog a ia que desen ol eu não só se cons i uiu como a o ma canónica de aze his ó ia no séc. XIX – sob e udo no que ao uso c í ico dos documen os dizia espei o 34 –, como ainda ep esen a a, 32 MORGENTHAU, H. J. – The In ellec ual and Poli ical Func ions o Theo y, p. 43. 33 WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 7; 225. Mencionemos, ambém, que Wal z ol a a e e encia Ranke num dos seus a igos mais ecen es (WALTZ, K. N. – S uc u al Realism a e he Cold Wa , p. 8). 34 IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. xi. 14 pa a lá de meados do séc. XX, o modelo ao qual uma his o iog a ia esponsá el, em e mos p o issionais e académicos, de e ia aspi a . 35 No âmago do pensamen o de Ranke encon a a-se, acima de udo, a ideia de que o Homem só pode ia se comp eendido com e e ência à sua his ó ia; já as ciências que se iessem a ocupa do es udo e en endimen o des a his ó ia e iam de se , especi icamen e, ciências his ó icas, ou seja, equipadas com um conjun o de mé odos adicalmen e di e en es daqueles aos quais as Ciências Na u ais e a Filoso ia de en ão eco iam. 36 Es a ideia de oposição aos mé odos de ou as á eas do conhecimen o, bem como a uma sé ie de co en es in elec uais em oga na p imei a me ade do séc. XIX, é imp escindí el pa a melho comp eende mos a nascen e his o iog a ia de Ranke; a a a-se de uma oposição não apenas aos mé odos da Filoso ia Idealis a (encabeçada po Hegel) e ao posi i ismo cien í ico, como ambém aos impulsos omân icos do Roman ismo: “Wha he [Ranke] ega ded as an app op ia ely ealis ic his o ical me hod was wha was le o consciousness o pe o m a e i had ejec ed he me hods o he Roman ic a , Posi i is science, and Idealis ic philosophy o his own ime.” 37 Pa a Ranke, odos es es mé odos cons i uíam impedimen os ao abalho do his o iado na medida em que o deixa am míope, impedindo-o de e o passado em si mesmo, de uma o ma imedia a e anspa en e, com oda a sua co e com udo o que inha de único; impedindo-o, po an o, de comp eende e esc e e a His ó ia de uma manei a ealís ica e obje i a. Tais ejeições não signi icam, no en an o, que se de a equaciona a his o iog a ia de Ranke e es a sua noção de obje i idade li e de cons angimen os com uma espécie de “empi ismo ingénuo”, 38 desp o ido de odo e qualque elemen o ilosó ico e eó ico p econcebido e en o mado . Como qualque ob a his o iog á ica (em oposição a um simples ela o c onológico), ambém a de Ranke necessi a de uma base eó ica undacional, an i iã de um conjun o de concei os e ca ego ias, que acaba não só po es u u a a análise p op iamen e di a, como, mais p o undamen e e an es de udo o es o, po en o ma a len e com que o his o iado olha pa a o passado e, subsequen emen e, o c ia, o az a é nós num co po na a i o. Nem o p óp io Hans Mo gen hau em ilusões quan o ao “esquele o eó ico” que ine i a elmen e subjaz qualque his o iog a ia, e e indo-se em especí ico à de Ranke: “Theo y 35 WHITE, H. – Me ahis o y, p. 164 36 IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. xx i. 37 WHITE, H. – Me ahis o y, p. 164. 38 WHITE, H. – Me ahis o y, p. 164. 15 is implici in all g ea his o iog aphy. In his o ians wi h a philosophic ben , such as Thucydides and Ranke, he his o y o o eign policy appea s as a me e demons a ion o ce ain heo e ical assump ions which a e always p esen benea h he su ace o his o ical e en s o p o ide he s anda ds o hei selec ion and o gi e hem meaning. In such his o ians o in e na ional poli ics, heo y is like he skele on”. 39 Nes e sen ido, não é pelo simples ac o de a his o iog a ia ankeana p i ilegia , em e mos me odológicos, uma pesquisa e análise empí ica igo osas jun o dos a qui os e das on es que ica isen a des e undo eó ico, mesmo que se encon e implíci o. 40 Ab e-se, assim, espaço pa a es a his o iog a ia pode se , al como odas as es an es, al o de um deba e sob e os seus pos ulados e p essupos os eó icos, bem como as suas aízes on ológicas p o undas, econhecendo-a e a ando-a como a cons ução in elec ual que, no undo e an es de udo o es o, é e nunca deixa de se . Di o is o, que ia a inal o his o iado alemão com a sua len e pa icula , cada ez que olha a pa a o campo his ó ico? Jus amen e uma cons elação de indi idualidades i as, que mais não e am do que exp essões de ideias nelas con idas e que encon a am o ma em pessoas, cul u as, ins i uições, ou Es ados, cada uma das quais do ada de signi icado e o iginalidade, bem como de um ca á e único; daqui deco ia o ac o de não pode em se en endidas com ecu so às gene alizações e às abs ações da Filoso ia, nem de pode em se eduzidas a me as leis imu á eis como aquelas que às Ciências Na u ais cabia deci a na Na u eza. T a a a-se de uma conceção undada numa eo ia de ideias neopla ónica, na qual o Mundo e a concebido em e mos de mónadas au ossus en adas, go e nadas po um p incípio in e no de desen ol imen o cuja o igem e execução se encon a a em ha monia com a undamen al on ade de Deus: “The ideas ha e hei o igin in he will o God. The concep ion o indi iduals as he exp ession o an idea inhe en wi hin hem limi s he applicabili y o he p inciple o causa ion o he his o ical scene. Fo he idea i sel can ne e be subjec ed o he laws go e ning na u e. I is go e ned by a law o i s own.” 41 Pa a Ranke, e a Deus, po an o, que a ua a enquan o a on e de sen ido úl ima de oda a His ó ia, cabendo ao his o iado a a e a de le os Seus hie ógli os di inos, p ocu a a Sua mão di ina a a ua sob e o cu so his ó ico e, 39 MORGENTHAU, H. J. – The In ellec ual and Poli ical Func ions o Theo y, p. 43. 40 Digamos que não pa ece seque se es e o caso: Igge s a gumen a que Ranke e a guiado po assunções eó icas conscien es e explíci as, es ando longe de se hos il a oda e qualque discussão ao ní el da eo ia (IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. xiii). No en an o, como o mesmo au o a gumen a, o his o iado alemão ese ou ela i amen e pouco do seu es o ço in elec ual a es as discussões explíci as (IGGERS, G. G. – The Ge man Concep ion o His o y, p. 70). 41 IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. xxx. 16 com udo is o, sen i a Sua di ina p esença no mundo do Homem, ao pon o de o p óp io o ício his o iog á ico pode se enca ado como uma o ma de “ado ação” (“wo ship”). 42 A a és des a len e inco up a sob e o passado, pode ia se ga an ido o es abelecimen o de um mé odo his ó ico obje i o e ealís ico; um mé odo que pe mi isse comp eende as indi idualidades au ossus en adas que compunham o campo his ó ico, bem como a on e P o idencial da qual adqui iam o seu sen ido, e econs ui o passado “ al como ele oi” (“wie es eigen lich gewesen”). 43 É impo an e, oda ia, salien a que a cons a ação de Deus enquan o es a on e on ológica basila não p e endia, de modo algum, equi ale a qualque ipo de asse ção acionalis a que p ocu asse in e p e a a on ade di ina de uma o ma especula i a e a p io i, ou seja, an es de se p ocede a uma análise his ó ica e e i a. Theodo e Von Laue explica-nos que Ranke desp eza a cons uções abs a as e eleológicas de ipo hegeliano, p ocu ando, pelo con á io, começa po uma análise conc e a dos enómenos his ó icos (dos ac os e dos ma e iais ao seu dispo ) e, somen e a pa i daí, pa i em busca da on e di ina po de ás da apa ência his ó ica, num p ocesso de “ap oximação in ui i a”; 44 assim, o his o iado pode ia p ocede indu i amen e do pa icula pa a o ge al, do indi idual pa a o o al, da pa e pa a o odo. 45 Como no a Von Laue, podemos, po isso, conside a que di e en es ipos de causalidade es a am em jogo na lei u a que Ranke azia da His ó ia, o mando en e si uma espécie de “hie a quia de causas”, odas elas de i adas de uma mesma unidade on ológica P o idencial: os ní eis mais baixos, onde igo a a uma causalidade imedia a e p agmá ica, e am englobados pela causalidade dos ní eis mais al os, de ac escida gene alidade e abs ação, nos quais in e agiam as indi idualidades ideais his ó icas di inamen e sancionadas. Do econhecimen o não apenas dos ac os imedia os, mas ambém da ligação causal en e es es á ios ní eis, Ranke pode ia a ingi a e dade obje i a. 46 42 FITZSIMONS, M. A. – Ranke: His o y as Wo ship, p. 555. Como o p óp io Ranke indica, o seu o ício de his o iado acaba a po cons i ui uma o ma de “se i ” Deus: “In all o his o y God dwells, li es, can be ecognized. E e y deed gi es es imony o Him, e e y momen p eaches His name, bu mos o all, i seems o me, does so he connec edness o His o y. (…) No ma e how i goes and succeeds, le us do ou pa o un eil his holy hie oglyph! In his way oo we se e God, in his way we a e also p ies s and eache s.” (RANKE, L. – The Young Ranke’s Vision o His o y and God (Exce p s om a le e o his b o he Hein ich om F ank u /Ode , end o Ma ch 1820), in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 4). 43 IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. xx ii. 44 VON LAUE, T. H. – Leopold Ranke: The Fo ma i e Yea s, p. 42-43. 45 RANKE, L. – On he Cha ac e o His o ical Science (A manusc ip o he 1830s), in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 15. 46 VON LAUE, T. H. – Leopold Ranke: The Fo ma i e Yea s, p. 125. 17 Com base nes es aços on ológicos da his o iog a ia de Ranke, podemos des aca ês impo an es consequências de si deco en es, si uadas a ês planos co ela i os: um plano epis emológico, um empe amen al (ou sen imen al) e um polí ico-no ma i o. Em p imei o luga , num plano epis emológico, es a on ologia P o idencial a ua a enquan o uma on e de segu ança pa a o his o iado e a sua a i idade de in es igação: de ido ao seu ca á e espi i ual, cada ideia his ó ica apenas pode ia se ap eendida indi idualmen e po ia de um p ocesso ambém ele espi i ual (“spi i ual appe cep ion”), ou seja, um p ocesso conscien e an o do ac o de de i a da mesma on e que aquelas ideias, como do ac o de se des a on e que es á em busca, assegu ando, assim, uma “cong uência en e o indi íduo e a espécie” da qual esul a ia a e dadei a obje i idade. 47 O alen o do his o iado consis ia, po an o, na sua capacidade de se ex ingui enquan o um agen e e obse ado ex e no, deixando-se abso e espi i ualmen e sob e os seus es udos em busca do la en e undo espi i ual dos enómenos his ó icos, num pon o em que a obje i idade epis emológica e o conhecimen o des a base espi i ual – o conhecimen o de Deus – coincidiam segu amen e: “Philosophy, uni e sal his o y, eligion – all alike con e ged upon he knowledge o God in a dim in ini e ba ely isible o man. A ha poin he knowledge o God and objec i i y coincided.” 48 Em segundo luga , num plano que designa emos como empe amen al, es a base on ológica ambém pe mi ia a Ranke cul i a um p o undo o imismo ace ao desen ola de odo o p ocesso his ó ico: o passado, o p esen e e o u u o da His ó ia e am do ados de uma undamen al ha monia, ao es a em odos igualmen e sal agua dados po uma mesma P o idência bene olen e. Digamos, aliás, que uma das ma cas mais ca ac e ís icas do c is ianismo de Ranke e a, jus amen e, o p edominan e des aque des e elemen o de bene olência, a despei o do econhecimen o de uma ce a componen e de maldade no Homem e nas ins i uições humanas, ípica de ou as in e p e ações c is ãs que op am po pos ula , dualis icamen e, um con li o en e a “lei é ica” e a “ ealidade posi i a” e imedia a: “wha is almos en i ely missing in Ranke, despi e his p onounced Ch is iani y (…) is he ecogni ion o an elemen o e il in man and in human ins i u ions. The biblical p ophe s, as well as S oic, Ch is ian, and Enligh enmen na u al law hinke s, ha e always seen a dualism be ween he 47 “as in he las analysis e e y uni y is a spi i ual one, i can only be g asped h ough spi i ual appe cep ion. This appe cep ion es s on he ag eemen o he laws in acco dance wi h which he obse ing mind p oceeds wi h hose which de e mine he eme gence o he objec unde obse a ion. (…) All genius es s on he cong uence o he indi idual and he species. The p oduc i e p inciple which o med and c ea ed na u e con on s i sel in he indi idual who ecognizes he and h ough him becomes clea o i sel and a ains sel -unde s anding.” (RANKE, L. – On he Cha ac e o His o ical Science (A manusc ip o he 1830s), in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 12). 48 VON LAUE, T. H. – Leopold Ranke: The Fo ma i e Yea s, p. 126. 24 Como nos diz Meinecke, Ranke já econhecia, com es a ideia, um ac o social que os mode nos sociólogos do séc. XX en a am demons a po ia das mais “penosas” análises: o ac o de a au o idade se basea , ambém, numa dimensão mo al. 74 Do mesmo modo, como indica Von Laue, apidamen e cons a amos o p o undo o imismo que, uma ez mais, es á implíci o nes a lei u a da ida in e na das comunidades es a ais: oda a con li ualidade in e na en e g upos sociais é negligenciada, oda a icção en e indi íduo e Es ado é diluída e, em pa icula , udo o que de coe ci o e de compulsi o es e úl imo u iliza na ga an ia da es abilidade e coesão sociais é menosp ezado, a a o da componen e es i amen e mo al. 75 A pa des e empe amen o o imis a, uma análise ao Es ado na his o iog a ia de Ranke ambém nos pe mi e des aca a o ma como a componen e polí ico-no ma i a conse ado a do his o iado se e le e. Nes a ma é ia, sigamos a a gumen ação de Hayden Whi e e des aquemos o ac o de Ranke e abe o a possibilidade de um sis ema de Es ados-Nação i a du a pa a semp e, não con emplando o su gimen o de no as e di e en es o mas de comunidade que iessem a anscende as es i as di isões nacionais. Tal sucede uma ez que a sua “ideia da Nação”, undada na sua on ologia P o idencial e espi i ual, assume um alo absolu o e p ees abelecido na sua eo ia da his ó ia e na sua his o iog a ia, deixando de se is a como o que, no undo, é: uma me a ideia, his o icamen e si uada, a espei o da o ganização dos humanos em comunidades, que omou o ma num pe íodo his ó ico especí ico e que pode ia, no u u o, da luga a uma ou a ideia, a uma ou a o ganização social. 76 Po ou as pala as, Ranke absolu iza his o icamen e o Es ado-Nação. Em pa icula , o his o iado menciona que o ad en o de uma unidade polí ica mais as a, de escopo global e humani á io, a é pode ia i a cons i ui um “p og esso mo al”, e e indo ambém que a ciência his ó ica, em p incípio, não se opõe a es a ideia; no en an o, não a de e á o na em nenhuma espécie de “p incípio da His ó ia”, ou seja, não a de e á ans o ma numa supos a me a pa a a qual o cu so his ó ico de e á caminha . O obje i o des a ciência – e dos his o iado es enquan o seus agen es –, é “ ese a -se aos ac os” (“keep o he ac s”), 77 uma exp essão que de imedia o deno a a ace a con empla i a da his o iog a ia de 74 MEINECKE, F. – Machia ellism, p. 385. 75 VON LAUE, T. H. – Leopold Ranke: The Fo ma i e Yea s, p. 97. 76 WHITE, H. – Me ahis o y, p. 174. 77 RANKE, L. – On P og ess in His o y (F om he i s lec u e o King Maximillian II o Ba a ia, “On he Epochs o Mode n His o y”, 1854), in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 23. 25 Ranke e a simul ânea a e são do his o iado alemão às in e e ências no cu so na u al dos acon ecimen os, sancionado po Deus. 1.3 – Ranke e o Equilíb io de Pode Ao longo da p esen e secção, p ocu a emos in e p e a a lei u a que Ranke az do Equilíb io de Pode à luz da ipologia o e ecida po Li le, conside ando-a bas an e p óxima do modelo associa i o p opos o po es e úl imo. Depois, analisa emos como es a lei u a associa i a do Equilíb io de Pode é insepa á el da on ologia P o idencial que subjaz oda a pe spe i a de Ranke. É no seu amoso ensaio The G ea Powe s (Die g oßen Mäch e) que Ranke mais e iden emen e nos ala sob e o Equilíb io de Pode en e as G andes Po ências eu opeias. Como o his o iado alemão e e e, “Wo ld his o y does no p esen such a chao ic umul , wa ing, and planless succession o s a es and peoples as appea a i s sigh ”; 78 ha ia, com e ei o, um Equilíb io de Pode em pe manen e ação, a uando enquan o o p incípio o denado do ní el sis émico que es u u a a o amewo k de análise his ó ica de Ranke, acima dos Es ados nacionais. Es e sis ema eu opeu ad inha daquilo que, aos olhos do his o iado alemão, cons i uía a “unidade essencial” da Eu opa ociden al; Sche ill diz-nos que Ranke pode mesmo se conside ado o p imei o au o secula a da con a, nas suas ob as, da exis ência des a “unidade”, que o azia a ibui uma ac escida ên ase analí ica ao conjun o de in e ações mú uas en e os di e sos Es ados eu opeus. 79 O p incípio que explica a es e conjun o de in e ações e a, p ecisamen e, o Equilíb io de Pode ; os Es ados eu opeus in e agiam en e si segundo os inescapá eis di ames e impe a i os des e p incípio. Mas que p incípio e a es e, mais especi icamen e, e quais e am as suas consequências? Que ipo de compo amen os induzia nos Es ados e segundo que impe a i os em conc e o? Em suma, qual e a a in e p e ação pa icula que Ranke inha a espei o do Equilíb io de Pode , que assumia es e luga ão signi ica i o na sua his o iog a ia? Reco demos que se á à luz da dis inção p opos a po Richa d Li le en e um Equilíb io de Pode Ad e sa i o e um Equilíb io de Pode Associa i o que an o a in e p e ação especí ica de Ranke, como as dos ês au o es ealis as, se á ei a. Nes e caso, po an o, adap emos as pe gun as an e io es à imagem des a dis inção: se á que Ranke ia as elações in e es a ais es i amen e em e mos hobbesianos, 78 RANKE, L. – The G ea Powe s, in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 52. 79 SCHEVILL, F. – Ranke: Rise, Decline, and Pe sis ence o a Repu a ion, p. 227. 26 onde só ha e ia espaço pa a powe poli ics egoís as e ad e sa i as le adas a cabo po Es ados mu uamen e e pe manen emen e suspei os, com um esul an e en endimen o do Equilíb io de Pode sob a imagem da ígida e in lexí el balança compe i i a? Ou se á a in e p e ação do his o iado alemão mais p óxima do modelo associa i o, que ê no Equilíb io de Pode uma en a i a po pa e dos Es ados de p ocu a em, em conjun o, a p ese ação de um equilíb io jus o en e si, de modo a impedi em – ou pelo menos desincen i a em – o su gimen o de e en uais c uzadas hegemónicas po pa e de qualque um deles? À p imei a is a, e sob e udo após a exposição da secção an e io , somos le ados a c e que a in e p e ação de Ranke se ap oxima mais do modelo ad e sa i o. Como oi indicado, a o igem do Es ado é ida como o momen o em que es e ob ém a sua independência e au onomia ace às o ças ex e nas, po ia da gue a; a pa i daí, odo o seu compo amen o e odas as suas ações de e ão pa a semp e se no eados po es e p incípio undamen al de sob e i ência, ele ado a “lei sup ema”, num mundo onde a escolha e a en e o egoísmo ou o desapa ecimen o; um mundo onde impe a a uma simples ideia que Ranke desc e e de uma o ma b e e e exa a: “ he idea o a comple ely independen S a e au ho i y, no ied by any o eign conside a ions, and only ounded on i sel .” 80 O a, se o Es ado não es a a, de ac o, p eso po nenhuma “conside ação ex e na” e se ealmen e só pode ia con a consigo p óp io pa a ga an i os seus in e esses, que espaço ha e ia pa a con empla a possibilidade de exis i um equilíb io jus o cole i amen e p ese ado po um conjun o de Es ados? Que hipó ese ha e ia, com base em udo o que oi analisado a é aqui, de Ranke in e p e a o Equilíb io de Pode de qualque o ma se não segundo o modelo ad e sa i o? Coloquemos, pa a já, a hipó ese de não se es e o caso e di ecionemos o oco pa a algumas passagens de Ranke dedicadas, especi icamen e, à emá ica do Equilíb io de Pode . Como oi e e ido, é em The G ea Powe s que Ranke mais explici amen e expõe as suas ideias a espei o do Equilíb io. Dando con a das oscilações de pode en e as G andes Po ências eu opeias desde inais do séc. XVII a é meados do séc. XIX, Ranke alude à o ma como oda e qualque en a i a de domínio p eponde an e po pa e de um único Es ado é semp e con abalançada po uma aliança de Es ados opos a, de modo a es au a e con inua a ape eiçoa o “sis ema de lei e o dem” eu opeu: “I is ue ha wo ld agi a ions now and again des oy his sys em o law and o de . Bu a e hey ha e subsided, i is econs i u ed, and all 80 RANKE, L. – Re o ma ionsgeschich e, Ci ado em MEINECKE, F. – Machia ellism, p. 386. 27 exe ions aim only a pe ec ing i once mo e.” 81 Nes e exce o, obse amos a o ma como Ranke en endia que es e ape eiçoamen o de e ia se u o de es o ços (“exe ions”) po pa e dos Es ados, sendo, mais especi icamen e, as G andes Po ências eu opeias que, em i ude do seu ac escido pode , es a iam enca egues des a a e a: “I has always been a ma e o balance (…) i e G ea Powe s, each so e eign, each wi h pa icula in e es s, would consul oge he on all impo an ma e s, so ha – a leas up o his day albei unde he mos di icul ci cums ances – a solu ion has always been ound”. 82 Já ha íamos aludido ao ac o de Ranke ac edi a que a Eu opa se a a a de uma “unidade”, mas só aqui, nes es exce os, é que nos ape cebemos dos p incipais aços e das mais dis in as ca ac e ís icas que es e “sis ema de lei e o dem”, com e ei o, assumia pa a o his o iado : a plu alidade, a descen alização e a mul ipola idade, co po izadas nas eme gen es po ências eu opeias que se consolida am, a pa i de inais do séc. XVII, em espos a à p edominância ancesa no con inen e eu opeu. Como explica Ranke, oi jus amen e con a es a hegemonia que oi desen ol ido o concei o de Equilíb io de Pode : “agains such an inc ease in s eng h and in poli ical p edominance he lesse powe s could band oge he . (…) The concep o he Eu opean balance o powe was de eloped in o de ha he union o many o he s a es migh esis he p e ensions o he ‘exo bi an ’ cou .” 83 E am es es aços de plu alismo e de descen alização que dis inguiam es e sis ema de odos os Impé ios cen alizados que ha iam su gido na His ó ia a é en ão 84 e, simul aneamen e, e am es es aços que o Equilíb io, enquan o p incípio o denado do sis ema, isa a p ese a . O Equilíb io de Pode e a, assim, e a ado po Ranke como algo que induzia os Es ados a uni em es o ços ace a qualque ameaça hegemónica, cuja p e ensa uni e salidade coloca ia em causa a independência de cada um e, como consequência, a ão es imada descen alização eu opeia, p ecisamen e undada na au onomia de cada en idade es a al. Os Es ados – sob e udo as G andes Po ências – e iam o papel de ela pela manu enção des e “sis ema de lei e o dem”, o que não só azia com que a ambição de cada um acabasse po se limi ada, 85 como o seu egoísmo acabasse po se e eado, con o me nos diz Meinecke: “he [Ranke] saw ce ain 81 RANKE, L. – The G ea Powe s, in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 33. 82 RANKE, L. – We k und Nachlass, ci ado em SCHULIN, E. – Ranke’s Uni e sal His o y and Na ional His o y, p. 13. 83 RANKE, L. – The G ea Powe s, in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 34. 84 BOLDT, A. – Ranke and he idea o Eu ope, p. 9. 85 “In one impo an sense, Ranke’s s a e is limi ed in i s ambi ion: his ecogni ion o a Eu opean communi y and o he ole o all he g ea powe s o main ain his communi y and con ibu e o he ullness and a ie y o he Eu opean amily.” (IGGERS, G. G. – The Ge man Concep ion o His o y, p. 82). 28 cons an ly mode a ing and egula ing o ces a wo k, which se some bounds, no only o he c ude u ge o conques , bu also o he exclusi e egoism o in e es shown by he sepa a e S a es.” 86 De ce a o ma, al não é incompa í el com o que oi a gumen ado na secção an e io , a espei o do Es ado: ao p ese a em um equilíb io jus o con a ambições hegemónicas, os di e en es Es ados acaba am po es a simplesmen e a sal agua da a sua espe i a au onomia indi idual, a obedece , a inal, àquilo que e a a sua “lei sup ema”. Nes e sen ido, podemos chega à conclusão de que o Equilíb io de Pode , na ó ica de Ranke, pa ece ap oxima -se bas an e mais do modelo associa i o do que do ad e sa i o: apesa de de ini a au op ese ação do Es ado como a sua “lei sup ema” e de salien a a o ma como es e, no limi e, só pode ia con a consigo p óp io pa a ela pelos seus in e esses, Ranke não excluía a exis ência de um sis ema eu opeu plu al e descen alizado no qual o Equilíb io de Pode podia se cole i amen e p ese ado po uma associação de G andes Po ências, de modo a p o ege de qualque ameaça hegemónica es a o dem eu opeia e o equilíb io jus o que a undamen a a. Longe de se concebido segundo a imagem ad e sa i a da balança cujos p a os isam incessan emen e supe a -se um ao ou o, o Equilíb io de Pode e a ido po Ranke como um a co no qual se sus en a a oda a o dem mul ipola eu opeia; um a co cole i amen e compos o e p ese ado pelas Po ências. Aos olhos de Ranke, e a em o no des a o dem que a His ó ia Mode na se ha ia desen ol ido, que o p esen e se con inua a a ege e que o u u o se i ia di a . 87 Os Es ados eu opeus cons i uíam a “leading uni o ci iliza ion” 88 e, logo, o u u o da polí ica in e nacional con inua ia a unda -se nes a Eu opa di e si icada, plu al, descen alizada e mul ipola ; al e a o des ino de oda a His ó ia. Assim se o na e iden e, uma ez mais, não apenas o conse ado ismo polí ico de Ranke – po ia da sua absolu ização his ó ica des a o dem in e nacional especí ica –, como a sua c ença p o undamen e o imis a ace ao u u o das elações in e nacionais, com o sis ema eu opeu num pe manen e p ocesso de consolidação e ape eiçoamen o: “The capaci y o he Eu opean s a es o sa egua d hei poli ical independence and cul u al indi iduali y h ough he main enance o a balance o powe sys em 86 MEINECKE, F. – Machia ellism, p. 389. 87 “I seemed cha ac e is ic o him, nex , ha Eu ope domina ed he wo ld no as a uni ied empi e (like Rome o China) bu as a mul iple, mu ually condi ioning sys em o s a es” (SCHULIN, E. – Ranke’s Uni e sal His o y and Na ional His o y, p. 12). 88 BOLDT, A. – Ranke and he idea o Eu ope, p. 22. 29 is hus glo i ied me aphysically, as an exp ession o a ascenden ‘genius’, consonan wi h he ‘des iny o he wo ld’.” 89 Com e ei o, es e “genius”, pa a Ranke, nada mais e a do que a p óp ia P o idência on ológica de oda a ealidade his ó ica, e o seu papel, em ma é ia do uncionamen o do Equilíb io de Pode , pode se in e p e ado à luz do que já oi di o na secção an e io , a espei o da condu a dos Es ados: al como as ações indi iduais des es úl imos se subo dina am a uma on ade P o idencial, que a ua a enquan o o ga an e da sua necessidade e ine i abilidade his ó icas, ambém o p óp io uncionamen o do Equilíb io de Pode e a subo dinado a es a mesma on ade. Assim, pode -se-ia semp e con a com a capacidade au omá ica de os Es ados eu opeus sal agua da em, a a és do Equilíb io de Pode , a sua independência polí ica ace a qualque ameaça hegemónica, pois bas a ia semp e con ia no di ino “espí i o gua dião” que assim o di a a: “In g ea dange one can sa ely us in he gua dian spi i (Genius) which always p o ec s Eu ope om domina ion by any one-sided and iolen endency, which always mee s p essu e on he one side wi h esis ance on he o he , and, h ough a union o he whole which g ows i me om decade o decade, has happily p ese ed he eedom and sepa a e exis ence o each s a e.” 90 Assegu ado pela on ade di ina da qual emana a, o Equilíb io de Pode eu opeu e a ido po Ranke como um p incípio da polí ica in e nacional ine en emen e au omá ico e ha monioso que, mesmo pon ualmen e pos o em causa po es a ou aquela p e ensão hegemónica, ine i a elmen e es abelece -se-ia, es abilizando-se uma ez mais. É assim que, pa a Schulin, se o na pa en e como o en endimen o ankeano des e p incípio pa ilha ce as a inidades com as eo ias económicas escocesas – c en es na exis ência de uma mão-in isí el no p ocesso económico – que i iam a culmina no o imismo libe al do séc. XIX: “The e is a good deal o simple ai h con ained in his in e p e a ion. I is his ai h ul us in he ha monizing and inally s abilizing con luen e icacy o pa icula in e es s and opposi ional o ces ha Ranke sha ed wi h he Sco ish a ional economic and social heo ies o he eigh een h cen u y and, la e , o libe alism.” 91 Des a o ma, conside amos que a lei u a ankeana do Equilíb io de Pode eu opeu, em e mos eminen emen e associa i os, é insepa á el da glo i icação me a ísica e P o idencial que 89 FARRENKOPF, J. – The challenge o Spengle ian pessimism o Ranke and poli ical ealism, p. 270. 90 RANKE, L. – The G ea Powe s, in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 34. 91 SCHULIN, E. – Ranke’s Uni e sal His o y and Na ional His o y, p. 14. 30 o his o iado alemão az des e p incípio, ou seja, do ac o de o seu uncionamen o se deco en e da on e di ina que subjaz, on ologicamen e, a His ó ia. Po sua ez, é o ca á e bene olen e des a mesma on e P o idencial que az com que es e Equilíb io seja, de aiz, apon ado pa a a es abilidade in e nacional e pa a a p ocu a de um equilíb io jus o en e Es ados-Nação, segundo a noção c is ã de que odas as populações do Mundo, i endo sob a mão de um único Deus, de em p ocu a cul i a uma a inidade mú ua (“kinship”): “Religious u h mus (…) keep he S a e con inually eminded o he o igin and aim o ea hly li e, o he igh s o neighbou ing S a es and he kinship be ween all he na ions.” 92 Pa e II: Realismo Clássico Capí ulo 2: O Realismo Polí ico de Hans Mo gen hau 2.1 – Uma Laicização Analí ica Na p esen e secção, começa emos po explici a aquele que, a nosso e , cons i ui o con as e on ológico en e a his o iog a ia de Ranke e o ealismo polí ico de Mo gen hau, designando-o como uma laicização analí ica. Subsequen emen e, e emos a o ma como es e con as e en e os au o es se e le e em e mos epis emológicos. An es de da mos con a das mais imedia as e e iden es comunhões que podem se es abelecidas en e a his o iog a ia ankeana e o ealismo polí ico de Mo gen hau – a espei o que do Es ado, que do Equilíb io de Pode –, comecemos po segui as di e izes me odológicas p opos as ao de ini aquele que pode se lido como o con as e on ológico en e as ob as de ambos os au o es. Con o me e e imos, es e con as e a ua á como uma espécie de undo sob e o qual o diálogo en e Ranke e cada um dos es an es eó icos ealis as se e e ua á; subsequen emen e, se á a pa i de si que pa i emos em busca an o de cli agens, como de simili udes en e os á ios au o es, a espei o das suas lei u as do Es ado e do Equilíb io de Pode . P ocu emos, na p esen e secção, desc e e e desen ol e es e con as e en e Ranke e Mo gen hau. Como e e imos no Capí ulo an e io , a his o iog a ia ankeana alice ça a-se numa on ologia de aiz neopla ónica, pe an e a qual a His ó ia su gia como um conjun o de indi idualidades au ossus en adas, di e as exp essões de ideias cuja o igem e desen ol imen o 92 RANKE, L. – Re o ma ionsgeschich e, Ci ado em MEINECKE, F. – Machia ellism, p. 389. 31 se encon a am em consonância e ha monia com a on ade úl ima e o denado a de Deus, que e a, assim, a on e de sen ido de odo o p ocesso his ó ico. O a, com o ealismo de Mo gen hau, assis imos ao es abelecimen o de uma ou a base on ológica, bas an e dis in a da de Ranke: deixando de eco e a uma on e di ina e P o idencial, o eó ico laiciza a sua on ologia e passa a undá-la na noção biopsicológica de “na u eza humana” (“Poli ical ealism belie es ha poli ics, like socie y in gene al, is go e ned by objec i e laws ha ha e hei oo s in human na u e.” 93 ). Passam, po ou as pala as, a se as “leis da na u eza humana”, imu á eis e obje i as desde a An iguidade Clássica, que o e ecem a chance pa a c ia uma eo ia acional da polí ica, cons i uindo a ma ca da sua obje i idade. 94 Nes e sen ido, ace a Ranke e à sua his o iog a ia, ope a-se, po assim dize , uma laicização analí ica na passagem pa a o ealismo de Mo gen hau, com a on ologia P o idencial daquele a da luga à on ológica “na u eza humana” e às suas “leis obje i as” des e úl imo. Eis o mo i o pelo qual, no e cei o qua el do séc. XX, Kenne h Wal z i ia a aze a ca ego ização e aglome ação e ospe i as de Mo gen hau (e ambém de Niebuh , como e emos) sob o desígnio de “ eó ico de p imei a imagem”, naquele que e a o seu es o ço axonómico pa a dis ingui as ês o mas de localiza as causas dos con li os in e nacionais, bem como os seus espe i os p oponen es: os eó icos de “p imei a imagem” localiza am es as causas na cons i uição humana; os de “segunda imagem” na ins i uição do Es ado e os de “ e cei a imagem” no sis ema in e nacional. 95 Se ia es a uma o ma de o ganiza a li e a u a em ês ní eis de análise, com uma igu a como Mo gen hau a assumi um ób io luga de des aque en e os p oponen es da an opocên ica “p imei a imagem”. 96 É sob e o undo de obje i idade o necido pela “na u eza humana” que se o na ope a i o o concei o de “in e esse de inido em e mos de pode ”, na análise conc e a da polí ica in e nacional: pa a Mo gen hau, o es adis a pensa e age nes es e mos, ou, pa a se mais p eciso, pensa e agi nes es e mos é p ocede de uma o ma poli icamen e acional. 97 É es a acionalidade que, segundo o eó ico ge mano-ame icano, ga an e a no á el con inuidade his ó ica na polí ica ex e na dos mais a iados a o es es a ais, disciplinando as suas ações e os seus compo amen os: “The concep o in e es de ined as powe (…) p o ides o a ional discipline in ac ion and c ea es ha as ounding con inui y in o eign policy which makes 93 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 4. 94 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 4. 95 WALTZ, K. N. – Man, The S a e, and Wa . 96 WALTZ, K. N. – Man, The S a e, and Wa , Cap. 2. 97 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 5. 32 Ame ican, B i ish, o Russian o eign policy appea as an in elligible, a ional con inuum, by and la ge consis en wi hin i sel , ega dless o he di e en mo i es, p e e ences, and in ellec ual and mo al quali ies o successi e s a esmen.” 98 Do mesmo modo, al como disciplina as ações des es a o es, impõe, em e mos epis emológicos, uma disciplina in elec ual sob e o olha do obse ado , que já ai sabe p e iamen e do que es á à p ocu a na sua análise, possibili ando a comp eensão eó ica dos enómenos polí icos. 99 No en an o, Mo gen hau assume, desde logo, que qualque análise da polí ica in e nacional p ecisa á de e em con a aquilo que, na sua pe spe i a, cons i ui a undamen al con ingência da ealidade, esponsá el an o po de le i a acionalidade na condu a de polí ica ex e na, como po di icul a a cons ução de uma eo ia que p ocu e da con a des e elemen o acional. Com e ei o, no seio da sua análise laicizada, é abe a a po a à con ingência e a odas as suas consequências pa a o es adis a e pa a o eó ico: “The con ingen elemen s o pe sonali y, p ejudice, and subjec i e p e e ence, and o all he weaknesses o in ellec and will which lesh is hei o, a e bound o de lec o eign policies om hei a ional cou se.” 100 Não obs an e, apesa das limi ações azidas po es a con ingência, Mo gen hau e e e, logo a segui , que uma eo ia da polí ica in e nacional que p e enda da con a da acionalidade no seu obje o de es udo de e á abs ai -se in elec ualmen e de odos os elemen os (de odas as “i acionalidades”) que aquela az consigo, sendo com base nes e p elimina auspício que Mo gen hau se lança a uma eo ização das elações in e nacionais. 101 Des e modo, começamos po e como a di e en e on ologia de Ranke e de Mo gen hau le a-os a oma di e en es pe spe i as a espei o da segu ança epis emológica en ol ida nas suas espe i as análises da polí ica in e nacional. Como e e imos, a on ologia P o idencial subjacen e à his o iog a ia de Ranke pe mi ia ao his o iado p ocede àquilo que, na sua ó ica, cons i uía uma análise epis emologicamen e segu a da polí ica in e nacional e do p ocesso his ó ico mais as o: ao ex ingui -se enquan o agen e/obse ado ex e no e deixa -se abso e espi i ualmen e sob e os enómenos his ó icos em in es igação, o his o iado pode ia chega ao la en e undo espi i ual e di ino po de ás de cada um des es, assegu ando, assim, uma plena obje i idade epis emológica em odo o seu o ício. 98 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 5. 99 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 5. 100 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 7. 101 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 7. 33 Já em Mo gen hau, es e sedimen o espi i ual dá luga , como imos, à omnip esença on ológica da con ingência, que di icul a e limi a de aiz qualque aspi ação eó ica no âmbi o da polí ica in e nacional; assumindo a ine en e di iculdade de p ocede a uma cons ução eó ica nes e domínio, a a e a do in es igado e á de p incipia po uma necessá ia abs ação dos elemen os “i acionais” que a ealidade em pa a o e ece , jamais se podendo julga plenamen e segu a ou comple amen e obje i a. Nes e sen ido, as on ológicas “leis imu á eis da na u eza humana” de e ão cons i ui um mínimo solo obje i o sob e o qual o desen ol imen o de uma eo ia das elações in e nacionais b o a á, p ocu ando semp e e le i , mesmo que de uma o ma impe ei a, a obje i idade des as leis: “Realism, belie ing as i does in he objec i i y o he laws o poli ics, mus also belie e in he possibili y o de eloping a a ional heo y ha e lec s, howe e impe ec ly and one-sidedly, hese objec i e laws.” 102 2.2 – Mo gen hau e o Es ado: As Unidades Cons i u i as do P esen e Nes a secção, começa emos po da con a de como o p ocesso de laicização analí ica se e le e em e mos do en endimen o que Mo gen hau em a espei o do Es ado, a en ando, em pa icula , sob e as noções de in e esse nacional e de Razão de Es ado. À luz des a análise, iden i ica emos as cli agens exis en es en e Ranke e Mo gen hau em ma é ia do Es ado e, po úl imo, apon a emos as semelhanças que podem se encon adas. No Capí ulo an e io , cons a ámos que, pa a Ranke, o in e esse nacional (a “lei sup ema” de condu a es a al) e a Razão de Es ado ad inham de um plano me a ísico anscenden al, consequência da p óp ia conceção do Es ado enquan o uma ideia de o igem di ina que pe mea a o mundo e es e. Ao es adis a – ao e dadei o es adis a, pelo menos –, nada mais cabia que não a subo dinação da sua condu a indi idual a es a Razão e ao seguimen o da “lei sup ema” de segu ança e sob e i ência do seu espe i o Es ado. E a, po an o, dispensá el e desnecessá io ala de e os ou de negligência nos seus a os, uma ez que e a simplesmen e necessá io que a sua condu a seguisse um cu so acional, P o idencialmen e di ado. O a, no ealismo polí ico de Mo gen hau, os di ames que ecaem sob e as ações dos Es ados e as egula izam/do am de con inuidade pe manecem os mesmos: um es adis a de e á p ocu a , na mesma, segui semp e o in e esse nacional e basea odas as suas decisões numa 102 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 4. 40 dinâmicas ad e sa i as das powe poli ics. P ocu ando, no en an o, desmis i ica ideias p ees abelecidas a espei o do Realismo como es a, Li le indica que an o a adição ad e sa i a, como a adição associa i a do Equilíb io de Pode es ão p esen es nas análises dos ealis as clássicos. 120 No caso especí ico de Mo gen hau, Li le alude a uma endência ípica en e uma a ia de eó icos a uais que consis e em pilha ci ações sol as de Poli ics Among Na ions, sem qualque ipo de es o ço pa a p ocu a sis ema iza a eo ização p o undamen e eclé ica e di usa – e, po an o, ambígua – imbuída na ob a. Es e ca á e eclé ico e le e-se di e amen e no en endimen o que Mo gen hau em do Equilíb io de Pode , o que pe mi e a Li le iden i ica em Poli ics Among Na ions an o uma lei u a ad e sa i a, como uma lei u a associa i a des e enómeno: “a close eading o he ex e eals ha he model con la es wo e y di e en dynamic p ocesses. One associa es he balance o powe wi h he unin ended ou come o g ea powe s engaged in a mechanis ic d i e o hegemony. The o he dynamic is associa ed wi h a complex se o social, idea ional and ma e ial ac o s ha amelio a e he e ec s o he i s dynamic and assis s he g ea powe s in main aining an equilib ium ha p omo es hei collec i e secu i y and common in e es s.” 121 O pon o de pa ida pa a es a lei u a associa i a do Equilíb io de Pode , na ob a de Mo gen hau, é o seu econhecimen o de que a dinâmica ad e sa i a de powe poli ics e elou se impo en e e au odes u i a, com o g ande legado da adição polí ico-diplomá ica eu opeia a su gi , p ecisamen e, na o ma de en a i as conscien es po pa e das po ências no sen ido de egula e es ingi a busca incessan e pelo pode . 122 De ac o, pode se a gumen ado que Mo gen hau alude à exis ência des a dinâmica associa i a quando e e e que, a pa i do séc. XVI, á ias e lexões eó icas p ocu a am concebe o Equilíb io de Pode enquan o um mecanismo de p o eção dos Es ados con a anseios hegemónicos e de dominação mundial: “While he balance o powe as a na u al and ine i able ou g ow h o he s uggle o powe is as old as poli ical his o y i sel , sys ema ic heo e ic e lexions, s a ing in he six een h cen u y and eaching hei culmina ion in he eigh een h and nine een h cen u ies, ha e concei ed he balance o powe gene ally as a p o ec i e de ice o an alliance o na ions, anxious o hei independence, agains ano he 120 LITTLE, R. – Decons uc ing he Balance o Powe : Two T adi ions o Though , p. 98. 121 LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 92. 122 LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 98. 41 na ion’s designs o wo ld domina ion”. 123 Mo gen hau e e e que an o a aliança eu opeia con a a en a i a de domínio hegemónico po pa e de Luís XIV, como a coligação de nações que se opôs a Napoleão cons i uem exemplos his ó icos des e p incípio em ação, com á ias nações a uni em es o ços pa a sal agua da em a sua espe i a independência con a os p oje os uni e salis as de ou a; 124 uma lei u a his ó ica que, como já se o nou e iden e, é bas an e semelhan e à que Ranke o mula em The G ea Powe s. Po um lado, o ac o de Mo gen hau e espaço na sua análise pa a es a dinâmica associa i a, undada num conjun o de c enças, eg as e no mas sociais in e subje i as, az Poli ics Among Na ions oma a apa ência de um ex o “p o o-cons u i is a”, jus amen e de ido ao peso que a dimensão ideacional assume nes a dinâmica especí ica. 125 Po ou o lado, e pa a os in e esses da p esen e in es igação, é a pa i des a lei u a de Mo gen hau que um diálogo mais in e essan e com a his o iog a ia de Ranke pode se es abelecido. Como indica Li le, o modelo do Equilíb io de Pode de Mo gen hau pa ece mesmo p essupo que, em eo ia, se ia possí el a dinâmica ad e sa i a i a se suplan ada pela dinâmica associa i a, com o consenso in e po ências sob e o qual es a se unda a a e o ça -se de uma o ma p og essi a. 126 Tal acaba ia po do a a pe spe i a de Mo gen hau de um o imismo equipa á el ao de Ranke, com ambos a ac edi a em nas i udes da o dem mul ipola eu opeia e nas po encialidades de um Equilíb io de Pode Associa i o que a sus en ou, sus en a a e sus en a ia ace a qualque ameaça hegemónica. No en an o, p essuposições e apa ências à pa e, não é es a a his ó ia que Mo gen hau nos con a; pa a o eó ico, os úl imos séculos da polí ica in e nacional eu opeia não e elam que uma dinâmica associa i a do Equilíb io de Pode em indo a suplan a uma ad e sa i a, ou que um consenso in e es a al em indo paula inamen e a e o ça -se, mas sim que a in luência ela i a an o da dinâmica associa i a, como da ad e sa i a em indo a oscila ao longo do empo. 127 Pa a comp eende mos melho es a oscilação, desc e amos a his ó ia do Equilíb io de Pode 123 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 207. 124 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 208. 125 LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 125. São á ias as ins âncias em que Mo gen hau e ela indícios des e “p o o-cons u i ismo” apon ado po Li le, como, po exemplo, quando ala sob e a o ma como o “p es ígio” dos Es ados deco e de um undo social: “The image in he mi o o ou ellows’ minds ( ha is, ou p es ige), a he han he o iginal, o which he image in he mi o may be bu he dis o ed e lec ion, de e mines wha we a e as membe s o socie y. (…) This is exac ly wha he policy o p es ige is abou .” (MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 87). 126 LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 100. 127 LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 100. 42 ap esen ada em Poli ics Among Na ions, 128 endo a é que pon o é compa í el com aquela o e ecida po Ranke e em que medida de si di e e. A his ó ia que Mo gen hau nos con a é a de uma o dem eu opeia p og essi amen e consolidada en e o séc. XVI – sob e udo após 1648, com Ves e ália – e a Re olução F ancesa; uma o dem sus en ada pelas dinas ias eu opeias, com a polí ica ex e na a assumi um ca á e dinás ico e (ainda) não nacional. No seu conjun o, es as dinas ias o ma am uma “a is oc acia in e nacional”, aquilo que Mo gen hau nos ap esen a como uma espécie de sociedade in e nacional na qual igo a a um consenso mo al e é ico, a uando enquan o alice ce de um Equilíb io de Pode que conseguia condiciona as ambições de pode desmedidas. 129 Segundo a exp essão de Ch is B own, os s anda ds des e consenso mo al e am p ese ados enquan o p odu o de de e minados “códigos ca alhei escos”: “S anda ds o in e na ional mo ali y we e pa ly p ese ed as a by-p oduc o codes o gen lemanly beha iou – ce ain hings we e simply ‘no done’.” 130 T a a a-se, esumidamen e, de um pe íodo em que igo a a (e em que e a possí el igo a ) um Equilíb io de Pode Associa i o en e os Es ados eu opeus. Após o in e lúdio ep esen ado pela Re olução F ancesa e pelas in asões napoleónicas – que ouxe am, du an e alguns anos, as ambições hegemónicas pa a a polí ica in e nacional – e ao longo de odo século XIX, Mo gen hau e e e que a es a he ança mo al oi adicionada a eme gen e ideia do Es ado-Nação e o p incípio da au ode e minação nacional, sob os quais se en ou e igi uma es u u a polí ica es á el. 131 Segundo Mo gen hau, es e ad en o do nacionalismo e e duas g andes consequências di e as sob e o exe cício do Equilíb io de Pode : a subs i uição da esponsabilidade dinás ica pela esponsabilidade democ á ica e a subs i uição de s anda ds de ação uni e salis as po s anda ds nacionalis as, ambos a o es que p opicia am a co osão da mo al sup anacional dos séculos an e io es. 132 Vejamos de que o ma. Quan o à ques ão da esponsabilidade, os es adis as a is oc á icos de ou o a, em ma é ia de polí ica ex e na, não inham de basea as suas ações ou os seus compo amen os em qualque ipo de on ade elei o al nacionalmen e ci cunsc i a, uma ez que o seu ca go não dependia da exis ência de uma. Em e mos legais e mo ais, e am esponsá eis apenas pe an e 128 Uma e são mais sucin a e ocada des a na a i a his ó ica pode se encon ada em MORGENTHAU, H. J. – The Twiligh o In e na ional Mo ali y. 129 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 240. 130 BROWN, C. – ‘The Twiligh o In e na ional Mo ali y’? Hans J. Mo gen hau and Ca l Schmi on he end o he Jus Publicum Eu opaeum, in WILLIAMS, M. C. – Realism Reconside ed, p. 53. 131 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 240. 132 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 260. 43 o seu espe i o mona ca – is o é, um indi íduo especí ico –, o que azia com que a mo al sup anacional osse mais acilmen e de inida e mais es a elmen e seguida. 133 Já com a p og essi a consolidação, ao longo do séc. XIX e pa a den o do séc. XX, de egimes democ á icos nacionalmen e delimi ados, os es adis as passa am a es a esponsá eis pe an e cole i idades – uma maio ia pa lamen a , ou o po o –, com in e esses di e sos e he e ogéneos, o mando go e nos que podiam, ambém, se compos os po memb os com pe spe i as di e gen es em ma é ia de polí ica ex e na. Como indica Mo gen hau, a e e ência a um código mo al de condu a eque semp e uma consciência indi idual da qual possa emana – a consciência indi idual de um es adis a, nes e caso; o a, numa nação democ á ica, es a consciência indi idual deixa de pode se e e i amen e localizada. 134 Po ou o lado, a subs i uição de s anda ds de ação uni e salis as po s anda ds nacionalis as ad eio da c iação e consolidação de di e en es mo ais nacionais, que agmen a am o consenso sup anacional em o no do qual a “sociedade a is oc á ica” dos úl imos séculos se ha ia eunido. Longe de se e ela uni e salis a e humanis a, o nacionalismo assumiu um ca á e pa icula is a, co osi o pa a a exis ência de qualque código é ico localizado acima das eme gen es e es i as di isões nacionais; cada Nação inha o seu p óp io código, cada uma a sua p óp ia mo al, deixando um azio naquilo que, ou o a, ha ia sido o amewo k comum eu opeu e a sua o ça mode ado a e es ingen e sob e a polí ica in e nacional. 135 Resumidamen e, o séc. XIX, na his ó ia de Mo gen hau, oi palco de um complexo p ocesso po ia do qual a polí ica in e -dinás ica oi, po assim dize , ab indo caminho pa a a polí ica in e -nacional. 136 As consequências do nacionalismo pa a o Equilíb io de Pode Associa i o eu opeu o am, nes e sen ido, p ejudiciais, já que ha ia sido o consenso mo al sup anacional de ou o a o esponsá el po e ea os desejos ilimi ados pelo pode po pa e dos á ios Es ados eu opeus, ga an indo que es e Equilíb io Associa i o pudesse se ope acionalizado: “I is his consensus (…) ha kep in check he limi less desi e o powe 133 “The mo al s anda ds o conduc wi h which he in e na ional a is oc acy complied we e o necessi y o a sup ana ional cha ac e . They applied no o all P ussians, Aus ians, o F enchmen, bu o all men who by i ue o hei bi h and educa ion we e able o comp ehend hem and o ac in acco dance wi h hem. (…) The indi idual membe s o his socie y, he e o e, el hemsel es o be pe sonally esponsible o compliance wi h hose mo al ules o conduc ; o i was o hem as a ional human beings, as indi iduals, ha his mo al code was add essed.” (MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 263). 134 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 265-266. 135 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 268. 136 LITTLE, R. – The Balance o Powe in Poli ics Among Na ions, in WILLIAMS, M. C. – Realism Reconside ed, p. 150. 44 (…) Whe e such a consensus no longe exis s o has become weak and is no longe su e o i sel (…), he balance o powe is incapable o ul illing i s unc ion o in e na ional s abili y and na ional independence.” 137 Não obs an e, es e p o undamen e debili ado consenso mo al conseguiu se o alecido, a é à P imei a Gue a Mundial, pelo “clima humani á io” ca ac e ís ico do séc. XIX e pelos es o ços daquilo que Mo gen hau ca ac e iza como b ilhan es ge ações de diploma as e es adis as. 138 Assim, só i iam a se desen ol imen os oco idos no pós-P imei a Gue a Mundial que acaba iam po da o golpe inal ao Equilíb io de Pode Associa i o eu opeu e ao código sup anacional no qual es e se sus en a a. Assis iu-se, nes e pe íodo, à eme gência do “uni e salismo nacionalís ico”, uma ans o mação do nacionalismo a a és da qual os códigos é icos e mo ais especí icos de uma nação passam a se po ela idos como uni e sais e, consequen emen e, dignos de acei ação po pa e das es an es nações; um enómeno que, segundo Mo gen hau, é inaugu ado no séc. XX po Wood ow Wilson, com a sua p e ensão de “ o na o Mundo segu o pa a a democ acia”. 139 Es ados como a URSS, a Alemanha nazi e os EUA passam a concebe -se como po a-es anda es de cosmo isões uni e salis as, o que le a os con li os in e nacionais do séc. XX a assumi em o aspe o das c uzadas e das gue as eligiosas de ou o a, com o mesmo ní el de e ocidade. 140 A dinâmica associa i a dos úl imos ês séculos ab e caminho ao ad en o da dinâmica ad e sa i a e das es i as powe poli ics; o Equilíb io de Pode Associa i o dá luga a um Equilíb io de Pode Ad e sa i o. Pa alelamen e, a pos e io passagem de um sis ema mul ipola pa a um sis ema bipola ambém oi signi ica i a: como Mo gen hau indica, a edução do núme o de G andes Po ências no palco in e nacional, a segui à Segunda Gue a Mundial, e e e ei os ne as os pa a o exe cício do Equilíb io de Pode , uma ez que, ao e i a -lhe mui a da sua ince eza e lexibilidade, desp o iu-o do seu po encial mode ado sob e as ações dos Es ados. 141 Eis, en ão, o palco in e nacional com o qual Mo gen hau se depa a no início da Gue a F ia, pau ado pela concen ação de pode em duas supe po ências com um alcance mundial e um pode sem p eceden es na His ó ia Mode na, assim como p omo o as e po a-es anda es 137 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 239. 138 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 489. 139 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 272. 140 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 274. 141 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 361. 45 do seu espe i o sis ema é ico p e ensamen e uni e sal; eis a plena consolidação do Equilíb io de Pode Ad e sa i o que pau a a polí ica in e nacional em meados do séc. XX. Dois pon os imedia os e signi ica i os de discussão podem se le an ados a pa i des a análise. Em p imei o luga , já nos podemos di igi especi icamen e ao luga ocupado pelo nacionalismo na eo ização de Mo gen hau e compa á-lo ao papel que assume na his o iog a ia de Ranke. Es e úl imo ia o espí i o nacionalis a do século XIX como algo que começou po e igo a o Equilíb io de Pode eu opeu con a as ambições hegemónicas de Napoleão e que, subsequen emen e, não se mos ou incompa í el com o seu pleno e e icaz desempenho enquan o p incípio egulado das ações e do compo amen o dos Es ados; pelo con á io, a o ecia-o na medida em que do a a os di e en es Es ados de um eno ado e e o çado sen imen o de “indi idualidade”: “ou cen u y has p oduced he mos posi i e esul s. I has achie ed a g ea libe a ion, no wholly in he sense o dissolu ion bu a he in a c ea i e, uni ying sense. I is no enough o say ha i called he g ea powe s in o being. I has also (…) gi en new li e o he p inciple o each indi idual s a e.” 142 Já Mo gen hau, pelo con á io, in e p e a es e enómeno como uma p og essi a ameaça ao consenso mo al que pau ou as elações in e es a ais eu opeias desde o séc. XVI, e que conseguia, mais e icazmen e, p ese a o Equilíb io de Pode Associa i o en e os Es ados eu opeus. Pa a o eó ico, o nacionalismo – sob e udo po ia da sua e en ual mu ação no séc. XX pa a o “uni e salismo nacionalís ico” – oi udo menos e igo an e pa a a es abilidade da polí ica in e nacional eu opeia, endo an es mo i ado a agmen ação do código é ico e mo al sup anacional de ou o a. Acabamos, des a o ma, po es a pe an e um pon o no qual as lei u as de Ranke e de Mo gen hau a espei o da polí ica in e nacional di e gem. Po ezes, chegam mesmo a se implacá eis as c í icas que es e úl imo ece con a o nacionalismo, 143 sendo, de ac o, di ícil julgá-lo mui o a esse espei o, já que ha ia sido es emunha e í ima das mais adicais exp essões des e enómeno, bem como dos seus apogeus acis as – desde logo, na p óp ia Alemanha do pe íodo en e-gue as, onde, enquan o judeu, i eu du an e á ios anos. 144 De ac o, nes a ma é ia, o om c í ico de Mo gen hau di icilmen e pode ia es a mais dis an e 142 RANKE, L. – The G ea Powe s, in IGGERS, G. G. – The Theo y and P ac ice o His o y, p. 51. 143 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 180. 144 Como no a Mollo , a elação en e a expe iência i ida po Mo gen hau enquan o judeu na Alemanha en e- gue as e o olha cé ico sob e a polí ica que subjazia o seu ealismo não de e se subes imada: “Mo gen hau, a Ge man Jewish emig é o he U.S. om Hi le ’s Ge many, expe ienced he sea ing impac o an i-Semi ism while g owing up in Ge many (…) Mo gen hau’s ejec ion o enligh enmen p inciples in he poli ical ealm was a leas o some ex en a e lec ion o Ge man Jew y’s disillusionmen wi h he p omise o he enligh enmen as a esul o Hi le ’s ise o powe .” (MOLLOV, M. B. – The Jewish Expe ience as an In luence on Hans J. Mo gen hau’s Realism, p. 132). 46 daquele exp esso pelo seu con e âneo do século XIX, pa a quem o nacionalismo en igo a a o sen imen o de comunidade e, longe de p essupo co olá ios acis as, se e ela a ha monioso com a o dem in e nacional eu opeia e o Equilíb io de Pode . Em segundo luga , salien emos que a dis ância que sepa a as lei u as de Mo gen hau e de Ranke a espei o do Equilíb io de Pode ambém nos az de ol a ao con as e on ológico en e ambos, ou seja, ao p ocesso de laicização analí ica ope ado en e a his o iog a ia des e úl imo e o ealismo polí ico daquele. Como explici ámos no Capí ulo an e io , a lei u a eminen emen e associa i a que Ranke azia do Equilíb io de Pode eu opeu é insepa á el da glo i icação me a ísica à qual o his o iado sujei a a es e p incípio da polí ica in e nacional: al como o in e esse nacional e as ações dos Es ados se subo dina am a uma on e P o idencial, que a ua a enquan o o ga an e da sua necessidade e ine i abilidade his ó icas, o p óp io uncionamen o do Equilíb io de Pode acaba a po se subo dinado a es a mesma on e on ológica; se ia o di ino “espí i o gua dião” que ga an i ia a capacidade de os Es ados eu opeus sal agua da em, a a és do Equilíb io de Pode , a sua independência polí ica ace a qualque ameaça hegemónica. O a, em Mo gen hau, al como o seguimen o de uma condu a acional po pa e do Es ado é di o ciado de qualque necessidade his ó ica assegu ada po Deus, ambém o uncionamen o do Equilíb io de Pode é um ine i á el al o do mesmo p ocesso: no luga da ha monia au omá ica P o idencial, su ge uma lei u a mais cé ica des e p incípio das elações in e es a ais, que en a iza a sua ince eza e a sua inadequação. 145 O cálculo acional do pode ela i o dos Es ados é semp e al amen e elusi o, 146 u o da já mencionada omnip esença da con ingência na ealidade, e o ecu so à p óp ia linguagem de equilíb io pode, mui as ezes, mais não se do que uma achada ideológica, a dis a ça in e esses nacionais impe ialis as ou de s a us-quo. 147 Pa a Mo gen hau, a es abilidade no sis ema de Es ados eu opeu que igo ou ao longo de ês séculos não se de eu a um supos o exe cício au omá ico do Equilíb io de Pode , assegu ado po uma on ade P o idencial, mas sim à e e i a e conc e a exis ência do e e ido consenso é ico sup anacional, que acaba ia po se dissol e in ei amen e no séc. XX. 145 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 223. 146 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 224. 147 “A na ion seeking empi e has o en claimed ha all i wan ed was equilib ium. A na ion seeking only o main ain he s a us quo has o en ied o gi e a change in he s a us quo he appea ance o an a ack upon he balance o powe .” (MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 231). 47 Como no a Michael C. Williams, es e ce icismo de Mo gen hau pe an e lei u as que pos ulam uma ine en e, au omá ica e “na u al” ha monia no uncionamen o do Equilíb io de Pode di ige-se, em pa icula , con a o o imismo libe al do séc. XIX, p oponen e des a noção: “As a echnique, a ac ic, he balance o powe can seek o p o ide a media ing con ex and ‘cul u e’ – a se o sha ed unde s andings based upon ma e ial in e es and ins umen al calcula ion. In Mo gen hau’s iew, o example, he ise o he balance o powe wi hin nine een h-cen u y hinking illus a es his p inciple. Bu nine een h-cen u y libe alism elied upon an unde s anding o his balance as na u al, as ied o a pu po edly ‘objec i e’ o e olu iona y iumphan libe al- a ionalis epis emology, cul u e, and poli ics in ways ha wil ul Realism iews as unsus ainable and his o ically anach onis ic.” 148 Nes e con ex o, o na-se in e essan e eco da a já ci ada ideia de Schulin, pa a quem a isão ha moniosa de Ranke sob e o uncionamen o do Equilíb io de Pode pa ilha a ce as a inidades, p ecisamen e, com es e o imismo libe al; 149 de ido a es as a inidades, conside amos que o ce icismo da lei u a de Mo gen hau pode se di igido não apenas con a a e são libe al des e o imismo, como ambém con a a sua exp essão pa icula na his o iog a ia de Ranke. Des aquemos, po ém, que Mo gen hau não ence a a sua análise em Poli ics Among Na ions numa no a in ei amen e cé ica ou pessimis a a espei o do u u o da polí ica in e nacional. 150 Na sua ó ica, a única solução pa a e i a uma con lag ação in e po ências a longo p azo se ia a e en ual cons ução de um Es ado Mundial, que só se o na ia numa possibilidade e e i a pe an e o p é io es abelecimen o de uma comunidade mundial. Já es e úl imo p ocesso, po sua ez, p essupo ia a mi igação e a minimização dos con li os in e nacionais, pa a que os in e esses que unem os á ios Es ados pudessem se maio es do que aqueles que os sepa am. 151 O umo a pe co e se ia, po an o, o da “paz po ia da acomodação”, endo como ins umen o p i ilegiado a diplomacia: “I he wo ld s a e is una ainable in ou wo ld, ye indispensable o he su i al o ha wo ld, i is necessa y o c ea e he condi ions unde which i will no be impossible om he ou se o es ablish a wo ld s a e. (…) This me hod o es ablishing he p econdi ions o pe manen peace we call peace h ough accommoda ion. I s ins umen is diplomacy.” 152 Uma diplomacia que, na u almen e, 148 WILLIAMS, M. C. - The Realis T adi ion and he Limi s o In e na ional Rela ions, p. 194. 149 SCHULIN, E. – Ranke’s Uni e sal His o y and Na ional His o y, p. 14. 150 “Mo gen hau was clea ly uncom o able wi h he pessimis ic implica ions o his analysis, and sough o hold ou a ay o hope o he u u e.” (LEBOW, R. N. – The T agic Vision o Poli ics, p. 234). 151 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 559. 152 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 563. 48 e ia como e e ência um ealismo polí ico como o de Mo gen hau, com o seu já indicado alo p á ico enquan o guia. Nes e umo, a diplomacia e ia de e e e a endência do “uni e salismo nacionalís ico” e as aspi ações aná icas po si induzidas, p ocu ando en a iza o alo da mode ação e da p udência na condu a do Es ado. 153 Já o in e esse nacional de e ia passa a se de inido em e mos eminen emen e secu i á ios e es i i os, com a in eg idade do e i ó io nacional e das ins i uições es a ais a cons i uí em o mínimo i edu í el des e in e esse e o seu obje i o úl imo. 154 De ac o, como no a Mo gen hau, um Es ado só consegue conside a , de uma o ma obje i a e acional, os in e esses nacionais dos es an es após es a segu o dos seus. 155 O que Mo gen hau ad oga e aquilo ao qual apela é, em suma, uma polí ica de mode ação sensa a po ia de uma diplomacia p uden e, elacionada com a p ocu a de um equilíb io jus o en e os EUA e a URSS; um equilíb io undado numa p o unda c ença de que nem as ambições uni e salis as das duas supe po ências, nem a compe ição i es i a e ad e sa i a en e ambas e am comple amen e i e ogá eis: “The bipola sys em, as we ha e seen, is mo e unsa e om he poin o iew o peace han any o he , when bo h blocs a e in compe i i e con ac h oughou he wo ld and he ambi ion o bo h is i ed by he c usading zeal o a uni e sal mission. (…) Ye once hey ha e de ined hei na ional in e es s in e ms o na ional secu i y, hey can d aw back om hei ou lying posi ions, loca ed close o, o wi hin, he sphe e o na ional secu i y o he o he side, and e ea in o hei espec i e sphe es, each sel -con ained wi hin i s o bi .” 156 Com e ei o, Mo gen hau con inua a a ac edi a na possibilidade de o Equilíb io de Pode Ad e sa i o da Gue a F ia i a ab i caminho, a a és des a diplomacia acional, a dinâmicas associa i as en e as duas supe po ências mundiais, con ando que o seu apelo osse le ado a sé io po pa e dos es adis as e diploma as de ambas; um apelo que, como se ai o nando e iden e, é indissociá el de uma ce a nos algia, po pa e de Mo gen hau, daqueles séculos da his ó ia eu opeia em que, segundo ac edi a a, ha ia sido ela i amen e possí el e ea as ações e os compo amen os desmedidos po pa e dos Es ados. 157 T a a-se de uma 153 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 584-586. 154 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 586. 155 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 588. 156 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 587. 157 “Wha he con empo a y wo ld u gen ly needs, Mo gen hau asse s, is a e i al o eli e-domina ed diplomacy and, o he ex en s ill possible, adi ional balance o powe hinking. These cons i u i e ea u es o he 49 nos algia que se e pa a ap esen a soluções conc e as pa a o p esen e e que, des a o ma, acaba po deixa o u u o em abe o, podendo oma um de dois umos: um maligno, que consis i ia na pe sis ência do Equilíb io de Pode Ad e sa i o, e um benigno, assen e no essu gimen o de um Equilíb io de Pode Associa i o. 158 A passagem pa a um go e no sup anacional, conside ada po Mo gen hau como o ideal úl imo da ida in e nacional, pode á, assim, i a se paula inamen e consolidada pelo seguimen o des a diplomacia e pela esul an e subo dinação a um Equilíb io de Pode Associa i o, po ela isado e a i amen e p omo ido. E eis que echamos um cí culo (um dos mui os possí eis cí culos, ce amen e) na ob a de Mo gen hau, ol ando à ques ão da agência do Es ado e ao ac o de es e ainda con inua a se , aos olhos do eó ico, o p incipal a o da polí ica in e nacional, an o no p esen e como no u u o p óximo: po mui o anac ónica que começasse a se a exis ência de uma o ganização polí ica como es a pe an e as po encialidades écnicas e os equisi os mo ais do mundo a ómico, o su gimen o de qualque go e no sup anacional con inua a a depende , ine i a elmen e, de um consenso en e os á ios Es ados-Nação. O es abelecimen o de um Es ado-Mundial, pa a Mo gen hau, p ecisa á semp e de pa i da on ade dos á ios Es ados e da exis ência de uma e e i a comunidade in e nacional en e eles o mada, que, po sua ez, depende á semp e da p é ia minimização dos con li os in e es a ais, a ca go de uma diplomacia mode ada e p uden e, acional e ealis a. É a is o que Lebow se e e e quando ala sob e a combinação en e o “ elho” e o “no o” na abo dagem de Mo gen hau: ao esc e e no seguimen o de des u i as gue as mundiais, o eó ico ge mano-ame icano é depa ado com o p oblema de econcilia a an iga o dem com os pe igosos elemen os da no a mode nidade – sob e udo na o ma do a mamen o nuclea –, de um modo que acomodasse os maio es bene ícios des a úl ima e, simul aneamen e, limi asse o seu po encial des u i o. 159 Os adicionais mé odos da diplomacia es a al (o “ elho”) undem- Wes phalian sys em, i seems, p o ide he bes immedia e p o ec ion agains he spec e o nuclea wa .” (SCHEUERMAN, W. E. – Ca l Schmi and Hans Mo gen hau: Realism and beyond, in WILLIAMS, M. C. – Realism Reconside ed, p. 79). 158 “I ollows ha when Mo gen hau (…) conside s he p e ailing ‘simpli ied balance o powe , ope a ing be ween wo in lexible blocks, o be he ha binge o g ea good o g ea e il’ he is e ec i ely iden i ying he benign u u e wi h an associa ional balance o powe and he malign u u e wi h an ad e sa ial balance o powe .” (LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 127). 159 LEBOW, R. N. – The T agic Vision o Poli ics, p. 293. 56 uma maldade in ínseca ao Homem, ce amen e um di ó cio essencial en e aquelas que são as suas ine en es limi ações e es es, posi i as e imedia as, e o seu ambém ine en e po encial de anscendência sob e o seu imedia o; des e di ó cio esul a um con li o de esoluções ine i a elmen e us adas, que cons i ui a e dadei a on e dos p incipais desas es e maldades que assolam o se humano, como demos con a. Des e modo, sus en amos que qualque cli agem e qualque empa ia en e a his o iog a ia de Ranke e o ealismo polí ico de Niebuh se ope a á sob e es e p o undo con as e on ológico, esul an e das di e en es lei u as c is ãs de ambos os au o es. Se julgámos ap op iado ala sob e a exis ência de uma laicização analí ica na passagem da ob a de Ranke pa a o ealismo de Mo gen hau, conside amos que em elação ao ealismo de Niebuh , com as suas especi icidades, es a passagem pode se mais ielmen e desc i a segundo a ideia de um cisma c is ão, mani es o no p o undo con as e en e as in e p e ações c is ãs de ambos os au o es, con o me acabou de se expos o. Ao longo do es o do p esen e Capí ulo, e emos como es e con as e on ológico pode se u ilizado pa a nos ajuda a explica as cisões en e a his o iog a ia de Ranke e o ealismo de Niebuh , an o a espei o do Es ado, como do Equilíb io de Pode ; simul aneamen e, as e en uais linhas de con inuidade en e ambos se ão in e p e adas como exis indo apesa des e con as e, o que as o na á ainda mais salien es e, quiçá, anali icamen e ele an es. 3.2 – Niebuh e o Es ado: A ogan es In imações Ao longo da p esen e secção, da emos con a de como Niebuh in e p e a o Es ado pa a, a segui , explo a mos a dis ância en e es a in e p e ação e aquela encon ada na his o iog a ia de Ranke, à luz do cisma c is ão en e ambos. De es o, a emos um le an amen o de linhas de con inuidade que, apesa des e cisma, podem se encon adas en e ambos os au o es, a espei o do Es ado. Con o me indicámos, o ealismo polí ico de Niebuh unda-se, on ologicamen e, numa in e p e ação pa icula da “na u eza humana” de i ada da dou ina c is ã: o Homem é um ilho da ini ude e es e e, simul aneamen e, um aspi an e à condição de Deus, com a noção de pecado a ad i do o gulho e da a ogância associadas ao ac o de acha que a chegada a essa condição pode á alguma ez se ealizá el pa a si. Os con li os e calamidades humanos ad êm, po an o, de uma ce a a ogância on ológica esul an e des a cons i uição dual do Homem, 57 mani es a nas suas cons an es pe seguições de ideais impossí eis que, no undo, mais não cons i uem do que semp e us adas en a i as de aze do seu es ei o se o im absolu o da exis ência. Tendo is o em con a, con o me indica Guilhe me Ma ques Ped o, a a e a da Mode nidade pa a Niebuh de e ia se , p ecisamen e, c i ica e descons ui es as ingénuas, p ecipi adas e pe igosas en a i as, numa a i ude de a i a esis ência. 174 É des a in e p e ação dualis a do Homem que deco e o en endimen o pa icula de Niebuh ace às comunidades sociais, onde se inse e, na u almen e, o Es ado. Na ó ica do eólogo, os impulsos egoís as e indi idualis as do Homem – ep imidos, como imos, pelo pe ene elemen o coe ci o que an ecedia e en o ma a odas as comunidades polí icas – acaba am po se apenas ans e idos pa a o p óp io o ganismo cole i o, nele icando aglome ados e ins i uídos; di o de ou a o ma, o egoísmo nacional mais não e a do que a exp essão úl ima do egoísmo indi idual, já que o Es ado se limi a a a canaliza pa a si mesmo as ambições de pode indi iduais domes icamen e ep imidas, di ecionando-as depois pa a o palco in e nacional aná quico: “Unques ionably he e is an alloy o p ojec ed sel -in e es in pa io ic al uism. The man in he s ee , wi h his lus o powe and p es ige hwa ed by his own limi a ions and he necessi ies o social li e, p ojec s his ego upon his na ion and indulges his ana chic lus s ica iously. So he na ion is a one and he same ime a check upon, and a inal en o , he exp ession o indi idual egoism.” 175 Pa a Niebuh , o p óp io “in e esse nacional” pouco mais e a do que o in e esse de uma classe pa icula , de uma eli e que, em dado momen o, de inha as édeas do pode es a al e azia 174 PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 60. Podemos dize que es a a i ude de esis ência, c í ica e descons ução po pa e de Niebuh deixa-o p óximo de eó icos c í icos das Relações In e nacionais, especialmen e (e cu iosamen e) aqueles que oma am como al o o ealismo desde a i agem posi i is a wal ziana, con o me no a Ma ques Ped o: “His limi ed decons uc ion o some o he mos idealized images o na ions and communi ies, as much as o he ideals o he ‘ a ional man’, o he anscenden al ego and o mode n subjec i i y in gene al, b ing him qui e close o c i ical heo is s wi hin he humani ies and he social sciences, and e en close o hose who, wi hin IR, ha e a acked ealism o i s lack o on ological sel - e lec ion, o a ce ain absence o epis emological discussion o o i s e hical and analy ical na owness. Mos p obably, Niebuh would ha e ag eed wi h hese c i icisms, had he become amilia wi h he so o ealism ha has u ned in o common p ac ice in IR since he Wal zian u n.” (PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 25). É ambém com base nes a a i ude que, po sua ez, John Pa ick Diggins p ocu a demons a algumas a inidades en e o pensamen o de Niebuh e as co en es pós-es u u alis as da segunda me ade do séc. XX, sob e udo na elação en e o conhecimen o e o pode (DIGGINS, J. P. – Powe and Suspicion: The Pe spec i es o Reinhold Niebuh ). 175 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 93. Também em Mo gen hau encon amos uma linha a gumen a i a bas an e semelhan e a es a, com o Es ado-Nação a a ua enquan o algo que, de uma só ez, ep ime in e namen e as ambições de pode indi iduais po pa e dos seus espe i os cidadãos e, concen ando-as em si, di ige-as pa a o palco in e nacional, onde são ica iamen e saciadas. Assim di a am, segundo Mo gen hau, as “ endências psicológicas” humanas, encon ando pos e io apoio nas p óp ias ins i uições sociais (MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 119). 58 da sua on ade egoís a de classe a “ on ade nacional”, con ibuindo ainda mais pa a o egoísmo dos Es ados e pa a a sua idola ia polí ica; 176 a o ganização das sociedades nacionais mode nas em classes, com uma eno me desp opo ção de pode e p i ilégio in e no en e sim, se ia, en ão, uma das p incipais causas da ganância dos Es ados e da consequen e ana quia no palco in e nacional. 177 Simul aneamen e (e undamen almen e), as p óp ias alusões e apelos à “ acionalidade” na condu a es a al mais não e am do que desones idades manipulado as, já que es a am de uma o ma implíci a ao se iço do au oin e esse, do egoísmo e da sede de pode nacionais, a ando-se de ins umen os que se iam pa a cob i es es in e esses com um éu ideológico: “Poli ics a e gi en hei gene al di ec ion by he p essu e o in e es o he g oups which con ol hem; he expe is qui e capable o gi ing any p e iously de e mined endency bo h a ional jus i ica ion and e icien de ailed applica ion. Such is he inclina ion o he human mind o beginning wi h assump ions which ha e been de e mined by o he han a ional conside a ions, and building a supe s uc u e o a ionally accep able judgemen s upon hem, ha all his can be done wi hou any conscious dishones y.” 178 Na ó ica do eólogo, o Es ado co ia o pe pé uo isco de se o na num ecipien e das mais aná icas e ac í icas de oções po pa e da comunidade que ci cunsc e ia den o das suas on ei as, uma p e ensa ma e ialização de um Deus na Te a, ap esen ando os seus alo es e ideais comuni á ios especí icos, bem como os seus obje i os e in e esses egoís as, como uni e sais e absolu os. Tal ana ismo e a pa icula men e po enciado em momen os de con li o in e nacional, como explica Niebuh : nes as ocasiões, o Es ado-Nação a ingia uma plena au oconsciência, ao se jus apo belicamen e com ou as nações; no en an o, e a ambém nes es momen os de jus aposição que a ela i idade e o ca á e único dos alo es do Es ado-Nação se acaba am po o na mais e iden es, chocando com a comum noção de que es e inca na a alo es uni e sais. O a, pa a Niebuh , es e pa adoxo só podia se esol ido po ia da hipoc isia, da desones idade e da manipulação, com as eli es polí icas, alendo-se do ins in o eligioso dos seus cidadãos, a ap esen a em os obje i os e os in e esses egoís as do Es ado como uni e salmen e álidos; des e modo, conseguiam assegu a uma ac í ica de oção e um ana ismo da pa e da sua população. 179 176 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 89. 177 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 111. 178 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 214. 179 “The bes means o ha monising he claim o uni e sali y wi h he unique and ela i e li e o he na ion, as e ealed in momen s o c isis, is o claim gene al and uni e sally alid objec i es o he na ion. I is alleged o be igh ing o ci ilisa ion and o cul u e; and he whole en e p ise o humani y is supposedly in ol ed in i s s uggles. In he li e o he simple ci izen his hypoc isy exis s as a naï e and uns udied sel -decep ion. The 59 Os in e esses do Es ado-Nação, en endido enquan o uma o ma especí ica de sel hood cole i o, e am desones amen e ap esen ados, po pa e de eli es, como na u almen e deco en es des a sua exis ência enquan o sel , pa a além de ac i icamen e acei es, po pa e da sua comunidade, enquan o al. Na ó ica de Niebuh , independen emen e do que qualque esquema acionalizan e p ocu asse masca a , an o es es supos os in e esses na u ais, bem como – e em p imei o luga – a p óp ia in imação on ológica do Es ado enquan o um de e minado sel cole i o, ad inham de a anjos de pode conc e os no plano domés ico, jamais des es podendo se di o ciados. 180 Es a o ma ação de on ades e consciências indi iduais pa a os ins de uma supos a on ade e consciência nacional cons i ui ia, en ão, mais uma ins ância da a ogância on ológica humana. As de oções assim comandadas a ua iam enquan o um me o ins umen o ao se iço de uma lógica nacional egocên ica que, cob indo com um éu uni e salis a os seus in e esses e obje i os ex e nos, mais não azia do que p oje a e ex e naliza a ag essão, o ódio e a iolência sob e as ou as nações (sob e os ou os sel es): “The cons i u ion o a collec i e consciousness by na ion-s a es and social classes was he e o e lawed by compa ison wi h indi idual consciousness: hei supposed sel - anscendence was ne e akin o sel -denial and ul ima e lo e and was, om he s a , an ins umen o he egocen ic and opposi ional logic o sel -lo e which he sin o p ide necessa ily en ails.” 181 Em suma, os Es ados co iam, pa a Niebuh , o pe manen e isco de se ans o ma em em eposi ó ios secula es de de oções anscenden ais, obje os egocên icos do “amo úl imo” das suas espe i as comunidades, in imações on ológicas cujos alo es, ideais, in e esses e obje i os egoís as e am – o gulhosamen e e a ogan emen e – ap esen ados como uni e sais e absolu os. Daí o ac o de qualque o ma de esis ência polí ica em Niebuh en ol e , ine i a elmen e, uma componen e de e isão das p óp ias p emissas on ológicas que subjazem qualque o ma de sel hood. 182 poli ician p ac ices i consciously ( hough he may become he ic im o his own a s), in o de o secu e he highes de o ion om he ci izen o his en e p ises.” (NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 97). 180 PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 39. 181 PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 97. 182 “Niebuh ’s ealism lay he e o e in his p o ound awa eness o he ex en o which collec i e iden i y elied on he en a i e powe a angemen s a play in each socie y and o how, he e o e, any o m o esis ance o po en ial powe imbalances necessa ily had o en ail a e ision o he on ological p emisses o Ame ica’s collec i e Sel – indeed, o any o m o Sel hood.” (PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 40.) 60 Chegados a es e pon o, começamos a ape cebe -nos da dis ância que sepa a as lei u as de Ranke e de Niebuh a espei o do Es ado. Com e ei o, cons a amos que se Ranke olha a pa a os Es ados enquan o exp essões di e as de ideias di inas, Niebuh in e p e a-os, pelo con á io, como po enciais ins âncias do o gulho e da a ogância egocên icas humanas – ou seja, en a i as de uni e saliza e absolu iza aquilo que nunca podia deixa de se um sel pa cial, es ei o e ini o. Po ou o lado, se pa a Ranke só pode ia esul a a es abilidade in e nacional da di inamen e consonan e in e ação mú ua in e -es a al, pa a Niebuh es a es abilidade co ia o pe pé uo isco de se colocada em causa po pa e dos p óp ios Es ados, enquan o uma consequência di e a dos impulsos egocên icos sem e eios que os cons i uíam de génese. Julgamos que na o igem des as di e enças eside, en ão, o undamen al con as e on ológico en e ambos os au o es, o seu cisma c is ão: o Deus c is ão de um, o denado de uma His ó ia que descu a a maldade do Homem, colide com a eologia c is ã dualis a do ou o, que ê essa maldade como uma de duas ace as undamen ais do se humano, de cujo con li o esul am as en a i as des e úl imo de aze de si p óp io Deus, em p ejuízo do e dadei o e inalcançá el plano uni e sal di ino. Em ma é ia do Es ado, as consequências des e cisma são no ó ias: em Ranke os Es ados apenas e le iam o bene olen e desenho de Deus na Te a, enquan o em Niebuh pode iam cons i ui alsos ídolos di inos, ou seja, p oje os humanos que, numa lógica egocên ica e assen e no pode , cons i ui iam oscos subs i u os ao ínculo di e o, e dadei amen e undamen al, en e o Homem e o semp e inalcançá el plano é ico e uni e sal de Deus, um ínculo pa ilhado po oda a Humanidade. Expos as as cli agens mais cla as que es e cisma c is ão põe em e idência nas ob as de ambos os au o es em ma é ia do Es ado, es a-nos a e igua se exis em algumas linhas de con inuidade, como o am possí eis de e a em Mo gen hau. Comecemos po e e i a mais no ó ia: o ac o de, ambém em Niebuh , os Es ados con inua em a cons i ui as unidades de análise p i ilegiadas. Com e ei o, independen emen e da pe spe i a c í ica sob a qual são esc u inados, o no e-ame icano não em dú idas quan o ao ac o de os Es ados se a a em, en e os mais a iados e possí eis g upos sociais, das p incipais unidades de associação do mundo con empo âneo, não só com a maio coesão social, como ambém com a mais indispu ada au o idade cen al. 183 183 “ om he s andpoin o analysing he e hics o g oup beha io , i is easible o s udy he e hical a i udes o na ions i s ; because he mode n na ion is he human g oup o s onges social cohesion, o mos undispu ed 61 Como exemplo da o ça aglome ado a do nacionalismo e do sen imen o de pa io ismo, Niebuh des aca o caso dos pa idos socialis as eu opeus aquando da P imei a Gue a Mundial: de uma oposição e e icência iniciais ao con li o – sus en adas numa a i ude an imili a ís ica e paci is a iel a in e esses polí icos socialis as sup anacionais –, acaba iam po se seduzidos pa a uma gue a in e nacional, já que o seu elei o ado ope á io, embo a economicamen e os acizado den o da Nação, con inua a lealmen e a esponde aos apelos des a úl ima. 184 Num ou o exemplo, o eólogo ci a o caso da Alemanha do pe íodo en e-gue as pa a salien a como, mesmo pe an e uma si uação domés ica de desin eg ação económica e con li o social, um “ ago ins in o de au op ese ação”, aliado a um ainda po en e sen imen o de unidade nacional, pe mi em que o pode es a al consiga se na mesma ap op iado pa a us a e ep imi qualque ipo de es o ço e olucioná io in e no. 185 Nes e sen ido, uma análise ealis a da polí ica in e nacional e ia de, ambém em Niebuh , assumi ealis icamen e a p edominância dos Es ados, com os seus espe i os in e esses egoís as, enquan o a o es no seio do palco in e nacional. Podemos, ambém, conside a que ou a linha de con inuidade su ge na ques ão da desigualdade de pode in e nacional e na co ela i a hie a quização dos Es ados com base no pode : de ac o, se e am as classes mais pode osas que, in e namen e, o ganiza am a ida polí ica da Nação, e am ambém as Nações mais pode osas que, no palco ex e no, de inham a in luência mais ac escida, chegando mui as ezes ao pon o de consegui em o ganiza e encabeça uma semp e ins á el e débil (pa a além de injus a) “sociedade in e nacional”. 186 Tal como em Ranke, a desigualdade ela i a de pode in e nacional e a, assim, um ac o his ó ico cons i u i o que um olha ealis a sob e a polí ica in e nacional p ecisa a de e em con a; pe an e es e ac o, sob essaía a mani es a ingenuidade de qualque pe spe i a idealis a c en e na possibilidade imedia a de dissol e es as desp opo ções de pode num a anjo cons i ucional global: “The ela i e powe o pa icula na ions mus be accep ed as a e ul his o ic ac s abou which li le can be done. The idealis s who imagine ha hese disp opo ions o powe cen al au ho i y and o mos clea ly de ined membe ship. (…) i emains, as i has been since he se en een h cen u y, he mos absolu e o all human associa ions.” (NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 83). 184 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 150-151. 185 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 187. 186 “Since some na ions a e mo e powe ul han o he s, hey will a imes p e en ana chy by e ec i e impe ialism (…). Bu he peace is gained by o ce and is always an uneasy and an unjus one. As powe ul classes o ganise a na ion, so powe ul na ions o ganize a c ude socie y o na ions. In each case he peace is a en a i e one because i is unjus .” (NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 19). 62 would be dissol ed in a global cons i u ional sys em do no unde s and he eali ies o he poli ical o de .” 187 Assim nos ape cebemos que, não obs an e o e e ido con as e on ológico en e os au o es, bem como as imedia as di e enças de lei u a a espei o do Es ado que de si ad êm, é possí el des aca , pelo menos, es as duas linhas de con inuidade en e a his o iog a ia de Ranke e o ealismo polí ico de Niebuh , já iden i icadas ambém na ob a de Mo gen hau. Pa a o eólogo, de ac o, os Es ados con inuam a cons i ui a unidade de análise p edominan e da polí ica in e nacional, pa a além de se hie a quiza em en e si com base no pode e de os mais pode osos des a hie a quia assumi em uma maio in luência no seio da ida in e nacional. No en an o, al como em Mo gen hau e em oposição a Ranke, a assunção des a p edominância não equi alia à cons a ação do Es ado enquan o a de ini i a unidade de associação dos se es humanos. Longe disso: como p ocu ámos a gumen a , a conceção eológica especí ica que subjaz o ealismo polí ico niebuh iano – munida de um a senal c í ico e de descons ução – con e e ao eólogo um olha cé ico e suspei o sob e oda e qualque p e ensa absolu ização de uma unidade associa i a como o Es ado, cuja p óp ia in imação on ológica enquan o um sel cole i o pa ia de impulsos egocên icos humanos, cobe os sob achadas ideológicas e acionalizações mis i icado as. Con a qualque en a i a de absolu iza uma unidade de associação secula como o Es ado-Nação, Niebuh ad oga a um en endimen o on ológico mais plu al da idelidade polí ica e da p óp ia noção de comunidade, que p ocu asse mul iplica as possí eis ins âncias secula es de lealdade e de oção humanas de modo a que nenhuma pudesse alguma ez se ida como a de adei a, a absolu a, ou a úl ima. 188 Em pa icula , implíci a nes a ad ocacia es a a a noção de que qualque ipo de sobe ania e qualque o ma de associação se iam apenas possí eis ins âncias – e i o ialmen e e cul u almen e limi adas – no seio de uma pe manen e busca po o mas cada ez mais uni e sais e inclusi as de comunidade, 189 iéis à igualdade essencial en e odos os se es humanos pe an e Deus; po ou as pala as, uma pe manen e 187 NIEBUHR, R. – The I ony o Ame ican His o y, p. 135-136. 188 “Niebuh ad oca ed a mo e plu al unde s anding o poli ical allegiance, o communi y and o he e y no ions o sel hood and subjec i i y which wi hs ood hem (…). Such communi y ough o be able o mul iplying, a he han na owing down, he subjec ’s a ious possibili ies o loyal y o he a ious a ailable si es o de o ion so as o dis ega d hem as uncondi ionally ul ima e and wo hy o e e y sac i ice” (PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 43). 189 PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 84. 63 busca po uma comunidade mundial, ida enquan o a de adei a mani es ação da aspi ação humana de o dena , em e mos mo ais e polí icos, a ida social. 190 Nes a pe seguição, como ago a e emos, o Equilíb io de Pode e es e-se de uma pa icula impo ância pa a Niebuh . Po isso, pa a já, deixemos de pa e es a noção de comunidade mundial e i emos as nossas a enções pa a o luga ocupado po aquele concei o na ob a do eólogo no e-ame icano. 3.3 – Niebuh e o Equilíb io de Pode : Da Humildade à Mu ualidade Nes a secção, começa emos po inse i o en endimen o pa icula niebuh iano do Equilíb io de Pode na ipologia de Li le, cons a ando que nele exis e espaço an o pa a uma lei u a ad e sa i a, como pa a uma lei u a associa i a do enómeno. De seguida, ap o unda emos a ace a c is ã do ealismo de Niebuh , in imamen e elacionada com a sua lei u a associa i a do Equilíb io de Pode . Da emos con a de como es a ace a, longe de se esgo a na ad ocacia de um Equilíb io associa i o, pe mi e ao eólogo an e e um ho izon e é ico de possibilidades pa a a polí ica in e nacional, endo po co olá io úl imo a cons i uição de uma comunidade mundial. Po im, explo a emos as cli agens en e es a in e p e ação e aquela encon ada na his o iog a ia de Ranke. Iniciemos a p esen e secção seguindo o mé odo a é ago a le ado e espondendo, assim, à seguin e ques ão: es a á a lei u a que Niebuh az do Equilíb io de Pode mais p óxima de um modelo ad e sa i o, ou de um modelo associa i o des e p incípio da polí ica in e nacional, segundo os moldes da ipologia de Li le? Em p imei o luga , cons a emos que, segundo o eólogo, o Equilíb io de Pode pode se in e p e ado como um co olá io lógico de odo o ce icismo e de oda a descon iança subjacen es a uma pe spe i a exclusi amen e ealis a: com um p o undo ce icismo ace a qualque po encialidade é ica e mo al na ida social, es a pe spe i a a nada mais pode ia aspi a que não ao udimen a exe cício de con abalança o pode com o pode , num pe manen e es o ço de equilíb io elusi o e longe de du adou o. Po um lado, es e es o ço apenas se aduzia numa paz p a icamen e indis inguí el de um me o a mis ício, semp e à me cê dos ine i á eis desequilíb ios que, a jusan e, espole a iam um no o con li o; po ou o lado, nada mais azia pa a lá de c ia e acen ua animosidades e ensões, 190 PEDRO, G. M. – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y, p. 141-142. 64 longe de as esol e de uma o ma de ini i a. 191 Aliás, es e exe cício de equilíb io e ia mesmo sido esponsá el pelos medos e pelas ensões que conduzi am à P imei a Gue a Mundial: a paz que a an ecede a ha ia sido um me o a mis ício ga an ido pelo Equilíb io de Pode , que acaba ia des uído pelos p óp ios medos e animosidades que oi c iando en e os Es ados. 192 Desc i o, po an o, enquan o um p incípio de ca á e au odes u i o – já que o pode que o sus en a a e a ambém o pode que ia aos poucos c iando os medos, as ensões e os consequen es desequilíb ios que o des ui iam –, o Equilíb io de Pode apa en a, pa a Niebuh , es a echado num ciclo ad e sa i o incessan e e inqueb á el, u o da p óp ia na u eza humana, con o me sublinha Vasco Ra o: “Cép ico ela i amen e à possibilidade de se cons ui um equilíb io de pode ideal, Niebuh obse ou que, independen emen e da posição ela i a ocupada nesse equilíb io, nenhum Es ado «pa icipan e no equilíb io es á alguma ez sa is ei o com a sua p óp ia posição». Es a p ocu a implacá el da an agem, ine en e à na u eza humana, e exp esso na descon iança en e es ados condenados a aze a ges ão do dilema de segu ança, mos a que o equilíb io não é condição su icien e pa a se ob e a paz du adou a.” 193 No en an o, es e Equilíb io, con o me acabámos de no a , e a pa a Niebuh um co olá io de apenas um ipo pa icula de ealismo polí ico, demasiado cé ico pe an e a exis ência de e e i as po encialidades mo ais ao ní el in e nacional e, po isso, comple amen e alheio à possibilidade de se em c iados ins umen os pa a o ela i o con olo da polí ica in e nacional; um con olo imp escindí el pa a e i a no os desequilíb ios e o eg esso a uma “ana quia pe iódica”. 194 Na ó ica do no e-ame icano, es a in e p e ação pa icula do Equilíb io de Pode não passa a, po an o, disso mesmo: uma me a in e p e ação especí ica, de i ada de um ambém especí ico ealismo polí ico. Ao seu lado, exis ia uma ou a in e p e ação, menos cé ica, que não excluía po comple o uma dimensão no ma i a e mo al – uma dimensão de “amo ” – dos cálculos do Equilíb io de Pode ; sem es a dimensão, as icções e as ensões esul an es de qualque es o ço de equilíb io o na -se-iam in ole á eis, como sublinha Niebuh : “A balance o powe is 191 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 232. 192 “The las h ee decades o wo ld his o y would seem o be a pe ec and agic symbol o he consequences o his kind o ealism, wi h i s abo i e e o s o esol e con lic by con lic . The peace be o e he Wa was an a mis ice main ained by he balance o powe . I was des oyed by he spon aneous combus ion o he mu ual ea s and animosi ies which i c ea ed.” (NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 232). 193 RATO, V. – Um Mapa pa a os Tempos: O Realismo No ma i o de Reinhold Niebuh , p. 29. 194 NIEBUHR, R. – Plans o Wo ld Reo ganiza ion, p. 5. 65 some hing di e en om, and in e io o, he ha mony o lo e. I is a basic condi ion o jus ice, gi en he sin ulness o man. Such a balance does no exclude lo e. In ac , wi hou lo e he ic ions and ensions o a balance o powe would become in ole able.” 195 Pa alelamen e à lei u a ad e sa i a esul an e de um demasiado cé ico ealismo, eis que su ge uma lei u a associa i a do Equilíb io de Pode na ob a de Niebuh , c en e na possibilidade de uma dimensão mo al es abilizado a se in eg ada nos seus cálculos e no seu uncionamen o. Como o eólogo indica, se e a e dade que jamais e ia ha ido na His ó ia um esquema de jus iça que não i esse sido undado num Equilíb io de Pode , não e a po isso que es e não pode ia, po ezes, se es abilizado e ape eiçoado po uma dose de conside ações pu amen e mo ais. 196 Des e modo, julgamos que, al como na ob a de Mo gen hau, ambém na de Niebuh há espaço pa a uma lei u a ad e sa i a e uma associa i a do Equilíb io de Pode , com uma impo an e nuance, no en an o: se, pa a o eó ico alemão, os modelos associa i o e ad e sa i o do Equilíb io cons i uíam, con o me imos, ases pa icula es e oscilan es num eixo his ó ico, em Niebuh a dis inção en e ambos é mais ielmen e aduzida pelo ipo de ealismo que, na ó ica do eólogo, an ecede e p opicia cada um. Nes e sen ido, con o me acabámos de da con a, uma lei u a ad e sa i a do enómeno se ia o co olá io de um ealismo polí ico in ansigen e e demasiado cé ico, enquan o a assunção da possibilidade de um Equilíb io Associa i o, de escopo no ma i o e mo al, deco e ia de uma ou a sensibilidade ealis a, menos in ansigen e. O ealismo de Niebuh enquad a-se jus amen e nes a úl ima sensibilidade, que lhe pe mi e lança c í icas an o con a idealismos ingénuos, como con a ealismos demasiado cé icos. Mas que sensibilidade é es a, ao ce o? De que ealismo polí ico es amos exa amen e a ala ? P ecisamen e aquele que i ia a ica conhecido como o ealismo pa icula niebuh iano: o ealismo c is ão. Tal desígnio su ge em i ude das já mencionadas aízes eológicas que subjazem o pensamen o de Niebuh e que, undamen almen e, a uam an o enquan o a o igem do seu ce icismo (salien ado ao longo das duas p imei as secções des e Capí ulo), como a on e da sua espe ança e quali icado o imismo, como ago a a gumen a emos. O a, con o me imos, es as aízes eológicas con e em à pe spe i a de Niebuh um en endimen o pa icula men e cé ico no que à “na u eza humana” diz espei o: a dualidade do Homem o na es e num pe manen e aspi an e us ado à condição di ina, alheio ao ac o de es a condição lhe es a on ologicamen e edada; é, assim, das suas en a i as egoís as de aze 195 NIEBUHR, R. – Ch is iani y and Powe Poli ics, p. 26-27. 196 NIEBUHR, R. – Ch is iani y and Powe Poli ics, p. 104. 72 a i amen e caminha , po um umo que eles mesmos ilumina ão e ajuda ão a ilha . É endo em con a es e ho izon e que, po sua ez, a componen e empe amen al da ob a de ambos os ealis as clássicos se o na e iden e: longe de uma pe spe i a pessimis a ou desespe ada ace ao u u o da polí ica in e nacional, ambos os au o es e elam uma ce a ese a de o imismo ace às suas po encialidades, bem como uma c ença de que es as ad i ão, com uma maio p obabilidade, se os seus espe i os ealismos polí icos – an o na o ma dos seus p incípios, como a a és dos seus apelos e exo ações – a ua em enquan o guias no ma i os na ei u a de polí ica ex e na. Michael C. Williams é um dos au o es que mais ealça e des aca es a ace a no ma i a, pa icula men e no ealismo polí ico de Mo gen hau. Williams in eg a o eó ico ge mano- ame icano numa linhagem de pensado es ealis as que emon a a Thomas Hobbes e à qual dá o nome de “wil ul ealism”. Como nos diz, a c í ica de Mo gen hau ao pensamen o idealis a libe al não implica a sua comple a ejeição do libe alismo, já que, pelo con á io, o p opósi o des a c í ica se ia o de sus en a um en endimen o al e na i o (is o é, ealis a) da polí ica que conseguisse, mais e icazmen e, supo a uma o dem libe al iá el, ec iada pa a o mundo mode no. Di o de ou a o ma, o que Mo gen hau p e ende a a és da sua c í ica ao libe alismo e da o mulação do seu ealismo polí ico é o nece uma ap eciação ealis a das condições polí icas necessá ias pa a uma o dem libe al pode , e e i amen e, sing a . 214 No umo a es a o dem – con o me imos no Capí ulo 2 –, a es ipulação de um in e esse nacional es i i o e o seu seguimen o acional, bem como a sal agua da de um Equilíb io de Pode , eque e iam uma in e enção a i a po pa e dos agen es conc e os da polí ica, es ando longe de cons i ui dados adqui idos e enómenos au omá icos: “sophis ica ed Realism does no iew he a ional pu sui o he na ional in e es and he ope a ion o he balance o powe as na u ally occu ing phenomena in any simple sense. The concep ion o he s a e as a a ional ac o is he ou come o a p ocess o poli ical cons uc ion, and wil ul Realis hough is deeply conce ned wi h he in ellec ual and sociological esou ces ha migh be mobilised in o de o ha e his o m o s a e ac ion p e ail.” 215 O seguimen o de uma condu a es a al acional – sob a égide do in e esse nacional – e a sal agua da de um Equilíb io de Pode de e iam, na pe spe i a de Mo gen hau, se olun a iamen e escolhidos e “willed”; não sendo a 214 “Mo gen hau’s Realism ep esen s an a emp o p o ide a econs uc ed poli ical libe alism iable o and in he mode n wo ld.” (WILLIAMS, M. C. – The Realis T adi ion and he Limi s o In e na ional Rela ions, p. 104). 215 WILLIAMS, M. C. – The Realis T adi ion and he Limi s o In e na ional Rela ions, p. 135. 73 acionalidade algo com que se pudesse au oma icamen e con a , não deixa a po isso de se algo possí el e no ma i amen e desejá el de segui , po ia de um apelo à agência que, como dissemos, de e ia e como e e ência e guia uma eo ia ealis a como a de Mo gen hau. 216 Po sua ez, ambém Niebuh nu e a semelhan e con icção de que um ealismo c is ão como o seu, sob e udo no que diz espei o à lei u a que az da “na u eza humana”, de e á semp e se in eg ado numa mais as a é ica de jus iça p og essi a, e i ando o na -se numa espécie de “bas ião de conse ado ismo”, ou num apelo desespe ado à ina i idade e passi idade polí icas: “a ealis concep ion o human na u e should be made he se an o an e hic o p og essi e jus ice and should no be made in o a bas ion o conse a ism, pa icula ly a conse a ism which de ends unjus p i ileges. I migh de ine his con ic ion as he guiding p inciple h oughou my ma u e li e o he ela ion o eligious esponsibili y o poli ical a ai s.” 217 Pe an e o ho izon e poli ico-no ma i o que acaba po ab i pa a si p óp io, o ealismo c is ão de Niebuh inci a, po an o, a uma ida de ação e condu a polí ica esponsá eis, li e não só de um desespe o ex emo – associado a um ealismo mais cé ico –, como de excessi as expe a i as – ca ac e ís icas de um idealismo ingénuo. 218 Nes a ma é ia, os úl imos capí ulos de Mo al Man and Immo al Socie y e elam-se elucida i os: “I he mind and he spi i o man does no a emp he impossible, i i does no seek o conque o o elimina e na u e bu ies only o make he o ces o na u e he se an s o he human spi i and he ins umen s o he mo al ideal, a p og essi ely highe jus ice and mo e s able peace can be achie ed.” 219 O o imismo quali icado in imado nes a con icção des ói ilusões ima u as e ingénuas que pos ulam “ha monias supe iciais” na ida polí ica, inci ando o Homem a es o ços conc e os e a i os umo à cons ução de um Mundo melho , endo semp e como me a e aspi ação úl imas a (inalcançá el) cons i uição da e e ida comunidade mundial. 220 216 Como diz B ian C. Schmid , a eo ia de Mo gen hau con inha um elemen o no ma i o na exa a medida em que delega a a si mesma a a e a de guia , na p á ica, os es adis as nas suas ações, pa a que pudessem, assim, p ocede de uma o ma poli icamen e acional (SCHMIDT, B. C. – The Rocke elle Founda ion Con e ence and he Long Road o a Theo y o In e na ional Poli ics, in GUILHOT, N. – The In en ion o In e na ional Rela ions Theo y, p. 92). 217 NIEBUHR, R. – Man’s Na u e and His Communi ies, ci ado em RICE, D. – Reinhold Niebuh and Hans Mo gen hau: A F iendship wi h Con as ing Shades o Realism, p. 268. 218 “Con a y o a counsel o despai and passi i y, Niebuh ’s Ch is ian ealism ound he e a elease in o a li e o esponsible ac ion, ee om bo h excessi e expec a ions and ex eme despai .” (RICE, D. – Reinhold Niebuh and Hans Mo gen hau: A F iendship wi h Con as ing Shades o Realism, p. 270). 219 NIEBUHR, R. – Mo al Man and Immo al Socie y, p. 256. 220 NIEBUHR, R. – Ch is iani y and Powe Poli ics, p. 200-201. 74 Apesa de ad oga mos es a lei u a a espei o de Mo gen hau e de Niebuh – que acaba po ealça uma ace a no ma i a e o mis a na ob a de cada um –, não deixemos de no a que ce os au o es op am po des aca aquelas que, no seu en ende , cons i uem as implicações conse ado as in imadas no ealismo clássico e nos seus á ios p oponen es. Daniel Bessne e Nicolas Guilho , po exemplo, pe seguem es a linha a gumen a i a: embo a admi indo uma componen e no ma i a nos ealis as clássicos e o seu co ela i o oco sob e a igu a do es adis a/deciso polí ico, Bessne e Guilho a gumen am que es a componen e e es e oco de i am – e não podem se sepa ados – da undamen al c í ica po pa e des es ealis as ao o imismo libe al do pe íodo en e-gue as, que, segundo dizem, acaba po culmina na adoção de uma isão “limi ada” e “quali icada” 221 da p óp ia democ acia po pa e des es pensado es. Figu as e ins i uições ipicamen e democ á icas (como a opinião pública) ep esen a iam, pa a os ealis as clássicos, obs áculos à acional condu a de polí ica ex e na, pelo que as suas eo ias podem se lidas como es o ços in elec uais ope ados no sen ido de “insula ” os deciso es polí ico-diplomá icos – ou seja, uma eli e pa icula – des a mesma ola ilidade democ á ica. 222 Em suma, pa a Bessne e Guilho , o ealismo clássico a ua num sen ido de es abelece uma eno ada eli e diplomá ica imune a ce os elemen os democ á icos, ou, po ou as pala as, num sen ido de eabili a uma diplomacia p é-libe al e eli is a adicionalmen e cono ada com o pe íodo absolu is a eu opeu; daí o con eúdo ideológico essencialmen e conse ado do ealismo clássico, segundo os au o es. 223 A espei o des a a gumen ação, comecemos po no a que julgamos o aciocínio de Bessne e Guilho demasiado se e o sob e os au o es clássicos – pelo menos sob e os isados da p esen e in es igação, Mo gen hau e Niebuh . Na linha de Michael C. Williams, não pensamos que a c í ica de um au o como Mo gen hau ao idealismo libe al se esgo e numa absolu a ejeição de p incípios libe ais: como no ámos, o p opósi o des a c í ica se ia, pelo con á io, o de a anja um alice ce no qual uma o dem libe al, e icaz e o alecida, pudesse se cons uída. Nes e sen ido, não julgamos que es a c í ica ad enha de um supos o conse ado ismo do eó ico alemão, mas sim de uma sensibilidade libe al “desencan ada” (“disenchan ed”), ou seja, cé ica pe an e ingénuos idealismos, mas i me na a e a de con ui 221 BESSNER, D.; GUILHOT, N. – How Realism Wal zed O , p. 94. 222 “A cen al elemen o Mo gen hau’s p oposal conce ned he insula ion o he diploma ic and policy eli e om public opinion. (…) This amewo k compelled Mo gen hau and his ellow exiles o adop a quali ied and limi ed ision o democ acy cen e ed upon ensu ing ha allegedly ola ile publics did no exe undue in luence on U.S. o eign-policy making.” (BESSNER, D.; GUILHOT, N. – How Realism Wal zed O , p. 93-94). 223 BESSNER, D.; GUILHOT, N. – How Realism Wal zed O , p. 95. 75 uma o dem que consiga mais e icazmen e sal agua da p incípios libe ais. 224 Da mesma o ma, ac edi amos que o ho izon e polí ico-no ma i o an e is o e p omo ido po Mo gen hau e Niebuh , com odas as suas po encialidades e p omessas ans o ma i as pa a a polí ica in e nacional, di icilmen e se pode conside a como p odu o de um ca á e poli icamen e conse ado , mas sim – e no amen e – como e lexo des a sensibilidade libe al especí ica. No en an o, se não emos es as po encialidades e es es ins ans o ma i os enquan o de i ados de uma sensibilidade conse ado a, admi imos que, no limi e, o mesmo não possa se di o em elação aos mé odos a ado a umo àqueles; com e ei o, o ipo de diplomacia p opos a pelos au o es clássicos assume con o nos eli is as, apon ados po Bessne e Guilho , na exa a medida em que as suas exo ações e apelos se di igem, em pa icula , à eli e polí ico- diplomá ica que conduz a polí ica ex e na de um Es ado. Rei e emos, a es e espei o, a o ma como, pa a Mo gen hau e pa a Niebuh , a polí ica cons i uía um domínio imune a uma acionalização absolu a, azendo com que de si não pudessem se ex aídos p incípios cien í icos, mas apenas máximas de condu a p uden e; no seio da con ingência e da ela i idade – assumidas, como imos, pelas on ologias de cada um –, uma eo ia da polí ica in e nacional se ia semp e pau ada po “limi es” o necidos, jus amen e, pela ealidade à qual isa a da o dem, azendo com que a condu a da polí ica, po ex ensão, se esumisse semp e à omada de decisão conc e a pe an e um “mundo de con ingências”. 225 Como al, mesmo as mais in o madas decisões e mesmo a mais ealis a polí ica ex e na sujei a -se-iam ine i a elmen e à ince eza, eco endo, no ex emo, a “guesses”. 226 É po es e mo i o que, pa a os clássicos, a condu a da polí ica ex e na de e ia es a a ca go de “men o judgemen ”, ela i amen e impe meá eis às p essões e ola ilidades da opinião pública e dispos os a oma decisões que não se iam acilmen e acei es po pa e de uma o dem in e na democ á ica: “Because poli ics was ul ima ely impe ious o 224 “I is only a disenchan ed libe al eason ha has a chance o wil ully cons uc ing a wo ld based upon he libe al p inciples he asc ibes o.” (WILLIAMS, M. C. – The Realis T adi ion and he Limi s o In e na ional Rela ions, p. 127). 225 Falando sob e a discussão en e á ios p o agonis as des e cânone eó ico, ida aquando de uma con e ência undada e o ganizada, em 1954, pela Fundação Rocke elle , Guilho des aca p ecisamen e a o ma como os “limi es” ine en es ao exe cício eó ico cons i uí am um ema de deba e undamen al: “The i ems on he agenda included a discussion no only o he ‘na u e’ o heo y bu also, mo e signi ican ly pe haps, o he ‘limi s’ o heo y (…) In ac , IR [In e na ional Rela ions] heo y no only had limi s: i was essen ially de ined by hese limi s. Niebuh insis ed on he necessi y o heo y o be open o he con ingen . A ‘p uden sel -in e es ’ was he highes a ainable deg ee o a ionali y and mo ali y. Mo gen hau emphasized he incommensu abili y be ween heo e ical s a emen s and poli ical p ac ice. Poli ics was always abou conc e e decisions engaging wi h a wo ld o con ingencies” (GUILHOT, N. – The Realis Gambi , in GUILHOT, N. – The In en ion o In e na ional Rela ions Theo y, p. 151). 226 MORGENTHAU, H. J. – Poli ics Among Na ions, p. 25. 76 a ionaliza ion, i s bes a ional endi ion was unde he o m o p uden ial maxims, no scien i ic p inciples. (…) implici in his ision o poli ics was he idea ha policy making should no be he p ese e o a ionalis expe s bu o men o judgemen : men b ea hing he agic a mosphe e o in e na ional poli ics, able o na iga e he ‘mo al dilemmas’ o poli ics, bu also awa e ha he u hs o in e na ional poli ics could no be easily accep ed by he public o democ a ic poli ies.” 227 Des a o ma, mesmo an e endo e isando ins ans o ma i os pa a o u u o da polí ica in e nacional, di icilmen e equacioná eis com uma sensibilidade conse ado a, podemos admi i que ambos os ealis as clássicos acabam po sanciona mé odos e in é p e es eli is as umo a es es ins. As suas p esc ições não são conse ado as em e mos do ho izon e que isam pe segui , mas, quando mui o, em e mos do mé odo diplomá ico de cunho eli is a que sancionam pa a es a pe seguição. Em qualque um dos casos, ao ealça mos es e ho izon e polí ico-no ma i o pa en e nos ealismos polí icos de Mo gen hau e de Niebuh , não só se o na cla a a o ma como ambos os au o es se dis anciam, uma ez mais, de Ranke, como a possibilidade de o con as e on ológico en e es e úl imo e aqueles o nece , no amen e, uma possí el explicação a espei o des a dis ância: de uma pe spe i a his o iog á ica essencialmen e conse ado a, de i ada de uma on ologia basila que absolu iza o Es ado-Nação e o exe cício do Equilíb io de Pode enquan o ealidades me a ísicas, e que an e ê o u u o da polí ica in e nacional como uma me a imagem do p esen e, dá-se o ad en o de uma pe spe i a eó ica que, longe de congela on ologicamen e a polí ica in e nacional na sua p esen e condição, nu e um conjun o de po encialidades ans o ma i as que isam, pelo con á io, ul apassa es a mesma condição. Com e ei o, con o me p ocu ámos des aca , o Es ado-Nação não de e ia se omado como alguma espécie de limi e ixo no ho izon e de ambos os ealis as clássicos, ou de um impedimen o his ó ico à aspi ação e à cons i uição de no as o mas de o ganização polí ica, mais as as e inclusi as. Longe de uma absolu a e incon es á el unidade polí ica, o Es ado é a ado pelos au o es como um me o a e ac o his ó ico, cujo paula ino anac onismo ace a um mundo nuclea pe mi e an e e e inci a modelos de o ganização polí ica sup anacionais, não só mais inclusi os no seu alcance, como mais pací icos nas suas po encialidades. 227 GUILHOT, N. – The Realis Gambi , in GUILHOT, N. – The In en ion o In e na ional Rela ions Theo y, p. 129-130. 77 Relemb emos, no en an o, que nem Mo gen hau nem Niebuh p e endiam, com es a espécie de desmis i icação his ó ica da unidade es a al, menosp eza a e e i a impo ância do Es ado no p esen e: como obse ámos nos Capí ulos 2 e 3, os Es ados con inua am a a a -se dos p incipais a o es in e nacionais pa a ambos os au o es, ao pon o de qualque expe a i a ealis a ace ao umo da polí ica in e nacional p ecisa de e em con a a sua agência. Como e e e Williams, o Es ado, pa a Mo gen hau, ha e ia de pe manece du an e algum empo como um limi e da comunidade polí ica, mas jamais o limi e, dado que o econhecimen o da sua cen alidade no p esen e não p e endia exclui o desen ol imen o de o mas de o dem mais as as e de ans o mações polí icas além- on ei as no u u o. 228 Já o Equilíb io de Pode , como imos, su ge nas eo ias de ambos os au o es como um imp escindí el meio na pe seguição do ho izon e polí ico-no ma i o an e is o po ambos: longe de um im his ó ico em si mesmo, como em Ranke, o Equilíb io de Pode (numa conceção associa i a) cons i ui uma e amen a ao se iço dos es adis as an o no umo da “paz po ia da acomodação” de Mo gen hau, como na aspi ação de Niebuh a o mas polí icas cada ez mais inclusi as em e mos humani á ios. Sublinhemos, igualmen e, a di e ença de lei u as, en e Ranke e os dois ealis as clássicos, a espei o do escopo de agência ese ada aos deciso es polí icos no desen ola da polí ica in e nacional. Se em Ranke e a con e ida uma eduzida ma gem de manob a aos es adis as, que a ua am enquan o me os supo es da ep odução e paula ino ape eiçoamen o da p esen e o dem in e nacional – plu al, descen alizada, mul ipola e sob a égide de um Equilíb io de Pode –, em Mo gen hau e em Niebuh o escopo de ação do deciso polí ico c esce em p opo ção com as po encialidades ans o ma i as da polí ica in e nacional, passando a di igi -se di e amen e à pe seguição a i a des as úl imas. De ac o, des aquemos que não se a a apenas de uma ques ão de escopo, mais ou menos eduzido, mas sim da p óp ia capacidade de agência a ibuída aos deciso es polí icos na condu a de polí ica ex e na. Em Ranke, como imos, o seguimen o da condu a ex e na po pa e dos Es ados da a-se como uma necessidade his ó ica, is o e a sua de adei a on e on ológica numa on ade P o idencial: aos es adis as, nada mais cabia do que a a e a de econhece e segui , incondicionalmen e, a “lei sup ema” de segu ança e sob e i ência do seu espe i o Es ado, anscenden almen e impos a, sendo a es e seguimen o que oda a sua agência se acaba a po es ingi . Em suma, os es adis as não escolhiam ep oduzi a p esen e o dem, 228 WILLIAMS, M. C. – The Realis T adi ion and he Limi s o In e na ional Rela ions, p. 209. 78 já que es a ep odução es a a, à pa ida, sal agua dada pela p óp ia P o idência da qual emana a. Já pa a os dois ealis as clássicos, isen os de uma on ologia que lhes pe mi a pe spe i a a condu a do Es ado como algo anscenden almen e impos o – ou seja, como algo au omá ico e ine i á el – e, pelo con á io, assumindo a basila con ingência da ealidade, os es adis as o nam-se em di e os e a i os au o es do des ino da polí ica in e nacional, não es ando e éns de nenhum ipo de condu a es a al p é-concebido, me amen e ep odu i o. Assim, uma ez mais, emos como os espe i os con as es on ológicos en e Ranke e cada um dos dois eó icos podem explica as suas di e en es lei u as a espei o da agência dos deciso es polí icos: não podendo con a com uma di indade on ológica que elasse, po ia de uma sanção au omá ica, pelo cu so his ó ico no u u o, e iam de se os p óp ios es adis as a an e e em-no e a cons uí em-no po ia dos seus p óp ios es o ços, en egues a uma ealidade desp o ida das esc upulosas ga an ias me a ísicas de ou o a e sujei a à omnip esença da con ingência. Reco demos, a es e p opósi o, a o ma como o ealismo polí ico de Mo gen hau e o de Niebuh de e iam, ei a es a exo ação à agência dos a o es polí icos, a ua enquan o iéis guias des a mesma agência, umo às po encialidades an e is as e isadas po ambos, num semp e elusi o umo no seio da con ingência e da i acionalidade. Com e ei o, é po pos ula a omnip esença des es úl imos elemen os que o ealismo clássico consegue a anja pa a si mesmo a sua azão de se p á ica, enquan o um co po in elec ual que p e ende não só o nece um ela o desc i i o e explica i o da polí ica in e nacional al como ela é, como suge i , de o ma p esc i i a, um umo pa a o que ela de e ia se , 229 a uando enquan o seu undamen al guia pa a es e alcance. No ma i amen e munida e de âmbi o p esc i i o, al pos u a eó ica con as a adicalmen e com a pos u a his o iog á ica con empla i a e passi a de Ranke, p eocupada com a me a desc ição dos enómenos his ó icos. Assim, des a passi idade his o iog á ica pa en e na ob a do his o iado alemão, sob e udo ocada na desc ição, encon amos em Hans Mo gen hau e em Reinhold Niebuh uma pos u a eó ica a i a e in e en i a, que não só p e ende desc e e e explica , como, simul aneamen e, p esc e e e guia . 229 “[Classical] Realism did o e a desc ip i e wo ld iew – an accoun o he way in e na ional ela ions a e in ac ca ied ou . Wi h equal po ency and o en simul aneously, ealism also sugges ed a p esc ip i e amewo k o wo king owa d he ideal while li ing wi h he eal.” (ROSENTHAL, J. H. – Righ eous Realis s, p. x iii). 79 Pa e III: Neo- ealismo Capí ulo 5: O Neo-Realismo de Kenne h Wal z 5.1 – Pa cimónia Mic oeconómica Na p esen e secção, começa emos po explici a o en endimen o que Wal z az do concei o de eo ia pa a, subsequen emen e, pa i mos pa a uma desc ição do modelo sis émico wal ziano, com pa icula ên ase sob e a sua noção de “es u u a”. A gumen a emos que é p ecisamen e es a noção de “es u u a” que eside no âmago on ológico da eo ia neo- ealis a de Wal z, dando con a da sua inspi ação na Mic oeconomia e do seu explíci o ca á e pa cimonioso. Po im, con as a emos es a pa cimónia mic oeconómica pa en e na eo ia de Wal z com a on ologia P o idencial de Ranke, explo ando as suas consequências pa a o diálogo en e ambos. Poucos eó icos i e am amanha in luência sob e o pe cu so do pensamen o ealis a na segunda me ade do séc. XX como Kenne h Wal z, o undado daquela que i ia a se designada como a a ian e neo- ealis a (ou es u u alis a) des a escola de pensamen o. O p incipal con ibu o do no e-ame icano pa a o pensamen o ealis a – e aquela que pode se lida como a sua mais signi ica i a ino ação em elação aos ealis as clássicos –, consis e na sua aspi ação à cons ução de uma eo ia e dadei amen e es u u al das RI, com is a a uma mais so is icada e igo osa sis ema ização eó ica des a á ea do sabe . De ac o, como indica Wal z, oi p ecisamen e a so is icação e o igo sis ema izado es que al a am à ge ação de ealis as que o an ecedeu, le ando-o a decla a que os es o ços de au o es como Mo gen hau nunca se chega am a ma e ializa numa eo ia das RI, p op iamen e di a. 230 P ecisamos, oda ia, de comp eende o que Wal z en ende, ao ce o, pelo concei o de eo ia; comecemos en ão po explo a b e emen e es e en endimen o, pa a de seguida passa mos a uma desc ição ge al do modelo sis émico wal ziano, que nos pe mi i á des aca aquele que, no nosso en ende , é o g ande con as e on ológico en e a his o iog a ia ankeana e o neo- ealismo do eó ico no e-ame icano. Como com os es an es au o es, se á sob e o undo p o idenciado po es e con as e que as cli agens e as con inuidades en e Ranke e Wal z se ão enquad adas ao longo de odo es e Capí ulo. 230 WALTZ, K. N. – Realis Though and Neo ealis Theo y, p. 26. 80 Segundo Wal z, uma eo ia é um quad o men al de es e a necessa iamen e limi ada, de ido ao ac o de isola um domínio especí ico da ealidade (como o domínio polí ico) de odos os es an es, pa a lida in elec ualmen e com o p óp io. O c i é io segundo o qual as eo ias de em se julgadas, nes e sen ido, não é o seu ca á e mais ou menos ealís ico, mas sim a sua u ilidade, julgada pelos pode es explica i os e p edi i os po si susci ados. 231 Longe de uma desc ição iel da ealidade ou de uma lis a exaus i a de odos os seus ac os, as eo ias isam cons ui uma ealidade especí ica, pos e io men e u ilizada pa a examina e in e p e a ac os conc e os. 232 É com es e enquad amen o em men e que Wal z se lança à a e a de elabo a uma eo ia sis émica das RI, ou seja, uma eo ia que consiga e e i amen e demons a como o ní el sis émico (a es u u a) se di e encia do ní el das suas unidades em in e ação, pe mi indo: aça a e olução espe ada de di e en es sis emas in e nacionais, ao indica , po exemplo, a sua du ação p o á el ou o seu ca á e mais ou menos pací ico, e mos a como a es u u a a e a as unidades, assim como es as úl imas a e am aquela. 233 Con o me indica John G. Ruggie, o p eceden e in ocado po Wal z pa a jus i ica a sua elabo ação de uma eo ia especi icamen e sis émica das Relações In e nacionais emon a a Man, he S a e, and Wa , ob a publicada pelo au o em 1959. 234 Nes a ob a – o iginalmen e a ese de dou o amen o de Wal z –, o no e-ame icano elabo a, como já indicámos an e io men e, uma axonomia que dis ingue en e aquelas que, no seu en ende , são as ês o mas de localiza as causas dos con li os in e nacionais: os eó icos de “p imei a imagem” si uam es as causas na cons i uição humana; os de “segunda imagem” na ins i uição do Es ado e os de “ e cei a imagem” na p óp ia es u u a aná quica do sis ema in e nacional. En e es as ês, Wal z oma um assumido luga no seio da “ e cei a imagem”, julgando os mé i os e, sob e udo, as insu iciências dos ou os dois ní eis a pa i des a posição. Pa a Wal z e os es an es p oponen es des a “imagem”, a eco ência his ó ica de gue as não se de e a de e minadas ca ac e ís icas dos se es humanos, nem a a anjos ins i ucionais especí icos dos Es ados, mas sim ao con ex o in e nacional no qual es es se encon am. Tal con ex o é ma cado pela undamen al ausência de uma au o idade sup anacional cuja sobe ania se sob eponha à dos di e en es Es ados, ou seja, pela exis ência 231 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 22-23. 232 WALTZ, K. N. – Realis Though and Neo ealis Theo y, p. 22. 233 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 63. 234 RUGGIE, J. G. – Con inui y and T ans o ma ion in he Wo ld Poli y: Towa d a Neo ealis Syn hesis, p. 272. 81 de uma ana quia, na qual cada Es ado, no limi e, apenas pode con a consigo mesmo pa a ga an i o mínimo sucesso em e en uais e ine i á eis con li os com os es an es. 235 Se á, assim, a es u u a aná quica do sis ema in e nacional que, ao o na possí el o de lag a de con li os en e os Es ados, acaba po explica a pe enidade his ó ica da gue a, independen emen e dos múl iplos e a iados humanos e Es ados que ão, em conc e o, apa ecendo em cena. No en an o, Wal z é cla o quando sublinha que a es u u a do sis ema in e nacional se a a de uma “pe missi e o unde lying cause o wa ”, o que signi ica que as causas imedia as dos con li os in e nacionais de e ão con inua a se p ocu adas em a iações nos a o es da “p imei a” e da “segunda imagem”. 236 Mais do que o mo i o imedia o que p o ocou es e ou aquele con li o, a ana quia in e nacional de e á, assim, se lida como a causa subjacen e que o na possí el o ecu so ocasional à gue a, explicando a sua cons ância no passado, a sua e en ualidade no p esen e e a sua ine i abilidade no u u o, pelo menos enquan o a es u u a do sis ema in e nacional pe manece aná quica. Em poucas pala as, a gue a se á possí el enquan o pe sis i a ana quia. É es a saliência do a o sis émico na explicação de um enómeno pa icula das RI que le a Wal z, duas décadas mais a de, a elabo a uma eo ia que p ocu e da con a dos e ei os es u u ais especí icos que o sis ema in e nacional em sob e os Es ados. 237 Como o au o ol a a salien a , a ca ac e ís ica mais ma can e na ex u a da polí ica in e nacional é a sua p o unda cons ância, com os mesmos pad ões a eapa ece em e os e en os e enómenos a epe i em-se incessan emen e, em i ude do e ei o uni o mizado do seu milena ca á e aná quico: “As elações que p e alecem in e nacionalmen e a as ezes se al e am no ipo ou na qualidade. Em ez disso, são ma cadas po uma pe sis ência es on ean e, uma pe sis ência que de emos espe a que du e enquan o nenhuma das unidades compe ido as o capaz de con e e a a ena in e nacional aná quica numa a ena hie á quica.” 238 Em suma, a es u u a de um sis ema in e nacional a ua como uma o ça cons angedo a, disciplinado a e, po consequência, uni o mizado a sob e as suas unidades. Po ém, como salien a Wal z, uma eo ia sis émica só pode á e qualque ipo de êxi o se o ní el es u u al o , em p imei o luga , de idamen e de inido, de o ma que os seus e ei os 235 WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 159. 236 WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 232. 237 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais. 238 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 96. 88 es angei os de Ranke obedece, igualmen e, a uma lógica de “ e cei a imagem” e, po im, explica emos como o con as e on ológico já iden i icado en e ambos os au o es nos ajuda a in e p e a as cli agens encon adas em elação às suas espe i as lei u as do Es ado. No seio de uma eo ia das Relações In e nacionais que se assume como sis émica, qual é o luga que acaba po se deixado ao Es ado? Jus amen e o luga das unidades do sis ema, o e e ido ní el uni á io ou p ocessual de odo o modelo. Apesa de não se a a em, ealis icamen e, do único a o exis en e na polí ica in e nacional, não deixam po isso de cons i ui os seus mais p eponde an es agen es: como indica Wal z, os Es ados desempenham unções polí icas, sociais e económicas essenciais, não encon ando qualque ou o a o que os consiga i aliza nes as ma é ias. 259 Em pa icula , são as G andes Po ências in e nacionais de uma dada e a que assumem uma ac escida in luência na polí ica in e nacional: enquan o as unidades de maio capacidade, es abelecem o cená io de ação pa a os ou os, assim como pa a si mesmas. Nes e sen ido, como indica Wal z, in e p e a as elações in e nacionais como um sis ema eque , necessa iamen e, uma ac escida concen ação sob e os Es ados mais pode osos, azendo com que uma eo ia das Relações In e nacionais seja baseada nas G andes Po ências. 260 Aqui, uma ez mais, ope a o e e ido aciocínio po analogia: o oco sob e as unidades de maio capacidade de i a da eo ia de me cados oligopolís icos, na qual os economis as a gumen am, igualmen e, que as in e ações en e um g ande núme o de unidades podem se comp eendidas se a ên ase analí ica incidi sob e as mais p eeminen es de en e es as; os des inos de odas as i mas num me cado – ou de odos os Es ados num sis ema in e nacional – são mui o mais a e ados pelas ações das unidades maio es do que das meno es, pelo que a p imazia analí ica de e á si ua -se sob e aquelas. 261 O modelo de Wal z é, des a o ma, eminen emen e es a ocên ico: não excluindo a e e i a exis ência de pode osos a o es não-es a ais no sis ema in e nacional, ei e a que es es ope am num amewo k es abelecido e de inido pelos Es ados, sob e udo pelas G andes Po ências, segundo a ideia de que a polí ica in e nacional é “p incipalmen e sob e desigualdades”. 262 Enquan o os Es ados mais impo an es o em os mais ele an es a o es, a 259 WALTZ, K. N. – Globaliza ion and Ame ican Powe , p. 51 260 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 105. 261 LITTLE, R. – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions, p. 178. 262 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 134. 89 es u u a das elações in e nacionais se á de inida em unção deles, a ando-se es a de uma cons a ação que du an e mui o empo se á eo icamen e álida e se con i ma á na p á ica. 263 Já no que diz espei o aos seus obje i os, Wal z ambém é bas an e cla o: os Es ados p ocu am, an es de mais e acima de udo, assegu a a sua p óp ia sob e i ência e p ese ação; na p á ica, os obje i os es a ais podem se ex emamen e a iados, mas, segundo Wal z, a sob e i ência a a-se de um p é- equisi o pa a o seu e e i o alcance. 264 Nes e sen ido, dize que um país a ua segundo o seu in e esse nacional signi ica que, endo examinado os seus equisi os de segu ança, en a alcançá-los. 265 Pos o is o, apidamen e nos ape cebemos de como o a o da pa cimónia en a aqui em jogo: pa indo de uma pe spe i a es a ocên ica e concebendo os Es ados como endo um único obje i o p imo dial, o eó ico no e-ame icano o nece-nos um modelo despido e simpli icado no que às suas unidades diz espei o. Ao mesmo empo, e uma ez mais, cons a amos que al pa cimónia é assumida de início ao im: o es a ocen ismo, segundo Wal z, de e se en endido como uma mani es a simpli icação em nome da elegância eó ica, assim como a mo i ação dos Es ados, longe de uma desc ição ealís ica, não passa de uma assunção em p ol da cons ução de uma eo ia, julgada pela sua sensibilidade e u ilidade no seio des a úl ima. 266 No emos, no en an o, que ce as análises ao es a ocen ismo de Wal z apa en am não a ibui , segundo julgamos, a de ida impo ância, ou o de ido sen ido, a es a assumida pa cimónia do no e- ame icano. T a a-se do caso da análise de Richa d K. Ashley, a que ago a aludi emos de passagem. En e ou os elemen os, é con a o que designa de “s a ism” 267 na eo ia de Wal z que Ashley dedica alguns pa ág a os em The Po e y o Neo ealism, de 1986. T a ando-se de uma das p imei as e mais ex ensas c í icas ao en ão ecém-c iado ealismo es u u alis a das RI, uma e dadei a polémica di igida à sua impu ada pob eza, Ashley escolhe o es a ocen ismo do 263 “uma eo ia que nega o papel cen al dos es ados só se á necessá ia se os ac o es não-es aduais se desen ol e em ao pon o de i aliza em ou ul apassa em as g andes po ências, e não apenas alguns dos es ados meno es. Não mos am nenhum sinal de o i a aze . (…) Os es ados são as unidades cujas in e acções o mam a es u u a dos sis emas das elações in e nacionais. I ão man e -se assim du an e mui o empo.” (WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 134-135). 264 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 130. 265 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 186. 266 “a mo i ação dos ac o es é assumida em ez de ealis icamen e desc i a. Eu assumo que os es ados p ocu am assegu a a sua sob e i ência. A assunção é uma simpli icação adical ei a em nome da cons ução de uma eo ia. A ques ão a coloca pela assunção, como semp e, não é se é e dadei a, mas se é a mais sensí el e ú il que podemos aze .” (WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 129-130). 267 ASHLEY, R. K. – The Po e y o Neo ealism, p. 238. 90 modelo wal ziano como uma das ma cas mais no ó ias des a pob eza. Segundo o au o , o Es ado é a ado po Wal z como uma en idade não-p oblemá ica, cuja exis ência, on ei as, es u u as, in e esses, obje i os e demais ca ac e ís icas apa ecem – ou melho , p essupõem-se – e são a adas como dados adqui idos, naquilo que pa a Ashley ep esen a um “comp omisso me a ísico” an e io à p óp ia ciência e eo ia, isen o de qualque c í ica. 268 Com e ei o, apesa de admi i que os neo- ealis as, po ezes, explici am es a endência e a econhecem como uma dis o ção da ealidade, 269 Ashley in e p e a ais “cedências” como me as “cláusulas p o e i as” le an adas pa a de le i possí eis c í icos do neo- ealismo, não deixando o es a ocen ismo de cons i ui , undamen almen e, uma das assunções não-examinadas que subjaz odo o discu so eó ico des a a ian e ealis a. 270 No en an o, endo em con a a análise ei a a é aqui, acabamos po di e gi da pe spe i a de Ashley já que, a nosso e , as explíci as alusões de um au o como Wal z à ine i á el pa cimónia en ol ida no seu es o ço eó ico, longe de “cedências” e de “cláusulas p o e i as”, a am-se, acima de udo, do p óp io pon o de pa ida de oda a sua abo dagem; di o de ou o modo, es as alusões deco em, como imos, das p óp ias ideias undacionais de Wal z a espei o daquilo que um p oje o eó ico en ol e e daquilo que a eo ia, no undo, é: uma ine i á el dis o ção da ealidade, na o ma de um conjun o de concei os e ca ego ias es i amen e analí icos, po oposição a uma iel desc ição da mesma. Assim, conside amos que es as explíci as alusões se em, acima de udo, pa a Wal z sinaliza e elemb a o ac o de se es a a en ol e num es o ço eó ico que, po isso mesmo, se a a de um es o ço de dis o ção e simpli icação. Ac edi amos que o es a ocen ismo não se a a de uma assunção não-examinada do neo- ealismo wal ziano, de i ado de uma espécie de implíci o “comp omisso me a ísico” do au o , mas cons i ui sim uma assumida dis o ção eó ica, exp essa an o no ac o de os Es ados su gi em como os “únicos” (ou os “mais impo an es”) a o es do sis ema in e nacional, como no ac o de “apenas” e em como obje i o a sua p óp ia p ese ação: “ he s a e in TIP (Theo y o In e na ional Poli ics) is no eal a all. (…) he uni s/s a es o Wal z’s in e na ional sys em ep esen only one analy ical ace o an ac ual s a e. They a e, qui e simply, he ole expec a ion o sel - ega ding beha io , and do no necessa ily ell us any hing abou he 268 ASHLEY, R. K. – The Po e y o Neo ealism, p. 238-239. 269 “T ue, indi idual neo ealis s some imes allow ha he heo e ical commi men o he s a e-as-ac o cons uc in ol es a dis o ion o so s.” (ASHLEY, R. K. – The Po e y o Neo ealism, p. 238). 270 ASHLEY, R. K. – The Po e y o Neo ealism, p. 239. 91 quali ies o eal coun ies.” 271 Con a iamen e à pe spe i a de Ashley, pa a quem o es a ocen ismo cons i ui um p incípio on ológico do neo- ealismo, 272 eco damos, com Godda d e Nexon, que a eo ia de Wal z não se sus en a numa on ologia, e que o seu es a ocen ismo mais não é do que um sin oma de simpli icação naquela que é, de início ao im, uma eo ia simpli icado a. Em suma, o ecu so ao Es ado enquan o unidade po pa e de Wal z não de i a de um implíci o e não-p oblema izado comp omisso ou, po assim dize , de um mudo p econcei o, mas sim de uma explíci a e delibe ada assunção ei a (e nunca escondida) pelo au o : “The s a e in ac is no a uni a y and pu posi e ac o . I assumed i o be such only o he pu pose o cons uc ing a heo y.” 273 Vol ando, po ém, à nossa emá ica cen al, cons a amos que a análise es a ocên ica de Wal z o inse e – ao lado de Mo gen hau e de Niebuh – na linha de Ranke, cuja análise his o iog á ica, como imos, incidia igualmen e sob e as in e ações en e unidades es a ais, sob e udo en e as G andes Po ências eu opeias. De ac o, quando Koliopoulos menciona, de passagem, a in luência que o his o iado alemão e e sob e os ealis as do séc. XX, des aca pa icula men e au o es neo- ealis as como Wal z e John Mea sheime . 274 As empa ias, po ém, não icam po aqui, como ago a e emos. Já demos con a, ao longo da secção an e io , do ac o de a eo ia de Wal z se a a de uma eo ia es u u al da polí ica in e nacional, ou seja, uma abo dagem eó ica que em como p incipal in ui o a elabo ação de um ní el analí ico especi icamen e es u u al, dis in o do ní el uni á io, e a análise do seu impac o sob e es e úl imo. O a, pelo ac o de a es u u a aná quica do sis ema in e nacional a ua , como imos, enquan o uma o ça cons angedo a, condicionan e e uni o mizado a sob e as suas unidades, qualque análise ei a a es as úl imas ica ia incomple a se não p ocu ássemos da con a dos compo amen os conc e os que a ana quia in e nacional lhes induz. A es e espei o, Wal z diz-nos que, em condições aná quicas, en e Es ados há uma cons an e possibilidade de gue a: na ausência de uma espécie de agen e supe io pa a ge i ou manipula as pa es em con li o, ou seja, com cada Es ado a decidi po si mesmo quando usa ou não usa a sua o ça con a os demais, a gue a pode desencadea a 271 GODDARD, S. E.; NEXON, D. H. – Pa adigm Los ? Reassessing Theo y o In e na ional Poli ics, p. 26. 272 ASHLEY, R. K. – The Po e y o Neo ealism, p. 239. 273 WALTZ, K. N. – Re lec ions on Theo y o In e na ional Poli ics, p. 339. 274 “Ranke ound i na u al o ocus on he g ea powe s, since g ea powe s a e he mos in luen ial in e na ional ac o s; in his ocus, Ranke echoes many a p esen -day poli ical ealis (e.g., Wal z 1979; Mea sheime 2001).” (KOLIOPOULOS, C. – In e na ional Rela ions and he S udy o His o y, p. 9). 92 qualque al u a. 275 Nes e ambien e, unidades que isam ela pela sua segu ança e sob e i ência a ua ão no sen ido de p ese a a sua independência umas em elação às ou as, po ia de es a égias que seguem um p incípio undamen al em qualque o dem aná quica: a au oajuda. 276 Cada uma das unidades acaba, consequen emen e, po gas a uma po ção dos seus es o ços a a anja os meios pa a se p o ege das es an es, isando alcança uma posição de au ossu iciência, já que não pode con a com mais ninguém pa a o aze em seu luga . 277 Pos o is o, como indica Wal z, os impedimen os à colabo ação e à in e dependência en e as unidades podem não esidi , necessa iamen e, no seu ca á e indi idual ou nas suas in enções imedia as, já que ad êm da p óp ia condição undamen al de insegu ança na qual se si uam e que assim as cons ange. 278 Um Es ado e á uma pe manen e e es u u almen e induzida p eocupação com a di isão de ganhos possí eis, a en o à possibilidade de es es pode em i a a o ece os ou os mais do que a si mesmo – is o é, i á sob epo ganhos ela i os a ganhos absolu os –, ao mesmo empo que p ocu a á não se o na dependen e dos es an es. 279 Des e modo, emos como pa a Wal z o Es ado não a ua num ácuo, mas sim no seio de uma condição es u u al aná quica que condiciona undamen almen e a sua condu a conc e a, mui as ezes a as ando-o das suas imedia as in enções; as suas decisões in e nas são moldadas – segundo uma lógica ou side-in – pela p esença de ou os, con a os quais p ocu a á sal agua da a sua p óp ia segu ança e au onomia; o Es ado, em poucas pala as, é ido po Wal z enquan o um Es ado en e ou os. 275 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 144. Wal z ambém chama a a enção pa a o ac o de a ameaça de iolência e o uso eco en e da o ça não dis ingui em, em úl ima análise, os assun os in e nacionais dos assun os domés icos: “Diz-se que a ameaça de iolência e o uso eco en e da o ça dis inguem os assun os in e nacionais dos nacionais. Mas na his ó ia do mundo, ce amen e que a maio ia dos go e nan es e e de e em men e que os seus súbdi os podiam usa a o ça pa a lhes esis i ou pa a os depo . Se a ausência de go e no es á associada à ameaça de iolência, en ão ambém es á a sua exis ência.” (WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 144). Assim emos como em Wal z, po oposição a Ranke, não há luga pa a uma pe spe i a que assuma uma ha monia social olun á ia e espon ânea den o de on ei as, como se a o ça aí não a uasse enquan o um elemen o aglu inado . Con o me indica o no e-ame icano, nenhuma o dem humana é à p o a de iolência, com a di e ença en e a polí ica nacional e a polí ica in e nacional a esidi não no uso da o ça, mas nos di e en es modos de o ganização pa a aze algo em elação a esse uso: in e namen e, um go e no de um Es ado a oga-se o di ei o de usa a (legí ima) o ça, enquan o ex e namen e, na ausência de um go e no in e nacional, a o ça encon a-se descen alizada (WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 145). 276 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 155. 277 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 149-150. 278 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 147. Como e e e nou o luga : “ he sel -dependence o s a es means ha each s a e mus de elop and main ain he powe upon which i s secu i y es s. Each s a e’s ques o secu i y mus hen ende all s a es insecu e.” (WALTZ, K. N. – Con en ion and Managemen in In e na ional Rela ions, p. 733). 279 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 148-149. 93 Já e e imos, na secção an e io , como es a pe spe i a acaba po si ua o no e- ame icano bem no cen o da “ e cei a imagem”, segundo a axonomia po si p óp io o mulada em Man, he S a e, and Wa . É p ecisamen e ao olha mos pa a as passagens que Wal z dedica à análise des a “imagem” que nos ape cebemos da eno me p oximidade a que o eó ico acaba po ica , aos seus p óp ios olhos, de Ranke e da sua his o iog a ia; al de e-se ao ac o de, pa a Wal z, o his o iado alemão ambém pode se in eg ado no seio des a “imagem”, ao e igualmen e ad ogado que a condição de um Es ado depende semp e das suas elações ex e nas com os es an es: “While some belie e ha peace will ollow om he imp o emen o s a es, o he s asse ha wha he s a e will be like depends on i s ela ion o o he s. The la e hesis Leopold Ranke de i ed om, o applied o, he his o y o he s a es o mode n Eu ope.” 280 Em pa icula , Wal z es á-se aqui a di igi àquilo que já des acámos, no Capí ulo 1, como a p imazia dos negócios es angei os, 281 uma componen e de análise undamen al na his o iog a ia ankeana pa a explica e na a o su gimen o, as ações e o compo amen o dos Es ados, an o no plano ex e no como, inclusi amen e, em ma é ia da sua polí ica in e na: ao si ua os p incipais in e esses nacionais no domínio da polí ica ex e na – como imos, a ga an ia da independência e segu ança nacionais –, Ranke assume que é p ecisamen e o palco in e nacional que acaba, assim, po de ini as ações de odo e qualque Es ado, des acando, ambém numa lógica ou side-in, a sua undamen al condição enquan o um en e ou os. Pa a Wal z, é es a endência na his o iog a ia de Ranke que o na o aciocínio do his o iado diame almen e opos o ao de eó icos das es an es duas “imagens”, pa a quem as condições in e nas dos Es ados, ou as ca ac e ís icas dos indi íduos que os ocupam, é que de e minam as suas elações ex e nas com os es an es. 282 Ambos iéis pensado es de “ e cei a imagem”, o his o iado alemão e o eó ico no e- ame icano comungam, assim, em o no de uma pe spe i a sob e o uncionamen o das elações 280 WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 7. 281 Pa a Wal z, a p imazia dos negócios es angei os, apesa de e sido o nada amosa na Alemanha do séc. XIX, a a-se de uma pe spe i a que emon a a A is ó eles e às suas conside ações sob e as es u u as polí icas do Es ado e a sua o ganização mili a (WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 124). 282 “When Ranke a gued ha he ex e nal ela ions o s a es de e mine hei in e nal condi ions, his a gumen had conside able cogency. So g ea was he impo ance o diplomacy in nine een h-cen u y Eu ope and so many we e he s a esmen ained in i s ways ha e en in e nal go e nance a imes co esponded in me hod o he echniques by which a ai s among s a es we e conduc ed. (…) Bu al eady by he dawn o he nine een h cen u y, ac o s in e nal o s a es we e becoming mo e impo an in in e na ional ela ions. And wi h hei g ea e impo ance, one inds a g owing endency o explain ela ions among s a es in e ms o hei in e nal condi ion.” (WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 225). Wal z ol a a e e i -se a Ranke quando o in eg a no conjun o de his o iado es alemães que, no séc. XIX, ponde a am se se ia ealmen e possí el Es ados pací icos se em c iados sob a pe manen e ameaça de pe igos ex e nos, ealçando uma ez mais a lógica ou side-in que pau a o olha de Ranke sob e a polí ica in e nacional (WALTZ, K. N. – S uc u al Realism a e he Cold Wa , p. 8). 94 in e nacionais que ealça a in luência de e minan e do con ex o in e nacional sob e a condu a conc e a dos Es ados, a despei o de a o es como a sua cons i uição polí ica in e na, ou a p edisposição psicológica dos seus líde es. Pa a Wal z, de ac o, não apenas a condu a ex e na dos Es ados é in luenciada pela es u u a in e nacional, como o seu p óp io desen ol imen o in e no ambém acaba po se a e ado, umo a uma p og essi a simili ude. 283 As es a égias e ino ações mili a es, sob e udo, ão-se o nando nas mesmas um pouco po odos os Es ados, em i ude das des an agens secu i á ias que su gem do acasso de a es as se i em con o mando. 284 No en an o – e aqui, uma ez mais, ol amos à explíci a pa cimónia da abo dagem de Wal z –, o no e-ame icano oma em conside ação o ac o de que, na espos a às p essões es u u ais, nenhum Es ado a ua com conhecimen o e sabedo ia pe ei os, como se osse seque possí el sabe o que es es e mos signi icam exa amen e. 285 Com e ei o, Wal z eco da-nos que o cump imen o, po pa e de qualque unidade es a al, de uma supos a acionalidade es u u almen e impos a jamais es á au oma icamen e assegu ado, jamais pode se in e p e ado como ine i á el. Segundo indica, as es u u as ecompensam ou punem compo amen os que se con o mam mais ou menos com o que é eque ido a quem quise se bem-sucedido no sis ema in e nacional, mas os Es ados podem não e is o, ou, endo-o, podem na mesma não consegui con o ma as suas ações a es es pad ões es u u almen e impos os. 286 Bem longe es á, po isso, um olha sob e o umo conc e o dos Es ados que o ê como p ocedendo de uma o ma au omá ica e necessá ia, sob a égide de uma on ade P o idencial o denado a que, de um modo ine i á el, o guia. De ac o, mesmo que Ranke e Wal z se ap oximem um do ou o, como imos, ao salien a em o impac o undamen al do con ex o in e nacional sob e as ações dos Es ados – eunindo-se, assim, na “ e cei a imagem” –, ambos di e gem no que oca à o ma como es e impac o de e á se lido, com aquele a subsumi-lo a uma on ologia di ina que o do a de uma esc upulosa necessidade e ine i abilidade, e es e úl imo a in e p e á-lo à luz de uma explici amen e simpli icada eo ia, sob o undo de uma ealidade con ingen e. Vemos, assim, como o con as e on ológico en e os au o es nos o e ece uma possí el in e p e ação pa a explica es a cli agem na lei u a de ambos a espei o do Es ado. 283 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 137. 284 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 177-178. 285 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 130. 286 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 131. 95 5.3 – Wal z e o Equilíb io de Pode : Uma Teo ia como Qualque Ou a Na p esen e secção, da emos con a da in e p e ação especí ica que Wal z em do Equilíb io de Pode e do luga que es e ocupa na sua eo ia das Relações In e nacionais. De seguida, in eg a emos es a in e p e ação na linhagem do ealismo de ensi o e ad oga emos a inclusão de Ranke enquan o um an ecesso de Wal z nes a linhagem. Depois, eco endo à ipologia de Li le, e emos como ambém em Wal z exis e espaço pa a uma in e p e ação associa i a e uma ad e sa i a do Equilíb io de Pode , con as ando a sua lei u a associa i a com a de Ranke. Po im, da emos con a de como o con as e on ológico en e ambos os au o es, uma ez mais, ajuda-nos a in e p e a as cli agens encon adas. Apesa de já em Man, he S a e, and Wa es a plenamen e conscien e do ac o de o Equilíb io de Pode se elaciona , de uma o ma ín ima, com a “ e cei a imagem”, 287 se á apenas em Teo ia das Relações In e nacionais que Wal z i á a o nece a sua mais elabo ada discussão a espei o des e enómeno na polí ica in e nacional. Segundo o au o , se são os cons angimen os es u u ais que explicam po que mo i o de e minados mé odos e umos são ado ados, ao longo dos empos, po pa e dos a o es in e nacionais, é a eo ia do Equilíb io de Pode que en a explica o esul ado que es es mé odos p oduzem. 288 Ao mesmo empo, al como qualque ou a eo ia, ambém es a espei a, pa a o no e-ame icano, um conjun o de p oposições básicas, já e e idas ao longo das úl imas páginas: con ém, pelo menos, uma assunção eó ica, ou seja, não- ac ual; de e se a aliada em e mos do que a i ma explica e, a ando-se de um sis ema explana ó io ge al, não pode explici a pa icula idades. 289 Em e mos das suas assunções, a eo ia do Equilíb io de Pode in e p e a os Es ados como a o es uni á ios que, no mínimo, p ocu am a sua sob e i ência e, no máximo, o domínio uni e sal, a uando an o po ia de es o ços in e nos – in e nal balancing, a a és do desen ol imen o in e no em e mos económicos, mili a es, e c. –, como de es o ços ex e nos – ex e nal balacing, aduzido na o mação de alianças com ou os Es ados, po exemplo. 290 A es as assunções básicas da eo ia é ac escen ada a condição pa a a sua ope ação: a coexis ência de dois ou mais Es ados num sis ema aná quico, de au oajuda. O esul ado espe ado, com base an o naquelas assunções como nos cons angimen os esul an es des a condição, é a o mação de equilíb ios de pode in e es a ais, o nando a eo ia do Equilíb io de Pode numa mic o eo ia 287 WALTZ, K. N. – Man, he S a e, and Wa , p. 200. 288 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 163. 289 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 164. 290 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 164. 96 no p eciso sen ido económico: “O sis ema, como um me cado em economia, é ei o de acções e in e acções das suas unidades, e a eo ia é baseada em assunções sob e o seu compo amen o.” 291 Como nos diz Wal z, a ando-se a segu ança do obje i o p io i á io de qualque unidade num ambien e aná quico, espe a-se que nas elações in e nacionais os Es ados se p ocu em equilib a uns ace aos ou os (balancing), em ez de se jun a em ao mais o e (bandwagoning). O pode cons i ui, des a o ma, um alioso meio e não um im, jamais podendo se o nado em al; de ac o, como indica o no e-ame icano, a amen e os Es ados podem da -se ao luxo de aze da maximização do pode – cujo co olá io úl imo se ia a o mação de uma hegemonia mundial – o seu obje i o, já que as elações in e nacionais “são um assun o demasiado sé io pa a isso”. 292 O obje i o que o sis ema in e nacional enco aja a pe segui é a segu ança e o compo amen o especí ico po si induzido é, po an o, o es o ço de equilíb io: os Es ados p ocu am, p imei amen e, não a maximização do seu pode , mas sim a manu enção das suas espe i as posições no sis ema. 293 Po es e mo i o, Wal z pode se inse ido no denominado ealismo de ensi o, uma a ian e eó ica especí ica den o do neo- ealismo pa a a qual o sis ema in e nacional p essiona os Es ados a es o ços de equilíb io e não de maximização do pode . Po oposição, eó icos do ealismo o ensi o como John Mea sheime 294 ou Randall L. Schwelle ad ogam que compo amen os e isionis as e maximizado es, longe de pon uais anomalias explicadas com ecu so a a o es in e nos especí icos de um Es ado ou ou o (com ecu so, po an o, ao ní el uni á io), são esul an es da p óp ia es u u a aná quica do sis ema in e nacional, de i ando das p essões po si mo i adas. 295 No emos que o pon o undamen al pa a Wal z e os es an es eó icos do ealismo de ensi o não é o de que um Equilíb io de Pode in e nacional, uma ez alcançado, seja inde inidamen e man ido, mas sim que, uma ez in e ompido, seja es au ado; a espos a dos Es ados à ocasional p esença de uma po ência p eponde an e e po encialmen e hegemónica no seu seio é a en a i a de a con abalança , algo que, como indica Wal z, é ácil de comp eende 291 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 165. 292 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 176. 293 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 176. 294 MEARSHEIMER, J. J. – The T agedy o G ea Powe Poli ics. 295 “‘de ensi e ealis s’ a e co ec o poin ou ha unlimi ed-aims expansion is ul ima ely sel -de ea ing. They a e w ong o igno e he objec i es o agg esso s, which hey ea as domes ically-d i en excep ions o he demands imposed by he sys em.” (SCHWELLER, R. L. – Neo ealism’s S a us-Quo Bias: Wha Secu i y Dilemma?, p. 115). 97 em e mos eó icos e de obse a em e mos his ó icos. 296 Com e ei o, mais do que uma ques ão em que Wal z in oca es e ou aquele p eceden e his ó ico sol o pa a undamen a es a asse ção, encon amo-nos pe an e a in e p e ação pa icula que o no e-ame icano em do p óp io desen ol imen o his ó ico no seu odo (da sua lógica, po assim dize ); pa a si, a His ó ia consis e, p ecisamen e, na pe ene o mação de equilíb ios de pode in e nacionais: “As na u e abho s a acuum, so in e na ional poli ics abho s unbalanced powe . Faced wi h unbalanced powe , some s a es y o inc ease hei own s eng h o hey ally wi h o he s o b ing he in e na ional dis ibu ion o powe in o balance. The eac ions o o he s a es o he d i e o dominance o Cha les V, Hapsbu g ule o Spain, o Louis XIV and Napoleon I o F ance, o Wilhelm II and Adolph Hi le o Ge many, illus a e he poin .” 297 Rapidamen e nos ape cebemos de como es a pe spe i a a espei o que do uncionamen o do Equilíb io de Pode , que da sua pe enidade his ó ica, ap oxima a lei u a que Wal z az do enómeno daquela que Ranke nos ap esen a na sua his o iog a ia. Tal como Wal z, ambém pa a Ranke o desen ola da polí ica in e nacional se subo dina ao cons an e uncionamen o de um Equilíb io de Pode , pon ualmen e pos o em causa po es e ou aquele Es ado e isionis a, mas semp e es au ado pelas es an es po ências, en ol idas numa busca pela sua espe i a sob e i ência, segu ança e independência. De ac o, olhando pa a a úl ima ci ação que izemos de Wal z, emos como os exemplos his ó icos de o mações de equilíb ios po si ci ados se ap oximam da na a i a his ó ica p opos a po Ranke em The G ea Powe s: como imos, nes e ensaio o his o iado alemão dá-nos con a das oscilações de pode en e as G andes Po ências eu opeias desde inais do séc. XVII a é meados do séc. XIX, ei e ando a o ma como qualque ambição hegemónica po pa e de um Es ado é semp e con abalançada po uma aliança opos a, segundo os di ames daquilo que Wal z designa ia como o impe a i o de balancing e, po an o, sob uma lógica eminen emen e de ensi a. Que Ranke possa, assim, se lido enquan o um an ecesso de Wal z na linhagem do ealismo de ensi o não nos pa ece algo in ei amen e descabido; no emos, aliás, que já S ephen Wal – não só aluno de Wal z, como seu he dei o nes a linhagem – ha ia dis o dado con a: “Al hough s a esmen equen ly jus i y hei ac ions by in oking he bandwagoning hypo hesis, his o y p o ides li le e idence o his asse ion. On he con a y, balance o powe heo is s 296 WALTZ, K. N. – The Eme ging S uc u e o In e na ional Poli ics, p. 77. 297 WALTZ, K. N. – S uc u al Realism a e he Cold Wa , p. 28. 104 Com e ei o, es e o imismo só é “cuidadoso” pelo ac o de a espos a a es as p essões não se a a , como imos, de algo au omá ico e ine i á el, dado o acaso e a con ingência que ca ac e izam a ealidade, bem como dada a imp e isibilidade que, po ex ensão, pau a a condu a humana no ge al e a polí ica in e na no pa icula ; como indica Wal z, um sis ema in e nacional pode semp e se queb ado “pelas acções de um Hi le e as eacções de um Chambe lain”, pelas “excen icidades humanas” e pelas “ eacções imp e isí eis”. 318 Po ém, como e e e logo a segui , é na mesma possí el encon a con o o na ideia de que nenhum es adis a de uma po ência é, de manei a alguma, um “agen e li e”, em i ude das p essões es u u ais que, enquan o o es endências, enco ajam-no a segui um umo sensa o. 319 Capí ulo 6: Da Pa cimónia à Rigidez À semelhança do que oi ei o no Capí ulo 4 pa a os ealis as clássicos, o p esen e Capí ulo e á o p opósi o de mapea e desen ol e alguns ópicos que o am su gindo ao longo da análise da ob a de Wal z, sob e udo elacionados com a componen e polí ico-no ma i a da sua eo ia das Relações In e nacionais; mais especi icamen e, deb uça -nos-emos sob e o espaço que o neo- ealismo wal ziano deixa pa a a ques ão da mudança e da ans o mação in e nacionais. Es a discussão pode se ence ada po ia de uma análise à espos a que Wal z deu a uma mudança de pa icula ele ância pa a a polí ica in e nacional, na segunda me ade do séc. XX: o im da Gue a F ia e a eme gência da unipola idade no e-ame icana. A que desen ol imen os eó icos se en egou Wal z, pe an e al acon ecimen o? Em p imei o luga , pa a o au o , e a impo an e salien a que o pode do Es ado não ha ia sido í ima de um supos o declínio acen uado em elação a ou os a o es in e nacionais, nes a ecém-nascida unipola idade: com uma eno me capacidade de ans o mação, adap ação e esiliência, os Es ados con inua am a se os p incipais agen es da polí ica in e nacional, que, po an o, in e -nacional pe manecia. 320 Do mesmo modo, as elações es abelecidas en e si con inua am a pau a -se po uma p o unda e pe sis en e desigualdade, azendo com que, como no passado, a desigual dis ibuição de capacidades cons i uísse a cha e pa a a comp eensão da 318 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 241. 319 “Dadas as excen icidades humanas e as eacções imp e isí eis dos indi íduos aos e en os, podemos sen i que o único ecu so é me gulha na o ação. No en an o, podemos con o a -nos com a ideia de que, como ou os, aqueles que di igem as ac i idades de g andes es ados não são, de o ma alguma, agen es li es. Pa a lá do esíduo da espe ança necessá ia de que os líde es esponde ão sensa amen e, es á a possibilidade de a alia as p essões que os enco ajam a azê-lo.” (WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 241-242). 320 WALTZ, K. N. – Globaliza ion and Ame ican Powe , p. 50. 105 polí ica in e nacional. 321 Po ou o lado, como e e e Walz, a unipola idade no e-ame icana não e ia indo pa a ica , ao cons i ui uma me a ase de ansição a é à e en ual eeme gência de ou as po ências in e nacionais, que – segundo os di ames de balancing – p ocu a iam ni ela os p a os a seu a o , como as po ências do passado semp e ha iam ei o; segundo a exp essão do eó ico, a p esen e condição da polí ica in e nacional e a “unna u al”. 322 Con a pe spe i as mais sonhado as, o im da Gue a F ia não ha ia ence ado, segundo Wal z, nenhuma espécie de ans o mação do sis ema in e nacional, pa a lá da me a al e ação em e mos de pola idade. Fundamen almen e, o p incípio de o ganização da polí ica in e nacional – ou seja, a ana quia – não ha ia sido subs i uído; o Mundo, na mesma habi ado po unidades que isa am ela pela sua p óp ia segu ança e sob e i ência, sem nenhum agen e hie a quicamen e supe io a quem es as a e as pudessem delega , pe manecia aná quico. 323 A e en ual eincidência do Equilíb io de Pode deco e ia, jus amen e, da pe manência do ca á e aná quico da polí ica in e nacional: na p esença das mesmas ci cuns âncias – duas ou mais sel - ega ding uni s, em con ex o de au oajuda –, equilíb ios de pode in e es a ais con inua iam a o ma -se; pa a os e i a , ha e ia que elimina es as ci cuns âncias, e al, pa a Wal z, não ha ia oco ido com o im da Gue a F ia. É p ecisamen e sob e es a ques ão da mudança e da ans o mação do sis ema in e nacional que nos que emos deb uça . Apesa de, na ó ica do no e-ame icano, nenhuma ans o mação do p incípio o ganizado da polí ica in e nacional e oco ido na passagem do sis ema bipola pa a a unipola idade, con empla á a sua eo ia, ealmen e, algum espaço pa a es a ques ão, no seio das suas assunções e pos ulados? Consegue o neo- ealismo de Wal z explica as ans o mações do sis ema in e nacional? Pa a á ios au o es, a espos a é não, pelo ac o de, em Wal z, a ana quia se ep oduzi e pe pe ua a a és dos seus p óp ios mecanismos, echada sob e si mesma: enquan o p incípio o ganizado , induz os Es ados a pe segui em es a égias de au oajuda e, como esul ado, a o ma em incessan emen e equilíb ios de pode en e si; po sua ez, são es es equilíb ios cons an es que acabam po ga an i e pe pe ua a condição aná quica do sis ema. Assim, como no a Ruggie, é a p óp ia es u u a aná quica do sis ema in e nacional que, ep oduzindo-se a si 321 WALTZ, K. N. – Globaliza ion and Ame ican Powe , p. 54. Aliás, a desigualdade de pode ao ní el in e nacional ainda mais acen uada se o na a num mundo unipola , já que a po ência p edominan e, concen ado a do pode , passa a a se apenas uma (WALTZ, K. N. – Globaliza ion and Ame ican Powe , p. 56). 322 WALTZ, K. N. – Globaliza ion and Ame ican Powe , p. 56. 323 WALTZ, K. N. – S uc u al Realism a e he Cold Wa , p. 39. 106 mesma, induz a impossibilidade (ou a al a imp obabilidade) de es e p incípio de o ganização i a se ans o mado num p incípio hie á quico: “a change o sys em, would be p oduced i he s uc u e o ana chy we e ans o med in o a hie a chy. In he his o y o he mode n s a e sys em, his has ne e occu ed. Indeed, i s occu ence has been p e en ed by he e y s uc u e o ana chy.” 324 Pa a Godda d e Nexon, al aciocínio acaba po se uma consequência do ac o de Wal z pa i da assunção e p essupos o basila es de que a polí ica in e nacional é um sis ema “o denado”; a pa i daí, odas as p eocupações eó icas do no e-ame icano se o ien am pa a a explicação do equilíb io e da es abilidade – ou seja, da “o dem” – des e sis ema, que, echado sob e si mesmo, se o dena a si p óp io. 325 Como os au o es concluem, a o dem, em Wal z, é explicada pela o dem – a ana quia é explicada pela ana quia. 326 Rei e e-se, igualmen e, a o ma como a de inição pa cimoniosa de “es u u a in e nacional”, p opos a e elabo ada po Wal z, ambém con ibui pa a a negligência des a ques ão da mudança e da ans o mação in e nacionais. Como nos elemb a Ruggie – e o p óp io Wal z sublinha 327 – a eo ia do no e-ame icano p ocu a eagi con a as “ endências educionis as” das RI, le adas a cabo po pe spe i as eó icas que, ao in eg a em demasiados a ibu os e p op iedades do ní el uni á io nas suas de inições de es u u a, acabam po não consegui isola ap op iadamen e os e ei os especí icos des a úl ima. 328 De ac o, como imos, a de inição do ní el es u u al de e semp e pa i , na ó ica de Wal z, de uma necessá ia abs ação dos a ibu os, p op iedades e in e ações mú uas ao ní el uni á io, incidindo o oco apenas sob e o posicionamen o que as unidades es abelecem en e si; a a és da omissão de ques ões como o egime polí ico, a ideologia, a cul u a, ou a pe sonalidade dos es adis as, Wal z p e ende a anja uma de inição pa cimoniosa de es u u a que pe mi a apu a os seus e ei os especí icos, inco up os ace ao ní el das unidades. 329 324 RUGGIE, J. G. – Con inui y and T ans o ma ion in he Wo ld Poli y, p. 271. 325 “Because Wal z assumes ha he sel -help in e na ional sys em is o de ed, ha he sys em is p esupposed o be in equilib ium, change, while possible, appea s bo h unnecessa y and unlikely. (…) once Wal z commi s o concei ing o in e na ional poli ics as a sys em, wi h an o e a ching social s uc u e, hen all o his heo e ical e ms become o ien ed owa ds s abili y. The d i ing ques ion o TIP [Theo y o In e na ional Poli ics], hus, is how ana chy main ains i sel – how o de leads o o de ; i canno ask how ana chy o any o he o m o an in e na ional sys em could eme ge o be sus ained wi hou assuming ha o de ’s exis ence.” (GODDARD, S. E.; NEXON, D. H. – Pa adigm Los ? Reassessing Theo y o In e na ional Poli ics, p. 32). 326 GODDARD, S. E.; NEXON, D. H. – Pa adigm Los ? Reassessing Theo y o In e na ional Poli ics, p. 32. 327 Veja-se, em pa icula , os Capí ulos 2 e 4 de Teo ia das Relações In e nacionais. 328 RUGGIE, J. G. – Con inui y and T ans o ma ion in he Wo ld Poli y, p. 284. 329 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 117-118. 107 Toda ia, como explica Ruggie, Wal z acaba po i longe demais nes e aciocínio. 330 Com odo o seu igo delimi a i o na de inição da es u u a in e nacional, o eó ico isola-a do ní el uni á io e das suas p op iedades especí icas, sendo que é, p ecisamen e, a pa i des e ní el que qualque mudança ou ans o mação es u u ais su gem em p imei o luga : “In Wal z’s model o he sys em (…) s uc u al ea u es a e sha ply di e en ia ed om uni -le el p ocesses, and s uc u e is he p oduc i e agency ha ope a es a he le el o he sys em. Acco dingly, only s uc u al change can p oduce sys emic change. (…) The p oblem wi h Wal z’s pos u e is ha , in any social sys em, s uc u al change i sel ul ima ely has no sou ce o he han uni -le el p ocesses. By banishing hese om he domain o sys emic heo y, Wal z also exogenizes he ul ima e sou ce o sys emic change.” 331 O po encial ans o ma i o não eside na es u u a in e nacional, que apenas se ep oduz a si mesma na sua con inuidade, mas sim no ní el uni á io, cujas p op iedades especí icas Wal z deixa de o a do seu modelo es u u al. Des a o ma, di o cia a sua eo ia das on es p ocessuais de mudança e ans o mação in e nacionais, não sendo capaz de explica ou p e e es es enómenos. Ao i a mos, po ém, as nossas a enções pa a as espos as dadas po Wal z a es as c í icas, dep essa nos ape cebemos de que o au o assume, explici amen e, es as impu adas limi ações da sua eo ia enquan o simples assunções eó icas, omadas em plena consciência. Como Wal z sublinha – numa espos a di e a a Ruggie –, as insu iciências explica i as e p edi i as da sua eo ia em ma é ia da ans o mação in e nacional nunca o am um mis é io, endo es ado o p óp io plenamen e cien e das mesmas quando cons uiu o seu modelo. Com e ei o, o no e-ame icano admi e que econhece o ac o de as po encialidades ans o ma i as esidi em no ní el uni á io, eco dando que as unidades e a es u u a a e am-se mu uamen e: as es u u as, po ia dos seus p ocessos de seleção – ecompensa de compo amen os con o mado es, punição de compo amen os des ian es –, p omo em a con inuidade dos sis emas, enquan o as o ças uni á ias, a a és da a iação – ou seja, do ac o de pode em decidi se seguem, ou não, aqueles p ocessos –, con êm a possibilidade da mudança e ans o mação sis émicas. 332 330 RUGGIE, J. G. – Con inui y and T ans o ma ion in he Wo ld Poli y, p. 284. 331 RUGGIE, J. G. – Con inui y and T ans o ma ion in he Wo ld Poli y, p. 285. 332 “By ewa ding beha io ha con o ms wi h sys emic equi emen s and punishing beha io ha does no , a sys em’s s uc u e wo ks agains ans o ma ion. (…) Changes in, and ans o ma ion o , sys ems o igina e no in he s uc u e o a sys em bu in i s pa s. Th ough selec ion, s uc u es p omo e he con inui y o sys ems in o m; h ough a ia ion, uni -le el o ces con ain he possibili ies o sys emic change. (…) Sys ems change, o a e ans o med, depending on he esou ces and aims o hei uni s and on he a es ha be all hem.” (WALTZ, K. N. – Re lec ions on Theo y o In e na ional Poli ics, p. 342-343). 108 Assim sendo, a análise des as o ças uni á ias não é implici amen e ocul ada, mas sim conscien emen e excluída po Wal z do âmbi o da sua eo ia. Dize que es a úl ima não consegue explica ans o mações e mudanças in e nacionais, apesa de co e o, con a-nos apenas me ade da his ó ia: a eo ia de Wal z não consegue, nem p e ende azê-lo, já que exclui delibe adamen e do seu escopo analí ico a on e p ocessual da qual es as ans o mações emanam, pa a se oca em dinâmicas e em e ei os especi icamen e es u u ais, que apenas dão con a de con inuidades. Como indica o no e-ame icano, es e ipo de eo ia não p e ende, de manei a alguma, subs i ui as análises ei as ao ní el uni á io, mas sim delimi a , pa cimoniosamen e, um ní el es u u al e a ibui -lhe p imazia de análise. 333 Uma eo ia que p ocu e, pelo con á io, coloca os p ocessos uni á ios na sua mi a analí ica a a-se não de uma eo ia das elações in e nacionais, como a de Wal z, mas sim de uma eo ia de polí ica ex e na. 334 Ao ala mos, po isso, sob e a ca ência da eo ia de Wal z em ma é ia da ans o mação e mudança in e nacionais, é impo an e ei e a que es a não se de e, segundo julgamos, à p esença de uma ace a mis i icado a implíci a no pensamen o do no e-ame icano, de i ada de supos os alo es polí icos conse ado es do p óp io; julgamos, sim, que es a ca ência esul a de uma assumida exclusão des as mesmas ma é ias do âmbi o explica i o do p óp io modelo al qual oi cons uído, com odas as suas explíci as assunções eó icas de aiz, pa cimoniosas e delimi a i as. Po ou as pala as, a eo ia de Wal z isen a-se de conside ações a espei o de e en uais mudanças no sis ema in e nacional po si uá-las, delibe adamen e, o a do seu oco de análise. Aliás, a p opósi o des e aciocínio, elemb emos que ambém a p óp ia assunção do Es ado enquan o a o uni á io (como imos no Capí ulo an e io ) não se esumia a uma mis i icação le ada a cabo po Wal z, já que de i a a, igualmen e, de uma assumida dis o ção eó ica ei a pelo au o . A sua adoção não de e se lida como p o a de um p incípio polí ico conse ado la en e em Wal z – que, assim, congela ia a-his o icamen e o Es ado enquan o a unidade de ini i a da His ó ia –, mas sim como uma delibe ada assunção eó ica. Des a simples assunção, como diz Wal z, não podem se de i adas quais as c enças pessoais do p óp io a 333 WALTZ, K. N. – Re lec ions on Theo y o In e na ional Poli ics, p. 344. 334 “Colin Elman asks whe he neo ealis heo ies o in e na ional poli ics can also un he o eign-policy cou se, and i hey y, whe he o no hey will win. My old ho se canno un he cou se and will lose i i ies. Indeed, any heo y o in e na ional poli ics can a bes limp along, able o explain some ma e s o o eign policy while ha ing o lea e much o o eign policy aside.” (WALTZ, K. N. – In e na ional Poli ics is no Fo eign Policy, p. 54). 109 espei o das o igens e do u u o dos Es ados, que, como chega ao pon o de admi i , di icilmen e pe manece ão ixos na sua p esen e condição: “Ashley and Cox canno om a heo e ical assump ion igh ly in e wha no ions I migh en e ain abou he his o ical o igins and de elopmen o s a es and abou hei possible a es. I ind i ha d o belie e ha anyone would hink ha s a es will emain ixed in hei p esen condi ion.” 335 Nes e sen ido, não ac edi amos que a exclusão do a o ans o ma i o na eo ia de Wal z possa ad i de um mudo conse ado ismo do eó ico, implici amen e impo ado pa a a sua análise. Mais adequado, a nosso e , se á ei e a no amen e o ac o de à eo ia wal ziana subjaze não uma on ologia especí ica, mas apenas um conjun o de ca ego ias e concei os analí icos en ol idos numa assumidamen e pa cimoniosa cons ução eó ica, que, po se eo ia, ine i a elmen e en ol e á exclusões. O pon o undamen al é que, pa a Wal z, es as exclusões são apenas eó icas e não on ológicas, ou seja, com o igem ou epe cussões no eal. A nosso e , a discussão a espei o da ca ência de um elemen o ans o ma i o na eo ia de Wal z não de e á, assim, pa i de uma ên ase sob e um supos o iés conse ado do seu au o , mas sim des aca que é a p óp ia o ma como a eo ia es á cons uída, com base nas suas assunções, que p opicia es a mesma ca ência: i endo, como imos, de um aciocínio ci cula au o- ep odu i o e excluindo, em nome da pa cimónia, oda e qualque on e de mudança pa a além da dis ibuição de pode , a eo ia de Wal z acaba po culmina num iés de s a us-quo; é, pois, a o ma como es á cons uída que a le a a “o e p edic s asis” 336 (ou seja, a sob es ima a igidez) no sis ema in e nacional. Pa a Wal z, a í ulo pessoal, o u u o da polí ica in e nacional di icilmen e se esgo a á numa me a con inuidade da sua a ual condição, mas a eo ia que o mula, com o in ui o de es a condição explica , apenas des a con inuidade consegui á da con a. Fazendo-o, acaba po cingi o seu escopo polí ico-no ma i o ace ao u u o a es a mesma con inuidade, na sua incessan e ep odução. A ní el da agência p á ica po pa e dos deciso es polí icos conc e os, as consequências são ób ias: abs aindo das p op iedades uni á ias e echando eo icamen e o escopo de possibilidades ans o ma i as, o neo- ealismo de Wal z descu a da componen e p á ica po pa e dos es adis as, ou, pelo menos, es inge a sua agência a um me o supo e da ep odução – e consequen e con inuidade – do p esen e sis ema. É nes es e mos que podemos ecupe a uma pa e da c í ica ei a po Ashley ( endo em con a, po ém, a essal a de que se de e á di igi 335 WALTZ, K. N. – Re lec ions on Theo y o In e na ional Poli ics, p. 339. 336 GODDARD, S. E.; NEXON, D. H. – Pa adigm Los ? Reassessing Theo y o In e na ional Poli ics, p. 32. 110 à o ma como a eo ia es á cons uída, em ez de a supos os alo es conse ado es do seu au o ): “neo ealism joins all modes o his o icism in denying he his o ical signi icance o p ac ice, he momen a which men and women en e wi h g ea e o lesse deg ees o consciousness in o he making o hei wo ld. Fo he neo ealis in ellec ual, men and women, s a esmen and en ep eneu s, appea as me e suppo s o he social p ocess ha p oduces hei will and he logics by which hey se e i . In pa icula , people a e educed o some idealized homo oeconomicus, able only o ca y ou , bu ne e o e lec c i ically on, he limi ed a ional logic ha he sys em demands o hem.” 337 Des a o ma, a polí ica, no neo- ealismo de Wal z, é desp o ida do seu elemen o “pe o ma i o”, ou seja, do seu ca á e enquan o uma a i idade c ia i a e c í ica, a a és da qual sujei os podem e le i sob e as suas me as e p ocu a molda a sua on ade cole i a de uma o ma li e, ao in és de se limi a em a ep oduzi a p esen e o dem. 338 Também os já mencionados Daniel Bessne e Nicolas Guilho des acam es e a o , embo a sem a dose c í ica de Ashley. 339 Segundo os au o es, o neo- ealismo wal ziano, em oposição ao ealismo clássico, desca a a a i idade de “decisionmaking” e o papel do “decisionmake ” do seu escopo in elec ual, ao desen ol e uma eo ia que a a o esul ado ag egado de odas decisões como um “sel -con ained sys em”. 340 Aqui chegados, es a-nos coloca lado a lado es as conside ações a espei o da componen e polí ico-no ma i a da eo ia de Wal z com a his o iog a ia de Ranke; azendo-o, podemos de imedia o cons a a a o ma como, em ma é ia do espaço a ibuído à mudança e à ans o mação in e nacionais, o neo- ealismo de Wal z e ela ce as p oximidades com a ob a e o pensamen o do his o iado alemão. Tal como Ranke absolu iza his o icamen e a condição in e nacional da sua con empo aneidade, ambém o neo- ealismo wal ziano, como acabámos de cons a a , é cons uído pa a apenas pode explica es a condição, na sua con inuidade: um palco in e nacional ho izon al e descen alizado – ou, numa pala a, aná quico – compos o po Es ados-Nação, de cujas in e ações mú uas esul a um Equilíb io de Pode in e nacional que sob odos incide e odos cons ange. Des e modo, an o a his o iog a ia de um, como a eo ia das Relações In e nacionais de ou o excluem, da sua espe i a dou ina, um espaço pa a 337 ASHLEY, R. – The Po e y o Neo ealism, p. 258. 338 ASHLEY, R. – The Po e y o Neo ealism, p. 260. 339 Pa a os au o es, o mo i o pelo qual Wal z op a po desca a o “decisionmaking” da sua eo ia de i a do ac o de o p óp io que e dema ca -se de conside ações a espei o de polí ica in e na e, com isso, dis ancia -se da c í ica ao libe alismo ei a pelos ealis as clássicos (BESSNER, D.; GUILHOT, N. – How Realism Wal zed O , p. 88). 340 “The solu ion Wal z a i ed a consis ed o ci cum en ing en i ely he p oblem o decisionmaking by de eloping a heo y ha ea ed he agg ega e ou come o decisions – ha is, in e na ional poli ics as a whole – as a sel -con ained sys em whose logic o ope a ion could be desc ibed wi hou pos ula ing any decision.” (BESSNER, D.; GUILHOT, N. – How Realism Wal zed O , p. 106). 111 e en uais mudanças e ans o mações que possam pô em causa es a condição in e nacional, nes es seus elemen os undamen ais. Quan o ao ní el de agência po pa e dos deciso es polí icos, julgamo-nos pe an e ou a p oximidade: em Ranke, o escopo de a i idade dos es adis as não só se acaba a po es ingi , em úl ima análise, à ep odução da o dem in e nacional, como as suas p óp ias ações já es a am, à pa ida, sal agua das e p essupos as pela di indade on ológica que lhes o necia o sen ido e a di eção umo a es a mesma ep odução, an o ine i á el como necessá ia; já na eo ia neo- ealis a de Wal z, como acabámos de da con a, a agência p á ica dos deciso es polí icos é igualmen e ap esen ada como um me o supo e pa a a ep odução do p esen e sis ema in e nacional, sendo que, aqui, é a es u u a in e nacional e as suas p essões sob e as unidades que an ecedem e do am de ine i abilidade es a condu a ep odu i a, ao in és de uma P o idência. Des a o ma, em ambos os au o es, os “decisionmake s” su gem como me os supo es pa a a ep odução con ínua de um sis ema in e nacional aná quico; em ambos, a condu a polí ica é, em úl ima ins ância, subo dinada a uma on e si uada acima dos p óp ios es adis as, que a do a de necessidade; em ambos, po im, a polí ica in e nacional au o egula- se, “ oma con a de si mesma”. 341 Toda ia, é impo an e não deixa mos de no a que es as p oximidades se si uam sob e uma di e ença undamen al en e os au o es, di e amen e deco en e do con as e on ológico en e ambos. Se a P o idência subjacen e à his o iog a ia de Ranke cons i uía, de ac o, uma on ologia especí ica – ou seja, se cons i uía a ealidade al qual o his o iado a concebia –, elemb emos que Wal z nunca esconde o ac o de apenas p e ende cons ui uma eo ia simpli icada a pa i da ealidade, econhecendo a omnip esen e con ingência nes a úl ima. Assim, julgamos que a ausência de um po encial ans o ma i o, o eduzido escopo de ação a ibuído aos deciso es polí icos e a p óp ia de inição da polí ica in e nacional enquan o algo au o egulado de em se lidos, em Ranke, como elemen os de i ados de uma on ologia pa icula , de uma conceção especí ica do eal ida pelo his o iado ; já em Wal z, como á ias ezes e e imos, odos apenas de i am e esgo am-se num me o exe cício eó ico conscien e dos seus ine en es limi es, cien e do ac o de cons i ui uma me a simpli icação da ealidade e, 341 A exp essão é u ilizada po Bessne e Guilho : “Neo ealism p o ided a heo y o in e na ional poli ics ha did no equi e a heo y o o eign-policy making o p onouncemen s on he o ganiza ion o powe s in socie y, because i es ed on he assump ion ha ul ima ely he sys em would ake ca e o i sel .” (BESSNER, D.; GUILHOT, N. – How Realism Wal zed O , p. 117). 112 po isso, sem a ambição de do a qualque um des es elemen os de um ca á e on ológico, pa a lá do seu me o ca á e analí ico. Pos o is o, e minemos es e Capí ulo com uma b e e e e ência ao empe amen o especí ico de Wal z, sinalizado no inal do Capí ulo an e io : o seu “o imismo cuidadoso” ace ao u u o da polí ica in e nacional. Como imos, es e o imismo – exp esso em Teo ia das Relações In e nacionais, no inal da década de 70 – alice ça a-se na c ença de as p essões es u u ais i em, enquan o o es endências, a enco aja uma condu a de polí ica ex e na sensa a po pa e dos EUA e da URSS, no seio de um sis ema bipola que, ademais, acili a a o seguimen o des e ipo de condu a. O a, com o ad en o da unipola idade e a e en ual eeme gência de no as po ências in e nacionais – is o é, com o e en ual su gimen o de uma no a mul ipola idade –, que espaço é deixado pa a es e o imismo na pe spe i a de Wal z? Julgamos que a espos a a es a ques ão de e á salien a que, pa a o eó ico, a ana quia mune-se de um conjun o de i udes especí icas, ex ensí eis (embo a em di e en es g aus) não só a um sis ema bipola , como ambém a um sis ema mul ipola : desde logo, pe mi e aos Es ados se em “li es pa a deixa em os ou os em paz”, 342 o nando-os mais capazes de se concen a em na p ojeção de um aco do mínimo que pe mi i á a sua espe i a exis ência independen e, ao in és de p ocu a em um aco do máximo que ga an a a sua p e ensa união numa o ganização hie á quica sup anacional e hegemónica; po ou o lado, a cons an e possibilidade, num ambien e aná quico, de a o ça i a se usada po pa e de qualque unidade “limi a as manipulações, mode a as exigências, e se e como um incen i o pa a a esolução das dispu as” en e si. 343 Nes e sen ido, ac edi amos que, pa a Wal z, o im da ansi ó ia unipola idade e a e en ual consolidação de uma no a mul ipola idade podem se in e p e ados de uma o ma o imis a, ao apon a mos aquelas que são, pa a o au o , as i udes especí icas das o dens aná quicas, quando compa adas aos ícios hegemónicos da unipola idade. 344 Aliás, ei e emos que mui a da ins abilidade apon ada po Wal z à mul ipola idade nos séculos de his ó ia 342 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 157. 343 WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 159. 344 “Não podemos assumi que os líde es de uma nação supe io em pode de ini ão semp e as es a égias com sabedo ia, c ia ão ác icas com cálculos excelen es, e aplica ão a o ça com paciência. A possessão de mui o pode en ou, mui as ezes, as nações ao emp ego desnecessá io e imp uden e da o ça, ícios pa a os quais não es amos imunes.” (WALTZ, K. N. – Teo ia das Relações In e nacionais, p. 275). 113 eu opeia acaba, segundo o au o , po se dilui com a p óp ia p oli e ação nuclea no mundo con empo âneo, es au ando mui as das qualidades es abilizado as da bipola idade. 345 Conclusões À exceção do Capí ulo 4, no qual a ob a de Mo gen hau e a de Niebuh o am al os de uma análise simul ânea, cada Capí ulo da nossa in es igação ocupou-se com a elação en e a ob a de Leopold on Ranke e um au o ealis a em pa icula . Cabe-nos ago a a a e a de sis ema iza as p incipais conclusões i adas des as elações indi iduais e, com isso, p onuncia mo-nos a espei o da elação de Ranke com o co pus eó ico ealis a. An es de mais, comecemos po sis ema iza as conclusões deco en es da u ilização do con as e on ológico enquan o alice ce de análise en e Ranke e os au o es ealis as. Como imos, cada au o eco e a uma on ologia pa icula que subjaz oda a sua ob a e que, como ad ogámos, pode se u ilizada enquan o um undamen al a o de dis inção en e si. Cada capí ulo p ocu ou, p imei amen e, da con a do con as e pa icula que esul a quando a on ologia de Ranke é colocada lado a lado com a on ologia de um au o ealis a, u ilizando-o depois pa a explica as di e enças mais supe iciais en e a ob a de um e a de ou o, a espei o do Es ado e do Equilíb io de Pode . De modo a o na mos es es di e en es con as es mais cla os, sis ema izemos ago a as p incipais consequências de cada uma des as on ologias pa a as ob as dos seus espe i os au o es, em ês planos co elacionados: epis emológico, empe amen al e polí ico-no ma i o. Em Ranke, imos como a sua on ologia P o idencial a ua, num plano epis emológico, enquan o uma on e de segu ança pa a o his o iado e pa a a sua a i idade de in es igação sob e o passado, pe mi indo-lhe assegu a uma plena obje i idade em odo o seu o ício his o iog á ico. Num plano empe amen al, es a base on ológica pe mi e a Ranke cul i a um p o undo o imismo ace ao desen ola de odo o p ocesso his ó ico, com o passado, o p esen e e o u u o da His ó ia a se em do ados de uma undamen al ha monia, ao es a em odos igualmen e sal agua dados po uma mesma P o idência bene olen e. Já num plano polí ico- 345 “Nuclea weapons elimina e nei he he use o o ce no he impo ance o balancing beha io . They do limi o ce a he s a egic le el o a de e en ole, make es ima ing he s a egic s eng h o na ions a simple ask, and make balancing easy o do. Mul ipola i y abolishes he s a k symme y and pleasing simplici y o bipola i y, bu nuclea weapons es o e bo h o hose quali ies o a conside able ex en .” (WALTZ, K. N. – The Eme ging S uc u e o In e na ional Poli ics, p. 74). 120 mul iplicidade de ou os concei os que pode iam e sido usados em seu luga . De ac o, se o c i é io que nos le ou a escolhe es es dois desc i o es oi a sua simul ânea ele ância na his o iog a ia de Ranke e no Realismo, conseguimos acilmen e eco da -nos de ou os concei os que e iam cump ido o mesmo c i é io e pelos quais pode íamos e op ado – como o de pode , po exemplo. Assim, a nossa in es igação ambém acaba po ab i espaço pa a e en uais abalhos que, pa indo de uma base me odológica semelhan e, op em po eco e a ou os desc i o es enquan o mediado es na elação de Ranke com o Realismo, pa a assim e ela em no as e ainda inexplo adas conclusões a espei o des a elação. Po im, mencionemos uma limi ação que, en e odas, é al ez a mais isí el: a escolha dos á ios au o es. É ce o que a p a icamen e cen ená ia escola ealis a das RI con a com uma mul iplicidade de pensado es, pelo que a escolha de Mo gen hau, Niebuh e Wal z oi ei a em plena consciência do ac o de oda uma a ia de in luen es eó icos ealis as e sido, simplesmen e, deixada de o a. P ocu ámos sus en a es a escolha com base na ele ância de cada au o , mas, apesa dis o, não nos pode ce amen e deixa de se apon ado que igu as como E. H. Ca , John Mea sheime , ou Robe Gilpin acaba am po cons i ui ausências de ele o em odo es e exe cício. Nes e sen ido, e en uais in es igações pode ão segui um de dois umos: ou p ocu a ão adiciona , aos au o es po nós analisados, um conjun o de ou os pensado es ealis as, apos ando assim na ex ensão quan i a i a ( al ez à cus a do igo quali a i o, oda ia), ou p ocu a ão ealiza um exe cício com um mais eduzido núme o de au o es, embo a di e en es daqueles po nós escolhidos. 121 Bibliog a ia: ASHLEY, Richa d K. – The Po e y o Neo ealism. In e na ional O ganiza ion. Massachuse s: MIT P ess. 38:2 (1984). 225-286 BESSNER, Daniel; GUILHOT, Nicolas – How Realism Wal zed O : Libe alism and Decisionmaking in Kenne h Wal z’s Neo ealism. In e na ional Secu i y. Camb idge, Massachuse s: MIT P ess. 40:2 (2015). 87-118 BOLDT, And eas – Ranke and he idea o Eu ope. Resea chGa e (em linha) Jan. 2015 (Consul . 3 Jun. 2020). Disponí el em WWW:<h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/289367807_Ranke_and_ he_idea_o _Eu o pe> BOLDT, And eas – Ranke: Objec i i y and His o y. Re hinking His o y: The Jou nal o Theo y and P ac ice. Taylo & F ancis Online. 18:4 (2014). BROWN, Ch is – ‘The Twiligh o In e na ional Mo ali y’? Hans J. Mo gen hau and Ca l Schmi on he end o he Jus Publicum Eu opaeum. in WILLIAMS, Michael C. – Realism Reconside ed: The Legacy o Hans J. Mo gen hau in In e na ional Rela ions, 1ª ed. Ox o d: Ox o d Uni e si y P ess, 2007. ISBN 978-0-19-928862-5 CARR, E. H. – The Twen y Yea s’ C isis 1919-1939: An In oduc ion o he S udy o In e na ional Rela ions. Second ed. Rep in ed (1981) London: The Macmillan P ess L d, 1939. ISBN 0-333-06913-7 CRAIG, Campbell – Glimme o a New Le ia han: To al Wa in he Realism o Niebuh , Mo gen hau, and Wal z. 1ª ed. New Yo k: Columbia Uni e si y P ess, 2003. ISBN 0-231- 12348-5 CRAIG, Campbell – Hans Mo gen hau and he Wo ld S a e Re isi ed. In WILLIAMS, Michael C. – Realism Reconside ed: The Legacy o Hans J. Mo gen hau in In e na ional Rela ions, 1ª ed. Ox o d: Ox o d Uni e si y P ess, 2007. ISBN 978-0-19-928862-5 DIGGINS, John Pa ick – Powe and Suspicion: The Pe spec i es o Reinhold Niebuh . E hics & In e na ional A ai s. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 6 (1992). 141-161 122 DUNN, F ede ick S. – The P esen Cou se o In e na ional Rela ions Resea ch. Wo ld Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 2:1 (1949). 80-95 DUNN, F ede ick S. – The Scope o In e na ional Rela ions. Wo ld Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 1:1 (1948). 142-146 FARRENKOPF, John – The challenge o Spengle ian pessimism o Ranke and poli ical ealism. Re iew o In e na ional S udies. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 17:3 (1991). 267-284 FINNEGAN, Richa d B. – The Field o In e na ional Rela ions: A View om Wi hin. Townson S a e Jou nal o In e na ional A ai s. 7:1 (1972). 1-24 FITZSIMONS, M. A. – Ranke: His o y as Wo ship. The Re iew o Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 42:4 (1980). 533-555 GASPAR, Ca los – Con inuidade e Mudança: O Sis ema In e nacional no Pos -Gue a F ia. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. 2016. Tese de Dou o amen o. GASPAR, Ca los – O Reg esso da Ana quia: Os Es ados Unidos, a Rússia, a China e a o dem in e nacional. 1ª ed. Lisboa: Alê heia Edi o es, 2019. ISBN 9789898906496 GILKEY, Langdon B. – In oduc ion by Langdon B. Gilkey, in NIEBUHR, Reinhold – Mo al Man and Immo al Socie y: A S udy in E hics and Poli ics. 2ª ed. Louis ille, Ken ucky: Wes mins e John Knox, 2013. ISBN 978-0-664-23539-0 GODDARD, S acie E.; NEXON, Daniel H. – Pa adigm Los ? Reassessing Theo y o In e na ional Poli ics. Eu opean Jou nal o In e na ional Poli ics. Cali o nia: SAGE Publica ions and ECPR-Eu opean Conso ium o Poli ical Resea ch. 11:1 (2005). 9-61 GRIFFITHS, Ma in – Realism, Idealism and In e na ional Poli ics: A Rein e p e a ion. 1ª ed. London: Rou ledge, 1992. ISBN 0-415-06971-8 GUILHOT, Nicolas – The Realis Gambi : Pos wa Ame ican Poli ical Science and he Bi h o IR Theo y. in GUILHOT, Nicolas – The In en ion o In e na ional Rela ions Theo y: Realism, he Rocke elle Founda ion, and he 1954 Con e ence on Theo y, 1ª ed. New Yo k: Columbia Uni e si y P ess, 2011. ISBN 978-0-231-15267-9 123 GURIAN, Waldema – On he S udy o In e na ional Rela ions. The Re iew o Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 8:3 (1946). 275-282 HASLAM, Jona han – No Vi ue Like Necessi y: Realis Though in In e na ional Rela ions since Machia elli. 1ª ed. New Ha en & London: Yale Uni e si y P ess, 2002. ISBN 978-0-300-20500-8 IGGERS, Geo g G. – The Ge man Concep ion o His o y: The Na ional T adi ion o His o ical Though om He de o he P esen . 1ªed. Connec icu : Wesleyan Uni e si y P ess, 1968. IGGERS, Geo g G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. ISBN 978-0-415-78032-2 JORDAN, Richa d (e al.) – One Discipline o Many? TRIP Su ey o In e na ional Rela ions Facul y in Ten Coun ies. Teaching, Resea ch, and In e na ional Policy (TRIP) P ojec . Williamsbu g: The Ins i u e o he Theo y and P ac ice o In e na ional Rela ions. Fe . 2009 (Consul . 7 Se . 2020). Disponí el em WWW:<h ps:// ip.wm.edu/da a/ou - su eys/ acul y-su eys> KOLIOPOULOS, Cons an inos – In e na ional Rela ions and he S udy o His o y. Ox o d Resea ch Encyclopedia, In e na ional S udies (em linha) Ma 2010 (Consul . 27 e . 2021). Disponí el em WWW:<h ps://ox o d e.com/in e na ionals udies/ iew/10.1093/ac e o e/9780190846626.00 1.0001/ac e o e-9780190846626-e-242/ e sion/0> LEBOW, Richa d Ned – The T agic Vision o Poli ics: E hics, In e es s and O de s. 1ª ed. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 2003. ISBN 978-0521534857 LITTLE, Richa d – Decons uc ing he Balance o Powe : Two T adi ions o Though . Re iew o In e na ional S udies. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 15:2 (1989). 87-100 LITTLE, Richa d – The Balance o Powe in In e na ional Rela ions: Me apho s, My hs and Models. 1ªed. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 2007. ISBN 978-0-521-69760-6 LITTLE, Richa d – The Balance o Powe in Poli ics Among Na ions. in WILLIAMS, Michael C. – Realism Reconside ed: The Legacy o Hans J. Mo gen hau in In e na ional Rela ions, 1ª ed. Ox o d: Ox o d Uni e si y P ess, 2007. ISBN 978-0-19-928862-5 124 MALINIAK, Daniel; PETERSON, Susan; TIERNEY, Michael J. – TRIP A ound he Wo ld: Teaching, Resea ch, and Policy Views o In e na ional Rela ions Facul y in 20 Coun ies. Teaching, Resea ch, and In e na ional Policy (TRIP) P ojec . Williamsbu g: The Ins i u e o he Theo y and P ac ice o In e na ional Rela ions. Mai. 2012 (Consul . 7 Se . 2020). Disponí el em WWW:< h ps:// ip.wm.edu/da a/ou -su eys/ acul y-su eys> MARQUES DE ALMEIDA, João Co eia – Be ween Ana chy and Empi e: An Analysis and Re o mula ion o he Concep o In e na ional Socie y in he Ligh o he Republican Poli ical T adi ion. Lond es: London School o Economics. 2000. Tese de Dou o amen o. MEARSHEIMER, John J. – The T agedy o G ea Powe Poli ics. Upda ed Edi ion. New Yo k: WW No on & Co, 2018. ISBN 9780393349276 MEINECKE, F ied ich – Machia ellism: The Doc ine o Raison d’E a and i s Place in Mode n His o y. 1ª ed. New Ha en: Yale Uni e si y P ess, 1957. MEINECKE, F ied ich – Ranke and Bu ckha d , in KOHN, Hans – Ge man His o y: Some New Ge man Views. 1ªed. Bos on, Massachuse s: The Beacon P ess, 1954. 141-156 MOLLOV, M. Ben – The Jewish Expe ience as an In luence on Hans J. Mo gen hau’s Realism. Jewish Poli ical S udies Re iew. Je usalem: Je usalem Cen e o Public A ai s. 12:1-2 (2000). 113-140 MORGENTHAU, Hans J. – Ano he “G ea Deba e”: The Na ional In e es o he Uni ed S a es. The Ame ican Poli ical Science Re iew. Washing on, D. C.: Ame ican Poli ical Science Associa ion. 46:4 (1952). 961-988 MORGENTHAU, Hans J. – Poli ics Among Na ions: The S uggle o Powe and Peace. Six h ed. (1985) Beijing: Peking Uni e si y P ess, 2005. MORGENTHAU, Hans J. – The In ellec ual and Poli ical Func ions o Theo y, in LINKLATER, And ew – In e na ional Rela ions: C i ical Concep s in Poli ical Science. 1ª ed. London: Rou ledge, 2000. 43-54 ISBN 0-415-20138-1 MORGENTHAU, Hans J. – The Poli ical Condi ions o an In e na ional Police Fo ce. In e na ional O ganiza ion. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 17:2 (1963). 392-403 MORGENTHAU, Hans J. – The Twiligh o In e na ional Mo ali y. E hics. Chicago: The Uni e si y o Chicago P ess. 58:2 (1948). 79-99 125 NIEBUHR, Reinhold – Beyond T agedy: Essays on he Ch is ian In e p e a ion o His o y. 1ª ed. New Yo k: Cha les Sc ibne ’s Sons, 1937. NIEBUHR, Reinhold – Ch is iani y and Powe Poli ics. 1ª ed. New Yo k: Cha les Sc ibne ’s Sons, 1940. NIEBUHR, Reinhold – Mo al Man and Immo al Socie y: A S udy in E hics and Poli ics. 2ª ed. Louis ille, Ken ucky: Wes mins e John Knox, 2013. ISBN 978-0-664-23539-0 NIEBUHR, Reinhold – Plans o Wo ld Reo ganiza ion. Ch is iani y and C isis. 2 (1942). 3-6 NIEBUHR, Reinhold – The Illusion o Wo ld Go e nmen . Fo eign A ai s. New Yo k: Council on Fo eign Rela ions. 27:3 (1949). 379-388 NIEBUHR, Reinhold – The I ony o Ame ican His o y. Uni e si y o Chicago P ess edi ion. Chicago and London: Uni e si y o Chicago P ess, 2008. ISBN 978-0-226-58398-3 PEDRO, Guilhe me Ma ques – Reinhold Niebuh and In e na ional Rela ions Theo y: Realism Beyond Thomas Hobbes. 1ª ed. Abingdon: Rou ledge, 2018. ISBN 978-1-315- 18162-2 RANKE, Leopold on – A Dialogue on Poli ics (1836), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 54-74 RANKE, Leopold on – On P og ess in His o y (F om he i s lec u e o King Maximillian II o Ba a ia, “On he Epochs o Mode n His o y”, 1854), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 20-23 RANKE, Leopold on – On he Cha ac e o His o ical Science (A manusc ip o he 1830s), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 8-16 RANKE, Leopold on – On he Rela ion o and Dis inc ion be ween His o y and Poli ics (1836), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 75-82 126 RANKE, Leopold on – On he Rela ions o His o y and Philosophy (A manusc ip o he 1830s), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 5-7 RANKE, Leopold on – The G ea Powe s (1833), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 29-53 RANKE, Leopold on – The Young Ranke’s Vision o His o y and God (Exce p s om a le e o his b o he Hein ich om F ank u /Ode , end o Ma ch 1820), in IGGERS, Geo ge G. – The Theo y and P ac ice o His o y: Leopold on Ranke. 1ªed. Abingdon: Rou ledge, 2011. 4 RATO, Vasco – Um Mapa pa a os Tempos: O Realismo No ma i o de Reinhold Niebuh . Relações In e nacionais R.I. Lisboa: IPRI-UNL. 16 (2007). 21-36 RICE, Daniel – Reinhold Niebuh and Hans Mo gen hau: A F iendship wi h Con as ing Shades o Realism. Jou nal o Ame ican S udies. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 42:2 (2008). 255-291 ROSENTHAL, Joel H. – Righ eous Realis s: Poli ical Realism, Responsible Powe , and Ame ican Cul u e in he Nuclea Age. 1ª ed. Ba on Rouge: Louisiana S a e Uni e si y P ess, 1991. ISBN 0-8071-1649-1 RUGGIE, John Ge a d – Con inui y and T ans o ma ion in he Wo ld Poli y: Towa d a Neo ealis Syn hesis. Wo ld Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 35:2 (1983). 261-285 SAX, Benjamin C. – Jacob Bu ckha d and Na ional His o y. His o y o Eu opean Ideas. Abingdon: Rou ledge. 15:4-6 (1992). 845-850 SCHEUERMAN, William E. – Ca l Schmi and Hans Mo gen hau: Realism and beyond. in WILLIAMS, Michael C. – Realism Reconside ed: The Legacy o Hans J. Mo gen hau in In e na ional Rela ions, 1ª ed. Ox o d: Ox o d Uni e si y P ess, 2007. ISBN 978-0-19-928862- 5 SCHEVILL, Fe dinand – Ranke: Rise, Decline, and Pe sis ence o a Repu a ion. The Jou nal o Mode n His o y. Chicago: Uni e si y o Chicago P ess. Vol. 24: n º 3 (1952). 219- 234 127 SCHMIDT, B ian C. – The Rocke elle Founda ion Con e ence and he Long Road o a Theo y o In e na ional Poli ics. in GUILHOT, Nicolas – The In en ion o In e na ional Rela ions Theo y: Realism, he Rocke elle Founda ion, and he 1954 Con e ence on Theo y, 1ª ed. New Yo k: Columbia Uni e si y P ess, 2011. ISBN 978-0-231-15267-9 SCHROEDER, Paul W. – The Nine een h Cen u y Sys em: Balance o Powe o Poli ical Equilib ium?. Re iew o In e na ional S udies. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. Vol. 15: n º 2 (1989). 135-153 SCHULIN, E ns – Ranke’s Uni e sal His o y and Na ional His o y. Sy acuse Schola (1979-1991). Sy acuse: SURFACE. 9:1 (1988). 11-18 SCHWELLER, Randall L. – Neo ealism’s S a us-Quo Bias: Wha Secu i y Dilemma?. Secu i y S udies. London: F ank Cass. 5:3 (1996). 90-121 SCHWELLER, Randall L. – The Balance o Powe in Wo ld Poli ics. Ox o d Resea ch Encyclopedia, Poli ics (em linha) Mai. 2016 (Consul . 12 Jun. 2021). Disponí el em WWW:<h ps://ox o d e.com/poli ics/ iew/10.1093/ac e o e/9780190228637.001.0001/ac e o e-9780190228637-e-119> SMITH, Kei h – The ealism ha did no speak i s name: E. H. Ca ’s diploma ic his o ies o he wen y yea s’ c isis. Re iew o In e na ional S udies. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 43:3 (2017). 1-19 THOMPSON, Kenne h W. – Mo al Reasoning in Ame ican Though on Wa and Peace. The Re iew o Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 39:3 (1977). 386-399 VON LAUE, Theodo e H. – Leopold Ranke: The Fo ma i e Yea s. 1ªed. New Je sey: P ince on Uni e si y P ess, 1950. WALKER, R. B. J. – Realism, Change, and In e na ional Poli ical Theo y. In e na ional S udies Qua e ly. New Je sey: Wiley, on behal o The In e na ional S udies Associa ion. 31:1 (1987). 65-86 WALT, S ephen M. – Alliance Fo ma ion and he Balance o Wo ld Powe . In e na ional Secu i y. Camb idge, Massachuse s: MIT P ess. 9:4 (1985). 3-43 128 WALT, S ephen M. – In e na ional Rela ions: One Wo ld, Many Theo ies. Fo eign Policy. Washing on D.C.: Ca negie Endowmen o In e na ional Peace. 110, Special Edi ion: F on ie s o Knowledge (1998). 29-46 WALTZ, Kenne h N. – Con en ion and Managemen in In e na ional Rela ions. Wo ld Poli ics. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 17:4 (1965). 720-744 WALTZ, Kenne h N. – Globaliza ion and Ame ican Powe . The Na ional In e es . Washing on D.C.: Cen e o he Na ional In e es . 59 (2000). 46-56 WALTZ, Kenne h N. – In e na ional Poli ics is no Fo eign Policy. Secu i y S udies. London: F ank Cass. 6:1 (1996). 54-57 WALTZ, Kenne h N. – In e na ional S uc u e, Na ional Fo ce, and he Balance o Wo ld Powe . Jou nal o In e na ional A ai s. New Yo k, Columbia: Jou nal o In e na ional A ai s Edi o ial Boa d. 21:2 (1967). 215-231 WALTZ, Kenne h N. – Man, The S a e, and Wa : A Theo e ical Analysis. Anni e sa y Edi ion. New Yo k: Columbia Uni e si y P ess, 2018. ISBN 9780231188050 WALTZ, Kenne h N. – Realis Though and Neo ealis Theo y. Jou nal o In e na ional A ai s. New Yo k, Columbia: Jou nal o In e na ional A ai s Edi o ial Boa d. 44:1 (1990). 21-37 WALTZ, Kenne h N. – Re lec ions on Theo y o In e na ional Poli ics: A Response o my C i ics, in KEOHANE, Robe O. (ed.) – Neo ealism and i s C i ics, 1ªed. New Yo k: Columbia Uni e si y P ess, 1986. ISBN 0-231-06349-0 WALTZ, Kenne h N. – S uc u al Realism a e he Cold Wa . In e na ional Secu i y. Camb idge, Massachuse s: MIT P ess. 25:1 (2000). 5-41 WALTZ, Kenne h N. – Teo ia das Relações In e nacionais. Edição Po uguesa. Lisboa: G adi a Publicações, 2002. ISBN 978-972-662-838-5 WALTZ, Kenne h N. – The Eme ging S uc u e o In e na ional Poli ics. In e na ional Secu i y. Camb idge, Massachuse s: MIT P ess. 18:2 (1993). 44-79 WALTZ, Kenne h N. – The S abili y o a Bipola Wo ld. Daedalus. Camb idge, Massachuse s: MIT P ess. 93:3 (1964). 881-909 129 WHITE, Hayden – Me ahis o y: The His o ical Imagina ion in Nine een h-Cen u y Eu ope. Fo ie h-Anni e sa y ed. (2014) Bal imo e: John Hopkins Uni e si y P ess, 1973. ISBN 978-1-4214-1560-4 WIGHT, Colin – Agen s, S uc u es and In e na ional Rela ions: Poli ics as On ology. 1ªed. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 2006. ISBN 0521674166 WILLIAMS, Michael C. – Realism Reconside ed: The Legacy o Hans J. Mo gen hau in In e na ional Rela ions, 1ª ed. Ox o d: Ox o d Uni e si y P ess, 2007. ISBN 978-0-19- 928862-5 WILLIAMS, Michael C. – The Realis T adi ion and he Limi s o In e na ional Rela ions. 1ªed. Camb idge: Rou ledge, 2005. ISBN 978-0-521-53475-8