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Primeira onda impressa. Ações e reações ao feminismo nos periódicos cariocas

Assumção, Glauciany Barbosa de

Abstract

O presente trabalho tem como objetivo realizar uma análise das ações feministas, bem como das reações antifeministas, expressas em quatro periódicos que circularam na cidade do Rio de Janeiro: Revista da Semana, Revista Feminina, O Malho e Para Todos, entre os anos 1918 e 1932, cuja consulta se realizou na Hemeroteca Digital do Rio de Janeiro A pesquisa teve como suporte aspectos teóricos dos estudos de género, da história cultural e da relevância dos meios de comunicação de massa, enquanto elemento fiável na análise do contexto histórico e social de uma determinada realidade a estudar. A sua consulta e análise permitiu recriar a participação ativa das mulheres da elite carioca, não apenas enquanto agentes da escrita, como dando conta da crescente visibilidade na ocupação do espaço público, e das alterações ocorridas na sua condição social e política. O novo comportamento feminino, surgido após a Primeira Guerra Mundial, repercutiu-se um pouco por toda a Europa e os seus reflexos fizeram-se sentir no Brasil, com efeitos muito visíveis na cidade do Rio de Janeiro. À emergência dessa “nova mulher” reagiram positiva ou negativamente outros atores, neste último caso, muitas vezes ridicularizando os novos papéis sociais reivindicados pelas mulheres. Realiza também um resgate de memória sobre a primeira onda feminista ocorrida nessa cidade; as principais lideranças, as suas respetivas ideologias, reivindicações e modus operandi; a mentalidade da sociedade dessa época que formatava as vivências individuais e o funcionamento de instituições numa sociedade que se encontrava em pleno processo de metamorfose.

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P imei a onda imp essa. Ações e eações ao eminismo nos pe iódicos ca iocas Glauciany Ba bosa de Assumção Disse ação de Mes ado em Es udo sob e as Mulhe es Agos o de 2021 No a: Glauciany Ba bosa de Assumção. P imei a onda imp essa. Ações e eações ao eminismo nos pe iódicos ca iocas. 2021. 2 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Es udos sob e as Mulhe es. Mulhe es na sociedade e na cul u a, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o .ª Dou o a Ma ia Isabel de Chagas Hen iques de Jesus e coo ien ação da P o .ª Dou o a Te esa Sousa de Almeida. 3 Dedico es e abalho a odas as b asilei as esquecidas pela His ó ia. 4 AGRADECIMENTOS P imei amen e ag adeço a duas pessoas que o am undamen ais nes a a en u a que oi sai da minha e a na al, a a essa o oceano e aze mes ado em Lisboa: An ônio Edua do Seixas e Lidiany Seixas. Ob igada po odo o apoio e incen i o! Sem ocês eu não e ia ealizado es e sonho. Minha g a idão ambém à minha mãe, Ma ia das G aças Assumção, que semp e in es iu em minha educação, con inuando o abalho iniciado po meu pai, Roque Dias de Assumção. Mui o ob igada po semp e e ac edi ado no meu po encial. Minhas o ien ado as, P o .ª Dou o a Isabel Jesus e P o .ª Dou o a Te esa Almeida, mui o ob igada pelo supo e acadêmico e co dialidade. Nesses empos di íceis de pandemia, o ca inho com que me a a am eno ou as minhas o ças pa a con inua a pesquisa e minha espe ança de que udo acaba ia bem. Às colegas e ao colega de classe des e mes ado di eciono oda minha g a idão pelo companhei ismo, amadu ecemos mui o compa ilhando sabe es, lág imas e isadas. Sen i ei saudades! Ob igada a odos e odas po udo! 5 P imei a onda imp essa. Ações e eações ao eminismo nos pe iódicos ca iocas Fi s wa e p in ed. Ac ions and eac ions o eminism in Rio de Janei o’s jou nals. Glauciany Ba bosa de Assumção RESUMO O p esen e abalho em como obje i o ealiza uma análise das ações eminis as, bem como das eações an i eminis as, exp essas em qua o pe iódicos que ci cula am na cidade do Rio de Janei o: Re is a da Semana, Re is a Feminina, O Malho e Pa a Todos, en e os anos 1918 e 1932, cuja consul a se ealizou na Heme o eca Digi al do Rio de Janei o A pesquisa e e como supo e aspec os eó icos dos es udos de géne o, da his ó ia cul u al e da ele ância dos meios de comunicação de massa, enquan o elemen o iá el na análise do con ex o his ó ico e social de uma de e minada ealidade a es uda . A sua consul a e análise pe mi iu ec ia a pa icipação a i a das mulhe es da eli e ca ioca, não apenas enquan o agen es da esc i a, como dando con a da c escen e isibilidade na ocupação do espaço público, e das al e ações oco idas na sua condição social e polí ica. O no o compo amen o eminino, su gido após a P imei a Gue a Mundial, epe cu iu-se um pouco po oda a Eu opa e os seus e lexos ize am-se sen i no B asil, com e ei os mui o isí eis na cidade do Rio de Janei o. À eme gência dessa “no a mulhe ” eagi am posi i a ou nega i amen e ou os a o es, nes e úl imo caso, mui as ezes idicula izando os no os papéis sociais ei indicados pelas mulhe es. Realiza ambém um esga e de memó ia sob e a p imei a onda eminis a oco ida nessa cidade; as p incipais lide anças, as suas espe i as ideologias, ei indicações e modus ope andi; a men alidade da sociedade dessa época que o ma a a as i ências indi iduais e o uncionamen o de ins i uições numa sociedade que se encon a a em pleno p ocesso de me amo ose. PALAVRAS-CHAVE: P imei a onda eminis a; eminismo; pe iódicos; Rio de Janei o. 6 ABSTRACT The p esen wo k aims o ca y ou an analysis o eminis ac ions, as well as an i- eminis eac ions, exp essed in ou pe iodicals ha ci cula ed in he ci y o Rio de Janei o: Re is a da Semana, Re is a Feminina, O Malho and Pa a Todos, be ween 1918 and 1932, consul ed h ough he Digi al Newspape & Pe iodicals Lib a y o he Na ional Lib a y o Rio de Janei o. The esea ch was suppo ed by heo e ical aspec s o gende s udies, cul u al his o y and he ele ance o he mass media, as a eliable elemen in he analysis o he his o ical and social con ex o a gi en eali y o be s udied. Thei consul a ion and analysis allowed o ec ea e he ac i e pa icipa ion o women om he Ca ioca eli e, no only as agen s o w i ing, bu also gi ing an accoun o he g owing isibili y in he occupa ion o public space, and he changes ha ha e occu ed in hei social and poli ical condi ion. The new emale beha io , which eme ged a e he Fi s Wo ld Wa , had epe cussions h oughou Eu ope and i s e lexes we e el in B azil, wi h e y isible e ec s in he ci y o Rio de Janei o. To he eme gence o his “new woman” o he ac o s eac ed posi i ely o nega i ely, in he la e case, o en idiculing he new social oles claimed by women. I also ca ies ou a memo y eco e y abou he i s eminis wa e ha occu ed in his ci y; he main leade s, hei espec i e ideologies, demands and me hodology; he men ali y o socie y a ha ime ha shaped indi idual expe iences and he unc ioning o ins i u ions in a socie y ha was in he middle o a p ocess o me amo phosis. KEYWORDS: Fi s eminis wa e; eminism; pe iodicals; Rio de Janei o. 7 ÍNDICE In odução…………………………………………………………………….9 Capí ulo 1: Mon ando o cená io ....................................................................... 20 1. 1. Rio de Janei o: o os o maquiado do B asil .................................... 20 1. 2. No os cená ios, an igos pensamen os ............................................. 26 Capí ulo 2: As p o agonis as na cidade e nas páginas ..................................... 32 2. 1. Líde es, ideologias e o ganizações ................................................. 32 2. 2. Conquis ando o su ágio ................................................................. 54 Capí ulo 3: Reações an i eminis as .................................................................. 64 3. 1. Ridicula ização ao se iço da masculinidade ameaçada ................ 64 3. 2. A e c uel ......................................................................................... 73 Capí ulo 4: Admi ação, espei o e homenagem ............................................... 83 Conclusão ........................................................................................................... 88 Bibliog a ia ...................................................................................................... 93 8 9 In odução O p esen e abalho de pesquisa é iniciado a pa i da conside ação de que as mulhe es são as esquecidas, as sem oz da His ó ia (Pe o , 2003). “Sem oz” não signi ica que elas não i e am pa icipação nos p ocessos sociais, ei indica am os seus di ei os, lu a am po espaços ou igualdade em á ios momen os; signi ica que a his o iog a ia adicional não egis ou ou egis ou sem a de ida impo ância e jus iça a pa icipação eminina nos p ocessos de desen ol imen o his ó ico das sociedades. Du an e séculos, a His ó ia oi esc i a po homens e pa a homens, cons uindo he óis e enal ecendo os g andes ei os masculinos, endo as mulhe es sido silenciadas, como nos escla ece a his o iado a Michelle Pe o (2007). Es a ausência eminina e dominação masculina nos p ocessos de p odução his o iog á ica, po longos anos, oi obje o de a enção de ou as pesquisas. A his o iado a June E. Hahne (1981) ambém ocou essa ques ão e a i mou que os homens, po e em sido du an e mui o empo os ansmisso es o iciais da cul u a na sociedade e po e em decidido o que se ia incluído na His ó ia, eicula am aquilo que julga am impo an e. Po an o, de ido à di e ença en e as a i idades masculinas e emininas, essas úl imas o am conside adas sem impo ância e indignas de menção nos egis os his ó icos. Po isso, as mulhe es pe manece am à ma gem dos egis os his ó icos a é o su gimen o dos mo imen os sociais e das lu as libe á ias da década de 1960 que culmina am no que icou conhecido como Maio de 68. A g e e de es udan es em Pa is; a p ima e a de P aga; os Pan e as Neg as e o mo imen o hippie con a a Gue a do Vie nam nos Es ados Unidos; as lu as con a as di adu as mili a es na Amé ica La ina o am mo imen os impulsionados po uma no a onda de conscien ização social (Sil a, S/D)1. Dessa no a onda ambém su gi am as co en es his o iog á icas e isionis as inculadas ao mo imen o da his ó ia social e, consequen emen e, o desen ol imen o de es udos ocados na mulhe . A Re is a dos Annales oi a p imei a a inclui as mulhe es como obje o de es udo, inicialmen e den o da his ó ia da amília e, pos e io men e, em ou os campos como a his ó ia do abalho e a p óp ia his ó ia da mulhe . Desde en ão, hou e uma expansão dos es udos de géne o que eme gi am dessa c ise dos pa adigmas adicionais da esc i a da His ó ia, o que e igo ou p o undamen e es a disciplina (Ma os, 1998). 1 O e e ido a igo encon a-se disponí el pa a consul a on line, po ém não possui da a de publicação. 16 as mulhe es ca iocas da eli e social es a am inse idas, pa a en ão comp eende os impulsos de momen os de énue ou g ande issu a desse quad o de dominação. Tenciono, po an o, ealiza um es udo da men alidade social des a época, comp eendendo que es a consis e nos “condicionamen os não conscien es e in e io izados que azem com que um g upo ou uma sociedade pa ilhe, sem que seja necessá io explici á-los, um sis ema de ep esen ações e um sis ema de alo es.” (Cha ie , 2002, p.41). Comp eendendo, po im, o ompimen o da con inuidade de de e minados compo amen os e discu sos espe ados da mulhe e o nascimen o, em longo e g ada i o p ocesso, do que oi conside ado na época como “no a mulhe ” (Telles, 2009), que só oi possí el a a és da abe u a dessas issu as sociais. Des a o ma, p ocu a ei escla ece quais e am as p incipais ei indicações ap esen adas po essas mulhe es e quais es a égias elas aça am pa a alcança as mudanças sociais que almeja am. Também usa ei como di ecionamen o eó ico a noção de pode simbólico desen ol ido po Thompson. Nes a linha de pensamen o en ende-se que pode é a capacidade de agi pa a alcança os p óp ios obje i os ou in e esses, a capacidade de in e i no cu so dos acon ecimen os em uma sociedade e suas consequências (Thompson, 1995). Ou seja, a capacidade de um elemen o ou um g upo o ganizado da es u u a social ealiza al e ações em bene ício p óp io nos acon ecimen os que impac am a es u u a como um odo. Quan o ao “simbólico”, o sociólogo a i ma que as ações simbólicas ansmi em signi icados que podem “p o oca eações, lide a espos as de de e minado eo , suge i caminhos e decisões, induzi a c e e a desc e ” (Thompson, 1995, p. 42), culminando em no as p á icas sociais. Po an o, a a és da comp eensão do “pode simbólico” enciono decodi ica os signi icados p esen es nos ex os e imagens ( eminis as ou an i eminis as) ele an es pa a es a pesquisa, endo em conside ação que a sociedade é cons i uída de elações in e pessoais ( ace a ace ou a a és de eículos, que é o caso) que ge am signi icados e símbolos. Se á analisada a na u eza e lexi a dos a o es sociais que o jam esses signi icados pa a comp eende o e ei o na men alidade social da época, o que con igu a o pode da ação simbólica. Esse abalho se á desen ol ido ambém a pa i do concei o de cul u a isual, já que se ão analisadas ob as de comunicação não e bal. Esse concei o é de ac o mui o amplo, oda ia co obo a, na medida em que amplia, o leque das adicionais on es iconog á icas, ab indo espaço amplo pa a as imagens o iundas dos meios de comunicação de massa. Po an o, p e endo pa i de ques ionamen os com base nos isual s udies sob e a uni e salidade da 17 expe iência pic ó ica, ques ionando o olha uni e sal, p ocu ando olha pa a além do discu so mani es o da imagem pa a, dessa o ma, alcança a dimensão imagé ica das na a i as e odo o seu eo polí ico e ideológico (Cas o; Medei os, 2017). En endendo ideologia como um sen ido (signi icado) ansmi ido com o obje i o de ealiza a p omoção ou manu enção de uma de e minada elação de pode (Thompson, 1995). E, pa a auxilia na comp eensão da cons ução social da pe spe i a biná ia de géne o da época, e i o o concei o de es e eó ipo social – como imagens in e pos as en e o indi íduo ideal e o indi íduo eal – escla ecido po Lígia Amâncio (2010). Nes a linha de pensamen o, en ende-se que a o mação de es e eó ipos é esul ado do uncionamen o do sis ema de alo es de uma sociedade, e que es es auxiliam na cons ução de uma o dem signi ican e da ealidade que ajuda os indi íduos a o ien a em-se em g upo. A in e dependência en e es e eó ipo e sis ema de alo es é conside ada como a o igem da esis ência às mudanças e da ejeição de qualque in o mação que seja incong uen e com o es e eó ipo es abelecido (Amâncio, 2010). Dessa o ma, comp eendendo que os alo es que cons i uíam os pila es que sus en a am a esis ência do conse ado ismo ao mo imen o de mudança sob e o es abelecimen o do espaço e do papel da mulhe na sociedade do início do século XX. A escolha dos pe iódicos, como já oi di o, passou pelos c i é ios de g ande ci culação, impo ância na o mação da opinião pública e longe idade de publicação. A pesquisa das publicações dos í ulos escolhidos oi desen ol ida a a és da e amen a o e ecida pelo p óp io websi e da Heme o eca Digi al, onde é possí el ealiza buscas po pala as-cha e. Dessa o ma, oi emp eendida uma e dadei a caçada, pois como a i ma Wal e Benjamin o ex o é uma lo es a na qual o lei o é o caçado (Benjamin, 2009) e dian e do olha des a pesquisado a ha ia não apenas um, mas cen enas de ex os – lo es as – a se em pe co idos em busca de um animal a isco, ou seja, os obje os signi ican es pa a es a pesquisa. Po an o, o am usadas as seguin es pala as-cha e pa a il a os ex os que pode iam e con eúdo in e essan e pa a o desen ol imen o des e abalho: mulhe ; eminismo; emancipação eminina; educação eminina; su ágio eminino; o o eminino. Após iden i ica os ex os possuido es de alguma des as pala as-cha e, o am ealizadas lei u as a en as de cada um deles pa a iden i ica possí el con eúdo eminis a ou an i eminis a. P ocu a ei ambém as ozes eacioná ias da sociedade pa ia cal do início do século XX, assim como as ozes dessas mulhe es que de am os p imei os passos no longo p ocesso de ans o mação que possibili ou a queda de an igos signos emininos como: esposa submissa, 18 ainha do la e mãe san i icada, dando início a uma longa e e olucioná ia caminhada, na di eção da assunção dos seus des inos , da au onomia e da conquis a dos espaços públicos, da o mação p o issional e da libe dade inancei a e sexual. P ocu o os insis en es impac os ocasionados pelos discu sos e ações eminis as que causa am achadu as i epa á eis na an iga o dem social pa ia cal. A a és des as achadu as passa am di ei os, acessos, libe dades, pode es e econhecimen os que êm mudado ao longo da His ó ia o s a us social, polí ico e econômico da mulhe e, p incipalmen e, e olucionou a elação en e os géne os, dando início à p ocu a de uma ampla igualdade que, ainda hoje, em pleno século XXI, não es á inalizada no Rio de Janei o, nem no mundo. Con o me já escla ecido, o olha des a pesquisa ambém se á di ecionado aos discu sos con á ios ei os po homens e mulhe es que ejei a am as modi icações p opos as pelas eminis as, ale ando pa a o pe igo que a “no a mulhe ” simboliza a pa a a manu enção de ins i uições base da sociedade: a amília e o Es ado. Assim como ambém se á dada a de ida a enção pa a os discu sos masculinos de incen i o ao mo imen o eminis a. Obje i o, po an o, comp eende as u u as e as pe manências dessa sociedade que se encon a a em um g ande p ocesso de esis ências e me amo oses. Tenciono escla ece , po im, a na u eza dos sen idos simbólicos ansmi idos sob e as mulhe es eminis as, a o ma como os pe iódicos que ci cula am na cidade do Rio de Janei o o am usados como e amen a na cons ução da consciência eminis a ca ioca no pe íodo en e o im da P imei a Gue a Mundial a é a conquis a do di ei o de su ágio eminino. Assim como ealiza um esga e de memó ia sob e essas mulhe es e seus eículos de comunicação como espaços de pode . P ocu a ei comp eende ambém, a a és de seus esc i os, as limi ações e di iculdades que e am impos as às b asilei as po um código mo al de ca á e pa ia cal, o qual ambém i ei decodi ica . P e endo da mesma o ma, a a és da análise dos pe iódicos e com apoio da bibliog a ia elencada, iden i ica as p incipais exigências dos eminismos e comp eende o ca á e das di e en es co en es ideológicas e suas mani es ações. Apesa do en oque p incipal se sob e as mulhe es da eli e social, busca ei comp eende ambém o que inha mais u gência, na isão de ou os le an es eminis as, de se sanado na ida de suas compa io as. E, des a o ma, consegui aça os pe is ideológicos da p imei a onda eminis a b asilei a na cidade do Rio de Janei o . 19 Pa a ealiza o esga e de memó ia das eações an i eminis as nesse pe íodo, se á ei o um le an amen o dos nomes mais emblemá icos de jo nalis as, c onis as, ca ica u is as e c., bem como seus a gumen os pa a deses imula os obje i os e ei indicações desse mo imen o. Des a o ma, busca ei comp eende ambém como homens e mulhe es conse ado es ecebe am a en a i a de mudança dos signos que de iniam o es e eó ipo eminino den o da al a sociedade ca ioca e que man inham as mulhe es sob uma dominação dis a çada de p o eção masculina. Não enho a p e ensão de aze uma lei u a exa a do passado com es a pesquisa, pos o que isso se ia um obje i o inexequí el, u ópico. Ao le os pe iódicos do eco e c onológico escolhido, p ocu o es ígios signi ica i os pa a mon a uma in e p e ação di e en e sob e a sociedade daquele empo, e qualque in e p e ação sob e o passado de uma sociedade em alo de memó ia, além de se undamen al pa a a comp eensão do seu p esen e e a p ojeção de me as pa a o u u o. Além disso, o papel do pesquisado é o na explíci o o que se man ém implíci o e anuncia o que se ia sec e o (Ba bosa, 2007), po an o ou em busca do que es á ausen e, escu a o que pe maneceu em silêncio há an os anos e mos a as igu as que pe manece am in isí eis ao longo des a his ó ia. 20 1 Mon ando o Cená io 1.1 Rio de Janei o: o os o maquiado do B asil Apesa do eco e c onológico des e abalho e início no ano de 1918, coincidindo com o im da P imei a Gue a Mundial – acon ecimen o que e e um impo an e papel em molda a men alidade de seus con empo âneos – é p eciso ecua alguns anos na linha do empo pa a de ac o comp eende odos os elemen os que compunham a cul u a, os modos de pensa e de agi da época em análise. Os úl imos anos do século XIX e o início do século XX o am empos emblemá icos pa a os a anços cien í icos, ecnológicos, mudanças polí icas e econômicas em mui os países, o que p oduziu ans o mações acele adas nos cená ios u banos e, consequen emen e, is o e le iu-se in ensamen e no compo amen o de homens e mulhe es das g andes cidades (Se cenko, 1998). O B asil ambém a a essou as suas ans o mações e con ulsões sin e izadas p incipalmen e na sua en ão capi al, o Rio de Janei o. Nessa i agem de século, do XIX pa a o XX, o B asil a a essa a um momen o con u bado com o im do sis ema esc a oc a a, no ano de 1888, e de ansição polí ica de Es ado Impe ial pa a República em 1889. Es es dois e en os a e a am p o undamen e a sociedade, pois modi ica am ins i uições que e am sus en áculos da economia e da polí ica, além de al e a as i ências do po o, as dinâmicas sociais e o ma ações das g andes cidades. Com o im da explo ação da mão de ob a esc a izada, a cidade do Rio de Janei o, capi al do Impé io, e e uma imensa modi icação é nica e um ápido c escimen o populacional. Is o oco eu po que a abolição lançou a maio pa e dos neg os no me cado de abalho li e e eng ossou o con ingen e de abalhado es in o mais e desemp egados. Além disso, p o ocou uma o e co en e mig a ó ia pa a a cidade p o enien e da egião ca eei a do es ado do Rio e um aumen o na imig ação es angei a, especialmen e de po ugueses (Ca alho, 1987). Ou seja, os donos de azendas de cidades izinhas subs i uí am a mão de ob a esc a izada pela imig an e eu opeia e o Rio de Janei o abso eu não só o con ingen e de neg os à p ocu a de abalho na capi al, como ambém dos imig an es que não se adap a am à ida nas la ou as. Com is o, hou e o aumen o do núme o de ambulan es, bisca ei os e dia is as que passa am pa e do dia ociosos pela cidade, pois a abolição da esc a a u a libe ou uma mão de 21 ob a que não oi abso ida pelo me cado, que da a cla a p e e ência aos imig an es eu opeus (Velloso, 2015). Além disso, ha ia o mo imen o de mig ação dos ep esen an es das eli es que se muda am do campo pa a a cidade com suas amílias eng ossando o olume populacional da capi al. Com is o, en e os anos de 1872 e 1890 a população passou de 266 mil habi an es pa a 522 mil; em 1890, apenas 45% da população ha ia nascido na cidade. Es e aumen o populacional iniciado ainda na ase impe ial deixou de he ança pa a o go e no epublicano an igos p oblemas es u u ais da capi al que o am ag a ados. A p eca iedade no abas ecimen o de água, no saneamen o, na higiene e na habi ação da população pob e esul ou em epidemias mais o es de doenças que já cas iga am a cidade, como: a íola, malá ia, eb e ama ela, ube culose e pes e bubónica. (Ca alho, 1987) Ou o desdob amen o que a abolição da mão de ob a esc a izada ocasionou diz espei o ao edi eccionamen o de in es imen os que an es e am emp eendidos no á ico de a icanos esc a izados. Esse olume de capi ais luiu pa a in es imen os em a i idades come ciais, manu a u ei as, sis ema de anspo es e, a é mesmo, pa a a especulação inancei a, p omo endo um p imei o su o de u banização na capi al (Ne o, 2018), o que começou a muda o cená io ca ioca que ecebeu iluminação pública, anspo es públicos elé icos, malha e o iá ia, iu su gi indús ias e com elas a o mação de uma classe ope á ia; odas essas modi icações ala ga am os ho izon es ideológicos e es abelece am no as o inas pa a os ca iocas. A p oclamação da República p o ocou inicialmen e uma g ande ins abilidade polí ica e económica no país. Além disso, po causa da inabilidade dos epublicanos em conquis a em a adesão do se o pob e da população, sob e udo dos neg os (Ca alho, 1987), oco e am agi ações popula es como a Re ol a da Vacina em 1904. Is o é e lexo da manei a como es a ansição polí ica se deu: um golpe a iculado en e uma classe es i a de in elec uais ci is e al as pa en es mili a es a endendo aos in e esses da oliga quia ag á ia. Além disso, o ac o desse egime polí ico e -se jus i icado a a és de elemen os como símbolos, he óis, hinos, bandei a e mi os que não possuíam nenhuma elação com o imaginá io p é-exis en e do po o, somen e com a ambição dessa eli e (Ca alho 1990). Ao menciona os símbolos polí icos, é ine i á el eco da a alego ia que ep esen a a a epública a a és de uma imagem eminina, bem semelhan e às escul u as da Roma an iga, embo a a inspi ação enha sido ealizada sob e as alego ias usadas da P imei a à Te cei a 22 República da F ança. No en an o, es a ep esen ação da epública/mulhe oi um acasso na época, como escla ece Ca alho (1990), baseado em Baczko, a gumen ando que al ou a essa imagem a chamada “comunidade de sen ido” e, po an o, logo es a igu a caiu no azio de signi icado e, a é mesmo, no idículo, o que já e a um p enúncio da o ma como as mulhe es se iam a as adas do âmbi o polí ico ao longo da República Velha. A ansição polí ica ge ou, po an o, maio es impac os nas men alidades das eli es da sociedade do que na população es an e. A ins au ação do go e no epublicano não ge ou co en es ideológicas p óp ias, mas ealizou uma g ande abe u a pa a uma ci culação mais li e de ideias (em ge al impo adas da Eu opa) que an e io men e, du an e o Impé io, e am man idas como abus. Essa libe ação das eli es sociais não icou só no mundo das ideias, pois a ingiu ambém os modos de se , sen i e as a i udes das pessoas dessa classe, ocasionando a queb a de alguns dos an igos alo es e dando espaço a cos umes mais sol os, man endo, po ém, mui os dos aspe os da adição impe ial e da mo al eligiosa ca ólica (Ca alho, 1987). E a o início de um mo imen o pa adoxal da mo al ca ioca que pe mi iu a abe u a de pequenas issu as na ocha da o dem pa ia cal (Cha ie , 1995) po onde, mais a de, passa iam as conquis as das mulhe es eminis as. O Rio de Janei o a a essou odas essas u bulências polí icas, econômicas e ideológicas, mas al a a-lhe, como capi al de uma epública, os a es de me ópole mode na es abelecidos pelos pad ões in e nacionais. Essa adequação pa ecia algo mui o di ícil com odos os p oblemas es u u ais, inclusi e sani á ios, que a cidade possuía, como já oi mencionado. No en an o, o di ícil não e a impossí el e a e o ma u bana e o saneamen o do cen o da cidade ca ioca o am ealizados na ges ão do p esiden e Rod igues Al es (1902-1906) que conseguiu pode es quase di a o iais pa a o engenhei o Pe ei a Passos, nomeado p e ei o, e pa a o médico Oswaldo C uz, nomeado di e o do Se iço de Saúde Pública (Ca alho, 1987). A e o ma iniciou-se nas uas e ambém in adiu espaços p i ados, demolindo ou exigindo ob as de adequação às mo adias iden i icadas como insalub es, além de dei a abaixo inúme os imó eis pa a da luga a cons uções mais mode nas ou pa a o ala gamen o da A enida Cen al, p incipal ia da cidade e que se o nou o maio símbolo de mode nização, concen ando a i idades polí icas, come ciais, cul u ais e eligiosas (Cohen; Go be g, 2007). Ex inguiu de e minadas a i idades conside adas como p ejudiciais pa a a saúde pública ou simplesmen e po ques ão es é ica. Dessa o ma, a mode nização da cidade ambém inha como 23 obje i o e consequência a seg egação social, impondo o a as amen o dos pob es e neg os daquele espaço que es a a sendo mode nizado pela e pa a as eli es. Luís Edmundo sin e izou bem o enesi dessas ope ações: Passos ence a o ina. Decla a gue a aos bacalhoei os da Rua do Me cado, aos amanquei os do Beco do Fisco, aos mes es de ob as que cons oem no es ilo compo ei a e ou os au o es do a aso nacional, […] c ia pos u as mandando ala ga as di isões das casas, manda asga janelas nos aposen os de do mi , enche a mo ada de luz, de a , de ida, e de saúde! Manda de uba cons uções a caicas, […] c ia o Se iço de Assis ência Pública, […] ex ingue a cainçalha que i ia in es ando as uas da cidade; acaba com a g i a ia dos p egões coloniais, me e mendigos em asilos, acaba com ambulan es, […] ala ga uas, c ia p aças, a bo iza-as, calça-as, embeleza-as, e mina com a imundície dos quiosques e diminui a in âmia dos co iços. (Edmundo, 1957, apud Mauad, 2000, p. 273) Assim, deu-se início a um p ocesso de maquiagem da imagem b asilei a pa a o mundo a a és do embelezamen o de sua capi al. Com o olha ol ado pa a o ou o lado do A lân ico, o B asil ep esen ado pelo Rio de Janei o, copiou modos de se , de i e , os alo es, as ins i uições, os códigos e as modas daquelas que en ão e am is as como nações p og essis as e ci ilizadas (Ne es, 2000). E am os ideais mode nos eu opeus alice çados nos concei os de p og esso e ci ilização que edesenha am odo o quad o in e nacional e a cidade ca ioca es o çou-se pa a, assim, o ma a -se e ans o ma -se em me ópole. A mode nização do espaço geog á ico e le iu-se no compo amen o de seus mo ado es. Os ca iocas da egião cen al da cidade, ce cados de no os espaços de con i ência, o am impulsionados a no os hábi os impo ados. Ca és, con ei a ias, cinemas, li a ias e a p óp ia A enida Cen al, inaugu ada em 1905, a es ida de boule a d pa isiense, con ida a os cidadãos a uma no a p á ica: o oo ing, o que não passa a de um passeio de inal de a de pa a os apazes exibi em sua elegância inglesa e as apa igas, seus ajes na úl ima moda ancesa. Como podemos en ende , a pa i de Se cenko: A A enida, como se ê, ope a a como p incipal índice simbólico da cidade, i adiando com suas achadas de c is al e má mo e, suas i ines cin ilan es, os mode nos globos elé icos da iluminação pública, os a óis dos ca os e o es uá io sun uoso dos anseun es, mudanças p o undas na es u u a da sociedade e cul u a. G ande pa e do impac o que ela e e sob e a imaginação dos con empo âneos se de ia, 24 como suge ia a obse ação de Lima Ba e o, à apidez inédi a das écnicas de cons ução, pe mi indo que o aspec o da á ea cen al osse ans igu ado num empo eco de, como num passe de mágica. (Se cenko, 1998, pp. 545-546) Além disso, o am inaugu ados espaços no u nos, que inicia am os ca iocas em laze es inédi os, como oi o caso do Thea o Casino, espaço luxuoso de en e enimen o que e o ça a o a cosmopoli a que o Rio de Janei o começa a a adqui i no início do século XX, com ap esen ações de a es a iadas, sin e iza a as no as o mas de linguagem e expe iências desse pe íodo emblemá ico. No mais, esse e a o local de exposição das no idades, encon os pa a o chá da a de ou chás de ca idade, bailes de o ma u a, jan a es pa a g andes pe sonalidades, e c. F equen ado po uma mino ia p i ilegiada que se inicia a nos hábi os de en e enimen o no u no das g andes cidades (San ucci, 2005). Dessa o ma, as eli es oca am a ida echada e isolada das g andes casas de azenda na zona u al e dos pequenos núcleos u banos das cidades do in e io , onde inham a ig eja como p incipal espaço de socialização, pelas no as o mas de eunião social e de di e são abe as com a mode nização da capi al. Espaços como os ea os e as ópe as o na am-se p incipais pon os de encon o, seguidos pelas con ei a ias, es au an es e ca és-conce o. (Rago, 2009) A no a cidade, pós- e o ma, con oca a as eli es de odas as pa es pa a no as p á icas de laze em um espaço que se ap esen a a como signo po excelência de um no o código de ep esen ação social. Mais do que ob as de engenha ia e in e enção médico-sani á ia, o que pôde se is o no Rio de Janei o no início do século XX oi o nascimen o de um no o es ilo de ida, a ins i uição de uma no a u opia, onde o paca o cidadão deu luga ao dandy ou ao sma e odas as ins âncias do i e em cidade o am sendo adequadas a um no o pad ão de compo amen o (Mauad, 2000). No en an o, odo esse es angei ismo no no o modo de se u bano não passou impune e as c í icas nega i as chega am an es mesmo da e o ma de Pe ei a Passos. O céleb e esc i o Euclides da Cunha, em sua ob a Os Se ões publicada em 1902, já iden i ica a essa caminhada umo à pe da de iden idade nacional como uma consequência da o ma como oi ins au ado o egime epublicano: Vi endo qua ocen os anos no li o al as íssimo, em que pelejam e lexos de ida ci ilizada, i emos de imp o iso, como he ança inespe ada a República. Ascendemos de cho e, a eba ados no caudal dos ideais mode nos, […] Iludidos po 25 uma ci ilização de emp és imo, espingando, em aina cega de copis as, udo o que de melho exis e nos códigos o gânicos de ou as nações. (Cunha, 1966, p. 231) O ques ionamen o mais equen e ao longo desse início de século sob e a iden idade b asilei a – que ainda se encon a a em e o mulação, cons uindo um no o uni e so simbólico que legi imasse a República – oi ealizado pelos pa icipan es do mo imen o Mode nis a, que apoia am inicialmen e a de ocada do Impé io e a ins au ação do egime epublicano, mas decepciona am-se com es e pos e io men e, p incipalmen e po causa do a as amen o do po o das coisas públicas e da negação da cul u a popula . Ha ia uma con adição, um pa adoxo cul u al que os mode nis as c i ica am, pois ao mesmo empo que o mode nismo b asilei o p ocu a a cons ui o pe il egional ace ao nacional e, p incipalmen e, de ini o pe il nacional pe an e a cul u a es angei a, a capi al da República e a ans o mada numa “Eu opa possí el” (Velloso, 2015). O Rio de Janei o con a a com um g upo de in elec uais mode nis as denominado como “Boêmios” que começou a des aca -se na ida cul u al da cidade ainda nos úl imos anos do Impé io. Esses mode nis as exp essa am as suas ideologias e c í icas a a és de colabo ações nos p incipais pe iódicos da cidade, além de c ia em suas p óp ias e is as que ize am pa e da cul u a popula ca ioca – como, po exemplo, o pe iódico O Malho, usado como on e nes a pesquisa. En e mui os nomes, des aco a pa icipação de: Lima Ba e o, Bas os Tig e, Emílio de Menezes, José do Pa ocínio Filho e Meno i del Picchia como c onis as; além de alguns a is as ca ica u is as polêmicos como: Raul Pede nei as, K. Lix o e J. Ca los. Esses in elec uais comunica am-se p incipalmen e a a és da linguagem humo ís ica, e oi a a és dos esc i os sa í icos e das ca ica u as que o g upo p ocu ou mos a as mudanças que es a am oco endo nos “ empos mode nos”. Eles conseguiam pô no papel odo o dinamismo aliado ao imaginá io do p og esso e da ci ilização que molda am o no o Rio de Janei o aos moldes eu opeus e odo o pa adoxo sob e iden idade cul u al que aí es a a en ol ido (Velloso, 2015). As ob as públicas de emodelação e saneamen o do Rio de Janei o são acompanhadas com descon iança, i onia e i adas de humo . Na época, são inúme as as ca ica u as onde se c i icam as medidas de higiene dec e adas po Oswaldo C uz: i onizando o ca á e au o i á io da medida que de e mina a a acinação ob iga ó ia, K. Lix o es e Oswaldo C uz com oupagem absolu is a de Luís XIV. […] Os habi an es 32 2 As P o agonis as na Cidade e nas Páginas. 2.1 Líde es, ideologias e o ganizações. Os pe iódicos i e am um papel essencial nesse início de p ocesso de mudança no compo amen o, pensamen o e obje i os de ida das ca iocas. Como já oi mencionado nes e abalho, os pe iódicos se i am como e icien e e amen a de cons ução do pensamen o eminis a b asilei o, se indo de canal de exp essão das indignações, das ei indicações e, a é mesmo, das su ocadas ocações li e á ias das mulhe es, exe cendo ainda unção conscien izado a, ca á ica, psico e ápica, pedagógica e de laze (Bui oni, 1986). Esse papel da imp ensa e a possí el, den e ou as o mas, a a és da pa icipação da esc i a de ou sob e mulhe es que inham conseguido a a essa a ba ei a dos p econcei os pa ia cais pa a a ingi algum obje i o o a do alcance da maio ia das mulhe es. Se indo como exemplo, incen i o e ins ução pa a que ou as ca iocas ambém ealizassem b echas na ba ei a pa ia cal e alcançassem i ó ias pa icula es ou cole i as, jo nais e e is as ab i am espaços pa a que algumas p o agonis as do mo imen o eminis a expusessem as suas his ó ias, a i idades, opiniões, incen i os ou p oje os. Não al a am ozes nesse começo de século pa a en oa publicamen e um b ado eminino de incon o mismo, ocado pela imagem dep ecia i a com que as mulhe es e am is as e se iam e, sob e udo, angus iado com a ep esen ação social que lhes es ingia an o as a i idades econômicas quan o polí icas. (Malu ; Mo , 1998, p.371) Foi o caso da bióloga Be ha Ma ia Júlia Lu z (1894-1976), uma das mais impo an es líde es eminis as ca iocas, que ez do uso da esc i a pa a jo nais e e is as uma de suas p incipais a mas na lu a pela conscien ização das mulhe es sob e os di ei os, espaços e libe dades a se em conquis ados po elas no B asil do início do século XX. Be ha Lu z e a ilha do impo an e médico e cien is a b asilei o, especialis a em medicina opical, Adol o Lu z e da en e mei a inglesa, Amy Fowle (Hahne , 1981). Feminis a, au odecla ada su agis a, Be ha adqui iu o seu diploma uni e si á io na So bonne, F ança, no ano de 1918 e logo depois ol ou ao B asil (Ma ques, 2019). Assim que chegou ao seu país, Lu z pe cebeu que o a amen o dispensado às mulhe es b asilei as e a comple amen e di e en e do a amen o dado às eu opeias dos g andes cen os, 33 que inham conseguido um melho amen o de s a us social após a P imei a Gue a Mundial, quando oi necessá ia a en ada eminina pa a os pos os de abalho es aziados pelos homens em es o ço de gue a e, po isso, de am um passo em di eção à emancipação eminina. Uma p o a de que a sua opinião e a semelhan e à de ou as b asilei as é uma publicação, no popula pe iódico ca ioca Re is a da Semana, onde a c onis a I acema desaba a sob e o a aso b asilei o, em elação aos países eu opeus, no que se e e e ao espei o às mulhe es e aos seus di ei os: As democ acias ão começa ap endendo a se a exp essão iel, since a, de um egímen social e polí ico de egualdade humana. A mulhe , que não pude a consegui se comp ehendida nas decla ações dos Di ei os do Homem p oclamados pela Re olução F ancesa, a g ande pá ia e dolo osa esc a a, que usa b acele es de ou o em memó ia das algemas de e o, oi libe ada pela gue a e sen ada ao lado do homem no h ono da Te a. […] uns cen o e in e milhões de mulhe es na elha Eu opa já pa ilham, ou b e emen e pa ilha ão do go e no, não só con ibuindo com seu o o pa a a eleição dos legislado es, como podendo se , ellas p óp ias, elei as pa a o exe cício do pode legisla i o.[…] As equin adas aças la inas, as aças o ien aes e as aças ba ba as a icanas são as únicas que con inuam a conside a a mulhe , pe an e a lei e a polí ica, como um se neu o.[…] Todos os dias se lêem nos jo naes e e is as do Rio ap eciações dep imen es pa a a mulhe . Não há, al ez, cidade no mundo onde menos se espei e a mulhe . Exis em, a é, secções de jo naes que se dedicam a co ompel-a ou a inju ial-a. (Ca as de Mulhe . Re is a da Semana, 14 de dezemb o de 1918, p. 16) Naquele mesmo mês de dezemb o de 1918, Lu z esc e eu uma ca a pa a essa e is a em espos a a um a igo publicado an e io men e, no qual ha ia a celeb ação da conquis a ao o o (pa cial) das inglesas e ambém lamen a a o ac o de que os úl imos p og essos eminis as es angei os exe cessem ão pouca in luência nas idas das mulhe es b asilei as. Nes a ca a, Lu z lamen ou a in an ilização das b asilei as pelos seus compa io as masculinos e a al a de espei o com que e am a adas, p incipalmen e na capi al, mui o di e en e do que ela ha ia p esenciado na F ança e Ingla e a nos se e anos em que i eu o a do país, quando acompanhou de pe o a lu a su agis a das inglesas. Também decla ou a impo ância da educação no p ocesso de emancipação eminina e ap o ei ou a opo unidade pa a con oca as b asilei as a o ganiza em-se em p ol de seus di ei os, po ém deixando cla o o seu posicionamen o pací ico, a as ando-se do pe il ag essi o das adicais inglesas: 34 Pa a esse im enho p opo -lhe aze um ensaio de undação de uma liga de mulhe es b asilei as. Não p oponho uma associação de “su age es”, pa a queb a em as id aças da A enida, mas uma sociedade de b asilei as que comp ehendessem que a mulhe não de e i e pa asi a iamen e do seu sexo, ap o ei ando os ins inc os animaes do homem, mas de e se u il, ins ui -se e a seus ilhos, e o na -se capaz de cump i os di ei os polí icos que o u u o não pode deixa de epa i com ella. Assim deixa iam de occupa sua posição social ão humilhan e pa a ellas como ne as a pa a os homens, e deixa iam de se um dos pesado élos que a am o nosso país ao passado, pa a se o na em ins umen os p eciosos ao p og esso do B asil. (Ca as de Mulhe . Re is a da Semana, 28 de dezemb o de 1918, p. 19) No ano seguin e ao da publicação dessa ca a, Lu z ol ou a p o oca indignações nos meios mais conse ado es ao se o na a segunda mulhe a ing essa em se iço público a a és de concu so no B asil. A p imei a mulhe a consegui al ei o ha ia sido Ma ia José de Cas o Rebello Mendes, ap o ada em p imei o luga no concu so do I ama a y pa a ca go de diploma a, nomeada em 28 de se emb o de 1918. A Re is a da Semana anunciou com eu o ia a pa icipação dessa senho a no concu so em uma coluna que acompanha a a o o da en ão candida a: O e ozmen e egoís a p econcei o c eado e impos o pelo homem, e com que elle quis limi a à ida do la os di ei os e a ac i idade da mulhe , po oda a pa e se encon a em uinas. Se ia ão odioso como impossí el impedi me ade do gene o humano de ganha pelo seu abalho ecu sos de subsis ência […] Não emos pois po que se possa es anha que uma moça ins uída, com as habili ações exigidas po um concu so publico não possa conco e a elle. […] Foi es a mesma a dou ina do I ama a y na in o mação ob ida po consul a do minis o ao eque imen o da candida a ao loga de 3º o icial daquella sec e a ia do Es ado. (Uma ic o ia do eminismo. Re is a da Semana, 07 de se emb o de 1918, p.24) Maio oi a sa is ação da c onis a I acema, que esc e eu uma ca a pública de cong a ulação à senho a Ma ia José de Cas o Rebello Mendes po sua ap o ação no concu so público. Seu ex o inha como início um e o oso ag adecimen o pelo exemplo dado às b asilei as a a és de sua ousadia de conco e com homens po um ca go de amanha impo ância: 35 Todas as b asilei as con a iam com osco uma dí ida de g a idão. Não sei se mais de a ag adece - os do que elici a - os. O osso concu so pa a o ca go de 3º o icial da sec e a ia de Es ado das Relações Ex e io es e o osso p o imen o assumem uma impo ância symbolica. (Ca as de Mulhe , Re is a da Semana, 05 de ou ub o de 1918, p. 20) Em 1919, oi a ez de Be ha Lu z. Ela e um g upo de homens diplomados ize am p o as a alia i as pa a conco e a um único ca go de sec e á io do Museu Nacional. Be ha icou em p imei o luga , mas só omou posse do ca go após consul a em o se o ju ídico sob e a legalidade do a o (Ma ques, 2019). A edição de no emb o da Re is a Feminina celeb ou a i ó ia dessas duas b asilei as, exal ando-as como sinais de e olução do eminismo no país: É ac o já indubi á el que um g ande mo imen o eminino se esboça de sul a no e do B asil, acompanhando a e olução do eminismo mundial, que mais accen uado se o nou após as icissi udes e as c ueldades inena á eis da gue a, que ize am as mulhe es comp ehende a necessidade de in e i mais di e amen e nos des inos sociaes. […] E, con empo aneamen e, com o exemplo das senho i as Lu z e Cas o Rebello, que encem galha damen e concu sos di icílimos e en am pa a o quad o do unccionalismo, emos que igo osamen e começam a despe a as ene gias emininas nacionaes […]. (O eminismo b asilei o em oco, Re is a Feminina, no emb o de 1919, p. 45) Em en e is a, mais uma ez usando os pe iódicos pa a expo o seu posicionamen o eminis a à sociedade ca ioca, Lu z con ou como o p ocesso do concu so e da sua omada de posse do ca go o am ma cados po a i udes machis as: Aliás, inha lá um candida o, eu achei uma coisa mui o cu iosa, po que no dia seguin e [ao dia da p imei a p o a] ele mandou uma ca a ao di e o do Museu dizendo que iu que inha uma mulhe azendo o concu so e que isso e a con a odas as boas no mas de mo al e da amília, de modo que ele en ão não que ia con inua . O eng açado é que ele me iu lá na p o a e não disse nada. […] no meu caso ambém consul a am o consul o ju ídico, Raul Penido, que deu o mesmo pa ece [posi i o ao empossamen o de Lu z ao ca go]. (Al es, 1980, p.104) O a o de pa icipa de um concu so pa a ing esso no se iço público, dispu ado a é en ão somen e po homens e e a ousadia de assumi o ca go e am a i udes ca egadas de simbolismos pa a aquela época, pois queb a am o pad ão de es e eó ipo eminino (Amâncio, 2010) impos o 36 pela sociedade. Compo amen os como esses ocasiona am as p imei as issu as no quad o de dominação pa ia cal (Cha ie , 1995), nas ins i uições e na men alidade social. No en an o, esses o am apenas os p imei os passos dessa bióloga na longa caminhada do eminismo b asilei o. Lu z con ocou ambém as mulhe es pob es que, pela necessidade, semp e o am inse idas no me cado de abalho, a se o ganiza em em associações de classe de di e sas ca ego ias p o issionais pa a lu a em jun as po melho es condições de abalho. Nessa caminhada pelos di ei os das mulhe es abalhado as, ela assumiu o ca go de di e o a da comissão adminis a i a da Legião da Mulhe B asilei a, uma o ganização que ajudou a unda em 1919, lide ada po Alice Rego Mon ei o, endo a amosa omancis a Júlia Lopes de Almeida como p esiden e hono á ia e man endo ligações com o seu pe iódico Nosso Jo nal (Hahne , 1981), onde e am publicados ex os de ca á e eminis a, mas com odo um cuidado conse ado pa a não choca a sociedade e a as a possí eis apoios dos al os cí culos de pode . Embo a o Nosso Jo nal lou asse mui as das opo unidades abe as às b asilei as e osse a o á el ao su ágio eminino, p ocu a a a ha monia en e o no o e o elho. Nosso Jo nal opunha-se ao “ eminismo adical” encon ado em ou os países, que i iam sub e e os “molde clássicos da exis ência da mulhe ”. Como a maio ia da imp ensa comum, essas mulhe es exp essa am o gulho po um mo imen o eminis a b asilei o que alcançasse seus obje i os sem a iolência e a hos ilidade an imachis a is as nos Es ados Unidos e na Ingla e a, e elas se sen iam supe io es à su age e inglesa a i ado a de bombas, ag essi a e in ole an e. (Hahne , 1981, pp. 100-101) A e is a O Malho no iciou a c iação des a en idade, Legião da Mulhe B asilei a, com um a igo de página in ei a, assinado pelo c onis a Vic ó io de Cas o, onde ele, não só saúda a c iação da Legião, como ambém essal a a impo ância social que as mulhe es conquis a am após a P imei a Gue a Mundial. Ele ambém p o es a, nesse ex o, con a a isão p econcei uosa que coloca a as mulhe es com o papel social de me as p oc iado as e celeb a o o o eminino nos países onde is o já e a uma ealidade: E aquilo que, an es da gue a, e a ido pelos homens como u opia, como idéa e olucioná ia e ana chisado a […] com o o ulo de “ eminismo”, de “su agismo” – po que nos comícios na Ingla e a, nos Es ados Unidos e a a és de ca azes espalhados po odo a pa e, a mulhe epe ia o seu clamo polí ico, Vo e o Women!; aquilo que há cinco annos ninguém pode ia accei a sinão como uma possibilidade mui o emo a, ahi es á já ei o ealidade em mui os paizes e a caminho de sel-o em odos os demais, 37 que se não pode ão u a aos e ei os da o en e das ei indicações emininas. E esse mo imen o dia a dia mais se alas a, mais se es ende, se amplia, ab angendo odos os campos da ac i idade humana physica e men al […] a igualdade dos di ei os da mulhe aos dos homens, a sua independência, o seu indi idualismo ju ídico, que se á a ob a mais g andiosa des e seculo e iginoso de ape eiçoamen os. A “Legião da Mulhe B asilei a”, cujos in ui os o mam uma pa e das ei indicações emininas e que se des ina, p incipalmen e, a ampa a as mulhe es necessi adas, não pode deixa de me ece o apoio de quem que que seja que disponha de uma possibilidade de aze o bem, an o ella se ecommenda pelo escopo isado – desesc a isa a mulhe e da -lhe con o o, physico e mo al. (O Ad en o da Mulhe , O Malho, 29 de no emb o de 1919, p. 24) A pa icipação mais e e i a de Be ha Lu z pela causa das mulhe es abalhado as acon eceu em 1922. Lu z in e cedeu, com b ilhan e êxi o, jun o ao Conselho Municipal do Rio de Janei o pa a que hou esse a edução de ca ga ho á ia de abalho de 13 a 14 ho as diá ias pa a 8 ho as diá ias das abalhado as do comé cio (Soihe , 2013). Essa incansá el eminis a ambém e e pa icipação na lu a pela egulamen ação do abalho das mulhe es na indús ia, pa a que hou esse leis p e idenciais (de e o ma) e de assis ência pa a essas ope á ias. Fo am inúme as e imp o ícuas as suas solici ações ao longo dos anos da P imei a República pa a que a Câma a dos Depu ados izesse um p oje o com base nos disposi i os da Con e ência Ge al do T abalho de Washing on (1919), da qual Lu z pa icipa a com Olga de Pai a Mei a como ep esen an es o iciais do B asil sob e as condições de abalho das mulhe es (Hahne , 1981). No en an o, ais ei indicações só o am a endidas em ou o momen o polí ico do país, após a Re olução de 1930, no go e no p o isó io que colocou Ge úlio Va gas na p esidência, o mesmo que, em 1932, ap o a ia o su ágio eminino no B asil. Con empo aneamen e a Be ha Lu z, ou a mulhe chama a a enção das camadas médias e al as da sociedade ca ioca ao p oje a -se ambém na lu a pelos di ei os e libe dades emininas, e a a p o esso a e esc i o a minei a Ma ia Lace da de Mou a (1887-1945). Fo mada pela Escola No mal de Ba bacena (Minas Ge ais), ela mos a a-se como uma mulhe co ajosa e de pe sonalidade o e ao sus en a publicamen e posicionamen os polí icos e ideológicos que e am conside ados adicais e a é imo ais em sua época. 38 Mou a de endia abe amen e emas como: amo li e, educação e p aze sexual da mulhe , a impo ância da escola idade pa a emancipação eminina, di ei o ao di ó cio e à ma e nidade conscien e (Semí amis, 2020), ambém se posiciona a i memen e con a o capi alismo, o mili a ismo e o ascismo; odas essas linhas de pensamen o de Mou a e am publicadas em uma e is a que ela mesma di igia: Renascença (Teles, 2017), azendo da imp ensa, assim como Lu z, um meio de a i ismo, disseminando os pensamen os eminis as. Em 1918, publicou seu p imei o li o Em o no da educação, no qual decla a a undamen al impo ância da ins ução pa a a ans o mação da ida da mulhe , além de ou os conselhos, como explica a a Re is a Feminina em uma coluna dedicada a anuncia as no idades do mundo li e á io: […] o li o de d. Ma ia Lace da de Mou a nos su p ehendeu. É um li o de p osa, e, o que mais é, de boa p osa, cheia de calo . O í ulo, “Em o no da educação”, que se e pa a indica odas as ma é ias que o li o con ém, é um pouco imp op io, po que nem odas as ma é ias dizem espei o à educação. É, an es, uma collecção de ch onicas sob e di e sos assump os. Seja como o , é um li o in e essan e, que as senho as b asilei as de em le po que nelle encon a ão mui os conselhos e concei os u eis, que se em pa a ape echa o espi i o e o ien al-o na ida. (Li os No os, Re is a Feminina, se emb o de 1918)2 Essas duas mili an es eminis as uni am-se. Mou a e Lu z unda am, em 1920, a Liga pa a Emancipação In elec ual da Mulhe (LEIM), que consis ia em um g upo pa a es uda di e en es aspe os dos mo imen os eminis as e com obje i o p incipal de ba alha pela igualdade de di ei os en e homens e mulhe es (Teles, 2017). Nessa o ganização, Lu z exe ceu in ensamen e as suas qualidades polí icas a a és de c ônicas esc i as pa a jo nais e e is as do Rio de Janei o, onde ala a sob e a agenda de sua no a o ganização, baseada nas demandas emininas po di ei os (Lôbo, 2010). Fo mado po mulhe es de classe média e al a escola idade, alguns dos p incipais nomes emininos da al a sociedade ca ioca pe enciam à LEIM: a p esiden e da Associação P o Ma e, S ella Gue a Du al; uma das undado as dessa Associação, Isabel Imbassahy Che mon ; a en e mei a e ambém undado a dessa mesma en idade, Je ônima Mesqui a; a esc i o a, 2 Toda ci ação de pe iódicos que não possui paginação decla ada é de ido à de e io ação do ma e ial. 39 jo nalis a, ea óloga e uma das idealizado as da Academia B asilei a de Le as, Júlia Lopes de Almeida. Assim, é segu o a i ma que es a o ganização e a […] compos a po um g upo pequeno de mulhe es que se conheciam en e si […] e que pe enciam a amílias da bu guesia. A pa i da sua posição de esposas, ilhas, amigas de homens de classe dominan e, inham acesso aos cen os de pode […] Encon a am-se em euniões sociais com pessoas que podiam in luencia a causa. (Al es, 1980 apud Ka awejzyk, 2018, p.3) Po an o, o que ica cla o é que Be ha Lu z passou a associa -se a mulhe es com boas ligações polí icas e sob enomes ilus es (Ma ques, 2016) pa a ga an i apoio de di e en es cen os de pode , sem p io iza a ques ão da ep esen a i idade das mulhe es que acumula am sob e si maio es op essões den o da sociedade, ou seja, mulhe es neg as e pob es. O a o do capi al social semp e es e e em luga de impo ância nas alianças de Lu z, e o p incipal sob enome que ga an ia in luência polí ica e a o da associada Isabel Imbassahy Che mon ; o seu ma ido, Jus o Che mon , e a senado e já inha simpa ia pela causa eminis a mesmo an es da c iação da LEIM. Em dezemb o de 1919, Che mon le ou pa a o cong esso a discussão sob e o o o eminino, como no iciou a Re is a Feminina: Num dos úl imos dias do Pa lamen o, o senado Jus o Che mon ap esen ou à ap eciação do Senado um p ojec o de lei concedendo o di ei o de o o à mulhe . O assump o não e a no o den o do Cong esso. Não há mui o empo, oi agi ado na Cama a, quando o s . Mau ício Lace da, es ibado nas mesmas azões do senado pa aense, ap esen ou e de endeu um p ojec o idên ico. Hou e a é uma longa empo ada de discussão em o no delle, sem que um esul ado sa is a ó io chegasse a co oa o es o ço de o a ó ia despendido pelos a do osos cong essis as. Mo eu o p ojec o. E das cinzas desse p ojec o mo o saiu o abalho do s . Jus o Che mon , que não e e so e melho , na Cama a Al a, onde aliás, e ia de lu a com uma plêiade mais in ansigen e de elhos conse ado es, que não se a eda ão uma linha seque de suas a aigadas con icções,[…] (O eminismo no pa lamen o b asilei o, Re is a Feminina, janei o de 1920, p. 56) A ousadia do senado pa aense epe cu iu-se o emen e como uma ameaça aos mais conse ado es, ao pon o dos an i eminis as do Senado, da Câma a e da imp ensa uni em-se em campanha sis emá ica de idicula ização do eminismo e dos homens que o apoia am, conseguindo a asa o p ocesso de acei ação da ideia sob e os di ei os polí icos emininos 40 (Dua e, 2019). Es a oi uma cla a demons ação da o ma como pode se ag essi a a eação dos conse ado es que so em abalos nos es e eó ipos de géne o a a és dos quais enxe gam o mundo e alice çam seus compo amen os, pois sen i am como golpe em seu sis ema de alo es mo ais (Amâncio, 2010). Apesa de não e ido sucesso com seu p oje o em 1920, Jus o Che mon oi o senado que mais longe oi nas discussões sob e o su ágio. No segundo semes e de 1927, o p oje o de Che mon ol ou à agenda de discussões do Senado, acon ecimen o que oi acompanhado de pe o pelas eminis as ca iocas que obse a am a en amen e esse deba e, chegando inclusi e a acompanha p esencialmen e a sessão da Comissão de Jus iça. Elas ambém en ia am ca as aos senado es en ando con encê-los a o a a a o do p oje o do senado pa aense e, não sa is ei as, p o ocoliza am no Senado um abaixo- assinado com ce ca de duas mil assina u as em dezemb o daquele ano (Ma que, 2019). A imp ensa cob iu essa mo imen ação das eminis as e ep oduziu os diálogos en e os pa lamen a es a o á eis e os con á ios ao p oje o nas páginas das e is as e jo nais. Apesa do p oje o não e sido i o ioso no Senado, pode-se a i ma que a i ó ia consis iu em coloca o assun o em ci culação, ocasionando discussões que ealiza am issu as na men alidade pa ia cal ao conside a em a possibilidade da mulhe adqui i di ei os polí icos. Enquan o os di ei os polí icos das mulhe es se o na am a p incipal p eocupação da Liga pa a Emancipação In elec ual da Mulhe , Ma ia Lace da de Mou a inha ou os planos pa a a en idade. A p o esso a de endia que a LEIM não se es ingisse à ques ão do su ágio e que se ocasse na educação e consequen e emancipação eminina. Ela deseja a i além do limi ado campo de a i idades eminis as an e io es, como escolas domés icas ou es abelecimen os de ilan opias, c eches, e c. Mou a deseja a ec u a um pequeno exé ci o de p opagandis as da educação acional e cien í ica pa a as mulhe es, pois, segundo a sua opinião, somen e assim se ia alcançada uma pe ei a emancipação in elec ual (Hahne , 1981). A aliança en e Mou a e Lu z não du ou mui o empo, pois o espí i o adical e ana quis a de Mou a a ez en a em desaco do com sua pa cei a. Lu z op a a po um eminismo es a egicamen e conse ado , com um discu so no qual p e e ia en a iza a impo ância do la e es imula a dignidade da mulhe na sociedade conjugal (Semí amis, 2020) pa a, assim, man e o diálogo com as lide anças polí icas e as pe sonalidades da al a sociedade, ga an indo, a a és dessa á ica, in luência e maio adesão pa a o mo imen o eminis a. Po isso, é “di ícil dis ingui os posicionamen os de Be ha que e le em c enças since as de alas me iculosamen e ajus adas a azões de o dem á ica.” (Ma ques, 2016, p.130). Seguindo caminho opos o, Mou a possuía 41 uma idelidade calo osa po suas con icções e, po an o, não es a a dispos a a esconde os seus posicionamen os em p ol de um eminismo es a egicamen e conse ado . Além disso, essas duas eminis as emp eende am caminhos ideológicos in e sos em elação aos di ei os polí icos da mulhe . Enquan o a ques ão su agis a passou a se o p incipal obje i o de Lu z, Mou a ac edi a a que o o o se ia uma conquis a inú il se não hou esse uma mudança maio nas es u u as de pode e no sis ema económico. Mou a ambém conside a a como algo eli is a a dedicação de Lu z à ques ão do su ágio, is o que a al abe ização e a p é- equisi o ao o o e o índice de anal abe ismo e a al o en e as mulhe es, mas e a p incipalmen e al o en e as mulhe es pob es. Po isso, a p o esso a apoiou a pe spe i a de lu a de classes e a p omoção de mudanças cul u ais (Semí amis, 2020), dis anciando-se de mulhe es dos segmen os médios e ele ados, a essas às bandei as mais adicais. Mou a chocou os b asilei os de sua época de endendo a libe dade eminina não só a a és de discu sos e da pala a esc i a, como ambém le ou a eo ia pa a a p á ica a a és da sua p óp ia i ência. Rompeu o seu casamen o e oi i e de o ma independen e em uma comunidade al e na i a, ag ícola e au ossus en á el. Na comunidade libe á ia, ala ancou a sua ob a esc e endo ou os li os a ando dos emas polêmicos que de endia e pa icipou como eda o a em impo an es jo nais da esque da. O seu li o, A mulhe é uma degene ada?, e e ês edições desde 1924, de ido à epe cussão e polêmica que causou no meio le ado b asilei o (Dua e, 2019). Tudo isso con igu a a um e dadei o escândalo pa a a eli e in elec ual b asilei a do início do século XX (Semí amis, 2020). O posicionamen o polí ico-ideológico adical de Mou a icou explíci o em um a igo que oi con idada a esc e e pa a a Re is a da Semana com o í ulo: O abalho eminino na comunhão social. Qual a aspi ação da mulhe na sociedade a ual? em 1930: A aspi ação da mulhe na sociedade ac ual é a libe dade. Emancipação economica e libe dade de mo imen os, libe dade de acção, libe dade de i e in eg almen e. […] Den o des e egímen abso en e de conco ência economica não há ninguém emancipado: nem homens, nem mulhe es. […] E a p ocissão eno me de milhões e milhões de se es humanos sac i icados ao Moloch da ci ilização? Só pode ei se eliz, den o da minha aspi ação de libe dade, quando essa libe dade não e i ou não sac i ica di ec amen e a libe dade de ou em. De que ale uma mulhe ou meia dúzia de mulhe es no Pa lamen o ou na diplomacia, si os milhões de mulhe es pob es, dolo osas, explo adas, con inuam os mesmo e os da igno ancia, da inconsciência de si p óp ias e a dô do cal a io de o u as e misé ias pela ida, pelas es adas sem im da 48 apoio, p incipalmen e nos anos de ins abilidade polí ica, en e 1929 e 1932, pelos quais o B asil passou (Semí amis, 2020). Após o ompimen o com a lide ança de Lu z, Sil ei a undou a Aliança Nacional de Mulhe es (ANM), em 1931. Essa o ganização se o aleceu com um pe il ideológico e modus ope andi di e en es ao da FBPF. Enquan o a o ganização de Lu z p io iza a o su ágio e a ques ão da educação eminina, a ANM en a iza a as ei indicações das mulhe es abalhado as (Al es, 1980). Além disso, oma am inicia i as c i icadas pela FBPF, como a o ganização de uma caixa inancei a de auxílio mú uo en e as in eg an es da Aliança e a assis ência ju ídica dada pelas diplomadas que aziam pa e dessa en idade. Essas inicia i as ize am com que a ANM c escesse em adesão popula (Semí amis, 2020), chegando a con a com ês mil sócias, como no iciou o Jo nal do Comé cio, em 09 de no emb o de 1932. Apesa de condena esse ipo de assis encialismo em oca de adesão e pe manência de associadas, a FBPF acabou seguindo o exemplo da ANM numa en a i a desespe ada de não ica pa a ás em núme o de associadas na cidade do Rio de Janei o. Assim, passa am a o e ece g a ui amen e consul as médicas com a dou o a Luiza Sapienza e ho á ios de aconselhamen o ju ídico com as ad ogadas O minda Bas os, Ma ia Luiza Bi encou e Ma ia de Lou des Pin o Ribei o; no en an o, nunca conquis a am o mesmo núme o de ca iocas que a ANM conseguiu (Ma ques, 2016). A Aliança Nacional de Mulhe es ambém ob e e g ande acei ação en e as o ganizações p o issionais do magis é io que, consequen emen e, ampliou o apoio polí ico da en idade, pois os p o esso es e se ido es públicos e am ob igados a o a . Is o acon eceu de ido à a i ude de Sil ei a em con ida a e e ana p o esso a Leolinda Dal o a pa icipa da en idade, o e ecendo-lhe uma posição de des aque e p es ígio. Essa a i ude oi um econhecimen o da longa caminhada já ilhada pela p o esso a na lu a pela educação e di ei os polí icos emininos, mas ambém uma p o ocação à FBPF, que, apesa de ambém de ende uma educação de qualidade pa a as mulhe es, a mesma ques ão que a p o esso a p io iza a, nunca se ap oximou nem econheceu a con ibuição de Dal o pa a a causa eminis a (Ma ques, 2016). A p o esso a Leolinda Dal o (1859-1935), baiana adicada no Rio de Janei o, ilha de mãe indígena upinambá e de pai po uguês, assim como Mou a, choca a os mais conse ado es com a sua i ência, pois c iou os cinco ilhos sepa ada do ma ido (Ma ques, 2019). Além de eminis a e mili an e su agis a, i eu do seu abalho de p o esso a e ambém oi uma a uan e a i is a a a o da causa dos po os indígenas. Pe co eu o in e io do B asil abalhando na 49 inco po ação dos indígenas na sociedade, a a és da al abe ização e da educação desses po os, mas sem nenhuma cono ação eligiosa e em o al espei o pelas cul u as o iginais. Dal o e a comple amen e con á ia à ca equização p omo ida pela Ig eja Ca ólica, o que con igu a a um posicionamen o ousado pa a a sua época, na qual os indígenas, em con a o com a sociedade b anca, e am ca equizados ou execu ados (Semí amis, 2020). Uma de suas p imei as e mais ma can e ação como eminis a oi quando, após seu eque imen o de alis amen o elei o al e sido ejei ado, ela undou com auxílio da esc i o a Gilka Machado o Pa ido Republicano Feminino, em 1910. De en e as suas p incipais ei indicações es a am p esen es ques ões como o o o eminino, o di ei o das mulhe es a se em inse idas no se iço público e a o al emancipação da mulhe a a és não só de di ei os polí icos e ci is, mas ambém a a és de sua independência inancei a (Semí amis, 2020). Po isso, ela dedicou-se à escola idade das mulhe es mais pob es, pois, assim, es as es a iam mais bem colocadas no me cado de abalho e a al abe ização pe mi i -lhes-ia es a mais p óximas do di ei o ao o o. A sua o ma de a uação incluía a ocupação dos espaços públicos, o ganizando mani es ações que a aíssem o olha da imp ensa, bem ao es ilo su age e, com a i udes igo osas, po ém sem iolência. Em 1917, Dal o o ganizou uma passea a ba ulhen a que con ou com a pa icipação de ce ca de 90 mulhe es ma chando na egião cen al do Rio de Janei o pelo di ei o ao o o, o que a aiu a a enção do senado Jus o Che mon pa a a causa eminis a e o impulsionou a elabo a e ap esen a ao Senado um p oje o de lei em a o do su ágio eminino (Semí amis, 2020). Dal o ambém c iou e di igiu uma escola p o issionalizan e pa a apa igas. A ins i uição es a a ins alada num p édio da municipalidade, no cen o do Rio de Janei o, e unciona a com o apoio da en ão p imei a dama do p esiden e He mes da Fonseca, O sina da Fonseca, que oi homenageada quando Dal o deu à escola o seu nome. Inaugu ada em 24 de junho de 1911, a Escola O sina da Fonseca e a di e en e da maio ia das escolas emininas, pois eina a as suas alunas pa a os o ícios p o issionais, com disciplinas como da ilog a ia e undamen os de en e magem, além de po uguês e ma emá ica. Ao adqui i em ais sabe es, as es udan es podiam consegui emp egos melho es do que e iam nas áb icas e no comé cio (Ma ques, 2019). Em 1919, Dal o publicou Início do eminismo no B asil, subsídios pa a a His ó ia, numa cla a p eocupação de ma ca na na a i a his o iog á ica adicional a con ibuição 50 eminina nos p ocessos sociais b asilei os. O lançamen o do li o oi anunciado pela Re is a Feminina, que lou ou mais a sua aje ó ia como a i is a pelos po os indígenas do que o con eúdo da ob a: Início do eminismo no B asil, subsídios pa a a His ó ia, po Leolinda Dal o, p o esso a pública jubilada undado a e di ec o a da Escola de Sciencias, A es e P o issões O sina da Fonseca. Rio, 1918. D. Leolinda Dal o é uma senho a que se impoz em nosso paiz pela audácia de seus emp eendimen os e pelo seu espí i o de comba i idade. D’en e as suas melho es acções des acam-se as que p a icou, po di e sas ezes, em a o do nosso sel agem. Hou e um empo em que es a senho a oi apon ada, e com jus iça, como uma e dadei a bandei an e. Po mais de uma ez a iscou-se ella ao se ão pa a con i e com o sel ícola e le a -lhe as suas luzes. (Li os No os, Re is a Feminina, e e ei o de 1919, p. 06). Essa linha de a uação mais impac an e e esse emba e con a a Ig eja ado ados po Dal o ez com que Lu z, no seu conse ado ismo á ico, man i esse a dis ância da p o esso a. Além disso, ou as ques ões que a bióloga conside a a como emas p oibidos na FBPF, po se em ainda abus pa a a al a sociedade ca ioca, e am de endidos abe amen e po Dal o, sendo um deles o di ó cio. As mili an es da FBPF pe maneciam coagidas pelo emo de a on a a Ig eja, uma ad e sá ia polí ica pode osa. As eminis as associadas dessa en idade não podiam posiciona -se publicamen e a a o do di ó cio, ampouco decla a -se con á ias a ele, po con a do isco de us a mui as mulhe es que ade iam ao eminismo jus amen e com a expec a i a de e ap o ada uma no a legislação sob e o casamen o (Ma ques, 2016). Hoje sabemos que, apesa da insa is ação das mili an es da FBPF quan o a esse silêncio impos o po Lu z em elação a ce os emas, es a oi uma es a égia imp escindí el pa a ga an i o apoio undamen al da Ig eja na conquis a do o o. A líde c iou essa medida cau elosa pa a se a as a do es e eó ipo de su age e e conquis a bases de apoio den o de lide anças conse ado as, mas es a não e a uma ques ão e dadei amen e de p incípios, mas sim um meio de uso da linguagem pa ia cal ao a o do eminismo. Uma p o a dis o es á na ca a pessoal que esc e eu à sua amiga Ca ie Chapman Ca , onde Be ha Lu z con essou e uma opinião pouco conse ado a sob e a ins i uição do casamen o e a ma e nidade: Sob e o casamen o como uma ins i uição econômica, di ó cio, e c., eu semp e pensei o seguin e: é p eciso sepa a o amo das conside ações econômicas. Assun os amo osos são absolu amen e p i ados. C ianças são uma ou a coisa. Eu ac edi o que 51 odo mundo de e ia abalha , exce o as mães de c ianças pequenas. Eu ac edi o que oda mulhe de a e algum segu o pa a ampa á-la na ma e nidade, nos úl imos meses de ges ação, an es e depois do nascimen o da c iança, e que c ianças pequenas de e iam e suas necessidades assegu adas pelo Es ado. Cla o que a mãe, o pai e o emp egado de em con ibui pa a isso. […] Os ilhos se iam dela e do pai ambém – mas de um modo in e so do que se cos uma dize hoje. Não ac edi o que isso le a ia à imo alidade ou à poligamia, embo a eu deixa ia ambos os pa cei os bem li es. A libe dade de pa ce ia pa ece-me se indispensá el pa a a p ese ação do amo . (Ma ques, 2016, p. 129) Além do posicionamen o es a egicamen e conse ado , ou a á ica usada po Be ha Lu z pa a o alece a FBPF e conquis a os obje i os eminis as no país e a a u ilização do di ei o in e nacional pa a ala anca as discussões in e nas. Lu z con inuou pa icipando in ensamen e em mui as con e ências de ca á e eminis a em ou os países na busca de publicidade e legi imação do mo imen o den o do B asil. Lu z, além de es ei a alianças com suas in e locu o as es angei as, calcula a ob e signi ica i os ganhos polí icos ao pa icipa de espaços diplomá icos, p incipalmen e po que os comp omissos assumidos na cena in e nacional ganha am exp essi a isibilidade na imp ensa, algo a o á el ao mo imen o eminis a no país. Ao mesmo empo, esses comp omissos es abeleciam uma agenda de discussão diplomá ica e, com espe ança, cons angiam o sis ema polí ico domés ico a admi i a exis ência dos p oblemas e, a pa i disso, ab i espaço pa a cogi a e o mas. (Ma ques, 2013, pp.941-942) A p o a de que essa es a égia ge a a publicidade é a no ícia di ulgada pela Re is a da Semana sob e o IX Cong esso da Aliança In e nacional pelo Su ágio Feminino em Roma, no qual Be ha Lu z pa icipou como delegada b asilei a. O ex o, acompanhado de algumas o os, inclusi e uma de Lu z, em des aque, explica a impo ância do e en o e o comp omisso, assumido pelas delegadas, de aze os líde es de seus espe i os países cien es do que oi aco dado e abalha pa a a conc e ização das me as açadas: A cidade e e na assis iu ecen emen e ao 9º Cong esso da Alliança In e nacional pelo Su agio Feminino, eunião posi i amen e g andiosa, na qual se ize am ep esen a qua en a e ês dos sessen a paizes independen es do mundo, ab angendo um o al de duzen as delegadas o iciaes e ce ca de duas mil senho as assis en es. […] 52 A sessão inaugu al, p esidida pelo S. Ex. Beni o Mussolini, deco eu com espec aculosa imponência, comp ome endo-se nella o che e de go e no i aliano a concede di ei os elei o aes à população eminina de I alia. No decu so da no abilíssima eunião discu i am-se medidas da mais al a ele ância polí ica e social […] As delegadas de odos os paizes, nas sessões inaes do Cong esso, comp ome e am-se a le a ao conhecimen o dos espec i os go e nos odas as medidas assen adas e a collabo a ac i amen e pa a que se ealizem den o em b e e odos os al os objec i os collimados. (Pela Emancipação da Mulhe – O g ande Cong esso Feminino de Roma. Re is a da Semana, 04 de agos o de 1923, p. 15) A legi imidade que o mo imen o eminis a alcançou na capi al b asilei a a a és da lide ança e a uação in e nacional de Be ha Lu z ez-se no a , mais uma ez, nas páginas da Re is a da Semana, em 1925. Ao eg essa de Washing on, EUA, onde ha ia pa icipado como delegada b asilei a do Cong esso In e ame icano e onde oi elei a como p esiden e da União In e ame icana de Mulhe es, a líde eminis a ganhou o espaço de uma página in ei a do pe iódico, com di ei o a uma o o sua e ou a do edi ício da União Pan-Ame icana, pa a disco e sob e o e en o: Ninguém nega á, po ce o, que i emos numa época de modi icações p o undas, agi ada po g andes co en es sociaes. […] En e os mo imen os des a na u eza, dois se des acam pela ni idez com que ca ac e isam o século ac ual: o mo imen o eminino e o mo imen o de app oximação in e nacional. […] A Con e encia In e ame icana de Mulhe es, de Washing on, da qual acabo de eg essa , é um uc o da conjugação dessas duas endências con empo âneas […] Ve sa am os abalhos da Con e encia sob e a educação e a ins ucção emininas, sob e a p o ecção da mulhe que abalha e sob e a si uação da mulhe pe an e as leis. […] Con ido a Mulhe B asilei a a colabo a nessa inicia i a, da qual lhe coube a leade ança; aço-o na con icção since a de que a app oximação das nações ame icanas az pa e in eg an e dos des inos que o u u o ese a ao nosso con inen e e que do es o ço da Mulhe B asilei a depende á em g ande pa e a medida da gló ia que ecahi á sob e a nossa ca a Pá ia – o B asil. (A Con e encia In e ame icana de Mulhe es. Re is a da Semana, 18 de julho de 1925, p. 03) Toda essa publicidade sob e as pa icipações in e nacionais de Be ha Lu z como mili an e eminis a p o ocou o o alecimen o da FBPF no B asil; as epo agens aziam aumen a a legi imidade e impo ância do mo imen o aos olhos da nação, que inha sua 53 men alidade g ada i amen e in luenciada po essas no ícias nos meios de comunicação de massa. Apesa de nunca e passado do núme o de mil mulhe es associadas, a o ganização de Lu z c esceu em in luência a a és da ep esen a i idade da líde e a a és dos con a os pessoais de suas in eg an es. Esses a o es culmina am em uma g ande capila idade pa a a FBPF, endo a uação não só na capi al, mas ambém em di e sos ou os es ados b asilei os (Semí amis, 2020), além dos con a os in e nacionais es abelecidos com líde es eminis as de odo o con inen e ame icano. Assim, a a és de oda essa in luência, a FBPF pe sis iu ao longo dos anos e, em 1931, mos ou a sua o ça ao ealiza o Segundo Cong esso In e nacional Feminis a no Rio de Janei o. O e en o oi celeb ado nos luxuosos salões do Au omó el Club do B asil, con ando com a pa icipação de ep esen an es de quinze es ados b asilei os, assim como da capi al (Hahne , 1981). A maio consequência do e en o oi o ça o go e no p o isó io, com Ge úlio Va gas no pode , a se posiciona quan o ao su ágio. E, mais uma ez, a imp ensa ez a sua pa e e o e en o oi no iciado pelos p incipais pe iódicos da cidade. A e is a O Malho en a izou o desejo eminis a pelos di ei os polí icos: Ence ou-se com solemnidade o Cong esso Feminino. É o segundo, in e nacional, que se ealiza. As mulhe es que em mesmo a emancipação polí ica. Que em o o o e já o consegui am em mui os países do globo. Espe am elas que a República No a lhes seja a o á el. […] En e nós a campeã do eminismo, in a igá el na de esa de seus ideaes, é a ilus e senho i a Be ha Lu z, que p eside a Fede ação B asilei a pelo P og esso Feminino. Acompanha-a em odas as ac i idades o espí i o b ilhan e da D a. Ca men Po inho, engenhei a, um dos mais bondosos co ações emininos. A es as duas nossas pa ícias, de e o B asil, incon es a elmen e, odo esse lindíssimo espec aculo que o Rio de Janei o assis iu no Au omó el Club, e o seu p óximo ing esso no concei o das nações onde as mulhe es ambém mandam, po que me ecem. (O Feminismo T iumphan e. O Malho, 11 de julho de 1931, p. 12) Já a e is a Pa a Todos en a izou a pa icipação de con idados ilus es, com mui as o og a ias, e o impac o posi i o da abe u a do e en o ao olha de odos, ap esen ando alas de alguns dos con idados: Compa ece am a essa solemnidade, além de odas as cong essis as es aduais e es angei as, a S a. Ge úlio Va gas, D . Bap is a Luza do, gene al G egó io da Fonseca, sec e á io da P esidência, ep esen an es dos S s. Minis o da Gue a e da Ma inha, 54 Minis o do U uguay no B asil e ou as pessoas g adas. P esidiu o Cong esso a D a. Be ha Lu z. Saudou, em nome da Fede ação B asilei a pelo P og esso Feminino, os p esen es, a poe isa Rosalina Coelho Lisbôa Mille . Du an e a solemnidade conseguimos ob e algumas opiniões sob e o esul ado e dadei amen e iumphal do II Cong esso. Assim, o S . Bap is a Luza do disse-nos: “Se eu ainda i esse alguma dú ida sob e a ic ó ia do eminismo no B asil, an e esse espec aculo ma a ilhoso a que acabo de assis i , c eia que es a dú ida se es a inha ia. Como disse em público, eu sou eminis a… E epi o: A an e!... A an e!...” (Segundo Cong esso Feminino. Pa a Todos, 27 de junho de 1931, p. 21). Dessa o ma, cons a a-se como i o iosa oi a es a égia de Be ha Lu z em seu conse ado ismo es a égico pa a lança as ideias eminis as nas mais al as odas sociais do Rio de Janei o, inclusi e nos meios polí icos. Apesa da FBPF não e c escido em núme o, a in luência social ga an ida pelas suas associadas e a cau ela em não abo da emas polêmicos ga an i am o sucesso dessas eminis as a a és dos cí culos de pode , ga an indo espaço pa a a ala eminina, ainda que es a ala i esse classe social e co bem de inidos, ou seja, com uma ep esen a i idade bem eduzida. 2.2 Conquis ando o su ágio e as páginas. Apesa dos g andes es o ços das eminis as su agis as da capi al, o p imei o es ado b asilei o a legaliza o o o eminino não oi o Rio de Janei o. Na egião no des e do país, Ju enal Lama ine, polí ico pa idá io há mui o empo do su ágio eminino, comp ome eu-se com a causa eminis a du an e sua campanha elei o al pa a p esiden e do es ado do Rio G ande do No e (ca go equi alen e ao de a ual go e nado ), p ome endo que ga an i ia os di ei o polí icos às mulhe es de seu es ado, caso encesse as eleições (Hahne , 1981). Lama ine oi elei o e, ao ap o a os di ei os polí icos pa a as cidadãs po igua es, ealizou o p imei o passo do país umo à igualdade ju ídica en e os sexos. A lei nº 660 de 25 de ou ub o de 1927, a .77 das Disposições ge ais, decla a a: “No Rio G ande do No e pode ão o a e se em o ados, sem dis inção de sexo, odos os cidadãos que euni em as condições exigidas po es a lei” (Rod igues, 1982, p.196). Assim, es e es ado no des ino ambém se des acou po e a p imei a b asilei a com egis o em colégio elei o al, a p o esso a Celina 55 Guima ães Vianna que ob e e seu documen o de elei o a assim que a lei oi ap o ada (Semí amis, 2020). As eminis as mais comba i as da FBPF, em odos os es ados em que es a a ep esen ada, ocupa am as ibunas pa a aclama a inicia i a do go e nado Lama ine e pa a exigi em o mesmo di ei o nos seus es ados (Dua e, 2019). As líde es ca iocas, incluindo Be ha Lu z, o am a é à cidade de Na al, capi al do Rio G ande do No e, pa a “apoia as no as elei o as e sob e oa am a cidade lançando pan le os su agis as” (Ma ques, 2019, p.101), incen i ando as mulhe es po igua es pa a que odas ei indicassem o í ulo de elei o a. A inal, a b echa no pa ia cado ins i ucional ha ia sido abe a po Lama ine, no en an o cabia às mulhe es a a essá-la e ocupa em seus espaços de di ei o. No Rio de Janei o, a Re is a da Semana publicou uma pequena no a sob e o passo i e e en e do go e nado do Rio G ande do No e. A disc ição da epo agem não consegue passa pa a o lei o o peso da impo ância que con inha o acon ecimen o. Além disso, o au o não econheceu em seu ex o os anos de es o ço das eminis as em ealiza em mili âncias no sen ido desse êxi o e cong a ulou apenas o pode ins i ucional po essa decisão, como algo concedido e não conquis ado: O pequenino e lo escen e Es ado do Rio G ande do No e acaba de se colloca em des aque en e as pa celas da Fede ação con e indo em p imei o loga o di ei o de o o à mulhe . Agi ado la gamen e o p oblema em odo o uni e so e dado o exemplo em paízes á ios com o ing esso da mulhe na adminis ação e na diplomacia, colloca- se o B asil se não em a i ude hos il, pelo menos indi e en e à aspi ação polí ica do elemen o eminino. […] Se a expe iencia de bom esul ado, a gló ia cabe á in eg almen e ao u u oso Es ado do No e. De qualque manei a, a inicia i a me ece as e e ências do sexo o e. (O eminismo. Re is a da Semana, 19 de no emb o de 1927, p. 30) Já o pe iódico O Malho mos ou, a a és da c ónica de An onio Reddo, que o assun o começa a a se a ado com na u alidade po uma g ande pa cela da sociedade. Após a P imei a Gue a Mundial, a conquis a do su ágio eminino oco eu em an os países eu opeus que a de esa des e “passou a se quase elegan e em alguns cí culos da eli e” (Hahne , 1981, p. 96) . Em seu ex o, o c onis a colocou o o o eminino como mais um passo em di eção ao desen ol imen o do país e exp essou a sua con iança na compe ência polí ica das mulhe es b asilei as: 56 O B asil, no dize au o isado de Osó io Duque Es ada, de saudosa memó ia, – é gigan e pela p óp ia na u eza; – e, como al, não podia nem de ia se conse a indi e en e a uma das mais legí imas aspi ações da mulhe hodie na no mundo ci ilisado; que é o di ei o i e o quí el, como cidadã, de o a e se o ada pa a qualque um dos al os ca gos de ep esen ação social. Incon es a elmen e, se o nosso Cong esso app o a o p oje o de lei, que dá o di ei o de o o à mulhe ca ioca, ce amen e o B asil c esce á ainda mais, o na -se-á pela sua cul u a ju ídica, digno de espei o de odos aquelles que êem na mulhe um ac o igual ao homem, como elle pode osas pa a o bem, pa a o desen ol imen o e pa a a elicidade das nações. Ele e-se a mulhe a é o mais al o pedes al; não nos impo emos que ella enha a nos go e na , não emamos a sua a uação polí ica […]. (Opiniões alheias: o o o eminino. O Malho, 24 de dezemb o de 1927, p. 65) No en an o, nem semp e o discu so sob e a conquis a do o o eminino oi de ca á e indi e en e ou elogioso. Na capi al, a e is a O Malho ambém egis ou a e ol a e o compo amen o des empe ado do S . Pi es Fe ei a, senado pelo es ado do Piauí, sob e a ap o ação dos di ei os polí icos das cidadãs po igua es, numa sessão da Comissão de Pode es do Senado sob e a con agem de o os da eleição sena o ial de 05 de ab il de 1928. Nessa epo agem, icou cla o o des espei o po pa e dos polí icos da capi al que, in luenciados pelo senado Pi es Fe ei a, sub aí am os o os emininos que ha iam sido ealizados. Também é e iden e nesse ex o o econhecimen o po pa e do au o sob e a pos u a exage ada e ag essi a do senado : Dias depois, o s . Pi es Fe ei a oi discu i o o o eminino. Em ques ões cons i ucionaes, o elho cabo de gue a é peso pesado. E a i mou, com oda sua au o idade de ep esen an e da Nação, que os juízes do Rio G ande do No e, que consen iam o alis amen o de mulhe es, de iam es a mas e a na cadeia. […] O Senado não mandou p ocessa os juízes do Rio G ande do No e. Mas descon ou os o os emininos. Como ha ia mui as senho as nas ibunas, os senho es senado es adoça am o ges o da decap ação com p o es os ehemen es de que e am a o á eis ao o o eminino. Apenas… a ocasião… as senho as comp ehendem… Fica pa a ou a ez. Cuidado! Da ou a ez, o ma echal Pi es manda á, não p ocessa os juízes elei o ados, mas me alha as elei o as emininas! (Na essaca do o o eminino. O Malho, 09 de junho de 1928, p. 47) 57 Essa a i ude da Comissão de Pode es do Senado não passou como desculpado pelas in eg an es da FBPF, que e am, em maio ia, as senho as nas ibunas que o jo nalis a menciona. E, an es mesmo dessa no ícia se publicada pelo pe iódico O Malho, a o ganização de Lu z lançou uma Decla ação dos Di ei os da Mulhe , em maio de 1928 (Hahne , 1981), documen o no qual as mili an es coloca am sua de esa do o o eminino no ní el undamen al dos di ei os humanos. Além de Be ha e suas colabo ado as da FBPF, assina am a Decla ação mulhe es conhecidas pela al a sociedade ca ioca, como: a en e mei a e líde eminis a de o igem a is oc á ica Je ônima Mesqui a; a esc i o a, ambém de amília a is oc á ica, Ma ia Eugênia Celso e á ias ou as mulhe es pe encen es a impo an es amílias pa a o meio polí ico, inclusi e a S a. Clo ilde de Mello Vianna (Dua e, 2019), esposa do en ão ice-p esiden e da República. A Decla ação dos Di ei os da Mulhe a a a a ques ão nos seguin es e mos: As mulhe es, assim como os homens, nascem memb os li es e independen es da espécie humana, do ados de aculdades equi alen es e igualmen e chamados a exe ce , sem peias, os di ei os e de e es indi iduais. Os sexos são in e dependen es e de em, um ao ou o, a sua coope ação. A sup essão dos di ei os de um aca e a á, ine i a elmen e, p ejuízos ao ou o, e, consequen emen e, à nação. Em odos os países e empos, as leis, p econcei os e cos umes enden es a es ingi a mulhe , a limi a a sua ins ução, a en a a o desen ol imen o das suas ap idões na u ais, a subo dina a sua indi idualidade ao juízo de uma pe sonalidade alheia, o am baseados em eo ias alsas, p oduzindo na ida mode na, in enso desequilíb io social. A au onomia cons i ui o di ei o undamen al de odo indi íduo adul o. A ecusa desse di ei o à mulhe é uma injus iça social, legal e econômica que epe cu e des a o a elmen e na ida da cole i idade e a dando o p og esso ge al. As nações que ob igam ao pagamen o de impos os e à obediência à lei os cidadãos do sexo eminino, sem lhes concede , como aos do sexo masculino, o di ei o de in e i na elabo ação dessas leis e o ação desses impos os, exe cem uma i ania incompa í el com os go e nos baseados na jus iça. Sendo o o o o único meio legí imo de de ende aqueles di ei os à ida e à libe dade p oclamados inaliená eis pela Decla ação da Independência das Democ acias Ame icanas e hoje econhecidas po odas as nações ci ilizadas da Te a, à mulhe assis e o di ei o ao í ulo de elei o . (Ca doso, 1981, p.34) Apesa da eação nega i a de mui os polí icos da capi al, o a anço do Rio G ande do No e impulsionando os di ei os polí icos da mulhe oi undamen al como a i ude exempla 64 3 Reações An i eminis as. 3.1 Ridicula ização ao se iço da masculinidade ameaçada. Ao longo das p imei as décadas do século XX, como oi is o, mui as o am as o mas que as mulhe es encon a am pa a usa a esc i a como meio de ealiza em issu as na ba ei a pa ia cal e ques iona em seus posicionamen os de subal e nidade em á ias es e as da ida ci ilizada. En e an o, nume osas ambém o am as o mas que pessoas con á ias à emancipação do sexo eminino encon a am pa a impedi ou desenco aja as ações p á icas ou ideológicas de ca á e eminis a. Embo a seja e iden e que o emp ego de ene gia pa a con e as ei indicações emininas po uma pa icipação mais plena na sociedade e a ealizado ambém po mulhe es, é possí el a i ma – a a és do que se cons a ou nas e is as pesquisadas – que esse es o ço e a maio i a iamen e masculino no uni e so da imp ensa. Pa indo do en endimen o de que essas eminis as obje i a am um abalo na o dem cons i uída, onde impe a a o domínio masculino nas elações de pode en e os géne os, é comp eensí el o emo dos homens em pe de em seus pos os de au o idade e de e em uma sub e são dos es e eó ipos de géne o que há an o empo o ma a am a cons ução das iden idades dos indi íduos e as elações sociais. Ou seja, eles emiam a “no a mulhe ” (Telles, 2009) que su giu na au o a do século XX. As que e am denominadas como “no a mulhe ” e am mulhe es que c i ica am a insis ência da sociedade no casamen o como única opção de ida eminina. E am aquelas que, endo ido maio es opo unidade de es udos, p i ilegia am suas ca ei as p o issionais e, po isso, segundo a his o iado a No ma Telles (2009), p o oca am as ozes conse ado as. Po an o, cons a a-se que não e a necessá io um en ol imen o p op iamen e eminis a pa a a mulhe se is a como um isco, pois ao ecusa em-se a e o ma imônio como p incipal obje i o de ida e, consequen emen e, ao nega em os papéis de dona de casa e de mãe como suas p incipais unções sociais, elas ousa am nega as unções idas como na u ais, o des ino biológico es abelecido pa a as mulhe es (Malu ; Mo , 1998). Assim, a “no a mulhe ” sub e ia oda uma o dem social baseada no en endimen o biná io do que e a papel eminino ou masculino, ou seja, os es e eó ipos (Amâncio, 2010). Essa p eocupação com sub e são dos papéis sociais já es a a e iden e em algumas publicações de 1918, como es e exemplo: 65 Soou a ho a da des o a do eminismo! A p incípio ez i os homens e eis que ago a eles omam medo. Com e ei o, os appellos mais ins an es o am ei os pa a mão d’ob a eminina; assis imos a conquis a, pelas mulhe es, de á ias uncções a é en ão ese adas ao sexo conhecido po o e; […] Mas pe gun a ão: se á uma emancipação salu a ? Sim, e iden emen e é uma emancipação; mas oda medalha em seu e e so. Ac edi aes que se possa concilia os de e es da ma e nidade, os quaes necessi am a p esença da mulhe no la , com o exe cício d’uma p o issão que pelo con á io a chama ó a? O p oblema me ece se es udado, pois é g a e! (O eminismo e o u u o. Re is a da Semana, 27 de ab il de 1918, p. 47) Po isso, a comicidade e a i onia o am a mas equen es e de po encial inegá el ao se iço dessa masculinidade amed on ada pa a desmo aliza e idicula iza os no os compo amen os que as mulhe es passa am a ap esen a e as mo imen ações eminis as que ganha am o ça e in luência na sociedade ca ioca daquela época. Con o me uma c onis a da Re is a da Semana cons a ou: “o abalho eminino encon ou a en en al-o, ameaçando des ui -lhe odas as possibilidades bôas, essa e í el a ma – o idículo.” (Aspec os do Feminismo. Re is a da Semana, 21 de maio de 1927, p.18). Numa en a i a desespe ada de es au ação dos mi os da in e io idade e domes icidade eminina (Soihe , 2001), os a aques i ónicos inham semp e uma base no pensamen o adicional sob e o sexo eminino pa a e legi imidade pe an e os lei o es. Po an o, jo nalis as, ca ica u is as, c onis as e quem mais ousou en a impedi a emancipação da mulhe , a a és da pala a ou da imagem na imp ensa, buscou espaldos ilosó icos e cien í icos como base pa a os discu sos misóginos sob e o pe igo que as mulhe es in elec ualizadas ep esen a am pa a a manu enção da o dem do Es ado alice çado nas células amilia es. Na Ingla e a, assim como em ou os países eu opeus, essa busca po legi imação pa a o mo imen o con á io à emancipação eminina já ha ia ganhado o ça em meados do século XIX, quando os médicos passa am a sus en a que “desen ol e o cé eb o, pa a a mulhe , implica a em não nu i o ú e o e, po isso, se o izesse, ela não pode ia mais se i à ep odução da espécie” (Telles, 2009, p.432). Assim como as modas eu opeias di a am a elegância ca ioca (Cohen; Go be g, 2007) os pensamen os cien í icos e ilosó icos ambém o ma a am as men es: Pa a Cesa e Lomb oso, médico i aliano e nome concei uado da c iminologia em ins do século XIX, embo a a mulhe no mal ap esen asse algumas ca ac e ís icas 66 nega i as que a ap oxima am da c iança – ais como senso mo al de icien e, endência exage ada à ingança, ao ciúme – de manei a ge al esses de ei os e am neu alizados, en e ou os, pela ma e nidade, sua ieza sexual e sua meno in eligência. Em con aposição, as mulhe es do adas de o e in eligência se e ela am ex emamen e pe igosas, cons i uindo as c iminosas na as. […] Higienis as, no Rio de Janei o, conco da am com ais asse ções. […] A mulhe in elec ual, emancipada, em ins do século XIX e início do XX, cons i uía-se num mau exemplo pa a as ou as mulhe es, le ando-as a ac edi a que pode iam subsis i sozinhas sem o concu so do ma ido, comp ome endo oda a o ganização da sociedade. (Soihe , 2001, p. 102) Dessa o ma, os homens que emiam a in asão das mulhe es nos espaços adicionalmen e masculinos – como as es e as p o issionais, polí icas e ju ídicas – encon a am sus en ação e legi imidade pa a as suas eações. Po an o, passa am a idicula iza as no as ambições emininas e a suge i como se ia descabida a in e são de papéis en e os géne os, caso as mulhe es insis issem em desempenha as unções dominadas pelos homens. Isso po que oi cons uído um pensamen o sob e a o ganização amilia onde não exis ia possibilidade pa a homem e mulhe (ma ido e esposa) desempenha em concomi an emen e suas idas p o issionais. A pa i desse pensamen o, hou e espaço pa a c ia uma imagem de que, quando as mulhe es ganhassem o espaço público pa a abalha , o homem se ia au oma icamen e empu ado de o ma idicula izada pa a den o do la , o nando-se ob igado a ealiza os cuidados com as c ianças e os a aze es domés icos. Esse assun o ganhou espaço a é mesmo nos ca os alegó icos do ca na al ca ioca, como esc e eu o c onis a Esc agnolle Dó ia: “…o ca o [alegó ico] que mexia com o eminismo, dou o as clinicando, os ma idos na cozinha ou na machina de cos u a.” (Re is a da Semana, 26 de e e ei o de 1927, p. 14), o que nos dá a e dadei a dimensão da p eocupação sob e as di isões de papéis sociais de aco do com os es e eó ipos de géne o. Is o e a algo que es a a ondando e a o men ando as men es adicionais daquele empo. Além disso, c ia am uma imagem nega i amen e es e eo ipada – pa a os pad ões emininos da época – da mulhe eminis a semp e eunindo os adje i os: eia, mal humo ada, masculinizada, sol ei ona e in elec ual (Soihe , 2001). A inal, a mulhe que não se esigna a ao seu des ino biológico, ao seu de e sag ado de ge a ilhos e cuida do la , e a, no imaginá io an i eminis a, uma mulhe com ca ac e ís icas con á ias à imagem da “ ainha do la ”, como 67 nos exempli ica a his o iado a Rachel Soihe (2001) ao ap esen a uma c ónica do popula pe iódico Ca e a, do ano de 1919: O om da c ônica ca ac e iza-se pela sisudez, em que pese sua excessi a melosidade, a é chega ao seu inal, quando lança mão de um a i ício po demais ulga , aquele de que “só as mui o eias hão de que e se emancipa coi adas! As boni as não” po que a elas nunca al a á um ado ado . E, sem mais delongas: “…Que nos impo a as eias! Sal em-se as belas, que a humanidade se ape eiçoa á.” (Soihe , 2001, p.107) Esse uso c uel da comicidade ao se iço da idicula ização na imp ensa pode se classi icado como uma modalidade de iolência simbólica (Cha ie , 1995) com e ei o danoso an o sob e as idas das mulhe es como sob e as dos homens. Pois, ao passo que insis em em cons ui uma imagem eminis a que se con apõe ao ideal eminino – baseado na meiguice, delicadeza, paciência e esignação –, o que le ou mui as mulhe es a ejei a em ou a é comba e em o eminismo (Soihe , 2001), ambém ameaça a os homens com a idicula ização de ica em em casa, desempenhando as unções idas como emininas, caso suas esposas ei indicassem o di ei o de exe ce uma p o issão. Ou seja, ameaça a as mulhe es de não se em amadas po se em eminis as e causa a medo nos homens em elação ao isco de se casa em com uma mulhe de ideias eminis as e acaba em desempenhando um papel passí el de zomba ia pe an e a sociedade. O ac o da emancipação eminina ge a essa queb a dos pad ões sob e o que e a masculino e eminino e a algo que podia e i g a emen e a mo al e a hon a masculina, pois es es e am os alice ces dos es e eó ipos de géne o (Amâncio, 20210). Além dos p ecei os do Código Ci il de 1916, que es abeleciam a in e io idade da mulhe casada ao ma ido, o abalho e o sus en o da amília e am a o es que con e iam e sela am a au o idade dos homens nos la es e ga an ia pode de che e na sociedade conjugal. A epe cussão nos sen imen os masculinos dian e da impossibilidade de se o único p o edo da amília, de aco do com os pad ões adicionais, oi obse ada ambém po Rosa Ma ia Ba bosa de A aújo, na sua pesquisa sob e o Rio de Janei o das p imei as décadas do século [XX]. Alguns ma idos chega am ao desespe o e come iam o suicídio, jus i icando o a o pela de o a mo al de não cump i seu de e . Isso le a a a se conside a deson osa a al e nância ou complemen a idade do abalho emune ado dos cônjuges pa a en en a os cus os da sob e i ência amilia , pois ac edi a a-se que 68 e ia an o a iden idade social desejá el da mulhe quan o a do homem. (Malu ; Mo , 1998, p. 381) Po isso, o am di e sas as a mas o jadas pa a dissemina uma idicula ização sis ema izada da mulhe emancipada, no sen ido de p o ege a posição hegemónica dos homens nas es e as públicas e p i adas. Os jo nais e as e is as eicula am ex os, publicidade, ca ica u as e a é le as de música ale ando os lei o es sob e os iscos do desen ol imen o de uma compe ição po espaços en e homens e mulhe es, o que, na isão dos mais conse ado es, acaba ia le ando à uína a ins i uição do ma imônio, como escla eceu Soihe (2001) ao menciona a le a de música esc i a po Euclydes Ta a es e di ulgada pelo pe iódico A Noi e: Numa dessas músicas, de 1923, in i ulada A mulhe de hoje, ica assinalada a eação masculina an e às inicia i as emininas de ganha o espaço público a a és do o o e do abalho. Ameaça o homem “a mulhe oda ga bosa que ai pa a ua passea ”, icando ele p eocupado com a possibilidade, semp e episada, de ica em casa “pa a as c ianças a a ”. A in e são dos papéis e a independência que as mulhe es aspi am adqui i o apa o am. F en e à pe da possí el de sua p eeminência, “já que pode a mulhe odo abalho do homem que e aze ”, o homem decide não se casa … (Soihe , 2001, pp.102-103) Assim como nessa le a de música, ou os ex os ambém ale a am os homens sob e os no os iscos que en ol iam o casamen o. O poe a mode nis a Meno i del Picchia, po exemplo, decla ou publicamen e sua descon iança pa a com a “no a mulhe ”, seu ex o que azia no í ulo a indagação “Caso ou não caso?” deixa a cla a a sua e ol a con a os no os compo amen os emininos e como es es pode iam a uina a epu ação de um homem: An igamen e, nos bellos empos do eudalismo colonial, nossas o ós e am umas san a onas, ingenuas e boas, que mal assoma am à janella e que sabiam, como ninguém, p epa a qui u es quasi di inos. Não se elepea am nos asphal os, i iquie as e se igai as; não sahiam sosinhas, a on ando os galan eios dos chichisbéos, não se apaixona am po Geo ges Walsh no éc an do cinema nem se desa icula am nos egamboleios do ango e do maxixe. […] “Caso ou não caso?” Dean e disso, eis o dilemma que a epia a espinha do celiba á io. Os moços, com azão, andam a iscos e as es a ís icas ci is accusam uma sensí el diminuição de casamen os. É cla o que um apaz mode no, conhecendo bem a psychologia das nossas ac uaes melind osas, não a isque ão le ianamen e a sua libe dade. […] Se á jus o que um moço abalhado e hon ado 69 en egue seu nome nas mãos de uma cabecinha ú il e doidi anas […]? Uma educação sób ia e cas a alo isa a mulhe e es imula o casamen o […]. (Caso ou não caso? Re is a Feminina, janei o de 1920) No en an o, a “no a mulhe ” não es a a mais dispos a a ica em silêncio ao e seu compo amen o di ado e c i icado pelo sexo opos o, ela inha conquis ado oz e exe ceu di ei o de espos a. Algumas edições mais a de, a Re is a Feminina publicou o ex o de uma in elec ual do es ado de Minas Ge ais, sob o pseudónimo de Rosa Bá ba a, onde es a eba ia os a gumen os do poe a mode nis a. Denominando sua isão como a “ou a ace da medalha”, ela explicou como as mulhe es a alia am o compo amen o masculino e o que as amed on a a ambém em elação ao casamen o: […] Mas quando o s . Meno i del Picchia diz “ apazes hones os”, a quem se e e e? […] Pois se o “elegan e” o “bom om” dos nossos chamados “ ilhos de amília”, dos es udan es, emp egados públicos, médicos e ad ogados, comme cian es, diploma as e indus iaes é passa as noi es nas casas de di e imen os li es, ao jogo ou nos ca és, emb u ecendo o espi i o, a il ando a alma e a uinando o co po pelas bebidas, cocaína, mo phina ou ca as de pocke ? Chegando, noi e al a ao la , com maus modos, o cé eb o ba alhado de ca as, ole a, pe umes e inhos?... E… eis ahi, a ou a ace da medalha… Imaginam en ão que é humano en ega a um desses iciados uma c ea u a inocen e, modes a, cheia de c enças, a ec uosa, san a? […] Pois bem: udo is o inda á, não longe; as modas ag essi as à mo al e as lag imas pelo desp eso ime ecido, no dia em que o eminismo ô uma ealidade […]. E e emos en ão o p aze de ou i e de e uma moça, já não “melind osa” queda -se indecisa, mi ando e emi ando a elegância do p e enden e, in e oga -se com p udencia… “Caso ou não caso?” (Caso ou não caso? Re is a Feminina, julho de 1920, pp. 47-48) O pe il de “no a mulhe ” ainda não con igu a a uma maio ia den o das eli es b asilei as, po isso mui as p o ocações ica am sem espos as à al u a das i e e ências que e am ei as. En e an o, alguns au o es aziam em seus p óp ios a igos as espos as das eminis as às suas p o ocações, pois, em suas opiniões conse ado as, essa ousadia de eplica só con i ma a o que eles conside a am se uma al a de eca o, um ipo de compo amen o g ossei o, inadequado pa a as apa igas e senho as de boas amílias: A Faculdade de Di ei o ab iga nas suas a cadas cheias de adição uma u ma de pe ulan es e g aciosas alumnas, g andes ba alhado as em p ol não de um la eliz, mas 70 sim do o o eminino. E a seu a o esse isonho exé ci o de… con e sa iada con a com esc ip o as, poe isas e ju isconsul as, e quem póde sabe com que mais?... A senho inha Di a, po exemplo, acaba de esc e e um li o sob e as ei indicações eminis as. E é pena que se enha esquecido de consag a um capi ulo dedicado ao se iço mili a ob iga ó io pa a as mulhe es. Abo dada nes e pon o, a a dega esc ip o a decla ou: “Foi um pequeno esquecimen o, mas, na segunda edição, hei de ap o ei a seu go do subsídio.” (Pa a Todos, 22 de dezemb o de 1923, p. 32) Nesse agmen o de ex o, esc i o pelo colabo ado João do T iangulo, pode-se iden i ica uma sé ie de posicionamen os de desp ezo pa a com as ações eminis as. P imei amen e, o au o des aca a adição da Faculdade de Di ei o pa a depois abo da a p esença eminina, mos ando, segundo seu olha , uma g ande con adição. Ao ala das alunas, o au o ece um comen á io machis a que suge e que as mulhe es não de e iam es a p eocupadas em o a , mas sim em como conquis a e man e um la eliz, o que e a es abelecido adicionalmen e como papel social p imo dial pa a as mulhe es. Po isso, ele usa o e mo “con e sa iada” pa a des alo iza a o ganização das alunas e o apoio que ecebiam pa a ei indica em a igualdade de di ei os polí icos, po que, assim como o e mo indica e na sua opinião, udo isso se ia imp o ícuo. Além disso, apesa de menciona a es udan e de di ei o Di a Nol Nazá io, que en ou alis a -se como elei o a no in e io de São Paulo e, sendo impedida, esc e eu um li o como o ma de p o es o: Vo o eminino e eminismo: um ano de eminismo en e nós (Ma ques, 2019), João do T iangulo não di ulga o sob enome da eminis a e nem o í ulo de seu li o, o que deixa cla o que não e a sua in enção hon a com isibilidade al ipo de a i ude. A i onia do au o oma ainda mais espaço ao suge i à au o a um capí ulo a espei o do se iço mili a ob iga ó io pa a as mulhe es, pois, segundo seu posicionamen o, já que elas ei indica am os di ei os dos homens, de e iam ab aça ambém os de e es. Nem mesmo a mili an e eminis a inglesa Emmeline Pankhu s , um e e encial da lu a su agis a, passou imune aos comen á ios ácidos da imp ensa. Apenas um mês após a mo e da su agis a, oi publicado na Re is a da Semana um ex o in i ulado A inimiga, onde a au o a Cla a Lúcia – que não se sabe se ealmen e e a uma mulhe ou uma másca a eminina pa a esconde um homem que p e endia ealiza uma ala legi imada sob e um uni e so que não lhe pe encia – explica a a és de azões supe iciais as azões pelas quais a s a. Pankhu s pode ia se conside ada uma péssima in luência pa a as mulhe es. No en an o, esquece-se de menciona 71 que a lu a eminis a inglesa já ha ia alcançado a conquis a do ão sonhado di ei o ao su ágio, que ainda se encon a a a alguns anos de dis ância das b asilei as na da a des a publicação: Pa a mim, M s. Pankhu s nunca oi senão uma inimiga das mulhe es. Passando po de es a os homens, na e dade ella os admi a a – pois, acima de odas as ambições na ida, se lhes que ia iguala . […] Foi M s. Pankhu s que, di ec amen e ou a a és de suas discípulas mais a do osas, in oduziu na oile e eminina o es uá io dos homens. A é en ão, só inham apa ecido casos a ulsos e dis an es o a il amen o, pela masculinização, da nossa g aça de es i . […] Com a in luencia de M s. Pankhu s ie am, po ém, os cola inhos du os, os pei ilhos de casaca, os chapéos côcos, o pale ó sacco, a bengala – e o ciga o. […] M s. Pankhu s endia a supp imi o nosso p es igio máximo – que é a elegância. E a uma senho a sem manei as, is o é: o con á io duma senho a. […] As su agis as, que ella che iou, ap esen a am-se ao mundo como um bando de sol ei onas essequidas e despei adas, de chapéo u iosamen e à banda sob e os cabelos em e ol a, a boca escanca ada de g i a , o punho echado e a eme endo na ges iculação duma sé ie de insul os e pala adas. Essa imagem não cons i ui ia p op iamen e um e a o e an es uma ca ica u a – mas assim a opinião uni e sal as conside a a, pa a i dellas. (A inimiga. Re is a da Semana, 14 de julho de 1928, p. 3). Da mesma o ma, hou e espaço pa a au o es que abo da am o desen ol imen o do eminismo como uma aição à bondade masculina que ele ou o s a us social das mulhe es e pe mi iu que es udassem, colocando os homens em luga de í imas de um eminismo ing a o. Esse é o caso do ex o de Joaquim M. Ma inho, publicado no pe iódico O Malho, que ambém islumb ou o u u o mon ando uma cena de idicula izações de ocas de papéis sociais en e os géne os se as mulhe es con inuassem insis indo na igualdade de di ei os e de espaços com os homens: Desde longa da a que se ala do bem ei o aos mal ag adecidos e elles La Fon aine o az com a abula da se pen e e o lenhado ; nós, no em an o sem da ou ido, con inuamos a p a ical-o. Como sabemos, a mulhe nos empos an igos não mais e a do que uma simples esc a a do homem, o que ainda se dá em alguns países da A ica e Asia. A p opo ção que nos íamos ci ilisando, omos aos poucos ele ando as condições da mulhe , ao pon o de ac ualmen e nos se igual; e hoje, ella ao in ez de econhecida, nos ag adece o bem que p a icamos, se compo a al a se pen e da abula: nes a, a se pen e depois de despe a da inanição, quiz pica o homem – a mulhe após li e o que subjuga . Pob es homens! Que in elizes ic imas são! […] Con inuando o 72 p og esso eminis a como ae, em b e e nos conduzi á a occupa o luga dellas – passa emos de “conquis ado es” a “conquis ados”. Há de se eng açado!... Os apazes sol ei os, odos cheios de c eme, pó de a oz e ouge, azendo o “ oo ing” na A enida, com um elegan e equeb o no anda , ou indo as “piadas” das “pequenas”, ubo isando- se comp imindo ne osamen e o ciga o en e os dedos, e so indo disc e amen e ao da com uns olhos emininos nelles c a ados… Os casados, na placidez do la : cosendo, bo dando, amamen ando as c eanças acalen ando-as… E i a a o ça do sexo aco! (Feminismo. O Malho, 28 de ab il de 1928, p.09) Po mui as ezes, os c onis as se excede am na zomba ia, assim como Joaquim M. Ma inho, a um ní el ele ado da idicula ização em suge i uma oca de papéis en e os géne os que des espei a a os homens, po ém ainda mais as mulhe es eminis as; numa p eocupação exace bada em p o ege a hegemonia masculina, e iam a mo al das mili an es. A chaco a que aziam ao mon a quad os de humo em elação aos aspe os supe iciais, si uações hipo é icas ou piadas in en adas po eles azia com que os lei o es enca assem como olas, supé luas ou absu das odas as ei indicações da agenda do mo imen o eminis a, assim como se ap esen a na c ônica ci ada na ob a de Soihe (2001), Mais uma ei indicação eminina, publicada pela e is a Fon- Fon: Já não são somen e as p o issões, já não se limi am aos di ei os ci is e polí icos; não pa am ambém nos es uá ios as ei indicações das nossas a den es eminis as. Há ago a uma endência p onunciada pa a usa coisas a é ago a pe mi idas ao sexo eio. É assim que b e emen e apa ece á uma ob a da ilus ada s a. X… ei indicando o di ei o de senho as usa em ba bas ambém. […] o que se i á… pa a demons a a alsidade da alegação de que oda mulhe é aga ela, pois necessa iamen e e ão de ica caladas, ao menos enquan o ize em ba ba. (Soihe , 2001, pp. 105- 106) Nessa insinuação eudiana sob e o desejo das mulhe es usa em a ba ba ambém, as mili an es são colocadas como in ejosas do sexo opos o. Não se en ende as demandas eminis as como uma lu a das mulhe es conquis a em seus p óp ios espaços, i e em com au onomia e de e em di ei os e de e es pa a além da es e a p i ada. Tudo ica esumido a mulhe es en ando ouba o luga dos homens ou en ando se em homens, a inal a cidadania e a monopolizada po eles. 73 3.2 A e c uel. A a e ambém ez pa e do a senal da gue a an i eminis a. Nas e is as, e am comuns as ca ica u as e cha ges que idicula iza am os anseios das mili an es e ambém decla a am a possí el in e são de papéis caso o eminismo iun asse. En e inúme os ca ica u is as que sa i iza am o eminismo des acou-se Raul Pede nei as, que além de a is a e a ambém um in elec ual mode nis a de la ga a uação na sociedade ca ioca. Realizou abalhos de a es isuais pa a impo an es pe iódicos da época em análise, como a Re is a da Semana, O Malho, Fon- Fon, den e ou as (Soihe , 2001). Tinha um du o posicionamen o con á io às mulhe es que almeja am exe ce a i idades o a da es e a domés ica e o seu pensamen o sob e a incompa ibilidade da na u eza eminina com o uni e so p o issional icou cla o a a és do deboche de sua a e: Assim, na ca ica u a in i ulada A mulhe polícia, obse a-se uma mulhe go da, pesadona, de os o ca ancudo, po ando um uni o me policial, mas com uma c iança no colo, dando de mama , conjun o que assume ca á e g o esco, já que a igu a ap esen ada longe es á de ep esen a a idealização di undida da agilidade e docilidade das mães. A policial é ins ada po um homem a oma uma medida, o que é mos ado, não apenas a a és da pos u a des e na igu a, como da ase: “Acuda!... es ão api ando lá o a!”, ao que ela esponde: “Não ê que es ou p esa?” (Soihe , 2001, p. 104) Dessa o ma, Pede nei as disseminou a desc ença nas capacidades p o issionais emininas, pois, na sua opinião, assim como o senso comum adicional alice çado nos es e eó ipos de géne o, o luga da mulhe e a no la , cuidando da amília e o seu de e ma e no a impedi ia de desempenha a i idades o a desse uni e so. Em sua ob a Scenas da ida ca ioca, publicado no ano de 1935 e p esen e no ace o digi al da Biblio eca Nacional do Rio de Janei o, es ão eunidos di e sos abalhos seus ei os pa a di e en es pe iódicos, onde cons a am-se ou os ipos de c í ica ao eminismo, como a masculinização das mili an es e a idicula ização da mudança dos papéis sociais dos géne os, como é possí el obse a nes as imagens ap esen adas nas igu as 1 e 2: 80 Obse ando o diálogo p esen e abaixo do desenho na igu a 7, lê-se a ala do en ão p esiden e do es ado po igua , Ju enal Lama ine: “Toque, amigo elho. Gos ei de e a sua adesão ao eminismo.”, ao que o p esiden e do es ado do Cea á, Ma os Peixo o, esponde: “Pois isso não é nenhuma no idade: eu ambém semp e ui louco pelas mulhe es…” O que ica e iden e após a obse ação das duas úl imas imagens ap esen adas é que, não sa is ei os em banaliza em as p eocupações e ei indicações eminis as a a és da idicula ização e apelando pa a o oque de absu do da in e são de papéis sociais en e os géne os, os an i eminis as ainda i a am oda a se iedade do apoio que alguns homens do meio polí ico o e eciam ao mo imen o. No caso da igu a 7, há a ep esen ação de um diálogo en e o en ão p esiden e do es ado do Rio G ande do No e e o p esiden e do es ado do Cea á, dois polí icos ousados na ap o ação es adual do o o eminino; en e an o, a ques ão ica esumida a um possí el in e esse sexual. É como se o olha pa a os a ibu os ísicos das mulhe es se sob epusesse ao econhecimen o do di ei o eminino à cidadania. Esses ipos de dis o ções da ealidade pa a alcança o humo aziam as in ensões eminis as pa ece em ao público lei o como pa é icas, absu das, aidosas e supe iciais. E como se não ossem su icien es as cha ges e ca ica u as como apelo isual con a o eminismo, hou e ambém publicidade de ma cas de p odu os di ecionados às mulhe es que en a am nesse es o ço an i eminis a. Uma dessas ma cas oi a do ônico ol ado pa a descon o os u e inos: A Saúde da Mulhe , ab icado pelo labo a ó io Daud que in es iu não só em campanhas publici á ias nas páginas dos pe iódicos, como ambém publica a seu p óp io almanaque, o Almanaque d’A Saúde da Mulhe (Casa No a, 1996). No en an o, o que nos in e essa aqui é a campanha publici á ia do ano de 1926 que azia como í ulo: O e dadei o eminismo, o qual ap esen a a em sua a e uma cena que se assemelha a um cong esso, onde uma mulhe discu sa enquan o dezenas de ou as mulhe es, sen adas a sua en e, azem o papel de ou in es. Apesa de não se a a de uma imagem c iada p oposi almen e pa a expo uma ideia ou opinião, como e am as cha ges e ca ica u as, a a e p esen e na publicidade ambém o e ece impac o aos olhos e men es dos lei o es, p incipalmen e po se a a de uma ma ca conhecida, com anos de o e p esença no me cado, o que legi ima seu discu so ao público. Dessa o ma, a “imagem publici á ia imi a uma isão do mundo, ep oduz e demanda ep odução.” (Casa No a, 1996, p. 76). Assim, pode-se a i ma que esse ipo de imagem in luencia os lei o es, p incipalmen e as lei o as, e exige uma ep odução do discu so em sociedade, p incipalmen e es a que se encon a ica em signi icação isual e ex ual, ejamos: 81 Figu a 8: O e dadei o eminismo. O Malho, 12 de junho de 1926, p. 61. É possí el obse a que o ex o abaixo da imagem con ém a mensagem publici á ia, po ém p ecedida pela ala an i eminis a da o ado a ali ep esen ada: – Minhas senho as: O e dadei o Feminismo, como o p óp io nome indica, consis e em se mos cada ez mais emininas. Que e in adi as a ibuições do homem é ab i mão de nossas qualidades essenciaes. A nossa o ça eside em nosso encan o de mulhe . O nosso cuidado p incipal de e se conse a e desen ol e as supe io idades que a na u eza nos deu, como p i ilégios de nosso sexo. An es de udo, sejamos bellas! A beleza depende de saúde e a saúde, quando não a emos, nós conquis amos. Po que, 82 a uma mulhe , pa a e saúde, pa a se bella, bas a oma o g ande emédio que é “A SAÚDE DA MULHER”. A g a idade do discu so consis e em se p oduzido po um labo a ó io conhecido e espei ado pelo po o ca ioca (Casa No a, 1996), o que lhe concede legi imidade, que é usada na en a i a de de e as mudanças do compo amen o eminino. Esse discu so coloca a mulhe na condição de ado no da sociedade: de e se bela. Além disso, es abelece o meio domés ico como seu único espaço de a uação e o meio público como espaço genuinamen e masculino quando decla a que a mulhe não de e in adi as a ibuições do homem – o que pode se en endido como p o issões, meios polí ico e ju ídico, além da ques ão do sus en o ma e ial do la – pois caso o izesse, ab i ia mão da eminilidade. Ou seja, essa campanha publici á ia só e o ça a a ideia de es e eó ipos de géne os que engessa am a ida da mulhe e lhes es ei a am os ho izon es e as possibilidades. 83 4 Admi ação, Respei o e Homenagens Assim como a idicula ização e o deboche, a admi ação, o espei o e as homenagens ambém es i e am p esen es nas páginas dos pe iódicos que ci cula am pelo Rio de Janei o. O econhecimen o de ilha um caminho ainda es ei o, mas que ha ia sido b a amen e abe o po an ecesso as que começa am ainda no século XIX, ez pa e das mani es ações esc i as de ca á e eminis a nas p imei as décadas do século XX. Esse olha e ospe i o oi lançado sob e não somen e as b asilei as dedicadas à lu a pelos di ei os das mulhe es, mas ambém sob e as p incipais pe sonalidades es angei as que inspi a am esse es o ço. Ao longo des a pesquisa, não oi di ícil encon a ex os ol ados ao esga e da memó ia das eminis as de pe íodos an e io es. A Re is a da Semana, a Re is a Feminina e o pe iódico Pa a Todos publica am ocasionalmen e esse ipo de con eúdo, com a exclusão do pe iódico O Malho, onde não oi encon ado esse ipo de lei u a. O sucesso da Re is a Feminina, um dos poucos pe iódicos in ei amen e dedicado à mulhe em sua época de lançamen o, ano de 1914, oi u o do abalho de Vi gilina de Souza Salles, que lide a a a elabo ação da e is a desde a edição a é a di ulgação pa a anga ia assinan es (Luca, 2013). Todo esse es o ço pa a coloca em ci culação nas p incipais capi ais do país uma e is a o almen e consag ada ao uni e so eminino, não oi esquecido após a mo e da edi o a. Em 1919, a edição do mês de junho dessa e is a azia uma longa homenagem pelo p imei o ano do alecimen o da eda o a che e: Já lá se ae um anno que desappa eceu do nume o dos i os es a illus e senho a, cujo nome é já, hoje, um pa imonio nacional. Se o seu nome se á semp e lemb ado nes a e a, mui o mais o se á po nós, que omos, e ainda con inuamos a se , os dedicados collabo ado es de sua ob a. Esse p imei o anni e sa io não passou, como e a de p e e , despe cebido, mas oi lemb ado com saudade pela nossa imp ensa e po odos que a conhece am e a admi a am. (D. Vi gilina de Souza Salles. P imei o anni e sa io de sua mo e. Re is a Feminina, junho de 1919, p. 45) O ex o con inua ansc e endo as publicações de ou os pe iódicos que ambém ende am homenagens a Vi gilina de Souza Salles, numa cla a demons ação do econhecimen o da impo ância des a mulhe na imp ensa b asilei a. Já no segundo ano após sua mo e, a Re is a Feminina ez uma publicação iniciada po uma ca a da ilha da undado a 84 des a e is a, A elina de Souza Salles, onde ela decla a a a admi ação pela ob a da mãe e a esponsabilidade de da con inuidade a es a missão, além de ansc e e no amen e as homenagens ei as po ou os pe iódicos (Vi gilina de Souza Salles. Re is a Feminina, junho de 1920, p. 23). Em 1921, o pe iódico Pa a Todos p eocupou-se em es abelece quem ha ia sido a p ecu so a do eminismo no B asil. O ex o, que não possui au o ia, deixa cla a a impo ância de in o ma o público sob e o assun o, de ido à ecen e en ada das mulhe es em di e sas a i idades p odu i as na sociedade; ambém econhece que es e p ocesso oi acili ado pelo acon ecimen o da P imei a Gue a Mundial: Não se á demais sabe -se ago a quem oi a p ecu so a do eminismo no B asil, ago a que a mulhe en ou de ini i amen e na concu encia ao sexo o e em odas as ac i idades humanas; ago a que a gue a eio o nal-a capaz de compe i com o homem no s uggle o li e; ago a que, no nosso Pa lamen o já exis e um p ojec o dando di ei o à b asilei a de o a e se o ada. A p ecu so a do eminismo no nosso paiz oi Nísia Flo es a B asilei a Augus a, nascida em Flo es a, no Rio G ande do No e, em 1810, é a mais no á el mulhe de le as que o B asil em p oduzido […] Publicou li os de pedagogia mo al, de his ó ia, e sos; collabo ou em jo naes daqui e da Eu opa, endo semp e em is a heo ica e p a icamen e melho a a condição do sexo eminino, […] Nísia Flo es a man e e elações pessoaes com Lama ine; Capponi e Thomaseo, pa io as lo en inos; Mazzini e Ga ibaldi; Augus o Com e, Vic o Hugo, Laboulaye, Geo ge Sand e ou as igu as uni e saes. […] Nasceu em 1810, azendo o espi i o eminis a que só um século depois se expande e iumpha. (Quem oi a p ecu so a do eminismo no B asil. Pa a Todos, 12 de ma ço de 1921, p. 08) Nísia Flo es a B asilei a Augus a, que e a um pseudónimo pa a Dionísia de Fa ia Rocha (1810-1885), embo a não enha sido a única em seu empo a e a i udes que ab iam b echas nas ba ei as pa ia cais (Cha ie , 1995), ealmen e ealizou uma con ibuição p imo dial pa a o início da cons ução do pensamen o eminis a no B asil (Telles, 2009). A sua ob a Di ei os das mulhe es e injus iça dos homens, que Nísia decla ou se uma adução li e de Vindica ions o he igh s o woman (1792), de Ma y Wolls onec a , somada a ou os pensamen os, publicado em 1832, é o p imei o li o do B asil a abo da o di ei o das mulhe es a e em acesso à ins ução e ao abalho p o issional, bem como exige o espei o e a conside ação pela in eligência eminina (Dua e, 2019), ou seja, oi um despe a da consciência c í ica da condição da mulhe na sociedade b asilei a. Além dessa ob a, essa eminis a ambém esc e eu 85 Conselhos a minha ilha (1842), Opusculo humani á io (1853) e A mulhe (1856) (Cos a; Sadenbe g, 2007). Em 1929, a Re is a da Semana empenhou-se ambém em es abelece a p ecu so a do eminismo no B asil, des a ez quem ganhou o í ulo oi Josephina Al a es de Aze edo (1851- 1905), undado a do jo nal eminino A Família e au o a dos li os: A mulhe mode na: abalhos de p opaganda (1891); Gale ia ilus e: mulhe es céleb es (1897); Re alhos (1890). Essa jo nalis a oi quem, em sua época, mais ques ionou a cons ução social do géne o eminino e exigiu, a a és de suas ob as, mudanças adicais na sociedade com om semp e comba i o em p ol da emancipação eminina (Dua e, 2019). A c onis a Me cedes Dan as esumiu a aje ó ia de Josephina da seguin e o ma: Foi sus en ando suas idéas e que endo-as com a do cla amen e, publicamen e, que a p ecu so a do eminismo, en e nós, esc e eu os mais bellos a igos. A igos que hoje as eminis as não eem ido animo de subsc e e . A igos claman es, ce ados de lógica e de bom senso. […] E, pa a se assim ão o e e ão in lexí el em suas con icções e em suas idéas, nada emeu, nem podia eme . Aos que em público p ocu a am a as al-a ao idículo, espondia no mesmíssimo om. […] Foi uma o ça incon es á el no meio. E apagou-se. E oi esquecida. A é pelos seus. A é po aquellas que hoje emp egam o p ecioso empo em con ence as ou as mulhe es que o seculo anda de ca ambias pa a o a e que E a mode na “pa d oi de conquê e” uma, bebe, joga, ama e o a. E ou as an as cousas que mais ale cala . […] Apon o-a às associações eminis as de meu paiz. Ella em di ei o a homenagens excepcionaes po que ousada e b ilhan emen e enca nou, num momen o da ida collec i a, odos os anseios e odas as lu as que a mulhe em sus en ado con a o homem. Apon o-a aos es udiosos dos a chi os pá ios. Sua ida publica é pa imonio nosso e penso não pode , po enquan o, conhecel-a in eg almen e. (A p ecu so a do eminismo no B asil. Re is a da Semana, 30 de ma ço de 1929, pp. 26-27) O ac o de ha e o in e esse po pa e de Me cedes Dan as em publica um ex o sob e uma mulhe ousada do passado já con igu a uma p eocupação em ealiza um esga e de memó ia eminis a. En e an o, a c onis a ai mais além e con oca as eminis as con empo âneas pa a que econheçam o abalho de Josephina Al a es de Aze edo e lhe endam homenagens, assim como chama a a enção dos pesquisado es pa a a impo ância dessa mulhe pa a a his ó ia do país. Fica, assim, cla o o en endimen o sob e o silenciamen o das 86 mulhe es na His ó ia o icial, sendo que Dan as p ocu a, a a és do seu ex o, inse i essa mulhe , que ez a di e ença na sociedade em que i eu, na gale ia de b asilei os ilus es. Essa busca pelas pionei as, como oi di o, não se ealizou somen e no âmbi o nacional; as eminis as es angei as, que indica am os caminhos quando as b asilei as es a am apenas começando a cons ui um di ecionamen o eminis a, ambém o am oco da a enção daqueles que sal agua da am a memó ia. A Re is a da Semana, po exemplo, não deixou passa despe cebida a mo e da líde su agis a inglesa, a senho a Pankhu s , a quem oi di igido um ex o de homenagem acompanhado de uma o o da eminis a: Miss Pankhu s oi, em e dade, um exemplo ypico de independencia, de idealismo, de con icção. Do ada de cul u a eal, di isou o mundo po um p isma di e en e daquelle po que o enca a am odas as mulhe es, e endo a ib a de agi ado a – pois desde a mocidade ô a uma ebellada, ezes á ias compellida a emig a – ap esen ou ao mundo uma ida de con ulsões e enacidade, ba alhando desassomb adamen e pela emancipação eminina. (A p imei a su agis a. Re is a da Semana, 23 de junho de 1928, p. 23) E, quando o B asil es a a a um mês de ap o a o o o eminino, es a mesma e is a não se esqueceu de ende homenagens àquela que desde o século XVIII c i ica a as p á icas sociais que man inham as mulhe es ap isionadas na igno ância e ei indica a os di ei os emininos a a és da sua esc i a, Ma y Wolls onec a . A inglesa é chamada de “mãe do eminismo” no ex o publicado em 1932, onde a au o a, p ocu ando endossa a p emissa de Wolls onec a sob e a impo ância do acesso eminino à mesma educação da que e a p opo cionada aos homens pa a ha e igualdade en e os géne os (Ma ques, 2019), ci a ambém os sucessos p o issionais de mulhe es ins uídas de ou os países: É p es a uma jus a homenagem ci a o nome e con a a ida daquella que an o luc ou pelos di ei os da mulhe , quando nós B asilei as es amos em ia de ob e o ão almejado di ei o ao o o. Nasceu Ma ia Wolls onec a em Lond es em 1759; oi chamada a mãe do eminismo po e sido ella a p imei a que de endeu os di ei os da mulhe , p o ando que mo al e in ellec ualmen e a mulhe e a egual ao homem. […] Os seus li os são bas an e de icien es, como philosophia e mesmo medíoc es como li e a u a; mas poz os alice ces num edi ício que es á semp e e guendo pa a o céu seus balua es cada ez mais i mes. Le an am-se, como sen inelas ieis dos di ei os emininos que cada dia se o nam mais pa en es, mulhe es de alo como a s a. Ru h 87 B yan Owen, ep esen an e do es ado da Flo ida no Cong esso da União Ame icana e memb o da Comissão de Relações Ex e io es; como a s a. Ma ga e Bond ield ex- minis a do T abalho e p imei a mulhe que occupou ão al o pos o no Gabine e B i annico; ou como a d a. Flo ence Rena Sabin, do Ins i u o Rock elle de In es igação Medica, a quem acaba de se con e ido hon osíssimo p emio, po e sob esahido en e os médicos no e-ame icanos em seu abalho de in es igação pa a de e mina a exac a na u eza da ube culose e acili a assim sua cu a. Es es exemplos, e an os ou os que não nos é possí el menciona , p o am que não oi em ão que Ma ia Wolls onec a in ocou os nossos di ei os; […] Nós, elizmen e, i emos a sup ema en u a de e is o a au o a do no o dia que ella não iu quando se lamen a a da desg aça de se mulhe . (Ma ia Wolls onec a , mãe do eminismo. Re is a da Semana, 23 de janei o de 1932, p. 41) Esse ex o chama a a enção das ca iocas sob e a p oximidade da conquis a de um di ei o ão undamen al pa a aça a cidadania den o de uma democ acia, o di ei o de o a e de se o ada. Além disso, p ocu a inspi a as lei o as com os exemplos das mulhe es es angei as, mos ando que é possí el a a essa as ba ei as pa ia cais limi ado as da i ência eminina e exe ce qualque papel social possí el den o das possibilidades humanas e ob e sucesso independen emen e do géne o. Ou seja, es e e a um con i e ao ques ionamen o da di isão social em es e as masculinas e emininas; e a uma chamada de a enção pa a a necessidade de queb a os an igos es e eó ipos de géne o. 88 Conclusão Após olha a en amen e pa a a sociedade ca ioca dos anos en e 1918 e 1932, a a és das janelas abe as nas páginas dos pe iódicos que cons i uem o co pus da p esen e disse ação, cons a o que “o homem é um animal suspenso em eias de signi icados que ele mesmo eceu, como Gee z uma ez obse ou” (Thompson, 1995, p.36), e essas eias são p oduzidas po odas de ia do mundo mode no: os meios de comunicação, como a i mou Thompson (1995). Homens e mulhe es do início do século XX caminha am sob e uma ede – o a de p o eção, o a de limi ação – cons uída pelas suas pala as e imagens imp essas. As ideias que ci cula am pela sociedade ca ioca, iden i icadas a a és dos ex os analisados, le ando-se em conside ação o con ex o sociocul u al, pensadas na sua ca ga a e i a e emocional, an o quan o no seu con eúdo in elec ual, mos a am-se pe encen es à mesma o dem de impo ância das adições, dos complexos sis emas de alo es, uma das o ças cole i as que o ma am o modo que o homem i e o seu empo e espaço (Cha ie , 2002). E, dessa o ma, oi possí el islumb a e ob e uma comp eensão da men alidade social dessa época, assim como os p ocessos de abalo nos an igos pila es de alo es e c enças que sus en a am a esis ência do conse ado ismo. O que oi possí el conclui é que, apesa da exis ência de um quad o de dominação pa ia cal, as mulhe es no eco e c onológico e geog á ico analisado i e am oz e soube am usá-la pa a aça uma no a ede de signi icados que sus en asse um melho s a us eminino na sociedade. No en an o, de ido a adição his o iog á ica sexis a (Hahne , 1981), essas ozes pe manece am aba adas, sem o de ido egis o sob e a p imei a onda eminis a na his ó ia do início do século XX no Rio de Janei o, apesa des e mo imen o e conseguido a ingi obje i os e, com is o, e modi icado mecanismos sociais. A a és da pala a esc i a, as mulhe es das eli es sociais ca iocas exp essa am as suas angús ias sob e a condição social em que i iam e que e a sus en ada não só pelas adições, como ambém pelo sis ema ju ídico. Essa insa is ação o nou-se mais o e após a P imei a Gue a Mundial, que possibili ou uma maio abe u a pa a as eu opeias ao espaço público e ga an ias de di ei os, azendo as b asilei as pe cebe em o quan o e am limi adas po uma cul u a op esso a que man inha suas apa igas e mulhe es des inadas ao espaço e se iço domés icos (Dua e, 2016). 89 Uma p o a de que ci cula a nas men es emininas ca iocas uma espe ança de as b asilei as se iguala em às eu opeias é o g ande núme o de a igos azendo menção à G ande Gue a como um a o de emancipação das mulhe es em di e sos países es angei os e, consequen emen e, o o alecimen o das ideias eminis as no B asil. A Re is a da Semana deu abe u a ao assun o publicando a ca a de Be ha Lu z, em dezemb o de 1918. Desde en ão, es e ema ol ou às páginas ao menos uma ez po ano a é 1932. Já a Re is a Feminina econheceu o c escimen o do eminismo como uma das consequências da gue a em dezenas de a igos publicados du an e o pe íodo analisado, sendo oi o des es publicados ao longo do ano de 1919. Analisando essas páginas ambém oi possí el comp eende que a p imei a onda eminis a, den o do eco e des a pesquisa, não oi um mo imen o homogéneo, po an o, a i mo e ha ido eminismos. Não se a a de me o jogo semân ico, mas da cons a ação, em o ma simpli icada, de uma pola ização do que oi econhecido como mo imen o eminis a. Foi possí el iden i ica , a a és da análise das mani es ações in elec uais, g upos conse ado es de mulhe es que inham como obje i o essencial ealiza modi icações na legislação sob e as mulhe es e alcança o su ágio – que pode se is o como um obje i o eli is a, pois não bene icia ia as mulhe es anal abe as – e, dessa o ma, ab i espaços emininos den o do sis ema já exis en e; essa linha do eminismo e e Be ha Lu z como p incipal líde (Semí amis, 2020). Di e en emen e, as eminis as cuja ideologia assen a a na pe spe i a de lu a de classes, não obje i a am a en ada da mulhe no sis ema sociopolí ico p é-es abelecido po men es pa ia cais, mas almeja am uma mudança es u u al, a cons ução de uma sociedade libe á ia, com comba e à pob eza e es o ço ol ado pa a a ins ução da classe ope á ia, e am mulhe es com pensamen os alinhados às eo ias ana quis as e ma xis as; Ma ia Lace da de Mou a oi o maio expoen e dessa linha de eminismo (Dua e, 2019). As conse ado as ize am uso do seu p óp io capi al social pa a e acesso aos homens de pode que pode iam ab i -lhes os caminhos ju ídicos necessá ios. Já as e olucioná ias alia am-se às massas abalhado as pa a soma em o ças na ajuda mú ua e no es o ço de alcança suas ei indicações (Semí amis, 2020). En e an o, essas duas linhas de a uação i e am em comum o uso dos pe iódicos pa a a dou inação das men es emininas no sen ido de emancipação, que e a po im o que odas as eminis as deseja am: o acesso eminino à educação de boa qualidade que pudesse ga an i -lhes uma segu a inse ção no me cado p o issional, pa a assim conquis a au onomia inancei a. Ou seja, apesa de possuí em um g ande obje i o em comum, di e en es g upos sociais ge a am ei indicações di e sas, o que culminou em eminismos plu ais. 96 SOIHET, Rachel. O co po eminino em deba e. São Paulo: Edi o a da UNESP, 2003. RAGO, Ma ga e h. T abalho eminino e sexualidade. In: Del P io e, Ma y. His ó ia das mulhe es no B asil. São Paulo: Edi o a Con ex o, 2009. RODRIGUES, João Ba is a Cascudo. A mulhe b asilei a: di ei os polí icos e ci is. 2.ed. Rio de Janei o: edi o a Renes, 1982. ROSEMBERG, Fúl ia. Educação. Mulhe es educadas e a educação de mulhe es. In: PINSKY, Ca la Bassanezi; PEDRO, Joana Ma ia (o g). 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