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Corpo cinema - um movimento em simultâneo

Alexandre, Bruno Filipe Esteves

Abstract

A partir de autores das áreas de estudo da dança e do cinema, pretendi cruzar o corpo coreográfico e o corpo cinema, transpondo para a dissertação exemplos que preenchem os dois domínios; coreografias e filmes (coreógrafos e cineastas). Ao abordar os contributos conceptuais dos artistas envolvidos no que toca à própria construção das suas criações, interessou-me relevar os seus pensamentos no que concerne às ficções do espaço, do tempo e do fragmento. O objectivo passou por balizar as múltiplas relações que podem constituir o binómio corpo/imagem, incorporando os lugares da coreografia e do cinema como fundadores de uma atracção aparentemente comum, que é o movimento. As questões a que me propus responder são de índole originária, ou seja, encontram-se no que eu chamaria uma pré-pesquisa para um projecto coreográfico imaginário. Assim sendo, é um texto (e um projecto) que se procura a si próprio como acontece naturalmente numa pesquisa em que o encadeamento imagético, literário, físico e emocional vai acontecendo por experimentação de propostas que nos afectam de múltiplas formas. Este acontecimento em forma de escrita (uma dissertação) invoca um texto como referente de uma ideia possível de corpo cinema. A partir do texto, “Notas sobre o Cinematógrafo” de Robert Bresson (2003), selecciono alguns pensamentos de Bresson que, na minha óptica, geram possibilidades de confronto e emancipação perante uma ideia de partilha afectiva entre dança e cinema. Em certo sentido, será escrever a possibilidade de um real ficcionado a partir de documentos imagéticos, filosóficos e ensaísticos, que contêm em si ideias sobre ruína (o que é a película senão uma outra forma de ruína?), construção e reconstrução de um corpo, que tentarei demonstrar como lugar de excelência do fragmento. Chamar-lhe-ei o corpo-ruína.

Full text

Co po cinema Um mo imen o em simul âneo B uno Filipe Es e es Alexand e ___________________________________________________ Disse ação em A es Cénicas (SETEMBRO, 2017) B uno Filipe Es e es Alexand e Co po Cinema Um mo imen o em simul âneo (2017) Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em A es Cénicas, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Síl ia Tengne Ba os Pin o Coelho. [DECLARAÇÕES] Decla o que es a ese é o esul ado da minha in es igação pessoal e independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia. O candida o, B uno Filipe Es e es Alexand e___________________ Lisboa, 4 de Se emb o de 2017 Decla o que es a Tese se encon a em condições de se ap esen ada a p o as públicas. O(A) o ien ado (a), Síl ia Tengne Ba os Pin o Coelho ____________________ Lisboa, 06 de Se emb o de 2017. Pa a a Joana, Ma ilde e João. Po uma ideia de u u o. AGRADECIMENTOS Que o ag adece à minha o ien ado a, P o esso a Dou o a Síl ia Tengne Ba os Pin o Coelho, e a odos os p o esso es e colegas que me acompanha am ao longo des es dois anos. Também ag adece às pessoas que me ouxe am pa a a dança: Ma alda Saloio, Ped o San iago Cal, So ia Neupa h, Nuno Biza o, F ancisco Camacho, Miguel Pe ei a e Olga Ro iz. Po im, a odas as amigas e amigos que me mos a am cinema, de am li os pa a le , con e sa am comigo à ol a de mesas nubladas po in ensidades imensas e que êm ib ado comigo em odos os pequenos passos que ou dando. 1 Co po Cinema Um mo imen o em simul âneo B uno Filipe Es e es Alexand e Resumo A pa i de au o es das á eas de es udo da dança e do cinema, p e endi c uza o co po co eog á ico e o co po cinema, anspondo pa a a disse ação exemplos que p eenchem os dois domínios; co eog a ias e ilmes (co eóg a os e cineas as). Ao abo da os con ibu os concep uais dos a is as en ol idos no que oca à p óp ia cons ução das suas c iações, in e essou-me ele a os seus pensamen os no que conce ne às icções do espaço, do empo e do agmen o. O objec i o passou po baliza as múl iplas elações que podem cons i ui o binómio co po/imagem, inco po ando os luga es da co eog a ia e do cinema como undado es de uma a acção apa en emen e comum, que é o mo imen o. As ques ões a que me p opus esponde são de índole o iginá ia, ou seja, encon am-se no que eu chama ia uma p é-pesquisa pa a um p ojec o co eog á ico imaginá io. Assim sendo, é um ex o (e um p ojec o) que se p ocu a a si p óp io como acon ece na u almen e numa pesquisa em que o encadeamen o imagé ico, li e á io, ísico e emocional ai acon ecendo po expe imen ação de p opos as que nos a ec am de múl iplas o mas. Es e acon ecimen o em o ma de esc i a (uma disse ação) in oca um ex o como e e en e de uma ideia possí el de co po cinema. A pa i do ex o, “No as sob e o Cinema óg a o” de Robe B esson (2003), selecciono alguns pensamen os de B esson que, na minha óp ica, ge am possibilidades de con on o e emancipação pe an e uma ideia de pa ilha a ec i a en e dança e cinema. Em ce o sen ido, se á esc e e a possibilidade de um eal iccionado a pa i de documen os imagé icos, ilosó icos e ensaís icos, que con êm em si ideias sob e uína (o que é a película senão uma ou a o ma de uína?), cons ução e econs ução de um co po, que en a ei demons a como luga de excelência do agmen o. Chama -lhe-ei o co po- uína. PALAVRAS-CHAVE: co po- uína, agmen o, B esson, dança, cinema 2 Abs ac F om au ho s o he a eas o s udy o dance and cinema, I wan ed o c oss he cho eog aphic body and he cinema body, ansposing o he disse a ion examples ha ill bo h domains; cho eog aphies and ilms (cho eog aphe s and ilmmake s). In discussing he concep ual con ibu ions o he a is s in ol ed in he cons uc ion o hei c ea ions, I was in e es ed in e ealing hei hough s ega ding he ic ions o space, ime and agmen . The objec i e was o ma k he mul iple ela ionships ha can cons i u e he binomial body / image, inco po a ing he places o cho eog aphy and cinema as ounde s o an appa en ly common a ac ion, which is mo emen . The ques ions ha I se ou o answe a e o an o iginal na u e, ha is, hey a e in wha I would call a p e- esea ch o an imagina y cho eog aphic p ojec . Thus, i is a ex (and a p ojec ) ha sea ches o i sel as na u ally happens in a esea ch in which he imagina y, li e a y, physical and emo ional chaining happens by expe imen ing wi h p oposals ha a ec us in mul iple ways. This e en in he o m o a w i ing (a disse a ion) in okes a ex as a e e ence o a possible idea o he cinema body. F om he ex , "No es on he Cinema og aph" by Robe B esson (2003), I selec ed some hough s o B esson ha , in my iew, gene a e possibili ies o con on a ion and emancipa ion be o e an idea o a ec i e sha ing be ween dance and cinema. In a ce ain sense, i will be o w i e he possibili y o a ic ional eal om image y, philosophical and essays, which con ain ideas abou uin (wha is ilm bu ano he o m o uin?), cons uc ion and econs uc ion o a body, which I will y o demons a e as a place o excellence o he agmen . I'll call i body- uin. KEYWORDS: body uin, agmen , B esson, dance, cinema 3 ÍNDICE 1. In odução…………………………………………………………………...4 2. O F agmen o e a Ruína……………………………………………….….….6 3. B esson e a possibilidade da dança ……………………………………...16 3.1 P imei a No a………………………………………………………..…16 3.2 Segunda No a……………………………………………………….…20 3.3 Te cei a No a…………………………………………..………………23 3.4 Qua a No a………………………………………………………...… 25 3.5 Quin a No a……………………………………………………………28 3.6 Sex a No a…………………………………………………………..…31 3.7 Sé ima No a……………………………………………………………34 3.8 Oi a a No a……………………………………………………………40 4. Conclusão …………………………………………………………………45 5. Bibliog a ia………………………………………………………………...47 6. Anexo……………………………………………………………………...52 4 In odução Semp e imaginei uma in odução como algo que se e e niza pa a além da sua condição de semp e inicio. Como se icasse num luga de expec a i a apaixonada pe an e o que aí em, e como ai se , e se á que ai co e udo bem, en im, uma ideia que supõe ala de udo aquilo que oi e que e en ualmen e i á se . Toca no empo e no espaço do ex o. Toca-lhe no co po, po ezes de uma o ma in ensa mas semp e sub il, sem pode anuncia a sua p esença agmen á ia e ini a, embo a se consolide pe an e uma ideia de abe u a de uma peça de dança ou de um ilme. (ab o a co ina e esp ei o a e se há público na sala) Es a in odução é já um co po em uína, alego ia do que es á pa a além da isão. Es á no início da imagem, mas az pa e do seu im, e das suas pe i e ias. Con agia e é con agiada, To na-se he a p edado a e in oca ex os e ilmes do passado, p o ocando-se a olha pa a danças elepá icas e ca á icas. Usa e abusa da memó ia, esse luga de é no agmen o e no adúl e o. P o oca ligações apa en es e ainda anónimas. Pe ence e deixa de pe ence . Deslocaliza-se em a essia imaginada. Já que se Robe B esson, Ba ba a Loden ou Loïc Touzé, mas a an asia de um empo e de um espaço em simul âneo, adqui e imponde á eis, con adições e impossibilidades. En ão, len amen e, o las o deixado pelas lei u as, isionamen os e con e sas, c iou um eco de la i udes ainda não de inidas po que se alas am pa a e i ó ios de enc uzilhadas onde o ma o se az mundo. A simples e ec i ação de uma libe dade associa i a, p o oca nas pala as um encadeamen o- e igem, que oma como S alke a possibilidade de se o na em ma é ia em elação com a imaginação, a a enção e a pe cepção. Como se ganhassem um olha , um engajamen o mo o nos pensamen os das imagens. A a alidade que lhes es á des inada passa pela sua génese in en i a. Um luga de sonho plasmado em linha, sal o, ou acco d. 11 monumen al de um ilme pe dido. O agmen o ílmico, é, de ce a o ma, excluído do egis o do isí el po se ma cado pelo selo da memó ia (..)”. (Païni, 2001:34). Pa a Roland Ba hes, exis em duas camadas de lei u a sob e uma o og a ia (imagem imó el), que se iam elas o s udium e o punk um. O s udium se ia ap eciação ge al da imagem, um “es udo”, mas sem acuidade pa icula . O punk um de ini -se-ia po uma queb a do s udium, ou seja, se ia aquilo que me e e, que me punge como uma pequena picada. Se ia al ez a ep esen ação sensí el, algo que ai além do eu gos o/eu não gos o. Como e e e Ba hes, “o s udium é da o dem do o like e não do o lo e; mobiliza um meio desejo, um meio que e (..)”. (Ba hes, 1980:44-47). É nes e luga do punk um que p e endo es abelece as aízes de uma dança- agmen o que eco e ao igu al (simbólico) da imagem, como alimen o sensí el pa a a sua cons ução. Como e e e S e en Jacobs, ace ca des e punk um na o og a ia, Fo Ba hes, pho og ammes had a pa icula appeal. When wa ching an indi idual ame, which is essen ially in isible du ing a sc eening, ou a en ion is d awn owa ds new de ails and ambi alences.(...) Apa om hei in o ma ional and symbolic meaning, pho og ammes ha e a hi d meaning o an ob use meaning ha a ises almos acciden ally (...). Wa ching a ilm, howe e , we do no see his excess since he indi idual images a e no he e long enough o us o con empla e hem.”(Jacobs, 2010: 123). Es as ideias de Ba hes, ace ca do abalho de Se gei Eisens ein, em pa icula , são incisi as po que cons oem um pa adigma ace ca da mon agem e da du ação da imagem. Como nes e exemplo: “Sho s o he quashing o a wo ke s insu ec ion, o ins ance, acqui ed a new, symbolical meaning when hey we e combined wi h a sho o he slaugh e o an ox.” (Jacobs, 2010:123) Não é só es e simbolismo que é impo an e, mas ambém as ques ões da associação de signi icados pela du ação e pela mon agem. Se á a uína um elemen o po excelência da du ação do empo? Como num ilme, em que a imagem passa à nossa en e c iando uma elação de pe manência e de imobilidade. Não é es a uína, um expoen e da imobilidade e da pe manência? E o co po- uína, que luga ocupa? Se á o elemen o de mobilidade, o mo imen o do mundo, objec o de desejo do cinema? 12 Exis em á ios exemplos no cinema 5 , e sem p ejuízo de alha os exemplos mais p o ícuos ou in e essan es pa a uma u u a co eog a ia da uína, gos a a de e e i o ilme “Pièce Touchée” (1989) de Ma in A nold, que consubs ancia o que aqui enho explanando ace ca da du ação e da mon agem, aqui es u u ados pelos mecanismos da di isão de plano e da epe ição. A uína cabe na ideia de agmen o ou de exce o “ oubado” a um ou o ilme (The Human Jungle, de Joseph M. Newman, 1954). O que me susci a inquie ação é a c iação de uma elação en e um co po-mo imen o- du acional com um cinema-mo imen o-du acional. Posso ala ambém de uma eposição de um co po co eog á ico e não necessa iamen e de uma c iação, is o que es a ei essencialmen e a ac i a pa âme os de na egação co eog á icos endo em is a uma o mulação emocional pe an e o espan o que a uína-co po-cinema me em indo a p o oca . Como se o co po osse colocado num ní el ze o equi alen e a um ní el ze o de um éc an b anco. Es a ideia de guião p e ende ambém supo a a hipó ese de cons ui imagem- co eog a ia em agmen o, a pa i de ilmes cujo es ado po encial é a uína, ou cuja condição de exis ência se assume como incomple a, mas que a a e cinema og á ica ambém conside a, pa adoxalmen e, ob a acabada. Como diz Dominique Païni a p opósi o des e pa adoxo, Se o mundo do cinema descob iu, po sua ez, es a es anha expe iência pe cep i a e in elec ual nascida do isionamen o de um agmen o ao qual nada pa ece al a , po ou o lado, a o igem e o des echo desconhecidos de uma na a i a em imagens i micamen e mon adas dão o igem à us ação e a uma sensação b u al de incomple ude. Mas, al como azia no a Michel Se es, os ges os que des oem as es á uas assemelham-se aos ges os que as esculpem pa a 5 Ou o exemplo, em La Je ée (1963), Ch is Ma ke inha na ado a en a i a de ixa esses agmen os, de imobiliza na memó ia e na consciência o luxo na u al. Ao in és, nos seus ilmes documen ais, é a con adição que é des acada: a acele ação do múl iplo, a incong uência das ap oximações, e a necessidade de olha pa a eles aqui e ago a. O que a mon agem nos documen á ios de Ch is Ma ke designa e p oduz ao mesmo empo é a necessá ia con on ação com o múl iplo, o peso do acaso nas escolhas da consciência, a ambiguidade das signi icações nos enquad amen os demasiado ape ados.” (Amiel, 2010: 94). 13 c iá-las. A up u a da passagem de um plano pa a ou o ez acei a implici amen e o agmen o ílmico. A inal, o cinema é uma das a es que mais se baseiam na elação en e as pa es ela i amen e au ónomas (a sequência, o plano) e a ob a na sua o alidade. (Païni, 2001: 33). Es a a i mação in e essa-me po que além de ele a o agmen o como possibilidade cinema og á ica, consigo encon a ecos compa a i os no que oca à cons ução de um co po co eog á ico que u iliza os mecanismos da sequência, do plano, da edição. Ou, po ou as pala as, que pensam o espaço e o empo. O modus ope andi é dis in o e as e amen as pa a esculpi as escul u as ambém o são, mas o co po é um denominado comum, sendo o olha ou a isão um eixo ca alisado de expe iências sensi i as que se ansmu am em signi icâncias co eog á icas e imagé icas. No ocan e a igo de Lisa Nelson, “Be o e You Eyes, Seeds o a Dance P ac ice”, a au o a o mula um olha cúmplice com o mundo, “inco po ando” uma máquina de ilma no seu co po, o nando o co po simul aneamen e um meio e um esul ado em si p óp io. O co po- anspo e o na-se co po-imagem, a a és dos mecanismos da isão e da câma a de ilma . Es e co po-imagem é um co po em cons an e ( e)composição que ge e a nossa a enção em espos a ao meio ambien e. (C . Nelson, 2003:). Ace ca das simili udes de mecanismos a ás e e idas, Lisa Nelson é escla ecedo a quando explica as po encialidades do ídeo, Video combines wo powe ul lea ning ools: a mechanical eye o dissec he mo ing pa s o looking- ocussing, panning, acking, zooming - and ins an playback o show he cause and consequences o you ac ions. I se me up o explo e how he body composes i sel : i s o ocus he senses, hen o o ches a e i s mo emen a ound i s imagina ion and desi e o meaning. (Nelson, 2003: 6, 7). Ainda no mesmo a igo e e e en e a uma ideia de mon agem ou edição - que se á e e ida mais adian e quan o às no as de B esson -, Lisa Nelson abo da a edição ídeo como ansposição imagé ica pa a um co po que é es imulado pelas possibilidades do seu p óp io acionamen o (ou agmen o): Fo some yea s, plan ed in on o wo ideo sc eens, si ing almos p ena u ally s ill excep o bu on-p essing inge s and ping-ponging eyes, I 14 made spli -second inse edi s o single ph ases o mo emen , pa ching and olding bi s o he ph ases in o hemsel es. O e ime, a quali y o seamless bu ab up ansi ions, like jumpcu s in ilm, in used my dancing. (Nelson, 2003:5). O que aqui es á em causa é um co po que anspo a a possibilidade de se alimen a das possibilidades da mon agem e da isualização de si p óp io em imagem i ual pa a se econduzi como agen e co eog á ico de uma elação agmen á ia que se compõe po mo imen os olhados e sen idos como on e de cons ução co eog á ica. Es e co po- uína é um co po que mo e espaço e empo. José Gil olha pa a o co po do baila ino como um co po especí ico que p oduz in ini ude no espaço, dila ando-o e con aindo-o.“Sabe-se que o baila ino e olui num espaço p óp io, di e en e do espaço objec i o. Não se desloca no espaço, seg ega, c ia o espaço com o seu mo imen o.” (Gil, 2001:57), o nando-o espaço do co po (a cena ans igu ada do ac o não é espaço objec i o?). O que nos diz José Gil é que an o o ac o como o baila ino c iam espaço com os seus co pos. Es e espaço po encial, luga p é io à c iação, disponí el pa a se po enciado po agen es a ec i os e emocionais, é c iado e dila ado no p óp io ac o da c iação, o nando- se espaço cénico. O mo imen o do co po é o eixo cen al. Es e mo imen o do co po ambém se o ganiza sequencialmen e e con oca pa a si mecanismos de edição pe inen es ambém pa a o cinema. A o ganização ísica suge e um pensamen o p é-mo o em que o co po se ai dis ibuindo po camadas sensí eis de pe cepção imagé ica. O empo, o i mo e a edição ão-se o nando condições sine que non de p odução de mo imen o, a e indo-lhe qualidades poé icas indas de escolhas e ec uadas a cada mic o-ins an e (o que ulga men e denominamos imp o isação). And ey Ta ko sky e e e es es elemen os ( i mo, empo e mon agem) como es u u an es de um modo de aze e de pensa cinema. Pa a es e au o , o i mo se ia o ac o p incipal de um cinema que não ec ia a ealidade mas c ia a sua p óp ia ealidade ou o seu p óp io empo de exis ência. Apesa de Ta ko sky e e i a música e a dança (em pa icula o balle ) como a es do empo, es as não exis em pa a si enquan o cons u o as de um empo pe si. Apenas o cinema se ia essa a e maio que domina as leis do empo. 15 Não sendo o objec i o des e ex o encon a pon os de up u a his ó icos en e o cinema e a dança como a e pe o ma i a, não posso deixa de e e i a cons ução co eog á ica como pon o de con e gência de ans o mação da unidade empo, c iando a o ma isí el que Ta ko sky admi e como única no cinema, no sen ido em que apenas es e lhe con e e isibilidade. Ainda den o des a ideia, Lau ence Louppe e e e o exemplo de Me ce Cunningham como um escul o do empo: “A dança de Cunningham cons i ui uma epi ania do empo. Quem não assis iu, nas suas aulas de composição, à mon agem de uma g ande ampulhe a, com o in ui o de demons a que a acção de um baila ino se ia pu a du ação?” (Louppe,2012:151). Es a du ação, ou es a pe manência, é cla amen e um elemen o de elação en e dança e cinema. É nes a du ação que ambos p oduzem possibilidades demiú gicas de ligação aos a ec os que nos ocam. Ainda e e indo o que diz Lau ence Louppe, ace ca des e p ocesso de du ação do empo no baila ino, “O baila ino abalha sob e o ins an e, mas ambém ‘den o’ do ins an e. A p esença o al no ins an e, sem p azo ou an ecipação es ipulada, é udo o que cons i ui a qualidade de um ac o de dança. É um elemen o igualmen e essencial de elabo ação da ‘p esença’ do baila ino.” (Louppe, 2012:163). É nes e ins an e (ou nes a p esença do ins an e) que coloco um ajec o possí el de deslocação ísica, en e um empo de um co po aqui e ago a e um empo de uma imagem p ojec ada, ambos passí eis de manipulações á ias po que se p e ende que o pe cu so seja a madilhado ou sabo ado pelos p óp ios elemen os cons i u i os das elações em causa. Como in e e i na p esença de uma uína? Como conec a uma imagem do ma a ba e con inuamen e numa ocha com um co po a ba e con inuamen e numa ped a? Tal ez o que aqui impo e seja coloca es e ges o no luga da inu ilidade, onde o desgas e e a e osão ca egam o seu semblan e pe an e a ã en a i a da epe ição endo em is a uma ini ude. 16 I.I B esson e a possibilidade da dança P imei a no a: “O Cinema óg a o é uma esc i a com imagens em mo imen o e sons” (B esson, 2003:17). (Vol o a coloca -me em es údio, ainda em p esença imaginada, e le o o ádio desligado e a ele isão desligada). E a Co eog a ia? É uma esc i a com imagens em mo imen o e sons? Num p imei o olha , podemos desco ina imagem, mo imen o e som numa co eog a ia. Apa en emen e, pode ia equipa a -se imedia amen e a esc i a do cinema e a esc i a da dança como p ecu so es de um luga comum, em que imagem, mo imen o e som, coexis em num só espaço e empo. No cinema, esse sí io pode á se a ela b anca e na dança pode á se o co po? Ou pode emos in ui mais agen es nes a pe cepção do mo imen o como imagem isual acompanhada de som? E o silêncio? Pa a aseando Sé gio Dias B anco, “Cinema é a ab e ia u a de ‘Cinema óg a o’, que a e imologia ensina que signi ica esc i a (ou desc ição) do mo imen o. Não se a a de uma ep odução do mundo, mas de uma p odução de um mundo. Não se a a de uma simples sob eposição, mas de uma composição”. (Dias B anco, 2016:148). C eio que cap u ando isicamen e es a ideia, podemos suge i a cons ução de uma dança, como uma p odução do mundo. Ou seja, não exis e uma sob eposição (ou linea idade), mas uma e ec i a p odução de um discu so a a és da imp o isação e da composição co eog á icas, o iginando ma e iais ísicos passí eis de o igina em sequências de mo imen o, em elação com o espaço e com o empo. Ou seja, uma co eog a ia. Ou uma co eocinema og a ia. Ainda ace ca do cinema óg a o, de e e i es a ideia de mobilidade 6 ou de mo imen o pe an e o mundo, como se osse um desco ina de um e i ó io in ini o, uma me a- 6 “Essa é ambém a cla i idência do cinema óg a o que ep esen a o mundo na sua mobilidade ge al e con ínua. Fiel à e imologia da pala a, lá onde o apa elho óp ico não ê mais do que a quie ude e o epouso, o cinema óg a o des ela o mo imen o. A pa i de ago a, não se limi a a ep oduzi a ajec ó ia dos planos, mas ec ia a ajec ó ia dos sons, apode a-se dos olumes e das co es e, p o a elmen e, cap a ou as ans o mações que nos se ão e eladas.” (Apa ício, 2013:5). 17 lo es a, opical e luxu ian e, ocupada po pe manências isí eis e in isí eis (como nos ilmes an asmá icos de Apicha pong Wee ase hakul), que con êm em si, conexões simbió icas (como uma ba ei a de co ais com as algas). Es a imagem líquida de co pos lu uan es, con e e-me o ei os possí eis de insc e e es e co po- uína que deambula, de agmen o em agmen o, à p ocu a de uma dialéc ica (hegeliana e eisens einiana), em que agmen o + agmen o o igina pensamen o. O objec o de um co eóg a o, se á ambém uma composição ace ca do mundo, endo em is a p ocessos mecânicos e a ec i os de ligação ísica com o mundo, a a és da possibilidade de dança . Aquele, não es a á semp e e inega elmen e conec ado com mo imen os e sons. O luga do não-mo imen o e do silêncio é um luga po en e de insc ição co eog á ica, não se indo apenas como nega i o do mo imen o, mas como posi i o de elações co eog á icas que se ins alam po p opos as que êm em is a uma desma ginalização do e i ó io co eog á ico que não es á imedia amen e implicado po lib e os ou sequências co eog á icas. Colocando o cinema e a dança numa lógica de con as es, an o o cinema e dança, êm em si mo imen o, não-mo imen o, som ou silêncio. O que aqui es á em causa não é um olha his ó ico sob e as no as de B esson (não as podendo descon ex ualiza em absolu o), mas en a e lec i como es as êm em si e nos seus con á ios condições de pe ença ao campo da co eog a ia, como luga de pensamen o e de acção sob e o mundo. O que me pa ece pe inen e, é uma ideia de mo imen o, ou de imagem em mo imen o, como o igem de um cinema que p ese a a con inuidade em ez de p oduzi uma apa ência de con inuidade. Tomando como e e ência es a ideia de mo imen o enquan o p odu o a de imagens, ambém É ienne-Jules Ma ey, c ono o óg a o e in en o ancês, cujo abalho oi undamen al pa a o cinema al como o pensamos e sen imos hoje em dia, a i ma a que o mo imen o e a o elemen o cons i u i o mais e iden e da ida, is o que se mani es a em odas as suas unções, sendo mesmo a essência de algumas delas. O mo imen o se ia a essência da imagem. 18 O concei o de imagem que aqui enho expondo baseia-se no pensamen o de And é Bazin, em que po imagem, en endia “ udo aquilo que a ep esen ação na ela pode ac escen a à coisa ep esen ada”. Tal con ibuição é complexa, mas podemos eduzi-la essencialmen e a dois g upos de ac o es: a imagem plás ica e os ecu sos da mon agem (que não é ou a coisa senão a o ganização das imagens no empo). Na imagem plás ica, é p eciso comp eende o es ilo do cená io e da maquilhagem, de ce o modo a é mesmo da in e p e ação, aos quais se ac escen am a iluminação e, po im, o enquad amen o que echa a composição. Quan o à mon agem, o iunda p incipalmen e, como se sabe, das ob as-p imas de G i i h. And é Mal aux dizia, em Psicologia do Cinema, que ela cons i uía o nascimen o do ilme como a e: o que o dis ingue ealmen e da simples o ma animada. Na ealidade, en im, uma linguagem. (Bazin, 1992:57). Re i o aqui es e con ibu o de And é Bazin, po que me in e essam es as concepções do cinema que são jus amen e undamen os de uma possí el dança cinema og á ica, mas ambém on e de con li o pe an e a ideia de ap eensão do eal como elemen o passi o an o do lado do agen e pe cep o como da imagem pe cepcionada. Como diz Rica do Lisboa no blog À Pala de Walsh: “Bazin e a sua upe ac obá ica ize am c e que a e dade que con i ma a o cinema à sé ima posição a ís ica e a a e dade que se p endia com a capacidade es emunhal do disposi i o o og á ico. Desse eal su gi ia a poesia que se encon a a nas ob as p imas. Mas e o que dize do cinema que não possui essa qualidade de p esença (da conse ação do momen o a a és da sua cap ação imagé ica)? Penso nas películas pin adas de No man McLa en ou S an B akhage, onde es á a e dade que as az poé icas? Di ia que se encon a exac amen e no ges o da insc ição (e menos no que é insc i o), ou seja, a e dade es á na ce eza da mão que se deb uçou sob e cada o og ama, que elabo ou cada imagem.” (Lisboa, 2017, h p://www.apaladewalsh.com/. Consul ado em Agos o 28, em h p://www.apaladewalsh.com/2017/07/ ale ian-and- he-ci y-o -a- housand-plane s-2017-de-luc-besson/ Penso ambém no cinema de Ch is Ma ke (po exemplo, no ilme Immemo y, 2002) e no de Jean- Luc Goda d (po ex: His oi e(s) du cinema, 1988) em que a mon agem 19 su ge como acção p imo dial de uma o ma de aze cinema. Como uma p áxis cinema og á ica. No exemplo de ou o cineas a, Quando, no Cou açado de Po emkine, Eisens ein mon a sucessi amen e planos que ep esen am os olha es dos ma inhei os e as espinga das dos soldados, ou a bo a b anca de um o icial e a boca escanca ada de um ebelde que g i a, não são apenas dois elemen os da in iga que ele con on a, são e iden emen e duas es e as mais amplas, dois uni e sos que se ab em ao pensamen o, solici ados pelo agmen o. (Amiel, 2010:50) A mon agem in e essa-me como ideia essencial de um mo imen o isico e concep ual que encon a pa alelo na dança con empo ânea, a a és de uma ideia de co po- uína como supo e de pensamen o, que i ei explana adian e nou a no a de B esson. 20 Segunda no a: - Filme de cinema óg a o, onde a exp essão se ob ém po elação de imagens e de sons – e não po uma mímica, ges os e en oações de oz (de ac o es ou de não-ac o es). Que não analisa nem explica. Que ecompõe. (B esson, 2003:20). (Con inuo em es údio, em co po imaginado e oli i o, e p ocu o e lec i nes a ideia de ecomposição, colocando-me no ou o luga da mesa). Nes a a i mação, e em mui as ou as ao longo das suas no as, B esson di ige-se aos seus ac o es e ac izes como modelos, in e endo e ques ionando uma elação mimé ica que ac edi a a exis i en e a ep esen ação ea al e cinema og á ica. Nos seus ilmes, B esson p ocu a a encon a uma elação de di ecção pa a com os seus modelos que não se aduzisse em algo ep oduzí el, mas sim em algo que inha do ins an e, dando luga a um co po emancipado, que se ia eposicionando consoan e o momen o. Recomposição em que sen ido? Po que se pode edi a a pos e io i, ou po que se es á a ala de um p é-olha em que a a enção é di igida pa a planos de ( e)composição do eal? E na imp o isação de uma dança? Es a á em causa uma ecomposição em cons an e ac ualização? Podemos a e i de uma imp o isação, que os in e enien es en ol idos na cons ução de uma pa i u a, ecompõem o espaço e o empo, a a és da dissolução dos agmen os em acon ecimen o mo o e imagé ico. Es amos a ecompo a a és do de i agmen o, co pos, imagens e sons, numa lógica de al e ação de es ados ísicos e emocionais em que se e ec i a uma econs i uição do co po- uína em co po-co po 7 . Signi ica is o, que pode á exis i uma ac i ação do agmen o como unidade de medida e que o co po- co po se ia um luga de acon ecimen o ca á ico, o iginado de mo imen o passí el de se epe ido, codi icado e eplicado. 7 “(...) é p eciso ainda que as pa es ajam e eajam umas sob e as ou as pa a mos a , simul aneamen e, como en am em con li o e ameaçam a unidade do conjun o o gânico, e como supe am o con li o ou es au am a unidade”. (Deleuze, 1983:46). 27 O que é um luga de excelência pa a a cons ução cinema og á ica ambém o é pa a a cons ução co eog á ica. O empo, como pa ícula passí el de se edi ada, ans o mada ou “ e i ada do seu luga ” 13 , es á em pe manen e con li o com a sua p óp ia condição abismal de pa ilha ca og á ica com o espaço, numa elação canibalizan e em que ambos encon am os seus ecu sos na in e secção das suas linhas e ampulhe as, dos seus in e alos, en im, dos seus agmen os e da sua condição p ecá ia e olú el de eminen e desapa ecimen o ou usão, um no ou o. 13 “A imagem- empo a uína a na ação adicional ao expulsa odas as o mas con encionadas da elação en e si uação na a i a e exp essão emocional, pa a libe a pu as po encialidades ca egadas pelos os os e pelos ges os. Mas es a po ência do i ual, p óp ia da imagem- empo, encon a-se à pa ida, dada no abalho da imagem-a ecção, que libe a qualidades pu as e que as compõe naquilo que Deleuze designa po ‘espaços quaisque ’, espaços que pe de am os ca ac e es do espaço o ien ado pelas nossas on ades.” (Rancié e, 2014:184). 28 Quin a No a: - Filmagem. Fica num es ado de igno ância e de cu iosidade in ensas e, no en an o, e p e iamen e as coisas. (B esson, 2003:26) (Nes e momen o, echo os olhos e con inuo a esc e e . Ta e a impossí el.) Es a no a de B esson é, a meu e , mais uma es a égia de imp o isação, e p emissa undamen al num momen o de imp o isação, que implica a deslocalização cons an e do co po- uína. A es e es ado de igno ância chama -lhe-ia es ado de p é-acção, ou de p é-acele ação 14 , nas pala as de E in Manning, na medida em que a la ência de um ges o ca ega em si hipó eses de igno ância e cu iosidade in ensas, quan o ao de i possí el de acon ecimen os que i ão o igina acon ecimen os. Ao inicia um mo imen o (ou uma sequência de mo imen os), o co po assume um luxo de encadeamen os neu o-mo o es que p o ocam um deslizamen o do co po pa a e i ó ios o gânicos de sequência co eog á ica, não se pe mi indo e pa a além do seu encadeamen o, mas endo semp e mais além que o acon ecimen o em si. Como diz Rancié e, “Pa a lá da o dem dos es ados dos co pos e das elações causa e e ei o, de acção e eacção, que ma cam as suas elações, o a is a ins i ui um plano de imanência onde os acon ecimen os, que são e ei os inco po ais, se sepa am dos co pos e se compõem num espaço p óp io.” (Rancié e, 2014:181). 14 “P eaccele a ion e e s o he i ual o ce o mo emen ’s aking o m. I is he eeling o mo emen ’s inga he ing, a welling ha p opels he di ec ionali y o how mo emen mo es. In dance, his is el as he i ual momen um o a mo emen ’s aking o m be o e we ac ually mo e. Impo an : he pulsion owa d di ec ionali y ac i a es he o ce o a mo emen in i s incipiency. I does no necessa ily o e ell whe e a mo emen will go. (...) When I ake a s ep, how he s ep mo es me is he key o whe e I can go. (...) In he p eaccela a ion o a s ep, any hing is possible. Bu as he s ep begins o ac ualize, he e is no longe much po encial o di e gence: he oo will land whe e i lands. Incipiency opens up expe ience o he unknowable, ollow- h ough owa d conc escence closes expe ience in i sel . O cou se, his closing- in is always a eopening owa d he nex incipien ac ion. (Manning, 2009: 6, 7). 29 Signi ica is o, a hipó ese de deslocalização do mo imen o que se ai pe cepcionando pa a um espaço p óp io de ma e ialização, p o ocando sé ies co eog á icas num plano de isibilidade pa a além do isí el. Te á que exis i um impulso ísico, uma acção ou um mo imen o, endo em is a uma conce ação com o eal isí el. Tal como no cinema em que a câma a é di igida po um olha e pelo mo imen o desse olha , ambém na dança o mo imen o do olha pode di igi oda uma cons ução ace ca do eal isí el aduzindo-o em possí eis acções passí eis de se em co eog a adas ou, po ou as pala as, esc i as e aduzidas pa a mo imen o. Na e dade, es e eal isí el, e omando como pon o de pa ida o que ealmen e emos, não se á su icien e pa a es e ges o de insc ição de olha . In e essa al ez o eal sensí el, ou a o ma como o nosso olha se insc e e a a és do mo imen o. Como diz José Gil , O eco do isí el é uma espécie de somb a ou de nega i o: o sen i cines ésico do mapa mo o ele a da isibilidade, mas ‘sec e a’. Não só po que oda a paisagem que a isão ab e supõe um mundo possí el (e in isi el) de mo imen os, e que assim – uma ez que e é mo e -se - é num mapa sec e amen e is o que esses mo imen os se p epa am (...) (Gil, 1996:30). Ou ainda, nas pala as asse i as de Je oen Pee e s, You look o whe e you can na iga e h ough mo e han you look a wha 's happening in he space a ound you. And i you' e s anding a he edge o he space, you' e usually looking o an in i a ion o en e , o an impulse o engage imp o isa ionally, o make an ac ion. You a e no simply looking, you' e looking o some hing. In looking a a s illness, o example, he e a e phases o expec a ion and o desi e: you' e mo ing you eyes and a en ion, you' e wan ing o mo e, you' e cu ious wha will happen nex , you wonde how i go o his momen : you s a o each in o causali y, you imagina ion ge s engaged, you p ojec wha migh happen nex i he e would be a nex .” (Pee e s, 2005:9.12) 30 Es e es ado de igno ância, é ambém um es ado de awa eness 15 , po enciado de elações senso iais, e mui o e e ido em p á icas de imp o isação, po que ele a duma condição pa icula de a enção pe an e o espaço, o empo e os seus cons i uin es agmen á ios. O desejo, o impulso pa a mo e , a cu iosidade e o engajamen o em elações explosi as de desconhecimen o pe an e uma na a i a de sucessões, desemboca numa ideia de p á ica ci cula da a enção, no sen ido em que es a, is a de uma o ma elú ica e concen ando o pon o de pa ida no núcleo dos imensos cí culos de placas ec ónicas, i adia pola idades que desconhecemos mas desejamos. Es a ideia de desejo é ele an e po que se dep eende imanen e da cu iosidade. Deseja-se aquilo que se ê e aquilo que não se ê, man endo-nos a en os às es e as de a acção que daí possam su gi . Es a pa icula idade da a enção, pe mi e ala de uma a enção cinema og á ica, na medida em que se coloca pe an e uma ime são do mo imen o, seja es e, do olha ou da câma a de ilma , que é ambém o olho da len e e um olha manuseado e di igido. Na p á ica, es a no a pe mi e-nos encon a ele âncias concomi an es quan o ao papel que a awa eness possa e enquan o mo o de a enção. 15 José Gil p opõe o e mo “consciência do co po” como adução pa a awe eness: “A consciência de si de e deixa de e o co po do ex e io , e o na -se uma consciência do co po. T a a-se daquilo a que os baila inos anglo-saxónicos chamam awe eness. (...) O pa adoxo da awe eness é que supõe um es ado de mui o g ande igilância dos mo imen os co po ais, sem implica a sua igilância seca e supe egóica a im de os o na ‘pe ei os’.” (Gil, 2001:159). 31 Sex a No a: O que nenhum olho humano pode cap a , nenhum lápis, pincel ou pena pode ixa , a ua câma a cap a sem sabe do que se a a e ixa com a indi e ença esc upulosa de uma máquina. (B esson, 2003:24). (Vol ando ao es údio, coloco a câma a em di ecção à janela que olha pa a o ex e io donde ou esc e endo e deixo-a sozinha a g a a ). Pa a analisa es a no a de B esson, começo po ci a Mau ice Me leau-Pon y: Que se ia a isão sem nenhum mo imen o dos olhos, e como o mo imen o des es não ha e ia de ba alha as coisas se, po sua ez, osse e lexo ou cego, se não i esse suas an enas, sua cla i idência, se a isão não se p ecedesse nele? Todos os meus deslocamen os po p incípio igu am num can o da minha paisagem, são ansladados no mapa do isí el. Tudo o que ejo po p incípio es á a meu alcance, pelo menos ao alcance do meu olha , assinalado no mapa do «eu posso». Cada um dos dois mapas é comple o. (Me leau-Pon y, 2013:260). Quan o a es as conside ações de Me leau-Pon y, con ém e e i a ideia de p esença do isí el, ele ando es a como me a ou abismo passí el de se ans o mado pelo g ande plano do olha . E a máquina, a câma a de ilma , que luga ocupa? Um “eu posso” expandido ou ampli icado, po que egis a a possibilidade de um no o isionamen o a a és de um ec ã? Po que o igina a possibilidade de uma epe ição? Também é possí el encon a ecos des a a i mação, num co po que dança, pensa e olha pa a decidi . In luem aqui noções de awa eness e de isão pe i é ica, como olhos que comunicam pa a além do olha , po que agem em pe íme os de sensação en e o limi e do isí el e do in isí el. A câma a de ilma egis a pa a p ojec a , o co po egis a pa a se e ec i a como imagem que mo e. Se á assim? Nas pala as de Alexand e As uc: The came a ixes; i does no anscend, i looks. One has o be nai e o imagine ha he sys ema ic use o an 18.5 lens will make hings any di e en om wha hey a e. In exchange, i ne e lies. Wha is caugh by he lens is he mo emen o he body - an immedia e e ela ion, like all ha is physical: he dance, a 32 woman's look, he change o hy hm in a walk, beau y, u h, e c. (As uc, 1959:266). Tal ez a ques ão se possa coloca de ou a o ma; a câma a e o co po uncionam an o como ecipien es de egis o, como p ojec o es de imagem e on es de mo imen o pe si. Ao abo da a câma a de ilma como um objec o de egis o esc upuloso, c eio que B esson es a ia a e idencia a po ência do olha que comanda a máquina, p ocu ando ele a pa a o seu discu so a acção ísica, senso ial e plani icada do agen e que mo e a câma a à p ocu a de luga es e paisagens, que an o es ão comp eendidas na ealidade isí el como na in isí el. Ou ainda nas pala as de Inês Sape a Dias, ci ando Ma ié e e Memoi e de Hen i Be gson (1986:209-210), (...) con udo, Be gson pa ece encon a uma possibilidade pa a pe cebe esse mo imen o p o undo e eal, a du ée: ao e uma mão mo e -se do pon o A ao pon o B, endo a in e p e a esse como um mo imen o no espaço e como al di isí el em inúme as pa agens; mas se esse mo imen o o epe ido po mim, pe cebo que ele exp ime no espaço, um empo, e como al não é des inçá el em pon os ixos. Faze eu p óp io o mo imen o pe mi e que o pe ceba. (Dias, 2013: 222). Um co po ao mo e -se, ca ega em si es a possibilidade de egis o de uma câma a de ilma , a a és do componen e olho e do luga abismal da memó ia 16 . Pe cepcionando espaço e empo a a és do que ê ao seu edo , um co po ambém egis a 17 , a a és da 16 “Ch is Ma ke a p opósi o do seu Immemo y diz assim: “A minha hipó ese de abalho e a de qualque memó ia um pouco longa é mais es u u ada do que pa ece. Mesmo o os i adas ao acaso, pos ais escolhidos segundo a disposição do momen o, começam, a pa i de uma ce a quan idade, a desenha um i ine á io, a ca og a a o país imaginá io que se es ende den o de nós. Ao pe co ê-lo sis ema icamen e eu es a a segu o de descob i que a apa en e deso dem do meu imaginá io escondia um mapa, como nas his ó ias de pi a as.” (Amiel, 2010: 72, 73). 17 “O cineas a de ol e a pe cepção às imagens ao a ancá-las dos es ados dos co pos e ao colocá-las no plano pu o dos acon ecimen os. Con e e-lhes assim um encadeamen o-em-pensamen o.” (Rancié e, 2014:191). 33 isão e da memó ia de si e dos luga es, a ealidade ci cundan e que se ai o e ecendo pe an e o seu olha Como diz José Gil, “O olha esca a a isão, imp ime sulcos na paisagem, di e encia-a em múl iplos núcleos de o ças, modula a luz e a somb a, in oduz os p imei os il os selec i os da pe cepção”. (Gil, 1996:52). 34 Sé ima no a: Mon agem: passagem de imagens mo as a imagens i as. Tudo e lo esce. (B esson, 2003:78). (Aqui, ab o uma página em b anco e começo a esc e e .) E na dança? Como acon ece es a mon agem, es a escolha? Se á que exis em escolhas ins an âneas pe an e p essupos os imagé icos e concep uais, du an e uma imp o isação? Es a a i mação adical de B esson, es abelece o pos ulado de uma ealidade que apenas se o na i a, quando p edispos a pe an e os di ames e “a i ícios” da mon agem. Implica-se aqui numa ideia de cinema, a as ada do egis o di ec o das imagens al qual são ixadas pela câma a de ilma e olhando a ealidade 18 como uma na u eza mo a acabada de pin a . Como nos diz Rancié e,“Se a mon agem em de coloca a pe cepção den o das coisas, é po que ela é uma ope ação de es i uição.” (Rancié e, 2014:183). Há po an o, um luga de de olução da imagem. Uma ope ação sob e a uína da imagem. Uma ope ação sob e o co po- uína, se conside amos es e como um espaço de p ojecção, uma ela b anca onde acon ecimen os co eog á icos podem su gi , p ojec ando-se no espaço e no empo, p opondo-se ao mesmo empo, a egis a , a ixa e a edi a . Tal ez seja nes e a o ismo de B esson, que o co po- uína, sob e o qual enho indo a disse a , encon a o seu eco, ou o seu duplo. 18 “The musician uses a scale o sounds; he pain e , a scale o ones; he w i e , a ow o sounds and wo ds-and hese a e all aken o an equal deg ee om na u e. Bu he immu able agmen o ac ual eali y in hese cases is na owe and mo e neu al in meaning, and he e o e mo e lexible in combina ion, so ha when hey a e pu oge he hey lose all isible signs o being combined, appea ing as one o ganic uni . A cho d, o e en h ee successi e no es, seems o be an o ganic uni . Why should he combina ion o h ee pieces o ilm in mon age be conside ed as a h ee- old collision, as impulses o h ee successi e images? How easily h ee shades o meaning can be dis inguished in language- o example: ‘a window wi hou ligh ’ ‘a da k window’ and ‘an unli window’.” (Eisens ein, 1977:4). 35 É p ecisamen e nes a ideia de mon agem, e de aze ida à imagem a a és daquela, que um co po em labo de econs i uição imagé ica pode ampli ica o seu sen ido e a sua exis ência. Tomo como exemplo baila inos que colabo a am com o co eóg a o Me ce Cunningham, e que, po opção des e, em alguns p ojec os, decidi am usa zonas do palco onde são menos isí eis, en ando c ia um mecanismo de isibilidade/in isibilidade, e suge indo hipó eses ala gadas quan o à u ilização do espaço cénico. Fazendo uma in lexão pa a o cinema, ques iono-me quan o à hipó ese de como - pe an e o ec ã onde se az a mon agem de imagens -, o edi o ambém decide o que mos a , ocul a , ampli ica , silencia ou p olonga . Le ando ao ex emo a imagem do baila ino- edi o , pode -se-á dize que as escolhas 19 des e, são ambém escolhas de edição de imagem, do seu co po que anspo a agmen os passí eis de se em mos ados, ocul ados, ampli icados, silenciados ou p olongados. É aqui nes as escolhas que o co po- uína ai manuseando o ins an e e a sua ca a se p esencial pa a se o na líquido o og á ico, p es es a se ixado e e elado. Seja o co po p ojec ado (cinema og á ico), seja o co po em possibilidade de p ojecção (co eocinema og á ico), as possibilidades da mon agem ab em pe spec i as singula es quan o à cons ução de discu sos signi ican es, al como acon eceu com cineas as como Eisens ein. Nas pala as de Pa ícia Cas ello B anco, É o que acon ece na amosa sequência de A G e e (1925) na qual planos de uga dos g e is as são in e calados com imagens de um animal a se mo o num 19 Ace ca das escolhas, de ele a es as ideias de Ma ia I ene Apa ício: “Que nos p ojec os o iginais, que nas adap ações li e á ias, como é o caso de La Belle Ni e naise (1924), a pa i da ob a de Alphonse Daude , em que o e dadei o he ói é o io Sena, ou La Chu e de la maison Ushe , adap ado do con o do mesmo nome de Edga Allan Poë, com e iden es e e ências ao Po ai O ale, não são as ‘es ó ias’ que emb aiam a acção, mas os i mos p óp ios das cenas, o seu mo imen o que Eps ein aumen a ou eduz, a a és das écnicas mui o em oga no cinema de angua da, como é o caso da mon agem acele ada ( as mo ion) ou da câma a len a ( alen i ou slow mo ion) po que, como e emos, a possibilidade de ela i iza o mo imen o e mos a o e e no passado p esen e – Deleuze chama -lhe-á ‘de i ’ - é, segundo Eps ein, a g ande e elação do cinema óg a o”. (C . Apa ício, 2010 h p:// ilmphilosophy.squa espace.com/1-jean- eps ein ). 36 ma adou o Nes a sequência, o sen ido associa i o e o sen ido espec acula azem com que a imagem sal e imedia amen e de uma pa a ou a po ência. Abs aídos do seu con ex o empo al e espacial, os planos ganham uma no a dimensão e se em como o despole a de uma emoção, e de um choque que e o çam o su gimen o de uma ideia no pensamen o espec ado : uma ideia e uma sensação que não es ão con idas em nenhum dos planos omados em sepa ado, uma ideia abs a a, a c iação de uma me á o a: os ope á ios são ca ne massac ada num alho gigan e. Po ou o lado, ela se e como uma o ma de in ensi ica uma emoção, sendo que o ac o de abs ai , nes e caso, an o es á ligado ao su gimen o de um pensamen o, como à in ensi icação de uma emoção, in e ligando a mon agem in elec ual com a mon agem de a acções numa ó mula única e apa en emen e pa adoxal, em que o máximo de abs acção é ambém o máximo de sensação. (Cas ello B anco, 2013: 309). (Gil, 2001:57).Ainda sob e es a ideia de máximo de abs acção como máximo de sensação cabe-me e e i uma ob a co eog á ica. In i ula-se La Chance (2009) e é uma peça de Loïc Touzé à qual i e opo unidade de assis i na Cul u ges em Lisboa. Na sinopse Loïc Touzé in e oga-se: Que ope ações execu a um in é p e e pa a dança , e dadei amen e dança ? Me gulha no seu imaginá io, en a abandona conhecimen os, educação, sabe - aze ; a en u a-se numa na a i a í mica, co po al, numa na a i a de sensações. O que encon a nesse p ocesso? A sua memó ia? O seu u u o? Os que o obse am? Pa a abo da es es es ados de dança, p a icámos a hipnose e a elepa ia; c iámos um disposi i o de exposição e de apa ição com ca a e ís icas simples, in en ámos um país p o undo. As danças que se o e ecem umas a segui às ou as são na ealidade uma mesma dança incessan emen e ein en ada. É assim, numa espécie de i ual cole i o que p ecisa da a enção e acompanhamen o de cada um, que a dança pode inca na -se e e ela o que es á an es e depois das nossas expec a i as. (Touzé, 2009, olha de sala do espec áculo). Es a ques ão ace ca do que é “ e dadei amen e dança ” em ocupado g ande pa e da paisagem co eog á ica con empo ânea, en e co eóg a os como Jé ôme Bel, Bo is Cha ma z, passando po Alain Bu a d, Ve a Man e o, Oli ie Dubois e Loïc Touzé en e mui os ou os(as). 43 p imá ias e secundá ias, como, além disso, na a mos e a, eles in adem o co po do sujei o que pe cepciona, pa a se em expe ienciados como luz, chei os e sons. Po que o espec ado não se de on a com a a mos e a, não se dis ancia dela, an es é odeado po ela, me gulha nela. O co po ísico do ac o e do espec ado é a base exis encial de odo o ipo de espec áculo – seja na ida quo idiana, nas a es ou numa pe o mance cul u al. O que que dize que o ca ác e pe o ma i o da cul u a não pode se , em boa e dade, in es igado sem ecu so à isicalidade de odos os que pa icipam num espec áculo. Não são as ideias, os concei os nem os sen idos que de em se examinados em p imei o luga , pa a da isibilidade ao ca ác e pe o ma i o da cul u a, mas sim os co pos ísicos pa icula es a a és dos quais e en e os quais se p oduz o espec áculo – o co po do ac o que, ao aplica algumas écnicas e p á icas, consegue ocupa o espaço e chama oda a a enção dos espec ado es sob e si, a sua p esença ísica, assim como o co po dos espec ado es, que espondem de o ma pa icula a uma expe iência de p esença como es a. (Fische -Lich e, 2005:75-76). C eio que es as e lexões de E ika Fische -Lich e sob e a a mos e a de um espec áculo, são pe inen es pa a uma ideia de mo imen o enquan o mo o de uma p esença que c ia ida a um espaço que se o na á cénico e pe o ma i o pela junção de á ios elemen os. É como se hou esse uma adução de uma possibilidade ainda in isí el (o espaço po encial) pa a um acon ecimen o isí el (o espaço cénico e a pe o mance). Es a a mos e a é cla amen e um elemen o que po encia o espaço cénico, azendo pa e dele e a e indo-lhe qualidades especí icas. Também é de ele a es a elação que se es abelece en e o espec ado e o espec áculo, condição sine qua non de p odução de a ec os e pon es de comunicação. Todas es as ques ões con e gem no sen ido do mo imen o enquan o p odu o de acon ecimen o. Seja o mo imen o do ac o ou do pe o me , sejam os mo imen os das possibilidades ecnológicas (máquinas, obó ica, luz, som, e c.), a deambulação ísica é o ac o gue ei o a a és do qual uma pe o mance acon ece. Na e dade, o que acon ece é uma p esença que po encia e ampli ica o espaço, o nando-o pa icula e subs an i o, o iginado de a mos e as e de elações emocionais e a ec i as com o espec ado . É aqui que apa en emen e o ciclo de p odução se echa, mas 44 a ideia de espaço que oi aqui sendo explanada implica-se na ami icação dos diálogos possí eis e não no enclausu amen o de uma comunicação dual en e pe o me e espec ado . Há aqui uma simili ude quan o ao en o na do mo imen o em di ecção ao espaço, que pode se olhado como uma supe ície a cob i de múl iplas p opos as imagé icas e mo o as. Aqui, o co po- uína oma como mediado de al e idade, a impe manen e dissolução do espaço, pa a se iden i ica como agmen o em mobilidade, equisi ado pelas po ências an asmagó icas das elas b ancas. 45 Conclusão Deixo-me ica no es údio… à espe a, e e lec indo ace ca des e espaço que é ambém uma casa pa a es e co po- uína, que oi en ando encon a o seu luga duplo. Po um lado, uma imagem an asma. Um eco ác il e sub il que se ai imiscuindo pe an e as imagens cinema og á icas que iam sendo con ocadas pa a o ex o. Po ou o lado, uma plan a ca ní o a, à espe a das p esas agmen á ias; o empo e o espaço. En e á ios espaços e empos, es e co po- uína oi ma e ializando-se em esc i a. Inundado de paisagens cinema og á icas, o nou-se o a luen e, o caudal e o del a de um mo imen o singula , acabando po se es ilhaço de si p óp io, semp e em ias de apa ecimen o e desapa ecimen o. Es a é a sua condição líquida de exis ência, pelo ac o de a ideia de mo imen o ine en e em si, edunda em in ini ude e poei a cósmica. (Começo a dança .) Ped a e água, co po e mo imen o, agmen o e dispe são. A iculação co eog á ica e cinema og á ica, a pa i do de i do co po- uína, que se oi assumindo como plano cen al de uma al e idade agmen á ia p óp ia das ealidades isí eis e in isí eis. A isibilidade oi-se cons uindo em lei u a e isionamen o. E em expe iência imaginada. (Sigo o pe cu so da esc i a a a és do espaço e ou assinalando os luga es po onde ou passando com o meu co po ei o ampulhe a sem id o.) A in isibilidade e a o ex o a p ocu a -se a si p óp io, a pe co e o que es á pa a além das especulações, en ando aze -se co po- uína a a és do seu co po-memó ia. A imp essão de códigos (en e o inespe ado e o calculado) em e i ó io sem mu os. Po que não há linhas de dema cação en e a dança e o cinema e po que o mo imen o é um desmo onamen o que ocupa odo o espaço e odo o empo. (Saio do es údio e o no-me an asma.) 46 Ao “ aze -me B esson” usando uma suges ão de o ien ação, coloquei-me em campo. A a és da esc i a, da imaginação e da memó ia, acei ei o desa io pe igoso 20 e especula i o de ans o ma algumas ideias sob e cinema em ideias sob e dança. A hipó ese e a en ado a e o ADN ão semelhan e, que apesa de en a ugi a um manual compa a is a, eco i a ideias de simul aneidade enquan o p á ica possí el de um co po- uína, que ui dep eendendo como o al e pa icula . Não exis i á po an o co po- co po, po que o modo da descobe a e do espan o, não aca e a códigos echados, onde o epe ó io da sua acção ísica se assume como algo inalizan e. O luga que aqui oi pensado, é o luga da in enção, despojo a al da p á ica a ís ica. (Repa o que a câma a de ilma pa ou de g a a e que o egis o icou pe dido no co po que ainda ago a esc e ia e dança a.) 20 Es a pala a é aqui u ilizada como e e en e da pe igosidade que ad ém da adução de ideias nascidas num campo e que são azidas pa a ou o. Do cinema pa a a dança. 47 Bibliog a ia: AMIEL, Vincen (2010), Es é ica da Mon agem. Lisboa, Edições Tex o&G a ia. APARÍCIO, Ma ia I ene e G ilo, João Má io (o gs.) (2013), Cinema e Filoso ia, Lisboa, Compêndio, Edições Colib i. ANDRÉ, João Ma ia e RIBEIRO, João Mendes (2014), O espaço cénico como espaço po encial: pa a uma dinamologia do espaço, Colégio das A es, Coimb a. 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Be o e, we could “ ouch” ime, bu now we can’ . Celluloid edi ing had an in ellec ual side o i , o cou se, bu also a manual side. I’ e done some edi ing on ilm, jus enough o know ha i demanded on he pa o he edi o a lo o memo y and a lo o men al wo k. We had he snippe s o ilm, hanging abo e he bin, and you had o pe ec ly emembe he beginning and he end o each sho o know whe e hey could be used. Today, wi h digi al edi ing, he e is no longe his an asy o ime being handled o “ ouched”. I you wan o ecall a sho , i is immedia ely he e. You ha e a much mo e abula ela ionship wi h edi ing. The sho s a e all he e, i ually, bu also eally. And all o a sudden, pa adoxically, I would say ha digi al edi ing is almos less men al. DF: His oi e(s) du cinéma (1988-1998) by Goda d is men ioned qui e equen ly in you book as an objec o e e ence. One hing ha is qui e new in ilm p ac ice is he use o images om he cinema’s pas , o which Goda d is a pionee . Now his p ac ice has become gene alised. JA: Goda d p o i ed om he echnical p og ess o ideo, which enabled him o show copies o ilms in a mo e p ac ical manne , bu he use o ound oo age pe se goes u he back. I goes back, a he e y leas , o expe imen al and a an -ga de ilmmake s in he la e 1950s, i no ea lie . DF: The e was B uce Conne . JA: O cou se, his i s ilm, A Mo ie (1958) is gene ally conside ed as he in en ion o cinema ic collage. Bu Conne does ansmu a ion: he comple ely changes he meaning o wha he uses. Whe eas Goda d does ene a ion: his goal is o show he almos