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Redescubramo-nos na sua experiência: o desafio que nos lança Ivar Oddone

Ricardo Vasconcelos,Marianne Lacomblez

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38 Palab as-cla e Expe iencia, lenguaje, sis ema, in e az, SIC Resumen A pa i da ob a de I a Oddone, el a ículo in en a econs ui un eco ido de in es igación que nos pa ece se ú il, en los días de hoy, pa a ac i a o a ez una efl exión sob e como desa ol- la una psicología labo al cen ada en el Homb e que abaja y en su expe iencia. En un ono on al y asumidamen e in o mal, efl ejos del ca ác e de Oddone y del eno en el i ual de los documen os que han es ado en la base de es e ex o, empeza- emos po las p ime as efl exiones y concep os po los cuales Oddone se nos ha dado a conoce : el edescub imien o de la ex- pe iencia ope a ia y de su cen alidad en la ans o mación del abajo. De i a án cues iones de mé odo y p opues as de Odd- one pa a la cons ucción de la expe iencia y pa a la explo ación de su po encial ans o mado , de las cuales se des acan las “ins ucciones al sosia”. El ex o se desa olla á al ededo de los concep os de “lenguaje”, “sis ema” e “in e az”, ope a i os en si uaciones conc e as sob e las cuales el equipo de Oddone ha ido efl exionando. Se da pa icula ele ancia a su Sis ema de In o mación Conc e a (SIC), desde la cual se p ocu a lanza algunas efl exiones y e os a las que la ob a de Oddone nos in i a. Um con i e I a Oddone e os seus seguido es, en e os quais aqui se des- aca Alexand a Re, são, pa a nós, e e ências es u u ais e in- con o ná eis. Sob a infl uência da sua “ edescobe a do abalho ope á io” – mo e da ob a com que, há mais de duas décadas se nos ap esen a am (Oddone, Re & B ian e, 1981) - omos cons- uindo e econs uindo uma psicologia do abalho que nos habi uamos a chama ambém nossa , po que di e en e. Fomos cons uindo o nosso objec o de es udo, os nossos mé odos, a nossa acção, a nossa isão do mundo, do homem, do aba- lho. No en an o, mui o mais há ainda pa a edescob i em I a Oddo- ne e Alexand a Re. Ten a emos nes e ex o ela a es a nossa edescobe a de Oddone e Re, desde os p imei os concei os, aos objec os, aos mé odos, ao seu signifi cado pa a nós (e pa a uma no a ge ação de psicólogos do abalho po ugueses), mas, p incipalmen e, o seu signifi cado pa a uma no a psicologia do abalho que aju- da am a concebe . Assumimo-nos assim como uma in e ace que julgamos necessá ia en e os au o es e o lei o , ace à di e- ença de ealidades e de expe iências que ainda nos sepa a. Ten a emos, des a o ma, pô o que em comum possamos e com ambos ao se iço da mudança, da ans o mação do pon o de is a do lei o sob e nossa (e, já ago a, sob e a sua p óp ia) p á ica. O p esen e ex o em como es u u a de base um seminá io sob e “Mé odos em Psicologia do T abalho”, ap esen ado po Oddone e Re (2000) na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, es u u a essa que aca- bou po se en iquecida com elemen os complemen a es, com o objec i o de melho enquad a e ilus a a sua ob a. Con idamos es ão o lei o , a ( e)descob i I a Oddone e am- bém Alessand a Re, mui as ezes em discu so di ec o, num ex- o em que se emos, não apenas na ado es/ adu o es, mas ambém, ine i a elmen e, in e p e es, ap esen ando a nossa lei u a dos seus di os, dos seu esc i os e p incipalmen e dos seus ei os, al qual os omos descob indo. É impo an e chama desde já a a enção pa a ês concei os cen ais: linguagem, sis ema e in e ace , na espe ança de que, no fi nal des e ex o, os possamos p ojec a num ho izon e bem di e en e, bem mais as o do que o que nes e momen o a nos- sa Imagem do mundo nos impõe. Um começo No fi nal dos anos 60, alguns g upos de abalhado es coloca- am-me um p oblema que eu não sabia esol e – ela a Oddo- ne (1999). Eles pediam-me (enquan o médico) in o mações so- b e o isco que as suas condições de abalho pode iam ep esen a pa a a sua saúde. Eles conside a am que essas in- o mações pode iam pe mi i -lhes muda as suas condições de abalho. “Quando um acon ecimen o se p oduz, al e a a es u u a da Ap esen ação de Ob as Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez Cen o de Psicologia da Uni e sidade do Po o Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o Rua do Campo Aleg e, 1055, 4169-004 Po o, Po ugal [email p o ec ed].p [email p o ec ed] Volume 1 | nª1 | 2005 | pp. 38-51 39 Imagem. A signifi cação de um acon ecimen o ou de uma mensa- gem é a mudança que se p oduz na Imagem. A maio pa e das mensagens a a essam-na sem a queb a , uma pa e ac escen- a-lhe especifi cações, de alhes: aquilo que e a ago o na-se mais cla o, mais es á el. Po ezes uma mensagem queb a uma espécie de núcleo, a es u u a que supo a uma Imagem e oda a coisa muda de o ma adical” (Boulding ci in Oddone 1999, p.1). As mensagens que de e mina am em Oddone esse enómeno de eo ganização da Imagem, in oduzindo um elemen o de up- u a na sua o ma de en en a o p oblema da saúde (que e a aquela do médico adicional) e mudando de o ma adical a Imagem que inha da saúde e da doença, es ão elacionadas com esse pedido a um médico de in o mações adequadas pa a melho a as condições de abalho. Sen iam-se, nessa al u a, ao ní el do abalho indus ial, os e ei os do Taylo ismo e as es- pos as de an i- aylo ismo dos abalhado es. O pedido dos abalhado es – con inua Oddone (1999) - le ou- me, num p imei o momen o, a in o ma -me sob e ex os de me- dicina do abalho, mas apenas pa a me da con a de que aqui- lo que encon a a e a uma lis a de subs âncias. Não encon ei nada daquilo que os abalhado es nos desc e iam como con- dições eais de p odução, nem sob e a possibilidade de subs i- ui p ocessos poluen es po p ocessos não poluen es. Alguns abalhado es pe gun a am-me mesmo como pode iam fi ca com silicose mais apidamen e. Es e pedido, apa en emen e pa- adoxal, con inha na ealidade uma hipó ese dissonan e em e- lação à minha imagem médica das doenças de idas ao ambien- e cons uído pelo homem. Eu descob i a de ac o que o meu conhecimen o inha uma es u u a acional: Um de e minado p ocesso p odu i o podia compo a iscos pa a a saúde, mas esse conhecimen o dos iscos possí eis, baseado na li e a u a médica, ga an i ia, logicamen e pa a mim, a eliminação das con- dições de noci idade. Pelo con á io, pa a os abalhado es, o p oblema confi gu a a-se de ou o modo. E a a ealidade p odu- i a, com os seus iscos eais, que defi nia a sua a i ude. A c e- dibilidade de uma mudança das condições de abalho, no con- ex o específi co onde elas se encon a am, e a o ac o psicologicamen e impo an e, que de e mina a o seu pedido de saúde. Se a sup essão da noci idade não e a psicologicamen e c edí el, fi ca com silicose (que dize , fi ca doen e) “an ecipa- damen e” signifi ca a pelo menos pode sai mais apidamen e de um meio de abalho ine i a elmen e noci o. Quando hoje en o econs ui esse momen o de up u a e de eo ganização da minha Imagem em e mos de psicologia da saúde – elemb a Oddone (1999) - en endida como capacidade de “ e ” o compo amen o dos homens ace à saúde e à de esa da saúde, eu e ejo, po um lado, os clien es que ep esen am o pacien e adicional, com o pedido de diagnós ico, de p og- nós ico, de e apêu ica e, po ou o lado, homens que não me pediam exames nem medicamen os, mas uma u ilização do sa- be médico com o objec i o de modifi ca as condições de aba- lho, de p e eni as doenças ligadas ao ambien e, de adap a o meio de abalho ao homem no abalho. Um no o modelo cien ífi co cen ado no homem eal Num om ideologicamen e ca egado que ca ac e iza a a época, Oddone, Re e B ian e (1981, p. 45) e e iam, com (su p eenden- e) ac ualidade: “A ciência adicional (a “dominan e”) defi ne como objec o de obse ação o homem e o seu meio écnico. O seu objec i o é, semp e, uma medida objec i a que ob ém g a- ças a um mé odo analí ico e à u ilização de ins umen os em- p es ados pelos ísicos e pelos químicos, po um lado, e pelos médicos e psicólogos po ou o. Essa abo dagem adicional compo a a decomposição e a medida, an o do meio (no sen- ido es i o do e mo) como do homem. O p imei o é decom- pos o em elemen os simples (mic oclima, poei as, gazes, u- mos) e o segundo – conside ado apenas do pon o de is a ísico – é eduzido a dados an opomé icos, a elemen os objec- i os.” Do pon o de is a psicológico, os c i é ios de medida são sem- p e os mesmos: que se a e do pe fi l a i udinal, da ca ga pe - cep i a ou do sis ema homem-máquina, a a-se, semp e e só, de medi objec i amen e a iá eis independen es ecolhidas g aças a um p ocedimen o analí ico. O ambien e ap eendido na sua o alidade é decompos o em elemen os ísicos, biológicos e psicológicos, que, po seu u no, são subme idos a uma no a desag egação. Es e p ocesso é ido como capaz de medi os mic o-elemen os do meio (homem incluído) que, conside ados sepa adamen e, são con on ados com alo es pad ão conside- ados acei á eis. Em subs ância, medimos mas não a aliamos; a a aliação só in e ém num segundo empo, quando se compa am os alo es ob idos pelas medidas com as abelas-pad ão. Ti a-se dessa compa ação uma a aliação de isco ou de não isco, pa a a qual não se p e ê qualque p ocedimen o de e ifi cação. Es e p o- cesso é, no undo, absolu amen e análogo ao emp egue pelos “gabine es de mé odos” no que diz espei o à o ganização do abalho: u ilização das mesmas modalidades de decomposição e de medida; mesma co elação de dados elemen a es com alo es pad ão; mesma p esunção quan o à possibilidade de defi ni um só alo (o único alo ) cien ifi camen e co ec o. Além disso, não se en a, e isso se ia aliás impossí el, ecompo o odo, is o é, o homem e o seu meio. P eocupámo-nos ainda menos com a o ma como os homens “ i em” o conjun o das si uações de abalho nas quais se encon am. Con en ámo-nos em decompo pa a medi , em a alia odos os mic o-elemen os e em e i a , des as mic o-a aliações, uma a aliação global. Is o conduz à negação do homem enquan o sujei o de a aliação. O no o modelo cien ífi co que acabou po se impo a Oddone, p oduzido pela expe iência dos homens, ca ac e iza a-se, pelo con á io, po uma abo dagem global dos p oblemas e pela o mulação assumida de juízos de alo . Visa a ans o ma o meio de abalho em bene ício do homem, enquan o que o modelo adicional apenas p ocu a a conhecê-lo (pa cialmen e). Digamos que es a no a modelização epudia a o homem-mé- dio, não apenas do pon o de is a da sua capacidade de aba- lho, mas ambém do pon o de is a da sua ole ância às si ua- Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 40 ções de noci idade, que se a e de elemen os óxicos ou de adiga excessi a, ísica ou men al. Ela p opõe consigna um no o objec i o à in es igação médico-psicológica e p i ilegia não a medida, mas a a aliação, não os ins umen os mecânicos, mas o julgamen o dessa no a en idade que e a o g upo homo- géneo de abalhado es, enquan o po ado de uma expe iência alidada colec i amen e de uma o ma sinc ónica e diac ónica. (Oddone, Re & B ian e, 1981). Tempos, espaços, mé odos O mé odo não é au ónomo – sublinha Re (Oddone & Re, 2000). O mé odo cons ói o objec o da in es igação. Os mé odos são fi lhos das hipó eses que me coloco. Eu defi no o objec o da minha in es igação e, em elação a isso, eu defi no os mé o- dos. A psicologia do abalho adicional, dominan e, não pensa a na hipó ese de a expe iência ou a compe ência se pode desen- ol e em si uações des a o á eis e po isso não a es uda a. Não desen ol ia po isso mé odos adequados po que não e a esse o seu objec o. Oddone, Re e B ian e (1981) o mula am en ão uma hipó ese: A compe ência não es a a lá. E a algo que de iam ecolhe , mas p ocu ando qualque coisa a mais, p ocu ando uma compe ên- cia p ofi ssional ala gada, desen ol ida pelo sujei o e não po odos e que se ia uma mediação conc e a undamen al pa a defi ni as si uações, mesmo com os mesmos modelos de o dem ge al subjacen es. Que dize , ha ia abalhado es (como há p o esso es, médicos, mili a es) que se des aca am en e os seus pa es, po que desen ol iam essa capacidade de p oduzi um conhecimen o, que é um conhecimen o do con ex o, que não es á gene alizado nem é gene alizá el. Um con ex o que não é simplesmen e um espaço, mas ambém um empo, que em uma dimensão empo al. Po isso não o posso conhece a a és de um con ex o ex e io , de o conhecê-lo a a és do expe , com mé odos que me pe mi am ecolhe uma pa e mais in isí el, mais humanizada, mais con ex ualizada da compe ên- cia. Oddone e a sua equipa pa em en ão à p ocu a de meios que lhe pe mi am ajuda os colec i os de abalhado es a ala ga o seu pode de acção no e sob e o meio de abalho eal e sob e si mesmos. Como e e e Clo (1999), a a e a consis ia em in en- a ou ein en a os ins umen os dessa acção, não p o es ando simplesmen e con a os cons angimen os ou “negociando-os”, mas pela ia da sua supe ação conc e a. “Nós não p e endemos p opo uma no a psicologia do aba- lho, mas um no o modo de desen ol imen o pa a essa psicolo- gia, pe suadidos que somos de que des a no a o ma de aze ciência nasce á uma psicologia do abalho di e en e” (Oddone, Re & B ian e, 1981, p. 217). Cons ui “luga es-comuns” em cima de “não- luga es” Ainda que assumamos que a expe iência, que a compe ência é impo an e, não podemos pedi a um sujei o que nos ansmi a a sua compe ência. Ele não es á em condições de o aze . Mui a gen e ala de uma compe ência implíci a, áci a, que não é e balizada ou e baliza el. Oddone e Re abalha am mui o sob e uma hipó ese que é um pouco di e en e: o expe e ba- expe e ba-expe liza a sua compe ência de o ma di e en e em unção do psicó- logo com quem in e age, das ques ões colocadas, dos mé odos emp egues. Ele oma consciência da pa e analógica da sua compe ência apenas a a és da elação com o psicólogo, que lhe pe mi e isualiza os esquemas de ac i idades implíci as. Nessas condições, com o objec i o de ansmi i a é à possibili- dade de “descob i ” o seu compo amen o p ofi ssional, o ex- pe p oduz a e o mulação linguís ica de um sabe ope acional, inicialmen e es u u ado de o ma analógica. A con e são de modalidade analógica em modalidade digi al de e mina uma mudança de es u u a cogni i a no expe . A es e ní el, o psicó- logo, que analisa o abalho, pode se is o como um expe de expe de expe aquisição e de alo ização da compe ência (Re, 1990). Assim, não podemos, não de emos ala de uma compe ência implíci a como algo que o expe em na sua cabeça e que não diz, mas expe em na sua cabeça e que não diz, mas expe mais como algo que ele não em na cabeça mas cons ói com o psicólogo. An es em modos ope a ó ios, ge e os p oblemas de uma o ma analógica, sem e consciência, sem e baliza pa a si mesmo o que az, ele não o sabe dize . O psicólogo es á, assim, a pedi ao abalhado algo que ele não sabe aze . En ão, p ecisam ( abalhado e psicólogo) de um mé odo que os ajude a cons ui qualque coisa que não es á lá. É p eciso um mé odo pa a ge i essa ansmissão, senão ão ob e apenas uma de o mação e não uma ansmissão. O psicó- logo ai ou i apenas o que o seu in e locu o pensa que ele que sabe . Sem esse con olo me odológico, se á ine i a el- men e aquele que possui a linguagem écnica que domina á esse p ocesso de adução da compe ência analógica em sabe digi al, seja ele o abalhado (o expe do domínio) ou o écni- expe do domínio) ou o écni-expe co (o in o má ico, po exemplo), que u iliza uma linguagem cen- ada na ecnologia e não a linguagem da compe ência. Em qualque dos casos, há semp e uma pe da de po encial de me- lho ia des e sis ema, que de i a da he e ogeneidade das lingua- gens dos elemen os que o compõem. Mas, pelo con á io, podemos ep esen a o espaço de comuni- cação en e os expe s implicados na análise do abalho como um “não luga ”, que ai se p og essi amen e ans o mado em “luga ”, a a és da cons ução de uma linguagem “comum”, que não é nenhuma das linguagens de pa ida, mas que se á a lin- guagem de chegada (Oddone & Re, 2000). A psicologia pa e en ão à p ocu a de condições que lhe pe mi- am a o ece a o malização e a ansmissão da expe iência p ofi ssional e é desse es o ço que esul a á, após á ias en a- i as, o mé odo das “ins uções ao sósia”, que hoje em dia con inua como pano de undo de di e sos abalhos que isam a o malização da expe iência, não só po Oddone e colabo a- do es, mas ambém po um conjun o de au o es que, de uma o ma ou de ou a, os segui am (Clo , 1999, 2001; de Vincen i, 1999; Dua e, 1998). Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 41 À p ocu a de um mé odo: as ins uções ao só- sia Apesa da sua o mação médica, Odonne não es a a po an o em condições de esponde à ques ão de saúde que lhe inha sido di igida pelos abalhado es, como ambém não o o na a capaz de “in e oga ” as pessoas, de o ma adequada, sob e o seu meio de ida e de abalho. Pa a o aze , de e ia e um plano p ofi ssional de in es igação que lhe pe mi isse econs- ui a condição de p odução e a o ganização do abalho que a defi nia, a é a uma especifi cação sufi cien e pa a “ e ” o que “ ia” o abalhado em si uação p odu i a. P ecisa a an es de udo de esol e um p oblema cha e: cons- ui uma linguagem que o nasse pe meá el a in e ace en e si, como écnico de saúde, e eles, como sujei os que lhe pediam que ge asse a solução do p oblema da noci idade do abalho. Uma p imei a en a i a - e e e Oddone (1999) - oi a de en a econs ui a ep esen ação dos abalhado es sob e os ac o es de isco, enquan o conjun o mínimo de conhecimen os do mes- mo ipo que os conhecimen os cien ífi cos, sem muda de pa a- digma, ou seja, em e mos de di ulgação. A solução passou ainda pela linguagem, pela “compe ência de u ilização” comum a odos, po um guião; pelo ma e ial cogni- i o mnemo écnico, ligado à linguagem his ó ico-na u al; po aquilo que, se pode ia defi ni como “aquilo que não podemos não sabe ”. “Que imagens êm ao espí i o, po associação, quando um su- jei o escolhe uma casa? Quais quando pensa numa áb ica? Quais quando pensa em adiga?”. As espos as e am imagens amilia es a odos, seja qual o o ní el de escola idade. Daqui de i am os “qua o g upos de ac o es noci os” que nos anos 70 o am o ins umen o essencial da linguagem da saúde nas áb icas. A casa az lemb a : empe a u a, iluminação, uído, en ilação, humidade (1º g upo). A áb ica: poei as, gases, umos, apo es (2º g upo). A adiga, dois ipos undamen ais de adiga: a adi- cional, de ida à ac i idade ísica (3º g upo), ou as o mas infi - ni as de adiga de idas a ou as causas que não a ac i idade muscula , po exemplo, mono onia, ansiedade, epe i i idade, i mos excessi os, esponsabilidade (4º g upo). Assim se conseguiu defi ni um glossá io comum, comp eensí el po ambos os lados da in e ace, que se ia de base à análise das condições de abalho a que o sujei o es a a expos o. Es e modelo dos 4 g upos de ac o es de isco, oi ambém e omado mais a de, como e emos mais à en e. Um segundo elemen o de eo ien ação da compe ência no sen- ido de uma psicologia da saúde ca ac e izada num sen ido e - gonómico, e dadei amen e ans o mado , passou pela consci- ência efl ec ida da cen alidade dos “locais”. Cons uiu-se en ão o mapa b u o. Os abalhado es desenha am mapas b u os dos seus pos os de abalho, de o ma g ossei a, como um mapa do esou o. Is o ep esen a a a possibilidade de con on a mapas cogni i os espaciais, que a psicologia conhece bem mas u iliza pouco (Oddone, 1999). U ilizá-los signifi ca descob i que, sob o seu aspec o g ossei o, os mapas cogni i os e elam uma ique- za no á el. Defi nem-se como b u os pelo signifi cado a ibuído ao adjec i o pelo dicioná io. “à espe a de uma qualque elabo- ação o mal”. A possibilidade de con on ação signifi ca a e i- fi cação, possibilidade de capacidade c í ica, capacidade de dis- ingui dois luga es dis in os. No en an o, Oddone e a sua equipa o am-se ape cebendo de que, apesa do seu g ande empenho nes e p ocesso, os esul- ados não e am os desejados. Quando ala am com os aba- lhado es, con inua a a ha e algo que não unciona a. Ape ce- be am-se de que os abalhado es o aziam eliminando aquilo que pensa am que os en e is ado es já sabiam, o ób io ( “ce qui a sans di e”,” ce qui ombe sous le sens” ). qui a sans di e”,” ce qui ombe sous le sens”).qui a sans di e”,” ce qui ombe sous le sens” Foi na en a i a de ul apassa os limi es do ób io, que Oddone concebeu o mé odo que bap izou de “mé odo das ins uções ao sósia”, que consis ia em pedi a cada sujei o que desse ins u- ções a um eu-auxilia , a um sósia. Na sua o mulação o iginal (Oddone, Re & B ian e, 1981, p. 57) o pedido e a ap esen ado nos seguin es e mos: “Se exis isse uma ou a pessoa pe ei a- men e idên ica a i p óp io do pon o de is a ísico, como é que u lhe di ias pa a se compo a na áb ica, em elação à sua a- e a, aos seus colegas de abalho, à hie a quia e à o ganização sindical (ou a ou as o ganizações de abalhado es) de o ma a que ninguém se ape cebesse que se a a a de ou o que não u?”. É cla o que, com es e mé odo, não se ecolhe o compo a- men o eal e o al do indi íduo, mas a sua imagem, a ep esen- ação que ele em do seu p óp io compo amen o. Do pon o de is a psicológico, is o é in e essan e po que ob i- ga a o sujei o a pensa , em de alhe, no que e a e no que azia (chega cedo, chega a de, olha , ala , con e sa com os ou- os...). Os abalhado es ape cebiam-se sob e udo de que i- nham in en ado soluções mui o impo an es, u ilizando a expe- iência pa a melho a a saúde. A equipa de Oddone ape cebeu-se en ão de que, à medida que u iliza a o mé odo, não adqui ia apenas a possibilidade po en- cial de se subs i uí ao abalhado (nem e a esse o objec i o), mas ambém se ape cebia da manei a como pode ia melho a o abalho, ap op iando-se - azendo p óp ia - a expe iência dos homens. Signifi cou ambém que o homem de e ia es a no cen o do p ocesso. Pa a o aze é p eciso uma expe iência que os au o es não inham. Fal a a algo en e o in es igado -psicólogo do a- balho e o sujei o- abalhado , que ep esen a a a on e unda- men al de ans o mação do abalho. Não se a a de uma elação clássica, do ipo “eu i”, “eu es u- dei”, “ eu descob i”. T a a-se de uma elação di e en e. T a a-se de um sis ema em que os dois sujei os (in es igado e abalha- do es) benefi ciam e se ans o mam p og essi amen e. O cen o de g a idade da in es igação psicológica desloca-se. Passa do diagnós ico à in enção de um quad o e de um dispo- si i o onde os implicados podem pensa colec i amen e o a- balho pa a o eo ganiza . “A análise do abalho já não é apenas a on e da acção, mas um ecu so pa a sus en a uma expe iên- cia colec i a de modifi cação do abalho po aqueles que o a- zem” (Clo , 2001, p. 10). Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 42 Desen ol e a expe iência: que p esen e, que u u o? Mais de in a anos nos sepa am dos p imei os abalhos que nos de am a conhece Oddone e Re. A conjun u a his ó ica é mani es amen e di e en e: as lu as ideológicas esmo ece am, muda am de sede, de om, de p o agonis as; o abalho indus- ial ans o mou-se, impulsionado po uma e olução ecnoló- gica mui as ezes des eg ada, mui as ezes is a como a solu- ção (em si e po si só) pa a udo, solução pa a a baixa da p odu i idade, solução pa a a “ga an ia” da qualidade; o aba- lho di o manual é cada ez mais ambém um abalho manual é cada ez mais ambém um abalho manual menos manual , mais in isí el, um abalho di o cogni i o , de moni o i- zação, de igilância. Ou as o mas de abalho, ou as o mas de p es ação de se iços, ão aos poucos ganhando e eno ao abalho indus ial, ao abalho “sujo”, onde os au o es começa- am a edescob i a expe iência dos abalhado es. Mas desengane-se quem pensa que es a e olução abalou os alice ces que, na década de 70, Oddone e seus colabo ado es começa am a cons ui em o no dos seus ês pila es (lingua- gem, sis ema, in e ace) e do desen ol imen o da expe iência colec i a e indi idual. Pelo con á io, nunca a na u eza dos p o- blemas e dos pedidos sociais, p esen es e po enciais, ab iu an as pe spec i as de afi mação e de e olução a es a no a psicologia do abalho. Como pode o i ido o na -se um meio pa a i e ou a coisa di e en e? Es a é uma ques ão que pe manece cen al pa a a análise do abalho ac ual. Além disso, é ambém um in e es- san e p oblema eó ico pa a a psicologia. Oddone “ ansmi iu- nos – po exemplo com o mé odo do sósia – a possibilidade de e ifi ca esse enómeno: o que con a, na obse ação da ac i i- dade i ida, é menos a obse ação do que a di e ença en e as obse ações; menos a p imei a obse ação do que a segunda que em a p imei a como objec o. O que con a é que os sujei os “obse ados” no seu abalho po aquele que in e ém, possam o na -se um meio de i e ou as expe iências. É assim, e só assim, que amanhece um desen ol imen o subjec i o da expe- iência i ida: um desen ol imen o da expe iência.” (Clo , 2001, p.10). Po quê ecolhe expe iências? E pa a quê? “T abalha , hoje em dia, é mui as ezes aze ace a uma imposição: assumi as suas esponsabilidades sem e esponsabilidade e ec i a na defi ni- ção do abalho, amplamen e subme ida a objec i os fi c ícios. Responsabilidades sem esponsabilidade: eis uma das maio es sepa ações do abalho ac ual.” (Idem, p.11). É implici amen e exigida aos abalhado es uma disponibilidade psicológica cada ez maio pa a agi em meios p ofi ssionais cada ez mais ambíguos e que, po isso, eclamam que os a- balhado es dêem cada ez mais de si. Esse ac o em conse- quências: a disponibilidade exigida p essupõe e exige, em con- apa ida, um desen ol imen o dos ecu sos colec i os ol ados pa a a acção. Mas, a o ganização do abalho (de qualque a- balho e não apenas o abalho indus ial), que de e ia coloca esses ecu sos à disposição dos abalhado es, esqui a-se mas- si amen e a essa missão. Ela não o e ece uma disponibilidade compa á el àquela que exige. Ela p i a os abalhado es dos meios de exe ce as esponsabilidades que eles assumem ape- sa de udo (Clo , 2001). Ela p i a-os da sua expe iência e do po encial que es a ence a. Linguagem, sis ema, in e ace Apoiando-se em Winog ad e Flo es, Oddone (Oddone & Re, 2000) ap esen a uma explo ação in e essan e do ób io, pa a além do qual é di ícil de passa . Pa ilhamos coisas semp e a a és da ob ie a , do conjun o de elemen os que emos em comum. Se passa mos pa a além disso, pa a além dos limi es do ób io, passamos a e um p oblema. É em elação a isso que se pode ala de b eakdown , de up u- a. Das difi culdades que emos à pa ida pa a a comunicação, quando que emos comunica qualque coisa que es á pa a além daquilo que emos em comum. É es e o aspec o undamen al: Ve pa a além daquilo que emos. O que não é ácil, como não é ácil seque comp eende o que is o signifi ca. A e dade é que oi um pouco is o que Oddone descob iu (se bem que não o enha descobe o des a o ma) quando se en- con a a com os abalhado es, com os écnicos e não comp e- endia comple amen e aquilo que diziam. Não comp eendia po - que ia apenas aquilo que conhecia. “En ão - e e e Oddone (Oddone & Re, 2000) - se acei a mos o concei o que pode ia aqui ha e de b eakdown , is o é, de um momen o no qual a pa ilha é impossí el po que há algo que es á pa a além daquilo que emos em comum, en ão o p oble- ma es á elacionado com a di isão en e o domínio da exis ên- cia e o domínio da desc ição. Ou seja, nós conhecemos a a és do domínio da desc ição, já que o domínio da exis ência é um domínio di e en e e, en e os dois, há mui as ezes si uações de up u a. A o ma mais simples de se cla o é es ando den o do discu so que nos dá o sujei o com quem emos uma sé ie de coisas em comum. A linguagem é, po isso, algo que nos chama a a enção pa a o ac o de que o expe que nos in e essa, o abalhado expe que nos in e essa, o abalhado expe que nos in e essa, de e se aquilo que ce o dia os au o es apelida am de “ expe -b u o”, en endendo-se b u o como algo que é necessá io elabo a . Na con e sa que inicia am, es a am p es es a elabo a , em con- jun o, qualque coisa que não exis ia ainda. Re (1990), em “Psicologia e sogge o espe o”, p opõe que se analise a elação de con inuidade en e o sujei o que in es iga e o sujei o in es igado (no sen ido fi gu ado do e mo), como uma escala de consciência efl ec ida. Is o é, há uma ase na qual o expe e o in es igado es ão numa si uação de simples expe e o in es igado es ão numa si uação de simples expe diálogo e, se o in es igado não o capaz de o nece ao expe os elemen os que lhe pe mi am pe cebe a expe ise b u a e elabo á-la com o in es igado , não é possí el ul apassa os li- mi es do ób io. Es e é o elemen o undamen al de udo o que azemos. O in es- igado , o psicólogo do abalho de e se capaz de con ence o sujei o de que ele é po ado de uma expe iência, de uma capa- cidade, de um plano de compo amen o (Mille , Galan e & P i- bam, 1960), que exis e de um pon o de is a analógico (já que Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 43 ele é capaz de o u iliza ), mas que não é, de odo, capaz de ansmi i . É necessá ia uma cons ução conjun a e, ecupe an- do o concei o de linguagem em e mos de b eakdown , de o pa i pa a a in es igação con encido de que há qualque coisa que es á pa a lá do que nos pode se ansmi ido di ec amen e. Se eu consegui con ence o ou o disso, há de ha e um mo- men o em que es ejamos em condições de e os elemen os que é p eciso desen ol e dessa expe ise b u a . Vamos p odu- zi qualque coisa ansmissí el. Es e é um aspec o mui o in e essan e e que em a e com a noção de sis ema au o-poié ico: A pa i da cibe né ica, os au o- es pa em da hipó ese de que odos os sis emas (sis ema de saúde, de p odução au omó el, de ensino) são capazes de se au o- egula em com base nos seus esul ados posi i os e nega- i os. De em, no en an o, se capaz de memo iza esses esul- ados. Quando um sis ema social é capaz de se au o- egula , o na-se um sis ema au o-poié ico. Is o é, ele esponde a oda a es imu- lação ex e na e a udo o que acon ece como algo que lhe impõe que se de enda. Ele pe deu a unção social e o nou-se um sis- ema que se se e de eedback pa a se sal a . O que in e essa aos au o es no espei an e à noção de sis ema, é o ac o de um sis ema se aqui conside ado como um conjun- o de g upos que são homogéneos no sen ido em que êm a mesma linguagem. Os subsis emas que êm a mesma lingua- gem, uma linguagem homogénea, êm uma ob ie a . Eles conse- guem comp eende -se po que êm a mesma isão do mundo, a mesma linguagem. En e es es subsis emas há in e aces, que são ca ac e izadas pelo ac o de se em equen emen e comandadas po um dos seus lados. Po exemplo, na in e ace médico-cidadão é o médi- co que decide, não há pe meabilidade na in e ace. À medida que a sociedade se desen ol e, es as e ou as in e - aces es ão em cons an e e olução. Po an o – e aí es á uma unção undamen al do psicólogo do abalho – é necessá io op imiza , domina a pe meabilidade conc e a das in e aces en- e os subg upos. Esse é, po exemplo, um aspec o ligado com a ques ão das ins uções ao sósia, is o é, há dois g upos que êm linguagens di e en es e cuja in e ace há que abalha . Is o em a e com aquilo que os au o es chamam o “ do e ” (o onde), is o é, o con ex o conc e o, o local. Po que só aí somos capazes de e acesso à compe ência de um sujei o. Como ans e i usabilidade? Um abalho que Oddone e Re desen ol e am e que denomina- am SEQUIME (Séquence des images-éc an), como ou os que pode íamos ci a , podem ajuda a esponde a es a ques ão da ans e ência da usabilidade , do po encial de u ilização na p e- pa ação de p ojec os de in o ma ização. T a ou-se de uma en- a i a (que apenas abo da emos na sua ideologia) de ala ga o concei o de in e ace homem-compu ado (em e mos de sim- ples p odu o), aba cando o p oblema da comunicação en e o especialis a em in o má ica e o u ilizado , de modo a que es e úl imo não seja ob igado a u iliza soluções écnicas equen e- men e pouco adequadas à sua expe iência e ao con ex o da sua ac i idade. Os ope ado es sabem o que necessi am de e no ec ã e em que sequência. Se o consegui em ansmi i , depois a ansmissão pa a o p og ama in o má ico é apenas uma ques- ão écnica. O psicólogo do abalho em um papel essencial nessa in e ace. O a, is o eme e-nos pa a ou a ques ão, que em especifi ca- men e a e com a psicologia e, pa icula men e, com a psicolo- gia do abalho – a es i uição. Uma es i uição que, em psico- logia do abalho, in e essa a ou os e não apenas a si p óp ia. Te esul ados que ans o mam, coloca-nos numa si uação que em mui o em comum, po exemplo, com a psico e apia. Temos uma unção de p ise en cha ge , de esponsabilização. É uma in e enção a longo p azo e que passa semp e po uma es i ui- ção. Podemos o na a pessoa capaz de se e como sujei o ac i o que pode modifi ca a sua si uação de abalho. O papel do psicólogo do abalho no seio de uma equipa plu i- disciplina é, po ou o lado, um papel que em a e com o aspec o cogni i o e de memó ia. Um aspec o essencial é o de conside a a memó ia, o conhecimen o do que acon eceu a é es e momen o em qualque emp esa. A o ma na qual o sujei o pede ao écnico pa a in e i é sim- ples: “que ia que in o ma izasse aquilo que eu aço odos os dias”. O que acon ece no malmen e, é que o in o má ico, num dado momen o diz “já pe cebi”, e a pa i daí ai da um p o ó- ipo ao sujei o. Mas o que há que não comp eendemos? Não emos o que o in o má ico comp eendeu daquilo que ha ia na cabeça do sujei o que pediu a in o ma ização. Também não e- mos como isso pode se ei o do pon o de is a écnico. Não sei nada de in o má ica. Sei, no en an o, que em um ec ã que co esponde a páginas; e páginas eu conheço. No momen o em que passo a in o mação ao in o má ico passamos a e qualque coisa em comum. Da usabilidade à u ilidade Falemos de qualque coisa mais isí el do que a é aqui. Ten e- mos in eg a os p incípios ge ais ap esen ados, no con ex o que os ge ou, nos a anços e ecuos que lhes dão sen ido e que alimen am o seu desen ol imen o – a acção, a in e enção con- c e a, a melho ia dos homens e dos sis emas em que se mo i- men am. O que signifi ca uma abo dagem e gonómica pa a Oddone e Re? Pa a que se e? O que dá? Quais as si uações que se pode de- i a dela? Ten a -se-á ap esen a ou as imagens, que en iqueçam e com- plemen em aquelas que imos a p opósi o das in es igações que Oddone, Re e B ian e (1981) ela am em “Redécou i l’expé ience ou iè e”, ei o na indus ia. Vejamos en ão alguns abalhos ei os sob e a ecnologia do compu ado . A compe ência: ecniciza a nossa pa a p ese a a dos ou os Os pedidos de hoje em dia são pedidos complexos, que mexem com odas as dimensões da in e enção de que alámos. Não podemos abalha sozinhos. P ecisamos de nos inse i num Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 44 g upo de abalho que aba ca compe ências di e en es. Mui as ezes, quando abalho com ou os p ofi ssionais – e e e Re (Oddone & Re, 2000) - sou capaz de e a sua compe ência, mas eles nem semp e são capazes de e a minha. Eles êm semp e difi culdade em iden ifi ca a minha compe ência enquan- o psicóloga. Em segundo luga , eles abalham cada um po si, mas apenas o psicólogo em os ins umen os pa a c ia um g upo de aba- lho in eg ado pa a a p ojecção de uma no a si uação de aba- lho a sua complexidade. Assim, o psicólogo pode desen ol e dois ipos de compe ên- cia: (i) uma compe ência di ec a, pa a analisa a o ganização, as ac i idades; (ii) uma compe ência pa a cons ui o g upo de p ojec o – pa a o ge i de uma o ma in eg ada. Re e e assim que en en a um pa adoxo, inha que ecniciza a sua compe ência, ace a ins umen os que não são ins umen- os clássicos do psicólogo, com o objec i o de e i a que se ecnicizasse a compe ência dos ou os, po que, sem o psicólo- go, o in o má ico in e ém e p oduz-se uma ecnicização da compe ência do ope ado . Is o é, a in e ace en e o ope ado e o in o má ico é dominado pelo in o má ico. A linguagem in o - má ica o na-se a linguagem dominan e. Nes e con ex o, o psi- cólogo é como um gua dião que pode pe mi i ao pedido social (no sen ido da c iação de uma dinâmica de mudança, como na psicologia clínica) sua explici ação ace a odas as compe ências en ol idas. Pa a mui os, ac i a uma mudança signifi ca, simplesmen e, mo- difi ca a mesa, os ins umen os, o ambien e ísico. Pa a o psicó- logo-e gónomo, ac i a a mudança é semp e, pa a além disso, ac i a uma dinâmica de g upos sociais na o ganização. E isso é de ac o di ícil e só é possí el a longo p azo. Re (Oddone & Re, 2000), ela a um pedido da pa e de um se iço de u gência hospi ala que alega a que ha ia u en es a mais no se iço. Ha ia g andes fi las de espe a, g ande olume de abalho, o que le a a a que os p ofi ssionais não pudessem abalha em condições. A equipa de Re começou en ão esse abalho com uma acção de o mação onde p ocu a a o sabe de e e ência no in e io da o ganização, com os en e mei os, os esponsá eis de sec o , os psicólogos do hospi al, e c. Ten a am assim econs ui um pe - cu so comple o de um pacien e num ou o Se iço pa a não e em difi culdades com o Se iço onde i iam e ec i amen e in- e i . En e is a am ainda odos os en e mei os do depa a- men o de u gência e os auxilia es de acção médica, eco endo numa segunda ase a um conjun o de ins umen os mais espe- cífi cos. Ob i e am des e modo mui a in o mação e, desde logo, a iagem (a ecepção dos doen es) oi uma unção que apa e- ceu como c í ica e undamen al, em e mos da difi culdade de o dena os pacien es de aco do com a g a idade da u gência. A pa i desse abalho, a equipa de in es igação in e eu a sua elação com os en e mei os e o am os p óp ios in es igado es que en a am simula a ealização do abalho. E am es es que diziam, em po meno , aos en e mei os, o que de ia se ei o. Foi ela i amen e ácil simula a p imei a meia ho a após a chegada do doen e. Depois disso, a a e a oi di ícil po que descob i am que os en e mei os não inham “memó ias”, is o é, no fi m da manhã eles já não se lemb a am dos pacien es que ha iam e- cebido nessa manhã. Po que a si uação e a de al modo caó ica que e a di ícil memo iza os casos. Nessa al u a, i e am necessidade de fi xa um objec o da in es- igação, pa a conduzi a análise da p odu i idade e da qualida- de do se iço. Pensa am en ão que “o homem no cen o” – o seu slogan – se ia, nes e caso, o pacien e. Nos a iões, há a caixa neg a que egis a udo – o di o, o esc i o, os indicado es, os empos, e c. Aqui, a caixa neg a e a o pacien- e, e a o pe cu so do pacien e desde que en a a na o ganiza- ção a é ao fi nal do pe cu so, à saída. Assim, e a ele o fi o con- du o pa a começa a p oduzi a isibilidade do sis ema. Naquele seminá io/acção de o mação inicial com que se iniciou es e abalho no Se iço de U gência, o pessoal esponsá el po aquele depa amen o dizia que “não e a possí el”. Quando a equipa de Re ap esen ou o seu p ojec o de análise, o esponsá- el pela qualidade, o esponsá el pela planifi cação, pelo pesso- al, diziam que “e a impossí el”. E diziam-no apoiando-se num s anda d , num pad ão de qualidade que inham já p ojec ado pa a odos os depa amen os de u gência. A ques ão cha e aqui é que de iam pô a hipó ese de que há um s anda d de quali- s anda d de quali-s anda d dade sob e o qual abalham que não é o ideal. O sis ema de e ia se cons uído em o no do pacien e. Is o conduz Re (Oddone & Re, 2000) à efl exão sob e dois c i- é ios de qualidade e gonómica de um sis ema: (i) a fl exibilida- de do sis ema e (ii) a capacidade de in eg ação de um sis e- ma. Is o é, o pacien e, pelo ac o de se pacien e de uma qualque especialidade, ac i a di e en es ecu sos, di e en es se iços, di e en es espaços, di e en es ins umen os. O depa amen o de u gência es á ligado a mui os ou os sis emas. É o conjun o que de e unciona , que de e e a capacidade de se ac i a em e- lação às exigências do pacien e e de se ac i a de uma o ma in eg ada pa a gua da o conjun o do pe cu so. Não é a in e - enção específi ca que es á em causa, mas a conside ação po udo o que se passa desde que o u en e en a a é que sai (e a é depois de sai , com o clínico ge al, o médico gene alis a). En ão po que dize que o pedido é algo que de emos cons ui ? Po que o pedido e a “ emos pouco pessoal”, mas, com e ei o, a equipa de in es igação/in e enção e ifi cou que o sis ema de es abelecimen o da qualidade do meio e a discu í el. Um p o- blema e a, po exemplo, que as in o mações e am gua dadas apenas em memó ia. Não ha ia uma memó ia esc i a. Há da as, mas não espaço pa a esc e e in o mações suplemen a es, o que o na di ícil ge i o pacien e que espe a a consul a médica, que espe a uma adiog afi a, que ol a do especialis a, que já passou uma ez mas que de e ol a a e o médico, e c. É impossí el ge a uma memó ia. Acon ece assim mui as ezes que não se sabe onde es á de e minado pacien e... En ão, a pa i dessa análise do abalho, Re cons uiu uma sé- ie de efl exões, cons a ando que as pessoas êem a si uação de abalho de o ma mui o di e en e. Pa a a en e mei a, a ima- gem são doen es em isco. A en e mei a ge e a in o mação, o es ado do pacien e, os espaços, as disponibilidades ou indispo- nibilidades... Pa a o pacien e, a qualidade que pe cebe não es á ligada ao que ecebe em e mos de p es ação de se iços de Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 45 saúde ou de compe ência. Es á an es mui as ezes ligada aos elemen os que sen em com maio in ensidade. Po exemplo, se ele passa 4 ho as na sala de espe a, se e e que espe a n empo pela adiog afi a, o que ele diz é “Ninguém alou comi- go... ninguém se p eocupou comigo...” O que p oduziu en ão essa in e enção? P oduziu um pedido do a qui ec o, que de e ia p ojec a o no o hospi al, pa a simula o pe cu so do pacien e no no o hospi al, pa a isualiza odas as dimensões que podem acumula -se, pa a da uma espos a de qualidade ou uma espos a p oblemá ica. O psicólogo do abalho de e isualiza odas as in e aces que o pe cu so do indi íduo ac i a no sis ema ( ísicas, cogni i as, de elação, p ocedimen os, o ganização) pa a aduzi a sua análise em linhas o ien ado as, que podem p opo pa a aze um p ojec o écnico cen ado no pacien e e, de uma o ma indi- ec a, sob e odos os ope ado es que in e êm sob e o pacien- e. O layou da iagem, da sala de ci u gia,... layou da iagem, da sala de ci u gia,...layou Mui as ezes abalha-se pa a p oduzi um p og ama de compu- ado ou qualque ou o ins umen o que seja isí el, mas há algo de mais impo an e que é o alo de u ilização de uma in es igação. Não é só um p oblema de usabilidade , mas p in- cipalmen e de u ilidade, do alo de mudança que ela ence a. A es i uição dessa p imei a análise, p oduziu uma p imei a mo- bilização dos en e mei os, uma c ença na mudança e es e de e se o p imei o passo pa a não c ia uma ilusão de que os écni- cos podem esol e odos os p oblemas de p ojec o. Não são só os s anda ds , os alo es-pad ão (como a al u a das mesas, o ipo de ec ã, as cadei as) que nos podem ajuda , mas ambém as pa icula idades do con ex o. A simulação é um ecu so me odológico pode osíssimo. Nas ins- uções ao sósia o objec i o é o de se mos capazes de simula o abalho de um ou o. Nes e p ojec o o objec i o e a o de si- mula o compo amen o de um sis ema sem o “embeleza ”, is o é, sem elimina udo aquilo que oge à p esc ição ou que “não de e ia exis i ”, udo o que é imp e is o, ocasional. Quando nos pedem pa a desc e e mos uma si uação de aba- lho, há habi ualmen e uma limpeza do que é aciden al. Pelo con á io – no a Re (Oddone & Re, 2000) - se o mos capazes de simula um sis ema al qual ele é na sua ac uação quo idia- na, o na-se possí el abalha com as pessoas pa a a alia e ep ojec a as si uações. E es e já não é um p ojec o ei o “à escala”. Não é “ omem lá o p og ama pa a memo iza o pe cu - so do pacien e”. É an es “como podemos es u u a essas in o - mações?”; “como podemos ap esen a-las num ec ã?”. Mas não é um p oblema do p og ama. É um p oblema da análise da ac- i idade. A ac i idade, os objec os são cen ais. Há um mé odo possí el hoje em dia, po que a equipa de Re econs i uiu o pe cu so do pacien e a pa i de ases das en e - mei as que con inham des ios. A es i uição colec i a pe mi e desen ol e essa análise e a a essa a linha en e a análise e o p ojec a de um sis ema, mui as ezes com um cus o mui o baixo. Não se a a de sabe “que no os ins umen os?”, mas de conhece p ocedimen os quo idianos e de aze com que dei- xem de es a ligados à inicia i a de uma pessoa, o na-los algo que é de odos. Se á possí el, no plano da análise do abalho, defi ni modelos de simulação pa a sis emas sociais, pa a o ganizações? Se o mos capazes de simula um sis ema o ganizado, al ez enhamos mé odos capazes de ge a a p odu i idade e a quali- dade. Mui as ezes os simulado es écnicos aduzidos pa a sis emas sociais são os mais bem acei es pelas emp esas, o que é uma ilusão, po que simulam algo que não unciona assim. Pa a si- mula um sis ema social - ema a Re (Oddone & Re, 2000) - de emos se capazes de ocaliza um dado sis ema, em p o un- didade, sem gene aliza , mas de uma o ma “idiog áfi ca” e e nog áfi ca (se bem que a e nog afi a se á e en ualmen e insu- fi cien e pa a p oduzi a mudança, difi cilmen e ac i ando o po- de social no sen ido da mudança). O Sis ema de In o mação Conc e a Conhecemos Oddone e a sua equipa a a és das suas efl exões sob e as ques ões da saúde e do ambien e de abalho, u ilizan- do os abalhado es como os sujei os, os ac o es undamen ais. Foi a pa i daí que começa am a coloca a ques ão de desen- ol e uma in es igação-acção, que, pela sua fi losofi a, du ação e isibilidade, me ece aqui um des aque pa icula . T a a-se de um p ojec o que p ocu a a possibili a a p e enção da doença de ida ao ambien e, a pa i de um aspec o pa icula do am- bien e: as emp esas. As emp esas são, do pon o de is a cien- ífi co, labo a ó ios que pe mi em descob i elações en e os p óp ios labo a ó ios e a saúde dos homens. Começamos po nos coloca o p oblema: “O que é a p e en- ção?” – ela a Oddone (Oddone & Re, 2000) - Não de emos con undi a p e enção eal com a pala a. A p e enção de doen- ças é algo de que se ala há mui o empo, mas que não emos sido capazes de ealiza As doenças que podemos ce amen e elimina , as doenças eliminá eis são, ce amen e, de idas àqui- lo que podemos designa como “o ambien e cons uído pelos homens”, po que se o cons ui mos de ou o modo não e e- mos a doença. A pa i daí, Oddone e a sua equipa i e am a possibilidade de concebe um sis ema (no sen ido que aqui in- e essa: um sis ema compos o po subsis emas e u ilizando uma dada linguagem). Há ce ca de 20 anos, a pa i da espos a a um pedido de uma sociedade de segu os mú ua, desencadeou-se en ão um p ojec- o pilo o pa a a ans o mação de uma ins i uição de saúde, com base e i o ial na egião de “ Bouches-du-Rhône ”, em F an- ça. Desen ol eu-se assim uma in es igação na á ea da psicolo- gia da o ganização da saúde, com base e gonómica, daí esul- ando um p ojec o de o ganização da saúde: o Sis ema de In o mação Conc e a (SIC). O objec i o da in e enção de Oddone e a, des e modo, o de ans o ma a o ganização cu a i a exis en e, numa o ganização capaz de iden ifi ca (pa a pode elimina ) as doenças segu a- men e eliminá eis, enquan o doenças de idas ao ambien e cons uído. E p opunha-se azê-lo defi nindo os iscos p io i á- ios, conside ados índices p io i á ios da saúde; c iando um pe cu so de in o mação sob e a saúde indi idual; eunindo as in o mações indi iduais pa a ob e uma ep esen ação da saúde Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez 46 colec i a; in o ma izando o sis ema; di undindo os esul ados como e minais de um se iço ajus ado, es u u ado de o ma a pe mi i à comunidade municipal a a aliação da o ganização da saúde e a sua consequen e modifi cação. O “onde”, dimensão cen al de qualque in e enção, oi aquilo que se pode ia equipa a a um “cen o de saúde” ge ido po uma o ganização de segu os mú ua. Um cen o de saúde que pode se conside ado como p i ado no sen ido em que ge e a saúde (pa a exigências não hospi ala es) dos ade en es à socie- dade de segu os mú ua, com uma o ganização au ónoma, com sec e á ias, médicos gene alis as, médicos especialis as, um la- bo a ó io. No quad o da ac i idade usual do médico nes e con ex o, o SIC ep esen a uma ac i idade in eg ada na sua ac i idade habi ual de médico gene alis a, de médico de amília. Nes e caso, os sujei os undamen ais são os médicos. Já não são os ope á ios na cadeia de mon agem, mas os médicos ge- ne alis as. Eles podem se ac o es de p e enção, mesmo não sendo médicos do abalho. Não podemos sepa a o “eu aba- lhado ” do “eu homem”. O médico gene alis a é a in e ace mais ica, mas ambém a mais isolada. O médico não em a c edibilidade pa a modifi ca as si uações de pe igo. E a possí el pa a o psicólogo do aba- lho cons ui uma mudança que pe mi isse que expe s isolados abalhassem em conjun o, a a és de um sis ema de in o ma- ção – oi isso que p ocu ámos, e e e Oddone (Oddone & Re, 2000). Começamos en ão a u iliza as ins uções ao sósia no sen ido de ecupe a a expe iência do médico, defi nindo um pe cu so diagnós ico di e en e, que e a cons uído sob e udo do seguin- e pon o de is a: o médico inha semp e a suposição de que a doença dependia do ambien e. A pa i daí desen ol ia um pe - cu so diagnós ico, uma abo dagem. O médico, com base em eg as ins au adas no sis ema, le an a a suposição de que a doença possa es a ligada ao abalho ou ao ambien e e, a pa i daí, nós ajudamos o médico, a a és de uma en e is a, de um ques ionamen o ei o po uma sec e á ia, einada de uma o ma bas an e p ecisa pa a essa unção. A decla ação do médico, que pode se subs i uída pela decla a- ção do p óp io sujei o que que sabe se a sua saúde es á em isco do pon o de is a das ag essões ambien ais, dá luga à c iação de uma lis a de sujei os p esumi elmen e em isco. Quando um clien e se di ige ao cen o de saúde pa a uma isi a usual, se es i e assinalada pa a ele uma si uação de “p esun- ção de isco”, põe-se em ma cha um ciclo ca ac e izado pelo pe cu so: médico, sec e á ia, ca óg a o, médico. Um pe cu so que a in o mação, conside ada cen al no sis ema, aça e que o psicólogo da saúde conduz do pon o de is a dos p ocedi- men os. Aquele que o ge e, do pon o de is a ope acional, a a- és das pessoas implicadas, em pa icula dos médicos gene a- lis as, é uma fi gu a no a na o ganização da saúde – o ca óg a o. Ele é o ges o de uma in e enção de e gonomia cogni i a, con olada pelo psicólogo, isando a ecupe ação da expe iência dos sujei os implicados, em pa icula , os conheci- men os do clien e sob e o seu mic o-meio de ida e de aba- lho. A pa i daqui, o médico passa a e a possibilidade de u iliza qualque coisa, que, ge almen e, não pode u iliza . Começámos a pensa o que é que o médico gene alis a pode sabe ou p ecisa de sabe sob e o pacien e (anamnese), mas a coisa mais impo an e – o pon o de is a do abalho – ele não pode conhece , é mui o di ícil. I íamos en a acili a -lhe o aces- so a essa in o mação de uma o ma sis ema izada e in eg ada. O ciclo do SIC Depois da sinalização do médico que dá o igem ao pe cu so, passa-se ao inqué i o po uma sec e á ia, que p eenche a fi cha indi idual de iscos e a fi cha do pos o de abalho. Pa a eco- lhe as in o mações necessá ias, a sec e á ia segue um p ocedi- men o defi nido e pe iodicamen e e ifi cado pelo psicólogo com os ope ado es in e essados. O p ocedimen o u iliza o modelo dos qua o g upos de ac o es noci os (a que se ez e e ência mais a ás nes e ex o, aquando da ap esen ação da écnica das ins uções ao sósia) e as in o mações já acumuladas no cadas- o de si uações de isco do SIC, na en a i a de c ia uma lin- guagem comum. A fi cha indi idual de iscos, in o ma izada, é compos a po 4 á eas: (i) a p imei a pe mi e iden ifi ca o sujei o (o nome é ape- nas isí el pa a o médico que o a a); (ii) a segunda iden ifi ca o pos o de abalho e os iscos e en uais po exposição; (iii) a e cei a p ecisa os iscos de doenças e os agen es ag esso es ( a ein es ) e en ualmen e p esen es. Es as ês pa es são igi- a ein es) e en ualmen e p esen es. Es as ês pa es são igi-a ein es damen e codifi cadas enquan o que (i ) uma qua a pa e, cha- mada “ olha de acompanhamen o”, con ém odas as es an es in o mações (não abalhadas de o ma codifi cada nas ou as á eas) sob e o sujei o e sob e as condições de iscos, já que se p esume que elas possam e in e esse. O objec i o é o de aci- li a uma obse ação, g a ada, “abe a”, não defi nida a p io i pela codifi cação. A fi cha do pos o de abalho ep esen a a base da anamnese ambien al, conc e a, u ilizá el pa a es abelece uma ligação e en ual en e dano e ambien e. O pos o de abalho é iden ifi - cado a a és de ês elemen os : o “2 x 2”, o “OQF” e a “espe- cifi cidade local”. - O “2 me os po 2 me os” defi ne o con ex o espacial conc e o no qual um sujei o abalha (pode ha e mais do que um po abalhado ); - O “O Que Faz” é aquilo que o sujei o az e dadei amen e no seu pos o de abalho (a a e a cono ada de o ma adequada); - A “especifi cidade local” iden ifi ca se a ac i idade de abalho, o p ocesso, em ca ac e ís icas específi cas, posi i as ou nega i- as, no que espei a ao isco em elação às ac i idades de a- balho do mesmo ipo. A a aliação do isco e/ou do dano na saúde do indi íduo, ou seja, a necessidade de exames, o signifi cado dos esul ados, a e en ual decla ação de doença p ofi ssional, é da compe ência do médico gene alis a. O mesmo que assinala a a suspei a de isco e que a e ifi ca com base nas in o mações (ambien ais, clínicas e de labo a ó io). O ca óg a o cons ói a qui os dos pos os de abalho em isco. O e mo que o qualifi ca p ofi ssionalmen e de i a do seu de e Redescub amo-nos na sua expe iência: O desafi o que nos lança I a Oddone Rica do Vasconcelos & Ma ianne Lacomblez