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Os Projectos do Arquitecto Joaquim de Oliveira para as Bibliotecas-Museu de Frei Manuel do Cenáculo

Caetano, Joaquim Oliveira

Abstract

Um conjunto de desenhos da Biblioteca Pública de Évora, da autoria do arquitecto Joaquim de Oliveira, podem ser identificados com projectos para edifícios de Bibliotecas e Museus idealizados por Frei Manuel do Cenáculo para as suas colecções, primeiro em Beja e depois em Évora, as duas cidades onde ocupou a Mitra. São dos primeiros desenhos de arquitectura conhecidos para Museus em Portugal. Cenáculo esteve ligado à criação de algumas das primeiras bibliotecas públicas portuguesas, como a Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, a Biblioteca da Real Mesa Censória, antecessora da Biblioteca Nacional, e a Biblioteca Pública de Évora. Foi também o fundador do primeiro Museu Público, o Museu Sesinando Cenáculo Pacense, inaugurado em Beja, em 1791. A necessidade de unir a biblioteca e o museu como instrumentos essenciais de base da construção do edifício científico é exposta várias vezes no pensamento de Frei Manuel do Cenáculo que, até à sua morte, tentou por várias vezes dar forma a este projecto, finalmente concretizado na Biblioteca Pública de Évora em 1805, já depois da morte do arquitecto.

Full text

Resumo Um conjun o de desenhos da Biblio eca Pública de É o a, da au o ia do a qui ec o Joaquim de Oli ei a, podem se iden i icados com p ojec os pa a edi ícios de Biblio- ecas e Museus idealizados po F ei Manuel do Cenáculo pa a as suas colecções, p i- mei o em Beja e depois em É o a, as duas cidades onde ocupou a Mi a. São dos p imei os desenhos de a qui ec u a conhecidos pa a Museus em Po ugal.Cenáculo es e e ligado à c iação de algumas das p imei as biblio ecas públicas po uguesas, como a Biblio eca da Academia das Ciências de Lisboa, a Biblio eca da Real Mesa Censó ia, an ecesso a da Biblio eca Nacional, e a Biblio eca Pública de É o a. Foi ambém o undado do p imei o Museu Público, o Museu Sesinando Cenáculo Pacense, inaugu ado em Beja, em 1791. A necessidade de uni a biblio eca e o museu como ins umen os essenciais de base da cons ução do edi ício cien í ico é expos a á ias ezes no pensamen o de F ei Manuel do Cenáculo que, a é à sua mo e, en ou po á ias ezes da o ma a es e p ojec o, inalmen e conc e izado na Biblio eca Pública de É o a em 1805, já depois da mo e do a qui ec o. • Abs ac A g oup o d awings om he Public Lib a y o É o a, by he a chi ec Joaquim de Oli ei a, can be iden i ied as p ojec s o buildings o Lib a ies and Museums con- cei ed by F ei Manuel do Cenáculo o his collec ions, i s in Beja and hen in É o- a, wo ci ies ha we e pa o his diocese. These a e he i s known a chi ec u al d awings o Museums in Po ugal. Cenáculo was connec ed o he c ea ion o some o he i s Po uguese public lib a ies, such as he Lib a y o he Science Academy o Lisbon, he Lib a y o he Royal Censo ial Table, a p edecesso o he Na ional Lib a y, and he Public Lib a y o É o a. He was also he ounde o he i s Public Museum, he Museu Sesinado Cenáculo Pacense, ounded in Beja in 1791. The need o com- bine lib a y and museum as key ins umen s o he basis o cons uc ion o a scien- i ic building is shown in F ei Manuel do Cenáculo’s hinking, who up un il his dea h has ied se e al imes o gi e li e o his p ojec , which was inally b ough o a close wi h he Public Lib a y o É o a in 1805, well a e he dea h o he a chi ec . • pala as-cha e Museus Biblio ecas A qui ec u a Joaquim de Oli ei a F ei Manuel do Cenáculo key-wo ds Museums Lib a ies A chi ec u e Joaquim de Oli ei a F ei Manuel do Cenáculo Duas dezenas de desenhos exis en es na Biblio eca de É o a dizem espei o a p o- jec os ealizados pelo a qui ec o Joaquim de Oli ei a pa a F ei Manuel do Cenáculo. Conc e amen e, pa a ins i u os cien í icos que Cenáculo p e endeu c ia em Beja e É o a, cidades de que oi espec i a e sucessi amen e Bispo e A cebispo e pa a onde p o- jec ou Biblio ecas e Museus, acabando no en an o po conc e iza ealizações bem mais modes as do que os p ojec os que ago a e elamos deixam e que e á sonhado. Mas ep esen am, como e emos, documen os impo an íssimos que no con ex o da his ó- ia dos Museus em Po ugal, que na cla i icação do papel de Cenáculo nessa his ó ia1. F ei Manuel do Cenáculo oi um dos ul os da cul u a po uguesa do século XVIII que mais con ibuiu pa a o nascimen o de ins i uições públicas do sabe , sendo mesmo es a uma das p incipais ca ac e ís icas da sua ac uação. Es e e na génese de algumas das p incipais biblio ecas po uguesas, como a do Con en o de Jesus/Academia das Ciên- cias, Biblio eca Nacional e Biblio eca Pública de É o a e undou em Beja, em 1791, o p imei o museu público po uguês, o Museu Sesinando Cenáculo Pecence. Se quise - mos sin e iza os aspec os essenciais da sua ac uação cul u al podemos dize que a noção p o unda da necessidade de e o ma dos es udos, endo como base a do ação de ins umen os de conhecimen o como as biblio ecas, e a noção p o unda da neces- sidade de comp eensão e es udo da cul u a ma e ial são dois aspec os cen ais do seu pensamen o e da sua p á ica (Caei o, 1959 e Cala a e, 1994). Es a consciência ,que o le a á a colecciona e a disponibiliza ao público as suas colecções, pode se encon ada no momen o essencial de i agem em que deco e am os p imei os anos da sua ap en- OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA PARA AS BIBLIOTECAS-MUSEU DE FREI MANUEL DO CENÁCULO JOAQUIM OLIVEIRA CAETANO Museu Nacional de A e An iga 49 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 1No seu conjun o es a documen ação pe manece inédi a. Já inham sido no en an o e e enciados po Gab iel Pe ei a, Ca as Geog aphicas e Topo- g aphicas, g a adas ou Manuusc ip as conse adas na Biblio heca Pública de É o a, s.l.. 1880, e po nós (Cae ano, 2005). Recen emen e i e am uma p imei a análise em Rod igues, 2008:p. 70 e segs. dizagem. Cenáculo nasceu em 1724, em Lisboa, de amília humilde, endo op ado mui o cedo, al ez pelas modes as posses amilia es, pela en ada na Religião. Aos 12 anos equen ou na Cong egação do O a ó io, em Lisboa, o cu so de Filoso ia do Pad e Bap is a Ca bone. Aos 15 anos passou po ém pa a os F anciscanos da O dem Te - cei a da Peni ência, umando a Coimb a, em 1740, pa a lições com F ei Joaquim de S. José, que semp e conside a á o seu g ande mes e e a quem o uni á a é ao im da ida um p o undo espei o e amizade. O p óp io Cenáculo conside ou que oi o seu mes e quem em Po ugal iniciou a e o ma da iloso ia: “desde o ano de qua en a deu en ada a mil e mil aíscas, que unidas, ha iam de se depois luz adiosa”. A o mação de Cená- culo e a sua in ensa cu iosidade pelo conhecimen o bene icia am desse momen o de e e escência na educação po uguesa, anquilosada po séculos de escolás ica, que e ia o seu auge em 1746 com a publicação do Ve dadei o Mé odo de Es uda , de Luis An ónio Ve ney. Mas o in e esse de Cenáculo pela in es igação his ó ica e pelo colec- cionismo, bene iciou ambém de um momen o p i iligiado em Po ugal no einado de D. João V, com o p óp io exemplo égio, a o mação da Real Academia de His ó ia, o dec e o de 1721 que pela p imei a ez de ine um concei o de pa imónio his ó ico e sublinha o alo dos monumen os e do pa imónio ma e ial no es udo do passado. Um momen o essencial da o mação do anciscano oi a iagem que jun amen e com o seu mes e ez a Roma no ano de 1750, e da qual deixou um diá io manusc i o (Biblio eca Pública de É o a, do a an e BPE, CV/1-10). Do Diá io essal a o impac o causado pela Biblio eca Real de Mad id e pela Uni e sidade de Alcalá, em Espanha, a Uni e sidade de Tu im e o Ins i u o Specula de Bolonha, sediado no Palazzo Poggi, que lhe deixa uma i a imp essão, não só pelo a anço cien í ico no es udo da as onomia e das ma e- má icas, como pela o ganização espacial das salas abe as pa a o claus o, di ididas po á eas de sabe , ag upando, cada uma, modelos, objec os e colecções do seu ema de es udo, pa a além de uma biblio eca. Cenáculo isi ou ainda Ba celona, Milão, e Roma, que a i ma no seu Diá io não e pala as pa a desc e e , gaba a a qui ec u a de I ália, mas é esse modelo de Bolonha, eunindo os objec os à Biblio eca que se o - na á decisi o na sua acção e lhe ma ca á a pe spec i a de coleccionado . A ac i idade da Academia de Bolonha já de ia aliás se conhecida an e io men e po Cenáculo, pois coube ao seu p imei o mes e João Bap is a Ca bone a espos a a um pedido da Academia Bolonhesa a D. João V pa a o en io de “cu iosidades na u ais” de Po ugal pa a o en iquecimen o dessa ins i uição (B igola, 2003, p. 76) c iada “pe l’uso pubblico di u a e a”, um p incípio que se e á bem incado na u u a ac ua- ção do A cebispo e nos ins que p ocu a á da às suas biblio ecas e colecções. Embo a não se saiba exac amen e quando Cenáculo começou a colecciona é ce o que já nos anos de Lisboa, onde eg essa em 1757, quando é nomeado C onis a da P o íncia F anciscana, depois dos anos passados em Coimb a como len e de Teolo- gia no Colégio de S. Ped o, possuía uma azoá el colecção e um gos o em euni in o mações de ca ác e a queológico. F . F ancisco Sanches Sob inho e e e-se à sua colecção lisboe a, que incluía já uma sé ie de insc ições e um impo an íssimo mone- á io ca alogado (Hubne , 1871, p.6). OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA 50 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 A inda pa a Lisboa co espondeu ao pe íodo de maio in e enção de Cenáculo na es e a pública, sus en ada pelo apoio de Pombal, um supo e que se es ei a á sob e- udo na década de 1760, acen uando-se depois do Minis o de D. José e acei e a dedica ó ia das “Memó ias His ó icas do Minis é io do Púlpi o”, e minadas po Cenáculo em 1766. Nos anos “lisboe as” Cenáculo acumulou um g ande núme o de ca gos eligiosos e polí icos: C onis a da O dem Te cei a em 1757, Inspec o das Ig ejas das O dens Mili a es, em 1758, Capelão mo das A madas, em 1764, P o in- cial dos Te cei os, em 1768, con esso do P íncipe D. José no mesmo ano, que o e á ainda nomeado pa a Capelão Régio e Depu ado da Real Mesa Censó ia, cuja p esi- dência ocupou em 1771. Já um ano an es D. José o p opuse a pa a Bispo da ecu- pe ada Diocese de Beja, e o nomea a p ecep o do P íncipe do B asil. Ainda em 1770 ocupou o ca go de P imei o Conselhei o da Jun a da P o idência Li e á ia ( eja-se sob e udo Ma cadé, 1978: pp. 51-80). A Jun a, ecém c iada, es a a ocupada na e o ma do ensino e oi um dos p incipais p ojec os de Pombal. Já an es po ém a Real Mesa Censó ia, que Cenáculo di igia, inha a supe isão da e o ma do Colégio dos Nob es, o que o na assim Cenáculo, no início da década de 1770, a igu a cen al na e o ma do ensino em Po ugal. É esse o momen o em que em condições pa a en a le a à p á ica, sob e udo depois da c iação da Jun a do Subsídio Li e á io (em 10 de no emb o de 1772) que de e ia o nece as bases inancei as pa a a e o ma dos es udos, a a és do impos o sob e as bebidas alcoólicas, as suas ideias de c ia- ção de Biblio ecas e Museus. É no seu âmbi o que Cenáculo p ojec a á a Biblio eca da Real Mesa Censó ia, que de e ia ocupa o lado Ociden al da P aça do Comé cio. Não conhecemos os planos pa a es a biblio eca, mas em 1773, a 4 de Julho, Cená- culo en egou ao a qui ec o Reynaldo Manuel dos San os, uma memó ia do que de e ia se o edi ício, “huma casa as a, bem p opo cionada, majes osa, capaz de mui os mil olumes”, com um á io “indispensá el pa a O na o, e pela decência”, gabine es e salas de lei u a, o icinas e casas pa a mapas e globos, a idades e manus- c i os, e ambém gale ias pa a mone á ios, es ampas, desenhos e pin u as “p incipal- men e dos sujei os Mes es, o que He o na o essencial de uma biblio eca” (ANTT, Minis é io do Reino, Lº 362, l. 113 º 114. Domingos, 1992:148). Como dissemos, desde que em 1750 ez com o seu men o uma isi a a Roma passando po á ias biblio ecas em Espanha e I ália se o mou no espí i o de Cenáculo a impo - ância da c iação de um es abelecimen o cien í ico que unisse uma biblio eca e um Museu. Es a ideia anspa ece logo no seu diá io de iagem e em exp essão po á ias ezes na sua ob a e nos esc i os dos seus colabo ado es mais p óximos. Po exemplo, no plano de Re o ma dos Es udos Meno es e seu inanciamen o pelo Subsídio Li e á- io, que p opõe em 1773, suge e como P imei a Aplicação a “comp a sucessi a e inex- inguí el de li os pa a a Biblio eca Pública ... pa a se o ma não somen e uma das p imei as Biblio ecas da Eu opa, mas ambém que seja deco ada de p eciosos manus- c i os e dos li os mais a os e escolhidos”. A segunda aplicação se ia “a composição de um Museu de Ra idades pa a o que dão hoje exemplos, e es ímulos de Sciencias e de paixão as Nações cul as, mas que b e emen e hajam de ecebe os mesmos e mais OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA 51 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 1 - Tommaso Zappa i, Topo da Biblio eca Casana ense, Roma, 1773, 50,2 x 36,7 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 36) . FIG. 2 - Tommaso Zappa i, Ou o opo da Biblio eca Casana ense, Roma, 1773, 50,4 x 36,8 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 34). 52 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 signi ican es exemplos des a Capi al”. O p ojec o de Cenáculo incluia assim no concei o de biblio eca o de museu, com a ap esen ação pública de a idades e colecções de a e. Ou seja, p opõe não só a c iação de uma biblio eca cen al, mas ambém a de um Museu Nacional, ideia que demo a á mais de um século a cump i -se. O conjun o de desenhos da Biblio eca Pública de É o a inclui alguns planos de biblio- ecas e academias, sendo mui o ele an es, que pela sua qualidade, que pela da a de 1773, coinciden e com a ap esen ação do seu p ojec o a Reynaldo Manuel dos San os, os ês desenhos do in e io da Biblio eca Casana ense de Roma (FIG. 1,2 e 3). São ês belos e g andes desenhos aguados a cinza, que ep esen am os opos e um co e ans e sal do in e io des a biblio eca, inaugu ada no início do século XVIII. O co e es á da ado de 1773 e assinado po “Tomaso Zappa i Nipo e di N. Paglia ini”. Nicolau Paglia ini e a amigo de Cenáculo e o p incipal dos seus o necedo es. Homem p o undamen e ligado a Pombal oi desde 1768 “enca egado da cus ódia e a uma- ção das li a ias do Paço e do Real Colegio dos Nob es” e di ec o ge al da Imp essão Régia, pa a além de o necedo p incipal da Real Biblio eca Pública. Reg essou a Roma depois da queda de Pombal. A sua cumplicidade com Cenáculo é a es ada numa in ensa co espondência de dezenas de ca as (Gusmão, 1944-56 e Vaz, 2009). Não é possí el no en an o iden i ica com segu ança es e Tomaso, sob inho de Paglia ini, com o seu sob inho do mesmo nome que con inua o papel de agen e do io como comp ado de li os pa a Cenáculo. Numa ca a da ada de Roma, de 11 de No em- b o de 1789, Nicolau diz que o seu sob inho “Thomaz con inua es udando po uguês pa a pode se i Cenáculo” (Gusmão, 1944-56, ca a 4332), mas é di ícil sabe se se a a do a qui ec o ou do u u o agen e, ou a é se são a mesma pessoa. Tommazo Zap- pa i, que assina os ês belos desenhos do in e io da biblio eca Casana ense, apa ece ligado sob e udo a ob as de es au o e an iqua ia o. De eu-se-lhe a desobs ução dos a cos de Se e o e Cons an ino e ez p ojec os pa a sal agua da do Coliseu, pa a além do monumen o e éme o em hon a do Papa Pio VII, conhecido como “Il T iun o di Cons anza”, do qual exis e uma g a u a de Ba olomeo Pinelli. Segundo Missi i e a “a qui ec o engenhoso e pleno de an asia” (Missi i, 1823: 427) e abalhou sob e- udo no pe íodo em que An ónio Cano a e a Inspec o Ge al das Belas A es de Roma e do Es ado Pon i ício e em que o am e ec uadas impo an es ob as nos monumen- os da An iguidade de Roma (Jokileh o, 1999:126-143)2. OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 3 - Tommaso Zappa i, Co e longi udinal da Biblio eca Casana ense, Roma, 1773, 50,1 x 95 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 32). 53 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 2Uma isão mui o in e essan e da impo ância da in es igação a queológica e do es au o de monu- men os clássicos em Roma nes e pe íodo es á em Ridley 1992, com e e encias conc e as à ac i ida- de de Zappa i a pag. 36-37. O a aso nas ob as da P aça do Comé cio, com o p i ilégio dado à ins alação e inau- gu ação da Es á ua Eques e de D. José, di a am a demo a e o abandono do p ojec o da Biblio eca, da qual não conhecemos nenhum es udo de Reynaldo Manuel dos San- os, mas pela mesma al u a Cenáculo en ol eu-se nou a biblio eca, a do Con en o de Jesus, con en o onde ha ia p o essado e ao qual es a a p o undamen e ligado, a é pelo ca go de ocupou en e 1768 e 1777 de P o incial da Te cei a O dem F anciscana. As suas p eocupações com a econs ução do edi ício en ol em aspec os de salub i- dade, iluminação, mas ambém de ensino dos no iços e do papel nesse ensino da biblio eca, e o çada com espólio de colégios jesuí icos ex in os (Vaz, 2004 e BPE, cod. CXXVIII/2-5). O p óp io Cenáculo doa ce ca de 3000 li os pa a o en iquecimen o des a biblio eca mas es á igualmen e in e essado na econs ução da Ig eja das Me - cês, cujas ob as se p olonga am po mais empo do que no malmen e é di o (F ança, 1987:190-91 e Rossa, 1989), pois em á ias ca as ocadas com o seu amigo e con- discípulo D. F . João E angelis a Pe ei a da Sil a, Bispo do Pa á, ai dando con a do adian amen o da ob a do ad o e do on ispício da ig eja, a é à sua inalização em 1777 (Gusmão, 1944-56: ca a 890). José-Augus o F ança conside ou jus amen e as Me cês como a “a mais bela achada das ig ejas de Lisboa: mo imen ada, aleg e, um pouco p e ensiosa, mas de uma nob eza segu a” e a sua au o ia adicional ao a qui- ec o Joaquim de Oli ei a es á hoje documen almen e p o ada3, o que em pa a nós a maio das impo âncias, pois é es e a qui ec o que e emos sis ema icamen e aju- da Cenáculo nos seus p ojec os u u os em Beja e É o a. Joaquim de Oli ei a inha elações de pa en esco com Cenáculo e o e mo “p imo” apa ece á ias ezes e e ido na co espondência en e ambos. Conhecem-se seis ca as de Joaquim de Oli ei a pa a Cenáculo en e 1776 e 1785 (Gusmão, 1944-56: ca as 2453 a 2458) e á ias e e- ências ao a qui ec o em co espondência pa a ou os in e locu o es (c . Vaz, 2009). O pe cu so de Joaquim de Oli ei a, cuja compe ência a ís ica é bem exp essa na Ig eja das Me cês, es á mal es udado, ainda que se conheçam bas an es passos da sua ac i idade, sob e udo pelo cu ículo de Ob as Públicas, que a sua iú a, Ma ia Wa ga , inse e num pedido ei o após a mo e do ma ido, em 1803, pa a que osse soco ida da di ícil si uação económica em que se encon a a. Foi a qui ec o da Casa do Risco da Jun a do Comé cio, medido e a qui ec o das Ob as dos Paços Reais, a qui ec o das ob as do Conselho da Fazenda e a qui ec o do Senado de Lis- boa. En e as ob as nomeia-se o abalho de 50 anos em ob as de a óis, a au o ia do Qua el da C uz do Tabuado, da eedi icação do Con en o de Palmela e ainda p o- jec os pa a o Con en o de São Ben o e pa a o Palácio da Ajuda (Vi e bo, 1904). Joa- quim de Oli ei a e e ce amen e a p o ecção de Cenáculo que, po pa en esco, amizade e colabo ação se in e essou amiudadamen e pela sua ca ei a. Numa ca a a Mayno de18 de Julho de 1778, ag adece-lhe o despacho que concede a ao a qui- ec o e queixa-se de não e sido ei a jus iça a Joaquim de Oli ei a “na dependên- cia de a qui ec o” (Vaz, 2009:102). Cenáculo oi nomeado pa a Bispo de Beja, uma diocese in e ompida desde o pe íodo Visigó ico, no auge da ca ei a e do seu peso na ida po uguesa, em 1770, e sag ado OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 4 - Joaquim de Oli ei a, Plan a do an igo colégio jesuí ico de S. Sesinando, de Beja, 1774, 44,8 x 29,8 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 56). FIG. 5 - Joaquim de Oli ei a, Plan a do conjun o de edi ícios p ojec ado pa a F ei Manuel do Cenáculo, incluindo Ca ed al, Seminá io, Ja dim, Paço Episcopal, Capela, Cochei as, Biblio eca e Museu, 42,1x26,8 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 16). 54 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 na Real Capela da Ajuda em 28 de Ou ub o desse ano, mas só ês anos depois en ou pela p imei a ez na cidade, eg essando de no o à co e, a é que em 1777, após a mo e de D. José, o a as amen o do Ma quês de Pombal e o início do ad e so ei- nado de D. Ma ia I, o Bispo decidiu, po on ade p óp ia ou pela o ça das ci cuns- âncias, ausen a -se da co e e ixa -se em Beja. Não sabemos se Oli ei a acompanhou o no o bispo na sua p imei a isi a à diocese, mas a ideia de Cenáculo pa a a ocupação do colégio jesuí ico nasceu dessa isi a a Beja, pois a “Memó ia” que acompanha o le an amen o de Joaquim de Oli ei a da a de 4 de Julho de 1774. O Colégio ha ia sido começado no inal do século XVII, depois de á ias en a i as dos Jesuí as e uma o e oposição dos F anciscanos que inham ob ido p i ilégios no es abelecimen o na cidade. Em 1673, acabada a Ig eja de S. Sesinando ins alou-se nela um g upo de Jesuí as que inha indo p ega na cidade ês anos an es. Es a ocupação oi con i mada po D. Ped o II em 22 de Ma ço de 1687, mas só em 12 de OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA 55 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 3Ag adecemos a Sand a Cos a Saldanha es a in- o mação, baseada em documen ação inédi a que em b e e se á dada a conhece pela his o iado a. FIG. 6 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o de achada pa a a Biblio eca e Museu de F ei Manuel do Cenáculo em Beja, 26,8 x 78,8 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a 1, nº 51). FIG. 7 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o al e na i o de achada pa a a Biblio eca e Museu de F ei Manuel do Cenáculo em Beja, 26,8 x 78,8 cm (BPE, ese ados, Ga e a 8, Pas a I, nº 37). OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA 56 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 8 - Joaquim de Oli ei a, Plan a do piso é eo da Biblio eca e Museu de F ei Manuel do Cenáculo em Beja, 28,9x80,2 cm (BPE, ese ados, Ga .8, Pas a I, nº 53). FIG. 9 - Joaquim de Oli ei a, Plan a do piso nob e da Biblio eca e Museu de F ei Manuel do Cenáculo em Beja, 28,5x 82 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 43). Ma ço de 1695, depois de um o o da ainha Dona Ma ia So ia, oi lançada a p imei a ped a do no o colégio, um edi ício g andioso, semelhan e ao ebo ense, dedicado a S. F ancisco Xa ie . Apesa da g andeza do p ojec o, a Ig eja p incipal nunca chegou a se cons uída ( eja-se, Mss. 213, nº 25 dos Rese ados da Biblio eca Nacional). Cenáculo começa ia mais a de a eelabo ação da ig eja pa a Ca ed al, mas nes a p i- mei a ase, como se pe cebe do p ojec o a qui ec ónico, in e essa a-lhe sob e udo a ans o mação do edi ício em Seminá io. A plan a (FIG. 4) mos a, pa a além de uma li a ia na pa e no e, com gabine e e salas pa a o P o iso , e de uma capela no opo nascen e, uma ocupação de oda a ala sul com salas de aula, acomodações dos p o- esso es e zonas u ili á ias pa a cozinhas, qua os de c iados, e c. Mais in e essan e é a plan a de implan ação (FIG. 5), onde se ê como o an igo edi ício da Companhia ca a, in o ma a Cenáculo do passo mais impo an e: “he e dade que o Exmº S . Dom Rod igo de S. C. ama a V. Exª, e ce amen e deseja ia e a V. Exª sen ado na Ca e- d al Me opoli a de É o a: po an o a es e Minis o ben azejo, e jus o de e á V. Exª e den o de poucos dias co oada com p emio a sua gene osa Doação: meu I mão la ou hon em o Dec e o, e enquan o não baixa assignado, não se de e nada dize ” (idem, nº 113). Em 11 de Ma ço, inalmen e, podia da con a a Cenáculo da ce eza de e almejado a desejada cadei a e do apoio do Regen e: “Hon em ui a Queluz, po depen- dencias, de que me acho pa icula men e enca egado pa a o Gabine e de S.A.R.; e en ão beijei a mão ao P íncipe R.N.S., que me ecebeo como cos uma aze -me Me cê, e quando lhe endi as G aças pela me cê de ha e ele ado V. Exª à Dignidade eminen- íssima de Me opoli ano de É o a, me espondeo: Eu amo ao A cebispo elei o pelas suas i udes, e Li e a u a; e ha annos o ago no meu co ação” (idem, nº 117). A nomeação pa a a ica A quidiocese de É o a ab iu no a espe ança de e oma dos p ojec os de Cenáculo e quase imedia amen e ecomeça am, ago a pa a É o a, os p o- jec os de Joaquim de Oli ei a. Como em Beja o p imei o é um le an amen o ci cuns- anciado dos dois pisos do Paço A quiepiscopal e do edi ício con íguo e a ele ligado que ha ia sido cons uído no século XVII pelo adminis ado do A cebispado D. João de Sousa (FIG. 12 e 13). É nes e úl imo edi ício, o nado inú il pela ans e ência do colégio pa a a cons ução a sul do claus o da ca ed al, que Cenáculo p e ende ins- ala as suas colecções e li a ia. Os p ojec os de Joaquim de Oli ei a mos am-nos uma ans o mação do piso é eo (FIG. 17), com ap o ei amen o das pa edes ex e- io es e uma eelabo ação do espaço in e io , e uma u ilização comple amen e no a do piso supe io . Também aqui, como em Beja, Joaquim de Oli ei a o nece dois p o- jec os al e na i os, mas com maio es di e enças um do ou o. É cu ioso dize desde já que em qualque dos p ojec os a achada p incipal apa ece ol ada a sul, pa a a cabecei a da Ca ed al, is o é, pa a o ac ual la go Má io Ta a es Chicó. Hoje es e la go OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 14 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o pa a a achada sul da Biblio eca Pública de É o a, c. 1802-3, 26,5 x 36,5 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 44). FIG. 15 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o pa a a achada sul da Biblio eca Pública de É o a com a ian e no on ão, c. 1802-3, 26,5 x 36,5 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 44). FIG. 17 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o pa a a ans o mação do piso é eo do Colégio dos Meninos do Co o da Ca ed al de É o a pa a o edi ício da Biblio eca Pública, c. 1802-3, 35,7 x 43,9 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 50). 63 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 é uma simples passagem en e a p aça do emplo omano e a descida da colina a é às Po as de Mou a, con udo an es da desobs ução do emplo, que da ia ao La go Conde de Vila-Flo uma cen alidade na cidade que não exis ia desde os empos omanos, o pequeno la go jun o à cabecei a da Ca ed al e a e dadei amen e cen al. Pa a lá se ab iam os po ais dos Paços dos Condes de Bas o e de Po aleg e, pa a lá se ab ia uma en ada di ec a do Paço dos A cebispos e as po as do celei o ca ed a- lício e pa a lá se inha ol ado a p imi i a Câma a da cidade. O p óp io Ludo ice, na sequência das ob as de cons ução da no a capela-mo da Sé no século XVIII, p ojec a pa a es e espaço duas g andes p aças desni eladas unidas po escada ias cujo p ojec o se conhece po um g ande desenho das colecções do Museu de É o a ( ME 12230). As p aças ludo icianas, que da iam um ou o impac o u banís ico à no a capela-mo , mos am a impo ância do espaço público que se man inha ainda nos inícios do século XIX quando Joaquim de Oli ei a az os seus p ojec os pa a a Biblio eca. Dos dois conjun os a qui ec ónicos conhecidos um inha cla amen e uma meno monumen alidade (FIG. 14, 15 E 16), man endo uma linha de al u a semelhan e ao Paço A quiepiscopal, ao qual se liga a po duas a cadas, com o úl imo a co já inco - po ado den o da es u u a do edi ício da Biblio eca. A achada sul, a p incipal, é p o- jec ada com um g ande on ão iangula , ipa ida en e um co po cen al e dois la e ais que dão sime ia ao úl imo a co do passadiço. As janelas são de desenho sim- ples, apa ecendo ligadas as cen ais num eixo sob e a po a em ês sucessi os egis- os. Um pequeno papel mos a pa a es a al e na i a duas hipó eses dis in as (FIG. 14 e 15) pa a o co oamen o. Numa o on ão é p eenchido po ês janelas encimadas po um b asão e nou a, sob e o co po p incipal, ab e-se um on ão in e ompido po um g ande janelão co oado pelas a mas a quiepiscopais. OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 19 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o pa a a Biblio eca Pública de É o a - co e E-W, c. 1802-3, 26,7 x 36,5 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 41). 64 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 16 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o pa a a achada ociden al da Biblio eca Pública de É o a, c. 1802-3, 43,9 x 34,5 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 39). FIG. 18 - Joaquim de Oli ei a, Plan a do piso nob e da Biblio eca Pública de É o a, c. 1802-3, 34,9 x 43,9 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 46). O desenho da achada poen e é pa icula men e in e essan e pelos a i ícios que compo a (FIG. 16). A abe u a dos dois a cos que compunham en ão o passadiço en e o colégio e o paço a quiepiscopal, causa am um na u al desequilíb io na sime- ia da achada e, pa a o minimiza , Joaquim Oli ei a p opõe a inclusão do úl imo deles no no o edi ício, com uma passagem em co o elo a a és do a co abe o à di ei a. Des a o ma, embo a es e lado do edi ício ique apenas com duas janelas (e não com ês, como o opos o), a o e ma cação do co po axial, a colocação das duas janelas no á ico, de memó ia ma deliana, e a dimensão ge al do edi ício, ajudam a man e um equilíb io da composição apesa desse elemen o de ligação. As janelas são de moldu a bas an e simples, mas o co po cen al é pa icula men e engenhoso. Em ês egis os, com on ão iangula co oado po pináculos, é ma cado pela linha dos ão abe os, quase em con ínuo. No piso in e io ab e-se uma la ga po a em a co aba ido que se liga com o janelão abe o a é ao chão, mais es ei o, de eco e ci cula e, já den o do on ão, uma ou a janela co e ao ní el do á ico. É pa icula men e in e essan e o jogo des es ãos com as moldu as das janelas cegas, la e ais no piso nob e e in e - ompidas no é eo, que ajudam à sime ia e ao equilíb io des e co po e de oda a achada. Es a solução co espondia na planime ia do piso nob e a duas salas, sendo a maio ol ada a poen e, a oda a la gu a do edi ício, com uma ou a mais es ei a nas asei as (FIG. 18). Es a des ina a-se p o a elmen e às colecções, icando a mais OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 20 - Joaquim de Oli ei a, P ojec o pa a a Biblio eca Pública de É o a - co e N-S, c. 1802-3, 26,3 x 42,3 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 48). FIG. 21 - Joaquim de Oli ei a, Segundo P ojec o de Fachada Sul pa a a Biblio eca Pública de É o a, 1802-3, 43,7 x 35,5 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 54). 65 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 la ga, com ce ca de dois e ços da á ea, pa a biblio eca (FIG. 19). Conhecemos o co e longi udinal des a sala já com a aplicação das es an e ias da li a ia (FIG. 20). O segundo p ojec o e a bem mais ambicioso, com uma es u u a de elhados em c uz que uniam as achadas mais ele adas. A achada sul con inua a se a p incipal, mas ele a-se ago a cla amen e acima da an iga cé cea do edi ício a a és da subida do co po cen al, com ês egis os cla os, co oado po on ão iangula (FIG. 21). No amos o mesmo sen ido de cons ução de uma achada sób ia, mas ha mónica, p o- cu ando a sime ia a a és de um po al ecuado na pa e di ei a, ab indo-se um a co que dá con inuidade ao passadiço inse ido no plano de achada. O co po cen al c uza-se com os elhados do co po cen al les e-oes e, como se pode e melho pelo desenho p opos o pa a a achada ociden al (FIG. 22). A mole do piso supe io e o jogo dos elhados, bem como a ele ação do co po cen al monumen aliza am bas an e es a p opos a, do ada de a anda no janelão p incipal do piso nob e. Na planime ia es a solução aduzia-se po uma plan a em c uz na sala p incipal, com qua o salas mais pequenas nos can os, al ez des inadas às colecções museológicas (FIG. 23). O co e no e sul mos a-nos como no in e io as abe u as do úl imo egis o da am o igem a janelas e mais, la e alizadas po duas abe u as den o de goi as, o que melho a- ia subs ancialmen e a iluminação do in e io , uma p eocupação á ias ezes exp essa po F ei Manuel do Cenáculo. É in e essan e que, an o nos p ojec os pa a É o a, como nos an e io es pa a Beja, há semp e uma dis inção en e o piso nob e, onde Museu e Biblio eca se ins alam, e uma ocupação do piso é eo apenas pa a depen- OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA FIG. 22 - Joaquim de Oli ei a, Segundo P ojec o de Fachada Ociden al pa a a Biblio eca Pública de É o a, 1802-3, 35,4 x 44 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 45). FIG. 23 - Joaquim de Oli ei a, Segundo P ojec o pa a plan a do piso nob e da Biblio eca Pública de É o a, 1802-3 (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 38). 66 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 FIG. 24 - Joaquim de Oli ei a, Segundo P ojec o pa a a Biblio eca Pública de É o a, co e N-S, 1802-3, 26,7 x 42,3 cm (BPE, ese ados, Ga . 8, Pas a I, nº 49). dências meno es de depósi os e o icinas, à excepção cla o es á, do á io da escada- ia, que desde o p og ama dado a Reynaldo Manuel dos San os pa a a Biblio eca de Lisboa, semp e o a uma das p eocupações de Cenáculo. Há nes a posição um mis o de azões p á icas, de conse ação das espécies em melho ambien e, mas ambém uma azão ideológica de associação ao espaço palaciano, onde desde a Renascença se inha in e io izado a sup emacia simbólica do Plano Nob e. Tal ez demasiado ambiciosos, nenhum des es p ojec os sob e i eu à mo e do a qui- ec o Joaquim de Oli ei a, oco ida em 1803. Já en ado em idade, Cenáculo inha ce - amen e p essa de e o seu p ojec o co po izado sem delongas e acabou po op a po uma in e enção mais ligei a, apenas agamen e inspi ada nos p ojec os de Joa- quim de Oli ei a. As ob as deco e am com g ande apidez de o ma que em 1804 o mobiliá io, pelo menos em pa e, já es a a ins alado. O Diá io de F ei Manuel do Cená- culo dá-nos uma isão mui o ápida do desen ol imen o dos abalhos: 7 de Dezem- b o de 1804 – Fui le a o painel do Senho en e os dou o es no emplo e colocá-lo na on a ia da Biblio eca po se o ago da casa e museu, e es ejei assim o ani e sa- io da minha saída de Lisboa; 8 de Fe e ei o de 1805 – Assen ou-se a úl ima es an e da Li a ia; 6 de Ma ço de 1805, meu ani e sá io, se ab i am na li a ia os p imei os caixo es de Li os; 5 de Ma ço de 1805 – Fui pô o p imei o li o nas es an es da minha li a ia; oi o p imei o omo da polyglo a de ximenes; ui com o igá io ge al, capel- lães e pessoas de amília. Mandei ab i um caixo e e o p imei o li o que depa ei oi a E o a Glo iosa, o que me pa eceu coisa de e lec i ” (Vaz, 2009: p. 603-4). As ob as cus a am 6.8000.000 éis, numa p imei a ase (BPE, Cod. C./ 2 -18, nº 20), e numa segunda, mais 3.479.260 s., a que se e e e em Julho de 1805 a pagamen os ao pin o , aos ca pin ei os e aos ped ei os, “po uma sala anexa à g ande da li a ia”, p o a elmen e des inada às colecções de a e e de cu iosidades (BPE, Cod. C/2-11). No en an o, pela ins abilidade das in asões ancesas ou po ou os mo i os, não se de e exage a a “inaugu ação” da biblio eca, que já depois da mo e do a cebispo da a mos as de es a ainda numa g ande deso ganização, al como as colecções museoló- gicas. Pelo in en á io pós-mo em ei o aos bens de Cenáculo, podemos e que g ande pa e das ob as de a e, cu iosidades e mesmo objec os a queológicos não es a a na biblio eca-museu, mas sim no Paço (Espanca, 1956). Po ou o lado, a 22 de Fe e ei o de 1814 os enca egados de p ocede á in en a iação açam um quad o bas- an e neg o das condições de o ganização da Biblio eca: “A Li a ia, incluída apenas n’huma as íssima sala com 72 es an es de 11 o dens cada huma, que não podem con- e g ande nume o de li os, que ainda es ão em bancas e caxo es echados he a a- liada al ez sem excesso em 50 000 olumes. Além des as es an es, e caxoens ha mais 30 g andes a ma ios, e 28 mais pequenos, echeados de manusc i os, e li os an igos imp essos, ob as p ohibidas, e sob e udo de pe gaminhos da maio equeza e a ie- dade: os gabine es con êm iquissimas pin u as o iginaes, ou excelen íssimas copias dos milho es Au o es, e a os de Homens e pessoas insignes, lápides, e monumen os an í- quíssimos, um Mone a io com medalhas dos 3 me aes, ainda que de oi o apenas se ão 16 a 20 po se dize em oubadas na in azão, e mui os p oduc os dos einos Vege al e OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA 67 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 mine al, mas de an a p eciozidade, nem há ca alogo, nem in en á io algum, e o mais he que huma ão admi a el Li a ia es a colocada sem o dem ou sis hema algum, nem mesmo em a an agem de se encon a em jun as odas as ob as do mesmo Au o , e algumas ezes nem odos os omos da mesma ob a” (BPE, cod. C/2-18, nº 2)19. Es a in en a iação inha uma aiz cu iosa. Como a ás imos, Cenáculo inha conseguido o dob o da Sisa do Bispado de Beja pa a as ob as da Ca ed al, Paço, Biblio eca e Museu, que nunca chega am a se ei as. Ao se elei o a cebispo de É o a, ouxe consigo as colecções, o que, como bem iu João B igola (2003: p. 432), nos de e le a a discu i o ca ác e “público” do seu Museu, que não se ia público, senão no sen ido da sua abe - u a gene alizada à população que o eque esse. A a ema ação dessas sizas deixou uma dí ida que o bispado bejense en endia, e bem, não de e paga , o que le ou ao a es o da biblio eca e museu de É o a. A si uação esol eu-se a con en o e mesmo algumas peças a queológicas deixadas em Beja i iam a se azidas pa a É o a, na eno ação da Biblio eca e Museu ealizada po Augus o Filipe Simões (Simões, 1869). Ainda es a am con udo em Beja an o peças a queológicas como pin u as, o que az com que a colec- ção Cenáculo es eja de ac o na génese que do Museu de É o a, que do Museu Regional Rainha Dona Leono , de Beja, de endo econhece -se ao A cebispo o í ulo de c iado de Biblio ecas e Museus, com singula p imasia em Po ugal. Bibliog a ia BRIGOLA, João Ca los Pi es. 2003. Colecções, Gabine es e Museus em Po ugal no Século XVIII. Lisboa: Fundação Colas e Gulbenkian:Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia. CAEIRO, F ancisco da Gama. 1959. F ei Manuel do Cenáculo: Aspec os da sua ac uação ilosó ica. Lisboa: Ins i u o de Al a Cul u a. CAETANO, Joaquim Oli ei a. 2005, Os Res os da Humanidade. Cenáculo e a A queologia. Imagens e Men- sagens. Escul u a Romana do Museu de É o a. É o a: Museu de É o a. CALAFATE, Ped o. 1994. A Ideia de Na u eza no Século XVIII em Po ugal (1740-1800). Lisboa: Imp ensa Nacional-Casa da Moeda. DOMINGOS, Manuela D. 1992. Pa a a His ó ia da Real Mesa Censó ia. 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OS PROJECTOS DO ARQUITECTO JOAQUIM DE OLIVEIRA 68 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011 19 A 12 de Ma ço, na sequência des e ela ó io, uma esolução da Regência mandou in en a ia o- do o espólio pelo Bispo Elei o Vigá io Capi ula , à excepção das pin u as que ica iam pa a um in en- a iado especializado (BPE, cod. C/2-12, doc. 11). FERRO, João Ped o. 1989. Um P íncipe Iluminado Po uguês: D. José (1761-1788). Lisboa: Luci e edições. FRANÇA, José-Augus o. 1987. Lisboa Pombalina e o Ilusionismo. 3ª ed. Lisboa:Be and. GUSMÃO, A mando Nob e de. 1944-1956. Ca álogo da Co espondência di igida a F ei Manuel do Cená- culo Villas-Boas. É o a: Biblio eca Pública e A qui o Dis i al de É o a. 6 ols. HUBNER, Emile. 1871. No icias A queológicas de Po ugal. Lisboa: Academia Real das Ciências de Lisboa. JANEIRA, Ana Luísa. 2007. Cu iosidades de F ei Manuel do Cenáculo. S.l.e.: Ca Books. JOKILEHTO, Jukka. 1999. A His o y o A chi ec u al Conse a ion. Ox o d: Bu e wo h-Heinemann, ICCROM. 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