Celebração do 25.º Aniversário da Carta de Ottawa
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0870-9025X/$ - e in odução © 2011 Escola Nacional de Saúde Pública. Publicado po Else ie España, S.L. Todos os di ei os ese ados.
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Temas nes a Re is a
Edi o ial – A c ise e a saúde pública
Cus os indi ec os da do c ónica
U ilização do SF-6D na medição das p e e ências
dos po ugueses
E ei os ad e sos na p es ação de cuidados
hospi ala es em Po ugal no ano de 2008
E iologia e sensibilidade bac e iana em in ecções
do ac o u iná io
Me hicillin-Resis an S aphylococcus au eus (MRSA)
in a Po uguese hospi al and i s isk pe cep ion by
heal h ca e p o essionals
Associação en e os sin omas da dis unção empo o-
mandibula com ac o es psicológicos e al e ações
na coluna ce ical em alunos da ESSJP-Alga e
Análise compa a i a de mé odos de abo dagem
da obesidade in an il
Sa is ação p o¿ ssional dos en e mei os em cuidados
de saúde p imá ios
G au de conhecimen o e consumo de psico á macos
dos alunos da ESTSC
Associação en e o ma ke ing de p odu os alimen a es
de ele ada densidade ene gé ica e a obesidade in an il
Compa ação dos u en es do an igo Hospi al do
Des e o com os u en es do Hospi al de S. José no
acesso à consul a de Medicina In e na - Pa e I
saúde
pública
Re is a
po uguesa de
publicação semes al
Julho-Dezemb o2011
ISSN 0870-9025
Re Po Saúde Pública. 2011;29(2):200-202
A Ca a de O awa1, assinada no dia 21 de No emb o de 1986,
no inal da 1.ª Con e ência In e nacional sob e P omoção da
Saúde, p omo ida pela OMS e pelo Minis é io da Saúde do
Canadá, pe maneceu, a é aos dias de hoje, como um guia
o ien ado pa a o abalho em p omoção da saúde, como
uma on e de inspi ação e um desa io pa a a implemen ação
de mui as e di e sas inicia i as nes e domínio, apesa das
p o undas modi icações sociais que en e an o i e am luga .
Du an e os úl imos 25 anos, a Ca a de O awa in luenciou de
modo signi ica i o a o mulação de objec i os na á ea da saúde
pública. Pela pe inência da sua isão, dos seus p incípios e
das suas p opos as es a égicas, es e documen o ganhou um
es a u o p óp io, in eg ando hoje o co po eó ico de e e ência
da saúde pública.
Es a Ca a su ge na con inuidade de ou as inicia i as
p omo idas pela OMS, endo como p incipais undamen os, po
um lado, a de inição de saúde adop ada po es a O ganização,
no p eâmbulo da sua Cons i uição, em 1948, (saúde numa
pe spec i a bio-psico-social e não a me a ausência de doença),
po ou o, os p incípios exp essos na Decla ação de Alma-A a
sob e os Cuidados de Saúde P imá ios, ap o ada em 19782,3,4,5.
Na Decla ação de Alma-A a2, documen o igualmen e ma can e
na his ó ia da Saúde Pública, a saúde é econhecida como um
di ei o humano undamen al; as desigualdades em saúde são
conside adas inacei á eis; é econhecido o di ei o e o de e ,
de odos os cidadãos, de pa icipação no planeamen o dos
se iços de saúde e nas decisões elacionadas com a saúde; é
ei o um apelo à in e enção dos deciso es polí icos na c iação
de condições es u u ais a o á eis à saúde; os Cuidados de
Saúde P imá ios são alo izados como a g ande es a égia de
ob enção da “Saúde pa a odos”; a p omoção e a p o ecção da
saúde das pessoas e populações são conside adas como uma
condição essencial pa a o desen ol imen o económico e social
sus en á el, con ibuindo pa a aumen a a qualidade de ida
e a paz mundial2.
Pa a além do abalho da OMS, são de alo iza ou as
inicia i as nes e pe íodo, que i iam a e ela -se impo an es
na cons ução de uma no a abo dagem em Saúde Pública. São
de elemb a , en e ou as, o “Rela ó io Lalonde”, do Minis o
da Saúde do Canadá (1974), que in oduziu o concei o de
campo da saúde e es u u ou os de e minan es da saúde em
qua o g andes g upos – ac o es gené icos e biológicos, es ilos
de ida, ac o es ambien ais e se iços de saúde; a eo ia da
salu ogénese de Ab aham An onosky e os es udos sob e es ilos
de ida e saúde de Belloc e B eslow6,7,3,4,5,8.
Em 1984, a OMS, sob a lide ança de Hal dan Mahle , adop a a
es a égia “Saúde pa a odos no ano 2000”, exp imindo, assim,
uma on ade de conciliação de es o ços pa a a ob enção, não
só de mais saúde, mas ambém de uma maio equidade em
saúde9,3,10.
Nesse mesmo ano, na OMS é c iado o P og ama de P omoção
da Saúde e publicado um pequeno documen o: Concei os e
p incípios de p omoção da saúde11, documen o que con inha as
aízes concep uais do que i ia a se adop ado na Ca a de
O awa.
A Ca a de O awa su ge, assim, como documen o inal dos
abalhos da 1.ª Con e ência In e nacional sob e P omoção da
Saúde, ealizada de 17 a 21 de No emb o de 1986.
1. Tex o adap ado do discu so de abe u a do XX Encon o Nacional
da Associação Po uguesa pa a a P omoção da Saúde Pública, 21 de
No emb o de 2011.
* Au o pa a co espondência.
Co eio elec ónico: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
Em oco
Celeb ação do 25.º Ani e sá io da Ca a de O awa1
Emília Nunes*
Médica, Assis en e G aduada Sénio de Saúde Pública; P esiden e da Di ecção da Associação Po uguesa de P omoção da Saúde Pública.
Documen o desca egado de h p://www.else ie .p el 23/01/2012. Cópia pa a uso pessoal, es á o almen e p oibida a ansmissão des e documen o po qualque meio ou o ma.
Re Po Saúde Pública. 2011;29(2):200-202 201
Es a Ca a p opôs-nos uma isão: saúde e bem-es a pa a
odos, a a és da p omoção da li e acia e do empowe men
das pessoas e comunidades, condição essencial pa a
que es as sejam capazes de agi , de modo conscien e e
in o mado, sob e os ac o es de e minan es da saúde. O
abalho in e sec o ial, endo em is a a c iação de condições
ambien ais e sociais acili ado as de escolhas saudá eis e a
edução das desigualdades sociais, são conside adas condições
imp escindí eis pa a a ob enção de ganhos em saúde pa a oda
a população1.
Suma iamen e es a Ca a p opôs-nos ês es a égias pa a
uma no a saúde pública:
– Ad oga – de ende os in e esses da saúde pública em ace
de ou os in e esses;
– Capaci a – p omo e a li e acia e a capaci ação das pessoas,
amílias, g upos e populações pa a que es es sejam capazes
de aze escolhas p omo o as de saúde;
– Media – p omo e a colabo ação com ou os sec o es e
es abelece pa ce ias que con ibuam pa a c ia condições
de ida mais a o á eis à saúde.
e cinco á eas de acção:
• Adopção de polí icas públicas saudá eis em odos os sec o es
da go e nação;
• P omoção da li e acia, do empowe men e da capaci ação;
• Re o ço da acção comuni á ia e do papel da sociedade ci il;
• P omoção de ambien es saudá eis, a o ecedo es de
escolhas indi iduais e colec i as p omo o as de saúde;
• Reo ganização dos se iços de saúde, o nando-os mais
acessí eis e p óximos das populações.
Após a ap o ação des a Ca a, mui as inicia i as o am
implemen adas com assinalá el sucesso, sob a lide ança da
OMS. Des acam-se, en e ou as, a abo dagem cen ada em
se ings, como a Rede de Escolas P omo o as de Saúde e a
Rede de Cidades Saudá eis ou em ac o es de e minan es da
saúde, como a Con enção-Quad o pa a o Con olo do Tabaco,
o Plano de Acção Eu opeu pa a uma Polí ica de Alimen ação
e Nu ição ou a c iação da Comissão pa a os De e minan es
Sociais da Saúde. O nosso País acompanhou es as inicia i as,
endo dado passos impo an es em mui os domínios,
desde a saúde ma e no-in an il, à p omoção da saúde na
escola, ao con olo do consumo de abaco ou à edução dos
aciden es12,13,14,15.
Chegados a 2011, a OMS em em p epa ação uma es a égia
eu opeia 2020, que se á adop ada em 2012. Num ecen e
discu so de p epa ação des a es a égia a Di ec o a Ge al
da OMS – D a. Ma ga e h Chan – a i ma a: “A p e enção é
o co ação da saúde pública, mas a equidade é a sua alma”16.
A edução do g adien e social em saúde, a a és da
in e enção sob e os designados de e minan es sociais, de e
es a hoje no cen o das nossas p eocupações. As pessoas com
melho acesso à in o mação, capacidade de a comp eende
e u iliza (li e acia), maio acesso a bens económicos e a
se iços de saúde, conseguem en en a melho os iscos e
os cons angimen os do quo idiano, bene iciando mais dos
a anços na á ea médica e e apêu ica12,13,17,14.
Pelo con á io, a pob eza e a exclusão social a ec am o
bem-es a dos cidadãos, comp ome endo g a emen e a sua
capacidade de exp essão, de pa icipação na sociedade e de
acesso à educação, ao emp ego e à saúde.
Reduzi as iniquidades em saúde, a a és de in e enções
sob e os g andes de e minan es sociais, em pa icula sob e a
pob eza, a exclusão social e a ili e acia, é hoje um impe a i o
não só pa a os sis emas de saúde, mas pa a oda a sociedade.
Agi sob e os de e minan es sociais da saúde implica lu a
con a os e ei os ad e sos, económicos e sociais, deco en es
da globalização a que es amos hoje sujei os – massi icação,
libe alização económica, desemp ego, ma ginalidade,
pob eza e exclusão –, no sen ido de ga an i igualdade de
opo unidades en e géne os e en e di e en es g upos
sociais. Es e p ocesso implica uma es ei a aliança en e
odos os sec o es da go e nação (saúde em odas as polí icas),
o ganizações da sociedade ci il e cidadãos. Con udo, pa a
que os cidadãos possam assumi um papel ac i o na de esa
da saúde, se á necessá io ga an i o acesso à in o mação no
domínio da saúde e p omo e a capacidade de comp eensão
e lei u a c í ica da in o mação disponí el. É imp escindí el,
ambém, que es es disponham das compe ênciaa que lhes
pe mi am agi sob e os de e minan es da saúde indi idual e
colec i a, da mo i ação, do pode e de opo unidades de acção
e pa icipação12,18,13,16,14.
Num con ex o de c ise económica como aquela que
es amos a a a essa , a Saúde Pública em uma pa icula
esponsabilidade de de ende a saúde, de es a a en a e de
in e i em a o dos mais pob es e ulne á eis. De mobiliza
ecu sos e on ades, de capaci a , de media e de ad oga .
É indispensá el, po ém, e o ça a a aliação da e ec i idade
do abalho ealizado. Em pe íodo de escassez de ecu sos a
p eocupação com a e ec i idade e a e iciência das in e enções
é decisi a. São necessá ios esul ados, mas é p eciso se
capaz de os e idencia a a és de p ocessos de a aliação bem
conduzidos4,5,19.
Deco idos 25 anos, a Ca a de O awa man ém a sua
ac ualidade. Ap endemos mui o ao longo des e pe cu so.
Sabemos hoje o que de e se ei o. O desa io pa a o u u o é a
u gência de passa à p á ica.
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