Neuroticismo: algumas variáveis diferenciais
Full text
O neu o icismo é uma das a iá eis do un-
cionamen o nega i o da pe sonalidade mais es-
udadas na li e a u a psicológica a ní el clínico,
mas ambém social e educacional. Bas a con a
na li e a u a as cen enas de ezes que, po exem-
plo, em di e sos es udos é usado o Ques ioná io
de Pe sonalidade de Eysenck, onde o neu o icis-
mo apa ece como um dos ac o es p incipais. Na
e dade, pouca gen e se pode conside a o al-
men e equilib ada, mais na sociedade s essan e
em que i emos. Já em 1937, Ka en Ho ney i-
nha in i ulado um li o: «Pe sonalidade neu ó-
ica do nosso empo», na sequência dos es udos
de F eud e de an os ou os psicanalis as, mas
a ibuindo às neu oses uma e iologia essencial-
men e social. Es udos há que e i icam um au-
men o signi ica i o da ansiedade e do neu o icis-
mo nas úl imas décadas, pa icula men e na
Amé ica (Twenge, 2000).
As pe u bações neu ó icas ab angem um as-
o leque de so imen o psíquico, com cono ações
cogni i o-a ec i as: inadap ações de di e sa o -
dem, ansiedade, imidez, angús ia, mani es ações
óbicas e obsessi o-compulsi as, sensibilidade
exage ada e i i abilidade, ensão e aqueza,
insegu ança, endência à dep essão, amnésias,
além de mui as sequelas psicossomá icas, como
insónias, e igens, anspi ação, pe u bações na
is a e na ala, na espi ação e na pele, dis ú bios
ca díacos e gas o-in es inais, ans o nos ali-
men a es, e mesmo con ulsões, como nas eac-
ções his é icas. As pessoas dominadas po um ou
á ios sin omas, são equen emen e apelidadas
de neu as énicas, psicas énicas, hipocond íacas,
obsessi o-compulsi as, his é icas, en im, angus-
iadas (neu ose de angús ia ou de ansiedade) e
insegu as. Tais sin omas ou sínd omas são mais
ou menos is osos, embo a os neu ó icos possam
ap esen a -se socialmen e como pessoas ‘no -
mais’, escondendo em g ande pa e o seu so i-
men o, ao con á io do que acon ece com os psi-
có icos.
Sem nos de e mos no quad o nosog á ico, no
diagnós ico, na e iologia e na indicação e apêu-
ica das (psico)neu oses, in e essa-nos apenas
con i ma a complexidade des a ‘doença’ psíqui-
ca e de algum modo en a de ini-la. Segundo
Cos a e McC ae (1987, p. 301), o neu o icismo é
«uma ampla dimensão de di e enças indi iduais
endendo a expe iencia emoções desag adá eis
e a li i as, possuindo ao mesmo empo aços
cogni i os e compo amen ais». T a a-se de uma
de inição pa cial, como ou as, mas em o mé i o
de insis i na as a gama sin oma ológica, no so-
imen o psíquico que p o oca e na dimensão
cogni i o-compo amen al que ab ange.
O neu o icismo, mais do que um es ado emo-
i o passagei o, é um aço ou endência es á el
da pe sonalidade. Como di e sos au o es dis in-
guem, a espei o da ansiedade (e o neu o icismo
647
Análise Psicológica (2002), 4 (XX): 647-655
Neu o icismo: Algumas a iá eis di e enciais
JOSÉ H. BARROS DE OLIVEIRA (*)
(*) Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
da Uni e sidade do Po o.
é p a icamen e insepa á el da ansiedade ou a an-
siedade es á semp e p esen e de algum modo no
neu o icismo), en e ansiedade- aço ( endência
ge al pa a eagi ansiosamen e) e ansiedade-es-
ado ( eacção ansiosa ansi ó ia) (Spielbe ge ,
1972), ambém se pode ia ala de neu o icismo-
aço e neu o icismo-es ado, como de pessimis-
mo- aço e pessimismo-es ado. Não obs an e,
conside amos o neu o icismo como um uncio-
namen o pe u bado, mais ou menos es á el, da
pe sonalidade, se bem que se possa aligei a ou
ag a a a sua ca ga con o me as di e sas ci -
cuns âncias e momen os do sujei o.
Dadas as di iculdades em de ini es e cons u-
o, ambém se adi inham maio es di iculdades
na sua a aliação a a és de escalas ou ques ioná-
ios. O mais equen emen e usado é o Eysenck
Pe sonali y Ques ionnai e (EPQ) (Eysenck &
Eysenck, 1969) com ês dimensões: ex o e -
são, neu o icismo e psico icismo, ha endo uma
e são p imi i a e ou a e is a. T a a-se dum
ques ioná io um pouco ex enso e com ac o es
menos in e essan es quando es á em causa a
a aliação unicamen e do neu o icismo. Po isso,
baseados na bibliog a ia, a ançamos com a
cons ução e alidação duma escala que mani-
es ou possui su icien es ca ac e ís icas psico-
mé icas (Ba os, 1999).
Há mui os es udos co elacionais que con on-
a am o neu o icismo com ou as a iá eis, co-
mo o op imismo. Segundo Scheie , Ca e e
B idges (1994) algumas in es igações sob e o
op imismo disposicional, a aliado pela escala
Li e O ien a ion Tes (LOT) de Scheie e Ca e
(1985), o am con es adas, pois os e ei os a i-
buídos ao op imismo pode iam na ealidade pe -
ence a uma e cei a a iá el implíci a e de sen-
ido con á io, o neu o icismo. Os au o es não
con i ma am es a suspei a, e o LOT p o ou pos-
sui alidade disc iminan e e p edi i a, apesa de
se admi i a an agem de e e a escala (Ba os,
1998).
O neu o icismo ambém oi equen emen e
co elacionado com o pessimismo e a dep essão
(Mal by, Lewis & Hill, 1998). Um es udo de
Saklo ske, Kelly e Janzen (1995) p o ou a ela-
ção que exis e en e sin omas neu ó icos, como a
a iação de humo , e a dep essão. Suls, G een e
Hillis (1998) encon a am uma co elação posi-
i a en e o neu o icismo e a eacção emocional
aos p oblemas do dia-a-dia. Mui os es udos e-
lacionam ambém o neu o icismo com a doença
ísica, pa icula men e com sin omas menos g a-
es, como asma, úlce as, dis unções ca díacas e
ou as mani es ações den o da in e acção ou
dinâmica co po-espí i o. Mui as in es igações
indicam que os es ados emo i os s essan es po-
dem a ec a o sis ema imunológico e po isso as
esis ências do o ganismo (Knapp e al., 1992;
Nalibo e al., 1991; Cohen e al., 1993). Maio
a enção oi p es ada ao neu o icismo como po-
encial p edi o da doença. Os que se queixam de
sin omas de doença ísica ou psicossomá ica
ap esen am mais aços neu ó icos de pe sonali-
dade do que os que não ap esen am sin omas
doen ios (Cos a & McC ae, 1980, 1985, 1987;
Wa son, 1988; Wa son & Pennebake , 1989).
Mas mui os dos es udos elacionando o neu o i-
cismo com a doença podem so e de algum a -
e ac o me odológico (B own & Moskowi z,
1997).
O neu o icismo oi ou ossim abo dado em e-
lação a ou as dimensões que ago a mais nos in-
e essam: eligião, in e cul u alidade, idade, se-
xo. Quan o à eligião, F ancis e Pea son (1991),
usando seis escalas de neu o icismo concluí am
que o neu o icismo e a eligiosidade são a iá-
eis que não se co elacionam. Nou o es udo, os
mesmos au o es (F ancis & Pea son, 1993) não
encon a am di e enças signi ica i as en e es u-
dan es p a ican es e não p a ican es da eligião.
Es udos in e cul u ais, conside ando a eligião, o
neu o icismo e di e sos g upos é nicos não che-
ga am a conclusões consis en es, como é o caso
de Ro hko (1996) que, compa ando um g upo de
judeus com um g upo de polacos (p e endia ain-
da compa a com um g upo de xei as libaneses
mas e e di iculdades na amos a), concluiu que
não ha ia elação signi ica i a en e eligiosi-
dade e neu o icismo. Ou o es udo de Schu e e
Hosch (1996), elacionando o op imismo, a eli-
giosidade e o neu o icismo numa amos a com
ame icanos-mexicanos, ame icanos-ingleses e
mexicanos, não con i ma am a hipó ese, em
duas subamos as, de que o op imismo e a eli-
giosidade se iam p edi i os do neu o icismo.
Mui a inconsis ência nes es esul ados pode se
de ida às medidas usadas na a aliação da eli-
giosidade, além da eligião se mais ou menos
i ida con ic a e pessoalmen e (in ínseca) ou
648
como me o ac o social (ex ínseca) (c . Mal by,
1999).
Es udos in e cul u ais ambém não chega am
a esul ados conclusi os. Jung (1995) concluiu
que os ame icanos de o igem asiá ica ap esen-
a am uma endência neu ó ica mais acen uada
que os ame icanos de o igem la ino-ame icana
ou eu opeia. Ou o es udo compa ando neg os
sul-a icanos com canadianos não mos ou di e-
enças signi ica i as quan o ao neu o icismo
(Mwamwenda, 1992). Um es udo ealizado em
34 nações, incluindo Po ugal, com a escala de
Pe sonalidade de Eysenck, além de con i ma
que ela unciona bem a ní el in e cul u al,
concluiu que em mui as nações os esul ados so-
b e o neu o icismo não se di e enciam mui o
(Ba e , Pe ides, Eysenck & Eysenck, 1998).
Po seu lado, Lynn e Ma in (1995), analisando
nada menos que 37 nações, p ocu ando as di e-
enças não apenas no neu o icismo, mas ainda na
ex o e são, psico icismo e ou as a iá eis, en-
con a am alguns alo es di e en es nas di e sas
nações. Num es udo compa ando es udan es po -
ugueses com cabo e dianos, os po ugueses
mos a am endência a maio neu o icismo
(Ba os, 1999).
Di e sos es udos con ola am a iá eis socio-
demog á icas, como a idade e o sexo. Cos a e
McC ae (1985) não encon a am g andes di e-
enças, con o me a idade, em elação ao neu o i-
cismo e à hipocond ia. Segundo Ho man, Le y-
Shi e Malinski (1996) pa ece que o neu o icis-
mo a ec a mais o s ess e as di iculdades de
adap ação dos (p é)adolescen es. Num es udo
checo, os no os endiam a se mais neu ó icos
que os mais elhos (H ebick a, Ce mak &
Osecka, 2000). Tal endência e i icou-se am-
bém num es udo em Po ugal (Ba os, 1999),
mos ando-se os alunos do secundá io mais neu-
ó icos que os uni e si á ios.
Quan o ao sexo, as in es igações apon am
pa a uma endência maio nas mulhe es a ex-
p essa em mais sin omas neu ó icos (c . e.g.
Hea en & Shoche , 1995; Ma in & Ki kcaldy,
1998). Is o e i ica-se em di e sas nações, como
na República Checa (H ebick a, Ce mak &
Osecka, 2000) ou na Á ica do Sul onde as mu-
lhe es ambém se mos a am mais sensí eis às
pe u bações a ec i as sasonais (Kane & Lowis,
1999). Lynn e Ma in (1997), num es udo eali-
zado em 37 nações, concluí am que, em odas, as
mulhe es inham uma média mais ele ada em
neu o icismo (e os homens em psico icismo),
embo a as di e enças não ossem es a is i-
camen e signi ica i as. Num es udo po uguês,
as mulhe es mani es a am-se ambém mais neu-
ó icas (Ba os, 1999).
Após es a in odução eó ica, damos con a de
ês abalhos de campo, isando o p imei o
undamen almen e pe cebe , a espei o do
neu o icismo, se há di e enças signi ica i as
quan o à idade. No segundo e e cei o es udos
es á em causa pa icula men e a in e cul u ali-
dade (po ugueses s. cabo e dianos e angola-
nos). No e cei o, além da in e cul u alidade,
pa a de algum modo eplica o segundo, con o-
lamos pa icula men e a eligião (analisando
uma amos a de ei as em elação a leigos). Em
odas as amos as se conside a ambém a a iá-
el sexo.
T a a-se de um es udo essencialmen e explo-
a ó io, pois a bibliog a ia an e io não nos pe -
mi e o mula hipó eses segu as quan o à idade,
à cul u a (e nia, nação) e à eligião, mo men e
nas nações em causa e na eligião i ida como
ocação exclusi a ( ei as). Es udamos pa icu-
la men e as cul u as cabo e dianas e angolanas,
pa a além da po uguesa, desconhecendo ou os
es udos com es as populações. No que conce ne
à eligião, não emos conhecimen o de es udos
compa ando i mãs ou ei as com leigas, pa i-
cula men e em Angola e Po ugal.
Não obs an e, de algum modo baseados na bi-
bliog a ia an e io , pa imos dos seguin es p es-
supos os:
1.º) Quan o ao sexo, em ge al as mulhe es
endem a se mais neu ó icas.
2.º) No que conce ne à idade, os adolescen es
mani es am mais neu o icismo do que
os adul os.
3.º) Do pon o de is a cul u al, os po os a i-
canos (em pa icula os cabo e dianos e
os angolanos) podem ende a se mais
neu ó icos que os po ugueses.
4.º) Conside ando a eligião, embo a os e-
sul ados de in es igações an e io es se-
jam inconsis en es, é de espe a que as
ei as se mos em menos neu ó icas do
que as apa igas leigas, supondo-se que a
649
i ência da é possa cons i ui um ac o
de equilíb io.
ESTUDOS EMPÍRICOS
1.º es udo
Objec i o undamen al des e es udo é pe ce-
be se há di e enças signi ica i as quan o ao
neu o icismo, segundo a idade, conside ando
ainda a a iá el do géne o.
1. MÉTODO
1.1. Pa icipan es
No o al, a amos a cons ou de 454 sujei os,
epa ida po qua o subamos as díspa es em
idade e em o mação: 1.ª: 117 alunos do 6.º ano
de escola idade (média de idade: 11,4 anos, sen-
do 75 apazes e 42 apa igas); 2.ª: 105 alunos do
9.º ano de escola idade (média de idade: 14,8
anos; M=66 – F=39); 3.ª: 128 p o esso es do en-
sino secundá io (média de idade: 36,9 anos;
M=44 – F=84); 4.ª: 104 idosos (média de idade
74,2 anos; M=49 – F=55).
1.2. Medidas
Jun amen e com ou as escalas, oi usado um
ques ioná io sob e o neu o icismo de Ba os
(1999) que mani es ou possui boas ca ac e ís-
icas psicomé icas. Cons a de 21 i ens a espon-
de numa escala de Like com cinco modalida-
des, desde o almen e em desaco do a é o al-
men e de aco do. Quan o maio pon uação, mais
neu o icismo.
1.3. P ocedimen o
A odos os g upos oi passado, em 1999, o
ques ioná io sob e o neu o icismo, jun amen e
com ou as escalas. E am pedidos ainda dados
sociodemog á icos, como a idade, o sexo e a cul-
u a. Os ques ioná ios dos alunos o am espon-
didos du an e uma aula, na p esença do p o esso
p e iamen e p epa ado pa a isso. Os p o esso es
disponí eis após uma con e ência le a am o
ques ioná io pa a casa, en egando depois. Dos
idosos, p a icamen e me ade es a am in e nados
num La duma Ins i uição Pa icula de Solida-
iedade Social e a ou a me ade i iam em suas
casas. Aos idosos in e nados o ques ioná io oi
passado po uma assis en e social e aos idosos
em suas casas po dois alunos p epa ados an eci-
padamen e pa a isso.
2. RESULTADOS
Começou-se po e i ica a consis ência in-
e na da escala em cada uma das amos as a a-
és do coe icien e al a de C onbach, cujos alo-
es se ap esen am no Quad o 1, jun amen e com
as Médias (po idade/g upo e sexo) e Des ios-
-pad ão.
Cons a a-se an es de mais que a escala ap e-
sen a nes as amos as uma boa consis ência in-
e na.
650
QUADRO 1
Consis ência, Médias e Des ios-pad ão nas amos as com c ianças, adolescen es, p o esso es e
idosos
Amos as Al a de C onbach Média Des io-pad ão
Masc. Fem. Masc. Fem.
Alunos do 6.º ano .83 49,3 50,0 12,5 14,6
Alunos do 9.º ano .88 50,7 51,9 12,8 11,5
P o esso es .91 40,8 45,7 13,7 12,1
Idosos .86 51,0 60,6 12,5 14,3
P ocedeu-se seguidamen e a uma análise (uni-
a iada) de a iância idade (4 g upos) x sexo (2).
No con on o en e as di e sas idades (g upos),
encon ou-se um e ei o p incipal signi ica i o (F
(3/451)=17.2; p.<.001). Tes es pos hoc Sche é
mos a am que o g upo de p o esso es con as a
signi ica i amen e com odos os ou os, mos an-
do-se menos neu ó icos e ambém os dois g upos
de alunos s. o dos idosos, sendo es es os mais
neu ó icos. Pode conclui -se que os sin omas
neu ó icos es ão mais p esen es nas c ianças/
/adolescen es, pa a diminui na idade adul a
(embo a a amos a de p o esso es seja mui o es-
pecí ica), pa a de no o aumen a signi ica i a-
men e na e cei a idade. Nos es udos ci ados an-
e io men e no a-se ambém a endência a um
maio neu o icismo po pa e dos jo ens em e-
lação aos adul os, não endo pon o de compa a-
ção com os idosos.
Quan o ao sexo, encon ou-se ambém um
e ei o p incipal signi ica i o (F (3/451)=10.4;
p.<.001), assis indo-se em odas as amos as a
uma endência de o sexo eminino mos a maio
neu o icismo, es ando con o me com a maio
pa e dos es udos. Is o é pa icula men e signi i-
ca i o nos adul os (p o esso es) e mais ainda nos
idosos, sendo na u al que a di e ença se ag a e
com a idade. Com e ei o, a in e acção en e g u-
po e sexo es e e pe o da signi icância (p.=.06).
2.º es udo
Es e es udo isa con on a pa icula men e
duas cul u as/nações di e en es (a cabo e diana
e a po uguesa) no que ange ao neu o icismo,
pa a além de con ola ambém o sexo.
3. MÉTODO
3.1. Pa icipan es
No o al, a amos a cons a de 487 sujei os dis-
ibuídos po duas subamos as: 1.ª: 285 jo ens
de Cabo Ve de do cu so complemen a (secun-
dá io) do liceu Domingos Ramos da P aia (San-
iago), sendo 112 apazes e 173 apa igas; 2.ª:
202 jo ens po ugueses equen ando o 12.º ano
num Colégio de V. N. de Gaia, sendo 110 apa-
zes e 92 apa igas.
3.2. Medidas
Foi usado o mesmo ques ioná io do es udo an-
e io .
3.3. P ocedimen o
Aos g upos oi passado, em 1997, o ques io-
ná io sob e o neu o icismo, jun amen e com ou-
as escalas. E am pedidos ainda dados sociode-
mog á icos, como a idade, o sexo e a cul u a. Os
ques ioná ios o am espondidos du an e uma
aula, na p esença do p o esso , p e iamen e p e-
pa ado, ou do psicólogo.
4. RESULTADOS
Começou-se po e i ica a consis ência in e -
na da escala nas duas amos as a a és do coe i-
cien e al a de C onbach, cujos alo es se ap e-
sen am no Quad o 2, jun amen e com as Médias
(po nação e sexo), e os Des ios-pad ão.
651
QUADRO 2
Consis ência, Médias e Des ios-pad ão nas amos as de es udan es do ensino secundá io de
Cabo Ve de e Po ugal
Amos as Al a de C onbach Média Des io-pad ão
Masc. Fem. Masc. Fem.
Alunos sec. Cabo Ve de .81 50,8 53,8 11,6 14,0
Alunos sec. Po ugal .86 50,0 55,3 12,5 11,1
Cons a a-se que a escala ap esen a uma boa
consis ência in e na com es as amos as.
P ocedeu-se a uma análise de a iância nação
x sexo, não se encon ando um e ei o p incipal
signi ica i o po nação ou cul u a, com endên-
cia, no caso das apa igas po uguesas, a mani-
es a em-se um pouco mais neu ó icas do que as
cabo e dianas. Po sexo o am encon adas di e-
enças signi ica i as (F(1/486)=12.3; p.<.001),
sendo as apa igas mais neu ó icas, como já
acon ecia na amos a an e io , con o mando-se
com a maio pa e dos es udos. Não hou e in-
e acções signi ica i as en e a nação e o sexo.
3.º es udo
O úl imo es udo e e como objec i o e i ica
o con on o en e duas cul u as, ago a en e a an-
golana e a po uguesa, quan o ao neu o icismo, e
ainda a a iá el i ência eligiosa ( ei as s.
leigas).
5. MÉTODO
5.1. Pa icipan es
No o al, a amos a cons a de 434 sujei os,
sendo 238 de Angola e 196 de Po ugal; 183 são
ei as e 251 são alunos do ensino supe io .
Quan o ao sexo, 108 são homens e 326 mulhe-
es. A amos a o al cons a de qua o amos as
pa ciais: 1.ª: 129 (59 apazes e 70 apa igas) são
es udan es (na maio pa e de Di ei o) do 1.º ano
da Uni e sidade Ca ólica de Luanda (média de
idade: 21,9); 2.ª: 109 ei as de Angola, a maio
pa e equen ando o ICRA (Ins i u o de Ciências
Religiosas de Angola) de Luanda (média de
idade: 28,6); 3.ª: 122 alunos (49 apazes e 73 a-
pa igas) do 1.º ano de Di ei o da Uni e sidade
Ca ólica do Po o (m.i.=19 anos ); 4.ª: 74 ei as
po uguesas de di e sas pa es do país (m.i.=31,5
anos).
5.2. Medidas
Foi usado o mesmo ques ioná io dos es udos
an e io es.
5.3. P ocedimen o
A odos os g upos oi passado, em 2000, o
ques ioná io de neu o icismo, jun amen e com
ou as escalas. E am pedidos ainda dados socio-
-demog á icos, como a idade, o sexo e a cul u a.
Os ques ioná ios passados aos es udan es, o am
espondidos, após uma con e ência, na p esença
do psicólogo, em Luanda, e numa aula, na p esen-
ça do p o esso , no Po o. Quan o às eligiosas, a
amos a angolana ab angeu odas as i mãs
disponí eis que es uda am no ICRA e ainda ou-
o g upo dum Ins i u o de Lubango. Às i mãs
po uguesas disponí eis, de di e sas Cong ega-
ções, oi pedido pa a p eenche em o ques ioná io.
6. RESULTADOS
Começou-se po e i ica a consis ência in e -
652
QUADRO 3
Consis ência, Médias e Des ios-pad ão dos es udan es uni e si á ios angolanos, das ei as
angolanas, dos uni e si á ios po ugueses e das ei as po uguesas
Amos as Al a de C onbach Média Des io-pad ão
Masc. Fem. Masc. Fem.
Uni . de Angola .81 46,4 52,1 10,5 13,6
F ei as de Angola .83 – 51,1 – 12,5
Uni . de Po ugal .90 49,0 45,3 13,6 11,9
F ei as de Po ugal .90 – 46,2 – 12,0
na da escala nas di e sas amos as a a és do
coe icien e al a de C onbach, cujos alo es se
ap esen am no Quad o 3, jun amen e com as Mé-
dias (po nação e sexo) e os Des ios-pad ão.
No e-se an es de mais que a escala ap esen a
uma boa consis ência in e na com es as amos-
as.
P ocedeu-se a uma p imei a análise de a iân-
cia unicamen e com o g upo de es udan es po
nação (angolanos s. po ugueses) e sexo, não se
encon ando nenhum e ei o p incipal signi ica i-
o nem po nação nem po sexo. Toda ia, a en-
dendo às médias, os es udan es uni e si á ios an-
golanos endem a se mais neu ó icos do que os
po ugueses, de ido às apa igas, po que quan o
aos apazes, são os po ugueses os mais neu ó-
icos. Não se assis iu a in e acções signi ica i as
nação/sexo.
Uma ou a análise de a iância, unicamen e
com o sexo eminino, con on ou as apa igas e
ei as angolanas com as apa igas e ei as po -
uguesas e ainda as ei as angolanas e po ugue-
sas com as apa igas angolanas e po uguesas.
Po nação, oi encon ado um e ei o p incipal
signi ica i o (F (1/250)=7.8; p<.01), mos ando
as angolanas maio neu o icidade. Quan o ao
con on o en e ei as e es udan es leigas, não
o am encon adas di e enças signi ica i as. As-
sis iu-se a uma in e acção signi ica i a (F
(1/250)=10.1; p<.01) po nação e eligião. Com-
pa ando unicamen e as ei as angolanas com as
po uguesas no a-se um e ei o signi ica i o (F
(1/181)=7.1; p<.01), mos ando-se as i mãs an-
golanas mais neu ó icas do que as po uguesas,
con i mando a endência po nação.
7. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
T a a-se de esul ados que, ca ecendo de su i-
cien e apoio em in es igações an e io es, dada a
especi icidade da amos a, que po nação, que
po eligião (são pa icula men e mui o escassos
os es udos com amos as de ei as) não são á-
ceis de undamen a e de explica , sendo neces-
sá ios mais es udos com es as populações pa i-
cula es. O nosso es udo é essencialmen e explo-
a ó io.
Não obs an e, podemos a i ma que, em ge al,
as nossas suposições iniciais se con i ma am,
mos ando o sexo eminino uma maio endência
pa a o neu o icismo, na sequência da maio pa -
e dos es udos (c . e.g. Ba os, 1999; Lynn &
Ma in, 1997), denunciando os adolescen es
maio neu o icismo que os adul os, e ha endo
endência nas cul u as a icanas a maio neu o-
icidade, al ez explicá el pela idiossinc asia
do po o ou pelas ci cuns âncias mais des a o á-
eis em que i em; aliás, ou os es udos in e -
cul u ais ci ados na in odução, ambém não se
ap esen am conclusi os. Não se con i ma ainda
que a eligião, exp essamen e p o essada, como
é o caso das ei as, seja ga an ia de maio equi-
líb io psíquico, sob e udo em Á ica; ambém
aqui ou os au o es (e.g. F ancis & Pea son,
1991, 1993) não encon a am co elações en e
eligião e neu o icismo. To na-se necessá io
p ossegui os es udos, designadamen e a ní el
in e cul u al e eligioso.
Po ou o lado, o ins umen o usado, apesa de
mani es a su icien es qualidades psicomé icas,
de ia se con i mado po ou os ques ioná ios,
como o de Eysenck e Eysenck (1969), pa a além
de ou os e en uais p ocessos de a aliação do
neu o icismo, como os es es p ojec i os.
De qualque modo, o mais impo an e é p o-
mo e , a ní el ambien al e educacional, um
maio equilíb io psíquico, pois mui as ezes são
as ci cuns âncias ad e sas da ida e do mundo
ac ual que o nam a pessoa cada ez mais neu ó-
ica, embo a possa ha e pessoas mais ou menos
desequilib adas psicologicamen e de ido a en-
dências he edi á ias. Assis indo-se a uma maio
endência nas c ianças e nos adolescen es, e
ainda no sexo eminino, pa a a neu o icidade,
o na-se mais necessá io ainda abalha com
es es g upos.
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654
RESUMO
O neu o icismo é um aço cogni i o-a ec i o ou
uma exp essão nega i a da pe sonalidade. Depois de
en a mos de ini es e cons u o e de aze alguma e-
e ência à sua a aliação, analisamos alguns es udos
que o co elacionam com ou as emoções nega i as ou
posi i as da pe sonalidade e com a iá eis sociodemo-
g á icas. Na pa e empí ica são analisados ês es udos,
numa pe spec i a di e encial, en ando sabe se há di-
e enças signi ica i as con o me a idade, o sexo, a cul-
u a/nação e a eligião. Dada a pouca base bibliog á i-
ca capaz de sus en a algumas hipó eses, o es udo o -
na-se explo a ó io, embo a se con i mem alguns p es-
supos os iniciais: con o me o sexo, as mulhe es en-
dem a se mais neu ó icas do que os homens; a en-
dendo à idade, os adolescen es e os idosos são mais
neu ó icos que os adul os. Quan o à cul u a/nação, os
a icanos (cabo e dianos e angolanos) endem a
mani es a maio neu o icidade que os po ugueses. No
que conce ne à eligião, não o am encon adas di e-
enças signi ica i as en e as ei as e as apa igas uni-
e si á ias.
Pala as-cha e: Neu o icismo, idade, sexo, cul u a,
eligião.
ABSTRACT
Neu o icism is a cogni i e-a ec i e ai o a nega-
i e exp ession o pe sonali y. A e de ining his
cons uc , some s udies co ela ing i wi h o he nega-
i e o posi i e pe sonali y emo ions and wi h socio-
demog aphic a iables a e e iewed. The e ollows an
empi ical sec ion in which h ee s udies a e compa a-
i ely analysed acco ding o age, gende , cul u e/na io-
nali y, and eligion. Gi en he pauci y o de ini i e e-
sea ch capable o con i ming any single hypo hesis,
he s udy emains explo a o y, hough some ini ial p e-
supposi ions a e con i med: acco ding o gende , e-
males a e mo e neu o ic han males; acco ding o
age, adolescen s and olde people a e mo e neu o ic
han adul s. In espec o cul u e/na ionali y, Cabo
Ve dians and Angolans show a g a e endency o-
wa ds neu o icism han he Po uguese. Conce ning
eligious pe suasion, he e we e ound o be no signi-
ican di e ences be ween nuns and emale s uden s in
e ms o suscep ibili y o neu o icism.
Key wo ds: Neu o icism, age, gende , cul u e, eli-
gion.
655