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O “Museu de Antiguidades” da Ajuda: numismática e ourivesaria das colecções reais ao tempo de D. Luís

Xavier, Hugo

Abstract

Iniciativa paralela à galeria de pintura criada pelo rei D. Luís no Palácio da Ajuda, em 1867, o “museu de antiguidades” conservou e expôs o essencial das colecções de numismática e ourivesaria daquele monarca, acrescidas com diversas peças pertencentes ao tesouro da Casa Real, parte das quais provenientes dos conventos extintos pelo Liberalismo. Hoje disperso por diferentes instituições museológicas, colecções particulares ou em paradeiro incerto, aquele acervo pretende ser dado a conhecer ao longo deste artigo, sobretudo no que diz respeito aos seus núcleos mais representativos, procurando-se simultaneamente reconstituir a apagada memória do espaço que o albergou, o papel desempenhado pelo seu conservador, Teixeira de Aragão, e as aquisições efectuadas. Em foco estarão também os catálogos editados, a cedência de peças para exposições nacionais e internacionais e a atenção dada por D. Luís aos novos processos fotográficos como forma de documentar e divulgar a colecção real.

Full text

Resumo Inicia i a pa alela à gale ia de pin u a c iada pelo ei D. Luís no Palácio da Ajuda, em 1867, o “museu de an iguidades” conse ou e expôs o essencial das colecções de numismá ica e ou i esa ia daquele mona ca, ac escidas com di e sas peças pe encen- es ao esou o da Casa Real, pa e das quais p o enien es dos con en os ex in os pelo Libe alismo. Hoje dispe so po di e en es ins i uições museológicas, colecções pa icu- la es ou em pa adei o ince o, aquele ace o p e ende se dado a conhece ao longo des e a igo, sob e udo no que diz espei o aos seus núcleos mais ep esen a i os, p o- cu ando-se simul aneamen e econs i ui a apagada memó ia do espaço que o albe - gou, o papel desempenhado pelo seu conse ado , Teixei a de A agão, e as aquisições e ec uadas. Em oco es a ão ambém os ca álogos edi ados, a cedência de peças pa a exposições nacionais e in e nacionais e a a enção dada po D. Luís aos no os p oces- sos o og á icos como o ma de documen a e di ulga a colecção eal. • Abs ac As a pa allel ini ia i e o he pain ing galle y c ea ed by king Luís o Po ugal a he Ajuda Palace, in 1867, he “museum o an iqui ies” has main ained and exhibi ed he essence o he collec ions o numisma ics and jewel y o he king, along wi h se e al pieces om he Royal Family’s easu y, some o which belonged o con en s ha we e ex inc by Libe alism. Sca e ed oday among di e en museum ins i u ions, p i a e collec ions o unce ain whe eabou s, his collec ion will be he ocus o his a icle, especially i s mo e ep esen a i e pa s. This a icle will also ebuild he los memo y o he space o which i belonged, he wo k o i s conse a o , Teixei a de A agão and he acquisi ions. We will also ocus on he published ca alogues, he loan o a wo ks o na ional and in e na ional exhibi ions and he a en ion king Luís ga e o new pho- og aphic p ocesses as a way o documen ing and dissemina ing he oyal collec ion. • pala as-cha e Ou i esa ia Numismá ica Colecções eais D. Luís Teixei a de A agão Palácio da Ajuda key-wo ds Pla e Numisma ics Royal collec ions D. Luís Teixei a de A agão Ajuda Palace “É mis e no en an o con essa , que Po ugal es á aquém das nações mais illus- adas em es udos a cheologicos, e as causas p incipais des e seu a aso são a al a de ensino e de museus” Teixei a de A agão, 1874 En e as inicia i as de ca iz cul u al emp eendidas, logo no início do seu einado, po D. Luís (1838-1889) (FIG. 1), p ecocemen e e inespe adamen e subido ao ono aos 23 anos de idade, em 1861, des aca-se a c iação de uma gale ia de pin u a no Palá- cio da Ajuda, en ão escolhido pa a esidência o icial. P ocu ando aze ace à d amá- ica incapacidade do Es ado nes e domínio, sob e udo em elação à Academia de Belas A es que a da a em ab i a sua gale ia de pin u a, D. Luís lança-se na o ga- nização de uma pinaco eca eal, in luenciado al ez pelos equipamen os congéne- es isi ados du an e as suas iagens ao es angei o, a exemplo da Gale ia Sabauda de Tu im, c iada pelo ei Ca los Albe o jun o ao palácio eal. A cons ução da gale ia, ou melho , a adap ação pa a o e ei o de uma eno me sala da ala no e do palácio, simé ica à ac ual “Sala da Ceia”, e e o seu início em 1866 e oi en egue ao engenhei o José An ónio de Ab eu que a do ou de mode nas solu- ções museog á icas, ais como longos a ões me álicos jun o à cimalha des inados à suspensão das ob as, gua das com balaús es em me al pa a e i a uma ap oxima- ção excessi a às mesmas, e iluminação zeni al a a és de g andes supe ícies en i- d açadas asgadas no ec o. Conscien e do pouco que as modes as pin u as conse adas nos palácios eais inham pa a o e ece , D. Luís deu início a um impo an e mo imen o de aquisições que a in- O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA: NUMISMÁTICA E OURIVESARIA DAS COLECÇÕES REAIS AO TEMPO DE D. LUÍS1 HUGO XAVIER Ins i u o de His ó ia da A e FCSH/UNL, linha de Museum S udies Bolsei o de Dou o amen o da FCT (SFRH/BD/64602/2009) 1O p esen e ex o e oma e desen ol e um pon- o de um es udo mais ala gado, in i ulado Gale ia de Pin u a no Real Paço da Ajuda . Disse ação de Mes ado em Museologia e Pa imónio ap esen a- da à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Uni e sidade No a de Lisboa, 2009, com o apoio da Fundação pa a a Ciência e Tecnologia. 71 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 1 - Rei D. Luís. P o a ac ual de nega i o em supo e de id o e colódio, c. 1868. PNA, in . 40772. © Luísa Oli ei a, DDF/IMC. giu o seu pon o mais signi ica i o en e 1865, ano da p imei a iagem da amília eal ao es angei o, com a ul adas comp as e encomendas em I ália, pá ia da ainha, e 1867, co esponden e ao pé iplo eu opeu do u u o di ec o da gale ia, o pin o Ma - ciano Hen iques da Sil a (1831-1873). A es e a is a que adminis a a lições de pin- u a ao mona ca oi dada ca a b anca pa a e ec ua di e sas aquisições, endo sido igualmen e incumbido de p ocede à o ganização do ace o e inaugu ação da pinaco- eca, oco ida a 6 de Ou ub o de 1867, assinalando o 20.º ani e sá io de D. Ma ia Pia. Edi ado po ocasião da sua abe u a ao público, oco ida dois anos depois, o p imei o ca álogo da gale ia2ap esen a o esul ado desse es o ço aquisi i o, con inuado nos anos subsequen es, embo a com meno ôlego, mo i ando uma no a edição, em 18723. A pa i de en ão as comp as o am-se o nando mais pon uais, a que não se á es anho o p ecoce desapa ecimen o de Ma ciano, e a desin e essada di ecção do a is a con idado pa a o subs i ui , Tomás da Anunciação. Da lei u a sequencial dos ca álogos essal a a mis u a das escolas ep esen adas e a al a de c i é io c onológico, sem p eocupações sis ema izado as a não se a di isão en e “Quad os Mode nos” e “Quad os An igos”, num esquema museológico ca ac- e ís ico de Oi ocen os. En e as sonan es a ibuições, na maio ia dos casos alacio- sas, não podemos deixa de aze no a a exis ência de algumas ob as de impo ância maio , ac ualmen e conse adas no Museu Nacional de A e An iga, como o S. Damião de Be mejo, o Casamen o mís ico de San a Ca a ina de Mu illo, a Con e sa- ção de Pie e de Hooch e o céleb e íp ico das Ten ações de San o An ã o de Bosch que, apesa de não igu a nos ca álogos, chegou a in eg a ambém o ace o4. O pe íodo comp eendido en e a inaugu ação da gale ia (1867) e a sua abe u a ao público (1869) se á ma cado pela c iação de um no o núcleo museológico que se i á a icula com aquele equipamen o e des inado a expô a que apa ece po ezes designada de “Collecção a cheologica da Ajuda”5. No e-se que o e mo a queologia e e e-se aqui aos es emunhos ma e iais mó eis das sociedades an igas, ci cunsc e- endo-se essencialmen e aos objec os execu ados com me ais nob es. Semp e a en o a udo o que dizia espei o à amília eal, O Diá io de No ícias espe- ci ica a a a -se de um “museu de an iguidades”, pa a o qual D. Luís manda a p e- pa a uma sala “no pa imen o nob e, p óxima à gale ia de pin u a e à capela” in o ma a em No emb o de 1867. O mesmo jo nal ad e ia que “n’aquele abalho há que concilia a segu ança com a elegância, pois alli ão se deposi ados os mais aliosos objec os do hesou o da casa eal”, endo sido “enca egado de os colloca e o ganiza o s . d . A agão”6. A Augus o Ca los Teixei a de A agão (1823-1903), dis in o ci u gião mili a , in es i- gado e coleccionado , com in e esses cen ados na numismá ica7, ha ia sido meses an es con iada a a e a de le a aqueles e ou os objec os à Exposição Uni e sal de Pa is, onde igu a am com assinalá el sucesso como nos dão con a os Rappo s du ju y in e na ional 8, en idade que con e iu a essa pa icipação uma Médaille d’o . Tal econhecimen o e á ce amen e enco ajado o mona ca a p omo e a ap esen ação dos mesmos jun o à sua gale ia de pin u a. 2 Gale ia de Pin u a no Real Paço da Ajuda unda- da po Sua Mages ade El-Rei o Senho D. Luíz I , 1869. 3 Gale ia de Pin u a no Real Paço da Ajuda unda- da po Sua Mages ade El-Rei o Senho D. Luíz I , 1872. 4MNAA, in . 1583, 1608, 1620 e 1498 espec i- amen e. 5“Collecção a cheologica da Ajuda” in Po ugal. Dicciona io His o ico, Cho og aphico, He aldico, Biog aphico […], ol. I, 1904, p. 108. 6 DN , 19 No emb o 1867. 7A es e espei o c . J. Lei e de Vasconcellos, “Tei- xei a de A agão. No icia Bio-Bibliog aphica”. Sep. O A cheologo Po uguês , IX, n.º 3-6, 1904. 8“De ou es les na ions qui on p is pa à l’expo- si ion in e na ionale de l´His oi e du T a ail, il en es peu don le succès ai dépassé celui qu’a ob e- nu la sec ion po ugaise; ce succès dû à la magni- icence de quelques-unes des oeu es exposées e à leu bon classemen , peu ê e aussi, à jus e i e, a ibué pou une bonne pa aux e o s puo sui- is pa la commission oyale, encou agée e sou e- nue pa l’ini ia i e pe sonnelle d’une sou e ain ami des a s, g and collec ionneu lui-même, e qui n’a pas hési é, pou les en oye aux gale ies du Champ-de-Ma s”. Exposi ion uni e selle de 1867 à Pa is . Rappo s du ju y in e na ional, publiés sous la di ec ion de m . Michel Che alie , commission de l’his oi e du a ail , 1867, pp. 102-104. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA 72 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 A inicia i a museológica de D. Luís não pode á deixa de se ambém associada à colec- ção que o ma quês de Sousa Hols ein, ice-inspec o da Academia das Belas A es de Lisboa, começou a o ganiza numa sala p óxima à u u a Gale ia Nacional de Pin u a, em inais de 1866, com di e sas al aias p o enien es da Casa da Moeda, onde pe maneciam en esou adas desde há décadas. Cong a ulando-se com o ges o do ice-inspec o , o Diá- io de No ícias comen a a, logo em 66, se “possi el que a appa ição de aes objec os, collocados em boa o dem e onde possam se de idamen e analysados, despe e o lou- a el desejo de se cuida se iamen e em se o ganiza um museu de an iguidades, coisa que ainda não possuimos”9. D. Luís con ibuiu assim pa a colma a al lacuna, eunindo numa sala e pa en eando ao público mui os dos p eciosos objec os da Casa Real e das suas colecções pessoais, em dois núcleos que passamos a conside a . Moedas e medalhas Um dos objec i os da cuidadosa educação p e endida pa a seus ilhos po D. Ma ia II e D. Fe nando, le ada a cabo po di e sos mes es, escolhidos en e os melho es ao empo, oi desen ol e nos p íncipes o gos o pelo coleccionismo, complemen ando o es udo que aziam das ou as ciências. O hábi o de colecciona encon a a-se en ão bas an e en aizado en e os jo ens a is oc a as eu opeus, apesa de em algu- mas amílias ou con ex os nacionais aquela p á ica se mais seguida que nou os. Po ugal não cons i uía ce amen e o melho exemplo nesse domínio, o que le ou D. Fe nando, epu ado coleccionado , a enco aja os ilhos na p á ica de coligi e clas- si ica objec os, seguindo as adições amilia es dos Saxe-Cobu go. É nesse con ex o que de emos si ua o in e esse de D. Luís pela numismá ica, um dos ec o es mais e udi os do coleccionismo pelo seu ca iz eminen emen e cien í ico. A pa da já exis en e colecção da Casa Real10, começou a euni um conjun o ap eciá el de moedas e, em 1855, aos 17 anos, o ganiza um ca álogo manusc i o dedicado ao seu sub-inspec o de es udos, “Ca álogo das medalhas e dinhei os an igos e mode nos o e- ecido ao meu amigo Manuel Mo ei a Coelho”, onde desc e e 105 moedas po ugue- sas de di e en es einados, a que ac escen a uma lis agem de 15 moedas es angei as11. Esse in e esse pe du ou pela idade adul a e conheceu o seu pon o al o com a comp a da impo an e colecção de Teixei a de A agão12, pacien emen e eunida um pouco po odo o país desde a década de 1850. A con i e do mona ca, A agão ca alogou13 e expôs uma quali icada selecção da mesma na secção po uguesa de “His ó ia do T abalho” da Exposição Uni e sal de Pa is, em 1867, com elogiosas e e ências na imp ensa nacional e in e nacional. O co esponden e do Diá io de No ícias naquela capi al, azia sabe que a “collecção de moedas de el- ei en iadas à exposição em me ecido especial es udo pedindo-se o desenho de algumas inédi as pa a se em publicadas”. Elogia a, em pa - icula , “o me hodo e a o dem po que es ão collecionadas” de manei a con a em a “his- o ia me alica do nosso paiz, desde os Cel as, Phenicios, Romanos, dominação Goda e A abe e, po ul imo, as dos nossos eis desde o senho D. A onso Hen iques a é hoje”. 9 DN , 21 Ou ub o 1866. O ma quês e ec uou ain- da algumas aquisições como ambém se á no icia- do: “O s . ma quês de Souza adqui iu pa a o mu- seu d’a e an iga que in en a o ganiza na academia eal das bellas a es, um admi a el uc- ei o de p a a dou ada e la ada de g andes di- mensões […]”. DN, 16 Janei o 1869. 10 Em 1795, o Almanach de Lisboa menciona a já a exis ência de um Gabine e de Medalhas de Sua Mages ade. 11 D. Luís I, Duque do Po o, Rei de Po ugal , 1990, p. 23. 12 O pagamen o oi ei o em p es ações, endo-nos sido possí el localiza di e sos ecibos assinados po Teixei a de A agão. C . ANTT, ACR, cx. 4958 a 5057. 13 Teixei a de A agão, Desc ip ion des monnaies, médailles e au es obje s d’a conce nan l’his- oi e po ugaise du a ail , 1867, pp. 9-121. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA 73 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 2 - C uz p ocesional. Po ugal, 1214 (da .). Ou o, sa i as, g anadas, pé olas e aljô a es. MNAA, in . 540 Ou . © José Pessoa, DDF/IMC. In o ma a ainda o mesmo co esponden e e sido Teixei a de A agão nomeado memb o da Sociedade F ancesa de Numismá ica, p esidida pelo isconde de Pon on d’Amécou que, du an e um jan a da sociedade, e na p esença de A agão, “le an- ou um b inde a sua mages ade el- ei o senho D. Luiz de Po ugal, como sobe ano amado e cul i ado da numisma ica, sendo acolhido pela assembleia com en husias- icos applausos”14. Na sequência des es acon ecimen os, se ia o mona ca po uguês nomeado p esiden e hono á io da mesma sociedade. Em Junho daquele ano, D. Luís empossa a o icialmen e A agão, “conse ado do meu gabine e numismá ico com o encimen o de in e mil eis po mez”15, o mesmo alo au e ido pelo di ec o da gale ia de pin u a, Ma ciano da Sil a, nomeado am- bém no mesmo dia. Ao con á io des e úl imo, des acou-se o e udi o conse ado po es uda ap o undadamen e a colecção, sob e udo no que diz espei o à sua á ea de especialidade, a numismá ica, com alguns í ulos que a é meados do úl imo século cons i uí am uma e e ência nesse domínio16. O “gabine e numismá ico”, designação co en emen e emp egue pa a designa aquele núcleo museológico, mui o embo a, como e emos, es e não se cingisse apenas a moedas e medalhas, começou en ão a se o ganizado pelo seu conse ado , com espe- ciais cuidados na acomodação dos nume osos espécimes, le ando-o a solici a ao biblio ecá io eal, Alexand e He culano, a ans e ência “pa a o di o gabine e das es an es dessa eal biblio eca que em empo se i am pa a a ecadação das moedas an igas”17. Pe encen e à Co oa, esse núcleo de moedas oi ambém, segundo emos no ícia, pa cialmen e expos o no gabine e, mas em local especí ico pa a não se con- undi com a colecção adqui ida a A agão que e a p op iedade pessoal do mona ca. O pedido das es an es18 é e ec uado em 1869 e enquad a-se al ez nos p epa a i- os da abe u a da izinha gale ia de pin u a, oco ida a 26 de Se emb o daquele ano. Menos de um mês depois, o Diá io de No ícias azia no a se “b e emen e expos o ao publico po o dem de el- ei o s . D. Luiz o impo an e gabine e de numisma ica que sua mages ade possue no paço da Ajuda”.19 Ao que udo indica, e nes a ase ini- cial, o ho á io se ia o idên ico ao da gale ia de pin u a – domingos das 10h às 16h – icando os es an es dias da semana ese ados à amília eal e aos seus con idados. O en iquecimen o da colecção não oi descu ado, endo A agão p ocedido desde logo a no as inco po ações, no in ui o de colma a possí eis lacunas. Em 1872, decla a a e ecebido do esou ei o da Casa Real a quan ia de 24 mil éis, “con a das moedas an igas que comp ei pa a o gabine e eal po o dem de Sua Mages ade El-Rei o Senho D. Luiz”, num o al de 10 espécimes em ou o e p a a, de di e en es pe íodos, cunhados na Península Ibé ica, Á ica e B asil. O mesmo documen o in o ma-nos e em sido adqui idos jun o de ou i es, a aliado es e cambis as da Baixa de Lisboa, mos ando ainda não exis i em en e nós negocian es especializados nesse domínio20. Tendo ido opo unidade de isi a o Palácio da Ajuda du an e a sua iagem a Po - ugal, em 1874, Fe nando Modes o y Gonzales mos a -se-á imp essionado com o gabine e, cons i uído ao empo po 2.653 moedas “clasi icadas con esme o y p esen- adas en o ma”, in o mando e D. Luís, “comple a su colección mone a ia de la 14 DN , 12 Junho 1867. 15 ANTT, ACR, cx. 4846, doc. 112 A. 16 Me ecem especial des aque a Desc ipção his o- ica das moedas omanas exis en es no gabine e numisma ico de sua mages ade el- ei o senho D. Luiz I , 1870 e a Desc ipção ge al e his o ica das moedas cunhadas em nome dos eis, egen es e go e nado es de Po ugal , 1874-1880. 17 C . ANTT, ACR, cx. 7504, s./n. 18 Co espondem p o a elmen e às que ainda se conse am num co edo da zona de se iços do palácio, do adas de exposi o es en id açados pa- a colocação de pequenos objec os. Res au adas na década de 1960, ap esen am g andes a inida- des quando compa adas às exis en es na sala de en ada da Biblio eca da Ajuda. 19 DN , 15 Ou ub o 1869. 20 ANTT, ACR, cx. 4989, doc. 112 A. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA 74 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 3 - Cus ódia. Po ugal, Gil Vicen e, 1506 (da .). Ou o e esmal es políc omos. MNAA, in . 740 Ou . © Luísa Oli ei a, DDF/IMC. época de Al onso V, habiendo comp ado po 40 lib as es e linas la única moneda de o o que le al aba”21. O mona ca não deixou de aze pessoalmen e algumas aqui- sições, como e ela um o icio di igido ao edo da Casa Real, ela ando que, “po occasião da ul ima isi a que Se dignou aze à Casa da Moeda e Papel Sellado, esco- lheu n’es a Repa ição pa a o Seu gabine e numismá ico algumas moedas e meda- lhas”, cujo pagamen o, pa cialmen e e ec uado, impo a a en ão conclui .22 A colecção de numismá ica iu-se ainda ac escida com a gene osidade de g andes e pequenos coleccionado es, como o conselhei o Mo aes Ca nei o que legou ao ei algumas moedas e medalhas em ou o, p a a e cob e23, ou o cônsul de Po ugal no México que lhe eme eu um ap eciá el conjun o de moedas o iundas daquela an iga colónia espanhola, “algumas mui a as e escassas”, como indica na lis agem elabo- ada pa a acompanha a emessa24. Tão in ulga como ep esen a i o oi o dona i o do nosso cônsul no eino do Sião, Ma ques Pe ei a, com 813 moedas siamesas, ca alogadas pelo p óp io em 187925. Aquela que no início do século XX e a conside ada “a p imei a e mais comple a col- lecção numisma ica de Po ugal”26, se ia di idida após a implan ação da República en e a Casa da Moeda de Lisboa e o Paço Ducal de Vila Viçosa, encon ando-se hoje menos acessí el ao público do que ao empo de D. Luís27. Objec os de apa a o e ce imonial A secção po uguesa de “His ó ia do T abalho” da Exposição Uni e sal de Pa is de 1867, inha ou o pon o o e no alioso conjun o de “obje s d’a e d’indus ie” p o- enien es de algumas colecções públicas e p i adas e igualmen e ca alogados po A a- gão28. Pa e impo an e desses objec os pe enciam às colecções da Casa Real, com des aque pa a a ou i esa ia ci il, ep esen ada, en e ou as peças, pelo conjun o de sal as com pé al o ainda hoje conse adas no Palácio da Ajuda, ob as quinhen is as em p a a dou ada com densa ca ga o namen al e ac escen os pos e io es (pé e o la) e, sob e udo, pa a a ou i esa ia eligiosa, com duas ob as de impo ância maio : a C uz de D. Sancho (FIG. 2) e a Cus ódia de Belém (FIG. 3). Conse adas a é 1845 na Casa da Moeda, onde ha iam ecolhido do Con en o de San a C uz de Coimb a e do Mos ei o dos Je ónimos espec i amen e, es as duas peças, e uma meia dúzia mais p o enien e de ou os con en os ex in os29, de am en ada nas colecções eais po in e enção de D. Fe nando II, numa aga oca ou indemnização de uma a ul ada po ção de p a a ia da Co oa undida po ocasião da i ó ia libe al30. Não passa de um mi o o omân ico episódio, an as ezes na ado, de o ei-a is a e sal o a cus ódia ao solici a , po ocasião de uma isi a aquela ins i uição, que lhe osse abe o um a má io onde se encon a am peças des inadas a se em undidas. Esse pe igo não ecaía já sob e os objec os de ou i esa ia en esou ados na Casa da Moeda, encon ando-se os mesmos gua dados a bom eca o a é se em ans e idos, uns pa a o Tesou o Real, e ou os, anos mais a de, pa a a Academia das Belas A es de Lisboa. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA 75 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 21 Fe nando Modes o y Gonzales, De Mad id á Opo o pasando po Lisboa: dia io de un cami- nan e , 1874, pp. 223 e 256. 22 O ício da ado de 18 de Janei o de 1872. ANTT, ACR, cx. 4994, doc. 239. 23 C . “Relação dos legados que deixou o Conse- lhei o Joaquim An onio de Mo aes Ca nei o a Sua Mages ade El Rei o Senho D. Luiz, a Sua Al eza o P incipe Real e Se enissimo Senho In an e D. A - onso”. ANTT, ACR, cx. 7332, s./n. 24 C . “No a das medalhas pa a Sua Mages ade eme idas pelo cônsul ge al de Po ugal no Me- xico”. ANTT, ACR, cx. 7332, s./n. 25 A. Ma ques Pe ei a, Moedas de Siam . Lisboa: 1879. 26 “Collecção a cheologica da Ajuda” in Po ugal. Dicciona io His o ico, Cho og aphico, He aldico, Biog aphico […], ol. I, 1904, p. 109. 27 A ans e ência das moedas e medalhas pa a a Casa da Moeda oi o denada em 1924, com is a à c iação de um museu numismá ico. Pos e io - men e, po o dem minis e ial, o núcleo de meda- lhas se ia in eg ado nas colecções do Paço Ducal de Vila Viçosa. C. M. Almeida Cab al, Ca álogo desc i i o das moedas po uguesas – Museu Nu- mismá ico Po uguês, 1977, p. 14. 28 Teixei a de A agão, Desc ip ion des monnaies, médailles e au es obje s d’a conce nan l’his- oi e po ugaise du a ail , 1867, pp. 123-130. 29 ANTT, ACR, cx. 7504, doc. s./n. - cópias ma- nusc i as de oda a documen ação ela i a a essas ans e ências, incluindo lis agens das peças. En- e ou as, sob essaem o co e euca ís ico do con- en o de C is o do Toma (MNAA, in . 819 Ou ), o cálice que en ão se associa a ao mesmo con en- o (MNAA in . 815 Ou ), a c uz elicá io e pa de galhe as do mos ei o de Alcobaça (MNSR, in . 120/1/2/3 Ou ) e a píxide i aliana (T apani) da Ca uxa de La ei as (MNSR, in . 193 Ou ). 30 No dize de Vilhena Ba bosa, aqueles objec os “ o am enco po ados nos bens da co oa pa a uso dos sobe anos, em oca, ou como indemnisação das nume osas e mui aliosas peças de p a a da casa eal, que po o dem de sua mages ade impe ial D. Ped o IV, duque de B agança, egen e do eino, o- am le adas pa a a casa da moeda, em Lisboa, onde o am eduzidas a dinhei o cunhado nos ins do an- no de 1834 pa a acudi ás immensas e u gen íssimas despezas da gue a da es au ação da libe dade e do h ono da s .ª D. Ma ia II”. Inácio de Vilhena Ba bo- sa, “A Exposição Re ospec i a Po ugueza em Pa- is”. A chi o Pi o esco , ol. X, Lisboa, 1867, p.184. Es imulado al ez pelo in e esse pa e no po objec os de ou i esa ia sac a e ci il, D. Luís começou a desen ol e aquisições nesse domínio, como suge em á ios o ícios ocados en e a Al ândega de Lisboa e a edo ia da Casa Real. Em Janei o de 1863, po exemplo, assinala a-se a chegada a Lisboa, com des ino ao Palácio da Ajuda, de uma caixa con- endo “peças an igas de p a a”, seguida, um mês depois, de uma ou a con endo “dois objec os an igos”, especi icando uma no a que “um dos objec os an igos he um elica- io de madei a com chapas de p a a, o ou o he um na io de p a a dou ada”31. Ou as comp as o am e ec uadas du an e as deslocações do mona ca ao es angei o, nomeadamen e, ao an iquá io D. A. Kuhn de Geneb a que isi ou em Julho de 1867, a caminho da Exposição Uni e sal de Pa is, e onde despendeu 2.500 ancos com “une mons ance en e meil XVIesiècle”32. No ano seguin e adqui ia em Lisboa, po 218 mil eis, uma sal a de modelo idên ico às que a Co oa já possuía, “com pé al o à manei a de cas içal e diâme o palmo e meio, oda em meio ele o, o nada de di e sas peças dou adas e la adas de ei io an igo, ep esen ando olhas, lo es, igu as d’homens e ca alei os e com qua o igu as de se a ins na base do pé”33. Assim a desc e eu o en- dedo em ca a di igida a uma dama do paço, D. Gab iela de Sousa Cou inho, in e me- diá ia na ansacção, pe mi indo-nos iden i icá-la (FIG. 4). No in ui o de expô con enien emen e es as ou ou as peças, e am despendidos, em Fe e ei o de 1871, 35 mil eis, “impo ância de uma i ina pa a o museu d’Ajuda, pe encen e a Sua Mages ade El Rei o S . D. Luiz 1.º; incluindo o e e” decla a a, no ecibo, o ma cenei o esponsá el pela encomenda, Miguel Sil es e da Sil a34. 31 ANTT, ACR, cx. 4702, n.º1 e n.º 127. 32 ANTT, ACR, cx. 4822, n.º 10. 33 O endedo , José Vinha, ac escen a se “objec- o dos p incipios da mona chia po uguesa, ico pa a o na o de oucado pela elegancia do aba- lho d’aquelle empo e hoje objec o a o”. ANTT, ACR, cx. 4868, s./n. 34 ANTT, ACR, cx. 4954, 3.º maço, doc. s./n. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA FIG. 4 - Sal a de pé al o. Po ugal, séc. XVI (sal a); 1.º qua el do séc. XVIII (pé e o la). P a a dou ada. PNA, in . 4812. © Manuel Sil ei a Ramos, DDF/IMC. 76 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 Publicado poucos anos depois, um guia pa a iajan es b i ânicos azia no a a exis- ência de “glass cases ound he cabine ”, aludindo a ou os objec os da colecção eal35, como uma e us a aça em p a a dou ada u ilizada nos bap izados dos p ín- cipes, inc us ada com 138 moedas que A agão apu ou a a em-se de cópias de espé- cimes g egos e omanos36. A sua ap esen ação deno a um no o en endimen o es é ico em elação a peças a quem e am essencialmen e a ibuídas unções de apa- a o e ce imonial, es ando quase semp e edadas ao olha do g ande público pois só e am u ilizadas po ocasião de g andes solenidades eais.37 É oda ia a a és das Exposições de A e O namen al de Lond es (1881) e, sob e udo, de Lisboa (1882) que podemos e uma ideia ap oximada da iqueza e a iedade dos objec os pe encen es ao “museu de an iguidades” de D. Luís. O ce ame inglês oi o ganizado no Sou h Kensing on Museum (ac ual Vic o ia & Albe Museum) e con- ou com uma comissão de no á eis, en e os quais o académico hispanis a J. C. Robinson que, na in odução ao ca álogo, não deixou de eco da a excelência da ep esen ação po uguesa na Exposição Uni e sal de Pa is, oco ida 14 anos an es, e a sua impo ância na p omoção in e nacional das a es deco a i as peninsula es38. 35 “In glass cases ound he cabine a e many alua- ble pieces o si e -gil pla e, some Polish anka ds o beau i ul wo kmanship, a cu ious bap ismal on se wi h 138 Roman coins, and which has se ed a he ch is ening o he so e ings o Po ugal o many gene a ions [...] and many o he a icles o e u”. Joaquim An ónio de Macedo, A guide o Lisbon and i s en i ons […], 1874, p. 184. 36 Teixei a de A agão, Desc ipção his ó ica das moe- das omanas exis en es no gabine e numisma ico de Sua Mages ade El-Rei o Senho D. Luiz I , 1870, p. 89. A aça conse a-se ainda no PNA (in . 4286). 37 A es e espei o c . Ma ia do Rosá io Ja dim e Inês Líbano Mon ei o, “A p a a do solene apa a o da Co- oa po uguesa a pa i da segunda me ade do séc. XVIII. Iden i icação de um conjun o de 23 ob as dos sécs. XVI a XVIII”. Re is a de A es Deco a i as , n.º4, 2011 (no p elo). 38 “On his occasion, Spain, and o a g ea e ex en Po ugal, we e ep esen ed by collec ions go oge - he o he occasion om a ious sou ces, and un- doub edly he splendid and mos o iginal a objec s hen exhibi ed ga e a ogue and s a us o Peninsu- la a , which speedily had a po encial e ec in he coun y i sel ”. Ca alogue o he Special Loan Exhi- bi ion o he Spanish and Po uguese A […], 1881, p. 8. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA 77 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 5 - Co e euca ís ico. Po ugal, séc. XVI (3.º qua el). P a a e p a a dou ada. MNAA, in . 819 Ou . © José Pessoa, DDF/IMC. FIG. 6 - Cálice. Po ugal, 1524 (da .). P a a dou ada, esmal es, ame is as, g anada e qua zos o ados. MNAA, in . 815 Ou . © José Pessoa, DDF/IMC. O sucesso alcançado em Lond es mo i ou a o ganização em Lisboa de uma mos a con- géne e, a e luga no palácio Al o -Pombal, às Janelas Ve des, e à qual D. Luís deu pa ocínio eal. P esidida po Del im Guedes, u u o conde de Almedina, a comissão exe- cu i a incluía en e os seus ogais o conse ado do gabine e eal, Teixei a de A agão, enca egue de ca aloga a Sala G onde o am colocadas duas i inas pejadas de peças daquela colecção39. Pa a além da cus ódia mandada execu a pelo ei D. Manuel com o p imei o ou o de Quíloa, ob a-p ima da nossa ou i esa ia a do-gó ica, a quem A agão deu hon as de ab i a sala (ca . 1), e da omânica c uz p ocessional em ou o e ped as p e- ciosas mandada execu a po D. Sancho pa a San a C uz de Coimb a (ca . 3), me ecem des aque ou as peças, ac ualmen e ambém na posse do Museu Nacional de A e An iga, como o co e em p a a dou ada do Con en o de C is o de Toma (FIG. 5) (ca . 29), ob a de linhas a qui ec ónicas mui o ma cadas cujo isco oi ecen emen e a ibuído em co-au o ia a Bal aza Al a es40, e o apa a oso cálice quinhen is a que se julga a à época e pe encido ao mesmo con en o (FIG. 6) (ca . 5), e que D. Luís mandou copia à casa Lei ão & I mão pa a o e ece ao papa Leão XIII, po ocasião do jubileu de 188841. Expos a na sala G es a a ambém a c uz elicá io em ou o e ped as p eciosas encomen- dada po D. João IV ao ou i es Filipe Vallejo, hoje conse ada no Paço Ducal de Vila Viçosa (FIG. 7) (ca . 2), al como um g ande co e do séc. XIV com esmal es de Limo- ges, e adamen e conside ado bizan ino po A agão (FIG. 8) (ca . 50). En e ou as peças, algumas ão díspa es como um pa de “ o ques cel ibe icos de oi o com o na os oscos” (ca . 39 e 40) ou um Li o de Ho as cuja encade nação ap esen a a “as a mas po uguezas em oi o esmal ado e c a ejado de b ilhan es osas e ubis” (ca . 42)42, cha- 39 Ca alogo illus ado da exposição e ospec i a de a e o namen al po ugueza e hespanhola [...], 1882, pp. 127-170. 40 Rica do Lucas B anco, I alianismo e Con a-Re- o ma: a ob a do a qui ec o Bal aza Ál a es em Lisboa . Disse ação de Mes ado ap esen ada à Fa- culdade de Ciências Sociais e Humanas - Uni e si- dade No a de Lisboa, 2008, ol. I, pp. 66 e 67. 41 C . O Occiden e , n.º 327, 21 Janei o 1888. 42 T a a-se do Li o de Ho as de D. Fe nando, con- se ado ac ualmen e no MNAA (in . 13 Ilum). O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA FIG. 8 - Co e elicá io. F ança, Limoges, sécs. XII-XIII. Fe o e esmal es políc omos. PDVV, in . 689. © J. Real And ade, FCB. 78 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 7 - C uz elicá io. Po ugal, Filipe Vallejo, 1656-1673. Ou o, p a a, diaman es, ubis, esme aldas, pé olas, c is al e esmal es políc omos. PDVV, in . 356. © J. Real And ade, FCB. Epílogo Cump indo adicionais unções de apa a o, di e sas peças das colecções de ou i esa- ia da Casa Real e de D. Luís o am equen emen e equisi adas pa a o namen a uma ou ou a sala do anda nob e da Ajuda, sob e udo po ocasião de bailes e ecepções. Disso nos dão con a os ela os dos jo nais coe os69 e a é uma o og a ia da Sala do Co po Diplomá ico (FIG. 19), cujos apa ado es ap esen am uma he e ócli a conjugação de peças de uso sac o e p o ano, nacionais e es angei as e de di e en es épocas, no que de e á e sido o ipo de exposição aplicada às i inas do “museu de an iguidades”. Ocupa luga de des aque num dos apa ado es, en e sal as e gomis, o co e euca ís- ico do con en o de C is o de Toma (FIG. 5), enquan o no ou o islumb amos pa e do co e em esmal es de Limoges que se conse a ac ualmen e no Paço Ducal de Vila Viçosa (FIG. 8). Ve i icamos ainda a p esença de algumas sal as e canecas alemãs em p a a dou ada, a maio ia das quais execu adas em Agusbu go, en e os séculos XVII e XVIII, e ainda uma chalei a da baixela Ge main, num gos o decididamen e ecléc ico, a eco da a deco ação que D. Fe nando II imp imiu ao seu gabine e de abalho das Necessidades, onde concen ou a sua no á el colecção de ou i esa ia70. Embuído de idên icas p eocupações deco a i as, D. Ca los ez ansi a pa a aquele palácio, logo após a sua subida ao ono (1889), pa e signi ica i a do ace o de ou i- esa ia sac a e ci il conse ado na Ajuda, con a iando um desejo exp esso pelo pai num es amen o edigido em 186971. As peças mais ele an es con inua ão oda ia a se cedidas pa a igu a em exposições empo á ias, como oi o caso da Exposição 69 “Es e e esplêndido o baile do paço dos nossos eis. Pe o de 2000 pessoas po oa am as as as salas do palacio da Ajuda que se acha am ado na- das com sump uosidade, e inexcedí el gos o, o - nando-se no á eis a sala dos e a os […]. Na sa- la p óxima, en e objec os de subido alo , e de mui a a idade, ia-se a g ande bacia de oi o ma- cisso onde oi bap isado el- ei D. Sebas ião”. DN , 8 Fe e ei o 1865. T a a-se segu amen e da bacia em p a a dou ada u ilizada na solenização dos bap izados dos p íncipes (PNA, in . 4286). 70 Vejam-se as imagens publicadas po José Texei- a, D. Fe nando II. Rei-A is a. A is a-Rei , 1986, pp.202-205. 71 “As minhas colecções de bellas-a es e an i- guidades e medalhas deixo-as a meu ilho mais elho pa a que semp e as conse e e augmen e no mesmo local do paço d’Ajuda em que hoje se achão”. F ancisco Lou o. “Um es amen o inédi- o do ei D. Luís” . Sep . B aca a Augus a, . XXX, asc. 69 (81), 1976, p. 5. O “MUSEU DE ANTIGUIDADES” DA AJUDA 85 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 18 – Píxide. G a u a publicada na e is a A A e , 1879. © Hugo Xa ie . FIG. 19 - Sala do Co po Diplomá ico. Fo og a ia de Hen ique Nunes, c. 1880. BA 232/4 Reg. 1494. © Co esia da BA. de A e Sac a O namen al, p omo ida em 1895 pela Comissão do Cen ená io de San o An ónio de Lisboa, e de onde esul ou um no á el Ca álogo da Sala de Sua Mages ade El-Rei , elabo ado pelo biblio ecá io eal, Ramalho O igão72. Ci cunsc i o à colecção numismá ica e a pouco mais, o gabine e eal, espaço que an o se dis inguiu po cump i unções ine en es à ac ual p á ica museológia – sob e udo no que diz espei o à in es igação, inco po ação, documen ação, exposi- ção e di ulgação – conhece á a pa i de en ão o seu im. Em 1899, um ep esen- an e de Teixei a de A agão en ega na Adminis ação da Fazenda da Casa Real o núcleo de moedas e medalhas da Co oa que D. Luís ha ia ei o deposi a no gabi- ne e, jun o à sua colecção pessoal73. Com a implan ação da República, assis e-se a uma no a dispe são das moedas e es an es objec os lá conse ados, disseminados po onde se julgou mais adequado, e que aqui p ocu ámos de no o euni , con ex- ualizando-os como colecção, de manei a a o e ece uma isão de conjun o do que oi o núcleo museológico ideado po D. Luís. • Bibliog a ia AMARAL, C. M. Almeida do – Ca álogo desc i i o das moedas po uguesas. Museu Numismá ico Po uguês. Lisboa: Imp ensa Nacional – Casa da Moeda , 1977. ARAGÃO, A. C Teixei a de – Desc ipção ge al e his o ica da moedas cunhadas em nome dos eis, egen- es e go e nado es de Po ugal, 3 ols . Lisboa: Imp ensa Nacional, 1874-1880. ARAGÃO, A. C Teixei a de – Desc ipção his o ica das moedas omanas exis en es no gabine e numisma- ico de sua mages ade el- ei o senho D. Luiz I. Lisboa: Typ. Uni e sal, 1870. ARAGÃO, A. C Teixei a de – Desc ip ion des monnaies, médailles e au es obje s d’a conce nan l’his- oi e po ugaise du a ail . 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