e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
www.else ie .p / psp
A igos
de
e isão
Exposic¸ão
ocupacional
a
ci os á icos
e
e ei os
sob e
a
saúde
Alexand a
Suspi o∗e
João
P is a
Depa amen o
de
Saúde
Ocupacional
e
Ambien al,
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública
Uni e sidade
No a
de
Lisboa,
Uni e sidade
No a
de
Lisboa,
Lisboa,
Po ugal
in o mação
sob e
o
a igo
Pala as-cha e:
Ci os á icos
Exposic¸ão
ocupacional
E ei os
pa a
a
saúde
e
s
u
m
o
Os
ci os á icos
são
geno óxicos
e
não
comple amen e
sele i os
pa a
as
células
neoplási-
cas,
podendo
a e a
o
genoma
das
células
no mais.
Es á
comp o ada
a
sua
geno oxicidade
em
modelos
expe imen ais
e
doen es
a ados
com
quimio e apia.
Os
p ofissionais
de
saúde
esponsá eis
pela
sua
p epa ac¸ão
e
adminis ac¸ão
ap esen am
isco
de
so e
e ei os
ad e sos
pa a
a
saúde,
endo
sido
comp o ado
po
di e sos
es udos
ha e
con aminac¸ão
gene alizada
do
ambien e
e
de
supe ícies
de
abalho.
Os
p ocedimen os
de
segu anc¸a
e
equipamen os
de
p o ec¸ão
indi idual
êm
sido
insuficien es
pa a
e i a
a
abso c¸ão,
e idenciada
po
quan idades
mensu á eis
de
ci os á icos
na
u ina,
e
o
aumen o
de
indi-
cado es
biológicos
de
geno oxicidade.
São
e is os
os
e ei os
pa a
a
saúde
deco en es
des a
exposic¸ão.
©
2011
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Publicado
po
Else ie
España,
S.L.
Todos
os
di ei os
ese ados.
Occupa ional
exposu e
o
an icance
d ugs
and
ad e se
heal h
e ec s
Keywo ds:
An icance
d ugs
Occupa ional
exposu e
Heal h
e ec s
a
b
s
a
c
An icance
d ugs
sha e
DNA-damaging
p ope ies
a ec ing
no
only
a ge -cells,
bu
also
non
umou
cells.
I s
geno oxici y
has
been
demons a ed
in
expe imen al
models
and
in
cance
pa ien s
ea ed
wi h
chemo he apy.
Heal h
ca e
pe sonnel
in ol ed
in
he
p e-
pa a ion
and
adminis a ion
o
hese
agen s
a e
a
isk
o
ad e se
heal h
e ec s,
since
en i onmen al
sampling
s udies
demons a ed
widesp ead
con amina ion
o
wo k
su a-
ces
and
u ensils.
Adhe ence
o
sa e y
guidelines
and
p ope
use
o
pe sonal
p o ec i e
equipmen
a e
insu ficien
o
p e en
significan
abso p ion,
e idenced
by
he
p esence
o
de ec able
amoun s
o
d ugs
in
u ine
samples
and
inc eased
equency
o
geno oxici y
bio-
ma ke s.
The
e idence
ega ding
ad e se
heal h
e ec s
on
wo ke s
occupa ionally
exposed
o
an icance
agen s
is
e iewed.
©
2011
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Published
by
Else ie
España,
S.L.
All
igh s
ese ed.
∗Au o
pa a
co espondência.
Co eio
ele ónico:
a.suspi
[email protected]
(A.
Suspi o).
0870-9025/$
–
see
on
ma e
©
2011
Escola
Nacional
de
Saúde
Pública.
Publicado
po
Else ie
España,
S.L.
Todos
os
di ei os
ese ados.
doi:10.1016/j. psp.2011.12.002
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
e
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a
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ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
77
Os
á macos
an ineoplásicos
são
cada
ez
mais
u ilizados
que
na
e apêu ica
de
doenc¸as
malignas
que
com
in ui os
p ofilá icos
( e apêu ica
adju an e)
e
num
espe o
c escen e
de
pa ologia
benigna
(doenc¸as
au oimunes,
doenc¸as
inflama-
ó ias
c ónicas
do
o o
gas oen e ológico
ou
euma ológico,
en e
ou as).
Têm
em
comum
o
ac o
de
pode em
lesa
o
genoma
celula
(e ei o
geno óxico).
Idealmen e,
de e iam
a e a
apenas
as
células
neoplásicas;
os
á macos
disponí-
eis,
no
en an o,
embo a
a e em
p e e encialmen e
as
células
malignas,
são
ela i amen e
inespecíficos,
a e ando
simul a-
neamen e
o
genoma
das
células
no mais
e
condicionando
assim
e ei os
ad e sos
pa a
a
saúde
que
dos
doen es
a ados
que
dos
p ofissionais
de
saúde
a
eles
expos os.
A
geno oxicidade
dos
ci os á icos
em
sido
e idenciada
po
es udos
in
i o
em
di e sos
ipos
de
células.
Yamada
(2000)1,
po
exemplo,
demons ou
a
exis ência
de
abe ac¸ões
c omossómicas
e
de
mu ac¸ões
induzidas
pela
exposic¸ão
a
5
ci os á icos
numa
linha
celula
lin oide.
Boos2es udou
os
e ei os
dos
inibido es
da
opoisome ase
ii
sob e
células
lin oi-
des
de
a inho
e
e ificou
que
es es
induzi am
um
aumen o
da
equência
de
mic onúcleos
e
do
g au
de
lesão
do
ADN
medido
pelo
come
assay.
Aydemi 3a aliou
os
e ei os
geno-
óxicos
da
gemci abina
in
i o
sob e
lin óci os
humanos
u ilizando
o
es e
de
abe ac¸ões
c omossómicas
e
o
es e
de
oca
de
c omá ides
i mãs
(Sis e
Ch oma id
Exchange
-
SCE),
endo
e ificado
que
induz
um
aumen o
significa i o
de
ambos
em
odas
as
concen ac¸ões
es adas.
Num
es udo
mais
ecen e,
demons ou-se
que
o
e oposido
pa ilha
com
o
me aboli o
do
benzeno
hid oquinona
a
capacidade
de
o igina
endo eduplicac¸ão
c omossómica
(amplificac¸ão
do
ADN
sem
a
di isão
celula
co esponden e),
mecanismo
que
pode
le a
a
hipe ploidia4.
A
geno oxicidade
dos
ci os á icos
em
sido
ambém
demons ada
in
i o
em
modelos
de
a inho,
nomeada-
men e
sob e
as
células
hema opoié icas
da
medula
óssea
(aumen o
da
equência
de
abe ac¸ões
c omossómicas
e
de
mic onúcleos)5,6 e
sob e
as
células
espe má icas
(aneuploi-
dia
e
abe ac¸ões
c omossómicas
es u u ais,
de e adas
po
hib idizac¸ão
in
si u)7.
Exis em
ainda
es udos
e idenciando
a
geno oxicidade
dos
ci os á icos
em
doen es
com
canc o
a ados
com
es es
agen es,
aduzida
num
aumen o
da
equência
de
mic onúcleos8–11 e
no
aumen o
do
g au
de
lesão
do
ADN
medido
pelo
come
assay12.
Em
p ofissionais
expos os
a
ci os á icos,
á ias
publicac¸ões
e e em
uma
equência
aumen ada
de
di e sos
indicado-
es
biológicos
de
geno oxicidade
como
sejam
abe ac¸ões
c omossómicas13–18,
oca
de
c omá ides
i mãs15,17,19–21,
mic onúcleos19,22,23,
lesão
do
ADN
de e ada
po
come
assay24–28 e
mu ac¸ões29,30,
ge almen e
a aliadas
em
lin óci os
do
sangue
pe i é ico.
Exposic¸ão
ocupacional
a
ci os á icos
Pa a
além
dos
doen es
com
canc o,
expos os
a
e ei os
geno ó-
xicos
sob e
as
células
no mais
po
ine ência
da
e apêu ica
da
sua
pa ologia,
de e minados
g upos
p ofissionais
es ão
expos os,
pelas
exigências
da
sua
a i idade
de
abalho,
a
es es
á macos.
Des acam-se
os
p ofissionais
de
en e magem,
esponsá eis
pela
adminis ac¸ão
da
e apêu ica
ci os á ica,
e
os
p ofissionais
das
a mácias
hospi ala es,
esponsá eis
pela
sua
p epa ac¸ão.
A
exposic¸ão
p ofissional
pa ece
oco e
p e e encial-
men e
po
ia
cu ânea,
esul an e
da
manipulac¸ão
di e a
dos
á macos
ou
con ac o
com
supe ícies
e
equipamen os
con aminados31,32.
Di e sos
es udos
confi mam
que
exis e
con aminac¸ão
gene alizada
das
supe ícies
de
abalho,
pa e-
des,
pa imen os,
oupas
de
es i
e
de
cama
de
doen es
a ados
e
ecipien es
que
con êm
ou
con i e am
sec ec¸ões
e
exc ec¸ões
des es
em
odas
as
si uac¸ões
de
abalho,
que
ao
ní el
da
p epa ac¸ão
pelos
écnicos
de
a mácia
que
ao
ní el
da
adminis ac¸ão
pelos
p ofissionais
de
en e magem
(quad o1).
Os
doen es
a ados
eliminam
quan idades
impo an es
de
ci os á icos
a a és
das
sec ec¸ões
e
exc ec¸ões
após
a
e a-
pêu ica
e
cons i uem
assim
uma
possí el
on e
adicional
de
con aminac¸ão31.
F ansman32,
po
exemplo,
demons ou
exis-
i em
quan idades
significa i as
de
ci os á icos
nas
oupas
de
cama
de
doen es
a ados,
jus ificando
a
ecomendac¸ão
de
que
es as
sejam
anspo adas
em
sepa ado
e
sujei as
a
p é-la agem
an es
de
se em
mis u adas
com
as
es an es
oupas33.
Apesa
da
u ilizac¸ão,
a ualmen e
quase
gene alizada,
de
câma as
de
fluxo
lamina
e ical,
demons ou-se
que
exis e
con aminac¸ão
das
supe ícies
ex e io es
da
câma a
e
de
zonas
ela i amen e
dis an es,
esul an e
que
da
dispe são
aé ea
do
agen e
que
de
ans e ência
po
mãos
e
obje os
con aminados34.
Foi
de e ada
con aminac¸ão
de
pa edes,
pa i-
men os,
bancadas
e
dos
mais
di e sos
equipamen os
e
obje os
de
abalho.
Ca allo35,
po
exemplo,
de e ou
con aminac¸ão
no
ex e io
das
bombas
in uso as,
nos
b ac¸os
das
cadei as
usadas
pa a
adminis a
os
ci os á icos
e
nas
ampas
dos
con en o es
de
esíduos.
B ouwe s
e
al.36,
num
es udo
con-
duzido
em
7
a mácias
hospi ala es
holandesas,
de e a am
con aminac¸ão
em
94%
das
amos as
p o enien es
de
di e sas
supe ícies,
nomeadamen e
no
ex e io
das
câma as
de
fluxo
lamina ,
pa imen os,
incos
das
po as,
manípulos
dos
sis e-
mas
de
ans e ência
de
ci os á icos
e
p a elei as
das
zonas
de
a mazenamen o.
A
in oduc¸ão
das
a uais
ampolas
seladas
ep esen ou
uma
melho ia
subs ancial
em
elac¸ão
ao
uso
das
an igas,
que
inham
de
se
queb adas
pa a
ex ac¸ão
do
con eúdo.
No
en an o,
a
supe ície
ex e na
des as
ampolas
es á
e-
quen emen e
con aminada,
con ibuindo
pa a
a
exposic¸ão
cu ânea
a
es es
agen es37,38.
Touzin38,
po
exemplo,
de e-
ou
con aminac¸ão
ex e na
com
ciclo os amida
em
13
de
20
ampolas
analisadas.
Algumas
soluc¸ões
de
ci os á icos
podem
pe mea
as
se ingas,
passando
di e amen e
pa a
as
mãos
do
abalhado 39.
Foi
de e ada
ainda
con aminac¸ão
da
supe ície
ex e io
das
embalagens
con endo
ci os á icos,
an es
da
abe -
u a,
suge indo
que
é
necessá ia
a
p o ec¸ão
mesmo
du an e
o
desembalamen o39.
A
maio
pa e
dos
es udos
desc e em
ní eis
mais
ele a-
dos
de
con aminac¸ão
nas
zonas
de
p epa ac¸ão
em
elac¸ão
às
de
adminis ac¸ão40,41,
mas
a
equência
de
amos as
posi i as
é
equen emen e
semelhan e41.
Nas
zonas
de
adminis ac¸ão,
alguns
es udos
suge em
di e enc¸as
en e
o
ambula ó io
(hospi al
de
dia)
e
o
in e namen o
(en e -
ma ia),
associando-se
es e
úl imo
a
maio es
ní eis
de
con aminac¸ão42.
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
78
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
Quad o
1
–
Es udos
da
con aminac¸ão
do
a
ambien e
e
de
supe ficies/equipamen os
de
abalho
Au o es
País
Ano
public.
Fá macos
es udados
Pa âme os
ambien ais
a aliados
Resul ado
Sessink
Holanda
1992
CF,
IF,
5-FU,
MTX
A
ambien e
(amos as
es acioná ias
e
indi iduais);
Supe ícies
e
obje os
de
abalho,
incluindo
lu as
-
+
Sessink
Holanda
1997
CF,
IF,
5-FU,
MTX
A
ambien e
(amos as
es acioná ias
e
indi iduais);
Supe ícies
e
obje os
de
abalho,
EPIs
(lu as
e
másca as)
+
+
Nyg en Suécia 1997 De i ados
pla ina A
ambien e
(amos as
indi iduais)
Supe ícies
de
abalho
-
+
Minoia
I ália
1998
CF,
IF
A
ambien e;
Supe ícies;
lu as,
ba as,
másca as
Con aminac¸ão
cu ânea
+
+
+
(ge al)
Conno EUA
e
Canadá 1999 CF,
IF,
5-FU Supe ícies
e
obje os
de
abalho,
pa imen os
+
Rubino
e
Flo idia I ália
1999
MTX,
5-FU,
CIT,
GEM
Supe ícies
de
abalho
+
F ansman
Alemanha
2004
CF
Lu as
Con aminac¸ão
cu ânea
+
+
(mãos)
Mason
Reino
Unido
2005
CF,
IF,
MTX,
Cispla ina
A
ambien e
(amos as
es acioná ias
e
indi iduais);
Supe ícies
de
abalho
e
pa imen os;
lu as
(in e io )
-
+
Ca allo
I ália
2005
5-FU
Supe ícies
e
objec os
de
abalho
Conno
EUA
2005
CF,
IF,
5-FU
Supe ície
ex e io
ascos
de
ci os á icos
+
Mason
Reino
Unido
2005
CF,
IF,
MTX
A
ambien e
Supe ícies
de
abalho,
lu as
-
+
Robe s
Reino
Unido
2006
CF,
5-FU,
doxo ubicina
Supe ícies
de
abalho
+
U sini
I ália
2006
CF,
IF,5-FU
CIT
e
GEM
Supe ícies
de
abalho
EPIs
(lu as,
masca as,
ba as)
+
+
B ouwe s
Holanda
2007
De i ados
pla ina
Supe ícies
de
abalho
e
pa imen os
+
F ansman Holanda 2007 CF,
IF,
5-FU,
MTX,
Ci a abina,
Gemci abina,
Clo ambucil
Roupas
de
cama
+
Hedme Suécia
2008
CF,
IF
Supe ícies
de
abalho
e
pa imen os
+
Cas iglia
I ália
2008
CF,
IF,
5-FU
Supe ícies
e
obje os
de
abalho,
pa imen os
+
Touzin
Canadá
2008
CF
Supe ície
ex e na
dos
ascos
con endo
ci os á icos
+
(13/20)
Schie l
Alemanha
2009
5-FU,
de i ados
pla ina
Supe ícies
de
abalho
e
pa imen os
+
Touzin
Canadá
2009
CF,
IF,
MTX
Supe ícies
de
abalho
+
Conno
EUA
2010
CF,
IF,
5-FU
A
ambien e
(amos as
es acioná ias
e
indi iduais)
Supe ícies
de
abalho
-
+
Villa ini
I ália
2010
CF
Supe ícies
de
abalho
Con aminac¸ão
cu ânea
+
+
Maeda
Japão
2010
CF,
IF
Supe ícies
de
abalho
+
Yoshida
Japão
2011
CF,
5-FU,
GEM,
de i ados
pla ina
A
ambien e
Supe ícies
e
obje os
de
abalho
+
+
CF:
ciclo os amida;
IF:
i os amida;
5-FU:
5-fluo u acilo;
MTX:
me o exa o;
CIT:
Ci osina
a abinosido;
GEM:
Gemci abina.
Po
ou o
lado,
exis em
dados
que
indiciam
que
di e sas
das
medidas
de
p e enc¸ão
u ilizadas
êm
eficácia
limi ada.
A
eficiência
das
câma as
de
fluxo
lamina
e ical
em
sido
con es ada,
pa icula men e
pa a
a
ciclo os amida,
que
pode
apo iza
à
empe a u a
ambien e,
o iginando
pa ículas
in e-
io es
aos
po os
dos
fil os
HEPA
(High
E ficency
Pa icula e
Ai )31.
De
modo
mais
significa i o
ainda,
odas
as
lu as
êm
e elado
em
abalhos
expe imen ais
se em
pe meá eis
aos
ci os á icos.
Nos
anos
80,
Conno 43 es udou
a
pe meabili-
dade
de
lu as
de
lá ex
e
de
PVC
à
ca mus ina
e
e ificou
que
odas
ap esen a am
pe meac¸ão
aos
90
minu os,
suge-
indo
que
a
p o ec¸ão
o e ecida
é
insuficien e.
Os
mesmos
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
79
esul ados
ob i e am
Laidlaw44,
que
es udou
a
pe meabili-
dade
de
lu as
de
lá ex
e
PVC
a
20
agen es
ci os á icos,
endo
demons ado
ha e
pe meac¸ão
a
odos
eles,
com
uma
in ensi-
dade
dependen e
da
espessu a
das
lu as.
Colligan45 es udou,
ambém
em
condic¸ões
expe imen ais,
a
pe meabilidade
dos
mesmos
2
ipos
de
lu as
à
ciclo os amida
e
e ificou
que
os
p imei os
sinais
de
pe meac¸ão
oco e am
aos
10
minu-
os
no
caso
das
lu as
de
lá ex
e
aos
20
minu os
no
caso
das
lu as
de
PVC.
Num
es udo
mais
ecen e,
oi
es ada
a
pe -
meabilidade
de
13
ipos
di e en es
de
lu as
(incluindo
lá ex,
PVC,
ni ilo
e
neop eno)
a
di e sos
ci os á icos,
endo
sido
demons ado
que,
após
uma
ho a,
odos
os
ma e iais
ap e-
sen a am
pe meac¸ão,
baixa
mas
significa i a,
a
pelo
menos
um
dos
ci os á icos
es ados46.
Es a
pe meabilidade
das
lu as
aos
ci os á icos
é
e idenciada
ambém
pelos
es udos
em
abalhado es
de
saúde
que
demons a am
exis i em
ní eis
significa i os
de
ci os á icos
na
supe ície
in e io
das
lu as,
em
con ac o
di e o
com
a
pele25,32,47–50.
Também
o
in e io
das
másca as
e
ba as
u ilizadas
pode
ap esen a
ní eis
de e-
á eis
des es
agen es,
con ibuindo
pa a
a
exposic¸ão
cu ânea
dos
abalhado es25,48,49.
Os
p odu os
de
limpeza
u ilizados
nem
semp e
são
eficazes
na
neu alizac¸ão
de
ci os á icos
de
uso
comum,
como
sejam
a
ciclo os amida
e
o
5-fluo u acilo51.
A
a es a
que
es a
con aminac¸ão
gene alizada
das
supe -
ícies
e
equipamen os
de
abalho
esul a
em
con aminac¸ão
cu ânea
dos
p ofissionais
expos os,
es ão
os
di e sos
es u-
dos
em
que
oi
demons ada
a
p esenc¸a
de
ci os á icos
em
di e sas
egiões
co po ais,
sob e udo
ao
ní el
das
mãos28,32,49.
Es es
achados
demons am
que,
e e i amen e,
os
p oce-
dimen os
de
segu anc¸a
e
os
equipamen os
de
p o ec¸ão
indi idual
são
insuficien es
pa a
p e eni
a
exposic¸ão
cu ânea,
com
consequen e
isco
de
abso c¸ão
po
es a
ia.
Apesa
de
pa ece ,
pelos
dados
disponí eis,
de
meno
impo ância,
a
ia
inala ó ia
pode á
desempenha
um
papel
adicional
nalguns
casos.
Alguns
ci os á icos,
como
a
ciclo os-
amida,
podem
apo iza
à
empe a u a
ambien e31.
De e -
minados
ipos
de
manipulac¸ão
( ans e ência
de
o mulac¸ões
líquidas
com
se inga
sob
p essão,
u ilizac¸ão
de
p epa ados
sólidos
sob
a
o ma
de
pó
ou
esmagamen o
de
comp imidos)
podem
ge a
a
o mac¸ão
de
ae ossóis
ou
poei as
susce í eis
de
se em
inalados31.
Nalguns
es udos
e e uados
com
bom-
bas
de
amos agem
indi idual,
oi
de e ada
a
p esenc¸a
de
ci os á icos
no
a
ambien e,
embo a
es e
achado
não
seja
ão
equen e
nem
ão
gene alizado
como
a
con aminac¸ão
de
supe ícies48,49,52.
Pa a
além
da
exposic¸ão
c ónica
a
baixas
doses,
a
exposic¸ão
aciden al
a
ele adas
quan idades
de
ci os á icos
pode
cons-
i ui
uma
on e
não
negligenciá el
de
dose
in e na.
Assim,
um
es udo
ecen e
de
Kopja 17 e elou
que
uma
pe cen agem
significa i a
dos
abalhado es
e e ia
episódios
de
exposic¸ão
aguda
elacionada
com
queb a/ o u a
de
ampolas
e
sacos
de
ci os á icos
(43%),
de ame
do
seu
con eúdo
(39%)
ou
picadas
com
co an es
con aminados
(13%).
Es a
exposic¸ão,
p edominan emen e
a
ní el
cu âneo
e
de
o ma
secundá ia
po
ia
inala ó ia,
associa-se
a
abso c¸ão
significa i a
des es
agen es.
Tal
é
e idenciado
po
di e -
sos
es udos
u ilizando
bioma cado es
de
exposic¸ão
e
que
demons am
consis en emen e
a
p esenc¸a
de
ci os á icos
ou
dos
seus
me aboli os
na
u ina25,28,35,41,47,49,52–60.
Ha endo
abso c¸ão
e
dose
in e na,
ha e á
po encialmen e
isco
de
e ei-
os
ad e sos
pa a
a
saúde.
E ei os
ad e sos
pa a
a
saúde
Os
doen es
a ados
com
ci o óxicos
desen ol em
equen-
emen e
e ei os
óxicos
agudos
(mucosi e,
alopécia,
dia eia,
ci opénias);
a
exposic¸ão
ocupacional,
no
en an o,
não
em
sido
associada
a
es e
ipo
de
e ei os,
exce o
no
con ex o
de
aciden-
es
en ol endo
quan idades
ele adas
de
á maco31.
Alguns
es udos
pa ecem
indicia
que,
em
condic¸ões
pa -
icula es,
alguns
p ofissionais
expos os
pode ão
ap esen a
uma
p e alência
aumen ada
de
alguns
sin omas
a ibuí eis
a
oxicidade
aguda
dos
ci os á icos.
No
início
dos
anos
90,
um
es udo
ealizado
nos
EUA61 e e e,
num
g upo
de
en e -
mei as
expos as
a
ci os á icos,
uma
p e alência
supe io
de
di e sos
sin omas
(gas oin es inais,
neu ológicos,
alé gicos,
sis émicos)
elacionada
com
uma
possí el
oxicidade
aguda
dos
ci os á icos,
es ando
o
núme o
de
sin omas
associado
à
in ensidade
de
exposic¸ão
cu ânea
(a aliada
pelo
núme o
de
doses
manipulada
e
pela
u ilizac¸ão
ou
não
de
lu as
du an e
a
manipulac¸ão).
Mais
ecen emen e,
um
es udo
ealizado
po
K s e 62 na
Sé ia
analisou
186
en e mei as
expos as
a
á ma-
cos
an ineoplásicos
po
compa ac¸ão
com
um
g upo
con olo
de
77
en e mei as
não
expos as.
Foi
cons a ada,
no
g upo
expos o,
uma
equência
significa i amen e
maio
de
sin o-
mas
como
alopécia
(OR
=
7,14),
ash
cu âneo
(OR
=
4,7)
e
sensac¸ão
de
lipo ímia
(OR
=
4,78),
com
uma
eg essão
significa-
i a
nos
fins
de
semana
(OR
=
4,78).
Num
es udo
semelhan e
o iundo
da
Polónia,
Walusiak63 e e e,
em
104
p ofissionais
expos os
e
103
con olos
não
expos os,
uma
p e alência
aumen ada
de
alopécia
no
g upo
expos o
(50,6%
e sus
10,7%).
Na
in e p e ac¸ão
des es
esul ados,
de e
e -se
em
conside ac¸ão
que
es es
3
es udos
podem
aduzi
ealidades
pa icula es
não
gene alizá eis
à
maio
pa e
dos
ambien es
de
abalho
a uais.
Po
exemplo,
o
es udo
de
Valanis61 incluíu
p ofissionais
expos as
nos
anos
70
e
início
dos
anos
80,
an es
da
implemen ac¸ão
gene alizada
das
medidas
p e en i as
a u-
almen e
em
igo
na
maio
pa e
dos
locais
de
abalho
dos
EUA,
que
oco eu
em
meados
dos
anos
80.
Os
p ofissionais
incluídos
no
es udo
sé io
de
K s e 62,
po
seu
lado,
não
es a-
am
em
g ande
pa e
ab angidos
po
es as
medidas,
e e indo
os
au o es
que
apenas
38%
u iliza a
câma as
de
fluxo
lami-
na
pa a
a
p epa ac¸ão
dos
ci os á icos,
57%
másca as
(embo a
82%
e e issem
usa
lu as)
e
que
na
maio
pa e
dos
locais
de
abalho
não
exis iam
p ocedimen os
esc i os
nem
con en o-
es
específicos
pa a
ma e ial
con aminado.
O
es udo
polaco
de
Walusiak63 não
e e e
dados
suficien es
pa a
se
a e i em
as
condic¸ões
da
a i idade
de
abalho.
Numa
me a-análise
ecen e64,
em
que
o am
analisados
odos
os
es udos
publica-
dos
a é
2004,
oi
conside ado
não
exis i em
dados
suficien es
pa a
calcula
o
isco
de
e ei os
agudos
em
p ofissionais
expos-
os
a
ci os á icos.
Tendo
em
con a
a
geno oxicidade
comum
a
odos
os
á -
macos
an ineoplásicos,
os
e ei os
a
longo
p azo
que
maio
in es igac¸ão
êm
me ecido
p endem-se
com
o
aumen o
da
incidência
de
de e minados
ipos
de
canc o
e
com
os
pos-
sí eis
e ei os
sob e
a
ep oduc¸ão
e
o
desen ol imen o.
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
80
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
Quad o
2
–
Fá macos
an ineoplásicos
classificados
pela
IARC
quan o
à
sua
ca cinogenicidade
( ols
1-100,
e is o
agos o/2010)
Fá maco
Classificac¸ão
IARC
Re e ência
Tumo es
(G upo
I)
Ac inomicina
D3Vol
10
(1987)
Ad iamicina
(doxo ubicina) 2A Vol
10
(1987)
Amsac ina 2B
Vol
76
(2000)
Azaci idina
2A
Vol
50
(1990)
Bleomicina
2B
Vol
26
(1987)
Busul an
1
Vol
4
(em
p ep)
LMA
Clo ambucil
1
Vol
26
(em
p ep)
LMA
Cispla ina
2A
Vol
26
(1987)
Ciclo os amida
1
Vol
26
(em
p ep)
Bexiga
Daca bazina
2B
Vol
26
(1987)
Daunomicina
2B
Vol
10
(1987)
E oposido
1
Vol
76
(em
p ep)
LMA
5-fluo u acilo
3
Vol
26
(1987)
Hid oxiu eia
3
Vol
76
(2000)
Iso os amida
3
Vol
26
(1987)
Mel alan
1
Vol
9
(em
p ep)
LMA
Me alan 2B Vol
9
(1987)
Me o exa o 3 Vol
26
(1987)
Mi omicina
C2BVol
76
(2000)
Mi oxan ona
2B
Vol
76
(2000)
MOPP;ou os
egimes
con endo
alquilan es
1
Vol
7
(1987)
LMA
Teniposido
2A
Vol
76
(2000)
T eossul an
1
Vol
26
(em
p ep)
LMA
Vinblas ina
3
Vol
26
(1987)
Vinc is ina
3
Vol
26
(1987)
G upo
1:
ca cinogénico
pa a
o
homem;
G upo
2A:
p o a elmen e
ca cinogénico
pa a
o
homem;
G upo
2B:
possi elmen e
ca cinogénico
pa a
o
homem;
G upo
3:
não
classificá el
quan o
à
sua
ca cinogenicidade
pa a
o
homem;
G upo
4:
p o a elmemen e
não
ca cinogénico
pa a
o
homem;
LMA:
leucemia
mieloide
aguda;
MOPP:
Mos a da
ni ogenada
+
Onco ina
+
P oca bazina
+
P ednisona
Ca cinogenicidade
De
aco do
com
a
IARC
(In e na ional
Agency
o
Resea ch
on
Can-
ce ),
7
á macos
ci o óxicos
possuem
e idência
suficien e
pa a
se em
conside ados
ca cinogénicos
pa a
o
Homem
(quad o
2),
com
base
no
isco
de
canc o
de
doen es
a ados.
Es a
e i-
dência
inclui
as
associac¸ões
en e
e apêu ica
com
agen es
alquilan es
ou
inibido es
da
opoisome ase
II
e
leucemia
mie-
loide
aguda
e
en e
e apêu ica
com
ciclo os amida
e
neoplasia
da
bexiga.
Com
base
nes as
associac¸ões,
Sessink54 publicou
nos
anos
90,
um
abalho
ex emamen e
in e essan e
isando
calcula
o
isco
eó ico
de
canc o
em
p ofissionais
expos os
a
ciclo os amida,
o
agen e
an ineoplásico
sob e
o
qual
exis em
mais
dados
disponí eis
na
li e a u a.
Te e
em
con a
os
dados
de
modelos
animais,
o
isco
de
umo es
secundá ios
em
doen-
es
a ados
com
ciclo os amida
e
os
alo es
disponí eis
de
ma cado es
biológicos
de
exposic¸ão
(ciclo os amida
u iná ia)
em
p ofissionais
de
saúde
expos os.
Po
ex apolac¸ão,
es imou
um
isco
aumen ado,
semelhan e
pa a
a
leucemia
e
pa a
o
ca cinoma
da
bexiga,
de
1,4
a
10
casos/milhão/ano.
Leucemia
mieloide
Di e sos
agen es
alquilan es
isolados
(bussul an,
mel alan,
clo ambucil,
eossul an)
ou
em
associac¸ão
como
o
MOPP
(Mos a da
ni ogenada
+
Onco ina
+
P oca bazina
+
P edni-
sona)
e
ou os
esquemas
simila es,
bem
como
o
inibido
da
opoisome ase
II
e oposido,
es ão
classificados
pela
IARC
no
g upo
I
pela
sua
associac¸ão
com
leucemia
mieloide
aguda.
O
aumen o
da
incidência
de
sínd ome
mielodisplásica
(SMD)
e
de
leucemia
mieloide
aguda
(LMA)
após
e apêu ica
an ine-
oplásica
es á
desc i o
desde
os
anos
7065 e
oi
confi mada
po
es udos
pos e io es66,67.
As
sínd omes
mielodisplásicas
e
leucémias
pós- e apêu ica
ep esen am
10-15%
do
o al
de
casos
e
es ão
desc i as
após
e apêu ica
com
agen es
alqui-
lan es
e
com
inibido es
da
opoisome ase
II68.
Es a
e apêu ica
associa-se
a
um
isco
de
SMD
e
LMA
100
ezes
supe io
ao
da
populac¸ão
ge al68.
Globalmen e,
a
LMA
pós- e apêu ica
es-
ponde
pio
ao
a amen o
do
que
a
LMA
de
no o
e
ap esen a
pio
p ognós ico.
Em
e mos
clínicos
e
ci ogené icos,
es ão
desc i os
2
ipos
de
LMA
pós- e apêu ica68,69:
a)
a
LMA
associ-
ada
aos
alquilan es,
ca ac e izada
po
um
pe íodo
de
la ência
médio
de
5-7
anos,
po
e
um
SMD
an eceden e
e
po
ap e-
sen a
delec¸ão
comple a
ou
pa cial
do
c omossoma
5
e/ou
do
c omossoma
7
e
cujo
isco
es á
elacionado
com
a
dose
cumula i a
de
e apêu ica
alquilan e;
b)
a
LMA
associada
aos
inibido es
da
opoisome ase
II,
ca ac e izada
po
um
pe íodo
de
la ência
médio
de
2
anos,
po
ausência
de
um
SMD
an e-
ceden e
e
po
ap esen a
anslocac¸ões
equilib adas
do
b ac¸o
longo
do
c omossoma
11
en ol endo
o
gene
MLL
(Mixed
Line-
age
Leukemia),
localizado
em
11q23,
cujo
isco
é
independen e
da
dose
cumula i a
de
e apêu ica.
No
que
diz
espei o
a
um
possí el
aumen o
da
incidência
des as
sínd omas
hema ológicas
em
p ofissionais
de
saúde
expos os
a
ci os á icos,
exis em
alguns
dados
publicados
que
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
81
são
suges i os
duma
associac¸ão,
embo a
se
es eja
longe
de
uma
elac¸ão
comp o ada.
Nos
anos
90,
Sko 70 publicou
um
abalho
em
que
o am
es udadas
en e mei as
de
unidades
de
oncologia
(275)
e sus
ou as
en e mei as
(765),
endo
sido
de e ado
um
aumen o
significa i o
do
isco
de
leucemia
mie-
loide
nas
p imei as
(RR
=
10,65),
embo a
apenas
à
cus a
de
2
casos
(1
LMA
e
1
LMC).
Es udos
pos e io es
mais
ala gados,
de
base
populacional,
desc e em
um
aumen o
da
mo alidade
po
leucemia
mieloide
em
p ofissionais
de
saúde71–74,
mas
em
nenhum
deles
oi
a aliada
especificamen e
a
exposic¸ão
a
ci os á icos.
A
exposic¸ão
dos
p ofissionais
de
saúde
a
ou os
agen es
possi elmen e
leucemogénicos
( adiac¸ões
ionizan-
es,
o maldeído,
gases
anes ésicos,
óxido
de
e ileno)
o na
impossí el
es abelece
elac¸ões
e iológicas
com
base
nes-
es
es udos.
De
aco do
com
es as
limi ac¸ões
dos
dados
publicados,
D ani sa is64 conside a
na
sua
me a-análise
que
não
exis em
dados
suficien es
pa a
calcula
um
isco
de
canc o
de
causa
ocupacional
em
abalhado es
expos os
a
ci os á icos.
Neoplasia
da
bexiga
Ou a
associac¸ão
bem
es abelecida
é
a
da
e apêu ica
com
ciclo os amida
e
isco
de
neoplasia
da
bexiga.
A
ciclo os amida
é
um
agen e
alquilan e
com
ele ada
oxicidade
pa a
o
epi élio
esical,
o iginando
que
e ei os
agudos
(cis i e
hemo ágica)
que
aumen o
a
longo
p azo
do
isco
de
neoplasia
da
bexiga.
A
p e alência
de
neoplasia
da
bexiga
em
doen es
a ados
com
ciclo os amida
a inge
os
10%
aos
11-16
anos
e
a
maio
pa e
dos
umo es
são
ca cinomas
de
células
de
ansic¸ão,
embo a
es ejam
desc i os
ipos
his ológicos
mais
a os75.
Não
exis e,
no
en an o,
do
nosso
conhecimen o,
nenhuma
publicac¸ão
com
incidência
aumen ada
des a
neoplasia
em
p ofissionais
expos os
a
ci os á icos.
Ou as
neoplasias
Foi
suge ido
ambém
aumen o
do
isco
de
ou os
ipos
de
canc o
pa a
além
dos
e e idos,
que
se iam
à
pa ida
os
expec á eis
com
base
nos
e ei os
desc i os
em
doen es
a-
ados
com
ci os á icos.
No
final
dos
anos
90,
um
es udo
de
caso-con olo76,
embo a
de
pequenas
dimensões
(59
casos
e
118
con olos),
suge e
um
aumen o
do
isco
de
canc o
da
mama
em
en e mei as
de
oncologia
(OR
=
1,65).
Mais
ecen e-
men e,
Ra ne
e
al.77 e
al.
desc e em,
num
es udo
de
coo e
de
maio
dimensão
(56.213
en e mei as),
um
aumen o
da
inci-
dência
de
neoplasia
da
mama
(RR
=
1,83
pa a
IC
=
95%)
e,
no
subg upo
das
p ofissionais
com
maio
exposic¸ão,
de
canc o
do
e o
(RR
=
1,87
pa a
IC
=
95%).
E ei os
sob e
a
ep oduc¸ão
e
desen ol imen o
Os
agen es
an ineoplásicos
são
simul aneamen e
ci o óxicos
e
geno óxicos
pa a
as
células
ge minais.
Os
possí eis
e ei-
os
incidem,
po
um
lado,
sob e
a
capacidade
ep odu i a
( educ¸ão
da
e ilidade
ou
mesmo
es e ilidade,
ansi ó ias
ou
defini i as,
aumen o
do
isco
de
anomalias
gené icas
da
linha
ge minal,
com
possí el
impac o
a
longo
p azo
sob e
a
descendência)
e,
po
ou o,
sob e
o
desen ol imen o,
imedia o
ou
a
longo
p azo,
de
e os
ou
emb iões
di e amen e
expos os.
E ei os
sob e
a
capacidade
ep odu i a
A
oxicidade
dos
ci os á icos
pa a
as
células
ge minais,
an o
masculinas
como
emininas,
é
confi mada
po
di e sos
mode-
los
animais7,78–80.
Rela i amen e
às
células
ge minais
mascu-
linas,
os
agen es
alquilan es
são
mu agénicos
pa a
odos
os
es ádios
de
ma u ac¸ão,
embo a
não
pa ec¸am
ocasiona
aneu-
ploidia
ou
anslocac¸ões
c omossómicas
ansmissí eis78.
Os
de i ados
da
pla ina
podem
induzi
abe ac¸ões
c omos-
sómicas,
ambém
ansi ó ias
e
sem
epe cussão
sob e
a
descendência80.
Os
alcaloides
da
inca
in e e em
com
o
uso
mi ó ico
e
o iginam
ele adas
axas
de
aneuploidia,
que
ao
ní el
da
linha
ge minal
masculina
se
pa ecem
aduzi
em
ci o oxicidade
pa a
os
espe ma óci os
p imá ios80.
Os
inibido-
es
da
opoisome ase
ii
são
po en es
indu o es
de
anomalias
c omossómicas,
endo
sido
demons ado,
num
modelo
de
a inho7,
que
o
e oposido
não
só
induz
abe ac¸ões
c omossó-
micas
nas
células
ge minais
masculinas,
como
es as
células
podem
ansmi i
as
lesões
à
descendência,
esul ando
num
espe ma
com
ní eis
pe sis en emen e
ele ados
de
anomalias
c omossómicas,
an o
numé icas
como
es u u ais,
mui os
anos
após
e
cessado
a
exposic¸ão
ao
agen e.
Também
Palo81
demons ou,
pa a
o
an ime aboli o
ci osina-a abinosido,
a
induc¸ão
de
abe ac¸ões
c omossómicas
das
células
ge mi-
nais
masculinas,
algumas
das
quais
ansmi idas
às
células
madu as.
Rela i amen e
às
células
ge minais
emininas,
os
agen es
alquilan es
êm
sido
associados,
em
modelos
animais,
a
abo o
espon âneo80,
enquan o
que
os
de i ados
da
pla ina
podem
induzi
mu ac¸ões
le ais,
conduzindo
a
mo e
emb io-
ná ia
p ecoce80.
A
exposic¸ão
de
células
ge minais
emininas
a
alcaloides
da
inca
em
sido
associada,
ambém
em
modelos
animais,
a
mal o mac¸ões
e ais
esul an es
da
ecundac¸ão
de
ó ulos
aneuploides80.
E ei os
ad e sos
sob e
a
ep oduc¸ão
es ão
bem
desc i os
em
doen es
a ados.
No
homem
es ão
desc i as
es e ilidade
(ge almen e
ansi ó ia)
e
anomalias
gené icas
dos
espe -
ma ozoides,
embo a
al
não
pa ec¸a
aduzi -se
em
e ei os
ad e sos
sob e
as
u u as
g a idezes82.
Os
agen es
alquilan es,
em
pa icula ,
são
ex emamen e
ci o óxicos
pa a
as
células
ge minais
masculinas,
causando
deplec¸ão
ou
aplasia
do
epi-
élio
ge minal
dos
es ículos
com
a
consequen e
oligospe mia
ou
azoospe mia,
que
ap esen am
baixa
axa
de
ecupe ac¸ão
a
longo
p azo80.
Na
mulhe ,
a
e apêu ica
com
ci os á icos
associa-se,
com
alguma
equência
(dependendo
do
esquema
e apêu ico
e
da
idade
e
unc¸ão
o á ica
da
mulhe )
a
insu-
ficiência
o á ica
e
menopausa
p ema u a82.
Os
alquilan es
são
ambém
aqui
pa icula men e
óxicos,
p o ocando
fib ose
o á ica
com
deplec¸ão
de
olículos
e
ooci os,
acompanhados
de
axa
ele ada
de
in e ilidade80.
Mui as
mulhe es,
no
en an o,
ecupe am
a
e ilidade
e,
ao
con á io
do
suge ido
pelos
es udos
animais,
es as
g a idezes
não
ap esen am
aumen o
da
equência
de
abo o
nem
de
mal o mac¸ões
congéni as
quando
compa adas
com
as
da
populac¸ão
em
ge al82.
E ei os
sob e
o
desen ol imen o
Após
adminis ac¸ão
ma e na,
a
maio
pa e
dos
agen-
es
ci os á icos
a ingem
o
emb ião/ e o
em
concen ac¸ões
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
82
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
significa i as,
uma
ez
que
a
placen a
não
ep esen a
uma
ba ei a
eficaz
con a
es es
agen es80.
A
exposic¸ão
in
u e o
a
ci os á icos
em
e ei os
imedia os
comp o ados
sob e
o
desen ol imen o
emb ioná io
e
e al,
que
ão
depende ,
em
pa e,
da
idade
ges acioná ia.
A
exposic¸ão
mui o
p e-
coce,
logo
após
a
concec¸ão,
quando
o
emb ião
ap esen a
uma
ela i a
esis ência
aos
e ei os
e a ogénicos
dos
ci os-
á icos,
aduz-se
habi ualmen e
em
mo e
emb ioná ia
e
abo o
espon âneo80.
Da
exposic¸ão
du an e
o
pe íodo
de
o ganogénese,
que
deco e
du an e
o
p imei o
imes e,
é
expec á el
que
possam
su gi
mal o mac¸ões
e ais.
Os
e ei os
e a ogénicos
do
me o exa o,
po
exemplo,
são
ela i a-
men e
bem
conhecidos:
a
exposic¸ão
p é-na al
a
es e
agen e,
du an e
ases
c í icas
da
emb iogénese
(o
pe íodo
mais
c í-
ico
pa ece
oco e
en e
as
6
e
as
8
semanas),
causa
uma
sínd ome
ca ac e ís ica
com
múl iplas
mal o mac¸ões83.
Tam-
bém
pa a
a
ciclo os amida
oi
desc i a,
como
consequência
da
exposic¸ão
ma e na
du an e
o
p imei o
imes e,
uma
sínd ome
ca ac e ís ica
de
mal o mac¸ões
congéni as84.
Glo-
balmen e,
a
e apêu icos
ci os á icos
du an e
o
1.◦ imes e
da
g a idez
associa-se
a
mal o mac¸ões
majo
em
10-20%
dos
e os,
a ingindo
de
o ma
semelhan e
odos
os
ó gãos
e
sis emas83–86.
O
isco
de
anomalias
após
quimio e apia
admi-
nis ada
du an e
o
2.◦e
o
3.◦ imes es
é
p o a elmen e
baixo,
embo a
enham
sido
desc i os
casos
de
a aso
de
c escimen o
e
mielossup essão
e al
como
consequência
de
e apêu ica
no
3.◦ imes e87.
Mais
di íceis
de
a alia
são
as
epe cussões
a
longo
p azo
da
exposic¸ão
in
u e o
a
ci os á icos.
Fo am
es udados
os
e ei os
sob e
a
unc¸ão
in elec ual
e
neu ológica,
uma
ez
que
o
sis-
ema
ne oso
se
con inua
a
desen ol e
após
o
1.◦ imes e
e
é
sensí el
às
ag essões
du an e
odo
o
pe íodo
de
ges ac¸ão
–
es as
pode ão
não
e
aduc¸ão
em
e mos
de
de ei os
ana ó-
micos,
mas
esul a
num
deficien e
desen ol imen o
a
longo
p azo80.
Es ão
publicados
2
es udos
a aliando
o
desen ol i-
men o
neu ocogni i o
a
longo
p azo
em
c ianc¸as
expos as
a
ci os á icos
in
u e o
e,
em
ambos,
não
o am
de e a adas
di e enc¸as
ela i amen e
a
alo es
de
con olo
compa á eis80.
Ou o
aspe o
consis e
na
possibilidade
de
e ei os
elacio-
nados
com
mu ac¸ões
não
le ais,
sem
aduc¸ão
imedia a,
que
pode iam
esul a
num
u u o
aumen o
do
isco
de
canc o.
Es a
possibilidade
é
le an ada
pelos
esul ados
de
alguns
es u-
dos
expe imen ais
em
animais,
demons ando,
po
exemplo,
que
a
exposic¸ão
in
u e o
de
células
ge minais
hema opoié i-
cas
ao
e oposido
em
baixas
doses
é
suficien e
pa a
p o oca
aumen o
das
queb as
do
ADN
e
induzi
anslocac¸ões
espe-
cíficas,
en ol endo
o
gene
MLL88.
Es as
al e ac¸ões
gené icas
são
semelhan es
às
desc i as
nas
LMA
do
adul o
que
su -
gem
após
e apêu ica
com
es e
ipo
de
ci os á icos,
endo
sido
suge ido
que
a
exposic¸ão
ma e na
a
es es
agen es
aumen-
a ia
o
isco
de
um
ipo
pa icula
de
leucemia
que
su ge
nos
p imei os
12
meses
de
ida
(Leucemia
Aguda
In an il)
e
que
ap esen a
como
anomalia
gené ica
ca ac e ís ica
p eci-
samen e
a
p esenc¸a
de
ea anjos
do
gene
MLL.
No
Homem
es á
demons ada
a
p esenc¸a,
em
descenden es
de
mães
a adas
com
ci os á icos
du an e
a
g a idez,
de
anomalias
c omossómicas
es á eis,
como,
po
exemplo,
a
anslocac¸ão
ecíp oca
equilib ada
en e
os
c omossomas
5
e
20
associada
ao
me o exa o86.
Num
es udo
en ol endo
217
mães
a a-
das
com
quimio e apia
du an e
a
g a idez89 o am
de e ados
2
ecém-nascidos
po ado es
de
anomalias
c omossómicas
es á eis
suge indo
que
es e
enómeno,
embo a
ela i amen e
a o,
pode
oco e .
Es es
dados
dizem
espei o
à
exposic¸ão
a
doses
ele adas
de
ci os á icos,
no
con ex o
da
e apêu ica
de
doenc¸as
neo-
plásicas.
A
ques ão
sob e
se
a
exposic¸ão
c ónica
a
baixos
ní eis
des es
agen es,
no
con ex o
p ofissional,
se
pode
am-
bém
epe cu i
de
o ma
ad e sa
sob e
a
ep oduc¸ão
ou
sob e
o
desen ol imen o
emb io- e al
é
um
assun o
ainda
em
abe o.
Os
e ei os
mais
in es igados
e
sob e
os
quais
exis em
dados
mais
consis en es
são
o
abo o
espon âneo
e
as
mal o mac¸ões
congéni as.
Rela i amen e
ao
isco
de
abo o
espon âneo,
nos
anos
80,
Sele an90 publicou
um
p imei o
es udo
caso-con olo
con-
duzido
em
en e mei as
de
17
hospi ais
finlandeses,
endo
de e ado
uma
associac¸ão
significa i a
en e
exposic¸ão
a
ci os á icos
e
pe da
e al
(OR
=
2,30).
Po
ou o
lado,
na
mesma
al u a,
em
ou o
es udo
semelhan e,
conduzido
po
Hemminki91,
e
que
incluiu
217
casos
e
571
con olos,
não
se
e ificou
associac¸ão
significa i a
en e
exposic¸ão
a
ci os-
á icos
e
isco
de
abo o
espon âneo
(OR
=
0,8).
Já
nos
anos
90,
S ucke 92 publica
um
e cei o
es udo
de
caso-con olo,
ealizado
em
4
hospi ais
anceses,
no
qual
é
e idenciado,
em
p ofissionais
expos as
a
ci os á icos,
um
aumen o
do
isco
de
abo o
espon âneo
(OR
=
2,0);
Sko 70,
pelo
con á io,
num
es udo
ambém
caso-con olo
(incluindo
1.282
en e mei-
as
de
oncologia
e
2.572
ou as
en e mei as)
não
e ificou
associac¸ão
en e
exposic¸ão
a
ci os á icos
e
abo o
(OR
=
0,76).
Valanis93 publicou
ambém
um
es udo
caso-con olo
ans-
e sal,
incluindo
2.976
en e mei as
e
écnicas
de
a mácia,
e e indo
exis i
associac¸ão
significa i a
en e
exposic¸ão
a
ci os á icos
du an e
a
g a idez
e
isco
de
abo o
espon â-
neo
(OR
=
1,5).
Na
me a-análise
de
D ani sa is64,
que
inclui
odos
os
es udos
e e idos,
conclui-se
ha e
uma
associac¸ão
de
aca
in ensidade
en e
exposic¸ão
a
ci os á icos
e
abo o
(RR
=
1,64).
Exis em
di e sos
es udos
e e indo
um
aumen o
da
equência
de
mal o mac¸ões
congéni as
em
p ofissionais
expos as
a
agen es
ci os á icos.
Hemminki91 e e e,
num
es udo
caso-con olo
(46
casos
e sus
128
con olos),
um
isco
aumen ado
de
mal o mac¸ões
congéni as
(OR
=
4,7).
Também
nos
anos
80,
McDonald94 e e e,
num
g upo
de
152
g á idas
com
his ó ia
de
manipulac¸ão
de
ci os á icos
du an e
a
g a i-
dez,
8
anomalias
congéni as
e sus
4,05
espe adas
(p
=
0,05).
Mais
ecen emen e,
em
ou o
es udo
de
caso-con olo95 que
en ol eu
851
g a idezes,
100
das
quais
associadas
a
enda
pala ina,
e
751
com
ecém-nascidos
saudá eis,
oi
assinalada
uma
elac¸ão
en e
exposic¸ão
ocupacional
a
agen es
an ineo-
plásicos
e
enda
pala ina
(OR
=
5,0).
Também
Walusiak63 e e e
um
aumen o
de
mal o mac¸ões
congéni as
em
p ofissionais
expos as
a
ci os á icos
du an e
a
g a idez
(4/84
g a idezes
e sus
1/169
g a idezes)
e,
pos e io men e,
Ra ne
e
al.77
desc e em
um
aumen o
da
equência
de
mal o mac¸ões
con-
géni as
do
olho
(OR
=
3,46
pa a
IC
=
95%).
Em
sen ido
con á io,
Sko 70,
num
es udo
caso-con olo
com
1.282
en e mei as
expos as
a
ci os á icos
e
2.572
en e mei as
con olo,
não
de e-
ou
aumen o
da
equência
de
mal o mac¸ões
congéni as
nas
expos as
(OR
=
1,02).
Numa
pe spe i a
ge al,
assinale-se
a
me a-análise
já
ci ada64,
incluindo
odos
os
abalhos
publica-
dos
en e
1966
e
2004,
que
não
e elou
associac¸ão
significa i a
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
83
en e
exposic¸ão
a
ci os á icos
e
mal o mac¸ões
congéni as
(OR
=
1,46).
Ou os
e ei os
es udados
na
á ea
da
ep oduc¸ão
incluem
a
g a idez
ec ópica,
com
a
qual
não
oi
de e ada
associac¸ão96,
a
dis unc¸ão
mens ual,
com
a
qual
oi
e e ida
uma
associac¸ão
posi i a
com
OR
=
3,497 e
a
educ¸ão
da
e ilidade
emi-
nina,
igualmen e
com
associac¸ão
posi i a,
OR
=
1,598.
Do
nosso
conhecimen o,
não
exis em
es udos
publicados
a ali-
ando
possí eis
e ei os
a dios
sob e
os
descenden es
de
mães
com
exposic¸ão
ocupacional
a
ci os á icos
du an e
a
g a idez,
nomeadamen e
sob e
o
desen ol imen o
neu ocogni i o
e
o
isco
de
canc o.
O
ac o
de
es es
e ei os
não
e em
sido
cabal-
men e
comp o ados
no
caso
da
exposic¸ão
e apêu ica,
com
doses
ele adas
du an e
cu os
pe íodos
de
empo,
não
signi-
fica
necessa iamen e
que
não
exis am
e ei os
da
exposic¸ão
p ofissional,
com
doses
baixas
mas
oco endo
du an e
pe ío-
dos
mui o
mais
p olongados.
Como
dado
indi e o,
uma
e isão
de
Sa i z99 incidindo
sob e
di e sos
es udos
epidemiológicos
que
p ocu a am
co elaciona
a
p ofissão
ma e na
e
pa e na
com
a
incidência
de
canc o
nos
descenden es,
concluiu
exis i
e idência
de
uma
associac¸ão
o e
en e
a
ocupac¸ão
ma e na
como
écnica
de
a mácia
e
a
incidência
de
leucemia
(OR
=
3,2).
Ou os
e ei os
c ónicos
sob e
a
saúde
Exis em
alguns
dados,
embo a
escassos
e
ge almen e
em
es u-
dos
de
pequena
dimensão,
sob e
ou os
e ei os
c ónicos
pa a
a
saúde
da
exposic¸ão
ocupacional
a
ci os á icos.
Os
mais
docu-
men ados
são
os
que
oco em
sob e
o
sis ema
imuni á io.
Nos
anos
80,
Jochimsen100 compa ou
alguns
pa âme os
hema-
ológicos
de
en e mei as
com
exposic¸ão
a
ci os á icos
em
si uac¸ão
basal
e
após
um
es e
de
es imulac¸ão
com
p edni-
solona,
com
o
obje i o
de
a e igua
se
exis iam
anomalias
eno ípicas
subclínicas
semelhan es
às
desc i as
em
doen-
es
subme idas
a
quimio e apia
adju an e
pa a
a
neoplasia
da
mama,
não
endo
e ificado
di e enc¸as
significa i as.
Mais
ecen emen e,
Spa a i101 desc e e,
num
pequeno
núme o
de
abalhado es
expos os
a
an ineoplásicos
(n
=
17)
um
aumen o
significa i o
dos
ní eis
ci culan es
de
IL-15
e
suge e
que
es es
pode iam
co esponde
a
um
aumen o
da
exp essão
endó-
gena
como
espos a
de ensi a
an i umo al.
Num
ou o
es udo
ecen e102 oi
e e uada
imuno eno ipagem
dos
lin óci os
e
es udada
a
unc¸ão
dos
neu ófilos
do
sangue
pe i é ico
em
306
en e mei as
expos as
a
an ineoplásicos.
Os
au o es
des-
c e em
algumas
di e enc¸as
significa i as
em
elac¸ão
ao
g upo
con olo,
nomeadamen e,
um
aumen o
da
p opo c¸ão
de
lin ó-
ci os
B
e
uma
diminuic¸ão
da
equência
de
lin óci os
T
helpe
a i ados
CD25+
(o
ma cado
CD
25
co esponde
à
cadeia
␣
do
ece o
de
al a
afinidade
pa a
a
in e leucina
2,
indu í-
el
com
a
a i ac¸ão
des as
células)
e
ainda
um
aumen o
da
espos a
oxida i a
dos
neu ófilos
quando
es imulados,
suge-
indo
um
p iming
p é io
induzido
pela
exposic¸ão
c ónica
a
ci os á icos.
Nenhum
es udo
demons a,
no
en an o,
que
es as
anomalias
eno ípicas
do
sis ema
imuni á io
enham
algum
ipo
de
impac o
no
seu
no mal
uncionamen o.
Ainda
no
que
espei a
ao
sis ema
imuni á io,
es ão
bem
documen ados,
embo a
sejam
a os,
casos
espo ádicos
de
eac¸ões
alé gicas
a
alguns
ipos
de
ci os á icos.
Es ão
desc i os
casos
de
asma
ocupacional
elacionada
com
a
mi oxan ona103 e
os
de i-
ados
da
pla ina104 e
um
caso
de
inossinusi e
a ibuída
ao
e oposido105.
O
ac o
de
as
an aciclinas
se
associa em,
em
doen es
a ados,
a
e ei os
cu âneos,
an o
po
ac¸ão
sis émica
como
po
con ac o
di e o,
le ou
a
que
ossem
es udados
os
e ei-
os
cu âneos
da
exposic¸ão
ocupacional.
Demons ou-se
que
a
doxo ubicina
pe meia
egula men e
as
lu as
e,
quando
incubada
com
uma
cul u a
celula
de
que a inoci os,
é
di e a-
men e
óxica
pa a
es as
células,
induzindo
apop ose
po
um
mecanismo
p53-independen e106.
Alguns
ci os á icos,
nomeadamen e
os
de i ados
da
pla ina,
são
ne o óxicos
em
doen es
subme idos
a
qui-
mio e apia.
Nos
anos
90,
Sessink107 analisou
pa âme os
labo a o iais
de
lesão
enal
p ecoce
(doseamen o
u iná ia
da
Re inol
Binding
P o ein
e
da
albumina)
em
p ofissionais
expos-
os
a
ci os á icos
e
não
encon ou
di e enc¸as
em
elac¸ão
a
um
g upo
con olo
não
expos o.
Em
1983,
So aniemi108 desc e e
3
casos
de
lesão
hepá ica
g a e
com
fib ose
em
en e mei as,
que
a ibuiu
à
exposic¸ão
a
ci os á icos,
mas
nenhum
es udo
pos e io
eio
confi ma
ou
infi ma
es es
achados.
Obse ac¸ões
finais
A
con aminac¸ão
do
ambien e
de
abalho
com
agen es
an i-
neoplásicos
é
um
a o
de
isco
ine en e
à
a i idade
de
mui os
p ofissionais
de
a mácia
e
en e magem.
É
indiscu í-
el
que
es a
con aminac¸ão
pe meia
odos
os
equipamen os
de
p o ec¸ão
indi idual
u ilizados
e
se
aduz
na
abso c¸ão,
maio
ou
meno ,
des es
agen es
e
em
e ei os
geno óxicos,
demons-
ados
sob e udo
ao
ní el
do
sangue
pe i é ico.
Em
e mos
globais
e
na
maio
pa e
dos
países,
é
indiscu í el
que
se
egis-
a am
melho ias
subs anciais
como
esul ados
da
adoc¸ão
das
a uais
no mas
de
segu anc¸a.
A
í ulo
de
exemplo,
encon am-
se
esumidas
na
quad o
3
as
p incipais
ecomendac¸ões
do
NIOSH109 (Na ional
Ins i u e
o
Occupa ional
Sa e y
and
Heal h)
nos
EUA.
No
início
des a
década,
F ansman110 analisou
conjun a-
men e
os
esul ados
de
3
es udos
ans e sais
de
a aliac¸ão
da
exposic¸ão
(1997,
2000
e
2002)
e
e e iu
uma
educ¸ão
subs an-
cial
da
con aminac¸ão
de
lu as
e
supe ícies
de
abalho,
não
só
em
e mos
da
quan idade
de
ci os á icos
p esen es
mas
am-
bém
em
e mos
da
ex ensão
global
das
zonas
con aminadas.
Es a
educ¸ão
da
con aminac¸ão
ambien al
oi
acompanhada
po
uma
diminuic¸ão
da
pe cen agem
de
p ofissionais
de
en e -
magem
expos os
com
ciclo os amida
de e á el
na
u ina,
an o
ao
ní el
do
hospi al
de
dia
(6,6
pa a
1,7%)
como
do
in e na-
men o
(12,4
pa a
2,9%).
Também
So ani111 es udou
a
e oluc¸ão
da
con aminac¸ão
de
supe ícies
e
da
pe cen agem
de
p ofissio-
nais
com
bioma cado es
de
exposic¸ão
na
u ina
em
5
a mácias
i alianas
no
pe íodo
en e
1990
e
2010.
Regis ou
educ¸ão
dos
ní eis
de
con aminac¸ão
de
supe ícies
e
da
equência
de
bio-
ma cado es
de
exposic¸ão
posi i os
(30%
dos
p ofissionais
nos
anos
90
e sus
2%
na
década
2000-2010.
Tu ci112 e e e
am-
bém
que,
ao
longo
de
um
pe íodo
de
igilância
de
5
anos,
oi
e ificada
em
7
hospi ais
do
No e
de
I ália
uma
educ¸ão
p og essi a
que
da
con aminac¸ão
de
supe ícies
que
da
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
84
e
p
o
s
a
ú
d
e
p
ú
b
l
i
c
a
.
2
0
1
2;3
0(1):76–88
Quad o
3
–
P incipais
medidas
de
con olo
do
isco
p opos as
pela
NIOSH
nas
a i idades
de
p epa ac¸ão
e
adminis ac¸ão
de
Ci os á icos116
PREPARAC¸
ÃO
Recec¸ão
e
a mazenamen o
Uso
de
EPI*
adequados
(lu as,
ouca,
óculos
e
ba a)
ao
desembala
á macos
Ro ulagem
adequada
A mazenamen o
em
local
com
aspi ac¸ão
e
sepa ado
dos
es an es
á macos
Exis ência
de
p ocedimen os
esc i os
de
eme gência
pa a
o
caso
de
de ame
aciden al
P epa ac¸ão
p op iamen e
di a
Manipulac¸ão
em
salas
p óp ias,
com
acesso
es i o,
e
em
câma as
de
fluxo
lamina
e ical
Sala
de
p epa ac¸ão
com
aspi ac¸ão
adequada
e
p essão
posi i a
Uso
de
EPI
adequados
(lu as
duplas,
ouca,
óculos,
ba a
e
másca a)
du an e
odos
os
p ocedimen os
elacionados
com
a
p epa ac¸ão
Mudanc¸a
de
lu as
de
30-30
minu os
Após
a
p epa ac¸ão
limpeza
do
ex e io
da
mis u a
pa a
adminis ac¸ão
e
enchimen o
do
espe i o
sis ema
com
líquido
sem
á maco
Exis ência
de
p ocedimen os
de
eme gência
esc i os
pa a
o
caso
de
de ame
aciden al
ADMINISTRAC¸
ÃO
Uso
de
EPI
adequados
du an e
manipulac¸ão
das
mis u as
(lu as,
ouca,
óculos,
ba a
e
másca a);
es es
de em
se
imedia amen e
emo idos
e
colocados
em
con en o es
adequados
quando
e mina
a
manipulac¸ão
Conexão
di e a
da
mis u a
e,
após
e mina
a
adminis ac¸ão,
emoc¸ão
de
odo
o
sis ema
em
bloco
e
colocac¸ão
em
con en o
adequado
Exis ência
de
p ocedimen os
de
eme gência
esc i os
pa a
o
caso
de
de ame
aciden al
PROCEDIMENTOS
COMUNS
Limpeza
Exis ência
de
p ocedimen os
de
limpeza
pe iódicos
com
p odu os
adequados
de
odas
as
supe ícies
e
equipamen os
po encialmen e
con aminados
Ro ulagem
e
a amen o
sepa ado
de
odas
as
oupas
po encialmen e
con aminadas
Regis o
e
moni o izac¸ão
dos
p ocedimen os
de
limpeza
Eliminac¸ão
de
ma e ial
con aminado
Em
ecipien es
p óp ios,
echados,
e
eliminados
de
o ma
sepa ada
dos
es an es
esíduos
*EPIs:
equipamen os
de
p o ec¸ão
indi idual.
pe cen agem
de
bioma cado es
de
exposic¸ão
na
u ina
posi-
i os
–de
ce ca
de
30%
na
década
de
90
pa a
2%
após
2000.
Com
base
nes es
dados
e
na
análise
da
li e a u a,
pa ece
e iden e
que
a ualmen e,
nas
condic¸ões
de
exposic¸ão
e ifi-
cadas
na
maio
pa e
dos
países
de
o igem
das
publicac¸ões,
o
isco
de
e ei os
agudos
pa a
a
saúde
é
p a icamen e
ine-
xis en e
o a
do
con ex o
da
exposic¸ão
aciden al
a
doses
ele adas
de
ci os á icos.
Tal
não
in alida
que,
em
de e mina-
dos
locais
de
abalho,
com
maio es
ní eis
de
con aminac¸ão
e
meno
ní el
de
p o ec¸ão
dos
abalhado es,
elacionado
po
exemplo,
com
ausência
de
p ocedimen os
de
segu anc¸a
ou
uso
insuficien e
ou
inadequado
de
equipamen os
de
p o ec¸ão
indi idual,
não
possa
exis i
sin oma ologia
aguda
associada
a
es es
agen es.
Exemplos
de
abalho
ecen es
que
ogem
à
endência
e e ida
pa a
uma
educ¸ão
p og essi a
nos
ní eis
de
exposic¸ão
são
os
de
Rekhade i113,
p o enien e
da
Índia,
e
o
de
K s e 62,
p o enien e
da
Sé ia,
em
que
a
baixa
pe cen agem
de
cump imen o
de
di e sas
eg as
de
p o ec¸ão
se
associou
a
uma
ele ada
p e alência
de
sin omas
suges i os
de
oxicidade
aguda
dos
ci os á icos,
como
alopécia
e
ash
cu âneo.
Já
em
e mos
de
e ei os
c ónicos,
nomeadamen e,
aumen o
do
isco
de
de e minados
canc os
e
epe cussão
sob e
a
ep oduc¸ão
e
o
desen ol imen o,
es amos
longe
de
pode
e e-
ua
qualque
afi mac¸ão
com
segu anc¸a.
Consoan e
é
bem
e idenciado
pela
me a-análise
de
D ani asa is64,
os
dados
publicados
são
insuficien es
pa a
e i a
qualque
conclusão.
Do
conhecimen o
que
se
em
sob e
mecanismos
de
geno o-
xicidade
essal a,
no
en an o,
que
as
melho ias
e ificadas
na
maio
pa e
dos
locais
de
abalho
não
se ão
p o a elmen e
suficien es
enquan o
con inua em
a
exis i
abalhado es
com
bioma cado es
posi i os.
Pa a
a
maio
pa e
dos
ci os á icos
é
pos ulado
exis i ,
pa a
os
e ei os
geno óxicos,
uma
cu a
dose-
espos a
linea ,
sem
e ei o
limia
de
dose
disce ní el
(e ei os
de
ipo
es ocás ico)114.
Embo a
es e
modelo
enha
so ido
ul i-
mamen e
alguma
con es ac¸ão
e,
indiscu i elmen e,
alguns
ci os á icos
não
ap esen em
uma
cu a
dose- espos a
linea
mas
sim
exponencial,
suge indo
que
possa
exis i
um
limia
de
dose,
pa a
a
maio
pa e
das
espos as
geno óxicas,
es e
limia
não
pa ece
exis i 115.
Sendo
po an o
impossí el,
com
base
no
conhecimen o
cien ífico
a ual,
de e mina
um
ní el
de
exposic¸ão
abaixo
do
qual
se
possa
assegu a
a
inexis ên-
cia
de
e ei os
ad e sos,
de e
en a -se
que
a
con aminac¸ão
ambien al
seja
ão
baixa
quan o
possí el
(As
Low
as
Reasonably
Achie able
–
ALARA)116.
Ou o
a o
impo an e
a
conside a
é
o
local
onde
cada
es udo
é
e e uado,
com
as
suas
ca ac e ís icas
específicas.
Os
esul ados
ob idos
num
de e minado
con ex o
ocupa-
cional
não
podem
se
usados
pa a
a alia
o
isco
nou o
con ex o
ocupacional
di e en e,
com
uma
populac¸ão
expos a
de
ca ac e ís icas
ambém
di e en es.
São
exemplos
os
a-
balhos
já
e e idos
de
Rekhade i113 e
K s e 62 e
um
es udo
ecen e
conduzido
no
Japão117 e elando
que
os
p ofissi-
onais
de
en e magem,
numa
pe cen agem
subs ancial
de
casos,
não
abalha am
ab angidos
pelas
medidas
de
p o ec¸ão
a ualmen e
ecomendadas,
e e indo
nomeadamen e
des-
conhecimen o
de
ecomendac¸ões
específicas
(47%
casos),
Documen o desca egado de h p://h p://www.else ie .p el 29/10/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.