Full text
MESTRADO
MULTIMÉDIA - ESPECIALIZAÇÃO EM MÚSICA INTERATIVA E DESIGN DE SOM
PROTOTIPAGEM DE UM
INSTRUMENTO MUSICAL MISTO: A
EXPRESSIVIDADE DA INTERFACE
Hen ique Gomes Fe ei a
M
2021
FACULDADES PARTICIPANTES:
FACULDADE DE ENGENHARIA
FACULDADE DE BELAS ARTES
FACULDADE DE CIÊNCIAS
FACULDADE DE ECONOMIA
© Hen ique Gomes Fe ei a, 2021
P o o ipagem de um ins umen o musical mis o: a
exp essi idade da in e ace
Hen ique Gomes Fe ei a
Mes ado em Mul imédia da Uni e sidade do Po o
Ap o ado em p o as públicas pelo Jú i:
P esiden e: José Miguel San os A aújo Ca alhais Fonseca (PhD)
Vogal Ex e no: Luís Bi encou (PhD)
O ien ado : Filipe Cunha Mon ei o Lopes (PhD)
Coo ien ado : Gilbe o Be na des de Almeida (PhD)
Resumo
Es a disse ação abo da a p o o ipagem de um ins umen o musical baseado na pla a o ma
Bela, a pa i de écnicas con encionadas na cons ução de ins umen os digi ais e pela
aplicação de componen es ele ónicos e acús icos. São es udados os concei os de exp essi idade
e ges ualidade, de o ma a pode aplica mapeamen os que con i am a es e p o ó ipo um sen ido
de exp essi idade pa a a pe o mance de música ao i o. Con ex ualiza-se a á ea de
in es igação com a ap esen ação de exemplos de in e aces exp essi as con empo âneas e
ou os ins umen os digi ais, bem como a e isão eó ica de alguns in es igado es des e campo
de es udo. Na componen e p á ica são desc i os os p ocessos de p o o ipagem com e e ência
aos senso es e componen es u ilizados, a sua p og amação in o má ica e a sua assemblagem
num o ma o au o-con ido do ins umen o. Pa a a ealização des a in es igação o am
emp egues me odologias de in es igação-acção e in es igação a ís ica, p omo endo-se a
a i ude e lexi a pe manen e en e a cons ução do ins umen o e a sua exp essi idade.
Abs ac
This disse a ion add esses he making o a p o o ype o a musical ins umen based on he
Bela pla o m, om con en ional echniques o building digi al ins umen s and applying
elec onic and acous ic componen s. The concep s o exp essi eness and ges u e a e deal wi h
by applying mappings ha gi e his p o o ype a sense o exp essi eness o li e music
pe o mance. The esea ch sec ion p esen s examples o con empo a y exp essi e in e aces and
o he digi al ins umen s, as well as a heo e ical e iew o some esea che s in his ield o
s udy. In he p ac ical sec ion, he p ocesses in ol ed in de eloping he p o o ype a e desc ibed
wi h e e ence o he senso s and componen s used, hei compu e p og amming and hei
assembly in he o ma o a s andalone ins umen . To ca y ou his in es iga ion, ac ion-
esea ch and a is ic in es iga ion me hodologies we e used, p omo ing a e lec i e a i ude
h oughou he p ojec and so b inging oge he he elemen s o he cons uc ion o he
ins umen wi h i s subsequen e exp essi e capabili ies.
Ag adecimen os
Gos a ia de ag adece aos meus pais e ao meu i mão pelo apoio cons an e que me de am e
pela con iança que deposi a am no meu pe cu so. À F ancisca Do es, po me acompanha em
odos os momen os, pelo ca inho, pelo amo e po oda a incansá el ajuda que me p es ou na
e isão des e documen o. Ao Filipe Lopes pela o ien ação, semp e acompanhada de con iança e
pala as de mo i ação. Ao Gilbe o Be na des po odos os conhecimen os ansmi idos e pela
disponibilidade pa a com as minhas dú idas na u ilização do Pu eDa a. Ao Filipe Too ill pela
amizade e pela p eciosa ajuda na cons ução do co po do ins umen o p o o ipado. Ao Philip
Wes on Too ill pela e isão do Abs ac . A odos os amigos que me êm acompanhado ao longo
dos anos, nomeadamen e ao Guilhe me Co eia, ao Simão Colla es Rod igues, ao Miguel Se ão
Pe ei a, à Ma iana Teixei a, à Ana Pinho, ao Ped o Galan e, ao F ancisco Almeida, ao João
San os, à Anis alda Gomes, à Inês “Jonas” Sil a e ao Ma in Lloyd. A odos os no os amigos
que su gi am nes a ase da minha ida e me inspi am com o seu abalho, nomeadamen e ao
F ancisco Oli ei a, ao Louis Wilkinson, ao Rica do M. Viei a, à Diana Lucena, à Inês Ca nei o,
ao Daniel Teixei a e à Ana Ca alho dos San os. Ag adeço ambém a á ias pessoas cuja
p esença, assídua ou e éme a, oi ambém impo an e no meu pe cu so, nomeadamen e ao
Miguel Pipa, ao José Assunção, ao Vi giliu Obada, à Sa a Co ei a, à Inês Vicen e, ao Gab iel
Co eia, ao Gonçalo Cupe ino, à Danielle Lopes, ao João Gal ão, ao Rui Penim Gue ei o, ao
Mi chell Al es, ao Gonçalo Ta a es, ao Ma i Guillem Cisca , ao Rica do Bap is a, ao Hei o
Al elos, ao Tiago Ângelo, ao Ped o B i o e à An ónia Ma ques. Po im, gos a ia de ag adece
ambém aos docen es e in es igado es que acompanha am, pon ualmen e, momen os des a
in es igação, nomeadamen e ao Luís Aly, ao Alexand e Clémen e ao Edua do Magalhães.
O au o ,
Hen ique Gomes Fe ei a
x ii
Ab e ia u as e Símbolos
Ω
DIY
DMI
DSP
FM
FSR
GUI
HCI
Hz
IDE
I/O
NIME
Pd
SCL
SDA
USB
VST
VSTi
Ohm ou Ohms, unidade de medida da esis ência elé ica
Do I You sel
Digi al Music Ins umen /In umen o musical digi al
Digi al Signal P ocessing
F equency Modula ion ( e e en e a sín ese FM, F equency Modula ion Syn hesis)
Fo ce Sensing Resis o
G aphical Use In e ace
Human-compu e In e ac ion/In e ação Humano-compu ado
He z, unidade de equência, medida em ciclos po segundo
In eg a ed De elopmen En i onmen /Ambien e de desen ol imen o in eg ado
Inpu s/Ou pu s ( e e en e às ligações de en ada e saída de um ha dwa e)
New In e aces o Musical Exp ession/No as in e aces pa a a exp essão musical
Pu eDa a (so wa e)
Se ial Clock Line
Se ial Da a Line
Uni e sal Se ial Bus, pad ão de cabos/conec o es compu ado -pe i é icos
Vi ual S udio Technology
VST Ins umen /Vi ual Ins umen
1
1. In odução
Es a in es igação p opõe a p o o ipagem de um ins umen o musical, ba izado de
C escen e, com componen es digi ais e analógicos, ou seja, um obje o ísico que con ola um
conjun o de p ocessos de ge ação de som analógico e digi al. Pa indo de modelos de sín ese
sono a pad onizados (e.g. sín ese FM, sín ese adi i a, sín ese sub a i a), p e endeu-se pesquisa
o mas de a ua sob e pa âme os do sinal áudio do ins umen o, em empo eal, a a és de
ações e ges os cap ados po senso es.
Na pe o mance de ins umen os musicais con encionais (e.g. piano, ombone, ha pa,
lau a, en e ou os), o ges o ísico que le a à p odução de som elaciona-se com a p á ica (i.e. a
in e acção ísica com o ins umen o) e a ine en e adição ins umen al do p óp io ins umen o,
mas ambém, como complemen o, com a an ecipação de uma ce a exp essi idade sono a que
deco e á, ine i a elmen e, de um conhecimen o empí ico u o da p á ica musical com esse
ins umen o. Nes e sen ido, na cons ução e implemen ação do ins umen o que me p oponho
c ia , p e endo que o ins umen o possibili e uma mi íade de ges os ísicos que, po sua ez,
po enciem uma elação exp essi a mul i ace ada en e ges o ísico e exp essi idade sono a. Po
úl imo, a a és dos ges os, p e ende-se manipula não só a ge ação p imá ia de som digi al (e.g.
sín ese FM), mas ambém ans o ma aspe os da sua sono idade a a és da écnica de
elec oacous ic eedback loops
1
, mais comumen e associada ao uni e so musical da ele ónica e
da ele oacús ica. O abalho sob e o p o ó ipo de um ins umen o musical mis o, au o-con ido e
exp essi o, eme ge da necessidade de undi es e conjun o de elemen os ísicos, digi ais e
analógicos.
1
No glossá io de AUFERMANN, K. F. (2002). Feedback P ocesses. An in es iga ion in o non-linea elec onic
music. Middlesex Uni e si y, e i ado do a igo de Da id Lee Mye s na Resonance Magazine #9 (MYERS, D.L.
2002, p.12,13) como: “Feedback ele oacús ico e e e-se a eedback audí el que, du an e o p ocesso de eeding
back, passa em simul âneo pelo meio ele ónico e pelo meio acús ico”.
2
1.1 Mo i ação e Con ex ualização
“Os ins umen os musicais são obje os ex ao diná ios po que a a és deles podemos
exp imi e ansmi i musicalmen e ideias e sen imen os” (Hen ique, 2002, p.310)
A música em a capacidade de mo e g upos de pessoas unidas po ideias comuns, a aídas
pelas mesmas his ó ias. Elias Cane i diz-nos que “Todas as massas palpi an es êm -
p ecisamen e g aças ao i mo que nelas p edomina - algo de semelhan e” (Cane i, 2014, p.35).
O sinc onismo de um g upo, que começou com o i mo dos pés, do caminha do se humano,
“uma espécie de no ação musical í mica, que semp e exis iu”, es ende-se a é à a ualidade
a a és de o mas musicais mais comple as (Cane i, 2014). A a és da composição de peças
musicais, de uma sequência de no as, na execução de ob as ou a a és de qualque ou o
o ma o que pe mi a a exp essão e p odução de momen os musicais, os “indi íduos-pe o me s”
exe cem o pode da música sob e os “indi íduos-espec ado es”. É um modo de comunica
ideias e sen imen os que, mui as ezes, di icilmen e são expos os a a és de pala as. Pie e
Schae e diz-se dominado po uma saudade de música que não que dize nada, quando po
ezes esc e e e “in eja modos de exp essão mais in ensos. Esc e e é semp e o na explíci o à
cus a de ou as coisas”
2
(Schae e , 2012, p. 3)
3
. Os es ímulos sono os e ges uais, como no caso
da pe o mance ao i o, ans o mam o ou in e em espec ado . Con idam o indi íduo a c ia
imagens men ais e, “enquan o hou e imagem, há ida (...)” (Mondzain, 2015, p. 74).
O abalho dos músicos, ao longo da his ó ia, di ide-se em subg upos que não se cingem à
c iação e in e p e ação de música em si. Mui os p ocu am especializa -se na esc i a da música,
deixando a in e p e ação pa a ou os que decidi am domina a p á ica ins umen al, ou os
escolhem dedica -se à di eção de g upos - o ques as, co os, ensembles – ou os, ainda,
en e edam pela c iação de so wa e e ha dwa e musical, pela documen ação da his ó ia, pela
p odução de discos e bandas, ou pela cons ução de ins umen os musicais.
A cons ução de ins umen os musicais emon a à P é-His ó ia (i.e. lau as de ma im e de
osso
4
) e desde en ão a sua e olução le ou à cons ução de ins umen os musicais como o piano,
um ins umen o musical ex emamen e e inado que cong ega á ias ecnologias dis in as. O
lu hie de ins umen os musicais é ambém uma p o issão an iga e a lu he ie
5
uma habilidade
mui o especí ica que apa ece nes a linhagem his ó ica
6
.
2
Todas as aduções que se encon am em no a de odapé ao longo do documen o o am ei as de o ma li e pelo
au o , com ecu so ao seu conhecimen o da língua inglesa e com a e amen a de adução do Google.
3
“Some imes when I w i e I am en ious o mo e in ense modes o exp ession. W i ing is always making explici a he
expense o o he hings.” (SCHAEFFER, 2012, p.3).
4
Exemplo baseado em a e ac os musicais com ce ca de 30 a 40 mil anos encon ados em ca e nas no sudoes e da
Alemanha (CONARD, MALINA, & MÜNZEL, 2009).
5
Ge almen e associada à cons ução, epa ação e es au o de ins umen os de co das como iolinos e iolas.
6
C. . PIO, S., DE MARCHI, M., & SCHOEN, R. (2012). Viol and lu e make s o Venice 1490-1630-Liu e ia
eneziana 1490-1630. Venice Resea ch.
3
No con ex o des a in es igação, op amos po nos concen a em pessoas que, a pa i de
meados do séc. XX, e seguindo uma linhagem des ian e da p á ica comum de lu hie , decidem
expe imen a ou modi ica e amen as e obje os mais ou menos con encionais no mundo da
música (e.g. caixas de essonância, ádios, en oinhas), em busca de no as possibilidades pa a a
exp essão musical.
Uma das p imei as e e ências e olucioná ias na his ó ia dos ins umen os ele ónicos é a
de Leon The emin (1896-1993), esponsá el pela in enção do he emin
7
( e igu a 1) no inal
da segunda década do século XX
8
. O he emin é um ins umen o ele ónico compos o po uma
caixa e duas an enas. É con olado com o mo imen o das mãos, sem necessidade de con ac o
ísico. Es e oi um dos ins umen os que popula izou um som pu amen e ele ónico a um
público ala gado, ao mesmo empo que mos a a possí el uma in e ação inédi a na época: aze
soa um ins umen o musical sem lhe oca (Collins, 2007). Es a no idade possibili ou uma
7
O seu imb e consis e numa o ma de onda sinusoidal que a ia em equência e ampli ude.
8
Pa a mais de alhes e (HOLMES, 2008).
Figu a 1 - Ca olina Eyck, composi o a e música, com um
The emin. Imagem do si e/a qui o de Cons an in Enache.
4
no a comp eensão e abe u a pa a elações en e a ecnologia de um ins umen o musical e a sua
exp essi idade sono a.
Após a segunda gue a mundial, na música, a cena a an -ga de
9
é in ensi icada. O igina
di e en es discussões, e oluções de concei os e p á icas da composição na pe o mance
musical, a e ando indele elmen e ambém a cons ução e idealização de no os ins umen os
musicais. A música de ca iz expe imen al na Eu opa e Amé ica do No e, com u ilização de
ecnologias analógicas, lo esceu a pa i de abalhos como os de Pie e Schae e (1910-1995),
que in oduziu a musique conc è e
10
; John Cage (1912-1992), com ob as pionei as na música
ele oacús ica e abo dagens de composição inédi as (i.e. composições com obje os sono os não
con encionais, no as es u u as í micas e ha mónicas); Da id Tudo (1926-1996), como “o
p imei o i uoso da pe o mance ele ónica” (Collins, 2007, p.74)
11
; Ha y Pa ch (1901-1974),
o c iado de uma sé ie de ins umen os com os quais cons i uiu a sua p óp ia o ques a;
S ockhausen (1928-2007), com um legado de ob as impac an es no campo da música ele ónica
(e.g., Mik ophonie I).
A pa i da p oli e ação dos sin e izado es analógicos, com Robe Moog (1934-2005) e
Don Buchla (1937-2016), o acesso à música ele ónica oi ala gado a um público mais as o e a
um maio núme o de ins umen is as. A p oli e ação dos ins umen os musicais digi ais
12
,
sensi elmen e a pa i dos anos 1970 (e.g. DX-7
13
), aliada a uma on ade c escen e de
acessibilidade e ino ação ecnológica, eio expandi ainda mais o léxico musical exis en e,
e elando ambém o amplo oceano de sons desconhecidos que podem se p oduzidos a a és de
ins umen os.
Os ins umen os digi ais o e ecem opções que, na eo ia, são in ini as (Roads, 1996a) no
que diz espei o às suas possibilidades ímb icas quando “em con as e com a pe o mance de
ins umen os comuns” (Ma hews, 1963, p.553)
14
. Es a pale a in ini a de e, no en an o, se
ge ida ace às necessidades de exp essão musical de di e en es músicos e pe o me s. Na
medida daquilo que é possí el p e e , mui as e amen as digi ais são adap adas a a iadas
o mas de oca , con o me os pa âme os musicais que se u ilizam. A í ulo de exemplo, um
músico que abalha essencialmen e com mic o onalidade
15
, p ocu a á um ins umen o ou
in e ace que lhe pe mi a um con olo ino da al u a (i.e. pi ch) e, idealmen e, a possibilidade de
9
Associada às abo dagens do mo imen o Fluxus no que diz espei o às p á icas e p ocessos musicais
10
Te mo com o igem a pa i de In oduc ion à la musique conc è e (SCHAEFFER, 1950). Um ipo de música ei a a
pa i de g a ações de áudio, “ a iações das elocidades de g a ação e ep odução, amos agem e edição de sons
po manipulação do b aço, echamen o em anel do sulco g a ado, mo imen ação do disco em sen ido e e so,
modulações de in ensidade, ade-ins e ade-ou s” (PALOMBINI, 1999).
11
“O e he nex en yea s Tudo g adually abandoned he piano and eme ged as he i s i uoso o elec onic
pe o mance (…)” (COLLINS, 2007, p.74).
12
Ins umen os que su gem a pa i da “come cialização de ecnologias digi ais musicais nos anos 70”, ge almen e
“ e e idos como DMIs” (MAGNUSSON, 2017, p. 286).
13
DX-7 da Yamaha em 1983, c iação do Max de Mille Pucke e, Fai ligh CMI em 1979, en e ou os.
14
“The e a e no heo e ical limi a ions o he pe o mance o he compu e as a sou ce o musical sounds, in con as
o he pe o mance o o dina y ins umen s.” (MATHEWS, 1963, p.553).
15
U ilização de in e alos in e io es ao semi om en e no as musicais, chamados mic o ons.
5
escolhe en e um conjun o ala gado de no as (i.e. di isão da oi a a em 24 ou mais pa es). Um
músico que abalha com uma g ande quan idade de p ocessamen o digi al, a ní el de e ei os
(i.e. EFX), que e á uma in e ace que lhe pe mi a acilmen e ajus a a quan idade desses
mesmos e ei os, a sua a enuação (ou bypass), ou a é a modi icação do seu ou ing
16
. Além disso,
a p ocu a do mapeamen o de pa âme os de ins umen os digi ais complexos de e p e e uma
cu a de ap endizagem des as in e aces que pe mi a uma e olução écnica do p óp io músico,
ou seja, a p ocu a de um ce o ní el de p á ica que le e a que ce as “ações se o nem
au omá icas” (Hun & Ki k, 2000, p.232)
17
na execução do ins umen o. Conside amos que es a
cu a de ap endizagem não se esgo a me amen e no domínio écnico da in e ace, mas que é
ambém a o ma de um músico se ap oxima das possibilidades exp essi as do ins umen o.
A ualmen e, a NIME
18
é um dos mais impo an es cen os de ap esen ação de
in es igações ace ca de no as in e aces e ins umen os pa a no as exp essões musicais, bem
como p opos as ino ado as pa a o con olo de ins umen os musicais digi ais. Es a con e ência
in e nacional, em conjun o com e en os como a ICMC e o SMC
19
, labo a ó ios de c iação como
a STEIM
20
e concu sos como o Gu hman Musical Ins umen Compe i ion
21
, êm indo a ge a
uma ede de conhecimen o que se expande apidamen e em olume, alimen ada ambém pelas
subcul u as do DIY (Do i You sel ), do ci cui bending
22
e do ha dwa e e so wa e open-
sou ce
23
. Es es e en os e comunidades a aem indi íduos, “não-engenhei os”, especi icamen e
pa a o o ício da p o o ipagem e design de ins umen os musicais.
16
Te mo comumen e usado pa a desc e e a o ma como di e en es módulos se ligam en e eles numa ede de
ci cui o elé ico, digi al ou analógico: “ he use o a pa icula pa h o di ec ion o some hing o a el o be
placed” (De inição de ou ing do Camb idge Ad anced Lea ne 's Dic iona y & Thesau us © Camb idge
Uni e si y P ess).
17
“The con ol mechanism is a physical and mul i-pa ame ic de ice which mus be lea n by he use un il he
ac ions become au oma ic” (HUNT & KIRK, 2000, p.232).
18
The In e na ional Con e ence on New In e aces o Musical Exp ession (NIME, 2020).
19
Um conjun o de dois e en os: a In e na ional Compu e Music Con e ence (ICMC) e a Sound & Music Compu ing
con e ence (SMC).
20
STEIM é um labo a ó io de “ne wo k” dedicado a expe iências no campo da a e sono a e da música ele ónica ao
i o desde 1969. In elizmen e, a di eção da STEIM anunciou que a pa i de janei o de 2021 odos os undos
es an es pa a man e es a o ganização e mina am, impedindo assim que es a pudesse con inua a exis i como
uma o ganização o mal (STEIM, n.d.).
21
Um concu so p omo ido pelo Geo gia Ins i u e o Technology, que expõe anualmen e o esul ado de no as
ecnologias e ideias pa a a comunidade dos músicos e ins umen is as, na o ma de e amen as que undem
possibilidades digi ais e adicionais, assim como pe o mances musicais que desa iam os o ma os p é-exis en es
ou ap esen am ino ado as expe iências pa a o espec ado .
22
Conjun o de écnicas c ia i as pa a al e ação e cus omização de ci cui os ele ónicos p é-exis en es, ge almen e
com o in ui o de expandi as suas possibilidades na p odução de sons.
23
So wa e/Ha dwa e cujo código e/ou esquemas de pa es se disponibilizam numa dis ibuição/pa ilha li e, com a
possibilidade de al e ação do mesmo(as) e modi icações no seu design.
6
1.2 P oblemas, Hipó eses e Obje i os de In es igação
O meu in e esse na música expe imen al e ele ónica pa iu de um pe cu so p o undamen e
ma cado pelo es udo e p á ica de música ao longo dos anos, bem como pela passagem pelo
Conse a ó io Regional de Gaia, no qual concluí o ensino secundá io com o iolino como
ins umen o de cu so. A conexão que se o mou com es as abo dagens musicais, le a am-me à
composição e p á ica da música com ins umen os ele ónicos como o compu ado , aplicações
pa a sma phones e able s de sín ese sono a e sin e izado es digi ais. A a és do en ol imen o,
nos úl imos anos, com o con ex o cul u al da música explo a ó ia
24
em Po ugal, e i icou-se a
iqueza des e campo musical, desde aquilo que o e ece ao seu público-al o, desde os a is as e
in es igado es, e a p óp ia e olução da música e suas e amen as.
Algumas das obse ações que eu e ou os in es igado es/músicos conside am hoje
undamen ais, no que diz espei o à pe o mance musical, colocam-se nos seguin es pon os:
• Os músicos/pe o me s explo am as possibilidades ímb icas e exp essi as dos seus
ins umen os a é ao limi e das suas descobe as, pa ilhando-as, pos e iomen e, com ou as
pessoas nos momen os de uma a uação ao i o, pe mi indo uma espécie de e olução cole i a na
ap endizagem de écnicas es endidas (e.g. a u ilização de um a co nas co das de uma gui a a),
o mas ino ado as de exp essa ce os sons a pa i de obje os sono os e o adqui i de no os
ges os musicais;
• Apesa da a ual exis ência de um leque mui o as o de equipamen os e ins umen os
ele ónicos, o compu ado po á il man êm-se como uma p esença mui o comum no se up dos
músicos e pe o me s (Cos a, 2012, pp. 37,38): na maio ia dos casos man ém-se o almen e
jus i icada, endo em con a a e sa ilidade de a e as de p ocessamen o sono o que um
compu ado pode aze , que é mui as ezes di ícil, ou a é impossí el, de alcança sem que isso
implicasse uma quan idade exo bi an e de meios que, nem semp e se jus i icam no con ex o de
mui as a uações musicais; no en an o, ace às an agens de u iliza o compu ado ao i o,
podem su gi des an agens ela i amen e à pe ceção da música que es á a se ou ida, bem como
à o alidade do espec áculo (e.g. a ausência/ edução de ges os ísicos e do mo imen o em palco,
a maio p esença da luz e e ei os espe acula es); a componen e isual da pe o mance o na-se
apidamen e abo ecida (p oblema que se en a soluciona equen emen e com o ecu so a
isuais em empo eal, ge almen e p oje ados numa ela) e pa a além de, po ezes, pa ece que
não eque es o ço (D’Esc i án, 2006) é mui o “semelhan e àquilo que cen enas de milha es de
abalhado es êm de aze das no e às cinco no esc i ó io” (Beh man, 2009, p.12)
25
.
• Em semelhança com o pon o an e io , mui as das pe o mances musicais à base de
sin e izado es e ou os ins umen os ele ónicos acabam po so e de des an agens p óximas às
24
Des acando inicia i as da Sonoscopia Associação Cul u al, do es i al Semib e e, do Fes i al In e nacional de
Música Explo a ó ia do Ba ei o, do gn a ion, do Salão B azil, da Digi ópia, en e ou as.
25
Em no a de p e ácio de COLLINS, N. (2009). Handmade Elec onic Music, The A o Ha dwa e Hacking
(Second). Rou ledge. T adução li e: “I is jus oo dep essingly simila o wha hund eds o millions o wo ke s
ha e o do om nine o i e a he o ice” (BEHRMAN, 2009, p.12).
7
da p esença do po á il. Embo a o leque de ges os possa se mui o a iado ao ope a
ins umen os ele ónicos como, po exemplo, um sis ema modula , isualmen e o espec ado
em apenas acesso à imagem do pe o me a ás de um conjun o de máquinas, de um
ema anhado de cabos, nas quais, o esul ado musical p oduzido pe manece um g ande mis é io
po não e uma co elação com os ges os pe o má icos (Paine, 2009).
• Exis e a ualmen e uma eno me a iedade de opções no que diz espei o ao p ocessamen o
de sinal. Acompanhando es a endência ecnológica, na música con empo ânea, ê-se uma
c escen e p ocu a c ia i a na u ilização de e ei os - cujo obje i o é aumen a as qualidades
ímb icas de sons que pa em de ins umen os adicionais (i.e. écnicas es endidas) ou de
ins umen os ele ónicos - pa a ac escen a b ilho, espaço, dis o ção ou mo imen o aos sons
o iginais; pa a manipula uma ideia musical ou a é uma epe ição sono a de um de e minado
ges o. Es a on ade que se obse a na pe o mance musical de di e en es a is as, jus i ica a
p esença de equipamen os ex a aos ins umen os. No en an o, es es equipamen os acabam po
aze pa e de um odo: o se up de cada músico. Com as possibilidades ecnológicas disponí eis,
a in eg ação des es obje os pode se en endida como pa e do ins umen o de cada músico, no
seu egis o ou linguagem musical, apesa da sua e iden e independência enquan o equipamen o
(na e dade, os p ocessado es de e ei os - e.g. pedais - pa ilham algumas ca ac e ís icas ísicas
com ou os ins umen os, nomeadamen e a necessidade de uma in e ace).
É com base nas p emissas elencadas nos pa ág a os an e io es que es a in es igação se
apoia, ou seja, a a és do meu p oje o p á ico (i.e. a cons ução de um ins umen o musical
mis o) p e endo o e ece algumas espos as pa a os pon os e e idos. Se á ambém impo an e
cla i ica que, sob a luz do con ex o da pe o mance musical, a p incipal ca ac e ís ica que se
p e ende abalha no desenho do ins umen o é a sua exp essi idade. Os obje i os que
alice çam es a in es igação incluem:
(1) a c iação de um p o ó ipo uncional de um ins umen o musical;
(2) a implemen ação de mapeamen os ges uais/ ísicos pa a o con olo e manipulação da
ge ação de som;
(3) a adequação des es mapeamen os às possibilidades ímb icas do ins umen o e ao
con olo exp essi o do mesmo no con ex o de uma pe o mance musical.
15
2. Re isão Bibliog á ica
2.1 In odução
Nes e capí ulo são ap esen ados abalhos elacionados com o obje o des a in es igação, o
p o ó ipo do ins umen o musical C escen e. A a ual in es igação econhece a con e ência
in e nacional NIME como sendo uma das pla a o mas mais pe inen es no con ex o des a á ea
especí ica ( e 1.1 Mo i ação e con ex ualização). Os esul ados que lá se ap esen am êm indo
a in luencia o modo como se olha pa a os no os ins umen os, as no as in e aces, e se
e o mula o pensamen o do a o musical, da pe o mance e dos desenhos de ins umen os. Os
ins umen os são aí “es udados de odas as pe spe i as da música” e a pa i da ino ação
implemen am-se “no os con olado es, senso es, écnicas de mapping, a uado es de eedback,
mo o es, machine lea ning e écnicas de p ocessamen o musical” (Magnusson, 2017, p. 286)
30
.
Mui os dos in es igado es que p opõem es es NIME são ambém músicos ou pe o me s. Es ão
assim num con ac o p óximo com a ecnologia que usam, descob indo no p ocesso de es udo as
e amen as que os podem conduzi à exp essi idade que p ocu am. A “dis inção en e
composi o , pe o me e designe de ins umen os” acaba po se mis u a quando nos
epo amos ao con ex o da “música digi al p og essi a” (Magnusson, 2010, p. 65)
31
. Os
p oje os, bem como o conhecimen o que é p oduzido pela comunidade nes e campo, inspi am e
in luenciam con inuamen e o deco e des a in es igação. Pa a além da sua ele ância, o a po
ap oximação dos esul ados ob idos, o a po con ibuição no pano ama das NIME, os abalhos
escolhidos demons am o po encial e olu i o que exis e nes e con ex o.
30
“He e, new musical ins umen s a e s udied om he pe spec i es o music, pe o mance, e gonomics, psychology,
enginee ing, so wa e design, digi al signal p ocessing, and mo e. New con olle s, senso s, mapping echniques,
eedback ac ua o s, mo o s, machine lea ning, and digi al signal p ocessing echniques a e con inually applied in
de ices o eme gen esea ch, some o which each he come cial ma ke place h ough a con olu ed p ocess o
inno a ion and ma ke ing” (MAGNUSSON, 2017, p. 286).
31
“As men ioned, he dis inc ions be ween he compose , pe o me , and ins umen designe become blu ed in
p og essi e digi al music” (MAGNUSSON, 2010, p. 65).
16
2.2 T abalhos Relacionados
Nes e subcapí ulo abo dam-se in e aces e DMIs
32
(Digi al Music Ins umen s) exp essi os
na adição de um ins umen o con encional. Analisam-se ambém in e aces que, não endo
qualque elação com a in e ace de ins umen os con encionais, são ambém exp essi as e
pe inen es pa a o con ex o des a in es igação. É ambém mos ado um exemplo da
implemen ação da écnica de elec oacous ic eedback loops e um ou o que p e ende ilus a a
impo ância do a o de essonância de um ins umen o musical. Ao abo da es es ins umen os
especí icos, conside a-se impo an e econhece que as suas pa icula idades es ão, po ezes,
p esen es nou os ins umen os musicais.
2.2.1 Con inuum e Roli
Algumas das abo dagens ela i amen e à conceção de ins umen os digi ais su gem no
desenho das in e aces, equen emen e pa indo da adição de ins umen os con encionais
como, po exemplo, o piano. Es es ins umen os já ca egam em si mui a ca ga simbólica e
ges ual de e olução no que diz espei o à sua exp essi idade, nos modos como as limi ações
ísicas e ímb icas do obje o podem se u ilizadas pa a o seu uso musical (Ryan, 1991). Es as
in e aces endem a aumen a essas possibilidades já exis en es ou a queb a limi ações, como
po exemplo, as ca ac e ís icas de ges os adicionais. Nos exemplos que se seguem, é possí el
comp eende como o ges o de p essiona uma ecla pode se epensado pa a a e a mais do que
os pa âme os das no as e in ensidade.
32
“Ins umen os musicais ipicamen e compos os po uma in e ace de con olo onde a in e ação do u ilizado é
medida po senso es cujos alo es são mapeados pa a algo i mos de sín ese sono a” (MEDEIROS &
WANDERLEY, 2014, p.13556).
Figu a 2 -Haken Audio's Con inuum, ocado po Pe e P ingle. S ill e i ado do canal de
YouTube do p óp io.
17
O “Con inuum” da Haken Audio ( e igu a 2) é um ins umen o que pode unciona como
in e ace pa a qualque VSTi (Vi ual Ins umen ) ou como in e ace do p óp io mo o de
sín ese sono a in eg ado no p óp io ins umen o e obje o ísico. O seu uncionamen o é
semelhan e ao de um piano, sendo que o p essiona de uma ecla p oduz uma no a especí ica, e
a in ensidade da p essão pode á co esponde à in ensidade dessa ou dessas mesmas no as.
Exis em, no en an o, duas g andes di e enças que de e minam o g au de ino ação des e ipo de
in e ace. A p imei a, e a mais e iden e, é que não exis e uma ba ei a ísica ou mecânica na
ação de p essiona as eclas. Não exis em eclas, na e dade, apenas uma supe ície lisa
sensí el, com ma cações isuais. A pa i de uma supe ície des e ipo, é possí el pe co e oda
a sua á ea (e, consequen emen e, odo o espec o das no as na escala de inida) com um único
mo imen o ho izon al de p essão com os dedos. A segunda g ande di e ença diz espei o à
exp essão dinâmica dos ges os das mãos ace ao ins umen o que es á a se usado. Num piano
adicional, o músico em à sua disposição o con olo dinâmico das no as a pa i da in ensidade
com que p essiona as eclas, p o ocando, em consequência, o ba e dos ma elos nas co das com
maio ou meno o ça. Nes a in e ace, a in ensidade da p essão e o posicionamen o e ical de
cada dedo pode a e a ou os pa âme os do mo o de sín ese, nomeadamen e pa âme os
ímb icos ou qualque ou o pa âme o ine en e ao ipo de sín ese escolhido.
Figu a 3 - Roli Seaboa d, ocado po Ma co Pa isi. S ill e i ado do canal de YouTube da Roli.
18
O “Seaboa d”, da Roli ( e igu a 3), ap esen a algumas semelhanças com a ideia de
in e ace do “Con inuum”. A sua supe ície, apesa de não se lisa, ap esen a ambém á eas
dis inguí eis como eclas, ou seja, uma ap oximação aquilo que é um eclado de um piano. As
dimensões possí eis de mapea são semelhan es às do exemplo an e io . Aqui, a p incipal
di e ença encon a-se no e o no ísico à p essão exe cida (i.e. o u ilizado sen e a esis ência de
cada ecla a pa i do oque), p opo cionado pelo ma e ial que compõe o disposi i o. Es e aspe o
enal ece a impo ância da sensação de con ac o com o ins umen o que o músico pode e , algo
que mui as ezes in luencia o seu modo de exp essão.
Es es dois exemplos são ó imas opções de in e ace pa a eclis as e pianis as que
p e endam descob i o mas al e na i as de oca , ou a é expe imen a ins umen os digi ais
usando um ipo de in e ace que lhes é amilia . Na e dade, o o ma o “ eclado” p o ou se
uma das in e aces mais amilia es aos músicos no ge al, algo que se eio a con i ma , no
con ex o dos ins umen os ele ónicos, quando uma p ocu a mais massi icada de sin e izado es
analógicos como os sis emas Moog, se de eu à in odução do eclado como in e mediado en e
a ge ação de som analógica e o ges o ísico (B end, 2012).
Os exemplos acima mencionados são pu amen e in e aces, ou seja, isolados de ou os
equipamen os ha dwa e e espe i os so wa e pa a p ocessa ins umen os digi ais, não
cons i uem em si, um obje o capaz de p oduzi som como um ins umen o adicional acús ico.
Embo a não seja um equisi o a ualmen e p esen e na p epa ação do se up de mui os músicos, o
p oblema que se iden i icou com es e ipo de ins umen os ou in e aces ( echadas o almen e
sob e um ci cui o elé ico) é que dependem da c iação de pequenas ou g andes cadeias de
equipamen o que, quando colocadas num espaço de pe o mance, diminuem a á ea ísica e
isual à p esença do músico. Ainda, po se a a em de cadeias unicamen e ele ónicas, o na-se,
po ezes, mais complexo es abelece uma elação causa-e ei o no que diz espei o à sensação
acús ica, quando compa amos es es ins umen os e ou os que sejam, po na u eza, acús icos ou
ele oacús icos (Roads, 1996b).
19
2.2.2 ELECTRONICOS FANTASTICOS!
O abalho de Ei Wada e do g upo ELECTRONICOS FANTASTICOS é, pa a es e p oje o,
uma e e ência impo an e. Es e g upo baseia o seu abalho numa p eocupação com o e i e
de ce os obje os dados como obsole os, nomadamen e elec odomés icos comuns, ac edi ando
que neles habi am ainda o mas de ida
33
. Es es in en o es, ambém músicos, êm a capacidade
de comunica mui o bem a a és dos seus ins umen os cu iosos. A sua execução exige um
conjun o de ges os p óp ios, de inidos, em pa e, pelas mecânicas do uncionamen o o iginal
desses equipamen os. Des e modo, são capazes de “c ia an asia odos os dias” enquan o
sonham com “música olcló ica ele omagné ica nascida de ecnologia desgas ada e seus
es i ais” (Wada & Elec onicos Fan as icos!, 2021)
34
.
É de ealça que o g upo em uma o e componen e isual nas suas ap esen ações e
pe o mances, an o pelo a o de no idade dos seus ins umen os (que incluem ele isões CRT,
lei o es de códigos de ba as e sis emas de a condicionado), pelos mo imen os que u ilizam
pa a os oca e ainda, pela união en e os memb os des a di e ida ensemble ele ónica. Exis e,
ambém, uma o e in e ação com os di e en es públicos a que chegam, a a és da comunicação
que o g upo az a a és das edes sociais, a p opósi o de inicia i as em que pa icipam. Faz-se
33
Ce os espí i os Yōkai, como e e ido pelo p óp io Ei Wada no wo kshop online "Elec omagne ic Imagina ions
A e Coming!" no qual es i e p esen e em 27/02/2021.
34
“
人々の創意工夫によって電化製品が本来持っている機能を積極的に楽器へと読み替え、使い古された
テクノロジーから生まれる「電磁民族音楽」やその祭典を夢想しながら、日々ファンタジーを紡ぎ出
しています。
” (WADA & ELECTRONICOS FANTASTICOS!, 2021).
Figu a 4 - Ei Wada a oca Elec ic Fan Ha p, um dos abalhos de ELECTRONICOS FANTASTICOS. S ill
e i ado do canal de YouTube do g upo.
20
sen i uma eno me cu iosidade po pa e de quem ê es es ins umen os em ação nas mãos dos
p óp ios in en o es que conquis am a a enção pela exp essi idade e pelas dis in as dinâmicas de
pe o mance.
Exis e uma dis ância jus a, em e mos ecnológicos, en e es as c iações e os ins umen os
digi ais e e idos desde a in odução do p esen e documen o. Op ou-se po des aca o g upo
ELECTRONICOS FANTASTICOS, po se conside a , na opinião do au o des a in es igação,
que encon ou um equilíb io en e os elemen os sono os, isuais e exp essi os pa a o con ex o
de pe o mance de música ele ónica ao i o. A elação en e es es elemen os, bem como es a
o ma de abo da a c iação de um ins umen o é semelhan e à que se p e endeu de ini pa a es a
in es igação.
A exp essi idade p ocu ada pa a o p o ó ipo do C escen e, não se ence a nas écnicas de
p odução sono a e in e ace. Como se e i ica no abalho de ELECTRONICOS
FANTASTICOS, a exp essi idade es ende-se, a ingindo aspe os como o isual do ins umen o e
o con ex o onde acon ece a pe o mance. Não se p e ende que a elação en e ins umen o e
pe o me esgo e o po encial do p o ó ipo, mas sim que seja possí el adqui i signi icado na
in e ação en e odos os elemen os: ins umen o-músico-espaço-público.
2.2.3 Halldo ophone
Conside ando, ainda, abo dagens pa a a exp essi idade, é pe inen e in oduzi o ema de
con olo não-linea , bem como, um pouco de caos. A adição des e ipo de écnicas em, em
pa e, da música ele oacús ica e pode se inco po ada no uni e so dos ins umen os digi ais
(San ilippo & Valle, 2013). O exemplo do Halldo ophone ( e igu a 5) mos a-nos um
ins umen o com uma exp essi idade única, de inida an o pelo som adicional do ioloncelo
como po um con olo dedicado de eedback loops. Es e ins umen o oi c iado com um g ande
oco nes a écnica (i.e. eedback loops), pe mi indo ao pe o me uma u ilização con olada
des e enómeno “imp e isí el”. Es e ioloncelo aumen ado, con ém em si “elemen os do mundo
acús ico, do ele ónico e do digi al” (Magnusson, 2017, p. 298)
35
e um compo amen o “algo
p e isí el mas caó ico” (Úl a sson, 2018, p.1)
36
. Na e dade, ace à quan idade de pa âme os
ilimi ados passí eis de se con olados pelos pe o me s, pode op a -se po in oduzi sis emas
não-linea es de espos a. Is o que dize que, a espos a do ins umen o, apesa de se desenhada
e conhecida pelo c iado (na medida do “p e isí el”), e á esul ados sono os a iados, mesmo
quando manipulado com ges os epe idos e semelhan es. Es e ipo de sis ema pode bene icia o
leque de dinâmicas possí eis de alcança com o ins umen o, mas ambém in oduzi uma
limi ação desa ian e pa a o p óp io pe o me .
35
“The halldo ophone. An example o how wen y- i s cen u y ins umen s con ain he elemen s o he acous ic, he
elec onic, and he digi al in one and he same de ice” (MAGNUSSON, 2017, p. 298).
36
“Tha quali y o somewha p edic able bu chao ic beha iou , can be desi able in musical pe o mance as we will
see.” (ÚLFARSSON, 2018, p.1).
21
2.2.4 Ins umen os musicais mis os a pa i da pla a o ma Bela
Os dois exemplos que se seguem ap oximam-se, em mui os aspe os, das ca ac e ís icas do
ins umen o que se p e endeu p o o ipa no p ocesso des a in es igação.
“The Daïs” ( e igu a 6), apesa de ap esen a semelhanças com um ins umen o de
pe cussão adicional, é um ins umen o exp essi o que p opo ciona ao pe o me o con olo de
dinâmicas (e.g. o e s piano) a a és de uma base suspensa. Es a in e ação ísica oi desenhada
pa a se ap oxima do ipo de con olo ino que encon amos nos ins umen os de co da ou
sop os, con endo, ainda, um ansdu o háp ico que pe mi e ao u ilizado sen i a ib ação do
som que é p oduzido. É ambém possí el pe cu i o ins umen o, p o ocando assim uma
espos a dinâmica di e en e da que se ia possí el com base suspensa. O conjun o de senso es
u ilizados pa a a conc e ização écnica des e ins umen o es ão ligados a uma pla a o ma Bela,
Figu a 5 - Halldo ophone. Imagem e i ada de
halldo ophone.in o
22
ambém es a mesma escolhida pa a os e ei os p á icos des a in es igação ( e 2.3 Re isão
Tecnológica).
Es e ins umen o, apesa de p oduzi som imb icamen e econhecí el como digi al, em
um aspe o p óximo de ce os ins umen os adicionais e um con olo ges ual amilia a
ins umen os de pe cussão que az ambém pa e de uma linguagem dessas con enções. O seu
desenho mode no e a sua inse ção no uni e so dos DMIs, pe mi e uma modi icação a á ios
ní eis: na sín ese sono a associada ao seu imb e, na espos a dos senso es e no e inamen o do
uncionamen o ge al. Es e a o de pe sonalização do ins umen o az pa e das ca ac e ís icas
ado adas ambém pa a o p o ó ipo des a in es igação.
“De Sh oom” ( e igu a 7), de Fedde Ten Be ge, é ambém um ins umen o mis o
exp essi o com uma apa ência pa icula e uma capacidade de hib idização de elemen os
sono os que o o na dis in o. Is o que dize que, a pa i dos sons acús icos p o ocados pelo
pe cu i do obje o, exis e ambém um consequen e p ocessamen o dos mesmos, con olado pelo
p óp io a o de pe cu i , embo a não exclusi amen e. Des a o ma, pode se p oduzido um
conjun o de sons ele onicamen e p ocessados, unicamen e a a és da in e ação ísica com
ges os de p oximidade. Es e exemplo ilus a posi i amen e o esul ado que se pode ob e
quando, no mesmo obje o, é possí el ge a sons digi ais, p ocessá-los com e ei os e mis u á-los
com es ímulos ísicos ou acús icos. Tendo es abelecido bem es a elação simul ânea com o
mundo ísico e mundo digi al, o “De Sh oom” é, des e modo, uma e e ência p óxima do
p e endido pa a a na u eza do p o ó ipo a desen ol e nes a in es igação.
Figu a 6 - The Daïs, um ins umen o de Pelle Ch is ensen. S ill do canal YouTube do p óp io
23
2.2.5 Ondes Ma eno e a In e ace de Ins umen os Musicais
À semelhança do The emin ( e 1.1 Mo i ação e con ex ualização), o Ondes Ma eno
37
oi ambém um dos p imei os ins umen os musicais ele ónicos a demons a capacidades
ino ado as nas suas qualidades exp essi as. Es e ins umen o, cujo modus ope andi é
conside ado inédi o pa a o con ex o da p imei a me ade do séc. XX, é ocado a a és do
mo imen o de um anel deslocado ao longo de um io me álico (pa a as no as/ equências) e do
p essiona de uma ecla de id o sensí el ao oque pa a con ola a ampli ude dos sons
p oduzidos (McNamee, 2009). Mais a de, in oduziu-se a possibilidade de al e a o imb e do
ins umen o a a és de in e up o es e slide s. De ido ao seu impac o que deixou na elação que
se em indo a p ocu a en e os ins umen os ele ónicos e a exp essi idade musical, é um
ins umen o que ascinou odo o ipo de músicos e in en o es a é à a ualidade:
The mys e y o exp essi i y by elec onic means emains a om sol ed mo e han 80
yea s la e . And he sea ch o mo e and mo e exp essi i y makes he Ondes Ma eno wo hy o
eexamina ion, howe e old and a chaic i migh seem. (Ba aglia, 2014)
No en an o, pa a além das ca ac e ís icas únicas que aglome ou, o Ondes Ma eno ouxe
ambém a enção pa a uma pa icula idade na o ma como o som de um ins umen o ele ónico
pode se p opagado no espaço. Mau ice Ma eno (1898-1980) c iou especi icamen e pa a o seu
ins umen o um conjun o de al i alan es, mais co e amen e designados como “di uso es”. A
ideia dos di uso es passa po i a pa ido das p op iedades essonan es de caixas de madei a,
gongos, co das e molas. Des a o ma, e, embo a o som não es i esse a soa a pa i da in e ace,
37
Ins umen o in en ado po Mau ice Ma eno em 1928.
Figu a 7 - De Sh oom, de Fedde Ten Be ge. S ill do canal YouTube do au o .
30
a exp essi idade? De o ma a sus en a as opções omadas no desenho do p o ó ipo pa a o
ins umen o musical, na sua composição o mal, p ocu ou-se esponde a es as ques ões.
3.2 Exp essi idade na Pe o mance Musical
A música pode se c iada a pa i de in enções exp essi as do se humano. Da mesma
o ma que um pin o eco e a ons ios pa a ade i uma sensação de dis ância e melancolia às
imagens que c ia, ambém o músico e composi o , no momen o da c iação, pode á eco e , po
exemplo, a p og essões de aco des meno es pa a despe a as mesmas sensações no espec ado
ou in e. Nes e sen ido, podemos a i ma que a música em a capacidade de adqui i uma
na u eza empá ica, exp imindo a emoção “em unção dos códigos cul u ais da is eza (...)”
(Chion, 2008, p.14).
A exp essão musical ai, no en an o, mui o além da p o ocação de uma sensação de
empa ia pa a com o músico/composi o e o seu es ado de espí i o. A pa i da exp essão musical
e no “pe cu so desde o som à pe ceção” podemos se le ados em isi as po á ios e i ó ios da
emoção, de “imagens, memó ias, his ó ias, mo imen o e pala as” (Ma gulis, 2017).
Os músicos dedicam as suas idas in ei as a descodi ica e in e p e a di e en es o mas de
exp essão musical, cons uindo len amen e aquilo a que se chama de “linguagem musical” ou
al ez a é uma iden idade, um “ egis o” (nos ci cui os a ís icos).
Pa a cada pessoa, uma sequência de no as pode signi ica mui o, pouco ou mesmo nada.
Elizabe h Ma gulis suge e que a música não é an o “uma ques ão de no as”, mas sim uma
“ques ão de expe iência humana undamen al”, endo em con a que, de aco do com a sua
ex ensa pesquisa em música e neu ociência, “a pe ceção musical es á p o undamen e
en elaçada com ou os sis emas de pe ceção” (Ma gulis, 2017)
44
. Du an e uma pe o mance
musical p esencial, as eações à música podem se mui o di e en es em elação à escu a de
música em con ex o p i ado. Uma pe o mance musical implica a p esença de um ou mais
músicos, implica a sua p epa ação, a sua in enção pa a esse a o “ao i o” e a é mesmo odo o
seu backg ound, p á ica musical e linguagem cons uída. O a o “p esença” de e mina a
di e ença en e a expe iência de ou i música num con ex o p i ado e ou i música no con ex o
“ao i o”, sendo que “a o ma como in e agimos isicamen e com a música impo a” (Ma gulis,
2017)
45
. Conside ando es as ideias, o concei o de exp essi idade no con ex o des a in es igação
de e á e em con a os seguin es pon os:
44
“On he con a y, music pe cep ion is deeply in e wo en wi h o he pe cep ual sys ems, making music less a ma e
o no es, he p o ince o heo is s and p o essional musicians, and mo e a ma e o undamen al human
expe ience.”
45
“The indings pain an embodied pic u e o music-lis ening: he way you physically in e ac wi h music ma e s”
(MARGULIS, 2017).
31
a) O a o de obse a um a is a du an e uma pe o mance musical con ibui pa a a
pe cepção da sua exp essi idade;
b) A o igem dos sons p oduzidos e a ges ualidade associada aos mesmos, na sua
componen e isual, pode se igualmen e a a i a à da componen e audi i a e in e age
di e amen e com a pe cepção da música;
c) A a i ude e exp essão co po al dos músicos pode aumen a a ca ga emocional/senso ial
das in enções nas suas pe o mances, a a és da exp essão co po al/ acial (Thompson
e al., 2008), do que é di o, da pos u a e ca isma indi idual ou cole i o, en e ou os;
d) O a o de assis i a uma pe o mance de a e (musical ou não) em cole i o, mesmo
odeado de pessoas desconhecidas, pode se um a o pode oso de demons ação cole i a
da empa ia. Podemos sen i-lo inconscien emen e, mas econhece eações semelhan es
à mesma demons ação de exp essão ou emoção po pa e de ou o se humano,
elemb ando-nos da nossa condição como se es, in e io men e, iguais.
3.3 Exp essi idade de Ins umen os Musicais.
Como e e ido an e io men e, um dos a o es c uciais pa a que uma expe iência musical
seja apela i a aos sen idos é o da p esença. Quando es amos pe an e um in é p e e a oca o seu
ins umen o, podemos não só ou i o som que é p oduzido pelo p óp io, mas, ambém os sons
ine en es às ações que acompanham o a o de oca (e.g. som das co das a se p essionadas,
eclas, pedais). A escu a é, ainda, ine en emen e in luenciada pela acús ica do luga em ques ão,
um elemen o que con ibui ambém pa a a “exclusi idade” des a expe iência ao i o. P es ando
a enção ao sen ido da isão, pode emos obse a odos os ges os que compõe as écnicas
necessá ias à p odução de som, obse a a pessoa que oca e, ainda, descodi ica o seu es ado de
espí i o, a sua exp essão co po al, a a és dos mo imen os que compõe, “ undamen almen e”, a
“comunicação musical” (Leman & Godøy, 2009, p. 6)
46
. Nes e sen ido, é impo an e, à pa ida,
cla i ica que a exp essi idade de um ins umen o musical, seja es e de qualque na u eza, não
es a á p esen e no ins umen o em si, mas no encon o do ins umen o com a exp essão musical
e ísica do(a) pe o me .
Os ins umen os con encionais (e.g. iolino, piano, gui a a), pela sua longa exis ência na
his ó ia dos ins umen os musicais e econhecimen o amplo das suas qualidades, são
ins umen os a pa i dos quais, eg a ge al, conseguimos an ecipa os sons p oduzidos e os
ges os associados. O mesmo não pode se di o da exp essi idade, que a ia dependendo da
pessoa que oca o ins umen o, endo em con a que es a a ia, dependendo da pessoa que oca o
46
“The whole app oach en ails ha musical communica ion is undamen ally d i en by mo emen ” (LEMAN &
GODØY, 2009, p. 6).
32
ins umen o. Ainda assim, se escu a mos g a ações de música ocada com es es ins umen os,
se á ela i amen e ácil c ia uma imagem men al hipo é ica da elação do in é p e e com o
ins umen o. Um dos g andes p oblemas que su ge desde o início da á ea de es udo das NIME, é
que pa a qualque ipo de no o ins umen o ou con olado , não exis e ainda um backg ound
“hipo é ico” sólido pa a: a) as o mas que es es podem e (i.e. desenho do co po do
ins umen o); b) os ges os que são u ilizados pa a a p odução de som
47
; c) o ipo de som que
es es p oduzem. Cla o que, a di iculdade em imagina es e ipo de ins umen os e, po sua ez,
associá-los a uma noção de exp essi idade, se pode a ibui ao ac o de as possibilidades
ecnológicas implemen á eis se em imensas. Alguns au o es que es udam es es p oblemas
essenciais dos DMIs apon am pa a a impo ância de aspe os como a sub ileza do con olo
(Wande ley, I cam-Cen e Pompidou, & Place Igo S a insky, 2001), e a imedia ez da espos a
(i.e. desde o ins an e do ges o ao momen o da p odução de som) (Hun & Ki k, 2000; Ryan,
1991). Olhando pa a es es dois aspe os, podemos ligá-los a exemplos conc e os, quando
aplicados aos ins umen os acús icos. Tomando como exemplo a gui a a clássica, pode -se-á
e e i :
- Sub ileza – oca a co da de uma gui a a com di e en es in ensidades, p oduzi ha mónicos a
pa i do posicionamen o sub il dos dedos sob e ce as posições da co da, e c.
- Imedia ez – Desliza os dedos sob e a co da enquan o es a ib a az com que a no a p oduzida
mude de o ma imedia a, e c.
Como podemos associa a o es como es es à exp essi idade de um ins umen o? É
possí el indicia uma espos a ela i amen e simples pa a es a ques ão com o seguin e exemplo:
A pa i de mé odos de sín ese sono a é equen e ep oduzi em-se sons de ins umen os
con encionais em di e sos p ese s de sin e izado es come ciais ou wo ks a ions. No en an o,
po mais iel que seja a ap oximação ímb ica ao som do ins umen o que se ep esen a nes es
p ese s, qualque músico acilmen e econhece o esul ado des es sons como “sin e izados” ou
“digi ais”. Es a associação não se de e exclusi amen e ao som em si, o p oblema encon a-se na
in e ace do ins umen o, que, nes e caso, em po no ma a o ma e ca ac e ís icas de um eclado
de piano. Pa a o som de uma gui a a, es a in e ace em o p oblema de não pe mi i os
exemplos de sub ileza e imedia ez ap esen ados (com a exceção da in ensidade, se o eclado o
sensí el nesse pa âme o, o que é comum). A pa i des e caso podemos a i ma que, pa a além
da linguagem exp essi a do músico, a in e ace do ins umen o con ibui pa a a exp essi idade
do mesmo, an o na medida do seu desenho, como nos a o es que o am omados em con a no
momen o da sua conceção e pa a que ipo de exp essi idade oi pensada. Enquan o que, no
uni e so dos ins umen os con encionais, o desenho e cons ução es ão di e amen e
elacionados com ques ões acús icas (i.e. escolha dos ma e iais in luencia a o es como a sua
essonância; ipo de co das em in luência sob e o imb e), o mesmo não se aplica
necessa iamen e nos DMIs, nos quais exis e, mui as ezes, uma sepa ação en e con olado
47
No caso de ins umen os digi ais, os ges os que po ia de mapeamen os le am à p odução de som.
33
(inpu de ice) e ge ado de som (Jo dà, 2004, p.322). Imaginando es e ipo de ins umen os a
pa i de um esquema do ipo da igu a 10
48
, pe cebemos que, a pa i do o ma o de uma caixa
com senso es e uma unidade de p ocessamen o de áudio, os a o es que ão con e i iden idade
ao imb e que é p oduzido encon am-se na p og amação/compu ação dessa mesma unidade.
Con a iamen e aos ins umen os con encionais, é possí el en ão concebe um DMI sem e em
con a alguns aspe os ísicos que moldam a p óp ia sono idade do ins umen o. Es e g ande
con as e en e os ipos de lu he ie
49
con ibui pa a o su gi de mui as ques ões colocadas no
uni e so dos NIME. O pensamen o sob e o som que se á p oduzido po um no o ins umen o
não implica au oma icamen e um pensamen o exclusi o sob e a exp essi idade que se pode
adqui i a pa i do mesmo, endo em con a que exis em ou os aspe os impo an es a e em
con a, nomeadamen e, segundo Ha djowi ogo: “a p odução de som; a in enção / p opósi o;
ap endizagem / i uosidade; con olo /imedia ez / agência / in e ação; exp essi idade /es o ço /
co po eali y; ca ac e ís icas ima e iais / inco po ação cul u al; pe ceção do público / li eness”
(Ha djowi ogo, 2017, pp.17-21).
Apesa do econhecimen o des es a o es, o da exp essi idade é aquele que mais es á
elacionado com a pe o mance de um ins umen o ao i o. Es ando no papel an o de músico
como de c iado de um ins umen o musical, a “ esponsabilidade” da conceção do ins umen o,
das “suas imposições ou suges ões”, as possí eis “no as o mas de pensa ”, “no as o mas de
48
Inspi ado pelo esquema “sis ema s anda d de con olado /sin e izado ” (COOK, 2004, p. 316)
49
A a i idade dos Lu hie s, ge almen e associada à cons ução e epa ação de ins umen os de co da como Violinos e
Gui a as, a pala a é aqui usada pa a se e e i à cons ução de ins umen os num sen ido mais la o.
Figu a 10 - Esquema que ep esen a uma es u u a simpli icado de um possí el DMI.
34
in e agi ”, ecaem no mesmo sujei o (Jo dà, 2004, p.321)
50
. Como pode emos en ão, à
semelhança de um ins umen o con encional, con e i uma exp essi idade pa a o no o
ins umen o musical, endo em con a que es e ge a o som a pa i de compu ação em ez de
enómenos acús icos?
Obse ando a elação en e músicos e ins umen os, con encionais ou não, a
exp essi idade es a á p esen e quando elacionada com noções de es o ço (Ryan, 1991), ação
ísica, ges ualidade e a é i uosismo (Ha djowi ogo, 2017, p.20). É impo an e, en ão,
conside a que a in e ace de um no o ins umen o exp essi o pe mi a um conjun o de ges os
isí eis, com ação di e a e imedia a sob e a ação sono a do ins umen o. Ainda assim, pa a
inclui uma noção de i uosismo, es as ações e ges os de em eque e uma ap endizagem
g adual. Conside ando es e aspe o da ap endizagem, pode emos e i a que a in e ace do
ins umen o seja demasiado “simples” ou a é “memé ica”
51
, à semelhança de alguns
“con olado es gené icos” (Jo dà, 2004, p.322)
52
.
A exp essi idade dos ins umen os musicais es á ambém elacionada com a in imidade
que se es abelece, ou não, en e o músico e o obje o musical que u iliza. Tal como o
i uosismo, a in imidade é um a o que pode se adqui ido com o empo de u ilização do
ins umen o. A ap endizagem do iolino, po exemplo, é po no ma bas an e demo ada. Podem
se necessá ios á ios anos a é que o ins umen is a ap esen e esul ados musicais ag adá eis e
se consiga e , na sua pe o mance, algum sen ido de exp essi idade e in imidade com o
iolino. O empo dedicado ao ins umen o como uma e amen a de exp essão musical, con e e
ao p óp io músico uma elação de p oximidade, espei o e cuidado. Des e p ocesso, pode en ão
desen ol e -se a in imidade. Pa a que al possa acon ece num ins umen o digi al, é impo an e
que es e não seja uma espécie de “b inquedo”, ácil de oca num “al o g au de musicalidade”
acessí el quase de imedia o (Wessel & W igh , 2001, p.16, 17). Em ez dessa abo dagem pa a
uma aquisição da in imidade em “compu e -based ins umen s”, os au o es Da id Wessel e
Ma hew W igh suge em a implemen ação de “me á o as de con olo ca i an es, sis emas
ea i os a a iações com la ências baixas e o a amen o adequado dos ges os como unções
con ínuas no empo” (Wessel & W igh , 2001, p.17)
53
. É impo an e conside a ainda que,
mesmo no con ex o dos DMI’s, o i uosismo não se de e aduzi di e amen e na di iculdade
de con olo de uma ce a in e ace. Um cená io ideal é de consegui encon a um equilíb io
en e a ampli ude de possibilidades na explo ação musical do ins umen o e a sua complexidade
de con olo, sendo que, em in e aces com possibilidades “ex ensas” exis e o isco de que es a
50
“Designe s o new ins umen s may be pa ially esponsible o he music o come (…) This aspec ela es o how
new ins umen s impose o sugges new ways o hinking o he playe , as well as new ways o es ablishing
ela ionships, new ways o in e ac ing (…)” (JORDÀ, 2004, p.321).
51
Que imi e ins umen os con encionais.
52
“Gene ic o non-speci ic music con olle s end o be ei he oo simple, mime ic (…)” (JORDÀ, 2004, p. 322).
53
“Is he low en y ee wi h no ceiling on i uosi y an impossible d eam? We hink no and a gue ha a high deg ee
o con ol in imacy can be a ained wi h compelling con ol me apho s, eac i e low la ency a iance sys ems,
and p ope ea men o ges u es ha a e con inuous unc ions o ime” (WESSEL & WRIGHT, 2001, p. 17).
35
complexidade seja ele ada e que “si a mais um ins umen is a pe i o” (Blaine & Fels, 2003,
p.73)
54
.
Re endo algumas das ca ac e ís icas que podem con e i qualidades exp essi as a um
ins umen o musical, p opus desenha e p o o ipa um DMI, de endo en ão conside a a pa e
do con ac o humano, o ges o, e de que o mas pode aze o uni e so á il pa a o uni e so
in isí el/abs a o da compu ação.
54
“Con e sely, in e aces ha ha e ex ended exp essi e capabili ies end o be mo e di icul o con ol and ca e
mo e o he expe playe ” (BLAINE & FELS, 2003, p. 73).
36
3.4 Exp essi idade e o Ges o
Os ges os de um pe ome , no con ex o de um a o musical, azem an o pa e desse a o
como az o som p oduzido, o con ex o, o público, en e ou as condicionan es. Es es ges os e
mo imen os, em conjun o com “o co po do in é p e e”, es ão a “pa icipa na ida da ob a”
numa “ elação mui o es ei a com a na u eza do discu so pe cebido (…)” (Manou y, 1996,
p.206). Segundo a expe iência de Jane W. Da idson, a “ isão consegue se mais in o ma i a do
que o som na pe ceção e comp eensão das in enções exp essi as de um pe o me ” (Da idson,
1993, p.112)
55
. Na his ó ia da música, apenas ecen emen e, em meados dos anos 40, su ge a
ques ão da escu a acusmá ica, is o é, de expe iencia um a o musical pela ep odução de
g a ações a a és de al i alan es. A é en ão, podemos a i ma que, com poucas exceções, a
expe iência musical semp e o a acompanhada de uma componen e isual. Nesse sen ido, odo
um imaginá io elacionado com o imb e dos ins umen os e os ges os p a icados se
desen ol eu ao longo dos séculos. A p opósi o de no os pa adigmas in oduzidos pela música
ele oacús ica e acusmá ica, Gus a o Cos a e e e que “com os ins umen os acús icos, as on es
sono as, mesmo que in isí eis, são iden i icá eis e p oduzem uma co elação cla a com os
nossos cé eb os”, ac escen ando que, no caso dos “ a iados” sons in oduzidos com a música
ele oacús ica, es a elação acaba po assumi uma “ o ma pu amen e imaginá ia” (Cos a, 2012,
p.32)
56
. Temos a capacidade de econhece o imb e de um ins umen o acús ico enquan o o
associamos a uma o ma especí ica e, ambém, de imagina di e en es ges os necessá ios pa a a
p odução de a iações nesse imb e, na in ensidade ou no as do ins umen o. A pa i do
exemplo do “ abalho ísico” de um pianis a no “con olo p eciso” de um “a aque o e” e de um
“a aque sua e”, Philippe Manou y diz que, apesa de “simplis a”, es e exemplo pa ece-lhe
“demons a bem esse a o causalidade en e a in enção exp essi a con ida no ges o e o
esul ado sono o” (Manou y, 1996, p.206, 207). A p opósi o do seu abalho sob e o design de
no as in e aces pa a a exp essão musical, Ga h Paine ambém econhece que “os músicos
usam o ges o como um meio de p oduzi som num ins umen o e como uma exp essão de
in encionalidade in e io ” (Paine, 2009, p.142)
57
.
Pa a melho comp eende a impo ância dos ges os co elacionados à exp essi idade,
obse o dois conjun os de exemplos iden i icados em ins umen os con encionais, salien ando
de que o ma es es a e am a componen e sono a e isual.
55
“The esul s sugges ha ision can be mo e in o ma i e han sound in he pe cei e ’s unde s anding o he
pe o me ’s exp essi e in en ions” (DAVIDSON, 1993, p. 112).
56
“Wi h acous ic ins umen s, he sound sou ces, e en i in isible, a e iden i iable and p oduce a clea co ela ion
wi hin ou b ains (…) Elec oacous ic music, (…) may hen be seen as na a o m ha explo es accu a ely ou
lis ening mechanism, dealing wi h a pu ely imagina i e o m” (COSTA, 2012, p. 32).
57
“I does, howe e , acknowledge ha musicians use ges u e bo h as a means o engage he p oduc ion o sound on
an ins umen and as an exp ession o na inne in en ionali y” (PAINE, 2009, p. 142).
37
3.4.1 Exemplos de Ges o em Ins umen os Musicais Con encionais
3.4.1.1 Violino
A execução do iolino eque o seu apoio en e a egião supe io do omopla a e a la e al do
queixo; a u ilização do b aço e mão esque da
58
pa a segu a o b aço do ins umen o; os dedos da
mão esque da são aplicados sob e as co das em di e en es posições da escala (mudança de
no as); u iliza-se o b aço e a mão di ei a pa a segu a e icciona o a co do iolino sob e as
co das, p oduzindo assim a exci ação do ins umen o e a iação de ampli ude dependendo da
o ça exe cida no a co a e elocidade da a cada. Alguns dos ges os iden i icados êm
co espondências exp essi as especí icas como:
- Desliza os dedos da mão esque da num mo imen o ascenden e ou descenden e sob e a
escala – Al e ação signi ica i a do pi ch p oduzido pelas co das de o ma unida/o gânica –
écnica ambém conhecida po glissando – um ges o de ampli ude isual g ande, exigen e de um
con olo acen uado pa a que os limi es do glissando es ejam de aco do com a a inação desejada;
- Oscila sub ilmen e a posição dos dedos da mão esque da sob e uma posição especí ica
da escala – Al e ação sub il do pi ch p oduzido pelas co das – écnica conhecida po ib a o
( e igu a 11) – um ges o endencialmen e exp essi o, quando ei o len amen e pode ansmi i
uma sensação de e nu a;
- Exe ce uma a cada longa e sua e sob e as co das – p odução de no as longas e de uma
ampli ude baixa – lega o – ge almen e co esponde a momen os mais calmos de uma
in e p e ação musical, a pos u a do músico e a ges ualidade len a acabam po co esponde a
esse andamen o;
- Exe ce a cadas cu as e in ensas sob e as co das – p odução de no as cu as (s acca o) e
de ampli ude o e – ges os de p ecisão e agi ação co po al, podem suge i ins abilidade,
elocidade, ansiedade, en e ou os es ados;
- Faze sal a o a co da co da en e a cadas cu as – p odução de no as não con ínuas en e
elas (não-ligadas, em oposição ao lega o) – écnica conhecida como spicca o – ges os na linha
do s acca o, mas com uma sensação de agi ação e ins abilidade mais acen uada;
58
A no ma pa a iolinis as des os.
38
3.4.1.2 Gui a a
A gui a a clássica pode se ocada em di e en es pos u as: de pé ou sen ado. Es ando
sen ado, a pos u a clássica implica um apoio da base in e io da gui a a sob e as pe nas, a ace
pos e io do ins umen o encos ada ao co po do músico e o b aço da gui a a apoiado com a
mão esque da
59
. Es ando de pé, a gui a a de e es a suspensa com uma alça, a mão esque da e
di ei a egulam o apoio da gui a a jun o ao co po, es ando nas suas de idas posições de
execução. Os dedos da mão esque da são aplicados sob e as co das da gui a a, ao longo da
escala do seu b aço, ge almen e di idida po as es (mudança de no as); Os dedos da mão
di ei a podem se usados pa a dedilha indi idualmen e as co das, oca á ias em simul âneo,
ou, ainda, pa a segu a numa palhe a, o que implica uma ou a pos u a da mão pa a exci a as
co das no a a no a ou no as simul âneas (e.g. aco des); a o ça aplicada com os dedos da mão
di ei a, ao exci a as co das da gui a a, de e mina a ampli ude dos sons p oduzidos. Na gui a a
iden i icam-se á ios ges os exp essi os, en e os quais podemos des aca os seguin es:
- U iliza os dedos da mão esque da numa sucessão ápida de posições na escala, numa
ins ância em que uma ou mais co das o am exci adas apenas umas ez – po ezes chamada de
hamme on ou pull o , es a écnica p opo ciona a sensação de que as no as se sucedem ligadas
59
A no ma pa a gui a is as des os.
Figu a 11 - Alexande Ma ko a execu a a écnica de ib a o numa pe o mance do Cap ice no.24 de
Paganini. S ill e i ado do canal de YouTube “C ackadackas”.
39
umas às ou as - isualmen e, es e écnica e ela um ges o de es o ço mais e iden e da
a iculação dos dedos da mão esque da, o que, associado à sucessão de no as ligadas, pode se
pe cecionado como um momen o de oco e ansição de es ados de ene gia;
- Os dedos da mão esque da podem se u ilizados pa a, após a exci ação de uma co da,
p essiona a mesma de imedia o e empu á-la em di eção a ou a co da – es a écnica (bend)
p o oca uma al e ação do pi ch p oduzido do som da co da, assemelhando-se a uma
desa inação, apenas b e e e con olada – a componen e isual des e ges o aduz-se mui o
di e amen e na sua espos a sono a, is o po que a co da é ensionada numa posição que
apidamen e sai da es abelecida, e como es á “ o a do sí io” p oduz no as o a das espec á eis
na posição/a inação;
- Ainda u ilizando os dedos da mão esque da, o músico pode op a po p essiona as co das
sem oca com uma g ande á ea do dedo na escala do b aço – a u ilização des a écnica esul a
num som mais aba ado das no as p oduzidas, sendo ambém possí el c ia um e ei o semelhan e
com a u ilização da mão di ei a, numa écnica ge almen e chamada de palm mu e – embo a
sub il, es a écnica esul a na p odução de sons menos p olongados no empo, com uma
dinâmica de ampli ude mais eduzida, o que pode suge i a u ilização des a écnica du an e
á ias no as consecu i as em secções de, po exemplo, um c escendo de in ensidades;
- Numa écnica de sub ileza semelhan e, é possí el aplica os dedos da mão esque da
sua emen e sob e ce os pon os de uma co da e exci á-la de seguida – u ilizada com cuidado,
es a écnica pe mi e a p odução de sons chamados “ha mónicos” do ins umen o – isualmen e,
a execução des e ipo de ges o cos uma ansmi i delicadeza e e nu a, sensações acompanhadas
sono amen e pelos sons ha mónicos, de na u eza mais aguda e sua e;
- Os dedos da mão di ei a podem se u ilizados pa a exci a as co das an o na sua zona
con encional (abaixo da escala e di e amen e sob e o o i ício da ace da gui a a) como na
p óp ia escala, podendo a é se i pa a de e mina posições de no as, al como os dedos da mão
esque da – u iliza os dedos da mão di ei a sob e a escala con igu a uma écnica ge almen e
chamada de apping, que pode se ex emamen e ú il pa a secções com sucessões de no as
ápidas e dis anciadas em al u a (pi ch) – o apping esul a, isualmen e, num ges o ágil e menos
con encional, a aindo quase oda a a enção do olha pa a a zona do b aço da gui a a e podendo
p o oca a sensação de su p esa, agi ação e domínio.
46
COMPUTER, Make:, Caspe elec onics, Powland. , en e ou os), o am algumas das on es
de inspi ação pa a es a abo dagem. A possibilidade de cons ui ins umen os “de aiz”, com
componen es ele ónicos e peças pe sonalizadas pelo p óp io cons u o é, na e dade, uma
p á ica ela i amen e ecen e, que se es ende ambém a á ias ou as á eas, elacionadas com o
su gi do concei o de B icolage
68
. Embo a não seja do in e esse des a in es igação desc e e
es e con ex o de o ma mui o ap o undada, é impo an e econhece que, a p á ica do DIY (Do i
you sel )
69
o nou-se mais acessí el assim que di e en es componen es e e amen as de abalho
começam a se disponibilizados pa a enda a ulso, a qualque pessoa e c esceu imensamen e ao
longo do séc. XX (Science Museum, 2020). Em pa alelo, a e olução dos meios de comunicação
pe mi e que se o mem g upos de en usias as, mui as ezes não-especialis as, nas á eas que se
p opõe abalha . Enquan o que, nos pe íodos p é ios à u ilização global da in e ne es es
g upos se mani es a am e comunica am, po exemplo, a a és de e is as (e.g. P ac ical
Elec onics, e is a b i ânica com início nos anos 60), hoje eúnem-se mais acilmen e de o ma
digi al em g upos, ó uns, páginas e cha s especí icos
70
. A cul u a DIY e e ambém uma
eno me exp essão no con ex o a ís ico-musical, na música elec oacús ica, música expe imen al
e a an -ga de (Flood, 2016). O p óp io início da cons ução de e amen as pa a a música
conc e a e no os ins umen os elec oacús icos, em de sucessi as ap op iações de ecnologias
cuja unção não se des ina a, o iginalmen e, aos p opósi os da composição musical. Mesmo em
exemplos ecen es de DMIs p opos os no con ex o da con e ência NIME, ce os senso es
u ilizados (e.g. biossenso es, GPS) p o eem de “um conhecimen o no desenho e uso dos
ma e iais que não de i a da á ea do desenho de ins umen os, mas que oi ap op iado a pa i de
ou os domínios ecnológicos” (Magnusson, 2017, p. 292)
71
. Es a “ adição” da ap op iação e
ans o mação da ecnologia le a ambém, mais a de, à co en e do Ci cui bending.
Lado a lado com es a dimensão mais analógica da cons ução de e amen as e obje os
musicais, exis e ambém a ecnologia digi al na p á ica do DIY ( e i o-me, maio i a iamen e à
u ilização do compu ado como e amen a pa a a c iação musical). Exis em, hoje, algumas
soluções de ha dwa e que pe mi em uma expe imen ação da p o o ipagem de ins umen os
digi ais exclusi amen e na pa e da p og amação (e.g. O ganelle, Axolo i, No d Mic omodula ,
Pa chblocks, Shn h, en e ou os). No en an o, a g ande a iedade de opções, no que diz espei o
a odas as pa es que compõem um ins umen o digi al, e ela-se quando se jun am as
68
Embo a comumen e associado ao concei o de g andes supe ícies come ciais que endem componen es pa a a
cons ução de mó eis e ou os equipamen os domés icos, aqui en ende-se b icolage, segundo Claude Le i
S auss, como “a compe ência de usa e ecombina o que es i e à mão pa a c ia algo no o”. (MAMBROL,
2016)
69
Apesa de in imamen e elacionado, não se p e ende con undi a p á ica do DIY (como concei o izinho de
b icolage) com o mo imen o de con acul u a punk que con ibuiu pa a o c escimen o e a i mação da p á ica do
DIY em g upos jo ens (TRIGGS, 2006).
70
E.g. exis e um g upo no Facebook com mais de 11 mil memb os chamado “Syn h DIY o non-enginee s”,
dedicado à pa ilha de ma e ial de apoio à cons ução de sin e izado es e en eajuda necessá ia à solução de
p oblemas.
71
“In all o hese cases he knowledge in design and use o ma e ials does no de i e om he ield
o ins umen design, bu a he app op ia ed om o he echnological domains” (MAGNUSSON, 2017, p. 292).
47
e amen as so wa e e as pla a o mas de ha dwa e p óp ias pa a o e ei o. Exis em a ualmen e
á ias o mas de p o o ipa con olado es ou ins umen os a pa i de pla a o mas de
desen ol imen o como a escolhida pa a es e p oje o, Bela. Es e ipo de ha dwa e (e.g.
Raspbe y Pi, Bela, Teensy, A duino) pe mi e mui as ou as aplicações o a da p o o ipagem de
ins umen os musicais, que são equen emen e u ilizadas pa a, po exemplo, pequenas a e as
de au omação, obó ica e egis o de dados do mundo eal a pa i de senso es. O g ande a o de
popula idade des as pla a o mas, bem como a exis ência das comunidades que supo am as
mesmas, de e-se à acilidade que p opo cionam aos p imei os passos da p o o ipagem de um
qualque p oje o que en ol a compu ação ísica e/ou HCI. Des a o ma, é possí el execu a
p o ó ipos e p oje os que eúnem elemen os de di e en es engenha ias, sem que isso implique o
apoio de es u u as mul idisciplina es ou emp esa iais (i.e. emp esas a abalha no
desen ol imen o de um p odu o ecnológico, emp egando as á eas de conhecimen o de design
indus ial, engenha ia in o má ica, en e ou as), ou conhecimen os mui o as os no domínio da
p og amação e da ele ónica.
Pa a além dis o, exis em ou as mo i ações o es que le am músicos e c iado es a
en e da pelo caminho da cons ução das suas p óp ias e amen as. Em espos a à e e ência
que ab e es e subcapí ulo, a p á ica do DIY implica, “ge almen e, a poupança de algum dinhei o
quando compa ada à comp a de um disposi i o come cialmen e disponí el”, assim como “a
sa is ação de c ia algo com as uas p óp ias mãos e ap ende su icien e no p ocesso de
cons ução do p oje o pa a que o possas modi ica de aco do com as uas necessidades exa as”
(Ande on, 1992)
72
. Es e úl imo a o , o de adequação às necessidades é ambém de e minan e
na escolha do caminho da p o o ipagem. O me cado de equipamen os musicais é as o e as
e amen as endidas po di e en es ma cas ap esen am ca ac e ís icas que, pa a o mesmo ipo
de ha dwa e, podem se dis in as. Ainda assim, po mui o in es imen o que seja ei o,
con inuamen e, no que diz espei o às necessidades dos músicos e consumido es, é p a icamen e
impossí el disponibiliza e amen as e sá eis o su icien e pa a co esponde às necessidades
c ia i as de odo o público-al o. C iam-se, en ão, janelas de opo unidade pa a que
in es igado es ou c iado es independen es possam euni os ma e iais que p ecisam e se
desa iem a cons ui os obje os que desejam.
Na in e seção da compu ação ísica com a p o o ipagem de ins umen os musicais digi ais
ou in e aces DIY pa a sin e izado es, u ilizam-se á ios ipos de senso es áceis de encon a
em lojas especializadas. Os componen es que se encon am mais equen emen e nas in e aces
come ciais incluem, a ualmen e, po encióme os, encode s
73
, bo ões, in e up o es e eclas.
72
“While you gene ally sa e money compa ed wi h buying a comme cially a ailable de ice, you also ha e he
sa is ac ion o c ea ing some hing wi h you own wo hands, and you lea n enough abou he p ojec in he
p ocess o building i so ha you can modi y i o sui you exac needs” (ANDERTON, 1992).
73
Ap esen a mui as ezes um aspe o semelhan e ao po encióme o, mas pode unciona de o mas di e en es, ais
como e uma o a i idade “in ini a”, pode se usado ambém como bo ão, gi a e ixa em posições
de e minadas, en e ou as.
48
Alguns ap esen am a é a in eg ação de um joys ick (e.g. AKAI MPK Mini MK3) ou senso es de
oque (e.g. A u ia Keys ep). Es es mesmos componen es podem se u ilizados pa a a
p o o ipagem de uma in e ace ei a à medida do seu c iado . No en an o, exis em ou os
senso es que podem se conside ados, p incipalmen e quando endo em con a a p ocu a da
exp essi idade e da ges ualidade pa a ins umen os digi ais. Alguns exemplos des es senso es
incluem LDR’s (Ligh Dependan Resis o s), senso es de ul assons (i.e. senso es que podem
medi a dis ância da mão ao senso ), acele óme os (i.e. medi a acele ação do senso ao longo
de 3 eixos), cápsulas de mic o one, mic o ones piezoelé icos, senso es de in a e melhos (i.e.
medi ambém a dis ância), senso es de pulsação ou equência ca díaca, senso es lexí eis (i.e.
de e am o g au de lexão do senso ), câma as (i.e. e i a alo es a pa i da in o mação ídeo
em empo eal), bússolas digi ais, en e ou os. Vá ios dos senso es mencionados em e sões
analógicas e digi ais. A escolha en e um ou ou o de e á depende da adequação a cada p oje o.
A í ulo de exemplo, um acele óme o analógico i á u iliza ês en adas analógicas de um
mic ocon olado ou mic ocompu ado (i.e. eixo x, eixo y, eixo z). A sua e são digi al,
u ilizando, po exemplo, o p o ocolo I2C, pode á se uma solução quando não exis e esse
núme o de en adas disponí el pois, nes e caso a sua ligação é ei a a pa i das en adas
des inadas a I2C. Ao p ocu a e escolhe senso es pa a um p oje o de p o o ipagem é ambém
impo an e e em conside ação as suas dimensões, dos componen es adicionais que possam
exigi pa a um uncionamen o co e o, a sua adequação e compa ibilização com o es an e
ha dwa e (i.e. alguns senso es são ei os pa a unciona especi icamen e com placas de A duino
ou ou os equipamen os), a alimen ação que necessi am, a sua esis ência ao empo ou
condições a mos é icas (i.e. no caso de se em senso es ágeis ou sensí eis e a ideia do p oje o
inclui a exposição a es as condicionan es). Pa a além des es componen es essenciais, pois
c iam a elação en e o mundo eal e a compu ação, é impo an e pensa no supo e pa a odo o
p oje o, a sua ans o mação num obje o.
Mui os en usias as do DIY eco em equen emen e à madei a, an o po se um ma e ial
ba a o, como ambém é ácil de ob e e abalha (e.g. Fablabs equipados com e amen as que
acili am di e sos p ocessos de p o o ipagem, ais como máquinas de co e a lase ) No en an o,
exis em ou as o mas de ma e ializa es es p oje os, a pa i de ou os ma e iais ais como o
plás ico (i.e. ácil de abalha com écnicas imp essão 3D), placas de me al, PVC, K-Line,
espumas e ca ão.
Assim, a p o o ipagem de um ins umen o ou con olado digi al acaba po en ol e
compe ências manuais que não êm que e com a pa e in o má ica do p oje o. Isso signi ica
que, pa a execu a es e lado ísico da p o o ipagem do obje o, é impo an e e à disposição
algumas e amen as essenciais. Cla o que o núme o de ma e iais e e amen as i á semp e
depende das necessidades do p oje o mas, exis em algumas que são, ge almen e, essenciais ais
49
como uma b eadboa d
74
, e o de solda e solda, ol íme o, esponja ou palha de aço, alica es,
cha es de pa a usos, cabos jumpe macho e êmea, c ocodilos
75
, pilhas AA, pilhas de 9V, i a
isolado a, i a de papel, esou a, x-a o, cabos USB, cabos de áudio, cabo elé ico simples, ichas
jack ou minijack e esis ências de di e en es alo es (e.g. 10kΩ, 1kΩ, 1MΩ, en e ou as).
Tendo eunidas odas as condições pa a inicia um p ocesso de p o o ipagem, é necessá io en ão
es a p epa ado pa a adap a as ideias do p oje o às limi ações que possam su gi , sejam da
o dem dos conhecimen os do ha dwa e e a sua p og amação ou e en uais incompa ibilidades
dos ma e iais u ilizados na p o o ipagem.
4.2 Componen es, Implemen ação, P o o ipagem do C escen e
O p ocesso de cons ução e p o o ipagem do C escen e, o ins umen o musical que su ge
des a in es igação, di idiu-se ao longo de duas ases dis in as: (1) ase de es agem e adap ação;
(2) ase da p o o ipagem. Cada uma das ases incluiu de e minadas a e as, ais como a
p og amação no so wa e Pu eDa a ia Bela IDE ( e igu a 15), a p o o ipagem ele ónica
en ol endo os senso es e o wi ing
76
, e, po im, o desenho e cons ução do ins umen o que e e
duas i e ações. Ao longo da p o o ipagem, ce as adap ações o am sendo ei as con o me as
necessidades do p oje o ou pa a o e ei o de co eções de e os.
4.2.1 Tes agem e Adap ação à Pla a o ma Bela
Como e e ido an e io men e, a escolha da Bela como pla a o ma de desen ol imen o pa a
o ins umen o musical de eu-se p incipalmen e às suas ca ac e ís icas de pe o mance, bem
como o ac o de e sido desen ol ida a pensa especi icamen e em p oje os de áudio in e a i os
e cons ução de ins umen os
77
. Pa a além des es a o es, a pla a o ma pe mi e que oda a
p og amação seja ei a com o Pu eDa a (apesa de abalha ambém com ou as linguagens
como C++, Supe colide e Faus ), solução ideal endo em con a que, no momen o des a
in es igação, oi a linguagem/so wa e no qual mais expe iência de u ilização i e.
Depois de omada a decisão de u iliza es e ha dwa e pa a o p oje o e de o e adqui ido,
seguiu-se uma ase de expe imen ação e adap ação ao mesmo, endo em con a que nunca o inha
u ilizado. Apesa de, no que diz espei o à pa e das ligações da compu ação ísica, es a
pla a o ma segui uma lógica semelhan e a ou os mic ocompu ado es e mic ocon olado es, o
74
Uma placa que se e de base pa a a p o o ipagem de ci cui os elé icos.
75
Alliga o clips, ambém conhecidos como ios de ligação ou bananas.
76
Ligação dos cabos que conduzem ene gia num ci cui o ele ónico.
77
Consul a h ps://bela.io/ pa a uma comp eensão mais ap o undada da isão do p odu o.
50
seu wo k low é especí ico e eque uma habi uação. Felizmen e, mesmo sendo uma pla a o ma
ecen e
78
, a pa i do websi e bela.io é possí el acede a um guia de como começa a u ilizá-la.
Ao longo de odo o p ocesso de adap ação e p o o ipagem, es e guia p o ou se essencial endo
em con a que ap esen a uma documen ação cla a que dispõe exemplos p á icos de u ilização de
alguns senso es pa a di e en es e ei os (e.g. aze um sin e izado FM simples u ilizando apenas
um FSR, um po encióme o e um LDR). Pa a além des e guia, oi ambém ú il acede ao ó um
o icial da pla a o ma na en a i a de escla ece dú idas bas an e especí icas (e.g. como pa a
en ende ce os e os que a consola ap esen a nas p imei as en a i as de implemen ação do
sin e izado digi al c iado pa a o ins umen o).
Ao liga o Bela ao compu ado po ia de um cabo USB, é necessá io agua da que es e
seja econhecido. De seguida, é possí el começa a u iliza o disposi i o a a és do seu IDE que
unciona di e amen e num b owse como, po exemplo, o Google Ch ome. A pa i do IDE é
possí el acede à consola de e en os, ge i di e en es p oje os gua dados no p óp io
mic ocompu ado , consul a uma biblio eca de pa ches de exemplos p á icos, con igu a os
p oje os e o p óp io disposi i o (e.g. sample a e analógica, núme o de en adas analógicas em
uso, bu e size, en e ou as con igu ações), consul a o mapa de I/O (Ins/Ou s) do disposi i o,
consul a documen ação adicional e consul a as Lib a ies ins aladas. Na igu a 15 pode-se
obse a o aspe o do IDE em u ilização:
Apesa de unciona num b owse , não é necessá ia uma ligação à in e ne pa a a
u ilização do IDE
79
. Na con igu ação de qualque p oje o, em de se de inida A p io i a
78
C iada em 2014, como indicado na his ó ia em h ps://bela.io/ou -s o y
79
Com a exceção de p oje os que en iem/ ecebam dados a a és de ligações à in e ne . Nesse caso o compu ado
u ilizado pa a acede ao IDE ou o p óp io mic ocompu ado Bela de e es a con igu ado pa a a ede desejada.
Figu a 15 - IDE do mic ocompu ado Bela em u ilização.
51
linguagem de p og amação u ilizada. U ilizando C++ é possí el edi a e esc e e código no
p óp io IDE. U ilizando Pu eDa a, o mesmo não acon ece, pelo que são necessá ios os
seguin es passos no wo k low: 1) cons ui um pa ch de Pd no p óp io so wa e, ins alado no
compu ado de abalho; 2) aze upload desse pa ch pa a o Bela u ilizando o IDE; 3) co e o
p oje o já com o pa ch ca egado e consul a a consola de e en os no IDE pa a e ei os de
debugging. Os pa ches que de em se execu ados como “mãe” de qualque p oje o em Pd no
Bela de em se nomeados, exa amen e, de “_main.pd”. Des a o ma, o mic ocompu ado em a
in o mação ce a de como execu a o p og ama cons uído. Den o do IDE, os pa ches Pd
ca egados no in e io do p oje o podem se apenas isualizados e não edi ados. Pa a além da
consola de e en os, o IDE con ém um osciloscópio pa a isualização de sinais em empo eal e
a possibilidade de imbu i ske ches de GUI (G aphical Use In e ace) em p oje os nos quais se
p e ende con ola pa âme os u ilizando ambém o b owse no compu ado . Es as unções são
pa icula men e ú eis no con ex o de es agem de p og amas (i.e. o osciloscópio pode se i pa a
a isualização de sinais de senso es u ilizados, sendo assim possí el con e i se o
compo amen o dos mesmos é o espe ado; a c iação de uma GUI pa a um p oje o pode pe mi i
a es agem de ce os pa âme os do áudio em empo eal sem que seja necessá ia a ligação de
senso es ou componen es ao mic ocompu ado ).
A adap ação às ca ac e ís icas e wo k low des a pla a o ma deco eu com alguma
acilidade. À medida que expe imen ei alguns dos u o iais p á icos o e ecidos pelos guias do
Bela, oi-me possí el comp eende os passos an e io men e desc i os e ganha alguma e iciência
de abalho. Nes a ase, adqui i alguns componen es ele ónicos (e.g. esis ências, bo ões,
senso es, jumpe cables) que me pe mi i am a execução desses mesmos u o iais e, ao u ilizá-
los, ui ambém comp eendendo a lógica da compu ação ísica com es e ha dwa e. Alguns dos
exemplos p á icos que execu ei (no seguimen o do in ui o da ase de adap ação) incluí am a
c iação e ges ão de p oje os no IDE, conexões de sinais digi ais de saída e en ada, conexões de
sinais analógicos de saída e de en ada, manipulação de pa âme os de sín ese digi al com a
u ilização de senso es FSR, u ilização de mic o ones elec e e mic o ones piezzo em p oje os
de áudio e u ilização de ou os senso es como um acele óme o. Algumas imagens
ep esen a i as des a ase de es es com a pla a o ma Bela podem se consul adas no eposi ó io
indicado no Anexo F.
O mic ocompu ado Bela em a an agem de pode se u ilizado em modo s andalone
80
, o
que co esponde com bas an e con eniência ao obje i o de o na o ins umen o num obje o
au o-con ido. Pa a al, pode se alimen ado com um powe bank comum (de 5 V) ligado po
USB ao ba el jack ( e igu a 16).
80
Sem p ecisa da ligação a um compu ado e es a ene ge icamen e au ónomo pela u ilização de uma ba e ia po á il.
52
Rela i amen e ao ou pu do som p oduzido, o Bela o e ece duas possibilidades: a) saída de
linha OUT com um cabo minijack pa a icha g o e de 3 pinos, um ou pu em sinal s e eo; b)
saídas Le e Righ alimen adas po um ampli icado de 1 Wa embu ido já no sis ema
81
( e
igu a 9 pa a e e esquema do Bela).
4.2.2 Tes agem de Senso es e Componen es
Sendo es e mic ocompu ado uma pla a o ma que abalha com ci cui os de compu ação
ísica, a adap ação ao mesmo oi ei a em pa alelo com a es agem de componen es e senso es.
Os p imei os es es ecaí am sob e os senso es mul idimensionais T ill Ba e Squa e. Es es
acaba am po cons i ui uma pa e de g ande ele ância no p o ó ipo inal. Pa a além des es,
o am es ados, a p opósi o da comp eensão das en adas analógicas do Bela, senso es de oque
FSR, cápsula de mic o one elec e , um acele óme o, piezzos e po encióme os. Pa a es a
ou pu do ins umen o usei, nes a ase, dois ansdu o es de con ac o.
81
Pa a que es a ampli icação uncione o mic ocompu ado em de es a a se alimen ado com 5V pela icha ba el
jack.
Figu a 16 - Mic ocompu ado Bela alimen ado po um Powe bank de 5V
53
4.2.2.1 Senso es FSR
Os senso es FSR ( oque/p essão) uncionam como uma esis ência a iá el num ci cui o, e
es ão en e os senso es mais popula es no desenho de DMIs (Medei os & Wande ley, 2014).
Em es agem, cada FSR oi ligado em sé ie com uma esis ência de 10kΩ, ecebendo a co en e
(3.3V) de um dos lados do senso e echando o ci cui o após a esis ência es á ica, no G ound
do mic ocompu ado . Ligando a saída da esis ência a iá el a uma das en adas analógicas do
mic ocompu ado , podemos en ão ob e a sua lei u a em empo eal num pa ch desenhado pa a
o e ei o ( e igu a 17). O pa ch de Pd u ilizado pa a a es agem dos senso es FSR pode se
consul ado no Anexo E ( e pa ch06). O alo des a esis ência a iá el em empo eal pode se
u ilizado no Pd an o como um sinal áudio (i.e. no Bela os sinais nas en adas analógicas são
na i amen e in e p e ados como sinais de áudio) como um sinal de con olo (i.e. os sinais de
con olo são núme os que ou s ings de núme os, ambém chamados de loa s, no con ex o do
Pd). Num pa ch em que seja p e e í el u iliza es e sinal como con olo, de e se u ilizado o
obje o [snapsho ~]. A u ilização des e obje o eque um ambém um [me o] no qual pode se
de inida a elocidade de ou pu do sinal ans o mado.
Após alguns es es com FSRs en endi que, pa a além de es es se adequa em à lógica
cons uída pa a o mapeamen o de ges os de con olo no p o ó ipo, a sua implemen ação se ia
coe en e com as es an es ideias do desenho p é io ( e Anexo F, egis o 0). En endi ambém
que, pa a o ins umen o, de e ia adqui i e u iliza FSRs de dimensões mais eduzidas, ao
con á io dos FSR’s quad ados u ilizados nes a ase de es agem. Is o pe mi iu que, ao a a da
Figu a 17 - Esquema de ligação de um FSR ao Bela.
54
sua implemen ação nos p o ó ipos, osse possí el eduzi o espaço ocupado pelos senso es,
assim como adap á-los a um posicionamen o mais e gonómico.
4.2.2.2 Mic o one elec e
A es agem da cápsula elec e seguiu a lógica de um exe cício de e ei o delay suge ido nos
u o iais do Bela. Enquan o que, nesse exe cício é u ilizada uma cápsula elec e simples, a
cápsula que u ilizei es a a já inse ida num ci cui o b eakou
82
(Spa kFun Elec e Mic ophone
B eakou ). O seu sinal é in e p e ado de o ma semelhan e ao de ou os senso es analógicos no
Pd, sendo que, como é uma cápsula de mic o one, esse sinal con ém o som cap ado em empo
eal. Esse sinal pode se u ilizado só po si, passando po p ocessamen o áudio (e.g. e ei os
delay), ou não, mas ambém pode se in e p e ado de ou as o mas, sendo possí el e i a
alo es como a ampli ude ou pi ch pa a u iliza , pos e io men e, como sinais de con olo.
82
Um ipo de pequenos ci cui os em que se o na um único componen e ou senso mais ácil de u iliza . São
especialmen e indicados pa a o con ex o da p o o ipagem.
Figu a 18 - FSR's quad ados, u ilizados na ase de es agem
55
4.2.2.3 Acele óme o Analógico
A u ilização de um acele óme o analógico é ambém exempli icada num dos u o iais de
ap endizagem da pla a o ma. Es e é um senso que lida com mo imen o e em sido aplicado
equen emen e em p oje os de in e ação. O ac o des e senso es a con ido em qualque
sma phone comum ambém con ibuiu pa a que a sua aplicação enha seja explo ada
equen emen e pa a u ilizações musicais como mapeamen os da mo imen ação/manipulação
des es disposi i os mó eis (Medei os & Wande ley, 2014). A sua ligação ao mic ocompu ado
é simples, semelhan e à de um b eakou como do elec e , exce o que são necessá ias ês
en adas analógicas disponí eis, uma pa a cada sinal co esponden e aos eixos X, Y e Z. A
implemen ação na pa e do Pd é, no en an o, mais desa ian e, pelo que, pa a os e ei os de
es agem, u ilizei apenas a in eg ação suge ida pelo p óp io u o ial do Bela ( e Anexo E,
pa ch16). Após es a o senso e obse a os sinais de cada eixo no osciloscópio do sis ema, oi
possí el comp eende que uma espos a signi ica i a implica mo imen os com alguma
ampli ude de ges o. Is o é, o senso p ecisa de alguma agi ação epen ina e o e pa a que os
seus sinais pe co am a escala in ei a do sinal (i.e. desde o alo mais baixo ao alo mais al o).
Figu a 19 - Esquema de ligação de um Elec e b eakou ao Bela.
62
Figu a 27 - Pa ch de exemplo pa a ob e na consola de e en os os alo es numé icos co esponden es aos
oques no senso T ill Ba e T ill Squa e.
63
4.2.3 Implemen ação e P o o ipagem
Após es a ase inicial de es agem dos á ios componen es necessá ios à p o o ipagem do
ins umen o, iniciou-se en ão a cons ução de pequenos ci cui os com a inclusão de alguns
senso es em simul âneo, pe mi indo assim expe imen a a p og amação dos mapeamen os no
pa ch de Pd que oi e oluindo a é uma e são minimamen e es á el. Ao mesmo empo,
começou a ase do desenho do ins umen o, an o do ci cui o como do obje o em si (a caixa).
Pa a o design e cons ução do p o ó ipo da caixa con ei com a colabo ação do Filipe Too il, um
amigo c ia i o e e icien e na á ea das a es plás icas e da pin u a.
4.2.3.1 Desenho e Cons ução da Caixa do Ins umen o
Pa a um desenho inicial do ins umen o, o am omados em conside ação á ios aspe os
que ui in e indo ao longo des a in es igação, bem como a sua aplicação e gonómica no co po
do mesmo:
1) Inclusão de senso es que pe mi am uma g ande a iedade de ges os a a és do uso das
mãos;
2) Inclusão de um ci cui o con olá el de elec oacous ic eedback loops;
3) Se um ins umen o au o-con ido e o p óp io co po se on e de essonância;
4) Se um ins umen o que possibili e a cons ução de á ias camadas musicais
simul âneas;
5) O imb e ge ado po sín ese digi al adequa -se à explo ação da essonância do co po do
ins umen o;
6) Concebe o mapeamen o dos senso es po o ma a p i ilegia um sen ido de
expec a i as, mas, simul aneamen e, e i ando uma elação de e minís ica, ou seja, e i ando que
a mesma acção p oduza semp e a mesma eação (i.e. o mesmo “ges o sono o”).
Os desenhos p é ios à ase de p o o ipagem de e mina am apenas uma espécie de
esquele o das posições dos senso es, como pode iam ica dis ibuídos ao longo da caixa. ( e
Anexo F, egis o 0) A o ma da caixa do p o ó ipo pe maneceu uma incógni a a é ao momen o
de escolha dos ma e iais e de p imei as mon agens. Su gi am en ão, dois desenhos, inspi ados
em o mas e pos u as ap oximadas a ins umen os acús icos adicionais como a gui a a e o
iolino ( e Anexo F, egis os 7, 8, 9, 10, 11 e 15). Um dos desenhos, mais geomé ico,
ap esen ou-se desde o início como uma opção de cons ução mais simples: um a o que pode ia
se bené ico pa a um cump imen o do calendá io de abalhos ese ado à ase de p o o ipagem.
O segundo desenho, po ap esen a a o ma de uma lua, com cu as, su giu como uma opção
64
mais a iscada. No en an o, es a o ma acabou po p opo ciona á ias an agens ao p oje o, em
elação ao o ma o mais geomé ico:
1) A o ma do ins umen o em elação ao co po do ins umen is a ap esen a um maio
sen ido de in imidade, endo em con a que a cu a da lua “ab aça” o onco;
2) A o ma da lua ap esen a-se com uma es é ica que, ainda que na lógica de pos u a de
uma gui a a, não em uma elação o mal ão imedia a com um ins umen o em especí ico;
3) A cu a u a do ins umen o suge e o mé odo de como es e de e se manipulado;
4) Tendo em con a a na u eza do p o ó ipo como ins umen o mis o, uma es u u a menos
con encional acaba po con e i um maio sen ido de no idade ou de exclusi idade, po se
a as a do o ma o de “caixa” quad ada, comum no alojamen o de á ios ins umen os digi ais
ou mesmo con olado es;
Ainda an es de oma uma decisão inal em elação ao o ma o de lua, o am cons uídos
dois p o ó ipos, um pa a cada desenho, u ilizando K-Line, al ine es e i a de papel. Ao cons ui
es as duas caixas oi assim possí el expe imen a a sensação de segu a no obje o, c ia uma
noção de dimensão e peso, o que con ibuiu pa a decisões da colocação dos di e en es senso es
que compõe o ci cui o do ins umen o. Após á ios es es com es es p o ó ipos da caixa e
ecolha de opiniões sob e as duas o mas, jun o das pessoas que acompanha am es e p ocesso de
in es igação, oi possí el en ão a ança de ini i amen e com o o ma o da lua. A pa i daí, a
cons ução do p o ó ipo da caixa e a mon agem do ci cui o acon ece am em pa alelo. A
possibilidade de abalha na ase da p o o ipagem do ci cui o com a caixa do ins umen o,
esul ou numa maio acilidade em p oje a di e sas melho ias ao desenho, des acando-se
de alhes como a colocação de a es de k-line pa a a es abilidade da caixa, os locais onde o am
Figu a 28 - Face do co po da p imei a i e ação do p o ó ipo em o ma o de lua.
65
necessá ias abe u as pa a a passagem de cabos dos senso es, e o ços da colocação de i a pa a
o ganização dos cabos, en e ou os.
Figu a 30 - Segunda i e ação do C escen e.
Figu a 29 - P imei a i e ação do C escen e em uso.
66
Numa ase mais p óxima do inal da p o o ipagem do ins umen o e i iquei, em conjun o
com o Filipe Too il, que o p o ó ipo da caixa se encon a a com algumas agilidades, de ido à
u ilização equen e que lhe oi dada ao longo dos es es. No sen ido de con e i uma maio
longe idade e es abilidade ao p o ó ipo, iniciou-se a cons ução de uma segunda e são do
p o ó ipo da lua, mais igo osa e obus a em di e sas pa es: a ace do ins umen o con ou, nes a
i e ação, com uma ace em MDF
87
; os planos la e ais o am e o çados com mais uma camada
de k-line e á ios apoios la e ais, con e indo uma maio igidez do que na p imei a i e ação.
Fo am, ambém, cons uídas ampas pa a a pa e asei a do ins umen o, que não só p o egem o
ci cui o, mas ambém man êm os cabos no in e io . Es a no a i e ação da caixa oi ambém
pin ada com sp ay b anco ( ace, la e ais e in e io ) e sp ay p e o ( ampas), con e indo-lhe um
acabamen o mais ag adá el ao oque. Pa a além da ques ão da longe idade, conside ei ambém
impo an e a ques ão da es abilidade do ins umen o no seu manuseamen o, na sensação do
ins umen is a. De o ma disc e a, se a agilidade se man i esse, acaba ia po con ibui pa a
uma exp essi idade mais eca ada, em que a p eocupação com a es abilidade do ins umen o
pode ia in luencia nega i amen e a sua manipulação. Assim, após a implemen ação do ci cui o
comple o do p o ó ipo e, numa ase mui o p óxima da inalização da p og amação, odo o
ins umen o oi econs uído, u ilizando a no a caixa.
87
Medium Densi y Fibe boa d, um ma e ial de i ado da madei a.
Figu a 31 - Segunda i e ação do co po do C escen e, ainda sem pin u a.
67
4.2.3.2 Desenho do Ci cui o do P o ó ipo
O ci cui o do p o ó ipo oi, inicialmen e, desenhado de aco do com a u ilização simul ânea
de dois senso es ill, ês FSRs, uma cápsula elec e , um mic o one de con ac o, um
acele óme o e um ansdu o de con ac o ( e Anexo B, Desenhos p é ios, 1). Po ém, após
e em sido ealizados es es com es e ci cui o em u ilização, já na caixa do p o ó ipo, en endi
que o acele óme o não se ia, apesa do p e is o, uma boa opção. A pos u a co po al que o
ins umen o suge e, bem como a sua dimensão, não é p opícia a epen inas ampli udes de
mo imen o, a pa i das quais se pudesse i a o melho p o ei o des e senso . A cápsula de
mic o one acabou ambém po se abandonada, endo em con a que a exp essi idade que
escolhi abalha em o seu oco na u ilização das mãos e das suas nuances no exe cício da
p essão. Assim, ao e i a es es dois senso es do plano o iginal, o am libe adas 4 en adas
analógicas do mic ocompu ado . Es as acaba am po se subs i uídas, adicionando mais um FSR
e dois po encióme os ( e Anexo B, Desenho inal, 3). A mon agem des e ci cui o implicou,
pa a além dos senso es, a u ilização de á ios cabos jumpe , macho e êmea, 4 esis ências de
10kΩ, 1 esis ência de 1MΩ, uma ba e ia po á il de 5V e a u ilização de á ios cabos simples
pa a solda aos senso es e aos jumpe s. A ligação dos senso es ill oi ei a de aco do com a
demons ação em 4.2.2.7 em que os jumpe s co esponden es ao SDA e ao SCL de cada senso
ica am ligados na mesma linha da b eadboa d, pa ilhando assim o mesmo canal de dados. O
ansdu o de con ac o escolhido icou ligado na saída ampli icada LEFT. No inal des e
p ocesso, ac escen ou-se ambém a ligação de um bo ão pa a pode desliga o ins umen o sem
e de eco e ao bo ão embu ido na placa do Bela.
68
4.2.3.3 P og amação do Ins umen o
Em simul âneo com os es es de senso es na pla a o ma Bela, a adap ação ao wo k low em
conjun o com o Pu eDa a oi essencial pa a comp eende que obje os
88
são de e minan es na
lógica de comunicação en e os pa ches e o mic ocompu ado . O Bela con ém uma saída de
áudio em s e eo ( eplicada pa a as saídas ampli icadas L e R), ge ida pelo DSP (Digi al Signal
P ocessing), ao qual podemos acede no Pd a pa i do obje o [dac~ 1 2]. U ilizando ainda o
[dac~] podemos di eciona sinais pa a os 4 canais do osciloscópio embebido no IDE [dac~ 27
28 29 30], o que se e elou pa icula men e ú il na isualização de sinais de senso es em empo
eal pa a e ei os de es agem. Pa a ob e sinais analógicos, a pa i da en ada s e eo ou dos 8
canais Analog In, u iliza-se o obje o [adc~]
89
. É impo an e conside a que no Pd podemos lida
p ima iamen e com dois ipo de sinais: áudio e con olo. Os sinais de con olo são cadeias de
núme os que podem ep esen a a iá eis essenciais a di e en es obje os da compu ação. Os
sinais de áudio são a ados como em ou os p og amas de áudio digi al, e, no caso, a
amos agem po de ei o é de 44100Hz. Uma conside á el po ção da p og amação de um pa ch
no Pd em que e com o condicionamen o des e ipo de sinais e, pa a al, podem se usados
di e en es obje os como, po exemplo, o [snapsho ~] e o [sig~], que, espe i amen e,
ans o mam um sinal áudio num sinal de con olo (numa amos agem de inida pelo u ilizado
em milissegundos) e ice- e sa mas, ambém, obje os como o [spigo ] e ope ações ma emá icas
biná ias
90
[==], [>], [<], en e ou os
91
. Foi essencial, du an e oda a p o o ipagem, comp eende
es a lógica en e o Pd e a comunicação dos sinais no p óp io so wa e mas, ambém em
in e ação com os I/O, u ilizando, semp e que necessá io, o obje o [p in ] que pe mi e uma
isualização em empo eal dos alo es numé icos de ce os sinais, no IDE, enquan o um pa ch
se encon a em uncionamen o.
Numa p imei a ase de cons ução de um pa ch de sín ese pa a o C escen e, pensei u iliza
um conjun o de módulos de código p é-exis en es, disponibilizados a pa i do Au oma onism,
desen ol ido po Johan E iksson no so wa e Pd (E iksson, 2017; Wilson, 2017). Reap o ei a
código des a o ma ap esen a an agens como a agilização da p odução de um pa ch de sín ese,
endo em con a que a mon agem, de aiz, de um sin e izado comple o no Pd pode se demo ada
(além de se ecnicamen e exigen e, dada a na u eza ma emá ica de p ocessos de sín ese como a
FM e a sín ese g anula ). Pa a além dis o, E iksson p og amou e desenhou cuidadosamen e es es
módulos digi ais no deco e de algum empo
92
, con ando com a sua in es igação na á ea da
música com sin e izado es modula es e au omação (E iksson, 2017). Assim, o p imei o pa ch
88
Obje os do Pu eDa a, as peças p incipais que de inem a lógica de p og amação isual do Pd.
89
Canais 1 e 2 pa a a en ada s e eo, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 pa a as co esponden es en adas analógicas 0, 1, 2, 3, 4, 5,
6 e 7, espe i amen e.
90
O esul ado da ope ação pode se e dadei o ou also, ep esen ado po um ou pu 1 ou 0.
91
Pa a in o mação mais de alhada sob e a ope ação do Pd consul a h ps://pu eda a.in o/docs/manuals/pd/x2.h m
92
P e iamen e ao Au oma onism, E iksson lançou o Xodula pa a o Pd-Ex ended, uma e são que seguia já a lógica
de simula um ambien e de sín ese modula no Pu eDa a. Es a con inha já 20 módulos di e en es (pd epo, 2016).
69
mon ado pa a es es com o Bela con inha um módulo de sín ese FM poli ónica, um de e ei os de
delay g anula , um wa e olde e uma mesa de mis u a digi al de qua o canais. Na p imei a
en a i a de co e um pa ch com es e conjun o de módulos o mic ocompu ado ap esen ou e os
na consola, epo ando di iculdades ela i as à exigência do p ocessamen o de odo esse
conjun o. Após uma eanálise desse mesmo pa ch oi possí el comp eende que, dadas as
limi ações de p ocessamen o do mic ocompu ado , a p og amação e ia de se ei a de o ma
mais e icien e, no sen ido em que, ainda u ilizando como base os módulos do Au oma onism,
algumas ope ações pude am se simpli icadas e ou as co adas po comple o. Um dos
p incipais ajus es nes e sen ido incidiu sob e o ma como es es módulos, po simula em um
ambien e modula , ans o mam os sinais de en ada e saída em sinais de áudio. Mui as des as
ope ações não se iam necessá ias no con ex o da p og amação do p o ó ipo do C escen e e, po
isso, os obje os co esponden es às mesmas o am emo idos. Ainda no sen ido de “emag ece ”
es e pa ch, oi impo an e u iliza o obje o [swi ch~] que liga e desliga o p ocessamen o de um
subpa ch, sal agua dando assim uma ma gem pa a a execução de a e as compu acionais mais
pesadas apenas quando ealmen e são necessá ias (i.e. a u ilização das qua o ozes de sín ese
FM em simul âneo pede mui o mais p ocessamen o do que a u ilização de apenas uma). Ainda
assim, alcançando uma edução de ce ca de 20% da u ilização do CPU
93
, oi possí el
comp eende que, pa a um uncionamen o sua e e sem queb as des e sin e izado digi al,
mudanças adicionais se iam necessá ias. Após algumas i e ações do pa ch, decidiu-se subs i ui
o módulo de e ei o delay g anula po um no o e ei o menos exigen e
94
. Desde que oi
emo ido es e módulo, o desempenho icou mais es á el, com lei u as no IDE a onda os 45%
CPU. Tomando em conside ação que a ob enção e condicionamen o dos sinais dos senso es do
ins umen o necessi a iam ambém de alguma compu ação disponí el, oi essecial es abiliza
es e alo de desempenho abaixo dos 70%, numa en a i a de ga an i que o desempenho do
desenho inal do ins umen o não so esse picos e queb as no DSP (Mo o, 2017). O módulo da
mesa de mis u a digi al de qua o canais oi ambém emo ido po não se essencial na
cons ução do pa ch. Ainda na en a i a de es abiliza o p og ama, o amanho dos blocos que
es a a de inido po de ei o no alo de 64, oi al e ado pa a 128 blocos, e a amos agem do
áudio pa a 22050Hz. A des an agem des a edução, na eo ia, é que implica um aumen o do
a o de la ência, mas após no os es es com es as de inições comp eendeu-se que não a e ou de
o ma no ó ia o compo amen o do ins umen o.
Concluido es e pa ch com o ipo de sín ese escolhida à base de FM poli ónica e u ilização
do e ei o de delay, o am, de seguida, implemen ados no Pd os obje os necessá ios à ob enção
dos sinais p o enien es dos senso es escolhidos pa a o ins umen o. Os obje os necessá ios pa a
93
O p imei o pa ch, p o oca a, inclusi e, um c ash da pla a o ma Bela e, após os p imei os ajus es, ap esen a a no
IDE uma lei u a de, em média, 90% de u ilização do CPU.
94
O e ei o aplicado de seguida oi um “Tape Syle Delay” cons uído no Pd po Seán Mac E laine. Es e acabou po
se ambém emo ido nas e sões mais p óximas do ins umen o inal, subs i uído po um delay mais simples
baseado nos exemplos de u ilização do [delw i e~] e [del ead4~].
70
ecebe as lei u as dos senso es T ill Ba e T ill Squa e são mos ados em 4.2.2.7. A pa i do
[adc~] o am ligados os sinais dos senso es analógicos co esponden es aos canais que
ocupa am, de aco do com o seguin e esquema:
FSR 1 > Analog In 0 > adc~ 3
FSR 2 > Analog In 1 > adc~ 4
FSR 3 > Analog In 2 > adc~ 5
FSR 4 > Analog In 3 > adc~ 6
Piezzo > Analog In 4 > adc~ 7
Po encióme o 1 > Analog In 5 > adc~ 8
Po encióme o 2 > Analog In 6 > adc~ 9
Pa a implemen a um ci cui o de elec oacous ic eedback loops, oi u ilizado um bloco de
pa ch disponibilizado pela p óp ia equipa do Bela nos exemplos que dispõe no IDE ( e Anexo
E, pa ch17). É um exemplo simples de sín ese Ka plus S ong que ecebe, como inpu
(exci ação), o sinal do piezzo e dois sinais de con olo que ajus am o dampening (que ab e o
loop de eedback mais, ou menos, con o me o alo ) e o pe iod (que co esponde, em e mos de
modelação ísica, ao “comp imen o da co da”), espe i amen e. Pa a es es dois úl imos,
u ilizou-se o sinal de dois dos FSRs ( e 5.1.1 Mapeamen os aplicados).
A é uma ase in e média da p og amação, o pa ch con a a com a implemen ação de um
bloco que in e p e a a os sinais de um acele óme o analógico pa a ob e o alo da sua swing
eloci y. No en an o, a ideia de u iliza es e senso acabou po se abandonada, pois a caixa do
ins umen o acabou po não suge i uma ampli ude de mo imen o que pudesse p o oca
espos as in e essan es na dimensão da acele ação ( e 4.2.2.3 Acele óme o analógico).
Na ase de es es, os alo es ob idos do T ill Ba na lei u a do posicionamen o dos dedos
sob e o eixo ho izon al, es a am a passa po uma mul iplicação que os comp eendesse en e as
a iá eis in eg ais 0 e 127, passando di e amen e pa a o pa âme o de Pi ch no bloco de sín ese
FM poli ónica. Os alo es ob idos a pa i da p essão exe cida no senso apenas unciona am
como um o se , ac escen ando núme os ao alo do eixo ho izon al, p o ocando assim um
con olo mais i egula da a inação. Es a implemen ação oi al e ada pos e io men e pa a uma
no a, mais uncional e adequada às ca ac e ís icas do senso . Dada a sua dimensão eduzida,
conside ou-se que o senso Ba pode ia se ap o ei ado de uma o ma mui o mais es á el e
exp essi a se comp eendesse uma escala de alo es mais limi ada, ao con á io da
disponibilidade de odas as no as que comp eendem o s anda d MIDI. Des e modo, op ou-se
po implemen a ês escalas di e en es
95
, de oi o no as cada uma ( e Anexo A, subpa ch “Pd
MapSenso Ba ”). Assim, o nou-se mais comp eensí el a in e ação com es e senso , e as
95
A p imei a é uma escala a ábica em sol sus enido, a segunda uma escala hindu e a e cei a uma escala cigana-
espanhola (ph ygian dominan ).
71
posições pa a oca uma de e minada no a, endo bas an e mais la gu a, con e i am um sen ido
de epe ibilidade do inpu ges ual. Ainda, os alo es de p essão lidos nas posições dos dedos no
eixo ho izon al o am u ilizados pa a “desa ina ”, a pa i das no as p é-de inidas, con e indo
assim a possibilidade de uma maio explo ação melódica den o e o a do espec o des as
escalas ( e Anexo A, subpa ch “Pd m”, inspeciona subpa ches das ozes FM no seu in e io ).
O T ill Squa e oi de inido desde o início como o senso cujos ges os ecebidos se iam
esponsá eis pelo aciona das no as no sin e izado FM poli ónico e pela c iação de en ol en es
(nos en elope gene a o s do ca ie e do modula o ). Des a o ma, as p imei as e sões da
p og amação des e componen e, u iliza am o alo da quan idade de oques pa a aciona o
igge de no as, o eixo x e o eixo y pa a de ini os pa âme os de a ack e hold das en ol en es
e a p essão exe cida ecaía sob e o pa âme o elease. Os p imei os p oblemas de e ados com
es a lógica inicial i e am que e com o p óp io igge de no as. Ao oca no senso , o alo
co esponden e ao núme o de oques e a ecebido com mui a elocidade, esul ando assim no
igge de mui as no as no espaço de apenas um segundo, sa u ando apidamen e o DSP. Pa a
esol e es e p oblema oi c ucial u iliza o obje o [change] pa a elimina a edundância des e
sinal e, des a o ma, o igge passou a se acionado apenas quando exis e um no o oque no
senso . A u ilização do alo co esponden e à posição do dedo sob e os eixos x e y do senso
oi inicialmen e p og amada numa lógica de cálculo da posição que di idia o quad ado em
qua o á eas iguais ( e Anexo E, pa ch15). O obje i o des a di isão oi o de pode con ola as
en ol en es de aco do com as di e en es posições do dedo sob e o senso Squa e. No en an o,
es a lógica inicial p o ou, nes a ase de implemen ação, não se adequada pa a con ola as
en ol en es da FM, acabando po esul a em en ol en es mui o desiquilib adas e pouco
a iadas (i.e. deslizando o dedo pa a um dos quad an es, condiciona a os alo es dos ou os
pa a 0, uma das componen es da en ol en e es a ia semp e ou mui o al a, ou mui o baixa). Após
algumas expe iências com o con olo das en ol en es, op ei po u iliza uma es a égia mais
di e a e adequada à espos a ísica da p essão do dedo sob e o senso Squa e. Com o alo da
lei u a co esponden e à p essão, c iou-se uma no a en ol en e com ação sob e a ampli icação
do sinal de saída do bloco de sín ese FM, em que os alo es de hold e elease das en ol en es
an e io es são ambém a e ados pela quan idade da p essão, exponencialmen e ( e Anexo A,
subpa ch “Pd EG”). Os eixos x e y passa am assim a se u ilizados pa a incidi sob e os
pa âme os de eedback e ime do e ei o de delay.
Os po encióme os ac escen ados ao desenho do ins umen o, numa ase in e média da
implemen ação, o am u ilizados pa a que se pudesse exe ce uma pa ame ização ina dos
alo es de index e a io do bloco de sín ese FM poli ónica. Es es alo es de inem, em g ande
pa e, o imb e das ozes FM do ins umen o e oi possí el comp eende , na ase de es es, que
o con olo con ínuo (i.e. com a u ilização dos FSRs, na ausência do exe cício da p essão, ou
quando p essionados em oscilação ápida, es es alo es es a iam no mínimo) des es alo es
acaba a po esul a num imb e o a semelhan e no empo, o a ins á el no imedia o do ges o.
Assim, a implemen ação dos po encióme os no pa ch oi bas an e di e a, pelo que bas ou a
78
a) Dedos da mão di ei a p essionam o quad ado p e o enquan o, simul aneamen e, um ou
mais dedos da mão di ei a se posicionam sob e o senso Ba . Ao p essiona o quad ado
com mais o ça, a no a selecionada se á ep oduzida com maio ampli ude e du ação.
Dependendo do sí io no quad ado onde é ei o o oque, o e ei o de delay e á di e en es
con igu ações e, nes e sen ido, o dedo pode se deslizado ao longo dos eixos do senso ,
e elando isualmen e as zonas de a uação di e en es do e ei o. A combinação dos
ges os da mão esque da e mão di ei a pode acon ece de di e en es o mas, como nos
exemplos ap esen ados na igu a 32. É ambém possí el epe i a mesma no a
u ilizando só a mão di ei a, p essionando o senso quad ado. Nes e caso, a mão
esque da ica á libe a pa a desempenha ou os ges os simul âneos como, po
exemplo, uma a inação do imb e da sín ese FM, ou ab açando o ins umen o com
mais isibilidade pa a alcança o piezzo com a mão esque da, a im de o pe cu i ;
b) A mão di ei a pode, ambém, concen a o seu ges o na p odução de loops de eedback.
Pa a esse e ei o, a pos u a da mão ica mais a queada de o ma a pode aplica a o ça
necessá ia no FSR que co esponde ao con olo do dampening do bloco de sín ese
Ka plus. Nes a pos u a, a u ilização dos dedos sob e os FSRs pode se conjugada com
o p essiona e en ual do senso quad ado com o polega , no sen ido de p oduzi no as
do sin e izado FM em simul âneo com um loop de eedback. Nes es momen os, a mão
esque da pode desempenha , como an e io men e desc i o, uma pe cussão do piezzo, a
seleção de no as no senso Ba ou, ainda, o con olo de ampli ude dos oscilado es
adicionais. A a és de uma agi ação con olada da mão di ei a enquan o se man ém um
Figu a 32 - Conjun o de ges os com u ilização da mão esque da e di ei a.
79
loop de eedback, é possí el c ia um e ei o de emolo na ampli ude, um ipo de ges o
exp essi o que pode se encon ado equen emen e na pe o mance de, po exemplo,
gui a as elé icas.
c) A lógica de u ilização da mão di ei a e mão esque da pode ambém se in e ida
quando explo ando, exclusi amen e, a u ilização dos oscilado es adicionais. Um dos
dedos da mão esque da pode, po exemplo, p essiona i memen e o FSR di e amen e
abaixo do senso Ba , enquan o os dedos da mão di ei a são u ilizados pa a al e na as
no as p oduzidas pelo oscilado . Embo a com um leque de possibilidades menos
ex enso, es e ges o pode se compa ado à écnica de apping, ambém u ilizada na
pe o mance de gui a as elé icas. No caso do C escen e, a sono idade p oduzida po
es a combinação suge e uma écnica mais sub il e len amen e aplicada, em con as e
com a exigência ine en emen e complexa do apping nas gui a as. Além disso, e como
e e ido an e io men e, a u ilização des es oscilado es o na-se mais in e essan e
quando pa a ins de modulação dos loops de eedback.
Figu a 33 - Ges o da mão di ei a que combina a p essão do FSR do dampening e a pe cussão do
piezzo pa a c ia loops de eedback.
80
A implemen ação des e conjun o de ges os ai ao encon o do modo “holís ico”,
desc i o pelos au o es Andy Hun e Ross Ki k (2000), pe spec i a a pa i da qual podemos
olha pa a o C escen e como um obje o que se in e age como um odo. Nes e sen ido, o
C escen e acaba po co esponde ambém, de o ma bas an e p óxima, aos “a ibu os de
um sis ema ins umen al em empo eal” (Hun & Ki k, 2000, p.232). Reconheço, ambém,
que a impo ação de alguns dos ges os usados no C escen e, acon eceu po in luência
di e a da p á ica de ins umen os con encionais acús icos, o que se de e, em pa e, a uma
on ade apa en emen e comum de que e ap o ei a p á icas p é ias no desenho de DMIs
(Jack, S ockman, & McPhe son, 2017).
5.2 Sa is ação dos Obje i os
Apesa de econhece o C escen e como um p o ó ipo de um ins umen o que pode ainda
so e mais al e ações (i.e. exis em, sem dú ida, pe spe i as de á ias melho ias) ( e 5.3
T abalho Fu u o), a sua u ilização, p óxima ao momen o de conclusão da in es igação,
pe mi iu-me exp essa ideias musicais que ão ao encon o do ipo de linguagem sono a que
enho indo a cons ui . Con i mei, assim, o p imei o g ande obje i o, o de c ia um p o ó ipo
uncional. Concluo, des a o ma, que a ní el da exp essi idade, me encon o sa is ei o com as
possibilidades que a u ilização des e ins umen o p opõe. Ao mesmo empo, descob i, no
p ocesso de p a ica a sua execução, ou as possibilidades exp essi as e ges uais que não inha
p e is o no p ocesso de implemen ação ecnológica (e.g. o e ei o de emolo desc i o
an e io men e, ao agi a de o ma con olada o ins umen o du an e um loop de eedback). Es e
Figu a 34 - Combinação de ges os u ilizados pa a aze soa um dos oscilado es adicionais e
muda a sua equência.
81
ipo de su p esas ap oxima am-me, pessoalmen e, do ins umen o e ajuda am-me a econhecê-
lo, mais ainda, como um obje o único, como e amen a exp essi a pa a o con ex o de u u as
pe o maces musicais. O ac o do ins umen o se au o-con ido ap esen ou, como p e is o,
an agens que incluem a e enção de p op iedades dos ins umen os con encionais, ais como a
sua po abilidade, imedia ez de u ilização e p odução sono a au ónoma, um a o que mui as
ezes es á ausen e no desenho de DMIs que eque em um se up de ligações, incluindo ha dwa e
adicional como mesas de mis u a e al i alan es. Ainda assim, é possí el ap o ei a as an agens
des es mesmos equipamen os nos con ex os em que isso aça sen ido, sendo que o ins umen o
an o pode se ampli icado a a és da sua saída de linha, como pela u ilização de mic o ones
que cap em o som p oduzido pela p óp ia caixa.
A lógica de uma implemen ação con inuada e i e a i a pe mi iu apu a algumas
necessidades do p o ó ipo, e dos p óp ios obje i os de inidos pa a o mesmo. E e i amen e,
o am á ias as conclusões da p imei a i e ação que esul a am em mudanças signi ica i as na
ansição pa a a segunda i e ação. En e elas, posso des aca , a melho ia da es abilidade e
esis ência da cons ução da caixa, como e e ido em 4.2.3.1, o embu i do piezzo e dos senso es
Ba e Squa e na p óp ia ace do ins umen o (que lhes eio con e i uma sensação de u ilização
mui o mais es á el), e as al e ações sucessi as ao pa ch do ins umen o (i.e. em blocos como do
p óp io condicionamen o dos sinais ecebidos pelos senso es, melho amen o da c iação de
en ol en es de ampli ude, eu ilização dos FSR des inados ao blocos de p ocessamen o
“descon inuados” pa a as unções elacionadas com os oscilado es adicionais, en e ou as).
Mesmo com a pe spe i a de no as i e ações, sen i-me con o á el com es a e são do p o ó ipo
pa a a sua u ilização no con ex o da pe o mance musical ao i o. A minha p incipal
p eocupação, nes a e apa, em que e com, po um lado, a es abilidade do e ei o de delay
implemen ado, e, po ou o, a baixa au onomia ene gé ica do ins umen o, condicionada pelo
pequeno powe bank u ilizado. De seguida, ap esen o com mais de alhe as pe spe i as de
abalho u u o aplicado não só a no as i e ações do C escen e como, ambém, à pe ceção da
sua exp essi idade po pa e de um público e, ainda, u ilização po pa e de ou os músicos.
82
5.3 T abalho Fu u o
Como pon o mais u gen e, indica ia a implemen ação de uma solução pa a liga o
ins umen o que não implique a ligação manual do cabo USB ao powe bank que alimen a odo o
ci cui o. Des a o ma, se ia possí el um maio sen ido de imedia ez na p epa ação do seu uso, e
uma maio p oximidade à sensação de ins umen o au o-con ido, que se pode ob e , como
an e io men e e e ido, nos ins umen os acús icos con encionais. Ainda elacionada com es a
melho ia, se ia bené ica a implemen ação de uma ba e ia po á il de maio olume e
ampe agem, possibili ando um empo de uso do ins umen o (inin e up amen e) po pe íodos
mais longos.
Num ou o pon o, di ia que a implemen ação dos senso es FSR so eu de uma abo dagem
ela i amen e simples no que diz espei o ao condicionamen o da lei u a dos seus sinais em
empo eal. Nes e aspe o, uma p og amação mais dedicada da análise des es sinais pode á i a
p opo ciona um maio “signi icado ísico” dos mesmos (Medei os & Wande ley, 2014,
p.13558).
No sen ido de comp eende mais a undo o abalho que p e endi desen ol e na
componen e de implemen ação da exp essi idade, conside o impo an e ealiza uma a aliação
das qualidades do p o ó ipo do ins umen o, a pa i da pe ceção de um público em con ex o da
pe o mance musical, que pode á se bené ica pa a uma alidação baseada em dados mais
conc e os, u ilizando uma e amen a de inqué i o como o The C ea i i y Suppo Index
(Ca oll & La ulipe, 2009) ou ecomendações pa a uma abo dagem quali a i a e quan i a i a na
a aliação de sis emas humano-compu ado na pe o mance de música (S owell, Robe son,
B yan-Kinns, & Plumbley, 2009).
Finalmen e, e ainda na pe spe i a de melho a o p o ó ipo, pode á se bené ica a ealização
um es udo acús ico ap o undado de ou o ipo de caixas pa a o ins umen o, expe imen ando
ma e iais di e en es que possam, de o ma conc e a, aumen a a iqueza ímb ica do ins umen o
unicamen e pelas suas p op iedades essonan es.
83
6. Re e ências
Ande on, C. (1992). P e ace. In Elec onic P ojec s o Musicians (Re ised Ed, p. 7). Hal
Leona d.
A che , B. (1995). The Na u e o Resea ch. Codesign, Janua y, 6–13.
Ba aglia, A. (2014). Ondes Ma eno : An In oduc ion. Re ie ed Ma ch 4, 2021, om
h ps://daily. edbullmusicacademy.com/2014/03/ondes-ma eno -in oduc ion
Beh man, D. (2009). Fo ewo d o i s edi ion. In Handmade Elec onic Music, The A o
Ha dwa e Hacking (pp. 11–12). New Yo k and Oxon: Rou ledge.
Be ge, F. Ten. (2016). o Na u e and Things - de Sh oom ( he Sh oom). Re ie ed Feb ua y 21,
2021, om h p://www. edde enbe ge.nl/de-sh oom
Blaine, T., & Fels, S. (2003). Con ex s o Collabo a i e Musical Expe iences. In A NIME
Reade Fi een Yea s o New In e aces o Musical Exp ession (pp. 71–87). Sp inge .
h ps://doi.o g/10.1007/978-3-319-47214-0
Bonge s, B. (2000). Physical In e aces in he Elec onic A s: In e ac ion Theo y and
In e acing Techniques o Real- ime Pe o mance. In T ends in Ges u al Con ol o Music
(pp. 41–70). Pa is.
B end, M. (2012). Moog Men. The ise o he syn hsize . In The Sound o Tomo ow How
Elec onic Music was Smuggled in o he Mains eam (pp. 157–178). New Yo k and
London: Bloomsbu y Academic.
Candy, L. (2006). P ac ice Based Resea ch: A Guide. CCS Repo , 1. Re ie ed om
h p://www.c ea i i yandcogni ion.com/ esou ces/PBR Guide-1.1-2006.pd
Cane i, E. (2014). Massa e Pode . Lisboa: Ca alo de Fe o.
Ca oll, E. A., & La ulipe, C. (2009). The c ea i i y suppo index. In P oceedings o he 27 h
In e na ional Con e ence on Human Fac o s in Compu ing Sys ems. Bos on.
h ps://doi.o g/10.1145/1520340.1520609
Cha e, C. (1993). Tac ile audio eedback. P oceedings o he 19 h In e na ional Compu e
Music Con e ence (ICMC 1993). S an o d.
Chion, M. (2008). P ojeções do Som sob e a Imagem. In A Audio isão: Som e Imagem no
Cinema (pp. 11–25). Lisboa: Tex o & G a ia.
Ch is ensen, P. J., O e hol , D., & Se a in, S. (2020). The Daïs: A Hap ically Enabled NIME o
Con olling Physical Modeling Sound Syn hesis Algo i hms. In NIME’20 (pp. 609–612).
Collins, N. (2007). Li e Elec onic Music. In The Camb idge Companion o Elec onic Music
(pp. 65–83). Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess.
84
Cona d, N. J., Malina, M., & Münzel, S. C. (2009). New Flu es Documen he Ea lies Musical
T adi ion in Sou hwes e n Ge many. Na u e, 460, 737–740.
h ps://doi.o g/10.1038/na u e08169
Cook, P. R. (2004). Remu ualizing he Musical Ins umen : Co-Design o Syn hesis Algo i hms
and Con olle s. Jou nal o New Music Resea ch, 33(3), 315–320.
h ps://doi.o g/10.1080/0929821042000317877
Cos a, G. (2012). Exp essi eness and in e ac ion in li e elec oacous ic imp o isa ion.
Enginee ing Facul y o he Uni e si y o Po o.
D’Esc i án, J. (2006). To sing he body elec ic: Ins umen s and e o in he pe o mance o
elec onic music. Con empo a y Music Re iew, 25(1–2), 183–191.
h ps://doi.o g/10.1080/07494460600647667
Da idson, J. W. (1993). Visual Pe cep ion o Pe o mance Manne in he Mo emen s o Solo
Musicians. Psychology o Music, 21, 103–113. h ps://doi.o g/DOI:
10.1177/030573569302100201
Da idson, J. W. (2012). Bodily mo emen and acial ac ions in exp essi e musical pe o mance
by solo and duo ins umen alis s: Two dis inc i e case s udies. Psychology o Music, 40(5),
595–633. h ps://doi.o g/10.1177/0305735612449896
E iksson, J. (2017). Bio -- AUTOMATONISM. Re ie ed No embe 12, 2020, om
h ps://www.au oma onism.com/bio
Flood, L. (2016). Building and Becoming: DIY Music Technology in New Yo k and Be lin.
Columbia Uni e si y.
Hannula, M., Suo an a, J., & Vadén, T. (2014). Basic Fo mula o A is ic Resea ch. In A is ic
Resea ch Me hodology: Na a i e, Powe and he Public (pp. 15–19). New Yo k, Be n,
Be lin, B uxelles, F ank u am Main, Ox o d, Wien: Pe e Lang Publishing.
h ps://doi.o g/10.3726/978-1-4539-1308-6
Ha djowi ogo, S.-I. (2017). Ins umen ali y. On he Cons uc ion o Ins umen al Iden i y. In T.
Bo e mann, A. de Campo, H. Ege mann, S.-I. Ha djowi ogo, & S. Weinzie l (Eds.),
Musical Ins umen s in he 21s Cen u y Iden i ies, Con igu a ions, P ac ices (1s ed., pp.
9–24). Sp inge Singapo e. h ps://doi.o g/10.1007/978-981-10-2951-6
Hen ique, L. L. (2002). In odução aos Ins umen os Musicais. In Acús ica musical (pp. 309–
330). Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian.
Holmes, T. (2008). Ea ly His o y: P edecesso s and Pionee s. In Elec onic and Expe imen al
Music. Technology, Music, and Cul u e (Thi d, pp. 1–115). New Yo k and London:
Rou ledge.
Hun , A., & Ki k, R. (2000). Mapping S a egies o Musical Pe o mance. In T ends in
Ges u al Con ol o Music (pp. 231–258).
Jack, R. H., S ockman, T., & McPhe son, A. (2017). Rich ges u e, educed con ol: he
in luence o cons ained mappings on pe o mance echnique. In MOCO’17 (p. 8 pages).
London.
Jo dà, S. (2001). New Musical In e aces and New Music-making Pa adigms. In New In e aces
o Musical Exp ession. Sea le: NIME-01.
Jo dà, S. (2004). Ins umen s and Playe s: Some Though s on Digi al Lu he ie. Jou nal o New
Music Resea ch, 33(3), 321–341. h ps://doi.o g/10.1080/0929821042000317886
Leman, M., & Godøy, R. I. (2009). Why S udy Musical Ges u es? In Musical Ges u es: Sound,
Mo emen and Meaning (pp. 3–11). New Yo k and London: Rou ledge.
Magnusson, T. (2010). Designing cons ain s: composing and pe o ming wi h digi al musical
sys ems. Compu e Music Jou nal, 34(4), 62–73.
85
Magnusson, T. (2017). Musical O ganics: A He e a chical App oach o Digi al O ganology.
Jou nal o New Music Resea ch, 46(3), 286–303.
h ps://doi.o g/10.1080/09298215.2017.1353636
Mamb ol, N. (2016). Claude Le i S auss’ Concep o B icolage. Re ie ed May 24, 2021, om
h ps://li e a iness.o g/2016/03/21/claude-le i-s auss-concep -o -b icolage/
Manou y, P. (1996). O Ges o, a Na u eza e o Luga : Um Demônio nos ci cui os. In Música
Ele oacús ica: His ó ia e Es é icas (pp. 205–210). São Paulo: Edi o a da Uni e sidade de
São Paulo.
Ma gulis, E. H. (2017). Music is no o ea s. Re ie ed Feb ua y 20, 2021, om
h ps://aeon.co/essays/music-is-in-you -b ain-and-you -body-and-you -li e
Ma hews, M. V. (1963). The Digi al Compu e as a Musical Ins umen . Science, New Se ies,
142, 553–557.
McNamee, D. (2009). Hey, wha ’s ha sound: Ondes ma eno . Re ie ed Ma ch 4, 2021, om
h ps://www. hegua dian.com/music/2009/oc /12/ondes-ma eno
Medei os, C. B., & Wande ley, M. M. (2014). A Comp ehensi e Re iew o Senso s and
Ins umen a ion Me hods in De ices o Musical Exp ession. Senso s, 14, 13556–13591.
h ps://doi.o g/10.3390/s140813556
Mondzain, M.-J. (2015). Homo Spec a o : Ve , Faze Ve . Lisboa: O eu Neg o.
Mo o, G. (2017). CPU usage and Dis o ion. Re ie ed Ma ch 3, 2021, om
h ps:// o um.bela.io/d/279-cpu-usage-and-dis o ion
Mo o, G., Bin, A., Jack, R. H., Hein ichs, C., & McPhe son, A. (2016). Making High-
Pe o mance Embedded Ins umen s wi h Bela and Pu e Da a. Queen Ma y Uni e si y o
London.
NIME. (2020). The In e na ional Con e ence on New In e aces o Musical Exp ession.
Re ie ed May 5, 2020, om h ps://www.nime.o g/
Paine, G. (2009). Towa ds Uni ied Design Guidelines o New In e aces o Musical
Exp ession. O ganised Sound, 14(2), 142–155.
h ps://doi.o g/10.1017/S1355771809000259
Palombini, C. (1999). Musique Conc è e Re isi ed. Re ie ed May 24, 2021, om
h p://www. em.u p .b /_REM/REM 4/ ol4/a i-palombini.h m
pd epo. (2016). Xodula . Re ie ed Feb ua y 22, 2021, om h ps://pa chs o age.com/xodula /
Ri sch, W. (2006). Does Pu e Da a D eam o Elec ic Violins? In bang Pu e Da a (pp. 11–18).
Wolke Ve lag, Ho heim.
Roads, C. (1996a). Fundamen al Concep s. In The Compu e Music Tu o ial. MIT P ess.
Roads, C. (1996b). Musical Inpu De ices. In The Compu e Music Tu o ial. MIT P ess.
Ryan, J. (1991). Some ema ks on musical ins umen design a STEIM. Con empo a y Music
Re iew, 6(1), 3–17. h ps://doi.o g/10.1080/07494469100640021
San ilippo, D., & Valle, A. (2013). Feedback Sys ems: An Analy ical F amewo k. Compu e
Music Jou nal, 37(2), 12–27. h ps://doi.o g/10.1162/COMJ_a_00176
Schae e , P. (2012). In Sea ch o a Conc e e Music. London: Uni e si y o Cali o nia P ess.
Science Museum. (2020). A B ie His o y o DIY, F om he Shed o he Make Mo emen .
Re ie ed May 24, 2021, om h ps://www.sciencemuseum.o g.uk/objec s-and-
s o ies/e e yday-wonde s/b ie -his o y-diy
STEIM. (n.d.). ABOUT STEIM. Re ie ed May 5, 2020, om h ps://s eim.o g/wha -is-s eim/
86
S owell, D., Robe son, A., B yan-Kinns, N., & Plumbley, M. D. (2009). E alua ion o li e
human–compu e music-making: Quan i a i e and quali a i e app oaches. In e na ional
Jou nal o Human-Compu e S udies, 67(11), 960–975.
h ps://doi.o g/10.1016/j.ijhcs.2009.05.007
Thompson, W. F., Russo, F. A., & Quin o, L. (2008). Audio- isual in eg a ion o emo ional
cues in song. Cogni ion and Emo ion (Vol. 22).
h ps://doi.o g/10.1080/02699930701813974
T iggs, T. (2006). Scisso s and Glue: Punk Fanzines and he C ea ion o a DIY Aes he ic.
Jou nal o Design His o y, 19(1), 69–83. h ps://doi.o g/10.1093/JDH/EPK006
Úl a sson, H. (2018). The halldo ophone: The ongoing inno a ion o a cello-like d one
ins umen . In NIME’18. Vi ginia.
Vic o , B. (2011). A B ie Ran on he Fu u e o In e ac ion Design. Re ie ed Ap il 13, 2021,
om h p://wo yd eam.com/AB ie Ran OnTheFu u eO In e ac ionDesign/
Wada, E., & Elec onicos Fan as icos! (2021). Abou . Re ie ed Feb ua y 28, 2021, om
h ps://www.elec onicos an as icos.com/abou /
Wande ley, M. M., I cam-Cen e Pompidou, & Place Igo S a insky. (2001). Ges u al Con ol
o Music.
Wessel, D., & W igh , M. (2001). P oblems and P ospec s o In ima e Musical Con ol o
Compu e s. In A NIME Reade Fi een Yea s o New In e aces o Musical Exp ession
(pp. 15–27). Sp inge . h ps://doi.o g/10.1007/978-3-319-47214-0
Wilson, S. (2017). Au oma onism gi es you an awesome ee modula syn h in so wa e. Fac
Magazine. Re ie ed om h ps://www. ac mag.com/2017/03/27/au oma onism-pu e-da a-
modula -syn h/
Zappi, V., & McPhe son, A. (2014). Design and Use o a Hackable Digi al Ins umen . Queen
Ma y Uni e si y o London.
87
7. Anexos
Anexo A
Pa ch de Pu eDa a co esponden e à e são mais a ualizada do C escen e
(C escen e_ 1.0alpha). De e se consul ado u ilizando uma e são ecen e do so wa e (Pu e
Da a 0.51-3 ou supe io ):
h ps://gi hub.com/hen ik e a a/C escen e/ ee/main/C escen e_ 1.0alpha
Figu a 35 - P in sc een do pa ch C escen e_ 1.0alpha.