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Lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho em enfermeiros portugueses: «ossos do ofício» ou doenças relacionadas com o trabalho?

Serranheira, Florentino,Cotrim, Teresa,Rodrigues, Victor,Nunes, Carla,Uva, António Sousa

Abstract

R E S U M O - Introdução: As lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT) constituem um importante problema em todo o mundo, designadamente nos profissionais de saúde. Realizou-se um estudo nacional de caraterização da sintomatologia musculoesquelética ligada ao trabalho em enfermeiros portugueses na perspetiva da sua prevenção. Métodos: Os enfermeiros portugueses foram convidados a preencher um questionário em ambiente web com 4 dimensões: dados socio-demográficos, sintomas musculoesqueléticos em 15 zonas anatómicas, identificação das tarefas e sua relação com os sintomas e caracterização do estado de saúde. O estudo decorreu entre julho de 2010 e fevereiro de 2011 e contou com a colaboração da Ordem dos Enfermeiros. A análise estatística baseou-se em processos descritivos e em associações com o teste do 2 com um nível de significância de 5%. Resultados: Responderam ao questionário 2 140 enfermeiros (3,42% do total dos enfermeiros portugueses). Destacam-se as queixas localizadas à coluna vertebral (49% nos últimos 12 meses; 25% nos últimos 7 dias) e o absentismo relacionado (5,51%), igualmente nos últimos 12 meses. A intensidade dos sintomas é elevada (19% dos respondentes) assim como a sua frequência (em 33% é superior a 6 episódios diários). A relação entre as tarefas e as queixas é significativa (p < 0,05), entre outros, com: (i) a administração de medicamentos, o posicionamento mobilização e transferência do doente e os sintomas nos punhos e mãos ( 2 = 9,089; p = 0,028; 2 = 8,337; p = 0,040; 2 = 9,599; p = 0,022; 2 = 9,399; p = 0,024 respetivamente) e (ii) a higiene no leito e os sintomas localizados aos ombros, cotovelos e punhos/mãos ( 2 = 8,853; p = 0,031; 2 = 8,317; p = 0,040 e 2 = 9,599; p = 0,022, respetivamente). Discussão e conclusões: As LMELT em enfermeiros são, em grande parte, preveníveis e, por isso, não devem ser encaradas como «ossos do ofício». A intervenção sobre os locais, os processos, a organização temporal e os meios de trabalho pode prevenir as LMELT. O presente estudo, descritivo, revela uma elevada prevalência de sintomas de LMELT em enfermeiros portugueses. Tal indicia a necessidade premente de desenvolver programas de prevenção destas patologias em hospitais.

Full text

e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 www.else ie .p / psp A igo o iginal Lesões musculoesquelé icas ligadas ao abalho em en e mei os po ugueses: «ossos do o ício» ou doenc¸as elacionadas com o abalho? Flo en ino Se anhei aa,b,∗, Te esa Co imc, Vic o Rod iguesd, Ca la Nunesa,b e An ónio Sousa-U aa,b aEscola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade No a de Lisboa, Lisboa, Po ugal bCen o de In es igac¸ão da Malá ia e ou as Doenc¸as T opicais – Saúde Pública, Lisboa, Po ugal cFaculdade de Mo icidade Humana, Uni e sidade Técnica de Lisboa, Lisboa, Po ugal dEscola Supe io de En e magem de Vila Real/CIDESD/Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o, Vila Real, Po ugal in o mação sob e o a igo His o ial do a igo: Recebido a 18 de julho de 2012 Acei e a 15 de ou ub o de 2012 On-line a 30 de no emb o de 2012 Pala as-cha e: Lesões musculoesquelé icas ligadas ao abalho En e mei os Saúde Ocupacional E gonomia Saúde e Segu anc¸a do T abalho e s u m o In oduc¸ão: As lesões musculoesquelé icas ligadas ao abalho (LMELT) cons i uem um impo an e p oblema em odo o mundo, designadamen e nos p ofissionais de saúde. Realizou-se um es udo nacional de ca a e izac¸ão da sin oma ologia musculoesquelé ica ligada ao abalho em en e mei os po ugueses na pe spe i a da sua p e enc¸ão. Mé odos: Os en e mei os po ugueses o am con idados a p eenche um ques ioná io em ambien e web com 4 dimensões: dados socio-demog áficos, sin omas musculoesquelé i- cos em 15 zonas ana ómicas, iden ificac¸ão das a e as e sua elac¸ão com os sin omas e ca ac e izac¸ão do es ado de saúde. O es udo deco eu en e julho de 2010 e e e ei o de 2011 e con ou com a colabo ac¸ão da O dem dos En e mei os. A análise es a ís ica baseou-se em p ocessos desc i i os e em associac¸ões com o es e do ␹2com um ní el de significância de 5%. Resul ados: Responde am ao ques ioná io 2 140 en e mei os (3,42% do o al dos en e mei os po ugueses). Des acam-se as queixas localizadas à coluna e eb al (49% nos úl imos 12 meses; 25% nos úl imos 7 dias) e o absen ismo elacionado (5,51%), igualmen e nos úl imos 12 meses. A in ensidade dos sin omas é ele ada (19% dos esponden es) assim como a sua equência (em 33% é supe io a 6 episódios diá ios). A elac¸ão en e as a e as e as queixas é significa i a (p < 0,05), en e ou os, com: (i) a adminis ac¸ão de medicamen os, o posiciona- men o mobilizac¸ão e ans e ência do doen e e os sin omas nos punhos e mãos (␹2= 9,089; p = 0,028; ␹2= 8,337; p = 0,040; ␹2= 9,599; p = 0,022; ␹2= 9,399; p = 0,024 espe i amen e) e (ii) a higiene no lei o e os sin omas localizados aos omb os, co o elos e punhos/mãos (␹2= 8,853; p = 0,031; ␹2= 8,317; p = 0,040 e ␹2= 9,599; p = 0,022, espe i amen e). ∗Au o pa a co espondência. Co eio ele ónico: se anhei [email p o ec ed] (F. Se anhei a). 0870-9025/$ – see on ma e © 2012 Escola Nacional de Saúde Pública. Publicado po Else ie España, S.L. Todos os di ei os ese ados. h p://dx.doi.o g/10.1016/j. psp.2012.10.001 194 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 Discussão e conclusões: As LMELT em en e mei os são, em g ande pa e, p e ení eis e, po isso, não de em se enca adas como «ossos do o ício». A in e enc¸ão sob e os locais, os p ocessos, a o ganizac¸ão empo al e os meios de abalho pode p e eni as LMELT. O p esen e es udo, desc i i o, e ela uma ele ada p e alência de sin omas de LMELT em en e mei os po ugueses. Tal indicia a necessidade p emen e de desen ol e p og amas de p e enc¸ão des as pa ologias em hospi ais. © 2012 Escola Nacional de Saúde Pública. Publicado po Else ie España, S.L. Todos os di ei os ese ados. Wo k ela ed musculoskele al diso de s in Po uguese nu ses: “pa o he job” o wo k- ela ed diseases? Keywo ds: Wo k- ela ed musculoskele al diso de s Nu ses Occupa ional Heal h E gonomics Occupa ional Heal h and Sa e y a b s a c In oduc ion: Wo k- ela ed musculoskele al diso de s (WRMSD) a e a wo ldwide heal h p o- blem, pa icula ly in heal h ca e p o essionals. A na ionwide s udy was done ocused on he cha ac e iza ion o wo k- ela ed musculoskele al symp oms in Po uguese egis e ed nu ses (RN) in o de o es ablish a baseline me hodology o manage/p e en WRMSD. Me hods: All Nu ses (RN) we e in i ed o comple e, in web pla o m, a ques ionnai e o 4 di e en opics: (i) socio-demog aphic da a, (ii) fi een ana omic a eas o musculoskele al symp oms, (iii) asks iden ifica ion and i s ela ion wi h symp oms and (i ) heal h s a us cha ac e iza ion. S a is ical analysis was based on desc ip i e s a is ics and associa ions wi h he ␹2 es wi h a significance le el o 5%. Resul s: A o al o 2.140 RN answe ed he ques ionnai e (3.42% o all RN). Spine symp oms we e among hose mos equen symp oms (49% o RN e e ed in he las 12 mon hs, 25% in he las 7 days) and hei ela ed wo k absence (5.51% o e e als). O he ele an indica o s we e symp oms in ensi y (19% we e classified as high in he esponding g oup) and symp- oms equency (33% o e e als we e supe io o 6 daily episodes). Associa ions be ween ypical wo k asks and complain s we e ound significan (p < 0.05) wi h (i) d ug adminis- a ion, posi ioning, mobiliza ion and pa ien ans e and hand-fis symp oms (␹2= 9.089; P = .028; ␹2= 8.337; P = .040; ␹2= 9.599; P = .022; ␹2= 9.399; P = .024 espec i ely) and wi h (ii) bed hygiene and shoulde , elbow and hand-fis symp oms (␹2= 8.853; P = .031; 8.317; P = .040; 9.599; P = .022 espec i ely). Discussion and conclusions: Wo k ela ed musculoskele al diso de s in hospi al nu ses a e mos o imes p e en able, and hey should no be commonly ela ed o a no mal wo k esul . Wo kplace in e en ion in p ocess, in empo al o ganiza ion and in equipmen s could p e en WRMSD. Ou desc ip i e s udy aims o e idence he ele a ed p e alence o WRMSD in RN and he ce ain y o de elop occupa ional p e en ion p og ams in hospi als. © 2012 Escola Nacional de Saúde Pública. Published by Else ie España, S.L. All igh s ese ed. In oduc¸ão As lesões musculoesquelé icas ligadas ao abalho (LMELT), incluindo as aquialgias, são desc i as como um dos p incipais p oblemas da Saúde Ocupacional dos p ofissionais de saúde, em pa icula dos en e mei os1–11. As condic¸ões de abalho e as a e as dos en e mei os, p incipalmen e em con ex o hospi ala , cons i uem-se como os p incipais de e minan es da a i idade eal de abalho, con- dicionando odas as componen es de exposic¸ão aos a o es de isco da a i idade, designadamen e ao ní el pos u al, de epe- i i idade, aplicac¸ão de o c¸a e de exposic¸ão a ib ac¸ões, que se encon am na génese das LMELT12,13. Os en e mei os ea- lizam equen emen e, du an e as suas a e as de p es ac¸ão de cuidados de saúde aos doen es/u en es, a i idades que eque em pos u as a icula es ex emas, aplicac¸ões de o c¸a com as mãos/dedos, assim como exigências a ní el da coluna e eb al e, pa icula men e, da zona lombo-sag ada. Tais si uac¸ões oco em, en e ou as a e as diá ias, na p es ac¸ão de cuidados aos doen es, designadamen e du an e a sua alimen ac¸ão, a adminis ac¸ão de medicamen os in a enosos, as ans e ências e ou as mobilizac¸ões, como o eposicio- namen o, e na sua higiene. Em qualque dessas si uac¸ões obse a-se, com equência, exposic¸ão a a o es de isco p ofissionais, designadamen e ele adas solici ac¸ões biome- cânicas e fisiológicas que excedem as capacidades uncionais dos abalhado es, numa o ganizac¸ão que não pe mi e empos de ecupe ac¸ão suficien es e empos de epouso adequados14. A mul i a o ialidade e iológica das LMELT inclui, ainda, os a o es de isco psicossociais e as condicionan es o gani- zacionais, designadamen e e en e ou os, aspe os ela i os à sa is ac¸ão p ofissional, ao supo e social e ao es ilo de lide anc¸a e ges ão, como elemen os impo an es na génese das LMELT15. As a iá eis indi iduais, po biza o que pa ec¸a, êm sido insuficien emen e (ou mesmo nada) alo izadas, o e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 195 que em conduzido a um meno núme o de es udos nesse domínio, ainda que com elac¸ões cla amen e iden ificadas e ex emamen e impo an es16,17. Os es udos de a aliac¸ão do isco não dão o suficien e ele o aos aspe os indi iduais («indi idual isk assessmen ») di igindo-se, mui as ezes, ao que podemos denomina « abalhado médio»18, figu a que, de ac o, não exis e em nenhuma si uac¸ão conc e a de aba- lho. A maio ia dos es udos e e idos, que se a e de exposic¸ão a a o es de isco da a i idade, que a condicionan es da a i idade como os a o es de isco psicossociais e o gani- zacionais, o am e e uados com supo e em ques ioná ios essencialmen e de sin omas, com ou sem c i é io empo al, maio i a iamen e em delineamen os me odológicos ans e - sais (e/ou e ospe i os) e, equen emen e, com insuficien e (ou mesmo ausen e) ca ac e izac¸ão da exposic¸ão. Man êm-se a uais as dú idas sob e se (e quais) os ní eis de in ensidade e de equência da sin oma ologia que dão o igem a «doenc¸as ligadas ao abalho», is o é, se é possí el di e en- cia as queixas deco en es das exigências ísicas a que os abalhado es es ão expos os na ealizac¸ão da a i idade de abalho, das queixas das LMELT como doenc¸a p ofissional ou como doenc¸a elacionada com o abalho19. Tal espos a é, desde logo, di ícil de ob e , uma ez que a denominac¸ão LMELT inclui um conjun o de si uac¸ões clínicas mui o di e sas (e di e sificadas) que ão desde sin omas a quad os nosoló- gicos e incluem doenc¸as p ofissionais, doenc¸as elacionadas com o abalho e, a é, doenc¸as ag a adas pelo abalho, is o é, o já e e ido concei o de «doenc¸a ligada ao abalho». As LMELT a e am um subs an i o núme o de en e mei os, diminuindo a sua qualidade de ida20, dão o igem à educ¸ão da mo i ac¸ão e da pa icipac¸ão no abalho, às es ic¸ões de ealizac¸ão das a e as de en e magem, às ans e ências de se ic¸o, ao absen ismo e a é ao abandono p ecoce da p ofissão, com os deco en es e ei os an o a ní el indi idual, como em aspe os sociais e amilia es2. Em Po ugal, en e di e sas dificuldades de ges ão de um p oblema da dimensão das LMELT, encon a-se a ausência de uma base pa a a in es igac¸ão em en e mei os po ugueses. Tal ci cuns ância de e minou o p incipal obje i o do p esen e es udo, de âmbi o nacional, de iden ificac¸ão da sin oma ologia musculoesquelé ica ligada ao abalho em en e mei os ins- c i os na O dem dos En e mei os. P e ende-se, dessa o ma, despe a a a enc¸ão da comunidade cien ífica pa a a neces- sidade de desen ol imen o de mais in es igac¸ão em al domínio, con ibuindo, assim, pa a uma mais eficaz ges ão de ais iscos p ofissionais21. Populac¸ão e mé odos O p esen e es udo oi ei o com a colabo ac¸ão da O dem dos En e mei os (OE). Foi di igido a odos os en e mei os po u- gueses aí insc i os (n = 62 566). O es udo e e a du ac¸ão de 8 meses, endo deco ido en e julho de 2010 e e e ei o de 2011, pe íodo em que a OE colocou (e man e e) um apelo à pa icipac¸ão no es udo no seu po al da in e ne . A pa icipac¸ão indi idual oi olun á ia. Após acesso ao banne da OE, com a in o mac¸ão sob e o es udo, exis ia um edi ecionamen o (link) pa a uma página da web da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), onde cada en e mei o colocou o seu ende ec¸o pessoal de email, cons i uindo a base da pa icipac¸ão no es udo (um ende ec¸o álido co espondeu a uma insc ic¸ão). De seguida, oi en iado pa a cada ende ec¸o de email um link de acesso ao ques ioná io do es udo no «su eymonkey pla o m ques ionnai e». O link pe mi iu a espos a única, no momen o, ou aseada de cada esponden e, de aco do com a sua decisão pessoal. Ga an iu-se, desde semp e, a sal agua da de dados pessoais e não exis iu acesso a in o mac¸ão que pe mi isse iden ifica o esponden e, espei ando, dessa o ma, o seu ano- nima o. O ques ioná io u ilizado nes e es udo é uma adap ac¸ão22 do ques ioná io nó dico sob e lesões musculoesquelé icas (No dic musculoskele al ques ionnai e – NMQ) cujos esul ados a iam en e 0 e 23% em di e gência com o mesmo espon- den e (fiabilidade) e ap esen am 0 a 20% de disco dância da his ó ia clínica ( alidade), sendo al conside ado acei á el pa a um ins umen o de as eio ou sc eening23. Tem sido u ilizado, numa e são adap ada em Po ugal, com esul ados nesse in e alo pa a a fiabilidade e alidade10,13,24–27. O NMQ e e como p incipal obje i o, na sua génese, o desen ol imen o de um mé odo de es udo epidemiológico, u ilizando um conjun o de ques ões no malizadas, pa a a iden ificac¸ão das queixas ou sin omas musculoesquelé icos em g upos p ofissionais28. Tem sido amplamen e u ilizado pa a a alia a p esenc¸a de sin omas do o o musculoesque- lé ico ligados à a i idade de abalho, des acando-se, en e ou os e a í ulo de exemplo, o es udo ealizado em en e mei- os chineses29. O ques ioná io u ilizado (em apêndice) es á o ganizado em 4 g andes dimensões: (i) ca ac e izac¸ão sociodemog áfica; (ii) au o e e ência de sin omas de LMELT; (iii) iden ificac¸ão das a e as e sua elac¸ão com os sin omas; e (i ) ca ac e izac¸ão do es ado de saúde. O p esen e es udo, desc i i o, obje i a conhece os sin o- mas musculoesquelé icos dos en e mei os po ugueses. A análise es a ís ica dos esul ados oi e e uada com ecu so ao so wa e «S a is ical Package o Social Sciences (SPSS) s. PASW S a is ics 18®». Resul ados Não exis iu qualque p opósi o de ep esen a i idade da populac¸ão e não se p e endeu qualque gene alizac¸ão dos esul ados, que se e e em apenas aos esponden es a es e es udo, já que dependeu exclusi amen e da sua on ade a adesão à espos a ao inqué i o. Responde am ao ques ioná io de ca a e izac¸ão de sin- omas de lesões musculoesquelé icas ligadas ao abalho 2140 en e mei os (3,4% do o al dos en e mei os po ugueses). T a a-se de um g upo p edominan emen e do sexo eminino (77,4%), dex o (93,7%), que em um empo médio na p ofis- são de 13 anos e abalha, ambém em média, 40 h semanais. Rela i amen e ao ipo de ho á io p a icado, o abalho po u - nos é maio i á io (57,5%). Ce ca de um e c¸o em um segundo emp ego (n = 618) em clínicas p i adas (30,4%), a la ga maio ia a empo pa cial (n = 593) e em ho á io de 20 h semanais. Dos esponden es, 26,4% (n = 566) abalha na egião no e do país, 20,1% (n = 431) na egião cen o, 37,8% (n = 809) na 196 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 egião de Lisboa e Vale do Tejo, 4,4% (n = 95) no Alen ejo, 3,7% (n = 80) no Alga e e 6,8% (n = 145) nas Regiões Au ónomas (4,1% na Madei a e 2,7% nos Ac¸o es). En e os esponden es, 0,7% (n = 14) não e e iu a egião onde abalha am. Quase ês qua os dos en e mei os desempenham unc¸ões em hospi ais (71,3%). Os es an es encon am-se dis ibuídos pelos cuidados p imá ios de saúde (21,5%) e pelos cuidados con inuados (3,0%), cuidados palia i os (0,4%), eme - gência médica (0,6%) e INEM/VMER (0,4%), unidades de saúde mó eis (0,2%), en e magem do abalho (1,3%) e la es de e - cei a idade (1,3%). Os en e mei os que desempenham unc¸ões em hospi ais (n = 1 396) azem-no, essencialmen e, em se ic¸os de: (i) Medi- cina In e na (21,3%); (ii) Ci u gia Ge al (12,3%); (iii) Pedia ia (8,7%); (i ) O opedia (8,3%); e ( ) Ginecologia e Obs e ícia (6,9%). As ca ego ias p ofissionais dos en e mei os a iam en e «en e mei o» (34,8%) e «en e mei o-supe iso » (1,4%). As ca ego ias de «en e mei o g aduado» (35,7%), «en e mei o- especialis a»(19%) e «en e mei o-che e»(9,0%) comple am as ca ego ias p ofissionais. Os en e mei os e e em sin omas de LMELT com ele ada equência que, em algumas localizac¸ões, a ingem alo es acima dos 50% dos esponden es. Des acam-se (fig. 1), en e ou os e nos úl imos 12 meses, a p esenc¸a de sin omas nas zonas ce ical (n = 1014), do sal (n = 923), lomba (n = 1257), omb os (n = 761) e punho/mão (n = 602). A sin oma ologia p esen e nos úl imos 7 dias, mais asse - i a pela p oximidade das queixas au o e e idas, ap esen a alo es in e io es, ainda que igualmen e ele ados, a ingindo mais a coluna e eb al ( egião lomba : 632; egião ce ical: 562; e egião do sal: 468). Também os omb os (n = 389) e os punhos e mãos (n = 253) são egiões co po ais equen emen e a ingidas. De des aca ainda o absen ismo associado a essa sin oma ologia e (e en uais) lesões e e idas nas zonas ce i- cal (n = 99), do sal (n = 78), lomba (n = 177), nos omb os (n = 87) e nos punhos/mãos (n = 72). A sin oma ologia localizada aos memb os supe io es, p esenc¸a de queixas e espe i a la e alidade, e ela di e enc¸as subs an i as, po exemplo a ní el dos punhos/mãos, onde a 49,75% 25,89% 5,51% 23,68% 11,28% 2,77% 19,07% 11,00% 1,50% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Raquis Memb o Supe io Memb o In e io Sin omas úl imos 12 meses Sin omas úl imos 7 dias Absen ismo 12 meses Figu a 1 – Sin oma ologia musculoesquelé ica e absen ismo elacionado. p e alência no lado di ei o é mui o supe io (fig. 2), o que se elaciona, po ce o, com o memb o a i o e, po isso, com a solici ac¸ão na a i idade desempenhada. Nos memb os in e io es iden ifica-se sin oma ologia sem p edominância de la e alidade, ao con á io dos sin omas nos memb os supe- io es, des acando-se as queixas localizadas às a iculac¸ões ibio á sicas, e en ualmen e elacionadas com o empo de pe manência na posic¸ão de pé (o os a ismo) e com as g andes dis âncias pe co idas, em pa icula , nas unidades hospi ala- es. A análise da sin oma ologia musculoesquelé ica, na pe s- pe i a da sua in ensidade e da sua equência, e ela a ní el lomba queixas de in ensidade «ele ada» e «mui o ele ada» da o dem de alo es p óximos dos 45% dos en e mei os sin- omá icos e, desses, ce ca de 65% e e em-no com equência supe io a 6 ezes po dia. Tais alo es co espondem a ce ca de 26% da o alidade da populac¸ão esponden e. De uma o ma ge al, a e e ência a sin oma ologia de in ensidade «mode ada» é p e alen e a ní el da coluna e - eb al, a ingindo, al como a equência dessas queixas (com equência supe io a 6 ezes po dia), ce ca de um e c¸o dos en e mei os sin omá icos (fig. 3). 10,70% 5,51% 12,38% 3,13% 1,26% 1,40% 12,76% 3,13% 7,15% 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% Omb o Co o elo Punho/Mão D o Esq. Ambos Figu a 2 – Sin omas musculoesquelé icos a ní el dos memb os supe io es. e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 197 33,05% 14,98% 13,01% 18,97% 8,82% 6,20% 15,65% 9,77% 6,23% 33,26% 14,00% 12,98% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% In ensidade Mode ada In ensidade Ele ada F equência ≤ 5 dia F equência ≥ 6 dia Raquis Memb o Supe io Memb o In e io Figu a 3 – In ensidade e equência dos sin omas musculoesquelé icos. Se o em analisados em de alhe os sin omas a ní el do memb o supe io cons a a-se, igualmen e, uma equência da in ensidade «mode ada» nos di e sos segmen os ana ómi- cos, bem como uma e e ência à exis ência de queixas com equência supe io a seis ezes po dia que a inge ce ca de dois e c¸os dos en e mei os po ado es dessa sin oma ologia (fig. 4). As a e as diá ias dos en e mei os esponden es ca a e izam-se po um conjun o de in e enc¸ões (a i i- dades) que, em média, ocupa ce ca de 50% do empo de abalho, des acando-se, en e ou os, o abalho in o - ma izado (10,29%), os p ocedimen os in asi os (9,28%), o a amen o de e idas (9,1%) e a adminis ac¸ão de medicac¸ão (9,47%) (fig. 5). Des aque-se que os cuidados p es ados no lei o que, de uma o ma ge al, ap esen am algumas exigências ísicas, ab angem ap oximadamen e um e c¸o do empo de abalho diá io dos en e mei os. Rela i amen e à equência de ealizac¸ão das di e sas a e- as de en e magem, a análise dos esul ados e ela que o abalho in o ma izado, a a aliac¸ão de pa âme os fisioló- gicos, como a ensão a e ial e a glicémia (25% cada), e a 61,10% 57,96% 67,44% 39,42% 43,95% 32,72% 38,37% 44,59%44,09% 62,16% 56,05% 56,15% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% In ensidade Mode ada In ensidade Ele ada F equência ≤ 5 dia F equência ≥ 6 dia Omb o Co o elo Punho/Mão Figu a 4 – In ensidade e equência dos sin omas musculoesquelé icos do memb o supe io . 198 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 10,29% 9,28% 9,10% 9,47% 9,56% 4,11% 7,24% 8,09% 7,59% 7,48% 4,84% 6,92% 6,03% T ab. In o ma izado P oc. In asi os T a . Fe idas Adm. Medicação A . TA, Glicemia Apoio Domicilio C.HigienePosic/Mob Doen e Legenda: T abalho in o ma izado, P ocedimen os in asi os, T a amen o de e idas, Adminis ação de medicação, A aliação de pa âme os ensão a e ial, Glicémia a ou os, Apoio no domicílio, Cuidados de higiene no lei o, Posicionamen o e mobilização do doen e, T ans e ência e anspo e do doen e, Le an e sem apoio mecânico, Le an e com apoio mecânico, Alimen ação do doen e, Higiene no WC T an / ansp doen e Le an e s/mec Le an e c/mec Alimen ação Higiene WC Figu a 5 – Re a o da epa ic¸ão do empo diá io de abalho dos en e mei os. adminis ac¸ão de medicac¸ão (24%) são e e idos como mui o equen es no dia-a-dia do en e mei o e po um impo an e núme o de esponden es (fig. 6). Igualmen e de des aca são as di e enc¸as en e o le an e sem apoio de equipamen os mecânicos (23,9% – «pouco equen e»; 9,18% – « equen e») e com meios mecânicos (20,26% – «pouco equen e»; 1,17% – « equen e»). Os p ocedimen os in asi os são a suba i idade com maio e e ência na classificac¸ão «pouco equen e» (30,16%) e o apoio no domicílio o menos e e ido (15,02%). A elac¸ão en e a p esenc¸a de sin omas musculoesquelé i- cos e as di e en es posic¸ões co po ais ado adas ao longo do dia de abalho em unc¸ão das exigências do abalho, incluindo a mobilizac¸ão, o le an amen o e o anspo e de ca gas/doen es, e idencia o espe á el, is o é, os en e mei os iden ificam, cla amen e, as si uac¸ões de abalho em que as exigências ísicas assumem maio elac¸ão com a p esenc¸a de sin omas musculoesquelé icos, designadamen e a mobilizac¸ão, o le an- amen o e o anspo e de ca gas/doen es acima dos 20 kg (fig. 7). A úl ima dimensão do ques ioná io, ela i a à ca ac e izac¸ão do es ado de saúde dos en e mei os, e i- dencia que a maio ia p a ica egula men e algum ipo de a i idade ísica (50,8%), não uma (81,7%), não bebe egula - men e bebidas alcoólicas (91,3%), não bebe ca é (73%) e não 23,86% 2,83% 23,53% 7,06% 20,26% 1,17% 23,90% 9,18% 24,32% 9,25% 18,88% 16,92% 24,49% 7,52% 15,02% 3,13% 17,15% 25,14% 17,83% 24,04% 26,99% 13,25% 30,16% 10,86% 20,40% 25,12% 0% 5% 10 %15 %20 %25 %30 %35 %40 %45 %50 % T ab. In o m. P oc. I n as T a . Fe i d Adm. Med A . TA, Gl Apo io Dom Cuid.Higien e Pos ic/Mob T an / an sp Le . s/mec Le . c/mec Ali men açã o Higiene WC Pouco F equen e Legenda: T abalho in o ma izado, P ocedimen os in asi os, T a amen ode e idas, Adminis ação de medicação, A aliação de pa âme os ensão a e ial, Glicémia e ou os, Apoio no domicílio, Cuidados de higiene no Lei o, Posicionamen o e mobilização do doen e, T ans e ência e anspo e do Doen e, Le an e sem apoio mecânico, Le an e com apoio mecânico, Alimen ação do doen e, Higiene no WC. F equen e Figu a 6 – Ta e as de en e magem. e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 199 0% 20% 40% 60% 80% 100% T ab. de pé B aços ele . Inclin. onco Roda onco Rep. B aços Rep. Dedos Fo ça mão Ca g. 1-4kg C. > 4-10kg C. > 10-20Kg Ca g. > 20kg Pouco elacionado com sin omas Legenda: T abalho de pé, B aços ele ados acima da al u a dos omb os, Inclinação do onco, Ro ação do onco, Repe i i idade dos b aços, Repe i i idade dos dedos, Aplicação de o ça com a mão, Mobilização de ca ga en e 1 e 4 kg, Mobilização de ca ga supe io a 4kg e in e io ou igual a 10kg, Mobilização de ca ga supe io a 10kg in e io ou igual a 20kg, Mobilização de ca ga supe io a 20kg. Mui o elacionado com sin omas Figu a 7 – Pe cec¸ão dos en e mei os sob e a elac¸ão en e a sin oma ologia e as a e as de en e magem. so e de doenc¸as c ónicas (70,9%). Rela i amen e aos que e e em so e de alguma doenc¸a, des acam-se: a diabe es (n = 24), a hipe ensão a e ial (n = 91), a os eopo ose (n = 18), as a oses (n = 46) e ambém as hé nias discais (n = 111), as endini es (n = 61) e a sínd ome do únel cá pico (n = 28). Ce ca de dois e c¸os dos en e mei os não oma medica- men os egula men e (67,3%). De en e os que se encon am medicados, des acam-se as e apêu icas com calman es (n = 66) e com con ace i os o ais (n = 232). Alguns en e mei os (n = 121) ealiza am a amen os de fisio e apia no úl imo ano. A maio ia consul a o seu médico espo adicamen e (n = 1224), ou os (n = 647) azem-no pe io- dicamen e. No ge al, dos en e mei os que esponde am a es a ques ão, a maio ia (n = 600) eco e a se ic¸os públicos, enquan o os es an es (n = 404) azem-no nos se ic¸os p i a- dos. No úl imo ano, a la ga maio ia consul ou um médico (n = 1606). Obse am-se associac¸ões, po ezes significa i as, en e as a iá eis indi iduais30, a p esenc¸a de sin omas a ní el da coluna e eb al11 e a ní el dos memb os supe io es ( abela 1) com as a e as ípicas de en e magem, ainda que, no caso do le an e com meios mecânicos, as elac¸ões sejam p o e o as. É ao ní el dos punhos e mãos que se cons a am associac¸ões com maio significado en e a sin oma ologia musculoesquelé ica e as a e as de en e magem. Assim, obse am-se associac¸ões significa i as en e ais sin omas e a adminis ac¸ão de medicamen os (␹2= 9,089; p = 0,028) que se conside am elacionados com uma a i idade de ele ada in en- sidade dos memb os supe io es, em pa icula dos punhos, mãos e dedos, du an e, en e ou os, a u ilizac¸ão dos sis e- mas de dose uni á ia e o esmaga dos di e sos medicamen os a adminis a aos doen es com dificuldades de deglu ic¸ão. O posicionamen o e/ou mobilizac¸ão do doen e (␹2= 8,337; p = 0,040), as ans e ências (␹2= 9,399; p = 0,024) e o le an e sem meios mecânicos (␹2= 8,455; p = 0,037) são igualmen e a e as com subs an i as exigências a ní el dos punhos e mãos e, como al, com elac¸ões significa i as com a p esenc¸a de queixas musculoesquelé icas. A higiene no lei o é, nos esponden es, a a e a com mai- o es exigências a ní el dos memb os supe io es e isso é e iden e pela elac¸ão es a ís ica significa i a em odas as egiões: o omb o (␹2= 8,853; p = 0,031), o co o elo (␹2= 8,317; p = 0,040) e o punho mão (␹2= 9,599; p = 0,022). Discussão Em ma é ia de saúde, higiene e segu anc¸a do abalho (SHST), ou de Saúde Ocupacional (SO), são econhecidas, pa icula - men e na Eu opa, as limi ac¸ões (indi iduais e sociais) que as lesões musculoesquelé icas ligadas ao abalho colocam31. Tais aspe os adqui em, em ambien e hospi ala e em ou as unidades de saúde, uma dimensão ainda maio nos p ofissi- onais de saúde27, designadamen e no g upo p ofissional dos en e mei os. Em Po ugal, o p oblema oi com equência abo dado no con ex o das emp esas da indús ia au omó el, ou em emp esas desse uni e so. Tal a enc¸ão, na á ea da Saúde Ocupacional em Unidades de Saúde, oi en e nós al o de es udo nos hospi ais da cidade do Po o du an e o ano de 200424. In e nacionalmen e, o p oblema em indo a se des- c i o p incipalmen e desde as décadas de 1980 e de 199032–35, endo assumido uma conside á el isibilidade e dimensão, que mo i ou inclusi amen e a exis ência de campanhas anu- ais eu opeias dedicadas à p e enc¸ão das LMELT. A la ga maio ia dos es udos e e uados no con ex o da p es ac¸ão de cuidados de saúde, designadamen e en ol endo a en e magem, em eco ido a inqué i os po ques ioná io, 200 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 Tabela 1 – Relac¸ão en e os sin omas musculoesquelé icos dos en e mei os nos úl imos 12 meses a ní el do memb o supe io e algumas das p incipais a e as (Qui-quad ado) A i idades Sin oma ologia: ␹2(3); p Omb o Co o elo Punho/Mão T abalho in o ma izado 2,489; 0,477 8,176*; 0,043 2,112; 0,549 P ocedimen os in asi os 5,735; 0,125 4,120; 0,249 6,941; 0,074 T a amen o de e idas 1,555; 0,670 2,159; 0,540 3,742; 0,291 Adminis ac¸ão de medicamen os 2,432; 0,488 1.095; 0,778 9,089*; 0,028 A aliac¸ão da ensão a e ial/glicémia 2,302; 0,512 0,594; 0,898 4,747; 0,191 Apoio domiciliá io 0,940; 0,816 3,165; 0,367 3,799; 0,284 Higiene no lei o 8,853*; 0,031 8,317*; 0,040 9,599*; 0,022 Posicionamen o/mobilizac¸ão doen e 6,342; 0,096 1,651; 0,648 8,337*; 0,040 T ans e ência do doen e 2,945; 0,400 0,198; 0,978 9,399*; 0,024 Le an e (sem meios mecânicos) 3,524; 0,318 0,798; 0,850 8,455*; 0,037 Le an e (com meios mecânicos) 9,823*; 0,020 7,915*; 0,048 1,436; 0,697 Alimen ac¸ão do doen e 6,172; 0,104 1,306; 0,728 7,214; 0,065 Higiene no WC 2,804; 0,423 0,750; 0,861 1,953; 0,582 ∗Significa i o (p < 0,05). em pa icula u ilizando adap ac¸ões do Ques ioná io Nó dico Musculoesquelé ico (QNM)23. En e os p incipais esul ados des e es udo, encon a-se a e e ência a sin omas de LMELT p esen es nos úl imos 12 meses, nos úl imos 7 dias e o absen ismo elacionado. Podendo os esul ados se influenciados pelos esponden es, is o é, os en e mei os que pa icipa am olun a iamen e no es udo podem se maio i a iamen e os mais queixosos po se em aqueles que ap esen a am uma mo i ac¸ão ac escida de espos a, de uma o ma ge al, as di e enc¸as obse adas, ela i amen e a ou os es udos nesse g upo de p ofissionais de saúde, não são e iden es, des acando-se a p e alência de sin oma ologia da coluna e eb al, nos úl imos 12 meses ( abela 2). Pa a as e e ências sin omá icas ela i as aos úl i- mos 7 dias, cons a a-se uma maio ampli ude de a iac¸ão en e os es udos que, no essencial, ap esen am alo es de meno equência em elac¸ão aos encon ados nos úl imos 12 meses. No p esen e es udo, a u ilizac¸ão de uma adap ac¸ão do QNM, com inclusão de ques ões ela i as a elemen os de ca a e izac¸ão da sin oma ologia, designadamen e da sua in ensidade e da sua equência po segmen o co po al, assim como a solici ac¸ão da pe cec¸ão da elac¸ão das queixas com as p incipais a e as, p e endeu c ia uma base de e e ên- cia no es udo das LMELT em en e mei os po ugueses. Tal pode á con ibui no u u o pa a, com base nesse conheci- men o, consegui uma melho ges ão desse isco em Saúde Ocupacional. Os esul ados des e es udo pe mi em conside a que as elac¸ões en e sin omas e a e as de en e magem são bem pa en es, e elando um conjun o de sin omas musculoesque- lé icos ligados ao abalho, de en e os quais se des acam as egiões ana ómicas dos punhos e mãos, com elac¸ões sig- nifica i as com 5 a e as (adminis ac¸ão de medicamen os, higiene no lei o, posicionamen o e mobilizac¸ão do doen e, ans e ência do doen e e le an e sem meios mecânicos) e- quen emen e ealizadas pelos en e mei os e, em pa icula , com a u ilizac¸ão equen e de epe i i idade e, ambém e- quen emen e, com aplicac¸ões de o c¸a. No e-se, ainda, que as in ensidades e e idas da equên- cia de sin oma ologia a ní el da áquis são conside adas como ele adas em ap oximadamen e 19% dos esponden es e com Tabela 2 – P e alências de sin omas musculoesquelé icos em di e sos es udos Es udo P e alência de sin omas 12 meses (%) P e alência de sin omas 7 dias (%) Região lomba Região do sal Região ce ical Região lomba Região do sal Região ce ical Lus ed e al. (1994)33 62 24 43 17 13 20 Lage s om e al. (1995)36 56 - 48 - - - Engels e al. (1996)37 33,8 7,9 22,9 - - - Ando e al. (2000)38 54,7 - 31,3 - - - T inko e al. (2003)747 - 45,8 - - - Alexopoulos (2003)475 - 47 - - - Gu guei a e al. (2003)959 21,9 28,6 31,4 21,9 14,3 Smi h e al. (2004)30 56,7 38,9 42,8 - - - Lipscomb e al. (2004)832 32 24 - - - Smi h e al. (2005)372,4 29,7 62,7 - - - Fonseca; Se anhei a (2006)10 65 37 55 58 62 53 Wa ming e al. (2009)1- - - 64 - 55 Tinubu e al. (2010)244,1 16,8 28 - - - P esen e es udo (2011) 60.6 44,5 48,6 29,5 21,1 25,8 e p o s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 2;3 0(2):193–203 201 equência supe io a 6 ezes po dia em 33,26%, o que é e e- lado da impo ância dessa sin oma ologia. É de des aca , igualmen e, que a p esenc¸a de sin omas nos úl imos 12 meses a ní el da áquis (49,75%), dos mem- b os supe io es (23,68%) e dos memb os in e io es (19,07%), assim como nos úl imos 7 dias (25,89, 11,28 e 11,00%, espe- i amen e) é indiciado a do ní el das exigências ísicas, em pa icula a ní el da coluna e eb al, solici adas a esses p o- fissionais de saúde. Os sin omas, maio i a iamen e bila e ais, na egião dos omb os (12,38%) deno am ambém as exigências que são colo- cadas du an e a ealizac¸ão das a e as de en e magem e a in ensidade ele ada, e e ida po quase 40% dos esponden- es, o na ainda mais e iden e a « alo izac¸ão» dos sin omas au o e e idos. Os esul ados ob idos assumem ambém pa icula ele o quando a sin oma ologia de LMELT é e e ida com uma in en- sidade e/ou equência ele adas a ní el ce ical (17,06%; 32,66%), do sal (13,41%; 28,83%) e lomba (26,45%; 38,27%), es- pe i amen e. Po fim, o e a o da epa ic¸ão do empo diá io de abalho dos en e mei os e idencia elemen os da a i idade e en ual- men e díspa es do abalho p esc i o ( a e as). As si uac¸ões mais exigen es na pe spe i a ísica (cuidados de higiene, posi- cionamen o, mobilizac¸ão, ans e ência, anspo e e le an e do doen e) ocupam quase um qua o do empo de abalho (2 h diá ias po en e mei o), o que, conside ando a a i idade eal de abalho, pode se enca ado como uma a i idade ísica in ensa ou de ele ada exigência nes e g upo de p ofissionais de saúde e com as epe cussões a ní el de sin oma ologia musculoesquelé ica obse adas. T a a-se, de ac o, de alo es mui o exp essi os de equência de sin omas em p es ado- es de cuidados de saúde que impo a e em conside ac¸ão, qualque que seja a pe spe i a de ges ão desses iscos. Conclusões Os en e mei os esponden es (n = 2 140) e idenciam uma ele- ada p e alência de queixas musculoesquelé icas ligadas ao abalho, já que ce ca de 98% e e em sin oma ologia, pelo menos num segmen o ana ómico. Tal equência de sin omas, associada ao conhecimen o de di e sos elemen os das espe- i as si uac¸ões eais de abalho (a i idade de abalho com in e enc¸ões da en e magem), é e elado a das exigências ísicas que as o ganizac¸ões de saúde, nas quais os en e mei- os se encon am a desempenha unc¸ões (hospi ais, cen os de saúde, ou ou as unidades de saúde), aca e am pa a a ealizac¸ão da sua a i idade diá ia. Analisado de ou o ângulo, semp e que as exigências ísicas do abalho ul apassem as capacidades e as limi ac¸ões indi i- duais, independen emen e da maio ou meno p edisposic¸ão pa ológica que os p ofissionais de saúde possam e pa a essas pa ologias, exis e adiga. Tal e ei o pode o igina al e ac¸ões do es ado de saúde dos en e mei os, designadamen e as LMELT, mas pode igualmen e influencia a a i idade de abalho, em pa icula aspe os elemen a es da qualidade da p es ac¸ão de cuidados de saúde e, consequen emen e, da segu anc¸a dos doen es. As queixas mais p e alen es nos úl imos 12 meses si uam- se na egião lomba (60,6%), seguindo-se a coluna ce ical (48,6%) e a coluna do sal (44,5%). A ní el dos memb os supe i- o es, as queixas mais p e alen es si uam-se no punho di ei o (12,76%). São os 2 segmen os ana ómicos mais a ingidos e, pelo menos pa cialmen e, mais « ulne á eis»às exigências do abalho de en e magem. Obse am-se di e sas associac¸ões es a is icamen e sig- nifica i as (p < 0,05) en e as a e as mais equen es de en e magem e a p esenc¸a de sin omas de LMELT, des acando- se a adminis ac¸ão de medicamen os, o posicionamen o mobilizac¸ão e ans e ência do doen e e os sin omas nos punhos/mãos (␹2= 9,089; p = 0,028; ␹2= 8,337; p = 0,040; ␹2= 9,599; p = 0,022; ␹2= 9,399; p = 0,024 espe i amen e), assim como a higiene no lei o e os sin omas a ní el dos omb os, co o- elos e punhos/mãos (␹2= 8,853; p = 0,031; ␹2= 8,317; p = 0,040; ␹2= 9,599; p = 0,022 espe i amen e). No sen ido p o e o , obse a-se que o le an e com meios mecânicos é ambém es a is icamen e significa i o a ní el dos omb os e co o elos (␹2= 9,823, 0,020; ␹2= 7,915, 0,048, espe i- amen e), o que ep esen a uma diminuic¸ão da p obabilidade de sin omas com a u ilizac¸ão de meios mecânicos na a e a de le an e. De uma o ma ge al, julga-se possí el afi ma que as quei- xas dos en e mei os em Po ugal não são pa icula men e dis in as de ou os países, al como as suas a e as ambém não se conside am di e en es. Assim, a análise da p es ac¸ão de cuidados em en e ma- gem pode se ambém is a pelo lado do p es ado e, em pa icula , num oco cen ado sob e os e ei os da a i idade de abalho no indi íduo12. Se á impo an e, no u u o anali- sa di e enc¸as de sin oma ologia en e as di e sas ipologias de abalho dos en e mei os, designadamen e en e os que desempenham unc¸ões em meio hospi ala e nos di e en es se ic¸os, os que se encon am nos cuidados de saúde p imá- ios e nos cuidados con inuados e, po exemplo, aqueles que êm plu iemp ego, en e ou os. No essencial, a ma iz mul i a o ial da e iologia das LMELT engloba a o es p ofissionais que, dessa o ma, lhe con e em a si uac¸ão de «doenc¸a elacionada com o abalho»39. A sin oma ologia musculoesquelé ica e as doenc¸as « elacionadas» com a a i idade dos en e mei os deco em, de ac o, das condic¸ões de abalho e da o ganizac¸ão em que essa a i idade é p es ada e, ainda, das suas p óp ias ca ac e ís icas, capacidades e limi ac¸ões pessoais (di e en- es en e sexos e que se al e am ao longo do empo). Po exemplo, a ní el hospi ala exis e uma ele ada p e alência de sin omas de LMELT em en e mei os11, o que es a á po ce o associado às exigências colocadas no exe cício da sua a i idade p ofissional. Nesse con ex o, é necessá io in e i , em p imei o luga , no abalho, modificando-o, po exemplo, a a és (i) da disponibilizac¸ão de «ajudas écnicas» como equipamen os de ans e ência de doen es que eduzam as exigências ( ísicas) do abalho e (ii) da in oduc¸ão de algo i mos de decisão nas mobilizac¸ões, ans e ências e le an es, en e ou os. A pe spe i a de enca a es es aspe os das elac¸ões abalho/doenc¸a numa e en e de «ossos do o ício» é mui o di e gen e da iden ificac¸ão de a o es de isco e da p e enc¸ão dos seus e ei os cen ada na melho-