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A relação dos recursos naturais e o desenvolvimento das redes de transporte no continente africano

Couto, Sofia Afonso Martha Teixeira

Abstract

Este estudo apresenta uma análise do impacto que a existência de recursos naturais pode ter na implementação e desenvolvimento de projetos de redes de transporte transnacionais na África Subsaariana. Pretende-se analisar a questão numa perspetiva abrangente, considerando o legado histórico, os sistemas políticos e económicos, o papel dos atores externos e organizações regionais e internacionais (Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento) com forte influência no desenvolvimento de África, incidindo essencialmente na evolução dos dados e indicadores relativos à primeira década do novo milénio e perspetivas futuras. O trabalho incide na abordagem de temas importantes ao título como a globalização, as principais entidades e organismos financeiros, os recursos naturais, os sistemas de transporte e os corredores de desenvolvimento, todos eles em contexto africano. Dada a dimensão e diversificação do território em que se pretende aplicar a abordagem, a análise incide principalmente no estudo de corredores de desenvolvimento que atravessam um Estado específico, designadamente Moçambique e a região em que este se insere, a África Austral.

Full text

i A Relação dos Recu sos Na u ais e o Desen ol imen o das Redes de T anspo e no Con inen e A icano So ia A onso Ma ha Teixei a Cou o Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais Se emb o, 2018 ii Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais com especialização em Globalização e Ambien e, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Alexand a Magnólia Dias. iii AGRADECIMENTOS À minha o ien ado a, P o ª. Dou o a Alexand a Magnólia Dias, po odo o seu apoio, inspi ação e comp eensão ao longo des e p ocesso. Aos meus colegas de abalho do Banco A icano de Desen ol imen o, pela inspi ação, discussão de ideias, pa ilha de dados, em especial ao meu che e Emanuele San i po ac edi a em mim e me aze sonha mais al o e ao Rachid Ndiaye pelo in e esse genuíno demons ado sob e o meu abalho. Aos meus colegas de abalho e che ias da Agência de Ino ação e da Inode pelo acolhimen o e apoio p es ados du an e odo o meu pe cu so p o issional aí pe co ido, com a ce eza que as elações pessoais es abelecidas são du adou as. Um especial ag adecimen o à minha amília, amigos e escu ei os do 729 Cascais, que se i am, de alguma o ma, p i ados da minha p esença e que não só comp eende am as azões, como ainda me de am mo i ação. Po úl imo, um especial ag adecimen o à minha i mã e à minha ia po se em uma on e de inspi ação e nunca me deixa em baixa os b aços. i A Relação dos Recu sos Na u ais e o Desen ol imen o das Redes de T anspo e no Con inen e A icano. SOFIA AFONSO MARTHA TEIXEIRA COUTO RESUMO Es e es udo ap esen a uma análise do impac o que a exis ência de ecu sos na u ais pode e na implemen ação e desen ol imen o de p oje os de edes de anspo e ansnacionais na Á ica Subsaa iana. P e ende-se analisa a ques ão numa pe spe i a ab angen e, conside ando o legado his ó ico, os sis emas polí icos e económicos, o papel dos a o es ex e nos e o ganizações egionais e in e nacionais (Banco Mundial e Banco A icano de Desen ol imen o) com o e in luência no desen ol imen o de Á ica, incidindo essencialmen e na e olução dos dados e indicado es ela i os à p imei a década do no o milénio e pe spe i as u u as. O abalho incide na abo dagem de emas impo an es ao í ulo como a globalização, as p incipais en idades e o ganismos inancei os, os ecu sos na u ais, os sis emas de anspo e e os co edo es de desen ol imen o, odos eles em con ex o a icano. Dada a dimensão e di e si icação do e i ó io em que se p e ende aplica a abo dagem, a análise incide p incipalmen e no es udo de co edo es de desen ol imen o que a a essam um Es ado especí ico, designadamen e Moçambique e a egião em que es e se inse e, a Á ica Aus al. PALAVRAS-CHAVE: Globalização, Recu sos Na u ais, T anspo es, Á ica, Desen ol imen o The Rela ion be ween Na u al Resou ces and he De elopmen o T anspo Ne wo ks in he A ican Con inen SOFIA AFONSO MARTHA TEIXEIRA COUTO ABSTRACT This s udy p esen s an analysis o he impac ha he exis ence o na u al esou ces can ha e on he implemen a ion and de elopmen o ansna ional anspo ne wo k p ojec s in sub-Saha an A ica. The aim is o analyze he issue om a b oad pe spec i e, conside ing he his o ical legacy, poli ical and economic sys ems, he ole o ex e nal ac o s and egional and in e na ional o ganiza ions (Wo ld Bank and A ican De elopmen Bank) wi h a s ong in luence on he de elopmen o A ica, ocusing mainly on he e olu ion o da a and indica o s o he i s decade o he new millennium and u u e p ospec s. The wo k ocuses on he ap oaching o key hemes such as globaliza ion, inancial o ganisa ions and en i ies, na u al esou ces, anspo sys ems and de elopmen co ido s, all in an A ican con ex . Gi en he size and di e si ica ion o he e i o y in which he app oach is o be applied, he analysis ocuses mainly on he s udy o de elopmen co ido s c ossing a speci ic S a e, namely Mozambique and he egion in which i is loca ed, in sou he n A ica. KEYWORDS: Globaliza ion, Na u al Resou ces, T anspo s, A ica, De elopmen i Índice CAPÍTULO I. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 1 I.1. Con ex ualização do ema .......................................................................................... 1 I.2. Obje i o do es udo ..................................................................................................... 4 I.3. Pe inência do obje o de es udo ................................................................................ 4 I.4. Me odologia de Análise .............................................................................................. 5 CAPÍTULO II. GLOBALIZAÇÃO EM AFRICA ............................................................................. 7 II.1. Concei os de Globalização ......................................................................................... 7 II.2. Con ex ualização His ó ica ........................................................................................ 9 II.3. Regionalizações ....................................................................................................... 13 II.4. As O ganizações Regionais e Alianças na Região da Á ica Aus al ......................... 19 CAPÍTULO III. OS ORGANISMOS FINANCIADORES ............................................................. 26 III.1. Conside ações Ge ais ............................................................................................. 26 III.2. Enquad amen o ...................................................................................................... 27 III.3. O papel da China ..................................................................................................... 32 III.4. Financiamen o P i ado ........................................................................................... 37 III.5. As Ins i uições Financei as de Desen ol imen o ................................................... 39 III.6. O Banco Mundial .................................................................................................... 41 III.7. O Banco A icano de Desen ol imen o .................................................................. 43 III.8. O papel do BA D em Moçambique ......................................................................... 46 III.9. Conclusões ..................................................................................................................................... 48 CAPÍTULO IV. OS RECURSOS NATURAIS EM ÁFRICA .......................................................... 51 IV.1. Conside ações ge ais .............................................................................................. 51 IV.2. Os ecu sos híd icos ............................................................................................... 53 IV.3. P odução de ene gia .............................................................................................. 55 IV.4. A ges ão dos ecu sos na u ais e o desen ol imen o ........................................... 57 IV.5. O caso de Moçambique .......................................................................................... 62 IV.6. Conclusões .............................................................................................................. 66 CAPÍTULO V. OS SISTEMAS DE TRANSPORTE EM ÁFRICA.................................................. 69 V.1. Conside ações ge ais ............................................................................................... 69 V.2. O sis ema odo iá io ............................................................................................... 74 V.3. TAH em Moçambique .............................................................................................. 77 V.4. O sis ema e o iá io ............................................................................................... 78 V.5. O sis ema ma í imo e lu ial ................................................................................... 82 V.6. O Sis ema ae opo uá io ......................................................................................... 84 V.7. Conclusões ............................................................................................................... 84 CAPÍTULO VI. OS CORREDORES DE TRANSPORTE .............................................................. 86 VI.1. Co edo es de T anspo e e Co edo es de Desen ol imen o .............................. 86 VI.2. Co edo es de Desen ol imen o em Moçambique ............................................... 89 VI.3. O Co edo de Nacala ............................................................................................. 91 VI.4. O Co edo de Mapu o ........................................................................................... 93 VI.5. Conside ações Finais .............................................................................................. 95 ii CAPÍTULO VII. CONCLUSÕES ............................................................................................... 96 VII.1. O abalho desen ol ido ....................................................................................... 96 VII.2. Conclusões do es udo ........................................................................................... 98 VII.3. Iden i icação de necessidades de in es igação................................................... 103 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................... 105 LISTA DE ANEXOS ............................................................................................................... 112 iii LISTA DE FIGURAS Figu a II-1 Mapa das Alianças Económicas ..................................................................... 19 Figu a II-2 Sob eposição de associação em O ganizações Económicas Regionais ......... 23 Figu a III-1 Realocação Indus ial de Po ências eme gen es pa a países a icanos ...... 29 Figu a III-2 Pe cen agens Regionais de comp omissos de in es imen o com inanciamen o p i ado em EMDEs en e 2008-2017 ..................................................... 38 Figu a III-3 Peso da p o eniência da dí ida em p oje os de in aes u u a com pa icipação p i ada em EMDEs, 2016 e 2017 ............................................................... 39 Figu a III-4 Tendência de in es imen o no sec o dos T anspo es do o al de comp omissos do BA D (2000-11) .................................................................................. 44 Figu a III-5 To al de ap o ações do BA D pa a In aes u u as, 2015 (3.08 mil milhões de UC) .................................................................................................................................. 45 Figu a III-6 Obje i os especí icos de p oje os de anspo es do BA D .......................... 48 Figu a IV-1 Po al do Cadas o Minei o de Moçambique .............................................. 64 Figu a IV-2 Mina de ca ão da Vale em Moa ize, p o íncia de Te e, Moçambique ...... 65 Figu a V-1 O cí culo icioso das edes odo iá ias e e o iá ias................................... 70 Figu a V-2 Rede de Au oes adas no con inen e a icano ............................................. 77 Figu a V-3 Mapa de co edo es eme gen es de anspo e de ca ão na A ica Aus a 80 Figu a V-4 Quo as de T anspo e po subse o (Comp omissos, 2000-11) ................... 85 Figu a VI-1 A e olução dos Co edo es de Desen ol imen o ........................................ 87 Figu a VI-2 Co edo de Nacala ...................................................................................... 91 Figu a VI-3 O Co edo de Desen ol imen o de Mapu o .............................................. 93 ix LISTA DE ABREVIATURAS BA D Banco A icano de Desen ol imen o BM Banco Mundial BMDs Bancos Mul ila e ais de Desen ol imen o BRICS B asil, Rússia, India, China, Á ica do Sul COMESA Me cado Comum da Á ica O ien al e Aus al DFI De elopmen Finance Ins i u ions/ Ins i uições de Financiamen o de Desen ol imen o EAC Comunidade A icana O ien al EITI Ex ac i e Indus ies T anspa ency Ini ia i e/ Inicia i a pa a a T anspa ência das Indús ias Ex ac i as EMDE Me cados Eme gen es e Economias em Desen ol imen o FMI Fundo Mone á io In e nacional ICA Consó cio de In aes u u as pa a Á ica IOC Comissão do Oceano Indico IDE In es imen o Di e o Es angei o NEPAD New Pa ne ship o A ica De elopmen OCDE O ganização pa a a Coope ação e Desen ol imen o Económico OMC O ganização Mundial do Comé cio ONU O ganização das Nações Unidas PIDA P og am o In as uc u e De elopmen in A ica/ P og ama pa a o Desen ol imen o de In aes u u as em Á ica SACU União Aduanei a da Á ica Aus al SADC Comunidade de Desen ol imen o da Á ica Aus al UA União A icana UNECA Comissão Económica da ONU 6 Além da in es igação eó ica oi ambém desen ol ido o enquad amen o his ó ico pa a con ex ualiza as emá icas em e i ó io a icano. Tendo em con a os á ios in e enien es de in e esse ao ema p opos o, o es udo ap esen ado incide na análise empí ica de elemen os e pa ece es emi idos em ela ó ios p oduzidos po O ganizações In e nacionais concei uadas, a igos cien í icos publicados, dados di ulgados po en idades go e namen ais e a igos de jo nais. Ainda de ealça a obse ação in loco po pa e da au o a, a a és dos es ágios abaixo desc i os, em que es á implíci a a in e ação humana e con ac o di e o com as p oblemá icas abo dadas. O p imei o, um es ágio de seis meses (Fe e ei o a Agos o 2016) na sede do Banco A icano de Desen ol imen o, na Cos a do Ma im, possibili ou o con ac o com pe sonalidades que abalham pa a o desen ol imen o do con inen e há décadas. O es ágio e e uado no depa amen o de Es a égia e Ope acionalizações possibili ou ainda a e isão e análise de ela ó ios de p oje os sob e o desen ol imen o in eg ado da egião do co edo de Nacala, Moçambique, o que susci ou o in e esse especí ico nes a egião de Á ica e espe i os sis emas de anspo e. A on ade de explo a o País de o ma au ónoma oi a ada pela di iculdade de encon a in o mação iá el e segu a sob e o uncionamen o dos meios de anspo e públicos, mesmo isualizando uma linha é ea que a a essa a a cidade de Abidjan. Du an e o pe íodo de desen ol imen o des a disse ação oi ainda ealizado um segundo es ágio, com du ação de ês meses (ab il a julho 2017), em Moçambique, num esc i ó io local de uma emp esa p i ada i aliana. Uma consul o a que apoia a emp esas es angei as a in es i e a expandi os seus negócios em e i ó io moçambicano. Essa expe iência pe mi iu uma pe ceção sob e a ealidade local e o uncionamen o da mesma. O con ac o com o meio emp esa ial nacional e es angei o, a in e ação di e a com emp esá ios es abelecidos no me cado e mesmo no os emp eendedo es acul a am uma pe ceção das di iculdades de mo imen ação dos seus p odu os den o da egião, não apenas a ní el de in aes u u as ísicas de anspo e, mas essal ando semp e os empos de espe a al andegá ios. 7 CAPÍTULO II. GLOBALIZAÇÃO EM AFRICA II.1. Concei os de Globalização Nes e capí ulo é abo dada a ques ão da Globalização no Con inen e A icano em ge al e em pa icula na egião da A ica Aus al. É ei o um enquad amen o his ó ico sob o pon o de is a da globalização em Á ica. Nes e enquad amen o, encon am-se di e sas explicações pa a o es ado de subdesen ol imen o do Con inen e A icano, com pa icula en oque no sec o das in aes u u as de T anspo es e o seu peso no comé cio den o do con inen e A icano. De seguida são abo dadas as O ganizações In e go e namen ais exis en es, egiões económicas comuns (as denominadas RECs Regional Economic Communi ies) e aco dos impo an es es abelecidos pa a omen ação do comé cio e do desen ol imen o das edes de anspo e ans on ei iças, culminando com as o ganizações in e nacionais de desen ol imen o e os no os a o es no pano ama de inanciamen o de p oje os de explo ação de ecu sos e anspo es ans on ei iços. De ine-se o concei o de globalização e ap esen am-se di e en es pe spe i as sob e o seu impac o no con inen e a icano. Tomamos como e e ência a pe spe i a de F iedman (2000) “a simples de inição de globalização é a edução de empo e cus o a conec a o mundo seja na dimensão de elações come ciais, ecnológicas ou de in o mação.” O au o Coope de ende que apesa de os p óp ios agen es colonizado es alega em e abe o o con inen e e p omo ido a in eg ação, o sis ema colonial não se coaduna com o imaginá io associado à globalização, po que se po um lado as conquis as coloniais ab i am o as de ligação do con inen e a icano com o Eu opeu, po ou o es abelece am on ei as e i o iais que cons i uí am en a es ao que e a a é en ão um comé cio ex e no em c escimen o (2016, p. 197). A imposição des as on ei as lesou e des uiu sis emas come ciais p eexis en es ao longo do li o al da Á ica Ociden al e que a a essa am o oceano Índico e o dese o do Saha a. 8 “Os a icanos o am in eg ados à o ça em sis emas económicos impe iais cen ados numa única me ópole eu opeia. Acima de udo, os e i ó ios coloniais e am bas an e desa iculados do pon o de is a polí ico, social e económico: os colonizado es luc a am com a concen ação dos seus in es imen os e in aes u u as em o mas de p odução e de oca ex emamen e limi adas e, em g ande medida, ex a i as. “ (Coope , 2016, p. 198) O e mo “Globalização”, segundo Coope (2016, p. 200) apenas pode á se aplicado após a Gue a F ia e Á ica pa ece pe ence à me ade do globo que não es á globalizada. A endendo ao ac o que a Gue a F ia en e os EUA e a URSS e di idido o mundo en e os sis emas capi alis as e comunis as e que es e con on o e e epe cussões no con inen e a icano, os sis emas polí icos dos no os Es ados que conquis a am a sua libe dade o am in luenciados a a és de apoio nas lu as pela independência e pode e con olo go e namen al. Es e apoio não e a dado sem con apa ida, seja pela conquis a de aliados polí icos, como in es imen o em e i ó ios icos em ma é ias p imas e ecu sos na u ais. A aliança dos no os Es ados Independen es a uma das supe po ências ou ou os Es ados pode osos e a uma es a égia de sob e i ência do p óp io Es ado (Clapham, 1996, p. 20). Se conside a mos que o concei o de globalização de F iedman da “ edução de empo e cus o a conec a o mundo” apenas pode se aplicado endo em con a o globo como um odo e emos de conco da com Coope na eo ia de que apenas após a Gue a F ia o mundo se o nou globalizado. A maio ia dos au o es con e ge na opinião de que a década de 80 do século XX ma cou a da a de inicio da p esen e aga de globalização (Cu o, 2016, p. 1). As e oluções indus iais que le a am ao desen ol imen o eu opeu e ame icano no século XVIII apenas o am possí eis g aças ao in es imen o e e uado nos sec o es dos anspo es que pe mi iu que os bens (ma é ias p imas e p odu os manu a u ados) e se iços (mão de ob a) ossem mo imen ados pa a onde ossem necessá ios. Realça-se ainda que as ligações come ciais en aizadas nas úl imas décadas no con inen e A icano são ainda mui o ocadas nas elações in e nacionais bila e ais e 9 ex a-con inen ais, em que um Es ado in es e nou o Es ado apenas a oco da ex ação p i ilegiada dos seus ecu sos. II.2. Con ex ualização His ó ica O Legado colonial az pa e da His ó ia pa ilhada po p a icamen e odo o con inen e A icano (com exceção de E iópia e Libé ia). As epe cussões desse passado azem-se sen i a é aos dias de hoje. Á ica na época ainda i ia num sis ema de “aldeias” go e nadas localmen e pelas e nias locais. Da am-se os p imei os passos de colonização o mal, quando as ocas e elações come ciais passa am a se “o icialmen e” dominadas pelas me ópoles eu opeias e os e i ó ios pa ilhados en e si, sem e em conside ação as populações locais exis en es. Os limi es dos e i ó ios das colónias eu opeias e consequen emen e as on ei as A icanas o am desenhadas na Con e ência de Be lim em 1885. Es a di isão, desenhada a égua e esquad o, e e apenas em conside ação as ligações his ó icas dos países eu opeus em e i ó io a icano e o seu pode . Apesa das impe eições do sis ema que de iniu as on ei as dos Es ados A icanos na época colonial10, a O ganização da Unidade A icana, na decla ação do Cai o em 1964, assumiu in enção de man e e espei a as on ei as ou o a de inidas11. Du an e a época colonial a icana as me ópoles eu opeias in es i am em alguns sec o es de in e esse es a égico, como no desen ol imen o dos sec o es de go e nação e anspo es. O obje i o p imo dial des es in es imen os e a de acili ação do comé cio dos ecu sos na u ais a icanos pa a as p óp ias me ópoles colonizado as. O in es imen o nou os sec o es, ais como educação, saúde, indús ia e am descu ados e não ha ia necessidade de desen ol imen o indus ial quando, a “ oco” com alo 10 Ga h Ab aham, capi ulo “A ica and i s bounda ies, a legal o e iew: om colonialism o he A ican Union” do li o “Big A ican S a es de C. Clapham, Je ey He bs e G eg Mills. (p274 e 279) 11 O ex o comple o da esolução AHG/RES. 16 da O ganiza ion o A ican union “RESOLUTIONS ADOPTED BY THE FIRST ORDINARY SESSION OF THE ASSEMBLY OF HEADS OF STATE AND GOVERNMENT HELD IN CAIRO, UAR, FROM 17 TO 21 JULY 1964 pode á se consul ado no seguin e link: h ps://au.in /si es/de aul / iles/decisions/9514-1964_ahg_ es_1-24_i_e.pd (acedido a 11 Ou 2017) 10 ac escen ado, as me ópoles “ endiam” os p odu os manu a u ados com base nas ma é ias p imas colhidas. O sec o dos anspo es oi desen ol ido pa a acili a a deslocação dos ecu sos na u ais explo ados pa a as g andes me ópoles eu opeias. Podendo-se a i ma que as o as de anspo e saídas de Á ica e am linhas bila e ais, básicas ainda em compa ação com a ede de anspo es já cons uída nos países e egiões desen ol idas do mundo. Den o do con inen e o in es imen o numa ede de anspo es in a-a icana e a ambém inexis en e, como os Es ados izinhos e am domínio de ou as colónias, mui as ezes me ópoles “conco en es” as elações in e nacionais en e e i ó ios pouco ou nada e am desen ol idas. A desa iculação en e os Es ados A icanos e a al que, quando se deu o é mino da II Gue a Mundial em 1945, con abiliza am-se no e linhas é eas di e en es no Con inen e (A nold, 2001, p. xii). A pa i desse momen o, no inal da II Gue a Mundial, Á ica iniciou um pe cu so sem e o no de libe ação das me ópoles eu opeias, do egime de e i ó ios colonizados pa a e i ó ios independen es. Es e caminho oi ealizado de di e en es modos con o me o país colonizado e ambém con o me a eligião e sis ema polí ico de endido pelas o ças que consegui am em de ini i o a libe ação. Se os mo imen os de insu eição de libe ação nacional ecebe am apoio de países de na u eza comunis a o mais p o á el se ia implemen a em esse mesmo sis ema polí ico. De uma o ma ge al ap esen a-se nes e es udo um enquad amen o his ó ico sucin o, a pa i do inal da II Gue a Mundial, con o me o e a o elabo ado po his o iado es, analis as polí icos e media ocando nos aspe os elacionados com o desen ol imen o das edes de anspo e. No seu desen ola , a II Gue a Mundial ans o mou-se numa gue a an i acismo e an icolonial. O con ac o de milha es de a icanos que lu a am pela libe ação da Eu opa do ascismo ao lado dos seus colonizado es semeou o desejo da p óp ia libe dade e incen i ou a c iação de mo imen os de Nacionalismo. A c iação da ONU, em 1945, que de endia o di ei o de odos os po os à libe dade não se coaduna a com os sis emas coloniais. 11 As duas Gue as Mundiais i e am os seus e ei os na polí ica e i o ial do con inen e. O pe íodo da Gue a F ia oi ma cado pelas decla ações de independência e adoção de egimes socialis as ou democ á icos con o me os Es ados que apoia am e inancia am os mo imen os de insu eição a libe a os e i ó ios a icanos do con olo eu opeu. Du an e as décadas de 60-70 assis iu-se a um mo imen o de decla ações de independência po pa e de odos os Es ados A icanos. Alguns países colonizado es como a Ingla e a concede am a independência às suas colónias de uma o ma pací ica e mesmo g adual, man endo as elações polí icas. Ou os países não acei a am e os e i ó ios se iam palco de gue a, com Po ugal sendo dos úl imos países a libe a as suas colónias12, apesa de desde 1951 que es as não e am conside adas colónias, mas e i ó ios ul ama inos, ex ensões do e i ó io po uguês. Em Angola e Moçambique os mo imen os independen is as lu a am pela independência desde 1961 e 1964 espe i amen e e apenas o am decla ados independen es após o 25 de Ab il de 1974. Na década de 80 assis iu-se a um in e esse do mundo desen ol ido em ajuda os no os Es ados A icanos a sai da si uação de pob eza e subdesen ol imen o. Alguns países apoia am-se no sis ema socialis a ecebendo undos da USRR e Cuba enquan o ou os países apoia am-se no sis ema democ á ico ecebendo undos das ins i uições de B e on Woods13. Com o inal da Gue a F ia assis iu-se a um pon o de i agem no en ol imen o das duas supe po ências mundiais, EUA e na en ão URSS no pano ama poli ico A icano, em que, segundo S ephen W igh , os con li os deixa am de es a subo dinados à lógica da i alidade des as supe po ências.14 12A libe ação das colónias só oco eu com a deposição do egime di a o ial do Es ado No o a a és da e olução a 25 de Ab il de 1974. 13 As apelidadas ins i uições de B e on Woods o am c iadas em 1944 po inicia i a dos Es ados Unidos após uma con e ência mone á ia. Fazem pa e as ins i uições inancei as in e nacionais como o Banco In e nacional pa a a Recons ução e o Desen ol imen o (BIRD), mais conhecido po Banco Mundial (BM) e o Fundo Mone á io In e nacional (FMI). 14 Cláudio And ade - A Polí ica Ex e na de Cabo Ve de e a sua Diáspo a – Tese Ou ub o 2016 12 A Década de 90 icou ma cada pelo escalonamen o de con li os e oi mesmo denominada po Guy A nold de "A década do Genocídio, Con li o de F on ei as e No a Dispu a pelos Recu sos Mine ais "15 O ambien e de ince eza e ins abilidade que a maio ia dos Es ados A icanos i eu nas suas p imei as décadas enquan o Es ados independen es cons i uiu um g ande obs áculo ao seu desen ol imen o. As elações in e nacionais com os Es ados izinhos de am os seus p imei os passos (ou e oma am os passos dados an es da imposição de on ei as pela colonização) no sen ido do comé cio de bens e se iços. A necessidade de p oje os que iabilizassem no e eno os obje i os dessas polí icas o nou-se c ucial. Re elou-se necessá io implemen a p oje os de anspo e ans on ei iços pa a a e olução posi i a dessa elação. No início do milénio, o jo nal “The Economis ” lança a, a 13 de maio 2000, uma edição com a capa in i ulada “A ica: The Hopeless con inen ”, ou seja, “Á ica o Con inen e Sem Espe ança” e que esumia o sen imen o gene alizado do mundo ociden al pe an e a al a de esul ados de odos os p og amas de ajus amen o implemen ados. Uma década depois, a 3 de dezemb o 2011, a mesma publicação, “The Economis ” lança a a capa “A ica Rising”, ou seja, “A Á ica em Ascensão”, de ido ao c escimen o económico acele ado ap esen ado po mui os países, des acando Angola e Moçambique. Com base nesse p essupos o desen ol e-se es a disse ação, ocada nos anspo es ans on ei iços e o seu papel na mudança do pa adigma de “hopeless” pa a “ ising”, ou seja, de “sem espe ança” pa a ”em ascensão”. Ap esen a-se ainda no anexo II, imagem das 2 capas da publicação “The Economis ”. Toma-se em conside ação um sec o conside ado pila nas p incipais e oluções indus iais e que ma ca am impo an es ondas de desen ol imen o que na Eu opa, que nos a uais Es ados Unidos. Analisa-se o in es imen o nas edes de anspo e, com especial en oque na linha é ea pa a conec a longas dis âncias e es es e po os ma í imos, elos de ligação p imo diais en e di e en es con inen es, sem esquece as 15 Tex o o iginal: “The Decade o Genocide, Bo de Con lic and a New Sc amble o Mine al Resou ces” 13 linhas odo iá ias como ias p incipais de conexão e único meio de chegada ao des ino inal, de pe co e os úl imos quilóme os pa a chega a odas as po oações, pa a pe co e a designada “las mile”. II.3. Regionalizações “O enómeno mais ecen e e al ez mais impo an e no p ocesso de globalização é o apa ecimen o de aco dos come ciais como elemen os-cha e de libe alização económica e como mecanismos usados pelos países desen ol idos pa a impo eg as e disciplina aos países em desen ol imen o, numa as a gama de assun os.” (Sal ado Nambu e e, 2005) Es e pa ág a o di a o inicio do capí ulo “A OMC e os Países em Desen ol imen o” do li o sob e a O ganização Mundial do Comé cio: “Uma Visão A icana” de Sal ado Nambu e e, 2005. O au o de ende que o sis ema implemen ado se o nou o p incipal eículo legal pelo qual os países indus ializados, a a és de aco dos mul ila e ais de comé cio es abelecidos, o ça am de e minadas polí icas económicas e sociais à escala global. No en an o, os países em desen ol imen o êm indo a egis a uma c escen e p esença na o ganização e passa am de 53% em 1948, aquando a c iação do GATT/OMC16, a 80% em 2005. Dados di ulgados po um Rela ó io da OMC em 2014 indicam que en e 2000 e 2012 a pa icipação das economias dos países em desen ol imen o na p odução mundial subiu de 23% pa a 40%.17. Re e em-se es es dados is o que a maio ia dos países em desen ol imen o se si ua no con inen e A icano. O ela ó io des aca ainda, nas conclusões, a impo ância das no as unções dos ecu sos na u ais nas es a égias de desen ol imen o da economia global, com o 16 GAAT ( Gene al Ag eemen on Ta i s and T ade) O Aco do Ge al sob e Di ei os Aduanei os e Comé cio oi es abelecido em 1948, cons i uindo o p imei o ó um pa a egulação de ma é ias ine en es ao comé cio in e nacional. Com o Aco do de Ma aquexe, a 1 de janei o de 1995, o GATT passou o icialmen e a OMC (O ganização Mundial do Comé cio) 17 Lusa 20 Ou , 2014, “Países em desen ol imen o esponsá eis po quase me ade do comé cio mundial, OMC”. Disponí el: h ps://www. p.p /no icias/economia/paises-em-desen ol imen o- esponsa eis- po -quase-me ade-do-come cio-mundial-omc_n775524 (acedido a 26/09/2017). 14 c escimen o da p ocu a de ma é ias-p imas, mesmo indo de países eme gen es, que se aduziu numa in lação dos p eços e no aumen o da iqueza ob ida e consequen e con ibuição pa a o desen ol imen o dos países o necedo es. No capí ulo sob e a globalização não deixa de se menciona a impo ância das es a égias de adap ação à e olução das al e ações de dinâmicas p o ocadas pelo p ocesso de globalização. O ecu so a “p ocessos de egionalização” pode se is o como uma pa e in ínseca da globalização ou pode se is o como uma es a égia de adap ação al como Bach (1999) de ende que: "Es ei amen e ligada ao a anço da globalização, o p ocesso de egionalização apoiou os ínculos económicos in e nacionais an e io men e exis en es en e es ados izinhos. A egionalização ep esen a a, como na Eu opa ou na Amé ica do No e, a opo unidade de es abelece um quad o mais ap op iado pa a abso e as p essões do mul ila e alismo e da globalização. "18 Es e mesmo p ocesso de egionalização é ainda e a ado como uma es a égia ins i ucional que cons i ui uma espos a polí ica po pa e dos memb os à globalização das economias (Bach, 2000; Boas & H eem, 1997). De aco do com Ma ga e h C. Lee (2003, p. 8) no seu es udo sob e “A Polí ica Económica do Regionalismo na Á ica Aus al”19 o egionalismo é is o como “uma adoção de um p oje o egional po um o ganismo o icial desenhado pa a o alece os laços e in eg ação polí ica, económica, social, cul u al, segu ança e coope ação. Lee ap esen a ainda um subcapí ulo dedicado à Globalização e Regionalização onde ap esen a a gumen os em que de ende se em p ocessos simul âneos (ibidem:39) mas ambém enómenos mui o complexos sob e os quais não se pode e i a conclusões simplis as (ibidem:40). Bach (2000) ap esen a ainda o a gumen o undamen ado em que a “con inen alização” do comé cio es á a acon ece , mas como esul ado da p ese ação 18 Bach (1999)" Closely ied o he ad ancemen o globalisa ion, he egionalisa ion p ocess o en endo sed p e iously exis ing in e na ional economic links be ween neighbou ing s a es. Regionalisa ion ep esen ed, as in Eu ope o No h Ame ica, an oppo uni y o es ablish a mo e app op ia ed amewo k o abso bing he p essu es o mul ila e alism and globalisa ion." No capí ulo Regionalização e Globalização (cade no sem páginas egis adas; adução li e pela au o a) 19 Tex o o iginal: “The Poli ical Economy o Regionalism in Sou he n A ica” 15 da segmen ação de Me cado e das dispa idades en e Es ados. A in eg ação “além- on ei as” é es imulada po dis o ções do Me cado ao in és da libe alização do comé cio li e, de inindo-a ainda como uma si uação esponsá el pelo insucesso dos p og amas de in eg ação dos me cados. A globalização pode ainda se is a pelo p isma de uma on e de no as opo unidades pa a desen ol e “ne wo ks”, ou seja edes, que con ibuem pa a a descons ução dos Es ados a iliados sem p ocu a p omo e uma espos a al e na i a. Bach conclui de endendo que uma abo dagem que conside e uma egionalização acompanhada e uma ans e ência de unções do Es ado pa a uma ins i uição egional sup anacional pe mi i ia a ende às exigências de au onomia domés ica com a necessidade de p omo e a eme gência de ní eis de go e nação a ní el in e médio de modo a melho esis i e adap a às p essões da globalização. A meio do séc. XX de am-se os p imei os passos em di eção a p ocessos de egionalização no con inen e A icano. Nas p imei as con e ências dos países Independen es de Á ica, ealizadas em 1958 no Gana e em 1960 na E iópia, discu i am- se as g andes ques ões que a e a am os no os países independen es, de e ando, como maio es aquezas, a agmen ação do con inen e e a sob e concen ação de p odução num núme o eduzido de ma é ias p imas. Es as ques ões le a am os Es ados a aco da que i iam p omo e a coope ação económica en e si. Nesse sen ido o am ap esen adas duas es a égias, a pan-a icana de Kwame Nk umah que de endia a c iação de uma o ganização económica con inen al e a sub- egional que de endia a implemen ação de aco dos de coope ação en e países izinhos, ap o ei ando a p oximidade geog á ica. O slogan Pan-A icano e a “A ica o he A icans”, ou seja “Á ica pa a os A icanos e mais a de Ma cus Ga ey adop ou o slogan pa a o seu mo imen o “Back o A ica”, ou seja “de ol a a Á ica”. No seguimen o da p imei a es a égia oi c iada em 1963 a O ganização da Unidade A icana (OUA), po inicia i a do Impe ado e íope Haile Selassie que isa a en en a o colonialismo e o neocolonialismo em que a Eu opa con inua a a en a exe ce a sua in luência mesmo que de uma o ma menos di e a. 22 Todos os Es ados Memb os da SACU azem pa e da SADC, o que nos le a a ques iona a pe inência da sob eposição des as comunidades, (Lee 2000, p. 85) de ende mesmo que uma es a égia de in eg ação de me cado da SADC que inclua a SACU es á des inada a e insucesso. A SADC de e ia ado a uma es a égia de in eg ação egional al e na i a pa a lida com a ealidade da SACU. A COMESA (Common Ma ke o Eas e n and Sou he n A ica ) oi c iada em 1981 e começou como uma á ea de comé cio p e e encial pa a países do Sul e Es e de Á ica. Os Memb os undado es são Como os, Djibu i, E iópia, Malawi, Mau ícias, Somália, Uganda e Zâmbia. A ideia do aco do já inha de meados 60. No en an o, c esceu o icialmen e a pa i do lançamen o do Plano de Ação de Lagos (LPA) e do A o inal de Lagos (FAL) em 1980 que e a supo ado pela UNECA. Especi icamen e, a LPA e a FAL p oje a am a in eg ação económica do con inen e e a e en ual c iação da Comunidade Económica A icana ia o ganizações económicas sub- egionais. O p incipal obje i o consis ia em aumen a a in eg ação do me cado a é à c iação de um me cado comum. Moçambique ez pa e da COMESA, mas e i ou-se em 1995 de ido a con li os de in e esse com a SACU e a sob eposição de aco dos com en idade egionais di e en es. A p ossecução de obje i os semelhan es com di e en es g upos de Es ados di icul a a implemen ação de agendas em simul âneo, como “ ema em dois sen idos “ao mesmo empo. A EAC é uma o ganização in e go e namen al o iginalmen e compos a pelo Quénia, Uganda e Tanzânia e mais ecen emen e Rwanda (2007), Bu undi (2007) e Sudão do Sul (2016). A IOC é uma o ganização in e go e namen al compos a po cinco países a icanos cons i uídos po ilhas no oceano indico as Como es, Madagásca , as Reunião Mau ícias e Seychelles. Des as o ganizações e alianças desc i as des aca-se a SADC em que Moçambique desempenhou o pelou o dos anspo es desde a undação, en ão SAADC. Madalena da Fonseca, 2004, e e e a opo unidade pe dida de Moçambique a ai a si p oje os nessa 23 á ea que pudessem ans o ma os co edo es de c escimen o em e dadei os co edo es de desen ol imen o. Os bene ícios da in ensi icação das egionalizações são imensu á eis, no en an o a o ma con usa, a sob eposição (o e lapping) ilus ada Figu a II-2 Sob eposição de associação em O ganizações Económicas Regionais, de aco dos e memo andus de en endimen o, po ezes con adi ó ios, em p ejudicado o aclamado obje i o inal de desen ol imen o dos países subdesen ol idos e de acaba com a pob eza ex ema. É impo an e que os Es ados A icanos se a i mem na economia global, não deixando, no en an o, de se abso idos po es a. Nes e sen ido é impo an e menciona algumas polí icas de p o eção das economias locais, nomeadamen e nas polí icas de emp ego, em que mui os es ados a icanos limi am a con a ação de es angei os como o ma de ob iga a con a ação de mão de ob a local, ou mesmo a ob iga o iedade de as emp esas es angei as, que quei am in es i no pais, sejam de idas, na sua maio ia, po cidadãos de nacionalidade local. P e ende-se assegu a que as polí icas mac oeconómicas con ibuam pa a a expansão de opo unidade de abalho e emp ego Fon e: O e lapping Membe ship in Regional Economic O ganisa ions (C.Lee 2003; 74) Figu a II-2 Sob eposição de associação em O ganizações Económicas Regionais 24 e e i o e de qualidade com is a a minimiza os e ei os nega i os da globalização e da abe u a ao comé cio ex e no sob e o me cado de abalho nacional26. A adesão dos países aos P og amas de Ajus amen o Es u u al (PAE) do Fundo Mone á io In e nacional (FMI) no inal da década de 1980, implicou alguma abe u a de me cado, e, apesa dos es o ços e de algumas e o mas implemen adas pa a p o eção das economias locais, a libe alização do comé cio expôs o aco ní el de compe i i idade in e nacional da indús ia local, le ando à uína de alguns sec o es, como po exemplo o sec o êx il. A União A icana, na 18ª Sessão O diná ia da Con e ência dos Che es de Es ado e de Go e no, ealizada em Adis Abeba, E iópia, em janei o de 2012, ado ou a decisão de es abelece uma Á ea Con inen al de Li e Comé cio (CFTA)27 a é 2017. Obje i os da CFTA:  C ia um me cado único con inen al pa a bens e se iços, com li e ci culação de emp esá ios e in es imen os, e assim p epa a o caminho pa a acele a o es abelecimen o da União Aduanei a Con inen al e da união aduanei a a icana.  Expandi o comé cio in a-a icano a a és de uma melho ha monização e coo denação dos egimes e ins umen os de libe alização do comé cio e acili ação em odas as RECs e em oda a Á ica em ge al.  Resol e os desa ios da pa icipação duplicada em di e en es aco dos e o ganizações de in eg ação egional, o o e lapping e agiliza os p ocessos de in eg ação egional e con inen al.  Aumen a a compe i i idade no ní el indus ial e emp esa ial, explo ando opo unidades de p odução em escala, acesso ao me cado con inen al e melho ealocação de ecu sos. 26 Ve são inal da polí ica de Emp ego de Moçambique publicada a 26/05/2016 – pág. 24. 27 CFTA - Con inen al F ee T ade A ea 25 Na pe secução des es obje i os oi ainda es abelecido um Plano de Ação pa a p omo e o comé cio In a-A icano (BIAT)28. O BIAT de iniu como obje i o a duplicação das ocas come ciais en e 2012 a 2022. O BIAT iden i ica ainda se e g upos di e en es, á eas a abalha : polí ica come cial, acili ação do comé cio, capacidade p odu i a, in aes u u a elacionada ao comé cio, inanciamen o do comé cio, in o mações come ciais e in eg ação do me cado de a o es. Com o aco do dos 54 Es ados a icanos a CFTA ab ange á uma população combinada de mais de mil milhões de pessoas e um PIB es imado de US $ 3,4 ilhões.29 Apesa da da a es imada de en ada em igo da CFTA osse inicialmen e 2017, a é ao momen o (2018) não oi implemen ada. De ido à complexidade do p ocesso é di ícil ap esen a uma p e isão conc e a de quando a mesma pode á en a em igo . No p óximo capí ulo o en oque se á nas Ins i uições Financei as In e nacionais cujo papel se á undamen al pa a en ende as abo dagens/ p oje os de cons ução de in aes u u as de anspo es. 28 BIAT - Boos In a-A ica T ade 29 In o mação disponí el no po al o icial da União A icana: h ps://au.in /en/ i/c a/abou (acedido a 27/09/2018) 26 CAPÍTULO III. OS ORGANISMOS FINANCIADORES III.1. Conside ações Ge ais O p esen e capí ulo abo da a ques ão dos o ganismos inanciado es dos p oje os de in aes u u as de anspo es. Qualque p oje o a se desen ol ido, seja em que con ex o o , necessi a de um ing edien e ulc al: Capi al. Nes e sen ido, u ge coloca a seguin e ques ão, a sabe : Quais os maio es in es ido es/ inanciado es de capi al pa a o desen ol imen o de p oje os de cons ução, ecupe ação e/ou manu enção de in aes u u as de anspo es? Os p oje os de in aes u u as de anspo es êm ca ac e ís icas especi icas que di icul am a a ação de inanciamen o. Es e aspe o é jus i icado an o em e mos de ele ados mon an es a in es i p e iamen e à implemen ação dos p oje os, mon an es esses necessá ios pa a es udos geog á icos, económicos e ambien ais, como em e mos dos longos p azos de conc e ização p e is a e des ios espe ados em e mos dos longos p azos de conc e ização p e is os e des ios espe ados na ase de cons ução e implemen ação. Adicionalmen e, de e se ainda conside ada a ansnacionalidade dos p oje os, o que implica conside a as di iculdades nas di e en es ju isdições, ins abilidade da moeda e axas de con e são. As in aes u u as de anspo e aca e am ele ados cus os ixos e, na egião da Á ica Subsaa iana, ca ac e izada pela baixa densidade populacional o a dos g andes cen os u banos, ap esen am ainda um isco ac escido de e o no económico ace a qualque ou a egião do mundo (Je is, 2015, p. 92). A localização dos Es ados na Á ica Subsaa iana, longe dos maio es cen os de consumo como seja o No e de Á ica que ica jun o aos me cados Eu opeus, em sido amenizada pela e olução das ecnologias de in o mação e comunicações mó eis. No en an o, e ela-se ainda necessá io emp eende ele ados mon an es de in es imen os em p oje os de ligações ísicas em in aes u u as de anspo es como linhas odo iá ias, e o iá ias e po os que sus en em e p oje em o c escimen o A icano no u u o (Je is, 2015; E zo and Collende 2010). 27 No p esen e capí ulo é ap esen ado um b e e enquad amen o his ó ico dos p incipais a o es de inanciamen o dos p oje os de in aes u u as de anspo es, os seus possí eis in e esses e como o en ol imen o des es pode e in luenciado as polí icas de anspo es implemen adas pelos Es ados A icanos no ge al e em pa icula na egião da Á ica Aus al e Moçambique. III.2. Enquad amen o Du an e as décadas de colonialismo os p incipais inanciado es de p oje os de in aes u u as de anspo e de cada Es ado A icano e am os espe i os Es ados colonizado es, sendo que e am es es ainda os esponsá eis pelo desenho es a égico de desen ol imen o das in aes u u as de anspo e nas egiões. No en an o, con o me já deba ido no capí ulo an e io , o p opósi o desse in es imen o e a a ex ação das ma é ias p imas e ou os ecu sos ag ícolas pa a as me ópoles. Nesse sen ido, o oco do in es imen o em si e a po an o o de acili a o comé cio bila e al, o qual se man inha no opo da cadeia de alo da indús ia ex a i a e ia plenamen e de encon o às necessidades das me ópoles e não das egiões locais, o que p omo ia em consequência um desen ol imen o económico a o á el a es as sem a ende as necessidades locais. Com a independência, os no os Es ados A icanos, maio i a iamen e debili ados po lu as pela au onomia, i e am que p ocu a ou as o mas de inanciamen o pa a desen ol e em os seus e i ó ios. Numa p imei a ins ância, Á ica con e eu-se no palco da i alidade e compe ição po pa e das g andes supe po ências mundiais (EUA s URSS)30 e seus aliados, blocos capi alis as s blocos comunis as a en a ganha e eno e in luência na es e a mundial e que o ça am a implemen ação de polí icas económicas de aco do com os p óp ios sis emas polí icos sem a adap ação necessá ia aos e i ó ios em que e am aplicados. A implemen ação de modelos copiados, que i e am sucesso no desen ol imen o inicial des as supe po ências não se e i icou bem sucedido nos Es ados A icanos e a i alidade dos Es ados o iginá ios anspunha-se pa a os Es ados que os implemen a am não dando azo à ap oximação de Es ados 30 EUA – Es ados Unidos da Amé ica URSS – União das Republicas Socialis as So ié icas 28 izinhos que não pa ilhassem o mesmo sis ema polí ico e económico. Os Es ados apoiados pelo sis ema democ á ico apoia am-se ainda nas ins i uições de B e on Woods31.. Os inanciamen os concedidos po es as ins i uições não e am cedidos sem con apa idas. A implemen ação de p og amas de ajus amen o es u u al, além da acei ação da dí ida inancei a nas condições impos as, e am equisi os ob iga ó ios pa a a ob enção do capi al solici ado. Com is o, além da economia, ambém a polí ica de um Es ado inha de segui as di e izes des as ins i uições. Quando a ideia mode na de Desen ol imen o nasceu nos inais das décadas de 40 e início da década de 50 oi dada g ande en âse à eo ia dos e ei os dinamizado es da cons ução de g andes in aes u u as, cap ando ele ados mon an es de in es imen o em p oje os de cons ução de po os, es adas e linhas é eas (Nugen , 2018, p. 22); (Hoyle e Hiling 1970) A espe ança de esul ados económicos isí eis, no imedia o, desapon ou in es ido es, e no inal da década de 70, a on e de inanciamen o ex inguiu-se ou eduziu-se quase po comple o. Essa si uação desencadeou um p ocesso de a i o que le ou ao abandono de p oje os e sis emas de anspo es já con uídos e que sem a manu enção adequada apidamen e se deg ada am. Nugen (2018, p. 22) apon a como exemplo o declínio do sis ema e o iá io, cuja implemen ação acabou po se is a como desadequada e demasiado dispendiosa pa a aze ace às necessidades de anspo e dos Es ados A icanos. Po di e sas azões os p og amas implemen ados não o am bem-sucedidos, apon ando-se como p incipais causas a co upção ou di adu as dis a çadas, en e ou os. Como al, a década de 80, oi conside ada mais a de como a década pe dida (Me edi h, 2005, p. 368) no que oca ao desen ol imen o dos Es ados A icanos no ge al. 31 As apelidadas ins i uições de B e on Woods o am c iadas em 1944 po inicia i a dos Es ados Unidos após uma con e ência mone á ia. Fazem pa e as ins i uições inancei as in e nacionais como o Banco In e nacional pa a a Recons ução e o Desen ol imen o (BIRD), mais conhecido po Banco Mundial (BM) e o Fundo Mone á io In e nacional (FMI). 29 O inal da Gue a F ia, de aco do com S ephen W igh , ma cou um pon o de i agem do en ol imen o des as supe po ências no con inen e A icano, na medida em que es as deixa am de es a subo dinadas à sua lógica da i alidade.32 A década de 90 icou ma cada pelo ápido c escimen o económico asiá ico, e a ascensão dos chamados BRICS (B asil, Rússia, Índia, China e Á ica do Sul). Nes e con ex o, a p ocu a de ma é ias p imas e ecu sos na u ais exis en es em abundância no con inen e a icano dispa ou. Os p eços no me cado in laciona am e, de modo a ga an i o acesso às ma é ias p imas e ecu sos necessá ios pa a man e o c escimen o económico em ascensão, as po ências eme gen es i a am-se pa a Á ica. No passado a edução dos cus os inancei os e empo ais dos anspo es e a o imização das cadeias logís icas pe mi iu a elocalização dos g andes cen os indus iais pa a longe dos g andes cen os de consumo, pa a egiões com um cus o de mão de ob a mais eduzido ou jun o às on es das ma é ias p imas e ecu sos na u ais, al como pode se obse ado na Figu a III-1 Realocação Indus ial de Po ências eme gen es pa a países a icanos. Numa p imei a onda de elocalização os mo imen os pa i am da Eu opa, Es ados Unidos e Aus ália pa a Amé ica La ina, Sudoes e Asiá ico, Eu opa de Les e e ainda egião No e de Á ica e Á ica do Sul, con o me ansição das zonas e des a zonas cinzen as. A ualmen e assis e-se a uma segunda aga de elocalização ocada nas egiões de Á ica abundan es de ecu sos ene gé icos e ma é ias p imas, con o me ansição de zonas e des e cinzen as pa a ama elo. 32 Cláudio And ade - A Polí ica Ex e na de Cabo Ve de e a sua Diáspo a – Tese Ou ub o 2016, pág 22. Figu a III-1 Realocação Indus ial de Po ências eme gen es pa a países a icanos Fon e: Rela ó io A ican De elopmen Bank 2015 “Rail In as uc u e in A ica” 30 De manei a a con inua a a ai e a man e o in e esse de no os desen ol imen os indus iais nes a egião do con inen e A icano, é indispensá el o desen ol imen o das in aes u u as de anspo e que sejam compe i i as com ou as egiões do mundo. A melho ia das conexões, especialmen e ia e o iá ia, em sido decisi o na conexão de g andes á eas indus iais com á eas logís icas (A ican De elopmen Bank, 2015 b), p. 22).33 Em 2001 o g upo G-8 ( o mado pelo conjun o de Países F ança, Es ados Unidos, Reino Unido, Alemanha, I ália, Japão, Canadá e Rússia) assumia um comp omisso de desenha um plano de ação em colabo ação com líde es do con inen e A icano (A khange skaya & Shubin, 2013, p. 8). Em 2005, na 31ª cimei a do G-8, em Gleneagles, oi lançado o ICA – Consó cio pa a as In aes u u as em Á ica34 ocado em 4 sec o es: ene gia, anspo es, água e ecnologias de in o mação e comunicação. A pa do G-8 o ICA é compos o pela República da Á ica do Sul, o g upo do Banco Mundial, o g upo do Banco A icano de Desen ol imen o, a Comissão Eu opeia, o Banco Eu opeu de In es imen o e o Banco de Desen ol imen o da Á ica Aus al. Embo a não seja um o ganismo inanciado , o ICA unciona como uma pla a o ma de ala ancagem do inanciamen o de p oje os de in aes u u as e p og amas em Á ica.35 As p incipais po ências eme gen es, designadamen e a China e a India, in es i am no desen ol imen o de elações bila e ais com alguns Es ados A icanos de in e esse es a égico. O o alecimen o des as elações em-se baseado no inanciamen o de p oje os de g andes in aes u u as, maio i a iamen e no se o dos anspo es e comunicações. O in es imen o nes es se o es de ende os p óp ios in e esses de acessibilidade nos dois sen idos: p imei o na melho ia do acesso aos ecu sos na u ais pa a alimen a a p óp ia indús ia e segundo no acesso aos me cados pa a escoamen o dos seus p odu os. Des e modo, conside a-se que o in es imen o, po pa e das p incipais po encias eme gen es, no sec o dos anspo es se e os in e esses 33Rail In as uc u e in A ica Financing Policy Op ions. Repo om he T anspo , U ban De elopmen & ICT Depa men 34 Designação o iginal ICA – The In as uc u e Conso ium o A ica 35 ICA Repo 2016 - In as uc u e Financing T ends in A ica - 2016 31 e obje i os de c escimen o do comé cio com um posicionamen o p i ilegiado na cadeia de alo . O inanciamen o do desen ol imen o no con inen e A icano e e desde semp e um pe cu so umul uoso, dependen e de o igens ex e nas. no en an o das lições ap endidas nas úl imas ês décadas e com os Obje i os Sus en á eis de Desen ol imen o (SDG) açados pa a as Agendas de Desen ol imen o 203036 e Agenda 2063 êm p omo ido uma onda ino ado a de es a égias ocadas em assegu a um quad o de desen ol imen o ans o mado desenhado de modo a assegu a a au ocon iança e ob enção po meios p óp ios de meios de inanciamen o.37 A iden i icação e in eg ação de obje i os especí icos de inidos nos SDG nas polí icas in e nacionais e egionais de cada Es ado, inclusi e nos obje i os dos p oje os de desen ol imen o inanciados po O ganizações in e nacionais pe mi e analisa e a alia o p og esso da uma agenda mundial comum. No se o das in aes u u as de anspo e des aca-se o obje i o 9 dos SDG “Indus ia, Ino ação e In aes u u as” que de uma o ma de alhada p e ê de o ma especi ica “9.1 O desen ol imen o de in aes u u as de qualidade, con iá eis e esilien es, incluindo uma in aes u u a egional e ans on ei iça pa a apoia o desen ol imen o económico e o bem-es a humano, com oco no acesso económico e jus o pa a odos”.38 Com indicado es de p og esso de inidos pelos “9.1.1 P opo ção de população u al que i e den o de dis ância de 2km de uma es ada esis en e às di e en es es ações do ano” e “9.1.2 Núme o de passagei os e olume po meio de anspo e”39. 36 As Nações Unidas de ini am 17 Sus ainable De elopmen Goals (SDG) em 2015, baseados nos 8 Obje i os de Desen ol imen o do Milénio en e 2000 e 2015 com is a a c iação de um no o modelo global pa a acaba com a pob eza, p omo e a p ospe idade e o bem es a de odos, p o ege o meio ambien e e comba e as al e ações climá icas. 37 Ilici Financial Flows, pág. 1 38 Tex o o iginal “ De elop quali y, eliable, sus ainable and esilien in as uc u e, including egional and ansbo de in as uc u e, o suppo economic de elopmen and human well-being, wi h a ocus on a o dable and equi able access o all . 39 In o mação disponí el no si e h ps://sus ainablede elopmen .un.o g/sdg9 acedido a 16/08/2018 38 inanciamen o de um p oje o numa des as ins i uições, mesmo que com uma pa icipação inancei a eduzida, ansmi e con iança aos in es ido es em elação ao isco polí ico con olado e à ges ão adequada da implemen ação do p oje o. A p odução de ela ó ios des as o ganizações é ainda mui o impo an e na di ulgação de dados ulc ais pa a que as emp esas possam a alia as opo unidades e iscos associados aquando da decisão de in es imen o em EMDE´s. Analisando o úl imo ela ó io anual do Banco Mundial sob e inanciamen o p i ado em p oje os de in aes u u as53, é no ó ia a di iculdade de cap ação de on es de inanciamen o p i adas pa a in es i em p oje os de in aes u u as no con inen e A icano ace a ou as egiões do Mundo. A Figu a III-2 Pe cen agens Regionais de comp omissos de in es imen o com inanciamen o p i ado em EMDEs en e 2008-2017 ilus a cla amen e a dispa idade das pe cen agens dos comp omissos p o enien es do se o p i ado no in es imen o em p oje os de in aes u u as nas di e en es egiões do mundo. Apesa de, em 2017, e so ido algumas al e ações de peso, nomeadamen e a p edominância de p oje os com pa icipação p i ada na egião da Ásia de Es e e Paci ico ace à egião da Amé ica La ina e Ca aíbas, que na úl ima década em sido a egião com maio cap ação de inanciamen o p i ado, a egião da Á ica Subsaa iana, a pa da egião do Médio O ien e e No e de Á ica são as egiões que ap esen am cons an emen e meno pe cen agem de p oje os com inanciamen o de pa icipação p i ada. 53 2017 P i a e Pa icipa ion in In as uc u e (PPI) Annual Repo Figu a III-2 Pe cen agens Regionais de comp omissos de in es imen o com inanciamen o p i ado em EMDEs en e 2008 - 2017 Fon e: 2017 P i a e Pa icipa ion in In as uc u e (PPI) Annual Repo , Wo ld Bank 39 O ela ó io do BM ap esen a ainda di e sos dados sob e os p oje os inanciados no úl imo ano de 2017 e espe i a compa ação com a úl ima década (2008 a 2017). No en an o, inclui-se mais um g á ico ilus a i o da p esença das DFIs nos p oje os de in aes u u as e como a sua p esença em p oje os nas egiões do con inen e A icano ep esen a mais de 50% das ga an ias dadas, en o em 2017 chegado mesmo a ep esen a 81% na egião de Á ica Subsaa iana con o me a Figu a III-3. III.5. As Ins i uições Financei as de Desen ol imen o As ins i uições inancei as de desen ol imen o nacionais e in e nacionais (DFIs)54 são bancos de desen ol imen o subsidiá ios c iados pa a apoia o desen ol imen o dos países sub-desen ol idos. São ins i uições ge almen e de idas po go e nos nacionais e a on e do seu capi al são undos de desen ol imen o nacionais 54 U iliza-se o ac ónimo em inglês DFIs – De elopmen Finance Ins i u ions Fon e: 2017 P i a e Pa icipa ion in In as uc u e (PPI) Annual Repo , Wo ld Bank Figu a III-3 Peso da p o eniência da dí ida em p oje os de in aes u u a com pa icipação p i ada em EMDEs, 2016 e 2017 40 ou in e nacionais que bene iciam de ga an ias dos go e nos pa icipan es. Es a ga an ia ansmi e c edibilidade, o que pe mi e a es as ins i uições inje a ele adas quan ias de dinhei o nos me cados de capi ais in e nacionais e o nece condições de inanciamen o mui o compe i i as. Den o dos DFIs encon am-se os Bancos Mul ila e ais de Desen ol imen o (BMDs), que são as ins i uições de e e ência que além de p opo ciona apoio inancei o, p o idenciam consul o ia écnica especializada nas mais di e en es á eas ans e sais ao desen ol imen o de uma egião e país, coope ando es ei amen e com os go e nos locais de cada Es ado. O g upo dos bancos mul ila e ais de desen ol imen o (BMDs) de modo ge al se e e em-se a:  G upo do Banco Mundial (BM)  Banco A icano de Desen ol imen o (BA D)  Banco Asiá ico de Desen ol imen o (BAD)  Banco Eu opeu de Recons ução e Desen ol imen o (BERD)  G upo do Banco In e ame icano de Desen ol imen o (BID) Os BMDs ca ac e izam-se ainda pelo seu ele ado núme o de Es ados Memb os acionis as, incluindo an os países em desen ol imen o egionais como países desen ol idos doado es de ou os con inen es. Cada banco em egulamen ação p óp ia e independen e, mas com manda os semelhan e e um núme o conside á el de p op ie á ios conjun os, os BMDs man êm um al o ní el de coope ação. Os BMDs p opo cionam inanciamen o p incipalmen e a a és dos seguin es meios: • Emp és imos de longo p azo, baseados na axa de ju os do me cado. Pa a inancia esses emp és imos, os BMDs ão-se inancia nos me cados in e nacionais de capi al e po sua ez concedem o emp és imo aos go e nos mu uá ios dos países em desen ol imen o. • Emp és imos de p azo mui o longo ( equen emen e denominados c édi os), ca a e izados po axa de ju os bem abaixo dos ju os do me cado. São inanciados po meio de con ibuições di e as aos go e nos dos países doado es. 41 • Alguns BMDs ambém o e ecem inanciamen o a a és de subsídios, na maio pa e a a és de assis ência écnica, es udos e ela ó ios, se iços de consul o ia ou p epa ação de p oje os. 55 No âmbi o do p esen e es udo passa-se a abo da os dois BMDs que êm maio ele ância no que oca ao con inen e A icano, o BM e o BA D. III.6. O Banco Mundial Em e mos de o ganismos de inanciamen o de p oje os de desen ol imen o o o ganismo de e e ência é o Banco Mundial (BM). O BM é a maio ins i uição de desen ol imen o do mundo. Con a a ualmen e com 189 países memb os e já con ibuiu pa a p oje os em mais de 100 países não apenas com emp és imos inancei os, mas com apoio écnico e consul o ia pe sonalizada. O banco colabo a com go e nos egionais, com o se o p i ado, com o ganizações ci is, com bancos egionais de desen ol imen o, com ins i uições in e nacionais, deb uçando-se sob e as mais a iadas p oblemá icas desde al e ações climá icas, con li os, segu ança alimen a , educação, ag icul u a, inanças e comé cio. Tudo com o úl imo obje i o de acaba com a pob eza ex ema a é 2030 e impulsiona a p ospe idade compa ilhada dos 40 po cen o mais pob es en e a população po odos os países. O iginalmen e undado em 1944, com o nome de Banco In e nacional da Recons ução e Desen ol imen o, o obje i o inicial dos emp és imos e a o de ajuda a econs ui os países de as ados pela II Gue a Mundial. Com a e olução do empo, o p opósi o acabou po se di eciona pa a o Desen ol imen o com g ande en oque inicial no apoio de p oje os na á ea de g andes in aes u u as como ba agens, cen ais elé icas, sis emas de i igação e es adas. Ao longo dos p imei os dezasse e anos de 55In o mação disponí el: h p://si e esou ces.wo ldbank.o g/EXTABOUTUS/Resou ces/Mul iDe Banks_PO.pd (acedido a 26/06/2018) 42 exis ência, os p oje os apoiados pelo BM consis i am ainda em melho a a capacidade de expo ação do Sul pa a o No e, a im de sa is aze em as necessidades des e úl imo e de en iquece em um conjun o de mul inacionais, no âmbi o dos se o es e e idos. Du an e es e pe íodo, os p oje os ela i os à saúde, ao acesso à água po á el e ao saneamen o básico o am inexis en es. A ualmen e o BM assume a impo ância do in es imen o em á ios a o es c í icos pa a o sucesso in es indo no e o ço das ins i uições go e namen ais, polí icas e dinamização de colabo ação com o se o p i ado. O BM em p omo ido a i amen e a e o ma das linhas e o iá ias, endo inclusi e publicado uma sé ie de ela ó ios nesse sen ido, em que se des acam alguns incluindo ocados na egião da Á ica Aus al, nomeadamen e:  SSATP (2003) - Ki de Fe amen as de Concessão e o iá ias: aplicação a ede A icana;  AFTTR (2006) - Á ica Subsaa iana: Re isão de concessões e o iá ias selecionadas;  AICD (2009) - O - ack: Linhas é eas na Á ica Subsaa iana;  PPIAF (2011) - Re o ma da linha é ea: Ki Fe amen as pa a melho a o desempenho do sec o e o iá io;  SSATP (2013) - T anspo e Fe o iá io: Quad o es a égico pa a melho a o desempenho das linhas é eas na Á ica Subsaa iana56. De en e es as, no âmbi o do p esen e es udo, des acam-se alguns dados e obse ações mais ele an es do úl imo ela ó io, SSATP (2013), nomeadamen e os ês desa ios mais u gen es iden i icados: a ele ada axa de mo alidade odo iá ia (24/ 100.000 habi an es); a ele ada axa de u banização que em c escido a um i mo sem p eceden es e os ainda ele ados cus os de anspo e. O ela ó io apon a ainda que o con inen e a icano em a meno densidade odo iá ia com apenas 2 po cen o dos eículos do mundo e chama a a enção pa a o ac o de os cus os de impo ação nos 56 Ti ulos o iginais: SSATP (2003); Railways concessioning oolki – applica ion o A ican ne wo k. AFTTR (2006); Sub-Saha an A ica: Re iew o selec ed ailway concessions. AICD (2009); O - ack: Sub-Saha an A ican Railways. PPIAF (2011); Railway Re o m: Toolki o Imp o ing Rail Sec o Pe o mance. SSATP (2013); Rail anspo : F amewo k o imp o ing ailway pe o mance in SSA. 43 países landlocked , i.e., sem acesso ao ma , se em 15% a 20% supe io es que nos países com acesso à cos a e que em média no con inen e são 3 a 4 ezes supe io es ace aos cus os de anspo e nos países desen ol idos. A edução des es cus os de anspo e in e no pode ia ep esen a um aumen o de 25 po cen o no comé cio in a-a icano. III.7. O Banco A icano de Desen ol imen o O obje i o ge al do G upo do Banco A icano de Desen ol imen o (BA D) é es imula o desen ol imen o económico sus en á el e o p og esso social dos Países Memb os Regionais (PMRs)57, con ibuindo assim pa a a edução da pob eza. O G upo do Banco a inge esse obje i o da seguin e o ma: (i) mobilização e alocação de ecu sos pa a in es imen o em seus PMRs; (ii) p o idencia assesso ia polí ica e assis ência écnica pa a apoia os es o ços de desen ol imen o. O BA D oi undado em 1964 e a ualmen e é compos o po ês ins i uições elacionadas, mas inancei amen e independen es: o Banco A icano de Desen ol imen o (BAD), o Fundo de Desen ol imen o A icano (FA D) e o Fundo Fiduciá io da Nigé ia (FFN). O BA D é a o ganização-mãe da ins i uição, compos a po 54 Es ados a icanos egionais e independen es (PMRs) e 27 países não- egionais58. Os p oje os supo ados pelo G upo do Banco ans o mam as in aes u u as, conec ando países apoiados e c uzando on ei as, aumen am o ní el e a qualidade da educação em oda a Á ica e em consequência implan am aízes pa a o c escimen o dos se o es inancei os do con inen e. Com is o capaci am os seus Es ados memb os a compe i no mundo cada ez mais globalizado. O BA D, enquan o o ganismo in e nacional, encon a-se numa posição p i ilegiada pa a apoia p oje os que c uzam as on ei as de di e en es Es ados. 57 Países localizados no con inen e A icano. 58 Países doado es, localizados o a do con inen e A icano. 44 O Depa amen o de A aliação de Desen ol imen o Independen e do BA D (IDEV)59 lançou em Dezemb o de 2014 o ela ó io “T anspo es em Á ica: A in e enção do Banco A icano de Desen ol imen o e os Resul ados na úl ima Década (2000- 2011)”60, ela ó io que e a a a e olução dos in es imen os ealizados no se o dos anspo es du an e essa década e salien a a impo ância do melho amen o dos anspo es como meio de p omoção de in eg ação egional e comé cio, bem como um sec o ans e sal, essencial pa a a implemen ação de p oje os de ou as á eas bem sucedidos. O g á ico acima ilus ado, Figu a III-4, e a a o c escimen o do in es imen o do BA D em p oje os no sec o de anspo es não apenas em alo es in es idos, mas ambém em e mos pe cen uais ace a ou os sec o es. Es e c escimen o do in es imen o supo a a eo ia da impo ância eme gen e do sec o nas p io idades de desen ol imen o do BA D, não apenas em diálogos e es a égias polí icas, mas e le idas em alo es palpá eis. O ela ó io indica ainda que 73 po cen o dos ela ó ios de a aliação de p oje os iden i ica am a “melho ia da qualidade do anspo e” como um 59 IDEV - Independen De elopmen E alua ion A ican De elopmen Bank 60 Tí ulo o iginal: “T anspo in A ica: The A ican De elopmen Bank’s In e en ion and Resul s o he Las Decade (2000-2011)” Fon e: (A ican De elopmen Bank, 2014, p. 33) Figu a III-4 Tendência de in es imen o no sec o dos T anspo es do o al de comp omissos do BA D (2000-11) 45 obje i o especí ico e que acili a a mobilidade e o acesso da população aos me cados e se iços básicos a a és da cons ução de in aes u u a de anspo e oi o segundo obje i o mencionado com maio equência (A ican De elopmen Bank, 2014, p. 43). A a és do g á ico lis ado no anexo II do p esen e es udo, (Pe cen agem de in es imen o no sec o de anspo es po país bene iciá io) é possí el ainda e i ica que a maio a ia desse in es imen o ai pa a p oje os de anspo e mul inacionais, que c uzam on ei as e ainda que Moçambique é o 14º país que ecebe maio in es imen o nes e se o , sendo des ina á io de 1,46 po cen o do in es imen o. O in es imen o no se o dos anspo es con inuou a c esce , de aco do com os dados di ulgados no ela ó io anual do banco em 2015 o alo o al de ap o ações do BA D pa a desen ol imen o de p oje os no se o dos anspo es ascendeu a 1,72 mil milhões de Unidades de Con a (UC)61, o que ep esen ou 55,9% do o al de ope ações ap o adas na á ea das in aes u u as62, con o me ilus ado na Figu a III-5. 61 Unidade de Con a: A di isa o icial do Banco de e se cons i uída po um cabaz de moedas con e í eis que ep esen a a “unidade de con a”, omando em conside ação a unidade de con a do Banco A icano de Desen ol imen o e os Di ei os Especiais de Saque do Fundo Mone á io In e nacional. Ao de e mina e/ou e e a unidade de con a, essa decisão de e p ocu a p o ege o alo do capi al social do Banco. 62 Rela ó io Anual do Banco A icano de Desen ol imen o 2015, pág. xi Fon e: Rela ó io Anual do Banco A icano de Desen ol imen o 2015, pág. xi Figu a III-5 To al de ap o ações do BA D pa a In aes u u as, 2015 (3.08 mil milhões de UC) 46 III.8. O papel do BA D em Moçambique Moçambique é memb o do BA D desde que é um Es ado sobe ano, ou seja, desde 1976 e nes e pe íodo já ob e e inanciamen os ap o ados cumula i amen e no alo de UA 1,4 mil milhões (1976-2016). O p imei o p oje o ap o ado e inanciado pelo BA D oco eu em 1977 e desde essa al u a que o BA D em p es ado apoio egula men e nos es o ços de desen ol imen o do país, co inanciando p oje os nos mais a iados sec o es desde ag icul u a, anspo e, água e saneamen o, comunicação, indús ia e mine ação. A úl ima es a égia desenhada de edução da pob eza do go e no de 2011 a 2014 (PARP) em como oco es a égico um c escimen o e desen ol imen o inclusi o apoiando-se nos emas de es abilidade mac oeconómica e boa go e nança. A es a égia do BA D ela i a a Moçambique es á alinhada pelo mesmo obje i o, espondendo aos desa ios de desen ol imen o do país a a és dos pila es de melho ia de compe i i idade do sec o p i ado e apoiando p oje os de desen ol imen o de in aes u u as e supo e pa a uma boa go e nança. O po ólio a ual de p oje os pa a Moçambique con abiliza 17 ope ações no alo de US $ 636 milhões. O sec o que abso e a ualmen e a maio pe cen agem de in es imen o é o dos anspo es, con abilizando 48 po cen o do alo a ualmen e ap o ado pa a p oje os em implemen ação e a implemen a no país. O sec o da ag icul u a é o segundo sec o abso endo 15 po cen o do in es imen o seguido pelos sec o es da ene gia (9%), minei o (6%), abas ecimen o de água e saneamen o (6%), inancei o (2%) e social (1%).63 Além dos p oje os inanciados pelo BA D, con abiliza-se ainda os p oje os inanciados po pipeline a a és do Fundo Es a égico pa a o Clima (SCF), o Fundo Ag ícola Global (GAF), o Fundo Fiduciá io da Nigé ia (NTF) e o Fundo de Ene gia Sus en á el pa a a Á ica (SEFA). O BAD em em mãos ainda a ealização de um es udo sob e os Recu sos Domés icos e um es udo geológico e mine al de Moçambique. 63 Dados ob idos a a és do po al do BA D Disponi el: h ps://www.a db.o g/en/coun ies/sou he n- a ica/mozambique/mozambique-and- he-a db/ (acedido a 20/12/2017) 47 Num comunicado de imp ensa de 2009, o BA D a i ma que apoia o o çamen o de Es ado do go e no de Moçambique desde 2000, uma modalidade de ajuda que conside a c ucial pa a apoia o desen ol imen o do país e os es o ços do go e no a assegu a a es abilidade mac oeconómica e a es abelece a c iação de um ambien e a o á el ao desen ol imen o da economia e do sec o p i ado.64 Dos p oje os ap o ados pelo BA D em Moçambique o po al do BA D des aca a ap o ação do in es imen o no p oje o “Mul i-Nacala Road Co ido P-Z1-DB0-039” que a a essa Moçambique, Malawi e Zâmbia. O p oje o é co- inanciado pelo Fundo de Desen ol imen o A icano (FDA) com 38.38 milhões UC, a Agência de Coope ação In e nacional do Japão (JICA) com 49.34 milhões UC e o go e no de Moçambique UA 11.49 milhões UC. O en ol imen o do BA D oi um p é- equisi o pa a a ap o ação do in es imen o po pa e do JICA. Es e ipo de imposições (en ol imen o de uma ins i uição como o BA D) pa a que ou as o ganizações e undos de in es imen o se comp ome am com o inanciamen o de p oje os é uma p á ica egula . De e e -se em conside ação que, em úl ima ins ância, o obje i o de o ganizações como o BA D, o BM, en e ou os BMDs é o de inancia p oje os pelo desen ol imen o que possam aze a uma egião, conside ando a sua sus en abilidade e iabilidade inancei a cla o. Cons a a-se que as p e isões de esul ados económicos (o luc o) não são po no ma os p imei os nem os p incipais dados apon ados pelos ela ó ios des as ins i uições na ap esen ação dos p oje os supo ados. Du an e a década de 2000-2011, os p oje os desen ol idos no sec o dos anspo es inanciados pelo BA D apon a am cada ez mais como o p incipal obje i o ge al de submissão de p oje os nes e sec o “p omoção do comé cio e in eg ação egional”. Os obje i os de “c escimen o económico”, “ edução da pob eza” e “e iciência dos anspo es” o na am-se obje i os menos comuns (A ican De elopmen Bank, 2014, p. 42). 64 “BAD Jun a-se a Ou os Pa cei os nos Comp omissos pa a o O çamen o de Es ado” Comunicado de Imp ensa do BAD a 04 de Junho de 2009 54 2- Enquan o ecu so de ge ação de ene gia hid oelé ica (SDG 7 – ene gias Reno á eis e acessí eis). Á ica em de ac o g andes egiões em que os ios caudalosos a a essam ele ados desní eis opog á icos, po enciando assim es e uso da água. 3- Enquan o meio geog á ico base de anspo e, nalgumas egiões com ca ac e ís icas e es es ag es es, e i ica-se que a implemen ação de sis ema de anspo e lu ial é o mais adequado. Nes e pon o des aca-se o conhecido io Nilo, undamen al meio de anspo e no desen ol imen o do Egi o An igo e a ualmen e o p oje o Shi e-Zambezi, em Moçambique que é ap esen ado no capí ulo V.5 O sis ema ma í imo e lu ial. O aquecimen o global, o c escimen o exponencial da população humana e consequen e aumen o de necessidade de consumo dos ecu sos na u ais exis en es em le ado a uma edução lag an e da disponibilidade híd ica no mundo. As egiões mais a e adas são as que êm meno capacidade de p e enção e espos a, como os Es ados A icanos. A escassez híd ica em sido uma p io idade pa a os Es ados e ambém um obje o de es udo po pa es de in es igado es de odas as egiões do mundo (Lopes, 2009; Cascão, 2004; Ha endo n, 2000) a ando p incipalmen e as ques ões ambien ais e as suas consequências no desen ol imen o dos países. Algumas es a ís icas êm apon ado pa a um ap o undamen o do enómeno da escassez híd ica no mundo, sendo sem dú ida as egiões mais ulne á eis a Á ica e a Ásia. (Semedo, 2012, p. 11) A escassez de ecu sos híd icos pode despole a an o con li os en e Es ados como aumen a a coope ação en e ambos. De ac o, quan o maio é a escassez de água, maio es são as condicionan es polí icas e económicas que os Es ados en en am na ges ão des e ecu so (Semedo, 2012, p. 13). Tendo em con a que ce ca de 60 po cen o das ese as de água doce do mundo es ão concen adas em ios ans on ei iços, as espe i as bacias hid og á icas são habi adas po 40 po cen o da população mundial, e essas bacias cob em 45 po cen o da supe ície e es e, es ão cla amen e eunidas condições pa a o desen ol imen o 55 de in e esses e es a égias con li uan es en e os di e en es Es ados p op ie á ios e ou os agen es polí icos exis en es na a ena in e nacional (Semedo, 2012, p. 14); (Wol , 2004, p. 2). Si uações de impasse ou desaco do na pa ilha e ges ão dos ecu sos híd icos podem in ensi ica ensões go e namen ais já exis en es e aduzi em-se num g ande obs áculo à paz em egiões poli icamen e ins á eis. A p omoção de p ocessos de coope ação é undamen al. As assina u as de a ados in e nacionais mos am que a pa ilha de cu sos de água pode aze bene ícios a ambas as pa es. Po exemplo, a cons ução de uma ba agem pode bene icia o país a mon an e, a a és da p odução de ene gia hid oelé ica, sendo que a explo ação da albu ei a c iada pode se ge ida de o ma a a o ece a ag icul u a do país a jusan e, a a és do con olo das cheias e inundações. Po an o, quando um io se si ua numa on ei a, não há ou a o ma de pa ilha bene ícios a não se a a és da coope ação (Cascão, e al., 2015, p. 3). IV.3. P odução de ene gia “A Á ica subsa iana, onde i em mais de 950 milhões de pessoas, é a egião com maio es índices de “pob eza elé ica” do mundo” (A ila, e al., 2017, p. 7)74 Segundo o ela ó io p oduzido pela Ox am em pa ce ia com a RAEL (Renewable & App op ia e Ene gy Labo a o y), exis em mais de 600 milhões de pessoas que não êm acesso a ele icidade e g ande pa e da população que em, o acesso não é iá el, capaz de sa is aze as necessidades diá ias. Os índices de acesso a ele icidade nos Es ados A icanos si uam-se, em média, ce ca de 20 po cen o (A ila, e al., 2017, p. 7). En e 2000 e 2012 a p ocu a de ene gia elé ica c esceu ce ca de 45 po cen o75 e es ima-se que con inua a subi , em média, 4 po cen o ao ano a é 2040. Es e aumen o 74 Nki uka A ila é dou o anda no Ene gy and Resou ces G oup da Uni e sidade da Cali ó nia, em Be keley, e in es igado a associada no Law ence Be keley Na ional Lab. 75 Dados da Agência In e nacional de Ene gia (AIE) 2014, A ica Ene gy Ou look A Focus on Ene gy P ospec s in Sub-Saha an A ica, pp.19. 56 de p ocu a aumen a a p essão sob e a capacidade a ual de ge ação de ene gia e o in es imen o necessá io em in aes u u as capazes de da espos a às necessidades não apenas em e mos de c iação de mais in aes u u as, mas ambém in es imen o na mode nização das in aes u u as exis en es, de modo a aumen a a sua capacidade de p odução. A ques ão da pe sis en e escassez de ele icidade em limi ado o c escimen o económico da egião. A al a de in aes u u as adequadas pa a p oduzi e o nece ene gia à população numa base egula le a à dis upção das a i idades económicas que dela dependem, como po exemplo no se iço de anspo e é eo mo ido a ele icidade. A p odução de ene gia à base de combus í eis ósseis ( ecu sos mine ais não eno á eis), como o ca ão, pe óleo e gás aca e am desa ios como a ola ilidade e a iabilidade dos p eços, a poluição local e as al e ações climá icas (A ila, e al., 2017, p. 37). Á ica em um po encial excecional pa a p odução de ene gia à base de ecu sos na u ais biológicos como ecu sos sola es, eólicos, geo é micos e biomassa. A sua u ilização de e ia se capaz de alcança ele ados ní eis de p odução ene gé ica, com emissões de ca bono eduzidas (Ibidem, p. 11). Rela i amen e à p odução de ene gia hid oelé ica os pad ões de p ecipi ação i egula es podem le a a secas p olongadas o que le a a uma pa alisação da p odução. O Bo suana e a Á ica do Sul es ão mui o dependen es de ca ão pa a as suas necessidades de ele icidade, sendo que Moçambique depende apenas de ene gia hid oelé ica e o Zimbabué es á di idido de o ma igual en e ca ão e ene gia hid oelé ica a ní el do país. A dependência de ene gia hid oelé ica de Moçambique es á o emen e elacionada com a explo ação da ba agem de Caho a-Bassa, na egião de Te e e que é explo ada a in e nacionalmen e, endo a Á ica do Sul signi ica i a in e enção no p ocesso de explo ação. Embo a Á ica possua ecu sos ósseis signi ica i os, es es são al o das designadas “co idas aos ecu sos” pela comunidade in e nacional e os in es imen os 57 na explo ação des es ecu sos de em se c i e iosos, especialmen e conside ando que, décadas de expe iência, demons am que o desen ol imen o de ene gia baseado em combus í eis ósseis pouco em con ibuído pa a aumen a o acesso à ene gia na egião A icana, que con inua o mais baixo que em qualque ou a egião (A ila, e al., 2017, p. 11). IV.4. A ges ão dos ecu sos na u ais e o desen ol imen o Sachs & Wa ne (1997, p. 1)76 ap esen am um es udo que comp o a uma elação nega i a en e a axa de abundância de ecu sos na u ais e a axa de c escimen o económico, du an e o pe íodo de 1970 a 1990. O es udo cons a a que os Es ados com maio abundância de ecu sos na u ais endem a e um c escimen o mais len o que os Es ados com meno es ecu sos. A ges ão dos ecu sos na u ais é essencial pa a o desen ol imen o de um Es ado. O es udo dos dados da in luência nega i a que a abundância de ecu sos na u ais possa e ido no desen ol imen o de um País de em se idos em con a como lições a ap ende e a oma em conside ação na ges ão das descobe as ecen es. De aco do com Guy A nold (2001, p. 124), no i a do século a maio ia dos Es ados A icanos ap esen a am economias dependen es em 50 po cen o ou mais da expo ação de apenas um ou dois ecu sos na u ais, que mine al que ag ícola, e o me cado Eu opeu e a o p incipal des ina á io. O go e no de Angola con i mou que me ade do PIB é p o enien e da explo ação pe olí e a do país77. Na ansição de 2014 pa a 2015, Angola encon a a-se à bei a de um colapso económico. Ac edi a am-se como p incipais azões pa a es e desen ol imen o a pob e di e sidade económica do país bem como a queda do p eço do ba il de pe óleo (Dias, 2018, p. 43). 76 Je ey D. Sachs & And ew Wa ne 1997 “Na u al Resou ce Abundance and Economic G ow h” 77 Documen o Es a égia pa a o País e P og ama Indica i o Nacional (2008-2013) 58 Uma economia de um Es ado com es es ní eis de dependência é uma economia ulne á el, expos a às oscilações dos p eços de me cado, o que se aduz numa economia de expo ação desequilib ada. Quando um Es ado di eciona o seu oco apenas pa a a explo ação de um ecu so na u al abundan e ende a negligencia os ou os se o es, o que le a a uma deg adação das es an es a i idades económicas. De aco do com um es udo78 baseado em inqué i os aos ambien es ins i ucionais e ju ídicos de 58 países com ecu sos na u ais abundan es (20 dos quais a icanos), apenas 11 des es ap esen a am índices de uma ges ão e icaz dos seus ecu sos e nenhum e a a icano (Mailey, 2015, p. 5). A imagem de um país ico em ecu sos na u ais, especialmen e pe óleo, gás ou diaman es es á o emen e associada a es ados di a o iais. Segundo es ima i as (Ibidem, p. 6) ce ca de 70 po cen o des es Es ados são au oc acias. A explo ação dos ecu sos na u ais, e a ap op iação das ecei as pelos go e nos cen ais con e e capacidade inancei a pa a a sua manu enção no pode . Com es e ipo de go e nança, a iqueza em ecu sos não se em aduzido em melho es condições de ida e desen ol imen o pa a a população no ge al, mas num en iquecimen o da mino ia que es á no pode . De modo a implemen a um sis ema de ges ão dos ecu sos na u ais e icaz é necessá io que sejam omadas medidas pa a o alece as au o idades go e namen ais. A p eocupação da dis ibuição dos endimen os p o enien es da explo ação de ecu sos na u ais de uma de e minada egião em cap ado a enção da comunidade in e nacional. Os abusos come idos no passado e que in elizmen e se con inuam a e i ica não podem con inua a pe sis i . A im de e i a uma epe ição da his ó ia, á ios au o es êm-se deb uçado sob e es a ques ão, quando a ges ão de ecu sos não é adequada e acaba po se um a o que e o ça a pob eza e a iolência. Es e enómeno é desc i o como a “doença holandesa” (Ho mann & Ma ins, 2012, p. 1). 78 The 2013 Resou ce Go e nance Index: A Measu e o T anspa ency and Accoun abili y in he Oil, Gas and Mining Sec o (No a Io que: Re enue Wa ch Ins i u e, 2013), 7. 59 Na ese de dou o amen o de Andes Chi angue79 sob e “p o es os popula es e desen ol imen o em Moçambique” o au o de ende o en ol imen o da população na ges ão dos ecu sos como meio de ga an i a queb a do pad ão que em le ado às anomalias que os Es ados A icanos en en am e que êm sido al o de in ensos es udos e di e sas abo dagens como “ esou ce cu se, en seeking e du ch disease”80 (Chi angue, 2016, p. 3). Mailey (2015, p. 6) ap esen a á ios exemplos de co upção no iciados en e 2012 e 2014 sob e bens con iscados e condenações em ibunais eu opeus pelo des io de undos es a ais, culminando no apelo do p esiden e do Sudão do Sul à comunidade in e nacional pa a ecupe a ecei as de pe óleo des iadas po al os uncioná ios do p óp io go e no. “A anspa ência é i al pa a uma ges ão e icaz dos ecu sos na u ais” (Ibidem, p. 8). Com is o em men e oi anunciada em ou ub o de 2002 a Inicia i a pa a a T anspa ência das Indús ias Ex a i as (EITI)81, esul ado de uma aliança en e go e nos, sec o p i ado e o ganizações da sociedade ci il (Mailey, 2015, pp. 110-111). De modo a in eg a a EITI os Es ados êm de cump i os seguin es c i é ios: “1. A publicação pe iódica de odos pagamen os ma e iais de pe óleo, gás e mine ação e e uados po emp esas a go e nos e de odas as ecei as ma e iais ecebidas po go e nos p o enien es de emp esas de pe óleo, gás e mine ação a um g ande público de modo publicamen e acessí el, ab angen e e comp eensí el. 2. Onde ais audi o ias ainda não exis am, os pagamen os e as ecei as são obje o de uma audi o ia iá el e independen e, aplicando as no mas in e nacionais de audi o ia. 3. Os pagamen os e as ecei as são conciliados po um adminis ado iá el e independen e, aplicando as no mas in e nacionais de audi o ia e com a 79 Andes Chi angue – Docen e na Escola supe io de Negócios e Emp eendedo ismo de Chibu o, Uni e sidade Edua do Mondlane, Moçambique; e in es igado do Cen o de Es udos sob e Á ica, Ásia e Amé ia La ina do Ins i u o Supe io de Economia e Ges ão (UL Lisboa) 80 T adução: maldição dos ecu sos, ap op iação dos endimen os, doença holandesa 81 De inição o iginal EITI – Ex ac i e Indus ies T anspa ency Ini ia i e 60 publicação do pa ece do adminis ado endo em con a que essa conciliação, inclusi e as disc epâncias, se as hou e , de em se iden i icadas. 4. Es a abo dagem é ex ensi a a odas as emp esas, inclusi e as que são da p op iedade do es ado. 5. A sociedade ci il es á a i amen e en ol ida como pa icipan e na concepção, moni o ização e a aliação des e p ocesso e con ibui pa a o deba e público. 6. Um plano de abalho público e inancei amen e sus en á el pa a udo o que se encon a desc i o acima é elabo ado pelo go e no an i ião, com a assis ência das ins i uições inancei as in e nacionais quando eque ido, incluindo me as mensu á eis, um c onog ama de implemen ação e uma a aliação das possí eis es ições de capacidade. “ Fon e: Exce o das Reg as da EITI, Edição de 2011.” (Mailey, 2015, pp. 110-111) Rela i amen e ao con inen e A icano, em 2015, 18 Es ados ha iam in eg ado os c i é ios da EITI e 3 es a am em p ocesso de implemen ação (Ibidem). Rela i amen e a Moçambique, en iou a p opos a de candida u a de adesão ao EITI, no en an o, es a oi ecusada po não cump i os c i é ios. Em 2011 oi subme ido o p imei o ela ó io ao sec e a iado da EITI em Oslo (Ho mann & Ma ins, 2012, p. 5) e em 2017 Moçambique ap esen a a índices de p og esso maio i a iamen e signi ica i os e sa is a ó ios 82. A ní el de desen ol imen o, des acam-se os dados do Índice de Desen ol imen o Humano (IDH) de 2017, em que po exemplo, a Nigé ia, o país mais populoso de Á ica e um dos p incipais expo ado es de pe óleo do mundo desde 1965, con inua a se um dos países menos desen ol idos, ocupando a 157ª posição. Moçambique encon a a-se na 180ª posição. Em e mos de ges ão dos ecu sos e o desen ol imen o é consensual a ideia de que a explo ação da indús ia ex a i a não em p omo ido o desen ol imen o 82 Disponí el em: h ps://ei i.o g/sco eca d-pd ? il e %5Bcoun y%5D=42& il e %5Byea %5D=2017 (acedido a 30/09/2018) 61 económico gene alizado, à exceção do Bo suana, mas que em sido causa de con li o e consequen e es ado de subdesen ol imen o da egião. Es e aspe o pa ece se um p oblema de odos os países a icanos, o nando pe inen e o papel das polí icas e es a égias de desen ol imen o. Apesa de o Ghana e c iado polí icas ais como a pa icipação local nas a i idades do sec o do pe óleo, as possibilidades de ap o ei amen o dos bene ícios da ex acção de ecu sos encon a- se cons angida pelo sis ema de p odução capi alis a cuja ca ac e ís ica c escen e se cen a na acumulação como obje i o em si. Cons a a-se ge almen e que os países que possuem abundan es ecu sos na u ais ap esen am indicado es de desen ol imen o in e io aos países conside ados pob es em ecu sos. En ende-se, assim, que os con li os, as gue as, os abusos dos di ei os humanos, incluindo a de icien e go e nação, se e elam a o es impedi i os do desen ol imen o. Em Fe e ei o 2009, numa assembleia da União A icana, os che es de Es ado ado a am uma es a égia comum pa a o sec o ex a i o, a “A ica Mining Vision” (AMV)83, que coloca os obje i os de desen ol imen o a longo p azo no ce ne da c iação de poli icas que egulem o sec o . A AMV é uma inicia i a que p omo e um plano de ação pa a a ai in es imen o e dis ibui os endimen os do se o de manei a in eligen e (Ho mann & Ma ins, 2012, p. 6). O desen ol imen o do sec o ex a i o po si só não bene icia a economia a longo p azo, uma ez que os ecu sos são ini os. A AMV de ende a di e si icação do sec o e in e - elação com ou os sec o es da economia (Ibidem). Na egião da A ica Aus al a SADC desen ol eu uma es a égia de comba e ao comé cio ilegal de mine ais. A in eg ação das es a égias desenhadas po uma o ganização com ou as es a égias de e i ó ios se c uzam, nes e caso com a es a égia dos Es ados da egião dos g andes lagos é undamen al no comba e ao comé cio ilegal ans on ei iço (A ica Mining Vision, 2011 a), p. 76) . Segundo Ho mann & Ma ins (2012, p. 6) “Moçambique em opo unidades de pa imen a o caminho pa a um c escimen o sus en á el e compa í el com o 83 In o mação consul ada no po al o icial: www.A icamining ision.o g (acedido a 30/09/2018) 62 desen ol imen o social” se ap o ei a a iqueza ge ada pela indus ia ex a i a pa a in es i em poli icas económicas e sociais que ab anjam a população no ge al (Educação, Saúde, Segu ança Social) e que não isem apenas o en iquecimen o de uma mino ia. IV.5. O caso de Moçambique “A ex ação po si só o na o país pob e… Apenas o ein es imen o em capi al (na u al ou ísico) pode compensa a pe da da iqueza na o ma desse ecu so e o na o país ico” (Chi angue, 2016, p. 46) Moçambique é a ualmen e conside ado po mui os no mundo da indús ia pelo “No o El Dou ado” (Chi angue, 2016, p. 1) (Ho mann & Ma ins, 2012, p. 1); (Mosca & Selemane, 2011). As descobe as ecen es (2012) de la gas ese as de gás na u al na bacia de Ro uma aliadas às ese as abundan es de ca ão, a eias mine ais, ou o, ubis en e ou os mine ais, em a aído in es imen o di e o es angei o (IDE) que em impulsionado a economia e que em sido a o cha e pa a que no pe íodo en e 2010- 2015 Moçambique ap esen asse uma axa de c escimen o médio anual de 7po cen o84. A es u u a económica e social de Moçambique oi delineada ao longo dos seus ciclos polí icos pela ex ação de ecu sos. A a i idade de ex ação de ecu sos na u ais, p edominan e na a ualidade, e ela-se como dependen e e ins á el pa a c ia e acumula eal alo ao país e às suas populações (Vilhena, 2013, p. 36). A exis ência de ca ão é o a o p eponde an e que o na Moçambique um dos p incipais des inos do in es imen o di e o es angei o com a chegada ao país de g andes emp esas da mine ação e pe olí e as e que se ins ala am na p o íncia de Te e e Cabo Delgado (Dias, 2018, p. 22). Do pon o is a da e olução his ó ica da explo ação minei a em Moçambique, e segundo on es e e isão de (Dias, 2018, p. 130), a é à década de 60, ha ia pouco p og esso na indús ia minei a em Moçambique, apesa de in ensos e p olongados es udos sob e a Bacia Ca boní e a de Moa ize e egiões ci cundan es, a sus en abilidade de possí eis p oje os de explo ação não se con i ma am. Em 1961, o go e no po uguês 84 CNUCED (2013) Wo ld In es men Repo 2013. Disponi el em: h p://unc ad.o g/sec ions/di e_di /docs/wi 2013/wi 13_ s_mz_en.pd 63 da a inicio a um p ocesso de libe alização económica, iniciando um conjun o de e o mas económicas que inham po obje i o le an a as es ições p o ecionis as que inham sido impos as aos in es imen os es angei os numa en a i a de ganha o apoio inancei o e polí ico in e nacional pa a a manu enção do “impé io po uguês”. No se o pe olí e o, o me cado começou a ganha ímpe o em 1967, de ido à en ada no me cado de gigan es ame icanas como a Gul Oil que descob iu no a ese a de gás na u al p óximo do io Búzi, a Sun ay Mozambique Oil Company, a Cla k Mozambique Oil Company e Skelly Mozambique Oil Company, além dos consó cios es abelecidos com emp esas sul-a icanas e ancesas, a quem o am concedidos di ei os de p ospeção (Dias, 2018, p. 131). Depois da independência, com a gue a ci il e suas ine en es consequências, a explo ação dos ecu sos na u ais icou condicionada a di e sas si uações de pi a a ia (Ibidem, p. 132). Dias iden i ica que o no o ciclo da indús ia ex a i a começou em 2004, na co ida ao ca ão de Moa ize (Ibidem, p. 132) e de ende que Moçambique de e ap ende com as lições de ou os países icos em ecu sos, seguindo o exemplo do Bo suana e do Gana, que an es de pe mi i em a explo ação dos seus ecu sos se cen a am no o alecimen o das suas ins i uições públicas, u ilizando as ecei as p o enien es da explo ação dos ecu sos na u ais pa a p omo e emp ego, p odu i idade, compe i i idade e p o eção social pa a os seus cidadãos. De aco do com o po al do Minis é io dos Recu sos Mine ais e Ene gia (MIREME)85, os abalhos de p ospeção e pesquisa esul a am na iden i icação dos seguin es ecu sos em Moçambique: “Em Niassa – Po encial de Ca ão no dis i o de Lago e cob e; Em Cabo Delgado – Ruby em Mon epuez, g andes depósi os de g a i e associado ao anádio, em Balama e Ancuabe, depósi os de Gás e pe óleo em Palma e Mocímboa, má mo e; Em Nampula - Oco ência de me ais básicos (cob e, Níquel e zinco) associados ao ou o, anádio e p a a em Monapo e Mu upula; A eias Pesadas em Moma e Angoche; os a o, água mine al, e o e calcá io; 85 h p://www.mi eme.go .mz/ (acedido a 15/10/2018) 70 O sis ema de anspo es num imenso con inen e como o a icano de e ia inclui uma ede e o iá ia in eg ada, anspo es ma í imos, ede de es adas a a essando odo o con inen e e ae opo os e icien es com dimensão adequada. Po ém, es a não é a ealidade do con inen e a icano. Em Á ica os anspo es são basicamen e ocacionados pa a o se o da indús ia e do comé cio, sendo p a icamen e quase inexis en e qualque sis ema de anspo es públicos ol ado pa a o abalho ou laze . Es a ca ac e ís ica in ensi ica a p opensão pa a a si uação p ecá ia, não acili ando o desen ol imen o económico. Ve i ica-se ainda num pano ama ge al que apesa de as Ins i uições Financei as de Desen ol imen o (DFIs), inancia em di e sos p oje os de cons ução de in aes u u as de anspo es, o abalho de manu enção ica a ca go dos Es ados locais que não êm a capacidade inancei a nem humana pa a le a a cabo essa manu enção. Em consequência, acaba po se assis i a uma deg adação das in aes u u as cons uídas a um i mo mais acele ado do que o p e is o. A sob e u ilização de algumas in aes u u as ambém con ibui pa a esse ac o. No en an o, ambém se e i ica o abandono de alguns sis emas quando os cus os de manu enção acabam po se e i ica insus en á eis. A Figu a V-1E o! A o igem da e e ência não oi encon ada. ap esen a um esquema ilus ado num ela ó io do BA D94 que sin e iza os ac o es que explicam a di iculdade de saída do a ual es ado deg adado. In aes u u as en elhecidas e acas ep esen am ele ados cus os de eabili ação e manu enção que po sua ez desincen i am a eabili ação dos sis emas o que le a a um baixo ní el de comé cio in e no e egional que não jus i ica mais in es imen o em 94 A ican De elopmen Repo 2010 Po s, Logis ics and T ade, p. 109 Fon e: A ican De elopmen Repo 2010 Po s, Logis ics and T ade, p. 109 Figu a V-1 O cí culo icioso das edes odo iá ias e e o iá ias 71 in aes u u as de anspo e odo iá io ou e o iá io. Em 1981 o Banco Mundial (BM) publica a um ela ó io coo denado po Ellio Be g, com obje i o de analisa e desenha um plano de ação pa a acele a o desen ol imen o na Á ica Subsaa iana que icou conhecido como Be g Repo 95. Es e des alo iza a a necessidade de c escimen o dos sis emas de anspo e, aconselhando mesmo cau ela edob ada ela i amen e a p oje os de g ande escala e de ele ado es o ço inancei o e que suge ia especi icamen e que o es o ço nesse sec o osse alocado à manu enção e eno ação das es adas exis en es (Nugen , 2018, p. 22); (The Wo ld Bank, 1981, p. 106). De modo a acili a o desen ol imen o de um sis ema de anspo es mais in eg ado, oi c iado em 1987 o P og ama de Polí icas de T anspo e de Á ica (SSATP)96, cons i uído inicialmen e com o obje i o de manu enção de es adas, mas que oi expandindo o seu domínio pa a ou os sis emas como o e o iá io e po uá io e a ualmen e con a com a pa ce ia de 40 Es ados A icanos (Angola, Benim, Bu kina Faso, Bu undi, Cama ões, Cabo Ve de, República Cen o-A icana, Chade, Como es, Congo, República Democ á ica do Congo, Cos a do Ma im, E iópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Quénia, Leso o, Libé ia, Madagasca , Malawi, Mali, Ma ocos, Moçambique, Namíbia, Níge , Nigé ia, Ruanda, Senegal, Se a Leoa, Sudão do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia, Zimbábue, 8 Regiões Económicas Regionais (CEEAC, CEMAC, COMESA, EAC, ECOWAS, IGAD, SADC e UEMOA), 2 ins i uições A icanas (UNECA e AU/ NEPAD). Os p incipais inanciado es do Segundo Plano de Desen ol imen o são: Comissão Eu opeia (p incipal doado ), Áus ia, F ança, No uega, Suécia, Reino Unido, Banco Islâmico de Desen ol imen o, Banco A icano de Desen ol imen o e Banco Mundial (an i ião) e ainda mui as o ganizações nacionais e egionais públicas e p i adas. Á ica é o con inen e com meno densidade de edes de anspo e e, apesa de con e apenas 2 po cen o dos eículos au omó eis do mundo ap esen a as maio es 95 Tí ulo O iginal “Accele a ed De elopmen in Sub-Saha an A ica: A plan o Ac ion” 96 SSATP A ica T anspo Policy P og am 72 axas de mo alidade odo iá ia, em média 24/100 000 habi an es, enquan o que na Asia o núme o de au omó eis é de 18,5 po cen o e na Eu opa 10,3 po cen o. Na ap esen ação da missão, SSATP essal a a agmen ação de Á ica de ido à al a de in aes u u as de anspo e e à ine iciência dos se iços de anspo e, especialmen e em Países que não êm acesso ao ma (landlocked), onde é es imado que os cus os de anspo e con ibuam com 15 a 20 po cen o dos cus os de impo ação, uma axa 3 a 4 ezes supe io à de que se e i ica em países desen ol idos. Es ima-se ainda que a edução dos cus os de anspo e pode ia ep esen a um aumen o de 25 po cen o no comé cio.97 A SSATP, na sua missão de p omoção de in eg ação egional oca-se ainda na capaci ação das REC, das au o idades de ges ão de co edo es de anspo e e das ins i uições nacionais pa a moni o iza o desempenho e analisa as azões das ine iciências de o ma sus en ada com o p opósi o de implemen a polí icas baseadas em ac os palpá eis que aumen em a e iciência dos co edo es de anspo e, es es c í icos pa a melho a a compe i i idade dos países e das egiões e aumen a o comé cio. De aco do com a SSATP o PIDA98 iden i icou 42 co edo es que in e ligados o mam o esquele o de in eg ação egional e cone i idade global. 99 Na con e ência da Fede ação Rodo iá ia da Á ica Aus al (SARF) e da Fede ação In e nacional Rodo iá ia (IRF), em P e o ia em Se emb o 2014, a au econ100 mediou num painel de discussão com o ema “Co edo es de T anspo e A icanos”101. Ci ando Paul Lomba d 102, “O Comé cio é pela sua na u eza de a a essa on ei as e po encialmen e mul imodal”. A emp esa es ima que 92 a 97 po cen o do comé cio in e nacional de Á ica passa pelos po os ma í imos e que 80 po cen o do comé cio in a-A icano é e e uado pelo sis ema odo iá io. De ende a inse ção do sis ema e o iá io nos co edo es de anspo e como um dos a o es que pode iam 97 SSATP mission S a emen na “Wo ld Bank T anspo and ICT Global P a ice – Ma ch 2015” 98 PIDA P og am o In as uc u e De elopmen in A ica 99 Re i ing T ade Rou es Discussion Pape 14, SSATP 100 Consul o a aus aliana especializada em p oje os de engenha ia de in aes u u as, com esc i ó ios espalhados pelo mundo, com especial en oque no con inen e A icano (13) 101 Tex o o iginal: A ican T anspo Co ido s 102 Tex o o iginal: “T ade is by i s na u e c oss-bo de and po en ially mul imodal”. Paul Lomba d é o esponsá el do au econg oup. 73 aumen a a e iciência dos anspo es. O po al o icial103 a i ma ainda que o con inen e em o maio cus o de anspo e do mundo e que consis e acima de 20 po cen o do cus o o al dos bens impo ados den o dos países do in e io (landlocked). Es a ine iciência no se o dos anspo es es inge a a i idade come cial em e mos inancei os e empo ais e adicionalmen e, limi a a compe i i idade global e o comé cio in a egional, o que em consequências ambém no c escimen o económico, c iação de emp ego e edução da pob eza. A pa ce ia en e a COMESA- EAC – SADC bloco ipa ido des as impo an es REC é um passo impo an e na ha monização das polí icas de anspo e. A pa ilha de in o mação sob e dados eais de desempenho de cada p oje o e de cada aje o pe co ido ma ca um impo an e passo pa a aumen o da anspa ência da u ilização dos inanciamen os ecebidos e e o no inancei o dos mesmos o que se aduz na abe u a de possí eis no os doado es pa a in es imen o nes e se o . Ken Gwilliam (2011)104 e A nold (2017) co obo am a eo ia do sub- desen ol imen o das in aes u u as de anspo e no con inen e A icano ace a ou as egiões do mundo e que a sua implemen ação e desen ol imen o o am ge almen e de e minados pelo acesso a po os ma í imos. Em e mos egionais e i ica-se: na egião do Oes e de Á ica, as linhas odo iá ias e e o iá ias conec am os g andes cen os u banos ou pon os de ecu sos na u ais com po os no oceano A lân ico; na egião Es e de Á ica in e ligam os g andes lagos a po os no oceano Indico, na egião Cen al de Á ica, al como nas egiões minei as da p o íncia de Shaba no Congo e de cob e na Zâmbia, as p incipais linhas de anspo e nessa egião se em apenas pa a aze chega esses ecu sos aos me cados Eu opeus, Ame icano e Asiá ico. A nold (2001, p. 14 e 15) ilus a ainda o p oblema com a necessidade de e e ua 5 ansbo dos a a és de ios e linhas e o iá ias pa a anspo a os bens en e Lumbashi, cen o da p o íncia de Shaba e Ma adu, po o oceânico onde desagua o io Congo. O anspo e ma í imo a a és de ios ap esen a 103h ps://www.au econg oup.com/ hinking/ hinking-pape s/a ican- anspo -co ido s- he-key- o- unlocking-a icas-po en ial (acedido a 04/07/2018) 104 In odução no li o “A ica´s T anspo In as uc u e: Mains eam Main enence and Managemen ” 74 di e sos obs áculos como desní eis e ápidos que não pe mi em a sua u ilização po longos pe cu sos, mas que pode iam se u ilizados pa a a ge ação de ene gia elé ica, um ecu so na u al com mui o po encial de explo ação. A pa das ca a e ís icas geog á icas ou os a o es con ibuem pa a o subdesen ol imen o das in aes u u as de anspo e des e as o con inen e, como a pob eza, as di isões his ó icas, polí icas, é nicas e eligiosas que cons i uem obs áculos à dinamização das elações in e A icanas ulc ais pa a o desen ol imen o do sen ido de unidade e conc e ização de obje i os comuns. De e e -se em a enção que a eo ia, p esen e na ob a de A nold, Guia pa a do Desen ol imen o Polí ico e Económico A icano105 da a de 2001. Po ou o lado, no pe íodo da p imei a década do século XXI assis iu-se a uma e olução económica e social, a pa i da qual, em e mos ge ais, Á ica pa ece es a mais unida. No en an o é impo an e conside a as eo ias p esen es no i a do século pa a e melho pe ceção das e oluções oco idas. V.2. O sis ema odo iá io O sis ema odo iá io no malmen e ep esen a 80 a 90 po cen o do á ego de me cado ias e passagei os independen emen e das modalidades de anspo e disponí eis. O sis ema odo iá io é um dos mais p ecá ios do con inen e, con ando com uma escassa ede de ligação en e os países. De modo a ilus a de uma o ma ge al o desen ol imen o do sis ema odo iá io in e con inen al ap esen a-se o exemplo do p oje o di e i o da ede odo iá ia ansa icana (TAH)106, lançado pela Comissão Económica da ONU pa a Á ica (UNECA) em 1971. O plano do TAH, con o me o iginalmen e desenhado pa a liga o con inen e de Oes e a Es e, ou seja, en e Lagos na Nigé ia a Mombasa no Quénia, a a essando mais 5 países (Cama ões, Chade, República Cen al A icana, Zai e e Uganda), oi açado e ap esen ado pelo go e no Japonês ao go e no Queniano em 1970, jun amen e com 105 Tex o o iginal “ A Guide o A ican Poli ical & Economic De elopmen ” 106 T ansA ican Highway Mas e plan (TAH) 75 ajuda inancei a (A nold & Weiss, 1977)107. No en an o, só com a adoção da UNECA, em Junho 1971 é que o p oje o oi ap o ado. Segundo A nold e Weiss as demo as na ap o ação de e am-se a suspei as sob e as eais in enções do go e no Japonês no p oje o. O obje i o inicial des e p oje o, da conclusão do pe cu so a é 1976, não chegou a se a ingido e ao longo do empo o p oje o oi so endo al e ações. Em 1985 o plano di e i o do TAH ap esen a a já a ideia de cons ução de cinco co edo es (Lagos- Mombasa; Cai o-Gabo one, T ipoli-Windhoek; Algie s-Lagos). Segundo o ela ó io das Nações Unidas sob e T anspo es e Comunicações de Á ica, ela i o à p imei a década (1978 a 1988), pode conside a -se o p oje o TAH como um dos p oje os mais impo an es (Clache y, 2017; UN, 1985). Apesa de oda a a enção in e nacional azida pela UN108 pa a o p oblema das in aes u u as de anspo es no con inen e A icano e a impo ância do p oje o TAH a implemen ação con inuou de o ma len a, com alguns p og essos a ní el dos quad os legais e polí icos, a ní el de cons i uição das au o idades de ges ão esponsá eis pelo con olo da cons ução e manu enção. Mas, em e mos p á icos, pouco oi e e i amen e cons uído. O ela ó io da UN suge e que a al a de on ade polí ica, aduzida pelo desalinhamen o das p io idades egionais e sus nacionais de cada Es ado, oi das p incipais azões pa a o insucesso do p oje o (Ibidem). Is o apesa da cons i uição de cinco au o idades de ges ão, uma pa a cada co edo planeado, nunca oi o mada nenhuma equipa que supe isionasse a a i idade de cada uma como um odo (Ibidem) Em 2003 o BA D, em conjun o com a UNECA109, lançou o ela ó io de Re isão do Es ado de Implemen ação das Au oes adas T ansa icanas e os aje os ausen es, epa ido po qua o olumes (1. Rela ó io P incipal 2.Desc ição dos Co edo es; 3. O caminho em en e, 4. Anexos). Es e ela ó io ap esen a uma desc ição de alhada dos p ocessos de implemen ação de cada aje o do p oje o das TAH, as espe i as p incipais 107 S a egic Highways o A ica, Ma ço 1977, Guy A nold e Ru h Weiss 108 Nações Unidas (UN – Uni ed Na ions) 109 Rela ó io p oduzido com a assis ência da Agência In e nacional de Desen ol imen o Sueca e ec u amen o das consul o as suecas SWECO e NCG em pa ce ia com a Uniconsul do Quénia e BNETD da Cos a do Ma im. 76 di iculdades e obs áculos e que es imou que os cus os pa a comple a os aje os ausen es do p oje o TAH se iam de US $ 4,3 mil milhões110. Segundo Clache y o ela ó io do BA D e e e a c iação de um esc i ó io pa a conduzi o p oje o TAH em 1971, mas que não es e e em unções mui o empo e que, apesa das en a i as da sua ea i ação, es e não ol ou a en a em unções de ido a al a de on ade polí ica dos Es ados A icanos. Exempli ica que, mesmo depois do lançamen o do segundo ela ó io sob e a década (1991 a 2001) da UN T anspo es e Comunicações apenas dez Es ados dos in e e seis necessá ios inham a i icados os es a u os pa a a ea i ação do esc i ó io do TAH (UNECA, 1991). A p io idade de implemen ação do p oje o TAH não e a consensual. Em 1986 o p o esso Adebayo Adeji a i ma a que o p oje o TAH inha sido i al pa a a eal descolonização de Á ica. O BA D desc e ia o p oje o como um elemen o undamen al da ede de anspo es necessá ias à in eg ação económica e à união polí ica do con inen e. O p oje o oi ainda lis ado em á ios documen os elacionados com o PIDA como p io idade no plano de ação es a égica, no en an o, no ela ó io da ECA, em 2010 é elegado como uma no a de odapé e no plano es a égico da União A icana 2014-2017 o p oje o não é seque mencionado (Clache y 2017). 110 Tí ulo O iginal: Re iew o he Implemen a ion S a us o he T asnA ican Highways and he Missing Links 77 Em 2003 o p oje o TAH ap esen a a 9 co edo es que a a essam o con inen e, con o me ilus ado na Figu a V-2, e desde en ão man ém essa es u u a. Exis em, no en an o, di e sas pa es do aje o o iginalmen e açado que não o am comple adas. Na ealidade, ao longo do empo o p oje o oi pe dendo o seu signi icado o iginal e embo a enha o necido uma isão polí ica ú il pa a u u os desen ol imen os das es adas a icanas, o ela ó io do BAD iden i icou a al a de apoio da UA e suge e ainda que a al a de cla eza (sob e as ca ac e ís icas que azem de uma es ada pa e do p oje o TAH) do p oje o como azões pa a a es agnação do p oje o em si (Clache y 2017). A ualmen e o p oje o con a com uma ede de au oes adas ligadas en e si de 60.000km. V.3. TAH em Moçambique O plano o iginal da Au oes ada 9 que liga a Bei a em Moçambique com o Lobi o em Angola coincide em g ande pa e com os co edo es egionais de desen ol imen o, mais conc e amen e com o denominado Co edo da Bei a, con o me p opos o pela SADC, em Ab il 2001 (A ican De elopmen Bank, 2003). A pa e do aje o da TAH que liga a Bei a com Ha a e segue pela es ada de e a da SADC n º 30 que segue a é Lusaka, pon o de c uzamen o da aje ó ia de á ios co edo es de desen ol imen o. A a és da abela ap esen ada no ela ó io do BA D em 2003 é possí el e i ica que o aje o 9 que c uza o con inen e de Es e a Oes e, a a essando Moçambique, Zimbabué, Zâmbia, República Democ á ica (RD) do Congo e Angola, já e ia g ande pa e Fon e: T ansA ican Highway Mas e plan (TAH) Figu a V-2 Rede de Au oes adas no con inen e a icano 78 do pe cu so pa imen ada e, no e i ó io de Moçambique, já e ia sido concluído com apenas uma pequena pa e do mesmo (25km) a ap esen a acas condições. Nos 282km de pe cu so que a a essa o e i ó io Moçambicano o am ainda cons uídas 52 pon es, algumas das quais em zonas sensí eis a inundações na época das monções. O bom es ado da ia odo iá ia no pe cu so moçambicano de e-se ao abalho desen ol ido pelas au o idades nacionais odo iá ias quem, na década que an ecede o ela ó io (2003), ocou-se na eabili ação das in aes u u as de anspo e no co edo de Desen ol imen o da Bei a. Rela i amen e às más condições do TAH 9 e e idas na Tabela II-1E o! A o igem da e e ência não oi encon ada. ap esen ada, o ela ó io menciona que a cole a de in o mação nos e i ó ios de Angola e RD Congo oi di icul ada de ido às condições de gue a nesses Es ados, mas que a pouca in o mação ob ida e ela a necessidade de ecupe ação do pe cu so. O aje o que a a essa Moçambique ap esen a ainda uma axa média de á ego odo iá io de eículos pesados média de 36 po cen o, o que signi ica que mais de um e ço do á ego de eículos é pa a anspo e de me cado ias ou anspo e cole i o de pessoas. V.4. O sis ema e o iá io O con inen e A icano em ce ca de 80.000 km de linhas e o iá ias, o que ep esen a ce ca de 7 po cen o da ede mundial e o iá ia exis en e111. A densidade 111 P iyanka Pa ida 2013 (Na ional T anspo Mas e Plan 2005-2050, Final Repo , Sep embe 2010) Tabela V - 1 Co edo Bei a - Lobi o (TAH 9) 79 da ede e o iá ia é igualmen e baixa, ep esen ando menos de 0,002km po km2 de supe ície à da a de 2014.112 Os p imei os sis emas e o iá ios o am implan ados na época da colonização do con inen e A icano pelos eu opeus, e inham como p incipal obje i o escoa ma é ia-p ima (ca ão, mine ais, madei a, p odu os ag ícolas, en e ou os) pa a os po os. G ande pa e das linhas de comboio es ão p óximas ou na di eção do li o al, demons ando ainda mais sua ocação pa a o á ego de me cado ias aos po os (A ican De elopmen Bank, 2010, p. 114). No in e io do con inen e encon am-se poucas ia in e ligadas en e si, o que di icul a a u ilização des e ipo de anspo e pa a po encia o comé cio in a-a icano. Além disso, es e sis ema con a com mais de 100 anos de ope ação, pois como já desc i o, oi implan ado ainda na época da colonização. A economia a icana em ap esen ado axas de c escimen o gene alizadas mui o ele adas e o desen ol imen o das in aes u u as de anspo e podem acele a e in ensi ica o comé cio, o c escimen o e desen ol imen o sus en á el. A a és do sis ema e o iá io em pa icula são expe á eis ganhos ene gé icos, edução das emissões de gás e meno cus o de anspo e na elação peso/quilóme o anspo ado pa a pe co e longas dis âncias, que com me cado ias que no anspo e de pessoas en e cidades (Pa ida, 2013). Relacionando o ema dos ecu sos na u ais e o desen ol imen o das edes de anspo e, P iyanka Pa ida ap esen ou na Con e ência Eu opeia de anspo es, em F ank u 2013, uma ques ão pe inen e que se enquad a in eg almen e na p esen e disse ação: “Desbloquea o po encial dos ecu sos mine ais nos Países da Á ica Aus al: Es a á a in aes u u a e o iá ia ap a ao desa io?”113. O a igo des aca os desa ios ge ais que o con inen e a icano em en en ado com o his ó ico sub- in es imen o nas in aes u u as de anspo e que e que se e le e no gap que se e i ica a ualmen e das es u u as exis en es e das que de e iam exis i pa a supo a o c escimen o económico da egião. A descobe a ecen e de no as minas de ca ão, miné io de e o e manganésio na egião da Á ica Aus al e o ça o in e esse dos 112 A ica´s Pulse, pp 39 113 Ti ulo o iginal: Unlocking mine al esou ce po en ial in Sou he n A ican coun ies: is ail in as uc u e up o he challenge? 86 CAPÍTULO VI. Os Co edo es de T anspo e VI.1. Co edo es de T anspo e e Co edo es de Desen ol imen o O desen ol imen o de g andes p oje os de in aes u u as de anspo e - co edo es de anspo e - é cada ez mais is o como uma o ma de es imula a in eg ação egional e o c escimen o económico. Os países, mui as ezes com a ajuda da comunidade in e nacional, in es em na p omoção dos co edo es na espe ança que o c escimen o económico local seja um a o con agian e po oda a economia e sociedade (Asian De elopmen Bank, e al., 2018, p. 1) 118. A de inição de Co edo co esponde a uma concen ação geog á ica de in aes u u as de anspo es e a i idades en e dois ou mais cen os económicos. (A ican De elopmen Bank, 2010, p. 119). Os au o es Pe e Dannenbe g, Daniel Schille e Ja ie Re illa Diez, no a igo “Spaces o In eg a ion o di ide? New-gene a ion g ow h co ido s and hei in eg a ion in global alue chains”119, con i mam que a es a égia de desen ol imen o a pa i de Co edo es de C escimen o em sido u ilizada há décadas, mas que ganhou no o olego nas es a égias de desen ol imen o dos con inen es do Sul, Á ica e Sudoes e Asiá ico. É impo an e de ini as di e enças en e os co edo es de c escimen o ap esen ados ainda na época colonial pa a os p oje os de co edo es de desen ol imen o ago a p opos os. Nesse sen ido ap esen a-se o esquema da Figu a VI-1, elabo ado po (Dannenbe g, e al., 2018, p. 137) a pa i da a gumen ação de Gal ez Nogales (2014) que de ine a e olução de co edo es de anspo e pa a co edo es de desen ol imen o em 5 es ágios p og essi os. O p imei o es ágio, de inido po Co edo de T anspo e engloba a in aes u u a ísica de anspo e mais os se iços associados ao me o 118 Asian De elopmen Bank (ADB) 2018 no ela ó io “The Web o T anspo Co ido s in Sou h Asia” p oduzido em colabo ação com o Uni ed Kingdom´s Depa men o In e na ional De elopmen (UKAID), Japan In e na ional Coope a ion Agency (JICA) e Wo ld Bank G oup 119 T adução li e: Espaços de In eg ação ou sepa ação? No a Ge ação de Co edo es de C escimen o e in eg ação na cadeia de alo Global do Sul. 87 anspo e; num segundo es ágio são adicionados os se iços de coo denação logís ica; num e cei o es ágio são adicionadas acilidades come ciais, podendo se denominado de Co edo de Come cialização; no qua o es ágio são adicionados ou os a o es económicos, passando a denomina -se po Co edo es Económicos ou Co edo es de c escimen o e po im, no quin o e úl imo es ágio, emba ca a coo denação de elemen os não económicos, in eg ando os a o es sociais e ambien ais numa pe spe i a de desen ol imen o sus en á el da egião, passando a denomina -se po Co edo es de Desen ol imen o. A es a égia de Co edo es de Desen ol imen o, ambém conhecida po Inicia i as de Desen ol imen o Espacial (SDI)120, baseia-se no p incipio da exis ência de po êncial económico eal, pa icipação do se o p i ado, e aplicação es a égica dos ecu sos públicos pa a um máximo impac o e inlusão e in eg ação das comunidades no ciclo do c escimen o económico (A ica Mining Vision, 2011 b), p. 22). Os e ei os dos in es imen os em co edo es de desen ol imen o não são sen idos de imedia o (Hi schuman 1958), o que di icul a a a aliação da implemen ação, e le ou mesmo ao p o á el abandono p ecoce de alguns p oje os. Alguns c í icos (Mu phy 2008; Mold 2012) con es am ainda que as es a égias de desen ol imen o a a és de ocos em co edo es le am mui as ezes ao acen ua de desequilíb ios (de ido aos e ei os de deslocamen o) (Dannenbe g, e al., 2018). O obje i o inicial de in es i o emen e numa linha de anspo e especí ica e a a de es imula o desen ol imen o local, c ia exceden es económicos que num e ei o dominó se i iam espalha po oda a economia e sociedade. Mas se os co edo es não 120 SDI – Spa ial De elopmen Ini ia i e Fon e: “Spaces o In eg a ion o di ide? New- gene a ion g ow h co ido s and hei in eg a ion in global alue chains”, Pe e Dannenbe g, Daniel Schille e Ja ie Re illa Diez Figu a VI-1 A e olução dos Co edo es de Desen ol imen o 88 ge a em os exceden es espe ados, os e ei os económicos limi am-se aos pon os de pa ida e chegada de me cado ias, po ezes insu icien es pa a jus i ica e sus en a o in es imen o inicial e de manu enção, sendo conside adas de “ele an es b ancos”, no sen ido que que as g andes in aes u u as de anspo e não ap esen am mui o á ego (ADB 2018 e Nugen 2018). Fonseca (2003, p. 205) de ende que “a mode nização/ ino ação em Á ica co esponde à di usão de um modelo cul u al ma cadamen e eu opeu, cujos p imei os canais de pene ação são os co edo es de anspo e ansnacionais”. A in eg ação de p og amas de simpli icação do c uzamen o de on ei as é undamen al pa a eduzi o empo de deslocação. O p og ama de One-S op Bo de Pos s (OSBPs)121 p omo ido pela o ganização sem ins luc a i os T adeMa k Eas A ica (TMEA) que a ua numa espécie de lobby p omo endo os in e esses do sec o p i ado, em a ualizado os sis emas in o má icos dos se iços al andegá ios e p omo ido a come cialização além- on ei as (Nugen , 2018, p. 31). A implemen ação de OSBP em sido es udada nou as egiões do con inen e A icano de o ma a elimina a duplicação de bu oc acia no a a essamen o de pos os de con olo de on ei as. Nugen (2018, p. 34) ap esen a o exemplo do co edo que liga a egião minei a de cob e da República Democ á ica do Congo/ Zâmbia e o po o ma í imo de Du ban (Á ica do Sul) em que, de aco do com algumas es ima i as, um e ço do empo que le a a pe co e o pe cu so é pe dido no p ocesso de c uzamen o de on ei as (Cu is 2009, x ). O a o cus o- empo no p ocesso de deslocação de bens é po ezes mais ele ado no p ocesso de c uzamen o de on ei as do que na deslocação p op iamen e di a, o que le a a cons angimen os, não apenas da indisponibilidade dos ecu sos ísicos de anspo e e espe i a mão de ob a, como aca e a iscos adicionais quando se a a de ca ga pe ecí el, ou quando as emp esas êm o seu planeamen o dependen e da chegada de de e minada ca ga pa a con inua em a desen ol e os seus p oje os e a se i os seus clien es e o que ine i a elmen e se aduz em ine iciências e cus os ac escidos espelhados no p eço dos bens e se iços cob ados. 121 T adução li e: F on ei a com um só Pos o de pa agem 89 A implemen ação e desen ol imen o de co edo es de anspo e ans on ei iços, baseados em inicia i as de desen ol imen o espacial é de endida como a o cha e de desen ol imen o po á ias Regiões Económicas Comuns (REC) como a Comunidade de Desen ol imen o da Á ica Aus al (SADC), Me cado Comum da Á ica O ien al e Aus al (COMESA) e Comunidade A icana O ien al (EAC), bem como po es a égias, aco dos ans e sais como a No a Pa ce ia pa a o Desen ol imen o A icano (NEPAD)122 e o Aco do T ipa ido de Comé cio Li e (TFTA)123 (Byie s & Vanheukelom, 2014, p. 1). Um ela ó io da SSATP, publicado em No emb o de 2014, indica que, de aco do com a PIDA, no âmbi o da es a égia de implemen ação de SDIs já inham sido iden i icados 42 co edo es que ap esen am condições pa a cons o ui uma base pa a desen ol imen o de uma ede e p omoção da in eg ação egional e cone i idade global (Sequei a, e al., 2014, p. 1) VI.2. Co edo es de Desen ol imen o em Moçambique Madalena Fonseca124 publicou em 2003 um a igo in i ulado “Os Co edo es de Desen ol imen o em Moçambique”, designando o que ou o a e a chamado apenas de “Co edo es” po se e e i em apenas às acilidades de anspo e ins aladas ao longo de eixos de pene ação nos países enc a ados no in e io (landlocked) a pa i dos po os na cos a do Oceano Índico. A au o a de ende ainda que “o pon o c í ico do p ocesso de desen ol imen o dos co edo es pode á esidi no quad o ins i ucional” di ecionando a a enção de que não são apenas os g andes p oje os de in aes u u as ísicas de anspo e que cons i uem um co edo , mas oda es u u a polí ica de in eg ação que de e mina a on ade de desen ol imen o dos p oje os (2003, p. 202). De aco do com Fonseca (2003, p. 203) Moçambique pe deu opo unidades his ó icas de con e e os co edo es de anspo e em co edo es de desen ol imen o, 122 NEPAD - New Pa ne ship o A ica´s De elopmen 123 TFTA – T ipa i e F ee T ade Ag eemen 124 P o esso a na Uni e sidade do Po o, Faculdade de Le as, a ua na á ea de Geog a ia Económica e Social. 90 a p imei a aquando do domínio colonial, em que ha ia capi al pa a in es i , mas os obje i os de um desen ol imen o socioeconómico in eg ado não se coloca am e a segunda aquando cons i uição da SADC em que Moçambique icou esponsá el pelo pelou o dos anspo es. É impo an e e e i que ao con á io do modelo de colonialismo inglês, que assegu ou uma ans e ência de conhecimen os no p ocesso de abandono do modelo colonialis a, Moçambique so eu uma u u a ab up a aquando o im do colonialismo po uguês. O modelo de c escimen o e desen ol imen o económico es a a in insecamen e ligado à es a égia nacional de Po ugal e a u u a das ligações económicas à Me ópole debili ou a economia, não apenas em e mos de comé cio di e o, mas ambém pelo êxodo de quad os écnicos, médios e supe io es, que assegu a am o uncionamen o das ins i uições (Ibidem, p. 214). A polí ica ado ada pos e io men e oi ambém i ada pa a o desen ol imen o in e no, p i eligiando ligações socialis as com an igos países eu opeus do les e e que se aduzi am mais em “acções polí icas e de solida iedade ideológica” do que em p oje os conc e os de desen ol imen o ou inanciamen o, o que c iou um o e isolamen o. O in e esse de enascimen o dos ou o a me os co edo es de anspo e em Moçambique de eu-se à en ada da Á ica do Sul na SADC (após é mino do egime Ape heid em 1994) com p opos as de planeamen o e desen ol imen o de Inicia i as de Desen ol imen o Espaciais (SDI)125 designadas po Co edo es de Desen ol imen o cen ados nos co edo es de anspo e já exis en es (Ibidem, p. 204). Fonseca (2003) no seu es udo ap esen a os co edo es da Bei a, Mapu o e Nacala, no en an o, no a igo de Byie s & Vanheukelom (2014)126 são iden i icados cinco co edo es, que com emplam os co edo es de Limpopo e Shi e-Zambezi além dos conhecidos co edo es de Bei a, Nacala e Mapu o. Os co edo es de Limpopo e Shi e- Zambezi, ao con á io dos ou os co edo es apenas c uzam Moçambique, e minando na on ei a com o Zimbabwe e Malawi espe i amen e. 125 SDI – Spacial De elopmen Ini ia i es 126 B uce Byie s & Jan Vanheukelom (2014) “Wha d i es egional economic in eg a ion? Lessons om he Mapu o De elopmen Co ido and he No h-Sou h Co ido 91 O es udo de Buyie s & Vanheukelom deb uça-se especi icamen e sob e as lições que podem se e i adas do es udo de caso dos co edo es de desen ol imen o de Mapu o e do co edo No e-Sul que a a essa a egião da A ica Aus al. O abalho oi desen ol ido no âmbi o de um p oje o sob e Economia Polí ica de In eg ação Regional do Sul de Á ica (PERISA)127. Em anexo é ap esen ado um mapa em que é possí el iden i ica os 18 co edo es iden i icados pelos au o es nes a egião do con inen e. O es udo de ende, al como o abalho desen ol ido nes a disse ação, que a in eg ação egional é essencial pa a o desen ol imen o de A ica e que os co edo es de anspo e, ambém conhecidos po inicia i as de desen ol imen o espacial são es a égias cha e que as REC êm ab açado pa a p omo e o desen ol imen o e in eg ação (Byie s & Vanheukelom, 2014, p. 1). No p esen e es udo ap esen am-se de seguida os co edo es de desen ol imen o com maio exp essão em Moçambique, o co edo de Nacala e o co edo de Mapu o. VI.3. O Co edo de Nacala O p oje o do co edo de Nacala em sido ap esen ado como um dos p oje os p io i á ios da egião SADC, alinhado com as es a égias do NEPAD e do BA D nos p oje os de in aes u u as mul inacionais (A ican De elopmen Bank, 2010, p. 181) O co edo de Nacala, con o me ilus ado na Figu a VI-2, ap esen a uma linha e o iá ia p incipal que conec a a capi al da Zâmbia, Lusaka ao po o de Nacala em 127 PERISA – Poli ical Economy o Regional In eg a ion in Sou he n A ica Fon e: Rela ó io ICA “In as uc u e Financing T ends in A ica- 2016 p. 22 Figu a VI-2 Co edo de Nacala 92 Moçambique. O co edo ap esen a ainda ami icações com des ino a Moa ize, na p o íncia de Te e (zona p i ilegiada de ex ação de ca ão) e a Lichinga, capi al da p o íncia de Niassa. O co edo de Nacala é ainda conhecido po se um po o de águas p o undas, com capacidade pa a ecebe ba cos de maio es dimensões. Geog a icamen e o co edo de Nacala comp eende 1033 km de linhas odo iá ias e a a essa duas on ei as. Além do oco de ligação à egião minei a de Te e, comp eende ainda uma egião com solos e ecu sos híd icos p opícios ao desen ol imen o da ag icul u a. O p oje o de desen ol imen o do co edo de Nacala p omo ido pelo BA D consis e em ês ases dis indas, com meios de inanciamen o e pa ce ias dis in as em cada ase. A Fase I comp eende dois emp és imos a a és do Fundo de Desen ol imen o A icano (FA D) no alo de US $ 159,45 milhões e US $ 22,23 milhões a Moçambique e Malawui espe i amen e, cujo oco é na eabili ação das linhas odo iá ias. A Fase II comp eende a ecupe ação das linhas odo iá ias na Zambia e a Fase III oca a implemen ação de OSBP nas on ei as de Moçambique/ Malawui e Malawui/Zambia. Com a implemen ação do p oje o é espe ada uma edução de 41 po cen o no empo que le a a a a essa Moçambique, uma edução de 36 ho as pa a 6 ho as no c uzamen o das on ei as e em e mos de capacidade de impo ação/ expo ação aumen o de 0,9 milhões de oneladas (2009) pa a 1,6 milhões po ano em 2015 (A ican De elopmen Bank, 2010, p. 181). O Japão, a a és da Agência de Coope ação In e nacional do Japão (JICA) é ou o o ganismo que em es ado en ol ido no desen ol imen o de di e sos co edo es económicos em A ica, desde o T ans-Magh ebin, Wes A ica G ow h Ring, Djibu i- Addis Ababa, co edo do Nilo, co edo do No e (Mombasa-Uganda), co edo Cen al, co edo No e Sul que in e liga com o co edo de Nacala. A sua es a égia é baseada na p óp ia expe iência de implemen ação do Paci ic Bel Zone G and Plan, lançado em 1960, apoiado no in es imen o da conhecida linha é ea de al a elocidade, Shinkansen (ICA Repo 2016, p. 22). O papel do JICA ai além do in es imen o inancei o, mencionado no cap. III sob e inanciamen o, p opõe uma colabo ação écnica no desenho de um plano mas e que p opo cione um c escimen o económico inclusi o único, conside ando as especi icidades egionais in eg ando os se o es de anspo e, 93 ene gia, comunicações, logís ica e comé cio, bem como es a égia de desen ol imen o indus ial pa a os se o es ag ícola e minei o, sem esquece o desen ol imen o social que inclui o impa o ambien al (Ibidem, p. 23). VI.4. O Co edo de Mapu o O Co edo de Mapu o (MDC)128 ep esen a a p imei a inicia i a egional de co edo es na Á ica Aus al, e ao mesmo empo, a p imei a pa ce ia público-p i ada em in a-es u u a na Á ica. O p oje o oi o icialmen e lançado em 1996 e liga a P o íncia de Gau eng da Á ica do Sul com o po o de Mapu o, em Moçambique, a a és de 500 km de es adas e e o ias. O MDC consis e em g andes in es imen os no po o de Mapu o, nas passagens on ei iças e na eabili ação odo iá ia e e o iá ia. O po o de Mapu o é ge ido pela Companhia de Desen ol imen o do Po o de Mapu o (MPDC), emp esa p i ada, nacional, u o da pa ce ia en e os Caminhos de Fe o de Moçambique e a Po us Indico. Figu a VI-3 O Co edo de Desen ol imen o de Mapu o 128 MDC – Mapu o De elopmen Co ido Fon e: (A ica Mining Vision, 2011 b), p. 24) 94 O ela ó io publicado pela AMV “Exploi ing Na u al Resou ces o inancing In as uc u e De elopmen “129 apon a o exemplo do Co edo de Desen ol imen o de Mapu o como o SDI mais a ançado à da a com US $ 5 mil milhões de g andes in es imen os e no que ep esen ou um ní el de coope ação económica sem p eceden es en e Moçambique e Á ica do Sul (2011 b), p. 23). O exemplo dado des aca ainda que a implemen ação do MDC c iou opo unidades indús iais e come ciais ao longo de odo o co edo , onde é possí el encon a ago a side u gias, ins alações pe oquímicas, ped ei as, minas e undições, cana-de-açúca e plan ações lo es ais e áb icas. A au oes ada com po agens de Mapu o, desen ol ida e ge ida a a és de um con a o de concessão de 30 anos é um caso de sucesso de PPPs em Á ica (Ibidem). De aco do com o po al o icial do MPDC130, depois de uma ope ação de d agagem de a eias e ap o undamen o do canal e minada em Janei o 2017, o po o de Mapu o ap esen ou um c escimen o de 22 po cen o, endo passado d2 14,9 milhões de oneladas de ca ga manuseada em 2016 pa a 18,2 milhões em 2017. O MDC oi ainda des acado pelo ela ó io do BA D131 como sendo “a inicia i a de in e conexão egional mais bem-sucedida da Á ica Sub-Saha iana”, não apenas pela ligação e o iá ia e odo iá ia en e Mapu o e as p o íncias de Gau enga na Á ica do Sul, como o e ece uma al e na i a di e a ao po o de Du ban (2º po o com maio á ego no con inen e) na Á ica do Sul à Suazilândia. A cidade de Mapu o é ainda conside ada um in e pos o de comé cio in e nacional, pa e do co edo de desen ol imen o u bano que in eg a o impo an e cen o indus ial de Gau eng, na Á ica do Sul (SSATP, 2015, p. 99). 129 T adução: Explo a os Recu sos Na u ais pa a inancia o desen ol imen o de In aes u u as 130 www.po mapu o.com (acedido a 10/09/2018) 131 Rela ó io A ican Economic Ou look 2015 95 VI.5. Conside ações Finais Em modo de conclusão do p esen e capí ulo é ap esen ado um quad o compa a i o dos co edo es de desen ol imen o Nacala s Mapu o, co edo eme gen e s co edo es abelecido e as di e en es Opo unidades e Desa ios, assim como as p io idades em cada um. Tabela VI-1 - Quad o compa a i o dos Co edo es de Moçambique Co edo de Nacala Co edo de Mapu o Países que a a essam Malawi e Zâmbia Á ica do Sul e Suazilândia O igem Des ino Lusaka – Nacala, ami icações a Lichinga e Te e Joanesbu go - Mapu o Recu sos Na u ais Ca ão e Gás Na u al; Te a é il pa a ag icul u a Ex ação de miné ios, ca gas pesadas Meios de T anspo e Ag egados Linhas e o iá ias, po os e es adas secundá ias Concessão de explo ação odo iá ia (po agens) Opo unidades e Desa ios  Sis emas de explo ação dos ecu sos pouco desen ol idos  Sec o económico di e so com base em ecu sos na u ais abundan es e di e si icados  Melho ia das linhas e o iá ias e es adas com in es imen o público e p i ado  Ou as es u u as económicas e sociais desen ol idas com is a a um desen ol imen o sus en á el e inclusi o  Ins abilidade da concessão do e minal po uá io de Mapu o  Modelo do Co edo de Mapu o se iu de exemplo no desen ol imen o de ou os co edo es  T ansi o no co edo aumen ou d as icamen e, pe o de ul apassa máximos his ó icos.  Alinhamen o das ias é eas en e Moçambique e Á ica do Sul P io idades  Pa que Indus ial de Nacala  Nacala Indus ial Bel A ea De elopmen  Te minal Mul i-Modal de Nacala  A ualização da linha é ea  Implemen ação de OSBP  Coo denação de p io idades en e os Es ados Fon e: Elabo ação p óp ia, baseada nos dados do ICA Repo 2016 e Sequei a (2014) “Re i ing T ade Rou es E idence om Mapu o Co ido ” 102 pon o ne álgico do in es imen o es angei o, onde mui os pa icipan es ele an es no Sis ema In e nacional êm uma unção impo an e no c escimen o económico do País. Como conside ações inais, salien ou-se que os Recu sos Na u ais cons i uem uma opo unidade única pa a o desen ol imen o económico de uma egião. E idenciou-se que no caso de Á ica a iqueza desses ecu sos nem semp e em sido ap o ei ada da melho o ma. No início do no o milénio em-se assis ido a uma mudança signi ica i a, egis ando-se alguma es abilização polí ica ace aos con li os, o que deixa ago a anspa ece as de iciências dos sis emas logís icos que di icul am a explo ação dos ecu sos. Seguiu-se na disse ação o capí ulo V com a abo dagem do pano ama ge al dos p incipais sis emas de anspo e de pessoas e me cado ias no con inen e a icano. Acima de udo, é de salien a a conclusão de um ela ó io do Banco Mundial, em que a i ma que Á ica é o con inen e que ap esen a as In aes u u as de anspo es menos desen ol idas, com as meno es axas de densidades odo iá ias e e o iá ias do mundo. Além de se em de ici á ios, os anspo es em Á ica são basicamen e ocacionados pa a o se o da indús ia e do comé cio, sendo p a icamen e quase inexis en e qualque sis ema de anspo es públicos ol ado pa a o abalho ou laze . Ou a ques ão que oi iden i icada diz espei o à deg adação das in aes u u as cons uídas. É ac o que as Ins i uições de Financiamen o de Desen ol imen o êm inanciado di e sos p oje os de cons ução de in aes u u as de anspo es, mas o abalho de manu enção ica a ca go dos Es ados locais que não êm a capacidade inancei a nem humana pa a le a a cabo essa manu enção, com consequências ób ias de deg adação das in aes u u as cons uídas. O sis ema odo iá io é um dos mais p ecá ios do con inen e, exis indo uma escassa ede de ligação en e os países. Demons a isso mesmo a Figu a V-2 que ep esen a a ede de au oes adas do con inen e a icano. As linhas e o iá ias êm na sua maio ia mui os anos de explo ação e de icien e manu enção. Os p imei os sis emas e o iá ios o am implan ados na época da 103 colonização do con inen e A icano pelos eu opeus e inham como p incipal obje i o escoa ma é ia-p ima pa a os po os. O sis ema ma í imo con a de ac o com um conside á el núme o de po os, po ém com in aes u u as po uá ias mui o insu icien es. O in es imen o nes e sis ema oi semp e impulsionado pela indús ia minei a. O anspo e lu ial é pa icula men e di icul ado pela geog a ia. Os anspo es aé eos são u ilizados em g ande medida is o as dis âncias a ence em Á ica se em ge almen e mui o ele adas e uma ez que as edes de es adas ou de e o ias são escassas e não são e icien es. Po ém, a de icien e ges ão dos ae opo os, a al a de opções de o as den o do p óp io con inen e e mesmo a al a de segu ança em algumas egiões, conco em pa a que a Eu opa seja o p incipal des ino dos oos e concen e a maio pe cen agem do á ego aé eo. VII.3. Iden i icação de necessidades de in es igação As p incipais elações iden i icadas como necessá ias pa a comple a a pe ceção da in luência da explo ação de ecu sos na u ais no desen ol imen o dos sis emas das in aes u u as de anspo es esidem na ques ão da ansição dos co edo es de anspo e pa a os co edo es de desen ol imen o. O acompanhamen o dos a igos a publica no âmbi o do p oje o AFRIGOS (2016- 2020) que abo da a Go e nança e Espaços A icanos examinando co edo es de anspo e, cidades on ei iças e po uá ias, pe manece um pon o base de con ibuição pa a a pesquisa in e disciplina sob e es udos on ei iços, go e nança mul iní el e o es ado quo idiano. O úl imo a igo publicado po Paul Nugen “A ica´s e-enchan men wi h big in a uc u e” em Julho 2018 oca a á ios pon os cha e abo dados na p esen e disse ação, pelo que pode ia se in e essan e o acompanhamen o ou mesmo complemen a idade des e es udo no p oje o AFRIGOS. O Banco A icano de Desen ol imen o lançou a 24 de Se emb o 2018 o ela ó io “A ica o A ica (A2A) In es men a Fi s Look”, que que ep esen a uma mudança do pa adigma do inanciamen o que le a a que A ica au ossus en e o desen ol imen o 104 das suas p óp ias in aes u u as e assim eduzi a dependência ex e na. Po uma ques ão empo al não é possí el inclui a análise desse ela ó io nes e abalho, no en an o, pa a es udos u u os, se ia in e essan e analisa como es ão a se implemen adas as medidas p opos as e esul ados. «I do no seek aid, I seek in es men o A ica» D . Akinwumi A. Adesina P esiden A ican De elopmen Bank G oup Com a publicação do ela ó io sup amencionado oi anunciado ainda o p imei o “A ica In es men Fo um” que i á deco e de 7 a 9 de No emb o de 2018 em Joanesbu go, Á ica do Sul. O e en o i á euni in es ido es do se o público e p i ado, pa ocinado es de p oje os com o obje i o de ob enção de capi al pa a acele a o ap o ei amen o de opo unidades de in es imen o em Á ica. 105 BIBLIOGRAFIA A ica Mining Vision, 2011 a). Mine als and A ica´s De elopmen The In e na ional S udy G oup Repo on A ica´s Mine al Regimes. Addis Ababa, E hiopia, Uni ed Na ions Economic Commission o A ica. A ica Mining Vision, 2011 b). Exploi ing Na u al Resou ces o Financing In as uc u e De elopmen Policy Op ions o A ica. Addis Ababa, E hiopia, A ica Mining Vision. A ican De elopmen Bank, 2003. Re iew o he Implemen a ion S a us o he T ansA ican Highways and he Missing Links, Colume 3: The Way Fo wa d, S ockholm: s.n. A ican De elopmen Bank, 2010. A ican De elopmen Repo 2010: Po s, Logis ics and T ade in A ica, s.l.: Ox o d. A ican De elopmen Bank, 2012. 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