Admirável milénio novo - o nascimento da nova esquerda em Portugal
Full text
I
Admi á el Milénio No o –
O nascimen o da no a esque da em Po ugal
Ruben Má io Dua e Ab an es
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações
In e nacionais com especialidade em Ciência Polí ica
Ve são co igida e melho ada após de esa pública
Dezemb o, 2021
II
Admi á el Milénio No o –
O nascimen o da no a esque da em Po ugal
Ruben Má io Dua e Ab an es
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações
In e nacionais com especialidade em Ciência Polí ica
Dezemb o, 2021
III
“Os pensamen os da classe dominan e são ambém, em odas as épocas, os pensamen os dominan es, ou
seja, a classe que em o pode ma e ial dominan e numa dada sociedade é ambém a po ência dominan e
espi i ual. A classe que dispõe dos meios de p odução ma e ial dispõe igualmen e dos meios de p odução
in elec ual, de al modo que o pensamen o daqueles a quem são ecusados os meios de p odução in elec ual
es ão subme idos igualmen e à classe dominan e. Os pensamen os dominan es são apenas a exp essão ideal
das elações ma e iais dominan es concebidas sob a o ma de ideia e, po an o, a exp essão das elações
que azem de uma classe a classe dominan e; dizendo de ou o modo, são as ideias do seu domínio. Os
indi íduos que cons i uem a classe dominan e (…) domin[am] em odos os sen idos, que enham, en e
ou as, uma posição dominan e como se es pensan es, como p odu o es de ideias, que egulamen em a
p odução e a dis ibuição dos pensamen os da sua época; as suas ideias são, po an o, as ideias dominan es
da sua época”
Ka l Ma x e F ied ich Engels (1974[1846]) A Ideologia Alemã, Vol. I, pp. 55-56, Edi o ial P esença
“(…) ace as di e en es sob a desigualdade se em mos ado a é hoje (e pode á mos a -se nos séculos
u u os), segundo a na u eza desses mesmos go e nos e as e oluções que o empo neles há-de in oduzi
necessà iamen e. Ve -se-ia a mul idão op imida in e namen e po uma sé ie de p ecauções que ela p óp ia
e ia omado con a o que do ex e io a ameaça a; e -se-ia a op essão aumen a con inuamen e sem que
os op imidos pudessem nunca sabe que e mo ela e ia nem meio legí imo lhes es a ia pa a a a as a em;
e -se-ia os di ei os dos cidadãos e as libe dades nacionais ex ingui em-se pouco a pouco, e as eclamações
dos acos se em a adas como mu mú ios sediciosos; e -se-ia a polí ica es ingi a uma po ção
me cená ia do po o a hon a de de ende a causa comum (…)”
Jean Jacques Rousseau (1964) Discu so sob e a o igem e os undamen os da desigualdade en e os
homens, p. 107, Li a ia A hena
“(…) Thus economic eedom would mean eedom om he economy – om being con olled by
economic o ces and ela ionships; eedom om he daily s uggle o exis ence, om ea ning a li ing.
Poli ical eedom would mean libe a ion o he indi iduals om poli ics o e which hey ha e no e ec i e
con ol. Simila ly, in ellec ual eedom would mean he es o a ion o indi idual hough now abso bed by
mass communica ion and indoc ina ion, aboli ion o “public opinion” oge he wi h i s make s. The
un ealis ic sound o hese p oposi ions is indica i e, no o hei u opian cha ac e , bu o he s eng h o he
o ces which p e en hei ealiza ion”.
He be Ma cuse (1964) One-Dimensional Man: S udies in he Ideology o Ad anced Indus ial Socie y,
p. 4, Beacon P ess
“[T]he conse a i e has become adical and he adical conse a i e.”
An hony Giddens (1994) Beyond Le and Righ : The Fu u e o Radical Poli ics, p. 73. Poli y P ess
“In he p ecapi alis wo ld, communi y eigned sup eme. Commi men o he public o communal good was
he highes alue, and common iews and an ins inc ual, unques ioned sense o social solida i y bound
ci izens oge he . (…) The sp ead o ma ke s, in con as , des oyed he adi ional elemen s holding
oge he communal li e and c ea ed a ype o social o ganiza ion whe e sel -in e es a he han communal
in e es eigned sup eme.”
She i Be man (2006) The P imacy o Poli ics: Social Democ acy and he making o Eu ope’s Twen ie h
Cen u y, p. 4, Camb idge Uni e si y P ess
“O meu úl imo pedido: Oh meu co po, az de mim semp e um homem que in e oga!”
F an z Fanon (2017) Pele Neg a, Másca as B ancas, p. 22, Le a Li e
IV
Ag adecimen os:
P imei amen e que o ag adece ao p o esso Ma co Lisi. O ien ado des a disse ação e
mes e des e ap endiz. Um ob igado po e ac edi ado e po e espe ado. Foi escla ecedo
quando as dú idas e am mais que mui as; p esen e quando e a p eciso pe cebe o umo e
p agmá ico quando os caminhos se mos a am labi ín icos. Sem si es as páginas não
exis i iam. Sem esquece os/as p o esso es/as do mes ado em Ciência Polí ica e Relações
In e nacionais que an o me ensina am.
Que o ag adece indi idualmen e aos en e is ados F ancisco Louçã, João Madei a, Jo ge
Cos a, José Manuel Pu eza, Luís Fazenda, Miguel Ca dina e ao Ped o Filipe Soa es. Sou-
lhes mui o g a o pela disponibilidade. Ag adeço ambém ao Bloco de Esque da po e em
agilizado con ac os e p opo cionado documen os que o am p eciosos ao
desen ol imen o do p oje o que aqui se encon a.
Que o ambém ag adece à minha amília. Ao meu i mão. À Neia. Ao meu sob inho,
Vicen e. Aos meus pais. Finalmen e aos meus a ós que semp e o am (e são) udo pa a
mim.
À Inês S., à Ma ga ida e à Inês P., que não me pe doa iam se me esquecesse delas, deixo-
os aqui a minha g a idão. Companhei as de ida, ob igado po udo.
Ao Ped o…
V
Lis a de siglas e ab e ia u as:
APSR Associação Polí ica Socialis a Re olucioná ia
APU Aliança Po o Unido
AR Assembleia da República
BE / Bloco Bloco de Esque da
CDU Coligação Democ á ica Uni á ia
CGTP Con ede ação Ge al dos T abalhado es Po ugueses
COPCON Comando Ope acional do Con inen e
EUA Es ados Unidos da Amé ica
FSM Fó um Social Mundial
GUE/NGL G upo Con ede al da Esque da Uni á ia Eu opeia/Esque da
Nó dica Ve de
LGBT Lésbicas, Gays, Bissexuais e T ansgéne o
LSI Liga Comunis a In e nacional
LST Liga Socialis a dos T abalhado es
MdE Memo ado de En endimen o
MDP/CDE Mo imen o Democ á ico Po uguês / Comissão Democ á ica
Elei o al
MES Mo imen o de Esque da Socialis a
MFA Mo imen o das Fo ças A madas
OCMLP O ganização Comunis a Ma xis a-Leninis a Po uguesa
OTAN O ganização do T a ado do A lân ico No e
PC(R) Pa ido Comunis a Recons uído
PCP Pa ido Comunis a Po uguês
VI
PCTP/MRPP Pa ido Comunis a dos T abalhado es Po ugueses
PCUS Pa ido Comunis a da União So ié ica
PEC P og ama de Es abilidade e C escimen o
PEE Pa ido de Esque da Eu opeia
PEV Pa ido Ecologis a "Os Ve des"
POUS Pa ido Ope á io de Unidade Socialis a
PPD Pa ido Popula Democ á ico
PRD Pa ido Reno ado Democ á ico
PREC P ocesso Re olucioná io em Cu so
PRT Pa ido Re olucioná io dos T abalhado es
PS Pa ido Socialis a
PSD Pa ido Social Democ a a
PSR Pa ido Socialis a Re olucioná io
PST Pa ido Socialis a dos T abalhado es
PT Pa ido T abalhis a
PXXI Polí ica XXI
Rup u a/FER Rup u a/F en e de Esque da Re olucioná ia
UDP União Democ á ica Popula
UDP-AP União Democ á ica Popula -Associação Polí ica
UE União Eu opeia
UGT União Ge al de T abalhado es
UMAR União de Mulhe es Al e na i a e Respos a
URSS União das Repúblicas Socialis as So ié icas
VII
Índice de abelas:
Tabela 1: Resul ados elei o ais nas eleições legisla i as, p esidenciais e eu opeias em
pe cen agens, en e 1999 e 2019..................................................................................... 29
Tabela 2: Núme o de elei o es do Bloco de Esque da, 1999-2019.. .............................. 52
Tabela 3: Pe il sociodemog á ico dos ade en es do Bloco em 2014............................. 53
Tabela 4: Subg upo da Esque da Radical – Socialismo Democ á ico – onde se enquad a
o Bloco de Esque da. ...................................................................................................... 74
Índice de igu as:
Figu a 1: Es u u a da o ganização in e na do BE .......................................................... 43
Figu a 2: Posicionamen o médio dos p incipais pa idos no eixo esque da-di ei a (1978-
2008) ............................................................................................................................... 71
Figu a 3: Dí ida b u a em pe cen agem (%) do PIB das adminis ações públicas, du an e
o pe íodo 2000-2015 ....................................................................................................... 92
Figu a 4: Taxa de c escimen o eal do PIB, em pe cen agem, du an e o pe íodo 2000-
2015 ................................................................................................................................ 92
Figu a 5: Taxa de desemp ego, em pe cen agem, du an e o pe íodo de 2000-2015 ...... 92
Figu a 6: Núme o de o an es na Esque da Radical nas eleições legisla i as, en e 1980 e
1999, em Po ugal ......................................................................................................... 128
VIII
Índice:
In odução: ..................................................................................................................... 1
CAPÍTULO 1 – As ans o mações da Esque da .......................................................... 4
1.1 Ideologia e a dico omia Esque da-Di ei a ............................................................ 4
1.2 O Fim da Ideologia e o mi o da sociedade “pós-ideológica” ............................... 6
1.3 Di isão das esque das: en e os mo imen os sociais e a polí ica pa idá ia ......... 8
1.4 A eme gência da No a Esque da ........................................................................ 11
1.5 No os Valo es .................................................................................................... 15
1.6 A no a dimensão polí ico pa idá ia: ma e ialismo – pós-ma e ialismo ............ 17
CAPÍTULO II – A Esque da den o e o a de po as ................................................... 20
2.1 A esque da na Eu opa en e a e a dou ada e a mu ação pós-comunis a ............. 21
2.2 A esque da em Po ugal: anos 70 ....................................................................... 24
2.3 A esque da em Po ugal no inal do século: anos 80 e 90 .................................. 27
CAPÍTULO III – Nasceu uma Es ela: o nascimen o do Bloco de Esque da .............. 31
3.1 An eceden es ....................................................................................................... 32
3.2 A eme gência do Bloco de Esque da: O quê? Po quê? Pa a quê?...................... 35
3.3 Es u u a pa idá ia ............................................................................................. 38
3.3.1 “Não se pode i e sem elas e às ezes é di ícil i e com elas”:
Co en es/Tendências/Sensibilidades ................................................................. 43
3.4 Quem az o BE: ade en es e elei o es ................................................................. 48
3.4.1 Elei o es ..................................................................................................... 48
3.4.2 Ade en es ................................................................................................... 50
3.5 Documen os elei o ais: en e o mani es o e o p og ama .................................... 54
3.6 Meios in e nos de socialização e ex e nos de ideologização .............................. 57
CAPÍTULO IV – “Quem somos como p oje o de al e na i a”? .................................. 61
4.1 A ideologia dos pa idos em Po ugal ................................................................. 62
4.1 Cli agens Sociais em Po ugal ........................................................................... 66
IX
4.2 “A cada um a sua e olução”: A Ideologia polí ica do Bloco de Esque da ....... 68
4.2.1 Socialismo ................................................................................................. 74
4.2.2 Feminismo socialis a ................................................................................. 78
4.2.3 Paci ismo ................................................................................................... 80
4.2.4 In e nacionalismo: “O mundo é a nossa a e a” ........................................ 83
4.3 Os e ei os da c ise económica no discu so do Bloco .......................................... 90
4.3.1 Populismo .................................................................................................. 94
4.3.2 Nacionalismo ............................................................................................. 97
4.4 O Bloco e a Esque da na Eu opa ...................................................................... 101
Conclusão: .................................................................................................................. 105
Bibliog a ia: ............................................................................................................... 109
Anexos: ……………………………………………………………………………...128
En e is as: ................................................................................................................. 129
7
assis imos à queda do Mu o de Be lim e ao im da URSS que di ou pa a alguns o culmina
de uma e a e o início de uma no a. Pa a And é Ba a a (2012:9; e ambém San os, 2006;
Di Cesa e, 2021:135; Inne a i y, 2016:317) uma no a E a di ada pelos óbi os anunciados
“da li e a u a e seus au o es, de deus a é; depois de odos os ins
2
, da a e, da polí ica,
mesmo da his ó ia (…)”
O p imei o im dec e ado oi a ese do “Fim da Ideologia”, que eme giu du an e
a década de 50 e 60 do século XX, nos Es ados Unidos da Amé ica (EUA) e na Eu opa
Ociden al onde mui os o am os que a "p oclama am, celeb a am e a é lamen a am"
(Jacoby, 1999:3). En e os seus p incipais au o es encon amos Edwa d Shils; Raymond
A on; Seymou Lipse e Daniel Bell. Pa a es es au o es ha ia uma “eme gência
gene alizada e não ideologicamen e ma cada de uma sociedade ol ada pa a a sa is ação
indi idual a a és do consumo” (Rosas e Fe ei a, 2016:22). Pa a Shils (de aco do com
Jacoby, 1999:1) ha ia uma “con icção às ezes desen eada, às ezes silenciosa, que o
comunismo ha ia pe dido a ba alha de ideias com o Ociden e”. Es e au o pa ecia no a
que a mo e de Es aline e a subsequen e subs i uição po Niki a Kh usche , assim como
a ap oximação dos dois polos, azia no a uma homogeneização ao ní el socioeconómico
e ao ní el das ideias. Pa a Seymou Lipse , na sua ob a Poli ical Man (1960:403-407), “a
democ acia no mundo ociden al em passado po algumas mudanças impo an es como o
declínio dos con li os en e in elec uais pe encen es a g upos que ep esen am di e en es
alo es”, sendo que “o iun o da e olução social democ á ica no ociden e inda a
polí ica domés ica pa a aqueles in elec uais que de em e ideologias e u opias pa a os
mo i a pa a a ação polí ica” e po isso Lipse a i ma que as “p oblemá icas de esque da-
di ei a es ão a acaba ”. Raymond A on ambém abo da es a emá ica na sua ob a The
Opium o he In ellec uals (1955) dizendo que a ideologia signi ica a e olução e u opia,
sendo que ambas inham acabado, e po an o, “ninguém pode ia ingi que uma
al e na i a ao capi alismo a ançado exis ia” (Jacoby, 1999:2). Pa a es e au o ha ia
“no as o mas de coisas po i ” (A on, 1955:305). Daniel Bell e a da mesma opinião.
Es e au o oi o que mais abo dou o ema do é mino ideológico e icou conhecido como
o g ande eó ico e de enso da ese do “Fim das Ideologias”. Segundo Bell (1988:325)
“os p ocessos de Mosco o, o Pac o nazi-so ié ico, os campos de concen ação e a
sup essão do mo imen o dos abalhado es Húnga os” aliado ao ac o das “mudanças
2
Dos ins dec e ados du an e o século XX, os mais p emen es o am: o Fim da Ideologia (Bell, 1980; e
Lipse , 1960); o Fim da Polí ica (Talshi , 2005; e Ranciè e, 2014); e o Fim da His ó ia (Fukuyama, 1992).
8
sociais como as modi icações do capi alismo” e o “su gimen o do Es ado assis encial”
ize am com que no mundo ociden al hou esse “um ce o consenso en e os in elec uais
a espei o dos p oblemas polí icos: acei ação do Es ado assis encial, a p e e ência pela
descen alização do pode , e pelo sis ema de economia mis a e de plu alismo polí ico”.
Bell chega à conclusão que a E a das ideologias inha e minado (idem, ibidem). Com
is o di o su gem as seguin es ques ões: Es a ão as ideologias ul apassadas? Dizem-nos
ainda alguma coisa? Con inuam elas a guia -nos?
A e a pós-ideológica que se inaugu a a, segundo Sa o i (2007:309), “e a uma
p o ecia p ema u a”, sendo que es a ideia é em si uma es a égia de nos a as a mos das
mac o ideologias po pa e daqueles que desejam mo e -se pa a um ácuo, de modo a
es abelece em a sua isão hegemónica (F eeden, 2005:255, Bobbio, 1996, e F ei e,
2006b:291). Nos anos 60 a his ó ia não nos mos ou o im da ideologia, mas a
in ensi icação do con li o ideológico. Pa a Russell Jacoby (1999:5-6) uma “no a polí ica”
es a a-se a espalha pelo ociden e, não apenas a a és de uma “ e olução polí ica”, mas
ambém “uma e olução da ida, da mo al, e da sexualidade”. De ac o as elhas
cli agens polí ico-sociais pa ecem e diminuído, con udo, no as o mas de cli agem
apa ece am nas democ acias pós-indus iais (Dal on, 2006; F ei e, 2005a, 2006a). Vemos
en ão a eme gência de no os mo imen os sociais e de no as esque das e di ei as (Rosas
e Fe ei a, 2016).
Enquan o essas mesmas eses do “Fim da Ideologia” es a am a se disseminadas,
o “pensamen o ma xis a enasce em igo , iniciando uma ase b ilhan e que se p olonga
a é ao inal da década de se en a” (San os, 2018:36). Baseado nessa ideia es á a
“ e olução chinesa, os mo imen os de descolonização e a ab up a c iação de no os
países, mui os deles lide ados po polí icos com o mação ma xis a, a e olução cubana,
e já em países capi alis as (…) o mo imen o es udan il de inais da década de sessen a
(…) [e] a eme gência de o es pa idos socialis as e comunis as” (idem, ibidem). Foi uma
ase no pe íodo his ó ico em que a Esque da e os mo imen os adicais i encia am uma
expansão em e mos quan i a i os e quali a i os.
1.3 Di isão das esque das: en e os mo imen os sociais e a polí ica pa idá ia
A expansão dos mo imen os de esque da oi uma cons an e du an e oda a
his ó ia do pensamen o das ideias polí icas: desde o início com Babeu , Blanqui, Louis
9
Blanc, Sain -Simon e Fou ie (pa a menciona alguns), a é aos mo imen os de
di e gência polí ico-ideológica do ma xismo ao socialismo, passando pelo ana quismo,
os u opis as, o Leninismo, o Es alinismo, o Maoismo, o T o skismo e odas as co en es
e olucioná ias que in eg a am a p imei a me ade do século XX. Na segunda me ade do
século XX, as a u as e disco dâncias não deixa am de se aze sen i , sendo as suas
causas a ealidade do empo his ó ico i ido. Po ou as pala as, a esque da da pós-
mode nidade e da sociedade pós-indus ial em-se emancipa do “socialismo ealmen e
exis en e”, e po consequência, do comunismo o odoxo.
Os elhos pa idos comunis as con inua am a se os maio es g upos de ex ema
esque da, não obs an e, assis iu-se a uma he e odoxia po pa e de ou os mo imen os,
como os o skis as, os maois as e os g upos inspi ados pela e olução cubana e e cei o-
mundis a, mas ambém pensado es, adições e o ganizações ma ginalizadas a pa i de
1956, com o im da o odoxia es alinis a e do mo imen o in e nacional cen ado em
Mosco o (Hobsbawm, 1996). Segundo Bebiano (2020:278-279) inham-se es abelecido
ês linhagens: “a p imei a e e e o quad o de a i mação de algumas dissidências obje i as
capazes de documen a a di e sidade do modelo bolche ique logo após a omada do
pode , a segunda, epo a-se à en a i a de p ese ação das di e en es he anças de Ou ub o
den o da p óp ia União So ié ica, e a e cei a, colocada já o a do e i ó io usso e num
empo bas an e mais p óximo do p esen e, concen a-se na cons ução do que a dada
al u a se chamou a No a Esque da, pa icula men e in e essada em encon a caminhos
eno ados pa a o impulso emancipa ó io que a dada al u a Ou ub o pôde ep esen a .”
Es as dinâmicas da Esque da espelha am-se mui as das ezes em ideias cole i as
que se i am em p oje os emancipa ó ios de “mo imen os socialis as, mo imen os
ana quis as, o mu ualismo e o co po a i ismo ope á ios (…)” (San os, 2018:193) que
coabi a am ao mesmo empo numa ealidade mode nis a de capi alismo e de
indi idualização cada ez mais acen uado. Fo mas legalis as e bu oc á icas como o
Es ado, os pa idos polí icos e a é os sindica os começam a se o emen e con es ados
du an e odo o século XX, e daí o mam-se no os ipos de g upos de oposição popula
(Ka sia icas, 2006). Con as ando com as elhas ideologias, os an igos alo es e adições
einan es, assim como as suas ins i uições, assis e-se à eme gência de no os con eúdos,
seja na ideologia (no a esque da e a no a di ei a), na polí ica e o que se apelidou de no a
polí ica (“new poli ics”), nos no os mo imen os sociais (Ki schel , 1993), ou mesmo no
pe íodo his ó ico i enciado (pós-mode nidade ou capi alismo a dio). Pa ece assis i -se
10
ao que G amsci disse a: “The Old is dying and he New canno be bo n” ( e F ase ,
2019).
Em á ios países su giam mo imen os sociais e lu as polí icas de di e sos ipos:
gue ilhei os (Fação do Exé ci o Ve melho na Alemanha), ana quis as (Au onomis as em
I ália), cole i os de base sindical ( áb ica Lip em F ança), p o es os, ações de g upos de
cidadãos e “g upos sociais cong egados po iden idades não di e amen e classis as, po
es udan es, po mulhe es, po g upos é nicos e eligiosos, po g upos paci is as, po
g upos ecológicos, e c, e c.” (San os, 2018:51). Ou seja, uma pa icipação polí ica não
con encional. São es es elemen os da esque da que, segundo Thompson (1997:186),
“pa ecem mais iá eis e saudá eis po não possuí em es u u a coe en e, e em sido
consis en emen e ma ginalizados, excluídos do cen o de au o idade e eme idos pa a um
papel c í ico an o da es u u a de pode como da elação com a esque da o odoxa”. A
lu a de classes pe de a sua o ça de ca ác e e olucioná io, cedendo o luga a ou os
mo imen os ad hoc; ou os que se man êm na lu a social e polí ica, ou a é mesmo aqueles
que se subme em à polí ica adicional e se con e em em pa idos polí icos.
Os pa idos polí icos que êm como p incipal unção iden i ica as cli agens, as
p eocupações sociais e espelha a on ade elei o al a a és de p opos as num âmbi o
ins i ucionalizado, cump em a missão de ep esen a . Con udo, os pa idos na segunda
me ade do século XX começa am a não espelha as mudanças sociais que es a am a
oco e . Dal on (1984:8) abo dou essa emá ica a i mando que: “Os pa idos es ão a se
ap esen ados com no as demandas e no os desa ios. Mudança pa idá ia – ao con á io
de es abilidade pa idá ia – é um pad ão comum em p a icamen e i ualmen e em odas
as nações.” Segundo C o y (em Ka z e C o y, 2006:500) “a mudança social le a à
ans o mação pa idá ia” e oda es a dinâmica social, insa is ação com o pode polí ico
e a polí ica adicional, mas ambém a incapacidade dos elhos pa idos se adap a em ez
com que no os a o es pa idá ios eme gissem espondendo a uma necessidade
pa icipação e na manei a de aze polí ica, que po azões es u u ais (polí ica pa idá ias
não se ap esen a a sa is a ó ia) e azões de agenda polí ica ( emas c ucias e eme gen es,
in e ligados com alo es pós-ma e ialis as) (Ignazi, 1996). Os no os pa idos polí icos
inham isões p agmá icas assen es em “impulsos pa icipa i os, libe á ios e
an icapi alis as” (Ki schel e Hellemans, 1990:210:210). Os no os pa idos que ie am a
ganha des aque são pa idos denominados ecologis as/ e des e libe á ios, endo o seu
apa ecimen o nos anos 70 e 80 na Áus ia, Bélgica e Alemanha Ociden al, e nos anos 90
11
na Holanda e na Escandiná ia. (Ki schel e Hellemans, 1990; Ignazi, 1996).
É nes a mesma esque da polí ica he e odoxa, emancipa ó ia, libe á ia e
dissiden e que nos deb uça emos.
1.4 A eme gência da No a Esque da
“(…) algo es á e ado ac ualmen e com a adição do pensamen o c í ico. Já
mui os au o es decla a am a sua mo e. Que já nada es a ia pa a se
c i icado, uma ez que a c í ica implica denúncia de um apa elho b ilhan e
que esconde uma ealidade sólida e somb ia, mas já não es a ia qualque
ealidade sólida pa a con apo à apa ência, nem escu idão pa a con apo
ao iun o de uma sociedade p óspe a”
Jacques Ranciè e (em Ca doso, Rui Mo a (coo d.) (2007)
C í ica do Con empo âneo - Con e ências In e nacionais
Se al es 2007, p. 75, Fundação Se al es)
Du an e o século XX assis imos à eme gência de uma no a o ça ideológica de
esque da que eio ompe com a adição de esque da adical anco ada em Mosco o e na
dou ina ma xis a-leninis a
3
. A no a esque da nasce, como o nome indica, em con as e
com a “ elha esque da” – o odoxa, es alinis a e assen e no papel do p ole a iado como
p incipal agen e e olucioná io – esul ado da denúncia, po pa e de Niki a Kh ushcho
no XX cong esso do Pa ido Comunis a da União So ié ica, de Es aline e da polí ica
in e na pe pe ada po es e, assim como a polí ica ex e na que oi ei a com a in asão
so ié ica da Hung ia (Fa ed, 2000). Nascia assim nas sociedades a luen es uma no a
p axis que ejei a a ambos os lados da gue a- ia e empenha a-se em p io iza uma lu a
emancipa ó ia dos g upos sociais mais excluídos e ma ginalizados: mulhe es, mig an es,
neg os, comunidade LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e ansgéne o), e com isso
inicia am uma lu a ans o ma i a das p á icas polí ico-sociais. Ha ia uma lu a que se
inha iniciado não só nos campos polí ico e social, mas ambém uma lu a económica e,
p incipalmen e, cul u al. Nas pala as de E. P. Thompson (em Wainw igh , 2018:30)
“Benea h he pola iza ion o powe and ideology in he Cold
Wa Wo ld (…) a new ebellious human na u e was being o med, jus
as he new g ass sp ings up benea h he snow”.
3
A pe iodização em elação à No a Esque da é dispu ada. Pa a Ca dina e Soei o (em Rosas e Fe ei a,
2016:27) es a “onda longa” começa na década de 1940 e ence a-se em 1972-74. Po ou o lado,
Keucheyan (2014) a No a Esque da em o seu apa ecimen o em 1956, com a denúncia no XX Cong esso
do PCUS do egime de Es aline, e o seu im em 1977.
12
No os alo es eme giam e no as lu as o na am-se eme gen es. Inicia a-se uma
onda de con es ação que i ia p opaga -se pelo mundo. Pa a Lasch (1991), num om c í ico
que acompanha oda a sua ob a, as mudanças causadas pelos desen ol imen os do século
XXI (sociedade do espe áculo [p. 72], do p i a ismo
4
[p. 31], bu oc a ização [p. 90], e do
homem psicológico [p. 13]) le a am a um “c escen e econhecimen o (…) da p esen e
c ise pessoal, que ago a ep esen a uma ques ão polí ica com di ei o p óp io” (idem:16).
Pa a es e au o a sociedade ame icana mos a a-se de en o a de um na cisismo pa ológico
e idenciado na in e secção da ida p i ada com a polí ica, e a his ó ia com a expe iência
p i ada. A década de 60 e 70 nos Es ados Unidos da Amé ica na cisis a, e a sua lu a
social, ize am com que osse p a icamen e impossí el igno a as conexões en e cul u a
e polí ica, numa mudança de alo es e iden e que Ch is ophe Lasch apelida de
“ e olução na condu a e na mo al” (idem:73; e ambém F ase , 2000), e olução essa
que é “in e na” (idem:15), e que se o mou no início do século XX e con inua a é ao
p esen e. Com is o o au o e e e-se a uma e olução sexual, à lu a eminis a con a a
dominação e op essão masculina e à posição da ju en ude con a a au o idade dos mais
elhos, e idenciando assim um p ocesso de mudança cul u al, ideológica e com no os
alo es que eme giam.
No seguimen o des as ideias, nos EUA, as leis acis as e seg egacionis as de Jim
C ow o am as p imei as a se con es adas de ido à p ocu a, po pa e dos cidadãos a o-
ame icanos, de plena cidadania e po isso “cedo desen ol e am o mas de a i idade
polí ica, incluindo boico es, desobediência ci il, ma chas e euniões de p o es o em
massa” (Gosse, 2005:21). Au o es como W.E.B du Bois, F an z Fanon e James Baldwin
o am os au o es que mais se deb uça am sob e a p oblemá ica neg a na amé ica nos seus
mais a iados emas no campo académico, enquan o Ma in Lu he King, Malcom X e os
Black Pan he s se empenha am a conc e iza a lu a pelos di ei os ci is neg os a a és do
mo imen o dos di ei os ci is e de ações pací icas e sub e si as. Aliado a es e, o
mo imen o an igue a su ge com eceio de um holocaus o nuclea que pai a a de ido ao
clima de gue a- ia. Um mo imen o anco ado no paci ismo em e mos idealis as e de
p á ica. Associado a es a ideia em a de esa dos animais e da e a – o mo imen o
ecologis a – que con inha em si a c í ica da u ilização dos ecu sos de uma o ma mais
conscienciosa e mode ada, da u ilização de ma e iais eciclá eis e eciclados, e de uma
4
T adução da exp essão do au o “p i a ism”. É aqui en endido po p i a ismo uma endência que conce ne
ideias e p oblemá icas que a e em apenas alguém como indi íduo.
13
união com a e a em de imen o da c escen e indus ialização e maquinização da pessoa
humana, assim como a u banização do espaço que a ci cunda. Um mo imen o com uma
o e componen e ecológica e ambien alis a. A lu a pelos di ei os não se ica po es es
acon ecimen os, pois, com a década de 60 inicia-se a con es ação das no mas igen es
que passam a se ques ionadas. Aqui alamos dos mo imen os eminis as, que
ques iona am o pa ia cado e o luga subal e no pa a onde a mulhe inha sido elegada,
mas ambém, os mo imen os gay, lésbico e ansgéne o, que desa ia am a
he e ossexualidade no ma i a e exigiam di ei os polí icos que a é en ão não dispunham.
Pa a Ka sia icas (2006:1):
“Fo ge new iden i ies based on he nega ion o exis ing
di isions: in place o pa io ism and na ional chau inism, in e na ional
solida i y; ins ead o hie a chy and pa e ns o domina ion and
submission, sel -managemen and indi idual sel -de e mina ion; in
place o pa ia chy and acism, egali a ian humanism; a he han
compe i ion; coope a ion a he han he accumula ion o weal h,
a emp s o end po e y; ins ead o he domina ion o na u e, ecological
ha mony.
No os alo es pós-ma e ialis as (Ingleha , 1977) assen es numa economia pós-
indus ial (Bell, 1973) ize am com que o agen e e olucioná io, o p ole a iado,
desapa ecesse, dando início a um pe íodo em que a classe en a em c ise (Go z, 1987).
Is o de e-se ao ac o de que o “neo-p ole á io” goza de p i ilégios que ou as indi íduos
não possuem, e, de ido a isso, no os sujei os polí icos e sociais en am pa a o ce ne da
dispu a polí ica: neg os, mig an es, p esidiá ios, comunidade LGBT, en e ou os, es ando
es es “nos an ípodas de iden idades como “po o” ou “classe ope á ia” (Rosas e Fe ei a,
2016:50). No os a o es sociais o nam-se assim po enciais agen es e olucioná ios e
emancipa ó ios. A no a esque da inicia a consigo um pe íodo de o es con es ações: nas
uas, nos bai os, nas áb icas e nas uni e sidades, ou seja, em odos os espaços onde a
sociedade ci il a ua a. Tan as o am as ações de p o es o e o núme o de pessoas na sua
pa icipação que os mo imen os que ag ega am a con es ação social ma e ializada e os
con es a á ios icou conhecido como o “Mo imen o dos mo imen os”. A con es ação no
espaço público “não e a uma insu eição a mada ou um assal o po con olo e i o ial
(…), as aspi ações (…) não e am uma di adu a do p ole a iado” (Ka sia icas: 1987:17)
pa a os di e sos mili an es e a i is as en ol idos na lu a e a “con a o impe ialismo e o
capi alismo”, sendo que “ odos eles se ap esen a am equidis an es das mode nas
sociedades de consumo ociden ais e bu oc a ismo so ié ico” encon ando-se “unidos na
14
de esa da democ acia pa icipa i a e pelo in e nacionalismo” e de endiam as “lu as dos
mo imen os independen is as no Te cei o Mundo” e com isso apelando a uma
“ ans o mação e olucioná ia da sociedade (…) segundo modelos apa en emen e no os”
(Rosas e Fe ei a, 2016:33). Os modelos apa en emen e no os es a am ligados às
ca ac e ís icas in ínsecas da no a esque da que são, segundo Ka sia icas (1987:23-27) as
seguin es: 1) oposição à dominação acial, polí ica e pa ia cal, assim como ambém à
explo ação económica; 2) o concei o de libe dade, não apenas libe dade da p i ação
ma e ial mas ambém libe dade pa a c ia no os se es-humanos; 3) a ex ensão do
p ocesso democ á ico e a expansão dos indi íduos; 4) ampliação da base da e olução,
o a da ipologia exis en e de lu a de classes clássica – alienação e abu guesamen o do
p ole a iado – o que ez su gi um no o agen e e olucioná io; 5) ên ase na ação di e a,
com uma concomi an e ape ência pa a uma an i bu oc acia pa idá ia e a abe u a de
no os espaços na ida polí ica.
Designadamen e nas sociedades ociden ais, e no meio da ba bá ie ci ilizada, os
con o nos que a en o mam passam desde a música com cân icos à paz, de in ocação à
e olução e à imaginação, passando pela a e nos mo imen os dadaís a e su ealis a, mas
ambém na li e a u a com a sua co en e exis encialis a, e na psicologia que iu su gi a
psicanálise como modelo analí ico. No que diz espei o à academia, os modelos eó icos
pós-es u u alis as e cons u i is as êm, a pa i des e dado momen o, uma in luência que
con inua a é aos dias de hoje, no ques ionamen o das ins i uições e das cons uções
sociais. A no a esque da ecai nes as con igu ações, sendo o emen e in luenciada no
Reino Unido pela New Le Re iew e po E. P. Thompson, e em F ança pelas ob as de
Jean Paul Sa e, con udo, de ido à pe da de cen alidade na p odução de pensamen o
c í ico po pa e da Eu opa, é nos EUA, e mais p op iamen e na Escola de F ank u , que
su gi á a maio c í ica ao sis ema capi alis a e ao socialismo eal. A Escola de F ank u
inha-se undado na Alemanha em 1923, mas, de ido à ascensão de Hi le , iu-se
ob igada a deslocaliza -se, sendo que encon a em No a Io que o seu des ino. Wal e
Benjamin e He be Ma cuse, assim como Theodo W. Ado no, Max Ho kheime e
Jü gen Habe mas são das p incipais igu as des a escola de pensamen o, desen ol endo
as maio es c í icas aos aspe os polí icos, sociais e cul u ais da sociedade bu guesa
(Bebiano, 2020:302).
Du an e es e pe íodo e olucioná io que a His ó ia nos deixou e que comp eende
os anos 50 a é à década de 70, emos o ( es)su gimen o do pensamen o c í ico clássico –
15
que passa po Ma x e a ecen e ob a descobe a dos Manusc i os Económicos e
Filosó icos de 1844 e o concei o de alienação; Engels e a sua O igem da Família, da
P op iedade P i ada e do Es ado, undamen almen e T o sky, com a sua de esa da
“ e olução pe manen e”, e G amsci com a sua céleb e ese do apa en e consenso da
o dem capi alis a que designa pelo “senso comum” e o concei o de “hegemonia”– , assim
como as no as abo dagens: Guy Debo d (consequen emen e a In e nacional
Si uacionis a) e a “sociedade do espe áculo”; Michel Foucaul e Louis Al husse
ela i amen e à au o idade e He be Ma cuse e o “Homem unidimensional”. Is o sem
esquece que du an e es e pe íodo umul uoso udo oi pos o em ques ão: a ciência, a
écnica, a amília, o amo , deus, os ilóso os, a a e, a cul u a, os polí icos, as o mas
adicionais de o ganização, os go e nos, os sindica os, e o Es ado. A e dade es a a nas
uas e o maio de 68 oi o seu auge.
1.5 No os Valo es
A sociedade ociden al p o ém de um modelo o emen e in luenciado pela
indus ialização e pelo sec o secundá io que se ia p edominan e ao ní el económico e
polí ico, já ao ní el cul u al o modelo i o iano da amília e de o dem social ma ca am a
época. Con udo, nos anos 60 assis e-se à passagem g adual da indús ia (se o secundá io)
pa a os se iços (se o e ciá io), em e mos polí icos cons a a-se o p edomínio da
democ acia em e mos globais, que pode se cons a ado nas ês ondas de democ a ização
de Samuel Hun ing on (1993), mas sem esquece o “declínio do pa en esco como
ins i uição social”, a diminuição da “con iança nas ins i uições”, ao aumen o da
“c iminalidade e da deso dem social” aliado ao “aumen o do indi idualismo e o
elaxamen o dos con olos comuni á ios” ao ní el social (Fukuyama, 2000:19-115). A
sociedade passa a e o es ca ac e ís icas pós-ma e ialis as (polí ica), pós-indus iais
(economia) e pós-mode nas (cul u a).
No que oca ao pós-mode nismo, es e ap esen ou-se como uma mudança an o nas
p á icas cul u ais, assim como ambém nas p á icas polí icas e económicas (Ha ey,
1990). O seu início é mui o deba ido en e os académicos. Alguns a i mam que o seu
início se deu após a segunda gue a mundial, já ou os apon am pa a que essa mudança
se enha dado a pa i dos anos 70. Segundo Jameson (1992:1) o seu pon o de pa ida
de e-se à “ o u a adical” dos anos 50 e 60, sendo que o seu começo apon a pa a a
ans o mação dos anos 70 no que mui os au o es de di e en es á eas do sabe começam
16
a apelida de pós-mode nidade (Ande son, 2005). A pa i dessa década o pós-
mode nismo e e a sua exis ência como e e ência cole i a, de inindo assim, de ce o
modo, uma “ aje ó ia de desen ol imen o polí ico e social (Ha ey, 1990:VIII). Há pa a
es e úl imo au o , nas sociedades ociden ais uma “ ans o mação cul u al” que assen a na
“mudança pe ce í el nas sensibilidades, p á icas e o mação do discu so” (idem:39).
Quan o à sociedade pós-indus ial no a-se uma signi ica i a mudança no ca ác e
ecnológico que em omado luga , uma ans o mação de uma ecnologia maquinizada e
ans o mado a, elacionada com uma sociedade indus ial, pa a uma assen e na
in elec ualidade, na in o mação e no conhecimen o, ou seja, uma sociedade do a an e
pós-indus ial (Bell, 1976; e ambém Tou aine, 1969). Segundo Daniel Bell (1976),
es as mudanças oco e iam p incipalmen e du an e o século XXI nas es u u as sociais
dos E.U.A, do Japão, da União So ié ica e na Eu opa Ociden al.
Já pa a o pós-ma e ialismo, as demandas que guia am os mo imen os des e pe íodo
e am di e en es das con es ações e lu as dos pe íodos an e io es, po ou as pala as, as
demandas a uais e am pós-ma e ialis as, enquan o que as ei indicações que p ecediam a
década de 60 e am elas denominadas po ma e ialis as. Es as no as demandas
ep esen am pa a Ronald Ingleha (1977, e Belchio , 2010) a mudança de alo es que
es á a acon ece pelos cidadãos do Ociden e: da ên ase no bem-es a ma e ial e segu ança
ísica pa a uma ên ase na qualidade de ida. Segundo o au o “mudanças es u u ais es ão
a acon ece nas sociedades pós-indus iais” e is o an o a “ní el dos alo es indi iduais,
nas c enças e compo amen os” (Ingleha , 1977:4-7). Há nes a ob a de Ingleha , The
Silen Re olu ion: Changing Values and Poli ical S yles Among Wes e n Publics, uma
ideia cen al que assen a na mudança do con eúdo ideológico na sociedade pós-indus ial
e pós-mode na. Pa a o au o , a sociedade pós-ma e ialis a nasce de ido a uma “no a
polí ica” que eme ge “du an e a década de 60” e a e lexão dessa mudança espelha-se na
“base social do p o es o”, um p o es o no “meio da sociedade de a luência e da
p ospe idade” (Ingleha , 1977:262). As g andes ca ac e ís icas pa a a mudança da
sociedade e am a iadas e complexas, en e elas a educação – cada ez mais gene alizada
e especializada (concen ando-se no aumen o de cidadãos com o ensino secundá io e
uni e si á io); as ino ações ecnológicas; a es u u a ocupacional da sociedade pós-
indus ial, assen e no conhecimen o; o c escimen o económico gene alizado com ní eis
de ida p óspe os, de ido ao ele ado consumo e às baixas axas de desemp ego; e o
desen ol imen o dos meios de comunicação de massas ( ádio, ele isões e jo nais). Es as
23
capi alismo e a conclusão do p ocesso de mudança da His ó ia. Os pa idos de esque da
adical assis i am a á ias ans o mações: 1) alguns dissol e am-se ou deixa am de
exis i como en idades au ónomas; 2) ou os que abandona am a sua iden idade e
in eg a am ou as amílias pa idá ias; 3) e ainda aqueles que se man i e am o odoxos
(Chiocche i, 2017:61-62). Pa a alguns au o es (Sassoon, 2010) os anos 90 signi ica am
o im de adei o pa a a esque da, is o de ido ao apoio dec escen e que es as o ças
polí icas ecolhiam no ociden e, e ambém pelo iun o capi alis a nos países de Les e. Já
segundo ou os au o es (Hudson, 2012; Rosas e Fe ei a, 2016; Bebiano, 2020) há uma
ecupe ação da esque da. Es a ecompôs-se o ganicamen e a a és de mo imen os
polí icos e comba es emancipa ó ios, azendo enasce uma esque da adical com
exp essão. No meio dis o onde se encon a am os pa idos socialis as e sociais-
democ a as? Pa a San os (2019) a social-democ acia mos a a-se impossí el ou in iá el
e po isso hou e nes e quad an e polí ico-ideológico mu ações. Essas mu ações
signi ica am a busca de uma solução nas ideias da Te cei a Via de An hony Giddens
(1998; D i e e Ma ell, 2000; Lipse , 2001). Foi o caso de Bill Clin on e o Pa ido
Democ á ico nos EUA e de Tony Blai e do Pa ido T abalhis a no Reino Unido (Žižek,
2006) ou a é de An ónio Gu e es e do Pa ido Socialis a em Po ugal (Viei a, 2014) onde
de endiam os p incípios da assis ência social e a economia do me cado li e. A polí ica
i a a-se pa a um “cen ismo adical” que sin e iza a emas e alo es de ambos os lados
do espec o polí ico (Mou e, 1998).
Aliado a um comunismo desac edi ado (Hudson, 2012) e a uma social-
democ acia neolibe alizada, em meados da década de 90, com a e o ma in e na ei a em
mui os pa idos comunis as e o desen ol imen o eó ico emp eendido, assis e-se a uma
ans o mação. Uma esque da adical que se cons i ui de ido a um azio deixado pelos
pa idos mains eam, pelas pa cas condições sociais e económicas que se aziam sen i , e
que en a ca i a um elei o ado essencialmen e cons i uído po no os sujei os polí icos,
pela classe abalhado a e de enso es do es ado-social (Chiocche i, 2017:62). Es a
esque da es a ia ligada a (no os) mo imen os sociais, a polí icas ambien ais; eminis as,
an i acis as e paci is as, mas ambém ligados ao ma xismo, sem esquece o
desen ol imen o de uma iden idade an icapi alis a, al e globalização e a con es ação do
a gumen o não há al e na i a (The e is no Al e na i e -TINA) pa a a ealização de “um
ou o mundo é possí el” (Ano he Wo ld is Possible) (Hudson, 2012; Rosas e Fe ei a,
2016). Es as ques ões ma e ializa am-se e adensa am-se com o mo imen o zapa is a
24
(1994
5
) e a ba alha de Sea le (1999) que ão da o igem, com ou os an os mo imen os,
a uma isão al e na i a da globalização e c í ica ao neolibe alismo no Fó um Social
Mundial (FSM) de Po o Aleg e (2001) no B asil. Es e ó um e a o p imei o g ande
mo imen o in e nacional desde os anos 80 (San os, 2005) e que inha a sua génese ao
mesmo empo que o Fó um Económico Mundial (Wo ld Economic Fo um) con as ando
com o que es e úl imo ep esen a a e endo em is a uma ans o mação social, e
consequen emen e polí ica e económica, pa a um “ou o mundo” (Pa omäki e Tei ainen,
2004). Ao a ua como a ou a ace da globalização neolibe al o FSM e a ca ac e izado
po se global, ho izon al, inclusi o, sem lide ança e ep esen a i o, p o idenciando,
segundo San os (2008:149), “o con ex o mais a o á el pa a ques iona em que medida
uma no a esque da es a a a eme gi no meio des as inicia i as - uma esque da
e dadei amen e global, com capacidade de supe a a c ise degene a i a que ca ac e izou
a esque da nos úl imos qua en a anos.”
2.2 A esque da em Po ugal: anos 70
Du an e 1926-1974, um pe íodo con u bado da his ó ia nacional, o país con inha
em si as semen es da mudança, ou seja, os mo imen os e g upos que se deba e am po
um país di e en e nos mais a iados aspe os. É no espec o polí ico da esque da que se
deb uça es a análise: a ex ema-esque da e sob e udo a esque da adical, numa abo dagem
sin é ica a analí ica.
Desde 1926 que Po ugal i ia numa di adu a. Numa p imei a ase (1926-1933)
che iada po mili a es e po isso mesmo um egime de di adu a mili a , e uma segunda
ase (1933-1974) ma cada po um egime polí ico au o i á io, denominado Es ado No o
com a subsequen e ap o ação da cons i uição de 1933. Du an e es e pe íodo “não hou e a
p eceden es de eleições li es e jus as, com su ágio uni e sal e com um sis ema de
pa idos compe i i os” (Ma ch e F ei e, 2012:120) sendo que o egime “usa a as eleições
não pa a pe mi i mudanças no go e no, mas pa a con i ma a sua pe manência no pode
e o na iden i icá el a oposição” (Jalali, 2015:19), e po isso, só pa cas o ças de
5
Apesa da sua exis ência p ecede es a da a ado amos es e ano especí ico pois oi aqui que o mo imen o
omou mais dinamismo e des aque com a suble ação na egião mexicana de Chiapas con a o go e no
nacional e o seu p oje o neolibe al plasmado no T a ado No e-Ame icano de Li e Comé cio (NAFTA).
25
con es ação polí ica se encon a am ep esen adas de ac o, não endo pode e e i o pa a
muda as condições exis en es.
Ao longo do pe íodo au o i á io cons i uiu-se uma “mi íade de ou as o ças
polí ico-pa idá ias de ex ema-esque da” (Ma ch e F ei e, 2012:107), po ou o lado
ambém hou e ag egados polí ico-ideológicos da esque da que se o ma am
clandes inamen e e alguns deles le a am mesmo a cabo ações sub e si as e ilegais. Do
pe íodo di a o ial p o êm os mais a iados mo imen os e pa idos de esque da: os
ma xis as-leninis as (Pa ido Comunis a Po uguês [PCP]; Pa ido Comunis a de Po ugal
(ma xis a-leninis a) [PCP m-l]; Unidade Re olucioná ia Ma xis a Leninis a [URML];
União Democ á ica Popula [UDP]; en e ou os); os maois as (Pa ido Comunis a dos
T abalhado es Po ugueses [PCTP-MRPP]; Comi ê de Apoio Reo ganização do Pa ido
[CARP m.l.]; Comi és Comunis as Re olucioná ios Ma xis as Leninis as [CCRML];
en e ou os); os T o skis as (Pa ido Socialis a Re olucioná io [PSR]) e a é os
ana quis as (Mo imen os Libe á io Po uguês [MLP]) (Ca dina, 2010; Maile , 2018).
Con udo, só após o 25 de Ab il de 1974, com a Re olução dos C a os, é que mui as des as
o ças polí icas se legaliza am, pe azendo pouco mais de 20 o ganizações pa idá ias de
esque da e olucioná ia en e 1964 e 1986 (Ma ch e F ei e, 2012:107), com uma base
social, segundo Fe nando Rosas (em AA.VV., 2020:89), localizada nas “zonas popula es
e ope á ias sob e udo da G ande Lisboa, ma gens no e e sul do Tejo e nos assala iados
u ais dos campos da e o ma ag á ia”
6
.
O mo imen o e olucioná io ence ou “pe íodos o ensi os” en e maio e agos o
de 1974, a a és dos mo imen os sociais maio i a iamen e espon âneos, e mais a de,
en e ma ço e agos o de 1975, com a “in luência do PCP e do a i ismo de esque da adical
e que se exp imi ia na Re o ma Ag á ia, como nas nacionalizações ou no con olo
ope á io.” (Louçã e Rosas, 2004:33). Es e mo imen o, oda ia, não es a a p epa ado pa a
implemen a os p oje os necessá ios à ans o mação da sociedade, seja nos locais de
abalho, nos sindica os, po ou as pala as, uma ação e olucioná ia capaz ans o ma
as es u u as económica e social, e consequen emen e a “in aes u u a” e a
“supe es u u a” segundo a eo ia ma xis a. O ag a amen o das dispu as polí ico-
ideológicas que le a am ao “Ve ão Quen e de 1975” de am ao PS a o ça de um po o
6
Pa a Ca los Jalali (2003:554) há uma “maio p e e ência de pa idos de di ei a nas á eas mais eligiosas e
de classe capi alis a e uma maio p e e ência dos pa idos de esque da nas á eas mais secula es e de classe
abalhado a”
26
que que ia ol a à no malidade e es e desejo e a p ome ido com es abilidade que “a aiu
mui os que es a am cansados da lu a e da ine icácia dos planos açados pelos g upos
e olucioná ios” (P íncipe e Sunka a, 2016:160). Dispe sas, es as o ganizações
e olucioná ias nunca es abelece am uma posição cole i a ( en es elei o ais,
aggio namen os) que o necesse uma opção obus a social e elei o almen e, endo icado
semp e p o undamen e di ididas o que não lhes possibili ou a sua a i mação. Não
possuindo um p ocesso ou p og ama de pla a o ma polí ica comum de ação, a hegemonia
que es as o ças pode iam e ido ez delas o ganizações e olucioná ias agmen adas e
di ididas, dispu ando a “pu eza ideológica” pa a a e olução (P íncipe e Sunka a,
2016:161).
Foi nas p imei as eleições democ á icas, a 25 de Ab il de 1975, que se
ma e ializou a exis ência de a iados pa idos da esque da adical e da ex ema-esque da
no jogo democ á ico. Dos 14 pa idos às eleições, 9 e am de esque da e 8 adicalizados
7
,
numa cla a endência ideológica dos á ios pa idos à esque da, a o que se i ia a adensa
com a en a i a de um golpe alhado de di ei a encabeçado po An ónio de Spínola.
Con udo, com o in ui o de democ a ização do país e de endendo a democ acia
pa lamen a , em dissonância com o p oje o do PCP, o Pa ido Socialis a (PS) ence a
alianças que com o Pa ido Popula Democ á ico (PPD, só em 1976 Pa ido Social
Democ a a – PSD), que com o Cen o Democ á ico Social (CDS), excluindo do pode a
ex ema-esque da de ido ao seu “p oje o apa en emen e hegemónico, as suas ligações à
URSS, e a pe ceção de uma ausência do PCP com a democ acia ep esen a i a” (Jalali,
2015:23; e ambém Viei a, 2014; Ma ch e Kei h, 2016:253-271; C uz, 2017). Com o
deco e do p ocesso de democ a ização, dando inicio ao que icou conhecido como a
“ hi d wa e o democ acy” (Hun ing on, 1993), a ex ema-esque da elei o almen e e a
apenas ep esen ada po ês pa idos: o Pa ido Comunis a Po uguês (PCP), a União
Democ á ica Popula (UDP) e o Mo imen o Democ á ico Po uguês/Comissão
Democ á ica Elei o al (MDP/CDE) espelhando o que se passa a pelo es o da Eu opa:
pa idos polí icos de sua maio ia ma xis as com ela i a adesão social e elei o al que ou
e am oposição ou aziam pa e da go e nação (Chiocche i, 2014).
7
Pa ido Comunis a Po uguês (PCP); F en e Socialis a Popula (FSP); Mo imen o de Esque da Socialis a
(MES); União Democ á ica Popula (UDP); F en e Elei o al de Comunis as (Ma xis as-Leninis as) (FEC);
Pa ido d’Unidade Popula (PUP); Liga Comunis a In e nacionalis a (LCI).
27
A 25 de No emb o de 1975 a ala mais adicalizada do Mo imen o das Fo ças
A madas (MFA), apoiado pelo Comando Ope acional do Con inen e (COPCON) iniciam
a omada de á ios se o es es a égicos, en e eles as ins alações das o ças a madas
8
, a
RTP e a ádio pública, “c iando a ideia de que se a a ia de um mo imen o mais as o,
de na u eza polí ica, com a in enção de assal a o pode ” (Viei a, 2014:48), con udo, com
a si uação sanada pelo enen e-co onel Ramalho Eanes, oi o momen o decisi o pa a pô
im à “in lexão esque dis a” e ao p ocesso e olucioná io em cu so (PREC). Nos anos
pos e io es Po ugal i a a-se decididamen e pa a uma democ acia libe al apoiada pelos
g andes pa idos do sis ema polí ico-pa idá io, cen is as e ca ch-all: o PS (cen o-
esque da) e o PSD (cen o-di ei a). A conjugação da o ça elei o al de ambos os pa idos
i ia da um ca ác e ela i amen e es á el e com a o es iden i icá eis e pe manen es na
lu a polí ica ao sis ema pa idá io po uguês (Lisi, 2016; Jalali, 2017).
Com o a ança das duas décadas após o 25 de Ab il, assis e-se, em e mos ge ais,
à pe da do ca ác e esque dis a da e olução e à p og essi a libe alização polí ica, labo al,
social e sob e udo económica do país.
2.3 A esque da em Po ugal no inal do século: anos 80 e 90
A pa i de 1976, com a de o a de O elo de Sa ai a de Ca alho às p esidenciais,
é di ado o im do p ocesso e olucioná io. (Roca, Ma ín-Díaz e Díaz-Pa a, 2018).
Passados qua o anos, na década de 80 cons a am-se mudanças polí ico-ideológicas no
país. Po um lado, emos os dois maio es pa idos polí icos po ugueses numa de i a
libe al, po ou o lado, nes as duas décadas, cons a a-se mu ações à esque da.
No que oca ao p imei o, no inal dessa mesma década, segundo Viei a (2014)
assis imos ao “p imado da economia” e à ascensão de Aníbal Ca aco Sil a no pano ama
polí ico po uguês. Es e o na-se p esiden e do PSD em 1985 e seis meses depois é
nomeado p imei o-minis o. Com a che ia do go e no, Ca aco Sil a, ence a um
“conjun o de e o mas po enciado as do desen ol imen o do país” coincidindo com o que
se passa a ao ní el in e nacional, guiados pela máxima “menos es ado, melho es ado”
ao mesmo empo que bene icia dos undos de p é-adesão à Comunidade Eu opeia e a um
es au o da con iança nos me cados po ugueses nos me cados in e nacionais (Viei a,
8
Base Aé ea de Tancos, a Base Aé ea de Mon e Real, e a Base Aé ea do Mon ijo, e o Es ado-Maio da
Fo ça Aé ea.
28
2014:140; Pa ke e Tsa ouhas, 2018). Com duas sucessi as maio ias absolu as (1987 e
1991) o “ca aquismo” ence a e o mas cons i ucionais e ao ní el legal, económico e
social az com que o país se libe alize: en e algumas medidas des aca-se o im da
g a ui idade do Se iço Nacional de Saúde; o aumen o das p opinas no ensino supe io
público; as condições de abalho que a o eciam a lexibilização do mesmo; ealizou-se
e o mas iscais; e ainda a ep i a ização das nacionalizações do PREC. Is o inha le ado
a que Po ugal du an e es e pe íodo cons a a-se um aumen o do c escimen o económico,
da diminuição do desemp ego e uma diminuição da despesa pública (Pa ke e Tsa ouhas,
2018; dados Po da a).
Em meados dos anos 90, os socialis as che ia am o apa elho de Es ado e e a
An ónio Gu e es que che ia a o go e no (XIII e XIV go e nos cons i ucionais). Gu e es
o emen e in luenciado pelas eses da e cei a ia de An hony Giddens (1998), não e e ua
“nenhum co e adical com as polí icas do ca aquismo” (Viei a, 2014:220) sendo que a
i agem à esque da o a mais “nominal do que eal” (Ma ques, 2019:723). Gu e es não
in e ompe o p ocesso de libe alização, mui o pelo con á io a é o acele ou com uma
polí ica de omen o económico a a és de p i a izações, e en a mode niza o país
in eg ando-o cada ez mais na União Eu opeia (UE), não p e endendo “pô em causa os
p incípios básicos do libe alismo económico (…)” (Viei a, 2014:220; AA.VV., 2020;
Ma ques, 2019),
No que oca ao segundo, exis ia uma esque da adical e ex ema-esque da que
inha sido é il em Po ugal e que con inua a ma ca o pano ama sociopolí ico com á ios
pa idos (po ezes em coligações) e g upúsculos. Resquícios do que inha sido a década
an e io ainda con inua am p esen es, como é o caso da c iação das Fo ças Popula es –
25 de Ab il (FP-25) em 1980, esul an e de mili an es do Pa ido Re olucioná io do
P ole a iado (PRP), das B igadas Re olucioná ias (BR) e da Fo ça de Unidade Popula
(FUP), endo a sua úl ima ação sub e si a em 1987. En e os pa idos há uma g ande
in luência do o skismo e maoismo nos pa idos de esque da, apesa da aca adesão
elei o al po pa e dos cidadãos, sendo que es es pa idos se candida am às eleições
legisla i as endo como objec i o a sua possí el ep esen ação e pe pe uação no empo.
Nas eleições legisla i as da década de 80 emos a p esença dos o skis as (POUS/PST;
PSR; PT [1980] e a LST [1983]); dos maois as (PCTP-MRPP) e dos ma xis as-leninis as
(UDP; PC(R) [1983; 1985]; OCMLP [1980;1983]; APU [1980;1983;1985]; e a CDU
[1987]). Os únicos pa idos que conseguem ob e apoio elei o al e, po consequência
29
in luência polí ica são: o PCP (coligado em APU; PCP/PEV e CDU) e a UDP a é 1983,
que se pe pe ua a é ao inal da década de 90, uma década em que o im do p oje o
e olucioná io se o na e iden e e a esque da se ap esen a menos di e sa, in luen e e
capaz
9
, com apenas algumas o ganizações sob e i en es ( e Soei o, 2009; P íncipe e
Sunka a, 2016; Roca, Ma ín-Díaz e Díaz-Pa a, 2018). De aco do com Julio Pé ez
Se ano (em Roca, Ma ín-Díaz e Díaz-Pa a, 2018:36) “[d]epois de 1986, endo a ingido
os objec i o mais ambiciosos da ansação polí ica, as o ganizações adicais começa am
a en aquece , acabando po desapa ece i ualmen e no início dos anos 90”. O sis ema
pa idá io pa ece cede luga à no a polí ica e a alo es pós-ma e ialis as. O PCP que
ep esen a a cli agem “owne -wo ke ” p opos a po Lipse e Rokkan (1967) e que
esul a a na clássica lu a de classes ma xis a passa a cede em pa e o papel a uma no a
esque da. Em 1987 com a o mação da Coligação Democ á ica Uni á ia (CDU) que
jun a a o PCP ao Pa ido Ecologis a “Os Ve des”, pa ece no a -se um es o ço po pa e
dos comunis as de alinha em o ma xismo o odoxo com as no as endências eu opeias
dos pa idos e des e ambien alis as (sob e es e assun o e Ki schel e Hellemans, 1990;
Sil ei a, Nina e Teixei a, 2019). Mesmo assim udo pa ece indica que a é aos anos 90 a
compe ição en e alo es ma e ialis as – pós-ma e ialis as e a i ele an e, sendo que as
“cli agens alo a i as da no a polí ica” começa am-se a aze -se no a , con udo, “mui o
pa camen e” (Ma ch e F ei e, 2012:127; Jalali, 2015:95-99). O pa ido comunis a que
chega a a ob e 18.8% nas eleições de 1979 du an e os anos 90 em esul ados mui o
acos
10
, e que segundo Lisi (2016:4-5) con as a com o ela i o sucesso de uma no a
o ça polí ica, o Bloco de Esque da (BE) ( e abela 1).
1999
2001
2002
2004
2005
2006
2009
2011
2014
2015
2016
2019
Assembleia da
República
2.46
-
2.75
-
6.38
-
9.82
5.17
-
10.19
-
10.01
P esidenciais*
-
3
-
-
-
5.32
-
19.67
-
-
10.12
-
Pa lamen o
Eu opeu
1.79
-
-
5.12
-
-
10.72
-
4.56
-
-
10.56
Tabela 1: Resul ados elei o ais nas eleições legisla i as, p esidenciais e eu opeias em pe cen agens, en e
1999 e 2019. Fon e: Comissão Nacional de Eleições.
* Conside ou-se aqui os candida os apoiados pelo Bloco de Esque da. Em 2001 Fe nando Rosas; no ano
de 2006 F ancisco Louçã; em 2011 Manuel Aleg e; e em 2016 Ma isa Ma ias.
9
Ve igu a 6.
10
Em 1991 o PCP-PEV com o esul ado de 8.80%, em 1995 com 8.57%, e em 1999 com 8.99%.
30
O sucesso elei o al do Bloco de Esque da pa ece con i ma o que Jalali
(2015:96-97) a i ma: “[o]s dados mais ecen es apon am pa a a cli agem pós-ma e ialis a
mani es a em Po ugal pe sis en emen e a dia”, mas espe a-se “um c escimen o das
p e e ências pós-ma e ialis as em consequência da con inuação das ans o mações
sociais, da mudança ge acional e do desen ol imen o económico”. Nou as pala as, a é
ao inal do século XX Po ugal e ela e uma cli agem ma e ialis a/pós-ma e ialis a
i ele an e que em e mos de compe ição como em e mos de iden i icação, mas com
alo es a ap esen a um c escimen o p og essi o e com maio ele ância nas escolhas
polí icas. Is o dá-se sob e udo com a ascensão do BE que começa a dinamiza no as
ques ões polí icas que se o nam domínio de compe ição polí ico-elei o al (Ma ch e
F ei e, 2012; e ambém Lisi, 2009).
31
CAPÍTULO III – Nasceu uma Es ela: o nascimen o do Bloco de Esque da
“The Be lin Wall did no all on us.”
Lula da Sil a (em Wainw igh , Hila y (2018) A New Poli ics om he Le ,
Poli y, p.10)
Ma x’s heo ies a e hus no simply ali e: Ma x is a li ing dead whose ghos
con inues o haun us – and he only way o keep him ali e is o ocus on
hose o his insigh s ha a e oday mo e ue han in his own ime, especially
his call o uni e sali y o he emancipa o y s uggle.
(Zizek, Sla oj (2020) A le ha da es o speak i s name, Poli y, p. 12)
Os acon ecimen os e as no as mo imen ações ideológicas abo dadas
an e io men e ( e secção 1.4) ouxe am consigo no as abo dagens no campo polí ico.
Com o im do maio de 68 ica am as éplicas que se ize am sen i um pouco po odo o
mundo. Como a i ma Ca dina e Soei o (em Rosas e Fe ei a, 2016:51), e am décadas de
ecomposição da esque da adical (…)”. Is o de eu-se ao que es es mesmo au o es
a i mam como “os e ei os de as ado es da globalização neolibe al, a p og essi a
iden i icação da esque da mode ada com a ideologia libe al e as alianças o jadas no
con ex o do mo imen o al e global [que] le a am a ap oximações en e pa idos
comunis as no ociden e, se o es que ompe am com a social-democ acia, o ganizações
o skis as e maois as, o ganizações da no a esque da da década de 70 e se o es
adicalizados dos no os mo imen os sociais” (idem, ibidem).
Alguns au o es es emunha am esses acon ecimen os e a i ma am que os empos
que se i iam e am empos de mudanças (Mai , 1984; Dal on, Flanagan e Beck, 1984).
Mudanças essas que e am e iden es an o no dia-a-dia, nas escolas, nos locais de abalho
e em casa, mas ambém nos p óp ios sis emas pa idá ios. Po ou as pala as, no os
emas de deba e e dispu a polí ica eme gi am na sociedade do capi alismo-a ançado,
con udo, de ido à aca espos a dos pa idos es abelecidos, um p ocesso de mudança
polí ica inicia a-se. Segundo Mai (2007:171) a polí ica pa idá ia eu opeia assis ia a uma
en á ica mudança, sendo que is o le ou a um eposicionamen o das o ças pa idá ias.
Pa a Dal on, Flanagan e Beck (1984:8) os pa idos agmen a am-se e os seus laços
psicológicos e sociais que an e io men e liga am os elei o es aos pa idos en am num
pe íodo de cons an e ins abilidade. Com is o no os pa idos apa ecem numa en a i a de
colma a , an o as no as demandas, como a no a elação com os pa idos. Em Po ugal,
o nascimen o do Bloco de Esque da, p ocu ou se espos a a esses p oblemas: po um
32
lado se uma al e na i a polí ica a quem se sen ia “ó ão de ep esen ação” e po ou o
lado se eículo de con es ação das “no as mo imen ações ideológicas (…)” com
“posicionamen os mais pa icipa ó ios e au onomia pa a edes de solida iedade mais
descen alizadas” (Sil a e Lamei as, 2019:9). As o ganizações à esque da do Pa ido
Comunis a Po uguês e am o emen e in luenciadas po um “caldo polí ico-cul u al onde
se en ec uza am e an agoniza am in luências da e olução cubana e da e olução
cul u al chinesa, eações ao XX Cong esso do PCUS e à in asão mili a so ié ica na
Checoslo áquia, ou das múl iplas o mas de pensamen o e ação que Maio de 68 libe ou”
(Fe ei a e Madei a, 2020:7) is o jun ando ao mo imen o ¡Ya Bas a! dos zapa is as con a
a globalização neolibe al
11
ao mesmo empo que uma esque da adical eeme gia no plano
in e nacional, ez com que eme gisse, em e e ei o de 1999, a a és de 248 indi íduos, o
An e P ojec o de Decla ação: Começa de No o, po ou as pala as, a decla ação
undado a do Bloco de Esque da. É o que nes e capí ulo amos abo da : a génese do BE
e as suas ca ac e ís icas ideológicas, mas ambém polí icas, en e as quais a sua es u u a
in e na, quem o compõe (ade en es) e quem nele o a (elei o es), como e quem az o seu
mani es o/p og ama elei o al legisla i o e os meios de socialização e “ideologização”
in e nos e ex e nos, is o se a a és des es aspe os que se pode á a e i , de ce a manei a,
“quem” e “o quê” cons i ui ideologicamen e o BE.
3.1 An eceden es
À meia-noi e e in e cinco da mad ugada do dia 25 de Ab il de 1974, passa na
Rádio Renascença a música “G ândola Vila Mo ena”. Es a se ia a canção que se i ia de
segunda senha pa a as ope ações que ie am a desencadea a “Re olução dos C a os”.
Es e p ocesso de mudança de egime i ia a esul a na úl ima e olução de esque da na
eu opa do século XX, e i ia inicia a e cei a aga de democ a ização p econizada po
Samuel Hun ing on (1993) que depois se ez sen i nou os in a países espalhados pela
“Eu opa, Ásia e Amé ica La ina” (Hun ing on, 1993:21; e ambém Louçã e Rosas,
2004).
O im do egime au o i á io “deixa a um campo ago e ulne á el” pa a o
apa ecimen o de um no o, numa “d ás ica al e ação de elação de o ças no plano social
e polí ica” (AA.VV., 2020). Com uma na u eza e olucioná ia e mili a , o no o egime
11
Mais a de as mani es ações de Sea le de no emb o de 1999 e o Fó um Social Global se ão ambém
uma o e in luência.
39
como eículos de a iculação, ag egação e assunção de in e esses en e os cidadãos e as
ins i uições polí icas (Ka z e Mai ,2018; Belchio , 2010). Ao se em os ep esen an es dos
cidadãos numa democ acia, os pa idos a uam como agen es ins i ucionalizados e
legí imos de ep esen ação, sendo que odo o p ocesso polí ico é assim con olado pelos
pa idos polí icos, o que possibili a um ce o g au de p e isibilidade e no ma i idade ao
uncionamen o do egime democ á ico (Diamond e Gun he , 2001; Lisi, 2011).
Em Po ugal, o egime do Es ado No o (1933-1974) oi de ubado a 25 de Ab il
de 1974 e a a ena polí ica encon a a-se disponí el pa a que no os a o es dispu assem o
pode polí ico. Uma ez conquis ado esse espaço, com o mações polí icas esul an es de
um con ex o e olucioná io, os pa idos es o ça am-se pa a man e a sua posição de
hegemonia ep esen a i a jun o da II República a a és da sua pene ação em odas as
egiões do país, e consequen emen e na sociedade, o que i ia a esul a na sua inclucação
na p óp ia cons i uição, que lhe consag a ia um papel ex enso e de la ga impo ância
(B uneau, 1997; Lisi, 2019b; nes e assun o e F ei e, 2005b). No que oca à o ganização
dos pa idos polí icos odos ap esen am “es u u as o ganiza i as simila es: além de um
execu i o ela i amen e pequeno, há um ó gão delibe a i o mais amplo que é o ó gão
mais impo an e en e os cong essos. A p imei a ju isdição des e ó gão é es abelece o
cu so de ação do pa ido e con ola os ou os ó gãos. Todos os p incipais pa idos (…)
êm uma a iculação e ical e ado a am uma es u u a baseada na di isão adminis a i a
do país, com unidades o gânicas ao ní el da eguesia, municipal e dis i al” (Lisi,
2015b:46). Ou seja, os pa idos po ugueses “são ca ac e izados po um ní el ele ado de
cen alização” (Lisi, 2011:206), con udo, em-se assis ido à in odução de medidas de
democ a ização que “ab ange odos os pa idos polí icos e odos os sis emas polí icos”
(Lisi, 2011:205; e ambém Sanches e al., 2017) que se aduz numa “maio inclusão na
seleção dos candida os e dos líde es pa idá ios, assim como na in odução de
mecanismos de democ acia di e a e na maio in e enção dos memb os na de inição das
linhas polí icas” (Lisi, 2011:205). Mesmo com a c escen e democ a ização na ida in e na
pa idá ia, nos pa idos ainda p edomina o cen alismo e a e icalidade, e po isso, como
al e na i a aos pa idos com es u u as adicionais, o BE
22
em in oduzi uma no a
o ma de se pensa os pa idos polí icos in e namen e com aços semelhan es aos pa idos
da no a esque da (Ka z e C o y, 2006:278-290; Cha alambous, e Lamp ianou, 2014):
22
Mais a de, em 2014, o pa ido LIVRE ambém em pe soni ica um pa ido-mo imen o que inclui a
ealização de p imá ias e uma lide ança in o mal.
40
po um lado, ocam-se pouco na o ganização o mal da es u u a pa idá ia, e po ou o,
combinam as suas a i idades na a ena polí ica o mal com a pa icipação
ex ains i ucional.
No caso do BE a sua génese e e uma o e in luência na sua cons i uição
o ganiza i a. F u o da aglu inação do PSR, da UDP e da PXXI, o BE oma a o ma
in e namen e de uma es u u a com ca ac e ís icas ede ais, endo como obje i o
p ese a a au onomia das o ças que a compunham, mas ambém de ha e um quad o
in e no de a iculação conjun a en e as á ias sensibilidades. A sua composição
o ganiza i a, ou seja, os pode es dos ó gãos p incipais do BE não e a p ecisa (Con enção
2001; Lisi, 2009, 2015b), con udo oi-se cons i uindo um p ocesso de con inua
egulamen ação es a u á ia que esul ou na Con enção Nacional como ó gão delibe a i o
cimei o, seguido da Mesa Nacional que di ige o mo imen o en e as con enções
nacionais e onde se euniam 20 memb os das di e en es ações numa dinâmica
policên ica ( e igu a 1). Pa a além des es ha ia ambém um Sec e a iado Nacional que
em como incumbência a e as de coo denação execu i a. Não se cons a a somen e nos
ó gãos in e nos a dinâmica ede al no BE, sendo no ó ia na ocupação dos p incipais
ca gos: F ancisco Louçã (PSR), o líde de ac o que assumiu o ca go de coo denado ;
Luís Fazenda (UDP) que desempenhou o papel de líde pa lamen a ; e Miguel Po as
(PXXI) que se ocupa a das eleições eu opeias como candida o pe manen e (Sil a e
Lamei as, 2019). Segundo á ios au o es (Sil a e Lamei as, 2019:19; Lisi, 2013) as
ações undado as man i e am a dis ibuição in e na do pode elegando a in luência dos
no os iliados, o que p o ocou a desmobilização des es e limi ou a eno ação da lide ança
e do p og ama. Uma o ganização inicialmen e “mui o de icien e”, mas com uma e olução
p og essi a que con inua a a ejei a a e icalidade e a p o issionalização da polí ica
(Con enção, 2001), po ou as pala as, onde p e alecia as ca ac e ís icas de um pa ido
libe á io (Belchio , 2010). Um pa ido, em e mos o ganiza i os, mais lexí el, com
menos o inas, endo em is a ag upa em si sujei os ideologicamen e di e sos e onde há
uma maio ole ância ace à dissidência, um p ocesso menos ígido no ec u amen o de
mili an es e um baixo ní el de a iculação es u u al (Cha alambous e Lamp ianou,
2014:9). Vejamos: P imei o, no que oca aos ade en es o BE não inha, inicialmen e, um
p ocesso de insc ição, con iando nos seus “ade en es e simpa izan es” (Con enção,
2001), apesa disso, em 2001 c ia esse p ocesso de iliação pa a alcança um ce o g au
de es abilidade e e o ça a e icácia das suas es u u as pa idá ias (Lisi, 2009). A pa
41
disso c ia ambém mecanismos sanciona ó ios. A pa icipação des es na ida do pa ido
é de g ande impo ância is o exis i um modelo de pa icipação dos ade en es “bo om-
up”, ou seja, uma cul u a de pa icipação de base dos seus mili an es nas dinâmicas
pa idá ias. A elação dos ade en es com os ó gãos di igen es é baseada em edes
ho izon ais que na ealização de decisões, que nos laços in o mais en e si. (Ma ch e
F ei e, 2012; Lisi, 2011a). Segundo, quan o ao líde , es e é uma igu a omissa nos
es a u os, sendo que o BE ado a como lide ança uma con igu ação colegial e in o mal.
Te cei o, no pa lamen o, os depu ados elei os, como o ma de esba e a sepa ação en e
elei o es e elei os, emp eendiam uma o a i idade dos seus ca gos, o que pe du ou a é
2005
23
.
Em 2005 o BE alcança os melho es esul ados elei o ais a é à da a conseguindo
6.38% dos o os (364,430 elei o es) e uma ep esen ação de 8 depu ados na Assembleia
da República. T ês meses depois das eleições, em maio, ealiza-se a IV Con enção
Nacional do BE e es e decide que a pa i daí se á “um mo imen o mais amplo, mais
implan ado, mais ep esen a i o, mais o ganizado, mais comba i o (…)” (Con enção,
2005:4). Com o aumen o do elei o ado e dos ade en es
24
, na u almen e ad ém uma maio
capacidade de in luência polí ica, o que exigia da pa e do pa ido “um ní el supe io de
o ganização” (idem:38). Foi nes e sen ido que o pa ido emp eendeu e o mas
ins i ucionais endo em is a c ia uma “no a cul u a de o ganização” (idem, ibidem). De
aco do com And é F ei e (Ma ch e F ei e, 2012) es a dinâmica ap oximou o BE do pe il
dos pa idos adicionais. Hou e uma dupla o ien ação: po um lado ao ní el dos ó gãos
nacionais, ou seja, a subs i uição do Comi é Pe manen e pela Comissão Polí ica que se
cons i uía como o ó gão execu i o cen al o ganizado em pelou os, e a c iação da igu a
do coo denado , de inida pela moção maio i á ia como sendo assumida pelo p imei o
subsc i o da moção mais o ada na Con enção Nacional - oda ia não econhecido
o malmen e como al
25
(Con enção, 2005; Lopes e Soei o, 2015; Lisi, 2011, 2015;
Ma ch e F ei e, 2012); po ou o lado ao ní el das es u u as locais, com a c iação de
no as es u u as concelhias e o e o ço das es u u as dis i ais. A necessidade de
descen aliza oi uma espos a às c í icas na III Con enção sob e a al a de
ep esen a i idade e au onomia dessas es u u as, mas ambém uma melho pene ação
23
Foi o caso da o a i idade de manda os de F ancisco Louçã, Luís Fazenda (cí culo de Lisboa) e de João
Teixei a Lopes (desde 2002 – cí culo do Po o) po Helena Ne es, Joana Ama al Dias, Ana D ago e Alda
Sousa.
24
A é 2005 con a a com mais de 5000 ade en es insc i os ( e Belchio , 2010, Lisi e Espí i o San o, 2017).
25
Segundo o Bloco de Esque da não há no pa ido ca gos uninominais (Con enção, 2005).
42
e i o ial e maio a iculação in e na
26
(Lisi, 2015b:50; Con enção, 2003:42). Quan o à
bancada pa lamen a , a o a i idade cai em desuso pois, segundo Louçã
(h ps:// edean icapi alis a.ne /ins i uicoes-ins i ucionalismo-e-o-bloco/), a ep esen ação
ins i ucional do BE no seu início es a a mal p epa ada e “ oi necessá ia a c iação de
compe ências écnicas e de equipes p o issionalizadas”, endo como objec i o o ma
“um g upo mui o es á el”, sendo que "a necessidade que o Bloco inha an e io men e não
se coloca com an a p emência"
27
(Público, 2005a).
Nas pala as de Sil a e Lamei as (2019:20; e ambém Ma ch e Kei h, 2016)
“[n]o seguimen o das eleições de 2005, o Bloco iniciou assim um p ocesso de
ins i ucionalização e c escen e cen alização”. De ido ao acen ua dos mecanismos
adicionais, em de imen o de elações mais pa icipa i as com os mo imen os sociais,
pa ece suge i um a as amen o no ní el de o ganização em elação aos es an es pa idos
de esque da libe á ia ca ac e izados pela sua es u u a o mal aga, hie a quia pouco
acen uada e aco con olo cen alizado (Lisi, 2009; Con enção, 2014:63). Pa a além
dis o, o que se ai e i icando é um complexi icação dos á ios o ganismos que compõe
o BE in e namen e, na medida em que, apesa de o núme o de ó gãos se man e (9
28
), o
núme o de a igos que egulam es a u a iamen e o pa ido aumen ou p og essi amen e
(de 20 a igos e 60 núme os em 2009 pa a 22 a igos e 81 núme os em 2021).
Segundo en e is a (2) “o momen o onde hou e uma maio democ a ização do
pon o de is a dos es a u os e do uncionamen o in e no oi p ecisamen e (…) em 2014,
quando a maio ia se di ide. (…) A pa ilha do pode in e no do Bloco e e de se
democ a izada”. A i mação co obo ada po F ei e e Lisi (em Ma ch e Kei h, 2016:264)
onde a i mam que a di isão pa i á ia da IX Con enção do BE le ou a e o mas na
es u u a in e na, expandindo o “uso de e e endos in e nos sob e emas es a égicos (ex.
alianças elei o ais e pa icipação no go e no)”. Mas es as mudanças não o am su icien es
e po isso hou e uma necessidade de “ epensa o modelo de lide ança pa idá io”. Pa a
isso e a necessá io es abelece um papel mais cla o e consensual na lide ança o que le ou
à eleição de uma Comissão Pe manen e como p incipal ó gão execu i o, compos o po 6
26
Nas pala as de F ancisco Louçã “exis e a necessidade de e uma es u u a mais abe a", ealiza "mais
a i idades públicas" e ecolhe o "apoio popula ” (Público, 2005a).
27
Em 2001 a Assembleia da República al e a as eg as de suspensão do manda o pa lamen a (Lei n.º 7/93;
al e ado pelo/a A igo 1.º do/a Lei n.º 44/2006) limi ando os seus mo i os.
28
(1) Con enção Nacional; (2) Comissão de Di ei os; (3) Mesa Nacional; (4) Comissão Polí ica; (5)
Assembleias egionais e dis i ais; (6) Comissões Coo denado as dis i ais ou egionais; (7) Assembleias
Concelhias; (8) Comissões Coo denado as Concelhias; e (9) Núcleos.
43
memb os em que o seu po a- oz e a o líde de ac o do pa ido. Es e ó gão e e uma
cu a exis ência is o só e ido memb os elei os no X Cong esso
29
, em 2014, e depois
disso ex ingue-se. Nes e momen o, em 2014, pa a além da lide ança icou decidida a
pa idade de géne o, bem como a p opo cionalidade da composição da Mesa Nacional em
unção da o ação das di e en es moções du an e a Con enção Nacional (an es disso, oda
a Mesa Nacional e a cons i uída pela Moção encedo a).
3.3.1 “Não se pode i e sem elas e às ezes é di ícil i e com elas”:
Co en es/Tendências/Sensibilidades
O Bloco de Esque da o mou-se a a és da junção de á ios quad an es polí icos
da esque da e po isso a di e ença de opinião in e na e a espe ada e mesmo admi ida pelo
pa ido (Soei o, 2009, Lisi, 2013; Obse ado , 2014). Segundo Lopes e Soei o (2015:39)
“[o] deba e do BE exp essou semp e á ias dimensões de o ganização cole i a e
ag upamen os de opinião” sendo que “(…) [d]u an e mais de uma década, cons i uí am
29
Em 2014 a sua composição e a: Ca a ina Ma ins (po a- oz nacional); Adelino Fo una o; Joana
Mo água; Nuno Moniz; Ped o Filipe Soa es; e Ped o Soa es. Disponí el em
h ps://www.bloco.o g/documen os/mesa-nacional/i em/2908-mesa-nacional-elege-comiss%C3%A3o-
pol%C3%AD ica-e-comiss%C3%A3o-pe manen e.h ml.
Figu a 1: Es u u a da o ganização in e na do BE. Realizado a pa i dos es a u os do Bloco de Esque da, 2021.
44
ambém á eas de a inidade polí ica in e na.” Es as o ças, en e as quais PSR, UDP, PXXI
e pouco depois a Rup u a/FER
30
(Rup u a/F en e de Esque da Re olucioná ia), “ o am
ex ao dina iamen e impo an es na ase de consolidação do Bloco”, não apenas no
“momen o de c iação, mas depois ao longo do p ocesso de consolidação do Bloco”
(en e is a 1), sendo que goza am de uma ela i a au onomia, que lhes possibili a a
in e namen e o ma em co en es de pensamen o di e enciado (Roca, Ma ín-Díaz e
Díaz-Pa a, 2018:24). As co en es in e nas iniciais do BE o ma am um p ocesso
conhecido como “hegemonia pa ilhada” onde cada um assumiu di e en es á eas de
abalho den o do pa ido e assumiam es e as de in luência dis in as (P íncipe e Sunka a,
2016; en e is a 2). Du an e esse p ocesso de consolidação a PXXI ans o mou-se em
Fó um Mani es o, uma co en e in e na que ag upa a independen es e académicos, endo
uma inclinação social-democ a a (Lisi, 2015b; Exp esso, 2014a), mas ambém a UDP e
o PSR que se o nam associações (UDP-AP e a APSR, espe i amen e)
31
. A é 2007 es as
di isões in e nas exis iam, con udo não e am eguladas. É nesse mesmo ano que a Mesa
Nacional es abelece que as endências in e nas baseadas em pla a o mas polí icas
al e na i as podiam se o madas com a assina u a de pelo menos um memb o da mesa
nacional ou da comissão de di ei os, es a u a iamen e cabendo no a igo 4 nº1 alínea e),
ou seja, es abelece-se a possibilidade de c ia endências den o do pa ido seguindo ce os
equisi os
32
.
Em 2011, com a pe da de me ade da ep esen ação pa lamen a (de 16 depu ados
em 2009 pa a 8 em 2011) o pa ido inicia um pe íodo de econ igu ação in e na. Po um
lado, a co en e Rup u a/FER, lide ada po Gil Ga cia, decide sai do pa ido a i mando
que es e es á cada ez mais ins i ucionalizado e pa lamen a izado, e onde a discussão
polí ica in e na é ei a em o no da moção mais ep esen ada. Is o le ou a que a 3 de
30
A Rup u a/FER in eg a o Bloco de Esque da em 2000.
31
Com a o mação do BE os pa idos que o in eg a am não se candida a am a eleições a í ulo indi idual.
Acau elando o ac o de pode em se ex in os po decisão do T ibunal Cons i ucional po não se
candida a em po um pe íodo supe io a seis anos (Lei O gânica n.º 2/2003, a igo 18º, nº1, alínea c)) o
PSR e a UDP ans o ma am-se em associações polí icas. Mais conc e amen e, em dezemb o de 2014 o
PSR o na-se Associação Polí ica Socialis a Re olucioná ia (APSR) pois segundo o mesmo há
“iden i icação do PSR com a o ien ação e di ecção do Bloco”, “uma p essão dissol en e que é inegá el” e
“a mili ância que exis e é a que se ans e iu pa a o Bloco” (Público, 2004). Em 2005 a UDP ap o a a sua
ex inção como pa ido (publicado em Diá io da República, II Sé ie, 16 de No emb o de 2005) de ido à
“pa icipação no BE e do no o quad o legal, que p e ê a ex inção de pa idos que não conco am a eleições
ge ais du an e seis anos consecu i os” e passa a se uma associação polí ica apelidada União Democ á ica
Popula – Associação Polí ica (UDP-AP) (Público, 2005b). Ambas as associações a i ma am a con inuação
como co en es den o do Bloco.
32
Ve h ps://www.bloco.o g/no %C3%ADcias/a ualidade/i em/570-bloco- egulamen a-o-di ei o-de-
end%C3%AAncia-e-p epa a-campanha-em-de esa-do-sns.h ml
45
dezemb o de 2011 a Mesa Nacional do BE o asse a a o da des inculação do
pa ido
3334
. Po ou o, F ancisco Louçã esigna olun a iamen e ao ca go de po a- oz do
pa ido e econside a essa posição, dando luga a Ca a ina Ma ins e João Semedo, ambos
memb os do Sec e a iado, p óximos das co en es undado as, e numa decisão que ecaiu
sob e decisão do cí culo es i o do pa ido, le ando a c í icas dos ade en es (Lisi, 2016).
Ma co Lisi a gumen a que nes a dinâmica in e na, os pa idos undado es man i e am o
seu con olo sob e a dis ibuição de pode den o do BE, ma ginalizando a in luência dos
independen es (Lisi, 2016:10). Com es es desen ol imen os o pa ido assis ia à
dissidência in e na e à di iculdade em man e a unidade (Ma ch e Kei h, 2016:263; Lisi,
2016). E a p eciso “inicia um no o ciclo in e no”, oi o que alguns quad an es do Bloco
pensa am (Público, 2011), ha endo po isso a necessidade de ul apassa o papel das
co en es – “desco en iza ”. Foi nes e âmbi o que a pa i de 2012 “o PSR deixa de se
um espaço ma can e (…) a UDP ambém (…) e, po an o, os espaços de a iculação
passam a se endências” sendo que es as co en es his ó icas “acaba am po se espaços
de memó ia his ó ica” (en e is a 6). As endências podem de ini -se como ag upamen os
o ganizados o malmen e e assumidos de ade en es, e sensibilidades ou co en es, que
po oposição, são ag upamen os não o mais, assumidos ou não, de ade en es. Segundo
um di igen e do BE é nelas que se az “mui as ezes o deba e ideológico” den o do
pa ido que depois é anspo ado pa a as moções ap esen adas po cada uma nas
con enções (en e is a 3).
Numa o ma de “acele a esse p ocesso de con igu ação das endências iniciais”
(en e is a 1) o ma-se em 2013 a Tendência Socialismo
35
. Es a que é “uma endência
in eg an e do Bloco de Esque da, o mada ao ab igo do di ei o de endência consag ado
no a igo 4º dos es a u os do Bloco de Esque da (…) cujo obje i o essencial é e o ça o
Bloco de Esque da” (h p:// endenciasocialismo.bloco.o g/) esse e o ço é p opos o po
es es ade en es na a i mação de que e a necessá io supe a “o peso po ezes excessi o
das co en es undado as” e inaugu a uma “no a e apa com quem a quise aze ,
conside amos pela nossa pa e que esse pe cu so das co en es o iginais es á esgo ado.”
(idem, ibidem; nes e ema e Público, 2013). Em espos a, a endência Esque da
33
h ps://www.esque da.ne /a igo/ up u a e -abandona-bloco-e-cons i ui-um-no o-pa ido
34
Com um cong esso ma cado pa a dia 10 de ma ço de 2012, a Rup u a/FER inha em is a cons i ui o
que se ia o Mo imen o Al e na i a Socialis a (MAS), undado em agos o de 2013.
35
Segundo en e is a (2) a Tendência Socialismo ag upa a Rede An icapi alis a, o que es a a da PXXI e
independen es.
46
Al e na i a o maliza-se enquan o al
36
de ido à al a de democ acia e plu alismo, ac o
que “al e ou o elacionamen o in e no”. Segundo es a endência “a p oclamação de que
as co en es o iginais es a am supe adas, mesmo na sua a e a de e lexão eó ica, e de
que apenas as endências insc i as no Bloco e iam legi imidade, ob iga a uma a i ude.”
(Esque da Al e na i a, 2014).
Em 2014, a co en e Fó um Mani es o, undada po Miguel Po as e compos a
po nomes de alguma ele ância pa a o BE (Ana D ago, Daniel Oli ei a, en e ou os),
decidiu des incula -se des e. Uma das co en es undado as do BE sai assim de ido às
de o as elei o ais, um esul ado de uma o ien ação polí ica que já não co esponde ao
que o seu elei o ado p e ende, mas ambém à disco dância quan o à es a égia de alianças
(Lisi, 2019a). Po isso, es e p e ende ago a “con ibui pa a no as pla a o mas polí icas
ab angen es" (Exp esso, 2014a). É nes e ambien e de di e gências que se começa a
con es a o pode in e no no seio do pa ido (Público, 2014; RTP No ícias, 2014). Ped o
Filipe Soa es, líde pa lamen a do BE e a e o à Esque da Al e na i a, lança a sua
candida u a à lide ança do pa ido, con es ando Ca a ina Ma ins e João Semedo. Com 5
moções à con enção e a dispu a da lide ança, a IX Con enção do BE em 2014 oi um dos
momen os mais di íceis do pa ido (en e is a 1). A IX Con enção ap esen a como
p incipais moções a moção U (“Moção Uni á ia em Cons ução”), da Tendência
Socialismo, e a moção E (“Bloco Plu al, a o de i agem”), da Esque da Al e na i a
37
.
Es a con enção e mina com uma di isão do pa ido em que ambas icam com uma
ep esen ação de 34 memb os na Mesa Nacional, e 3 memb os na Comissão de Di ei os,
ou seja, numa di isão pa i á ia en e as o ças. De aco do com di igen e do BE “exigiu da
pa e de mui a gen e, mas sob e udo da di eção exigiu uma capacidade g ande de ol a
às o igens da ambição uni á ia in e na” e “(…) hou e mui a gen e que se en ol eu com
abalho pacien e de consolidação de pon es e de laços que oi mui o impo an e”
(en e is a 1), sendo que desde aí as duas co en es di igem o umo do pa ido: a Rede
An icapi alis a e a Esque da Al e na i a (Sábado, 2015; Obse ado , 2014). Em en e is a
é-nos di o que “es e equilíb io en e basicamen e duas co en es den o do Bloco (…)
ica am como as duas co en es que p ocu am esse equilíb io. São di e en es
cul u almen e. P o a elmen e a a essa am p ocessos de ap oximação po es a e lexão
36
A Esque da Al e na i a já exis ia enquan o co en e den o do BE. Em 2013 cons i ui-se o malmen e
como endência.
37
Sem esquece a moção B “Re unda o Bloco na lu a con a a Aus e idade”; a moção R “Rein en a o
Bloco”; e a moção A “Uma Respos a de Esque da”.
47
i ida, mas que êm necessidade de encon a equilíb ios.” (en e is a 2). É nes e sen ido
que pa a a X Con enção do BE se cons i ui a Pla a o ma Uni á ia aco dada com a
Esque da Al e na i a
38
o que le a à cons i uição de uma moção de o ien ação conjun a à
con enção, mas ambém “do p og ama e lis as elei o ais; eleições p esidenciais; linha de
o ien ação polí ica” (Exp esso, 2016). É nes e sen ido que Ca los Ca ujo (em Exp esso,
2018) a i ma que “O Bloco em omado as suas decisões cen ais a a és de aco dos de
cúpula ei os en e dois g upos que o êm hegemonizado his o icamen e.”
Num a igo publicado na e is a da Rede An icapi alis a (2017) F ancisco Louçã
de ende que o objec i o não é o na o BE num “pa ido- acção”, mas sim “mes iça e
não pu i ica , são jun a e não sepa a ” (Rede An icapi alis a, 2017:13), sendo po isso
necessá io “ ence a cul u a do pa ido- acção”, uma “condição pa a um pa ido com
in luência de massas e com capacidade pa a lu a pelo socialismo” (idem:11). Toda ia,
numa pos u a c í ica à condução e o ganização in e na do pa ido, em junho de 2018
ade en es descon en es com a di eção nacional o ganizam-se o malmen e numa
sensibilidade “ecossocialis a”, “ma xis a” e emancipa ó ia que “comba e aos in e esses
do capi al e das a uais o mas de explo ação, dominação e manipulação da globalização
neolibe al” apelidada de Via Esque da (Via Esque da, 2018; Público, 2019d; e
h ps:// iaesque da.p /conclusoes-do-p imei o-encon o- ia-esque da/). Acusa am a
di eção de uma p og essi a al a de plu alidade in e na e de endiam um e e endo à
egionalização, a ees u u ação da dí ida pública, a e e são das leis labo ais do pe íodo
da T oika e a diminuição da p eca iedade, aliado ao ac o de uma maio ei indicação
jun o do PS ao mesmo empo que o BE não podia pe de “a sua capacidade [de] lu a
adical” (idem, ibidem). Pa a es es o caminho em de se ei o den o do BE, mas exigem
“um abalho exigen e e complexo, incompa í el com o simplismo das e dades absolu as
e das linhas “o iciais”, di adas pelo a bí io de núcleos de pode ” (Via Esque da, 2018).
De ido à aca in luência das posições mino i á ias e ao seu espa ilhamen o, a 8 de
dezemb o de 2019, na áb ica do B aço de P a a jun a am a “Via Esque da, o que es a a
das moções B e p ocessos de di e enciação in e na den o de g upos mino i á ios
in e nos”, ou pa a se mais p eciso, a “Via Esque da, o mais Bloco [e o] No o Rumo”
(en e is a 2), c ia am a Con e gência – um g upo de abalho in e no no Bloco
39
. A
38
Depois de ap o ada na III Assembleia da Esque da Al e na i a es a endência inicia um aco do en e as
pa es. Ve em h p://esque daal e na i a.bloco.o g/documen os/31-decla acao-conjun a-da-pla a o ma-
uni a ia-e-da-esque da-al e na i a.h ml
39
Não se o malizam numa endência pois, segundo en e is a (2), “não há homogeneidade, não há uma
coe ência in e na que jus i ique isso”.
48
Con e gência di e ge das soluções da lide ança do pa ido a gumen ando que “a ida
polí ica in e na é de e minada pela decisão cen alizada de g upo es i o, dominado pelas
duas ações, assen e na pa ilha de posições, luga es e apa elho, a ní el nacional” e po
isso e a p eciso “in e e es e quad o”, ap oximando o Bloco dos mo imen os sociais em
de imen o da sua ins i ucionalização e ap oximá-lo da sua génese undado a
(Con e gência, 2019). Inicia-se assim um deba e in e no en e as duas maio es co en es
do Bloco – Rede An icapi alis a e Esque da Al e na i a – e a Con e gência.
3.4 Quem az o BE: ade en es e elei o es
3.4.1 Elei o es
Du an e a p imei a me ade do século XX a esque da adical e a cons i uída
maio i a iamen e po mili an es e elei o es p o enien es da classe abalhado a (Rami o,
2014). Con udo a dinâmica empo al em exigido da ealidade mudanças subs anciais. A
ans o mação da sociedade nos seus á ios aspe os – económicos, labo ais, polí icos, e c.
(nes e ema e Bell, 1976; Ingleha , 1977; Go z, 1987; Ha ey, 1990) - le ou a uma
diminuição do papel da adicional classe abalhado a (“wo king class”) e à eme gência
de ou as. Nes e sen ido a cons i uição elei o al des es pa idos é cada ez mais di ícil de
iden i ica , con udo podemos assumi algumas gene alizações (Ma ch, 2012): assis imos
a elei o es c escen emen e jo ens, u banos, pe encen es à classe média, onde há um
maio ní el de educação, com a i idades labo ais no se o público e nos se iços e onde
a sua pe ença a sindica os é diminu a, sem esquece que a maio ia não demons a
qualque c ença eligiosa (Ma ch e Romme ski chen, 2012; Rami o, 2014; Gomez,
Mo ales e Rami o, 2015). Podemos en ão de e mina que o ipo de elei o es dos pa idos
de esque da adical enquad a-se num pe il de “comunis a indus ial” ou de “libe á io de
esque da pós-indus ial” (Ma ch, 2012:322). São es es elei o es que ie am in eg a a
esque da adical nas suas mais a iadas en es. Es es elei o es e mili an es da esque da
adical dis inguem-se dos es an es, pois segundo Visse , Lubbe s, K aaykamp e Jaspe s
(2014:542), lu am po opo unidades iguais, pela edis ibuição da iqueza, ad ogam a
p o eção dos di ei os dos excluídos, ejei am os alo es subjacen es ao capi alismo ( is o
como a causa das desigualdades sociais), condenam a eme gência da sociedade de
consumo assim como da p op iedade p i ada, e opõe-se às eli es polí icas e económicas
es abelecidas. E po que é que es es o am na esque da adical? Não só po con icção
55
nes e sen ido que o ganiza “mani es os au á quicos”
44
, mani es os às eu opeias
45
e
mani es os às legisla i as
46
.
No Bloco a p ocu a pela maio ia encon a-se pela p imei a ez na sua
Con enção de 2003 (“Da polí ica da c ise à polí ica do socialismo”) onde a moção
encedo a de endia um “(…) Bloco de Esque da mui o maio ” numa “al e na i a [que],
po na u eza, aspi a à maio ia, po que ep esen a a iabilidade da polí ica de esque da”
(Con enção, 2003:36-43)
47
. Os documen os elei o ais mos am isso mesmo. No
mani es o elei o al de 2002 a i ma am que i iam ba e -se “(…) no Pa lamen o a pa i de
uma posição de oposição” (BE, 2002:8), já numa posição de con as e, em 2005 o BE
pa e pa a as eleições legisla i as com o “p og ama elei o al do Bloco de Esque da |
Legisla i as 2005” in i ulado de “Tempo de Vi agem: As p io idades pa a uma
go e nação que imponha um no o ciclo de polí icas” (BE, 2005). A pa i daí o objec i o
do Bloco, ap o ado em con enção (Con enção, 2005), e a lu a po “uma no a maio ia
pa a di igi o país” (idem:33).
O documen o elei o al que o Bloco ap esen a aos elei o es no malmen e con em
algumas p io idades que são conside adas como uma espos a conjun u al, en o madas
po um ca iz ideológico socialis a, aduzindo-se na de esa dos di ei os labo ais, se iços
públicos, di ei os das mino ias (é nicas, sexuais, e c.), de esa do ambien e, dos imig an es,
e po uma economia social. Focando-nos nas eleições legisla i as, a manei a como o BE
em ei o es es documen os em a iado, ha endo “p ocessos á ios pa a cada um dos
momen os polí icos” dependendo de aco do com o empo (quan o mais empo mais abe o
o p ocesso den o do pa ido e a é mesmo na sociedade ci il) e com as ci cuns âncias
(en e is a 3). T adicionalmen e o que acon ece é se um “p ocesso cen alizado de
44
Em 2001 “Mani es o Au á quico do Bloco: Cidadania e Qualidade de ida sem exclusões”; em 2005 o
mani es o elei o al: “Ene gia Al e na i a”; em 2009 o Bloco e e mani es os locais e não um mani es o
comum; em 2013 o mani es o elei o al: “Resga a a democ acia local, esponde à eme gência social”; em
2017 mani es o au á quicas “Cidadania Vi a!”.
45
Em 1999 mani es o eu opeias: “Con a o pela Eu opa”; em 2004 mani es o do Bloco "Pa a uma
e undação democ á ica da União Eu opeia"; em 2009 o “Comp omisso elei o al: Candida u a do Bloco de
Esque da Eu opeias 2009”; em 2014 mani es o elei o al “Desobedece à Eu opa da Aus e idade”; e em
2019 o mani es o elei o al "A Fo ça que Faz a Di e ença".
46
Em 1999 Mani es o do Bloco de Esque da Legisla i as “É empo de se exigen e”; Mani es o 2002 “Com
Razões Fo es”; em 2005 o P og ama das eleições legisla i as: “Tempo de Vi agem: As p io idades pa a
uma go e nação que imponha um no o ciclo de polí icas”; em 2009 o P og ama elei o al do Bloco das
Legisla i as “P og ama pa a um Go e no que esponda à u gência da c ise social: A polí ica socialis a pa a
Po ugal”; em 2011 o P og ama Legisla i as: “Muda de Fu u o: pelo emp ego e pela jus iça iscal”; em
2015 o mani es o “Legisla i as 2015”; e inalmen e, em 2019 o p og ama elei o al “Faz acon ece ”.
47
No e-se que em di e sas moções às con enções nacionais do BE es e em como na a i a “di igi o país”
(Con enção, 2009:14), ou a é, plasmado na moção encedo a na con enção do Bloco de Esque da em
2016, conquis a a maio ia (“O Bloco à conquis a da maio ia”).
56
alguma manei a mas descen alizado nou a” (en e is a 6). Inicialmen e cen alizado
onde “[o] g upo pa lamen a em um papel mui o cen al (…) po an o em no malmen e
da pena dos depu ados e dos assesso es di e os desses depu ados o esboço das p opos as
polí icas” de ido à sua expe iência de in e enção quo idiana, depois, com um
“esquele o” desse documen o ei o passa a se discu ido na di eção do pa ido, ou seja,
“no Sec e a iado ou na Comissão Poli ica do pa ido
48
, no malmen e no Sec e a iado que
é um ambien e mais amiúde do que a Comissão Poli ica” que “ echa os aspe os polí icos
desse p og ama” sendo que depois é passado a uma comissão, elegida pa a a ci cuns ância
pela Mesa Nacional, que “começa a abalha , no malmen e ambém são alguns dos
quad os mais p epa ados do pa ido que pe encem a essa comissão -7/8/9 pessoas, não
mais que isso”, es es eúnem os con ibu os que já exis em e êm a unção de auscul ação,
a iculação e eo ganização omando os con ibu os do esboço p e iamen e abo dado e
con ibu os in e nos e ex e nos ao pa ido com o in ui o de “densi ica p opos as”
(en e is a 5). Os con ibu os in e nos são p o enien es de ade en es po es a em
en ol idos numa á ea de in e esse ou pelas es u u as base “um pouco em unção da sua
expe iência”
49
. Os con ibu os ex e nos ecaem ge almen e em académicos, a i is as de
mo imen os e p o issionais da á ea que es ejam p óximos do pa ido, con udo hou e anos
(e.g. 2009) em que es es con ibu os ie am da sociedade ci il no ge al como “um a o de
p opaganda pa a demons ação de uma abe u a à sociedade”, mas ambém “pa a en a
ecebe ideias” a a és de con e ências, sessões pelo país e con ibu os en iados pela
in e ne (en e is a 3). Quando o ex o “chega a uma e são acei á el que se possa
conside a um p og ama elei o al, aí a comissão polí ica delibe a, acei a e ai pa a a mesa
nacional que é quem em a discussão inal e a decisão inal” (idem). Depois de ap o ado
é legi imada a posição do documen o elei o al enquan o on e o icial de polí ica do pa ido
ap o ado pela Mesa Nacional – o ó gão máximo do pa ido.
48
Segundo en e is a (3): “O ó gão que decide é a Mesa Nacional, o Sec e a iado ica no malmen e
esponsá el ou po dedica um g upo ou po ga an i que há uma ope acionalização de algumas a e as de
auscul ação, a comissão polí ica ai azendo as e lexões in e médias, ecebendo ex os, azendo ex os,
discu indo ideias (…)”.
49
Segundo en e is a (5): “po exemplo a dis i al de Lei ia em semp e mui os con ibu os na á ea ag ícola
em adição disso, a dis i al de San a ém ambém. São á eas do pon o de is a do capi alismo ag ícola
mais desen ol idas. P oblemas ela i os à segu ança social a dis i al do Po o em excelen es con ibu os
nessa á ea”
57
3.6 Meios in e nos de socialização e ex e nos de ideologização
Segundo Neundo e Sme s (2017:n.d) a socialização polí ica pode se de inida
como “a ap endizagem de pad ões sociais co esponden es à sua posição social mediada
a a és de á ios agen es da sociedade”. Esses agen es incluem p incipalmen e a amília,
mas ambém a escola, a ig eja, os media e ins i uições polí icas, como os pa idos polí icos
e o Es ado (Den e e Bochel, 1973; Wes holm e Niemi, 1992) que em consequência da
in e ação com o(s) indi iduo(s) p oduzem um p ocesso de ap endizagem in o mal que
es u u a o seu modo de pensa e pe ceciona a ealidade.
Focamo-nos aqui na socialização den o de um pa ido polí ico, especi icamen e
no Bloco de Esque da. Duas décadas depois da sua undação e o c escimen o do pa ido
a á ios ní eis (elei o al, núme o de ade en es, e c.) es e oi icando p og essi amen e
mais in luen e em á ios domínios da sociedade. Como qualque ou o “agen e” da
sociedade, in e namen e es e es imula, conscien emen e ou não, um p ocesso de
ap endizagem in o mal que é in e nalizado po quem pa icipa nele, p incipalmen e
a a és da chamada “educação in apa idá ia” (nes e ema e Hul , 2020). Ao ní el
in e no, o pa ido não em ju en ude pa idá ia pois de aco do com o mesmo as ge ações
êm de discu i umas com as ou as, con udo, há na ealidade e en os des inados apenas
a “Jo ens do Bloco” como são os casos do “acampamen o libe dade”; a con e ência
nacional de jo ens do bloco; a e is a “Pão e C a os”; núcleos de ju en ude e ainda edes
sociais p óp ias dos jo ens (Ins ag am; Facebook e Twi e ). Aqui é incen i ada a en ada
na ida polí ica dos jo ens com o omen o do deba e polí ico e consequen emen e a
poli ização dos indi íduos e dos emas que a am, sendo que em mui os e en os a
dinâmica cul u al e polí ica é e o çada com deba es e wo kshops. Também po decisão
do BE desde 2010 que se ealiza o Fó um Socialismo e ma ca o início dos abalhos
ins i ucionais do pa ido depois das é ias de e ão (a chamada en ée), onde o ganiza
deba es e wo kshops com a pa icipação undamen almen e de di igen es e ade en es com
o in ui o de “c ia pensamen o” polí ico pa a um g upo-al o de jo ens ade en es e de
simpa izan es do pa ido (Público, 2018a; Tsaka ika e Lisi, 2013). Po im, os
ag upamen os em endências a ní el in e no êm uma unção de socialização polí ica is o
e em conse ado a unção de “educação polí ica das suas adições ideológicas
especi icas” (P íncipe e Sunka a, 2016:163).
A ní el ex e no, abo damos os mo imen os sociais e os sindica os, ambos
compos os po uma unção polí ica e social. Aqui especi icamen e a “ideologização” que
58
o BE emp eende nos mo imen os sociais e no(s) sindica o(s), ou seja, a es a égia polí ica
de aze co esponde es es a e amen as de o denamen os da sociedade endo em is a
uma o dem polí ico-ideológica p e endida e angí el. Quan o ao p imei o, os
mo imen os sociais, com o im do egime di a o ial do Es ado No o, os mo imen os
sociais eme gi am com a iadas ei indicações poli izando emas que a é en ão es a am
in isibilizados pelo conse ado ismo polí ico-social da época. ( e Va ela, 2009; San os,
2018:219-222). Nesses mo imen os a esque da adical “pe maneceu mui o agmen ada
e apoiou a mobilização p o enien e dos cidadãos” (Lisi, 2013:27), oda ia, após 1976 e
o p imado dos pa idos polí icos em odos os aspe os da ida polí ica po uguesa le a à
desmobilização da sociedade ci il (Lisi, 2013; Römmele, Fa ell e Ignazi, 2005:25),
assis indo-se po isso ao en aquecimen o desses mo imen os, mas ambém à sua
dependência ace aos pa idos e aos ecu sos do Es ado. No inal da década de no en a
nasce o BE que se o maliza como pa ido, mas que ele p óp io se iden i ica na ealidade
como um mo imen o (BE, 1999a). Cons a a-se nes e a ligação en e es e no o a o
polí ico e os mo imen os sociais ca ac e ís ico dos pa idos de esque da libe á ia
(Ki schel , He be , 1993), e idenciado na composição dos p omo o es que assina am o
seu mani es o undado , em que mais de 10% assumiam-se como a i is as. A p óp ia
exp essão de “o Bloco co e po o a” signi ica isso mesmo que o BE “[es á] nos
mo imen os, que es a na sociedade, que impulsiona as mudanças a a és de dinâmicas
ex apa lamen a es” (en e is a 6). A sua pa icipação no Fó um Social Mundial e no
Fó um Social Po uguês, em 2001 e 2003 espe i amen e, ez com que o Bloco se
empenhasse “na pa icipação nes e p ocesso numa en a i a de es abelece uma es á el
(mas abe a) elação com os mo imen os sociais” (Lisi, 2013:28; BE, 2009b:8). Segundo
Ma co Lisi (2013:28) oi c iada uma no a posição no ó gão execu i o do BE “ esponsá el
po lida com es es mo imen os, com a incumbência de supe isiona o seu
desen ol imen o e encon a o mas de colabo ação, com o objec i o de es abelece uma
ligação pe manen e com es es mo imen os sociais”. Apesa do insucesso dos ó uns
sociais, o BE p e endia se “(…) mais a iculado na c iação de pla a o mas de in e enção
pa a o desen ol imen o de mo imen os sociais” (Con enção, 2003:43; e ambém
Con enção, 2009) conseguindo c ia ou pene a em di e sas o ganizações. En e os
mo imen os onde podemos encon a um a iado núme o de mili an es do Bloco
des acam-se: a UMAR e ecen emen e n’A Colec i a, no que oca o eminismo, o SOS
Racismo, no que oca a uma lu a an i acis a, a Rés do Chão (hoje, Chão de Lu as), em
elação a ma é ias de habi ação, e aos P ecá ios In lexí eis, no que espei a di ei os
59
labo ais. O pa ido a i ma que “[d]u an e es es anos, o Bloco de Esque da apoiou a c iação
ou o desen ol imen o de mo imen os sociais” (Bloco de Esque da, 2009:20; e ambém
Cha alambous e Lamp ianou, 2014:9-10; Tsaka ika e Lisi, 2013; P íncipe e Sunka a,
2016:167).
Du an e o pe íodo da c ise, á ios o am os mo imen os sociais que eme gi am
em Po ugal que jun ou milha es de pessoas em edo da de esa do es ado social, pelo im
da p eca iedade, con a a aus e idade e po uma democ acia mais pa icipa i a.
Mo imen os como a “Ge ação à Rasca” (2012) ou o “Que se lixe a T oika” (2013)
jun a am no o al mais de um milhão de pessoas (Lisi, 2015a:285-286; Pa ke e
Tsa ouhas, 2018). Is o c iou o ambien e p opício a que em 2015 se o masse um go e no
mino i á io do PS com o aco do esc i o do PCP, BE e o PEV e a um pe íodo de e i ada
de algumas condicionan es impos as pelo go e no de PSD – CDS-PP e pela T oika. Na
con enção de 2018 o BE inha mesmo a a i ma que o “pe íodo de conquis a de di ei os
ci is [ oi] mui o impulsionada pela in e enção do Bloco nos mo imen os sociais (…)”
(Con enção, 2018:24). Em en e is as é-nos ela ado que es as o ganizações apesa de
se em “es u u as mui o dinamizadas po gen e do Bloco” êm hoje uma “exis ência
comple amen e au ónoma” pois “o Bloco não em essa cul u a polí ica de di eção cen al
de associações que depois pa a cada se o di am a linha jus a do pa ido”, mas há “uma
discussão de como é que o bloco de e es a p esen e”
50
(en e is a 1; e ambém
Con enção, 2009:14; Con enção, 2016). Po im, a Cul a é uma coope a i a “(…)
cul u al o mada pelo Bloco” (en e is a 4) de a i idade e e lexão polí ica “de ca iz
cul u al, mas cul u al numa lógica polí ica” (en e is a 3) que in eg a em si mui os
mili an es do BE e que em ido um papel cen al na p odução e disseminação de
ideologia. Em en e is a é-nos di o que es a “p omo e jus amen e deba es bas an e
impo an es do pon o de is a p og amá ico e de inição ideológica” sendo que “há uma
in e ace com a Bloco mui o p óxima” (en e is a 1). O inanciamen o des a passa pela
ede T ans o m! Eu ope
51
que po sua ez é pa cei a e com inanciamen o do Pa ido de
Esque da Eu opeia a a és dos seus depu ados no pa lamen o, onde se inclui o BE.
50
A í ulo de exemplo, o BE na sua Con enção de 2009 a i ma que “O Bloco p ecisa de e mui os mais
p o agonis as da lu a social e de mais capacidade de acção nos mo imen os, a a és dos seus elei os, a a és
dos cole i os concelhios e dis i ais e da in e enção ju enil” (Con enção, 2009:14).
51
Segundo Da id Bailey (em Ma ch e Kei h, 2016:58) a T ans o m! Eu ope é um hink- ank do Pa ido da
Esque da Eu opeia.
60
Quan o ao segundo, o mo imen o sindical o na-se uma componen e impo an e
nas elações labo ais do pós 25 de Ab il plasmado na Con ede ação Ge al dos
T abalhado es Po ugueses - In e sindical Nacional (CGTP). Em 1977 a lei sindical é
al e ada pe mi indo a di e en es g upos da mino ia in eg ados na CGTP que cons i uíssem
um g upo dis in o undamen ado na “Ca a Abe a” que le a em 1978 à c iação da União
Ge al de T abalhado es (UGT) po “sindicalis as ligados aos pa idos Socialis a e Social-
Democ á ico (conse ado )”
52
. Ha ia assim uma dispu a pelo mo imen o sindical en e
os dois maio es pa idos da esque da: a CGTP que es a a sob in luência do PCP e a UGT
in luenciada pelo PS (Lima e A iles, 2011). Segundo Lisi (2013) a UDP e a o pa ido
com uma elação mais o e com os sindica os, sob e udo na egião a sul de Lisboa,
San a ém e Po o, o PSR cons i uía uma anco agem sindical no no e do país. Mais a de,
na c iação do BE g ande pa e dos subsc i o es do “Começa de No o” iden i ica am-se
como memb os de sindica os ( e página 50) sendo que es e no o a o polí ico p ocu a
desde en ão e in luência nos sindica os, p incipalmen e na CGTP, mas a sua p esença
sindical em sido mui o eduzida, baseando-se em “ligações in o mais e maio i a iamen e
baseadas em elações pessoais en e os p incipais líde es das duas o ganizações” (Lisi,
2013:31). Em 2014 45.2% dos ade en es do BE dizia es a sindicalizado ( e abela 3).
Essa p esença nos sindica os con a a-se mais desma cadamen e em “emp esas públicas
(ene gia e comunicações) e no se o educacional (p o esso es e es udan es)” (Lisi,
2013:31) mas que não se aduz em ep esen ação na Comissão Execu i a
53
da CGTP,
mo i o pela qual a “ endência bloquis a” se em deba ido (Obse ado , 2020). De ido a
is o o Bloco em de endido o es abelecimen o com maio p io idade na implan ação do
pa ido em comissões de abalhado es em de imen o dos sindica os, decisão que e e
oposição in e na (UDP e Rup u a/FER) que con inua am a de ende a impo ância da
pene ação de ade en es do BE no mo imen o sindical (Lisi, 2013). Lisi conclui assim
que o PCP es á assim mais anco ado ao mo imen o dos abalhado es enquan o que o BE
encon a-se mais di e enciado en e as o ganizações da sociedade ci il (Lisi, 2013).
52
Re i ado de h ps://www.ug .p /his o ia?a ea=5
53
P incipal ó gão da o ganização sindical onde se de ine a di ecção polí ico-sindical da Con ede ação. Ve
h p://www.cg p.p /cg p-in/o gaos/conselho-nacional
61
CAPÍTULO IV – “Quem somos como p oje o de al e na i a”?
Como imos an e io men e, Po ugal oi um país onde du an e a di adu a,
pa idos e mo imen os de ex ema-esque da e da esque da adical (ilegalizados)
começa am len amen e a mina a legi imidade do egime igen e. Logo após ab il de 74
eme gem inúme as o ganizações e pa idos de esque da, espalhados po odo o e i ó io
(sob e udo no sul), isí eis an o ao ní el local como ao ní el nacional. A p edominância
de um a co da go e nação do cen o (PSD – cen o-di ei a e PS – cen o-esque da) cedo
ma cou os desígnios polí ico-ideológicos do país. Na esque da mais adicalizada, em
e mos elei o ais o PCP
54
e a UDP, ga an em a ep esen ação dos elei o es, e em e mos
polí ico-sociais os a iados g upúsculos ga an em a sensação de pe ença ( e capí ulo
2.2 e 2.3). Em Po ugal as ideologias Ma xis as-Leninis as, T o skis as e Maois as o am
bas an e in luen es en e a esque da, con udo ambém de no a a exis ência de ou as que
po oa am os ideais de esque da da época como os ana quis as, libe á ios,
luxembu guis as, in e nacional-si uacionis as, g amscianos, en e ou os (Fe ei a e
Madei a, 2020; Ca dina, 2010). Uma cons elação de modos de e e pe ceciona o mundo
di e en es.
Passados 25 anos do 25 de Ab il de 1974 a esque da con inua a a sen i -se ó ã
de ep esen ação. É nes e sen ido que é c iado o Bloco de Esque da como p oje o
ag egado dessa esque da à esque da do PCP. Uma esque da mui o a iada e que e a
o iunda em g ande pa e de p ocessos de di e enciação no seio do PCP, “cujas aízes mais
ecen es bebem um caldo polí ico-cul u al onde se en ec uza am e an agoniza am
in luências da e olução cubana e da e olução cul u al chinesa, eações ao XX cong esso
do PCUS e à in asão mili a so ié ica na Checoslo áquia, ou das múl iplas o mas de
pensamen o e ação que Maio de 68 libe ou” is o aliado ao ac o de cong ega
“in eligências e on ades de uma ge ação nascida no segundo pós-gue a, sob os en os
da gue a ia e do desen ol imen o do capi alismo e da sociedade de consumo” (Fe ei a
e Madei a, 2020:7).
Como aglu inado a de an as esque das, há quem a gumen e que o Bloco de
Esque da é um p oje o polí ico sem ideologia
55
. Pe sonalizando es a dú ida Je ónimo de
Sousa (Sec e á io-Ge al do PCP) pe gun a a em 2019, numa en e is a à TSF (2019):
54
Nas suas a iadas coligações elei o ais: APU/PCP/CDU
55
Em en e is a ei a po di igen e do BE, es e a i ma que “o Bloco não em ideologia”.
62
“(…) enho semp e uma dú ida - não é uma dú ida mal-in encionada, mas, qual é o
p oje o, qual a ideologia do Bloco de Esque da?”. Nas pala as de Ana D ago e Jo ge
Cos a
56
“o que hoje nos in e essa é sabe quem somos como p oje o de al e na i a” (em
Louçã e Rosas, 2004:225). Todos os pa idos polí icos são compos os de uma na u eza
polí ica-ideológica e po isso, o Bloco de Esque da não é exceção. Es e pa ido-
mo imen o em um p oje o polí ico a iado: o mado po um aggio namen o de pa idos
e mo imen os ma xis as-leninis as, o skis as e maois as e na de esa de causas como o
eminismo, o an i acismo e a ecologia, com uma cla a in enção de lhes da ele ância
elei o al e po isso in luência polí ica. Con udo, de ido à al a de in o mação especi ica
nes a emá ica, é impo an e analisa onde se inse e ideologicamen e o BE no pano ama
polí ico. É sob e isso que se deb uça es e capí ulo, e i ando con ibu os de on es
p imá ias, secundá ias e en e is as a di igen es do pa ido, endo em is a explo a a
ideologia do BE desde a sua génese ao pe íodo pós c ise económica de 2008.
4.1 A ideologia dos pa idos em Po ugal
Poucos o am os pa idos e o ganizações polí icas que na clandes inidade
sob e i e am ao egime do Es ado No o. Pode con a -se o PCP, o MDP/CDE e o ecém-
o mado PS. Com Ab il de 1974 e abalado odo o sis ema polí ico e ideológico an e io ,
cedo as o mações polí icas mani es a am a sua on ade de alcança o pode
57
(RTP, n.d.).
Com a exp essa u ela do MFA e a subo dinação ao pode mili a , os pa idos i e am que
se adap a ao pe íodo esque dizan e do PREC
58
(Jalali, 2015; C uz, 2017). Com a i agem
à esque da do p ocesso e olucioná io, os pa idos e o sis ema pa idá io, en iesa am-se
no mesmo sen ido, pelo menos em e mos nominais. A en e-se na designação do Pa ido
Social Democ a a (PSD), um pa ido de cen o-di ei a e libe al que se eclama da social-
democ acia
59
(Belchio , 2008; F ei e, 2005b), ou o caso do Cen o Democ á ico Social
56
Em 2004 ambos e am ade en es do Bloco de Esque da.
57
Nes e pe íodo sob e o cen o-di ei a, di ei a e ex ema-di ei a e
h ps://jou nals.openedi ion.o g/le his o ia/366. Sob e a esque da adical e Ma ch e F ei e, 2012; Roca,
Ma ín-Díaz e Díaz-Pa a, 2018.
58
Alguns pa idos o am pe seguidos - Pa ido do P og esso e o Pa ido Libe al -, e ou os o am p oibidos
pelo Conselho de Re olução de conco e às eleições - caso do Pa ido da Democ acia C is ã (PDC), a
Aliança Ope á ia Camponesa (AOC) e o Mo imen o Reo ganiza i o do Pa ido do P ole a iado (MRPP)
(Dec e o n.º 137-E/75, de 17 de Ma ço; C uz, 2017).
59
De lemb a que em 1975 F ancisco Sá Ca nei o quis in eg a o PSD na In e nacional Socialis a.
63
(CDS) que se coloca ao cen o no espec o polí ico
60
, con udo um pa ido de di ei a
“ incadamen e conse ado e ca ólico”
61
(Cos a, 2007). Ca a ina Cos a (2007) a gumen a
que “[o]s pa idos à di ei a do espec o polí ico ainda se deba em a ualmen e com a
e minologia, quase como en e gonhados das suas eais amílias polí icas”. O PS
inicialmen e ado a um discu so ma xis a adical, mas que cedo mode a ou em mesmo a
abandona . Dado is o, es es e ou os pa idos “ado a am p og amas, posições ideológicas
e a é designações que não e le iam (nem e le em) a e dadei a posição ideológica”
(Jalali, 2015:73).
Com um sis ema de pa idos de pola ização limi ada, Po ugal inha assim,
desde as suas p imei as eleições democ á icas, a se ep esen ado elei o almen e po cinco
pa idos polí icos: CDS; PPD; PS; PCP; UDP. Das suas ca ac e ís icas p incipais
sob essaía a cen alidade de dois pa idos de cen o – PS e PSD – e dois pa idos das
ma gens com alguma exp essão elei o al – CDS e PCP (C uz, 2017). Es a dinâmica
pe du ou du an e as úl imas décadas do século XX (à exceção do pe íodo en e 1985 e
1991 com a p esença do PRD), sendo que com a en ada do BE em 1999 o sis ema
pa idá io ala gou-se.
No que oca aos cidadãos, em e mos de iden i icação ideológica es es
mos a am com os ní eis mais baixos da eu opa. Pa a se mais exa o, na década de se en a
69% dos indi íduos au oposiciona am-se na escala esque da-di ei a, indo a c esce
len amen e du an e os anos oi en a (78%) a é ao início do no o milénio (80%). Is o
signi ica que apesa dos ní eis acos de iden i icação ideológica a g ande maio ia dos
cidadãos iden i ica-se com a mesma (F ei e, 2006b; Dal on; Fa ell e McAllis e , 2011).
Nes e sen ido é ele an e a e i a ideologia dos es an es pa idos que compõe o sis ema
pa idá io em Po ugal, num espec o ideológico que ai da esque da à di ei a.
Começando pelos maio es pa idos po ugueses: P imei o, o Pa ido Popula Democ á ico
60
Segundo o si e o icial do CDS: “O Pa ido do Cen o Democ á ico Social espe a since amen e – ao
cen o, na democ acia e pela jus iça social – demons a aos po ugueses e ao mundo que uma Re olução
se pode aze na paz”. Ve h ps://www.cds.p /p incipios.h ml
61
Segundo Cos a (2007) “(…) nos úl imos anos, o CDS-PP sob a o e lide ança de Paulo Po as em indo
g adualmen e a coloca o pa ido sob o eixo mais à di ei a do sis ema polí ico po uguês.”
64
(PPD)
62
é um pa ido que se ap esen a aos po ugueses a 6 de maio de 1974
63
a i mando-
se de “cen o-esque da, de ca iz social-democ a a com base nos p incípios da Libe dade,
Igualdade e Solida iedade.” (h ps://www.psd.p /p /c onologia). Depois do 25 de
no emb o de 1975 o PPD começa a segui uma “es a égia de di ei a” e nesse âmbi o o
papel do Sec e á io-Ge al, F ancisco Sá Ca nei o, oi ulc al. P imei o com a “cisão de
A ei o” em 1975 e depois, em 1979, com a cisão das “opções inadiá eis, da ala mais à
esque da” do pa ido. (Jalali, 2015:141-142). En e an o a 3 de ou ub o de 1976 inham
mudado a sua designação pa a Pa ido Social Democ a a (PSD) indicando com isso uma
mudança de umo polí ico-ideológico. A é 1979 i e um pe íodo de de inição ideológica
e p og amá ica, oda ia, p og essi amen e o PSD econhecia-se como um pa ido
“de enso da mode ação” e dos alo es do “libe alismo polí ico e a li e inicia i a
ca ac e izado a de uma economia abe a de me cado” (h ps://www.psd.p /p /p incipios),
ou seja, um pa ido localizado no cen o-di ei a. Nas pala as de Sousa (1988:444) um
pa ido com “uma mis u a de um pa ido popula de di ei a e um pa ido libe al com uma
pequena anja social-democ a a” que a pa i daí a é aos dias de hoje se assume como
um pa ido que se “dis ingue ela i amen e aos pa idos socialis as ou social-democ a as
eu opeus de inspi ação socialis a” (h ps://www.psd.p /p /p incipios). Embo a enha
passado ao longo dos anos po um apu amen o ideológico a e dade é que não esul ou
numa maio coe ência e, nas pala as de Ca los Jalali (2015:142) con inua um pa ido
com uma posição “ aga, la a e sujei a a conside ações p agmá icas” e que Ma co Lisi
(2015b:128) diz se em de “na u eza híb ida” ao combina em di e en es adições
ideológicas como “o libe alismo, a social-democ acia e p incípios ecnoc á icos”.
Segundo, o Pa ido Socialis a (PS), pa ido undado a 19 de ab il de 1973 em Bad
Muns e ei el, na Alemanha (h ps://ps.p /a-nossa-his o ia/), e onde cinco meses depois,
em Agos o, se edigiu a Decla ação de P incípios e do P og ama em que os memb os se
encon a am di ididos en e uma “ e são mais mode ada” (ligados à social-democ acia)
e uma “ e são mais adical” (ligada à no a esque da) (Fe ei a, 2014:180-181). Es a
úl ima acabou po ence con ando ambém com con ibu os dos mode ados. A
democ a ização de Po ugal ez eme gi o PS como um pa ido onde a inspi ação ma xis a
62
Segundo con a F ancisco Pin o Balsemão aquando da escolha do nome do pa ido “já ha ia pin ado nas
pa edes e anunciado com o mínimo de olhe os e p og amas e en uais dois pa idos que usa am social-
democ a a um pa ido c is ão social-democ a a e o pa ido social-democ a a independen e”. Sendo
p ejudicial pa a es e no o pa ido, es es cedo a anja am ou a denominação. Pa ido Popula Democ á ico
ica assim p opos o po Ruben Ande son Lei ão e acolhe acei ação da lide ança. Em
h ps://www.you ube.com/wa ch? =zRunsw00ylg.
63
Ve h ps://a qui os. p.p /con eudos/con e encia-de-imp ensa-do-ppd-2/
71
“(…) pa a c ia essa pla a o ma ela não podia se c iada de um pon o
de is a dou iná io/ideológico, não e a pela subsc ição do
pensamen o A ou do pensamen o B ou do pensamen o conjugado A,B e
C osse de quem osse ou de que pa ido ou de que época his ó ica do
capi alismo mas sim uma pla a o ma polí ica e po an o o que nos
in e essa a e a discu i como nos o ganiza , o que aze , como
comba e , o que comba e , o que p opo em al e na i a na ida social,
em e mos de es ado social, di ei os económicos, jus iça, polí ica
eu opeia, polí ica in e nacional, mo imen o pa a a paz, di ei os das
mino ias, di ei os ge ais, di ei os das mulhe es, e po an o ag upamo-
nos em ol a de um p og ama que oi sendo a ualizado ao longo dos
anos, deixando as ques ões ideológicas ge ais pa a a p e e ência
pa icula de cada um e cada uma ou de endências que exis am den o
do Bloco de Esque da e não p op iamen e de ini o pa ido po uma
ideologia (…)”
Des a plu alidade pode dize -se que o BE se assume como uma “no a esque da”
(Con enção, 2000:2; 2001; 2003; 2005; 2009; BE, 2005; 2009b; e ambém Belchio ,
2010:153; Bloco de Esque da, 2009:17) e com isso de ine-se como:
“(…) uma o ça emancipa ó ia con a a explo ação do abalho, a
desigualdade e as desc iminações sociais e de géne o e a pilhagem dos
ecu sos públicos. A en e-se na ques ão da emancipação, algo que
adica não apenas no ma xismo, mas ambém na adição libe á ia
dos anos sessen a e do Maio de 68 (…). (…) [É] gene icamen e
al e global e con ibui hoje, na plu alidade das suas exp essões, pa a
Figu a 2: Posicionamen o médio dos p incipais pa idos no eixo esque da-di ei a
(1978-2008) (Lisi, 2011b:41).
72
o im do mapa polí ico he dado do pós-gue a. Es a disposição de
pensa de no o, o eme gen e, sem c is aliza nos esquemas de
pensamen o e de classi icação he dados da gue a ia e da oposição
capi alismo/es alinismo (…), con e e-lhe um acen uado pendo
con acul u al, em que a c í ica do mundo do sis ema se alia à c í ica
do mundo da ida (…).” (Lopes e Soei o, 2015:88-89)
O BE pe soni ica as lu as que se sen em na eu opa desde as décadas de 60/70,
mas ambém aquelas dos anos 90 (desde o maio de 68 aos Zapa is as e p o es os de
Sea le) consubs anciando “uma ans o mação nos alo es sociais e polí icos” i ida nas
sociedades pós-indus iais na cen alidade dos alo es pós-ma e ialis as em con as e com
os adicionais alo es ma e ialis as (Sil a e Lamei as, 2019:19; Con enção, 2007:3;
Belchio , 2008a). No caso de Po ugal, de aco do com Lisi (2009; e ambém Jalali,
2015), os alo es pós-ma e ialis as e am mais acos que nas es an es democ acias
eu opeias, ac o assen e an o no p óp io sis ema polí ico-pa idá io, mas ambém nas
ca ac e ís icas da sociedade ci il. Com a eme gência do BE “no as polí icas se o na am
domínio de compe ição e iden e en e a esque da” (Ma ch e F ei e, 2012:127) com es e
mesmo pa ido a monopoliza quase po comple o a ep esen ação des as no as ques ões,
apelando aos elei o es jo ens, u banos e com maio ní el de educação (Lisi, 2009). De
aco do com And é F ei e (em Ma ch e F ei e, 2012:127; e ambém Lisi, 2011) “(…) o
pós-ma e ialismo o na-se uma dimensão pe inen e da compe ição en e polí icas (…)”.
Ou seja, a pa de uma agenda ma e ialis a nas “lu as do mundo do abalho” alia uma
agenda o emen e pós-ma e ialis a dando apoio e oz a “se o es popula es e eme gen es
na ma gem das o ganizações pa idá ias e sindicais adicionais: os desemp egados, os
p ecá ios, os imig an es, os mo imen os de mulhe es e de jo ens, as mino ias sexuais
(…)” (Lopes e Soei o, 2015:8). Dado is o o BE inse e-se numa adição de pa ido-
mo imen o, dá p io idade em e mos ideológicos a emas “pós-ma e ialis as”, aos
“ alo es libe á ios” e aos “di ei os das mino ias”, combinado com os “clássicos emas
socioeconómicos associados à dis ibuição da iqueza, aos di ei os dos abalhado es e à
p o isão de se iços públicos” (Ma ch e Kei h, 2016:112).
Pa a além de se inse i na adição da no a esque da, o BE assume-se como um
pa ido de esque da adical. Segundo a coo denado a do pa ido, Ca a ina Ma ins, sob e
es a designação diz que a é lhe ag ada pois es a em que e “com a aiz da esque da, a
aiz das lu as e, po an o, em odo o sen ido” (Público, 2019a) A i mação co obo ada
po en e is as a igu as do pa ido que pe ilam da mesma opinião quan o à designação
73
ideológica: Um diz-nos que conside a o BE um pa ido de esque da adical ca ac e izado
po um “espaço de dispu a mais ambicioso e onde a adicalidade das escolhas seja o
código gené ico e quo idiano” (en e is a 1); ou o que o BE “nasce como um pa ido da
Esque da Radical” e que “é uma o ganização adical” (en e is a 2); nou a en e is a é
a i mado que é um pa ido de “(…) esque da adical pa a nos di e encia da esque da
mode ada que po ezes se con unde com o cen o libe al do PS” (en e is a 5). Mas o
que é se um pa ido de esque da adical? Nas pala as do académico Luke Ma ch o
consenso quan o à de inição e concep ualidade dos pa idos de esque da adical é ele ado
e po isso podemos a i ma que se de ine como:
“Mais signi ica i amen e o e mo [ adical] (de i ado do la im adix e
usado nes e sen ido po Ma x) indica uma aspi ação pa a uma
ans o mação sis émica pela aiz (dos sis emas polí icos nacionais, do
sis ema in e nacional e do capi alismo ou cou ) (…). [O] desejo de
ans o ma adicalmen e e não apenas de e o ma o capi alismo
con empo âneo” (Ma ch e Kei h, 2016:5-6)
São pa idos que se de inem “pa a a esque da da” e não me amen e “na esque da
da” social-democ acia, es es is os como pa idos de esque da que são insu icien es ou
nem seque conside ados como pa idos de esque da. Di e gem dos pa idos de ex ema-
esque da, pois ao con á io des es acei am a democ acia embo a aspi em a uma
democ acia di e en e: di e a e/ou pa icipa i a local. A sua a i ude ace ao capi alismo é
de uma posição de con es ação, ou seja, an icapi alis a que se opõe ao capi alismo
neolibe al associado ao Consenso de Washing on” assen e na libe alização,
me can ilização e p i a ização. Vis o is o, em e mos económicos es es pa idos da
esque da adical apoiam uma economia mis a de me cado, com limi ações à inicia i a
p i ada aos se iços e às pequenas e médias emp esas (Ma ch e Mudde, 2005; Ma ch,
2008, 2011:7-12; Ma ch e Romme ski chen, 2012; Ma ch e F ei e, 2012; Ma ch e Kei h,
2016; Wenne hag; F öhlich e Pio owski, 2018:22-42). Den o da esque da adical Luke
Ma ch subdi ide em 4 subg upos (Comunis as conse ado es [PCP]; Comunis as
e o mis as; Socialis as democ á icos e os e olucioná ios de ex ema-esque da) e
enquad a o BE no g upo do socialismo democ á ico, o que se aduz na oposição ao
o ali a ismo comunis a e à social-democ acia neolibe al, pe ilando-se na de esa de
emas da no a esque da e na ad ocacia po um socialismo não dogmá ico (e po ezes
não ma xis a), en a izando uma maio democ a ização das ins i uições e o e o ço da
74
pa icipação local, o apoio a es ilos de ida al e na i os e a de esa das mino ias é nicas
(Ma ch, 2008; Cha alambous e Lamp ianou, 2014:8) ( e abela 4).
Socialismo Democ á ico
Inspi ação Ideológica
Ma xismo pós-1968, social-democ acia e
adições socialis as domés icas
A i ude pe an e a URSS
No global, nega i a
C í ica ao capi alismo
C í icas múl iplas, an icapi alismo e
an ineolibe alismo. Con li os ecológicos e
de géne o ão impo an es quan o os
con li os de classe
Al e na i a ap esen ada
Sociedade democ á ica, socialis a e
emancipa ó ia
Apelo elei o al – Base elei o al
Ten a i a de combina os “ abalhado es
adicionais” com os abalhado es de
“cola inho b anco” (especialmen e os
p ecá ios)
A i ude pe an e a coope ação
no go e no nacional
Cada ez mais p agmá ica
Aliados e alianças
Alianças semipe manen es com ou os
g upos de esque da adical
Ligações In e nacionais
Pa ido da Esque da Eu opeia; Fó um da
No a Esque da Eu opeia; Aliança da
Esque da Ve de Nó dica
Tabela 4: Subg upo da Esque da Radical – Socialismo Democ á ico – onde se enquad a o Bloco de
Esque da. Fon e: Ma ch e F ei e, 2012:33; Ma ch e Kei h, 2016:10.
4.2.1 Socialismo
Logo no início, na p imei a con enção nacional do BE, “há uma discussão que
(…) inha a e com a na u eza socialis a do bloco, is o é, com o socialismo an icapi alis a
como unidade de sen ido das lu as que con e gem ou que ganham sen ido de lu a no
Bloco, como essa unidade de sen ido, ou se o Bloco se ia uma ede ação de mo imen os
sociais que se man e iam dispe sos. Essa sim eu c eio que já es á esol ida, de inida no
75
sen ido em que sim há uma unidade de sen ido” (en e is a 1). Po isso mesmo o Bloco
de Esque da iden i ica-se como um mo imen o polí ico socialis a. Nos seus es a u os,
ap o ados em janei o de 2000, o a igo nº1 diz que “O Bloco de Esque da de ende e
p omo e uma cul u a cí ica de pa icipação e de ação polí ica democ á ica como ga an ia
de ans o mação social, e a pe spe i a do socialismo como exp essão de lu a
emancipa ó ia da Humanidade con a a explo ação e op essão”
74
. Também o documen o
undacional – Começa de No o – a i ma a “he ança do socialismo” (BE, 1999a), assim
como em odas as con enções nacionais do BE, onde se assume como uma “al e na i a
socialis a” con a “o libe alismo e a compe i i idade” (Con enção, 2000:1), “he dei o de
adições, expe iências e lu as das esque das, em pa icula no mo imen o e nas
o ganizações de abalhado es” (Con enção, 2001:8), a a és de uma “polí ica socialis a
e popula ” (Con enção, 2001:34). Ou seja, em como ma iz undacional, segundo o
mesmo, “a cons ução de uma no a esque da, socialis a e in e nacionalis a” (Con enção,
2009:9) – uma “G ande Esque da”
75
- em que o “socialismo é a ga an ia do im da
explo ação” (Con enção, 2011:6). Um socialismo que o BE ecusa social-democ a a, de
e cei a- ia ou assen e no “socialismo eal”. Em e mos ideológicos e (iminen emen e)
polí icos, uni ica as lu as labo ais e as lu as con a os abusos de pode enquan o ado a
uma ação an icapi alis a “nomeadamen e na de esa do emp ego e da sua egulação; da
saúde pública, g a ui a, uni e sal, e icien e; dos se iços públicos; da nacionalização de
bens comuns e es a égicos; mas ambém p e ende ans o ma a ealidade na a i mação
ecológica, eminis a e opondo-se ao acismo e à disc iminação con as as mino ias
sexuais, in e p e ando o socialismo como uma lu a con a qualque o ma de op essão”
(Soei o, 2009:178-179; Lopes e Soei o, 2015:125-128). Em en e is a (2) é-nos di o que
es e Socialismo é uma “á o e” que “ em múl iplos amos” sendo que “a o ma de o aze ,
como lá chega , os con o nos conc e os isso são mui o di e sos e o Bloco e le e isso
mesmo”.
Como pa ido socialis a o BE az pa e de uma adição his ó ica que em
in luenciado o Socialismo na de esa da classe abalhado a e os di ei os labo ais. Mas o
BE não é o único pa ido polí ico po uguês que se deba e nas ques ões labo ais, sendo
que em Po ugal, segundo Lisi (2021), p incipalmen e os pa idos de esque da – PS e PCP
74
Es a u os do Bloco de Esque da. Disponí el em h ps://www.bloco.o g/o-bloco/es a u os.h ml
75
“(…) g ande na coe ência, g ande na ep esen ação popula , g ande no mo imen o con a o a aso, g ande
na cla eza de um p og ama socialis a, g ande na espos a à c ise social, g ande na lu a dos abalhado es
pelo pleno emp ego, g ande na igualdade en e homens e mulhe es, g ande na democ acia” (Bloco de
Esque da, 2009:9).
76
– êm-se ocupado des a ma é ia com di e en es en oques e g au de saliência. A pa i dos
anos 90, o PCP ocupa um luga de p edominância que sindical (Lima e A iles, 2011),
que na de esa dos di ei os labo ais nos seus p og amas elei o ais (Lisi, 2021) que só em
a se con es ado com a eme gência do BE, um pa ido que se au oiden i ica desde o início
como um “mo imen o de abalhado es” (Con enção, 2001) em que o abalho ocupa um
“luga cen al” (Con enção, 2000). Po isso mesmo de ende um luga democ á ico, com
di ei os e que ge e iqueza não desigual. Acusa po isso os sucessi os go e nos que
go e na am Po ugal, mas ambém a globalização, o neolibe alismo e mui as ezes a UE
de p omo e em a p eca iedade, a mão de ob a ba a a e a deslocalização, a desigualdade
e o desemp ego sob a p emissa do libe alismo e da compe i i idade. O p oje o polí ico
que o Bloco p e ende pa a o país é mui as ezes di e en e na o ma e no con eúdo,
compa a i amen e aos es an es pa idos com assen o pa lamen a . P imei o po que
de ende uma ans o mação social mas ambém labo al que passa pelo pleno emp ego,
um ambien e labo al saudá el com condições e o mação p o issional e quali icação
con ínua endo em is a alo iza compe ências, de ende ambém a edução da ca ga
ho á ia pa a 35 ho as semanais e o aumen o dos salá ios. Segundo, aba ca o “po o” não
endo um agen e exclusi is a assen e na “classe abalhado a”, endo em is a a de esa
dos abalhado es a i os, mas ambém dos desemp egados e dos que se encon am
ina i os, sem esquece a inclusão dos imig an es, em medidas que se p e endem acaba
com a sua explo ação e omen a a egula ização.
4.2.1.1 Ecossocialismo
A ecologia é nos dias de hoje pa e incon o ná el do deba e global. Apesa das
suas aízes se encon a em implan adas na sociedade desde há séculos, os g andes
mo imen os e pa idos “ e des” só começa am a eme gi na década de 70 e 80 po odo
o mundo e com alguma in luência (Ki schel e Hellemans, 1990; Teixei a, 2011). Em
Po ugal, é du an e o século XX que a ecologia se mos a mais p esen e (Pe ei a, 2011).
A é 1971, du an e o pe íodo di a o ial salaza is a “ udo o que osse pensa em e mos de
p o ecção, de na u eza, de espaços” e a ido como sub e si o (Teixei a, 2011:91). Mesmo
assim, con a iando ad e sidades, em 1947 é c iada a p imei a associação de de esa do
ambien e da península ibé ica – a Liga pa a a P o ecção da Na u eza (LPN) (Vaz, 2000).
Com a go e nação de Ma cello Cae ano as p eocupações ambien ais su gi am com
ele ância no país e nes e pe íodo unda-se a Comissão Nacional do Ambien e (1971)
77
(Teixei a, 2011). Após o 25 de Ab il de 1974 hou e uma “meno a enção aos p oblemas
ambien ais” (idem:93), po ém ao ní el local su giam inúme as associações de de esa do
ambien e. Na segunda me ade do século XX nasce o Pa ido Ecologis a “Os Ve des”
(1982)
76
, a Que cus (1985) - uma o ganização não-go e namen al (ONG) ambien alis a
77
- mas ambém e o Bloco de Esque da (1999), sem esquece em 2009 o su gimen o do
Pa ido pelos Animais (PPA)
78
.
De aco do com Luís Humbe o Teixei a (2011:139) o Mo imen o Democ á ico
Po uguês (MDP) oi o pa ido polí ico que de en e odos possuía a “maio implan ação
dos ideais ecologis as”. Es e pa ido a 26 de e e ei o de 1994, no seu VIII Cong esso,
ap o ou po maio ia a mudança de nome do pa ido pa a Polí ica XXI (PXXI). Segundo
es e mesmo au o “a sensibilidade que inha do MDP, na senda do ecologismo e da
cidadania, oi subsis indo e encon a-se ainda hoje p esen e no BE” (Idem:148; Lisi,
2013:27-28). O BE que no seu documen o “Começa de No o” (BE, 1999a) a i ma que
a “globalização delapida os ecu sos na u ais e ene gé icos do plane a” aliado a is o um
“desen ol imen o desigual” (Con enção, 2000:4), é nes e sen ido que o BE em
ap o undado a sua co en e ecossocialis a, seguindo a ia da ecologia de esque da e a
ecologia social (Lopes e Soei o, 2015:48). Es a ecologia de esque da ou ecossocialismo
encon a-se comumen e associada à aliança ideológica en e ma xismo, socialismo e
polí ica ecológica, denominado ge almen e po “esque da e melha- e de” (“ ed-g een
le ”) (Cha alambous e Lamp ianou, 2014). O ecossocialismo coloca as causas
con empo âneas das condições ambien ais no modo de p odução capi alis a e a gumen a
que o desen ol imen o não sus en á el do ambien e é ine en e ao capi alismo, e po isso,
es e úl imo, em de se abolido e subs i uído pelo socialismo. Segundo Lisi (2009:38;
Ma ch e Kei h, 2016) o BE na sua V Con enção (2007) des adicaliza as suas p opos as
de polí ica económica e o na menos e iden e a sua imagem de pa ido adical de
esque da, elançando-se como um pa ido ecossocialis a. Nessa mesma con enção o BE
assume a necessidade de um “p ojec o de e olução ecológica, que assume como pa e
in eg an e do p ocesso de ans o mação social” (Con enção, 2007:2), em que “a
esque da socialis a esponde com uma polí ica an icapi alis a e ecologicamen e
esponsá el à injus iça ambien al” (Con enção, 2007:11). Nes a emá ica o discu so do
76
Sob e o Pa ido Ecologis a “Os Ve des” e h p://www.os e des.p /pages/pa ido---his o ia.php
77
Sob e a Que cus e h ps://que cus.p /ap esen acao-que cus/
78
Desde 2011 denominado PAN: Pa ido pelos Animais e pela Na u eza. Nes e ema e Sil ei a, Nina e
Teixei a (2019).
78
BE pa ece adicaliza -se ao longo dos anos: na VI Con enção diz se “necessá ia uma
u u a com es e sis ema, pa a pô cob o à sob e-explo ação dos ecu sos na u ais e
sob ep odução de esíduos” (Con enção, 2009:7), e passado dois anos a i ma que “o
capi alismo e elou-se óxico, an o nas elações sociais (…) quan o na elação p eda ó ia
com a na u eza que des ói a sus en abilidade do plane a” (Con enção, 2011:4) e po isso
o BE “ba e-se po espos as aos p oblemas ambien ais” (Con enção, 2013:5) sendo que
“o socialismo é a al e na i a à p edação social, económica e ambien al in ínseca ao
capi alismo” (Con enção, 2014:67).
4.2.2 Feminismo socialis a
Nos dias subsequen es ao 25 de ab il de 1974 pe gun a a-se pelas uas de Lisboa
“o que é o mo imen o democ á ico de mulhe es?” e a espos a não se azia espe a “É um
mo imen o da libe ação da ep essão que hou e a é aqui. Qual é a si uação da mulhe
em Po ugal? A é ago a é de ep essão! Espe o que ago a comece a libe dade
79
”. E a
assim o es ado da mulhe em Po ugal, a quem “compe ia cuida da casa, dos ilhos e do
ma ido, que e a o che e de amília” (Ta a es, 1998:14), elegando-as a um papel
subal e no. No seguimen o do documen á io “As A mas e o Po o” ou o con ibu o
sob essai, exclamando: “O p oblema da mulhe é a disc iminação! (…) A odos os ní eis
… a odos os ní eis: a amen o humano, socioeconómico, de emp ego, de p omoção, de
salá io, de udo e mais alguma coisa”
80
. Segundo Manuela Ta a es (1998:22) “[a]pós o
25 de Ab il as mulhe es são p o agonis as de a iadas ações com mo imen os
ei indica i os e em g ande pa e espon âneos”, na ocupação das áb icas, das uas, dos
campos e das casas, na (co) undação de associações, e na de esa de causas como o
di ó cio, a con aceção, o abo o, os di ei os dos abalhado es e os mo ado es. Con udo,
apesa da g ande p esença de mulhe es, que são p o agonis as num p imei o momen o,
são depois in isibilizadas e o nadas ausen es (Louçã e Rosas, 2014).
79
Documen á io “As A mas e o Po o”, disponí el em h ps://www.you ube.com/wa ch? =sL4NACJTlbk.
Minu o 29:44.
80
Sob e o papel das mulhe es du an e o Es ado No o e Pimen el, I ene (2011) A Cada um o Seu Luga :
A polí ica eminina do Es ado No o. Temas e Deba es; Ta a es (2008); O ideal eminino do Es ado No o,
disponí el em h ps://ensina. p.p /a igo/o-ideal- eminino-do-es ado-no o/ . Sob e algumas mulhe es
esis en es du an e a di adu a e “Tes emunhos/Vidas P isioná eis/Vidas na Resis ência” do Museu do
Aljube Resis ência e Libe dade. Disponí el em
h ps://www.you ube.com/playlis ?lis =PLuMKlAonEPgUsqwWdu5M0N5GXzJi3x_hZ
79
São á ias as associações de de esa dos di ei os das mulhe es em Po ugal,
oda ia é de des aca o papel que algumas i e am pelo a anço dos di ei os das mulhe es:
a GRAAL
81
[1961]; o Mo imen o Democ á ico de Mulhe es - MDM
82
[1968]; o
Mo imen o de Libe ação das Mulhe es - MLM [1974] e a União de Mulhe es
An i ascis as e Re olucioná ias - UMAR [1976]
83
. Como a ní el in e nacional, em
Po ugal o eminismo não oi nem é um discu so uni á io que possua p á icas uni á ias,
ap esen ando di isões em di e en es co en es ca ac e izadas pela sua plu alidade,
di e sidade, geog a ia, modelos epis emológicos e ideologia. Di o is o, é de salien a a
p oximidade do MDM e da UMAR com o “ eminismo socialis a/ma xis a” (Ta a es,
1998:113), con udo, “apesa de se inse i em nes a á ea em e mos de ação e de con eúdo
do discu so, elas não se assumi am como al” (idem: ibidem). Em e mos de p oximidade
des as duas o ganizações oi no ó ia a p oximidade ideológico-pa idá ia do MDM ao
PCP e da UMAR à UDP. Segundo Ta a es (1998:120) o eminismo socialis a é
ep esen ado em Po ugal po “mulhe es que endo i ido o pe íodo do 25 de Ab il,
pe ence am ou ainda pe encem a algumas associações e undamen almen e po
mulhe es da UDP”, a en idade polí ica que es e e na base da o mação da UMAR.
Com o es in luências na o mação do BE po pa e da UDP, e a ligação da
UMAR à UDP, é nes e sen ido e iden e a p oximidade do BE com a UMAR. Is o é isí el
no documen o “Começa de No o” endo como p omo o as Helena Pin o (100ª
p omo o a) e Manuela Ta a es (178ª p omo o a), ambas di igen es da UMAR
84
. É nes e
sen ido que o BE se dis ancia do eminismo ins i ucional e libe al e do eminismo
conse ado , inse indo-se na co en e do eminismo socialis a (Lopes e Soei o, 2015:67;
Sil a e Lamei as, 2019; Soei o, 2009). O eminismo socialis a é mui o di e so
85
. Em
e mos ge ais apon a pa a as elações económicas como a base da op essão das mulhe es
no capi alismo e a gumen a que a necessidade des as se o ganiza em e lu a em pela
emancipação humana, ou seja, es as en endem o sis ema de pode es exis en e ad indo de
um sis ema pa ia cal e capi alis a (Eisens ein, 1979, Teixei a, 1998). Nes e âmbi o, a
81
Ve h p://www.g aal.o g.p /p /g aal/em-po ugal
82
Ve h ps://www.mdm.o g.p /mdm/
83
A UMAR começou po se União de Mulhe es An i ascis as e Re olucioná ias a é 1989. No seu 4º
Encon o Nacional passa a apelida -se de Mo imen o pa a a Emancipação Social das Mulhe es
Po uguesas. Na segunda me ade da década de 90 passou a designa -se União de Mulhe es Al e na i a e
Respos a, que man em a é hoje. Ve h p://www.uma eminismos.o g/index.php/quemsomos
84
A ualmen e o Bloco con a com Ma ia João Magalhães, Elisabe e B asil, Sand a Cunha, en e ou as.
85
Segundo B enne (2014:38) “Social-wel a e eminism, social-democ a ic eminism, e olu iona y
socialis eminism, e olu iona y women o colo eminism, indigenous eminism, a e some o he di e en
cu en s wi hin socialis - eminis poli ics.”
80
condição da mulhe não pode se en endida sem o con ex o socioeconómico em que es á
inse ida (Teixei a, 2008).
Com is o o BE p ocu a euni condições pa a a igualdade e o im do sexismo ou
qualque sis ema de op essão, endo is o como o seu “código gené ico” (Lopes e Soei o,
2015:67). Nas pala as de So ia Roque (em Lopes e Soei o, 2015:68): “ an o no plano
ins i ucional de p opos a legisla i a como no campo do mo imen o social, o Bloco
p ocu a cons ui uma in e enção eminis a adical e uni á ia, ompendo com o
sec a ismo e a es agnação.”
4.2.3 Paci ismo
Desde a sua o mação que o BE se mos ou empenhado pela paz,
consequen emen e, opondo-se à gue a, e ad ogando po polí icas an i-in e encionis as
(nes e assun o e Louçã e Cos a, 2003). Es a posição polí ica e ilosó ica ad ém da sua
génese que con êm “ adições do an i-mili a ismo e do paci ismo (ca ólico ou não)”
(Lopes e Soei o, 2015:21; Soei o, 2009), sem esquece o ambien e bélico e des u i o que
ma cou p esença du an e odo o século XX e a ealidade in e nacional do ano de 1999: a
in e enção da OTAN na ex-Jugoslá ia e os acon ecimen os em Timo -Les e. Aliado a
is o, uma sociedade po uguesa conse ado a onde pe sis ia a iolência cul u al, a
iolência ins i ucional e a iolência es u u al - ace às mulhe es (ex. abo o e a iolência
domés ica), à comunidade LGBT (ex. casamen o), imig an es (ex. al a de di ei os
polí icos e sociais), animais (ex. ou adas) e a ou as mino ias. Po isso mesmo o Bloco
de Esque da, logo no seu p imei o mani es o elei o al (eu opeias de 1999), a i ma a-se
“pela paz” e con a a “ba bá ie da gue a” (BE, 1999b), aliado a uma lu a con a a
iolência. Na sua p imei a con enção em 2000 codi ica uma de esa paci is a onde
p opunha: 1) a “ edução adical do ní el de a mamen o no mundo”; 2) a “dissolução das
alianças polí ico-mili a es egionais”; 3) a “mo a ó ia mundial sob e a in es igação
cien í ica especi icamen e mili a ”; e 4) um “sis ema de con olo in e nacional sob e
comp a e enda de a mas” (Con enção, 2000:8). Com os anos a de esa pela paz oi
ca ac e ís ica do BE e es e e p esen e na sua ação ins i ucional (e.g. em 2001 o o o de
p o es o pela escalada mili a is aeli a [nº144, legisla u a VIII, sessão legisla i a II]; em
2003 a p opos a de lei 226/IX/1 de c iação de mecanismos de con olo de impo ação e
expo ação de a mas; em 2008 o o o que e oca a Cimei a da Lajes e condena a gue a
87
com ou os a o es polí icos
92
, se si ue numa pla a o ma de ans o mação da o dem
exis en e pa a uma ans o mação e e undação polí ica que lhe pe mi a a ingi a
ci ilidade e uma no a o dem mundial.
Em en e is a é-nos di o que “a posição do Bloco e oluiu em e mos da Eu opa”
(en e is a 2). Es a a i ude é e iden e no pe íodo de c ise económica de 2008 endo o seu
auge nos memo andos de en endimen o
93
assinados en e o go e no po uguês e a
T oika
94
. And é F ei e explica que “en e 2008 e 2015 a c ise não le an ou con li os
ideológicos signi ica i os na esque da adical em Po ugal, nem um deba e p o undo
sob e a sua ideologia ou iden idade” (Ma ch e Kei h, 2016:257) e Ma co Lisi a i ma que
há uma mudança das posições ideológicas du an e e após a implemen ação do
Memo ando de En endimen o o que esul ou numa pola ização do sis ema pa idá io
po uguês, à esque da - que na opinião dos elei o es (Lisi, 2016:6), que do pon o de is a
das posições dos pa idos (Lisi, 2015a:284) - mas ambém à di ei a - que se o na mais
adicalizada.
Com o ag a amen o da c ise económica no país e os acon ecimen os
ela i amen e à G écia
95
inicia-se um ma co na mudança de pa adigma em elação à UE.
A na a i a do BE o na-se mais con es a á ia e adicalizada sendo que es e passa de
que e “ ans o ma a paisagem eu opeia numa pe spe i a democ á ica e socialis a” (BE,
2004) pa a um mani es o de desobediência à “Eu opa da Aus e idade”, acusando-a de
se i o neolibe alismo a a és dos “conse ado es” e dos “sociais-democ a as” que a
con olam (BE, 2014; Lisi e Bo ghe o, 2019). Pa a o Bloco a UE em sido, em e mos
ge ais, p ejudicial pa a o país, na qual a sua e en e polí ica, social e económica em
indo a acusa uma degene escência. P imei o, em e mos polí icos há uma meno
democ acia pois “a polí ica passou a es a ainda mais a edada do esc u ínio popula e
92
O Die Linke (Alemanha), a F en e de Esque da (F ança), o SYRIZA (G écia), a Esque da Unida
(Espanha), Sinn Féin (I landa), o BNG (Galiza), a ANOVA (Galiza), o Euskal He ia Bildu (País Basco),
en e ou os (Esque da.ne , 2014).
93
Iniciados em 2011 pelo XVIII Go e no Cons i ucional, che iado pelo p imei o-minis o José Sóc a es e
execu adas pelo XIX Go e no Cons i ucional de Ped o Passos Coelho.
94
A T oika é compos a pelo Fundo Mone á io In e nacional, a Comissão Eu opeia e o Banco Cen al
Eu opeu.
95
Com g a es consequências pa a a economia da G écia, a c ise de 2008 ez com que o pa ido de esque da
adical SYRIZA (Synaspismós Rizospas ikís A is e ás - Coligação da Esque da Radical) ganha-se as
eleições em 2015. Após o acasso nas negociações com a UE Alexis Tsip as e e enda a ap o ação do
plano p opos o pela T oika com uma cla a maio ia a o a pelo “não” (61,3%) às polí icas de aus e idade.
Nesse mesmo ano o minis o das inanças, Yanis Va ou akis, esigna após a in ansigência den o do
Eu og upo e do pa ido. De ido à p essão dos c edo es in e nacionais e ao b aço de e o com a UE a
G écia, em julho de 2015 assina um no o aco do com a T oika e implemen a medidas de aus e idade.
88
mul iplicam-se as en idades, o ganismos e ó gãos isen os de qualque con olo
democ á ico” (BE, 2014:5); segundo, em e mos sociais um dec éscimo dos di ei os na
medida em que “os Es ados P o idência (…) o am sendo desman elados” e “os di ei os
labo ais o am sendo aniquilados, assim como os di ei os associados às pensões,
p es ações sociais, saúde ou educação.” (BE, 2014:6); e cei o, em e mos económicos
de ido ao ac o de “se i uma agenda libe al” (BE, 2014:3). Nes e sen ido, endo em
is a “de ende o nosso país” (BE, 2019) o BE e o çou a sua posição eu océ ica
96
( e
subcapí ulo 4.4.2), con udo sem conside a se iamen e uma saída da UE
97
. Segundo
en e is a é a i mado que apesa de ejei a em es a UE “nós não igno amos os e mos
des e p ocesso polí ico-social e, po an o, lu amos na p óp ia eu opa com as condições
que a eu opa nos dá. Pa icipamos em eleições, pa icipamos em udo o que é
ins i ucional, pa icipamos em udo o que é dinâmicas sociais, o que pode mos (…)
semp e com a mesma ideia que é c ia um polo al e na i o na eu opa.” (en e is a 5) Po
isso mesmo o BE in es iu-se numa polí ica de alianças com os seus pa cei os. Logo em
se emb o de 2015 o Bloco pa icipa na assina u a de um documen o que espondia
di e amen e ao “memo andum” e ao “G exi ” com o “apoio à G écia” e ao chamado
“Aus e exi ”. Nes e documen o, o Aus e exi , p e endia-se cong ega esis ências sociais,
poli icas e mo imen os de di e en es países com o in ui o de lu a , como o nome indica,
con a a aus e idade (h p://alencon e.o g/eu ope/eu ope-campagne-in e na ionalis e-
pou -laus e exi .h ml), sendo necessá io “ ompe com a Eu opa, com os seus a ados e o
sis ema bancá io” (Lisi, 2019a:219). Pa a além des e documen o su gi am ambém dois
mo imen os, um assen e em mo imen os sociais: o Mo imen o Democ acia na Eu opa
2025 (DiEM25), e po ou o lado “Um Plano B na Eu opa” (Plano B) mais assen e numa
aliança lide ada po polí icos de esque da
98
, como: Jean-Luc Mélenchon; S e ano Fassina;
Zoe Kons an opoulou; Oska La on aine; Yanis Va ou akis (en e ou os) e com a
96
Numa con e ência de imp ensa no inal da eunião da Mesa Nacional do Bloco de Esque da, a 26 de
ma ço de 2017, Ca a ina Ma ins de ende a e i ada de Po ugal dos países ade en es à moeda única endo
em is a a ecupe ação da capacidade democ á ica sob e a economia e as inanças do país.
97
Nes e pe íodo a posição do BE - “De ende o nosso País” (cap. III) - ap oximou-se da do PCP - “De ende
o Po o e o País”. Apesa de p og essi amen e con e gen es, a solução con inua a di e gi : O PCP de ende
a saída da União Eu opeia enquan o o BE con inua a de ende a pe manência do país na união.
98
Segundo o eu odepu ado do Podemos, Miguel U bán, em en e is a ao Hu pos “O p óp io Va ou akis
inalmen e en ende que a opção de Mélenchon pelo Plano B é mais uma opção de pa ido polí ico e
Va ou akis a gumen a que um mo imen o pan-eu opeu abe o aos cidadãos é mais in e essan e”, com is o,
ambos os mo imen os di e gem com o ien ações di e sas (em
h ps://www.hu ing onpos .es/2016/02/09/ a ou akis-diem25-mo imien o-
democ acia_n_9195616.h ml).
89
p esença do Bloco na assina u a de F ancisco Louçã (h ps://www.eu o-
planb.eu/?page_id=105&lang=es).
No seguimen o das múl iplas alianças o madas o a do ins i ucionalismo
eu opeu o BE ins i ui o Depa amen o In e nacional em ab il de 2016, um o ganismo
“ esponsá el po es u u a de o ma con inuada as elações in e nacionais do Bloco de
Esque da com ou os pa idos e mo imen os p og essis as” (h ps://www.bloco.o g/o-
bloco/depa amen o-in e nacional.h ml#), com o in ui o de alice ça e adensa pa ce ias
que o nassem possí el a no a isão do Bloco em elação à UE. Uma isão que o Bloco
na Con enção de junho de 2016 de endia de alcance de maio ia social pa a aze
“desobediência à aus e idade” e a “des inculação ao T a ado O çamen al” es au ando a
sobe ania e a democ acia no país. Pa a o pa ido a solução que passe pelas ins i uições
eu opeias “[n]ão é hoje c edí el” e con a am muda a UE com a “coope ação e
solida iedade das o ças p og essis as na Eu opa” (Con enção, 2016:nd). Is o não
signi ica que o BE não se “en ol a em deba es que êm luga nas ins i uições eu opeias,
nomeadamen e no Pa lamen o Eu opeu, que podem da o ça a de e minadas posições.”
(en e is a 1) A posição do Bloco encon a-se nesse sen ido: “(…) de encon a as
ligações (…) que pe mi am nas ins âncias eu opeias lu a con a is o (…). As o ças que
na Eu opa não se e eem na manei a conc e a como a UE unciona e nos esul ados que
as suas polí icas de e minam, essas o ças p ecisam de es a unidas” (en e is a 1) e po
isso du an e o pe íodo que se seguiu cen a am-se na de inição de uma es a égia que
culminou em 2017 com a Cimei a de Lisboa, depois de se euni em em Pa is, Mad id,
Copenhaga e Roma, ma cando po oposição os 10 anos de assina u a do T a ado de
Lisboa. Na cimei a conclui-se uma “ ia al e na i a” que ejei a os “ a ados da UE” e
clamam po “desobediência” a a és de “maio ias” em cada país que pe mi a um “no o
quad o Eu opeu”, ou nou as pala as, um “Plano A” que le asse a “polí icas de
desen ol imen o social (…), inanciamen o di e o aos Es ados, edis ibuição do
in es imen o público, ees u u ação das dí idas públicas” (Esque da.ne , 2017). Os
signa á ios de endiam que o se o “Plano A” alhasse, com o in ui o de p e eni uma
epe ição do caso da G écia em julho de 2015, ha ia um “Plano B”, o que nas pala as
do mani es o aduzia-se em “ o mas de coope ação que es au am a sobe ania e que
es abeleçam no os mecanismo de decisão mone á ia e económica pa a os po os” (idem,
ibidem). Passados apenas 6 meses desde a conclusão da Cimei a de Lisboa que i ma a
90
o “Plano B na Eu opa”, o Bloco de Esque da, o Podemos e o La F ance insoumise
99
c iam
um “mo imen o polí ico in e nacional, popula e democ á ico” chamado “Ago a, o po o”
que p e ende uma “ e olução cidadã na Eu opa” a pa i da cons ução de um no o
p oje o assen e numa “o ganização democ á ica, jus a e equi a i a que espei a a
sobe ania dos po os” lu ando con a a aus e idade e as polí icas libe ais (Bloco de
Esque da, 2018; Público, 2018b, Lisi, 2019a). Um in e nacionalismo eu opeu que con a
com pa icipações simul âneas no PEE, no GUE/NGL, no Plano B e no Ago a, o Po o!
As sucessi as alianças ei as pelo Bloco demons am que os pa idos eu opeus
de esque da es a am di ididos. Como a i ma Lisi (2019a:227) não ha ia uma “es a égia
comum en e as o ças de esque da que ejei a am os a ados [o que] e le e as
di e gências que ainda pe sis em na Eu opa (e em Po ugal) ace ca das ques ões
eu opeias”. Es a ideia é co obo ada na XI con enção do Bloco, em 2018, pela moção
maio i á ia ao a i ma que há uma “ausência de uma es a égia comum a ní el eu opeu
[em que] a con e gência à esque da eduz-se hoje a expe iências especí icas de
coope ação en e pa idos” (Con enção, 2018:27). A linha ge al polí ica a segui pelo
pa ido se ia a mesma que se iniciou em 2015, ou seja, uma e ol a cidadã de u u a com
os a ados eu opeus, onde a necessidade de esga e de democ acia pa a os po os é
pe en ó ia, ligada à base do p og ama que passa pelo emp ego e di ei os labo ais, e o ço
dos se iços públicos, o Es ado Social aliado a lu as e mo imen os sociais ( eminismo,
an i acismo e solida iedade).
4.3 Os e ei os da c ise económica no discu so do Bloco
Em 2007 inicia-se a c ise do subp ime associada ao colapso hipo ecá io. Pela
dependência ace ao dóla e à exposição de g andes bancos eu opeus, a c ise cedo chega
ao ou o lado do a lân ico, a e ando odas as economias eu opeias (Lane, 2012; Bellucci,
Cos a Lobo e Lewis-Beck, 2012). Meses depois, em 2008, a ase mais c í ica é
despole ada pelo colapso do Lehman B o he s que po ência uma cise global. Apesa de
uma c ise assimé ica, es a oi a maio ecessão nos países pe encen es à OCDE
(O ganização pa a a Coope ação e Desen ol imen o) desde a g ande ecessão dos anos
30 e da c ise pe olí e a dos anos 70 (Roos e Zaun, 2016). Du an e es e pe íodo inicia-se
99
De aco do com o si e o icial ão jun a -se depois a es es ês o pa ido dinama quês Aliança Ve melha e
Ve de; o Pa ido da Esque da da Suécia e o pa ido inlandês Aliança de Esque da. Ve
h ps://now hepeople.eu/
91
uma c ise banca ia e de conceção de c édi o que az com que o cus o de emp és imos
aumen e e o inanciamen o o na-se mais di icul ado, o que impedia alguns Es ados mais
dependen es desses c édi os de se inancia em. À medida que o con ex o in e nacional se
ag a a a e os me cados e agências de a ing pe diam con iança nas economias alguns
países i e am de eco e a esga es económicos. O p imei o oi a G écia em maio de
2010 quando o líde do PASOK
100
anuncia um dé ice excessi o de 12% em elação ao
p odu o in e no b u o (PIB) o que az es ala a classi icação dos í ulos de c édi o g ego
pa a o ní el de “lixo”, em seguida, a I landa em no emb o do mesmo ano eco e ambém
a um esga e 85 mil milhões de ido ao alhanço do seu sis ema bancá io.
Po ugal, po sua ez, desde o início da zona eu o, em 1999, inha iniciado um
pe íodo de “aus e idade o icial” (Sousa, Magalhães e Ama al, 2014; Pin o e Teixei a,
2019). Di e sos go e nos, que de cen o-di ei a (XV e XVI Go e no, che iados po
Du ão Ba oso e San ana-Lopes espe i amen e), que de cen o-esque da (XVII e XVIII
Go e no de José Sóc a es), o am ma cados po medidas de aus e idade numa en a i a
de po um lado cump i o Pac o de Es abilidade e C escimen o do T a ado de Maas ich ,
e po isso con e o dé ice abaixo dos 3% e a dí ida pública a é aos 60% em elação ao
PIB, e po ou o lado coloca a economia mais compe i i a e p odu i a. (Sousa,
Magalhães e Ama al, 2014; e G aça, Lopes e Ma ques, 2011; Sanches, 2017:128). As
consequências da c ise azem com que hou esse “uma con ação d amá ica na economia
po uguesa” azendo com que o go e no de Sóc a es implemen asse uma polí ica con a
cíclica (F ei e, Lisi e Viegas, 2015:123). Es as medidas não o am su icien es pa a coloca
a economia em consonância com as me as eu opeias e em 2009 as p incipais agências de
a ing classi icam a economia po uguesa como “lixo” o que limi ou o acesso ao c édi o
po pa e do es ado po uguês. Sóc a es, p essionado pela Comissão Eu opeia e pelos
me cados in e nacionais, a i ma que Po ugal não necessi a de um esga e e inicia um
no o ciclo de aus e idade a a és dos P og amas de Es abilidade e C escimen o (PEC)
ealizados jun amen e com o Eu og upo e do go e no alemão (G aça, Lopes e Ma ques,
2011). Os p imei os ês paco es (PEC I; PEC II e PEC III) o am ap o ados na AR com
o o o a o á el do PS e a abs enção do maio pa ido da oposição, o PSD. Em 2011 as
axas de ju o pa a inanciamen o do es ado ul apassam os 7% o que az Sóc a es p opo
um no o paco e de aus e idade – o PEC IV – que oi colocado pa a ap o ação dos pa idos
100
Mo imen o Socialis a Pan-helénico. Pa ido social-democ a a do cen o-esque da pe encen e ao quad o
pa idá io da G écia, encon ando-se desde 1974 em al e nância en e o go e no e a oposição. Desde 2012
que o seu pode se eclipsou e hoje ep esen a menos de 10% do elei o ado.
92
com assen o pa lamen a , mas des a ez oi ejei ado po oda a oposição (PSD, CDS-PP,
BE, PCP e PEV), o que despole ou a demissão imedia a do p imei o-minis o e o pedido
de esga e (Pin o e Teixei a, 2019).
Du an e o pe íodo p é-elei o al o go e no em consonância com os maio es
pa idos (PS, PSD e CDS-PP) acei am um esga e de 78 mil milhões de eu os a a és de
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Taxa de c escimen o eal do PIB
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
Taxa de desemp ego
0
20
40
60
80
100
120
140
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Dí ida b u a em % do PIB
Figu a 4: Taxa de c escimen o eal do PIB, em
pe cen agem, du an e o pe íodo 2000-2015. Fon e:
Po da a
Figu a 5: Taxa de desemp ego, em pe cen agem, du an e o
pe íodo de 2000-2015. Fon e: Po da a
Figu a 3: Dí ida b u a em pe cen agem (%) do PIB das
adminis ações públicas, du an e o pe íodo 2000-2015.
Fon e Po da a
93
um plano de assis ência económica da oika (Banco Cen al Eu opeu, Comissão Eu opeia
e Fundo Mone á io In e nacional) chamado Memo andum de En endimen o (MdE) em
aplicação du an e 2011-2014. Nes as ci cuns âncias o PSD ganha as eleições de junho de
2011 com 38,66% e o ma uma coligação com o CDS-PP (ob ém 11,71%). Com a o e
e osão socioeconómica ( e igu as 3, 4 e 5) e azendo cump i o aco dado no MdE o
XIX Go e no Cons i ucional che iado po Ped o Passos Coelho implemen a medidas de
aus e idade com um o e pendo neolibe al (F ei e, 2014; Pa ke e Tsa ouhas, 2018).
Segundo Mou y e F ei e (em F ei e, Lisi e Viegas, 2015:124) o memo ando ab angia, em
aços la gos, 3 aspe os: 1) “planea a-se oma medidas pa a eduzi o ácio dé ice público
b u o/PIB”; 2) “sal agua da a desala ancagem do sec o inancei o e o alece a
capi alização dos bancos”; e 3) “ e o mas es u u ais p o undas em ês á eas: p imei o
isa a aumen a a lexibilidade e a compe i i idade das emp esas (…). Em segundo luga ,
de inia objec i os pa a o aumen o da conco ência nos se o es p o egidos (). Em e cei o
luga , a e o ma do sis ema judicial (…).”, sendo que o go e no ia mui as ezes “pa a
além da oika” (Mou y e S and ing, 2017; S and ing, 2018). Du an e a go e nação do
PSD - CDP-PP á ios o am os con on os ins i ucionais, p incipalmen e com o T ibunal
Cons i ucional (Exp esso, 2014b) e pa idos de esque da (moções de censu a), mas
ambém na sociedade ci il com as g andes mani es ações dos mo imen os sociais (ex.
“Ge ação à Rasca” e “Que se lixe a T oika!”; e RTP No ícias, 2012).
Du an e odo es e pe íodo analisado a c ise económica não p o oca g andes
mudanças ao ní el polí ico-pa idá io, assis indo-se à manu enção do a co da go e nação
e dos mesmos pa idos polí icos na AR, pelo menos a é 2015 (Lisi, 2015a; San ana-
Pe ei a, 2016; Pin o e Teixei a, 2019:77-100), con udo, “(…) [a] c ise económica e as
medidas de aus e idade consequen es muda am o discu so e as p á icas dos agen es
polí icos, assim como os canais e a in ensidade da pa icipação polí ica de indi íduos
(…)” (F ei e, Lisi, And eadis e Viegas, 2014:414). O Bloco de Esque da pe soni ica essa
mudança de discu so e p á icas discu si as. Alia um compo amen o que inha a oco e
desde os anos 90 nos pa idos de esque da adical ( e Ma ch e F ei e, 2012:37) com os
e ei os da c ise, al e ando o seu discu so pa a passa a e ca ac e ís icas populis as e
nacionalis as.
94
4.3.1 Populismo
O populismo é pa e incon o ná el da polí ica das democ acias ociden ais
con empo âneas (“Zei geis populis a”; e Mudde e Kal wasse , 2012). Abo dando o
caso eu opeu o populismo e os pa idos polí icos populis as não e am no idade, oda ia,
eme gem com maio des aque com o ag a a da c ise económica e social (Salgado, 2019).
Apesa de se um e mo emp egado mais equen emen e ao espec o polí ico da di ei a,
o quad o ge al so e al e ações “com o su gimen o de a o es populis as p oeminen es que
pe encem à esque da ou à esque da adical” (Ka sambekis e Kioupkiolis, 2019:1; e
ambém Ma ch e F ei e, 2012; Palhau, Sil a e Cos a, 2021; Cha alambous e Ioannou,
2020). Se po um lado emos o MoVimen o 5 S elle em I ália, o Fidesz na Hung ia, o
P awo i Sp awiedliwość na Polónia, o Pe ussuomalaise Sann inlända na na Finlândia,
po ou o lado emos o Socialis ische Pa ij da Holanda, o Die Linke na Alemanha, o
Sy iza na G écia, o Podemos em Espanha ou La F ance insoumise em F ança. Mas a inal
o que é o populismo? Es a é a pe gun a que os in es igado es se êm ei o desde os anos
60 do século XX mas que a é hoje não exis e de inição consensual na academia (Ca ei a
da Sil a e Salgado, 2018). Conside amos aqui a de inição mínima de Cas Mudde
(2020:40; Mudde e Kal wasse , 2012) que de ine populismo como uma ideologia
“segundo o qual a sociedade, em úl ima análise, es á di idida em dois g upos homogéneos
e an agónicos – o po o pu o e a eli e co up a (…)” em que “a polí ica de e ia se uma
exp essão da olon é géné ale ( on ade ge al) do po o”. Pa a Mudde e Kal wasse
(2012:9) é uma ideologia que exibe um con eúdo es i o associado a ou os ipos de
ideologias, sejam elas “ hick ideologies” como o libe alismo e o socialismo, sejam elas
“ hin ideologies” como o nacionalismo e o ecologismo. Pa a além dis o pode ambém se
uma es a égia ou o ma de o ganização, uma p á ica de mobilização polí ica, um es ilo
de comunicação polí ica e a é mesmo um discu so ou o ma de pe suasão (Ca ei a da
Sil a e Salgado, 2018). Uma di isão impo an e en e dis in as o mas de populismo em
de se ei a, di idindo populismo inclusi o e excluden e. Segundo Mudde e Kal wasse
(2013; e ambém Lisi, Llamaza es e Tsaka ika, 2019:1287) uma análise em ês
dimensões: ma e ial polí ica e simbólica. Focando-nos no populismo inclusi o, es e
combina polí icas de esque da e e ó ica populis a que de ende dis ibuição de ecu sos
a a és de p og amas de bem-es a , uma ep esen ação mais descen alizada e local, e
uma ab angência do que en endem pelo po o incluindo pessoas ma ginalizadas, a a és
95
de uma e ó ica an ieli is a, oposição ao sis ema igen e e que ep esen a as pessoas
comuns
101
.
Ao con á io dos es an es países, Po ugal oi conside ado como um caso de
exceção no apa ecimen o ou c escimen o do populismo de ido a a o es his ó icos e
con ex uais (Palhau, Sil a e Cos a, 2021; San ana-Pe ei a e Cancela, 2020; Caei o, 2020).
Os pa idos polí icos populis as não ap esen am sucesso a é 2019, como o Pa ido
Nacional Reno ado
102
que nunca consegue ob e o núme o mínimo de o os pa a
eleição
103
. Ou o caso é Ma inho e Pin o, igu a popula izada nos meios de comunicação
social e que em 2014 se consegue aze elege eu odepu ado pelo MPT - Pa ido da Te a,
assim como ou os a o es polí icos com alguma dinâmica local como Fá ima Felguei as,
Isal ino Mo ais e Valen im Lou ei o (Salgado e Zúque e, 2016). Em elação à esque da
em Po ugal Chan al Mou e (2018) a i ma que os desen ol imen os populis as na G écia
e em Espanha i e am desen ol imen os nou os países, como em Po ugal com o Bloco
de Esque da.
Desde cedo que o BE e e uma posição de a as amen o ela i amen e a
ideologias populis as. Em 2005 o p óp io pa ido a i ma que “o populismo ag a a a c ise
dos egimes polí icos e sociais eu opeus”, is o de ido, que à economia neolibe al, que
ao au o i a ismo ins i ucional, que esul a num a as amen o e es aziamen o da polí ica
(Con enção, 2005:25). Na moção maio i á ia em 2009 o Bloco ol a a ea i ma -se como
um pa ido que “ ecusa as adições populis as” (Con enção, 2009:9). O BE chega mesmo
a dize , em 2011, que a solução pa a a c ise “não é (…) o populismo au o i á io
(Con enção, 2011:5). Os es udos ecen es indicam que oi du an e o ag a a da c ise,
p incipalmen e no p og ama elei o al de 2011, que a p á ica discu si a do Bloco mais se
al e ou, assumindo-se como uma e ó ica com ca ac e ís icas populis as, apesa de es es
não se assumi em como al (Lisi e Bo ghe o, 2019; Eco, 2019). Ou seja, du an e o
pe íodo da c ise, enquan o a maio ia dos pa idos do “a co da go e nação” se mos a am
elu an es a ado a uma es a égia populis a, os pa idos de oposição (BE e PCP)
mos a am um ce o de g au de populismo nos seus p og amas polí icos e nos seus
discu sos públicos (Lisi, Llamaza es e Tsaka ika, 2019), co obo ando com Palhau, Sil a
e Cos a (2021:65) quando a i mam que “os pa idos challenge (que desa iam o s a us
101
Re i ado de h ps://www.populisms udies.o g/Vocabula y/inclusiona y-populism/
102
A 10 de Julho de 2020 muda a designação pa a E gue- e.
103
A pe cen agem mais ele ada de o os é 0,5% em 2005
96
quo) endem a ade i mais ao populismo do que os pa idos mains eam (“a co da
go e nação”).
Analisando as ca ac e ís icas es u u ais do BE como a o polí ico com
ca ac e ís icas populis as pa imos da sua au oiden i icação como um pa ido “popula ” o
que ecai no que Bou dieu (em Dias e Ne es, 2011:35-36) a i ma se o léxico popula um
“conjun o de pala as que são excluídas dos dicioná ios da língua legi ima”, nes e sen ido
popula “que dize , co en e nos meios popula es das cidades, mas ep o ada ou e i ada
pelo conjun o da bu guesia ins uída”; po ou o lado, emos a e ó ica comumen e
associada a pa idos de esque da adical, que os o na na u almen e cé icos em elação à
“bu guesia/pa idos con encionais, ins i uições eu opeias e às eli es
económicas/ inancei as no ge al” (San ana-Pe ei a e Cancela, 2020:208). É po isso
comum associa um a o con es a á io da democ acia libe al, do sis ema pa idá io a ual
e do modelo neolibe al como um pa ido populis a, o que a c ise económica, o acasso
do modelo neolibe al e da democ acia libe al só ie am ap o unda e inca
discu si amen e o desejo do pa ido na ans o mação de odo o sis ema. Encon amos no
BE um discu so que compo a ca a e ís icas incadamen e ligado às o ças económicas
(ex. “A aus e idade é uma decla ação de gue a da classe dominan e” [Con enção,
2014:63]); an ieli is as (“A eli e que di igiu a mode nização conse ado a do país não
pode nem que muda o egime social no in e esse da maio ia da população” [Con enção,
2013:5]), e po ezes an i sis émicas (“O Bloco de e in e p e a o sen imen o con a a
polí ica dominan e, o sis ema e a sua eli e” [Con enção, 2014:63]). Nas pala as de
Fe nández (em San os e Mendes, 2017:185) e i icam-se aqui dois momen os: “um
des i uin e, de impugnação do modelo exis en e, e ou o, cons i uin e, onde se
es abelecem as al e na i as”.
Em 2017, no jo nal Diá io de No ícias (2017), o in es igado José Filipe Pin o
a i ma a que o maio índice de populismo em Po ugal e a à esque da, apelidando os
pa idos que a compõem de “populismo au o i á io” (BE e PEV) e “populismo o ali á io”
(PCP), con udo, segundo a i ma Lisi e Bo ghe o (2019:17) no caso po uguês é di ícil de
aze gene alizações, is o o populismo no país e um e ei o que pa ece depende de
a o es con ex uais e ad-hoc. Es e mesmo discu so é ido como conjun u al, ado ado pa a
acolhe a insa is ação do elei o ado com a si uação do país. Em 2015, aquando do im do
p og ama de ajus amen o da T oika em Po ugal e o alí io das polí icas de aus e idade, o
103
e o mis as
106
que con inuam a possui elemen os impo an es do modelo comunis as,
mas nou os aspe os (ideológicos e es a égicos) são ca ac e izados po se em mais
abe os a alianças ala gadas, a pa icipação go e namen al, ao me cado económico e a
possui elemen os da agenda da no a esque da. Te cei o, os socialis as democ á icos
107
que se de inem simul aneamen e c í icos do comunismo – pe cecionado como o ali á io
– e da social-democ acia – insu icien emen e de esque da ou neolibe al – endo uma
ónica an i-neolibe al e que se apoia em mo imen os ex apa lamen a es. Qua o, os
e olucioná ios de ex ema-esque da
108
, que pa ilham elemen os dos comunis as
conse ado es, mas ge almen e ejei am o conse ado ismo e bu oc acia da adição
es alinis a. Es es são de ex ema-esque da pois endem pa a um sec a ismo an issis ema,
ejei am coligações elei o ais ala gadas, polí ica pa lamen a e elei o al, mas ambém uma
u u a e olucioná ia a a és insu eição, g e es ge ais e pode polí ico po concelhos de
abalhado es endo em is a a ingi o socialismo (Ma ch, 2016:8-11). Num es udo de
Gomez, Mo ales e Rami o (2015) es es ealiza am um es udo empí ico endo em is a
cla i ica a u ilidade das ca ego ias dos pa idos da esque da adical de Luke Ma ch. As
conclusões do es udo oi que “os esul ados são consis en es com o que se pode ia espe a
com base em ca ego izações an e io es na li e a u a dos pa idos de esque da adical”,
nou as pala as, os pa idos “conse ado es comunis as” es ão em consonância com os
esul ados de mani es os elei o ais que mos am uma maio p oximidade a alo es no
quad an e da “o odoxia an i-impe ialis a”, e, pelo con á io, pa idos “socialis as
democ á icos” com ní eis mais ele ados no quad an e da “no a polí ica” (Gomez,
Mo ales e Rami o, 2015:11).
Apesa do o e consenso ge ado em o no da de inição de Ma ch os pa idos que
se encon am ap esen am simila idades e di e enças. Em e mos ge ais odos es es
pa idos de esque da adical se ap esen am an icapi alis as, e consequen emen e,
con es am o neolibe alismo e o seu p og ama polí ico, em consonância com uma adesão,
mais ou menos exp essi a, das causas da no a esque da (Chiocche i, 2017). Uma
en a i a de ap oximação, pelo menos a ní el ins i ucional, oi ei a em 2004 com a
o mação do Pa ido de Esque da Eu opeia incluindo causas ans e sais, como uma
eu opa social (emp ego, di ei os labo ais) e p og essis a (an i acis a, eminis a,
106
Pa ido da Re undação Comunis a (PRC); Pa ido Comunis a Espanhol (PCE); Pa ido Comunis a
F ancês (PCF), e c.
107
Die Linke; Sy iza; Bloco de Esque da (BE); Aliança Ve melha e Ve de (EL), e c.
108
Pa ido Socialis a (I elanda); No o Pa ido An icapi alis a (NPA); Pa ido Socialis a dos T abalhado es
(SWP), e c.
104
ecologis a), endo em is a a coo denação de mani es os elei o ais e o mulação de
mani es os elei o ais e polí icas públicas comuns (Hudson, 2012). Já as di e enças
assen am sob e udo no ipo de an icapi alismo, sendo que cada pa ido mos a g aus
di e en es de adicalismo de esque da (Gomez, Mo ales e Rami o, 2015).
Pa a o Bloco de Esque da “[ ]em ha ido ao longo do empo ap oximações
di e en es”, is o de ido às ci cuns âncias da esque da eu opeia “ela p óp ia um bocado
olá il, não é mui o consolidada, ai mudando e isso aduz-se a é na p óp ia ince eza
das pla a o mas polí icas de escala eu opeia” (en e is a 1). O pe íodo da c ise
económica, despole ado em 2008, não se dema ca da ola ilidade ca ac e ís ica dos
pa idos de esque da adical. Das ês soluções disponí eis – di ei a neolibe al, di ei a
populis a e esque da adical (Be man, 2016) – a eu opa assis e a uma eeme gência da
esque da adical, p incipalmen e nos países do sul da Eu opa (F ei e, Ba agán, Colle ,
Lisi e Tsa sanis, 2020). É nes e pe íodo de c escimen o elei o al que se ap o undam
p oximidades ideológicas e “ elações de p oximidade in ensas ou ela i amen e in ensas
com o ças polí icas que em cada momen o [p o agoniza am] localmen e o mas de a ua
e de en ende a polí ica p óximas do Bloco, es ou-me a e e i numa ase an e io às
oikas o SYRIZA” mas ambém “alguma p oximidade do pon o de is a p ecisamen e
dessa capacidade de ede a lu as di e sas na expe iência do Podemos, sob e udo na sua
capacidade de aze lu as sociais pela habi ação an idisc iminação homo óbica, e pelo
p imado dos se iços públicos” (en e is a 1). Con udo es a p oximidade polí ico-
ideológica não se consolida, ha endo um a as amen o do Sy iza de ido à sua capi ulação
em elação ao p og ama de aus e idade da T oika, uma c í ica à adição de cen alismo
o ganiza i o que e a “impensá el no Bloco” (en e is a 4) e um populismo e
idiossinc asias que não pe mi em uma maio p oximidade en e os pa idos. Segundo um
dos di igen es do pa ido, o BE em uma maio p oximidade com os pa idos de esque da
nó dica, englobados no mesmo subg upo de socialis as democ á icos de Luke Ma ch
(2016), de inidos como possuindo uma ideologia socialis a e ecologis a (“ ed-g een”),
combinando aspe os económicos da “ elha esque da” com emá icas da no a esque da de
de esa das mino ias sociais e de modos de ida al e na i os (Ma ch, 2016:8).
105
Conclusão:
Meanwhile, a ound us, he plane is o e hea ing. The weal h o he plane is being
concen a ed in ewe and ewe hands; he majo i y a e unde ed, junk- ed o s a ing.
Mo e and mo e millions o people a e being o ced o emig a e wi h he slimmes hopes
o su i al. Wo king condi ions a e becoming mo e and mo e inhuman. Those who a e
eady o p o es agains , and esis , wha is happening oday a e legion, bu he poli ical
means o doing so a e o he momen unclea o absen . They need ime o de elop.
So we ha e o wai . Bu how o wai in such ci cums ances? How o wai in his s a e o
o ge ulness? (…) Then, sus ained by wha we ha e inhe i ed om he pas and wha
we wi ness, we will ha e he cou age o esis and con inue esis ing in as ye
unimaginable ci cums ances. We will lea n o wai in solida i y. Jus as we will con inue
inde ini ely o p aise, o swea , and o cu se in e e y language we know.
John Be ge (2016) Con abula ions, Penguin Books, pp. 140-143. ISBN:
978-0-141-98495-7
O p opósi o des e es udo oi consegui colma a a inexis ência de in o mação
sis ema izada sob e a ideologia do Bloco de Esque da, desde a sua undação, em 1999,
a é 2019. Um pa ido que desde o seu início se p opõe a u an e e di e en e na manei a
de pensa e aze polí ica, an o nas uas - mo imen os sociais - como pela ia
ins i ucional, colocando em ambas as a enas de con es ação polí ico-social no as
o ien ações p og amá icas, endo em is a queb a abus e p econcei os. Assume unções
de ep esen ação pa lamen a a poucos meses da sua o mação, e um p og essi o
c escimen o ez com que passasse de um mic opa ido que de endia se oposição, pa a
começa a delinea um p og ama polí ico pa a o alcance da maio ia social.
O es udo não se icou somen e no que se conside a a ideologia s ic o sensu mas
analisou-a de uma o ma mais gene alizada enquan o pa e das escolhas polí icas e de
como se az a polí ica, que são em úl ima análise escolhas ideológicas. Nes e sen ido
conside ou-se a ques ão da na u eza ideológica do pa ido, a e olução das suas
o ien ações p og amá icas e especi icidades ela i as ao uncionamen o in e no e à sua
es u u a pa idá ia.
Como pa ido-mo imen o in luenciado pelas co en es de “no a esque da” e da
“no a polí ica” que o p ecedem, e da qual o Bloco ao longo dos anos em indo
p og essi amen e a ans o ma , sendo no ó io a pa i de 2005 uma maio
ins i ucionalização e cen alização ap oximando o Bloco ao pe il dos pa idos
adicionais, p óximo do modelo de “pa ido de massas”. De aco do com alguns es udos
(Lisi, 2011b; Ma ch e F ei e, 2012) a cons a ação an e io coincidiu com uma maio
mode ação ideológica, ap oximando o pa ido de uma posição ideológica mais mode ada
106
e uma c escen e impo ância das emá icas ma e ialis as, em de imen o das posições pós-
ma e ialis as.
Também se disse ou sob e o ca ác e ideológico dos ade en es e dos elei o es.
Os p imei os, maio i a iamen e homens, de meia idade (36-64 anos), com uma ele ada
quali icação e g ande pa e secula es, onde mais de me ade se encon a emp egado e
pouco menos de me ade pe ence a sindica os, imiscuindo-se na ca ac e ização dos
segundos – os elei o es - que são um g upo ca ac e izado pela sua he e ogeneidade,
compos o não só po ope á ios e sindicalis as, mas ambém pelas classes médias
assala iadas, po es udan es, e mino ias (é nicas, sexuais, de géne o, e c.), e no os
mo imen os sociais. Sem esquece a impo ância do p ocesso de o mulação do seu
mani es o/p og ama elei o al, que é in insecamen e ideológico, an o a o ma como é
ei o mas sob e udo no con eúdo que nele se encon a, um p ocesso que a ia mas é na
maio ia das ezes delineado inicialmen e po um p ocesso cen alizado e que se ai
descen alizando p og essi amen e passado pelos ó gãos do pa ido, seguido de
con ibu os de den o e o a do pa ido endo em is a con ibui pa a o en iquecimen o
das polí icas nele inse idos, es as úl imas assen es numa de esa das causas da esque da,
socialis a, e com emá icas mis as (ma e ialis as e pós-ma e ialis as).
A aglu inação de o ças polí icas que o ma am o Bloco de Esque da ize am
con lui nes e a o polí ico adições de elha esque da com alo es ma e ialis as e de
no a esque da com alo es pós-ma e ialis as. De endem os se iços públicos, os di ei os
labo ais, o pleno emp ego, a jus iça social, ao mesmo empo que ad ogam um
ap o undamen o democ á ico, a igualdade de géne o, os di ei os LGBT, a ecologia, a
despenalização do consumo de d ogas, legalização dos imig an es, is o udo endo como
obje i o úl imo a u u a ci ilizacional com a o dem neolibe al igen e e a ans o mação
do mundo numa no a o dem mundial onde p e alece a democ acia, o socialismo e a
ecologia como ho izon e. É po isso um pa ido dema cada e assumidamen e Socialis a;
com um o e pendo ecologis a (ecossocialismo) onde acusa o modo de p odução
capi alis a de delapida os ecu sos disponí eis e de se um sis ema in insecamen e
insus en á el; eminis a socialis a, em con as e com as adições eminis as libe ais e
conse ado as, que coloca a ónica na emancipação das mulhe es e a igualdade da pessoa
humana no pa ia cado e no sis ema capi alis a que a i ma con ui a op essão das
mulhe es sob as elações económicas capi alis as, sendo que pa a alcança a emancipação
e a necessá io ul apassa as condições socioeconómicas; paci is a pois assen a na paz e
107
em uma pos u a de an i-mili a ismo, en ol endo-se con a a OTAN e os blocos mili a es,
de endendo que o in es imen o belicis a pode ia se canalizado numa po encialidade
social com o obje i o da melho ia das condições de ida dos po os; e in e nacionalis a
como iden idade do pa ido is o concebe em a emancipação pelo socialismo como um
p ocesso não apenas nacional mas in e nacional.
Num momen o his ó ico ca ac e izado pela c ise económica su gi am em
a iadas pa es do globo no os a o es de esque da, mui as das ezes adicalizada. É o
caso de Be nie Sande s nos Es ados Unidos da Amé ica, de Je emy Co byn no Reino
Unido, do Podemos em Espanha, de Jean-Luc Mélenchon e o La F ance Insoumise em
F ança, a i ó ia de And és Ob ado no México, do Sy iza na G écia, e de an os ou os
que puse am em causa o s a us quo nacional, egional e global. O Bloco de Esque da em
Po ugal ambém eno ou a sua o ça elei o al, jun ando-se a es e acon ecimen o
globalizado de esque da. Du an e es e pe íodo da c ise económica o seu discu so al e ou-
se, ado ando no os con o nos e ca ac e ís icas. De e idencia um populismo de esque da
de o e con es ação às o ças económicas dominan es, de pendo an ieli is a e po ezes
an issis émico; sem esquece que em 2014 es e a i ma en a numa no a ase e a pa i
daí passa a e uma isão mais “nacionalizan e”, com um maio desc édi o da União
Eu opeia e das suas ins i uições, mas ambém da impossibilidade de uma e o ma
ins i ucional endo em is a um eu opeísmo de esque da.
Passados 20 anos de exis ência do Bloco de esque da, pela sua inicia i a
legisla i a e ação social causa am um começa de no o no país, uma mudança ainda
incomple a que o Bloco p e ende comple a como o ça emancipa ó ia e de esque da com
o in ui o de acaba com a ba bá ie e chega à ci ilização.
No u u o con inua á a se pe inen e o es udo des e a o polí ico, is o não só
e ans o mado a ealidade polí ica nacional, como ep esen a hoje um dos maio es
pa idos nacionais. É po isso p eciso es udos mais di e si icados e de alhados endo em
is a o ap o undamen o da esque da adical em Po ugal e do Bloco de Esque da. Apesa
de e ganho uma c escen e a enção po pa e de in es igado es, o Bloco é ainda um
pa ido pouco explo ado. Se ia impo an e disse a sob e as suas polí icas públicas e
igualmen e um oco de alhado sob e a sua his ó ia, p incipalmen e ao ní el da
o ganização in e na, dando uma maio ele ância ao es udo das suas co en es in e nas,
uma das maio es on es ideológicas do pa ido. Além disso, se ia in e essan e examina
a é que pon o as o ien ações e compo amen os dos di igen es pa idá ios são cong uen es
108
com as p e e ências dos mili an es de base. Finalmen e, uma compa ação mais
sis emá ica en e o Bloco e ou os pa idos da esque da adical na Eu opa pe mi i ia
iden i ica as especi icidades des e pa ido e comp eende melho as suas in e ações com
ou as o ças da mesma amília pa idá ia, em pa icula na a ena sup anacional.
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Anexos:
Figu a 6: Núme o de o an es na Esque da Radical nas eleições legisla i as, en e 1980 e 1999, em
Po ugal. Em 1980 o am conside ados: APU, OCMLP PCTP/MRPP, POUS/PST, PSR, PT, UDP; em
1983: APU, LST, OCMLP, PCTP/MRPP, POUS, PSR/UDP, PC(R); em 1985: APU, PC(R), PCTP/MRPP,
POUS, PSR, UDP; em 1987: CDU, MDP/CDE, POUS, PSR, UDP; em 1991: CDU, FER, PCTP/MRPP,
PSR, UDP; em 1995: MUT, CDU, PCTP/MRPP, PSR, UDP; e em 1999: BE, CDU, POUS, PCTP/MRPP.
Fon e: h ps://www.cne.p /con en /eleicoes- e e endos
1315030
1155769
1058197
853967
630102
621352
663501
1980 1983 1985 1987 1991 1995 1999
ESQUERDA RADICAL
Esque da Radical
135
o ças polí icas de ou os países que são di e en es do Bloco e mais da adição comunis a.
Não emos pa idos i mãos, emos p imos: a Esque da Nó dica, po ai.
Quais o am os momen os mais di íceis na e olução ideológica do Bloco?
Eu acho que o momen o mais complicado oi aquela con enção em que os esul ados
inais, meio po meio e po an o isso exigiu da pa e de mui a gen e, mas sob e udo da
di eção exigiu uma capacidade g ande de ol a às o igens da ambição uni á ia in e na, e
po an o isso oi mais do pon o de is a in e no que ou a coisa mas e iden emen e não
es e e desligado de algumas sensibilidades di e en es do pon o de is a ideológico, e logo
a segui eio a oika e o go e nos das di ei as que se enca ega am de ambém de
edi eciona o oco e mobilização pa a coisas pa a coisas essenciais. C eio que esse
momen o complicado oi esol ido com sabedo ia e hou e mui a gen e que se en ol eu
com abalho pacien e de consolidação de pon es e de laços que oi mui o impo an e. A
ase oika, Passos Coelho e Paulo Po as é uma ase de maio acilidade de in e enção
polí ica, po que é o con as e adical em que a mobilização é mui o e iden e os ocos de
mobilização são mui o cla os. Sim em alguns momen os da aje ó ia eu opeia há
necessidade de de inição que não são áceis, a ques ão designadamen e nessa al u a a
ques ão do eu o oi uma ques ão complexa e, po an o, a a inação do discu so que
pe mi isse assumi con as es cla os sem pe de o pé do pon o de is a á ico não é nada
ácil. Penso que os momen os mais complicados são p ecisamen e esses. [Foi um
momen o complicado, já não é? Em elação ao Eu o?] Con inua a se na exa a medida em
que udo aquilo que de sen ido c i ico dissemos ela i amen e ao eu o enquan o ícone de
uma o dem económica eu opeia que condena necessa iamen e as economias pe i é icas
(pe i é icas den o da UE) a e uma posição subal e na a e a des alo ização in e na
como única es a égia possí el dado que numa união económica mone á ia não há
cunhagem de moeda e não há banco cen al p óp io, não há possibilidade de
des alo ização unila e al, as des alo izações dos cus os de abalho das ba ei as
ambien ais do que seja udo isso con inua. Há um momen o em que is o assume con o nos
mais d amá icos e, po an o, é o momen o em que Po ugal, como nos países sob
in e enção, es e deba e se o nou mais na o dem do dia, ele con inua aí na e dade. [Ou
seja, alguns deba es o am ul apassados ou os que con inuam a se mo i o de deba e]
Sim, es ão aí. Alguns man êm-se como ques ões de undo em a e p ecisamen e com
qual é o papel que a economia po uguesa pode e e a sua inse ção na eu opa e no mundo
e como isso de e mina depois cons angimen os em e mos in e nos pa a maio jus iça
social e di ei os sociais, esses deba es são deba es de longa du ação e depois há deba es
de meno du ação que são mais ou menos esol idos.
Como cos uma se ei o o p og ama polí ico do Bloco? Quem pa icipa? / Quais os
p incipais in e enien es? Qual o papel da di ecção, dos memb os e es u u as de base?
Uma coisa é o p og ama elei o al e, po an o, o conjun o de p io idade que numas
eleições legisla i as ap esen amos ao elei o ado, que é um p og ama conjun u al, uma
espos a conjun u al. Em 2015 e em 2019 o Bloco ap esen a x p io idades, emos po
adição não ap esen a p og amas elei o ais que sejam lençóis, ou cabaz de comp as,
onde amos a udo. (…) Ou a coisa é em cada con enção a moção de o ien ação polí ica
136
que é basicamen e o p og ama que de ini á a ação do bloco no espaço en e con enções.
(…) As duas coisas êm p ocessos de cons ução di e en es. A moção pa a ap esen a a
uma con enção, cada lis a ap esen a a sua moção de o ien ação polí ica, is o é ei o pelos
mili an es que são mais a i os em cada moção que a cada momen o se ap esen a à
con enção. Ou a coisa é o p og ama elei o al que é o p og ama do pa ido in ei o que
p ocu a euni e mobiliza odas as sensibilidades e odas a co en es. O que oi ei o, e é
assim que é adicional aze é ha e um nucelo de pessoas que edigem um p imei o
esquele o, uma coisa mui o sumá ia mesmo a é em lashpoin s e que depois ai sendo
abalhado sec o ialmen e. Po exemplo no caso de 2019 nós abalhamos di e sas
p io idades, á eas p io i á ias e pa a cada uma delas hou e o con ibu o não apenas de
gen e do Bloco, mas a é de gen e o a do Bloco. (…) [Mas como é que chamam essas
pessoas?] Assim, assim mesmo. Gen e que sabemos que em p oximidade com o Bloco e
que ou as ezes se zangam mui o connosco. [Especialis as?] Sim. E po especialis as
pode que es dize coisas di e en es. Pode que e dize académicos, pode que e dize
a i is as de mo imen os, pode que e dize p o issionais en ol idos na á ea. Temos aqui
con ibu os mui o di e sos. Depois há necessa iamen e discussão dis o ao ní el dis i al
e, po an o, há assembleias dis i ais onde es as elabo ações já um bocadinho
amadu ecidas são colocadas pa a que os mili an es possam pa icipa . Quando ai pa a as
dis i ais já é algo mais obus o, mas ainda incomple o.
Que o ganizações/mo imen os se encon am hoje associados ao Bloco de Esque da? Que
in e enção êm na omada de decisão in e na?
(…) Mo imen os ou associações que em di e sos domínios, a UMAR no campo
eminis a, o SOS Racismo na lu a an i acis a, os p ecá ios in lexí eis na lu a dos
p ecá ios … [E a Colec i a no eminismo?] Sim. Ou as que aqui possamos encon a
onde mui a gen e do Bloco es á p esen e. Não são de odo b aços a mados pa a aquilo ou
aquelou o. O Bloco não em essa cul u a polí ica de di eção cen al de associações que
depois pa a cada se o di am a linha jus a do pa ido. Há uma espi ação comple amen e
di e en e. Depois há ambém uma ou a es u u a que é a Cul a. A Cul a é uma
associação de o mação polí ica, uma coope a i a de o mação polí ica, que p omo e
jus amen e deba es bas an e impo an es do pon o de is a p og amá ico e de inição
ideológica e onde há uma in e ace com a Bloco mui o p óxima. [O que é que o Bloco
em a ganha com es a en ol ido com esses mo imen os?] O Bloco em a ganha com
essa elação jus amen e po que o Bloco gene icamen e e desde a sua c iação olha pa a os
mo imen os sociais como os p o agonis as desejá eis da lu a polí ica no país. (…) O
Bloco é aquilo que oco e o a dele, en enda-se, uma lu a an i acis a pa a se o e p ecisa
de cong ega mui a gen e e gen e mui as ezes com agendas mui o di e sas. O Bloco em,
enquan o o ça polí ica, um en ol imen o que passa na u almen e pelas suas es u u as
locais, pelos seus mili an es dispe sos, en im o que seja, e olha pa a as o ganizações que
abalham nesse domínio como sendo aquelas que são in e locu o as p i ilegiadas pa a
essa ap endizagem, pa a esse deba e do que es á a acon ece e o que é necessá io p opo .
Não há essa e icalidade de uma ins ância cen al de na u eza pa idá ia que de e mina
qual é que de e se a condu a dos seus mili an es, mas amos lá e não somos anjinhos,
há uma discussão de como é que o bloco de e es a p esen e, cla o que há. Mas a elação
137
com os mo imen os (…) é uma elação mui o mais sol a do que p op iamen e uma elação
ins umen al. Essa não emos, não que emos e , e po aí ai. [Têm alguma in e enção
na omada de decisão in e na?] Não, são en idades au ónomas, e como al que exis em e,
po an o, o Bloco é ou a coisa. As pessoas que es ão nesses mo imen os azem pa a o
Bloco um conjun o de deba es, um conjun o de pe spe i as, um conhecimen o da
ealidade que é impo an e pa a as decisões do Bloco, mas enquan o al essas en idades
não exis em den o do Bloco.
Conside a as ações um a o impo an e na ida in e na do BE? Qual o peso das
di e en es acções na o mação da iden idade do Bloco? Quais as ações que exis i am no
Bloco? Quais as que exis em a ualmen e?
Fo am ex ao dina iamen e impo an es na ase de consolidação do Bloco. Eu acho que
sem essas co en es undado as, não só no momen o de c iação, mas depois ao longo do
p ocesso de consolidação do Bloco elas o am mui o impo an es. Elas con inua am a se ,
a é pela adição que inha de ás, pelas lealdades que es a am c iadas an e io men e. São
o que são. Fo am mui o impo an es no abalho de ce zidu a que oi ei o, como é na u al
num pa ido que nasce des a manei a. Ti e am um papel his ó ico undamen al. Eu c eio
que a sua econ igu ação que do PSR que da UDP, mos a que o nosso empo é um empo
di e en e. O que é pedido a es as edes p é-cons i uídas, e como al de em se
ap o ei adas no seu melho , que o papel que lhes é pedido já é di e en e. (…) Não podem
se pa idos den o do pa ido. E po isso é mui o impo an e que haja escolas de o mação,
que haja deba es de p oximidade do pon o de is a ideológico, ou do pon o de is a como
se ê um con li o in e nacional ou como se ê uma polí ica ambien al, ou o que seja. É
mui o impo an e que haja esse deba e, mas que ele depois con ibua pa a um deba e mais
la go, mais di e so e que, po an o, não haja enquis amen os. Po alguma azão eu não
aço pa e de nenhuma das co en es. Fiz pa e da PXXI, depois a as ei-me jus amen e
po causa dis o, ou seja, po en ende que es a a esgo ado o seu papel enquan o es u u a
e que o Bloco é uma en idade com uma iden idade p óp ia que espei ando a di e sidade
de pe spe i as não de e se e ém de pa óquias. [Falou-me em econ igu ações no PSR e
na UDP, que ipo de econ igu ações?] O PSR e a um pa ido, a UDP e a um pa ido e
compo a am-se como al. O PSR passou p imei o po uma coisa chamada APSR, uma
associação, e que depois acho que desapa eceu. Exis e hoje uma ou a coisa chamada
Rede An icapi alis a que é uma ede que em mui o a e com a i ismos locais e emá icos
e deba es dos seus memb os. A UDP, ela p óp ia deixou ambém de se pa ido polí ico
e depois e oluiu pa a a c iação de uma endência den o do Bloco que exis e como al a
endência Esque da Al e na i a e, po an o, c eio que aquilo que ou podendo obse a é
que não em aquela cen alidade que num de e minado momen o e e. Hou e uma
endência que eu p óp io ajudei a c ia , e e uma exis ência e éme a e que e a jus amen e
uma en a i a, no seu p opósi o undado , o F ancisco Louçã, o João Semedo e eu p óp io,
omos iniciado es de uma coisa chamada Tendência Socialismo e que p ocu a a se uma
o ma de acele a esse p ocesso de con igu ação das endências iniciais. A e dade é que
e a um bom p opósi o, mas não e e acolhimen o, que se o nou uma endência mui o
pa ecida com as ou as e apidamen e deixou de e sen ido.
138
Como e oluiu a posição ela i amen e à União Eu opeia no BE (é a a o de maio
ede alismo?)? É a a o de uma e o ma ins i ucional? Quais são as maio es di e enças
do BE ela i amen e aos es an es pa idos de esque da em Po ugal no que espei a à
UE?
Há um ma co de mudança de pe spe i a sob e a União Eu opeia. Esse ma co é a
in e enção de Po ugal po pa e da T oika onde a Comissão Eu opeia e o Banco Cen al
Eu opeu inham uma posição lide an e. A é en ão o Bloco oi enca ando a iabilidade de
um en ol imen o po den o das ins i uições eu opeias, ins i uições da União Eu opeia,
com a capacidade de jun a esse abalho ins i ucional a mo imen os sociais nacionais e
de escala eu opeia, que pe mi issem muda a o ien ação polí ica da União Eu opeia,
chamámos a isso “Eu opeísmo de Esque da”. Foi a exp essão que encon amos pa a
sin e iza es a pe spe i a. Os p essupos os dis o alha am. P imei o, mo imen os sociais
em escala eu opeia não acon ece am, não hou e essa capacidade de o ganiza
mo imen os sociais à escala eu opeia. Na sequência do Fó um Social Mundial en ou-se
c ia o Fó um Social Eu opeu, não oi p op iamen e uma expe iência mui o bem-
sucedida. Isso e i ou um dos pila es essenciais. Todas as con es ações que inham sendo
ei as às cimei as do G7, que o am oco endo ambém em capi ais eu opeias não
esul a am p op iamen e em g ande mo imen ação empolgan e e gal anizado a à escala
eu opeia e esse pila desapa eceu. E depois, a p óp ia União Eu opeia com digamos a
c iação da moeda única e com a a qui e u a ins i ucional, ju ídica e polí ica do modo
conc e o de uncionamen o da União Económica e Mone á ia enca egou-se de e i a
qualque eleidade de e o ma/al e ação/ eo ien ação das polí icas eu opeias. E, po an o,
isso o nou-se cla o - não que dize que não nos en ol amos em deba es que êm luga
nas ins i uições eu opeias, nomeadamen e no Pa lamen o Eu opeu, que podem da o ça
a de e minadas posições - mas não emos a ilusão de que no con ex o des a união
económica e mone á ia seja possí el uma eo ien ação e e i a das poli icas e po an o es a
ideia do Eu opeísmo de Esque da pe deu sen ido polí ico, o que signi ica que a nossa
posição ela i amen e a es a UE que em no seu cen o uma união económica e mone á ia
que en ol e dispa idade de posições mas ambém esul ados penalizado es pa a o mundo
do abalho e os se iços públicos nas económicas mais acas, es a UE é, do nosso pon o
de is a, um e eno que nos az mal. Há uma acen uação da pe spe i a c i ica sob e a UE.
Acho que há aqui dois momen os di e en es, de o ien ação polí ica di e en e. Em nenhum
deles há a a i mação de dogmas pe en ó ios de que de “ udo bem ou udo mal”, há um
clima des an ajoso, mas não desis imos de aze nessas ins âncias o que seja possí el.
[Qual é nes e momen o a solução do Bloco em elação à Eu opa?] A solução do BE em
elação à Eu opa é a de encon a as ligações (…) que pe mi am nas ins âncias eu opeias
lu a con a is o (…). As o ças que na Eu opa não se e eem na manei a conc e a como
a UE unciona e nos esul ados que as suas polí icas de e minam, essas o ças p ecisam
de es a unidas, mas a elação de o ças é o almen e des an ajosa pa a es e lado (…). O
que é que o Bloco p e ende pa a a Eu opa? P e ende ou a o ien ação, mas a elação de
o ças é comple amen e con á ia. Is o signi ica que a gen e desis e? P opomos a saída e
a nossa a i mação como aldeia gaulesa? (…) [Como se posiciona o BE em e mos de
polí ica in e nacional?] Nós emos ido um comp omisso de p incípio não com egimes,
139
mas com ealidades locais de abe u a do espaço dos di ei os humanos, is o signi ica
conc e amen e que nós não nos alinhamos em unção de p incípios ideológicos quando
esses p incípios ideológicos na p á ica acabam po unciona como chancela pa a p a icas
que nós conside amos comple amen e ep o á eis, seja na Venezuela, seja em cuba, seja
na china, ou seja em angola. A nossa de inição em e mos de polí ica in e nacional é a de
es a mos p óximos das ealidades locais onde as lu as pelos di ei os humanos ganham
exp essão e ganham peso. [Mais conc e amen e onde?] Onde que que seja. Não
di idimos o mundo no hemis é io dos bons e no hemis é io dos maus (…) não emos esse
ca álogo maniqueís a, que é mui o pouco igo oso nas suas escolhas, e as nossas escolhas
são p ecisamen e é a de es a mos p óximos que pela lu a pela au ode e minação no
Saha a Ociden al, como es i emos ela i amen e a Timo , ou das lu as pelas libe dades
essenciais onde elas são limi adas, seja onde o . [Quais são os pa idos da no a esque da
que pa ilham mais semelhanças com o Bloco nas ques ões in e nacionais? (ex.:
Podemos, Die Linke; F ance insoumise?)] Nós não emos pa idos i mãos no sen ido em
que es amos comple amen e de aco do. (…) Es a a a pensa no caso do PSOL no B asil
onde jus amen e há uma p oximidade g ande pelo ac o de se um pa ido da esque da
adical que em ido um papel mui o impo an e na esis ência ao Bolsona ismo e ambém
no dis anciamen o ace a uma ce a cul u a polí ica que es e e p esen e no PT. No caso
Eu opeu já alei do caso do Podemos, (…) o F ance insoumise oi/é, apesa das suas
idiossinc asias, em mui o a e com a pe sonalidade do Mélenchon, mas na e dade
hou e momen os de g ande ap oximação p ecisamen e numa al u a em que a nossa
elação com a UE ganhou con o nos de maio ad e sidade, po an o encon amos aí um
pa cei o nessa dimensão com a qual emos dis ancias g andes nou as coisas, depois há
ou os pa idos menos conhecidos que não êm a mesma impo ância dimensional: o
Pa ido Socialis a Holandês, em a e com a Esque da Nó dica, algumas co en es den o
do abalhismo b i ânico das quais nos sen imos p óximos, e há depois o Die Linke na
Alemanha da qual es amos bas an e p óximos (…) na Áus ia o que sucedeu ao pa ido
comunis a alemão que depois se jun ou aos e des é ambém uma o mação poli ica (…)
[Mas es abelecem con ac o?] Há con ac os bila e ais e há sob e udo encon os no
con ex o que do PE, que do Pa ido da Esque da Eu opeia, duma ede de o ganizações
polí icas, pa idos e mo imen os que é a T ans o m Eu ope, que é jus amen e uma
pla a o ma que eúne pa idos da esque da adical onde o Bloco es á p esen e e, po an o,
são espaços de encon o com p oje os conc e os e com diálogos emá icos, onde es amos
de ce a o ma p esen es.
En e is a 2: ealizada a 10 de se emb o 2021 às 15H, ia Zoom
Em e mos sin é icos, diga-me como su giu o Bloco de Esque da?
O Bloco de Esque da nasce depois de um pe íodo de longa a essia do dese o po
pa e de o ganizações da esque da adical mui o con on adas com a impo ência pa a
en en a a conjun u a undamen almen e a pa i dos anos 80 e ambém dos anos 90.
Digamos que o p ocesso que ca alisou o apa ecimen o do Bloco de Esque da em que e
com dois aspe os p incipais, em e mos de acon ecimen os mais ma can es. Um deles é a
140
ques ão de Timo -Les e e odo o abalho de solida iedade que se desen ol eu nos anos
90 e o ou o acon ecimen o é a di iculdade em a i ma a campanha pela in e upção
olun a ia da g a idez que az com que se o es adicais do espe o poli ico que inham
i ido in ensamen e em di e en es o mações e debaixo de di e en es pe spe i as o PREC
e inham en en ado oda a essaca pós-25 de No emb o, e a pa i dos anos 80 e do
p ocesso de adesão à Eu opa e dos go e nos do Ca aco Sil a, en im udo isso, e que
baseados em expe iencias elei o ais bas an e énues e acas acaba am po a ança com
es e p ojec o que jun a undamen almen e 3 o ganizações e um conjun o de independen es
que êm alguma exp essão embo a mais ino gânicos. E es a é a o igem do Bloco. Uma
o ganização que em 1999 em 2000, em 2001 e em 2002 ninguém lhe da a g ande empo
de ida(…) mas o que é ce o é que se soube encon a nas di e enças cul u ais dos se o es
que o cons i uí am e nas sensibilidades di e en es de enca a essa essaca, o que é ce o é
que ao longo des es 22 anos quase, oi possí el man e uma o ganização que hoje, en im,
seguindo es es c i é ios mais adicionais de ep esen ação polí ica é a 3ª o ça poli ica
nacional. Que é uma coisa su p eenden e na Eu opa Ociden al e que e e um e ei o
impo an e nou os países e no p ocesso de ag upamen o da esque da adical nou os
países (…).
Enquad a o BE como No a Esque da?
Não sei bem o que é a No a Esque da. Em momen os di e en es alou-se de no a
esque da, (…) é undamen almen e uma cons ução de e o ica que em desde o inal dos
anos 6 onde há necessidade de dema ca um campo que do pon o de is a cul u al e
ambém ideológico se cons ói à esque da do PCP, sendo que esse espaço é po sua ez
um espaço comple amen e plu al, di e so. Não se se pode ala de ac o numa No a
Esque da. Há de ac o uma en a i a de a i mação, de con igu ação e econ igu ação à
esque da do PC que em p eocupações no as em di e en es aspec os conc e os e daí essa
designação, mas c eio que ai apa ecendo sis ema icamen e em unção da a i mação e da
desag egação dessas expe iências que o am oco endo ao longo dos anos. O Bloco é uma
o mação de Esque da, é uma o mação Socialis a ainda que enha no seu seio gen e que
se a i ma do Comunismo, de um socialismo adical, gen e que se a i ma de uma social-
democ acia de esque da, gen e que em uma libe ação libe á ia mais incada e gen e
que é um pouco eclé ica do pon o de is a da sua a i mação ideológica (…). É de ac o
um espaço plu al. [É um pa ido da esque da adical?] Isso é uma pe gun a complicada.
Nasce como um pa ido da Esque da Radical mas o p ocesso de ap oximação às es u u as
do pode e a di iculdade em sis ema iza o que é que é a e olução nos dias de hoje az
com que hoje (…) enho alguma di iculdade em dize pe en o iamen e que Bloco é uma
o ganização da Esque da Radical. É uma o ganização adical, acho eu, é uma o ganização
que co e o isco da social-democ a izaçao enca ando es e aspe o como o da ap oximação
às es u u as da democ acia ep esen a i a e à subs i uição do eixo undamen al da sua
a i idade do abalho de massas pa a o abalho ins i ucional e isso na u almen e, alo em
social-democ a izaçao des e pon o de is a, ao con a io daquela elha cul u a pe deu-se
em nome da conjun u a e da co elação de o ças mais a o á el, co e-se hoje um pouco
a endência a acha que o que é undamen al é a lu a ins i ucional e que não há condições
pa a a lu a poli ica de massas. Nesse quad o que eu alo em social-democ a izaçao com
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aspas. Cla o que is o em depois mui as implicações e é complexo, po exemplo como se
de e enca a odos es es apelos e a es es can os de se eia de negociação com o PS, à
ge ingonça, a coisas des a na u eza, is o le an a p oblemas que são p oblemas
complicados, p incipalmen e no momen o como o de hoje em que assis imos a
despedimen os, a ees u u ações em g andes emp esas que le am ao despedimen o de
milha es de abalhado es, e em se o es como a banca, oda uma se ie de oda uma se ie
de se o es, eja-se o caso da TAP, da Al ice, casos dessa na u eza e isso le an a p oblemas
de como é que en e e isso. A negociação com o PS é su icien e pa a aze en e a is o
ou emos de e uma ese a de ene gia mui o o e pa a que nes as condições di íceis
desen ol e ações que sejam ações com dinâmica social, que enham as pessoas na ua,
no undo que mobilizem e que in e enham pa a lá das es u u as da democ acia
ep esen a i a (…). É a lu a de classes no undo. (…) Eu es ou a dize que a espos a à
si uação a ual e os apelos à negociação e os e ei os da negociação ao ní el pa lamen a
êm endência a subs i ui o papel da lu a de massas pelo papel da lu a ins i ucional em
nome da co elação de o ças e é a isso que eu chamo o p ocesso de social-
democ a ização, não es ou a dize que o Bloco se es á a social-democ a iza (…).
Que ideologia ou ideologias polí icas en o mam o BE?
Eu acho que o Bloco não em ideologia. [O Socialismo po exemplo?] Que dize nós
quando alamos do Socialismo (…) o pensamen o socialis a é uma a o e ondosa que
em múl iplos amos e, po an o, cada um desses amos co esponde a uma co en e a uma
sensibilidade que se eclama do socialismo, mas que (…) a o ma de o aze , como lá
chega , os con o nos conc e os isso são mui o di e sos e o Bloco e le e isso mesmo. Se
olha pa a a eli e do Bloco, a eli e di igen e do Bloco, não ejo g ande coesão ideológica
nessa eli e, ejo a capacidade de cons ui pla a o mas de en endimen o em cada momen o
conc e o, mas isso não co esponde a um e eno comple amen e sedimen ado, coe en e,
único. Não, isso eu não ejo de manei a nenhuma. (…) É p eciso ul apassa
comple amen e po exemplo a he ança es alinis a po um lado, a he ança o skis a po
ou o, as he anças que o am semp e mino i á ias à esque da e que hoje êm um ce o
ascínio: a he ança luxembu guis a, a he ança no undo dessas co en es mais mino i á ias
(…) Não há uma ideologia, não é possí el ala de uma ideologia e se nós epa a mos, a
eli e di igen e do Bloco não que aze isso, não que apu a a ideologia po que sabe que
se apu a a ideologia e se le a essa discussão a um ní el mui o ap o undado isso é um
a o de di e enciação e de o u a. É po isso que não há p op iamen e uma ideologia, é
socialis a, com odos os amos dessa al a o es ondosa aí mis u ados. [E quais são essas
he anças?] Tem uma he ança que em do PC, ou a que em do mo imen o ma xis a-
leninis a, em uma he ança que é o skis a, em essas he anças e são essas he anças (…)
Dizia-se que o Bloco inha desen ol ido no seu seio a ese que e a a ese da Hegemonia
Pa ilhada, não e a a ese de uma hegemonia única, não e a a hegemonia de uma co en e
mas e a a pa ilha que se consubs ancia ia a a és de encon a di e en es pon os de
equilíb io e di e en es pla a o mas de aco do e de en endimen o em unção da e olução
das conjun u as e po isso lhe chama am hegemonia pa ilhada. C eio que e a uma ideia
que o G amsci ambém desen ol e, mas que se aplica ia ago a aqui a es a si uação
conc e a. (…) Nunca pe enci a esse núcleo mais es i o do Bloco e, po an o, enho uma
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ideia de como é que isso unciona á (…) [Mas pe enceu à Mesa Nacional] Sim, pe enci
à Mesa Nacional du an e mui os anos, mas a Mesa Nacional não decide coisa nenhuma
no Bloco. É uma igu a o mal, es a u á ia. [Quem é que decide? É a Comissão Polí ica?]
Mui as ezes nem é a Comissão Polí ica (…). Es e equilíb io en e basicamen e duas
co en es den o do Bloco que é a co en e da Esque da Al e na i a que é aquela que em
da maio ia da UDP, e a co en e [Rede] An icapi alis a que em daquilo que oi o PSR,
depois da saída da Polí ica XXI, que já em uns anos bons, ica am como as duas co en es
que p ocu am esse equilíb io. São di e en es cul u almen e. P o a elmen e a a essa am
p ocessos de ap oximação po es a e lexão i ida, mas que êm necessidade de encon a
equilíb ios. (…) Ve i ica á que den o do Bloco há uma espécie de a ado de To desilhas
que di ide as es u u as, os se o es po es as co en es (…), udo is o é negociado e
equilib ado ao milíme o (…). Do meu pon o de is a, há mui o empo, (…) em que não
ha ia p a icamen e oposições o ganizadas, endências de oposição, coisas dessas, e aquilo
que se de endia naquela al u a (…) o Bloco p ecisa de ul apassa a ase da ede ação de
g upos pa a se o na um pa ido com uma logica de uncionamen o in e no no mal, em
que se elege uma es u u a, quando se cons i ui uma lis a au á quica (…) escolhe-se pelo
mé i o, pela capacidade, po essas coisas e não po que pe encem a uma ou a ou a
co en e. [Mas isso en ou-se aze com a Tendência Socialismo] A endência socialismo
é ou a coisa. A endência Socialismo é uma espécie de xeque-ma e à Esque da
Al e na i a. Se o a e o momen o onde hou e uma maio democ a ização do pon o de
is a dos es a u os e do uncionamen o in e no oi p ecisamen e, c eio que em 2014,
quando a maio ia se di ide. Há mais moções, mas as duas p incipais co en es es ão
di ididas. Há uma en a i a de ag upa os an icapi alis as, en im o PSR, e oda uma sé ie
de gen e, o que es a a da PXXI e os independen es, incluindo a Ca a ina [Ma ins], na
co en e Socialismo, e depois ha ia a co en e da Esque da Al e na i a. (…) A pa ilha
do pode in e no do Bloco e e de se democ a izada.
Quais os deba es mais impo an es que ma ca am a iden idade ideológica do Bloco?
A Eu opa é um p oblema complicado. A é po que a posição do Bloco e oluiu em
e mos da Eu opa. Mas há ques ões que êm de e com as p óp ias causas que o Bloco
de ende. Hoje qual é que é o papel do abalho nas ques ões elacionadas com o abalho
den o do Bloco. Como é que se az o equilib o en e “no as causas”, a ques ão do
acismo, a ques ão LGBTI, coisas des a na u eza com as ques ões do abalho. Depois a
ques ão de sabe como é que se enca a o Pa ido Socialis a. São ques ões que oçam a
ideologia, que o mos depois e i a camada a camada amos e que apesa das
p eocupações climá icas, apesa das p eocupações ambien ais apesa de udo is o ainda
há se o es no bloco que são mui o he dei os daquela elha eo ia do socialismo eal que
o que e a p eciso e a p odu i ismo, indus ialização a odo o apo coisas dessa na u eza,
colide na u almen e com as ques ões ambien ais e com os p oblemas das al e ações
climá icas. A ques ão que hoje se poe não é dize is o de e se b anco ou is o de e se
p e o, é sabe como é que udo se encon a num pon o de equilíb io que co esponda à
e olução da p óp ia ealidade mundial. Também há aqui ou as que êm de e com
ideologia, sendo ques ões de o ganização êm de e com ideologia. Qual é o modelo de
pa ido que que emos? É um pa ido cen alizado ou um pa ido descen alizado? Onde é
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que de e adica e e i amen e o pode ? De e adica no sec e a iado, na elha adição
leninis a, ou de e adica em mesas amplas, em p ocessos de auscul ação pe manen e à
base, no incen i a no p ocesso de decisão que êm debaixo pa a cima e que não são de
cima pa a baixo. Valo ização do abalho local. In e enção no mundo do abalho. Coisas
des a na u eza. Is o udo em implicações ideológicas. [Os deba es his ó icos que
iden i ica é a ques ão da eu opa, a ques ão ap oximação ao PS] Esses o am os g andes
deba es desde 2014, o am os p incipais deba es, ago a es á-se a le an a mui o a ques ão
do abalho: a p eca iedade e o p oblema da edução dos di ei os labo ais (con a ação
nas emp esas, a con a ação cole i a, o p oblema das condições de abalho, o p oblema
das lexibilidades, o abalho po u nos, coisas des a na u eza), ou seja, a ques ão do
abalho numa pe spe i a mais ala gada. (…) Quando é que es as ques ões começam a
ganha peso? O Bloco em um p ocesso de c escimen o que é um p ocesso de c escimen o
con inuo, e depois ali em 2011 acho eu em uma queb a mui o g ande. Essa queb a, aquilo
que lhe ala a há pouco do socialismo de ha e duas moções … a di eção di ide-se e
ap esen a duas moções dis in as, o Bloco digamos assim, o Bloco da di eção. Isso em
de onde? Vem do p ocesso de queb a elei o al. É no undo a necessidade de esponde ,
uma espécie de sob essal o que esul a daí, dessa queb a elei o al, e que az pa a cima da
mesa um conjun o de p oblemas, um conjun o de emas, um conjun o de assun os que
depois cla o se ai complexi icando a coisa e há gen e que ai cons i uindo polos
o gânicos (mui as ezes nem são o gânicos, são meio in o mais) in e nos de discussão,
de pon os de is a. [Qual a impo ância das acções nesses deba es?] Há cla o, isso é
e iden e. Do pon o de is a ideológico quem mais em p ocu ado p oduzi ideologia é o
ancisco loução, não pe encendo a nenhum ó gão do Bloco, e é o Luís Fazenda que êm
de amílias di e en es, como e a o Miguel Po as. E o seg edo do Bloco es a a na
capacidade de a iculação dis o. Is o pode signi ica decisões únicas, mas po baixo dessas
decisões únicas es ão ensões mui o o es (…).
Como é ei o o deba e ideológico den o do pa ido?
Há mui o pouco deba e den o do Bloco. Nes e momen o o deba e e a decisão são
ei os ao ní el do sec e a iado do Bloco e do g upo pa lamen a . A p óp ia comissão
polí ica em (…) esses ó gãos são ó gãos a ualmen e es aziados de capacidade de decisão.
Os documen os que ão a esses ó gãos ou não chegam ou chegam em cima da ho a, e não
dão empo de p epa ação su icien e e não dando empo de p epa ação su icien e signi ica
que há um desequilíb io mui o g ande na in e enção. Is o a o ece compo amen os de
g upo (…) [O que me es á a dize é que os memb os, as es u u as de base, as concelhias
ou as dis i ais, não êm uma in luência no deba e ideológico den o do Bloco?]
Comple amen e cen alizada. É uma conceção de pa ido an iga. É no undo o ascínio de
que um bom jogo de cin u a com os media pe mi e boas p esenças ele isi as e que essas
p esenças ele isi as são susce í eis de mobiliza elei o ado e de mobiliza o cole i o de
ade en es (…) Cada ez mais um pa ido adicional. Onde é que es á a escu a hoje de
mui os ca azes e de mui a campanha/p opaganda que oi ealizada nos p imei os anos do
Bloco? Não es á. Nós olhamos hoje pa a a p opaganda do Bloco e é uma p opaganda
es e eo ipada. Não há asgo, não há ousadia. Pe deu-se a escu a em nome da
ins i ucionalização. (…)
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Quais são os aços ideológicos que conside a ma ca o Bloco em elação a ou os pa idos
de esque da?
Começa po ha e uma ques ão de escala. É mais ácil ha e um ade en e ou um g upo
de ade en es que oma uma posição polí ica que e di e gen e da di eção no Bloco do que
nou os pa idos. Nos ou os pa idos é uma coisa ex ao diná ia. A ques ão do
cen alismo pode exis i , mas é ques ionada. Há p ocessos o mais que do pon o de is a
es a u á io não exis em nou os pa idos. Um pa ido que p ocu ou cons ui -se com
ca ac e ís ica dis in as dos ou os pa idos, mas que hoje em p oblemas de
di e enciação… a é pe an e as pessoas. (…). Não é mui o cla o pa a as pessoas que o
Bloco é um pa ido di e en e. São odos iguais. (…) O p oje o inicial e a de cons ui uma
coisa di e en e. Uma coisa que i esse ida p óp ia, que i esse dinamismo, que i esse
maio a e nidade in e na (…). [E em elação a ou os pa idos da esque da adical na
Eu opa?] Eu hoje enho di iculdade po que pe di um pouco esse io. Acho que o p ocesso
do Sy iza oi um p ocesso e í el e p o ocou cli agens nessa esque da eu opeia an i-
aus e i á ia e an i-neolibe al mas hoje con esso que enho algumas di iculdades em
pe cebe onde pa am esses pa idos, o Die Linke no caso da Alemanha, a esque da do
Mélenchon em F ança, como es á a si uação em Espanha no Podemos e se nos
lemb a mos há qua o anos, ês anos ou cinco anos is o e a um bloco de pa idos ao ní el
eu opeu. Ao ní el do pa ido de esque da eu opeia consul a am-se, hoje con inua a exis i
o PEE e a ede T ans o m, mas não se ê que isso enham um dinamismo cole i o, de
g upo dos á ios pa idos. Bas a olha pa a a X con enção em 2016 e a XII em 2021 pa a
aqueles comícios que são os comícios de abe u a da con enção e é e quais são os
pa idos que lá es ão ep esen ados. Es a ago a em 2021 e e o Bloco Nacionalis a Galego
sal o e o. En ão e os ou os? Se não es ão po que é que não es ão?
Quais o am os momen os mais di íceis na e olução ideológica do Bloco?
Acho que o momen o mais di ícil é o momen o quando se pe de me ade do g upo
pa lamen a . É aí que es á o momen o mais di ícil. Po que a ques ão da ge ingonça é
ela i amen e paci ica, e é ela i amen e paci ica in e namen e seja uma coisa um bocado
complicada. Po que no undo como se sabe em 2015, naquele celeb e deba e en e a
Ca a ina [Ma ins] e o An ónio Cos a, a Ca a ina lança aquele ep o e o An ónio Cos a
não se põe o a de jogo, e o PC já o inha p opos o. Es a am ali lançadas as condições
pa a a ge ingonça. Den o do Bloco isso não le an ou p oblemas. E a é po que a p óp ia
conjun u a e a uma conjun u a e a uma conjun u a di ícil po que se saia de um ciclo de
go e no de di ei a da T oika e e a p eciso basicamen e epo endimen os e essa
pla a o ma mínima de epo endimen os cong egou de ac o (…) só depois é que se
começou a e as insu iciências disso. A negociação da 2ª ge ingonça já o deba e oi mais
complicado den o do bloco e ago a con inua a se . Alguma con es ação em elação ao
Bloco se abs e ou o a a o a elmen e o çamen os ge ais do Es ado e am o çamen os
que não aqueciam nem a e eciam depois da eposição dos endimen os. Naquele
momen o, em 2015, isso aí não hou e p oblema nenhum ainda que um ano an es, aqueles
que de endiam (como eu), que e a p eciso e maio maleabilidade á ica em elação ao
PS pa a con on a a base elei o al do PS com a sua p óp ia polí ica e amos acusados de