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Envelhecimento, trabalho e cognição: 80 anos de investigação: revisões temáticas

Sara Ramos,Marianne Lacomblez

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52 Palab as-cla e En ejecimien o; abajo; cognición; his o ia; me odologías e - az, SIC Resumen Es a e isión emá ica iene po obje i o aza un ayec o po- sible pa a la his o ia de la in es igación sob e en ejecimien o y abajo, desc ibiendo la e olución de los es udios e ec uados en es e dominio, desde los p ime os abajos ealizados en los años 20 y sus desa ollos du an e el pe íodo de la posgue a has a la ac ualidad. Se p e ende efl exiona de o ma c í ica sob e la o ma como es a e olución ha ocu ido, las elaciones con las condiciones socioeconómicas y demog áfi cas que han ca ac e izado cada época y las implicaciones eó ico-me odoló- gicas que es a e olución ha p o ocado, an o en la o ma como es concep ualizado el en ejecimien o, como al ni el de los mé- odos p i ilegiados en las in es igaciones. Al ni el de las impli- caciones eó icas, se analiza án con más de alle los abo dajes cen ados en la dimensión cogni i a del en ejecimien o, cues- ionando las limi aciones y los a gumen os que han conducido a la eme gencia de o as adiciones más o ien adas hacia las infl uencias con ex uales y de si uación que alo an la expe ien- cia de los suje os, así como las singula idades de su his o ia indi idual. Es os abo dajes co esponden a una adición me o- dológica que p i ilegia la in es igación de e eno, ealizada en con ex o eal, la gamen e desa ollada en el campo de la psico- logía labo al y de la e gonomía. En la pa e fi nal del ex o son ambién abo dadas o ien aciones eó icas más ecien es que ab en camino a la génesis de un nue o umbo pa a el es udio del en ejecimien o en su elación con el abajo. 1. E olução his ó ica do es udo do en elheci- men o 1.1. Dos anos 20 ao pós-gue a: a eme gência da p oblemá ica A his ó ia do es udo do en elhecimen o é pa ilhada en e os p imei os abalhos e ec uados nos Es ados Unidos e os ealiza- dos já na Eu opa no pe íodo do pós-gue a. É na década de 20 que su ge a p imei a p eocupação com a emá ica do en elheci- men o, a a és dos abalhos de Miles na Uni e sidade de S an- o d na Cali ó nia, os quais consis iam em in es igação unda- men al sob e pe o mances mo o as e sob e a ap endizagem de abalhado es do sec o indus ial (Wel o d, 1976). Ainda an es da gue a, em Ingla e a, o am e ec uados alguns es udos ace - ca da infl uência do en elhecimen o sob e a pe o mance dos pilo os de caça da Royal Ai Fo ce, mas no fi nal da gue a e a o mundo indus ial que coloca a p oblemas de emp egabilidade da mão-de-ob a mais en elhecida. É du an e os anos 40, num con ex o de pós-gue a e de econs- ução económica, que se e ifi ca, em Ingla e a, um in e esse c escen e pelo es udo do en elhecimen o. Tal in e esse de eu- se às ci cuns âncias sócio-demog áfi cas que ca ac e iza am essa época, ou seja, uma população en elhecida e o p oblema da econ e são dos mili a es pa a aze ace à al a de mão-de- ob a esul an e das ele adas pe das humanas du an e a II Gue - a Mundial (sob e udo na população ac i a masculina), o que le ou a conside a o po encial de p odu i idade de odos os abalhado es disponí eis, incluindo os mais elhos (Teige , 1995). Em 1946 su ge, em Camb idge, o p imei o labo a ó io dedicado aos p oblemas do en elhecimen o, di igido po Ba le . Es e labo a ó io, à semelhança dos abalhos de Miles, cen a a-se no es udo da pe o mance humana com o objec i o de defi ni quais os ipos de abalho indus ial mais adequados pa a os abalhado es menos jo ens (Wel o d, 1976, 1986), ou seja, am- bos os labo a ó ios es a am concen ados em a alia o po en- cial dos mais elhos pa a o abalho, abo dando o ema de o ma undamen al, is o é, medindo a pe o mance em di e en- es idades em a e as de labo a ó io supos amen e implicadas nas ac i idades indus iais (Wel o d, 1976, 1985a). No en an o, se po um lado os objec i os e am semelhan es, os dois g an- des pionei os no es udo do en elhecimen o di e iam quan o aos seus undamen os eó icos. Nos Es ados Unidos a equipa de Miles dedica a-se mais a es udos empí icos, enquan o a equipa de Camb idge u iliza a sob e udo ba e ias de es es es- anda dizados que se i am de p ecu so es pa a o desen ol i- men o de impo an es co en es eó icas den o da p óp ia ciên- cia psicológica. Re isões Temá icas En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez Cen o de Psicologia da Uni e sidade do Po o Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o Rua do Campo Aleg e, 1055, 4169-004 Po o, Po ugal [email p o ec ed] [email p o ec ed] Es e a igo em como base um capí ulo da p imei a e são da ese de Dou o amen o em Psicologia de Sa a Ramos, o ien ada po Ma ianne Lacomblez na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, cuja conclusão es á p e is a pa a 2006. Volume 1 | nª1 | 2005 | pp. 52-60 53 Aliás, a his ó ia do es udo do en elhecimen o c uza-se, em di- e sos momen os, com a his ó ia da in es igação em psicolo- gia. Ao analisa mos a dimensão his ó ica es amos a analisa as condições ex e nas globais no seio das quais de desen ol e am os undamen os eó icos e me odológicos (Lacomblez, 1986) que o ien a am a in es igação. En e 1940 e 1950 a pesquisa sob e o en elhecimen o desen ol eu-se apidamen e e ep e- sen a ainda hoje a p imei a en a i a de cons ui um co po e- ó ico num campo la gamen e inexplo ado (Wel o d, 1976), des- acando-se em 1958 a publicação, pela Uni e sidade de Camb idge, de uma das ob as mais ma can es no domínio – “Ageing and human skill” (Wel o d, 1958). Em 1952 Ba le e i- a-se do comando do labo a ó io de Camb idge e es e so e uma di isão em ês g andes unidades, uma em B is ol di igida po Mu ell e dedicada à in es igação expe imen al, a segunda em Li e pool di eccionada pa a a in es igação médica e uma e cei a, em Lond es, o ien ada pa a a in es igação indus ial e sob a di ecção de Belbin. No fi nal dos anos 50, em Ingla e a, me ade dos homens ac i os (en e os 20 e os 64 anos) inham mais de 40 anos, e ifi cando- se, con udo, uma g ande dispa idade en e os di e en es sec o- es indus iais, o que se assemelha gene icamen e à ealidade ac ual dos países indus ializados num con ex o de en elheci- men o demog áfi co global (Teige , 1995), ealidade que, que nos anos 50 que na ac ualidade, em acen ua o in e esse pela p oblemá ica. 1.2. Do fi nal dos anos 50 aos anos 70: a a e são à in es igação aplicada Segundo Wel o d e Teige , o desen ol imen o da in es igação sob e o en elhecimen o pa ece a ingi o seu pico p ecisamen e no fi nal da década de 50, iniciando-se, a pa i daqui, uma a- jec ó ia ma cada po um ce o declínio que pode se explicada po azões, uma ez mais, ligadas ao con ex o sócio-demog áfi - co da época. Nes a al u a p e ia-se, em Ingla e a, um excesso de mão-de-ob a pa a os anos 70, o que conduziu ao enco aja- men o da an ecipação das e o mas com is a a eduzi o de- semp ego (Wel o d, 1986). Além disso, assis ia-se ambém a uma c escen e a e são gene alizada à in es igação aplicada, a qual Wel o d (1986) explica eco endo a di e en es causas: i) a cono ação mili a dos es udos ealizados no pe íodo do pós- gue a, sendo a in es igação aplicada is a como negação da libe dade académica; ii) o ac o de a in es igação no e eno se conside ada po mui os in es igado es mais á dua e menos ele- gan e, exigindo compe ências de elacionamen o in e pessoal que nem odos pa ilham; iii) a ên ase c escen e na eo ia, is o é, a insis ência na e ifi cação de hipó eses deduzidas de eo ias p é- o madas mais do que em deixa a eo ia eme gi indu i a- men e dos ac os. O esul ado dis o ao ní el me odológico oi uma al e ação nas p á icas iniciais em a o do es udo labo a o ial de unções iso- ladas, endência que deu o igem a dois g andes desen ol i- men os, o uso gene alizado dos es es psicomé icos e dos ques ioná ios pa a compa a g upos de di e en es idades e o início dos es udos longi udinais (Wel o d, 1986). Mais uma ez, o pe cu so da in es igação sob e o en elhecimen o es abelece pon es e iden es com o desen ol imen o da psicologia e com os deba es eó ico-me odológicos que ca ac e iza am a e olu- ção e a his ó ia da disciplina. Apesa da o ien ação pa a os p ocessos undamen ais, a in es- igação ao longo dos in a anos seguin es à segunda G ande Gue a é ma izada po no as ques ões eme gen es do domínio do abalho e da ecém su gida e gonomia (Ma quié, 1993), ala - gando-se, p og essi amen e, ao es o da Eu opa. No fi nal da década de 40, os es udos sob e o en elhecimen o ealizados em F ança cen a am-se apenas nos aspec os demog áfi cos mas, no p incípio dos anos 60, é o ganizado o p imei o coló- quio CNRS (Cen e Na ional de Reche che Scien ifi que) consa- g ado ao en elhecimen o. No en an o, e al como já oi e e ido, es e é o pe íodo de eclip- se em que o in e esse social pelo en elhecimen o se o nou ma ginal (Teige , 1995) ambém em F ança. A p oblemá ica das elações idade- abalho oi edescobe a mais a de com as p i- mei as in es igações em e gonomia no e eno (Teige , 1995), impulsionadas po Wisne , La ille e Teige . São, aliás, es es au- o es que edi am, em F ança, a p imei a ecolha de abalhos e ec uados no domínio – “Âge e Con ain es de T a ail: aspec s sociologiques, psychologiques, physiologiques” (La ille, Teige , & Wisne , 1975). 1.3. O fi nal do século XX: a ein enção da p ob- lemá ica O pe íodo de 1975 a 1990 é ca ac e izado po Teige como o pe íodo do no o pa adigma da elhice (Teige , 1995). É nes a al u a que o en elhecimen o demog áfi co da população começa a ins ala -se de o ma mais e iden e, a espe ança de ida au- men a e a axa de na alidade so e dec éscimos acen uados na maio pa e dos países indus ializados. Também o con ex o sócio-económico se al e a com os modelos de p odução e de o ganização do abalho em plena mu ação. A e olução de um sis ema indus ial o dis a/ aylo is a pa a o pós- o dismo (Lacomblez, 2001) co esponde a no os modelos de conco ência in e nacional e a o ecem a ino ação e adap ação a no as modalidades de p odução, com g andes epe cussões pa a os abalhado es (Teige , 1995). Uma des as epe cussões é o desapa ecimen o da si uação de pleno-emp ego, al ez pa a semp e, o que se aduz numa al e- ação das ca ei as p ofi ssionais, as quais se o nam cada ez mais fl exí eis e descon ínuas, al e nando pe íodos de abalho, o mação e desemp ego e pondo fi m ao modelo clássico de ci- clo de ida com ês e apas sucessi as: o mação, ida ac i a e e o ma (Teige , 1995). Assis e-se ao p og essi o abandono p ecoce da ida ac i a, ao aumen o das chamadas p é- e o mas, o que eio con ibui pa a que se al e asse a idade de e e ência habi ualmen e associada à elhice. Des a o ma, c iou-se uma no a ca ego ia de abalha- do es “semi-en elhecidos” (en e os 45 e os 65 anos) que pas- sa am a se al o de exclusão po de e minadas polí icas de emp ego. Com es e mecanismo as emp esas consegui am eju- enesce as suas pi âmides e á ias mas ambém se depa a am En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez 54 com pe das ao ní el do sabe - aze , da expe iência e da cul u a difi cilmen e epa á eis (Teige , 1995). Tal ealidade le a-nos a ques iona a e olução das ep esen a- ções sociais no que espei a à idade a pa i da qual somos conside ados “ elhos”, já que se a a mais de uma ques ão undada não an o em indicado es objec i os mas an es na di- mensão cul u al e nas p á icas sociais específi cas de cada épo- ca (Bou delais, 1989). A noção de en elhecimen o pode assim se conside ada uma c iação ela i amen e ecen e ligada à so- ciedade indus ial, uma “mis u a de p econcei os e a gumen os cien ífi cos” (Gaullie , 1988, p.115, adução li e) que aduz di- e en es concepções do que se conside a “ abalhado elho”, em unção da dinâmica sócio-económica: em pe íodo de c esci- men o ou de gue a, o abalhado mais elho é alo izado po que se p ocu a man ê-lo ac i o; em pe íodo de c ise, pelo con á io, insis e-se numa ep esen ação associada ao absen is- mo, à sinis alidade, à doença e à al a de p odu i idade po que se p ocu a azê-lo sai do sis ema (Gaullie ci in. La ille, 1989). Toda ia, es e essu gimen o do in e esse pela emá ica do en e- lhecimen o elaciona-se igualmen e com as p o undas al e a- ções e ifi cadas no mundo do abalho suscep í eis de e em p oduzido e ei os em e mos de en elhecimen o pelo abalho. Assim, segundo os dados da Fundação Eu opeia pa a a Melho- ia das Condições de Vida e de T abalho, as úl imas duas déca- das êm sido ma cadas po e oluções nem semp e a o á eis aos abalhado es menos jo ens, como é o caso do aumen o da in ensifi cação do abalho. O ag a amen o dos cons angimen- os empo ais, da p eca iedade dos ínculos con a uais (Moli- nié, 2001a) e dos ho á ios a ípicos, as no mas es i as e a cu a ma gem de manob a deixada aos abalhado es, que an es se encon a am sob e udo associados ao abalho indus ial, pa e- cem e -se gene alizado a ou as ca ego ias p ofi ssionais (Moli- nié, 2003). Além disso, e segundo os mesmos dados, es a in- ensifi cação pa ece acompanha -se de uma al a de in es imen o na o mação e no desen ol imen o das compe ên- cias (Molinié, 2003), penalizando de o ma pa icula os aba- lhado es mais elhos. Des a o ma, a conjun u a demog áfi ca ac ual ca ac e izada pela baixa na alidade, pelo p olongamen o da escola idade, pela di- minuição das medidas de e o ma an ecipada e, mais ecen e- men e, pelo adiamen o da idade da e o ma, conduzindo ao en elhecimen o p og essi o da população ac i a, associada às e oluções das condições de abalho, o nam necessá ia a in e - enção nas si uações de abalho no sen ido de p ese a a saúde dos abalhado es e ga an i a sua efi cácia (Molinié, 2001b), de modo a que es es se man enham num es ado de saúde sa is a ó io a é à idade da e o ma. 2. E oluções eó icas e concep uais 2.1. Do biológico ao cogni i o A his ó ia da in es igação sob e o en elhecimen o é, assim, ma cada po essu gimen os e co-ocu ências en e acon eci- men os his ó icos, económicos e demog áfi cos (Teige , 1995) que mani es am a in e acção en e in es igação e ealidade so- cial. Ao longo des e pe cu so, a abo dagem cien ífi ca do en e- lhecimen o oi e oluindo à medida que o co po eó ico se de- sen ol eu. Nos anos 50 as eo ias do en elhecimen o p i ilegia am os as- pec os biológicos (Teige , 1995; Wel o d, 1980), como po exem- plo a edução das células especializadas não suscep í eis de di isão como as do sis ema ne oso; a p og essi a igidifi cação ecidula de ido às p o eínas de colagénio; a limi ação do nú- me o de di isões possí eis de células não especializadas; o en aquecimen o das de esas ao ní el imunológico (Wisne , 1975). Mais a de, nos anos 80, os es udos sob e o en elhecimen o acabam po segui o no o pa adigma eme gen e na psicologia, o ien ando-se pa a a dimensão cogni i a. Es e in e esse eno a- do pelos aspec os cogni i os do en elhecimen o si ua-se no quad o do desen ol imen o global da co en e da psicologia cogni i a, a qual so eu e oluções ma can es com o p og esso da in o má ica, colocando a ên ase nos p ocessos de a amen- o de in o mação (Teige , 1995). Ainda que as ciências cogni i as enham dado os p imei os pas- sos algumas décadas an es, nos anos 50 e a ainda o beha io- ismo que p edomina a den o da psicologia, sendo nes a al u- a que alguns au o es começam a dis ancia -se des e pa adigma (Do ie , 2002). É nos anos 70 que su ge o e mo “ciências cog- ni i as” e que o cogni i ismo se assume como disciplina (Do - ie , 2002), o mando-se uma cons elação de ciências que du- an e as décadas de 70 e 80 se desen ol e am de o ma e iden e. Consequen emen e, a in es igação passa a eco e p i ilegiadamen e a domínios como as neu ociências e a neu o- biologia que se encon a am em anca expansão com o es udo do uncionamen o ce eb al (Teige , 1995; Va ela, 1986), des a- cando-se os abalhos de Bi en (1960), Wel o d (1958; 1985b), Sal house (1989; 1994; 1996) e Pacaud (1953; 1960; 1975). As emá icas p i ilegiadas p endem-se ago a com o a mazenamen- o da in o mação (ap endizagem, memó ia imedia a, memó ia di e ida, memó ia de econhecimen o) a apidez do a amen o da in o mação e as di e enças de pe o mance com a idade em di e en es a e as pe cep i as e psicomo o as ( empos de eac- ção a es ímulos isuais e sono os, de ecção de sinais, e c.). 2.2. Da pe o mance às es a égias: Toda ia, es e ipo de abo dagem começa a se pos o em causa a é mesmo po alguns des es au o es. Em 1958, Wel o d inha desc i o o concei o de compensação , cons a ando que os mais elhos pa ecem usa di e en es mé odos, compensando a pe da de apidez com um aumen o da exac idão (Wel o d, 1986). Em 1978, su ge ambém o uso do concei o de capacidade pa a e- alça a noção de que a pe o mance do sujei o se á adequada enquan o a solici ação (demande) ex e na não esgo a a capa- cidade do indi íduo e que as capacidades máximas a amen e são solici adas pelas si uações no mais ao pon o de limi a em a pe o mance (Wel o d, 1986). Ainda nos anos 70 desen ol eu-se a noção de es a égia como elemen o da pe o mance, de endendo-se que não só as capa- cidades se modifi cam com a idade mas ambém o ajus amen o En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez 55 das di e en es es a égias (Wel o d, 1980). O objec o de in es i- gação deslocou-se en ão p og essi amen e da a aliação de pe - o mances à iden ifi cação de es a égias, do esul ado aos p o- cessos subjacen es, do es udo das ap idões e capacidades ao econhecimen o da plu alidade de condu as, da a iabilidade in a e in e -indi idual à di e sidade de e ei os da idade sob e os á ios aspec os da cognição, in eg ando as noções de plas- icidade, compensação, egulação e ica iância (Teige , 1995). É es e deslocamen o do objec o de es udo que ai pe mi i o supo e eó ico das di e enças obse adas nos p ocedimen os ope a ó ios em unção da idade, que nas a e as de labo a ó io que nas si uações eais de abalho, indo ao encon o da pe s- pec i a da e gonomia e da psicologia do abalho, uma ez que es as se in e essam não an o pelas capacidades undamen ais do se humano mas an es pelas es a égias e modos ope a ó- ios dessas capacidades (Teige , 1995), u ilizados na si uação eal de uma ac i idade o ien ada pa a um fi m. É nes e con ex o que a noção de ica iância , desen ol ida po Reuchlin, assume pa icula ele o. Os p ocessos ica ian es consis em em di e en es p ocessos equi- uncionais que, sendo subs i uí eis en e si, pe mi em ao indi íduo uma espos a ade- quada numa dada si uação, o que signifi ca enuncia a um mo- delo único do a amen o da in o mação e admi i a plu alidade de p ocessos possí eis pa a uma mesma unção cogni i a (Lau- ey, 2002). Es es p ocessos ie am coloca a ên ase na ques ão da a iabilidade, a qual oi in e p e ada enquan o uído ou e o de medida (Lau ey, 2002; Lau ey, Mazoye , & an Gee , 2002) du an e a época do domínio expe imen alis a. Reconhece a infl uência des es p ocessos e o es a u o da a ia- bilidade enquan o p op iedade in ínseca dos enómenos em es udo (como oi o caso da psicologia di e encial) em implica- ções me odológicas que azem da p óp ia a iabilidade objec o de es udo. Aliás, é um ac o globalmen e desc i o na li e a u a que a a iabilidade ende a aumen a com a idade, que ao ní- el in a-indi idual, já que o en elhecimen o não a ec a da mes- ma o ma os di e en es ipos de capacidades, que in e -indi i- dual (Millan oye, 1995; Volko , Molinié, & Joli e , 2000; Wel o d, 1985b), encon ando-se, em alguns dos mais elhos, pe o man- ces supe io es a alguns dos mais no os, o que em confi ma a impossibilidade de se es abelece pad ões ou índices de en e- lhecimen o. Con udo, as en a i as de es abelece índices de en elhecimen- o esis em, ainda ac ualmen e, aos a gumen os dos es udos que acabamos de e e i : a í ulo de exemplo, podemos mencio- na um ins umen o la gamen e u ilizado ao ní el in e nacional, o Wo k Abili y Index – WAI. T a a-se de um ques ioná io cu o (7 i ens ) di igido ao abalhado , cujo objec i o é a alia a ade- quação en e a sua ap idão e a exigência do abalho, esul an- do um indicado quan i a i o fi nal que pode assumi qua o classifi cações: pob e, mode ado, bom e excelen e (de Zwa , F ings-D esen, & an Dui enbooden, 2002; Tuomi, Huuh anen, Nyky i, & Ilma inen, 2001). A i ude essencial des e mé odo eside na simplicidade da sua aplicação, sendo u ilizado po alguns médicos do abalho enquan o base de diálogo com o abalhado , ob iamen e ealizado ao ab igo do seg edo p ofi s- sional. Toda ia, a acilidade de u ilização do WAI ap esen a am- bém o isco de um uso a as ado de p eocupações deon ológi- cas, suscep í el de sus en a , sem undamen os igo osos, polí icas de desc iminação ela i amen e aos abalhado es que ob êm uma a aliação mais aca. Po ou o lado, e do pon o de is a eó ico, pela ausência de i ens ela i os aos condicionalis- mos do abalho (só e e idos pela ap eciação da capacidade do abalhado em assumi-los), o ins umen o assen a numa lógica in e sa à de endida pela e gonomia e pela psicologia do aba- lho (Volko , 2005), já que coloca a ên ase na ap idão dos a- balhado es e nos seus ecu sos ísicos e men ais em ez de o ien a a in e enção pa a a si uação de abalho. 2.3. Concepção desen ol imen al do en elheci- men o Todas es as e oluções conduzi am a uma no a concepção do en elhecimen o. Não oi só a ên ase que se deslocou do bioló- gico pa a o cogni i o, do declínio/de e io ação pa a a compen- sação/plas icidade, da pe o mance pa a as es a égias: é am- bém a p óp ia concepção do en elhecimen o que se ans o ma. A pa i do momen o em que o concei o de cognição se eajus a em o no das noções acima e e idas (compensação, plas icida- de, es a égia, egulação, ica iância), o que co espondeu a uma ees u u ação in e na do pa adigma que domina a a psi- cologia – o cogni i ismo – ambém o en elhecimen o passa a se concep ualizado de o ma desen ol imen al, p ocesso que e e o seu início du an e os anos 60. Se a é aqui a idade adul a e a conside ada a idade de e e ência (Teige , 1995) no que espei a à ma u idade (compa ando-se os mais elhos com os adul os jo ens como se o desen ol imen o cessasse nes a idade), es a no a abo dagem em salien a a dimensão empo al do en elhecimen o, is o é, o en elhecimen- o enquan o p ocesso desen ol imen al que deco e desde o nascimen o e ao longo de odo o ciclo i al e cujas ca ac e ís i- cas dependem da i ência subjec i a de cada indi íduo. 3. E oluções me odológicas Foi nes e con ex o de mudança que a o ma adicional de abo - da es a p oblemá ica oi sendo al o de du as c í icas. A in es- igação expe imen al com a e as de labo a ó io e o ecu so p i ilegiado a écnicas o emen e associadas à lógica dos es- es cogni i os oi sendo, p og essi amen e, pos a em causa, inclusi amen e po alguns au o es que du an e algum empo pa ilha am es a abo dagem. Es e ques ionamen o e e e-se a di e en es pa âme os, os quais são discu idos nos pon os se- guin es. 3.1. População es udada As condições de amos agem ence am um dos p incipais limi- es apon ados aos es udos de labo a ó io (Ma quié, 1993). E ec- i amen e, os es udos sob e o en elhecimen o ainda se encon- am o emen e associados à ge on ologia, ocando-se em g upos e á ios ex emos, ou seja, em compa ações en e sujei- En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez 56 os adul os jo ens e sujei os adul os idosos, deixando de lado os pe íodos in e médios que pe manecem menos bem conheci- dos (Ma quié, 1993) e que co espondem p ecisamen e ao pe í- odo de ida p ofi ssionalmen e ac i o. Po ou o lado, o ipo de pa icipan es englobados é ambém objec o de c í ica, uma ez que nem odas as classes se encon- am ep esen adas nos es udos. Aliás, al como e e e Ma quié, “o uncionamen o cogni i o que melho se conhece é, sem dú- ida, o do es udan e de psicologia” (Ma quié, 1993, p.67, adu- ção li e), já que os es udan es são la gamen e u ilizados nos es udos expe imen ais, ealizados em con ex o académico. Des- a o ma, es amos a usa como e e ência uma amos a dema- siado homogénea que ao ní el e á io que social, ao pa ilha- em um conjun o de ca ac e ís icas pessoais que põem em causa a sua ep esen a i idade. É ainda de e e i que os es udos expe imen ais a amen e u ili- zam como pa icipan es abalhado es de di e en es ní eis de qualifi cação, o que em e o ça os limi es à gene alização dos seus esul ados a ou as ca ego ias sociais. Além disso, e mes- mo pa a a população ac i a, é de salien a que nem odos os g upos p ofi ssionais es ão expos os aos mesmos ac o es de en elhecimen o nem às mesmas condições de abalho. Um a- balhado de uma de e minada idade pode se conside ado de- masiado elho pa a um ce o ipo de ac i idade ou jo em numa ou a p ofi ssão (Ma quié, 1993; Teige , 1989), donde, os es udos de e iam conside a os di e en es i mos de en elhecimen o. 3.2. Foco na quan ifi cação A u ilização dos es es psicomé icos aca e ou algumas des an- agens pa a o decu so da in es igação psicológica, des iando as expe iências labo a o iais das ques ões eó icas pa a as aná- lises es a ís icas (Wel o d, 1986). De ac o, o in e esse pela quan ifi cação coincide, his o icamen e, com o uso dos es es es a ís icos (Wel o d, 1980). Con udo, segundo Wel o d (1980; 1986), os esul ados das com- pa ações es a ís icas de e iam se exp essos mais em e mos de elações do que p op iamen e em e mos de di e enças sig- nifi ca i as. Is o acaba po e implicações na o ma como os in es igado es desenham a in es igação e os p o ocolos expe- imen ais, o ien ando a sua acção pa a a ob enção de esul a- dos es a is icamen e con incen es. A ques ão cen al pa ece se o ac o de es e ipo de a amen os se basea em c i é ios a bi á ios que são, po ezes, u ilizados de o ma abusi a pelos in es igado es, cuja p eocupação se di ecciona mais pa a ní eis de signifi cância do que pa a o sig- nifi cado eal das di e enças obse adas. Conc e amen e no que espei a ao en elhecimen o, os declínios que ge almen e são e ifi cados ao ní el das capacidades ele- men a es (pe cepção, memó ia, e c.), con ibuem pa a que os e ei os da idade sejam a aliados ão equen emen e de o ma quan i a i a (Volko e al., 2000) a a és de indicado es de pe - o mance bas an e limi ados, ao ma ginaliza em o papel da ex- pe iência, da cons ução de es a égias e as infl uências si uacio- nais. 3.3. Infl uência do con ex o Os esul ados de compa ações ei as em si uação expe imen al não são di ec amen e ansponí eis pa a a si uação eal. En- quan o nos es udos expe imen ais é possí el concebe p o oco- los que pe mi am analisa a e olução de ce as unções elemen- a es com a idade, con olando o g au de expe iência ou amilia idade dos sujei os em elação às a e as p opos as, o p oblema é bem mais complexo em si uação eal (Paumès, 1995). As in es igações expe imen ais apoiam-se em “p o as” mui o dis in as dos es udos e ec uados em con ex o eal: as a e as a ealiza não são amilia es, a alo ização da expe iência é limi- ada ou mesmo impossí el, o esul ado a a ingi não co espon- de a nenhum p ojec o pessoal ou p ofi ssional e o con on o dos mais elhos com uma si uação que não dominam pode se mal i enciado (Volko e al., 2000). Ou seja, oda a si uação é es- anha, isolada, descon ex ualizada, sem passado nem u u o, não possibili ando ao sujei o a mobilização de odo o seu po- encial. Tal como e e e Mu ell (au o que di igiu a unidade de B is ol, acima e e ida, e que se dedicou à in es igação expe imen al), (…) qualque pessoa que leia os esul ados dos es udos de labo a ó io pode acilmen e ac edi a que odas as pessoas que a ingem os 50 anos se o nam indi íduos len os, esque- cidos, meio-cegos, meio-su dos, emendo se de pouca u i- lidade na indús ia. De ac o, mui os homens e mulhe es assegu am o seu abalho com pe ei a sa is ação dos seus emp egado es. Is o não que dize que os esul ados expe- imen ais sejam alsos. O p oblema pa ece p o enien e do uso ei o em labo a ó io de sujei os ingénuos na p á ica da capacidade pa icula que es á a se es ada (Mu ell ci in. Teige , 1995, p.57, adução li e). O ca ác e pouco amilia da si uação expe imen al exige, assim, uma ce a p udência quando se p e ende ans e i os esul a- dos ob idos em labo a ó io pa a as si uações i idas no quo i- diano, co endo o isco de sob es ima as di e enças en e g u- pos e á ios (Ma quié, 1993). Po ou o lado, no que espei a às unções cogni i as, os declí- nios são mui o mais es udados do que os p ocessos de cons- ução, pois são mais egula es e mais simples de demons a , o que e o ça as ep esen ações nega i as ace ca das capacida- des dos abalhado es mais elhos (La ille, 1995). Além disso, os mé odos u ilizados pa a quan ifi ca as di e enças de idade consis em equen emen e em p o as de cu a du ação que exi- gem capacidades ex emas (La ille, 1995; Ma quié, 1993; Wel- o d, 1986) e onde só a pe o mance é e ida como c i é io, ig- no ando o papel da expe iência adqui ida pelos indi íduos. O es udo dos e ei os da idade nos mecanismos undamen ais co- loca o indi íduo em condições limi e de uncionamen o cogni i- o e de ecu so mínimo aos seus conhecimen os, daí o ca ác e pouco p edi i o dos dados expe imen ais ace às capacidades eais (Ma quié, 1993) que os indi íduos ac ualizam no seu meio amilia . Consequen emen e, o alo p edi i o des e ipo de abo dagem es inge-se às si uações em que se e ifi ca uma En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez 57 solici ação mínima da expe iência e, ao mesmo empo, uma ele ada solici ação das capacidades de base (Ma quié, 1993), o que não co esponde à gene alidade das si uações de aba- lho. As capacidades elemen a es de a amen o de in o mação são mui o dependen es do es ado uncional e da si uação (Rogo , 1984) e, po isso, suscep í eis de declina com a idade (Volko e al., 2000). Con udo, é globalmen e acei e na li e a u a que os declínios das capacidades uncionais elacionados com a idade são p og essi os e mode ados, si uando-se sob e udo nas pe - o mances ex emas, as quais são a amen e solici adas nas si- uações eais (Volko e al., 2000; Wel o d, 1986). A ac i idade de abalho mobiliza não só as capacidades elemen a es impli- cadas na a e a mas assen a igualmen e sob e a expe iência do indi íduo (Paumès, 1995), a qual é essencial pa a es abelece a elação com a a e a e desen ol e es a égias que op imizem a pe o mance (Volko e al., 2000). Como já oi e e ido, a di e sidade in e -indi idual aumen a com a idade mas as dispe sões são, em ge al, bem mais ex ensas nas a e as mais complexas e é em si uação eal que se e ela a di e sidade de ac i idades humanas e o papel cons u o da expe iência e da idade (La ille, 1995). As abo dagens expe i- men ais ealizadas em labo a ó io eduzem a exp essão des a di e sidade, uma ez que p ocu am mos a a in a iância dos enómenos (La ille, 1995) mais do que a a iabilidade dos mes- mos. É hoje globalmen e acei e que as e oluções elacionadas com a idade são mui o sensí eis aos cons angimen os i idos ao lon- go do pe cu so p ofi ssional e que a exposição a de e minadas condições, nomeadamen e de abalho, pode e um e ei o ain- da mais impo an e do que a idade po si só (Volko e al., 2000). A na u eza das p o as expe imen ais cons i ui uma das p incipais limi ações à aplicação dos esul ados ob idos em la- bo a ó io a si uações de ida quo idiana, uma ez que a abo - dagem expe imen al é na u almen e edu o a e mais adequada à análise de unções isoladas (Ma quié, 1993) e não à ap een- são de compo amen os complexos e in eg ados como é o caso das si uações de abalho. Assim, no âmbi o p ofi ssional, a dimensão idade não cons i ui somen e um indicado empo al mas in eg a oda a génese do indi íduo, o seu passado p ofi ssional e o seu sabe - aze adqui- ido (Paumès, 1995), a sua his ó ia e a sua expe iência, que esul am não numa pe o mance mais ou menos boa mas numa o ma di e en e de ealiza a sua ac i idade. Aliás, as modifi ca- ções quali a i as da ac i idade com a idade êm sido sublinha- das desde há algum empo, mas o ala gamen o do seu es udo em si uação eal de abalho é ecen e, assis indo-se ao desen- ol imen o de in es igações cen adas na análise de di e en es modos ope a ó ios en e jo ens e expe ien es, sob e as al e a- ções e não compa ações de pe o mance em condições es i as e p é-defi nidas (La ille, 1995). Es as abo dagens, desen ol idas no âmbi o da psicologia do abalho e da e gonomia, alo izam modelos eó icos que combinam p ocessos que de declínio que de cons ução (La ille, 1995) associados ao a anço da idade e êm en a iza o papel da expe iência e do con ex o de ealização da ac i idade. 4. Pe spec i as ac uais pa a o es udo do en elhecimen o Após a p opos a de abo dagem his ó ica ap esen ada nos pon- os an e io es, é indiscu í el econhece que o domínio das e- lações idade- abalho, a his ó ia sócio-económica e cul u al e a his ó ia cien ífi ca es ão es ei amen e in e ligados (Teige , 1995), o que signifi ca que o es ado ac ual das pesquisas e ec uadas nes a á ea não se encon a es agnado mas con inua a e olui em unção da conjun u a social e cien ífi ca. Po ou o lado, o ac o de se e ifi ca em e oluções ma can es na o ma de aze in es igação não signifi ca que as adições mais ecen es e- nham subs i ui as mais an igas ou que es as se enham ex in- guido. A ealidade é que coexis em di e sas co en es eó icas, as quais sus en am di e en es pe spec i as me odológicas e ali- men am o deba e sob e a o ma de in es iga o en elhecimen- o. Des a o ma, a análise do conjun o de limi ações do pon o an e io não em a p e ensão de des alo iza a psicologia expe- imen al, já que, em ce os domínios, a sua con ibuição con i- nua a se pe inen e. Es as ese as podem igualmen e con i- bui pa a um ala gamen o das me odologias de in es igação no sen ido de uma maio p eocupação com a alidade ecológica (Ma quié, 1993), como é o caso das abo dagens em si uação eal igualmen e e e idas no pon o an e io . Ac ualmen e, é c escen e a e e ência à necessidade de uma pe spec i a cada ez mais global em ma é ia de en elhecimen- o, p og essi amen e o ien ada pa a uma abe u a a no os con- cei os e elações, conside ando a his ó ia pessoal dos indi ídu- os, a o e ligação en e condições de ida e condições de abalho e en e ajec ó ias sociais e p ofi ssionais (DREES, DA- RES, & POSTE, 2003). A pa das ans o mações associadas ao en elhecimen o biológico e cogni i o, o a anço na idade de e se enca ado como um “desen ola ” de um ciclo de ida amilia ao longo do qual ão sendo assumidos di e en es papéis so- ciais e onde a na u eza e as exigências se ans o mam em cada e apa (Queinnec, Gadbois, & P ê eu , 1995). É nes e sen ido que a abo dagem da e gonomia em indo a se objec o de um ce o ques ionamen o in e no, ao cen a -se ape- nas na si uação de abalho. De ac o, e quando se a a do p ocesso de en elhecimen o em pa icula , é e iden e que uma eno me di e sidade de con ex os in e agem de o ma complexa e in eg ada, incluindo ambém a iá eis da ajec ó ia indi idual dos sujei os, as quais êm sido negligenciadas po g ande pa e dos es udos ealizados nes e domínio. As in es igações mais ecen es êm indo já a efl ec i sob e a impo ância de ala ga a pe spec i a, hoje adicional, da e go- nomia e da psicologia do abalho e inclui na déma che da in- es igação aspec os que eme em pa a a his ó ia pessoal e so- cial dos indi íduos. Ao ní el me odológico, uma abo dagem des e ipo assen a, undamen almen e, na econs i uição dos pe cu sos p ofi ssionais a pa i da expe iência subjec i a de cada sujei o, is o é, a a-se de conhece não apenas os emp e- gos ou pos os ocupados mas, an es, acede à ac i idade e con- dições eais de abalho (Thébaud-Mony, 2005; Thébaud-Mony e al., 2003), bem como à sua a iculação com as ou as dimen- sões da ida. T a a-se, assim, de uma me odologia que “implica En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez 58 uma abo dagem do abalho undada sob e mé odos quali a i- os u ilizados que na sociologia (his ó ias de ida) que na e gonomia e na psicologia do abalho (análise da ac i idade e do “ i ido” do abalho), endo como objec i o essencial o e- o no do p óp io abalhado sob e a sua p óp ia expe iência” (Thébaud-Mony e al., 2003, p.6, adução li e). Re e ências Bibliog áfi cas Bi en, J. (1960, Ab il). Capaci és psychologiques e p ocessus du ieillis- semen du sys ème ne eux. Comunicação ap esen ada em Le ieillissemen de onc ions psychologiques e psychophysiologi- ques - Colloques In e na ionaux du CNRS, Pa is, F ança. Bou delais, P. (1989). Vieillissemen de la popula ion ou a e ac s a is- ique? Ge on ologie e Socié é, 49, 22-32. de Zwa , B., F ings-D esen, M., & an Dui enbooden, J. (2002). Tes - e es eliabili y o he Wo k Abili y Index ques ionnai e. 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Pala as-cha e En elhecimen o; abalho; cognição; his ó ia; me odologias Resumo Es a e isão emá ica em po objec i o aça um pe cu so possí el pa a a his ó ia da in es igação sob e en elhecimen o e abalho, desc e endo a e olução dos es udos e ec uados nes e domínio, desde os p imei os abalhos ealizados nos anos 20 e os seus desen ol imen os du an e o pe íodo do pós- gue a a é à ac ualidade. P e ende-se efl ec i de o ma c í ica sob e o modo como es a e olução acon eceu, as elações com as condições sócio-económicas e demog áfi cas que ca ac e i- za am cada época e as implicações eó ico-me odológicas que es a e olução p oduziu, que na o ma como é concep ualizado o en elhecimen o, que ao ní el dos mé odos p i ilegiados nas in es igações. Ao ní el das implicações eó icas, se ão analisa- das com mais de alhe as abo dagens cen adas na dimensão cogni i a do en elhecimen o, ques ionando as limi ações e os a gumen os que conduzi am à eme gência de ou as adições mais o ien adas pa a as infl uências con ex uais e si uacion- ais que alo izam a expe iência dos sujei os, bem como as singula idades da sua his ó ia indi idual. Es as abo dagens co espondem a uma adição me odológica que p i ilegia a in es igação de e eno, ealizada em con ex o eal, la ga- men e desen ol ida no campo da psicologia do abalho e da e gonomia. Na pa e fi nal do ex o são ainda abo dadas o ien- ações eó icas mais ecen es que ab em caminho à génese de um no o umo pa a o es udo do en elhecimen o na sua elação com o abalho. Mo s-clé Vieillissemen ; a ail; cogni ion; his oi e; mé hodologies Résumé Ce e é ision héma ique a pou objec i de d esse un pa - cou s possible pou l’his oi e de la eche che su ieillissemen e a ail, déc i an l’é olu ion des é udes e ec uées dans ce domaine, depuis les p emie s a aux éalisés dans les an- nées 20 e leu s dé eloppemen s du an la pé iode de l’ap ès- gue e jusqu’à ce jou . On p é end mene une éfl exion c i ique conce nan le dé oulemen de ce e é olu ion, ses ela ions a ec les condi ions socio-économiques e démog aphiques qui ca ac é isen chaque époque e ses implica ions héo ico- mé hodologiques, an su le plan de la concep ualisa ion du ieillissemen que su celui des mé hodes p i ilégiées dans les eche ches. Au ni eau des enjeux héo iques, on analyse a plus pa iculiè emen l’impo ance des app oches cen ées su la dimension cogni i e du ieillissemen , en ques ionnan leu s limi es ainsi que les a gumen s qui on condui à l’éme gence d’au es adi ions plus o ien ées e s les infl uences du con- ex e e de la si ua ion, alo isan l’expé ience des suje s ainsi que les singula i és de leu his oi e indi iduelle. Ces app oches co esponden à une adi ion mé hodologique qui p i ilégie la eche che de e ain, éalisée en si ua ion éelle, la gemen dé eloppée dans le champ de la psychologie du a ail e l’e gonomie. La pa ie fi nale du ex e ai é é ence à des o ien- a ions héo iques plus écen es qui ou en une oie nou elle à l’é ude du ieillissemen dans sa ela ion a ec le a ail. Key-wo ds Ageing; wo k; cogni ion; his o y; me hodologies Abs ac The aim o his hema ic e ision is o d aw a possible cou se o he esea ch his o y in ageing and wo k, desc ibing he e o- lu ion o s udies in his a ea, since he ini ial esea ch in he 20’s and hei de elopmen du ing he pos -wa pe iod un il nowadays. We a emp o make a c i ical efl ec ion abou how his e olu ion occu ed, hei ela ions wi h socio-economic and demog aphic condi ions ha cha ac e ize each pe iod and he heo e ical and me hodological consequences o ha e olu- ion, ei he in concep ualiza ion o ageing o in esea ch me h- ods ha a e p i ileged. In he con ex o heo e ical epe cus- sions i will be analyzed in highe de ail he app oaches based on he cogni i e dimension o ageing, discussing he limi s and he a gues ha conduced o he eme gence o o he adi ions En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez 60 mo e di ec ed o he infl uences o con ex and si ua ion, em- phasizing he expe ience and he indi idual his o y o subjec s. These app oaches co espond o a me hodological adi ion wi ch p i ilege he fi eld esea ch, conduc ed on eal con ex , la gely de eloped on wo k psychology and e gonomic domains. The fi nal pa o his ex e e s o mos ecen heo e ical o i- en a ions wi ch lead o he genesis o a new way o he s udy o ageing in hei ela ion wi h wo k. Como e e encia es e a igo? Ramos, S. & Lacomblez, M. (2005). En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação. Labo eal , 1, (1) Labo eal, 1, (1)Labo eal , 52-60. h p://labo eal.up.p / e is a/a igo.php?id=48u56oTV658223375 8;6;:7472 Manusc i o ecebido em: Julho/2005 Acei e após pe i agem em: No emb o/2005 En elhecimen o, abalho e cognição: 80 anos de in es igação Sa a Ramos & Ma ianne Lacomblez