Cidadania e vozes jovens em educação
Full text
A aliação em Educação
CIDTFF - Indaga io Didac ica - Uni e sidade de A ei o
Eunice Macedo
FPCEUP – Cen o de In es igação e In e enção Educa i as
eunicemacedo_58@ho mail.com
Helena Cos a A aújo
FPCEUP – Cen o de In es igação e In e enção Educa i as
hcga aujo@mail. elepac.p
Resumo: Es e a igo discu e modos de cons ução da(s) cidadania(s) de jo ens do
12.º ano, do Cu so Cien í ico Humanís ico, em escolas e comunidades em ela i a
des an agem. Na in e seção de géne o, egionalidade e desempenho escola ,
ocaliza a dimensão de géne o. Escu am-se jo ens ace ca de ques ões especí icas
e amplas que a e am as suas idas. Teo iza-se cidadania e oz. Reco e-se a
discussão ocalizada em g upo e en e is as indi iduais.
Pala as-cha e: Cidadania; Voz; Educação.
Abs ac : This pape discusses he ways 12 h o m s uden s o non- oca ional
humanis ic science cou ses, loca ed in ela i ely disad an aged schools and
communi ies, build hei ci izenship. In he in e sec ion o gende , egionalism and
school achie emen , he main dimension is gende . Young oices a e hea d abou
speci ic and complex ques ions ha a ec hei li es. Ci izenship and oice a e
heo ized. Me hodologicaly, we eso o ocus g oup discussion and indi idual
in e iews.
Keywo ds: Ci izenship; Voice; Educa ion.
Résumé: Ce a icle discu e examine des moyens de cons uc ion de la/des
ci oyenne é(s) des jeunes de la 12eme année du cou s d’Humani és, dans des écoles
e communau és en ela i désa an age. Dans l’in e sec ion du gen e, de la égion
e du ni eau de pe o mance à l’école, on ocalise ici la dimension du gen e. On
écou e des jeunes su des ques ions spéci iques e globales qui a ec en leu s ies.
Cidadania e ozes jo ens em educação
CIDTFF - Indaga io Didac ica - Uni e sidade de A ei o
ISSN: 1647-3582Indaga io Didac ica, ol. 3(1), Fe e ei o 2011
On héo ise ci oyenne é e oix e on ai ecou s mé hodologique à la discussion
ocalisée en g oupe e à des en e iens indi iduels.
Mo s-clés: Ci oyenne é; Voix; Educa ion.
In odução
Num con ex o de mudança social, que mui os êm denominado como c ise da
globalização1, o sis ema escola es á ainda mais sujei o a p essões sociais di e sas,
de que a a iculação en e as polí icas educa i as nacionais e eu opeias é
exempla . A al e ação na ida das escolas, ligada ao esc u ínio público (Nó oa,
2005), à p es ação de con as, à al e ação dos modos de go e nação e do es a u o
da ca ei a docen e, à a aliação dos p o esso es, ao oco na a aliação inal dos
alunos e à u ilização de ankings, a e a as idas das pessoas jo ens que equen am
a escola (Co esão, S oe , An unes, A aújo, Macedo, Magalhães, Nunes & Sá Cos a,
2007).
Ao ocaliza os modos como as pessoas jo ens cons oem as suas cidadanias e
se ap op iam que de limi es que de e en uais possibilidades do a ual sis ema
educa i o pa a essa cons ução, a pesquisa que sus en a es e a igo dis ancia-se
de pe spe i as que homogeneizam a ju en ude na escola sob uma ideia de ‘aluno’
apa en emen e neu a, que ocul a e legi ima um cidadão de classe média, u bana,
masculino, mo i ado pa a ap ende . Si uam-se, an es, as pessoas jo ens como
a o as da cons ução de cidadania, possuido as de he e ogeneidade in ag upal,
que en ec uza a di e sidade de localizações es u u ais em elações de pode de
géne o, desempenho escola e egionalidade... Ao inse i -se num mo imen o em
a o da oz das pessoas jo ens em educação, que em indo a co po iza -se nos
úl imos anos e que si ua o po encial jo em na exp essão e cons ução da o dem
social e educa i a, es e abalho p e ende con ibui pa a o deba e ace ca da
cidadania em educação e di e sidade(s).
O es udo p ocu a aze um desa io ino ado , concep ualizando cidadania
no c uzamen o en e oz e igualdade de condição. Voz é signi icada como
exp essão, legi imação e ação, con endo possibilidades i) de exp essa -se e se
ou ido/a, como di ei o; ii) de econhecimen o da legi imidade das ozes jo ens,
o que supõe econhece as suas expe iências, his ó ias e isões de mundo; e iii)
de aze di e ença, pela agilização das suas p opos as quando álidas. Po sua
ez, igualdade de condição su ge como p é- equisi o pa a a eme são de oz
e cidadania em educação, eclamando espei o e econhecimen o cul u al,
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acesso a ecu sos, cuidados e solida iedades, pode de in luência na omada de
decisão e uma escolha in o mada pon eciado a de sa is ação indi idual num
enquad amen o cole i o.
A p opos a me odológica, em a iculação ín ima com es a eo ização, sus en a-
se na escu a das pessoas jo ens, cujos discu sos sob e cidadania, sob e si como
cidadãs e sob e a o dem social são sujei os a uma análise de con eúdo inclusi a. Es a
busca egula idades e ozes pode osas exp essas no in e io dos g upos e dedica
pa icula a enção às especi icidades e à inco po ação das ozes equen emen e
mais silenciadas, a a és de um p ocesso complexo de ala gamen o das ca ego ias
de análise.
Con ex ualização eó ica
A exis ência de ligações en e o sis ema educa i o nacional e a sua
econ ex ualização pelas escolas, com os p ocessos de Eu opeização e as
dinâmicas, ainda mais amplas, de globalização, le a à en a i a de comp eensão
dessas in e ligações, como cená io mac o pa a o desen ol imen o das cidadanias
jo ens, em sociedades que dizem almeja à democ acia.
Teo ias que a gumen am em a o de uma democ a ização uni e sal, num
enquad amen o Eu opeu e global, iden i icam dois desa ios pa icula es nes e
p ocesso. Em e mos do opo polí ico, pode á pensa -se que a e o mulação da
democ acia pa a além do es ado-nação não e á que se agilizan e já que a
de inição de ma cado es democ á icos como anspa ência e p es ação de
con as pode ia se assegu ada no âmbi o global. Já ao ní el do logos polí ico, que
conce ne oz e pa icipação, exis i ia a possibilidade de a i ismo ans- on ei as
po uma sociedade ci il eme gen e que assumi ia p eocupações globais, e o
desen ol imen o e po encial alo ização de p ocessos ins i ucionais de delibe ação
que con ibuissem pa a empode amen o e emancipação indi idual. Possibilidade
que da ia co po aquilo que algumas linhas académicas êm designado como
globalização de baixo-pa a-cima (e.g. Falk, 1993; A no , 2009).
No en an o, há que e em con a que nem semp e a ação polí ica é desen ol ida
de pa com cidadania (Tambakaki, 2009) – ques ão que p ocu o discu i nes e
abalho com jo ens em busca de cidadania e oz, no in e io de uma o dem social
complexa. O dem social em que se con on a o que pode se in e p e ado como
no os desa ios pa a a educação na Eu opa com desa ios e cons angimen os
de um mundo polí ico, económico e social, em que se acen uam p ocessos de
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indi idualização e agmen ação. Na ce eza que p e alece da ápida mudança,
ad ém a necessidade de o mas dis in as de pensa e aze educação.
Nes e quad o, nos anos mais ecen es, as ques ões educa i as êm indo a
adqui i , em Po ugal, uma dimensão social que se a icula, pa ece e le i e
pode á econ ex ualiza , uma p eocupação global e eu opeia. Admi e-se a
exis ência de la go espaço pa a “melho ia das compe ências e quali icações
académicas e p o issionais dos po ugueses” (Conselho Nacional da Educação,
2008, p.3) e econhece-se à escola um papel c ucial, a e indo-se a necessidade
de desen ol e modos de a aliação ajus ados aos es abelecimen os educa i os
na linha da “Recomendação do Pa lamen o Eu opeu e do Conselho da União
Eu opeia sob e a Coope ação Eu opeia em ma é ia de A aliação da Qualidade
do Ensino Básico e Secundá io (2001/66/CE)” (ibid., p. 4), no âmbi o da a aliação
dos se iços públicos, enquad á el nas endências p esen es na maio ia dos países
eu opeus.
Iden i ica-se, ambém, o aumen o de uma compulsão pa a o esc u ínio, publici ação
e espec acula ização do que se passa nas escolas (Nó oa, 2005), associada à
p ocu a “de legi imação do sis ema educa i o e dos go e nos que o u elam, pelos
pode es polí icos” (Co esão e al., 2007, p.146). Is o oco e a a és de modalidades
de igilância sob e a escola que os ankings podem co po iza , no quad o duma
“educação con ábil” (Lima, 2002), de accoun abili y – a aliação, p es ação de
con as e esponsabilização (A onso, 2009). O domínio de compe ências e de
con eúdos a aliá eis, alo izado nes e manda o educa i o, a icula-se com uma
egulação ansnacional que pa ece se usada, no âmbi o nacional, pa a legi ima /
jus i ica a u ilização po emp és imo de polí icas educa i as já usadas nou os países,
na p ocu a de a gumen os polí icos pa a a insu iciência das soluções nacionais
(Ba oso 2006; Radaelli, 2003). A al a de um sis ema conce ado de a aliação do
sis ema educa i o e a a ibuição inde ida aos ankings do ca á e de ins umen o
de a aliação ilus am es e p oblema.
O deba e ace ca das cidadanias jo ens, que em indo a assumi pe inência,
em con ex o Eu opeu, há mais de 20 anos, desen ol e-se nes e con ex o. Foi
in oduzido ecen emen e na agenda educa i a nacional, em di e sas pe spe i as
e po en idades sociais di e sas, como deciso es polí icos, docen es e académicos
(A aújo, 2008). A escu a das pessoas jo ens adqui e ambém ele ância já que
es as expe ienciam um sis ema educa i o con u bado, cujo obje i o exp esso
é p omo e o acesso a um núme o c escen e de jo ens, po mais empo, e em
igualdade de opo unidades, mas no qual alguns p incípios da cidadania pode ão
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es a em con li o – apesa dos es o ços desen ol idos nas escolas pa a da espos a
aos desa ios e imposições imanados do cen o.
A cons ução de uma “ oz pedagógica” no in e io e a a és da escola (Be ns ein,
1990), cada ez mais cen ada nos esul ados e apa en emen e menos sensí el à
di e sidade pa ece desencadea no os mecanismos de exclusão escola e social,
pa en es nos ele ados índices de insucesso e abandono escola . Des e modo,
pode es a em isco aquilo que Be ns ein (1996) designou di ei os pedagógicos
democ á icos – inclusão, pa icipação e ealização de si: o desen ol imen o de um
sen ido de pe ença e econhecimen o pela e na cul u a escola , a pa icipação
ampla como pa cei os na cons ução da ida escola e a ealização do po encial
de cada jo em. O a, a possibilidade de ealização des es di ei os pode ia
co po iza a passagem de uma cidadania po p ocu ação (Jones & Wallace,
1992), ou dependen e (A no & Dillabough, 2003), que limi a as dimensões c uciais
de cidadania – que podem in e i -se na eo ização be ns einiana (op. ci .) –, a uma
cidadania no ho izon e da igualdade de condição (Bake , Lynch, Can ilon & Walsh,
2004) que pe mi e eo iza oz como exp essão, legi imação, e ação.
Es a pe spe i a, que anscende que igualdade de opo unidades de acesso que
igualdade de esul ados, supo a-se numa i ência da cidadania en aizada numa
escolha indi idual in o mada e le ada a cabo a a és do espei o e econhecimen o
de cada e de odas as cul u as, no acesso a ecu sos que pe mi am opções de alo
simila , na possibilidade de o mação de alo es e laços humanos undamen ais
como cuidado e solida iedade, na opo unidade de pa icipa e in luencia a
omada de decisão e ainda, de pode escolhe en e opções igualmen e álidas e
socialmen e alo izadas de ap endizagem e de abalho, enden es à cons ução
de um sen imen o de sa is ação pessoal na elação com a comunidade (ibidem).
Po sua ez, a pesquisa de oz eio desen ol e a abo dagem à consul a das
pessoas jo ens, das úl imas décadas em o no da pa icipação, co po izando, nos
anos mais ecen es, um oco suplemen a nas c ianças e jo ens, como pa e de
um mo imen o p ó- oz que si ua a u ilidade da escu a pa a a melho ia do sis ema
educa i o, a di e sos ní eis. Pe mi e ambém e idencia que, equen emen e, a
ampli icação das ozes jo ens, associada à isibilização e p eocupação social
com a sua cidadania, disciplina e di ei os (c . Ashwo h, 1995), não em ido uma
a iculação eal com os seus possí eis espaços de pa icipação, sujei os ainda
a es u u as polí icas e lógicas adul as, endendo a mi iga as suas ozes. No
comp omisso en e es es a gumen os, as ozes jo ens são in e p e adas no co en e
es udo, em duas dimensões dis in as. Po um lado, si ua-se o seu po encial con ibu o
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pa a a melho ia das escolas, po ou o, e p incipalmen e, si ua-se oz, no quad o
de adições emancipa ó ias de oz – a adição eó ico-me odológica eminis a e
a sociologia c í ica (A no , 2006) –, como modo de econhecimen o de cidadania,
e des acando-a de uma ap op iação neo-libe al da oz que ans o ma a oz
es udan il na oz de clien e (ibid.). É nes e sen ido que, como e e i, oz assume o
ca á e de “exp essão”, “legi imação” e “ação”. Is o que dize , o econhecimen o
às pessoas jo ens, não só do di ei o a exp essa -se, mas ambém da legi imidade –
e necessidade de deba e – daquilo que exp essam, conducen es à agilização dos
seus con ibu os pa a ge a mudanças nos seus con ex os de ida.
Com base na eo ização be ns einiana (em pa icula , Be ns ein, 1990, 1996, 2000,
2003) e na sua p óp ia pesquisa, A no (2006), A no & Reay (2006; 2007; 2008)
sublinham a necessidade de abalha com uma noção di e enciada de oz
que enha em con a di e enciais de pode a ela ine en es. A co en e pesquisa
equaciona as dimensões de idade, géne o, ‘classe’ social, egionalidade e ní el de
desempenho escola das pessoas jo ens. A gumen a-se que a localização jo em
em elações de pode pa icula es in o ma o seu posicionamen o ace à escola
e o modo como se inse em na cons ução de uma oz pedagógica no in e io e
a a és da escola (Be ns ein, 1990).
O a, a escu a e e i a das ozes jo ens, explo ando an o o po encial e ei o
ans o mado como o isco ep odu o da o dem social, na ausência de escu a
e de diálogo – cons i ui mecanismo essencial pa a es a econcep ualização
da cidadania. Es a escu a, assen e em p incípios de não-subo dinação e não-
es a i icação, supõe ou i as pessoas jo ens numa ap oximação às o mas que
es as u ilizam pa a se exp essa , alo izando a au ona ação. Es es são p incípios
undado es do “pupil oice mo emen ” (Flu e & Rudduck, 2004), que aduzo, com
alguma libe dade, como “mo imen o pelas ozes jo ens”, o qual em indo a ganha
o ma na educação e que em o ien ado linhas de consul a, em que cidadania e
ozes jo ens su gem associadas. Re i a-se, po exemplo, abalhos cen ados numa
comp eensão das pe spe i as jo ens ace ca das condições pa a a ap endizagem
(A no & Reay, 2004) ou das ozes de géne o na sala da aula (A no , 2006), nas
implicações da escu a pa a a melho ia dos p ocessos de ensino-ap endizagem
(Pedde & McIn y e, 2004), ou ocando a cons ução das eminilidades na escola
(Fonseca, 2008). Assim, nes e abalho, o e mo “ oz” – legi imação, exp essão e
ação – é u ilizado como elemen o c ucial da cidadania, cons uído e cons u o
da o dem social – um ins umen o ú il ao econhecimen o das pessoas jo ens e à
ans o mação educa i a e social.
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Me odologia
O abalho de consul a com jo ens do 12.º ano do Cu so Cien í ico Humanís ico
sus en ou-se na Discussão Focalizada em G upo, como mé odo con ex ual de
in es igação (Wilkinson, 2004) que assen a na p odução cole i a. As sessões o am
supo adas po um guião com ópicos que in e essa ia deba e . Es e mé odo
oi complemen ado, na úl ima ase, com en e is as indi iduais com pe gun as
abe as e um ques ioná io pa a ca ac e ização da população escola do 12.º ano
da escola em oco. A consul a oi desen ol ida em 3 ases: 1.ª - abalho pilo o pa a
a e ição de es a égias e ins umen os, numa escola do cen o, com 6 jo ens (3
sessões); 2.ª - discussão explo a ó ia em o no de cidadania e ankings das escolas,
pa a pe ceção do pulsa das escolas e das pessoas jo ens – em 3 escolas da sub-
egião do Tâmega, selecionadas pela posição nos ankings, com 3 g upos de 12
jo ens (2 sessões po g upo); 3.ª – discussão ocalizada ace ca da cons ução da
cidadania, dos ankings e do con ex o educa i o – numa escola selecionada das 3
do Tâmega – 1 sessão com 9 apa igas; 1 com 9 apazes; 3 com 3 apa igas e 3 com
3 apazes com di e en es ní eis de desempenho escola , e 6 en e is as indi iduais
com uma pessoa de cada g upo. A seleção de jo ens oi ei a na 1.ª e 2.ª ases po
p o esso as das escolas, em espos a aos c i é ios de inidos pela in es igado a. Na
3.ª ase, a seleção oi ei a pela in es igado a apoiada po uma di e o a de u ma.
As escolas pe encem a zonas de desen ol imen o híb ido e in e médio onde se
c uzam ca ac e ís icas de u alidade, indus ialização e de se iços, a ualmen e em
dec éscimo. Dis inguem-se, em pa icula , pelo ac o da p imei a es a , na al u a,
um pouco acima do meio da abela no anking das escolas, enquan o as ou as
se encon a am um pouco abaixo, um sin oma cujas causas se ia in e essan e
analisa .
A consul a em ases dis in as pe mi iu a e i es a égias e ins umen os de cap ação de
dados. Na 1.ª sessão do abalho pilo o, oi pedido a cada jo em pa a se ap esen a ,
no sen ido de comp eende quais os aspe os das suas idas que alo iza am. Es a
es a égia oi u ilizada na 2.ª ase do abalho empí ico, mas abandonada na 3.ª
ase, mais subs ancial, em que oi subs i uída po um ques ioná io, com ques ões
abe as, pa a ca ac e ização da população pa icipan e. P e endia ob e -se
dados mais comple os e en abiliza um empo c ucial à discussão de ópicos.
Nes a sessão, u ilizou-se como es ímulo de discussão, des acá eis do Jo nal Público,
de 2006, 2007 e 2008, com os ankings das escolas, sujei os a ap eciação e deba e.
Es a es a égia ol ou a se u ilizada nas ases seguin es, com bons esul ados e ní eis
dis in os de adesão po di e en es jo ens, que oi in e essan e analisa .
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Na 2.ª sessão, isualizou-se um exce o do ilme “Men es Pe igosas” (Dange ous
Minds), no in ui o de in oduzi a discussão sob e escola, desigualdades sociais,
opo unidades, espaços de au onomia, e c. Es a discussão, o ien ada pela
in es igado a, despole ou análise c í ica mas não po enciou a iculações en e
o ilme e a ealidade das pessoas p esen es. A 3.ª sessão oi dinamizada pelas
pessoas jo ens, na ausência da in es igado a, que de e iam e o ilme e ece
comen á ios. P e endia cap a -se o po encial e lexi o e as dinâmicas do g upo,
na expec a i a de ealiza sessões simila es nas ases subsequen es da pesquisa, no
in ui o de diminui a in e e ência da in es igado a nas discussões jo ens e dando
espaço à sua assunção como copesquisado as. No en an o, sal o a as exceções,
es e p ocesso esul ou no econ o de cenas do ilme conside adas in e essan es,
e a na a i a assumiu ca ac e ís icas desc i i as, quase semp e ac í icas. Assim,
essa es a égia oi abandonada na pesquisa subs ancial. A u ilização do ilme oi
ambém subs i uída pela isualização de um conjun o de imagens, na 2.ª ase que,
no en an o, como di eciona am demasiado as na a i as jo ens, o am subs i uídas,
na 3.ª ase, pela esc i a pessoal de comen á ios, com pos e io pa ilha e deba e.
Os dados ecolhidos nas p imei as ases, com g upos mais amplos, o am sujei os
a lei u a in e p e a i a pa a de eção de emas eme gen es. Na 3.ª ase, sendo
a ecolha de dados iniciada com g upos amplos e concluída com en e is as
indi iduais, o p ocesso de lei u a in e p e a i a pa iu do pa icula pa a o mais ge al
na expec a i a de cap a não só egula idades mas ambém as singula idades
das ozes. Es a p é-ca ego ização pe mi iu ambém a e i emas conside ados
mais ou menos ele an es pelos g upos, em unção das dimensões de géne o e
de desempenho escola . Pa a além disso, o am analisados aspe os conc e os
de cada si uação de consul a – pos u a ace à consul a, ca ac e ís icas da
o alidade, linguagem co po al, alo ização/des alo ização de dados emas, e c.,
– que pe mi em delinea pos u as dis in as/dis in i as das pessoas pa icipan es,
con ibuindo pa a a comp eensão de modos dis in os de cons ução das cidadanias
jo ens.
Resul ados
A explo ação de na a i as pe mi iu cap a in e esses e isões de mundo de jo ens,
sujei os a condições sociocul u ais e económicas de ela i a des an agem, e
em localizações es u u ais especí icas. Os emas eme gen es do c uzamen o de
ópicos p opos os com a sua ges ão pelas pessoas jo ens, nos g upos e en e is as
indi iduais, anscende am os aspe os que inham sido equacionados. Es ando
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ainda em ase emb ioná ia de análise, os dados pe mi em ealça endências e
descon inuidades nas na a i as jo ens:
A pa icipação e ozes jo ens na escola desen ol em-se en e dependência e
desejo de in e dependência, p e alecendo uma ‘cidadania’ desempenhada na
unção de ‘alunos’ a quem compe e es uda e ou i . Mesmo quando as pessoas
jo ens des es g upos exe cem ca gos como delegados ou sub-delegados, o
seu papel é ins umen al aos ó gãos de ges ão, como ansmisso es de decisões
aos es an es alunos. Daí ad ém pouca mo i ação pa a pa icipa , a que es á
associada a pa ca a ibuição de ecu sos. São e e idos, no en an o, alguns espaços
pa a negociação com a ges ão e as pessoas docen es, que consul am as pessoas
jo ens ace ca das aulas e dos modos de ap ende . As elações com pa es, no
espaço in o mal da escola – ba e in e alos –, ou disc e amen e, no in e io da sala
de aula são alo izadas como espaços de cidadania jo em na escola.
A en ada no espaço público, ao ní el das ocupações, do abalho olun á io ou
emune ado é ambém a iada. Pa a além do empo que, com maio ou meno
empenho, dedicam ao es udo, complemen ando/subs i uindo ap endizagens que
de e iam ealiza na escola, como a i ma um dos apazes, o laze gi a em o no das
con e sas de ca é, de a i idades despo i as, de idas pon uais ao cinema… Pa a
além des as ocupações, des aca-se uma apa iga “sem empo”, que desde mui o
no a acompanha a mãe como endedo a ambulan e, ou a que desen ol e
a i idades de ca iz cul u al/ eligioso como coo denado a e dinamizado a e que
in es e na sua o mação o a da escola, e um apaz que cuida das c ianças na
amília, ompendo com modalidades de masculinidade mais adicionais, e que
desen ol e abalhos empo á ios pa a e dinhei o pa a as suas despesas. As
o ganizações ligadas à ig eja cons i uem um pólo dinamizado da ida de á ias
apa igas e apazes, como espaços de con í io, onde p omo em a educação
eligiosa de ou as pessoas ou con ibuem pa a dinamiza e en os.
Os desejos de apa igas e apazes de p osseguimen o de ca ei a educacional
e p o issional ão, mui o equen emen e, além do pe cu so académico das
amílias. Sal o a as exceções, as pessoas pa icipan es que em p ossegui es udos
uni e si á ios di e sos. As que se p onunciam, e balizam di iculdades que i ão
de on a no acesso à uni e sidade, endo consciência da necessidade de in es i
nas médias do secundá io. Têm expec a i as de enquad amen o em p o issões
libe ais dis in as, endo noção das di iculdades de inse ção no mundo do abalho.
As di iculdades de conciliação en e amília e p o issionalidade, e balizadas
apenas pelas apa igas, esul am numa endência pa a o adiamen o da ida
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CIDTFF - Indaga io Didac ica - Uni e sidade de A ei o
ISSN: 1647-3582Indaga io Didac ica, ol. 3(1), Fe e ei o 2011
No as
1 A no (2009) explo a duas na a i as con adi ó ias ace ca da globalização que in o mam di e en emen e a cidadania. Uma ê a
globalização como o ma de des uição do ecido social, pela ampliação e ag a amen o das desigualdades sociais (ibid.). Falk (1993,
p.39) desc e e-a como “globalização de cima-pa a-baixo”, pa a e ei a implemen ação de um “e hos de consumo” na no a O dem
Mundial, apoiado na “colabo ação en e es ados líde es” (ibid., ambém B ecke Cos ello & Smi h, 2002). Nes a pe spe i a concebe-
se: i) um sis ema de compe i i idade ansnacional que impac a o papel do es ado de o ma e ical; ii) a ca ência de in luência dos
es ados menos pode osos na omada de decisão sup anacional; iii) uma p essão exógena sob e esses es ados, pelas ob igações de
esponsabilização pa a com pode es mais globais; em suma, i ) a isão de es ados e pessoas cidadãs como obje o de globalização,
en a izam-se dimensões de dependência e mecanismos de exclusão social. A ou a na a i a sob e globalização az possibilidades de
democ a ização no in e io de uma sociedade global (A no , 2009). Es a na a i a pode se desc i a como uma globalização de baixo-
pa a-cima na qual um conjun o de o ças sociais ansnacionais animado po p eocupações de o dem ecológica e cul u al (Falk, 1993)
ab em caminho a modos di e sos de cidadania que pode ão co po iza uma cidadania global. Numa abo dagem que anscende es as
na a i as da globalização, Ba oso (2006) discu e a exis ência de espaços de mediação pelo es ado, que exe ce a sua capacidade de
me a- egulação e pa icipa no p ocesso de egulação do campo educa i o, como pa cei o en e ou as en idades adicionalmen e
exógenas à educação e que se elacionam de modos di e en es com e e enciais, luga es e p ocessos dis in os (Ba oso, 2006a). Nes a
abo dagem concebe-se uma in e ação híb ida en e as di e sas ins âncias a a és da in odução de modos de egulação e go e nação
educacional, na qual o es ado-nação ende a se is o como mediado dos p incípios democ á ico-libe ais (Ba oso, 2006), en e o
me cado ‘li e’ global, a amília, e a comunidade en e ou as ins i uições (Mi chell, 2003). O papel do es ado-nação no que conce ne a
cidadania é o na -se mais es a égico como uma des as múl iplas escalas de go e nação, in luência e egulação (Ba oso, 2006; Sassen,
2001). Nes e seu no o papel, o es ado e as pessoas cidadãs podem se is os como en idades que omam pa e e êm uma pala a a dize
nes e p ocesso. São aqui en a izados espaços de po encial in e dependência e de oz na cidadania.
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