Full text
UNIVERSIDADE DO PORTO
DA IMAGEM À ATMOSFERA
A MATERIALIZAÇÃO DA OBRA DE PETER
ZUMTHOR
SIMONE
CABERTI
2.º
CICLO
FAUP
2012
2013
DA IMAGEM À ATMOSFERA
A MATERIALIZAÇÃO DA OBRA DE PETER ZUMTHOR
SIMONE CABERTI
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA
À FACULDADE DE ARQUITETURA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM
ARQUITETURA
M
2012/2013
- 1 -
Ag adeço à minha amília que semp e me supo ou.
Ag adeço ao p o esso Luís Viegas pelas ajudas
p es adas desde a minha chegada a Po ugal a é à
ealização des a disse ação.
Ag adeço aos meus companhei os de cu sos pelas
cons an es c í icas cons u i as em odos os meus
abalhos académicos.
Ag adeço aos meus amigos em e a lusi ana pela
paciência que demons a am no aguen a os meus
desaba os.
Ag adeço os meus amigos na I ália que, embo a à
dis ância, nunca me ize am sen i longe de casa.
Ag adeço à Ana que ez com que casa, ago a, seja
Po ugal.
- 2 -
Resumo
A p esen e disse ação co esponde a uma in e p e ação sob e o elemen o aglome ado
que une as a mos e as senso iais imaginadas po Pe e Zum ho ao conc e o do obje o
cons uído.
O es udo desen ol e-se em dois empos: o p imei o, que p e ende abo da o abalho de
Pe e Zum ho a a és de uma bibliog a ia selecionada; o segundo, que in en a desen-
ol e uma in e p e ação pessoal das ob as a a és da i ência ísica do espaço cons u-
ído.
Pa a alcança uma melho in e p e ação da ob a de Pe e Zum ho , op ou-se po ealiza
uma ap oximação eó ica a a és de dois caminhos en elaçados: um p imei o pe cu so
ab angeu a es e a do homem e dos seus sen idos, assim como o espaço e as suas in e -
p e ações; uma segunda abo dagem ocupou-se de pe cebe o que o a qui e o suíço en-
ende com a mos e a e como es a se conc e iza na a qui e u a cons uída.
Po im, e após a isi a às ob as, desen ol eu-se a in e p e ação dos casos de es udo que
o am selecionados como exemplos capazes de esumi oda a ob a p oje ual de Pe e
Zum ho , ealizando, assim, uma e i icação p á ica dos conhecimen os adqui idos ao
longo do desen ol imen o da p esen e disse ação como ambém dos anos de equen a-
ção da aculdade de a qui e u a.
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Abs ac
The p esen disse a ion ep esen s an in e p e a ion o he agglome a ing elemen ha
joins he Pe e Zum ho ’s senso y a mosphe es o he conc e e o he buil objec .
The s udy is de eloped in wo s ages: he i s , which aims o add ess he wo k o Pe e
Zum ho h ough a selec ed bibliog aphy; and he second, ha in ends o de elop a pe -
sonal in e p e a ion o he Zum ho 's wo ks – ob ained h ough a physical expe iencing
o he buil en i onmen s.
To accomplish a be e in e p e a ion o Pe e Zum ho 's wo k, i was decided o pe -
o m a heo e ical app oach h ough wo in e connec ed pa hs: he i s pa h co e ed he
sphe e o human beings and hei senses, as well as space and i s in e p e a ions; he
second app oach has handled he comp ehension o he Pe e Zum ho 's ision abou he
a mosphe e concep and how i is applied in he buil a chi ec u e.
Finally, and a e isi ing he buildings, i was de eloped an in e p e a ion o he case
s udies ha we e selec ed as capable examples o summa izing all he Pe e Zum ho 's
p oje ual wo k, pe o ming, he e o e, a p ac ical e i ica ion o he acqui ed knowledge
du ing he de elopmen o his disse a ion, as well as he yea s o s udies a he Facul y
o A chi ec u e.
- 4 -
- 5 -
Índice
Ag adecimen os 1
Resumo 2
Abs ac 3
Índice 5
1. In odução 9
1.1. Obje os e obje i os 10
1.2. Mé odo e es u u a 11
1.2.1. A abo dagem eó ica 11
1.2.2. A i ência do espaço 12
2. Os ins umen os da análise 15
2.1. O homem e os ins umen os da pe ceção espacial 17
2.1.1. O espaço emo o: olhos, o elhas e na iz 20
2.1.1.1. O espaço isual 20
2.1.1.2. O espaço audi i o 22
2.1.1.3. O espaço ol a i o 23
2.1.2. O espaço p óximo: pele e mucosas 23
2.1.2.1. O espaço á il 24
2.1.2.2. O espaço é mico 25
2.2. Espaço e a qui e u a 27
2.2.1. As ep esen ações do espaço ísico 28
2.2.2. As in e p e ações do espaço a qui e ónico 30
3. Cons ui a mos e as como concei o p oje ual 33
3.1. Pensa a mos e as 37
3.1.1. Imagem 37
3.1.2. Memó ia 39
3.1.3. Emoção 40
3.2. Cons ui espaços 45
3.2.1. En ol en e 46
3.2.2. Ma é ia 48
3.2.3. Tec ónica 50
4. Os casos de es udo 53
4.1. A plani icação da iagem 54
- 6 -
4.1.1. Adap ação emocional 54
4.1.2. Mé odos e obje i os 55
4.2. B ude Klaus Kapelle (1998-2007) 57
4.2.1. A desc ição do obje o a qui e ónico 59
4.2.2. A in e p e ação da ob a 63
4.3. Kolumba Kuns museum (1997-2007) 67
4.3.1. A desc ição do obje o a qui e ónico 69
4.3.2. A in e p e ação da ob a 73
4.4. Kuns haus B egenz (1990-1997) 77
4.4.1. A desc ição do obje o a qui e ónico 79
4.4.2. A in e p e ação da ob a 83
4.5. The mal Ba h Vals (1990-1996) 87
4.5.1. A desc ição do obje o a qui e ónico 89
4.5.2. A in e p e ação da ob a 93
4.6. Caplu a Sogn Benede g (1985-1988) 97
4.6.1. A desc ição do obje o a qui e ónico 99
4.6.2. A in e p e ação da ob a 103
5. Conside ações inais 105
Anexo: plan as e co es dos edi ícios isi ados 109
Re e ências bibliog á icas 126
Li os 126
A igo de e is as 127
Documen ação em linha 128
Re e ências das imagens 129
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- 8 -
- 15 -
2 Os ins umen os da análise
Nes a p imei a pa e p e ende-se escla ece quais o am os ins umen os u ilizados pa a
a in e p e ação pa icula das ob as selecionadas. Em p imei o luga a -se-á uma e e-
ência ao homem como habi an e das a qui e u as, seguindo-se o espaço como elemen o
ísico no qual o homem habi a. Es e abalho se i á, an es de mais, como base pa a o
es udo das a mos e as imaginadas po Zum ho e, pos e io men e, das ob as isi adas.
Uma omada de consciência de conhecimen os elemen a es mas que, mui as ezes, se
encon am delibe adamen e ou ins in i amen e esquecidos ou ma ginalizados.
A p esen e disse ação, como an e io men e e e ido, é subs anciada a a és do c uza-
men o das in o mações ecolhidas nos ex os de au o es selecionados. A escolha oi o i-
en ada, ela i amen e a es e capí ulo, pelas pa icula es especializações e compe ências
dos in e enien es em con o midade com os assun os a a a .
Juhani Pallasmaa (1936 – ) é a qui e o e p o esso inlandês. A pa i da segunda
me ade dos anos no en a esc e e, em á ios a igos, ace ca da sua p eocupação
sob e a hegemonia da cul u a isual em elação à pe ceção senso ial. Es a ação
c í ica culmina com a publicação em 2005 do li o “The Eyes o he Skin. A -
chi ec u e and he Senses”.
Edwa d T. Hall (1914 – 2009) oi an opólogo e p o esso no e-ame icano. A
especialização des e au o consis e no es udo das in e ações en e homens de
cul u as di e en es des acando, pa icula men e, a o ma com que os apa a os í-
sicos e biológicos do homem pe cebem o mundo que os odeia.
B uno Ze i (1918 – 2000) oi a qui e o, u banis a, his o iado e c í ico i aliano.
En e os a iados es udos que o au o ealizou des aca-se o li o “Sape ede e
l’a chi e u a”, que desde a sua publicação em 1948 oi aduzido em 12 idio-
mas, o nando-se um ex o undamen al no ensino da eo ia da a qui e u a.
- 16 -
1 – C is o mo o de And ea Man egna (1475) .
- 17 -
2.1 O homem e os ins umen os da pe ceção espacial
No mundo, o que pe cebemos não é nunca a sua ealidade, mas apenas a epe -
cussão das o ças ísicas sob e os nossos ó gãos senso iais.
13
Pode-se obse a que os sen idos, ao longo da his ó ia da e olução do homem, não de-
sempenha am semp e o mesmo papel assim como não se equipa a am em g au de im-
po ância en e eles. As e oluções dos ó gãos senso iais segui am as e oluções ísicas,
sociais e cul u ais da comunidade em que es es se desen ol e am, so endo en aque-
cimen os ou ganhando in ensi icações.
É possí el, de ac o, no a as di e sas ases des e p ocesso desde os p imei os hominí-
deos – que p ecisa am de oca , chei a e po ezes sabo ea pa a descob i e pe cebe o
mundo em que i iam – a é ao homem mode no que, com uma obse ação ugaz, é ca-
paz de a mazena uma quan idade su p eenden e de in o mação conhecida e econheci-
da. Nes e p ocesso, as écnicas e ecnologias são a o es aos quais é a ibuí el a signi i-
ca i a e olução dos sen idos que, mu uamen e com a e olução dos ins umen os de e-
p esen ação na es e a das a es isuais, desen ol e am um papel undamen al pa a o
es abelecimen o de uma hie a quia de necessidades senso iais p e endidas pa a a com-
p eensão do habi a po pa e do homem.
As a qui e u as p imo diais c ia am uma o e empa ia en e cons u o e a e ac o – as
cabanas de madei a e lama podem se en endidas como ex ensão do homem no espaço,
sendo que a sua iden i icação com o p óp io ab igo e a mui o o e.
14
A pa i da An iguidade Clássica, a alo ização es é ica e e como emb ião a co eção
da pe spe i a nos monumen os g egos. No en an o, a e idicidade es u u al des es edi-
ícios azia com que os ou os sen idos man i essem um papel, ainda assim, impo an e
pa a a pe ceção espacial.
15
A pa i do século XV, o no á el desen ol imen o das a es
pic ó icas inc emen ou, ainda mais, a impo ância da es e a isual em elação ao es o
do mundo senso ial, anspondo-se pa a a a qui e u a um in e esse cada ez maio pela
13
KILPATRICK, F. P. Explo a ion in T ansac ional Psychology. No a Io que: New Yo k Uni e si y P ess, 1961.
Ci . po HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986. p.55
14
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
15
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
- 18 -
pe ceção isual: des acando, assim, a ha monia e a p opo ção como concei os p oje u-
ais.
16
Le Co busie a i ma a que “gli occhi sono a i pe ede e le o me nella luce”
17
, des a-
cando a p imazia do sen ido da is a na pe ceção espacial mas, ao mesmo empo, decla-
a a que “L’ARCHITETTURA è un a o d’a e, un enomeno che susci a emozione, al
di uo i dei p oblemi di cos uzione, al di là di essi. La Cos uzione È PER TENERE
SU: l’A chi e u a È PER COMMUOVERE”
18
, ale ando, assim, pa a o impo an e pa-
pel que a pe ceção senso ial desempenha na a qui e u a. P oduzi am-se en ão a qui e u-
as em que odos os sen idos e am en ol idos – ma e ialidade, peso e ensões es u u ais
ize am com que as ob as do início do século XX ossem pe cebidas po odo o co po e
não apenas pelos olhos.
19
Com a chegada do seculo XXI a unção p e aleceu sob e a emoção, a sin e ização subs-
i uiu a e idicidade e, assim sendo, ol ou-se p i ilegia o sen ido da is a.
20
O ilóso o ancês Mau ice Me leau-Pon y em 1948 decla ou que:
La mia pe cezione non è quindi una somma di da i isi i, a ili, audi i i, io pe -
cepisco in modo indi iso con il mio esse e o ale, colgo una s u u a unica delle
cose, un’unica manie a di esis e e, che pa la con empo aneamen e a u i i miei
sensi.
21
O a qui e o inlandês Juhani Pallasmaa e oma es a a i mação, em 2005, pa a c i ica a
hegemonia da cul u a isual na comunidade con empo ânea: uma chegada aos limi es
de empob ecimen o senso ial que le a ia o espaço habi ado pela sociedade a me as ce-
nog a ias planas e es á icas da ida.
22
Pode-se obse a que a p eponde ância da isão
na cul u a con empo ânea ge a um c escimen o abusi o da quan idade de in o mações
que os olhos podem de e a e o cé eb o a mazena . O a qui e o, p osseguindo com a sua
c í ica, econhece duas pe ceções pa ológicas do espaço de idas a es e p edomínio: a
16
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
17
LE CORBUSIER. Ve so una A chi e u a. Milão: Longanesi, 2007. p.13
18
LE CORBUSIER. Ve so una A chi e u a. Milão: Longanesi, 2007. p.9
19
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
20
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
21
MERLEAU-PONTY, Mau ice. Il Cinema e la nuo a psicologia. Em. Senso e Non Senso. Milão: Il Saggia o e,
1962. Ci . po PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.30
22
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
- 19 -
na cisis a e a niilis a.
23
No campo a qui e ónico, o pon o de is a na cisis a é aquele
que en ende o edi ício como au oexp essão a ís ica, uma mani es ação desligada da sua
en ol en e que impede, assim, uma pa icipação empá ica coe en e da i ência do es-
paço; o pon o de is a niilis a olha pa a os edi ícios sem nenhum in e esse especí ico e,
po isso, mais uma ez sem pa icipação.
24
No en an o exis em a qui e os que, como Pallasmaa, desde o mode nismo à con empo-
aneidade con as am as a qui e u as me amen e isuais, p oje ando a qui e u as senso-
iais.
È possibile dis ingue e di e se a chi e u e in base alla modali à senso iale che
endono a en a izza e. Accan o alla p e alen e a chi e u a dell’occhio, esis e
un’a chi e u a a ile, muscola e ed epide mica. Ed esis e anche un’a chi e u a
che iconosce i egni dell’udi o, dell’ol a o e del gus o.
25
Pa a pe cebe ais a qui e u as é impo an e, p imei o que udo, pe cebe como o co po e
o apa a o senso ial ecebem as in o mações do espaço que os en ol em, an es de as en-
ia ao cé eb o pa a uma sucessi a elabo ação emocional.
Uma classi icação possí el do apa a o senso ial do se humano é aquela que o an opó-
logo ame icano Edwa d T. Hall ap esen a no li o “A dimensão ocul a”. O cien is a ca-
ego iza os sen idos em elação ao espaço que es es conseguem de e a , ci cunsc e endo
os ece o es em dois g upos: os à dis ância e os imedia os, sendo es es capazes de de e-
a espaços emo os ou p óximos.
26
A pa i des a classi icação, uma ápida ap oxima-
ção aos sen idos do homem pe mi i á des aca de que o ma e medida es es con ibuem
na pe ceção espacial.
23
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
24
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007.
25
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.87
26
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986.
- 20 -
2.1.1 O espaço emo o: olhos, o elhas e na iz
Como espaço emo o o an opólogo ame icano en ende o que ica além do alcance dos
b aços, onde a in e ação pessoal é eduzida à con emplação. As in o mações ecebidas
são limi adas à o ma aé ea sendo, en ão, os olhos, as o elhas e o na iz os ece o es en-
ca egues de ecebê-las.
Como an e io men e e e ido, a pe ceção isual desempenha o g osso da a e a da com-
p eensão espacial, sendo es e ó gão senso ial o que mais se desen ol eu na sociedade
con empo ânea. Mesmo assim, do pon o de is a emocional, pode en ende -se o apa a o
audi i o, e (melho ainda) o sen ido do ol a o, como execu o es de um abalho p o un-
do no despe a de memó ias an igas e com uma maio e icácia compa a i amen e à is-
a.
2.1.1.1 O espaço isual
A capacidade isiológica de de eção de in o mações dos olhos humanos é a mais signi-
ica i a no âmbi o dos apa a os senso iais.
27
Os olhos êm a capacidade de cap a ima-
gens mui o apidamen e e a g ande dis ância, no en an o, a capacidade de po meno iza-
ção de ais in o mações diminui com o seu aumen o o nando, po exemplo, complicada
a comp eensão de uma ex u a a uma dis ância ele ada. Ao ap oxima -se do obje o, es e
ecebe uma de o mação impedindo, mais uma ez, uma pe ceção de alhada.
No âmbi o do espaço isual é a pe spe i a que, pe mi indo a pe ceção da p o undeza de
campo, possibili a a comp eensão espacial.
Edwa d Hall desc e e como o psicólogo ame icano James Gibson, no li o “The Pe -
cep ion o he Visual Wo ld”, iden i ica eze o mas pa a a pe ceção da pe spe i a a a-
és do ó gão da isão, decla ando que “não ha e ia pe ceção possí el do espaço sem a
p esença de uma supe ície con ínua, desempenhando o papel de undo”
28
, e ac escen-
ando que “a pe ceção depende ou da memó ia, ou das exci ações an e io es.”
29
. As di-
e en es pe ceções das pe spe i as que o homem pe cebe de o ma inconscien e no seu
dia-a-dia, esumidas no li o do an opólogo ame icano, são:
27
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986.
28
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986. p.215
29
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986. p.215
- 21 -
1. Pe spe i a de ex u a: ao a as a -se do obje o, a ex u a densi ica a é ica uma
massa homogénea;
2. Pe spe i a de dimensão: ao a as a -se do obje o, a dimensão diminui e com ele
ambém a capacidade de po meno ização;
3. Pe spe i a linea : linhas pa alelas ão-se encon ando num mesmo pon o ao
a as a -se do obse ado ;
4. Pe spe i a binocula : enómeno de ido à au onomia dos olhos, mais mani es o
às pequenas que às g andes dis âncias, é a imagem p oje ada no cé eb o de o -
ma independen e po cada olho. É expe imen á el echando al e nadamen e os
olhos e obse ando as di e en es imagens ge adas;
5. Pe spe i a de mo imen o: ep esen a a pe ceção da pe spe i a em unção da e-
locidade ela i a do obse ado ao obje o obse ado que, quan o maio a dis ân-
cia, mais len o pa ece o seu mo imen o;
6. Pe spe i a aé ea: a a-se de uma pe spe i a po encialmen e enganado a uma
ez que depende da limpeza do campo isual – quan o mais limpo mais p óxi-
mos pa ece ão os obje os obse ados de um pon o de is a ele ado;
7. Pe spe i a oldada: ca ac e ís ica elacionada com o pon o ocal do apa a o ocu-
la – concen ando a is a num pon o ixo os obje os p esen es nou os planos
apa ece ão des ocados;
8. Ele ação ela i a dos obje os no campo isual: a pe ceção do ho izon e, no caso
de um pano ama plano, é uma linha si uada à al u a dos olhos do obse ado .
Assim sendo, com o ap oxima dos obje os à al linha, es es ele a -se-ão desde o
chão a é à al u a dos olhos do obse ado ;
9. Al e ação da ex u a ou u u a da dis ância linea : olhando do opo de uma a-
lésia pa a o ale que se es ende po baixo dela, a epen ina solução de con inui-
dade e o ápido in ensi ica -se da densidade da ex u a azem com que o ale se-
ja pe cebido mais dis an e do que a ealidade;
10. Modi icações na p opo ção de imagens dob adas: ao obse a um pon o a as a-
do, os obje os que se encon am en e o obse ado e o pon o ocal pa ecem du-
plicados. Uma acele ação do desdob amen o indica uma ap oximação dos obje-
os ao obse ado , enquan o um a as amen o implica um ab andamen o;
11. Modi icação na elocidade de deslocação: a elocidade ela i a en e obje os
que se deslocam no campo isual indica a p óp ia posição ela i a ao obse a-
do . Obje os mais len os se ão mais a as ados do que os obje os mais ápidos;
- 22 -
12. In eg idade e con inuidade de con o nos: obse a os con o nos dos obje os do
campo isual pe mi e a de e minação da sequência espacial dos mesmos – o que
ap esen a con o nos não queb ados se á mais p óximo do que em con o nos
queb ados;
13. T ansições en e a luz e a somb a: assim como a al e ação da ex u a assinala
uma mudança de campo isual, ambém a mudança de in ensidade luminosa
dema ca uma mudança de plano. Es a ca ac e ís ica ga an e, ambém, a possibi-
lidade de uma maio po meno ização na pe ceção dos olumes mesmo sendo es-
es mui o a as ados.
2.1.1.2 O espaço audi i o
La is a isola, laddo e il suono inco po a; la is a è di ezionale, laddo e il suo-
no è omnidi ezionale. Il senso della is a implica es e io i à, men e il suono
c ea un’espe ienza di in e io i à.
30
Assim como os olhos, os ou idos desempenham um papel de ece o es à dis ância. No
en an o a poluição acús ica das cidades con empo âneas, em conjun o com a escassa
necessidade des e sen ido na comp eensão do espaço po pa e do homem mode no, en-
aquece am a capacidade que es e apa a o e a capaz de ga an i
31
– o que não acon ece
com mui os animais.
Mesmo assim, é no á el como um som amilia ainda seja capaz de despe a a a enção,
chamando inconscien emen e memó ias mui o p o undas e emo as.
Uma ou a di e ença en e es es dois ece o es pode se encon ada na sua sele i idade,
uma ez que se á simples echa os olhos e escolhe quando não se que e , mas se á
mais complicado echa os ou idos pa a não ou i . Pa a sa is aze es a necessidade, o
cé eb o é capaz de econhece e il a sons que não sejam desejados: como uídos da
ua quando se que do mi ou alguém que nos chama a a enção quando es amos concen-
ados no desen ol e de ou as a e as. Es a capacidade é ca ac e ís ica indi idual e
depende p ima iamen e do con ex o social e cul u al de cada um.
32
A qualidade sono a
de um espaço a e a mui o o homem, mesmo de o ma inconscien e. A capacidade de
30
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.65
31
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986.
32
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986.
- 23 -
concen ação e de desempenho de di e en es a e as podem se , assim, sensi elmen e
aumen adas po meio de espaços acus icamen e con o á eis.
33
2.1.1.3 O espaço ol a i o
Non ico do come osse la po a della casa colonica di mio nonno nella mia
p ima in anzia, ma ne ico do il peso e la esis enza alla spin a e la pa ina della
supe icie lignea segna a da decenni di uso; e sop a u o mi so iene, i ido, il
p o umo della casa che mi colpi a al ol o come osse una pa e e in isibile die-
o la po a. Ogni dimo a ha il suo ca a e is ico odo e di casa.
34
O apa a o ol a i o pode se equipa ado em mui os aspe os com o audi i o, no sen ido
em que an o desempenham um papel secundá io na pe ceção do espaço emo o como
azem eco dações mais p o undas compa a i amen e à pe ceção isual. O ol a o é ca-
paz de conduzi a memó ias ainda mais especí icas do que o ou ido. Os chei os, assim
como os sabo es, despe am eco dações mais ma e iais, ligadas aos obje os e aos luga-
es, enquan o os sons despe am acon ecimen os mais ligados às si uações e aos e en-
os.
Concluindo, é plausí el a e i que es es ês ece o es à dis ância são complemen a es,
seja po que despe am memó ias das expe iências passadas a di e en es ní eis de p o-
undidade, seja po que, isicamen e, conseguem cap a in o mações mui o di e en es
en e eles e sem as quais a pe ceção espacial emo a se ia incomple a. É su icien e pen-
sa na hipó ese da pe ceção de uma si uação u bana – na di e ença de pe ceção que exis-
e en e obse a as mon as das lojas de uma ua, ou i o sino da ig eja que es á oca
no seu undo e chei a o pão que, na pada ia ao nosso lado, es á a se e i ado do o no.
As ês são pequenas pa es de um conjun o que é pe ce í el apenas jun ando e c uzando
as in o mações que os sen idos de e am com as memó ias que nos despe am.
2.1.2 O espaço p óximo: pele e mucosas
L’occhio è l’o gano della dis anza e della sepa azione, men e il a o è il senso
della icinanza, dell’in imi à e dell’a ezione. […] Nel pieno di in ense espe ien-
ze emo i e, endiamo a isola e il senso dis anzian e della is a; chiudiamo gli
33
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986.
34
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.70
- 24 -
occhi quando sogniamo, ascol iamo la musica o acca ezziamo colo o che
amiamo.
35
Quando a pe ceção espacial não é sa is a ó ia à dis ância emo a o ins in o é de ap oxi-
mação. Es e mo imen o de in es igação não pa a a é que se a inja um ní el de p oximi-
dade que pe mi a uma comp eensão mais peculia do espaço indagado.
O espaço p óximo si ua-se, en ão, en e aquelas es e as que o an opólogo ame icano
de ine como ín ima e pessoal
36
. Encon ando-se ao alcance dos b aços, o a o desempe-
nha um papel undamen al na ca ac e ização des es espaços e, com ele, aquelas sensa-
ções que a pele ansmi e ao cé eb o como, po exemplo, a di e ença de empe a u a.
2.1.2.1 O espaço á il
O a o e a habilidade na manipulação podem se conside ados ambém como de e mi-
nan es dos a o es di e enciado es en e o homem e o es an e mundo animal. Ainda ho-
je é possí el des aca a impo ância do a o na ase de ap endizagem do mundo pelos
bebés, que demons am uma endência pa a oca e sabo ea quan os mais obje os pos-
sí eis na p ocu a de comp eende a sua pa icula unção. No mundo adul o es e a ibu-
o p imi i o ai-se es anecendo, sendo o a o subs i uído pelos ou os sen idos emo os
e compensado com a cul u a e o in elec o, assim como b ilhan emen e explicado po
Edwa d T. Hall na seguin e a i mação:
Um quad o jamais pode da di ec amen e o sabo ou o pe ume de um u o, o
con ac o ou a ex u a de uma ca ne, ou a no a que na oz do bebé az ompe o
lei e da mãe. No en an o, a linguagem, al como a pin u a, dá des es ac os e-
p esen ações simbólicas, po ezes ão con incen es que susci am eacções p ó-
ximas das p o ocadas pelos es ímulos o iginais.
37
No en an o, num mundo cada ez mais a i icial e sin é ico, o a o ecupe a uma impo -
ância undamen al na explo ação ma e ial dos obje os. Como e e ido, a is a é e-
quen emen e enganada e, embo a apenas depois de e epa ado no e o de pe ceção, é
mui as ezes supo ada pelos ou os sen idos.
35
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.62
36
Edwa d T. Hall iden i ica qua o dis âncias que de inem os aios das es e as espaciais que ab angem o homem.
Es as são: A dis ância ín ima, a é os 45 cen íme os; a dis ância pessoal, a é os 125 cen íme os; a dis ância social, a é
os 360 cen íme os; e a dis ância pública.
37
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986. p.95
- 31 -
da ci una sensazione analoga, ma l’a chi e u a ha da a e di e amen e con lo
spazio, lo usa come un ma e iale e ci pone al cen o di esso.
52
O espaço ísico con ido na caixa a qui e ónica deixa de se apenas um azio o nando-se
um espaço in e a i o, em que o homem habi a e i e expe iências. O c í ico inglês con-
inua a sua in e p e ação do espaço a qui e ónico e ac escen a:
Noi ci ada iamo is in i amen e agli spazi nei quali siamo, ci p oie iamo in essi,
li empiamo idealmen e coi nos i mo imen i. [...] Quando noi en iamo dal on-
do di una na a a e ci o iamo da an i una lunga p ospe i a di colonne, noi
cominciamo, quasi pe impulso, a cammina e in a an i, pe ché così ichiede il
ca a e e di quello spazio. [...] Lo spazio ci ha sugge i o un mo imen o: una ol-
a che ques a sugges ione s’è a a sen i e, u o ciò che si acco da con essa pa -
à aiu a ci, e u o ciò che l’os acola pa à inoppo uno e b u o. Noi esige emo,
inol e, qualche cosa che chiuda e soddis i il mo imen o [...] Ed un mu o liscio,
che sa ebbe una e minazione ino ensi a se si a asse di uno spazio simme i-
co, di en a b u o alla ine di un asse en a ico com’è quello della ila di colonne,
semplicemen e pe ché un mo imen o senza mo i o, e che non po a a un pun o
culminan e, con addice i nos i impulsi isici: non è umanizza o.
53
Es a lei u a do espaço a qui e ónico az com que es e deixe de se uma me a cenog a ia
plana e es á ica da ida, o nando-se pa e in eg an e da mesma. As a qui e u as senso-
iais expandem assim o ego do homem no espaço – assim como se passa a já com as
cabanas p imo diais –, a a és de uma ligação empá ica en e os sen idos, a ma e ialida-
de do espaço ísico e a ima e ialidade do espaço a qui e ónico. Concei o sus en ado po
Ze i que decla a:
[…] nello spazio coincidono i a e cul u a, in e essi spi i uali e esponsabili à
sociali. Pe ché lo spazio non è solo ca i à uo a, negazione di solidi à: è i o e
posi i o. Non è solo un a o isi o: è, in u i i sensi, e segna amen e in un senso
umano e in eg a o, una eal à issu a.
54
52
SCOTT, Geo ey. L’a chi e u a dell’umanesimo. Ba i: La e za, 1939. Ci . po ZEVI, B uno. Sape ede e l'a -
chi e u a. Tu in: Einaudi, 2009. p.134
53
SCOTT, Geo ey. L’a chi e u a dell’umanesimo. Ba i: La e za, 1939. Ci . po ZEVI, B uno. Sape ede e l'a -
chi e u a. Tu in: Einaudi, 2009. p.134
54
ZEVI, B uno. Sape ede e l'a chi e u a. Tu in: Einaudi, 2009. p.149
- 32 -
3 – A mos e a c iada pelas expe imen ações de Nikola Tesla.
- 33 -
3 Cons ui a mos e as como concei o p oje ual
Nes a segunda pa e p e ende-se e e ua uma in e p e ação do abalho p oje ual de Pe-
e Zum ho .
Dada a ele ada a iculação da ob a do a qui e o suíço, op ou-se po e e ua uma des-
composição dos que o am iden i icados como elemen os undamen ais
55
da ase p oje-
ual do a qui e o, ag upando-os em dois conjun os al como de inidos po Ba ba a S ec
que, na en e is a ao a qui e o suíço pa a a e is a “Casabella”, iden i ica “due abili à
che è a o o a e insieme: l’as a a sensibili à pe a mos e e ed emozioni e la capaci à
di ede e con p ecisione un ogge o speci ico, un luogo nello spazio.”
56
Foi en ão iden i-
icado um p imei o conjun o mais ligado à concep ualização e, po isso, ca a e izado
po elemen os ima e iais e abs a os, e um segundo elacionado de o ma mais di e a
com a ob a cons uída e, en ão, ca a e izado po elemen os ísicos e palpá eis.
Num p imei o empo obse a -se-á como Pe e Zum ho p ocu a “immagini dei luoghi
che ha conse a o nella memo ia come pa icola men e gius e e in ense […] ugaci i-
co di di a mos e e.”
57
Numa ase sucessi a do abalho a -se-á e e ência à p ocu a, po pa e do a qui e o
suíço, do modo co e o pa a a ma e ialização das a mos e as iden i icadas como exa as
pa a o p oje o a execu a .
Os dois conjun os mencionados, seguidamen e abo dados em dois di e en es empos,
são na ealidade in e ligados numa es ei a elação enquan o, como a i ma Pe e
Zum ho , “la combinazione di idee, s a i d’animo ed emozioni con le p op ie à isiche
dei ma e iali, il lo o peso, il calo e, la du ezza, la mo bidezza, l’umidi à, sia da e o
impo an e.”
58
Es a ligação con ínua az com que os p oje os do a qui e o suíço so am
con ínuas mu ações, não à p ocu a de um comp omisso que sa is aça o equilíb io en e
os dois conjun os iden i icados, mas sim “pe e i a e di cambia e l’idea o igina ia”
59
55
Temas eco en es – e po isso conside ados basila es – encon ados nos esc i os de Pe e Zum ho e nas en e is-
as ealizadas ao mesmo.
56
STEC, Ba ba a. Con e sazioni con Pe e Zum ho . em Casabella. n° 719, pag.6 Milão: Elec a, 2004.
57
ACHLEITNER, F ied ich. Ri o no al mode no? L’a chi e u a di Pe e Zum ho . em Casabella. n° 648, pag.52
Milão: Elec a, 1997.
58
STEC, Ba ba a. Con e sazioni con Pe e Zum ho . em Casabella. n° 719, pag.6 Milão: Elec a, 2004.
59
STEC, Ba ba a. Con e sazioni con Pe e Zum ho . em Casabella. n° 719, pag.6 Milão: Elec a, 2004.
- 34 -
enquan o “il comp omesso è una modi ica di ciò a cui eniamo di più, il nucleo essenzi-
ale del ema. E ques o non a a o.”
60
60
STEC, Ba ba a. Con e sazioni con Pe e Zum ho . em Casabella. n° 719, pag.6 Milão: Elec a, 2004.
- 35 -
- 36 -
4 – Esquisso concep ual po Pe e Zum ho . The mal Ba h Vals.
- 37 -
3.1 Pensa a mos e as
Qualsiasi luogo può lascia e delle imp essioni, in pa e pe ché è i ipe ibile, ma
anche pe ché ha s imola o il co po e ha gene a o delle associazioni che ci hanno
consen i o di accoglie lo nel nos o mondo pe sonale.
61
Es a a i mação de Pallasmaa acen ua a es ei a co elação en e o espaço e o homem,
e idenciando como os es ímulos ecebidos pelo co po p o ocam emoções e ca ac e i-
zam os luga es, o nando-os inesquecí eis.
Pe e Zum ho decla a “não que e p o oca emoções com as ob as, mas sim pe mi i
emoções”
62
des acando, mais uma ez, o peso que o a qui e o suíço a ibui à p ocu a da
a mos e a ce a.
A impo ância da c iação de uma a mos e a p óp ia e pe inen e na conc e ização de
uma a qui e u a é auspiciada ambém po Gas on Bachela d quando obse a que memó-
ia, sonho e imaginação são nuances do mesmo es ado da alma – os sen idos cap am o
espaço ísico, a alma elabo a os impulsos em espaço me a ísico e pe mi e ao cé eb o
p oduzi pensamen os. Es e p ocesso acon ece apenas se os espaços i idos i e em
aquela a mos e a que nos despe a a memó ia, o sonho e a imaginação.
63
Nou as pala-
as o concei o é e omado ambém po Juhani Pallasmaa quando a i ma que:
L’e e no compi o dell’a chi e u a è quello di c ea e me a o e esis enziali con-
c e e e i e che diano consis enza e o ma al nos o esse e nel mondo.
L’a chi e u a i le e, ma e ializza e immo ala idee e immagini di i a ideale.
64
Des a o ma, mais uma ez, e idencia-se a impo ância que a a qui e u a, com as suas
a mos e as, em na ida do homem.
3.1.1 Imagem
“Quando penso na a qui ec u a, oco em-me imagens.”
65
Não é po acaso que são es as
as pala as que Pe e Zum ho usa pa a inicia o li o “Pensa a a qui ec u a”. As ima-
gens ep esen am, de a o, as bases ao abalho p oje ual do a qui e o suíço sendo que:
61
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.56
62
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.25
63
BACHELARD, Gas on. La poe ica dello spazio. Ba i: Dedalo, 2006.
64
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.89
- 38 -
Pensa em imagens de o ma associa i a, sel agem, li e, o denada e sis emá i-
ca, em imagens a qui ec ónicas, espaciais, colo idas e sensuais – is o é a minha
de inição p e e ida do p ojec a .
66
Ma in S einmann a ibui a ais imagens a a e a de “mezzi pe esp ime e a a e so una
o ma no a una o ma sconosciu a e ce ca a”
67
, econhecendo a o e ligação exis en e
en e es as e Pe e Zum ho e a i mando que o a qui e o suíço “ce ca nella sua es a im-
magini che siano gius e e che si s o za di capi ne le ca a e is iche.”
68
La nos a capaci à di ico da e e immagina e luoghi è inna a. Pe cezione, me-
mo ia e immaginazione in e agiscono cos an emen e; la s e a dell’esis en e si
onde in immagini di memo ia e an asia. Tu e le ci à che abbiamo isi a o so-
no qua ie i di una me opoli della men e, un’immensa ci à di e ocazioni e i-
memb anze che non sme iamo mai si cos ui e.
69
Des a o ma Pallasmaa econhece a indissolú el ligação exis en e en e imaginação e
memó ia in oduzindo, assim, o segundo elemen o do conjun o concep ual. Quan o ao
e cei o elemen o – as emoções – oi nas pala as de Gas on Bachela d que se encon ou
o elacionamen o p ocu ado, quando o ilóso o ancês a i ma:
A on ando le immagini della casa con la cu a di non ompe e la solida ie à
della memo ia e dell’immaginazione, possiamo nu i e la spe anza di comunica-
e u a l’elas ici à psicologica di un’immagine che ci commuo e ino a g adi di
insospe abile p o ondi à.
70
Pa a pe cebe de o ma cla a onde su gem as imagens e como é possí el u ilizá-las no
p oje o de a qui e u a op ou-se po , mais uma ez, e e encia Pe e Zum ho que no
li o “Pensa a a qui ec u a” decla a:
O meu abalho é ma cado po mui os luga es. Quando me concen o num de-
e minado luga pa a o qual de o elabo a um p ojec o, en o explo á-lo. Pe -
65
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.9
66
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.56
67
STEINMANN, Ma in. Téchnē: Sul la o o di Pe e Zum ho . em Domus n°710, pag.52 Milão: Edi o iale Domus
Spa, 1989.
68
STEINMANN, Ma in. Casa di iposo pe anziani a Coi a. em Domus n°760, pag.22 Milão: Edi o iale Domus
Spa, 1994.
69
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.85
70
BACHELARD, Gas on. La poe ica dello spazio. Ba i: Dedalo, 2006. p.34
- 39 -
cebe a sua igu a, a sua his ó ia e as suas qualidades senso iais. É en ão, nes e
p ocesso do olha p eciso, que começam len amen e a pene a imagens de ou-
os luga es. […] Necessi o delas. Apenas quando, em mim, deixo en a no lu-
ga conc e o o que é semelhan e a es e, apa en ado ou ainda es anho, su ge es-
a imagem di e sa e minuciosa do local que mos a e e ências, que o na isí-
el linhas de o ças e cons ói ensões; é en ão que se o ma o plano de undo do
p ojec o, mos ando a ede dos di e en es caminhos de ap oximação a um luga ,
o que me pe mi e oma as decisões ine en es ao p ojec o.
71
3.1.2 Memó ia
As memó ias […] con êm as i ências a qui ec ónicas mais p o undas que co-
nheço. Cons i uem a base de ambien es e imagens a qui ec ónicas que en o ex-
plo a no meu abalho como a qui ec o.
72
Com es as pala as Pe e Zum ho e idencia a impo ância que em a memó ia no seu
p ocesso p oje ual, sendo es a pa a ele “gene alizza e la o ma di cui ha a o espe ien-
za, ale a di e icondu la a quei ca a e i che la endono una o ma uni e sale.”
73
P osseguindo a c í ica à hegemonia da cul u a isual na comunidade con empo ânea,
Juhani Pallasmaa decla a que:
Un’espe ienza a chi e onica signi ica i a non è una semplice se ie di immagini
e inali. Gli elemen i dell’a chi e u a non app esen ano uni à o “Ges al ”
[ o me] isi e; sono incon i, con on i che in e agiscono con la memo ia.
74
Com es a a i mação o a qui e o inlandês in oduz uma segunda cono ação a ibuí el às
memó ias. Falando des e elemen o, se ia limi a i o pensa apenas nas memó ias que
despe am as imagens, sendo ambém de g ande impo ância as memó ias despe adas
po imagens, aquelas que o a qui e o é chamado a es imula com a p óp ia ob a, en-
71
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.34
72
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.10
73
STEINMANN, Ma in. Ci . po ACHLEITNER, F ied ich. Ri o no al mode no? L’a chi e u a di Pe e Zum ho .
em Casabella. n° 648, pag.52 Milão: Elec a, 1997.
74
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.80
- 40 -
quan o “le nos e sensazioni di com o , p o ezione e casa a ondano le adici nelle es-
pe ienze p imo diali di innume e oli gene azioni.”
75
Pe e Zum ho é pe ei amen e conscien e des a dualidade do elemen o memó ia e subs-
ancia es e concei o decla ando que:
Todos nós i emos a a qui ec u a, mesmo an es de seque conhece a pala a
a qui ec u a. As aízes do nosso en endimen o a qui ec ónico encon am-se nas
nossas p imei as i ências: o nosso qua o, a nossa casa, a nossa ua, a nossa
aldeia, a nossa cidade, a nossa paisagem.
76
As memó ias não in e agem com o co po humano apenas de uma o ma men al mas
ambém o gânica. É assim que Gas on Bachela d de ine a in e ação en e memó ia e
homem que, elacionando o mundo abs a o da memó ia com o mundo conc e o das
sensações ísicas, decla a que:
Al di là dei ico di, u a ia, la casa na ale è isicamen e den o di noi, è un in-
sieme di abi udini o ganiche. Dopo en ’anni malg ado u e le scale anonime,
i o e emmo il i lesso della p ima scala, non inciampe emo su quel g adino
un po’ al o. […] Le case in cui più a di abbiamo abi a o hanno senza dubbio
banalizza o i nos i ges i, ma, se ien iamo nella ecchia casa dopo una lunga
odissea, es iamo s upi i nel cons a a e come ges i o igina i, o nino immedia-
amen e, semp e pe e i. La casa na ale, insomma, ha inciso in noi la ge a chia
delle di e se unzioni di abi a e. Abbiamo in noi il diag amma delle unzioni di
abi a e quella casa e u e le al e case non sono che a iazioni di un ema on-
damen ale.
77
3.1.3 Emoção
O elemen o emocional na a qui e u a pode se is o como o mais di e amen e elaciona-
do com o homem, enquan o que, a a és dos seus ece o es senso iais, expe imen a
emoções no as ou despe a emoções an igas a a és das memó ias das i ências dos
espaços em que ele se desloca. Assim, na ó ica de Pallasmaa:
75
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.78
76
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.53
77
BACHELARD, Gas on. La poe ica dello spazio. Ba i: Dedalo, 2006. p.42
- 47 -
se iali di cos uzione, a dimos azione del a o che il ca a e e a igianale lo o
iconosciu o gioca, in eal à, un uolo ma ginale.
97
Como an e io men e e e ido, a noção de en ol en e po Pe e Zum ho não se limi a ao
espaço ísico mas ab ange, igualmen e, ou os elemen os abs a os, mesmo pe mane-
cendo na es e a do conc e o e ma e ial. Assim, a memó ia do luga é o elemen o ao qual
o a qui e o suíço se e e e quando a i ma:
Penso que os edi ícios que, a pouco e pouco, são acei es pelo seu espaço en ol-
en e de em possui a capacidade de a ai , de di e sas o mas, a emoção e o
aciocínio. O nosso sen imen o e comp eensão es ão, no en an o, en aizados no
passado. É po isso que o signi icado que c iamos com o edi ício de e espei a
a memó ia.
98
A in eg ação na en ol en e não se pode assim conside a sa is a ó ia – na ó ica do a -
qui e o suíço – se apenas acon ece de um pon o de is a o mal, endo de se mani es a
igualmen e de uma o ma his ó ico-cul u al, concei o que é e o çado quando assume
que “c edo che un luogo cos i uisca un’iden i à. […] Fo se è il mio pun o debole, ma
ques o è ciò che penso.”
99
No li o “A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam” Pe e
Zum ho decla a que “Quando aço um edi ício, um g ande ou um pequeno complexo,
gos o mui o de imagina que es e se o na pa e in eg an e do espaço en ol en e.”
100
Na
pe spe i a de Ma in S einmann es e obje i o é alcançado median e a o ma como o a -
qui e o suíço a a os ma e iais, a ec ónica e não a simbologia, assim como acon ece no
“la de idosos” em Coi a:
Nella casa pe anziani si so appongono immagini di e en i ma che hanno una
cosa in comune: il ma e iale e il modo di e o in cui iene applica o. Ques o
modo di cos ui e, Zum ho lo lega al conce o di campagna. È ques o ciò che
97
ACHLEITNER, F ied ich. Ri o no al mode no? L’a chi e u a di Pe e Zum ho . em Casabella. n° 648, pag.52
Milão: Elec a, 1997.
98
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.17
99
STEC, Ba ba a. Con e sazioni con Pe e Zum ho . em Casabella. n° 719, pag.6 Milão: Elec a, 2004.
100
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006. p.65
- 48 -
appo a il p oge o al con es o, e non l’uso di simboli p esi dalle cos uzioni
u ali, neppu e in modo aliena o.
101
3.2.2 Ma é ia
A ealidade que me in e essa e pa a a qual que o di igi a minha imaginação,
não é a ealidade das eo ias descoladas das coisas, mas sim […] a a e a a -
qui ec ónica conc e a. É a ealidade dos ma e iais e a ealidade das cons u-
ções.
102
Com es as pala as Pe e Zum ho essal a, mais uma ez, o o e in e esse que em em
elação ao conc e o da a qui e u a, ado ando uma dis ância das eo izações, enquan o
“nós nunca nos encon amos num espaço abs ac o, mas semp e no mundo eal, mesmo
quando pensamos.”
103
Es a ap oximação ao conc e o az com que exis a ambém uma ap oximação ao homem
e aos seus sen idos, es ando es es em es ei o con ac o com o espaço ísico que conduz
ao espaço a qui e ónico – o azio cheio de a mos e a que em po limi e a ma e ialidade
da a qui e u a. De ac o, po Pe e Zum ho :
Al cen o dell’a chi e u a c’è un uo o. Non puoi p oge a e un uo o, ma puoi
disegna e i suoi con ini, ed è allo a che il uo o p ende i a. […] la cosa a a-
scinan e è ques o ammen o i en e di spazio comp eso a con ini. […] ecco
cosa mi in e essa mol o, quel uo o. Come lo c ei, lo endi pieno di a mos e a,
[…] die S immung, l’a mos e a, lo s a o d’animo. […] Scegli i ma e iali e deli-
mi i i con ini del uo o.
104
Na pe spe i a de Juhani Pallasmaa é es e o caminho ce o pa a “ i-sensualizza e
l’a chi e u a”
105
, um p ocesso em que os a qui e os conseguem a ibui uma maio im-
po ância aos sen idos e às emoções “a a e so un a o za o senso di ma e iali à e a i-
li à, o di u a e peso, densi à di spazio e luce ma e ializza a.”
106
101
STEINMANN, Ma in. Casa di iposo pe anziani a Coi a. em Domus n°760, pag.22 Milão: Edi o iale Domus
Spa, 1994.
102
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.31
103
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.31
104
STEC, Ba ba a. Con e sazioni con Pe e Zum ho . em Casabella. n° 719, pag.6 Milão: Elec a, 2004.
105
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.49
106
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.49
- 49 -
Da mesma opinião é Ignacio Bosch Reig que a i ma:
Debemos se conscien es de que la o ma, la dimensión, la calidad, la p opo -
ción, la pe manencia en el iempo, las sensaciones, la luz, las ex u as, los colo-
es, la emoción,…de la a qui ec u a, es án di ec amen e inculadas a los ma e-
iales que u ilicemos, y su écnicas cons uc i as.
107
É es a ma e ialidade que p eocupa Pe e Zum ho enquan o “ma e iais soam em conjun-
o e i adiam, e é des a composição que nasce algo único.”
108
Con inuando a me á o a
musical, o a qui e o suíço a i ma que:
Cada espaço unciona como um ins umen o g ande, colecciona, amplia e
ansmi e os sons. Isso em a e com a sua o ma, com a supe ície dos ma e i-
ais e com a manei a como es es es ão ixos.
109
Daqui sob essai a impo ância de odos os ma e iais de uma cons ução, não apenas dos
que se eem, não apenas da pele, mas do in ei o co po a qui e ónico, enquan o:
Tal como nos emos o nosso co po com uma ana omia e coisas que não se êem
e uma pele… e c., assim unciona ambém a a qui ec u a e assim en o pensá-
la.
110
Uma das o mas como Pe e Zum ho pensa a a qui e u a é “como uma massa de som-
b as e a segui , como um p ocesso de esca ação”
111
, a ibuindo assim à luz e à somb a
uma o e ma e ialidade. Assim, o na-se c ucial “escolhe os ma e iais endo p esen e o
modo como e lec em a luz.”
112
Es e p ocesso men al, aduzido numa escolha conc e a
107
MÁS LLORENS, Vicen e. MERI DE LA MAZA, Rica do. Ma e ia y o ma. Valença: Ediciones Gene ales de la
Cons ucción, 2003. p.29
108
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006. p.25
109
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006. p.29
110
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006. p.23
111
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006. p.61
112
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006.p.61
- 50 -
é jus i icado pelo ac o de que, como ele mesmo admi e, “a luz sob e as coisas às ezes
me oca de uma o ma quase espi i ual.”
113
Pa a Lewis Mum o d es e ipo de a enções p oje uais o nam uma ob a a qui e ónica
numa pin u a mul idimensional, sendo que:
Pela escolha que az dos ma e iais, das ex u as e co es, pelo jogo de con as es
en e luz e somb a, pela mul iplicação de planos, pela ên ase, quando necessá-
io, da escul u a ou da o namen ação o a qui ec o ans o ma de ac o a sua
ob a num géne o especial de pin u a: uma pin u a mul idimensional animada,
cujo ca ác e ai mudando com as ho as e as es ações, e com as unções e ac-
ções dos espec ado es e dos componen es.
114
Ma in S einmann é mais p openso a associa a ob a de Pe e Zum ho à escul u a, acos-
ando o nome do a qui e o suíço ao de “Rück iem, che desc i e il suo la o o come
azioni sul ma e iale”
115
Na ó ica de Pe e Zum ho , o seu abalho sob e os ma e iais e a luz não es á elaciona-
do com as a es, mas sim com a na u eza, assim como ele mesmo explica e e indo-se
ao p oje o das e mas de Vals:
Ocupa -se com as leis p óp ias das coisas conc e as como mon anha, ped a,
água na pe spec i a de uma a e a a qui ec ónica, engloba a possibilidade de
cap a algo da na u eza o iginá ia e “ci ilizacionalmen e ingénua” des es ele-
men os, de o exp imi e desen ol e uma a qui ec u a que pa e das coisas e
ol a pa a as coisas.
116
3.2.3 Tec ónica
Como an e io men e e e enciado, Pe e Zum ho não se p eocupa apenas com o es ado
ísico dos ma e iais mas, igualmen e, com as ensões es u u ais que os sus en am, a i-
buindo assim um ele ado alo à ec ónica dos seus edi ícios.
113
ZUMTHOR, Pe e . A mos e as: en o nos a qui ec ónicos: as coisas que me odeiam. Ba celona: Gus a o Gili,
2006.p.63
114
MUMFORD, Lewis. A e & écnica. Lisboa: Edições 70, 1980.p.108
115
STEINMANN, Ma in. Casa di iposo pe anziani a Coi a. em Domus n°760, pag.22 Milão: Edi o iale Domus
Spa, 1994.
116
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.27
- 51 -
Assim azendo, na pe spe i a de Ma io Alga ín Comino, a ec ónica das ob as do a qui-
e o suíço ob ém a cono ação de since idade cons u i a, sendo que:
Se aplica el cali ica i o ec ónico a a qui ec u as que además enseñan cla a-
men e su condición y mues an cómo se p oduce ealmen e la supe posición de
sus elemen os cons uc i os, lo que aumen a su po encial exp esi o. Así añadi-
mos a la simple cons ucción el concep o de acionalidad y since idad cons uc-
i a.
117
Des a o ma, a in e p e ação a qui e ónica deixa de u iliza o ocabulá io in elec ual em
ez da acionalidade emocional ou – como a i ma Ma in S einmann ci ando B uno
Reichlin – “al pos o di una g amma ica dei segni […] si a e ma a poco a poco una
g amma ica delle s u u e.”
118
Es a conceção ec ónica da a qui e u a, mais uma ez,
le a os sen idos do homem ao cen o da ques ão a qui e ónica, sendo que:
A é a es u u a mais simples p oduz uma imp essão isual sob e aqueles que a
olham: inconscien e ou p oposi adamen e, ela comunica algo ao obse ado e
modi ica, nem que seja mui o ligei amen e, as suas eacções o gânicas.
119
Fe nando Tá o a não ac edi a na pu eza ecnicis a da a qui e u a ec ónica, uma ez que
“es amos em c e que, assim como não exis e ob a de a e pu a, não exis e igualmen e
ob a de écnica pu a”
120
, a i mação que anda de aco do com aquela de Kenne h F amp-
on que decla a:
La ec ónica adquie e el ca ác e de e dade o a e en la medida en que equi a-
le a una poé ica de la cons ucción […] dimensión a ís ica no es igu a i a ni
abs ac a.
121
A a e unde-se des a o ma com a écnica le ando a ec ónica dos ma e iais a um ní el
poé ico, não deixando de en aizá-los no conc e o da cons ução, assim:
117
ALGARÍN COMINO, Ma io. A qui ec u as exca adas: el p oyec o en e a la cons ucción de espacio. Ba ce-
lona: Fundación Caja de A qui ec os, 2006. p.19
118
STEINMANN, Ma in. Casa di iposo pe anziani a Coi a. em Domus n°760, pag.22 Milão: Edi o iale Domus
Spa, 1994.
119
MUMFORD, Lewis. A e & écnica. Lisboa: Edições 70, 1980. p.103
120
TÁVORA, Fe nando. Da O ganização do Espaço. Po o: Faup Publicações, 1996. p.14
121
FRAMPTON, Kenne h. Es udios sob e cul u a ec ónica: poé icas de la cons ucción en la a qui ec u a de los
siglos XIX y XX. Mad id: Akal, 1999. p.13
- 52 -
En la a qui ec u a, la écnica, la ma e ialización, la cons ucción, la p oduc-
ción, es á en su p opia esencia, de o ma que su obje i o es la ob a cons uida,
po lo que el p oyec o como dibujo, debe exp esa la olun ad de se el ins u-
men o de su ealización, y po an o, debe mos a esos conocimien os ec óni-
cos, y sob e odo, ese comp omiso con la ma e ia y ecnología que la de inen.
122
122
MÁS LLORENS, Vicen e. MERI DE LA MAZA, Rica do. Ma e ia y o ma. Valença: Ediciones Gene ales de la
Cons ucción, 2003. p.29
- 53 -
4 Os casos de es udo
Nes a úl ima pa e do abalho p e ende-se desen ol e uma in e p e ação à ob a de Pe-
e Zum ho : uma e i icação p á ica dos conhecimen os adqui idos ao longo do desen-
ol imen o da p esen e disse ação assim como dos anos de equen ação das aculda-
des de a qui e u a i aliana e po uguesa.
A a iedade das ob as selecionadas o e eceu uma mul iplicidade de con eúdos sob e os
quais é possí el es u u a um discu so ab angen e ace ca da ob a de Pe e Zum ho . A
escolha e a u ilização dos ma e iais, a abo dagem e o desen ol imen o dos p og amas, a
o ganização espacial e a a iculação dos pe cu sos, são odos assun os que o a qui e o
suíço a on a sem p ejuízo nem limi ações em cada p oje o, po que, como ele mesmo
decla a, “não sou um a qui ec o que pa e de uma eo ia. […] Es ou, pa a assim dize ,
en egue à a qui ec u a do aze .”
123
Foi en ão desen ol ida uma abo dagem às ob as a a és, p imei amen e, de uma desc i-
ção do obje o a qui e ónico e, pos e io men e, de uma in e p e ação do mesmo. Pô -se-á
em es ei a elação o aspe o ima e ial e abs a o da pe ceção senso ial do espaço com o
conc e o da ma e ialidade ec ónica do mesmo, en ando chega , assim, a uma iden i i-
cação da a mos e a imaginada po Pe e Zum ho .
123
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.33
- 54 -
4.1 A plani icação da iagem
Como an e io men e e e ido, é incon es á el a impo ância da pe ceção di e a do
espaço pela comp eensão do mesmo, uma ez que “non può esse e app esen a o com-
piu amen e in nessuna o ma, non può esse e app eso e issu o se non pe espe ienza
di e a, è il p o agonis a del a o a chi e onico.”
124
Na pe spe i a da ealização do p esen e abalho, a isi a às ob as não oi e e uada o-
cando a a enção no obje o a qui e ónico ou no po meno cons u i o, mas sim com uma
pa icula a enção às a mos e as, à emoção ísica, uma pe ceção espacial ei a pelo co -
po e pelas sensações e não apenas pelos olhos ou pelo in elec o. Fo am isi adas as
ob as com conscien e a as amen o, en ando abandona os conhecimen os a qui e óni-
cos adqui idos ao longo dos anos, p ocu ando i e o espaço mais que a aliá-lo enquan-
o “più che spazio isico, lo spazio a chi e onico è spazio issu o”
125
. Ten ou-se cap a
os ambien es, assim como Pe e Zum ho suge e no li o “Pensa a a qui ec u a”:
Nunca ui um bom obse ado , nunca o quis ealmen e se . Gos o de cap a am-
bien es, de me mo imen a em si uações espaciais. Fico con en e quando me
es a um bom sen imen o, uma imp essão, de onde posso mais a de, como numa
obse ação in ensi a de um quad o, e i a pa icula idades e me pe gun a o
que oi que me p o ocou o sen imen o de calo , de segu ança, de le eza ou de
amplidão que icou na minha memó ia.
126
4.1.1 Adap ação emocional
Como Edwa d T. Hall sus em no li o “A dimensão ocul a”, en e di e en es países, as
di e enças en e populações excedem as di e gências his ó icas e cul u ais, exis indo, de
ac o, di e enças ísicas capazes a é mesmo de modi ica a capacidade de pe ceção sen-
so ial.
127
Assim sendo, o que um cidadão i aliano conside a um i mo de ida ené ico,
um alemão pode á conside a como um i mo sossegado, assim como, o que pa a um
cidadão po uguês ep esen a a sensação de io, pa a um suíço pode co esponde a
uma si uação de con o o é mico.
124
ZEVI, B uno. Sape ede e l'a chi e u a. Tu in: Einaudi, 2009. p.22
125
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.81
126
ZUMTHOR, Pe e . Pensa a a qui ec u a. Ba celona: Gus a o Gili, 2005. p.42
127
HALL, Edwa d T. A dimensão ocul a. Lisboa: Relógio d'Água, 1986.
- 55 -
Du an e a ealização da iagem oi sen ida a necessidade de um es o ço de adap ação,
na p ocu a de uma melho comp eensão do que se ia a eal pe ceção des as a qui e u as
po pa e dos habi an es locais. Alemanha, Áus ia e Suíça são os países em que se ins-
alam as a qui e u as que se p e endeu isi a , sendo assim a cul u a ge mânica
128
a
p eponde an e e a mesma do a qui e o que concebeu as ob as.
No en an o, e sendo que descola -se da p óp ia cul u a pa a comp eende uma ou a não
é uma a e a que se possa cump i numa iagem de ão cu o p azo, assume-se que es a
comp eensão sociocul u al ap esen a, ainda assim, algumas limi ações.
4.1.2 Mé odos e obje i os
O i ine á io e o p og ama da iagem o am p agma icamen e selecionados em unção da
economicidade da mesma. Op ou-se, no en an o, po e e ua as isi as no início de de-
zemb o, sendo es a a es ação in e nal que, a nosso en ende , mais ca a e iza os países
pe co idos. As isi as i e am início a uma quin a- ei a, em di eção à pequena capela
da egião do Ei el e, seguidamen e, oi isi ado o museu diocesano no cen o da cidade
de Colónia. No dia seguin e e e uou-se uma longa jo nada a é B egenz, na Áus ia, pa a
isi a o museu de a e con empo ânea. O e cei o dia oi dedicado à expe imen ação
dos espaços das e mas em Vals, nas mon anhas suíças e, po im, isi ou-se a capela ao
se iço de um pequeno po oado nos a edo es da aldeia de Sum i g, si uada nas mes-
mas mon anhas suíças, no dia de domingo.
Foi es abelecido que a du ação das isi as de esse se semelhan e, den o do possí el,
aos empos de pe manência de um expec ado comum, p ocu ando-se não o ça as
emoções e e i ando-se a ase in elec ual da isi a, aquela em que os conhecimen os pes-
soais in e e em com as sensações ísicas.
As o og a ias e e uadas i e am como p opósi o se em, no u u o, um auxílio ao des-
pe a das memó ias das emoções o iginais, quando es as possi elmen e se i essem
des anecido em esul ado da passagem do empo.
128
En ende-se, com es e e mo, aquele conjun o de cul u as que, sendo p o enien es de di e en es países mas endo
uma aiz his ó ica comum, azem com que es as sejam associá eis em di e sos aspe os.
- 56 -
6 – Pe cu so de chegada à capela.
- 63 -
4.2.2 A in e p e ação da ob a
O p imei o impac o com a B ude Klaus Kapelle ge a uma sensação de cu iosidade. A
sua implan ação a as ada de udo p e ê uma cla a in encionalidade no desloca -se pa a
isi a a capela. O alheio obje o monolí ico ep esen a, na planície cul i ada, um pon o
de chegada, um a ol pa a o ien a os iéis.
A pequena c uz no opo da po a iangula decla a, com elegância, o ca ác e sag ado
do luga .
A imponência dos 12 me os de al u a em um e ei o mais a assalado quando se alcan-
ça o edi ício e, ao ab i a pesada po a em e o, ob ém-se mais uma con i mação da
massi a p esença da ma é ia.
Deixando a o e iluminação do ex e io pa a encon a o somb io in e io , ob ém-se a
imp essão de en a no en e da e a, sensação acen uada pela ápida mudança de ge-
ome ia e de ex u a exis en es en e as condições de den o e o a. Assim, o o e im-
pac o da ansição, anspo a apidamen e o isi an e pa a uma no a condição. Num
ins an e deixa-se pa a ás não só a planície alemã, mas ambém odo o mundo ex e io ,
a o ecendo de imedia o uma o e in e io idade con empla i a.
Um b e e e cu o pe cu so conduz desde a en ada a é ao co ação do edi ício. A com-
p essão des e pequeno espaço põe-nos em con ac o p óximo com a ma é ia, as pa edes
escu as e ias e ocam uma g u a de ped a, sensação que acompanha o isi an e ao lon-
go de oda a pe manência.
As espessas pa edes de be ão isolam o espaço in e io dos anquilos campos ag ícolas,
ge ando um espaço pa icula men e silencioso e ma e ializando, des a o ma, o pensa-
men o de Juhani Pallasmaa que a i ma:
L’espe ienza udi i a essenziale che l’a chi e u a c ea è la quie e. L’a chi e u a
o e il d amma della cos uzione ammu oli o nella ma e ia, nello spazio e nella
luce. In ul ima is anza, l’a chi e u a è l’a e del silenzio pie i ica o.
133
O espaço p incipal é eduzido, ín imo e acolhedo , apesa do ele ado pé-di ei o e do
óculo que c ia uma cons an e ligação com o céu. Um espaço abe o mas ab igado, pe-
queno mas não claus o óbico.
133
PALLASMAA, Juhani. Gli occhi della pelle: l'a chi e u a e i sensi. Milão: Jaca Book, 2007. p.68
- 64 -
A dep essão do piso p eenchida com a água da chu a que en a di e amen e pela abe u-
a do e o ou esco e a a és das pa edes limi a ainda mais o espaço usu uí el. Pe cebe-
se, assim, que es e espaço não se des ina à deambulação mas a um calmo es a . Tudo
deixa pe cebe que a capela é um espaço pa a uma só pessoa, um espaço de medi ação e
de colocação do homem pe an e Deus, de ac o, “l’e emi a è solo da an i a Dio e la sua
capanna è l’an i ipo del monas e o”
134
, e des a o ma, o banco em madei a, posicionado
em en e a c uz de seis pon as – símbolo de B ude Klaus ao qual é dedicada a capela –
con ida à eza, seja di ecionada à c uz e dedicada ao san o, seja em di eção do óculo,
di igindo-se di e amen e a Deus.
A ob a mani es a abe amen e a p esença dos elemen os undamen ais – água, a , e a e
ogo – ap esen ando-os de o ma di e a e c iando assim uma o e ligação com a na u e-
za. Es a junção encon a-se em sin onia com a aus e a ida do e emi a Niklaus on Flüe
(1417-1487), que se e i ou pa a o des iladei o en e as ochas do Ran , na Suíça cen-
al, pa a medi a e encon a Deus a a és da na u eza.
135
Vol ando a uma in e p e ação mais a qui e ónica e menos espi i ual, e e em-se aqui as
pala as de Chia a Baglione que, a nosso en ende , sin e iza de o ma i ep eensí el a
essência da ob a:
Lo spazio è concepi o in dall’inizio in appo o indissolubile con la ma e ia de-
s ina a a con ene lo, men e ques a mos a i segni del “la o o” che l’ha a-
s o ma a, cosicché il p ocesso cos u i o è elemen o sos anziale dell’ope a a -
chi e onica.
136
134
BACHELARD, Gas on. La poe ica dello spazio. Ba i: Dedalo, 2006. p.59
135
Feldkapelle in Wachendo . em De ail. n°1/2, pag.12 Munchen: Ins i u ü In e na ionale A chi ek u Documen-
a ion, 2008.
136
BAGLIONE, Chia a. Nel silenzio. em Casabella. n°758, pag.144 Milão: Elec a, 2007.
- 65 -
- 66 -
9 – In eg ação en e a no a cons ução e as p eexis ências.
- 67 -
4.3 Kolumba Kuns museum (1997-2007)
A segunda ob a isi ada oi o “Kolumba Kuns museum”, que se encon a inse ida na
malha u bana da cidade de Colónia, na Alemanha cen o-ociden al.
O cen o his ó ico des a cidade oi quase in eg almen e des uído pelos bomba deamen-
os dos aliados na ase conclusi a da segunda gue a mundial, ap esen ando hoje em dia
uma g ande a iedade empo al de cons uções – as poucas que sob e i e am à des ui-
ção, as p imei as econs uções dos anos ’50, a é as mais mode nas in e enções. O edi-
ício de Pe e Zum ho pode ep esen a , nes a lei u a, um elemen o cha e no diálogo
en e his ó ia e p esen e.
137
O p og ama do concu so de 1996 p e ia, de ac o, uma a iculada in eg ação his ó ica
en e a capela “Madonna in den T ümme n” ob a de Go ied Bohm de 1949, os acha-
dos a queológicos omanos e medie ais – que nos anos ’70 o am encon ados e i ando
as uínas da ig eja gó ica semides uídas pelos bomba deamen os – e a cons ução de
um no o espaço pa a a exposição das ob as de a e de p op iedade da diocese de Coló-
nia.
138
A coleção de a e, u o de con ínuas doações à diocese, é compos a an o po pe-
ças de a e sac a e an iga como po peças de a e popula , obje os de design e de a e
con empo ânea. Es a a iedade es ilís ica condicionou o p oje o, sendo que ob igou Pe-
e Zum ho a conside a uma no á el lexibilidade dos espaços exposi i os, ca ac e ís-
ica que o a qui e o suíço não in e p e ou de o ma monó ona, uni o me ou gené ica.
139
137
Biennale di Venezia 8ª Venezia 2002 - nex : 8 h in e na ional a chi ec u e exhibi ion: 2002. Veneza: Ma silio,
2002.
138
DAVEY, Pe e . Diocesan dialogue. em The A chi ec u al Re iew n°1329 pag.37. London: The A chi ec u al
P ess, 2007.
139
BAGLIONE, Chia a. Un museo pe con empla e. em Casabella. n°760, pag.7 Milão: Elec a, 2007.
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10 – A sala dos achados a queológicos.
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4.3.1 A Desc ição do obje o a qui e ónico
O edi ício ap esen a-se como um geomé ico olume con empo âneo que engloba, sem
su oca , as uínas e o edi ício p eexis en e.
As duas een âncias no piso é eo da g ande massa ma cam os acesos à capela e às zo-
nas exposi i as, ga an indo a independência das duas unções. En ando na capela é
possí el e uma an e isão da zona das esca ações a queológicas sendo p esen e, no
á io de en ada, uma janela sob e as mesmas.
No p imei o piso, em co espondência com a zona a queológica, os ijolos que com-
põem i micamen e a sua e ex u a das pa edes, desma e ializam-se de o ma i egula
o mando assim os il e maue we k
140
, que i ão ga an i o a ejamen o e a iluminação
na u al pa a as esca ações.
No segundo piso das achadas lisas são aplicados, ex e io men e, os caixilhos dos g an-
des en id açamen os que o necem, pa a além da iluminação, uma pano âmica con em-
pla i a sob e a cidade de Colónia.
Os ijolos maciços que compõem as pa edes pe ime ais do edi ício o am ealizados
especi icadamen e pa a es a ob a numa áb ica dinama quesa que, ainda de o ma a e-
sanal, desen ol eu a composição e os p ocessos p odu i os de o ma a ob e um ijolo
com uma o ma e uma colo ação que pudesse adap a -se às p eexis ências mas, am-
bém, pudesse enca ega -se de pa e da sus en ação do edi ício. De ac o, o mesmo
ap esen a uma es u u a mis a compos a po pa edes po an es em ijolo e inos pila es
em aço e es idos em be ão, isí eis na ampla sala a queológica.
141
Desde o ex e io p e igu a-se um a iculado desen ol imen o espacial in e io , endo as
pa edes pe ime ais um pe il i egula . De ac o, no in e io é possí el encon a uma
g ande a iedade de espaços, sendo es es ca a e izados po geome ias e ma e iais di e-
en es. No piso é eo desen ol e-se o oye que conduz desde a en ada a é uma zona
de eceção. São ambém dis ibuídos a a és do mesmo espaço ece i o uma zona de
se iços, uma coo e – delimi ada po uma pa ede de be ão que az lemb a o a amen o
do be ão da “B ude Klaus Kapelle” – e a zona a queológica. A zona de en ada, de e-
140
BAGLIONE, Chia a. Cos ui e la memo ia. Con e sazione con Pe e Zum ho . em Casabella. n°728/729,
pag.72 Milão: Elec a, 2005.
141
BAGLIONE, Chia a. Cos ui e la memo ia. Con e sazione con Pe e Zum ho . em Casabella. n°728/729,
pag.72 Milão: Elec a, 2005.
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ceção e de dis ibuição êm um pa imen o em lajes de ped a calcá ia, o mesmo ma e ial
u ilizado pela g a ilha da coo e e pelo banco p esen e na mesma. Quan o à zona a que-
ológica, o pe cu so de isi a é compos o po uma passadei a em madei a que conduz,
ziguezagueando, a é ao espaço an igamen e dedicado à sac is ia, hoje sem cobe u a.
Subindo ao p imei o piso encon a-se um espaço de dis ibuição-exposição que liga as
p imei as duas salas exposi i as, denominadas kabine
142
e a ma ium
143
. Os kabine
são salas, p esen es ambém no segundo piso, ca a e izadas pela ausência de luz na u al,
e onde os pisos de a gamassa cinza des acam-se do ma e ial e co a do piso do espaço
exposi i o ex e io , sendo es e em e azzo ino de má mo e de Ca a a e com um pe-
queno desní el de ce ca de 2-3 cen íme os. Pelo con á io, as pa edes ap esen am con-
inuidade de acabamen o sendo, an o no in e io como no ex e io das salas, em eboco
cinzen o, com di e enciação ob ida apenas pelas onalidades: os kabine são pin ados de
um cinzen o mais escu o, o mesmo dos pa imen os, ga an indo assim con inuidade es-
pacial. O a ma ium é uma sala única nas suas ca ac e ís icas po que, além de não ap e-
sen a luz na u al como acon ece nos kabine , es a sala é comple amen e e es ida a
p e o, a gamassa no piso e eludo nas pa edes e ap esen a, igualmen e, um piso desni-
elado em compa ação com o espaço ex e io , sendo es e desní el mais ma cado uma
ez que é compos o po um deg au de ce ca de 15-20 cen íme os.
No segundo piso o espaço de dis ibuição-exposição a icula-se, mais uma ez, en e
salas de di e en es geome ia e unção. Uma pequena sala de lei u a e ês kabine , que
es ão di ei amen e ligados a um ou o ipo de sala denominado o e, que, pela sua ge-
ome ia e ical, consen iu a aplicação de janelas nos opos ga an indo, assim, uma luz
na u al que in ade comple amen e a sala e a ando-se nas pa edes cinzen o cla o. Os
ma e iais dos kabine e das o es man êm-se cons an es en e eles, iguais ambém aos
ma e iais do kabine do piso in e io , enquan o que a sala de lei u a é ca a e izada pelo
uso da madei a que e es e comple amen e o compa imen o. À di e ença do p imei o
piso, o segundo des aca-se pelo uso de g andes janelas – seja no espaço dis ibu i o, se-
ja na sala de lei u a – que ga an em uma abundan e iluminação na u al e suges i as pa-
no âmicas sob e a cidade de Colónia.
Os á ios compa imen os encon am-se sepa ados do espaço que os a icula po di e-
en es co as do piso e po di e en es ma e iais, no en an o encon am-se ambém ideal-
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BAGLIONE, Chia a. Un museo pe con empla e. em Casabella. n°760, pag.7 Milão: Elec a, 2007.
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men e sepa adas po uma ma cada u u a en e o pa imen o em e azzo e as pa edes
ebocadas. Es a issu ação, pa a além de delimi a os espaços, em uma unção p óp ia,
sendo a a és des e pequeno elemen o con ínuo em odo o edi ício que é insu lado o a
condicionado sucessi amen e ecupe ado a a és de abe u as no e o.
O aquecimen o do edi ício é ga an ido a a és de ene gia geo é mica, sis ema en abili-
zado po meio de pa imen os adian es, cons i uídos po ubos de água quen e, ga an-
indo, assim, um cons an e e di undido aquecimen o do espaço. O isolamen o é mico é,
po im, ga an ido pela no á el espessu a das pa edes ex e io es. Os 60 cen íme os em
ijolo maciço ga an em um isolamen o su icien e, an o que não oi necessá io inse i
camadas isolan es adicionais.
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11 – A gale ia exposi i a
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4.4.1 A Desc ição do obje o a qui e ónico
O in o e ido pa alelepípedo esconde a unção des e edi ício exposi i o, en ol endo o
espaço in e io com um in óluc o compos o po painéis de id o acidado. Ap oximan-
do-se do mesmo, e esp ei ando pelo espaço exis en e en e os painéis simplesmen e
apoiados em mênsulas me álicas, pe cebe-se que o in oluc o é sus en ado po uma es-
u u a me álica au opo an e, negando assim, mais uma ez, a pe ceção dos espaços
in e io es.
Uma ez a a essado o po al de en ada – compos o po uma dupla po a que ga an e o
co e o isolamen o é mico e acús ico – é imedia amen e pe ce í el a es u u a que ga-
an e a sus en ação do edi ício; ês pa edes em be ão sus en am o e o do mesmo ma e-
ial, es u u a que se epe e em odos os pisos.
Os mesmos painéis de id o acidados do ex e io são u ilizados ambém no in e io des-
e piso que albe ga a eceção em di e o con a o com um p imei o espaço exposi i o. Ao
con á io do lado ex e io , o en id açado que co e ao longo de odo o pe íme o é sus-
en ado po uma es u u a isí el, que eda comple amen e o ex e io , isolando-o.
As pa edes de be ão se em ambém pa a ocul a as comunicações e icais, sejam es as
de se iço ao público, sejam de se iço ao edi ício. Assim, a ás da pa ede no e encon-
a-se o mon a-ca gas, a ás da pa ede sul a escada que conduz aos ou os pisos do edi í-
cio e a ás da pa ede les e é colocado o ele ado , a escada de eme gência e o ão écni-
co, p epa ado pa a a dis ibuição e ical das canalizações de a e água que se em pa a
con ola a clima ização do edi ício.
O banco de eceção e o baixo mó el que se encon a a ás dele e que se e de bookshop
são pin ados a p e o, em o e con as e com o be ão cinzen o cla o das pa edes, assim
como com as luminosas pa edes de id o. O pa imen o de be ão polido ap esen a uma
colo ação cinzen a escu a, sendo es a onalidade igualmen e u ilizada nas pa edes do
ele ado e do mon a-ca gas.
Ab indo a po a que conduz à p imei a sala exposi i a encon a-se uma comp ida esca-
da ia. A pa i do p imei o deg au a onalidade do pa imen o o na-se cinzen a cla a,
colo ação que é man ida em odos os pisos supe io es. A iluminação da escada é ei a
a a és de um e o also compos o de painéis quad ados de id o acidado que, eceben-
do a luz do ex e io , a e le em di undida no in e io .
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O p imei o piso ap esen a a mesma plan a do piso é eo mas di e encia-se pelos ma e-
iais das pa edes, onde as pa edes de id o são subs i uídas po pa edes de be ão da
mesma onalidade das pa edes es u u ais. A iluminação segue o c i é io da escada ia
compondo-se assim o “ma e di pannelli di e o”
145
que ga an e uma iluminação di un-
dida pelo espaço.
O piso supe io é idên ico ao p imei o, enquan o que o e cei o, mesmo man endo as
mesmas ca ac e ís icas, ap esen a um pé-di ei o ligei amen e maio , ga an indo assim
uma melho lexibilidade exposi i a do museu.
Descendo ao p imei o piso sub e âneo encon a-se um espaço comple amen e di e en-
e. A dimensão é no a elmen e eduzida em compa ação com os pisos supe io es de ido
à inse ção de compa imen os echados que alojam os se iços e os gabine es adminis-
a i os.
A co dominan e é o p e o das pa edes di isó ias em eboco polido que se eem, embo-
a sem ni idez, a a és das pa edes anslúcidas compos as po ijolos de id o.
Embo a a u ilização das pa edes pe ime ais de id o acidado que, assim como acon ece
no piso é eo, des u am a luz na u al que il a a é as p o undezas des e espaço, é a luz
a i icial que p edomina. São de ac o p esen es ocos luminosos embu idos no e o de
be ão e candeei os em id o acidado que di undem a luz na sala de con e ências. Tam-
bém a pa imen ação ol a a e uma colo ação mais escu a, o mesmo cinzen o do piso
de en ada.
Não é possí el pe cebe plenamen e o sis ema de iluminação e de clima ização in loco
uma ez que se encon am ocul ados pela pa edes es u u ais e pelo e o also de id o.
Tubos de água aquecidos e a e ecidos segundo necessidade e median e ene gia geo é -
mica co em embu idos nos pa imen os e nas pa edes es u u ais ga an indo, assim, que
a massa de be ão con i a uma es abilizada ine cia é mica ao edi ício. Des a o ma a ne-
cessidade de oca de a do espaço é eduzida ao mínimo pe mi indo que seja insu lada
a a és das issu as que sepa am os pa imen os das pa edes de be ão, enquan o que a
ex ação do a acon ece a a és do e o also – simila men e ao que acon ece no Kolum-
ba Kuns museum.
145
PERESSUT, Luca Basso. Musei: a chi e u e 1990-2000. Milano: Fede ico Mo a, 1999. p.192
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O con olo da iluminação acon ece ambém en e o e o also – onde são posicionados
os candeei os de luz indi e a que, ele onicamen e con olados, aumen am ou diminuem
g adualmen e a luminosidade da sala exposi i a – e a pele ex e io que, a a és de um
sis ema de e ação e edação da luz ex e io , az com que o espaço in e io eceba a
co e a quan idade de iluminação na u al.
Faz igualmen e pa e des e complexo, embo a sepa ado do que con ém as salas exposi-
i as, o edi ício p e o pa alelepípedo onde são hospedados a ca e e ia, a biblio eca, a
loja e a di eção do museu.
O ogonalmen e o ien ado em elação ao edi ício p incipal, o edi ício poli uncional
ap op ia-se ambém da p aça ex e io o nando-a na esplanada da ca e e ia.
O pe íme o do edi ício é compos o de um i mado cheio- azio, em que o cheio é ep e-
sen ado po amponamen os p e os, e o azio po janelas capazes de desliza à en e das
pa edes cegas e p o egí eis po oldos de co b anca.
A es u u a à is a é compos a po lajes em be ão supo adas po pa edes es u u ais
despos as em o ma de T que se em pa a de ini os espaços: ca e e ia e loja no piso
é eo; biblio eca e adminis ação nos dois pisos supe io es.
- 82 -
14 – Sala de exposição.
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4.4.2 A in e p e ação da ob a
A pele do edi ício cap u a e e le e as condições a mos é icas. Chegando-se em B egenz
numa ne osa a de de in e no e obse ando o edi ício do lado do lago, a p imei a im-
p essão é que es e seja, na ealidade, uma escul u a de gelo.
As escadas que se islumb am do lado da en ada, e que desapa ecem nas p o undezas
da e a, azem imagina que o obje o opala enha saído da mesma, con apondo-se ao
edi ício da ca e e ia elegan emen e apoiado na p aça de alca ão p e o.
Ao en a , o con ac o com o ex e io desapa ece de imedia o, sendo es e apenas ga an i-
do pela luz e, mesmo assim, es a é il ada e modulada ga an indo uma cons an e pe ce-
ção das ob as expos as.
A possibilidade de ins an aneamen e pe cebe o amplo espaço ao en a na sala az com
que a a enção possa se di ecionada aos obje os que nela são con idos.
As e as pa edes de be ão ge am cu iosidade, além da pa ede sul, que já desde o ex e io
inha e elado a sua unção dis ibu i a.
Ao ul apassa a po a que sepa a a p imei a zona exposi i a da escada que conduz ao
segundo piso, pe cebe-se que os ambien es seguin es de em e algo de di e en e do
p imei o. Subindo a escada o emen e iluminada, e en ando na p imei a sala exposi i-
a, em-se con i mação dos p essen imen os, o ma de painéis de id o luminosos, as-
sociado ao polido e cla o be ão do pa imen o, c iam um espaço e é eo em que a suspen-
são empo al e espacial ga an e, mais uma ez, uma a en a e anquila consul ação das
ob as de a e expos as.
O pe cu so epe e-se semp e igual a si mesmo conduzindo pelos úl imos dois pisos sem
mais su p esas emocionais, mas com uma cons an e sensação de mis icismo – a con í-
nua e ação en e os painéis de id o e o be ão polido c ia uma luminosidade palpá el,
uma densidade do espaço que induz a pensa que seja p eciso nada pa a pe co ê-lo,
mas sem es o ço, como em ausência de g a idade.
Chegando à úl ima sala o pe cu so é in e ompido po uma po a de be ão que dá aceso
a uma zona écnica. Pa a desce ao p imei o piso sub e âneo op ou-se po usa o ele a-
do . Es a escolha a e ou as emoções p o ocadas pa a es e úl imo espaço. No a elmen e
eduzido nas dimensões e mais escu o – seja como luminosidade, seja como co es – es e
espaço po alguns momen os o na-se quase op imen e. As pesadas pa edes de ijolos de
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id o que desenham o espaço da sala das con e ências con as am o emen e com as
le es pa edes de be ão cinzen o cla o. Uma ez supe ado es e p imei o empasse emoci-
onal, pe cebe-se a elegância des a á ea que com as suas pa edes de eboco polido p e o
c iam uma o ma de ligação com o edi ício adminis a i o.
A ca e e ia é um espaço eduzido mas mui o elegan e. O comp ido balcão pe co e qua-
se oda a sala acompanhando os so ás em pele p e a e as mesas de me al c omado e c is-
al. As pa edes cegas são e es idas a eludo p e o ga an indo assim que o espaço ique
silencioso e con o á el. Os es an es espaços do edi ício adminis a i o não o am isi-
á eis na al u a da iagem.
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15 – Fachada p incipal.
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4.5 The mal Ba h Vals (1990-1996)
Pe e Zum ho ganhou o concu so, lançado pela câma a municipal, pa a a ealização do
no o edi ício e mal que subs i uiu o que oi cons uído nos anos ’60 na aldeia de Vals,
no Can ão G isões, na Suíça o ien al.
146
A aldeia desen ol e-se no undo do ale do io Valse hein, ocupando as duas e en es
que o de inem. Chegando de no e, encon a-se uma p imei a expansão do po oado na
encos a poen e e, sucessi amen e, chega-se ao núcleo mais an igo, do ou o lado do io.
A ob a encon a-se na á ea edi icada mais mode na. Rodeada po cons uções da segun-
da me ade do seculo XX, de ca á e ipicamen e especula i o, os ho éis e os edi ícios
esidenciais o mam uma co ina deixando isolada a e de encos a que, ma cada po
uma o e pendência, hospeda o geomé ico edi ício e mal.
147
O município empenhou-se em desen ol e o u ismo desde o inal do seculo XIX,
ap o ei ando os ecu sos na u ais da zona, de que a on e e mal ep esen a a maio
a ação. Após a cons ução do edi ício de Pe e Zum ho c iou-se logo um o e in e es-
se no âmbi o do u ismo a qui e ónico que, jun ando-se ao u ismo adicional, consa-
g ou o sucesso da ob a do a qui e o suíço.
148
146
RYAN, Raymund. P imal The apy. em The A chi ec u al Re iew n°1206 pag.42. London: The A chi ec u al
P ess, 1997.
147
ZUMTHOR, Pe e . Pie a e acqua. em Casabella. n°648, pag.56 Milão: Elec a, 1997.
148
ACHLEITNER, F ied ich. Elemen a e p o ondi à. em Casabella. n°648, pag.60 Milão: Elec a, 1997.
- 88 -
16 – Piscina cen al.
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isi an es es ão em pé e não sen ados ou dei ados, ge ando-se assim sensações de dina-
mismo que en am em o e con as e, mas não con li o, com os es an es espaços maio-
i a iamen e elaxan es.
Ao en a no co edo que se e os espaços dos a amen os no piso in e io , o di e en e
a amen o do pa imen o e a imedia a e comple a pe ceção espacial con e em uma sen-
sação de elegan e anquilidade que con as a com a elaxan e mas indomés ica na u eza
da g u a supe io . Uma sensação de que, nes e caso, o homem domina a na u eza c ian-
do um espaço mais ín imo, enquan o que, na g ande sala e mal, o homem subme e-se à
na u eza adap ando-se ao espaço que ela lhe p opo ciona.
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18 – Con ex o u al da capela.
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4.6 Caplu a Sogn Benede g (1985-1988)
A úl ima ob a a se isi ada oi uma das p imei as que p opiciou a Pe e Zum ho a sua
ama in e nacional. T a a-se de uma capela a se iço do pequeno po oado de Sogn Be-
nede g, não longe da aldeia de Sum i g, que se encon a num ale pa alelo àquele ocu-
pado pela aldeia de Vals que hospeda as e mas. Conc e amen e, as duas ob as dis am
apenas 45 quilóme os uma da ou a.
Após a des uição da an iga ig eja ba oca de ped a, de ido a uma a alanche, decidiu-se
cons ui uma no a capela num sí io mais segu o.
151
O no o edi ício sag ado encon a-se a no e do cen o do pequeno po oado, ligei amen-
e deslocado das habi ações e inse ido numa encos a no a elmen e inclinada.
Pa a acede à capela é p eciso pe co e o pequeno caminho que sai da ua p incipal e
conduz ao bosque que domina as casas cons uídas com écnicas e em es ilo e nacula
alpino.
A canónica o ien ação es e-oes e da capela, à semelhança da o ien ação da an iga ig eja
e do ele ado sí io de implan ação da mesma, azem com que o edi ício em o ma de go-
a domine o ale que se desen ol e abaixo dele.
151
FINGERLE, Ch is oph May . Neues Bauen In Den Alpen: A chi ek u p eis 1992. Ses o: Rae ia, 1992.
- 98 -
19 – Po a de acesso.
- 99 -
4.6.1 A Desc ição do obje o a qui e ónico
O edi ício ca a e iza-se po e , como pa ede pe ime al, um único plano ecu o que se
echa sob e si mesmo o mando, em plan a, a o ma de uma go a. O e es imen o ex e-
io é compos o po elhas de madei a, as mesmas que ipicamen e e es em as cobe u-
as das casas. A cobe u a de alumínio é sepa ada da pa ede pe ime al po uma con í-
nua janela em banda i mada pelo ino a o de madei a, que sus en a os epe idos e es-
ei os id os.
A po a de en ada em madei a ompe a linea idade da igu a geomé ica esumindo
num pequeno espaço as unções de ansição en e in e io e ex e io .
Uma b e e escada em be ão e a ina o e sinei a em o ma de escada de madei a, am-
bos isicamen e des acados do co po p incipal, comple am a composição do edi ício.
A zona de acesso não pe ence espacialmen e à sala da capela, encon a-se a um ní el
mais baixo e sepa ada pela co ina de colunas de madei a que de inem o ambien e sa-
g ado. Uma pequena c uz de me al – que az lemb a aquela posicionada sob e a po a
de acesso à B ude Klaus Kapelle – e uma pequena pia, ambém de me al, assinalam a
en ada num espaço sag ado.
A sala de pequenas dimensões apoia sob e um pa imen o lu uan e em madei a, quase
in ei amen e ocupado pelos se e bancos semp e em madei a, que se dis anciam das pa-
edes o necessá io pa a consen i a deambulação.
No lado opos o à en ada, ocupando o opo ecu o da ig eja, é posicionado o pequeno
al a , ambém de madei a, e odos os obje os sag ados ca ac e izados pelas minimalis as
geome ias me álicas.
T ês mó eis inse idos no espaço deixados en e as colunas no lado a unilado do edi ício
comple am o mobiliá io da ig eja, o necendo o espaço necessá io pa a a uma os obje-
os essenciais ao desen ol imen o da unção sag ada.
A es u u a é compos a po uma sequência de inas colunas que sus en am a cobe u a,
o necem apoio à pa ede pe ime al e supo am a pa imen ação. Pa a aguen a a abun-
dan e ne e que nos in e nos suíços ecob e a pouco inclinada cobe u a, uma ce ada
composição de igas de madei a desenham no e o uma es u u a que se assemelha à de
uma olha.
- 100 -
A pa ede pe ime al, no in e io , é acabada com uma pin u a cinzen a que ocul a o dese-
nho da madei a de que é compos a.
A iluminação é ga an ida pela con ínua janela que co e no opo da pa ede pe ime al
sepa ando-a do e o. No lado in e io da janela es ão p esen es lâminas de id o opala
que, deixando en a a luz, modulam a in ensidade da mesma.
Pa a comple a a iluminação, e ga an indo a uição do espaço ambém em dias de pou-
ca luminosidade ex e io , na es u u a do e o são pendu ados pequenos candeei os que
pon uam o pe cu so a ol a dos bancos onde os iéis podem assis i às unções eligio-
sas.
- 101 -
- 102 -
20 – In e io .
- 103 -
4.6.2 A in e p e ação da ob a
No po oado as habi ações não o mam uma con ínua co ina edi icada mas sim um dis-
pe so aglome ado u al sendo, assim, possí el uma imedia a pe ceção da capela na po-
sição pos e io à linha cons uída que segue a ua p incipal. No en an o, a o ma e os
ma e iais não con encionais pa a uma cons ução des e géne o azem-na assemelha
mais a um silo ou a uma ou a a qui e u a ag ícola do que a uma cons ução sag ada. É
po isso a ibuída à es ilizada o e sinei a a a e a de decla a a unção da capela em
madei a.
Ap oximando-se da capela, pe cebe-se g adualmen e que a geome ia da sua plan a não
é ci cula nem elíp ica e, quando a pe ceção da geome ia é comple a, o na-se ine i á-
el obse a na di eção que a go a suge e: o ale subjacen e que o obje o em madei a
pa ece que e pe co e des acando-se da mon anha.
Também a es ilizada o e sinei a pa ece e a unção de apon a pa a algo, sendo nes e
caso o céu. Nes a pe spe i a pode-se en ende o binómio capela- o e sinei a como pon-
o nodal en e o céu e a e a, o di ino e o homem.
A po a, como ambém oi pe cebido em ou as ob as, em uma impo ância no á el nos
abalhos de Pe e Zum ho que associa ao peso simbólico des e elemen o um peso ísi-
co que o ca a e iza. Uma ez comple amen e abe a, o ma-se um pequeno á io de en-
ada que az de il o en e o ex e io e o in e io . De ac o, é a passagem en e as colu-
nas es u u ais que de ine o e dadei o acesso ao espaço sag ado.
O pequeno espaço, ca a e izado pelo uso da madei a, em um ca á e amilia e domés-
ico, que Pe e Zum ho de ine como “ assicu an e, emminile, – una o ma ma e na che
e oca l’immagine della Mad e Chiesa”
152
a ibuindo à o ma a causa des as sensações
que se con apõem à du eza de uma o ma e angula .
A densa co ina de colunas um pouco a as adas da pa ede que são chamadas a supo a ,
jun amen e com a di e ença de colo ação que dis ingue os dois elemen os, c ia uma di-
e ença de planos isuais a o ecendo a in o e são do espaço. As pa edes cegas pin a-
das a cinzen o isolam do ex e io , bene iciando a concen ação na unção sag ada que se
desen ol e no in e io mas, ao mesmo empo, a con ínua abe u a que se es ende po
152
ZUMTHOR, Pe e . Cappella a Sogn Benede g, S izze a. em Domus n°710, pag.46 Milão: Edi o iale Domus Spa,
1989.
- 104 -
baixo do e o az pene a a luz pondo em con ac o com o céu – assim como acon ece
a a és do óculo da B ude Klaus Kapelle.
- 111 -
25 – Kolumba Kuns museum: p imei o piso
8 Sala exposi i a
9 Sala exposi i a
10 Kabine
11 Sala exposi i a
12 A ma ium
- 112 -
26 – Kolumba Kuns museum: segundo piso
13 Sala exposi i a
14 Sala exposi i a
15 Sala de lei u a
16 Sala exposi i a
17 Sala exposi i a
18 Kabine no e
19 To e no e
20 Sala exposi i a
21 Kabine es e
22 To e es e
23 Kabine Sul
24 To e Sul
- 113 -
27 – Kolumba Kuns museum, co e AA
28 – Kolumba Kuns museum, co e BB
29 – Kolumba Kuns museum, co e CC
30 – Kolumba Kuns museum, co e DD
- 114 -
31 – Kuns haus de B egenz, plan a piso é eo
- 115 -
32 – Kuns haus de B egenz, plan a piso ipo
- 116 -
33 – Kuns haus de B egenz, plan a piso sub e âneo
- 117 -
34 – Kuns haus de B egenz, plan a dos e os alsos
- 118 -
35 – Kuns haus de B egenz, co e AA
36 – Kuns haus de B egenz, co e BB
- 119 -
37 – Kuns haus de B egenz, edi ício adminis a i o, plan a do piso é eo
38 – Kuns haus de B egenz, edi í-
cio adminis a i o, plan a do piso
ipo
39 – Kuns haus de B egenz, edi ício adminis a i o, co e longi udinal
40 – Kuns haus de B egenz, edi í-
cio adminis a i o, co e ans e sal
- 120 -
41 – The mal Ba h Vals, plan a p imei o piso
1 Cancela de acesso
2 A mazém
3 Sala make-up
4 Co edo es de acesso
5 Balneá ios
6 Duche
7 Se iços
8 Sauna e duche u co
9 Piscina cen al
10 Piscina ex e io
11 Ilha de ped a
12 Te aço
13 G u a da nascen e
14 Banho quen e
15 Banho io
16 e 21 Duche e apêu ico
17 Fon e
18 Ped a que soa
19 Banho de lo es
20 22 e 24 Espaços de descanso
23 Sala de massagens
27 Acesso pa a de icien es
26 Balneá io pa a de icien es
25 Se iços pa a de icien es
28 Á ea pa a o pessoal
- 127 -
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Documen ação em linha
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h p://www.kolumba.de/?language=eng
h p://www.kuns haus-b egenz.a /eh ml/ewelcome00.h m
h p://www. he me- als.ch/
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h p://www.galinsky.com/buildings/sbenede g/index.h m
h p://zum ho . umbl .com/
Re e ências das imagens
1 – h p://upload.wikimedia.o g/wikipedia/commons/3/3e/Man egna_And ea_Dead_Ch is .jpg
2 – h p://soundsc ape s.blogspo .p /2011_10_01_a chi e.h ml
3 – h p://www.newhampshi e.com/s o yimage/UL/20130404/NEWHAMPSHIRE01/130409589/AR/0/AR-130409589.jpg?q=100
4 – ZUMTHOR, Pe e . Pie a e acqua. em Casabella. n°648, pag.56 Milão: Elec a, 1997.
5 – Fo og a ia de Jacopo Genna i Feslikenian
6 e 7 – BAGLIONE, Chia a. Nel silenzio. em Casabella. n°758, pag.144 Milão: Elec a, 2007.
8 – Fo og a ia do au o
9 10 e 11– BAGLIONE, Chia a. Un museo pe con empla e. em Casabella. n°760, pag.7 Milão: Elec a,
2007.
12 – YOSHIDA, Nobuyuki. Pe e Zum ho . Tóquio: A+U, 1998.
13 14 e 15 – Fo og a ia do au o
16 e 17 – RYAN, Raymund. P imal The apy. em The A chi ec u al Re iew n°1206 pag.42. London: The
A chi ec- u al P ess, 1997.
18 19 e 20 – Fo og a ia do au o
21 22 e 23 – BAGLIONE, Chia a. Nel silenzio. em Casabella. n°758, pag.144 Milão: Elec a, 2007.
Desde 24 a é 30 – BAGLIONE, Chia a. Un museo pe con empla e. em Casabella. n°760, pag.7 Milão:
Elec a, 2007.
Desde 31 a é 36 – YOSHIDA, Nobuyuki. Pe e Zum ho . Tóquio: A+U, 1998.
Desde 37 a é 40 – ZUMTHOR, Pe e . Kuns haus B egenz : a chi kuns a chi ek u . B egenz: Kuns haus
B egenz. 1999.
Desde 41 a é 50 – ZUMTHOR, Pe e . Pe e Zum ho wo ks: buildings and p ojec s 1979-1997. Baden:
La s Mulle , 1998.
51 e 52 – YOSHIDA, Nobuyuki. Pe e Zum ho . Tóquio: A+U, 1998.
53 – DAVEY, Pe e . Pe e Zum ho . em The A chi ec u al Re iew n°1127 pag.59. London: The A chi-
ec u al P ess, 1991