Full text
A abe u a enomenológica em Ma in Heidegge
João Ped o Domingues Cae ano de Ba os
Disse ação
de Mes ado em Filoso ia Ge al
João Ped o Domingues Cae ano de Ba os
A abe u a enomenológica em Ma in Heidegge , Agos o 2021
Agos o 2021
2
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Filoso ia Ge al, ealizada sob a o ien ação
cien í ica de An ónio de Cas o Caei o.
3
Pa a a Sheila.
4
AGRADECIMENTOS
Ag adeço aos p o esso es Má io Jo ge de Ca alho, Nuno Fe o, Nuno Ven u inha, Paulo
Lima e Hélde Telo pela excelência dos seus seminá ios. Ob igado à Sa a, Ca a ina,
Daniela, João Mou ão, Júlia, Flo a, A hu e ao Da id. Ob igado a odos pelos conselhos
e disponibilidade que i e am ao longo do mes ado.
Um ag adecimen o especial ao Paulo José Mi anda po e mos ado, há uns anos a ás,
a coisa ilosó ica em “ca ne e osso”. Sem os seus cu sos, lei u as e ex os es a disse ação
não exis i ia. Ob igado ambém à Família ECON, pelas sessões de sábado à a de
dedicadas à pala a esc i a e alada. Reco do-me pa icula men e de uma abe u a da
empo ada onde o P o esso An ónio Cas o Caei o ez uma sessão sob e Melancolia. O
alemão, g ego e la im dessa sessão ie am do u u o e dos seminá ios onde ap endi
no amen e a le . Ob igado. Ob igado po e es acei e a a e a á dua de o ien a alguém
que não se deixou o ien a . Ob igado pelo ampa o na edação inal. Ob igado a odos
po me e em ensinado a le .
Ag adeço ambém à Cel ocus po me e concedido o empo necessá io pa a es e
abalho. Ob igado à Família ISCTE. Ob igado à Dina Ped o e à equipa Dinami e po
mos a em a impo ância da écnica, da epe ição e dos pés bem assen es no chão an es
e após cada mo imen o.
Ag adeço aos meus pais, sog os, i mãos e i mãs pela disponibilidade que semp e
i e am. Ob igado aos nossos ilhos e aos nossos sob inhos. Um ag adecimen o especial
ao Lucas po me e mos ado a es anheza que é se cap ado po uma plan a pela
p imei a ez.
Um ag adecimen o especial à Sheila. Sem o eu es o ço es a disse ação não e ia sido
simplesmen e possí el. Nem a disse ação nem o aí no mundo. Não há o ma de e ibui
udo o que izes e po mim.
Es ou nas ossas mãos.
5
A abe u a enomenológica em Ma in Heidegge
João Ba os
Resumo
A Fenomenologia enquan o mé odo de in es igação ilosó ico p opõe um acesso
às coisas elas p óp ias (“Zu den Sachen Selbs !”). O e mo “Sachen” e e e-se não só às
coisas que no malmen e designamos po obje os ísicos, como um alão de o e a, um
compu ado , um ca o, uma pon e sob e um io, mas ambém, às coisas que es ão
p esen es sem essa ma e ialidade e, po ezes, a é de o ma mais os ensi a, como o
peso que as segundas- ei as de manhã azem consigo, o que izemos e não de íamos
e ei o, o au oca o que não apa ece ou a ap oximação da da a de en ega de um
abalho a que nos dedicamos nos úl imos meses. Ou ainda, se nos limi a mos a um
sen ido es ei o do con ex o onde a ase oi inicialmen e p o e ida, as “Sachen” se iam
os obje os sob e os quais as di e en es ciências se deb uçam.
Mas o que signi ica, a inal, um eg esso às coisas elas mesmas? De onde pa imos
e de que o ma nos podemos ap oxima das coisas? Que isso dize que quando
acedemos às coisas no nosso dia-a-dia não acedemos às coisas como elas são? Es a ão
as coisas cobe as no seu modo na u al com a possibilidade de se e ela em a a és do
mé odo enomenológico?
Es a disse ação é um es udo da enomenologia que em como pon o de pa ida
as ques ões acima ap esen adas. Tem insc i o no seu p og ama isola a unidade do
sen ido da enomenologia a pa i da in lexão que se dá em Ma in Heidegge e a lei u a
que o p óp io az das In es igações Lógicas de Edmund Husse l.
A ese que aqui se pe segue é a seguin e. A enomenologia é um mo imen o de
eg esso em di eção às coisas elas mesmas. Es e eg esso é um mo imen o con á io ao
a as amen o das coisas elas mesmas. Um a as amen o que esul a de um uga da
es anheza da ausência de uma espos a – a es anheza do se -no-mundo.
PALAVRAS-CHAVE: Fenomenologia, Heidegge
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The Phenomenological opening in Ma in Heidegge
João Ba os
ABSTRACT
Phenomenology as a philosophical esea ch me hod p oposes an access o he
hings hemsel es (“Zu den Sachen Selbs !”). The wo d “Sachen” e e s no only o he
hings ha we no mally e e o by physical objec s, like a eceip , a compu e , a ca , a
b idge o e he i e , bu also, o he hings ha a e he e, wi hou ha ma e ial quali y,
bu some imes in a e en mo e os ensi e way, like he bu den o monday mo nings, wha
ha e done ha we shouldn’ had done, he bus ha doesn’ show up o he upcoming
deadline o a wo k ha we ha e dedica ed o in he las mon hs. O e en, i we limi
ou sel es o he con ex whe e he maxim was ini ially said, he “Sachen” a e he objec s
ha a e s udied by sciences.
Bu wha does i eally mean, a e u n o he hing hemsel es ? Whe e do we
s a om and how can we app oach hings ? Does i mean ha hings in e e yday li e
a e no he hings hemsel es ? A e hey co e ed in hei na u al way and a ailable o
be disclosed by he phenomenological me hod ?
This disse a ion is a s udy o phenomenology ha has as s a ing poin he
abo e ques ions. I ’s p og am is o isola e he uni y o he meaning o phenomenology
ough he in lexion ha occu s in Ma in Heidegge and he’s eading o Husse l’s Logical
In es iga ions.
I pu sui s he ollowing hesis. Phenomenology is a mo emen owa ds he
hings hemsel es. This e u n is a coun e mo emen o he wi hd aw om he hings
hemsel es. A wi hd aw ha esul s om a ligh om he uncanniness o no ha ing an
answe - he uncanniness o being-in- he-wo ld.
KEYWORDS: Phenomenology, Heidegge
7
“Uma casa é as uínas de uma casa,
uma coisa ameaçado a à espe a de uma pala a;”
Manuel An ónio Pina, Como se desenha uma casa
8
Índice
ABREVIATURAS ............................................................................................................... 9
I. In odução ................................................................................................................. 10
1. A enomenologia como possibilidade de lucidez ................................................................. 10
2. Tema da disse ação........................................................................................................... 11
3. Esquema do pe cu so da Disse ação ................................................................................. 13
4. A His o icidade na adição Fenomenológica. Explicação do í ulo da ese........................... 14
5. A enomenologia de Heidegge no pe íodo de 1919 a 1925 ................................................ 15
II. O con ex o do su gimen o da in es igação enomenológica ..................................... 16
1. A c ise das ciências ............................................................................................................. 16
2. O Posi i ismo. Lógica dedu i a e indu i a. .......................................................................... 17
3. O A as amen o en e a ealidade Humana e as ciências ...................................................... 19
4. A sepa ação das á ias ciências .......................................................................................... 20
5. A a e a da Fenomenologia como abe u a p é-cien í ica à ealidade .................................. 20
6. A si uação ilosó ica na segunda me ade do século 19. A Filoso ia e as ciências. .................. 21
III. Os p imei os passos da Fenomenologia .................................................................... 22
1. A Psicologia de F anz B en ano ........................................................................................... 23
2. As In es igações Lógicas de Edmund Husse l ...................................................................... 26
IV. A in encionalidade como descobe a undamen al da Fenomenologia ................. 34
1. In encionalidade como es u u a da i ência .................................................................... 35
2. A cons i uição da p óp ia in encionalidade ......................................................................... 37
3. O pe cecionado a pa i dele mesmo (“Wah genommenhei ”) ............................................ 39
V. Isolamen o p elimina do sen ido da Fenomenologia em Heidegge ........................ 45
1. Mos a -se a si p óp io ....................................................................................................... 45
2. Mos a -se a pa i de si p óp io ......................................................................................... 47
3. O eg esso às coisas elas mesmas ....................................................................................... 49
4. A decadência ...................................................................................................................... 50
VI. O Encob imen o e a uga na analí ica exis encial .................................................. 52
1. Se -no-mundo .................................................................................................................... 54
2. Mundo-ambien e e Mundo na u al .................................................................................... 54
3. Se -em ............................................................................................................................... 58
4. Se -com ............................................................................................................................. 62
5. A es u u a da an ecipação no cuidado de si ....................................................................... 67
6. Encob imen o e Fuga ......................................................................................................... 68
Conclusão .......................................................................................................................... 71
Bibliog a ia ........................................................................................................................ 76
9
ABREVIATURAS
Os ex os que es i ui emos com base na Gesam ausgabe se ão ci ados pela ab e ia u a
GA, à qual se segui ão o núme o do olume e a indicação da(s) página(s) espec i a(s).
Os es an es ex os se ão ci ados pelas ab e ia u as que indicamos abaixo, seguidas
pelo núme o da(s) página(s) de cada ez em ques ão:
SuZ Ma in Heidegge 2006 (1927). Sein und Zei . Tübingen: Max Niemeye .
CT Heidegge , Ma in, and I ene Bo ges-Dua e. 2008. O concei o de empo.
Lisboa: Fim de Século.
16
empo é enunciada, mas não é le ada a cabo po Heidegge nesse seminá io
13
.
II.
O con ex o do su gimen o da in es igação enomenológica
1.
A c ise das ciências
Na abe u a do seminá io Heidegge ap esen a a c ise das ciências como o ça
posi i a pa a o eg esso às coisas elas mesmas
14
. Sublinhamos que es amos no início do
século 20. Heidegge ap esen a á ios exemplos conc e os dos di e en es p oblemas
que as ciências a a essam: a eo ia da ela i idade na ísica; a discussão se a
ma emá ica de e se baseada em p oposições o mais ou num acesso in ui i o ao seu
con eúdo, o p oblema de sabe se a biologia e le e odos os elemen os da ida. As
ciências his o iológicas es ão pe u badas com a ques ão da p óp ia ealidade his ó ica
e a eologia en a eanima a é e a elação en e homem e deus. Não é possí el en a
em de alhe no que es a a em causa em cada egião cien í ica pois se ia necessá io um
es udo ap o undado de cada uma das disciplinas ap esen adas e isso cabe apenas ao
ísico, ma emá ico, eólogo, biólogo e his o iado . O pon o undamen al a que
Heidegge p e ende chama a a enção é que a c ise simul ânea das di e en es ciências
é um indício de que algo de es u u al se passa em odo o edi ício cien í ico e que cada
ciência po se egional é incapaz de se deb uça sob e o que pode á es a em causa.
Heidegge iden i ica dois momen os es u u ais da c ise. Em p imei o luga , a
di e ença que exis e en e o obje o como is o pelas ciências e o obje o em si e, em
segundo luga , a p óp ia sepa ação que exis e en e as á ias ciências indi iduais.
Es amos habi uados a e a His ó ia e Na u eza da o ma como as ciências as
in es igam. Es e hábi o le a a que endamos a comp eende a His ó ia e Na u eza como
á eas obje i as a que apenas emos acesso na o ma como são in es igadas a a és
des as ciências. Heidegge ques iona se uma de e minada á ea emá ica da ciência nos
dá necessa iamen e acesso à á ea das coisas a pa i da qual os emas cien í icos são
13
Segundo Thomas Sheehan es a a e a é le ada a cabo no seminá io do ano seguin e ansc i o no
olume 21 das Ob as comple as. C . Heidegge , Ma in, and Thomas Sheehan. Logic: The Ques ion o
T u h. Indiana Uni e si y P ess, 2010. C . ambém h ps://en i ledopinions.s an o d.edu/ homas-
sheehan-heidegge -s-being-and- ime.
14
GA20 §1: ” Die heu ige K isis in allen Wissenscha en ha demnach ih e Wu zeln in de Tendenz, das
jeweilige Gegens andsgebie u sp ünglich zu ückzugewinnen,” p.4
17
in es igados. Não se a a de in alida a ciência, mas sim de mos a a di e ença en e a
sua in es igação e a ma é ia que in es igam. Uma ciência que a a da His ó ia não
signi ica necessa iamen e que a His ó ia, como essa ciência a comp eende, co esponda
à His ó ia na ealidade, ou seja, a ciência pode á não e a his ó ia na sua essência, na
his o icidade. Pode da -se o caso que o mé odo cien í ico deixe de lado algo de essencial
e que esse mo imen o seja simul aneamen e uma condição necessá ia ao seu a anço.
2.
O Posi i ismo. Lógica dedu i a e indu i a.
A di e ença en e o obje o da ciência e a ma é ia que in es igam é explicada, em
pa e, pelo ac o de as ciências, de um modo ge al, se em dominadas pelo posi i ismo
15
.
O posi i ismo co esponde à endência pa a a de e minação da ealidade e a sua ixação
num enunciado. A pala a “posi i o” em nas suas aízes o adje i o la ino i o me
posi i us, -a, -um. “Posi i us” de i a do e bo pono, is, e e, possui, posi um que pode ia
se aduzido pa a po uguês como pô ou assen a ou ixa . O posi i o é um aco do que
se es abelece com uma de e minada obse ação da na u eza. A de e minação que é
pos a não az pa e da na u eza como al. Temos, po exemplo, a aculdade de aze
de e minações conhecidas que esul am de um pô (no sen ido de “ aze ” e “ ixa ”). Não
p ecisamos de e odas as á o es pa a iden i ica uma á o e que nunca imos. A
de e minação ge al pe mi e “espe a ” po odas as á o es que i emos a econhece
em enómenos singula es sem p ecisa mos de as e odas. Coisa impossí el. Com is o
não se que dize que as á o es sejam odas iguais. Pa a além da gene alização que
pe mi e an ecipa “indi íduos” exis en es ou não, há ambém uma endência
p edominan e da nossa lucidez pa a a o malização. Tendemos pa a an ecipa es ados
de coisas a a és do cálculo e medição. Há medição e cálculo ope ados po disposi i os
ecnológicos que pe mi em iden i ica epe ições com o obje i o de de ec a o posi um.
Es es enunciados sob e as coisas e as elações en e si pe mi em que
consigamos e o que es á pa a além do que é dado. Gene alizamos e ans e imos
conhecimen o pa a os casos pa icula es. Os homens nascem e mo em, eis uma
gene alização. Se eu sou um homem, en ão algu es no empo e ei nascido e algu es no
15
GA20 §4 a):”In allen wissencha lissen Disziplinen he sch de Posi i ismus. ”
18
empo ambém mo e ei. É lógico. Nascemos e mo emos po que é lógico.
Pode íamos, po exemplo, ambém pensa numa ou a si uação. Ao es a a
p esença de uma de e minada pa ologia, usamos uma za aga oa pa a e i a uma
amos a do muco nasal, uma subs ância p oduzida pelo nosso apa elho espi a ó io.
Ampliamos e analisamos a amos a pa a p ocu a a p esença de de e minadas p o eínas
pa a que seja possí el enuncia mos “posi i o/de ec ado” ou “nega i o/inexis en e”. A
pa i des a posição, são omadas ou as decisões como “ ique em casa” ou “pode
con inua a sua ida no malmen e”. É a pa i des e mecanismo, assen e sob a p o a da
exis ência de de e minados a os, que o conhecimen o na u al a ança e o e i ó io que
ai cob indo é cada ez maio . Es as cons uções lógicas sob e i em ao es e do u u o,
an ecipam-no e são usadas como supo e às decisões que ão sendo omadas.
No en an o, exis em sal os inexplicá eis en e os di e en es momen os acima
desc i os. Em p imei o luga , há a elação en e a de ecção de uma p o eína e o juízo
“es á in e ado”. A p o eína não em esc i o em nenhum luga “sou uma in eção”. A
in eção, po sua ez, não em em si isí el nenhuma indicação pa a que iquemos em
casa nos p óximos 15 dias. Ambos os juízos es ão assen es num conhecimen o e numa
expe iência p e iamen e adqui idos. Não es ão p esen es no momen o da obse ação.
Mas ac o é que es abelecemos elações cogni i as que ão pa a além daquilo que nos
é dado pelo simples e .
A p óp ia Lógica P oposicional Clássica esul a de uma endência pa a ixa
“ alo es de e dade”. Uma p oposição: ou é e dadei a ou é alsa. A lógica p oposicional
clássica, em conjun o com a endência posi i is a e ecnológica das ciências e um ce o
p agma ismo, pode á e esul ado numa en a i a de con ina a obse ação da
complexidade na u al em uma de duas possibilidades de alo es, posi i o ou não
posi i o, quando na ealidade es amos pe an e um enómeno complexo que na sua
o ma na u al é desp o ido de de e minações e pode á es a imp egnado de múl iplas
possibilidades que não se limi am a posi i o ou nega i o. Se assim é, se á que uma
in eção, pa a eg essa ao nosso exemplo, co esponde a um es ado posi i o de um
único alo ou se á an es uma mul iplicidade de possibilidades? Não há apenas duas ou
ês a ian es, mas an as a ian es como o nume o de pessoas i as e mo as e, em
19
cada pessoa há casos di e en es consoan e o luga onde se es á, a a mos e a que a
en ol e, os ou os que es ão com essa pessoa, o que ez e i á aze . Não co esponde á
udo is o à exis ência de múl iplos alo es que es á dependen e da si uação onde nos
encon amos?
De qualque das o mas, o pon o que que emos sublinha é o posi um enquan o
algo que não az pa e da ealidade an es do inqué i o cien í ico e não é dado pelo
simples cap a do olha humano. Necessi a de conhecimen o p e iamen e adqui ido,
in e ências e silogismos. Es a camada lógica em como consequência um a as amen o
en e a ealidade humana e a ciência
16
.
3.
O A as amen o en e a ealidade Humana e as ciências
Es e a as amen o é mos ado a a és do pa ág a o inicial de Robe Musil no seu
omance “O Homem sem Qualidades” quando ap esen a o es ado do empo em Viena
de Aús ia:
“Uma zona de baixas p essões sob e o a lân ico desloca a-se pa a les e, em
di eção a um an iciclone si uado sob e a Rússia; não denuncia a ainda qualque
endência pa a o e i a , e di igia-se pa a no e. Os iso e mos e os isó e os cump iam as
suas ob igações. A empe a u a do a mos a a uma elação no mal com a empe a u a
média anual, com as dos meses mais ios e mais quen es e com a oscilação mensal
ape iódica. O nasce e o pô do Sol e da Lua, as ases des a úl ima, de Vénus, dos anéis
de Sa u no e mui os ou os enómenos signi ica i os co espondiam às p e isões dos
anuá ios de as onomia. O apo de água no a inha a ingido a sua ensão máxima e a
humidade ela i a e a aca.”
17
Apesa de oda a in o mação, a desc ição di icul a o acesso ao es ado do empo.
Le an a ques ões como em que mês es amos e deixa-nos no azio em elação a como
se azia sen i o es ado do empo. Musil e mina o pa ág a o com uma segunda
desc ição dizendo: “E a um belo dia de agos o”. A p imei a desc ição, desc e e o clima
16
GA 20: ”de heu ige Mensch (...) ein u sp üngliches Ve häl nis zu den Wissenscha en e lo en zu
haben glaub .” p.3
17
Robe Musil, O Homem sem qualidades, Edições Dom Quixo e, T adução de João Ba en o, §1.
20
como se de um obje o es anho se a asse. Usa pala as écnicas como isó e os e
iso e mos que o e ei o que p oduzem em nós é de um isa no azio. Não emos o que
que em dize . A desc ição cien í ica é desligada do olha humano. É como se i éssemos
a assis i ao empo de o a da p óp ia a mos e a. Temos po ou o lado, como o clima
se az sen i , com a exp essão “schönes We e ” que o adu o e eu pa a “belo dia”
e que desc e e o empo como bom e ag adá el e como es a úl ima nos mos a bem
melho que a p imei a, como o empo es a a o empo nessa a de. A exp essão
“schönes We e ” pe mi e e o empo que se azia sen i nesse dia e a p óp ia i onia
do pa ág a o mos a-se
18
.
4.
A sepa ação das á ias ciências
Pa a além do a as amen o acima e e ido, Heidegge e e e um ou o sen ido da
c ise das ciências e que diz espei o à di isão das á ias ciências. A sepa ação en e as
ciências His ó icas e Na u ais é um indício de um campo o iginal que pe manece cobe o
e que não pode se mais ecupe ado. Es a sepa ação oi le ada a cabo pela ciência e a
pa i des a sepa ação, His ó ia a Na u eza eduzi am-se a duas egiões de obje os a
se em a ados pelas ciências e onde o campo o iginal não é a ado po nenhuma delas.
Aqui, po sua ez, o que es á em causa é um posi um que não es á a se
examinado po cada ciência. G ande pa e do abalho das ciências é um abalho
conc e o que es á a se guiado po um conjun o de p essupos os eó icos que exis em
à pa ida. A c ise ins ala-se po que os p óp ios p essupos os es ão a se pos os em
causa. Em unção desses p essupos os o abalho empí ico se ia mui o di e en e. A c ise
pode á pa ece uma aqueza, mas é, na ealidade, a o ça que pe mi e o p óp io
desen ol imen o das ciências.
5.
A a e a da Fenomenologia como abe u a p é-cien í ica à ealidade
Heidegge ap esen a como a e a da enomenologia da His ó ia e da Na u eza,
18
Veja-se Rüdige Sa anski, Ma in Heidegge : Be ween Good and e il. p.74 e p75. É como se à
pe gun a “Vi a! Como es ás ?” alguém espondesse “Es ou com 122 ba imen os ca díacos po minu o.
A sa u ação de oxigénio no sangue é de 89%. A empe a u a do co po é de ce ca de 37 g aus. A p essão
sis ólica e dias ólica é de 164/90. Ti e um aciden e.”
21
ab i a ealidade o iginal
19
, ou seja, mos a a ealidade an es do inqué i o cien í ico.
Não se a a de uma enomenologia da His ó ia e Na u eza como obje os das ciências,
mas an es da abe u a enomenológica como acesso ao modo de se o iginal e
cons i u i o de ambas. Em p imei o luga , a comp eensão de que a génese das ciências
é ei a numa expe iência an e io ao p óp io a o eó ico. Ou seja, a o igem da eo ia não
é eó ica. Em segundo luga , exibi o modo p é io de acesso à ealidade. Es e acesso é
an e io à eo ia desen ol ida pela ciência, esul a de uma abe u a an e io ao abalho
cien í ico e acede à p óp ia ealidade. Po úl imo, que ipo concei os pode ão se
o mados em in es igações des e géne o.
Es a abe u a p é-cien í ica à ealidade, e que Heidegge classi ica como abe u a
ilosó ica, esul a no que ele designa po Lógica P odu i a. Es a lógica sal a sob e o
conjun o de eo ias cien í icas que o am ansmi idas e he dadas ao longo do empo
pa a pousa dian e da ma é ia p imá ia de uma ciência po encial cons i uída a pa i da
abe u a do se dessa ma é ia. É es a lógica que p epa a as es u u as undamen ais dos
obje os possí eis dessa ciência
20
. A enomenologia em assim como a e a o na as
coisas (“Sachen”), que es ão na base do desen ol imen o cien í ico e da ciência como
al, comp eensí eis. Nes e sen ido, a enomenologia é um eg esso ao mo imen o
o iginal a pa i do qual se unda e se desen ol e o abalho cien í ico
21
.
6.
A si uação ilosó ica na segunda me ade do século 19. A Filoso ia e as
ciências.
Heidegge ap esen a ês endências p esen es no pano ama ilosó ico na
segunda me ade do século 19 endo a is a a elucidação do su gimen o da in es igação
enomenológica. Em p imei o luga , a c ise das ciências le a a iloso ia a o na -se uma
Teo ia das Ciências. A iloso ia ao en a iden i ica as bases de cada ciência e o luga de
cada ciência, encon a ambém o seu p óp io luga enquan o Lógica da Ciências. A isso
impo a ambém aze á colação o im dos sis emas idealis as. Há uma elação
19
GA20 §1: ”Die Wi klichkei e schliessen”, p.2
20
GA20 §1: ”(…) sonde n eine Logik, die o aussp ing in das p imä e Sach eld eine Möglichen
Wissenscha und du ch E schliessung de Seins e assung disses sach eldes die G unds uk u des
möglichen Gegens andes diese Wissenscha e s be eis ell .”, p. 2
21
GA20 §1: “ Phänomenologie ha so die au gabe, die Sachgebie e o de wissenscha lichen
Bea bei ung e s ändlich zu machen und au diesem G unde diese selbs ”, p.3
22
concomi an e en e o apa ecimen o do posi i ismo e o im dos sis emas idealis as. O
ac o empí ico, ou seja, o ac o demons á el a a és da expe iência, o alece-se como
al e na i a à especulação e ao concei o azio. Ou seja, o ac o comp o á el é, assim, a
al e na i a a ideias que não sejam sus en adas na expe iência. Es a oposição le a
e en ualmen e ao colapso dos sis emas idealis as
22
.
Em segundo luga , e como consequência do im dos sis emas idealis as, há uma
endência pa a a consciência ilosó ica se eno a , não a pa i de um eg esso às coisas
elas mesmas, mas sim a pa i de um eg esso à adição, nomeadamen e um eg esso
à iloso ia de Kan
23
. No en an o, a edescobe a de Kan , sob o pon o de is a da
Filoso ia das ciências é uma conceção mui o es ei a do Filóso o de Königsbe g.
Segundo Heidegge , es a dis o ção do pon o de is a de e-se à p eocupação de p ocu a
em Kan , e mais especi icamen e na C í ica da Razão Pu a, uma Teo ia das ciências
24
.
Es a e-descobe a (“Wiede en deckung”) de Kan sob o pon o de is a da Teo ia das
ciências eio a se designada de Neo-Kan ismo.
Uma ou a endência, que Heidegge des aca como ele an e, é o es udo da ida
psíquica com os mé odos da ciência na u al. Es a p og essão das ciências na u ais a é
ao es udo da psique é em pa e explicada pelos a anços que oco em no es udo
isiológico dos ó gãos senso iais e que le am na u almen e ao es udo da sensação e
pe ceção. O es udo da men e o na-se assim obje o do es udo da Psicologia Fisiológica.
A psicologia es á ambém o emen e in luenciada pelo ema da consciência desde
Desca es. A consciência co esponde à expe iência in e io . Heidegge Es a sepa ação
en e ex e io e in e io não exis e nem na idade média nem na G écia an iga. As ciências
na u ais e as suas me odologias en am num domínio que es a a ese ado à Filoso ia.
Há uma endência pa a o na a psicologia cien í ica em ciência básica da iloso ia.
III.
Os p imei os passos da Fenomenologia
22
GA 20 §4: “Zusammenb uch de idealis ischen Sys eme”, p.13
23
GA 20 §4: “Sie ollzieh sich nich aus einem u sp ünglichen Rückgang zu den be ag en Sachen,
sonde n du ch eine geschich lich o gegebenen Phisophie, de Kan s.” p.13
24
GA 20 §4 b)
23
1.
A Psicologia de F anz B en ano
O abalho undamen al de B en ano é “Psychologie om empi ischen
S andpunk ”. B en ano que aplica um mé odo de in es igação igo oso e cien í ico à
in es igação da ida psíquica. B en ano p e ende aplica à Filoso ia o mesmo mé odo
que a Ciência Na u al. Ou seja, al como as ciências na u ais es abelece am o mé odo
que melho se aplica a à sua ma é ia, B en ano que aze o mesmo pa a a iloso ia.
Es as ciências de em assim di eciona -se pa a as suas ma é ias, pa a os seus emas, pa a
as suas coisas, al como a ciências na u ais o azem. Is o não signi ica impo a mé odos,
mas sim econhece as conside ações undamen ais, ou os p incípios undamen ais,
ace ca do modo de a a os assun os que lhes dizem espei o.
No caso conc e o da Psicologia, é necessá io em p imei o luga de e mina qual
é en ão a ma é ia das ciências psíquicas. B en ano no seu es udo de A is ó eles e e um
con ac o di e en e com psicologia e psique.
a) B en ano e a o igem do concei o “alma”
Exis em di e enças semân icas signi ica i as en e o seu sen ido con empo âneo
e o sen ido an igo. O sen ido do e mo modi icou-se ao longo da his ó ia. Não cabe aqui
aze um es udo e imológico da pala a. B en ano a ibui a si p óp io a a e a de
de e mina a ma é ia da psicologia e classi ica os enómenos psíquicos pa a
pos e io men e de e mina qual o mé odo de in es igação ap op iado a ais
enómenos.
B en ano ap esen a a Psicologia como a ciência da alma. Es a exp essão oi
concebida a pa i do es udo do a ado de A is ó eles Περὶ ψυχῆς cujo o í ulo oi
e ido pa a po uguês como “Sob e a Alma”. “Alma” é a e são adicional com que
ψυχή no malmen e é aduzida pa a po uguês. A is ó eles inha em is a um sen ido
bas an e di e en e daquele que o e mo po uguês hoje ocupa. O e mo chega a mui os
de nós a a és da adição c is ã que lhe dá uma onalidade eológica ou a é mesmo
eligiosa e como al é um e mo que não em qualque elação com o conhecimen o e
ciência. Es a sepa ação é já esul ado do enómeno que Heidegge abo da na in odução
aos con eúdos do seminá io e que indicamos em cima.
Po ém, pa a A is ó eles, a a a-se de um p oblema que necessi a a de se
24
es udado al como a ísica, a biologia, a polí ica, a poesia, en e ou os, p ecisa am de
se es udados. “Sob e a Alma” é o p imei o es udo psicológico. Um es udo daquilo que
ende a se mis e ioso e desconhecido, não sabendo a que é que a pala a pode
co esponde . O p óp io sen ido e mo na G écia an iga oi-se modi icando ao longo do
empo. G osso modo, Ψυχή co esponde ia a algo como o p incípio i al, ou mesmo, a
ida. A adução do co po a is o élico pa a la im na escolás ica medie al aduziu Ψυχή
pa a anima (cuja adução po uguesa ambém é alma) e que em uma p oximidade com
o e mo animus que pode ia se aduzido pa a animal. Ambos os e mos es ão
p óximos da exp essão que no malmen e usamos pa a designa algo como animado. A
di e ença en e en es animados e inanimados assen a na ideia de que os p imei os êm
ida. Um co po sem Ψυχή é um co po inanimado, é um co po mo o. Es a e a aliás, a
aplicação que Home o da a a Ψυχή
25
.
Enquan o que pa a Home o Ψυχή apenas se aplica a pa a o se humano, em
A is ó eles a Ψυχή e a um p incípio i al da p óp ia na u eza. Ψυχή co espondia à
p imei a ἐντελέχεια do se i o. ἐντελέχεια co esponde ao se em a o, plenamen e
ealizado, em oposição a δύναμις que co esponde ao se em po ência. Pa a A is ó eles
co espondia à o ma que a ualiza a po ência
26
. Todo o co po na u al que se alimen a,
c esce e ep oduz a si p óp io e é do ado de aculdades de sensação ou pensamen o é
um co po i o. No seu a ado sob e a alma, A is ó eles in es iga a αἴσθησις, que
pode ia se aduzido po sensação ou pe ceção; νόος, que co esponde ao a o de e
ou in eligência ou in uição; φαντᾰσία, que co esponde à pala a g ega de onde em
an asia e em o sen ido de imaginação e ἐπιστήμη, conhecimen o.
O campo do es udo da alma ao longo do empo acaba e en ualmen e po se
ci cunsc e e a emas como alucinações, memó ia, espe ança, medo, desejo e ódio. A
Ψυχή co esponde ia à o alidade des as pe cepções in e nas. A designação mais
comum o na-se Bewuss sein (“consciência”) e E lebnis ( i ência ou expe iência i ida).
O in e essan e pa a a enomenologia é o sen ido que Ψυχή em como lucidez.
25
Pa a Home o, a Ψυχή é a o ça que man ém um se humano i o. A Ψυχή e a o p émio de uma
ba alha e a sua pa ida do co po e a a a és do boca e da expi ação. Na Ilíada, Ageno diz o seguin e a
espei o de Aquiles : “Ele só em uma ida (Ψυχή) e os homens conside am-no mo al.“ (Home o, Ilíada,
Edições Co o ia, T adução de F ede ico Lou enço.)
26
A is ó eles, Da Alma, Edições 70, T adução de Ca los Humbe o Gomes, p. 130.
25
b) O Pon o de is a Empí ico
Tal como as ciências na u ais es udam as p op iedades e leis dos co pos ísicos,
que co espondem a obje os acessí eis pela pe cepção, a psicologia se ia assim
esponsá el pelos es udos das leis e p op iedades da alma, ou seja, o es udo da
pe cepção in e na. No en an o es a di isão é conside ada p oblemá ica e a di isão
ado ada é a de di isão en e enómenos ísicos e enómenos psíquicos ou men ais.
B en ano conside a es a di isão aga e omo-a como p oblema de in es igação. Não só
é p oblemá ica a noção de enómeno como a dis inção em si, en e enómenos
psíquicos e ísicos, não es a es abelecida i memen e
27
.
Heidegge chama a a enção pa a o sen ido de “empi ische S andpunk ”, na
p incipal ob a de B en ano, que signi ica um pon o de is a a pa i do qual o es udo é
ei o a pa i do con a o imedia o com as p óp ias coisas e sem cons uções a i iciais
28
. Que ambém dize que o pon o de is a é cons i uído sem p incípios impos os e
he dados de ou as emá icas. A í ulo de exemplo, eu posso olha pa a ce os
enómenos psíquicos segundo o pon o de is a isiológico. B en ano segue a máxima
que o es udo e a espe i a o denação dos elemen os que es ão a se es udados seja
na u al e a pa i da na u eza dos obje os que es ão a se es udados. A ques ão se á
en ão qual a na u eza dos enómenos psíquicos em compa ação com os ísicos? A
espos a de B en ano é a seguin e. Em odos os enómenos psíquicos há algo de obje i o
que lhes é ine en e. As di e enças nesse algo são o nadas obje i as nas di e en es
i ências, como po exemplo o ep esen ado na ep esen ação, o ajuizado no ajuiza , o
desejado no desejo. B en ano designa es e obje o in ínseco da expe iência i ida de
inexis ência in encional. É es a a ca ac e ís ica undamen al dos enómenos psíquicos.
É p eciso e em con a que B en ano es á a aça a di e ença en e o ísico e o psíquico
e que o e mo obje o ep esen a o que é isado e não a coisa co pó ea. É es e o sen ido
da exp essão inexis ência in encional – o obje o é inexis en e do pon o de is a espacial.
In en io é um e mo da escolás ica medie al e que dize di eciona -se pa a. Cada
i ência é di ecionada pa a alguma coisa. Rep esen a alguma coisa a a és da
27
Veja-se F anz B en ano, Psychology om an empi ical s andpoin , p.59
28
GA 20 §4 α): “Empi isch heiß hie nich induk i im Sinne de Na u wissenscha en, sonde n so iel
wie sachlich, nich Kons uk i ”, p.25
32
i ências al como se deixam cap a in ui i amen e. A enomenologia de e não só
cap a as essências in ui i amen e, mas ambém as elações que a pa i daí se
es abelecem
44
.
Impo a cla i ica o signi icado que Husse l a ibui a in uição. In uição não
co esponde a uma p emonição que no malmen e associamos a uma qualidade especial
que ca ac e izam apenas algumas pessoas. Também não se e e e a uma ac obacia que
é einada a a és de a es obscu as. O ega Y Gasse na sua sex a lição sob e o que é a
Filoso ia, diz o seguin e ace ca da in uição:
“O u gen e ago a é insis i em que não há mais e dade eo é ica igo osa do
que as e dades undadas em e idência, e is o implica que, pa a ala das coisas, emos
de exigi ê-las, e po ê-las en endemos que nos sejam imedia amen e p esen es, de
aco do com o modo que a sua consis ência imponha. Po isso, em ez de isão, que é
um e mo es ei o, ala emos de in uição. In uição é a coisa menos mís ica e menos
mágica do mundo: signi ica es i amen e aquele es ado men al em que um obje o nos
seja p esen e. Ha e á, pois, in uição sensí el, mas ambém in uição insensí el.”
45
A enomenologia pu a, pa a Husse l, si ua-se numa á ea neu a de in es igação
onde di e en es ciências es ão en aizadas. A enomenologia a ança de o ma in ui i a,
ou seja, não se apoia em concei os. Analisa e desc e e a essência e a gene alidade das
ap esen ações, juízos, conhecimen o, expe iências que no malmen e são obje o de
explo ação po pa e da psicologia empí ica. Po ou o lado, a enomenologia expõe a
on e de onde jo am os concei os undamen ais e as leis ideais de uma lógica pu a e
a é onde de e se seguido o seu as o pa a que seja possí el a comp eensão e c í ica do
conhecimen o da lógica pu a, p opo cionando cla idade e unidade
46
.
A enomenologia das i ências lógicas p ocu a assim p opo ciona uma
ap eensão desc i i a su icien emen e ab angen e des es es ados men ais e o sen ido
que os habi a pa a pe mi i a ibui sen idos ixos a odos os concei os undamen ais da
lógica. A cla i icação é ei a pelo eg esso às conexões explo adas anali icamen e en e
44
Veja-se Edmund Husse l, LI, ol.1, §1, p.166
45
José O ega Y Gasse , O que é a iloso ia ?, Bolso Co o ia, T adução de José Ben o, p.96
46
Veja-se Edmund Husse l, LI, ol.1, §1, p.166
33
in enções de signi icação e p eenchimen o de sen ido e ambém po aze a sua possí el
unção in eligí el e ce a. A a e a das in es igações lógicas de Husse l é a de
p opo ciona uma cla eza i me às noções e leis à cons i uição do sen ido obje i o e a
unidade eo é ica a pa i da qual odo o conhecimen o es á dependen e. A
Fenomenologia é descobe a po Husse l como um mé odo pa a a análise dos
p oblemas encon ados na p ocu a de uma lógica pu a. Mé odo é o caminho pa a i no
encalço de alguma coisa. Es a mos encaminhados pa a alguma coisa. En a mos nos
eixos.
A enomenologia, na sua o igem, ao con á io de ou as disciplinas como po
exemplo, a ma emá ica, a biologia, psicologia, g amá ica ou linguís ica, não em uma
egião de inida de con eúdos e obje os, como ambém não é uma eo ia, no sen ido de
discu so uni icado ace ca de um de e minado aspe o da exis ência. Não é ambém uma
isão de mundo que enha sem si uma dou ina que con igu e e dê sen ido à exis ência
como é po exemplo, o c is ianismo ou o ca olicismo. É um mé odo de in es igação
an e io e cons i u i o das p óp ias ciências.
Apenas anos mais a de é que se o nou cla o pa a o p óp io Husse l o que inha
sido pos o a descobe o com as in es igações lógicas. Foi a a és da p óp ia p á ica
enomenológica, ainda que inde e minada eo icamen e, que a enomenologia i ompe
nas suas in es igações. A p imei a de inição que Husse l a ibui á enomenologia mos a
a di iculdade em ixa conce ualmen e a enomenologia: “Fenomenologia é uma
psicologia desc i i a”
47
. Es a de inição des iou a a enção daquilo que e a essencial no
abalho de Husse l e e á sido lida e con es ada mais ezes que as p óp ias
in es igações de Husse l. A ideia de psicologia não es a a i memen e es abelecida e
pode ia le a ao equí oco do psicologismo. O e mo desc ição oi usado em ez de
explicação, uma ez que a enomenologia, nes a ase inicial, não em como p opósi o
pô uma eo ia, mas apenas desc e e os enómenos como um passo p epa a ó io pa a
desen ol imen os eó icos. Não é ambém uma explicação de causas e e ei os.
Husse l le a a cabo seis in es igações. A quin a in es igação é sob e a as á ias
de e minações de consciência e a consciência como expe iência in encional. Husse l
47
Veja-se Edmund Husse l, LI, Vol.1, p.176
34
ba e-se com o mesmo p oblema que B en ano, mas as suas p eocupações são
di e en es. B en ano p ocu a a dema ca a egião de obje os da psicologia e es abelece
um mé odo a pa i dessa egião. Como imos acima a p eocupação Husse l e a acima
de udo a alidade do conhecimen o ou uma eo ia das ciências. A quin a in es igação
es á en aizada nas in es igações an e io es, nomeadamen e em emas que icam po
esol e da p imei a in es igação e que dizem espei o ao p oblema do sen ido - a
o igem e expe iência do sen ido. Heidegge indica que é da p óp ia essência das
in es igações enomenológicas que não sejam e is as suma iamen e, mas sejam em
cada caso ensaiadas e epe idas no amen e. Qualque sinopse que suma ize o abalho
se á, enomenologicamen e alando, um mal-en endido
48
. Heidegge ap esen a uma
o a al e na i a que i á se ensaiada e epe ida de seguida. A epe ição é pa cial e diz
espei o apenas à in encionalidade como descobe a undamen al.
IV.
A in encionalidade como descobe a undamen al da
Fenomenologia
Em que sen ido nos e e imos quando usamos a noção “descobe a da
in encionalidade” como uma das descobe as undamen ais da enomenologia? Usamos
a pala a descob i quando nos depa amos com algo não de e ado cuja exis ência é
an e io ao p óp io a o da descobe a. A descobe a do co po po pa e dos an igos e a
p óp ia descobe a da enomenologia como e e imos acima mos a o p óp io
enómeno da descobe a. Descob i é encon a algo que já exis ia an es de se
descobe o. Descob i não é c ia nem in en a . É encon a algo que já lá es a a, mas
não es a a isí el. O en e es a a cobe o e ago a passa a es a descobe o. A descobe a
de uma espécie no a de bo bole as não co esponde à in enção de um no o nome pa a
bo bole as. Co esponde sim, à de eção de uma ca ac e ís ica no a nas bo bole as,
ca ac e ís ica essa que pe mi e se econhecida em mui as ou as. No caso da
descobe a da in encionalidade exis e uma di iculdade ac escida. Não é passí el de se
cap ada a a és das sensações, ou seja, não é cap á el no espaço como uma bo bole a
é cap ada.
Comecemos en ão a a e a de des-cob i a in encionalidade.
48
Veja-se GA 20 §4 p.32
35
1.
In encionalidade como es u u a da i ência
49
O p imei o pon o que se p e ende mos a é como a In encionalidade é uma
es u u a da i ência e não algo que oi ac escen ado a i icialmen e como classi icação
de um es ado psíquico. A in encionalidade não é um concei o a i icial e a bi á io, mas
sim undado na nossa p óp ia i ência.
Comecemos pelo sen ido comum do e mo. O e mo in enção es á no malmen e
associado à “in enção de uma ação”, “um obje i o a alcança ”, “um isa ”. Dizemos “ oi
sem que e , não e a essa a in enção”. De emos po um momen o pô de lado o sen ido
no mal com que usamos o e mo. Como imos acima, pala a de i a do e mo em la im
in en io e que dize li e almen e es o ça -se, concen a -se, apon a a…, di igi -se
pa a…. A in encionalidade enquan o es u u a da i ência signi ica que odo o
compo amen o psíquico di eciona-se a algo. Rep esen a é ep esen a algo, lemb a -
se é lemb a -se de algo, ajuiza é ajuiza algo, supo é supo alguma coisa, espe a é
espe a po alguma coisa e o mesmo pa a ama e odia . Amamos alguém, odiamos algo
ou ice- e sa. Toda a i ência é di ecionada a algo.
Tal como Heidegge indica, a a-se de uma obse ação que não eque nenhum
alen o especial pa a se en endida, e só po si não e ela po que é que a
in encionalidade é me ecedo a do í ulo de descobe a undamen al.
Pa a p ossegui i emos eco e a alguns exemplos. Os exemplos e conside ações
que se seguem não eque em qualque alen o especial. Reque em, no en an o, que
coloquemos de lado p econcei os e que ap endamos a e e e e simples e di e amen e
o que nos é dado a e .
Visualizemos en ão, o p imei o exemplo ap esen ado po Heidegge : “Uma
pe ceção conc e a – a pe ceção de uma cadei a, que encon o pe an e mim ao en a
no qua o e que des io po es a no meu caminho”
50
. O p imei o aspe o a e e i des e
exemplo é o seu ca á e p agmá ico, no sen ido de se se uma pe ceção que oco e
49
Veja-se GA 20 §5, p.37
50
Veja-se GA 20 §5: “Ve gegenwä igen wi uns einen exempla ischen, (…) die Wah nehmung on
einem S uhl, den ich, ins Zimme e end, o inde und, weil e mi im Weg s eh , wegschiebe”, p.37
36
numa de e minada a i idade no mal do quo idiano. Não se a a de obse a uma
cadei a, no sen ido de con emplação, mas sim pe ceciona a cadei a numa i ência
conc e a do nosso quo idiano: Es amos a en a na sala e uma cadei a es á no nosso
caminho.
Uma in e p e ação des a pe ceção da cadei a pode ia se ca ac e izada como
uma elação que exis e en e uma ealidade in e io do sujei o, que pode íamos
designa po consciência in e io e uma ealidade ex e io pe encen e ao obje o que
co esponde à ealidade p op iamen e di a. A pe ceção se ia assim um encon o en e
o in e io psíquico e a ealidade ex e na o a dele. O acon ecimen o men al es abelece
uma elação com a ealidade como al e idade que é ex e na à men e.
Peguemos ago a num ou o compo amen o psíquico, a alucinação. Es amos
sen ados no esc i ó io e de epen e somos odeados de bo bole as que nos impedem
de le e esc e e
51
. Ten amos a as a as bo bole as com as nossas mãos.
Se i e mos p esen e ambos os exemplos, a cadei a e a alucinação, pode íamos
a i ma que a de inição de in encionalidade que ap esen amos a cima es á inco e a,
uma ez que nem odos os compo amen os men ais se di igem a “algo” se
en ende mos es e algo como um obje o eal. No caso da alucinação as ma iposas
cla amen e não são eais. O mesmo se aplica, po exemplo, a um desejo de algo doce. A
al a que sen imos, aquilo a que es amos di ecionados, não é p op iamen e uma coisa
que exis e. Não é eal no sen ido comum do e mo. Pode íamos en ão a i ma que o
nosso compo amen o não se di ecionou a algo e, se assim é, es amos em condições de
a i ma que a in encionalidade não es á p esen e em odos os compo amen os
psíquicos. Es á apenas p esen e em alguns como po exemplo a pe ceção. Po exemplo,
na alucinação e no desejo ambém não es á p esen e. Pode íamos i mais longe e
ap esen a ou o exemplo, al como Heidegge o az. Es amos a anda na cidade e
con undimos uma pessoa com uma es á ua. Aquilo a que nos di igíamos inicialmen e
não exis ia ambém. Foi um e o de econhecimen o. Não es a a di ecionado pa a o
en e que julgá amos se .
51
Veja-se GA 20 §5, p.38. Heidegge ap esen a a alucinação de um ca o oado
37
Es a comp eensão da in encionalidade é uma comp eensão e ada da
in encionalidade em á ios sen idos. Segundo Heidegge , pode ão se explicados
a a és de ce as posições de Desca es.
Com Desca es passamos a sabe que odo o “ e ”, enquan o cap ação de algo,
acon ece apenas na nossa consciência
52
. Pe an e is o, ao en a mos aplica o concei o
da in encionalidade podemos se le ados a dois mal-en endidos. O p imei o é a de que
o psíquico di ige-se a algo ísico, e, segundo Desca es, al anscendência não é
simplesmen e possí el. O segundo co esponde à ideia de que a in encionalidade
p essupõe o psíquico apenas como acesso obje os eais e aqui emos o exemplo da
alucinação ou o desejo ou o e o de econhecimen o que mos a que nem semp e é o
caso.
É necessá io a as a mo-nos des es dois p essupos os pa a descob i mos o
sen ido enomenológico da in encionalidade. Se eg essa mos ao exemplo da
alucinação, podemos dize que as bo bole as não exis em na ealidade e que, po an o,
não exis e qualque elação en e o psíquico e o ísico. No caso de uma alucinação ou
de um desejo exis e apenas algo men al. Não é ele an e se es e algo é uma ilusão ou
não. Mas em qualque um dos casos, seja na pe ceção da cadei a, seja numa alucinação,
seja num desejo, há um di igi -se a algo. Independen emen e de esse algo se eal ou
de se cap ado no espaço eal. Não se a a de uma ca ac e ís ica que apenas es á
p esen e em alguns enómenos psíquicos, mas é sim cons i u i a de qualque
compo amen o psíquico.
É nes e sen ido que a i ência é ela p óp ia in encional. A in encionalidade não
é um concei o que se anexa a bi a iamen e à p óp ia i ência; ela é semp e in encional.
É es e o sen ido da exp essão “a in encionalidade como es u u a da i ência”.
2.
A cons i uição da p óp ia in encionalidade
Vejamos en ão a cons i uição básica da in encionalidade. Reg essemos ao
exemplo da pe ceção de uma coisa na u al. Vimos acima que in encionalidade e a um
52
Veja-se GA 20 §5, p.39
38
“di igi -se a algo”. I emos e ago a o que é pe cecionado pela pe ceção, ou seja, a que
é que co esponde es e “algo”.
Uma das o mas de nos exp essa mos sob e a cadei a é desc e e as
ca ac e ís icas na u ais da p óp ia cadei a. Nomeadamen e a sua co , que o mas es ão
p esen es, se é ei a de plás ico ou madei a ou ou o ma e ial qualque . Pode emos se
mais igo osos e desc e e alguns a ibu os como a al u a, o peso e o olume. Podemos
ambém dize que a cadei a oi ei a numa áb ica.
Uma ou a o ma de desc e e a cadei a e al ez a o ma mais imedia a de o
aze caso encon ássemos uma cadei a numa si uação quo idiana se ia de ala da
cadei a como algo em que nos sen amos e se o assen o é du o ou não. Pode íamos
ambém e e i o conjun o das cadei as com as mesas e os mó eis da sala. A “cadei a da
mesa da sala” ou “a cadei a da cozinha”.
Heidegge in oduz uma dis inção ace ca das o mas al como ap esen amos
acima. Podemos ala da cadei a como algo do meio ambien e (“Umwel ding”) ou como
uma coisa na u al (“Na u ding”). Se nos e e i mos po exemplo a uma osa, podemos
dize “o e eci uma osa” ou “o e eci um lo ”, mas dize “o e eci uma plan a” já não o
pode ei dize po que e e e-se ao modo como as osas são exp essas do pon o de is a
bo ânico. A di e ença en e lo e plan a é a di e ença en e “Umwel ding” e
“Na u ding”. A osa como lo é uma “Umwel ding” e como plan a é uma “Na u ding”.
Exis e um ou o sen ido em que podemos ala do pe cecionado que diz espei o à
coisidade (“Dinglichkei ”). Falamos em coisidade quando nos e e imos à ma e ialidade,
e à sua espacialidade. O pe cecionado é ele p óp io qualque um des es ês
53
.
Apesa de as desc ições se em pouco ingénuas e pob es do pon o is a
epis emológico, Heidegge e e e que é p ecisamen e es a ingenuidade que é
necessá ia quando nos ques ionamos ace ca do que emos. Não se a a de e apenas
no sen ido ó ico do e mo, mas de uma “simples omada de conhecimen o do que é
dado” (“Kenn nisnahme”)
54
. É a a és desse pe ceciona em sen ido amplo que
53
Veja-se GA 20, p.51
54
Veja-se GA 20: “Schlich e Kenn nisnahme des Vo indlichen” p. 51
39
conseguimos e que a cadei a oi p oduzida numa áb ica sem qualque espécie de
in es igação. Mesmo que não o seja possí el de e mina ago a nes e momen o. No
en an o, esse dado es á co elacionado com o p óp io e . Não se a a de um e que
eque inspi ação ou alen o especial. T a a-se de isa as es u u as que podem se lidas
a pa i do que é dado.
3.
O pe cecionado a pa i dele mesmo (“Wah genommenhei ”)
A é aqui emos alado de pe cecionado enquan o o en e ele p óp io. Em
enomenologia, es e não co esponde ao sen ido es ei o de pe cecionado. Em sen ido
es ei o, o pe cecionado co esponde ao como o pe cecionado se mos a num pe ceção
conc e a. Ou seja, ao modo como o en e é pe cecionado numa pe ceção.
Heidegge designa es e modo de Wah genommenhei
55
dos en es. Ou seja, o
se -do-pe cecionado. O que az o pe cecionado como al. O se pe cecionado das
cadei as não se a a de algo que pe ence à cadei a em si, nem a uma ped a, nem a
uma mesa. O se pe cecionado pe ence ao pe cecionado como al.
O pon o undamen al é a dis inção en e o en e em si, como en e na u al ou en e
do mundo ambien e e o modo como é pe cecionado, o seu se -pe cecionado
(“Wah genommensein”). Es e se -pe cecionado co esponde ao modo como
ap eendemos o en e e mais especi icamen e, se se a a de uma ap esen ação, um juízo,
um desejo, uma a e são ou uma me a e lexão, se nos e e i mos a pe ceção em sen ido
mais la o. Todo o con eúdo é um obje o no modo como é cap ado (“Gegens and im
Wie”).
Reg essemos ao exemplo que ap esen amos an e io men e, a expe iência de, ao
en a mos numa sala, e i a mos a cadei a do nosso caminho. Nes e sen ido o que nos
é mos ado nes e modo de ap eende a cadei a?
55
Te emos que pô de pa e as di iculdades g ama icais e de adução pa a pe cebe o que Heidegge
es á a mos a . O se da cadei a é algo que pe ence à cadei a como al. O se da cadei a co esponde ia
a algo como “cadei -eidade”; o se da ped a a algo como “ped -eidade”. Uma adução possí el pa a
Wah genommenhei se ia pe cep ibilidade.
40
A cadei a dá-se a mos a em ca ne e osso (“Leibha igkei ”)
56
. Pa a se pe cebe
melho o que es e e mo que dize é impo an e dis ingui en e a p esença em ca ne
e osso (“Leibha gegeben”) e a p esença apenas a a és do p óp io obje o como se
osse uma pessoa que apa ecesse à nossa en e, endo indo a é ao pé de nós, es ando
p esen e ela p óp ia (“selbs -gegeben”)
57
. Vejamos melho o que is o signi ica.
Eu posso p esen i ica a pon e 25 de Ab il a a és da imaginação ou da memó ia
(“Ve gegenwa igung”). O lei o ambém pode á azê-lo. Nes e modo de p esença da
pon e 25 de ab il, ela dá-se a mos a mas sem a sua p esença co pó ea. Não nos
e e imos a uma me a in enção da pon e mas e e imo-nos à isualização da p óp ia
pon e 25 de Ab il. Po sua ez, a p esença da pon e 25 de ab il, is o é, desloca mo-nos
a é um luga onde a possamos e em ca ne em osso é a p esença supe la i a de um
en e. É o modo mais dis in o em que a pon e se dá a mos a . É o que no malmen e se
diz em sen ido igu ado como “enxe ga ”.
Um ou o modo de ap eende o aqui es á em causa é o que em enomenologia
se designa de isa no azio (“Lee meinen”). Há á ios exemplos que podem se usados.
Es a ese é um exemplo. No início do p óp io mes ado, já sabíamos da sua exis ência.
Ha ia uma ideia aga ace ca do que e a pedido e do que ínhamos de aze . E a apenas
me a in o mação (“Kenn nisnahme”). No en an o, o seu obje o e a o almen e
inde e minado. Heidegge a ança com ou os exemplos que mos am ou as
ca ac e ís icas ace ca do isa azio e que podem dize espei o a en es cujo o seu
con eúdo é de e minado e conhecido. Uma exp essão como po exemplo “Vamos pela
25 de ab il em ez da Vasco da Gama”. O sen ido da exp essão não isa in ui i amen e
a pon e 25 de ab il nem a Pon e Vasco da Gama. Re e e-se apenas à di e ença de
i ine á ios e não a Pon e 25 de Ab il ou a Pon e Vasco da Gama. Es e isa azio pode
se p eenchido imaginando a p óp ia pon e 25 de ab il ou na Pon e Vasco da Gama. Ou
seja, es e p eenchimen o pode á se ei o a a és de um es o ço de eco dação ou
56
Es a a i mação pode á pa ece es anha num ex o uma ez que a única coisa que aqui es á p esen e
em ca ne e osso é o p óp io ex o. Assume-se no en an o que o lei o enha dian e de si uma cadei a ou
um obje o que pe mi a le a a cabo o exe cício enomenológico. Mesmo que seja omada como i ónica,
es a ad e ência o na-se ele an e pa a o que se á di o de seguida.
57
GA 20 §5: “Es is ein Un e scheid in de gegebenhei sa zu machen zwischen den leibha -gegeben
und dem Selbs -gegeben”, p.54
41
imaginação pa a pos e io men e desc e e , po exemplo, a es u u a da pon e. Es e
modo de isa in ui i amen e os en es não é o modo com que usualmen e lidamos com
os en es. Maio pa e das ezes e e imo-nos às coisas sem ê-las p esen es
in ui i amen e. A ase é pe cebida mesmo sem um p eenchimen o in ui i o das pon es.
Pa a a comp eende mos uma ase não é necessá io imagina mos o que es á a se di o
58
.
An es de p ossegui mos, impo a des ui enomenologicamen e uma ou a
noção que impede que as coisas elas p óp ias se mos em, que é a noção de consciência
como uma espécie de ela ou olha em b anco onde os en es eles p óp ios são
ep esen ados. Essa noção pode á e chegado a nós de di e sas o mas e o modo como
nos chegou se á ele an e pa a a sua des uição. Não obs an e, um dos modos mais
comuns é a ideia de que a consciência é uma olha em b anco. Es a ideia pode á ou não
se e o çada pelo papel do cé eb o na consciência em si, nomeadamen e pela
a ibuição de zonas que podem aloja ce as eco dações. Mas despeçamo-nos dessa
ques ão ana ómica. Nessa ese, a ealidade se ia imp essa na consciência como pala as
são esc i as numa olha em b anco, ou, como a luz é cap ada pelo senso ou película de
uma máquina o og á ica e após essa imp essão a consciência ela mesma pode ia
deb uça -se sob e essa ep esen ação e emi i juízos ace ca da sua alsidade ou
e acidade pois exis em ês en idades di e en es: sujei o, obje o e a ep esen ação do
obje o no sujei o. Há um p ocesso sequencial do obje o de se ep esen a no sujei o.
Quando es amos dian e da cadei a, a eo ia do acesso a a és da imagem, ep esen a o
acesso à imagem ep esen a i a da cadei a, uma imagem in e io da p óp ia cadei a.
Acedemos à cadei a a a és da imagem in e io que emos da mesma e a cadei a em si.
Es e eo ia le an a di e en es p oblemas. O p imei o é como pode á se mos ado que
po de ás da imagem há um obje o eal e como podemos mos a essa elação já que
acedemos ao obje o a a és de uma ep esen ação? Se a consciência apenas em acesso
à ep esen ação do obje o, (1) como é que se sabe isso e (2) como é que se pode
es abelece que se a a de uma imagem e não do p óp io obje o ? Te ia de ha e uma
o ma de e acesso a ambas e compa á-la de algumas o ma. O segundo p oblema é
que, no simples ap eende de uma cadei a ou a p óp ia imaginação de uma cadei a, não
58
Veja-se GA 20 §5, p.54
48
Assim, a e dade ou alsidade no sen ido ap esen ado em cima não co esponde
ao exe cício de um pu o deixa e aze e , uma ez que eco e semp e á necessidade
de mos a que uma coisa é ou a coisa, cujo o esul ado é semp e um encob imen o da
p óp ia coisa, impedindo-a de se mos a a si mesma.
O “mos a -se a pa i de si p óp io” co esponde ao modo de encon o com os
enómenos como se dão a mos a o igina iamen e. A enomenologia é o es udo desse
modo de encon o o iginá io. Heidegge apon a pa a a su p eenden e p oximidade do
e mo λόγος e φαινόμενον, ou seja, Λόγος como άπο-φαίνεσται. Λόγος é no malmen e
associado a e mos como es udo, ala, lógica e que endemos a ap eende no sen ido
do obje o que esul a dessa mesma a i idade como sejam a “ oz”, “le as”, “li o”, e c,
e não o a o que os cons i ui. Λόγος em do e bo λέγω, λέξω, ἔλεξα, λέλεγμαι
71
e em
o sen ido essencial de o na e iden e ace ca daquilo que es á a ala , ou seja, o na
e iden e
72
. As pala as, não as linhas e isco, mas o seu sen ido mos am o enómeno.
Assim, a enomenologia co esponde ao es udo dos enómenos no modo de
encon o supe la i o. Esse modo co esponde à p óp ia in uição como modo o iginá io
de ap eende e não a a és de hipó eses que depois se con i mam como e dades ou
alsas
73
. É necessá io “enxe ga ” o enómeno no mesmo sen ido que Husse l o e e e.
O modo de a amen o da enomenologia é desc i i o. A desc ição co esponde
a uma a iculação e bal do que é in uído
74
.
En e o in es igado e o enómeno há algo que o cob e e impede que es ejam
acessí eis no seu modo o iginá io. Há uma man a que impede a lucidez de chega a é
ao enómeno. Mais especi icamen e, há modos de encob imen o dos enómenos mui o
peculia es. Po exemplo, o modo de comp eende mos uma ase isando o azio. A
con e sa pode oco e com base na comp eensão comum sem que es ejamos a e o
que es amos a ala . A epe ição de ce as exp essões, opiniões e pon os de is a podem
71
C . h ps://dcc.dickinson.edu/g amma /goodell/ e b-lis #lambda
72
GA 20: “de sinn des λέγειν is das, δελουν, o enba machen”p.115
73
GA 20 §8 a): “(…)eine solche des schlich en o iginä en E assens i , nich eine a de
expe imen ie enden Subs uk ion (…)”,p.107
74
GA 20 §8 a): ”He aushebendes Gliede n des an ihm selbs en Angeschau en. die Desk ip ion is
analys isch.”, p.107
49
endu ece o encob imen o de ce os enómenos.
Mas es es são apenas alguns modos possí eis de encob imen o. Pode á a é
ha e en es que nunca o am descobe os como pode á ha e en es que
pos e io men e a a és da adição e ideias p é ias ace ca dele mesmos os ol a am a
encob i e des igu a .
3.
O eg esso às coisas elas mesmas
É a p óp ia possibilidade de encob imen o que possibili a a in es igação
enomenológica. Pa a Heidegge , o que es á encobe o não é apenas es e ou aquele
en e, mas o p óp io se , sendo que o se é semp e o se um en e. O enómeno é semp e
o se de um en e
75
. Es e en e de e mos a -se no modo que lhe pe ence, is o é, a pa i
de si p óp io. A enomenologia é assim o es udo do se dos en es. Fenomenologia é
on ologia
76
.
É essa a ex ema di iculdade do acesso às coisas elas mesmas no abalho de
enomenologia. T a a-se an es de se e p esen e o ac o de que es amos so e ados
debaixo de a i ícios, de con e sas e noções que nos são incu idas e passadas pela
adição, uns a a és dos ou os e, que omos pe suadidos ou le ados a oma como
e dadei as pelas mais di e en es azões. Mas não bas a um abalho de pica e a e
insis ência pa a que as coisas se mos em. É p eciso que elas se deixem mos a .
Heidegge descob e a a és da enomenologia o caminho pa a se libe a da
adição. Pa a Heidegge a g andeza das descobe as da Fenomenologia não es ão nos
esul ados que o am ob idos po Husse l nas in es igações lógicas, mas sim na p óp ia
descobe a da possibilidade de aze in es igação em Filoso ia. Uma possibilidade
apenas é en endida no seu sen ido mais p óp io quando é omada e p ese ada como
uma possibilidade. P ese a como possibilidade não que apenas dize in es iga e
c is aliza uma de e minada posição ou ese de o ma a bi á ia. Que an es dize deixa
75
SuZ §7 C.: ”Weil Phänomen im phänomenolgischen Ve s ande imme nu das is , was Sein ausmach ,
Sein abe je Sein on Seiendem is , beda es ü das Absehen au eine F eilegung des Seins zu o eine
ech en beib ingung des Seienden selbs .” p.37
76
SuZ §7 C.:”Sachal ig genommen is die Phänomenologie die Wissenscha om Sein des Seiende –
On ologie.”, p.37
50
abe a a endência pa a as coisas elas mesmas e libe a essa endência da adição
cobe a pe sis en e a i icial e e icaz. É es e signi icado do p incípio “às coisas elas
mesmas”, deixá-las, a pa i delas mesmas, con a-a aca
77
. Ou seja, é a lucidez se
abalada pelas coisas e a icula um discu so igo oso sob e os á ios momen os desse
abalo.
Heidegge ap esen a assim a de e minação o mal de enomenologia: Desc ição
analí ica da in encionalidade no seu a p io i
78
. Vejamos melho o que is o signi ica.
4.
A decadência
Vimos an e io men e que há o modo em que algo é in en ado e o p óp io obje o
que é in en ado. O e mo enomenológico pa a o p imei o é in en io e pa a o segundo
in en um. A in encionalidade enquan o momen o es u u al da i ência, e enquan o um
di eciona -se pa a, e á semp e um in en um. A é ao momen o a elação en e in en io
e in en um é ainda obscu a. Também é obscu o o ca á e daquilo que a in encionalidade
é es u u al. Ou seja, a in encionalidade é de inida como es u u al de uma en idade
que se encon a inde e minada
79
.
Heidegge de ende a enomenologia e a in encionalidade de a aques que são na
ealidade mal en endidos pa a mos a que não é in encionalidade que é dogmá ica mas
sim algo que es á po debaixo da in encionalidade
80
. Tan o B en ano como Husse l
ado a am da adição o concei o de consciência e psíquico. Heidegge p e ende da um
passo que a enomenologia ela p óp ia não deu. De ac o, a enomenologia não aplicou
a si p óp io a sua p óp ia máxima “às coisas elas p óp ias”. A pe gun a pelo sen ido da
in encionalidade em de e em is a a pe gun a pelo sen ido do se . O que é o “é” ?
Todo o p ocu a em em si mesmo uma di eção an e io ela i amen e aquilo
que p ocu a
81
. A p ocu a não su ge do nada. A pe gun a esul a, de uma ausência de
77
GA 20 §14: “Das eben besag das Mo o: zu den Sachen selbs , sie au sich selbs zu ückschlagen zu
lassen.”, p184
78
GA 20 §8 a) :”Phänomenologie is analy ische Desk ip ion de In en ionali ä in ih em ap io i”, p.108
79
Veja-se GA 20 §5 p.59 e 60
80
O e mo in es igação em alemão que co esponde a “Un e suchung”, que pode ia se aduzido po
“p ocu a po baixo de”, ganha aqui um sen ido di e en e. Não há nada po baixo do enómeno.
81
Ma in Heidegge , Sein und Zei , §2: “Jedes Suchen ha sein o gängiges Gelei aus dem gesuch en
he . F agen is e kennedes Suchen des Seienden in seinem Dass - Sosein.”
51
que se sen e a al a: uma espos a. A espos a não é um enunciado a ulso, mas em a
p e ensão de sup i a al a que a pe gun a exp ime. Há já qualque coisa na pe gun a ou
p e iamen e à pe gun a que pe mi e que se de e mine pa a si p óp io o que se p ocu a.
Vem e ai no encalço de qualque coisa. A pe gun a p ocu a es abelece uma elação
cogni i a com um en e pa icula no que diz espei o ao que é e como é que esul a de
um encaminhamen o p é io ao que é pe gun ado
82
.
Po ou o lado, em-se em is a com o pe gun ado (“E ag e”), uma
de e minada me a. As pe gun as êm em si um encaminhamen o p é io em elação ao
que pe gun am. Esse encaminhamen o p é io pode impedi o acesso ao en e que é
pe gun ado al como ele se dá a mos a . Isso al ez possa se melho ilus ado pelo
exemplo da pe gun a “Que ho as são?”. A pe gun a em si não é apenas pa a sabe as
ho as. A pe gun a em no malmen e um ou o p opósi o que pode á se “Se á que ainda
enho empo?”, “Fal a mui o pa a o au oca o chega ?”. Não se a a apenas de um
me o pe gun a pelas ho as, exis e uma p eocupação la en e que se isa a ende com a
pe gun a, que é inquie ação se enho ou não enho empo. Essa p eocupação delimi a o
acesso ao en e pois di eciona a pe gun a apenas pa a a esolução da sua p eocupação.
Quando pe gun amos as ho as pa a sabe se emos empo, na ealidade não es amos
p eocupados com as ho as, es amos sim, p eocupados com o chega a ho as. As ho as
em si do elógio não são de odo ele an e quando azemos a pe gun a “Que ho as
são?”.
Pe gun a “que ho as são?” não nos mos a o empo ele mesmo. Também não
nos mos a se emos empo ou não emos empo. O empo do elógio apenas nos diz se
emos ou não emos empo se i e mos em con a de e minações p é ias de onde
de emos es a a ce as ho as. No en an o, e ou não e empo es á dependen e da
nossa de e minação de es a num de e minado luga a de e minadas ho as. Se cai essa
de e minação cai ambém a p econcepção que emos do empo como ho as do elógio.
O pon o decisi o a que emos chama a a enção é o seguin e. In e oga Kan
endo em is a uma eo ia das ciências é não deixa que Kan se mos e a ele mesmo a
pa i dele mesmo. Pe gun a o que é o enómeno psíquico endo em is a uma
82
Veja-se SuZ §2 p.5
52
sepa ação en e ísico e psíquico é ambém impedi que o enómeno psíquico se mos e
ele mesmo a pa i dele mesmo. Pe gun a pelo sen ido da in encionalidade endo a
is a uma lógica da ciência ou o p oblema do conhecimen o é ambém não deixa a
in encionalidade mos a -se a pa i dela p óp ia.
A in encionalidade é apenas um passo in e médio pa a uma ap oximação a
noções que o am he dadas da adição sem exame c í ico, como sejam consciência,
psíquico, azão, pessoa, humano, espí i o, alma.
Po ou o lado, a in es igação le ada a cabo po Husse l e B en ano não e e em
con a a p eocupação que os o ien a a. Mas há mais. O sen ido que os obje os êm pa a
o in es igado es ão dependen es da sua p eocupação. Ou seja, uma cadei a pode se
an o um obs áculo como um pon o de apoio dependendo do que enho em is a. A
iden i icação das co es pa a Husse l são um p oblema da in uição e não, po exemplo, o
p oblema de sabe que co es de em se usadas num e a o de uma pessoa. A
p eocupação é cons i u i a da p óp ia in encionalidade.
A pe gun a enomenológica em de e em is a a pe gun a pelo sen ido do se .
Es a negligência pela pe gun a do sen ido do se do in en um e a eceção po
pa e da adição com concei os não examinados como consciência e psíquico, an o po
pa e de B en ano, como po pa e de Husse l, e ela algo de es u u al ace ca da
na u eza de cada um dos in es igado es e do en e que cada um de nós é. Heidegge
designa p elimina men e es a endência como decadência (“Ve allenhei ”). Há algo de
inescapá el que impede o eg esso às coisas elas p óp ias e que diz espei o ao p óp io
in es igado enquan o he meneu a.
VI.
O Encob imen o e a uga na analí ica exis encial
Fomos o ien ados pa a conside ações ace ca do Dasein. I emos ago a a í ulo
p eambula mos a algumas das cons i uições undamen ais do Dasein que se
conside am ele an es pa a o enómeno da uga e do encob imen o. Cons i uições
undamen ais são ca ac e ís icas inex i pá eis e i edu í eis do p óp io Dasein. São
de e minações que a a essam pe manen emen e o p óp io Dasein.
53
Heidegge designa de Dasein quem pe gun a e quem p ocu a a espos a à
pe gun a. É quem lê e quem esc e e es e ex o. É “o en e que cada um de nós é, que
cada um de nós encon a no enunciado undamen al ‘eu sou’”. Heidegge usa a
designação Dasein, p ecisamen e pa a e i a ce as de e minações ace ca do que
p e ende isa . O e mo “pessoa”, “homem”, “animal acional”, “humano” odos eles
encaminham o “se -que-cada-um-de-nós-é-desde-semp e- espe i amen e-em-cada-
momen o” pa a um âmbi o mui o especí ico da exis ência humana. "Se Humano" é já
hoje maio i a iamen e uma de e minação biológica
83
.
Heidegge de e mina o Dasein do seguin e modo. O Dasein é o en e que eu
p óp io de cada ez já sou, em cujo se eu como en e es ou en ol ido; um en e, que é –
de cada ez no meu modo – em pa a se
84
. Es a de e minação em o ca á e dis in o da
elação de se que emos com o p óp io en e que nós p óp ios somos e não algo como
um en e da na u eza que es á disponí el pa a se ap eendido. Somos esse en e a odo
o momen o. Heidegge indica que es e é o mo i o pa a designa o que nós p óp ios
somos como Dasein. Dize que somos um humano é, hoje em dia, po mo-nos numa
si uação de análise idên ica à de uma cadei a. Heidegge p e ende com es a no a
designação des aca que Dasein não signi ica um quê. O que o na es a en idade dis in a
não é o seu quê, al como uma cadei a, mas é an es um modo de se . A ca ego ia
undamen al des e en e é o seu como. Um modo de se que me pe ence de cada ez e
espe i amen e - em odas as ins âncias sou a manei a de se . Heidegge p e ende
mos a com es as indicações p elimina es ace ca do Dasein que não pode se
in e ogado nem expe ienciado a pa i de ca a e ís icas ex e io es ou a a és de
compósi os. As de e minações alma, co po, animal acional, es ão localizadas numa
83
O e mo Dasein ab e a possibilidade de uma no a in es igação que se libe a de acepções adicionais
das chamadas ciências sociais, humanas e na u ais. Da-sein é cons i uída pelo ad é bio “Da” e e bo
“Sein”. “Da” é um ad é bio de modo, empo al e local alemão e é no malmen e aduzido po uguês
pa a aí, ali, lá. “Sein” é po sua ez an o um p onome possessi o como um e bo i egula que pode ia
se aduzido po se , es a , exis i ou ica .A espei o da di iculdade da adução do e mo Dasein e da
habi ual o ma de con o na o e mo deixando po o aduzi , I ene Bo ges Dua e diz o seguin e: ”o
segundo [a gumen o], posi i o, com base no a gumen o o e cons i uído pela cons a ação do no um
de sen ido ins i uído pelo uso Heidegge iano do e mo, que não se eduz às acepções adicionais,
ilosó icas ou comuns (‘exis i ’, ‘exis ência’, ‘ ida’, ‘es a p esen e’) “. Ma in Heidegge , Caminhos da
Flo es a, Edições Calous e Gulbenkian.
84
GA 20 §18 : “Ich je selbs bin, an dessen Sein ich als Seiendes ‘be eilig ’ bin; ein seiendes, das is – je
in meine Weise – es zu sein” p.205.
54
dimensão que é alheia ao p óp io Dasein. É como se i éssemos a ala de o a de Dasein.
1.
Se -no-mundo
O Dasein é Se -no-mundo (“In-de -Wel -sein”). Não necessi amos de aze
nenhum malaba ismo pa a i mos ao mundo
85
. Se -no-mundo que dize esidi no
mundo, es a mos dian e as coisas que es ão p esen es no mundo e elaciona mos com
elas. Quando damos po nós es amos já no meio das coisas. Chegámos uns milénios mais
a de
86
. Há um conjun o de de e minações que já es ão p esen es quando chegamos ao
mundo e que não o am in en adas po nós. An es de nasce já os nossos pais nos de am
um nome. A médica já nos iden i icou como sendo menino ou menina. Os pais imaginam
a oupa que i á se es ida. A comida que nos dão à boca é escolhida po eles. Há mãe,
pai e mãe, dois pais, duas mães, nenhum dos dois. A ausência mos a a al a de algo que
es á de e minado. Há os pais dos nossos amigos. O mês do ano e o dia do mês em que
nascemos di am o nosso compo amen o po causa das ases da lua e a elações com os
oceanos. Lemos o ho óscopo pa a sabe o que nos espe a a semana.
2.
Mundo-ambien e e Mundo na u al
O mundo mais p óximo do quo idiano é o mundo-ambien e (“Umwel ”).
Heidegge chama a enção pa a a p e ixo um- que es á p esen e em pala as como
umsich e umgehen. O p e ixo que dize “em edo ” ou “á ol a”. O Umwel é assim o
mundo em ol a de nós, o mundo que nos en ol e, o mundo onde es amos ime sos e o
mundo onde lidamos com as nossas p eocupações. Não se a a apenas de um mundo
em edo ou en ol en e no sen ido me amen e espacial como oi a é ago a analisado
do pon o is a on ológico po Desca es.
a) O mundo como es ex ensa em Desca es
Pa a comp eende mos melho as di e enças en e o mundo na u al e o mundo
ambien e, obse emos dois exemplos de cada desc ição, um espei a ao mundo na u al
e o ou o ao mundo ambien e (C . GA 63 §§19 e §20).T adução nossa:
“Ela [a desc ição] pode se p ocu ada na mais pu a das banalidades: o
85
Veja-se CT p.35
86
“Não é o p incípio nem o im do mundo Calma é só um pouco mais a de”. Manuel An ónio Pina.
55
pe manece em casa, es a na sala, onde nos depa amos com algo como ‘uma mesa’! E
como é que nos depa amos com ela? Uma coisa no espaço; como coisa no espaço é po
isso ma e ial. É pesada de um ce o modo; es á pin ada de um ce o modo, o mesmo
pa a a sua o ma, com um ampo e angula ou edondo; uma de e minada al u a, uma
la gu a, com uma supe ície lisa ou áspe a. A coisa pode se desmon ada, queimada ou
de um ou o modo des ei a. Es e ma e ial, que pode se pe cecionado a pa i das mais
a iadas di eções, a coisa no espaço, mos a-se como p esen e semp e a pa i de um
de e minado lado, na medida em que um de e minado aspe o pa cial é con ínuo nou o
a a és da igu a no espaço com que a coisa an e io men e des acada ansbo da, e
assim em dian e. Os aspe os mos am-se e e elam-se como no os a da -se a ol a à
coisa; al como um is o a pa i de cima ou ou o a pa i de baixo se pe cecionam. Os
p óp ios aspe os ocam de no o com a iluminação, a dis ância e momen os a ins com
a posição das pe ceções.” E con inua:
“A p esença assim co pó ea das coisa dá a possibilidade pa a es abelece algo
sob e o sen ido do se e se eal de um ce os obje os. Ce os obje os são
au en icamen e as ped as e coisas na u ais a ins. Vis a mais de pe o, a mesa é ainda
algo mais; ela não é apenas uma coisa no espaço ma e ial, mas é ambém ainda do ada
com de e minados p edicados de alo : é bem ei a, ú il; ela é um equipamen o, um
mó el, uma peça de deco ação. O âmbi o comple o do eal deixa-se assim epa i em
dois einos: coisas na u ais e coisas alo , onde a úl ima em semp e em si uma isão do
seu se com base em coisa na u al. O se au ên ico do se da mesa é: uma coisa ma e ial
e espacial.”
87
87
GA 63 §§19:” Es sei die eins e All äglichkei au gesuch : das Ve weilen zu Hause, Im-Zimme -sein, wo
am Ende so e was begegne wie “ein Tisch”! Als was begegne e ? Ein Ding in Raum; als Raumding is es
dazu ein ma e ielles. Es is so und so schwe ; so und so ge ä b , so ge o m , mi ech eckige ode
unde Pla e; so hoch, so b ei , mi gla e ode auhe Fläche. Das Ding kann ze s ück , e b ann ode
sons wie au gelös we den. Dieses ma e ielle, so nach den e schiedenen Rich ungen mögliche
Emp indba kei sich da bie ende Raumding zeig sich als daseiendes imme nu o eine bes imm en
Sei e, so zwa , das sein solche Sei enaspek kon inuie lich in die ande en du ch die Raumges al des
Dinges mi o gezeichne en übe liess , und so o . Die Aspek zeigen sich und ö nen sich imme neu in
einem he umgehen um das Ding; wiede ande e in einem on oben He umgehen um das Ding; wiede
ande e in einem on oben He absehen au es ode on un en he wah nehmen. Die Aspek e selbs
wechseln wiede nach Beleuch ung, En e nung und de gleichen Momen en mi dem S ando des
Wah nemenden. Das leibha e So-dasein des Dinges gib die Möglichkei , übe den Sinn on Sein und
Wi klichsein solche Gegens ände e was auszumachen. Solche Gegens ände sind eigen lich die S eine
und de gleichen Na u dinge. Nähe besehen is abe de Tisch noch e was meh ; e is nich nu ein
ma e ielles Raumding, sonde n dazu noch ausges a e mi bes imm en We p ädika en: schön
56
A segunda desc ição é a seguin e:
“Nessa sala aí es á aí a mesa (não uma mesa jun o de mui as ou as em ou as
salas e ou as casas), nela pode-se sen a pa a esc e e , pa a come , pa a cose , pa a
b inca . Pode se is a, po exemplo, numa isi a, como: é uma mesa pa a esc e e ,
mesa de jan a , mesa de cos u a; encon a-se p imei amen e ela p óp ia assim. O seu
ca á e de “pa a algo” não é p imei o pos o de lado baseado numa elação de
compa ação com base numa ou a coisa, que ela não é.
O seu es a aí na sala que dize : ela p o agoniza uma unção de ce os usos
ca ac e ís icos; pa a is o e aquilo não é p á ica, é inap op iada; pa a is o é de ei uosa;
ela es á na sala melho que an es, em melho iluminação po exemplo; an es ela não
es a a nada bem pa a... . Aqui e ali mos a um isco que os miúdos ize am na mesa;
es e isco não é uma in e upção casual da pin u a mas an es: o am os miúdos e aquele
isco ambém. Es e lado não é o lado que es á pa a oes e, nem es e lado é uns cm mais
cu o que o ou o, mas an es o lado no qual a esposa se sen a à noi e, quando ainda
que le ; na mesa i emos em ce a al u a es a e aquela discussão; aqui i mou-se uma
decisão com um amigo, aí oi esc i o um abalho, celeb ámos uma es a.
Es a é a mesa, é ela aí na empo alidade da quo idianidade, e como al ela e á
al ez á ios anos pela en e, a é se encon ada no chão, es acionada e inu ilizada,
como ou as coisas, como po exemplo um b inquedo gas o e i econhecí el – é a minha
in ância. No só ão num can o es á um pa de skis an igos; um es á queb ado; o que aí
es á, não são coisas ma e iais, com di e en es comp imen os, mas an es os skis de um
ou o empo, com os quais iz iagens a iscadas com es e e aquele. Es e li o que oi aí
o e ecido po X; esse aí encade nou o encade nado ; es e ainda enho que le a a ele;
es i e em seu edo mui o empo a ba e -me; isso aí é uma comp a supé lua
desnecessá io, um iasco; es e ainda enho de le ; es a biblio eca não é ão boa como a
de A, mas bem melho que de B; es a coisa não é assim algo com que se possa e mui o
p aze ; o que os ou os disse am des a ap esen ação, e po aí em dian e. São es as as
gemach , b auchba ; e is Ge ä , Möbel, Auss a ungss ück. De Gesam be eich des Wi klichen läss
sich demnach in zwei Reiche au eilen: Na u dinge und We dinge, welche le z e en in sich imme als
seine G undshich ih es seins das Sein als Na u ding haben. Das eigen lich Sein des Tisches is :
ma e ielles Raum-ding.”
57
ca ac e ís icas encon adas. O a is o é pe gun a , como elas azem a di e ença do se aí
do mundo.”
88
Heidegge chama a enção pa a algo de pa icula e cons i u i o no mundo-
ambien e do quo idiano. Desc e e os con eúdos do mundo-ambien e a a és de
ca ac e ís icas obje i as e na u ais apenas encob i ia o “ a amen o” no “ a a de algo”
“ocupa -se de…/com…” com que aduzimos o di ícil e minus echnicus “Beso gen” que
es á p esen e em odos eles. Tal como Heidegge indica, quando nos i amos pa a as
coisas já se pe deu a base p é- enomenal.
Como e e imos an e io men e o mundo en ol en e do quo idiano é o mundo
ca ac e izado po uma mul iplicidade de modos e manei as de lida mos com as nossas
p eocupações. Os en es que encon amos no mundo-em- edo não são obje os
cogni i os e eó icos com os quais apenas emos uma elação eó ica ou pe ce i a ou
con empla i a se assim o quise mos pô . Es a i o implica um cuida de si. É pa i des e
cuidado que nos elacionamos com os con eúdos que são ap esen ados pelo mundo
(“So ge”).
88
GA 63 §20: “In dem Zimme da is es de Tisch da (nich ‘ein’ Tisch neben ielen ande en Zimme n
und Häuse n), an den man sich se z zum Sch eiben, essen, Nähen, zum Spielen. Man sieh es ihm, z.b.
bei einem Besuch, gleich and: Es is ein Sch eib isch, Ess isch, Näh isch; p imä begegne e so an ihm
selbs . De cha ac e des ‘zu e was’ wi d ihm nich e s zugeschoben au g und eine e gleichenden
Beziehung au e was ande es, was e nich is . Sein Das ehen in Zimme besag : in dem so und so
cha ak e isie en Geb auch diese Rolle spielen; das un das an ihm is únp ak isch’, ‘ungeeigne ’; das is
schadha ; e s eh je z besse aos ühe un Zimme , besse e Beleuch ung zum Beispiel; ühe s and e
übe haup nich gu ( ü ….). Da und da zeig e S iche – an dem Tisch machen sich die Buben zu
scha en; diese s iche sind nich die nach Os en, und das sind sie noch. Diese Sei e is nich die nach
Os en, und diese schmale um so iel cm kü ze als die ande e, sonde n die, an die Tisch da üh en wi
damals die un die Diskussion; hie iel damals jene En scheidung mi einem F eund, da wu de damals
jene A bei gesch ieben, jenes Fes ge eie . Das is de Tisch, so is e da in de Zei lichkei de
All äglichkei , und als solche begegne e ielleich nach ielen Jah en wiede , wenn e au dem boden,
als abges ell und unb auchba , ange o en wi d, so wie ande e ‘sachen’, z.B. ein Spielzeug e b auch
und as unkenn lich, - es is meine Jugend. Im Kelle in eiche Ecke s ehen ein Paa al e skie ; de eine
is du chgeb ochen; was da s eh , sind nich ma e ielle Dinge, die e schieden lang sind, sonde n die
Skie on damals, on jene waghalsigen ah mi dem und dem. Dieses buch da is geschenk on X;
dieses da ha de und de Buchbinde gebunden; dieses muss demnächs zu ihm hingeb ach wa den;
mi dem habe ich mich lange he umgeschlagen; das da is eine unnö ige Anscha ung, ein Rein all; das
muss ich e s noch lessen; diese Biblio hek is nich so gu wie die on A, wei besse als die on B; diese
Sache is nich so, dass man seine F eude da an haben wi d; was we en die ande em zu diese
Au machung sagen, und de gleichen. Das sind Begegnischa ak e e. Je z is zu agen, wie sei das Dasein
de Wel ausmachen.”
64
O se -com é um ca á e do Dasein co-o iginá io com se -no-mundo. Não é uma
ca ac e ís ica de i ada do se -no-mundo apesa de e sido ap esen ada
sequencialmen e aqui e nos p óp ios ex os de Heidegge . A ausência do ou o apenas
é possí el no sen ido em que o Dasein é se -com. O modo es a -sozinho (a ausência do
ou o) apenas é possí el po que o Dasein é se -com. Es a sozinho é um modo de ici á io
de se -com que apon a pa a o ca á e posi i o do se -com
99
.
Po ou o lado, Heidegge mos a como o se -com é cons i u i o do se -no-
mundo pelo a o de não se necessá io a me a p esença ísica dos ou os pa a es a mos
ou não es a mos sozinhos. Podemos es a sozinhos em casa a esc e e um ex o e isso
não signi ica que deixámos de se -com. Mesmo que os ou os não sejam
pe cepcionados, isso não e i a ao Dasein o ca á e se -com. O me o ou i de um ba ulho
no anda de baixo diz-me que há um ou o, mesmo sem es abelece mos uma elação
cogni i a com o ba ulho. E se essa elação cogni i a o es abelecida en ão pensa emos
algo como: ou imos um cadei a a mexe -se, en ão alguém se le an ou; ouço ba ulho
dos p a os, alguém es á a la a p a os; ouço o mo o do ca o, alguém conduz o ca o.
O pon o decisi o é que não é necessá io e pe cepção dos ou os pa a e mos noção
que con inuam p esen es. Se encon a mos no meio da lo es a uma embalagem que
que o a p io i es á undado na egião das coisas e dos en es, é ele p óp io demons á el a a és da
simples in uição. Não é deduzido indi e amen e a a és de indícios p esumidos do eal calculados
hipo e icamen e, como po exemplo se deduz a exis ência de ce os co pos a pa i dos mo imen os de
ou os co pos que não são isí eis. É absu do anspo es e modo de obse ação, que em sen ido na
á ea da ísica, pa a a iloso ia bem como assumi uma es a i icação dos co pos e a ins. O a p io i é ele
p óp io cap á el de uma o ma bem mais di e a. Com is o chegamos a uma ou a de e minação do a
p io i: O an e io não é nenhuma ca ac e ís ica na sequência o denada da cognição, mas ambém não é
nenhuma na o dem sequencial de en idades, mais p ecisamen e na o dem sequencial da o mação de
um en e a pa i de um en e. O a p io i é pelo con á io o ca ác e da cons ução sequencial no se dos
en es na on ologia (“Seinss uk u ”) do se . Fo malmen e, o a p io i não p essupõe nada se es e an e io
é o comp eende ou a cognição ou seque diz espei o a qualque compo amen o, nem se é um en e
ou o Se como nos é passado o concei o de se g ego a que segundo Heidegge nos chega a és da
adição. Isso não é passí el de se concluído a a és do sen ido o iginal do a p io i. Os des aques que
izemos do a p io i: p imei o o seu âmbi o uni e sal e indi e ença em elação à subje i idade, segundo o
seu modo de acesso (simples cap a , in uição o iginal) e e cei o a p epa ação da de e minação do a
p io i como um ca ác e do Se dos En es e não o um en e ele mesmo, ab e-nos o sen ido o iginal do a
p io i e é pa icula men e essencial que o seu signi icado depende da cap ação cla a da Ideação.
Quando nós omamos em conjun o o a o de ideação e o sen ido de a p io i, e ap oximamos do nosso
obje i o p incipal, a comp eensão do sen ido da enomenologia como mé odo de in es igação. C . GA20
§§7.
99
No mesmo sen ido, o eu é uma ca ego ia que es á undada na possibilidade do u, um ou o eu a
quem o eu se di ige, e o ele, um ou o eu a quem o eu não se di ige que pode es a na elação de u com
ou o eu. No mesmo sen ido, não há um nós, sem um ou o eu. Não há eu sem u. O u e o nós e o çam
o ca á e do eu a a és de ou os eu.
65
nunca enhamos is o an es, não iniciamos uma in es igação ace ca que en e e á
p oduzido essa embalagem. Pensa emos que alguém deixou is o aqui. Se uns com os
ou os é uma noção a p io i. Tan o assim que an ecipamos ou os que nunca imos e
ainda não conhecemos. Es a i o é es a expos o à possibilidade de ou os apa ece em
a é quando não ão apa ece nunca. Temos cons an emen e p esen e que alguém não
eu es á ambém aí
100
. O Dasein enquan o se -no-mundo coincide com se -com-ou os
- é no mundo com ou em e em mundo com ou em. T a am e cul i am o mesmo
mundo nos a aze es do quo idiano.
No quo idiano ninguém é ele mesmo. Impo a cla i ica o que que emos dize
com isso. No quo idiano, o que eu sou, u és, ele é, ninguém é
101
. A melho igu a des e
ninguém es á p esen e na pe gun a que mui as ezes azemos, seja em euniões de
abalho, seja uma ca a que ecebemos, seja alguém de que alamos e que é “Quem é
ulano, bel ano ou sic ano ?” A maio ia das ezes espondemos, “é o che e do p oje o”
ou o “é o p o esso ” ou “é o canalizado ”. As espos as dadas êm em is a ca gos que
ocupamos, a e as que execu amos, unções que desempenhamos, abalho que
ealizamos. A espos a não é alguém em pa icula . É o que essa pessoa az. Ou seja, no
quo idiano odos somos de e minados pelo que azemos. Somos médicos, engenhei os,
p o esso es, e c...
Ou a das ca ac e ís icas des e ninguém é que, não sendo ninguém não é nulo
nem é nada. Es e en e mani es a-se no quo idiano nas mais a iadas o mas. Não pode
se is o como como emos um p édio ou uma cadei a ou alguém pela sua p esença
ísica. Heidegge chama a enção, mais um ez, pa a in es igação enomenológica: An es
de qualque pala a é p eciso e p imei o o enómeno e depois en ão pode ão i os
concei os. Es e se impessoal que em alemão co esponde ao “Das Man” (“Man sag ...”),
em inglês “One” (“one says ha ....”) e em po uguês ao se impessoal, es á p esen e
como a en idade pública que pe mi e que se ale das coisas sem que se eja do que se
es á a ala mas que se pe ceba do que se es á a ala . Es a en idade é o p óp io
100
Veja-se Paulo Lima, Being-alone in young Heidegge :“Being-wi h’s a p io i cha ac e has he e o e o
do wi h he ac ha p io o any p esen a ion o ano he (and making such a p esen a ion possible) he
o m o meaning “ano he like me” is al eady silen ly unc ioning”. p.13.
101
CT:”Was e is und wie e is , das is niemand: keine und doch alle mi einande . Alle sind nich sie
selbs .”, p.38 e p.39
66
en endimen o comum. Não é ninguém em pa icula mas odos em ge al. Po exemplo,
diz-se que le az bem, a iloso ia es u u a o pensamen o e pe mi e que as pessoas
pin em, is am e pe u em, ou não, o co po. O seguin e exemplo pode á ilus a a
p esença do se impessoal. Es amos no comboio de Lisboa pa a o Po o pa a uma eunião
de abalho. O comboio pá a ab up amen e. Não pe cebemos po quê. Não há es ações
à nossa ol a. Olhamos uns pa a os ou os, pa a os ou os passagei os, amos à p ocu a
de uma explicação. Ninguém diz nada. Olhamos uns pa a os ou os pa a e o que aze .
Não es á ninguém po pe o com a Fa da da companhia dos comboios. A a da az
consigo a ideia de que a pessoa que o es e sabe á o que acon eceu. En e an o chega-
nos a a és de um bu bu inho que alguém e á sido “colhido”. Há um p imei o es ado
de pe plexidade e ho o . Sen e-se o descon o o de oda a gen e. Alguém e á alecido.
A é que su ge a explicação do que acon eceu. “Nes a al u a do ano es e ipo de
si uações são no mais. Eles a i am-se”. O al i alan e indica que es ão a agua da os
bombei os. Com o empo, os passagei os eg essam aos es es que es a am a co igi ,
aos li os que es a am a le e às con e sas que es a am a e . Tudo is o enquan o os
bombei os azem o que é supos o aze em. O comboio e en ualmen e e oma a
ma cha. En iam-se as mensagens “Não ou chega a ho as. O comboio a asou-se”. O
condu o em nome da companhia de comboios diz “Pedimos desculpa pelo incómodo”.
Es e “ odos e ninguém”, que es á em di e en es momen os no que oi acima
desc i o, e i a ao Dasein a possibilidade de escolha, a o mação dos seus p óp ios juízos
e a es ima pelos seus p óp ios alo es. Há uma comunidade in ei a a segu a o Dasein
ao assen o do comboio e a dize -lhe que espe e, po que en e an o alguém i á e
esol e á o p oblema. O “Das Man” e i a ao Dasein o peso das suas decisões
102
. O
“Das Man” é quem di a ao Dasein pa a segui o que es á es abelecido nos p o ocolos e
nas eg as que odos sabemos que exis em mas ninguém é esponsá el po elas em
pa icula . Fala pelo condu o quando diz “Pedimos desculpa pelo incómodo”. Re i a o
peso à si uação e pe mi e que cada um de nós con inue com as suas idas. Que o
p o esso con inue a educa , o esc i o a esc e e , que o o ado aça a sua con e ência
e que seja i mado mais um con a o com um no o clien e.
102
GA 20 §26: “Dieses Man (…) dik ie die Seinsa de all äglichen Daseins” p.338
67
Quem é que au en icamen e alou quando oi di o “Pedimos desculpa pelo
incómodo.” ? É nes a pe gun a que emos que o quem é “ninguém em pa icula ”.
Responde “o condu o do comboio” apenas apon a pa a o que o Dasein az no
quo idiano não pa a quem o Dasein au en icamen e é. Quem alou a a és dos
al i alan es oi es e “ninguém em pa icula ” pa a um “ odos em ge al”. Es e ninguém
co esponde ao modo quo idiano do Dasein. É cons i u i o do Dasein e nesse sen ido é
uma das de e minações undamen ais do p óp io Dasein. A es e modo do Dasein,
Heidegge designa-o de modo inau ên ico
103
.
Heidegge c i ica uma adição ilosó ica que enha como ese que numa
p imei a ins ância haja indi íduos encapsulados em si mesmo, echados no seu p óp io
mundo e que depois a a és das in e ações cons uam o mundo comum. Heidegge
a i ma an es que a p imei a coisa dada é o mundo comum. Quando nascemos, pode á
ha e uma comp eensão comum do que o menino e uma menina de em es i . Os
apazes não es em as saias e as meninas usam bandole es. Há co es emininas e co es
masculinas. Algumas des as concepções acabam po se des uídas, es ando apenas o
seu lado cada é ico e mons uoso. Ou as pe manecem e apenas se dão a mos a em
alguns ins an es. Que emos que os nossos ilhos sejam elizes, que emos que enham
um emp ego que enham sucesso na ida mesmo que isso co esponda a um isa no
azio. Todo o Dasein se desen ol e a pa i de um mundo comum. As de e minações
são usadas pa a in e p e a o mundo comum. Essa in e p e ação é dominada pela
quo idianeidade e pela adição.
5.
A es u u a da an ecipação no cuidado de si
A ca ac e ização ôn ica do Dasein é al que, “é o seu se que es á em jogo”
104
é
o en e a quem impo a o seu se ao exis i , mea es agi u , “eu a o da minha ida”. Is o
é comigo. Eu enho de e aquilo de que ou a a , in e p e a o que posso se , o que
ou aze e como ape eiçoo-o essa ocupação - a que emas me ou dedica .
É es e es a com as coisas, não es a aqui mas aí nas coisas, i ado pa a elas, no
103
SuZ §27 :”Man is in de Weise de Unselbs ändigkei und Uneigen lichkei .” p.128
104
Veja-se CT p.41
68
que ou aze pa a a semana, que li os ou le , que emas ou es uda , que sessões
zoom ou a ma ca , numa pala a: em odas as possibilidades que su gem dia a dia,
semana a semana, com que in e agimos uns com ou os na ida nes e mundo. O
in en um es á semp e depos o num ho izon e de an ecipação. A cadei a é in e p e ada
nesse ho izon e de an ecipação. É es e o sen ido da in e p e ação, conside a algo como
algo – uma cadei a pa a se sen a
105
.
Se eg essa mos ao exemplo da cadei a, o seu sen ido es á semp e dependen e
do que o Dasein an ecipa. E o que o Dasein “que aze ” com a cadei a es á encadeado
com uma ou a an ecipação que po sua ez e á em is a uma ou a an ecipação. A
cadei a an o pode se um obs áculo pa a en a na sala de aulas onde dou aulas, como
pode se aquilo que me pe mi e esc e e , ou ainda, pode se o p óximo abalho numa
o icina de ca pin a ia, um abalho que man ém a o icina e que man ém a adição dos
pais. É o se aí que de e mina o sen ido da cadei a. Não é apenas a cadei a, é essa
cadei a aí. A cadei a é o ainda não que dá sen ido ao es a ocupado e ao po i do
p óp io Dasein. É es e o momen o es u u al do cuidado: O Dasein é o an ecipa -se a si
p óp io quando já es á semp e en ol ido em alguma coisa
106
.
6.
Encob imen o e Fuga
A an ecipação pode se de e minada pela in e p e ação comum e dominan e do
ninguém do quo idiano onde o Dasein é conduzido pelo que se diz que se de e aze ,
po que aze is o ou aquilo em boas saídas p o issionais. Em odo o caso, não só es a
p ocu a pela ocupação, como ambém o ap oxima -se pa a se acos uma a uma
possibilidade ôn ica é uma uga (“Fliehen”). A ques ão que i emos e ago a é
p ecisamen e do que é que o Dasein se escapa quando p ocu a uma in e p e ação
dominan e no quo idiano.
A uga acon ece quando emos medo de alguma coisa. Esse algo de que emos
medo em ca ac e ís icas ameaçado as. Heidegge ambém cla i ica que é o medo
105
GA 20 §31 d): “Alle auslegung als ansp echen on e was als e was leg aus in einem schon-sein-bei.”,
p.414
106
GA 20 §31 a): “das Sich- o weg-sein des Dasein in seinem imme schon Sein bei e was.”, p.408.
69
enquan o disposição que pe mi e ao Dasein e a ameaça. Sem medo não há algo de
ameaçado . O medo su ge pe an e uma de e minada p eocupação se mos incapazes de
lida com o que é ameaçado . O ca á e ameaçado coloca em pe igo a p eocupação ou
o p oje o da p eocupação
107
.
Repe imos ago a a pe gun a, do que é que o Dasein oge quando p ocu a a
amilia idade do es a abso o numa a i idade ou quando p ocu a a espos a dominan e
no quo idiano ? Não há p op iamen e algo na ausência de uma espos a. Há apenas essa
ausência. Não é isso ou aquilo mas é o p óp io se -no-mundo que é um luga es anho
e não amilia quando não es amos ocupados com alguma coisa. Não é, ob iamen e, o
não aze nada que no malmen e se usa numa dia despe diçado a aze coisas que não
azem pa e duma de e minada p eocupação como po exemplo a cu iosidade ou o
en e enimen o. É, sim, o nada que se az sen i quando não sabemos o que aze ou
não emos nada que aze . A angús ia que se az sen i é esse “eu sou” no sen ido de se
um como e não o quê. Não há um undamen o pa a o seu se e é o seu p óp io se que
es á em jogo. O ”eu sou” é a ameaça do “eu sou”
108
. O Dasein oge des a es anheza
pa a se deixa se de e minado pelo mundo e as coisas a que se dedica.
Es a es anheza é uma o ma especial de e medo
109
. É o medo de que o p óp io
medo não se aça mais sen i . O medo que o Dasein em de não ha e mais al as de
espos as nem seque de ha e mais pe gun as; o medo de não es a mais cá pa a se
ba e com os p oblemas. Não ha e á mais a asos, nem chega a ho as. É o medo do im
da in encionalidade; o medo de não ha e mais um di eciona -se pa a, nem ha e mais
an ecipação. É o medo do im de um amo , o medo do nosso g ande amo , no sen ido
pla ónico do e mo - o único amo que alguma ez i emos. É o medo do aí sem se . O
im do in en io e da lucidez. O Dasein ape cebe-se do seu im e ape cebe-se ambém
que apesa de es e im se uma ce eza o seu quando é inde e minado
110
.
107
Veja-se GA 20 §30 p.395
108
GA 20 §30: ”Das Wo o und das Wo um de Angs is beides das Daseins selbs ” p.402
109
Philip La kin, Aubade: “This is a special way o being a aid”.
h ps://www.poe y ounda ion.o g/poems/48422/aubade-56d229a6e2 07
110
CT: ”Es is ein Vo lau en des Daseins zu seinem Vo bei als eine in Gewisshei und öllige
Unbes imm hei be o s ehenden aüsse s en Möglichkei seine selbs ” p.46 e p47
70
Repe imos ago a a pe gun a, do que é que o Dasein oge?
“A segunda- ei a de manhã az em si mesma a pe eição de não que emos se
quem somos, de que emos es a pa a além de nós, pa a além de udo, em suma, pa a
além da ida (....). A angús ia, al como uma segunda- ei a de manhã, sol a-a”
111
. As
segundas- ei as em em si mesmo odos os dias da semana. A segunda- ei a é uma
an ecipação da semana oda e do p óp io im da semana. A segunda- ei a é o p incípio
que sabe do seu im. Pa a Heidegge , a Filoso ia do seu empo ao en a e igi alo es,
sis emas encob e a nudez do se -no-mundo. Es a segu ança encob e a ac icidade, ou
seja, que a ida não pode se des ei a, e que es amos cons an emen e a se o que não
omos em di eção ao que ainda não somos. Fala das manhãs de segunda- ei a sem es a
ime so nelas é um encob imen o.
Na ace de uma pe gun a inquie an e, a endência pa a uma espos a imedia a,
a cu iosidade pa a se sabe o seu inal, a endência pa a sabe mos se é de uma manei a
ou de ou a, se es amos ce os ou se es amos e ados, essa uga da es anheza que se
az sen i quando a isão do caminho é obscu a e não e ela se adian e es á o pe igo ou
a sal ação, é, só po si mesma, um a as amen o da iloso ia. Filoso a é habi a essa
es anheza. É amilia iza -nos com a es anheza que se az sen i pe an e a p ocu a e
ausência de uma espos a. A es anheza su ge do desassossego de uma p ocu a i al da
p oximidade e encon a semp e uma dis ância ainda maio . Filoso ia é, assim, uma
pulsão pa a aze do mundo a nossa casa; o mundo enquan o um ainda não que se ai
simul aneamen e des elando e elando a cada passo. Faze do mundo a nossa casa é
aze da es anheza a nossa casa
112
.
111
(Caei o, Um dia não são dias 2015). p. 20
112
Veja-se GA 29/30 §2 p.7
71
Conclusão
Chegados a es e pon o impo a ago a suma iza os esul ados ob idos e en a ,
de algum o ma, ap esen a e ema a os pon os que omos deixando em abe o ao
longo do pe cu so. Se as abe u as in oduzem algo de no o, en ão os inais são
absolu os
113
.
Te minamos a disse ação com o enómeno da uga e as á ias ugas que o
Dasein pode o ganiza . A es anheza oco e quando o in en um é o p óp io Da-sein e o
p óp io Da-sein se ape cebe que se -no-mundo é um como e não o quê. A es a
es anheza de se um como e não o quê e não sabe o que aze , o Dasein pode á
o ganiza di e en es ipos de ugas. Mos amos apenas algumas delas. Apesa de não
e sido explici ado, es as ugas podem se di ididas en e ugas inau ên icas e ugas
au ên icas. Mos amos p elimina men e a p ocu a de uma espos a no “Das Man”, nos
ou os. Ou seja, p ocu a nos ou os, na opinião, na in e ne , no en e enimen o e nas
edes sociais o que de emos aze . Es a uga cose os bu acos do man o que o Dasein
em dian e de si. Não oi possí el mos a o enómeno da cu iosidade, ala ó io e
ambiguidade e como es es enómenos o alecem o papel da adição e do
encob imen o. Segundo Heidegge , Há no en an o a possibilidade uma uga au ên ica
da angús ia. Essa uga dá-se quando o Dasein não eco e à adição pa a e as coisas
como elas são, o enómeno em si, e se ape cebe que o seu como é an ecipação com
uma es u u a complexa da So ge que não oi de alhada com su icien emen e de alhe
mas que consis e no en ol e -se em coisas com as quais já es á en ol ido pela sua
cons i uição undamen al de se -no-mundo e de nasce já num de e minado con ex o.
Nasce em Po ugal e não na Alemanha. Os pais são p o esso es e não ad ogados, e c....
O Dasein ape cebe-se que o seu empo es á cons an emen e e passa e que
ha e á um im a odo o es o ço e a oda a lucidez. Apesa de não sido mos ado,
Heidegge na essência do undamen o, ap o unda a es u u a da in encionalidade como
cuidado de si mos a como o Dasein, apesa de se uma lonju a de si mesmo, ai-se
ap oximando como um assín o a de si man endo semp e uma dis ância p imo dial.
Fundando as suas aízes na an ecipação. Te íamos que e mais em de alhe es a
113
Te y Eagle on e Miguel Ma ins, Como Le li e a u a, Edições 70 2021 p.20 e p.21.
72
possibilidade, mas a es u u a da epe ição aumen a as aízes. A pe manência no
mesmo e nas mesmas coisas pe mi e ao Dasein uga e cobe u a au ên ica. A p óp ia
es u u a da epe ição pe mi e descob i o no o que em no u u o com base no
passado. No plano ôn ico is o co esponde ia a qualque coisa como: um lu ado de
a es ma ciais pode in e cala en e Ju Ji su, Muay Thai, Ka a e mas nunca deixa de se
um lu ado de a es ma ciais. Há epe ição, há no idade mas ambém há con inuidade.
A es u u a do e c... mos a bem a ca ac e ís ica on ológica. ”Foi lu ado de Ju Ji su,
Muay hai, e c...”
Po ou o lado, a dispe são semp e na no idade le a a um a as amen o cada ez
maio de si. Se obse a mos o seguin e exemplo, não emos con inuidade. Apenas
dispe são: “O Rui jogou u ebol, ez um p og ama de compu ado , Plays a ion, iloso ia,
lu ou, esc e eu um li o, e c...” . Aqui o Dasein, es á apenas depos o nas coisas, dispe so
sem aiz, não exe cendo a sua libe dade no sen ido posi i o. Deixa-se de ini in-
au en icamen e.
De qualque das o mas, apesa de não e sido mos ado, há á ios ní eis na
inau en icidade. A dispe são nas mais a iadas coisas pode á se exe cida no plano
ôn ico a di e en es ní eis e não co esponde necessa iamen e como os exemplos a ás
pode ão mos a a escolhas em busca do p aze ou simplesmen e idio as. O mundo e os
ou os pode ão es a na o igem dessa dispe são. Bas a e como exemplo os e ugiados
que são ob igados a abandona a sua casa de ido à gue a ou a desas es na u ais e que
as possibilidades ôn icas sejam idên icas ao exemplo do Rui acima e e ido. Tudo is o
e ia que se analisado em maio de alhe.
A p óp ia es u u a da epe ição e ia que se is a mais em de alhe e em
conjun o com a o de ideação que Heidegge desc e e nomeadamen e a es u u a
complexa dos a os undados. Analisa e mos a como Heidegge o az, na essência do
undamen o, a possibilidade do no o. Ou seja, da descobe a de algo comple amen e
no o. Mos a como é que se dá essa descobe a. Tal como Heidegge o az na
enomenologia. As di e enças da enomenologia de Heidegge e Husse l não o am
su icien emen e de alhadas. Ou seja, há uma su p eenden e con inuidade en e a
he menêu ica in ui i a de Heidegge e a in uição eidé ica de Husse l que le a a
73
esul ados comple amen e di e en es e que não são isí eis a pa i do plano ôn ico, ou
seja, a pa i dos ac os his ó icos de cada um. Ten ámos e isso a a és do p óp io
pe cu so da enomenologia e como Husse l ao p oblema iza B en ano descob iu a
in uição ca ego ial. O mesmo se aplica a Heidegge que a a és da sex a in es igação de
Husse l descob e a in encionalidade e a es u u a da an ecipação. Aqui al ez osse
necessá io, abo da a ques ão da His o icidade e a impo ância que Dil hey e e em
Heidegge e a impo ância pa a sua enomenologia.
De qualque das o mas, e no que diz espei o ao ema da disse ação, a
enomenologia, o pon o a que que íamos chega é como a enomenologia é
pe manência e não uga pe an e angús ia. O modo enomenológico do Dasein, se assim
o podemos dize , é pe manece ace à angús ia pa a deixa as coisas mos a em-se. Não
só os en es mas o p óp io Dasein. É não i ao encon o de coisas com base numa
p econcepção, mas deixá-las mos a a pa i de si p óp ias. O Dasein encon a a
angús ia ao in es iga -se.
De qualque das o mas que íamos deixa cla o que a Filoso ia, e o mé odo
enomenológico, pa a Heidegge não é um olha dis anciado da ida á ica mas é o
Dasein a se alado pela ida á ica se . O Dasein é po ado da libe dade de pe manece
na es anheza ou deixa -se cap a pelas coisas. Filoso ia é habi a o es anho e ala
sob e essa es anheza. Heidegge mos a no §29 de SuZ como as disposições do medo
e angús ia não em sido analisadas iloso icamen e, pelo menos no seu empo, em pa e
de ido aos caminhos segu os que a iloso ia omou a a és da con emplação dis anciada
como se i esse a ala de o a da p óp ia ida, al como os bo ânicos alam das plan as.
A pa i daqui se ia impo an e des aca di e enças en e a enomenologia de Heidegge
e de Husse l. A edução eidé ica como o ma de des-mundaniza e com es e a o é já um
modo de encob imen o se ia um pon o de pa ida.
Ten amos a maio pa e das ezes le aos ex os o iginais pa a aseando ou
encon ado na nossa p óp ia i ências as desc ições mais adequadas. Em a os
momen os op ou-se po aduções in eg ais. Isso acon eceu com mais equência e
in ensidade na p imei a pa e da disse ação, nomeadamen e no con ex o his ó ico e
na análise da in encionalidade. Po ques ões es a égicas e de al a de empo, no caso