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Estágio Curricular de Mestrado na Editorial Divergência

Cabrita, Raquel Alves Martins Conde

Abstract

O presente relatório é o produto do estágio curricular realizado no Grupo Editorial Divergência entre Setembro e Novembro de 2022, descrevendo e reflectindo sobre as tarefas executadas. Abordam-se as diferentes fases do processo editorial, desde a leitura e selecção de originais à edição e revisão dos mesmos, incluindo também funções tipicamente fora das responsabilidades do editor, como paginação e venda de livros. Procura-se frisar e enaltecer o papel do editor no trabalho sobre o texto, como sendo uma mais-valia para o livro e tendo o objectivo de o apresentar ao público apenas na sua melhor versão. Menciona-se ainda o uso da tecnologia na área e as vantagens e problemas que proporciona, tanto actualmente como no futuro.

Full text

Es ágio Cu icula de Mes ado na Edi o ial Di e gência Raquel Cab i a Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Edição de Tex o Ve são co igida e melho ada após de esa pública Junho de 2023 Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Edição de Tex o, ealizado sob a o ien ação cien í ica do P o esso Rui Zink. i AGRADECIMENTOS Começo po ag adece à Ca olina Sousa, ao Filipe Se omenho e à Cons ança Gonçal es, po me e em ecebido calo osamen e e e em es ado semp e disponí eis quando p ecisa a de ajuda e po me ins uí em nas suas especialidades. Ao P o esso Rui Zink, po odo o conhecimen o que pa ilhou du an e as aulas e pelo apoio que p o idenciou ao longo do mes ado. Aos meus amigos, po es a em semp e lá quando necessá io. Em especial, à F ancisca e à Inês, po me deixa em mexe com os seus ex os e cha eá-las ace ca de í gulas, e à Ra aela, pelos deba es cons an es sob e g amá ica, o og a ia e pon uação, com as quais con inuo a ap ende . Po úl imo, ag adeço à minha amília, pelo seu apoio cons an e e p esença nos bons e maus momen os, po ac edi a em semp e em mim. Es e ela ó io não se ia possí el se não a i esse semp e a meu lado, an o pa a me mo i a como pa a me ou i ala sob e qualque us ação que i esse. Ob igada po me acompanha em po odas as minhas a en u as, an o p esencialmen e como a pos e io i, mesmo quando o caminho que escolhia pode ia não se o mais indicado ou o mais simples. ii Es ágio Cu icula de Mes ado na Edi o ial Di e gência Raquel Cab i a RESUMO O p esen e ela ó io é o p odu o do es ágio cu icula ealizado no G upo Edi o ial Di e gência en e Se emb o e No emb o de 2022, desc e endo e e lec indo sob e as a e as execu adas. Abo dam-se as di e en es ases do p ocesso edi o ial, desde a lei u a e selecção de o iginais à edição e e isão dos mesmos, incluindo ambém unções ipicamen e o a das esponsabilidades do edi o , como paginação e enda de li os. P ocu a-se isa e enal ece o papel do edi o no abalho sob e o ex o, como sendo uma mais- alia pa a o li o e endo o objec i o de o ap esen a ao público apenas na sua melho e são. Menciona-se ainda o uso da ecnologia na á ea e as an agens e p oblemas que p opo ciona, an o ac ualmen e como no u u o. PALAVRAS-CHAVE: Edição; Edi o ial Di e gência; Es ágio; Re isão; Selecção iii Es ágio Cu icula de Mes ado na Edi o ial Di e gência Raquel Cab i a ABSTRACT This epo is he p oduc o an in e nship a he Edi o ial Di e gência publishing company du ing he mon hs o Sep embe o No embe 2022, aiming o desc ibe and e lec o e he execu ed asks. I will ocus upon he di e en s ages o he publishing p ocess, om he eading and selec ion o manusc ip s o hei edi ing and p oo eading, including du ies ypically ou side o he esponsibili ies o an edi o , such as page-makeup and bookselling. The objec i e is o ex ol he ole o an edi o in imp o ing he ex , aiming o p esen o he public only he bes possible e sion o a book. The use o echnology is also ema ked upon: wha a e he ad an ages and p oblems de i ed om i , bo h now and in he u u e. KEYWORDS: Edi ing, Edi o ial Di e gência; In e nship; P oo eading; Selec ion i ÍNDICE In odução .................................................................................... 1 CAPÍTULO 1 G upo Edi o ial Di e gência ....................................................... 2 CAPÍTULO 2 Lei u a de O iginais ..................................................................... 4 CAPÍTULO 3 Coo denação Edi o ial ................................................................. 9 CAPÍTULO 4 Edição de Ob as ......................................................................... 12 CAPÍTULO 5 Re isão de Tex o ....................................................................... 17 CAPÍTULO 6 Paginação ................................................................................... 23 CAPÍTULO 7 Pa icipação em Fei as ............................................................... 25 CAPÍTULO 8 B e e Re lexão: A Edição e a Tecnologia ................................. 27 Conside ações Finais ................................................................. 34 Re e ências Bibliog á icas ......................................................... 36 ÍNDICE DE ANEXOS ANEXO A Comen á ios sob e O iginal A ................................................... 37 ANEXO B Comen á ios sob e O iginal B ................................................... 39 ANEXO C Comen á ios sob e O iginal C ................................................... 43 ANEXO D Dú idas de Re isão ................................................................... 45 1 INTRODUÇÃO Se e o p esen e ela ó io pa a desc e e e e lec i sob e as ac i idades desen ol idas du an e a componen e não lec i a do Mes ado em Edição de Tex o, e en e Es ágio Cu icula , ealizada no G upo Edi o ial Di e gência en e Se emb o e No emb o de 2022, solidi icando e ape eiçoando os conhecimen os adqui idos a a és da componen e lec i a num meio p o issional. O li o semp e oi um dos meus melho es amigos. Acompanhou-me du an e odas as pe ipécias da minha ida, se indo á ias unções, desde p o esso a e úgio, e as lei u as que iz i e am uma in luência emenda em quem sou. Em 2021, quando ing essei no Mes ado em Edição de Tex o na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade NOVA de Lisboa, i e a opo unidade de adqui i as e amen as necessá ias pa a a ingi o sucesso na á ea de edição e publicação de li os. P opo cionou-me ambém a possibilidade de pô em p á ica as compe ências desen ol idas a a és de um es ágio, du an e o qual pude pa icipa na c iação des e objec o de que gos o an o e in eg a oda uma comunidade dedicada à li e a u a e à pa ilha de his ó ias. Como eu inha a in enção de ealiza o máximo de ac i idades possí eis no pe íodo ela i amen e cu o de es ágio, incidiu uma impo ância ac escida sob e a escolha de local de es ágio. Simul aneamen e, apenas um núme o eduzido de edi o as e ou as emp esas no meio edi o ial es ão abe as à o mação e apoio de po enciais es agiá ios, con e indo um ou o desa io nas opções disponí eis. Felizmen e, uma das p imei as edi o as con ac adas, a Edi o ial Di e gência, deu pa ece posi i o pa a a ealização de es ágio cu icula ainda du an e o mês de Junho. O ambien e mos ou-se excelen e desde a p imei a eunião e, sendo uma emp esa pequena, o e ecia a opo unidade de pa icipa em odos os momen os da p odução do li o, incluindo a é pa icipa na Fei a do Li o de Lisboa. Es e ela ó io é o p odu o des a b e e elação p o issional que i e o p aze de i encia , começando pela desc ição da casa do G upo Edi o ial Di e gência, seguida po uma enume ação das di e en es ac i idades ealizadas, desa ios emp eendidos e di iculdades en en adas, p ocu ando semp e ealça o papel do edi o em cada e apa do p ocesso de c iação do li o. 2 Capí ulo 1 GRUPO EDITORIAL DIVERGÊNCIA Fundada em 2013 em A ei o, a Edi o ial Di e gência especializou-se em icção especula i a pa a p eenche uma al a de ep esen a i idade po uguesa na á ea, endo como p imei as publicações Na Somb a das Pala as e Po Mundos Di e gen es, de 2014, ambas an ologias de con os de an asia, icção cien í ica e e o . Começou po se uma coope a i a, com as a e as a se em dis ibuídas pelos memb os disponí eis e pa ilhando pa e dos luc os en e os colabo ado es de cada li o. Ac ualmen e, a edi o a c esceu pa a se o na num g upo edi o ial, cons i uída po ês chancelas di e en es: a Edi o ial Di e gência, que se man ém como edi o a de au o es po ugueses con empo âneos nos géne os da an asia, icção cien í ica e ho o ; a Edições T eba una, c iada em 2018, albe ga os es an es géne os li e á ios da icção po uguesa e p i ilegia os no os au o es; e, po im, a Edições Ve bi G a ia, ambém de 2018, dedicada à não- icção e cen ada nas emá icas de his ó ia, di ulgação cien í ica e li e a u a. Pa a esponde à c escen e p ocu a de se iços que pe mi em o sel -publishing, ou edição de au o , em que o cus o de p odução do li o é sus en ado pelo p óp io au o , oi c iado em 2019 o P ojec o Foco, dando aos au o es a possibilidade de escolhe em qual o ipo de a e as edi o iais de que que em usu ui e a é e o seu li o dis ibuído pelas li a ias do país. Foco – Se iços Edi o iais é ambém o nome da emp esa-mãe do g upo desde que a junção oi ei a em 2020, endo uma ou a edi o a, LudoVi ae, o mada no ano seguin e, ecupe ado a pa e coope a i a. Menciono ainda a Dis ibuido a Nacional de Li os Con e gência, undada em 2018, nascida pa a con a ia a endência de posição dominan e das dis ibuido as nacionais exis en es e a c escen e comissão po es as cob ada em unção do p eço de enda. A Con e gência se e assim como a p incipal p omo o a dos li os do G upo Edi o ial Di e gência e do P ojec o Foco, a endendo ainda a ou as pequenas e médias edi o as, e az chega os li os ao lei o , an o a a és da loja online como da p esença em á ios e en os elacionados com o li o. O G upo p ocu a esponde aos desa ios ac uais que a cul u a e a li e a u a en en am, ambas assumindo uma meno impo ância no pa adigma social nacional em 9 Capí ulo 3 COORDENAÇÃO EDITORIAL O coo denado edi o ial é o esponsá el pela pa e edi o ial da emp esa. Tipicamen e o edi o mais expe ien e da casa, é quem decide quais as ob as que se ão publicadas e quando, es ando ambém enca egue de sabe em que ase se encon a cada um dos p ojec os da edi o a e o ien a os di e en es memb os da equipa pa a que cada li o seja coe en e den o de si, an o pelo aspec o como pelo con eúdo. Faz a pon e en e o depa amen o de dis ibuição e a equipa edi o ial, sendo esponsá el pela ges ão do p odu o, es a égias de comunicação e inicia i as pa a aumen a a p omoção dos li os, ou a é se compensa aze uma no a imp essão ou edição des es. Pa a qualque manusc i o, cabe ao coo denado edi o ial oma a decisão inal de publica ou não, median e as ecomendações dadas pela equipa, e comunica as espos as aos au o es. Es e úl imo passo é impo an e se ei o a a és de algo mais pessoal do que um simples e-mail. Em ge al, não se que um au o pa a apenas um li o, que -se que ique com a edi o a e que con inue a publica com a mesma. Um con ac o mais pessoal o ma uma elação mais p óxima, especialmen e se o pa a da boas no ícias. Exis e ou a azão pa a aze es a comunicação a a és de uma chamada ou algo semelhan e: não é possí el pe cebe qual é a pe sonalidade do au o a a és de um e-mail, que pode se eesc i o e abalhado, o nando-se o mais o mal possí el. Uma con e sa em pessoa ou ao elemó el pe mi e e uma noção de quão abe o o au o es á a al e ações no seu ex o, se é alguém mais elaxado ou se é a ogan e. O con ac o com o au o a a és de uma chamada não pode começa pela casa edi o ial a demons a in e esse num con a o de publicação, pois pe de -se-ia a opo unidade de pe cebe como se á lida com o au o no u u o. Uma suges ão que me oi dada pela coo denado a edi o ial Ca olina Sousa oi a de con ence o au o a ala um pouco da sua esc i a: como decidiu que que ia esc e e um li o e de onde lhe su giu a ideia pa a esse manusc i o, se é a p imei a ez que es á à p ocu a de publicá-lo; pode-se ques iona as suas inspi ações, o que p e e e le , ou a é as azões pelas quais escolheu es a edi o a pa a a publicação. A pa i des as pe gun as, ai-se o mando uma melho pe spec i a de quem são o au o e a sua ob a, assim como quão lexí el é às mudanças necessá ias pa a o ex o 10 pode se publicado. Só depois se pode con i ma ao au o a decisão de publica o li o, isando a necessidade de ealiza abalho no ex o. Se, po ou o lado, o au o não pa ece alguém com quem se pode lida num meio p o issional, em-se a opo unidade de muda de ideias an es de aze comp omissos, ag adecendo a oca de pala as e p ome endo uma decisão inal mais a de, a a és de e-mail. Depois des a con e sa, al a apenas o coo denado edi o ial en ia o con a o ao au o , que dispõe de odas as in o mações ele an es a que ambas as pa es se comp ome em. En e elas es ão a i agem e núme o de edições, exempla es pa a o au o , decisão inal sob e o design da capa e pe íodo pa a a publicação, assim como uma cláusula pa a ga an i po ção dos di ei os de au o à edi o a. Es a cláusula de e mina a pe cen agem do p eço de capa que é de ida a cada pa e, quando es es alo es são pagos ao au o e a é um possí el descon o de que o au o pode usu ui quando comp a os seus li os à edi o a. O con a o assegu a ainda a cedência dos di ei os subsidiá ios à edi o a, sendo es es ela i os a aduções, adap ações pa a cinema ou ele isão, en e ou os, ga an indo que pa e dos luc os de idos ao de en o dos di ei os au o ais eme e pa a a edi o a. Es e é um pon o impo an e no con a o, pois a edi o a es á a co e um isco ao publica um li o e qualque adap ação pos e io é apenas possí el de ido à in e enção da edi o a, me ecendo en ão es a uma pa e dos luc os pela sua pa e no sucesso do li o. A coo denação edi o ial pode ambém e e i -se à o ganização e o ien ação de um único p ojec o, e não apenas ao abalho emp eendido pelo esponsá el edi o ial. Qualque pessoa que ique enca egue de acompanha um li o po odos os momen os do p ocesso de publicação i á da po si a ealiza a e as de coo denação edi o ial. Pa a além de guia os elemen os da equipa nas suas espec i as especialidades de o ma a egula a coe ência do li o como p odu o, es as a e as incluem ambém: pedidos de ISBN e Depósi o Legal; p eenchimen o de ichas bibliog á icas, icha écnica e ichas de p odu o pa a a pa e come cial; elabo ações de sinopses, an o a que apa ece no li o como pa a a equipa de dis ibuição e pa cei os come ciais; ecolha de c í icas posi i as e blu bs pa a a p omoção; pedidos de o çamen os e encomendas à g á ica; e, po im, a o ganização do lançamen o do li o. Dada a cu a du ação do es ágio, não oi possí el acompanha um p ojec o do início ao im. Como al, não passei po mui as des as e apas, ealizando algumas a a és de o mações, mas igno ando mui as ou as. Ti e a opo unidade de ap ende e aze as duas a e as que ealmen e que ia execu a : os pedidos de ISBN e Depósi o Legal, ambos ealizados du an e uma o mação dada pela coo denado a edi o ial Ca olina Sousa. 11 Já sabia an es do es ágio que pedidos de ISBN são ei os à APEL (Associação Po uguesa de Edi o es e Li ei os), embo a não soubesse exac amen e como unciona o p ocesso. Mos ou-se mui o mais simples do que es a a à espe a, consis indo apenas no p eenchimen o de um o mulá io online com os dados da edi o a, a endendo à chancela com a qual se ai publica , e os dados pa a con ac o, seleccionando-se de seguida o p e ixo do ISBN, que pode se um p é io, se o ainda possí el u ilizá-lo, ou um no o. Depois, é só p eenche a in o mação ela i a ao li o, como í ulo, au o — pa a an ologias ica « á ios» — e de alhes e e en es ao ipo de supo e e ao géne o do li o. Es e úl imo é um pouco menos in ui i o do que os an e io es, a é pela p óp ia o ganização emá ica do o mulá io. Poesia, po exemplo, es á no campo de «Biog a ia, Li e a u a & es udos li e á ios» e não em «Ficção e ma é ias elacionadas» como se pode ia pensa à p imei a is a; den o des a úl ima emá ica, encon amos «Ficção especula i a», «Ficção cien í ica», «Li e a u a de ho o & sob ena u al» e «Li e a u a an ás ica», sendo que a p imei a ca ego ia pode encapsula as ou as ês. A c iação de um código de ba as com o ISBN é opcional e ap esen a um cus o adicional e, caso seja necessá io, a APEL dá a opção de acele a o p ocessamen o do pedido e a a de udo em menos empo, median e ou o cus o adicional. Tan o um como o ou o não compensam, is o se desnecessá io aze um pedido u gen e quando a APEL demo a apenas alguns dias a esponde com o ISBN e sendo possí el ob e um código de ba as de manei a mais ácil e g a ui a. Cada ez que exis i em no os aspec os no ex e io e/ou in e io de um li o, ou seja, a cada no a edição de um li o, é necessá io pedi um no o ISBN. Po ou o lado, só é necessá io um no o Depósi o Legal se o miolo o al e ado, podendo aze -se li emen e al e ações na capa ou ex e io do li o. Tipicamen e, as ins uções pa a a g á ica incluem aze o pedido de Depósi o Legal, mas, po ezes, o G upo Edi o ial Di e gência imp ime li os a a és de uma g á ica espanhola, cabendo en ão aos edi o es aze em o pedido. Es e é ei o a a és do si e da Biblio eca Nacional de Po ugal, p eenchendo-se um o mulá io semelhan e ao do ISBN, dando especial a enção aos au o es, de endo esc e e -se odos e não apenas « á ios», e sendo necessá ia uma da a p e is a pa a a publicação, não ha endo penalização caso es a não se con i me. 12 Capí ulo 4 EDIÇÃO DE OBRAS Nenhum manusc i o que chega a uma edi o a es á na sua melho o ma. Não apenas po qualque e o g ama ical ou o og á ico que es eja p esen e, mas po que exis e semp e algo mais a aze pa a ealiza a melho e são do li o possí el. Ao abalho sob e o ex o pa a alcança es e objec i o chama-se edição. Se a lei u a de o iginais pode se i pa a iden i ica os p oblemas exis en es num manusc i o, a edição é quando se p ocu a a esolução des es, olhando a ob a como um odo e mudando aquilo que pode se melho ado. É p eciso man e um equilíb io du an e es a a e a que ou as não de êm: o edi o se e de pon e en e au o , edi o a e lei o e de e semp e de ende os in e esses dos ês, encon ando o pon o em que odos icam sa is ei os com o esul ado. A oz do au o de e se semp e p ese ada, assim como as suas in enções e a na a i a que que ece com o seu manusc i o, mas a edi o a em p io idade no que oca a man e a sua imagem pública e a consis ência no seu ca álogo, podendo en ão se necessá io mexe no con eúdo pa a que se man enha o ní el de qualidade desejado e não queb a os p incípios é icos da edi o a. Po im, o edi o em ambém de conside a aquilo que o lei o que le , a a és do conhecimen o do me cado ac ual e, às ezes, do conhecimen o dos emas e si uações sociopolí icas do momen o. Gene alizando, a edição abalha o ex o ao ní el mac o, a aliando e esol endo p oblemas de coe ência e con inuidade, de i mo das ases ou da p óp ia his ó ia, da es u u a e do modo como odo o manusc i o es á cons uído (c . Lee, 2004: 278–284). Não se oca no mic o, como e os g ama icais, o og á icos ou na colocação de pon uação, embo a seja possí el aze já algumas des as a e as de e isão no a amen o do ex o, p incipalmen e du an e a p imei a lei u a; oca-se em aze as escolhas que i ão bene icia mais o li o como p odu o. A edição pode se ei a de di e sas manei as, depende do es ilo do edi o e da quan idade de abalho necessá io pa a melho a o ex o, alguns p e e indo le a o abalho de linha a linha, enquan o ou os sal i am en e os p oblemas que encon a am. O p imei o passo é semp e a lei u a in eg al do manusc i o, pa a se e uma isão comple a daquilo que compõe a na a i a ou o a gumen o, pe cebe o es ilo de esc i a do au o , aze uma 13 iden i icação p elimina dos desa ios pela en e. Apenas quando se conhece o ex o é que se pode ealmen e começa a abalhá-lo. Se hou e empo e disponibilidade, um manusc i o pode e sido acei e na condição de le a uma in e enção edi o ial p o unda, implicando um abalho conjun o de edi o e au o , po ezes do início da p odução do li o a é à ixação do ex o. Es e é um ipo de edição mais equen e em li os de não- icção, especialmen e pa a manuais, pa a o ganiza e o ien a o(s) au o (es) e ajudá-los a a ingi um de e minado objec i o. É comum o edi o acompanha odo o desen ol imen o do manusc i o, desde a é a sua concepção inicial, se indo mui as ezes como um ges o do p odu o com de alhes já es abelecidos, como a linha isual do manual ou o me cado e público-al o que es e de e alcança (c . No on, 2009: 1–4). Um manusc i o de icção que chegue a uma edi o a a p ecisa de amanha in e enção é mui as ezes en iado de ol a pa a o au o com os p oblemas iden i icados e um con i e pa a ol a a subme e o ex o após es e se ape eiçoado. Desa ios pela en e na icção ab angem a cons ução de pe sonagens, do mundo, do en edo. É um abalho mui o p óximo do au o , mais equen emen e ealizado po um edi o eelance con a ado po um au o dispos o a e o mula odos os componen es do manusc i o. Reque uma habilidade supe io na análise de his ó ias e um conhecimen o mais p o undo de como es as uncionam, de sabe o mecanismo po de ás delas. In elizmen e, não é uma ga an ia de que o li o e á sucesso, mesmo se o ex o inal o mui o melho do que o inicial, algo já do conhecimen o das edi o as, que não a iscam em p ojec os des e géne o, sabendo a a -se de um in es imen o sem p omessa de e o no. A edição a que os li os ge almen e são sujei os é mais supe icial — mas não menos impo an e ou e icaz. O abalho de edição a amen e é ão p o undo de ido aos p azos de publicação e à al a de ecu sos. E, mesmo se os hou esse, exis em au o es que acham que qualque al e ação ei a ao seu manusc i o é uma al e ação a mais; um in es imen o a es e ní el se ia mui o mais do que es ão dispos os a ole a . A edição oca-se em man e a consis ência e coe ência na na a i a e es ilo do au o , apu ando alhas ac uais ou de lógica e o nando as ases e a gumen os mais áceis de comp eende . Quando possí el, eo dena os elemen os da ase e descomplica a linguagem usada. Resol e ainda os p oblemas supe iciais de es u u a e de ansição. Todas as al e ações ao ex o de em se ma cadas u ilizando a unção de Regis o de Al e ações do Wo d, seja du an e a edição ou du an e a e isão, pa a o au o pode ap o a as mudanças ei as ao ex o. Pa a in e enções mais subs anciais, deixam-se comen á ios cla os e concisos ao ex o. Depois de dadas as suges ões ao au o , o ex o 14 anda pa a a en e e pa a ás en e es e e o edi o num abalho conjun o de melho amen o a é que ambas as pa es es ejam de aco do, com os objec i os des a ase pa a o manusc i o do au o e da edi o a a ingidos e o in e esse do lei o sal agua dado. O ex o ica en ão ixo e echado numa e são p on a pa a se e is a, sendo as al e ações ei as daqui pa a a en e mui o menos subs anciais e ocando a linguagem mais do que o con eúdo. Depois da e isão, é esponsabilidade do edi o con i ma e alida o abalho dos e iso es, en ando equilib a os p oblemas g ama icais, sin ác icos e mo ológicos encon ados com o es ilo de esc i a do au o e e i icando se a colocação da pon uação al e a de alguma o ma as in e p e ações que o lei o pode aze do ex o. A minha a e a a o i a no p ocesso de publicação de um li o é com ce eza a edição. O a amen o mais p o undo do manusc i o, p ecisando de uma análise mais comple a, pe mi e uma maio c ia i idade den o dos limi es impos os po abalha no ex o de ou a pessoa. Não se em a g amá ica ou um dicioná io como ga an ia de se es a ce o, po isso as suges ões de em se semp e bem ponde adas e es u u adas pa a que o diálogo com o au o seja sa is a ó io pa a ambas as pa es. Gos o de pensa sob e o ex o, de e mina aquilo que es e es á a dize e se es á enquad ado com as in enções e objec i os do au o . Gos o de encon a o que não es á a esul a e p ocu a as soluções possí eis pa a melho a o ex o. O b ains o ming semp e me deu p aze , o a i a ideias de ás pa a a en e com o au o , ajudando-o a chega a soluções ou a gumen os cuja exis ência eles já conheciam e apenas p ecisa am de um empu ãozinho pa a lá chega em. É uma ac i idade algo a a den o de uma edi o a, não só de ido à p e e ência pelo abalho com manusc i os já ealizados, mas ambém pela al a de ecu sos pa a a emp eende . É algo mais ei o po eelance s, ou a é po agen es li e á ios, con a ados pelos au o es que que em uma ajuda e mo i ação ex a pa a ealiza os seus p ojec os, deixando o edi o acompanhá-los nas di e en es ases de desen ol imen o do manusc i o. Não me oi possí el pa icipa nes e ipo de a e a du an e o meu es ágio, pelas azões já desc i as, mas pode á se algo a explo a no u u o. De qualque modo, i e a opo unidade de ealiza dois abalhos de edição, ambos em li os de não- icção. O p imei o é sob e uma igu a impo an e das a es do espec áculo, sendo es a a e cei a ez que o li o es á a se publicado. Uma peculia idade des e é a in odução de no as c ónicas em cada no a edição pa a que seja semp e um objec o em ans o mação, endo eu ei o uma in e enção mais eduzida pelo ac o de o ex o da an e io edição já e sido abalhado. Comecei pela lei u a da segunda edição, publicada pela Ve bi G a ia em 2021, pa a o ma a al isão in eg al necessá ia pa a edi a o con eúdo. Fazê-lo pe mi iu-me 15 ime gi no es ilo de esc i a do au o , apidamen e ape cebendo-me dos seus iques e manei as de o ma ases. É um es ilo mui o elaxado, menos o mal, e lec indo as ca ac e ís icas do discu so o al, embo a man endo alguma dis ância de uma ep odução di ec a des e. Não ha ia nenhuma o dem pa icula das c ónicas, o au o esc e endo con o me se lemb a a daquilo que que ia ala , ecaindo na dimensão mais elaxada, mas nunca pa ecendo o almen e alea ó ia. Tal ez o maio p oblema seja a assumida eia de p omoção p óp ia do au o , le ando o ex o a oca -se mais nele como igu a cen al e não em quem as c ónicas supos amen e homenageiam. Es e úl imo aspec o oi algo que se epe iu con o me os no os capí ulos me chega am pa a edi a . Um deles des ia a-se po comple o das ou as c ónicas, pois o au o que ia da den o des e um «chei inho» de um ou o li o. A minha suges ão oi emo e odos os capí ulos cujo a gumen o pe dia na ín eg a a igu a cen al do li o, enquan o nou os suge i a ein odução da igu a, mesmo que num papel mais pe i é ico, pa a se enquad a melho no li o o al. Fiz ambém á ias al e ações na o ma como o ex o luía e deixei suges ões quando p e e ia que algo osse di o po ou as pala as. O au o em um a o mui o simpá ico, endo acei ado as minhas suges ões sem p oblemas e admi indo a sua endência pa a pe de -se na na a i a, e o miolo oi apidamen e echado e en iado pa a e isão, que eu mais a de alidei e passei pa a a paginação. Em e ospec i a, e ia ei o algumas coisas di e en es, como é cos ume. O meu g ande a ependimen o oi não e desde início jun ado a segunda com a e cei a (no a) edição, se não desde o p incípio, pelo menos na lei u a inal que iz an es de en ia pa a e isão. Es a a abalha com dois ichei os di e en es o na a mais di ícil e o odo e pouco ou nada in e im no ex o da segunda edição, algo que e ia ei o caso i esse o manusc i o comple o em mãos. Também não con i mei a o dem de umas lis as que apa ecem no inal do li o a é es e es a no p ocesso de paginação, algo que depois i e de deixa em no a pa a o p óximo edi o . O segundo manusc i o edi ado po mim e a de Ma emá ica. Uma p opos a in e essan e, cujo au o que ia e ela os seg edos dos núme os a um público mais ala gado. Depois da minha lei u a inicial, du an e a qual já inha ealizado algumas al e ações na composição das ases e simpli icado a es u u a des as, i na minha segunda passagem que o manusc i o como es a a p ecisa a de apenas uma in e enção mais le e pa a des aca alguns pon os impo an es. Um exemplo: o au o ap esen a como a gumen o cen al que os núme os são descobe os e não in en ados, mas, po ezes, esquecia-se des e pon o e esc e ia apenas in en ado. Dependendo do con ex o, suge i ou uma b incadei a 16 ace ca da descobe a ou um pequeno apa e e lec indo se não se ia di e en e nesse caso. Também suge i algumas al e ações na es u u a, pa a man e a coe ência do a gumen o, ou pa a o na a lei u a mais ácil, como a suges ão que deixei pa a o na as endno es em oo no es. De ia e deixado uma no a sob e o amanho das legendas das imagens que apa ecem ao longo do ex o, is o não se em o almen e ele an es ao ema e queb a em a lei u a de manei a subs ancial, mas acabei po emo e essa suges ão po azões que ago a me eludem. Não acompanhei es e p ojec o pa a lá da p imei a edição, endo sido o úl imo manusc i o em que abalhei no G upo Edi o ial Di e gência. As únicas ci cuns âncias em que comuniquei di ec amen e com os au o es du an e o es ágio oi nes es pequenos comen á ios deixados no ex o. É um ipo de con ac o di e en e daquele a que es ou habi uada; p imei o, po não conhece com quem es a a a lida , qual a sua pe sonalidade ou modo de abalho; segundo, pela p óp ia na u eza da comunicação limi ada a comen á ios num ichei o de Wo d. Tenho de e um cuidado edob ado com aquilo que esc e o, não só pa a não pe de c edibilidade ao en ia comen á ios com e os o og á icos, g ama icais ou de in e p e ação do ex o do au o , mas ambém enho de a icula as minhas suges ões co ec amen e, con idando semp e a um diálogo abe o com o au o . In elizmen e, não i e a opo unidade de abo da um ex o de icção na qualidade de edi o a. É uma pena, pois gos a a de e en ado des enda os desa ios p óp ios de uma na a i a com pe sonagens, pa icula men e num ambien e edi o ial, em que exis em limi es na quan idade de in e enção que se pode aze . Que ia es a como é que eu esponde ia nessas ci cuns âncias, pa a e um pon o de pa ida no u u o. Ou o aspec o que gos a a de e abo dado e a edi a aduções, um abalho com pa icula idades bas an e di e en es da edição no mal. É um equilíb io dis in o que se em de man e , po lida simul aneamen e com dois ex os e duas ozes di e en es, an o do o iginal como da adução. O i mo e a exp essão do o iginal êm de se p ese ados, embo a haja aspec os quase impossí eis de epe i após a adução, e que ia e ei o essas escolhas, e deba ido esses p oblemas, mas e á de se uma expe iência u u a, is o o G upo Edi o ial Di e gência p i ilegia o abalho com o au o po uguês. 17 Capí ulo 5 REVISÃO DE TEXTO Enquan o a edição se ocupa pelos con eúdos de um manusc i o e os p oblemas ao ní el mac o que dele ad êm, a e isão abalha de o ma mais ci ú gica, a ando e esol endo as imp ecisões no uso da língua (c . Lee, 2004: 44, 99–105). O domínio da g amá ica, da sin axe e da mo ologia é essencial pa a decidi se queb a uma de e minada eg a é pe mi ido ou não. Sabe como coloca uma í gula é ob iga ó io, não só pa a ga an i que es as es ão a cump i as suas unções, como pa a e a ce eza que se es á a da des aque nos sí ios ce os sem a ec a a p osódia da ase. Os melho es amigos do e iso são as g amá icas, os p on uá ios e o dicioná io, seja es e online ou em papel. Ou os ecu sos impo an es são si es como o Cibe dú idas, o VOP e o VOC. Ac ualmen e, a exis ência de e amen as como o Edi o do Mic oso Wo d o nam a unção de um e iso mui o mais ácil, apanhando alguns e os que pode iam escapa . Ainda assim, uma máquina não é capaz de in e p e a con eúdos da mesma manei a que um humano, sendo semp e p eciso um olho a en o capaz de co igi e dis ingui o ce o do e ado num de e minado con ex o. A e isão é ambém esponsá el po ealiza a limpeza do documen o, pa a que se o ne mui o mais ácil e ápido inse i o manusc i o no p og ama de paginação, e po assegu a que o li o de es ilo da edi o a es á a se seguido. Co ige-se aquilo que al a co igi e apanha-se as epe ições, an o de ocabulá io como de es u u a ásica, deixando suges ões pa a o edi o e au o abalha em, is o os olhos de ambos já es a em demasiado habi uados ao ex o nes a ase do p ocesso e deixa em passa esses e os que se iam apanhados acilmen e nou as ci cuns âncias. Não é um p ocesso que oco e apenas no a amen o do manusc i o. Exis em ainda duas ou as ases que incluem e isão: a e isão de paginação e a e isão de p o as. Ambas oco em depois do ex o es a dispos o na página, numa manei a p óxima da que ai se ap esen ada ao público. A e isão de paginação encon a as g alhas e alhas de consis ência no design ou o ma ação e ga an e que a nume ação dos capí ulos e secções ai comple a. A e isão de p o as oca a ques ão g á ica, apenas mexe no ex o se hou e alguma alha ób ia, como g alhas. Analisa as co es da capa e do miolo, en a pe cebe se o amanho e ipo 18 de le a são adequados, an o pa a o co po do ex o como em í ulos, e se a mancha g á ica na página é consis en e. Con i ma se os cabeçalhos e odapés es ão no sí io ce o e êm o con eúdo co ec o, se a nume ação das páginas es á comple a. P ocu a os den es-de-ca alo, as ó ãs e as iú as 1 . Ve i ica os inais de cada linha, iden i icando ques ões de anslineação e se exis em pala as demasiado pequenas no inal ou epe idas em linhas seguidas. Seja qual o a ase de e isão em que o manusc i o es á, con ém que o e iso seja uma ou a pessoa que não o edi o , de modo a e i a o cansaço e hábi o ao ex o. O ideal se ia mesmo á ios e iso es e á ios olhos sob e o ex o, ga an indo uma meno p obabilidade de e os passa em ao lado de an as pessoas. É uma edundância impo an e quando se que le a o melho li o possí el pa a o lei o . O objec i o da e isão é elimina odos os e os possí eis e acili a a a e a de lei u a pa a o lei o . Em ce as casas edi o iais, o papel de e iso inclui ainda o ac -checking, con i mando odas as in o mações dispos as no ex o, algo mui o comum no abalho com não- icção, que necessi a de um g au maio de e acidade. Nou as edi o as, é uma unção da esponsabilidade do edi o , ou alguém do ex e io que é especialis a na á ea em ques ão, mas um bom e iso não assume que o abalho já oi ei o e con i ma ambém pa a se e a ce eza. Em odos os elemen os do p ocesso de publicação, a e isão é al ez aquele de que gos e menos — embo a con inue a ado a azê-lo. É uma a e a que cons an emen e me az du ida daquilo que sei ou não sei. Cada e o ob iga-me a pa a , lemb a -me das eg as, in es iga pa a e a ce eza do que es ou a aze e, inalmen e, chega a uma conclusão. Também implica um g au in e io de c ia i idade po pa e do e iso , is o se uma in e enção mais especí ica no ex o, de apenas mexe com a linguagem e não com o con eúdo. Po ou o lado, a limpeza do documen o ag ada-me bas an e, gos o de aze o ichei o ica limpo e boni o de se e e abalha . Es e é semp e o p imei o passo no a amen o do manusc i o du an e a e isão. O li o de es ilo do G upo Edi o ial Di e gência dá-nos uma lis a de coisas que de em se encon adas e eliminadas ou subs i uídas, como, po exemplo, espaçamen os duplos ou espaços an es e após pa ág a os. A manei a mais ápida e e icaz de execu a es as al e ações é u ilizando a unção de Localiza e a de Subs i ui , sendo mui o ácil encon a odos os espaços a mais. Ce os ipos de pon uação ambém azem pa e des a e i icação 1 Gí ia edi o ial co esponden e a aspec os ipog á icos. Den es de ca alo e e e-se a espaços excessi os en e pala as, p oblema comum em ex o jus i icado. Ó ãs e iú as co espondem ambos a linhas isoladas, apa ecendo em páginas di e en es dos pa ág a os a que pe encem: uma linha ó ã apa ece sozinha na página an e io ao es an e pa ág a o, enquan o uma linha iú a apa ece na página seguin e. 25 Capí ulo 7 PARTICIPAÇÃO EM FEIRAS Depois da paginação inal e da(s) p o a(s) ipog á ica(s), az-se a encomenda à g á ica da i agem pa a o li o, com in o mação sob e onde en ega os exempla es, seja pa a o a mazém da edi o a ou um núme o des es que á di ec amen e pa a o au o . O depa amen o de endas da emp esa é esponsá el daqui pa a a en e, com apenas um apon amen o da equipa edi o ial aqui e ali pa a ce os aspec os que sejam necessá ios. O lançamen o é um momen o impo an e an o pa a o p óp io li o como pa a o au o , sendo possí el uma in e enção maio da equipa edi o ial. É o anúncio público de que o li o es á disponí el pa a enda e de que o lei o pode adqui i-lo quando quise . É uma opo unidade pa a o au o ala di ec amen e sob e o li o com o lei o e é ambém uma possibilidade de ende o máximo de li os possí el. O local onde o lançamen o ai se ei o me ece conside ação. De e se um sí io onde o li o ai e maio adesão, que seja pela p esença da amília e amigos do au o ou po uma ligação do li o ao local que cap u a o in e esse e con ence os esiden es em edo a comp a um ou mais exempla es. Um bom lançamen o pode paga a imp essão do li o, deixando odo o es an e dinhei o ob ido como luc o. O li o es á a pa i daí à enda nos locais ap op iados, dependendo do con a o que a edi o a em com a dis ibuido a. In elizmen e pa a as emp esas mais pequenas, as g andes dis ibuido as como a FNAC, Be and ou WOOK le am uma pe cen agem ele ada do p eço da unidade, diminuindo o luc o possí el pa a a edi o a quando se negoceia con a os de enda com es as. Pa a além de e um si e p óp io em que o lei o pode encon a odos os í ulos da edi o a, uma ou a manei a de e i a pe de an o dinhei o na enda ao público é a a és da pa icipação em ei as pela p óp ia edi o a. Ob iamen e, ainda signi ica uma despesa no a endamen o de espaço e equipamen o, assim como cus os de anspo e. A Fei a do Li o de Lisboa e a Fei a do Li o do Po o são dois dos g andes e en os em Po ugal onde as edi o as podem deixa a sua ma ca e e um maio con ac o com o lei o , uma opo unidade única e mui o impo an e pa a as emp esas mais pequenas. A a luência do público in e essado pelo li o e com in enções de comp a alguns é mui o maio do que nou as ei as, podendo ga an i um aumen o conside á el de endas pa a 26 uma edi o a. De ido ao meno núme o de elemen os nas equipas de enda de uma edi o a pequena, é ambém uma si uação na qual os p óp ios edi o es podem es a em con ac o di ec o com o público-al o dos li os em que abalham. Pa a da início ao meu es ágio, oi-me dada a opo unidade de passa dois dias com a equipa na Fei a do Li o de Lisboa, do ou o lado da co ina, a ende li os em ez de os comp a . Foi uma expe iência da qual gos ei mais do que es a a à espe a. Não sendo uma ac i idade que gos a ia de aze odos os dias, deixou-me com um ou o olha sob e como comunica com o lei o , o que es e que e como con encê-lo a ob e o li o e echa a enda. Fo am dias mui o mo imen ados, semp e com mui o pa a aze , e hou e al u as em que e a di ícil pensa nou as coisas senão aquilo que inha em mãos. O cansaço após cada dia oi bas an e, mas g a i ican e. Pa icipei em duas ou as ei as com a Con e gência, ambas mais pequenas, o IndieMa ke dos Ni ana S udios e o Fes i al In e nacional de Ciência de Oei as. Tan o uma como a ou a inham um público mais es i o, com ou os objec i os, e a comp a de li os e a uma p io idade pa a poucos. Uma oca a um público mais apaixonado pelas ac i idades a esanais e um mais al e na i o, enquan o a ou a e a especializada na á ea das ciências. A abo dagem ao clien e é impo an e pa a, pelo menos, cap u a o seu in e esse du an e mais empo. É um exemplo de edição na língua alada e não na esc i a, sendo semelhan e em sub ileza quando é bem aplicada. Um «Bom dia! Se p ecisa de ajuda, diga!» é mui o menos e icaz do que um «Bom dia! Se eu pude ajuda nalguma coisa, diga!», is o es e úl imo não assumi imedia amen e que o clien e não sabe aquilo que es á a aze ou o que que . Es as expe iências de am-me uma ou a pe spec i a da edi o a como negócio e não apenas como eículo cul u al. É di e en e edi a um li o e e os núme os de endas de es a ealmen e a ala com o clien e em pessoa e ende -lhe um li o. P opo ciona um pon o de is a dis in o de um lei o hipo é ico pa a um p óximo e p esen e. Embo a não enha pa icipado na enda de nenhum li o em que eu enha in e indo, sendo apenas uma expe iência que e ei no u u o, es emunhei a aleg ia dos memb os da equipa do G upo Edi o ial Di e gência quando ala am com um clien e sob e um li o no qual abalha am e do qual es a am o gulhosos. C ia-se a é um laço di e en e com o lei o , pois es e i á le a consigo a sensação de que es á a pa icipa na comunidade en ol ida com o li o que ouxe consigo. Cla o que, endo de ou a pe spec i a, pode se udo apenas bom ma ke ing. 27 Capí ulo 8 BREVE REFLEXÃO: A EDIÇÃO E A TECNOLOGIA A lei u a é, desde semp e, uma das minhas maio es companhias. Cada li o é um no o amigo po conhece , um no o mundo pa a descob i . A g ande pa e das lei u as que aço p o ém das casas edi o iais, onde a his ó ia é limada, polida e a ada a é se o na p on a pa a ap esen ação ao público. Es e es ágio pe mi iu-me pa icipa na c iação des e objec o de que an o gos o, pe cebe odas as o mas pelas quais um li o pode se moldado, e inado, in luenciado pelas di e en es pessoas que ocam nele. Po ou o lado, pôs-me em con ac o com as di iculdades pelas quais a a essa o mundo edi o ial, com índices de lei u a eduzidos e a diminui en e os jo ens, a ec ando o po encial me cado li e á io do u u o e diminuindo o luc o que pe mi e a con ínua exis ência das edi o as como negócio. Es e ac o con as a com o aumen o nas endas de li os no ano de 2022 3 , alimen ando espe anças de que ainda não es á udo pe dido. Nas úl imas décadas, o c escimen o e desen ol imen o acele ado da ecnologia á-la se conside ada como a maio ameaça ao li o, pa icula men e na cap ação do lei o mais jo em. O li o passou a e de compe i pela a enção de pessoas que endem a p e e i con eúdo cu o e ápido, sa is ação imedia a a sob epo -se à paciência e ao sabo ea demo ado ca ac e ís icos da lei u a. As en a i as de in eg a ecnologia com a li e a u a, na o ma de ebooks e audiobooks, en am apela ao lei o a a és do seu o ma o, não endo is o mui o sucesso na e enção de lei o es. In elizmen e, o na ambém a pi a a ia de con eúdos li e á ios mais ácil, sendo simples encon a milha es de li os elec ónicos disponí eis g a ui amen e online e as mui as en a i as de pa a a p opagação des a pa ilha nem semp e acabam po esul a . Podemos ambém enca a a ecnologia como uma e amen a em p ol da li e a u a. Não só po que o li o é, po si só, um a e ac o ecnológico, mas ambém pelos a anços que pe mi em a p odução de cada ob a de o ma mais ápida e e icaz, man endo o pad ão de qualidade e o nando iá el opções como o p in -on-demand. O abalho de edição é hoje ei o na maio ia a a és do compu ado , u ilizando so wa e que acili a a p óp ia 3 De aco do com os dados da secção «E olução do me cado – dados 4.º imes e» na newsle e da APEL, No ícias do Se o – 13/01/2023. Disponí el a pa i de: h ps://mailchi.mp/apel/no icias-se o -19-15583193?e=71366e2c 9. 28 e isão, an o pela p esença de co ec o es o og á icos e g ama icais, como pela acilidade de esolução de dú idas na In e ne . O p og esso ecnológico chegou ecen emen e a um no o pa ama : a c iação de In eligência A i icial ge ado a de con eúdo, seja es e ex o ou imagem. Dois exemplos p e alen es e ecen es que impulsiona am o in e esse na á ea são os sis emas DALL-E, c iado supos amen e pa a ep oduzi o og a ias ealís icas a pa i de ex os desc i i os dados pelo u ilizado , e Cha GPT, anunciado como sendo capaz de esponde a qualque pe gun a e ge a ex os semelhan es àqueles p oduzidos po humanos. A disponibilização des e úl imo ao público c iou u o e es á em p og esso a co ida pa a qual das g andes companhias ecnológicas i á da o p óximo passo na In eligência A i icial. Um dos li os que abalhei du an e o meu es ágio no G upo Edi o ial Di e gência deba ia iloso ias ípicas da icção cien í ica elacionadas com a humanidade ine en e em and óides. Sendo es e o li o já mencionado como aquele que sen i não es a a ealiza o seu po encial (c . Capí ulo 5), as emá icas nele abo dadas são p e alen es de ido aos a anços ecnológicos acima mencionados. Dou po mim a ques iona : qual o uso da In eligência A i icial na ac i idade edi o ial? De que o ma pode á a sua exis ência in luencia a p odução de li os? Como pode ia se in eg ada du an e as di e en es ases da edição que ealizei du an e o es ágio? I á seque a ec a ou ans o ma a li e a u a? Não é di ícil e desde logo obs áculos à in e enção des e ipo de ins umen os na indús ia li e á ia. As e amen as de co ecção o og á ica e g ama ical que usei equen emen e já êm po de ás sis emas p imá ios de In eligência A i icial, e são bem conhecidos os e os come idos equen emen e po quem se deixa le a pela segu ança dada pelo co ec o . É semp e necessá io um elemen o humano pa a e i ica as suges ões e co ecções ei as. Mais ainda, exis em mui os e os apanhados acilmen e po um e iso que o Wo d não de ec a como inco ec o, ou a é ice- e sa, com o Wo d a a isa que ce as pala as não exis em, quando na ealidade são usadas odos os dias. Is o num so wa e dedicado pa a a esc i a, p og amado pa a ajuda quem esc e e. In eligência A i icial di e e, supos amen e, pela sua capacidade de ap ende . Quan os mais ex os ou imagens i e como e e ência, mais p eciso se á o esul ado pe an e a desc ição inicial. Exis em manei as de ensina o Wo d a econhece e os comuns ou a não ma ca como al pala as co ec as, pelo menos ao ní el da o og a ia, mas é uma a e a manual e dependen e do conhecimen o do u ilizado , não algo au omá ico, pelo que a habilidade de ap endizagem da In eligência A i icial é subs ancialmen e supe io . Em eo ia, udo o que e amen as como Cha GPT p ecisa iam e a de le cen enas de milha es de li os, algo que êm a capacidade 29 de aze melho em compa ação com humanos, e sabe ia odas as combinações de pala as que é possí el aze na língua em ques ão. A capacidade de in e p e ação des as máquinas ainda não é su icien emen e iá el pa a que osse possí el pô a In eligência A i icial a execu a a g ande maio ia das a e as edi o iais. Os a anços ecnológicos que p omo em a ap endizagem de máquinas, ge almen e em egime au odidác ico supe isionado po u ilizado es humanos, como é o caso do Cha GPT (G eenga d, 2022), ainda ap esen am alhas na comp eensão do signi icado de mensagens e da linguagem u ilizada, «ge ando espos as simplis as, inco ec as, pe u bado as e a é chocan es» (idem). Mesmo que o ex o esul an e apa en e não e qualque alha ac ual, g ama ical ou o og á ica, a in e p e ação ei a pelo sis ema à desc ição in oduzida pode se comple amen e opos a à que o u ilizado , ou qualque ou o se humano, a ia. No e-se ainda o caso de «Sydney», o mo o de pesquisa Bing equipado com In eligência A i icial, que a i mou e -se apaixonado po um jo nalis a 4 , le ando a oda uma ou a dimensão p eocupan e no uso des a ecnologia e da sua capacidade de in e p e a as ques ões do u ilizado humano ou a é in luencia as suas acções. A edição depende demasiado do ac o humano pa a que a ac i idade pudesse se ei a na o alidade po In eligência A i icial. Um bom exemplo é o ac o de o mesmo ex o abalhado po duas pessoas di e en es di icilmen e se ia igual quando o esul ado osse compa ado. Pode á se semelhan e, com ques ões o og á icas ou g ama icais esol idas das mesmas o mas, e i á semp e depende do ipo de ex o e de in e enção necessá ia nes e, mas cada pessoa em an eceden es dis in os, in luenciando a manei a como in e p e am e con ex ualizam um dado ex o du an e a ac i idade edi o ial. Ac ualmen e, a ecnologia simplesmen e não es á ao ní el eque ido pa a ajuda o p ocesso de edição, mesmo na ase mais mecânica que é a e isão. É di ícil p e e como ai p og edi no u u o p óximo, sob e udo de ido ao in es imen o conside á el que as g andes emp esas es ão a aze na In eligência A i icial. Aliás, exis e uma g ande p ocu a po especialis as em linguagem pa a ajuda a desen ol e os modelos de ap endizagem p esen es nes as máquinas, como posso es emunha de cada ez que u ilizo a pla a o ma LinkedIn. Po ou o lado, a exis ência de e amen as como es as, capazes de ge a ex os in ei os num pe íodo ela i amen e cu o, pode le a a ou as ques ões, como suge e Bill Kasdo no seu a igo «Will A i icial In elligence make au ho s i ele an ?» (2023). O au o exp essa a inquie ação que em ido desde a in odução do Cha GPT, mas oca 4 Roose, Ke in (2023, 16 de Fe e ei o). «A Con e sa ion Wi h Bing’s Cha bo Le Me Deeply Unse led», The New Yo k Times. h ps://www.ny imes.com/2023/02/16/ echnology/bing-cha bo -mic oso -cha gp .h ml. 30 especialmen e a ques ão de como pode á uma casa edi o ial sabe se o ex o ap esen ado oi esc i o po um au o humano e não po uma máquina. Uma p eocupação ele an e, dado já exis i pelo menos um caso epo ado de uma agência de no ícias que u ilizou In eligência A i icial pa a esc e e a igos 5 , embo a enha ido de emi i co ecções nos úl imos empos, is o que uma po ção dos seus a igos ap esen a a e os ac uais 6 . Mais um exemplo é o uso da e amen a pa a esc e e ensaios pa a a aliação numa uni e sidade, algo ambém já es ado, ainda an es do lançamen o do Cha GPT 7 . Den o do mundo edi o ial, exis em já casos de manusc i os ge ados po In eligência A i icial a in adi as caixas de co eio elec ónico das edi o as. Duas e is as li e á ias, a Cla keswo ld e a Asimo ’s Science Fic ion, anuncia am e em sido inundadas po his ó ias que não o am esc i as po humanos 8 , endo a p imei a a é deixado de acei a manusc i os empo a iamen e 9 , po incapacidade dos edi o es de lida em com an os o iginais po le e de e mina quais ealmen e o am esc i os po humanos. A i onia de ambas es as e is as se oca em na icção cien í ica, um géne o conhecido po deba e os pe igos da ecnologia, é demasiado g ande pa a não a menciona . Descob i du an e o es ágio que a lei u a de o iginais é uma das minhas a e as p e e idas, mas es as e amen as ecnológicas «c ia i as» apenas i ão o na essa ac i idade mui o mais di ícil, pois não só e ão os edi o es com es a a e a de dis ingui um ex o p omisso den o dos mui os manusc i os que ecebem, como ambém e ão de de e mina se o manusc i o oi esc i o po uma máquina. Não sou a única pessoa ap eensi a sob e a capacidade a assalado a des es sis emas de p oduzi em con eúdo em g andes quan idades, possi elmen e deixando as casas edi o iais sem espos a, e an e ê-se que apenas se o na á mais complicado daqui pa a a en e 10 . 5 Dunhill, Jack (2023, 12 de Janei o). «CNET Has Been Using AI To W i e A icles Fo Mon hs, And No One Realized», IFLScience. h ps://www.i lscience.com/cne -has-been-using-ai- o-w i e-a icles- o -mon hs-and- no-one- ealised-67057. 6 Fel on, James (2023, 18 de Janei o). «CNET’s A icle-W i ing AI Has Al eady Issued Se e al Co ec ions», IFLScience. h ps://www.i lscience.com/cne -s-a icle-w i ing-ai-has-al eady-issued-se e al-co ec ions-67146. 7 Nichols, G eg (2021, 24 de Fe e eio). «AI can w i e a passing college pape in 20 minu es», ZDNET. h ps://www.zdne .com/a icle/ai-can-w i e-a-passing-college-pape -in-20-minu es/. 8 Sa o, Mia (2023, 25 de Fe e ei o). «AI–gene a ed ic ion is looding li e a y magazines — bu no ooling anyone», The Ve ge. h ps://www. he e ge.com/2023/2/25/23613752/ai-gene a ed-sho -s o ies-li e a y- magazines-cla keswo ld-science- ic ion. 9 Silbe ling, Amanda (2023, 21 de Fe e ei o). «Science ic ion publishe s a e being looded wi h AI-gene a ed s o ies», TechC unch. h ps:// echc unch.com/2023/02/21/cla keswo ld-ai-gene a ed-submissions/. 10 Michael, Lincoln (2023, 21 de Fe e ei o) é uma das pessoas que an e ê a p opagação des e p oblema, como abo da no seu a igo «The Flood o Cha GPT C ap Abou o Clog Up Publishing», disponí el em h ps://coun e c a .subs ack.com/p/ he- lood-o -cha gp -c ap-abou - o. 31 Falando ago a de imagens, menciono ou o caso ele an e pa a a discussão de In eligência A i icial no p ocesso edi o ial: o p óximo li o do au o Ch is ophe Paolini, F ac al Noise, com publicação p e is a pa a Maio des e ano, u ilizou uma imagem c iada po In eligência A i icial pa a o design de capa 11 . No me cado po uguês, salien o a publicação de a pola oid em b anco (Kingpin Books), um li o de banda desenhada de Má io F ei as cujas ilus ações o am ge adas po uma e amen a de In eligência A i icial e depois ajus adas e abalhadas pelo au o , endo es e li o sido ap esen ado ao público ainda em Ou ub o do ano passado, du an e a Amado aBD. A manei a como uma á ea ão dependen e da humanidade como a a e em odas as suas o mas, que seja li e a u a, pin u a, design, música, e c., pode se in il ada e de u pada po algo sin é ico e mecânico é ce amen e p eocupan e, e lec indo cená ios explo ados nos á ios li os de icção cien í ica e que pa eciam ão dis an es do p esen e. De i am daqui ambém ques ões sob e o que pode se classi icado como a e quando exis em ex os, desenhos e e c. c iados po In eligência A i icial e, igualmen e impo an e na á ea da publicação, o que pode se p o egido po di ei os de au o . Pelo menos nos Es ados Unidos, os ibunais decidi am já con a a p o ecção au o al pa a con eúdo c iado an o po animais 12 como po máquinas 13 . I emos segu amen e eg essa a es as ques ões no u u o, que legais que ilosó icas, mas as semen es de ap eensão já b o am na a e. Pessoalmen e, enho dú idas na capacidade de uma máquina c ia con eúdo no o. Não sendo especialis a na á ea e não acompanhando de mui o pe o o seu desen ol imen o, con inuo sem comp eende como é possí el p og ama um compu ado pa a imagina . Pelo que en endo, o modelo de ap endizagem baseia-se na análise e epe ição de inpu s, a e indo esul ados e de e minando eg as sem ajuda de um u ilizado , como se pode e quando se ensinam múl iplos compu ado es jogos de es a égia como Xad ez ou Go. Mas esse é o ipo de si uações em que é impo an e e a capacidade de ealiza milha es de con as ma emá icas e es udos de p obabilidade em apenas segundos. São esoluções e p oblemas di e en es dos ine en es quando se lida com a e. Ainda mais dis in os são da manei a como humanos ap endem e usam a linguagem, pois es a não depende de dados es a ís icos ou de p obabilidade sob e qual se á a p óxima pala a na ase, 11 Codega, Linda (2022, 16 de Dezemb o). «To T ied o Hide AI A on a Book Co e , and I Is a Mess», Gizmodo. h ps://gizmodo.com/ o -book-ai-a -co e -ch is ophe -paolini- ac al e se-1849904058. 12 Resul an e do caso Na u o . Sla e (2018), endo o ibunal decidido con a o di ei o au o al do macaco Na u o. h ps://cdn.ca9.uscou s.go /da as o e/opinions/2018/04/23/16-15469.pd . 13 Uni ed S a es Copy igh O ice (2022, 14 de Fe e ei o). Opinião do Re iew Boa d sob e A Recen En ance o Pa adise. h ps://www.copy igh .go / ulings- ilings/ e iew-boa d/docs/a- ecen -en ance- o-pa adise.pd . 32 como se de jogadas de Xad ez se a asse 14 . Mui o complica ia a capacidade de comunicação dos se es humanos se, pa a cada con e sa que i éssemos, p ecisa mos de calcula como o ma ases com p ecisão ma emá ica. É-me igualmen e di ícil de acei a que a In eligência A i icial não es á apenas a aze uma cópia daquilo que «es udou» du an e a sua ap endizagem. Consegui á desen ol e um es ilo p óp io da mesma manei a que um pin o ou um esc i o ? Ou se á udo apenas imi ação do con eúdo daquilo que iu e analisou? Uma máquina pode aze plágio? Se a In eligência A i icial consegue apenas c ia con eúdo a pa i dos milha es de imagens ou ex os a que oi subme ida, não sendo capaz de o execu a sem al in es imen o, a é que pon o podemos conside a o seu abalho não como uma ep odução daquilo que oi ensinada, mas como algo o iginal? Uma coisa é ce a: a ecnologia eio pa a ica e es á a in il a -se pouco a pouco na indús ia do li o. Embo a o abalho edi o ial con inue, pelo menos po ago a, nas mãos de se es humanos, exis em mui as possibilidades pa a o uso de e amen as de In eligência A i icial no p ocesso. Que endo co a cus os e, po causa disso, não dispondo de pessoal su icien e pa a cump i p azos, não é di ícil imagina uma edi o a u iliza ins umen os ecnológicos pa a esc e e esumos de li os e ichas bibliog á icas, p epa a biog a ias de au o es ou comunicados pa a a imp ensa; quando a ecnologia a ança um pouco mais, possi elmen e a p imei a e isão pode ia passa a se o almen e ei a po máquinas, acili ando o abalho do segundo e iso (humano), que i ia encon a menos e os e e ia uma lei u a mais ápida, podendo depois passa ao p óximo li o. Tal ez se consiga ensina uma máquina a de e mina qual é o manusc i o que se á a p óxima sensação de endas, pa ecendo algo mais p o á el do que as es an es hipó eses. Não du ido ainda que, em ce os con ex os e ci cuns âncias, um li o écnico, manuais, dicioná ios ou ou o ipo de ob as em que o au o deixa de e an a ele ância, a é po se uma encomenda da edi o a pa a um esc i o , possa se esc i o na ín eg a po In eligência A i icial. Os cus os de p odução se iam logo eduzidos pela casa edi o ial não e de paga di ei os au o ais, e não e ia ainda de lida com au o es desag adá eis du an e a ase de e isão, encu ando ambém o empo necessá io pa a o na es es li os p on os pa a ap esen ação ao público. 14 Noam Chomsky (2023, 8 de Ma ço) esc e e um ex o de opinião pa a o The New Yo k Times sob e os p oblemas de pensa na linguagem como se osse es e jogo de es a ís ica e p obabilidade: h ps://www.ny imes.com/2023/03/08/opinion/noam-chomsky-cha gp -ai.h ml. 33 Se á es e ipo de desen ol imen os o p óximo g ande impulso ao li o, da mesma manei a que a in enção da imp ensa? Eu, pelo menos, espe o que não. Es e es ágio p opo cionou-me a opo unidade de pe cebe a u ilidade da ecnologia na edição, mas é na humanidade das a e as em que encon o o e dadei o p aze do abalho com o ex o. Edi a é en a na men e de ou a pessoa, seja au o ou lei o , e pe cebe como es a in e age com aquilo que lê. São escolhas ei as pa a a ec a a in e p e ação e signi icados des a de i ados. É o con ac o com o au o , a discussão das opções en e es e e a equipa edi o ial, o abalho colec i o de á ias pessoas sob e o objec o anscenden e que é o li o. A In eligência A i icial pode á i a subs i ui odas es as pessoas en ol idas no p ocesso edi o ial, mas o li o ce amen e i á so e com a pe da de oda uma comunidade. 34 CONSIDERAÇÕES FINAIS O inal do es ágio cu icula de mes ado em Edição de Tex o ma ca o início do im da ca ei a académica de um aspi an e a edi o e o começo pela p ocu a de um emp ego em que possa exe ce a sua ac i idade. Ma ca ambém a sua en ada num me cado de abalho cada ez mais echado, com poucas opo unidades pa a quem só ago a es á a in eg á-lo. Mui as ezes, aquilo que é necessá io é pô um pé na po a e e i a deixa que es a se eche. Po es as azões, a possibilidade de es agia numa edi o a e ap ende ao lado daqueles que azem o que eu que o aze oi uma opo unidade única, pela qual enho de ag adece a odos os que a o na am possí el, especialmen e a oda a equipa do G upo Edi o ial Di e gência, po me e ecebido de b aços abe os e pa ilhado odo o seu conhecimen o comigo. E es a apenas ago a, nes e momen o inal do ela ó io de es ágio, e lec i sob e a expe iência e ap endizagem que enho o p aze de aze comigo pa a en en a os p óximos desa ios que me espe am. Admi o e começado o meu pe cu so na á ea da edição com uma pe spec i a mui o omân ica daquilo que é abalha com o ex o. Embo a es i esse cien e de que ac ualmen e se ia mui o a o, pe sis iu na minha men e a imagem de um au o ap esen a o seu manusc i o imp esso — ou al ez a é ainda esc i o à mão — a um edi o e ambos pos e io men e a aze ma cações à ez no papel com uma cane a de co di e en e. Um abalho colabo a i o, em que an o au o como edi o es a am em pé de igualdade, e ambos conheciam p o undamen e o ex o. Insis i a é na ealização da edição e e isão «à moda an iga» quando emp eendi o p imei o p ojec o de edição no mes ado pa a o seminá io de In o má ica pa a a Edição, consis indo em o na um conjun o de poemas de uma amiga minha num pequeno li o. Imp imi odos os poemas que ela me deu, co igi-os com cane a e melha pa a e os e e de pa a ajus es de o ma ação, espalhei as olhas pelo chão e sec e á ia a é consegui o ganizá-las numa o dem com que es a a sa is ei a, depois passei uma a de a con e sa com a minha amiga e imos odas as al e ações jun as a é ambas conco da mos em udo. A expe iência que i e numa casa edi o ial não oi menos omân ica do que a imagem que inha, apenas o neceu uma no a pe spec i a sob e os mé odos e ecu sos u ilizados no dia-a-dia de um g upo edi o ial em c escimen o. Os meios ecnológicos azem pa e da o ina, ajudando a equipa a execu a as di e sas ases da publicação, que seja an es 41 Como já mencionado, o en edo é simples. O con li o p incipal passa-se em edo da expansão po uguesa pelos e i ó ios indianos, es ando o pai da pe sonagem p incipal enca egue de expandi os objec i os come ciais de Po ugal pela egião. Encon a oposição na o ma de um con ingen e u co, mais a de e elado como já es ando aliada come cialmen e ao egen e, o necendo-lhe a mas que es e usa pa a con i ma a sua legi imidade ao ono e p ocu a o ou o p e enden e a es e. Os po ugueses apenas icam en ol idos di ec amen e nes a dispu a quando os o omanos a acam as emba cações po uguesas de eg esso ao seu pon o de pa ida, e odo es a si uação polí ica é ansmi ida às pe sonagens p incipais mais a de po memb os da esis ência que apoiam o ad e sá io do egen e na p e ensão ao ono. Segue-se o es o ço po uguês pa a eg essa a casa depois de so e á ias baixas, en e elas o p óp io embaixado . A p o agonis a oma as édeas da missão a pa i daí, o mando uma aliança com a esis ência a caminho do local onde o egen e se encon a. Depois de o ap a em, ap op iam-se de um galeão o omano e eg essam a casa, não sem deixa em o egen e i em libe dade e inga em-se do con ingen e u co no sí io onde es es ha iam des uído as emba cações po uguesas. Não se iam necessá ias mui as al e ações ao en edo p incipal, sem se algumas cla i icações sob e os acon ecimen os e igu as en ol idas, pa icula men e pa a o lei o não e de depende da Wikipédia ou ou as on es pa a e uma melho pe cepção daquilo que es á a acon ece e as eias de elacionamen os en e as pe sonagens. É um en edo simples, al ez demasiado simplis a em ce as al u as, mas ambém consegue se ca i an e, especialmen e se o dada a ce as pa es o impac o que p ecisa iam de e . Também já oi mencionado a al a de pe sonagens emininas na his ó ia. Sem que e deneg i o papel da p o agonis a, pa a uma his ó ia que a i ma p e ende ealça o impac o das mulhe es na época his ó ica que é na ada, é impossí el não no a a ausência des as no deco e da na a i a. É uma alha que podia, e de ia, se co igida se o objec i o da ob a se man i e . T oca ce as pe sonagens masculinas po pe sonagens do géne o eminino se ia uma boa ideia. A no a his ó ica no começo do li o az menção a mulhe es que se dis a ça am de homens pa a abalha em nas missões náu icas, his ó ias que se iam bem mais in e essan es de conhece do que uma mulhe da nob eza que o lei o é le ado a pensa e sido apenas einada na «a e da gue a» po que o embaixado não inha ilhos do géne o masculino. To na apenas um ipulan e da emba cação numa mulhe a ia uma no a pe spec i a à his ó ia e possibili a ia explo ações de papéis de géne o mais p o undas do que al ez o au o es eja dispos o a aze . Concluindo, do pon o de is a li e á io, é uma his ó ia que em bas an e po encial e não implica ia mui o abalho edi o ial pa a a o na num li o. Es á bem esc i a e em 42 um en edo que é possí el consumi como es á, sendo ela i amen e ácil pega no que es á ei o e p epa a pa a publicação. Pa a que a his ó ia ealmen e se o ne melho , aí p ecisa ia de um in es imen o mais no á el de an o au o como edi o es, um diálogo azoa elmen e ex enso e um abalho p o undo conjun o pa a al e a pe sonagens e azê- las e mais impac o na his ó ia. Numa pe spec i a come cial, o ac o de es a ob a não aze algo ealmen e no o pode ia magoa as suas opo unidades no me cado. Romance his ó ico não é um géne o que enda pa icula men e bem, especialmen e quando se ocam an o em iccionaliza e en os his ó icos sem o e ece uma pe spec i a no a, como enal ece o papel da mulhe nos Descob imen os, algo que es a não ealiza na sua pleni ude. A época colonial ambém não é uma época que ago a es eja mui o bem is a, mesmo que es a his ó ia não enha an os elemen os dessa e se oque na expansão come cial ela i amen e pací ica. Pode-se es ima que o lei o - ipo espe ado seja do géne o eminino e de idade já algo a ançada, e não an o das ge ações mais no as que, mesmo in e essadas em e His ó ia e a ada de uma o ma mais eminis a, e iam ambém em men e ou os p oblemas o iundos do pe íodo que a ob a e a a. Pos o is o, não pa ece se uma ob a com um g ande po encial come cial. 43 Anexo C COMENTÁRIOS SOBRE ORIGINAL C O iginal C de Au o C Pa ece : His ó ia demasiado aca e cheia de in e osimilhanças, mui o longe da qualidade necessá ia pa a se publicada. Compos a po um en edo demasiado simplis a, a his ó ia oca-se na p ocu a de um ex-mili a pela sua mulhe , que inha sido ap ada po e o is as ainda an es do início da na a i a. O lei o acompanha a pe sonagem p incipal po di e sas pe ipécias de e osimilhança du idosa, numa his ó ia cheia de acção ma cada po e i a ol as e ake ou s, que se assume se a manei a do au o de o na a na a i a in e essan e e deixa o lei o em suspenso, en a i a que alha edondamen e, pois ais e i a ol as são an o p e isí eis como con usas. As pe sonagens es ão ex emamen e mal desen ol idas, is o se se pode chama aos in e enien es des a his ó ia de pe sonagens e não apenas igu an es que, po ezes, êm di ei o a uma ou duas linhas de diálogo. A supe icialidade da ca ac e ização é mais que e iden e no p o agonis a, cujos aços de pe sonalidade se podem esumi em ex-mili a com PTSD. Exis e, ealmen e, algum con li o in e no nes e p o agonis a, ma cado po uma p omessa ei a à mulhe que es e ai e de queb a de o ma a esga á-la. No en an o, es e con li o é esol ido sem g ande p oblema ou e lexão po pa e da pe sonagem p incipal, com a p omessa queb ada de al o ma que az o lei o du ida da exis ência de qualque con li o in e no. De qualque o ma, a pe sonagem p incipal es á ni idamen e mal desen ol ida, não nos sendo dado empo pa a o conhece mos no meio de an a acção que es á a oco e . Acção es a que se passa num ambien e desconhecido, pois a amen e é o e ecida ao lei o a opo unidade de isiona o local, pe sonagens ou a é os p óp ios momen os de acção 44 que es ão a deco e . A his ó ia ca ece de momen os desc i i os, de um aspec o mais isual do que se es á a passa . A es u u a é simples e sem g andes complicações. Vai de A a Z sem g andes odeios, endo apenas a no a os di e sos ake ou s e e i a ol as den o de e i a ol as de ido aos pesadelos (ou alucinações) do p o agonis a que se podem con undi com o es an e en edo, algo que pa ece cla amen e se a in enção do au o . O es ilo de esc i a e linguagem usada é ambém simples, ácil de le , mas sem e g ande in e esse. Não em mui os e os o og á icos ou g ama icais e é adequada pa a o ipo de his ó ia que es á a se con ada. O en edo deixa mui o pa a deseja . É demasiado simples e cla amen e pensado mais como um ilme do que p op iamen e um li o. Também não az g ande sen ido na maio ia das si uações e a conclusão é es anha. Depois de odas as pe ipécias pelas quais o p o agonis a passa, não só não é ele a esga a a mulhe como abdica comple amen e da ida que inha le ado com ela. O lei o é le ado a c e que a in enção do au o e a desde semp e não exis i uma esolução eliz pa a a his ó ia, mas ques iona-se en ão a azão pela qual es a na a i a oi seque esc i a. E a apenas pa a pô um p o agonis a que pe ence a um ilme de acção asca num medium di e en e? Pa a mos a ao que es e pode ia se le ado a aze de ido a odo o auma e si uações pelas quais passou? A in enção pa ece se essa, mas a execução não deixa de se ex emamen e desin e essan e. Apesa de anunciada como uma his ó ia de e o , o único e o que exis e nes e «li o» é a al a de plausibilidade dos e en os ela ados. Não há luga pa a es a his ó ia nem no ca álogo da Di e gência nem da T eba una, an o po não se enquad a nos géne os p e endidos como pela al a de qualidade. 45 Anexo D DÚVIDAS DE REVISÃO «Acei e» ou «acei ado» No caso de e bos com pa icípios duplos, emp ega-se o pa icípio egula com os e bos auxilia es « e » e «ha e » e o pa icípio i egula com os auxilia es «se » e «es a ». Sendo assim, se á « e acei ado», «ha e acei ado», «se acei e» e «es a acei e». Celso & Cunha (1992: 441), Pin o (1998: 327) & Po o Edi o a (2010: 130). C . Ne es (2022: 171–172) pa a o mas do pa icípio dupla que es ão a desapa ece . Con acção «de» + «o» / «a» A con acção é possí el se e só se «o» o a igo e não es eja seguido de uma o ação no in ini i o. O mesmo se aplica pa a a con acção «de» + «um» / «uma», embo a es a ende a não se acei e nalgumas si uações. Ne es (2022: 161–162) & Pin o (1998: 146). «Demais» ou «de mais» A locução ad e bial «de mais» e e e-se a quan idades, da mesma o ma que se usa ia «demasiado». Po ou o lado, «demais» é usado como ad é bio de modo, com sen ido de «além disso», como de e minan e ou como p onome demons a i o, po exemplo, em «os demais». Cibé du idas (2007: h ps://cibe du idas.isc e-iul.p /consul o io/pe gun as/demais-e- de-mais/21561) & Pin o (1998: 125). «Enquan o» com ou sem «que» O uso do «que» depois de «enquan o» é apenas acei e quando se p e ende sublinha um con as e. Sendo um uso ela i amen e mode no e conside ado po mui os como um e o, de e se e i ado. Ne es (2022: 164) & Pin o (1998: 127) 46 «Ha e iam» ou «ha e ia» O e bo «ha e » é impessoal na maio ia das si uações em que é e bo p incipal, não sendo assim conjugado no plu al. Um exemplo des e uso é quando em o signi icado de «exis i ». Como e bo auxilia , é conjugado no malmen e, em odas as pessoas. Ne es (2022: 165) & Pin o (1998: 145, 311). C . Celso & Cin a (1992: 532–534), pa a o emp ego do e bo «ha e » em si uações em que es e é e bo p incipal. «Pá a-quedas» ou «pa aquedas» Sendo uma pala a compos a o mada pelo elemen o pá a-, de pa a , e o segundo elemen o sepa ado po um hí en. Na g a ia es abelecida pelo Aco do O og á ico de 1990, passa a se «pa aquedas». In opédia (s. d.: h ps://www.in opedia.p /diciona ios/lingua-po uguesa/pa aquedas; s. d.: h ps://www.in opedia.p /diciona ios/lingua-po uguesa-aao/p%C3%A1 a- quedas), & Pin o (1998: 132). «Po que» ou «po que» U iliza-se «po que» quando se a a da p eposição «po » mais o p onome ela i o «que», necessi ando assim de um subs an i o à qual es e se possa e e i . Um uque pa a e se o seu uso é o co ec o é subs i ui «po que» po «pelo qual». Nou as si uações, u iliza-se o ad é bio in e oga i o «po que», como nas cons uções comuns «po que é que». Em ce as si uações, o uso de «po que» ou «po que» pode depende do con ex o, como em «po que espe as» ou «po que espe as». Cibe dú idas (s. d.: h ps://cibe du idas.isc e-iul.p /glossa io/e os/217; 2008: h ps://cibe du idas.isc e-iul.p /consul o io/pe gun as/du idas-sob e-po que-e-po - que-ainda-e-semp e/23455), Ne es (2022: 169) & Pin o (1998: 134). C . Celso & Cunha (1992: 539), que egis a o ad é bio in e oga i o como sendo apenas com espaço, «po que», não indicando seque «po que». «Te de» ou « e que» Na maio ia dos casos, « e de» se á o uso co ec o, e e indo-se a si uações de necessidade ou ob igação. Em « e que», o p onome ela i o «que» implica um an eceden e, como «algo» ou «mui o», podendo es e se suben endido. Cibe dú idas (2005: h ps://cibe du idas.isc e-iul.p /consul o io/pe gun as/ du idas-sob e-o- e -de-e-o- e -que/14247) & Po o Edi o a (2010: 212). 47 «To na -se» ou «se o na » A posição no mal do p onome é a ênclise, ou seja, depois do e bo (ex. o na - se). Exis em si uações que podem le a à p óclise, colocando o p onome an es do e bo: em o ações que con êm pala as ou exp essões nega i as, o ações iniciadas com p onomes e ad é bios ela i os, o ações exclama i as ou op a i as (exp imindo desejo), o ações subo dinadas desen ol idas, o ações com o e bo no ge úndio an ecedido de p eposição em, quando o e bo é an ecedido de ce os ad é bios ou exp essões ad e biais, o ação dispos a em o dem in e sa, com sujei os inde inidos. Celso & Cunha (1992: 310–314) & Cibe dú idas (2017: h ps://cibe du idas.isc eiul.p /consul o io/pe gun as/ eg as-pa a-o-emp ego-da-p oclise/34473)