Full text
O Espaço do Po uguês no Japão – P esença, E olução e Fu u o da
Língua Po uguesa no Es ado Nipónico
Inês Pa ícia da Sil a Ma os Se as Ma ques
Ma ço de 2017
Disse ação de Mes ado em Po uguês como Língua Segunda e
Es angei a
Inês Ma ques, O Espaço do Po uguês No Japão – P esença, E olução e Fu u o da Língua Po uguesa no Es ado Nipónico, 2017
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Po uguês como Língua Segunda e
Es angei a, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a
Ma ia do Ca mo Viei a da Sil a.
A quem, a bem ou a mal,
me ez e az se quem sou.
AGRADECIMENTOS
A elabo ação de qualque abalho na ida académica eque não só a
mo i ação de quem o az como ambém, acima de udo, a in ini a paciência das
pessoas que odeiam o au o . Nesse sen ido, os mais since os ag adecimen os:
À P o esso a Ma ia do Ca mo, pela o ien ação e, sob e udo, pela simpa ia e
dedicação demons adas den o e o a de aulas que a o nam numa inspi ação pa a
quem e e o p i ilégio de se seu aluno.
Aos in o man es, que simpa icamen e se disponibiliza am a pa ilha comigo
um pouco de si mesmos.
À minha amília, po udo e mais alguma coisa, especialmen e às a ós que
semp e me apoia am incondicionalmen e, apesa de não sabe em bem o que ando
pa a aqui a aze .
À Joana, pela amizade e cujas “aca i ações” le a am indubi a elmen e à
ele ação do ní el des e abalho.
À Ca ina, Lo ena e Te esa, colegas de Mes ado, po pa ilha em comigo a sua
expe iência, conselhos e momen os de boa disposição, especialmen e em
ad e sidades Ba hesianas.
A ou os amigos e amigas especiais, em Po ugal e não só, po ac edi a em em
mim e pelo incen i o cons an e.
Finalmen e, à Juno, à Ha uki e à Loki, sem as quais es e abalho e ia sem
dú ida sido concluído mais apidamen e.
O ESPAÇO DO PORTUGUÊS NO JAPÃO – PRESENÇA, EVOLUÇÃO E FUTURO DA
LÍNGUA PORTUGUESA NO ESTADO NIPÓNICO
INÊS PATRÍCIA DA SILVA MATOS SERRAS MARQUES
RESUMO
A p esen e disse ação ap esen a, como objec o de es udo, a língua po uguesa
como língua es angei a no Japão. Nesse sen ido, o desen ol imen o do abalho e e
como p incipais objec i os (1) aça um pano ama da p esença do po uguês no
Japão, (2) iden i ica mé odos de ensino da língua po uguesa nes e país e (3) c ia
es a égias de ensino-ap endizagem da língua po uguesa a aplica no con ex o
nipónico.
P ocedeu-se em p imei o luga a uma con ex ualização his ó ica das elações
en e o Japão e a luso onia po e isão de bibliog a ia elacionada, p ocu ando au o es
ele an es na á ea. De seguida oi ei a uma ecolha de in o mação sob e a si uação
ac ual do ensino da língua po uguesa no Japão, ambém com ecu so a bibliog a ia e
ainda ao es emunho de in o man es, ob ido a a és de en e is as. Daqui pudemos
e i ica que o ensino de línguas es angei as no Japão se baseia p edominan emen e
numa abo dagem g ama ical, sem g ande espaço pa a a p á ica da o alidade, e que
ca ece de uma componen e cul u al.
Po úl imo, analisou-se um Quad o de Re e ência c iado pa a o inglês no
con ex o japonês po uma uni e sidade japonesa e a aliou-se a sua aplicabilidade pa a
a língua po uguesa, compa ando-o com o QuaREPE. Tal esul ou no desen ol imen o
de um pequeno Quad o pa a a língua po uguesa no con ex o especí ico do Japão, que
p e ende se uma e amen a que ajude o ap enden e a oma pa e ac i a na sua
p óp ia ap endizagem. Complemen a men e, oi c iada uma b e e ac i idade
didác ica, cuja aplicação em em con a os aspec os abo dados ao longo do p esen e
abalho.
PALAVRAS-CHAVE: Po uguês no Japão – Po uguês Língua-Es angei a – Relações
Po ugal-Japão – Ensino-ap endizagem
ABSTRACT
This disse a ion has as i s objec o s udy he po uguese language as a o eign
language in Japan. In his ega d, he de elopmen o his wo k had as i s main
pu poses (1) o o e an o e iew o he p esence o he Po uguese language in Japan,
(2) o iden i y he eaching me hods o his language in his coun y and (3) o c ea e
Po uguese eaching-lea ning s a egies o be applied in he japanese con ex .
Fi s ly, we p esen a his o ical backg ound o he ela ionships be ween Japan
and Po uguese-speaking coun ies by e iewing pe aining bibliog aphy, sea ching
ele an au ho s. We hen ga he ed in o ma ion on he cu en si ua ion o
Po uguese eaching in Japan, aided again by bibliog aphy and also he es imony o
in o man s by way o in e iews. F om his we concluded ha he eaching o a o eign
language in Japan is mos ly based in a g amma ical app oach, wi hou much oom o
speaking p ac ice, and is lacking a cul u al elemen .
Las ly, we e iewed a F amewo k o Re e ence c ea ed o English in he Japanese
con ex by a Japanese uni e si y and i s applicabili y o Po uguese by compa ing i o
he QuaREPE. This esul ed in he de elopmen o a small F amewo k o Po uguese in
he speci ic con ex o Japan, ha is aimed o be a ool o help he lea ne o ake an
ac i e pa in hei own lea ning. In addi ion, we c ea ed a b ie didac ic ac i i y
designed aking in o accoun he issues co e ed in his wo k.
KEYWORDS: Po uguese language in Japan – Po uguese as a Fo eign Language –
Po ugal-Japan Rela ions – Lea ning- eaching
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
I.CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA .................................................................................... 3
I.I.O Japão no Con ex o Expansionis a Po uguês (sécs. XVI – XVII) ...................... 3
I.II.Mig ação de Japoneses pa a o B asil (início séc. XX) ...................................... 13
I.III.Re o no de Nipo-B asilei os pa a o Japão ...................................................... 14
I.IV.Ac ualidade e Pe spec i as Fu u as ................................................................ 19
II.ENSINO DO PORTUGUÊS NO JAPÃO ............................................................................ 21
II.I.Ap endizagem de Língua Es angei a no Japão ............................................... 21
II.II.Onde se Ap ende Po uguês ........................................................................... 22
II.III.Como se Ap ende Po uguês .......................................................................... 28
III.METODOLOGIAS PARA O FUTURO ............................................................................. 33
III.I.“CEFR-J” – uma Possí el Linha O ien ado a ................................................... 33
Análise ao CEFR-J e Aplicabilidade à Língua Po uguesa.............................. 34
Adap ação do CEFR-J à língua po uguesa ................................................... 38
III.II.P opos a Didác ica .......................................................................................... 43
P ocedimen o lógico pa a a p odução da ac i idade ..................................... 43
Ac i idade didác ica ............................................................................................. 44
CONCLUSÃO ..................................................................................................................... 49
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................... 50
ANEXOS ............................................................................................................................ 59
A. Algumas Pala as Japonesas de O igem Po uguesa ....................................... 59
B. Tes emunhos dos In o man es ......................................................................... 67
C. Desc i o es do CEFR-J ........................................................................................ 72
LISTA DE ABREVIATURAS
ALTE: Associa ion o Language Tes e s in Eu ope
CEFR-J: Comon Eu opean F amewo k o Re e ence – Japan
CPLP: Comunidade dos Países de Língua Po uguesa
IC: Camões – Ins i u o da Coope ação e da Língua ( ulgo Ins i u o Camões)
LE: Língua Es angei a
MEXT: Minis é io da Educação, Cul u a, Despo o, Ciência e Tecnologia do
Japão
OLP: Obse a ó io da Língua Po uguesa
PALOP: Países A icanos de Língua O icial Po uguesa
PLE: Po uguês Língua Es angei a
QECR: Quad o Eu opeu Comum de Re e ência
QuaREPE: Quad o de Re e ência pa a o Ensino Po uguês no Es angei o
1
INTRODUÇÃO1
Num mundo p og essi amen e mais globalizado, a ap endizagem de línguas
es angei as é algo cada ez mais alo izado em qualque sociedade. A língua
po uguesa não oge a es a endência. Con udo, ap ende uma língua es angei a não
se a a apenas de adqui i undamen os linguís icos: ambém passa, idealmen e, po
ob e conhecimen os da cul u a que en ol e e ans o ma a língua.
O caso do Japão com a língua po uguesa é algo e dadei amen e único. En e
Passado, P esen e e Fu u o, o país do Sol Nascen e e e, e ainda man ém, con ac os
com g ande pa e da cul u a lusó ona, nomeadamen e Po ugal e B asil. Não obs an e
ligações his ó icas e p ojec os u u os, o ensino da língua de Camões no Japão
con inua algo pouco desen ol ido.
A escolha da emá ica das elações Po ugal-Japão não é, de odo, inocen e: é
p odu o de um g ande in e esse pessoal no ópico, endo sido a idamen e
desen ol ido du an e o pe cu so académico o que esul ou, inclusi e, na opo unidade
de expe iencia a cul u a nipónica em p imei a mão. Daqui nasceu um p o undo desejo
de ambém da a conhece a p óp ia cul u a lusa e, assim, ap o unda os laços de
amizade que unem es es dois países.
A p esen e disse ação p e ende en ão elemb a elemen os his ó icos,
cul u ais e sociais que pe meiam a ligação en e o Japão e o po uguês, iden i ica as
me odologias de ensino des a língua nas salas de aula nipónicas e ainda o e ece
suges ões pa a ap imo a a sua ap endizagem no con ex o japonês. A inalidade é
mos a a pe inência em in es i no desen ol imen o do ensino da língua po uguesa
no Japão.
Pa a esse e ei o, o p esen e es udo começa com uma con ex ualização his ó ica
das elações en e o Japão e países lusó onos, nomeadamen e Po ugal e o B asil,
passando ainda b e emen e pelos PALOP. A ança-se depois pa a uma análise do
ensino de PLE no Japão, de alhando alguns p oblemas com que os alunos japoneses se
depa am no seu pe cu so de ap endizagem. Seguidamen e, esc u inamos um p ojec o
desen ol ido pela Uni e sidade de Es udos Es angei os de Tóquio pa a o ensino de
1 A edacção da p esen e disse ação não segue o no o Aco do O og á ico.
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dos jesuí as osse conquis a o e i ó io. Po es as azões, oi edi ado em 1587 o
p imei o Édi o an i-c is ão, que o dena a a expulsão de odos os missioná ios da e a
do Sol Nascen e. Es a o dem, con udo, esul ou apenas numa es ição dos
mo imen os dos jesuí as a Kyūshū e na dependência di ec a de Nagasaki ao pode
cen al, pois uma saída de ini i a des es clé igos signi ica ia ambém a cessação de um
comé cio ex emamen e luc a i o e desejado (Cos a 1993).
Em 1590, oi p omo ida, a pa i de Goa, uma missão diplomá ica ao pode
cen al japonês, localizado na capi al, Quio o. Es a e a lide ada po Alexand e
Valignano, no amen e no papel de Visi ado (já ha ia isi ado o Japão an e io men e,
en e 1579 e 1582), azendo ambém pa e da missão qua o meninos japoneses, que
eg essa am de uma ex ensa isi a à Eu opa12. A audiência com Hideyoshi e e luga
no ano seguin e. A p esença des e g upo p omo eu um eno ado in e esse na cul u a
eu opeia bem no cen o do país. Pa a além disso, Valignano conseguiu ob e
pe missão pa a que os missioná ios pudessem ol a a mo e -se li emen e pelo
e i ó io, e oi quando se admi iu o pad e João Rod igues Tçuzzu13 como “in é p e e e
conselhei o sob e assun os nanban” (ibid., 60) na co e de Hideyoshi. Con udo, ainda
na mesma década, as elações luso-nipónicas começa am a de e io a -se, po duas
g andes o dens de azão: a chegada de ou os eu opeus, nomeadamen e espanhóis,
holandeses e ingleses, ao Japão, e a mudança do pa adigma polí ico nes e país
(Ca alho 2000, Cos a, Rod igues e Oli ei a 2014).
A inda de me cado es espanhóis de Manila, acompanhados po missioná ios
de o dens mendican es, designadamen e anciscanos, causou ensão en e es es e os
jesuí as po ugueses. A abo dagem mais ag essi a dos p imei os ambém não causou
uma imp essão mui o posi i a aos olhos de Hideyoshi. Tal ac o, jun amen e com os
ela os de um pilo o espanhol cujo ba co nau agou na cos a japonesa, e á ea i ado
os seus eceios de uma in asão eu opeia (Cos a 1993). Culminou no chamado Ma í io
de Nagasaki, em Fe e ei o de 1597, no qual seis anciscanos, ês jesuí as e dezasse e
12 Es a embaixada de meninos japoneses à Eu opa oi ambém uma ideia de Valignano. Qua o c ianças,
de amílias elacionadas com p oeminen es daimyō c is ãos, o am seleccionadas pa a que issem “o
esplendo da ci ilização eu opeia, pa a que quando eg essassem con assem aos seus con e âneos a
g andeza do mundo c is ão” (Cos a 1993, 49) (Ma suda 1965).
13 Conhecido como o “In é p e e”, João Rod igues ganhou es a alcunha de ido à sua ele ada luência do
japonês. Foi ambém in é p e e o icial de Tokugawa Ieyasu a é à expulsão de ini i a dos missioná ios
(Cos a 1993).
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c is ãos leigos o am c uci icados, e num no o Édi o an i-c is ão, de modo a
desenco aja qualque ipo de conquis a po pa e de alguma o ça ex e na ao país
(Cos a 1993, Cos a, Rod igues e Oli ei a 2014).
A mo e de Hideyoshi, no ano seguin e, eio ag a a ainda mais a p ecá ia
si uação em que a missão po uguesa se encon a a. Tokugawa Ieyasu alcançou com
sucesso o domínio indiscu í el do e i ó io com a sua i ó ia na ba alha de Sekigaha a
em 1600 sob e ou as acções que, após a mo e do seu an ecesso , p ocu a am
ambém ob e es e impé io. Em 1603 es abeleceu o egime de baku u e au o-
p oclamou-se shōgun, ga an indo assim que es e ca go sup emo14 con inuasse a se
con olado pela sua amília, e mudou a capi al de Quio o pa a Edo (ac ualmen e
Tóquio). Coinciden emen e, chega am ao Japão os p imei os holandeses15, que nes a
al u a ambém começa am a a i ma o seu pode io ma í imo na Ásia ace aos
po ugueses (Ca alho 2000). Es es no os isi an es, de é p o es an e e sem in enção
de a alia a negócios, o e eciam a Tokugawa, um no ó io an i-c is ão, uma opção
ex emamen e ape ecí el: odo o p o ei o do comé cio sem a in usão de ac i idade
missioná ia (Cos a 1993, Ma suda 1965).
Com o es abelecimen o de ei o ias holandesas e ambém inglesas no país no
início do séc. XVII, o no o shōgun começa a a p epa a a “pu ga” dos c is ãos dos seus
domínios. Após sis emá icas pe seguições, saiu em 1614 um no o Édi o que, ao
con á io dos do empo de Hideyoshi, e a pa a se cump ido. Os c is ãos o am
ob igados a enuncia à sua é e os missioná ios a abandona imedia amen e o país,
sob pena de mo e (embo a alguns ainda pe manecessem e no os en assem de o ma
clandes ina). Du an e as duas décadas seguin es, a pe seguição a c is ãos e
missioná ios o nou-se cada ez mais iolen a, esul ando numa sé ie de execuções e
ma í ios apa a osos, de modo a incu i o medo nos sob e i en es16. Em 1623 os
eu opeus ecebe am o dem de expulsão de ini i a do país, e a exclusi idade do
14 Apesa de o pode go e na i o es a nas mãos do shōgun e ou os líde es desde 1192, o Impe ado
nunca deixou de exis i : apenas es a a limi ado a uma posição me amen e simbólica, mas ene ada
pelos japoneses po , de aco do com a mi ologia xin oís a, se o descenden e de Ama e asu, deusa do sol
(Mason e Caige 1997).
15 Holandeses e ingleses e am designados po kōmōjin, “pessoas de cabelo e melho”, po oposição aos
nanbanjin, po ugueses e espanhóis (Ca alho 2000).
16 Os c is ãos que consegui am escapa aos massac es e não apos a a am con inua am a p a ica a
eligião na clandes inidade, só ol ando a eapa ece em 1873, quando as leis banindo o C is ianismo
o am e ogadas (Cos a 1993).
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comé cio com o Japão caía nas mãos dos holandeses (Cos a 1993). Pa alelamen e, o
p óp io Japão ecomeça a a echa as suas on ei as e en a a numa no a ase de
isolamen o que du a ia mais de dois séculos (início da polí ica de sakoku, “país
echado”). Du an e es e empo, nenhum japonês podia sai do país, e os únicos
es angei os au o izados e am apenas os holandeses17, com quem come cia am e de
quem ex aíam escassas in o mações sob e o mundo além- on ei as (Mason e Caige
1997).
Foi no ano de 1637 que se deu a queb a de ini i a da elação dos po ugueses
com o Japão, com a e ol a de Shimaba a. T a a a-se, numa p imei a ins ância, de
uma ebelião de popula es con a o aumen o dos impos os. Con udo, en e os
e ol osos es a am ambém mui os c is ãos con es ando a pe seguição de que e am
al o, ac o que o go e no usou a seu a o , dizendo que inham sido es es a ins iga a
suble ação. Os holandeses p es a am auxílio mili a du an e es e con on o, que
e minou em Ma ço do ano seguin e com a chacina dos 37 mil ebeldes que ha iam
sob e i ido a é en ão (Cos a 1993, Cos a, Rod igues e Oli ei a 2014).
Foi o golpe de adei o na p esença po uguesa no Japão, dando im ao di o
“século c is ão”, ao início ão p omisso . As elações luso-nipónicas só i iam a se
ea i adas, de modo bas an e ímido, em meados do séc. XIX, após o Comodo o
ame icano Ma hew Pe y o ça o go e no dos Tokugawa a eab i on ei as e assina
uma sé ie de a ados com as g andes po ências mundiais da época. Nes e impulso,
Po ugal e Japão assina am um a ado de amizade e comé cio a 12 de Julho de 1860,
es abelecendo-se nessa al u a ambém um cônsul po uguês em Kanagawa. Nes a e a
des acou-se igualmen e a p esença de Wenceslau de Mo aes (1854-1920) no Japão.
Ex-cônsul em Kobe, Mo aes pe maneceu no Japão e esc e eu inúme as ob as
elacionadas com a cul u a e sociedade japonesas, como O Cul o do Chá (A aújo 2008,
Ma suda 1965).
Apesa do inal con u bado, a he ança deixada pelos po ugueses du an e os
sécs. XVI e XVII ainda é isí el na ac ualidade. Os conhecimen os ob idos po es e
con ac o, nomeadamen e no âmbi o mili a , o am imp escindí eis pa a o é mino da
17 A pa i de 1636, os holandeses ica iam con inados apenas à pequena ilha a i icial de Deshima,
p óxima de Nagasaki (Cos a 1993).
11
gue a ci il que se a as ou du an e mais de um século. Pa a além des a impo an e
e olução, ambém oco e am ou as mudanças na sociedade japonesa da época po
ob a dos po ugueses. To nou-se moda en e os japoneses es i -se à “eu opeia” com
gibões e chapéus de el o, inclusi e usando c uci ixos como o namen o mesmo sem
se segui a é c is ã (Fuzii 2004, Ma ins 1955).
A empu a e o bolo Cas ella, que ainda hoje são emblemas da gas onomia
japonesa, são descenden es, espec i amen e, do peixinho-da-ho a e do pão-de-ló
po ugueses (Cas elo-B anco 1994). Animais nunca a é en ão is os, como coelhos,
camelos e ele an es e am azidos pelos na ios po ugueses, e a isão de um pad e
jesuí a, F ancisco Cab al, usando óculos causou g ande admi ação en e os nipónicos
(Cos a 1993). Também os japoneses nunca inham is o pessoas de aça neg a an es
da chegada dos nanbanjin. Como coloca Cos a (ibid., 32), “Os a icanos, asiá icos e
eu opeus de á ias o igens que na ega am com os po ugueses mos a am aos
japoneses a g ande di e sidade da aça humana.”
Ou a á ea bas an e in luenciada po es e encon o oi a a e. Os missioná ios
ouxe am consigo pin u as eligiosas, que se o na am bas an e popula es. Com elas
ambém ap esen a am aos japoneses écnicas a ís icas de p o undidade e de cla o-
escu o. Po ou o lado, os p óp ios eu opeus o na am-se num ema bas an e
p ocu ado, le ando ao su gimen o da chamada A e Namban (Ca alho 2009). O
exemplo mais emblemá ico des e ipo de a e são os biombos da escola Kanō, que
e a am p incipalmen e a chegada da nau do a o e o desemba que dos eu opeus
nos po os japoneses. Es as ob as não são apenas impo an es elemen os a ís icos,
mas ambém cons i uem uma impo an e on e de dados his ó icos, pois são uma
ep esen ação isual ei a con empo aneamen e ao que é e a ado. Pa a além des es
biombos, objec os lacados com os nanbanjin como deco ação e am ambém
p oduzidos pa a o me cado in e no18.
A música eu opeia, nomeadamen e a g ego iana, e ins umen os musicais ais
como o ó gão, o iolino e a ha pa, o am ap esen ados aos japoneses po in e médio
dos nanbanjin (Cos a 1993), e, no âmbi o mais cien í ico, a medicina, a as onomia, a
18 Exemplos des a a e podem se is os, em Lisboa, no Museu Nacional de A e An iga e no Museu do
O ien e.
12
ca og a ia e a náu ica o am ou as disciplinas às quais se ouxe ino ação (Ma suda
1965). No que oca à educação, os jesuí as unda am escolas e colégios com o p incipal
in ui o de p opaga a é c is ã que, segundo Ma suda (ibid., 74), “ oi um pon o de
i agem na his ó ia educacional do Japão”, e onde mulhe es ambém e am admi idas,
chegando mesmo a lecciona . Pa a além de Teologia, e a ensinado Po uguês, Japonês
e La im, assim como Ma emá ica, Música e Pin u a, en e ou as disciplinas (ibid.).
A in odução da imp ensa ambém e e um papel ele an e na disseminação
de conhecimen o. Po um lado, e a usada pa a ep oduzi li os eligiosos e manuais
da língua japonesa, pa a se em usados po u u os missioná ios e nas escolas undadas
pelos jesuí as (ibid.). O pad e João Rod igues Tçuzzu p oduziu nes e con ex o ob as
sob e a língua japonesa, a A e da Lingoa de Japan e a A e B e e da Lingoa Japoa
(Fuzii 2004), onde desc e e com al p ecisão os de alhes linguís icos da época que
ainda hoje é conside ado uma impo an e (e al ez única) on e de es udo do japonês
usado nesse pe íodo (Coope 1994, Ma suda 1965). Po ou o lado, a a és da
imp ensa os missioná ios de am a conhece aos japoneses ob as eu opeias como as
Fábulas de Esopo, e aos ociden ais clássicos japoneses como Heike Monoga a i (Con o
dos Heike) (Fuzii 2004). A imp ensa em si não ganhou mui a popula idade no Japão,
pois já exis iam equin adas écnicas de imp essão e encade nação mais adequadas ao
es ilo japonês (ibid.).
De ido a es e ex enso con ac o em an as á eas do quo idiano, mui as pala as
po uguesas acaba am po se adop adas no uso diá io dos japoneses, sob e udo na
zona de Kyūshū, onde a p esença dos nanbanjin e a mais exp essi a. Embo a g ande
pa e do que se es ima e em sido milha es19 de emp és imos lexicais enha caído em
desuso, ou enha sido subs i uída po e mos o iundos de ou as línguas, ainda hoje se
usam mui as pala as de o igem po uguesa no Japão. Alguns dos exemplos mais
conhecidos são pan (pão), bo an (bo ão), juban (gibão), kasu e a (bolo Cas ella) e
abako ( abaco)20. Como é ácil de pe cepciona , “a pala a de o igem po uguesa não
man ém suas [sic] ca ac e ís icas in ioladas no pe cu so de adap ação”, pois “o
19 A aújo (2008), Fuzii (2004) e Ma ins (1955) a i mam se em usadas qua o mil pala as po uguesas,
sob e udo em Kyūshū.
20 Uma lis a de pala as japonesas com o igem po uguesa, c uzada de di e sas on es, pode se
encon ada nos Anexos do p esen e abalho.
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japonês (…) apela pa a ecu sos es u u ais (…) no momen o de “na i iza ” os
emp és imos” (A aújo 2008, 5). O p ocesso con á io ambém oco eu, endo a língua
po uguesa sido en iquecida com e mos japoneses como biombo (byōbu), ca ana
(ka ana) e chá ena (chawan) (Ma ins 1955).
Mais impo an e do que udo, a p esença dos nanbanjin pe mi iu aos
japoneses conhece ou as o mas de e a ida e, ao mesmo empo, como de ende
Ca alho (2000), cons ui a sua p óp ia iden idade po oposição ao Ou o.
I.II.Mig ação de Japoneses pa a o B asil (início séc. XX)
O segundo pon o de encon o en e a língua po uguesa e o Japão e e luga já
no início do século XX e no con inen e ame icano. O ápido c escimen o demog á ico
e i icado no Japão, u o da céle e mode nização que ca ac e izou o pe íodo his ó ico
japonês conhecido como a Res au ação Meiji (1867-1902), le ou a que mui os
japoneses, incen i ados pelo go e no, emig assem pa a a Amé ica La ina (Sasaki
2008). Conjun amen e, a abolição da esc a a u a no B asil em 1888 causou um dé ice
na mão-de-ob a das plan ações de ca é, que ep esen a a ce ca de 60% do
endimen o nacional b asilei o (Adachi 2004).
Apesa de o Japão e o B asil e em assinado um a ado de amizade em 1895
que le ou à en ada de alguns japoneses no B asil (Wilson 2004), oi em 1908, com a
chegada do na io Kasa o Ma u ao po o de San os, que se iniciou a en ada em massa
no país (Que o 2009). A bo do seguiam á ias amílias, pois i em em ag egados de
pelo menos ês pessoas e a a condição impos a pelo go e no b asilei o pa a acei a
imig an es pa a abalha em nas plan ações em São Paulo (Adachi 2004), num o al de
781 pessoas. De ido a p o es os an i-japoneses e i icados na Aus ália, Es ados
Unidos e Canadá (países pa a onde a emig ação inha sido inci ada an e io men e), os
japoneses que chega am ago a ao B asil e am incen i ados pelo p óp io go e no
nipónico a con e e -se ao Ca olicismo, numa en a i a de ag ada aos seus pa ões e
acili a a sua adap ação (ibid.). Desde 1908 a é ao início da segunda gue a mundial,
en a am ce ca de 190 mil japoneses no B asil (Wilson 2004), e desde os anos 1950 a é
1988 ainda mais de 53 mil (A aújo 2008).
14
Con udo, as condições de abalho a que e am sujei os não e am mui o
di e en es das da esc a a u a. Tendo le ado oda a amília consigo, es es emig an es
acaba am po pe manece no B asil, numa p imei a ase, pa a pode em salda odas as
dí idas que con aí am com a sua mig ação. Pos e io men e, ha endo uma o e união
e sen imen o de en eajuda en e eles, mui os consegui am sai das plan ações e
es abelece -se como ag icul o es independen es (Adachi 2004), o que esul ou numa
ápida ascensão social des e g upo. Kono (2001) a i ma que den o des a comunidade
cons i uída pelos p imei os japoneses o seu discu so (em japonês) começou a in eg a
mui as pala as da língua po uguesa que es a am di ec amen e elacionadas com o
abalho que aziam, ais como “ba a a”, “ oma e”, “cama ada”, “enxada”, en e
ou as.
As segundas e e cei as ge ações de nipo-b asilei os já segui am po ou os
caminhos labo ais, como a polí ica e a ciência, o nando-se es e g upo numa eli e no
B asil. Em 2002, os nikkei21 ep esen a am ce ca de 1% da população b asilei a (Sasaki
2008). Concomi an emen e, é no B asil que se encon a a maio p esença de
japoneses o a do país do Sol Nascen e (Sasaki 2002).
I.III.Re o no de Nipo-B asilei os pa a o Japão
A si uação an e io in e e-se, quando ac o es económicos, sociais e
demog á icos em ambas as sociedades p omo em o Japão como país ecep o no inal
do séc. XX. Po um lado, no B asil, os anos 80 e am ma cados pelo caos económico,
com a “queda dos in es imen os, baixas axas de c escimen o do PIB, es agnação da
enda pe capi a, ele ado de ici público e aumen o das dí idas in e na e ex e na”
(Filho e Rossi 2008, 5), ao que se jun a a uma in lação na o dem dos 224% (ibid.).
Po ou o lado, no Japão ha ia uma imensa al a de mão-de-ob a não
quali icada, nomeadamen e em pequenas e médias emp esas na á ea da manu ac u a.
Is o acon ecia po duas p incipais azões: o p og essi o en elhecimen o da população
e a ecusa dos jo ens com maio ní el de educação em aze es e ipo de abalho
conside ado menos digno (Tsuda 1999b). Ha ia, po isso, um ácuo de
21 O e mo nikkei, ou nikkeijin, signi ica “pessoa de ascendência japonesa”, e aplica-se a emig an es
japoneses e aos seus descenden es em comunidades o a do Japão (Yamashi o 2008).
15
emp egabilidade que o Japão po si só e a incapaz de p eenche , apesa da p esença
de emig an es ilegais p o enien es de países p óximos (es ima i as na o dem dos 2 a 3
milha es em 1995) que se emp ega am nos di os “3K-jobs”22 (Sasaki 2002).
Des e modo, os nikkei b asilei os começa am a pa i pa a o Japão pa a e i a a
g a e ecessão b asilei a, pa ida essa incen i ada pelo ac o de, como explica Tsuda:
“Apesa dos nipo-b asilei os pe ence em ge almen e à classe média no B asil, a maio
pa e deles ganha cinco a dez ezes mais o seu salá io b asilei o como abalhado não
quali icado em áb icas no Japão” (1999b, 693). A p esença c escen e de nikkei no
Japão despe a a o in e esse po pa e das emp esas japonesas em explo a es a on e
al e na i a de emp ego, o que le ou à c iação de agências de iagem e emp ei ei as
que media am con a os en e as duas pa es (Sasaki 2008).
Tendo odos es es ac o es em con a, em 1990 é e is o o Ac o de Imig ação
japonês, que passa a ago a a o e ece mais acilidades à en ada de nikkei, numa
en a i a ambém de eduzi a en ada de emig an es ilegais (Sasaki 2002, Sugino
2008). Após a e isão, qualque descenden e de japoneses a é à e cei a ge ação (ou
seja, qualque es angei o que i esse pelo menos a ô ou a ó japonês) podia en a no
Japão sob um is o especial com eno ações ilimi adas e acede li emen e ao
me cado de abalho japonês (Sk en ny e al. 2007). O icialmen e, es a adenda inha o
p e ex o de possibili a àqueles com ascendência japonesa uma opo unidade de
isi a as suas aízes, mas cla amen e o objec i o e a o de acili a a en ada des as
pessoas no me cado de abalho de modo a sup i as lacunas já desc i as sem
comp ome e a homogeneidade é nica japonesa (Sasaki 2002). O esul ado oi,
po an o, a en ada massi a de nikkei na e a do Sol Nascen e, mas a in eg ação ácil
que e a espe ada não oi, de odo, a ingida. No en an o, isso não causou um
ab andamen o da en ada de nipo-b asilei os no Japão, ac o que oco e ainda no
p esen e. Que o (2009) e e e que em 2008 ha ia 316.967 nikkei b asilei os egis ados
nes e país.
Ao chega a solo nipónico, os nikkei endem a ins ala -se em á eas onde
exis em emp esas que lhes o e ecem maio emp egabilidade (po exemplo, áb icas de
22 Apelidados de “3K-jobs”, designação baseada nas pala as ki sui (di ícil), ki anai (sujo) e kiken
(pe igoso).
16
p odução de peças au omó eis), chegando a a ingi uma pe cen agem signi ica i a
den o da população local. Na cidade de Oizumi, p e ei u a de Gunma, 11,4% dos
habi an es são nipo-b asilei os, e ou as cidades nas p e ei u as de Aichi, Gi u, Mie e
Shizuoka ambém êm um ele ado núme o de esiden es nikkei (Go o 2007). Es a
úl ima e á inclusi amen e começado a o e ece a possibilidade de se aze exame de
código de condução em po uguês, p ecisamen e po causa dos seus esiden es nikkei
(Co eio da Manhã 2011).
O plano inicial dos nipo-b asilei os é de apenas pe manece no Japão o empo
su icien e pa a amealha o máximo de dinhei o possí el pa a depois eg essa em ao
B asil com maio pode de comp a (Sasaki 2008). Po isso, endem a acumula ho as
ex a de abalho nas áb icas onde es ão emp egados, não ha endo empo li e pa a
in es i na sua ida pessoal - a pouca socialização que azem é na companhia de ou os
nikkei (ibid.) -, ou seque na ap endizagem da língua japonesa, que mui os des es
nikkei não sabem ala (Tsuda 1999b). Dekasegi (li . “sai pa a abalha ) é um e mo
emp egue pa a e e ência a es es nikkei, cujo objec i o na emig ação é abalha e
ganha dinhei o, embo a mui as ezes com cono ação pejo a i a (Tsuda 1998).
Não obs an e, o eg esso ao B asil não acon ece nas condições espe adas, se
seque oco e . O ac o de a economia b asilei a não ap esen a melho as
signi ica i as, aliado à pe manen e necessidade de nikkei no me cado de abalho
japonês, cuja economia ambém começa a dec esce , são elemen os que incen i am à
al e ação do ca ác e empo á io des es emig an es pa a pe manen e (Tsuda 1999b).
Com es a mudança de men alidade, su ge ambém um maio in es imen o po
pa e dos nikkei em melho a a sua qualidade de ida: menos ho as de abalho,
menos p eocupação em gas a dinhei o com bens de con o o, ais como
elec odomés icos e ca os, e em in es i em ac i idades sociais e en e enimen o
(Yanaze 2002). Ao o na em-se, des e modo, consumido es ac i os do p óp io
me cado japonês, os nikkei começam ambém a p ocu a p odu os b asilei os, o que
le a à c iação de negócios especí icos pa a sa is aze es as necessidades, como lojas,
es au an es e a é cen os come ciais dedicados a p odu os b asilei os (Sasaki 2008).
Inclusi amen e, na já mencionada cidade de Oizumi há uma zona denominada “Li le
B azil” onde se acumula es e comé cio, à semelhança das China own espalhadas um
17
pouco po odo o mundo (Que o 2008). Nes e meio exis em ainda jo nais e canais de
ele isão em língua po uguesa pa a o uso exclusi o des a comunidade (Sasaki 2008).
Es es negócios são, ge almen e, c iados pelos p óp ios dekasegi de modo a se i a sua
comunidade (Sasaki 2002). Assis e-se, assim, à o mação de nichos de luso onia den o
da sociedade japonesa.
Como oi aludido an e io men e, a adap ação des es nikkei à ealidade
japonesa não é algo que acon eça na u almen e. As di e enças cul u ais en e o Japão
e o B asil são demasiado díspa es pa a pe mi i uma in eg ação luída, desde a ba ei a
linguís ica a é à pos u a co po al. Apesa de os nikkei ap esen a em um enó ipo
japonês, po den o são b asilei os. A jun a à sua “b asilidade”, o ac o de ocupa em
uma posição ela i amen e baixa na sociedade ecep o a (po ia do ipo de abalho
que azem), e um ele ado sen imen o de pu eza é nica23 po pa e dos japoneses, são
elemen os que os o nam mui as ezes í imas de p econcei os e disc iminação den o
da sociedade japonesa (Tsuda 1998). Inclusi amen e, uma ecen e no ícia dá con a de
que o go e no japonês p e ende aze um inqué i o a esiden es es angei os sob e
disc iminação e discu so de ódio, inqué i o es e a se ei o em á ias línguas, que inclui
a po uguesa (Japan Times 2016).
No caso das c ianças nikkei, a si uação oma con o nos mais se e os, pois
in e e e com a sua educação. A ida des as é ma cada po uma p o unda dualidade –
o B asil nas suas casas, e o Japão o a delas. Ao ap ende em a língua japonesa mais
apidamen e que os adul os, cedo omam a esponsabilidade de se o na em
in e mediá ias en e os pais e a sociedade (Tsuda 1998), assumindo uma
esponsabilidade supe io à sua ma u idade. Nas escolas japonesas, onde exis em
eg as mui o es i as, são í imas de bullying ao não se adap a em ao “molde” japonês
(Sasaki 2008). Tal p essão social pode aze com que epudiem as suas o igens
b asilei as e as ejam como mo i o de e gonha, e con ibui ambém pa a aumen a a
já ele ada axa de desis ência escola e i icada nes e g upo (Higuchi 2005, Sasaki
23 “Uchi o so o” (den o e o a), dualidade que pe meia as elações humanas po pa e dos japoneses.
Uchi e e e-se ao in e io , à p óp ia amília, cí culo de amigos ou emp esa, enquan o que so o é
associado ao ex e io ou ou os g upos. Qualque elemen o so o que in e i a com a ha monia do uchi
de e se e i ado. Es a men alidade cons i ui, mui as ezes, uma ba ei a nas elações an o den o da
sociedade japonesa como em elações in e nacionais. (Da ies e Ikeno 2002).
24
Osaka
Uni e sidade de Osaka
Ins i uição apoiada
Quio o
Uni e sidade de Es udos
Es angei os de Quio o
Ins i uição apoiada
Tóquio
Cen o Cul u al Po uguês
Cu so de Po uguês Língua
Es angei a
Uni e sidade de Es udos
Es angei os de Tóquio
Cu sos de Po uguês Língua
Es angei a, His ó ia do Sul da
Eu opa, Cul u a e Sociedade
Po uguesa
Quad o 1 - Ins i uições japonesas com p o ocolo de Lei o ado do IC (Fon e: Au o a).
No que oca às escolas b asilei as no Japão, dados disponibilizados no sí io da
embaixada do B asil no Japão dão-nos 45 escolas, en e homologadas e em p ocesso
de homologação. Es as ins i uições si uam-se, comp eensi elmen e, nas á eas com
maio concen ação de cidadãos nipo-b asilei os, e são pensadas pa a sup i as
necessidades des as comunidades. Ao se em homologadas pelo go e no b asilei o, os
alunos que es udam nes as escolas êm os seus es udos equipa ados aos do ensino
b asilei o e po ele legi imados. É ambém uma o ma de acili a a en ada des es
alunos no sis ema de ensino b asilei o, caso eg essem ao B asil.
P e ei u a
Cidade
Nome
Tipo de Ensino27
Es ado
Aichi
Anjō
Escola São Paulo
Fundamen al e
Médio
Homologada
Handa
Escola Abelhinha
Fundamen al
Em p ocesso de
homologação
Hekinan
Escola Aleg ia do
Sabe
Fundamen al e
Médio
Homologada
Nagoya
Colégio B asil Japão
P o . Shinoda
Educação in an il,
Fundamen al e
Médio (pa a jo ens e
adul os, p esencial e
à dis ância)
Homologada
Take oyo
Escola Exp essão
Fundamen al
Homologada
Toyohashi
Escola Can inho
Fundamen al e
Homologada no
27 O Ensino Fundamen al b asilei o equi ale ao Básico po uguês (1º a 3º ciclo), e o Médio ao nosso
Secundá io.
25
B asilei o
Médio
Fundamen al /
Em p ocesso de
homologação no
Médio
Escola Aleg ia de
Sabe
Fundamen al
Homologada
EJA In e a i o –
Educação de Jo ens
e Adul os
Educação de jo ens
e adul os
Homologada
Toyo a
Escola Aleg ia de
Sabe
Fundamen al e
Médio
Homologada
Escola NECTAR
Fundamen al e
Médio
Homologada
Escola Pin ando o
Se e
Fundamen al
Homologada
Escola Comuni á ia
Paulo F ei e -
ECOPAF
Fundamen al e
Médio
Em p ocesso de
homologação
Gi u
Kakamiga a
Cen o Educacional
No a E apa - CENE
Fundamen al e
Médio
Homologada
Minokamo
Colégio Isaac
New on
Fundamen al e
Médio
Homologada
Ogaki
Escola B asilei a
P o . Kawase
Fundamen al
Homologada
Gunma
Isezaki
In e na ional
Communi y School
Fundamen al e
Médio
Em p ocesso de
homologação
Ōizumi
Ins i u o
Educacional Cen o
Nippo-B asilei o
Fundamen al e
Médio
Homologada
Ō a
Ins i u o
Educacional Gen e
Miúda
Fundamen al e
Médio
Homologada
EAS Rede Pi ágo as
Fundamen al e
Médio
Homologada
Escola Pa alelo
Fundamen al
Homologada
Cen o Educacional
Lisieux
Fundamen al
Em p ocesso de
homologação
Iba aki
Jōsō
Escola e C eche
G upo Opção
Fundamen al
Homologada
Tsukuba
Ins i u o Educa e
Fundamen al e
Em p ocesso de
26
(an iga Escola Pingo
de Gen e)
Médio
homologação
(po mudança
de nome)
Mi sukaido
Escola Taiyo
Fundamen al
Homologada
Mie
Suzuka
Escola Aleg ia de
Sabe
Fundamen al e
Médio
Homologada
Yokkaichi
Escola Nikken
Fundamen al e
Médio
Homologada
Nagano
Minowa
Nagano Nippaku
Gakuen (an igo
Colégio Pi ágo as)
Fundamen al e
Médio
Em p ocesso de
homologação
(po mudança
de nome)
Sai ama
Honjō
Escola In e cul u al
Uni icada A co Í is
Fundamen al e
Médio
Homologada
Kamisa o
Ins i u o
Educacional TS
Rec eação
Fundamen al e
Médio
Homologada
Shiga
Aishō
Colégio San ’Ana
Fundamen al e
Médio
Homologada no
Fundamen al /
Em p ocesso de
homologação no
Médio
Nagahama
Colégio Sun Family
Fundamen al
Homologada
Higashiōmi
Colégio La ino do
Japão
Fundamen al e
Médio
Homologada
Shizuoka
Fuji
Escola Fuji
Fundamen al
Homologada
Hamama su
Escola Alcance
Fundamen al e
Médio
Homologada
Colégio Mundo de
Aleg ia
Fundamen al e
Médio
Homologada
Escola Aleg ia de
Sabe
Fundamen al e
Médio
Homologada
Escola João e Ma ia
Fundamen al
Em p ocesso de
homologação
Colégio No a
Ge ação
Fundamen al
Em p ocesso de
homologação
Iwa a
CEP B asil – Cen o
Educacional e
P o issionalizan e
Fundamen al e
Médio
Homologada
27
Escola Obje i o de
Iwa a Tia Rosa
Fundamen al e
Médio
Homologada no
Fundamen al /
Em p ocesso de
homologação no
Médio
Kikugawa
Cen o Educacional
So iso de C iança
Fundamen al, Médio
e Ensino de Jo ens e
Adul os
Homologada no
Fundamen al /
Em p ocesso de
homologação
nos es an es
Cen o de Ensino
Nippo-B asilei o
Fundamen al
Homologada
Escola B asilei a Sol
Nascen e
Fundamen al
Homologada
Tochigi
O awa a
Escola Educa i a
Fundamen al
Em p ocesso de
homologação
Yamanashi
Minami
Alps
Alps Gakuen
(an igo Colégio
Pi ágo as)
Fundamen al e
Médio
Em p ocesso de
homologação
(po mudança
de nome)
Quad o 2 - Escolas b asilei as no Japão, segundo dados da Embaixada do B asil no Japão (Fon e:
Au o a).
Nes as escolas, as disciplinas são as mesmas que se iam expec á eis pa a cada
ano escola e leccionadas em po uguês. Pa alelamen e, ambém exis em aulas de
língua japonesa e ainda ac i idades ex a-cu icula es que incen i am a pa icipação e
a in eg ação das c ianças nikkei na sociedade que as odeia.
É possí el desde já epa a numa si uação algo pa adoxal: as ins i uições de
ensino supe io que o e ecem o po uguês como opção de es udo es ão a as adas
geog a icamen e das comunidades onde es a língua é ac i amen e usada no dia-a-dia.
A p esença de depa amen os luso-b asilei os nas uni e sidades japonesas é algo
exp essi a, con udo não pa ece p o idencia aos seus alunos opo unidades de
in e agi com os memb os da sua sociedade que são p o icien es na língua, os nikkei,
que ambém lhes pode iam ap esen a em p imei a mão elemen os cul u ais do B asil.
Em ez disso, há a p omoção de in e câmbios in e nacionais en e uni e sidades. Não
que al ac o seja nega i o, bem pelo con á io, mas p omo e in e acção en e alunos
28
e alan es na i os, sem os p imei os e em de se desloca pa a o a do país, se ia uma
mais- alia e po encia ia a p á ica do uso da língua na ida eal.
Fo a do âmbi o escola , pode aze -se ainda uma no a impo an e ace ca das
ins i uições cul u ais e de amizade en e Japão e Po ugal ou B asil em solo nipónico,
que cons i uem ec o es de disseminação cul u al des es países no Japão. No caso das
associações elacionadas com Po ugal, es as encon am-se em zonas his o icamen e
impo an es na cons ução dos laços de amizade luso-nipónicos, como Tanegashima e
Nagasaki. Veja-se a seguin e lis a, compilada a pa i dos dados das ês embaixadas já
e e idas:
Cen o de Es udos de Cul u a E nológica B asilei a (Aichi);
Associação Cen al Nipo-B asilei a (Tóquio);
Sociedade Luso-Nipónica (Tóquio);
Sociedad La ino-Ame icana (Tóquio);
Sociedade Luso-Nipónica de Osaka;
JICA – Yokohama In e na ional Cen e ;
Associação Japão-Po ugal de Tokushima;
Associação Japão-Po ugal de Oi a;
Associação Japão-Po ugal de Tanegashima;
Associação Japão-Po ugal de Nagasaki;
Associação Japão-Po ugal de Amakusa.
II.III.Como se Ap ende Po uguês
Como já oi e e ido, o incen i o à ap endizagem de LE no Japão é ei o num
âmbi o da sua u ilidade como língua de abalho. Po ou as pala as, um no o idioma
é um ins umen o que pe mi i á es abelece no as elações come ciais, indo ao
encon o dos p ojec os do go e no nipónico. O po uguês não escapa a es a lógica
come cial. É, po isso, pe inen e analisa o modo como é ensinado e as di iculdades
apon adas po p o esso es no caso especí ico de ap enden es japoneses ( e Rosa
2002, Pichi elli 2010). Os ac os apon ados po es es p o esso es são con i mados pelo
29
es emunho de dois in o man es japoneses28 que ap ende am po uguês em
ins i uições japonesas e que pos e io men e ie am pa a Po ugal. Es as pessoas êm
idades e pe cu sos académicos dis in os, con udo apon am ce os aspec os e
p oblemas em comum na sua ap endizagem da língua po uguesa. Con ém ambém
e e i de an emão que, de aco do com o seu depoimen o, o po uguês ensinado
nes es es abelecimen os é a a ian e b asilei a, quase não ha endo menção à
eu opeia ou a icana.
O ensino de LE esume-se, p incipalmen e, à g amá ica e exp essão esc i a,
ha endo pouco incen i o à p odução o al. A p io idade é dada a exe cícios de
in e p e ação esc i a e à elabo ação de aduções, em de imen o da o alidade (Rosa
2002). As salas de aula japonesas são ca ac e izadas pelo absolu o silêncio enquan o o
p o esso discu sa, compo amen o que se es ende às aulas de LE. Es a al a de
comunicação o al du an e as aulas, a é mesmo quando a pa icipação é pedida pelo
p o esso , causa um g ande en a e à ap endizagem plena da língua (Pichi elli 2010).
Po ou o lado, a ap endizagem da esc i a é mui o céle e, p imando pela co ecção da
o og a ia e da acen uação, ha endo um g ande es o ço no que oca à memo ização
(ibid.).
O ac o de o silabá io ka akana se u ilizado pa a ansc e e os sons de uma
língua es angei a pode, em ez de acili a a comp eensão, aze com que o aluno
ap enda uma p onúncia e ada, pois es e sis ema de esc i a apenas con empla a
oné ica japonesa, sendo impossí el que ep esen e adequadamen e os ons e
in lexões de uma língua como a po uguesa (Rosa 2002).
Pichi elli (2010) apon a as seguin es di iculdades ou e os como os mais
comuns po pa e dos alunos japoneses:
Não-dis inção en e ogais abe as e echadas;
Ausência de sons nasais;
A le a “l” se lida como “ ”;
O som “ch” se lido como “ ch”, e “j” como “dj”;
28 Dados sob e es es in o man es podem se encon ados nos Anexos, assim como uma ansc ição das
con e sas com eles pa ilhadas.
30
Fal a de acen uação ónica;
Onde usa a igos de inidos e inde inidos;
Conco dância de géne o en e subs an i o e adjec i o;
Conco dância e bal;
Uso não adequado de empos e bais como o P e é i o Impe ei o do
Indica i o;
Exp essões idiomá icas.
Alguns dos ópicos sup amencionados são e e idos pelos dois in o man es
con ac ados pela au o a. Ambos e e em que a conjugação e bal e o uso dos a igos
de inidos ou inde inidos são duas das suas p incipais di iculdades no po uguês, a que
um deles ambém ac escen a exp essões coloquiais.
Tais di iculdades podem se explicadas pelo ac o de esses concei os
g ama icais não oco e em na língua japonesa. Não obs an e, pode iam se co igidas
ao insis i em mé odos pedagógicos ol ados pa a o eino da o alidade como, po
exemplo, as di e en es onalidades das ogais em po uguês e a p onúncia de ce as
le as e sons. No japonês ambém não se usam a igos nem se dis inguem géne os, e a
conjugação de e bos é igual pa a qualque núme o, exis indo apenas di e ença en e
o empo Passado e o P esen e. Es es são aspec os em que se de e ia insis i desde o
início da ap endizagem, de modo a ga an i que as bases linguís icas pe manecem
du an e o es udo.
To na-se cla o que o mé odo de ap endizagem do PLE no Japão assen a
p edominan emen e numa abo dagem g ama ical ( ac o con i mado pelos
es emunhos de ambos os in o man es), onde a p o iciência numa LE é is a como o
domínio das eg as g ama icais e da o og a ia, ainda que descon ex ualizado ou sem
ap esen a elação com elemen os da cul u a da mesma LE (San os 2011). Aqui, o e o
é is o como um g a e en a e à ap endizagem, mas es a impo ância dada à
pe eição linguís ica no con ex o de aula pode in imida o ap enden e, azendo com
que es e não se sin a à on ade pa a u iliza li emen e a no a língua. A u ilização
p edominan e des a abo dagem no Japão é comp eensí el, endo em con a que a
sociedade japonesa a o ece o uso de exp essões e pala as cul u almen e acei es
31
consoan e o in e locu o , ainda que não sejam os e dadei os sen imen os do alan e.
Po al azão, o japonês é conside ado a “língua da pala a ce a, pa a a ocasião ce a e
pa a a pessoa ce a” (Rosa 2002, 298). Assim sendo, conside amos que o p o esso de
LE, mais do que um simples ins u o , em ambém o papel de coloca os alunos num
ambien e con o á el onde o seu medo de e a , que lhes oi cul u almen e impos o,
possa se ul apassado em p ol de uma ap endizagem e icaz e dinâmica.
Um dos maio es de ei os no ensino do PLE nes e país, apon ado pelos au o es
consul ados, é a pouca ele ância dada à cul u a du an e a ap endizagem da língua.
Ainda que nos ensinos básico e secundá io a his ó ia das elações luso-nipónicas seja
es udada, o que é aí ap endido poucas ezes pe manece na memó ia das pessoas, à
excepção de alguns elemen os memo izados, como Nagasaki e a espinga da (Ca alho
2000). Embo a os cu sos supe io es ligados ao po uguês o e eçam disciplinas de
cul u as de países lusó onos (nomeadamen e B asil e Po ugal), es as pa ecem
consis i em me a di ulgação de in o mação, sem exis i in e ex ualidade com o
ensino da língua (Rosa 2002). Os dois in o man es a i mam que a maio pa e do que
ap ende am sob e cul u a lusó ona se es ingiu à cul u a b asilei a e es a
ap endizagem sob e ac os cul u ais es a a apa en emen e desligada do uso da língua.
Conside ando o que oi explici ado an e io men e ace ca da língua japonesa,
no po uguês acon ece o opos o: ende a alo iza -se o modo como se ala em elação
às pala as exac as que são di as (ibid.). Assim, a ap endizagem da cul u a de LE o na-
se impe a i a, pois pe mi e uma maio comp eensão do alan e na i o. Num con ex o
come cial ou polí ico, ão impo an e como domina a língua do in e locu o é ambém
conhece as dinâmicas in e pessoais da sua cul u a e sabe o que espe a des as
in e acções. O desconhecimen o cul u al nes as si uações pode á, num cená io
hipo é ico, causa g a es emba aços e p ejuízos pa a a ins i uição que o ap enden e
ep esen a.
Uma po encial es a égia pa a sup i es a lacuna pode passa po conjuga , em
aula, a abo dagem g ama ical à comunica i a, a qual p i ilegia in e acções en e
alunos que ep oduzam cená ios cul u ais da LE (Souza e Gama 2008). Nou as
pala as, não pensa na LE como algo es anque, um me o conjun o de eg as
32
g ama icais, mas sim como algo i o e, no caso especí ico do po uguês, que se
es ende a ealidades mui o di e sas em odos os con inen es. Não se a a de descu a
o ensino da p ecisão g ama ical e o og á ica, mas dinamiza a sua ap endizagem com
ac i idades que po enciem ambém a aquisição de conhecimen os cul u ais. O
incen i o à p odução o al, sem um en oque excessi o em imp ecisões linguís icas, é
essencial pa a que, g adualmen e, o ap enden e se sin a con o á el em u iliza a
língua que es á a ap ende e, des e modo, p a icá-la sem se sujei a à p essão de aze
um discu so in ei amen e pe ei o. Ambos os in o man es a i mam que gos a iam de
e ido mais opo unidades de p a ica a língua com alan es na i os, pois ainda no
p esen e sen em alguma di iculdade em comp eende o po uguês alado à elocidade
habi ual de alan es na i os.
33
III.METODOLOGIAS PARA O FUTURO
Tendo em con a as obse ações ei as an e io men e, o na-se cla o que uma
o malização de mé odos de ensino da língua po uguesa no Japão é algo ele an e e
me ecedo de uma es a égia mais de inida e e icaz.
Uma o ma pa a o aze pode passa po ap o ei a um abalho já ealizado no
Japão pa a o ensino do inglês e es a de que modo se pode ajus a ao caso do
po uguês, independen emen e da a ian e (eu opeia ou b asilei a).
Ou o mé odo, a usa de modo independen e ou em conjugação com o
an e io , é a c iação de ma e ial didác ico ele an e no con ex o japonês, e que
ambém o ien e o p o esso de modo a que es e econheça e abo de di iculdades que
pode á encon a ao ensina uma emá ica em pa icula .
III.I.“CEFR-J” – uma Possí el Linha O ien ado a
Em desen ol imen o desde 2004 e lançado pela p imei a ez em Ma ço de
2012, o CEFR-J (Common Eu opean F amewo k o Re e ence – Japan) é um p ojec o
le ado a cabo pela Uni e sidade de Es udos Es angei os de Tóquio e pensado pa a
melho a o ensino da língua inglesa no Japão, baseado na es u u a o e ecida pelo
QECR (Negishi e Tono 2012, Runnels 2014b).
Após a ealização de inqué i os pela uni e sidade sup aci ada sob e o ní el dos
ap enden es de inglês no Japão, e i icou-se que mais de 80% des es se si ua no ní el
A de inido pelo QECR, e que são mui o poucos os u ilizado es p o icien es
(co esponden e ao ní el C) (Negishi e Tono 2012). Ou seja, mesmo após anos de
ap endizagem ob iga ó ia do inglês, a esmagado a maio ia das pessoas não pa ece
consegui u iliza es a LE de manei a independen e.
Nagai e O’Dwye (2011) ac escen am ainda que alguns p oblemas do ensino do
inglês (e, po ex ensão, de ou as LE) no Japão são a al a de de inição de objec i os ou
esul ados conc e os pa a cada ní el e ambém a não-con inuidade en e cu sos ou
módulos de ap endizagem, de modo que não exis e “opo unidade de desen ol e
compe ências ap endidas” (ibid., 144) an e io men e. Po ou as pala as, o p óp io
40
comp eende p og amas de ádio e
ele isão que e i am assun os já
conhecidos ou de in e esse pessoal.
pa a o cump imen o de uma a e a
especí ica.
B2.1
É capaz de en ende uma con e sa
en e alan es na i os, embo a possa
não comp eende ocabulá io
e udi o ou écnico especializado.
É capaz de le ex os de in e esse
ge al sem consul a um dicioná io, e
compa a di e enças e semelhanças
en e múl iplos pon os de is a.
B2.2
É capaz de comp eende mensagens
ele isi as e ílmicas em língua
pad ão, sob e assun os conhecidos,
conc e os ou abs a os.
É capaz de le com g ande g au de
au onomia, adap ando o modo e a
apidez a di e en es objec i os,
demons ando um conhecimen o
amplo, podendo e di iculdades
com exp essões pouco equen es.
C1
É capaz de comp eende com
acilidade ex os o ais longos sob e
assun os di e sos e con e sas longas
sob e assun os do seu in e esse.
É capaz de le ex os longos e
complexos, podendo descodi ica
di e enças de es ilo, e e en es a
uma as a gama de assun os.
C2
É capaz de en ende qualque ipo de
linguagem alada, mesmo à
elocidade de um alan e na i o.
É capaz de le com acilidade
qualque ipo de ex o, incluindo
a igos especializados e peças de
li e a u a.
Quad o 3 - Desc i o es suge idos pa a as compe ências de comp eensão o al e lei u a (Fon e: Au o a).
PRODUZIR
Ní el
Compe ências
P odução O al
P odução Esc i a
P é-A1
É capaz de dize algumas pala as
e e en es à cul u a lusó ona (ex.
nomes de pe sonalidades amosas,
cidades, e c.).
É capaz de esc e e as le as do
al abe o la ino, maiúsculas ou
minúsculas, e copia algo já esc i o.
A1.1
É capaz de usa cump imen os e
saudações adequados e de
ansmi i , e pe gun a sob e,
in o mações mui o simples sob e si
p óp io, amília, amigos, empos
li es, e c..
É capaz de p eenche o mulá ios
com e e ências à iden i icação de si
p óp io e dos ou os (ex. nome,
nacionalidade, mo ada).
A1.2
É capaz de in e agi e de se
exp essa , de modo simples, sob e
assun os do quo idiano, conhecidos
É capaz de pedi ou ansmi i
in o mações sob e si p óp io, amília
ou amigos, usando pala as simples e
41
e/ou do seu in e esse, desde que
possa p epa a o discu so de
an emão e o in e locu o possa
epe i ou pa a asea de o ma
len a.
es u u as ásicas básicas.
A1.3
É capaz de da opiniões, desc e e e
aze / esponde a pe gun as sob e
ac os simples elacionados com o
quo idiano, usando pala as e
es u u as ásicas limi adas.
É capaz de esc e e á ias ases
sob e assun os pessoais
(passa empos, gos os e desgos os,
acon ecimen os diá ios), de o ma
simples e com ecu so a dicioná io.
A2.1
É capaz de aze pe gun as, da
espos as e ala , de modo simples e
di ec o, sob e si uações p e isí eis
da ida quo idiana, com ecu so, se
necessá io, à ajuda do in e locu o
ou a ou as es a égias de
comunicação (como supo es
isuais).
É capaz de esc e e no as e
mensagens simples, e ambém ex os
sob e o quo idiano (ex.
co espondência ou desc ições
b e es), usando exp essões e ases
simples ligadas po conec o es
simples (ex. “e”, “mas”, “po que”).
A2.2
É capaz de aze b e es
ap esen ações p e iamen e
p epa adas com con eúdo p e isí el
ela i o à ida quo idiana, com
e en ual ecu so a supo es isuais,
e incluindo b e es explicações pa a
as suas opiniões e ac os.
É capaz de aze uma b e e e simples
na ação de acon ecimen os e
expe iências pessoais e de esc e e ,
de o ma simples, as suas opiniões
sob e algo que ou iu ou leu.
B1.1
É capaz de ala sob e assun os do
seu in e esse, ap esen ados numa
sequência linea de pon os, e de
exp essa emoções e sen imen os,
ais como aleg ia, su p esa,
amizade, is eza ou cu iosidade.
É capaz de aze uma desc ição
po meno izada, simples, di ec a e de
ex ensão conside á el, sob e
assun os seus conhecidos, nos
domínios onde em de ac ua .
B1.2
É capaz de explica em de alhe e
com con iança p oblemas ou
imp e is os que su jam em
con ex os amilia es ou do
quo idiano, e in e agi de modo a
ob e in o mação pa a aze ace
aos mesmos.
É capaz de esc e e na a i as de
á ios pa ág a os (ex. sob e iagens
ou acon ecimen os pessoais), de
modo simples e a iculado, incluindo
sen imen os, mani es ação de
opiniões e jus i icação de acções.
B2.1
É capaz de in e agi com à- on ade,
com co ecção e luência azoá el
sob e á ios assun os do seu
É capaz de esc e e ex os cla os e
po meno izados (ex. ela ó ios) sob e
di e sos emas, azendo a sín ese e
42
in e esse, expondo as suas opiniões
e de endendo-as, o necendo
explicações e a gumen os.
a aliação de in o mação e de
a gumen os de o igens di e sas.
B2.2
É capaz de aze uma ap esen ação
luen e sob e um assun o do seu
in e esse, incluindo ópicos
essenciais e de alhes, desde que
p e iamen e p epa ado, podendo
a as a -se espon aneamen e do
esquema inicial, demons ando à-
on ade e acilidade de exp essão.
É capaz de esc e e ex os cla os e
po meno izados que con enham
con eúdo complexo com
encadeamen o a gumen a i o,
conside ando si uações hipo é icas e
de causa-e ei o, sob e assun os no
âmbi o dos seus in e esses ou
quo idiano.
C1
É capaz de ap esen a , desc e e ou
na a assun os complexos com
ecu so a a gumen os
complemen a es e
desen ol imen o de aspec os
especí icos, e minando po uma
conclusão ap op iada.
É capaz de esc e e ex os
es u u ados, de o ma cla a, sob e
assun os den o e o a da sua á ea de
in e esse, salien ando os pon os mais
ele an es e de endendo um pon o
de is a, a a és de exemplos
pe inen es pa a chega a uma
conclusão ap op iada, u ilizando os
egis os linguís icos mas adequados.
C2
É capaz de pa icipa sem es o ço
em qualque con e sa ou discussão
e e uma g ande amilia idade com
exp essões idiomá icas e
coloquialismos.
É capaz de esc e e ex os complexos
(ca as, ensaios, a igos) onde
ap esen a um caso com es u u a
lógica e icaz que ajuda o lei o a
epa a em e lemb a -se de ópicos
signi ica i os, assim como esumos e
c í icas de abalhos li e á ios ou
p o issionais.
Quad o 4 - Desc i o es suge idos pa a as compe ências de p odução o al e esc i a (Fon e: Au o a).
Como e e ido an e io men e, não oi in ui o, no âmbi o do p esen e abalho, c ia
algo de alhado de ido, sob e udo, a es ições de empo e eduzida expe iência
pessoal da au o a na á ea pa icula do ensino do PLE no Japão. O que se p e endia e a
p oduzi algo não só ajus ado a esse con ex o, endo em con a as ca ac e ís icas do
ensino de LE nes e país, mas ambém ajus á el, passí el de se expandido (pela adição
de mais desc i o es po ní el/compe ência) e eo ganizado.
43
Ao jun a os dois quad os, QuaREPE e CEFR-J, pôde c ia -se uma lis a de
objec i os de inidos espec á eis pa a um ap enden e de po uguês, que ambém são
coe en es com as expec a i as que a sociedade japonesa em pa a os seus na i os que
ap endem uma LE. Po exemplo, um nipo-b asilei o e á, à pa ida, um ní el supe io
de o alidade do que comp eensão ou p odução esc i a, e o opos o acon ece á com um
japonês que ap enda o PLE na uni e sidade com aulas ocadas na abo dagem
g ama ical. Reco endo a um quad o como o ap esen ado, o p óp io aluno consegui á,
assim, localiza a sua si uação pa a cada compe ência e pe cebe o que em de
alcança de modo a passa à e apa seguin e da sua ap endizagem.
III.II.P opos a Didác ica
Pa a ac escen a ao es udo da LE uma componen e cul u al, cabe
essencialmen e ao p o esso selecciona ou p epa a ma e ial que pe mi a a
ap endizagem an o da língua como da cul u a que a en ol e. Pa a e ei os da
ap endizagem do PLE numa u ma de alunos japoneses, passa-se ago a a p opo uma
ac i idade didác ica que em como pon o de pa ida o T a ado das Con adições30,
esc i o em 1584 pelo jesuí a Luís F óis (1532-1597).
Es e missioná io e á sido al ez o maio au o de ob as sob e o Japão du an e
a p esença po uguesa no país nos séculos XVI e XVII. Pa a além do T a ado das
Con adições, onde expõe cla amen e as di e enças de hábi os e cos umes sociais
en e o Japão e a Eu opa da época, ambém oi au o da His ó ia de Japão, ob a
monumen al onde desc e e os p incipais e en os his ó icos oco idos no país do Sol
Nascen e desde o início da missionação nesse e i ó io (Ga cia 1993).
P ocedimen o lógico pa a a p odução da ac i idade
A p incipal azão pa a a escolha des a ob a como ema da ac i idade p ende-se
com o ac o de que diz espei o an o à cul u a do país da língua-al o como à do
na i o. Não só le a ia os alunos a analisa ambas as cul u as em empos idos, como
ambém lhes pe mi i ia compa a com a si uação ac ual e comen a ou deba e ace ca
30 O í ulo T a ado das Con adições a a-se de uma e são ab e iada do í ulo o iginal (e pela qual é
mais conhecida es a ob a), que começa po “T a ado em que se con êm mui o sucin a e ab e iadamen e
algumas con adições e di e enças de cos umes en e a gen e de Eu opa e es a p o íncia de Japão” e se
p olonga po á ias ases.
44
do que mudou en e o passado e p esen e, em exe cícios que incen i assem a
p odução o al e/ou esc i a.
Em e mos de con eúdos g ama icais, es a ob a o e ece g ande po encial pa a
a a compa ações, podendo e e -se, po exemplo, o g au compa a i o de adjec i os
e ensina -se as es u u as ásicas usando conjunções ais como “mas”, “po ém”,
“ ambém”, “ al como”, e c., pa a assinala di e enças e semelhanças en e dois
ópicos. No o ocabulá io se ia ambém in oduzido e abalhado ao mesmo empo
que a g amá ica. Faz-se a essal a de que o po uguês usado na on e bibliog á ica é
algo a caico: pa a e ei os des e exe cício, pala as e es u u as an iquadas o am
al e adas pa a po uguês mode no, e algumas ases o am simpli icadas.
Des e modo, e segundo o quad o po nós elabo ado, es a ac i idade se ia
indicada pa a um aluno com o ní el B1.2 concluído e que es i esse a inicia o seguin e,
B2.1. De no a que a ac i idade es á pensada na pe spec i a do p o esso , ou seja,
o e ece-lhe indicações di ec as ace ca do modo como ap esen a e abalha es e
exe cício, mas com libe dade pa a o adap a , po exemplo, consoan e o núme o de
alunos da u ma e o mé odo de ensino (p esencial ou i ual, po exemplo), baseando-
se essencialmen e numa abo dagem comunica i a. Faz-se ambém a essal a de que a
ac i idade oi c iada a pensa no po uguês eu opeu, po ém a igu a-se de ácil
adap ação pa a o ensino do po uguês b asilei o.
Passa-se seguidamen e a ap esen a o exe cício po nós elabo ado.
Ac i idade didác ica
Objec i o: Faze compa ações en e duas ealidades dis in as.
Tempo p e is o: 30 a 45 minu os pa a uma u ma de 4-5 alunos, sem inclui o abalho
pa a casa.
1. Re isão de compa ações usando g au compa a i o de adjec i os
Escolhe dois alunos de al u as di e en es, aze pe gun as de p epa ação (com
o in ui o de in oduzi o objec i o da ac i idade) e incen i a à o mulação de
espos as comple as (ex.: “O João é mais al o que o An ónio, o An ónio é mais baixo
que o João”). Com ecu so a o og a ias ou ilus ações, epe i o exe cício com ou os
45
adjec i os: g ande/pequeno, cla o/escu o, la go/es ei o, cedo/ a de, e c., e
desen ol ê-lo com es u u as mais complexas (ex.: “Se es a sala osse maio , cabe iam
aqui cem pessoas”; “A Sa a cos uma chega mais cedo que o José”; “Pa a mais pessoas
usa em o au oca o es e de ia se mais ápido”).
2. In odução de conjunções compa a i as
Escolhe dois alunos com camisolas de co es di e en es. Pe gun a de que co é
a camisola de cada um pa a ob e uma espos a como “A camisola da Ana é e de. A
camisola da Ma ia é azul”. T ans o ma a espos a pa a “A camisola da Ana é e de,
enquan o que a (camisola) da Ma ia é azul”. P a ica com ou os exemplos ( eco endo
a ou os alunos ou imagens) e ou as conjunções: mas, po ém, no en an o, po ou o
lado.
3. In e p e ação o al
Ap esen a o seguin e ex o aos alunos (p ojec a no quad o ou o e ece
o ocópia a cada um). O p o esso lê-o em oz al a enquan o os alunos acompanham a
lei u a no supo e o e ecido.
Luís F óis – Um Homem à F en e do seu Tempo
Luís F óis oi um pad e jesuí a do século XVI que i eu no Japão du an e mui o empo,
ce ca de 35 anos. Nessa al u a, os po ugueses e japoneses inham acabado de se
conhece e sabiam mui o pouco sob e a cul u a de cada um. Pa a ajuda ou os
eu opeus que inham pa a o Japão pela p imei a ez, F óis esc e eu um li o onde
compa a a os hábi os de cada po o. Algumas das coisas que ele esc e eu o am as
seguin es:
“Nós [os eu opeus] usamos sapa os de cou o e de eludo; os japoneses sandálias ei as
de palha de a oz.”
“Nós en amos nas casas calçados; no Japão é desco esia e deixam-se os sapa os à
po a.”
“As nossas camas es ão semp e es endidas nos qua os; as do Japão de dia es ão
semp e en oladas e escondidas onde não se ejam.”
46
“A gen e da Eu opa delei a-se com peixe assado e cozido; os japoneses gos am mui o
mais de o come c u.”
“Nós en e amos os nossos de un os; os japoneses pela maio pa e queimam-nos.”
“En e nós é pecado g a íssimo ma a -se a si mesmo; os japoneses na gue a, quando
não podem mais, co a a ba iga é g ande alen ia.”
E nos dias de hoje, ainda é assim? Que ou as di e enças exis em?
Ap esen a ainda o seguin e glossá io, com a de inição de pala as no as
(sublinhadas no ex o)31. Al e na i amen e, pode explica -se o signi icado de algumas
das pala as com ecu so a imagens (no caso dos nomes e adjec i os).
Jesuí a – memb o da Companhia de Jesus, o dem eligiosa undada po San o
Inácio de Loiola (1491-1556) no séc. XVI.
Cou o – pele espessa e du a de alguns animais.
Veludo – ecido de seda ou algodão, com pêlo cu o e macio numa das suas
aces.
Sandália – calçado compos o apenas po sola e co eias que a ligam ao pé.
Desco esia – al a de co esia; indelicadeza.
Es endido – que se es endeu; que es á dei ado ou com o co po em posição
ho izon al.
En olado – dob a azendo olo.
Delei a -se – delicia -se.
De un o – pessoa que mo eu.
Valen ia – o ça, esis ência, co agem; qualidade de alen e.
4. Exe cícios g ama icais e discussão do ex o
Pedi aos alunos que ans o mem as ases do ex o, usando as conjunções
ap endidas an e io men e. (Ex.: “os eu opeus usam sapa os de cou o e eludo, mas os
japoneses usam sandálias de palha de a oz.”)
P opo aos alunos que espondam às pe gun as do inal do ex o, mais uma ez
usando o que oi ap endido. Inci a à oca de ideias en e a u ma, azendo pe gun as
que ambém possam es imula o uso do no o ocabulá io. Exemplos: “Po que é que
31 Todas as de inições o am e i adas a 5 de Fe e ei o de 2017 de: Dicioná io In opédia da Língua
Po uguesa sem Aco do O og á ico. 2003-2017. Po o: Po o Edi o a
(h ps://www.in opedia.p /diciona ios/lingua-po uguesa-aao).
47
no Japão se i am os sapa os quando se en a em casa?”; “Ainda se usam sandálias de
palha nos dias de hoje?”; “Com que coisas é que uma pessoa se pode delicia ?”; “O
sushi é en olado? E uma omele e? E empu a?”; “O que é mais alen e: i a um
b inquedo de um bebé ou ajuda uma pessoa em pe igo? Que coisas são sinal de
alen ia? Que coisas não são?”, e c.
5. Exe cício de exp essão esc i a ( abalho pa a casa)
Esc e e um ex o compa ando as seguin es ob as de a e. O aluno pode
p ocu a mais po meno es sob e ambas com ecu so à In e ne de modo a p oduzi
um ex o mais de alhado.
Biombo Namban32
Au o : Kano Domi
Da a: Pe íodo Momoyama (séc.XVI)
Ma e iais: madei a, papel, olha de ou o,
seda, laca.
Local de exposição: Museu de A e An iga,
Lisboa
Mu al de Amália Rod igues33
Au o : Alexand e Fa o (Vhils)
Da a: 2015
Ma e iais: ped a da calçada
Local de exposição: Al ama, Lisboa
O ex o de e á con e ases como “Vhils usou apenas ped as da calçada, mas
Kano usou á ios ma e iais”, “O biombo es á expos o no Museu de A e An iga; po
ou o lado, o mu al es á em Al ama”.
32 Imagem e in o mação e i adas a 5 de Fe e ei o de 2017 de, espec i amen e,
h p://eluismadu ei a.blogspo .p /2014/11/a-a e-namban.h ml e
h p://www.museudea ean iga.p /colecoes/a e-da-expansao/biombos-namban.
33 Imagem e in o mação e i adas a 5 de Fe e ei o de 2017 de h p:// hils.com/wo k/o he -
media/calcada/.
48
Em al e na i a, o aluno pode á escolhe ou as duas ob as de a e, ou en ão
aze um ex o compa ando as cul u as japonesa e po uguesa, baseado no que oi
discu ido no pon o 4.
49
CONCLUSÃO
Embo a os laços en e o país do Sol Nascen e e a língua po uguesa se enham
iniciado há mais de qua o séculos, a ele ância que es a e e nes e e i ó io nunca se
man e e cons an e. P esen emen e, e i ica-se um p o undo in e esse do Japão no
mundo lusó ono. Con udo, a ap endizagem do po uguês, assim como de ou as
línguas es angei as, apa en a es a p esa em modelos an iquados, que não se
coadunam com as necessidades comunica i as dos dias de hoje.
Há que c ia es a égias que se adap em ao público-al o, sem descu a a
he ança que uma língua ca ega consigo. É impo an e ainda despe a no ap enden e
um in e esse no seu p óp io pe cu so de ap endizagem, es imulando a sua
pa icipação ac i a nes e p ocesso e con e indo-lhe um objec i o ealis a de inido. As
me odologias ap esen adas – nomeadamen e o Quad o de Re e ência híb ido –
consis em num pon o de pa ida pa a abalho a se desen ol ido no u u o. Es e pode
passa pela adição de um maio núme o de desc i o es po cada ní el/compe ência a
es e Quad o, ou a é mesmo po uma e o mulação baseado, idealmen e, em
expe iência de campo.
O desen ol imen o de ac i idades pedagógicas que enham a dupla alência de
ensina a língua e, ao mesmo empo, a cul u a ambém nos pa ece algo de ex ema
impo ância. Exis em inúme os supo es que podem se abalhados em aula: pa a
além de ex os esc i os, ambém a música, o cinema, a pin u a ou a escul u a podem
se i de mo e pa a a ap endizagem de línguas. O essencial é que o ap enden e se
desemba ace do medo de expe imen a com a língua, b inca com ela, e sob e udo
que ap enda que e a é um passo undamen al na ap endizagem.
Ao desen ol e es e ema da língua po uguesa no Japão, espe amos ambém
e con ibuído pa a a con inuação e ap o undamen o dos laços de amizade en e
es es dois mundos ainda ão dis in os, apesa de ão in e ligados.
56
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59
ANEXOS
A. Algumas Pala as Japonesas de O igem Po uguesa
Japonês
Pala a po uguesa de
o igem
Signi icado ac ual / Dados
adicionais
ボーブラ (bōbu a)
Abóbo a
Abóbo a.
Usado mais no Japão
Ociden al34,
nomeadamen e em
Nagasaki ( e
abaixo南瓜(kabocha))
南瓜
かぼちゃ (kabocha)
Abóbo a
Abóbo a.
Recebeu es e nome po e
sido azida do Camboja.
アカシア (akashia)
Acácia
Acácia.
アフリカ (a u ika)
Á ica
Á ica.
アラー (a ā)
Alá
Alá.
アルコール (a ukō u)
Álcool
Álcool.
Dicioná io apon a o igem
holandesa.
アレルヤ (a e uya)
Aleluia
Aleluia.
有平糖
あるへいとう (a uhē ō)
Al éloa
Rebuçado de ca amelo,
o ee.
アロエ (a oe)
Aloé/Aloë (holandês)
Aloé.
Dicioná io apon a o igem
holandesa.
アマルガム (ama ugamu)
Amálgama
Amálgama.
アーメン (āmen)
Ámen
Ámen.
アメリカ (ame ika)
Amé ica
Amé ica.
アニス (anisu)
Anis
Anis.
アラビア (a abia)
A ábia
A ábia.
アジア (ajia)
Ásia
Ásia.
アベマリア (abema ia)
A é Ma ia
A é Ma ia.
O igem do La im.
ブランコ (bu anko)
Balanço
Baloiço.
バプティズム
(bapu izumu)
Bap ismo
Bap ismo.
34 Segundo explicação de h ps://ko obank.jp/wo d/%E3%83%9C%E3%83%BC%E3%83%96%E3%83%A9-
382825 (úl imo acesso a 5 de Fe e ei o de 2017).
60
バルサム (ba usamu)
Bálsamo
Bálsamo.
バッテラ (ba e a)
Ba ei a
Um ipo de sushi em o ma
de ba co (ba ei a).
ベンガラ縞/弁慶縞
(benga ajima/benkējima)
Bengala
Tecido de bengala; pad ão
de xad ez.
Dicioná io apon a o igem
holandesa.
ビスケット (bisuke o)
Biscoi o
Biscoi o.
ボーロ (bō o)
Bolo
Designação dada a um
pequeno bolo/biscoi o
japonês.
Ac ualmen e, pa a
designa um bolo comum
usa-se ケーキ(kēki), do
inglês “cake”.
ボタン (bo an)
Bo ão
Bo ão.
ブリタニア (bu i ania)
B e anha
B e anha.
カナリヤ (kana iya)
Caná io (a e)
Caná io (a e).
カイマン (kaiman)
Caimão ( ép il)
Caimão ( ép il).
カンテラ (kan e a)
Candeia / kandelaa
(holandês)
Lan e na.
Dicioná io apon a o igem
holandesa.
金巾
かなきん (kanakin)
Canequim (†)
Musselina ( ipo de ecido).
カオリン (kao in)
Caolino
Caolino.
合羽
かっぱ
(kappa)
Capa
Casaco impe meá el.
カピタン(†) (kapi an)
Capi ão
Capi ão.
カルメラ (ka ume u)/
キャラメル(kya ame u)
Ca amelo / Ca amel
( ancês)
Ca amelo.
Dicioná io apon a o igem
ancesa.
かるた (ka u a)
Ca as (de joga )
Designação dada a um
jogo adicional japonês de
memó ia e
co espondência en e
ca as.
Ac ualmen e pa a ca as
de joga usa-se トランプ
( o anpu), de “ ump”.
カステラ (kasu e a)
Cas ela
Pão-de-ló japonês
カテキズム (ka ekizumu)
Ca equismo
Ca equismo.
61
カトッリク (ka o ikku)
Ca ólico
Ca ólico.
Dicioná io apon a
“ca holic” como pala a
o iginal.
朱珍 (shuchin)
Ce im
Dicioná io apon a o igem
chinesa.
チャルメラ (cha ume a)
Cha amela
Flau a de madei a usada
po endedo es de ua.
コブラ (kobu a)
Cob a
Cob a-capelo.
コエンドロ (koendo o)
Coen o
Coen o.
金平糖
こんぺいとう (konpē ō)
Con ei o
Tipo de ebuçado edondo
e colo ido.
コップ (koppu)
Copo
Copo.
Dicioná io apon a “cop”
(holandês) como pala a
o iginal.
カタン (ka an)
Co ão
Co ão, algodão.
ケレド (ke edo)
C edo
C edo.
キリシタン(†) (ki ishi an)
C is ão
C is ão.
キリスト (ki isu o)
C is o
C is o.
クルス (ku usu)
C uz
Sinal da c uz (âmbi o
eligioso).
デウス (deusu)
Deus
Deus.
ドミンゴ(†) (domingo)
Domingo
Usado no início da
c is andade japonesa,
âmbi o eligioso.
Pa a o dia da semana usa-
se 日曜日 (nichiyōbi).
エジプト(ejipu o)
Egip o
Egip o.
イソップ (isoppu)
Esopo
Esopo.
すべた (sube a)
Espada
Te mo dep ecia i o pa a
mulhe es. Também
designa uma ca a de joga
sem u ilidade.
ヨーロッパ (yō oppa)
Eu opa
Eu opa.
Dicioná io apon a o igem
62
holandesa.
フェニックス ( enikkusu)
Fénix
Fénix.
O igem do La im.
飛竜頭
ひりゅうず
/飛竜頭
ひりょうず
(hi yūzu/hi yōzu)
Filhós
Filhós.
Na zona de Kansai, designa
um p a o de o u i o com
ege ais co ados
inamen e.
フラスコ ( u asuko)
F asco
F asco.
襦袢
じゅばん (juban)
Gibão
Ves e usada po debaixo
de kimonos.
ギリシア(gi ishia)
G écia
G écia.
グラム (gu amu)
G ama/g amme ( ancês)
G ama.
Dicioná io apon a o igem
ancesa.
グロリア (gu o ia)
Gló ia
Gló ia (âmbi o eligioso).
ゲリラ (ge i a)
Gue ilha / Gue illa
(espanhol)
Gue ilha.
Dicioná io apon a o igem
espanhola.
インジゴ (injigo)
Índigo
Índigo.
Dicioná io apon a o igem
holandesa.
イギリス (igi isu)
Inglez (po uguês
mode no: inglês)
Ingla e a.
イルマン(†) (i uman)
I mão ( ade)
I mão ( ade).
イタリア (i a ia)
I ália
I ália.
チョッキ (chokki)
Jaque (po uguês
mode no: jaque a)
Cole e (peça de es uá io).
ジェスイット/ゼズイット
(jesui o/zesui o)
Jesuí a
Jesuí a.
イエス (iesu)
Jesus
O igem do La im.
如雨露
じょうろ
(jō o)
Jo o (po uguês mode no:
ja o)
Regado .
ユダヤ (yudaya)
Judeia
O igem do La im.
Usado em conjugação com
ou as e minações (ex:
63
ユダヤ人) = judeu;
ユダヤ教 = judaísmo).
ラッカー ( akkā)
Laca
Laca, lacados.
ラテン ( a en)
La im
La im, la ino.
マンダリン (manda in)
Manda im
Manda im.
マント(man o)
Man o / Man eau ( ancês)
Man o, capa.
Dicioná io apon a o igem
ancesa.
マリア (ma ia)
Ma ia
Ma ia (âmbi o eligioso).
マルメロ (ma ume o)
Ma melo
Ma melo.
メリヤス (me iyasu)
Meias /Medias (espanhol)
Designa meias (no ge al),
ou malha.
Dicioná io apon a o igem
espanhola.
メリンス (me insu)
Me ino ( ecido)
Musselina.
Dicioná io apon a o igem
espanhola.
メッシヤ (messhiya)
Messias
Messias.
ミイラ (mī a)
Mi a
Múmia.
ミサ (misa)
Missa
O igem do La im.
モール (mō u)
Mogol
Damasco ( ecido de seda
ou ce im).
ノギス (nogisu)
Nónio/Nonius (alemão)
Nónio.
Dicioná io apon a o igem
alemã.
オアシス(oashisu)
Oásis
Oásis.
オブラート (obu ā o)
Obla o/ Obla e (alemão) /
Oblaa (holandês)
Obla o.
Dicioná io apon a o igem
alemã ou holandesa.
オーボエ (ōboe)
Oboé.
Oboé.
Dicioná io apon a o igem
i aliana.
オランダ (o anda)
Olanda (po uguês
mode no: Holanda)
Holanda.
64
オラトリオ (o a o io)
O a ó io
O a ó io.
Dicioná io apon a o igem
i aliana.
オルガン (o ugan)
Ó gão (ins umen o
musical)
Ó gão.
伴天連
ばてれん
(†) (ba e en)
Pad e
Nome dado aos jesuí as
po ugueses no séc. XVI.
Ac ualmen e usa-se 司祭
(shisai).
パゴダ (pagoda)
Pagode
Pagode.
パンヤ (pan’ya)
Panha
Algodoei o.
パン (pan)
Pão
Pão.
パウレスタ (pau esu a)
Paulis a
Paulis a.
ペルシア (pe ushia)
Pé sia
Pé sia.
ピン (pin)
Pin a
Pin as nas ca as de joga ;
ás de um naipe de ca as.
プロローグ (pu o ōgu)
P ólogo
P ólogo.
らしゃ( asha)
Raxa
Tecido g ossei o de
algodão, el o.
ロマ
Roma
Roma.
ロザリオ ( oza io)
Rosá io
Rosá io.
サバト(†) (saba o)
Sábado
Usado no início da
c is andade japonesa,
âmbi o eligioso.
Pa a o dia da semana usa-
se 土曜日(doyōbi).
シャボン (shabon)
Sabão
Sabão.
Ac ualmen e usa-se o
e mo 石鹸 (sekken).
沙穀
さご
(sago)
Sagu
Fécula comes í el de
palmei a.
サラダ (sa ada)
Salada
Salada.
サンタマリア
(san ama ia)
San a Ma ia
San a Ma ia.
サント (san o)
San o
San o.
サントメ (san ome)
São Tomé
São Tomé e P íncipe (país).
65
更紗
さらさ
(sa asa)
Sa aça
Tecido ino de algodão.
セラヒン (se ahin)
Se a im
Se a im.
たばこ ( abako)
Tabaco
Tabaco, ciga os.
タマリンド ( ama indo)
Tama indo
Tama indo.
Dicioná io ambém apon a
o igem espanhola.
タンク ( anku)
Tanque
Tanque.
Dicioná io apon a “ ank”
como pala a o iginal.
たんと( an o)
Tan o
Tan o (ad é bio).
Usado na zona de Kansai.
天
てんぷら ( enpu a)
Tempe o, Têmpo as
Tempu a.
P a o japonês com o igem
no peixinho-da-ho a.
テレビン油 ( e ebin’yu)
Te eben ina
Te eben ina.
トルコ ( o uko)
Tu quia
Usado com ou as
e minações pa a designa
algo ela i o à Tu quia (ex:
トルコ語 = língua u ca).
トタン ( o an)
Tu anaga (†) (liga de
es anho, chumbo e cob e)
Zinco, chapa de e o
gal anizada.
ベランダ (be anda)
Va anda
Va anda.
ビロード/天鵞絨 (bi ōdo)
Veludo
Veludo.
ビードロ(†) (bīdo o)
Vid o
Subsis e na pala a
ビー玉(biidama),
“be linde”.
Ac ualmen e pa a id o
usa-se ガラス (ga asu), do
holandês “glas”.
ビルゼン (bi uzen)
Vi gem (San a Ma ia)
Vi gem (San a Ma ia).
ザボン (zabon)
Zamboa
Pomelo ( ipo de ci ino).
† - pala a caída em desuso
Neg i o: pala as po uguesas que pelo menos um dos dicioná ios usados e e e
especi icamen e como o igem das japonesas.
Dados c uzados das seguin es on es:
72
C. Desc i o es do CEFR-J
73
74