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Exposição ocupacional a citostáticos e efeitos sobre a saúde

Suspiro, Alexandra,Prista, João

Abstract

R E S U M O - Os citostáticos são genotóxicos e não completamente seletivos para as células neoplásicas, podendo afetar o genoma das células normais. Está comprovada a sua genotoxicidade em modelos experimentais e doentes tratados com quimioterapia. Os profissionais de saúde responsáveis pela sua preparação e administração apresentam risco de sofrer efeitos adversos para a saúde, tendo sido comprovado por diversos estudos haver contaminação generalizada do ambiente e de superfícies de trabalho. Os procedimentos de segurança e equipamentos de proteção individual têm sido insuficientes para evitar a absorção, evidenciada por quantidades mensuráveis de citostáticos na urina, e o aumento de indicadores biológicos de genotoxicidade. São revistos os efeitos para a saúde decorrentes desta exposição.

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e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 www.else ie .p / psp A igos de e isão Exposic¸ão ocupacional a ci os á icos e e ei os sob e a saúde Alexand a Suspi o∗e João P is a Depa amen o de Saúde Ocupacional e Ambien al, Escola Nacional de Saúde Pública Uni e sidade No a de Lisboa, Uni e sidade No a de Lisboa, Lisboa, Po ugal in o mação sob e o a igo Pala as-cha e: Ci os á icos Exposic¸ão ocupacional E ei os pa a a saúde e s u m o Os ci os á icos são geno óxicos e não comple amen e sele i os pa a as células neoplási- cas, podendo a e a o genoma das células no mais. Es á comp o ada a sua geno oxicidade em modelos expe imen ais e doen es a ados com quimio e apia. Os p ofissionais de saúde esponsá eis pela sua p epa ac¸ão e adminis ac¸ão ap esen am isco de so e e ei os ad e sos pa a a saúde, endo sido comp o ado po di e sos es udos ha e con aminac¸ão gene alizada do ambien e e de supe ícies de abalho. Os p ocedimen os de segu anc¸a e equipamen os de p o ec¸ão indi idual êm sido insuficien es pa a e i a a abso c¸ão, e idenciada po quan idades mensu á eis de ci os á icos na u ina, e o aumen o de indi- cado es biológicos de geno oxicidade. São e is os os e ei os pa a a saúde deco en es des a exposic¸ão. © 2011 Escola Nacional de Saúde Pública. Publicado po Else ie España, S.L. Todos os di ei os ese ados. Occupa ional exposu e o an icance d ugs and ad e se heal h e ec s Keywo ds: An icance d ugs Occupa ional exposu e Heal h e ec s a b s a c An icance d ugs sha e DNA-damaging p ope ies a ec ing no only a ge -cells, bu also non umou cells. I s geno oxici y has been demons a ed in expe imen al models and in cance pa ien s ea ed wi h chemo he apy. Heal h ca e pe sonnel in ol ed in he p e- pa a ion and adminis a ion o hese agen s a e a isk o ad e se heal h e ec s, since en i onmen al sampling s udies demons a ed widesp ead con amina ion o wo k su a- ces and u ensils. Adhe ence o sa e y guidelines and p ope use o pe sonal p o ec i e equipmen a e insu ficien o p e en significan abso p ion, e idenced by he p esence o de ec able amoun s o d ugs in u ine samples and inc eased equency o geno oxici y bio- ma ke s. The e idence ega ding ad e se heal h e ec s on wo ke s occupa ionally exposed o an icance agen s is e iewed. © 2011 Escola Nacional de Saúde Pública. Published by Else ie España, S.L. All igh s ese ed. ∗Au o pa a co espondência. Co eio ele ónico: a.suspi [email protected] (A. Suspi o). 0870-9025/$ – see on ma e © 2011 Escola Nacional de Saúde Pública. Publicado po Else ie España, S.L. Todos os di ei os ese ados. doi:10.1016/j. psp.2011.12.002 Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 77 Os á macos an ineoplásicos são cada ez mais u ilizados que na e apêu ica de doenc¸as malignas que com in ui os p ofilá icos ( e apêu ica adju an e) e num espe o c escen e de pa ologia benigna (doenc¸as au oimunes, doenc¸as inflama- ó ias c ónicas do o o gas oen e ológico ou euma ológico, en e ou as). Têm em comum o ac o de pode em lesa o genoma celula (e ei o geno óxico). Idealmen e, de e iam a e a apenas as células neoplásicas; os á macos disponí- eis, no en an o, embo a a e em p e e encialmen e as células malignas, são ela i amen e inespecíficos, a e ando simul a- neamen e o genoma das células no mais e condicionando assim e ei os ad e sos pa a a saúde que dos doen es a ados que dos p ofissionais de saúde a eles expos os. A geno oxicidade dos ci os á icos em sido e idenciada po es udos in i o em di e sos ipos de células. Yamada (2000)1, po exemplo, demons ou a exis ência de abe ac¸ões c omossómicas e de mu ac¸ões induzidas pela exposic¸ão a 5 ci os á icos numa linha celula lin oide. Boos2es udou os e ei os dos inibido es da opoisome ase ii sob e células lin oi- des de a inho e e ificou que es es induzi am um aumen o da equência de mic onúcleos e do g au de lesão do ADN medido pelo come assay. Aydemi 3a aliou os e ei os geno- óxicos da gemci abina in i o sob e lin óci os humanos u ilizando o es e de abe ac¸ões c omossómicas e o es e de oca de c omá ides i mãs (Sis e Ch oma id Exchange - SCE), endo e ificado que induz um aumen o significa i o de ambos em odas as concen ac¸ões es adas. Num es udo mais ecen e, demons ou-se que o e oposido pa ilha com o me aboli o do benzeno hid oquinona a capacidade de o igina endo eduplicac¸ão c omossómica (amplificac¸ão do ADN sem a di isão celula co esponden e), mecanismo que pode le a a hipe ploidia4. A geno oxicidade dos ci os á icos em sido ambém demons ada in i o em modelos de a inho, nomeada- men e sob e as células hema opoié icas da medula óssea (aumen o da equência de abe ac¸ões c omossómicas e de mic onúcleos)5,6 e sob e as células espe má icas (aneuploi- dia e abe ac¸ões c omossómicas es u u ais, de e adas po hib idizac¸ão in si u)7. Exis em ainda es udos e idenciando a geno oxicidade dos ci os á icos em doen es com canc o a ados com es es agen es, aduzida num aumen o da equência de mic onúcleos8–11 e no aumen o do g au de lesão do ADN medido pelo come assay12. Em p ofissionais expos os a ci os á icos, á ias publicac¸ões e e em uma equência aumen ada de di e sos indicado- es biológicos de geno oxicidade como sejam abe ac¸ões c omossómicas13–18, oca de c omá ides i mãs15,17,19–21, mic onúcleos19,22,23, lesão do ADN de e ada po come assay24–28 e mu ac¸ões29,30, ge almen e a aliadas em lin óci os do sangue pe i é ico. Exposic¸ão ocupacional a ci os á icos Pa a além dos doen es com canc o, expos os a e ei os geno ó- xicos sob e as células no mais po ine ência da e apêu ica da sua pa ologia, de e minados g upos p ofissionais es ão expos os, pelas exigências da sua a i idade de abalho, a es es á macos. Des acam-se os p ofissionais de en e magem, esponsá eis pela adminis ac¸ão da e apêu ica ci os á ica, e os p ofissionais das a mácias hospi ala es, esponsá eis pela sua p epa ac¸ão. A exposic¸ão p ofissional pa ece oco e p e e encial- men e po ia cu ânea, esul an e da manipulac¸ão di e a dos á macos ou con ac o com supe ícies e equipamen os con aminados31,32. Di e sos es udos confi mam que exis e con aminac¸ão gene alizada das supe ícies de abalho, pa e- des, pa imen os, oupas de es i e de cama de doen es a ados e ecipien es que con êm ou con i e am sec ec¸ões e exc ec¸ões des es em odas as si uac¸ões de abalho, que ao ní el da p epa ac¸ão pelos écnicos de a mácia que ao ní el da adminis ac¸ão pelos p ofissionais de en e magem (quad o1). Os doen es a ados eliminam quan idades impo an es de ci os á icos a a és das sec ec¸ões e exc ec¸ões após a e a- pêu ica e cons i uem assim uma possí el on e adicional de con aminac¸ão31. F ansman32, po exemplo, demons ou exis- i em quan idades significa i as de ci os á icos nas oupas de cama de doen es a ados, jus ificando a ecomendac¸ão de que es as sejam anspo adas em sepa ado e sujei as a p é-la agem an es de se em mis u adas com as es an es oupas33. Apesa da u ilizac¸ão, a ualmen e quase gene alizada, de câma as de fluxo lamina e ical, demons ou-se que exis e con aminac¸ão das supe ícies ex e io es da câma a e de zonas ela i amen e dis an es, esul an e que da dispe são aé ea do agen e que de ans e ência po mãos e obje os con aminados34. Foi de e ada con aminac¸ão de pa edes, pa i- men os, bancadas e dos mais di e sos equipamen os e obje os de abalho. Ca allo35, po exemplo, de e ou con aminac¸ão no ex e io das bombas in uso as, nos b ac¸os das cadei as usadas pa a adminis a os ci os á icos e nas ampas dos con en o es de esíduos. B ouwe s e al.36, num es udo con- duzido em 7 a mácias hospi ala es holandesas, de e a am con aminac¸ão em 94% das amos as p o enien es de di e sas supe ícies, nomeadamen e no ex e io das câma as de fluxo lamina , pa imen os, incos das po as, manípulos dos sis e- mas de ans e ência de ci os á icos e p a elei as das zonas de a mazenamen o. A in oduc¸ão das a uais ampolas seladas ep esen ou uma melho ia subs ancial em elac¸ão ao uso das an igas, que inham de se queb adas pa a ex ac¸ão do con eúdo. No en an o, a supe ície ex e na des as ampolas es á e- quen emen e con aminada, con ibuindo pa a a exposic¸ão cu ânea a es es agen es37,38. Touzin38, po exemplo, de e- ou con aminac¸ão ex e na com ciclo os amida em 13 de 20 ampolas analisadas. Algumas soluc¸ões de ci os á icos podem pe mea as se ingas, passando di e amen e pa a as mãos do abalhado 39. Foi de e ada ainda con aminac¸ão da supe ície ex e io das embalagens con endo ci os á icos, an es da abe - u a, suge indo que é necessá ia a p o ec¸ão mesmo du an e o desembalamen o39. A maio pa e dos es udos desc e em ní eis mais ele a- dos de con aminac¸ão nas zonas de p epa ac¸ão em elac¸ão às de adminis ac¸ão40,41, mas a equência de amos as posi i as é equen emen e semelhan e41. Nas zonas de adminis ac¸ão, alguns es udos suge em di e enc¸as en e o ambula ó io (hospi al de dia) e o in e namen o (en e - ma ia), associando-se es e úl imo a maio es ní eis de con aminac¸ão42. Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. 78 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 Quad o 1 – Es udos da con aminac¸ão do a ambien e e de supe ficies/equipamen os de abalho Au o es País Ano public. Fá macos es udados Pa âme os ambien ais a aliados Resul ado Sessink Holanda 1992 CF, IF, 5-FU, MTX A ambien e (amos as es acioná ias e indi iduais); Supe ícies e obje os de abalho, incluindo lu as - + Sessink Holanda 1997 CF, IF, 5-FU, MTX A ambien e (amos as es acioná ias e indi iduais); Supe ícies e obje os de abalho, EPIs (lu as e másca as) + + Nyg en Suécia 1997 De i ados pla ina A ambien e (amos as indi iduais) Supe ícies de abalho - + Minoia I ália 1998 CF, IF A ambien e; Supe ícies; lu as, ba as, másca as Con aminac¸ão cu ânea + + + (ge al) Conno EUA e Canadá 1999 CF, IF, 5-FU Supe ícies e obje os de abalho, pa imen os + Rubino e Flo idia I ália 1999 MTX, 5-FU, CIT, GEM Supe ícies de abalho + F ansman Alemanha 2004 CF Lu as Con aminac¸ão cu ânea + + (mãos) Mason Reino Unido 2005 CF, IF, MTX, Cispla ina A ambien e (amos as es acioná ias e indi iduais); Supe ícies de abalho e pa imen os; lu as (in e io ) - + Ca allo I ália 2005 5-FU Supe ícies e objec os de abalho Conno EUA 2005 CF, IF, 5-FU Supe ície ex e io ascos de ci os á icos + Mason Reino Unido 2005 CF, IF, MTX A ambien e Supe ícies de abalho, lu as - + Robe s Reino Unido 2006 CF, 5-FU, doxo ubicina Supe ícies de abalho + U sini I ália 2006 CF, IF,5-FU CIT e GEM Supe ícies de abalho EPIs (lu as, masca as, ba as) + + B ouwe s Holanda 2007 De i ados pla ina Supe ícies de abalho e pa imen os + F ansman Holanda 2007 CF, IF, 5-FU, MTX, Ci a abina, Gemci abina, Clo ambucil Roupas de cama + Hedme Suécia 2008 CF, IF Supe ícies de abalho e pa imen os + Cas iglia I ália 2008 CF, IF, 5-FU Supe ícies e obje os de abalho, pa imen os + Touzin Canadá 2008 CF Supe ície ex e na dos ascos con endo ci os á icos + (13/20) Schie l Alemanha 2009 5-FU, de i ados pla ina Supe ícies de abalho e pa imen os + Touzin Canadá 2009 CF, IF, MTX Supe ícies de abalho + Conno EUA 2010 CF, IF, 5-FU A ambien e (amos as es acioná ias e indi iduais) Supe ícies de abalho - + Villa ini I ália 2010 CF Supe ícies de abalho Con aminac¸ão cu ânea + + Maeda Japão 2010 CF, IF Supe ícies de abalho + Yoshida Japão 2011 CF, 5-FU, GEM, de i ados pla ina A ambien e Supe ícies e obje os de abalho + + CF: ciclo os amida; IF: i os amida; 5-FU: 5-fluo u acilo; MTX: me o exa o; CIT: Ci osina a abinosido; GEM: Gemci abina. Po ou o lado, exis em dados que indiciam que di e sas das medidas de p e enc¸ão u ilizadas êm eficácia limi ada. A eficiência das câma as de fluxo lamina e ical em sido con es ada, pa icula men e pa a a ciclo os amida, que pode apo iza à empe a u a ambien e, o iginando pa ículas in e- io es aos po os dos fil os HEPA (High E ficency Pa icula e Ai )31. De modo mais significa i o ainda, odas as lu as êm e elado em abalhos expe imen ais se em pe meá eis aos ci os á icos. Nos anos 80, Conno 43 es udou a pe meabili- dade de lu as de lá ex e de PVC à ca mus ina e e ificou que odas ap esen a am pe meac¸ão aos 90 minu os, suge- indo que a p o ec¸ão o e ecida é insuficien e. Os mesmos Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 79 esul ados ob i e am Laidlaw44, que es udou a pe meabili- dade de lu as de lá ex e PVC a 20 agen es ci os á icos, endo demons ado ha e pe meac¸ão a odos eles, com uma in ensi- dade dependen e da espessu a das lu as. Colligan45 es udou, ambém em condic¸ões expe imen ais, a pe meabilidade dos mesmos 2 ipos de lu as à ciclo os amida e e ificou que os p imei os sinais de pe meac¸ão oco e am aos 10 minu- os no caso das lu as de lá ex e aos 20 minu os no caso das lu as de PVC. Num es udo mais ecen e, oi es ada a pe - meabilidade de 13 ipos di e en es de lu as (incluindo lá ex, PVC, ni ilo e neop eno) a di e sos ci os á icos, endo sido demons ado que, após uma ho a, odos os ma e iais ap e- sen a am pe meac¸ão, baixa mas significa i a, a pelo menos um dos ci os á icos es ados46. Es a pe meabilidade das lu as aos ci os á icos é e idenciada ambém pelos es udos em abalhado es de saúde que demons a am exis i em ní eis significa i os de ci os á icos na supe ície in e io das lu as, em con ac o di e o com a pele25,32,47–50. Também o in e io das másca as e ba as u ilizadas pode ap esen a ní eis de e- á eis des es agen es, con ibuindo pa a a exposic¸ão cu ânea dos abalhado es25,48,49. Os p odu os de limpeza u ilizados nem semp e são eficazes na neu alizac¸ão de ci os á icos de uso comum, como sejam a ciclo os amida e o 5-fluo u acilo51. A a es a que es a con aminac¸ão gene alizada das supe - ícies e equipamen os de abalho esul a em con aminac¸ão cu ânea dos p ofissionais expos os, es ão os di e sos es u- dos em que oi demons ada a p esenc¸a de ci os á icos em di e sas egiões co po ais, sob e udo ao ní el das mãos28,32,49. Es es achados demons am que, e e i amen e, os p oce- dimen os de segu anc¸a e os equipamen os de p o ec¸ão indi idual são insuficien es pa a p e eni a exposic¸ão cu ânea, com consequen e isco de abso c¸ão po es a ia. Apesa de pa ece , pelos dados disponí eis, de meno impo ância, a ia inala ó ia pode á desempenha um papel adicional nalguns casos. Alguns ci os á icos, como a ciclo os- amida, podem apo iza à empe a u a ambien e31. De e - minados ipos de manipulac¸ão ( ans e ência de o mulac¸ões líquidas com se inga sob p essão, u ilizac¸ão de p epa ados sólidos sob a o ma de pó ou esmagamen o de comp imidos) podem ge a a o mac¸ão de ae ossóis ou poei as susce í eis de se em inalados31. Nalguns es udos e e uados com bom- bas de amos agem indi idual, oi de e ada a p esenc¸a de ci os á icos no a ambien e, embo a es e achado não seja ão equen e nem ão gene alizado como a con aminac¸ão de supe ícies48,49,52. Pa a além da exposic¸ão c ónica a baixas doses, a exposic¸ão aciden al a ele adas quan idades de ci os á icos pode cons- i ui uma on e não negligenciá el de dose in e na. Assim, um es udo ecen e de Kopja 17 e elou que uma pe cen agem significa i a dos abalhado es e e ia episódios de exposic¸ão aguda elacionada com queb a/ o u a de ampolas e sacos de ci os á icos (43%), de ame do seu con eúdo (39%) ou picadas com co an es con aminados (13%). Es a exposic¸ão, p edominan emen e a ní el cu âneo e de o ma secundá ia po ia inala ó ia, associa-se a abso c¸ão significa i a des es agen es. Tal é e idenciado po di e - sos es udos u ilizando bioma cado es de exposic¸ão e que demons am consis en emen e a p esenc¸a de ci os á icos ou dos seus me aboli os na u ina25,28,35,41,47,49,52–60. Ha endo abso c¸ão e dose in e na, ha e á po encialmen e isco de e ei- os ad e sos pa a a saúde. E ei os ad e sos pa a a saúde Os doen es a ados com ci o óxicos desen ol em equen- emen e e ei os óxicos agudos (mucosi e, alopécia, dia eia, ci opénias); a exposic¸ão ocupacional, no en an o, não em sido associada a es e ipo de e ei os, exce o no con ex o de aciden- es en ol endo quan idades ele adas de á maco31. Alguns es udos pa ecem indicia que, em condic¸ões pa - icula es, alguns p ofissionais expos os pode ão ap esen a uma p e alência aumen ada de alguns sin omas a ibuí eis a oxicidade aguda dos ci os á icos. No início dos anos 90, um es udo ealizado nos EUA61 e e e, num g upo de en e - mei as expos as a ci os á icos, uma p e alência supe io de di e sos sin omas (gas oin es inais, neu ológicos, alé gicos, sis émicos) elacionada com uma possí el oxicidade aguda dos ci os á icos, es ando o núme o de sin omas associado à in ensidade de exposic¸ão cu ânea (a aliada pelo núme o de doses manipulada e pela u ilizac¸ão ou não de lu as du an e a manipulac¸ão). Mais ecen emen e, um es udo ealizado po K s e 62 na Sé ia analisou 186 en e mei as expos as a á ma- cos an ineoplásicos po compa ac¸ão com um g upo con olo de 77 en e mei as não expos as. Foi cons a ada, no g upo expos o, uma equência significa i amen e maio de sin o- mas como alopécia (OR = 7,14), ash cu âneo (OR = 4,7) e sensac¸ão de lipo ímia (OR = 4,78), com uma eg essão significa- i a nos fins de semana (OR = 4,78). Num es udo semelhan e o iundo da Polónia, Walusiak63 e e e, em 104 p ofissionais expos os e 103 con olos não expos os, uma p e alência aumen ada de alopécia no g upo expos o (50,6% e sus 10,7%). Na in e p e ac¸ão des es esul ados, de e e -se em conside ac¸ão que es es 3 es udos podem aduzi ealidades pa icula es não gene alizá eis à maio pa e dos ambien es de abalho a uais. Po exemplo, o es udo de Valanis61 incluíu p ofissionais expos as nos anos 70 e início dos anos 80, an es da implemen ac¸ão gene alizada das medidas p e en i as a u- almen e em igo na maio pa e dos locais de abalho dos EUA, que oco eu em meados dos anos 80. Os p ofissionais incluídos no es udo sé io de K s e 62, po seu lado, não es a- am em g ande pa e ab angidos po es as medidas, e e indo os au o es que apenas 38% u iliza a câma as de fluxo lami- na pa a a p epa ac¸ão dos ci os á icos, 57% másca as (embo a 82% e e issem usa lu as) e que na maio pa e dos locais de abalho não exis iam p ocedimen os esc i os nem con en o- es específicos pa a ma e ial con aminado. O es udo polaco de Walusiak63 não e e e dados suficien es pa a se a e i em as condic¸ões da a i idade de abalho. Numa me a-análise ecen e64, em que o am analisados odos os es udos publica- dos a é 2004, oi conside ado não exis i em dados suficien es pa a calcula o isco de e ei os agudos em p ofissionais expos- os a ci os á icos. Tendo em con a a geno oxicidade comum a odos os á - macos an ineoplásicos, os e ei os a longo p azo que maio in es igac¸ão êm me ecido p endem-se com o aumen o da incidência de de e minados ipos de canc o e com os pos- sí eis e ei os sob e a ep oduc¸ão e o desen ol imen o. Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. 80 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 Quad o 2 – Fá macos an ineoplásicos classificados pela IARC quan o à sua ca cinogenicidade ( ols 1-100, e is o agos o/2010) Fá maco Classificac¸ão IARC Re e ência Tumo es (G upo I) Ac inomicina D3Vol 10 (1987) Ad iamicina (doxo ubicina) 2A Vol 10 (1987) Amsac ina 2B Vol 76 (2000) Azaci idina 2A Vol 50 (1990) Bleomicina 2B Vol 26 (1987) Busul an 1 Vol 4 (em p ep) LMA Clo ambucil 1 Vol 26 (em p ep) LMA Cispla ina 2A Vol 26 (1987) Ciclo os amida 1 Vol 26 (em p ep) Bexiga Daca bazina 2B Vol 26 (1987) Daunomicina 2B Vol 10 (1987) E oposido 1 Vol 76 (em p ep) LMA 5-fluo u acilo 3 Vol 26 (1987) Hid oxiu eia 3 Vol 76 (2000) Iso os amida 3 Vol 26 (1987) Mel alan 1 Vol 9 (em p ep) LMA Me alan 2B Vol 9 (1987) Me o exa o 3 Vol 26 (1987) Mi omicina C2BVol 76 (2000) Mi oxan ona 2B Vol 76 (2000) MOPP;ou os egimes con endo alquilan es 1 Vol 7 (1987) LMA Teniposido 2A Vol 76 (2000) T eossul an 1 Vol 26 (em p ep) LMA Vinblas ina 3 Vol 26 (1987) Vinc is ina 3 Vol 26 (1987) G upo 1: ca cinogénico pa a o homem; G upo 2A: p o a elmen e ca cinogénico pa a o homem; G upo 2B: possi elmen e ca cinogénico pa a o homem; G upo 3: não classificá el quan o à sua ca cinogenicidade pa a o homem; G upo 4: p o a elmemen e não ca cinogénico pa a o homem; LMA: leucemia mieloide aguda; MOPP: Mos a da ni ogenada + Onco ina + P oca bazina + P ednisona Ca cinogenicidade De aco do com a IARC (In e na ional Agency o Resea ch on Can- ce ), 7 á macos ci o óxicos possuem e idência suficien e pa a se em conside ados ca cinogénicos pa a o Homem (quad o 2), com base no isco de canc o de doen es a ados. Es a e i- dência inclui as associac¸ões en e e apêu ica com agen es alquilan es ou inibido es da opoisome ase II e leucemia mie- loide aguda e en e e apêu ica com ciclo os amida e neoplasia da bexiga. Com base nes as associac¸ões, Sessink54 publicou nos anos 90, um abalho ex emamen e in e essan e isando calcula o isco eó ico de canc o em p ofissionais expos os a ciclo os amida, o agen e an ineoplásico sob e o qual exis em mais dados disponí eis na li e a u a. Te e em con a os dados de modelos animais, o isco de umo es secundá ios em doen- es a ados com ciclo os amida e os alo es disponí eis de ma cado es biológicos de exposic¸ão (ciclo os amida u iná ia) em p ofissionais de saúde expos os. Po ex apolac¸ão, es imou um isco aumen ado, semelhan e pa a a leucemia e pa a o ca cinoma da bexiga, de 1,4 a 10 casos/milhão/ano. Leucemia mieloide Di e sos agen es alquilan es isolados (bussul an, mel alan, clo ambucil, eossul an) ou em associac¸ão como o MOPP (Mos a da ni ogenada + Onco ina + P oca bazina + P edni- sona) e ou os esquemas simila es, bem como o inibido da opoisome ase II e oposido, es ão classificados pela IARC no g upo I pela sua associac¸ão com leucemia mieloide aguda. O aumen o da incidência de sínd ome mielodisplásica (SMD) e de leucemia mieloide aguda (LMA) após e apêu ica an ine- oplásica es á desc i o desde os anos 7065 e oi confi mada po es udos pos e io es66,67. As sínd omes mielodisplásicas e leucémias pós- e apêu ica ep esen am 10-15% do o al de casos e es ão desc i as após e apêu ica com agen es alqui- lan es e com inibido es da opoisome ase II68. Es a e apêu ica associa-se a um isco de SMD e LMA 100 ezes supe io ao da populac¸ão ge al68. Globalmen e, a LMA pós- e apêu ica es- ponde pio ao a amen o do que a LMA de no o e ap esen a pio p ognós ico. Em e mos clínicos e ci ogené icos, es ão desc i os 2 ipos de LMA pós- e apêu ica68,69: a) a LMA associ- ada aos alquilan es, ca ac e izada po um pe íodo de la ência médio de 5-7 anos, po e um SMD an eceden e e po ap e- sen a delec¸ão comple a ou pa cial do c omossoma 5 e/ou do c omossoma 7 e cujo isco es á elacionado com a dose cumula i a de e apêu ica alquilan e; b) a LMA associada aos inibido es da opoisome ase II, ca ac e izada po um pe íodo de la ência médio de 2 anos, po ausência de um SMD an e- ceden e e po ap esen a anslocac¸ões equilib adas do b ac¸o longo do c omossoma 11 en ol endo o gene MLL (Mixed Line- age Leukemia), localizado em 11q23, cujo isco é independen e da dose cumula i a de e apêu ica. No que diz espei o a um possí el aumen o da incidência des as sínd omas hema ológicas em p ofissionais de saúde expos os a ci os á icos, exis em alguns dados publicados que Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 81 são suges i os duma associac¸ão, embo a se es eja longe de uma elac¸ão comp o ada. Nos anos 90, Sko 70 publicou um abalho em que o am es udadas en e mei as de unidades de oncologia (275) e sus ou as en e mei as (765), endo sido de e ado um aumen o significa i o do isco de leucemia mie- loide nas p imei as (RR = 10,65), embo a apenas à cus a de 2 casos (1 LMA e 1 LMC). Es udos pos e io es mais ala gados, de base populacional, desc e em um aumen o da mo alidade po leucemia mieloide em p ofissionais de saúde71–74, mas em nenhum deles oi a aliada especificamen e a exposic¸ão a ci os á icos. A exposic¸ão dos p ofissionais de saúde a ou os agen es possi elmen e leucemogénicos ( adiac¸ões ionizan- es, o maldeído, gases anes ésicos, óxido de e ileno) o na impossí el es abelece elac¸ões e iológicas com base nes- es es udos. De aco do com es as limi ac¸ões dos dados publicados, D ani sa is64 conside a na sua me a-análise que não exis em dados suficien es pa a calcula um isco de canc o de causa ocupacional em abalhado es expos os a ci os á icos. Neoplasia da bexiga Ou a associac¸ão bem es abelecida é a da e apêu ica com ciclo os amida e isco de neoplasia da bexiga. A ciclo os amida é um agen e alquilan e com ele ada oxicidade pa a o epi élio esical, o iginando que e ei os agudos (cis i e hemo ágica) que aumen o a longo p azo do isco de neoplasia da bexiga. A p e alência de neoplasia da bexiga em doen es a ados com ciclo os amida a inge os 10% aos 11-16 anos e a maio pa e dos umo es são ca cinomas de células de ansic¸ão, embo a es ejam desc i os ipos his ológicos mais a os75. Não exis e, no en an o, do nosso conhecimen o, nenhuma publicac¸ão com incidência aumen ada des a neoplasia em p ofissionais expos os a ci os á icos. Ou as neoplasias Foi suge ido ambém aumen o do isco de ou os ipos de canc o pa a além dos e e idos, que se iam à pa ida os expec á eis com base nos e ei os desc i os em doen es a- ados com ci os á icos. No final dos anos 90, um es udo de caso-con olo76, embo a de pequenas dimensões (59 casos e 118 con olos), suge e um aumen o do isco de canc o da mama em en e mei as de oncologia (OR = 1,65). Mais ecen e- men e, Ra ne e al.77 e al. desc e em, num es udo de coo e de maio dimensão (56.213 en e mei as), um aumen o da inci- dência de neoplasia da mama (RR = 1,83 pa a IC = 95%) e, no subg upo das p ofissionais com maio exposic¸ão, de canc o do e o (RR = 1,87 pa a IC = 95%). E ei os sob e a ep oduc¸ão e desen ol imen o Os agen es an ineoplásicos são simul aneamen e ci o óxicos e geno óxicos pa a as células ge minais. Os possí eis e ei- os incidem, po um lado, sob e a capacidade ep odu i a ( educ¸ão da e ilidade ou mesmo es e ilidade, ansi ó ias ou defini i as, aumen o do isco de anomalias gené icas da linha ge minal, com possí el impac o a longo p azo sob e a descendência) e, po ou o, sob e o desen ol imen o, imedia o ou a longo p azo, de e os ou emb iões di e amen e expos os. E ei os sob e a capacidade ep odu i a A oxicidade dos ci os á icos pa a as células ge minais, an o masculinas como emininas, é confi mada po di e sos mode- los animais7,78–80. Rela i amen e às células ge minais mascu- linas, os agen es alquilan es são mu agénicos pa a odos os es ádios de ma u ac¸ão, embo a não pa ec¸am ocasiona aneu- ploidia ou anslocac¸ões c omossómicas ansmissí eis78. Os de i ados da pla ina podem induzi abe ac¸ões c omos- sómicas, ambém ansi ó ias e sem epe cussão sob e a descendência80. Os alcaloides da inca in e e em com o uso mi ó ico e o iginam ele adas axas de aneuploidia, que ao ní el da linha ge minal masculina se pa ecem aduzi em ci o oxicidade pa a os espe ma óci os p imá ios80. Os inibido- es da opoisome ase ii são po en es indu o es de anomalias c omossómicas, endo sido demons ado, num modelo de a inho7, que o e oposido não só induz abe ac¸ões c omossó- micas nas células ge minais masculinas, como es as células podem ansmi i as lesões à descendência, esul ando num espe ma com ní eis pe sis en emen e ele ados de anomalias c omossómicas, an o numé icas como es u u ais, mui os anos após e cessado a exposic¸ão ao agen e. Também Palo81 demons ou, pa a o an ime aboli o ci osina-a abinosido, a induc¸ão de abe ac¸ões c omossómicas das células ge mi- nais masculinas, algumas das quais ansmi idas às células madu as. Rela i amen e às células ge minais emininas, os agen es alquilan es êm sido associados, em modelos animais, a abo o espon âneo80, enquan o que os de i ados da pla ina podem induzi mu ac¸ões le ais, conduzindo a mo e emb io- ná ia p ecoce80. A exposic¸ão de células ge minais emininas a alcaloides da inca em sido associada, ambém em modelos animais, a mal o mac¸ões e ais esul an es da ecundac¸ão de ó ulos aneuploides80. E ei os ad e sos sob e a ep oduc¸ão es ão bem desc i os em doen es a ados. No homem es ão desc i as es e ilidade (ge almen e ansi ó ia) e anomalias gené icas dos espe - ma ozoides, embo a al não pa ec¸a aduzi -se em e ei os ad e sos sob e as u u as g a idezes82. Os agen es alquilan es, em pa icula , são ex emamen e ci o óxicos pa a as células ge minais masculinas, causando deplec¸ão ou aplasia do epi- élio ge minal dos es ículos com a consequen e oligospe mia ou azoospe mia, que ap esen am baixa axa de ecupe ac¸ão a longo p azo80. Na mulhe , a e apêu ica com ci os á icos associa-se, com alguma equência (dependendo do esquema e apêu ico e da idade e unc¸ão o á ica da mulhe ) a insu- ficiência o á ica e menopausa p ema u a82. Os alquilan es são ambém aqui pa icula men e óxicos, p o ocando fib ose o á ica com deplec¸ão de olículos e ooci os, acompanhados de axa ele ada de in e ilidade80. Mui as mulhe es, no en an o, ecupe am a e ilidade e, ao con á io do suge ido pelos es udos animais, es as g a idezes não ap esen am aumen o da equência de abo o nem de mal o mac¸ões congéni as quando compa adas com as da populac¸ão em ge al82. E ei os sob e o desen ol imen o Após adminis ac¸ão ma e na, a maio pa e dos agen- es ci os á icos a ingem o emb ião/ e o em concen ac¸ões Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. 82 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 significa i as, uma ez que a placen a não ep esen a uma ba ei a eficaz con a es es agen es80. A exposic¸ão in u e o a ci os á icos em e ei os imedia os comp o ados sob e o desen ol imen o emb ioná io e e al, que ão depende , em pa e, da idade ges acioná ia. A exposic¸ão mui o p e- coce, logo após a concec¸ão, quando o emb ião ap esen a uma ela i a esis ência aos e ei os e a ogénicos dos ci os- á icos, aduz-se habi ualmen e em mo e emb ioná ia e abo o espon âneo80. Da exposic¸ão du an e o pe íodo de o ganogénese, que deco e du an e o p imei o imes e, é expec á el que possam su gi mal o mac¸ões e ais. Os e ei os e a ogénicos do me o exa o, po exemplo, são ela i a- men e bem conhecidos: a exposic¸ão p é-na al a es e agen e, du an e ases c í icas da emb iogénese (o pe íodo mais c í- ico pa ece oco e en e as 6 e as 8 semanas), causa uma sínd ome ca ac e ís ica com múl iplas mal o mac¸ões83. Tam- bém pa a a ciclo os amida oi desc i a, como consequência da exposic¸ão ma e na du an e o p imei o imes e, uma sínd ome ca ac e ís ica de mal o mac¸ões congéni as84. Glo- balmen e, a e apêu icos ci os á icos du an e o 1.◦ imes e da g a idez associa-se a mal o mac¸ões majo em 10-20% dos e os, a ingindo de o ma semelhan e odos os ó gãos e sis emas83–86. O isco de anomalias após quimio e apia admi- nis ada du an e o 2.◦e o 3.◦ imes es é p o a elmen e baixo, embo a enham sido desc i os casos de a aso de c escimen o e mielossup essão e al como consequência de e apêu ica no 3.◦ imes e87. Mais di íceis de a alia são as epe cussões a longo p azo da exposic¸ão in u e o a ci os á icos. Fo am es udados os e ei os sob e a unc¸ão in elec ual e neu ológica, uma ez que o sis- ema ne oso se con inua a desen ol e após o 1.◦ imes e e é sensí el às ag essões du an e odo o pe íodo de ges ac¸ão – es as pode ão não e aduc¸ão em e mos de de ei os ana ó- micos, mas esul a num deficien e desen ol imen o a longo p azo80. Es ão publicados 2 es udos a aliando o desen ol i- men o neu ocogni i o a longo p azo em c ianc¸as expos as a ci os á icos in u e o e, em ambos, não o am de e a adas di e enc¸as ela i amen e a alo es de con olo compa á eis80. Ou o aspe o consis e na possibilidade de e ei os elacio- nados com mu ac¸ões não le ais, sem aduc¸ão imedia a, que pode iam esul a num u u o aumen o do isco de canc o. Es a possibilidade é le an ada pelos esul ados de alguns es u- dos expe imen ais em animais, demons ando, po exemplo, que a exposic¸ão in u e o de células ge minais hema opoié i- cas ao e oposido em baixas doses é suficien e pa a p o oca aumen o das queb as do ADN e induzi anslocac¸ões espe- cíficas, en ol endo o gene MLL88. Es as al e ac¸ões gené icas são semelhan es às desc i as nas LMA do adul o que su - gem após e apêu ica com es e ipo de ci os á icos, endo sido suge ido que a exposic¸ão ma e na a es es agen es aumen- a ia o isco de um ipo pa icula de leucemia que su ge nos p imei os 12 meses de ida (Leucemia Aguda In an il) e que ap esen a como anomalia gené ica ca ac e ís ica p eci- samen e a p esenc¸a de ea anjos do gene MLL. No Homem es á demons ada a p esenc¸a, em descenden es de mães a adas com ci os á icos du an e a g a idez, de anomalias c omossómicas es á eis, como, po exemplo, a anslocac¸ão ecíp oca equilib ada en e os c omossomas 5 e 20 associada ao me o exa o86. Num es udo en ol endo 217 mães a a- das com quimio e apia du an e a g a idez89 o am de e ados 2 ecém-nascidos po ado es de anomalias c omossómicas es á eis suge indo que es e enómeno, embo a ela i amen e a o, pode oco e . Es es dados dizem espei o à exposic¸ão a doses ele adas de ci os á icos, no con ex o da e apêu ica de doenc¸as neo- plásicas. A ques ão sob e se a exposic¸ão c ónica a baixos ní eis des es agen es, no con ex o p ofissional, se pode am- bém epe cu i de o ma ad e sa sob e a ep oduc¸ão ou sob e o desen ol imen o emb io- e al é um assun o ainda em abe o. Os e ei os mais in es igados e sob e os quais exis em dados mais consis en es são o abo o espon âneo e as mal o mac¸ões congéni as. Rela i amen e ao isco de abo o espon âneo, nos anos 80, Sele an90 publicou um p imei o es udo caso-con olo con- duzido em en e mei as de 17 hospi ais finlandeses, endo de e ado uma associac¸ão significa i a en e exposic¸ão a ci os á icos e pe da e al (OR = 2,30). Po ou o lado, na mesma al u a, em ou o es udo semelhan e, conduzido po Hemminki91, e que incluiu 217 casos e 571 con olos, não se e ificou associac¸ão significa i a en e exposic¸ão a ci os- á icos e isco de abo o espon âneo (OR = 0,8). Já nos anos 90, S ucke 92 publica um e cei o es udo de caso-con olo, ealizado em 4 hospi ais anceses, no qual é e idenciado, em p ofissionais expos as a ci os á icos, um aumen o do isco de abo o espon âneo (OR = 2,0); Sko 70, pelo con á io, num es udo ambém caso-con olo (incluindo 1.282 en e mei- as de oncologia e 2.572 ou as en e mei as) não e ificou associac¸ão en e exposic¸ão a ci os á icos e abo o (OR = 0,76). Valanis93 publicou ambém um es udo caso-con olo ans- e sal, incluindo 2.976 en e mei as e écnicas de a mácia, e e indo exis i associac¸ão significa i a en e exposic¸ão a ci os á icos du an e a g a idez e isco de abo o espon â- neo (OR = 1,5). Na me a-análise de D ani sa is64, que inclui odos os es udos e e idos, conclui-se ha e uma associac¸ão de aca in ensidade en e exposic¸ão a ci os á icos e abo o (RR = 1,64). Exis em di e sos es udos e e indo um aumen o da equência de mal o mac¸ões congéni as em p ofissionais expos as a agen es ci os á icos. Hemminki91 e e e, num es udo caso-con olo (46 casos e sus 128 con olos), um isco aumen ado de mal o mac¸ões congéni as (OR = 4,7). Também nos anos 80, McDonald94 e e e, num g upo de 152 g á idas com his ó ia de manipulac¸ão de ci os á icos du an e a g a i- dez, 8 anomalias congéni as e sus 4,05 espe adas (p = 0,05). Mais ecen emen e, em ou o es udo de caso-con olo95 que en ol eu 851 g a idezes, 100 das quais associadas a enda pala ina, e 751 com ecém-nascidos saudá eis, oi assinalada uma elac¸ão en e exposic¸ão ocupacional a agen es an ineo- plásicos e enda pala ina (OR = 5,0). Também Walusiak63 e e e um aumen o de mal o mac¸ões congéni as em p ofissionais expos as a ci os á icos du an e a g a idez (4/84 g a idezes e sus 1/169 g a idezes) e, pos e io men e, Ra ne e al.77 desc e em um aumen o da equência de mal o mac¸ões con- géni as do olho (OR = 3,46 pa a IC = 95%). Em sen ido con á io, Sko 70, num es udo caso-con olo com 1.282 en e mei as expos as a ci os á icos e 2.572 en e mei as con olo, não de e- ou aumen o da equência de mal o mac¸ões congéni as nas expos as (OR = 1,02). Numa pe spe i a ge al, assinale-se a me a-análise já ci ada64, incluindo odos os abalhos publica- dos en e 1966 e 2004, que não e elou associac¸ão significa i a Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 83 en e exposic¸ão a ci os á icos e mal o mac¸ões congéni as (OR = 1,46). Ou os e ei os es udados na á ea da ep oduc¸ão incluem a g a idez ec ópica, com a qual não oi de e ada associac¸ão96, a dis unc¸ão mens ual, com a qual oi e e ida uma associac¸ão posi i a com OR = 3,497 e a educ¸ão da e ilidade emi- nina, igualmen e com associac¸ão posi i a, OR = 1,598. Do nosso conhecimen o, não exis em es udos publicados a ali- ando possí eis e ei os a dios sob e os descenden es de mães com exposic¸ão ocupacional a ci os á icos du an e a g a idez, nomeadamen e sob e o desen ol imen o neu ocogni i o e o isco de canc o. O ac o de es es e ei os não e em sido cabal- men e comp o ados no caso da exposic¸ão e apêu ica, com doses ele adas du an e cu os pe íodos de empo, não signi- fica necessa iamen e que não exis am e ei os da exposic¸ão p ofissional, com doses baixas mas oco endo du an e pe ío- dos mui o mais p olongados. Como dado indi e o, uma e isão de Sa i z99 incidindo sob e di e sos es udos epidemiológicos que p ocu a am co elaciona a p ofissão ma e na e pa e na com a incidência de canc o nos descenden es, concluiu exis i e idência de uma associac¸ão o e en e a ocupac¸ão ma e na como écnica de a mácia e a incidência de leucemia (OR = 3,2). Ou os e ei os c ónicos sob e a saúde Exis em alguns dados, embo a escassos e ge almen e em es u- dos de pequena dimensão, sob e ou os e ei os c ónicos pa a a saúde da exposic¸ão ocupacional a ci os á icos. Os mais docu- men ados são os que oco em sob e o sis ema imuni á io. Nos anos 80, Jochimsen100 compa ou alguns pa âme os hema- ológicos de en e mei as com exposic¸ão a ci os á icos em si uac¸ão basal e após um es e de es imulac¸ão com p edni- solona, com o obje i o de a e igua se exis iam anomalias eno ípicas subclínicas semelhan es às desc i as em doen- es subme idas a quimio e apia adju an e pa a a neoplasia da mama, não endo e ificado di e enc¸as significa i as. Mais ecen emen e, Spa a i101 desc e e, num pequeno núme o de abalhado es expos os a an ineoplásicos (n = 17) um aumen o significa i o dos ní eis ci culan es de IL-15 e suge e que es es pode iam co esponde a um aumen o da exp essão endó- gena como espos a de ensi a an i umo al. Num ou o es udo ecen e102 oi e e uada imuno eno ipagem dos lin óci os e es udada a unc¸ão dos neu ófilos do sangue pe i é ico em 306 en e mei as expos as a an ineoplásicos. Os au o es des- c e em algumas di e enc¸as significa i as em elac¸ão ao g upo con olo, nomeadamen e, um aumen o da p opo c¸ão de lin ó- ci os B e uma diminuic¸ão da equência de lin óci os T helpe a i ados CD25+ (o ma cado CD 25 co esponde à cadeia ␣ do ece o de al a afinidade pa a a in e leucina 2, indu í- el com a a i ac¸ão des as células) e ainda um aumen o da espos a oxida i a dos neu ófilos quando es imulados, suge- indo um p iming p é io induzido pela exposic¸ão c ónica a ci os á icos. Nenhum es udo demons a, no en an o, que es as anomalias eno ípicas do sis ema imuni á io enham algum ipo de impac o no seu no mal uncionamen o. Ainda no que espei a ao sis ema imuni á io, es ão bem documen ados, embo a sejam a os, casos espo ádicos de eac¸ões alé gicas a alguns ipos de ci os á icos. Es ão desc i os casos de asma ocupacional elacionada com a mi oxan ona103 e os de i- ados da pla ina104 e um caso de inossinusi e a ibuída ao e oposido105. O ac o de as an aciclinas se associa em, em doen es a ados, a e ei os cu âneos, an o po ac¸ão sis émica como po con ac o di e o, le ou a que ossem es udados os e ei- os cu âneos da exposic¸ão ocupacional. Demons ou-se que a doxo ubicina pe meia egula men e as lu as e, quando incubada com uma cul u a celula de que a inoci os, é di e a- men e óxica pa a es as células, induzindo apop ose po um mecanismo p53-independen e106. Alguns ci os á icos, nomeadamen e os de i ados da pla ina, são ne o óxicos em doen es subme idos a qui- mio e apia. Nos anos 90, Sessink107 analisou pa âme os labo a o iais de lesão enal p ecoce (doseamen o u iná ia da Re inol Binding P o ein e da albumina) em p ofissionais expos- os a ci os á icos e não encon ou di e enc¸as em elac¸ão a um g upo con olo não expos o. Em 1983, So aniemi108 desc e e 3 casos de lesão hepá ica g a e com fib ose em en e mei as, que a ibuiu à exposic¸ão a ci os á icos, mas nenhum es udo pos e io eio confi ma ou infi ma es es achados. Obse ac¸ões finais A con aminac¸ão do ambien e de abalho com agen es an i- neoplásicos é um a o de isco ine en e à a i idade de mui os p ofissionais de a mácia e en e magem. É indiscu í- el que es a con aminac¸ão pe meia odos os equipamen os de p o ec¸ão indi idual u ilizados e se aduz na abso c¸ão, maio ou meno , des es agen es e em e ei os geno óxicos, demons- ados sob e udo ao ní el do sangue pe i é ico. Em e mos globais e na maio pa e dos países, é indiscu í el que se egis- a am melho ias subs anciais como esul ados da adoc¸ão das a uais no mas de segu anc¸a. A í ulo de exemplo, encon am- se esumidas na quad o 3 as p incipais ecomendac¸ões do NIOSH109 (Na ional Ins i u e o Occupa ional Sa e y and Heal h) nos EUA. No início des a década, F ansman110 analisou conjun a- men e os esul ados de 3 es udos ans e sais de a aliac¸ão da exposic¸ão (1997, 2000 e 2002) e e e iu uma educ¸ão subs an- cial da con aminac¸ão de lu as e supe ícies de abalho, não só em e mos da quan idade de ci os á icos p esen es mas am- bém em e mos da ex ensão global das zonas con aminadas. Es a educ¸ão da con aminac¸ão ambien al oi acompanhada po uma diminuic¸ão da pe cen agem de p ofissionais de en e - magem expos os com ciclo os amida de e á el na u ina, an o ao ní el do hospi al de dia (6,6 pa a 1,7%) como do in e na- men o (12,4 pa a 2,9%). Também So ani111 es udou a e oluc¸ão da con aminac¸ão de supe ícies e da pe cen agem de p ofissio- nais com bioma cado es de exposic¸ão na u ina em 5 a mácias i alianas no pe íodo en e 1990 e 2010. Regis ou educ¸ão dos ní eis de con aminac¸ão de supe ícies e da equência de bio- ma cado es de exposic¸ão posi i os (30% dos p ofissionais nos anos 90 e sus 2% na década 2000-2010. Tu ci112 e e e am- bém que, ao longo de um pe íodo de igilância de 5 anos, oi e ificada em 7 hospi ais do No e de I ália uma educ¸ão p og essi a que da con aminac¸ão de supe ícies que da Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma. 84 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(1):76–88 Quad o 3 – P incipais medidas de con olo do isco p opos as pela NIOSH nas a i idades de p epa ac¸ão e adminis ac¸ão de Ci os á icos116 PREPARAC¸ ÃO Recec¸ão e a mazenamen o Uso de EPI* adequados (lu as, ouca, óculos e ba a) ao desembala á macos Ro ulagem adequada A mazenamen o em local com aspi ac¸ão e sepa ado dos es an es á macos Exis ência de p ocedimen os esc i os de eme gência pa a o caso de de ame aciden al P epa ac¸ão p op iamen e di a Manipulac¸ão em salas p óp ias, com acesso es i o, e em câma as de fluxo lamina e ical Sala de p epa ac¸ão com aspi ac¸ão adequada e p essão posi i a Uso de EPI adequados (lu as duplas, ouca, óculos, ba a e másca a) du an e odos os p ocedimen os elacionados com a p epa ac¸ão Mudanc¸a de lu as de 30-30 minu os Após a p epa ac¸ão limpeza do ex e io da mis u a pa a adminis ac¸ão e enchimen o do espe i o sis ema com líquido sem á maco Exis ência de p ocedimen os de eme gência esc i os pa a o caso de de ame aciden al ADMINISTRAC¸ ÃO Uso de EPI adequados du an e manipulac¸ão das mis u as (lu as, ouca, óculos, ba a e másca a); es es de em se imedia amen e emo idos e colocados em con en o es adequados quando e mina a manipulac¸ão Conexão di e a da mis u a e, após e mina a adminis ac¸ão, emoc¸ão de odo o sis ema em bloco e colocac¸ão em con en o adequado Exis ência de p ocedimen os de eme gência esc i os pa a o caso de de ame aciden al PROCEDIMENTOS COMUNS Limpeza Exis ência de p ocedimen os de limpeza pe iódicos com p odu os adequados de odas as supe ícies e equipamen os po encialmen e con aminados Ro ulagem e a amen o sepa ado de odas as oupas po encialmen e con aminadas Regis o e moni o izac¸ão dos p ocedimen os de limpeza Eliminac¸ão de ma e ial con aminado Em ecipien es p óp ios, echados, e eliminados de o ma sepa ada dos es an es esíduos *EPIs: equipamen os de p o ec¸ão indi idual. pe cen agem de bioma cado es de exposic¸ão na u ina posi- i os –de ce ca de 30% na década de 90 pa a 2% após 2000. Com base nes es dados e na análise da li e a u a, pa ece e iden e que a ualmen e, nas condic¸ões de exposic¸ão e ifi- cadas na maio pa e dos países de o igem das publicac¸ões, o isco de e ei os agudos pa a a saúde é p a icamen e ine- xis en e o a do con ex o da exposic¸ão aciden al a doses ele adas de ci os á icos. Tal não in alida que, em de e mina- dos locais de abalho, com maio es ní eis de con aminac¸ão e meno ní el de p o ec¸ão dos abalhado es, elacionado po exemplo, com ausência de p ocedimen os de segu anc¸a ou uso insuficien e ou inadequado de equipamen os de p o ec¸ão indi idual, não possa exis i sin oma ologia aguda associada a es es agen es. Exemplos de abalho ecen es que ogem à endência e e ida pa a uma educ¸ão p og essi a nos ní eis de exposic¸ão são os de Rekhade i113, p o enien e da Índia, e o de K s e 62, p o enien e da Sé ia, em que a baixa pe cen agem de cump imen o de di e sas eg as de p o ec¸ão se associou a uma ele ada p e alência de sin omas suges i os de oxicidade aguda dos ci os á icos, como alopécia e ash cu âneo. Já em e mos de e ei os c ónicos, nomeadamen e, aumen o do isco de de e minados canc os e epe cussão sob e a ep oduc¸ão e o desen ol imen o, es amos longe de pode e e- ua qualque afi mac¸ão com segu anc¸a. Consoan e é bem e idenciado pela me a-análise de D ani asa is64, os dados publicados são insuficien es pa a e i a qualque conclusão. Do conhecimen o que se em sob e mecanismos de geno o- xicidade essal a, no en an o, que as melho ias e ificadas na maio pa e dos locais de abalho não se ão p o a elmen e suficien es enquan o con inua em a exis i abalhado es com bioma cado es posi i os. Pa a a maio pa e dos ci os á icos é pos ulado exis i , pa a os e ei os geno óxicos, uma cu a dose- espos a linea , sem e ei o limia de dose disce ní el (e ei os de ipo es ocás ico)114. Embo a es e modelo enha so ido ul i- mamen e alguma con es ac¸ão e, indiscu i elmen e, alguns ci os á icos não ap esen em uma cu a dose- espos a linea mas sim exponencial, suge indo que possa exis i um limia de dose, pa a a maio pa e das espos as geno óxicas, es e limia não pa ece exis i 115. Sendo po an o impossí el, com base no conhecimen o cien ífico a ual, de e mina um ní el de exposic¸ão abaixo do qual se possa assegu a a inexis ên- cia de e ei os ad e sos, de e en a -se que a con aminac¸ão ambien al seja ão baixa quan o possí el (As Low as Reasonably Achie able – ALARA)116. Ou o a o impo an e a conside a é o local onde cada es udo é e e uado, com as suas ca ac e ís icas específicas. Os esul ados ob idos num de e minado con ex o ocupa- cional não podem se usados pa a a alia o isco nou o con ex o ocupacional di e en e, com uma populac¸ão expos a de ca ac e ís icas ambém di e en es. São exemplos os a- balhos já e e idos de Rekhade i113 e K s e 62 e um es udo ecen e conduzido no Japão117 e elando que os p ofissi- onais de en e magem, numa pe cen agem subs ancial de casos, não abalha am ab angidos pelas medidas de p o ec¸ão a ualmen e ecomendadas, e e indo nomeadamen e des- conhecimen o de ecomendac¸ões específicas (47% casos), Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.