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O Conde Athanasius Raczynski e a Historiografia da Arte em Portugal

Rodrigues, Paulo Simões

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264 Dos mui os iajan es que nos isi a am en e a segunda me ade do século XVIII e os p imei os anos do século XIX, conhecemos sob e udo aqueles que publica am as suas imp essões sob e Po ugal, os au o es de uma li e a u a de iagens que in en a iou, desc e eu e di ulgou as p incipais ca ac e ís icas geog á icas, humanas e cul u ais do nosso país, nomeadamen e aquelas que, na sua pe spec i a, melho dis inguiam Po - ugal das ou as nações eu opeias. Foi com es a in enção que p ocu a am da a conhe- ce , aos seus lei o es, as pa icula idades que melho iden i ica am a nossa paisagem, a nossa compleição ísica, os nossos cos umes, o nosso passado e a nossa a e. A e le- xão que aqui nos p opomos aze p ende-se, p ecisamen e, com os dois úl imos enun- ciados, os discu sos des es “ iajan es-esc i o es” sob e o nosso passado e a nossa a e. Den o dos limi es do nosso abalho, o des aque ai pa a um au o que não se limi- ou a da a conhece os exemplos mais ep esen a i os da nosso pa imónio a ís ico, mas en ou es abelece uma me odologia que undamen asse a nossa his ó ia da a e em bases mais sólidas: o conde polaco A hanasius Raczynski (1788-1874). Como e a habi ual en e os es angei os que nos isi a am du an e o século XIX, o am azões polí icas que ouxe am A hanasius Raczynski a é Po ugal1. Em con- c e o, oi pa a exe ce a unção de minis o do ei da P ússia na co e po uguesa que o conde desemba cou em Lisboa no dia 13 de Maio de 1842. De i a a essa sua con- dição de diploma a do ac o da sua cidade na al, Poznan, localizada na ac ual Poló- nia, e icado sob o domínio da P ússia na sequência do Cong esso de Viena de 1815, que es abeleceu as no as on ei as da Eu opa pós-napoleónica. De es o, a ins abilidade geo-polí ica que ma cou a Eu opa Cen al na p imei a me ade do século XIX pau a oda a sua biog a ia: de 1804 a 1806, es udou em F ank u (Ode ), Be - lim e D esden; de 1807 a 1809, pe enceu ao exé ci o pa ió ico polaco ao se iço de Napoleão, em que se alis ou olun a iamen e; de 1811 a 1815, oi cama ei o e O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL PAULO SIMÕES RODRIGUES Uni e sidade de É o a 1Sousa, M. L. M. de (1997), p. 574. REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 1 – Augus e Roquemon , Re a o do Conde A hanasius Raczynski , 1845, Museu Nacional Soa es dos Reis. © José Pessoa, DDF/IMC. 2Ne lich, F. (2009), . 1. 3Polych onopoulou, O.; A chéologues su les Pays d’ Homé e , s.l. , Noêsis, 1999, p. 26. 4São publicados echos aduzidos pa a inglês e sín eses des a ob a no The Fo eign Qua e ly Re- iew (Lond es, ol. XVIII, 1836-1837), no The Mon hly Re iew (Lond es, ol. III, Se emb o-De- zemb o, 1844) e no The New Yo k Re iew (No a Io que, n.º XX, Ab il, 1842). 5Vasconcelos, J. (1875), pp. 23-27. 6Em 1883, aquando da conc e ização da decisão do impe ado da Alemanha uni icada de cons ui o Reisch ag no mesmo local do palácio Raczynski, a colecção oi en egue à gua da p o isó ia do Museu Nacional de Be lim pelo ilho do conde. Em 1903, a cidade de Poznan conseguiu que a colecção os- se ans e ida pa a o museu local. Ainda em Poznan, exis e uma janela geminada enascen is a, in eg a- da numa pa ede do edi ício da Câma a Municipal, que e á sido le ada da Ba alha po Raczynski. Vas- concelos, J. (1875), pp. 32 e 33; FRANÇA, J. A. (1993), pp. 77 e 78; Ne lich, F. (2009), . 2 e 3. 7Depois de Lisboa, Raczynski ainda se á embaixa- do da P ússia em Mad id, en e 1848 e 1852, e- o mando-se do se iço ao Es ado em 1858. Ne - lich, F. (2009), . 4. VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL conselhei o diplomá ico do ei de Saxe, chegando a in eg a a delegação saxónica em Copenhaga e Pa is; eg essou a Copenhaga em 1830, onde pe maneceu a é 1834, mas ago a já na qualidade de ep esen an e do go e no da P ússia2. Também a e udição e o gos o pelas an iguidades, pelas expedições educa i as, pela his ó ia local e pela a e são aços de pe sonalidade que Raczynski pa ilha a com a maio ia dos iajan es es angei os que esc e e am sob e Po ugal3. Mas é sob e udo a paixão pela a e que melho de ine o pe cu so pessoal de Raczynski: c iado no seio de uma amília a is oc á ica aman e das a es, ele oi o au o de uma His ó ia da A e Mode na na Alemanha (1836-1841), de di ulgação anscon inen- al4, bem como o p op ie á io de uma colecção de a e com ce ca de 190 ob as. Da colecção do Conde Raczynski aziam pa e pin u as de Bassano, Canale o, Ve onese, Bo icelli, Domenichino, B onzino, C anach, Me sys, Suyde s, Migua d, Velasquez, Zu ba an, um íp ico a ibuído a C is o ão de Figuei edo, duas p edelas de possí el au o ia de G egó io Lopes, o seu e a o pin ado po Augus e Roquemon (FIG. 1), um desenho de Rubens e escul u as de Tho aldsen. Pa e signi ica i a des e ace o oi adqui ido du an e as iagens que ealizou, en e 1816 e 1839, à Alemanha, F ança, Suiça e I ália, assim como nos países onde exe ceu unções diplomá icas (Po ugal e Espanha)5. Pa a albe ga e expo publicamen e odas es as ob as de a e, planeou cons ui um palácio-museu em Poznan (1826), seguindo o exemplo do seu i mão, que inha doado uma as a biblio eca à mesma cidade, be ço da amília Rac- zynski. No en an o, endo-se es abelecido de ini i amen e em Be lim no ano de 1836, ins alou a sua gale ia naquela cidade, na sua casa pa icula , e o mada pa a o e ei o pelo a qui ec o Ka l F ied ich Schinkel, que ab iu ao público. Acabou po edi- ica um palácio-gale ia no cen o de Be lim (1842-1848, com ob as de ampliação em 1866), p ojec ado po Johann Hein ich S ack, que comp eendia uma esidência de a is as (onde Pe e on Co nelius chegou a habi a ) e as ins alações da Sociedade A ís ica de Be lim6. É no con ex o des as suas ac i idades de his o iado e colec- cionado de a e que se de e en ende a incumbência que Raczynski ecebeu da Sociedade A ís ica e Cien í ica de Be lim aquando da sua nomeação pa a a co e po uguesa: es uda as a es em Po ugal, missão que cump i á en iando egula - men e as suas sín eses po ca a a é 1 de Agos o de 1845, apesa de pe manece no nosso país a é 18487. Essa co espondência acabou po se publicada em olume no ano de 1846, com edições simul âneas em ancês e inglês. A edição ancesa, a que nos se iu de on e, ecebeu o í ulo de Les A s en Po u- gal-Lé es ad ésses a la Socie é A is ique e Scien i ique de Be lin e accompagnés de documen s . No ano seguin e, em 1847, seguiu-se-lhe um ou o olume que p e- endia da a conhece os nomes mais ele an es da his ó ia e da a e po uguesas, e e imo-nos ao Dic ionnai e His o ico-A is ique du Po ugal . O conde Raczynski planea ia ainda edigi um e cei o olume que co esponde ia a uma sín ese do Les A s en Po ugal , mas sem as con adições e as imp ecisões de um egis o epis ola condicionado pela pe iocidade do en io das ca as pa a Be lim e pelas ci cuns âncias do acesso e da ecepção da in o mação. Uma e cei a publicação acul a ia a ma gem 265 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 2 – Tomás Fonseca e/ou João José dos San os, Cal á io de Vasco Fe nandes , in Raczynski, A hanasius, Dic ionnai e His o ico-A is ique du Po ugal , 1847. empo al necessá ia pa a a e isão e a ea aliação das imp essões e conclusões ans- mi idas na sua co espondência. Numa ca a di igida a Fe dinand Denis, en iada de Lis- boa a 3 de Julho de 1846, Raczynski a i ma que se no p imei o olume não ha ia ei o mais do que pene a no caos, o segundo já ap esen a a alguma o dem. Es e segundo olume se á o Dic ionnai e... , uma compilação de nomes de a is as, a qui ec os, a queólogos, esc i o es e e udi os po ugueses ou de alguma manei a elacionados com Po ugal, com equen es emissões pa a o Les A s en Po ugal 8. A con i má-lo uma ou a ca a di igida ao mesmo co esponden e, de da ação an e io à sup aci ada (3 de Junho de 1844), em que Raczynski solici a a indicação de alguém que soubesse aze g a u as em madei a e es i esse disponí el pa a i a Po ugal9. O a, a p imei a edição ancesa do Dic ionnai e... in eg a ês li og a ias que ep oduzem a C uci ica- ção (FIG. 2) e o S. Ped o (FIG. 3) de Vasco Fe nandes ou G ão Vasco e o desenho de um cas elo do denominado Li o das Fo alezas de Dua e d’A mas (1507) (FIG. 4)10. A li og a ias, con udo, não es a iam p e is as na plani icação inicial da edição do Dic- ionnai e... , es a iam des inadas a um e cei o olume: “Mes lec eu s pou on juge du mé i e du Cal ai e pa un con ou ès idèle qui accompagne a mon oisième olume”11. Segundo o p óp io Raczynski, a publicação do Dic ionnai e... de e ia e sido acompanhada pela de um Resumo ou Quad o Ge al das A es , com base no con- eúdo das ca as edi adas no Les A s en Po ugal , ambém ilus ado com li og a ias: “À pa e do desejo, que eu sin o, de co igi no meu Dicioná io e no meu Resumo os e os, que se acham nas minhas ca as, e que são sem dú ida mui o nume osos, enho ainda ou os mo i os pa a a asa a publicação. O li o não es á ainda comple o, além disso é p eciso, pa a pode aze as e e ências aos documen os, que dizem espei o aos a is as, que as páginas co esponden es es ejam de ini i amen e limi adas, am- bém é p eciso da empo a é que as lâminas es ejam p epa adas”12. A não publicação des e Resumo de eu-se, con o me decla ação de Raczynski a Joaquim de Vasconce- los, quando o his o iado po uguês o isi ou na sua gale ia de a e no Ou ono de 1872, às ameaças, às calúnias e aos dissabo es que os seus p imei os abalhos lhe ale- am em a igos de jo nal e bilhe es anónimos, po pa e de po ugueses descon en es com as suas opiniões ace ca das a es nacionais13. As in o mações que as missi as de Raczynski eme e am pa a Be lim i e am o igem em algumas das pe sonalidades mais ele an es da cul u a po uguesa da época e numa sé ie de pe eg inações pelas p incipais cidades do país, ealizadas pelo conde en e 1841 e 1844. Dos colabo ado es mais ezes ci ados po Raczynski, des acamos os nomes do his o iado e esc i o Alexand e He culano, do Visconde de Ju omenha (D. An ónio de Lemos Pe ei a de Lace da), au o da monog a ia Cin a Pin u esca ou Memó ia da Villa de Cin a, Colla es e seus a edo es (1838), de Vasco Pin o de Bal- semão (i mão do Visconde de Balsemão), conse ado da Biblio eca de Lisboa, de F ancisco de Assis Rod igues, p o esso de escul u a da Academia de Belas A es, de F ancisco de Sousa Lou ei o, di ec o da Academia de Belas A es de Lisboa, de Fe - dinand Denis, jo nalis a e di ec o da Biblio eca de Sain Gene ié e, e do pin o Augus e Roquemon . Tendo em con a que odos eles es a am de algum modo ela- 266 8Lima, H.de C. F. (1932), p. 44. 9Lima, H. de C. F. (1932), p. 30. Acabou po con- a a um po uguês, João José dos San os, g a a- do da Academia, que o acompanhou nas iagens que e ec uou à p o íncia, que o assis iu nas suas pesquisas e execu ou, a seu pedido, desenhos e mui as g a u as. Raczynski, A. (1847), pp. 258 e 259. 10 Raczynski, A. (1847), pp.VI, VII, 74, 75, 92 e 93. 11 As ep oduções o am desenhadas po Tomás Fonseca, ilho do pin o An ónio Manuel da Fon- seca ou Mes e Fonseca, e pelo g a ado João Jo- sé dos San os,. Raczynski, A. (1847), pp. 95, 99 e 100; Raczynski, A. (1846), pp. 365 e 393. 12 Raczynski, Le Com e A. (1846), pp. 15 e 16. 13 Vasconcelos, J. (1875), pp. 19 e 20. VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 3 – Tomás Fonseca e/ou João José dos San os, São Ped o de Vasco Fe nandes , in Raczynski, A hanasius, Dic ionnai e His o ico-A is ique du Po ugal , 1847. VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL cionados com a his ó ia e as a es de Po ugal, com as suas biblio ecas e a qui os, ou a das suas unções e a e e os ex os esc i os pelo a is oc a a polaco, de modo a e i a qualque ipo de e o. De es o, os ex os o am edigidos em ancês po - que, na sua maio ia, os colabo ado es po ugueses não sabiam le alemão. O pin o Roquemon ep esen ou a excepção, pois e a ilho na u al do p íncipe F ede ico de Hesse-Da dmsda e eio pa a Po ugal, em busca de abalho, depois de e conhe- cido o In an e D. Miguel em Viena14. Coube a Roquemon a adução pa a a língua ancesa da maio ia dos ex os esc i os po au o es nacionais que o conde incluiu na sua co espondência com os académicos be linenses15. Das aduções ealizadas po Roquemon , des acam-se as dos ex os de F ancisco de Holanda. E ec i amen e, a segunda ca a en iada po Raczynski pa a a Sociedade A ís ica e Cien í ica de Be lim (a 19 de Dezemb o de 1843) é p eenchida pela adução pa a ancês de echos dos manusc i os Da Pin u a An iga (1549) e Da Fáb ica que Falece à Cidade de Lisboa (1571) – De la Pein u e Ancienne e Des Monumen s qui Manquen a la Ville de Lisbonne – de F ancisco de Holanda (1517-1584), deposi ados no Con- en o de Jesus da capi al16. Embo a a qualidade das aduções de Roquemon e os c i é ios da edição dos dois manusc i os po Raczynski possam me ece epa os e c í- icas – hou e quem conside asse a adução ealizada a opeladamen e e a edição manchada po dispa a es, mu ilações e co ecções endenciosas –, é de salien a que a pa i da publicação de Les A s en Po ugal , os ex os de F ancisco de Holanda se o na am numa on e equen emen e ci ada nos es udos sob e Miguel Ângelo, Vi - o ia Colonna e os cí culos a ís icos omanos do século XVI17. Sob e o pe cu so que Raczynski e ec uou den o do e i ó io nacional, pa ece-nos e seleccionado localidades cuja impo ância his ó ica e a demons ada po ele an es monumen os a qui ec ónicos. Es e c i é io le ou-o a conhece o Mos ei o dos Je óni- mos, o Palácio de Sin a e o Con en o de Ma a, na á ea de Lisboa e a edo es; a aze um esquisso do a uinado Cas elo de Óbidos; e um desenho do Mos ei o de San a Ma ia de Alcobaça, onde pe maneceu dois dias, seguindo depois pa a a Ba alha. Em Coimb a, cidade que o albe gou du an e cinco dias, pin ou uma agua ela da Sé Velha e isi ou o Mos ei o de San a Cla a. Ainda no cen o do país, ep oduziu as uínas do Cas elo de Lei ia. Segui am-se as uínas do Cas elo de Mon emo ; a Ig eja de Nossa Senho a da Conceição na Golegã; o Con en o de C is o, onde copiou minuciosamen e o pó ico manuelino, e a Ig eja de São João Bap is a, que ambém desenhou, em Toma . Na cidade de San a ém, concen ou-se nas ig ejas de São João do Alpo ão e de Nossa Senho a da Piedade. Finalmen e, em 1844, a sua deslocação a É o a ica ma cada pela isi a à Ig eja de São B ás e à po a do Rossio, edi icada no einado de D. João II18. Que o i ine á io que a ep odução dos monumen os não cons i uí am, oda ia, no i- dade no âmbi o da li e a u a de iagens sob e Po ugal. Desde o século XVIII que a al a de acomodações decen es e a inexis ência de boas es adas inham limi ado a ci culação dos cidadãos eu opeus, ingleses e anceses na sua maio ia, ao cen o do país. Lisboa e Sin a e am os pólos aglu inado es, os mais cu iosos a ança am a é Coimb a, Alcobaça e Ba alha, mas a amen e ul apassa am a linha do Mondego, pa a 267 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 4 – Tomás Fonseca Tomás Fonseca e/ou João José dos San os, Li o das Fo alezas de Dua e d’A mas , in Raczynski, A hanasius, Dic ionnai e His o ico-A is ique du Po ugal , 1847. 14 F ança, J.-A. (1990), p. 255. 15 Um dos esc i os aduzidos e a da au o ia do p óp io Augus e Roquemon (1804-1854), p o- e ida no dia 27 de Dezemb o de 1844, cuja emá- ica abo da a a his ó ia da a qui ec u a po ugue- sa. O ex o es á ansc i o na 21ª ca a, da ada de 12 de Janei o de 1845. Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 410 e 411. 16 Na e cei a ca a (de 15 de Dezemb o de 1843) o am o necidas algumas in o mações his ó icas sob e a biog a ia e os ex os de F ancisco de Holan- da. Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 5-73 e 75-77. 17 González Ga cia, A. (1983), pp. XIV e XV. 18 Sob e as agua elas e os desenhos com imagens do nosso país ei os Raczynski, e Zielinska, M. D. (1981), pp. 51-70. No e, ou a do Tejo, pa a Sul – quando al acon ecia, Po o e É o a e am os des i- nos mais equen es. Os ajec os acaba am po de e mina os monumen os a e , embo a não osse necessá io i mais longe pa a encon a qua o dos edi ícios mais ep esen a i os da his ó ia da a qui ec u a em Po ugal, que e am ambém os mais p ocu ados: o Mos ei o dos Je ónimos em Belém, o Mos ei o de Alcobaça, o Mos- ei o da Ba alha e o Con en o de Ma a19. Quan o ao cos ume de os ep oduzi g a- icamen e, são nume osos os exemplos de ob as sob e Po ugal, a começa pelos guias de iagem, que ap esen am ilus ações dos p incipais monumen os his ó icos. Bas a lemb a o le an amen o g á ico po meno izado que o a qui ec o i landês James Mu phy (1760-1814) ez do Mos ei o da Ba alha, publicado no seu es udo Plans, ele a ions, sec ions and iews o he Chu ch o Ba alha (1795)20. Tal ez po que a a qui ec u a e a dos emas mais cons an es nos li os de iagens, em Les A s en Po ugal não encon amos, no que espei a à his ó ia dos edi ícios aí e e- enciados, qualque no idade em elação às eo ias igen es. Po ou o lado, a che- gada de Raczynski coincidiu com o apogeu de um amplo mo imen o de de esa e di ulgação dos monumen os po ugueses. De ac o, no século XIX, os p imei os anos da década de 40 o am ma cados pelo apa ecimen o de pe iódicos que incluíam pequenos ex os ou a é abalhos de ca ac e mais e udi o ace ca dos edi ícios con- side ados como os mais signi ica i os da his ó ia da a qui ec u a po uguesa21. Nos mesmos jo nais e nas mesmas e is as, ou o dos meios encon ados pa a di undi o conhecimen o do nosso pa imónio cons uído, en e um público que se deseja a mais ala gado, oi a sua ep odução g á ica, no malmen e a a és da g a u a. É o caso da e is a O Pano ama (1837-1847)22, na qual podemos encon a , logo no p imei o núme o, um a igo em que Alexand e He culano (1810-1877), o di ec o da publi- cação, az o elogio do es ilo gó ico e dos seus dois melho es exempla es em Po u- gal, o Mos ei o da Ba alha e o Con en o do Ca mo (em Lisboa)23. As ca as de Raczynski acompanham He culano na alo ização da a qui ec u a gó ica e, em pa icula , do Mos ei o da Ba alha. Pa a ambos os au o es, em Po ugal, a é ao einado de D. João I, a a qui ec u a pouco acompanhou o p og esso e o desen- ol imen o in e nacionais, não ap esen ando exempla es dignos de ele o24. O ac o de exis i em elemen os a qui ec ónicos com e iden e qualidade a ís ica e cons u- ções de g andes dimensões da ados de an es do século XIV não e a ele an e25 po que, segundo Raczynski, a é à Ba alha, ainda não es amos pe an e um es ilo a qui ec ónico, is o é, uma o ma de cons ui p óp ia de de e minado empo ou de de e minado luga 26. De da ação pos e io ao século XIV, a a qui ec u a po uguesa ap esen a um ca ac e pouco monumen al – e am cons uções mais ou menos as- as, mais ou menos egula es –, concen ando-se a sua ele ância es é ica nos ele- men os a qui ec ónicos. Também não lhe ag ada a o hib idismo es ílis ico de alguns dos monumen os po ugueses, como o da ig eja do Mos ei o de Alcobaça, cuja achada ba oca cons a a a com o in e io pu amen e gó ico. Numa p imei a lei u a, pa ece-nos cla o que Raczynski oi bas an e in luenciado pelas eses de He culano sob e o es ilo gó ico. Desde a década de 30 que o his o iado po - 268 19 Sob e a emá ica da li e a u a de iagens e ambém Cha es, C. B. (1977). 20 Ve Ne o, M. J. Q. L. B. (1997). 21 Dos pe iódicos publicados desde 1835 a 1845, podemos des aca os seguin es í ulos: O A chi- o Popula (1837-1843), Uni e so Pi o esco (1839-1844), Museu Po uense , Jo nal de His ó- ia, A es, Sciencias Indus iais e Bellas Le as (1838-1839), Museu Pi o esco (1840-1842), Jo nal das Belas-A es (1843-1844) e A Ilus a- ção (1845-1846). 22 A publicação d’ O Pano ama é e omada em 1852 e no amen e in e ompida no ano de 1858. A e cei a e de adei a ase da e is a deco e de 1866 a 1868. 23 Ve Alexand e He culano; “A A qui ec u a Gó i- ca”, in O Pano ama , nº 1, 6 de Maio de 1837. O Pano ama publica á ainda uma desc ição do Mos- ei o da Ba alha em 1840, nos núme os 141, 142 e 143. 24 De es o, Raczynski conside a a que, sal o al- gumas excepções, a a qui ec u a em Po ugal não ap esen a a um ca ác e monumen al. Raczynski, Le C. A. (1846), p. 330. 25 Le C. A. (1846); op. ci . , pp. 407 e 408. 26 Ge mann, G. (1978), p. 21. VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL uguês inha es abelecendo uma elação iden i á ia en e a a e e o momen o his ó- ico da sua c iação, na qual a a qui ec u a, po que e a u o do seu p óp io empo, ma e ializa a os condicionalismos polí icos, económicos e sócio-cul u ais de cada época. Assim, se o p og esso das nações le a a ao desen ol imen o das a qui ec u- as nacionais, ambém a decadência p oduzia, po oposição, monumen os decaden- es. Pa a comp o a as suas a i mações, He culano exempli ica a com dois edi ícios undamen ais da his ó ia da a qui ec u a po uguesa, o Mos ei o da Ba alha e o Con- en o de Ma a. O p imei o, em es ilo gó ico, inha sido le an ado po uma época dou ada da nossa his ó ia, o einado de D. João I (1385-1433), mona ca que enceu os espanhóis em Aljuba o a (1385) e consolidou a independência nacional. O gó ico lamejan e da Ba alha co oa a não só a independência de Po ugal, mas ambém as libe dades cí icas que os p imei os mona cas po ugueses inham supos amen e con- cedido aos seus súbdi os, p omo endo a descen alização do pode 27. O segundo, edi- icado po o dem de D. João V, e idencia a, no seu classicismo abs ac o e sem nacionalidade, no desenho geomé ico e monó ono, o obscu an ismo decaden e do absolu ismo moná quico. Rep esen a a o despo ismo do século p eceden e que a ge ação de He culano inha comba ido e encido. Des e modo, no con ex o da cul- u a omân ica, a ca ed al e o mos ei o da Idade Média o am ap op iados como sím- bolos de um passado exempla , be ço de libe dades indi iduais e nacionais cuja ecupe ação jus i ica a a ins au ação do jo em egime libe al. Se compa a mos os ex os do esc i o po uguês com a co espondência de Rac- zynski, e i ica emos que o conde polaco p es ou pouca a enção ao possí el signi- icado ideológico da a qui ec u a. Daí o seu ag ado pelo palácio-con en o de Ma a, que de iniu como um g ande monumen o egula e ha monioso de p opo ções e co es28. Es e seu dis anciamen o em elação a algumas das eses de He culano mani- es ou-se, po exemplo, quando conside ou que o au o do p ojec o do Mos ei o da Ba alha e ia sido, mui o p o a elmen e, um a qui ec o inglês29. As analogias o mais que o diploma a inha e i icado exis i em en e o gó ico da Ba alha e o da Ca ed al de Yo k, depois de compa a os dois edi ícios, le a am-no a conclui que ambos os monumen os inham a mesma o igem, independen emen e do seu a qui ec o e sido inglês ou po uguês30. Opinião que con a ia a as con icções dos mais nacionalis as, como He culano, que en endiam se mais lógico a ibui a au o ia do mais emblemá- ico dos monumen os nacionais a um a qui ec o po uguês: A onso Domingues31. Ac escen e-se ainda que apesa de Raczynski conside a mui o ace ada a a i mação p o- e ida po Alexand e He culano sob e a a qui ec u a da época do einado de D. Manuel no a igo "A Escola Poli écnica e o Monumen o”, publicado na Re is a Uni e sal Lisbo- nense no ano de 1843 (Vol. 2, n.º 38) – “C’es la ésis ance du s yle go hique con e le s yle de F ançois I”, ac escen ando de B aman e e Ra ael –, quando alude conc e a- men e ao es ilo de D. Manuel , como o designa, é a de inição de es ilo manuelino in o- duzida po F ancisco Adol o Va nhagen no léxico a ís ico po uguês com o a igo No ícia His ó ica e Desc i i a do Mos ei o de Belém (FIG. 5), publicado em O Pano ama en e Fe e ei o e Ab il 1842, que es á subjacen e32. Ce amen e que Raczynski conhe- 269 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 27 Ve HERCULANO, Alexand e; “Duas Épochas e Dous Monumen os ou A G anja Real de Ma a”, in Opúsculos. Con o é sias e Es udos His ó icos , olume VI, omo III, Lisboa, José Bas os & Cª., s.d. (1ª edição de 1843), pp. 1-20. 28 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 330, 336 e 337. 29 Raczynski acha a es anho ainda exis i em po- lémicas sob e a iden idade do a qui ec o que de- senhou o p ojec o e iniciou a cons ução do Mos- ei o da Ba alha. Pois, pa ece-lhe pe ei amen e acei á el o nome indicado po James Mu phy, o de S ephan S ephenson, a qui ec o inglês que e- ia indo no séqui o de D. Filipa de Lencas e, mu- lhe de D. João I e ne a de Edua do III de Ingla e - a . Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 331 e 334. 30 Ainda an es de chega a Po ugal, o diploma a inha já compa ado os dois edi ícios a a és das g a u as publicadas no li o sob e o Mos ei o da Ba alha de James Mu phy. Imp essão que oi de- pois con i mada com a isi a ao monumen o . Ou- a das on es bibliog á icas sob e a Ba alha a que Raczynski eco eu oi a Memó ia his ó ica sob e as ob as do eal mos ei o de San a Ma ia da Vic- ó ia, ulga men e chamado da Ba alha do Ca deal Sa ai a, F ei F ancisco de São Luís, publicada em 1827. Conside a exage ada a impo ância que lhe oi concedida enquan o exempla do es ilo gó ico. Também in o mou os seus co esponden es sob e a decadência ma e ial de algumas pa celas do Mos ei o da Ba alha, sal agua dando, con udo, que es a a a se es au ado – sabemos que desde 1840, sob a di ecção do engenhei o Luís Mousi- nho de Albuque que. Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 336 e 456-460. 31 Em 1851, no con o A Abóbada , na a i a que deco e du an e a cons ução do Mos ei o da Ba- alha, Alexand e He culano iden i ica A onso Do- mingues como o p incipal esponsá el pela con- cepção e desenho de oda a ob a, p incipalmen e pela amosa abóbada que echa a Sala do Capí u- lo. Mes e Hugue , a qui ec o inglês que alguns au o es conside a am se o e dadei o cons u o da Ba alha, daí a compa ação com o gó ico in- glês, é elegado pa a segundo plano e ap esen a- do de modo pouco a o á el. He culano, A., (1988), pp. 163-211. ce ia a eo ia de Va nhagen, pois en iou uma comunicação des e au o ace ca da a qui- ec u a po uguesa en e os séculos XII e XVI pa a Be lim. Alude ainda ao es ilo de D. Manuel quando ca ego iza a achada da ig eja e a janela da sala do capí ulo do Con en o de C is o em Toma como os seus mais belos exempla es. Conside ando-o mui o o igi- nal, mui o po uguês e mui o p óp io do einado daquele mona ca, iaja a é Se ilha pa a e i ica se a sua o igem se ia o es ilo pla e esco espanhol33. Raczynski concluí que os dois es ilos e am dis in os, mas a possibilidade de con aminação es é ica que le an ou mos a que es a oi uma hipó ese ida em conside ação ainda an es do his o iado Joa- quim de Vasconcelos a e colocado na sua con e ência Da A qui ec u a Manuelina , publicada em 1885. Embo a osse um cosmopoli a, po ia das suas iagens pela Eu opa e da sua ca ei a diplomá ica, Raczynski, possi elmen e me cê da sua condição de a is oc a a polaco ca ólico, não e a um libe al. Conse ado polí ica e a is icamen e34, a pe spec i a his- o icis a da sua eo ia da a e não se c uzou com a necessidade de legi ima uma no a o dem polí ica, sendo he dei a di ec a de dou inado es como Winckelmann, Cha eau- b iand, Schlegel ou Hegel, dos p imei os a capaci a em-se da ela i idade dos ideais es é icos. Mas é de Winckelmann que Raczynski se ap oxima mais, sob e udo quando conside a que exis e uma co elação en e as ca ac e ís icas do ambien e na u al, os cos umes, a o ma de go e no e o p og esso a ís ico35. A pa des a iden i icação da a e com o seu con ex o his ó ico-geog á ico, a beleza con inua a es a na ha monia dos di e en es elemen os que compõem uma ob a. O que não é uma con adição, an es pelo con á io, e i icando-se a ha monização das condições na u ais, cul u ais e ma e iais que ci cunsc e em a p odução a ís ica, os objec os daí p oceden es des- 270 32 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 331 e 483. 33 . Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 455, 483, 488 e 519. 34 Assim como a alia a com cep icismo os mo i- men os cons i ucionalis as, as u opias e os ideais de libe dade e igualdade que despon a am no sé- culo XIX, ambém p e i ia, con empo aneamen e, o pendo his o icis a do mo imen o dos naza enos à mode nidade do na u alismo ancês, ou, his o- icamen e, a se enidade de Ra ael ao ímpe o co- lo is a de Ticiano e Rubens. Ne lich, F. (2009), . 5. 35 Quando, em 1764, na ob a His ó ia da A e na An iguidade , o a queólogo e his o iado ge mâni- co Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) eo izou sob e a sup emacia a ís ica da G écia An iga, explicou-a pela conjunção dos seguin es ac o es: o clima ameno, a pe eição da na u eza, o cos umes e as ins i uições polí ico-educa i as da democ acia a eniense. A impossibilidade des as condições ol a em a oco e , segundo o a queó- logo, o na o g au de beleza e pe eição alcança- do pelos g egos ina ingí el a homens de ou os empos e luga es. Res a-lhes oma a a e clássi- ca como um modelo ideal, ge ado de alo es plás icos adequados às mais a iadas ci cuns ân- cias. Des e modo, Winckelmann es abeleceu os undamen os eó icos do ideal clássico e, simul a- neamen e, di e enciou, a pa i da e e ência an i- ga, as épocas his ó icas. Assun o, Rosa io, (1973), pp. 38, 39 e 86-95. VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 5 – José da Cos a Sequei a, Claus o dos Je ónimos , séc. XIX, Museu Nacional da A e An iga. © José Pessoa, DDF/IMC. VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL aca -se-ão pela homogeneidade das suas o mas, ou seja, pela pu eza do seu es ilo a ís ico. Es es p incípios eó icos p opo ciona am-lhe um mé odo de abo dagem das ob as de a e que consis ia num c uzamen o da análise o mal com a in es igação documen al, a c í ica das on es e a aplicação da dú ida me ódica a odas as adi- ções his o iog á icas. Foi com base nes e mé odo de a aliação a ís ica que Raczynski conseguiu es abelece , pela p imei a ez, um núcleo pic ó ico coe en e a ibuí el a um dos mi os da his ó ia da pin u a po uguesa, G ão Vasco. De aco do com a 7ª e a 8ª ca as (17 e 26 de Fe e ei o de 1844), e á sido o Visconde de Ju omenha (1807-1887) a acul a o conhecimen o da exis ência de G ão Vasco a Raczynski36. O Visconde de Ju omenha ê-lo a a és dos au o es que o e e i am nos seus esc i os en e os séculos XVI e XIX, nomeadamen e F ei Manuel do Cenáculo, F ancisco Dias Gomes, F ei Be na do de B i o, F ancisco Xa ie Lobo, La anha, Figuei- oa, Fe nandez e Salaza de Cas o, João da Cunha Tabo da37. A pa i daí, a de ini- ção da igu a do pin o G ão Vasco passa a domina as ca as de Raczynski, ocupando ainda a 10ª (1 Junho de 1844), a 12ª (7 de Junho de 1844), a 16ª (28 de Julho de 1844) e a 17ª (29 de Julho de 1844)38. Po quê es a a acção de Raczynski po G ão Vasco? Po que a da c édi o à adição li e á ia e à con icção p edominan e no senso comum, oda a pin u a do início do século XVI p oduzida em Po ugal se ia da au o- ia de G ão Vasco ou de uma sua p essupos a Escola, o que e a c onologicamen e impossí el em i ude da dis ância empo al que sepa a a a ealização de mui as das ob as em causa39, pa a além de o malmen e pouco p o á el, me cê das di e enças es ilís icas que dis inguiam mui os dos quad os en e si. Raczynski chega a ap esen- a esquema icamen e, o ganizada num quad o analí ico ealizado pelo Visconde de Balsemão, a lis a dos quad os impu ados a G ão Vasco que se encon a am dispe sos po odo o país (FIG. 6). E am, ao odo, mais de 200 ob as, embo a sem con a com as classi icadas como pe encen es à sua Escola desde o século XVI40. É de sal agua da , no en an o, que embo a Raczynski dê en ende que o mi o da omnip esença de G ão Vasco na pin u a po uguesa do século XVI se man inha como um dos cânones da cul u a a ís ica nacional, es e se ia já enca ado com cep icismo pelos p incipais a queólogos e e udi os ac i os em Po ugal na década de 1840, na medida em que o am alguns deles a o nece -lhe as e e ências documen ais que lhe pe mi i am inicia o p ocesso de apu amen o da ob a do pin o de Viseu. Esse p o- cesso desen ol eu-se po ês en es de abo dagem: selecção de um conjun o de pin u as es ilis icamen e coe en es en e sí a ibuí eis a G ão Vasco; iden i icação dos quad os que de ini i amen e não pode iam e sido pin ados po G ão Vasco ou se in eg ados numa sua p esumí el Escola (de cuja exis ência Raczynski não encon ou qualque p o a41); le an amen o da documen ação his ó ica iá el que a es asse a exis ência do pin o e balizasse a c onologia da sua ida. Baseando-se em ex os dos séculos XVII e XVIII publicados po F ei Agos inho de San a Ma ia no omo V do San uá io Ma iano em 1716 e no manusc i o Diálogos Mo ais, His ó icos e Polí icos (1630) do isiense Ribei o Pe ei a, Raczynski começou po iden i ica G ão Vasco como Vasco Fe nandes Casal, pin o ac i o du an e os ei- 271 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 36 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 129-137 e 171-178. 37 Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 117, 119 e 121. 38 Num apêndice à 10ª ca a é publicado um en- saio da au o ia do Visconde de Ju omenha in i u- lado No as sob e alguns a is as po ugueses, pin- o es, a qui ec os, escul o es, e c. , p ecedido de uma cu a his ó ia da pin u a em Po ugal, desde a sua o igem a é ao einado de D. João III. Os dois ensaios o am aduzidos pa a ancês pa a Ro- quemon . Raczynski, Le C. A. (1846), pp. 191-257, 365-373 e 374. 39 Po exemplo, José da Cunha Tabo da e e e-se a um Vasco apelidado de G ão Vasco sob e quem se especula a e sido aluno de Pie o Pe ugino e que ambém pode ia se um iluminado ac i o no ano de 1455. O a, Pe ugino i eu en e 1450 e 1523, logo o Vasco iluminado , ac i o em 1455, nunca pode ia e sido seu aluno. TABORDA, J. da C. (1815), pp. 146 e 147. 40 Raczynski, Le C. A., (1846), pp. 153-158 e 187. 41 Raczynski, Le C. A., (1846), p. 373. FIG. 6 – Visconde de Balsemão, Lis a dos quad os a ibuídos a G ão Vasco, que se encon am espalhados po odo o Po ugal , in Raczynski, A hanasius, Les A s en Po ugal , 1846, p. 154. nados de D. Manuel I e D. João III, au o do g ande e ábulo da capela-mo e do São Ped o (c. 1529) (FIG. 7) da ca ed al de Viseu – ac ualmen e expos os no Museu G ão Vasco. A ele ada qualidade pic ó ica dos panejamen os des e S. Ped o pe mi em-lhe conside a que o seu au o não podia se o mesmo das ob as que se encon a am deposi adas na Academia de Belas A es de Lisboa42. A sua alusão à Academia de ia-se ao ac o des a ins i uição acolhe nas suas ins alações, no con en o de S. F an- cisco, o mais impo an e núcleo his ó ico de pin u a po uguesa. Es e núcleo e a cons i uído pelos e ábulos e quad os e i ados dos con en os, mos ei os e emplos ex in os em 1834, após a i ó ia do libe alismo. A lis a de egis o des es quad os con- 272 VARIA · O CONDE ATHANASIUS RACZYNSKI E A HISTORIOGRAFIA DA ARTE EM PORTUGAL REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 7 – Vasco Fe nandes (G ão Vasco), colab. Gaspa Vaz, S. Ped o , c. 1529, Museu de G ão Vasco. © José Pessoa, DDF/IMC. 42 Raczynski, Le C. A., (1846), pp. 122, 175 e 176.