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As relações sino-paquistanesas e o equilíbrio de poder no Indo-Pacífico (1972-2020)

Santos, Tiago Daniel Botelho dos

Abstract

No contexto de uma alteração constante das dinâmicas regionais do Indo-Pacífico e da geopolítica global, a Ásia do Sul, como ponto central da região do Índico, está entre as principais regiões com capacidade geoestratégica para alterar o status quo. A China e o Paquistão, ao longo dos últimos 50 anos, têm fomentado as relações entre si ao nível político, cultural e económico, criando uma “irmandade de ferro” que amplificou a capacidade mútua de garantir o atingir dos principais objetivos da política externa de ambos. O eixo sino-paquistanês, que surgiu com base na necessidade da China e do Paquistão de contrabalançar a Índia no contexto regional, evoluiu até aos dias de hoje como um sistema de “aliança” bem cimentado e ambicioso que não só procura conter a Índia e o eixo indo-americano, como ainda tem como principal objetivo na atualidade a contenção norte-americana no espaço regional do Indo-Pacífico, permitindo a ascensão chinesa a poder hegemónico regional e a colocação paquistanesa num lugar de relevo no sistema internacional. Para tal, o CPEC, projeto apresentado, em 2013, como principal estratégia chinesa para o Índico, surge como o principal esforço sino-paquistanês para o aumento da influência chinesa e paquistanesa nas regiões da Ásia do Sul, da Ásia Central e do Médio Oriente, servindo como base para a estratégia chinesa no combate hegemónico com os EUA. O objetivo desta investigação é o de procurar perceber a evolução do eixo sino-paquistanês e a forma como este teve influência na forma como os jogos de poder têm sido jogados no Índico, sobretudo no embate com o eixo indo-americano.

Full text

1 As Relações Sino-Paquis anesas e o Equilíb io de Pode no Indo- Pací ico (1972-2020) Tiago Daniel Bo elho dos San os Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais na Especialização de Relações In e nacionais Se emb o 2022 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais, ealizada sob a o ien ação cien í ica do P o esso Daniel Ma cos Dedicado a odos aqueles que me acompanha am. À memó ia do meu a ô Albe ino. Decla ação Ag adecimen os Ao e mina uma e apa ão impo an e da minha ida, não pode ia deixa de ag adece a odos que, de o ma di e a ou indi e a, es i e am p esen es ao longo do meu pe cu so nes e úl imo ano. Em p imei o luga , gos a ia de ag adece à minha amília po odo apoio que me oi p es ado, sob e udo ao ní el mo al, p opo cionando-me um ambien e ap op iado pa a o desen ol imen o da minha in es igação. Ao meu pai, Nuno, e à minha a ó, Ca mo, ag adeço a opo unidade que me de am e o apoio e paciência que semp e demons a am nes e á duo pe cu so. À minha companhei a, Ma ia Bea iz, deixo um especial ag adecimen o po odo o ca inho, comp eensão, paciência e apoio, que me oi dando ao longo des a in ensa jo nada. Ao meu o ien ado , P o esso Dou o Daniel Ma cos, ag adeço o auxílio que me oi dando ao longo do desen ol imen o da in es igação, assim como os conselhos e incen i os que me oi p es ando e que me ajuda am a compila da melho o ma a minha in es igação nes a disse ação. Po im, mas sem menos impo ância, ag adeço ao Diogo, ao And é, ao An ónio, ao Filipe e ao Rica do, e a odos os ou os amigos que me acompanha am na minha jo nada, pela amizade demons ada e pelo companhei ismo e apoio que i e am pa a comigo ao longo des e úl imo ano, pe mi indo-me enca a os obs áculos de o ma mais le iana e o na es a jo nada mui o mais es imulan e. Ob igado a odos po e em ac edi ado em mim e me e em ajudado e apoiado na conclusão de um p oje o do qual me sin o ex emamen e o gulhoso. As Relações Sino-Paquis anesas e o Equilíb io de Pode no Indo-Pací ico (1972-2020) Tiago Daniel Bo elho dos San os Resumo No con ex o de uma al e ação cons an e das dinâmicas egionais do Indo-Pací ico e da geopolí ica global, a Ásia do Sul, como pon o cen al da egião do Índico, es á en e as p incipais egiões com capacidade geoes a égica pa a al e a o s a us quo. A China e o Paquis ão, ao longo dos úl imos 50 anos, êm omen ado as elações en e si ao ní el polí ico, cul u al e económico, c iando uma “i mandade de e o” que ampli icou a capacidade mú ua de ga an i o a ingi dos p incipais obje i os da polí ica ex e na de ambos. O eixo sino-paquis anês, que su giu com base na necessidade da China e do Paquis ão de con abalança a Índia no con ex o egional, e oluiu a é aos dias de hoje como um sis ema de “aliança” bem cimen ado e ambicioso que não só p ocu a con e a Índia e o eixo indo-ame icano, como ainda em como p incipal obje i o na a ualidade a con enção no e-ame icana no espaço egional do Indo-Pací ico, pe mi indo a ascensão chinesa a pode hegemónico egional e a colocação paquis anesa num luga de ele o no sis ema in e nacional. Pa a al, o CPEC, p oje o ap esen ado, em 2013, como p incipal es a égia chinesa pa a o Índico, su ge como o p incipal es o ço sino-paquis anês pa a o aumen o da in luência chinesa e paquis anesa nas egiões da Ásia do Sul, da Ásia Cen al e do Médio O ien e, se indo como base pa a a es a égia chinesa no comba e hegemónico com os EUA. O obje i o des a in es igação é o de p ocu a pe cebe a e olução do eixo sino-paquis anês e a o ma como es e e e in luência na o ma como os jogos de pode êm sido jogados no Índico, sob e udo no emba e com o eixo indo- ame icano. Pala as-Cha e: China; Paquis ão; Índia; EUA; Indo-Pací ico; CPEC; Ásia do Sul The Sino-Pak Rela ions and he Balance o Powe in he Indo-Paci ic (1972-2020) Tiago Daniel Bo elho dos San os Abs ac In he con ex o he e e changing Indo-Paci ic egional dynamics and global geopoli ics, and as he hub o he Indian Ocean egion, Sou h Asia is one o he main egions wi h he geos a egic capaci y o change he s a us quo. O e he las 50 yea s, China and Pakis an ha e os e ed hei mu ual ela ion on a poli ical, cul u al, and economic le el, c ea ing an “i on b o he hood” ha has s eng hened hei join abili y o gua an ee he accomplishmen o bo h coun ies’ o eign policy’s main goals. The Sino- Pakis ani axis, which eme ged based on China and Pakis an’s need o coun e balance India in he egional con ex , has e ol ed o he p esen day o be a well-g ounded and ambi ious “alliance” sys em ha bo h seeks o con ain India and he Indo-Ame ican axis, and, has i s main objec i e, he con ainmen o he USA in he egional space o he Indo- Paci ic, he e o e allowing he Chinese ascension o egional hegemonic powe and he placemen o Pakis an in a p ominen place in he in e na ional sys em. To his end, he CPEC p ojec , p esen ed in 2013 as China’s main s a egy o he Indian Ocean, eme ges as he main Sino-Pakis ani e o o inc ease Chinese and Pakis ani in luence in he egions o Sou h and Cen al Asia and he Middle Eas , se ing as he ounda ion o he Chinese s a egy in i s hegemonic igh wi h he USA. This in es iga ion aims o y o comp ehend he e olu ion o he Sino-Pakis ani axis and how i in luenced he way powe games ha e played ou in he Indian Ocean, especially ega ding he clash wi h he Indo- Ame ican axis. Keywo ds: China; Pakis an; India; USA; Indo-Paci ic; CPEC; Sou h Asia Índice Lis a de Ab e ia u as ............................................................................................ 1 In odução ............................................................................................................. 4 1. Enquad amen o Teó ico: Uma Análise da Balança de Pode Regional ... 10 2. Os Aco dos Nuclea es e a Es abilidade Regional do Indo-Pací ico ......... 32 2.1. A Gue a F ia no Con ex o da Fo mação do Eixo Sino-Paquis anês ... 33 2.2. Os Aco dos Nuclea es como Respos a a uma Índia Nuclea izada ....... 41 2.3. Da C ise de Ka gil à assina u a do CPEC: a Mudança de Pa adigma .. 57 2.3.1. A China Neu a, o Paquis ão Secu i á io e o Con a e o ismo ..... 57 2.3.2. O Campo Mili a -Económico-Ci il nas Relações Nuclea es ........ 62 2.3.3. As Relações Económicas desde a C ise de Ka gil ao CPEC ......... 67 3. O CPEC no Con ex o de uma Possí el No a O dem do Indo-Pací ico ... 71 3.1. A E olução e Cimen ação do CPEC ..................................................... 73 3.2. Uma Análise dos Bene ícios do CPEC pa a o Eixo Sino-Paquis anês . 80 3.3. A Conec i idade Regional e Possí eis Ala gamen os do CPEC .......... 83 3.3.1. Conec i idade com a Índia ............................................................. 84 3.3.2. Conec i idade com o A eganis ão ................................................. 88 3.3.3. Conec i idade com o I ão .............................................................. 91 4. As No as Dinâmicas de Pode do Indo-Pací ico ..................................... 94 Conclusão ......................................................................................................... 104 Bibliog a ia ....................................................................................................... 108 Fon es P imá ias ........................................................................................... 108 Fon es Secundá ias ....................................................................................... 110 1 Lis a de Ab e ia u as ADB – Asia De elopmen Bank ASEAN – Associa ion o Sou heas Asian Na ions BCIM-EC – Bangladesh-China-India-Myanma -Economic Co ido BRI – Bel and Road Ini ia i e CASA-1000 – Cen al Asia Sou h Asia Elec ici y T ansmission and T ade P ojec CCWAEC – China-Cen al Asia-Wes Asia Economic Co ido CENTO – Cen al T ea y O ganiza ion CIA – Cen al In elligence Agency CMREC – China-Mongolia-Russia Economic Co ido CPEC – China-Pakis an Economic Co ido CPFTA – China Pakis an F ee T ade Ag eemen CSNU – Conselho de Segu ança das Nações Unidas EARSC – Eas Asia Regional Secu i y Complex EHT – Ea ly Ha es P og am ETIM – Eas Tu kis an Islamic Mo emen EUA – Es ados Unidos da Amé ica FOIP – F ee and Open Indo-Paci ic IAEA – In e na ional A omic Ene gy Agency IPEF – Indo-Paci ic Economic F amewo k IPI – I an-Pakis an-India Pipeline ISI – In e -Se ices In elligence JCPOA – Join Comp ehensi e Plan o Ac ion JeM – Jaish-e-Muhammad JuD – Jamma -ud-Dawa 8 aco do de comé cio li e en e as pa es, su gindo como um p oje o megalómano que su ge de in e esses de pa e a pa e e que pe mi e à China exe ce a sua in luência na egião do Indo-Pací ico e ao Paquis ão dinamiza a sua economia e domina o me cado sul-asiá ico (Ahmed, Ahmad, e Shahabuddin 2020, 193–94; Ra i 2019; A ais e al. 2016, 164). Po um lado, pa a a China, o p imei o g ande bene ício do CPEC esume-se à impo ância geoes a égica do Paquis ão, po se um Es ado que se e de pon e de acesso aos países islâmicos, possui ecu sos na u ais em abundância e é uma das maio es o ças a madas mundiais com uma cen al de in eligência de opo (M. M. Khan e Kasi 2017, 55–56; Paul 2019, 56; Rajagopalan 2021). O segundo bene ício da CPEC pa a a China cen a-se na ques ão da demanda in e na de pe óleo, que p o ém maio i a iamen e dos países do MENA, pelo que o no o co edo económico pe mi e aos pe olei os que an es inham de passa po águas hos is, como o Es ei o de Malaca, onde pode iam se impedidos pela ma inha no e-ame icana, a diminuição do empo e dis ância de anspo e a a és da ligação e es e en e o po o de Gwada , na ligação do Gol o de Omã ao Índico, e o Xijiang. Po ou o lado, pa a o Paquis ão, o g ande bene ício do CPEC é o ga an e de uma enda anual de 100 milhões de dóla es, p o enien e exclusi amen e do comé cio de gás e pe óleo, o que pe mi e, somado a ou os luc os, esol e os p oblemas socioeconómicos paquis aneses, sob e udo nas á eas ibais, a o i icação da ma inha, com o con olo ma í imo do acesso ao Índico a a és de Gwada , a nuclea ização da economia paquis anesa, com a c iação de cen ais nuclea es pa a a p odução de ene gia, e o ga an e do equilíb io egional com a Índia (A ais e al. 2016, 167; Saeed 2021). Ademais, sob e a posição indiana ace ao p oje o, es a é ex emamen e nega i a, pois o CPEC e i a à Índia alguma manob a de ação egional (Ahmed, Ahmad, e Shahabuddin 2020, 194). Nes e sen ido, se indo o expos o a é ao momen o como uma base de en endimen o pa a a in es igação p opos a, ao longo da p esen e disse ação p ocu a emos explo a da o ma mais ap o undada possí el os e en os ela ados que le a am ao es abelecimen o das elações sino-paquis anesas, p ocu ando pe cebe como as mesmas podem, ou não, e a e ado o pano ama egional do Indo-Pací ico. Es u u almen e, a p esen e disse ação i á passa , p imei amen e, po um enquad amen o eó ico sob e a o ma como se i á obse a o caso sino-paquis anês, pe mi indo es abelece as bases eó icas do aciocínio que se á ado ado du an e os di e sos momen os de análise. De seguida, num segundo capí ulo, p ocu a emos esponde à ques ão de como 9 se inicia am as elações sino-paquis anesas e em que momen os as mesmas se ap o unda am nos con ex os polí ico, económico e mili a , do século XX, p ocu ando en ende os mo i os que le a am a que os dois Es ados i essem ap o undado as suas elações e es abelecido um eixo que, a é aos dias de hoje, unciona como um meio de cimen a a impo ância egional dos mesmos, sob e udo do Paquis ão. Num e cei o capí ulo, p ocu a emos en ende , obse ando o con ex o in e nacional e as dinâmicas egionais do Indo-Pací ico, no século XXI, o po quê da al e ação das dinâmicas do eixo sino-paquis anês na mudança de um oco no polí ico-mili a , no século XX, pa a um oco no económico-mili a que du a a é aos dias de hoje. Po im, no sen ido de en ende as no as dinâmicas que êm indo a su gi no pano ama asiá ico, p ocu a emos, no úl imo capí ulo da p esen e in es igação, in es iga as es a égias omadas pelo eixo sino- paquis anês e pela coope ação indo-ame icana no sen ido de ob enção do pode hegemónico na Ásia. 10 1. Enquad amen o Teó ico: Uma Análise da Balança de Pode Regional An es de inicia o deba e eó ico sob e a emá ica p opos a, gos a íamos de lemb a que o p esen e abalho de in es igação segui á uma abo dagem me odológica desc i i a po meio de uma análise his ó ica, polí ica e económica, de modo a delinea os p incipais acon ecimen os que le a am à o mação de um eixo de coope ação sino- paquis anês. Na p esen e in es igação, a pesquisa cen a -se-á na u ilização de uma análise mis a, u ilizando elemen os quali a i os, como discu sos polí icos, a ados e ou os documen os de ele o, e mé odos quan i a i os, como análises do PIB e do c escimen o económico de cada Es ado. Nes e sen ido, eco e emos a on es p imá ias, secundá ias e a bibliog a ia c í ica, pa a a elabo ação e oposição de ideias, p ocu ando pe cebe a pe ceção dos in e enien es polí icos, a a és de discu sos; das ins i uições in e nacionais e nacionais, a a és de a as de eunião ou comunicados nos quais se abo de a ques ão do eixo sino-paquis anês; e da opinião académica, a a és de a igos cien í icos e ob as que e a em a e olução e consequências do eixo sino-paquis anês sob e uma pe spe i a mais eó ica, de modo a esponde à pe gun a de in es igação p opos a da o ma mais comple a e e icaz. A ualmen e, num momen o em que os EUA se e i am do A eganis ão e a in luência no e-ame icana diminui conside a elmen e na egião, ês a o es egionais, China, Paquis ão e Índia, os dois úl imos no con ex o do Índico, e guem-se em p ol de consegui p eenche , nos seus con ex os, as lacunas deixadas pelos EUA de o ma a molda o u u o da o dem egional no Indo-Pací ico. O a num pequeno à pa e, po que a ase an e io pode pa ece con usa sem um con ex o, le ando o lei o a ques iona -se sob e o po quê da não abo dagem ao papel, da Aus ália da No a Zelândia ou da ASEAN, i emos in oduzi , em seguida, o concei o de Indo-Pací ico e a especi icidade do mesmo no con ex o do p esen e abalho. Po no ma, de o ma concep ual, o concei o de Indo- Pací ico cen a-se num mapa ic ício que p e ende engloba as c escen es in e ações es a égicas, económicas e polí icas, ao longo do li o al asiá ico (Figu a 1), ab angendo um espaço que ai desde a península co eana a é ao Gol o Pé sico e de ém o Sues e Asiá ico como cen o, en a izando assim as c escen es in e ações en e a Ásia O ien al, o 11 Sues e Asiá ico, a Aus ália, a Ásia do Sul e pa e da cos a o ien al a icana (B ews e 2016; Tomé 2019). O a, po se um concei o que, em si, cob e uma ealidade demasiado ex ensa com di e sas dinâmicas que os limi es da p esen e disse ação não pe mi i iam ab ange na o alidade, na p esen e in es igação semp e que menciona mos o concei o de Indo- Pací ico, i emos limi a -nos às dinâmicas que se es abelecem en e a coligação lide ada pelos EUA com a Índia e o eixo sino-paquis anês, ocando-nos assim na geopolí ica da egião da Ásia do Sul, na ques ão ma í ima em o no da ques ão secu i á ia no Índico, no Ma do Sul da China e na p ocu a de al e na i as ao Es ei o de Malaca, e no oco das elações sino-paquis anesas em con abalança a Índia e impedi os EUA de aumen a em o pode no Índico. Nes e sen ido, mesmo econhecendo os papéis neozelandês e aus aliano na ques ão do equilíb io egional, não inclui emos uma análise à Aus ália e à No a Zelândia 2 de o ma ap o undada is o ambos os pode es cen a em a sua in luência maio i a iamen e no Pací ico e no con olo de ce as o as no Sues e Asiá ico e, po conseguin e, não ep esen a em uma ameaça à possí el ascensão sino-paquis anesa 2 Aliás, no caso da No a Zelândia, a eap oximação sino-zelandesa como pa e do plano de expansão da BRI pa a o Pací ico, em o nado a No a Zelândia um Es ado menos con es a á io das ações chinesas do que a izinha Aus ália, o que, de ce a o ma, à imagem da ASEAN, o na a No a Zelândia um Es ado a o á el à expansão da BRI e, po conseguin e, coni en e com a expansão da in luência chinesa (Köllne 2019, 1–9). Figu a 1 - Mapa do concei o geopolí ico de Indo-Pací ico (Kısı 2021). 12 no Índico e à discussão pelo con olo do Es ei o de Malaca, podendo apenas obse a em- se como a o es a i os na ques ão do domínio do Ma do Sul da China (Me ce 2022; Köllne 2019, 1–9). Tendo is o escla ecido, pode emos a ança en ão pa a o deba e eó ico sob e o ema de in es igação. Pa a Jacob, do pon o de is a es a égico, exis e uma ede de in e ações complexa no Indo-Pací ico que, po exemplo, é isí el pelo aco do económico unila e al da supe po ência eme gen e China com o Paquis ão, pela elu ância do g ande pode Índia em es abelece aco dos polí icos pa a es abiliza a egião ou pa a man e o s a us quo e pela ambição do pode médio Paquis ão, que acaba po des abiliza a egião, de eme gi na cena in e nacional ul apassando o g ande pode Índia (Jacob 2015, 90). Nes e sen ido, como mé odo de análise pa a o p esen e ema, p ocu a emos u iliza o Neo ealismo enquan o uma eo ia base que nos pe mi a explica a balança de pode egional com supo e num espe o maio do que aquele que a eo ia ealis a nos pode ia o e ece , po ém, de o ma complemen a , ambém abo da emos o Realismo O ensi o, a Teo ia da Es abilidade Hegemónica e o concei o eó ico po de ás da segu ança egional, como o ma de en ende ce os compo amen os, sob e udo, no campo da ascensão “pací ica” chinesa, do con li o indo-paquis anês e do p oblema da segu ança egional no Indo-Pací ico, jus i icando-se es a abo dagem mul idisciplina pela noção de que po mais gene alis as que as eo ias das elações in e nacionais p ocu em se , nem semp e é possí el basea mo-nos numa eo ia pa a abo da a his ó ia das elações en e dois Es ados e a e ação da mesma no sis ema in e nacional. P imei amen e, an es de inicia mos a análise das eo ias p opos as, começa emos po da uma b e íssima in odução do Realismo enquan o a base de desen ol imen o das mesmas. O Realismo, enquan o escola de pensamen o das elações in e nacionais, obse a o con li o en e Es ados a a és de um espe o ab angen e de ideias que se cen am: na ana quia, conside ando que não exis e nenhum a o acima dos Es ados capaz de egula as in e ações in e es a ais; na obse ação do Es ado como o a o p incipal na polí ica in e nacional; na acionalidade e egoísmo dos Es ados, que se cen am na p ocu a do ga an e do in e esse nacional; e no pode , ou, mais p op iamen e, no desejo pela ob enção de mais pode que cada Es ado nu e de o ma a ga an i a au o-p ese ação (Wohl o h 2008, 131–32). O Neo ealismo, base da análise do p esen e ema é uma eo ia das elações in e nacionais azida, em 1979, po Kenne h Wal z, como uma hipó ese ge al que pe mi e 13 desc e e as con an es compo amen ais dos Es ados e de como os mesmos agem nas elações in e nacionais. Segundo Wal z, o Neo ealismo pe mi e-nos explica com maio p ecisão o ema das elações sino-paquis anesas po comp eende não só a componen e polí ico-mili a , mas ambém ou os componen es, como o passado his ó ico, as elações económicas, o espe o cul u al das in e ações e o campo polí ico-diplomá ico, pa a assim ob e uma melho comp eensão ace ca da in e ação dos Es ados na cena in e nacional, in oduzindo a ideia de que o sis ema in e nacional induz os Es ados a agi de uma de e minada o ma e a p ocu a em o equilíb io a a és da compe ição ou das alianças, possibili ando assim en ende a gue a ou o e i a da mesma, a balança de pode , a p ocu a de pode , o desmemb amen o de Es ados, a compe ição secu i á ia, a co ida ao a mamen o e a o mação de alianças (M. M. Khan e Kasi 2017, 57; Wal z 1979, 195– 210). Em complemen o com a ideia base ap esen ada, Fajemilehin az-nos a noção in e essan e de que o Neo ealismo ap esen a a es e a in e nacional como um espaço li e de ha monia, desc e endo os Es ados enquan o en idades de ensi as po na u eza e conside ando o sis ema in e nacional um sis ema onde os Es ados mais acos sob e i em po que as ins i uições pe mi em um con olo de ação dos Es ados mais o es, mas sal agua dando ainda que, ao con á io dos de enso es do Libe alismo Es u u al, os neo ealis as conside am as ins i uições como e lexos da dis ibuição de pode , que não e le em pe si o compo amen o dos Es ados, e não como possí eis subs i u os dos Es ados no sis ema in e nacional (Fajemilehin 2015, 1–2). Nes e sen ido, é possí el a i ma que, apesa da exis ência de ins i uições, são os Es ados que con inuam p eponde an es na manu enção do equilíb io de pode , alcançando o mesmo a a és do es abelecimen o de elações diplomá icas que, ao in és de e em como im úl imo o a ingi da paz, se em obje i os egoís as de ob enção de maio g au de pode mili a , polí ico e económico (Fajemilehin 2015, 3; Waqas e Majid 2020, 262). Um exemplo des a a i mação pode se is o nas elações sino-paquis anesas, que começa am com o sen ido único de con abalança o pode indiano na egião do Indo- Pací ico e c esce am enquan o o ma de exclui a Índia da cena global e do me cado do egional (Waqas e Majid 2020, 263). Aliás, quando obse amos o CPEC, podemos assis i à p emissa an e io men e es abelecida de en a i a de anulação da Índia no con ex o egional, is o o CPEC se um co edo económico, si uado en e Gwada e o Xijiang, que em como obje i o se i de pon e en e os me cados dos países do MENA e eu opeus e o me cado chinês, pe mi indo diminui a necessidade de u ilização do 14 anspo e ma í imo de me cado ias e, consequen emen e, diminui o cus o de anspo e, se indo assim como uma al e na i a iá el à adicional o a do Índico e possibili ando a con enção da Índia no acesso di e o a es es me cados ao mesmo empo que e i a o con olo po pa e dos EUA das o as come ciais chinesas (Waqas e Majid 2020, 263). Po im, é necessá io ainda salien a que o Neo ealismo de ém o seu oco nas elações in e es a ais e na o ma como o sis ema in e nacional in luência es as in e ações sob e a o ma de in e esses comuns, ais como a o mação de alianças, a esolução de p oblemas secu i á ios, o equilíb io da balança de pode e o equilíb io do ní el de ameaça de modo a ga an i a segu ança in e na. Um exemplo des a pe spe i a aplicada pode se encon ado no o alecimen o das elações sino-paquis anesas du an e o pe íodo da Gue a F ia, mesmo em momen os con u bados da polí ica egional e global, ais como a Gue a Sino-Indiana de 1962, os al os e baixos das elações en e os EUA e o Paquis ão, as elações indo-paquis anesas e as elações sino-ame icanas e sino-so ié icas, endo o eixo sino-paquis anês cons uído uma elação de amizade que pe du a a é aos dias de hoje e que é baseada na con iança mú ua e no apoio polí ico, diplomá ico, económico e mili a , com o obje i o comum de con abalança a izinha Índia e e i a o domínio usso ou ame icano na egião (M. M. Khan e Kasi 2017, 57; Noona i e Memon 2017, 110). Abo dado o Neo ealismo, passa emos ago a pa a a escola de pensamen o do Realismo O ensi o de Mea sheime . Pa a Mea sheime , o Realismo O ensi o baseia-se em cinco p emissas cen adas na assunção de uma ana quia no sis ema in e nacional que se e le e: na não exis ência de um pode que de enha uma hegemonia supe io à de ou os e, po an o, consiga impo limi es compo amen ais; na pe ceção de que odos os Es ados possuem uma o e capacidade mili a e que podem u iliza -se da mesma pa a a aca ou os Es ados; na pe ceção de que nenhum Es ado pode ga an i que um ou o Es ado não se u ilize da sua capacidade mili a pa a uma o ensi a ao seu e i ó io; na noção de que os Es ados p ocu am man e a sua sobe ania; e, po im, na ideia de que os Es ados são a o es acionais, o que signi ica que conside am semp e as consequências a cu o, médio e longo, p azo das suas ações e, po es a azão, p ocu am agi da o ma mais ap op iada ao ga an e da sob e i ência no sis ema in e nacional (Mea sheime 2001, 30– 31). Nes e sen ido, segundo S einsson, es a eo ia explica a sua e ó ica de uma o ma semelhan e à u ilizada po Kenne h Wal z pa a explica o Realismo De ensi o e, em pa e e com as de idas dis inções, o Neo ealismo, po ém ambas chegam a conclusões dis in as 15 na aplicação da eo ia (S einsson 2014, 2). Enquan o que, po um lado, o Neo ealismo a i ma a exis ência de uma balança de pode na qual, esumidamen e, os pode es meno es p ocu am uma união de o ma a ga an i em o equilíb io de pode com o pode hegemónico, o Realismo O ensi o de ende que os Es ados p ocu am a maximização do pode de o ma a ga an i em a sob e i ência e, po es a azão, o sis ema in e nacional é aná quico (S einsson 2014, 2–3). O a, po conseguin e, no caso da China, Mea sheime acaba po se posiciona con a a ideia de ascensão “pací ica” chinesa, a gumen ando que a China não p ocu a e ela as suas e dadei as in enções e, que po isso, se esconde po de ás de um dis a ce paci is a (Mea sheime 2010, 382–83). Pa indo do p incípio de que não é possí el p e e as ações e in enções de um Es ado e que, po es a azão, a ascensão “pací ica” chinesa possa se assus ado a, a e dade é que, mesmo assim, a China pode se a aliada com base nos mé odos u ilizados pa a a alia ou os Es ados e, nes e sen ido, assim como não nos é possí el pe cebe se as in enções chinesas são posi i as ou nega i as, ambém não nos é possí el en ende de que o ma ou os Es ados, com base no medo que a ince eza sob e as in enções chinesas pode causa , podem eagi às ações chinesas, podendo exis i uma escalada mili a ou, simplesmen e, como se em obse ado, sob e udo, a pa i da década de 1950, uma in eg ação p og essi a da China no comé cio in e nacional e nas ins i uições in e nacionais de o ma a ga an i , a é ce o pon o, que a China não de ém o ma de e i o sis ema in e nacional, algo que, mais uma ez, ambém não é p e isí el (Mea sheime 2010, 383; S einsson 2014, 4; Mea sheime 2001, 21 e 31). Em adição, pa a Mea sheime , ou a das hesi ações sob e a ascensão “pací ica” chinesa pe manece na dú ida em elação à ques ão de se as capacidades mili a es chinesas se es ingem, exclusi amen e, a ques ões de de esa nacional, como é explici o na e ó ica chinesa, ou se se em ou os p opósi os de ca á e o ensi o, como a p ocu a da hegemonia egional po ia do ha d powe (Mea sheime 2010, 383–84; S einsson 2014, 5). Sob e es e pon o, é necessá io e em con a que a capacidade nuclea de cada Es ado é, po no ma, uma e amen a de dissuasão que pe mi e diminui o sen imen o de insegu ança ela i amen e à capacidade o ensi a de ou os Es ados, is o po que, a capacidade nuclea se e um p opósi o único de dissuasão e, pa a S einsson, a China não pode almeja a hegemonia egional de ido à capacidade nuclea da Rússia, da Índia, dos EUA e, com es e úl imo, do desen ol imen o nuclea sul-co eano e japonês (S einsson 2014, 5). 16 Po ém, ao con á io do a i mado po S einsson, na nossa opinião, a China em a capacidade pa a a ingi o papel hegemónico egional, sob e udo a a és da ia económica, is o po que, apesa dos pode es egionais, Rússia e Índia, apa en a em se em capazes de sup imi a China, a e dade é que a a és do eixo sino-paquis anês a China ga an e o equilíb io egional com a Rússia e a Índia e consegue ainda anula uma pa e da p esença no e-ame icana na egião do Índico. A nossa isão, nes e aspe o, condiz com uma das e ó icas de Mea sheime que de ende que, de ido a es a ascensão “pací ica”, a China conseguiu ga an i o o alecimen o das suas elações diplomá icas, a en ada em o ganizações in e nacionais e a ealização de a ados in e nacionais, dos quais é cla amen e bene iciá ia, o que o aleceu a sua posição no sis ema in e nacional e pe mi iu a c iação e uma ede diplomá ica o e e capaz de ga an i a hegemonia egional sem necessidade de u ilização do ha d powe , algo isí el, po exemplo, a pa i de 2004, com o ga an e es a égico das ope ações no po o de Gwada , no Paquis ão, o que, com o passa dos anos, sob e udo a pa i de 2013, diminuiu d as icamen e a in luência no e- ame icana no Indo-Pací ico (Mea sheime 2010, 384–90; S einsson 2014, 6). Nes e sen ido, is o demons a-nos que, na e dade, apesa da descon iança ace à ascensão “pací ica” chinesa, o mundo ab iu os b aços à China e a China ap o ei ou a opo unidade que lhe oi en egue, c iando laços com os izinhos que lhe ga an em o sucesso de p oje os como a BRI que pe mi em a dispu a da hegemonia egional do Indo-Pací ico com os EUA sem necessi a , pa a al, da u ilização do ha d powe (S einsson 2014, 6–7). O p óximo pon o que gos a íamos de abo da nes e enquad amen o eó ico e le e- se no concei o de balança de pode , abo dado de o ma le e a é ao momen o, e na obse ação de como o mesmo se aplica nas elações sino-paquis anesas. Tal como di o an e io men e, aquilo que de ine a polí ica ex e na de um Es ado é o in e esse nacional, ou seja, aquilo que molda as elações in e es a ais é o egoísmo de cada Es ado. A ualmen e, na Ásia do Sul, exis e um g a e p oblema na balança de pode en e os dois maio es pode es egionais, Índia e Paquis ão, causado po p oblemas de o dem his ó ica, cul u al e polí ica, que apenas êm sido apaziguados, nas úl imas décadas, pela in e enção da China e apoio da mesma ao Paquis ão, is o po que, mais uma ez, a polí ica ex e na chinesa mo e-se pelo in e esse nacional e es e, po sua ez, em pa e signi ica não pe mi i que a Índia ascenda a po ência egional na Ásia do Sul pela possibilidade de se o na um e dadei o obs áculo à p e ensão chinesa de a ingi o es a u o de supe po ência no sis ema in e nacional (Noona i e Memon 2017, 110–11). 17 A balança de pode , conside ada um concei o undamen al das elações en e Es ados, é uma noção que esul a da pe ceção ealis a de que, em ci cuns âncias no mais, os Es ados p ocu am maximiza o seu pode a a és de di e sos mé odos, sendo que, de ido ao ajus e dado po uma “mão in isí el”, nenhum consegue ob e a hegemonia e, des a o ma, o equilíb io man ém-se (Dzung 2000, 6). Nes e sen ido, es a conceção do equilíb io de pode suge e a exis ência de uma ealidade na qual qualque en a i a de um Es ado de expandi o seu pode ao pon o de adqui i hegemonia acaba ia po so e esis ência dos demais Es ados, acabando po não exis i nenhum Es ado que consiga de ini sozinho o des ino de ou os. Po conseguin e, pode de e mina -se que, nes e jogo de pode que cons i ui o sis ema in e nacional, os Es ados mais pode osos são aqueles que supo am o sis ema de equilíb io de pode po se em aqueles que de êm maio capacidade de in luencia esul ados e a maio a ia de pode na balança (Dzung 2000, 7; Wol e s 1962, 147). Ademais, ale ac escen a que o obje i o des a cons an e p ocu a pelo equilíb io na balança de pode é o ga an e da segu ança nacional de cada Es ado e o ambien e in e nacional de cons an e “paz ia”, onde os g andes pode es acabam, in a ia elmen e, po p ocu a con abalança -se de modo a que um Es ado não adqui a mais pode que os ou os e se o ne um pe igo à segu ança dos es an es (Paul 2018, 11; Dzung 2000, 7–8; Wol e s 1962, 148). Em adição, de emos ainda e em con a que o equilíb io de pode no sis ema in e nacional não é possí el man e quando se dão mudanças que al e am o pode de cada Es ado, como, po exemplo, o su gimen o de di e enças no c escimen o do pode polí ico, mili a e ecnológico, en e dois ou mais Es ados, ou a al e ação de a o es in e nos de cada Es ado que podem, de alguma o ma, al e a e ede ini os in e esses nacionais e a polí ica ex e na (Dzung 2000, 8). Um exemplo do que oi abo dado a é ao momen o, sob e a balança de pode , pode se obse ado, mais uma ez, na o igem das elações sino- paquis anesas, is o po que, o Paquis ão, desde a sua independência, em 1947, semp e e e p oblemas com a izinha Índia que desde cedo p ocu ou c ia elações com ou os Es ados e, de o ma ag essi a, exclui o Paquis ão da cena in e nacional, que po ia da u ilização da coação mili a , que po ia polí ica. Po conseguin e, o Paquis ão desen ol eu um p oblema secu i á io, que deu o igem a um ul a-secu i a ismo excessi o, e a Índia, he dei a b i ânica, ob e e um g ande pode egional que, logo de seguida, em 1962, ez com que a China, ou o g ande pode egional, acabasse po sen i a necessidade de in e i e eequilib a a balança de pode , es abelecendo elações polí icas, económicas e 24 Po ém, a pa i de 2013, ai obse a -se uma mudança es a égica po pa e do eixo sino-paquis anês que, que pela ensão mili a i ida na egião, que po uma necessidade de ga an i o equilíb io de o ma a espei a os p incípios da polí ica ex e na chinesa de não ag essão e paci icidade, iniciou as con e sações pa a a c iação do p oje o do CPEC, in eg ado no p oje o da BRI, p ocu ando assim o Paquis ão, po um lado, ga an i o domínio egional pela ia económica e a China, po ou o lado, ga an i o pode hegemónico na Ásia (Ik am 2020, 302). Con udo, pa a en ende es e compo amen o que e le e a balança de pode a pa i de 2013, é necessá io eco e a uma eo ia complemen a , a Teo ia da Es abilidade Hegemónica, que nos pe mi i á en ende a noção de pode hegemónico e o e lexo da mesma no equilíb io de pode , se indo assim como um complemen o às eo ias neo ealis a e ealis a o ensi a já ap esen adas. A Teo ia da Es abilidade Hegemónica, é baseada na noção azida po Kindelbe ge , na década de 1970, de que num mundo económico global e libe al é necessá io um pode hegemónico e dominan e pa a que exis a equilíb io, exis indo assim um país es abilizado que exe ce a unção de ges o do sis ema, como é o caso dos EUA no sis ema in e nacional a ual (Sil a e al. 2020, 63; Pu wan i 2020, 140; Ramos 2014, 15). De o ma consonan e com a p opos a de pode hegemónico de Kindelbe ge , Gilpin assinala ainda que o pode es a égico-mili a não pode se dissociado do pode económico, combinando o concei o de pode hegemónico com o concei o de balança de Figu a 2 - As dinâmicas do quad ado es a égico Índia-EUA-Paquis ão-China (Jahangi 2013, 54). 25 pode po conside a que num sis ema in e nacional onde um pode hegemónico pe de a sua o ça a gue a cump e um papel-cha e de eo denação sis émica (Sil a e al. 2020, 64–65). Po ém, o concei o de gue a hegemónica de inido po Gilpin não se es inge ao emba e mili a , sendo o mado pelo conjun o das dimensões polí ica, económica e ideológica (Sil a e al. 2020, 65). Nes e sen ido, é possí el a i ma que es a eo ia, enquan o uma eo ia de análise do sis ema in e nacional, obse a as elações in e nacionais enquan o um sis ema es u u al de ciclos hegemónicos no qual, apesa de não exis i em hie a quias nas elações en e Es ados, exis e um equilíb io p o enien e da exis ência alguns Es ados que assumem o papel de lide ança (hegemónico) sob e os ou os nas dimensões ci adas, u ilizando-se das suas ele adas capacidades ao ní el do pode , economia, ecnologia, ideologia, en e ou as, pa a con ola o sis ema in e nacional, sendo que, quando es e sis ema se al e a, pela eme gência de um no o pode hegemónico, al e am-se ambém os compo amen os dos Es ados no sis ema in e nacional dando o igem a possí eis gue as hegemónicas que esul am no eme gi de uma no a o dem mundial (Pu wan i 2020, 139; Faisal 2020, 4). O a, endo po base es a eo ia complemen a , o na-se assim mais ácil en ende as opções diplomá icas do eixo sino-paquis anês a pa i de 2013, is o po que, numa o dem asiá ica em ansição cons an e, onde os EUA man êm o pode hegemónico, apesa de en aquecido, a China su ge cada ez mais enquan o um pode hegemónico eme gen e que em conseguido c ia endências na o dem egional que acabam po c ia equilíb io de pode com os EUA, mesmo que em campos di e en es de ação (Faisal 2020, 4; Pu wan i 2020, 141–42). No pano ama a ual, pa a Faisal, é possí el assumi que, na ealidade desc i a, as dinâmicas da no a o dem asiá ica suge em uma maio ap oximação à China po pa e dos Es ados que cons i uem pode es médios ou pequenos, is o po que, po um lado, os EUA, enquan o pode hegemónico, encon am-se dis an es cul u almen e, geog a icamen e e economicamen e, apenas de endo ap oximação no campo da segu ança, e, po ou o lado, a China, enquan o pode hegemónico eme gen e, em apos ado no campo do desen ol imen o económico de mú uo bene ício, c iando um espaço económico de e i alização asiá ica, a BRI, do qual esul a o CPEC, en e ou os p oje os, e ado ando p incípios de não inge ência em assun os in e nos de ou os Es ados (Faisal 2020, 5). Nes e sen ido, na in e p e ação de Faisal, nes e momen o podemos obse a a uma 26 ansição de ciclos hegemónicos na o dem asiá ica que, mui o p o a elmen e, pode á esul a na ascensão do pode China a pode hegemónico asiá ico (Faisal 2020, 4–6). O a, endo a noção da p e ensão chinesa de ascensão a pode hegemónico a a és de uma es a égia baseada na c iação de co edo es económicos, pensamos se ainda necessá io pe cebe qual o papel das po ências egionais e a ealidade dos e ei os des as inicia i as, denominadas como co edo es económicos, pa a a dinamização egional e a in e conec i idade. A é ao p esen e século, quando se obse a a as dinâmicas egionais asiá icas, acilmen e se chega a à conclusão de que a coope ação egional na Ásia e a, na p á ica, quase impossí el, mui o de ido a a o es de o dem in e na e ex e na dos quais ale des aca : a al a de mode nização de in aes u u as; a exis ência, na la ga maio ia dos casos, de economias simila men e ágeis; e as cli agens socio- eligiosas, polí icas e his ó icas, cimen adas numa oposição ci ilizacional, já abo dada inicialmen e nes e capí ulo, que o na ce as elações e conexões di íceis de consolida (B unne 2013, 7; S. Wol 2020, 1; Ka im 2017, 8–9). O a, no caso do con ex o especí ico da Ásia do Sul, egião de supe io in e esse na p esen e in es igação, apesa do passado his ó ico pa ilhado sob e a égide do Raj B i ânico, a oposição en e a Índia e o Paquis ão é ambém bas an e isí el em odos os ou os campos de análise mencionados an e io men e, o que pode se obse ado, po exemplo, nas economias subdesen ol idas de ambos os Es ados, algo jus i icado po se um polo de choque en e os modos de p odução asiá icos e ociden ais, e na p oli e ação do e o ismo e dos mo imen os an issemi as en e ambos os Es ados, com a seg egação é nica, sob e udo, a oco e na zona dispu ada de Jammu e Caxemi a (C. Wol , Wang, e Wa ne 2013, 36–39; S. Wol 2020, 1–2). Po conseguin e, o que p e endemos com es a abo dagem é exempli ica a ca ência de uma in e conec i idade na Ásia do Sul, o que ge a uma necessidade de a ingi a coope ação egional, algo que a China, pa a assegu a a paci icidade no seu “quin al”, acabou po en a esol e a a és da c iação de um co edo económico que pe mi a o desen ol imen o egional, pe mi indo esol e os p oblemas sociais e polí icos da egião (B unne 2013, 7; S. Wol 2020, 2). Nes e sen ido, é-nos lógica a necessidade de inse i esumidamen e uma análise do concei o de co edo económico pa a melho en endimen o das dinâmicas desc i as, se indo assim es e pon o como o penúl imo pon o de p o unda análise do p esen e enquad amen o eó ico. Os co edo es económicos, numa concep ualização p á ica, podem se obse ados enquan o edes conec o as que pe mi em o desen ol imen o sus en á el de uma egião 27 po ia da conexão en e dois ou mais agen es numa de e minada á ea geog á ica delineada, pe mi indo o desen ol imen o não só en e os agen es, mas ambém no espaço en e os agen es, sendo o maio exemplo his ó ico de um co edo económico a Ro a da Seda, que liga a a China ao Impé io Romano e pe mi ia o desen ol imen o de cen os u banos e económicos nos locais onde passa a (B unne 2013, 1; A ais e al. 2016, 166). Aliás, num pa alelo com a a ualidade, com a c iação de um co edo económico na Ásia do Sul, o CPEC, e o c escen e in e esse a egão e i aniano de in eg ação no mesmo, podemos conclui que o desen ol imen o económico paquis anês pode á signi ica a in eg ação do Paquis ão enquan o uma po ência eme gen e no con ex o in e nacional, algo isí el, a ualmen e com o Paquis ão a su gi como uma economia cada ez mais a a i a ao in es imen o ex e no, o que se e le e num papel mais p eponde an e na geopolí ica sul-asiá ica (S. Wol 2020, 3–4). Em adição, como is o an e io men e, com a mudança da es a égia no eixo-sino- paquis anês, pela opção de ga an i o equilíb io de pode po ia de uma es a égia económico- inancei a, o Paquis ão, no seu con ex o egional, acaba po bene icia em di e sas en es, não só no eclama do papel de po ência egional e de um papel de ele o no sis ema in e nacional, como ambém no ga an e de uma economia es á el e capaz de subsis i , sem necessidade de apoios ex e nos, a a és da inse ção num co edo económico que acaba po signi ica a in eg ação num polo económico que pe mi e o desen ol imen o sus en á el (Zahid Khan e al. 2018, 597–99). Pa a en ende melho es es bene ícios, é necessá io en ende , p imei amen e, que, no caso paquis anês, os p incipais desa ios secu i á ios e geopolí icos enquad am-se, ex e namen e, na possibilidade de uma gue a com a Índia e no e o ismo ans on ei iço p o enien e, sob e udo, do A eganis ão e de mo imen os de libe ação baloches do I ão, e, in e namen e, da ele ada pob eza, das insu eições baloches e dos g upos e o is as ibais, a No e e No oes e (Zahid Khan e al. 2018, 610–11). O a, le an ada, mais uma ez, a ques ão secu i á ia ligada às ques ões do con li o indo-paquis anês e do e o ismo, ópico abo dado ao longo do p esen e enquad amen o eó ico, analisa emos, de seguida, a ques ão da segu ança egional po se pe inen e, sob e udo, pelo ên ase dado po pa e da China ao con a e o ismo, a pa i de inais da década de 1990, e pelos e ei os do e o ismo na segu ança egional e no con li o indo- paquis anês. P imei amen e, ale menciona que, pa a analisa es a ques ão, u iliza emos a RSCT, uma eo ia desen ol ida po Buzan e Wæ e que, segundo os dois au o es, se 28 enquad a de o ma complemen a na eo ia neo ealis a como mé odo de análise secu i á io (Buzan e Wæ e 2003, 11). Na RSCT, os RSC são de inidos enquan o cons an es dis in as e es á eis de in e ação secu i á ia en e di e sos a o es, dis inguindo- se en e si pelos di e en es g aus des as mesmas in e ações, pois, po no ma, pa a Buzan e Wæ e , o g au de in e ação en e memb os de uma mesma RSC é semp e supe io ao g au de in e ação en e memb os de di e en es RSC (Buzan e Wæ e 2003, 45). Po ém, pa a de ini uma RSC não nos podemos basea única e exclusi amen e em c i é ios secu i á ios e eó icos, is o po que, na de inição de RSC exis e um c i é io geog á ico de delimi ação na u al po ia de ma es, mon anhas e dese os, en e ou os, que in luencia o compo amen o dos Es ados (Buzan e Wæ e 2003, 41–46). Em suma, a e dade é que podemos obse a a RSCT como uma eo ia que de ine espaços secu i á ios, os RSC, delimi ados geog a icamen e, poli icamen e, economicamen e e socialmen e, nos quais os Es ados que neles se incluem cons oem uma ede de in e ações ão in ensa que, inclusi e ao ní el da segu ança nacional, não se de em obse a sepa adamen e sob o isco do não o al en endimen o sob e a segu ança egional (Buzan e Wæ e 2003, 6–20, 41–47 e 77–82). Ademais, Buzan e Wæ e abo dam ainda a ideia de que o pad ão de dis ibuição secu i á io se conciso a uma mesma RSC é inco e o e que, em caso de necessidade, os pode es globais u ilizam o mecanismo de pene ação egional pa a ga an i a segu ança, uma a iá el que oco e quando pode es ex e nos a uma RSC p ocu am ga an i a segu ança nessa mesma RSC a a és de aco dos secu i á ios com um Es ado inse ido na RSC em ques ão (Buzan e Wæ e 2003, 46). Como exemplo, podemos obse a a i alidade indo-paquis anesa e a o ma como a mesma, desde o começo da Gue a F ia, c iou a base pa a que exis isse pene ação egional po pa e da China, da URSS (Rússia) e dos EUA, is o po que a lógica da balança de pode enco aja, na u almen e, i ais egionais a p ocu a em apoio em pode es ex e nos, (Buzan e Wæ e 2003, 46). De o ma a explo a melho es e exemplo, de emos obse a a aplicação p á ica no Indo-Pací ico no caso especí ico da SARSC, sob e udo a pa i da década de 1990, pelo que, sob e a mesma, os dois pon os de deba e p incipais de Buzan e Wæ e incidem, po um lado, na ideia de que possa e exis ido uma ansição da bipola idade indo- paquis anesa no ga an e da segu ança egional pa a uma unipola idade indiana, a é 2002, e, po ou o lado, na ideia de que o c escimen o chinês, a pa i de 2002, possa, na e dade, e al e ado a endência unipola indiana e p oje ado a in eg ação da SARSC na EARSC, 29 c iando um espaço egional secu i á io lide ado pela China em conjun o com o apoio paquis anês (Buzan 2011, 2). A é 2002, ao ní el domés ico egional, exis iu um con li o p opulsionado po causas é nico- eligiosas que culmina am em di isões polí icas, sob e udo na si uação de Jammu e Caxemi a, e que, po sua ez, ge a am iolência e insegu ança, c iando, po exemplo, uma necessidade secu i á ia que le ou ao gene do ul a-secu i a ismo paquis anês (Buzan 2011, 2). Ademais, além des es a o es polí icos e é nico- eligiosos, a e dade é que, a pa i da década de 1990, o Paquis ão começou a so e de uma di isão in e na mais in ensa e iolen a que se p endia, sob e udo, com a e o mulação das o ganizações e o is as, como o LeT, que, sem o p e ex o de a uação da década de 1980, ligado à Gue a do A eganis ão e ao pa ocínio no e-ame icano, chinês e paquis anês, às mad aças que alimen a am a esis ência a egã da in asão so ié ica, p ocu a am a aca al os selecionados po mo i ações polí icas indi iduais (Buzan e Wæ e 2003, 112–13; Buzan 2011, 3). Aliás, es as ações po pa e de o ganizações como o LeT, com sede paquis anesa, le a am a que, em 2001 e 2002, quase se enha ge ado uma qua a gue a indo-paquis anesa, en aquecendo a posição paquis anesa no palco in e nacional num momen o em que a Índia p ocu a a ga an i um papel ulc al no ga an e da segu ança egional asiá ica, sob e udo no que à SARSC diz espei o (Buzan e Wæ e 2003, 112– 13; Buzan 2011, 3). Po ou o lado, a pa i de 2002, ao ní el in e - egional, a e dade é que a China p ocu ou ga an i um papel de ele o na EARSC e, em complemen o, na SARSC, começando a su gi enquan o a p omo o a da segu ança egional (Buzan 2011, 9). Como exemplo dis o, emos o ac o de, a é 2013, a China e começado a o na -se mais a i a na implemen ação de p oje os de in e conec i idade egional en e a Ásia O ien al e a Ásia do Sul, p ocu ando ambém de e um papel p esen e na secu i ização egional, po exemplo, pa icipando em ações conjun as com o Paquis ão na á ea do con a e o ismo (Buzan 2011, 9–10). A e dade é que, chegados a 2013, a China e a o p incipal Es ado capaz de ga an i a segu ança egional na SARSC, o mando quase um complexo secu i á io en e a EARSC e a SARSC, sob e udo pela apos a em inicia i as ligadas ao con a e o ismo e à mediação dos con li os indo-paquis aneses (Buzan 2011, 16). Aliás, e mudando o ema pa a a ques ão da in e conec i idade egional, a pa i de 2013, os p oblemas ligados ao e o ismo e à segu ança egional começa am a a enua , em pa e pela implemen ação do CPEC no p oje o da BRI, is o po que o Paquis ão, 30 in e namen e, acaba po consegui c ia mais emp egos, a a és dos p oje os do CPEC, e consegue esponde à c ise social exis en e no país, diminuindo assim o c escimen o do descon en amen o social e a possibilidade de aumen o do e o ismo, e, ex e namen e, acaba po consegui uma no a pla a o ma de elacionamen o com o A eganis ão e o I ão, dois países ex emamen e in e essados numa u u a in eg ação no CPEC (Zahid Khan e al. 2018, 600–601; Ak am 2018). Em adição, com o CPEC, a China e o Paquis ão acabam ambém po ganha a opo unidade de acesso a no os me cados e opo unidades polí icas na Ásia Cen al, o que, aliado à ecen e posição diplomá ica paquis anesa de en a i a de esolução do p oblema de Jammu e Caxemi a po uma ia pací ica e à polí ica conjun a sino-paquis anesa em o no do con a e o ismo, que consis e, sob e udo, em ações mili a es no Balochis ão e Khybe Pakh unkhwa em o no do desman elamen o de o ganizações e o is as, pe mi e ga an i uma maio condição de manu enção do equilíb io com a izinha Índia, que, po sua ez, em p ocu ado segui uma linha p óxima da polí ica no e-ame icana de segu ança egional e, des e modo, em apaziguado as ensões com o Paquis ão (Zahid Khan e al. 2018, 600–601; Ak am 2018; Shams 2014). Nes e sen ido, aliando o abo dado à Teo ia da Es abilidade Hegemónica, é possí el a i ma mos que, da pa e paquis anesa, exis e uma en a i a de ga an e de uma posição “hegemónica” no seu con ex o egional com a aplicação dos mecanismos chineses de elações in e nacionais à sua ealidade de o ma a ga an i um domínio egional que, den o de poucos anos, como se á ainda deba ido no e cei o capí ulo da p esen e ese, pode á signi ica um domínio paquis anês na egião do Índico. Po conseguin e, é possí el a i ma mos que, no con ex o da balança de pode no Indo- Pací ico, a c iação de um co edo económico en e a China e o Paquis ão em signi icado ambém, pa a o Paquis ão, a c iação de um espaço de in luência que pe mi e a es e pode médio ga an i o equilíb io po uma ia não mili a com a izinha Índia, enquan o que, do lado chinês, pe mi e um maio con o o na co ida a pode hegemónico com a noção de que a Índia, com as de idas essal as, se encon a cada ez mais a asada em elação ao c escimen o económico no espaço egional asiá ico (S. Wol 2020, 4–7). Po im, dando po e minado o deba e inco po ado no p esen e enquad amen o eó ico, como o ma de con inuidade, no p óximo capí ulo i emos p ocede à exposição dos p incipais momen os do eixo sino-paquis anês, p ocu ando explo a de o ma ap o undada as implicações des a elação na balança de pode do Indo-Pací ico a é à assina u a do aco do do CPEC. Nes e sen ido, endo a eo ia deba ida e aplicada, i emos 31 p ocede com a análise do con ex o in e nacional e da o ma como o mesmo pode, ou não, e se ido de base pa a o melho en endimen o en e dois Es ados que i iam sob e ealidades bas an e di e en es. 32 2. Os Aco dos Nuclea es e a Es abilidade Regional do Indo-Pací ico “Pakis an China iendship is highe han he moun ains, deepe han he oceans, s onge han s eel, dea e han eyesigh , swee e han honey, and so on.” 5 – Syed Gilani, an igo P imei o-Minis o do Paquis ão (2008-2012). Du an e oda a segunda me ade do século XX, os EUA e a URSS molda am a o dem asiá ica e o ganiza am-se de o ma a ga an i uma sup emacia mili a e económica, compos a de uma eia de a ados e alianças, que, com o im da Gue a F ia e o desmemb amen o da URSS, passou a es a sob e a égide dos EUA, enquan o pode hegemónico, que di a am a o dem egional asiá ica (Faisal 2020, 1). Es e papel hegemónico, como is o no capí ulo an e io , pode se a ibuído aos EUA po ga an i em na Ásia a segu ança, a es abilidade, o uncionamen o dos me cados e a ges ão de con li os a a és da u ilização da diplomacia. Po ém, desde o início do século XXI, a China em su gido como um no o pode que isa ocupa o luga de pode hegemónico na Ásia, com o obje i o de e i a da cena os EUA, e al e a a o ma como se conduzem as dinâmicas egionais, p ocu ando uma polí ica de p oximidade com odos os Es ados e ga an indo a es abilidade egional do Indo-Pací ico em conjun o com o “ elho amigo” Paquis ão, uma nação que apesa de se demons a um pode médio nos úl imos anos, de ém uma eno me in luência no mundo islâmico, pelo seu papel na OCI, e ajuda no ga an e do equilíb io egional com a Índia (Faisal 2020, 2). O a, de o ma a melho exempli ica odo o caminho que le ou a que as elações sino-paquis anesas ajudassem a cons ui es a possí el “no a o dem” na Ásia, o p esen e capí ulo se á es u u ado em ês di e en es subcapí ulos. Consequen emen e, como o ma de con ex ualiza o p ocesso de análise ine en e a es e capí ulo de enquad amen o his ó ico dos p incipais momen os das elações sino-paquis anesas e do caminho açado 5 Ci ado em: S a Repo e , «Pak-China iendship is highe han moun ains, deepe han ocean and swee e han honey: PM», The Na ion, 19 de Dezemb o de 2010. 33 a é à c iação do CPEC, gos a íamos de começa po de ini , no p imei o subcapí ulo, o con ex o do sis ema in e nacional e a in luência que o mesmo oi endo no desen ola das elações sino-paquis anesas, ga an indo assim uma melho pe ceção das libe dades e limi ações na ação de ambos os Es ados, China e Paquis ão, o que pe mi i á um melho en endimen o de oda e qualque on e de deba e que pode á se expos a ao longo do p esen e capí ulo. Após ealiza es e subcapí ulo in odu ó io, passa emos a uma abo dagem sob e as elações sino-paquis anesas em si e, ambém, sob e as opções omadas po cada Es ado, explo ando o caminho açado desde os aco dos nuclea es da década de 1970 a é à C ise de Ka gil, em 1999, e à possibilidade, à al u a, de uma gue a nuclea en e a Índia e o Paquis ão que pode ia coloca a Ásia numa posição al amen e ins á el. Po im, no úl imo subcapí ulo, p ocu a emos expo como a i agem pa a o século XXI, e a mudança de pa adigma na polí ica ex e na chinesa, podem e le ado a que a China e o Paquis ão iniciassem uma no a abo dagem às suas elações, com a assina u a de uma sé ie de aco dos económicos e nuclea es que acaba am po esul a na assina u a do a ado do CPEC. 2.1. A Gue a F ia no Con ex o da Fo mação do Eixo Sino- Paquis anês Na segunda me ade do século XX, após o des echo da 2ª Gue a Mundial, no mundo Ociden al 6 , a cli agem ideológica e polí ica en e a URSS e os demais i o iosos, dos quais se des acam os EUA, culminou numa di isão, ba izada po Chu chill como “co ina de e o”, que o igina ia o pe íodo denominado po Gue a F ia en e o Bloco Ociden al, lide ado pelos EUA, e o Bloco de Les e, lide ado pela URSS, pe íodo es e que i ia a o na -se o pon o mais impo an e das dinâmicas do sis ema in e nacional, a é à década de 1990, no mundo Ociden al (A uga 1992, 9; Walle s ein 2010, 16). 6 Quando na p esen e disse ação se abo da o mundo Ociden al, ala-se da concep ualização da polí ica in e nacional eu opeia, na qual, po ques ões geog á icas e polí icas se incluem a URSS, is o a capi al à al u a, Mosco o, pe ence ao lado eu opeu da Eu ásia, o con inen e ame icano e o no e de Á ica (Ku h 2003). Nes e sen ido, ale essal a que o concei o de mundo Ociden al e o concei o de Bloco Ociden al são is os de o ma dis in a, sendo es e úl imo uma di isão polí ica do p imei o no empo especí ico da Gue a F ia, além de que o con inen e asiá ico e a egião da Á ica Aus al, comp eendida, pa a a p esen e jus i icação, como oda a egião a sul do Saa a, não são de odo in eg adas no concei o de mundo Ociden al pa en e (Ku h 2003). 40 in ensi ica -se cada ez mais, mui o pelo con ex o asiá ico de necessidade de con abalança uma Índia que começa a a desen ol e ecnologia mili a nuclea des abilizando a egião. Suma iamen e, os a o es que conduzi am ao ap o unda das elações sino- paquis anesas o am: a já mencionada deceção paquis anesa pela al a de apoio no e- ame icano na segunda e na e cei a gue as indo-paquis anesas; a Gue a Sino-Indiana, em 1962, e a assina u a do Aco do F on ei iço Sino-Paquis anês, em 1963; a pe da de con iança paquis anesa no Ociden e, que apoia a, de o ma indi e a, a Índia a a és de undos p o enien es da Commonweal h; e, em ac escen o, mas não menos impo an e, a ecusa indiana de assina um aco do de mú ua p o eção e segu ança, p opos o pelo Paquis ão no inal da segunda Gue a Indo-Paquis anesa, com o ga an e de uma esolução pós uma do caso de Jammu e Caxemi a de o ma pací ica e diplomá ica, endo a Índia jus i icado a ecusa com a a i mação de que se ia insul uoso negocia sob e a sobe ania de um e i ó io que, à pa ida, conside a a seu po di ei o (Noona i e Memon 2017, 113). Em mo e de conclusão, gos a íamos de essal a en ão duas ideias p incipais. P imei o, quando, inicialmen e, dizemos que a Gue a F ia na Ásia não e a i ida da mesma o ma que e a i ida no mundo Ociden al, e e imo-nos ao ac o de no espaço asiá ico a polí ica de blocos não e sido idên ica ao obse á el no Ociden e, onde os Es ados p ocu a am alinha -se poli icamen e po con icções e alianças polí ico-mili a es, op ando os Es ados asiá icos po se elaciona em de o ma bila e al em aco dos de mú uo bene ício. Es e bila e alismo pode se obse ado, po exemplo, nos casos expos os an e io men e no con ex o da Ásia do Sul, is o po que as escolhas omadas quan o ao alinhamen o ou não-alinhamen o e am sob e udo ligadas a in e esses egionais e dispu as en e Es ados, su gindo as mesmas quase como casamen os po con eniência na ob enção de um mesmo obje i o e nunca com o pensamen o eu opeu de cons ução de alianças, a é po que, ao con á io do mundo Ociden al, o mundo asiá ico não bebe de uma mesma ci ilização e, po es a azão, o que a as a os Es ados asiá icos é quase semp e supe io ao que os ap oxima. Segundo, gos a íamos de essal a ainda que apesa de, inicialmen e, a China e o Paquis ão pode em se Es ados opos os em odos os sen idos, cul u almen e, his o icamen e, poli icamen e e economicamen e, a união en e ambos os Es ados su giu quase como uma ob iga o iedade num momen o em que se encon a am isolados no con ex o in e nacional, algo isí el, a pa i de meados da década de 1960, com a 41 in ensi icação de ambas as pa es das elações diplomá icas a a és de di e sos aco dos, econhecendo-se de o ma comum como pila es da polí ica ex e na um do ou o e, mesmo não exis indo a o mação de uma aliança, como capazes de ga an i a p o eção mú ua de ido à pa ilha de in e esses comuns (Small 2015, 3 e 29). 2.2. Os Aco dos Nuclea es como Respos a a uma Índia Nuclea izada Após a de o a na gue a com a Índia, em 1971, e a consequen e independência do Bangladesh, o Paquis ão ai assina o Aco do de Simla 13 p opos o pelo lado indiano, em 1972, como o ma de cimen a a paz pelas condições do país encedo , a Índia (Dawn 2012). Nes e aco do, que p e endia condiciona a polí ica ex e na paquis anesa, exis em dois g andes pon os que chamam a a enção. Po um lado, o aco do es ipula a que ambos os Es ados, a pa i do momen o de assina u a, esol e iam odas as ques ões de ensão de o ma bila e al e pací ica sem que osse pe mi ida a in e enção de e cei os, al como a ONU. 14 Po ou o lado, o aco do isa a ambém a c iação da LoC de Jammu e Caxemi a, que se si ua ia na zona onde os exé ci os se encon a am à al u a da assina u a do cessa - ogo conjun o, o que signi ica a imedia amen e a pe da paquis anesa pa a o lado indiano de uma boa pa e do e i ó io que con ola a an e io men e à gue a, icando es ipulado que nenhum lado de e ia p ocu a al e a a LoC de o ma unila e al independen emen e de qualque in e p e ação legal que di e isse do es ipulado no documen o o icial. 15 Aliás, num pequeno à pa e, após a assina u a do aco do a Índia p ocu ou jun o do Paquis ão um aco do secundá io que econhecesse a LoC como a on ei a in e nacional en e os dois países, po ém, à semelhança da ecusa indiana, em 1965, da p opos a paquis anesa de esolução pací ica do con li o, o Paquis ão ai ecusa a p opos a indiana jus i icando que o aco do assinado não de inia o domínio da egião, mas sim a on ei a de con olo (Dawn 2012; IANS 2012). Como consequência do des echo da gue a e da limi ação que o Aco do de Simla coloca a à ação in e nacional paquis anesa, as elações sino-paquis anesas ão 13 Minis y o Ex e nal A ai s o he Go e nmen o India, «AGREEMENT BETWEEN THE GOVERNMENT OF INDIA AND THE GOVERNMENT OF THE ISLAMIC REPUBLIC OF PAKISTAN ON BILATERAL RELATIONS (SIMLA AGREEMENT)» (Shimla, 2 de Julho de 1972), h p://www.mea.go .in/bila e al-documen s.h m?d l/5541/Simla+Ag eemen . 14 Minis y o Ex e nal A ai s o he Go e nmen o India. 15 Minis y o Ex e nal A ai s o he Go e nmen o India. 42 ap o unda -se nos campos económico, mili a e nuclea , enquan o as elações en e o Paquis ão e o Ociden e se ão começa a de e io a , algo isí el em dois momen os dis in os. O p imei o momen o, em 1972, demons a-nos a omen ação das elações sino- paquis anesas quando o Paquis ão, como espos a à necessidade de ecupe a apidamen e de uma gue a de as ado a e espondendo mais uma ez ao seu p óp io p oblema secu i á io, com o apoio chinês, inicia um p og ama nuclea com is a a esponde a duas ques ões undamen ais: a p imei a ligada a uma c ise ene gé ica in e na e a segunda, e mais impo an e, ligada à necessidade de con abalança a Índia que, em simul âneo, já desen ol ia o seu p óp io p og ama nuclea (Hussain e Rand ianan oand o 2015, 41). O segundo momen o, no ano seguin e, em 1973, demons a-nos o de e io a das elações do Paquis ão com o Ociden e, quando o Paquis ão decide abandona a SEATO com a e ó ica de que es a o ganização de nada ha ia se ido na p o eção dos in e esses paquis aneses, sob e udo no con li o com a Índia, açando o caminho pa a o cimen a das suas elações com a China («Sou heas Asia T ea y O ganiza ion (SEATO), 1954» 2022). Após es as duas g andes decisões omadas, o Paquis ão ai começa a sen i -se numa posição delicada, pelo que, apesa de e iniciado uma no a e apa da sua polí ica ex e na, o P imei o-Minis o paquis anês, Zul ika Ali Bhu o, em 1974, numa en a i a de eassegu a alguma paz ex e na, ai euni -se com a sua con apa e chinesa, Zhou Enlai, de o ma a, mais uma ez, ques iona sob e a possibilidade de o malização de um aco do de de esa mú ua sino-paquis anês de modo a que pudesse ga an i um ela i o equilíb io de pode com a Índia, ao que a Zhou Enlai, espei osamen e, segundo Small, espondeu que não se ia necessá io is o uma no a gue a indo-paquis anesa signi ica , à pa ida, o apoio o al chinês ao Paquis ão (Small 2015, 30). Po ém, nes e mesmo ano, a Índia ai conduzi os p imei os es es nuclea es 16 , sob o cognome Smiling Bhuda ou Pokh an-I, à sua no a bomba nuclea , denominada po 16 Vale aqui ac escen a que, em 1974, como espos a ao es e nuclea Smiling Bhuda, ealizado po um Es ado não signa á io do TNP, em igo desde 1970, ai se c iado pelo Japão, pelo Canadá, pela Alemanha (nas suas duas epúblicas), pela URSS, pelo Reino Unido, pelos EUA, signa á ios do TNP, e pela F ança, não signa á ia, o NSG, que inha como obje i os: ga an i que os Es ados de en o es de a mamen o nuclea não o u iliza iam pa a des ui , apenas pa a dissuadi ; ga an i o cump imen o das di e izes do IAEA na ans e ência e manu enção des e ipo de a mamen o; e, po im, ga an i que os Es ados que impo assem ecnologia nuclea cump i iam as mesmas di e izes que o Es ado expo ado (Nuclea Supplie s G oup 2022). 43 Shak i-I, omando o p imei o passo pa a al e a o pa adigma da balança de pode egional ao se o na a p imei a nação de en o a de uma bomba nuclea na Ásia do Sul, endo sido a China, en e as cinco nações nuclea es à al u a, a única que se mo eu em a o das p eces paquis anesas de epúdio às a i udes indianas, p ome endo um apoio i e ogá el ao Paquis ão con a qualque o ma de ag essão ou ameaça ex e na à in eg idade nacional paquis anesa e con a qualque u ilização de chan agem nuclea , es a úl ima especi icamen e di ecionada à Índia (Choudhu y 1975, 240; Rakisi s 2012, 86; Noona i e Memon 2017, 114). O a com es e acon ecimen o, a China ai ecua na sua posição o iginal e assina um pac o de de esa com o Paquis ão que icou selado, logo em 1974, com o en io chinês de 60 a iões de caça MiG-19, 150 anques e um conjun o de a men o nuclea do mais di e so, num aco do económico-mili a que ascendia aos 300 milhões de dóla es (Bu ke 1973, 405; Rakisi s 2012, 86; Noona i e Memon 2017, 114). Ademais, a China e o Paquis ão ão começa a in es i de o ma mais in ensi a no p og ama nuclea paquis anês, azendo pa a coo dena o mesmo um cien is a paquis anês, Abdul Khan, que ha ia sido me alu gis a na Alemanha, e que oi esponsá el pelo começo do es udo pa a o desen ol imen o de a mamen o nuclea pa a o Paquis ão, c iando, na cidade de Kahu a, pe o de Islamabad, o KRL, o p imei o labo a ó io paquis anês especializado na in es igação de a mamen o e p odução de ene gia nuclea es (Hussain e Rand ianan oand o 2015, 41; Joshi 2015). O in es imen o chinês, inclusi e, pôde se obse ado na apos a na mode nização das in aes u u as nuclea es paquis anesas, como ea o es, e na cedência de cien is as chineses pa a a ajuda nas in es igações, p ocu ando ajuda o pa cei o diplomá ico a ga an i uma o ma de de esa e equilíb io con a a ameaça indiana, especialmen e quando, po á ias ezes, os países ociden ais decidi am co a os seus apoios económicos como esul ado das sanções impos as pelos EUA, podendo conside a -se o p og ama nuclea paquis anês uma ex ensão do p og ama nuclea chinês (Hussain e Rand ianan oand o 2015, 41; Pan 2012, 85–86). Em adição, em junho de 1976, segundo Small, a China ai ainda inclui o apoio ao Paquis ão no desen ol imen o da bomba nuclea , algo e elado po Ali Bhu o, em 1979, an es da sua mo e, quando o mesmo abo da de o ma indi e a o ema no seu es amen o, a i mando, en e as espos as às acusações que lhe e am eme idas, que (Small 2015, 31): 44 “In he ligh o ecen de elopmen s, which ha e aken place, my single mos impo an achie emen , which I belie e will domina e he po ai o my public li e, is an ag eemen which I a i ed a a e an assiduous and enacious endea ou spanning o e ele en yea s o nego ia ions. In he p esen con ex , he ag eemen o mine, concluded in June 1976, will pe haps be my g ea es achie emen and con ibu ion o he su i al o ou people and ou na ion.” (Bhu o 1979, 223). O a apesa da mensagem ansc i a não o e idencia di e amen e, quando obse amos udo o que oi abo dado a é ao momen o, é possí el, de o ma inequí oca, ga an i que Ali Bhu o se e e e às negociações sino-paquis anesas pa a um aco do mili a que seguiam desde 1965 e que o am concluídas, em 1976, com o aco do sec e o en e Ali Bhu o e Mao Zedong, dois meses an es da sua mo e, que ga an ia o aco do pa a a cons ução de uma bomba nuclea (Small 2015, 31; Pan 2012, 85; Siddiqui 1986, 53; Joshi 2015). Aliás, es as a i mações o nam-se mais e iden es quando, po exemplo, analisamos a assina u a, no mesmo ano, de um aco do pa a o desen ol imen o ecnológico sino-paquis anês e, na década de 1980, o o e in es imen o chinês no p oje o nuclea paquis anês pa a assim ga an i a sob e i ência paquis anesa con a uma Índia nuclea izada (Small 2015, 31; Pan 2012, 85; Siddiqui 1986, 53; Joshi 2015). En e 1977 e 1978, o Paquis ão e a China ão so e ambos mudanças polí icas in e nas que acaba iam po e le i al e ações p o undas na o ma como ambos os Es ados se compo a iam na sua polí ica ex e na. Po um lado, no Paquis ão, após a Ope ação Fai Play 17 , os mili a es ão subi ao pode sob e a égide do undamen alis a islâmico Zia ul- Haq, o que esul ou na adoção de uma polí ica ex e na mais ag essi a, du an e a década de 1980, enquan o, po ou o lado, na China, a mo e de Mao Zedong, em 1976, acabou po aze com que, em 1978, Deng Xiaoping chegasse ao pode e, com ele, a ala mais mode ada do PCC, o que culminou numa ans o mação p o unda da polí ica ex e na chinesa e na adoção do ideal de uma polí ica ex e na menos obus a, baseada o emen e em aco dos económicos, pa a se elaciona com os es an es Es ados asiá icos (Noona i e Memon 2017, 115; Rakisi s 2012, 86). Aliás, du an e es e inal da década de 1970, as 17 Ope ação Fai Play é o nome de código dado ao golpe de Es ado de 5 de julho de 1977, lide ado pelo Gene al Che e do Es ado-Maio do Exé ci o Zia ul-Haq, que de ubou o go e no do P imei o-Minis o Ali Bhu o (Bhu o 1979, 3). 45 elações sino-paquis anesas ão e um pequeno pe íodo de a e ecimen o, is o po que a China inha ado ado uma posição mais neu al em elação à Ásia do Sul, iniciado p oje os de in es imen o na Índia e no Bangladesh, mesmo apesa da Índia e sido conside ada a 5ª po ência nuclea mundial e isso se um símbolo de pe igo pa a o Paquis ão, e diminuído o apoio in e nacional ao Paquis ão no caso de Jammu e Caxemi a, apoiando uma esolução pací ica ao in és do a é en ão de endido di ei o à au ode e minação (A. R. Malik 2013, 157–83; Akh a 2014, 73). Apesa de, nes a al u a, os go e nos paquis anês e chinês e em isões di e en es, a e dade é que, mais uma ez, a elação en e ambos ai ap o unda -se, pois, po um lado, a China começou um plano de in es imen o no Paquis ão que se cen a a no desen ol imen o económico paquis anês em di e sas á eas, nomeadamen e a da p odução de ene gia nuclea e a do comé cio, com o in es imen o de 630 milhões de dóla es pa a a cons ução da au oes ada de Ca acó um 18 , e, po ou o lado, o Paquis ão ga an ia, a a és de uma polí ica ex e na mais ag essi a, o equilíb io com a Índia (Small 2015, 31; Ja aid e Jahangi 2015, 201–21). Du an e a década de 1980, ão se dois os momen os que ão ma ca o ap o undamen o das elações sino-paquis anesas, po um lado, a in asão so ié ica do A eganis ão e a consequen e in e enção paquis anesa, apoiada pelos EUA e pela China, con a a URSS e, po ou o lado, o maio in es imen o sino-paquis anês no desen ol imen o nuclea que acabou po esul a no ab ico da bomba nuclea paquis anesa. En e 1979 e 1989, as elações bila e ais sino-paquis anesas, pela p imei a ez, ão encon a -se e dadei amen e in luenciadas pela Gue a F ia, dado que, a pa i de dezemb o de 1979, a in asão so ié ica do A eganis ão, como espos a a uma gue a ci il que inha su gido um ano an es en e gue ilhas islâmicas a egãs an isso ié icas e o go e no comunis a a egão, acabou po mo i a a c iação de um elo en e o Paquis ão, os EUA e a China, que se jun a am sob a jus i icação de de o a o inimigo comum, a URSS, is o po que a in asão so ié ica do A eganis ão signi ica a: p imei amen e, um pe igo eno me à es abilidade egional; e, em segundo luga , a in luência so ié ica em g ande pa e da Ásia, o que não ag ada a, po um lado, à China e aos EUA, especi icamen e pela oposição em elação à URSS e pelo a anço do Bloco de Les e, e, po ou o lado, à China 18 A au oes ada de Ca acó um, com uma ex ensão de 1300 quilóme os, liga o Paquis ão e a China en e Punjab e o Xinjiang, começando em Hasan Abdal, passando po Islamabad, e e minando no Passo de Khunje ab onde depois se o na a au oes ada nacional chinesa 314. 46 e ao Paquis ão, pela p eponde ância que a Índia ganha ia no con ex o egional (Waqas e Majid 2020, 269; Rakisi s 2012, 86; Tikkanen 2022; Noona i e Memon 2017, 115). Du an e o pe íodo da Gue a do A eganis ão, en e 1979 e 1989, o Paquis ão, pela sua posição geoes a égica na on ei a com o A eganis ão, acabou po se o na o cen o das ope ações an isso ié icas, o nando-se a peça undamen al do declínio so ié ico, endo sido no no e do país, na zona de Khybe Pakh unkhwa, que, numa ope ação conjun a en e a CIA, se iços sec e os no e-ame icanos, e o ISI, se iços sec e os paquis aneses, com apoio inancei o no e-ame icano 19 , chinês e paquis anês, se começa am a e gue as mad aças 20 que se i iam de base de eino dos Mujahideen 21 que chega am da A ábia Saudi a e do Egi o, além das zonas ibais do Paquis ão, de o ma a in eg a em as gue ilhas a egãs que comba iam o go e no comunis a (Yamin 2020, 9; Waqas e Majid 2020, 269; A id, Yousu i, e Khan 2014, 2192). Apesa do apoio chinês aos Mujahideen se , à pa ida, di ícil de comp eende , is o a China, sob e a One China Policy, a a os muçulmanos uigu es que se opunham ao domínio chinês no Xinjiang de o ma op esso a e disc imina ó ia, a e dade é que a p incipal p eocupação chinesa e a ga an i o equilíb io de pode egional e isso signi ica a não pe mi i que a URSS se conseguisse es abelece de o ma mais obus a no A eganis ão, pe o da on ei a ociden al chinesa, e ga an i que o Paquis ão não ica a agilizado sob a ameaça indo- so ié ica (Rakisi s 2012, 87; Akh a 2014, 73). Du an e es e pe íodo de gue a, o Paquis ão e a China c ia am ainda o Comi é Conjun o Sino-Paquis anês de o ma a agiliza os p ocessos ela i os às ajudas inancei as e mili a es chinesas ao Paquis ão pa a comba e a URSS (S. Wol 2020, 9). Em inais da década de 1980, po ém, a in luência da Gue a F ia na ealidade sino- paquis anesa ai o na -se nula mais uma ez, pois, com a e i ada da URSS do A eganis ão, o equilíb io egional com uma Índia nuclea ai ol a a se o ce ne da polí ica ex e na paquis anesa e, pa a a China, ago a que a URSS es a a en aquecida, e a 19 O apoio e in es imen o no e-ame icano ao Paquis ão pa a a ealização do p og ama conjun o, de o ma a se e uma noção mais cla a, ul apassou os 3 mil milhões de dóla es, sendo, à al u a, o maio in es imen o mili a no e-ame icano ei o desde a Gue a do Vie name (Yamin 2020, 9). 20 Escolas de ensino do Islão. 21 A pala a Mujahideen, o ma plu al de Mujahid, é um e mo á abe que, po no ma, se e e e às gue ilhas islâmicas que lu am pela Jihad que, po sua ez, signi ica a lu a em nome de Allah, ou Deus, da eligião ou da comunidade, ou Ummah (Zeidan 2022). 47 necessá io esol e o p oblema que a Índia ep esen a a, pelo que, pa a al, e a necessá io pausa a polí ica de bom elacionamen o com os izinhos e inicia uma polí ica mais ag essi a (Waqas e Majid 2020, 269). Aliás, numa al u a em que SAST se eacendia, po ol a de 1987, o Paquis ão que, a é en ão, inha algumas dú idas das in enções da China pela ques ão da neu alidade chinesa sob e Jammu e Caxemi a, iu as ince ezas se em dissipadas quando, na escalada de con li o oco ida na década de 1990, a China omou o lado paquis anês com o en io de apoios económicos e mili a es de o ma a pe mi i ao Paquis ão en en a uma possí el gue a, o que, adicionado ao silêncio no e-ame icano sob e a ques ão, pe mi iu ao Paquis ão eacende a chama da con iança de que não se encon a a isolado in e nacionalmen e (Waqas e Majid 2020, 269; A id, Yousu i, e Khan 2014, 2192). Nes e sen ido, no campo dos aco dos bila e ais sino-paquis aneses, é possí el en ende que, en e as décadas de 1980 e 1990, o Paquis ão o nou-se o pa cei o de maio con iança pa a China, mesmo apesa da p omoção chinesa de boas elações com odos os seus izinhos, apoiando a China em odos os campos de deba e in e nacional, desde a One China Policy a é à ques ão dos di ei os humanos, de endo-se odo es e apoio in e nacional paquis anês à China à es a égia de Zia ul-Haq que, não que endo come e os mesmos e os que o Paquis ão ha ia come ido em 1971, não se quis oca apenas em aco dos mili a es com a China, p ocu ando semp e di e si ica as elações sino- paquis anesas, de o ma a ga an i o máximo p o ei o paquis anês do eixo-sino- paquis anês em odas as es e as, ao mesmo empo que p ocu a a di e si ica os pa cei os de pac os mili a es, pa a ga an i que o Paquis ão não depende ia, numa u u a gue a, apenas do apoio mili a chinês (Noona i e Memon 2017, 115; Rakisi s 2012, 87). Con udo, após a saída de Zia ul-Haq do pode 22 , em 1988, o Go e no de Benazi Bhu o, ilha de Ali Bhu o, ai ol a a in ensi ica as con e sas en e a China e o Paquis ão no campo mili a , assinando dois aco dos de o necimen o de a mas que eacende am a dependência paquis anesa pa a com a China, is o po que, segundo Rakisi s, um dos aco dos eque ia explici amen e que o Paquis ão comp asse, mesmo em 22 No dia 17 de agos o de 1988, após assis i a uma demons ação mili a em Bahawalpu , Zia ul- Haq ai alece num aciden e de a ião quando eg essa a a Islamabad, exis indo uma co en e paquis anesa que de ende que o aciden e possa e sido p o enien e de uma sabo agem manda ada pela Índia, is o Bahawalpu ica p óxima da on ei a sudes e do Paquis ão com a Índia, o que aumen ou a ensão en e ambos os países (Ran e 1988). 48 empos sem necessidade, a mamen o e ecnologia mili a es chinesas, algo complemen ado, em 1993, com mais um aco do de enda de a mas da China ao Paquis ão que o nou a China, de longe, o p incipal o necedo do a mamen o paquis anês 23 (Rakisi s 2012, 87; Kondapalli 2012, 180). A é ao momen o, explo amos a década de 1980 no con ex o da Gue a F ia, po ém, pa a en ende oda a década de 1990, sob e udo os acon ecimen os que le a am à C ise de Ka gil, é necessá io eg essa mos um pouco a ás e abo da mos a ques ão das elações sino-paquis anesas no campo da polí ica nuclea , na década de 1980, de o ma a en ende mos, concisamen e, como a ques ão se desen ol eu nes es dez anos e de que o ma es es acon ecimen os podem e quase c iado uma gue a nuclea na Ásia do Sul. Como e idenciado an e io men e, a década de 1980, pa a as elações sino- paquis anesas no âmbi o da polí ica nuclea , oi uma década c ucial pa a ambas as pa es, mas sob e udo pa a o Paquis ão. Em 1982, como esul ado do aco do alcançado po Ali Bhu o com Mao Zedong, em 1976, o a ião de anspo e He cules C-130, pe encen e à Fo ça Aé ea paquis anesa, pa e do Xinjiang em di eção a Islamabad com um ca egamen o de cinco caixas de aço inoxidá el que con inham, cada uma, dois lingo es de um quilog ama de u ânio en iquecido, o su icien e pa a o ab ico de duas bombas nuclea es, e com os planos pa a cons ução da bomba nuclea (R. J. Smi h e Wa ick 2009; Paul 2003, 4; Siddiqui 1986, 55). Segundo Small, nes a al u a, Zia ul-Haq encon a a-se cada ez mais ne oso em elação à len idão do p og esso paquis anês no ab ico da bomba nuclea , algo alimen ado pelo medo de que o que Is ael inha ei o ao I aque, aquando do a aque a Osi ak que des uiu g ande pa e do p og ama nuclea i aquiano, pudesse acon ece ao Paquis ão com um a aque da Índia (Small 2015, 34). Aliás, pa a o ápido desen ol imen o do p og ama nuclea paquis anês, a China, en e 1983 e 1986, en ia a de o ma in ensi a ao Paquis ão odos os ma e iais que pudessem i a se necessá ios, como, po exemplo, di e sos planos pa a a c iação de a mamen o nuclea , í io pa a aumen a o endimen o das bombas nuclea es e, de o ma anual, u ânio en iquecido pa a o ab ico de a mamen o nuclea (Paul 2003, 4). 23 Aliás, en e 1971 e 2001, o alo global da expo ação de a mas chinesa pa a o Paquis ão oi de 9,8 mil milhões de dóla es, o que, comp ado com os 3,4 mil milhões de dóla es dos EUA, no mesmo pe íodo, demons a o quão dependen e mili a men e o Paquis ão e a da China (Rakisi s 2012, 87). 49 Como ou a consequência da assina u a do aco do de 1976, que isa a o desen ol imen o ecnológico e que, de o ma abs a a, incluía a bomba nuclea , em 1986, após meses de negociação, a China e o Paquis ão ão assina um aco do pa a a coope ação nuclea que, como aspe o mais impo an e, inha o ga an e de que, caso o Paquis ão cons uísse uma bomba nuclea , não en a ia eplicá-la, e i ando assim a p oli e ação nuclea e que, como a China não e a signa á ia do TNP, exis isse p essão in e nacional sob e a mesma (Siddiqui 1986, 56). Aliás, sob e es e mesmo aco do, segundo Siddiqui, an o a China, como o Paquis ão, ão p omo ê-lo enquan o um en endimen o en e dois Es ados que p ocu am p ese a a paz egional, endo o Paquis ão ap o ei ado o aco do pa a, enquan o p oduzia de o ma sec e a a bomba nuclea , ga an i a esolução da c ise ene gé ica que assola a o país (Siddiqui 1986, 57–58). En e 1988 e 1989, a ensão indo-paquis anesa ai aumen a com os es es balís icos le ados a cabo pela Índia, pelo que o Paquis ão ai deixa -se le a , mais uma ez, pelas ama as do seu ul a-secu i a ismo e, de o ma a ga an i o equilíb io egional com a Índia com uma demons ação de o ça, ai ealiza es es aos seus ecém- ab icados misseis de cu o-alcance Ha -1, capazes de pe co e a é 70 quilóme os, enquan o que, nos bas ido es, p ocu a a ga an i jun o da “ elha amiga” China a aquisição da ecnologia mili a chinesa mais mode na, conseguindo adqui i um lo e de misseis M-11 e M-9, en e 1990 e 1991, e ainda os ma e iais necessá ios pa a desen ol e mísseis balís icos de maio p ecisão e capazes de pe co e maio es dis âncias, a é inais da década de 1990, como são exemplos os mísseis de cu o-alcance Shaheen-1 (1999), capazes de pe co e 750 quilóme os, baseados no M-9, e os modi icados Ha -1A (1995), capaz de pe co e 100 quilóme os, e Ha -1B (1999-2001), capaz de pe co e os mesmos 100 quilóme os e com a adição de um sis ema de na egação ine cial capaz de o na o míssil mais p eciso (F. H. Khan 2012, 238; Small 2015, 40; «Ha -1» 2000; «Shaheen-I [M-9?]» 2000) 24 . Em conjun o com es a aquisição paquis anesa, em 1990, a China ai ainda a qui e a e o nece ao Paquis ão o ea o de água pesada Khushab, necessá io à p odução de plu ónio, ao mesmo empo que en ia a os apoios écnicos e ma e iais necessá ios pa a o desen ol imen o do ea o de ene gia nuclea Chashma, que i ia a se inaugu ado, em 24 O míssil de cu o-alcance Ha -2, em si, não pode se is o enquan o uma mode nização do sis ema balís ico, is o a cons ução do mesmo se baseada na junção de dois mísseis Ha -1, po ém, a dis ância pe co ida é bas an e supe io à do seu an ecesso , podendo pe co e a é 280 quilóme os («Ha - 2 / Shadoz» 2000). 56 Clin on, P esiden e dos EUA, os diploma as no e-ame icanos já es a am o almen e in o mados sob e os a anços nas negociações sino-paquis anesas e a si uação desen olou- se com Bill Clin on a p opo a Nawaz Sha i duas escolhas pa a o u u o do Paquis ão que consis iam en e comba e , sem qualque apoio, uma gue a com a Índia, ou e i a os exé ci os pa a a zona da LoC, o que esul ou na assina u a de um aco do en e os EUA e o Paquis ão, a 4 de julho, no qual se incluía a ga an ia paquis anesa de e i ada das opas de Ka gil e o comp ome imen o no e-ame icano de que odas as sanções se iam le an adas ao Paquis ão após o cessa - ogo (Riedel 2009, 137; Small 2015, 59). A p o a de que Nawaz Sha i inha ido sucesso nas negociações e que a China inha ol ado a apoia o Paquis ão o malmen e, e i ando discu sos de neu alidade, su gem, a 7 de julho de 1999, quando Zhang Qiyue, po a- oz de Tang Jiaxuan, Minis o dos Negócios Es angei os chinês, az a público a posição chinesa em elação ao con li o e e indo que a Índia e o Paquis ão inham o de e de “(…) espec he line o con ol in Kashmi and esume nego ia ions a an ea ly da e in acco dance wi h he spi i o he Laho e decla a ion” 27 , algo que não e a do in e esse da Índia, po se encon a num momen o de supe io idade e de quase anexação o al de Jammu e Caxemi a, e demons a a o apoio chinês ao Paquis ão, que com uma negociação pelos e mos da Decla ação de Laho e ecupe a a g ande pa e do e i ó io pe dido (Small 2015, 59). O aco do de paz indo-paquis anês, po ém, apenas ai se assinado, a 26 de julho, com ambas as pa es a aco da em cump i o es ipulado no Aco do de Simla, em 1972, e a espei a em os p incípios explíci os da Decla ação de Laho e, assinada em e e ei o do mesmo ano (Singh 2001, xii). No que oca às elações diplomá icas, segundo Small, es a gue a culminou na pe ceção paquis anesa de que apesa do a senal nuclea que possuía e azido imenso bene ícios, ao mesmo empo cus ou o equilíb io de pode egional e o apoio chinês na manu enção do mesmo, o que al e ou p o undamen e a o ma como as elações sino-paquis anesas se ão desen ola , de ambos os lados, no no o milénio(Small 2015, 59–60). 27 Ci ado em: «Respec LoC, says China», The T ibune, 7 de Julho de 1999, h ps://www. ibuneindia.com/1999/99jul07/wo ld.h m#5. 57 2.3. Da C ise de Ka gil à assina u a do CPEC: a Mudança de Pa adigma Como examinado a é ao p esen e momen o, as elações sino-paquis anesas desen ol e am-se de o ma con ínua e cons an e, sob e udo, nas úl imas ês décadas do século XX, nos campos da de esa, da ecnologia, da polí ica, da ene gia e da economia. O a, a é meados da segunda década do p esen e século XXI, como i á se abo dado ao longo des e subcapí ulo, es as elações p og edi am e ap o unda am-se de o ma ainda mais os ensi a nos campos da economia, da polí ica, do con a e o ismo, da p oli e ação nuclea e da de esa, po ém, semp e seguindo uma agenda mui o p óxima aos in e esses da polí ica ex e na chinesa, que caminha a no sen ido de cons ução de uma economia o e, pa a ascende ao luga de pode hegemónico na Ásia, e de uma imagem pací ica, p ocu ando a China, após a C ise de Ka gil, supe isiona as ações paquis anesas no campo polí ico-económico de o ma a não p ejudica a imagem chinesa e ga an i a es abilidade egional. 2.3.1. A China Neu a, o Paquis ão Secu i á io e o Con a e o ismo Como se ia de espe a , pela eco ência da hos ilidade indo-paquis anesa, a C ise de Ka gil não i ia se o úl imo momen o de ensão na egião, e mui o menos o úl imo momen o em que uma c ise nuclea pode ia o igina -se na Ásia do Sul e a China se ia chamada a in e i pa a e i a a des abilização egional. En e dezemb o de 2001 e maio de 2002, o mundo ai assis i a mais um episódio do con li o indo-paquis anês que, epe indo o pad ão da C ise de Ka gil, quase colocou a Ásia do Sul numa gue a nuclea , icando es e e en o conhecido como a Twin Peak C isis (Small 2015, 60; Za a Khan 2018, 149). O p imei o pico da Twin Peak C isis, oco ido a 13 de dezemb o de 2001, consis e, esumidamen e, no a aque de cinco mili an es de uma o ganização e o is a, de nacionalidade paquis anesa, ao Pa lamen o indiano de o ma a c ia uma sensação de pânico gene alizado que le asse ao desmobiliza das opas indianas da LoC (Za a Khan 2018, 149; Small 2015, 60). Como esul ado des a en a i a de a en ado, que acabou po não se le ada a cabo da o ma planeada, a Índia ai a i ma que os e o is as pe enciam à LeT e à JeM e ai acusa o ISI de não con ola es es g upos ou de pa ocina os a aques 58 e o is as no e i ó io indiano e, in e nacionalmen e, os EUA 28 ão p ocu a sanciona o Paquis ão po não oma medidas con a es es mesmos g upos e o is as, si uação que o Paquis ão, com apoio da China, ai p ocu a esol e de o ma a p ocede a um desanu iamen o das ensões com a Índia (Za a Khan 2018, 149). Po ém, ao con á io do que se ia de espe a , o p imei o in e enien e a oma uma ação mais adical oi a Índia que, com o p e ex o do comba e ao e o ismo, e o çou os con ingen es mili a es em Jammu e Caxemi a e iniciou exe cícios mili a es na on ei a, com ce ca de 500 mil mili a es, sob o cognome de Ope ação Pa ak am, de o ma a p essiona o Paquis ão a oma medidas no comba e ao e o ismo (Kapu 2008, 80, 2005, 149–50; Za a Khan 2018, 150). Con udo, a pos u a indiana de p essão in ensa acabou po aciona , mais uma ez, o p oblema ul a-secu i á io paquis anês e, nes e sen ido, o Paquis ão ai esponde do mesmo modo mobilizando g ande pa e dos seus con ingen es mili a es na on ei a, c iando uma o e ensão mili a en e os dois i ais sul-asiá icos que le ou a que, po exemplo, os EUA e a Ingla e a e i assem os seus diploma as do Paquis ão e da Índia com medo de que se iniciasse uma gue a nuclea (Za a Khan 2018, 150; Small 2015, 60). Po ém, com a ajuda da China que, a es a al u a, ambém deseja a o desanu iamen o da si uação, o Paquis ão ai coope a com a Índia na condenação dos a aques e o is as p ocu ando sanciona e desman ela os dois g upos e o is as esponsá eis, LeT e JeM, de o ma a acalma os ânimos, demons ando in e nacionalmen e, pa a ag ado da agenda in e nacional chinesa, e ealmen e ap endido uma lição com a C ise de Ka gil (Kapu 2005, 149; Small 2015, 60; Za a Khan 2018, 150). Toda ia, quando in e nacionalmen e se pensa a que a c ise indo-paquis anesa es a a esol ida, a 14 de maio de 2002, o mundo ai assis i ao segundo pico des a c ise com um no o a aque e o is a, des a ez, a uma base mili a indiana na egião de Kaluchak, na pa e indiana de Jammu e Caxemi a, que esul ou na mo e de á ios amilia es dos mili a es indianos que se encon a am na on ei a indo-paquis anesa (The T ibune 2002; Za a Khan 2018, 150). O a, apesa de inicialmen e a Índia não conside a es e a aque um p e ex o pa a a aca o Paquis ão, a e dade é que ambos os lados o i ica am os seus con ingen es mili a es nas on ei as e, enquan o a ameaça de uma 28 A in e enção acesa no e-ame icana, nes e caso, pode se jus i icada pela polí ica de Gue a ao Te o que os EUA inham iniciado após os a aques e o is as de 11 de se emb o do mesmo ano. 59 possí el gue a nuclea indo-paquis anesa pai a a, o mundo assis ia à si uação com eceio e inquie ação (Za a Khan 2018, 150; Kapu 2008, 82; Noona i e Memon 2017, 115). Nes e sen ido, mais uma ez, pa a desanu ia a si uação de ensão en e a Índia e o Paquis ão nas on ei as e e i a uma gue a nuclea , a China e os EUA ão in e i de o ma a ga an i a es abilidade egional (Za a Khan 2018, 150). Pa a a China, po ém, o papel in e en i o oi mui o mais limi ado do que aquele que os EUA acaba am po e , is o po que o Paquis ão pa ilha a do mesmo in e esse in e nacional de acalma a si uação e ga an i a paz egional (Noona i e Memon 2017, 115). Po ou o lado, pa a os EUA, que desde os a aques e o is as às o es gémeas, em 2001, p ocu a am ex e mina os g upos e o is as com a denominada Gue a ao Te o , a dinâmica de ação, pelo en ol imen o de g upos e o is as no con li o, oi mui o supe io , endo o lado no e-ame icano en ado em con e sações di e as com o Paquis ão de modo a pe cebe a es a égia con a e o is a paquis anesa (Noona i e Memon 2017, 116). Po ém, o impo an e se á dize que, nes e caso de con li o em especí ico, o eixo sino-paquis anês e e a ajuda impo an íssima dos EUA, que p ocu a am impedi , de o ma se e a, qualque ag essão indiana ao Paquis ão que e a aliado no e-ame icano na lu a con a o e o ismo no A eganis ão (Za a Khan 2018, 150). Du an e es e pe íodo di ícil, onde a escalada do con li o ob iga a a uma ges ão me iculosa do mesmo, os EUA ão p ocu a o ganiza uma sé ie de isi as diplomá icas à egião de o ma a ga an i que não exis issem a aques de pa e a pa e, ao mesmo empo que a China p ocu a a apoia a ação no e-ame icana en iando diploma as a ambos os lados pa a p omo e as negociações de paz (Small 2015, 60). Con udo, num pequeno à pa e, pa a Small, mais impo an e do que aquilo que a China ez, oi aquilo que a China não ez, mui o de ido à mudança de abo dagem em elação ao caso indo-paquis anês após a C ise de Ka gil, endo mesmo sido o ulada pelos diploma as no e-ame icanos como “o cão que não lad ou” pela não aplicação de sanções a nenhum dos lados (Small 2015, 60). A e dade é que, du an e es e p ocesso de en a i a in e nacional de uma conciliação de pa e-a-pa e, os EUA e a China consegui am que ambos os lados se sen assem à mesa das negociações e, em 2003, ambos os Es ados ão conco da no cessa - ogo, endo, em 2004, assinado um aco do de paz, mais uma ez, sob o espí i o da Decla ação de Laho e, que p e ia: o con olo on ei iço de pa e-a-pa e, a colocação de uma ede de a ame a pado com igilância a i a de pa e-a-pa e na á ea co esponden e à on ei a indo- paquis anesa, a coope ação pa a ga an i a diminuição dos índices de c iminalidade na 60 on ei a e, po úl imo, a u ilização mais eco en e da “diplomacia do c icke ” 29 de o ma a ga an i um espaço de negociações cons an e en e ambas as pa es (Za a Khan 2018, 151; Jha 2017). Tan o pa a a China, como pa a o Paquis ão, a solução pa a con ola os a aques e o is as, o iginá ios de g upos e o is as paquis aneses, que começa am a in ensi ica - se a pa i de 2004, incluindo no Xinjiang, e a, sem somb a de dú ida, o con olo mais ape ado das á eas ibais paquis anesas, sob e udo da a ual egião de Khybe Pakh unkhwa e do Balochis ão (R. A. Khan 2013, 71–72). Apesa da coope ação sino- paquis anesa no âmbi o do con a e o ismo se algo que exis e desde a década de 1990, é apenas em 2004, com a in ensi icação do e o ismo de o igem paquis anesa em Kashga , no Xinjiang, que o Paquis ão e a China ão assina uma sé ie de aco dos ligados ao con a e o ismo, in ensi icando a coope ação das o ças de segu ança, mili a es e de in eligência, de ambos os Es ados, na pe seguição e desman elamen o dos g upos e o is as sediados no Paquis ão (R. A. Khan 2013, 72). Em 2005, como o ma de apoia o Paquis ão no comba e ao e o ismo, e de o ma a ga an i que a Índia pe dia ele ância egional, a China ai ap o a a en ada paquis anesa no SCO, uma o ganização económica e secu i á ia, de o ma a passa a imagem, in e nacionalmen e, de que o Paquis ão e a um Es ado comp ome ido com a manu enção da paz egional e, de ce a o ma, p ocu a limpa a epu ação paquis anesa após a Twin Peak C isis (R. A. Khan 2013, 73–74). Em adição, economicamen e, a China ai p ocu a apoia o Paquis ão a a és do in es imen o económico nas á eas ibais de Khybe Pakh unkhwa e do Balochis ão, p ocu ando mode niza in aes u u as, con ui edes de es adas, c ia pos os de abalho e in es i na económica egional, de o ma a ga an i a diminuição da pob eza e, po conseguin e, ab anda a adesão populacional às o ganizações e o is as que ope am nes as egiões e se ap o ei am des a mesma pob eza pa a o ec u amen o de mili an es (R. A. Khan 2013, 74). 29 A “diplomacia do c icke ”, como o nome indica, p essupõem a o ganização de um e en o de c icke en e ambas as pa es pa a a esolução e negociação pací ica de qualque animosidade de pa e-a- pa e (Jha 2017). A e dade é que is o só é possí el, pois, pelo passado cul u al b i ânico que pe maneceu na egião, o c icke é um despo o le ado com bas an e espei o no con ex o egional, à semelhança do u ebol no con ex o eu opeu, o que pe mi e um espaço de diálogo en e os dois lados cada ez que uma pa ida en e as seleções nacionais se ealiza (Jha 2017). 61 Po ém, oda a colabo ação sino-paquis anesa não oi capaz de e i a os a aques e o is as de Mumbai, lide ados pelo JuD, uma ami icação do LeT, em 2008, e, po conseguin e, a China ai a ua mais a i amen e na esolução do con li o indo-paquis anês, ado ando uma diplomacia de ai ém, p ocu ando assim es abelece uma ede de comunicação en e ambos os Es ados de modo a ga an i a ápida esolução de con li o, mesmo apesa de, o malmen e, an o a China, como a Índia, ecusa em admi i que possa e exis ido ação chinesa na esolução do con li o (Small 2015, 60). Con udo, mesmo apesa da negação sino-indiana do en ol imen o diplomá ico da China, a e dade é que exis em o es indícios da pa icipação chinesa nas negociações, obse ando-se du an e a ensão após os a aques e o is as em Mumbai, as isi as de He Ya ei, Vice-Minis o dos Negócios Es angei os da China à al u a, com o es a u o de en iado especial, à Índia e ao Paquis ão de o ma a ga an i a paci icidade e o equilíb io egional nes a egião do Indo- Pací ico, que pode ia se a e ado caso um no o con li o escalasse (Small 2015, 60; Sun e Haegeland 2018, 181). Em adição, ale ainda salien a que, du an e es e momen o de ensão, in e nacionalmen e, mais uma ez, a China ai in e i a a o do Paquis ão com a u ilização do e o no CSNU a pedido paquis anês em esoluções que ossem condena ó ias das a i idades do LeT, que ha ia sido conside ado culpado dos a aques e o is as após um dos memb os e sido apanhado no local e in e ogado pelas au o idades indianas (Small 2015, 61). Mesmo apesa de e acedido ao pedido paquis anês nes e caso especí ico sob e Mumbai, a e dade é que, após a c ise indo- paquis anesa es a esol ida e o LeT se condenado pelos c imes come idos, a China ai a isa o Paquis ão que não ol a ia a in e cede a a o de nenhum g upo e o is a, nem mesmo a pedido paquis anês, is o po que, du an e odo o con li o, a ques ão não se p endia sob e o ac o de se os a aques e am lide ados, ou não, pelo LeT, mas sim sob e a é que pon o o ISI e os mili a es paquis aneses es a am en ol idos com os a aques e o is as (Small 2015, 61; Lakshman 2021). Po ém, alguns académicos como Malik, pa ilham de uma isão di e en e sob e os mo i os da ação chinesa, a i mando que a China não in e eio pela necessidade de ajuda o Paquis ão a e i a o desequilíb io egional e a exposição ex e na dos seus mili a es, pela possí el ligação dos mesmos a g upos e o is as, mas sim pa a ga an i o aumen o paquis anês à p ocu a de a mamen o chinês e p essiona e condiciona a Índia com uma demons ação de o ça po pa e do eixo sino-paquis anês (M. Malik 2003, 47–48). 62 Po ém, independen emen e das opiniões se pode em di idi quan o aos mo i os da ação chinesa, a e dade é que a comunidade in e nacional à al u a dos ac os, sob e udo os EUA e o Paquis ão, pa ilhou da p imei a isão sob e a ação da China, is o po que o lado paquis anês semp e soube que, apesa de, po ezes, de e um ní el de p o eção ele ado da China em elação a udo o que possa se conside ado p essão ex e na, a China em édea cu a sob e as ações paquis anesas que dani iquem a imagem in e nacional chinesa e coloquem em causa o equilíb io egional, e o lado ame icano semp e pe cebeu que e a incong uen e po pa e da China apoia o LeT ao mesmo empo que condena a os uigu es no Xijiang, mesmo que isso signi icasse a con enção indiana (Small 2015, 61). A a i mação an e io é isí el, po exemplo, numa en e is a de Small a um especialis a polí ico chinês, o qual não é iden i icado na ob a, que e le e a ação chinesa du an e a Twin Peak C isis e os a aques de Mumbai: “I India in ades Pakis an, we would be willing o espond. I India launches ai s ikes on Pakis an, we would be willing o espond. I India h ea ens Pakis an wi h nuclea weapons, we may e en be willing o ex end ou nuclea umb ella o Pakis an, hough we wouldn’ be he i s ones o use he ‘n-wo d’. Bu when i ’s Pakis an ha causes he p oblem, we can’ back hem. Wha could we say a e Mumbai? They ob iously had mili a y aining. We couldn’ de end ha .” (Small 2015, 61). 2.3.2. O Campo Mili a -Económico-Ci il nas Relações Nuclea es O a, como oi possí el pe cebe a é ao p esen e momen o, o campo ulc al das elações sino-paquis anesas, a é 2013, p ende-se com as elações nuclea es e o apoio chinês ao desen ol imen o ecnológico de o ma a ga an i que o Paquis ão desempenha o papel que a China p ecisa que desempenhe, o papel de ga an i que a Índia não se o na um oposi o egional capaz de aze en e à China. Em 2004, como espos a ao eixo sino-paquis anês e ao apoio chinês ao desen ol imen o mili a e nuclea do Paquis ão, os EUA ão p opo ao NSG que c iasse uma exceção à Índia pe mi indo que, enquan o Es ado não signa á io do TNP e não incluído no NSG, come cializasse a mamen o nuclea com os EUA, signa á ios do TNP e memb os do NSG, ou que o caso sino-paquis anês osse e is o e a China sancionada, sob o p e ex o, em ambos os casos, de ga an i o equilíb io egional no Indo-Pací ico 63 (Small 2015, 61; Lucas 2004). Con udo, pa a se en ende es a ação no e-ame icana, é necessá io pe cebe que, com a en ada da China no NSG no mesmo ano 30 , um dos p incipais mo i os de deba e e p eocupação e a a elação de coope ação nuclea en e a China e o Paquis ão, is o po que o Paquis ão não e a signa á io do TNP, ou memb o do NSG, e, po es a azão, a comunidade in e nacional p ocu a a consegui que a China se abs i esse de man e as elações nuclea es com o Paquis ão ou que o Paquis ão seguisse o exemplo do go e no libanês 31 e en egasse os planos nuclea es e o a mamen o nuclea a mazenado ao IAEA (Small 2015, 61; M. M. Khan e Kasi 2017, 70; Balachand an 2013, 1–4). Toda ia, como espos a à comoção p o ocada pelos EUA em elação ao aco do nuclea sino-paquis anês, a China ai p ocu a de ende o aco do sino-paquis anês a i mando que a NSG, nos seus es a u os 32 , p e ia que um qualque Es ado após se o na memb o da o ganização pudesse con inua a negocia com um Es ado-não-memb o, sem qualque iscalização, caso o aco do en e ambos os isados i esse sido assinado an es de 1992 (Small 2015, 61; Hibbs 2011, 23). A ideia chinesa, nes e pon o, e a ga an i que os aco dos pa a a cons ução dos es an es ea o es nuclea es Chashma não e a a e ada, sob e udo numa al u a em que o plano de cons ução do Chashma-II es a a a da os p imei os passos, sendo a ideia chinesa a de e mina com os aco dos nuclea es sino- paquis aneses e ecomeçá-los à luz das eg as es abelecidas pelo NSG e pelo IAEA, aquando e minasse a cons ução do no o ea o (Small 2015, 61; M. M. Khan e Kasi 2017, 69; Balachand an 2013, 4–5; Hibbs 2010). Po ém, em 2005, os EUA, obse ando a não-ação do NSG pe an e o caso sino- paquis anês e p ocu ando ga an i a hegemonia egional no Indo-Pací ico, sob e udo no que oca ao equilíb io com a China, ão assina o Aco do Ci il Nuclea com a Índia, bene iciando es a úl ima des e mesmo aco do com a u ilização das cen ais ene gé icas 30 Nuclea Supplie s G oup, «NSG Plena y Mee ing Gö ebo g, Sweden, 27-28 May, 2004», NSG_GOT/PRESS/FINAL, 2004, h ps://www.nuclea supplie sg oup.o g/images/Files/Documen s- page/Public_S a emen s/2004-05-go ebo g.pd . 31 Em 2004, após a en ada da China no NSG, o Líbano ai en ega os planos pa a a bomba nuclea , que lhe ha iam sido endidos pela China, ao IAEA, como o ma de demons a o comp ome imen o pa a com o cump imen o das eg as es abelecidas pelo NSG (Small 2015, 61). 32 Nuclea Supplie s G oup, «GUIDELINES FOR NUCLEAR TRANSFERS», INFCIRC /254/Re .14/Pa 1a, 2019, 2, h ps://www.iaea.o g/si es/de aul / iles/publica ions/documen s/in ci cs/1978/in ci c254 14p1.pd . 64 nuclea es pa a ins ci is e, ambém, mili a es (Noona i e Memon 2017, 116; Hussain e Rand ianan oand o 2015, 44; Nasee e Amin 2015, 318). Pa a o Paquis ão e pa a a China es e aco do signi ica a que, na Ásia do Sul, a Índia passa ia a de e um papel mili a p edominan e e isso acaba ia po suplan a , na opinião de Hussain e Rand ianan oand o, qualque mé odo sino-paquis anês de ga an e do equílib io de pode en e o Paquis ão e a Índia, pois o aco do pe mi ia à Índia o alece o seu p og ama de a mamaen o nuclea com a con ução de ea o es nuclea es de maio capacidade com ecnologia no e- ame icana (Hussain e Rand ianan oand o 2015, 45; Nasee e Amin 2015, 318). Nes e sen ido, e endo em con a o pe igo de uma Índia com supe io idade mili a e nuclea , o Paquis ão ai p ocu a , ao con á io da China que se opunha ao mesmo no NSG, não con a ia o aco do, mas sim p opo aos EUA uma de duas ias, ou negocia um aco do sob os mesmos e mos com os EUA, jus i icando a decisão pela necessidade de ga an i que as in enções no e-ame icanas não consis iam em in e i na balança de pode egional, ou ga ani uma exceção idên ica à da Índia no NSG pa a o comé cio nuclea sino-paquis anês (Small 2015, 62). Aliás, pa a o Paquis ão, que du an e a Gue a F ia oi um o e aliado no e-ame icano, que na Gue a ao Te o le ada a cabo pelos EUA demons ou semp e um o e apoio e que semp e p ocu ou man e uma pon e de ligação en e o Ociden e e a China, um aco do nos mesmos e mos que o indo-ame icano e a o mínimo ponde á el (Nasee e Amin 2015, 318). Po ém, de ido ao ac o de, nos anos an e io es, com os acon ecimen os da C ise de Ka gil e da Twin Peak C isis, o Paquis ão e demons ado uma apos a na p oli e ação do a mamen o nuclea , os EUA e o NSG ão ecusa as p opos as paquis anesas a i mando que uma exceção ao Paquis ão idên ica à da Índia e a mais pe igosa e imp e isí el do que o aco do indo-ame icano ou a exceção indiana (Small 2015, 62; Bumille e Gall 2006). O a, como se ia de espe a , endo em con a a ecusa in e nacional da posição paquis anesa, o Paquis ão ai eco e , mais uma ez, à China de o ma a ga an i o apoio es a égico necessá io pa a apazigua o medo ul a-secu i á io de uma Índia o e mili a men e (Jahangi 2013, 55). Nes e sen ido, em e e ei o de 2006, Musha a , P esiden e paquis anês à al u a, ai di igi -se a Pequim de modo a inicia as negociações com a China pa a a cons ução dos ea o es nuclea es Chashma-III e IV, endo a China ap o ado o aco do sob a p emissa de que o Paquis ão agua dasse a é ao des echo do deba e in e nacional sob e o aco do indo-ame icano, pois do lado chinês apenas a ia sen ido a cons ução de ea o es nuclea es no Paquis ão caso o aco do indo-ame icano 65 não osse e ado no NSG, algo a que Musha a não se ai opo , coope ando com as in enções chinesas de oposição ao aco do, a é po que e a de maio in e esse paquis anês ga an i uma China coope an e no p og esso do p og ama nuclea paquis anês e, pa a al, e a necessá io espei a os imings chineses (Small 2015, 62). Ademais, a não oposição de Musha a às demandas chinesas pode se ainda jus i icada pelo cump imen o do T a ado de Amizade, Coope ação e Boa Vizinhança, assinado em 2005, que de inia a pa ce ia es a égica sino-paquis anesa como uma pa ce ia em p ol do equilíb io egional que espei asse os cinco p incípios de coexis ência pací ica 33 , pelo que a ação paquis anesa se enquad a nes e aco do de ação pací ica no quad o in e nacional (Jahangi 2013, 55). Ademais, a e dade é que, pa a o Paquis ão, a p ocu a de um aco do com a China, num momen o de deba e in e nacional sob e a p oli e ação nuclea , passa a a mensagem de que o Paquis ão não necessi a a do Ociden e pa a se o alece e, pa a China, signi ica a que o Paquis ão es a a comp ome ido com a missão de ga an i o equilíb io egional com a Índia espei ando as elações de amizade e coope ação sino-paquis anesas, algo que, à al u a, c iou um ce o descon o o no lado no e-ame icano que p essen ia a pe da de in luência nes a egião do Indo-Pací ico (Jahangi 2013, 55). A ap o ação inal do Aco do Ci il Nuclea Indo-Ame icano pelo NSG, con udo, apenas ai se dada em 2008 e, jun o com a mesma, á ios ou os Es ados 34 pe encen es ao NSG ão p ocu a assegu a um aco do idên ico com a Índia no campo do comé cio nuclea , o que ai coloca a Índia, de um pon o de is a es a égico, num pa ama mui o supe io ao Paquis ão, o que, caso a China não osse a p incipal “aliada” paquis anesa, pode ia e culminado num desequilíb io da balança de pode ao pon o de se pode da um no o con on o en e os i ais sul-asiá icos (In e na ional A omic Ene gy Agency 2008, 1; Nasee e Amin 2015, 318). Po conseguin e, em espos a a es e c escendo da Índia, em 2009, a China ai assina dois aco dos com o Paquis ão pa a a cons ução imedia a dos ea o es nuclea es Chashma-III e IV, e, em 2010, ai assina um aco do pa a uma cons ução u u a do Chashma-V, numa en a i a híb ida de es abelece o s a us quo 33 Os cinco p incípios de coexis ência pací ica consis em em: espei o mú uo pela in eg idade e sobe ania e i o ial, não ag essão mú ua, não in e e ência mú ua nos assun os in e nos, igualdade e bene ício mú uo e coexis ência pací ica («Los Cinco P incipios de Coexis encia Pací ica» 2014). 34 Os quais: Rússia, Reino Unido, F ança, Canadá, A gen ina, Cazaquis ão, Namíbia, Co eia do Sul e Mongólia. 72 ambém p ocu a ga an i a omen ação da coope ação sino-paquis anesa nas á eas da segu ança egional e de no as dinâmicas egionais com uma China hegemónica e um Paquis ão capaz de ga an i o equilíb io egional com a Índia (Ahmad e Singh 2017, 133– 34). In e nacionalmen e, o p esen e século é obse ado po á ios especialis as como sendo o “século asiá ico”, sob e udo de ido ao c escimen o económico das duas po ências China e Índia, pelo que se p e ê que es es dois Es ados ocupem uma posição ulc al nes e lo esce da economia asiá ica (Ahmad e Singh 2017, 134). Apesa dos dois gigan es asiá icos pa ilha em de uma elação come cial e económica bem cimen ada e p o ei osa pa a ambas as pa es, a e dade é que, poli icamen e e secu i a iamen e, os dois lados encon am-se em espe os opos os e em cons an e oposição, uma si uação que se ag a ou, sob e udo, a pa i da década de 1980, e que le ou a que a China enha p ocu ado equilib a -se nes es campos, po exemplo, com a cimen ação das elações com o Paquis ão e a possí el c iação da inicia i a do Cola de Pé olas 39 , en e ou os, e a Índia p ocu ado es abelece o seu domínio, ao ní el da in luência polí ica, na SAARC a a és do apoio no e-ame icano (Ahmad e Singh 2017, 134). Ademais, nes a mudança assis ida no no o milénio ao ní el do Indo-Pací ico, ainda emos de ac escen a as elações emidas en e os EUA e o Paquis ão, sob e udo pelo apoio no e-ame icano à Índia e às ações mili a es no e-ame icanas em e i ó io paquis anês, na zona ibal em on ei a com o A eganis ão, que colocam o Paquis ão numa posição de descon iança (Ahmad e Singh 2017, 134–35). Nes e sen ido, e endo em con a que, em 2013, o eixo sino-paquis anês ai da um no o passo pa a cimen a uma no a o dem no Indo-Pací ico com a assina u a do aco do do CPEC, no p esen e capí ulo i emos analisa es e mesmo aco do p ocu ando pe cebe 39 O Cola de Pé olas, em si, é um concei o cunhado pelos EUA, em 2004, pa a de ini o conjun o de po os ge idos, adminis a i amen e ou ope acionalmen e, pela China que se si uam desde o Ma do Sul da China a é ao Sudão, que c iam uma ede de comunicação ma í ima e que, no seu conjun o, pode iam pe mi i o con olo na al chinês do Índico e o su oca da Índia (Ma an idou 2014, 3–26). Po ém, ale a i ma que o Cola de Pé olas não é uma es a égia econhecida o icialmen e pela China e que, a é à p esen e da a, apesa dos es o ços chineses pa a adqui i bases mili a es po uá ias, as o ças na ais chinesas apenas pa ulham as águas nas quais os na ios de comé cio chineses ci culam e que co espondem às zonas ma í imas dos Es ados aos quais os e i ó ios dos po os pe encem, o que, no cômpu o ge al, em nada di e e do já ei o, po exemplo, pelos EUA, pela Índia ou pela F ança, na mesma egião (Eu opean Pa liamen a y Resea ch Se ice 2013; The Eu asian Times 2020). 73 os e ei os que e e ao ní el bila e al e mul ila e al das elações sino-paquis anesas, além de explo a mos a in luência do mesmo no o alecimen o das elações sino-paquis anesas no campo da segu ança egional e de uma possí el mu ação das dinâmicas egionais. Ademais, p ocu a emos ainda pe cebe os p incipais acon ecimen os polí icos e mili a es na egião do Indo-Pací ico comp eendida pa a o p esen e es udo de o ma a a alia a ação do eixo sino-paquis anês. 3.1. A E olução e Cimen ação do CPEC Em julho de 2013, após um pe íodo de amadu ecimen o das elações económicas sino-paquis anesas, en e 2004 e 2012, o eixo sino-paquis anês ai da início a uma i agem decisi a nas elações bila e ais en e os dois Es ados com a assina u a de um MoU 40 que isa a o início da cons ução de um co edo económico, o p o ó ipo do CPEC, que conec asse Kashga , um polo do comé cio chinês em Xinjiang, com o po o de Gwada , a sul do Balochis ão, a a és da cons ução e eabili ação de espaços de ci culação en e os dois Es ados (A. Khan 2014, 46–48; A ais e al. 2016, 164). De aco do com o MoU assinado, os obje i os iniciais pa a p epa ação des e co edo económico, se iam: a cons ução de uma linha é ea, com ce ca de 4000 quilóme os, en e o po o de Gwada e Shangai, passando em Kashga ; a eabili ação da au oes ada de Ca acó um, de modo a ga an i uma ia ápida pa a a ci culação de eículos de me cado ias; e a c iação de ce ca de 13 zonas económicas especiais que se issem de espaços de comé cio li e (A ais e al. 2016, 164). Como se ia de espe a , pa a a implemen ação des e p oje o, a China ha ia p epa ado um o e in es imen o na casa dos 46 mil milhões de dóla es, cabendo ao Paquis ão desen ol e o p oje o com base nos meios o necidos pelo lado chinês, um abalho que o Paquis ão, no espaço de dois anos, desen ol eu com dis inção (A ais e al. 2016, 164–65). O o e in es imen o chinês nes e p oje o, oda ia, jus i ica-se, sob e udo, pelo CPEC se um dos p incipais p oje os associados à BRI que, a es a al u a, se de inia po um obje i o maio de conec a economicamen e ce ca de 65 Es ados, en e os quais o Paquis ão, com o obje i o de diminui as di e enças cul u ais e ísicas en e os pa cei os 40 Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Common Vision o Deepening China-Pakis an S a egic Coope a i e Pa ne ship in he New E a», 2013, h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2 758_663520/201307/ 20130708_519742.h ml. 74 económicos chineses, pe mi indo assim à China c ia uma ede de comé cio es á el, e es e e ma í ima, à semelhança, com as de idas di e enças, da an iga Ro a da Seda 41 (Waqas e Majid 2020, 272; S. Wol 2020, 6). Aliás, o CPEC ep esen a, no con ex o da BRI, a conexão en e a NRS e a RSM, dois p oje os que em si são a de inição da BRI (Bha acha jee 2015). O a, em adição, de um pon o de is a p á ico, a a és da conexão de Kashga ao po o de Gwada , o CPEC ganha oda uma no a impo ância e pe inência pa a o sucesso e c escimen o da BRI, is o po que, pela impo ância es a égica que o po o de Gwada ca ega, sendo o p imei o pon o de en ada no Índico po ia do Gol o Pé sico, o CPEC acaba po se a o a que pe mi e à China consegui e i a qualque ipo de con ole no e- ame icano ao comé cio chinês no Índico, e i ando um possí el bloqueio na al no e- ame icano em caso de con li o com a Índia, além de pe mi i ainda ao eixo sino- paquis anês a ligação aos me cados do Médio O ien e e Á ica, o nando assim o Paquis ão um dos pila es da es a égia chinesa de ascensão a hegemonia no p esen e século (S. Wol 2020, 12–14). Aliás, es a possí el solução que o CPEC ep esen a pa a a China no sen ido de e i a uma possí el in e e ência no e-ame icana em caso de con li o com os in e esses no e-ame icanos, ganha oda uma no a dinâmica quando, em cima da mesa, colocamos o ac o da China se al amen e dependen e do Médio O ien e pa a o abas ecimen o ene gé ico, sob e udo de combus í eis ósseis, p o indo des a egião ce ca de 80% do abas ecimen o chinês, e, como os EUA con olam o Es ei o de Malaca, con olando, po conseguin e, o acesso ao Ma do Sul da China po ia do Índico, o CPEC ep esen a uma o ma iá el e mais ba a a pa a a China con inua o abas ecimen o ene gé ico no Médio O ien e sem eme um possí el bloqueio na al no e-ame icano p o enien e de sanções aplicadas con a si (Faisal 2020, 9). Reg essando ago a à c onologia associada ao CPEC, a e dade é que, ao con á io do que se possa pensa , 2013 não oi o ano de início do p oje o e sim o momen o em que a China en egou ao Paquis ão uma lis a de se o es a necessi a de mode nização pa a se 41 A Ro a da Seda oi uma o a de comé cio, que du ou en e 130 a.C. e 1453 d.C., que liga a a China ao Ociden e e pe mi ia, além da p omoção do comé cio de me cado ias, a di usão cul u al e ideológica en e di e sas cul u as e nações, endo sido de eno me impo ância, en e di e sos mo i os, po e pe mi ido o con ac o en e o Impé io do Meio, a China, e os g andes impé ios Ociden ais, desde o Impé io Romano ao Impé io O omano, do ando-se, assim, de uma eno me impo ância geoeconómica, geoes a égica e geopolí ica (His o y 2017). 75 pode implemen a o p oje o, pelo que a o malização do p oje o apenas ai se dada em dois momen os, um, em 2014, com a assina u a de uma decla ação conjun a pa a a coope ação e o desen ol imen o económico mú uo, e ou o, em 2015, após o Paquis ão implemen a com sucesso odos os p oje os que ha iam sido en egues, com a ealização de dois encon os en e os ep esen an es sino-paquis aneses pa a inicia a aplicação do p oje o (Waqas e Majid 2020, 272). Sob e o p imei o momen o, em e e ei o de 2014, amos e , du an e uma isi a o icial do P esiden e paquis anês, Mamnoon Hussain, à China, a con i e de Xi Jinping, P esiden e da China, a assina u a da Decla ação Conjun a pa a o Ap o unda da Coope ação Económica e Secu i á ia Sino-Paquis anesa 42 , uma decla ação conjun a que isa a e o ça o MoU assinado um ano an es, em 2013, e ap o unda os laços polí icos, secu i á ios e económicos, sino-paquis aneses, endo o Paquis ão: demons ado, mais uma ez, o apoio em elação à One China Policy e conside ado o ETIM 43 uma o ganização e o is a; ga an ido o e o ço de medidas elacionadas ao con a e o ismo e à segu ança egional, sob e udo no campo socioeconómico, com a c iação de pos os de abalho e mecanismos de inse ção social nas á eas ibais e con li uosas, como Khybe Pakh unkhwa e o Balochis ão, e ambém no campo do e o ço das medidas p opos as nos aco dos secu i á ios p e iamen e assinados; e, como se ia de espe a , ga an ido o desen ol imen o económico em o no do co edo económico em o mação. 44 Em adição, o lado chinês, no mesmo aco do, ga an ia ambém que con inua ia a in es i em p oje os de desen ol imen o socioeconómico, na á ea da saúde, ag icul u a, anspo es públicos 42 Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on “Deepening China-Pakis an S a egic and Economic Coope a ion”», 2014, h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2 758_663520/201402/ 20140220_519745.h ml. 43 O ETIM a a-se de um g upo sepa a is a islâmico maio i a iamen e uigu , undado na década de 1990, na egião do Xijiang, que é conside ado, desde 2002, como um g upo e o is a com ligações à Al-Qaeda, encon ando-se o emen e ligado aos a endados no Xijiang que êm oco ido desde 2004 (Xu, Fle che , e Bajo ia 2014, 1–4; Shan 2022). 44 Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on “Deepening China-Pakis an S a egic and Economic Coope a ion”». 76 e educação, e, sob e udo, em p oje os de desen ol imen o ene gé ico, com o obje i o de sup imi o p oblema ene gé ico que semp e assolou o Paquis ão desde a década de 1950. 45 Nes e sen ido, chegados a 2015, o p imei o momen o des a segunda ase de o malização, dado em e e ei o, oco e quando, numa isi a do Minis o dos Negócios Es angei os chinês, Wang Yi, ao Paquis ão pa a deba e o u u o da coligação es a égica egional sino-paquis anesa, num momen o em que as o ças no e-ame icanas e da NATO se p epa a am pa a inicia a e i ada do A eganis ão, os dois lados ão assina um MoU que e o çou o comp omisso sob e o CPEC, ga an indo o o alecimen o das elações económico-polí icas en e ambos os Es ados e a solidi icação da isão chinesa do Paquis ão como um o e “aliado” (Calab ese 2015, 7). Em seguimen o, o segundo momen o, e p incipal passo pa a a o malização do CPEC, ai da -se, em ab il de 2015, quando Xi Jinping, numa isi a o icial ao Paquis ão, ai assina ce ca de 51 documen os, en e aco dos e MoU, pa a a coope ação em di e sas á eas, com o in es imen o imedia o de mais 46 mil milhões de dóla es pa a o desen ol imen o ene gé ico e de in aes u u as paquis anês (Waqas e Majid 2020, 272; M. M. Khan e Kasi 2017, 72). Apesa do p oje o do CPEC se um plano a longo p azo, a e dade é que, en e 2013 e 2015, a China e o Paquis ão implemen a am uma comissão de planeamen o conjun a com o obje i o de aça os p incipais obje i os do CPEC a é 2030, ano em que o p oje o se á e is o e modulado às necessidades de ambas as pa es (S. Wol 2020, 16). Nes e sen ido, ainda em ab il de 2015, as duas pa es ão assina um documen o que p e ia a di isão do p oje o em ês ases (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Na p imei a ase 46 , en e 2015 e 2020, o oco se ia na implemen ação de di e sos p oje os de mode nização de in aes u u as e ias de anspo e de o ma a ga an i a ope acionalização do p oje o (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Na segunda ase 47 , en e 2020 e 2025, na qual, eo icamen e, nos encon amos no p esen e momen o, o obje i o se ia o de desen ol e p oje os ligados à cons ução de edi ícios capazes de 45 Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on “Deepening China-Pakis an S a egic and Economic Coope a ion”». 46 Twee ei o pela Embaixada Chinesa no Paquis ão, «CPEC LTP by 2020», acedido 12 de Ab il de 2022, h ps:// wi e .com/Ca hayPak/s a us/942764070947704832. 47 Twee ei o pela Embaixada Chinesa no Paquis ão, «CPEC LTP by 2025», acedido 12 de Ab il de 2022, h ps:// wi e .com/Ca hayPak/s a us/942764288166514688. 77 albe ga di e sas emp esas e e mina o p ocesso de mode nização indus ial paquis anesa, cimen ando a posição paquis anesa enquan o uma economia eme gen e e capaz de a ai in es imen o ex e no (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Po im, na e cei a ase 48 , en e 2025 e 2030, o obje i o se ia ga an i a ex ensão do CPEC a é à Ásia Cen al e ga an i que a Ásia do Sul, sob e udo pelos in eg an es do CPEC, se o na um polo económico global (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Vale essal a que, quando obse amos os obje i os lis ados, é necessá io pe cebe mos que, segundo Ghiasy e Zhou, o plano delineado pode so e al e ações consoan e a agilização de p ocessos ou a ação mo osa na aplicação dos mesmos, podendo o mesmo ainda se al e ado po mo i os dependen es de acon ecimen os no sis ema in e nacional, como al e ações geopolí icas, geoes a égicas ou geoeconómicas (Ghiasy e Zhou 2017, 31). Po ém, caso udo co a den o dos p azos es ipulados, se á de espe a que, em 2030, o plano se es enda a é 2049, ano em que a China comple a o seu plano de desen ol imen o cen ená io (Ghiasy e Zhou 2017, 31; S. Wol 2020, 17). Analisando ago a a p imei a ase do CPEC, gos a íamos de e idencia que, en e os di e sos p oje os de mode nização iniciados pela China no Paquis ão, aqueles que mais ma ca am o c escimen o económico paquis anês em 2015, o am, sob e udo, a inalização da ees u u ação do po o de Gwada , que se encon a a inalmen e p on o pa a se inaugu ado, e, no campo do desen ol imen o ene gé ico e nuclea , a cons ução do KANUPP-II, em Ka achi, a 9 de agos o, jun amen e com o aco do sob e a cons ução de mais seis ea o es nuclea es sob a supe isão da IAEA, em dezemb o do mesmo ano (Allauddin, Liu, e Ahmed 2020, 82). Ademais, apesa da da a de início ope acional do CPEC se p oje ada pelo eixo sino-paquis anês pa a a e cei a ase do p oje o, en e 2025 e 2030, a e dade é que, na opinião de alguns analis as, o início uncional deu-se em no emb o de 2016, quando as au o idades po uá ias de Gwada ecebe am os p imei os ca egamen os chineses pa a o comé cio ma í imo com os países do MENA, sendo o p imei o ca guei o en iado pa a o po o Jebel Ali, no Dubai, ma cando assim a p imei a u ilização do no o co edo económico (Ramachand an 2016; S. Wol 2020, 17). A e dade é que, quan o ao a gumen o an e io men e ap esen ado, é possí el cimen á-lo a a és da obse ação da e olução da economia paquis anesa que, en e 2016 e 2018, ap esen ou um aumen o signi ica i o ela i amen e ao ano an e io com a subida do PIB 48 Twee ei o pela Embaixada Chinesa no Paquis ão, «CPEC LTP by 2030», acedido 12 de Ab il de 2022, h ps:// wi e .com/Ca hayPak/s a us/942765573116760064. 78 de 4,73%, em 2015, pa a 5,53%, em 2016, ixando-se, em 2018, nos 5,84%, o que signi icou um aumen o, em qua o anos, de ce ca de 1,09% («GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022). De ido ao sucesso inicial do p oje o, a 4 de no emb o de 2018, Li Keqiang, P imei o-Minis o chinês, ai euni -se com Im an Khan, P imei o-Minis o paquis anês, du an e uma isi a o icial do segundo à China, de modo a discu i a implemen ação de no os p oje os que pudessem expandi ainda mais a possibilidade de c escimen o económico paquis anês, ais como: o ala gamen o do EHP a no as á eas, sob e udo nas á eas da ciência ma í ima, ecnologia, espaço e ambien e; a c iação de undos des inados ao incen i o iscal ao in es imen o es angei o no Paquis ão; e a e isão dos aco dos p e iamen e assinados de o ma a soluciona o p oblema do saldo nega i o paquis anês na balança come cial sino-paquis anesa. Nes e sen ido, os dois lados ão assina a Decla ação Conjun a Sino-Paquis anesa pa a o Fo alecimen o da Coope ação Es a égica e Cons ução de um Fu u o Conjun o, um documen o que p e ia aumen a o in es imen o chinês na economia paquis anesa. 49 Em adição, ale ainda ac escen a que, a 17 de dezemb o de 2018, um mês depois da assina u a da decla ação conjun a, os minis os dos negócios es angei os da China, do Paquis ão e do A eganis ão, Wang Yi, Mahmood Qu eshi e Salahuddin Rabbani, espe i amen e, ão assina uma decla ação conjun a 50 na qual se p e ia a in eg ação a egã no CPEC e a ealização de exe cícios comuns na á ea do con a e o ismo, o que signi ica a no as opo unidades pa a o eixo sino-paquis anês na cimen ação como ocos da economia egional (Mush aq 2019, 51). Con udo, em 2019, a economia paquis anesa ai so e uma queda 4,85% no PIB, ixando-se o mesmo nos 1,15%, algo que esul ou da c ise económica que o país a a essa a de ido à diminuição das emessas de moeda es angei a esul an e do 49 Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on S eng hening China-Pakis an All- Wea he S a egic Coope a i e Pa ne ship and Building Close China-Pakis an Communi y o Sha ed Fu u e in he New E a», 2018, h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2 758_663520/201811/ 20181104_519747.h ml. 50 Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen o he 2nd A ghanis an-China-Pakis an Fo eign Minis e s’ Dialogue», 2018, h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2 758_663520/201812/ 20181217_519750.h ml. 79 ab andamen o do in es imen o ex e no no país, à des alo ização da úpia paquis anesa e ao dé ice da balança come cial paquis anesa (Kugelman 2019). Po ém, mais uma ez, o CPEC e os p oje os associados acaba am po se a cha e, mui o de ido ao in es imen o chinês e ao comé cio ge ado no po o de Gwada , pa a que o Paquis ão i esse man ido a endência posi i a no c escimen o económico («GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022; S. Wol 2020, 73). A aliando ago a a ase em que nos encon amos a ualmen e, a segunda ase, comp eendida en e 2020 e 2025, aquilo que podemos e i a des es úl imos dois anos é que, apesa de, em 2020, o c escimen o do PIB paquis anês e diminuído exponencialmen e, a ingindo um c escimen o nega i o de -0,93%, mui o de ido à pandemia da COVID-19 que assolou o mundo, le ando a con inamen os que p ejudica am a economia mundial e ab anda am o c escimen o económico de di e sos Es ados, o Paquis ão conseguiu ecupe a -se de o ma excecional e eg essa aos núme os de c escimen o p óximos aos assis idos em 2018 (Global Times Edi o s 2022; «GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022). Aliás, em 2021, o Paquis ão acabou po a ingi os 5,6% de c escimen o do PIB, demons ando uma ecupe ação imedia a da c ise económica que ha ia assolado o país en e 2019 e 2020, de endo-se es a ecupe ação, segundo Moin ul Haque, Embaixado do Paquis ão na China, à inaugu ação do po o de Gwada , que passa a a es a o almen e ope acional, e ao impac o da mudança do oco da polí ica ex e na paquis anesa ul a- secu i á ia pa a uma polí ica ex e na ligada ao domínio geoeconómico egional, pela mão de Im an Khan, dando início ao omen o das elações económicas paquis anesas com os izinhos p óximos, como o I ão, o A eganis ão e ce os Es ados da Ásia Cen al, e às con e sações pa a uma possí el in eg ação des es Es ados no CPEC (Global Times Edi o s 2022; «GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022). Em adição, es e omen o económico oi ainda cimen ado pela diminuição do olume de comé cio sino- paquis anês, de 19 mil milhões de dóla es, em 2018, pa a ce ca de 12 mil milhões de dóla es, em 2021, demons ando a di e si icação e o alecimen o da economia paquis anesa, espei ando assim os planos da segunda ase do CPEC, que, como já e e ido, isa o es abelecimen o do Paquis ão como uma economia egional o e (Global Times Edi o s 2022; «GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022). Po ém, g ande pa e do c escimen o paquis anês pode se ainda associado ao desen ol imen o de p oje os de mode nização ene gé ica e socioeconómica, pa ocinados 80 pelo in es imen o chinês nas di e sas egiões do Paquis ão, no alo de 62 mil milhões de dóla es, que pe mi iu ao Paquis ão desen ol e -se economicamen e e aumen a a a a i idade do in es imen o na economia nacional, o que bene iciou o lado chinês, pela possibilidade de ga an i um compe ido egional p ó-China ao ní el da Índia, e o lado paquis anês, pelo desen ol imen o da economia nacional e o ga an e do equilíb io com a Índia (Global Times Edi o s 2022). Segundo o ADB, as p e isões pa a 2022 e 2023 demons am uma possí el diminuição do c escimen o do PIB pa a 4% com um ligei o aumen o pa a 4,5%, espe i amen e, o que, mesmo ep esen ando um ab andamen o no c escimen o económico ela i amen e ao pe íodo de 2021, man ém uma endência de ele ado c escimen o que se de e, sob e udo, ao aumen o do á ego come cial no po o de Gwada e à p epa ação da ex ensão do CPEC pa a o A eganis ão («Economic indica o s o Pakis an» 2022). 3.2. Uma Análise dos Bene ícios do CPEC pa a o Eixo Sino- Paquis anês Ao longo do subcapí ulo an e io deba emos a e olução da inicia i a do CPEC com um en oque especial na economia paquis anesa. Nes e sen ido, o p esen e subcapí ulo e á como p incipal obje i o abo da os bene ícios do CPEC pa a a China e pa a o Paquis ão, além da ques ão económica, de o ma a o nece os dados necessá ios pa a a pe ceção das azões que le a am a que o eixo sino-paquis anês caminhasse nes e sen ido. Quando abo damos o CPEC, à pa ida, abo damos um p oje o que, como desc i o supe icialmen e no subcapí ulo an e io , pode se obse ado como um pon o de i agem pa a o posicionamen o económico, geopolí ico e secu i á io, do Paquis ão, o e ecendo inúme os bene ícios nos campos: da ag icul u a; da ene gia; do desen ol imen o de in aes u u as; do con a e o ismo, a a és da c iação de pos os de abalho e ge ação de iqueza; e da p esença in e nacional, sob e udo pelo c escimen o económico paquis anês, pelo aumen o da impo ância egional chinesa e, po im, pela pe da de ele o da Índia no con ex o egional (Hassan 2019, 215). No campo da ene gia, campo de maio no abilidade dos e ei os do CPEC, a China acabou po se o na o po o de ab igo do Paquis ão, sob e udo com o in es imen o inicial, na p imei a ase do CPEC, de ce ca de 35 mil milhões de dóla es dedicados a p oje os ligados à á ea das ene gias eno á eis 81 (Hassan 2019, 215; Ja id 2018). Aliás, o campo ene gé ico é aquele que mais bene icia o lado paquis anês no aco do do CPEC e, em 2017, ai obse a -se os p imei os mo imen os pa a a cons ução dos ea o es nuclea es Chashma-III e IV, que ha iam sido aco dados em 2006 e p oje ados pa a a cons ução imedia a em 2010, o que, em conjun o com os ea o es KANUPP, cons uídos em 2015, e o plano de cons ução do ea o Huolong-I, que subs i ui á o Chashma-V, assinado em 2021, pode signi ica a esolução dos p oblemas ene gé icos paquis aneses (Ch is ophe 2018; Hassan 2019, 216). Já nou os campos, como o do desen ol imen o socioeconómico, ligado ao con a e o ismo e à ag icul u a, a a és do CPEC o Paquis ão conseguiu começa a desen ol e p oje os de comba e ao desemp ego em conjun o com a China, a a és da c iação de mais pos os de abalho, sob e udo em emp esas chinesas no Paquis ão ou em p oje os ligados ao CPEC, e da inse ção social de g upos des a o ecidos, sob e udo na na á ea da p odução ag ícola, p ocu ando assim, a é 2030, chega aos 3,9% de axa de desemp ego (Hassan 2019, 216; Cai 2017, 7; Chen, Joseph, e Ta iq 2018, 63). Es a ação de desen ol imen o da economia in e na e da inse ção social de g upos des a o ecidos em ainda ligada à p ocu a da diminuição do e o ismo, que é maio i a iamen e causado pela pob eza e al a de acesso a ecu sos, al como e idenciado po Lu Shulin, an igo Embaixado da China no Paquis ão, ao dize que “The bes medicine o add ess he e o ism p oblem is h ough ackling he incuba o o e o ism, namely po e y” 51 (Hassan 2019, 216; Cai 2017, 7; Chen, Joseph, e Ta iq 2018, 63). Ainda no aspe o do comba e à pob eza, a China, nos úl imos anos, em p ocu ado in es i na quali icação da população paquis anesa, o que em possibili ado ao Paquis ão desen ol e -se no âmbi o da mode nização ecnológica, pe mi indo assim que, economicamen e e ecnologicamen e, o Paquis ão consiga compe i di e amen e com a Índia no me cado in e nacional, ga an indo um c escimen o económico es á el (Hassan 2019, 216). Passando ago a pa a o lado chinês, o CPEC az, à pa ida, dois g andes ganhos: a agilização logís ica no abas ecimen o ene gé ico, que pe mi e acele a a economia chinesa, e a expansão da in luência egional chinesa pa a a Ásia do Sul a a és do amigo de longa da a Paquis ão, o que pe mi e diminui o papel egional indiano no Indo-Pací ico (Hassan 2019, 214). Con udo, pa a en ende a ex ensão dos ganhos chineses, quando 51 Ci ado em: BER s a , «Pe secu ion o P o i : China’s Economic S a egy in Xinjiang», Be keley Economic Re iew, 22 de Ou ub o de 2019, h ps://econ e iew.be keley.edu/pe secu ion- o - p o i -chinas-economic-s a egy-in-xinjiang/. 88 a ca a da in luência polí ica, sob e udo pela p esença em o ça, nos países ade en es à BRI, de emp esas p i adas chinesas que lide am os me cados nacionais, o nando a inicia i a da BRI algo mais do que um p oje o de desen ol imen o (S. Wol 2020, 143). Po conseguin e, podemos obse a o CPEC enquan o um p oje o que desc e e a on ade chinesa de c iação de uma no a o dem mundial, is o se um dos p incipais p oje os da BRI, algo que a Índia obse a de o ma e icen e, is o po que a ideia chinesa de uma no a o dem mundial, como is o a é ao momen o, passa po ap o unda as elações económicas e secu i á ias com o Paquis ão, ga an indo um Paquis ão o e e capaz de ga an i o equilíb io egional, o que em nada bene icia a posição indiana no sis ema in e nacional (S. Wol 2020, 143). Apesa de o acesso ao CPEC pode se mui o mais an ajoso pa a a Índia do que alguma ez se á pa a o Paquis ão, a e dade é que a Índia, pelas azões indicadas an e io men e, se em demons ando cada ez mais e icen e em en a pa a o p oje o, sob e udo desde a solidi icação de Modi no pode indiano, com a i ó ia nas eleições de 2019 que lhe a ibuí am um segundo manda o, que ouxe consigo o e i e do nacionalismo indiano, o eacende da dispu a de Jammu e Caxemi a e a oposição en e hindus e muçulmanos, aumen ando exponencialmen e as ensões com o Paquis ão numa al u a em que as elações se encon a am minimamen e es á eis (Geo ge 2022). Nes e sen ido, a nosso e , podemos a i ma que, apesa de imp o á el, a discussão sob e uma possí el in eg ação da Índia no CPEC, a a és do BCIM-EC, a se possí el, só acon ece á, em p imei o luga , quando o con li o de Jammu e Caxemi a se encon a esol ido, es abilizando as elações indo-paquis anesas, e, em segundo luga , quando a China deixa de e como imposição ge al da BRI a p esença mili a chinesa nas zonas onde se encon am abalhado es chineses e, assim, deixa de ep esen a , na opinião pública indiana, uma ameaça à segu ança nacional da Índia. 3.3.2. Conec i idade com o A eganis ão No caso do A eganis ão, o único impedimen o que exis e pa a a en ada a egã no CPEC passa pelas elações en e o A eganis ão e o Paquis ão que nem semp e são as mais co diais, sob e udo pela inge ência paquis anesa nos assun os in e nos a egãos, algo que exis e desde a década de 1980, com o apoio paquis anês aos ebeldes a egãos na Gue a do A eganis ão, e que pe maneceu no p esen e século, po exemplo, com o apoio de á ias ações polí icas paquis anesas aos alibãs a egãos con a a p esença no e-ame icana, desde 2001, apoio es e que se man ém a é aos dias de hoje mesmo apesa de, desde a 89 e i ada no e-ame icana do A eganis ão, em 2021, o go e no alibã a egão e omado posições que demons am um a as amen o em elação ao Paquis ão e, consequen emen e, o de e io a das elações bila e ais (S. Wol 2020, 143; Al Jazee a 2021a; Mi 2022). Nes e sen ido, a nosso e , uma possí el in eg ação a egã passa ia semp e po uma al e ação da polí ica ex e na paquis anesa na egião, sob e udo na adoção de uma es a égia de não inge ência nos assun os in e nos de um A eganis ão li e. Con udo, apesa das elações bila e ais en e os dois lados se em cada ez mais ensas, exis em di e sas opo unidades pa a a colabo ação no con ex o do CPEC, is o po que, com a in e conec i idade en e o A eganis ão e o Paquis ão, os dois Es ados bene icia iam da possibilidade de ob e mais p oje os de inanciamen o e desen ol imen o local, como é o caso dos p oje os 54 não pe encen es ao CPEC, como o KPEC e o PTEC, inanciados pelo Banco Mundial (Haide 2019; S. Wol 2020, 143–44). Já na ideia sino-paquis anesa de c iação de uma no a o dem egional, o A eganis ão de ém um papel c ucial e, po es e mo i o, a in eg ação a egã no p oje o é essencial pa a o cump imen o das me as es abelecidas pa a a segunda e e cei a ase do CPEC, assim como pa a o ga an e da es abilidade egional (S. Wol 2020, 144; Rajagopalan 2022). Aliás, de ido a es e a o , com o papel do Paquis ão en aquecido, a China em indo a in e i no A eganis ão de o ma a ga an i a es abilidade in e na a egã, sob e udo com: o apoio ao desen ol imen o a egão nas á eas da me alu gia e ene gia, o que ambém bene icia a China pela pe missão a egã ao es abelecimen o de emp esas chinesas pa a a explo ação des as á eas em e i ó io nacional, ga an indo o desen ol imen o a egão; e com o comba e aos jihadis as a egãos, o que, po um lado, pe mi e ga an i a segu ança in e na a egã e, po ou o lado, pe mi e à China elimina mais um dos edu os de apoio aos muçulmanos uigu es e es abiliza um dos pon os mais ins á eis da Ásia Cen al (S. Wol 2020, 144; T akima ičius 2021; Hass 2021). Po conseguin e, apesa de se en ado assumi que o eixo sino-paquis anês em p ocu ado abalha unicamen e pa a a es abilização a egã, unidos sob e o obje i o da 54 Repo No: PAD1936, «INTERNATIONAL DEVELOPMENT ASSOCIATION PROJECT APPRAISAL DOCUMENT ON A PROPOSED CREDIT IN THE AMOUNT OF SDR 320.3 MILLION (US$ 460.6 MILLION EQUIVALENT) TO THE ISLAMIC REPUBLIC OF PAKISTAN FOR A KHYBER PASS ECONOMIC CORRIDOR PROJECT May 25, 2018», 2018, h ps://documen s1.wo ldbank.o g/cu a ed/ /753211529206312223/pd /PAKISTAN-KHYBER-PAD- 05252018.pd . 90 es abilização egional, a e dade é que o p opósi o dos dois Es ados di e e na sua na u eza, is o a China in e i com o obje i o de ga an i que os e ei os da ins abilidade a egã não se alas em pa a o es o da Ásia Cen al, di icul ando a expansão do p oje o da BRI, e o Paquis ão in e i com o obje i o de consegui ganha in luência na polí ica in e na a egã de o ma a ga an i que a Índia não expande a sua zona de in luência egional (S. Wol 2020, 144). Con udo, a e dade é que, independen emen e dos obje i os se em di e en es, o eixo sino-paquis anês em conseguido, mais uma ez, abalha de o ma coo denada pa a ga an i a segu ança egional, algo que le ou a que, nos úl imos anos, a China, os EUA, a Rússia e o Paquis ão, se enham eunido em cimei as de deba e sob e o u u o egional da Ásia Cen al e a segu ança in e na a egã, uma i ó ia pa a a China, que passa a consegui exe ce in luência egional passando de uma espec ado a pa a um dos p incipais a o es egionais, acili ando assim a expansão da BRI e a hegemonia egional chinesa, e pa a o Paquis ão, que passa a a ingi os obje i os de ascensão a pode egional, pa icipando no deba e sob e a segu ança egional, e do impedimen o da possí el expansão da in luência indiana pa a a egião da Ásia Cen al (S. Wol 2020, 145; Al Jazee a 2021b; Reu e s 2022). Nes e sen ido, o obje i o imedia o do eixo sino-paquis anês, pa a o u u o a egão, passa, em p imei o luga , po um en endimen o sino-paquis anês sob e os planos de ação egional, o que pode á a o ece as elações a egãs com o Paquis ão, is o a China p ocu a , nos úl imos anos, incu i ao Paquis ão o p incípio da não inge ência nos assun os in e nos de ou os Es ados, al como a p óp ia China az desde inais da década de 1990 e man ém a é aos dias de hoje sob e uma das linhas p incipais do plano de ação da BRI (S. Wol 2020, 145). Po conseguin e, o Paquis ão em p ocu ado co igi a sua polí ica ex e na em elação ao A eganis ão o que, nos úl imos anos, em dado u os, com a opinião a egã a se cada ez mais a o á el à in eg ação no p oje o pela p oximidade ao eixo sino-paquis anês e o essen imen o da p esença no e-ame icana (S. Wol 2020, 145). Aliás, de ido a es a c escen e in luência sino-paquis anesa na egião, o eixo sino- paquis anês conseguiu que o A eganis ão começasse a in eg ação no CPEC a a és do desen ol imen o de subp ojec os ligados ao p óp io CPEC, como o TAPI, a assina u a 91 de um aco do 55 de li e ci culação de me cado ias e comé cio, com o Paquis ão, e a in eg ação no p oje o CASA-1000 (S. Wol 2020, 145; Y. H. Khan 2021). 3.3.3. Conec i idade com o I ão O a se a é ao momen o abo dámos a expansão do CPEC pa a a Ásia do Sul e pa a a Ásia Cen al, sob a-nos en ão abo da o úl imo dos obje i os de ala gamen o do CPEC a é 2030, que se cen a, p ecisamen e, no ala gamen o pa a a egião do Médio O ien e e, po conseguin e, no acesso aos me cados ociden ais. Aliás, a expansão pa a ociden e do CPEC é um p oje o que bene icia ia imensamen e o eixo sino-paquis anês nas á eas da ene gia e do comé cio, po exemplo, a a és do desen ol imen o do p oje o do IPI, um p oje o de gasodu o que, mais uma ez, es a ia colocado numa eia de ou os p oje os já abo dados an e io men e que pe mi i iam a conec i idade egional num cená io onde a Índia, o A eganis ão e o I ão, op assem po ade i ao CPEC (S. Wol 2020, 145). A ideia de que o I ão pode ia es a p óximo a ade i ao CPEC ai ganha o ça, em 2017, com a assina u a do JCPOA, um aco do pa a a limi ação do p og ama nuclea i aniano, en e o I ão e um conjun o de ou os g andes pode es 56 , que esul ou na emoção das sanções impos as ao I ão e, consequen emen e, es abeleceu a posição i aniana no sis ema in e nacional ga an indo no as opo unidades de coope ação egional, nomeadamen e com o Paquis ão (Jin 2017; S. Wol 2020, 145). Aliás, em 2018, com o ea i a das ensões i aniano-ame icanas pela e oma das sanções no e-ame icanas ao I ão e a e i ada no e-ame icana do JCPOA, algo que a adminis ação T ump jus i icou pela supos a iolação i aniana dos e mos do aco do e pela p á ica de pa ocínio ao e o ismo, a China e o Paquis ão ganha am aqui uma janela de opo unidade de eme gi em enquan o po ências capazes de apoia o I ão a ee gue -se enquan o po ência egional no Médio O ien e (Aleem 2017; Jin 2017; D. Smi h 2019; S. Wol 2020, 145– 46). Po ém, a e dade é que, mesmo endo es a janela de opo unidade, a China em- se e aído nas suas ações, abo dando o ema com cau ela, is o po que, na e dade, uma ap oximação di e a sino-i aniana signi ica ia possí eis hos ilidades com os saudi as, pela 55 Minis y o Comme ce o he Islamic Republic o Pakis an, «A ghanis an-Pakis an T ansi T ade Ag eemen », 2010, h ps://www.comme ce.go .pk/wp-con en /uploads/pd /APTTA.pd . 56 Os signa á ios des e aco do, além do isado I ão, o am a Rússia, a China, a F ança, a Alemanha, o Reino Unido, os EUA e a UE. 92 dispu a acesa, a é aos dias de hoje, en e xii as e suni as, o que pode ia dani ica a isão da BRI enquan o um p oje o pu amen e económico no Médio O ien e, além de pode dani ica as elações en e a A ábia Saudi a e o Paquis ão, dois Es ados que pa ilham uma elação p o unda desde a undação paquis anesa, em 1947, e que pa ilham di e sos aco dos secu i á ios e económicos de mú ua p o eção (Vandewalle 2015, 11; Jin 2017; S. Wol 2020, 146). Nes e sen ido, a China de ém um p oblema em mãos que, na eo ia, de e se esol ido de o ma minuciosa pela sua complexidade, mas que, na p á ica pode esol e - se, u u amen e, sem a necessidade de p ocede a uma ges ão ap o undada de con li os, is o, nos úl imos anos, e mos assis ido: a uma eap oximação usso-paquis anesa, usso- i aniana, usso-saudi a e usso-chinesa, que se em demons ado: na ap oximação polí ica da Rússia a cada um dos Es ados e do cada ez maio in e esse usso na expansão do CPEC como uma con a-es a égia à p ocu a no e-ame icana de expansão das on ei as da NATO no les e eu opeu; ao in e esse da Tu quia na BRI, mesmo com e icencias em elação a uma possí el en ada i aniana, o que pode ia signi ica um pon o de conexão di e a en e a BRI, a a és do CPEC, e a UE; e ao ac o dos ês Es ados, I ão, Paquis ão e A ábia Saudi a, pe ence em à OCI e, po es a azão, de e em uma pon e de diálogo que pode c ia um ce o consenso sob e a adesão ao CPEC, is o os pon os de discó dia se em pu amen e ideológicos, sendo es e diálogo isí el, po exemplo, na p esença de Wang Yi, a con i e paquis anês, em ma ço do p esen e ano, pa a a 48ª Sessão do Conselho de Minis os dos Negócios Es angei os da OCI, um acon ecimen o a o e que pode signi ica a ap oximação chinesa ao mundo islâmico (Foy 2018; «Tu key eady o join he CPEC» 2020; Anadolu Agency 2022; IANS 2022). Em adição, a e dade é que, como emos obse ado a é ao momen o, o CPEC iniciou uma mudança p o unda na o ma como o Paquis ão se posiciona no seu con ex o egional e, po conseguin e, o Paquis ão, nos úl imos anos, em indo, de o ma indi e a, a assumi uma possí el en ada do I ão no CPEC como um bene ício, sob e udo nas á eas da ene gia, do comé cio e do desen ol imen o de in aes u u as de anspo e pa a a conec i idade egional, ao mesmo empo que, diploma icamen e, p ocu a eassegu a a A ábia Saudi a de que a en ada i aniana no CPEC signi ica apenas a cons ução de uma zona económica sem qualque ligação polí ico-ideológica (Sa da e Zabin 2020; S. Wol 2020, 146). 93 Nes e sen ido, sabendo que, po ce o, al como o A eganis ão, o I ão se encon a p óximo de ade i ao p oje o da BRI, a ques ão que pai a é se es a adesão se á sob e a alçada do CPEC, al como se ia no A eganis ão e na Índia, ou se se o ma ia um no o co edo económico sino-i aniano, is o o po o de Gwada se o p incipal compe ido do po o de Chabaha (Fa ooq 2019, 605–6). Tal como já is o ao longo do p esen e deba e da conec i idade egional, a China em demons ado sé ias p eocupações com os con li os polí icos e secu i á ios que êm a asado o desen ol imen o do CPEC e, nes e aspe o, o po o de Chabaha , 36 quilóme os a oes e de Gwada , o e ece à China uma no a o a que pode se i de o ma complemen a ou independen e do CPEC, is o po que o I ão em maio capacidade de ga an i a segu ança po uá ia e dos abalhado es chineses, endo a China o e ecido ao I ão, pa a início de p oje o, um in es imen o de 51 mil milhões de dóla es, uma quan ia supe io àquela que oi, inicialmen e, in es ida no Paquis ão (S. Wol 2020, 146–47; Aliasga y e Eks om 2021). Con udo, apesa dos a gumen os colocados, is o os in e esses chineses no Paquis ão, é pouco p o á el que a c iação de um co edo económico com o I ão uncione como um p oje o sepa ado do CPEC, e sim como um p oje o complemen a , podendo jus i ica -se o ele ado in es imen o chinês na in eg ação i aniana, não como uma demons ação de maio impo ância em elação ao Paquis ão, mas sim como uma o ma de ga an i a exclusi idade da ope acionalização do po o de Chabaha que, nos úl imos anos, a Índia ambém em en ado ob e , pe mi indo assim o ce co es a égico à Índia no Indo-Pací ico e um co edo económico que ga an a a hegemonia chinesa na egião (S. Wol 2020, 147; Sa da e Zabin 2020; Aliasga y e Eks om 2021). 94 4. As No as Dinâmicas de Pode do Indo-Pací ico An es de a ança mos com es e úl imo capí ulo, que se i á de pa e conclusi a à p esen e disse ação, i emos p ocede a uma b e íssima ecapi ulação da aplicação das p incipais eo ias es abelecidas no p imei o capí ulo pa a a análise do ema, sob e udo pela impo ância que de êm. O a, começando pelo Neo ealismo, eo ia base da p esen e in es igação, es a eo ia pe mi iu-nos pe cebe a e olução das elações sino- paquis anesas, sob e udo a é 2013, como elações que su gi am da necessidade po pa e da China e do Paquis ão, po mo i os di e en es, de con abalança a izinha Índia no con ex o egional. Nes e sen ido, pudemos obse a como a China e o Paquis ão o ma am um eixo, que uncionou à semelhança de uma aliança, en e um pode médio egional e uma supe po ência egional, espe i amen e, de o ma a con abalança o g ande pode egional Índia. Ademais, após 2013, se ao abo dado adiciona mos o concei o de ascensão “pací ica” deba ido po Mea sheime , quando abo dámos o Realismo O ensi o, podemos mais uma ez e o ça a ideia de que a China em p ocu ado o equilíb io egional com a Índia e os EUA a a és de um sis ema de alianças com o Paquis ão e ou os países da BRI, u ilizando-se, simul aneamen e, da imagem paci is a pa a es ende a sua in luência a ou as egiões nas quais, como abo dado an e io men e com o “cola de pé olas”, acaba po es abelece bases mili a es que se em de con olo à p esença no e-ame icana e su ocam os Es ados não signa á ios da BRI. No caso do Paquis ão, a e dade é que as ações demons adas são semp e as de um pode que lu a pela sob e i ência egional e, po es a azão, se encon a semp e ligado à China como o ma de man e a p óp ia exis ência, de ga an i um aumen o de in luência egional e de de ende a sobe ania nacional. Con udo, pa a explica a ação chinesa no pós-2013, o Realismo O ensi o e o Neo ealismo o nam-se insu icien es, pelo que, se obse a mos es a ação pelo espe o da Teo ia da Es abilidade Hegemónica, podemos pe cebe que o que exis e en e 2013 e o p esen e momen o, é uma gue a hegemónica, p e is a nos ciclos hegemónicos, en e a China e os EUA, no g ande plano, u ilizando-se cada Es ado do seu sis ema de alianças e dos adicionais jogos de pode de o ma a ga an i o papel de hegemonia no p esen e século XXI. Passando ago a pa a a pa e conclusi a do ema, ao longo da p esen e disse ação, pudemos obse a como o eixo sino-paquis anês em pe mi ido aos dois in e enien es 95 modula , de ce a o ma, uma pa e da geopolí ica do Indo-Pací ico e ga an i uma maio ele ância egional. Começando pelo Paquis ão, o eixo sino-paquis anês, que culminou na assina u a do CPEC, ep esen ou uma al e ação p o unda da posição paquis anesa no palco in e nacional, aumen ando a ele ância geoes a égica, geoeconómica e geopolí ica, e na o ma como o equilíb io de pode egional com a gigan e Índia oi sendo ei o, caminhando mais p óximo de uma eia diplomá ica, pelo his ó ico de con li os iolen os indo-paquis aneses, e pe mi indo, de ce a o ma, ga an i a es abilidade egional e a cimen ação paquis anesa como um polo egional. Po ou o lado, no caso da China, pudemos obse a que a cons i uição de um eixo sino-paquis anês pe mi iu, en e á ias al e ações das dinâmicas egionais, a cons ução de uma hegemonia chinesa na Ásia, a a és do con abalança da Índia e dos EUA, e a cimen ação de um caminho que pe mi iu a c iação e expansão do plano da BRI a um pon o que, a ualmen e, endo como p oje o p incipal o CPEC, possibili ou que nes e con ex o a China se o nasse a p incipal a qui e a do equilíb io egional do Indo-Pací ico, sob e udo pelo en aquecimen o da p esença no e-ame icana. Ademais, no âmbi o do es abelecimen o de no as dinâmicas egionais e do en aquecimen o da p esença no e-ame icana no Indo-Pací ico e na Ásia do Sul, a China e o Paquis ão êm p ocu ado ga an i uma conec i idade egional supe io de o ma a que o Paquis ão consiga ga an i o papel de po ência egional e a China o papel de pode hegemónico asiá ico, algo que a Teo ia da Es abilidade Hegemónica já abo dada nos ajudou a en ende a é ao momen o. A a i mação an e io pode se jus i icada, po exemplo, pela en a i a da China e do Paquis ão de ga an i um maio apoio na OCI, sob e udo: a a és da ex ensão do CPEC pa a o I ão, uma po a de acesso ao Médio O ien e; a a és da in eg ação do A eganis ão, ga an indo um acesso à Ásia Cen al; e, po im, a a és do e i a do úl imo alice ce no e-ame icano no Índico com a possibilidade de uma ex ensão da BRI pa a a Índia, p opos a no aco do do BCIM-EC. Nes e sen ido, e po que, al como nos pe ceciona a eo ia neo ealis a, os Es ados compo am-se no sis ema in e nacional como peças num abulei o de xad ez, apesa da es a égia chinesa em o no de limi a a in luência no e-ame icana na Ásia, os EUA êm p ocu ado sus e a sua posição, e, no p esen e ano, inicia am um conjun o de inicia i as que, na p óxima década, pode signi ica um de adei o con on o hegemónico com a China pa a o papel de hegemonia, que na Ásia, que no sis ema in e nacional, obse ando-se assim um maio in es imen o no e-ame icano no con ex o asiá ico após 96 um pequeno pe íodo, du an e a adminis ação T ump, de algum desin es imen o pela adoção de uma es a égia de p o ecionismo (Chong 2020). Po conseguin e, com a eleição de Biden pa a P esiden e dos EUA, em 2020, o plano da o dem egional do Indo-Pací ico obse ou o e o ço da posição dos EUA, o que al e ou as dinâmicas de pode o madas no plano asiá ico nos úl imos anos. Es a al e ação pode se jus i icada, sob e udo, pela al e ação da es a égia no e-ame icana pa a o Indo- Pací ico, di ulgada pela adminis ação Biden, e pela espos a sino-paquis anesa com a eap oximação à Rússia, o que di icul a ainda a posição indiana que, nes e no o plano es a égico, se encon a com a di ícil escolha en e a Rússia, aliada adicional, e os EUA, aliados de con ex o pa a con abalança o eixo sino-paquis anês. Aliás, an es de inicia o deba e sob e as ideias expos as, é impo an e pe cebe que, pa a en ende ambos os planos es a égicos pa a a p óxima década, nos de emos a as a dos concei os p é-p og amados de en endimen o do mundo po ia da in luência da Gue a F ia e obse a as decisões omadas no con ex o de um mundo globalizado em cons an e mudança e com dinâmicas in luenciadas pela in e conec i idade mundial (Biswas 2021, 20). Nes e i a de década, podemos, pelo já analisado, pe cebe que a con igu ação es a égica egional no Indo-Pací ico se em al e ado de o ma signi ica i a e que, nos p óximos anos, se pode á obse a uma e dadei a mudança de pa adigma. Como a o es egionais, a China e a Índia o am a base da eme gência da impo ância do Índico no concei o de Indo-Pací ico e, des e modo, o con on o egional en e ambas acabou po ge a um conjun o de no as dinâmicas e mecanismos de en aquecimen o mú uo cujos esul ados se mos a am mais bené icos pa a a China, que não só en aqueceu a posição no e-ame icana nes a egião, como ainda conseguiu, de ce a o ma, anula a izinha Índia a a és do o alecimen o do Paquis ão como pode egional (F.-K. Liu 2020, 67). Nes e sen ido, a é 2020, a segu ança ma í ima oi um pon o de apos a nas polí icas ex e nas chinesa e no e-ame icana, pela dispu a de zonas de in luência egionais em busca da hegemonia nes a egião, algo bas an e en a izado pela adminis ação Biden com polí icas de eap oximação à Aus ália, ao Japão e, sob e udo, à Índia, e po Xi Jinping, que em man ido o p oje o da BRI como a sua base es a égica (F.-K. Liu 2020, 67). Como pa e da es a égia no e-ame icana, emos que, inicialmen e, a adminis ação T ump inha como um dos obje i os delimi ados no seu plano de ação es a égico o aumen o em 60% das o ças na ais no e-ame icanas na egião do Indo- 97 Pací ico e da Ásia-Pací ico a é 2020, o que, em adição à eabe u a do QUAD 57 , em 2017, um ó um es a égico in o mal en e o Japão, a Aus ália e a Índia, que em como obje i o se i como meio de con abalança a China na balança de pode egional, ep esen a ia uma espos a o e à p esença chinesa na egião (F.-K. Liu 2020, 68; Machado 2021). Com a omada de posse da adminis ação Biden, em 2021, e apesa do mundo se encon a no p ocesso de comba e a uma pandemia, uma das coisas que não se al e ou oi a p io idade do plano es a égico no e-ame icano pa a o Indo-Pací ico, algo isí el no oco que a adminis ação Biden colocou na elabo ação de um plano es a égico de ação imedia a que pudesse ga an i uma al e na i a à BRI, endo o mesmo sido publicado em e e ei o do p esen e ano (Reu e s 2021). Nes e mesmo plano, denominado “Indo-Paci ic S a egy o he Uni ed S a es”, ambém conhecido po FOIP, é possí el pe cebe que a es a égia no e-ame icana passa pela implemen ação do IPEF e pelo o alecimen o do QUAD (The Whi e House 2022, 7–14). Começando pelo IPEF, es e p oje o é a espos a no e-ame icana ao já cimen ado p oje o da BRI, pelo que, al como é desc i o no FOIP, p e ê o in es imen o no e- ame icano em países que p ocu em o desen ol imen o in e no sem in e enção chinesa, o mando assim uma zona de in luência no e-ame icana que pe mi a a con enção da in luência chinesa no plano do Indo-Pací ico (The Whi e House 2022, 8–14). A e dade é que, mesmo sendo um p oje o que p ome e comba e a hegemonia chinesa na egião do Indo-Pací ico, o núme o de in e essados na adesão ao IPEF oi in e io ao espe ado pelos EUA, e mui o in e io ao núme o de in e essados na BRI, pelo que, à exceção da Índia, que p on amen e iniciou o p ocesso de adesão pela apela i a cláusula do IPEF que exclui a China do aco do, poucos o am os Es ados 58 que demons a am o al in e esse na inicia i a (Ha is 2022; Buddha a apu 2022b). Es a al a de in e esse no IPEF cen a-se sob e udo na imposição no e-ame icana de uma ansição pa a a ino ação ecnológica, a u ilização de ene gias e des e a implemen ação de e o mas nas leis labo ais, pa a que 57 Apesa de o malizado em 2007, po inicia i a japonesa, pa a a ga an ia de uma aliança secu i á ia no Indo-Pací ico que pudesse unciona como um meio de, sob e udo, con abalança a p esença chinesa na egião, o QUAD acabou po ica ina i o po ce ca de uma década, endo apenas sido ea i ado, em 2017, pela necessidade de impedi a expansão da in luência chinesa numa escala supe io à já assis ida (Associa ed P ess 2022). 58 Como di o, à exceção da Índia que p e ende a en ada imedia a, apenas a Co eia do Sul, o Japão, a Aus ália e a No a Zelândia, demons a am in e esse em pode in eg a a inicia i a no e-ame icana (Ha is 2022). 104 Conclusão Obse ando odo o deba e p es ado ao longo da p esen e in es igação, podemos conclui que, en e 1972 e 2020, as elações sino-paquis anesas i e am um eno me impac o no Indo-Pací ico. Inicialmen e, pa a mui os, o es abelecimen o de elações en e a China e o Paquis ão, numa pe spe i a do sis ema in e nacional e egional, e a algo pouco p o á el e ce amen e não se ia algo que a URSS, os EUA ou a Índia, pudessem p e e . Po ém, a ealidade é que após o con li o sino-indiano, em 1962, e num momen o em que os EUA i a am as cos as ao Paquis ão, na segunda Gue a Indo-Paquis anesa, em 1965, os dois Es ados, China e Paquis ão, p ocu a am alinha as suas polí icas ex e nas o mando um eixo que acaba ia po molda os úl imos 50 anos da his ó ia do Índico e, consequen emen e, das dinâmicas egionais do Indo-Pací ico. Ao longo do segundo capí ulo da p esen e disse ação, p ocu ámos demons a es a mesma e olução das elações sino-paquis anesas, explo ando o início da con eniência das elações diplomá icas en e a China e o Paquis ão e o caminho açado a é à assina u a do CPEC. Du an e a década de 1960, como mencionado, as elações sino- paquis anesas a ingi am um pa ama pouco espe ado no sis ema in e nacional causando, numa e ó ica cau íliana, a união de dois Es ados em polos opos os pelo comba e a um inimigo comum, a Índia. Con udo, é a pa i da década de 1970 que a China e o Paquis ão começam a i amen e a omen a as elações bila e ais, obse ando-se, em alguns casos, um apoio mú uo dos dois Es ados em momen os como a mediação paquis anesa das isi as de Kissinge e Nixon à China, o que pe mi iu o apazigua das ensões sino- ame icanas num momen o em que as elações indo- ussas se omen a am, e o apoio in e nacional chinês ao Paquis ão, sob e udo na ONU, no caso de Jammu e Caxemi a. Aliás, é ainda na década de 1970 que a China e o Paquis ão ão da início ao desen ol imen o do p og ama nuclea paquis anês, que pela necessidade de esol e o p oblema ene gé ico paquis anês, que pela necessidade de comba e a Índia após a ealização dos es es nuclea es Smiling Buddha em 1974, iniciando-se um clima de ensão que acaba ia po eben a na década de 1990. Toda ia, como esul ado da es a égia mili a -nuclea do eixo sino-paquis anês e dos es es nuclea es indianos da década de 1970, no inal da década de 1990, o Paquis ão ai ealiza es es ao a mamen o nuclea que possuía con ibuindo pa a o acen ua das ensões com a Índia, dando o igem a quase duas gue as nuclea es en e 1999 e 2002, com a C ise de Ka gil e a Twin Peak C isis. 105 Vale elemb a que, ao longo da discussão, pudemos ainda obse a que, com o im da Gue a F ia, a China acabou po eme gi como um g ande pode mili a e económico que p ocu a a a u ilização de uma es a égia diplomá ica ol ada pa a a con e sação e a diminuição de con li os a mados, p ocu ando que o Paquis ão seguisse a mesma linha de abo dagem in e nacional e apos ando ainda no desen ol imen o paquis anês com a ex ensão dos campos de apoio pa a as á eas da ecnologia, do comé cio, do desen ol imen o de in aes u u as e da ag icul u a. Nes e sen ido, es e clima de ensão e a con á io às p e ensões chinesas de es abilidade egional na Ásia do Sul e u ilização paquis anesa de uma polí ica ex e na ol ada pa a a diplomacia, o que le ou a que as elações do eixo sino-paquis anês enham emido um pouco à en ada do século XXI. Po ém, mesmo apesa dos e os come idos du an e a C ise de Ka gil e a Twin Peak C isis, pelo Paquis ão, a his ó ia do eixo sino-paquis anês demons a-nos a capacidade de adap ação e de coope ação que os dois Es ados de êm no sis ema in e nacional, p ocu ando semp e ga an i o apoio en e si, mesmo que em alguns momen os apenas indi e amen e, de o ma a consegui em cump i com o obje i o p imá io de ga an i o equilíb io egional com a Índia, endo, pa a al, o Paquis ão p ocu ado al e a as suas dinâmicas de ação in e nacional. Es a adap abilidade pode se is a, imedia amen e após 2002, com a pe ceção do eixo sino-paquis anês de que, num mundo globalizado, a coe ção mili a se ia semp e uma es a égia in e io ao domínio económico, podendo obse a -se, en e 2002 e 2013, a ansição de uma polí ica ex e na nuclea pa a uma polí ica económica, com base nos aco dos do EHP, do PTA e do CPFTA, es e úl imo que culminou na c iação do CPEC. O a, se a polí ica nuclea e mili a inha pe mi ido ao eixo sino-paquis anês ga an i um equilíb io de o ças com a Índia, os aco dos económicos mencionados ão, po um lado, pe mi i à China, sem se essen i , en a numa gue a hegemónica com os EUA no Índico enquan o en a man e o equilíb io egional na zona Sues e Asiá ico, e, po ou o lado, ga an i ao Paquis ão uma p esença in e nacional simila à da Índia, o nando-se assim um pode o e ao ní el egional. Nes e sen ido, é segu o a i ma que, chegados a 2013, o início do desen ol imen o do CPEC, como p oje o p incipal da BRI pa a o Índico, capaz de liga a NRS à RSM, al e ou de o ma adical o equilíb io egional do Indo- Pací ico, não só economicamen e, como ambém geopoli icamen e e es a egicamen e. Po ém, como is o no e cei o capí ulo, com o CPEC a es a égia do eixo sino- paquis anês ambém se al e ou, passando dos es o ços mú uos de equilíb io egional com 106 a Índia pa a uma es a égia bipa ida en e a es a égia chinesa de expansão da in luência pa a a Ásia Cen al e de ga an e da posição hegemónica no Indo-Pací ico a a és do es abelecimen o de elações com a Rússia, e a es a égia paquis anesa de paci icação sul- asiá ica e expansão de in luência pa a o Médio O ien e e Ásia Cen al, com a possibilidade do I ão e o A eganis ão en a em no p oje o. Aliás, a mudança es a égica sino-paquis anesa pôde se is a, sob e udo no qua o capí ulo, em momen os como a en a i a de inse ção indiana no CPEC a a és do BCIM-EC, a p opos a de cons ução do IPI e a p opos a de esolução pací ica de Jammu e Caxemi a. Nou o sen ido, pa a os EUA, a Índia con inua a se i um p opósi o eno me na es a égia de comba e à in luência chinesa, sob e udo pelo con olo ma í imo do Índico, o que pode se is o na inse ção indiana no QUAD e no IPEF, os dois p oje os mais impo an es do FOIP. No caso indiano, o p oblema em sido lida , po um lado, com a pe da de in luência egional aliada aos p oblemas socioeconómicos in e nos, o que em le ado ao condicionamen o na ação ex e na, e, po ou o lado, com a di ícil decisão en e o aliado es a égico EUA, que se opõe ao eixo sino-paquis anês, e o aliado adicional Rússia, que se encon a cada ez mais p óximo de in eg a um eixo usso-sino-paquis anês. Po odas as cons an es obse adas, é possí el pe cebe que, nos p óximos anos, e num momen o em que nos encon amos a meio da segunda ase do CPEC, ainda amos obse a mui as al e ações no Indo-Pací ico ao ní el es a égico e das dinâmicas egionais. Aliás, é mesmo co e o a i ma que o sucesso da es a égia sino-paquis anesa pa a o Indo-Pací ico e pa a o espaço egional asiá ico se p ende mui o, po um lado, com o sucesso da inicia i a do CPEC, a é 2030, e, po ou o lado, com o possí el acasso do plano da FOIP. Ademais, podemos ainda inclui ou os a o es, como uma possí el, apesa de imp o á el, adesão indiana aos p oje os p opos os, que pode signi ica a ligação en e o p oje o da BRI na ASEAN e o CPEC, e o es abelecimen o da conec i idade com o A eganis ão e o I ão, que podem signi ica a expansão do p oje o a é ao Ociden e pelo CCWAEC. Nes e sen ido, é assim co e o a i ma que o eixo sino-paquis anês se encon a numa posição de ele o no con ex o do Indo-Pací ico que oi sendo con uída desde a década de 1970 e omen ada a a és da expansão do CPEC pa a ou os p oje os, supe io izando-se assim à posição indo-ame icana. Po ém, a isão an e io men e expos a encon a-se condicionada ao sucesso do CPEC a é 2030, ano da conclusão o icial do p oje o, e, sob e udo, do acasso do IPEF. 107 Na p esen e disse ação p ocu ámos esponde da o ma mais comple a à pe gun a de in es igação inicial e aos eixos p oblemá icos que des a ad êm. Po ém, exis em ainda algumas ques ões associadas à p oblemá ica que su gem da análise da discussão sob e o p esen e obje o de in es igação e que nu em de uma ce a impo ância pa a um en endimen o mais comple o do ema, algo que em in es igações u u as p ocu a emos desen ol e . En e es as ques ões emos, po exemplo, as ques ões em o no da es a égia indiana pa a o Índico, do ap o unda do emba e es a égico en e a China e os EUA, do papel e in luência da BRI e do CPEC na es an e Ásia do Sul e da ap oximação/a as amen o dos á ios Es ados que compõem o espaço es a égico do Indo- Pací ico em elação à BRI e ao FOIP, p ocu ando en ende as possibilidades de expansão egional dos dois p oje os. 108 Bibliog a ia Fon es P imá ias Minis y o Comme ce o he Islamic Republic o Pakis an. «A ghanis an-Pakis an T ansi T ade Ag eemen », 2010. h ps://www.comme ce.go .pk/wp- con en /uploads/pd /APTTA.pd . ———. «AGREEMENT ON THE EARLY HARVEST PROGRAMME FOR THE FREE TRADE AGREEMENT BETWEEN THE GOVERNMENT OF THE ISLAMIC REPUBLIC OF PAKISTAN AND THE GOVERNMENT OF THE PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA», 2006. h ps://www.comme ce.go .pk/wp- con en /uploads/pd /PCEHP-Ag i.pd . 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