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Cuidados de saúde primários 2000: editorial

Sakellarides, Constantino

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3 VOLUME TEMÁTICO: 2, 2001 editorial●●●● ●●●● Cuidados de saúde primários 2000 Foi há já trinta anos que os cuidados de saúde primários entraram em força na saúde em Portugal. A legislação de 1971 que criou os centros de saúde, proposta por Gonçalves Ferreira, foi a seu tempo extraordinariamente inovadora no contexto da saúde europeia. Mais impressionante ainda foi a forma decidida e entusiástica como, sob a liderança de Arnaldo Sampaio e José Lopes Dias, se desceu ao terreno do concreto e de um modo então muito pouco habitual entre nós da letra da lei nasceu uma vasta rede de centros de saúde que, em relativamente poucos anos, cobriu o país. Três décadas mais tarde, as vastas infra-estruturas materiais e humanas que a partir daí se desenvolveram continuam a desempenhar um papel fundamental na promoção e protecção da saúde dos Portugueses. No entanto, agora, como nessa altura, o desafio continua a estar em despertar as capacidades, a imaginação e a vontade das pessoas para encontrarem novas soluções de gestão, organização e exercício profissional que correspondam às necessidade e expectativas das populações que servem. A Escola Nacional de Saúde Pública tem desde essa altura procurado desempenhar o seu papel na formação dos quadros técnicos do SNS, no debate das ideias que é preciso ter para que haja progresso, na análise da evolução do desenvolvimento dos serviços de saúde. Este volume monográfico, preparado no contexto dos trabalhos do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, tem como principal objectivo olhar para o passado, presente e futuro imediato dos cuidados de saúde primários em Portugal através dos pontos de vista dos seus principais intervenientes. Convidaram-se para o efeito alguns dos muitos que no dia a dia fazem os cuidados de saúde em Portugal e dos que se têm mostrado particularmente activos e influentes na análise e no debate daquilo que praticam Assim, em consequência disso, esta monografia será necessariamente, não tanto uma análise académica distante e descomprometida do que se tem passado e dos evetuais caminhos do futuro, mas sobretudo um conjunto de testemunhos interessados e «próximos», manifestações de um empenhamento persistente e contínuo em contribuir para um sistema de saúde que nos satisfaça melhor. 4REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA ●●●● editorial ●●●● Deste conjunto de contribuintes activos e comprometidos fazia parte António Luz. Fazer parte, participar, era da sua natureza. Fazia-o genuinamente e com um enorme afecto — desde a «Associação de Jovens Promotores da Amadora Saúdavel», de que foi o primeiro presidente, até ao seu papel inovador na Agência de Acompanhamento, passando pelo projecto das «Cidades Saudáveis», pelo desenvolvimento dos centros de saúde pela Amadora, Reboleira ou Damaia, pela sua contribuição efectiva para o ensino e divulgação de «uma nova saúde pública». Médico de saúde pública, sobre ele escreveu recentemente uma colega que mais perto conviveu com o seu trabalho: «Indivíduo sorridente, simpático e afável [...] entrava com a sua pasta preta já gasta e atulhada de ideias e projectos, [com] o seu cumprimento habitual — bom dia meia equipa —, porque ele era [naturalmente] a outra metade.» .