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Escolhas e hábitos alimentares em adolescentes: associação com padrões alimentares do agregado familiar

Cardoso, Susana,Santos, Osvaldo,Nunes, Carla,Loureiro, Maria Isabel

Abstract

RESUMO - Introdução: São múltiplos os fatores que condicionam as escolhas alimentares. Nas idades infanto-juvenis, os pais desempenham um papel importante na construção de preferências alimentares. Tal influência é especialmente relevante na infância, mas parece prolongar-se através do período da adolescência. Objetivo: O principal objetivo do estudo foi caracterizar a associação entre hábitos alimentares do agregado familiar e escolhas alimentares dos adolescentes. Método: Trata-se de um estudo com abordagem mista, quantitativa e qualitativa. Numa primeira etapa, a recolha de dados (quantitativos) foi feita através da Escala de Hábitos Alimentares (EHA), autopreenchida por uma amostra de adolescentes a frequentar o ensino secundário (10.◦-12.◦ ano) em 2 escolas do distrito de Coimbra. Desta forma, foi possível caracterizar os adolescentes quanto à adequação de hábitos alimentares. De seguida, para a componente qualitativa do estudo, foram identificados e selecionados os adolescentes com pontuações mais elevadas na escala EHA (i. e., com hábitos mais adequados) e os adolescentes com pontuações mais baixas nesta escala (i. e., com hábitos alimentares menos adequados). Estes adolescentes foram entrevistados relativamente às suas preferências alimentares, nomeadamente quanto à escolha alimentar em vários contextos (em casa, na escola e fora de casa), hábitos do agregado familiar e razões conducentes às opções efetuadas. Foram questionados ainda quanto ao risco de saúde (i. e., perceções de risco) associado aos hábitos alimentares, decisão perante o impulso de comer e situações associadas e, por último, acerca de intenções de mudança de hábitos. Foi feita uma análise de conteúdo de natureza temática, com codificação linha-a-linha segundo o método de Charmaz e codificação axial (com recurso ao software MaxQDA). Resultados: Participaram 358 adolescentes, dos 14 aos 18 anos (média = 15,78; desvio - padrão = 1,05; 46,9% rapazes). A média da pontuação obtida nos itens da EHA (escala tipo Likert 1-5) foi de 3,434 (desvio-padrão = 0,346), variando entre 2,15-4,3. A pontuação total resultante da soma dos itens variou entre 86-172 (numa escala entre 0-200), com uma média de 137,4 pontos (desvio-padrão = 13,85). Não foram encontrados hábitos alimentares significativamente diferentes entre grupos etários ou estratos socioeconómicos, sendo as raparigas a assumir escolhas alimentares mais adequadas. O grupo de adolescentes com hábitos adequados (média EHA entre 3,75-4,3; pontuação total EHA entre 150-172) integra 11 alunos; o grupo com hábitos desadequados (média EHA entre 2,65-3,125; pontuação total EHA entre 106-125) integra 17 alunos. Os adolescentes com hábitos alimentares mais adequados descrevem o estilo parental como sendo mais interventivo do que o descrito pelos adolescentes com hábitos menos adequados. Esta influência, por parte dos pais, é operacionalizada de formas diversas: através de estilo autoritativo, através dos exemplos comportamentais (por parte dos pais) e/ou através de negociação ou controlo da disponibilidade alimentar em casa. Da análise de conteúdo também se infere que os pais/familiares dos adolescentes com baixa pontuação na EHA tendem a ter hábitos alimentares pouco saudáveis. É frequente o registo de sensações de bem-estar associado ao padrão alimentar, por parte dos alunos com hábitos mais adequados; nos adolescentes com hábitos menos adequados foram registadas ações de acomodação aos hábitos, sem desenvolvimento de uma postura ativa de remediação como, por exemplo, iniciativa para mudar os hábitos, mesmo que pontualmente. Os resultados deste estudo apontam para a necessidade de as intervenções de educação alimentar entre jovens apostarem no desenvolvimento de comportamentos alimentares adequados ao nível de todo o agregado familiar, em complemento a intervenções educativas dirigidas apenas aos jovens.

Full text

e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 www.else ie .p / psp A igo o iginal Escolhas e hábi os alimen a es em adolescen es: associac¸ão com pad ões alimen a es do ag egado amilia Susana Ca dosoa,∗, Os aldo San osb, Ca la Nunesae Isabel Lou ei oa aEscola Nacional de Saúde Publica, Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisboa, Po ugal bIns i u o de Medicina P e en i a, Faculdade de Medicina de Lisboa, Lisboa, Po ugal in o mação sob e o a igo His o ial do a igo: Recebido a 7 de ab il de 2014 Acei e a 14 de julho de 2014 On-line a 2 de ab il de 2015 Pala as-cha e: Escolhas alimen a es Adolescen es Família e s u m o In oduc¸ão: São múl iplos os a o es que condicionam as escolhas alimen a es. Nas idades in an o-ju enis, os pais desempenham um papel impo an e na cons uc¸ão de p e e ências alimen a es. Tal in luência é especialmen e ele an e na in ância, mas pa ece p olonga -se a a és do pe íodo da adolescência. Obje i o: O p incipal obje i o do es udo oi ca ac e iza a associac¸ão en e hábi os alimen- a es do ag egado amilia e escolhas alimen a es dos adolescen es. Mé odo: T a a-se de um es udo com abo dagem mis a, quan i a i a e quali a i a. Numa p imei a e apa, a ecolha de dados (quan i a i os) oi ei a a a és da Escala de Hábi os Alimen a es (EHA), au op eenchida po uma amos a de adolescen es a equen a o ensino secundá io (10.◦-12.◦ano) em 2 escolas do dis i o de Coimb a. Des a o ma, oi possí- el ca ac e iza os adolescen es quan o à adequac¸ão de hábi os alimen a es. De seguida, pa a a componen e quali a i a do es udo, o am iden i icados e selecionados os adolescen- es com pon uac¸ões mais ele adas na escala EHA (i. e., com hábi os mais adequados) e os adolescen es com pon uac¸ões mais baixas nes a escala (i. e., com hábi os alimen a es menos adequados). Es es adolescen es o am en e is ados ela i amen e às suas p e e- ências alimen a es, nomeadamen e quan o à escolha alimen a em á ios con ex os (em casa, na escola e o a de casa), hábi os do ag egado amilia e azões conducen es às opc¸ões e e uadas. Fo am ques ionados ainda quan o ao isco de saúde (i. e., pe cec¸ões de isco) asso- ciado aos hábi os alimen a es, decisão pe an e o impulso de come e si uac¸ões associadas e, po úl imo, ace ca de in enc¸ões de mudanc¸a de hábi os. Foi ei a uma análise de con- eúdo de na u eza emá ica, com codi icac¸ão linha-a-linha segundo o mé odo de Cha maz e codi icac¸ão axial (com ecu so ao so wa e MaxQDA). Resul ados: Pa icipa am 358 adolescen es, dos 14 aos 18 anos (média = 15,78; des io- -pad ão = 1,05; 46,9% apazes). A média da pon uac¸ão ob ida nos i ens da EHA (escala ipo Like 1-5) oi de 3,434 (des io-pad ão = 0,346), a iando en e 2,15-4,3. A pon uac¸ão o al ∗Au o pa a co espondência. Co eio ele ónico: sm.ca [email protected] (S. Ca doso). h p://dx.doi.o g/10.1016/j. psp.2014.07.004 0870-9025/© 2014 Escola Nacional de Sa´ ude P´ ublica. Publicado po Else ie España, S.L.U. Es e é um a igo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND (h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/). e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 129 esul an e da soma dos i ens a iou en e 86-172 (numa escala en e 0-200), com uma média de 137,4 pon os (des io-pad ão = 13,85). Não o am encon ados hábi os alimen a- es signi ica i amen e di e en es en e g upos e á ios ou es a os socioeconómicos, sendo as apa igas a assumi escolhas alimen a es mais adequadas. O g upo de adolescen es com hábi os adequados (média EHA en e 3,75-4,3; pon uac¸ão o al EHA en e 150-172) in e- g a 11 alunos; o g upo com hábi os desadequados (média EHA en e 2,65-3,125; pon uac¸ão o al EHA en e 106-125) in eg a 17 alunos. Os adolescen es com hábi os alimen a es mais adequados desc e em o es ilo pa en al como sendo mais in e en i o do que o desc i o pelos adolescen es com hábi os menos adequados. Es a in luência, po pa e dos pais, é ope acionalizada de o mas di e sas: a a és de es ilo au o i a i o, a a és dos exemplos compo amen ais (po pa e dos pais) e/ou a a és de negociac¸ão ou con olo da disponibi- lidade alimen a em casa. Da análise de con eúdo ambém se in e e que os pais/ amilia es dos adolescen es com baixa pon uac¸ão na EHA endem a e hábi os alimen a es pouco saudá eis. É equen e o egis o de sensac¸ões de bem-es a associado ao pad ão alimen a , po pa e dos alunos com hábi os mais adequados; nos adolescen es com hábi os menos adequados o am egis adas ac¸ões de acomodac¸ão aos hábi os, sem desen ol imen o de uma pos u a a i a de emediac¸ão como, po exemplo, inicia i a pa a muda os hábi os, mesmo que pon ualmen e. Os esul ados des e es udo apon am pa a a necessidade de as in e enc¸ões de educac¸ão alimen a en e jo ens apos a em no desen ol imen o de com- po amen os alimen a es adequados ao ní el de odo o ag egado amilia , em complemen o a in e enc¸ões educa i as di igidas apenas aos jo ens. © 2014 Escola Nacional de Sa´ ude P´ ublica. Publicado po Else ie España, S.L.U. Es e é um a igo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND (h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/). Food choices and ea ing pa e ns in adolescen s: associa ion wi h pa en s’ ood pa e ns Keywo ds: Food Choices Adolescen s Family a b s a c In oduc ion: The e a e se e al ac o s ha can in luence ood choices. In child en and youngs e s, pa en s play an impo an ole in he cons uc ion o ood p e e ences. This in luence is especially ele an in childhood bu i seems o ex end h oughou adolescence. Objec i e: o cha ac e ize he associa ion be ween he household habi s and he ood choices o adolescen s. Me hod: This is a quan i a i e and quali a i e s udy. In a i s momen , da a collec ion (quan- i a i e) was made by he Ea ing Habi s Scale (EHA). S uden s om wo schools o Coimb a (10 h o 12 h g ade) we e asked o comple e he EHA. Thus, i was possible o cha ac e- ize adolescen s acco ding o adequacy o ea ing habi s. Then, o he quali a i e s udy, we selec ed he s uden s acco ding o he bes (mo e app op ia e habi s) and he wo s (bad habi s) sco e EHA ob ained. These adolescen s we e in e iewed abou hei ood p e e en- ces, including on ood choice in di e en con ex s (a home, in school and ou side he home), household habi s and easons o he choices. We e also asked abou pe cep ions o isk asso- cia ed wi h ea ing habi s, decision be o e he u ge o ea and, inally, abou he in en ions o changing habi s. A con en analysis was made, using line-by-line coding me hod acco ding o Cha maz and axial codi ica ion (using MaxQDA so wa e). Resul s: The census o s uden s was in i ed o pa icipa e in he su ey, eaching a sample size o 358 s uden s, aged 14 o 18 (mean = 15.78, s anda d de ia ion = 1.05; 46.9% boys). The a e age sco e on i ens o EHA (like 1-5) was 3,434 (s anda d de ia ion 0.346) wi h mean be ween 2.15 and 4.3. Among he adolescen s, he o al sco e ob ained in he EHA anged be ween 86 and 172 (possible alues be ween 0 and 200), wi h an a e age o 137.4 (s an- da d de ia ion = 13.85). The e we e no signi ican di e en ea ing habi s acco ding o each age g oup o socioeconomic s a um, wi h he gi ls o ake mo e app op ia e ood choices (highe sco es EHA). The g oup o adolescen s wi h p ope habi s (EHA a e age 3.75–4.3; EHA sco es be ween 150 and 172), includes ele en s uden s. The g oup o inadequa e habi s (EHA a e age 2.65–3.125; EHA sco es be ween 106 and 125), includes 17 s uden s. Adoles- cen s wi h p ope ea ing habi s desc ibe he pa en ing s yle as mo e in e en ionis han hose epo ed by adolescen s wi h bad habi s. This pa en s’ in luence is ope a ionalized in se e al ways: h ough au ho i a i e s yle, h ough beha io al examples (by pa en s), and/o h ough nego ia ion o con ol o ood a ailabili y a home. F om con en analysis we also 130 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 in e ha pa en s/ amilies o adolescen s wi h low sco es in EHA end o ha e unheal hy ea ing habi s. Regis a ion o eelings o well -being associa ed wi h die a y pa e ns is com- mon among adolescen s wi h p ope habi s; among adolescen s wi h inadequa e habi s, we ound con o mi y, wi hou de eloping an ac i e emedia ion a i ude as, o example, ini ia i e o change habi s, e en occasionally. The esul s poin o he need o educa ion in e en ions among youngs e s wi h pa icula ocus in de eloping app op ia e household ea ing beha io s, in addi ion o educa ional in e en ions di ec ed only o youngs e s. © 2014 Escola Nacional de Sa´ ude P´ ublica. Published by Else ie España, S.L.U. This is an open access a icle unde he CC BY-NC-ND license (h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/). In oduc¸ão A escolha alimen a , mais ou menos conscien e, é omada no momen o em que se comp a e/ou consome de e minado ali- men o, sendo es a escolha de e minada po di e sos a o es: isiológicos, psicológicos, sociais, económicos e cul u ais. As escolhas alimen a es são eículos de o mac¸ão de hábi os ali- men a es e in luenciam signi ica i amen e o es ado de saúde ao longo da ida1. Po ou o lado, impo a des aca o papel da ap endizagem na aquisic¸ão de p e e ências alimen a es em jo ens (c ianc¸as e adolescen es), que a ap endizagem o mal (sob e alimen os saudá eis e sus não saudá eis, po exemplo) que a ap endizagem in o mal2,3. Nos p ocessos de ap endizagem in o mal os pais desempenham um papel un- damen al, nomeadamen e a a és da modelac¸ão quan o a hábi os alimen a es (ap endizagem ica ian e, pa a os jo ens) e da disponibilidade alimen a pe mi ida (pa a além, ob i- amen e, das ecomendac¸ões/pe missões di e as quan o às escolhas alimen a es dos jo ens)4. De ac o, o ambien e amilia ap esen a-se equen e- men e como de impo ância c ucial pa a o desen ol imen o e manu enc¸ão dos compo amen os alimen a es e de a i idade ísica, em c ianc¸as, podendo se enco ajadas p á icas saudá- eis a a és dos hábi os assumidos pelos pais e dos ecu sos disponibilizados po es es5,6. Sabe-se ambém que as p á i- cas pa en ais po enciam a opc¸ão po de e minados alimen os a a és da exposic¸ão epe ida a esses alimen os4,7. Em c ianc¸as dos 4 aos 8 anos oi possí el des aca a in luên- cia da mãe, assumindo ele ância não só a p á ica pa en al, mas ambém o es ilo pa en al, nomeadamen e a a és da p essão exe cida pa a come , com e ei o po encialmen e pe e so (i. e., associado a maio dis unc¸ão alimen a )8. A es u u a e as in e ac¸ões amilia es di e amen e elacionadas com a e eic¸ão es endem a sua in luência sob e o pe íodo da adolescência9,10. Um es udo de A can11, com adolescen es de idades com- p eendidas en e 15-18 anos, apon a pa a uma associac¸ão posi i a en e a modelagem pa en al saudá el, em e mos de escolhas alimen a es, e um IMC de 18-23 (i. e., saudá el) nos ilhos. Assim sendo, é pa icula men e impo an e comp een- de os de e minan es das escolhas alimen a es. Com o c escimen o, e sob e udo na adolescência, em que as in e ac¸ões sociais não pa en ais se in ensi icam, a cons uc¸ão de escolha o na-se mais complexa e dependen e da in e ac¸ão com/en e múl iplos elemen os psicossociais, cul u ais e económicos2,12. A globalizac¸ão e o con ex o social em que o adolescen e se in eg a a e am as escolhas alimen a es de modo ainda mais p onunciado do que no pe íodo da in ância13. Bouwman14, p.391 e e e que «a comida é equen- emen e pa ilhada com ou os e p opo ciona opo unidades pa a es abelecimen o de con ac os sociais. Es as in e ac¸ões sociais podem unciona como um ma co de cul u a e como exp essão de a e o, comp omisso e iden idade». De qualque modo, o impac o dos hábi os amilia es con- inua a aze -se sen i na adolescência. Po exemplo, em alguns es udos oi possí el e i ica associac¸ão de maio con- sumo de as - ood e meno consumo de ege ais po pa e dos adolescen es, com con ex os amilia es que in oduzem equen emen e o as - ood na p á ica habi ual quo idiana15. Pa ece exis i uma associac¸ão en e o ambien e alimen a de casa, con olado sob e udo pelos pais, e o consumo de u as e ege ais, po pa e dos jo ens. A disponibilidade de u as e ege ais e o ácio alimen os mais saudá eis/alimen os pouco saudá eis, em casa, es ão o emen e associados à inges ão de u as e ege ais16. O es udo aqui ap esen ado isa con ibui pa a a comp e- ensão da o ma como as escolhas alimen a es, no dia-a-dia de adolescen es, se elacionam com os hábi os alimen a es do ag egado amilia e, em especial, com os hábi os alimen a es dos pais. Obje i os O p incipal obje i o des e es udo é ca ac e iza a associac¸ão en e pe cec¸ão dos hábi os alimen a es do ag egado amilia e as escolhas alimen a es dos adolescen es. Numa p imei a ase, eco endo a uma abo dagem quan- i a i a, p e ende-se ca ac e iza os hábi os alimen a es em adolescen es a equen a o ensino secundá io. Numa segunda ase, eco endo a uma abo dagem quali a i a, p e ende-se conhece a pe cec¸ão dos jo ens quan o aos hábi os alimen a es do ag egado amilia . Es a in o mac¸ão, ob ida pela abo dagem quali a i a, pe mi e comp eende a associac¸ão en e as p á icas pa en ais e as escolhas alimen a es dos adolescen es (a aliadas pela componen e quan i a i a). Mé odos O es udo seguiu uma abo dagem mis a, inicialmen e quan- i a i a e de seguida quali a i a, semp e com um desenho obse acional ans e sal. A ecolha dos dados quan i a i- os oi ei a a a és de ques ioná ios de au op eenchimen o, e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 131 em con ex o escola , e po en e is a indi idual semies u u- ada ace-a- ace. Pa icipa am no es udo 2 escolas (amos a in encional), em que se p ocu ou di e sidade (en e adoles- cen es) socioeconómica, bem como de o e a alimen a (em e mos de pas ela ia/snack-ba e es abelecimen os as - ood e em e mos de emen a de can ina escola ). Em cada escola oi cons i uída uma amos a não p obabilís ica, po con e- niência. Numa das escolas o am aplicados ques ioná ios a u mas do 10◦ao 12◦anos de escola idade, ensino egula , selecionando 2 u mas po ano de escola idade e a u mas de ensino p o issional, selecionando uma u ma po ano de escola idade. Nou a, o am aplicados ques ioná ios a u mas do 10◦ao 12◦do ensino egula , selecionando 3 u mas po cada ano de escola idade. A selec¸ão oi ealizada com base em con eniência do ho á io escola , po o ma a acili a a ope acionalizac¸ão dos ques ioná ios. Fo am excluídos alunos com his ó ia clínica conhecida de dis ú bio alimen a e/ou com pa ologia condicionan e da die a (n = 4). Fo am ob idas as au o izac¸ões da di ec¸ão das escolas que pa icipa am no es udo, bem como o consen imen o in o mado assinado pelos pais e pelos adolescen es, com ga an ia de anonima o (e, po - an o, de con idencialidade). Os alunos esponde am à Escala de Hábi os Alimen a es (EHA), alidada pa a a populac¸ão po uguesa po Ma ques17. As espos as são dadas a a és de uma escala do ipo Like . Quan o mais ele ada a pon uac¸ão média de odos os i ens, mais adequados se ão os hábi os alimen a es. Es e ins u- men o inclui ques ões ela i as a 4 dimensões: quan idade alimen a (7 i ens), qualidade alimen a (14 i ens), a iedade alimen a (8 i ens) e adequac¸ão alimen a (11 i ens), que o iginam dis ibuic¸ão po i em de 1-5. A pon uac¸ão global (soma ó io das espos as dadas aos 40 i ens) pode ap esen a alo es a a ia en e 0-200. Médias de pon uac¸ão (1-5) mais ele adas co espondem a hábi os mais adequados em e mos de qualidade, quan idade, a iedade e adequac¸ão alimen a- es. O p ocesso de alidac¸ão da EHA desen ol ido po Ma ques esul ou de uma amos a não alea ó ia, de âmbi o egio- nal (zona Cen o) e e i icou ha e alguns i ens com baixa co elac¸ão com a pon uac¸ão o al da escala ( eduzindo o alo global de consis ência in e na). No en an o, os e e idos i ens o am man idos po ques ões de signi icado de cons uc o. Os alo es de al a encon ados no es udo de alidac¸ão o am de ␣ = 0,5 pa a a quan idade alimen a , ␣ = 0,716 pa a a quali- dade alimen a , ␣ = 0,658 pa a a iedade alimen a e ␣ = 0,619 pa a adequac¸ão alimen a . O alo al a de C onbach global oi bas an e bom: ␣ = 0,816. O índice de massa co po al (IMC) oi de e minado pela in es igado a po medic¸ão an opomé ica do peso e da al u a dos adolescen es. Pa a de e minac¸ão de p é-obesidade e de obesidade segui am-se os pon os de co e (e cu as de pe - cen il) do CDC18. Pa a e ei os da análise es a ís ica u ilizou-se o so wa e IBM S a is ical Package o he Social Sciences, SPSS 20.0. Pa a compa ac¸ão en e alunos p o enien es dos á ios es a os socioeconómicos, géne o e g upos e á ios eco eu-se ao es e pa a amos as independen es e à ANOVA a um a o . Pa a as en e is as semies u u adas o am selecionados os alunos com melho e pio pon uac¸ão ob ida na EHA. P e endeu-se assim es abelece uma dico omia, com is a à análise compa a i a de subg upos com ca ac e ís icas (em e - mos de hábi os alimen a es) mui o dis in as (mais adequados – g upo A – e mais desadequados – g upo B). Assim sendo, a amos a de adolescen es que pa icipou na abo dagem qua- li a i a consis iu numa subamos a dos que pa icipa am na abo dagem quan i a i a. O amanho amos al de cada g upo (com melho es e pio es hábi os) oi de inido de aco do com o p incípio da sa u ac¸ão eó ica19: G upo A (n = 11): alunos com ele ada pon uac¸ão na EHA (hábi os alimen a es mais adequados; EHA ≥ 150); pon uac¸ões en e 150-172, média de 163,9 (des io-pad ão = 5,84). Média das dimensões: qualidade – 3,889 ± 0,29; quan- idade –4,026 ± 0,56; a iedade – 4,522 ± 0,23; adequac¸ão – 4,024 ± 0,17. Média o al das dimensões – 4,115 ± 0,17. G upo B (n = 17): alunos com baixa pon uac¸ão na EHA (hábi- os alimen a es menos adequados; EHA ≤ 125); pon uac¸ões en e 106-125, média de 118,82 (des io-pad ão = 5,85). Média das dimensões: qualidade – 2,890 ± 0,34; quan i- dade –2,823 ± 0,55; a iedade – 3,125 ± 0,39; adequac¸ão – 3,074 ± 0,48. Média o al das dimensões – 2,978 ± 0,15. Rela i- amen e a es e g upo, não oi possí el in eg a 4 alunos que ha iam ob ido pon uac¸ão in e io a 106 (2 deles muda am de escola e 2 ecusa am pa icipa na componen e quali a i a do es udo). Nas en e is as semies u u adas os pa icipan es p oce- de am a uma desc ic¸ão dos hábi os alimen a es do ag egado amilia , dos seus p óp ios hábi os alimen a es, sendo ques i- onados ace ca das di e enc¸as en e a alimen ac¸ão p a icada em casa, na escola e o a de ambas, e azões conducen es a essas escolhas. Fo am ques ionados ainda quan o ao isco de saúde (i. e., pe cec¸ões de isco) associado aos hábi os ali- men a es, decisão pe an e o impulso de come e si uac¸ões associadas e, po úl imo, ace ca de in enc¸ões de mudanc¸a de hábi os. Pa a e ei os de análise dos dados ecolhidos a a és da en e is a (dados quali a i os) seguiu-se uma abo dagem ipo g ounded heo y20,21. Os egis os áudio das en e is as o am ansc i os de o ma in eg al. Foi ei a uma análise emá- ica do con eúdo, com ca ego izac¸ão a a és do mé odo de codi icac¸ão abe a linha-a-linha de Cha maz22. Após es a codi icac¸ão abe a ealizou-se a codi icac¸ão axial, com ecu so ao so wa e MaxQDA, po análise da elac¸ão en e ca ego ias23 e, po úl imo, codi icac¸ão sele i a p ocu ando iden i ica uma ca ego ia cen al da eo ia, in eg ando odos os dados do p o- cesso, a é a ingi a sa u ac¸ão eó ica dos dados. Resul ados A EHA oi adminis ada a 358 alunos (46,9% apazes) do ensino secundá io (10.◦-12.◦anos de escola idade), com idades en e os 14 e os 18 anos de idade (média = 15,78 ± 1,05). A dis ibuic¸ão po idades, ní el socioeconómico e sexo dos alunos pa ici- pan es em cada uma das ases do es udo ap esen am-se nas abelas 1 e 2. As pon uac¸ões o ais de EHA, esul an es da soma de odos os i ens, a ia am en e 86-172, com uma média de 137,4 132 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 Tabela 1 – Ca ac e izac¸ão da amos a – componen e quan i a i a do es udo Rapazes (n = 168) Rapa igas (n = 190) To al (n = 358) Idade 14 anos (%) 8,33 9,47 8,9 15 anos (%) 33,9 35,8 34,9 16 anos (%) 33,3 28,95 31 17 anos (%) 17,86 20,5 19,3 18 anos (%) 6,55 5,26 5,9 Média 15,8 15,76 15,78 Mediana 16 16 16 Des io-pad ão 1,046 1,055 1,050 Ní el socioeconómico dos pais Sem subsídio (%) 85,7 87,9 86,9 Escalão C (%) 7,14 7,9 7,5 Escalão B (%) 5,95 3,68 4,7 Escalão A (%) 1,19 0,53 0,8 Tabela 2 – Ca ac e izac¸ão da amos a – componen e quali a i a do es udo G upo A (n = 11) G upo B (n = 17) To al (n = 28) Idade 14 anos (%) 18,18 23,5 21,4 15 anos (%) 27,27 29,4 28,6 16 anos (%) 36,36 29,4 32,1 17 anos (%) 0 17,6 10,7 18 anos (%) 18,18 0 7,14 Média 15,72 15,4 15,54 Mediana 16 15 15,5 Des io-pad ão 1,35 1,064 1,17 Sexo Rapa igas (%) 72,7 41,2 53,6 Rapazes (%) 27,3 58,8 46,4 Ní el socioeconómico dos pais Sem subsídio (%) 100 88,2 92,8 Escalão C (%) 0 11,8 11,8 Escalão B (%) 0 0 0 Escalão A (%) 0 0 0 G upo A: g upo de adolescen es com hábi os alimen a es mais sau- dá eis, de aco do com a pon uac¸ão global da EHA (≥ 150). G upo B: g upo de adolescen es com hábi os alimen a es menos saudá eis, de aco do com a pon uac¸ão global da EHA (≤ 125). (des io-pad ão = 13,85). Em e mos médios, ob i e am-se os alo es ap esen ados na abela 3. Po se a a de uma escala ecen e e de aplicac¸ão ainda diminu a, p ocedeu-se, como já e e ido, a uma análise de iabilidade in e na da mesma. Rela i amen e à escala com- ple a ob e e-se um al a de 0,81. Pa a as subdimensões da escala o am encon ados os seguin es al as: quan idade – 0,52; qualidade – 0,69; a iedade – 0,69 e adequac¸ão – 0,52, co espondendo a alo es que apon am pa a aca/ azoá el consis ência pa a algumas dimensões (com eduzido núme o de i ens), mas uma boa iabilidade no seu conjun o. O es a o socioeconómico oi a aliado segundo o escalão de subsídio de ac¸ão social escola . A amos a inclui alunos de escalões socioeconómicos di e si icados: 86,9% de ado- lescen es não ab angidos po subsídio, 7,5% de adolescen es pouco ca enciados (escalão C), 4,7% de adolescen es ca enci- ados (escalão B) e 0,8% de adolescen es mui o ca enciados (escalão A). Apenas um aluno i ia com uma ia. Os es an es i iam com os pais e i mãos no caso de es es exis i em. Não o am encon ados hábi os alimen a es signi ica i a- men e di e en es en e g upo e á ios ou es a os socioeconó- micos. Já ela i amen e ao sexo, eco endo-se ao es e pa a compa ac¸ão de médias, e i icou-se se em as apa igas a assu- mi escolhas alimen a es mais adequados (pon uac¸ões mais ele adas do EHA; p < 0,001). Nenhum dos adolescen es ap esen a a obesidade. No g upo A uma aluna ap esen a a ligei o excesso de peso (IMC = 25,0). No g upo B uma aluna ap esen a a excesso de peso (IMC = 27,7) e um aluno ap esen a a ligei o excesso de peso (IMC = 24,8)18. Pe spe i as dos alunos sob e os hábi os alimen a es dos pais Da análise dos ela os ob idos a a és da en e is a, cons a a- -se que o a o com maio ele ância nas escolhas dos adolescen es – hábi os do ag egado amilia – é comum aos 2 g upos, em de imen o de ou os a o es, como empo dis- poní el e p e e ências alimen a es baseadas no palada , es es sim, di e indo na p io idade assumida en e os 2 g upos (A e B). Os adolescen es com hábi os alimen a es adequados e e- em p á icas mais saudá eis, pa indo do ambien e amilia ( e exemplo de discu so na abela 4). Os pais/ amilia es assumem in luência di e a e in e en i a. Ap esen a-se uma amília que, ipicamen e, ap ecia e cul i a uma alimen ac¸ão adequada, equen emen e com con olo e p eocupac¸ão pela saúde. De salien a que o «con olo» é e e ido, pelos ado- lescen es, como um acompanhamen o, mas sem p essão con li uosa. Na pe spe i a dos adolescen es, os e e idos hábi- os en aízam-se ao longo do empo e as opc¸ões dos pais êm Tabela 3 – Médias ob idas pela aplicac¸ão da EHA – componen e quan i a i a do es udo Amos a n = 358 G upo A G upo B Média Des io-pad ão Média Des io-pad ão Média Des io-pad ão Global 3,434 0,346 4,115 0,175 2,978 0,150 Quan idade 3,069 0,412 4,026 0,563 2,823 0,554 Qualidade 3,350 0,587 3,889 0,298 2,890 0,347 Va iedade 3,772 0,527 4,522 0,235 3,125 0,395 Adequac¸ão 3,527 0,430 4,024 0,175 3,074 0,489 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 133 Tabela 4 – Discu sos dos adolescen es ela i amen e à in luência pa en al nas escolhas alimen a es (po ca ego ias de análise) Ca ego ias Exemplos ( e ba im) G upo A Disponibilidade alimen a «Como á ias u as que a minha mãe me p epa a» «Como mui o peixe. . . a minha mãe cos uma aze mui o peixe» «Sin o-me bem a não come ( i os e alimen os icos em go du a) e en ão a minha mãe ambém já sabe isso. . . lá em casa é mui o a o» Con olo e enco ajamen o «Lá em casa a comida a é é bas an e saudá el. Nós azemos mui o mais cozidos e g elhados do que i os. . .» «Semp e ui con olada pela minha mãe no que oca à alimen ac¸ão, nunca me excedi com po ca ias e habi uei-me assim» «Em casa não como i os po que eu não gos o mui o, a minha mãe não gos a de i os, não gos a do chei o. . .» «. . .semp e ui habi uada a e um egime alimen a mais con olado . . . e não ac¸o sac i ícios, sin o-me bem» Bem-es a «Sin o-me bem a não come ( i os e alimen os icos em go du a) e en ão a minha mãe ambém já sabe isso. . .lá em casa é mui o a o» «. . . e não ac¸o sac i ícios, sin o-me bem» P e e ências dos pais como p omo o as das p e e ências dos ilhos «Em casa não como i os po que eu não gos o mui o, a minha mãe não gos a de i os, não gos a do chei o. . .» «. . .eu gos o. . .po exemplo, eu e a minha mãe gos amos mas po isso enho que às ezes comp a só especialmen e pa a nós. . .» Di iculdade em ge i /compensa a disponibilidade de comida saudá el, em unc¸ão de gos os di e en es «Gos a a de consegui in oduzi mais ege ais. . . eu en o, só que mui as ezes não. . . em minha casa eles não gos am mui o. . . eu gos o. . . po exemplo, eu e a minha mãe gos amos mas po isso enho que às ezes comp a só especialmen e pa a nós po que os meus i mãos não gos am» G upo B P á ica amilia pouco saudá el «A minha mãe az imensos doces depois da e eic¸ão» «Não cos umo come sopa ao jan a po que já comi na escola e o meu pai ambém não az. Em casa como menos do que na escola mas mais ezes. Aqui na escola como mais como de e se » «È quase impossí el eu aze die a naquela casa. . .a minha mãe az o os moles, az mil e uma coisas. . .ela ambém é gulosa e az pa a ela e es á lá» Não enco ajamen o «De ez em quando alha comigo mas não me ob iga a come » «Ao jan a como o que a minha mãe az, mas não como sopa. Ca ne, massa, a oz, peixe» Indisponibilidade em casa «Eu como po gos o. . . es ou a e le i pela p imei a ez. . . al ez opo unidade. . . po que em casa nunca se az. Como quando ou ao es au an e. Se quisesse aze não inha pa a o aze » Acomodac¸ão «Se eu aco da às 10 ou 11 h, o meu pai só aco da às 3 da a de e en ão sou capaz de come 3 ezes o pequeno-almoc¸o, seja pão ou ce eais. Ao almoc¸o não como nada ou como um pão e só ol o a come ao jan a ou ao lanche. . . não há o hábi o de almoc¸a lá em casa. Almoc¸o logo ao aco da . . . é semp e assim que ao sábado que ao domingo» Os pais, ou pelo menos um deles, omen am os hábi os inadequados ou enco ajam-nos «Se hou e como, se não hou e ligo à minha mãe e pec¸o pa a comp a » «De manhã, o meu pai cos uma i ao padei o, comp a um olhado mis o e eu cos umo come . . .» «Aos sábados, se a minha mãe sai , se o a Coimb a, às ezes az McDonalds se não, como espa gue e com bacon» «Se a minha mãe es i e po Coimb a a é me pode aze um hambú gue pa a o lanche mas uma ez ou ou a. . . chegou a se uma ez po semana. . .» epe cussões cla as nas opc¸ões em con ex o amilia . É e e- ido o bem-es a que ad ém da opc¸ão po uma alimen ac¸ão adequada. Os hábi os amilia es inco po am a p ocu a de bem-es a po pa e dos á ios elemen os da amília. No único caso, de en e os que cons i uem o g upo A, em que su gem alguns cená ios de hábi os menos adequa- dos o adolescen e, mesmo pe an e a di iculdade em ge i p oblemas de disponibilidade, assume uma posic¸ão a i a no sen ido de desen ol e condic¸ões acili ado as de opc¸ões saudá eis, sendo es as ( ambém nes e caso e al como exp esso pelo adolescen e) associadas à in luência de um dos pais. Em con as e, dos ela os dos adolescen es com hábi os alimen a es inadequados, e i ica-se uma p á ica amilia , nomeadamen e selec¸ão alimen a e modos de con ec¸ão, pouco saudá eis. Nes es adolescen es, a in luência a i a da amília, nas a as ezes em que é mencionada, é mais énue, menos con olado a, não enco ajando os hábi os saudá eis. No discu so dos adolescen es su ge com equência o eco- nhecimen o da alimen ac¸ão como inadequada, mas sem desen ol imen o de compo amen os de compensac¸ão, ao in és do obse ado em alguns casos do g upo A. Associam-se ques ões de p e e ências e modos de con ec¸ão, com dispo- nibilidade de p odu os alimen a es menos salu ogénicos, em casa: «Eu como po gos o. . .es ou a e le i pela p imei a ez. . . al ez opo unidade. . . Como quando ou ao es au an e. Se quisesse aze não inha pa a o aze ». Nes a ase é especialmen e e iden e o ac o das p á icas amilia es, nomeadamen e no que se e e e à disponibilidade alimen a , condiciona em a o ma como o adolescen e se alimen a. Já ases como «se eu aco da às 10 ou 11 h o meu pai só aco da às 3 da a de e en ão sou capaz de come 3 ezes o pequeno-almoc¸o, seja pão ou ce eais» ou «so almoc¸o não como nada ou como um pão e só ol o a come ao jan a ou ao lanche. . .» ou ainda «não há o hábi o de almoc¸a lá em casa. Almoc¸o logo ao aco da . . . é semp e assim que ao sábado que ao domingo» deno- am uma acomodac¸ão, sem desen ol imen o de es a égias 134 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 emediado as ( e i icadas no g upo com hábi os alimen a es adequados). Do discu so dos adolescen es ambém se conclui que os pais, ou pelo menos um deles, omen am os hábi os inade- quados ou enco ajam-nos, c iando condic¸ões a o á eis aos consumos alimen a es pouco saudá eis. A in luência po pa e da mãe su ge mais equen emen e compa a i amen e com o pai. Es a assime ia é em pa e explicá el pela execuc¸ão, po pa e da mãe, de a e as como cozinha ou adqui i p odu os. O pai e á assim uma in luência mais pon ual nas escolhas alimen a es dos adolescen es. Os adolescen es en e is ados e e em equen emen e as escolhas ealizadas em con ex o amilia , como assumidas igualmen e em con ex os o a do ambien e amilia : «A é gos o. . .an es nem gos a a mui o mas comecei a gos a . . .», «escolho habi ualmen e coisas que êm a e com a comida que eu cos umo come », «. . . ai ambém po aquilo que eu es ou mais habi uada. . .» ou «semp e ui con olada pela minha mãe no que oca à alimen ac¸ão, nunca me excedi com po ca ias e habi uei-me assim». Discussão P e endia-se com es e es udo uma ca ac e izac¸ão da associac¸ão en e hábi os alimen a es do ag egado ami- lia e as escolhas alimen a es dos adolescen es, eco endo a uma me odologia mis a (quan i a i a e quali a i a). A abo dagem quan i a i a isou a ca ac e izac¸ão da amos a em es udo quan o aos hábi os alimen a es e a selec¸ão de (sub)amos as que pe mi issem uma abo dagem quali a- i a ica em in o mac¸ão sob e de e minan es das escolhas alimen a es. Foi u ilizada a EHA, que e elou uma boa consis ência in e na (pa a a escala o al), embo a com consis ência in e na mais aca pa a algumas das suas subdimensões (explicá el ambém pelo ac o de es as dimensões e em poucos i ens). De uma o ma ge al, os alo es de consis ência in e na encon- ados es ão alinhados com os encon ados po Ma ques17. A escala EHA ap esen a algumas limi ac¸ões que deco em do seu p ocesso de alidac¸ão e uso ainda limi ado. Es e aba- lho e o c¸a a possibilidade de ecu so a es a escala pa a análise dos hábi os alimen a es, endo-se ob ido um alpha de C on- bach de 0,81. No en an o, é aconselhá el eco e a es udos mais ap o undados de modo a e o c¸a a alidade ex e na da escala. Na amos a es udada os adolescen es ap esen a am classi icac¸ões mais ele adas na dimensão « a iedade alimen a » e mais eduzidas na dimensão «quan idade», al como ob ido em ou os es udos17. As médias ob idas pa a cada dimensão da escala EHA ap oximam-se das já encon adas na amos a es udada po Ma ques (quan idade: 3,107; qualidade: 3,244; a iedade: 3,574; adequac¸ão: 3,297), ap esen ando alo es ligei amen e mais baixos pa a a dimen- são ela i a à quan idade e ligei amen e mais ele ados pa a as es an es dimensões. Uma limi ac¸ão des e es udo em a e com o ac o de não exis i em dados ela i os ao IMC da o alidade dos alunos. Apenas o am de e minados esses alo es ela i amen e aos alunos selecionados pa a abo dagem quali a i a, po condici- onan es ela i as à logís ica e ho á ios das di e sas u mas. Se ia igualmen e pe inen e complemen a o es udo com ou as on es de dados ela i os às p á icas pa en ais e es ilo pa en al, pa a além das deco en es dos ela os dos adoles- cen es. Da mesma o ma, o ac o de a análise deco e sob e uma amos a de con eniência limi a a sua ep esen a i idade. Da análise dos ela os dos adolescen es, apesa dos mes- mos não isa em desc ic¸ão exaus i a, cons a a-se alguma iden idade en e os alimen os e hábi os alimen a es que os adolescen es e baliza am e o egis ado a p io i aquando do p eenchimen o da EHA. Os dados ecolhidos nes e es udo con i mam o papel das p á icas e hábi os amilia es enquan o o ma ado es de esco- lhas alimen a es en e adolescen es. A igu a 1 ap esen a, de o ma esquemá ica, o modo como es as p á icas e hábi- os alimen a es do ag egado amilia se elacionam com as escolhas alimen a es a uais dos adolescen es. Como se pode obse a , na opinião dos adolescen es, o pad ão alimen a dos pais es á di e amen e associado aos ecu sos alimen a- es disponibilizados em casa. Tal, é conco dan e com ou os es udos, que mos a am que a modelagem pa en al, o ambi- en e amilia e con olo da disponibilidade po pa e dos pais es ão associados aos hábi os alimen a es ado ados pelos adolescen es6,15,16. A pe cec¸ão de bem-es a po pa e dos alunos com hábi os alimen a es adequados su ge ambém associada às opc¸ões alimen a es implemen adas em con ex o amilia . Os ela os que apon am pa a o enco ajamen o, po pa e dos pais, do consumo de as ood, p edominan es no g upo de adolescen es com hábi os inadequados (classi icac¸ões mais baixas da escala EHA), pa ecem i de encon o ao de endido po alguns au o es, como Bou elle, quan o à in luência da aquisic¸ão de as ood pa a consumo no seio amilia . Nes a pe spe i a, a amília pa ece assumi um papel nega i o, con- ibuindo pa a a selec¸ão desse ipo de alimen os15. Exis em es udos de associac¸ão en e o pad ão alimen a dos pais e as escolhas e p e e ências alimen a es dos ilhos, in e indo a in luência pa en al sob e os compo amen os ali- men a es, mas, na sua maio ia, incidi am sob e amos as cons i uídas po c ianc¸as a é aos 13-14 anos de idade. Pou- cos são os es udos que incluí am adolescen es a é aos 18 anos6,24. Um es udo de 2013 analisou a associac¸ão en e hábi- os alimen a es e o ambien e amilia em e mos de equência das e eic¸ões em amília e con olo pa en al, numa amos a de adolescen es g egos. Foi egis ada uma associac¸ão en e con olo pa en al e escolhas saudá eis po pa e dos ilhos13. Também na nossa amos a o papel egulado dos pais assume especial ele ância pa a os hábi os dos ilhos. Os es udos ea- lizados nos úl imos anos êm in es ido na ca ac e izac¸ão de hábi os e p á icas alimen a es pa en ais e sua associac¸ão com hábi os alimen a es dos ilhos. Não o am encon ados es u- dos que elacionem a p á ica pa en al pe cecionada pelos adolescen es e as escolhas assumidas po es es. Num es udo de S e enson, com ecolha de dados a a és de ocus-g oup, com adolescen es dos 12 aos 15 anos, ap esen ando hábi os alimen a es saudá eis, e i icou-se associac¸ão en e a p á- ica de despo o e de a i idades culiná ias e a au ope cec¸ão elacionada com a alimen ac¸ão, is o é, a c enc¸a de que os hábi os saudá eis aca e am mais- alias, assim como a co - e a a aliac¸ão em «bom» e «mau» pode se de e minan e pa a os compo amen os adop ados25. Segundo os au o es desse e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 135 F a o e s d o a m b i e n e í s i c o ( d i s p o n i b i l i d a d e , p e ç o , p u b l i c i d a d e ) C o n e x o s o c i a l ( p a e s , n o m a s ) F a o e s p e s s o a i s ( p e o c u p a ç ã o c o m a s a ú d e / p e s o , l i e a c i a e m s a ú d e , s e s s , p e e ê n c i a ) Pais/ag egado amilia Adolescen es Hábi os adequados Hábi os inadequados Hábi os inadequados Bem-es a Pos u a a i a/compensação Acomodação Ausência de es a égias de compensação P á ica amilia pouco saudá el Enco ajamen o de hábi os inadequados Indisponibilidade de alimen os saudá eis P á ica amilia saudá el Con olo/enco ajamen o Disponibilidade alimen a P e e ências alimen a es Figu a 1 – A i udes dos adolescen es ela i amen e à escolha alimen a e o ma como es a é in luenciada pelas p á icas e hábi os dos ag egados amilia es. es udo, pa icipa a i amen e, nomeadamen e na con ec¸ão dos alimen os, se á um mediado do consumo de maio a i- edade de alimen os. Es a pos u a a i a su ge na p esen e in es igac¸ão, nes a mesma pe spe i a, uma ez que os ado- lescen es que assumem es e ipo de pos u a mais a i a, nomeadamen e pa icipando na aquisic¸ão de p odu os pa a consumo em casa, ap esen am maio capacidade pa a e e ua escolhas saudá eis. No p esen e es udo, a associac¸ão en e pad ão alimen a dos pais e escolhas dos ilhos adolescen es oi in es igada eco endo aos ela os dos ilhos. Des e modo, sob essaem os a o es ele an es ca ac e ís icos do ag egado amilia , quando pe cecionados pelos adolescen es. As escolhas alimen a es podem es a em associac¸ão com a o es cul u ais e é nicos26. No es udo que se ap esen a al não oi conside ado uma ez que odos os pa icipan es são p o enien es de um mesmo ambien e cul u al, sendo o iun- dos de Po ugal, conc e amen e Bei a Li o al. Conclusões O ecu so à compa ac¸ão de discu sos de g upos de adoles- cen es com hábi os especialmen e an agónicos co esponde a uma no a abo dagem ela i amen e aos es udos já exis en es. Com es e es udo, e i icou-se que a in luência dos pais é ele- an e, independen emen e de se a a de adolescen es com hábi os mani es amen e adequados ou mani es amen e desa- dequados. Um dos a o es que pode in luencia as escolhas ali- men a es dos adolescen es es á elacionado com os hábi os amilia es elacionados com a alimen ac¸ão. O pad ão ali- men a p a icado em casa é de e minan e pa a a adoc¸ão e manu enc¸ão de compo amen os alimen a es po pa e dos adolescen es em ge al. Es e a o , ao con á io do que pode á acon ece com ou os, assume ele ância especial que en e os adolescen es que e e uam escolhas adequadas que sob e os que e e uam escolhas inadequadas. Pais que adqui em alimen os saudá eis, o nando-os disponí eis em con ex o amilia , que consomem esses mesmos alimen os de uma o ma egula , com p eocupac¸ão com o bem-es a dos á ios elemen os da amília, con ibuem pa a o en ai- za de hábi os alimen a es saudá eis po pa e dos ilhos. Es es endem a oma decisões semelhan es o a de casa, pelo que a in luência se es ende pa a além do con ex o amilia . Os jo ens alam em hábi os iniciados pelos hábi- os alimen a es p a icados em amília e que se pe pe uam pa a além desse con ex o, o que é pa en e na e e ência e- quen e a ases com e mos como «hábi o» e «comecei a gos a ». 136 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 5;3 3(2):128–136 Tendo em con a que os hábi os alimen a es pa em em g ande pa e do con ex o amilia , exis e uma endência pa a es es se pe pe ua em ao longo das ge ac¸ões. Assim sendo, e endo em con a os esul ados do p esen e es udo, é impo - an e que as in e enc¸ões na á ea da educac¸ão pa a a saúde enham em con a o con ex o amilia . Qualque medida que con emple es e con ex o, nomeadamen e a a és de a i ida- des que incluam os pais/ amília com quem i e o adolescen e, se ão semp e mais adequadas. Con i ma-se a impo ância de in e i jun o dos pais, nomeadamen e no sen ido de os enco aja a disponibiliza , em casa, alimen os a iados, nome- adamen e u as e ege ais, e a diminui a disponibilidade de ou os alimen os menos saudá eis27,28. É aconselhá el e e ua es udos eco endo a amos as mais ala gadas e em con ex os cul u ais di e si icados pa a uma comp eensão mais undamen ada do enómeno. Es es es o c¸os de in es igac¸ão se ão especialmen e heu ís icos se incluí em a ca ac e izac¸ão do ní el educacional dos pais, das suas pe cec¸ões e a i udes ela i amen e à alimen ac¸ão e o ní el de li e acia em saúde, undamen al pa a uma comp e- ensão mais ampla da in luência do con ex o amilia . Con li o de in e esses Os au o es decla am não ha e con li o de in e esses. b i b l i o g a i a 1. C oll JK, Neuma k-Sz aine DS, S o y M. 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