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Pesquisa de assinaturas de seleção de malária na região do gene humano TPI (triosefosfato isomerase)

GUERRA, Mónica Susana Costa

Abstract

A malária continua a ser a maior causa de doença e mortalidade no Mundo, sobretudo no continente Africano. Das cinco espécies do parasita causador de malária em humanos, Plasmodium falciparum é a mais letal. Em termos evolutivos a malária é um fenómeno recente com cerca de 10 000 anos, período onde tem atuado como importante pressão seletiva no genoma humano, contribuindo para a seleção de inúmeros polimorfismos que propiciam maior resistência ao protozoário parasita. Apesar da interação entre o parasita e o hospedeiro ser foco de inúmeros estudos, é bastante complexa e ainda está longe de ser totalmente compreendida, nomeadamente os fatores de suscetibilidade/resistência à infeção ou à doença. Este estudo teve como principal objetivo contribuir para o estudo dos polimorfismos eritrocitários associados à proteção contra a infeção malárica grave, centrando-se no gene TPI que codifica uma enzima glicolítica. Foi selecionada uma amostra populacional Africana (Moçambique) agrupada de acordo com a gravidade da doença (grupos clínicos). Fez-se o rastreio dos exões do gene TPI por SSCP, na busca de alterações no padrão de migração dos produtos amplificados, indiciadores de alterações na sequência nucleotídica que pudessem ser assinaturas de eventuais efeitos evolutivos exercidos pela malária; caracterizaram-se as variantes do promotor do gene TPI: -5A>G, -8G>A e -24T>G; e analisou-se o polimorfismo intrónico 2262 situado no intrão 5. Esta análise permitiu identificar o polimorfismo -8G>A como possível marcador associado à proteção contra a malária, observando-se diferenças estatisticamente significativas entre doentes com malária grave e não-grave [P = 0,032; OR = 0,230 (CI95%: 0,049-1,081)], quando associado ao haplótipo -5G/-8A/2262G. Através de um estudo de microssatélites nas regiões adjacentes ao gene TPI, estimou-se a antiguidade dos polimorfismos -5G>A e -8G>A, tendo-se obtido a idade de ~20 mil anos e ~14 mil anos, respetivamente. Ao nível bioquímico, o polimorfismo -8G>A poderá estar associado à acumulação celular de metilglioxal citotóxico, um potente inibidor da proliferação parasitária.

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Uni e sidade No a de Lisboa Ins i u o de Higiene e Medicina T opical Pesquisa de assina u as de seleção de malá ia na egião do gene humano TPI ( iose os a o isome ase) Mónica Susana Cos a Gue a DISSERTAÇÃO PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM PARASITOLOGIA MÉDICA OUTUBRO, 2012 Pesquisa de assina u as de seleção de malá ia na egião do gene humano TPI ( iose os a o isome ase) Mónica Susana Cos a Gue a Licenciada em Ciências Biomédicas pela Uni e sidade do Alga e Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Pa asi ologia Médica, ealizada sob o ien ação cien í ica da In es igado a Dou o a Ana Paula A ez O ien ado a: In es igado a Dou o a Ana Paula A ez Cen o de Malá ia e ou as Doenças T opicais (CMDT) Ins i u o de Higiene e Medicina T opical Co-O ien ado : Dou o Licínio Manco Cen o de In es igação em An opologia e Saúde (CIAS) Faculdade de Ciências e Tecnologias da Uni e sidade de Coimb a OUTUBRO, 2012 Aos meus pais e i mã … iii AGRADECIMENTOS Começo po ag adece a oda a di eção e docência do XI Mes ado em Pa asi ologia Médica, pela excelência como conduzi am es es dois anos, an o a ní el p o issional como pessoal. Um ag adecimen o especial ao P o esso Dou o Paulo Almeida po oda a dedicação p es ada e, à P o esso a Dou o a Lénea Campino pelo en usiasmo que demons a nas suas aulas, o que indi e amen e delibe ou a minha escolha pela á ea da Pa asi ologia. Ag adeço à In es igado a Dou o a Ana Paula A ez po e acei ado o ien a -me nes e abalho e po oda a dedicação, mo i ação, aliosos comen á ios e co eções c uciais na elabo ação des a disse ação. Ag adeço ao Dou o Licínio Manco a coo ien ação des a disse ação, bem como oda a disponibilidade, apoio, acompanhamen o, espi i o c í ico e en usiamo pela emá ica abo dada nes a ese, aduzindo-se em impo an es con ibuições nes e abalho. Um ag adecimen o e nu en o à equipa das “Mixin ec ”, em especial à C is ina Mendes e à Pa ícia Machado po oda a amizade, paciência, dedicação, ajuda e aconselhamen o ao longo des e úl imo ano. Um ag adecimen o especial a odos os meus colegas e amigos de mes ado, Ana Filipa Teixei a, Vasco Go dicho, Má io da Cos a, Lis Coelho, Isa Pi es, A le e T oco Miguel Landum, Idalécia Moiane e Ana Sousa pela g ande cumplicidade e amizade an o nos momen os de “gló ia” como nos de desânimo. Com ocês i i bons momen os da minha ida, ob igada po udo o que pa ilhamos. Ag adeço em especial à Ana Filipa Teixei a, que me em acompanhado ao longo des es 5 anos. Ob igada po oda a amizade. Ag adeço à Raquel San os pela sua amabilidade, disponibilidade e acolhimen o na cidade de Coimb a. Aos meus p imos e companhei os de casa João Mon ei o, Pa ícia Gue a e Liliana Gue a p incipalmen e po me “a u a em” odos os dias, ob igada pela ossa dedicação e g ande mo i ação cons an e. Po úl imo, mas em p imei o luga no meu co ação, aos meus amados pais Fe nando e Fá ima pelo eno me exemplo que são pa a mim, po odos os sac i ícios que i êm ei o, po aquele ab aço inexplicá el que me eca ega “as ba e ias” odos os ins- -de-semana. Espe o um dia consegui se como ocês e ansmi i odo o amo que me êm dedicado. Ag adeço ca inhosamen e “à minha menina”, a minha i mã Ma iana, po exis i na minha ida. Um mui o ob igada! RESUMO Pesquisa de assina u as de seleção de malá ia na egião do gene humano TPI ( iose os a o isome ase) Mónica Susana Cos a Gue a PALAVRAS-CHAVE: Malá ia, população A icana, T iose os a o isome ase (TPI), a ian es do p omo o do gene TPI, mu ação, in eção, e olução humana, me abolismo e i oci á io A malá ia con inua a se a maio causa de doença e mo alidade no Mundo, sob e udo no con inen e A icano. Das cinco espécies do pa asi a causado de malá ia em humanos, Plasmodium alcipa um é a mais le al. Em e mos e olu i os a malá ia é um enómeno ecen e com ce ca de 10 000 anos, pe íodo onde em a uado como impo an e p essão sele i a no genoma humano, con ibuindo pa a a seleção de inúme os polimo ismos que p opiciam maio esis ência ao p o ozoá io pa asi a. Apesa da in e ação en e o pa asi a e o hospedei o se oco de inúme os es udos, é bas an e complexa e ainda es á longe de se o almen e comp eendida, nomeadamen e os a o es de susce ibilidade/ esis ência à in eção ou à doença. Es e es udo e e como p incipal obje i o con ibui pa a o es udo dos polimo ismos e i oci á ios associados à p o eção con a a in eção malá ica g a e, cen ando-se no gene TPI que codi ica uma enzima glicolí ica. Foi selecionada uma amos a populacional A icana (Moçambique) ag upada de aco do com a g a idade da doença (g upos clínicos). Fez-se o as eio dos exões do gene TPI po SSCP, na busca de al e ações no pad ão de mig ação dos p odu os ampli icados, indiciado es de al e ações na sequência nucleo ídica que pudessem se assina u as de e en uais e ei os e olu i os exe cidos pela malá ia; ca ac e iza am-se as a ian es do p omo o do gene TPI: -5A>G, -8G>A e -24T>G; e analisou-se o polimo ismo in ónico 2262 si uado no in ão 5. Es a análise pe mi iu iden i ica o polimo ismo -8G>A como possí el ma cado associado à p o eção con a a malá ia, obse ando-se di e enças es a is icamen e signi ica i as en e doen es com malá ia g a e e não-g a e [P = 0,032; OR = 0,230 (CI95%: 0,049-1,081)], quando associado ao hapló ipo -5G/-8A/2262G. A a és de um es udo de mic ossa éli es nas egiões adjacen es ao gene TPI, es imou-se a an iguidade dos polimo ismos -5G>A e -8G>A, endo-se ob ido a idade de ~20 mil anos e ~14 mil anos, espe i amen e. Ao ní el bioquímico, o polimo ismo -8G>A pode á es a associado à acumulação celula de me ilglioxal ci o óxico, um po en e inibido da p oli e ação pa asi á ia. i ABSTRACT Looking o selec ion signa u es o mala ia in he human TPI ( iosephospha e isome ase) gene egion Mónica Susana Cos a Gue a KEYWORDS: Mala ia, A ican popula ion, T iosephospha e isome ase (TPI), TPI gene p omo e a ian s, mu a ion, in ec ion, human e olu ion, e y h ocy e me abolism Mala ia emains a wo ld majo cause o mo bidi y and mo ali y, especially in A ica. The e a e i e pa asi e species ha cause mala ia in humans, being Plasmodium alcipa um he mos le hal. In e olu iona y e ms, mala ia is a ecen phenomenon wi h abou 10 000 yea s, a pe iod o e which i has ac ed as an impo an selec i e o ce on he human genome, con ibu ing o he selec ion o se e al polymo phisms ha con e g ea e esis ance o he p o ozoan pa asi e. Al hough pa asi e/hos in e ac ion has been in ensely s udied, i is ex emely complex and is a om being o ally unde s ood, pa icula ly he ac o s o suscep ibili y / esis ance o in ec ion. This s udy aimed o con ibu e o he knowledge o e y h ocy e polymo phisms associa ed wi h p o ec ion agains se e e mala ial in ec ion, ocusing on he TPI gene ha encodes a glycoly ic enzyme. An A ican popula ion sample (Mozambique) was g ouped acco ding o he se e i y o disease (clinical g oups). A sc eening o he exons o he TPI gene by SSCP was pe o med o sea ch o mig a ion al e a ion pa e ns o ampli ied p oduc s sugges i e o changes in nucleo ide sequence which could be signa u es o possible e olu i e e ec s exe ed by mala ia; TPI gene p omo e a ian s -5A>G, -8G>A and - 24T>G we e cha ac e ized; and an in agenic polymo phic ma ke 2262 wi hin in on 5 was s udied. This analysis allowed iden i ying a polymo phism -8G>A as a possible ma ke associa ed wi h p o ec ion agains se e e mala ia, as showed by he signi ican di e ences be ween pa ien s wi h se e e and non-se e e mala ial in ec ion [P = 0,032; OR = 0,230 (CI95%: 0,049-1,081)]. This polymo phism was associa ed wi h he haplo ype -5G/-8A/2262G. The age o -5G>A and -8G>A polymo phisms was es ima ed, h ough a s udy o mic osa elli es in adjacen egions o he TPI gene, co esponding o he age o ~20 000 yea s and ~14 000 yea s, espec i ely. Biochemically, -8G>A polymo phism may be associa ed wi h cellula accumula ion o cy o oxic me hylglyoxal, a po en inhibi o o pa asi e p oli e a ion. ii ABREVIATURAS AGEs P odu os a ançados de glicação AgNO3 Ni a o de p a a Ass In eção malá ica assin omá ica ATN1 P o eína a o ina 1 ATP Adenosina- i os a o BSA Albumina de so o bo ino CD Clus e o di e en ia ion CEIHMT Conselho de É ica do IHMT CPE Cap p oximal elemen CR E y h ocy e – complemen ecep o CS P o eínas ci cum-espo ozoí icas DHA Dihid oxiace ona não os o ilada DHAP Fos a o de dihid oxiace ona DNA Ácido desoxi ibonucleico dNTP 3’- deoxinucleósido - 5’- i os a os DRPLA A o ia den a o ub al-pallidoluysian EBA E y h ocy e-binding an igen EDTA Ácido e ilenodiamino e a-acé ico EIR Taxa de inoculação en omológica G In eção malá ica g a e G3P Glice aldeído-3- os a o G3PD Glice aldeído-3- os a o-desid ogenase G6PD Glucose-6- os a o-desid ogenase g.l. G aus de libe dade GSH Glu a iona H0 Hipó ese nula H1 Hipó ese al e na i a Hb Hemoglobina iii HBF Hemoglobina e al He He e ozigo ia espe ada HK Hexocinase Ho He e ozigo ia obse ada HWE Equilíb io de Ha dy-Weinbe g IC50 Concen ação necessá ia pa a a ingi 50% de inibição IC95% In e alo de con iança a 95% IgM Imunoglobulina M IgG Imunoglobulina G IHMT Ins i u o de Higiene e Medicina T opical LDH Lac a o desid ogenase MG Me ilglioxal MgCl2 Clo e o de magnésio NADP Nico inamida adenina dinucleó ido os a o NADPH Nico inamida adenina dinucleó ido os a o eduzido NG In eção malá ica não-g a e OMS O ganização Mundial de Saúde OR Odds a io P. Plasmodium P P obabilidade (P- alue) pb Pa es de bases PCR Polyme ase chain eac ion PCR-RFLP PCR - Res ic ion F agmen Leng h Polymo phism PCR-SSCP PCR- Single-S and Con o ma ional Polymo phism P AQP Aquaglice opo ina de P. alcipa um P EMP P. alcipa um E y ocy e Memb ane P o ein PFK Fos o u ocinase P GAPDH Enzima GAPDH de P. alcipa um PGI Fos oglicose isome ase PGK Fos oglice a o cinase PGM Fos oglice a o mu ase PK Pi u a o cinase x Figu aVI.2: Fo mação, ea i idade e des oxi icação do me ilglioxal em e i óci os pa asi ados. ..................................................................................................................... 69 x i ÍNDICE DE TABELAS Tabela I.1: Ca ac e ís icas das espécies de Plasmodium sp. causado as de malá ia em humanos ............................................................................................................................ 3 Tabela I.2: Fa o es que in luenciam o quad o clínico obse ado na in eção malá ica ... 9 Tabela I.3: Classi icação de endemicidade ................................................................... 12 Tabela I.4: Polimo ismos e i oci á ios associados à p o eção con a a in eção malá ica g a e. ............................................................................................................................... 16 Tabela I.5: Classes da de iciência em G6PD ................................................................. 19 Tabela I.6: Polimo ismos desc i os no gene TPI ......................................................... 24 Tabela II.1: Mis u a de eação pa a ampli icação da egião p omo o a do gene TPI ... 33 Tabela II.2: Condições de ampli icação da egião p omo o a do gene TPI .................. 34 Tabela II.3: Composição da mis u a de eação pa a a es ição enzimá ica com TseI e MscI ................................................................................................................................ 34 Tabela II.4: Composição da mis u a de eação pa a a es ição enzimá ica com S cI .. 35 Tabela II.5: Condições da diges ão enzimá ica das enzimas TseI, MscI e S cI e espe i os amanhos dos agmen os espe ados .............................................................. 35 Tabela II.6: Mis u a de eação pa a ampli icação da egião con endo a mu ação Glu104Asp do gene TPI ................................................................................................. 36 Tabela II.7: Condições de ampli icação da egião con endo a mu ação Glu104Asp do gene TPI .......................................................................................................................... 36 Tabela II.8: Composição da mis u a de eação pa a a es ição enzimá ica com DdeI . 36 Tabela II.9: Condições da diges ão enzimá ica da enzima DdeI, e espe i os amanhos dos agmen os espe ados ............................................................................................... 37 x ii Tabela II.10: Oligonucleó idos especí icos usados pa a a ampli icação dos á ios agmen os do gene TPI, amanho dos agmen os ampli icados e empe a u a de hib idação no PCR .......................................................................................................... 38 Tabela II.11: Mis u a de eação pa a ampli icação dos agmen os especí icos do gene TPI .................................................................................................................................. 39 Tabela II.12: Condição da ele o o ese da eação de SSCP, consoan e o agmen o a analisa ............................................................................................................................ 39 Tabela II.13: Ca ac e ís icas dos STRs em es udo ........................................................ 40 Tabela II.14: Oligonucleó idos especí icos pa a cada STR e espec i as empe a u as de hib idização ................................................................................................................ 41 Tabela II.15: Condições da eação de PCR, u ilizando o ki Mul iplex PCR Qiagen ... 41 Tabela II.16: Exemplo de uma abela 2  2 usada no cálculo do odds a io. ................. 45 Tabela III.1: Ca ac e ís icas dos SNPs analisados nes e es udo p esen es no gene TPI ....................................................................................................................................... .47 Tabela III.2: Dis ibuição geno ípica das a ian es do p omo o da TPI na amos a o al e nos á ios g upos clínicos de malá ia .......................................................................... 48 Tabela III.3: F equências alélicas dos SNPs em es udo no gene TPI em doen es de malá ia ............................................................................................................................ 52 Tabela III.4: F equências haplo ípicas en e os SNPs em es udo no gene TPI em doen es de malá ia .......................................................................................................... 53 Tabela III.5: Desequilíb io de linkage en e os SNPs es udados nos di e en es g upos clínicos de malá ia .......................................................................................................... 53 Tabela III.6: Hapló ipos, ge ados pela associação do mic ossa éli e (CTTTT)n e os polimo ismos -5 e -8 da egião p omo o a do gene TPI e espe i as equências absolu as. ......................................................................................................................... 54 Tabela III.7: Hapló ipos, ge ados pela associação do mic ossa éli e (CAG)n e os polimo ismos -5 e -8 da egião p omo o a do gene TPI e espe i as equências absolu as .......................................................................................................................... 55 x iii Tabela III.8: Hapló ipos, ge ados pela associação do mic ossa éli e (CTA)n e os polimo ismos -5 e -8 da egião p omo o a do gene TPI e espe i as equências absolu as. ......................................................................................................................... 56 Tabela III.9: Desequilíb io de linkage en e SNPs e STRs nos di e en es g upos clínicos de malá ia .......................................................................................................... 57 Tabela III.10: Es udo da di e sidade gené ica de cada mic ossa éli e a a és do alo de equilíb io de Ha dy-Weinbe g e espe i os alo es de he e ozigo ia obse ada e espe ada .......................................................................................................................... 57 Tabela III.11: An iguidade es imada pa a os polimo ismos -5 e -8 (nos backg ounds -5A-8G e -5G-8G) e espe i os des ios-pad ão, com base na a iação acumulada pa a cada mic ossa éli e (CTTTT)n e (CAG)n, e a média en e es as idades calculadas em ge ações e anos. Foi conside ado o alo de 25 anos po ge ação. ................................. 58 1 I - INTRODUÇÃO In odução ____________________________________________________________________________________ 2 1. Malá ia 1.1 Con ex ualização Também conhecida como paludismo, es a pa ologia já emon a à e a p é-C is ã, endo sido p imei amen e ci ada po Hipóc a es que desc e eu alguns sin omas. No en an o, oi somen e no início do século XIX que o e mo malá ia e e o igem. A malá ia em sido a doença in eciosa com maio impac o na his ó ia mundial, pois, com exceção da ube culose, a malá ia ma a mais do que qualque ou a doença ansmissí el no Mundo. Segundo o ela ó io da O ganização Mundial de Saúde (OMS) (WHO, 2011), que eúne dados de 106 países onde a malá ia é endémica (99 países ou á eas onde oco e ansmissão de malá ia e 7 países que se encon am na ase de p e enção da ein odução), em 2010 o am es imados 216 milhões de casos em odo o Mundo, dos quais 655 000 esul a am em óbi os, p incipalmen e no con inen e A icano (91%), seguindo-se o sudoes e Asiá ico (6%) e a egião do Medi e âneo O ien al (3%), a e ando sob e udo c ianças com idade in e io a 5 anos (86%). 1.2 De inição A malá ia é uma pa asi ose causada po p o ozoá ios unicelula es do géne o Plasmodium, ansmi idos po êmeas do mosqui o Anopheles sp.. É ca ac e izada po um quad o eb il de pad ão pa oxís ico e in e mi en e, cujo desen ol imen o em humanos depende da espécie do pa asi a e es i pe in e an e, da idade, do es ado imuni á io, e da cons i uição gené ica e nu icional do indi íduo a e ado (Mendis, e al., 2001; Ne es, e al., 2005). 1.3 Agen e e iológico Os pa asi as causado es de malá ia pe encem ao Filo Apicomplexa, Classe Haema ozoea, O dem Haemospo ida, Família Plasmodiidae e Géne o Plasmodium (Chiodini, e al., 2001). Du an e ce ca de 80 anos apenas qua o espécies de Plasmodium o am conside adas capazes de in e a humanos: Plasmodium alcipa um (Welch, 1898), Plasmodium i ax (G assi e File i, 1889), Plasmodium o ale (S ephens, 1922) e Plasmodium mala iae (La e an, 1881). Po ém, ecen emen e oi econhecida uma quin a espécie causado a de malá ia nos humanos, Plasmodium knowlesi (Sin on e In odução ____________________________________________________________________________________ 3 Mulligan, 1933), que e a an e io men e associada p incipalmen e à in eção em macacos (Kan ele, e al, 2011 e Dhangadamajhi, e al., 2010). Cada espécie ap esen a uma dis ibuição geog á ica e pa ogénese singula (Tabela I.1), sendo as espécies P. alcipa um e, numa dimensão mui o meno , P. i ax (Mendis, e al., 2001) as p incipais esponsá eis pelos casos de doença e de mo e po malá ia. Tabela I.1: Ca ac e ís icas das espécies de Plasmodium sp. causado as de malá ia em humanos (adap ado de Kan ele, e al., 2011). 1.3.1 Ciclo biológico do pa asi a Plasmodium sp. Biologicamen e, as espécies de Plasmodium sp. são simila es, ap esen ando no seu ciclo biológico duas ases: assexual ou esquizógonica e sexual ou espo ogónica (Figu a I.1). A ase assexual desen ol e-se em humanos, p imei o no ígado ( ase exo- e i oci á ia) e depois nos e i óci os ci culan es ( ase e i oci á ia). A ase sexual oco e no mosqui o (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). Ca ac e ís icas Plasmodium alcipa um Plasmodium knowlesi Plasmodium i ax Plasmodium o ale Plasmodium mala iae Dis ibuição, incidência na á ea endémica (%) Global, mais comum no con inen e A icano (80-90) Malásia e zonas adjacen es (1-60) Maio i a iamen e na Ásia (50-80) Con inen e A icano (5-8) Global (0,5-3) Pa asi émia Pode se ele ada Pode se ele ada < 2% < 2% < 2% Risco de ida Sim Sim Sim Não Não Ciclo de eb e (dias) 2 1 2 2 3 In ec a e i óci os Todos Todos Re iculóci os Re iculóci os E i óci os ma u os Hipnozoí os no ígado Não P o a elmen e não Sim Sim Não In odução ____________________________________________________________________________________ 4 Hospedei o e eb ado – Humano Fase exo-e i oci á ia A in eção inicia-se du an e uma e eição sanguínea de êmeas de Anopheles in e adas em humano, inoculando des a o ma espo ozoí os in e an es (ce ca de 15 a 200 po e eição sanguínea) que a ingem a ci culação sanguínea em poucos minu os. Desp o idos de cílios ou lagelos, os espo ozoí os mo imen am-se a é ao ígado, a a és da eo ien ação de p o eínas à supe ície do pa asi a, nomeadamen e as p o eínas ci cum-espo ozoí icas (CS) e a p o eína adesi a elacionada com a ombospondina (TRAP), essenciais pa a a in asão das células hospedei as. Após in adi o hepa óci o, os espo ozoí os di e enciam-se em o ozoí os p é-e i oci á ios que se ão mul iplica po ep odução assexuada do ipo esquizogónica, o iginando esquizon es eciduais e pos e io men e milha es de me ozoí os que in adi ão os e i óci os (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). A ma u ação nos hepa óci os eque 5 a 7 dias pa a P. alcipa um, e cada espo ozoí o p oduz ce ca de 40 000 me ozoí os. Pa a P. i ax, es es alo es são 6 a 8 dias e 10 000 me ozoí os; pa a P. o ale, 9 dias e 15 000 me ozoí os; e pa a P. mala iae, 12 a 16 dias e 2000 me ozoí os. Nas in eções po P. i ax e P. o ale, o mosqui o e o inocula ambém populações gene icamen e dis in as de espo ozoí os (Despommie , e al., 2005), que não iniciam imedia amen e o seu desen ol imen o exo-e i ocí ico no ígado e pe manecem em es ado de la ência no hepa óci o, sendo po isso denominadas hipnozoí os (do g ego hypnos, sono) (Ne es, e al., 2005). O enómeno de eincidência ou elapso de ce as malá ias, após pe íodos a iá eis de incubação, é de ido à esquizogonia a dia dos hipnozoí os no in e io dos hepa óci os, podendo es es pe manece quiescen es no ígado po um pe íodo de ap oximadamen e 5 anos. (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). As espécies P. alcipa um e P. mala iae não desen ol em hipnozoí os, como al não ap esen am eincidências. No en an o, P. alcipa um pode ec udesce po 1 a 2 anos a a és da con inuação da ase e i ocí ica, cujos pe íodos pe manecem subclínicos e assin omá icos; pa a P. mala iae es e pe íodo pode es ende -se po 30 anos ou mais (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). In odução ____________________________________________________________________________________ 5 Fase e i oci á ia Quando os me ozoí os são libe ados dos esquizon es hepá icos, chegam à co en e sanguínea, in adem os e i óci os e iniciam a ase e i oci á ia da in eção. A in e ação dos me ozoí os com o e i óci o en ol e uma sequência complexa de acon ecimen os que começa no econhecimen o de ece o es especí icos p esen es na memb ana e i oci á ia. Pa a P. alcipa um, o p incipal ece o são as glico o inas e pa a P. i ax, a glicop o eína do g upo sanguíneo Du y. Além disso, P. i ax in ade apenas e iculóci os, enquan o P. alcipa um in ade hemácias de odas as idades. Já P. mala iae in ade p e e encialmen e hemácias madu as. Es as ca ac e ís icas êm implicações di e as sob e as pa asi émias e i icadas nas in eções causadas pelas di e en es espécies de plasmódios (Tabela I.1). Uma ez no in e io da célula, o pa asi a começa po se di e encia . P imei o, o mando o ozoí os em o ma de anel ( o ozoí os jo ens) e, pos e io men e, o ozoí os ma u os. Seguidamen e, o desen ol imen o in a-e i ocí ico do pa asi a oco e po esquizogonia, o mando esquizon es compos os de me ozoí os. Es e es adio e mina na u u a dos e i óci os e consequen e libe ação de me ozoí os pa a a co en e sanguínea, que in adi ão no os e i óci os. A ase e i oci á ia do ciclo do Plasmodium é ipicamen e sínc ona e pe iódica. As espécies P. alcipa um, P. i ax e P. o ale comple am o p ocesso de in asão do e i óci o po me ozoí os a é à sua u u a, a cada 48 ho as, obse ando-se uma pe iocidade “ e çã”. Plasmodium mala iae p oduz uma malá ia “qua ã”, que eque 72 ho as pa a comple a o seu ciclo, e P. knowlesi pa ece ap esen a uma pe iocidade diá ia (Dhangadamajhi, e al., 2010). Nem odos os me ozoí os são subme idos à di isão assexual, po quan o, depois de algumas ge ações, oco e a di e enciação em es adios sexuados, os game óci os, que p osseguem o seu desen ol imen o no mosqui o e o (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). Hospedei o in e eb ado – Mosqui o Du an e a e eição sanguínea, a êmea Anopheles inge e as o mas sanguíneas do pa asi a, mas somen e os game óci os são capazes de e olui no inse o, iniciando o ciclo espo ogónico. É no in es ino médio do mosqui o que o pa asi a encon a as condições In odução ____________________________________________________________________________________ 6 necessá ias à game ogénese, onde o game óci o eminino o igina um mac ogâme a e o game óci o masculino, po ex lagelação, dá o igem a oi o mic ogâme as, em que cada um deles pode e en ualmen e e iliza um mac ogâme a, o mando o o o ou zigo o ( o ma diplóide). Após a ecundação, es e so e meiose e di e enciação, o iginando um oocine o mó el, que in ade a pa ede do in es ino médio a é à camada epi elial, onde enquis a o mando o oocis o. Inicia-se o p ocesso de di isão espo ogónica, o mando espo ozoí os, que após alguns dias p o ocam a u u a da pa ede do oocis o, sendo disseminados po odo o co po do inse o a a és da hemolin a a é a ingi as glândulas sali a es. Des a o ma, quando o mosqui o êmea e e ua uma no a e eição sanguínea, jun amen e com a sali a se ão inje ados, no no o hospedei o, espo ozoí os in e an es, iniciando um no o ciclo (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). A ansmissão na u al da malá ia ao homem oco e quando êmeas de Anopheles in e adas, com espo ozoí os nas suas glândulas sali a es, e e uam uma e eição sanguínea capaz de inocula es as o mas in e an es ( e secção I.1.3.1). Na úl ima década, em me ecido especial a enção a ansmissão congéni a / ansmissão ansplacen á ia, de inida, segundo Uneke, (2011), pela p esença de o mas assexuadas do pa asi a em es egaços sanguíneos do co dão umbilical ob ido du an e o pa o, ou do sangue pe i é ico do bebé nos p imei os se e dias de ida, independen emen e do quad o clínico; uma ez que a g a idez es á implicada na dep essão da espos a imune, é um ac o de isco subs ancial pa a a mãe, o e o e o ecém-nascido. Es ima-se que, na egião subsa iana de Á ica, a malá ia a e e 24 milhões de mulhe es g á idas e po ano oco am, na globalidade, 75 000 a 200 000 mil óbi os de c ianças in e adas du an e a g a idez. A ansmissão des a in eção, apesa de pouco equen e, ambém pode oco e aciden almen e, po ans usão sanguínea, ansplan ação, pa ilha de se ingas con aminadas en e oxicodependen es e em aciden es nosocomiais e labo a o iais (Despommie , e al., 2005; Ne es, e al., 2005 e Ba oloni, e al., 2012). In odução ____________________________________________________________________________________ 13 Na in eção po P. i ax e P. o ale, o ciclo esquizogónico começa a se sinc ónico após 5 a 7 dias, causando pe iódicos pa oxismos eb is. O pa oxismo clássico da malá ia ap esen a ês ases: cala ios, eb e e exaus ão. A p imei a ase esul a do enómeno de in ensa asocons ição pe i é ica, causando a sensação de io ex emo no doen e du an e 10 a 15 minu os. Logo após es e pe íodo, a empe a u a começa a aumen a g adualmen e a é a ingi um pico de eb e, ge almen e, en e os 39 a 41ºC, iniciando a ase eb il que se man ém po um pe íodo de 2 a 6 ho as. A úl ima ase, com uma du ação de 2 a 3 ho as, é ca ac e izada pela de e escência da eb e com sin omas de dia o ese e aqueza in ensa (Despommie , e al., 2005 e Ne es, e al., 2005). O pa oxismo eb il comple o, nas in eções po P. i ax e P. o ale, oco e a cada ês dias (malá ia e çã), consequência da pe iocidade do ciclo esquizogónico a cada 48 ho as. Quan o à in eção po P. mala iae, es a ap esen a um pa oxismo eb il ipicamen e sepa ado po 72 ho as (malá ia qua ã). Numa in eção po P. alcipa um, a eb e em início nos úl imos dias do pe íodo de incubação (en e 9 a 14 dias). As c ises eb is podem se , nes e caso, in e mi en es ou con ínuas, não mani es ando sinais de pe iocidade a é que a doença pe du e po uma semana ou mais. Quando oco e um pa oxismo eb il, pode se diá io, a cada ês dias (malá ia e çã) ou com in e alos de 36 ho as (malá ia sub e çã). Os sin omas p od ómicos pe sis em e aumen am com a in eção, obse ando-se ambém ano exia e sin omas gas oin es inais. Também se obse am sinais ísicos não-especí icos como hepa oesplenomegalia, hipo ensão o os á ica e indícios de ic e ícia (Ba oloni, e al., 2012 e Ca e , e al., 2002). Embo a os ciclos e olu i os das espécies causado as sejam simila es, do pon o de is a pa ológico a in eção malá ica ap esen a di e enciações que podem de e mina as a iações na e olução clínica da doença. Em indi íduos não-imunes, a in eção po P. alcipa um é a que ge almen e ap esen a o mas mais g a es da doença, ca ac e izada pelo acome imen o e dis unção de á ios ó gãos e sis emas: ne oso cen al, hema opoié ico, espi a ó io, ci cula ó io, enal e dis unções hepá icas (Ba oloni, e al., 2012 e Ca e , e al., 2002). Assim, embo a a eb e seja um sin oma c ucial da in eção, independen emen e da espécie de Plasmodium, os sinais clínicos são di e sos e ap esen am di e en es g aus In odução ____________________________________________________________________________________ 14 de g a idade, podendo a ia en e uma le e ce aleia a se e as complicações, le ando à mo e pa icula men e na in eção po P. alcipa um. O diagnós ico p ecoce e um a amen o adequado são de e minan es na p e enção da mo bilidade e i á el e consequências a ais. A ausência de pa âme os clínicos especí icos que pe mi am con i ma a in eção jus i ica a necessidade de mé odos labo a o iais pa a o diagnós ico da malá ia (Ba oloni, e al., 2012 e Ne es, e al., 2005). 1.5.1.1 In eção malá ica assin omá ica (Ass) Segundo a OMS, é classi icada como assin omá ica uma in eção malá ica que ap esen e pa asi émia con i mada labo a o ialmen e (no p esen e abalho, esul ado posi i o após de eção po PCR) pa a qualque espécie de Plasmodium, com ausência e sem his ó ia ecen e de eb e e de ou os sin omas indicado es de malá ia (WHO, 2007). Apesa de se ele ada a quan idade de es udos sob e a g a idade clínica da doença, as in eções assin omá icas de malá ia não es ão ainda bem comp eendidas. O maio obs áculo no es udo des as in eções é a ca ência de um c i é io de diagnós ico pad onizado. O diagnós ico des as in eções pode acon ece du an e o pe íodo p é- sin omá ico da in eção, ase que an ecede o apa ecimen o de pa asi émia no sangue e de mani es ações clínicas. Po ou o lado, podem oco e ambém diagnós icos que não con emplam a his ó ia clínica do doen e, endo es e ap esen ado sin omas du an e um b e e pe íodo de empo, mas que pos e io men e o am sup imidos, an o os sin omas como a pa asi émia, pela medicação p esc i a. Es as duas si uações comp ome em um co e o diagnós ico, que apenas é solucionado pela inclusão de ou os c i é ios, obse ados em alguns es udos, como o acompanhamen o longi udinal do doen e, c ucial pa a di e encia in eções que apa en am se assin omá icas du an e a de eção, mas podem o na -se sin omá icas pos e io men e; e a quan i icação pa asi á ia, que ambém é necessá ia, pois ce ca de 2/3 dos diagnós icos nega i os po mic oscópia pa a es a in eção ap esen am ní eis sub-pa en es de pa asi émia diagnos icados po PCR (Bo ius, e al., 1996 e Laish am, e al., 2012). Es es mé odos de diagnós ico en ol em uma logís ica complexa, an o ao ní el de ecu sos humanos como em e mos mone á ios, o que os o na imp a icá eis na maio ia das egiões endémicas pa a a malá ia. Pa adoxalmen e, o diagnós ico e o a amen o des as in eções são de ex ema impo ância, pois êm sido e e idas como um In odução ____________________________________________________________________________________ 15 g ande obs áculo à eliminação da malá ia, uma ez que es es doen es são conside ados ese a ó ios silenciosos. 1.5.1.2 In eção malá ica não – g a e (NG) Conside a-se uma in eção não-g a e quando o doen e ap esen a pa asi émia (no p esen e abalho, esul ado posi i o após de eção po PCR) pa a qualque espécie de Plasmodium, eb e ( empe a u a axila  37,5ºC) e um ní el de hemoglobina de Hb>5 g/dL. 1.5.1.3 In eção malá ica g a e (G) Os c i é ios que de inem a malá ia-g a e são: pa asi émia pa a qualque espécie de Plasmodium (no p esen e abalho, esul ado posi i o após de eção po PCR), eb e ( empe a u a axila  37,5ºC), o ní el de hemoglobina de Hb  5 g/dL e/ou ou os sin omas, al como coma, p os ação ou con ulsões (WHO, 2000). 1.6 Fa o es do hospedei o associados à susce ibilidade / esis ência à in eção Em e mos e olu i os, a malá ia é um enómeno ecen e com ce ca de 10 000 anos, e os mecanismos que a o ecem a sob e i ência de uns indi íduos e o desen ol imen o de in eções malá icas po encialmen e le ais nou os é uma ques ão que em me ecido impo an e ele ância na in es igação cien í ica (Du and, e al., 2008). O g ande impac o a ní el mundial que a malá ia omen a, nomeadamen e em e mos de mo bilidade, e de mo alidade in an il, em le ado a comunidade cien í ica a explo a a elação en e a p o eção con a a malá ia ou os seus sin omas e as condições de he edi a iedade. Es a associação e idenciou a malá ia como uma impo an e o ça sele i a no genoma humano, esul ando na seleção na u al de nume osos polimo ismos gené icos (Tabela I.4), como as hemoglobinopa ias, as alassémias, o an igénio Du y, o sis ema ABO e as enzimopa ias: de iciência em glucose-6- os a o-desid ogenase (G6PD) e a mais ecen emen e es udada, de iciência em pi u a o cinase (PK). Es as a ian es gené icas, em homozigo ia, aca e am ou as doenças, o que pode ia des a o ece a sua seleção na e olução humana, endo sido esse e ei o con a iado pela ação da malá ia, exe cendo uma seleção posi i a balanceado a (Du and, e al., 2008, Min-Oo, e al., 2005 e Dhangadamajhi, e al., 2010). In odução ____________________________________________________________________________________ 16 Tabela I.4: Polimo ismos e i oci á ios associados à p o eção con a a in eção malá ica g a e (adap ado de Dhangadamajhi, e al., 2010). Va ian es gené icas Mecanismos de p o eção Re e ências P o eínas memb ana es An igénio Du y E i óci os Du y-nega i os, inibem a junção apical impossibili ando a in asão de P. i ax e P. knowlesi. Ge o, e al., (1994) De iciência em glico o ina C P o eção con a a in asão pa asi á ia. A glico o ina C medeia a ligação do ligando EBA-140 de P. alcipa um ao e i óci o, sendo es a junção anulada pela deleção. Maie , e al., (2003) e Williams, (2006) P o eína banda 3 Resis ência à in asão do pa asi a. Aumen a a adesão dos o alóci os (e i óci os o ais) in e ados po P. alcipa um ao CD36, eduzindo assim a in e ação neu o ascula dos e i óci os in e ados no cé eb o. Williams, (2006) P o eínas CR Nos e i óci os de icien es em p o eínas CR é eduzida a capacidade de P. alcipa um na o mação de ose as. S ou e, (2005) Sis ema ABO Indi íduos do g upo sanguíneo O não ap esen am a glico an e ase e minal, o que p e ine a o mação de ose as. F y, e al., (2008) Enzimopa ias De iciência em G6PD Po encia a agoci ose dos e i óci os in e ados num es ado p ecoce do desen ol imen o pa asi á io esul an e dos danos oxida i os mani es ados nas células de icien es em G6PD. Cappellini, e al., (2008) De iciência em PK Reduz a axa de eplicação pa asi á ia nos e i óci os e p omo e a agoci ose. Ayi, e al., (2008) Hemoglobinopa ias HbS Aumen a a de o midade dos e i óci os pa asi ados e p omo e a emoção de células alci o mes pelo baço. Reduz a in asão e i oci á ia, po encia a agoci ose e inibe o c escimen o pa asi á io em condições de hipóxia nos mic o asos enosos. Al e ações no ligando P EMP-1 eduz a ci oade ência dos e i óci os pa asi ados. Desen ol e a imunidade ina a e adqui ida. Chole a, e al., (2008) e Wellems, e al., (2009) HbC Al e ações no ligando P EMP-1 eduz a ci oade ência dos e i óci os pa asi ados. Fai hu s , e al. (2005) HbE Uma ano malidade memb ana não iden i icada o na os e i óci os esis en es à in asão pa asi á ia. Oli ie i, e al., (2008) α- alassémia Reduz a exp essão de CR1, o ece o que medeia a ligação dos e i óci os não-pa asi ados aos pa asi ados, con e indo p o eção con a a in eção malá ica g a e. Aumen a a quan idade de mic oe i óci os em homozigó icos es au ando a quan idade de hemoglobina pe dida, concedendo p o eção con a a anemia g a e. Wellems, e al., (2009) In odução ____________________________________________________________________________________ 17 1.6.1 Enzimopa ias e i oci á ias Os e i óci os, du an e a sua ma u ação, pe dem o núcleo, as mi ocônd ias e os ibossomas, impossibili ando es as células de ealiza as ias me abólicas que en ol am es es o ganelos, como a os o ilação oxida i a e a sín ese p o eica. Assim, pa a assegu a em a in eg idade da memb ana plasmá ica e o es ado uncional da hemoglobina, possibili ando o anspo e adequado de oxigénio, es as células u ilizam um me abolismo dependen e das enzimas e i oci á ias, que ca alisam duas das p incipais cadeias me abólicas: a glicólise e a ia das pen ose- os a o (Figu a I.4). Uma de iciência enzimá ica em alguma des as ias pode comp ome e a p odução de ATP (adenosina- i os a o) e/ou de NADPH (nico inamida adenina dinucleó ido os a o eduzido), desencadeando al e ações ao ní el da memb ana plasmá ica com consequen e emoção celula (Jacobasch, e al., 1996, Çaki , e al., 2004 e Mohandas, e al., 2008). São á ias as enzimopa ias he edi á ias já ela adas nes as ias me abólicas, onde se pode obse a uma dispa idade de equências, a iando de aco do com a enzima a e ada e sob e udo com a dis ibuição geog á ica. As de iciências em G6PD e em PK são a p incipal causa de anemia hemolí ica não-es e ocí ica he edi á ia (Min-Oo, e al., Figu a I.4: Me abolismo da glucose no e i óci o HK, hexocinase; PGI, os oglicose isome ase; PFK, os o u ocinase; G6PD, glucose-6- os a o-desid ogenase; TPI, T iose os a o isome ase; G3PD, glice aldeído-3- os a o-desid ogenase; PGK, os oglice a o cinase; PGM, os oglice a o mu ase (adap ado de Zwe schke, e al., 2003). In odução ____________________________________________________________________________________ 18 2005; Cappellini, e al., 2008 e Ayi, e al., 2008) e, na li e a u a, êm sido associadas a um e en ual e ei o p o e o con a a malá ia (Jacobasch, G., e al., 1996), ap esen ando a de iciência em G6PD ele ada p e alência em Á ica. 1.6.1.1 Glucose-6-Fos a o-Desid ogenase (G6PD) A p imei a enzima da ia das pen ose- os a o é a G6PD, que ca alisa a oxidação da glucose-6- os a o a 6- os ogluconolac ona (Figu a I.4), com edução de NADP a NADPH, que pe mi e a egene ação da glu a iona (GSH). A glu a iona exe ce um papel impo an e na de esa an ioxidan e, pela edução de adicais e espécies ea i as de oxigénio, e pela manu enção da hemoglobina e ou as p o eínas do e i óci o no seu es ado eduzido. Qualque de iciência na p odução de NADPH pode aca e a g a es consequências na capacidade de espos a das células ao s ess oxida i o (Quin as, e al., 2008). A de iciência em G6PD, ambém denominada de a ismo, é a enzimopa ia mais comum, com mais de 400 milhões de indi íduos a e ados a ní el global. São epo adas ele adas p e alências em Á ica, Sul da Eu opa, Médio O ien e, Sudes e Asiá ico e no cen o e sul das ilhas do Pací ico. Recen emen e ambém o am egis adas ele adas p e alências na Amé ica do No e e do Sul e em algumas egiões da Eu opa do No e, de ido essencialmen e à ecen e mig ação (Sco o, 2010). Os sin omas dependem do g au da de iciência, mas a maio ia dos indi íduos são assin omá icos a é se em expos os a a o es causado es de s ess oxida i o, como á macos (incluindo alguns an imalá icos como a p imaquina), ce os alimen os (como a as, o iginando o e mo a ismo) ou in eções. Nes a si uação podem ap esen a um quad o de anemia hemolí ica e ic e ícia (Sco o, 2010 e Cappellini, e al., 2008). O gene que codi ica a G6PD encon a-se na egião c omossómica Xq28, é cons i uído po 13 exões e 12 in ões, em ap oximadamen e 20kb no o al, codi ica 515 aminoácidos e ap esen a uma egião p omo o a ica em CG (mais de 70%). O locus G6PD é al ez um dos loci mais polimó icos nos humanos, com ce ca de 400 a ian es alélicos já desc i os (Nkhoma, e al., 2009). Es as a ian es são ag upadas em cinco classes (Tabela I.5) baseadas na a i idade enzimá ica e nas mani es ações clínicas obse adas na de iciência em G6PD. Ce ca de 140 mu ações já o am epo adas, sendo na maio ia mu ações pon uais não-sinónimas. Es as a ian es ão in luencia o g au de de iciência enzimá ica e consequen emen e o quad o clínico do doen e. In odução ____________________________________________________________________________________ 19 Tabela I.5: Classes da de iciência em G6PD (adap ado de Cappellini, e al., 2008). Escalões De inição Classe I De iciência g a e, associada com anemia hemolí ica não-es e ocí ica c ónica Classe II De iciência g a e (1-10% da a i idade enzimá ica no mal), associada com anemia hemolí ica aguda Classe III De iciência mode ada (10-60% da a i idade enzimá ica no mal) Classe IV A i idade enzimá ica no mal (60-150%) Classe V Aumen o da a i idade enzimá ica (> 150%) A he edi a iedade des a pa ologia es á ligada ao c omossoma Xq28. Po conseguin e, sendo os homens hemizigó icos pa a o gene G6PD, pode ão ap esen a uma exp essão no mal ou de icien e des e gene, enquan o as mulhe es, ap esen ando duas cópias do gene, ge almen e p ecisam da homozigo ia dos alelos associados à de iciência pa a os en a uma exp essão de icien e. Se he e ozigó icas, as mulhe es exibem exp essão in e média do gene, de ido à ina i ação alea ó ia de um dos c omossomas X nas di e en es células (e ei o de mosaico gené ico) (Cappellini, e al., 2008). A a i idade enzimá ica no mal é con e ida pelo alelo ances al G6PD B, que ap esen a uma dis ibuição mundial, em con as e com as a ian es que causam a de iciência enzimá ica, ap esen ando uma dis ibuição geog á ica mais localizada. Em Á ica, exis em ês alelos polimó icos p incipais: o alelo ances al G6PD B, com uma equência de 60 a 80%; o alelo G6PD A, que es ando associado a uma a i idade enzimá ica de ce ca de 85% da a i idade enzimá ica no mal, a e a ce ca de 15 a 40% da população; e, po im, o alelo G6PD A-, que es ando associado a apenas 12% da a i idade enzimá ica no mal, em uma equência que a ia de 0 a 25%. A segunda a ian e alélica mais comum é a G6PD Med, encon ada nos países ci cundan es do Ma Medi e âneo, da Índia e da Indonésia, es ando associada a ce ca de 3% da a i idade enzimá ica no mal e cuja equência a ia en e 2 a 20%. No sudes e Asiá ico, oi obse ado ambém o alelo G6PD Mahidol que, associado a uma a i idade de 5 a 32% In odução ____________________________________________________________________________________ 20 da no mal, ap esen a uma p e alência de 24% (Hed ick, P., 2011 e Cappellini, e al., 2008). É no á el a simila idade en e a dis ibuição geog á ica da de iciência em G6PD e as á eas endémicas da in eção malá ica, o que suge e a hipó ese da edução da a i idade enzimá ica con e i p o eção pa cial con a a malá ia (Hed ick, 2011). Os mecanismos en ol idos nes a p o eção con a a malá ia em doen es de icien es em G6PD ainda não são o almen e comp eendidos. No en an o, sabe-se que e i óci os de indi íduos doen es são pa icula men e sensí eis ao s ess oxida i o e es a esis ência pa ece esidi no en aquecimen o da memb ana celula dos mesmos, com consequen e hemólise e agoci ose, o que conduz a que o pa asi a não consiga comple a o seu ciclo de ida e mul iplica -se (Quin as, e al., 2008; Hed ick, 2011; Ro h, e al., 1983 e Cappado o, e al., 1998). Es udos epidemiológicos ambém o am le ados a cabo na en a i a de comp eensão da “hipó ese malá ia/G6PD”, no en an o não êm sido consis en es. Um es udo ealizado na Gâmbia e no Quénia po Ruwende, e al. (1995), concluiu que a edução do isco de desen ol e malá ia g a e po P. alcipa um em homens hemizigó icos (G6PD A-) oi de 58%, enquan o que nas mulhe es he e ozigó icas (G6PD BA-) oi de 46%. Já na egião do Mali, Guindo e al. (2007) obse ou uma diminuição do isco de desen ol e malá ia g a e de 58% pa a homens hemizigó icos (G6PD A-), enquan o nas mulhe es he e ozigó icas (G6PD BA-) não obse ou qualque e ei o p o e o . Aumen ando es a con o é sia de esul ados, Johnson, e al. (2009) e e ua am um es udo na população do Uganda onde demons a am a ausência de um e ei o p o e o em homens hemizigó icos e em mulhe es he e ozigó icas, associando alguma p o eção con a a malá ia apenas nas mulhe es homozigó icas de icien es (G6PD A-A-). A in es igação ao ní el da da ação de a ian es des a de iciência em e idenciado a hipó ese de ambos os pa asi as, P. alcipa um e P. i ax, isolados ou em conjun o desencadea am a seleção des a de iciência na população A icana (Ca e , e al., 2002 e Leslie, e al., 2010). 1.6.1.2 Pi u a o Cinase (PK) A enzima pi u a o cinase ca alisa o úl imo passo da cadeia glicolí ica, uma eação de des os o ilação- os o ilação que con e e os oenolpi u a o em pi u a o e In odução ____________________________________________________________________________________ 21 ATP (Figu a I.4). O con olo da a i idade des a enzima é de g ande impo ância de ido ao papel cen al que desempenha no me abolismo ge al da célula, nomeadamen e nos ajus es à elocidade a que deco e a glicólise. As a ian es pa ogénicas da enzima al e am a sua con o mação, po modi icação do local de ligação do subs a o, ou a a és do con ac o en e subunidades, diminuindo assim a a i idade enzimá ica e o luxo da ia glicolí ica. Des a o ma, diminui a sín ese de ATP, p incipalmen e nos e i óci os (que dependem exclusi amen e des a ia me abólica pa a ob e ATP), causando a sua lise (Quin as, e al., 2008). A de iciência em PK ap esen a uma dis ibuição cosmopoli a e é conside ada a enzimopa ia glicolí ica mais comum. É uma doença au ossómica ecessi a, ca ac e izada po um quad o clínico de anemia hemolí ica não-es e ocí ica, de g a idade a iá el, sendo necessá ia, na o ma mais se e a, a ans usão sanguínea logo à nascença (Ayi, e al., 2008). Na composição genómica dos mamí e os es ão englobados dois genes dis in os da PK, PKLR e PKM, que o iginam qua o isoenzimas, PKL, PKR, PKM1 e PKM2, exp essas em ecidos di e en es, dependendo da ação dos p omo o es especí icos de cada ecido (Zanella, e al., 2007). O gene PKLR p esen e no c omossoma 1q21 codi ica as isoenzimas PKL e PKR. PKL é exp essa no ígado, in es ino delgado e có ex enal, enquan o que PKR é exp essa exclusi amen e po e i óci os. PKM1 encon a-se no co ação, cé eb o e músculo-esquelé ico, e PKM2 es á p esen e nas células e ais e em ecidos umo ais (Min-Oo, e al., 2005 e Ch is o k, e al., 2008). O gene PKLR, com ap oximadamen e 8,6kb, é compos o po 12 exões e 11 in ões, ap esen ando o exão 1 e 2 especi icidade pa a as isoenzimas PKR e PKL, espe i amen e, sendo os es an es exões pa ilhados (Jacobasch, e al., 1996). Exis em mais de 180 mu ações desc i as no gene humano PKL e os sin omas clínicos apa ecem nos indi íduos homozigó icos ou he e ozigó icos compos os pa a o alelo mu ado. A equência des a pa ologia é al amen e a iá el. Es udos de p e alência ealizados na Amé ica do No e, na Eu opa e em algumas egiões da Ásia obse a am que a p e alência de he e ozigó icos a ia en e de 1% a 3,6% nes as egiões. Um es udo ealizado em A oame icanos suge e que a equência de he e ozigó icos é 2,4 ezes mais comum em A icanos do que em Caucasianos (Du and, e al., 2008). In odução ____________________________________________________________________________________ 22 Es udos gené icos in i o iden i ica am a de iciência em PK no modelo mu ino, como indu o a de p o eção con a a malá ia (Min-Oo, e al., 2003), podendo es e enómeno es ende -se aos humanos. Du and, e al. (2008) demos a am que e i óci os humanos de icien es em PK são esis en es à in eção malá ica po P. alcipa um in i o, apoiando assim os esul ados ob idos in i o em modelo mu ino. Os mecanismos en ol idos nes e e ei o p o e o são ainda desconhecidos, no en an o são suge idas algumas hipó eses, baseadas na depleção de ATP celula . A diminuição de ATP na célula induz o c oss-linking das p o eínas memb ana es (Palek, e al., 1978), comp ome endo a in asão, eplicação e saída do pa asi a. Um es udo populacional, en ol endo a pesquisa de assina u as de seleção da malá ia no gene PKLR, em duas populações A icanas de Angola e Moçambique, suge e que a p essão sele i a da malá ia es á a a ua nes a egião genómica, eo ia supo ada, en e ou os sinais, po um signi ica i o desequilíb io de linkage des a egião em indi íduos com in eção malá ica não-g a e (Machado, e al., 2010; Machado, e al., In p ess), apoiando assim, os esul ados an e io es. Embo a exis am e idências que a o ecem a hipó ese associa i a des a pa ologia com a malá ia de ido a uma p essão sele i a, são necessá ios es udos adicionais, gené icos e epidemiológicos, que pe mi am elucida es a possibilidade (Manco, e al., 2001; Min-Oo, e al., 2008; Machado, e al., 2010). 2. T iose os a o isome ase (TPI) 2.1 Gene O gene TPI localiza-se na egião c omossómica 12p13 com um amanho molecula o al de 3,5kb. A sequência uncional do gene es á di idida em 7 exões e 6 in ões, ap esen ando ambém, sem unção apa en e, 3 pseudogenes p ocessados, ausen es de in ões e in eg ados em loci c omossómicos di e en es (B own, e al., 1985). A egião p omo o a do gene é ex emamen e ica em GC (73%), sendo cons i uída po uma a ípica caixa TATA (5’-TATATAA-3’; -22 a -28) e um singula Cap p oximal elemen (CPE; -6 a -12) (B own, e al., 1985 e Boye , e al., 1990). 29 II - MATERIAIS E MÉTODOS Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 30 1. Á ea de es udo Nes e es udo o am u ilizadas amos as de sangue pe i é ico ecolhidas maio i a iamen e no Hospi al Cen al de Mapu o, e em meno núme o, na cidade de Manhiça, po busca a i a. Mapu o é a capi al de Moçambique, si uada no ex emo sul do país, ap esen a uma á ea de 346 77 km2 e em ap oximadamen e 1 094 315 de habi an es (Pe il Es a ís ico do Município de Mapu o, 2007-2008). Es a cidade ap esen a um clima opical e húmido, p opício à p opagação da malá ia, que a inge o seu pico de ansmissão após a época chu osa de dezemb o a ab il (Po al do Go e no de Moçambique e Documen o Es a égico pa a o Con olo da Malá ia em Moçambique, PNCM, Julho 2006-2009). Segundo o Minis é io da Saúde de Moçambique, a malá ia con inua a se o p incipal desa io pa a a saúde pública e pa a o desen ol imen o sus en á el do país, egis ando-se no pe íodo de janei o a junho de 2011 um o al de 2 065 618 casos de malá ia e 1266 óbi os (Bole im Epidemiológico Nº 2/2011, Minis é io da Saúde de Moçambique). Es a pa ologia é o p incipal mo i o de consul a ex e na (40%) e de in e namen o no se iço de pedia ia (60%), ap esen ando a p incipal causa de mo alidade nos hospi ais de Moçambique, ap oximadamen e 30% dos óbi os egis ados (Documen o Es a égico pa a o Con olo da Malá ia em Moçambique, PNCM, Julho 2006-2009). 2. Amos as Biológicas O DNA u ilizado nes e es udo p o ém de 112 amos as sanguíneas ecolhidas em Moçambique: 99 no pe íodo de se emb o a no emb o de 2008, no Hospi al Cen al de Mapu o e, as es an es 13 po Ma ques, e al. (2005) no dis i o de Manhiça nas épocas, seca (agos o, 2001) e húmida ( e e ei o, 2002). Es as amos as o am selecionadas de um conjun o de isolados po es a em ca ac e izadas pa a a p esença/ausência de in eção. Es e ensaio engloba apenas indi íduos in e ados, ag upados nos seguin es g upos clínicos: 92 amos as pediá icas (51 com in eção malá ica não-g a e e 41 com in eção malá ica g a e) comp eendendo a aixa e á ia dos 4 meses aos 7 anos de idade; Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 31 7 amos as do banco de sangue (indi íduos assin omá icos) e, 13 amos as ob idas po busca a i a (indi íduos assin omá icos), ab angendo odas as idades. Os g upos clínicos de malá ia g a e e não-g a e englobam apenas indi íduos in e ados com P. alcipa um e o g upo dos indi íduos assin omá icos ap esen a indi íduos in e ados po P. alcipa um (16 in eções simples e 3 in eções mis as: P. alcipa um + P. o ale, P. alcipa um + P. mala iae e, P. alcipa um + P. o ale + P. mala iae) e uma in eção po P. mala iae. 2.1 Colhei a e a mazenamen o das amos as O sangue pe i é ico oi ecolhido po punção digi al e conse ado em papel de il o Schleiche & Schuel, S&S903 pa a pos e io ex ação de DNA. 2.2 Ex ação de DNA O DNA ob ido des as amos as já es a a disponí el pa a es e es udo, endo sido p epa ado a a és de um p o ocolo de ex ação po enol-clo o ó mio. Dado que, no deco e dos á ios ensaios ealizados, algumas des as amos as deixa am de ap esen a quan idade su icien e pa a a conclusão do es udo, oi necessá io p ocede no amen e à ex ação do DNA a pa i do papel de il o a a és da écnica de enol/ enol- clo o ó mio desc i a po Snounou, e al. (1993). Es e p ocedimen o engloba 3 ases: lise, ex ação e p ecipi ação de DNA. Na ase de lise, eco ou-se uma go a de sangue do papel Schleiche & Schuel, S&S903 com uma esou a p e iamen e desin e ada com lixí ia e passada po água. Seguidamen e, colocou-se a mancha de sangue den o de um ubo ipo eppendo , de 1,5mL, de idamen e iden i icado, epe indo-se es es passos cuidadosamen e pa a cada amos a. A im de con ola e en uais con aminações in e -amos as, en e cada cinco, colocou-se um “b anco” – pedaço do mesmo papel de il o sem amos a, pa a o qual se seguiu exa amen e os mesmos p ocedimen os que pa a as es an es amos as. Pos e io men e, oi adicionado 1mL de PBS+Saponina (0,05%), subme e am-se os ubos a uma cen i ugação de 20 200g, du an e 10 minu os, e despe diçou-se o sob enadan e. Adicionou-se 1mL de PBS e ol ou a cen i uga -se os ubos a 20 200g, du an e 10 minu os, e i ou-se o sob enadan e e adicionou-se 30µL de ampão de lise e 75µL de P onase E (2mg/mL). Coloca am-se as amos as a 37ºC du an e a noi e. Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 32 A ase seguin e é a de ex ação de DNA, que se inicia com a adição de 300µL de água ul apu a e 500µL de enol equilib ado a cada ubo com pos e io cen i ugação de 20 200g, du an e 10 minu os. O sob enadan e é ecupe ado e adicionado a um no o ubo con endo 500µL de enol/clo o ó mio equilib ado, cen i ugando-se de seguida. Pa a inaliza , as amos as são subme idas à ase de p ecipi ação de DNA, e i ando-se o sob enadan e que é adicionado a um no o ubo con endo uma solução de 45µL de ace a o de sódio + 1mL de e anol absolu o; seguidamen e, deixam-se as amos as a -20ºC du an e a noi e. Consecu i amen e, são subme idas a uma cen i ugação de 20 200g du an e 15 minu os, ejei a-se o sob enadan e e adiciona-se 800µL de e anol a 80%. Após uma no a cen i ugação e ejeição do sob enadan e, o DNA oi seco numa es u a a 37ºC e pos e io men e eluído em 20µL de ampão TE, de modo a que ap oximadamen e 1l de solução de DNA co esponda a 5l de sangue o al. 2.3 Aspe os é icos Com espei o à pesquisa em Moçambique, a colhei a de isolados humanos oi ap o ada pelo Comi é de É ica local (Comi é Nacional de Bioé ica pa a a Saúde, Minis é io da Saúde de Moçambique, IRB 00002657, e . 226/CNBS/08) e pelo IHMT (Conselho de É ica do Ins i u o de Higiene e Medicina T opical, CEIHMT, 14-2011- PN). O plano de abalho po meno izado, os ques ioná ios e os o mulá ios de consen imen o in o mado o am subme idos aos Comi és de É ica das ins i uições en ol idas nes e es udo, endo sido ob ida a ap o ação da pesquisa. Cada indi íduo, assim como o pa en e/ u o das c ianças oi in o mado da na u eza e dos obje i os do es udo. Todos o am in o mados, po comunicação o al, da pa icipação olun á ia. Foi ob ido, po esc i o, de cada pessoa (ou pa en e/ u o ) o espe i o consen imen o in o mado. A colhei a de amos as sanguíneas seguiu igo osos equisi os es abelecidos pelos Comi és de É ica: oi u ilizado o olume exceden e das amos as de sangue, p e iamen e cole adas pa a o diagnós ico médico das c ianças assis idas no Depa amen o Pediá ico; no Banco de Sangue, du an e a doação de sangue, um pequeno olume oi colocado de pa e num ubo. Des a o ma, não oi necessá io uma colhei a ex a de sangue e o pacien e, a doação sanguínea e a o ina dos se iços de saúde não o am signi ica i amen e pe u bados. Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 33 3. Técnicas molecula es 3.1 Análise dos polimo ismos -5, -8 e -24 do p omo o da TPI 3.1.1 PCR-RFLP (PCR- Res ic ion F agmen Leng h Polymo phism) O p incípio des a écnica baseia-se na diges ão de um agmen o de DNA ampli icado po PCR (Polyme ase Chain Reac ion) com enzimas de es ição ou endonucleases, que ca alisam a cli agem do agmen o em egiões especí icas (zonas al o), de o ma a ob e um pad ão de bandas ca ac e ís ico, quando se subme e o p odu o des a diges ão à elec o o ese em gel de aga ose ou poliac ilamida. A pesquisa dos polimo ismos -5, -8 e -24 na egião p omo o a do gene TPI baseou-se no p ocedimen o de PCR-RFLP desc i o po Schneide , e al. (1998). 3.1.1.1 Reação de PCR Pa a ampli ica a egião p omo o a do gene TPI, u iliza am-se os oligonucleó idos: TPI-PROM F, 5’-GGCCATGGCGGAGGACGGCG-3’ e TPI-PROM R, 5’-GCCAGACCCCTCCTCGGCGA-3’, com a mis u a de eação e condições de ampli icação desc i as nas Tabelas II.1 e II.2, espe i amen e. Cada g upo de eações de ampli icação incluiu um con olo nega i o (sem DNA) e um con olo posi i o. Tabela II.1: Mis u a de eação pa a ampli icação da egião p omo o a do gene TPI. Reagen e Concen ação do s ock Concen ação da mis u a Volume po amos a (µL) Água 27,5 Tampão 5x 1x 10 MgCl2 25mM 3mM 6 dNTP 5mM 0,1mM 1 TPI-PROM F 2,5µM 0,08 µM 1,5 TPI-PROM R 2,5µM 0,08 µM 1,5 Taq 0,5 DNA 2 To al 50 Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 34 Tabela II.2: Condições de ampli icação da egião p omo o a do gene TPI. Fase Tempe a u a (ºC) Tempo Ciclos Desna u ação inicial 94 3min 1x Desna u ação 94 45seg 35x Hib idação dos Oligonucleó idos 62 45seg Ex ensão 72 45seg Ex ensão inal 72 7min 1x Manu enção 4 3.1.1.2 Reação de es ição enzimá ica O agmen o de DNA ampli icado (258pb) oi subme ido a diges ões enzimá icas com di e en es enzimas de es ição: TseI, MscI e S cI, pa a analisa a p esença dos polimo ismos -5, -8 e -24, espe i amen e. As mis u as de eação e condições da diges ão enzimá ica es ão ap esen adas nas Tabelas II.3, II.4 e II.5. Seguidamen e o p odu o da diges ão enzimá ica (20µL) oi subme ido a uma elec o o ese em gel de aga ose a 2%, co ado com b ome o de e ídio (0,05mg/100mL), du an e 1 ho a, a uma ol agem de 120V em ampão TBE 1x (T is 0,1M; Ácido Bó ico 0,1M; EDTA 5mM). A obse ação dos agmen os ob idos (Tabela II.5) oi ei a num ansiluminado sob luz ul a iole a. Foi usado o ma cado molecula de 100bp DNA ladde (Fe men as). Tabela II.3: Composição da mis u a de eação pa a a es ição enzimá ica com TseI e MscI. Reagen es Concen ação do s ock Concen ação da mis u a Volume po amos a (µL) Água 7,8 Tampão NEBu e 4 10x 1x 2 Enzima TseI 5 U/µL 0,05 U/µL 0,2 MscI 5 U/µL 0,05 U/µL DNA ampli icado 10 To al 20 Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 35 Tabela II.4: Composição da mis u a de eação pa a a es ição enzimá ica com S cI. Tabela II.5: Condições da diges ão enzimá ica das enzimas TseI, MscI e S cI e espe i os amanhos dos agmen os espe ados. 3.2 Análise da mu ação Glu104Asp 3.2.1 PCR-RFLP Pa a analisa a p esença da mu ação Glu104Asp, nas amos as em es udo, aplicou-se a écnica de PCR-RFLP an e io men e desc i a, baseada na de Schneide e al. (1995). 3.2.1.1 Reação de PCR Pa a es a ampli icação os oligonucleó idos u ilizados o am: TPI-Glu104Asp F, 5’-AAGGCTTTCTTTAGTCTCAT-3’ e TPI-Glu104Asp R, 5’-TGTGGCCCTGGATA- GGCTCA-3’ nas condições desc i as nas Tabelas II.6 e II.7. 3.2.2.2 Reação de es ição enzimá ica O agmen o de DNA ob ido (617pb) oi, pos e io men e, dige ido com a enzima DdeI, nas condições desc i as nas Tabelas II.8 e II.9. Reagen es Concen ação do s ock Concen ação da mis u a Volume po amos a (µL) Água 7,6 Tampão NEBu e 4 10x 1x 2 S cI 10 U/µL 0,1U/µL 0,2 BSA 1g/mL 100μg/mL 0,2 DNA ampli icado 10 To al 20 Polimo ismo Enzima Tempe a u a (ºC) Tempo F agmen os (pb) -5 (A>G) TseI 65 188 + 70 -8 (G>A) MscI 37 4h 191 + 67 -24 (T>G) S cI 37 204 + 54 Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 36 Tabela II.6: Mis u a de eação pa a ampli icação da egião con endo a mu ação Glu104Asp do gene TPI. Reagen e Concen ação do s ock Concen ação da mis u a Volume po amos a (µL) Água 27,5 Tampão 5x 1x 10 MgCl2 25mM 3mM 6 dNTP 5mM 0,1mM 1 TPI-Glu104Asp F 2,5µM 0,08 µM 1,5 TPI- Glu104Asp R 2,5µM 0,08 µM 1,5 Taq 0,5 DNA 2 To al 50 Tabela II.7: Condições de ampli icação da egião con endo a mu ação Glu104Asp do gene TPI. Fase Tempe a u a (ºC) Tempo Ciclos Desna u ação inicial 94 3min 1x Desna u ação 94 45seg 35x Hib idação dos oligonúcleo idos 56 45seg Ex ensão 72 1min Ex ensão inal 72 7min 1x Manu enção 4 Tabela II.8: Composição da mis u a de eação pa a a es ição enzimá ica com DdeI. Reagen es Concen ação do s ock Concen ação da mis u a Volume po amos a (µL) Água 7,8 Tampão NEBu e 3 10x 1x 2 DdeI 10 U/µL 0,1 U/µL 0,2 DNA ampli icado 10 To al 20 Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 37 Con inuamen e o am aplicados 20µL do p odu o da diges ão enzimá ica num gel de aga ose a 2%, co ado com b ome o de e ídio (0,05mg/100mL), onde oi subme ido a uma co ida elec o o é ica, du an e 1 ho a, a 120V em ampão TBE 1x. A obse ação dos agmen os ob idos (Tabela II.9) oi ei a num ansiluminado sob luz ul a iole a. Foi usado o ma cado molecula de 100bp DNA ladde . Tabela II.9: Condições da diges ão enzimá ica da enzima DdeI, e espe i os amanhos dos agmen os espe ados. Polimo ismo Enzima Tempe a u a (ºC) Tempo F agmen os (pb) Glu104Asp (G>C) DdeI 37 4h 288+205+81+41 3.3 Ras eio de odos exões do gene TPI po PCR-SSCP (PCR- Single-S and Con o ma ional Polymo phism) A de eção de al e ações gené icas po análise de polimo ismos con o macionais de DNA em cadeia simples (SSCP) baseia-se nas di e en es con o mações que os agmen os de DNA de cadeia simples, após desna u ação, adqui em de ido à subs i uição de um ou mais nucleó idos. Es es agmen os ap esen am di e en es es u u as con o macionais, o que az com que mig em de o ma di e en e quando sujei os a elec o o ese em gel de poliac ilamida. Os pad ões de mig ação esul an es são isualizados po colo ação com ni a o de p a a. A sensibilidade e simplicidade do mé odo pe mi e analisa um g ande núme o de amos as e o na-se bas an e ú il na de eção de polimo ismos conhecidos, po compa ação com amos as con olo, já ca ac e izadas, e de polimo ismos desconhecidos, po ap esen a em um pad ão de bandas di e en e (O i a e al., 1989). Fo am as eados os 7 exões do gene TPI nos 112 indi íduos es udados nes e abalho po análise SSCP, de o ma a pesquisa possí eis al e ações gené icas. 3.3.1 Reação de PCR P imei amen e, di idiu-se o gene em 6 agmen os, possibili ando a ampli icação des es sepa adamen e po PCR, écnica baseada no p o ocolo desc i o po Schneide , e al. (1998) (Tabela II.10 e II.11). Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 38 3.3.2 SSCP Pa a a eação de SSCP o am e i ados 3,5µL do p odu o de PCR, de cada amos a sepa adamen e pa a cada agmen o, e adicionou-se o mesmo olume de solução desna u an e [azul de b omo enol e xilenocianol 0,1% (m/ ); EDTA 10 mM; SDS 0,1% e o mamida desionizada 95% ( / )]. Es a mis u a oi aquecida a uma empe a u a de 95ºC, du an e 5 minu os, e pos e io men e oi colocada a 6ºC. Seguidamen e, oi subme ida a uma ele o o ese em gel de poliac ilamida não desna u an e e ical [ac ilamida-bisac ilamida 40%; Glice ol 10% ( / ); TBE 50mM; com os polime izan es: APS 0,1% e Temed 0,1%], com di e en es condições consoan e o agmen o a analisa (Tabela II.12) e p ocedeu-se à ele o o ese em ampão TBE 0,5x. Tabela II.10: Oligonucleó idos especí icos usados pa a a ampli icação dos á ios agmen os do gene TPI, amanho dos agmen os ampli icados e empe a u a de hib idação no PCR. Região do gene TPI Oligonucleó idos (5’→ 3’) F agmen o (pb) Tempe a u a de hib idação (ºC) Exão1 F – GGCCATGGCGGAGGACGGCG R – GCCAGACCCCTCCTCGGCGA 258 62 Exão2 F – AGGGCACTGGTTAGGAATTG R – GAGGGAAGGGTCCCACAC 286 56 Exão 3 F – TGAACCTTGGCTTCATC R – GACATCCCTTATCTTCTCTC 145 56 Exão 4 F – AAGGGATGTCTTTTTCCAAGA R – CCTGACCCTACCCTCTGAGTC 356 56 Exões 5-6 F – TGGCTGGAGAGCTCTTTCTT R – AGCCCACTCCACCTCAGC 544 62 Exão 7 F – CTGAGGACTAGACTGAGC R – CACCATCAGAAGCATATGC 307 56 Ma e iais e Mé odos ____________________________________________________________________________________ 45 Tabela II.16: Exemplo de uma abela 2  2 usada no cálculo do odds a io. Polimo ismo G upos clínicos G NG P esença a b Ausência c d 46 III - RESULTADOS Resul ados ____________________________________________________________________________________ 47 1. SNPs do gene TPI Fo am analisados 5 polimo ismos do gene TPI, cujas ca ac e ís icas es ão suma izadas na Tabela III.1, ês localizados na egião p omo o a do gene, -5 (A>G), - 8 (G>A) e -24 (T>G); um no exão 3, a mu ação c.315 (G>A) (Glu104Asp), conside ada a mu ação mais comum nes e gene; e um polimo ismo in agénico 2262 (G>A) obse ado du an e a pesquisa de ma cado es no gene TPI po SSCP. Tabela III.1: Ca ac e ís icas dos SNPs analisados nes e es udo p esen es no gene TPI. Nucleó ido SNPsa Nome HGVSa Localização c omossómicaa Regiãoa Alelo ances al/ alelo de i adoa (F equências alélicasb) -5 s1800200 g.6976688A>G 12:6976688 P omo o G (0,319)/A (0,681) -8 s1800201 g.6976685G>A 12:6976685 P omo o G (0,858)/A (0,142) -24 s1800202 g.6976669T>G 12:6976669 P omo o Sem dados Glu104Asp s121964845 6978338G>C 12:6978338 Exão 3 Sem dados 2262 s2071069 g.6979010G>A 12:6979010 In ão 5-6 G (0,585)/A (0,415) a A e e ência SNPs, nome HGVS, coo denadas no c omossoma, localização e o es ado ances al dos alelos o am e i ados da base de dados Ensembl. b As equências alélicas são e e en es à população A icana (AFR) da base de dados 1000 Genomes P ojec . 1.1 Polimo ismos da egião p omo o a As a ian es alélicas -5 (A>G), -8 (G>A) e -24 (T>G) o am analisadas pa a o conjun o o al de 112 amos as de DNA de indi íduos in e ados po Plasmodium sp.. Após ampli icação po PCR des a egião do gene, ealiza am-se á ias diges ões enzimá icas de aco do com o polimo ismo a analisa ( e secção II.3.1) (Figu a III.1), de modo a ob e um pe il geno ípico e haplo ípico des as a ian es pa a cada indi íduo. O locus -24 e elou-se monomó ico pa a a o alidade da amos a em análise, odos os indi íduos ap esen am o alelo T em homozigo ia. A dis ibuição geno ípica dos polimo ismos -5 e -8 encon a-se na Tabela III.2, ap esen ando-se ambos os loci em equilíb io de Ha dy-Weinbe g (P > 0,05 [0,26 e 0,44, espe i amen e]). Fo am iden i icados se e genó ipos, qua o deles comuns aos 3 g upos clínicos de malá ia -5AA/-8GG ( equência média o al 46,4%), -5AG/-8GG (35,7%), -5AG/ -8GA (10,7%) e -5GG/-8GG (4,5%); os es an es genó ipos o am singula es, dois no Resul ados ____________________________________________________________________________________ 48 Figu a III.1: Iden i icação das a ian es do p omo o -5, -8 e -24 po es ição enzimá ica. Visualização dos genó ipos em géis de aga ose a 2%. A) Exemplo da ca ac e ização da a ian e -5 (TPI A→G), u ilizando a endonuclease TseI: M – ma cado de peso molecula de 100bp (Fe men as); poços 1 e 3: amos as sem mu ação (258bp); poços 2, 5 e 6: amos as he e ozigó icas (258bp, 188 e 70pb); poço 4: amos a homozigó ica (188 e 70pb); B e C) Exemplo da ca ac e ização da a ian e -8 (TPI G→A), u ilizando a endonuclease MscI: M – ma cado de peso molecula de 100bp (Fe men as); poços B1, B3, B4, B5, B6, C1, C2, C3 e C4: amos as sem mu ação (258pb); poços B2 e B7: amos as he e ozigó icas [258pb, 191 e 67pb (banda impe ce í el pois o amanho é mui o eduzido)]; poço C4: amos a homozigó ica (191 e 67pb); D) Exemplo da ca ac e ização da a ian e -24 (TPI T→G), u ilizando a endonuclease S cI: M – ma cado de peso molecula de 100bp (Fe men as); poços 1, 2 e 3: amos as sem mu ação. g upo dos não-g a es -5GG /-8GA (0,9%), -5GG /-8AA (0,9%) e um no g upo dos assin omá icos -5AA /-8GA (0,9%). Tabela III.2: Dis ibuição geno ípica das a ian es do p omo o da TPI na amos a o al e nos á ios g upos clínicos de malá ia (Ass – assin omá ica, NG –não-g a e, G – g a e) Genó ipos G upos clínicos de malá ia Ass (%) NG (%) G (%) To al -5A -5A /-8G -8G 8 (0,40) 23 (0,45) 21 (0,51) 52 -5A -5G /-8G -8G 7 (0,35) 17 (0,33) 16 (0,39) 40 -5A -5G /-8G -8A 3 (0,10) 7 (0,14) 2 (0,05) 12 -5G -5G /-8G -8G 1 (0,05) 2 (0,04) 2 (0,05) 5 -5A -5A /-8G -8A 1 (0,05) 0 (0,00) 0 (0,00) 1 -5G -5G /-8G -8A 0 (0,00) 1(0,02) 0 (0,00) 1 -5G -5G /-8A -8A 0 (0,00) 1(0,02) 0 (0,00) 1 To al 20 51 41 112 1.2 Análise da mu ação Glu104Asp A egião do exão 3 oi ampli icada po PCR e dige ida com a endonuclease DdeI (con o me desc i o na seção II.3.2) (Schneide , e al., 1995). A diges ão oi obse ada A Resul ados ____________________________________________________________________________________ 49 num gel de aga ose a 2% (Figu aIII.2), endo-se e i icado homozigo ia do alelo G em odos os indi íduos es udados, ou seja nenhum indi íduo ap esen ou al e ações nes e locus. Es es esul ados o am alidados no as eio do exão 3 po SSCP ( e secção III.1.3), onde oi obse ado um pe il elec o o é ico idên ico em odas as amos as analisadas, um pe il wild- ype, con as ando com o pad ão de bandas obse ado no con olo posi i o da mu ação Glu104Asp (Figu a III.3). 1.3 Ras eio dos exões do gene TPI po PCR - SSCP No es udo de pesquisa de ma cado es de seleção de malá ia na egião do gene humano TPI po SSCP ( e seção II.3.3), e i ica am-se al e ações no pe il de mig ação elec o o é ico no exão 7 e no in ão 5. Na análise do exão 7 oi iden i icado um indi íduo he e ozigó ico pa a a mu ação s12692 (G>A) (Figu a III.4). Es e esul ado oi con i mado po sequenciação (Figu a III.5). Apa en emen e, pela análise de PCR-SSCP es a mu ação oi singula na população em es udo, con udo o pad ão mig a ó io obse ado na Figu a III.4 pa a a amos a mu ada nem semp e oi cla o, pondo em causa a no malidade das es an es Figu a III.2: Exemplo dos agmen os ob idos da es ição enzimá ica com a endonuclease DdeI pa a a iden i icação da mu ação Glu104Asp no exão 3 do gene TPI, segundo a écnica desc i a po Schneide e al. (1995). Visualização dos genó ipos em géis de aga ose a 2%. M – ma cado de peso molecula de 100bp (Fe men as); poços 1 a 18: amos as wild- ype pa a a mu ação glu104Asp. (288pb, 205pb, 81pb e 41pb). Figu a III.3: Exemplo dos agmen os ob idos do as eio ao exão 3 do gene TPI po PCR-SSCP. Visualização em géis de poliac ilamida a 14%. Genó ipos da mu ação Glu104Asp (G>C) no gel: poços 1 a 4 e 6: amos as wild- ype pa a a mu ação Glu104Asp; Poço 5: con olo posi i o pa a a mu ação Glu104Asp. Resul ados ____________________________________________________________________________________ 50 amos as pa a es a mu ação. A a és da es ição enzimá ica com a endonuclease BslI con i mou-se a he e ozigo ia da amos a mu ada, en ando-se a a és des e mé odo ob e um pe il geno ípico na população em es udo, con udo sem sucesso pois os esul ados nem semp e o am consis en es en e es ições sucessi as pa a as mesmas amos as. Figu a III.4: Exemplo dos agmen os ob idos do as eio ao exão 7 do gene TPI po PCR-SSCP. Visualização em géis de poliac ilamida a 10%. Genó ipos da mu ação s12692 no gel: poços 1 a 4 e 6 a 7: amos as wild- ype; Poço 5: amos a he e ozigó ica. Figu a III.5: Pa e da sequência gené ica do exão 7 do gene TPI do indi iduo he e ozigó ico pa a a mu ação s12692 (G>A). A sequência oi edi ada pelo so wa e Ch omas Li e e são 2.01. 1.4 Polimo ismo in ónico 2262 Desc i o pela equipa de A ya, R. (Schneide e al., 1996), o polimo ismo no in ão 5, nucleó ido 2262 (G>A), oi ambém obse ado po PCR-SSCP na população em análise (Figu a III.6) e con i mado po sequenciação (Figu a III.7). Figu a III.6: Exemplo dos agmen os ob idos do as eio à ação co esponden e en e os exões 5 e 6, do gene TPI po PCR-SSCP. Visualização em géis de poliac ilamida a 8%. Genó ipos da mu ação 2262 (G>A) no gel: poços 1 e 8: amos as wild- ype; poços 2 a 6 e 10: amos as he e ozigó icas; poços 7 e 9: amos as homozigó icas. Resul ados ____________________________________________________________________________________ 51 As equências alélicas ob idas pa a es e polimo ismo o am de 48% e 52% pa a o alelo A e G, espe i amen e (Tabela III.3), encon ando-se es e locus ambém em equilíb io de Ha dy-Weinbe g (P > 0,05). Figu a III.7: Ca ac e ização da mu ação s12692 (G>A), p esen e no in ão 5 do gene TPI. A: amos a wild- ype (nucleó ido indicado pela se a); B: amos a he e ozigó ica; C: amos a homozigó ica. As sequências o am edi adas pelo so wa e Ch omas Li e e são 2.01. 1.5 Análise es a ís ica 1.5.1 Tes es de associação Uma ez que o polimo ismo -24, na egião p omo o a do gene TPI, e a mu ação Glu104Asp no exão 3 não ap esen a am a iabilidade gené ica pa a o conjun o de amos as em análise, ap esen ando um compo amen o monomó ico, não o am analisados nem conside ados nos es es de associação. Assim, apenas os polimo ismos que se e ela am polimó icos: -5, -8 e 2262 o am analisados. As equências alélicas e haplo ípicas (ap esen adas nas Tabelas III.3 e III.4, espe i amen e) o am analisadas an o na população o al como nos di e en es g upos clínicos de malá ia. No locus -5, embo a o alelo A enha sido o mais comum (70%), ambos os alelos (A e G) e ela am equências semelhan es po g upo clínico de malá ia, sem di e enças es a is icamen e signi ica i as nos es es de associação. No polimo ismo -8 o alelo ances al (G) oi o mais p e alen e no o al da amos a com 93% e alelo mu ado (A) ap esen ou uma p e alência o al de 7%. Os es es de associação e ela am di e enças es a is icamen e signi ica i as na associação do alelo A en e os g upos de malá ia não-g a e e g a e (Tes e exa o de Fishe P = 0,032; OR =0,230; CI95%: 0,049-1,081; Tabela III.3). As equências alélicas do polimo ismo 2262 são semelhan es an o na amos a o al, 48% pa a o alelo A e 52% pa a o G, como en e g upos clínicos. Os es an es Resul ados ____________________________________________________________________________________ 52 es es de associação ealizados não e ela am di e enças es a is icamen e signi ica i as (P < 0,05). Tabela III.3: F equências alélicas dos SNPs em es udo no gene TPI em doen es de malá ia (Ass – assin omá ica, NG –não-g a e, G – g a e). SNPs F equências alélicas Tes e de Associação (P- alue) Ass (2n=40) NG (2n=102) G (2n=82) To al (n=112) Ass s NG Ass s G NG s G -5 ; A 28 (0,70) 70 (0,69) 60 (0,73) 0,70 0,874 0,714 0,501 G 12 (0,30) 32 (0,31) 22 (0,27) 0,30 HWE P- alue 0,62 0,75 0,69 0,26 Ho 0,50 0,47 0,44 0,46 He 0,43 0,44 0,40 0,42 -8 ; G 36 (0,90) 92 (0,90) 80 (0,98) 0,93 0,243a 0,075a 0,032a,b A 4 (0,10) 10 (0,10) 2 (0,02) 0,07 HWE P- alue 1,00 0,38 1,00 0,44 Ho 0,20 0,16 0,05 0,13 He 0,19 0,18 0,05 0,13 2262 ; G 22 (0,55) 51 (0,50) 44 (0,54) 0,52 0,592 1,000 0,622 A 18 (0,45) 51 (0,50) 38 (0,46) 0,48 HWE P- alue 0,65 1,00 0,53 0,85 Ho 0,60 0,49 0,44 0,49 He 0,51 0,51 0,50 0,50 a Tes e exa o de Fishe b OR = 0,230; CI95%: 0,049-1,081 A Tabela III.4 desc e e a análise haplo ípica en e os SNPs do gene TPI em es udo. Obse a am-se seis hapló ipos dis in os, qua o deles comuns a odos os g upos clínicos: -5A/-8G/2262A (AGA), AGG, GGG e GAG; o conjun o AAG obse ado apenas no g upo dos indi íduos assin omá icos e o hapló ipo GGA apenas iden i icado nos g upos de malá ia g a e e não-g a e. A combinação haplo ípica GAG oi ímpa nos es es de associação e e uados en e os di e en es hapló ipos ge ados e os g upos clínicos de malá ia, mos ando uma di e ença es a is icamen e signi ica i a quando compa ada nos g upos de malá ia g a e e não-g a e (Tes e exa o de Fishe P = 0,032; OR =0,230; CI95%: 0,049-1,081; Tabela III.4). Resul ados ____________________________________________________________________________________ 53 Tabela III.4: F equências haplo ípicas en e os SNPs em es udo no gene TPI em doen es de malá ia (Ass – assin omá ica, NG –não-g a e, G – g a e). Hapló ipo -5 -8 2262 F equências haplo ípicas Tes e de Associação (P- alue) Ass NG G To al NG s G G s Ass NG s Ass H1 A G G 0,225 0,225 0,280 0,246 0,392 0,513 1,000 H2 A G A 0,450 0,461 0,452 0,455 1,000 1,000 1,000 H3 A A G 0,025 0,000 0,000 0,004 ------ 0,328a 0,282a H4 G A G 0,075 0,098 0,024 0,067 0,032a, b 0,158a 0,242a H5 G G G 0,225 0,177 0,232 0,205 0,353 1,000 0,507 H6 G G A 0,000 0,039 0,012 0,023 0,209a 0,672a 0,269a a Tes e exa o de Fishe b OR =0,230; CI95%: 0,049-1,081 1.5.2 Desequilíb io de linkage O es udo do desequilíb io de linkage en e as compa ações de loci pa a pa possí eis e os g upos clínicos de malá ia em es udo encon a-se desc i o na Tabela III.5. O g upo de indi íduos com in eção malá ica não-g a e ap esen a desequilíb io de linkage signi ica i o en e odos os pa es: -8 e -5, -8 e 2262, e -5 e 2262. Re ela am ambém desequilíb io de linkage signi ica i o os loci: -5 e 2262 nos g upos da in eção malá ica assin omá ica e g a e. Tabela III.5: Desequilíb io de linkage en e os SNPs es udados nos di e en es g upos clínicos de malá ia (Ass – assin omá ica, NG –não-g a e, G – g a e). SNPs Desequilíb io de linkage (P- alue) Locus 1 Locus 2 Ass NG G -8 -5 0,069 0,000 0,072 -8 2262 0,114 0,001 0,213 -5 2262 0,000 0,000 0,000 2. Mic ossa éli es Fo am es udados ês mic ossa éli es localizados em egiões adjacen es ao gene TPI (Tabela II.13), de o ma a es ima a associação haplo ípica dos polimo ismos do p omo o -5 e -8 aos mic ossa éli es. Nes a análise o am excluídas as amos as que alha am a ampli icação pa a algum locus. Resul ados ____________________________________________________________________________________ 54 2.1 Repe ição pen anucleó idica (CTTTT)n Fo am de e ados onze alelos pa a o mic ossa éli e (CTTTT)n, a iando em amanho de 137 a 187pb. São obse ados 17 hapló ipos associados ao polimo ismo -5 e 16 conjugados com o polimo ismo -8 (Tabela III.6). As duas conjugações haplo ípicas demos am g ande di e sidade gené ica, sendo associados ao alelo ances al G da a ian e -5 se e alelos e dez à a ian e A; enquan o o polimo ismo -8 ap esen a onze alelos associados ao nucleó ido ances al G e cinco conjugados à mu ação -8A, que ap esen a baixas equências haplo ípicas, em compa ação com as demais combinações. Tabela III.6: Hapló ipos, ge ados pela associação do mic ossa éli e (CTTTT)n e os polimo ismos -5 e -8 da egião p omo o a do gene TPI e espe i as equências absolu as. 2.2 Repe ição inucleo ídica (CAG)n O mic ossa éli e (CAG)n oi associado a doze alelos, a iando en e 197 a 239pb. A análise associa i a des e mic ossa éli e com os polimo ismos do p omo o -5 e -8 (Tabela III.7) não ap esen ou uma di e sidade gené ica semelhan e en e as duas Hapló ipo Tamanho do alelo (pb) / -5 n Tamanho do alelo (pb) / -8 n 1 137 A 41 137 G 48 2 167 A 24 167 G 34 3 142 A 19 152 G 21 4 167 G 16 142 G 19 5 152 A 12 162 G 13 6 182 A 10 172 G 11 7 152 G 10 182 G 10 8 137 G 10 147 G 7 9 162 A 9 167 A 6 10 162 G 9 162 A 5 11 172 G 8 157 G 5 12 147 A 6 137 A 3 13 157 A 5 152 A 1 14 172 A 3 187 A 1 15 187 A 2 177 G 1 16 147 G 1 187 G 1 17 177 G 1 Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 61 Os polimo ismos gené icos humanos selecionados pela p essão exe cida pela malá ia en ol em sob e udo p o eínas es u u ais especí icas ( ais como o an igénio Du y e o g upo sanguíneo O), hemoglobinopa ias (como a hemoglobinas S e C, e as alassémias) e enzimas e i oci á ias (como a de iciência em G6PD e, mais ecen emen e desc i a, a de iciência em PK). A de iciência em TPI é uma enzimopa ia que a e a o me abolismo ene gé ico, a ingindo sob e udo os e i óci os que dependem unicamen e da glicólise pa a ge a ATP. Apesa de não exis i na li e a u a uma associação des a pa ologia com a malá ia, a ele ada equência de de e minadas mu ações em indi íduos de o igem A icana, p essupõe essa possibilidade (Schneide , e al., 1998; Humph ies, e al., 1999). As p e alências obse adas nes e es udo pa a cada polimo ismo da egião p omo o a do gene TPI (-5A>G, -8G>A e -24T>G) o am simila es às an e io men e desc i as pa a indi íduos de o igem A icana (Manco, e al., 2009 e Humph ies, e al., 1999), co obo ando a ele ada equência egis ada pa a es as mu ações no con inen e A icano. O polimo ismo no locus -5 ap esen ou uma a iabilidade gené ica supe io ao polimo ismo no locus -8 (He = 0,42 s 0,13, espe i amen e), apoiando os esul ados de Humph ies, e al. (1999), que desc e e uma dis ibuição geog á ica e equências geno ípicas supe io es, nomeadamen e nas populações A icana e O ien al. A a ian e -8A, com uma equência de 7% ( e sus 10% ela ada po Manco, e al., (2009) englobando dados de 3 populações de Á ica subsa iana), oi encon ada em 4 genó ipos dis in os: -5A-5G/-8G-8A; -5G-5G/-8G-8A; -5G-5G/-8A-8A e -5A-5A/ -8G-8A. Es a úl ima dis ibuição geno ípica, obse ada apenas num único indi íduo diagnos icado como assin omá ico pa a a in eção malá ica (po P. alcipa um), apesa de já e sido ela ada po Humph ies, e al. (1999) como um genó ipo a o e apa en emen e con inado à população A icana, não oi encon ado no es udo de Manco, e al. (2009). O locus -24 e elou se monomó ico pa a o alelo T, igualando os esul ados ob idos po Manco, e al. (2009). Es a al e ação mu acional esul a numa diminuição da a i idade da TPI que pode con ibui pa a uma de iciência g a e des a enzimopa ia (Schneide , e al., 1998), o que explica o egis o de baixas, ou mesmo nulas, equências Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 62 pa a es e polimo ismo na população ge al (Schneide , e al., 1998; Humph ies, e al., 1999 e Manco, e al., 2009). Pa a o polimo ismo in ónico 2262 egis ou-se a equência de 0,48 pa a o alelo A, um alo semelhan e ao desc i o na li e a u a pa a a população A icana (41%; 1000 Genomes P ojec ). Os es es de associação ealizados en e os 3 g upos clínicos de malá ia, baseados nas equências alélicas das al e ações -5 e -8 do p omo o da TPI, demons a am di e enças es a is icamen e signi ica i as pa a a mu ação -8A en e os g upos g a e e não-g a e (P = 0,032). Es e esul ado pode se indica i o de uma an agem sele i a associada a es a a ian e polimó ica, apa en ando es a elacionada com a esis ência à se e idade da in eção malá ica. Na população es udada, 53,6% dos indi íduos ap esen am genó ipos com a iações polimó icas na egião p omo o a do gene. Segundo Schneide , e al. (1998) a diminuição da a i idade da TPI em e i óci os pa ece se a ibuída às mu ações -8A e -24G, obse ando-se uma sucessi a diminuição da a i idade enzimá ica associada aos genó ipos -5A-5G/-8G-8G/-24T-24T > -5A-5G/-8G-8A/-24T-24T > -5A-5G/-8G-8A/ -24T-24G > -5G-5G/-8A-8A/-24T-24T. Humph ies, e al. (1999b) demons a am uma cla a associação en e a mu ação -8A e a edução da a i idade da TPI e i oci á ia in i o, de sensi elmen e 10% e 24% pa a indi íduos he e ozigó icos e homozigó icos, espe i amen e. A mu ação -5, isoladamen e, não é esponsá el po di e enças signi ica i as na a i idade des a enzima em e i óci os (Humph ies, e al., 1999b). A análise das equências haplo ípicas encon adas na população em es udo englobando os polimo ismos -5 e -8 do p omo o e a al e ação no nucleó ido 2262 do in ão 5 do gene TPI demons a am di e ença es a is icamen e signi ica i a pa a o hapló ipo GAG (-5, -8, 2262) en e os g upos g a e e não-g a e (P = 0,032), suge indo no amen e uma elação de p o eção con a a in eção malá ica, con e ida pela mu ação -8A quando associada a es e hapló ipo. Schneide , e al. (1998) compa a am g upos haplo ípicos com baixa e al a a i idade da TPI, di ididos po qua is, egis ando maio p opo ção de c omossomas -5G-8A no qua il co esponden e a uma a i idade enzimá ica meno . Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 63 Es e consenso de ideias pe mi e conje u a a hipó ese de que a mu ação -8A, associada à edução da a i idade enzimá ica de TPI em e i óci os, pode con e i p o eção à malá ia, sendo es a an agem sele i a a esponsá el pela disseminação des a a ian e polimó ica nas populações A icanas. A pesquisa dos desequilíb ios de linkage en e os á ios SNPs es udados no gene TPI em apoia es a hipó ese, obse ando-se desequilíb io de linkage en e os loci -8 e -5, e -8 e 2262 apenas no g upo dos indi íduos com malá ia não-g a e. Es es dados supo am a hipó ese da p essão sele i a exe cida pela malá ia no genoma humano sob e a mu ação -8A, sendo no en an o expec á el o alo de desequilíb io signi ica i o en e os loci -5 e -8, uma ez que dis am em ês nucleó idos apenas. Exis e ambém um desequilíb io signi ica i o en e os loci -5 e 2262 em odos os g upos clínicos de malá ia. Es e esul ado de desequilíb io signi ica i o en e os loci sup aci ados oi ambém ob ido po Humph ies, e al. (1999), em odas as populações es udadas e baseando-se no pad ão de hapló ipos ob idos, a ibui-lhes uma o igem ances al comum, possi elmen e em Á ica e an ecedendo a dispe são das populações humanas mode nas. A o igem ances al des es loci (-5 e 2262) é co obo ada pelos alo es de desequilíb io de linkage en e es es loci sepa adamen e e os STRs em es udo (CTTTTn e CAGn), e i icando-se um desequilíb io nas mesmas compa ações den o dos mesmos g upos (Tabela III.9). As compa ações en e a mu ação -8 e os STRs e idencia am signi icância apenas na associação en e os loci -8 e (CAG)n no g upo de indi íduos com in eção malá ica não-g a e. O alelo -8A oi associado somen e a dois dos ca o ze alelos encon ados pa a o mic ossa éli e (CAG)n, aludindo a exis ência de desequilíb io. Cu iosamen e, os loci -8 e (CTTTT)n pa ecem es a em equilíb io de linkage, no en an o es e equilíb io não é obse ado na compa ação en e os loci -5 e (CTTTT)n, o que se ia expec á el, uma ez que apenas 3 nucleó idos sepa am es es SNPs, p essupondo-se um esul ado de desequilíb io de linkage semelhan e en e es as compa ações. A di e sidade de hapló ipos obse ada en e as a ian es do p omo o do gene TPI, e a sua dis ibuição geog á ica cosmopoli a (Humph ies, e al., 1999), ge ou discussão na comunidade cien í ica nomeadamen e ao ní el dos e en os gené icos que pode ão e con ibuído pa a es a a iação haplo ípica. A ecombinação gené ica pa ece pouco p o á el, de ido à cu a dis ância en e os nucleó idos esponsá eis po es a Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 64 a iação no p omo o . Baseando-se nas equências haplo ípicas encon adas, Humph ies e al. (1999) suge i am a hipó ese de e em oco ido mu ações sucessi as no hapló ipo ido como ances al pa a Homo sapiens (-5G-8G-24G), ob ido a a és da sequência gené ica do gene TPI em chimpanzé (C aig, e al., 1991). O mo i o que desencadeou es es e en os mu acionais no genoma humano é ainda con o e so. Schneide , e al. (1998) de endem a hipó ese de an agem sele i a pa a a sob e i ência humana, baseada na associação en e a ele ada incidência polimó ica com a mode ada edução da a i idade da TPI. Toda ia, Humph ies, e al. (1999) sus en am a hipó ese da di e si icação haplo ípica obse ada e p ecedido a sepa ação en e as populações A icanas e não-A icanas, que e á oco ido à ap oximadamen e 100 000 anos (Flin , e al., 1993), baseando-se na ex ensa a iação alélica no locus (CTTTT)n en e os hapló ipos ela ados pa a a egião p omo o a do gene TPI, es ando es e locus em equilíb io de linkage com os á ios hapló ipos que di e gem do ances al. Nes e abalho, p ocedemos ainda a uma en a i a de ob e in o mações sob e a an iguidade dos polimo ismos -5G>A e -8G>A (Tabela III.11). A idade es imada das duas a ian es e elou se in e io ao pe íodo de dispe são das populações humanas mode nas o iginá io de Á ica, ejei ando a hipó ese p opos a po Humph ies, e al. (1999). Ainda assim, a mu ação -5A (idade es imada: ~20 mil anos) mos ou se mais an iga do que a mu ação -8A (idade es imada: ~14 mil anos). As equências haplo ípicas en e os mic ossa éli es es udados e es es dois polimo ismos apoiam es a conclusão, uma ez que a mu ação -5A es á associada a uma a iação in a-alélica supe io (maio idade) pa a os loci (CTTTT)n (0,631 s 0,501) e (CAG)n (0,613 s 0,481). A idade ago a es imada pa a a mu ação -5G>A, que apon a pa a uma o igem da mu ação numa ase pos e io à saída e dispe são do homem mode no pa a o a de Á ica, é di ícil de concilia com a dis ibuição de equências obse ada pa a o alelo -5A em populações não-a icanas, nomeadamen e de o igem Eu opeia (Humph ies e al., 1999; Manco e al., 2008). Não podemos exclui , no en an o, a possibilidade de no cálculo e e uado, as axas de mu ação e/ou ecombinação conside adas pa a os mic ossa éli es se encon a em sob es imadas e po an o a idade da a ian e se supe io . Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 65 A idade da mu ação -8A oi calculada à luz das duas hipó eses possí eis pa a a o igem do hapló ipo -5A-8A (Figu a IV.1). A p imei a hipó ese, e e ida como a menos p o á el, conside a uma o igem única da mu ação no hapló ipo ances al -5G -8G e pos e io ecombinação gené ica en e os loci -5 e -8 nos hapló ipos -5G-8A e -5A-8G. Conside ando es a possibilidade de o igem única, a idade es imada pa a o e en o mu acional -8G>A oi de 14 325 (10 600 - 19 775) anos. A di e ença de idade em núme o ge ações calculada pa a os dois STRs indi idualmen e, é de 378 ge ações, um alo bas an e ele ado que o igina a iações na an iguidade es imada pa a a mu ação -8A, en e 9 600 (7 500 – 12 775) anos quando associada ao mic ossa éli e (CAG)n e 19 050 (14 150 – 26 775) anos quando conside ado o mic ossa éli e (CTTTT)n. Apesa de a hipó ese de uma o igem única pa a es a mu ação e, consequen emen e, um e en o de ecombinação en e es es loci se pouco p o á el dada a sua p oximidade, o desequilíb io de linkage en e os loci -5 e -8 oi apenas obse ado no g upo dos indi íduos com in eção malá ica não-g a e. Dada a con iguidade des es polimo ismos, espe a -se-ia de e a es e desequilíb io na população o al. Ou o ac o que apoia es a hipó ese são os esul ados díspa es de desequilíb io de linkage en e cada locus -5 e -8, conjugados com os STRs, que se espe a iam semelhan es de ido, mais uma ez, à sua p oximidade. A segunda hipó ese suge e a possibilidade de se ob e o hapló ipo -5A-8A po mu ação eco en e e po an o exis i em dois e en os mu acionais -8G>A. A idade es imada pa a o p imei o e en o mu acional -8G>A no hapló ipo ances al -5G-8G oi de ap oximadamen e 13 987 (10 275 – 19 337) anos, quando combinada a in o mação dos dois mic ossa éli es (uma idade ligei amen e in e io à es imada pa a a hipó ese de o igem única, 14 325 anos). Pa a o segundo e en o mu acional, oco ido no hapló ipo -5A-8G, a da ação oi inexequí el, o que indica uma idade mui o ecen e, não endo ha ido empo su icien e pa a acumula a iação ou e en os de ecombinação nos mic ossa éli es. Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 66 Achados his ó icos e a queológicos indicam que a malá ia em ido um impac o signi ica i o nos humanos desde há sensi elmen e 10 000 anos, coinciden e com a o igem e expansão da ag icul u a no Médio-O ien e e em Á ica. Nessa al u a, a população a icana expe imen a a mudanças d amá icas an o a ní el ambien al como compo amen al, passando de caçado es-cole o es a ag icul o es, endo dado início à ansmissão da malá ia ao humano. A in odução da ag icul u a de de ube e queima na egião oes e de Á ica desencadeou a des lo es ação de zonas opicais, c iando des a o ma, condições a o á eis à mul iplicação e expansão de Anopheles gambiae, o p incipal e o de P. alcipa um. A p opagação des a p á ica ag ícola p opo cionou o aumen o de coleções/ ese a ó ios de água expos os à luz sola , c iando po enciais locais de c iadou o pa a o e o , o que e á con ibuído pa a a c escen e densidade populacional des e mosqui o em Á ica. O desen ol imen o ag ícola con ibuiu, po ou o lado, pa a o aumen o da densidade populacional humana, acili ando a expansão da malá ia. (A melagos, e al., 1996; Uneke, 2009 e Tishko , e al., 2001). A idade calculada pa a mu ação -8A (~14 000 anos) excede o pe íodo de 10 000 anos, conside ado como início do impac o da malá ia nas populações humanas, no en an o as idades de 9 600 anos (pa a o igem única) ou 10 600 anos (pa a mu ação eco en e) ob idas pela associação ao locus (CAG)n encon am-se den o des e pe íodo, o que não descu a a hipó ese de e exis ido uma seleção des a mu ação como uma Figu a IV.1: Hipó eses ex apoladas pa a o su gimen o do hapló ipo -5A-8A na egião p omo o a do gene TPI: mu ações eco en es e sus ecombinação gené ica, com base nas equências de cada hapló ipo na população em es udo. Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 67 an agem de sob e i ência humana, nes e caso po um e ei o p o e o con a a malá ia. Do mesmo modo, a idade in e io (~10 000 anos) pa a a média da an iguidade es imada pa a os dois mic ossa éli es, 14 325 (10 600 – 19 775) anos, é ambém compa í el com o apa ecimen o da a ian e -8A du an e a o igem e di usão da ag icul u a em Á ica. A mu ação Glu104Asp, a mais comum na de iciência em TPI, não oi encon ada na amos a analisada. Uma possí el jus i icação é a o igem Eu opeia da maio ia dos casos epo ados pa a es a mu ação, endo sido p opos a uma o igem única pa a es a mu ação na Eu opa ociden al, dispe sando-se pa a ou os con inen es a a és da expansão e mig ação das populações (A ya, e al., 1997). Uma ez não obse ada nes e es udo, a mu ação Glu104Asp pa ece se ainda pouco p e alen e na população de o igem A icana. A análise do mic ossa éli e (CTA)n ap esen ou um dé ice de he e ozigó icos e, consequen emen e um des io signi ica i o (P < 0,05) do equilíb io de Ha dy-Weinbe g. Di e sos a o es podem eduzi a he e ozigo ia, podendo signi ica que es e locus es á sob ação de seleção ou ap esen a alelos nulos, de ido a polimo ismos nos locais de hib idação dos oligonucleó idos. Es e mic ossa éli e es á localizado no gene que codi ica a p o eína- i osina os a ase, não ece o a ipo 6 (PTPN6) da amília das i osinas os a ases (PTP), moléculas de ligação que egulam á ios p ocessos celula es, incluindo a p oli e ação e a di e enciação celula , o ciclo mi ó ico e a ans o mação oncogénica. A p o eína PTPN6 é exp essa p imei amen e nas células hema opoié icas e unciona como um impo an e egulado das múl iplas ias de sinalização nes as células. A me ilação do p omo o do gene PTPN6, com consequen e silenciamen o des e gene, oi de e ada em á ios ipos de leucemias e lin omas. A pe da de he e ozigó icos nos mic ossa éli es analisados jun o ao gene PTPN6 oi epo ada em 79% dos casos de leucemia lin oblás ica aguda, suge indo se um gene sup esso de umo es (Oka, e al., 2002). O locus (CAG)n es á localizado no gene que codi ica a p o eína a o ina 1 (ATN1). Es a p o eína encon a-se no sis ema ne oso e es á associada a uma doença neu odegene a i a, a a o ia den a o ub al-pallidoluysian (DRPLA), ansmi ida de modo au ossómico dominan e, e causada pela sín ese de p o eínas mu an es com ele ado núme o de epe ições do iple o CAG (54-79 epe ições) (Yamada, e al, 2010). A acumulação in acelula des a p o eína mu an e oco e no sis ema ne oso Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 68 cen al, inibindo a a i idade de G3PD (Shiozawa, e al., 2003). O núme o máximo de epe ições des e iple o obse ado na amos agem em es udo oi de 26 epe ições, ap esen ando odos os indi íduos a p o eína ATP1 no mal. A inibição de ias me abólicas ou enzimas en ol idas em p ocessos c uciais pa a a sob e i ência do pa asi a ep esen am po enciais al os pa a o desen ol imen o de á macos an imalá icos. A ca ência de um ciclo dos ácidos ica boxílicos uncional em P. alcipa um o na-o exclusi amen e dependen e da glicólise pa a a ob enção de ATP. O consumo de glucose nos e i óci os pa asi ados é ce ca de 50 a 100 ezes maio compa ando com e i óci os não in e ados (Subbayya, e al., 1997). Ri e , e al. (1993) epo a am a exis ência de uma espos a humo al an i-TPI (IgM), desencadeada du an e a in eção malá ica, esul ando numa anemia hemolí ica c ónica. A p esença des es au o-an ico pos oi obse ada apenas em in eções po P. alcipa um g a es, sendo a p odução des es an ico pos au olimi ada e di e amen e associada com a se e idade da anemia, uma ez que dec esce com a diminuição de lac a o desid ogenase (LDH) e com o aumen o da hemoglobina no so o. Es e ac o suge e a hipó ese da TPI es a localizada na memb ana e i oci á ia encon ando-se pa cialmen e expos a, o que pe mi e a es imulação da p odução de an ico pos an i-TPI. As p op iedades de ligação à memb ana e i oci á ia pelas enzimas glicolí icas é uma ca ac e ís ica que pa ece e um papel impo an e na in ecciosidade de ce os pa asi as, ep esen ando po enciais al os no desenho de no as es a égias de in e enção e apêu ica (Subbayya, e al., 1997). A es imulação de an ico pos an i-TPI du an e a in eção malá ica suge e um papel impo an e des a enzima na pa ogénese da in eção, sendo expec á el que a inibição da me abolização da glucose no e i óci o, po exemplo pela inibição ou pa cial inibição da a i idade da TPI, sem nenhum ou o mecanismo pa a ge a ATP a e e g a emen e a p oli e ação pa asi á ia. A ca ac e ís ica bioquímica mais no á el na de iciência em TPI é a excessi a concen ação celula de DHAP, obse ando-se um aumen o de ce ca de 30 a 40 ezes, compa ado com os alo es egis ados em indi íduos saudá eis (O osz, e al., 1996), endo sido apon ada como a p incipal causa de mo bilidade nes a pa ologia (Ahmed, e al., 2003). Baseando-se nes a ca ac e ís ica, na depleção da GSH eduzida e no s ess Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 69 oxida i o em indi íduos de icien es em TPI, Ahmed, e al. (2003) suge em que a ano mal acumulação de me ilglioxal (MG) possa es a associada a es a de iciência. O MG é um p odu o óxico, mu agénico e um inibido das enzimas glicolí icas. Em condições isiológicas o ma-se não enzima icamen e a pa i dos ioses os a o na glicólise, po uma eação i e e sí el de β-eliminação do g upo os a o do 3- os a o-1,2- enediol in e mediá io. Uma ez o mado, o MG modi ica i e e si elmen e g upos amina em lípidos, ácidos nucleicos e p o eínas o mando p odu os a ançados de glicação (AGEs). O sis ema dos glioxalases dependen e do glu a iono é a p incipal ia de eliminação des e compos o con e endo-o em D-lac a o e egene ando o glu a iono. A dependência do glu a iono como co ac o ca alí ico do sis ema dos glioxalases é obse ada em odas as células euca io as (Figu a IV.2) (Quin as, e al., 2008). Figu aVI.2: Fo mação, ea i idade e des oxi icação do me ilglioxal em e i óci os pa asi ados. Tan o o e i óci o (E) como o Plasmodium sp. (P) necessi am da glucose p o enien e da ia glicolí ica. Nes a ia a con e são do os a o de dihid oxiace ona a glice aldeído 3- os a o pela iose os a o isome ase não é um p ocesso pe ei o. A eliminação do os a o p oduz um in e mediá io 2-oxoaldeído ea i o, o melilglioxal (MG) como um subp odu o. Al amen e elec o ílico, es e compos o eage com ácidos nucleicos e p o eínas, o mando p odu os a ançados de glicação (AGEs). Assim, o MG e ou os 2-oxoaldeídos podem o na -se óxicos e mu agénicos. Pa a e i a ais e ei os, o sis ema dos glioxalases – que consis e na glu a iona (GSH) e em duas enzimas glioxalase I (Glo1) e glioxalase II (Glo2) - con e e os 2-oxoaldeídos óxicos a 2-hid oxica boxílicos não óxicos, ais como o D-lac a o. De ido ao ele ado luxo da ia glicolí ica em e i óci os pa asi ados, a inibição do sis ema de desin oxicação (c uzes cinzen as) esul a na acumulação de AGEs po encialmen e le ais (adap ado de U sche , e al., 2011). Discussão de Resul ados ____________________________________________________________________________________ 70 O aumen o da concen ação de DHAP e o dec éscimo celula de GSH eduzida são condições p opícias à acumulação de MG. Ahmed, e al. (2003) in es iga am o en ol imen o do MG na de iciência em TPI. Es uda am dois i mãos húnga os de icien es em TPI, com genó ipos idên icos: mu ações Glu145S op e Phe240Leu, mas com quad os clínicos dis in os: ambos ap esen a am anemia hemolí ica, mas apenas um desen ol eu al e ações neu ológicas, endo sido egis ada meno concen ação e i oci á ia de MG no pacien e sem al e ações neu ológicas, compa ada com a concen ação de MG obse ada no i mão (com dis ú bios neu ológicos), suge indo que a acumulação des e compos o con ibui di e amen e pa a a pa ogénese da neu odegene ação na de iciência em TPI. Pa lo ic-Dju ano ic, e al. (2006) es a am a pe meabilidade de uma aquaglice opo ina de P. alcipa um (P AQP), um canal bi uncional pe meá el à água e solu os, à passagem da dihid oxiace ona não os o ilada (DHA), uma iose acilmen e me abolizada pela ia glicolí ica em e i óci os humanos; e ao MG e a alia am o e ei o da incubação des es compos os em e i óci os humanos in e ados po P. alcipa um Binh1 e P. alcipa um 3D7 (es i pe sensí el à clo oquina). Os esul ados epo ados nes e es udo demons am que DHA é óxica pa a o pa asi a, ap esen ando um alo de IC50 de 3,3mM pa a a es i pe Binh1 e de 2,6mM pa a a es i pe 3D7. O MG e elou se um po en e inibido da p oli e ação pa asi á ia obse ando-se um IC50 de 223µM e 128µM pa a as es i pes Binh1 e 3D7, espe i amen e. A componen e ci o óxica associada à DHA de e-se ao ac o do genoma do Plasmodium sp. apa en emen e não con empla os mecanismos que possibili am o p ocesso de os o ilação da DHA (genes DHA quinase). Ou a e idência que a i ma a oxicidade des e compos o é a sua capacidade de inibi a enzima GAPDH de P. alcipa um (P GAPDH) numa concen ação de 2,5mM DHA. A inibição do GAPDH le a à acumulação de G3P, o que p omo e a o mação espon ânea de MG ci o óxico. A o mação de MG, óxica ao pa asi a e, em ele adas concen ações ao humano, pa ece es a associada a al e ações na ia glicolí ica, o emen e elacionada com a pe da da a i idade enzimá ica da TPI, indicando uma possí el ia de a enuação do pa asi a associada à a ian e alélica -8A do p omo o des a enzima. Bibliog a ia ____________________________________________________________________________________ 77 Li e a u a: Ahmed, N., Ba ah, S., Ka achalias, N., Babaei-Jadidi, R., Ho ányi, M., Ba ó i, K., Hollan, S. & Tho nalley, P. (2003) – Inc eased o ma ion o me hylglyoxal and p o ein glyca ion, oxida ion and ni osa ion in iosephospha e isome ase de iciency. Biochimica e Biophysica Ac a, 1639: 121-132. A melagos, G., Ba nes, K. & Lin, J. (1996) – Disease in human e olu ion: he e- eme gence o in ec ious disease in he hi d epidemiological ansi ion. Na ional Museum o Na u al His o y, 18: 1-6. A ya, R., Lalloz, M., Bellingham, A. & Lay on, D. 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