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Resumo
A exposição é uma a e a eminen emen e museológica mas, desde semp e, desen-
ol eu uma espécie de au onomia p oposi i a, elacionada que com uma celeb a-
ção es i a, ocacionada pa a os g andes públicos (po exemplo, as g andes
exposições mundiais, inaugu adas em Lond es, em 1851), que com a di ulgação de
in es igações especí icas, p edominan emen e o iginais. Nes e caso, podemos
designá-las ‘exposições de in es igação’. Es e oi o âmbi o de:
50 anos de a e po -
uguesa
, ap esen ada na Fundação Calous e Gulbenkian, em 2007, e
Anos 70. A a-
essa on ei as
, ap esen ada no Cen o de A e Mode na da mesma Fundação, em
2009. Na e lexão que se segue, adop ei p i ilegia a na a i a do p ocesso do a-
balho, u o de expe iência adqui ida empi icamen e e das dinâmicas c iadas nas
equipas plu idisciplina es que conduzi am os p ojec os à sua ealização. •
Abs ac
An exhibi ion is eminen ly a ask ha belongs o museums bu has always de eloped
a so o au onomy, ela ed o a es i e celeb a ion, a ge ed o la ge audiences (o
which he g ea wo ld exhibi ions, which began in London, in 1851, a e examples)
ei he wi h he dissemina ion o a speci ic esea ch, p edominan ly o iginal. In his
case, we may call hem ‘ esea ch exhibi ions’. This is he con ex o : 50 yea s o Po -
uguese a , shown a he Calous e Gulbenkian Founda ion,in 2007, and The se en-
ies. To c oss on ie s, shown a he Cen e o Mode n A o he same Founda ion,
in 2009. In he ex ha ollows I ha e ied o emphasize he na a i e a he han
he concep ual con ex o he wo k which came om he empi ical expe ience and
he dynamics be ween mul i asking eams ha b ough hese p ojec s o a close. •
pala as-cha e
Exposição de in es igação
A qui os da Fundação Calous e
Gulbenkian
A e con empo ânea
Li os de a is a
Rema e ialização dos objec os
a ís icos
His ó ia abe a
key-wo ds
Resea ch exhibi ion
A chi es o he Calous e Gulbenkian
Founda ion
Con empo a y a
A is s’ books
New ma e ials
o he a is ic objec s
Open His o y
Inaugu ada em Ou ub o de 2009, a exposição
Anos 70. A a essa on ei as
começou
a se p epa ada no início de 2008, de endo se en endida num conjun o, ope a i o e
p oposi i o, com a exposição
50 anos de a e po uguesa
, inaugu ada em 2007. Ambas
deco e am na Fundação Calous e Gulbenkian (FCG), embo a em espaços di e en es: a
de 2007, es e e pa en e na sala p incipal do edi ício sede da FCG; a de 2009, no Cen-
o de A e Mode na (CAM) da mesma undação. Ambas o am p opos as, ap o adas e
acompanhadas po duas impo an es che ias da FCG: Manuel Cos a Cab al, Di ec o do
Se iço de Belas-A es e Jo ge Molde , en ão Di ec o do CAM. Finalmen e, ambas i e-
am o mesmo comissa iado (eu p óp ia que ag eguei a mim, como co-comissá ias, a Ana
Filipa Candeias e a Ana Rui o) e, com a ian es, a mesma equipa de p odução de que
o am peças cha es a Ri a Fabiana e a A qui ec a C is ina Sena da Sil a que a icula am
a in es igação com odos os se iços da FCG, com os a is as e coleccionado es.
50 anos de a e po uguesa
O pon o de pa ida des e e en o oi conjun u al (celeb a , em 2007, os 50 anos da
FCG) e es u u al (in es iga e es uda , com a sis ema icidade possí el o A qui o do
Se iço de Belas-A es da FCG e, na medida do possí el ambém, pô-lo em con on o
p odu i o com a colecção do CAM). Pa a melho pe cebe a espécie de missão que nos
oi con iada, é indispensá el escla ece que aquele A qui o eúne, desde 1957 a é hoje
( a a-se de um A qui o abe o) oda a co espondência com a is as e ins i uições cul-
u ais, mui o di e sas, que eque e am, e ob i e am ou não, apoios inancei os da FCG.
Pa a a exposição, oi seleccionado o as íssimo conjun o da co espondência e e en e
INVESTIGAR PARA EXPOR.
DUAS EXPOSIÇÕES NA FUNDAÇÃO
CALOUSTE GULBENKIAN, 2007-2009
RAQUEL HENRIQUES DA SILVA
Ins i u o de His ó ia da A e, FCSH/UNL
“(…) Non seulemen il n’y a pas de neu ali é en ma iè e de muséog aphie, mais
il ne peu y a oi non plus de ega d innocen de la pa du spec a eu : les oeu-
es d’a ne se p ésen en jamais d’elles mêmes à un ega deu immédia emen
disponible. (…)”
Jé ôme Glicens ein, 2009 : 9
179
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 1 - A qui o do Se iço de Belas-A es da Fundação
Calous e Gulbenkian.
FIG. 2 - Esquema da o ganização da exposição
50 anos
de a e po uguesa
.
à concessão de bolsas pa a o es angei o pa a ape eiçoamen o de o mação, eque-
idas po a is as plás icos, mui o especialmen e os ela ó ios egula es que, ob iga-
o iamen e, os bolsei os êm de ap esen a ao Se iço de Belas-A es (SBA). Es e
abalho, ealizado com bas an e sis ema icidade, ocupou as ês in es igado as
du an e o ano de 2006, e a pa e possí el do ano de 2007, e e e o apoio ines imá-
el da equipa de documen alis as que, simul aneamen e, es a am a subme e aquela
as íssima documen ação a a amen o a qui ís ico, an es inexis en e.
Como i e a opo unidade de e e i no ca álogo da exposição, es e oi um dos mais
belos abalhos em que pa icipei. Foi possí el descob i , em oda a acepção da
pala a, não só impo an es ex os esc i os po a is as, mas ambém ob as de a e
inse idas ou anexadas aos ela ó ios, uns e ou as em g ande pa e inédi os. Em
alguns casos, a esc i a e os abalhos es ão de al modo en osados, que os ela ó-
ios, eles p óp ios, são objec os a ís icos, in eg á eis na ca ego ia, há mui o eco-
nhecida, de ‘li os de a is a’1. A iqueza des e a qui o, bem como a sua as idão e
complexidade, ecomenda iam que o seu es udo e in en a iação, desen ol idos do
pon o de is a da His ó ia da A e, osse uma a e a em si, com meios humanos e
empo adequados. No en an o, no abalho em cu so, não oi isso que acon eceu: o
objec i o de ap esen a uma exposição, menos de dois anos após o início do p ojec o,
ob igou a opções di íceis, sob e udo a de es ingi acen uadamen e o âmbi o da pes-
quisa que, de modo nenhum, pôde se concluída. Mesmo assim, o que se mos ou,
mais na exposição do que no ca álogo, oi econhecido como con ibu o impo an e
pa a a ecen e His ó ia da A e em Po ugal e do ou o SBA de jus i icação su icien e
pa a pode p og ama e implemen a o seu es udo sis emá ico.
1Ve , como abo dagem inicial, h p://www.
slq.qld.go .au/wha s-on/exhibi /online/
ab/wha _is_an_a is s_book (consul ado: 3 de
Se emb o de 2010).
INVESTIGAR PARA EXPÔR
FIG. 3 –
50 anos de a e po uguesa
. Piso 0. En ada da exposição. © FCG.
FIG. 4 -
50 anos de a e po uguesa.
Piso 0.
Núcleo Espaço/Luga es. © FCG.
180 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
2Es a ideia, p edominan emen e poé ica, é de e-
do a, na minha e lexão pessoal, de nume osas
lei u as (Roland Ba hes à cabeça) mas posso ex-
p imi-la em bibliog a ia, a a és de um dos li os
mais ascinan es que já li sob e um p ojec o expo-
si i o: Hube Damisch,
L’amou m’expose
. Gand:
Y es Ge ae , 2000.
3Ve , pa a mais exaus i a desc ição do aze de uma
exposição, a excelen e ob a de Jean Da allon,
L’ex-
posi ion à l’oeu e. S a égies de communica ion e
média ion symbolique.
Pa is: L’Ha ma an, 1999.
Es a é a p imei a ques ão que aqui in e essa ele a : mui as ezes, as exposições em-
po á ias c iam possibilidades de in es igação que de ou o modo não exis i iam,
nomeadamen e po ques ões de inanciamen o. No en an o, o objec i o ‘exposição’
impõe ambém pesados condicionamen os à in es igação, impedindo, como oi o
caso, o seu pleno desen ol imen o e conclusão. É uma si uação ambi alen e que
de e se ge ida com as máximas possibilidades posi i as de cada si uação pa icula .
Mas não escondo que essas exigências p ecisas – escolhe a is as e ob as pa a uma
exposição – ge am uma dinâmica especí ica à p óp ia in es igação que se em de o -
na , mais do que é habi ual, um pe manen e exe cício de concep ualização. Com o
que que o dize que ‘pensa a exposição’ se o na ambém, numa plu alidade de
di ecções, ‘pensa a in es igação’.
No essencial, ‘pensa a exposição’, começa po se um e i ó io desejan e2. Da a
e o que alguns (ou odos) já conhecem, e elando esse sabe a a és do uso da
imaginação e da p o ocação; ou da a e o que não se conhece, não como na a-
i a ela i amen e es abilizada (essa é, po p incípio, a unção do ca álogo) an es
como pe cu so de descobe a, apelado dos sen idos, an o ou mais do que da azão
– eis o p óp io da exposição empo á ia que con oca a e eme idade da es a: emos
ali, jun o, o que depois ol a á a se sepa ado, sendo que o ‘jun o’ não implica só
coo denação ou subo dinação, sepa ação, jus aposição ou subs i uição, mas hipó-
eses de uição, descobe a e ap endizagem, de ini i amen e ma cados pelo noma-
dismo de cada isi an e3.
Mas, como semp e acon ece com a ges ão dos desejos, a libe dade é um luga de e -
minado. Apesa das suas pa icula idades, uma ‘exposição de in es igação’ (como é
INVESTIGAR PARA EXPÔR
FIG. 5 -
50 anos de a e po uguesa.
Piso 0. Núcleo
Meios e p ocessos. © FCG.
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REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 6 -
50 anos de a e po uguesa.
Piso 01.
C onologia. © FCG.
o caso das que es ou a e oca ) em que e p incípios cla amen e enunciá eis. Em
50
anos de a e po uguesa
, as comissá ias decidi am que a no ma pa a a selecção dos
a is as se ia possuí em p ocessos bem documen ados no a qui o do SBA, e conco-
mi an emen e, es a em ep esen ados na colecção do CAM. Sendo assim, os a is as
es i e am p esen es an o com ob as (da e e ida colecção) como com documen ação
(do e e ido A qui o). No en an o, es a eg a ge al compo ou algumas excepções,
sujei as a cuidadoso esc u ínio. Hou e a is as ep esen ados ou só com documen a-
ção ou só com ob as, e ou os (em pequeno núme o) que, não endo sido bolsei os,
pa icipa am nas exposições de a es plás icas, p omo idas pela FGC em 1957, 1961
e 19864. O leque de selecção ala ga a-se assim signi ica i amen e, pe mi indo es in-
gi os p oblemas c iados po não e sido possí el consul a a o alidade dos a qui os
e e en es a bolsas concedidas5. Mesmo assim, hou e queixas po pa e de a is as,
algumas jus as, ou as não an o. Na e dade, uma exposição empo á ia, quando lida
com a is as em ac i idade, é ambém um espaço de con on o de desejos que nem
semp e podem con lui na mesma di ecção. Mas diga-se, em sen ido con á io, que
não o am poucos os a is as, mais ou menos consag ados, que ica am ag ada el-
men e su p eendidos pela documen ação e elada (de que, em alguns casos, se
inham esquecido) ou as ob as escolhidas pa a exposição.
Fal a e e i o que se pode á designa pela e cei a componen e de uma exposição
empo á ia de in es igação, depois de a aliada a pe inência da ma é ia especí ica a
a a e de a icula as suas dinâmicas com a exigência de que o p ojec o exposi i o
possa se desc i o e comp eendido nas suas opções e me odologias. Essa e cei a
componen e espei a a assunção dos iscos p oposi i os. Ou seja: se po um lado, se
em que consegui explica , com a máxima cla eza, os c i é ios de selecção (nes e
caso, só a is as bolsei os e com ob a no CAM; ou, excepcionalmen e, a is as com
ob a no CAM, não bolsei os mas pa icipan es nas exposições de a es plás icas
FCG), po ou o lado, há que assumi a a en u a semp e abe a da in es igação. Os
a is as seleccionados cump iam c i é ios enunciá eis (e, po an o, es abilizado es da
dú ida ou da c í ica) mas, en e eles, ha ia alguns que não ocupam luga de ele o
na his o iog a ia consag ada; ou os, que ocupam esse luga , não es a am ep esen-
ados ou es a am, a a és de ob as ou p eocupações que não se ão as mais impo -
an es nas suas ca ei as. Mas in e essa escla ece que essas opções pouco canónicas
i e am, pa a o comissa iado, enquad amen o concep ual: não p e endendo uma na -
a i a his ó ica consensual6, a exposição nasceu de uma sé ie de concei os o iundos
da eo ia da a e e do aze a ís ico, enquad ando as p incipais ques ões que os a is-
as nos iam lançando, à medida que p ocu á amos seleccioná-los: ‘Co po/iden i-
dade’, ‘Signos/códigos’, ‘Meios e p ocessos’, ‘Espaço/luga es’, ‘Tempo/his ó ias’. É
e iden e que es a ab angência concep ual, que se inspi a em emas ele an es da c í-
ica da a e no ecen is a, pe mi ia dispo com g ande libe dade as ob as e a docu-
men ação: hou e a is as que es i e am em mais do que um núcleo, sob e udo se
conside a mos que, a pa da o ganização emá ica, a exposição man e e núcleos his-
ó icos, à ol a das ês exposições de a es plás icas da FCG, do g upo KWY (pela
INVESTIGAR PARA EXPÔR
182 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 7 -
50 anos de a e po uguesa.
Piso 01.
Aspec o das i inas. © FCG.
4Ve a explici ação des es c i é ios em Raquel
Hen ique da Sil a, “50 anos de a e po uguesa,
do p ojec o à exposição” in
50 anos de a e po -
uguesa
. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian,
2007 (ca álogo de exposição comissa iada po Ra-
quel Hen iques da Sil a, Ana Rui o e Ana Filipa
Candeias).
5Uma das opções iniciais de balizamen o da in-
es igação oi não conside a o uni e so das bol-
sas ecusadas. No en an o, e como é ób io, es e é
um impo an e sec o de pesquisa pa a se pode
aça com igo a his ó ia dos apoios da FCG aos
a is as po ugueses.
6Pa a ap o unda a e lexão sob e os limi es das
na a i as his o iog á icas, apa en emen e con-
solidadas na His ó ia da A e ociden al, ecomen-
do a lei u a do es imulan e li inho de James El-
kins, 2002 –
S o ies o A
. New Yo k and London:
Rou ledge.
ex ao diná ia iqueza da documen ação dos a is as que o cons i uí am) e da cha-
mada ‘Gale ia do Ba ’, que dize o es au an e do Museu Gulbenkian que, em 1969,
quando as ins alações o am inaugu adas, oi deco ado com elas de di e sos a is-
as, especialmen e encomendadas.
A pa das opções pa a a ealização do ca álogo (assumindo-se a impossibilidade de
in eg a oda a documen ação expos a, an o po azões o çamen ais, como pelos
cons angimen os de empo pa a o og a a dezenas de p ocessos de conside á el
ex ensão), a penúl ima g ande ques ão, numa exposição de in es igação, é a mon-
agem. Também nes e caso, hou e uma ges ão de possibilidades que, em mui o, se
sob epuse am aos desejos, e não me e i o ao o çamen o que oi uma componen e
pací ica no p ojec o (sabia-se de quan o se dispunha e esse mon an e e a su i-
cien e). Na co ida con a o empo que ai con igu ando a exposição, é semp e
demasiado cedo que se em que enuncia ce ezas e ansmi i-las ao a qui ec o ou
designe . Em
50 anos de a e po uguesa
, a a qui ec a esponsá el pela mon agem,
C is ina Sena da Fonseca, pe ence aos quad os das FCG e conhece odas as possi-
bilidades pa a u iliza bene icamen e os ecu sos dos di e sos depa amen os. Es a
si uação é, pa a mim, uma posi i idade po que não se p e endia senão ap esen a ,
com qualidade, a exposição nos espaços, em si mesmos no abilíssimos, do edi ício
sede da FCG.
Alguns aspec os o am imedia amen e consensuais: a ibui ao piso 01, com uma
es u u a ígida de salas a iculadas po um co edo la e al, as componen es his ó-
icas da exposição, assumindo, na pa ede desse co edo , uma banda c onológica de
cinquen a anos; ese a a g ande sala do piso 0 pa a os núcleos es é ico- o mais,
dispos os sem g andes ba ei as en e si, alo izando a iculações p e is as ou dei-
xando campo abe o pa a a elabo ação, sob e udo sensi i a, de ou as; inalmen e,
in eg a , na exposição, as ob as de a e encomendadas, em meados dos anos de
1960, pa a a deco ação do edi ício, an o mais que os seus au o es o am bolsei os
da FCG. Com o objec i o de po encia a dinamização das ci culações da exposição
assim abe a, escolhe am-se mais algumas ob as, que não pe ence am à deco ação
inicial do edi ício, mas que se p opunham dialoga ino ado amen e com ele (es a
es a égia es endeu-se à já e e ida ‘Gale ia do Ba ’ e ao ja dim on ei o à en ada
p incipal na Fundação). Hou e, no en an o, um sec o , em que o abalho conjun o
com a a qui ec a não e e o mesmo ní el de esul ados. U opicamen e, as comissá-
ias p e endiam que a documen ação (as ichas de candida u a a bolsas, o desen o-
la dos ela ó ios, a documen ação anexa mui as ezes ex ao dina iamen e plás ica)
osse expos a com o des aque que habi ualmen e se dá às ob as mais con encionais;
mais u opicamen e ainda, p e endia-se que essa documen ação pudesse (em cópia)
se manejada pelo público e, em alguns casos, osse possí el e a oz dos au o es
lendo os seus ela ó ios, às ezes bas an e pessoais7.
No en an o, esses desejos não o am ealizados, podendo dize -se que a documen-
ação se ap esen ou ap isionada, as ozes ambém e os isi an es se elaciona am
com uma e ou a, con encionalmen e, olhando pa a den o de i inas mui o a u-
7Foi no início dos anos de 1970 que se começa-
am a aze , nos museus de a e, exposições com
amplo uso de documen ação, p opondo de algum
modo exposições não pa a e , mas pa a le . Gli-
cens ein (
op. ci .
: 95) e e e, po exemplo, em
1972, a exposição de Joseph Kosu h, na Gale ia
Cas elli em No a Io que que oi ans o mada
“num salão de lei u a; ha ia mesas, bancos, li os
abe os (…)”. Incon o ná eis são ambém as ex-
posições de Ma cel B ood hae s subo dinadas ao
ema “Musée d’A Mode ne. Dépa emen des
Aigles”, iniciadas em B uxelas em 1968. Pa a con-
ex ualiza es a ques ão, que ques iona as un-
ções adicionais do museu, e James Pu nam,
A and A i ac . The Museum as Medium.
Lon-
don: Thames & Hudson, 2009 (1ª ed. 2001)
INVESTIGAR PARA EXPÔR
183
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
madas e ou indo, com os habi uais auscul ado es, a as na a i as g a adas. Es e oi
o aspec o que con on ou mais nega i amen e o p ojec o das comissá ias. Não há
culpas, an es ci cuns ancialismos, de e minados, em g ande pa e, pelo luga au á-
ico em que a exposição deco eu onde não há hábi os (nem se p e ende que enha
a ha e ) de mon agens mais desa umadas e descen adas.
O úl imo ec o de análise da exposição se ia a ecepção dos públicos. Sem u iliza
quan idades que, em si mesmo p ecisa iam de se colocadas em con ex o, a imp es-
são ge al oi de excelen e ecep i idade, mui o apoiada pelo p og ama das isi as
guiadas, es u u ado com c ia i idade e au onomia pelos Se iços Educa i os da
FCG. Pa a as comissá ias, os isi an es que mais “con a am”8 o am os a is as que
jun a am his ó ias às his ó ias ali e ocadas e, po ezes, se emociona am pe an e ex-
os de que e am au o es já pouco lemb ados. Hou e alguma e icácia nos diálogos
suge idos en e a is as mui o di e sos e no jogo abe o de co espondências en e
a documen ação e as ob as. No en an o, hou e ambém acassos, elacionados
com a dis ância imedí el en e as expec a i as de comunicação e a obse ação da sua
conc e ização: as «bandei as» que anuncia am os sucessi os emas o am pouco
e icazes, as legendas e am diminu as, as ases de a is as, e i adas dos ela ó ios e
disseminadas pelo espaço, de e iam e sido mais?
A in e ogação signi ica que es á udo po aze em Po ugal no que oca à a alia-
ção de exposições. Mas não posso deixa de a i ma , con ic amen e, que os ganhos
ul apassa am os acassos. O ca álogo (delineado po Jo ge Sil a) é um ins u-
men o de g ande qualidade g á ica que, não eunindo com sis ema icidade a iqueza
da documen ação seleccionada e expos a, mani es a, ainda assim, pa a odos os in e-
essados (a is as, cu ado es, his o iado es, es udan es), a impo ância incon o ná-
el do a qui o do SBA, que pa a abalhos monog á icos, que pa a a elabo ação de
uma (quase) ausen e eo ia da a e em Po ugal (os a is as esc e e am mais do que
se pensa ia e, às ezes, b ilhan emen e) e pa a a isão global de mais de meio século
de p odução a ís ica. Es a se á a he ança que mais con a do modelo de exposições
de in es igação: não esgo a emas de imensa complexidade que impõem múl iplos
c uzamen os, mas da a e , com posi i idade, o mui o que há pa a in es iga .
Um dos aspec os mais in e essan es desse ‘da a e ’, a a és das coisas conc e as e
não da sua na ação, mani es a a-se, na p óp ia exposição, com no á el plas icidade:
os p imei os ela ó ios, do inal dos anos de 1950, são magní icos li os, cade nos ou
olhas manusc i as, ilus ados com desenhos, pin u as, esquemas, com uma a is i-
cidade adicional. Nessa al u a, a os usam a o og a ia como apoio à ap esen ação
dos abalhos. Mas, ao longo da década de 1960, há-de se esse no o meio que p e-
domina á e, cada ez mais, os disposi i os. Na ac ualidade, os ela ó ios pe de am
co po e a mão azedo a: são CD’s, ilmes, ídeos... Es as mudanças de supo e con-
dicionam na u almen e não só a sua exposição mas, sob e udo, a p óp ia e lexão dos
au o es. Mas ambém o abalho da His ó ia da A e que se in e essa pela ma e ia-
lidade das ob as e os seus espelhamen os in ínsecos ou ex ínsecos.
INVESTIGAR PARA EXPÔR
184 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 8 -
Anos 70: A a essa F on ei as
.
Rec iação da
Acção dos cí culos, gue ilha u bana
(1974) do G upo Ac e. © Paulo Cos a, CAM/FCG.
8Uso o e bo no sen ido que lhe deu Eileen Hoo-
pe - G eenhill num céleb e a igo “ Coun ing isi-
o s o isi o s who coun ” in R. Lumey(ed.),
The
Museum Time Machine: Pu ing Cul u es on Dis-
play
, Rou ledge, 1988.
Anos 70. A a essa on ei as.
Pa a o comissa iado da exposição
50 anos de a e po uguesa
, a sua p incipal con-
sequência oi, ainda an es da espec i a inaugu ação
,
um segundo con i e. Abe a
a possibilidade, de, quase com a mesma equipa, p opo mos uma no a exposição, o
ema su giu na u almen e da memó ia do abalho sob e os a qui os do SBA: a
ex ao diná ia iqueza c ia i a da década de 1970, con ex ualizada in e nacional-
men e pelas he anças do
Maio de 1968
ancês e agmen ada, em Po ugal, pela
Re olução do 25 de Ab il de 1974 que pôs im a um egime di a o ial com quase 50
anos e, desse modo, a uma das úl imas gue as coloniais, man ida po um país eu o-
peu em Á ica.
Acei e o ema pelos mesmos di igen es da FCG, o comissa iado começou a abalha
com um p essupos o que nos pa ecia inques ioná el: a a -se-ia de uma exposição
in e nacional, ma cando assim que, mesmo an es da e olução polí ica, os a is as
po ugueses pensa am e mo iam-se cada ez mais numa i ine ância cul u al em que
as ques ões da pá ia iam pe dendo pe inência, pelo menos na dimensão an asmá-
ica das décadas na e io es; pa a isso, ealizou-se um le an amen o exaus i o de
exposições in e nacionais ele an es (nomeadamen e bienais), elabo ou-se uma
lis a, bas an e con ida, de a is as e ob as não po ugueses cujo emp és imo de e-
ia se solici ado, com di e sas hipó eses em abe o. No en an o, já depois de alguns
emp és imos au o izados, oi p eciso desis i po azões o çamen ais, na ambiência
de p é-c ise inancei a que es a a a a ingi a FCG.
Impossibili adas de ‘a a essa on ei as’ polí icas e geog á icas, man i emos o sub-
í ulo da exposição po duas o dens de azões: p e endia-se enuncia que os anos 70
assis i am, mais que ou as épocas an e io es, à miscigenação de géne os e écnicas
e que as ob as de a e saí am dos supo es adicionais pa a in adi o chão e se ins-
ala em na ua. Foi es e o con ex o de decisões undamen ais: não igno a mas não
p i ilegia as disciplinas adicionais (desenho, pin u a, escul u a), con on ando-as
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REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 9 -
Anos 70: A a essa F on ei as
. Piso 0.
Em p imei o plano, ob a de Cla a Mené es,
Jaz mo o e a e ece, o Menino de Sua Mãe
, 1973.
© Paulo Cos a, CAM/FCG.
com a o og a ia, a g a u a, a ilus ação, a ins alação, a
pe omance.
Po ou o lado,
acen uou-se a opção, inda da exposição
50 anos…,
de aze sai a exposição dos
espaços do Museu (ago a o CAM) não só pa a o hall de acolhimen o, onde se ins a-
lou, uma ‘casa’ isi á el de Ana Viei a, mas mesmo pa a o ex e io .
No dia da inaugu ação da exposição, o oço de ua on ei o à en ada do CAM oi
in e encionado po dois memb os do G upo Ac e (Cla a Mené es e Lima de Ca a-
lho) ec iando a
Acção dos cí culos, gue ilha u bana
que o g upo (in eg ando am-
bém Al edo Quei ós Ribei o, en e an o alecido) ealiza a, em 1974, na Rua do
Ca mo, em Lisboa. A exposição inicia a-se na ua, com um acon ecimen o e éme o
( oi sendo des uído, na u almen e, pelo mo imen o do ânsi o e o ciclo do clima)
que e oca a a memó ia da a e da ua, após a e olução de Ab il. Des e modo, alguns
aspec os do abalho a ís ico da década ica am desde logo ap esen ados aos isi-
an es: a c í ica ao museu e ao es a u o au á ico da ob a de a e, a p e alência da pe -
o mance, a dimensão polí ica do desempenho a ís ico mas ambém a ino ação e a
expe imen ação sem ede.
An es des as decisões, que só o am ope acionalizadas em ace a ançada do aba-
lho, hou e ou as a oma : a escolha dos a is as e ob as que es a iam p esen es na
exposição, uma ez que, ao con á io do que acon ece a em
50 anos…,
não se quis
nem eco e aos p ocessos de ob a do SBA (a não se excepcionalmen e, como docu-
men ação) nem es ingi as possibilidades de selecção à colecção do CAM. Algo, no
en an o, se conse ou da concep ualização da an e io exposição: a lis a de a is as
e ob as oi sendo elabo ada e eelabo ada, a é ao limi e empo al possí el, com
ajus es pe manen es, nascidos da p óp ia in es igação. A base des a oi um le an-
amen o exaus i o da imp ensa especializada da época, elacionada com a p odução
e c í ica de exposições o que conduziu a uma de e minação de con o o: odas as
ob as expos as o am p oduzidas e expos as no decu so da década de 70, ac o que
é assinalado, com a as alhas, nas ichas écnicas do ca álogo.
O amon oado de possibilidades, que o e i e da década p opo cionou, oi es u u-
ado a a és de dois emas engloban es que, ambém eles, nasce am no aze da
in es igação: ‘Necessidade de in e i : paisagens, espaços u ópicos, espaços u ba-
nos’ e ‘Expe imen a , sé ie e a iação’. O p imei o des es emas, que eio a ocupa
a g ande na e do CAM, con oca a os a is as a a és do seu elacionamen o social
e polí ico: e a ando o mundo, em paisagens cada ez mais concep uais, in en ando
cidades e u opias já ecológicas ou sa cas icamen e c í icas de uma o dem polí ica
desac edi ada. Assumindo o impac o da Re olução de 1974, um dos espaços mais
ma can es des e as o ema, ap esen a a um conjun o de ob as pa adigmá icas: po
exemplo,
Jaz Mo o e A e ece, o Menino de Sua Mãe
de Cla a Mené es, imp essio-
nan e escul u a hipe - ealis a de um soldado da gue a colonial, ema p oibido em
Po ugal an es da Re olução. No en an o, a peça oi expos a, sem ac uação da cen-
su a, na Sociedade Nacional de Belas-A es, em 1973, p o ando que, em e mos de
con on o cul u al, a e olução já es a a em ma cha; ou, já depois da Re olução, a
Bandei a de Po ugal, ob a colec i a do po uense g upo Puzzle; ou os ca azes de
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186 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 10 -
Anos 70: A a essa F on ei as
. Piso 0.
Ob as de Túlia Saldanha (
Mala de Viagem
, 1975-76;
Fim-de-Semana
,
1972-73; 240.180
DISSEMTRIAMATER
, 1980).
© Paulo Cos a, CAM/FCG.