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Escola: para que te queremos?

Ariana Cosme,Rui Trindade

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Artigo notícias do Dia-a-dia com novo endereço www.apagina.pt/ Dia-a-Dia Edição Impressa Último jornal Nº 184 Dezembro 2008 Nº 184 em Formato PDF PEDIDOS de assinatura do jornal ( Portugal e estran g eiro ) Arquivo ARQUIVO de j ornais anteriores TEXTOS arquivados por autores HOJE: 6.508 textos on-line Pesquisar o arquivo Ou Frase nmlkjinmlkj Pesquisar Dos LEITORES Para submeter artigos, ler regras aqui: PROPOSTAS de publicação INQUÉRITOS em votação A Página da Educação Arquivo - Arti g o Escola: Para que te queremos? ...face aos discursos que a actual equipa ministerial tem vindo a produzir, sobretudo, para justificar as aulas de substituição, chegou o momento de nos interrogarmos, não tanto se a Escola é necessária, mas como é que ela pode ser necessária. E será que poderá sê-lo quando se ocupa os professores num trabalho desprovido de sentido cultural? A afirmação da Escola como um espaço socialmente mais inclusivo decorre do modo como a Escola se constrói como um espaço culturalmente mais significativo. Um espaço feito de trocas, de encontros, de cumplicidades, de confrontos e de interpelações. Trocas, encontros, cumplicidades, confrontos e interpelações que para se constituírem como instrumentos capazes de gerar momentos de formação não poderão deixar de prescindir de um determinado conjunto de intenções educativas p révias, as quais decorrem, em última análise, do tipo de consensos que, enquanto membros adultos de uma comunidade, formos capazes de estabelecer quando tentamos responder às questões que nos obrigam a discutir, num primeiro momento, o que é que significa ser homem e ser mulher no mundo em que vivemos, para, num segundo momento, equacionarmos qual é o nosso contributo na concretização de um projecto que possa conduzir à afirmação desses homens e dessas mulheres como membros activos dessa comunidade que p artilhamos. Sendo necessário afirmar que a Escola não é a única instituição responsável por um tal projecto, importa reconhecer, no entanto, que, hoje, o seu contributo é, neste âmbito, imprescindível. Imprescindibilidade esta que decorre da assunção do papel que cada escola deverá assumir como um espaço de mediação cultural que permita a cada uma das crianças e dos jovens que a percorrem beneficiar do património de saberes e de experiências que outros foram construindo, Autor do Artigo Ariana Cosme Fac. de Psicologia e Ciências da Educação, Univ. de Porto tr[email protected]t Rui Trindade Faculde de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto tr[email protected] Inf. sobre o artigo Jornal "a Página" Nº 151 Ano 14 | Dezembro 2005 Pag. 16 Imprimir este artigo Versão para impressão Abre uma nova janela com este artigo numa versão mais amiga da impressora. LIVRARIA PUBLICIDADE EXTERNA Page 1 of 3 12-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4253 INQUÉRITOS em arquivo CONTACTOS e cartas à redacção confrontando esse património com as suas próprias experiências e saberes, condição necessária ao seu desenvolvimento pessoal e social, na medida em que um tal processo não poderá ser circunscrito somente à sua dimensão cognitiva. É que se é certo que todas as aprendizagens são pessoais, também é certo que ninguém aprende sozinho. Como se constata, uma tal abordagem obriga a repensar o p apel dos professores que, verific a -se, se complexifica e se assume em função de níveis de exigência profissional mais elevados. O que justifica, no entanto, que tenhamos decidido retomar, mais uma vez, esta discussão sobre a função política e cultural das escolas ? Há, pelo menos, duas razões que o explicam. Uma p rimeira que tem a ver com alguns dos discursos que pudemos ouvir em Córdova, no Fórum Social Ibérico para a Educação, quer fossem aqueles que tendem a encerrar a Escola num destino inexorável, o do espaço inevitável de reprodução de desigualdades sócio-culturais, quer fossem os outros onde a instituição escolar se vê circunscrita a uma função certificativa, já que as aprendizagens fundamentais, na perspectiva daqueles que p erfilham esta abordagem, acontecem, sobretudo, tanto na vida como na rua. Neste caso, à Escola competiria, apenas, sistematizar os saberes adquiridos fora dos muros que a rodeiam e aceitar a riqueza das experiências vividas pelas crianças e p elos jovens no seu exterior. A aceitar estas teses, a p ergunta que se impõe é a de saber se a Escola continua a ser verdadeiramente necessária. Chegados aqui, acede-se, então, à segunda razão em função da qual se pretende justificar a introdução desta crónica, na medida em que face aos discursos que a actual equipa ministerial tem vindo a p roduzir, sobretudo, para justificar as aulas de substituição, chegou o momento de nos interrogarmos, não tanto se a Escola é necessária, mas como é que ela pode ser necessária. E será que p oderá sê-lo quando se ocupa os professores num trabalho desprovido de sentido cultural? Será que p oderá sê- -lo quando a regulamentação do tempo de plantão inviabiliza a possibilidade de regulamentar um efectivo e produtivo tempo de trabalho em equipa a assumir pelos docentes? Um trabalho que estes, os seus alunos e as escolas necessitam como de pão p ara a boca, de forma a que os primeiros possam encontrar um outro sentido para a actividade p rofissional que protagonizam, os segundos possam ter condições para realizar aprendizagens significativas e as terceiras possam adquirir, enfim, uma outra reputação? . Em conclusão, não somos politicamente tão Page 2 of 3 12-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4253 ingénuos e culturalmente tão irresponsáveis que defendamos que a Escola não é necessária. Para nós, e como se pode constatar pela leitura da parte inicial deste artigo, a Escola deverá ser entendida como uma instituição a preservar, devido, sobretudo, à sua importância educativa. Pretender que a Escola, e nomeadamente a Escola Pública, seja mais do que isto, onerando os seus professores com tarefas para as quais não se encontram capacitados nem constituem, tão pouco, o aspecto nuclear da sua actividade profissional, só poderá redundar num excesso de missões que, entre outras coisas, impede, afinal, que os professores se afirmem como docentes. Page 3 of 3 12-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=4253