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Teletrabalho em, tempos de pandemia: ressocialização ou degradação do processo e significado do trabalho? Um caso de estudos em duas empresas multinacionais em Portugal

Correia, Mariana Martins

Abstract

Este trabalho pretende observar a implementação do teletrabalho enquanto medida de segurança obrigatória durante os vários períodos de confinamento em 2020 e 2021, partindo do caso de estudo de duas empresas multinacionais portuguesas, a Vitacress e a Logoplaste, assente num vasto conjunto de entrevistas realizadas via Teams. Pretende perceber quais as intenções, opiniões, mudanças e vivências esperadas, daqui para a frente, na experiência do trabalho submetido a este regime à distância. Mais concretamente, este estudo pretende complexificar as profecias de que a pandemia veio trazer uma ‘nova realidade’ laboral e social, tentando perceber se a crescente implementação do teletrabalho em tempos de pandemia tem, de facto, promovido uma ‘ressocialização’ ou uma ‘degradação’ do processo e significado do trabalho.

Full text

Tele abalho em empos de Pandemia: Ressocialização ou Deg adação do P ocesso e Signi icado do T abalho? Um Caso de Es udo em duas Emp esas Mul inacionais em Po ugal Ma iana Ma ins Co eia Disse ação pa a a ob enção de G au de Mes e em An opologia, á ea de especialização em Cul u as Visuais O ien ado : P o esso Dou o João Leal No emb o de 2021 Ag adecimen os An es de udo, gos a ia de ag adece a odos os memb os da Vi ac ess e da Logoplas e que acei a am pa icipa nas en e is as p opos as e o na am es e abalho possí el. Fico g a a pela simpa ia com que me acolhe am e me con ex ualiza am sob e as suas idas e dinâmicas p o issionais e pessoais, apesa de odas as ba ei as que impedi am um abalho de campo mais p esencial. Ag adece ao P o esso João Leal que me em acompanhado desde o inal da minha Licencia u a em His ó ia da A e e que, mais uma ez, ol ou a e uma p esença con ínua no meu abalho. Um g ande ob igado po oda a pa ilha, paciência e en eajuda. Aos meus pais e à minha i mã, que semp e me apoia am ao longo des a a en u a. E, po úl imo, deixo aqui a minha eno me g a idão ao Hugo que, apesa de es a longe, conseguiu se semp e o meu po o de ab igo. A odos, um g ande ab aço. Resumo Es e abalho p e ende obse a a implemen ação do ele abalho enquan o medida de segu ança ob iga ó ia du an e os á ios pe íodos de con inamen o em 2020 e 2021, pa indo do caso de es udo de duas emp esas mul inacionais po uguesas, a Vi ac ess e a Logoplas e, assen e num as o conjun o de en e is as ealizadas ia Teams. P e ende pe cebe quais as in enções, opiniões, mudanças e i ências espe adas, daqui pa a a en e, na expe iência do abalho subme ido a es e egime à dis ância. Mais conc e amen e, es e es udo p e ende complexi ica as p o ecias de que a pandemia eio aze uma ‘no a ealidade’ labo al e social, en ando pe cebe se a c escen e implemen ação do ele abalho em empos de pandemia em, de ac o, p omo ido uma ‘ essocialização’ ou uma ‘deg adação’ do p ocesso e signi icado do abalho. Pala as-Cha e: Tele abalho; C ise; Co id-19; Mul inacionais; Ressocialização; Deg adação Abs ac This wo k aims o obse e he implemen a ion o elewo k as a manda o y secu i y measu e du ing he a ious pe iods o con inemen in 2020 and 2021, aking as example he case s udy o wo Po uguese mul ina ional companies, Vi ac ess and Logoplas e, based on a wide ange o in e iews ca ied ou ia Teams. I in ends o unde s and he in en ions, opinions, changes and expec ed expe iences, om now on, in he expe ience o wo k submi ed o his dis ance egime. Mo e speci ically, his s udy in ends o complexi y he p ophecies ha he pandemic has b ough a 'new eali y' o wo k and socie y, ying o unde s and whe he he inc easing implemen a ion o elewo k in imes o pandemic has, in ac , p omo ed a ' esocializa ion' o a 'deg ada ion ' o he p ocess and meaning o he wo k. Keywo ds: Telewo k; C isis; Co id-19; Mul ina ionals; Resocializa ion; Deg ada ion Símbolos Ө - Homem ▲- Mulhe No a: Po uma ques ão de p i acidade e con idencialidade, não se ão pa ilhados os nomes dos en e is ados. Se á apenas iden i icado o géne o - consoan e os símbolos acima indicados - e a ibuído um núme o. A a ibuição do núme o co esponde me amen e à o dem em que cada en e is ado apa ece ci ado ao longo do ex o. ÍNDICE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1 PLANO DE TESE ......................................................................................................................... 2 I. ENQUADRAMENTO ............................................................................................................... 4 I.I Con ex o Pandémico ............................................................................................................. 4 I.II Casos de es udo ................................................................................................................... 7 I.III Me odologia ..................................................................................................................... 11 II. REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................................. 13 II.I Te mos, de inições e mensu ação .................................................................................. 13 II.II Deslocações casa- abalho e a malha u bana ............................................................. 19 II.III Cul u a o ganizacional e a ges ão dos ele abalhado es ........................................ 20 II.IV Sociabilidades no âmbi o do ele abalho e isolamen o ............................................ 23 II.V Pe meabilidade das on ei as en e ‘casa’ e ‘ abalho’: impac o indi idual e amilia ................................................................................................................................... 29 II.VI Es udo do ele abalho em Po ugal .......................................................................... 31 II.VII Falhas eco en es no es udo do ema e di eções u u as ....................................... 35 III. TELETRABALHO E AS ORGANIZAÇÕES ................................................................. 39 III.I. Tele abalho enquan o eme gência sani á ia ............................................................ 39 III.II. No os Regimes de Mo imen ação, de Higiene e Polí icas de Apoio ....................... 41 III.III. No os Modos e Hábi os de Comunicação ............................................................... 44 III.IV. Dinâmica en e e den o das equipas ...................................................................... 50 III.V. Repensa Modos de Supe isão e o Dilema da ‘Con iança’ ................................... 52 III.VI. Rep esen ações do abalho e do abalhado po uguês ...................................... 54 III.VII. Telemig ação, au oma ização e obo ização ......................................................... 61 IV. TELETRABALHO, CASA E A FAMÍLIA ...................................................................... 65 IV.I. Renegociações e Adap ações dos Espaços da Casa .................................................... 65 IV.II. Diluição dos Ho á ios e uma P odu i idade Ambígua ............................................ 71 IV.III. Tele abalho e o Cuida dos Filhos: C ianças e Jo ens em Con inamen o ......... 74 IV.IV. Tele abalho e Géne o ............................................................................................... 81 V. TELETRABALHO E SOCIABILIDADES ....................................................................... 88 V.I Al e ação dos pad ões de mobilidade e implicações espaciais .................................... 88 V.II Local de abalho enquan o espaço de sociabilização e a in eg ação de no os memb os na emp esa em egime de ele abalho ............................................................... 93 V.III Relações en e colegas: “esc i ó io como pa ada de compo amen os”? ............... 97 V.IV A impo ância social das con e sas in o mais - small alk: ma e ialidade da linguagem e a expe iência do co po ................................................................................... 102 V.V Di e en es cul u as e di e en es es a égias de espos a às medidas sani á ias em con ex o labo al – o caso da Logoplas e. ........................................................................... 106 V.VI Tele abalho e o isolamen o social ............................................................................ 109 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 114 ANEXOS .................................................................................................................................. 118 Anexo 1 ................................................................................................................................. 118 Anexo 2 ................................................................................................................................. 139 Anexo 3 ................................................................................................................................. 152 Anexo 4 ................................................................................................................................. 170 IMAGENS ................................................................................................................................ 183 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................... 185 NOTAS ..................................................................................................................................... 197 7 Resumindo, uma das p incipais ques ões que se em colocado é se o ele abalho é, ou não, a maio e olução no mundo labo al das úl imas décadas? Se se de e ou não legisla o ele abalho ago a? É indispensá el legisla o quan o an es, ou é pe igoso es a a azê-lo ago a? De que modo se ia legislado? Como se á assegu ada a igilância e con olo no e do abalho? A p i acidade do abalhado pode á se colocada em causa? Como é que o ele abalhado ica á p o egido em caso de aciden e du an e o pe íodo de abalho? As despesas de in e ne , luz, água, da alimen ação du an e o ho á io labo al ica am a ca go da emp esa ou do abalhado ? De que modo é que os pad ões de socialização se i ão ans o ma , caso o ele abalho seja p a icado a uma maio escala? O ele abalho é uma an agem ou uma des an agem na en a i a de conciliação en e a ida p o issional e pessoal? De que o ma o ele abalho impac a a conjugalidade? Es as são algumas das mui as ques ões que se êm le an ado. I.II Casos de es udo Pa a a p esen e ese e e-se em a enção a escolha de duas emp esas pe encen es ao sec o p imá io, uma ez que mesmo em empos de pandemia, as suas unções - conside adas essenciais - i e am de con inua a se assegu adas. Nesse seguimen o, oi de maio in e esse pe cebe de que o ma a es u u a adminis a i a de cada o ganização e suas di e sas equipas e depa amen os se eadap a am a uma no a ealidade labo al e social. Ou o aspe o que pesou na escolha des es dois casos de es udo, Logoplas e e Vi ac ess, p ende-se com o ac o de se a a em de emp esas indus iais, onde a adoção do ele abalho oi desde início bas an e segmen ada e condicionada. Segue-se uma b e e con ex ualização his ó ica des as duas mul inacionais. Logoplas e A Logoplas e é uma emp esa mul inacional indus ial especializada no design e p odução de embalagens de plás ico ijo, des inados a uma ampla gama de clien es, desde o me cado alimen a e das bebidas, a é aos cuidados pessoais, domés icos, saúde, óleos e lub i ican es. As embalagens são concebidas a pa i de ecnologias de injeção de molde, assim como a a és de moldagem po sop o e moldagem po ex ensão. 8 Sediada em Cascais, oi undada em 1976 po Ma cel de Bo on, u o de uma eação à Re olução de 25 de Ab il de 1974. Duas décadas an es, em 1956, Ma cel de Bo on jun amen e com ou os dois sócios, c iou a Fáb ica de Plás icos Ti an, que se i ia a o na numa das maio es na Península Ibé ica. Após a e olução de 74, c ia-se uma ensão en e as en idades adminis ado as e a comissão de abalhado es, le ando a que um ano depois a emp esa osse omada pelos abalhado es. Ob igado a abandona a áb ica, Ma cel de Bo on pensa em o mas de ecomeça a sua ida p o issional, decidindo apos a des a ez num modelo de áb icas de plás ico de meno es dimensões de modo que, na e en ualidade de eben a ou a e olução no país, conseguisse eduzi as p obabilidades de pe de odo o seu negócio. A 23 de julho de 1976, ainda an es da undação da Logoplas e, Ma cel c ia a sociedade Vaso e mo jun amen e com a Gelgu e. O con a o ei o es ipula a a p odução de copos de iogu e pa a a áb ica da Gua da, com o p incipal desa io de e i a a con aminação des es mesmo du an e o anspo e. Com a sua sala de p odução na Gua da, Ma cel de Bo on sen e a necessidade de c ia uma ou a base em Lisboa. O nome Logoplas e su ge de uma con e sa en e amigos, e da mis u a dos e mos g egos logos e plas ikós. Após os copos da Yoplai , seguiu-se a p odução de ecipien es pa a á ios p odu os da Nes lé. Ainda nes e ano, Ma cel de Bo on lança as p imei as ga a as de plás ico des inadas a se i de ecipien e pa a água, mais conc e amen e, nes e caso, pa a a Água do Luso, e em 1983 pa a a conco en e Vi alis (República Po uguesa 2020a). Em 1991, Filipe de Bo on comp ou as ações do pai Ma cel e das suas duas i mãs, o nando-se di e o execu i o da Logoplas e. A en ada de Filipe de Bo on dis inguiu-se pelos obje i os cla os de in e nacionalização da emp esa, p ocesso es e que e e início em 1992/1993 e que le ou a que a Logoplas e hoje em dia es eja ep esen ada em 16 países di e en es, com ce ca de 65 áb icas e 2500 abalhado es de di e en es nacionalidades. En e esses países con am-se o B asil, Espanha, Holanda, EUA, Bélgica, República Checa, México, Canadá, F ança, I ália, Polónia, Po ugal, Rússia, Uc ânia, Reino Unido e Vie nam. A emp esa oi pionei a em ope ações ab is concebidas e desenhadas em o no do modelo " h ough he wall", o necendo embalagens plás icas "jus -in- ime" ei as nas áb icas inse idas nas ins alações do clien e. Coca-cola, Danone, Nes lé, Gallo, Heineken, 9 Johnson&Johnson, L’o éal, Sch eibe ou a Lac ogal são alguns dos seus p incipais clien es. Em 2016 o G upo Ca lyle i en ou no capi al da Logoplas e, e ainda es e ano a ançou na enda de 60% da emp esa ao undo de pensão OTTP (On a io Teache s’ Pension Plan). A Logoplas e az pa e da lis a de emp esas que assina am o p oje o New Plas ics Economy Global Commi men , coo denado pela Fundação Ellen MacA hu , e que eúne mais de 500 o ganizações, negócios e go e nos de odo o mundo em o no de obje i os e es a égias mais sus en á eis. P e ende c ia um no o u u o pa a as embalagens de plás ico, aumen ando o uso de plás ico eciclá el, eu ilizá el ou compos o (Ellen MaCa hu Founda ion 2017). Vi ac ess A Vi ac ess é uma mul inacional po uguesa especializada na p odução, empaco amen o e dis ibuição de olhas baby ii , saladas e e as a omá icas. Tem quin as dis ibuídas po Po ugal – em Odemi a, Almancil e Azenha do Ma -, Reino Unido, Alemanha e Espanha, onde são p oduzidas a iadíssimas espécies de olhas baby. A emp esa dis ingue-se pelo ac o de es a in eg ada e icalmen e, sendo esponsá el po odos os p ocessos desde o cul i o nas quin as, apanha dos alimen os, sua la agem, empaco amen o e a é à sua pos e io dis ibuição pela sua cadeia de clien es. Em Po ugal, é a única emp esa do sec o que ga an e a o al as eabilidade dos seus p odu os. A emp esa nasce em 1951, em Hampshi e, numa plan ação de 0,4 hec a es de ag ião de água. O nome da emp esa, Vi ac ess, su ge p ecisamen e do nome em inglês des a a iedade de ag ião, ‘wa e c ess’. Em 1981 em início a p odução de ag ião de água em Po ugal, na quin a de Almancil. Cinco anos mais a de é c iada em Odemi a a Ibe ian Salads Ag icul u a Lda., o nando-se num impo an e pon o de p odução não só de ag ião de água, mas de ou as olhas baby de di e en es espécies, como é o caso da úcula e do espina e. Mas se ia só em 2003 que a ma ca Vi ac ess e a o icialmen e lançada em Po ugal com come cialização de p odu o la ado e p on o a consumi . Em 2008 a emp esa é comp ada pelo g upo po uguês RAR (Vi ac ess 2021, RAR 2021). 10 Os ege ais são colhidos um dia an es de se em embalados, po ezes a é no p óp io dia. Segue-se a ase de la agem das olhas em máquinas especí icas, onde são emo idos odos os esíduos, desde a eias, inse os ou olhas pequeninas; po im, ealiza- se a desin eção das saladas. Pos e io men e, as saladas passam pa a uma zona de al o isco onde já não é pe mi ida a p esença de uncioná ios, e são p ocessadas em máquinas de seleção ó ica que analisam odos os p odu os alimen a es que passam po baixo das suas câma as ( odas as olhas que não se enquad em nas ca ac e ís icas p é-es abelecidas pa a cada uma das espécies ege ais são ejei adas). Po úl imo, p ocede-se ao embalamen o e dis ibuição. A Vi ac ess enca ega-se de o nece an o clien es mais pequenos (me cea ias, es au an es, e c.), que exigem o acompanhamen o de equipas mais pequenas p epa adas pa a p es a um abalho mais a e o ao dia-a-dia das lojas, como de g andes clien es ligados a cadeias de supe me cados e hipe me cados (Con inen e, Pingo Doce, Lidl, Auchan, El Co e Inglês, Ma ks&Spence , Ca e ou , e c.) Nas ês quin as que a Vi ac ess em em Po ugal, é impo an e e em con a que g ande pa e da emp esa e sua massa abalhado a se ca ac e iza pela sua componen e local, sendo po isso bas an e comum encon a um ambien e amilia , especialmen e no cul i o e a amen o dos campos, e no chão de áb ica. Como indicado no si e o icial da emp esa, no que oca à esponsabilidade social e sus en abilidade, a Vi ac ess assume p o ocolos de colabo ações com á ias ins i uições nacionais. Es a colabo ação cen a-se: na doação de p odu os des inados a cabazes sociais e à con eção de e eições; na in eg ação de pessoas po ado as de de iciência em con ex o de abalho; na c iação de ho as pedagógicas; no apoio a e en os de desen ol imen o local e a p oje os de p o eção ambien al; no apoio à o mação cu icula de jo ens em idade escola e a p oje os de in es igação. Ambas as emp esas eagi am de o ma quase imedia a aos p imei os anúncios do alas a do í us SARS-CoV-2 em e i ó io eu opeu, endo como p imei a e p incipal p o idência a p o eção sani á ia dos abalhado es, o que implicou desde logo a comp a de p odu os de higiene e p o eção ( ais como másca as e gel desin e an e), e uma eo ganização das equipas e espe i o pessoal den o de cada emp esa, de modo a iden i ica que a e as e unções pode iam, ou não, se desempenhadas à dis ância. As 11 medidas omadas e o p ocesso de adap ação de cada emp esa se ão abo dados, mais de alhadamen e, ao longo do p óximo capí ulo. I.III Me odologia A ase p é ia da in es igação, e ainda num pe íodo de p epa ação pa a a elabo ação da ese, oi especialmen e dedicada à e isão de li e a u a exis en e sob e o ema do ele abalho (nos con ex os nacional e in e nacional), à lei u a das p incipais ob as de enquad amen o eó ico an opológico e sociológico sob e o abalho - enquan o elemen o impo an e na ep odução social – e ao acompanhamen o cons an e das no ícias di ulgadas pelos media sob e a si uação a ual da pandemia e dos di e en es a igos/en e is as ou comen á ios c í icos sob e os desa ios que o ele abalho e ele abalhado es êm en en ado desde Ma ço. Du an e es e pe íodo, oi es abelecido con ac o com os depa amen os de Recu sos Humanos e de Comunicação das duas emp esas, com o CTO da Logoplas e, Paulo Co eia, e com o Di ec o -Ge al da Vi ac ess, Ca los Vicen e. Es e p imei o con ac o e e po im expo a minha in enção de le a a cabo es e es udo de caso, a e igua quais as condições pa a al e acili a pos e io es con ac os com di e en es memb os de cada uma das di e en es equipas. Em e mos de abalho de campo s ic o sensu, es e oi ine i a elmen e condicionada em g ande pa e pelo deco e da si uação pandémica e pelas medidas omadas em cada uma das emp esas e as es ições a elas associadas. Em nenhuma das duas emp esas oi possí el ealiza abalho de campo p esencial, ou qualque ipo de isi a, o que acaba po se uma das p incipais limi ações, ela i amen e ine i á el, des a in es igação. De ido às medidas em igo den o da áb ica, o es udo p esencial – mesmo que com uso de másca a e cump imen o mínimo de dis âncias – não se e elou possí el, endo sido dado uso p e e encial a en e is as indi iduais e à ealização de ques ioná ios. Foi ealizado um o al de 51 en e is as a colabo ado es da Logoplas e e da Vi ac ess. Cada en e is a demo ou uma média de 30 a 45 minu os, sob o o ma o de ideochamada ia Teams; apenas po ês ocasiões as con e sas i e am de se ei as po chamada ele ónica, po al a de equipamen o digi al po pa e do abalhado . Todas as en e is as o am g a adas, com o de ido consen imen o, e pos e io men e passadas a limpo pa a um ichei o Wo d. Pa a além des a pa e de ecolha de ma e ial mais 12 quali a i o, seguiu-se a dis ibuição e p eenchimen o dos ques ioná ios a a és do Google Fo ms (Anexo 1). Es as duas ases de ecolha de ma e ial de in es igação segui am uma o dem di e en e, po escolha dos p óp ios: no caso da Vi ac ess, op ou-se po di ulga o ques ioná io digi al in e namen e e, mais a de, eu iquei enca egue de en a em con ac o com cada um dos pa icipan es pa a ma ca en ão a en e is a ia Teams; no caso da Logoplas e, oi pa ilhada uma lis a de colabo ado es e espe i os emails, endo-se ealizado p imei o odas as en e is as e só depois se p ocedeu à dis ibuição in e na do ques ioná io. No p eenchimen o des es ques ioná ios digi ais pa icipou um o al de 82 pessoas das duas emp esas. Quan o ao modelo de análise, a minha abo dagem en a segui aquilo que John C eswell ap esen a como “Explo a o y Sequen ial Mixed Me hods” na qual “ he esea che i s begins wi h a quali a i e esea ch phase and explo es he iews o pa icipan s. The da a a e hen analyzed, and he in o ma ion used o build an ins umen ha bes i s he sample unde s udy, o iden i y app op ia e ins umen s o use in he ollow-up quan i a i e phase, o o speci y a iables ha need o go in o a ollow-up quan i a i e s udy” (C eswell, 2014: 16). Resumidamen e, a in es igação seguiu as seguin es e apas p incipais: 1. Pesquisa bibliog á ica de modo a ga an i um quad o c í ico da e isão de li e a u a já ei a. Es a ecolha de in o mação e e em pa icula con a es udos an opológicos e sociológicos, an o eó icos como c í icos, idos como ú eis pa a a in es igação; 2. Acesso aos documen os de cada uma das emp esas e e en es a odas as medidas e es a égias que êm sido omadas desde o início da pandemia; 3. Realização de á ias en e is as indi iduais e de um ques ioná io; 4. Análise dos dados ecolhidos, pa indo da sua o ganização, sis ema ização, in e p e ação c í ica; 5. Esc i a da ese, com as de idas di isões de dados em di e en es secções indexadas e delineamen o das p incipais conclusões; 13 II. REVISÃO DE LITERATURA O co po da seguin e e isão de li e a u a i á se o ganizado de o ma emá ica, uma ez que de e minados ópicos e discussões são eco en es ao longo de oda a bibliog a ia consul ada em o no do ema do ‘Tele abalho’. A es u u ação de sub ópicos segui á de pe o a sis ema ização da li e a u a e e en e ao ema, ei a po Nicole B. Ellison, em ‘Social Impac s: New Pe spec i es on Telewo k’, independen emen e da á ea de conhecimen o académica ou do mé odo usado pelo espe i o in es igado . De en e as p incipais linhas emá icas des acam-se assim: a de inição do concei o de ‘Tele abalho’ e sua mensu ação; impac os nas deslocações iá ias e na malha u bana; a cul u a o ganizacional e a ges ão dos ele abalhado es; sociabilidades no âmbi o do ele abalho e isolamen o; a pe meabilidade das on ei as en e ‘casa- abalho’: o impac o do ele abalho a ní el indi idual e amilia (Ellison 1999, 339). Se á ac escen ada uma b e e análise c í ica sob e a in es igação cien í ica ei a em Po ugal sob e o ema. II.I Te mos, de inições e mensu ação A al a de consenso em elação ao concei o de ‘ ele abalho’ es á p esen e an o na sua de inição, como no momen o da sua o igem enquan o ideia abs a a. Segundo Raymond Lemesle e Jean-Claude Ma o , a noção de ‘ abalho à dis ância’ – an as ezes associada ao ele abalho – su ge pela p imei a ez nos inais dos anos 40, com o apa ecimen o da ciência cibe né ica, cujo e mo oi cunhado po No be Wiene em 1948, na ob a Cybe ne ics: o he Con ol and Communica ion in he Animal and he Machine (Se a 1996). Wiene – e ou os colabo ado es des a ob a, como é o caso dos an opólogos G ego y Ba eson e Ma ga e Mead – pa e da p emissa de que odos os sis emas, sejam eles sociais, biológicos ou ecnológicos, espondem de modo semelhan e às mensagens ex e nas, sendo po isso edu í eis a modelos ma emá icos (Be na do e Cha es 2020). Num dos seus exemplos hipo é icos, o au o ala-nos de como um a qui e o esiden e num país eu opeu, pode ia supe isiona à dis ância a cons ução de um edi ício nos EUA. A oca de comunicação e in o mação não ica ia assim dependen e da deslocação ísica dos in e enien es (Se a 1996). O ele abalho, enquan o no a de o ma de o ganização labo al, su ge só nos anos 70 nos EUA, como consequência da escassez de gás. Aliás, oi es a c ise que se iu de 14 base de es udo pa a Jack Nilles c ia e desen ol e o concei o p imei o de elecommu ing ne wo k. No a igo cien í ico de 1976, Telecommu ing – An Al e na i e o U ban T anspo a ion Conges ion, podemos le em om de conclusão: “On he basis o he esea ch desc ibe abo e, we ha e concluded ha 1) elecommunica ions can ep esen an economically a ac i e al e na i e o commu ing, bo h o he commu e and he company; 2) ha audio bandwid h channels a e gene ally su icien o mos elecommu ing pu poses and ha almos all o he ou ine ope a ions o he company s udied can be pe o med using o - he-shel compu e , e minal, and elecommunica ions echnology; and 3) ha wo ke s can pe o m wo k e ec i ely using elecommunica ions and ha e a high mo i a ion o do so.” (Nilles e al. 1976, 84). Aqui, o e mo oca-se essencialmen e na edução signi ica i a do empo pe dido em deslocações iá ias pa a o abalho, possí el apenas pela exis ência e aplicação das elecomunicações. O local de abalho é ealocado, o al ou pa cialmen e, o a das ins alações do emp egado , pe o ou den o da casa do uncioná io (Messenge and Gschwing 2015). Desde início, o concei o não oi de inido de o ma cla a e indubi á el po Nilles. De al modo que, em es udos pos e io es, o au o passa a usa elewo k, e mo mais ab angen e e ao qual subo dina o an e io elecommu ing, p ocu ando assim inclui odos os ipos de a i idades elacionadas com o abalho ealizadas o a das ins alações emp egado as. Alguns au o es azem a dis inção en e es es dois e mos, enquan o ou os os usam de o ma pe mu á el, pa indo do p essupos o que ele abalho é mais usado pelos eu opeus e elecommu ing pelos no e-ame icanos (Ellison 1999). Es a al a de consenso na de inição do concei o le a a que g ande pa e da li e a u a sob e es e ema seja bas an e agmen ada (Ellison 2004). Não sendo o ele abalho uma p á ica ‘monodi ecional’ nem ‘monodimensional’ (U ze, Ba oso and Gomes 2003, 55), o seu concei o de e á e em con a, simul aneamen e, o seu âmbi o ecnológico, o ganizacional, con a ual e a sua geog a ia. A a és de uma pe spe i a his ó ica da e olução in e nacional do ele abalho nas úl imas décadas, é possí el obse a a o ma como o seu p óp io quad o concep ual oi al e ando ao longo nos empos. 15 A e olução do ele abalho pode se di idida em ês ge ações, se i e mos em especial a enção o impac o do desen ol imen o das Tecnologias de In o mação e Comunicação. As décadas de 1970s e 1980s o am icas em es udos sob e o ema, a g ande maio ia po in es igado es no e-ame icanos, impulsionados pelo abalho pionei o de Nilles. Como e e ido a ás, numa p imei a ase o p incipal oco de in es igação incide na edução do empo pe dido em deslocações iá ias, – e consequen es cus os - um assun o de maio p eocupação nas g andes á eas me opoli anas dos EUA (Messenge and Gschwing 2015). A a ual u ilidade de mui os des es es udos acaba po ica comp ome ida, po se em an e io es à explosão da In e ne e da in odução de TICs ainda mais ba a as e mó eis. Mais ainda, é impo an e e em con a a limi ação sec o ial e geog á ica de alguns des es es udos da 1ª ge ação. Os p incipais casos de es udo gi am em o no de indús ias in o má icas da cos a oes e dos EUA, zona onde as deslocações e am mais ca as, onde o acesso às ecnologias de comunicação e a mais ácil e os p óp ios abalhos pe mi iam uma maio lexibilidade (Messenge and Gschwing 2015). O ele abalho pe mi ia en ão a ealocação do local de abalho o a das ins alações do emp egado , que osse em casa do uncioná io ou pe o des a (Messenge and Gschwing 2015). Tal oi possí el de ido a uma de e minada conjun u a de condições: a c ise ene gé ica, as ideias ‘localis as’ esul an es de maio de 1968, a diminuição do p eço das TICs e sua maio u ilização den o das o ganizações, e o apa ecimen o da ‘ elemá ica’ (Ellison 1999; Se a 1996). Numa p imei a ins ância su gem os cen os sa éli es iii , esc i ó ios que pe encem à emp esa emp egado a, mas que se localizam em locais di e en es da sede, ge almen e pe o da casa dos uncioná ios. A pa i daqui o abalho o a das ins alações emp egado as começou, len amen e, a o na -se cada ez mais so is icado, dando o igem a no as indús ias e espalhando-se po ou os países (Messenge and Gschwing 2015; Se a 1996). Do ma e ial cien í ico publicado ao longo dos anos 80, são eco en es as abo dagens an o u u ís icas (po ezes u ópicas) como como pessimis as (po ezes dis ópicas) do ele abalho (Ellison 2004). A ob a The Thi d Wa e, de Al in To le , é o exemplo desses desejos de mudança e ilhan es e de um u u o melho . No capí ulo ‘The Elec onic Co age’: 16 “Today i akes an ac o cou age o sugges ha ou bigges ac o ies and o ice owe s may, wi hin ou li e imes, s and hal emp y, educed o use as ghos ly wa ehouses o con e ed in o li ing space. Ye his is p ecisely wha he new mode o p oduc ion makes possible: a e u n o co age indus y on a new, highe , elec onic basis, and wi h i a new emphasis on he home as he cen e o socie y.” (To le 1980, 210) Pa a To le , o po encial do ele abalho ai mui o mais além da me a edução dos cus os e do empo em deslocações. Me e em cu so uma g ande ans o mação sociocul u al, que p omo e ia uma maio es abilidade comuni á ia, uma diminuição da poluição ambien al, o su gimen o de no as indús ias e uma ees u u ação das dinâmicas amilia es (Messenge and Gschwing 2015). Dado que es a li e a u a sob e a 1ª ge ação do ele abalho é cen ada na modalidade ‘Home O ice’, su gem es udos pa alelos o emen e c í icos em elação aos aspe os nega i os do abalho em casa. Ci ando Nicole Ellison, “nega i e po ayals ha exposed he mundane and o en lonely eali y o elecommu ing” (Ellison 1996, 20). Exemplo disso é o a igo “Wo king a Home: Is I F eedom o a Li e o Flabby Loneliness”, de E ik La son. A ge ação do ele abalho que se segue, ‘Mobile O ice’, dis ingue-se da p imei a essencialmen e pelo ápido desen ol imen o ecnológico. Su gem disposi i os ele ónicos wi eless, mais le es e mais pequenos, como os lap ops, ele ones celula es e no e-books, pe mi indo uma pale e mui o mais ampla de luga es onde o abalhado podia exe ce sem se a sua casa, ou os cen os-sa éli e (Messenge and Gschwing 2015). A maio mobilidade passa a se assim um elemen o cen al. Vi o io Di Ma ino e Linda Wi h e le em bas an e cedo, em compa ação com os es udos seus con empo âneos, sob e es e p eciso aspe o, na in odução do a igo “Telewo k: a new way o wo king and li ing”: “Telewo k is only en yea s old. In his sho ime i s capaci y o ed awing he geog aphical and o ganiza ional bounda ies o he adi ional, cen alised en e p ise has been amply demons a ed. (…) The posi i e consequences o he decen alisa ion and inc eased wo ke au onomy and mobili y b ough abou by elewo k can be seen in highe le els o p oduc i i y, imp o ed wo king- ime a angemen s and new employmen 23 ges ão, mais assen es no acompanhamen o e a aliação de obje i os/ a e as comp idos/as (Ellison 1999). Nesse seguimen o, es a ese alinha-se com a posição de Nicole Ellison, segundo a qual o p oblema não é an o um de ‘con iança’, mas an es o ac o de o ele abalho deixa mais e iden e a necessidade de se desen ol e no os modelos de supe isão. Mais ainda, a impo ância dada à con iança pode ambém se analisada de um pon o de is a cul u al: “some cul u es a e mo e sui ed o he high le els o us elecommu ing migh seem o demand due o hei ocus on g oup alues and a ional pe o mance-based app aisals” (Ellison 2004, 25). Exis em di e en es posições quan o a se a implemen ação do ele abalho de e an ecede ou p ecede a aplicação de medidas ees u u as es den o das o ganizações, de o ma a ga an i o seu sucesso. Alguns au o es de endem que exis e uma g ande p obabilidade de o ele abalho aumen a os sis emas de con olo aylo ianos, in ensi ica a o inização das a e as e impo uma maio disciplina. Ou os au o es, pelo con á io, conside am que o ele abalho se á um a o na diluição de hie a quias e descen alização do con olo (U ze, Ba oso and Gomes 2003). Independen emen e das posições, o que é ealmen e impo an e e em con a é que “ ega dless o he ex en o implemen a ion (…) he e y concep o elewo k has unc ioned o make hese no ms and p ac ices mo e e iden and has o ced o open he deba e abou manage ial p ac ice and i s eliance on line-o -sigh supe ision.” (Ellison 1999, 343). II.IV Sociabilidades no âmbi o do ele abalho e isolamen o Apesa de ha e uma la ga pe cen agem da bibliog a ia que desen ol e a undo os aspe os bené icos da adoção do ele abalho - mui as ezes sem e em con a a ase de ‘lua de mel’ expe ienciada po alguns ele abalhado es num momen o inicial - o ema do isolamen o é ambém uma a iá el equen e ao longo da li e a u a, po ezes apon ado como uma das causas de uma maio e icência (Ellison 1999). De ac o, êm sido obse adas as ambiguidades e os iscos que podem ad i do ele abalho, uma ez que es e pode le a a uma agmen ação do abalho e, consequen emen e, a uma ‘ agmen ação dos espaços de socialização g egá ia, que mui as ezes cons i uem uma 24 das p incipais on es de ene gia pessoal e da consolidação de um sen ido de p opósi o’ (Cei il 2020, 40). O a as amen o (pa cial ou o al) do indi íduo do adicional ambien e de esc i ó io pode-se e ela um g ande desa io, não só a ní el psicológico, mas ambém no que diz espei o à maio ou meno acilidade em p og edi na ca ei a p o issional. No a igo “The My h o he Ele onic Co age”, Tom Fo es e no a a al a de a enção dada p e iamen e po Al in To le (1980) às di iculdades que pode iam ad i da ans e ência do abalho pa a o a do esc i ó io adicional. E ci a A kinson: “I is e y di icul - psychologically - o wo k a home. Almos wi hou excep ion, `co age indus ialis s' and ` elecommu e s' alike epo a hos o p oblems, including lack o mo i a ion and discipline, inabili y o o ganize wo k and manage ime e ec i ely, loneliness, amily ensions, ea o ailu e, bu nou , s ess and hypochond ia. Essen ially, hese p oblems s em om an inabili y o be sel -manage s. In o he wo ds, he p oblems mos o en associa ed wi h wo king a home a e igge ed no so much by economic, legal, o echnological ac o s as by he ailu e o hese pionee s o manage hemsel es and hei wo k” (A kinson, 1985 apud Fo es e 1988, 8). É ambém suge ido que os ele abalhado es possam sen i uma maio di iculdade em p og edi na ca ei a po e em uma meno isibilidade den o da o ganização, e/ou em ecebe aumen os ou p omoções (Ellison 1999). Sem pe de de is a as implicações mais di e as do maio dis anciamen o ísico ine en e à p á ica do ele abalho, é possí el enquad a es e sen imen o de isolamen o num con ex o mais ab angen e de acele ação da indi idualização dos p ocessos de ges ão. Es e p ocesso de indi idualização ap esen a uma dinâmica como que ci cula , uma ez que é an o uma consequência das mudanças económicas e de ges ão, como um equisi o pa a. Taskin e De os explicam a o ma como, den o de uma o ganização emp esa ial, es e enómeno se mani es a essencialmen e de dois modos: 1) elemen os do con a o en e abalhado e emp egado (salá io, p og essão da ca ei a, e c.) depende em, em la ga medida, de ca ac e ís icas indi iduais do abalhado , e a capacidade des e alinha os seus in e esses e obje i os com os alo es da o ganização (mo i ação, alen o, pe o mance 25 indi idual, g ande pa icipação, capacidade de au oges ão, lexibilidade, e c.); 2) cada indi íduo passa a assumi maio esponsabilidade das sua ações e consequências, da sua si uação p esen e e u u a (Taskin and De os 2005, U ze, Ba oso and Gomes 2003). Ob as como Liquid Times de Zygmun Bauman explo am bem a ambiguidade e o pa adoxo des a maio indi idualização e da diluição do pode das p incipais es u u as socializan es. No seu capí ulo in odu ó io, Bauman apon a aquilo que conside a se as cinco p incipais o ças modelado as do que chama de ‘Mode nidade Líquida,’ sendo uma delas: “The esponsibili y o esol ing he quanda ies gene a ed by exingly ola ile and cons an ly changing ci cums ances is shi ed on o he shoulde s o indi iduals – who a e now expec ed o be ‘ ee choose s’ and o bea in ull he consequences o hei choices. The isks in ol ed in e e y choice may be p oduced by o ces which anscend he comp ehension and capaci y o ac o he indi idual, bu i is he indi idual’s lo and du y o pay hei p ice, because he e a e no au ho i a i ely endo sed ecipes which would allow e o s o be a oided i hey we e p ope ly lea ned and du i ully ollowed, o which could be blamed in he case o ailu e. The i ue p oclaimed o se e he indi idual’s in e es s bes is no con o mi y o ules (which a any a e a e ew and a be ween, and o en mu ually con adic o y) bu lexibili y” (Bauman 2007, 3-4). Pa a além de Bauman, nas úl imas ês décadas, á ios in es igado es enomados se dedica am a es uda a ligação en e a c escen e endência de neolibe alização do capi alismo e um con ex o de ans o mações sociais e cul u ais mais as as (Kjae ul 2015). Em The Condi ion o Pos mode ni y, Ha ey explo a a ‘p o ound shi in he s uc u e o elling’ que sepa a a Mode nidade da Pós-Mode nidade, e a o al acei ação a i ma i a de qualidades como a e eme idade, descon inuidade, caos ou agmen ação (Ha ey 1989, 65). Ul ich Beck en a demons a como a des uição das o mas de o ganização labo al es á eis le ou ao su gimen o daquilo que chama de ‘ isk socie y’, uma sociedade o ganizada ‘pa ologicamen e’ em espos a ao isco (Beck 1992). Na ob a The Co osion o Cha ac e , Senne de ende como a ên ase na lexibilidade, ca ac e ís ica des a úl ima ase do capi alismo, al e a o p óp io signi icado do abalho e mina o p óp io sen ido de iden idade indi idual (Senne 1999). Es es são exemplos de 26 alguns au o es pa a os quais a ideia de pe da e do papel es u u al do me cado são cen ais pa a pensa a con empo aneidade e o mundo do abalho; “a sha ed lamen o «loss», a lamen ha ‘ he kind o economy ha could p o ide a measu e o s abili y o some h ough a «job o li e» is no longe possible” (S angleman 2007 apud Kjae ul 2015, 7). Apesa de não exis i consenso quan o ao ipo de elação exis en e en e a p á ica de ele abalho e um sen imen o de maio isolamen o indi idual, social e p o issional, é um aspe o de de e con inua a se analisado caso a caso. Is o po que se de e e em con a a unção cen al que o adicional ambien e de esc i ó io em ido na disseminação i al de in o mação in o mal, e enquan o espaço p opício à c iação de elações de maio ou meno amizade – ou mesmo amilia es e omân icas, em alguns casos (Ellison 1999). Ou seja, é impo an e obse a de que modo é que as dinâmicas sociais e de pa ilha do conhecimen o o ganizacional se al e am com a p á ica do ele abalho, - e consoan e a p óp ia o ma como o ele abalho é p a icado (em empo pa cial ou o al? Com mediação de que ecnologias? Em que local é le ado a cabo?) – que es as mudanças se mani es em sob a o ma de um maio isolamen o, ou não. O conhecimen o o ganizacional não se adqui e unicamen e de o ma explíci a. Exis e semp e uma componen e mais dinâmica e di ícil de codi ica , ligada a um conhecimen o não es u u ado, que po ezes só consegue se pa ilhada de modo e icaz po meio de uma comunicação in o mal, ambém chamada de ‘small alk’ (Coupland 2000, Ellison 2004). Do pon o de is a académico e popula , as con e sas de ‘small alk’ são ge almen e is as como um modo pe i é ico e con encional de dialoga , pouco sé io e sem g ande ele ância, mui as ezes usada de modo a ‘ocupa ’ os azios do silêncio e, po es es mo i os, de meno impo ância. Em 1923, no seu ex o “The P oblem o Meaning in P imi i e Languages”, Malinowsky in oduz o concei o de pha ic communion (Coupland 2000), - a base p o ó ica da ‘small alk’ enquan o modo comunica i o – p opondo que a linguagem osse ambém en endida enquan o modo de ação, que não pode se sepa ado do con ex o da si uação em que su ge (Sen 2009): “(…) o a na u al man ano he ’s man silence is no a eassu ing ac o , bu on he con a y, some hing ala ming and dage ous. (…) The b eaking o silence, he communion o wo ds is he i s ac o es ablish links o ellowship (…) The mode n English exp ession, ‘Nice day o-day’ o 27 he Melanesian ph ase ‘Whence comes hou?’ a e needed o ge o e he s ange unpleasan ension which men eel when acing each o he in silence. A e he i s o mula, he e comes a low o language, pu poseless exp essions o p e e ence o a e sion, accoun s o i ele an happenings, commen s on wha is pe ec ly ob ious (…) The e can be no doub we ha e a new ype o linguis ic use – pha ic communion I am emp ed o call i (…) – a ype o speech in which ies o union a e c ea ed by a me e exchange o wo ds (…). They ul ill pha ic communion wo ds a social unc ion and ha is hei p incipal aim (…). (…) se es o es ablish bonds o pe sonal union be ween people b ough oge he by he me e need o ela ionship (…).” (Malinowsky 1936 apud Sen 2009, 226-227). Num con ex o p o issional e come cial, po exemplo, as unções da ‘small alk’ de em se analisadas com uma complexidade ainda maio , sem se limi a à sua unção elacional en e p o issionais e clien es, mas ambém ao seu uso enquan o meio de sa is aze os obje i os ins umen ais e ansacionais da ins i uição em causa (Coupland 2000). Segundo Coupland, es e modo de comunicação dá-se sob e udo - mas não exclusi amen e - nas ‘bounda ies o in e ac ions, as well as he bounda ies o he wo king day’ (Coupland 200, 43). Na u almen e, pa a uma in e ação en e indi íduos exis i , não é necessá io que oco a ob iga o iamen e em modo p esencial. Mas, no con ex o do ele abalho, in e essa en ão pe cebe de que modo é que as in e ações sociais mediadas po ecnologias digi ais al e am o es abelecimen o des e ipo de laços socio-emocionais (Ellison 2004). Es a ques ão em sido eco en emen e colocada em es udos sob e Comunicação Mediada po Compu ado es (CMC), desde a década de 80 e 90. As p imei íssimas in es igações cen a am-se sob e udo na dimensão ex ual e e bal das CMC; es as p imei as comunicações consis iam em mensagens e bais digi ais ansmi idas po edes de compu ado es, de o ma ápida (po ezes com de asagem empo al), sem componen es imagé icas elacionadas à apa ência ísica dos seus u ilizado es, exp essões aciais, linguagem, mo imen o co po al, ou mesmo in o mação sono a. Es e e a um aspe o p eocupan e, mui o mencionado nes es p imei os abalhos, de ido à impo ância social e psicológica da comunicação não- e bal e o impac o dessa ausência na necessidade de os indi íduos consegui em exp imi e icazmen e exp essões socio- 28 emocionais, o seu s a us social ou aços ca ac e ís icos da sua pe sonalidade. Po ém, simul aneamen e, começa am a su gi es udos empí icos que con a ia am es a pe spe i a mais pessimis a (Wal he 2018). A ualmen e, a li e a u a sob e ‘comunidades i uais’ suge e que comunicações mediadas po compu ado es – incluindo já a componen e audio isual – são capazes de man e e ge a elacionamen os sociais. Apesa disso, Ellison essal a pa a a necessidade de se em ei os mais es udos, de modo a comp o a se o mesmo oco e em ambien e de abalho e num âmbi o o ganizacional, e pe cebe quais as limi ações da comunicação mediada po compu ado es (Ellison 1999). “The ques ion o whe he echnology can eplica e in o mal communica ion in his sense is un esol ed. Fo ins ance, gossip adi ionally communica es aluable o ganiza ional in o ma ion, bu mos people a e uncom o able communica ing gossip ia e-mail. Howe e , be ween wo us ed iends, e-mail migh be used o communica e a wide ange o opics and in o ma ion. (…) echnical solu ions alone will no wo k in he absence o necessa y s uc u al and cul u al elemen s” (Ellison 2004, 84). Ainda que uma pa e conside á el da pa icipação de um ele abalhado numa o ganização seja mediada po ecnologias digi ais, é imp eciso e a i icial es abelece uma dico omia en e espaços i uais s espaços ísicos. Pa a Hakken, exis e semp e uma componen e i ual nas meso- elações ( elações que se mani es am ao ní el de comunidades, egiões ou o ganizações), no sen ido em que exis em po encialmen e e nem semp e em ação di e a en e as pessoas: “Being mos ly posi ed and no ac ually expe ienced, meso-social ela ionships ha e a ‘ i ual’ quali y (and did so long be o e AIT). Ra he han ha ing he olun a y ‘ eel’ o close ela ions, meso-social ela ionships seem (…) o be ‘ h us upon us. A he same ime, i is p ecisely hese ela ions, whe he in he neighbo hood o a wo k, which a e mos likely o be ac i a ed when people choose o ac in conce wi h o he s.” (Hakken 1999, 96). Em Cybo gs@Cybe space: An E hnog aphe Looks a he Fu u e, Hakken analisa di e en es es udos que isam en ende a dinâmica das comunidades no cibe espaço e que o mas de solida iedade é que e am c iadas ( an o no ‘local’ como no ‘espaço’). Nessa 29 análise pe cebeu exis i em duas p incipais linhas de pensamen o: po um lado, os au o es que de endiam que pa a uma comunidade unciona de o ma e icaz, êm necessa iamen e de exis i num local ísico conc e o; po ou o lado, aqueles au o es que de endem a possibilidade de se anscende esses discu sos mais localis as (Hakken 1999). Uma das manei as de Hakken pensa um meio e mo en e es as duas posições, é azendo alusão à plas icidade do concei o de ‘comunidades imaginadas’ de Benedic Ande son: “In o de o subs an ially new communi ies o coalesce a ound CMA and CMC, hese communi ies mus (…) be ac i ely imagined” (Hakken 1999, 128). II.V Pe meabilidade das on ei as en e ‘casa’ e ‘ abalho’: impac o indi idual e amilia Nas úl imas décadas, são cada ez mais as emp esas que êm ampliado e p omo ido ho á ios de abalho o a do pad ão adicional, a a és de di e en es a anjos labo ais (p á ica do ele abalho ou de um egime em pa - ime são alguns exemplos). Es a maio lexibilidade na p á ica labo al oi sendo, em g ande medida, ainda mais e o çada pelo su gimen o das ecnologias digi ais, o que pe mi iu que mais pessoas conseguissem desempenha a e as elacionadas com o seu abalho a pa i de casa, especialmen e de o ma olun á ia (Duxbu y, Higgins and Mills 1992). É cla o que o sis ema domés ico de abalho não é uma no idade, mas an es um enómeno his ó ico que emon a às sociedades p é-indus iais, e coexis iu inclusi e com o sis ema indus ial ao longo do século XIX, na Eu opa e nos EUA. A é meados do século XVIII, ‘a casa’ unciona a como o p incipal cen o ísico da economia, aquilo que o an opologis a Daniel De e chamou de economy o he domus (De e apud Senne 1999, 33). Ainda que não á se analisado a undo nes a e isão de li e a u a, é impo an e man e em men e que as di e enças en e di e en es ou as o mas an e io es de abalho domés ico e o egime de ele abalho (ou ou as o mas de lex ime) de em se conside adas a en amen e e são de maio impo ância, não se p e endendo assim aze uma co espondência en e um e ou o (Shami and Salomon 1985). Sal o ce as exceções, o g osso da li e a u a an e io ende a es uda o impac o do ele abalho em con ex o amilia du an e o ho á io adicional de esc i ó io, esquecendo po ezes o abalho ex a ealizado pa a lá dessas ho as legalmen e exigidas. Jos ell e 30 Hemlin ano am a necessidade de se ealiza em mais es udos sob e o abalho ex a olun á io le ado a cabo em casa, uma ez pa ece se consensual en e au o es a exis ência de uma endência pa a um aumen o da ensão en e o con ex o amilia do ele abalhado e a sua p á ica p o issional, uma ez que as on ei as endem a se al e adas (Jos ell and Hemlin 2018). A o ma como os abalhado es se ajus am à diluição en e es as duas es e as e as suas possí eis implicações a ní el indi idual e amilia , em sido al o de bas an e a enção, especialmen e no campo da Psicologia Social ou Sociologia. Como e e ido a ás, a indus ialização e cen alização do local de abalho êm con ibuído pa a a noção de que ‘ abalho’ e ‘casa’ pe encem a duas es e as comple amen e di e en es (Ellison 1999). De al modo que, se obse a mos, algumas das abo dagens cien í icas eco en es sob e es e ema eco em ao uso de eo ias de con li o ou eo ias de segmen ação. Segundo as p imei as, a sa is ação ou sucesso numa des as es e as, implica sac i ícios ei os na ou a, uma ez que abalho e amília encon a -se-iam em es e as sepa adas e incompa í eis, egidas po di e en es eg as e equisi os; segundo as eo ias de segmen ação a es e a do abalho e a es e a amilia são ambém is as como dis in as e sepa adas uma da ou a, pe mi indo po isso a agmen ação dos di e en es pe is do abalhado (Jos ell and Hemlin 2018, Zedeck 1987). Es a ese p e ende e i a pe spe i as mu uamen e exclusi as, indo ao encon o da posição eó ico-me odológica semelhan e à de Sheldon Zedeck, em Wo k, Family and O ganiza ions: An Un apped Resea ch T iangle: “we can see ha he basic ques ions a e: Does wo k a ec amily o does amily a ec wo k? As I con inue, I’ll be a guing ha he key ques ion should be: how do he di e en sphe es o li e expe ience (…) in e pene a e and mu ually e ec one ano he ?” (Zedeck 1985, 6). T adicionalmen e, exis e uma endência pa a os indi íduos iden i ica em di e en es luga es geog á icos com di e en es papéis ou aspe os das suas iden idades. Quando a on ei a en e luga es se o na di usa ou mais pe meá el, é equen e a oco ência de con li os en e solici ações, ou si uações de maio ambiguidade sob e que pos u a assumi . Es es con li os e ambiguidades en e modos de compo amen o êm sido bas an e es udados, no que oca aos impac os psicológicos do ele abalho a ní el dos indi íduos, e pa ece ha e pouco consenso sob e se o ele abalho em maio i a iamen e 31 um impac o nega i o ou posi i o an o a ní el indi idual, como a ní el das dinâmicas amilia es (Ellison 1999). Fo a es a ‘e e na’ in e ogação, exis em ou as discussões impo an es a menciona den o des e sub ema. Uma delas diz espei o à o ma como homens e mulhe es podem expe iencia o ele abalho de modo di e en e, e a sua ligação com desigualdades de géne o es u u ais p é-exis en es. As desigualdades de géne o en e ele abalhado es êm essencialmen e que e com o modo como são dis ibuídas as esponsabilidades e e en es aos abalhos domés icos e ao cuidado dos ilhos (ou ou os memb os amilia es que exijam um maio acompanhamen o). T adicional e equen emen e, es as esponsabilidades êm ecaído mais sob e as mulhe es, e a maio le eza na passagem de unções en e o abalho e casa em sido apon ada como um p i ilégio maio i a iamen e masculino (Ellison 1999, 2004, Coop 1997). Um ou o aspe o de maio in e esse pa a os in es igado es em sido a o ma como os indi íduos c iam e ec iam ansições, que uncionem como i uais simbólicos de dema cação en e a casa e o abalho num mesmo espaço ísico. Nippe -Egg chama a es es delineamen os de ‘bounda y wo k’, que de ine como “«p ocess h ough which we o ganize po en ial ealm-speci ic ma e s, people, objec s, and aspec s o he sel in o ‘home’ and ‘wo k’»” (Nippe -Egg 1996 apud Ellison 1999, 347). Exemplos disso podem se o echa do compu ado usado pa a o abalho, ou usa uma peça de oupa especí ica de modo a que os ou os memb os da amília consigam dis ingui quando a pessoa se encon a a abalha ou não. Pa a algumas pessoas, es es i uais de dema cação são a o ma mais e icaz de e i a uma endência mui as ezes mencionada po ele abalhado es: a pe ca de noção do empo e, como esul ado, um maio núme o de ho as de abalho (Ellison 2004). Es a endência pode se sen ida como um incen i o indi e o a um acen ua de compo amen os wo kaholics e um maio desgas e psico- emocional. É po isso equen e que o aumen o conside á el da p odu i idade epo ada po mui os ele abalhado es, possa i a um cus o (Duxbu y, Higgins and Mills 1992). II.VI Es udo do ele abalho em Po ugal A pa i da década de 90, Po ugal em en ado acompanha o desen ol imen o das TICs e a sua c escen e acessibilidade e uso em e mos in e nacionais, mas as 32 mudanças no ecido emp esa ial po uguês endem a se apon adas como len as e es i i as. Um dos p incipais mo i os apon ados pa a al, é o ac o de es e se essencialmen e cons i uído po pequenas e médias emp esas (PMEs), la gamen e associadas a emp esas com um pe il mais clássico, bu oc á ico e hie á quico (Assunção, Paulos and U ze 2008). É nos inais des a década que o ele abalho começa ambém a se len amen e implemen ado em Po ugal, especialmen e no sec o dos se iços e a i idades elacionadas com a In o má ica e TICs (Ba oso 2005). Con udo, se analisa mos es udos mais ecen es, obse amos que, na úl ima década, a p á ica do ele abalho em Po ugal aumen ou conside a elmen e. Segundo um ela ó io ecen e da Eu o ound, - Telewo kabili y and he COVID-19 c isis: a new digi al di ide? – Po ugal oi um dos países que, desde 2009, expe ienciou um maio c escimen o na p á ica de ele abalho; a é há da a de 2019, an es da pandemia Co id-19, Po ugal já se encon a a ligei amen e acima da média dos 27 países eu opeus (Sos e o e al. 2020). Numa ase inicial, p oje os nacionais como o PORCIDE i (1997-2000), CONFRATA ii (1999-2000) ou VICTORI@ (2000-2001), i e am uma impo an e unção impulsionado a na p omoção e implemen ação expe imen al do ele abalho, assim como a in eg ação no me cado de abalho de g upos ma ginalizados e des a o ecidos. No que oca aos es udos de in es igação ei os em Po ugal, es es p ocu am ca ac e iza a implemen ação e a p á ica eduzida do ele abalho no país, o seu enquad amen o ju ídico, explo a as a i udes e ep esen ações dos ele abalhado es (Melo 2011) e/ou iden i ica a o es de disseminação e possí eis endências u u as (Assunção, Paulos and U ze 2008; Ba oso 2005, San ana and Rocha 2002). Um dos p imei os es udos e p oje os em Po ugal oi desen ol ido pela Funde ec, en e 1997 e 1998. Consis ia num p oje o de ação p á ica, que p ocu ou p omo e o ele abalho a ní el egional, abalhando assim com um g upo de jo ens associados à JADRC iii . A pa dos ciclos de con e ências ealizados, es e p oje o incluiu a c iação de um cen o de ele abalho e um helpdesk egional. Dois anos depois, em 2000, a Funda ec publica o es udo O Tele abalho em Po ugal, que conclui que o ele abalho em sido aplicado em Po ugal de o ma in o mal, não-es u u ada e apenas em casos pon uais e em sec o es es i os (á ea da in o má ica e come cial); apon a como p incipal ba ei a a p óp ia esis ência dos ges o es, de ido à di iculdade mani es ada em con ola e supe isiona os ele abalhado es. Ou o aspe o impo an e mencionado nes e es udo, é a posição ‘cons u i a’ dos sindica os ace ao ele abalho, sendo que a p incipal 39 III. TELETRABALHO E AS ORGANIZAÇÕES III.I. Tele abalho enquan o eme gência sani á ia A implemen ação do ele abalho na Logoplas e e na Vi ac ess em con ex o de pandemia oi um p ocesso semelhan e ao oco ido em mui as ou as emp esas, a ní el nacional e in e nacional, no que oca à o ma como e e de se epen inamen e pos o em p á ica, pa a que se conseguisse ga an i a segu ança sani á ia dos seus abalhado es, mas ambém um ní el de a i idade mínima necessá ia pa a ga an i o no mal uncionamen o da p odução. Es a u gen e imp o isação e elou a inexis ência de planeamen os p é ios na e en ualidade da oco ência de ca ás o es do gêne o, indo ao encon o das conclusões ob idas pelo ecen e es udo Telewo king in he Con ex o he Co id-19 C isis, de Belzunegui-E aso e E o-Ga cés. As expe iências de ele abalho ela adas ao longo do abalho de campo de em, po isso, se en endidas num con ex o ex ao diná io de medidas de eme gência sani á ias impos as pelo go e no po uguês, e não como expe iências ‘ ípicas’ de ele abalho al como é p e is o na lei e na p óp ia de inição base do concei o. ▲1, Logoplas e: “Acho que de ia se epensado [o ele abalho], mas acho que ninguém ez isso. Acho que de e íamos de epensa mui a coisa, mas acho que es amos odos naquele pa ama em que es amos à espe a de que is o passe, is o é p o isó io ainda (…) Lá es á, eu nes e momen o ambém enho a sensação de que nós es amos odos p eocupados em anda com is o pa a a en e e não mo e pelo caminho. E essas p eocupações já não são uma ques ão de sob e i ência, são mais uma ques ão de de alhes.” Ambas as emp esas ap esen am uma o ganização es u u al de base ab il o que, desde logo, condicionou la gamen e a adoção do ele abalho po pa e de odos os colabo ado es. Ce as unções-cha e, como a ope ação de máquina ou o abalho nos campos de cul i o, exigem um egime p esencial que, de modo algum, pode se assegu ado à dis ância, es ando delas dependen e odo o no mal uncionamen o da o ganização. Po sua ez, as ‘ unções de esc i ó io’, ligadas a oda a es u u a de apoio (Recu sos Humanos, Depa amen o de Vendas, Depa amen o de Comunicação e 40 Ma ke ing, e c.) à ope ação ab il, e ela am-se mani es amen e mais lexí eis e adap á eis a um egime de abalho a pa i de casa. Não obs an e ha e , desde ma ço de 2020, di e izes ge ais indas das che ias de opo, a o ma como a adap ação ao egime à dis ância – mais especi icamen e, a pa i do domicílio de cada abalhado - oi ei a de o ma cole i a dependeu, em la ga medida, do modo de como cada depa amen o e suas che ias, pe ceciona am e lida am com es e ‘no o’ egime. Em ce a medida, es e desempenha das unções labo ais o a das ins alações emp egado as não oi uma p á ica no a pa a mui os dos colabo ado es, especialmen e pa a aqueles com unções mais adminis a i as. Nas úl imas décadas, o sucessi o desen ol imen o das ecnologias digi ais al e ou as noções de Tempo e de Espaço, pe mi indo uma maio lexibilidade dos ho á ios e dos locais de abalho adicionais (Duxbu y, Higgins and Mills 1992). Com um lap op ou elemó el, o abalhado pode inclusi e abalha olun a iamen e em qualque luga , e essa lexibilidade e diluição de on ei as é p ecisamen e mencionada po mui os abalhado es da Vi ac ess e da Logoplas e, quando ques ionados se já es a am, ou não, habi uados a abalha o a da emp esa. A pa disso, pa ece cla o que es a mesma lexibilidade acili ou bas an e a adap ação ao egime de ele abalho ob iga ó io, po o ça da pandemia. ▲.2, Vi ac ess: “O que o meu che e me diz é que o meu abalho em sido o mesmo, enho mos ado a mesma e iciência, po isso pa a mim não exis e esse p oblema. Eu já abalha a em casa ao sábado e ao domingo. Há mui os anos que nós abalhamos semp e ao im-de-semana, e abalhamos em casa.” ϴ.1, Logoplas e: “G ande pa e dos colegas aqui do esc i ó io cen al iajam em abalho. En ão, bem ou mal, es amos odos p epa ados pa a um ele abalho. A gen e abalha de um ae opo o, de áb icas, de casa às ezes. (…) eu acho que não ha ia um plano B. O plano B oco eu po que a maio ia das pessoas aqui abalham em deslocação, o que acili a as coisas.” 41 III.II. No os Regimes de Mo imen ação, de Higiene e Polí icas de Apoio A es u u a ísica dos edi ícios das emp esas oi, desde logo, um dos p incipais a o es que condicionou o ipo de medidas a oma pa a ga an i o dis anciamen o ísico mínimo en e os uncioná ios. Os espaços de esc i ó io da Vi ac ess e da Logoplas e – com exceção daqueles des inados aos elemen os adminis a i os - ap esen am uma es u u a em open space, pa ilhada po di e en es equipas e depa amen os, aumen ando assim a po encial exposição ao í us. Po essa azão, oi indispensá el pe cebe que unções podiam se desempenhadas a pa i de casa, quem ica ia ou não a abalha na emp esa e que eg as se ia p eciso impo a esses abalhado es. No caso da Logoplas e, assim que alguns países eu opeus começa am a en a em lockdown, oi c iada pelos memb os do ní el de opo a «Co id Task Fo ce», que desde logo de iniu as eg as de segu ança e de higiene ge ais, que de e iam se aplicadas no con ex o de cada áb ica, nos di e en es países. A aplicação e con olo das mesmas oco eu de uma o ma mais localizada, is o é, coube a cada plan manage e ges o de equipa es ipula a melho manei a de ge i a sua equipa, sabe aquilo que os seus abalhado es p ecisam e a que es a égias espondem melho . Em Cascais, onde se encon a a sede da emp esa, o Ilab xi e as o icinas LogoMould xii o am os depa amen os que man i e am semp e alguns uncioná ios p esenciais, mesmo du an e os pe íodos de con inamen o, de modo a ga an i a con inuidade da p odução. O mesmo acon eceu nas suas áb icas espalhadas pelo país e no es angei o, onde o am desen ol idas ações de o mação e sensibilização. Na Vi ac ess, o am os Recu sos Humanos que assumi am a maio esponsabilidade de coo denação da pandemia, no que oca à implemen ação de medidas de higiene e segu ança, à sua mono o ização, ao acompanhamen o de casos suspei os e ao es abelecimen o de pon es com os se iços médicos. Nas áb icas e nos campos, os abalhado es man i e am o seu egime p esencial, endo sido essencialmen e o pessoal do esc i ó io que conseguiu adap a as suas unções a um egime de ele abalho. Em ambos os casos, é impo an e menciona que, po o ça das ci cuns âncias a uais, não hou e uma aje ó ia linea . Quem es a a e quan os es a am em cada uma das emp esas, oi algo que dependeu semp e da si uação pandémica i ida a ní el nacional e egional, e os iscos ap esen ados em cada momen o. Pe íodos de descon inamen o o am, 42 quase semp e, acompanhados de um eg esso pa cial dos uncioná ios às ins alações emp egado as, de aco do com as co as p é-es abelecidas e com a u gência das unções, c iando-se assim uma espécie de sis ema p esencial o a i o – o que não signi ica que odos enham ido a opo unidade de e o na à emp esa. ▲.3, Vi ac ess: “Começámos em inal de ma ço do ano passado. Po que após o p imei o con inamen o, passámos uma semana nos esc i ó ios pa a agiliza a si uação e e oda a equipa em casa. Depois quando oi o descon inamen o, em maio, eg essámos ao esc i ó io, mas de uma o ma aseada, ou seja, eu iz um mapa onde, dos qua o elemen os da equipa, es á amos 15 dias em casa, depois 15 dias no esc i ó io. E depois, mais pa a a en e, po ol a de se emb o, chegou a es a só uma pessoa po semana no esc i ó io. Is o no meu depa amen o. Foi indo de aco do com a e olução da pandemia. Ou seja, ele abalho iz desde o o al a é ao pa cial (…). Mas depois, de aco do com cada depa amen o, ambém omos ecebendo indicações di e en es.” Foi p ecisamen e nes es pe íodos de descon inamen o egional e de e o no pa cial à emp esa, que mais se ize am sen i as no as eg as, especialmen e nos espaços comuns como nas casas de banho, pon os de ca é ou e ei ó io. Na sede da Logoplas e em Cascais, es a si uação oi pa icula men e no ó ia e eco en emen e mencionada pelos en e is ados: o am colocadas se as no chão pa a es ipula as o ien ações dos pe cu sos, de modo a e i a que as pessoas se c uzassem; jun o das casas de banho passou a se pe mi ida a p esença de uma só pessoa, e oi colocado um sinal luminoso que indica se es a es á disponí el (luz e de) ou não (luz e melha); os ajun amen os pe o dos pon os de ca é o am p oibidos; assim como o am c iados di e en es u nos de ho a de almoço, de modo a e i a ilas de espe a pa a a can ina e ga an i o dis anciamen o ísico mínimo en e as pessoas du an e a e eição. Apesa de pe cebe em a sua necessidade, alguns en e is ados exp imi am o es o o que algumas des as eg as aziam no no mal lui da dinâmica den o da emp esa. 43 ▲.4, Logoplas e: “E es a ques ão dos co edo es, ens de da quase a ol a ao edi ício pa a chega es onde que es, não podes encu a po que se e c uzas com a pessoa em ques ão que es á a oma con a dis o, é logo um puxão de o elhas. Sin o-me um bocado i esponsá el, pa ece que es amos a chama a a enção de c ianças. Às ezes o que me dá on ade de dize é «a gen e es e e aqui dois meses e meio e nós não i emos qualque ipo de p oblema. Nós conseguimo-nos con ola sem e aqui uma pessoa a ás de nós como se nós ossemos c iancinhas”. À aquisição de ma e ial de higiene e segu ança, jun ou-se ambém a necessidade de comp a e/ou emp es a ma e ial que pe mi isse o abalho à dis ância pa a aqueles que não eg essa am pa cial ou o almen e à emp esa. Os ec ãs, o es de compu ado e as cadei as de esc i ó io o am le adas pa a casa de cada uncioná io, semp e que necessá io. Na Logoplas e, po exemplo, a emp esa p ocedeu à comp a de po á eis pa a odos os emp egados, coisa que an es não e a polí ica: a é en ão, apenas os plan manage s e elemen os com ca gos adminis a i os inham di ei o a es a benesse. Os subsídios de alimen ação e de anspo e man i e am-se na Vi ac ess (exce o o úl imo, nos casos em que o uncioná io icou em ele abalho). Na Logoplas e o am c iados, no caso dos subsídios de alimen ação apenas, pa a aqueles em ele abalho - dispondo de can ina, em condições no mais a e eição é o e ecida pela emp esa – e planos de apoio inancei o aos amilia es dos abalhado es em si uação p ecá ia. Ө.2, Logoplas e: “Den o do ag egado amilia olhámos pa a odas as si uações dos memb os. Po que den o dos ag egados amilia es das pessoas que abalham na Logoplas e, e e mui a gen e a e ada inancei amen e pela c ise. Não se esqueça que na al u a, em ma ço/ab il, (…), quando de epen e is o echa comple amen e, há mui a gen e que con inua em layo a ecebe o denado, ou os ão pa a o desemp ego, mas mesmo quem es á em layo passou a ecebe 66% do seu o denado. Imagine uma pessoa que ganhe 1200 eu os po mês, líquidos, de epen e começa a ecebe 750/800... esse di e encial é b u al em e mos das necessidades básicas de uma amília.” 44 Sem a gumen a que enha sido a explicação ou causa des es apoios e a enção ac escida, é impo an e menciona a si uação inancei a da Logoplas e, nes e con ex o especí ico de pandemia. Em ambas as emp esas as despesas idas em ma e ial de higiene e segu ança oi al íssimo. No ano de 2020, po exemplo, a Vi ac ess e e gas os na o dem das cen enas de milha es. Con udo, no que diz espei o ao me cado de endas, a Logoplas e so eu um aumen o mui o signi ica i o na p ocu a de embalagens de plás ico pa a p odu os de higiene e limpeza desde que a pandemia começou, o que a ez e um dos melho es anos de semp e em ecei as ge adas. Po sua ez, no caso da Vi ac ess, ainda que se enha sen ido um aumen o azoá el (na o dem dos 5%) no canal de endas a e alho e nas g andes supe ícies como a Sonae, Pingo Doce, en e ou as, hou e uma queda b u al no canal das endas pa a es au ação e ho ela ia (ce ca de 40%). III.III. No os Modos e Hábi os de Comunicação De odas as en e is as e inqué i os ei os, é consensual que a in odução e u ilização da pla a o ma de comunicação Mic oso Teams oi uma das p incipais al e ações no modo de comunicação den o da emp esa. É impo an e, po ém, chama no amen e a a enção pa a uma g ande limi ação des a in es igação, que consis e no ac o do g osso do abalho de campo e sido ealizado com abalhado es que desempenham unções mais adminis a i as, não es ando assim ep esen ado o uni e so dos uncioná ios ligados ao chão de áb ica e ao abalho nas quin as. Signi ica is o, que quando alamos da adoção des e no o ipo de e amen as digi ais, alamos no con ex o dos abalhado es que desempenham unções com o mínimo g au de ‘ elewo kabili y’ (Sos e o e al. 2020). O Teams é uma app de colabo ação, c iada em 2016 pela Mic oso , com o in ui o de auxilia a o ganização e comunicação de equipas. Funciona como uma ep odução i ual de um espaço de abalho e seus espe i os g upos. Cada canal de equipa pode se cons uído po ópicos de abalho ou po depa amen os, e é nes es canais que se es abelecem as con e sas en e memb os, a ealização de euniões em ideochamada ou a pa ilha de documen os que podem se edi ados po odos. O agendamen o de euniões, webina es ou e en os em di e o pode ambém se aqui ei o, uma ez que cada u ilizado dispõe de um calendá io digi al plani icado, ao qual os es an es memb os da aplicação êm a possibilidade de e acesso (se concedido). 45 Ө.3, Vi ac ess: “Do pon o de is a da ecnologia, hou e uma e olução quase, que o nou is o mui o mais ácil. Po que há um ano, não usa a Mic oso Teams, po exemplo. E a é ou as pla a o mas digi ais não es a am disponí eis, como hoje são acili adas, c iam p oximidade en e as pessoas.” Es a « e olução» é, no undo, um eu emismo pa a a maio acessibilidade e disponibilidade que mui os dos uncioná ios da Logoplas e e da Vi ac ess passa am a e a di e en es canais de comunicação digi ais, dos quais se des aca o Teams. Quase oda a comunicação en e os colabo ado es de cada emp esa passou a se ei a po ideochamadas, chamadas ele ónicas e/ou emails. Aliás, um dos aspe os nega i os do ele abalho du an e es e pe íodo de pandemia mais mencionado no inqué i o ei o p ende-se p ecisamen e com o excesso de ideochamadas e euniões ei as e o consequen e aumen o da ca ga e do empo de abalho. Es a sob eca ga de e-se, sob e udo, a dois a o es in imamen e ligados en e si: p imei o, o ac o de o uso do Teams e coincidido com a ase inicial de adap ação das emp esas a odas as mudanças exigidas pela pandemia, o que implicou odo um conjun o de a e as adicionais não p e is as (aquisição de ma e ial de higiene, seleção das unções p esenciais cha e, no os egimes de mo imen ação, e-calenda ização de p oje os, e c.); em segundo luga , com g ande pa e do pessoal em ele abalho, a ausência das pessoas em con ex o no mal de esc i ó io despe ou uma necessidade ac escida de compensa a al a da p esença ísica do ou o com a sua p esença essencialmen e isual, na qual a imagem passou a ganha um papel p i ilegiado. ▲.5, Logoplas e: “Penso que com is o o pe íodo de abalho diá io aumen ou e acaba po se mui o in enso. E is o não é só en e colegas, mas ambém com os nossos p óp ios clien es e o necedo es. Eles de ac o sen iam ambém a mesma necessidade de aze o seguimen o a a és de con ac os isuais. Como deixou de se um con ac o p esencial, ago a é udo 46 con ac o isual, po que se o po email deixa am de sen i que ha ia alguma ligação.” O en e is ado que se segue (Ө.4) é o manage do depa amen o da Ino a ionLab do Reino Unido, e comen a inclusi e como oi in e essan e obse a o modo di e en e de como os seus colegas po ugueses se adap a am ao ele abalho. Ao con á io da sede da Logoplas e em Cascais - onde se encon a ambém o depa amen o da Ino a ionLab - no Reino Unido a emp esa não em um esc i ó io cen al, á ea de ensaios ou de labo a ó ios, mas apenas áb icas de p odução em linha. Ө.4 e os memb os da sua equipa es i e am semp e habi uados a abalha em iagem du an e g ande pa e da semana, nas suas deslocações de apoio às áb icas e nos encon os com clien es, deixando um dos dias da semana pa a abalho a pa i de casa. Is o signi ica que, apesa de desde o início da pandemia, a equipa de Ө.4 e de abalha semp e a pa i de casa e e en ualmen e e mais alguns momen os de eunião ia Teams, essa expe iência em si não e a uma no idade, assim como o ac o de só se consegui em e uns aos ou os espo adicamen e. Pelo con á io, Ө.4 explica-nos que desde cedo no ou um g ande aumen o de euniões com os seus colegas em Po ugal. Ө.4, Logoplas e: “Wha I big no iced was a hea y emphasis on mee ings wi h ou po uguese collegues. We would ha e one mee ing a week wi h he ull Ino a ionLab eam. And ha s a ed igh om he beginning, when people s a ed wo king om home. Was a lo mo e emphasis in he connec i i y o he eam. I was a nice way o you o knowing ha you ha e a egula ime o asking ques ions and connec wi h you collegues. We p obably speak mo e now hen we used o.” Se o aumen o conside á el do empo gas o em ideochamadas de g upo é um ac o ela i amen e consensual en e os abalhado es das duas emp esas, as opiniões quan o à sua e icácia - e à de ou os modos de comunicação à dis ância - no bom uncionamen o da o ganização di idem-se. Exis em ês a gumen os p incipais no discu so daqueles que sublinham os bene ícios e e e i idade de um maio uso de modos de comunicação à dis ância ( ideochamadas, emails, chamadas ele ónicas, sms), em de imen o de uma 47 comunicação mais p esencial, com base na expe iência de ele abalho que êm ido ao longo da pandemia: diminuição conside á el das deslocações e, consequen emen e, um melho ap o ei amen o do empo de abalho disponí el; maio obje i idade e especi icidade no modo de comunica ; e uma a i ude mais p o issional. Analisemos um pouco melho cada um des es aspe os. A ob iga o iedade do ele abalho le ou não só a uma queb a nas deslocações casa- abalho, como eduziu signi ica i amen e as iagens ao es angei o o que, pa a além de se uma mais- alia pa a o abalhado em e mos de empo e dinhei o poupado, pe mi e ambém à emp esa uma poupança de despesas conside á el. ▲.6, Logoplas e: “As pessoas não pe dem empo em anspo es. A Logoplas e é longe po que maio pa e das pessoas não i e em Cascais, i e em Lisboa, e eu enho uma pessoa que es á a ado a o ele abalho po que i e no Ba ei o. Ela ganhou uma qualidade de ida gigan e pelo ac o de es a em casa. Ela a é já es a a a aze um ho á io di e enciado pa a ugi um bocado ao ânsi o. O empo que pe dia nas deslocações, ou na ho a de almoço, em que às ezes uma pessoa podia i da uma ol inha... não ia ao ca é onde encon a os colegas e ocam umas pala inhas.” Ө.3, Vi ac ess: “Mesmo ao ní el de euniões, pode o na -se mais e icien e euni des a o ma do que p esencialmen e. Eu ou-lhe da um exemplo, nas euniões de clien es, po no ma, se elas são p esenciais há semp e um empo de espe a. Damos semp e 20/30 minu os a agua da . Po que po no ma, o clien e na ho a da eunião é que ai p epa a a eunião, e, po an o, chega semp e a asado. Nes as euniões [ i uais] elas oco em semp e à ho a. Se hou e 2 minu os de a aso é o máximo.” No caso especí ico das iagens ao es angei o com o obje i o de euni com clien es da emp esa, queb ou-se a an e io ideia de ob iga o iedade. Já an es da pandemia, e com odos os meios ecnológicos ao nosso dispo , se ia já possí el conc e iza es es encon os e euniões à dis ância. Mas po mo i os de e ique a es e ‘con a o silencioso’, que dá como adqui ido o con ac o ace- o- ace, oi-se man endo; a pe ceção e pa ece dos 48 clien es sob e a emp esa bene icia ia des a o malidade. Com a inda do ele abalho ob iga ó io, essa ideia oi desmis i icada em g ande pa e. Ө.5, Logoplas e: “É um ano em que p a icamen e não se iajou. Eu iaja a 2/3 ezes po mês, no mínimo. A úl ima iagem que eu iz oi a 20 de e e ei o. Depois disso nunca mais iajei, mas não oi po isso que se deixou alguma coisa po aze . As coisas con inuam a acon ece . Aquilo que an es e a quase que ob iga ó io, nós es a mos en e a en e e sen ados na mesma mesa com o clien e pa a e mos uma eunião, hoje ninguém ques iona. Fazemos uma con e ência, azemos o kick o e as coisas acon ecem.” Nou os casos, as solici ações de a e as ou p oje os po esc i o ( ia email ou sms) passa am a eco e a uma linguagem mais cla a, obje i a e de alhada, como o ma de compensa a al a de uma comunicação mais imedia a, à qual es a am habi uados em con ex o de esc i ó io. Is o é um aspe o posi i o po que, em caso de dú idas, o abalhado pode semp e ol a a ele a lis a de p ocedimen os e equisi os enunciada na mensagem em causa, em ez de depende da p esença do seu supe io pa a o seu escla ecimen o e/ou e isão. Me ece ambém ele ância a co elação que alguns en e is ados ize am, de o ma mais ou menos di e a, en e uma comunicação ia pla a o mas digi ais e uma ideia de maio p o issionalismo. Mas se en ende mos «p o issionalismo» enquan o a qualidade daquele que é p o issional, daquele que con e e b io e qualidade à sua p á ica labo al, pe cebemos que não há necessa iamen e uma ligação lógica e simbió ica en e essa qualidade e um maio uso de ecnologias digi ais na comunicação en e abalhado es. O ac o de uma ideocon e ência ia Teams, po exemplo, eduzi a quan idade de in e ações desnecessá ias em compa ação com uma in e ação p esencial, ou eduzi o empo pe dido em deslocações, em nada signi ica po si só uma melho p á ica no abalho. Em úl ima ins ância, es a con icção pode se con ex ualizada den o de um discu so sob e o mundo do abalho ecnologicamen e mais o imis a. Ademais, o am ambém apon ados aspe os menos posi i os da comunicação à dis ância du an e es e pe íodo. O p imei o p ende-se com a maio len idão na 55 no con o o do la são os p incipais a o es apon ados nas en e is as pa a jus i ica es a pe ceção do ele abalho enquan o p i ilégio de alguns. O cu ioso é que es e sen imen o de sepa ação e injus iça, que se mani es ou mais desde que a pandemia su giu, pa ece se sob e udo um acen ua de dinâmicas já an e io es e de di e enças es u u ais den o das emp esas. Is o oi especialmen e sen ido no caso da Vi ac ess. ▲.9, Vi ac ess: “Mas a é mesmo com o ac o de abalha em na áb ica ou na quin a, e nós es ando a abalha no esc i ó io, só po aí já acham que nós somos supe io es, ou que es amos melho . Mas isso acho que é um bocadinho gene alizado. Eu conheço aqui emp esas pe o, que ambém êm o p ocesso ab il, e as pessoas como apanham io, es ão mui o empo de pé e com a mão na massa, acabam po sen i que nós lá em cima, sen adinhos numa cadei a com a condicionado ligado, que es amos mil ezes melho do que eles lá em baixo com io.” ▲.3, Vi ac ess: “Eu no ei, mais po ha e algum ipo de con e sas ou comen á ios. E ambém pe cebo isso da pa e das pessoas que ão odos os dias à áb ica e passa am no openspace e não iam ninguém. Há pessoas que en endem, po que o abalho delas é aquele; e ambém en endem que quem es á no esc i ó io em ou o ipo de abalho que é possí el de aze em casa, não é? Não é uma ope ação de áb ica ou de campo. Há pessoas que en endem isso. Há ou as que não. Mas ambém é uma cul u a um pouco das pessoas. Po que eu semp e sen i na emp esa que há um sen imen o de sepa ação das pessoas que abalham na áb ica em elação às pessoas que abalham no esc i ó io. E há um sen imen o, po pa e de quem abalha nas áb icas, de acha que quem es á no esc i ó io são pessoas bene iciadas. Mas is o é como udo, po que cada um em a sua unção e as pessoas êm de pe cebe isso. Eu acho que pa a algumas já ha e ia essa si uação e com es a ques ão do ele abalho, isso aumen ou aqui um bocadinho.” 56 No quad o analisado, penso que se ia o çado e inco e o a i ma que es amos pe an e uma si uação de disc iminação, dado que oi a p óp ia na u eza das unções exe cidas que acabou po de e mina se o abalhado podia ou não exe ce o seu abalho o a das ins alações da emp esa. A é po que ou as opiniões o am igualmen e dadas. Alguns abalhado es i am com bons olhos a sua p esença con ínua in loco: po um lado, sen iam-se bas an e segu os den o da emp esa, endo em con a odas as medidas de higiene e segu ança le adas a cabo desde o início da pandemia; po ou o lado, quan os mais colegas conseguissem es a em ele abalho, melho , uma ez que is o signi ica ia menos pessoas na emp esa e, po sua ez, menos possibilidades de con ai o í us. De al modo que es a ensão oco eu mais no início da pandemia, quando udo e a ainda mais ince o e isso acen ua a os eceios de alguns abalhado es. Com o passa do empo, e ao pe cebe em que de ac o a áb ica e as quin as e am locais bas an e segu os em e mos sani á ios, essa ensão oi-se a enuando. Po ém, es e sen imen o de desigualdade, que se e i icou exis i já an es do início da a ual si uação pandémica, pode mui o bem se obse ada num con ex o de desigualdades sociais es u u ais que ex a asam o me o uni e so da Vi ac ess. Ou a si uação mencionada, capaz de aze algum mau ambien e en e colegas a médio-longo p azo, p ende-se com o pedido de a o es po pa e dos colegas em ele abalho aos colegas que se encon am na emp esa. Si uações como es as são po ezes is as como ‘abusado as’ ou e elado as de ‘ al a de espei o e bom-senso’, mesmo em casos meno es, como o simples pedido pa a deixa algum documen o na sua habi ual sec e á ia do esc i ó io, ou o ac o de não pe cebe em po que azão o colega que es á em ele abalho e que e e de passa pela emp esa ica apenas pa e do dia e não o dia po comple o já que ali es á. ▲.10, Logoplas e: “De ma ço a dezemb o, há pessoas que pedem equen emen e coisas às colegas do sec e a iado pa a imp imi , pa a assina , digi aliza ... as minhas colegas do sec e a iado azem. Eu, numa si uação idên ica, não o a ia. Se calha pedia 1 ou 2 ezes, mas a é dezemb o eu coloca a no mínimo os pés na sede. Po que essas pessoas êm de e empa ia e sabe se as pessoas a quem pedem os a o es êm mui o 57 abalho. E se odas as pessoas que es ão a abalha em casa o em aze o mesmo, u acabas po não consegui aze o eu abalho.” Ө.8, Logoplas e: “O local de abalho é na sede, é lá que é o abalho. Se a emp esa e pe mi e, po exemplo, i a 1 dia po semana pa a abalha em casa: p imei o, isso não signi ica que enhas necessa iamen e de i a semp e esse dia. É só se i e es disponibilidade e se o abalho assim o pe mi i . Se i e es de es a no esc i ó io, não podes dize «não, hoje é o meu dia de es a em casa». (…) Quando empa a com o abalho de ou os, eu não ou dize que é meu dia de es a em casa, po que não há dias de es a em casa.” Foi sob e udo nes es momen os de desaba o que su gi am mais posições con á ias à ideia de o egime de ele abalho pode i a se , num u u o pós-pandémico, uma escolha apenas po pa e do abalhado . Deixa ao c i é io de cada um que dias e quan os dias po semana se p e ende ele abalha , pode da espaço a uma maio ma gem de e o pa a compo amen os egoís as, algo que alguns en e is ados mani es a am ac edi a se a na u eza abusado a do se humano a causa p incipal. Visões mais pessimis as e a alis as como es a endem a se mais eco en es, quan o menos o planeado o egime de ele abalho de modo uni icado pelos co pos execu i os e di igen es de cada emp esa, e quan o mais as decisões des a na u eza es i e am dependen es das che ias das á ias e di e sas equipas. Nes e cená io, a al a de uma polí ica mais uni o mizada em elação ao ele abalho pode, de ac o, ge a con li os de in e esse en e os abalhado es. Mais ainda, endo em con a a o e componen e ab il des as mul inacionais, esse planeamen o pós-pandemia de e á se ainda mais c i e ioso, de o ma que nos locais híb idos (ins alações da emp esa onde exis e pa e adminis a i a e pa e de p odução, simul aneamen e) da Vi ac ess e da Logoplas e não haja uma cisão en e abalhado es p esenciais e não-p esenciais. Suma izando, não exis em ainda p e isões cla as quan o às polí icas de abalho que a Logoplas e e a Vi ac ess es ão a pensa implemen a a médio-longo p azo, depois ou mesmo du an e a pandemia, e se o ele abalho pode á i a se uma ealidade legalmen e de inida pa a alguns abalhado es. É ambém g ande o desconhecimen o sob e como se iam conciliá eis es as duas ealidades sob o e o de uma mesma emp esa. 58 Mais ainda, é no ó io que ce os abalhado es, especialmen e aqueles com unções que não lhes pe mi em o abalho a pa i de casa, endem a e o ele abalho como uma o ma de abalho p i ilegiada, associada a uma melho qualidade de ida. A ce o momen o, após e em sido já ealizadas algumas en e is as, su giu a necessidade de adiciona uma no a pe gun a ao guião o iginalmen e de inido. Es a necessidade su giu pelo simples ac o de, de o ma espon ânea e imp e isí el, os p óp ios abalhado es en e is ados aze em à con e sa ce os comen á ios sob e ce os aços psico-emocionais ca ac e ís icos da igu a ‘do po uguês’, e o modo como esses aços iden i á ios se espelha am no modo dos po ugueses abalha em, po compa ação a po os de ou os países. Foi nesse sen ido que a ques ão “Acha que a maio di iculdade das emp esas, no nosso país, em se adap a em ao egime de ele abalho é consequência de uma men alidade ‘mui o po uguesa’?” Su p eenden emen e, g ande pa e das pessoas esponde am a i ma i a e en a icamen e. En e os á ios aços mencionados da di a ‘men alidade po uguesa’, encon am- se uma endência na u al pa a uma cons an e descon iança no ambien e de abalho; uma maio necessidade de con olo po pa e dos supe iso es, u o da ausência de uma cul u a de es imula a au onomia das pessoas; uma ce a mesquinhez e má disposição nas pessoas; e a iden i icação com uma ideia de ‘cul u a la ina’, mais apegada ao con ac o ísico, aos a e os e à amília. Ө.3, Vi ac ess: “Eu acho que sim. Eu acei o como álido. E nós mui as ezes con as amos aquilo que são os nossos compo amen os, com ou os semelhan es no no e da Eu opa. Acho que a necessidade de con olo aqui é maio . As pessoas sen em-se al ez a é mais con o á eis se es i e em a se con oladas. Po an o em acho que sim, que há uma ques ão de men alidade, cul u al, que o na mais di ícil.” ▲.7, Logoplas e: “Na Polónia u ens equipas que são se iços cen ais, sejam inancei os ou ecu sos humanos (…) que mui o an es do Co id já abalha am de casa e as coisas uncionam lindamen e. Ingla e a ens a mesma coisa. (…) Nós na Polónia e na Ingla e a não emos um esc i ó io p op iamen e di o, só emos as áb icas. Es a coisinha é mesmo ‘ uguesa’, 59 a descon iança do pa ão. Aquela men alidadezinha pequenina. Em Espanha são impecá eis, de uma esponsabilidade... especialmen e as equipas cen ais, são 5 es elas. Não p ecisas de pedi uma coisa duas ezes. São cul u as mais madu as. E são mui o mais bem dispos os do que nós. Es ão-se semp e a i , nós aqui é o ado. E, no en an o, são al amen e p o issionais. B asil en ão (…) a mal a do esc i ó io são odos umas máquinas.” A a aliação ei a des as especi icidades iden i á ias oi, na maio ia das ezes, pessimis a e pejo a i a, indo bas an e ao encon o das p incipais conclusões ap esen adas po João Leal no capí ulo «Se po uguês: um o gulho ela i o». Com base nos esul ados ob idos no ISSP-2003, é no ó ia a elação con adi ó ia dos po ugueses ace à sua nacionalidade: “se po uguês é algo que se assume com o gulho, mas com um o gulho ambíguo, indeciso, acilan e. Um o gulho, em suma, con adi ó io” (Leal 2010, 75). Exis e um sen imen o de alguma e gonha e descon en amen o pe an e o es ado social, polí ico e económico do país que, ac i icamen e, é jus i icado em e mos de um essencialismo iden i á io. Exis e semp e a somb a da imagem de Po ugal enquan o um p oblema po esol e (Leal 2010), “na medida em que é u o de indagações p eocupadas, con adi ó ias, ma cadas equen emen e po um ce o d ama ismo, no qual se insc e e ia um sen imen o de « agilidade ôn ica» ou mesmo uma «es u u a de pânico anímico»” (Lou enço 1978 apud Leal 2010, 77). Se olha mos pa a es udos ecen es sob e o ele abalho no con ex o da União Eu opeia, podemos obse a que os esul ados pa ecem, pelo con á io, con adize es a pe spe i a nega i a. Desde 2009, Po ugal oi dos países eu opeus que mais sen iu um aumen o conside á el na p á ica do ele abalho, jun amen e com ou os países como a Es ónia e a I landa. Compa ando com odos os es an es es ados-memb os, no que oca à p e alência des e egime de abalho en e 2009-2019, Po ugal encon a-se numa aixa in e média en e os dois ex emos, ap esen ando uma axa de 13 a 19% (Sos e o e al. 2020) (Fig.1) É impo an e e em con a o con ex o nacional, como a ás já e e ido, mas es as ep esen ações iden i á ias e cul u ais de em se desmis i icadas, endo especial a enção 60 às polí icas desen ol idas ao longo dos anos em Po ugal, que possam e con ibuído pa a um maio ou meno desen ol imen o ecnológico: “Because o he his o ically impo an he o ical connec ions be ween ‘ he na ion’ and ‘ he cul u e’, a subs an ial componen o an h opology’s cu en p oblem wi h ‘cul u e’ can be aced o ou con lic s o e mac o-social ela ions. (...) We mus con inue alking abou na ions while a oiding hei misleading sel - ep esen a ions.” (Hakken 1999, 131). Os sen imen os subje i os de iden idade nacional exp essos nas en e is as podem se in e p e ados segundo uma abo dagem da iden idade nacional que associa a o es sociocogni i os e mo i acionais, que êm como base um p incípio de ca ego ização social (Sob al e Vala 2010). O que os abalhado es da Vi ac ess e da Logoplas e concebem como sendo a essência e iden idade «do po uguês», sob e udo em con ex o labo al, de e an es se en endida e analisada enquan o cons ução social, enquan o comunidade imaginada no sen ido que Ande son lhe dá: “num espí i o an opológico, p oponho a seguin e de inição de nação: é uma comunidade polí ica imaginada ao mesmo empo como in insecamen e limi ada e sobe ana. É imaginada, po que a é os memb os da mais pequena nação nunca conhece ão, nunca encon a ão e nunca ou i ão ala da maio ia dos ou os memb os dessa mesma nação, mas, ainda assim, na men e de cada um exis e a imagem da sua comunhão” (Ande son 2021 [1983], 25). Nes e seguimen o, penso que al ez possa se in e essan e con ex ualiza e menciona o Plano de Acção pa a a T ansição Digi al de Po ugal, ap o ado a 5 de ma ço de 2020, que “se assume como o mo o de ans o mação do país, endo como p opósi o acele a Po ugal, sem deixa ninguém pa a ás, e p oje a o país no mundo. Pa a es e e ei o, o Plano de Ação pa a a T ansição Digi al em como p incipais á eas de oco da capaci ação digi al das pessoas, a ans o mação digi al das emp esas e a digi alização do Es ado” (Républica Po uguesa 2020, 4). 61 III.VII. Telemig ação, au oma ização e obo ização Embo a o maio en oque des a in es igação seja essencialmen e ao ní el do indi íduo, seu sen ido de iden idade e as elações sociais de g upo no con ex o das o ganizações em causa, é impo an e chama ambém a a enção pa a a ealidade do ele abalho num con ex o mac o-social. Especialmen e em con ex o de pandemia, onde o po encial de mudança u u a no mundo do abalho pode se ealmen e g ande. Um exemplo simples: a possibilidade de diluição de on ei as a ní el de me cado de abalho in e nacional, azendo com que a geog a ia do emp ego possa muda . Es e aspe o oi de ac o mencionado em algumas en e is as como algo po encialmen e posi i o, especialmen e po pa e dos Recu sos Humanos da Vi ac ess. ▲.8, Vi ac ess: “E is o ambém nos eio mos a um leque mui o maio de possibilidades em e mos de ec u amen o pa a ce as unções. Nós es amos numa egião onde é um pouco complicado o ec u amen o de ce as unções. Eu não sou da egião, sou do Alen ejo, mas do No e, e a Cos a Alen ejana ainda es á mui o em desen ol imen o. Felizmen e o u ismo em chamado mui as pessoas e e oluído a egião, mas ainda é complicado pa a nós consegui mos a ingi algum público. E é complicado, quando es ás à p ocu a de abalho, em p incípio p ocu as logo na g ande Lisboa e Po o. (...). Mas ago a com o ele abalho u pe cebes que ens a possibilidade de es ende a p ocu a de ecu sos. E não alo só a ní el nacional, mas ambém a ní el in e nacional. E isso não só nos dá uma di e sidade mui o maio em e mos cul u ais, den o da emp esa, como ambém em e mos de conhecimen o. Semp e hou e esse desejo po pa e de quem e a des a á ea, em aquele desejo que um dia is o se possa aze , e que eu possa es a a abalha com uma pessoa que es á do ou o lado do mundo. Mas an es u inhas o desejo, mas pe gun a as- e se ealmen e unciona ia. E ago a nes e momen o ens a p o a de que as coisas uncionam.” A ‘ elemig a ion’, ou ‘in e na ional elecommu ing’, em-se indo a acen ua nas úl imas décadas e, especialmen e nos úl imos anos, esse p ocesso oi de al modo 62 signi ica i o que pa ece ma ca uma no a o ma de globalização, segundo Richa d Baldwin. A é ce ca do ano de 2015, á ias ba ei as sec o iais e comunicacionais (em e mos de linguagem) coloca am limi ação à mig ação do abalho emo o: os eelance s inham de ap esen a quali icações boas o su icien e na comp eensão, lei u a e comunicação do inglês, e podiam apenas exe ce a e as modula es (sob e udo em á eas de desen ol imen o web e unções adminis a i as). Po ém, com o desen ol imen o a ançado das aplicações de adução e com o p ocesso de au oma ização a alas a -se ambém às no as unções nos se iços, a elemig ação em so ido um c escimen o mui o acen uado a ní el mundial. Pequenas, médias e g andes emp esas, assim como pessoas a í ulo indi idual, eco em cada ez mais a pla a o mas web especí icas pa a a con a ação de eelance s (ex: Flexjobs, Upwo k, Zhubajie). Ci ando Richa d Baldwin, em The Globo ics Uphea al: “The web pla o ms a e a ec ing elemig a ion in he same way ail oads, con aine s ships, and ai ca go a ec ed ade in goods. By adically lowe ing he cos o mo ing goods in e na ionally, be e anspo a ion echnology allowed companies o exploi in e na ional goods’ p ice di e ences. The esul was booming ade in goods. By adically lowe ing he cos s o hi ing o eign se ices wo ke s, eelance pla o ms a e allowing companies o exploi in e na ional wage di e ences. The esul will su ely be an explosion in elemig a ion” (Baldwin 2019, 122). Nem semp e as opções mais ba a as no me cado de abalho são as escolhidas, mas é um ac o que ce ca de um qua o dos eelance s online es ão a abalha a pa i de países em desen ol imen o, especialmen e da India, Bangladesh, Paquis ão e Filipinas, onde os o denados chegam a se doze ezes in e io es aos salá ios p a icados na União Eu opeia ou EUA. E apesa des a disc epância sala ial, na maio pa e dos casos es a elação en e emp egado e emp egado acaba po se de ganho pa a os dois lados. O pe il des es abalhado es ende a co esponde a uma aixa e á ia en e os 20 e 30 anos, e mais de me ade em educação supe io (Baldwin 2019). A Co id-19 ensinou as emp esas a ge i os esc i ó ios emo amen e, de ido à expansão massi a e coo denada do ele abalho desde o início da pandemia, comba endo assim a an e io iné cia. Há ecnologia que já es a a disponí el, jun a am-se ou os 63 aspe os undamen ais pa a que uma ans o mação pudesse ealmen e oco e : uma mudança coo denada a ní el in e nacional na o ma como abalhamos, não ão dependen e da p esença ísica; uma mudança na o ma como a in o mação é pa ilhada, a mazenada e disponibilizada; uma mudança na o ma como os elemen os de equipas, e en e equipas, coope am e in e agem en e si; uma mudança na o ma de ges ão dos manage s e, mui o impo an e ambém, uma ap endizagem ap o undada, a i a e cole i a das ecnologias digi ais disponí eis pa a o abalho à dis ância. Mas no as mudanças azem ambém no as ques ões, e uma delas é p ecisamen e a cons a ação de que, em e mos ecnológicos, não há p a icamen e di e ença en e um ele abalhado que i a pe o da emp esa, ou de um ele abalhado eelance que abalhe a pa i de ou o país qualque . Simul aneamen e, es a pandemia eio al e a a elação en e o cus o dos abalhado es p esenciais, em compa ação com a au omação so wa e de abalhado es o sho e. “The e’s a big di e ence be ween i ing somebody and no hi ing hem. Once he connec ion has been b oken, using so wa e au oma ion o eplace hem, o o sho ing, in a si ua ion whe e lo s o companies a e going o need o cu cos s – hey ha e he pe ec excuse.”, diz Richa d Baldwin numa en e is a a Dylan Ma hews (Vox 2020, on-line). Se es a é, ou pode á a i a se , a si uação da Logoplas e ou da Vi ac ess é ainda mui o ince o pa a o ma qualque ipo de juízos. Nem a in o mação ecolhida ao longo das en e is as é su icien e pa a e algum ipo de pe ceção mais cla a. Não signi ica isso, po ém, que não sejam aspe os de maio ele ância a e em con a. Ө.9, Logoplas e: “Uma coisa que não alámos e que em que e com is o do mundo digi al, mas ambém da au omação e da obó ica. Eu acho que ambém aí o mundo ai muda bas an e, po que pa a mui as des as g andes emp esas, udo aquilo que eles pude em depende menos de pessoas... Acho que is o ai da um push g ande nesse sen ido. Tudo aquilo que o acilmen e au oma izá el ai começa a acon ece . (…) No nosso ipo de 64 emp esa não sei se o impac o a esse ní el ai se ão g ande, mas à medida que ão apa ecendo soluções - e acho que a pandemia acele ou alguns desses p ocessos - as emp esas ão começando a e mais acesso a no as ecnologias disponí eis. Na Logoplas e podia se ú il pa a a e as de change o e , de o ma os. Já exis em algumas soluções, mas eu penso que as soluções que exis em ão e de se melho adas. Si uações de con olo de qualidade ambém, que hoje em dia já sabemos que são au oma izá eis. Tal ez an es os cus os dessa au oma ização não compensa iam, mas num cená io de pandemia se calha a o ma de aze as con as muda ia um pouco.” 71 Ө.9, Logoplas e: “Há coisas que eu não consigo aze no esc i ó io. Tudo o que exija um ní el de concen ação maio ... analisa , aze pesquisa, p epa a o mações. Eu enho esse p oblema e quem ge e equipas em esse p oblema. Mui os dos ges o es de equipa êm esse p oblema. Quando eles que em aze eles o abalho, é di ícil. Po que a nossa emp esa exige lexibilidade de nós se mos ges o es, mas emos de execu a ambém. Não sou só ges o , ambém execu o.” Ө.5, Logoplas e: “A pa e ‘posi i a’ é que enho mui o menos pessoas a in e ompe em-me du an e o dia. Po que não es ão aqui. O núme o de ezes que en am ala comigo é o mesmo, mas como é ia Teams eu posso não es a sen ado, ou posso não consegui ala logo no momen o. An es e a mais complicado pa a mim es a 30 minu os concen ado num p oblema. Aquelas ho as que eu abalha a mais do que o meu ho á io no mal, quase semp e e a pa a compensa isso. Ou chego mais cedo, ou depois das pessoas saí em, é quando consigo aze esses abalhos de o ma mais concen ada.” IV.II. Diluição dos Ho á ios e uma P odu i idade Ambígua De ac o, o ambien e domés ico oi apon ado como uma mais- alia pa a a ealização de de e minados ipos de a e a, como a ás e e ido, con ibuindo assim pa a uma maio capacidade de oco indi idual, um ap o ei amen o mais u í e o do empo disponí el e uma maio capacidade de p odução que, po ezes, se ma e ializa a em ní eis mais ele ados de endimen o labo al. Con udo, pa a além des e aumen o na p odu i idade não se e i icado em odos os casos, quando acon ece é impo an e pe cebe a que cus o, o que o na desde logo di ícil es abelece conclusões ão linea es como se pode ia julga a uma p imei a is a. Aqui e omamos a chamada de a enção deixada inicialmen e, pa a a al a de p eocupação no es udo do ele abalho em con ex o amilia o a do ho á io adicional do esc i ó io e às ho as de abalho ex a, ou seja, ho as de abalho não- adicionais (Golden 2012, Jos ell and Hemlin 2018). P a icamen e quase odos os en e is ados admi i am e ha ido uma diluição e um aumen o das suas ho as de abalho. A diluição 72 dos ho á ios acon eceu na medida em que, es ando em casa, cada pessoa adap ou, à sua manei a, as suas ho as de abalho às dinâmicas amilia es p e iamen e exis en es, ou ecen emen e su gidas no con ex o de pandemia e con inamen o. Nessa medida, a lexibilidade empo al que ca ac e iza o abalho à dis ância e elou-se um aspe o ex emamen e posi i o, dando au onomia e libe dade a cada abalhado pa a ge i e pe sonaliza os seus ho á ios à medida das suas necessidades pessoais e amilia es. Con udo, sob e udo nos casos em que os ilhos i e am de ica e idos em casa com os pais, nem semp e as adicionais 8 ho as diá ias e am su icien es. Com base nas en e is as ei as e nos inqué i os online hou e um aumen o das ho as ex a, numa média de 1 a 2 ho as de abalho po dia. A necessidade de cuida dos ilhos meno es de idade, o excesso de empo gas o em ideochamadas de g upo e um ce o sen imen o de culpa po não es a a abalha (sendo que o abalho es á semp e à mão), o am os mo i os mais eco en emen e abo dados como jus i icação. ▲.12, Logoplas e: “Eu a amen e desliga a o compu ado , ele es a a semp e ligado, a qualque ho a do dia eu abalha a, se me dis aísse a aze alguma coisa mais domés ica, sen ia semp e a esponsabilidade de compensa ês ezes mais. Eu enho alado com as pessoas e elas sen em quase odas is o, como se es i éssemos a i a do nosso empo de abalho pa a aze uma a i idade no a, e depois sen íssemos que ínhamos de compensa á ias ezes esse empo. (…) Mas é uma coisa que é di ícil de lida e acionaliza . «Is o é um dispa a e. Pe des e 15 minu os, não ens de compensa 45 minu os ou 1 ho a».” A con luência do espaço de abalho com o espaço domés ico diluiu os ho á ios de abalho, o nando di ícil uma au oges ão mais igo osa. A sensação de ‘pe da da noção de ho as’ oi bas an e sen ida, o que con ibuiu na u almen e pa a o aumen o e diluição das ho as de abalho. Os po á eis de abalho passa am a es a ligados mais empo que o no mal, e a qualque momen o as pessoas se podiam desloca e e i ica o no o email ou chamada ecebida; Olson e Ellison mencionam p ecisamen e es e mesmo aspe o nos seus abalhos, “ elewo k esea che s ha e long no ed ha he cons an a ailabili y o he compu e makes i « emp ing (pa icula ly wi h elec onic mail) o jus sign and ‘check 73 my mail’ o ‘see who else is on he sys em’” (Olson 1988 apud Ellison 2004, 115). As pausas o am mui as ezes eduzidas ou eliminadas e, quando usu uídas, são dedicadas a aze as p óp ias e eições ou a adian a alguma a e a domés ica. As a i idades elacionadas com o abalho subs i uí am, mui o equen emen e, ou as a i idades de laze que as pessoas es a am habi uadas a aze (despo o, passeios o a da cidade ao im- de-semana, saídas com colegas, e en os no u nos, e c.) ▲.3, Vi ac ess: “Uma das coisas que acon eceu e que acaba po não se ão posi i o, é o ac o de es a ligada ao abalho mais empo. Nós, ao dia de hoje, an es das 8h já es amos odas ligadas. Pelas 16/17h oda a gen e em as suas a e as ei as e eu p óp ia lhes digo «olha, ocês êm as coisas o ien adas, desliguem e ão à ossa ida». Mas alo po mim, o ac o de es a em casa, depois de jan a ainda enho o compu ado ligado e ejo qualque coisa que ainda ou a a . Já an es às ezes azia is o a a és do elemó el, an es do ele abalho.” De uma ce a pe spe i a, a manu enção do ele abalho, conscien e des e ipo de aumen o de ho as de abalho, pode se is a como um incen i o a compo amen os mais obsessi os e a endências mais wo kaholic, especialmen e em colabo ado es com aços de pe sonalidade mais pe ecionis as, p opícios a esse ipo de eações e compo amen os (Ellison 2004). Não é po acaso que a exaus ão é uma das p incipais a ian es no es ado da a e dos es udos ei os sob e es e ema, e con inua a se uma p eocupação c escen e. Golden explo a inclusi e o concei o de ‘wo k exhaus ion’ enquan o “ he deple ion o ene gy needed o mee job demands” (Golden 2012) É com odos es es aspe os em men e que o ele abalho em empos de pandemia pa ece se “a i icialmen e p odu i o” e se o na bas an e di ícil e uma pe ceção cla a de qual a e iciência do ele abalho em casa em compa ação com o abalho a pa i do esc i ó io (The Economis 2020b). 74 IV.III. Tele abalho e o Cuida dos Filhos: C ianças e Jo ens em Con inamen o Os di e sos pe íodos de ence amen o das escolas e uni e sidades públicas e p i adas em Po ugal em empos de con inamen o social oi um a o modi icado da expe iência de ele abalho pa a mui os pais, an o pa a melho como pa a pio . No o al, 188 países es ipula am ence amen os a ní el nacional, a e ando mais de 1.5 biliões de c ianças e jo ens, e em pelo menos 58 desses países e e i ó ios e i ica am-se ema cações, adiamen os e cancelamen os de exames (Uni ed Na ions 2020). O ence amen o de escolas e a suspensão das a i idades le i as não é uma o iginalidade des a pandemia. Bas a eco da mo-nos da g ipe pneumónica, uma das mais mo í e as de semp e, pa a e i ica mos que ambém aí as escolas o am ence adas e hou e um adiamen o dos exames de acesso ao ensino uni e si á io. Po ém, a o iginalidade na o ma como os sis emas educa i os êm espondido à si uação epidemiológica su gida em 2019 p ende-se com ou os aspe os: p imei o, a simul aneidade do echo das escolas a ní el in e nacional; em segundo, o ac o des e ence amen o não se e aduzido numa in e upção o al do ano le i o e das suas a i idades (Ma ins 2020); em e cei o luga , o echo dos es abelecimen os de ensino oco eu an ecipada e p e en i amen e em 27 países (Uni ed Na ions 2020). Apesa des e g upo e á io so e menos os e ei os de saúde di e os p o ocados pelo Sa s-Co -2, ap esen ando uma baixa axa de incidência, sin oma ologia menos g a e e um meno núme o de í imas mo ais, a pandemia em p o ocado ou as complicações pa a as c ianças e jo ens, que pode ão i a e um p o undo impac o nos seus u u os p ocessos de desen ol imen o social, económico, ísico, cogni i o e psico-emocional. Segundo o es udo desen ol ido ecen emen e pelas Nações Unidas sob e o impac o des a pandemia nos mais pequenos, exis em ês g andes g upos de consequências: as p óp ias consequências di e as da in eção do o ganismo pelo í us; os impac os socioeconómicos mais imedia os das medidas de con olo social aplicadas pelos di e en es go e nos, pa a a a a disseminação in eciosa en e a população; e, po úl imo, os po enciais e ei os a longo p azo que pode ão coloca em causa os obje i os es ipulados in e nacionalmen e no aco do de 2015, – Sus ainable De elopmen Goals (SDGs) – cujas p incipais me as passam pelo im da pob eza ex ema, melho a ibuição e dis ibuição de cuidados de saúde e assegu a os di ei os de igualdade pa a odas as mulhe es (Uni ed Na ions 2020). 75 Es es po enciais impac os nega i os de e ão i a se idos em con a e em linha de p io idade, especialmen e quando alamos de c ianças e jo ens em países com baixos e médios endimen os (Rajmil e al. 2021). No con ex o especí ico po uguês, no dia 13 de ma ço de 2020, o Go e no ap o ou á ias medidas excecionais e empo á ias ela i as à si uação epidemiológica, en e as quais se in eg a a a suspensão das a i idades le i as e não-le i as p esenciais. Do a an e, as aulas de ap endizagem ealiza -se-iam a pa i da modalidade de ensino não p esencial, com possibilidade de exceção p e is a pa a os 11º e 12º anos nas disciplinas cujos espe i os exames nacionais uncionassem como equisi o ob iga ó io pa a o u u o ing esso no ensino supe io , assim como nos 2º e 3º anos dos cu sos de dupla ce i icação de ensino secundá io (Dec e o-Lei nº 14-G/2020 de 13 de ab il, P esidência do Conselho de Minis os, 2020). Es a si uação es endeu-se ao ano le i o seguin e, 2020- 2021, e em Janei o de 2021 o Go e no ol ou a dec e a a suspensão das a i idades le i as e não-le i as po 15 dias e pe mi indo a sua e oma pos e io apenas a modalidade de egime não p esencial, uma ez que a é en ão as a i idades le i as p esenciais inham indo a se e omadas g adualmen e, consoan e a si uação epidemiológica assim o pe mi isse (Despacho nº 3866/2021 de 16 de Ab il do Gabine e do Sec e á io de Es ado Adjun o e da Educação). As a i idades le i as em modalidade de egime à dis ância o am la gamen e assegu adas a a és da In e ne , meio p i ilegiado a ní el mundial pa a ees abelece o con ac o en e alunos e p o esso es. A ádio e a ele isão o am ambém disposi i os u ilizados, sob e udo em países a icanos e asiá icos. Mas alguns países eu opeus eco e am de ac o ao apa elho ele isi o enquan o modo complemen a , de o ma a ga an i que mesmo aqueles alunos com poucos ou nenhuns ecu sos ecnológicos conseguissem man e o ano le i o numa linha de con inuidade mínima, de o ma a ge a o mínimo de dis upção possí el. Ci ando Susana da C uz Ma ins, “c ia am-se modalidades lexí eis e di e si icadas de con inuação de comunicação en e escolas e os seus alunos e possibilidades que a endem aos á ios con ex os pa a a di usão de con eúdos cu icula es, onde o mais emblemá ico e com in enções de uni e salidade oi a ansmissão de con eúdos pela ele isão, a aze lemb a 76 o modelo da « elescola», com uma designação de imagem ecnológica econ e ida (#Es uda EmCasa).” (Ma ins 2020, 45). O uni e so de amílias en e is adas ap esen ou, elizmen e, sinais de ela i a es abilidade, não se endo ei o po isso sen i es e escala de po enciais impac os nega i os. Quase odos os en e is ados se encon a am numa si uação económica es á el ou acima da média, endo ido meios pa a ob e qualque ipo de ma e ial que se i esse e elado necessá io pa a o pe íodo em que as suas c ianças es i e am echadas em casa com os pais, especialmen e em pe íodo escola e com as aulas à dis ância. Quan o a consequências ísicas di e as da doença, nada me oi ela ado. Con udo, apesa dos cuidados que os pais en e is ados mani es a am oma , no a am-se al e ações nas dinâmicas habi uais dos ilhos que me ecem se analisadas, sob e udo a ní el da saúde men al e alimen a , e do p ocesso de ap endizagem. Es e pe íodo oi especialmen e di ícil pa a os pais que i e am de ica em casa em ele abalho e, simul aneamen e, oma con a dos seus ilhos. Sob e udo pa a os pais com c ianças ainda mui o pequenas, mais dependen es dos p ogeni o es pa a o desempenho das a e as mais básicas. Ө.13, Logoplas e: “Foi mais ácil a pa i do início de se emb o, quando as c ianças ol a am às aulas. A é lá hou e momen os bas an e complicados. Te de olha pelas c ianças e e de aze o abalho. E a minha esposa oi a mesma coisa. Ela ambém abalha em ele abalho, é p o esso a, e hou e aqui cená ios em casa no início que e a, eu a e de es a a abalha e es a em eunião, ela a da aulas à dis ância, o meu mais elho a e aulas à dis ância ambém e depois o mais pequeno e que ica a ali meio pe dido.” ▲.13, Logoplas e: “Foi complicado, a jun a ao ac o de eu e duas c ianças e quando es a a em casa a minha ilha mais no a em 5 anos e com essa idade e a di ícil man ê-la ocupada de o ma a eu es a libe a pa a abalha . Po que es a ques ão de eu aze meios-dias, meio-dia no esc i ó io e meio-dia à a de, eu coo denei is o com o meu ma ido e ele azia exa amen e o con á io. Fica a de manhã em casa com os miúdos, e de a de ele já podia i abalha . (…) Ago a, desde que se ol ou a e 77 a i idades escola es, no caso da mais pequena oi em junho que ab iu o p é- escola , p on o icou udo mais ácil.” Is o exigiu dos pais ele abalhado es uma lexibilidade e uma capacidade de adap ação ainda maio , mui as ezes endo mesmo de se le ada ao ex emo. Is o jus i ica, em la ga medida, mui os dos aspe os nega i os apon ados ao longo des a expe iência de ele abalho em con inamen o, como a aca capacidade de concen ação; os cons an es elemen os de dis ação; a necessidade de desdob a a a enção dada aos es an es elemen os com quem se di idia a casa; a comple a diluição dos ho á ios, po o ça da adap ação que os pais êm de aze às o inas e necessidades dos ilhos a seu ca go; a queb a de p odu i idade sen ida du an e o pe íodo de ence amen o dos es abelecimen os de ensino; e a é mesmo o aumen o das ensões ma imoniais sen ido em alguns casos. Es a adap ação – impo a sublinha mais uma ez – oi quase semp e unidi ecional, uma ez que se á di ícil, senão mesmo impossí el, pedi es e ipo de es o ço a c ianças, mui as delas bas an e pequenas. Na maio pa e dos casos, pais epo a am nas en e is as que os seus ilhos nem seque inham bem pe ceção do que se es a a a passa , e que e a como se os pais es i essem em casa de é ias com eles, o nando quase impossí el es ipula on ei as en e o empo e o espaço de abalho s o empo e o espaço domés ico e de con í io amilia . ▲.14, Logoplas e: “O meu ma ido é mili a e nos p imei os 15 dias de con inamen o ele icou echado na base sem pode sai e a minha ilha e o meu en eado acha am que es a am de é ias. O meu en eado já não inha necessidade nenhuma de acha isso, po que ele já em 13 anos. A minha ilha inha acabado de aze 5. Ela cla amen e acha a que ela es a a de é ias e que eu ambém es a ia. Eles nunca es i e am nes a si uação, en ão oi um ajus e mui o complicado em que eu inha de ajus a os meus ho á ios de abalho pa a me adap a à no a o ina.” Ө.5, Logopals e: “É di ícil po que eu enho dois ilhos, um com 5 e ou o com 1 ano e meio. E é mui o complicado po que enho de anda semp e a ugi deles. Eu no malmen e ia abalha pa a a cozinha po que e a o úl imo 78 sí io onde eles me p ocu a am, mas a dada al u a do dia eles passa am po lá. Tinha de es a com eles 10/15 minu os, eles dis aíam-se e eu ap o ei a a pa a i pa a ou o sí io qualque . (…) mas eles acabam semp e po me encon a . “ Ө.10, Logopals e: “a pequenina enquan o não anda a, as coisas o am calmas. Mas no im da qua en ena ela começou a aga a -se às coisas e a anda po aí. Ela mui as ezes começa a a cho a pa a nós [lhe] ab i mos a po a e ela pode anda pela casa. E ele [ ilho mais elho] mui as ezes inha aqui e connosco e dize que es a a a da alguma coisa na ele isão, ou às ezes nós me íamo-lo a aze alguma coisa e de epen e ele dizia «pai, já es ou a o... Vamos aze ou a coisa».” Ti e am de se encon adas, c iadas e ec iadas es a égias de adap ação cons an es, numa ges ão ei a quase ao minu o pelos pais. O ecu so sucessi o à colocação de ilmes ou sé ies ele isi as pa a c ianças ou jo ens oi uma das soluções encon adas mais mencionadas, sob e udo a a és da Ne lix ou ou as pla a o mas semelhan es ao ní el do s eaming. No episódio dedicado ao ele abalho da sé ie SIC G ande Repo agem: Pandemia 2020, Gus a o Ca doso, in es igado do ISCTE, explica-nos que uma das mudanças sen idas desde o início da pandemia oi p ecisamen e o aumen o do consumo de ilmes e sé ies a a és de pla a o mas como a Ne lix, Amazon P ime ou HBO, e i icando-se inclusi e um aumen o das subsc ições pagas des es se iços. Nou as si uações, os pais en a am esp eme ao máximo a sua capacidade imagina i a, como oi caso da en e is ada ▲.14, que decidiu c ia um ho á io pe sonalizado pa a cada um dos seus ilhos, com bonecos e ícones pa a que es es conseguissem pe cebe melho quando e a, ou não, o empo de abalho da mãe e que a i idades de e iam aze a de e minadas ho as, sem e em assim de in e ompe cons an emen e. Nou as si uações os en e is ados con essa am que acaba am po p e e i le an a em-se mais cedo ou dei a em-se mais a de que o no mal, ap o ei ando essas ho as em que os ilhos es a am dei ados pa a abalha com mais calma e concen ação. To nou-se igualmen e eco en e o apa ecimen o, mais ou menos di e o, das c ianças ao longo das ideocon e ências de abalho. 79 Ө.7, Logoplas e: “Lemb o-me de es a a ala com um colega meu do IT, po que es a a com um p oblema no compu ado , e de epen e o ilho dele começou a ou i música aos al os be os. E ele i a-se e diz assim «Epá, es a é a única o ma que eu enho de consegui abalha e consegui que eles es ejam quie os».” ▲.2, Logoplas e: “Ainda na sex a- ei a iz a a de a pa i de casa e de o dize que i e uma con e ência com uma colega com a minha ilha ao colo, po que senão inha a miúda aos g i os. No caso de c ianças pequenas, pa a aí a é um ano de idade, é p a icamen e impossí el e endimen o.” Alguns pais admi i am um ce o sen imen o de culpa po não consegui em da um melho acompanhamen o aos ilhos, ou seguimen o mais a en o às a i idades que os p o esso es en ia am pa a casa, mas as cons an es solici ações de abalho nem semp e o pe mi i am. Ou o aspe o impo an e a menciona e e en e às c ianças, é o ac o de e em sido no adas al e ações de compo amen o an o pelos pais, como pelos docen es e não- docen es das escolas e c eches. Quad os de ansiedade, al e ações epen inas de humo , uma maio melancolia, sinais de ca ência a e i a e compo amen os mais ag essi os (sob e udo da pa e dos apazes) e au ocen ados o am as mani es ações mais apon adas. ▲.13, Logoplas e: “A mais pequena (…) semp e oi mui o independen e e mais ou menos a um mês de es a mos nes a si uação [con inamen o e echo das escolas], ela começou a ... an o ia como cho a a, sem azão apa en e. Começou a i pa a a nossa cama à noi e que e a uma coisa que já não acon ecia. Ela do mia sozinha desde en a idade. (…) no caso do Lucas [ ilho mais elho], ele é um apaz com 10 anos, al a a-lhe aquela coisa dos miúdos que andam à lu a uns com os ou os. E ele acaba a po aze isso com a i mã, o que e a uma desg aça po que ele não em noção da o ça que em.” 80 ▲.15, Vi ac ess: “Eu acho que a é acabou po a e a mais o mais pequeno do que o mais elho. Po que o mais pequeno é mui o de a e os, é mui o de oque. Ele pede às educado as pa a i a em as másca as pa a lhes e os so isos. Que -lhes da beijinhos. Ele ainda não se habi uou mui o a isso. Ele ado a aga a as pessoas. Tan o que acon eceu uma si uação em que a pessoa es a a com másca a, en ão ele le an ou a blusa e deu um beijinho nas cos as da pessoa. (…) Ele en a en ia a mão den o das másca as das educado as pa a lhes oca .” ▲.2, Logopals e: “No ou-se ambém na escola dos miúdos. Os apazes quando eg essa am à escola iam ex emamen e iolen os. Nós i emos ecen emen e uma eunião de escola à dis ância e os p o esso es dizem odos o mesmo. De se emb o a ou ub o os apazes b inca am a ba e em-se e ag edi em-se. Hou e mui as c ianças que es a am desno eadas.” Dados e e en es a an e io es si uações de eme gência, como oi o caso do su o de SARS em 2003 em cidades chinesas e canadianas, apon am ambém pa a sinais de c escen e ansiedade, dep essão e sin omas pós- aumá icos em c ianças e jo ens. De aco do com os es udos ei os ao ab igo da O ganização pa a a Coope ação e Desen ol imen o Econômico, es es e ei os secundá ios pode ão i a se mais in ensos na sequência da pandemia Co id-19, ainda que o aumen o das in e ações sociais ia online ou ou as pla a o mas digi ais possa se uma ajuda na mi igação de alguns aspe os mais nega i os. Os impac os nega i os se ão sob e udo sen idos nas amílias de camadas socioeconómicas mais baixas, especialmen e nos países mais pob es, o que não oi o caso da amos a de pessoas en e is adas nes es dois casos de es udo. Is o não signi ica que a a enção a es e g upo e á io não de a se con inuada mesmo quando a si uação epidemiológica se e e e , endo especialmen e em con a que as p imei as mani es ações de uma saúde men al debili ada su gem p ecisamen e a pa i da pube dade (OCDE 2020). Quan o ao p ocesso de ap endizagem du an e o echo das escolas, es as en e is as o na am ainda mais ób ia a impo ância c í ica dos pais no p ocesso de ap endizagem dos ilhos em casa, especialmen e a é aos 7 anos de idade. Sem as habi uais es u u as de apoio e cuidado, a educação in an il ica comple amen e dependen e do ambien e amilia de cada c iança ou jo em (das condições ísicas da cada, do acesso a ma e iais digi ais e 87 ela se sen e à on ade. En ão esse empo ela ai usa pa a aze as coisas pessoais dela.” Concluindo, exis e um o e isco de na Eu opa, e nos es an es países do mundo, se aze sen i um e ocesso no que oca aos p og essos ei os pela lu a dos di ei os de igualdade das mulhe es, a menos que sejam desde já omadas medidas polí icas que p e endam in e e esse e ei o pe e so e que sejam idas e aplicadas como p io idade no cen o dos di e en es planos de ecupe ação dos á ios países. A esse espei o, Ma iana Viei a da Sil a, Minis a da P esidência e da Mode nização Adminis a i a, con i mou a especial a enção que se p e ê da a es es emas no O çamen o de Es ado de 2021: de e minou que se p ocedesse à desag egação possí el po sexo de odos os ins umen os adminis a i os da adminis ação cen al; que se incluísse, pela p imei a ez, um conjun o de indicado es com o in ui o de a alia , anualmen e, os p og essos de igualdade en e géne os, e a alia o modo como polí icas públicas podem, de ac o, se uma mais alia pa a esse p og esso; a c iação de um apoio ex ao diná io ao endimen o dos abalhado es independen es e abalhado es po con a de ou em, onde se incluem mui as mulhe es que p es am se iços domés icos, lemb ando ainda que a c iação des e ipo de medidas que se ocam no apoio a abalhado es in o mais, são medidas que in a ia elmen e endem a p o ege sob e udo mulhe es; ou o lançamen o de uma p es ação adicional de apoio à amília com uma ab angência de 800 mil come cian es, num o al de 26 milhões de eu os (Pe ei a 2021). 88 V. TELETRABALHO E SOCIABILIDADES Es e capí ulo e á como p incipais obje i os cob i duas g andes p oblemá icas. Uma p imei a que segui á de pe o os esul ados ob idos a a és dos ques ioná ios subme idos aos en e is ados, en ando pe cebe de que modo as medidas de con inamen o e dis anciamen o ísico al e a am o dia-a-dia das pessoas o a do seu uni e so de abalho e, po conseguin e, as suas o inas e pad ões sociais. Es a p imei a análise se á in eg ada nas di e sas e lexões que se êm desde semp e ei o sob e o po encial impac o do ele abalho nas endências dominan es de mobilidade den o da sociedade e, po sua ez, que consequências isso em e pode á i a e no p óp io desenho e i ência dos espaços u banos. Po ou o lado, es e capí ulo dedica á ambém espaço pa a e le i sob e a impo ância do local de abalho comum p esencial enquan o um impo an e agen e de socialização, pa indo, pa a al, dos mui os ela os dos en e is ados sob e a expe iência da sua ausência, e que impac os essa mudança e e no seio das elações es abelecidas no local de abalho e nas p óp ias idas pessoais dos abalhado es. V.I Al e ação dos pad ões de mobilidade e implicações espaciais Pe an e a possibilidade e opo unidade de pode abalha à dis ância e a pa i de casa, á ios uncioná ios da Logoplas e e da Vi ac ess cujas unções pe mi iam essa lexibilidade ap o ei a am pa a sai dos seus locais de esidência po di e sos mo i os. Pa a alguns, oi a opo unidade de sai dos g andes cen os u banos e se e ugia em em zonas menos conges ionadas e/ou mais u ais onde dispusessem de uma segunda casa; ou os p e e i am ap o ei a es a opo unidade pa a iaja e conhece no as localidades den o do país, ao mesmo empo que exe ciam as suas unções labo ais; em con ex os de elacionamen os à dis ância, es a oi uma chance de eunião e de melho equilíb io en e a ida pessoal e p o issional; nou os casos ainda, mui os abalhado es ap o ei a am es es pe íodos de con inamen o pa a ol a pa a casa dos pais e cuida deles. Es as o am as azões mais apon adas ao longo das en e is as. 89 Ө.15, Logoplas e: “Eu nes e momen o não es ou em Lisboa po que a minha namo ada é de A ei o e es ou em A ei o. Po an o enho essa acilidade de es a numa cidade di e en e e es ou como se es i esse em casa. Es ou na casa dos pais dela po que es amos a emodela a casa. E como não es ou na cidade g ande acabo po e uma o ma de i e mais anquila. Eu quando alei de meia ho a pa a i às comp as e a aqui, em Lisboa não é a mesma coisa. (…) Aqui nes a zona em que eu es ou esses momen os de paz são mais. O que eu aço em Lisboa numa ho a, aqui aço em 10/15 minu os. Sin o-me ainda mais descon aído e anquilo po que es ou num ambien e mais calmo.” ▲.3, Vi ac ess: “En ão eu op ei o ano passado, quando en ei em ele abalho, po es a semp e em Lisboa. Es ou em casa dos meus pais; ambém pa a da algum apoio.” ▲.16, Logoplas e: “I ha e some iends ha a e ice-p esiden s o wo k in la ge companies and s a like ha , and do he wo k om home and some spen 3 mon hs in A izona. They a e pe ec ly able o do all hei con e ences calls and e e y hing by hemsel es. So, I’ e no known people who ha e sold hei homes and mo ed ou o o he a eas, bu I know people ha ha e said, «My b o he does business in communica ion en als, so hey ha e people who ha e come and s ayed o a mon h. And hen hey mo ed o ano he place o a mon h, and hen o ano he place o a mon h». Di e en ci ies, di e en owns, and hey ha e he weekends o go explo e o wha e e . The p ope y s a e ma ke is elly s ong igh now in he USA.” Ө.12, Logoplas e: “Po exemplo, o nosso desenhado , aquele apaz que anda a semp e a pedi pa a abalha em casa. Ele oi pa a casa da mulhe , em Pombal. Ele an es inha de aluga uma casa em Cascais pa a es a du an e a semana e depois ol a a pa a Pombal na sex a- ei a e ol a a pa a Cascais na segunda. E aquilo e a cha o pa a ele.” 90 As a i idades mais pe meá eis a um egime de ele abalho - elewo kabili y – endem a concen a -se nas cidades e g andes cen os u banos (44%), em compa ação com ilas, cidades mais pequenas e subú bios (35%), ou mesmo zonas u ais (29%). Con udo, o eben a do su o pandêmico pode á i a e epe cussões du adou as na dis ibuição geog á ico-espacial do abalho, alas ando-se a zonas a é en ão conside adas como mais pe i é icas, e p omo endo assim uma deslocação dos cen os de a i idade económica, de negócios e imobiliá ia. Po ou o lado, a expe iência pandêmica êm indo a incen i a a c iação de espaços co-wo king e a melho ia das in aes u u as de elecomunicações em zonas onde es as se encon am em condições medíoc es ou insu icien es. Con udo, impo a elemb a que “ he decision abou whe e o li e elies on a nexus o in e ac ing ac s and no only employmen oppo uni ies” (Lodo ici e al. 2021, 78) Em con e sa com o Di e o de Vendas da Vi ac ess, es e explicou que de ac o se e i ica que, no caso po uguês, as g andes cidades de Lisboa e do Po o são os locais que êm ap esen ado pio desempenho em e mos de me cado. Que is o dize que o c escimen o das comp as das pessoas em-se desen ol ido mais apidamen e o a des es dois cen os u banos: po um lado, po que mui as das comp as ei as nes es dois g andes cen os e am ei as po abalhado es que não i iam nem em Lisboa, nem no Po o, mas que aqui abalhando ap o ei a am o caminho de ol a pa a casa pa a se abas ece em do necessá io. Po ou o lado, es ando a abalha em casa, mui as pessoas deixa am de equen a os es au an es e ca és que a é en ão equen a am, ou inclusi e ap o ei a am pa a muda de médico nou a zona mais acessí el, ou passa a p a ica despo o mais pe o de casa, e c. Todas es as al e ações i e am um impac o económico nega i o nos g andes cen os do pon o de is a imobiliá io, na o ganização das cidades e no in es imen o nas ope ações de e alho, e isso pode á i a coloca eno mes desa ios. Numa en e is a ao Exp esso, o u banis a e p o esso uni e si á io na So bonne, explica que a p incipal azão pela qual as pessoas passam o equi alen e, em média, a um dia de abalho semanal em deslocações, se de e essencialmen e ao ca á e segmen ado das cidades e do modo de como mui os abalhado es as expe ienciam. “Vi e-se numa zona, abalha-se nou a e azem-se as comp as algu es en e as duas” (Albuque que 2020, 24). Po esse mo i o se em alado an o na necessidade de se apos a em no os modelos de u banismo, como o concei o das ‘cidades de 15 minu os’, segundo o qual cada á ea u banizada se ia do ada de udo aquilo que osse conside ado bens e se iços essenciais 91 pa a os seus habi an es a uma dis ância de um qua o de ho a, pe mi indo inclusi e a adoção de hábi os de deslocação mais sus en á eis, como se ia o caso de anda a pé ou op a pelo uso de uma bicicle a. O ele abalho eio, de ac o, muda os pad ões de mobilidade pa a algumas pessoas e, nesse seguimen o, pe mi iu uma desacele ação dos i mos de ida quo idianos. Reacende am-se ambém an igas discussões sob e o impac o que a adoção des e egime de abalho à dis ância pode á i a e em e mos ambien ais. De ac o, os impac os ambien ais que es a pandemia susci ou são eais e não podem – nem de em – se igno ados ou menosp ezados, endo sido bas an e di ulgados pelos media e nas edes sociais numa ase inicial. A diminuição de emissões de CO2 em sido ab up a, ce ca de 25%, sem dú ida a edução mais ápida e imedia a após odos es es anos de negociações climá icas. As imagens cap adas pelos sa éli es da NASA mos am como a a mos e a sob e a China pa ece es a conside a elmen e limpa de óxido ni oso. Em Wuhan o a o nou a se espi á el, al como em Shanghai, Beijing e Changqing de ido à diminuição ab up a no consumo e p odução de óleo e aço, assim como nos oos domés icos. Em Veneza em ha ido uma melho ia da qualidade do a e da água nos canais e os habi an es locais comen am que, pela p imei a ez, conseguem e os peixes a nada . Es es são apenas alguns exemplos en e mui os ou os. Re omando a ques ão acima mencionada e e en e à mobilidade, os abalhado es na União Eu opeia com enquad amen o legal usam sob e udo ca os p i ados como p incipal meio de anspo e (50%); apenas 16% azem uso dos anspo es públicos e 12% eco em a bicicle as. Num odo, as deslocações diá ias den o da UE são esponsá eis po 25% do CO2 emi ido pa a a a mos e a. Vá ios es udos de endem o impac o cen al da edução das deslocações diá ias. Um es udo de 2015 da Agence de la T ansi ion Écologique de ende que uma média de 2,9 dias de ele abalho po semana i ia eduzi em ce ca de 30% os impac os das deslocações diá ias, esponsá eis po 3,7% das emissões de gases de e ei o es u a. Ou o a igo a gumen a que a ní el global se ia possí el eduzi 1% do consumo global de pe óleo pa a anspo es odo iá ios po ano, se odos aqueles que pudessem ele abalhassem pelo menos um dia po semana (Lodo ici e al. 2021). Con udo, no que diz espei o a es a ques ão ambien al, pa a além des es núme os se em esiduais em compa ação com o odo do p oblema, a ealidade é bas an e mais 92 ambígua do que inicialmen e apa en ou se . Só em elação ao impac o ambien al do ele abalho, de e-se e ambém em a enção que, na p á ica, ele depende de múl iplos a o es, ais como a dis ância das deslocações, a quan idade e ipo de ene gia gas a em casa, ou as possí eis deslocações que possam se ei as (que não pa a o abalho), ou inclusi e os núme os e e en es ao uso de ecnologias digi ais e associados. Em úl ima ins ância, o impac o do ele abalho se ia mui o mode ado e ques ioná el. Mui o ecen emen e, An ónio Gu e es, sec e á io-ge al da ONU, eio con i ma que a queda de CO2 e i icada no ano de 2020 oi me amen e empo á ia, e as emissões de combus í eis ósseis o am já ecupe adas e con inuam numa aje ó ia ascenden e, o que se e i ica nos g a es e en os climá icos que só es e ano se in ensi ica am em odo o mundo. No caso especí ico da Logoplas e, es as ques ões o am ambém colocadas e abo dadas com a esponsá el pelos assun os de sus en abilidade a ní el adminis a i o. ▲.12, Logoplas e: “Há uma sé ie de pessoas que êm ca o da emp esa. E o ac o de es a es em ele abalho az com que u ilizes pouco o ca o. É uma das nossas on es de emissões di e as. Logo aí hou e uma diminuição. (…) Depois as emp esas que enham essa lexibilidade, não p ecisam de edi ícios e esc i ó ios ão g andes. Cla o que a emp esa ai e sa ings em ele icidade e água po e menos gen e aqui, mas depois esse gas o acaba po e o abalhado em casa, po isso não acho que aí haja g andes diminuições no odo. Há apenas uma ans e ência de emissões. (…) Se o mos e , na nossa p odução não hou e impac o nenhum, po que con inuamos a p oduzi o mesmo e a gas a ene gia, o mesmo com as ma é ias-p imas. [Ques ão: E achas que essa ques ão das deslocações ai pesa num possí el u u o modelo que a Logoplas e decida desen ol e pa a o ele abalho?] Não acho que se á po causa des e ipo de emissões, que algumas ez se á oma uma decisão. Acho que aí se á mais uma ques ão de sa is ação do colabo ado , po que quan o mais au ónomos somos e maio lexibilidade emos, isso acaba semp e po melho a a nossa au oes ima e somos mais p odu i os.” 93 V.II Local de abalho enquan o espaço de sociabilização e a in eg ação de no os memb os na emp esa em egime de ele abalho En ende-se po socialização o conjun o de p ocessos a a és dos quais os indi íduos são ensinados - de o ma áci a e/ou explíci a – e inco po am as compe ências necessá ias, os pad ões de compo amen o, as mo i ações e os alo es p ecisos pa a uma pa icipação, in eg ação e uncionamen o ido como adequado e uncional no seio de cada cul u a. Es es p ocessos são ansmi idos de ge ação em ge ação, mas não de o ma es á ica e in a iá el, uma ez que exis e ambém nas pessoas a capacidade de se em socializadas pa a se adap a em às cons an es ans o mações das ci cuns âncias. Exis e uma endência pa a as eo ias e in es igações sob e es es p ocessos de socialização se deb uça em sob e as ases iniciais de desen ol imen o das c ianças e adolescen es a é se o na em po enciais adul os. Nesse sen ido, a amília e as escolas são elemen os p edile os enquan o agen e de socialização. Con udo, os p ocessos de socialização oco em ao longo de oda a ida do indi íduo, semp e que es e se inicia em no os con ex os sociais, onde no os pad ões de compo amen o social êm de lhe se ansmi idos (G usec and Has ings 2015). O local de abalho é um dos espaços de socialização mais impo an es ao longo da ida adul a, sendo a ins i uição emp esa conside ada um espaço p i ilegiado de p odução e ep odução de elações sociais, assim como de sen idos simbólicos (F ei e 1993). John Sco e Go don Ma shall desc e em o concei o de socialização no abalho enquan o “p ocess o lea ning o labou in paid employmen and con o ming o he associa ed ideological s uc u es: in e nalizing he no ms, alues and cul u e o he wo kplace, employing o ganiza ion, p o ession, o occupa ional g oup; accommoda ing o powe and au ho i y ela ions a he wo kplace; acqui ing he skills o seconda y ela ionships; complying wi h he pa icula ole and unc ions alloca ed o he indi idual wo ke ; and adop ing he beha iou s p e e ed by employe s (such as punc uali y, eam spi i , and loyal y). Mo e gene ally, i in ol es lea ning o alue he a i udes ha ein o ce he wo h o wo k in gene al and he skills in ol ed in doing pa icula jobs, 94 such as s eng h, dex e i y, nume acy, c ea i i y, analy ical abili ies, o pe suasi eness” (Ox o d Re e ence 2009) Uma das p incipais p eocupações p esen e ao longo das en e is as p endeu-se p ecisamen e com a en a i a de pe cebe quais os desa ios encon ados pelos ecém- chegados memb os da Vi ac ess e da Logoplas e, du an e um pe íodo em que o abalho oi maio i a iamen e assegu ado à dis ância e a pa i de ecnologias digi ais. De que modo es as no as ci cuns âncias al e a am o p ocesso de in eg ação de no os abalhado es e como é a o ganização e as equipas p é-exis en es se molda am às no as necessidades. ▲.6, Logoplas e: “Ti e duas pessoas da equipa que saí am du an e o con inamen o, po isso i e de aze ec u amen os. Mas co eu bem e as pessoas es ão pe ei amen e in eg adas hoje em dia. Uma delas já inha abalhado na Logoplas e, o que ajudou. E a ou a pessoa ambém já inha en e is ado a é pessoalmen e, po que já se inha candida ado numa ou a opo unidade (…) oi um desa io aze ec u amen o po ideochamada, mas co eu bem. Quando as pessoas en a am izemos euniões de ap esen ação, pa a elas conhece em a equipa. Es as no as e amen as ambém ajuda am bas an e. O Teams em ajudado bas an e. E es a possibilidade de as pessoas pode em g a a e pa ilha ec ãs é mui o melho do que e a an es o Skype. (…) Em e mos de o mação a é é bom po que as pessoas conseguem es a mais concen adas do que se es i essem no esc i ó io, e conseguem pa ilha bem a in o mação pelo Teams. Acabou po se mui o p odu i o. E as pessoas a é acaba am po assimila as o mações mui o mais ápido des a manei a, do que se calha se as i essem ecebido p esencialmen e.” ▲.9, Vi ac ess: “Tínhamos de e semp e alguém do depa amen o a ep esen a , mas nunca podíamos es a odas, po que o open space da Vi ac ess não da a pa a es a mos lá odas em segu ança. (…). Depois is o começou a pio a e a é a emp esa nos manda i odos pa a casa, omos pa a 95 um con en o . Po que, en e an o, en ou uma pessoa no a e ínhamos de e semp e uma pessoa da equipa p esencialmen e com ela pa a a consegui mos ensina . En e an o is o começou a pio a mais e iemos odos pa a casa. [Ques ão: Esse pe íodo no con en o , em que es a a semp e uma pessoa da ossa equipa a da o mação, du ou quan o empo?] Um mês. [Ques ão: E ela conseguiu adap a -se bem?] Sim. Ti emos a empu á-la [ isos]. Mas o Teams é uma g ande e amen a, po que conseguimos pa ilha com ela as coisas, de o ma que ela conseguisse e o que es á a acon ece e i omando no as.” ▲.8, Vi ac ess: “Ac edi o que não enha sido uma in eg ação como oi a minha, não é? Po que é complicado. Nós ainda não conseguimos aze um jan a ou almoço com ela [no a es agiá ia], como eu i e a opo unidade de e logo no início quando cheguei. Nós e amos uma emp esa que azia lanches, azíamos po co no espe o odos os anos. Aquilo e a eng açado (…) e a um momen o em que jun á amos oda a gen e: pessoal da áb ica, do campo, do esc i ó io. E lemb o-me que isso acon eceu um ou dois meses depois de eu e chegado e é um ó imo momen o pa a u conhece es as pessoas com quem não lidas di e amen e no abalho. A é o p óp io jan a de Na al. Ela [no a es agiá ia], po exemplo, en ou depois do jan a e não e e a opo unidade de pa icipa . E isso em e mos de socialização, oi mui o di e en e. Em e mos de adap ação à unção, acho que emos en ado da o apoio que ela p ecisa; ligamos e en amos in e agi com ela á ias ezes, apesa de ela es a mais no esc i ó io do que nós. Po que as unções que ela es á a desempenha , impossibili am o ele abalho. Ela em mui as unções de e eno. Acabamos po ala com ela mais po Teams e quando lá amos.” Nos ês casos, o ecu so ao uso da pla a o ma Teams oi uma mais- alia an o pa a os no os elemen os, como pa a os colegas de abalho que ica am enca egues do seu p ocesso de o mação. A possibilidade de g a a as ideochamadas, de pa ilha e gua da au oma icamen e documen os que sejam aqui colocados e o p óp io ac o de não ha e as habi uais in e upções de esc i ó io pa ecem e o nado o p ocesso de 96 ap endizagem inicial mais e icaz e p odu i o. Es es bons esul ados elacionam-se com o ac o de, em ele abalho, e exis ido uma endência pa a uma c escen e uncionalização e o malização da comunicação en e abalhado es, como já mencionado no Capí ulo III. Não deixa se cu ioso no a que o ac o de os dois memb os ecém-chegados à Logoplas e já e em ido algum ipo de con ac o e expe iência p é ia com a emp esa, e acili ado a sua in eg ação, pelo menos den o da sua espe i a equipa e depa amen o. Já no caso da Vi ac ess, oi necessá io aze um es o ço de o ma a ga an i o mínimo de acompanhamen o p esencial aos no os es agiá ios. Em qualque um dos casos, a in e ação dos no os elemen os e e de se limi a a um núme o mui o mais eduzido de colegas, endencialmen e do mesmo depa amen o, o que e idência a al possibilidade de maio ap oximação en e pessoas den o da mesma equipa/g upo de abalho, mas um a as amen o en e equipas/g upo den o da o ganização num odo. Na e en ualidade do ele abalho i a se ado ado nes as duas emp esas, seja de o ma pa cial ou o al, se á ulc al pensa em es a égias de in eg ação de no os abalhado es, de o ma a ga an i uma in eg ação que inclua a componen e p esencial, de o ma a mais acilmen e pe mi i a c iação de no as elações com os colegas e supe iso es. O es o ço de in eg ação em de se bila e al, pa indo an o do indi íduo como da o ganização (G usec and Has ings 2015). Po o ça das ci cuns âncias pandémicas, a endência em sido pa a es e es o ço e ecaído mais pa a cima do indi íduo ecém-chegado no sen ido em que, de ido ao dis anciamen o ísico e à al a de con ac o di e o, em de depende mais das suas p óp ias ca ac e ís icas e compo amen os (uma a i ude p oa i a e mo i ada, au o-e icácia, e c). ▲.17, Logoplas e: “Acho impo an e que as pessoas enham pelo menos um ano de con ac o pessoal na sede, e as o inas, a dinâmica, pe cebe a cul u a que se i e na emp esa. E depois sim, da essa opção de escolha, não ob iga a aze ele abalho.” 103 Ө.1, Logoplas e: “As pessoas são mais ese adas. A é po que ocê ai chega pe o de um colega, em de me e másca a. En ão aquelas con e sas que não são impo an es, deixa am de se di as.” ▲.15, Vi ac ess: “Além de não gos a de es a em ele abalho, ou o dos mo i os é que não ens ninguém ao eu lado pa a ala . Tu es ás no esc i ó io e ens um p oblema qualque , le an as- e, ais e com o eu colega e desaba as ‘epá, ogo, que po ca ia, acon eceu is o...’. Ou mesmo que não ás e com ele, ele ape cebe-se que es ás com um p oblema qualque e ap oxima-se de i e en a ajuda .” ▲.17, Logoplas e: “Sim, sen i que aquela con e sa do dia-a-dia... acabá amos po sabe como é que a amília es á, os p oblemas que pode ha e com os ilhos... odos esses emas que não são abalho, mas que ao im ao cabo con ibuem pa a aquela elação. Isso sim, isso acabou po desapa ece . Apesa de, quando se começa a ala com algum colega no Teams, pe gun amos semp e se es á udo bem. Mas a amen e as pessoas dizem que não es á udo bem, ou seja, é mais uma pe gun a de boa educação do que p op iamen e um desaba o que ai acon ece . Mas ao i o isso já acon ece.” Os dados ecolhidos ie am mais uma ez e o ça a impo ância das con e sas in o mais ( ambém conhecida pela exp essão small alk) na cons ução e consolidação de elações sociais, especialmen e em con ex o de abalho, e a eno me in luência que a dis ibuição dos co pos no empo e no espaço êm nes e ipo de in e ações. Como an e io men e e e ido no Es ado da A e, do pon o de is a académico e popula , as con e sas de small alk são inadequadas e equen emen e is as como um modo pe i é ico e con encional de dialoga , pouco sé io e sem g ande ele ância, mui as ezes usado de modo a ‘ocupa ’ os azios do silêncio e, po es es mo i os, de meno impo ância. A con e sa é um p ocesso mul i uncional. No caso da small alk, es a se e não só o p opósi o de es abelece um con ac o inicial en e duas pessoas, mas ambém desempenha impo an es unções e e enciais e a e i as. É ambém um dos meios a a és 104 dos quais negociamos as nossas elações in e pessoais, algo que Jus ine Coupland conside a “a c ucial uc ion o alk wi h signi ican implica ions o on-going and u u e in e ac ions” (Coupland 2000, 34). No con ex o de ambien e de abalho, a au o a suge e pensa a small alk enquan o um espec o: num dos ex emos es a iam os diálogos es i amen e in o ma i os e ocados em assun os es i amen e elacionados com as unções e a e as desempenhadas, se indo di e amen e os obje i os e necessidades da o ganização («co e business alk»); do ou o lado do espec o, encon am-se as con e sas que são independen es do qualque local de abalho, com ela i amen e pouco ou nenhuma con eúdo e e encial ou in o ma i o, i ele an e pa a o abalho em causa. Um exemplo se ia a oca de cump imen os ma inais, ou um comen á io e e en e às condições a mos é icas daquele dia («pha ic communion») (Fig.3). Con udo, Coupland essal a que “such social o colegial alk may be e y impo an in e ms o i s a ec i e componen s, and so se e he o ganiza ion’s goals indi ec ly by man aining good ela ionship be ween employees” (Coupland 2000, 38). A small alk ende a oco e com mais equência nas on ei as das in e ações, assim como nos momen os de ansição na o ina diá ia do abalho. Um exemplo, são os cump imen os e as despedidas que se cos umam da e deseja à en ada e à saída do local de abalho, ou as con e sas que se êm en e colegas à ho a de almoço ou jun o do pon o de ca é. Ө.19, Logoplas e: “A ho a de almoço é uma ho a mui o impo an e pa a socializa e eu di ia que é mesmo nessas al u as que u c ias uma maio ligação com as pessoas. Alguns depa amen os com os quais nos não emos de comunica , desapa ecem. Po exemplo eu inha pessoas com quem almoça a odos os dias, e não alo com eles há quase um ano. Po quê? Po que o nosso depa amen o não p ecisa de in e agi com o deles.” Ө.9, Logoplas e: “Almoça mos com alguém e aquelas coisas que descob imos sob e aquela pessoa, que nos azem en ende melho po que é que aquela pessoa é como é. Tu se es i e es a en o às pessoas, às ezes ais pe cebe que aquele indi íduo que em um ei io di ícil, há ali um bom mo i o pa a isso e ele se calha em i ências mui o complicadas, ou há qualque coisa na ida dele que não co eu bem. (…) Há mui os casos, 105 quase odos os que eu conheço de pessoas complicadas, que u ap endes e mui o sob e eles mui as ezes em ambien e de abalho, mas o a da discussão de abalho. Quando discu es p oblemas de acismo, ou quando pe cebes qual é que é o ag egado amilia daquela pessoa. (…) Esse ipo de expe iência eu acho mui o di ícil a a és de um ambien e pu amen e i ual.” Ө.2, Logoplas e: “Mas se ocê olha um bocadinho pa a es a no a o ma de abalha ê que nada subs i ui a in e ação humana. A chamada «discussão do ca é» é ex emamen e impo an e, po que mui as ezes ideias e alguma cons ução de ino ação su ge da con e sa de ca é. Mui as ezes quando es á no ca é com o colega ou com um amigo, mui as ezes ai-se alando de ópicos p o issionais. Ou quando se ai uma um ciga o. É es e ambien e mais elaxado que mui as ezes es imula o p ocesso c ia i o.” Aqui as noções de p ocesso c ia i o e da c ia i idade assen am bas an e numa conceção longi udinal, assen e mais numa ideia de expe iência cole i a exis en e na elação com as coisas e com/en e as pessoas, do que p op iamen e num ei o ou ‘genialidade’ indi idual como classicamen e conhecemos es a ideia do ´génio´; enquan o qualidade in ínseca à p óp ia ida humana na sua capacidade gene a i a. Es a dis inção é pensada po Tim Ingold, que dis ingue a c ia i idade cons uída da c ia i idade expe ienciada, com base no abalho do eólogo ame icano Hen y Nelson Wieman. “Es a es la c ea i idad de la ida social. Pues o que la ida social no es lo que la pe sona hace, sino aquello que expe iencia: un p ocesso en el que los se es humanos no c ean sociedades, sino que, i endo en sociedad, se c ean a si mismos y unos a o os” (Ingold 2016, n.p.). De ac o, mui as ezes os canais in o mais são os ó imos meios de di usão e c iação de conhecimen o. Po ‘canais in o mais’ en enda-se si uações em que os discu sos e as a i idades acon ecem de o ma espon ânea, e que não são concebidas em o no de um obje i o especí ico. O humo é ou o bom exemplo de in e ação in o mal, que acaba po desempenha di e en es unções no local de abalho. Segundo Be nie Mak e Yiqi Deneen, no p ocesso de socialização o ganizacional o humo pode se en endido e 106 expe ienciado enquan o mecanismo egulado e mecanismo pa a aze ace à ad e sidade: “as an indica o o he app ecia ed o dep ecia ed, a p oo o membe ship, a o m o en e ainmen , a ool o ge asks done, a s a egy o de la e s a us di e en ia ion, a ool o challenge managemen and o m subcul u e, a means o sub e no ms wi hou ouching he bo om line and a means o build up ela ionship wi h in eg a ed colleagues” (Mak and Deneen 2012, 166) Po úl imo, impo a menciona como (com base em odas as en e is as ei as) se o nou no ó ia a impo ância do co po e da expe iência do co po enquan o elemen o a i o – e não passi o – nas elações es abelecidas en e colegas de abalho, uma ez que a linguagem em ma e ialidade, uma ez que exige um meio, e a mediação a ia no espaço e no empo. As saudades do ambien e de esc i ó io e do eencon o com os colegas em ambien e de abalho passa am, p ecisamen e, pela ausência da p esença ísica dos indi íduos e pela sua subs i uição po uma p esença i ual. Ө.20, Logoplas e: “Any ime we in e ac wi h people - pa icula ly ace- o- ace- we een o ce us. We alue ou sel es om i . (…) And ha kind o in o ma ion ha you can ge when you alk ace o ace, ha body in o ma ion... ha is all een o cing o us, human beings. Reen o ce ha we a e good, ha we’ e accep ed, ha we i in, ha we’ e pa o socie y. And I hink elec onic comunica ion mu les ha , i mu es i . You can s ill ha e he one o oice, you use cama as and can s ill ha e some isual eedback, bu you don ge as ull on econ o ing who you a e as an human being.” V.V Di e en es cul u as e di e en es es a égias de espos a às medidas sani á ias em con ex o labo al – o caso da Logoplas e. Fo mado po duas pessoas, o Depa amen o de Comunicação In e na da Logoplas e é um ecu so in e no que se e odos os depa amen os, odas as áb icas, odos os esc i ó ios e odas as á eas da emp esa nos di e en es países onde es a se encon a. A ní el global a missão des a equipa consis e em ga an i que odos os 2.5000 colegas do mundo in ei o, com odas as suas di e sidades em e mos de idiomas, usos ho á ios, cul u as e modos de ida, ecebam odos as mesmas mensagens ao mesmo 107 empo. E que essa sinc onia ajude a ece um sen imen o de união en e abalhado es da Logoplas e de di e en es países. Desde que a pandemia su giu e que no as medidas de segu ança sani á ia i e am de se apidamen e implemen adas po pa e da emp esa, é in e essan e e i ica que a o ma como a in o mação oi abalhada e pa ilhada pelo Depa amen o de Comunicação a iou consoan e o público-al o, pelo ac o de e ido em a enção a necessidade da comunicação se adap a aos di e en es con ex os nacionais e a di e en es es a égias p é- exis en es (ou inexis en es) pa a comba e a disseminação do í us. ▲.7, Logoplas e: “Nós sabíamos exa amen e quais e am as eg as (...) e ínhamos de adap a localmen e a in o mação. O que é ex emamen e impo an e po que «one size does no i all» (…). Como u in e ages e como u consegues le a as uas equipas a bom po o, nem que seja a la a as mãos 2 ezes ao dia... eu es ou a ala nis o e pa ece piada, mas nós nas áb icas emos es e p oblema. Pessoas que não la am an as ezes as mãos como de iam, e coisas que pa ecem supe básicas pa a nós que emos um bocadinho mais de educação e que lemos mais, que conseguimos e o big pic u e, emos colegas que não. E emos de adap a a in o mação e ajus a os plan manage s nas suas di e sas á eas. (…) Po exemplo, os EUA que a anca am com as medidas de segu ança um bocado mais a de – não a ní el da Logoplas e, mas a ní el nacional – o que nos izemos oi adap a pos e s de dis anciamen o social. Esse oi um dos g andes p oblemas nos EUA. Os pos e s e am di e en es po que a linguagem e a di e en e. (…) Os pos e s de dis anciamen o social pa a os EUA, man inham as mesmas imagens, mesmo le e ing e isso udo, mas a mensagem, a legenda de cada imagem pa a aquilo que ens de aze é mui o mais uma ins ução do que uma legenda, pa a se mais p e o no b anco. Usamos mais pala as de o ça e de comando. (…) E imagina, os pos e s a ní el mundial são «Não e esqueças de man e no mínimo 2 me os de dis ância en e i e os ou os», e nos EUA é «Man ém 2 me os de dis ância en e i e os ou os». Pe cebes a di e ença? Coisas sub is, mas é mais impe a i o po que é p eciso.” 108 As limi ações que es e es udo ap esen a não pe mi em uma análise consis en e e mais ap o undada das di e enças cul u ais nas di e en es plan as das Logoplas e espalhadas pelo mundo. Con udo, a en e is a com a esponsá el pelo depa amen o acima e e ido mos a como a cul u a in luencia não só as espos as às medidas de segu ança sani á ia implemen adas, como o p óp io ipo de comunicação p e en i a. Os di e en es g aus de ulne abilidade à COVID-19 são esul an es não apenas do ní el expe ienciado e omado a ní el indi idual, mas ambém das p óp ias es u u as sociais que ab angem as comunidades. Os e en uais aços p edominan es de uma cul u a nacional, po exemplo, são pa e in eg an e dos “p og amas men ais” (Ho s ede 2003) das pessoas, especialmen e se pensa mos o concei o de cul u a enquan o “a collec i e sense o consciousness ha in luences and condi ions pe cep ion, beha io s and powe and how hese a e sha ed and communica ed” (Ai hihenbuwa e . al 2020, 2). Um dos aspe os que em sido bas an e apon ado pa a jus i ica di e en es ipos de espos as nacionais às medidas de p e enção sani á ia p ende-se com o ní el de indi idualismo ou cole i ismo p edominan e em cada lógica cul u al (Ai hihenbuwa e . al 2020). Ou os au o es azem uso da dis inção en e igh cul u es e loose cul u es, as p imei as mais associadas a desas es na u ais, in asões, su os pa ogénicos e a uma maio densidade populacional, e as úl imas com uma endência pa a p io iza a p i acidade e libe dade indi idual. Cada país eco e ambém a di e en es manei as de implemen a as medidas de dis anciamen o ísico. Na Rússia, po exemplo, em ha ido ecu so à penalização iscal pa a aqueles que não cump i em as no mas es ipuladas; na Índia e nas Filipinas as sanções podem i ainda mais longe e chega a pena de p isão; ou os países, como os EUA ou o g osso dos es ados-memb os da União Eu opeia, p i ilegiam o ecu so aos media pa a e ei os de disseminação, coe ção e ins ução (Huynh 2020). Em con e sa com o plan manage de uma das áb icas da Logoplas e nos Es ados Unidos, Chicago, p ocu ei en a pe cebe qual a sua opinião, com base essencialmen e na sua pe ceção apenas, sob e a o ma como os ame icanos se o am adap ando às medidas impos as, que em e mos de es ições de mobilidade ou de imposições de cuidados de higiene. Ө.21, Logoplas e: “I don’ hink i ’s a ma e o being [mo e o less] in o med. We a e a e y spoiled coun y. We ha e wha we wan . I you don’ like whe e you en i onmen is, you pu you s u in he ca and you 109 d i e o ano he s a e and you can ha e wha e e you wan . (...) I hink we all belie e ha , because we’ e been so ee o make choices o ou sel es, ha we hink we a e sma e han his pandemic. So we a e gonna do wha we wan o do and no we a e wa ned o do.” Nes e comen á io, o impo an e a e em con a não é a alidade cien í ica dos juízos ei os, uma ez que pa a uma dada in o mação sob e um dado g upo ou comunidade se conside ado cien i icamen e álido, é necessá io que seja desc i i a e não a alia i a, que seja e i icá el po mais do que uma on e independen e, que se aplique a uma maio ia es a ís ica conside á el desse mesmo g upo, e que seja capaz de di e encia e apon a ca ac e ís icas p óp ias desse mesmo g upo ou comunidade. Não se e i icando a conjunção des es qua o equisi os, es amos pe an e uma conceção es e eo ipada – mais especi icamen e um au o-es e eó ipo - daquilo que é expe iência e a eação «do ame icano» às medidas impos as no seu Es ado. Po ém, es e comen á io mos a como a pe ceção de ameaça à libe dade indi idual oi, sem dú ida, um a o omen ado de esis ência ou sub alo ização. “As p edic ed, g ea e eedom h ea owa d Co id-19 messaging was p edic ed by lowe pe cep ion o Co id-19 as an impo an e issue and g ea e message a igue (…) as eedom h ea inc eases, eac ance (i.e. ange and nega i e cogni ions) also inc eases. Finally, we ound ha inc eased eac ance owa d Co id-19 messaging is linked o lowe adhe ence o bo h social and higiene ela ed Co id-19 p e en ion beha iou ” (Ball and Wozniak 2021, 14). V.VI Tele abalho e o isolamen o social Uma das ques ões eco en es na bibliog a ia sob e o ele abalho p ende-se com as possí eis consequências que, a médio/longo-p azo, pode ap esen a ao ní el do capi al social, ou seja, a ní el do po encial dos indi íduos pa a bene icia em e ec ia em em conjun o soluções pa a di e en es p oblemas que ão su gindo. Es es a o es e dinâmicas que p omo em mobilidade social no seio de uma sociedade es a i icada podem se 110 obse ados em ês dimensões: as edes in e conec adas de elações en e os indi íduos e os g upos (laços sociais ou pa icipação social); os ní eis de con iança que ecem es es laços; e os meios e/ou os bene ícios que são an o ganhos como ans e idos de ido, p ecisamen e, a es es laços sociais e pa icipação cole i a (Po eye a 2018). No a igo “Telewo king and Pa icipa o y Capi al: Is Telewo king na Isola ing o a Communi y-F iendly Fo m o Wo k?”, Daiga Kame ade e B endan Bu chell analisam com pa icula de alhe a elação en e a p á ica de ele abalho e o capi al pa icipa i o. Segundo os au o es, po capi al pa icipa i o en ende-se uma o ma de capi al social de inido enquan o o en ol imen o em a i idades polí icas e olun á ias, sendo po isso um impo an e indicado do en ol imen o comuni á io. Sob e es e assun o, as duas p incipais pe spe i as endem a ecai pa a os ex emos do espec o. Po um lado, as abo dagens mais u u is as e u ópicas, que de endem o ele abalho enquan o uma o ma de abalho amiga de um en ol imen o em comunidade, e e indo a poupança que o ele abalhado consegue aze em empo e em dinhei o ao eduzi signi ica i amen e as suas deslocações en e casa e abalho e usando esse empo pa a a i idades sociais ou, ou o a gumen o mencionado, o ac o de ha e menos in e ações sociais no seu local de abalho (po compa ação a um ambien e de esc i ó io) le a p ecisamen e as pessoas a p ocu a em compensa essa alha de ou as manei as. Po ou o lado, eo ias ma cadas po um maio de e minismo ecnológico en endido de o ma pessimis a êm o ele abalho como uma ameaça alegando, po exemplo, a edução da necessidade de in e ações p esenciais e consequen e en aquecimen o da ligação do ele abalhado com a sociedade, le ando à o mação de uma ‘sociedade au is a’ (Ba uch 2001 apud Kame ade and Bu chell 2004), onde os indi íduos es ão isolados uns dos ou os. A p incipal limi ação des as eo ias, po ém, de e-se ao ac o de epousa em essencialmen e sob e gene alizações e p esunções eó icas, nem semp e acompanhadas po ma e ial empí ico que as comp o e. Pa a se mais um con ibu o à discussão sob e es e sub ema, es a in es igação necessi a ia de se p olonga ao longo de um maio pe íodo de empo e de abalho de campo, o que não é possí el. Con udo, conscien e das eno mes insu iciências p esen es, alguns aspe os me ecem ainda assim se mencionados. Com base nos inqué i os e nas en e is as e i icou-se que a necessidade de socializa é bas an e ele ada pa a os uncioná ios de ambas as emp esas. Con udo, endo 111 em con a as ci cuns âncias que en ol em o modo como o ele abalho oi p a icado pelos uncioná ios da Vi ac ess e da Logoplas e, é mais co e o en ende es a necessidade de in e ação com e cei os como consequência dos con inamen os e das medidas de dis anciamen o ísico em igo , do que p op iamen e das ca ac e ís icas do egime de abalho. Is o signi ica e mos em con a ou os espaços e o inas de socialização, pa a além do esc i ó io, que o am ambém elas pe u badas. Desde o início da pandemia as pessoas eduzi am as saídas pa a aze comp as, especialmen e de bens não-essenciais; hou e uma queb a na pa icipação em e en os cul u ais; os almoços e jan a es com amigos ou es as de ani e sá io o am signi ica i amen e sac i icados; a p á ica de a i idades despo i as em g upo passou a se mui o mais espo ádica; ou as pessoas deixa am de p a ica olun a iado. Es es são apenas alguns exemplos de a i idades ealizadas o a do uni e so do abalho que implica am algum ipo de in e ação social e que o am, em g ande medida, suspensas. O sen imen o de solidão - enquan o es ado subje i o daquele que não es á a expe iencia su icien es conexões sociais – e o sen imen o de isolamen o – uma al a obje i a de in e ações sociais – o am-se con undindo, e ão con a a endência na u al humana de in e agi com o ou o (Ba el e . al. 2020). A conexão social em um eno me impac o na egulação emocional, na ansiedade e s ess, e na capacidade de esiliência em empos di íceis. Não é de es anha po isso que po á ias ezes alguns en e is ados enham mencionado a impo ância de e em a enção a saúde men al dos abalhado es du an e es e pe íodo de empo em pa icula . ▲.2, Logoplas e: “E ele esponde-me que em epa ado em compo amen os es anhos, pouco sociais, de pessoas que eg essam depois de e em es ado mui os meses em casa. Po que há pessoas que es i e am em casa desde ma ço e que ol a am um dia ou ou o pa a i à medicina no abalho, ou aze qualque coisa p esencialmen e. E essas pessoas e e i amen e não iam gen e há mui o empo. E no a-se a i udes um an o es anhas. (…) Que dize , é di ícil dize «ah, a minha ida es á mui o melho ». Po mui o que alguém gos e do ele abalho, há an as ou as coisas que nos es ão aqui a limi a os mo imen os, que eu acho que ninguém ai dize que é ma a ilhoso.” 112 Alguns en e is ados p ocu a am ec ia pequenos momen os de socialização, que com os p óp ios colegas de abalho, como o a des a es e a p o issional. De odos os exemplos mencionados ao longo das en e is as no ou-se que es as es a égias de adap ação oco e am sob e udo no p imei o con inamen o, quando udo na expe iência des a no a ealidade e a ainda no idade, mas com o passa do empo es es momen os o am-se diluindo cada ez mais, po ezes deixando mesmo de exis i . ▲.15, Vi ac ess: “O ano passado, na p imei a ase que es i emos em casa, nós ínhamos um g upo de amigos e c iámos um g upo no Wha sapp e passá amos as sex as e os sábados à noi e em conjun o. Po que e a como se es i éssemos a jan a o a, e icá amos a é às 2 ou 3 ho as da manhã a ala . Des a ez não. Não sei se acabámos po nos habi ua mais a es a sozinhos. Po que eu, inicialmen e azia-me con usão. E a ualmen e, quando enho de abalha , epá, são 18h, ou es i o pijama. E es ou de pijama desde sex a- ei a à a de a é segunda de manhã. E a é já me sin o con o á el com isso.” ▲.12, Logoplas e: “Eu sei que ha ia equipas que uma ez po semana azia um géne o de eunião po Teams, pa a ala e bebe um ca é. Mas como eu abalho mais isolada, isso não acon ecia. Mas isso não implica a que eu não hou esse pessoas mais chegadas no abalho com quem alasse sob e ou as coisas sem se abalho. (…) Mas conheço pelo menos duas equipas cá que i e am essa p eocupação, e uma espécie de co ee b eak ia Teams.” ▲.6, Logoplas e: “Com a equipa hou e uma al u a em que p ocu ei aze , uma ez po mês ou de 15 em 15 dias. Não é pa a ala mos de abalho, é só pa a nos e mos odos ao mesmo empo. (…) Sou capaz de ala com eles quase odos os dias, ou po chamada ou ele one, mas há pessoas da equipa com quem e e i amen e se ala menos. E quando não êm abalho em comum acabam po deixa de ala com alguns dos colegas da equipa. (..) Às ezes pedem-me pa a ma ca . (…) Ao p incípio eu lemb o-me que cada um es a a a mos a as aízes do cabelo. E am assim dispa a es, mas ambém pa a as pessoas descon aí em e não pe de em o con ac o. E acho 119 120 121 122 123 Legenda da Pe gun a 7 (seguindo a espe i a o dem descenden e): Aumen o da concen ação; Maio au onomia e libe dade no abalho; Flexibilidade de ho á ios; Melho ges ão do empo; Pe mi e dedica mais empo a possí eis hobbies; Maio sensação de con o o; Menos deslocações de ca o ou anspo es públicos; Poupança nas despesas elacionadas com alimen ação; Mais empo com a amília; Mais e icien e do que o abalho p esencial; Melho qualidade de ida; Mais alia pa a os cuidado es in o mais; Menos con e sas in o mais en e colegas e maio en oque em emas es i amen e elacionados com o abalho; Maio sensação de segu ança; Possibilidade de muda de esidência; Pode ica com o meu ilho, de ido ao ence amen o das escolas Legenda da Pe gun a 8 (seguindo a espe i a o dem descenden e): Di iculdade de concen ação; Maio au onomia e libe dade no abalho; Flexibilidade de ho á ios; Pio ges ão do empo; Mais ho as de abalho; Sob eposição da ida pessoal e p o issional; In asão do espaço pessoal; Ansiedade ac escida; Fal a de meios/ ecu sos; Aumen o das despesas mensais (água, luz, p odu os alimen a es, gás, e c.); Mau acesso à In e ne ; Menos e icien e do que o abalho p esencial; Pe da ou ausência do con ac o de p oximidade com os colegas; Menos con e sas in o mais en e colegas e maio en oque em emas es i amen e elacionados com o abalho; En aquecimen o do espí i o de equipa; Di iculdade em comunica de o ma e icaz com os colegas; Excesso de chamadas/ ideochamadas; Sensação de isolamen o e/ou dissociação; Meno qualidade de ida; Maio equência de con li os e ensões no seio amilia 124 125 126 127 128 135 136 137 138 139 Anexo 2 140 5. De ido a um equí oco na o ma ação des a ques ão e a consequen e ilegibilidade da espos a o necida pelo/a memb o pa icipan e, a pe gun a núme o 5 encon a-se em al a na e são inglesa do inqué i o subme ido à Vi ac ess. 141 Legenda da Pe gun a 7 (seguindo a espe i a o dem descenden e): Inc eased concen a ion; G ea e au onomy and eedom a wo k; Schedule lexibili y; Be e ime managemen ; Allows you o spend mo e ime in hobbies; G ea e sense o com o ; Less commu ing ime; Sa ings on ood expenses; Mo e ime wi h amily; Mo e e icien e han o ice wo k; Be e quali y o li e; Added alue o in o mal ca egi e s; Fewe in o mal con e sa ions be ween colleagues and g ea e ocus on opics s ic ly ela ed o wo k; Possibili y o change esidence. Legenda da Pe gun a 8 (seguindo a espe i a o dem descenden e): Di icul y concen a ing; G ea e au onomy and eedom a wo k; Schedule lexibili y; Wo s ime managemen ; Mo e wo king hou s; O e lapping p o essional and pe sonal li e;In asion o p i acy; Inc eased anxie y; Lack o esou ces; Inc ease in mon hly expenses (e.g.:wa e , elec ici y, gas); Bad In e ne access; Less e icien han o ice wo k; Loss o close con ac ; Fewe in o mal con e sa ions be ween colleagues and g ea e ocus on opics s ic ly ela ed o wo k; Weakening o eam spi i ; Di icul y communica ing e ec i ely wi h colleagues; Feeling o isola ion and/o dissocia ion; Wo s quali y o li e; Mo e con lic s and ensions wi hin he amily. 142 143 144 A B C D E F G H I J K L