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Conhecimentos dos professores do ensino básico sobre adoção e procedimentos específicos de prática pedagógica

Cláudia Gonçalves da Silva

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Uni e sidade do Po o Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação CONHECIMENTOS DOS PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO SOBRE ADOÇÃO E PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS DE PRÁTICA PEDAGÓGICA Cláudia Gonçal es da Sil a Ou ub o, 2014 Disse ação ap esen ada no Mes ado em Temas de Psicologia, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, o ien ada pela P o esso a Dou o a Ma ia Adelina Ba bosa Ducha ne (FPCEUP). I AVISOS LEGAIS O con eúdo des a disse ação e le e as pe spe i as, o abalho e as in e p e ações do au o no momen o da sua en ega. Es a disse ação pode con e inco eções, an o concep uais como me odológicas, que podem e sido iden i icadas em momen o pos e io ao da sua en ega. Po conseguin e, qualque u ilização dos seus con eúdos de e se exe cida com cau ela. Ao en ega es a disse ação, o au o decla a que a mesma é esul an e do seu p óp io abalho, con ém con ibu os o iginais e são econhecidas odas as on es u ilizadas, encon ando-se ais on es de idamen e ci adas no co po do ex o e iden i icadas na secção de e e ências. O au o decla a, ainda, que não di ulga na p esen e disse ação quaisque con eúdos cuja ep odução es eja edada po di ei os de au o ou de p op iedade indus ial. ii O p opósi o de es uda o con ex o escola su giu no g upo de in es igação no qual ui colabo ado a no úl imo ano le i o – G upo de In es igação em Adoção e Acolhimen o: G upo de Es udo das C ianças Ado adas - e onde pude en a em con ac o com a ealidade da adoção; e, po conseguin e, pe cebe a ca ência de in es igações elacionadas com a adoção no âmbi o escola . Es a disse ação oi edigida em o ma o de a igo, pa a que, b e emen e, es e possa se subme ido pa a publicação. Conside a-se que es es dados azem no a in o mação à emá ica da adoção e a sua di ulgação é impo an e, que pa a a comunidade cien i ica, que pa a a comunidade educa i a. Assim, é obje i o a publicação des e a igo numa e is a po uguesa, uma ez que os dados ap esen ados dizem espei o à ealidade po uguesa e a ques ões especí icas da adoção em Po ugal, da á ea educacional, na medida em que es es esul ados azem impo an es o ien ações pa a a p á ica. Es e es udo az pa e do p oje o de dou o amen o “P edi o es indi iduais, amilia es e ex a amilia es da compe ência social em c ianças ado adas”, da dou o anda Joana La a Fe ei a Soa es, em cu so na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Ma ia Adelina Ba bosa- Ducha ne (FPCEUP) e do P o esso Dou o Jesus Palacios (Uni e sidade de Se ilha). O p oje o de dou o amen o é inanciado pela Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (FCT) a a és da bolsa de dou o amen o SFRH/BD/77316/2011. Es e es udo oi ap o ado pela Di eção Ge al de Educação, a a és do sis ema de moni o ização de inqué i os em meio escola (Inqué i o nº 0379900001), pela Comissão Nacional de P o eção de Dados (au o ização 3912/2013) e pela Comissão de É ica da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o (FPCEUP). Depois de um ano de ealizações e ap endizagens, gos a ia de deixa aqui o meu econhecimen o às inúme as con ibuições, apoios, suges ões, comen á ios ou c í icas que ui ecebendo ao longo des e meu pe cu so e que an o con ibuí am pa a o meu c escimen o pessoal e p o issional. Pa a mim oi de impo ância imensu á el e ac edi o que sem essas pessoas e ia sido mui o di ícil chega a es e momen o e é po isso que hoje os ag adeço. À P o esso a Dou o a Adelina Ba bosa, que me es endeu a mão no momen o em que eu mais p ecisei, dando-me a opo unidade de conhece mais de pe o o ema da adoção e pe mi indo que osse possí el abalha num ambien e saudá el e p óspe o. iii Às colabo ado as do g upo de in es igação, que comigo pa ilha am momen os e conhecimen os, e que oi de g ande alia pa a meu c escimen o – Ana Raquel, Anne- Sophie, Síl ia, Sa a, So ia, Ma a. Mui o Ob igada. À Joana Soa es, pela dedicação ao g upo, pela paciência, po e sido sensí el às minhas necessidades e po me e dado semp e o ça pa a con inua . Aos P o esso es que pa icipa em nes e es udo, que disponibiliza am uns minu os da sua a enção e empo pa a e le i sob e a adoção. Ao meu ma ido, semp e companhei o Rica do Ca nei o, que segu ou na minha mão e caminhou comigo odo o meu pe cu so, sendo semp e a minha o aleza, o meu po o segu o. Aos meus ilhos lindos, A hu Oli ei a e Daniela Ca nei o, po se em o mo i o pelo qual con inuo buscando. À minha amília, que mesmo longe, es i e em odo o empo comigo e ag adeço po que semp e me de am bases pa a se a pessoa que eu sou hoje e me apoia am em odas as decisões que eu omei na minha ida, ag adeço pela comp eensão e amo . i Resumo A adoção ma ca uma u u a na aje ó ia de ida das c ianças ado adas, pe mi indo-lhes encon a um con ex o amilia ecupe ado das sequelas das ad e sidades p ecoces i idas. Pa a além da amília, a c iança pa icipa num ou o con ex o, a escola, que pode á igualmen e con ibui pa a a ecupe ação desen ol imen al e bem-es a emocional da c iança ado ada. O p o esso assume uma posição p i ilegiada podendo se acili ado da in eg ação da c iança na escola. Con udo, nada se sabe ace ca da p epa ação des e pa a esponde às necessidades especí icas da c iança ado ada no con ex o escola . O obje i o des e es udo é explo a os conhecimen os que os p o esso es do 1º ciclo êm sob e adoção. Pa icipa am nes e es udo 285 p o esso es de 1º ciclo, de escolas do no e e cen o de Po ugal, dos quais 52.3% já ha ia ido, como alunos, c ianças ado adas. Os dados o am ecolhidos a a és da Escala de Ideias sob e Adoção e C ianças Ado adas – EIACA-T. Os esul ados cons a a am a al a de conhecimen os sob e adoção e consequen e pouca p epa ação dos p o esso es pa a ajus a a p á ica pedagógica em espos a às necessidades especí icas da c iança ado ada. Es es esul ados apon am pa a a u gência de in eg a a adoção como ema de o mação, inicial e con ínua, dos p o esso es, endo em con a que es a é uma o ma de amília cada ez mais p esen e na ealidade social po uguesa. Pala as-Cha e: adoção, conhecimen os sob e adoção, p o esso es, p á ica pedagógica Abs ac Adop ion s ands o a signi ican change in adop ed child en’s li es. I allows hem o egain a amily and eco e om he consequences o p e ious ad e se li e expe iences. Fo he school aged adop ed child, besides he amily, he school can also be a con ex o de elopmen al eco e y and emo ional well-being. In his con ex , he eache has a p i ileged posi ion in p omo ing he child’s school in eg a ion. Ne e heless, no much is known abou he eache ’s p epa a ion o answe o he speci ic needs o he adop ed child in he school con ex . The goal o his s udy is o explo e he knowledge ha eache s o 1s cycle o basic educa ion ha e abou adop ion. Two hund ed and eigh y- i e eache s pa icipa ed in his s udy, o which 52.3% had al eady had an adop ed child as a s uden . Da a was collec ed using he Scale o Ideas abou Adop ion and Adop ed Child en – Teache s’ e sion (EIACA-T). The esul s showed a lack o knowledge abou adop ion on behal o he eache s and consequen poo p epa a ion o adjus hei eaching p ac ice in o de o answe o he speci ic needs o he adop ed child. These esul s indica e he need o in eg a e adop ion in eache aining, bo h a an unde g adua e le el as well as in- se ice aining, since adop ion is a ype o amily which is inc easing in he Po uguese socie y. Key-wo ds: adop ion, knowledge abou adop ion, eache s, eaching p ac ice i In odução Den o da g ande di e sidade amilia nem odas as amílias ap esen am uma con igu ação na qual há uma con inuidade biológica. Exis em amílias cujas elações pais- ilhos se baseiam, exclusi amen e, nas elações a e i as es abelecidas en e os seus memb os. É o caso das amílias po adoção (Le izon, 2004). Cons i uindo-se um enómeno que semp e exis iu e que es á p esen e em odas as cul u as (Palacios & B odzinsky, 2010), a adoção, an es des inada a a ende aos in e esses dos adul os (B odzinsky & Pinde hughes, 2002), é hoje is a como espos a a um di ei o da c iança. A adoção é a medida mais ex ema de p o eção à in ância (Palacios, 2009a), e pode se comp eendida a a és de ês pe spe i as: a ju ídica, a social e a psicológica. Segundo a pe spe i a ju ídica, a adoção cons i ui on e de elações ju ídicas amilia es (Dec e o-Lei nº185/93 – egime ju ídico da adoção) que ex ingue o ínculo legal da c iança com a amília biológica e c ia um no o com a amília ado i a. T a a-se de uma mudança adical da si uação ju ídica de odos os en ol idos: quem são pais, deixam de o se e quem não é passa a sê-lo (Palacios, 2009a). À semelhança da iliação biológica, a adoção é i e e sí el, não ha endo di e enças en e ambas as iliações, ela i amen e a di ei os e ob igações (Palacios, 2009a). O p ocesso que se desen ol e a é à conc e ização judicial da adoção en ol e mui as e apas. An es de a c iança se inse ida num no o con ex o amilia é necessá io que os u u os pais sejam a aliados po o ganismos da Segu ança Social, no sen ido de despis a qualque e en o que enha a coloca a c iança no amen e em isco (Dec e o-Lei nº185/93 - egime ju ídico da adoção). Nesse sen ido, o código ci il po uguês, no a igo 1974º, impõe alguns equisi os, pa a que a adoção se possa conc e iza : a adoção de e ap esen a eais an agens pa a o ado ando; não causa sac i ícios pa a os ou os ilhos dos ado an es; e es a em eunidas as condições pa a o es abelecimen o de um ínculo semelhan e ao da iliação en e o ado ando e o ado an e (ISS, IP, 2014a). Desse modo, é impo an e e e i a exis ência de uma equipa mul idisciplina que a ua no sen ido de aça o pe il comple o dos candida os, a im de conhece as suas eais capacidades pa a acolhe uma c iança e da espos a às suas necessidades especí icas, e i icando as possibilidades de adap ação e as e dadei as an agens da adoção (Ma mi , 1993). As c ianças que são en egues de o ma olun á ia pa a a adoção ou que o am e i adas à amília biológica po se encon a em em si uação de ulne abilidade, só pode ão se encaminhadas pa a a adoção quando se con i ma em os equisi os pa a con iança judicial (quando os laços a e i os p óp ios da iliação não exis em ou es ão se iamen e comp ome idos) ou adminis a i a (quando os pais consen em p e iamen e a adoção) (Código Ci il Po uguês; Ped oso e al., 2002). Apesa de ha e mui as c ianças em acolhimen o amilia ou ins i ucional, nem odas se encon am em si uação de ado abilidade (ISS, IP, 2014a), ou seja, ainda não oi elabo ada, po pa e dos ó gãos esponsá eis, a de inição do seu p oje o de ida, endo em con a o seu supe io in e esse. A de inição do p oje o de ida da c iança pode passa po uma euni icação amilia , se ica decidido que a c iança i á ol a à amília biológica (nuclea ou ala gada); pela con iança a amília idónea; pelo encaminhamen o pa a uma ins i uição ou amília de acolhimen o; ou pela ado abilidade (Ped oso e al., 2002). As medidas de colocação ex a amilia cons i uem-se uma medida de p omoção e p o eção à c iança que se encon a em si uação de pe igo no seu con ex o amilia de o igem. Dados de 2013 indicam que 8445 c ianças se encon am em acolhimen o, das quais 89% es ão acolhidas em Cen os de Acolhimen o Tempo á io ou La es de In ância e Ju en ude. Apenas 4.4% (n = 374) das c ianças com medida de colocação ex a amilia se encon am em Acolhimen o Familia (ISS, IP, 2014b). O acolhimen o amilia consis e na colocação da c iança ou a ia numa amília, ecnicamen e enquad ada, que assegu a às c ianças cuidados adequados e dá espos a às suas necessidades, que a amília biológica não conseguiu ga an i (Dec e o-Lei nº11/2008). Uma das condições pa a que uma amília se possa candida a a amília de acolhimen o é que não es eja insc i a como candida a à adoção, o que impossibili a essa amília de ado a a c iança que acolhe. Em Po ugal, no ano de 2013 o am ado adas 389 c ianças e oi de inida a si uação de ado abilidade pa a 491 c ianças em acolhimen o (ISS, IP, 2014b). Ju idicamen e exis em dois ipos de adoção: a plena e a es i a, que di e em median e a ex ensão dos seus e ei os. Na adoção plena, ex inguem-se as elações amilia es en e a c iança e os seus ascenden es; o ado ando in eg a-se na no a amília, assumindo o pos o de ilho; o ado ando pe de os apelidos de o igem e, em de e minadas condições, o seu nome p óp io pode se modi icado pelo ibunal, a pedido dos ado an es; não é e ogá el e os di ei os sucessó ios dos ado andos são os mesmos dos descenden es biológicos (Código Ci il Po uguês; ISS, IP, 2014a). Nes e ipo de adoção só es ão ap os a ado a duas pessoas que es ejam casadas, ou em união de ac o (sexos di e en es), há qua o ou mais anos, e com idade en e 25 e 60 anos. Também podem ado a pessoas di o ciadas, iú as ou sol ei as que enham idade en e 30 e 60 anos. O limi e de idade é de 60 anos, desde que a di e ença en e ado ando e ado an e não seja supe io a 50 anos 2 (Código Ci il Po uguês, a igo 1979º). Nos casos em que o ado ando é ilho do cônjuge há exceções quan o à idade mínima e máxima (Código Ci il Po uguês, a igo 1979º). Quan o às c ianças que podem se ado adas enquad am-se aquelas que enham menos de 15 anos, ou, excecionalmen e mais elhas, caso o ado ando seja ilho do cônjuge do ado an e e/ou es eja con iado judicialmen e ou adminis a i amen e à pessoa que i á ado á-la (Código Ci il Po uguês, a igo 1980º). Nos casos da adoção es i a, alguns aspe os icam limi ados, no que diz espei o às elações es abelecidas en e o ado ando e a amília biológica, e es e e a amília ado i a: são conse ados odos os di ei os e de e es em elação à amília biológica; a adoção pode se e ogada se os pais ado i os não cump i em os seus de e es; ambém pode se e e ida pa a adoção plena median e eque imen o do ado an e e desde que se e i iquem as condições exigidas; o ado ando ou os seus descenden es e os pa en es do ado an e não são he dei os uns dos ou os. Nes e ipo de adoção ambém podem ado a pessoas dos 25 aos 60 anos, ex inguindo-se o limi e de idade caso o ado ando seja ilho do cônjuge do ado an e (Código Ci il Po uguês, a igo 1992º). Em Po ugal, a adoção plena é a eg a e a adoção es i a, a exceção. Exis em duas modalidades de adoção, quan o à o igem da c iança que é ado ada: a adoção nacional e a adoção in e nacional. De aco do com o ISS, IP (2014a), a adoção in e nacional ca ac e iza-se pela deslocação de uma c iança do seu país de o igem pa a ou o, em consequência da sua adoção ou com is a a se ado ada po pessoas esiden es no país de des ino. Apesa da candida u a à adoção in e nacional se assemelha à da adoção nacional, o p ocesso é mais complexo, uma ez que, pa a além das di iculdades esul an es das ad e sidades cul u ais, é necessá io concilia dois o denamen os ju ídicos. Exis e na adoção um ca á e social e de p o eção, na medida em que p opo ciona à c iança a opo unidade de e uma amília, que seja capaz de esponde às suas necessidades, o necendo-lhes os cuidados adequados (Masca enhas & Ala cão, 2008). Po um lado, exis e uma mudança a ní el socioeconómico, aumen ando o ní el de opo unidades des as c ianças e, po ou o lado, exis e uma mudança de ambien e: as c ianças ansi am de um ambien e ge almen e ca ac e izado po insegu ança, ins abilidade, al a de nu ição e de es imulação adequada, pa a um ambien e com ca a e ís icas opos as (B odzinsky & Pinde hughes, 2002). A aje ó ia de ida das c ianças ado adas, em ge al, é pau ada po ad e sidades. Na g ande maio ia dos casos, es as, na amília biológica, o am í imas de abandono, maus a os, negligência e/ou baixa es imulação. Quando e i adas desse con ex o, são equen emen e encaminhadas pa a ins i uições, onde i em expe iências de “negligência 3 con á io, no i em 13 exis em mais p o esso es que esponde am co e amen e que nunca i e am expe iência com c ianças ado adas, do que aquilo que se ia espe ado. Os p o esso es que êm a ualmen e alunos ado ados endem a esponde mais co e amen e à ques ão 7 (Com a adoção a c iança ganha os apelidos dos pais ado i os e pe de os apelidos dos pais biológicos), χ2(2) = 8.11, p = .017, V = 0.17, do que aquilo que se ia espe ado pelo acaso. No que diz espei o à pon uação o al de espos as co e as, ob ida po cada um dos p o esso es pa icipan es, obse a-se que es a não a ia em unção do ac o do p o esso já e ido, ou não, c ianças ado adas, como alunas, (283) = 0.46, ns. A pon uação o al ambém não se elaciona com o núme o de c ianças ado adas que cada p o esso e e ao longo da sua expe iência p o issional. 2.3. P ocedimen os Especí icos da P á ica Pedagógica Na análise das espos as ela i as à p imei a pa e do EIACA-T, que diz espei o aos p ocedimen os especí icos ado ados em sala de aula, pelo ac o de e uma c iança ado ada na u ma, e i icou-se que 23.6% (n = 34) dos p o esso es dizem e , ou e ido, euniões ou momen os de encon o com os pais, de modo di e en e do que êm com os pais dos ou os alunos; a maio ia, no en an o, não o az (n = 110, 76.4%). Qua en a po cen o dos p o esso es (n = 57) adequa ou já adequou a ap esen ação de algum ópico, pa a in eg a melho a di e ença associada à adoção; 60% nunca o ez, mesmo endo c ianças ado adas como alunas. Rela i amen e ao apoio de alguma on e de in o mação especí ica ou p o issional, 24.3% dos p o esso es (n = 35) dizem eco e ou já e eco ido a al ecu so; con udo, 75.7% (n = 109) nunca o ez. Apenas 9.2 % (n = 13), dos 149 p o esso es que já i e am c ianças ado adas, diz já e o ganizado um momen o especí ico na aula em que a c iança e/ou a amília in e ie am pa a da a conhece o que é adoção às ou as c ianças. Cinquen a e qua o po cen o dos p o esso es ado ou pelo menos um dos p ocedimen os acima mencionados; 46% não ado ou nenhum p ocedimen o especí ico, pelo ac o de e uma c iança ado ada na sua u ma. Fo am encon adas associações en e a adoção de p ocedimen os especí icos em sala de aula e o sexo do p o esso , χ2(1) = 5.04, p = .025, V = 0.19. Ve i icou-se que os p o esso es do sexo eminino endem a ado a mais p ocedimen os especí icos, do que o espe ado. Em pa icula , oi encon ada uma associação signi ica i a em elação ao p ocedimen o “Adequa ou adequou a ap esen ação de algum ópico, pa a in eg a melho a di e ença associada à adoção”, χ2(1) = 4.36, p = .037, V = 0.18. Não exis em di e enças 10 signi ica i as en e o g upo de p o esso es que ado a p ocedimen os especí icos e o g upo de p o esso es que não os ado am, no que diz espei o à idade e à expe iência p o issional. Os p o esso es que êm a ualmen e c ianças ado adas o ganiza am, mais do que se ia espe ado ao acaso, momen os especí icos na sala de aula em que a c iança e/ou a amília in e ie am pa a da a conhece o que é a adoção, χ²(1) = 5.44, p = .020, V = 0.20. Os p o esso es que ado a am p ocedimen os especí icos i e am, em média, mais c ianças ado adas (M = 2.06, DP = 1.36) do que aqueles que não ado am p ocedimen os especí icos (M = 1.50, DP = 0.85), (142) = 2.92, p = .004, d = 0.49, IC a 95% [0.18, 0.95]. 2.4. Conhecimen os dos P o esso es sob e Adoção e P ocedimen o Especí icos Os esul ados mos am que a pon uação o al de espos as co e as a ia em unção do ac o de e em sido ado ados, ou não, alguns p ocedimen os pedagógicos especí icos, (142) = 2.32, p = .022, d = 0.39, IC a 95% [0.26, 3.33]. Os p o esso es que p ocedem de o ma di e en e po e em c ianças ado adas na u ma i e am uma pon uação o al de espos as co e as mais al a (M = 14.43, DP = 5.02) do que aqueles que não ado a am p ocedimen os especí icos (M = 12.63, DP = 4.13). Em pa icula : “Adequa ou adequou a ap esen ação de algum ópico, pa a in eg a melho a di e ença associada a adoção”, (141) = 2.86, p = .006, d = 0.50, IC a 95% [0.70, 3.81]; e “Reco e/ eco eu ao apoio de alguma on e de in o mação especí ica ou p o issional”, (142) = 2.07, p = .040, d = 0.39, IC a 95% [0.08, 3.65]. Os p o esso es que ado a am ais p ocedimen os i e am pon uações mais al as de espos as co e as (M = 14.96, DP = 4.94); (M = 15.02, DP = 4.74), do que os p o esso es que não o ize am (M = 12.70, DP = 4.37); (M = 13.15, DP = 4.62). 3. Discussão dos Resul ados O p imei o obje i o des e es udo oi explo a os conhecimen os dos p o esso es do 1º ciclo sob e a adoção. As ques ões ela i as à legislação da adoção, pa a g ande pa e dos p o esso es, cons i uem ainda um campo desconhecido, is o que as espos as às pe gun as dessa na u eza o am sinalizadas de o ma inco e a ou pela opção “Não Sabe”. Po ém, ques ões do senso comum, que podia pensa -se se em melho conhecidas pelos p o esso es, são igualmen e desconhecidas pela maio ia. A exemplo es ão as a i mações como “A adoção é e ogá el, ou seja, pode-se ol a a ás”, em que menos de me ade da amos a iden i icou que se a a de uma a i mação alsa; ou “Os candida os podem escolhe 11 a c iança que lhes in e essa ado a ”, onde apenas 26.7% dos p o esso es o nece am a espos a co e a. Es es dados e le em que os p o esso es não es ão mais in o mados sob e a adoção do que o público em ge al, al como em Nowak-Fab ykowski e al. (2009). Além disso, a pouca in o mação que êm é mui as ezes baseada nos meios de comunicação social, que desempenham um papel impo an e na de inição da opinião pública ace ca das ques ões da adoção, e que, com equência, se ocam nos aspe os nega i os (Wega , 2000). Es es dados mos am a al a de conhecimen o dos p o esso es sob e a adoção e a impo ância de se em p omo idas ações de o mação nes a á ea. Rela i amen e às a iá eis sociodemog á icas, nomeadamen e a idade e o sexo dos p o esso es, as análises apon am pa a a exis ência de di e enças. As p o esso as demons a am e mais conhecimen os ace ca da adoção. Os p o esso es mais elhos e com mais expe iência p o issional são mais conhecedo es de alguns aspe os especí icos da adoção, is o que esponde am mais co e amen e a algumas ques ões; no en an o, quando se em em con a a pon uação o al das espos as co e as não se e i ica uma elação signi ica i a com a idade, man endo-se apenas uma elação aca com a expe iência p o issional. Pode ia pensa -se que es es esul ados se de em ao ac o de os p o esso es mais elhos e mais expe ien es no exe cício p o issional, e em, po conseguin e, mais expe iência com c ianças ado adas, e po isso mais conhecimen os sob e adoção, mas não exis em di e enças em e mos de idade e expe iência p o issional en e os p o esso es que já i e am alunos ado ados e os que não i e am. Nesse sen ido, ais conhecimen os podem e sido adqui idos ao longo da his ó ia de ida e expe iência pessoal, de cada p o esso . Além disso, as associações que o am encon adas en e alguns conhecimen os especí icos e a expe iência com c ianças ado adas não seguem a mesma di eção: há conhecimen os que o am mais co e amen e espondidos po p o esso es que já i e am c ianças ado adas e ou os que o am mais co e amen e espondidos pelos que nunca i e am c ianças ado adas. A adoção é uma ealidade social, e o concei o de adoção é um concei o abs a o, que não se comp eende na o alidade quando não exis e um en ol imen o e opo unidades de se ala sob e o ema. Nes e sen ido, pode ia pensa -se que os p o esso es com maio con a o com es a ealidade ende iam a e mais conhecimen o, uma ez que lidam de o ma mais di e a com o assun o. No en an o, não exis em di e enças signi ica i as na pon uação o al de espos as co e as em unção do ac o do p o esso e ido, ou não, alunos ado ados. 12 Es es esul ados in oduzem no os conhecimen os, mos ando que o ac o de se e con ac o com a c iança ado ada, de se sabe que se a a de uma c iança ado ada, não é condição po si só pa a se e mais conhecimen o sob e adoção. Possi elmen e, o con ac o des es p o esso es com es a ealidade é um con ac o ainda mui o supe icial, na base da e elação da adoção, sem ha e uma comunicação abe a sob e adoção en e amília e escola, pais e p o esso , c iança e p o esso . Fala em comunicação abe a no con ex o escola , não é ala apenas em e elação social da adoção, num p ocesso unidi ecional, onde os pais/c iança con am e o p o esso ou e, mas sim num p ocesso bidi ecional, onde é essencial que o p o esso es eja dispos o a ou i o que os pais e/ou a c iança êm pa a con a . Tal como e e e S oud e al. (1997), os p o esso es de em se a i os na busca de in o mação sob e a adoção, com o in ui o de e um diálogo abe o e cla o an o com as c ianças, como com os pais ado i os, e ainda se em capazes de cons i ui um apoio em ques ões elacionadas com a c iança e a adoção. De aco do com Meese (2012), as aulas são opo unidades únicas pa a ins ui as c ianças e êm o pode de in luencia a o ma como es as se eem a si p óp ias e aos ou os. Po isso, a adoção de p ocedimen os especí icos em sala de aula, quando exis em alunos ado ados, é undamen al pa a uma melho in eg ação. No p esen e es udo, pouco mais de me ade dos p o esso es disse am e eco ido a pelo menos um p ocedimen o especí ico. Ao con á io do obse ado an e io men e em elação aos conhecimen os, o ecu so a p ocedimen os especí icos elaciona-se com a expe iência com c ianças ado adas. Ou seja, o con ac o com es as c ianças não em implicações ao ní el dos conhecimen os dos p o esso es, possi elmen e po que, como imos an e io men e, es e é um con ac o pouco p o undo com a ealidade da adoção, mas em in luência ao ní el da p á ica do p o esso em sala de aula. Es es esul ados mos am a impo ância de in oduzi na o mação de base dos p o esso es es a ealidade da adoção, bem como desen ol e p og amas de o mação assen es, po um lado, na ansmissão de conhecimen os sob e adoção, de o ma a que os p o esso es, na sua p á ica pedagógica, e enquan o p incipais educado es, possam ansmi i in o mações cla as, p ecisas e desp o idas de juízos de alo aos seus alunos; e po ou o lado, na ansmissão de e idência empí ica já ecolhida sob e as necessidades e ca a e ís icas especí icas des as c ianças, com as quais a maio ia dos p o esso es lida dia iamen e. 13 5. Conclusões Conside amos que es e es udo explo a ó io oi de ex ema impo ância pa a o aumen o do conhecimen o da adoção em Po ugal, com conclusões impo an es pa a a p á ica, possibili ando que as p á icas p o issionais possam se cada ez mais baseadas em e idências cien í icas. Com ce ca de 400 adoções po ano em Po ugal, a ealidade a ual é que cada ez mais c ianças i em em amílias não con encionais, desa iando assim a nossa de inição adicional de amília. O comba e a es a de inição adicional de amília de e se ei o, an es de mais, no sis ema básico de educação. Pa a isso, an es das p óp ias c ianças, os p o esso es de em es a amilia izados com es es di e en es ipos de amílias, endo de ap ende , na sua o mação de base, ace ca da ealidade da adoção, da ins i ucionalização e das necessidades especí icas das c ianças en ol idas. A o mação especializada dos p o esso es ela i amen e à adoção é undamen al pa a a comp eensão da complexidade das ques ões que a e am es as c ianças e pa a a c iação de um ambien e escola mais sensí el e inclusi o, onde odas as c ianças enham assegu adas expe iências posi i as, ecebam um a amen o iguali á io e onde odas enham iguais possibilidades de se em bem-sucedidas. Es e es udo ab e ainda uma no a linha de in es igação – um no o con ex o e no os in e locu o es – na comp eensão des e p ocesso ão complexo que é a adoção. 14 Re e ências Bibliog á icas Ba bosa-Ducha ne, M., & Soa es, J. (2012). Escala de Ideias sob e Adoção e C ianças Ado adas – Teache s (EIACA-T). Ve são pa a in es igação não publicada. FPCEUP. B odzinsky, D. M. & Pinde hughes, E. (2002). Pa en ing and child de elopmen in adop i e amilies. In M. H. Bo ns ein (Ed.), Handbook o pa en ing (pp.279-311). Mahwah, New Je sey: Law ence E lbaum Associa es Publishe s. Código Ci il Po uguês. 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Family Rela ions, 49(4), 363–370. doi: 10.1111/j.1741-3729.2000.00363.x 17 Tabela 1 Conhecimen os dos P o esso es sob e Adoção Ques ões (Respos a Co e a) Respos a Co e a Respos a E ada n (%) n (%) 1. A adoção em como p incipal p opósi o da uma c iança a pais que não pude am e ilhos (F) 216 (77.7) 62 (22.3) 2. Duas pessoas de sexos di e en es casadas, uma com 22 anos e ou a com 24 anos, podem ado a (F) 37 (13.2) 243 (86.8) 3. Uma pessoa sol ei a pode ado a (V) 197 (70.1) 84 (29.9) 4. A adoção só é possí el se os pais biológicos acei a em (F) 142 (52.0) 131 (48.0) 5. Não há limi e de empo pa a a c iança ica numa ins i uição (F) 109 (39.4) 168 (60.6) 6. C ianças com mais de 5 anos não podem se ado adas (F) 258 (92.1) 22 (7.9) 7. Com a adoção a c iança ganha os apelidos dos pais ado i os e pe de os apelidos dos pais biológicos (V) 121 (43.2) 159 (56.8) 8. A adoção é e ogá el, ou seja, pode-se ol a a ás (F) 131 (46.5) 151 (53.5) 9. A c iança ado ada em os mesmos di ei os sucessó ios que um ilho biológico (V) 255 (90.4) 27 (9.6) 10. Duas pessoas de sexos di e en es, em união de ac o, não podem ado a (F) 171 (61.5) 107 (38.5) 11. Uma c iança com 15 anos pode se ado ada (F) 9 (3.2) 276 (96.8) 12. Os pais biológicos êm acesso à iden idade dos pais ado i os (F) 127 (45.7) 151 (54.3) 13. Na adoção, semp e que exis am i mãos, é ob iga ó io que sejam ado ados em conjun o (F) 213 (75.3) 70 (24.7) 14. Duas pessoas do mesmo sexo não podem ado a (V) 90 (32.1) 190 (67.9) 15. Uma pessoa iú a ou di o ciada não pode ado a (F) 166 (59.1) 115 (38.9) 16. Todas as c ianças que podem se ado adas são ó ãs ou o am abandonadas (F) 197 (71.1) 80 (28.9) 17. Só se os pais biológicos es i e em mais de seis meses sem isi a o ilho é que a c iança pode se encaminhada pa a adoção (F) 93 (33.0) 189 (67.0) 18. Os pais ado i os êm acesso à iden idade dos pais biológicos (V) 76 (27.0) 205 (73.0) 19. Ado a uma c iança in e nacionalmen e é mais ápido do que nacionalmen e (F) 25 (8.9) 257 (91.1) 20. Os candida os podem escolhe a c iança que lhes in e essa ado a (F) 75 (26.7) 206 (73.3) 21. Uma pessoa com 54 anos pode ado a um bebê (F) 66 (23.5) 215 (76.5) 22. Uma amília de acolhimen o pode mais acilmen e ado a essa c iança (F) 37 (13.2) 244 (86.8) 23. Os candida os podem insc e e -se pa a a adoção em á ios se iços de adoções do país (F) 49 (17.4) 233 (82.6) 24. Os pais biológicos podem em qualque al u a eclama o ilho aos pais ado i os (F) 194 (68.6) 89 (31.4) 25. Uma c iança encaminhada pa a a adoção que se encon a em acolhimen o ins i ucional não pode se isi ada pelos pais biológicos (V) 42 (14.9) 239 (85.1) 26. Pessoas com 65 anos podem ado a (F) 123 (43.8) 158 (56.2) 27. Quando se sabe que a c iança é ado ada é necessá io sinalizá-la a CPCJ (F) 206 (73.3) 75 (26.7) 28. A iden i icação de uma c iança ado ada em isco (na amília ado i a) conduz à de olução da c iança à amília biológica (F) 133 (47.2) 149 (52.8) 29. As c ianças ado adas êm di ei o a conhece oda a in o mação disponí el ace ca da sua amília biológica (V) 150 (53.5) 130 (46.5) 30. A adoção implica uma sen ença judicial (V) 189 (67.3) 92 (32.7) 18 Tabela 2 Di e enças de Médias na Idade e Expe iência P o issional em Função da Expe iência com C ianças Ado adas Expe iência com C ianças Ado adas Idade Expe iência P o issional M (DP) (274) p IC d M (DP) (273) p IC d 3. Uma pessoa sol ei a pode ado a Sim ns 21.21 (8.25) - 2.15 .032 [-4.10, -0.08] 0.28 Não 18.84 (8.60) 7. Com a adoção a c iança ganha os apelidos dos pais ado i os e pe de os apelidos dos pais biológicos. Sim 44.92 (7.72) - 2.18 .030 [-4.08, -0.21] 0.26 21.98 (8.02) - 2.72 .007 [-4.08, -0.21] 0.33 Não 42.77 (8.35) 19.23 (8.52) 14. Duas pessoas do mesmo sexo não podem ado a . Sim ns 22.10 (8.25) - 2.08 .039 [-3.81, -0.30] 0.26 Não 19.85 (8.49) 18. Os pais ado i os êm acesso à iden idade dos pais biológicos. Sim 45.44 (8.14) - 2.61 .040 [-4.42, -0.10] 0.27 22.44 (8.89) - 2.25 .025 [-4.42, -0.10] 0.30 Não 43.18 (8.09) 19.86 (8.21) 21. Uma pessoa com 54 anos pode ado a um bebê. Sim 46.12 (8.32) - 2.65 .009 [-5.28, -0.77] 0.37 23.26 (8.66) - 2.96 .003 [-5.28, -0.77] 0.41 Não 43.09 (7.80) 19.76 (8.24) 26. Pessoas com 65 anos podem ado a . Sim 45.28 (8.10) - 2.90 .004 [-4.72, -0.90] 0.35 22.58 (8.71) - 3.74 <.001 [-4.72, -0.90] 0.45 Não 42.46 (7.94) 18.84 (7.86) 30. A adoção implica uma sen ença judicial. Sim ns 21.29 (8.65) - 2.28 .024 [-3.74, -0.36] 0.28 Não 18.91 (7.80) No a: ns = não signi ica i o. IC = In e alo de con iança 19