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Expor a investigação – dois percursos pela obra de Henrique Pousão

Matos, Lúcia Almeida,Silva, Vítor

Abstract

Em 2009, a Universidade do Porto e o Museu Nacional de Soares dos Reis comemoraram o 150º aniversário de Henrique Pousão (1859-1884), estudante da Academia Portuense de Belas Artes, de que a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto é herdeira, e um dos artistas mais representados na colecção e exposição permanente do MNSR. Dos programas de comemorações fizeram parte as exposições, Esperando o Sucesso. Impasse académico e despertar do modernismo e Diário de um Estudante de Belas Artes. Henrique Pousão (1859-1884) apresentadas no MNSR. Os projectos expositivos surgiram a partir de investigações desenvolvidas pelos respectivos comissários e utilizaram, em larga medida as colecções da FBAUP, FAUP e do MNSR. Neste texto, apresenta-se o contexto de produção de ambas as exposições e examina-se as opções curadoriais e estratégias expositivas adoptadas avançando, por fim, com uma primeira avaliação dos resultados. Esta reflexão e análise de dois modelos distintos de exposição, em torno de um mesmo artista, pretende contribuir para uma emergente área de estudo e crítica desse dispositivo de apresentação e disseminação de conhecimento que é a exposição em contexto museológico.

Full text

Resumo Em 2009, a Uni e sidade do Po o e o Museu Nacional de Soa es dos Reis comemo- a am o 150º ani e sá io de Hen ique Pousão (1859-1884), es udan e da Academia Po uense de Belas A es, de que a Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o é he dei a, e um dos a is as mais ep esen ados na colecção e exposição pe - manen e do MNSR. Dos p og amas de comemo ações ize am pa e as exposições Espe ando o Sucesso. Impasse académico e despe a do mode nismo e Diá io de um Es udan e de Belas A es. Hen ique Pousão (1859-1884) ap esen adas no MNSR. Os p ojec os exposi i os su gi am a pa i de in es igações desen ol idas pelos espec- i os comissá ios e u iliza am, em la ga medida as colecções da FBAUP, FAUP e do MNSR. Nes e ex o, ap esen a-se o con ex o de p odução de ambas as exposições e examina-se as opções cu ado iais e es a égias exposi i as adop adas a ançando, po im, com uma p imei a a aliação dos esul ados. Es a e lexão e análise de dois modelos dis in os de exposição, em o no de um mesmo a is a, p e ende con ibui pa a uma eme gen e á ea de es udo e c í ica desse disposi i o de ap esen ação e dis- seminação de conhecimen o que é a exposição em con ex o museológico. • Abs ac In 2009, Uni e sidade do Po o and Museu Nacional de Soa es dos Reis (MNSR), joi- ned e o s o celeb a e he 150 h bi hday o Hen ique Pousão (1859-1884), a dis- inguished s uden o he o me Academia Po uense de Belas A s, now he Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o (FBAUP) and one o he mos emi- nen a is s ep esen ed in he collec ion and pe manen exhibi ion o he men ioned Museum. The celeb a ions p og am included wo exhibi ions, in he MNSR, Wai ing o Success. Academic impass and mode nism o Hen ique Pousão and Dia y o a Fine A S uden : Hen ique Pousão (1859-1884) . The exhibi ions s emmed om in es i- ga ion ca ied ou by each o he cu a o s and made ex ensi e use o he collec ion o he wo ins i u ions in ol ed. This pape p esen s he p oduc ion con ex o bo h exhibi ions and examines he cu a o ial choices and he exhibi ion s a egies adop ed leading up o a i s e alua ion o he esul s achie ed. Th ough c i ical examina ion o wo di e en exhibi ion models o he wo k o one same a is , his pape aims o con ibu e o an eme ging a ea o c i ical s udy o ha ehicle o p esen a ion and dissemina ion o knowledge ha is he exhibi ion in he con ex o he museum. • pala as-cha e A e In es igação Exposição Cu ado ia Museu key-wo ds A Resea ch Exhibi ion Cu a o ship Museum In odução O p esen e ex o, esc i o a qua o mãos, egis a dois pe cu sos de in es igação em o no de aspec os da ob a de Hen ique Pousão e a p odução de subsequen es exposições1, no Museu Nacional de Soa es dos Reis, po ocasião das comemo ações do 150º ani- e sá io do nascimen o do a is a. Os dois casos ap esen ados consubs anciam es a- égias de di ulgação de p ojec os de in es igação na á ea dos es udos a ís icos a a és da exposição em con ex o museológico. Obedecendo a mé odos de abalho, cons an- gimen os empo ais e linguagens de ap esen ação mui o di e sos, in es igação e expo- sição e ela am-se, nas duas expe iências, p odu i amen e complemen a es: a in es igação descob indo possibilidades de explo ação de con on os, a inidades e pe cu sos no os, a exposição ab indo ias de comunicação com um público ala gado e, é cla o, p opo cionando a insubs i uí el expe iência di ec a das ob as. Sendo que o pon o de pa ida, em ambos os casos, oi a in es igação le ada a cabo ao longo de á ios anos, desen ol ida de aco do com me odologias sedimen adas no meio académico e cien í ico, e di ulgada pelos disposi i os habi uais da publicação ou ap e- sen ação em con e ência, a na u eza a ís ica do objec o de es udo suge iu a u iliza- ção da exposição como eículo especialmen e ocacionado pa a po à p o a hipó eses, conexões e conclusões deco en es da in es igação. A p imei a ques ão colocada, ao op a pelo modelo exposi i o pa a ap esen ação e di ulgação da in es igação, oi a possibilidade de adequa a na u eza, me odologia e objec i os da comunicação cien í ica à linguagem especí ica da exposição. Numa ase pos e io , p ocu ou-se a alia a é que pon o o esul ado ob ido se ap esen ou en ique- cedo pa a ambos os campos de ac i idade analisando es a égias exposi i as u iliza- EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO LÚCIA ALMEIDA MATOS Ins i u o de His ó ia da A e FCSH/UNL, linha de Museum S udies Faculdade de Belas A es, Uni e sidade do Po o VÍTOR SILVA Faculdade de A qui ec u a, Uni e sidade do Po o 1A p imei a comissa iada po Ví o Sil a, e segun- da po Lúcia Almeida Ma os. 193 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 das e a sua e icácia enquan o eículos de di ulgação das in es igações que as mo i a am pa a, inalmen e, suge i a possibilidade de as exposições pode em cons- i ui -se, elas p óp ias, não só ins umen os mas ambém objec os de in es igação. Os casos ap esen ados, epo ando-se à ob a de um mesmo a is a expos a numa mesma ins i uição museológica e, em pa e, num mesmo espaço exposi i o, di e - gem no objec o especí ico de es udo (uma única ob a no p imei o caso, odo um pe - cu so a ís ico no segundo) e, consequen emen e, nos objec i os e mé odos de análise e ap esen ação. Es a ci cuns ância de alguma jus aposição, e, simul anea- men e, di e gência, jus i ica a análise conjun a e e en ualmen e complemen a , que aqui se p opõe. A na u eza colabo a i a do abalho en ol ido na p epa ação de qualque exposição, ganhou especial signi icado em ambos os casos ap esen ados. Em conside ação es a a não apenas a in eg ação, na p og amação do Museu Nacional de Soa es dos Reis, de p opos as ex e nas mas sob e udo a ci cuns ância de g ande pa e das ob as expos as pe ence em à colecção do Museu e des as, um núme o signi ica i o se encon a em exposição pe manen e cons uída de aco do com c i é ios necessa iamen e di e sos dos que se p opunham pa a as duas exposições empo á ias. A sensibilidade da di ecção do Museu, o p o undo conhecimen o da colecção e as a expe iência da equipa écnica que acompanhou ambos os p ojec os o am decisi os pa a, sem des i ua as ideias o ien ado as dos comissá ios, se encon a em soluções de complemen a idade com as ob as em exposição pe manen e, e i ando edundâncias e, pelo con á io, i ando o máximo pa ido do ac o exponenciado dos p ojec os empo á ios. I. Espe ando o Sucesso: impasse académico e mode nismo de Hen ique Pousão – Museu Nacional de Soa es dos Reis – 26 de Ma ço a 28 de Junho de 2009. A ob a Espe ando o Sucesso (FIG. 1), pin u a de Hen ique Pousão, pe encen e ao Museu Nacional de Soa es dos Reis, o nou-se a pa i de 2002 o mo i o cen al de uma in es igação sob e desenho, sob e o sen ido e o signi icado da sua p esença e ep e- sen ação. Numa p imei a ase, es e abalho oi desen ol ido sem in enção ou p ojec o de exposição, endo sido objec o de múl iplas conside ações me odológicas e c í icas, odas elas di ec amen e imb icadas no pe cu so e na heu ís ica da in es igação2. A escolha des a pin u a de e-se ao ac o dela mesma exibi a ep esen ação do desenho, ao elaciona aspec os imedia amen e isí eis e singula es, como o dese- nho in an il e o esboço a “ca ão” mas ambém po combina , numa mesma igu a- ção, o ges o e a emoção de mos a o desenho; o modelo e o jo em desenhado ; o espaço do a elie e o “luga ” do espec ado ; e, ainda, po e ela , de o ma quase impe cep í el, a ca ica u a do p óp io pin o . O desenho cons i ui-se assim o e lexo c ia i o de múl iplas o mas e imagens da pin- u a. Pe an e o espec ado “mode no”, a p esença do desenho den o da pin u a con- igu a uma dis ibuição sensí el e ans o mado a das p á icas a ís icas. O desenho anspa ece a a és da pele da pin u a. Não como uma es a égia que lhe é subja- cen e mas como exp essão jus apos a, pa alela e, po que não!, au ónoma da pin u a. 2Es a in es igação, no âmbi o da p opos a de Pós- -Dou o amen o, com o P o esso Lino Gelabe Ca- bezas, ob e e o apoio da FCT, en e 2006-2008. O esul ado p á ico da in es igação consis iu no comissa iado da Exposição e no ex o do ca álo- go da exposição Espe ando o Sucesso, impasse académico e despe a do mode ismo de Hen i- que Pousão , Museu Nacional de Soa es dos Reis, Po o, Lisboa: IMC, 2009. EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO 194 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 O desenho e o ensino do desenho o nam-se uma a iedade es é ica, uma no a expe iência exp essi a e emo i a. Ao longo dos úl imos anos, os esul ados do es udo o am sendo publicados sob a o ma de pequenos ensaios, de inindo um conjun o de ques ões eó icas e p á icas sob e a análise o mal, his ó ica e iconog á ica des a ob a singula de Pousão3. A ideia da exposição su gi ia mais a de, em 2007, inda de o a, como espos a aos ex os publicados4. Enquan o a in es igação p opunha cons ui um mapa de di e en es ima- EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO FIG. 1– Hen ique Pousão - Espe ando o sucesso , [1882]. Óleo sob e ela, 131,5 x83,5 cm, MNSR, in . 108 Pin. © Ca los Mon ei o, DDF/IMC. 195 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 3Os ex os o am publicados nas Re is as: PSIAX , Po o, A eTeo ia , Lisboa e De i as , A ei o. C . Bi- bliog a ia Ca álogo da Exposição Espe ando o Su- cesso, Op.ci . , p. 63. 4Sem a ideia de Ma a Mes e, sem a sua inicia i- a, sem o seu en usiasmo e gene osa colabo ação, es e p ojec o nunca e ia exis ido. Uma pala a de econhecimen o e de ag adecimen o pa a o João F ancisco Figuei a po e incen i ado udo is o. gens e documen os, do passado e da ac ualidade, capaz de p omo e con adições e p incípios de associação, não in e idos po qualque modelo monog á ico mas, an es, decidido em p o oca no as o ien ações e em susci a di e en es in e oga- ções, a p opos a de exposição, conside ada a as a ampli ude dos p oblemas susci- ados em o no de um olha sob e uma única ob a e sob e um ema especí ico, o desenho, desdob a a-se num mosaico de ope ações isuais e de pe cu sos exposi- i os complexos. Des e modo, a ideia da p opos a não abdica a dos p incípios da in es igação e de descobe a que cons i uíam o seu p óp io âmbi o e ajec o heu- ís ico. Con udo, à medida em que a in es igação se aduzia na o ma de um p o- jec o de exposição, es a oi ganhando, com o empo, um ca ác e e uma dimensão p óp ia, con ibuindo pa a e o ça a pe inência da sua hipó ese e ealização. Com o empenho e o in e esse mani es ado, desde a p imei a ho a5, pelo Museu Nacio- nal de Soa es dos Reis do Po o, a inicia i a, com o í ulo Espe ando o Sucesso: impasse académico e mode nismo de Hen ique Pousão , eio a in eg a o p og ama das come- mo ações dos 150 anos do nascimen o de Hen ique Pousão6. A p opos a de exposi- ção oi objec o de longas e es imulan es negociações com as conse ado as e es an e equipa écnica do Museu. Com a colabo ação e o apoio, semp e gene oso e compe- en e, de Ana Paula Machado e Elisa Soa es, oi possí el adequa , adap a e de ini uma p opos a e um pe cu so de exposição capazes de in eg a a complexidade eó ica e os núcleos undamen ais da in es igação edimensionando os núcleos e eduzindo o núme o de ob as e imagens com o in ui o de delimi a e de o na mais cla o pa a o isi- an e o con eúdo da in es igação. A con ibuição écnica e a expe iência p á ica do Museu e elou-se pois decisi a, pe mi indo e o mula aspec os da p opos a inicial, cuja dimensão e ambição p og amá ica se ia di ícil de concilia numa única exposição. Desen ol e a in es igação sob e uma única ob a pe mi iu ab i um mundo desconhe- cido de in e - elações, en ol endo di e en es domínios como os da his ó ia, da a e, da iconog a ia, do desenho, da e nog a ia, da o og a ia e da cul u a isual e expe i- men a um quad o de no as hipó eses eó icas onde as ep esen ações do desenho e a in enção mimé ica da pin u a se êem in ensi icadas, como num caleidoscópio, a a és do jogo da sua e lexi idade e do ci cui o da sua in e pelação emo i a. Desde o início, a singula idade des e pa icula objec o de es udo pe mi iu-nos con- side a a simul aneidade con adi ó ia dos di e en es aspec os isuais, das análises e das hipó eses que nele, his o icamen e, se condensam e e elam de o ma supe la- i a. Con a os e ei os do comp omisso es é ico e his o icis a, que sa is azem a na - a i a monog á ica do pin o , p ocu ou-se acima de udo es uda o amplo con ex o empo al, isual e exp essi o que engloba o exe cício da sua obse ação e in e p e- ação. Hoje, pa a o olha que a con empla, sen e-se que a sua p esença é um es e- munho pa a o nosso empo: uma imagem que nos in e pela sob e a exis ência do desenho e do desenhado ; que nos ques iona sob e a ac i idade da pin u a e do pin- o ; que nos con on a, com malícia, sob e a nossa p óp ia condição de espec ado . Des e modo, a nossa in es igação p e e iu indaga as impe inências o mais e exp es- si as que, com incisi o humo , se exp imem nes a pin u a. Po isso, mais do que en- EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO 196 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 5A p imei a p opos a oi ap esen ada em 2006 à Di ec o a do MNSR, D ª Te esa Viana, que acolheu com en usiasmo es e p ojec o. 6Ag adecimen o mui o especial à Di ec o a do MNSR, D ª Ma ia João Vasconcelos, po odo o apoio e dedicação dispensados pa a o êxi o da Exposição. FIG. 2 - Es udo de dis ibuição dos espaços, desenho de Ví o Sil a. a explica um es ilo p ocu ou-se implica a pa e de desconhecido que es u u a, em e mos o mais, igu a i os e na a i os, a pa ódia e a in e pelação cómica da pin u a. A pesquisa descob iu que o exe cício da au o-ca ica u a e a igu a do pequeno pas o ciocia o cons i uem dois dados ele an es da imagem, dois aspec os igno ados mas undamen ais da in e p e ação, onde se e êem e lec idos, como num espelho, o e a o do jo em pin o e a emoção da pin u a mode na . A pin u a Espe ando o Sucesso cons i ui a espos a, au o-c í ica e humo ís ica, de uma as a in e ogação colocada aos ins e à inalidade da ap endizagem a ís ica. De ac- o, os p ocessos do desenho es ão p esen es como que pa a p e igu a as consequên- cias de uma c í ica da ep esen ação e das belas-a es que a up u a do mode no sou- be inaugu a . O desenho o na-se aquilo que é: um espaço de a iedade sensí el, uma imagem em ans o mação. O desenho não é mais o exe cício de cópia ou a sua ideia o ma i a. Não é mais a ep esen ação do imaginá io nem o ins umen o do p ojec o, mas a elação do eal que ele mesmo p oduz: a possibilidade de no as o mas e emo- ções que a a essam a sua p óp ia po ência e condição exp essi a. A pin u a de Pousão, Espe ando o Sucesso , ala-nos dis o udo. Hoje, a p á ica do dese- nho az-se e pensa-se na elação com as suas imagens, com a sua his ó ia, com a necessidade e o acaso das sensações, dos cons angimen os ma e iais e da libe dade indi- idual que es ão na sua o igem. Espe ando o sucesso p opõe-nos assim uma encenação p oposi adamen e sa í ica e c í ica do desenho e da pin u a, po onde as belas simili u- des académicas ope am conjun amen e com as pe u bado as dissimili udes mode - nas, complicando a an iga inalidade do desenho e a “ince eza” do seu p óp io im. O desa io de expo as p emissas e os esul ados des a in es igação implicou, como oi di o, um exe cício de sín ese e de adequação a linguagens e es a égias eminen emen e EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO 197 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 3 - Vis a a pa i do im da sala, o og a ia de Ví o Sil a. isuais, num espaço limi ado. Assim, o objec i o da exposição consis iu, no essencial, em p opo uma dis ibuição do mapeamen o das di e en es elações e in e p e ações isuais da pin u a, Espe ando o Sucesso , ab indo-a ao olha e à conside ação de no as e pe inen es con aposições c í icas, empo ais e exp essi as. Pa a co esponde a es e p opósi o oi necessá io es abelece um aco do en e as con- dições de espaço, a lógica dos pe cu sos e a coe ência dos núcleos in e p e a i os, p o- cu ando man e um p incípio de exibição e de e lexão cen ado, undamen almen e, na pin u a Espe ando o Sucesso . Es e p incípio cen al de e minou a composição e o ace o dos di e sos núcleos bem como a es u u ação gené ica das peças e dos objec- os seleccionados, deixando em abe o o impac o das elações e a li e associação das o mas e dos con eúdos eunidos. A posição axial da pin u a e a disposição, quase axio- má ica, dos núcleos, associada ao des aque de algumas peças, pe mi iu o ien a os e ei- os de es anheza e de dispa idade de algumas imagens e objec os expos os. A in eg ação de imagens e ex os, ob as de a e e documen os, ilus ações e o o- g a ias, desenhos e escul u as, ex os de pa ede e ou os meios isuais, e e como objec i o p incipal o ap o undamen o do nosso olha e do nosso sabe sob e es a pin u a de Hen ique Pousão, mos ando os aspec os singula es da cul u a e da memó ia isual que, no nosso en ende , en e ecem a expe iência e a his ó ia des a pin u a : Espe ando o Sucesso . A lógica de associação e de mon agem obedeceu ao p incípio do mapeamen o das elações possí eis en e a pin u a de Pousão e a a e do seu empo, conside ando ambém a implicação de ou as imagens com as quais se compunham di e en es analogias emá icas, iconog á icas, exp essi as e empo ais. De aco do com es e p incípio, a ca ac e ís ica do espaço e a escolha das peças de e mina am um pe - cu so que se quis sób io e a iculado, endo como condição essencial a ocagem no EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO 198 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 4 - Vis a da en ada da sala, o og a ia de Ví o Sil a. objec o- eó ico da exposição e a dis ibuição conjugada dos di e en es núcleos p e iamen e de inidos. A condição excepcional de acesso à sala, descendo uma escada ia, pe mi ia abo da num elance o espaço de exibição, con idando o público pa a um i ine á io expec á el que apenas pedia se pe co ido pela cu iosidade e pela su p esa das elações p opos as. A sala de exposição, como uma caixa echada, longa e ec angula , pe mi iu dispo , pa a es e e ei o, de di e en es disposi i os, azendo uso não só das pa edes, como ambém de mesas, de plin os e de ec ãs, no sen ido de p omo e dis in os modos de olha e de en ende o jogo das disjunções e das elações p opos as pelos di e en es objec os7. A isibilidade da pin u a- ema da exposição – apenas isí el do in e io da sala - e a assegu ada po um co edo que lhe e a on al e po uma linha diagonal, i ual - que pe co ia oda a “caixa” espacial - onde se des aca am, núcleo a núcleo, algumas peças de e e ência, como po exemplo a escul u a de Soa es dos Reis, O A is a na In ância, e a maque a do monumen o a Pousão, de Amé ico Gomes e Joaquim Madu ei a ilho8. A in enção undamen al des e disposi i o, ao in és de c ia um pe cu so linea e con- ínuo, consis ia em man e uma pe spec i a isual sob e a pin u a de Pousão, assegu- ando um “espaçamen o” que in eg asse a dis ância e a p oximidade, e osse capaz de c ia , a a és das imagens dos sucessi os núcleos, uma sequência de “chamadas” e de “in igas” isuais. O e o no ao pon o de pa ida o e ecia ao isi an e a possibilidade de es e pode e e e lemb a as disjunções e/ou as associações p oduzidas, p opo cio- nando o con ac o e o ai ém sob e a maio ia das imagens pos as em con on o. Como es a égica gené ica p i ilegiou-se assim um sis ema sequencial de núcleos, cabendo ao p imei o conjun o islumb a imagens e con eúdos essenciais. O quad o Espe ando o Sucesso combina a, num p imei o conjun o, os emas do au o- e a o, do modelo ciocia o , do jo em desenhado e do a elie do a is a. Com es e p opósi o as pin u as de An ónio Mancini, de Walle and Vaillan , e a ep odução, em caixa de luz, do pequeno quad o de F ancesco Ca o o, p opunham-se a icula aspec os mais ou menos e iden es da ela de Pousão mas ambém con on a elações isuais nunca an es combinadas. Es e núcleo, de o e p esença es é ica, incidência iconog á ica e implicação anac ónica, pe mi ia desde logo i adia ques ões que se iam e omadas mais adian e nos núcleos seguin es. A colocação quase cen al da escul u a de Soa es dos Reis, O a is a na in ância , ele- men o pi o da exposição, pe mi iu o ien a e edis ibui o jogo das imagens e das ap oximações que o mais que exp essi as dos di e en es núcleos. A maque a do Monumen o a Pousão , colocada no núcleo inal, pe mi ia amplia es e e ei o de espa- cialização e de o ien ação, ei e ando o p essupos o exis en e en e odas as peças e em especial en e a pin u a o iginal - Espe ando o Sucesso - e os seus e ei os, como, po exemplo, o baixo ele o em b onze do escul o Amé ico Gomes. A p esença da o og a ia, aspec o disc e o mas in luen e no pe cu so in e p e a i o da exposição, pe mi iu associa o Álbum A Hen ique Pousão , pela p imei a ez exibido, e elaciona ou as imagens, como a es ampa e a g a u a. Es as imagens o am expos as em i ines com o in ui o de sublinha o ca ác e documen al e o apoio a ís ico que EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO 199 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 7Mui os es udos de dis ibuição do espaço o am p e iamen e desenhados insis indo na o ganiza- ção de um co edo cen al, e FIG. 2. 8C . a imagem o og á ica do espaço da exposi- ção, FIG. 3 e 4. a a és delas se in e e na elação p i ilegiada com a a e do século XIX e, em especial, com a pin u a de Pousão. Na mon agem da exposição en endeu-se que os ex os de pa ede se iam um modo acessí el de ap esen a e de con ex ualiza , núcleo a núcleo, os con eúdos e os emas da exposição, seguindo de algum modo a lógica dis ibu i a e i adian e dos p oble- mas: o e a o do a is a quando jo em ; a igu a do jo em desenhado ; a cul u a aca- démica do desenho; o modelo in an il; o ciocia o ; os usos da o og a ia, o a elie e a o una c í ica da ob a. A ca ac e ização desc i i a dos núcleos obedeceu a um único objec i o: conjuga simili udes e analogias especí icas p essupondo, po ou o lado, um p incípio de e lexão e de essonância de e minado pela ob a cen al da exposição. As isi as guiadas e o ciclo de Con e sas9pe mi i am ambém ap o unda ques ões e p oblemas colocados pela exposição. Po im, a publicação do ca álogo p ocu ou cons- i ui -se a memó ia possí el da exposição e a p o a de que exis em no as descobe as e no as expe iências de in es igação. II. Diá io de um Es udan e de Belas A es: Hen ique Pousão (1859-1884) – Museu Nacional de Soa es dos Reis – 22 de Ou ub o de 2009 a 7 de Janei o de 2010 A ob a de Hen ique Pousão encon a-se, na sua as a maio ia, localizada em duas ins- i uições: o Museu Nacional de Soa es dos Reis e a Faculdade de Belas A es da Uni- e sidade do Po o. O ac o de e-se à cla i idência do pai do a is a que, desejoso de assegu a a p ese ação da ob a do ilho, en endeu en egá-la, na sua quase o alidade, à Academia Po uense de Belas A es. Hoje, uma pa e signi ica i a desse ace o, pode se is o, como é sabido, em exposição pe manen e no MNSR que, no en an o, em man ido em ese a uma pa e dos abalhos em mui o pequeno o ma o, as cópias, as agua elas e os poucos desenhos exis en es na colecção. Também o ace o da FBAUP, na sua maio ia desenhos p oduzidos no âmbi o da o mação de Pousão no Po o, Pa is e Roma, es á a amen e acessí el. Pa a além das ob as, a FBAUP gua da, no seu A qui o, documen ação undamen al pa a con ex ualiza g ande pa e da ob a, já que, du an e a sua mui o cu a ida, Pousão oi semp e um es udan e de Belas A es sendo, po an o, objec o de a aliação e p emiação egis adas em Ac as ou man endo con ac o egula com a ins i uição a a és de co espondência á ia e dos ela ó ios anuais a que es a a egulamen a men e ob igado. P e endendo aça a cons ução de um pe cu so a ís ico con ex ualizado pelas con- dicionan es de p odução e de ecepção, a in es igação desen ol ia-se necessa ia- men e em ex ensão: a a a-se de cump i um p imei o objec i o, de iden i ica o luga e o momen o de p odução de cada ob a exis en e nos ace os de ambas as ins- i uições e, in e samen e, iden i ica as ob as po ezes apenas mencionadas, de o ma pouco igo osa, na documen ação, osse bibliog a ia publicada ou documen os em a qui o. Apesa do le an amen o, p a icamen e exaus i o, da p odução a ís ica de Pousão e ec uado po ocasião da exposição comemo a i a do cen ená io da mo e, em 198410, e das ob as en e an o localizadas e publicadas 11 ha ia, na u almen e algu- EXPOR A INVESTIGAÇÃO – DOIS PERCURSOS PELA OBRA DE HENRIQUE POUSÃO 200 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 9Pa a consul a o esumo des as con e sas c ., SILVA, Ví o - «Con e sas no Museu. Espe ando o Sucesso» in Callipole , nº17, Vila Viçosa: Câma a Municipal de Vila Viçosa, No emb o de 2009, pp. 147-160. 10 Comissa iada po José Teixei a: Hen ique Pou- são, no p imei o cen ená io da sua mo e , Funda- ção Casa de B agança, 1984. 11 Ve An ónio Rod igues, Hen ique Pousão , Lis- boa: Edições Inapa, 1998 e Be na do Pin o de Al- meida, Hen ique Pousão , Lisboa: Assí io & Al im, 1999. FIG.6 – Vis a de exe cício de cópia de paisagem de Sil a Po o e de pequenos egis os “do na u al”, na sala de exposições empo á ias, o og a ia de Cláudia Ga adas.