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Medicina e Cirurgia de Animais de Companhia

Maria Luísa Reis Melo Pereira Alves

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i Rela ó io Final de Es ágio Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia MEDICINA E CIRURGIA DE ANIMAIS DE COMPANHIA Ma ia Luisa Reis e Melo Pe ei a Al es O ien ado P o . D . Augus o de Ma os Co-O ien ado D . Diogo F ias Po o 2015 ii Rela ó io Final de Es ágio Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia MEDICINA E CIRURGIA DE ANIMAIS DE COMPANHIA Ma ia Luisa Reis e Melo Pe ei a Al es O ien ado P o . D . Augus o de Ma os Co-O ien ado D . Diogo F ias Po o 2015 ii iii Resumo O p esen e ela ó io de es ágio ealizado no âmbi o do 6º ano do Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia em como p incipais obje i os a desc ição e discussão de cinco casos clínicos da á ea de Medicina e Ci u gia de Animais de Companhia p esenciados e acompanhados du an e a ealização do es ágio cu icula . O es ágio cu icula ealizou-se no Hospi al Ve e iná io da T o a du an e 16 semanas, du an e as quais i e a opo unidade de acompanha e discu i di e sos casos clínicos, bem como assis i a ci u gias e a consul as. A ní el de in e namen o, ealiza a exames ísicos, adminis a a medicamen os e e e ua a p ocedimen os clínicos, como ecolha de sangue, cis ocen ese e colocação de ca e e es. A ní el ci ú gico, pa icipa a na moni o ização anes ésica e auxilia a nalguns p ocedimen os ci ú gicos. Com a ealização de ho á ios de u gência, adqui i conhecimen os pa a a ua em si uações de u gência médica e ci ú gica. A ealização des e es ágio pe mi iu-me alia a componen e eó ica e p á ica do cu so e apesa de ainda e um longo caminho a pe co e , a ingi os obje i os po mim delineados an es da sua ealização. Des es salien am-se as capacidades de comunicação e abalho de equipa, a aquisição de des eza na ealização de di e en es p ocedimen os clínicos, bem como o desen ol imen o de aciocínio clínico. i Ag adecimen os A odas as pessoas que de alguma o ma me ajuda am e incen i a am a chega a é aqui. Ao P o esso Augus o de Ma os po e acei ado se meu o ien ado e po odas as co eções que ez. A odos os p o esso es do Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia do ICBAS, em especial à P o esso a Paula P oença, P o esso Pablo Payo e P o esso A mando Lemos. Ao D . Diogo F ias po me e dado a opo unidade de ealiza o meu es ágio no Hospi al Ve e iná io da T o a e pela o ma como me ecebeu. Aos médicos e e iná ios do Hospi al Ve e iná io da T o a po oda a disponibilidade, ajuda e po udo que me ensina am, an o du an e a ealização do meu es ágio como após a sua conclusão. À D a. I one Gonçal es, D a. Inês Oli ei a e especialmen e à D a. Do a Pinhei o, D a. Diana Al es e D . And é Cálix. Às auxilia es Conceição Lopes e Jéssica Dua e po me apoia em e incen i a em. À Ana Manuela po me e ajudado na e apa inal. Aos meus amigos de Biologia po e em ei o a minha ida académica melho . Aos “4” pela ele ância que i e am nes e pe cu so. À Ca a ina e à Ana Ma ga ida po apesa de “chega em a de” e em sido ão impo an es. Ao Ví o e ao Daniel po me mos a em semp e o imismo e po odo o apoio que me dão. Aos amigos de semp e, especialmen e ao Rui. À Sa a po me e acompanhado desde o 1º ano escola , po me apoia e po es a semp e p esen e. À minha i mã pelas pala as de incen i o. Ao Bailey’s po e ei o pa e des e pe cu so desde o início, po me aze semp e so i e po se a minha inspi ação. E especialmen e, ob igada aos meus pais sem os quais nada dis o e ia sido possí el! Ab e ia u as ® - ma ca egis ada ºC – g aus Celsius µg – mic og ama AINE – an i-in lama ó io não es e oide ALB – albumina ALP – os a ase alcalina ALT – alanina amino ans e ase AST – aspa a o amino ans e ase BID – duas ezes ao dia BUN – Blood u ea ni ogen CPK – c ea inina os oquinase CRI – in usão con ínua dL – decili o DU – densidade u iná ia ELISA - enzyme-linked immunoso ben assay L – en oli o g – g ama h – ho a IgG – imunoglobulina G IgM – imunoglobulina M IRA – insu iciência enal aguda IRC – insu iciência enal c ónica ITU – in eção do a o u iná io IV – ia in a enosa Kg – quilog ama L – li o LCR – líquido ce alo aquidiano mg – milig ama min - minu o mL – milili o mmHg – milíme os de me cú io MNI – mo oneu ónio in e io MNS – mo oneu ónio supe io PCR – polyme ase chain eac ion pg – picog ama PO – ia o al (pe os) ppm – pulsações po minu o PT – p o eínas o ais q24h – cada 24 ho as pm – espi ações po minu o SID – uma ez ao dia TC – omog a ia compu o izada TRC – empo de epleção capila U – unidades u c – unidades o mado as de colónias VR – alo de e e ência i Índice Ge al Resumo ..................................................................................................................................... iii Ag adecimen os ......................................................................................................................... i Ab e ia u as ............................................................................................................................... Caso Clínico 1: Neu ologia – Poli adiculoneu i e / polimiosi e in eciosa po Toxoplasma gondii 1 Caso Clínico 2: De ma ologia – Demodicose Canina .................................................................. 7 Caso Clínico 3: U ologia – Pielone i e ...................................................................................... 13 Caso Clínico 4: Endoc inologia – Hipo i oidismo p imá io ......................................................... 19 Caso Clínico 5: Ci u gia de Tecidos Moles – Pióme a ............................................................. 25 Anexo I: Neu ologia – Poli adiculoneu i e / polimiosi e in eciosa po Toxoplasma gondii ......... 31 Anexo II: De ma ologia – Demodicose Canina .......................................................................... 33 Anexo III: U ologia – Pielone i e ............................................................................................... 34 Anexo IV: Endoc inologia – Hipo i oidismo p imá io .................................................................. 35 Anexo V: Ci u gia de Tecidos Moles – Pióme a ....................................................................... 37 1 Caso Clínico 1: Neu ologia – Poli adiculoneu i e / polimiosi e in eciosa po Toxoplasma gondii Ca ac e ização do pacien e e mo i o de consul a: O Duque, um cão de gado ansmon ano, macho in ei o com 9 meses de idade e 55 Kg de peso, oi ap esen ado à consul a de ido a p os ação e aquipneia com ce ca de 24h de du ação. Anamnese: O Duque encon a a-se com os donos desde os dois meses de idade. Vi ia numa quin a em Vila No a de Famalicão, onde con ac a a com ou os animais, en e os quais cães, po cos, cab as, ga os e pássa os. Comia ação seca júnio com ape i e. Os donos e e i am que po ezes o Duque comia pássa os e que no dia an e io inha comido ango com ossos. Es a a co e amen e acinado e despa asi ado an o in e na como ex e namen e. Exame de es ado ge al: O Duque ap esen a a-se ale a com empe amen o equilib ado. A sua pos u a e a ano mal, sendo incapaz de se man e em es ação. A sua condição co po al e a no mal. Es a a aquipneico (108 pm) e os pulsos es a am no mais, com uma equência de 104 ppm. Ap esen a a uma empe a u a ec al de 38,8ºC. O g au de desid a ação e a in e io a 5%. As mucosas o al e ocula es a am osadas e húmidas e o TRC e a in e io a 2 segundos. Os gânglios lin á icos e a palpação abdominal não ap esen a am qualque al e ação. Os ou idos, a boca e a pele encon a am-se no mais. Exame neu ológico: Es ado men al: ale a. Pos u a: ano mal, não se man inha em es ação, mas e a capaz de mo imen a a cabeça e o pescoço. Ma cha: e apa esia não ambula ó ia. Reações pos u ais: diminuídas (knuckling) nos 4 memb os, es ando mais diminuídas nos memb os pél icos. Re lexos espinhais: hipo e lexia mio á ica dos 4 memb os, mais no ó ia nos memb os pél icos. Tónus muscula : hipo onia dos 4 memb os, mais acen uada nos memb os pél icos. Sensibilidade: no mal. Pa es c anianos: no mais. Localização da lesão: A p esença de e apa esia com sinais de MNI nos 4 memb os pe mi iu localiza a lesão a ní el da unidade mo o a (subs ância cinzen a medula , aízes aquidianas, ne os pe i é icos, placa neu omuscula ou músculo), gene alizada ou mul i ocal. Lis a de p oblemas: e apa esia não ambula ó ia com sinais de MNI nos 4 memb os. Diagnós icos di e enciais: in lama ó ios/in eciosos – polineu opa ia in lama ó ia desmielinizan e c ónica, mias enia g a is, poli adiculoneu i e in eciosa (Toxoplasma gondii, Neospo a caninum), poli adiculoneu i e imunomediada, polimiosi e in eciosa, polimiosi e imunomediada; óxicos - bo ulismo, pa alisia da ca aça; me abólicos – diabe es melli us, hipo i oidismo, hipe i oidismo, hipoad enoco icismo, hipe ad enoco icismo, miopa ias me abólicas; neoplásicos – sínd ome pa aneoplásica; degene a i os – neu opa ias pe i é icas, miopa ias ou juncionopa ias congéni as. 2 Exames complemen a es: Hemog ama comple o: sem al e ações. Bioquímica sé ica: aumen o dos alo es sé icos de ALT, bili ubina o al e CPK ( abela 1, Anexo I). U ianálise (u ina ecolhida po cis ocen ese): DU> 1050; Sangue 4+ (VR: nega i o/+1); Bili ubina 2+ (VR: nega i o/+1); P o eínas 3+ (VR: nega i o/+1); es an es pa âme os sem al e ações. Raio X o ácico: no mal; Raio X abdominal: p esença de ecaloma no cólon. Ecog a ia abdominal: no mal. Se ologia pa a Toxoplasma gondii (IgM): í ulo de 1:320 (posi i o se supe io a 1:64). Diagnós ico de ini i o: poli adiculoneu i e / polimiosi e in eciosa po Toxoplasma gondii. T a amen o: O Duque icou in e nado du an e 14 dias. A e apia cons ou de clindamicina (12,5 mg/kg PO BID) a pa i do 2º dia de in e namen o; luido e apia com so o isiológico à axa de manu enção (72 ml/h) du an e 7 dias; isio e apia duas ezes po dia du an e odo o in e namen o ( abela 2, Anexo I) e a amen o de supo e ( abela 3, Anexo I). P ognós ico: O p ognós ico pa a cu a é a o á el, já que uma e apia ápida e ag essi a no malmen e é e icaz. Exis e, no en an o uma pequena possibilidade de o Duque i a ap esen a debilidade c ónica, bem como de oco ência de ecidi as caso oco a imunossup essão. Acompanhamen o: Du an e o in e namen o e i icou-se agudização do om de oz e a o ia dos músculos empo ais, bem como a o ia ligei a dos 4 memb os, cujo ag a amen o oi impedido a a és da isio e apia diá ia. Uma semana após o início do a amen o, o Duque mos a a melho ias na sua ma cha e os alo es de ALT inham diminuído ( abela 1, Anexo I). Duas semanas depois da consul a o Duque ap esen a a-se ambula ó io, apesa de ainda demons a alguma aqueza, endo al a hospi ala . E a capaz de u ina e de eca sozinho, não ap esen a a aquipneia e a sua oz ap esen a a-se mais g a e. Foi p esc i a a con inuação da adminis ação de clindamicina a é pe aze os 28 dias. Cinco dias depois da al a, o Duque ap esen ou no á eis melho ias na sua locomoção e duas semanas mais a de, no inal do a amen o a macológico, os e lexos mio á icos encon a am-se no mais e os alo es de bili ubina o al e ALT inham diminuído ( abela 1, Anexo I). Discussão: A e apa esia é de inida como uma edução da unção mo o a olun á ia nos 4 memb os e pode se di idida em ambula ó ia e não ambula ó ia. Nos animais e apa ésicos os memb os pél icos são no malmen e a e ados mais ápida e se e amen e do que os o ácicos.5 Pe an e um animal e apa ésico é necessá io dis ingui que ipo de sinais ap esen am cada um dos 4 memb os: MNI ou MNS. Nes e caso, pe an e a exis ência de hipo e lexia e hipo onia dos 4 memb os, concluiu-se que o Duque ap esen a a sinais de MNI nos 4 memb os.4 As doenças de ipo MNI gene alizadas causam aqueza e diminuição ou ausência dos e lexos mio á icos. Podem es a p esen es a axia, dé ices p op ioce i os e in ensa a o ia muscula .5 A maio ia dos animais e apa ésicos so e de uma neu opa ia.4 Em neu opa ias gene alizadas podem ap esen a -se múl iplos dé ices de ne os c anianos, com pa icula en ol imen o dos ne os VII, IX e X.5 Os animais que ap esen am a eção do ne o ago (ne o c aniano X) podem exibi sinais 3 clínicos de dis agia, dis onia e dispneia, já que es e ne o con ola a unção mo o a da la inge, a inge e esó ago. Os músculos abdu o es la íngeos são ine ados pelo ne o la íngeo eco en e ( amo do ne o ago), um dos ne os pe i é icos mais longos e po an o susce í el a doenças que causem neu opa ia.4,5 O seu en ol imen o pode causa uma mudança no om de oz ou a sua pe da, bem como es ido espi a ó io.5 O desen ol imen o de megaesó ago pode causa egu gi ação, equen emen e acompanhada de pneumonia po aspi ação, pa icula men e se os músculos a íngeos e la íngeos es i e em simul aneamen e a e ados.5 O Duque ap esen a a aquipneia e agudização do om de oz, suges i as de a eção do ne o la íngeo eco en e. Es ão desc i os á ios diagnós icos di e enciais pa a a e apa esia de o igem pe i é ica, ag upados em p ocessos in lama ó ios/in eciosos, óxicos, me abólicos, neoplásicos e degene a i os. As doenças degene a i as ap esen am ipicamen e p og essão len a, o que não se e i icou no caso do Duque. As neoplasias são mais comuns em animais com mais de 5 anos, apesa de pode em oco e em qualque idade, e os sinais neu ológicos são no malmen e c ónicos e p og essi os. Rela i amen e aos diagnós icos in lama ó ios/in eciosos, uma polineu opa ia in lama ó ia desmielinizan e c ónica se ia imp o á el pois ca ac e iza-se po e apa esia do ipo MNI de p og essão len a. Em e mos de pa ologias me abólicas, a neu opa ia diabé ica, as miopa ias me abólicas e o hipe i oidismo são a as em cães e a neu opa ia pe i é ica é uma complicação a a do hipe ad enoco icismo.5 O Duque ap esen a a-se co e amen e despa asi ado ex e namen e e no exame ge al não oi de e ado nenhum pa asi a, pelo que pa alisia da ca aça se ia ambém pouco p o á el. Os diagnós icos de mias enia g a is, poli adiculoneu i e, polimiosi e, bo ulismo, hipo i oidismo e hipoad enoco icismo não o am excluídos. Quando o Duque oi in e nado oi ealizada comp essão esical. Ve i icou-se que a u ina ap esen a a uma co escu a. P ocedeu-se en ão à ealização de uma u ianálise após ecolha po cis ocen ese. A u ina ap esen a a-se concen ada, com sangue, p o einú ia e bili ubinú ia. Uma i a u iná ia posi i a pa a sangue pode de e -se à p esença de hema ú ia, hemoglobinú ia ou mioglobinú ia. Tendo em con a que o alo de hema óc i o e a co do plasma sanguíneo não es a am al e ados e o alo da CPK sé ica es a a aumen ado (>2000 U/l) concluiu-se que exis ia mioglobinú ia, suspei ando-se assim de uma polimiosi e. A p o einú ia de e -se-ia à mioglobinú ia. A p esença de ní eis aumen ados de bili ubina pode -se-ia de e à ele ada concen ação da u ina ou à p esença de hipe bili ubinémia. Tendo em con a que se de e a am ní eis aumen ados de bili ubina no plasma a a és da bioquímica sé ica, concluiu-se que se de e ia à hipe bili ubinémia. Pode ia e sido ealizado um sedimen o u iná io pa a e i ica a p esença ou não de glóbulos e melhos, pe mi indo a dis inção en e hema ú ia e mioglobinú ia / hemoglobinú ia. As miopa ias podem se dis inguidas das neu opa ias já que nas miopa ias os 10 ace e do so. Quando uma piode mi e secundá ia complica as lesões pode oco e lenhi icação, hipe pigmen ação, e osão, ulce ação, o mação de c os as, pápulas, pús ulas e u únculos, de endo se ealizada uma ci ologia pa a de eção de bac é ias e neu ó ilos. Idealmen e, ambém se de e ealiza uma cul u a e an ibiog ama.2,3 Na maio pa e das ezes, a piode mi e é p o ocada po S aphylococcus pseudoin e medius, podendo desen ol e -se sinais sis émicos se oco e uma sep icémia bac e iana secundá ia.2,4 No caso do Poppey, o diagnós ico de piode mi e supe icial oi ealizado com base na sua ap esen ação ca ac e ís ica e a a és da obse ação de neu ó ilos e cocos na ci ologia po aposição de uma pús ula. Há á ios mé odos de diagnós ico de demodicose, embo a as aspagens de pele sejam o mé odo de eleição e o único que pode se usado pa a moni o ização e apêu ica.4 A pele a e ada de e se esp emida pa a ex ai os áca os dos olículos pilosos e as aspagens de em se ealizadas na di eção do c escimen o do pelo a é oco e sang amen o capila , o que indica que a aspagem a ingiu p o undidade su icien e.3,4 A de eção de um áca o adul o pode não se consis en e com o diagnós ico de demodicose, já que es es pa asi as azem pa e da mic o auna no mal da pele. Alguns au o es suge em que o diagnós ico de e se ei o a a és da obse ação de mais de 5 áca os po campo numa obje i a de 10x. Os di e en es es adios do pa asi a obse ados e o seu núme o de em se egis ados, compa ados com a obse ação de aspagens ei as no mesmo local em cada con olo e usados pa a a alia a espos a ao a amen o.1,4,7 Em zonas de aspagem di ícil, como a pe iocula e in e digi al, o diagnós ico pode se ei o a a és da obse ação de áca os num icog ama, que de e se ealizado a pa i de 50 a 100 pelos pa a aumen a a p obabilidade de um diagnós ico posi i o. Os icog amas posi i os em cães saudá eis são a os e mui os cães com demodicose a i a ap esen am um icog ama nega i o.3,4 Em ce as egiões co po ais, como as pa as, e em ce as aças como os sha -peis, as aspagens de pele e icog amas podem se alsamen e nega i os, podendo se necessá ia uma biópsia de pele.4 Também podem se obse ados áca os em exsudados de pús ulas ou p epa ações de i a-cola quando os pa asi as são mui o abundan es.4 No caso do Poppey, oi ealizada uma aspagem p o unda que e elou mais de 5 áca os de Demodex canis po campo mic oscópico numa ampliação de 100x ( igu a 3, Anexo II), endo sido assim es abelecido um diagnós ico de ini i o. O a amen o de demodicose canina gene alizada é mul imodal e consis e no uso de um aca icida e icaz, a amen o da piode mi e, despa asi ação in e na e con ole da e en ual doença sis émica subjacen e.4 Os a amen os aca icidas podem se o ais ou ópicos e de em se man idos a é pelo menos 30 dias depois das aspagens de pele se em nega i as.3 Todas as e apias es e oides de em se in e ompidas.2 A piode mi e e a sebo eia são esul ado de in es ação po áca os e não podem se cu adas a é à sua e adicação. No en an o, es es p oblemas de em se abo dados an es do a amen o aca icida ópico pa a o na a pele menos 11 i i ada e pe mi i melho pene ação do p odu o.3 Qualque piode mi e secundá ia de e se a ada com an ibio e apia sis émica ap op iada de longa du ação (mínimo 3-4 semanas) a é pelo menos uma semana depois da sua esolução clínica. Idealmen e, de e se ealizada uma cul u a bac e iana e an ibiog ama pa a de e mina o an ibió ico. Se al não o possí el, de e se ei a, pelo menos, a de e minação do ipo de bac é ia (bacilos ou cocos, G am posi i o ou G am nega i o).4 No caso do Poppey, oi ecei ada ce alexina pa a a amen o da piode mi e. Pa a além dos bene ícios an imic obianos, a e apia ópica con ibui pa a o bem es a ge al do cão, emo endo c os as e de i os que podem con e áca os, exsudados e mediado es in lama ó ios. São aconselhados banhos com champôs com pe óxido de benzoílo (2-3%) ou clo hexidina (3- 4%) uma a duas ezes po semana, já que êm ação an ibac e iana p olongada na pele.4 Es á demons ado que a aplicação de champô com pe óxido de benzoílo cada 3 a 7 dias aumen a a elocidade de esolução e melho a a e icácia dos a amen os aca icidas, endo sido po isso indicada no Poppey.2 As e apias aca icidas e icazes incluem lac onas mac ocíclicas (a e mec inas – i e mec ina e do amec ina; milbemicinas – milbemicina oxima e moxidec ina) e soluções de ami az. O ami az ópico de e se aplicado semanalmen e ou a cada 2 semanas numa concen ação de 0.025-0,06% em odo o co po. Não se de e enxagua a pele e a medicação de e pe manece no co po po 2 semanas. O ami az causa um e ei o seda i o ansi ó io po 12 a 24 ho as, especialmen e após o p imei o a amen o, e algumas lesões o nam-se p u í icas após as p imei as aplicações. Ou os e ei os secundá ios a os incluem eações alé gicas, i i ação da pele, a axia, poli agia, polidipsia, ómi os e dia eia. As eações se e as ou in oxicações podem se a adas com ioimbina ou a ipamazole. A solução aquosa pode não se e icaz nas o elhas ou nos ou idos, onde é possí el op a pelo uso de ami az em óleo mine al.2,4 No Poppey, de ido à possí el solução de con inuidade da pele p o ocada pela piode mi e e podode ma i e, não se iniciou de imedia o o a amen o com ami az, de ido à sua oxicidade. Foi ambém desen ol ido um p odu o spo -on con endo me a lumizona e ami az (P ome is®, P ize ) pa a a amen o con a pulgas, ca aças, piolhos e áca os Demodex. No en an o, o am desc i as eações ipo pên igo.3 Quando não é conseguida a cu a com ami az pode-se en a o a amen o com uma a e mec ina ou milbemicina.3 Pa a a demodicose gene alizada, a o ma inje á el de i e mec ina de e se dada o almen e. A i e mec ina pode causa e ei os ad e sos se e os, como le a gia, emo es, mid íase e mo e em cães sensí eis. Pa a melho iden i ica cães sensí eis à i e mec ina é ecomendado inicia a sua adminis ação com uma dose de 0,05 mg/kg e i aumen ado g adualmen e 0,05 mg/kg/dia du an e os p imei os dias de a amen o a é à dose desejada.4 A do amec ina ambém não de e se usada em cães sensí eis à i e mec ina. A milbemicina oxima, apesa de mais dispendiosa, ap esen a menos e ei os secundá ios do que a i e mec ina.6 A moxidec ina o al oi usada em á ios es udos com sucesso compa á el ao da 12 i e mec ina, es ando ambém disponí el em spo on (Ad oca e®, Baye Heal hca e) associada a imidaclop ide.4,5 Apesa de a i e mec ina mos a maio e icácia do que a moxidec ina quando aplicados uma ez po semana, ambos os a amen os ap esen am esul ados clinicamen e sa is a ó ios, pelo que a aplicação do spo -on pode se ecomendada pa a o a amen o de demodicose canina gene alizada sem a po encial oxicidade associada à i e mec ina.5 Os cães com demodicose gene alizada de em se examinados, incluindo aspagens de pele semp e no mesmo local, a cada 2 a 4 semanas.3 O empo médio pa a melho ia clínica é de 4 a 6 semanas e a 1ª aspagem nega i a oco e no malmen e en e as 6 e as 8 semanas. A maio ia dos pacien es p ecisa de ap oximadamen e 3 meses de a amen o pa a esol e a in eção (2 aspagens de pele nega i as com pelo menos 3 semanas de in e alo).2 É ecomendado moni o iza os cães pa a a eco ência da doença nos p imei os 12 meses após o a amen o se in e ompido.4 Uma das causas mais comuns de insucesso e apêu ico é a suspensão p ema u a do a amen o pela obse ação de uma g ande melho ia clínica an es de se a ingi a eliminação do pa asi a, le ando à oco ência de ecidi as.2 No caso do Poppey, o a amen o mos ou-se e icaz. No en an o, é possí el a oco ência de ecidi as, de ido à sua idade. Bibliog a ia 1. C aig M (2011) “Canine Demodicosis” Companion Animal 16, 27-31 2. Hnilica KA (2011) “Pa asi ic Skin Diso de s” In Hlinica KA (Ed.) Small Animal De ma ology A Colo A las and The apeu ic Guide, 3ª Ed, Else ie Saunde s, pp.: 123-131 3. Mille WH, G i in CE, Campbell KL (2013) “Pa asi ic Skin Disease” In Mille WH, G i in CE, Campbell KL (Eds.) Mulle an Ki k’s Small Animal De ma ology 7ª Ed, Else ie , pp.: 305-313 4. Muelle RS e al. (2012) “T ea men o demodicosis in dogs: 2011 clinical p ac ice guidelines” Ve e ina y De ma ology 23, 86-e21 5. Pa e son TE, Hallowell RE, Fields PJ, Louw ML, Ball Geo , Louw Jakobus, Pinckney Rhonda (2014) “Canine gene alized demodicosis ea ed wi h a ying doses o a 2,5% moxidec in + 10% imidaclop id spo -on and o al i e mec ina: Pa asi icidal e ec s and long- e m ea men ou comes” Ve e ina y Pa asi ology 205, 687-696 6. Ra e a I, Al e L, F ancino O, Sánchez A, Roldán W, Villanue a S, Ba dagi M, Fe e L (2013) “Small Demodex popula ions colonize mos pa s o he skin o heal hy dogs” Ve e ina y De ma ology 24, 168-e37 7. Sil a, RPB, ST Bele ini, S el RF, Ma ins LA, Pachaly JR (2008) “Sa na demodécica canina e suas no as pe spe i as de a amen o – e isão” A qui os de Ciência Ve e iná ia e Zoologia da Unipa 11, n.2, 139-151 13 Caso Clínico 3: U ologia – Pielone i e Ca ac e ização do pacien e e mo i o de consul a: A Salomé, uma cadela de aça Golden Re ie e in ei a com 8 meses de idade e 23 kg de peso, oi ap esen ada à consul a po ap esen a pe das de u ina há ce ca de 2 meses. Anamnese: A Salomé i ia na T o a, numa mo adia com acesso ao ex e io , sem coabi an es. A sua alimen ação cons a a de ação seca. A Salomé es a a co e amen e acinada e despa asi ada, an o in e na como ex e namen e. Não inha passado médico nem ci ú gico e não es a a a oma nenhuma medicação. Não ealiza a iagens nem inha o hábi o de inge i obje os es anhos. Anamnese di igida ao apa elho u iná io: Os donos não inham no ado nenhuma mudança na quan idade de água inge ida nem no olume de u ina exc e ado. Desc e iam micções espon âneas e conscien es, sem di iculdade nem do e sem p esença de u ina e melha. No a am, no en an o, pequenas pe das de u ina ao longo do dia, independen emen e da posição ou local onde a Salomé se encon asse. A condição não so eu al e ações com o empo, nem na equência nem na quan idade das pe das. Exame de es ado ge al: A Salomé es a a ale a, com empe amen o equilib ado e a i ude no mal em es ação, decúbi o e mo imen o. A sua condição co po al e a no mal. Os mo imen os espi a ó ios e o pulso es a am no mais, com equências de 40 pm e 120 ppm. Tinha 39,6ºC de empe a u a ec al ( ónus anal e e lexo anal e pe ineal adequados; mucosa anal e ezes no mais). O g au de desid a ação e a in e io a 5%, as mucosas o al e ocula es a am osadas e húmidas e o TRC e a in e io a 2 segundos. A auscul ação ca diopulmona e palpação abdominal es a am no mais. Os gânglios lin á icos, ou idos, boca e pele não ap esen a am qualque al e ação. Exame di igido ao apa elho u iná io: ins não palpá eis; bexiga não palpá el; ul a sem al e ações mo ológicas ex e nas. Diagnós icos di e enciais: incompe ência do es ínc e u e al p imá ia, anomalias ana ómicas (u e e ec ópico, ú aco pe sis en e, di e ículo u e al), obs ução pa cial do luxo u iná io (u óli os, neoplasia, pólipos), in lamação ou in eção do a o u iná io, ins abilidade do de uso idiopá ica. Exames complemen a es: Hemog ama: leucoci ose lin ocí ica e g anulocí ica, es an es pa âme os no mais ( abela 1, Anexo III). Bioquímica sé ica (PT, ALB, ALT, BUN, C ea inina): no mal ( abela 2, Anexo III); U ianálise (densidade especí ica + i a ea i a) (u ina ecolhida po micção espon ânea): DU: 1012; pH: 7; p o eínas es igiais; es an es pa âme os da i a no mais. Ecog a ia abdominal: ligei a dila ação da pel e enal esque da; ma cada dila ação da pel e enal di ei a ( igu a 1, Anexo III). Diagnós ico p esun i o: Pielone i e. 14 T a amen o: P esc e eu-se a adminis ação de amoxicilina + ácido cla ulânico (13,75 mg/kg PO BID) du an e 4 semanas. P ognós ico: O p ognós ico pa a esolução da in eção é a o á el, exce o se hou e in eção c ónica da medula enal. A oco ência de ecidi as é pouco p o á el (as ITU oco em como um único episódio em 75% dos cães a e ados).1 Acompanhamen o: Duas semanas após o início do a amen o, os donos e e i am que a Salomé não ap esen a a pe das u iná ias e se encon a a bas an e mais a i a. Tinha uma empe a u a e al de 39ºC. Uma semana após o im do a amen o, a pel e enal di ei a encon a a-se menos dila ada, al como a esque da. Foi ealizada uma pielocen ese e a u ina en iada pa a labo a ó io pa a ealização de cul u a e possí el an ibiog ama. A cul u a oi nega i a. Ma cou-se consul a de acompanhamen o pa a a aliação ecog á ica enal pa a daí a 2 semanas. Discussão: Quando o mo i o da consul a é incon inência u iná ia é impo an e ob e uma boa anamnese pa a pe cebe se ealmen e é esse o p oblema que o animal ap esen a. Po ezes, os donos e e em que o animal es á incon inen e po que encon am u ina em locais inap op iados. Os cães com poliú ia u inam olun a iamen e mas em locais e momen os inap op iados, po que não ão à ua ezes su icien es pa a acomoda o g ande olume de u ina p oduzida. Os animais ambém podem u ina pequenas quan idades em locais inap op iados de o ma conscien e (polaquiú ia).1,2 Os donos não desc e e am um aumen o na quan idade de água inge ida, nem um aumen o do núme o de micções ou do seu olume, mas sim pequenas pe das de u ina apa en emen e inconscien es en e micções alegadamen e no mais, o que le ou à p incipal suspei a de incon inência u iná ia. As causas de incon inência u iná ia podem di idi - se em neu ogénicas e não neu ogénicas. Sabendo que as úl imas são mais comuns e pe an e a inexis ência de mais alguma queixa po pa e dos donos ou al e ações a ní el do exame ge al ou u iná io que le assem a suspei a de en ol imen o neu ológico, a p incipal suspei a oi uma causa não neu ogénica. Pe an e uma suspei a de a eção do apa elho u iná io, é necessá ia uma u ianálise. Como a Salomé u inou du an e a consul a, oi ei a uma análise a pa i des a u ina. A amos a inha uma densidade especí ica de 1.012, classi icada como isos enú ica. Tendo em con a que a Salomé se encon a a clinicamen e hid a ada e não azo émica, es e alo não oi alo izado clinicamen e. O pH e a no mal, embo a a i a u iná ia não seja p ecisa pa a es e pa âme o. Além disso, como a amos a oi ecolhida po micção espon ânea podia ap esen a con aminação po desin e an es, que pode iam al e a o esul ado. Os es an es pa âme os da i a ambém es a am no mais. P ocedeu-se à ealização de uma ecog a ia pa a a alia o apa elho u iná io. A bexiga encon a a-se azia pelo que não oi possí el a execução de uma cis ocen ese. A ní el enal, e i icou-se a exis ência de uma ma cada dila ação pél ica di ei a e uma ligei a dila ação 15 esque da que, associadas à exis ência de sinais sis émicos compa í eis ( eb e e leucog ama in lama ó io), le a am à suspei a de pielone i e. Como a pielocen ese de e se ei a po um ecog a is a expe ien e, não oi possí el azê-la nesse momen o. Sabendo que a p incipal ia de in eção do a o u iná io supe io é a a és do a o u iná io in e io , suspei ou-se que a causa da incon inência u iná ia se ia uma ITU in e io . Assim, dada a suspei a de in eção de a o u iná io supe io e in e io iniciou-se an ibio e apia empí ica. Os esul ados da u ianálise são in luenciados pelo mé odo de ecolha da u ina. A cis ocen ese é o mé odo de eleição pa a a ecolha de amos as de u ina, especialmen e quando se p e ende e e ua uma cul u a u iná ia.5 Quando a u ina é ecolhida po micção espon ânea exis e ele ada p obabilidade de oco e con aminação da amos a a pa i do a o geni ou iná io e do ambien e. Nes e caso, dada a impossibilidade de ealiza uma cis ocen ese, pode -se-ia e ob ido uma amos a a a és de algaliação. Ademais, além da densidade especí ica e i a u iná ia, ambém e a ú il e -se analisado o sedimen o u iná io pa a a alia a p esença de c is ais, leucóci os, cilind os e células epi eliais. Apesa de o a amen o de uma ITU de e se semp e baseado em cul u a e an ibiog ama, pe an e a suspei a de pielone i e ecomenda-se o início de a amen o empí ico imedia o de o ma a e i a dano enal, o que oi ei o nes e caso.2 A in eção de a o u iná io (ITU) é de inida como uma colonização, na maio pa e das ezes bac e iana, de pa es do a o u iná io que no malmen e são es é eis ( ins, u e e es, bexiga e u e a p oximal).1 Pode en ol e um ou á ios locais, sendo que a in eção de qualque po ção do a o u iná io pode aumen a a p obabilidade de p opagação a ou as pa es. O desen ol imen o de uma ITU é mul i a o ial: o núme o e i ulência das bac é ias e o es ado de saúde do pacien e desempenham papéis impo an es.4 A ITU é uma das doenças in eciosas mais comuns em cães, es imando-se que 10% dos que são ap esen ados ao e e iná io po qualque azão êm ITU e ap oximadamen e 14% ão e pelo menos uma du an e a sua ida. As cadelas êm maio isco de desen ol e a doença do que os machos, pois a sua u e a é mais la ga e cu a, azendo com que seja mais ácil pa a as bac é ias ascende em pa a a bexiga, e o ânus es á mais p óximo do o i ício u e al, pelo que há maio p obabilidade de con aminação ecal e inoculação de o ganismos. Além disso, os machos êm mecanismos de p o eção adicionais de ido à exis ência de sec eções p os á icas an ibac e ianas.1 As ITU podem se classi icadas como não complicadas, quando oco em em animais saudá eis, sem e idência de causa subjacen e, ou complicadas, quando êm uma causa subjacen e.2,4 São ambém conside adas complicadas quando oco em em machos ou quando a e am o im. A ascensão bac e iana a a és do a o u iná io in e io é a p incipal ia de in eção do a o u iná io supe io (sendo as ou as po ia hema ogénica e di e a a pa i de ecidos ci cundan es) e nes e o local mais comum de in eção é a pel e enal.4 Es ão documen ados di e sos a o es de isco pa a o desen ol imen o de pielone i e, ap esen ados na abela 3 do Anexo III. 16 As ITU são mais equen emen e diagnos icadas quando os animais se ap esen am com sinais de pa ologia de a o u iná io in e io : hema ú ia, polaquiú ia, es angú ia, disú ia, micção em locais inap op iados, incon inência e diminuição do olume de u ina eliminada (em animais com obs ução pa cial da u e a). No en an o, as ITU podem exis i sem sinais clínicos.1 A pielone i e aguda ou sub-aguda pode esul a em diminuição do ape i e, le a gia, eb e, poliú ia e polidipsia, hema ú ia e sinais clínicos de azo émia, como ómi os e dia eia. A pielone i e c ónica pode se sub-clínica ou es a associada a pi exia in e mi en e, poliú ia e polidipsia, ano exia e dep essão, ou esul a em u emia em casos de ex ensa des uição do pa ênquima enal.2,3 Na p esença de uma ITU, a ní el de exame ísico, pode-se encon a uma bexiga espessa e dolo osa, endu ecimen o ou espessamen o da u e a, p ós a a ano mal em machos sexualmen e in ac os ou do lomba em casos de pielone i e.1,2 Os alo es do hemog ama e bioquímica sé ica encon am-se ge almen e no mais se a in eção es i e limi ada ao a o u iná io in e io . Se hou e pielone i e, pode-se encon a leucog ama in lama ó io e azo émia se se i e desen ol ido insu iciência enal.4 A ní el de u ianálise, a u ina pode es a concen ada se a in eção es i e limi ada ao a o u iná io in e io e diluída se hou e pielone i e ou se uma ITU de a o u iná io in e io es i e associada a abso ção sis émica de endo oxinas bac e ianas.1 Podem es a p esen es combinações a iá eis de hema ú ia, piú ia, p o einú ia e bac e iú ia. A combinação de piú ia com bac e iú ia aumen a a p obabilidade de exis i uma in eção de a o u iná io.2 A de eção de leucóci os pelas i as eac i as não é iá el pa a u ina de cães já que os alsos nega i os são comuns, pelo que de e se e e uada a aliação do sedimen o u iná io pa a de e mina a exis ência de piú ia.2 Se a u ina es i e diluída pode se di ícil iden i ica leucóci os ou bac é ias no sedimen o, pelo que o ac o de não se de e a em não exclui o diagnós ico.1,5 A p esença de cilind os de leucóci os no sedimen o indica o igem enal.2 Pe an e uma suspei a de ITU de e se ei a uma cul u a quan i a i a a pa i de u ina ecolhida po cis ocen ese, seguida de iden i icação e es e de sensibilidade do agen e isolado.1 No caso pa icula da pielone i e, o diagnós ico de ini i o é ob ido a a és de uma cul u a posi i a de luido da pel e enal ou his opa ologia enal. A pielocen ese en ol e aspi ação de luido pél ico e pode se e e uada pe cu aneamen e de o ma ecoguiada ou du an e uma lapa o omia explo a ó ia. O exame ci ológico e cul u a bac e iológica des e luido podem iden i ica uma pielone i e. As amos as pa a diagnós ico de em se idealmen e o iginá ias da pel e enal e não da bexiga, já que a u ina des es locais pode con e mic o ganismos di e en es com di e en es sensibilidades an imic obianas.4 Po es a azão, no caso da Salomé, pe an e a suspei a de in eção de a o u iná io supe io e in e io , de e ia e sido ealizada uma cul u a u iná ia a pa i da pel e enal e da bexiga. As con agens bac e ianas podem aumen a em algumas ho as 17 quando a u ina é a mazenada à empe a u a ambien e. Po es e mo i o, ecomenda-se que sejam ei as cul u as das amos as de u ina de imedia o ou que a u ina seja e ige ada num con en o echado a é 6 ho as.5 Apesa de qualque agen e pa ogénico isolado a pa i de amos as ecolhidas po cis ocen ese se p o a elmen e signi ican e, é possí el exis i con aminação bac e iana a pa i da pele. Po isso, apenas a p esença de mais de 103 u c/mL é clinicamen e ele an e.2 A maio ia (75%) das ITU é causada po um único o ganismo. Num es udo em que oi ealizada cis ocen ese em cães com in eções de a o u iná io, oi isolada E. coli em 53% dos casos, seguida po En e ococcus spp em 13%.1 Ou os es es diagnós icos pa a pielone i e incluem adiog a ia, u og a ia in a enosa e ecog a ia. Em odos se pode demons a enomegalia em casos de pielone i e aguda e ins pequenos com con o no i egula em casos c ónicos. Na u og a ia in a enosa podem-se de e a cálices ou u e e es dila ados. O exame ecog á ico dos ins, além de pe mi i o cálculo do amanho enal, pode pe mi i a a aliação do seu pa ênquima. Podem se e iden es al e ações não especí icas como hipe ecogenicidade do có ex enal, di e enciação co icomedula diminuída e dila ação da pel e enal.2 No en an o, de ido à al a de especi icidade, a ecog a ia po si só em alo diagnós ico limi ado, e de e se ei a como complemen o de ou os es es diagnós icos. Embo a a dila ação da pel e enal e u e e p oximal sejam comuns, a sua ausência não exclui o diagnós ico de pielone i e e a sua p esença não é pa ognomónica da pielone i e, já que as ca ac e ís icas ecog á icas de hid one ose podem se semelhan es.3 No caso da Salomé, de e ou-se dila ação pél ica enal di ei a e esque da que, associada à exis ência de sinais sis émicos, le ou à suspei a de pielone i e. A concen ação de an ibió ico na u ina (µg/ml) é o a o mais impo an e na e adicação das ITU. Os animais que p oduzem g andes quan idades de u ina diluída podem e concen ação an ibió ica na u ina diminuída. A concen ação ecidula é impo an e em animais com in eções enais e p os á icas e em animais com as pa edes da bexiga cla amen e espessadas po in eção c ónica.1 A localização da in eção do a o u iná io é impo an e pa a o imiza a escolha an imic obiana e a du ação da e apia.4 Pa a a amen o empí ico de uma ITU não complicada, o ISCAID (In e na ional Socie y o Companion Animal In ec ious Diseases) ecomenda e apia inicial com amoxicilina ou ime opim-sul ame oxazole. Também exis em guias pa a a seleção do an ibió ico de aco do com as ca ac e ís icas das bac é ias obse adas no sedimen o (g am nega i as / g am posi i as, cocos / bacilos).2 Em casos de pielone i e suspei a ou con i mada, de e se iniciado de imedia o um a amen o an ibió ico de amplo espec o pa a p e eni maio dano enal.1,3 Pa a es es casos, o ISCAID suge e o uso de luo oquinolonas, mas es as não de em se dadas em animais em c escimen o de ido aos po enciais danos na ca ilagem a icula , azão pela qual não oi es e o an ibió ico selecionado pa a a Salomé que inha 8 meses.1,2 Idealmen e, a escolha do an ibió ico de e se ei a com base 18 na cul u a e es e de sensibilidade da u ina da pel e enal. O an ibió ico de e e boas concen ações no so o e u ina e p e e encialmen e não de e se ne o óxico. A pielone i e c ónica pode se di ícil de a a de ido à aca pene ação dos an ibió icos na medula enal.3 A du ação da an ibio e apia pa a ITU não complicadas é de 7 a 14 dias.2,5 Nos casos de pielone i e, a e apia an imic obiana de e se man ida po 4 a 6 semanas. De em se ob idas cul u as u iná ias pouco empo após o início do a amen o (7 dias) e 7 a 10 dias depois de e mina a e apia.1 No caso da Salomé, não oi e e uada uma cul u a 7 dias após o início do a amen o de ido à inexis ência da cul u a inicial. Foi ealizada uma cul u a uma semana após e mina a e apia an ibió ica, que oi nega i a. Es e esul ado, associado à diminuição do amanho da pel e enal e no malização da empe a u a, deu supo e ao diagnós ico de pielone i e. O ac o de a Salomé já não ap esen a incon inência u iná ia pode e -se de ido à esolução de uma ITU in e io com a an ibio e apia. Pa a além da in eção do a o u iná io supe io , uma ITU não a ada pode o igina u oli íase, espessamen o esical ou u e al, sepsis especialmen e depois de a amen o imunossup esso , in e ilidade, p os a i e, o qui e, discoespondili e, u eí e eco en e (imunomediada) e polia i e (imunomediada).1 Sabendo que os casos c ónicos não esol idos podem le a a IRC e os eco en es podem se assin omá icos, é impo an e o acompanhamen o do caso pa a con i ma a esolução da pielone i e. Em ge al, o p ognós ico pa a pacien es com pielone i e é bom, a não se que haja uma causa subjacen e.3 Bibliog a ia 1. Chew DJ, Diba ola SP, Schenck P (2011) “Cys i is and U e h i is: U ina y T ac In ec ion” In Chew DJ, Diba ola SP, Schenck P (Eds.) Canine and Feline Neph ology and U ology, 2º Ed, Else ie Saunde s, pp.: 240-271, 409-413 2. Diba ola SP, Wes opp JL (2014) “Canine and Feline U ina y T ac In ec ions” In Nelson RW, Cou o CG (Eds.) Small Animal In e nal Medicine, 5º Ed, Else ie Mosby, pp.: 680-686 3. Pa y NMA (2005) “Pyeloneph i is in Small Animals” UK Ve 10, n.6, 1-5 4. Smee N, Loyd K, G aue GF (2013) “UTIs in Small Animal Pa ien s: Pa 1: E iology and Pa hogenesis” Jou nal o he Ame ican Animal Hospi al Associa ion 49, 1-7 5. Smee N, Loyd K, G aue GF (2013) “UTIs in Small Animal Pa ien s: Pa 2: Diagnosis, T ea men , and Complica ions” Jou nal o he Ame ican Animal Hospi al Associa ion 49, 83-94 19 Caso Clínico 4: Endoc inologia – Hipo i oidismo p imá io Ca ac e ização do pacien e e mo i o de consul a: O Tico, um cão de aça Beagle in ei o com 4 anos de idade e 23 kg de peso, oi ap esen ado à consul a de ido a p os ação desde há 4/5 dias. Anamnese: O Tico i ia em Vila No a de Famalicão, em ambien e ex e io p i ado, sem coabi an es animais. A sua alimen ação cons a a de ação seca e comida casei a e não inha acesso a lixo nem óxicos. Es a a co e amen e acinado e despa asi ado an o in e na como ex e namen e. Tinha his ó ia de demodicose, com oco ência há dois anos. Não inha passado ci ú gico e de momen o não es a a a oma nenhuma medicação. Os donos desc e e am que o Tico inha sido um animal mui o a i o du an e os p imei os anos mas se inha o nado mais “pacho en o” e já não pa ecia o mesmo animal desde há ap oximadamen e 1 ano. Re e i am ainda que inha ganho mui o peso e que comia mui o bem. Desde há 4/5 dias no a am que es a a mais p os ado e pa ecia não consegui le an a a cabeça. Exame de es ado ge al: O Tico ap esen a a-se ale a com empe amen o lin á ico. A ní el de a i ude ap esen a a pendência da cabeça em es ação e mo imen o. Rela i amen e à condição co po al oi conside ado mode adamen e obeso. Ap esen a a mo imen os espi a ó ios e pulsos no mais com equências de 16 pm e 88 ppm. A empe a u a ec al e a de 37ºC ( ónus anal e e lexo anal e pe ineal adequados; mucosa anal e ezes no mais). O g au de desid a ação e a in e io a 5%. As mucosas o al e ocula es a am osadas e húmidas e o TRC e a in e io a 2 segundos. A auscul ação ca diopulmona , a palpação abdominal, os gânglios lin á icos e os ou idos es a am no mais. O pelo encon a a-se seco e a pele com sebo eia seca. Ap esen a a espessamen o dos lábios, espessamen o da pele sob e a egião empo al e pálpeb as supe io es caídas. Exame neu ológico: Além das al e ações e e idas, os pa âme os do exame neu ológico o am conside ados no mais. Diagnós icos di e enciais: diabe es melli us, hipe ad enoco icismo, hipo i oidismo, lúpus e i ema oso sis émico, neoplasia (insulinoma). Exames complemen a es: Hemog ama comple o: anemia no mocí ica no moc ómica, es an es pa âme os no mais ( abela 1, Anexo IV). Bioquímica sé ica: Hipe coles e olémia e alo de ALT aumen ado, es an es pa âme os no mais ( abela 2, Anexo IV). Valo es sé icos de T4 o al e TSH: T4 o al: <0,50 µg/dl (VR: 1,5-4,0); TSH: 2,30 ng/ml (VR: 0,03-0,60). Diagnós ico de ini i o: Hipo i oidismo p imá io. T a amen o: P esc e eu-se a adminis ação de le o i oxina (20 µg/kg SID PO). P ognós ico: Excelen e pa a qualidade e espe ança média de ida se a medicação o co e amen e adminis ada. 26 ad e ec um, seguida de in ubação endo aqueal com um ubo nº 8,5. A manu enção oi ei a com iso lu ano a 2% e oxigénio, num ci cui o sem einalação. A axa de luido e apia du an e a ci u gia oi de 400 ml/h. A p essão a e ial média encon a a-se a 60 mmHg pelo que se iniciou CRI de dopamina (5 µg/kg/min), que se man e e du an e oda a ci u gia. As p essões a e iais médias man i e am-se com uma média de 110 mmHg. A Gaba ina oi colocada em decúbi o do sal e de seguida oi e e uada a desin eção da á ea abdominal. Foi ealizada uma incisão na linha média en al, 2 a 3 cm caudalmen e ao p ocesso xi óide a é ao púbis. Cuidadosamen e ex e io izou- se o ú e o sem aplica p essão ou ação excessi a. Após localização do o á io di ei o colocou- se uma pinça no ligamen o p óp io pa a ajuda a acioná-lo e ompeu-se o ligamen o suspenso . Caudalmen e aos asos o á icos c iou-se uma abe u a no meso á io. A a és des a abe u a o am colocadas duas pinças hemos á icas no pedículo o á ico. Laqueou-se o pedículo a a és de uma su u a de ans ixação e uma ci cun e encial de e o ço com io Monosyn® 0. Seccionou- se o pedículo, emo eu-se a pinça e e i icou-se a inexis ência de hemo agias. Recolocou-se o pedículo na ca idade abdominal. E e uou-se o mesmo p ocedimen o no o á io esque do. De seguida, iden i icou-se o ligamen o la go e p ocedeu-se à sua di isão pa a sepa ação do ú e o. C anialmen e ao cé ix coloca am-se duas pinças e ealiza am-se duas su u as de ans ixação de cada lado seguidas de su u a ci cun e encial com io Monosyn® 0. Com o auxílio de um bis u i seccionou-se o co po u e ino en e as duas pinças, emo endo-se po comple o o ú e o e os o á ios. Re i ou-se a pinça e e i icou-se se não exis ia hemo agia no co o u e ino. P ocedeu- se ao ence amen o da ca idade abdominal em 3 camadas: camada muscula e ecido subcu âneo, com su u a simples con ínua com io Monosyn® 0 e pele com su u a simples com io Silkam® 0. (Figu a 2, Anexo V). T a amen o pós ci ú gico: Após a ci u gia al e ou-se a axa de luido e apia pa a 80 ml/h (1,5 X axa de manu enção) du an e ce ca de 6 ho as e nos 2 dias seguin es man e e-se a axa de manu enção (53 ml/h). Após a ci u gia e median e a p esença de p essões a e iais médias no mais suspendeu-se a adminis ação de dopamina. Man e e-se a an ibio e apia e ac escen ou-se amadol (3 mg/kg IV BID). Exame complemen a pós ci ú gico: Cul u a e An ibiog ama de za aga oa in au e ina: En e ococcus aecalis – sensí el a e aciclina, doxiciclina, e i omicina, ma bo loxacina; Esche ichia coli – sensí el a ce alexina, ce iaxona, ob amicina, gen amicina, amicacina, ce io u , ce ip oma, ce podoxima. E olução: Após a ci u gia as p essões a e iais médias da Gaba ina man i e am-se es á eis com alo es médios de 125 mmHg. No dia seguin e, a Gaba ina es a a ale a e com uma empe a u a de 38ºC. Dois dias após a ci u gia epe iu-se a medição dos alo es sé icos de c ea inina e u eia, que inham no malizado ( abela 2, Anexo V). No 3º dia de in e namen o suspendeu-se a adminis ação de amadol. Como os donos não se encon a am em casa, a 27 Gaba ina icou in e nada du an e 12 dias. No 4º dia, endo em con a que comia e bebia no malmen e, suspendeu-se a luido e apia e a medicação IV e iniciou-se adminis ação o al de ce ixima (5 mg/kg PO BID) e de me onidazol (10 mg/kg PO BID). Dez dias após o início da an ibio e apia, suspendeu-se a adminis ação de ce ixima e me onidazol e iniciou-se a adminis ação de doxiciclina (5 mg/kg PO BID). Realizou-se a desin eção da su u a odos os dias duas ezes po dia, a é se e i a em os pon os, onze dias após a ci u gia. Du an e o in e namen o, odos os pa âme os do exame de es ado ge al se man i e am no mais. A Gaba ina e e al a onze dias após a ci u gia, endo sido p esc i a a con inuação da adminis ação de doxiciclina a é pe aze os 10 dias de adminis ação. Discussão: Após a ealização da anamnese e exame ísico da Gaba ina de e a am-se os seguin es p oblemas: dep essão, ano exia, desid a ação, pelo em mau es ado, abdómen agudo e suspei a de poliú ia-polidipsia. A p esença des es sinais numa cadela com 8 anos de idade, cujo úl imo cio oco eu há 4 semanas, le ou à p incipal suspei a de pióme a. No hemog ama de e ou-se leucoci ose lin ocí ica, monocí ica e g anulocí ica. A ní el de bioquímica sé ica de e ou-se hipe p o einemia, hipe globulinemia, aumen o de ALP e azo emia. As anomalias hema ológicas mais equen es em pióme as incluem neu o ilia e monoci ose, sendo que o núme o de leucóci os no malmen e excede os 30 x 109 / L se a pióme a o echada (caso da Gaba ina). Também é possí el de e a -se leucopenia se oco e in eção gene alizada e sep icemia ou seques o u e ino de neu ó ilos.2 Pode oco e anemia não egene a i a no mocí ica no moc ómica ou mic ocí ica hipoc ómica.2, não de e ada nes e caso, embo a pudesse es a masca ada pela desid a ação. As al e ações bioquímicas mais comuns incluem hipe p o einemia, hipe globulinemia e azo emia. A hipe p o einemia e a hipe globulinemia são esul ado de desid a ação e in lamação c ónica.2,5 A azo emia pode de e -se a aca pe usão enal, desid a ação e choque, doença glome ula secundá ia à deposição de imunocomplexos ou ao desen ol imen o de diabe es insipidus ne ogénica, secundá ia à ação das oxinas de E. coli que o nam os úbulos cole o es insensí eis à ação da ADH.1,2 As al e ações menos comuns incluem hipona émia e hipe calémia, caso exis am ómi os e dia eias se e os, e aumen o da ALP e ALT po dano hepa ocelula induzido pela oxemia ou desid a ação. A ALP encon a-se aumen ada em ce ca de 50 a 75% dos casos enquan o a ALT apenas o az ocasionalmen e.2,5 Na adiog a ia de e ou-se uma es u u a ubula no abdómen médio e caudal, com densidade de ecidos moles, compa í el com dila ação u e ina. Como es e exame complemen a não pe mi e dis ingui pióme a de ou as pa ologias que causem dis ensão u e ina nem de ges ação a é que oco a mine alização e al (ap oximadamen e 45 dias após a o ulação)4 ealizou-se uma ecog a ia em que se con i mou a p esença de dis ensão u e ina com con eúdo hipoecóico, não endo sido possí el di e encia en e pióme a, hid óme a, mucóme a e hema óme a. Tendo em con a a p esença de sinais clínicos e achados do hemog ama e 28 bioquímica compa í eis, conside ou-se que o diagnós ico mais p o á el se ia o de pióme a echada. Além dos exames e e uados, pode -se-ia e ei o u ianálise com cul u a e an ibiog ama, já que nalguns casos exis e uma in eção de a o u iná io associada à pióme a.3 As al e ações da u ianálise mais comuns incluem isos enú ia, p o einú ia e bac e iú ia. É impo an e e em con a que a cis ocen ese de e se ealizada du an e e não an es da ci u gia pa a e i a punção u e ina e con aminação abdominal. A ci ologia aginal con i ma a p esença de um exsudado sé ico em casos de pióme a abe a e ambém é ano mal em casos de pióme a echada (p edominan emen e neu ó ilos com algumas bac é ias degene adas).2,5 Além des es exames de e-se ealiza cul u a e an ibiog ama do con eúdo u e ino pa a seleção do an ibió ico a adminis a 2, o que oi ei o nes e caso. A pióme a é uma acumulação u e ina de ma e ial pu ulen o, no malmen e associada a hipe plasia endome ial quís ica, uma espos a u e ina ano mal que se desen ol e du an e o dies o ( ase lú ea do ciclo) quando há p odução ele ada ou p olongada de p oges e ona pelos o á ios.1,2,5 A p oges e ona sup ime a espos a leucoci á ia aos es ímulos in eciosos no ú e o, diminui a con a ilidade do miomé io e p omo e o c escimen o e sec eção glandula do endomé io, c iando um ambien e susce í el ao c escimen o bac e iano.1 As bac é ias a ingem o ú e o a pa i da po ção dis al do a o geni ou iná io ou, menos equen emen e, po disseminação hema ogénica.2 A incapacidade de elimina as bac é ias do ú e o após o es o esul a em pióme a. Es a pa ologia no malmen e oco e em êmeas in ei as com 6 a 11 anos, 4 a 8 semanas após o es o, embo a possa a e a cadelas mui o jo ens, especialmen e se sujei as à adminis ação exógena de ho monas, nomeadamen e es ogénios, que são usados pa a inibi a g a idez após o c uzamen o (o es ogénio aumen a a sensibilidade do ú e o à p oges e ona) ou de p oges e ona usada pa a sup imi o es o.4,5 As cadelas nulípa as ep esen am ap oximadamen e 75% das cadelas com pióme a.2,4 Em casos de pióme a, isolam-se no malmen e E. coli, S aphylococcus au eus, S ep ococcus spp, Pseudomonas spp, P o eus spp, Pas eu ella spp, Klebsiella spp, Haemophilus spp, Se a ia spp e Mo axella spp, sendo E. coli a bac é ia isolada com maio equência e endo sido ambém a bac é ia de e ada no caso da Gaba ina, jun amen e com En e ococcus aecalis.1,2 Os sinais clínicos de pióme a são co imen o ul a mucopu ulen o a hemo ágico, ano exia pa cial ou o al, le a gia, pe da de peso, polidipsia-poliú ia, pi exia, desid a ação e ú e o aumen ado à palpação. A pióme a pode se classi icada de aco do com a abe u a do cé ix em abe a (com co imen o ul a ) ou echada (sem co imen o ul a ), sendo a úl ima mais g a e po impedi a libe ação de luido in e ado, podendo-se desen ol e sep icémia e endo oxémia. Além disso, a sob edis ensão do ú e o pode pe mi i que o con eúdo in e ado aze dos o idu os, causando pe i oni e.1,2 29 O a amen o de eleição da pióme a é a o a iohis e ec omia (OVH) após es abilização do pacien e com luidos IV.1,5 O a amen o médico com adminis ação de an ibió icos e ho monas é inap op iado pa a pacien es c í icos pois não é imedia o nem comple o e es á associado a uma axa de eco ência de 20 a 80%. A adminis ação de p os aglandinas (p os aglandina na u al PGF2α ou sin é ica clop os enol) de e se ese ada pa a animais es á eis com al o alo ep odu i o, pa icula men e em casos de pióme a abe a.1,2 Quando se op a pelo a amen o médico, o animal de e se ecundado no ciclo és ico seguin e, pa a e i a as po enciais complicações dos e ei os da p oges e ona num ú e o não g a ido.1,2,5 No caso da Gaba ina, op ou-se pela OVH. O a amen o ci ú gico não de e se adiado mais do que o absolu amen e necessá io, especialmen e em casos de pióme a echada. A micção, a p esença de a i mias e a glicemia de em se moni o izadas p é ope a o iamen e. A micção de e se moni o izada pa a a alia a unção enal, já que a hipo olémia se e a pode esul a em anú ia de ido a insu iciência p é enal, podendo se necessá ia a adminis ação de dopamina ou diu é icos. As a i mias e a hipoglicemia podem-se desen ol e como consequência da sépsis e de em se co igidas.2 Os desequilíb io ele olí icos e ácido base de em se co igidos e de e se adminis ado um an ibió ico de amplo espe o com e icácia con a E. coli. A p é-anes esia pode se ei a com opioides e benzodiazepinas 2, endo sido ealizada com ke amina, diazepam e bu o anol no caso da Gaba ina. A manu enção anes ésica de e se ealizada com iso lu ano, que causa dep essão ca díaca mínima e ecupe ação ápida.2 A incisão de e começa 2 a 3 cm caudalmen e ao p ocesso xi oide e não na cica iz umbilical, pa a que o ú e o possa se e i ado sem demasiada ação já que exis e isco aumen ado de u u a. Ao explo a o abdómen, de em-se p ocu a e idências de pe i oni e (in lamação se osa, luido abdominal e p esença de pe équias), ob e luido abdominal pa a cul u a, e acua a bexiga po cis ocen ese e ecolhe uma amos a pa a u ianálise, cul u a e an ibiog ama.2 De e-se e um cuidado ac escido ao ex e io iza o ú e o, equen emen e mais iá el. Além dos o á ios, co nos e co po u e ino, o cé ix pode e que se e i ado. Uma ez ex e io izado, o ú e o de e se isolado do abdómen com oalhas es e ilizadas. Após a emoção dos o á ios, co nos e co po u e ino, de e-se e e ua ecolha do con eúdo u e ino pa a ealização de cul u a e an ibiog ama, e o ma e ial con aminado, incluindo ins umen os e lu as, de e se subs i uído po ma e ial es e ilizado, o que oi ealizado nes e caso. Po im, de e- se la a o abdómen com so o isiológico mo no e echa .2,3 No pós-ope a ó io de em-se adminis a analgésicos con o me necessá io 2, endo-se adminis ado amadol du an e 2 dias no caso da Gaba ina. A luido e apia de e se man ida a é que o animal es eja a come e a bebe no malmen e e a an ibio e apia de e du a 10 a 14 dias. No caso da Gaba ina, iniciou-se an ibio e apia empí ica de amplo espec o com ce iaxona e me onidazol IV, man ida após os esul ados da cul u a e an ibiog ama do con eúdo u e ino já que a E. coli isolada e a sensí el à 30 ce iaxona. Ao al e a a ia de adminis ação dos an ibió icos e endo em con a que não exis e ce iaxona pa a adminis ação o al, op ou-se pela u ilização de ou a ce alospo ina de 3ª ge ação (ce ixima). Após es e p o ocolo (me onidazol + ce alospo ina) iniciou-se a adminis ação de doxiciclina, à qual o En e ococcus aecalis e a sensí el, du an e 10 dias. A adminis ação simul ânea de um bac e ios á ico e de um bac e icida não é aconselhada, pelo que não oi e e uada nes e caso a associação da e aciclina com nenhuma das ce alospo inas. Além das complicações associadas a uma OVH ele i a (hemo agia, in eção, deiscência de su u as, incon inência u iná ia, o á io emanescen e, ligadu as aciden ais do u e e , incon inência u iná ia, adesões e ís ulas), numa OVH pa a a amen o de pióme a ambém pode oco e sep icémia, endo oxémia, pe i oni e e pióme a do co o.2 O p ognós ico após a OVH é bom, se o e i ada a con aminação abdominal, con olados o choque e sepsis e e e ido o dano enal, sendo a axa de mo alidade de ap oximadamen e 5 a 8%.2 Dois dias após a ci u gia a Gaba ina es a a ale a, já não ap esen a a ano exia e a azo emia inha sido e e ida. Bibliog a ia: 1. Da idson AP (2014) “Chap e 59 – Female and Male In e ili y and Sub e ili y” In Nelson RW, Cou o CG (Eds.) Small Animal In e nal Medicine, 5 h Ed, Else ie Mosby, pp.: 952-955 2. Fossum TW (2007) “Chap e 26 – Su ge y o he Rep oduc i e and Geni al Sys ems” In Fossum TW (Ed.) Small Animal Su ge y, 3 h Ed, Else ie Mosby, pp.: 737-742 3. F ansson BA, Ragle CA (2003) “Canine Pyome a: An Upda e on Pa hogenesis and T ea men ” Compendium 25, n.8, 602-612 4. P e ze SD (2008) “Clinical p esen a ion o canine pyome a and mucome a: a e iew” The iogenology 70, 359-363 5. Ve s egen J, Dhaliwal G, Ve s egen-Onclin K (2008) “Mucome a, cys ic endome ial hype plasia, and pyome a in he bi ch: Ad ances in ea men and assessmen o u u e ep oduc i e success” The iogenology 70, 364-374 31 Anexo I: Neu ologia – Poli adiculoneu i e / polimiosi e in eciosa po Toxoplasma gondii Bioquímica Sé ica Pa âme o Re e ência Duque (admissão) Duque (8º dia) Duque (28º dia) BUN (mg/dL) 9,2 – 29,2 25,2 P o eínas To ais (g/dL) 5,0 – 7,2 6,7 Albumina (g/dL) 2,6 – 4,0 3,4 ALT (U/L) 17 – 78 >1000 504 103 Bili ubina o al (mg/dL) 0,1 – 0,5 0,6 0,3 Glicose (mg/dL) 70-120 102 CPK (U/L) 49-166 >2000 Tabela 2 – Plano de isio e apia ealizado duas ezes po dia, du an e o in e namen o. Tabela 3 - T a amen o de supo e ealizado no Duque du an e o in e namen o. Fisio e apia Modalidade Bene ícios Mo imen ação Passi a Man ém a lexibilidade; man em in eg idade das a iculações, músculos e endões Elec oes imulação anscu ânea (TENS) Alí io da do ; aumen o da ci culação. Es imulação elé ica neu omuscula (MNES) Aumen a a o ça muscula ; con a ia a a o ia muscula Con ação muscula a i a T eino da ma cha (apoio com bola de isio e apia / oalhas) T a amen o de Supo e Maneio da bexiga Comp essão manual 3 a 4 ezes po dia. Maneio in es inal Enema no 2º dia de in e namen o após isualização de um ecaloma no aio X. Colocação sob e bola de isio e apia pa a que de ecasse. T a amen o da pele Manu enção do Duque limpo e seco. Úlce as de decúbi o Mudança do decúbi o cada 4-6 ho as. Tabela 1 - Bioquímica Sé ica do Duque. Os alo es al e ados encon am-se somb eados. De no a uma diminuição subs ancial dos ní eis de ALT no 8º e 28º dias de a amen o. 32 Figu a 1- Fisio e apia do Duque: A. es imulação elé ica; B. eino da ma cha. Figu a 2 - A o ia dos músculos empo ais 33 Anexo II: De ma ologia – Demodicose Canina Figu a 1 – A, B, C: Poppey na p imei a consul a – alopécias e hipe pigmen ação nos memb os, egiões abdominal e inguinal; pápulas e pús ulas na egião inguinal. Figu a 2 – A, B, C: Consul a de con olo do Poppey ês semanas depois de iniciado o a amen o. Zonas alopécicas menos e i ema osas e sem pápulas nem pús ulas. Figu a 3 – D canis isualizado ao mic oscópio ó ico (obje i a de 10x). 34 Anexo III: U ologia – Pielone i e Figu a 1 – Ecog a ia da Salomé no dia da consul a- pel e enal di ei a dila ada. Hemog ama Comple o Salomé Re e ência Salomé Re e ência Hema óc i o (%) 39,8 39,0-56,0 Leucóci os (x109/L) 26,4 6,0-17,0 Hemoglobina (g/dL) 12,3 11,0-19,0 Lin óci os (x109/L) 5,9 0,8-5,1 E i óci os (x1012/L) 5,70 5,50-8,50 Monóci os (x109/L) 0,8 0,0-1,8 VGM ( L) 70,2 62,0-72,0 G anulóci os (x109/L) 19,7 4,0-12,6 MCHC (g/dL) 30,9 30,0-38,0 Plaque as (x109/L) 216 117-460 MCH (pg) 23,2 20,0-25,0 MPV ( L) 8,7 7,0-12,0 RDW (%) 13,0 11,0-15,5 PDW 16,3 Bioquímica Sé ica Salomé Re e encia P o eínas To ais (g/dL) 7,1 5,0-7,2 Albumina (g/dL) 3,3 2,6-4,0 ALT (U/L) 38 17-78 BUN (mg/dL) 11,5 9,2-29,2 C ea inina (mg/dL) 0,8 0,4-1,4 Glicose (mg/dL) 105 70-120 Tabela 1 – Hemog ama comple o da Salomé (os alo es al e ados encon am-se somb eados). Tabela 2 – Bioquímica sé ica da Salomé. 35 Anexo IV: Endoc inologia – Hipo i oidismo p imá io Fa o es p edisponen es pa a o desen ol imen o de pielone i e em pequenos animais Ca ego ias Condições Congéni as / He edi á ias U e e ec ópico Displasia enal In eciosas ITU bac e iana In eções sis émicas In eção po FIV ou FeLV In lama ó ias In lamação secundá ia a u óli os ou ca e e es u e ais Imuni á ias Doença imunomediada (LES) Te apia com co icos e oides Hipe ad enoco icismo In eção po FIV ou FeLV Me abólicas Endoc inopa ias (hipe ad enoco icismo, diabe es melli us) Insu iciência enal (Qualque condição que le e a poliú ia) Ia ogénicas Te apia com co icos e oides Ca e e ização u e al Obs u i as Neoplasia do a o u iná io Cálculos Foco in lama ó io T aumá icas / Degene a i as T auma espinhal com dis unção neu ogénica da bexiga Tabela 3 – Fa o es p edisponen es pa a o desen ol imen o de pielone i e em pequenos animais (adap ado de Pa y, 2005). Figu a 1 – “Exp essão acial ágica” do Tico no dia da consul a.