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Neuroticismo: algumas variáveis diferenciais

José Henrique Barros de Oliveira

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O neu o icismo é uma das a iá eis do un- cionamen o nega i o da pe sonalidade mais es- udadas na li e a u a psicológica a ní el clínico, mas ambém social e educacional. Bas a con a na li e a u a as cen enas de ezes que, po exem- plo, em di e sos es udos é usado o Ques ioná io de Pe sonalidade de Eysenck, onde o neu o icis- mo apa ece como um dos ac o es p incipais. Na e dade, pouca gen e se pode conside a o al- men e equilib ada, mais na sociedade s essan e em que i emos. Já em 1937, Ka en Ho ney i- nha in i ulado um li o: «Pe sonalidade neu ó- ica do nosso empo», na sequência dos es udos de F eud e de an os ou os psicanalis as, mas a ibuindo às neu oses uma e iologia essencial- men e social. Es udos há que e i icam um au- men o signi ica i o da ansiedade e do neu o icis- mo nas úl imas décadas, pa icula men e na Amé ica (Twenge, 2000). As pe u bações neu ó icas ab angem um as- o leque de so imen o psíquico, com cono ações cogni i o-a ec i as: inadap ações de di e sa o - dem, ansiedade, imidez, angús ia, mani es ações óbicas e obsessi o-compulsi as, sensibilidade exage ada e i i abilidade, ensão e aqueza, insegu ança, endência à dep essão, amnésias, além de mui as sequelas psicossomá icas, como insónias, e igens, anspi ação, pe u bações na is a e na ala, na espi ação e na pele, dis ú bios ca díacos e gas o-in es inais, ans o nos ali- men a es, e mesmo con ulsões, como nas eac- ções his é icas. As pessoas dominadas po um ou á ios sin omas, são equen emen e apelidadas de neu as énicas, psicas énicas, hipocond íacas, obsessi o-compulsi as, his é icas, en im, angus- iadas (neu ose de angús ia ou de ansiedade) e insegu as. Tais sin omas ou sínd omas são mais ou menos is osos, embo a os neu ó icos possam ap esen a -se socialmen e como pessoas ‘no - mais’, escondendo em g ande pa e o seu so i- men o, ao con á io do que acon ece com os psi- có icos. Sem nos de e mos no quad o nosog á ico, no diagnós ico, na e iologia e na indicação e apêu- ica das (psico)neu oses, in e essa-nos apenas con i ma a complexidade des a ‘doença’ psíqui- ca e de algum modo en a de ini-la. Segundo Cos a e McC ae (1987, p. 301), o neu o icismo é «uma ampla dimensão de di e enças indi iduais endendo a expe iencia emoções desag adá eis e a li i as, possuindo ao mesmo empo aços cogni i os e compo amen ais». T a a-se de uma de inição pa cial, como ou as, mas em o mé i o de insis i na as a gama sin oma ológica, no so- imen o psíquico que p o oca e na dimensão cogni i o-compo amen al que ab ange. O neu o icismo, mais do que um es ado emo- i o passagei o, é um aço ou endência es á el da pe sonalidade. Como di e sos au o es dis in- guem, a espei o da ansiedade (e o neu o icismo 647 Análise Psicológica (2002), 4 (XX): 647-655 Neu o icismo: Algumas a iá eis di e enciais JOSÉ H. BARROS DE OLIVEIRA (*) (*) Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o. é p a icamen e insepa á el da ansiedade ou a an- siedade es á semp e p esen e de algum modo no neu o icismo), en e ansiedade- aço ( endência ge al pa a eagi ansiosamen e) e ansiedade-es- ado ( eacção ansiosa ansi ó ia) (Spielbe ge , 1972), ambém se pode ia ala de neu o icismo- aço e neu o icismo-es ado, como de pessimis- mo- aço e pessimismo-es ado. Não obs an e, conside amos o neu o icismo como um uncio- namen o pe u bado, mais ou menos es á el, da pe sonalidade, se bem que se possa aligei a ou ag a a a sua ca ga con o me as di e sas ci - cuns âncias e momen os do sujei o. Dadas as di iculdades em de ini es e cons u- o, ambém se adi inham maio es di iculdades na sua a aliação a a és de escalas ou ques ioná- ios. O mais equen emen e usado é o Eysenck Pe sonali y Ques ionnai e (EPQ) (Eysenck & Eysenck, 1969) com ês dimensões: ex o e - são, neu o icismo e psico icismo, ha endo uma e são p imi i a e ou a e is a. T a a-se dum ques ioná io um pouco ex enso e com ac o es menos in e essan es quando es á em causa a a aliação unicamen e do neu o icismo. Po isso, baseados na bibliog a ia, a ançamos com a cons ução e alidação duma escala que mani- es ou possui su icien es ca ac e ís icas psico- mé icas (Ba os, 1999). Há mui os es udos co elacionais que con on- a am o neu o icismo com ou as a iá eis, co- mo o op imismo. Segundo Scheie , Ca e e B idges (1994) algumas in es igações sob e o op imismo disposicional, a aliado pela escala Li e O ien a ion Tes (LOT) de Scheie e Ca e (1985), o am con es adas, pois os e ei os a i- buídos ao op imismo pode iam na ealidade pe - ence a uma e cei a a iá el implíci a e de sen- ido con á io, o neu o icismo. Os au o es não con i ma am es a suspei a, e o LOT p o ou pos- sui alidade disc iminan e e p edi i a, apesa de se admi i a an agem de e e a escala (Ba os, 1998). O neu o icismo ambém oi equen emen e co elacionado com o pessimismo e a dep essão (Mal by, Lewis & Hill, 1998). Um es udo de Saklo ske, Kelly e Janzen (1995) p o ou a ela- ção que exis e en e sin omas neu ó icos, como a a iação de humo , e a dep essão. Suls, G een e Hillis (1998) encon a am uma co elação posi- i a en e o neu o icismo e a eacção emocional aos p oblemas do dia-a-dia. Mui os es udos e- lacionam ambém o neu o icismo com a doença ísica, pa icula men e com sin omas menos g a- es, como asma, úlce as, dis unções ca díacas e ou as mani es ações den o da in e acção ou dinâmica co po-espí i o. Mui as in es igações indicam que os es ados emo i os s essan es po- dem a ec a o sis ema imunológico e po isso as esis ências do o ganismo (Knapp e al., 1992; Nalibo e al., 1991; Cohen e al., 1993). Maio a enção oi p es ada ao neu o icismo como po- encial p edi o da doença. Os que se queixam de sin omas de doença ísica ou psicossomá ica ap esen am mais aços neu ó icos de pe sonali- dade do que os que não ap esen am sin omas doen ios (Cos a & McC ae, 1980, 1985, 1987; Wa son, 1988; Wa son & Pennebake , 1989). Mas mui os dos es udos elacionando o neu o i- cismo com a doença podem so e de algum a - e ac o me odológico (B own & Moskowi z, 1997). O neu o icismo oi ou ossim abo dado em e- lação a ou as dimensões que ago a mais nos in- e essam: eligião, in e cul u alidade, idade, se- xo. Quan o à eligião, F ancis e Pea son (1991), usando seis escalas de neu o icismo concluí am que o neu o icismo e a eligiosidade são a iá- eis que não se co elacionam. Nou o es udo, os mesmos au o es (F ancis & Pea son, 1993) não encon a am di e enças signi ica i as en e es u- dan es p a ican es e não p a ican es da eligião. Es udos in e cul u ais, conside ando a eligião, o neu o icismo e di e sos g upos é nicos não che- ga am a conclusões consis en es, como é o caso de Ro hko (1996) que, compa ando um g upo de judeus com um g upo de polacos (p e endia ain- da compa a com um g upo de xei as libaneses mas e e di iculdades na amos a), concluiu que não ha ia elação signi ica i a en e eligiosi- dade e neu o icismo. Ou o es udo de Schu e e Hosch (1996), elacionando o op imismo, a eli- giosidade e o neu o icismo numa amos a com ame icanos-mexicanos, ame icanos-ingleses e mexicanos, não con i ma am a hipó ese, em duas subamos as, de que o op imismo e a eli- giosidade se iam p edi i os do neu o icismo. Mui a inconsis ência nes es esul ados pode se de ida às medidas usadas na a aliação da eli- giosidade, além da eligião se mais ou menos i ida con ic a e pessoalmen e (in ínseca) ou 648 como me o ac o social (ex ínseca) (c . Mal by, 1999). Es udos in e cul u ais ambém não chega am a esul ados conclusi os. Jung (1995) concluiu que os ame icanos de o igem asiá ica ap esen- a am uma endência neu ó ica mais acen uada que os ame icanos de o igem la ino-ame icana ou eu opeia. Ou o es udo compa ando neg os sul-a icanos com canadianos não mos ou di e- enças signi ica i as quan o ao neu o icismo (Mwamwenda, 1992). Um es udo ealizado em 34 nações, incluindo Po ugal, com a escala de Pe sonalidade de Eysenck, além de con i ma que ela unciona bem a ní el in e cul u al, concluiu que em mui as nações os esul ados so- b e o neu o icismo não se di e enciam mui o (Ba e , Pe ides, Eysenck & Eysenck, 1998). Po seu lado, Lynn e Ma in (1995), analisando nada menos que 37 nações, p ocu ando as di e- enças não apenas no neu o icismo, mas ainda na ex o e são, psico icismo e ou as a iá eis, en- con a am alguns alo es di e en es nas di e sas nações. Num es udo compa ando es udan es po - ugueses com cabo e dianos, os po ugueses mos a am endência a maio neu o icismo (Ba os, 1999). Di e sos es udos con ola am a iá eis socio- demog á icas, como a idade e o sexo. Cos a e McC ae (1985) não encon a am g andes di e- enças, con o me a idade, em elação ao neu o i- cismo e à hipocond ia. Segundo Ho man, Le y- Shi e Malinski (1996) pa ece que o neu o icis- mo a ec a mais o s ess e as di iculdades de adap ação dos (p é)adolescen es. Num es udo checo, os no os endiam a se mais neu ó icos que os mais elhos (H ebick a, Ce mak & Osecka, 2000). Tal endência e i icou-se am- bém num es udo em Po ugal (Ba os, 1999), mos ando-se os alunos do secundá io mais neu- ó icos que os uni e si á ios. Quan o ao sexo, as in es igações apon am pa a uma endência maio nas mulhe es a ex- p essa em mais sin omas neu ó icos (c . e.g. Hea en & Shoche , 1995; Ma in & Ki kcaldy, 1998). Is o e i ica-se em di e sas nações, como na República Checa (H ebick a, Ce mak & Osecka, 2000) ou na Á ica do Sul onde as mu- lhe es ambém se mos a am mais sensí eis às pe u bações a ec i as sasonais (Kane & Lowis, 1999). Lynn e Ma in (1997), num es udo eali- zado em 37 nações, concluí am que, em odas, as mulhe es inham uma média mais ele ada em neu o icismo (e os homens em psico icismo), embo a as di e enças não ossem es a is i- camen e signi ica i as. Num es udo po uguês, as mulhe es mani es a am-se ambém mais neu- ó icas (Ba os, 1999). Após es a in odução eó ica, damos con a de ês abalhos de campo, isando o p imei o undamen almen e pe cebe , a espei o do neu o icismo, se há di e enças signi ica i as quan o à idade. No segundo e e cei o es udos es á em causa pa icula men e a in e cul u ali- dade (po ugueses s. cabo e dianos e angola- nos). No e cei o, além da in e cul u alidade, pa a de algum modo eplica o segundo, con o- lamos pa icula men e a eligião (analisando uma amos a de ei as em elação a leigos). Em odas as amos as se conside a ambém a a iá- el sexo. T a a-se de um es udo essencialmen e explo- a ó io, pois a bibliog a ia an e io não nos pe - mi e o mula hipó eses segu as quan o à idade, à cul u a (e nia, nação) e à eligião, mo men e nas nações em causa e na eligião i ida como ocação exclusi a ( ei as). Es udamos pa icu- la men e as cul u as cabo e dianas e angolanas, pa a além da po uguesa, desconhecendo ou os es udos com es as populações. No que conce ne à eligião, não emos conhecimen o de es udos compa ando i mãs ou ei as com leigas, pa i- cula men e em Angola e Po ugal. Não obs an e, de algum modo baseados na bi- bliog a ia an e io , pa imos dos seguin es p es- supos os: 1.º) Quan o ao sexo, em ge al as mulhe es endem a se mais neu ó icas. 2.º) No que conce ne à idade, os adolescen es mani es am mais neu o icismo do que os adul os. 3.º) Do pon o de is a cul u al, os po os a i- canos (em pa icula os cabo e dianos e os angolanos) podem ende a se mais neu ó icos que os po ugueses. 4.º) Conside ando a eligião, embo a os e- sul ados de in es igações an e io es se- jam inconsis en es, é de espe a que as ei as se mos em menos neu ó icas do que as apa igas leigas, supondo-se que a 649 i ência da é possa cons i ui um ac o de equilíb io. ESTUDOS EMPÍRICOS 1.º es udo Objec i o undamen al des e es udo é pe ce- be se há di e enças signi ica i as quan o ao neu o icismo, segundo a idade, conside ando ainda a a iá el do géne o. 1. MÉTODO 1.1. Pa icipan es No o al, a amos a cons ou de 454 sujei os, epa ida po qua o subamos as díspa es em idade e em o mação: 1.ª: 117 alunos do 6.º ano de escola idade (média de idade: 11,4 anos, sen- do 75 apazes e 42 apa igas); 2.ª: 105 alunos do 9.º ano de escola idade (média de idade: 14,8 anos; M=66 – F=39); 3.ª: 128 p o esso es do en- sino secundá io (média de idade: 36,9 anos; M=44 – F=84); 4.ª: 104 idosos (média de idade 74,2 anos; M=49 – F=55). 1.2. Medidas Jun amen e com ou as escalas, oi usado um ques ioná io sob e o neu o icismo de Ba os (1999) que mani es ou possui boas ca ac e ís- icas psicomé icas. Cons a de 21 i ens a espon- de numa escala de Like com cinco modalida- des, desde o almen e em desaco do a é o al- men e de aco do. Quan o maio pon uação, mais neu o icismo. 1.3. P ocedimen o A odos os g upos oi passado, em 1999, o ques ioná io sob e o neu o icismo, jun amen e com ou as escalas. E am pedidos ainda dados sociodemog á icos, como a idade, o sexo e a cul- u a. Os ques ioná ios dos alunos o am espon- didos du an e uma aula, na p esença do p o esso p e iamen e p epa ado pa a isso. Os p o esso es disponí eis após uma con e ência le a am o ques ioná io pa a casa, en egando depois. Dos idosos, p a icamen e me ade es a am in e nados num La duma Ins i uição Pa icula de Solida- iedade Social e a ou a me ade i iam em suas casas. Aos idosos in e nados o ques ioná io oi passado po uma assis en e social e aos idosos em suas casas po dois alunos p epa ados an eci- padamen e pa a isso. 2. RESULTADOS Começou-se po e i ica a consis ência in- e na da escala em cada uma das amos as a a- és do coe icien e al a de C onbach, cujos alo- es se ap esen am no Quad o 1, jun amen e com as Médias (po idade/g upo e sexo) e Des ios- -pad ão. Cons a a-se an es de mais que a escala ap e- sen a nes as amos as uma boa consis ência in- e na. 650 QUADRO 1 Consis ência, Médias e Des ios-pad ão nas amos as com c ianças, adolescen es, p o esso es e idosos Amos as Al a de C onbach Média Des io-pad ão Masc. Fem. Masc. Fem. Alunos do 6.º ano .83 49,3 50,0 12,5 14,6 Alunos do 9.º ano .88 50,7 51,9 12,8 11,5 P o esso es .91 40,8 45,7 13,7 12,1 Idosos .86 51,0 60,6 12,5 14,3 P ocedeu-se seguidamen e a uma análise (uni- a iada) de a iância idade (4 g upos) x sexo (2). No con on o en e as di e sas idades (g upos), encon ou-se um e ei o p incipal signi ica i o (F (3/451)=17.2; p.<.001). Tes es pos hoc Sche é mos a am que o g upo de p o esso es con as a signi ica i amen e com odos os ou os, mos an- do-se menos neu ó icos e ambém os dois g upos de alunos s. o dos idosos, sendo es es os mais neu ó icos. Pode conclui -se que os sin omas neu ó icos es ão mais p esen es nas c ianças/ /adolescen es, pa a diminui na idade adul a (embo a a amos a de p o esso es seja mui o es- pecí ica), pa a de no o aumen a signi ica i a- men e na e cei a idade. Nos es udos ci ados an- e io men e no a-se ambém a endência a um maio neu o icismo po pa e dos jo ens em e- lação aos adul os, não endo pon o de compa a- ção com os idosos. Quan o ao sexo, encon ou-se ambém um e ei o p incipal signi ica i o (F (3/451)=10.4; p.<.001), assis indo-se em odas as amos as a uma endência de o sexo eminino mos a maio neu o icismo, es ando con o me com a maio pa e dos es udos. Is o é pa icula men e signi i- ca i o nos adul os (p o esso es) e mais ainda nos idosos, sendo na u al que a di e ença se ag a e com a idade. Com e ei o, a in e acção en e g u- po e sexo es e e pe o da signi icância (p.=.06). 2.º es udo Es e es udo isa con on a pa icula men e duas cul u as/nações di e en es (a cabo e diana e a po uguesa) no que ange ao neu o icismo, pa a além de con ola ambém o sexo. 3. MÉTODO 3.1. Pa icipan es No o al, a amos a cons a de 487 sujei os dis- ibuídos po duas subamos as: 1.ª: 285 jo ens de Cabo Ve de do cu so complemen a (secun- dá io) do liceu Domingos Ramos da P aia (San- iago), sendo 112 apazes e 173 apa igas; 2.ª: 202 jo ens po ugueses equen ando o 12.º ano num Colégio de V. N. de Gaia, sendo 110 apa- zes e 92 apa igas. 3.2. Medidas Foi usado o mesmo ques ioná io do es udo an- e io . 3.3. P ocedimen o Aos g upos oi passado, em 1997, o ques io- ná io sob e o neu o icismo, jun amen e com ou- as escalas. E am pedidos ainda dados sociode- mog á icos, como a idade, o sexo e a cul u a. Os ques ioná ios o am espondidos du an e uma aula, na p esença do p o esso , p e iamen e p e- pa ado, ou do psicólogo. 4. RESULTADOS Começou-se po e i ica a consis ência in e - na da escala nas duas amos as a a és do coe i- cien e al a de C onbach, cujos alo es se ap e- sen am no Quad o 2, jun amen e com as Médias (po nação e sexo), e os Des ios-pad ão. 651 QUADRO 2 Consis ência, Médias e Des ios-pad ão nas amos as de es udan es do ensino secundá io de Cabo Ve de e Po ugal Amos as Al a de C onbach Média Des io-pad ão Masc. Fem. Masc. Fem. Alunos sec. Cabo Ve de .81 50,8 53,8 11,6 14,0 Alunos sec. Po ugal .86 50,0 55,3 12,5 11,1 Cons a a-se que a escala ap esen a uma boa consis ência in e na com es as amos as. P ocedeu-se a uma análise de a iância nação x sexo, não se encon ando um e ei o p incipal signi ica i o po nação ou cul u a, com endên- cia, no caso das apa igas po uguesas, a mani- es a em-se um pouco mais neu ó icas do que as cabo e dianas. Po sexo o am encon adas di e- enças signi ica i as (F(1/486)=12.3; p.<.001), sendo as apa igas mais neu ó icas, como já acon ecia na amos a an e io , con o mando-se com a maio pa e dos es udos. Não hou e in- e acções signi ica i as en e a nação e o sexo. 3.º es udo O úl imo es udo e e como objec i o e i ica o con on o en e duas cul u as, ago a en e a an- golana e a po uguesa, quan o ao neu o icismo, e ainda a a iá el i ência eligiosa ( ei as s. leigas). 5. MÉTODO 5.1. Pa icipan es No o al, a amos a cons a de 434 sujei os, sendo 238 de Angola e 196 de Po ugal; 183 são ei as e 251 são alunos do ensino supe io . Quan o ao sexo, 108 são homens e 326 mulhe- es. A amos a o al cons a de qua o amos as pa ciais: 1.ª: 129 (59 apazes e 70 apa igas) são es udan es (na maio pa e de Di ei o) do 1.º ano da Uni e sidade Ca ólica de Luanda (média de idade: 21,9); 2.ª: 109 ei as de Angola, a maio pa e equen ando o ICRA (Ins i u o de Ciências Religiosas de Angola) de Luanda (média de idade: 28,6); 3.ª: 122 alunos (49 apazes e 73 a- pa igas) do 1.º ano de Di ei o da Uni e sidade Ca ólica do Po o (m.i.=19 anos ); 4.ª: 74 ei as po uguesas de di e sas pa es do país (m.i.=31,5 anos). 5.2. Medidas Foi usado o mesmo ques ioná io dos es udos an e io es. 5.3. P ocedimen o A odos os g upos oi passado, em 2000, o ques ioná io de neu o icismo, jun amen e com ou as escalas. E am pedidos ainda dados socio- -demog á icos, como a idade, o sexo e a cul u a. Os ques ioná ios passados aos es udan es, o am espondidos, após uma con e ência, na p esença do psicólogo, em Luanda, e numa aula, na p esen- ça do p o esso , no Po o. Quan o às eligiosas, a amos a angolana ab angeu odas as i mãs disponí eis que es uda am no ICRA e ainda ou- o g upo dum Ins i u o de Lubango. Às i mãs po uguesas disponí eis, de di e sas Cong ega- ções, oi pedido pa a p eenche em o ques ioná io. 6. RESULTADOS Começou-se po e i ica a consis ência in e - 652 QUADRO 3 Consis ência, Médias e Des ios-pad ão dos es udan es uni e si á ios angolanos, das ei as angolanas, dos uni e si á ios po ugueses e das ei as po uguesas Amos as Al a de C onbach Média Des io-pad ão Masc. Fem. Masc. Fem. Uni . de Angola .81 46,4 52,1 10,5 13,6 F ei as de Angola .83 – 51,1 – 12,5 Uni . de Po ugal .90 49,0 45,3 13,6 11,9 F ei as de Po ugal .90 – 46,2 – 12,0 na da escala nas di e sas amos as a a és do coe icien e al a de C onbach, cujos alo es se ap esen am no Quad o 3, jun amen e com as Mé- dias (po nação e sexo) e os Des ios-pad ão. No e-se an es de mais que a escala ap esen a uma boa consis ência in e na com es as amos- as. P ocedeu-se a uma p imei a análise de a iân- cia unicamen e com o g upo de es udan es po nação (angolanos s. po ugueses) e sexo, não se encon ando nenhum e ei o p incipal signi ica i- o nem po nação nem po sexo. Toda ia, a en- dendo às médias, os es udan es uni e si á ios an- golanos endem a se mais neu ó icos do que os po ugueses, de ido às apa igas, po que quan o aos apazes, são os po ugueses os mais neu ó- icos. Não se assis iu a in e acções signi ica i as nação/sexo. Uma ou a análise de a iância, unicamen e com o sexo eminino, con on ou as apa igas e ei as angolanas com as apa igas e ei as po - uguesas e ainda as ei as angolanas e po ugue- sas com as apa igas angolanas e po uguesas. Po nação, oi encon ado um e ei o p incipal signi ica i o (F (1/250)=7.8; p<.01), mos ando as angolanas maio neu o icidade. Quan o ao con on o en e ei as e es udan es leigas, não o am encon adas di e enças signi ica i as. As- sis iu-se a uma in e acção signi ica i a (F (1/250)=10.1; p<.01) po nação e eligião. Com- pa ando unicamen e as ei as angolanas com as po uguesas no a-se um e ei o signi ica i o (F (1/181)=7.1; p<.01), mos ando-se as i mãs an- golanas mais neu ó icas do que as po uguesas, con i mando a endência po nação. 7. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO T a a-se de esul ados que, ca ecendo de su i- cien e apoio em in es igações an e io es, dada a especi icidade da amos a, que po nação, que po eligião (são pa icula men e mui o escassos os es udos com amos as de ei as) não são á- ceis de undamen a e de explica , sendo neces- sá ios mais es udos com es as populações pa i- cula es. O nosso es udo é essencialmen e explo- a ó io. Não obs an e, podemos a i ma que, em ge al, as nossas suposições iniciais se con i ma am, mos ando o sexo eminino uma maio endência pa a o neu o icismo, na sequência da maio pa - e dos es udos (c . e.g. Ba os, 1999; Lynn & Ma in, 1997), denunciando os adolescen es maio neu o icismo que os adul os, e ha endo endência nas cul u as a icanas a maio neu o- icidade, al ez explicá el pela idiossinc asia do po o ou pelas ci cuns âncias mais des a o á- eis em que i em; aliás, ou os es udos in e - cul u ais ci ados na in odução, ambém não se ap esen am conclusi os. Não se con i ma ainda que a eligião, exp essamen e p o essada, como é o caso das ei as, seja ga an ia de maio equi- líb io psíquico, sob e udo em Á ica; ambém aqui ou os au o es (e.g. F ancis & Pea son, 1991, 1993) não encon a am co elações en e eligião e neu o icismo. To na-se necessá io p ossegui os es udos, designadamen e a ní el in e cul u al e eligioso. Po ou o lado, o ins umen o usado, apesa de mani es a su icien es qualidades psicomé icas, de ia se con i mado po ou os ques ioná ios, como o de Eysenck e Eysenck (1969), pa a além de ou os e en uais p ocessos de a aliação do neu o icismo, como os es es p ojec i os. De qualque modo, o mais impo an e é p o- mo e , a ní el ambien al e educacional, um maio equilíb io psíquico, pois mui as ezes são as ci cuns âncias ad e sas da ida e do mundo ac ual que o nam a pessoa cada ez mais neu ó- ica, embo a possa ha e pessoas mais ou menos desequilib adas psicologicamen e de ido a en- dências he edi á ias. Assis indo-se a uma maio endência nas c ianças e nos adolescen es, e ainda no sexo eminino, pa a a neu o icidade, o na-se mais necessá io ainda abalha com es es g upos. REFERÊNCIAS Ba e , P., Pe ides, K., Eysenck, S., & Eysenck, H. (1998). The Eysenck pe sonali y ques ionnai e: An examina ion o he ac o ial simila i y o P, E, N, and L ac oss 34 con ies. 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Na pa e empí ica são analisados ês es udos, numa pe spec i a di e encial, en ando sabe se há di- e enças signi ica i as con o me a idade, o sexo, a cul- u a/nação e a eligião. Dada a pouca base bibliog á i- ca capaz de sus en a algumas hipó eses, o es udo o - na-se explo a ó io, embo a se con i mem alguns p es- supos os iniciais: con o me o sexo, as mulhe es en- dem a se mais neu ó icas do que os homens; a en- dendo à idade, os adolescen es e os idosos são mais neu ó icos que os adul os. Quan o à cul u a/nação, os a icanos (cabo e dianos e angolanos) endem a mani es a maio neu o icidade que os po ugueses. No que conce ne à eligião, não o am encon adas di e- enças signi ica i as en e as ei as e as apa igas uni- e si á ias. Pala as-cha e: Neu o icismo, idade, sexo, cul u a, eligião. ABSTRACT Neu o icism is a cogni i e-a ec i e ai o a nega- i e exp ession o pe sonali y. A e de ining his cons uc , some s udies co ela ing i wi h o he nega- i e o posi i e pe sonali y emo ions and wi h socio- demog aphic a iables a e e iewed. The e ollows an empi ical sec ion in which h ee s udies a e compa a- i ely analysed acco ding o age, gende , cul u e/na io- nali y, and eligion. Gi en he pauci y o de ini i e e- sea ch capable o con i ming any single hypo hesis, he s udy emains explo a o y, hough some ini ial p e- supposi ions a e con i med: acco ding o gende , e- males a e mo e neu o ic han males; acco ding o age, adolescen s and olde people a e mo e neu o ic han adul s. In espec o cul u e/na ionali y, Cabo Ve dians and Angolans show a g a e endency o- wa ds neu o icism han he Po uguese. Conce ning eligious pe suasion, he e we e ound o be no signi- ican di e ences be ween nuns and emale s uden s in e ms o suscep ibili y o neu o icism. Key wo ds: Neu o icism, age, gende , cul u e, eli- gion. 655