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A procura do Pai no romance Meine Väter de Martin R. Dean

Vilas-Boas, Gonçalo

Abstract

O romance Meine Väter [Os meus pais] baseia-se na procura pela figura narradora no processo da sua construção identitária do seu pai verdadeiro, um indiano que desapareceu. Foi criado por outro indiano, mas resolve ir à procura do seu pai. Fá-lo em Londres, onde o encontra e convence-o a ir às Caraíbas, de onde ele é originário. As diversas aventuras nada trazem quanto ao que deseja. Não é o sangue que lhe traz a sua identidade, nenhuns traços da família indiana que encontra em Londres e nas Caraíbas correspondem minimamente à sua identidade, são-lhe completamente estranhos. Para a sua identidade terá de procurar sobretudo em si e no seu contexto próximo.

Full text

A P ocu a do Pai no Romance Meine Vä e de Ma in R. Dean 1 Gonçalo Vilas-Boas Uni e sidade do Po o - ILC Resumo: O omance Meine Vä e [Os meus pais] baseia-se na p ocu a pela igu a na ado a no p ocesso da sua cons ução iden i á ia do seu pai e dadei o, um indiano que desapa eceu. Foi c iado po ou o indiano, mas esol e i à p ocu a do seu pai. Fá-lo em Lond es, onde o encon a e con ence-o a i às Ca aíbas, de onde ele é o iginá io. As di e sas a en u as nada azem quan o ao que deseja. Não é o sangue que lhe az a sua iden idade, nenhuns aços da amília indiana que encon a em Lond es e nas Ca aíbas co espondem minimamen e à sua iden idade, são-lhe comple amen e es anhos. Pa a a sua iden idade e á de p ocu a sob e udo em si e no seu con ex o p óximo. Pala as-cha e: Dean, Família, Viagens, Iden idade, Li e a u a Suíça Abs ac : The no el Meine Vä e [My a he s] is based on he sea ch by he na a o o his eal a he , an Indian who has le his Swiss mo he . I seems impo an o him o know his own amily. He hopes o ind an explana ion o himsel o pa o i in he eal a he and his Indian amily and backg ound. His sea ch b ings no hing, e en i he mee s his eal a he and a els wi h him o he Ca ibbean islands, whe e his a he comes om. The sea ch is ui less, no hing links him o his Indian amily, he ela i es belong o ano he wo ld, no his own. The sea ch mus go on wi hin himsel and his nea con ex . Keywo ds: Dean, Family, T a els, Iden i y, Swiss Li e a u e Gonçalo Vilas-Boas Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 In odução Nes e ex o p e endo analisa o omance Meine Vä e (MV no ex o) [Os meus pais] de Ma in Dean, au o suíço con empo âneo, na pe spec i a da cons ução de um espaço iden i á io ex e io , is o no local e no global e o in e io , consequência da elação com aquele espaço. Nes e omance a iagem su ge como uma necessidade subjec i a de p ocu a dessa iden idade, embo a se e ele como algo ela i amen e inú il, dado que a iden idade se si ua na elação complexa do Eu, en e o ex e io , is o no local e no global, e o in e io , consequência da elação com aquele espaço. An es de inicia o meu pe cu so analí ico, que o oca a pe spec i a de pa ida: leio o li o como um omance e não como ex o au obiog á ico, mesmo que mui os aspec os eme am pa a a biog a ia do au o . Limi o-me, assim, aos elemen os iccionais, embo a in o mações ex a ex uais possam con ibui pa a uma melho comp eensão. De ac o, Robe , a pe sonagem p incipal, unciona como uma espécie de al e ego do au o , sem se , no en an o, idên ico a ele. Nes e li o mis u a-se assim o ac ual com o iccional. Toda ia, es as duas ace as são semp e il adas pelo na ado . Ap esen ação ge al da emá ica do omance: a p ocu a do pai e a necessidade da iagem Robe é ilho de um casamen o mis o. Neil, o pad as o, cidadão de T inidad, de o igem indiana, é médico numa aldeia na Suíça e é casado com Helen. Conhece am-se em T inidad; mas an e io men e ela o a casada com Ray, o pai biológico de Robe , que ela deixou de ido ao seu compo amen o associal e ebelde. Depois da mo e de Neil, o ilho ai à p ocu a de aços que possui ou pensa possui do seu pai biológico, uma necessidade – c ê ele – pa a a ingi o seu au o-conhecimen o. Na amília o ema e a abu. Ele pa e po conselho da mulhe Leonie, deixando a amília sozinha. Ele so e, como ele p óp io de ine, de “ al a de pai” (MV: 11). A di e ença em elação a ou as si uações de p ocu as do pai na li e a u a de exp essão alemã eside, segundo Sandbe g, no ac o de es e omance se “mo i ado pela p ocu a da p óp ia iden idade e da pe ença a uma o dem social” (Sandbe g 2006: 158). 2 272 A P ocu a do Pai no Romance Meine Vä e de Ma in R. Dean Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 Compa emos a pos u a da pe sonagem com o seu al e ego, o esc i o Dean. No dia 5 de Maio de 2003, Dean deu uma pales a em Basileia in i ulada: “Sob e pais”, endo aí a i mado: “Ele sen e que em den o de si algo inacabado, endo, po an o, de cons ui um pai de subs i uição” (Dean 2003, “Übe Vä e ”: 1). Pa a Dean, não se é apenas p odu o de um con ex o his ó ico e geog á ico: odos os pais ansmi em ambém algo a ní el biológico; essa igu a pe ence, po an o, à his ó ia de cada um. Du an e a p ocu a do pai, Dean sen e uma di iculdade especial: o pai pe deu, de ido a um a aque ca díaco, a ala pa a semp e: “Escondeu a sua e a minha his ó ia num osso sem ala” (ibidem). Mas isso não é bem e dade, pois uma pa e da his ó ia indi idual con inua sem a his ó ia do pai biológico. O au o em uma his ó ia com o pad as o e a sua socialização na Suíça; po ém, uma pa e da sua his ó ia ainda lhe al a, a da he ança gené ica. “Qualque que seja a azão pela qual os pais al am, eles são semp e ein en ados pelos ilhos” (ibidem). No omance em análise, o desejo de Robe de c ia uma igu a de pai unciona como mo o pa a uma g ande iagem, que em como objec i o subs i ui a an asia de uma igu a de pai po uma igu a eal. Robe não em a comple a consciência de que o empo já passou, que não o pode ecupe a , apenas conhece alguns agmen os. A iagem al ez es eja condenada à pa ida; no en an o, é uma necessidade subjec i a. Du an e a iagem, Robe ica mui as ezes doen e. As doenças podem se is as como símbolo de iden idade insu icien e. As suas causas encon am-se sob e udo no modo de ida, na comida, no clima. Dean exp ime es ados semelhan es no seu li o au obiog á ico Auße mi . Mazenaue comen a a es e espei o: “Ele, que en e an o a ingiu os 40 anos, que ul apassa es a ‘ al a de pai’ com odos os seus e ei os secundá ios hipocond íacos” (Mazenaue 2003). 3 Esc e e ambém pode signi ica en a cu a -se, como o hipocond íaco ou o nosó obo, o que em medo das doenças, e en a cu a o co po com di e sos medicamen os e exe cícios. Uma azão da doença dos hipocond íacos é, segundo Dean, a concen ação no p óp io co po. Robe concen a-se de al modo no concei o de pai e da espec i a al a, que o co po eage psicossoma icamen e. 4 Vamos iaja com Robe a é Lond es, a é Sils-Ma ia no can ão suíço dos G isões, e a é à ilha de T inidad, e en emos en ende como é que o mundo ex e io o in luencia e 273 Gonçalo Vilas-Boas Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 con ibui pa a a solução da ques ão iden i á ia. Como e emos, a dimensão opológica e de c í ica social é ambém um elemen o impo an e nes a p ocu a. A ní el o mal, o omance obedece a uma es u u a ela i amen e adicional: segue uma c onologia, que co esponde às á ias e apas da p ocu a. Es a c onologia dá uma ce a o dem ex ual à deso dem in e io do na ado , um na ado na p imei a pessoa. O í ulo da p imei a pa e chama-se “Mind he gap”, uma alusão ao me o lond ino. Robe em de e a enção ao espaço, ele sen e-o, ao a i ma que não conhece o seu pai biológico. Ele em de segui es e “gap”. Ele cons ói uma imagem idealizada, ou como Schimang o mula “o pai como an asia” (Schimang 2003). P imei o encon amo-lo den o de um a ião, lendo um jo nal, al como já Wal e Fabe , sen ado no a ião no meio de uma empes ade de ne e a le uma no ícia sob e um desas e de a iação, no omance Homo abe , de Max F isch. No omance de Dean, Robe lê uma no ícia sob e um pa icídio. Es a no ícia, em conjun o com o í ulo, de e se in e p e ado como ins ução de lei u a. No en an o, o omance não se inicia com uma dimensão c iminalís ica. Robe começa po encon a o pai biológico em Lond es. Con udo, não co esponde à imagem que cons uí a dele: é um homem elho, ágil e sem ala, que i e num la . A a és dele, Robe não consegue as in o mações p e endidas. Robe em de se con on a com es a g ande desilusão e en a encon a meios pa a, pelo menos uma ez, consegui comunica minimamen e com o pai. O Al o Comissá io pa a T inidad em Lond es, que ez as p imei as in es igações pa a Robe , diz que o pai espe ou in a anos po uma chamada ele ónica do ilho, mais a de co ige es a a i mação, dizendo que e a apenas uma me á o a (MV: 14). “No panic” (MV: 10) pa ece se a ins ução in e io de Robe , de ou o modo e ia de desis i apidamen e da p ocu a. Lond es é um exemplo de globalização, se assim o podemos dize . Po ém, es a cidade é, ambém ela, uma cons ução de Robe . Ele es á à p ocu a de um homem de T inidad, po isso o seu olha es á especialmen e sensí el a aspec os mul icul u ais da capi al b i ânica, nomeadamen e os indianos, os paquis aneses e os a icanos, que ele conside a como “os úl imos pe dedo es da his ó ia colonial b i ânica” (MV: 30). No ex o, a 274 A P ocu a do Pai no Romance Meine Vä e de Ma in R. Dean Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 cidade mundial e global exis e, na e dade, apenas a a és de aspec os mul icul u ais seleccionados pelo na ado , o lei o pouco ê da cidade. Robe ê os a iões, que pa em de Hea h ow em di ecção a Bombaim e a T inidad ou que chegam desses luga es ( d. MV: 36), como símbolo do mundo global. O g ande mundo ai-se es ei ando aos olhos de quem p ocu a. O Al o Comissá io ela i iza a p eocupação de Robe , ela não é única: Exis em milha es de c ianças que p ocu am os seus pais ca ibienses. C ianças de mães b ancas, escandina as. (....) C ianças abandonadas, deso ien adas, ilhos da mig ação global, que só ago a começou. (MV: 15) Des e modo, o caso de Robe in eg a-se nou a emá ica que es á p esen e no omance: o acismo que exis e na Suíça, como nou os luga es, conc e izados aqui na di ícil elação en e os indianos en e si e os neg os em T inidad. O p oblema subjec i o de Robe ganha des e modo uma dimensão global. De no o ouçamos o Al o Comissá io: “Todos eles que em conhece os seus pais, pa a descob i em quem são” (MV: 17). Robe não es á, po an o, sozinho na p ocu a do pai! P imei o, Robe e á de cons ui uma pon e que pe mi a ecua in a anos. Apa en emen e, Ray não mos ou, em T inidad, in e esse pela c iança, igno ou-a. Os ele onemas pa a a Suíça, pa a Leonie e pa a a ilha de em se in e p e ados como mo imen ações opos as à p ocu a p incipal. Não podemos deixa de e em con a que Robe ambém é pai. Mas o acaso auxiliou-o. No la de idosos de Ray a en e mei a Na i a é de o igem indiana. Ela ai o na -se numa ajuda p eciosa pa a Robe , com as suas pesquisas na in e ne , mas ambém como uma p eciosa companhei a, ambém no sen ido e ó ico. Aos poucos, ele consegue ala ga o e eno de p ocu a e consegue encon a -se com alguns memb os da amília de Ray, de o igem indiana. Ao ala ga o cí culo ca íbico-indiano, o lei o ica a conhece alguns cos umes dos indianos emig ados. Uma p imei a ez, num encon o com indianos em Lond es, e um pouco mais a de, a a és da na ação da a ó de Robe em T inidad. Em ambas as 275 Gonçalo Vilas-Boas Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 passagens su ge o es e eó ipo da mulhe indiana: “Ela não uma, não bebe, não come ca ne e não equen a a Ta e. Ela é a p op iedade do ma ido com pele e cabelo” (MV: 84). Is o a i ma Robe , epe indo a opinião do pad as o de Neil em T inidad. Nem Robe nem Na i a ac edi am em ais adições, pode -se-á compa a es a a i mação com ou as dos habi an es de T inidad de o igem indiana. Robe , apesa de udo, en a descobi o que os ou os êem neles: “Um pa amo oso indiano? Quão indianos nos pa ecemos nós?” (MV: 85). Ele descob e que a amília indiana es á espalhada po odo o mundo: Ingla e a, Canadá, T inidad, Á ica do Sul, Suécia. Em Lond es p ocu a semelhanças en e si p óp io e a amília, que apenas ago a conheceu. No en an o, quan o mais se ap oxima deles, mais e i ica que nada que e a e com aquele clã. No en an o, ele não desis e da sua p ocu a. Ele ai com Na i a e Ray pa a Sils-Ma ia, uma aldeia na Suíça, onde pai a, como pano de undo, a igu a de Nie zsche. Hospedam-se no Ho el Waldhaus, pa a se encon a com um supos o conhecido de Ray. Es e ho el oi um conhecido pon o de encon o de in elec uais, que podiam pe mi i -se a es es luxos, como Thomas Mann, Theodo Ado no, Thomas Be nha d, F ied ich Dü enma , He mann Hesse, apenas pa a menciona alguns nomes. E iden emen e as nossas pe sonagens não podem paga um ho el des e ipo, mas es ão na espe ança que o homem ico, conhecido do pai, o óp ico Ba agan, lhes pague os qua os e dê in o mações sob e Ray, o que i á, de ac o, a acon ece . Es a es ada pouco az de no o. 5 Robe di e e-se com Na i a, semp e na espe ança de ob e mais in o mações ace ca do homem desconhecido; no en an o, a uma cen ena de quilóme os dali, em Basileia, es á a mulhe e a ilha, que o julgam em Lond es e inham planeado i e com ele. Na Suíça, o “casal” é mui as ezes is o com descon iança ( d. MV: 107). O empo global não apagou as on ei as en e o conhecido e o desconhecido. Apenas no ho el são is os como pessoas no mais, po que são hóspedes, e po que são is os como pessoas icas. Ray a é é con idado po alguns hóspedes mais elhos pa a passeios em enós, ele passa ali um bom empo. 276 A P ocu a do Pai no Romance Meine Vä e de Ma in R. Dean Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 Robe e lec e sob e a p oblemá ica da emig ação na Suíça. P imei o ie am os i alianos, que ele em c iança designa a de “homens de aspec o es angei o com camisolas in e io es” (MV: 175). Depois, ie am as pessoas dos Balcãs: “Es anhamen e os suíços semp e elaciona am a sua p ocu a pela iden idade com a ques ão dos es angei os” (MV: 176). A ac ualidade do ema con inua a é aos dias de hoje. Reco de-se uma indicação num ca az do pa ido da di ei a SVP: “Que em o na -se es angei os no osso p óp io país?” (MV: 177) ou uma no ícia sob e asilos, que o am des uídos pelo ogo. Em con as e es á a his ó ia do pad as o, que e a uma pe sonalidade espei ada numa aldeia com seiscen os habi an es. Mas pa a os lei o es sob essai a si uação ac ual na Con ede ação Hel é ica, o medo que os elei o es pa ecem e ace aos ou os, apesa da impo ância des es na cons ução do país. Na iagem de eg esso en am encon a a mãe de Robe . Mas Robe e Na i a hesi am an o empo em en e à po a, que a mãe acaba po sai da casa e desapa ece no seu Saab. Po causa des e a aso o con ac o não oi es abelecido, al ez po que se ia desag adá el. Foi a mãe que o denou o abu, em elação à p ocu a e cump iu-o. Es á, po an o, na ho a de pa i pa a T inidad! En e an o, Na i a ape cebe-se de que a sua elação com Robe não le a a nada e, po isso, decide pa i pa a a Índia pa a conhece o país dos seus an epassados. E Robe pa e en ão só com o pai pa a T inidad. Na pa e que em luga nes e país, a si uação na a i a muda. 6 O eu-na ado passa a al e na com o na ado au o ial, apesa de es e su gi em mui os episódios que podem se conside adas ambi alen es. Nes as passagens é na ado o passado de Neil e de Ray, mas ambém são desc i os con ex os sócio-polí icos. Tal ez o eu-na ado se quei a esconde , ago a que es á ão p óximo da on e de in o mações, no sí io onde nasceu. Apenas um pequeno exemplo de uma dessas si uações na a i as: “Neil conduziu o Aus in cinzen o, banhado em suo , de no o pela sel a. Des a ez pa ou jun o a um io e omou banho” (MV: 354). Não é di o de onde o na ado ob e e es as in o mações, e o p onome EU desapa ece das passagens em que é na ado o passado. Encon amos, po an o, um i e i en e o an igamen e e o hoje, discu si amen e ma cado pelo oscila da si uação na a i a. 277 Gonçalo Vilas-Boas Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 Somos in o mados ace ca do en usiasmo de Ray po Ri a Haywo h, que ilmou alguns ilmes em Tobago. Ray esc e eu a igos en usias as ace ca dela pa a um jo nal local. Es e oi o p imei o passo pa a o a as amen o da amília de o igem indiana, que e a acis a e eli is a, uma ez que a elação en e cas as e a is a como p oblemá ica. Um indiano não de ia esc e e a igos encomiás icos sob e b ancos num jo nal indiano. Es e aspec o acis a su ge mui as ezes, an o no passado como no p esen e ( d., p. ex., MV: 237, 240, 250, 254, 271, 326). O pai de Ray, po exemplo, em de sen i na p óp ia pele que pe ence a uma cas a mais baixa que a mulhe . Indianos e neg os su gem no omance semp e como opos os, o que é especialmen e impo an e pa a a si uação polí ica do país aquando da independência. Ray não se in eg a nes a manei a de pensa indiana. Assim, ele esc e e o seguin e, em 26 de Fe e ei o de 1956, no T inidad Ch onicle: Po que é que as nossas mulhe es, especialmen e as cidadãs indianas, não podem dança [como as de o igem a icana na ilha, GVB] des e modo? Le an em-se, mulhe es do T inidad, ans o mai os elemen os é nicos numa dança a ac i a e i esis í el – e os aplausos se ão pa a ocês. (MV: 226-227) Ray depa a-se com a incomp eensão po pa e do pai, o juiz Bud in. A his ó ia pa icula de Ray unde-se com a da ilha. Mais ainda: Ray casa-se com uma b anca, a suíça Helen, e mais a de es á ao lado dos neg os da ilha. Pa a os habi an es de T inidad de o igem indiana ele o na-se decisi amen e num ebelde. Tal como o empo oscila en e o p esen e de Robe e o ano de 1956, ambém o omance oscila en e a his ó ia pa icula da amília e a do país. A mul icul u alidade mani es a-se, po exemplo, na oponímia da ilha com nomes de o igem ancesa, espanhola, índia e indiana (Blanchisseuse, Mon Repos, El Soco o, Fyazabad, Cumpia, Calcu a Se lemen , . MV: 248). Is o pa ece di icul a a iden idade: “Em T inidad odos e am um pouco loucos e muda am cons an emen e a sua iden idade” (MV: 259), con a o na ado . Mas ambém se pode a a de uma p ojecção de Robe , que ê a sua p óp ia si uação espelhada na dos ou os. Um indiano no p esen e a i ma o seguin e sob e o Ray de an igamen e: “O eng açado não e a que ele con inuasse a esc e e , mas sim que quisesse 278 A P ocu a do Pai no Romance Meine Vä e de Ma in R. Dean Nº28 – 6/ 2013 | 271-284 – ISSN 2183-2242 ag ada ago a aos neg os. Em T inidad, odas as ases que dizes ou esc e es são uma decla ação acis a” (MV: 297). Depois da independência, a 31 de Agos o de 1962, os neg os subi am ao pode a a és do D . E ic Williams. Segundo a i mações de um indiano, es a en a i a de c ia um es ado mul icul u al jus o saiu us ada, po que o P esiden e e a co up o. Não se sabe ao ce o se Ray não e á mo o o p óp io pai du an e uma mani es ação, o que eme e de no o pa a a p imei a página do omance: “Que cas igo em um pa icídio?” (MV: 9). Não se sabe ao ce o que ped a a ingiu Bud in. Ray a i ou uma, al como mui os ou os. Robe a e igua in o mações ex e io es, nada que o possa ajuda na p ocu a da sua iden idade. P ocu a semelhanças, inclusi e isionómicas. P ocu a o passado, en a uma espécie de epe ição, mas udo isso se a igu a como uma a e a impossí el. T inidad não é um pa aíso, a dimensão „u ópica“ do passado é apenas uma cons ução sua. A iagem, essa, e a necessá ia, pa a que Robe conseguisse esol e es e p oblema. Nes e omance, em que mui os alam, udo se concen a num único p oblema. Ao p ocu a a espos a e dadei a ele ape cebe-se de que a sua busca inha a inal de alha . Leonie diz ao ele one: “Raízes, aízes, ecoa a Leonie, e pe gun a-me se não se á de p ocu a a azão p ecisamen e nes a sociedade sem aízes, que não possui adições nem luga ce o” (MV: 364). Robe em de sai da „con usão“ da ilha, pa a ol a a si p óp io. Ve i ica que a ques ão da p ocu a da iden idade não pode se esol ida, mesmo endo encon ado o pai. Robe em de admi i : Mais uma ez a minha a e agem na ilha alhou. Quan as ezes já cheguei aqui, sem chega aqui, e o desejo de se um habi an e de T inidad en e ou os habi an es de T inidad me le ou às si uações mais de as ado as. Quan as ezes a ilha já me cuspiu como se osse um co po es anho. (MV: 372) En e an o Ray mo e, p ecisamen e na al u a em que na ilha se es eja o ca na al. Pode-se a i ma que a busca de Robe em igualmen e algo de „ca na alesco“, de ido às mui as a en u as que e e de i e . Ou ambém uma espécie de busca quixo esca! Tudo a inal a é ele e i ica que em uma iden idade híb ida, semp e em mu ação. Ele ele ona a Leonie 279