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O Jornalismo desportivo enquanto uma enquanto uma forma hibrída de jornalismo: ocaso do zerozero

Carvalho, Francisco Paulo

Abstract

Com a sua evolução enquanto área profissional, o jornalismo foi-se ramificando em diversas editorias e especializações, entre as quais se engloba o jornalismo económico, político ou cultural, mas também o desportivo. Esta última foi, desde sempre, vista de uma forma diferente, especialmente entre os pares, devido às características que lhe são inerentes face às temáticas abordadas e à forma como é feito. O presente estudo foi realizado com base num estágio curricular no zerozero, um jornal desportivo online, durante quatro meses, e tem como objetivo perceber quais as características do conteúdo produzido por um órgão de comunicação social especializado na área do Desporto, procurando entender se o mesmo se afasta daquele produzido noutras editorias e se aproxima de algo considerado como entretenimento ou se mantém, de forma geral, características semelhantes aos seus pares. A metodologia usada conjugou a análise de conteúdo aos artigos mais lidos pelo público do zerozero durante o tempo de estágio, assim como ao conteúdo áudio e multimédia produzido, conjugando com uma entrevista exploratória. Os resultados mostram que, de modo geral, o jornalismo desportivo segue as mesmas características que aquele produzido noutras áreas, tendo sempre por base a temática abordada e variando consoante o formato com que é apresentado.

Full text

1 O Jo nalismo Despo i o enquan o uma o ma híb ida de jo nalismo: o caso do ze oze o Ri a Robalo Rosa agos o, 2021 Rela ó io de Es ágio Mes ado em Jo nalismo F ancisco Paulo Ca alho, Jo nalismo Despo i o enquan o uma o ma híb ida de jo nalismo: o caso do ze oze o, 2021 2 Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Jo nalismo ealizado sob a o ien ação cien í ica do P o esso Dou o An ónio G anado 3 Ag adecimen os À minha Mãe, que an o me auxiliou ao longo des es anos e pe mi iu que eu con inuasse e não desis isse dos es udos. Ao meu I mão, o meu melho amigo e que me aleg a semp e nos momen os mais di íceis. À Ri a, o meu maio apoio, que an o a u ou nos úl imos anos, e a pessoa que es á semp e lá pa a mim e me mo i a a se melho odos os dias. Aos meus A ós, que, longe ou pe o, ajuda am a aze de mim o que sou hoje. Ao Miguel, Vasco e Ma im, os meus amigos de longa da a, que c esce am comigo e ize am-me c esce com an os momen os inesquecí eis. À NOVA FCSH, aquela que oi a minha segunda casa du an e á ios anos, me ab iu os ho izon es e me ajudou a e g andes momen os. Ao P o esso An ónio G anado, que me o ien ou ao longo des e ela ó io À P o esso a Helena Rodei o, que me ab iu os olhos à possibilidade de segui aquele que se i ia a o na o meu sonho. Ao Gama, Zé e Lei ia, os meus i mãos pa a a ida que es i e am e es a ão semp e lá. À Ana, Ta iana, Sa a, Ma iana e Ra a, uma impo an e pa e da minha expe iência na aculdade e na ida. Ao ze oze o e aos seus memb os, que me acolhe am da melho o ma e me de am a opo unidade de expe iencia o meu sonho e conhece o meio do jo nalismo despo i o. E ambém a odos os que, de o ma mais ou menos p esen e, me ize am c esce e ap ende nes a cu a ida. 4 JORNALISMO DESPORTIVO ENQUANTO UMA FORMA HÍBRIDA DE JORNALISMO: O CASO DO ZEROZERO [Spo s Jou nalism as a Hyb id o m o jou nalism: The case o he po uguese online spo s newspape ze oze o] FRANCISCO PAULO CARVALHO RESUMO Com a sua e olução enquan o á ea p o issional, o jo nalismo oi-se ami icando em di e sas edi o ias e especializações, en e as quais se engloba o jo nalismo económico, polí ico ou cul u al, mas ambém o despo i o. Es a úl ima oi, desde semp e, is a de uma o ma di e en e, especialmen e en e os pa es, de ido às ca ac e ís icas que lhe são ine en es ace às emá icas abo dadas e à o ma como é ei o. O p esen e es udo oi ealizado com base num es ágio cu icula no ze oze o, um jo nal despo i o online, du an e qua o meses, e em como obje i o pe cebe quais as ca ac e ís icas do con eúdo p oduzido po um ó gão de comunicação social especializado na á ea do Despo o, p ocu ando en ende se o mesmo se a as a daquele p oduzido nou as edi o ias e se ap oxima de algo conside ado como en e enimen o ou se man ém, de o ma ge al, ca ac e ís icas semelhan es aos seus pa es. A me odologia usada conjugou a análise de con eúdo aos a igos mais lidos pelo público do ze oze o du an e o empo de es ágio, assim como ao con eúdo áudio e mul imédia p oduzido, conjugando com uma en e is a explo a ó ia. Os esul ados mos am que, de modo ge al, o jo nalismo despo i o segue as mesmas ca ac e ís icas que aquele p oduzido nou as á eas, endo semp e po base a emá ica abo dada e a iando consoan e o o ma o com que é ap esen ado. PALAVRAS-CHAVE: jo nalismo, Despo o, despo i o, in o mação, en e enimen o, ze oze o, dados 5 ABSTRACT In i s e olu ion as a p o essional a ea, jou nalism has b anched ou in o a ious edi o ials and specializa ions, including cul u al, economic o poli ical, bu also spo s jou nalism. The las one has always been seen in a di e en way, especially among pee s, due o he cha ac e is ics ha a e inhe en o he hemes add essed and he way i is done. The p esen s udy was ca ied ou based on a cu icula in e nship a ze oze o, an online spo s jou nal, o ou mon hs, and aims o unde s and he cha ac e is ics o he con en p oduced by a media specialized in he ield o Spo , ying o unde s and i i is a om he one p oduced in o he edi o ials and some hing like en e ainmen o i i main ains, in gene al, cha ac e is ics simila o i s pee s. The me hodology used combined a con en analysis o he mos ead a icles by he public du ing he in e nship, as well as o he audio and mul imedia con en p oduced, combined wi h an explo a o y in e iew. The esul s show ha , in gene al, spo s jou nalism ollows he same cha ac e is ics as ha p oduced in o he a eas, always based on he subjec s add essed and a ying acco ding o he o ma in which i is p esen ed. KEYWORDS: jou nalism, Spo s, in o ma ion, en e ainmen , ze oze o, da a 6 Índice INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 7 CAPÍTULO I: A his ó ia do jo nalismo e a sua e olução ..................................................... 11 Uma b e e his ó ia do jo nalismo ....................................................................................... 11 O Jo nalismo Digi al enquan o a no a ealidade dos Media ............................................ 13 CAPÍTULO II: Jo nalismo Despo i o, uma o ma híb ida de Jo nalismo ....................... 16 Jo nalismo Despo i o Nacional .......................................................................................... 18 Fu ebolização do jo nalismo despo i o ............................................................................. 25 Jo nalismo Despo i o. In o mação ou En e enimen o? ................................................. 29 Jo nalismo Despo i o, um jo nalismo meno ? ................................................................. 30 Uma no a especialização ...................................................................................................... 32 In o mação, En e enimen o ou Híb ido? .......................................................................... 33 Jo nalismo de Dados ............................................................................................................. 39 CAPÍTULO III: O Local de Es ágio ....................................................................................... 41 O ze oze o .............................................................................................................................. 41 Playmake S a s ..................................................................................................................... 45 Desc ição da expe iência enquan o es agiá io no ze oze o ............................................... 47 A impo ância das modalidades ........................................................................................... 53 Es ágio em núme os .............................................................................................................. 54 CAPÍTULO IV: Obje i o de In es igação e Me odologia ..................................................... 56 CAPÍTULO V: Discussão dos Resul ados .............................................................................. 60 Análise de con eúdo ............................................................................................................... 60 Análise emá ica .................................................................................................................... 68 Análise dos p og amas e podcas s ....................................................................................... 74 CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 81 Re e ências Bibliog á icas ........................................................................................................ 88 Anexos ........................................................................................................................................ 93 7 INTRODUÇÃO “Há alguns anos, não mui os, o jo nalismo despo i o e a acei e, no máximo, como de segunda di isão. Os seus p o issionais e colabo ado es sen iam o es igma, mesmo p a icando o jo nalismo de maio audiência em Po ugal”. Foi assim que Fe nando Cascais, na ob a “In odução ao Jo nalismo Despo i o”, da au o ia de Luís Sob al e Ped o Magalhães (1999), de iniu a o ma como o jo nalismo despo i o e a an es is o. Es e es igma já an igo p olongou-se po algum empo – nalguns casos a é aos dias de hoje – e hou e mesmos au o es a de ini jo nalismo despo i o mais como um passa empo ao in és de uma á ea especializada do jo nalismo. É o caso de Da id Rowe, que ala des a como uma edi o ia meno , o oy depa men do jo nalismo (2007, p. 1). Con udo, es a não é uma opinião consensual e há au o es que de endem que o jo nalismo despo i o já não é is o como en e enimen o e como o “pa en e pob e” do jo nalismo. Be ns ein e Blain (2002) conside am que o despo o deixou de se ma ginalizado nos media e passou a é a assumi um papel cen al na imp ensa gene alis a. Já Bo elli (2002, p. 2) de ende que “o despo o sem linguagem o na-se apenas um mo imen o biomecânico e isiológico, não sendo le ado em con a o seu aspe o simbólico, cul u al e social”. Po isso mesmo, “o jo nalismo despo i o colabo a pa a um melho en endimen o humano e ajuda ainda a comp eende o despo o na sua o alidade”, ou seja, é undamen al pa a que o público comp eenda os alo es simbólicos, sociais e cul u ais do despo o, possibili ando-se uma pe ceção global do seu enómeno. “O despo o só ganha exis ência social, po que passa po p ocedimen os écnicos, eó icos e po uma g ande con e sação emp eendida no quo idiano, seja pela cons ução da agenda mediá ica ou pelas alas dos a o es sociais, ou seja, da opinião pública. Sem o emp eendimen o da linguagem sob e o despo o, ele passa a se apenas uma a i idade eg ada, p a icada pelos seus a o es, icando limi ada à expe iência daqueles que o i enciam” (Bo elli, 2002, p. 3). Po ugal con a com um dos índices de lei u a de jo nais mais baixos da Eu opa, mas mesmo assim consegue e ês diá ios despo i os, que, po sinal, são dos mais lidos do país. Segundo a Associação Po uguesa pa a o Con olo de Ti agem e 8 Ci culação (APCT) 1 , no ano de 2020 hou e 236.567 i agens em ci culação paga elacionadas com o segmen o de “Despo o e Veículos”, com g ande des aque pa a o Reco d, A Bola e O Jogo. Es e núme o é bas an e in e io a anos an e io es de ido à pandemia de co id-19 que le ou a um dec éscimo da enda de jo nais. Ainda assim, is o coloca es e segmen o no sex o luga de um o al de 24 segmen os, apenas a ás de “In o mação Ge al”, “Femininas/Moda”, “Tele isão/Jogos”, “Sociedade” e “Culiná ia”, o que mos a que es e con inua a se um dos emas p edile os dos lei o es na á ea do jo nalismo. No que diz espei o à ci culação digi al paga, o segmen o con ou com 11.726 assina u as. A es es, jun am-se ainda uma sé ie de canais ele isi os que es ão acilmen e ao acesso do público, como é o caso da Spo TV, da Ele en Spo s ou da Ben ica TV, no caso de canais codi icados, ou da Spo ing TV e do Canal 11, no caso de canais abe os ao público. Além de odos es es meios especializados, os media gene alis as dão ambém bas an e impo ância ao despo o nas suas páginas e p og amações. Na sua ese de mes ado, in i ulada “A ele ância do Despo o no P imei o Jo nal da SIC”, Ana Ri a Figuei edo Coelho analisou o P imei o Jo nal, da SIC, en e 1 de se emb o e 30 de no emb o de 2016, onde analisou um o al de 91 alinhamen os. Num o al de 2931 peças, 492 (17%) e am de Despo o e apenas num dia (9 de no emb o) não exis iu qualque peça ligada a es a edi o ia. Foi a e cei a edi o ia com maio des aque, apenas a ás de Sociedade (42%) e In e nacional (18%). Ve i icou ainda que dessas 492, 451, ou seja, 92% e am sob e Fu ebol, onde se des acou a cobe u a ei a ao FC Po o e Ben ica, al como a pe sonalidades como Jo ge Jesus e C is iano Ronaldo. En e es as peças, 63% o am ei as po jo nalis as da á ea. Pe an e is o, pe cebe-se que o Despo o e o Jo nalismo Despo i o es ão bas an e en aizados enquan o edi o ia no Jo nalismo e que es a é uma á ea com bas an e me cado em Po ugal, especialmen e se i e mos em con a o amanho do nosso país e a nossa população. Con udo, não deixa de e es e es igma. É en e enimen o? É in o mação? É um o ma o híb ido p o enien e de odas as suas especi icações e peculia idades, como 1 h p://www.apc .p / 9 é o caso da paixão e emoção que lhe es ão semp e ine en es e p odu o de um c uzamen o de sis emas jo nalís icos? Luís Rocha Rod igues, jo nalis a e di e o de comunicação do ze oze o – ci ado e en e is ado ao longo des e abalho –, a i ma que pe cebe que “exis a a en ação de as mis u a , mas jo nalismo e en e enimen o são dois mundos dis in os” e que, hoje “in elizmen e, assis imos a uma usu pação dos concei os que egem o jo nalismo pa a uma no a o ma de en e enimen o, como são os casos de alguns ela os adio ónicos ou de alguns p og amas ele isi os”. Con udo, ga an e que a é aí de e se ei a a dis inção en e os á ios momen os de en e enimen o e in o mação. Além disso, o jo nalis a em ques ão conside a que o que dis ingue a á ea do Jo nalismo Despo i o das es an es é que “a pe cen agem de público que domina os concei os, sejam p incipais ou de po meno ” é maio e é mui o “mais in e essada em sabe , es uda e deba e , o que az com que se de e em mais acilmen e pequenos e os ou lei u as di e en es”. “No undo, na nossa á ea o público escalpeliza mui o mais, julga mui o mais, con es a e con a ia mui o mais, o que o na o papel mais ing a o”, a i ma, enquan o des aca a inexis ência na á ea do Jo nalismo Despo i o de “alguém que seja uma e e ência caso o que esse jo nalis a exponha seja con á io à opinião do adep o”, o que le a a que o público p ocu e o jo nalis a “consensual” e em busca de abalho pa a “ag ada , o que con a ia mui as ezes o p óp io código deon ológico que de e ege a sua condu a”. O es ágio oi ealizado no âmbi o do Mes ado em Jo nalismo da NOVA FCSH. A escolha oi ei a endo em con a que o aluno nunca inha ido con ac o com a ealidade jo nalís ica da edi o ia em causa e endo em con a as especi icidades de um ó gão de comunicação social online. A escolha do ze oze o oi ácil, pois o mesmo é, apesa da sua ainda cu a exis ência, conside ado um jo nal de e e ência ao ní el do Despo o em Po ugal, sendo ainda uma das maio es bases de dados mundiais da á ea. Os qua o meses no ze oze o se i am pa a consolida os conhecimen os uni e si á ios, mas ambém pe mi i am ao aluno ap ende a se jo nalis a, ap ende que es amos semp e a ap ende e, po ou o lado, a cons a a endências menos boas nes e mundo jo nalís ico. O p esen e ela ó io de es ágio es á di idido em cinco pa es: os dois p imei os capí ulos co espondem à e isão de li e a u a, onde se á expos o o que já oi es udado po di e sos au o es na á ea do jo nalismo despo i o e ge al (ab angendo a sua his ó ia, mas ocando-se na edi o ia em ques ão e no jo nalismo de dados); o e cei o capí ulo é 16 Reu e s Ins i u e, “a maio ia das pessoas não es á dispos a a paga po no ícias online e as endências a uais indicam que ambém não es a ão no u u o, pelo menos pa a o ipo de no ícias que conseguem acede g a ui amen e” (Newman, Fle che , Kaloge opoulos, & Nielsen, p. 10). En e as endências mais nega i as que ca ac e izam a elação dos po ugueses com os con eúdos no iciosos des aca-se a aca adesão a p á icas de pagamen o po con eúdos no iciosos. Em 2019, apenas 7,1% dos po ugueses a i mam e pago po no ícias online no ano an e io . (Ca doso e al., 2019, p. 11) CAPÍTULO II: Jo nalismo Despo i o, uma o ma híb ida de Jo nalismo O desen ol e da indús ia jo nalís ica e das sociedades le ou a uma busca po pa e dos segundos de uma in o mação cada ez mais especí ica. Es a é a opinião de Abiahy (2000), que de ende que “o desen ol imen o do jo nalismo especializado es á elacionado com uma lógica económica que busca a segmen ação do me cado como uma es a égia de a ingi os g upos que se encon am ão dissociados en e si” (p. 5). É aqui que su gem as á ias á eas na qual o jo nalismo é hoje di idido – economia, sociedade, cul u a, in e nacional,.. – na qual se inse e o jo nalismo despo i o, is o como o jo nalismo que p omo e as p á icas cul u ais em p ol de uma sociedade melho . Na sua ob a, “His ó ia da Imp ensa Despo i a em Po ugal”, F ancisco Pinhei o expôs e analisou, como o nome indica, a his ó ia da imp ensa despo i a em Po ugal, começando po e e i o caso in e nacional. O au o começa po explica que “o jo nalismo despo i o nasceu de o ma algo i egula e a dia um pouco po odo o mundo, jus i icado pelo ac o de o u ebol só e começado a ganha e dadei a impo ância no inal do século XIX”, e e indo que no início não exis iam p á icas despo i as maio i á ias – como acon ece hoje com a modalidade do u ebol – o que pe mi ia uma acessão do despo o num sen ido mais social, comple o e de saúde (2011). 17 Fo am assim su gindo, com o empo, á ios meios de comunicação social especializados em despo o. O Spo ing Magazine (1793-1870) é apon ado como um dos p imei os pe iódicos despo i os a dedica -se exclusi amen e a odos os ipos de despo os. Pinhei o des aca o apa ecimen o, em Lond es, Ingla e a, do “p imei o diá io despo i o de que se em no ícia”. Em 1852 apa eceu Spo man, que, mais a de, oi abso ido pelo pe iódico Spo ing Li e. Dois anos mais a de, em F ança, su giu o jo nal Le Spo . Em Espanha, no ano de 1856, nasceu a e is a El Cazado (Pinhei o, 2011, p. 22). Ou o dos jo nais de maio des aque na edi o ia do jo nalismo despo i o é a Gazze a Dello Spo , c iado em Milão, I ália, que su giu já no inal do século XIX, em 1896, aquando do início dos p imei os Jogos Olímpicos da E a Mode na, dispu ados em A enas. Po es a al u a, as suas publicações ala am de á ias modalidades, como o ciclismo, o emo ou o boxe, po exemplo. “Com o empo, o no iciá io modi icou-se de aco do com a p e e ência do público po de e minados despo os. Cada luga p ocu a a alo iza modalidades especí icas que passa am a aze pa e de um p ocesso de iden idade cul u al. O despo o o nou-se, com a o ça do jo nalismo, um impo an e enómeno de cul u a e não apenas educacional, e passa a se a ado na pe spe i a do laze e das compe ições, ansmi idas como in o mação pelos eículos de comunicação.” (Tubino in Gu gel, 2009, p. 198) Com o passa dos anos, o despo o oi-se expandindo e o amado ismo e o pu o p aze que o ca ac e iza am le a am a uma no a isão da pa e dos seus pa icipan es, que p ocu a am ago a endimen os sociais e económicos a a és da compe i i idade e da p o issionalização O despo o deixa de se p a icado unicamen e pela classe bu guesa num con ex o escola , es endendo-se a classes com menos ecu sos, nas quais a p á ica despo i a é ei a de o ma egula e associada a o ganizações. (Ma i oe , 2002) Es a expansão do despo o le ou ambém à expansão do jo nalismo despo i o, su gindo cada ez mais publicações elacionadas com o ema nos á ios con inen es. 18 O desen ol e das no as ecnologias apoiou o c escimen o do despo o e, consequen emen e, do jo nalismo despo i o. Em 1921 oco eu a p imei a ansmissão ia ádio de um e en o despo i o, po pa e da Rádio KDK, nomeadamen e de uma lu a de boxe, nos EUA, en e Jack Dempsey e Joe Ca pen ie . Apesa de odo es e c escimen o e i icado du an e a e a de ou o da ádio, oi com a ascensão da ele isão e a sua maio exposição imagé ica que o jo nalismo despo i o mais c esceu, de ido à possibilidade do espec ado segui com maio acilidade as suas modalidades e equipas de eleição. Pa a o Tubino, “a ele isão modi icou a comunicação e passou a alo iza o despo o como um espe áculo de imagens e in o mação” (Tubino in Gu gel, 2009, p. 720). Jo nalismo Despo i o Nacional Po ugal não oi exceção e o despo o oi-se inse indo na es e a do jo nalismo. F ancisco Pinhei o (2011) a i ma que as p imei as no ícias despo i as em Po ugal su gi am em gene alis as e em complemen os dos mesmos, como e a o caso de O Século, o Diá io de No ícias, o Jo nal do Comé cio e o Diá io Popula . Po ém, en e 1894 e 1900 o jo nalismo despo i o enquan o p o issão “e a ainda inexis en e” em Po ugal. Nos p imei os anos de ida o jo nalis a despo i o assumia ês dis in as unções, sendo, além de jo nalis as, ambém p omo o es e p a ican es do despo o. “G ande pa e dos jo nalis as pe encia à eli e po uguesa, dispondo assim de empo pa a o despo o e pa a o jo nalismo despo i o. Na sua maio ia, e am despo is as e en e eda am pela c iação de jo nais, como o ma de p omo e as modalidades despo i as em que es a am en ol idos, con ibuindo pa a a consolidação de uma ideia de despo o na sociedade po uguesa” (Pinhei o, 2011, p. 63). Diogo Ramada Cu o (2006) e o ça es a ideia e a ança que na “ ansição do século XIX pa a o século XX, os es ígios que indica am a exis ência de uma na a i a despo i a na imp ensa e am mui o escassos”, e, quando apa ecia, “a no ícia sob e despo o ocupa a um espaço esidual na gene alidade da imp ensa po uguesa” (p.580). Só mais à en e, a pa i de 1920, o jo nalis a despo i o passou a e um maio núme o de possí eis no ícias, o que lhe pe mi iu e mais o papel eal de jo nalis a e de epó e , abandonando p og essi amen e as ou as duas ace as iniciais. 19 F ancisco Pinhei o explica que a incons an e publicação de no ícias despo i as apenas e minou a pa i de 1892, aquando da implemen ação da p imei a secção despo i a egula em Po ugal, no Diá io Ilus ado (2005, p. 172). Es a icou a ca go de An ónio Bandei a, conside ado o p imei o jo nalis a despo i o po uguês. Além do pionei o do jo nalismo despo i o po uguês, Pinhei o des aca ainda ou o nome, o de Ca los Calix o, que possuía á ias colunas despo i as onde ap esen a a as suas c ónicas, em O Século, A Vangua da, Paiz, Lan e na, Deba e, Ma selhesa e Pá ia, O Ti o Ci il, Ti o e Spo e no diá io ancês L’Au o. No en an o, oi somen e um ano mais a de, em 1893, que su giu o p imei o jo nal despo i o po uguês, chamado O Velocipedis a (Pinhei o, 2005, p. 172). An es disso, e ão exis ido ou os, nomeadamen e o Jo nal dos Caçado es e o Tou ei o (1876), uma ez que na al u a a caça e a au omaquia e am is os como despo os, mas oi mesmo O Velocipedis a a inicia uma no a e a no jo nalismo despo i o po uguês, apesa de apenas e du ado dois anos. Toda ia, pa a Má io Ma os Lemos e Isabel Nob e Va gues (2006), oi a a és de Ál a o Pinhei o, na publicação Jo nal da Noi e (1903-1908), que nasceu ealmen e o jo nalismo despo i o em Po ugal. Já pa a Pinhei o (2011) oi mesmo a pa i do Velocipedis a (1893), mais p ecisamen e a pa i de 1894, que su giu uma no a ase do jo nalismo ligado ao despo o, com o su gimen o do géne o pe iódico, ou seja, o jo nal gene alis a despo i o, que deixou de se apenas especializado num só despo o como a é en ão, ab angendo assim um maio público e ab indo ho izon es. O mesmo au o e e e que oi no inal da década de 1900 que se a ingiu uma dimensão nacional do jo nalismo despo i o, a a és de um “modelo indi idualizado de p op ie á io, di e o e edi o , habi ualmen e ligado ao mundo ipog á ico”. (Pinhei o, 2011, p. 434) Pa a Pinhei o (2011), “o despo o ans o mou-se num dos p incipais acon ecimen os sociais da década de 1900, com a imp ensa a con ibui decisi amen e pa a esse p ocesso de di usão” (p. 63). O au o conside a que “o c escen e in e esse público pelo despo o se de eu, sob e udo, à popula idade que algumas modalidades de inham – ciclismo e au omaquia – ou começa am a e – au omobilismo e u ebol” (idem). Apesa des e c escen e in e esse no despo o, o jo nalis a despo i o não oi logo ecebido de b aços abe os e, na edição de ou ub o de 1913, o jo nal O Spo Lisboa 20 c i ica a “a uni o midade de is as do jo nalismo diá io sob e a ma é ia de Spo ”, a qual se de e ia ao ac o dos “senho es C onis as se e em cons i uído em Associação de Classe, pa a a de esa de in e esses comuns” (idem, p. 87). Após 1910 e já na década de 1920 as publicações despo i as gene alis as começa am a con a ia a al a de lei o es e os p oblemas inancei os, adqui indo a subsis ência necessá ia pa a se man e em no empo e conseguindo assim impo -se g adualmen e no meio cul u al po uguês, como a ança Pinhei o. A sua popula idade c esceu de al modo que se con a e em sido c iados mais de 900 pe iódicos despo i os a é ao ano 2000. Foi nes a al u a que su giu o Diá io de Spo , no Po o, a 22 de maio de 1924, que oi o p imei o diá io despo i o po uguês, cuja publicação pe encia à Sociedade Po uguesa de Ob as e Reclamos Tipog á icos e e a di igido po Salaza Ca ei a e Oli ei a Valença. O Diá io de Spo inha duas edições, uma pa a Lisboa e ou a pa a o Po o. Segundo Lemos e Va gues (2006) es e jo nal “du ou pouco mais de dois meses” pois naquela época ainda não ha ia público “pa a sus en a um jo nal diá io” osse ele despo i o ou gene alis a (p.112). Su gi am ainda qua o no as publicações com mais de mil exempla es. Pinhei o (2005) des aca ainda qua o no as publicações que i e am mais de mil exempla es e que nasce am nos anos seguin es, dando maio ên ase a O No e Despo i o, po e nascido nos anos 30 e e um es ilo peculia pa a a al u a: basea a-se na imp ensa ancesa, inha á ios colabo ado es es angei os e ainda ex aía a igos de jo nais in e nacionais. E idenciou-se ainda po e sob e i ido du an e á ios anos, enquan o coexis ia e conco ia com diá ios despo i o que são, ainda hoje, de enome nacional, como A Bola que su giu em 1945, o Reco d, que su giu em 1949, e, inalmen e, O Jogo, em 1985. 21 FIGURA 1 - PRIMEIRA CAPA DO JORNAL A BOLA Foi ambém nes a al u a que su gi am no os jo nais in e nacionais de e e ência na á ea, como é o caso da Ma ca (1938), em Espanha, ou o L’Équipe (1946), em F ança, bem como á ios jo nais gene alis as de enome mundial, como é o caso do Le Fíga o, Times ou o New Yo k Times, que c ia am colunas despo i as nas suas publicações. No en an o, nem só de sucesso oi ei a es a e a do jo nalismo despo i o e hou e á ias publicações que acassa am e i e am uma cu a du ação no empo. Os pe iódicos despo i os o na am-se no século XX na p incipal á ea in o ma i a especializada (…). A sua adap abilidade g á ica, emo i idade discu si a ou capacidade o ganiza i a con ibuí am pa a a consolidação do pe iódico despo i o jun o do lei o po uguês (in an il, ju enil e adul o, sob e udo na dimensão masculina, com a p esença, embo a esidual, do eminino – mais num campo dou inal), c iando um espaço discu si o abe o a in e p e ações eais e imaginá ias. (Pinhei o, 2011, p. 437). Pa a Lemos e Va gues (2006), o pe íodo do Es ado No o oi impulsionado pa a o jo nalismo despo i o po uguês po es e não es a sujei o à censu a, como acon ecia com as publicações gene alis as, uma ez que não mis u a am polí ica com despo o. Pinhei o (2011) diz mesmo que es e a as amen o polí ico das publicações despo i as le ou “a Censu a P é ia a di ulga , em 11 de Ou ub o de 1945, a Ci cula nº 238, onde se 22 in o ma a (no pon o 9) os jo nais despo i os que es a am “dispensadas de censu a p é ia as no ícias e ela os despo i os”, habi ualmen e sem cono ações polí icas, eduzindo assim o abalho aos censo es” (p. 271). No en an o, Pinhei o (2011) di e e de Lemos e Va gues quan o à elação que exis ia en e a Censu a e o jo nalismo despo i o: “Ao con á io do que se possa pensa , a Censu a man e e-se a en a, cas igando se e amen e ansg essões às di e izes impos as” (p.271). O au o dá o exemplo de um jogo en e Po ugal e Espanha onde ês a le as lusos não ize am a habi ual saudação ascis a no início da pa ida, le ando a que os jo nais ossem p oibidos de publica essa imagem. A imagem oi pos e io men e modi icada pa a ocul a o que ha ia acon ecido e, segundo Pinhei o (2009), a p isão des es ês jogado es oi ambém escondida do público. Os ei os despo i os po ugueses, das á ias modalidades, mas especialmen e no u ebol, começa am a da cada ez maio des aque ao se o en e a população po uguesa, alice çando, po consequência, o c escimen o do jo nalismo despo i o ambém. Segundo Ví o Se pa (2010), di e o de A Bola, os ei os dos clubes po ugueses e da Seleção Nacional, nomeadamen e “as duas i ó ias do Ben ica na Taça dos Campeões Eu opeus, a i ó ia do Spo ing na Taça das Taças e o e cei o luga de Po ugal no campeona o do mundo de 1966”, ize am com que aquele diá io c iasse boas elações com os já e e idos L'Équipe, Ma ca e o La Gazze a dello Spo , le ando a que es a publicação osse conside ada uma das “g andes” a ní el in e nacional. Com o passa do empo, o jo nalismo despo i o adqui iu al p edominância que se iu a necessidade da c iação de uma comissão exclusi a pa a os p o issionais des a á ea, o CNID – Associação dos Jo nalis as de Despo o, undado em 1966. No a igo 2 dos es a u os des e o ganismo pode le -se: “O CNID – Associação dos Jo nalis as de Despo o – é uma associação de classe, in e locu o a dos pode es públicos, nomeadamen e as u elas da comunicação social e despo o, e p i ados que in e êm na o ganização do despo o em Po ugal. Sendo econhecido pelo mo imen o associa i o, nomeadamen e, Comi é Olímpico de Po ugal, Con ede ação do Despo o e ou os, com quem pode es abelece aco dos e p o ocolos de ação.” Vi ia-se aqui uma no a e a de ou o do jo nalismo despo i o, especialmen e no que à imp ensa dizia espei o, o que acompanhou o c escimen o do jo nalismo como p o issão. Os seus p o issionais começa am aqui a se is os como especialis as com as 23 compe ências écnicas necessá ias e au en i icadas, nomeadamen e, quando se começa am a especializa na década de 60 nas á ias edi o ias, onde se inclui, ob iamen e, o despo o (Sil a, 2010; Lopes, 2010). Es e c escimen o do me cado da imp ensa despo i a po uguesa desencadeou á ias al e ações e implemen ações nes a edi o ia em Po ugal. Como e e em João Nuno Coelho e F ancisco Pinhei o (2002, p. 415), uma das p incipais oi a c iação de uma linguagem p óp ia e especí ica, quase écnica e especializada, de i ada de uma modalidade, o u ebol, à qual lhe chama am “ u ebolês”. Es e consis e num géne o de gí ia aplicada ao jo nalismo despo i o, como acon ece nou as edi o ias, que se baseia em exp essões u ilizadas pelos e dadei os agen es do despo o – como a le as, einado es, di igen es, … - ao longo dos anos e que o am popula izadas pelos jo nalis as dos á ios ó gãos de comunicação – imp essos, ádio ou ele isão. Hoje em dia é comum le /ou i exp essões como “ma cação homem a homem” ou “subiu ao segundo anda ”, que são exemplos des a mesma gí ia que necessi a já quase de um dicioná io p óp io. Com o passa do empo, a es a e olução in elec ual, p o issional e despo i a, jun ou-se ainda a e olução ecnológica, que le ou à a i mação de dois no os meios de comunicação: a ádio e a ele isão. Es es dois meios apoia am-se em p og amas, epo agens adio ónicas ou ele isi as ou ansmissões em di e o pa a le a a é ao público as no ícias mais ele an es a ní el despo i o e com uma elocidade cada ez maio , c iando uma maio p oximidade com o ece o (Pinhei o, 2010). Es a e olução causou uma no a ase do jo nalismo despo i o e há au o es como Gu gel (2009) que a i mam que “o pode da ele isão en aqueceu a media imp essa no seu abalho de cobe u a dos e en os espo i os.”(p. 204). Não é, assim, de es anha que, com o passa dos anos, su gissem cada ez mais ó gãos de comunicação social especializados na á ea do despo o, po o ma a esponde às necessidades e opo unidades c iadas pelo me cado e pelas audiências. Foi assim que, po exemplo, os ês diá ios despo i os a uais, Reco d, A Bola e O Jogo, se alice ça am na década de 90 na in e ne pa a c ia os seus websi es, u ilizando assim as po encialidades do online. De aco do com Tubino, “a in e ne passou a se a base da comunicação global mediada po compu ado es, cons i uindo uma ede li e de in o mação”. “Mui os si es despo i os passa am a se desen ol idos em odo o mundo no im da década de 1990 e início do ano 2000 po edi o as, emp esas jo nalís icas e 24 en idades despo i as. Os si es possibili a am o acesso a dados es a ís icos, abelas, in o mação de e en os e his ó icos, complemen ando o no iciá io dos jo nais e e is as especializados. As g andes cobe u as passa am a e o supo e do empo eal” (Tubino in Gu gel, 2009, p. 201). Exemplo disso mesmo é o acompanhamen o que é hoje ei o em di e o dos á ios e en os despo i os nos si es des es media, bem como ou os websi es, como é o caso do ze oze o ou do T ans e ma k , que con êm es a ís icas e in o mação ele an e sob e os á ios despo os, além de p oduzi em con eúdo ambém ele jo nalís ico, no caso do p imei o. Além des e supo e no digi al, su gi am ainda ou os meios de comunicação social em Po ugal especi icamen e ligados ao despo o em á eas como a ele isão. O caso mais an igo no nosso país é o da Spo TV, que oi o p imei o canal p emium p oduzido em Po ugal, em se emb o de 1998, e que hoje se oca numa cobe u a das compe ições despo i as nacionais e in e nacionais. Os p óp ios ó gãos de comunicação imp essos quise am adap a -se a es e no o meio e às suas po encialidades. Em ou ub o de 2012 oi lançada a Bola TV, canal de ele isão que pe ence ao g upo Vic a, que de ém igualmen e o jo nal A Bola, e que ep esen a, segundo Ví o Se pa uma “e olução undamen al pa a pode pensa o u u o com alguma anquilidade”. A única ia que a Vic a Comunicações, Lda, islumb ou pa a “en en a o g a e p oblema da c ise e o deslizamen o das endas em papel” oi a c iação de “uma cen al de comunicação assen e no nome A Bola, com c i é ios mui o semelhan es do pon o de is a dos seus con eúdos”, ac escen a. Também o Reco d, ace à sua ligação ao g upo Co ina e, po consequen e, à CMTV, em o seu espaço nesse canal, in i ulado de “Ho a Reco d”, que nasceu em 2013. O seguin e oi a Ele en Spo s, is a como a conco ência di e a da Spo TV, mas que apenas chegou a Po ugal em maio de 2018, apesa de já e sido undada em 2015, no Reino Unido. T a a-se, igualmen e, de um se iço de canais p emium que se oca na cobe u a das compe ições nacionais e in e nacionais de á ias modalidades. O úl imo a su gi em Po ugal oi o Canal 11, ou simplesmen e 11, que é o canal da Fede ação Po uguesa de Fu ebol (FPF) e que oi lançado no dia 1 de agos o de 2019. Es e des aca-se po se um canal abe o e não p emium como os dois an e io es e po se oca essencialmen e nas modalidades que es ão a ca go da FPF, nomeadamen e, o u ebol não-p o issional, o u ebol eminino, o u sal e o u ebol de p aia, bem como na 25 ansmissão de e en os despo i os in e nacionais ligados ao u ebol e dos á ios escalões das seleções nacionais po uguesas. Fu ebolização do jo nalismo despo i o Como já oi e e ido no capí ulo an e io , o jo nalismo despo i o c esceu à medida que a paixão da sociedade mundial pelo despo o e pela di e sas modalidades c esceu. Con udo, nem odas as modalidades c esce am da mesma o ma e hoje é no ó ia a exis ência daquilo que equen emen e se chama de ‘despo o- ei’, que é, nes e caso, o u ebol. Desde cedo a paixão pelo u ebol oi desen ol ida pelo Se Humano e há mesmo es udos, como o de Richa d Giuliano i (1999), que p o am que a ian es des a modalidade já exis iam en e po os indígenas e as p imei as ci ilizações. No en an o, a o ma mais p óxima daquilo que a modalidade é hoje começou a se di undida no século XIX, especi icamen e pela a is oc acia e eli e bu guesa, que inha no u ebol um géne o de passa empo. A sua c escen e popula idade enquan o modalidade e e início com a sua ins i ucionalização, nomeadamen e com a c iação da p imei a Associação de Fu ebol em 1863, das eg as pelas quais o despo o se começou a ege e da p imei a Liga P o issional de Fu ebol (1888). Es a úl ima su giu ês anos depois do econhecimen o dos jogado es como a le as p o issionais (Giuliano i; 1999, pp. 1-22), sendo o p imei o jogado de u ebol conside ado Fe gus Su e , cuja pe sonagem a é oi es ela da sé ie da Ne lix, “The English Game”. Mais a de, em 1904, oi c iada a Fede ação In e nacional de Fu ebol, ou simplesmen e FIFA, que é o o ganismo que ege o u ebol mundial e que aplica sanções aos clubes, jogado es ou di igen es, se necessá io. Pa a acili a a sua ação, a FIFA oi c iando ambém con ede ações, como é o caso da UEFA – c iada em 1954, é o o ganismo que ege o u ebol eu opeu -, po o ma a se i em de in e mediá ios en e a o ganização p incipal e as ede ações de cada país (Giuliano i, 1999, pp. 24-28). Foi a pa i des e o ganismo p incipal que se começa am a c ia e o ganiza á ios campeona os nacionais e in e nacionais, que con ibuí am pa a a e olução da modalidade e, consequen emen e, dos media e o seu in e esse pelo u ebol. 32 Uma no a especialização Con udo, como já imos, o desen ol e des a edi o ia, jun amen e com o c escimen o do despo o enquan o a i idade cul u al e dos á ios ó gãos de comunicação social, pe mi iu que o jo nalismo despo i o c escesse e adqui isse ema ele ada ele ância ao ní el do pano ama in o ma i o mundial, albe gando, inclusi e, em si, á ios ou os emas, como a co upção, a economia, ou a é mesmo a saúde, como se em e i icado nos empos a uais de pandemia. Gu gel (2009) e e e es e c escimen o exponencial do jo nalismo despo i o: “Como p essupos o, adian amos que o jo nalismo despo i o já não cabe den o dos seus p óp ios pa âme os adicionais de concep ualização, écnica e obje o de cobe u a no iciosa. O en aizamen o do despo o no mundo do en e enimen o mediá ico, a espe acula ização e o consumo no mundo despo i o e a a uação dos meios de comunicação de massa nesse cená io, ao longo do Século XX, consolida am o despo o, pa a além das suas on ei as na u ais, como agen e económico e polí ico” (p. 193). O jo nalismo despo i o é o esponsá el po di ulga udo o que acon ece em elação ao despo o. O que ai desde o concei o de despo o como e amen a de inclusão social a é aos no iciá ios especializados em modalidades despo i as de al o endimen o, onde es ão condicionados aspe os como en e enimen o e p o issionalismo. Todo o assun o de in e esse da sociedade que en ol a despo o é obje o do jo nalismo despo i o. (Pena in Gu gel, 2009, p. 195) Apesa de alguns dos au o es acima e e idos ala em do jo nalismo despo i o como algo “meno ”, isso não é algo consensual. Pa a Be ns ein e Blain (2002) o despo o deixou de se ma ginalizado nos media e passou a é a assumi um papel cen al na imp ensa gene alis a. Também Thaku (2010) e e e que mesmo sem a cobe u a de “assun os sé ios” o jo nalismo despo i o ganhou impo ância “à medida que o despo o c esceu em iqueza, pode e in luência”. De aco do com Be ganza Conde (2005), “a especialização jo nalís ica é u o, em g ande medida, das exigências da audiência, cada ez mais di e si icada e que exige que os con eúdos especí icos – dependendo dos seus in e esses – sejam explo ados de o ma ap o undada e com igo ” (p. 35). Que es e au o dize que as exigências do público que o am su gindo com o passa do empo o na am numa especialização den o da á ea do jo nalismo, à semelhança da economia, ciência ou saúde, po exemplo. 33 Segundo o espanhol An onio Alcoba López (1980), “a impo ância pelo despo o ob igou os esponsá eis pelo meio de comunicação social a dedica mais páginas e espaço a uma in o mação cada ez mais demandada po clien e e ece o es, e os jo nalis as despo i os começa am a se seguidos po milhões de pessoas que os leem, os escu am e os eem”. O mesmo au o e e e que “o Jo nalismo Despo i o é uma especialização que pe mi e o uso de linguagem mais descon aída e es u u as pouco ígidas, onde a o ma como os acon ecimen os são selecionados e abalhados delimi a o que é en e enimen o, o que é jo nalismo e o que é Jo nalismo Despo i o de uma manei a anscenden e”. Apesa des a no a especialização do jo nalismo, como á ios au o es já se e e em ao jo nalismo despo i o, é p eciso en ende que an es de jo nalis a despo i o, é-se semp e jo nalis a. Po isso mesmo Aamido (2003) conside a que um e en o despo i o pode se cobe o po um jo nalis a de ou a á ea, al como um e en o cul u al ou polí ico, po exemplo, pode se cobe o po um jo nalis a despo i o. A di e ença es á mesmo na acilidade e à on ade que cada um em na emá ica: “Um pode i pa a um pa ilhão e ou o pa a uma esquad a ou pa a um e en o de polí ica nacional, mas o abalho é essencialmen e o mesmo – p ocu a no ícias, encon a no ícias, esc e e no ícias” (Aamido , 2003). In o mação, En e enimen o ou Híb ido? Mas, a inal, é o Jo nalismo Despo i o conside ado como In o mação ou como En e enimen o? Ou se á que ace às suas ca ac e ís icas p óp ias, que já o am algumas sendo e e idas, es e su ge como um géne o Híb ido, posicionado en e o En e enimen o e a In o mação? Nes e pon o as opiniões di e em. Na sua ob a “Jo nalismo Espo i o. Rela os de uma paixão”, Celso Unze e escla ece que “a p odução de uma ma é ia despo i a, po an o, passa pelos mesmos p ocessos que uma ma é ia de qualque ou a edi o ia, os quais de alha emos a segui : pau a, apu ação e edação” (Unzel e & P ado, 2009). Também Thaku , no seu li o publicado em 2010, “Spo s Jou nalism”, de ende es a p emissa: “Espe a-se que [os jo nalis as despo i os] u ilizem as mesmas e amen as u ilizadas pelos ou os epó e es e que se ejam pelos mesmos p incípios é icos e p o issionais. Não de em demons a qualque p e e ência po nenhum clube”. Luís Sob al e Ped o Magalhães (1999) co obo am des a opinião, mas ac escen am que o jo nalis a despo i o de e es a a pa 34 do que se passa no mundo em odas as á eas, já que “a comp eensão do enómeno despo i o implica o acompanhamen o e o in e esse po udo o que o odeia e in luencia”. Pa a se p oduzi um bom jo nalismo despo i o, cada ez mais é undamen al en ende os aspe os sociais, polí icos e undamen almen e económicos en ol idos no con ex o da p á ica despo i a em obse ação jo nalís ica (Gu gel, 2009, p. 206) Quan o ao que di e e en e o jo nalismo p a icado na edi o ia de Despo o e nas es an es, as opiniões di e gem em ce os pon os e con e gem nou os an os. Pa a Luís Sob al e Ped o Magalhães (1999), pa a “quem já es e e dos dois lados, sabe que as di e enças são meno es que as semelhanças”. Os au o es essal am, no en an o, que a in o mação despo i a p essupõe um sabe especí ico, o que se assemelha aqui “a qualque ou a subdi isão que se aça na imp ensa”. Pa a Rudin e Ibbo son (2002), o con ac o di e o e as en e is as com os in e enien es despo i os são dois aços dis in i os do jo nalismo despo i o. Con udo, os mesmos au o es conside am que as no ícias despo i as se assemelham às ha d news, no que diz espei o à “a enção que é dada aos de alhes, à p ecisão e ao cump imen o dos deadlines”, con a iando assim a opinião de Raymond Boyle. Ruddin e Ibbo son conside am que a g ande di e ença consis e no ac o do jo nalismo despo i o pe mi i “uma ce a o ma de comen á io e opinião”, bem como “compa ações com encon os an e io es” e a enção “às eações dos adep os”. Thaku conco da com es a dupla quan o à classi icação como ha d news, mas disco da no pon o ela i o aos deadlines, assinalando que os jo nalis as despo i os êm, mui as ezes, deadlines mais ape ados que os jo nalis as gene alis as, ace ao ac o de a g ande maio ia dos e en os despo i os deco e em à noi e e, po sua ez, mais pe o da ho a de echo. Thaku conside a ainda que, al como sucede com os epó e es de ou as á eas, o jo nalis a despo i o em semp e de in es iga his ó ias, e i ica ac os que lhe sejam dados po in e enien es despo i os, ligas e o ganizações e não apenas “con ia nos p ess eleases e decla ações p é- ab icadas dos clubes” (Thaku , 2010, p. 2). Além des es aspe os especí icos do jo nalismo despo i o e do despo o, a ualmen e, há ou o que é des acado po es udiosos da á ea, como é o caso de Gu gel: a paixão. “Os aspe os de paixão que en ol em o despo o são um a o p eponde an e nes a á ea do jo nalismo, que pe mi e humaniza a p á ica jo nalís ica e, ao mesmo empo pode 35 se uma e amen a de manipulações e in e esses polí ico-económicos diluídos em uma singela embalagem de ‘paixão espo i a’” (Gu gel, 2009, p. 196) He ódo o Ba bei o e Pa ícia Rangel (2006) conco dam com Gu gel nes e pon o e explicam que, na maio ia das ezes, as emoções são is as como sensacionalismo, o que pe u ba a ansmissão isen a de in o mação. Con udo, os mesmos au o es conside am que, no caso do jo nalismo despo i o, a alo ização das emoções pode se jus i icada pela na u eza emo i a do p óp io se o . Pa a es es, a emoção é a alma do despo o e assim um géne o de apoio no jo nalismo despo i o. Ba bei o e Rangel (2006) es ão cien es que o jo nalismo despo i o em ca ac e ís icas p óp ias e jus i icam o po quê de se mui as ezes con undido como me o en e enimen o: “(o jo nalismo despo i o) con unde-se, equen emen e, com pu o en e enimen o. Is o, po um lado, p opicia o apa ecimen o de alguns poucos ‘co oados’ e o en ol imen o com ou as a i idades incompa í eis com a p á ica do jo nalismo, como o agenciamen o de publicidade, ma ke ing e polí ica p i ada dos clubes, ede ações, con ede ações e emp esas.” (Ba bei o in Gu gel, 2009, p. 196). A es e "emba alhamen o da on ei a en e in o mação e en e enimen o" (Gomes, 2009) dá-se usualmen e o nome de in o ainmen , que, segundo es e au o , su giu essencialmen e de ido à necessidade de encaixe inancei o nas emp esas de comunicação, que se i am ob igadas a esponde às on ades das á ias audiências. Nesse sen ido, Bo dieu (1997) a i ma que “o espe áculo (…) de e se concebido de manei a a a ingi e p ende o mais du adou amen e possí el o público mais amplo possí el: além de de e se o e ecida nos ho á ios de g ande audiência nos países economicamen e dominan es, ela [ ele isão] de e subme e -se à demanda do público cu ando-se às p e e ências dos di e en es públicos nacionais po es e ou aquele despo o e mesmo às suas expec a i as nacionais ou nacionalis as” (p. 124). É es a linha énue en e a in o mação e o en e enimen o, o in o ainmen , que le a Beze a a a i ma que “hoje, o oco p incipal é busca in o mações cu iosas, imagens eng açadas e lances di e idos das compe ições.” “A linguagem, aliada a mui os ecu sos isuais, bei a o humo . O ela o da no ícia, a in o mação em si, é p a icamen e deixado em segundo plano”, comple a o au o (Beze a, 2009, p. 9). Também Va ela abo dou es e ema, conside ando que “o jo nalismo despo i o i e en alado en e o comp omisso de da no ícias, mesmo que essa a e a não seja 36 mui as ezes simpá ica, e aze aquilo a que pomposamen e algumas pessoas chamam de ‘p omo e o espe áculo’, missão pa adoxalmen e edada po quem em as es elas sob con olo, os clubes, que eduzem a pa icipação pública dessas igu as a decla ações elecomandadas” (Va ela, 2011). No en an o, nem só des e in o ainmen e das so news, como e e iu Raymond Boyle (2006) se az o jo nalismo despo i o. Há ambém a in es igação, a epo agem, a cobe u a ao i o de e en os e um en elaçamen o com os mais a iados emas da a ualidade e é po isso que Sob al e Magalhães conside am que “se exis e domínio onde o exe cício do jo nalismo em de ence p econcei os e de o a mal-en endidos ele é o despo i o” (Sob al e Magalhães, 1999), e e indo que essas ais so news são hoje uma cons an e nas á ias edi o ias. É po isso mesmo que, hoje, o jo nalis a despo i o não se pode limi a ao me o ela o ou a no ícias áceis sob e a ida dos in e enien es despo i os. Como Raymond Boyle salien a, “enquan o mui as das ca ac e ís icas do jo nalismo muda am na e a digi al (…), a habilidade e o pode de pe mi i às pessoas e i e os momen os despo i os pe manece como um pode oso un o da imp ensa despo i a” (Boyle, 2006, p. 143). Já Rui No ais (2010) de ende que, a ualmen e, o jo nalismo despo i o, seja no caso dos meios especializados ou nas edi o ias de despo o das publicações gene alis as em pa icula , oscila en e “o imedia ismo da o e a in o ma i a ou cobe u a no iciosa pu a e a dependência do comen á io de expe s que pa icipam na cons ução da pe ceção dos e en os”. “Na e dade, apesa de ocalizada na ação despo i a, a cobe u a mediá ica ende igualmen e a conside a o que es á a mon an e e a jusan e dos e en os despo i os, an ecipando e e le indo sob e os con on os, mui os dos quais al amen e p e isí eis”, ac escen a o au o (No ais, 2010). Ainda No ais (2010), escla ece que mui as ezes a escolha pa a os edi o es e jo nalis as despo i os es á en e “o e ece con eúdo c í ico e impopula jun o das audiências desses clubes ou, em al e na i a, sucumbi e ende -se a um jo nalismo populis a que pode hipo eca a epu ação da p o issão”, numa espécie de limbo cons an e en e o papel de “obse ado es neu os” e de “c í icos acu ilan es”. É po isso mesmo que Raymond Boyle conside a que um dos p incipais desa ios do jo nalismo despo i o con empo âneo é p a ica um “jo nalismo igo oso e 37 independen e”, que é cada ez mais necessá io ace à expansão da indús ia despo i a e ace às p essões das audiências e dos s akeholde s que exis em (Boyle, 2006, p. 5) An ónio Alcoba (1980) de iniu oi o pon os que qualque jo nalis a despo i o de e segui pa a consegui ealiza um abalho comple o e o mais isen o possí el, a as ando assim o jo nalismo despo i o da ideia de en e enimen o: 1) Ins alações, ou seja, o jo nalis a de e sabe as singula idades do espaço em que oco e o e en o despo i o em ques ão; 2) Ma e ial, impo an e po que qualque ino ação ecnológica pode in e e i com o endimen o dos a le a – ca ac e ís ica que se ai acen uando cada ez mais; 3) Regulamen o e P og ama, ou seja, é undamen al que o jo nalis a em ques ão es eja a pa das eg as da modalidade em causa assim como da compe ição – algo que é pedido ambém, po exemplo, a um jo nalis a habi uado a a a emas ligados à Jus iça; 4) T einado es, pois são quem possui mais in o mação sob e a equipa; 5) A le as, pois cada ez lhes é a ibuído o alo de celeb idades e são na ealidade os e dadei os p o agonis as da no icia; 6) Ranking, impo an e pa a que o jo nalis a possa aze uma con ex ualização no momen o no icioso; 7) Aspe os His ó icos, que acaba po i de encon o ao pon o an e io , mas aumen ando o espec o de in o mação a é edições an e io es das compe ições, eco des e es a ís icas, po o ma a aze uma análise mais comple a; e, inalmen e, 8) P ognós icos, is o é, aquilo que é mais p o á el, ou espe ado, que acon eça. Es e úl imo pon o acaba po cai um pouco no lado da subje i idade e é po isso que Sob al e Magalhães (1999, p. 20) admi em que uma das p incipais di iculdades do jo nalismo despo i o é “ en a obje i a o subje i o.” Face a odas es as peculia idades do se o e à ince eza com a de inição eal daquilo que é o jo nalismo despo i o, hou e au o es que p ocu a am de ini-lo po si p óp ios. Uma das de inições mais p óximas daquilo que é hoje p a icado é o Jo nalismo Gonzo, que é um es ilo de jo nalismo que é esc i o sem o obje i o o al da obje i idade e que, no malmen e, implica que o jo nalis a se mis u e p o undamen e com a ação e u ilize mesmo uma na a i a na p imei a pessoa. O esponsá el pela c iação des e es ilo oi o jo nalis a no e-ame icano Hun e S. Thompson, endo o e mo sido popula izado nos anos 70 e cunhado pelo edi o da e is a The Bos on Globe, Bill Ca doso. Thompson, além de um bem conhecido do jo nalismo despo i o no e-ame icano, é is o como um dos pionei os do “no o jo nalismo”, que é um es ilo de esc i a no iciosa e jo nalís ica desen ol ida nos anos 60 e 70 ca ac e izado po uma pe spe i a subje i a, 38 en a izando a “ e dade” e não só os “ ac os”. É ainda ca ac e izado po epo agens in ensi as, onde o jo nalis a me gulha nas his ó ias à medida que as ela a e/ou esc e e. O jo nalismo Gonzo oca-se na p ecisão do ela o das expe iências e emoções pessoais, conside ando que a pe sonalidade de uma peça é ão impo an e quan o o e en o ou a peça em si. “O gonzo di e encia-se a si mesmo como um ipo de jo nalismo despo i o mais c í ico, mais p eocupado com a co upção e com os aspe os nega i os do despo o (…) É usado pa a ilus a manei as em que implan ações ideológicas do despo o são con es adas, pa icula men e em e mos das ensões complexas en e as ideias me cená ias do despo o e os seus mi os baseados em ideias de paixão, lealdade e emoção. Es es elemen os apoiam um a gumen o de que os mé odos es ilís icos associados ao jo nalismo gonzo acili am uma o ma híb ida do jo nalismo despo i o, que, apesa de al amen e subje i a, é ainda mui o ligada ao comen á io c í ico social e polí ico” (Wins on, 2014, p. 403). Na opinião de Wins on, “o despo o pode ambém se conside ado como um se o económico que eque supe isão in es iga i a da imp ensa, pa a ajuda a p e eni e/ou descob i co upções, abusos e qualque ou o ipo de más p á icas que podem as eja pa a as suas ope ações come ciais (que pode se a ada como, elizmen e, qualque ou o ipo de indús ia de e se )” (Wins on, 2015, p. 406). Po isso mesmo, es e au o ques iona se es e se o é conside ado “como ‘no ícias de despo o’ ou como ‘publicidade de despo o’”. “P oblemas p á icos de acesso, independência c í ica e as adições, con enções e, sem dú ida, economias do se o , combinadas com algumas complexidades ideológicas já ci adas acima podem al ez se is as como a deixa do jo nalismo despo i o num géne o de á ea cinzen a jo nalís ica, mesmo an es de nos i a mos pa a as peculia idades do jo nalismo Gonzo” (Wins on, 2014, p. 406). Po se um géne o li e á io jo nalís ico ão único em elação aos seus es an es pa es e edi o ias, Wins on conside a que “es a manob a, de implan a signi icados complexos, enquan o al ez co oa a acessibilidade do ex o a lei u as li e ais e acionais, pode se is a como um aspe o cha e pa a cons ui a o ma híb ida do Gonzo, cujo cada pedaço é ão c í ico como qualque ou a écnica do Gonzo”. (Wins on, 2014, p. 413). O au o da ob a “How do you like Ame ica” conside a que es a o ma híb ida de jo nalismo despo i o, que oi ala ancada po Thompson, “emp ega subje i idade adical, ao pon o de se quase poé ica, semi-lúcida, uma p osa semi-abs a a, na 39 ep esen ação da subje i idade do e en o, enquan o as mesmas peças ambém explo am as o mas em que os despo os encaixam nou os con ex os e na a i as mais con encionais.” (Wins on, 2014, p. 413) Con udo, Wins on não é o único a abo da o jo nalismo despo i o como uma o ma híb ida de jo nalismo e ambém Schul z e She e (2010) e e em algumas das suas ca ac e ís icas especí icas a uais pa a co obo a al opinião: “Pa ece es a a su gi uma o ma híb ida de jo nalismo despo i o onde o Twi e é pa e, uma in e a i idade ins an ânea, conglome ação in e media que pa ece es a cons an emen e a ede ini -se a si mesma. En e ou as coisas, es a no a o ma híb ida é pa e epo agem adicional, pa e blog, pa e Twi e , pa e Facebook, pa e YouTube e pa e mensagens de ex o” (p. 11). Na sua ob a “An Explo a o y S udy o How Twi e is a ec ing Spo s Jou nalism”, os au o es alam de uma “eme gen e o ma híb ida de jo nalismo”, que inclui cada ez mais “elemen os ele ónicos ( ídeo, som, e c.)” (p. 237). Jo nalismo de Dados Fala do ze oze o e não ala de Jo nalismo de Dados é algo p a icamen e impossí el. Aliás, es a é uma no a á ea do jo nalismo em si que é cada ez mais impo an e pa a qualque meio de comunicação social, seja ele gene alis a ou especializado. As no as ecnologias êm indo a modi ica , e con inua ão a azê-lo, o mundo al como o conhecemos e as á ias á eas de a i idade do Se Humano desde semp e e disso, o jo nalismo não é exceção. Aliadas às no as ecnologias de in o mação, nes e caso, as Tecnologias de In o mação e Comunicação (TIC). No que oca à á ea aqui em causa, o jo nalismo, o p imei o impac o que as TIC i e am su giu com a in odução dos compu ado es, que passa am a se u ilizados pa a a p odução de ma e ial jo nalís ico e pe mi i am aos p o issionais des a á ea a a as g andes quan idades de in o mação que o am sendo acumuladas no mundo digi al e c iadas pelos consumido es com o passa do empo. Os especialis as chamam essa imensidão de quan idade de in o mação de Big Da a, que consis e, segundo Edd Dumbill (2012), em quan idades imensas de dados que acabam po excede a capacidade de p ocessamen o dos sis emas con encionais de base de dados. Con udo, no seu es udo, Dumbill conclui que es a imensidão de dados que é disponibilizado em o po encial de se analisado e, po sua ez, abalhado, podendo, po an o, c ia alo e ma é ia jo nalís ica. É aqui que en a o jo nalismo de dados. 40 Segundo Lo enz, “jo nalismo de dados pode se de inido enquan o um luxo de abalho, onde a da a é a base da análise, isualização e – o mais impo an e – a na a i a”. Po sua ez, a ob a “The Da a Jou nalism Handbook”, que con a com a pa icipação de á ios especialis as do se o , explica que o “jo nalismo de dados pode ajuda um jo nalis a a con a uma his ó ia complexa ao u iliza a in og a ia”, “ajuda a explica como uma his ó ia se elaciona com um indi íduo” ou “ab i o p ocesso de colhei a de no ícias ao pa ilha da a, con ex o e ques ões” (2012, p. 2-3). O p imei o exemplo conhecido de jo nalismo de dados eio do p es igiado diá io b i ânico The Gua dian, que, em 1821, ez uma pesquisa exaus i a dos dados e e en es ao núme o de alunos que iam às aulas na cidade de Manches e , Ingla e a, compa ando esses mesmos núme os de seguida com os cus os de cada uma das escolas analisadas. A a és des a compa ação e dessa análise dos dados, o The Gua dian chegou à in o mação de quan os alunos ecebiam educação g a ui a na al u a, além de quan as c ianças pob es exis iam na cidade, c iando assim ma é ia jo nalís ica. FIGURA 3 - PEÇA DO THE GUARDIAN SOBRE AS ESCOLAS DE MANCHESTER Es e exemplo mos a que o Jo nalismo de Dados não su giu apenas com o su gimen o das TIC. No en an o, a o ma de Jo nalismo de Dados como hoje a conhecemos é di e en e daquela que se u ilizou na al u a, além da quan idade de dados 41 se subs ancialmen e maio . P o a des a “no a apos a” no Jo nalismo de Dados é o ac o de hoje á ios ó gãos de comunicação social, sejam nacionais ou in e nacionais, e em espaços exclusi amen e dedicados a ma é ias baseadas em dados e à discussão do jo nalismo de dados, como é o caso do já e e ido The Gua dian, o El País, o Es adão, o New Yo k Times ou o Folha de São Paulo, no caso in e nacional. Também a ní el nacional há ce os o ganismos, como o Público, que apos am nes a á ea, con ando, no exemplo dado, com um jo nalis a de dados na sua equipa, que abalha em conjun o com os jo nalis as das á ias edi o ias. Há ainda o exemplo do ze oze o, que con a com a e amen a Playmake S a s, da qual ala ei mais à en e. CAPÍTULO III: O Local de Es ágio O ze oze o O ze oze o é um ó gão de comunicação social exclusi amen e online 2 – es á egis ado na En idade Regulado a da Comunicação (ERC) com o núme o 126100 – bas an e ecen e, endo sido c iado a 21 de ou ub o de 2003 po um g upo de jo ens engenhei os in o má icos, dos quais aziam pa e Ped o Dias, An ónio Ca doso e Ma co Sousa, que decidi am alia a sua á ea de es udo à sua paixão pelo u ebol e pelo despo o. A ideia nasceu no ano de 1999, quando es e mesmo g upo de jo ens se depa ou com aquilo que conside ou se um bu aco no me cado do jo nalismo despo i o, mais conc e amen e o ac o de não exis i um local onde pudessem consul a odos os jogado es das p incipais compe ições nacionais e in e nacionais. Assim, o ze oze o nasceu com o undamen o de se uma base de dados do mundo do u ebol de acesso li e e o mais ab angen e e comple a possí el. No início, o oco p incipal passa a pela P imei a Liga do u ebol po uguês, começando a exis i uma e olução g adual pa a a Segunda Liga igualmen e. Con udo, ha ia um segmen o que es a a em al a: os campeona os dis i ais. Em Po ugal, exis e a P imei a Liga, a Segunda Liga, a Liga 3 a pa i da época 2021/22, o Campeona o de Po ugal, que em oi o sé ies 2 Pode se encon ado em www.ze oze o.p 48 ha ia pa a co igi , especialmen e ao ní el da edação de a igos. Em ez de simplesmen e edi a em o que hou esse pa a edi a no que esc e ia, p ocu a am semp e explica -me o que es a a mal e como o co igi no u u o, algo que me ez c esce bas an e ao ní el da edação de peças jo nalís icas dos á ios géne os. Além disso, sendo o ze oze o um jo nal com uma ma cada componen e es a ís ica, u o da sua g ande base de dados, ambém oi no ó ia a on ade que semp e demons a am em ajuda -me a explo a , comp eende e ap eende essa pa e do ze oze o, osse igualmen e ao ní el da edação de a igos (onde se des aca a já e e ida e amen a do Playmake S a s), osse ao ní el da p odução e ges ão de con eúdo pa a o si e, como po exemplo ao ní el da c iação de ichas de einado es ou jogado es, ges ão das ichas de p o as ou impo ação de ichas de jogos (po o ma a e mos os dados comple os do mesmo), udo a i idades que são ei as á ias ezes ao longo dos dias pelos jo nalis as do ze oze o. No dia 10 de se emb o i e a opo unidade de ealiza a minha p imei a epo agem no meu es ágio no ze oze o, onde o ema oi o início dos campeona os dis i ais das Associações de Fu ebol de Viseu e de A ei o, o que le ou a á ias queixas da pa e de á ios clubes e a é de alguns clubes das mesmas Associações, que sen i am es a a se as “cobaias”, como me disse João Sil a, p esiden e do CDR Moimen a da Bei a. Em causa es a a o ac o de es es campeona os amado es es a em a inicia -se com mais de um mês de an ecedência ace, po exemplo, aos da Associação de Fu ebol de B aga e numa al u a em que o núme o de casos diá ios de co id-19 es a a no amen e a c esce exponencialmen e, com ce ca de 500/600 po dia. Face à si uação pandémica, as á ias en e is as le adas a cabo pa a es a peça o am odas elas conduzidas ia chamada ele ónica, o que e i ou um pouco o “know how” da epo agem, mas que é algo cada ez mais equen e no jo nalismo hoje em dia. Nesse mesmo dia i e a opo unidade de acompanha o jo nalis a, edi o e meu o ien ado no local de es ágio, Rod igo Coimb a, ao p imei o jogo da Liga Po ugal SABSEG – nome da Segunda Liga na época 2020/21 – numa pa ida que opôs o Es o il P aia ao A ouca e que e e luga no Es ádio An ónio Coimb a da Mo a, no Es o il. Aí i e a opo unidade de es a p esen e na bancada de imp ensa, jun amen e com á ios jo nalis as de ó gãos de comunicação social e assimila o que é necessá io aze pa a a edação de uma boa c ónica de um jogo, assim como dos pon os p incipais à qual é necessá io e em a enção no caso do ze oze o. Além disso, i e a opo unidade de me jun a ao meu o ien ado e aos es an es colegas de p o issão na sala de con e ência de 49 imp ensa, onde izemos uma sé ie de ques ões ela i as ao jogo aos écnicos B uno Pinhei o, Es o il P aia, e A mando E angelis a, A ouca. Nes e úl imo momen o, e ace ao ac o do ze oze o se um meio de comunicação online que dá mui a impo ância à componen e de ídeo e à de ex o, auxiliei o jo nalis a Rod igo Coimb a a g a a as espos as dos dois einado es em ídeo, po o ma a u iliza mos essas mesmas espos as mais a de (ou no dia seguin e nes e caso) pa a a edação de ou as peças, onde anexámos essa al componen e de ídeo. No dia 28 de se emb o, i e no amen e a opo unidade de i a um jogo de u ebol, des a ez a con a pa a a P imei a Liga de u ebol po uguês, mais p op iamen e o jogo en e o Belenenses SAD e o Famalicão, n a segunda jo nada do campeona o, no Es ádio Nacional do Jamo . Aqui, acompanhei o jo nalis a Hugo Felipe Ma ins, que, há semelhança do seu colega Rod igo Coimb a, na p imei a ez que o acompanhei ao es ádio, e e a missão de ealiza a c ónica des e encon o e de acompanha a con e ência de imp ensa do mesmo. Con udo, ao con á io do que acon eceu na pa ida en e o Es o il P aia e o A ouca, oi-me incu ida uma a e a um pouco di e en e. Foi-me pedido que izesse uma análise á ica o mais minuciosa possí el à equipa do Famalicão. Assim, i e que analisa , po exemplo, a o ma como a equipa minho a se dispôs em campo, como saia a joga nos á ios p ocessos de cons ução ou como se o ganiza a no p ocesso de ensi o e o ensi o. No undo, i e que analisa como joga a a equipa e quais as p incipais mudanças ela i amen e à época passada – is o adqui e alguma impo ância uma ez que a equipa pe deu alguns dos seus p incipais jogado es no me cado de ans e ências desse e ão, depois de e em ei o uma g ande campanha em 2019/20, onde ica am em sex o luga , na mesma época em que subi am ao p incipal escalão do u ebol po uguês. Es a componen e da análise á ica é especí ica do jo nalismo despo i o e ealizada pelos á ios ó gãos de comunicação social des a á ea há bas an e empo e nas á ias modalidades despo i as. Tem, essencialmen e, como p incipal obje i o simpli ica os p ocessos das equipas pa a o comum lei o que possa não es a ão in ei ado no assun o, po o ma a en ende melho o ema, e a equipa em ques ão. É algo mui o semelhan e, embo a em escalas di e en es, a um jo nalis a polí ico analisa e explica as causas e consequências de ce a medida do Go e no, po o ma a explica ao público o po quê da mesma e que implicações e á, explicando ambém as mudanças que a á na ida das pessoas ela i amen e ao passado. 50 Ce ca de ês semanas depois, no dia 18 de ou ub o, ol ei a acompanha esse mesmo jo nalis a, Hugo Filipe Ma ins, ao Es ádio Municipal do Jamo pa a assis i mos à pa ida en e o Belenenses SAD e o Mo ei ense, a con a pa a a qua a jo nada da Liga NOS – nome da P imei a Liga na época 2020/21 – e ealiza mos a habi ual c ónica e con e ência de imp ensa – o ze oze o en a es a p esen e no máximo de jogos possí eis dos dois p incipais escalões do u ebol po uguês, não só pa a p oduzi um abalho o mais comple o e de alhado possí el, como ambém pa a comba e o “jo nalismo sen ado” que an o se p a ica na maio ia das edações hoje em dia. Des a ez acabei po se su p eendido pelo meu colega, uma ez que a apenas alguns minu os do início da pa ida, es e disse-me que se ia eu mesmo a ealiza a c ónica do jogo, algo que en endi como um o o de con iança is o se um abalho habi ualmen e a ibuído aos jo nalis as mais “an igos” da casa e não aos es agiá ios cu icula es. O ac o da c ónica dessa pa ida me e sido a ibuída ob igou-me a e uma a enção edob ada no encon o, não só pa a esc e e e de alha da melho o ma possí el o jogo, como ambém pa a pode a ibui as classi icações aos jogado es em campo o mais co e as possí eis – a pa i des a empo ada, 2020/21, o ze oze o, em pa ce ia com a Real Fe , começou a da classi icações a odos os jogado es pa icipan es em odos os jogos da Liga NOS. Já pe o do inal do mês de ou ub o, ealizei uma epo agem sob e o FK Pane ezys, um clube da p imei a di isão da Li uânia que inha apenas cinco anos de ida e que nessa empo ada enceu a Taça da Li uânia e, consequen emen e, quali icou-se pa a a edição da p óxima empo ada, 2020/21, da Liga Eu opa, conside ada a segunda maio compe ição eu opeia de clubes. Nas suas ilei as, o Pane ezys con a com dois po ugueses: o la e al Ra ael Flo o e o einado João Luís Ma ins e eu, g aças à ajuda do jo nalis a Hugo Filipe Ma ins, en ei em con ac o com os dois pa a ala um pouco sob e es as conquis as e sob e o p óp io clube. In elizmen e, ace à dis ância en e mim e os en e is ados e ace à pandemia, oda a epo agem oi ealizada à dis ância, o que me ob igou à ealização de um abalho de in es igação mais ap o undado e po meno izado. Já no mês de no emb o, de i ado da e olução da pandemia de co id-19 em Po ugal, com um aumen o bas an e signi ica i o do núme o de casos e de mo es diá io, op ou-se po , na edação sul, de Lisboa, onde es a a inse ido, passa -se a abalha em egime de ele abalho. O a, is o ez com que as minhas idas a e en os, como a jogos, diminuíssem bas an e – a ez seguin e oi apenas a 12 de dezemb o, pa a o jogo en e o 51 Es o il P aia e o Boa is a, a con a pa a a Taça de Po ugal, onde iquei esponsá el po udo o que se passasse no encon o – e, com o passa do empo, me ossem a ibuídas uma sé ie de no as esponsabilidades de um “ e dadei o jo nalis a” do ze oze o e não apenas de um “me o” es agiá io cu icula , algo que enca ei como um o o de con iança da pa e dos esponsá eis do jo nal. Foi, ambém, du an e es e pe íodo que ap o undei os meus conhecimen os no que oca à adminis ação do si e e dos seus á ios domínios – modalidades -, nomeadamen e no que oca à impo ação de ichas de jogo – o ze oze o p ima e em o gulho de e uma ex ensa base de dados nas á ias modalidades que cob e, possuindo os esul ados e as ichas de jogo do máximo de jogos que é logis icamen e e humanamen e possí el e – e a é mesmo na edição de in o mações ela i as a jogado es, compe ições, …. Além disso, iquei, jun amen e com o jo nalis a Rica do Gonçal es, ambém ele da edação sul, esponsá el pela elabo ação dos chamados ex os his ó icos de equipas, jogado es, di igen es, en e ou os, assim como da elabo ação daquilo que os jo nalis as do ze oze o apelidam de “e en os his ó icos”, que consis e numa sé ie de e en os de des aque que acon ece am no passado e que ão acon ecendo – os que ossem acon ecendo e am nossa esponsabilidade ac escen a -, que colocamos na nossa agenda de e en os e que saem dia iamen e nas edes sociais do ze oze o, mais p op iamen e no Facebook. O a, o lei o , ao clica nesses mesmos e en os, é edi ecionado pa a abalho ei o po jo nalis as do ze oze o, como ichas de jogo impo an es/ma can es do passado, os ais ex os his ó icos de ce o clube, jogado ou di igen e, ou a é mesmo pa a no ícias esc i as aquando desses acon ecimen os. Apesa disso, no ou-se um es o ço da pa e dos meus supe io es – especialmen e os dois que me e am mais p óximos, os jo nalis as Rod igo Coimb a, meu o ien ado no local de es ágio, e Hugo Filipe Ma ins – pa a que a minha expe iência de es ágio cu icula , embo a passada em casa a pa i de no emb o, osse o mais en iquecedo a possí el. Além de e em co igido e os que osse endo na edação de peças, en a am, semp e que possí el, que i esse nas minhas mãos peças um pouco mais desen ol idas. Is o, ac escen ado às á ias ideias que ui semp e p opondo no deco e do meu pe íodo de es ágio. Na minha opinião, ui bas an e p oa i o e p ocu ei cons an emen e “es a em mo imen o”, como de es o se no ou nas á ias e a iadas peças – o que se á de alhado mais à en e - que ealizei du an e o meu es ágio. 52 Já no mês de dezemb o, expandi o meu leque de a i idades no ze oze o e i e a opo unidade de aze uma “G ande En e is a”. Nes e caso, es i e à con e sa com Nélson San os, um jo em einado de apenas 36 anos, que não só já con a a com algumas passagens po his ó icos clubes po ugueses, inclusi e a equipa sub-23 do Belenenses SAD, como á ios anos ao se iço de duas das melho es equipas de Moçambique, e que, no momen o da con e sa, se encon a a no comando o Nogoom FC, uma equipa da segunda di isão do u ebol egípcio. Além de ala com ele sob e á ios aspe os de componen e despo i a, alámos ainda um pouco sob e como êm sido as di e enças cul u ais en e Po ugal e um “país a icano com uma cul u a p edominan e á abe”, como es e apelidou, assim como dos seus obje i os pa a o u u o enquan o écnico. Nessa mesma al u a, oi-me a ibuída pela p imei a ez a an e isão em ídeo de um jogo da P imei a Liga, um abalho eco en emen e a ibuído aos jo nalis as “da casa” e que oge ao domínio dos es agiá ios cu icula es. Es e abalho consis e na ecolha de in o mação e seleção dos pon os mais impo an es do encon o en e ce as equipas em pequenos ópicos ( o ma, con on os an e io es, jogado es em des aque,…) pa a que, de seguida, os edi o es de imagem e ídeo do ze oze o p oduzam pequenos ídeos ( odos a onda um minu o) com essa mesma in o mação, que se ão adicionados às no ícias de an e isão dessas pa idas e ao canal de You ube do ze oze o. Nos úl imos dias de es ágio ui ainda a mais ês jogos, o Belenenses SAD x SC Espinho, pa a a Taça de Po ugal, o Es o il x FC Po o B, pa a a Segunda Liga, e o Spo ing x Fa ense, pa a a P imei a Liga, semp e acompanhado pelo jo nalis a Hugo Filipe Ma ins, que me incu iu de ealiza , sepa adamen e, á ias das a e as que um jo nalis a do ze oze o em que ealiza aquando da sua deslocação a uma pa ida. No p imei o, ui no amen e o esponsá el pela c ónica do encon o, algo que já inha acon ecido po ou as duas ocasiões. No segundo, dediquei-me a analisa os á ios jo ens jogado es da o mação do FC Po o B, po o ma a aze uma análise com base na sua pe o mance pa a sabe e edigi uma peça sob e quais es a iam p on os a da o sal o à equipa p incipal. Já no úl imo, enquan o o jo nalis a que me acompanhou icou esponsá el pela edação da c ónica do jogo e con e ência de imp ensa (onde ambém es i e p esen e), eu iquei esponsá el pela edação daquilo que o ze oze o chama de “Figu as do Jogo”, que consis e numa peça onde se analisa os elemen os de cada equipa que es i e am em des aque na pa ida, pelos melho es e pio es mo i os. 53 A impo ância das modalidades Como já oi aqui e e ido nes e ela ó io, exis e há bas an e empo uma “ u ebolização” do jo nalismo despo i o, ha endo uma cla a p edominância des a modalidade em elação às ou as e dando os p o issionais da á ea um maio des aque ao u ebol nas suas páginas dos jo nais, ansmissões de ádio e p og amas ou no iciá ios ele isi os, em mui o de ido ao p óp io desejo do público de consumi es a modalidade, po ezes em quan idades excessi as. O a, como ambém já oi aqui mencionado, o ze oze o em indo a c esce bas an e desde a sua c iação e, embo a apenas enha começado po se especializa no u ebol, expandiu-se pa a ou as seis modalidades – u ebol p aia, u sal, hóquei em pa ins, oleibol, andebol, basque ebol – em 2016 e em indo a caminha a passos la gos pa a um c escimen o das mesmas no si e, de al modo que os seus á ios p o issionais êm abalhado a incadamen e odos os dias pa a que a sua base de dados nessas modalidades se ap oxime, pelo menos, daquela que possuem no u ebol e que é conside ada a maio base de dados do mundo da modalidade. Que is o dize que, além desse abalho no que oca à base de dados, dia iamen e são á ios os p o issionais que se dedicam à p odução de con eúdo jo nalís ico das mesmas, que osse de a igos mais simples, c ónicas, en e is as e a é mesmo p og amas especialmen e dedicados a cada uma dessas modalidades. Um dos meus g andes obje i os du an e o pe íodo em que es i e a es agia no ze oze o e a, semp e que possí el, edigi e elabo a peças dessas mesmas modalidades, com o in ui o de lu a con a essa mesma “ u ebolização” do jo nalismo despo i o e do ze oze o, nes e caso. Embo a exis am na edação do ze oze o jo nalis as especializados em cada modalidade – há ce os p o issionais que se dedicam exclusi amen e a uma modalidade em especí ico e ou os que são especializados em ce a modalidade e que ão ajudando a es an e equipa nas ou as modalidades quando necessá io -, es o cei-me semp e pa a es a a en o ao que se passa a no uni e so dessas ou as seis modalidades pa a pude edigi o máximo de con eúdo dedicado às mesmas possí el. P o a disso oi que p ecisei apenas de ce ca de duas semanas pa a me es ea na p odução de con eúdo ela i o a odas as modalidades que es ão sob o domínio do ze oze o. Es e meu es o ço de es a semp e p esen e nessas á ias modalidades le ou a que, a pa i de ce a al u a, os p óp ios “especialis as” dessas modalidades iessem, com alguma equência, e comigo a pedi - 54 me que izesse algo ela i o à modalidade do seu domínio, especialmen e quando es a am mais a a e ados com ou os assun os. No en an o, a minha a i idade no mundo das modalidades não se icou apenas pela edação de a igos mais simples, uma ez que du an e o pe íodo de es ágio iz um es o ço pa a p oduzi con eúdo elacionado com as mesmas um pouco mais desen ol ido. Foi o caso do a igo que iz a an e e o início da edição 2020/21 da Eu oliga – conside ada a maio e melho compe ição de clubes eu opeia de basque ebol -, onde analisei as á ias equipas em p o a e as suas p incipais mudanças ela i amen e à época ansa a, azendo, assim, uma pequena p e isão daquilo que se pode ia espe a nes a no a empo ada. Já em dezemb o, i e ambém a opo unidade de aze a c ónica de jogos de modalidades, como já ha ia ei o no que oca ao u ebol. P imei o, ui o esponsá el po acompanha e edigi a c ónica do clássico en e o Ben ica e o FC Po o em basque ebol, a con a pa a o campeona o. Face à si uação pandémica da al u a não me oi, in elizmen e, possí el es a p esen e no pa ilhão aquando daquele que é conside ado como um dos melho es jogos da modalidade, mas conside ei um momen o ma can e, uma ez que es e é, habi ualmen e, a ibuído aos jo nalis as esponsá eis po essa modalidade. Mais a de, aquando da c iação da Taça 1947, uma no a p o a do hóquei em pa ins po uguês, ui ambém o esponsá el pela c ónica da pa ida en e o Ju en ude de Viana e o SC Toma . Acaba ia po epe i es a mesma a i idade ao ní el do basque ebol, com a edação da c ónica do encon o en e o Spo ing e o FC Po o, ambém pa a a Liga Placa d – nome da p incipal liga de basque ebol na época 2020/21. Aqui, mais uma ez, conside ei se um momen o de des aca , is o que exis e uma sé ie de jo nalis as que es ão equen emen e esponsá eis pela modalidade em ques ão. Es ágio em núme os Findado o pe íodo de qua o meses na qual es i e a es agia no ze oze o, chegou o empo de aze con as ao empo que lá passei. No o al, ao longo das ce ca de 17 semanas em que lá es i e edigi 905 a igos. Desses, um o al de 232 o am aquilo que os jo nalis as do ze oze o chamam de “cu as”, que, como o nome indica, a am-se nada mais nada menos que a igos de amanho mais eduzido que ão di e amen e pa a uma zona mais baixa do si e aquando da en ada dos u ilizado es no mesmo. No undo, são peças de 55 meno impo ância. Que is o dize que, no o al, edigi 673 a igos “no mais”, como são denominados no ze oze o. Desses 673, há que des aca que uma pequena pa e dos mesmos ugi am um pouco à edação das chamadas no ícias e daquilo que se ia passando no dia-a-dia do mundo do despo o. Redigi duas epo agens, já acima e e idas, a p imei a sob e as di iculdades e ince ezas sen idas pelos clubes não p o issionais po ugueses aquando do começo das suas compe ições de ido à pandemia e a segunda ela i a ao FK Pane ezys, um jo em clube da Li uânia que conquis ou a aça do seu país e que con a nas suas ilei as com um einado e um jogado po ugueses. A ní el da modalidade p edominan e no si e, o u ebol, edigi ainda as ais ês c ónicas acima e e idas – Es o il x Boa is a e Belenenses SAD x SC Espinho, pa a a Taça de Po ugal, e Belenenses SAD x Mo ei ense, pa a o campeona o -, uma análise á ica – ao Famalicão – e uma análise a jogado es – ao FC Po o B –, uma an e isão em ídeo de uma pa ida, uma en e is a e uma o ogale ia. Apesa de uma boa pa e do abalho po mim ealizado du an e o es ágio e sido dedicado ao u ebol, es o cei-me ao máximo pa a es a cons an emen e a p oduzi peças ela i as às es an es modalidades – hóquei em pa ins, u sal, u ebol p aia, andebol, oleibol e basque ebol – que são abalhadas no ze oze o. Desses 905 a igos edigidos po mim, um o al de 140 o am e e en es e di ididos po essas ou as seis modalidades, o que signi ica uma pe cen agem de ce ca de 15,47%, signi icando que 84,53% oi dedicado ao u ebol. Embo a a pe cen agem ela i a às modalidades “secundá ias” pa eça eduzida à p imei a is a, há que e em con a que a g ande p io idade do ze oze o, assim como do público, é o u ebol, sendo uma modalidade com bas an e mais media ismo e cobe u a em Po ugal, o que le a a que o con eúdo p oduzido seja ambém em maio núme o. É a al “ u ebolização” do jo nalismo despo i o (po uguês, nes e caso) que oi abo dada no capí ulo da e isão de li e a u a. Quan o a núme os nes as modalidades, a que mais se des acou oi o basque ebol, que é mui o p o a elmen e, das seis, a que me sin o mais à on ade e da qual esc e o com maio acilidade. No o al, edigi 57 a igos ela i os a basque ebol, sendo que desses dois o am as c ónicas –Ben ica x FC Po o e Spo ing x FC Po o – e ou os dois o am an e isões/análises – a p imei a ao início da Eu oliga, e e ida acima, e a segunda às equipas que podem su p eende na lu a pelo í ulo na NBA, p incipal liga de basque ebol 56 no e-ame icana. Face ao núme o o al de a igos, o basque ebol signi icou ce ca de 6,30% da minha a i idade do es ágio a ní el de a igos edigidos. Ou a modalidade que su ge em des aque é o u sal, com um o al de 34 a igos (3,76%). Nes e caso, o núme o c esceu exponencialmen e pelo ac o do jo nalis a habi ualmen e dedicado a es a modalidade e es ado de é ias ce ca de duas semanas, já pe o do inal do meu es ágio, deixando-me a mim esponsá el pela mesma. Rela i amen e às es an es qua o modalidades, a di isão acaba po se bas an e equi a i a, à exceção de uma. No andebol edigi 17 peças (1,88%), o oleibol su ge logo a segui com um o al de 16 peças (1,77%) e o hóquei em pa ins em 5º luga com 14 a igos (1,55%), sendo que nes e caso, à semelhança do u ebol e do basque ebol, ambém edigi uma c ónica, como oi acima e e ido. No úl imo luga des e anking su ge o u ebol p aia, onde apenas edigi duas peças (0,22%). Es e eduzido núme o no que oca a es a modalidade es á ligado ao ac o da empo ada do u ebol p aia po uguês e sido concluída no inal do mês de se emb o, pouco empo após o começo do meu es ágio, e do ze oze o possui um jo nalis a que se dedica quase em exclusi o a es a modalidade aquando do desen ola da sua época. CAPÍTULO IV: Obje i o de In es igação e Me odologia Con o me oi e e ido na in odução, ao longo dos anos e a é ao p esen e o jo nalismo despo i o oi sendo is o po á ios es udiosos e a é mesmo jo nalis as como uma “edi o ia meno ”, um “ oy depa men ” (Rowe, 2006, p. 1) e associado às chamadas “so news” (Boyle, 2006). Po isso mesmo, endo po base o es ágio cu icula ealizado no ze oze o, um dos jo nais despo i os mais impo an e e di e enciado a ní el nacional, en ámos pe cebe como são ei as as escolhas edi o iais de um ó gão de comunicação social des a edi o ia e quais são as emá icas abo dadas e a o ma u ilizada pelos p o issionais ligados a es a edi o ia. Pa a Luís Rocha Rod igues, di e o de comunicação do ze oze o, em con e sa numa en e is a explo a ó ia 6 pa a es e ela ó io de es ágio, exis e “algum p econcei o” pa a com o jo nalismo despo i o “po pa e da classe”, al ez “po es a mos, na génese, 6 A en e is a pode se consul ada nos Anexos 57 a ala de algo que de i a de di e imen o”. “No undo, o despo o de al o ní el é um espe áculo, a in o mação em po a as o. Po ém, não acho, de odo, que seja mais ácil. Se, amanhã, me pedi em pa a i cob i uma con e ência de imp ensa de um minis o, eu p epa o-me e ou. Assim como, se amanhã pedi em a um colega que em o hábi o de aze jo nalismo di ecionado pa a a polí ica pa a ele i cob i a con e ência de imp ensa de um einado , ele e á de se p epa a e amilia iza pa a i . Quem em a a e a mais ácil? Não sei, mas a complexidade de p epa ação não di e e”, apon a. O jo nalis a e di e o conside a que es e p econcei o não de e se comba ido po se a a em “apenas de pe ceções le ianas” e explica que o que di e encia a edi o ia do despo o de ou as como a economia, saúde ou polí ica é “a pe cen agem de público que domina os concei os, sejam p incipais ou de po meno ”, uma ez que es a “é mui o diminu a” nou as á eas especializadas, enquan o “no despo o (e, em conc e o, no u ebol) o público é mui o mais in e essado em sabe , es uda e deba e , o que az com que se de e em mais acilmen e pequenos e os ou lei u as di e en es”. “No undo, na nossa á ea o público escalpeliza mui o mais, julga mui o mais, con es a e con a ia mui o mais, o que o na o papel mais ing a o. Além disso, há ou o aspe o ele an e: não há, pa a a opinião pública, alguém que seja uma e e ência caso o que esse jo nalis a exponha seja con á io à opinião do adep o. Pa a o adep o, o bom jo nalis a é aquele que diz o que esse adep o p e iamen e já que ou i . Caso não seja uma opinião comum, o ó ulo dado ao jo nalis a é au oma icamen e nega i o. E is o le a-nos a um p oblema c escen e: a ualmen e, cada ez mais se assis e à p ocu a do jo nalis a de se consensual e de abalha pa a ag ada , o que con a ia mui as ezes o p óp io código deon ológico que de e ege a sua condu a”. Essa isão do jo nalismo despo i o enquan o uma edi o ia “à pa e” le a a que mui as ezes es e seja associado a um ce o ní el de en e enimen o, a iando de con eúdo pa a con eúdo e ó gão de comunicação social pa a ó gão de comunicação social. Luís Rocha Rod igues insis e em sepa a es es dois “mundos dis in os” do en e enimen o e in o mação, mas admi e que cada ez mais “assis imos a uma usu pação dos concei os que egem o jo nalismo pa a uma no a o ma de en e enimen o, como são os casos de alguns ela os adio ónicos ou de alguns p og amas ele isi os”. No en an o, escla ece que, a é aí, az “semp e a dis inção dos momen os que são de jo nalismo e de en e enimen o”. 64 obje i idade em qualque momen o. No en an o, os pa ág a os in odu ó ios da peça – que apa en a se me amen e de ap esen ação e in o ma i a – con am com exp essões como “o excecional me cado de e ão”, onde o jo nalis a em ques ão acaba po adje i a o assun o em causa (o me cado de ans e ências). Des a o ma, oge um pouco ao seu ca iz de obje i idade e “mis u a-se” com a subje i idade, demons ando que acaba po se uma no ícia híb ida. A peça que echa o op-3 de no ícias mais lidas do mês jun a-se à an e io no que oca à hib idez, embo a es a de o ma “assumida” e cla a. Com o mês de ou ub o, chegou ambém a Liga dos Campeões, conside ada a p o a in e nacional de clubes mais impo an e do mundo no que oca ao u ebol e, po isso, o ze oze o ez uma lis a de 25 jogado es (nascidos no ou após o ano 2000) a e em a enção nes a edição da p o a. Ao longo da ap esen ação dos a le as, o jo nalis a op ou po jun a um cunho pessoal (uma análise) à in o mação (obje i a) que oi azendo, o nando-se ambém es a peça híb ida. Depois des es exemplos, a la ga maio ia do anking de no ícias mais lidas do mês en a exclusi amen e no domínio da obje i idade e, po an o, de ca iz me amen e in o ma i o (seja na a i o, desc i i o ou exposi i o), embo a alguns ol em a ugi um pouco a essa obje i idade nos í ulos (“’Não passes ao Vínicius, ele es á a joga con a nós’”… em aí escândalo em Espanha” ou “A senal e A l.Mad id ocam médios e há mui os milhões à mis u a”). Há ainda que des aca que nes e anking su ge, pela p imei a ez nes a análise, uma en e is a, ealizada ao in e nacional po uguês e médio do E e on (Ingla e a) And é Gomes. A en e is a é um ex o de ca iz jo nalís ico e nes e caso o jo nalis a limi ou-se a conduzi a en e is a pelo que não su gem dú idas quan o à obje i idade da peça. A inal, a en e is a é ealizada em odas as edi o ias e di e en es ó gãos de comunicação social, a iando apenas a o ma como é ap esen ada e conduzida, o que, na maio ia das ezes, depende do p óp io jo nalis a ou do o ma o ideal do meio de comunicação social. Su ge, ambém pela p imei a ez, nes e anking um di e o (ou ao minu o, como é conhecido ambém no mundo do jo nalismo), nes e caso ela i o ao so eio da ase de g upos da Liga dos Campeões. A la ga maio ia do di e o é ei o em plena obje i idade do seu au o , que se limi ou a desc e e o que oi acon ecendo ao longo de oda a gala da UEFA (além do so eio o am ambém en egues os p émios daquela en idade e e en es 65 à empo ada ansa a), mas po ezes o mesmo caiu pa a a subje i idade (exp essões como “Lewandowski ence, sem su p esa, o p émio de jogado eu opeu do ano!”), o que acaba po se de ce a o ma na u al is o que a o ma como o di e o é conduzido ai semp e a ia um pouco consoan e a pessoa que o es á a le a a ca go. Po isso mesmo, es a é uma peça que de e á se ambém ela conside ada híb ida nes e caso (embo a na maio ia dos casos seja me amen e obje i a). De es o, des aca ainda o su gimen o de uma no a c ónica, des a ei a do Spo ing x FC Po o, o p imei o Clássico (duelo en e os chamados “g andes” do u ebol po uguês) e que po isso en a, como já oi explicado acima, no domínio da hib idez, assim como da al peça que su ge an o no anking de se emb o como de ou ub o, denominada “O que al a esol e no Spo ing?”, onde o jo nalis a em ques ão analisou os casos de jogado es cuja colocação o a da equipa de Al alade ainda es a a po inaliza . Ao longo da ap esen ação dos jogado es, o jo nalis a ol a a mis u a a obje i idade da ap esen ação de ac os e in o mação com alguma subje i idade ela i a à pe o mance dos a le as em empos an e io es e à sua habilidade. Po isso mesmo, e po o ma a man e o c i é io a é aqui assumido, es a peça en e no domínio da hib idez. Fazendo no amen e as con as o ais, des a ez e e en e ao mês de ou ub o, e i icamos que a endência se man e e de um mês pa a o ou o. Um o al de 15 no ícias analisadas como me amen e obje i as e as es an es cinco a se em conside adas híb idas de ido ao seu o ma o, o ma de esc i a e a p óp ia emá ica. No emb o: En amos ago a no úl imo mês de análise – e o ce-se que não oi possí el ob e os núme os e e en es ao mês de dezemb o po mo i os que ugi am ao es agiá io -, no emb o. Já longe do me cado de ans e ências, o anking de peças mais lidas des e mês mos ou cla as di e enças no que oca às emá icas abo dadas em elação aos an e io es, con ando apenas com duas elacionadas com essa emá ica do me cado. Além disso, es e mês ma cou o inal da quali icação pa a o Eu o 2020 (que es a a p e is o pa a o e ão de 2020, mas acabou po se adiado pa a o ano seguin e de ido à pandemia de co id-19, adiando ambém o inal da quali icação), assim como da ealização de jogos e e en es à Liga das Nações (mais ecen e p o a de seleções da UEFA), pelo que es a é uma emá ica bas an e p esen e no anking (5 de 20). No a ainda pa a o ac o da es eia de uma modalidade que não o u ebol a se ep esen ada nes es ankings de peças mais 66 lidas po mês. Nes e caso é o u sal, que con a com ês peças no anking de no emb o, sendo que odas elas são di e os de jogos. Dos ês meses em análise es e é, p o a elmen e, aquele mais a ípico e com maio di e sidade de emá icas no que diz espei o ao op-20 de a igos mais lidos e p o a disso é a peça mais lida do mês. De seu nome “O Foo ball Manage es á de ol a: 10 suges ões pa a começa a joga ”, o a igo oge um pouco à linha edi o ial do jo nal e abo da um jogo de simulação de u ebol, onde os u ilizado es são o einado de uma equipa ou seleção à sua escolha e ão simulando o dia a dia de um e dadei o einado , desde jogos, einos ou con e ências de imp ensa, po exemplo. O ze oze o ap o ei ou o lançamen o da edição 2020/21 do jogo pa a seleciona 10 desa ios pa a os u ilizado es começa em o jogo. A la ga maio ia da peça é edigida com base na subje i idade, desde a escolha dos dez clubes a se em ap esen ados – is o que, a ando-se de um jogo, nunca é algo ac ual, mas sim de gos o pessoal – e passando pela p óp ia esc i a. Embo a sejam ap esen ados alguns ac os ao longo do ex o de cada clube, são u ilizadas di e sas exp essões de ca iz subje i o do p óp io eda o , como po exemplo “O Boa is a (…) em uma excelen e massa adep a e o mou um plan el mui o in e essan e”. Po isso mesmo, conside ou-se que es e a igo en a no domínio da subje i idade. Embo a o anking “comece” bas an e subje i o, seguem-se qua o no ícias pu amen e obje i as e in o ma i as, elacionadas com di e en es emá icas (pandemia, en e is a, me cado e seleções), a é que su ge na 6ª posição uma peça in i ulada “Es es 10 c aques alha am a quali icação pa a o Eu o 2020”, onde são enume ados dez a le as cujas seleções alha am a quali icação pa a o Campeona o Eu opeu de u ebol de 2020 (que se ealizou em 2021 de ido à pandemia). O p óp io í ulo mos a uma ce a subje i idade, uma ez que um jogado se , ou não, “c aque” depende da opinião de cada um e a p óp ia seleção dos dez jogado es a se em ap esen ados ambém o é, mesmo que a maio ia seja consensual pa a os lei o es. Con udo, a ap esen ação dos jogado es em causa é quase semp e obje i a e com poucas exp essões de ca iz subje i o, pelo que es a peça é conside ada como sendo híb ida. De seguida, su gem duas c ónicas de jogos – p imei o do Boa is a x Ben ica e depois do Ben ica x SC B aga – de o ma consecu i a e, como já oi an e io men e explicado, es e ipo de ex o jo nalís ico en a no domínio da hib idez de ido às suas ca ac e ís icas p óp ias de análise e exposição do eda o das mesmas. Seguem-se 67 no amen e qua o no ícias me amen e obje i as e in o ma i as e mais uma ez de g ande a iedade emá ica (explicação do no o o ma o da Taça da Liga, Liga das Nações, uma no a en e is a e Liga Eu opa), a é que se dá uma es eia nes a análise dos ankings: o su gimen o de ou a modalidade que não o u ebol. No caso, a a-se do acompanhamen o em di e o – algo comum no ze oze o, como já oi e e ido – da pa ida en e o CR Candoso e o Spo ing CP, e e en e à 8ª jo nada da Liga Placa d, p incipal escalão do u sal nacional. Es a não é, no en an o, a única ez que al acon ece nes e anking, que con a com mais dois acompanhamen os em di e o de jogos de u sal – a única modalidade ep esen ada nes es ankings além do u ebol -, nomeadamen e dos jogos en e o Bu inhosa e o Spo ing, e e en e à 10ª jo nada da Liga Placa d, e en e o Spo ing e o Ben ica, dé bi e jogo g ande po uguês, nes e caso e e en e à 11ª jo nada da Liga Placa d. Os es an es cinco a igos des e anking são odos eles obje i os, e e indo-se à con oca ó ia de Fe nando San os pa a o encon o amigá el com Ando a e pa a a dupla jo nada da Liga das Nações, à mo e de Diego A mando Ma adona, an igo jogado a gen ino, um episódio ca ica o no Chile onde uma g ande penalidade demo ou 653 ho as en e se assinalado e ma cado – de ido a um incêndio e consequen e apagão no es ádio onde a pa ida oi dispu ada -, as decla ações de Ju gen Klopp, einado do Li e pool, sob e Diogo Jo a, in e nacional po uguês, e, po im, a oca de einado no Gil Vicen e. Fei as as con as inais, no anking de 20 peças mais lidas do mês de no emb o exis e uma peça me amen e subje i a (além de ligada apenas ao en e enimen o, como abo da emos de seguida), seis híb idas (das quais ês são di e os, man endo o c i é io acima explicado) e 13 me amen e obje i as. Des a o ma, podemos ambém aze as con as inais dos ês meses jun os, que nos dizem que, num uni e so de 59 peças, a la ga maio ia, ao ní el da análise de con eúdo, é obje i a (42), exis em 16 peças conside adas híb idas po jun a em subje i idade e obje i idade e apenas uma me amen e subje i a. 68 Top-10 a igos mais lidos de se emb o, ou ub o e no emb o Tem de e es a lis a! 19 po ugueses no me cado 323.360 E depois do echo do me cado? Eis 20 c aques que es ão sem clube 276.702 15 jo ens a e em a enção na Liga NOS 2020/21 128.694 Con a ação de Qua esma p es es a ica echada pelo Vi ó ia SC 89.361 Despon a pa a milha es olha es: 25 p omessas a e em a enção na Champions 2020/21 59.444 Rúben Vinag e pe o de uma ao D agão 52.839 Depois da enda de Rúben Dias, um onze made in Seixal de 400 milhões de eu os 52.485 O que al a esol e no Spo ing? 48.168 O Foo ball Manage es á de ol a: 10 suges ões pa a começa a joga 42.240 Go e no az pa a o despo o não p o issional es e im-de-semana 37.670 Análise emá ica: Após analisa a o ma como os a igos mais lidos do mês são edigidos em e mos de con eúdo, ou seja, se são edigidos de o ma maio i a iamen e obje i a, maio i a iamen e subje i a ou se de o ma híb ida, segue-se a análise das emá icas abo dadas nas peças mais lidas dos meses de se emb o, ou ub o e no emb o, po o ma a en ende e e i amen e se o con eúdo das peças jo nalís icas no jo nalismo despo i o, nes e caso no ze oze o, endem a abo da emá icas mais ligadas ao en e enimen o, à in o mação ou a uma mis u a dos dois, um o ma o híb ido ao ní el da emá ica. Na sua génese, Jo nalismo Despo i o consis e numa especialização da p o issão jo nalís ica – como o é o Jo nalismo Económico, Polí ico, Cien í ico, Cul u al,… - que se Análise de o ma Obje i os Híb idos Suje i os 42 16 1 69 oca nos ac os elacionados com o Despo o, essencialmen e o de al a compe ição, mas ambém amado , e com ou as a i idades ísicas. Po es a de inição podemos desde logo es abelece que ipo de emá icas podem, ou não, se abo dadas pelos á ios ó gãos de comunicação social, sejam eles gene alis as ou especializados, no que oca ao Jo nalismo Despo i o, embo a esse leque de emas seja bas an e subje i o, a iando de o ganismo pa a o ganismo, e enha so ido bas an es al e ações ao longo dos anos, como de es o imos a a és da nossa e isão de li e a u a. Assim sendo, podemos e , a a és da nossa análise aos emas abo dados nos ankings das peças mais lidas de se emb o, ou ub o e no emb o, quais os emas que en am nes e espe o da de inição do pu o jo nalismo despo i o e quais aqueles que ogem ao mesmo, en ando na á ea do en e enimen o, que em indo a pene a um pouco pelas á ias edi o ias, de o ma gene alizada cla o, dos á ios ó gãos de comunicação social, em mui o de ido à impo ância de ob e cliques e isualizações pa a se “alimen a em” a ní el económico. Como já oi e e ido an e io men e, ace aos meses du an e a qual se ealizou o es ágio cu icula e às mudanças de agendamen o causadas pela pandemia de co id-19, um dos emas dominan es nos ankings analisados – especialmen e os de se emb o e ou ub o – é o me cado de ans e ências, onde as equipas en am con a a jogado es pa a e o ça os seus plan eis ou ende a i os pa a os mais a iados mo i os (como luc a a ní el inancei o ou me amen e po já não con a em com es es). Es e é um pe íodo onde p edominam os umo es de me cado, o “x es á in e essado em y”, o “w pe gun a po z” e odas as a ian es que possam apa ece . Po ezes, es a al u a é um pouco í ima de p essões ex e io es (como po exemplo pa es in e essadas em alo iza a le as) e po isso su gem á ios umo es que não são idedignos e nunca chegam a acon ece . No en an o, is o ambém em a e com o ac o de uma equipa não es a apenas e somen e in e essada num único jogado . Se um einado que , po exemplo, e o ça a sua baliza, é no mal que obse e (aqui su gem os olhei os e as equipas de scou ing, cada ez mais impo an es nos clubes) á ios candida os a essa aga, su gindo assim á ios nomes em cima da mesa e aumen ando, ambém, a possibilidade de que su jam no ícias sob e o mesmo. Os núme os comp o am a impo ância que es a emá ica em num ó gão de comunicação social despo i o. Nos ês meses analisados, 27 das 59 no ícias analisadas – uma das no ícias (“O que al a esol e no Spo ing?”) su ge em dois dos ankings, pelo 70 que con a apenas uma ez pa a es a análise -, es ão ligadas de alguma o ma ao ema do Me cado de T ans e ências, seja com o icializações de ans e ências, umo es ou a é mesmo ap esen ações ela i amen e ao que al a a, na al u a, aos chamados ês g andes do u ebol po uguês – FC Po o, Spo ing e Ben ica – esol e em no que oca a saídas nos seus espe i os plan eis. Sendo o me cado um ema di e amen e ligado ao despo o de al a compe ição, seja de que modalidade o , conside amos que aqui não exis e en e enimen o, es ando apenas ligado à in o mação e às emá icas a se em abo dadas no jo nalismo despo i o. Es e é o ema mais abo dado (45,8%) nos ês meses analisados, sendo que em se emb o (20,3%) e ou ub o (22%) é onde em mais peso, is o se em os meses de echo do me cado de ans e ências de e ão no u ebol na empo ada 2020/21. A segui ao ema do Me cado, a emá ica mais abo dada é, com alguma na u alidade a da “A ualidade”, onde aqui aglome amos á ias peças ealizadas ao longo do dia a dia do jo nal e que, po isso, podem e “sub- emas” bas an e a iados, como acon ece nes es ês ankings com decla ações de in e enien es despo i os (po exemplo, “Klopp lamen a elogios a Jo a à cus a de Fi mino: ‘Po ezes o mundo é um mau luga ’“), con oca ó ias da seleção nacional – algo que acon eceu no mês de no emb o -, o Go e no ob iga as modalidades e o despo o não p o issional a pa a em de ido à pandemia de co id-19 es a a ag a a -se em Po ugal, como acon eceu em ou ub o, ou a é, po exemplo, a mo e de Diego A mando Ma adona, conside ado po mui os um dos melho es jogado es de semp e de u ebol e que aleceu em no emb o de 2020. A emá ica da a ualidade su ge, po an o, como a 2ª mais abo dada ao longo dos meses de es ágio, com uma ep esen ação de 18,6%, sendo que a la ga maio ia (15,3%) se e i ica no mês de no emb o, essencialmen e de ido à al impo ância e p edominância do me cado du an e os meses de e ão e, nes e caso, de echo. Em 3º luga su gem ês emá icas dis in as, odas elas com a mesma ep esen ação (6,8%) no anking das peças mais lidas nos meses analisados: São elas: c ónicas de jogos; análises a jogado es/equipas e cu iosidades. Ao ní el da p imei a, como já oi e e ido, é um ex o de ca á e jo nalís ico que em bas an e ele ância ao ní el do jo nalismo despo i o de ido ao ac o do jo nalis a des a edi o ia cob i á ios e en os despo i os, como é o caso de jogos das a iadas modalidades, esc e endo um ex o com uma mis u a de análises pessoal e subje i a e na ação dos acon ecimen os. Nes e caso, su gem qua o c ónicas de jogos no anking, 71 odas elas de u ebol, a modalidade dominan e (95% das peças o ais), PAOK x SL Ben ica, Spo ing x FC Po o, Boa is a x SL Ben ica e SL Ben ica x SC B aga. Quan o à análise de jogado es e equipas, es a su ge ambém como um ex o de ca á e jo nalís ico bas an e p esen e no jo nalismo despo i o. Tal como imos na análise de con eúdo, es e é um ex o de ca á e híb ido, uma ez que mis u a a ap esen ação de in o mação ac ual com subje i idade do jo nalis a em ques ão. No en an o, ao ní el da emá ica conside amos que es e ipo de a igos não é conside ado en e enimen o, uma ez que, al como oi acima e e ido, é um ex o de ca á e jo nalís ico, que em as suas p óp ias especi icidades e que ao ní el de es ilo acaba po se ap oxima bas an e de uma c ónica. O ac o de e na sua génese uma ce a subje i idade não que dize que o mesmo deixe de se um ex o de ca á e jo nalís ico e, po sua ez, in o ma i o, a é po que é comum e análises nas di e en es edi o ias, embo a com maio incidência na do Despo o. Po im, su ge a emá ica das “Cu iosidades”, algo que é ei o com ela i a acilidade no ze oze o, não só de ido à e amen a do Playmake S a s, como ambém ao ac o do ze oze o con a com uma das maio es bases de dados do mundo, que possibili a a que se eja con on os en e as a iadas equipas p a icamen e desde que o u ebol oi in en ado, en e jogado es, jogado es e einado es, jogos dispu ados po dois ce os jogado es em simul âneo e po aí em dian e. Po exemplo, um dos ex os p esen es nes e anking que en a nes a emá ica in i ula-se “Milan nos A cos e ou as isi as imp o á eis, do La adio aos Ba ei os”, edigido aquando do duelo en e Rio A e e AC Milan, no Es ádio da o mação po uguesa, aquando do play-o de acesso à Liga Eu opa 2020/21. Es a oi conside ada uma isi a “imp o á el” po coloca um dos maio es clubes do mundo a ní el his ó ico a joga nos A cos, casa do Rio A e – que em 2020/21 a é desceu à Segunda Liga -, algo que nunca inha acon ecido e, po isso, o ze oze o ez uma seleção de á ios jogos his ó icos que se enquad a am em ca ac e ís icas semelhan es, como po exemplo as isi as nos anos 60, 70 e 80 do Ba celona, po mui os conside ado o melho clube do mundo, ao Es ádio do Res elo, casa do Belenenses. Ou a peça que en a nes a emá ica e que demons a bem o ca iz es a ís ico do ze oze o é “A his ó ia das 18 equipas da Liga NOS: Da maio goleada à maio de o a, do melho ma cado ao mais u ilizado”, onde o jo nalis a em ques ão ap esen a, aquando do início da no a empo ada do p incipal escalão do u ebol po uguês, uma sé ie de cu iosidades es a ís icas e ac uais – como o jogado com mais jogos no campeona o, com mais golos, maio i ó ia, maio 72 de o a, egis o de i ó ias, de o as e empa es,…- ela i as às 18 equipas que i iam pa icipa nessa edição 2020/21 da Liga NOS. De seguida, su gem ês emá icas com uma meno ep esen a i idade nes es ankings, mas odas elas di e amen e ligadas a ex os de ca á e jo nalís ico, nomeadamen e en e is as (5,1%), di e os de jogos, nes e caso odos de Fu sal, (5,1%) e peças ela i as às duas p incipais compe ições in e nacionais de clubes eu opeias, a Liga Eu opa e a Liga dos Campeões (3,4%). Tan o as en e is as como os Di e os (ou Ao minu o) são ex os de ca á e jo nalís ico bas an e equen es no jo nalismo em ge al, seja qual o a edi o ia, enquan o no caso da 3ª emá ica es a con a com um di e o ela i o ao so eio da Liga dos Campeões 2020/21 e à en ega dos p émios e e en es à época passada e com uma ap esen ação dos ad e sá ios que o Ben ica pode ia de on a na ase de g upos da Liga Eu opa aquando da sua eliminação da Liga dos Campeões. Po im, no undo da abela do anking das emá icas su ge aquilo que conside ámos se “En e enimen o” (1,7%). No caso, alamos da já e e ida acima peça in i ulada “O Foo ball Manage es á de ol a: 10 suges ões pa a começa a joga ”, ealizada aquando do lançamen o do jogo Foo ball Manage 2021, conside ado um dos melho es e maio es simulado es de ealidade do mundo, onde os u ilizado es podem expe iencia o que é a ida de um einado de u ebol, em qualque equipa à sua escolha, desde as maio es do mundo às ligas mais desconhecidas, que seja ao ní el da ges ão dos einos, dos jogos, con a ações de jogado es e s a écnico, con e ências de imp ensa e po aí o a. O a, embo a es e seja um jogo de compu ado ligado a uma modalidade despo i a e na peça sejam ap esen ados 10 clubes in e essan es pa a começa a “con ola ”, es a peça é cla amen e pu o en e enimen o, uma ez que um jogo de compu ado não es á di e amen e ligado à p á ica despo i a, o despo o p o issional e as suas especi icidades, pelo que há aqui um a as amen o do jo nalismo e in o mação pu o e du o, e ap oximação de um lado mais “sensacional” des a p o issão. Há, no en an o, que des aca que es a é a única peça conside ada de “En e enimen o” a su gi no anking das peças mais lidas dos meses de se emb o, ou ub o e no emb o. Is o de e-se, em g ande pa e, à polí ica edi o ial do ze oze o, que não que nem az nada elacionado com a ida ín ima dos in e enien es despo i os, as suas pessoas p óximas ou a é casos mais insóli os ou mais ca ica os ligados a in e enien es da p á ica despo i a, algo bas an e eco en e ao ní el de uma boa pa e dos gene alis as e de alguns despo i os. 73 Assim sendo, é possí el e a a és da análise emá ica que o ze oze o em especí ico é um ó gão de comunicação social especializado na edi o ia do Despo o que dá uma cla a p imazia (98,3%) a emá icas ligadas ao Despo o em si e aos ipos de ex os jo nalís icos ligados a es a edi o ia, como é o caso de análises, en e is as, di e os e no ícias da a ualidade e do quo idiano. No en an o, a é no ze oze o, que em uma polí ica edi o ial bas an e es i a e não se deixa le a pelo mundo do sensacionalismo no Despo o, é possí el e que hou e uma pequena cedência ao En e enimen o, um e ei o das mudanças a que o jo nalismo mode no oi e es á a se sujei o. Top-10 a igos mais lidos de se emb o, ou ub o e no emb o Tem de e es a lis a! 19 po ugueses no me cado 323.360 E depois do echo do me cado? Eis 20 c aques que es ão sem clube 276.702 15 jo ens a e em a enção na Liga NOS 2020/21 128.694 Con a ação de Qua esma p es es a ica echada pelo Vi ó ia SC 89.361 Despon a pa a milha es olha es: 25 p omessas a e em a enção na Champions 2020/21 59.444 Rúben Vinag e pe o de uma ao D agão 52.839 Depois da enda de Rúben Dias, um onze made in Seixal de 400 milhões de eu os 52.485 O que al a esol e no Spo ing? 48.168 O Foo ball Manage es á de ol a: 10 suges ões pa a começa a joga 42.240 Go e no az pa a o despo o não p o issional es e im-de-semana 37.670 Análise Temá ica Me cado A ualidade C ónicas Cu iosidades Análises En e is as Fu sal (di e os) Compe içoes in e nacionais En e enimen o 27 11 4 4 4 3 3 2 1 80 impo an e a ní el eu opeu no que diz espei o a seleções. Nele, são ap esen adas uma sé ie de cu iosidades, dados his ó icos e es a ís icos e ei as análises a equipa e jogado es em especí ico que ão es a p esen es na p o a. Su ge como um p og ama in o ma i o exclusi amen e dedicado ao Eu opeu e nunca ugindo às emá icas que ealmen e impo am no jo nalismo despo i o, pelo que a sua ca alogação ao ní el da o ma e emá ica é bas an e simples: in o mação. No a ainda pa a os ais e e idos especiais que se ealizam ao longo de odo o ano no ze oze o e que consis em basicamen e em p og amas de comen á io à a ualidade u ebolís ica espo ádicos, conduzidos semp e po um ou mais jo nalis as do ze oze o e que con am, po ezes, com a p esença de con idados especiais ( e igu a 9), sejam eles adep os de clubes, jo nalis as de ou os ó gãos de comunicação social ou a é mesmo in e enien es despo i os – jogado es, einado es, di igen es – do passado ou do p esen e do mundo despo i o. A a és des a análise, podemos assim pe cebe que, no que diz espei o aos podcas s e p og amas audio isuais, a dis inção ao ní el de o ma e emá ica no ze oze o a ia bas an e mais do que nos a igos e peças edigidos. Enquan o ao ní el esc i o hou e um cla o domínio do oco nas emá icas es i amen e ligadas ao jo nalismo despo i o e apenas uma b e e cedência à hib idez e ao en e enimen o, nes es dois ou os ipos de o ma o exis e uma maio a iação, em mui o de ido às ca ac e ís icas dos mesmos e à ap oximação dos con eúdos ap esen ados nou o ipo de ó gãos de comunicação social. Além disso, exis e uma maio ab angência emá ica e de o ma, como se e i ica, po exemplo, no p og ama “Ze o à Esque da”, que le a a que se “ uja” um pouco ao que se ia espe ado nes a edi o ia. Análise dos P og amas In o mação Híb idos En e enimen o 3 2 1 81 CONCLUSÃO Apesa do jo nalismo despo i o e sido no passado e ainda se hoje, po ezes, associado a algo “meno ”, um “ oy depa men ” (Rowe, 2006, p. 1) e a “so news” (Boyle, 2006), es e não deixa de se ege pelas á ias eg as que es ão pa en es às es an es edi o ias. Há hoje uma imagem do jo nalismo despo i o como sendo apenas ela os de jogos ou p og amas de comen á io onde se coloca en e-a- en e pe sonagens ligadas a ce os clubes, onde cada qual “puxa a sua sa dinha”. O a es e ipo de con eúdo é conside ado como en e enimen o, a é po que es es comen ado es não es ão comp ome idos com o código deon ológico dos jo nalis as, nem es ão ob igados a e i ica a e acidade e c edibilidade daquilo que dizem. É, assim, mui o impo an e dis ingui aquilo que é conside ado in o mação e, po sua ez, jo nalismo, e aquilo que é me o en e enimen o, como acon ece mui as ezes no jo nalismo despo i o. Con udo, a e dade é que é possí el mis u a num mesmo o ma o es es dois concei os de in o mação e en e enimen o, como á ios au o es expuse am ao longo des e abalho. Tubino (in Gu gel, 2009) de ine jo nalismo despo i o como uma “a i idade especializada de Jo nalismo na qual são ansmi idas in o mações, opiniões (in e p e ações e c í icas) e análises do despo o em qualque aspe o da sua ab angência sociocul u al” e que é “na sua maio ia, se o izada, podendo incidi sob e clubes, modalidades, en idades di igen es ou ou os aspe os despo i os impo an es” (p. 193). Po ém, o au o assume que es a é já uma de inição demasiado adicional e a é “u ópica”, pois “o jo nalismo despo i o, cada ez mais, em p ocu ado o sen ido do espe áculo, o que le a a uma iden i icação in eg ada com o espe áculo, o p o issionalismo e o negócio. A c iação, a di usão e o econhecimen o de ídolos e mi os no Despo o êm sido algumas das inicia i as do Jo nalismo Despo i o na cons ução do espe áculo” (idem, p. 194). Pa ece, assim, que o jo nalismo despo i o es á longe de se a as a dessa imagem de “edi o ia meno ” do Jo nalismo, especialmen e ace ao papel que o jo nalismo ele isi o e as suas cedências às exigências do me cado possuem. Con udo, é possí el aze e dadei o jo nalismo na edi o ia do Despo o e es e é um se o que não es á p on o a pe de a sua impo ância, como p o a o ac o de exis i em á ios meios de comunicação social especializados nes e e a sua cons an e apos a nos gene alis as. 82 Como nos diz Va ela (2011), “hoje, despo o e media não i em um sem o ou o, coabi am sob es i a dependência. Veja-se quem são hoje os p incipais inanciado es das g andes con ede ações do despo o (FIFA e Comi é Olímpico In e nacional), quem lhes p opo ciona luc os milioná ios, e de odos os clubes p o issionais, quem lhes ga an e as emune ações dos despo is as: as ele isões. São os con a os de comp a e enda dos di ei os de ansmissão que assegu am o negócio. E quem em o negócio age no in e esse de não o es aga , deseja p omo ê-lo a é à exaus ão, na en a i a de ga an i mais e mais audiências”. Conclui-se assim que “a elação imp ensa, espe áculo despo i o e público p ecisa se pensada em e mos de ci cula idade e não somen e em e mos de manipulação”, pois “média, público, ídolos, ãs, indi íduos anónimos e celeb idades, a is a e audiência (...) coexis em den o de um uni e so in eg ado onde uma pa e não az sen ido sem a ou a” (Helal in Cos a, 2010, p. 107). Além disso, as suas ca ac e ís icas p óp ias, que êm hoje an o de in o mação como de en e enimen o, le a am au o es como Wins on e Schul z a ala do jo nalismo despo i o como uma “eme gen e o ma híb ida de jo nalismo” (Schul z, 2010, p. 12), que “emp ega subje i idade adical, ao pon o de se quase poé ica, semi-lúcida, uma p osa semi-abs a a, na ep esen ação da subje i idade do e en o, enquan o as mesmas peças ambém explo am as o mas em que os despo os encaixam nou os con ex os e na a i as mais con encionais”. (Wins on, 2014, p. 413) Ao longo dos p imei os capí ulos o am iden i icadas as ca ac e ís icas do jo nalismo despo i o e do que di e e es a edi o ia das es an es, p osseguindo-se, de seguida, pa a a análise do con eúdo p oduzido, nos seus á ios o ma os, po um ó gão de comunicação social ligada à á ea do Despo o, nes e caso, o ze oze o. Em suma, com a análise e e uada no úl imo capí ulo do p esen e ela ó io, jun ando análise de con eúdo e en e is a ao di e o de comunicação do ó gão de comunicação social onde oi e e uado o es ágio cu icula (aliados à expe iência pessoal expe ienciada du an e esse pe íodo), oi possí el chega a di e sas conclusões e, consequen emen e, esponde à pe gun a e subpe gun as de in es igação. 83 Temá icas ligadas ao en e enimen o dominam a edi o ia do jo nalismo despo i o? Es a pe gun a oi uma das que acabou po se i de base pa a odo o ela ó io de es ágio e acompanhou odo o p ocesso de análise de con eúdo e a é do p óp io deco e do es ágio cu icula . Face a essa “imagem” p eexis en e que ha ia do jo nalismo despo i o es a di e amen e ligado a um o ma o de en e enimen o pa a o público, e a impo an e pe cebe se, e e i amen e, as emá icas abo dadas po um ó gão de comunicação social des a á ea caiam pa a o lado do en e enimen o ou se, pelo con á io, es a am na sua maio ia (ou o alidade) den o do espec o daquilo que é conside ado in o mação, endo po base as emá icas abo dadas no jo nalismo despo i o. Pa a isso oi ei a a análise de con eúdo a 60 a igos (59 se i e mos em con a que um su gia epe ido) – 20 po cada mês –, du an e o pe íodo em que du ou o es ágio cu icula , ao ní el da emá ica. Des a o ma, di idiu-se as peças en e en e enimen o, in o mação e hib idez, pa a quando os emas abo dados su giam como uma mis u a das duas opções an e io es. Tendo po base os esul ados da nossa análise, e i icámos que, ao ní el do con eúdo esc i o, a la ga maio ia (98,3%) das peças p esen es nos ankings do pe íodo em ques ão es ão di e amen e ligadas a con eúdo que en a no domínio da es e a daquilo que é o jo nalismo despo i o, como é o caso do Me cado, A ualidade, Cu iosidades es a ís icas – um dos campos de ele o do ze oze o ace à sua imensa base de dados -, En e is as, Análises ou a é mesmo Di e os ( ambém conhecidos po “Ao Minu o”). Há, no en an o, que des aca que a é mesmo no ze oze o, que em uma polí ica edi o ial bas an e es i a e se en a a as a o mais possí el de sensacionalismos e en e enimen o, há algumas cedências. No caso em ques ão, ao ní el de peças esc i as, hou e apenas a des aca uma no uni e so de um o al de 59, em que o ema e a um ideojogo ligado ao Mundo do Despo o. No en an o, não deixa de se uma cedência ao En e enimen o, uma ez que su ge quase como uma “p omoção” a um p odu o de pu o en e enimen o. Vis o que o ze oze o é um jo nal online, não p oduz apenas peças esc i as e p ocu a explo a ao máximo as ca ac e ís icas do meio em que es á inse ido, p oduzindo uma sé ie de con eúdo mul imédia e de áudio, nes e caso, podcas s. Po isso mesmo, oi ei a a análise desse mesmo con eúdo, po o ma a e uma análise mais ap o undada e po meno izada. Aqui, e i icou-se que essa al possí el cedência ao en e enimen o no jo nalismo despo i o a ia mui o consoan e o ipo de o ma o do con eúdo p oduzido, pelo menos, 84 no ze oze o. No que diz espei o ao con eúdo mul imédia do jo nal, exis em seis p og amas de maio ele o e que o am analisados, sendo que ês desses são me amen e in o ma i os, enquan o dois, que se ap oximam mui o àquilo que é ei o nos p og amas de comen á io ele isi os dos á ios canais (que a iam de canal pa a canal quan o a uma maio ou meno cedência ao en e enimen o) são híb idos e mis u am os dois o ma os. Há apenas um, o “Ze o à Esque da”, que é conside ado en e enimen o pu o ace às suas ca ac e ís icas, mas no con eúdo mul imédia já se no a que o En e enimen o es á bas an e mais p esen e. Po úl imo, ao ní el do con eúdo áudio, os podcas s, o ze oze o em ei o uma g ande apos a nos úl imos empos e em ala gado bas an e as emá icas abo dadas nes e ipo de o ma o, a iando en e modalidades e, den o do p óp io u ebol (a modalidade dominan e), de emas. Ao ní el dos podcas s, há ambém uma maio cedência ao en e enimen o ace a es e ipo de o ma o de maio le eza e descon ação, mas mesmo assim alguns dos p odu os do ze oze o são me amen e in o ma i os. Quais as emá icas mais ap eciadas pelo público que consome o con eúdo p oduzido po es a edi o ia? Tendo po base a mesma análise de con eúdo, acilmen e pe cebemos quais as emá icas mais ap eciadas pelo público do ze oze o. Sendo que o am analisados os 59 a igos mais lidos en e se emb o e no emb o de 2020, é p eciso des aca que esse pe íodo de empo coincidiu com o echo do me cado de ans e ências no u ebol – que se p olongou ace à pandemia de co id-19 –, que é um pe íodo ico à p odução de peças ligadas a esse ipo de con eúdo e acaba po in luencia os esul ados ap esen ados. Des a o ma, os emas mais lidos pelo público do ze oze o du an e o pe íodo em análise o am: Me cado (45,8%), A ualidade (18,6%), C ónicas Jogos (6,8%), Análises Jogado es/Equipas (6,8%), Cu iosidades (6,8%), En e is as (5,1%), Di e os (5,1%), Acompanhamen o P o as Eu opeias (3,4%) En e enimen o (1,7%). Se aqui já ica bem pa en e a impo ância do Tema do “Me cado” no Jo nalismo Despo i o – especialmen e du an e o e ão -, ainda mais ica se des aca mos apenas as 10 peças mais lidas pelos lei o es do ze oze o no pe íodo analisado, onde seis (com os dois p imei os em cla o des aque em elação aos es an es), es ão ligados a essa emá ica. Depois disso, o ema da “A ualidade”, que acaba po se um dos mais ab angen es ace às á ias sub emá icas que pode abo da , su ge em 2º luga e há uma g ande equidade en e os es an es. 85 Top-10 a igos mais lidos de se emb o, ou ub o e no emb o Tem de e es a lis a! 19 po ugueses no me cado 323.360 E depois do echo do me cado? Eis 20 c aques que es ão sem clube 276.702 15 jo ens a e em a enção na Liga NOS 2020/21 128.694 Con a ação de Qua esma p es es a ica echada pelo Vi ó ia SC 89.361 Despon a pa a milha es olha es: 25 p omessas a e em a enção na Champions 2020/21 59.444 Rúben Vinag e pe o de uma ao D agão 52.839 Depois da enda de Rúben Dias, um onze made in Seixal de 400 milhões de eu os 52.485 O que al a esol e no Spo ing? 48.168 O Foo ball Manage es á de ol a: 10 suges ões pa a começa a joga 42.240 Go e no az pa a o despo o não p o issional es e im-de-semana 37.670 O ipo de con eúdo ap esen ado (in o mação e en e enimen o) a ia consoan e o o ma o da in o mação (imp esso, áudio, audio isual)? Como oi possí el e na espos a à p imei a subpe gun a, endo semp e po base o exemplo do ze oze o, pe cebemos que o ipo de con eúdo ap esen ado po um ó gão de comunicação social despo i o, ao ní el de in o mação e en e enimen o, a ia consoan e o o ma o em que os con eúdos são ap esen ados (imp esso, áudio ou mul imédia). Olhando pa a es a análise de con eúdo, podemos pe cebe que, no que diz espei o aos podcas s e p og amas audio isuais, a dis inção ao ní el de o ma e emá ica no ze oze o a ia bas an e mais do que nos a igos e peças edigidos. Enquan o ao ní el esc i o hou e um cla o domínio do oco nas emá icas es i amen e ligadas ao jo nalismo despo i o e apenas uma b e e cedência à hib idez e ao en e enimen o, nes es dois ou os ipos de o ma o exis e uma maio a iação, em mui o de ido às ca ac e ís icas dos seus o ma os e à ap oximação dos con eúdos ap esen ados nou o ipo de ó gãos de comunicação social. Além disso, exis e uma maio ab angência emá ica e de o ma, como se e i ica, po exemplo, no p og ama “Ze o à Esque da”, que le a a que se “ uja” um pouco ao que se ia espe ado nes a edi o ia. Des a o ma, pe cebemos que no áudio e audio isual a cedência ao en e enimen o é bas an e maio que no esc i o. Is o explica, mui o p o a elmen e, o po quê de o jo nalismo despo i o se is o po mui os como um o ma o de en e enimen o, uma ez que a ele isão é o meio de comunicação social de excelência pa a a maio ia e mais 86 consumido no mundo. Olhando pa a o ipo de con eúdo p oduzido po es e meio, na sua gene alidade, es e baseia-se mui o em p og amas de comen á io e a me a ansmissão de jogos, especialmen e na ele isão po uguesa gene alis a, o que le a a que seja essa a imagem deixada pa a a maio ia. Pa a e , na ele isão, con eúdo mais jo nalís ico na á ea do Despo o é necessá io i aos ó gãos de comunicação social especializados, como o Canal 11, a Spo TV ou a Ele en Spo s, que, embo a ambém enham o ipo de con eúdo ap esen ado pelos gene alis as, ou o ap esen am de ou as o mas ou com maio a iedade de con eúdos despo i os. É o jo nalismo despo i o uma edi o ia com um código deon ológico p óp io em elação às es an es? Es a é, p o a elmen e, a ques ão mais di ícil de esponde no nosso ela ó io e p o a elmen e aquela onde as opiniões mais ão a ia . Como nos diz Luís Rocha Rod igues, jo nalis a e di e o de in o mação do ze oze o, em en e is a explo a ó ia do ela ó io de es ágio, há um aspe o impo an e a e em con a no jo nalismo despo i o. É que, “se, em economia, em saúde ou em inanças, a pe cen agem de público que domina os concei os, sejam p incipais ou de po meno , é mui o diminu a, no despo o (e, em conc e o, no u ebol) o público é mui o mais in e essado em sabe , es uda e deba e , o que az com que se de e em mais acilmen e pequenos e os ou lei u as di e en es”. O a, is o le a a que nes a á ea em especí ico o público escalpelize mais, julgue mais, con es e e con a ie mui o mais, o nando o “papel mais ing a o”. Além disso, no a ainda pa a, como e e e o en e is ado, o ac o de não exis i , pa a a opinião pública, “alguém que seja uma e e ência caso o que esse jo nalis a exponha seja con á io à opinião do adep o”, o que le a a que “pa a o adep o, o bom jo nalis a seja aquele que diz o que esse adep o p e iamen e já que ou i ”. Caso a opinião não seja comum, o jo nalis a se á p on amen e o ulado como algo nega i o, o que le a mui os p o issionais da á ea a p ocu a em se consensuais e “ abalha pa a ag ada ”, o que “con a ia mui as ezes o p óp io código deon ológico que de e ege a sua condu a.” Além disso, há que e em a enção que o Despo o é uma á ea que, desde os seus p imó dios, lida mui o com a emoção do público, o que acaba po lhe concede ca ac e ís icas que á eas como a Economia, a Polí ica ou a Saúde não êm, mesmo que a sua impo ância pa a a i ência em sociedade possa se bas an e mais ele an e. 87 Ao ní el da o ma como o con eúdo jo nalís ico é p oduzido na edi o ia do Despo o, oi ambém possí el e que exis em algumas di e enças pa a com as es an es á eas. Vendo, po exemplo, o anking das peças mais lidas dos meses analisados, pe cebemos que algumas con am com um ce o ní el de subje i idade. Uma boa pa e disso de e-se ao ac o das análises ( á icas, de equipas, jogado es, compe ições,…) se em um ipo de con eúdo bas an e p esen e no jo nalismo, concedendo-lhe esse ipo de abe u a pa a um ce o ní el de subje i idade. Faz sen ido, po exemplo numa c ónica de um jogo, o jo nalis a esponsá el pela mesma a i ma se a exibição de ce o jogado oi, ou não, bem conseguida, mas, pelo con á io, não é comum se o jo nalis a a a i ma se ce a medida do Go e no ou de uma emp esa oi a mais co e a. O mesmo acon ece com ou os ipos de jo nalismo, como o Cul u al, Li es yle, Moda, en e ou os. 88 Re e ências Bibliog á icas Aamido , A. e .al. (2003). Real Spo s Repo ing. Indiana Uni e si y P ess. Indiana. Abiahy, A. C. (2000). Jo nalismo especializado na sociedade da in o mação. 1-27 Acedido em h p://bocc.ubi.p /pag/abiahy-ana-jo nalismo-especializado.pd Alcoba, A. (1980). El pe iodismo depo i o en la sociedad mode na. El Au o . Mad id. Ba bei o, H., & Rangel, P. (2006). 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Camb idge. 96 Inicialmen e, o oco do ze oze o e a apenas o u ebol, endo mais a de expandindo a sua á ea de domínio pa a ou as seis modalidades – u ebol p aia, u sal, hóquei em pa ins, oleibol, andebol e basque ebol. O que mo i ou essa expansão? LRR: Sabíamos que esses amos (pe mi am-me chama -lhe assim) do despo o so iam de g andes lacunas em e mos de o e a in o ma i a. E ou mui o além do ípico jo nalismo de a ualidade, en e is as, c ónicas de jogos (que, com mais ou menos espaço, é a ado nos jo nais despo i os desde semp e). Falo no que é o pon o mais o e do ze oze o: base de dados. Nesse aspe o, esses amos so iam de uma escassez e iden e de in o mação. E, se em alguns casos as ede ações inham à disposição do público mui a in o mação, nou os casos assis ia-se a um sis ema cla amen e udimen a , em que o hóquei em pa ins, uma das mais o es modalidades de pa ilhão em Po ugal, e a o maio exemplo. Assim, en endemos que, mesmo a ando-se de nichos, que só mui o pon ualmen e colhem algum in e esse de massas – no undo, quando há jogos decisi os en e os maio es clubes po ugueses – ha ia um me cado po explo a , pois o público inha es a necessidade. O público e a comunicação social, pois sabemos que somos mui o mais um meio do que um im no a amen o jo nalís ico dessas modalidades. Po quê essas modalidades em especí ico? LRR: P ocu ámos as modalidades mais ep esen adas e mais p a icadas em Po ugal, as que colhem mais a enções e ambém as que não chocassem o almen e com a ci culação do sangue do ze oze o. O que que o dize com is o? Pa a a essência do ze oze o, é impo an e que os esul ados comecem 0x0 e que a con agem seja ei a em unidades, de o ma na u al (1, 2, 3…). Daí se mais ácil implemen a es as modalidades do que Au omobilismo, Ciclismo ou Ténis, que são ou os amos mui o pedidos pelos u ilizado es. Exis e ambição de num u u o p óximo expandi pa a ou as modalidades/despo os? Se sim, po quê? LRR: Não es á nos planos, po ago a. Ainda que, po exemplo, com o caso do sucesso da sé ie D i e o Su i e (Ne lix), enha exis ido um boom de seguido es de Fó mula 1 em Po ugal, o que o na esse me cado mui o apela i o. Se não conhece mos o passado ecen e e es i e mos a assis i à sé ie, emos a endência na u al de pesquisa sob e isso. E, aí, al a um ze oze o, com uma pesquisa amilia , que auxilie na melho pe ceção do 97 público sob e os dados ge ais da compe ição e dos pilo os. É um exemplo que acon eceu comigo. Po quê a escolha de di idi em di e en es “domínios” as di e en es modalidades que são abo dadas no ze oze o? LRR: En endemos que cada uma em o seu espaço. Não nos pa ecia lógico aglome a udo no mesmo espaço e mui o menos que se c iassem dois mundos: o u ebol e os ou os. Po quê? Po que quem segue a incadamen e andebol, di icilmen e segue oleibol, quem é adep o de hóquei não liga a basque ebol. Em concei o, são odos dis in os, apesa de ha e algum ecle ismo em algum público. É o jo nalismo despo i o is o como uma edi o ia meno ace às es an es? Se sim, po quê? LRR: Po pa e do público, não c eio. Po pa e da classe, acho que há algum p econcei o, sim. Tal ez po es a mos, na génese, a ala de algo que de i a de di e imen o. No undo, o despo o de al o ní el é um espe áculo, a in o mação em po a as o. Po ém, não acho, de odo, que seja mais ácil. Se, amanhã, me pedi em pa a i cob i uma con e ência de imp ensa de um minis o, eu p epa o-me e ou. Assim como, se amanhã pedi em a um colega que em o hábi o de aze jo nalismo di ecionado pa a a polí ica pa a ele i cob i a con e ência de imp ensa de um einado , ele e á de se p epa a e amilia iza pa a i . Quem em a a e a mais ácil? Não sei, mas a complexidade de p epa ação não di e e. Como se pode comba e esse p econcei o? LRR: Não me pa ece que seja algo a se comba ido. C eio que são apenas pe ceções le ianas. Face às ca ac e ís icas ine en es ao despo o – po exemplo, as emoções – o jo nalismo despo i o é egido po eg as p óp ias? Tem o jo nalismo despo i o quase que um código deon ológico p óp io? LRR: Há um aspe o mui o ele an e: se, em economia, em saúde ou em inanças, a pe cen agem de público que domina os concei os, sejam p incipais ou de po meno , é mui o diminu a, no despo o (e, em conc e o, no u ebol) o público é mui o mais in e essado em sabe , es uda e deba e , o que az com que se de e em mais acilmen e pequenos e os ou lei u as di e en es. No undo, na nossa á ea o público escalpeliza mui o 98 mais, julga mui o mais, con es a e con a ia mui o mais, o que o na o papel mais ing a o. Além disso, há ou o aspe o ele an e: não há, pa a a opinião pública, alguém que seja uma e e ência caso o que esse jo nalis a exponha seja con á io à opinião do adep o. Pa a o adep o, o bom jo nalis a é aquele que diz o que esse adep o p e iamen e já que ou i . Caso não seja uma opinião comum, o ó ulo dado ao jo nalis a é au oma icamen e nega i o. E is o le a-nos a um p oblema c escen e: a ualmen e, cada ez mais se assis e à p ocu a do jo nalis a de se consensual e de abalha pa a ag ada , o que con a ia mui as ezes o p óp io código deon ológico que de e ege a sua condu a. É ambém, mui o comum associa es a edi o ia a um ce o ní el de en e enimen o, seja pelas ansmissões de jogos na ele isão, ou pelos á ios ipos de p og amas de comen á io de a ualidade despo i a, po exemplo, que exis em. É o en e enimen o uma ca ac e ís ica ambém ela ine en e ao jo nalismo despo i o? LRR: Não. Pe cebo a ques ão e pe cebo que exis a a en ação de as mis u a , mas jo nalismo e en e enimen o são dois mundos dis in os. In o ma é uma coisa, en e e é ou a. In elizmen e, assis imos a uma usu pação dos concei os que egem o jo nalismo pa a uma no a o ma de en e enimen o, como são os casos de alguns ela os adio ónicos ou de alguns p og amas ele isi os. Mas, a é aí, aço semp e a dis inção dos momen os que são de jo nalismo e de en e enimen o De e-se comba e essa associação ao en e enimen o no jo nalismo despo i o? Se sim, como? LRR: É ingló io pedi -se ao jo nalismo que o comba a e é us an e espe a que o público o dis inga. Nes a al u a, es es são os sen imen os que en ol em es a ques ão. O jo nalismo em a p emissa cla a de in o ma , o en e enimen o a de en e e . Essa en ada do en e enimen o e i ica-se apenas no jo nalismo despo i o ou é algo cada ez mais ge al nas es an es edi o ias ambém? LRR: Insis o em sepa a as águas. Há á ios p og amas que podem se is o como jo nalís icos, mas que não o são. São ei os po jo nalis as ou po comen ado es? Mui as ezes, há uma eno me con usão no ó ulo a ibuído, achando-se que se ala de um p odu o de jo nalismo quando quem o c ia não é, seque , p o issional da á ea. Podem ce os segmen os do ze oze o, como o “Ze o à Esque da”, se em conside ados uma cedência a esse en e enimen o? 99 LRR: Pe cebo a ques ão e a associação, mas disco do da ideia de se a a de um p og ama de en e enimen o. É um con eúdo mui o ligei o, mas o le an amen o jo nalís ico é ei o e o con eúdo a ado como al, numa linguagem especí ica e descon aída. Quais as an agens e des an agens do ze oze o se um ó gão de comunicação social exclusi amen e em o ma o online? LRR: Mais do que o o ma o online, que, po si só, já é um ga an e de uma in inidade de possibilidades e ami icações, a a-se de um p oje o em que os elemen os da undação, há 18 anos, pe manecem os mesmos, sem nenhum g ande g upo po ás. Há uma eno me p oximidade en e adminis ação e os á ios depa amen os e uma simplicidade de in e ação que az com que seja ácil a isca , en a , es a . Fazemo-lo mui o, é uma das g andes mais- alias. E, num mundo online que ainda é um eno me campo cheio de possibilidades em abe o e po explo a , isso é uma g ande an agem. Nunca hou e an a o e a como hoje e nunca hou e an a necessidade de eno ação cons an e de con eúdos. Isso é um desa io. É es e o u u o do jo nalismo numa o ma ge al? Es ão os ó gãos de comunicação social imp essos “condenados” à ex inção? LRR: Têm o seu espaço, mas p ecisam da al eno ação cons an e de con eúdos. Veja-se o exemplo da ádio, que, com o su gimen o da ele isão, e mais a de da in e ne , oi is o em ambos os momen os como o p imei o amo a cai . Não caiu, soube adap a -se e ein en a -se e, hoje em dia, es á bas an e bem pa a aquilo que se pe spe i a a. E e i amen e, pa ece-me que há uma esis ência um pouco maio po pa e dos imp essos, mas es es úl imos anos o am de boa e olução. Não se endem mais jo nais, cla o, mas esses OCS consegui am olha com ou os olhos pa a a mode nização da nossa á ea. O que di e encia o jo nalismo despo i o das ou as edi o ias? LRR: Apenas a especi icidade da in o mação que é a ada. Di ia que nada mais. O que di e encia o jo nalismo digi al das ou as o mas de jo nalismo? LRR: A ab angência que se pode e . Digo semp e que o jo nalis a nunca se de e esquece que o seu papel é semp e de in e mediá io, do mensagei o que le a a mensagem ao público. No digi al, o leque de opções pa a anspo a e ansmi i essa mensagem é 100 mui o maio . Há a esc i a, há a ala, há a imagem e o som, há a le a e o g á ico. En im, a ab angência é maio , as eclas do jo nalismo clássico con e gem num só. Daí que, no digi al, conseguimos apidamen e e um p og ama audio isual, sem se mos uma ele isão, ou um podcas sem se mos uma ádio. O po encial é mui o maio . Exis e p econcei o pa a com os p og amas de comen á io de u ebol que exis em na ele isão po uguesa? Conside as que es es se inse em em in o mação ou en e enimen o? LRR: Quando, du an e es a en e is a, in oduzis e a ques ão do jo nalismo e do en e enimen o, pensei mui o nesse o ma o quando me e e ia a p og amas que são cla amen e de en e enimen o. É o caso. E é ácil dis ingui : po exemplo, a SIC No ícias inha o Tempo Ex a, com o Rui San os, e o Dia Seguin e… o p imei o é um p og ama in o ma i o (de análise, com subje i idade, de au o , mas ei o po um jo nalis a); o segundo é en e enimen o. O ze oze o em ambém o seu p og ama com moldes semelhan es a esses, o “4ª à g ande”. O que o di e encia? LRR: Pode ão apon a o egis o e o público-al o como pon os di e enciado es de ou os p og amas do mesmo es ilo, mas esse é um p og ama de en e enimen o do ze oze o. Esse alegado lado de en e enimen o/sensacionalismo in luencia as escolhas edi o iais que são ei as (po exemplo ao ní el do que é, ou não, no ícias)? LRR: Não c eio, de odo. A apos a nos podcas s em sido equen e e cada ez maio . Es e ipo de con eúdo é conside ado en e enimen o, in o mação ou uma mis u a dos dois (híb ido)? Todos os podcas s do ze oze o se inse em na mesma “ca ego ia”? LRR: Tendo, odos eles, egis os p óp ios e di e en es, coincidem na p ocu a de um espaço de análise e e lexão, ei os po jo nalis as. Não os ejo como p og amas de en e enimen o, apesa de acei a que possam se is os como híb idos.