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As Relações Sino-Paquis anesas e o Equilíb io de Pode no Indo-
Pací ico (1972-2020)
Tiago Daniel Bo elho dos San os
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações
In e nacionais na Especialização de Relações In e nacionais
Se emb o 2022
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do
g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais, ealizada sob a o ien ação
cien í ica do P o esso Daniel Ma cos
Dedicado a odos aqueles que me acompanha am.
À memó ia do meu a ô Albe ino.
Decla ação
Ag adecimen os
Ao e mina uma e apa ão impo an e da minha ida, não pode ia deixa de
ag adece a odos que, de o ma di e a ou indi e a, es i e am p esen es ao longo do meu
pe cu so nes e úl imo ano.
Em p imei o luga , gos a ia de ag adece à minha amília po odo apoio que me
oi p es ado, sob e udo ao ní el mo al, p opo cionando-me um ambien e ap op iado pa a
o desen ol imen o da minha in es igação. Ao meu pai, Nuno, e à minha a ó, Ca mo,
ag adeço a opo unidade que me de am e o apoio e paciência que semp e demons a am
nes e á duo pe cu so. À minha companhei a, Ma ia Bea iz, deixo um especial
ag adecimen o po odo o ca inho, comp eensão, paciência e apoio, que me oi dando ao
longo des a in ensa jo nada.
Ao meu o ien ado , P o esso Dou o Daniel Ma cos, ag adeço o auxílio que me
oi dando ao longo do desen ol imen o da in es igação, assim como os conselhos e
incen i os que me oi p es ando e que me ajuda am a compila da melho o ma a minha
in es igação nes a disse ação.
Po im, mas sem menos impo ância, ag adeço ao Diogo, ao And é, ao An ónio,
ao Filipe e ao Rica do, e a odos os ou os amigos que me acompanha am na minha
jo nada, pela amizade demons ada e pelo companhei ismo e apoio que i e am pa a
comigo ao longo des e úl imo ano, pe mi indo-me enca a os obs áculos de o ma mais
le iana e o na es a jo nada mui o mais es imulan e.
Ob igado a odos po e em ac edi ado em mim e me e em ajudado e apoiado na
conclusão de um p oje o do qual me sin o ex emamen e o gulhoso.
As Relações Sino-Paquis anesas e o Equilíb io de
Pode no Indo-Pací ico (1972-2020)
Tiago Daniel Bo elho dos San os
Resumo
No con ex o de uma al e ação cons an e das dinâmicas egionais do Indo-Pací ico
e da geopolí ica global, a Ásia do Sul, como pon o cen al da egião do Índico, es á en e
as p incipais egiões com capacidade geoes a égica pa a al e a o s a us quo. A China e
o Paquis ão, ao longo dos úl imos 50 anos, êm omen ado as elações en e si ao ní el
polí ico, cul u al e económico, c iando uma “i mandade de e o” que ampli icou a
capacidade mú ua de ga an i o a ingi dos p incipais obje i os da polí ica ex e na de
ambos. O eixo sino-paquis anês, que su giu com base na necessidade da China e do
Paquis ão de con abalança a Índia no con ex o egional, e oluiu a é aos dias de hoje
como um sis ema de “aliança” bem cimen ado e ambicioso que não só p ocu a con e a
Índia e o eixo indo-ame icano, como ainda em como p incipal obje i o na a ualidade a
con enção no e-ame icana no espaço egional do Indo-Pací ico, pe mi indo a ascensão
chinesa a pode hegemónico egional e a colocação paquis anesa num luga de ele o no
sis ema in e nacional. Pa a al, o CPEC, p oje o ap esen ado, em 2013, como p incipal
es a égia chinesa pa a o Índico, su ge como o p incipal es o ço sino-paquis anês pa a o
aumen o da in luência chinesa e paquis anesa nas egiões da Ásia do Sul, da Ásia Cen al
e do Médio O ien e, se indo como base pa a a es a égia chinesa no comba e
hegemónico com os EUA. O obje i o des a in es igação é o de p ocu a pe cebe a
e olução do eixo sino-paquis anês e a o ma como es e e e in luência na o ma como os
jogos de pode êm sido jogados no Índico, sob e udo no emba e com o eixo indo-
ame icano.
Pala as-Cha e: China; Paquis ão; Índia; EUA; Indo-Pací ico; CPEC; Ásia do Sul
The Sino-Pak Rela ions and he Balance o Powe in
he Indo-Paci ic (1972-2020)
Tiago Daniel Bo elho dos San os
Abs ac
In he con ex o he e e changing Indo-Paci ic egional dynamics and global
geopoli ics, and as he hub o he Indian Ocean egion, Sou h Asia is one o he main
egions wi h he geos a egic capaci y o change he s a us quo. O e he las 50 yea s,
China and Pakis an ha e os e ed hei mu ual ela ion on a poli ical, cul u al, and
economic le el, c ea ing an “i on b o he hood” ha has s eng hened hei join abili y o
gua an ee he accomplishmen o bo h coun ies’ o eign policy’s main goals. The Sino-
Pakis ani axis, which eme ged based on China and Pakis an’s need o coun e balance
India in he egional con ex , has e ol ed o he p esen day o be a well-g ounded and
ambi ious “alliance” sys em ha bo h seeks o con ain India and he Indo-Ame ican axis,
and, has i s main objec i e, he con ainmen o he USA in he egional space o he Indo-
Paci ic, he e o e allowing he Chinese ascension o egional hegemonic powe and he
placemen o Pakis an in a p ominen place in he in e na ional sys em. To his end, he
CPEC p ojec , p esen ed in 2013 as China’s main s a egy o he Indian Ocean, eme ges
as he main Sino-Pakis ani e o o inc ease Chinese and Pakis ani in luence in he
egions o Sou h and Cen al Asia and he Middle Eas , se ing as he ounda ion o he
Chinese s a egy in i s hegemonic igh wi h he USA. This in es iga ion aims o y o
comp ehend he e olu ion o he Sino-Pakis ani axis and how i in luenced he way powe
games ha e played ou in he Indian Ocean, especially ega ding he clash wi h he Indo-
Ame ican axis.
Keywo ds: China; Pakis an; India; USA; Indo-Paci ic; CPEC; Sou h Asia
Índice
Lis a de Ab e ia u as ............................................................................................ 1
In odução ............................................................................................................. 4
1. Enquad amen o Teó ico: Uma Análise da Balança de Pode Regional ... 10
2. Os Aco dos Nuclea es e a Es abilidade Regional do Indo-Pací ico ......... 32
2.1. A Gue a F ia no Con ex o da Fo mação do Eixo Sino-Paquis anês ... 33
2.2. Os Aco dos Nuclea es como Respos a a uma Índia Nuclea izada ....... 41
2.3. Da C ise de Ka gil à assina u a do CPEC: a Mudança de Pa adigma .. 57
2.3.1. A China Neu a, o Paquis ão Secu i á io e o Con a e o ismo ..... 57
2.3.2. O Campo Mili a -Económico-Ci il nas Relações Nuclea es ........ 62
2.3.3. As Relações Económicas desde a C ise de Ka gil ao CPEC ......... 67
3. O CPEC no Con ex o de uma Possí el No a O dem do Indo-Pací ico ... 71
3.1. A E olução e Cimen ação do CPEC ..................................................... 73
3.2. Uma Análise dos Bene ícios do CPEC pa a o Eixo Sino-Paquis anês . 80
3.3. A Conec i idade Regional e Possí eis Ala gamen os do CPEC .......... 83
3.3.1. Conec i idade com a Índia ............................................................. 84
3.3.2. Conec i idade com o A eganis ão ................................................. 88
3.3.3. Conec i idade com o I ão .............................................................. 91
4. As No as Dinâmicas de Pode do Indo-Pací ico ..................................... 94
Conclusão ......................................................................................................... 104
Bibliog a ia ....................................................................................................... 108
Fon es P imá ias ........................................................................................... 108
Fon es Secundá ias ....................................................................................... 110
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Lis a de Ab e ia u as
ADB – Asia De elopmen Bank
ASEAN – Associa ion o Sou heas Asian Na ions
BCIM-EC – Bangladesh-China-India-Myanma -Economic Co ido
BRI – Bel and Road Ini ia i e
CASA-1000 – Cen al Asia Sou h Asia Elec ici y T ansmission and T ade P ojec
CCWAEC – China-Cen al Asia-Wes Asia Economic Co ido
CENTO – Cen al T ea y O ganiza ion
CIA – Cen al In elligence Agency
CMREC – China-Mongolia-Russia Economic Co ido
CPEC – China-Pakis an Economic Co ido
CPFTA – China Pakis an F ee T ade Ag eemen
CSNU – Conselho de Segu ança das Nações Unidas
EARSC – Eas Asia Regional Secu i y Complex
EHT – Ea ly Ha es P og am
ETIM – Eas Tu kis an Islamic Mo emen
EUA – Es ados Unidos da Amé ica
FOIP – F ee and Open Indo-Paci ic
IAEA – In e na ional A omic Ene gy Agency
IPEF – Indo-Paci ic Economic F amewo k
IPI – I an-Pakis an-India Pipeline
ISI – In e -Se ices In elligence
JCPOA – Join Comp ehensi e Plan o Ac ion
JeM – Jaish-e-Muhammad
JuD – Jamma -ud-Dawa
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aco do de comé cio li e en e as pa es, su gindo como um p oje o megalómano que
su ge de in e esses de pa e a pa e e que pe mi e à China exe ce a sua in luência na
egião do Indo-Pací ico e ao Paquis ão dinamiza a sua economia e domina o me cado
sul-asiá ico (Ahmed, Ahmad, e Shahabuddin 2020, 193–94; Ra i 2019; A ais e al. 2016,
164). Po um lado, pa a a China, o p imei o g ande bene ício do CPEC esume-se à
impo ância geoes a égica do Paquis ão, po se um Es ado que se e de pon e de acesso
aos países islâmicos, possui ecu sos na u ais em abundância e é uma das maio es o ças
a madas mundiais com uma cen al de in eligência de opo (M. M. Khan e Kasi 2017,
55–56; Paul 2019, 56; Rajagopalan 2021). O segundo bene ício da CPEC pa a a China
cen a-se na ques ão da demanda in e na de pe óleo, que p o ém maio i a iamen e dos
países do MENA, pelo que o no o co edo económico pe mi e aos pe olei os que an es
inham de passa po águas hos is, como o Es ei o de Malaca, onde pode iam se
impedidos pela ma inha no e-ame icana, a diminuição do empo e dis ância de anspo e
a a és da ligação e es e en e o po o de Gwada , na ligação do Gol o de Omã ao
Índico, e o Xijiang. Po ou o lado, pa a o Paquis ão, o g ande bene ício do CPEC é o
ga an e de uma enda anual de 100 milhões de dóla es, p o enien e exclusi amen e do
comé cio de gás e pe óleo, o que pe mi e, somado a ou os luc os, esol e os p oblemas
socioeconómicos paquis aneses, sob e udo nas á eas ibais, a o i icação da ma inha,
com o con olo ma í imo do acesso ao Índico a a és de Gwada , a nuclea ização da
economia paquis anesa, com a c iação de cen ais nuclea es pa a a p odução de ene gia,
e o ga an e do equilíb io egional com a Índia (A ais e al. 2016, 167; Saeed 2021).
Ademais, sob e a posição indiana ace ao p oje o, es a é ex emamen e nega i a, pois o
CPEC e i a à Índia alguma manob a de ação egional (Ahmed, Ahmad, e Shahabuddin
2020, 194).
Nes e sen ido, se indo o expos o a é ao momen o como uma base de
en endimen o pa a a in es igação p opos a, ao longo da p esen e disse ação
p ocu a emos explo a da o ma mais ap o undada possí el os e en os ela ados que
le a am ao es abelecimen o das elações sino-paquis anesas, p ocu ando pe cebe como
as mesmas podem, ou não, e a e ado o pano ama egional do Indo-Pací ico.
Es u u almen e, a p esen e disse ação i á passa , p imei amen e, po um enquad amen o
eó ico sob e a o ma como se i á obse a o caso sino-paquis anês, pe mi indo
es abelece as bases eó icas do aciocínio que se á ado ado du an e os di e sos momen os
de análise. De seguida, num segundo capí ulo, p ocu a emos esponde à ques ão de como
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se inicia am as elações sino-paquis anesas e em que momen os as mesmas se
ap o unda am nos con ex os polí ico, económico e mili a , do século XX, p ocu ando
en ende os mo i os que le a am a que os dois Es ados i essem ap o undado as suas
elações e es abelecido um eixo que, a é aos dias de hoje, unciona como um meio de
cimen a a impo ância egional dos mesmos, sob e udo do Paquis ão. Num e cei o
capí ulo, p ocu a emos en ende , obse ando o con ex o in e nacional e as dinâmicas
egionais do Indo-Pací ico, no século XXI, o po quê da al e ação das dinâmicas do eixo
sino-paquis anês na mudança de um oco no polí ico-mili a , no século XX, pa a um oco
no económico-mili a que du a a é aos dias de hoje. Po im, no sen ido de en ende as
no as dinâmicas que êm indo a su gi no pano ama asiá ico, p ocu a emos, no úl imo
capí ulo da p esen e in es igação, in es iga as es a égias omadas pelo eixo sino-
paquis anês e pela coope ação indo-ame icana no sen ido de ob enção do pode
hegemónico na Ásia.
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1. Enquad amen o Teó ico: Uma Análise da Balança
de Pode Regional
An es de inicia o deba e eó ico sob e a emá ica p opos a, gos a íamos de
lemb a que o p esen e abalho de in es igação segui á uma abo dagem me odológica
desc i i a po meio de uma análise his ó ica, polí ica e económica, de modo a delinea os
p incipais acon ecimen os que le a am à o mação de um eixo de coope ação sino-
paquis anês. Na p esen e in es igação, a pesquisa cen a -se-á na u ilização de uma
análise mis a, u ilizando elemen os quali a i os, como discu sos polí icos, a ados e
ou os documen os de ele o, e mé odos quan i a i os, como análises do PIB e do
c escimen o económico de cada Es ado. Nes e sen ido, eco e emos a on es p imá ias,
secundá ias e a bibliog a ia c í ica, pa a a elabo ação e oposição de ideias, p ocu ando
pe cebe a pe ceção dos in e enien es polí icos, a a és de discu sos; das ins i uições
in e nacionais e nacionais, a a és de a as de eunião ou comunicados nos quais se abo de
a ques ão do eixo sino-paquis anês; e da opinião académica, a a és de a igos cien í icos
e ob as que e a em a e olução e consequências do eixo sino-paquis anês sob e uma
pe spe i a mais eó ica, de modo a esponde à pe gun a de in es igação p opos a da
o ma mais comple a e e icaz.
A ualmen e, num momen o em que os EUA se e i am do A eganis ão e a
in luência no e-ame icana diminui conside a elmen e na egião, ês a o es egionais,
China, Paquis ão e Índia, os dois úl imos no con ex o do Índico, e guem-se em p ol de
consegui p eenche , nos seus con ex os, as lacunas deixadas pelos EUA de o ma a
molda o u u o da o dem egional no Indo-Pací ico. O a num pequeno à pa e, po que a
ase an e io pode pa ece con usa sem um con ex o, le ando o lei o a ques iona -se
sob e o po quê da não abo dagem ao papel, da Aus ália da No a Zelândia ou da ASEAN,
i emos in oduzi , em seguida, o concei o de Indo-Pací ico e a especi icidade do mesmo
no con ex o do p esen e abalho. Po no ma, de o ma concep ual, o concei o de Indo-
Pací ico cen a-se num mapa ic ício que p e ende engloba as c escen es in e ações
es a égicas, económicas e polí icas, ao longo do li o al asiá ico (Figu a 1), ab angendo
um espaço que ai desde a península co eana a é ao Gol o Pé sico e de ém o Sues e
Asiá ico como cen o, en a izando assim as c escen es in e ações en e a Ásia O ien al, o
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Sues e Asiá ico, a Aus ália, a Ásia do Sul e pa e da cos a o ien al a icana (B ews e
2016; Tomé 2019).
O a, po se um concei o que, em si, cob e uma ealidade demasiado ex ensa com
di e sas dinâmicas que os limi es da p esen e disse ação não pe mi i iam ab ange na
o alidade, na p esen e in es igação semp e que menciona mos o concei o de Indo-
Pací ico, i emos limi a -nos às dinâmicas que se es abelecem en e a coligação lide ada
pelos EUA com a Índia e o eixo sino-paquis anês, ocando-nos assim na geopolí ica da
egião da Ásia do Sul, na ques ão ma í ima em o no da ques ão secu i á ia no Índico, no
Ma do Sul da China e na p ocu a de al e na i as ao Es ei o de Malaca, e no oco das
elações sino-paquis anesas em con abalança a Índia e impedi os EUA de aumen a em
o pode no Índico. Nes e sen ido, mesmo econhecendo os papéis neozelandês e
aus aliano na ques ão do equilíb io egional, não inclui emos uma análise à Aus ália e
à No a Zelândia
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de o ma ap o undada is o ambos os pode es cen a em a sua
in luência maio i a iamen e no Pací ico e no con olo de ce as o as no Sues e Asiá ico
e, po conseguin e, não ep esen a em uma ameaça à possí el ascensão sino-paquis anesa
2
Aliás, no caso da No a Zelândia, a eap oximação sino-zelandesa como pa e do plano de
expansão da BRI pa a o Pací ico, em o nado a No a Zelândia um Es ado menos con es a á io das ações
chinesas do que a izinha Aus ália, o que, de ce a o ma, à imagem da ASEAN, o na a No a Zelândia
um Es ado a o á el à expansão da BRI e, po conseguin e, coni en e com a expansão da in luência chinesa
(Köllne 2019, 1–9).
Figu a 1 - Mapa do concei o geopolí ico de Indo-Pací ico (Kısı 2021).
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no Índico e à discussão pelo con olo do Es ei o de Malaca, podendo apenas obse a em-
se como a o es a i os na ques ão do domínio do Ma do Sul da China (Me ce 2022;
Köllne 2019, 1–9).
Tendo is o escla ecido, pode emos a ança en ão pa a o deba e eó ico sob e o
ema de in es igação. Pa a Jacob, do pon o de is a es a égico, exis e uma ede de
in e ações complexa no Indo-Pací ico que, po exemplo, é isí el pelo aco do económico
unila e al da supe po ência eme gen e China com o Paquis ão, pela elu ância do g ande
pode Índia em es abelece aco dos polí icos pa a es abiliza a egião ou pa a man e o
s a us quo e pela ambição do pode médio Paquis ão, que acaba po des abiliza a egião,
de eme gi na cena in e nacional ul apassando o g ande pode Índia (Jacob 2015, 90).
Nes e sen ido, como mé odo de análise pa a o p esen e ema, p ocu a emos u iliza o
Neo ealismo enquan o uma eo ia base que nos pe mi a explica a balança de pode
egional com supo e num espe o maio do que aquele que a eo ia ealis a nos pode ia
o e ece , po ém, de o ma complemen a , ambém abo da emos o Realismo O ensi o, a
Teo ia da Es abilidade Hegemónica e o concei o eó ico po de ás da segu ança egional,
como o ma de en ende ce os compo amen os, sob e udo, no campo da ascensão
“pací ica” chinesa, do con li o indo-paquis anês e do p oblema da segu ança egional no
Indo-Pací ico, jus i icando-se es a abo dagem mul idisciplina pela noção de que po
mais gene alis as que as eo ias das elações in e nacionais p ocu em se , nem semp e é
possí el basea mo-nos numa eo ia pa a abo da a his ó ia das elações en e dois Es ados
e a e ação da mesma no sis ema in e nacional.
P imei amen e, an es de inicia mos a análise das eo ias p opos as, começa emos
po da uma b e íssima in odução do Realismo enquan o a base de desen ol imen o das
mesmas. O Realismo, enquan o escola de pensamen o das elações in e nacionais,
obse a o con li o en e Es ados a a és de um espe o ab angen e de ideias que se
cen am: na ana quia, conside ando que não exis e nenhum a o acima dos Es ados capaz
de egula as in e ações in e es a ais; na obse ação do Es ado como o a o p incipal na
polí ica in e nacional; na acionalidade e egoísmo dos Es ados, que se cen am na p ocu a
do ga an e do in e esse nacional; e no pode , ou, mais p op iamen e, no desejo pela
ob enção de mais pode que cada Es ado nu e de o ma a ga an i a au o-p ese ação
(Wohl o h 2008, 131–32).
O Neo ealismo, base da análise do p esen e ema é uma eo ia das elações
in e nacionais azida, em 1979, po Kenne h Wal z, como uma hipó ese ge al que pe mi e
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desc e e as con an es compo amen ais dos Es ados e de como os mesmos agem nas
elações in e nacionais. Segundo Wal z, o Neo ealismo pe mi e-nos explica com maio
p ecisão o ema das elações sino-paquis anesas po comp eende não só a componen e
polí ico-mili a , mas ambém ou os componen es, como o passado his ó ico, as elações
económicas, o espe o cul u al das in e ações e o campo polí ico-diplomá ico, pa a assim
ob e uma melho comp eensão ace ca da in e ação dos Es ados na cena in e nacional,
in oduzindo a ideia de que o sis ema in e nacional induz os Es ados a agi de uma
de e minada o ma e a p ocu a em o equilíb io a a és da compe ição ou das alianças,
possibili ando assim en ende a gue a ou o e i a da mesma, a balança de pode , a p ocu a
de pode , o desmemb amen o de Es ados, a compe ição secu i á ia, a co ida ao
a mamen o e a o mação de alianças (M. M. Khan e Kasi 2017, 57; Wal z 1979, 195–
210). Em complemen o com a ideia base ap esen ada, Fajemilehin az-nos a noção
in e essan e de que o Neo ealismo ap esen a a es e a in e nacional como um espaço li e
de ha monia, desc e endo os Es ados enquan o en idades de ensi as po na u eza e
conside ando o sis ema in e nacional um sis ema onde os Es ados mais acos sob e i em
po que as ins i uições pe mi em um con olo de ação dos Es ados mais o es, mas
sal agua dando ainda que, ao con á io dos de enso es do Libe alismo Es u u al, os
neo ealis as conside am as ins i uições como e lexos da dis ibuição de pode , que não
e le em pe si o compo amen o dos Es ados, e não como possí eis subs i u os dos
Es ados no sis ema in e nacional (Fajemilehin 2015, 1–2).
Nes e sen ido, é possí el a i ma que, apesa da exis ência de ins i uições, são os
Es ados que con inuam p eponde an es na manu enção do equilíb io de pode , alcançando
o mesmo a a és do es abelecimen o de elações diplomá icas que, ao in és de e em
como im úl imo o a ingi da paz, se em obje i os egoís as de ob enção de maio g au
de pode mili a , polí ico e económico (Fajemilehin 2015, 3; Waqas e Majid 2020, 262).
Um exemplo des a a i mação pode se is o nas elações sino-paquis anesas, que
começa am com o sen ido único de con abalança o pode indiano na egião do Indo-
Pací ico e c esce am enquan o o ma de exclui a Índia da cena global e do me cado do
egional (Waqas e Majid 2020, 263). Aliás, quando obse amos o CPEC, podemos
assis i à p emissa an e io men e es abelecida de en a i a de anulação da Índia no
con ex o egional, is o o CPEC se um co edo económico, si uado en e Gwada e o
Xijiang, que em como obje i o se i de pon e en e os me cados dos países do MENA
e eu opeus e o me cado chinês, pe mi indo diminui a necessidade de u ilização do
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anspo e ma í imo de me cado ias e, consequen emen e, diminui o cus o de anspo e,
se indo assim como uma al e na i a iá el à adicional o a do Índico e possibili ando
a con enção da Índia no acesso di e o a es es me cados ao mesmo empo que e i a o
con olo po pa e dos EUA das o as come ciais chinesas (Waqas e Majid 2020, 263).
Po im, é necessá io ainda salien a que o Neo ealismo de ém o seu oco nas
elações in e es a ais e na o ma como o sis ema in e nacional in luência es as in e ações
sob e a o ma de in e esses comuns, ais como a o mação de alianças, a esolução de
p oblemas secu i á ios, o equilíb io da balança de pode e o equilíb io do ní el de ameaça
de modo a ga an i a segu ança in e na. Um exemplo des a pe spe i a aplicada pode se
encon ado no o alecimen o das elações sino-paquis anesas du an e o pe íodo da
Gue a F ia, mesmo em momen os con u bados da polí ica egional e global, ais como a
Gue a Sino-Indiana de 1962, os al os e baixos das elações en e os EUA e o Paquis ão,
as elações indo-paquis anesas e as elações sino-ame icanas e sino-so ié icas, endo o
eixo sino-paquis anês cons uído uma elação de amizade que pe du a a é aos dias de hoje
e que é baseada na con iança mú ua e no apoio polí ico, diplomá ico, económico e mili a ,
com o obje i o comum de con abalança a izinha Índia e e i a o domínio usso ou
ame icano na egião (M. M. Khan e Kasi 2017, 57; Noona i e Memon 2017, 110).
Abo dado o Neo ealismo, passa emos ago a pa a a escola de pensamen o do
Realismo O ensi o de Mea sheime . Pa a Mea sheime , o Realismo O ensi o baseia-se
em cinco p emissas cen adas na assunção de uma ana quia no sis ema in e nacional que
se e le e: na não exis ência de um pode que de enha uma hegemonia supe io à de ou os
e, po an o, consiga impo limi es compo amen ais; na pe ceção de que odos os Es ados
possuem uma o e capacidade mili a e que podem u iliza -se da mesma pa a a aca
ou os Es ados; na pe ceção de que nenhum Es ado pode ga an i que um ou o Es ado
não se u ilize da sua capacidade mili a pa a uma o ensi a ao seu e i ó io; na noção de
que os Es ados p ocu am man e a sua sobe ania; e, po im, na ideia de que os Es ados
são a o es acionais, o que signi ica que conside am semp e as consequências a cu o,
médio e longo, p azo das suas ações e, po es a azão, p ocu am agi da o ma mais
ap op iada ao ga an e da sob e i ência no sis ema in e nacional (Mea sheime 2001, 30–
31).
Nes e sen ido, segundo S einsson, es a eo ia explica a sua e ó ica de uma o ma
semelhan e à u ilizada po Kenne h Wal z pa a explica o Realismo De ensi o e, em pa e
e com as de idas dis inções, o Neo ealismo, po ém ambas chegam a conclusões dis in as
15
na aplicação da eo ia (S einsson 2014, 2). Enquan o que, po um lado, o Neo ealismo
a i ma a exis ência de uma balança de pode na qual, esumidamen e, os pode es meno es
p ocu am uma união de o ma a ga an i em o equilíb io de pode com o pode
hegemónico, o Realismo O ensi o de ende que os Es ados p ocu am a maximização do
pode de o ma a ga an i em a sob e i ência e, po es a azão, o sis ema in e nacional é
aná quico (S einsson 2014, 2–3).
O a, po conseguin e, no caso da China, Mea sheime acaba po se posiciona
con a a ideia de ascensão “pací ica” chinesa, a gumen ando que a China não p ocu a
e ela as suas e dadei as in enções e, que po isso, se esconde po de ás de um dis a ce
paci is a (Mea sheime 2010, 382–83). Pa indo do p incípio de que não é possí el p e e
as ações e in enções de um Es ado e que, po es a azão, a ascensão “pací ica” chinesa
possa se assus ado a, a e dade é que, mesmo assim, a China pode se a aliada com base
nos mé odos u ilizados pa a a alia ou os Es ados e, nes e sen ido, assim como não nos
é possí el pe cebe se as in enções chinesas são posi i as ou nega i as, ambém não nos
é possí el en ende de que o ma ou os Es ados, com base no medo que a ince eza sob e
as in enções chinesas pode causa , podem eagi às ações chinesas, podendo exis i uma
escalada mili a ou, simplesmen e, como se em obse ado, sob e udo, a pa i da década
de 1950, uma in eg ação p og essi a da China no comé cio in e nacional e nas
ins i uições in e nacionais de o ma a ga an i , a é ce o pon o, que a China não de ém
o ma de e i o sis ema in e nacional, algo que, mais uma ez, ambém não é p e isí el
(Mea sheime 2010, 383; S einsson 2014, 4; Mea sheime 2001, 21 e 31).
Em adição, pa a Mea sheime , ou a das hesi ações sob e a ascensão “pací ica”
chinesa pe manece na dú ida em elação à ques ão de se as capacidades mili a es chinesas
se es ingem, exclusi amen e, a ques ões de de esa nacional, como é explici o na e ó ica
chinesa, ou se se em ou os p opósi os de ca á e o ensi o, como a p ocu a da
hegemonia egional po ia do ha d powe (Mea sheime 2010, 383–84; S einsson 2014,
5). Sob e es e pon o, é necessá io e em con a que a capacidade nuclea de cada Es ado
é, po no ma, uma e amen a de dissuasão que pe mi e diminui o sen imen o de
insegu ança ela i amen e à capacidade o ensi a de ou os Es ados, is o po que, a
capacidade nuclea se e um p opósi o único de dissuasão e, pa a S einsson, a China não
pode almeja a hegemonia egional de ido à capacidade nuclea da Rússia, da Índia, dos
EUA e, com es e úl imo, do desen ol imen o nuclea sul-co eano e japonês (S einsson
2014, 5).
16
Po ém, ao con á io do a i mado po S einsson, na nossa opinião, a China em a
capacidade pa a a ingi o papel hegemónico egional, sob e udo a a és da ia
económica, is o po que, apesa dos pode es egionais, Rússia e Índia, apa en a em se em
capazes de sup imi a China, a e dade é que a a és do eixo sino-paquis anês a China
ga an e o equilíb io egional com a Rússia e a Índia e consegue ainda anula uma pa e
da p esença no e-ame icana na egião do Índico. A nossa isão, nes e aspe o, condiz com
uma das e ó icas de Mea sheime que de ende que, de ido a es a ascensão “pací ica”, a
China conseguiu ga an i o o alecimen o das suas elações diplomá icas, a en ada em
o ganizações in e nacionais e a ealização de a ados in e nacionais, dos quais é
cla amen e bene iciá ia, o que o aleceu a sua posição no sis ema in e nacional e pe mi iu
a c iação e uma ede diplomá ica o e e capaz de ga an i a hegemonia egional sem
necessidade de u ilização do ha d powe , algo isí el, po exemplo, a pa i de 2004, com
o ga an e es a égico das ope ações no po o de Gwada , no Paquis ão, o que, com o
passa dos anos, sob e udo a pa i de 2013, diminuiu d as icamen e a in luência no e-
ame icana no Indo-Pací ico (Mea sheime 2010, 384–90; S einsson 2014, 6). Nes e
sen ido, is o demons a-nos que, na e dade, apesa da descon iança ace à ascensão
“pací ica” chinesa, o mundo ab iu os b aços à China e a China ap o ei ou a opo unidade
que lhe oi en egue, c iando laços com os izinhos que lhe ga an em o sucesso de
p oje os como a BRI que pe mi em a dispu a da hegemonia egional do Indo-Pací ico
com os EUA sem necessi a , pa a al, da u ilização do ha d powe (S einsson 2014, 6–7).
O p óximo pon o que gos a íamos de abo da nes e enquad amen o eó ico e le e-
se no concei o de balança de pode , abo dado de o ma le e a é ao momen o, e na
obse ação de como o mesmo se aplica nas elações sino-paquis anesas. Tal como di o
an e io men e, aquilo que de ine a polí ica ex e na de um Es ado é o in e esse nacional,
ou seja, aquilo que molda as elações in e es a ais é o egoísmo de cada Es ado.
A ualmen e, na Ásia do Sul, exis e um g a e p oblema na balança de pode en e os dois
maio es pode es egionais, Índia e Paquis ão, causado po p oblemas de o dem his ó ica,
cul u al e polí ica, que apenas êm sido apaziguados, nas úl imas décadas, pela
in e enção da China e apoio da mesma ao Paquis ão, is o po que, mais uma ez, a
polí ica ex e na chinesa mo e-se pelo in e esse nacional e es e, po sua ez, em pa e
signi ica não pe mi i que a Índia ascenda a po ência egional na Ásia do Sul pela
possibilidade de se o na um e dadei o obs áculo à p e ensão chinesa de a ingi o
es a u o de supe po ência no sis ema in e nacional (Noona i e Memon 2017, 110–11).
17
A balança de pode , conside ada um concei o undamen al das elações en e
Es ados, é uma noção que esul a da pe ceção ealis a de que, em ci cuns âncias no mais,
os Es ados p ocu am maximiza o seu pode a a és de di e sos mé odos, sendo que,
de ido ao ajus e dado po uma “mão in isí el”, nenhum consegue ob e a hegemonia e,
des a o ma, o equilíb io man ém-se (Dzung 2000, 6). Nes e sen ido, es a conceção do
equilíb io de pode suge e a exis ência de uma ealidade na qual qualque en a i a de um
Es ado de expandi o seu pode ao pon o de adqui i hegemonia acaba ia po so e
esis ência dos demais Es ados, acabando po não exis i nenhum Es ado que consiga
de ini sozinho o des ino de ou os. Po conseguin e, pode de e mina -se que, nes e jogo
de pode que cons i ui o sis ema in e nacional, os Es ados mais pode osos são aqueles
que supo am o sis ema de equilíb io de pode po se em aqueles que de êm maio
capacidade de in luencia esul ados e a maio a ia de pode na balança (Dzung 2000, 7;
Wol e s 1962, 147). Ademais, ale ac escen a que o obje i o des a cons an e p ocu a
pelo equilíb io na balança de pode é o ga an e da segu ança nacional de cada Es ado e o
ambien e in e nacional de cons an e “paz ia”, onde os g andes pode es acabam,
in a ia elmen e, po p ocu a con abalança -se de modo a que um Es ado não adqui a
mais pode que os ou os e se o ne um pe igo à segu ança dos es an es (Paul 2018, 11;
Dzung 2000, 7–8; Wol e s 1962, 148).
Em adição, de emos ainda e em con a que o equilíb io de pode no sis ema
in e nacional não é possí el man e quando se dão mudanças que al e am o pode de cada
Es ado, como, po exemplo, o su gimen o de di e enças no c escimen o do pode polí ico,
mili a e ecnológico, en e dois ou mais Es ados, ou a al e ação de a o es in e nos de
cada Es ado que podem, de alguma o ma, al e a e ede ini os in e esses nacionais e a
polí ica ex e na (Dzung 2000, 8). Um exemplo do que oi abo dado a é ao momen o,
sob e a balança de pode , pode se obse ado, mais uma ez, na o igem das elações sino-
paquis anesas, is o po que, o Paquis ão, desde a sua independência, em 1947, semp e e e
p oblemas com a izinha Índia que desde cedo p ocu ou c ia elações com ou os Es ados
e, de o ma ag essi a, exclui o Paquis ão da cena in e nacional, que po ia da u ilização
da coação mili a , que po ia polí ica. Po conseguin e, o Paquis ão desen ol eu um
p oblema secu i á io, que deu o igem a um ul a-secu i a ismo excessi o, e a Índia,
he dei a b i ânica, ob e e um g ande pode egional que, logo de seguida, em 1962, ez
com que a China, ou o g ande pode egional, acabasse po sen i a necessidade de
in e i e eequilib a a balança de pode , es abelecendo elações polí icas, económicas e
24
Po ém, a pa i de 2013, ai obse a -se uma mudança es a égica po pa e do
eixo sino-paquis anês que, que pela ensão mili a i ida na egião, que po uma
necessidade de ga an i o equilíb io de o ma a espei a os p incípios da polí ica ex e na
chinesa de não ag essão e paci icidade, iniciou as con e sações pa a a c iação do p oje o
do CPEC, in eg ado no p oje o da BRI, p ocu ando assim o Paquis ão, po um lado,
ga an i o domínio egional pela ia económica e a China, po ou o lado, ga an i o pode
hegemónico na Ásia (Ik am 2020, 302). Con udo, pa a en ende es e compo amen o que
e le e a balança de pode a pa i de 2013, é necessá io eco e a uma eo ia
complemen a , a Teo ia da Es abilidade Hegemónica, que nos pe mi i á en ende a noção
de pode hegemónico e o e lexo da mesma no equilíb io de pode , se indo assim como
um complemen o às eo ias neo ealis a e ealis a o ensi a já ap esen adas.
A Teo ia da Es abilidade Hegemónica, é baseada na noção azida po
Kindelbe ge , na década de 1970, de que num mundo económico global e libe al é
necessá io um pode hegemónico e dominan e pa a que exis a equilíb io, exis indo assim
um país es abilizado que exe ce a unção de ges o do sis ema, como é o caso dos EUA
no sis ema in e nacional a ual (Sil a e al. 2020, 63; Pu wan i 2020, 140; Ramos 2014,
15). De o ma consonan e com a p opos a de pode hegemónico de Kindelbe ge , Gilpin
assinala ainda que o pode es a égico-mili a não pode se dissociado do pode
económico, combinando o concei o de pode hegemónico com o concei o de balança de
Figu a 2 - As dinâmicas do quad ado es a égico Índia-EUA-Paquis ão-China (Jahangi 2013, 54).
25
pode po conside a que num sis ema in e nacional onde um pode hegemónico pe de a
sua o ça a gue a cump e um papel-cha e de eo denação sis émica (Sil a e al. 2020,
64–65).
Po ém, o concei o de gue a hegemónica de inido po Gilpin não se es inge ao
emba e mili a , sendo o mado pelo conjun o das dimensões polí ica, económica e
ideológica (Sil a e al. 2020, 65). Nes e sen ido, é possí el a i ma que es a eo ia,
enquan o uma eo ia de análise do sis ema in e nacional, obse a as elações
in e nacionais enquan o um sis ema es u u al de ciclos hegemónicos no qual, apesa de
não exis i em hie a quias nas elações en e Es ados, exis e um equilíb io p o enien e da
exis ência alguns Es ados que assumem o papel de lide ança (hegemónico) sob e os
ou os nas dimensões ci adas, u ilizando-se das suas ele adas capacidades ao ní el do
pode , economia, ecnologia, ideologia, en e ou as, pa a con ola o sis ema
in e nacional, sendo que, quando es e sis ema se al e a, pela eme gência de um no o
pode hegemónico, al e am-se ambém os compo amen os dos Es ados no sis ema
in e nacional dando o igem a possí eis gue as hegemónicas que esul am no eme gi de
uma no a o dem mundial (Pu wan i 2020, 139; Faisal 2020, 4). O a, endo po base es a
eo ia complemen a , o na-se assim mais ácil en ende as opções diplomá icas do eixo
sino-paquis anês a pa i de 2013, is o po que, numa o dem asiá ica em ansição
cons an e, onde os EUA man êm o pode hegemónico, apesa de en aquecido, a China
su ge cada ez mais enquan o um pode hegemónico eme gen e que em conseguido c ia
endências na o dem egional que acabam po c ia equilíb io de pode com os EUA,
mesmo que em campos di e en es de ação (Faisal 2020, 4; Pu wan i 2020, 141–42).
No pano ama a ual, pa a Faisal, é possí el assumi que, na ealidade desc i a, as
dinâmicas da no a o dem asiá ica suge em uma maio ap oximação à China po pa e dos
Es ados que cons i uem pode es médios ou pequenos, is o po que, po um lado, os EUA,
enquan o pode hegemónico, encon am-se dis an es cul u almen e, geog a icamen e e
economicamen e, apenas de endo ap oximação no campo da segu ança, e, po ou o lado,
a China, enquan o pode hegemónico eme gen e, em apos ado no campo do
desen ol imen o económico de mú uo bene ício, c iando um espaço económico de
e i alização asiá ica, a BRI, do qual esul a o CPEC, en e ou os p oje os, e ado ando
p incípios de não inge ência em assun os in e nos de ou os Es ados (Faisal 2020, 5).
Nes e sen ido, na in e p e ação de Faisal, nes e momen o podemos obse a a uma
26
ansição de ciclos hegemónicos na o dem asiá ica que, mui o p o a elmen e, pode á
esul a na ascensão do pode China a pode hegemónico asiá ico (Faisal 2020, 4–6).
O a, endo a noção da p e ensão chinesa de ascensão a pode hegemónico a a és
de uma es a égia baseada na c iação de co edo es económicos, pensamos se ainda
necessá io pe cebe qual o papel das po ências egionais e a ealidade dos e ei os des as
inicia i as, denominadas como co edo es económicos, pa a a dinamização egional e a
in e conec i idade. A é ao p esen e século, quando se obse a a as dinâmicas egionais
asiá icas, acilmen e se chega a à conclusão de que a coope ação egional na Ásia e a, na
p á ica, quase impossí el, mui o de ido a a o es de o dem in e na e ex e na dos quais
ale des aca : a al a de mode nização de in aes u u as; a exis ência, na la ga maio ia
dos casos, de economias simila men e ágeis; e as cli agens socio- eligiosas, polí icas e
his ó icas, cimen adas numa oposição ci ilizacional, já abo dada inicialmen e nes e
capí ulo, que o na ce as elações e conexões di íceis de consolida (B unne 2013, 7; S.
Wol 2020, 1; Ka im 2017, 8–9). O a, no caso do con ex o especí ico da Ásia do Sul,
egião de supe io in e esse na p esen e in es igação, apesa do passado his ó ico
pa ilhado sob e a égide do Raj B i ânico, a oposição en e a Índia e o Paquis ão é ambém
bas an e isí el em odos os ou os campos de análise mencionados an e io men e, o que
pode se obse ado, po exemplo, nas economias subdesen ol idas de ambos os Es ados,
algo jus i icado po se um polo de choque en e os modos de p odução asiá icos e
ociden ais, e na p oli e ação do e o ismo e dos mo imen os an issemi as en e ambos
os Es ados, com a seg egação é nica, sob e udo, a oco e na zona dispu ada de Jammu e
Caxemi a (C. Wol , Wang, e Wa ne 2013, 36–39; S. Wol 2020, 1–2).
Po conseguin e, o que p e endemos com es a abo dagem é exempli ica a
ca ência de uma in e conec i idade na Ásia do Sul, o que ge a uma necessidade de a ingi
a coope ação egional, algo que a China, pa a assegu a a paci icidade no seu “quin al”,
acabou po en a esol e a a és da c iação de um co edo económico que pe mi a o
desen ol imen o egional, pe mi indo esol e os p oblemas sociais e polí icos da egião
(B unne 2013, 7; S. Wol 2020, 2). Nes e sen ido, é-nos lógica a necessidade de inse i
esumidamen e uma análise do concei o de co edo económico pa a melho
en endimen o das dinâmicas desc i as, se indo assim es e pon o como o penúl imo pon o
de p o unda análise do p esen e enquad amen o eó ico.
Os co edo es económicos, numa concep ualização p á ica, podem se obse ados
enquan o edes conec o as que pe mi em o desen ol imen o sus en á el de uma egião
27
po ia da conexão en e dois ou mais agen es numa de e minada á ea geog á ica
delineada, pe mi indo o desen ol imen o não só en e os agen es, mas ambém no espaço
en e os agen es, sendo o maio exemplo his ó ico de um co edo económico a Ro a da
Seda, que liga a a China ao Impé io Romano e pe mi ia o desen ol imen o de cen os
u banos e económicos nos locais onde passa a (B unne 2013, 1; A ais e al. 2016, 166).
Aliás, num pa alelo com a a ualidade, com a c iação de um co edo económico na Ásia
do Sul, o CPEC, e o c escen e in e esse a egão e i aniano de in eg ação no mesmo,
podemos conclui que o desen ol imen o económico paquis anês pode á signi ica a
in eg ação do Paquis ão enquan o uma po ência eme gen e no con ex o in e nacional,
algo isí el, a ualmen e com o Paquis ão a su gi como uma economia cada ez mais
a a i a ao in es imen o ex e no, o que se e le e num papel mais p eponde an e na
geopolí ica sul-asiá ica (S. Wol 2020, 3–4).
Em adição, como is o an e io men e, com a mudança da es a égia no eixo-sino-
paquis anês, pela opção de ga an i o equilíb io de pode po ia de uma es a égia
económico- inancei a, o Paquis ão, no seu con ex o egional, acaba po bene icia em
di e sas en es, não só no eclama do papel de po ência egional e de um papel de ele o
no sis ema in e nacional, como ambém no ga an e de uma economia es á el e capaz de
subsis i , sem necessidade de apoios ex e nos, a a és da inse ção num co edo
económico que acaba po signi ica a in eg ação num polo económico que pe mi e o
desen ol imen o sus en á el (Zahid Khan e al. 2018, 597–99). Pa a en ende melho
es es bene ícios, é necessá io en ende , p imei amen e, que, no caso paquis anês, os
p incipais desa ios secu i á ios e geopolí icos enquad am-se, ex e namen e, na
possibilidade de uma gue a com a Índia e no e o ismo ans on ei iço p o enien e,
sob e udo, do A eganis ão e de mo imen os de libe ação baloches do I ão, e,
in e namen e, da ele ada pob eza, das insu eições baloches e dos g upos e o is as
ibais, a No e e No oes e (Zahid Khan e al. 2018, 610–11).
O a, le an ada, mais uma ez, a ques ão secu i á ia ligada às ques ões do con li o
indo-paquis anês e do e o ismo, ópico abo dado ao longo do p esen e enquad amen o
eó ico, analisa emos, de seguida, a ques ão da segu ança egional po se pe inen e,
sob e udo, pelo ên ase dado po pa e da China ao con a e o ismo, a pa i de inais da
década de 1990, e pelos e ei os do e o ismo na segu ança egional e no con li o indo-
paquis anês. P imei amen e, ale menciona que, pa a analisa es a ques ão, u iliza emos
a RSCT, uma eo ia desen ol ida po Buzan e Wæ e que, segundo os dois au o es, se
28
enquad a de o ma complemen a na eo ia neo ealis a como mé odo de análise
secu i á io (Buzan e Wæ e 2003, 11). Na RSCT, os RSC são de inidos enquan o
cons an es dis in as e es á eis de in e ação secu i á ia en e di e sos a o es, dis inguindo-
se en e si pelos di e en es g aus des as mesmas in e ações, pois, po no ma, pa a Buzan
e Wæ e , o g au de in e ação en e memb os de uma mesma RSC é semp e supe io ao
g au de in e ação en e memb os de di e en es RSC (Buzan e Wæ e 2003, 45). Po ém,
pa a de ini uma RSC não nos podemos basea única e exclusi amen e em c i é ios
secu i á ios e eó icos, is o po que, na de inição de RSC exis e um c i é io geog á ico de
delimi ação na u al po ia de ma es, mon anhas e dese os, en e ou os, que in luencia
o compo amen o dos Es ados (Buzan e Wæ e 2003, 41–46). Em suma, a e dade é que
podemos obse a a RSCT como uma eo ia que de ine espaços secu i á ios, os RSC,
delimi ados geog a icamen e, poli icamen e, economicamen e e socialmen e, nos quais
os Es ados que neles se incluem cons oem uma ede de in e ações ão in ensa que,
inclusi e ao ní el da segu ança nacional, não se de em obse a sepa adamen e sob o
isco do não o al en endimen o sob e a segu ança egional (Buzan e Wæ e 2003, 6–20,
41–47 e 77–82).
Ademais, Buzan e Wæ e abo dam ainda a ideia de que o pad ão de dis ibuição
secu i á io se conciso a uma mesma RSC é inco e o e que, em caso de necessidade, os
pode es globais u ilizam o mecanismo de pene ação egional pa a ga an i a segu ança,
uma a iá el que oco e quando pode es ex e nos a uma RSC p ocu am ga an i a
segu ança nessa mesma RSC a a és de aco dos secu i á ios com um Es ado inse ido na
RSC em ques ão (Buzan e Wæ e 2003, 46). Como exemplo, podemos obse a a
i alidade indo-paquis anesa e a o ma como a mesma, desde o começo da Gue a F ia,
c iou a base pa a que exis isse pene ação egional po pa e da China, da URSS (Rússia)
e dos EUA, is o po que a lógica da balança de pode enco aja, na u almen e, i ais
egionais a p ocu a em apoio em pode es ex e nos, (Buzan e Wæ e 2003, 46).
De o ma a explo a melho es e exemplo, de emos obse a a aplicação p á ica
no Indo-Pací ico no caso especí ico da SARSC, sob e udo a pa i da década de 1990,
pelo que, sob e a mesma, os dois pon os de deba e p incipais de Buzan e Wæ e incidem,
po um lado, na ideia de que possa e exis ido uma ansição da bipola idade indo-
paquis anesa no ga an e da segu ança egional pa a uma unipola idade indiana, a é 2002,
e, po ou o lado, na ideia de que o c escimen o chinês, a pa i de 2002, possa, na e dade,
e al e ado a endência unipola indiana e p oje ado a in eg ação da SARSC na EARSC,
29
c iando um espaço egional secu i á io lide ado pela China em conjun o com o apoio
paquis anês (Buzan 2011, 2).
A é 2002, ao ní el domés ico egional, exis iu um con li o p opulsionado po
causas é nico- eligiosas que culmina am em di isões polí icas, sob e udo na si uação de
Jammu e Caxemi a, e que, po sua ez, ge a am iolência e insegu ança, c iando, po
exemplo, uma necessidade secu i á ia que le ou ao gene do ul a-secu i a ismo
paquis anês (Buzan 2011, 2). Ademais, além des es a o es polí icos e é nico- eligiosos,
a e dade é que, a pa i da década de 1990, o Paquis ão começou a so e de uma di isão
in e na mais in ensa e iolen a que se p endia, sob e udo, com a e o mulação das
o ganizações e o is as, como o LeT, que, sem o p e ex o de a uação da década de 1980,
ligado à Gue a do A eganis ão e ao pa ocínio no e-ame icano, chinês e paquis anês, às
mad aças que alimen a am a esis ência a egã da in asão so ié ica, p ocu a am a aca
al os selecionados po mo i ações polí icas indi iduais (Buzan e Wæ e 2003, 112–13;
Buzan 2011, 3). Aliás, es as ações po pa e de o ganizações como o LeT, com sede
paquis anesa, le a am a que, em 2001 e 2002, quase se enha ge ado uma qua a gue a
indo-paquis anesa, en aquecendo a posição paquis anesa no palco in e nacional num
momen o em que a Índia p ocu a a ga an i um papel ulc al no ga an e da segu ança
egional asiá ica, sob e udo no que à SARSC diz espei o (Buzan e Wæ e 2003, 112–
13; Buzan 2011, 3).
Po ou o lado, a pa i de 2002, ao ní el in e - egional, a e dade é que a China
p ocu ou ga an i um papel de ele o na EARSC e, em complemen o, na SARSC,
começando a su gi enquan o a p omo o a da segu ança egional (Buzan 2011, 9). Como
exemplo dis o, emos o ac o de, a é 2013, a China e começado a o na -se mais a i a na
implemen ação de p oje os de in e conec i idade egional en e a Ásia O ien al e a Ásia
do Sul, p ocu ando ambém de e um papel p esen e na secu i ização egional, po
exemplo, pa icipando em ações conjun as com o Paquis ão na á ea do con a e o ismo
(Buzan 2011, 9–10). A e dade é que, chegados a 2013, a China e a o p incipal Es ado
capaz de ga an i a segu ança egional na SARSC, o mando quase um complexo
secu i á io en e a EARSC e a SARSC, sob e udo pela apos a em inicia i as ligadas ao
con a e o ismo e à mediação dos con li os indo-paquis aneses (Buzan 2011, 16).
Aliás, e mudando o ema pa a a ques ão da in e conec i idade egional, a pa i de
2013, os p oblemas ligados ao e o ismo e à segu ança egional começa am a a enua ,
em pa e pela implemen ação do CPEC no p oje o da BRI, is o po que o Paquis ão,
30
in e namen e, acaba po consegui c ia mais emp egos, a a és dos p oje os do CPEC, e
consegue esponde à c ise social exis en e no país, diminuindo assim o c escimen o do
descon en amen o social e a possibilidade de aumen o do e o ismo, e, ex e namen e,
acaba po consegui uma no a pla a o ma de elacionamen o com o A eganis ão e o I ão,
dois países ex emamen e in e essados numa u u a in eg ação no CPEC (Zahid Khan e
al. 2018, 600–601; Ak am 2018). Em adição, com o CPEC, a China e o Paquis ão acabam
ambém po ganha a opo unidade de acesso a no os me cados e opo unidades polí icas
na Ásia Cen al, o que, aliado à ecen e posição diplomá ica paquis anesa de en a i a de
esolução do p oblema de Jammu e Caxemi a po uma ia pací ica e à polí ica conjun a
sino-paquis anesa em o no do con a e o ismo, que consis e, sob e udo, em ações
mili a es no Balochis ão e Khybe Pakh unkhwa em o no do desman elamen o de
o ganizações e o is as, pe mi e ga an i uma maio condição de manu enção do
equilíb io com a izinha Índia, que, po sua ez, em p ocu ado segui uma linha p óxima
da polí ica no e-ame icana de segu ança egional e, des e modo, em apaziguado as
ensões com o Paquis ão (Zahid Khan e al. 2018, 600–601; Ak am 2018; Shams 2014).
Nes e sen ido, aliando o abo dado à Teo ia da Es abilidade Hegemónica, é
possí el a i ma mos que, da pa e paquis anesa, exis e uma en a i a de ga an e de uma
posição “hegemónica” no seu con ex o egional com a aplicação dos mecanismos
chineses de elações in e nacionais à sua ealidade de o ma a ga an i um domínio
egional que, den o de poucos anos, como se á ainda deba ido no e cei o capí ulo da
p esen e ese, pode á signi ica um domínio paquis anês na egião do Índico. Po
conseguin e, é possí el a i ma mos que, no con ex o da balança de pode no Indo-
Pací ico, a c iação de um co edo económico en e a China e o Paquis ão em signi icado
ambém, pa a o Paquis ão, a c iação de um espaço de in luência que pe mi e a es e pode
médio ga an i o equilíb io po uma ia não mili a com a izinha Índia, enquan o que,
do lado chinês, pe mi e um maio con o o na co ida a pode hegemónico com a noção
de que a Índia, com as de idas essal as, se encon a cada ez mais a asada em elação
ao c escimen o económico no espaço egional asiá ico (S. Wol 2020, 4–7).
Po im, dando po e minado o deba e inco po ado no p esen e enquad amen o
eó ico, como o ma de con inuidade, no p óximo capí ulo i emos p ocede à exposição
dos p incipais momen os do eixo sino-paquis anês, p ocu ando explo a de o ma
ap o undada as implicações des a elação na balança de pode do Indo-Pací ico a é à
assina u a do aco do do CPEC. Nes e sen ido, endo a eo ia deba ida e aplicada, i emos
31
p ocede com a análise do con ex o in e nacional e da o ma como o mesmo pode, ou
não, e se ido de base pa a o melho en endimen o en e dois Es ados que i iam sob e
ealidades bas an e di e en es.
32
2. Os Aco dos Nuclea es e a Es abilidade Regional
do Indo-Pací ico
“Pakis an China iendship is highe han he
moun ains, deepe han he oceans, s onge han
s eel, dea e han eyesigh , swee e han honey, and
so on.”
5
– Syed Gilani, an igo P imei o-Minis o do
Paquis ão (2008-2012).
Du an e oda a segunda me ade do século XX, os EUA e a URSS molda am a
o dem asiá ica e o ganiza am-se de o ma a ga an i uma sup emacia mili a e económica,
compos a de uma eia de a ados e alianças, que, com o im da Gue a F ia e o
desmemb amen o da URSS, passou a es a sob e a égide dos EUA, enquan o pode
hegemónico, que di a am a o dem egional asiá ica (Faisal 2020, 1). Es e papel
hegemónico, como is o no capí ulo an e io , pode se a ibuído aos EUA po ga an i em
na Ásia a segu ança, a es abilidade, o uncionamen o dos me cados e a ges ão de con li os
a a és da u ilização da diplomacia. Po ém, desde o início do século XXI, a China em
su gido como um no o pode que isa ocupa o luga de pode hegemónico na Ásia, com
o obje i o de e i a da cena os EUA, e al e a a o ma como se conduzem as dinâmicas
egionais, p ocu ando uma polí ica de p oximidade com odos os Es ados e ga an indo a
es abilidade egional do Indo-Pací ico em conjun o com o “ elho amigo” Paquis ão, uma
nação que apesa de se demons a um pode médio nos úl imos anos, de ém uma eno me
in luência no mundo islâmico, pelo seu papel na OCI, e ajuda no ga an e do equilíb io
egional com a Índia (Faisal 2020, 2).
O a, de o ma a melho exempli ica odo o caminho que le ou a que as elações
sino-paquis anesas ajudassem a cons ui es a possí el “no a o dem” na Ásia, o p esen e
capí ulo se á es u u ado em ês di e en es subcapí ulos. Consequen emen e, como o ma
de con ex ualiza o p ocesso de análise ine en e a es e capí ulo de enquad amen o
his ó ico dos p incipais momen os das elações sino-paquis anesas e do caminho açado
5
Ci ado em: S a Repo e , «Pak-China iendship is highe han moun ains, deepe han ocean
and swee e han honey: PM», The Na ion, 19 de Dezemb o de 2010.
33
a é à c iação do CPEC, gos a íamos de começa po de ini , no p imei o subcapí ulo, o
con ex o do sis ema in e nacional e a in luência que o mesmo oi endo no desen ola das
elações sino-paquis anesas, ga an indo assim uma melho pe ceção das libe dades e
limi ações na ação de ambos os Es ados, China e Paquis ão, o que pe mi i á um melho
en endimen o de oda e qualque on e de deba e que pode á se expos a ao longo do
p esen e capí ulo. Após ealiza es e subcapí ulo in odu ó io, passa emos a uma
abo dagem sob e as elações sino-paquis anesas em si e, ambém, sob e as opções
omadas po cada Es ado, explo ando o caminho açado desde os aco dos nuclea es da
década de 1970 a é à C ise de Ka gil, em 1999, e à possibilidade, à al u a, de uma gue a
nuclea en e a Índia e o Paquis ão que pode ia coloca a Ásia numa posição al amen e
ins á el. Po im, no úl imo subcapí ulo, p ocu a emos expo como a i agem pa a o
século XXI, e a mudança de pa adigma na polí ica ex e na chinesa, podem e le ado a
que a China e o Paquis ão iniciassem uma no a abo dagem às suas elações, com a
assina u a de uma sé ie de aco dos económicos e nuclea es que acaba am po esul a na
assina u a do a ado do CPEC.
2.1. A Gue a F ia no Con ex o da Fo mação do Eixo Sino-
Paquis anês
Na segunda me ade do século XX, após o des echo da 2ª Gue a Mundial, no
mundo Ociden al
6
, a cli agem ideológica e polí ica en e a URSS e os demais i o iosos,
dos quais se des acam os EUA, culminou numa di isão, ba izada po Chu chill como
“co ina de e o”, que o igina ia o pe íodo denominado po Gue a F ia en e o Bloco
Ociden al, lide ado pelos EUA, e o Bloco de Les e, lide ado pela URSS, pe íodo es e que
i ia a o na -se o pon o mais impo an e das dinâmicas do sis ema in e nacional, a é à
década de 1990, no mundo Ociden al (A uga 1992, 9; Walle s ein 2010, 16).
6
Quando na p esen e disse ação se abo da o mundo Ociden al, ala-se da concep ualização da
polí ica in e nacional eu opeia, na qual, po ques ões geog á icas e polí icas se incluem a URSS, is o a
capi al à al u a, Mosco o, pe ence ao lado eu opeu da Eu ásia, o con inen e ame icano e o no e de Á ica
(Ku h 2003). Nes e sen ido, ale essal a que o concei o de mundo Ociden al e o concei o de Bloco
Ociden al são is os de o ma dis in a, sendo es e úl imo uma di isão polí ica do p imei o no empo
especí ico da Gue a F ia, além de que o con inen e asiá ico e a egião da Á ica Aus al, comp eendida,
pa a a p esen e jus i icação, como oda a egião a sul do Saa a, não são de odo in eg adas no concei o de
mundo Ociden al pa en e (Ku h 2003).
40
in ensi ica -se cada ez mais, mui o pelo con ex o asiá ico de necessidade de
con abalança uma Índia que começa a a desen ol e ecnologia mili a nuclea
des abilizando a egião.
Suma iamen e, os a o es que conduzi am ao ap o unda das elações sino-
paquis anesas o am: a já mencionada deceção paquis anesa pela al a de apoio no e-
ame icano na segunda e na e cei a gue as indo-paquis anesas; a Gue a Sino-Indiana,
em 1962, e a assina u a do Aco do F on ei iço Sino-Paquis anês, em 1963; a pe da de
con iança paquis anesa no Ociden e, que apoia a, de o ma indi e a, a Índia a a és de
undos p o enien es da Commonweal h; e, em ac escen o, mas não menos impo an e, a
ecusa indiana de assina um aco do de mú ua p o eção e segu ança, p opos o pelo
Paquis ão no inal da segunda Gue a Indo-Paquis anesa, com o ga an e de uma esolução
pós uma do caso de Jammu e Caxemi a de o ma pací ica e diplomá ica, endo a Índia
jus i icado a ecusa com a a i mação de que se ia insul uoso negocia sob e a sobe ania
de um e i ó io que, à pa ida, conside a a seu po di ei o (Noona i e Memon 2017, 113).
Em mo e de conclusão, gos a íamos de essal a en ão duas ideias p incipais.
P imei o, quando, inicialmen e, dizemos que a Gue a F ia na Ásia não e a i ida da
mesma o ma que e a i ida no mundo Ociden al, e e imo-nos ao ac o de no espaço
asiá ico a polí ica de blocos não e sido idên ica ao obse á el no Ociden e, onde os
Es ados p ocu a am alinha -se poli icamen e po con icções e alianças polí ico-mili a es,
op ando os Es ados asiá icos po se elaciona em de o ma bila e al em aco dos de mú uo
bene ício. Es e bila e alismo pode se obse ado, po exemplo, nos casos expos os
an e io men e no con ex o da Ásia do Sul, is o po que as escolhas omadas quan o ao
alinhamen o ou não-alinhamen o e am sob e udo ligadas a in e esses egionais e dispu as
en e Es ados, su gindo as mesmas quase como casamen os po con eniência na ob enção
de um mesmo obje i o e nunca com o pensamen o eu opeu de cons ução de alianças, a é
po que, ao con á io do mundo Ociden al, o mundo asiá ico não bebe de uma mesma
ci ilização e, po es a azão, o que a as a os Es ados asiá icos é quase semp e supe io ao
que os ap oxima.
Segundo, gos a íamos de essal a ainda que apesa de, inicialmen e, a China e o
Paquis ão pode em se Es ados opos os em odos os sen idos, cul u almen e,
his o icamen e, poli icamen e e economicamen e, a união en e ambos os Es ados su giu
quase como uma ob iga o iedade num momen o em que se encon a am isolados no
con ex o in e nacional, algo isí el, a pa i de meados da década de 1960, com a
41
in ensi icação de ambas as pa es das elações diplomá icas a a és de di e sos aco dos,
econhecendo-se de o ma comum como pila es da polí ica ex e na um do ou o e, mesmo
não exis indo a o mação de uma aliança, como capazes de ga an i a p o eção mú ua
de ido à pa ilha de in e esses comuns (Small 2015, 3 e 29).
2.2. Os Aco dos Nuclea es como Respos a a uma Índia Nuclea izada
Após a de o a na gue a com a Índia, em 1971, e a consequen e independência
do Bangladesh, o Paquis ão ai assina o Aco do de Simla
13
p opos o pelo lado indiano,
em 1972, como o ma de cimen a a paz pelas condições do país encedo , a Índia (Dawn
2012). Nes e aco do, que p e endia condiciona a polí ica ex e na paquis anesa, exis em
dois g andes pon os que chamam a a enção. Po um lado, o aco do es ipula a que ambos
os Es ados, a pa i do momen o de assina u a, esol e iam odas as ques ões de ensão
de o ma bila e al e pací ica sem que osse pe mi ida a in e enção de e cei os, al como
a ONU.
14
Po ou o lado, o aco do isa a ambém a c iação da LoC de Jammu e
Caxemi a, que se si ua ia na zona onde os exé ci os se encon a am à al u a da assina u a
do cessa - ogo conjun o, o que signi ica a imedia amen e a pe da paquis anesa pa a o
lado indiano de uma boa pa e do e i ó io que con ola a an e io men e à gue a, icando
es ipulado que nenhum lado de e ia p ocu a al e a a LoC de o ma unila e al
independen emen e de qualque in e p e ação legal que di e isse do es ipulado no
documen o o icial.
15
Aliás, num pequeno à pa e, após a assina u a do aco do a Índia
p ocu ou jun o do Paquis ão um aco do secundá io que econhecesse a LoC como a
on ei a in e nacional en e os dois países, po ém, à semelhança da ecusa indiana, em
1965, da p opos a paquis anesa de esolução pací ica do con li o, o Paquis ão ai ecusa
a p opos a indiana jus i icando que o aco do assinado não de inia o domínio da egião,
mas sim a on ei a de con olo (Dawn 2012; IANS 2012).
Como consequência do des echo da gue a e da limi ação que o Aco do de Simla
coloca a à ação in e nacional paquis anesa, as elações sino-paquis anesas ão
13
Minis y o Ex e nal A ai s o he Go e nmen o India, «AGREEMENT BETWEEN THE
GOVERNMENT OF INDIA AND THE GOVERNMENT OF THE ISLAMIC REPUBLIC OF
PAKISTAN ON BILATERAL RELATIONS (SIMLA AGREEMENT)» (Shimla, 2 de Julho de 1972),
h p://www.mea.go .in/bila e al-documen s.h m?d l/5541/Simla+Ag eemen .
14
Minis y o Ex e nal A ai s o he Go e nmen o India.
15
Minis y o Ex e nal A ai s o he Go e nmen o India.
42
ap o unda -se nos campos económico, mili a e nuclea , enquan o as elações en e o
Paquis ão e o Ociden e se ão começa a de e io a , algo isí el em dois momen os
dis in os. O p imei o momen o, em 1972, demons a-nos a omen ação das elações sino-
paquis anesas quando o Paquis ão, como espos a à necessidade de ecupe a apidamen e
de uma gue a de as ado a e espondendo mais uma ez ao seu p óp io p oblema
secu i á io, com o apoio chinês, inicia um p og ama nuclea com is a a esponde a duas
ques ões undamen ais: a p imei a ligada a uma c ise ene gé ica in e na e a segunda, e
mais impo an e, ligada à necessidade de con abalança a Índia que, em simul âneo, já
desen ol ia o seu p óp io p og ama nuclea (Hussain e Rand ianan oand o 2015, 41). O
segundo momen o, no ano seguin e, em 1973, demons a-nos o de e io a das elações do
Paquis ão com o Ociden e, quando o Paquis ão decide abandona a SEATO com a e ó ica
de que es a o ganização de nada ha ia se ido na p o eção dos in e esses paquis aneses,
sob e udo no con li o com a Índia, açando o caminho pa a o cimen a das suas elações
com a China («Sou heas Asia T ea y O ganiza ion (SEATO), 1954» 2022).
Após es as duas g andes decisões omadas, o Paquis ão ai começa a sen i -se
numa posição delicada, pelo que, apesa de e iniciado uma no a e apa da sua polí ica
ex e na, o P imei o-Minis o paquis anês, Zul ika Ali Bhu o, em 1974, numa en a i a
de eassegu a alguma paz ex e na, ai euni -se com a sua con apa e chinesa, Zhou
Enlai, de o ma a, mais uma ez, ques iona sob e a possibilidade de o malização de um
aco do de de esa mú ua sino-paquis anês de modo a que pudesse ga an i um ela i o
equilíb io de pode com a Índia, ao que a Zhou Enlai, espei osamen e, segundo Small,
espondeu que não se ia necessá io is o uma no a gue a indo-paquis anesa signi ica , à
pa ida, o apoio o al chinês ao Paquis ão (Small 2015, 30).
Po ém, nes e mesmo ano, a Índia ai conduzi os p imei os es es nuclea es
16
, sob
o cognome Smiling Bhuda ou Pokh an-I, à sua no a bomba nuclea , denominada po
16
Vale aqui ac escen a que, em 1974, como espos a ao es e nuclea Smiling Bhuda, ealizado
po um Es ado não signa á io do TNP, em igo desde 1970, ai se c iado pelo Japão, pelo Canadá, pela
Alemanha (nas suas duas epúblicas), pela URSS, pelo Reino Unido, pelos EUA, signa á ios do TNP, e
pela F ança, não signa á ia, o NSG, que inha como obje i os: ga an i que os Es ados de en o es de
a mamen o nuclea não o u iliza iam pa a des ui , apenas pa a dissuadi ; ga an i o cump imen o das
di e izes do IAEA na ans e ência e manu enção des e ipo de a mamen o; e, po im, ga an i que os
Es ados que impo assem ecnologia nuclea cump i iam as mesmas di e izes que o Es ado expo ado
(Nuclea Supplie s G oup 2022).
43
Shak i-I, omando o p imei o passo pa a al e a o pa adigma da balança de pode egional
ao se o na a p imei a nação de en o a de uma bomba nuclea na Ásia do Sul, endo sido
a China, en e as cinco nações nuclea es à al u a, a única que se mo eu em a o das
p eces paquis anesas de epúdio às a i udes indianas, p ome endo um apoio i e ogá el
ao Paquis ão con a qualque o ma de ag essão ou ameaça ex e na à in eg idade nacional
paquis anesa e con a qualque u ilização de chan agem nuclea , es a úl ima
especi icamen e di ecionada à Índia (Choudhu y 1975, 240; Rakisi s 2012, 86; Noona i
e Memon 2017, 114).
O a com es e acon ecimen o, a China ai ecua na sua posição o iginal e assina
um pac o de de esa com o Paquis ão que icou selado, logo em 1974, com o en io chinês
de 60 a iões de caça MiG-19, 150 anques e um conjun o de a men o nuclea do mais
di e so, num aco do económico-mili a que ascendia aos 300 milhões de dóla es (Bu ke
1973, 405; Rakisi s 2012, 86; Noona i e Memon 2017, 114). Ademais, a China e o
Paquis ão ão começa a in es i de o ma mais in ensi a no p og ama nuclea
paquis anês, azendo pa a coo dena o mesmo um cien is a paquis anês, Abdul Khan,
que ha ia sido me alu gis a na Alemanha, e que oi esponsá el pelo começo do es udo
pa a o desen ol imen o de a mamen o nuclea pa a o Paquis ão, c iando, na cidade de
Kahu a, pe o de Islamabad, o KRL, o p imei o labo a ó io paquis anês especializado na
in es igação de a mamen o e p odução de ene gia nuclea es (Hussain e
Rand ianan oand o 2015, 41; Joshi 2015).
O in es imen o chinês, inclusi e, pôde se obse ado na apos a na mode nização
das in aes u u as nuclea es paquis anesas, como ea o es, e na cedência de cien is as
chineses pa a a ajuda nas in es igações, p ocu ando ajuda o pa cei o diplomá ico a
ga an i uma o ma de de esa e equilíb io con a a ameaça indiana, especialmen e quando,
po á ias ezes, os países ociden ais decidi am co a os seus apoios económicos como
esul ado das sanções impos as pelos EUA, podendo conside a -se o p og ama nuclea
paquis anês uma ex ensão do p og ama nuclea chinês (Hussain e Rand ianan oand o
2015, 41; Pan 2012, 85–86). Em adição, em junho de 1976, segundo Small, a China ai
ainda inclui o apoio ao Paquis ão no desen ol imen o da bomba nuclea , algo e elado
po Ali Bhu o, em 1979, an es da sua mo e, quando o mesmo abo da de o ma indi e a
o ema no seu es amen o, a i mando, en e as espos as às acusações que lhe e am
eme idas, que (Small 2015, 31):
44
“In he ligh o ecen de elopmen s, which ha e aken
place, my single mos impo an achie emen , which I belie e will
domina e he po ai o my public li e, is an ag eemen which I
a i ed a a e an assiduous and enacious endea ou spanning
o e ele en yea s o nego ia ions. In he p esen con ex , he
ag eemen o mine, concluded in June 1976, will pe haps be my
g ea es achie emen and con ibu ion o he su i al o ou people
and ou na ion.” (Bhu o 1979, 223).
O a apesa da mensagem ansc i a não o e idencia di e amen e, quando
obse amos udo o que oi abo dado a é ao momen o, é possí el, de o ma inequí oca,
ga an i que Ali Bhu o se e e e às negociações sino-paquis anesas pa a um aco do
mili a que seguiam desde 1965 e que o am concluídas, em 1976, com o aco do sec e o
en e Ali Bhu o e Mao Zedong, dois meses an es da sua mo e, que ga an ia o aco do
pa a a cons ução de uma bomba nuclea (Small 2015, 31; Pan 2012, 85; Siddiqui 1986,
53; Joshi 2015). Aliás, es as a i mações o nam-se mais e iden es quando, po exemplo,
analisamos a assina u a, no mesmo ano, de um aco do pa a o desen ol imen o
ecnológico sino-paquis anês e, na década de 1980, o o e in es imen o chinês no p oje o
nuclea paquis anês pa a assim ga an i a sob e i ência paquis anesa con a uma Índia
nuclea izada (Small 2015, 31; Pan 2012, 85; Siddiqui 1986, 53; Joshi 2015).
En e 1977 e 1978, o Paquis ão e a China ão so e ambos mudanças polí icas
in e nas que acaba iam po e le i al e ações p o undas na o ma como ambos os Es ados
se compo a iam na sua polí ica ex e na. Po um lado, no Paquis ão, após a Ope ação Fai
Play
17
, os mili a es ão subi ao pode sob e a égide do undamen alis a islâmico Zia ul-
Haq, o que esul ou na adoção de uma polí ica ex e na mais ag essi a, du an e a década
de 1980, enquan o, po ou o lado, na China, a mo e de Mao Zedong, em 1976, acabou
po aze com que, em 1978, Deng Xiaoping chegasse ao pode e, com ele, a ala mais
mode ada do PCC, o que culminou numa ans o mação p o unda da polí ica ex e na
chinesa e na adoção do ideal de uma polí ica ex e na menos obus a, baseada o emen e
em aco dos económicos, pa a se elaciona com os es an es Es ados asiá icos (Noona i e
Memon 2017, 115; Rakisi s 2012, 86). Aliás, du an e es e inal da década de 1970, as
17
Ope ação Fai Play é o nome de código dado ao golpe de Es ado de 5 de julho de 1977, lide ado
pelo Gene al Che e do Es ado-Maio do Exé ci o Zia ul-Haq, que de ubou o go e no do P imei o-Minis o
Ali Bhu o (Bhu o 1979, 3).
45
elações sino-paquis anesas ão e um pequeno pe íodo de a e ecimen o, is o po que a
China inha ado ado uma posição mais neu al em elação à Ásia do Sul, iniciado p oje os
de in es imen o na Índia e no Bangladesh, mesmo apesa da Índia e sido conside ada a
5ª po ência nuclea mundial e isso se um símbolo de pe igo pa a o Paquis ão, e diminuído
o apoio in e nacional ao Paquis ão no caso de Jammu e Caxemi a, apoiando uma
esolução pací ica ao in és do a é en ão de endido di ei o à au ode e minação (A. R.
Malik 2013, 157–83; Akh a 2014, 73).
Apesa de, nes a al u a, os go e nos paquis anês e chinês e em isões di e en es,
a e dade é que, mais uma ez, a elação en e ambos ai ap o unda -se, pois, po um
lado, a China começou um plano de in es imen o no Paquis ão que se cen a a no
desen ol imen o económico paquis anês em di e sas á eas, nomeadamen e a da
p odução de ene gia nuclea e a do comé cio, com o in es imen o de 630 milhões de
dóla es pa a a cons ução da au oes ada de Ca acó um
18
, e, po ou o lado, o Paquis ão
ga an ia, a a és de uma polí ica ex e na mais ag essi a, o equilíb io com a Índia (Small
2015, 31; Ja aid e Jahangi 2015, 201–21). Du an e a década de 1980, ão se dois os
momen os que ão ma ca o ap o undamen o das elações sino-paquis anesas, po um
lado, a in asão so ié ica do A eganis ão e a consequen e in e enção paquis anesa,
apoiada pelos EUA e pela China, con a a URSS e, po ou o lado, o maio in es imen o
sino-paquis anês no desen ol imen o nuclea que acabou po esul a no ab ico da
bomba nuclea paquis anesa.
En e 1979 e 1989, as elações bila e ais sino-paquis anesas, pela p imei a ez,
ão encon a -se e dadei amen e in luenciadas pela Gue a F ia, dado que, a pa i de
dezemb o de 1979, a in asão so ié ica do A eganis ão, como espos a a uma gue a ci il
que inha su gido um ano an es en e gue ilhas islâmicas a egãs an isso ié icas e o
go e no comunis a a egão, acabou po mo i a a c iação de um elo en e o Paquis ão, os
EUA e a China, que se jun a am sob a jus i icação de de o a o inimigo comum, a URSS,
is o po que a in asão so ié ica do A eganis ão signi ica a: p imei amen e, um pe igo
eno me à es abilidade egional; e, em segundo luga , a in luência so ié ica em g ande
pa e da Ásia, o que não ag ada a, po um lado, à China e aos EUA, especi icamen e pela
oposição em elação à URSS e pelo a anço do Bloco de Les e, e, po ou o lado, à China
18
A au oes ada de Ca acó um, com uma ex ensão de 1300 quilóme os, liga o Paquis ão e a China
en e Punjab e o Xinjiang, começando em Hasan Abdal, passando po Islamabad, e e minando no Passo
de Khunje ab onde depois se o na a au oes ada nacional chinesa 314.
46
e ao Paquis ão, pela p eponde ância que a Índia ganha ia no con ex o egional (Waqas e
Majid 2020, 269; Rakisi s 2012, 86; Tikkanen 2022; Noona i e Memon 2017, 115).
Du an e o pe íodo da Gue a do A eganis ão, en e 1979 e 1989, o Paquis ão, pela
sua posição geoes a égica na on ei a com o A eganis ão, acabou po se o na o cen o
das ope ações an isso ié icas, o nando-se a peça undamen al do declínio so ié ico,
endo sido no no e do país, na zona de Khybe Pakh unkhwa, que, numa ope ação
conjun a en e a CIA, se iços sec e os no e-ame icanos, e o ISI, se iços sec e os
paquis aneses, com apoio inancei o no e-ame icano
19
, chinês e paquis anês, se
começa am a e gue as mad aças
20
que se i iam de base de eino dos Mujahideen
21
que
chega am da A ábia Saudi a e do Egi o, além das zonas ibais do Paquis ão, de o ma a
in eg a em as gue ilhas a egãs que comba iam o go e no comunis a (Yamin 2020, 9;
Waqas e Majid 2020, 269; A id, Yousu i, e Khan 2014, 2192). Apesa do apoio chinês
aos Mujahideen se , à pa ida, di ícil de comp eende , is o a China, sob e a One China
Policy, a a os muçulmanos uigu es que se opunham ao domínio chinês no Xinjiang de
o ma op esso a e disc imina ó ia, a e dade é que a p incipal p eocupação chinesa e a
ga an i o equilíb io de pode egional e isso signi ica a não pe mi i que a URSS se
conseguisse es abelece de o ma mais obus a no A eganis ão, pe o da on ei a
ociden al chinesa, e ga an i que o Paquis ão não ica a agilizado sob a ameaça indo-
so ié ica (Rakisi s 2012, 87; Akh a 2014, 73). Du an e es e pe íodo de gue a, o
Paquis ão e a China c ia am ainda o Comi é Conjun o Sino-Paquis anês de o ma a
agiliza os p ocessos ela i os às ajudas inancei as e mili a es chinesas ao Paquis ão pa a
comba e a URSS (S. Wol 2020, 9).
Em inais da década de 1980, po ém, a in luência da Gue a F ia na ealidade sino-
paquis anesa ai o na -se nula mais uma ez, pois, com a e i ada da URSS do
A eganis ão, o equilíb io egional com uma Índia nuclea ai ol a a se o ce ne da
polí ica ex e na paquis anesa e, pa a a China, ago a que a URSS es a a en aquecida, e a
19
O apoio e in es imen o no e-ame icano ao Paquis ão pa a a ealização do p og ama conjun o,
de o ma a se e uma noção mais cla a, ul apassou os 3 mil milhões de dóla es, sendo, à al u a, o maio
in es imen o mili a no e-ame icano ei o desde a Gue a do Vie name (Yamin 2020, 9).
20
Escolas de ensino do Islão.
21
A pala a Mujahideen, o ma plu al de Mujahid, é um e mo á abe que, po no ma, se e e e às
gue ilhas islâmicas que lu am pela Jihad que, po sua ez, signi ica a lu a em nome de Allah, ou Deus, da
eligião ou da comunidade, ou Ummah (Zeidan 2022).
47
necessá io esol e o p oblema que a Índia ep esen a a, pelo que, pa a al, e a necessá io
pausa a polí ica de bom elacionamen o com os izinhos e inicia uma polí ica mais
ag essi a (Waqas e Majid 2020, 269). Aliás, numa al u a em que SAST se eacendia, po
ol a de 1987, o Paquis ão que, a é en ão, inha algumas dú idas das in enções da China
pela ques ão da neu alidade chinesa sob e Jammu e Caxemi a, iu as ince ezas se em
dissipadas quando, na escalada de con li o oco ida na década de 1990, a China omou o
lado paquis anês com o en io de apoios económicos e mili a es de o ma a pe mi i ao
Paquis ão en en a uma possí el gue a, o que, adicionado ao silêncio no e-ame icano
sob e a ques ão, pe mi iu ao Paquis ão eacende a chama da con iança de que não se
encon a a isolado in e nacionalmen e (Waqas e Majid 2020, 269; A id, Yousu i, e Khan
2014, 2192).
Nes e sen ido, no campo dos aco dos bila e ais sino-paquis aneses, é possí el
en ende que, en e as décadas de 1980 e 1990, o Paquis ão o nou-se o pa cei o de maio
con iança pa a China, mesmo apesa da p omoção chinesa de boas elações com odos os
seus izinhos, apoiando a China em odos os campos de deba e in e nacional, desde a One
China Policy a é à ques ão dos di ei os humanos, de endo-se odo es e apoio
in e nacional paquis anês à China à es a égia de Zia ul-Haq que, não que endo come e
os mesmos e os que o Paquis ão ha ia come ido em 1971, não se quis oca apenas em
aco dos mili a es com a China, p ocu ando semp e di e si ica as elações sino-
paquis anesas, de o ma a ga an i o máximo p o ei o paquis anês do eixo-sino-
paquis anês em odas as es e as, ao mesmo empo que p ocu a a di e si ica os pa cei os
de pac os mili a es, pa a ga an i que o Paquis ão não depende ia, numa u u a gue a,
apenas do apoio mili a chinês (Noona i e Memon 2017, 115; Rakisi s 2012, 87).
Con udo, após a saída de Zia ul-Haq do pode
22
, em 1988, o Go e no de Benazi
Bhu o, ilha de Ali Bhu o, ai ol a a in ensi ica as con e sas en e a China e o
Paquis ão no campo mili a , assinando dois aco dos de o necimen o de a mas que
eacende am a dependência paquis anesa pa a com a China, is o po que, segundo
Rakisi s, um dos aco dos eque ia explici amen e que o Paquis ão comp asse, mesmo em
22
No dia 17 de agos o de 1988, após assis i a uma demons ação mili a em Bahawalpu , Zia ul-
Haq ai alece num aciden e de a ião quando eg essa a a Islamabad, exis indo uma co en e paquis anesa
que de ende que o aciden e possa e sido p o enien e de uma sabo agem manda ada pela Índia, is o
Bahawalpu ica p óxima da on ei a sudes e do Paquis ão com a Índia, o que aumen ou a ensão en e
ambos os países (Ran e 1988).
48
empos sem necessidade, a mamen o e ecnologia mili a es chinesas, algo
complemen ado, em 1993, com mais um aco do de enda de a mas da China ao Paquis ão
que o nou a China, de longe, o p incipal o necedo do a mamen o paquis anês
23
(Rakisi s 2012, 87; Kondapalli 2012, 180).
A é ao momen o, explo amos a década de 1980 no con ex o da Gue a F ia,
po ém, pa a en ende oda a década de 1990, sob e udo os acon ecimen os que le a am à
C ise de Ka gil, é necessá io eg essa mos um pouco a ás e abo da mos a ques ão das
elações sino-paquis anesas no campo da polí ica nuclea , na década de 1980, de o ma a
en ende mos, concisamen e, como a ques ão se desen ol eu nes es dez anos e de que
o ma es es acon ecimen os podem e quase c iado uma gue a nuclea na Ásia do Sul.
Como e idenciado an e io men e, a década de 1980, pa a as elações sino-
paquis anesas no âmbi o da polí ica nuclea , oi uma década c ucial pa a ambas as pa es,
mas sob e udo pa a o Paquis ão. Em 1982, como esul ado do aco do alcançado po Ali
Bhu o com Mao Zedong, em 1976, o a ião de anspo e He cules C-130, pe encen e à
Fo ça Aé ea paquis anesa, pa e do Xinjiang em di eção a Islamabad com um
ca egamen o de cinco caixas de aço inoxidá el que con inham, cada uma, dois lingo es
de um quilog ama de u ânio en iquecido, o su icien e pa a o ab ico de duas bombas
nuclea es, e com os planos pa a cons ução da bomba nuclea (R. J. Smi h e Wa ick
2009; Paul 2003, 4; Siddiqui 1986, 55). Segundo Small, nes a al u a, Zia ul-Haq
encon a a-se cada ez mais ne oso em elação à len idão do p og esso paquis anês no
ab ico da bomba nuclea , algo alimen ado pelo medo de que o que Is ael inha ei o ao
I aque, aquando do a aque a Osi ak que des uiu g ande pa e do p og ama nuclea
i aquiano, pudesse acon ece ao Paquis ão com um a aque da Índia (Small 2015, 34).
Aliás, pa a o ápido desen ol imen o do p og ama nuclea paquis anês, a China, en e
1983 e 1986, en ia a de o ma in ensi a ao Paquis ão odos os ma e iais que pudessem
i a se necessá ios, como, po exemplo, di e sos planos pa a a c iação de a mamen o
nuclea , í io pa a aumen a o endimen o das bombas nuclea es e, de o ma anual, u ânio
en iquecido pa a o ab ico de a mamen o nuclea (Paul 2003, 4).
23
Aliás, en e 1971 e 2001, o alo global da expo ação de a mas chinesa pa a o Paquis ão oi de
9,8 mil milhões de dóla es, o que, comp ado com os 3,4 mil milhões de dóla es dos EUA, no mesmo
pe íodo, demons a o quão dependen e mili a men e o Paquis ão e a da China (Rakisi s 2012, 87).
49
Como ou a consequência da assina u a do aco do de 1976, que isa a o
desen ol imen o ecnológico e que, de o ma abs a a, incluía a bomba nuclea , em 1986,
após meses de negociação, a China e o Paquis ão ão assina um aco do pa a a coope ação
nuclea que, como aspe o mais impo an e, inha o ga an e de que, caso o Paquis ão
cons uísse uma bomba nuclea , não en a ia eplicá-la, e i ando assim a p oli e ação
nuclea e que, como a China não e a signa á ia do TNP, exis isse p essão in e nacional
sob e a mesma (Siddiqui 1986, 56). Aliás, sob e es e mesmo aco do, segundo Siddiqui,
an o a China, como o Paquis ão, ão p omo ê-lo enquan o um en endimen o en e dois
Es ados que p ocu am p ese a a paz egional, endo o Paquis ão ap o ei ado o aco do
pa a, enquan o p oduzia de o ma sec e a a bomba nuclea , ga an i a esolução da c ise
ene gé ica que assola a o país (Siddiqui 1986, 57–58).
En e 1988 e 1989, a ensão indo-paquis anesa ai aumen a com os es es
balís icos le ados a cabo pela Índia, pelo que o Paquis ão ai deixa -se le a , mais uma
ez, pelas ama as do seu ul a-secu i a ismo e, de o ma a ga an i o equilíb io egional
com a Índia com uma demons ação de o ça, ai ealiza es es aos seus ecém- ab icados
misseis de cu o-alcance Ha -1, capazes de pe co e a é 70 quilóme os, enquan o que,
nos bas ido es, p ocu a a ga an i jun o da “ elha amiga” China a aquisição da ecnologia
mili a chinesa mais mode na, conseguindo adqui i um lo e de misseis M-11 e M-9, en e
1990 e 1991, e ainda os ma e iais necessá ios pa a desen ol e mísseis balís icos de maio
p ecisão e capazes de pe co e maio es dis âncias, a é inais da década de 1990, como
são exemplos os mísseis de cu o-alcance Shaheen-1 (1999), capazes de pe co e 750
quilóme os, baseados no M-9, e os modi icados Ha -1A (1995), capaz de pe co e 100
quilóme os, e Ha -1B (1999-2001), capaz de pe co e os mesmos 100 quilóme os e
com a adição de um sis ema de na egação ine cial capaz de o na o míssil mais p eciso
(F. H. Khan 2012, 238; Small 2015, 40; «Ha -1» 2000; «Shaheen-I [M-9?]» 2000)
24
. Em
conjun o com es a aquisição paquis anesa, em 1990, a China ai ainda a qui e a e
o nece ao Paquis ão o ea o de água pesada Khushab, necessá io à p odução de
plu ónio, ao mesmo empo que en ia a os apoios écnicos e ma e iais necessá ios pa a o
desen ol imen o do ea o de ene gia nuclea Chashma, que i ia a se inaugu ado, em
24
O míssil de cu o-alcance Ha -2, em si, não pode se is o enquan o uma mode nização do
sis ema balís ico, is o a cons ução do mesmo se baseada na junção de dois mísseis Ha -1, po ém, a
dis ância pe co ida é bas an e supe io à do seu an ecesso , podendo pe co e a é 280 quilóme os («Ha -
2 / Shadoz» 2000).
56
Clin on, P esiden e dos EUA, os diploma as no e-ame icanos já es a am o almen e
in o mados sob e os a anços nas negociações sino-paquis anesas e a si uação desen olou-
se com Bill Clin on a p opo a Nawaz Sha i duas escolhas pa a o u u o do Paquis ão
que consis iam en e comba e , sem qualque apoio, uma gue a com a Índia, ou e i a
os exé ci os pa a a zona da LoC, o que esul ou na assina u a de um aco do en e os EUA
e o Paquis ão, a 4 de julho, no qual se incluía a ga an ia paquis anesa de e i ada das opas
de Ka gil e o comp ome imen o no e-ame icano de que odas as sanções se iam
le an adas ao Paquis ão após o cessa - ogo (Riedel 2009, 137; Small 2015, 59).
A p o a de que Nawaz Sha i inha ido sucesso nas negociações e que a China
inha ol ado a apoia o Paquis ão o malmen e, e i ando discu sos de neu alidade,
su gem, a 7 de julho de 1999, quando Zhang Qiyue, po a- oz de Tang Jiaxuan, Minis o
dos Negócios Es angei os chinês, az a público a posição chinesa em elação ao con li o
e e indo que a Índia e o Paquis ão inham o de e de “(…) espec he line o con ol in
Kashmi and esume nego ia ions a an ea ly da e in acco dance wi h he spi i o he
Laho e decla a ion”
27
, algo que não e a do in e esse da Índia, po se encon a num
momen o de supe io idade e de quase anexação o al de Jammu e Caxemi a, e
demons a a o apoio chinês ao Paquis ão, que com uma negociação pelos e mos da
Decla ação de Laho e ecupe a a g ande pa e do e i ó io pe dido (Small 2015, 59). O
aco do de paz indo-paquis anês, po ém, apenas ai se assinado, a 26 de julho, com ambas
as pa es a aco da em cump i o es ipulado no Aco do de Simla, em 1972, e a espei a em
os p incípios explíci os da Decla ação de Laho e, assinada em e e ei o do mesmo ano
(Singh 2001, xii). No que oca às elações diplomá icas, segundo Small, es a gue a
culminou na pe ceção paquis anesa de que apesa do a senal nuclea que possuía e
azido imenso bene ícios, ao mesmo empo cus ou o equilíb io de pode egional e o
apoio chinês na manu enção do mesmo, o que al e ou p o undamen e a o ma como as
elações sino-paquis anesas se ão desen ola , de ambos os lados, no no o milénio(Small
2015, 59–60).
27
Ci ado em: «Respec LoC, says China», The T ibune, 7 de Julho de 1999,
h ps://www. ibuneindia.com/1999/99jul07/wo ld.h m#5.
57
2.3. Da C ise de Ka gil à assina u a do CPEC: a Mudança de
Pa adigma
Como examinado a é ao p esen e momen o, as elações sino-paquis anesas
desen ol e am-se de o ma con ínua e cons an e, sob e udo, nas úl imas ês décadas do
século XX, nos campos da de esa, da ecnologia, da polí ica, da ene gia e da economia.
O a, a é meados da segunda década do p esen e século XXI, como i á se abo dado ao
longo des e subcapí ulo, es as elações p og edi am e ap o unda am-se de o ma ainda
mais os ensi a nos campos da economia, da polí ica, do con a e o ismo, da p oli e ação
nuclea e da de esa, po ém, semp e seguindo uma agenda mui o p óxima aos in e esses
da polí ica ex e na chinesa, que caminha a no sen ido de cons ução de uma economia
o e, pa a ascende ao luga de pode hegemónico na Ásia, e de uma imagem pací ica,
p ocu ando a China, após a C ise de Ka gil, supe isiona as ações paquis anesas no
campo polí ico-económico de o ma a não p ejudica a imagem chinesa e ga an i a
es abilidade egional.
2.3.1. A China Neu a, o Paquis ão Secu i á io e o Con a e o ismo
Como se ia de espe a , pela eco ência da hos ilidade indo-paquis anesa, a C ise
de Ka gil não i ia se o úl imo momen o de ensão na egião, e mui o menos o úl imo
momen o em que uma c ise nuclea pode ia o igina -se na Ásia do Sul e a China se ia
chamada a in e i pa a e i a a des abilização egional. En e dezemb o de 2001 e maio
de 2002, o mundo ai assis i a mais um episódio do con li o indo-paquis anês que,
epe indo o pad ão da C ise de Ka gil, quase colocou a Ásia do Sul numa gue a nuclea ,
icando es e e en o conhecido como a Twin Peak C isis (Small 2015, 60; Za a Khan
2018, 149).
O p imei o pico da Twin Peak C isis, oco ido a 13 de dezemb o de 2001, consis e,
esumidamen e, no a aque de cinco mili an es de uma o ganização e o is a, de
nacionalidade paquis anesa, ao Pa lamen o indiano de o ma a c ia uma sensação de
pânico gene alizado que le asse ao desmobiliza das opas indianas da LoC (Za a Khan
2018, 149; Small 2015, 60). Como esul ado des a en a i a de a en ado, que acabou po
não se le ada a cabo da o ma planeada, a Índia ai a i ma que os e o is as pe enciam
à LeT e à JeM e ai acusa o ISI de não con ola es es g upos ou de pa ocina os a aques
58
e o is as no e i ó io indiano e, in e nacionalmen e, os EUA
28
ão p ocu a sanciona o
Paquis ão po não oma medidas con a es es mesmos g upos e o is as, si uação que o
Paquis ão, com apoio da China, ai p ocu a esol e de o ma a p ocede a um
desanu iamen o das ensões com a Índia (Za a Khan 2018, 149).
Po ém, ao con á io do que se ia de espe a , o p imei o in e enien e a oma uma
ação mais adical oi a Índia que, com o p e ex o do comba e ao e o ismo, e o çou os
con ingen es mili a es em Jammu e Caxemi a e iniciou exe cícios mili a es na on ei a,
com ce ca de 500 mil mili a es, sob o cognome de Ope ação Pa ak am, de o ma a
p essiona o Paquis ão a oma medidas no comba e ao e o ismo (Kapu 2008, 80, 2005,
149–50; Za a Khan 2018, 150). Con udo, a pos u a indiana de p essão in ensa acabou
po aciona , mais uma ez, o p oblema ul a-secu i á io paquis anês e, nes e sen ido, o
Paquis ão ai esponde do mesmo modo mobilizando g ande pa e dos seus con ingen es
mili a es na on ei a, c iando uma o e ensão mili a en e os dois i ais sul-asiá icos
que le ou a que, po exemplo, os EUA e a Ingla e a e i assem os seus diploma as do
Paquis ão e da Índia com medo de que se iniciasse uma gue a nuclea (Za a Khan 2018,
150; Small 2015, 60). Po ém, com a ajuda da China que, a es a al u a, ambém deseja a
o desanu iamen o da si uação, o Paquis ão ai coope a com a Índia na condenação dos
a aques e o is as p ocu ando sanciona e desman ela os dois g upos e o is as
esponsá eis, LeT e JeM, de o ma a acalma os ânimos, demons ando
in e nacionalmen e, pa a ag ado da agenda in e nacional chinesa, e ealmen e ap endido
uma lição com a C ise de Ka gil (Kapu 2005, 149; Small 2015, 60; Za a Khan 2018,
150).
Toda ia, quando in e nacionalmen e se pensa a que a c ise indo-paquis anesa
es a a esol ida, a 14 de maio de 2002, o mundo ai assis i ao segundo pico des a c ise
com um no o a aque e o is a, des a ez, a uma base mili a indiana na egião de
Kaluchak, na pa e indiana de Jammu e Caxemi a, que esul ou na mo e de á ios
amilia es dos mili a es indianos que se encon a am na on ei a indo-paquis anesa (The
T ibune 2002; Za a Khan 2018, 150). O a, apesa de inicialmen e a Índia não conside a
es e a aque um p e ex o pa a a aca o Paquis ão, a e dade é que ambos os lados
o i ica am os seus con ingen es mili a es nas on ei as e, enquan o a ameaça de uma
28
A in e enção acesa no e-ame icana, nes e caso, pode se jus i icada pela polí ica de Gue a ao
Te o que os EUA inham iniciado após os a aques e o is as de 11 de se emb o do mesmo ano.
59
possí el gue a nuclea indo-paquis anesa pai a a, o mundo assis ia à si uação com eceio
e inquie ação (Za a Khan 2018, 150; Kapu 2008, 82; Noona i e Memon 2017, 115).
Nes e sen ido, mais uma ez, pa a desanu ia a si uação de ensão en e a Índia e
o Paquis ão nas on ei as e e i a uma gue a nuclea , a China e os EUA ão in e i de
o ma a ga an i a es abilidade egional (Za a Khan 2018, 150). Pa a a China, po ém, o
papel in e en i o oi mui o mais limi ado do que aquele que os EUA acaba am po e ,
is o po que o Paquis ão pa ilha a do mesmo in e esse in e nacional de acalma a si uação
e ga an i a paz egional (Noona i e Memon 2017, 115). Po ou o lado, pa a os EUA, que
desde os a aques e o is as às o es gémeas, em 2001, p ocu a am ex e mina os g upos
e o is as com a denominada Gue a ao Te o , a dinâmica de ação, pelo en ol imen o
de g upos e o is as no con li o, oi mui o supe io , endo o lado no e-ame icano en ado
em con e sações di e as com o Paquis ão de modo a pe cebe a es a égia con a e o is a
paquis anesa (Noona i e Memon 2017, 116). Po ém, o impo an e se á dize que, nes e
caso de con li o em especí ico, o eixo sino-paquis anês e e a ajuda impo an íssima dos
EUA, que p ocu a am impedi , de o ma se e a, qualque ag essão indiana ao Paquis ão
que e a aliado no e-ame icano na lu a con a o e o ismo no A eganis ão (Za a Khan
2018, 150).
Du an e es e pe íodo di ícil, onde a escalada do con li o ob iga a a uma ges ão
me iculosa do mesmo, os EUA ão p ocu a o ganiza uma sé ie de isi as diplomá icas
à egião de o ma a ga an i que não exis issem a aques de pa e a pa e, ao mesmo empo
que a China p ocu a a apoia a ação no e-ame icana en iando diploma as a ambos os
lados pa a p omo e as negociações de paz (Small 2015, 60). Con udo, num pequeno à
pa e, pa a Small, mais impo an e do que aquilo que a China ez, oi aquilo que a China
não ez, mui o de ido à mudança de abo dagem em elação ao caso indo-paquis anês após
a C ise de Ka gil, endo mesmo sido o ulada pelos diploma as no e-ame icanos como
“o cão que não lad ou” pela não aplicação de sanções a nenhum dos lados (Small 2015,
60). A e dade é que, du an e es e p ocesso de en a i a in e nacional de uma conciliação
de pa e-a-pa e, os EUA e a China consegui am que ambos os lados se sen assem à mesa
das negociações e, em 2003, ambos os Es ados ão conco da no cessa - ogo, endo, em
2004, assinado um aco do de paz, mais uma ez, sob o espí i o da Decla ação de Laho e,
que p e ia: o con olo on ei iço de pa e-a-pa e, a colocação de uma ede de a ame
a pado com igilância a i a de pa e-a-pa e na á ea co esponden e à on ei a indo-
paquis anesa, a coope ação pa a ga an i a diminuição dos índices de c iminalidade na
60
on ei a e, po úl imo, a u ilização mais eco en e da “diplomacia do c icke ”
29
de o ma
a ga an i um espaço de negociações cons an e en e ambas as pa es (Za a Khan 2018,
151; Jha 2017).
Tan o pa a a China, como pa a o Paquis ão, a solução pa a con ola os a aques
e o is as, o iginá ios de g upos e o is as paquis aneses, que começa am a in ensi ica -
se a pa i de 2004, incluindo no Xinjiang, e a, sem somb a de dú ida, o con olo mais
ape ado das á eas ibais paquis anesas, sob e udo da a ual egião de Khybe
Pakh unkhwa e do Balochis ão (R. A. Khan 2013, 71–72). Apesa da coope ação sino-
paquis anesa no âmbi o do con a e o ismo se algo que exis e desde a década de 1990,
é apenas em 2004, com a in ensi icação do e o ismo de o igem paquis anesa em
Kashga , no Xinjiang, que o Paquis ão e a China ão assina uma sé ie de aco dos ligados
ao con a e o ismo, in ensi icando a coope ação das o ças de segu ança, mili a es e de
in eligência, de ambos os Es ados, na pe seguição e desman elamen o dos g upos
e o is as sediados no Paquis ão (R. A. Khan 2013, 72).
Em 2005, como o ma de apoia o Paquis ão no comba e ao e o ismo, e de o ma
a ga an i que a Índia pe dia ele ância egional, a China ai ap o a a en ada
paquis anesa no SCO, uma o ganização económica e secu i á ia, de o ma a passa a
imagem, in e nacionalmen e, de que o Paquis ão e a um Es ado comp ome ido com a
manu enção da paz egional e, de ce a o ma, p ocu a limpa a epu ação paquis anesa
após a Twin Peak C isis (R. A. Khan 2013, 73–74). Em adição, economicamen e, a China
ai p ocu a apoia o Paquis ão a a és do in es imen o económico nas á eas ibais de
Khybe Pakh unkhwa e do Balochis ão, p ocu ando mode niza in aes u u as, con ui
edes de es adas, c ia pos os de abalho e in es i na económica egional, de o ma a
ga an i a diminuição da pob eza e, po conseguin e, ab anda a adesão populacional às
o ganizações e o is as que ope am nes as egiões e se ap o ei am des a mesma pob eza
pa a o ec u amen o de mili an es (R. A. Khan 2013, 74).
29
A “diplomacia do c icke ”, como o nome indica, p essupõem a o ganização de um e en o de
c icke en e ambas as pa es pa a a esolução e negociação pací ica de qualque animosidade de pa e-a-
pa e (Jha 2017). A e dade é que is o só é possí el, pois, pelo passado cul u al b i ânico que pe maneceu
na egião, o c icke é um despo o le ado com bas an e espei o no con ex o egional, à semelhança do
u ebol no con ex o eu opeu, o que pe mi e um espaço de diálogo en e os dois lados cada ez que uma
pa ida en e as seleções nacionais se ealiza (Jha 2017).
61
Po ém, oda a colabo ação sino-paquis anesa não oi capaz de e i a os a aques
e o is as de Mumbai, lide ados pelo JuD, uma ami icação do LeT, em 2008, e, po
conseguin e, a China ai a ua mais a i amen e na esolução do con li o indo-paquis anês,
ado ando uma diplomacia de ai ém, p ocu ando assim es abelece uma ede de
comunicação en e ambos os Es ados de modo a ga an i a ápida esolução de con li o,
mesmo apesa de, o malmen e, an o a China, como a Índia, ecusa em admi i que possa
e exis ido ação chinesa na esolução do con li o (Small 2015, 60). Con udo, mesmo
apesa da negação sino-indiana do en ol imen o diplomá ico da China, a e dade é que
exis em o es indícios da pa icipação chinesa nas negociações, obse ando-se du an e a
ensão após os a aques e o is as em Mumbai, as isi as de He Ya ei, Vice-Minis o dos
Negócios Es angei os da China à al u a, com o es a u o de en iado especial, à Índia e ao
Paquis ão de o ma a ga an i a paci icidade e o equilíb io egional nes a egião do Indo-
Pací ico, que pode ia se a e ado caso um no o con li o escalasse (Small 2015, 60; Sun e
Haegeland 2018, 181).
Em adição, ale ainda salien a que, du an e es e momen o de ensão,
in e nacionalmen e, mais uma ez, a China ai in e i a a o do Paquis ão com a
u ilização do e o no CSNU a pedido paquis anês em esoluções que ossem
condena ó ias das a i idades do LeT, que ha ia sido conside ado culpado dos a aques
e o is as após um dos memb os e sido apanhado no local e in e ogado pelas
au o idades indianas (Small 2015, 61). Mesmo apesa de e acedido ao pedido
paquis anês nes e caso especí ico sob e Mumbai, a e dade é que, após a c ise indo-
paquis anesa es a esol ida e o LeT se condenado pelos c imes come idos, a China ai
a isa o Paquis ão que não ol a ia a in e cede a a o de nenhum g upo e o is a, nem
mesmo a pedido paquis anês, is o po que, du an e odo o con li o, a ques ão não se
p endia sob e o ac o de se os a aques e am lide ados, ou não, pelo LeT, mas sim sob e
a é que pon o o ISI e os mili a es paquis aneses es a am en ol idos com os a aques
e o is as (Small 2015, 61; Lakshman 2021). Po ém, alguns académicos como Malik,
pa ilham de uma isão di e en e sob e os mo i os da ação chinesa, a i mando que a
China não in e eio pela necessidade de ajuda o Paquis ão a e i a o desequilíb io
egional e a exposição ex e na dos seus mili a es, pela possí el ligação dos mesmos a
g upos e o is as, mas sim pa a ga an i o aumen o paquis anês à p ocu a de a mamen o
chinês e p essiona e condiciona a Índia com uma demons ação de o ça po pa e do
eixo sino-paquis anês (M. Malik 2003, 47–48).
62
Po ém, independen emen e das opiniões se pode em di idi quan o aos mo i os
da ação chinesa, a e dade é que a comunidade in e nacional à al u a dos ac os, sob e udo
os EUA e o Paquis ão, pa ilhou da p imei a isão sob e a ação da China, is o po que o
lado paquis anês semp e soube que, apesa de, po ezes, de e um ní el de p o eção
ele ado da China em elação a udo o que possa se conside ado p essão ex e na, a China
em édea cu a sob e as ações paquis anesas que dani iquem a imagem in e nacional
chinesa e coloquem em causa o equilíb io egional, e o lado ame icano semp e pe cebeu
que e a incong uen e po pa e da China apoia o LeT ao mesmo empo que condena a
os uigu es no Xijiang, mesmo que isso signi icasse a con enção indiana (Small 2015, 61).
A a i mação an e io é isí el, po exemplo, numa en e is a de Small a um especialis a
polí ico chinês, o qual não é iden i icado na ob a, que e le e a ação chinesa du an e a
Twin Peak C isis e os a aques de Mumbai:
“I India in ades Pakis an, we would be willing o espond.
I India launches ai s ikes on Pakis an, we would be willing o
espond. I India h ea ens Pakis an wi h nuclea weapons, we may
e en be willing o ex end ou nuclea umb ella o Pakis an, hough
we wouldn’ be he i s ones o use he ‘n-wo d’. Bu when i ’s
Pakis an ha causes he p oblem, we can’ back hem. Wha could
we say a e Mumbai? They ob iously had mili a y aining. We
couldn’ de end ha .” (Small 2015, 61).
2.3.2. O Campo Mili a -Económico-Ci il nas Relações Nuclea es
O a, como oi possí el pe cebe a é ao p esen e momen o, o campo ulc al das
elações sino-paquis anesas, a é 2013, p ende-se com as elações nuclea es e o apoio
chinês ao desen ol imen o ecnológico de o ma a ga an i que o Paquis ão desempenha
o papel que a China p ecisa que desempenhe, o papel de ga an i que a Índia não se o na
um oposi o egional capaz de aze en e à China.
Em 2004, como espos a ao eixo sino-paquis anês e ao apoio chinês ao
desen ol imen o mili a e nuclea do Paquis ão, os EUA ão p opo ao NSG que c iasse
uma exceção à Índia pe mi indo que, enquan o Es ado não signa á io do TNP e não
incluído no NSG, come cializasse a mamen o nuclea com os EUA, signa á ios do TNP
e memb os do NSG, ou que o caso sino-paquis anês osse e is o e a China sancionada,
sob o p e ex o, em ambos os casos, de ga an i o equilíb io egional no Indo-Pací ico
63
(Small 2015, 61; Lucas 2004). Con udo, pa a se en ende es a ação no e-ame icana, é
necessá io pe cebe que, com a en ada da China no NSG no mesmo ano
30
, um dos
p incipais mo i os de deba e e p eocupação e a a elação de coope ação nuclea en e a
China e o Paquis ão, is o po que o Paquis ão não e a signa á io do TNP, ou memb o do
NSG, e, po es a azão, a comunidade in e nacional p ocu a a consegui que a China se
abs i esse de man e as elações nuclea es com o Paquis ão ou que o Paquis ão seguisse
o exemplo do go e no libanês
31
e en egasse os planos nuclea es e o a mamen o nuclea
a mazenado ao IAEA (Small 2015, 61; M. M. Khan e Kasi 2017, 70; Balachand an 2013,
1–4).
Toda ia, como espos a à comoção p o ocada pelos EUA em elação ao aco do
nuclea sino-paquis anês, a China ai p ocu a de ende o aco do sino-paquis anês
a i mando que a NSG, nos seus es a u os
32
, p e ia que um qualque Es ado após se o na
memb o da o ganização pudesse con inua a negocia com um Es ado-não-memb o, sem
qualque iscalização, caso o aco do en e ambos os isados i esse sido assinado an es
de 1992 (Small 2015, 61; Hibbs 2011, 23). A ideia chinesa, nes e pon o, e a ga an i que
os aco dos pa a a cons ução dos es an es ea o es nuclea es Chashma não e a a e ada,
sob e udo numa al u a em que o plano de cons ução do Chashma-II es a a a da os
p imei os passos, sendo a ideia chinesa a de e mina com os aco dos nuclea es sino-
paquis aneses e ecomeçá-los à luz das eg as es abelecidas pelo NSG e pelo IAEA,
aquando e minasse a cons ução do no o ea o (Small 2015, 61; M. M. Khan e Kasi
2017, 69; Balachand an 2013, 4–5; Hibbs 2010).
Po ém, em 2005, os EUA, obse ando a não-ação do NSG pe an e o caso sino-
paquis anês e p ocu ando ga an i a hegemonia egional no Indo-Pací ico, sob e udo no
que oca ao equilíb io com a China, ão assina o Aco do Ci il Nuclea com a Índia,
bene iciando es a úl ima des e mesmo aco do com a u ilização das cen ais ene gé icas
30
Nuclea Supplie s G oup, «NSG Plena y Mee ing Gö ebo g, Sweden, 27-28 May, 2004»,
NSG_GOT/PRESS/FINAL, 2004, h ps://www.nuclea supplie sg oup.o g/images/Files/Documen s-
page/Public_S a emen s/2004-05-go ebo g.pd .
31
Em 2004, após a en ada da China no NSG, o Líbano ai en ega os planos pa a a bomba
nuclea , que lhe ha iam sido endidos pela China, ao IAEA, como o ma de demons a o
comp ome imen o pa a com o cump imen o das eg as es abelecidas pelo NSG (Small 2015, 61).
32
Nuclea Supplie s G oup, «GUIDELINES FOR NUCLEAR TRANSFERS», INFCIRC
/254/Re .14/Pa 1a, 2019, 2,
h ps://www.iaea.o g/si es/de aul / iles/publica ions/documen s/in ci cs/1978/in ci c254 14p1.pd .
64
nuclea es pa a ins ci is e, ambém, mili a es (Noona i e Memon 2017, 116; Hussain e
Rand ianan oand o 2015, 44; Nasee e Amin 2015, 318). Pa a o Paquis ão e pa a a China
es e aco do signi ica a que, na Ásia do Sul, a Índia passa ia a de e um papel mili a
p edominan e e isso acaba ia po suplan a , na opinião de Hussain e Rand ianan oand o,
qualque mé odo sino-paquis anês de ga an e do equílib io de pode en e o Paquis ão e
a Índia, pois o aco do pe mi ia à Índia o alece o seu p og ama de a mamaen o nuclea
com a con ução de ea o es nuclea es de maio capacidade com ecnologia no e-
ame icana (Hussain e Rand ianan oand o 2015, 45; Nasee e Amin 2015, 318).
Nes e sen ido, e endo em con a o pe igo de uma Índia com supe io idade mili a
e nuclea , o Paquis ão ai p ocu a , ao con á io da China que se opunha ao mesmo no
NSG, não con a ia o aco do, mas sim p opo aos EUA uma de duas ias, ou negocia
um aco do sob os mesmos e mos com os EUA, jus i icando a decisão pela necessidade
de ga an i que as in enções no e-ame icanas não consis iam em in e i na balança de
pode egional, ou ga ani uma exceção idên ica à da Índia no NSG pa a o comé cio
nuclea sino-paquis anês (Small 2015, 62). Aliás, pa a o Paquis ão, que du an e a Gue a
F ia oi um o e aliado no e-ame icano, que na Gue a ao Te o le ada a cabo pelos
EUA demons ou semp e um o e apoio e que semp e p ocu ou man e uma pon e de
ligação en e o Ociden e e a China, um aco do nos mesmos e mos que o indo-ame icano
e a o mínimo ponde á el (Nasee e Amin 2015, 318). Po ém, de ido ao ac o de, nos anos
an e io es, com os acon ecimen os da C ise de Ka gil e da Twin Peak C isis, o Paquis ão
e demons ado uma apos a na p oli e ação do a mamen o nuclea , os EUA e o NSG ão
ecusa as p opos as paquis anesas a i mando que uma exceção ao Paquis ão idên ica à
da Índia e a mais pe igosa e imp e isí el do que o aco do indo-ame icano ou a exceção
indiana (Small 2015, 62; Bumille e Gall 2006).
O a, como se ia de espe a , endo em con a a ecusa in e nacional da posição
paquis anesa, o Paquis ão ai eco e , mais uma ez, à China de o ma a ga an i o apoio
es a égico necessá io pa a apazigua o medo ul a-secu i á io de uma Índia o e
mili a men e (Jahangi 2013, 55). Nes e sen ido, em e e ei o de 2006, Musha a ,
P esiden e paquis anês à al u a, ai di igi -se a Pequim de modo a inicia as negociações
com a China pa a a cons ução dos ea o es nuclea es Chashma-III e IV, endo a China
ap o ado o aco do sob a p emissa de que o Paquis ão agua dasse a é ao des echo do
deba e in e nacional sob e o aco do indo-ame icano, pois do lado chinês apenas a ia
sen ido a cons ução de ea o es nuclea es no Paquis ão caso o aco do indo-ame icano
65
não osse e ado no NSG, algo a que Musha a não se ai opo , coope ando com as
in enções chinesas de oposição ao aco do, a é po que e a de maio in e esse paquis anês
ga an i uma China coope an e no p og esso do p og ama nuclea paquis anês e, pa a al,
e a necessá io espei a os imings chineses (Small 2015, 62).
Ademais, a não oposição de Musha a às demandas chinesas pode se ainda
jus i icada pelo cump imen o do T a ado de Amizade, Coope ação e Boa Vizinhança,
assinado em 2005, que de inia a pa ce ia es a égica sino-paquis anesa como uma pa ce ia
em p ol do equilíb io egional que espei asse os cinco p incípios de coexis ência
pací ica
33
, pelo que a ação paquis anesa se enquad a nes e aco do de ação pací ica no
quad o in e nacional (Jahangi 2013, 55). Ademais, a e dade é que, pa a o Paquis ão, a
p ocu a de um aco do com a China, num momen o de deba e in e nacional sob e a
p oli e ação nuclea , passa a a mensagem de que o Paquis ão não necessi a a do
Ociden e pa a se o alece e, pa a China, signi ica a que o Paquis ão es a a
comp ome ido com a missão de ga an i o equilíb io egional com a Índia espei ando as
elações de amizade e coope ação sino-paquis anesas, algo que, à al u a, c iou um ce o
descon o o no lado no e-ame icano que p essen ia a pe da de in luência nes a egião do
Indo-Pací ico (Jahangi 2013, 55).
A ap o ação inal do Aco do Ci il Nuclea Indo-Ame icano pelo NSG, con udo,
apenas ai se dada em 2008 e, jun o com a mesma, á ios ou os Es ados
34
pe encen es
ao NSG ão p ocu a assegu a um aco do idên ico com a Índia no campo do comé cio
nuclea , o que ai coloca a Índia, de um pon o de is a es a égico, num pa ama mui o
supe io ao Paquis ão, o que, caso a China não osse a p incipal “aliada” paquis anesa,
pode ia e culminado num desequilíb io da balança de pode ao pon o de se pode da
um no o con on o en e os i ais sul-asiá icos (In e na ional A omic Ene gy Agency
2008, 1; Nasee e Amin 2015, 318). Po conseguin e, em espos a a es e c escendo da
Índia, em 2009, a China ai assina dois aco dos com o Paquis ão pa a a cons ução
imedia a dos ea o es nuclea es Chashma-III e IV, e, em 2010, ai assina um aco do pa a
uma cons ução u u a do Chashma-V, numa en a i a híb ida de es abelece o s a us quo
33
Os cinco p incípios de coexis ência pací ica consis em em: espei o mú uo pela in eg idade e
sobe ania e i o ial, não ag essão mú ua, não in e e ência mú ua nos assun os in e nos, igualdade e
bene ício mú uo e coexis ência pací ica («Los Cinco P incipios de Coexis encia Pací ica» 2014).
34
Os quais: Rússia, Reino Unido, F ança, Canadá, A gen ina, Cazaquis ão, Namíbia, Co eia do
Sul e Mongólia.
72
ambém p ocu a ga an i a omen ação da coope ação sino-paquis anesa nas á eas da
segu ança egional e de no as dinâmicas egionais com uma China hegemónica e um
Paquis ão capaz de ga an i o equilíb io egional com a Índia (Ahmad e Singh 2017, 133–
34).
In e nacionalmen e, o p esen e século é obse ado po á ios especialis as como
sendo o “século asiá ico”, sob e udo de ido ao c escimen o económico das duas po ências
China e Índia, pelo que se p e ê que es es dois Es ados ocupem uma posição ulc al nes e
lo esce da economia asiá ica (Ahmad e Singh 2017, 134). Apesa dos dois gigan es
asiá icos pa ilha em de uma elação come cial e económica bem cimen ada e p o ei osa
pa a ambas as pa es, a e dade é que, poli icamen e e secu i a iamen e, os dois lados
encon am-se em espe os opos os e em cons an e oposição, uma si uação que se ag a ou,
sob e udo, a pa i da década de 1980, e que le ou a que a China enha p ocu ado
equilib a -se nes es campos, po exemplo, com a cimen ação das elações com o
Paquis ão e a possí el c iação da inicia i a do Cola de Pé olas
39
, en e ou os, e a Índia
p ocu ado es abelece o seu domínio, ao ní el da in luência polí ica, na SAARC a a és
do apoio no e-ame icano (Ahmad e Singh 2017, 134). Ademais, nes a mudança assis ida
no no o milénio ao ní el do Indo-Pací ico, ainda emos de ac escen a as elações
emidas en e os EUA e o Paquis ão, sob e udo pelo apoio no e-ame icano à Índia e às
ações mili a es no e-ame icanas em e i ó io paquis anês, na zona ibal em on ei a
com o A eganis ão, que colocam o Paquis ão numa posição de descon iança (Ahmad e
Singh 2017, 134–35).
Nes e sen ido, e endo em con a que, em 2013, o eixo sino-paquis anês ai da um
no o passo pa a cimen a uma no a o dem no Indo-Pací ico com a assina u a do aco do
do CPEC, no p esen e capí ulo i emos analisa es e mesmo aco do p ocu ando pe cebe
39
O Cola de Pé olas, em si, é um concei o cunhado pelos EUA, em 2004, pa a de ini o conjun o
de po os ge idos, adminis a i amen e ou ope acionalmen e, pela China que se si uam desde o Ma do Sul
da China a é ao Sudão, que c iam uma ede de comunicação ma í ima e que, no seu conjun o, pode iam
pe mi i o con olo na al chinês do Índico e o su oca da Índia (Ma an idou 2014, 3–26). Po ém, ale
a i ma que o Cola de Pé olas não é uma es a égia econhecida o icialmen e pela China e que, a é à
p esen e da a, apesa dos es o ços chineses pa a adqui i bases mili a es po uá ias, as o ças na ais
chinesas apenas pa ulham as águas nas quais os na ios de comé cio chineses ci culam e que co espondem
às zonas ma í imas dos Es ados aos quais os e i ó ios dos po os pe encem, o que, no cômpu o ge al, em
nada di e e do já ei o, po exemplo, pelos EUA, pela Índia ou pela F ança, na mesma egião (Eu opean
Pa liamen a y Resea ch Se ice 2013; The Eu asian Times 2020).
73
os e ei os que e e ao ní el bila e al e mul ila e al das elações sino-paquis anesas, além
de explo a mos a in luência do mesmo no o alecimen o das elações sino-paquis anesas
no campo da segu ança egional e de uma possí el mu ação das dinâmicas egionais.
Ademais, p ocu a emos ainda pe cebe os p incipais acon ecimen os polí icos e mili a es
na egião do Indo-Pací ico comp eendida pa a o p esen e es udo de o ma a a alia a ação
do eixo sino-paquis anês.
3.1. A E olução e Cimen ação do CPEC
Em julho de 2013, após um pe íodo de amadu ecimen o das elações económicas
sino-paquis anesas, en e 2004 e 2012, o eixo sino-paquis anês ai da início a uma
i agem decisi a nas elações bila e ais en e os dois Es ados com a assina u a de um
MoU
40
que isa a o início da cons ução de um co edo económico, o p o ó ipo do
CPEC, que conec asse Kashga , um polo do comé cio chinês em Xinjiang, com o po o
de Gwada , a sul do Balochis ão, a a és da cons ução e eabili ação de espaços de
ci culação en e os dois Es ados (A. Khan 2014, 46–48; A ais e al. 2016, 164). De aco do
com o MoU assinado, os obje i os iniciais pa a p epa ação des e co edo económico,
se iam: a cons ução de uma linha é ea, com ce ca de 4000 quilóme os, en e o po o
de Gwada e Shangai, passando em Kashga ; a eabili ação da au oes ada de Ca acó um,
de modo a ga an i uma ia ápida pa a a ci culação de eículos de me cado ias; e a
c iação de ce ca de 13 zonas económicas especiais que se issem de espaços de comé cio
li e (A ais e al. 2016, 164). Como se ia de espe a , pa a a implemen ação des e p oje o,
a China ha ia p epa ado um o e in es imen o na casa dos 46 mil milhões de dóla es,
cabendo ao Paquis ão desen ol e o p oje o com base nos meios o necidos pelo lado
chinês, um abalho que o Paquis ão, no espaço de dois anos, desen ol eu com dis inção
(A ais e al. 2016, 164–65).
O o e in es imen o chinês nes e p oje o, oda ia, jus i ica-se, sob e udo, pelo
CPEC se um dos p incipais p oje os associados à BRI que, a es a al u a, se de inia po
um obje i o maio de conec a economicamen e ce ca de 65 Es ados, en e os quais o
Paquis ão, com o obje i o de diminui as di e enças cul u ais e ísicas en e os pa cei os
40
Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Common Vision o Deepening
China-Pakis an S a egic Coope a i e Pa ne ship in he New E a», 2013,
h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2
758_663520/201307/ 20130708_519742.h ml.
74
económicos chineses, pe mi indo assim à China c ia uma ede de comé cio es á el,
e es e e ma í ima, à semelhança, com as de idas di e enças, da an iga Ro a da Seda
41
(Waqas e Majid 2020, 272; S. Wol 2020, 6). Aliás, o CPEC ep esen a, no con ex o da
BRI, a conexão en e a NRS e a RSM, dois p oje os que em si são a de inição da BRI
(Bha acha jee 2015).
O a, em adição, de um pon o de is a p á ico, a a és da conexão de Kashga ao
po o de Gwada , o CPEC ganha oda uma no a impo ância e pe inência pa a o sucesso
e c escimen o da BRI, is o po que, pela impo ância es a égica que o po o de Gwada
ca ega, sendo o p imei o pon o de en ada no Índico po ia do Gol o Pé sico, o CPEC
acaba po se a o a que pe mi e à China consegui e i a qualque ipo de con ole no e-
ame icano ao comé cio chinês no Índico, e i ando um possí el bloqueio na al no e-
ame icano em caso de con li o com a Índia, além de pe mi i ainda ao eixo sino-
paquis anês a ligação aos me cados do Médio O ien e e Á ica, o nando assim o
Paquis ão um dos pila es da es a égia chinesa de ascensão a hegemonia no p esen e
século (S. Wol 2020, 12–14). Aliás, es a possí el solução que o CPEC ep esen a pa a a
China no sen ido de e i a uma possí el in e e ência no e-ame icana em caso de con li o
com os in e esses no e-ame icanos, ganha oda uma no a dinâmica quando, em cima da
mesa, colocamos o ac o da China se al amen e dependen e do Médio O ien e pa a o
abas ecimen o ene gé ico, sob e udo de combus í eis ósseis, p o indo des a egião ce ca
de 80% do abas ecimen o chinês, e, como os EUA con olam o Es ei o de Malaca,
con olando, po conseguin e, o acesso ao Ma do Sul da China po ia do Índico, o CPEC
ep esen a uma o ma iá el e mais ba a a pa a a China con inua o abas ecimen o
ene gé ico no Médio O ien e sem eme um possí el bloqueio na al no e-ame icano
p o enien e de sanções aplicadas con a si (Faisal 2020, 9).
Reg essando ago a à c onologia associada ao CPEC, a e dade é que, ao con á io
do que se possa pensa , 2013 não oi o ano de início do p oje o e sim o momen o em que
a China en egou ao Paquis ão uma lis a de se o es a necessi a de mode nização pa a se
41
A Ro a da Seda oi uma o a de comé cio, que du ou en e 130 a.C. e 1453 d.C., que liga a a
China ao Ociden e e pe mi ia, além da p omoção do comé cio de me cado ias, a di usão cul u al e
ideológica en e di e sas cul u as e nações, endo sido de eno me impo ância, en e di e sos mo i os, po
e pe mi ido o con ac o en e o Impé io do Meio, a China, e os g andes impé ios Ociden ais, desde o
Impé io Romano ao Impé io O omano, do ando-se, assim, de uma eno me impo ância geoeconómica,
geoes a égica e geopolí ica (His o y 2017).
75
pode implemen a o p oje o, pelo que a o malização do p oje o apenas ai se dada em
dois momen os, um, em 2014, com a assina u a de uma decla ação conjun a pa a a
coope ação e o desen ol imen o económico mú uo, e ou o, em 2015, após o Paquis ão
implemen a com sucesso odos os p oje os que ha iam sido en egues, com a ealização
de dois encon os en e os ep esen an es sino-paquis aneses pa a inicia a aplicação do
p oje o (Waqas e Majid 2020, 272).
Sob e o p imei o momen o, em e e ei o de 2014, amos e , du an e uma isi a
o icial do P esiden e paquis anês, Mamnoon Hussain, à China, a con i e de Xi Jinping,
P esiden e da China, a assina u a da Decla ação Conjun a pa a o Ap o unda da
Coope ação Económica e Secu i á ia Sino-Paquis anesa
42
, uma decla ação conjun a que
isa a e o ça o MoU assinado um ano an es, em 2013, e ap o unda os laços polí icos,
secu i á ios e económicos, sino-paquis aneses, endo o Paquis ão: demons ado, mais uma
ez, o apoio em elação à One China Policy e conside ado o ETIM
43
uma o ganização
e o is a; ga an ido o e o ço de medidas elacionadas ao con a e o ismo e à segu ança
egional, sob e udo no campo socioeconómico, com a c iação de pos os de abalho e
mecanismos de inse ção social nas á eas ibais e con li uosas, como Khybe
Pakh unkhwa e o Balochis ão, e ambém no campo do e o ço das medidas p opos as nos
aco dos secu i á ios p e iamen e assinados; e, como se ia de espe a , ga an ido o
desen ol imen o económico em o no do co edo económico em o mação.
44
Em adição,
o lado chinês, no mesmo aco do, ga an ia ambém que con inua ia a in es i em p oje os
de desen ol imen o socioeconómico, na á ea da saúde, ag icul u a, anspo es públicos
42
Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he
People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on “Deepening China-Pakis an S a egic
and Economic Coope a ion”», 2014,
h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2
758_663520/201402/ 20140220_519745.h ml.
43
O ETIM a a-se de um g upo sepa a is a islâmico maio i a iamen e uigu , undado na década
de 1990, na egião do Xijiang, que é conside ado, desde 2002, como um g upo e o is a com ligações à
Al-Qaeda, encon ando-se o emen e ligado aos a endados no Xijiang que êm oco ido desde 2004 (Xu,
Fle che , e Bajo ia 2014, 1–4; Shan 2022).
44
Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he
People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on “Deepening China-Pakis an S a egic
and Economic Coope a ion”».
76
e educação, e, sob e udo, em p oje os de desen ol imen o ene gé ico, com o obje i o de
sup imi o p oblema ene gé ico que semp e assolou o Paquis ão desde a década de 1950.
45
Nes e sen ido, chegados a 2015, o p imei o momen o des a segunda ase de
o malização, dado em e e ei o, oco e quando, numa isi a do Minis o dos Negócios
Es angei os chinês, Wang Yi, ao Paquis ão pa a deba e o u u o da coligação es a égica
egional sino-paquis anesa, num momen o em que as o ças no e-ame icanas e da NATO
se p epa a am pa a inicia a e i ada do A eganis ão, os dois lados ão assina um MoU
que e o çou o comp omisso sob e o CPEC, ga an indo o o alecimen o das elações
económico-polí icas en e ambos os Es ados e a solidi icação da isão chinesa do
Paquis ão como um o e “aliado” (Calab ese 2015, 7). Em seguimen o, o segundo
momen o, e p incipal passo pa a a o malização do CPEC, ai da -se, em ab il de 2015,
quando Xi Jinping, numa isi a o icial ao Paquis ão, ai assina ce ca de 51 documen os,
en e aco dos e MoU, pa a a coope ação em di e sas á eas, com o in es imen o imedia o
de mais 46 mil milhões de dóla es pa a o desen ol imen o ene gé ico e de in aes u u as
paquis anês (Waqas e Majid 2020, 272; M. M. Khan e Kasi 2017, 72).
Apesa do p oje o do CPEC se um plano a longo p azo, a e dade é que, en e
2013 e 2015, a China e o Paquis ão implemen a am uma comissão de planeamen o
conjun a com o obje i o de aça os p incipais obje i os do CPEC a é 2030, ano em que
o p oje o se á e is o e modulado às necessidades de ambas as pa es (S. Wol 2020, 16).
Nes e sen ido, ainda em ab il de 2015, as duas pa es ão assina um documen o que
p e ia a di isão do p oje o em ês ases (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Na
p imei a ase
46
, en e 2015 e 2020, o oco se ia na implemen ação de di e sos p oje os de
mode nização de in aes u u as e ias de anspo e de o ma a ga an i a
ope acionalização do p oje o (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Na segunda
ase
47
, en e 2020 e 2025, na qual, eo icamen e, nos encon amos no p esen e momen o,
o obje i o se ia o de desen ol e p oje os ligados à cons ução de edi ícios capazes de
45
Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he
People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on “Deepening China-Pakis an S a egic
and Economic Coope a ion”».
46
Twee ei o pela Embaixada Chinesa no Paquis ão, «CPEC LTP by 2020», acedido 12 de Ab il
de 2022, h ps:// wi e .com/Ca hayPak/s a us/942764070947704832.
47
Twee ei o pela Embaixada Chinesa no Paquis ão, «CPEC LTP by 2025», acedido 12 de Ab il
de 2022, h ps:// wi e .com/Ca hayPak/s a us/942764288166514688.
77
albe ga di e sas emp esas e e mina o p ocesso de mode nização indus ial
paquis anesa, cimen ando a posição paquis anesa enquan o uma economia eme gen e e
capaz de a ai in es imen o ex e no (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Po
im, na e cei a ase
48
, en e 2025 e 2030, o obje i o se ia ga an i a ex ensão do CPEC
a é à Ásia Cen al e ga an i que a Ásia do Sul, sob e udo pelos in eg an es do CPEC, se
o na um polo económico global (S. Wol 2020, 16; Ghiasy e Zhou 2017, 31). Vale
essal a que, quando obse amos os obje i os lis ados, é necessá io pe cebe mos que,
segundo Ghiasy e Zhou, o plano delineado pode so e al e ações consoan e a agilização
de p ocessos ou a ação mo osa na aplicação dos mesmos, podendo o mesmo ainda se
al e ado po mo i os dependen es de acon ecimen os no sis ema in e nacional, como
al e ações geopolí icas, geoes a égicas ou geoeconómicas (Ghiasy e Zhou 2017, 31).
Po ém, caso udo co a den o dos p azos es ipulados, se á de espe a que, em 2030, o
plano se es enda a é 2049, ano em que a China comple a o seu plano de desen ol imen o
cen ená io (Ghiasy e Zhou 2017, 31; S. Wol 2020, 17).
Analisando ago a a p imei a ase do CPEC, gos a íamos de e idencia que, en e
os di e sos p oje os de mode nização iniciados pela China no Paquis ão, aqueles que mais
ma ca am o c escimen o económico paquis anês em 2015, o am, sob e udo, a inalização
da ees u u ação do po o de Gwada , que se encon a a inalmen e p on o pa a se
inaugu ado, e, no campo do desen ol imen o ene gé ico e nuclea , a cons ução do
KANUPP-II, em Ka achi, a 9 de agos o, jun amen e com o aco do sob e a cons ução de
mais seis ea o es nuclea es sob a supe isão da IAEA, em dezemb o do mesmo ano
(Allauddin, Liu, e Ahmed 2020, 82). Ademais, apesa da da a de início ope acional do
CPEC se p oje ada pelo eixo sino-paquis anês pa a a e cei a ase do p oje o, en e 2025
e 2030, a e dade é que, na opinião de alguns analis as, o início uncional deu-se em
no emb o de 2016, quando as au o idades po uá ias de Gwada ecebe am os p imei os
ca egamen os chineses pa a o comé cio ma í imo com os países do MENA, sendo o
p imei o ca guei o en iado pa a o po o Jebel Ali, no Dubai, ma cando assim a p imei a
u ilização do no o co edo económico (Ramachand an 2016; S. Wol 2020, 17). A
e dade é que, quan o ao a gumen o an e io men e ap esen ado, é possí el cimen á-lo
a a és da obse ação da e olução da economia paquis anesa que, en e 2016 e 2018,
ap esen ou um aumen o signi ica i o ela i amen e ao ano an e io com a subida do PIB
48
Twee ei o pela Embaixada Chinesa no Paquis ão, «CPEC LTP by 2030», acedido 12 de Ab il
de 2022, h ps:// wi e .com/Ca hayPak/s a us/942765573116760064.
78
de 4,73%, em 2015, pa a 5,53%, em 2016, ixando-se, em 2018, nos 5,84%, o que
signi icou um aumen o, em qua o anos, de ce ca de 1,09% («GDP g ow h (annual %) -
Pakis an» 2022).
De ido ao sucesso inicial do p oje o, a 4 de no emb o de 2018, Li Keqiang,
P imei o-Minis o chinês, ai euni -se com Im an Khan, P imei o-Minis o paquis anês,
du an e uma isi a o icial do segundo à China, de modo a discu i a implemen ação de
no os p oje os que pudessem expandi ainda mais a possibilidade de c escimen o
económico paquis anês, ais como: o ala gamen o do EHP a no as á eas, sob e udo nas
á eas da ciência ma í ima, ecnologia, espaço e ambien e; a c iação de undos des inados
ao incen i o iscal ao in es imen o es angei o no Paquis ão; e a e isão dos aco dos
p e iamen e assinados de o ma a soluciona o p oblema do saldo nega i o paquis anês
na balança come cial sino-paquis anesa. Nes e sen ido, os dois lados ão assina a
Decla ação Conjun a Sino-Paquis anesa pa a o Fo alecimen o da Coope ação Es a égica
e Cons ução de um Fu u o Conjun o, um documen o que p e ia aumen a o in es imen o
chinês na economia paquis anesa.
49
Em adição, ale ainda ac escen a que, a 17 de
dezemb o de 2018, um mês depois da assina u a da decla ação conjun a, os minis os dos
negócios es angei os da China, do Paquis ão e do A eganis ão, Wang Yi, Mahmood
Qu eshi e Salahuddin Rabbani, espe i amen e, ão assina uma decla ação conjun a
50
na
qual se p e ia a in eg ação a egã no CPEC e a ealização de exe cícios comuns na á ea
do con a e o ismo, o que signi ica a no as opo unidades pa a o eixo sino-paquis anês
na cimen ação como ocos da economia egional (Mush aq 2019, 51).
Con udo, em 2019, a economia paquis anesa ai so e uma queda 4,85% no PIB,
ixando-se o mesmo nos 1,15%, algo que esul ou da c ise económica que o país
a a essa a de ido à diminuição das emessas de moeda es angei a esul an e do
49
Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen be ween he
People’s Republic o China and he Islamic Republic o Pakis an on S eng hening China-Pakis an All-
Wea he S a egic Coope a i e Pa ne ship and Building Close China-Pakis an Communi y o Sha ed
Fu u e in he New E a», 2018,
h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2
758_663520/201811/ 20181104_519747.h ml.
50
Minis y o Fo eign A ai s o he People’s Republic o China, «Join S a emen o he 2nd
A ghanis an-China-Pakis an Fo eign Minis e s’ Dialogue», 2018,
h ps://www. mp c.go .cn/m a_eng/wjb_663304/zzjg_663340/yzs_663350/gjlb_663354/2757_663518/2
758_663520/201812/ 20181217_519750.h ml.
79
ab andamen o do in es imen o ex e no no país, à des alo ização da úpia paquis anesa e
ao dé ice da balança come cial paquis anesa (Kugelman 2019). Po ém, mais uma ez, o
CPEC e os p oje os associados acaba am po se a cha e, mui o de ido ao in es imen o
chinês e ao comé cio ge ado no po o de Gwada , pa a que o Paquis ão i esse man ido a
endência posi i a no c escimen o económico («GDP g ow h (annual %) - Pakis an»
2022; S. Wol 2020, 73).
A aliando ago a a ase em que nos encon amos a ualmen e, a segunda ase,
comp eendida en e 2020 e 2025, aquilo que podemos e i a des es úl imos dois anos é
que, apesa de, em 2020, o c escimen o do PIB paquis anês e diminuído
exponencialmen e, a ingindo um c escimen o nega i o de -0,93%, mui o de ido à
pandemia da COVID-19 que assolou o mundo, le ando a con inamen os que
p ejudica am a economia mundial e ab anda am o c escimen o económico de di e sos
Es ados, o Paquis ão conseguiu ecupe a -se de o ma excecional e eg essa aos núme os
de c escimen o p óximos aos assis idos em 2018 (Global Times Edi o s 2022; «GDP
g ow h (annual %) - Pakis an» 2022).
Aliás, em 2021, o Paquis ão acabou po a ingi os 5,6% de c escimen o do PIB,
demons ando uma ecupe ação imedia a da c ise económica que ha ia assolado o país
en e 2019 e 2020, de endo-se es a ecupe ação, segundo Moin ul Haque, Embaixado
do Paquis ão na China, à inaugu ação do po o de Gwada , que passa a a es a o almen e
ope acional, e ao impac o da mudança do oco da polí ica ex e na paquis anesa ul a-
secu i á ia pa a uma polí ica ex e na ligada ao domínio geoeconómico egional, pela mão
de Im an Khan, dando início ao omen o das elações económicas paquis anesas com os
izinhos p óximos, como o I ão, o A eganis ão e ce os Es ados da Ásia Cen al, e às
con e sações pa a uma possí el in eg ação des es Es ados no CPEC (Global Times
Edi o s 2022; «GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022). Em adição, es e omen o
económico oi ainda cimen ado pela diminuição do olume de comé cio sino-
paquis anês, de 19 mil milhões de dóla es, em 2018, pa a ce ca de 12 mil milhões de
dóla es, em 2021, demons ando a di e si icação e o alecimen o da economia
paquis anesa, espei ando assim os planos da segunda ase do CPEC, que, como já
e e ido, isa o es abelecimen o do Paquis ão como uma economia egional o e (Global
Times Edi o s 2022; «GDP g ow h (annual %) - Pakis an» 2022).
Po ém, g ande pa e do c escimen o paquis anês pode se ainda associado ao
desen ol imen o de p oje os de mode nização ene gé ica e socioeconómica, pa ocinados
80
pelo in es imen o chinês nas di e sas egiões do Paquis ão, no alo de 62 mil milhões
de dóla es, que pe mi iu ao Paquis ão desen ol e -se economicamen e e aumen a a
a a i idade do in es imen o na economia nacional, o que bene iciou o lado chinês, pela
possibilidade de ga an i um compe ido egional p ó-China ao ní el da Índia, e o lado
paquis anês, pelo desen ol imen o da economia nacional e o ga an e do equilíb io com a
Índia (Global Times Edi o s 2022).
Segundo o ADB, as p e isões pa a 2022 e 2023 demons am uma possí el
diminuição do c escimen o do PIB pa a 4% com um ligei o aumen o pa a 4,5%,
espe i amen e, o que, mesmo ep esen ando um ab andamen o no c escimen o
económico ela i amen e ao pe íodo de 2021, man ém uma endência de ele ado
c escimen o que se de e, sob e udo, ao aumen o do á ego come cial no po o de Gwada
e à p epa ação da ex ensão do CPEC pa a o A eganis ão («Economic indica o s o
Pakis an» 2022).
3.2. Uma Análise dos Bene ícios do CPEC pa a o Eixo Sino-
Paquis anês
Ao longo do subcapí ulo an e io deba emos a e olução da inicia i a do CPEC
com um en oque especial na economia paquis anesa. Nes e sen ido, o p esen e
subcapí ulo e á como p incipal obje i o abo da os bene ícios do CPEC pa a a China e
pa a o Paquis ão, além da ques ão económica, de o ma a o nece os dados necessá ios
pa a a pe ceção das azões que le a am a que o eixo sino-paquis anês caminhasse nes e
sen ido.
Quando abo damos o CPEC, à pa ida, abo damos um p oje o que, como desc i o
supe icialmen e no subcapí ulo an e io , pode se obse ado como um pon o de i agem
pa a o posicionamen o económico, geopolí ico e secu i á io, do Paquis ão, o e ecendo
inúme os bene ícios nos campos: da ag icul u a; da ene gia; do desen ol imen o de
in aes u u as; do con a e o ismo, a a és da c iação de pos os de abalho e ge ação de
iqueza; e da p esença in e nacional, sob e udo pelo c escimen o económico paquis anês,
pelo aumen o da impo ância egional chinesa e, po im, pela pe da de ele o da Índia
no con ex o egional (Hassan 2019, 215). No campo da ene gia, campo de maio
no abilidade dos e ei os do CPEC, a China acabou po se o na o po o de ab igo do
Paquis ão, sob e udo com o in es imen o inicial, na p imei a ase do CPEC, de ce ca de
35 mil milhões de dóla es dedicados a p oje os ligados à á ea das ene gias eno á eis
81
(Hassan 2019, 215; Ja id 2018). Aliás, o campo ene gé ico é aquele que mais bene icia o
lado paquis anês no aco do do CPEC e, em 2017, ai obse a -se os p imei os
mo imen os pa a a cons ução dos ea o es nuclea es Chashma-III e IV, que ha iam sido
aco dados em 2006 e p oje ados pa a a cons ução imedia a em 2010, o que, em conjun o
com os ea o es KANUPP, cons uídos em 2015, e o plano de cons ução do ea o
Huolong-I, que subs i ui á o Chashma-V, assinado em 2021, pode signi ica a esolução
dos p oblemas ene gé icos paquis aneses (Ch is ophe 2018; Hassan 2019, 216).
Já nou os campos, como o do desen ol imen o socioeconómico, ligado ao
con a e o ismo e à ag icul u a, a a és do CPEC o Paquis ão conseguiu começa a
desen ol e p oje os de comba e ao desemp ego em conjun o com a China, a a és da
c iação de mais pos os de abalho, sob e udo em emp esas chinesas no Paquis ão ou em
p oje os ligados ao CPEC, e da inse ção social de g upos des a o ecidos, sob e udo na na
á ea da p odução ag ícola, p ocu ando assim, a é 2030, chega aos 3,9% de axa de
desemp ego (Hassan 2019, 216; Cai 2017, 7; Chen, Joseph, e Ta iq 2018, 63). Es a ação
de desen ol imen o da economia in e na e da inse ção social de g upos des a o ecidos
em ainda ligada à p ocu a da diminuição do e o ismo, que é maio i a iamen e causado
pela pob eza e al a de acesso a ecu sos, al como e idenciado po Lu Shulin, an igo
Embaixado da China no Paquis ão, ao dize que “The bes medicine o add ess he
e o ism p oblem is h ough ackling he incuba o o e o ism, namely po e y”
51
(Hassan 2019, 216; Cai 2017, 7; Chen, Joseph, e Ta iq 2018, 63). Ainda no aspe o do
comba e à pob eza, a China, nos úl imos anos, em p ocu ado in es i na quali icação da
população paquis anesa, o que em possibili ado ao Paquis ão desen ol e -se no âmbi o
da mode nização ecnológica, pe mi indo assim que, economicamen e e
ecnologicamen e, o Paquis ão consiga compe i di e amen e com a Índia no me cado
in e nacional, ga an indo um c escimen o económico es á el (Hassan 2019, 216).
Passando ago a pa a o lado chinês, o CPEC az, à pa ida, dois g andes ganhos:
a agilização logís ica no abas ecimen o ene gé ico, que pe mi e acele a a economia
chinesa, e a expansão da in luência egional chinesa pa a a Ásia do Sul a a és do amigo
de longa da a Paquis ão, o que pe mi e diminui o papel egional indiano no Indo-Pací ico
(Hassan 2019, 214). Con udo, pa a en ende a ex ensão dos ganhos chineses, quando
51
Ci ado em: BER s a , «Pe secu ion o P o i : China’s Economic S a egy in Xinjiang»,
Be keley Economic Re iew, 22 de Ou ub o de 2019, h ps://econ e iew.be keley.edu/pe secu ion- o -
p o i -chinas-economic-s a egy-in-xinjiang/.
88
a ca a da in luência polí ica, sob e udo pela p esença em o ça, nos países ade en es à
BRI, de emp esas p i adas chinesas que lide am os me cados nacionais, o nando a
inicia i a da BRI algo mais do que um p oje o de desen ol imen o (S. Wol 2020, 143).
Po conseguin e, podemos obse a o CPEC enquan o um p oje o que desc e e a on ade
chinesa de c iação de uma no a o dem mundial, is o se um dos p incipais p oje os da
BRI, algo que a Índia obse a de o ma e icen e, is o po que a ideia chinesa de uma no a
o dem mundial, como is o a é ao momen o, passa po ap o unda as elações económicas
e secu i á ias com o Paquis ão, ga an indo um Paquis ão o e e capaz de ga an i o
equilíb io egional, o que em nada bene icia a posição indiana no sis ema in e nacional
(S. Wol 2020, 143).
Apesa de o acesso ao CPEC pode se mui o mais an ajoso pa a a Índia do que
alguma ez se á pa a o Paquis ão, a e dade é que a Índia, pelas azões indicadas
an e io men e, se em demons ando cada ez mais e icen e em en a pa a o p oje o,
sob e udo desde a solidi icação de Modi no pode indiano, com a i ó ia nas eleições de
2019 que lhe a ibuí am um segundo manda o, que ouxe consigo o e i e do
nacionalismo indiano, o eacende da dispu a de Jammu e Caxemi a e a oposição en e
hindus e muçulmanos, aumen ando exponencialmen e as ensões com o Paquis ão numa
al u a em que as elações se encon a am minimamen e es á eis (Geo ge 2022). Nes e
sen ido, a nosso e , podemos a i ma que, apesa de imp o á el, a discussão sob e uma
possí el in eg ação da Índia no CPEC, a a és do BCIM-EC, a se possí el, só acon ece á,
em p imei o luga , quando o con li o de Jammu e Caxemi a se encon a esol ido,
es abilizando as elações indo-paquis anesas, e, em segundo luga , quando a China deixa
de e como imposição ge al da BRI a p esença mili a chinesa nas zonas onde se
encon am abalhado es chineses e, assim, deixa de ep esen a , na opinião pública
indiana, uma ameaça à segu ança nacional da Índia.
3.3.2. Conec i idade com o A eganis ão
No caso do A eganis ão, o único impedimen o que exis e pa a a en ada a egã no
CPEC passa pelas elações en e o A eganis ão e o Paquis ão que nem semp e são as mais
co diais, sob e udo pela inge ência paquis anesa nos assun os in e nos a egãos, algo que
exis e desde a década de 1980, com o apoio paquis anês aos ebeldes a egãos na Gue a
do A eganis ão, e que pe maneceu no p esen e século, po exemplo, com o apoio de á ias
ações polí icas paquis anesas aos alibãs a egãos con a a p esença no e-ame icana,
desde 2001, apoio es e que se man ém a é aos dias de hoje mesmo apesa de, desde a
89
e i ada no e-ame icana do A eganis ão, em 2021, o go e no alibã a egão e omado
posições que demons am um a as amen o em elação ao Paquis ão e, consequen emen e,
o de e io a das elações bila e ais (S. Wol 2020, 143; Al Jazee a 2021a; Mi 2022).
Nes e sen ido, a nosso e , uma possí el in eg ação a egã passa ia semp e po uma
al e ação da polí ica ex e na paquis anesa na egião, sob e udo na adoção de uma
es a égia de não inge ência nos assun os in e nos de um A eganis ão li e. Con udo,
apesa das elações bila e ais en e os dois lados se em cada ez mais ensas, exis em
di e sas opo unidades pa a a colabo ação no con ex o do CPEC, is o po que, com a
in e conec i idade en e o A eganis ão e o Paquis ão, os dois Es ados bene icia iam da
possibilidade de ob e mais p oje os de inanciamen o e desen ol imen o local, como é o
caso dos p oje os
54
não pe encen es ao CPEC, como o KPEC e o PTEC, inanciados pelo
Banco Mundial (Haide 2019; S. Wol 2020, 143–44).
Já na ideia sino-paquis anesa de c iação de uma no a o dem egional, o
A eganis ão de ém um papel c ucial e, po es e mo i o, a in eg ação a egã no p oje o é
essencial pa a o cump imen o das me as es abelecidas pa a a segunda e e cei a ase do
CPEC, assim como pa a o ga an e da es abilidade egional (S. Wol 2020, 144;
Rajagopalan 2022). Aliás, de ido a es e a o , com o papel do Paquis ão en aquecido, a
China em indo a in e i no A eganis ão de o ma a ga an i a es abilidade in e na a egã,
sob e udo com: o apoio ao desen ol imen o a egão nas á eas da me alu gia e ene gia, o
que ambém bene icia a China pela pe missão a egã ao es abelecimen o de emp esas
chinesas pa a a explo ação des as á eas em e i ó io nacional, ga an indo o
desen ol imen o a egão; e com o comba e aos jihadis as a egãos, o que, po um lado,
pe mi e ga an i a segu ança in e na a egã e, po ou o lado, pe mi e à China elimina
mais um dos edu os de apoio aos muçulmanos uigu es e es abiliza um dos pon os mais
ins á eis da Ásia Cen al (S. Wol 2020, 144; T akima ičius 2021; Hass 2021).
Po conseguin e, apesa de se en ado assumi que o eixo sino-paquis anês em
p ocu ado abalha unicamen e pa a a es abilização a egã, unidos sob e o obje i o da
54
Repo No: PAD1936, «INTERNATIONAL DEVELOPMENT ASSOCIATION PROJECT
APPRAISAL DOCUMENT ON A PROPOSED CREDIT IN THE AMOUNT OF SDR 320.3 MILLION
(US$ 460.6 MILLION EQUIVALENT) TO THE ISLAMIC REPUBLIC OF PAKISTAN FOR A
KHYBER PASS ECONOMIC CORRIDOR PROJECT May 25, 2018», 2018,
h ps://documen s1.wo ldbank.o g/cu a ed/ /753211529206312223/pd /PAKISTAN-KHYBER-PAD-
05252018.pd .
90
es abilização egional, a e dade é que o p opósi o dos dois Es ados di e e na sua
na u eza, is o a China in e i com o obje i o de ga an i que os e ei os da ins abilidade
a egã não se alas em pa a o es o da Ásia Cen al, di icul ando a expansão do p oje o da
BRI, e o Paquis ão in e i com o obje i o de consegui ganha in luência na polí ica
in e na a egã de o ma a ga an i que a Índia não expande a sua zona de in luência egional
(S. Wol 2020, 144). Con udo, a e dade é que, independen emen e dos obje i os se em
di e en es, o eixo sino-paquis anês em conseguido, mais uma ez, abalha de o ma
coo denada pa a ga an i a segu ança egional, algo que le ou a que, nos úl imos anos, a
China, os EUA, a Rússia e o Paquis ão, se enham eunido em cimei as de deba e sob e o
u u o egional da Ásia Cen al e a segu ança in e na a egã, uma i ó ia pa a a China, que
passa a consegui exe ce in luência egional passando de uma espec ado a pa a um dos
p incipais a o es egionais, acili ando assim a expansão da BRI e a hegemonia egional
chinesa, e pa a o Paquis ão, que passa a a ingi os obje i os de ascensão a pode egional,
pa icipando no deba e sob e a segu ança egional, e do impedimen o da possí el
expansão da in luência indiana pa a a egião da Ásia Cen al (S. Wol 2020, 145; Al
Jazee a 2021b; Reu e s 2022).
Nes e sen ido, o obje i o imedia o do eixo sino-paquis anês, pa a o u u o a egão,
passa, em p imei o luga , po um en endimen o sino-paquis anês sob e os planos de ação
egional, o que pode á a o ece as elações a egãs com o Paquis ão, is o a China
p ocu a , nos úl imos anos, incu i ao Paquis ão o p incípio da não inge ência nos assun os
in e nos de ou os Es ados, al como a p óp ia China az desde inais da década de 1990
e man ém a é aos dias de hoje sob e uma das linhas p incipais do plano de ação da BRI
(S. Wol 2020, 145). Po conseguin e, o Paquis ão em p ocu ado co igi a sua polí ica
ex e na em elação ao A eganis ão o que, nos úl imos anos, em dado u os, com a
opinião a egã a se cada ez mais a o á el à in eg ação no p oje o pela p oximidade ao
eixo sino-paquis anês e o essen imen o da p esença no e-ame icana (S. Wol 2020, 145).
Aliás, de ido a es a c escen e in luência sino-paquis anesa na egião, o eixo sino-
paquis anês conseguiu que o A eganis ão começasse a in eg ação no CPEC a a és do
desen ol imen o de subp ojec os ligados ao p óp io CPEC, como o TAPI, a assina u a
91
de um aco do
55
de li e ci culação de me cado ias e comé cio, com o Paquis ão, e a
in eg ação no p oje o CASA-1000 (S. Wol 2020, 145; Y. H. Khan 2021).
3.3.3. Conec i idade com o I ão
O a se a é ao momen o abo dámos a expansão do CPEC pa a a Ásia do Sul e pa a
a Ásia Cen al, sob a-nos en ão abo da o úl imo dos obje i os de ala gamen o do CPEC
a é 2030, que se cen a, p ecisamen e, no ala gamen o pa a a egião do Médio O ien e e,
po conseguin e, no acesso aos me cados ociden ais. Aliás, a expansão pa a ociden e do
CPEC é um p oje o que bene icia ia imensamen e o eixo sino-paquis anês nas á eas da
ene gia e do comé cio, po exemplo, a a és do desen ol imen o do p oje o do IPI, um
p oje o de gasodu o que, mais uma ez, es a ia colocado numa eia de ou os p oje os já
abo dados an e io men e que pe mi i iam a conec i idade egional num cená io onde a
Índia, o A eganis ão e o I ão, op assem po ade i ao CPEC (S. Wol 2020, 145).
A ideia de que o I ão pode ia es a p óximo a ade i ao CPEC ai ganha o ça,
em 2017, com a assina u a do JCPOA, um aco do pa a a limi ação do p og ama nuclea
i aniano, en e o I ão e um conjun o de ou os g andes pode es
56
, que esul ou na emoção
das sanções impos as ao I ão e, consequen emen e, es abeleceu a posição i aniana no
sis ema in e nacional ga an indo no as opo unidades de coope ação egional,
nomeadamen e com o Paquis ão (Jin 2017; S. Wol 2020, 145). Aliás, em 2018, com o
ea i a das ensões i aniano-ame icanas pela e oma das sanções no e-ame icanas ao
I ão e a e i ada no e-ame icana do JCPOA, algo que a adminis ação T ump jus i icou
pela supos a iolação i aniana dos e mos do aco do e pela p á ica de pa ocínio ao
e o ismo, a China e o Paquis ão ganha am aqui uma janela de opo unidade de
eme gi em enquan o po ências capazes de apoia o I ão a ee gue -se enquan o po ência
egional no Médio O ien e (Aleem 2017; Jin 2017; D. Smi h 2019; S. Wol 2020, 145–
46).
Po ém, a e dade é que, mesmo endo es a janela de opo unidade, a China em-
se e aído nas suas ações, abo dando o ema com cau ela, is o po que, na e dade, uma
ap oximação di e a sino-i aniana signi ica ia possí eis hos ilidades com os saudi as, pela
55
Minis y o Comme ce o he Islamic Republic o Pakis an, «A ghanis an-Pakis an T ansi T ade
Ag eemen », 2010, h ps://www.comme ce.go .pk/wp-con en /uploads/pd /APTTA.pd .
56
Os signa á ios des e aco do, além do isado I ão, o am a Rússia, a China, a F ança, a Alemanha,
o Reino Unido, os EUA e a UE.
92
dispu a acesa, a é aos dias de hoje, en e xii as e suni as, o que pode ia dani ica a isão
da BRI enquan o um p oje o pu amen e económico no Médio O ien e, além de pode
dani ica as elações en e a A ábia Saudi a e o Paquis ão, dois Es ados que pa ilham
uma elação p o unda desde a undação paquis anesa, em 1947, e que pa ilham di e sos
aco dos secu i á ios e económicos de mú ua p o eção (Vandewalle 2015, 11; Jin 2017; S.
Wol 2020, 146).
Nes e sen ido, a China de ém um p oblema em mãos que, na eo ia, de e se
esol ido de o ma minuciosa pela sua complexidade, mas que, na p á ica pode esol e -
se, u u amen e, sem a necessidade de p ocede a uma ges ão ap o undada de con li os,
is o, nos úl imos anos, e mos assis ido: a uma eap oximação usso-paquis anesa, usso-
i aniana, usso-saudi a e usso-chinesa, que se em demons ado: na ap oximação polí ica
da Rússia a cada um dos Es ados e do cada ez maio in e esse usso na expansão do
CPEC como uma con a-es a égia à p ocu a no e-ame icana de expansão das on ei as
da NATO no les e eu opeu; ao in e esse da Tu quia na BRI, mesmo com e icencias em
elação a uma possí el en ada i aniana, o que pode ia signi ica um pon o de conexão
di e a en e a BRI, a a és do CPEC, e a UE; e ao ac o dos ês Es ados, I ão, Paquis ão
e A ábia Saudi a, pe ence em à OCI e, po es a azão, de e em uma pon e de diálogo que
pode c ia um ce o consenso sob e a adesão ao CPEC, is o os pon os de discó dia se em
pu amen e ideológicos, sendo es e diálogo isí el, po exemplo, na p esença de Wang Yi,
a con i e paquis anês, em ma ço do p esen e ano, pa a a 48ª Sessão do Conselho de
Minis os dos Negócios Es angei os da OCI, um acon ecimen o a o e que pode
signi ica a ap oximação chinesa ao mundo islâmico (Foy 2018; «Tu key eady o join
he CPEC» 2020; Anadolu Agency 2022; IANS 2022).
Em adição, a e dade é que, como emos obse ado a é ao momen o, o CPEC
iniciou uma mudança p o unda na o ma como o Paquis ão se posiciona no seu con ex o
egional e, po conseguin e, o Paquis ão, nos úl imos anos, em indo, de o ma indi e a,
a assumi uma possí el en ada do I ão no CPEC como um bene ício, sob e udo nas á eas
da ene gia, do comé cio e do desen ol imen o de in aes u u as de anspo e pa a a
conec i idade egional, ao mesmo empo que, diploma icamen e, p ocu a eassegu a a
A ábia Saudi a de que a en ada i aniana no CPEC signi ica apenas a cons ução de uma
zona económica sem qualque ligação polí ico-ideológica (Sa da e Zabin 2020; S. Wol
2020, 146).
93
Nes e sen ido, sabendo que, po ce o, al como o A eganis ão, o I ão se encon a
p óximo de ade i ao p oje o da BRI, a ques ão que pai a é se es a adesão se á sob e a
alçada do CPEC, al como se ia no A eganis ão e na Índia, ou se se o ma ia um no o
co edo económico sino-i aniano, is o o po o de Gwada se o p incipal compe ido do
po o de Chabaha (Fa ooq 2019, 605–6). Tal como já is o ao longo do p esen e deba e
da conec i idade egional, a China em demons ado sé ias p eocupações com os con li os
polí icos e secu i á ios que êm a asado o desen ol imen o do CPEC e, nes e aspe o, o
po o de Chabaha , 36 quilóme os a oes e de Gwada , o e ece à China uma no a o a que
pode se i de o ma complemen a ou independen e do CPEC, is o po que o I ão em
maio capacidade de ga an i a segu ança po uá ia e dos abalhado es chineses, endo a
China o e ecido ao I ão, pa a início de p oje o, um in es imen o de 51 mil milhões de
dóla es, uma quan ia supe io àquela que oi, inicialmen e, in es ida no Paquis ão (S.
Wol 2020, 146–47; Aliasga y e Eks om 2021).
Con udo, apesa dos a gumen os colocados, is o os in e esses chineses no
Paquis ão, é pouco p o á el que a c iação de um co edo económico com o I ão uncione
como um p oje o sepa ado do CPEC, e sim como um p oje o complemen a , podendo
jus i ica -se o ele ado in es imen o chinês na in eg ação i aniana, não como uma
demons ação de maio impo ância em elação ao Paquis ão, mas sim como uma o ma
de ga an i a exclusi idade da ope acionalização do po o de Chabaha que, nos úl imos
anos, a Índia ambém em en ado ob e , pe mi indo assim o ce co es a égico à Índia no
Indo-Pací ico e um co edo económico que ga an a a hegemonia chinesa na egião (S.
Wol 2020, 147; Sa da e Zabin 2020; Aliasga y e Eks om 2021).
94
4. As No as Dinâmicas de Pode do Indo-Pací ico
An es de a ança mos com es e úl imo capí ulo, que se i á de pa e conclusi a à
p esen e disse ação, i emos p ocede a uma b e íssima ecapi ulação da aplicação das
p incipais eo ias es abelecidas no p imei o capí ulo pa a a análise do ema, sob e udo
pela impo ância que de êm. O a, começando pelo Neo ealismo, eo ia base da p esen e
in es igação, es a eo ia pe mi iu-nos pe cebe a e olução das elações sino-
paquis anesas, sob e udo a é 2013, como elações que su gi am da necessidade po pa e
da China e do Paquis ão, po mo i os di e en es, de con abalança a izinha Índia no
con ex o egional. Nes e sen ido, pudemos obse a como a China e o Paquis ão
o ma am um eixo, que uncionou à semelhança de uma aliança, en e um pode médio
egional e uma supe po ência egional, espe i amen e, de o ma a con abalança o
g ande pode egional Índia.
Ademais, após 2013, se ao abo dado adiciona mos o concei o de ascensão
“pací ica” deba ido po Mea sheime , quando abo dámos o Realismo O ensi o, podemos
mais uma ez e o ça a ideia de que a China em p ocu ado o equilíb io egional com a
Índia e os EUA a a és de um sis ema de alianças com o Paquis ão e ou os países da
BRI, u ilizando-se, simul aneamen e, da imagem paci is a pa a es ende a sua in luência
a ou as egiões nas quais, como abo dado an e io men e com o “cola de pé olas”, acaba
po es abelece bases mili a es que se em de con olo à p esença no e-ame icana e
su ocam os Es ados não signa á ios da BRI. No caso do Paquis ão, a e dade é que as
ações demons adas são semp e as de um pode que lu a pela sob e i ência egional e,
po es a azão, se encon a semp e ligado à China como o ma de man e a p óp ia
exis ência, de ga an i um aumen o de in luência egional e de de ende a sobe ania
nacional. Con udo, pa a explica a ação chinesa no pós-2013, o Realismo O ensi o e o
Neo ealismo o nam-se insu icien es, pelo que, se obse a mos es a ação pelo espe o da
Teo ia da Es abilidade Hegemónica, podemos pe cebe que o que exis e en e 2013 e o
p esen e momen o, é uma gue a hegemónica, p e is a nos ciclos hegemónicos, en e a
China e os EUA, no g ande plano, u ilizando-se cada Es ado do seu sis ema de alianças e
dos adicionais jogos de pode de o ma a ga an i o papel de hegemonia no p esen e
século XXI.
Passando ago a pa a a pa e conclusi a do ema, ao longo da p esen e disse ação,
pudemos obse a como o eixo sino-paquis anês em pe mi ido aos dois in e enien es
95
modula , de ce a o ma, uma pa e da geopolí ica do Indo-Pací ico e ga an i uma maio
ele ância egional. Começando pelo Paquis ão, o eixo sino-paquis anês, que culminou
na assina u a do CPEC, ep esen ou uma al e ação p o unda da posição paquis anesa no
palco in e nacional, aumen ando a ele ância geoes a égica, geoeconómica e
geopolí ica, e na o ma como o equilíb io de pode egional com a gigan e Índia oi sendo
ei o, caminhando mais p óximo de uma eia diplomá ica, pelo his ó ico de con li os
iolen os indo-paquis aneses, e pe mi indo, de ce a o ma, ga an i a es abilidade
egional e a cimen ação paquis anesa como um polo egional. Po ou o lado, no caso da
China, pudemos obse a que a cons i uição de um eixo sino-paquis anês pe mi iu, en e
á ias al e ações das dinâmicas egionais, a cons ução de uma hegemonia chinesa na
Ásia, a a és do con abalança da Índia e dos EUA, e a cimen ação de um caminho que
pe mi iu a c iação e expansão do plano da BRI a um pon o que, a ualmen e, endo como
p oje o p incipal o CPEC, possibili ou que nes e con ex o a China se o nasse a p incipal
a qui e a do equilíb io egional do Indo-Pací ico, sob e udo pelo en aquecimen o da
p esença no e-ame icana.
Ademais, no âmbi o do es abelecimen o de no as dinâmicas egionais e do
en aquecimen o da p esença no e-ame icana no Indo-Pací ico e na Ásia do Sul, a China
e o Paquis ão êm p ocu ado ga an i uma conec i idade egional supe io de o ma a que
o Paquis ão consiga ga an i o papel de po ência egional e a China o papel de pode
hegemónico asiá ico, algo que a Teo ia da Es abilidade Hegemónica já abo dada nos
ajudou a en ende a é ao momen o. A a i mação an e io pode se jus i icada, po
exemplo, pela en a i a da China e do Paquis ão de ga an i um maio apoio na OCI,
sob e udo: a a és da ex ensão do CPEC pa a o I ão, uma po a de acesso ao Médio
O ien e; a a és da in eg ação do A eganis ão, ga an indo um acesso à Ásia Cen al; e,
po im, a a és do e i a do úl imo alice ce no e-ame icano no Índico com a
possibilidade de uma ex ensão da BRI pa a a Índia, p opos a no aco do do BCIM-EC.
Nes e sen ido, e po que, al como nos pe ceciona a eo ia neo ealis a, os Es ados
compo am-se no sis ema in e nacional como peças num abulei o de xad ez, apesa da
es a égia chinesa em o no de limi a a in luência no e-ame icana na Ásia, os EUA êm
p ocu ado sus e a sua posição, e, no p esen e ano, inicia am um conjun o de inicia i as
que, na p óxima década, pode signi ica um de adei o con on o hegemónico com a
China pa a o papel de hegemonia, que na Ásia, que no sis ema in e nacional,
obse ando-se assim um maio in es imen o no e-ame icano no con ex o asiá ico após
96
um pequeno pe íodo, du an e a adminis ação T ump, de algum desin es imen o pela
adoção de uma es a égia de p o ecionismo (Chong 2020).
Po conseguin e, com a eleição de Biden pa a P esiden e dos EUA, em 2020, o
plano da o dem egional do Indo-Pací ico obse ou o e o ço da posição dos EUA, o que
al e ou as dinâmicas de pode o madas no plano asiá ico nos úl imos anos. Es a al e ação
pode se jus i icada, sob e udo, pela al e ação da es a égia no e-ame icana pa a o Indo-
Pací ico, di ulgada pela adminis ação Biden, e pela espos a sino-paquis anesa com a
eap oximação à Rússia, o que di icul a ainda a posição indiana que, nes e no o plano
es a égico, se encon a com a di ícil escolha en e a Rússia, aliada adicional, e os EUA,
aliados de con ex o pa a con abalança o eixo sino-paquis anês. Aliás, an es de inicia o
deba e sob e as ideias expos as, é impo an e pe cebe que, pa a en ende ambos os planos
es a égicos pa a a p óxima década, nos de emos a as a dos concei os p é-p og amados
de en endimen o do mundo po ia da in luência da Gue a F ia e obse a as decisões
omadas no con ex o de um mundo globalizado em cons an e mudança e com dinâmicas
in luenciadas pela in e conec i idade mundial (Biswas 2021, 20).
Nes e i a de década, podemos, pelo já analisado, pe cebe que a con igu ação
es a égica egional no Indo-Pací ico se em al e ado de o ma signi ica i a e que, nos
p óximos anos, se pode á obse a uma e dadei a mudança de pa adigma. Como a o es
egionais, a China e a Índia o am a base da eme gência da impo ância do Índico no
concei o de Indo-Pací ico e, des e modo, o con on o egional en e ambas acabou po
ge a um conjun o de no as dinâmicas e mecanismos de en aquecimen o mú uo cujos
esul ados se mos a am mais bené icos pa a a China, que não só en aqueceu a posição
no e-ame icana nes a egião, como ainda conseguiu, de ce a o ma, anula a izinha
Índia a a és do o alecimen o do Paquis ão como pode egional (F.-K. Liu 2020, 67).
Nes e sen ido, a é 2020, a segu ança ma í ima oi um pon o de apos a nas polí icas
ex e nas chinesa e no e-ame icana, pela dispu a de zonas de in luência egionais em
busca da hegemonia nes a egião, algo bas an e en a izado pela adminis ação Biden com
polí icas de eap oximação à Aus ália, ao Japão e, sob e udo, à Índia, e po Xi Jinping,
que em man ido o p oje o da BRI como a sua base es a égica (F.-K. Liu 2020, 67).
Como pa e da es a égia no e-ame icana, emos que, inicialmen e, a
adminis ação T ump inha como um dos obje i os delimi ados no seu plano de ação
es a égico o aumen o em 60% das o ças na ais no e-ame icanas na egião do Indo-
97
Pací ico e da Ásia-Pací ico a é 2020, o que, em adição à eabe u a do QUAD
57
, em 2017,
um ó um es a égico in o mal en e o Japão, a Aus ália e a Índia, que em como obje i o
se i como meio de con abalança a China na balança de pode egional, ep esen a ia
uma espos a o e à p esença chinesa na egião (F.-K. Liu 2020, 68; Machado 2021).
Com a omada de posse da adminis ação Biden, em 2021, e apesa do mundo se encon a
no p ocesso de comba e a uma pandemia, uma das coisas que não se al e ou oi a
p io idade do plano es a égico no e-ame icano pa a o Indo-Pací ico, algo isí el no oco
que a adminis ação Biden colocou na elabo ação de um plano es a égico de ação
imedia a que pudesse ga an i uma al e na i a à BRI, endo o mesmo sido publicado em
e e ei o do p esen e ano (Reu e s 2021).
Nes e mesmo plano, denominado “Indo-Paci ic S a egy o he Uni ed S a es”,
ambém conhecido po FOIP, é possí el pe cebe que a es a égia no e-ame icana passa
pela implemen ação do IPEF e pelo o alecimen o do QUAD (The Whi e House 2022,
7–14). Começando pelo IPEF, es e p oje o é a espos a no e-ame icana ao já cimen ado
p oje o da BRI, pelo que, al como é desc i o no FOIP, p e ê o in es imen o no e-
ame icano em países que p ocu em o desen ol imen o in e no sem in e enção chinesa,
o mando assim uma zona de in luência no e-ame icana que pe mi a a con enção da
in luência chinesa no plano do Indo-Pací ico (The Whi e House 2022, 8–14). A e dade
é que, mesmo sendo um p oje o que p ome e comba e a hegemonia chinesa na egião do
Indo-Pací ico, o núme o de in e essados na adesão ao IPEF oi in e io ao espe ado pelos
EUA, e mui o in e io ao núme o de in e essados na BRI, pelo que, à exceção da Índia,
que p on amen e iniciou o p ocesso de adesão pela apela i a cláusula do IPEF que exclui
a China do aco do, poucos o am os Es ados
58
que demons a am o al in e esse na
inicia i a (Ha is 2022; Buddha a apu 2022b). Es a al a de in e esse no IPEF cen a-se
sob e udo na imposição no e-ame icana de uma ansição pa a a ino ação ecnológica, a
u ilização de ene gias e des e a implemen ação de e o mas nas leis labo ais, pa a que
57
Apesa de o malizado em 2007, po inicia i a japonesa, pa a a ga an ia de uma aliança
secu i á ia no Indo-Pací ico que pudesse unciona como um meio de, sob e udo, con abalança a p esença
chinesa na egião, o QUAD acabou po ica ina i o po ce ca de uma década, endo apenas sido ea i ado,
em 2017, pela necessidade de impedi a expansão da in luência chinesa numa escala supe io à já assis ida
(Associa ed P ess 2022).
58
Como di o, à exceção da Índia que p e ende a en ada imedia a, apenas a Co eia do Sul, o Japão,
a Aus ália e a No a Zelândia, demons a am in e esse em pode in eg a a inicia i a no e-ame icana
(Ha is 2022).
104
Conclusão
Obse ando odo o deba e p es ado ao longo da p esen e in es igação, podemos
conclui que, en e 1972 e 2020, as elações sino-paquis anesas i e am um eno me
impac o no Indo-Pací ico. Inicialmen e, pa a mui os, o es abelecimen o de elações en e
a China e o Paquis ão, numa pe spe i a do sis ema in e nacional e egional, e a algo
pouco p o á el e ce amen e não se ia algo que a URSS, os EUA ou a Índia, pudessem
p e e . Po ém, a ealidade é que após o con li o sino-indiano, em 1962, e num momen o
em que os EUA i a am as cos as ao Paquis ão, na segunda Gue a Indo-Paquis anesa,
em 1965, os dois Es ados, China e Paquis ão, p ocu a am alinha as suas polí icas
ex e nas o mando um eixo que acaba ia po molda os úl imos 50 anos da his ó ia do
Índico e, consequen emen e, das dinâmicas egionais do Indo-Pací ico.
Ao longo do segundo capí ulo da p esen e disse ação, p ocu ámos demons a
es a mesma e olução das elações sino-paquis anesas, explo ando o início da
con eniência das elações diplomá icas en e a China e o Paquis ão e o caminho açado
a é à assina u a do CPEC. Du an e a década de 1960, como mencionado, as elações sino-
paquis anesas a ingi am um pa ama pouco espe ado no sis ema in e nacional causando,
numa e ó ica cau íliana, a união de dois Es ados em polos opos os pelo comba e a um
inimigo comum, a Índia. Con udo, é a pa i da década de 1970 que a China e o Paquis ão
começam a i amen e a omen a as elações bila e ais, obse ando-se, em alguns casos,
um apoio mú uo dos dois Es ados em momen os como a mediação paquis anesa das
isi as de Kissinge e Nixon à China, o que pe mi iu o apazigua das ensões sino-
ame icanas num momen o em que as elações indo- ussas se omen a am, e o apoio
in e nacional chinês ao Paquis ão, sob e udo na ONU, no caso de Jammu e Caxemi a.
Aliás, é ainda na década de 1970 que a China e o Paquis ão ão da início ao
desen ol imen o do p og ama nuclea paquis anês, que pela necessidade de esol e o
p oblema ene gé ico paquis anês, que pela necessidade de comba e a Índia após a
ealização dos es es nuclea es Smiling Buddha em 1974, iniciando-se um clima de ensão
que acaba ia po eben a na década de 1990. Toda ia, como esul ado da es a égia
mili a -nuclea do eixo sino-paquis anês e dos es es nuclea es indianos da década de
1970, no inal da década de 1990, o Paquis ão ai ealiza es es ao a mamen o nuclea
que possuía con ibuindo pa a o acen ua das ensões com a Índia, dando o igem a quase
duas gue as nuclea es en e 1999 e 2002, com a C ise de Ka gil e a Twin Peak C isis.
105
Vale elemb a que, ao longo da discussão, pudemos ainda obse a que, com o
im da Gue a F ia, a China acabou po eme gi como um g ande pode mili a e
económico que p ocu a a a u ilização de uma es a égia diplomá ica ol ada pa a a
con e sação e a diminuição de con li os a mados, p ocu ando que o Paquis ão seguisse a
mesma linha de abo dagem in e nacional e apos ando ainda no desen ol imen o
paquis anês com a ex ensão dos campos de apoio pa a as á eas da ecnologia, do
comé cio, do desen ol imen o de in aes u u as e da ag icul u a. Nes e sen ido, es e
clima de ensão e a con á io às p e ensões chinesas de es abilidade egional na Ásia do
Sul e u ilização paquis anesa de uma polí ica ex e na ol ada pa a a diplomacia, o que
le ou a que as elações do eixo sino-paquis anês enham emido um pouco à en ada do
século XXI. Po ém, mesmo apesa dos e os come idos du an e a C ise de Ka gil e a Twin
Peak C isis, pelo Paquis ão, a his ó ia do eixo sino-paquis anês demons a-nos a
capacidade de adap ação e de coope ação que os dois Es ados de êm no sis ema
in e nacional, p ocu ando semp e ga an i o apoio en e si, mesmo que em alguns
momen os apenas indi e amen e, de o ma a consegui em cump i com o obje i o
p imá io de ga an i o equilíb io egional com a Índia, endo, pa a al, o Paquis ão
p ocu ado al e a as suas dinâmicas de ação in e nacional.
Es a adap abilidade pode se is a, imedia amen e após 2002, com a pe ceção do
eixo sino-paquis anês de que, num mundo globalizado, a coe ção mili a se ia semp e
uma es a égia in e io ao domínio económico, podendo obse a -se, en e 2002 e 2013,
a ansição de uma polí ica ex e na nuclea pa a uma polí ica económica, com base nos
aco dos do EHP, do PTA e do CPFTA, es e úl imo que culminou na c iação do CPEC.
O a, se a polí ica nuclea e mili a inha pe mi ido ao eixo sino-paquis anês ga an i um
equilíb io de o ças com a Índia, os aco dos económicos mencionados ão, po um lado,
pe mi i à China, sem se essen i , en a numa gue a hegemónica com os EUA no Índico
enquan o en a man e o equilíb io egional na zona Sues e Asiá ico, e, po ou o lado,
ga an i ao Paquis ão uma p esença in e nacional simila à da Índia, o nando-se assim
um pode o e ao ní el egional. Nes e sen ido, é segu o a i ma que, chegados a 2013,
o início do desen ol imen o do CPEC, como p oje o p incipal da BRI pa a o Índico,
capaz de liga a NRS à RSM, al e ou de o ma adical o equilíb io egional do Indo-
Pací ico, não só economicamen e, como ambém geopoli icamen e e es a egicamen e.
Po ém, como is o no e cei o capí ulo, com o CPEC a es a égia do eixo sino-
paquis anês ambém se al e ou, passando dos es o ços mú uos de equilíb io egional com
106
a Índia pa a uma es a égia bipa ida en e a es a égia chinesa de expansão da in luência
pa a a Ásia Cen al e de ga an e da posição hegemónica no Indo-Pací ico a a és do
es abelecimen o de elações com a Rússia, e a es a égia paquis anesa de paci icação sul-
asiá ica e expansão de in luência pa a o Médio O ien e e Ásia Cen al, com a
possibilidade do I ão e o A eganis ão en a em no p oje o. Aliás, a mudança es a égica
sino-paquis anesa pôde se is a, sob e udo no qua o capí ulo, em momen os como a
en a i a de inse ção indiana no CPEC a a és do BCIM-EC, a p opos a de cons ução do
IPI e a p opos a de esolução pací ica de Jammu e Caxemi a. Nou o sen ido, pa a os
EUA, a Índia con inua a se i um p opósi o eno me na es a égia de comba e à in luência
chinesa, sob e udo pelo con olo ma í imo do Índico, o que pode se is o na inse ção
indiana no QUAD e no IPEF, os dois p oje os mais impo an es do FOIP. No caso
indiano, o p oblema em sido lida , po um lado, com a pe da de in luência egional aliada
aos p oblemas socioeconómicos in e nos, o que em le ado ao condicionamen o na ação
ex e na, e, po ou o lado, com a di ícil decisão en e o aliado es a égico EUA, que se
opõe ao eixo sino-paquis anês, e o aliado adicional Rússia, que se encon a cada ez
mais p óximo de in eg a um eixo usso-sino-paquis anês.
Po odas as cons an es obse adas, é possí el pe cebe que, nos p óximos anos,
e num momen o em que nos encon amos a meio da segunda ase do CPEC, ainda amos
obse a mui as al e ações no Indo-Pací ico ao ní el es a égico e das dinâmicas
egionais. Aliás, é mesmo co e o a i ma que o sucesso da es a égia sino-paquis anesa
pa a o Indo-Pací ico e pa a o espaço egional asiá ico se p ende mui o, po um lado, com
o sucesso da inicia i a do CPEC, a é 2030, e, po ou o lado, com o possí el acasso do
plano da FOIP. Ademais, podemos ainda inclui ou os a o es, como uma possí el,
apesa de imp o á el, adesão indiana aos p oje os p opos os, que pode signi ica a ligação
en e o p oje o da BRI na ASEAN e o CPEC, e o es abelecimen o da conec i idade com
o A eganis ão e o I ão, que podem signi ica a expansão do p oje o a é ao Ociden e pelo
CCWAEC. Nes e sen ido, é assim co e o a i ma que o eixo sino-paquis anês se encon a
numa posição de ele o no con ex o do Indo-Pací ico que oi sendo con uída desde a
década de 1970 e omen ada a a és da expansão do CPEC pa a ou os p oje os,
supe io izando-se assim à posição indo-ame icana. Po ém, a isão an e io men e expos a
encon a-se condicionada ao sucesso do CPEC a é 2030, ano da conclusão o icial do
p oje o, e, sob e udo, do acasso do IPEF.
107
Na p esen e disse ação p ocu ámos esponde da o ma mais comple a à pe gun a
de in es igação inicial e aos eixos p oblemá icos que des a ad êm. Po ém, exis em ainda
algumas ques ões associadas à p oblemá ica que su gem da análise da discussão sob e o
p esen e obje o de in es igação e que nu em de uma ce a impo ância pa a um
en endimen o mais comple o do ema, algo que em in es igações u u as p ocu a emos
desen ol e . En e es as ques ões emos, po exemplo, as ques ões em o no da es a égia
indiana pa a o Índico, do ap o unda do emba e es a égico en e a China e os EUA, do
papel e in luência da BRI e do CPEC na es an e Ásia do Sul e da
ap oximação/a as amen o dos á ios Es ados que compõem o espaço es a égico do Indo-
Pací ico em elação à BRI e ao FOIP, p ocu ando en ende as possibilidades de expansão
egional dos dois p oje os.
108
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