Projecto de dinamização da Biblioteca Solidária Alda do Espírito Santo
Full text
Janei o, 2012
Nome
Sa a Ga izo Ta a es
O ien ação:
Ca la Alexand a Coelho
P ojec o Final: Lei u a, Ap endizagem e In eg ação das
Biblio ecas nas Ac i idades Educa i as
P ojec o de Dinamização da
Biblio eca Solidá ia Alda do Espí i o San o
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Resumo
Es e p ojec o nasce da on ade de se apoia uma biblio eca solidá ia, in eg ada
num meio onde o li o e a lei u a não assumem a de ida impo ância e onde os ní eis
de ili e acia são bas an e ele ados.
O abalho é sus en ado numa dimensão eó ica que eme e pa a as á ias
abo dagens ao ensino da lei u a – desde os mé odos ascenden es aos mé odos globais –
salien ando os aspec os cogni i os mas ambém sociológicos ine en es à sua
ap endizagem. Acima de udo, ealça-se a necessidade de um conhecimen o p o undo
des es mé odos, como o ma de se desen ol e em acções pe inen es pa a uma melho ia
signi ica i a dos ní eis de li e acia das comunidades em que a e e ida biblio eca es á
inse ida e de ou as comunidades de âmbi o geog á ico mais dis an e.
Pa e-se do p essupos o de que quan o mais ele ados os ní eis de li e acia dos
cidadãos melho se á a sua qualidade de ida, pelo que é impo an e implemen a em-se
dinâmicas que con ibuam de o ma inques ioná el pa a o desen ol imen o de
compe ências como a lei u a, a audição, o cálculo, o aciocínio e o pensamen o c í ico.
Desen ol e compe ências de li e acia é desen ol e -se um ce o sen ido de libe dade
e um conjun o de di e en es ap idões numa ap endizagem p og essi a, ao longo da ida.
A conc e ização des es p incípios passa po um abalho coope a i o e de
ges ão de pa ce ias en e as á ias ins i uições que cons i uem uma comunidade. O
papel das biblio ecas, hoje em dia, ex apola o simples desígnio de sala de lei u a e
implica uma acção mais ala gada e di e si icada pa a um público di e enciado. Assume-
se, po an o, a necessidade de um abalho conjun o en e biblio ecas, au a quias,
emp esas locais, associações e amílias. E de ende-se a pe inência des a colabo ação,
po se conside a que a escola não de e e não pode se a única ins i uição esponsá el
po uma ap endizagem que se que ao longo da ida.
A execução des e p ojec o p essupõe a ealização e implemen ação de uma sé ie
de ac i idades que p e ende se um con ibu o en iquecedo pa a a dinâmica da
Biblio eca Solidá ia Alda do Espí i o San o, em S. Tomé, e susci a um maio in e esse
po pa e de jo ens e adul os S. Tomenses pelo mundo dos li os e das a es da
imaginação. A conc e ização des es p essupos os se á decisi a pa a o culmina de uma
ambição maio : o cump imen o dos Objec i os de Desen ol imen o do Milénio.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Abs ac
This p ojec a ises om a will o suppo a join lib a y wo king in a place
whe e books and eading a e no acknowledged as a p io i y and whe e he illi e acy
le els a e qui e high.
This p ojec s ands on a heo e ical dimension ha leads us o se e al app oaches
abou he eaching o eading – om he ascendan o he global me hods – by
highligh ing no only he cogni i e bu also he sociological aspec s ela ed o he
lea ning o eading. Abo e all, one unde lines he need o a deep knowledge o hese
me hods as a way o de elop ele an ac ions o he signi ican imp o emen o he
li e acy le els o he communi ies whe e his lib a y s ands as well as om o he
geog aphically a he communi ies.
Based on he assump ion ha he highe he li e acy le els o he ci izens, he
be e hei li ing condi ions will be, his p ojec aspi es o ca y ou wi h ac i i ies ha
gi e an unques ionable inpu o he de elopmen o skills like eading, lis ening,
nume acy, easoning and c i ical hinking. The de elopmen o li e acy compe ences
equi es a sense o eedom and a se o se e al skills in a p og essi e li e long lea ning
p ocess.
The accomplishmen o hese p inciples demands a coope a i e wo k and he
managemen o pa ne ships be ween he di e en ins i u ions ha o m he communi y.
Nowadays, he ole o lib a ies goes beyond he simple unc ion o a eading oom and
i also implies an enla ged and a ied ac ion o a a ied audience. Thus, his new ole o
lib a ies should be iewed wi hin a con ex o a collabo a i e wo k among lib a ies,
local au ho i ies, local companies, associa ions and amilies. The e o e, i is assumed
ha his collabo a ion is e y ele an as school should no and can no be he only
esponsible ins i u ion o a li e long lea ning.
The pe o ming o his p ojec implies he achie emen and implemen a ion o a
se o ac i i ies ha migh be an en iching con ibu ion o he dynamics o he Join
Lib a y Alda do Espí i o San o in S. Tomé and ha migh p omo e a posi i e
in ol emen o he you h and adul s om S. Tomé in he wo ld o books and he a s o
imagina ion. The accomplishmen o hese assump ions will be decisi e o espond o a
la ge ambi ion: he ul ilmen o he Millennium De elopmen Goals.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Índice
In odução – ema e âmbi o do p ojec o ……………………………………………… 5
I. Enquad amen o Teó ico
1.1. A ap endizagem da lei u a …………………………………………………….... 8
1.2. Cons angimen os na ap endizagem da lei u a ……….……...…...………….... 12
1.3. Como a aquisição de compe ências de li e acia acili a á o cump imen o dos
Objec i os de Desen ol imen o do Milénio ………………………..…………….. 16
II. Enquad amen o P á ico
2.1. Ap esen ação do p ojec o ………………………………………….…………. 20
2.2. Financiamen o do p ojec o ………………………………………………..….. 21
2.3. C onog ama das Cacau i idades ……………………………………………… 22
2.4. Cacau i idades……………………………………………………...…………. 23
Conside ações Finais …………………………………………………………...….… 48
Cons angimen os e limi ações do abalho …………………………………….…… 49
Bibliog a ia ……………………………………………………………………….….. 50
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Semp e imaginei o pa aíso como
uma espécie de biblio eca.
Jo ge Luís Bo ges
In odução – ema e âmbi o do p ojec o
Es e p ojec o su ge na sequência da equência da Pós-G aduação em Lei u a,
Ap endizagem e In eg ação das Biblio ecas nas Ac i idades Educa i as, p ocu ando
alia conhecimen o eó ico adqui ido no cu so com um p ojec o p á ico a aplica numa
biblio eca solidá ia. Tendo p esen e que es e ano se comemo a o Ano Eu opeu do
Volun a iado, e que a au o a des e abalho – po exe ce olun a iado – omou
conhecimen o das necessidades de dinamização de uma biblio eca em S. Tomé e
P íncipe, p e endemos elabo a um p ojec o ( olun á io) que aga um con ibu o
en iquecedo a es a biblio eca.
Assumindo que quan o mais ele ados são os ní eis de li e acia de um po o
melho é o seu ní el e a sua qualidade de ida, começa emos po ece algumas
conside ações eó icas sob e a ap endizagem da lei u a, bem como sob e a impo ância
da li e acia nos nossos dias e do papel que as biblio ecas, no ge al, e es a, em pa icula ,
podem e de em de e jun o das suas populações. De ende emos a impo ância das
pa ce ias en e escolas e biblio ecas, bem como en e biblio ecas e ins i uições da
comunidade local, como o ma de conc e iza mos a ambição de con ibui mos pa a
ele a os ní eis de li e acia dos jo ens e adul os da ilha de S. Tomé.
Nas sociedades mode nas le adas, o domínio de complexas compe ências de
li e acia es á elacionado não só com o acesso a de e minadas p á icas discu si as de
impo ância socialmen e econhecida, mas ambém a ques ões de pode , de
conhecimen o e de cidadania. O p og ama Objec i os de Desen ol imen o do Milénio é
a cla a e idência de quão de e minan es são as ques ões de educação e de li e acia pa a
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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odos os cidadãos do mundo. Toda ia, os países em desen ol imen o ainda êm um
longo caminho a pe co e quan o ao acesso de odas as c ianças ao ensino p imá io
uni e sal. Em oda a ilha de S. Tomé, apenas 45 mil jo ens equen am a escola, sendo
que den e uma população de 160 mil pessoas, 75% são jo ens com menos de 25 anos.
É, pois, necessá io que os go e nos dos países desen ol idos assegu em que os
países em desen ol imen o canalizem não só maio es o çamen os pa a as ques ões da
educação, como ambém que apoiem as amílias pob es, “sob condição de os seus
ilhos, especialmen e as apa igas, es a em escola izadas”1. Pa a isso os países
desen ol idos de em apoia os países em desen ol imen o, ga an indo os ecu sos
necessá ios pa a o cump imen o dos Objec i os do Milénio. Toda ia, as biblio ecas, na
sua o ganização e dinâmica ac ual, são ambém, no nosso en ende , um ecu so
essencial pa a a implemen ação des es objec i os, ao ní el das ques ões da educação.
O p incipal objec i o des e abalho é es u u a um conjun o de ac i idades que
con ibua pa a a dinamização da Biblio eca Solidá ia Alda Espí i o San o, in eg ada na
CACAU – Casa das A es, C iação, Ambien e e U opias, ambas da esponsabilidade da
associação ROÇAMUNDO, em S. Tomé e P íncipe. Na p imei a pa e des e abalho,
abo da emos os di e en es mé odos eó icos a conside a no ensino da lei u a, sem
des aca mos algum em pa icula , mas ealçando a impo ância do conhecimen o de ais
mé odos po pa e de quem abalha numa biblio eca, como o ma de melho o ien a as
acções a desen ol e . Na segunda pa e do abalho, ap esen a emos um conjun o de
ac i idades a implemen a pa a a dinamização da biblio eca solidá ia e pa a uma
e ec i a in e acção com o espaço en ol en e, mais especi icamen e com a comunidade
local, bem como com as comunidades mais a as adas, com o in ui o de modi ica modos
de ida (ile ados) e coope a na conc e ização dos Objec i os de Desen ol imen o do
Milénio ela i os à educação.
O p incípio o ien ado des a p opos a é o inc emen o de acções que con ibuam
cla amen e pa a o desen ol imen o de compe ências como a lei u a, a esc i a, o cálculo,
o pensamen o c í ico e o conhecimen o cul u al, que pe mi am ao lei o , esc i o ou
alan e econhece o uso adequado da linguagem em si uações sociais especí icas,
ele ando o seu ní el de li e acia e, consequen emen e, o nando-o um cidadão com mais
pode pa a acede a con ex os socialmen e econhecidos. É nossa ambição que as
Cacau i idades mo i em os di e en es públicos pa a uma maio pa icipação nas acções
1h p://www.objec i o2015.o g/inicio/index.php?op ion=com_con en & iew=a icle&id=81&I emid=20
5, consul ado no dia 22 de Se emb o de 2011.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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des a biblio eca, en ol endo-os na sua dinâmica e con ibuindo pa a a melho ia dos
ní eis de li e acia de pessoas excluídas social e in o macionalmen e, ca i ando-as pa a o
mundo dos li os e das a es, e pa icipando na melho ia das suas condições de ida.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Eu sou uma pa e de udo o que li.
John Kie an
I. Enquad amen o eó ico
1.1. A ap endizagem da lei u a
A ap endizagem da língua ma e na é um p ocesso não apenas cogni i o mas
ambém sociológico. As di e en es e p og essi as ases de ap endizagem es ão
in eg adas em con ex os á ios e undamen ais, como a amília das c ianças, e es a
ci cuns ância e ela-se de e minan e no domínio linguís ico que as c ianças êm quando
chegam à escola. Mas, pa a além disso, a in es igação comp o a que o con ac o das
c ianças com o li o, desde en a idade, p opicia o seu desen ol imen o, inci a à
descobe a e es imula a imaginação e a c ia i idade. Toda ia, mui as das c ianças que
nos chegam à escola não azem desen ol ida uma p á ica de manuseamen o e de
p oximidade com o li o, o que p olonga o p ocesso de educação pa a a lei u a e pa a o
li o.
Sousa (1990: 115-116) e e e que há duas e en es associadas à lei u a: “a
alo ização da sa is ação que chama emos de p imei o g au, is o é o p aze imedia o de
en a esol e os enigmas susci ados pelas es u u as ex uais de supe ície e a
iden i icação de pessoas, si uações e alo es; num segundo g au, a possibilidade que
pela lei u a nos é dada de explo a e de ini o alo e sen ido da expe iência humana,
bem como a de desen ol e a sensibilidade pessoal e a consciência social e mo al […]”.
En endida como uma a i idade essencialmen e cogni i a, a lei u a p essupõe
ní eis de p ocessamen o de in o mação que é an ajoso conhece mos, de modo a
delinea mos um plano de lei u a adequado a c ianças em ap endizagem, po um lado, e
a melho comp eende mos as di iculdades sen idas po mui as, po ou o. Assim, no
âmbi o des a a i idade há que sabe quão necessá io é, que as c ianças possuam um
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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domínio da língua que ão ap ende a le , nomeadamen e em e mos de ocabulá io
básico; que comp eendam o ca ác e simbólico e abs a o da esc i a; que enham uma
“consciência” ge al da es u u a segmen al da linguagem alada e que comp eendam a
elação en e g a emas de onemas (Viana e Teixei a, 2002: 86).
No p ocesso de ap ende a le são inúme os os modelos de lei u a que podem se
adop ados. Os modelos ascenden es (Gough, 1972, La Be ge e Samuels, 1974) de inem
a lei u a como um pe cu so linea e hie a quizado em que se pa e de p ocessos
psicológicos p imá ios – como jun a le as – a p ocessos cogni i os de o dem supe io
– p odução de sen ido. Nes e sen ido, um lei o compe en e é aquele que domina bem o
p ocesso de descodi icação. Os modelos de p ocessamen o de in o mação de o ien ação
descenden e (Goodman, 1967 e Smi h, 1978), po sua ez, de endem que a lei u a se
baseia no uso de in o mações sin ác ico-semân icas. Con udo, as posições c í icas a
es es modelos conduzi am ao apa ecimen o dos modelos in e ac i os, que não incidem
numa elação dico ómica en e o dem supe io e o dem in e io , mas an es na u ilização
simul ânea e in e ac i a de capacidades de o dem supe io e de capacidades de o dem
in e io no ac o de le .
Um dos mais conhecidos modelos in e a i os de lei u a (Ellis, 1989) demons a
que quando um lei o não econhece uma pala a, ele p ocede duma de duas o mas:
eco endo ao con ex o pa a en a iden i ica a pala a ou azendo co espondências
g a ema/ onema que lhe pe mi em acede a uma o ma onémica da pala a. O sis ema
audi i o do lei o p ocede, en ão, a uma a aliação da exis ência dessa pala a. Nes e
modelo podem e i ica -se di e en es sis emas de econhecimen o em simul âneo: o
audi i o e o isual, pelo que ambém se designa es e modelo como modelo de “ ias
pa alelas”.
Em co espondência com os modelos ap esen ados podem se adop ados
a iados mé odos pa a o ensino da lei u a. Os mé odos sin éc icos, ambém designados
al abé icos, ónicos e silábicos incidem na le a, no onema ou na sílaba,
espec i amen e. Nes es mé odos, pa e-se de uma unidade singula ( onema) pa a a
sílaba, depois pa a a pala a e pa a as ases. A e en e abs ac a ine en e a es es
mé odos conduziu ao abandono dos mesmos, passando-se a ensina as g a ias e os sons
com o auxílio do desenho de um objec o cujo nome inco po a o som a se es udado. O
mé odo onomímico apa eceu pos e io men e, incidindo o ensino da lei u a na
a ibuição de um sen ido eal pa a cada ligação som-le a. Assim, pa a a memo ização
de de e minada le a, as c ianças e ocam um de e minado som, associando-o à le a
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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A ecnologia do u u o eque , não milhões de
homens le ados, p on os a abalha em em
uníssono, em a e as epe i i as nem a obedece
cegamen e a o dens, mas homens que possam
o mula juízos c í icos, que possam encon a os
seus caminhos a a és de ambi alências no as,
que es ejam ap os a localiza no os
elacionamen os den o da ealidade apidamen e
em mu ação.
To le
1.3. Como a aquisição de compe ências de li e acia acili a á o cump imen o
dos Objec i os de Desen ol imen o do Milénio
Se a é há alguns anos a ás, quando se ala a de anal abe os se designa am as
pessoas que não sabiam le nem esc e e , hoje em dia, ala -se de ili e acia não se
esume apenas às ac i idades de le e de esc e e . O e mo li e acia ganhou uma
dimensão mui o mais ala gada e nem semp e consensual.
Ac ualmen e, um cidadão com ele ados ní eis de li e acia é um cidadão que
adqui iu não só de e minadas compe ências, como ambém as sabe usa adequadamen e
nos di e en es con ex os sociais em que i e. O Aus alian S amp Bulle in (no. 203
Janua y-Ma ch 1990: 10) ealça que a li e acia en ol e a in eg ação da audição, ala,
lei u a, esc i a, pensamen o c í ico e nume acia. Ana Bena en e (1995: 23) sublinha que
a li e acia em que e não com o que as pessoas ap ende am em de e minado momen o
das suas idas, mas an es com a sua capacidade de usa em o que ap ende am em
si uações da ida. Di o po ou as pala as, a li e acia consis e na capacidade de
p ocessamen o da in o mação esc i a na ida quo idiana. Como e e e F ancisco (2008:
7), ci ando Ana Bena en e e Rosa (1995), o domínio de “coisas simples” do dia-a-dia
eque li e acia, nomeadamen e pa a p eenche um cheque, en ende uma p esc ição
médica, consul a um ho á io de au oca o, pedi co ec amen e uma in o mação de
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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modo a ica escla ecido, a a do IRS, sabe calcula uma axa de ju o ou p ocu a
emp ego a a és dum anúncio de jo nal.
Mo a (2005: 9) de ende que a li e acia é uma capacidade de uso de compe ências
que não se pode es ingi a um de e minado momen o e que não é álido pa a odo o
empo e semp e. Po conseguin e, os ní eis de li e acia êm que se is os no quad o dos
ní eis de exigência duma sociedade num de e minado momen o. A p óp ia democ acia
de e mina o enquad amen o des as exigências, como condição de cidadania. As acções
de en ende , o ganiza , e lec i , in e p e a e in e - elaciona são acções cons i u i as do
concei o de li e acia, que são undamen ais pa a a comp eensão do mundo, da ida e dos
enómenos sociais. O exe cício duma cidadania plena eque dos cidadãos a
in e p e ação dos enómenos complexos da con empo aneidade que os en ol em, bem
como a pa icipação plena na go e nação dos es ados.
Robe o Ca nei o (ibidem: 41) ad oga que a ili e acia é um obs áculo eal ao
desen ol imen o, à qualidade da ida colec i a e uma ba ei a ao p og esso da cidade,
explici ando a sua concepção sociológica do e mo do seguin e modo:
A pleni ude da li e acia ul apassa os me os con eúdos écnicos
ou cu icula es pa a aba ca e e enciais axiológicos – pessoais e
sociais – que de e minam a consciência do bem comum, o igo
mo al (é ico) na condu a quo idiana, a noção do es o ço e a
p imazia da esponsabilidade pessoal.
Tendo em con a as exigências do mundo de hoje, sob e udo em e mos
p o issionais e sociais, o na-se imp escindí el que as pessoas exe çam e ec i amen e
compe ências como as de libe dade e de au onomia, que pa icipem ac i amen e na ida
social e cí ica, de modo a que sejam ga an idas mais condições pessoais de
emp egabilidade e de in eg ação plena num sis ema p odu i o complexo.
No âmbi o do Rela ó io pa a a Unesco da Comissão In e nacional sob e
Educação pa a o século XXI (1996), Jacques Delo s iden i ica os qua o pila es da
educação pa a o século XXI: ap ende a se , ap ende a conhece , ap ende a aze e
ap ende a con i e , in eg ando-os numa pe spec i a de ap endizagem ao longo da
ida. Segundo o au o , o ap ende a se consis e no desen ol imen o de uma cada ez
maio au onomia, disce nimen o e esponsabilidade social; o ap ende a conhece
p essupõe uma cul u a ge al ampla, po enciando as opo unidades o e ecidas pela
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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educação ao longo da ida; o ap ende a aze es ende-se pa a além da quali icação
p o issional, in eg ando ambém a ap idão pa a abalha e pa a abalha em equipa,
bem como o ap ende a aze a pa i de expe iências sociais e de abalho; e o ap ende
a con i e , eside na sensibilização pa a a comp eensão do ou o e pa a a pe cepção das
in e dependências (que na ealização de p ojec os comuns que na ges ão de con li os),
com is a a omen a o espei o pelo plu alismo, pela comp eensão mú ua e pela paz.
Na página elec ónica da Unesco podemos ainda le que a li e acia é um eículo
pa a apoia o cump imen o dos Objec i os de Desen ol imen o do Milénio e pa a da
pode aos pob es, em pa icula . Como uma componen e da educação básica e uma
undação pa a a ap endizagem ao longo da ida, a li e acia é a cha e pa a desen ol e
capacidades humanas e pa a a ingi mui os ou os di ei os. Não obs an e a sua
impo ância, a li e acia não é, de aco do com Reis (2005), uma compe ência neu al ou
inocen e. Como eículo de disseminação de alo es e de p á icas, a li e acia es á
ideológica e poli icamen e cono ada, pois, no limi e, pode se usada como meio de
con olo social e como uma a ma p og essis a na lu a pela emancipação.
Face ao expos o, podemos conclui que, apesa de não ha e um consenso
e iden e quan o a um en endimen o sob e li e acia, odos os au o es de endem um
sen ido de libe dade, pensamen o c í ico e ap idões á ias numa ap endizagem
p og essi a, que se az ao longo da ida. O p incípio da p og essão ou da con inuidade
é, se quise mos, o pon o comum à maio ia dos au o es. E pe an e a complexidade que
en ol e a aquisição e o desen ol imen o das e e idas compe ências é, no nosso
en ende , essencial que á ias ins i uições – biblio ecas, au a quias, amílias, emp esas,
associações – a iculem a sua acção, no sen ido de não se esponsabiliza
exclusi amen e a ins i uição escola po uma ap endizagem que se que ao longo da ida
e que ex apola cla amen e a educação o mal adqui ida en e os mu os des a
ins i uição. Es a necessidade de a iculação e pa ce ia su ge como mais e iden e se
a ende mos aos oi o Objec i os de Desen ol imen o do Milénio3, os quais não
dependem in ei amen e da ap endizagem adqui ida nas escolas, mas que c uzam em
la ga medida as di e sas dimensões sociais e polí icas que compõem as sociedades
mode nas e que passamos a ci a :
3 Vide h p://www.un.o g/millenniumgoals/
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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1) E adica a pob eza ex ema e a ome;
2) Alcança o ensino p imá io uni e sal;
3) P omo e a igualdade de géne o e a au onomização da mulhe ;
4) Reduzi a mo alidade de c ianças;
5) Melho a a saúde ma e na;
6) Comba e o VIH/SIDA, a malá ia a ou as doenças;
7) Ga an i a sus en abilidade ambien al;
8) C ia uma pa ce ia global pa a o desen ol imen o.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Não é a ambição nem a busca de iqueza ma e ial
ou no o iedade que os mo e… São empu ados
pela on ade de ajuda , pela p ocu a de iqueza
emocional e pela ce eza de pode em da um
con ibu o pa a a cons ução de um u u o
di e en e e melho e, assim, aze a di e ença…
São olun á ios…
in AMI4
II. Enquad amen o P á ico
2.1. Ap esen ação do p ojec o
A nossa isão do mundo, da educação e do papel que as biblio ecas êm e podem
e cada ez mais nas idas de pessoas pob es e sem ins ução, az-nos ac edi a que a
ap esen ação des e p ojec o pode aze algum con ibu o en iquecedo pa a a ac i idade
da Biblio eca Alda do Espí i o San o em S. Tomé e P íncipe. Ao oma mos
conhecimen o das necessidades des a biblio eca, p incipalmen e da necessidade de
no as ideias pa a a dinamização da sua acção, concebemos algumas ac i idades que,
não endo sido ealizadas a é ao momen o po es a biblio eca, possam con ibui pa a
uma in e enção e icaz jun o das suas populações.
Todas as ac i idades são pensadas endo em con a o con ex o pa a onde ão se
ap esen adas, mas o desconhecimen o de alguns aspec os locais e o ganizacionais que
não nos o am dados a conhece , le a-nos a sublinha que qualque uma das ac i idades
p opos as de e se ajus ada à ealidade a que o expos a, con o me as suas
especi icidades. Dependendo da na u eza do g upo de abalho que implemen a es as
dinâmicas e da in e acção des e com as á ias ins i uições pa cei as, maio (ou meno )
4 h p://www.ami.o g.p , acedido em 20 de Ou ub o de 2011
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
21
se á o alcance das acções des e p ojec o. A nossa expe iência de colabo ação em
equipas de abalho de Biblio ecas Escola es pe mi e-nos a i ma que a pa ilha do
mesmo en usiasmo e a dedicação a um p ojec o são imp escindí eis pa a a sua execução
plena e posi i a.
Em qualque p ojec o de olun a iado que pa icipemos, o nosso pon o de
pa ida é assumi mos que o nosso con ibu o pode aze semp e di e ença – pa a melho
– no mundo dos ou os, po mais pequeno que ele seja. É com es a con icção e
ac edi ando no abalho que a equipa des a biblio eca já desen ol e, que c emos que
es e p ojec o pode muda um pouco o mundo de ou os, que apenas p ecisam de se
es imulados e ca i ados pa a os mundos do li o e da imaginação, bem como le ados a
ac edi a que o u u o pode se di e en e e auspicioso.
2.2. Financiamen o do P ojec o
Apesa de a con ibuição de mui os pa cei os na CACAU, um p ojec o des a
dimensão eque alguns cus os, quan o mais não seja com as deslocações aos meios
u ais, bem como com algumas e amen as ecnológicas, que podem se subs i uídas
po ou as menos desen ol idas, mas as quais acili am mui o o abalho a desen ol e
den o e o a da biblio eca pela sua equipa.
Assim, suge imos a candida u a do p ojec o a um inanciamen o que apoie a
implemen ação de abalhos des e ca iz, po uma ins i uição com o es p essupos os
educacionais, cul u ais e de esponsabilidade social.
Algumas das ins i uições po uguesas e in e nacionais que passamos a
menciona apoiam p ojec os nas e e idas á eas ou mos am ecep i idade pa a
es abelece p o ocolos de coope ação com di e sas ins i uições ou p ojec os:
Nações Unidas
UNICEF
UNESCO
União Eu opeia
APEL – Associação Po uguesa de Edi o es e Li ei os
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Ins i u o Camões
Fundação Calous e Gulbenkian
Fundação Galp Ene gia
Fundação EDP Ilumina
Fundação PT
2.3. C onog ama das Cacau i idades
Ac i idade
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
Poesia da Semana
♣
Celeb ação de
E emé ides
Celeb ação de ac i idades
ela i as a cada mês
Tea o-Fó um
Ilus ação de his ó ias
Concu so de esc i a
Te úlias
Visionamen o de ilmes
Encenação de
his ó ias/ peças
Volun á ios pa a le em
oz al a
A a e ein e p e ada
Caça ao li o
15h non-s op
Legenda: Foi adop ada alea o iamen e uma co pa a cada ac i idade, assumindo-se o
mês de Agos o como o mês de é ias.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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2.4. Cacau i idades
* Poesia da Semana
P ocedimen o A:
Es a ac i idade desen ol e-se odas as semanas. Escolhe-se li emen e um
poema de esc i o es de língua po uguesa ou, quando assim o adequado, escolhe-se
um poema de aco do com alguma e emé ide da semana, con ex ualizando assim o ema
e a ado no poema escolhido. Numa ase mais a ançada do p ojec o, os p óp ios
lei o es-esc i o es pode ão colabo a com os seus poemas, sendo a ap eciação e selecção
dos mesmos da esponsabilidade do g upo de abalho da biblio eca.
O poema escolhido de e se abalhado de uma o ma c ia i a e in e essan e
g a icamen e e depois imp esso e eco ado. A sua dimensão de e se ela i amen e
pequena, de modo a pode unciona como um ma cado de li os (embo a não seja
ob iga ó io que uncione semp e assim). A Poesia da Semana de e e semp e o nome
do au o que a esc e eu e, opcionalmen e, a sua da a de nascimen o e de mo e, se o
caso disso. Os poemas são dis ibuídos pelos á ios espaços da biblio eca, bem como
pelos luga es mais p óximos ex e io es à mesma, no sen ido de se ca i a lei o es
cu iosos a i em e o que se az na biblio eca ou simplesmen e como o ma de di ulga
poesia pelo público em ge al.
No Dia Mundial da Poesia – dia 21 de Ma ço – pode -se-ão jun a odas as
“poesias da semana” dis ibuídas a é en ão e deco a o espaço da Biblio eca,
pendu ando-as com io de pesca.
A Poesia da Semana em como obje i os omen a o gos o pela lei u a,
desmis i ica a ideia de que a poesia é de di ícil comp eensão, di ulga poesia de
esc i o es de di e en es países de exp essão lusó ona e c ia uma comunidade de lei o es
di e si icada.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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P ocedimen o B:
Es a ac i idade pode se ap esen ada de ou a o ma. De ez em quando e de
aco do com a disponibilidade da equipa da biblio eca sai-se pa a a ua pa a le poesia
nos á ios sí ios da cidade ou da ila. Um g upo de alunos que colabo a habi ualmen e e
que pa icipa ac i amen e nas ac i idades p opos as pela biblio eca p epa a bem a
lei u a de alguns poemas que podem e sido “Poesia da Semana” ou que são alusi os à
emá ica do mês, à e emé ide do dia ou da semana. O g upo sai à ua, po lojas,
a mácias, ca és…, lendo os poemas que p epa a am espon aneamen e e su p eendendo
as pessoas.
Recu sos Ma e iais:
Folhas de papel colo ido;
Imp esso a;
Fo ocopiado a;
Tesou a;
Fio de pesca.
Recu sos Humanos:
Equipa da Biblio eca;
Volun á ios.
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* Celeb ação de E emé ides
P ocedimen o:
A celeb ação de e emé ides – que de âmbi o nacional, que de âmbi o
in e nacional – pode se conc e izada de di e en es o mas, de aco do com a
disponibilidade da equipa da biblio eca pa a p oduzi ap esen ações em egis o ídeo,
em powe poin , em ca azes, ou nou os an os egis os. Pode á ambém se p e ex o
pa a con ida esc i o es, a is as, músicos, polí icos e ou as pe sonalidades ele an es
pa a i em à biblio eca ala sob e o assun o comemo ado em de e minado dia.
Os dias de celeb ação que aqui suge imos incluem e emé ides especí icas de S.
Tomé e P íncipe, bem como e emé ides celeb adas in e nacionalmen e. P ocu ámos
di e si ica as emá icas e não sob eca ega cada mês com mui as e emé ides, mas só
a equipa da biblio eca sabe á decidi a equência com que pode á celeb a as
e emé ides p opos as.
4 de Janei o – Dia do Rei Amado
23 de Ab il – Dia Mundial do Li o e do Di ei o de Au o
29 de Ab il – Dia Mundial da Dança
15 de Maio – Dia In e nacional das Famílias
25 de Maio – Dia de Á ica
12 de Julho de 1975 – Dia da Independência de S. Tomé e P íncipe
12 de Agos o – Dia In e nacional da Ju en ude
8 de Se emb o – Dia Mundial da Al abe ização
21 de Se emb o – Dia In e nacional da Paz
1 de Ou ub o – Dia In e nacional da Música/ Dia In e nacional do Idoso
16 de Ou ub o – Dia Mundial da Alimen ação
17 de Ou ub o – Dia In e nacional pa a a E adicação da Pob eza
16 de No emb o – Dia In e nacional da Tole ância
20 de No emb o – Dia Uni e sal da C iança
25 de No emb o – Dia In e nacional pa a a Eliminação da Violência con a as
Mulhe es
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Recu sos Humanos:
Equipa da biblio eca;
Volun á ios;
Ilus ado es;
Público em ge al.
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* Concu so de esc i a, alusi o à emá ica de cada mês
P ocedimen o:
Em pa ce ia com as escolas, a biblio ecá ia isi a a escola pa a a sessão alusi a
à celeb ação de ac i idades ela i as a cada mês e, no inal dessa ac i idade, p opõe a
esc i a de ex os na a i os (ou de aco do com o géne o que a p o esso a de Língua
Po uguesa es i e a lecciona ) elacionados com a emá ica ap esen ada. A coope ação
en e biblio ecá ia e p o esso a de Língua Po uguesa é essencial.
Os abalhos dos alunos são eunidos no inal de cada mês e uma equipa de
abalho, cons i uída po p o esso es colabo ado es, biblio ecá ia, uncioná ia da
biblio eca e um pequeno g upo de alunos – cons i uindo uma espécie de jú i li e á io –
seleccionam o ex o com mais qualidade e que en endem de e ence o concu so. Os
alunos encedo es ganham um li o e passam a se colabo ado es especiais da
biblio eca – pode ão ecebe um Ca ão de Amigo da ins i uição.
Os abalhos encedo es pode ão ainda se i de pon o de pa ida pa a a
edacção de guiões/ ex os a se em abalhados pelo g upo do Tea o-Fó um, caso as
emá icas e a esc i a dos ex os sejam pe inen es pa a a execução da e e ida ac i idade.
Recu sos Ma e iais:
Li os;
Papel;
Ma e ial de esc i a;
Ca ão de Amigo.
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Recu sos Humanos:
Equipa da biblio eca;
P o esso es(as) de Língua Po uguesa;
Alunos(as).
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* Te úlias ao inal da a de
P ocedimen o:
Es a ac i idade de e ealiza -se no inal da a de de um dia da semana e di ige -
se a um público já lei o .
As e úlias pe mi i ão ao público pa icipan e da opinião, pa ilha lei u as ou pon os
de is a sob e li os que le am, alusi os à emá ica do mês ( e ac i idade 3). Os pon os
de is a pa ilhados nes es encon os são epo ados no jo nal edi ado pela CACAU.
Es es encon os são semp e acompanhados duma chá ena de chá ou de cacau.
Caso a inicia i a enha sucesso (ou seja, enha g ande ecep i idade po pa e do
público, em ge al) pode -se-ão ealiza as e úlias com emissão di ec a na ádio da
CACAU, ala gando-se o âmbi o de di ulgação da mesma.
Recu sos Ma e iais:
Li os;
Chá ou cacau;
Chá enas ou copos;
Jo nal;
Rádio.
Recu sos Humanos:
Equipa da biblio eca;
Público em ge al.
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* Visionamen o de ilmes ealizados a pa i de li os – cinema ao a li e
P ocedimen o A:
Duas ezes po mês, de e ão p ojec a e isiona -se ilmes que su gi am a
pa i de his ó ias esc i as em li o, como O Ca ei o de Pablo Ne uda, de An ónio
Ská me a; O Lei o , de Be nha d Schlink; A Casa dos Espí i os de Isabel Allende; en e
an os ou os…ou ilmes adap ados a pa i de ac os his ó icos do p óp io país, como é
o caso de Ba epá de O lando Fo una o.
O isionamen o dos ilmes, que pode á se uma pa ce ia en e o cineclube da
CACAU e a biblio eca, pode conc e izado de dois modos: conduzindo a uma sessão de
análise e deba e da emá ica abo dada em cada ilme, ou passando pa es dos ilmes sem
som e lendo-se em oz al a a pa e que lhes co esponde em li o. Qualque uma das
al e na i as de e se suges i a e es imula o público ao diálogo.
A emá ica abo dada nos ilmes eme e á necessa iamen e pa a his ó ias de
ou os li os não e a adas em ilme, pelo que o que se p e ende é que os adul os ou
jo ens que isionam os ilmes e lic am sob e as emá icas, os comen em de o ma
c í ica e cons u i a e pa ilhem opiniões e lei u as.
A ádio da CACAU pode se um bom meio de di ulgação, que da ac i idade
em si, que dos assun os discu idos nas sessões du an e ou após o isionamen o do
ilme. Pa a além disso, podem-se es abelece ligações en e os meios de discussão dos
assun os e a ados nos ilmes e as emá icas abo dadas na p óp ia ádio, e o çando-se,
assim, o desen ol imen o do pensamen o c í ico e a di ulgação de in o mação, bem
como a aquisição de conhecimen o, impo an e pa a a população, no ge al.
P ocedimen o B:
Suge imos ainda que alguns ilmes sejam p ojec ados no ex e io da CACAU
ou da Biblio eca Solidá ia Alda do Espí i o San o, mais especi icamen e numa das
pa edes b ancas do edi ício. Es a p opos a su ge com o in ui o de ca i a ou os
públicos, que no malmen e não equen am a biblio eca ou espaços cul u ais. Assim, as
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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p ojecções ao a li e acili a ão o acesso de ou os públicos à cul u a, es imulando o
seu in e esse po es as ac i idades e a aindo-os pa a pa icipa em com equência nes e
ipo de e en os.
Pa a as comunidades mais dis an es, p opomos que duas ezes po mês a equipa
da biblio eca se di ija a essas comunidades e p ojec e ilmes ao a li e. Pa a isso, é
necessá io aze alguma publicidade ao e en o, pelo que a ádio pode exe ce uma
unção impo an e nesse sen ido. A equipa da biblio eca de e p ocu a abalha com
olun á ios, de modo a que es es apoiem a ins i uição no desen ol imen o des e ipo de
ac i idades. Numa p imei a ase, o isionamen o dos ilmes é impo an e pe si, uma
ez que se p e ende di ulga ilmes inspi ados na li e a u a, dando a conhece di e sos
egis os cinema og á icos e es imulando-se as pessoas a descob i em o p aze do cinema
e ap ende em a gos a de cinema. Numa segunda ase, depois de alguma amilia idade
com es a ac i idade, é undamen al que se ão o ganizando sessões de deba e e de
pa ilha de opinião sob e as emá icas abo dadas nos ilmes p ojec ados, omen ando-se,
assim, a e lexão e o pensamen o c í ico da população, em ge al.
Recu sos Ma e iais:
Li os;
Videop ojec o ;
Filmes;
Documen á ios;
Espaço pa a p ojecção;
Ma e ial de som.
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Recu sos Humanos:
Equipa da biblio eca;
P o esso es(as);
Alunos(as);
Público em ge al.
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* Encenação de his ó ias/ peças
P ocedimen o:
No espaço de en e enimen o pa a as c ianças,
animado es(as) ou educado es(as) (que colabo am
habi ualmen e com a biblio eca) encenam á ias
his ó ias. Um exemplo de um p ojec o a desen ol e
pa a as c ianças é a encenação de A Laga inha Comilona de É ic Ca le.
C ianças mais elhas, que passam algum empo li e na biblio eca, p epa am
bem a his ó ia pa a a ap esen a em a c ianças mais no as. O p imei o g upo de c ianças
cons ói ma e iais alusi os à his ó ia, nomeadamen e a laga inha, o casulo, a bo bole a,
os alimen os que a laga inha come, o sol… com o apoio de educado es(as) e da
biblio ecá ia ai-se p epa ando o cená io e os espec i os ma e iais.
Os ma e iais de em se concebidos pa a manusea de modo a que, depois de
con ada a his ó ia e ap esen ada a encenação, as c ianças possam le an a -se e pega ,
mexe nos ma e iais. A laga inha pode se cons uída a pa i de um pedaço de pano,
mas a laga a maio pode se ei a com um pedaço de ubo de exaus o . O ubo é
pin ado, é ei a uma ca a à laga a que, po come mui o, se ans o ma numa laga a
g ande. Os olhos da laga inha e da laga a maio podem se dois be lindes ou dois
bo ões. Os alimen os podem se cons uídos com ma e iais á ios, como es e o i e, e
depois pin ados e espe ados em paus de espe ada.
Cabe aos animado es(as) e educado es(as) usa em da imaginação pa a mo i a
as c ianças na encenação e en usiasma as c ianças que ão ou i a his ó ia e assis i à
encenação pa a uma pa icipação ac i a na mesma. Es a ac i idade pode se aplicada e
ajus ada a ou as his ó ias.
Recu sos Ma e iais:
Li o de lei u a;
Mesa;
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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Lençol b anco;
Be lindes;
Bo ões;
Pedaço de pano;
A ame;
Paus de espe ada;
Fan oches;
Papel de seda;
Fi a-Cola;
Cola;
Es u u a de me al;
Sediela;
Tubo de exaus o ;
Tin as ou sp ays;
Pincéis.
Recu sos Humanos:
Equipa da biblio eca;
Animado es(as) ou Educado es(as);
C ianças;
P o esso es(as).
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
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* Volun á ios pa a le em oz al a: os jo ens mais elhos lêem às c ianças mais
no as
P ocedimen o:
Os alunos que cons i uem o g upo de ju ados do concu so de esc i a c ia i a
( ide ac i idade 6) e os alunos que ão ganhando p émios, conquis ando o es a u o de
Amigos da Ins i uição, são mo i ados pa a exe ce em olun a iado uma ez po
semana na Biblio eca Solidá ia Alda do Espí i o San o. Assim, a pa i de uma bolsa de
jo ens olun á ios calenda izam-se acções de lei u a em oz al a a desen ol e pelos
olun á ios às c ianças mais no as, es imulando o con ac o en e ge ações e
omen ando o sen ido de cidadania dos olun á ios.
Recu sos Ma e iais:
Li os.
Recu sos Humanos:
Volun á ios;
C ianças;
Biblio ecá ia.
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Conside ações Finais
Ap esen ado o p ojec o na sua dimensão eó ica e p á ica, com p opos as pa a
se em implemen adas num con ex o de ca ência li e ácica ele ada, é nosso desejo que o
passo seguin e seja um no o con ac o com a ins i uição, no sen ido de lhe ap esen a
es e abalho. P opomo-nos ainda apoia a Biblio eca Solidá ia Alda do Espí i o San o
de qualque ou a o ma que conside e pe inen e, nomeadamen e numa possí el
candida u a pa a inanciamen o des e p ojec o às ins i uições an e io men e e e idas
(ou ou as) ou numa pa icipação di ec a na implemen ação do p ojec o e seu
acompanhamen o.
Apesa de o que podemos le na página elec ónica da CACAU, ela i amen e à
igno ância como sendo um dos maio es p oblemas a esol e e um dos maio es
impedimen os ao desen ol imen o, c emos que a de e minação e a c ença de quem
dinamiza p ojec os des e ca iz são qualidades undamen ais pa a a ob enção de
esul ados posi i os. Não obs an e es a pe spec i a, ambém en endemos que a educação
é um p ocesso complexo e demo ado, que exige paciência e empo.
Algumas das ac i idades aqui p opos as, nomeadamen e as encenações, o am já
ealizadas com jo ens com epe ido insucesso escola que acaba am po abandona a
escola. Numa úl ima opo unidade pa a aze em a escola idade ob iga ó ia, es es jo ens
in eg a am um p og ama pa a a inclusão e a cidadania (PIEF), no qual i e am que
ealiza sessões de olun a iado em ins i uições locais e cons ui odos os ma e iais
elacionados com a encenação de uma his ó ia lida po eles. Hou e mui as esis ências a
ence e, sob e udo, uma baixa au o-es ima a alo iza , mas es es jo ens acaba am po
se empenha e desen ol e odos os passos necessá ios pa a a conc e ização do seu
p ojec o de olun a iado e das espec i as ac i idades, ap esen ando-o publicamen e.
À semelhança do exemplo que aqui mencionamos, ac edi amos que é possí el
ca i a os jo ens e adul os que con ibuem pa a os ele ados ní eis de ili e acia em S.
Tomé e P íncipe. Comba e o desin e esse e a igno ância é uma lu a á dua e demo ada.
Po ém, a de e minação e con iança dos que ac edi am nes e ipo de acção são decisi as
pa a con agia esses mesmos jo ens e adul os a cede em às ma a ilhas da lei u a, da
pa ilha de li os e de his ó ias, con ibuindo inques iona elmen e pa a o seu
c escimen o humano e, consequen emen e, pa a uma melho ia das suas condições de
ida bem como pa a um en iquecimen o das ge ações u u as.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
49
Cons angimen os e limi ações do abalho
Num mundo de media ismo e de e olução acele ada das no as ecnologias,
o na-se-nos na u al ansia mos pela ob enção de esul ados ápidos e imedia os a pa i
das acções que emp eendemos no nosso dia-a-dia. Como e e imos an e io men e, a
educação esul a num p ocesso complexo, sujei o a á ios cons angimen os e
dependen e de inúme as condições sociais, económicas e amilia es daquele(a) ou
daqueles(as) que são al o des e p ocesso. Assim sendo, educa exige dedicação, empo,
paciência e mui a pe sis ência.
Relemb ando que o con ex o pa a que es e p ojec o oi concebido se ca ac e iza
po ele ados ní eis de ili e acia, emos de conside a que a sua implemen ação possa –
inicialmen e – se demo ada, no sen ido de se i em a obse a mui as esis ências po
pa e das populações locais e, sob e udo, desin e esse ou a é descon iança po pa e de
jo ens que não a ibuem qualque impo ância à ap endizagem o mal ou que, po
no ma, não equen am espaços cul u ais. A maio di iculdade na conc e ização des e
p ojec o pode á se o p imei o en ol imen o dos jo ens e a é dos adul os nas
Cacau i idades.
Do pon o de is a da o ganização e implemen ação do p ojec o pode -se-ão
e i ica algumas limi ações no que se e e e aos ecu sos humanos e aos ecu sos
ma e iais. A dinamização das Cacau i idades passa pela cons i uição de uma equipa de
abalho de alguns elemen os – p e e encialmen e com á eas de o mação dis in as mas
complemen a es – necessá ios pa a a conc e ização das p opos as ap esen adas. P e ê-
se, po an o, a necessidade de con a ação de p o issionais com o mação especí ica nas
á eas ine en es à o ganização e dinamização da biblio eca, o que pode se um
cons angimen o em e mos de disponibilidade inancei a da ins i uição.
Em e mos dos ecu sos ma e iais, en endemos que odas as ac i idades pode ão
se adap adas aos ecu sos exis en es na biblio eca e na comunidade, mas ainda que se
eduzam as necessidades ao mínimo, se ão semp e necessá ias algumas e amen as
ecnológicas – como ideop ojec o , apa elho de som, compu ado – que acili a ão uma
implemen ação mais e icaz e u í e a des e p ojec o. Pa ece-nos, pois, impo an e o
es abelecimen o de p o ocolos de coope ação com ins i uições e emp esas locais, bem
como a candida u a do p ojec o pa a inanciamen o a algumas ins i uições que já
mencionamos no capí ulo ela i o ao inanciamen o do p ojec o.
Planeamen o e O ganização de Biblio ecas
50
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