O Conde Athanasius Raczynski e a Historiografia da Arte em Portugal
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Dos mui os iajan es que nos isi a am en e a segunda me ade do século XVIII e os
p imei os anos do século XIX, conhecemos sob e udo aqueles que publica am as suas
imp essões sob e Po ugal, os au o es de uma li e a u a de iagens que in en a iou,
desc e eu e di ulgou as p incipais ca ac e ís icas geog á icas, humanas e cul u ais do
nosso país, nomeadamen e aquelas que, na sua pe spec i a, melho dis inguiam Po -
ugal das ou as nações eu opeias. Foi com es a in enção que p ocu a am da a conhe-
ce , aos seus lei o es, as pa icula idades que melho iden i ica am a nossa paisagem,
a nossa compleição ísica, os nossos cos umes, o nosso passado e a nossa a e. A e le-
xão que aqui nos p opomos aze p ende-se, p ecisamen e, com os dois úl imos enun-
ciados, os discu sos des es “ iajan es-esc i o es” sob e o nosso passado e a nossa a e.
Den o dos limi es do nosso abalho, o des aque ai pa a um au o que não se limi-
ou a da a conhece os exemplos mais ep esen a i os da nosso pa imónio a ís ico,
mas en ou es abelece uma me odologia que undamen asse a nossa his ó ia da a e
em bases mais sólidas: o conde polaco A hanasius Raczynski (1788-1874).
Como e a habi ual en e os es angei os que nos isi a am du an e o século XIX,
o am azões polí icas que ouxe am A hanasius Raczynski a é Po ugal1. Em con-
c e o, oi pa a exe ce a unção de minis o do ei da P ússia na co e po uguesa que
o conde desemba cou em Lisboa no dia 13 de Maio de 1842. De i a a essa sua con-
dição de diploma a do ac o da sua cidade na al, Poznan, localizada na ac ual Poló-
nia, e icado sob o domínio da P ússia na sequência do Cong esso de Viena de
1815, que es abeleceu as no as on ei as da Eu opa pós-napoleónica. De es o, a
ins abilidade geo-polí ica que ma cou a Eu opa Cen al na p imei a me ade do século
XIX pau a oda a sua biog a ia: de 1804 a 1806, es udou em F ank u (Ode ), Be -
lim e D esden; de 1807 a 1809, pe enceu ao exé ci o pa ió ico polaco ao se iço
de Napoleão, em que se alis ou olun a iamen e; de 1811 a 1815, oi cama ei o e
O CONDE ATHANASIUS
RACZYNSKI E A
HISTORIOGRAFIA
DA ARTE EM PORTUGAL
PAULO SIMÕES RODRIGUES
Uni e sidade de É o a
1Sousa, M. L. M. de (1997), p. 574.
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 1 – Augus e Roquemon ,
Re a o do Conde A hanasius Raczynski
, 1845,
Museu Nacional Soa es dos Reis.
© José Pessoa, DDF/IMC.
2Ne lich, F. (2009), . 1.
3Polych onopoulou, O.;
A chéologues su les Pays
d’ Homé e
,
s.l.
, Noêsis, 1999, p. 26.
4São publicados echos aduzidos pa a inglês e
sín eses des a ob a no
The Fo eign Qua e ly Re-
iew
(Lond es, ol. XVIII, 1836-1837), no
The
Mon hly Re iew
(Lond es, ol. III, Se emb o-De-
zemb o, 1844) e no
The New Yo k Re iew
(No a
Io que, n.º XX, Ab il, 1842).
5Vasconcelos, J. (1875), pp. 23-27.
6Em 1883, aquando da conc e ização da decisão
do impe ado da Alemanha uni icada de cons ui o
Reisch ag no mesmo local do palácio Raczynski, a
colecção oi en egue à gua da p o isó ia do Museu
Nacional de Be lim pelo ilho do conde. Em 1903,
a cidade de Poznan conseguiu que a colecção os-
se ans e ida pa a o museu local. Ainda em Poznan,
exis e uma janela geminada enascen is a, in eg a-
da numa pa ede do edi ício da Câma a Municipal,
que e á sido le ada da Ba alha po Raczynski. Vas-
concelos, J. (1875), pp. 32 e 33; FRANÇA, J. A.
(1993), pp. 77 e 78; Ne lich, F. (2009), . 2 e 3.
7Depois de Lisboa, Raczynski ainda se á embaixa-
do da P ússia em Mad id, en e 1848 e 1852, e-
o mando-se do se iço ao Es ado em 1858. Ne -
lich, F. (2009), . 4.
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
conselhei o diplomá ico do ei de Saxe, chegando a in eg a a delegação saxónica em
Copenhaga e Pa is; eg essou a Copenhaga em 1830, onde pe maneceu a é 1834,
mas ago a já na qualidade de ep esen an e do go e no da P ússia2.
Também a e udição e o gos o pelas an iguidades, pelas expedições educa i as,
pela his ó ia local e pela a e são aços de pe sonalidade que Raczynski pa ilha a
com a maio ia dos iajan es es angei os que esc e e am sob e Po ugal3. Mas é
sob e udo a paixão pela a e que melho de ine o pe cu so pessoal de Raczynski:
c iado no seio de uma amília a is oc á ica aman e das a es, ele oi o au o de uma
His ó ia da A e Mode na na Alemanha
(1836-1841), de di ulgação anscon inen-
al4, bem como o p op ie á io de uma colecção de a e com ce ca de 190 ob as. Da
colecção do Conde Raczynski aziam pa e pin u as de Bassano, Canale o, Ve onese,
Bo icelli, Domenichino, B onzino, C anach, Me sys, Suyde s, Migua d, Velasquez,
Zu ba an, um íp ico a ibuído a C is o ão de Figuei edo, duas p edelas de possí el
au o ia de G egó io Lopes, o seu e a o pin ado po Augus e Roquemon (FIG. 1),
um desenho de Rubens e escul u as de Tho aldsen. Pa e signi ica i a des e ace o
oi adqui ido du an e as iagens que ealizou, en e 1816 e 1839, à Alemanha,
F ança, Suiça e I ália, assim como nos países onde exe ceu unções diplomá icas
(Po ugal e Espanha)5. Pa a albe ga e expo publicamen e odas es as ob as de a e,
planeou cons ui um palácio-museu em Poznan (1826), seguindo o exemplo do seu
i mão, que inha doado uma as a biblio eca à mesma cidade, be ço da amília Rac-
zynski. No en an o, endo-se es abelecido de ini i amen e em Be lim no ano de
1836, ins alou a sua gale ia naquela cidade, na sua casa pa icula , e o mada pa a
o e ei o pelo a qui ec o Ka l F ied ich Schinkel, que ab iu ao público. Acabou po edi-
ica um palácio-gale ia no cen o de Be lim (1842-1848, com ob as de ampliação
em 1866), p ojec ado po Johann Hein ich S ack, que comp eendia uma esidência
de a is as (onde Pe e on Co nelius chegou a habi a ) e as ins alações da Sociedade
A ís ica de Be lim6. É no con ex o des as suas ac i idades de his o iado e colec-
cionado de a e que se de e en ende a incumbência que Raczynski ecebeu da
Sociedade A ís ica e Cien í ica de Be lim aquando da sua nomeação pa a a co e
po uguesa: es uda as a es em Po ugal, missão que cump i á en iando egula -
men e as suas sín eses po ca a a é 1 de Agos o de 1845, apesa de pe manece no
nosso país a é 18487. Essa co espondência acabou po se publicada em olume no
ano de 1846, com edições simul âneas em ancês e inglês.
A edição ancesa, a que nos se iu de on e, ecebeu o í ulo de
Les A s en Po u-
gal-Lé es ad ésses a la Socie é A is ique e Scien i ique de Be lin e accompagnés
de documen s
. No ano seguin e, em 1847, seguiu-se-lhe um ou o olume que p e-
endia da a conhece os nomes mais ele an es da his ó ia e da a e po uguesas,
e e imo-nos ao
Dic ionnai e His o ico-A is ique du Po ugal
. O conde Raczynski
planea ia ainda edigi um e cei o olume que co esponde ia a uma sín ese do
Les
A s en Po ugal
, mas sem as con adições e as imp ecisões de um egis o epis ola
condicionado pela pe iocidade do en io das ca as pa a Be lim e pelas ci cuns âncias
do acesso e da ecepção da in o mação. Uma e cei a publicação acul a ia a ma gem
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REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 2 – Tomás Fonseca e/ou João José dos San os,
Cal á io de Vasco Fe nandes
, in Raczynski, A hanasius,
Dic ionnai e His o ico-A is ique du Po ugal
, 1847.
empo al necessá ia pa a a e isão e a ea aliação das imp essões e conclusões ans-
mi idas na sua co espondência. Numa ca a di igida a Fe dinand Denis, en iada de Lis-
boa a 3 de Julho de 1846, Raczynski a i ma que se no p imei o olume não ha ia ei o
mais do que pene a no caos, o segundo já ap esen a a alguma o dem. Es e segundo
olume se á o
Dic ionnai e...
, uma compilação de nomes de a is as, a qui ec os,
a queólogos, esc i o es e e udi os po ugueses ou de alguma manei a elacionados
com Po ugal, com equen es emissões pa a o
Les A s en Po ugal
8. A con i má-lo
uma ou a ca a di igida ao mesmo co esponden e, de da ação an e io à sup aci ada
(3 de Junho de 1844), em que Raczynski solici a a indicação de alguém que soubesse
aze g a u as em madei a e es i esse disponí el pa a i a Po ugal9. O a, a p imei a
edição ancesa do
Dic ionnai e...
in eg a ês li og a ias que ep oduzem a
C uci ica-
ção
(FIG. 2) e o
S. Ped o
(FIG. 3) de Vasco Fe nandes ou G ão Vasco e o desenho de
um cas elo do denominado
Li o das Fo alezas
de Dua e d’A mas (1507) (FIG. 4)10.
A li og a ias, con udo, não es a iam p e is as na plani icação inicial da edição do
Dic-
ionnai e...
, es a iam des inadas a um e cei o olume: “Mes lec eu s pou on juge
du mé i e du
Cal ai e
pa un con ou ès idèle qui accompagne a mon oisième
olume”11. Segundo o p óp io Raczynski, a publicação do
Dic ionnai e...
de e ia e
sido acompanhada pela de um
Resumo
ou
Quad o Ge al das A es
, com base no con-
eúdo das ca as edi adas no
Les A s en Po ugal
, ambém ilus ado com li og a ias:
“À pa e do desejo, que eu sin o, de co igi no meu
Dicioná io
e no meu
Resumo
os
e os, que se acham nas minhas ca as, e que são sem dú ida mui o nume osos, enho
ainda ou os mo i os pa a a asa a publicação. O li o não es á ainda comple o, além
disso é p eciso, pa a pode aze as e e ências aos documen os, que dizem espei o
aos a is as, que as páginas co esponden es es ejam de ini i amen e limi adas, am-
bém é p eciso da empo a é que as lâminas es ejam p epa adas”12. A não publicação
des e
Resumo
de eu-se, con o me decla ação de Raczynski a Joaquim de Vasconce-
los, quando o his o iado po uguês o isi ou na sua gale ia de a e no Ou ono de
1872, às ameaças, às calúnias e aos dissabo es que os seus p imei os abalhos lhe ale-
am em a igos de jo nal e bilhe es anónimos, po pa e de po ugueses descon en es
com as suas opiniões ace ca das a es nacionais13.
As in o mações que as missi as de Raczynski eme e am pa a Be lim i e am o igem
em algumas das pe sonalidades mais ele an es da cul u a po uguesa da época e
numa sé ie de pe eg inações pelas p incipais cidades do país, ealizadas pelo conde
en e 1841 e 1844. Dos colabo ado es mais ezes ci ados po Raczynski, des acamos
os nomes do his o iado e esc i o Alexand e He culano, do Visconde de Ju omenha
(D. An ónio de Lemos Pe ei a de Lace da), au o da monog a ia
Cin a Pin u esca ou
Memó ia da Villa de Cin a, Colla es e seus a edo es
(1838), de Vasco Pin o de Bal-
semão (i mão do Visconde de Balsemão), conse ado da Biblio eca de Lisboa, de
F ancisco de Assis Rod igues, p o esso de escul u a da Academia de Belas A es, de
F ancisco de Sousa Lou ei o, di ec o da Academia de Belas A es de Lisboa, de Fe -
dinand Denis, jo nalis a e di ec o da Biblio eca de Sain Gene ié e, e do pin o
Augus e Roquemon . Tendo em con a que odos eles es a am de algum modo ela-
266
8Lima, H.de C. F. (1932), p. 44.
9Lima, H. de C. F. (1932), p. 30. Acabou po con-
a a um po uguês, João José dos San os, g a a-
do da Academia, que o acompanhou nas iagens
que e ec uou à p o íncia, que o assis iu nas suas
pesquisas e execu ou, a seu pedido, desenhos e
mui as g a u as. Raczynski, A. (1847), pp. 258 e
259.
10 Raczynski, A. (1847), pp.VI, VII, 74, 75, 92 e 93.
11 As ep oduções o am desenhadas po Tomás
Fonseca, ilho do pin o An ónio Manuel da Fon-
seca ou Mes e Fonseca, e pelo g a ado João Jo-
sé dos San os,. Raczynski, A. (1847), pp. 95, 99 e
100; Raczynski, A. (1846), pp. 365 e 393.
12 Raczynski, Le Com e A. (1846), pp. 15 e 16.
13 Vasconcelos, J. (1875), pp. 19 e 20.
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 3 – Tomás Fonseca e/ou João José dos San os,
São Ped o de Vasco Fe nandes
, in Raczynski,
A hanasius,
Dic ionnai e His o ico-A is ique du
Po ugal
, 1847.
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
cionados com a his ó ia e as a es de Po ugal, com as suas biblio ecas e a qui os,
ou a das suas unções e a e e os ex os esc i os pelo a is oc a a polaco, de modo
a e i a qualque ipo de e o. De es o, os ex os o am edigidos em ancês po -
que, na sua maio ia, os colabo ado es po ugueses não sabiam le alemão. O pin o
Roquemon ep esen ou a excepção, pois e a ilho na u al do p íncipe F ede ico de
Hesse-Da dmsda e eio pa a Po ugal, em busca de abalho, depois de e conhe-
cido o In an e D. Miguel em Viena14. Coube a Roquemon a adução pa a a língua
ancesa da maio ia dos ex os esc i os po au o es nacionais que o conde incluiu na
sua co espondência com os académicos be linenses15. Das aduções ealizadas po
Roquemon , des acam-se as dos ex os de F ancisco de Holanda.
E ec i amen e, a segunda ca a en iada po Raczynski pa a a Sociedade A ís ica e
Cien í ica de Be lim (a 19 de Dezemb o de 1843) é p eenchida pela adução pa a
ancês de echos dos manusc i os
Da Pin u a An iga
(1549) e
Da Fáb ica que Falece
à Cidade de Lisboa
(1571) –
De la Pein u e Ancienne
e
Des Monumen s qui Manquen
a la Ville de Lisbonne
– de F ancisco de Holanda (1517-1584), deposi ados no Con-
en o de Jesus da capi al16. Embo a a qualidade das aduções de Roquemon e os
c i é ios da edição dos dois manusc i os po Raczynski possam me ece epa os e c í-
icas – hou e quem conside asse a adução ealizada a opeladamen e e a edição
manchada po dispa a es, mu ilações e co ecções endenciosas –, é de salien a que
a pa i da publicação de
Les A s en Po ugal
, os ex os de F ancisco de Holanda se
o na am numa on e equen emen e ci ada nos es udos sob e Miguel Ângelo, Vi -
o ia Colonna e os cí culos a ís icos omanos do século XVI17.
Sob e o pe cu so que Raczynski e ec uou den o do e i ó io nacional, pa ece-nos e
seleccionado localidades cuja impo ância his ó ica e a demons ada po ele an es
monumen os a qui ec ónicos. Es e c i é io le ou-o a conhece o Mos ei o dos Je óni-
mos, o Palácio de Sin a e o Con en o de Ma a, na á ea de Lisboa e a edo es; a aze
um esquisso do a uinado Cas elo de Óbidos; e um desenho do Mos ei o de San a
Ma ia de Alcobaça, onde pe maneceu dois dias, seguindo depois pa a a Ba alha. Em
Coimb a, cidade que o albe gou du an e cinco dias, pin ou uma agua ela da Sé Velha
e isi ou o Mos ei o de San a Cla a. Ainda no cen o do país, ep oduziu as uínas do
Cas elo de Lei ia. Segui am-se as uínas do Cas elo de Mon emo ; a Ig eja de Nossa
Senho a da Conceição na Golegã; o Con en o de C is o, onde copiou minuciosamen e
o pó ico manuelino, e a Ig eja de São João Bap is a, que ambém desenhou, em Toma .
Na cidade de San a ém, concen ou-se nas ig ejas de São João do Alpo ão e de Nossa
Senho a da Piedade. Finalmen e, em 1844, a sua deslocação a É o a ica ma cada pela
isi a à Ig eja de São B ás e à po a do Rossio, edi icada no einado de D. João II18.
Que o i ine á io que a ep odução dos monumen os não cons i uí am, oda ia, no i-
dade no âmbi o da li e a u a de iagens sob e Po ugal. Desde o século XVIII que a
al a de acomodações decen es e a inexis ência de boas es adas inham limi ado a
ci culação dos cidadãos eu opeus, ingleses e anceses na sua maio ia, ao cen o do
país. Lisboa e Sin a e am os pólos aglu inado es, os mais cu iosos a ança am a é
Coimb a, Alcobaça e Ba alha, mas a amen e ul apassa am a linha do Mondego, pa a
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REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 4 – Tomás Fonseca Tomás Fonseca e/ou João José
dos San os,
Li o das Fo alezas de Dua e d’A mas
, in
Raczynski, A hanasius,
Dic ionnai e His o ico-A is ique
du Po ugal
, 1847.
14 F ança, J.-A. (1990), p. 255.
15 Um dos esc i os aduzidos e a da au o ia do
p óp io Augus e Roquemon (1804-1854), p o-
e ida no dia 27 de Dezemb o de 1844, cuja emá-
ica abo da a a his ó ia da a qui ec u a po ugue-
sa. O ex o es á ansc i o na 21ª ca a, da ada de
12 de Janei o de 1845. Raczynski, Le C. A. (1846),
pp. 410 e 411.
16 Na e cei a ca a (de 15 de Dezemb o de 1843)
o am o necidas algumas in o mações his ó icas
sob e a biog a ia e os ex os de F ancisco de Holan-
da. Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 5-73 e 75-77.
17 González Ga cia, A. (1983), pp. XIV e XV.
18 Sob e as agua elas e os desenhos com imagens
do nosso país ei os Raczynski, e Zielinska, M. D.
(1981), pp. 51-70.
No e, ou a do Tejo, pa a Sul – quando al acon ecia, Po o e É o a e am os des i-
nos mais equen es. Os ajec os acaba am po de e mina os monumen os a e ,
embo a não osse necessá io i mais longe pa a encon a qua o dos edi ícios mais
ep esen a i os da his ó ia da a qui ec u a em Po ugal, que e am ambém os mais
p ocu ados: o Mos ei o dos Je ónimos em Belém, o Mos ei o de Alcobaça, o Mos-
ei o da Ba alha e o Con en o de Ma a19. Quan o ao cos ume de os ep oduzi g a-
icamen e, são nume osos os exemplos de ob as sob e Po ugal, a começa pelos
guias de iagem, que ap esen am ilus ações dos p incipais monumen os his ó icos.
Bas a lemb a o le an amen o g á ico po meno izado que o a qui ec o i landês
James Mu phy (1760-1814) ez do Mos ei o da Ba alha, publicado no seu es udo
Plans, ele a ions, sec ions and iews o he Chu ch o Ba alha
(1795)20.
Tal ez po que a a qui ec u a e a dos emas mais cons an es nos li os de iagens, em
Les A s en Po ugal
não encon amos, no que espei a à his ó ia dos edi ícios aí e e-
enciados, qualque no idade em elação às eo ias igen es. Po ou o lado, a che-
gada de Raczynski coincidiu com o apogeu de um amplo mo imen o de de esa e
di ulgação dos monumen os po ugueses. De ac o, no século XIX, os p imei os
anos da década de 40 o am ma cados pelo apa ecimen o de pe iódicos que incluíam
pequenos ex os ou a é abalhos de ca ac e mais e udi o ace ca dos edi ícios con-
side ados como os mais signi ica i os da his ó ia da a qui ec u a po uguesa21. Nos
mesmos jo nais e nas mesmas e is as, ou o dos meios encon ados pa a di undi o
conhecimen o do nosso pa imónio cons uído, en e um público que se deseja a
mais ala gado, oi a sua ep odução g á ica, no malmen e a a és da g a u a. É o caso
da e is a
O Pano ama
(1837-1847)22, na qual podemos encon a , logo no p imei o
núme o, um a igo em que Alexand e He culano (1810-1877), o di ec o da publi-
cação, az o elogio do es ilo gó ico e dos seus dois melho es exempla es em Po u-
gal, o Mos ei o da Ba alha e o Con en o do Ca mo (em Lisboa)23.
As ca as de Raczynski acompanham He culano na alo ização da a qui ec u a gó ica
e, em pa icula , do Mos ei o da Ba alha. Pa a ambos os au o es, em Po ugal, a é
ao einado de D. João I, a a qui ec u a pouco acompanhou o p og esso e o desen-
ol imen o in e nacionais, não ap esen ando exempla es dignos de ele o24. O ac o
de exis i em elemen os a qui ec ónicos com e iden e qualidade a ís ica e cons u-
ções de g andes dimensões da ados de an es do século XIV não e a ele an e25
po que, segundo Raczynski, a é à Ba alha, ainda não es amos pe an e um es ilo
a qui ec ónico, is o é, uma o ma de cons ui p óp ia de de e minado empo ou de
de e minado luga 26. De da ação pos e io ao século XIV, a a qui ec u a po uguesa
ap esen a um ca ac e pouco monumen al – e am cons uções mais ou menos as-
as, mais ou menos egula es –, concen ando-se a sua ele ância es é ica nos ele-
men os a qui ec ónicos. Também não lhe ag ada a o hib idismo es ílis ico de alguns
dos monumen os po ugueses, como o da ig eja do Mos ei o de Alcobaça, cuja
achada ba oca cons a a a com o in e io pu amen e gó ico.
Numa p imei a lei u a, pa ece-nos cla o que Raczynski oi bas an e in luenciado pelas
eses de He culano sob e o es ilo gó ico. Desde a década de 30 que o his o iado po -
268
19 Sob e a emá ica da li e a u a de iagens e
ambém Cha es, C. B. (1977).
20 Ve Ne o, M. J. Q. L. B. (1997).
21 Dos pe iódicos publicados desde 1835 a 1845,
podemos des aca os seguin es í ulos:
O A chi-
o Popula
(1837-1843),
Uni e so Pi o esco
(1839-1844),
Museu Po uense
,
Jo nal de His ó-
ia, A es, Sciencias Indus iais e Bellas Le as
(1838-1839),
Museu Pi o esco
(1840-1842),
Jo nal das Belas-A es
(1843-1844) e
A Ilus a-
ção
(1845-1846).
22 A publicação d’
O Pano ama
é e omada em
1852 e no amen e in e ompida no ano de 1858.
A e cei a e de adei a ase da e is a deco e de
1866 a 1868.
23 Ve Alexand e He culano; “A A qui ec u a Gó i-
ca”,
in O Pano ama
, nº 1, 6 de Maio de 1837.
O
Pano ama
publica á ainda uma desc ição do Mos-
ei o da Ba alha em 1840, nos núme os 141, 142
e 143.
24 De es o, Raczynski conside a a que, sal o al-
gumas excepções, a a qui ec u a em Po ugal não
ap esen a a um ca ác e monumen al. Raczynski,
Le C. A. (1846), p. 330.
25 Le C. A. (1846);
op. ci .
, pp. 407 e 408.
26 Ge mann, G. (1978), p. 21.
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
uguês inha es abelecendo uma elação iden i á ia en e a a e e o momen o his ó-
ico da sua c iação, na qual a a qui ec u a, po que e a u o do seu p óp io empo,
ma e ializa a os condicionalismos polí icos, económicos e sócio-cul u ais de cada
época. Assim, se o p og esso das nações le a a ao desen ol imen o das a qui ec u-
as nacionais, ambém a decadência p oduzia, po oposição, monumen os decaden-
es. Pa a comp o a as suas a i mações, He culano exempli ica a com dois edi ícios
undamen ais da his ó ia da a qui ec u a po uguesa, o Mos ei o da Ba alha e o Con-
en o de Ma a. O p imei o, em es ilo gó ico, inha sido le an ado po uma época
dou ada da nossa his ó ia, o einado de D. João I (1385-1433), mona ca que enceu
os espanhóis em Aljuba o a (1385) e consolidou a independência nacional. O gó ico
lamejan e da Ba alha co oa a não só a independência de Po ugal, mas ambém as
libe dades cí icas que os p imei os mona cas po ugueses inham supos amen e con-
cedido aos seus súbdi os, p omo endo a descen alização do pode 27. O segundo, edi-
icado po o dem de D. João V, e idencia a, no seu classicismo abs ac o e sem
nacionalidade, no desenho geomé ico e monó ono, o obscu an ismo decaden e do
absolu ismo moná quico. Rep esen a a o despo ismo do século p eceden e que a
ge ação de He culano inha comba ido e encido. Des e modo, no con ex o da cul-
u a omân ica, a ca ed al e o mos ei o da Idade Média o am ap op iados como sím-
bolos de um passado exempla , be ço de libe dades indi iduais e nacionais cuja
ecupe ação jus i ica a a ins au ação do jo em egime libe al.
Se compa a mos os ex os do esc i o po uguês com a co espondência de Rac-
zynski, e i ica emos que o conde polaco p es ou pouca a enção ao possí el signi-
icado ideológico da a qui ec u a. Daí o seu ag ado pelo palácio-con en o de Ma a,
que de iniu como um g ande monumen o egula e ha monioso de p opo ções e
co es28. Es e seu dis anciamen o em elação a algumas das eses de He culano mani-
es ou-se, po exemplo, quando conside ou que o au o do p ojec o do Mos ei o da
Ba alha e ia sido, mui o p o a elmen e, um a qui ec o inglês29. As analogias o mais
que o diploma a inha e i icado exis i em en e o gó ico da Ba alha e o da Ca ed al
de Yo k, depois de compa a os dois edi ícios, le a am-no a conclui que ambos os
monumen os inham a mesma o igem, independen emen e do seu a qui ec o e sido
inglês ou po uguês30. Opinião que con a ia a as con icções dos mais nacionalis as,
como He culano, que en endiam se mais lógico a ibui a au o ia do mais emblemá-
ico dos monumen os nacionais a um a qui ec o po uguês: A onso Domingues31.
Ac escen e-se ainda que apesa de Raczynski conside a mui o ace ada a a i mação p o-
e ida po Alexand e He culano sob e a a qui ec u a da época do einado de D. Manuel
no a igo "A Escola Poli écnica e o Monumen o”, publicado na
Re is a Uni e sal Lisbo-
nense
no ano de 1843 (Vol. 2, n.º 38) – “C’es la ésis ance du s yle go hique con e le
s yle de F ançois I”, ac escen ando de B aman e e Ra ael –, quando alude conc e a-
men e ao
es ilo de D. Manuel
, como o designa, é a de inição de es ilo manuelino in o-
duzida po F ancisco Adol o Va nhagen no léxico a ís ico po uguês com o a igo
No ícia His ó ica e Desc i i a do Mos ei o de Belém
(FIG. 5), publicado em
O Pano ama
en e Fe e ei o e Ab il 1842, que es á subjacen e32. Ce amen e que Raczynski conhe-
269
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
27 Ve HERCULANO, Alexand e; “Duas Épochas e
Dous Monumen os ou A G anja Real de Ma a”,
in
Opúsculos. Con o é sias e Es udos His ó icos
,
olume VI, omo III, Lisboa, José Bas os & Cª.,
s.d.
(1ª edição de 1843), pp. 1-20.
28 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 330, 336 e 337.
29 Raczynski acha a es anho ainda exis i em po-
lémicas sob e a iden idade do a qui ec o que de-
senhou o p ojec o e iniciou a cons ução do Mos-
ei o da Ba alha. Pois, pa ece-lhe pe ei amen e
acei á el o nome indicado po James Mu phy, o
de S ephan S ephenson, a qui ec o inglês que e-
ia indo no séqui o de D. Filipa de Lencas e, mu-
lhe de D. João I e ne a de Edua do III de Ingla e -
a
.
Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 331 e 334.
30 Ainda an es de chega a Po ugal, o diploma a
inha já compa ado os dois edi ícios a a és das
g a u as publicadas no li o sob e o Mos ei o da
Ba alha de James Mu phy. Imp essão que oi de-
pois con i mada com a isi a ao monumen o
.
Ou-
a das on es bibliog á icas sob e a Ba alha a que
Raczynski eco eu oi a
Memó ia his ó ica sob e
as ob as do eal mos ei o de San a Ma ia da Vic-
ó ia, ulga men e chamado da Ba alha
do Ca deal
Sa ai a, F ei F ancisco de São Luís, publicada em
1827. Conside a exage ada a impo ância que lhe
oi concedida enquan o exempla do es ilo gó ico.
Também in o mou os seus co esponden es sob e
a decadência ma e ial de algumas pa celas do
Mos ei o da Ba alha, sal agua dando, con udo,
que es a a a se es au ado – sabemos que desde
1840, sob a di ecção do engenhei o Luís Mousi-
nho de Albuque que. Raczynski, Le C. A. (1846),
pp. 336 e 456-460.
31 Em 1851, no con o
A Abóbada
, na a i a que
deco e du an e a cons ução do Mos ei o da Ba-
alha, Alexand e He culano iden i ica A onso Do-
mingues como o p incipal esponsá el pela con-
cepção e desenho de oda a ob a, p incipalmen e
pela amosa abóbada que echa a Sala do Capí u-
lo. Mes e Hugue , a qui ec o inglês que alguns
au o es conside a am se o e dadei o cons u o
da Ba alha, daí a compa ação com o gó ico in-
glês, é elegado pa a segundo plano e ap esen a-
do de modo pouco a o á el. He culano, A.,
(1988), pp. 163-211.
ce ia a eo ia de Va nhagen, pois en iou uma comunicação des e au o ace ca da a qui-
ec u a po uguesa en e os séculos XII e XVI pa a Be lim. Alude ainda ao es ilo de D.
Manuel quando ca ego iza a achada da ig eja e a janela da sala do capí ulo do Con en o
de C is o em Toma como os seus mais belos exempla es. Conside ando-o mui o o igi-
nal, mui o po uguês e mui o p óp io do einado daquele mona ca, iaja a é Se ilha pa a
e i ica se a sua o igem se ia o es ilo pla e esco espanhol33. Raczynski concluí que os
dois es ilos e am dis in os, mas a possibilidade de con aminação es é ica que le an ou
mos a que es a oi uma hipó ese ida em conside ação ainda an es do his o iado Joa-
quim de Vasconcelos a e colocado na sua con e ência
Da A qui ec u a Manuelina
,
publicada em 1885.
Embo a osse um cosmopoli a, po ia das suas iagens pela Eu opa e da sua ca ei a
diplomá ica, Raczynski, possi elmen e me cê da sua condição de a is oc a a polaco
ca ólico, não e a um libe al. Conse ado polí ica e a is icamen e34, a pe spec i a his-
o icis a da sua eo ia da a e não se c uzou com a necessidade de legi ima uma no a
o dem polí ica, sendo he dei a di ec a de dou inado es como Winckelmann, Cha eau-
b iand, Schlegel ou Hegel, dos p imei os a capaci a em-se da ela i idade dos ideais
es é icos. Mas é de Winckelmann que Raczynski se ap oxima mais, sob e udo quando
conside a que exis e uma co elação en e as ca ac e ís icas do ambien e na u al, os
cos umes, a o ma de go e no e o p og esso a ís ico35. A pa des a iden i icação da
a e com o seu con ex o his ó ico-geog á ico, a beleza con inua a es a na ha monia
dos di e en es elemen os que compõem uma ob a. O que não é uma con adição, an es
pelo con á io, e i icando-se a ha monização das condições na u ais, cul u ais e
ma e iais que ci cunsc e em a p odução a ís ica, os objec os daí p oceden es des-
270
32 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 331 e 483.
33
.
Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 455, 483, 488
e 519.
34 Assim como a alia a com cep icismo os mo i-
men os cons i ucionalis as, as u opias e os ideais
de libe dade e igualdade que despon a am no sé-
culo XIX, ambém p e i ia, con empo aneamen e,
o pendo his o icis a do mo imen o dos naza enos
à mode nidade do na u alismo ancês, ou, his o-
icamen e, a se enidade de Ra ael ao ímpe o co-
lo is a de Ticiano e Rubens. Ne lich, F. (2009), . 5.
35 Quando, em 1764, na ob a
His ó ia da A e na
An iguidade
, o a queólogo e his o iado ge mâni-
co Johann Joachim Winckelmann (1717-1768)
eo izou sob e a sup emacia a ís ica da G écia
An iga, explicou-a pela conjunção dos seguin es
ac o es: o clima ameno, a pe eição da na u eza,
o cos umes e as ins i uições polí ico-educa i as da
democ acia a eniense. A impossibilidade des as
condições ol a em a oco e , segundo o a queó-
logo, o na o g au de beleza e pe eição alcança-
do pelos g egos ina ingí el a homens de ou os
empos e luga es. Res a-lhes oma a a e clássi-
ca como um modelo ideal, ge ado de alo es
plás icos adequados às mais a iadas ci cuns ân-
cias. Des e modo, Winckelmann es abeleceu os
undamen os eó icos do ideal clássico e, simul a-
neamen e, di e enciou, a pa i da e e ência an i-
ga, as épocas his ó icas. Assun o, Rosa io, (1973),
pp. 38, 39 e 86-95.
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 5 – José da Cos a Sequei a,
Claus o dos Je ónimos
, séc. XIX, Museu Nacional da A e An iga.
© José Pessoa, DDF/IMC.
VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
aca -se-ão pela homogeneidade das suas o mas, ou seja, pela pu eza do seu es ilo
a ís ico. Es es p incípios eó icos p opo ciona am-lhe um mé odo de abo dagem das
ob as de a e que consis ia num c uzamen o da análise o mal com a in es igação
documen al, a c í ica das on es e a aplicação da dú ida me ódica a odas as adi-
ções his o iog á icas. Foi com base nes e mé odo de a aliação a ís ica que Raczynski
conseguiu es abelece , pela p imei a ez, um núcleo pic ó ico coe en e a ibuí el a
um dos mi os da his ó ia da pin u a po uguesa, G ão Vasco.
De aco do com a 7ª e a 8ª ca as (17 e 26 de Fe e ei o de 1844), e á sido o Visconde
de Ju omenha (1807-1887) a acul a o conhecimen o da exis ência de G ão Vasco a
Raczynski36. O Visconde de Ju omenha ê-lo a a és dos au o es que o e e i am nos
seus esc i os en e os séculos XVI e XIX, nomeadamen e F ei Manuel do Cenáculo,
F ancisco Dias Gomes, F ei Be na do de B i o, F ancisco Xa ie Lobo, La anha, Figuei-
oa, Fe nandez e Salaza de Cas o, João da Cunha Tabo da37. A pa i daí, a de ini-
ção da igu a do pin o G ão Vasco passa a domina as ca as de Raczynski, ocupando
ainda a 10ª (1 Junho de 1844), a 12ª (7 de Junho de 1844), a 16ª (28 de Julho de
1844) e a 17ª (29 de Julho de 1844)38. Po quê es a a acção de Raczynski po G ão
Vasco? Po que a da c édi o à adição li e á ia e à con icção p edominan e no senso
comum, oda a pin u a do início do século XVI p oduzida em Po ugal se ia da au o-
ia de G ão Vasco ou de uma sua p essupos a Escola, o que e a c onologicamen e
impossí el em i ude da dis ância empo al que sepa a a a ealização de mui as das
ob as em causa39, pa a além de o malmen e pouco p o á el, me cê das di e enças
es ilís icas que dis inguiam mui os dos quad os en e si. Raczynski chega a ap esen-
a esquema icamen e, o ganizada num quad o analí ico ealizado pelo Visconde de
Balsemão, a lis a dos quad os impu ados a G ão Vasco que se encon a am dispe sos
po odo o país (FIG. 6). E am, ao odo, mais de 200 ob as, embo a sem con a com
as classi icadas como pe encen es à sua Escola desde o século XVI40.
É de sal agua da , no en an o, que embo a Raczynski dê en ende que o mi o da
omnip esença de G ão Vasco na pin u a po uguesa do século XVI se man inha como
um dos cânones da cul u a a ís ica nacional, es e se ia já enca ado com cep icismo
pelos p incipais a queólogos e e udi os ac i os em Po ugal na década de 1840, na
medida em que o am alguns deles a o nece -lhe as e e ências documen ais que lhe
pe mi i am inicia o p ocesso de apu amen o da ob a do pin o de Viseu. Esse p o-
cesso desen ol eu-se po ês en es de abo dagem: selecção de um conjun o de
pin u as es ilis icamen e coe en es en e sí a ibuí eis a G ão Vasco; iden i icação dos
quad os que de ini i amen e não pode iam e sido pin ados po G ão Vasco ou se
in eg ados numa sua p esumí el Escola (de cuja exis ência Raczynski não encon ou
qualque p o a41); le an amen o da documen ação his ó ica iá el que a es asse a
exis ência do pin o e balizasse a c onologia da sua ida.
Baseando-se em ex os dos séculos XVII e XVIII publicados po F ei Agos inho de
San a Ma ia no omo V do
San uá io Ma iano
em 1716 e no manusc i o
Diálogos
Mo ais, His ó icos e Polí icos
(1630) do isiense Ribei o Pe ei a, Raczynski começou
po iden i ica G ão Vasco como Vasco Fe nandes Casal, pin o ac i o du an e os ei-
271
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
36 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 129-137 e
171-178.
37 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 117, 119 e 121.
38 Num apêndice à 10ª ca a é publicado um en-
saio da au o ia do Visconde de Ju omenha in i u-
lado
No as sob e alguns a is as po ugueses, pin-
o es, a qui ec os, escul o es, e c.
, p ecedido de
uma cu a his ó ia da pin u a em Po ugal, desde
a sua o igem a é ao einado de D. João III. Os dois
ensaios o am aduzidos pa a ancês pa a Ro-
quemon . Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 191-257,
365-373 e 374.
39 Po exemplo, José da Cunha Tabo da e e e-se
a um Vasco apelidado de G ão Vasco sob e quem
se especula a e sido aluno de Pie o Pe ugino e
que ambém pode ia se um iluminado ac i o no
ano de 1455. O a, Pe ugino i eu en e 1450 e
1523, logo o Vasco iluminado , ac i o em 1455,
nunca pode ia e sido seu aluno. TABORDA, J. da
C. (1815), pp. 146 e 147.
40 Raczynski, Le C. A., (1846), pp. 153-158 e 187.
41 Raczynski, Le C. A., (1846), p. 373.
FIG. 6 – Visconde de Balsemão,
Lis a dos quad os
a ibuídos a G ão Vasco, que se encon am espalhados
po odo o Po ugal
, in Raczynski, A hanasius,
Les A s
en Po ugal
, 1846, p. 154.
nados de D. Manuel I e D. João III, au o do g ande e ábulo da capela-mo e do
São
Ped o
(c. 1529) (FIG. 7) da ca ed al de Viseu – ac ualmen e expos os no Museu G ão
Vasco. A ele ada qualidade pic ó ica dos panejamen os des e
S. Ped o
pe mi em-lhe
conside a que o seu au o não podia se o mesmo das ob as que se encon a am
deposi adas na Academia de Belas A es de Lisboa42. A sua alusão à Academia
de ia-se ao ac o des a ins i uição acolhe nas suas ins alações, no con en o de S. F an-
cisco, o mais impo an e núcleo his ó ico de pin u a po uguesa. Es e núcleo e a
cons i uído pelos e ábulos e quad os e i ados dos con en os, mos ei os e emplos
ex in os em 1834, após a i ó ia do libe alismo. A lis a de egis o des es quad os con-
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VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 7 – Vasco Fe nandes (G ão Vasco), colab. Gaspa
Vaz,
S. Ped o
, c. 1529, Museu de G ão Vasco.
© José Pessoa, DDF/IMC.
42 Raczynski, Le C. A., (1846), pp. 122, 175 e 176.