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Os 50 anos da guerra colonial, a lusofonia, a cooperação e a saúde pública: editorial

Graça, Luís

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0870-9025X/$ - e in odução © 2011 Escola Nacional de Saúde Pública. Publicado po Else ie España, S.L. Todos os di ei os ese ados. www.else ie .p / psp Temas nes a Re is a Psicoeducação amilia na demência: da clínica à saúde pública Educação sexual, conhecimen os, c enças, a i udes e compo amen os nos adolescen es Qualidade do a in e io em es abelecimen os da es au ação após a en ada em igo da lei po uguesa de con olo do abagismo Epidemiologia de T ichomonas aginalis em mulhe es Impac o do canc o do osso e ecidos moles no ajus amen o emocional e qualidade de ida A e¿ cácia do p oFamílias em doen es de Aciden e Vascula Ce eb al (AVC) e canc o e seus amilia es Con ibu o pa a a classi¿ cação da uncionalidade na população com mais de 65 anos, segundo a Classi¿ cação In e nacional de Funcionalidade Qualidade de ida de mulhe es com canc o da mama nas di e sas ases da doença: o papel de a iá eis sociodemog á¿ cas, clínicas e das es a égias de coping enquan o ac o es de isco/p o ecção Bio oxinas eme gen es em águas eu opeias e no os iscos pa a a saúde pública Conhecimen o de ac o es de isco e de p o¿ laxia na ansmissão da b ucelose humana nos p o¿ ssionais da pecuá ia na p o íncia do Namibe – Angola – 2009 saúde pública Re is a po uguesa de publicação semes al Janei o-Junho2011 ISSN 0870-9025 Re Po Saúde Pública. 2011;29(1):1-2 Edi o ial Os 50 anos da gue a colonial, a luso onia, a coope ação e a saúde pública The 50-yea colonial wa , lusophony, coope a ion and public heal h A gue a colonial (1961/75) e á sido possi elmen e o acon ecimen o mais ma can e da sociedade po uguesa do Séc. xx (Em igo de e -se-ia ala em gue as coloniais, já que há um sucessão de in e enções mili a es po ugueses nos e i ó ios ul ama inos, da Guiné a Timo , desde inais do Séc. xix, ou seja , desde a expansão colonial eu opeia, na sequência da Con e ência de Be lim , em 1884/85). O seu des echo le ou não só à es au ação da democ acia em Po ugal, com o 25 de Ab il de 1974, mas ambém ao desman elamen o do elho impé io colonial (Índia Po uguesa, Guiné, Cabo Ve de, São Tomé e P íncipe, Moçambique, Angola, Macau, Timo ), e ao apa ecimen o de no as nações lusó onas, mais de cen o e cinquen a anos depois da independência do B asil (em 1822). Pela p imei a ez na sua his ó ia, Po ugal ia-se eduzido, em 1975, aos seus 89 mil quilóme os quad ados de meados do Séc. x , à sua dimensão a lân ica, con inen al e eu opeia. E hoje, no seio da Comunidade de Países de Língua Po uguesa (CPLP), é um país espei ado e p es igiado, em paz (e coope ação) com as suas an igas colónias. O eno me es o ço de gue a, ao longo de 14 anos (1961/75), e e consequências, ele an es pa a a demog a ia, a economia, a polí ica e a é a saúde pública: a mobilização de quase um milhão de homens (800 mil do ec u amen o me opoli ano), e nomeadamen e pa a ês ea os de ope ações, mui o dis an es da ec agua da: Guiné (a 5 mil quilóme os), Angola (a 8 mil), Moçambique (a 12 mil); uma despesa mili a que chegou a ul apassa mais de me ade do o çamen o de Es ado (em 1969); o isolamen o e o desp es ígio a ní el in e nacional, e c. Em 25 de Ab il de 1974, os e ec i os das Fo ças A madas Po ugueses ul apassa am os 230 mil, ês qua os dos quais es a am nos ci ados ea os de gue a. Segundo his o ióg a os mili a es, o es o ço humano despendido po Po ugal na gue a colonial, àquela da a, e á sido 4 a 5 ezes supe io ao do EUA que, com uma população 23 ezes maio , e e no máximo ce ca de 540 mil homens no Vie name (em 1969). Es ima-se em 200 mil o núme o de e ac á ios e em 3 mil o de dese o es. Ce ca de 9 mil comba en es mo e am, em consequência de e imen os em comba e, aciden e ou doença. Os e idos e ão sido ce ca de 30 mil. Mais di ícil é con abiliza as í imas de s ess pós- aumá ico de gue a (ce ca de 140 mil, ou seja, 15% dos e ec i os me opoli anos), os que mo e am p ecocemen e, os que se suicida am ou en a am o suicídio, as í imas de iolência, abandono, pob eza e exclusão social (incluindo dezenas de milha es de a icanos – ce ca de 70 mil, no inal da gue a − que comba e am nas ilei as do exé ci o po uguês, como soldados do ec u amen o local ou como milícias, e cujos di ei os – a começa pela sua ida e segu ança – não o am de idamen e acau elados, pa a não dize que o am pu a e simplesmen e igno ados, desp ezados ou escamo eados). Mais di ícil ainda é hoje aze a es ima i a das í imas, de odo o ipo, en e os comba en es dos mo imen os de libe ação e as populações a icanas, de um lado e do ou o. Pa a não ala da des uição e desa iculação das es u u as ma e iais e simbólicas das sociedades a icanas. E, en im, es á-se longe de sabe o impac o, na saúde ísica e men al das amílias po uguesas que agua da am o eg esso dos seus ilhos, sãos e sal os, sendo o único elo de ligação o se iço pos al mili a (E am dis ibuídos anualmen e pelo Mo imen o Nacional Feminino, c iado em 1961, ce ca de 32 milhões de ae og amas, nos úl imos anos de gue a). Tal ez ce ca de 80 mil mulhe es e ou os amilia es de ex-comba en es possam ainda hoje se í imas da chamada Pe ubação Secundá ia de S ess T aumá ico (PSST). Po ugal nunca ez (ou es á ago a a azê-lo, a dia e len amen e) esse balanço (global) de uma gue a que, con a iamen e a ou as (in asões es angei as, gue as 1-2 EDITORIAL.indd 11-2 EDITORIAL.indd 1 10/6/11 12:10:1810/6/11 12:10:18 Documen o desca gado de h p://www.else ie .es el 14/07/2011. Copia pa a uso pe sonal, se p ohíbe la ansmisión de es e documen o po cualquie medio o o ma o. 2 Re Po Saúde Pública. 2011;29(1):1-2 ci is…) se passou a mui os milha es de quilóme os de dis ância da Pá ia, em egiões opicais. Po ugal nunca ez o lu o da gue a colonial (ou es á ago a azê-lo, a dia e len amen e). Mas o mesmo se passa com os no os países que comba e am o exé ci o colonial po uguês e que, depois das suas independências, se i am en ol idos em gue as ci is (Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, Timo )... Cinquen a anos do início da gue a colonial (em 1961, em Angola), em indo a aumen a a li e a u a memo ialís ica, a p odução iccional, a p odução bloguís ica, a in es igação cien í ica, o in e esse dos media (cinema, ele isão, imp ensa esc i a) pela gue a colonial… Mas não há, po exemplo, es udos de epidemiologia his ó ica sob e a mo bimo alidade dos comba en es da gue a colonial… Nem sabemos, ao ce o, quan o médicos passa am pelos ea os de ope ações (en e 1400 a 1600, com base dum ácio de 1 médico po 600 mili a es, ope acionais e não ope acionais). Ou a e ec i idade do papel dos se iços de saúde mili a no apoio às populações a icanas du an e a gue a. Só em 2000 oi c iada “a ede nacional de apoio aos mili a es e ex-mili a es po ugueses po ado es de pe u bação psicológica c ónica esul an e da exposição a ac o es aumá icos de s ess du an e a ida mili a ” (D. L. nº 50/2000, de 7 de Ab il), ede essa que é cons i uída pelas ins i uições e se iços in eg ados no Se iço Nacional de Saúde, no Sis ema de Saúde Mili a e pelas o ganizações não go e namen ais com as quais sejam celeb ados p o ocolos. No en an o, es a ede em sido acusada de e um uncionamen o demasiado bu oc á ico. Igualmen e o Se iço Nacional de Saúde é al o de c í icas pelas di iculdades de espos a, ápida e e icaz, a es es casos de Pe u bação Pós- S ess T aumá ico (de aco do com a e minologia po uguesa consensualizada). E mui as dos po enciais bene iciá ios da ede desconhecem a sua exis ência. Há associações da sociedade ci il como a Apoia que azem acompanhamen o g a ui o (clínico, médico e social) às í imas de S ess Pós-T aumá ico de Gue a, necessi ando apenas que o in e essado peça ao seu médico de amília o Modelo 1 de idamen e p eenchido e assinado po ele, de aco do com o dispos o na Ci cula No ma i a nº 11/DSPSM, de 13/08/2001, da Di ecção Ge al de Saúde... Es a ci cula di igida aos écnicos dos se iços de saúde e des inada a di ulga os imp essos pa a admissão na ede e a cla i ica os p ocedimen os a e na elabo ação dos p ocessos clínicos. Tal ez nenhum país eu opeu, em meados dos anos 70, em plena gue a ia, em ope ado an as mudanças, ins i ucionais, ju ídicas, polí icas, económicas, sociais, sani á ias, epidemiológicas, demog á icas e cul u ais, desde o im da gue a colonial à descolonização e à in eg ação dos chamados e o nados, da c iação do Se iço Nacional de Saúde à d ás ica edução da mo alidade in an il… Fica-nos a dú ida se não pode íamos e ei o mais, e sob e udo melho , pela plena eabili ação e ein eg ação dos comba en es da gue a colonial (aos di e en es ní eis, e nomeadamen e sani á io, psicossocial e sócio- amilia ). Te emos ambém pe dido aqui uma excelen e opo unidade de mos a que coope ação, saúde pública e luso onia alam (ou de em ala ) a mesma língua… e que, a inal, “em bom po uguês nos en endemos”. Luis G aça Di ec o Re is a Po uguesa de Saúde Pública Co eio elec ónico: [email p o ec ed] 1-2 EDITORIAL.indd 21-2 EDITORIAL.indd 2 10/6/11 12:10:1810/6/11 12:10:18 Documen o desca gado de h p://www.else ie .es el 14/07/2011. Copia pa a uso pe sonal, se p ohíbe la ansmisión de es e documen o po cualquie medio o o ma o.