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Reflexões sobre a indisciplina: responsabilidades partilhadas

Isabel Abreu-Lima

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Cen o de Fo mação de Associação das Escolas de Ma osinhos Escola-Sede: Escola Secundá ia Augus o Gomes e- e is a ISSN 1645-9180 Nº 19 P e eni a iolência na Escola - Bullying 1 R. Damão 4450-107 MATOSINHOS el. 229399260 Ex . 44 ax. 229389686 E-mail: [email p o ec ed]epac.p h p://www.c aema osinhos.eu Re lexões sob e a Indisciplina: esponsabilidades pa ilhadas. Isabel Macedo Pin o Ab eu Lima A indisciplina não é um p oblema no o. Foi, é, e p o a elmen e se á semp e um p oblema da escola e das elações en e p o esso es e alunos. É e dade que cada ge ação em endência pa a pe cepciona a época em que i e como a mais d amá ica e p oblemá ica, e no nosso país es e é um enómeno bas an e comum. Po ou o lado, i em-se nas nossas escolas empos pa icula men e di íceis, os quais, conjugados com uma conjun u a de ins abilidade polí ica e com uma c ise acen uada de alo es, conco em pa a que es e seja um ema polémico e con o e so. Con udo, apesa do mui o que se opina, e mau-g ado a a enção que polí icos, educado es, cien is as das ciências sociais e humanas e ou os p o issionais lhe êm dedicado, não são e iden es consensos, mas, pelo con á io, o pano ama pa ece i a ag a a -se p og essi amen e, culminando em si uações-limi e como as que o am, nos úl imos empos, objec o de a enção po pa e dos media. Ambas as si uações - o suicídio de um p o esso , i ima da sua incapacidade pa a esol e os p oblemas disciplina es que en en a a com os seus alunos, pe an e o apa en e alheamen o das ins âncias di ec i as da escola, e o suicídio de um jo em, í ima de bullying po pa e dos seus condiscípulos, são, no mínimo, sinais de males a na ida escola , e na sociedade em ge al. A sua g a idade, exp essa na pe da de idas humanas, de e, pelo menos, aze -nos pensa um pouco. Pensa , an es do mais, que es e é um p oblema de odos nós, e não apenas da escola, dos p o esso es ou dos pais. Diz um an igo di ado índio, que pa a educa uma c iança é p eciso uma aldeia in ei a. Es a ideia de comunidade e de missão é ão e dadei a quan o complexa, numa sociedade abso ida e desgas ada pelas necessidades de sob e i ência ma e ial e onde p incípios básicos como o espei o, a en e-ajuda e o di ei o à educação e à au o idade pa ecem não se ele an es. Cen o de Fo mação de Associação das Escolas de Ma osinhos Escola-Sede: Escola Secundá ia Augus o Gomes e- e is a ISSN 1645-9180 Nº 19 P e eni a iolência na Escola - Bullying 2 R. Damão 4450-107 MATOSINHOS el. 229399260 Ex . 44 ax. 229389686 E-mail: [email p o ec ed]epac.p h p://www.c aema osinhos.eu Pensa , ambém, no papel que os meios de comunicação êm desempenhado ao expo em pública e despudo amen e, p oblemas e si uações que de e iam mui as ezes se esol idos em p i ado, bene iciando assim do igo e da anquilidade necessá ios a um julgamen o ou omada de decisão undamen ada e esponsá el. A isibilidade e o sensacionalismo com que êm sido abo dados na p aça pública mui os dos p oblemas que oco em nas escolas le am, com g ande equência, à con aminação da opinião pública, o que não pe mi e que a pe cepção social sob e os p oblemas seja a mais co ec a ou dis anciada. Finalmen e, pensa que si uações como as e e idas não êm uma causa única, mas são o esul ado de múl iplos ac o es, que o mam uma eia de al o ma complexa que se o na mui o di ícil iden i ica onde começam e onde acabam . Fac o es de o dem social e polí ica, ac o es que êm a e com a ida amilia , com a pe sonalidade dos in e enien es e com a sua his ó ia, com as ca ac e ís icas das escolas e dos alunos que as equen am, com as p á icas pedagógicas dos p o esso es, com a ida das comunidades en ol en es. T a a-se de enómenos complexos pa a os quais não exis em causas simples nem linea es. Po udo is o, o p oblema da indisciplina é algo que nos de e p eocupa a odos e onde odos nos de e emos sen i implicados. A escola já não é o apanágio de alguns, mas uma cons an e da ida de odos nós em ge al, e al como acon ece com a amília, cons i ui um con ex o p imo dial de desen ol imen o pa a qualque se humano. Na escola, como na amília, a c iança c esce e ap ende, pa a o bem, ou pa a o mal. E, in elizmen e, pa a algumas c ianças, an o a escola como a amília pode ão se on e de eno me so imen o, deixando ma cas di íceis de apaga . Os acon ecimen os i enciados nos úl imos empos, e a escalada de iolência a que emos indo a assis i a a és da media ização dos con li os, le a am a uma omada de consciência polí ica sob e a ques ão, que se co po izou em alguns documen os legais e ao no o Es a u o do Aluno. A necessidade de agiliza ce os p ocedimen os disciplina es, a a ibuição à escola de maio au onomia e a de inição da moldu a penal a aplica nos casos limi es, são sem dú ida es o ços me i ó ios po pa e do Minis é io da Educação, que podem con ibui pa a e o ça a au o idade da escola e dos p o esso es em ge al. A media ização em pelo menos esse e ei o posi i o, pondo a máquina a unciona a odo o apo . Con udo, que se desengane quem pensa que a si uação se esol e po dec e o, ou po que exis e on ade polí ica nos gabine es e co edo es do pode cen al. A escola não em nos nossos dias uma a e a ácil, como econheceu Fe nandes (2007). Educa de o ma di e enciada, “massas” de alunos ex emamen e di e sos, pode se um eno me desa io, como Cen o de Fo mação de Associação das Escolas de Ma osinhos Escola-Sede: Escola Secundá ia Augus o Gomes e- e is a ISSN 1645-9180 Nº 19 P e eni a iolência na Escola - Bullying 3 R. Damão 4450-107 MATOSINHOS el. 229399260 Ex . 44 ax. 229389686 E-mail: [email p o ec ed]epac.p h p://www.c aema osinhos.eu o é ambém o passa de um pa adigma de “ ansmissão “ pa a um pa adigma de “in e acção”, assumindo que os alunos podem e um papel ac i o na cons ução do seu p óp io conhecimen o, sem con udo cai no acili ismo e na demagogia. Po ou o lado, é impo an e coloca o aluno no cen o do sis ema, cen ando nele os p ojec os educa i os e espondendo às suas necessidades de conhecimen o, man endo simul âneamen e um ní el adequado de exigência no p ocesso de ins ução e a qualidade do ensino. O in es imen o nos p ocessos ins u i os isando um ensino de qualidade em que se acompanhado po um necessá io en ol imen o dos p o esso es nos seus p óp ios p ocessos o ma i os, bem como nas a e as de ges ão escola . Escola e p o esso es acumulam po ém, com g ande equência, um conjun o de a e as que implicam o desempenho de papéis di e sos, pa a os quais nem semp e es ão p epa ados. Os p oblemas de indisciplina são pa e dos múl iplos desa ios com que os p o esso es se con on am, e ela i amen e aos quais exis em, equen emen e, ideias p é-concebidas. “A disciplina de e ia começa em casa…”; “os alunos são mal-compo ados e ag essi os po que os pais não os educam”; “ os pais não colabo am com a escola” ; “não há espei o pelos mais elhos…”; “os p o esso es o am desau o izados”. Apesa de pode em co esponde à e dade, es as ideias, an as ezes epe idas do lado da escola, colocam a ónica do p oblema nos pais e deixam pouca ma gem pa a se pode al e a a si uação. Ca ac e izam ambém uma pos u a ípica po pa e de alguns, a qual co esponde a pensa que as aízes do p oblema es ão algu es na sociedade que nos odeia. Como a sociedade não em endência a muda , os p oblemas p o a elmen e não pode ão se esol idos. Um ou o e o e iden e, consis e em 3 conside a a au o idade como uma qualidade ex e na. Na e dade, a au o idade não pode se impos a do ex e io , e nenhuma medida legal, po mais se e a que seja, pode á de ol e a au o idade a alguém que a pe deu. Mas ambém do lado dos pais há queixas e p econcei os. “Os p o esso es não se azem espei a …”; “as escolas não êm condições…”; “de ia ha e mais igilância…”; “ al a au o idade…”. A consequência lógica des a oca de galha de es é que pais e p o esso es icam p esos numa espécie de jogo do empu a, numa a ibuição mú ua de culpas que não le a a nada de p odu i o, pelo con á io, unciona como uma a oei a, bloqueando a acção e a colabo ação na p ocu a de espos as. Se ia óp imo que exis isse uma solução ápida e e icaz, à qual pudéssemos eco e pa a esol e os p oblemas de indisciplina. O ideal se ia uma acina, que inoculasse os alunos con a a doença Cen o de Fo mação de Associação das Escolas de Ma osinhos Escola-Sede: Escola Secundá ia Augus o Gomes e- e is a ISSN 1645-9180 Nº 19 P e eni a iolência na Escola - Bullying 4 R. Damão 4450-107 MATOSINHOS el. 229399260 Ex . 44 ax. 229389686 E-mail: [email p o ec ed]epac.p h p://www.c aema osinhos.eu do mau compo amen o, esol endo assim de ini i amen e, os p oblemas dos p o esso es e dos pais. Se assim osse, os alunos se iam acinados à en ada pa a a escola, e as salas de aula o na -se-iam locais anquilos e ag adá eis, onde os alunos, semp e bem dispos os e sossegados, es a iam disponí eis pa a abalha e aca a de bom g ado as o dens e ins uções dos p o esso es. O ac o é que as coisas não se passam assim, e não é ce amen e es a a imagem que a maio pa e de nós em de uma sala de aula. A e dade é que a sala de aula, local po excelência onde os p oblemas de disciplina se le an am, é um local de g ande azá ama, com ca ac e ís icas mui o pa icula es, que cons i ui um eno me desa io ao p o esso . Uma sala de aula é um espaço limi ado, onde es ão, po pe íodos ex ensos de empo, um g ande g upo de alunos com um p o esso . De aco do com Doyle (1986, ci . po Shuell, 1996), qualque sala de aula ap esen a ca ac e ís icas pa icula es. Uma delas é a mul idimensionalidade – mui os acon ecimen os oco em ao mesmo empo, o que exige po pa e do p o esso um g ande es o ço pa a assegu a a o dem, po um lado, e que os alunos ap endam, po ou o. Uma ou a ca ac e ís ica das salas, é a simul aneidade – os acon ecimen os oco em em simul âneo e o p o esso em que es a a en o a si uações que mui as ezes se sob epõem. Po ou o lado, o p o esso em que se capaz de agi ápida e e icazmen e pe an e os acon ecimen os, os quais nem semp e são aqueles que se iam de espe a . Tal como um á bi o de u ebol, o p o esso em que oma decisões apidamen e, sem dispo de mui o empo pa a pensa , sabendo con udo que se não decidi adequadamen e, so e á as consequências. Os alunos são uma pla eia mui o a en a, pa icula men e nos momen os di íceis, e se ão depois os po a- ozes do que acon ece na sala pa a o ex e io e pa a as amílias. Es a isibilidade pode unciona no bom ou no mau sen ido. A p epa ação de um p o esso pa a o desempenho do seu abalho nas condições que acabamos de desc e e é uma a e a complexa, não deixando ma gem pa a amado ismos. Po isso, um dos aspec os-cha e consis e na o mação dos p o esso es. Es a em que incidi , pa a além dos con eúdos a ansmi i e nas es a égias pedagógicas necessá ias pa a al, num conjun o de compe ências écnicas que pe mi am aos p o esso es desen ol e um abalho p oac i o e adop a uma abo dagem posi i a, onde a ges ão da sala e dos compo amen os são pa e in eg an e. Além des e abalho, ei o di ec amen e com os alunos, o p o esso em ambém que possui ca ac e ís icas e conhece es a égias que pe mi am um abalho de qualidade e de e dadei a pa ce ia com os pais e com as comunidades. Cen o de Fo mação de Associação das Escolas de Ma osinhos Escola-Sede: Escola Secundá ia Augus o Gomes e- e is a ISSN 1645-9180 Nº 19 P e eni a iolência na Escola - Bullying 5 R. Damão 4450-107 MATOSINHOS el. 229399260 Ex . 44 ax. 229389686 E-mail: [email p o ec ed]epac.p h p://www.c aema osinhos.eu T abalha p oac i amen e, signi ica que, ao ní el da sala, se de inem eg as cla as e exequí eis pa a os alunos; que se moni o izam os compo amen os e se p e inem os p oblemas, agindo an es que eles oco am; implica e sen ido de humo e sabe cap a a a enção dos alunos quando é necessá io; man e o i mo das ac i idades a um ní el óp imo; implica ambém sabe ge i o compo amen o dos alunos, e o ganiza o ambien e e os ecu sos disponí eis po o ma a maximiza as opo unidades dos alunos pa a ap ende . Quan o mais ocupados es ão os alunos, menos disponibilidade e empo e ão pa a se en ol e em compo amen os inadequados. Adop a uma abo dagem disciplina posi i a, po seu u no, aduz-se em aspec os como espe a o melho dos alunos; em desen ol e elações e in e acções posi i as; em c ia uma imagem de c edibilidade e de consis ência, a a és da acção; em es a a en o às ocasiões em que os alunos mani es am um compo amen o adequado e demons á-lo de o ma adequada; inalmen e, mas não menos impo an e, se posi i o implica modela o gos o e o en usiasmo pelo abalho, o que só consegue aze quem gos a ealmen e do que az. Mui o pode ia ainda ac escen a -se ace ca do abalho com pais e com a comunidade, conc e amen e no que se e e e à ques ão da disciplina, apesa de não se possí el azê-lo sem p olonga demasiadamen e es a e lexão, que se p e ende sucin a. O in es imen o numa sólida o mação dos p o esso es é uma peça undamen al no complexo puzzle que os p oblemas de disciplina le an am às escolas, embo a, ob iamen e, não seja a única espos a. Ou os aspec os não podem se desp ezados pelos esponsá eis. A exis ência de psicólogos e ou os écnicos especializados ao ní el da escola, que o neçam se iços de consul ado ia cen ados nos p oblemas, cons i ui um ecu so c ucial. Como se e e iu, os p o esso es são não a as ezes ob igados a desempenha ou os papéis, desde assis en e social, a psicólogo, quando não en e mei o ou con iden e. Esses papeis, que não lhes compe em e pa a os quais não es ão p epa ados, impedem-nos de exe ce aquela que é a inal a sua unção p imo dial: ensina e ins ui os alunos, e azê-lo com p aze e en usiasmo. Es á na al u a de odos e lec i mos sob e o que é impo an e e o que que emos aze pe du a nas ge ações u u as. Au o idade, espei o, compe ência e ole ância são alo es inques ioná eis que não podem depende de p ocessos de negociação e que de em se compa í eis com os modelos e os pa adigmas que igo am nas nossas escolas. Es á na al u a de pe cebe mos que nenhum Minis é io ou nenhuma lei i á esol e só po si os p oblemas, se não a egaça mos as mangas e pa a isso con ibui mos ambém nós p óp ios. Cen o de Fo mação de Associação das Escolas de Ma osinhos Escola-Sede: Escola Secundá ia Augus o Gomes e- e is a ISSN 1645-9180 Nº 19 P e eni a iolência na Escola - Bullying 6 R. Damão 4450-107 MATOSINHOS el. 229399260 Ex . 44 ax. 229389686 E-mail: [email p o ec ed]epac.p h p://www.c aema osinhos.eu Há bons exemplos, há bons esul ados e boas expe iências, que p o am que mesmo em ci cuns âncias ad e sas, udo é possí el se hou e on ade, empenho, gos o e compe ência. Re e ências bibliog á icas: Fe nandes, D. (2007). Fo mação de p o esso es: muda o cen o de g a idade. Jo nal das Le as, A es e Ideias, nº 965. Shuell, T. J. (1996). Teaching and lea ning in a class oom con ex . In D. Be line & R. Cal ee (Eds.), Handbook o Educa ional Psychology. N.Y.: MacMillan Lib a y Re e ence (*) P o esso a Auxilia e In es igado a na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o