Recrutamento e seleção: um dinamismo sazonal
Full text
FACULDADE DE LET R A S
UNIVE RSIDADE DO PO RTO
So aia Filipa Inocêncio Sousa
2º Ciclo de Es udos em Sociologia
Rela ó io de Es ágio
Rec u amen o e Seleção: um dinamismo sazonal
2014
O ien ado : P o esso Dou o Ca los Manuel Gonçal es
Classi icação: 16 alo es
Ciclo de es udos: Mes ado em Sociologia
“Conside a as pessoas, e não as máquinas, o dinhei o ou mesmo os cé eb os,
como um ecu so na u al, al ez seja o sucesso de udo.”
(Pe e s; Wa e man, 1995)
i
RESUMO
A ges ão de ecu sos humanos é de inida como o sis ema de a i idades e es a égias
ocadas no sucesso dos abalhado es e na ges ão de uncioná ios pa a a ingi os obje i os
o ganizacionais. É nes e sen ido que a pe inência do es udo do p ocesso de ec u amen o e
seleção como ins umen o essencial pa a a e icácia de esul ados, se o na o p incipal obje i o
des e ela ó io. O es ágio ealizado numa emp esa, que a ua no meio u ís ico, pe mi iu ob e
as in o mações undamen ais pa a desc e e o p ocesso de ec u amen o e seleção. Num
me cado de abalho cada ez mais compe i i o oi e elado as p incipais di iculdades com
que os p o issionais de ecu sos humanos se con on am e ap esen adas as écnicas e meios
po eles u ilizados ao longo do p ocesso. São iden i icadas, po nós, algumas suges ões de
al e ações no p ocedimen o com o obje i o de melho a as con a ações que se e le em em
odo o desempenho da emp esa.
Pala as-cha e: Rec u amen o, Seleção, Ges ão de Recu sos Humanos, Me cado de
T abalho
ii
ABSTRACT
The human esou ce managemen is de ined as he sys em o ac i i ies and s a egies
ocused on he success o employees and managemen s a o achie e o ganiza ional goals. I
is in his sense ha he ele ance o he s udy o ec ui men and selec ion as essen ial o he
e ec i eness o ou comes ins umen p ocess becomes he main objec i e o his epo . The
aining held in a company, which ope a es in he ou is way, allowed ob aining he
undamen al in o ma ion o desc ibe he p ocess o ec ui men and selec ion. In an
inc easingly compe i i e labo ma ke we e e ealed majo di icul ies ha human esou ce
p o essionals a e con on ed and p esen ed he echniques and means used by hem
h oughou he p ocess. Fo us, a e iden i ied some sugges ions o changes in p ocedu e wi h
he aim o imp o ing he signings ha a e e lec ed h oughou he company's pe o mance.
Keywo ds: Rec ui men , Selec ion, Human Resou ce Managemen , Job Ma ke
iii
RESUMÉ
La ges ion des essou ces humaines es dé ini comme le sys ème d'ac i i és e de
s a égies axées su la éussi e des employés e du pe sonnel de ges ion pou a eind e les
objec i s o ganisa ionnels. C'es dans ce sens que la pe inence de l'é ude de ec u emen e de
sélec ion comme essen ielle à l'e icaci é des ésul a s p ocessus de l'ins umen , de ien
l'objec i p incipal de ce appo . La o ma ion a eu lieu dans une en ep ise, qui onc ionne de
la maniè e de ou isme, a pe mis d'ob eni l'in o ma ion ondamen ale pou déc i e le
p ocessus de ec u emen e de sélec ion. Dans un ma ché du a ail de plus en plus
concu en iel on é élé des di icul és majeu es que les p o essionnels des essou ces
humaines son con on és e p ésen és les echniques e les moyens u ilisés pa eux ou au
long du p ocessus. , Pou nous, son iden i iés quelques sugges ions pou des changemen s
dans la p océdu e dans le bu d'amélio e les séances de dédicaces qui se e lè en dans
l'ensemble la pe o mance de l'en ep ise.
Mo s-clés: Rec u emen , Sélec ion, Ges ion des Ressou ces Humaines, Ma ché de
L'emploi
i
AGRADECIMENTOS
Realiza um ela ó io de es ágio o na-se um p oje o que nos pe mi e c esce e
amadu ece . Ap ende-se a i e no limi e e com in ensidade. É um aje o complicado, mas
que nos possibili a consolida enquan o indi íduos e ede ine-nos como pessoas em
sociedade. A elabo ação des e ela ó io não e ia sido possí el sem a pa icipação, incen i o e
mo i ação de di e en es pessoas.
Em p imei o luga , que o ag adece ao P o esso Dou o Ca los Gonçal es pela sua
in ei a disponibilidade. Toda a sua o ien ação o nou-se undamen al pa a a ealização des e
ela ó io. Ag adeço oda a a enção, paciência e libe dade de ação que me pe mi iu c ia um
abalho com que me iden i ico p o issionalmen e e indi idualmen e. Ag adeço a sua
pe se e ança que me pe mi iu c esce e desen ol e enquan o p o issional, ab indo-me
ho izon es e ensinando-me a pensa . Foi essencial a ansmissão de expe iência, na
eme gência e solidi icação de conhecimen os, assim como nos meus pequenos sucessos.
À Dou o a Sa a Aze edo, que acompanhou o meu es ágio e cuja a i ude abe a e
conhecimen os ansmi idos o am undamen ais. Que o ag adece oda a disponibilidade,
mo i ação e comp eensão que deposi ou no meu abalho e nas minhas capacidades enquan o
p o issional. A sua o ma exigen e e c í ica acili a am o alcance dos meus obje i os pessoais
e p o issionais.
À equipa de ecu sos humanos que me acompanhou quo idianamen e du an e qua o
meses, o am subs anciais pa a a minha ap endizagem p o issional. Ob igada po odo o
conhecimen o ansmi ido e pelas amizades c iadas. Que o dize que oi um o gulho pe ence
a es a equipa. Um especial ag adecimen o à Ana Sil a, Isabel Pessoa e Ana Ne o po odo o
apoio.
À minha amília, em especial à minha Mãe, que semp e me incen i a am e mo i a am
nos momen os mais di íceis. Ob igada po es a em semp e p esen es.
Aos meus Amigos e Colegas de Mes ado que compa ilham as suas idas e
expe iências comigo. Que o ag adece odo o ânimo, odas as aleg ias que me despe a am
du an e es e p ocesso.
So aia Sousa
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ec u amen o e seleção que a emp esa a a essa odos os anos. É p ecisamen e nes a emá ica
que se inse e o quad o mais as o das p á icas dos ecu sos humanos, que i emos es u u a a
nossa análise, p odu o em simul âneo de e lexões eó ico-empí icas e do con on o com a
nossa expe iência de es ágio.
Ao longo das p óximas páginas i emos desc e e a o igem e e olução da
adminis ação em ecu sos humanos. Tomando di e en es á eas de in e enção o p esen e
ela ó io ai-se cen a na ges ão de ecu sos humanos, nes e pon o é impo an e es uda os
p incipais modelos de ges ão de ecu sos humanos, bem como os p incipais pa adoxos que
es e ema en en a. É essencial conhece os p incípios e ca ac e ís icas da ges ão de ecu sos
humanos, pa a consegui de ini e delimi a quais os pe is de ges o es de ecu sos humanos
exis en es. O p imei o capí ulo abo da a e isão da li e a u a onde é expos o os ins umen os
básicos de planeamen o es a égico. Pos e io men e a um plano ge al da e olução dos
ecu sos humanos passa-se pa a uma análise a ní el nacional.
Num segundo capí ulo des e ela ó io ap esen a-se a expe iência de es ágio ealizada.
To na-se impo an e conhece como deco eu odo o p ocesso, apon ando odas as
di iculdades e desa ios encidos. Ao mesmo empo é ealizada uma sín ese de odas as
a i idades e e uadas enquan o es agiá ia na emp esa C uise Ship.
O capí ulo seguin e e a a uma análise empí ica baseada nas expe iências i idas ao
longo do es ágio na emp esa C uise Ship. P imei amen e exis e uma b e e in odução da
emp esa, expondo o seu abalho e modo de a uação, pos e io men e exis e uma análise do
me cado de ecu sos humanos em Po ugal, como o ma de conhece a ealidade que o país
a a essa ao ní el do emp ego. Nes e capí ulo p edomina a análise do p ocesso de
ec u amen o e seleção, p ocedendo a um diagnós ico da sua pe inência. Seguidamen e
segue-se a explicação dos mé odos de ec u amen o, especialmen e dos anúncios de
ec u amen o. Rela i amen e ao p ocesso de seleção explana-se um conjun o de ins umen os
e p á icas u ilizadas: análise de Cu ículos Vi ae, en e is as de a aliação ou seleção e es es
psico écnicos. No acolhimen o se ão desc i os quais os con eúdos e ações dos p og amas de
acolhimen o.
Numa sociedade onde cada ez mais i enciamos um me cado de abalho ince o, o
úl imo capí ulo ai ca a e iza -se po uma e lexão sob e o papel que os ecu sos humanos
êm ado ado e conside a qual se á o seu hipo é ico u u o. É essencial an e e os desa ios e
sabe p opo no os planos e p opos as pa a o sucesso dos ecu sos humanos.
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Com es e ela ó io p e endo não só demons a o que ealizamos du an e o es ágio,
mas sob e udo a azão pela qual o p ocesso de ec u amen o e seleção se o na uma écnica
undamen al na ges ão de ecu sos humanos.
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CAPÍTULO I – Um pe cu so eó ico pelo sis ema de ges ão de
ecu sos humanos
1 – O desen ol imen o da unção de ecu sos humanos
T a ando-se de uma á ea com um escasso enquad amen o eó ico, a ges ão de ecu sos
humanos, ao longo dos empos, e olui com base nas eo ias o ganizacionais que o am sendo
desen ol idas ( aylo ismo, bu oc acia, elações humanas, abo dagem sis émica, abo dagem
con ingencial) e das eo ias compo amen ais (mo i ação e sa is ação, pode e lide ança,
abalho em equipa e pa icipação). A impo ância dos ecu sos humanos (RH) ganha ên ase,
pela p imei a ez, em 1911 (Bilhim, 2006). Tendo po base o p incípio de que exis e uma
o ma excelen e de o ganiza – one bes way -, Taylo (1911) di idiu o abalho em unções
dis in as, com a e as especí icas onde o pessoal e a escolhido de aco do com o seu
desempenho pa a cada unção. Eme ge pos e io men e, a necessidade de eino e
compensação dos ope á ios como modo de incen i a a p odução. Des e modo, a p eocupação
inicial dos ecu sos humanos cen alizou-se sob e as ques ões de seleção, o mação
p o issional e compensação. No en an o, os ecu sos humanos êm ado ado posicionamen os
di e en es nas o ganizações ao longo dos anos, p og edindo cada ez mais na impo ância do
seu papel e no desen ol imen o das suas a e as, o que exp essa que o c escimen o da
quali icação académica da mão-de-ob a que no os modos de go e na as emp esas que
isam semp e ob e mais endabilidade inancei a e económica. A di isão das e apas pela qual
os RH e oluí am di e gem de au o pa a au o .
Apesa da discussão que se em c iado em o no do seu u u o, con o é sias que aliás
êm ce cado a ges ão de ecu sos humanos desde a sua eme gência, igno am que a unção em
e oluído e seguido o seu pe cu so, de o ma nem semp e linea , mas man endo-se semp e
de e minada e com pe se e ança. Pe an e odas as unções o ganizacionais, a unção de
ecu sos humanos é p o a elmen e aquela que já so eu a ans o mação p og essi amen e
mais acen uada nos úl imos anos. “Es a e olução ai con inua , in eg ando an o o con eúdo
da unção, como o pe il écnico dos p o issionais des a á ea” (Bilhim, 2006).
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A ges ão de ecu sos humanos2 eme ge com o ad en o do p ocesso de indus ialização
e da consequen e cons ução da áb ica3. Ou seja, o sis ema ab il p ecisa a a i ma -se e
legi ima -se no plano ideológico e no plano écnico-cien í ico (Almeida, 1993). No plano
ideológico essa legi imação assen ou na libe dade da mão-de-ob a, uma ez que as elações
exis en es en e ope á ios e capi alis as e am somen e elações de me cado. Po sua ez, no
plano écnico-cien í ico, al legi imação p essupõe o p incípio da O ganização Cien í ica do
T abalho, onde Taylo é o g ande impulsionado ao des enda as bases me odológicas pa a a
di isão do abalho e a consequen e hie a quização dos papéis sociais no in e io da áb ica.
Tyson (1995) de ende a exis ência de ês azões assen es na abo dagem da
p oblemá ica ges ão de ecu sos humanos. A p imei a é a na u eza social que de ine a ges ão
do emp ego como o obje o da ges ão de ecu sos humanos. Ela o na-se impo an e pa a o
desen ol imen o de qualque comunidade, que ao ní el indi idual como ao ní el do
elacionamen o social. A na u eza polí ica é a segunda azão e dedica-se ao modo como as
elações de pode subjacen es ao abalho e emp ego se e le em nos p oblemas sociais, onde
as g e es e as pa alisações são os exemplos mais ele an es. A úl ima azão é de na u eza
cul u al, uma ez que a p incipal ajuda da ges ão de ecu sos humanos é de e mina , e
assegu a , a o dem simbólica que pe mi a, no ce ne da o ganização, a execução da au o idade,
a delimi ação dos papéis o ganizacionais e a c iação do signi icado, capaz de pe mi i a
pa ilha dos obje i os e das me as o ganizacionais en e os dis in os memb os da
emp esa/o ganização.
Em conjun o com es a no a isão assume-se a p opos a de Fayol (1916) sob e a
impo ância da unção adminis a i a. Aqui eme gem as bases pa a uma no a disciplina, a
Ges ão4. É nes e ambien e ins umen al e no ma i o que a ges ão de ecu sos humanos se em
indo a a i ma enquan o uma disciplina sus en ada num co po de conhecimen os aplicados
que ado a como obje o a egulação das ações humanas nas o ganizações (Bou nois e B abe ,
1993; De Cos e , 1998).
2 É impo an e e e i que nes e ela ó io não p e endemos abo da as dis in as de inições que, ao longo dos anos,
êm indo a se u ilizadas pa a designa es a unção social, mas sim iden i ica algumas eo ias e conceções mais
e e idas na his ó ia dos ecu sos humanos.
3 Espaço p i ilegiado capaz de sus en a , simul aneamen e, a dependência económica dos abalhado es, ao
p i a-los da posse dos meios de p odução, a sepa ação en e local de abalho e local de habi ação e a imposição
de uma disciplina ígida.
4 “(…) o es udo cien í ico de ca ác e no ma i o da implemen ação in eg ada dos meios écnicos, inancei os e
humanos nas o ganizações, endo em is a a sua u ilização acional e e icaz” (De Cos e , 1998: 22-23).
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O modelo de ges ão de pessoas como depa amen o pessoal apa ece no inal do século
XIX. Nes e modelo a adminis ação de ecu sos humanos é consequência do p og esso
emp esa ial e do desen ol imen o da eo ia o ganizacional, concei o que e idência a imagem
de um local de abalho o ien ado pa a as ansações p ocessuais e pa a o caminho
bu oc á ico. Assim, a his ó ia da adminis ação de ecu sos humanos inicia-se com o
apa ecimen o dos depa amen os pessoais. O obje i o dos ge en es de pessoal cen a a-se na
escolha dos candida os mais e icien es a p eços acessí eis. Nes a al u a, o modelo de ges ão e
pessoas p eocupa a-se essencialmen e com as ansações, os mé odos e os ecu sos que
aumen assem a p odução humana. Na base des e modelo sus en a am-se os concei os de
p odu i idade, es i uição e e iciência de cus os com o abalho. A ideologia o ganizacional
p edominan e da época, a adminis ação cien í ica de Taylo , mos a a-se adap á el a um
depa amen o de pessoal ocado na e iciência de cus os e pa a a p ocu a de abalhado es
e e i os pa a as unções.
Com o desen ol imen o humano as eo ias ambém a ançam. E é nes e sen ido que
su ge a eo ia das elações humanas, onde se iniciam as p imei as expe iências de
comunicação mais in ensas en e a adminis ação e a psicologia, conduzindo a uma no a ase,
o modelo de ges ão de pessoas como adminis ação da condu a humana. O desempenho da
psicologia como ciência capaz de ajuda o en endimen o e a ação na ida o ganizacional
dispôs uma no a di eção do oco de a i idade da ges ão de ecu sos humanos. Passa-se de
uma lógica ocada exclusi amen e na unção, nos cus os e na p odu i idade pa a uma linha
que in e ém ao ní el compo amen al dos indi íduos. A p opagação da denominada “Escola
de Relações Humanas” apa ece como undamen al no desen ol imen o dos RH a dois ní eis:
concen ação na ges ão de pessoas ocando di e en es ecu sos, o que ez c esce a
es u u ação do depa amen o de pessoal nas emp esas ao mesmo empo que ez eme gi leis
capazes de egula as elações en e as emp esas e os seus abalhado es; início do p ocesso de
en iquecimen o da unção que ao ní el do depa amen o de pessoal que ao ní el de ges o de
pessoal que pode incen i a e di igi os abalhado es.
Fische (2002) e e e como a in luência da escola de elações humanas o na-se um
a o impo an e pa a a mudança na o ma de ope a da ges ão de ecu sos humanos – “(...)
uma das suas p incipais con ibuições oi descob i que a elação en e a emp esa e as pessoas
é in e mediada pelos ge en es de linha. Reconhece a impo ância e le a o ge en e de linha a
exe ce adequadamen e seu papel cons i ui a p incipal p eocupação da ges ão de ecu sos
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humanos” (Fische , 2002: 21). Nes e momen o a sede de ação passou a se um exe cício de
ge ência, os ínculos in e pessoais, os mé odos de a aliação de p og esso e de impulso ao
desen ol imen o de pe is ge enciais adequados com o sis ema de ges ão de pessoas
p e endido pela emp esa. O modelo humanis a es u u a-se pela mo i ação e lide ança.
Em 1990 “(...) a necessidade de incula a ges ão de pessoas às es a égias da
o ganização oi apon ada inicialmen e pelos pesquisado es da Uni e sidade de Michigan (...)”
(Fische , 2002: 24). A ges ão de ecu sos humanos necessi a a de p ocu a a melho união
com as polí icas emp esa iais e os elemen os ambien ais. Os se iços económicos e sociais
assinala am es e pe íodo com o su gimen o da á ea de RH como a i idade mais impo an e e
essencial nas emp esas ace a anos an e io es. A é à da a de 1960 “(...) a ges ão das
o ganizações se pau ou pelas abo dagens p esc i as pelas escolas clássicas e de elações
humanas. Den o desse con ex o de c escimen o, de p odução e consumo em massa, as
o ganizações c escem em amanho e em complexidade, in e nacionalizam-se, implan ando
iliais e subsidiá ias em ou os países e o nando imp escindí el a p o issionalização da
adminis ação de pessoas” (Tonelli, Labombe e Caldas, 2002: 70). É po es a azão que a á ea
de ges ão de pessoas começa a a ua em no os domínios. O p og esso ao ní el dos negócios
ouxe consigo uma onda de lexibilidade. As eo ias an e io es e am cen adas em aspe os
in e nos, enquan o as no as eo ias p eocupam-se mais com o ambien e e com o modo como
se lida com aspe os ex e nos que se e le em nas polí icas e ações de ges ão. Com es e no o
modelo de ges ão ob êm-se o econhecimen o da impo ância e o inqué i o da exis ência de
ação da ge ência pa a o êxi o da emp esa; a dis inção dada às opções es a égicas e à
negociação; a ealidade de ecu sos limi ados que necessi am de se aplicados e icien emen e;
a impo ância de de e mina os p eços de cada ansação e a ob igação de legi imação da
p á ica o ganizacional pelos e en os ex e io es.
Pe ig ew e Whipp (1991) de endem que a ges ão de ecu sos humanos elaciona-se
com o conjun o o al de sabe es, capacidades e compo amen os que as o ganizações
necessi am pa a compe i . Tal impõe um conjun o de inquie ações e ações em ma é ia de
ges ão de pessoas5. Es as p á icas de em man e -se in e ligadas a uma iloso ia de ges ão de
ecu sos humanos. Bilhim (2006) explica que a ualmen e a ên ase de e se colocada nos
5 Tome-se como exemplo: seleção, o mação, desen ol imen o, elações de abalho e compensação (Bilhim,
2006).
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seguin es a o es: sis ema de ges ão, adoção de abo dagens es a égicas, aquisição de alo
ac escen ado e ob enção do comp omisso dos abalhado es com as me as e obje i os da
emp esa. Des e modo, a ges ão de ecu sos humanos passa a se de inida como um conjun o
in e elacionado de polí icas, com uma ideologia e iloso ia subjacen e. Conside ando o seu
pe il p o issional, o ges o de ecu sos humanos de e se (Min zbe g, 1994): in e pessoal
(lide ança e ligação de a i idades); in o ma i o (moni o ização, di usão, de exposição
ex e na); deciso (emp eendedo que esol e p oblemas, a e a ecu sos, negoceia).
A igu a seguin e ep esen a as qua o unções de ges ão desempenhadas pelos
ges o es de ecu sos humanos. É undamen al e em a enção a a iá el dependen e p esen e
no cen o da imagem. Es a a iá el ap esen a a condu a humana de aco do com um
de e minado conjun o de alo es p edominan es e o sis ema é cons uído pa a ealiza impac o
no desempenho ao ní el indi idual, depa amen al e o ganizacional (Bilhim, 2006).
Fon e: Adap ado de Bilhim (2006).
O desempenho é uma unção que se ap esen a em odas as ações do sis ema de ges ão
de ecu sos humanos. A seleção é esponsá el po de ini quais as pessoas que se encon am
melho p epa adas pa a ealiza as a e as que consis em na desc ição de unções. A a aliação
de desempenho ajuda a uma disposição equi a i a das ecompensas e mo i a os abalhado es.
As ecompensas são uma componen e do p ocesso que de e man e -se dependen e da
Figu a 1 - As qua o unções da ges ão de ecu sos humanos
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a aliação pa a in luencia e dadei amen e o desempenho. As necessidades do
desen ol imen o são econhecidas a a és da a aliação do desempenho, como ecu so
po enciado da melho ia do desempenho a ual e como p epa ação pa a no os desa ios u u os
(Bilhim, 2006).
Os p incipais desa ios que a ges ão de ecu sos humanos i á en en a no u u o são:
ecnológicos, sociais, egulamen a es, económicos, globalização e, em especí ico, um no o
pa adigma o ganizacional ca a e izado pela pós-mode nidade. Seguindo es e pon o de is a,
pa ece que con empo aneamen e exis em ês endências: mudança do ní el mic o pa a o
mac o; disposição pa a ab ange no as dimensões; endência pa a c ia uma ciência p á ica
com in es igação ú il (Bilhim, 2006).
Com a al e ação do oco do ní el mic o pa a o mac o, e idencia-se uma inco po ação
uncional da ges ão de ecu sos humanos e a sua na u eza sis émica. Es a mudança de cen o
de a enção é capaz de comp eende e explica a ligação en e as ca ac e ís icas
o ganizacionais e as p á icas de ges ão, com ecu so a dados quali a i os e quan i a i os. É
nes e âmbi o que êm apa ecido di e en es es udos ace ca do impac o das di e sas écnicas de
ges ão de ecu sos humanos sob e o desempenho global da o ganização. A ampliação das
dimensões coope a com a impo ância c escen e do papel es a égico da ges ão de ecu sos
humanos e da cul u a o ganizacional. Assim, as polí icas de ges ão de ecu sos humanos
passam a in eg a a es a égia ge al da o ganização e a ges ão de ecu sos humanos é a aliada
pelo con ibu o que enha dado pa a o sucesso es a égico da o ganização. A úl ima endência
assen a no p essupos o de que a ciência e a p á ica de ges ão de ecu sos humanos de em se
analisadas em simul âneo, pa a que exis a uma in eg ação e e i a en e eo ia, ação e
in es igação (Bilhim, 2006).
As emp esas i enciam ambien es cada ez mais ins á eis e menos p e isí eis e os
seus abalhado es passam a se undamen ais pa a a manu enção da o ganização. Nes e
sen ido, a coope ação dos abalhado es o na-se c ucial pa a a ob enção dos esul ados. É
des e mo imen o que eme ge a p esc ição da descen alização da ges ão de ecu sos humanos
que começa a se comp eendida como uma ação que necessi a a es a pa cialmen e na unção
de RH e na p á ica diá ia de cada ges o de pessoas. As “(...) o mas mais lexí eis de
o ganiza o abalho e a p odução, em conjun o com os g andes p ocessos de ees u u ação
dos anos 1980, acabam po de ini es u u as o ganizacionais mais eduzidas e planas,
eliminando, no p ocesso, inúme os pos os de abalho. A sup essão de milha es de emp egos
11
dos anos 1980 não só ouxe desa ios no os à ges ão de pessoas nas emp esas como ambém
c iou no os ó ulos e es igmas pa a a unção de RH” (Tonelli, Labombe e Caldas, 2002: 73).
Com os empos cada ez mais compe i i os, eme ge em 1990 uma no a unção da
ges ão de ecu sos humanos que se epe cu e a é aos dias de hoje. Os úl imos 20 anos
ca a e izam-se po enómenos de compe ição global e de es a égia de negócio, os quais
in luenciam a i amen e a ges ão de ecu sos humanos. “Na década de 90, a pa dos ac o es já
e e idos, pensamos que a in e nacionalização dos negócios e ac i idades con ibui á, de uma
o ma es u u an e, pa a a e olução concep ual do concei o e das p á icas de ges ão de
ecu sos humanos” (Cae ano; Vala, 2002: 7).
Pa a Fische (2002) a necessidade de o ma ligações cada ez mais p óximos en e o
desempenho e os esul ados da emp esa in ensi ica-se a pon o de su gi uma no a de inição
concei ual do modelo. A á ea de RH passa a assegu a ou as á eas da emp esa na cap ação e
e enção de indi íduos. O seu oco de ação passa a se a ges ão de compe ências e a
edi icação de modelos de ges ão de pessoas mais ajus á eis e o gânicos. Nes e seguimen o
apa ecem no os emas como es a égia compe i i a, eengenha ia e eo ganização, ap idões
essenciais que passam a e um papel p edominan e na ges ão emp esa ial.
W igh , Dun o d e Snell (2001) pensam que a análise es a égica de RH conside a
undamen almen e: uma de e minada es a égia que comanda um conjun o especial de sabe es
e habilidades, bem como compo amen os e ap idões dos abalhado es; e as polí icas de RH
podem se ans o madas de o ma a p oduzi um conjun o desejado de espos as dos
abalhado es. Em 1990, a “ eo ia dos ecu sos da i ma” coloca a impo ância no papel dos
RH de uma emp esa que pode compo a a sus en ação da compe i i idade. Segundo es a
abo dagem, a c iação da es a égia necessi a cen a -se num g upo de e minado de ecu sos –
compe ências undamen ais que sus en am compe i i idade a longo p azo. Es es ecu sos
necessi am: adiciona alo à emp esa; se em exclusi os e a os en e os compe ido es; se de
di ícil imi ação; e não se ácil de subs i ui po ou o ecu so de uma emp esa compe ido a
(Ba ney, 1991). Den o des a lógica, os indi íduos são en endidos como um “ ecu so”
exclusi o de uma o ganização, is o que possui a capacidade de ap endizagem, ino ação e
adap abilidade (Spende , 1996) expondo, desse modo, condições pa a o apa ecimen o e
sus en ação da an agem compe i i a.
W igh e McMahan (1992) comp eendem que as condições nas quais as pessoas
ope am podem c ia on es de an agem compe i i a. Admi indo que as compe ências são
18
2 – Si uação em Po ugal
A de inição9 “ unção pessoal” so e al e ações ao longo do empo, mas
pa icula men e nos denominados “30 anos glo iosos” assis e-se a p oblemas de “ges ão
social” nas emp esas, em i ude de a o es de o dem mac oeconómica e mac ossocial, dos
modelos o ganizacionais de acionalização do abalho aylo ianos, que colocam em causa a
unção pessoal que a é en ão e a des alo izada (B andão; Pa en e, 1998). Nes a al u a assis e-
se ao p og esso de uma no a conceção que p opõe a ligação en e o social e o económico,
eme gindo os RH com um ecu so que é necessá io maximiza (Des Ho s, 1988).
De modo ge al, a maio ia dos au o es en ende a exis ência de ês g andes pe íodos da
“ unção pessoal”: o p imei o pe íodo assen e num es ado emb ioná io, onde o papel da unção
pessoal e a me amen e adminis a i o. O segundo comp eende uma á ea de ges ão den o das
emp esas, embo a ainda subal e ne a ou as á eas. Po úl imo, o e cei o es ado eme ge como
uma unção es a égica pa a a emp esa.
No p imei o g ande pe íodo de desen ol imen o da unção pessoal, Des Ho s (1988)
de ende que os p imei os se iços de pessoal que se ão c iando nas emp esas êm como
p incipais unções assegu a a disciplina da o ganização do abalho e a ges ão co en e do
pessoal10. A adminis ação do pessoal encon a-se a as ada do p ocesso de decisão es a égica
uma ez que a unção não é comp eendida como essencial pa a a compe i i idade
emp esa ial. Pa a Cappuci (in Boldizzoni e al, 1990: 32-33) es a p imei a ase en ende uma
de inição da unção mais ligada à Abo dagem Clássica da Adminis ação, onde p edominam
os ins umen os e abo dagens ípicas do Taylo ismo e Fayolismo, assim como, das Relações
Humanas.
En e os anos de 1960 a 1980, si ua-se o segundo pe íodo, onde se desc e e a ase de
ma u idade da unção pessoal. É uma ase de ealce na mo i ação e sa is ação no abalho
onde as p eocupações humanis as são dominan es. A unção a i ma-se como á ea de ges ão,
esponsá el de ge i os ecu sos em e mos de emp ego, salá io, o mação, du ação do
9 É impo an e e em a enção que as di e en es ipologias aqui mencionadas não esgo am odos os
conhecimen os sob e es e ema. Na e dade, as ipologias aqui ap esen adas podem se al o de c í icas, em
esul ado da di iculdade em delimi a pe íodos especí icos que co espondem a de inições e polí icas de ges ão
pa icula es – “(…) no e-se que nenhuma polí ica de ges ão se es abelece em exclusi o a pa i dos
desen ol imen os e con ibu os eó icos de uma única escola ou abo dagem do uncionamen o o ganizacional”
(B andão; Pa en e, 1998: 2)
10 Nomeadamen e as emune ações, a o mação undamen al à ealização das a e as e ca ei as.
19
abalho e p og esso de ins umen os de ges ão pa icula es: os quad os da unção pessoal
ganham uma posição es a u á ia ace aos es an es ges o es. É nes e ambien e que se c iam
ambém, no in e io das o ganizações, os depa amen os de pessoal (Des Ho s, 1988).
“Subjacen e a es a concepção da unção es á a noção ambi alen e do pessoal como um cus o
ou um ecu so, dependendo da capacidade de mobilização da o ganização sob e os seus
memb os: a ideia de uma ce a possibilidade de in eg ação en e obje i os económicos e
sociais começa a su gi ” (B andão; Pa en e, 1998: 4)
Nos inícios dos anos 80, es amos pe an e a e cei a ase de desen ol imen o da
unção, que co esponde aos con ibu os do desen ol imen o o ganizacional e da ges ão
es a égica de ecu sos humanos. É nes e pe íodo que a unção começa a assumi -se como
uma das á eas es a égicas da emp esa. A acele ação dos i mos de mudança nos ambien es
o ganizacionais e os desa ios que as emp esas en en am ob iga am-nas a mobiliza odos os
seus ecu sos, colocando os RH em p imei o luga . O obje i o é consegui a adap ação da
emp esa ao seu meio e ga an i a sua capacidade de an ecipação às si uações u u as. Po
ou as pala as, a mobilização, o desen ol imen o e o in es imen o em RH passam a se
comp eendidas como opções es a égicas das emp esas. A unção pessoal assume um papel de
unção es a égica, con ibuindo na edi icação e p og esso es a égico das emp esas, assim
como as ou as unções e com o mesmo es a u o (Des Ho s, 1987). Des Ho s chama a
a enção pa a a subs i uição do e mo “pessoal” pa a o de “ ecu sos humanos” aduzi “(…)
uma e olução eal e p o unda do que pode po encialmen e ep esen a o pessoal pa a as
emp esas” (Des Ho s, 1988: 56).
A ques ão da compe i i idade em Po ugal e como acon ece em di e en es países
in luencia a e olução conce ual e as p á icas de ges ão de ecu sos humanos. É uma ges ão de
ecu sos humanos que possui mui as p á icas adminis a i o-ju ídicas mas que em,
cons an emen e, in eg ando, nos seus modelos de a uação, a isão es a égica dos ecu sos
humanos. Não exis indo es udos po meno izados da unção de ges ão de ecu sos humanos
em Po ugal, amos p ocede a uma ca ac e ização gené ica do desen ol imen o da unção no
nosso país. O clima da au a cia económica, ma cado pelo egime salaza is a a é aos anos 50
con ibuiu pa a a a i mação de um conjun o de emp esá ios e ges o es ca ac e is icamen e
20
conse ado es e empi is as, apos ando, em simul âneo, no ap o ei amen o in ensi o de uma
mão-de-ob a abundan e, ba a a e com baixos ní eis de quali icação11.
Pos e io men e, nos anos 60, num con ex o de indus ialização, com a adesão de
Po ugal à Eu opean F ee T ade A ea (EFTA) e a abe u a da economia social ao ex e io
começa a se undamen al aumen a a e iciência do abalho. Em 1959 o ma-se o Ins i u o
Nacional de In es igação Indus ial (INII). Es e ob ém um papel impo an e na di ulgação de
in o mação sob e as polí icas e écnicas de ges ão usadas nou os países (Gonçal es, 1991).
Assim, em 1960, a unção de Pessoal o na-se uma das á eas p incipais das ações
desen ol idas pelo INII, endo expos o, os p incípios e écnicas da Op ical Cohe ence
Tomog aphy (OCT) em e mos de o ganização do abalho, salá ios e écnicas de seleção,
o ien ação e o mação dos abalhado es (Gonçal es, 1991).
Em 1962 é c iado o Ins i u o de Es udos Sociais (IES) que se egula pa a a ansmissão
de alguns con eúdos ela i os ao exe cício da unção de Pessoal. É nes a al u a que se edi ica
ambém a Escola Supe io da O ganização Cien í ica do T abalho (ESOCT) e o Ins i u o
Supe io de Psicologia Aplicada (ISPA), onde começam a se lecionados alguns con eúdos
ela i os às o mas de o ganização e ges ão das emp esas (Gonçal es, 1991).
“A única e e ência que conseguimos ob e ela i amen e aos p ocessos de seleção
su ge num a igo de Reis, publicado em 1967, em que a au o a menciona a u ilização de es es
psicomo o es no ec u amen o e seleção dos ap endizes indus iais, a i mando, no en an o, a
endência pa a se começa em a inclui nesse p ocesso es es psico écnicos, des inados a
a alia o seu ní el men al” (B andão; Pa en e, 1998: 10).
Ao longo da década de 70 c esce a di ulgação de expe iências es angei as, assim
como a in es igação na á ea do abalho e do emp ego. En e 1974/75 gene aliza-se a
negociação cole i a das elações de abalho, onde os sindica os consegui am implemen a
no mas egulamen ado as de despedimen os, p omoções, pensões, nos Con a os Cole i os de
T abalho (CCT). No sis ema de ensino, no inal dos anos 70, começam a su gi no as
disciplinas de ges ão de RH.
Nos anos seguin es, assis e-se a um aumen o da p essão da compe i i idade e da
globalização, os assun os aduzem a p eocupação em desen ol e compe ências e p oduzi o
po encial humano, assim como a in luência das p eocupações sociais do momen o: o
11 Consul a a igos de Mónica (1987) e Gonçal es (1991: 101-164).
21
desemp ego e a o mação p o issional. O cuidado com a e olução e mudança dos alo es, da
ecnologia e do abalho e espe i a implicação no uncionamen o o ganizacional e na ges ão
de pessoas, comple a a ca ac e ização des e pe íodo. “Po ugal não oge à eg a e, nos úl imos
anos, oi pa en e o dec éscimo de in luência dos sindica os, que em e mos da capacidade
negocial jun o do Es ado e das Associações Pa onais, que da adesão jun os dos
abalhado es” (Cae ano; Vala, 2002: 23). Face às mudanças ecnológicas e o ganizacionais
nos úl imos 20 anos e num balanço c í ico, Moniz (1989) en ende que as p eocupações em
in oduzi ino ações ecnológicas nas emp esas e e em-se sob e udo a “(…) no as
ecnologias ma e iais, sem qualque e e ência a c i é ios sociais ine en es à o ganização do
abalho” (Moniz, 1989: 17).
No quad o p o issional e po uguês obse a-se que a ma u idade da disciplina ainda
não se encon a assegu ada pelo que “(…) a consciência da u u a pa adigmá ica em cu so
pa ece ab i caminho a uma no a o dem pa icipa i a, baseada na au onomia dos a o es e na
pa ilha do pode no in e io das o ganizações, como o ma de eabili a a legi imidade social
da emp esa e, concomi an emen e, a p óp ia ges ão de ecu sos humanos, dadas as
di iculdades que em mani es ado em se a as a do papel de me a co eia de ansmissão en e
a di eção e os abalhado es” (Fe ei a; Ne es, 2011: 62). A e dade é que o campo da ges ão
es a égica de ecu sos humanos ainda é ecen e. O di e o de ecu sos humanos en ol e-se na
implemen ação da es a égia da emp esa, mas a sua ação ainda é pequena, limi ada e pa cela .
No en an o, a p eocupação demons ada ao longo dos úl imos anos man ém-se e ap o unda-se
em aspe os a uais. Assim, segundo Bilhim (2004), as dimensões que in eg am, a ualmen e a
ges ão de ecu sos humanos são: es a égia de ges ão de ecu sos humanos que comp eende a
ges ão das pessoas como a o essencial de compe i i idade; a ação de ecu sos humanos que
engloba as ações de planeamen o quali a i o e quan i a i o de ecu sos humanos, a ges ão de
ca ei a, a ges ão de a aliação de desempenho, os pe is p o issionais e a análise e desc ição
de unções; o mação e desen ol imen o; idelização de ecu sos humanos que ab ange odo
um conjun o de écnicas de ges ão de ecu sos humanos. A ên ase nes as no as dimensões de
ges ão de ecu sos humanos de e-se essencialmen e ao a o social, polí ico e à cul u a
o ganizacional. Es es a o es aliados ao a o in e nacionalização comp eendem uma ação
cada ez mais di e a e dinâmica po pa e dos ecu sos humanos.
Rela i amen e à si uação das emp esas po uguesas, Ne es e No be o (1990)
en endem que p edomina: ausência de planeamen o es a égico e cen alização das análises ao
22
ní el in e no da o ganização; al a de a enção ao po encial p og esso da emp esa;
cen alização na a aliação sob e as no mas e eg as em unção dos esul ados e das p á icas; a
apos a nas elações hie á quicas e não na pa icipação; má ges ão dos RH, com esul ados nos
ní eis de absen ismo e o ação de quad os; ausência de p eocupações ela i as à mo i ação e
a adequação en e os abalhado es e espe i as unções; o desin es imen o no
desen ol imen o dos RH e a inexis ência ou implemen ação de um sis ema de incen i os
incoe en es com as me as o ganizacionais. “O clima o ganizacional se ia ca ac e izado pela
apa ia e pela c í ica passi a, e lec indo, designadamen e, os baixos ní eis de o mação
écnica e de ges ão” (B andão; Pa en e, 1998: 12).
Face às ans o mações que se ão sen indo no in e io das o ganizações po uguesas,
es as cen alizam-se em subsis emas o ganizacionais não econhecendo a condu a humana
como esul ado de uma eo ia complexa de a o es, sendo as soluções selecionadas de o ma
empi is a, sem e ela um diagnós ico p o undo da si uação pa icula da o ganização (Ne es;
No be o, 1990).
Fe ei a (1991) cons a a a exis ência, p edominan e, de modelos o ganizacionais do
abalho de ipo au oc á ico e bu oc á ico, que di icul am a pa icipação aos ní eis dos
p ocessos de decisão, implemen ação e a aliação das o mas de abalho. “A explicação pa a
es e es ado de coisas esidi ia na pe manência da apos a nos p incípios da OCT e na ausência
de uma concepção sis emá ica que di icul am os p ocessos de mudança o ganizacional ou,
mesmo no desconhecimen o das possibilidades de ino ação a esse ní el” (B andão; Pa en e,
1998: 12). Esse desconhecimen o o na-se e iden e no descuido que é dado aos RH, enquan o
a o es a égico de compe i i idade e conco ência emp esa ial (Fe ei a, 1991).
Pa a alguns au o es es e conjun o de lacunas nas ca ac e ís icas do sis ema polí ico-
cul u al po uguês, assen a na excessi a dependência dos emp esá ios ace ao papel de
in e enção do Es ado, que os conduzi ia à não assimilação dos alo es da conco ência
emp esa ial baseados na p ocu a sis emá ica de melho ias com o obje i o de maximiza em a
e iciência e o luc o das emp esas. “Po ou as pala as, o pa e nalismo do Es ado é mui as
ezes ido como solução pa a os p oblemas emp esa iais” (B andão; Pa en e, 1998: 12).
Os dias de hoje são ma cados po emp esas que se ap esen am num es ado de
debilidade económico- inancei a. Ou seja, a maio ia das emp esas decide po le a ao
ex emo a pa ilha da unção de ges ão de ecu sos humanos: in es em a unção nas che ias
di e as e in e médias, com pouca sensibilidade e ap idão pa a ais a i idades (B andão;
23
Pa en e, 1998). Po ou o lado, ambém se pode escolhe pela ex e nalização da unção e pela
subcon a ação de se iços que na componen e écnica ou na e en e adminis a i a da
unção. Es a escolha em maio p obabilidade de conquis a o sucesso. No en an o, é
impo an e, pa a que is o acon eça, que exis am in e locu o es das emp esas com uma isão
in eg al e ala gada das ealidades e das di iculdades que pe sis em nos subsis emas de ges ão
de RH, que pe maneçam em con ac o e disponí eis pa a acede aos pedidos de in o mação
dos se iços écnicos. A ges ão de ecu sos humanos pode assim assumi um papel p ó-a i o
– es e é o ipo de posicionamen o que alimen a o discu so polí ico e emp esa ial em Po ugal.
E “(…) apesa de se e e i icado um c escimen o dos pos os de abalho de Di ec o es de
Recu sos Humanos e de o mações o ien adas pa a al unção, i e-se uma si uação de
acionalização e de ajus amen o de e ec i os, onde o económico adqui e p imazia e o social é
conside ado como algo secundá io” (B andão; Pa en e, 1998: 15).
Em esumo, a ges ão de ecu sos humanos em Po ugal é desc i a po um pendo
legisla i o acen uado, elacionado a uma o e in e enção es a al que p essupõe incómodos
que é indispensá el cump i . Se po um lado, é impo an e como modo de de esa das
condições de emp ego dos assala iados, po ou o e i a que as emp esas implemen em uma
ges ão de ecu sos humanos desen ol imen is a. Assim, cada ez mais se e i ica a
implemen ação de uma ges ão adminis a i a nas emp esas, embo a já se no e alguns indícios
que encaminham pa a a ges ão de pessoas (B andão; Pa en e, 1998).
Co ey (1999) en ende que a es a égica da ges ão de ecu sos humanos assen a em
se e dimensões básicas: ea i idade/p oa i idade, subo dinação/obje i os pessoais,
disciplina/p io ização, es a égia compe i i a/es a égica coope a i a, necessidade de se
comp eendido/necessidade de comp eende , comunicação de ensi a/c iação de sine gias e
mudança episódica/melho ia con ínua. Nes a isão, o u u o das emp esas es á nas mãos das
pessoas. Elas são as esponsá eis po c ia um equilíb io en e o aze e o aumen o da
capacidade de aze , exis indo uma co elação en e os in e esses pessoais e os da
o ganização. “Pa ece e sido a p essão no sen ido de melho coloca a emp esa no seu
segmen o de me cado que a le ou a abandona a elha ges ão de pessoal (...) pa a se ab i ao
papel ino ado e c ia i o dos seus colabo ado es” (Bilhim, 2004: 78).
“Apesa de a maio pa e das emp esas po uguesas não e ainda o ges o mais sénio
de RH sen ado no conselho de adminis ação, em sido egis ada uma e olução signi ica i a,
no sen ido de uma maio componen e es a égica da unção” (Gomes e al, 2008: 83). A maio
24
pa e das emp esas de média e g ande dimensão já possuem uma es a égia desenhada de RH,
com en ol imen o no concei o de es a égia emp esa ial. A di iculdade na cessação dos
con a os de abalho pode á se uma explicação pa a o papel a i o da ges ão de ecu sos
humanos, em i ude dos cus os ele ados.
3 – Planeamen o es a égico de ecu sos humanos
A ges ão es a égica cons i ui a necessidade de um p ocesso decisi o que deco e á
an es, du an e e depois da sua ealização e implemen ação na emp esa. Toda a a i idade de
ges ão nas o ganizações ad ém de decisões p esen es, que ob êm impac o no u u o,
p opo cionando uma dimensão empo al de ele ado signi icado. “A ges ão es a égica não diz
espei o às decisões u u as, mas às implicações u u as de decisões p esen es” (Sil ei a e al,
2010: 16). Es e p ocesso ca ac e iza-se po ações in e - elacionadas e in e dependen es que
isam o alcance dos obje i os p e iamen e es abelecidos. Esses obje i os êm de se iá eis,
com base na alidade das hipó eses em que se sus en am. O p ocesso é ão impo an e como o
seu p odu o inal.
Na ges ão es a égica iden i icam-se ês ní eis hie á quicos di e en es: ges ão
es a égica co po a i a, ges ão es a égica de unidades de negócio e ges ão es a égica de á eas
ou p ocessos uncionais. Nes a hie a quia as decisões maio es ão o ien ando as decisões
meno es, hie a quicamen e. Todo o p ocesso de e se espei ado pa a que pe maneça a
coe ência en e os di e en es ní eis, man endo, em simul âneo, a coesão de odo o p ocesso de
ges ão.
No p ocesso de ges ão exis em di e en es papéis que são desempenhados pelos
ge en es e g upos écnicos na edi icação, implemen ação e con olo das es a égias. Em suma,
p ocede-se à di e enciação de ês ní eis hie á quicos no planeamen o es a égico pe iódico: o
ins i ucional, o dos negócios e o uncional. O ní el ins i ucional comp eende as esoluções
que não de em se descen alizadas, podendo eme gi g andes iscos de subo imizações. As
es a égias de negócio e e uam, po sua ez, a escolha de al e na i as cen adas no
desempenho compe i i o e au ossus en adas nas ações inais da o ganização. “O desa io que
aqui se coloca é concebe missões, opções, obje i os e acções pa a suas unidades, cong uen es
com a es a égia co po a i a e a disponibilidade de ecu sos indicada pa a o conjun o das
25
unções” (Sil ei a e al, 2010: 17). O ní el uncional oca-se na consolidação das
necessidades exigidas pelo meio e p epa a es a égias pa icula es inclinadas pa a os supo es
uncionais dis in os da emp esa.
A ges ão es a égica de pessoas e o plano da emp esa in luenciam-se mu uamen e em
dimensões di e sas. Segundo Du a (2002), o plano da o ganização é de inido em unção do
modo como es a deseja agi no ambien e e da sua he ança de conhecimen o. Os indi íduos
induzem e ealizam a es a égia da o ganização, uma ez que cons i uem o seu pa imónio de
sabe es, que encon a-se em pe manen e p og esso. A p á ica conscien e das pessoas é um
po encial compe i i o na execução da es a égia o ganizacional. Pa a que a ges ão es a égica
de pessoas uncione p odu i amen e, é undamen al que os p ocessos de RH es ejam em
sin onia com a es a égia o ganizacional. Du a (2002) indica que a ges ão de es a égica de
pessoas es á elacionada com os obje i os da emp esa e do que es a espe a dos seus
abalhado es. Es a elação me ece maio a enção e e icácia nos seguin es aspe os:
planeamen o e dimensionamen o das pessoas na emp esa, conhecimen o do desempenho dos
abalhado es, es a égias de sucessão, aumen o ou es ição de quad os de pessoal em
de imen o do meio ex e no à emp esa; desc ição das necessidades, polí icas e a i idade dos
indi íduos, delimi ação de polí icas de ec u amen o in e no ou ex e no, nomeações,
p opagação, edi icação de no as unidades, p odu os ou p ocessos mode nos; posicionamen o
em elação ao me cado de abalho, analisa o posicionamen o em elação ao me cado de
abalho em ge al, compe i i idade po p o issionais, conhece os seus po enciais a a i os,
pon os acos e qual o pe il impos o; polí icas e ações de emune ação, en ende qual a
disposição em elação às expe iências e polí icas dos seus oposi o es que na emune ação
di e a como na emune ação indi e a; sis ema de a aliação e o ien ação dos indi íduos,
p og amas de a aliação e p og esso das pessoas e ges ão da ca ei a ajus ados às necessidades
da emp esa e do abalhado ; de inição das ações e sis ema de ges ão do desen ol imen o
o ganizacional e das pessoas, o mula me as e indicado es, compa a esul ados.
Como aliado es a égico da emp esa, os RH de em desen ol e uma cla a es a égia
da emp esa, uni ica os seus mé odos com as p á icas de ges ão, ge a compe ências e
compo amen os undamen ais e e e i a as es a égias e os esul ados da emp esa,
adminis ando o desempenho, ecompensa e econhecimen o, comunicação, eino e
desen ol imen o, che ia, planos de assesso ia, seleção e sucessão (Dessle , 2003).
26
Seguindo a linha de pensamen o de di e en es au o es, a es a égia acon ece nos ês
g aus de uma emp esa, podendo se plano co po a i o, plano de negócios ou plano uncional.
A p imei a ocaliza-se na seleção de negócios da emp esa. Es a es a égia conduz os planos
das condições hie a quicamen e in e io es e possui um ca á e de longo p azo. Aqui cen am-
se as decisões que não podem se descen alizadas uma ez que podem co e iscos g a es de
subo imizações. A es a égia de negócios p ocu a desen ol e e man e a ele ância
compe i i a dos esul ados e se iços da emp esa, po meio da in uição de al e ações no
me cado e da an e isão a es as, bem como do posicionamen o ace aos conco en es. Aqui
c ia-se a conceção e cump e-se a escolha de possibilidades des acadas pa a ce i ica uma
ealização compe i i a e au ossus en ada nas ações- im da emp esa. Po úl imo, a es a égia
uncional comp eende os se o es e agmen os de ope ação, designando p ocessos e
con inuidade de alo , desen ol endo e comandando ecu sos pa a que os planos de negócios
sejam ealizados com e icácia. Cuida-se do o alecimen o das necessidades de meios
exigidos pela emp esa e pa a cada negócio, em especí ico, assim como se c ia es a égias
pa icula es, di ecionadas pa a os di e en es supo es uncionais da emp esa.
Tendo em a enção es a isão, pe cebe-se como a á ea de RH ob ém cada ez mais
impo ância pa a o plano de negócios e pa a o plano uncional da emp esa, is o que
p eocupa-se em o alece o desen ol imen o dos abalhado es, alcançando ins in os na
compe i i idade, ape eiçoando mé odos, en e ou os bene ícios. A es a égia obedece à
consolidação da compe i i idade emp esa ial e da cons i uição de equipas de abalho
en ol idas, dispondo os RH num papel cen al, is o que os indi íduos são o pon o-cha e da
compe i i idade (Dessle , 2003). O plano es a égico ca ac e iza-se pelo conjun o de decisões
e p á icas es a égicas que delimi am o desempenho de uma co po ação a longo p azo.
A ualmen e, a ges ão es a égica comp ome e-se a ajuda a es u u a a a ua de o ma bem-
sucedida num meio a i o e complexo. Pa a se o na em compe i i as em espaços dinâmicos,
as o ganizações p ecisam de se menos o iciais e mais lexí eis. Es e no o oco de a uação
denomina-se adminis ação es a égica de ecu sos humanos - “(...) a ges ão que p i ilegia
como obje i o undamen al, a a és de suas in e ações, a o imização dos esul ados inais da
emp esa e da qualidade dos alen os que a compõem” (Ma as, 2000: 53).
A adminis ação es a égica de ecu sos humanos ap oxima-se dos planos
o ganizacionais pa a as comp eende e pode coope a di e amen e com a conquis a dos
obje i os e me as. Pa a al, os ges o es de RH necessi am ala ga os seus conhecimen os e
27
o ma uma ges ão es a égica que en ol a a o ganização e o me cado em que es á in eg ada.
A adminis ação es a égica “(...) em como obje i o pa icipa e assesso a na o mação das
mac o di e izes da emp esa, de modo a al e a o pe il dos esul ados e, po an o, dos luc os
da emp esa, ag egando alo a a és do capi al humano exis en e na o ganização” (Ma as,
2000: 254). Ela desen ol e-se a pa i da década de 1980 pe an e as necessidades de a aliação
e adminis ação do impac o do capi al humano na conquis a de es a égias o ganizacionais
(Fische , 2001).
O no o ges o de RH de e se o ep esen an e dos abalhado es dian e dos ou os
ges o es, de e o e ece ainda o c escimen o pessoal e p o issional, assim como os ecu sos
undamen ais pa a os uncioná ios e e ua em o seu abalho. Os emp egados êm necessidade
de se sen i ep esen ados e p ecisam de e con iança nos RH pa a pode em comp ome e -se
com a emp esa. To na -se um agen e de mudança, c ia a capacidade da o ganização adap a -
se às ans o mações do me cado, diminuindo o empo de ciclo pa a a ino ação e aze com
que os abalhado es en endam a sua unção no plano da emp esa é o p incipal papel de um
ges o de RH. O p ocesso de ans o mação é di ícil, e os p o issionais de RH não o e e uam
sozinhos, eles necessi am de apoio supe io e dos p óp ios uncioná ios, pa a al, é essencial
que se ado e um p ocesso de mudança exa o pa a odos, com im de conquis a a con iança de
odos os memb os da o ganização (Fische , 2001). As mudanças despe am ge almen e medo
e descon o o en e as pessoas, po isso que elas endem a pe manece e não acei am
abe amen e as no as expe iências. Des e modo, a ges ão es a égica comp eende a
necessidade de um p ocesso de ini i o que acon ece á an es, du an e e depois da sua o mação
e implemen ação nas o ganizações. A ges ão es a égica não diz espei o às decisões u u as,
mas sim às implicações u u as de esoluções p esen es. É um p ocesso o ganizado e
pe manen e de ponde ação de delibe ações, cujos esul ados e consequências de e ão
acon ece no u u o.
A globalização o nou-se esponsá el pelas mudanças obse adas nos sis emas
económicos e sociais. As emp esas p ocu am cada ez mais a lexibilidade das suas
ope ações, com o in ui o de se o na em mais a a i as, com baixo cus o ope acional e com
capacidade de ge encia os seus p óp ios iscos e os do me cado. É impo an e ino a no
in e io da es u u a o ganizacional e nos seus modelos de ges ão, is o que o di e encial
compe i i o encon a-se na capacidade in e na de cada o ganização e no desempenho dos seus
abalhado es. A ealidade é que o emp ego, nomeadamen e os con a os de abalho so e am
34
que uma p á ica isolada pode explica boa pa e da a iação nos índices de esul ados, mas
uma ez que as p á icas são u ilizadas em conjun o, o na-se di ícil en ende se o e ei o ob ido
é apenas de uma p á ica ou do conjun o des as. A complexidade do ema - p á icas de ecu sos
humanos - é cla a, pela sua di e sidade. Alguns au o es iden i icam uma ipologia pa a os
es udos a é ago a ealizados: a abo dagem uni e salis a, a con ingencial e a con igu acional.
A abo dagem uni e salis a comp eende a delimi ação de p á icas es a égicas que possam
elaciona -se com o desempenho das di e en es o ganizações. Assim as p á icas de RH podem
a ia de emp esa pa a emp esa (Yound e al, 1996). Os au o es que de endem es a
abo dagem de endem que é possí el desenha um conjun o de melho es p á icas de RH, que
assis am odas as o ganizações. A abo dagem con ingencial en ende a ligação en e as
a iá eis ele an es, se á di e en e pa a ní eis dis in os da a iá el c í ica con ingen e. Nes e
caso, o plano o ganizacional é enca ado como o p imei o a o de con ingência na li e a u a
sob e ecu sos humanos es a égicos. Assim, o modelo con ingencial solici a que o
pesquisado escolha uma eo ia de es a égia da i ma e depois pa icula ize como é que as
p á icas indi iduais de RH i ão in e agi com o plano de modo a desencadea em desempenho
o ganizacional. Es as análises demons am, que pa a se a i as, de e minadas p á icas são
coe en es com des inadas posições es a égicas. Es es es udos seguem a linha compo amen al
que suge em que o sucesso da implemen ação da es a égia esul a da condu a dos
abalhado es (Yound e al, 1996). Assim, são as p á icas de RH que auxiliam e o ien am os
compo amen os que i ão p opo ciona a implan ação da es a égia. Des e modo, as p á icas
de RH êm que omen a condu as sólidas com a es a égia. Quan o mais alinhadas es i e em
a es a égia e as p á icas, maio es as possibilidades de p og esso.
A abo dagem con igu acional p ocu a econhece pad ões de a o es que são indicados
como e e i os. Essas con igu ações ap esen am esul ados sine gís icos não-linea es e
elações de o dens supe io es, que não podem se desempenhadas pelas eo ias adicionais
bi a iadas de con ingência. Os pesquisado es p ocu am con igu ações de p á icas de RH ou
de mé odos de emp ego in e nos obus os, que maximizem o alinhamen o in e no; de seguida,
in es igam as opções de es a égia na p ocu a do melho alinhamen o ex e no. Es a
abo dagem comp eende os ecu sos humanos como um sis ema, onde são econhecidas
mui as das ca ac e ís icas dos mé odos abe os, como a pe manen e impo ação e expo ação
(Dele y; Do y, 1996). O mé odo con igu acional mos a-se idên ico ao mé odo con ingencial,
uma ez que ambos en endem combinações in ini as de p á icas de RH que conduzem ao
35
desempenho máximo se associadas à es a égia co e a. A di e ença en e eles assen a na
ligação en e o plano e as p á icas. A abo dagem con ingencial oca-se na elação en e
p á icas indi iduais e a es a égia, enquan o a con igu acional de ém a pe spe i a sis émica ao
ocaliza -se em pad ões de ligações en e as p á icas de RH e pela limi ação da a iação em
cada p á ica pa a se exa amen e p opo cional à a iação no p ocesso de ecu sos humanos.
Ou os au o es como Chia ena o (2006) e Bilhim (2006) conside am a exis ência de
ou os ipos de con igu ações, sus en adas po p á icas dis in as. Eles de endem dois ipos de
sis emas de ecu sos humanos: o adminis a i o, que se oca nos concei os de comando e
con ole, onde se p ocu a a seleção de indi íduos pa a o abalho mais manual, com baixa
quali icação, eino cen ado unicamen e a polí icas e eg as, a a aliação di ecionada à
diminuição da ma gem de e o, emune ação po ho a e es ímulos indi iduais; o ou o mé odo
e e e-se ao desen ol imen o do capi al humano, o qual p eocupa-se em a ai , amplia e
imobiliza uma o ça de abalho quali icada e, desse modo, a seleção de pessoas passa a se
mais ígida, o eino di ige-se ao ap endiz écnico e analí ico, a a aliação cen a-se na condu a
e salá ios assen es em habilidade, es ímulos de g upo e equidade ex e na. Po ou as pala as,
es as p á icas compa am-se às a i idades mais adicionais da á ea de ecu sos humanos.
Ka en Legge (1998) iden i ica ês eo ias, nas quais podemos a alia , do pon o de
is a é ico, as polí icas e p á icas de ges ão de ecu sos humanos: a pe spe i a deon ológica, a
pe spe i a u ili a is a e a pe spe i a dos s akeholde s. A p imei a pe spe i a p o ém da mo al
kan iana e con igu a-se no p incípio de que uma ação mo al é mo al se es i e con o me à lei
mo al, a qual se sus en a na ealidade. A pe spe i a deon ológica ab e caminho pa a a
delimi ação de um conjun o coe en e e uni e sal de alo es mo ais o ien ado es das polí icas
e p á icas de ges ão de ecu sos humanos12. A pe spe i a u ili a is a en ende que a mo alidade
das p á icas de e se a aliada com base nas suas consequências. Nes e p ocesso, o impo an e
é ha e uma maximização dos esul ados posi i os ela i amen e a uma maio ia ou a
minimização dos esul ados nega i os ace a essa mesma maio ia. Po im, a pe spe i a dos
s akeholde s si ua-se num espaço in e médio ela i amen e às ou as. Ca ac e iza-se po
p i eligia o que é bom e o que es á ce o. Es a pe spe i a p essupõe que esse bom de e se
dis ibuído com base num p ocesso de consul a mú ua pelo que nenhum s akeholde sai á
12 A exis ência des e conjun o de alo es e ia implicações isí eis no con ex o a ual da globalização, uma ez
que ques iona ia a ele ada des egulamen ação social e económica que ê no dumping social um a o de
compe i i idade.
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comple amen e pe dedo enquan o ou os saem comple amen e ganhado es. É uma
abo dagem que se baseia na necessidade de assumi o ca á e mul idimensional da e icácia
o ganizacional, pelo que de e se ido em con a não só a e iciência económica, mas ambém o
alo dos ecu sos humanos, a pe enidade da o ganização e a sua legi imidade jun o dos
g upos ex e nos.
Ao coloca os pa âme os de a aliação da e icácia o ganizacional pa a o campo de
uma é ica sus en ada na esponsabilidade social, mo al e ecológica, su gem no os desa ios à
ação dos ges o es, em ge al, e dos RH, em pa icula , acos umados a agi no quad o de uma
é ica u ili a is a, dominada pela obsessão da e icácia económica13. É uma o ma a a és da
qual se pode melho a a qualidade de ida das populações, p o ege o ambien e e possibili a a
eme gência de um no o sen ido pa a o abalho (Mo in e al, 1994). C ia-se ambém uma
opo unidade pa a que a ges ão de ecu sos humanos, enquan o disciplina cien í ica, se possa
epensa a si p óp ia, no con ex o de uma globalização ma cada pela c escen e sup emacia dos
in e esses económicos sob e os in e esses sociais e cul u ais (Husson, 1999; Ma in e
Schumann, 1998).
Admi indo as di iculdades empí icas subsequen es, Huselid (1995) associa 13 p á icas
de RH em dois a o es, habilidades dos emp egados e es u u a o ganizacional e mo i ação
dos emp egados. O p imei o a o concebe a comunicação, desenho e desc ição de unções,
c i é ios de seleção, ec u amen o in e no, pa icipação em p oje os de disposição de luc os e
esul ados, de qualidade de ida no abalho e de de e minação o mal de con li os. Po sua
ez, a mo i ação dos emp egados inclui a a aliação de desempenho associada à ecompensa,
compo amen os pa a p omoção e núme o médio de candida os pa a as unções que mais
con a am. P esencia-se um empenho de ca a e iza p á icas que pe mi em o p og esso do
abalho e p á icas que comba em mais di e amen e com o es o ço aplicado na execução do
abalho. Es es a o es admi em a in e p e ação sus en ada po di e en es au o es a li e a u a
es a égica de RH de que é undamen al possui uma o ça de abalho compe en e, mo i ada
e que de enha au onomia pa a e e ua o abalho de o ma adequada; não en ol em, po ém,
elemen os que a uam na condu a dos indi íduos com ca á e de lide ança, ligações sindicais e
g au de di e sidade.
13 De ido à in e nacionalização do papel de “conse ação e egulação de uma o dem p é-es abelecida” (Pina e
Cunha, 1998: 31).
37
Assim, depa amo-nos com mais uma di iculdade encon ada: quais são, ealmen e, as
p á icas de ecu sos humanos? Depois des es es udos ap esen a em esul ados que suge iam a
exis ência de de e minadas p á icas ou conjun o de p á icas de RH que pode iam desencadea
posi i amen e o p og esso o ganizacional, os dados podem se opos os e/ou não pe mi i
conclusões absolu as, o que implica um maio es o ço de pesquisa o ien ada pa a es e ema.
Gues (2001) e Boselie e al (2001), nos seus es udos sepa am os esul ados de
ecu sos humanos dos esul ados o ganizacionais. Os p odu os de ecu sos humanos são: os
pad ões de sa is ação, clima social, absen ismo e u no e da o ça de abalho como um odo,
não se e e indo, en ão, a indicado es pa icula es das unções adicionalmen e ligadas a
ecu sos humanos. Seguidamen e des aca-se que as polí icas e p á icas e e em-se a unções
adicionalmen e associadas à á ea de RH – ec u amen o e seleção, emune ação e demissão
– mas ambém a polí icas de ges ão de pessoas, como a comunicação e o plano de abalho e
que, em ge al, não podem se con e idas a uma á ea pa icula den o da o ganização. Po
úl imo, consis en es com o mé odo compo amen al, os modelos causais14 (Meye ; Allen,
1987) decla am que os p odu os de RH são mediado es dos esul ados o ganizacionais.
Face a es a isão, o na-se ácil en ende a azão po que é que não se em, ainda, um
quad o eó ico singula pa a a a aliação de RH, uma ez que os es udos esul am de
abo dagens di e en es, ado am p á icas de RH dis in as, assim como discu em esul ados
di e en es de RH e da o ganização. Con udo, é impo an e e e i que apesa de ado a -se
abo dagens e a iá eis di e en es, os p odu os deco en es do impac o das p á icas de RH
sob e o p og esso o ganizacional indicam que as p á icas podem ob e um impac o
signi ica i o sob e o desempenho. Pode-se a i ma , de modo ge al, que o maio impac o é
conseguido quando as p á icas encon am-se o denadas com a es a égia e que conjun os de
p á icas são mais a i os do que p á icas independen es e que di e en es es a égias i ão
p ocu a conjun os de p á icas dis in as. Os mé odos que maximizam os esul ados são únicos
pa a cada o ganização, em de imen o das di e enças exis en es e das ilimi adas combinações
possí eis en e os indi íduos e as suas ap idões, dos ecu sos disponí eis e das a iações da
es u u a e da cul u a o ganizacional. Es a é uma das p incipais azões pelas quais o sis ema
14 Os es udos dos modelos causais p ocu am iden i ica as a iá eis com pode explica i o ou p edi i o em
elação ao comp ome imen o, en e as quais se des acam as ca a e ís icas pessoais, as ca a e ís icas do pos o de
abalho e da unção “(…) [eles] ambém conside am como a iá eis po encialmen e p edi i as do
comp ome imen o o ganizacional a dimensão da o ganização, o ní el de cen alização e os mecanismos de
coo denação” (Mon ei o, 2013: 20).
38
de ges ão de pessoas é conside ado uma on e de an agem compe i i a (W igh e McMahan,
1992).
É undamen al que as polí icas e p á icas de RH pe maneçam ligadas in e na e
ex e namen e. Esse alinhamen o ca ac e iza-se pela adequação do sis ema de ecu sos
humanos ao sis ema de implemen ação da es a égia da o ganização (alinhamen o ex e no) e à
ex ensão na qual os elemen os do p ocesso de RH abalham em conco dância (alinhamen o
in e no).
Uma das eo ias o ganizacionais que mais in luenciou a e olução das p á icas de
ges ão de ecu sos humanos, oi a abo dagem sis émica, na base da qual a ges ão de ecu sos
humanos é en endida como um sis ema global, inse ido num sis ema mais amplo, onde o
ambien e, a es a égia de negócio e a cul u a o ganizacional, comp eendem as p incipais
condicionan es à de inição, e olução e con eúdo uncional das á ias dimensões de ges ão de
ecu sos humanos (Zachman, 1997). Em suma, a es a égia de negócio, a cul u a
o ganizacional e a dimensão in e nacional da ges ão de ecu sos humanos, compo am os
pila es essenciais da cons ução, e olução e ans o mação de qualque modelo de ges ão de
ecu sos humanos.
A ualmen e exis e a necessidade que p o ém de no os modelos o ganizacionais que
ad ém de duas condicionan es: a necessidade de adap ação aos no os a o es de
compe i i idade e, po ou o lado, a assimilação das ino ações ecnológicas, ou seja, a
adap ação à sociedade da in o mação. As no as o mas o ganizacionais ca ac e izam-se po
(Cae ano; Vala, 2002): desen ol imen o de modos de au omação lexí el e de no as elações
clien e- o necedo ; in eg ação en e conceção, desen ol imen o e c iação dos p odu os;
p ocu a da qualidade a odos os ní eis da emp esa; descen alização das decisões p odu i as
associada a um acha amen o da linha hie á quica; uncionamen o em ede in e emp esas ou
in e -unidas; en iquecimen o das a e as do pessoal de execução e seu ala gamen o pa a as
unções de manu enção, con olo de qualidade e ges ão da p odução; alo ização do a o
humano nas emp esas.
39
4.1 – P ocesso de Rec u amen o
O ec u amen o é is o como o a ai dos po enciais candida os, enquan o a seleção diz
espei o a odo o p ocesso, desde a con ocação dos candida os a é à decisão úl ima de
admissão. Apesa de a di ulgação se uma a e a base de ec u amen o, es a pode se omissa
se a emp esa i e uma base de dados de candida os com ca ac e ís icas exigidas pelo pos o de
abalho.
Exis em di e en es o mas de ca i a os po enciais candida os e a escolha de um ou
ou o mé odo, de e e como base di e en es aspe os, como a impo ância do luga a
p eenche e a ampli ude de cobe u a geog á ica que se p e ende a ingi , en e ou os. O
ec u amen o em como p incipal obje i o o o necimen o de ma é ia-p ima pa a a seleção. Os
mé odos de ec u amen o mais u ilizados são: anúncios em jo nais e/ou e is as; ecu so a
bases de dados; ca azes ou anúncios na po a ia da emp esa; con e ências e pales as nas
escolas e uni e sidades; con ac os di e os com associações de classes; a qui os de Cu ículos
Vi ae de candida os (candida u as espon âneas); bem como anúncios na in e ne , em ádio e
ele isão.
Os anúncios em jo nais são o meio mais u ilizado pelas emp esas, pa a a a ação de
candida os. A edação de um anúncio de e segui de e minadas eg as pa a a ingi os
obje i os. “A de inição do supo e de publicação (…) e o pe íodo de publicação são ou os
aspe os que não de e ão se esquecidos. Eles êm de es a adap ados à ealidade, sendo
necessá io, po isso, o conhecimen o da imp ensa nacional, assim como dos hábi os de lei u a
dos po enciais candida os” (Cae ano e Vala, 2002: 277). Um segundo passo den o do
ec u amen o é a iagem inicial das candida u as a a és da e i icação das quali icações do
indi íduo. O p eenchimen o de um o mulá io p óp io pode aze g andes an agens.
Cama a, Gue a e Rod igues (2005) conside am que an es do depa amen o de
ecu sos humanos inicia o p ocesso de ec u amen o de e ha e uma delimi ação do pe il
p e endido pa a a unção, e i ando e os de ec u amen o. Des e modo, o pe il da unção
comp eende ês aspe os undamen ais: iden i icação conc e a da unção, o seu í ulo e
enquad amen o o ganizacional; cla i icação dos equisi os que o candida o de e ap esen a
(ap idões e compe ências écnicas e de ges ão, expe iência an e io , a o es p e e enciais e
dimensões compo amen ais); de inição do que a emp esa em pa a o e ece (salá io e
40
bene ícios, opo unidades de o mação e desen ol imen o pessoal, possibilidade de ca ei a,
local de abalho, ho á io de abalho).
O p incipal p oblema do ec u amen o é iden i ica as on es sup ido as de ecu sos
humanos no me cado, pa a nelas deposi a a compe ência do seu ec u amen o. “Assim, as
on es de ecu sos humanos são denominadas on es de ec u amen o, pois passam a
ep esen a os al os especí icos sob e os quais incidi ão as écnicas de ec u amen o”
(Chia ena o, 1989: 54). Nes e sen ido, a iden i icação, escolha e adminis ação das on es de
ec u amen o, é a p imei a ase do ec u amen o, o nando-se um dos modos pelos quais a
adminis ação de ecu sos humanos eduz os cus os ope acionais de ec u amen o, pela
economia na aplicação das suas écnicas, diminuindo em simul âneo o empo do p ocesso de
ec u amen o.
O ec u amen o pode se denominado de ex e no quando encon a candida os eais e
disponí eis nou as o ganizações, ado ando como consequência, uma en ada nos ecu sos
humanos. É ec u amen o in e no quando concen a conco en es ou po enciais aplicados na
p óp ia emp esa, ob endo como p o en o um p ocessamen o in e no de ecu sos humanos.
Quando p esen es de um ec u amen o in e no, es e pode ab ange pe mu a de pessoal,
p omoções de pessoal, subs i uições com p omoções, ope ações de p og esso e planos de
ca ei a, endo po base um conjun o de dados e in o mações p é ias de cada candida o. Ou a
e en e é o ec u amen o ex e no que en ol e di e en es écnicas: cu ículos de candida os
en iados espon aneamen e ou a qui ados em ou os ec u amen os; exposição de
conco en es po pa e dos abalhado es da o ganização; ca azes ou anúncios; comunicação
com sindica os; con ac os com uni e sidades, escolas; discu sos e deba es em uni e sidades e
escolas; elações e comunicação com ou as emp esas; no ícias em jo nais e e is as;
emp esas de ec u amen o; iagens, pa a ec u amen o em ou os locais. Es as écnicas são os
p incípios a a és dos quais a emp esa encon a e dissemina a exis ência de uma aga de
abalho jun o das on es de ecu sos humanos mais adequadas. “São ambém denominadas
eículos de ec u amen o, pois são undamen almen e meios de comunicação” (Chia ena o,
1989: 63).
Na e dade, é impossí el uma o ganização ealiza apenas ec u amen o ex e no ou
ec u amen o in e no. De e exis i uma complemen a idade en e ambos que desencadeia no
ec u amen o mis o, ambém u ilizado como solução eclé ica pa a as des an agens de cada um
dos ec u amen os. Con udo, a decisão do p eenchimen o do ca go, é semp e da
41
esponsabilidade da emp esa. Es a ege-se po um painel de con olo que comp eende o
supe iso do ca go a p eenche , ges o da mesma ou ou a unção e um écnico de ecu sos
humanos. Embo a a decisão de a se unânime en e os di e en es memb os do painel, a úl ima
pala a é do supe iso do ca go. Em suma, “(...) quan o melho o o abalho ei o na ase de
ec u amen o (...) an o melho se á o esul ado inal” (Sousa e al, 2006: 56).
4.2 – P ocesso de Seleção
A seleção de pessoal oi uma das p imei as á eas de in e enção da psicologia nas
o ganizações. A psicologia ado a como base o pa adigma do “Homem ce o no luga ce o”,
ou seja pa a um de e minado pos o de abalho exis e um indi íduo indicado que é necessá io
encon a e colocá-lo no sí io ce o. No en an o, es e pa adigma a ibui uma isão educionis a
à seleção uma ez que não em em con a as al e ações do indi íduo. Nes e sen ido, a opção
po uma seleção pa a uma ca ei a implica que as emp esas possuam um planeamen o
es u u ado das ca ei as. Exis indo di e enças en e as o ganizações ela i amen e ao
planeamen o das ca ei as, algumas emp esas selecionam os sujei os pa a de e minados
pos os de che ia, onde êm necessa iamen e que passa po odos os escalões in e médios. Se
em algumas emp esas o pe cu so do indi íduo na o ganização es á pe ei amen e delimi ado,
ou os isso não acon ece, nem az pa e da o ien ação es a égica da o ganização. Es es dois
aspe os, p oje o de ca ei a e al e ação do pos o de abalho, o nam-se impo an es pa a a
seleção, uma ez que êm implicações na es u u a do p ocesso como po exemplo, a escolha
das dimensões a a alia e na o ma de as a alia . “Numa en a i a de in eg ação des es dois
aspec os, pode emos conside a que a selecção de pessoal isa, sob e udo, a escolha da pessoa
que ga an a uma adap ação ápida ao pos o de abalho, e que possua po encial su icien e pa a
p og edi no p ojec o de ca ei a” (Cae ano; Vala, 2002: 267).
A seleção de pessoal de e se comp eendida como um meio pa a a o ganização se
es abelece dos meios humanos necessá ios pa a alcança os seus obje i os e supe a as
necessidades es a égicas omadas de decisão ace ca do quan i a i o de RH que a emp esa
de e á possui . Po ou as pala as “(…) a admissão de pessoas não de e á se mo i ada po
uma necessidade do momen o, mas sim enquad ada es a egicamen e. As pessoas êm de se
42
en endidas como um ecu so es a égico de impo ância p imo dial pa a o uncionamen o e
desen ol imen o das o ganizações” (Cunha, Ci . po Cae ano; Vala, 2002: 268).
A escolha inco e a dos indi íduos pode á desencadea aciden es de abalho, pe da de
p odu i idade ou conduzi a si uações nega i as. Aliás, uma má seleção de pessoal não diz
espei o apenas à escolha dos sujei os que não se de e iam e selecionado mas, ambém, à
não admissão dos sujei os que são e dadei amen e bons, deixando-os pa a a conco ência.
“A selecção de pessoal de e á p ocu a sabe de o ma cla a os objec i os que es ão po
de ás da es a égia de ges ão de ecu sos humanos, sob e udo se a en idade que ai p ocede à
selecção é ex e na à o ganização” (Cae ano; Vala, 2002: 268).
Um pon o impo an e, mas pouco usado, é a en e is a inicial. A an agem da
en e is a inicial consis e no elimina de candida os não in e essados nas condições de
abalho e/ou o e as o ganizacionais. Es a en e is a em a du ação média de 30 minu os,
onde se ealiza a ap esen ação da emp esa expondo os seus obje i os, es a égia, es u u a,
núme o de emp egados e a sua dinâmica. A seleção ai in eg a as ases de análise de
unções, escolha e aplicação dos mé odos de seleção, a ação dos candida os e elabo ação do
pa ece .
A seleção de pessoal assen e em p ocedimen os de índole psicológica, em po
obje i o a con e gência dos in e esses do indi íduo e da o ganização de o ma a o imiza a
elação sa is ação- endimen o. Es a con e gência esul a de dois p incípios base. Um é que as
pessoas são di e en es a á ios ní eis, pa icula men e em aspe os cogni i os, de
pe sonalidade e mo i ação. Pe an e uma mesma si uação, di e en es pessoas eagem de modo
di e en e em e mos de endimen o, empenho e sa is ação. O conhecimen o do pos o de
abalho assume, des e modo, uma impo ância ele an e no p ocesso de seleção de pessoal. O
segundo p incípio comp eende o lado mais obje i o da a aliação. “As dimensões psicológicas
ge almen e a aliadas são mais ou menos es á eis e as pessoas endem a mani es a
compo amen os idên icos em si uações análogas” (Cae ano; Vala, 2002: 271).
Não exis e uma o ma de seleção ó ima que seja uni e sal pa a odas as unções, nem
mesmo pa a uma mesma unção em pos os de abalho com ca ac e ís icas di e en es. Mas
podem-se conside a alguns p ocedimen os ine en es a qualque p ocesso de seleção.
O p imei o é o pos o de abalho e a in o mação ine en e a es e. Es a in o mação,
desc i a como análise de unções, pe mi e conhece o indi íduo e o que es e i á ealiza ,
conhece como e e ua a sua a e a e que meios/ins umen os u iliza. Iden i ica-se ainda qual o
43
posicionamen o do pos o de abalho no o ganig ama da emp esa, bem como as elações
o mais que lhe es ão associadas. Em consequência da análise de unções, é impo an e
conhece as dimensões de ca á e psicológico (ap idões e pe sonalidade) que se cons i uem
como undamen ais pa a o bom desempenho.
Um segundo conjun o de p ocedimen os é a a aliação das dimensões associadas às
exigências e ques ões de adap ação o ganizacional. “Sabendo, ago a, quais são as dimensões
psicológicas pe inen es pa a o sucesso naquela unção, impo a a aliá-las, o que signi ica não
somen e segui as eg as o mais de u ilização dos ins umen os psicológicos escolhidos, mas
u iliza aqueles que possuem melho es ca ac e ís icas de o dem psicomé ica” (Cae ano; Vala,
2002: 272).
Com base no pa adigma de seleção de Smi h e Robe son (1989) cons ui-se o
esquema seguin e, que sin e iza odo o p ocesso de seleção:
Figu a 2 - Pa adigma de seleção
Fon e: Adap ado de Smi h e Robe son (1989)
A seleção de pessoal de e se comp eendida semp e como uma unção da ges ão de
ecu sos humanos da ins i uição, e le indo, no seu essencial, a es a égia da o ganização e a
polí ica pessoal.
50
A componen e é ico-p o issional é o supo e que qualque p o issional de e ob e pa a
o seu sucesso. É impo an e que a é ica e o p o issionalismo se man enha semp e p esen e, no
sen ido de p opo ciona conhecimen os e capacidades15 ao abalhado .
No que diz espei o à disponibilidade po pa e do g upo de ecu sos humanos, exis iu
semp e uma in ei a disponibilidade em ajuda em odas as necessidades sen idas. Hou e um
g ande empenho de ambas as pa es que esul ou num excelen e abalho.
Os qua o meses de es ágio o am, sem dú ida, meses bas an e p odu i os, além do
abalho indi idual, oi ealizado abalho em equipa, momen os que co e am bem,
p incipalmen e nas a i idades e e en es ao p ocesso de ec u amen o e seleção. Du an e es e
p ocesso pe maneceu o sen ido de esponsabilidade sob e os comp omissos assumidos assim
como as exigências que a aculdade e o es ágio e ela am. A p óp ia análise c í ica
e idenciou se um pon o posi i o du an e o deco e do es ágio, aumen ando a capacidade de
análise das ações de planeamen o e in e enção sendo possí el encon a possí eis soluções
pa a os p oblemas de e ados.
Rela i amen e à omada de decisões, o es ágio o nou-se essencial pa a delimi a o
ema do meu ela ó io. O ac o de e a possibilidade de p esencia odo o p ocesso de
ec u amen o e seleção auxiliou-me a delimi a os obje i os do meu ela ó io.
A necessidade de me dis ancia do obje o e consegui abalha simul aneamen e como
in es igado a e como es agiá ia na emp esa oi uma das p incipais di iculdades. São dois
discu sos que p ecisam dis ancia -se. Quan o às a i idades ealizadas no es ágio, as p incipais
di iculdades que en en ei oi a necessidade de ap ende a con ac a e elaciona -me com o
candida o e pos e io men e com o no o abalhado . É impo an e man e uma pos u a cla a,
comp eensi a e segu a sob e as in o mações a o e ece da emp esa. É p eciso ha e um longo
abalho e es udo p é io. Es e oi sem dú ida o g ande desa io, conhece uma no a ealidade,
uma no a linguagem e sabe aplicá-la, mas penso ê-lo ealizado com sucesso.
Em elação ao clima i enciado, consegui man e uma elação sé ia e saudá el com os
es an es p o issionais que me acompanha am ambém ao longo do meu es ágio. Man i e um
posicionamen o de inicia i a e esponsabilidade que esul a am igualmen e num melho
elacionamen o com os colabo ado es da emp esa. O abalho em g upo oi essencial pa a a
15 Capacidade de abalha indi idualmen e e cole i amen e, sen ido de esponsabilidade, assiduidade,
capacidade de análise c í ica, au oc í ica e inicia i a, cump imen o dos comp omissos comuns e indi iduais
den o dos p azos es abelecidos, comp omisso é ico com as ap endizagens na C uise Ship, ap esen ação e
condu a pessoal adequadas no meio de abalho.
51
pa ilha de opiniões, ideias e de c í icas. O abalho indi idual po sua ez oi cons an e e
undamen al pa a e olui enquan o es agiá ia e aluna de mes ado.
A minha o ien ado a de es ágio, bem como o meu p o esso o ien ado omen a am, ao
longo de odo es e p ocesso, a minha capacidade de assumi decisões ou de consegui
soluções pa a os di e en es p oblemas, o e ecendo-me o al libe dade pa a agi .
O es agiá io é capaz de aze à emp esa um ambien e de escu a, ace às
ca ac e ís icas mo i acionais e de empenho que lhe es ão subjacen es. Ele anspo a
no idades e concei os de mudança, expandindo esses sen imen os a odo o depa amen o. A
exis ência de es ágios pe mi e uma eno ação cons an e de conhecimen os. A e dade é que
quem ensina ambém ap ende, man endo um p ocesso de ap endizagem con ínuo e a ual.
Assim, ao p opo ciona em, hoje, um bom es ágio ao u u o p o issional ganham, amanhã, um
bom écnico de ecu sos humanos, sendo um g ande impac o ambém no con ex o escola .
52
53
CAPÍTULO III – Explo ando um uni e so empí ico
1 – O ganização acolhedo a
A C uise Ship é uma emp esa mul inacional, líde em c uzei os lu iais no nosso país.
O seu desen ol imen o em sido p og essi o ao longo dos anos, a a és da aquisição de no as
emba cações, emodeladas e equipadas com os mais mode nos sis emas de na egação. A
C uise Ship o e ece ao público, múl iplas expe iências, em meio e es e, aé eo e aquá ico,
o ganizando-se em qua o unções p imo diais: unções come ciais/ ese as, unções de
supo e, unções ma í imas e unções de ho ela ia a bo do. O obje i o é possibili a ao u is a
uma isão global da egião, das populações e das suas i ências.
A sua his ó ia inicia-se em 1993 quando é adqui ido o p imei o ba co, com capacidade
pa a 130 passagei os. T ês anos mais a de, su ge mais um ba co diá io e um na io-ho el,
o nando-se esponsá eis po da início a um caminho ico em o as de emba cações. A
C uise Ship assume um comp omisso com o meio ambien e eduzindo os consumos e
implemen ando p á icas socialmen e esponsá eis.
Tendo po base o abalho sazonal, es a emp esa in es e odos os anos no p ocesso de
ec u amen o e seleção, e é nes e sen ido que o meu p oje o de es ágio in e liga-se com a
opo unidade de es ágio na C uise Ship, que deco e á du an e o p ocesso de ec u amen o e
seleção que a emp esa expe iencia. Es e p ocedimen o ab ange um conjun o de unções
di e en es, desde a necessidade de con a a cama o ei as, cozinhei os, emp egados de mesa e
balcão a che es de sala, assis en es de bo do e mo o is as. Sendo econhecida pelos seus
o ei os diá ios ou semanais, ao longo do io Dou o, a C uise Ship man ém uma di e sidade
de opo unidades de ca ei a que se di ide em di e en es unções.
Pa a além do Código de T abalho em igo , as elações labo ais da C uise Ship são
eguladas pelo Aco do Cole i o de T abalho e pelo Regulamen o In e no exis en es na
emp esa, que pe mi em a odos os colabo ado es es a em in o mados sob e os aspe os mais
ele an es da elação de abalho.
Rela i amen e à sua o ganização in e na, a emp esa di ide-se em di e en es
depa amen os: depa amen o de ope ações, depa amen o come cial, depa amen o de
ma ke ing comunicação e imagem, depa amen o de ecu sos humanos, depa amen o de
54
con abilidade e depa amen o de sis ema in o má ico e comunicação adminis a i a. Es es
depa amen os abalham indi idualmen e mas igualmen e em conjun o pa a p opo ciona um
maio desen ol imen o in e no e ex e no da emp esa.
Sendo uma emp esa que a ua ao ní el do u ismo, a C uise Ship encon a-se em
pe manen e desen ol imen o de no os p oje os, incluindo a abe u a de um museu his ó ico,
pa a amplia as suas á eas de a uação. É uma emp esa que se encon a em expansão con ínua.
2 – O me cado de abalho
Nos e mos do subsis ema de sup imen o de ecu sos humanos pe manece o me cado
de abalho que se ca a e iza pelas o e as de abalho delineadas pelas emp esas, endo em
a enção o con ex o e o espaço empo al, ao mesmo empo que inco po a a p ocu a de emp ego
po pa e dos indi íduos. Po ou as pala as, ele é de inido pelas o ganizações e as suas
opo unidades de emp ego.
Conside ando a emá ica do p esen e ela ó io – Rec u amen o e Seleção – o na-se
pe inen e conhece o me cado de abalho a ual, como o ma de en ende os p óp ios
p ocessos de ec u amen o e seleção que são u ilizados hoje, e consequen emen e analisa a
compe i i idade en e emp esas. É necessá io menciona que os dados analisados
comp eendem um pe íodo de empo que deco e de 2009 a 2013, sendo que a pa i de 2011 e
inclusi e, exis e uma queb a se sé ie, o que signi ica que esses alo es não são compa á eis
com os anos an e io es.
Nes e âmbi o e endo po base os dados ap esen ados no Quad o I, obse a-se que um
elemen o es u u al do me cado de abalho em Po ugal são as axas de a i idade16 e a
disc iminação de géne o. A axa de a i idade es á a diminui que pa a a população masculina
como eminina, con udo, a população masculina ainda se si ua a um ní el supe io da
população eminina. A desc iminação das mulhe es no me cado de abalho é isí el e
deco e de di e en es a o es como o aco peso dos luga es de che ia e de quad os, exis ência
de se o es o emen e eminizados, sob e- ep esen ação no desemp ego e nas o mas a ípicas
de emp ego. Conside ando ainda o indicado ní el de escola idade, obse a-se que a maio ia
da população a i a não possui mais do que o 3º ciclo do ensino básico. Nos úl imos cinco
16 Taxa que pe mi e de ini o peso da população a i a sob e o o al da população com 15 ou mais anos.
55
anos em-se e i icado um aumen o da escola idade da população a i a, ao ní el do
secundá io/pós-secundá io e ensino supe io , e uma diminuição ela i a ao ensino básico e
dos indi íduos sem qualque ipo de quali icação escola . A ealidade demons a que apesa
dos es o ços ob idos, nos úl imos anos, quan o à o mação dos po ugueses, os ní eis de
escola idade ainda se ap esen am demasiado baixos.
Po ugal a a essa um p ocesso de en elhecimen o acele ado que ca a e iza a
população em idade a i a, en e os 15 e 64 anos (Anexo I), e que aduz a necessidade da
o mação p o issional de adul os.
Des e modo, o e cei o elemen o es u u al, e, al ez, o mais impo an e a conside a
pa a a de inição da polí ica de emp ego, é o ní el de escola idade da população a i a (Anexo
II). De 2009 a 2013, a e olução oi a seguin e:
- A população que não sabe le nem esc e e passou de 4,1% pa a 2,8% da população
esiden e o al;
- A população com o ensino básico passou de 63,7% pa a 53,3%;
- A população com o secundá io e pós-secundá io passou de 16,8% pa a 23,4%;
- A população com cu sos supe io es aumen ou de 15,3% pa a 20,4%.
A melho ia e i icada é signi ica i a, no en an o deno a-se a exis ência de um baixo
ní el de quali icação da população a i a. “De ac o, o nosso sis ema de ensino oi du an e
longos anos ma cado pela ausência quase o al de o mação p o issionalizada ao ní el do
secundá io e do ensino poli écnico” (Cae ano; Vala, 2002: 93). Is o explica os desequilíb ios
exis en es quando se es uda os pedidos e o e as de emp ego ao ní el de p o issões
especí icas.
Em Po ugal, a axa de emp ego17 em indo a diminui desde 2009. Em 2013 a axa
de emp ego do país a inge os 50,6% (Anexo IV), ou seja, 49,4%, quase me ade da população
po uguesa encon a-se desocupada ou pa ada. Nes a pe cen agem de emos inclui os
desemp egados, os incapaci ados, as c ianças e os idosos. Apesa do dec éscimo en e 2009 e
2013 se mais acen uado no sexo masculino do que o eminino, es e úl imo con inua ainda a
se o mais a e ado. Po ou as pala as, a axa de emp ego masculina é supe io à eminina.
17 A axa de emp ego pe mi e indica qual é a pe cen agem de abalhado es que êm e e i amen e emp ego.
56
Quad o I - Indicado es sob e o me cado de abalho em Po ugal
2009
2010
2011
2012
2013
Taxa de a i idade (%)
HM
61,3
61,2
┴60,5
60,1
59,2
H
67,7
67,2
┴67,1
66,2
65,0
M
55,6
55,9
┴54,6
54,7
54,1
População a i a po ní el de
escola idade (%)
Nenhum
4,1
3,9
┴3,7
3,3
2,8
Básico
63,7
61,8
┴58
55,6
53,3
Secundá io e Pós-secundá io
16,8
18,3
┴20,2
21,7
23,4
Médio
-
-
-
-
-
Supe io
15,3
16
┴18,1
19,5
20,4
To al
100
100
┴ 100,0
100
100
Taxa de emp ego (%)
HM
56,5
55,5
┴53,9
51,8
50,6
H
63,5
62,4
┴60,8
58,0
56,6
M
50,2
49,3
┴47,7
46,2
45,3
Taxa de emp ego: o al e po g upo
e á io (%)
15-24
30,8
27,9
┴26,6
23,0
21,6
25-44
81,0
80,2
┴79,4
76,4
75,1
45-54
76,8
77,0
┴74,5
73,5
73,2
55-64
49,7
49,5
┴47,8
46,5
46,9
65+
16,9
16,5
┴14,4
14,4
13,2
To al
55,6
54,6
┴52,8
50,8
49,6
População emp egada – ipos de
con a o (%)
Con a o
pe manen e/sem
e mo
HM
78
77
┴77,8
79,3
78,5
H
79,1
77,6
┴78
79,1
78,6
M
76,8
76,4
┴77,6
79,5
78,5
M (% o al)
47,6
48,1
┴49,1
50
50
Con a o a
e mo/a
p azo
HM
18
19,2
┴18,5
17
17,8
H
16,9
18,6
┴18,2
17,5
18
M
19,2
19,9
┴18,9
16,5
17,5
M (% o al)
51,5
50,2
┴50,1
48,4
49,4
Ou as
si uações
HM
4
3,8
┴3,7
3,6
3,7
H
4
3,8
┴3,8
3,4
3,4
M
4
3,7
┴3,6
3,9
4
M (% o al)
48,4
-
-
-
-
Emp ego po se o de a i idade (%)
P imá io
┴ 564,8
542,2
┴ 478,5
486
448,1
Secundá io
┴ 1.425,7
1377,5
┴ 1.322,7
1188,3
1090,6
Te ciá io
┴ 3.063,6
3058,5
┴ 3.035,9
2960,4
2974,8
Legenda: ┴ (queb a de sé ie)
Fon e: Dados do PORDATA e do INE – Inqué i o ao Emp ego.
57
.
A p eca iedade da elação de abalho é ou o pon o es u u al do me cado de abalho
em Po ugal. Em 2009 ( e anexo V), 588,3 mil pessoas es a am emp egadas a empo pa cial
ace a um o al de 5054,1 mil. Em 2013 já se e i ica um dec éscimo das pessoas con a adas
a empo comple o e um aumen o das pessoas em egime pa cial (631,7 mil pessoas num o al
de 4513,5 mil). Iden i ica-se um aumen o da p eca iedade do emp ego p o ocada pela ecen e
ecessão económica, “(…) e, po ou o lado, o ca ác e de amo ecedo da c ise
desempenhado po o mas de emp ego ligadas ao sec o in o mal da economia (ou sec o não-
es u u ado da economia)” (Cae ano; Vala, 2002: 93).
Quad o II - Dados sob e o desemp ego em Po ugal
2009
2010
2011
2012
2013
Taxa de desemp ego18
HM
9,4
10,8
┴12,7
15,5
16,2
H
8,8
9,8
┴12,3
15,6
16,0
M
10,1
11,9
┴13,0
15,5
16,4
Taxa de desemp ego po idades (%)
<25 anos
20,3
22,8
┴30,2
37,9
38,1
25-54 anos
9,2
10,7
┴11,9
14,7
15,5
55-64 anos
7,6
8,9
┴10,8
12,7
13,7
To al
9,4
10,8
┴12,7
15,5
16,2
Taxa de desemp ego po ní el de
escola idade (%)
Nenhum
6,5
8,9
┴11,6
14,4
17,3
Básico
10,3
11,7
┴13,7
16,1
17,0
Secundá io e Pós-secundá io
9,6
11,4
┴13,4
17,6
17,4
Supe io
6,4
7,0
┴9,0
11,6
12,6
To al
9,4
10,8
┴12,7
15,5
16,2
Du ação do desemp ego (%)
Menos de 1 ano
53,1
45,3
┴46,9
45,8
37,9
1 ano ou mais
46,5
54,3
┴53,1
54,2
62,1
Ou os
0,4
0,4
-
-
-
To al
100,0
100,0
┴100,0
100,0
100,0
Legenda: ┴ (queb a de sé ie)
Fon e: Dados do PORDATA e do INE – Inqué i o ao Emp ego.
18 Taxa que pe mi e de ini o peso da população desemp egada sob e o o al da população a i a.
58
O peso dos desemp egados de longa du ação (desemp egados há mais de um ano) êm
indo a aumen a subs ancialmen e, passando de 46,5% em 2009 pa a 62,1% em 2013 ( e
anexo VI). As mulhe es pa ecem es a mais expos as às si uações de desemp ego,
ap esen ando axas de desemp ego supe io es à população masculina. No en an o, en e 2009
e 2013 es a di e ença em indo a esba e -se, sendo em 2013 uma di e ença de 0,4% en e os
dois sexos. Ou seja, ao longo dos anos, a axa de desemp ego dos homens aumen ou mais do
que a das mulhe es. Segundo os dados do INE no Inqué i o ao Emp ego, o desemp ego en e
homens e mulhe es, no pe íodo de 2009 a 2013 quase que duplicou. O ag a amen o do
desemp ego oi ápido e in enso de ido às c escen es di iculdades que país a a essa no
âmbi o económico. Em 2013, o desemp ego si uou-se mais en e a população com baixos
ní eis de escola idade (en e os 17% e 18%), ace à população com ní eis de escola idade
supe io es (12,6%).
A incidência do desemp ego é mais ele an e na população jo em (com menos de 25
anos). Sendo que de 2009 a 2013 es a endência aumen ou quase o dob o (20,3% pa a 38,1%).
Is o e idência “(…) a na u eza desigual e selec i a da axa de desemp ego” (Gonçal es, 2005:
134). Rela i amen e aos sujei os com 55-64 anos a subida da axa de desemp ego nos úl imos
anos, pode se explicada a a és das baixas quali icações, um habi us p o issional pouco
p openso à mobilidade e às no as ap endizagens, e pela idade a ançada. Es es aspe os ão
o na a u u a einse ção p o issional uma ince eza (Gonçal es, 2005).
Em suma, os p oblemas do desemp ego e da compe i i idade só se esol e ão se o
elabo ado, ao ní el local e egional, uma ligação o e en e o sis ema educa i o/ o ma i o e
as emp esas. Tal in e ação possibili a á a ansição escola/ abalho e o aumen o da
p o issionalidade dos jo ens e dos adul os, assim como a capacidade de ino ação e de
assimilação da e olução ecnológica a a és da pa e nidade en e uni e sidades e emp esas.
Face à a i idade económica (Anexo VIII), cons a a-se que o se o dos se iços “(…)
con ibui pa a a c iação liquida de emp egos, uncionando, assim, como impedi i o de um
mais amplo desemp ego (…)” (Gonçal es, 2005: 126). Is o é, e i ica-se que mais de me ade
da população emp egada abalha no se o e ciá io, seguida do se o secundá io e p imá io
espe i amen e. “A e cia ização man ém (…) uma elação de alimen ação ecíp oca com o
aumen o con inuado dos ní eis médios de escola idade” (Viegas; Cos a, 1998: 32).
Em sín ese, o a ual me cado de abalho anspa ece as p á icas de RH u ilizadas pela
C uise Ship. A u ilização de um mé odo ela i amen e ápido, como a en e is a, pe mi e à
59
emp esa uma diminuição de cus os e ganho de empo. No en an o, ambém exis em
des an agens, o ac o de exis i em mui as desis ências, ela i amen e à compe i i idade
exis en e no me cado de abalho, pode le a a um ala gamen o do p ocesso. O olume de
Cu ículos Vi ae que se ob ém, pode ambém se um p oblema pa a o écnico de ecu sos
humanos. Exis e um g ande leque de opções, não sendo capaz de se obse a odos. A
e dade é que a opção de ealiza con a os sazonais a odos os no os abalhado es enquad a-
se que no meio económico e social que o país a a essa, como se adap a aos p óp ios
obje i os da emp esa, uma ez que es a ge e-se pelo u ismo, ha endo di e en es picos de
a i idade ao longo do ano.
3 – Admissão de no os abalhado es
A socialização nas no mas e alo es da o ganização compõe o p incipal p ocesso de
socialização de no os emp egados. Uma ez que a emp esa se pode eno a pela admissão de
no os abalhado es, a a és do p ocesso de ec u amen o e seleção, o na-se impo an e o
es udo e análise de uma das ases mais impo an es que as emp esas a a essam.
O p ocesso de ec u amen o e seleção é um subsis ema dos ecu sos humanos, sendo
conside ado undamen al pa a a o ganização, is o que a sua unção des aca-se pela ag egação
do quad o uncional de abalhado es capazes de a ua na emp esa. É impo an e que “(...) em
cada momen o, no p esen e e no u u o, a o ganização possa con a a empadamen e com os
ecu sos humanos quali icados de que ca ece pa a unciona ” (Bilhim, 2006: 230). Nes e
sen ido, es e p ocesso de e p emi -se pela e icácia e adequabilidade, de modo a cump i os
obje i os das o ganizações. Po ém, a unção de ec u amen o e seleção de pessoas não é usada
de manei a igual en e as emp esas, is o que udo depende de de e minados a o es
in ínsecos, como a cul u a o ganizacional, o planeamen o es a égico e os cus os en ol idos.
Impo a e e i que es e p ocesso em cus os, di e os e indi e os.
São á ios os au o es que desc e em e de inem o p ocesso de ec u amen o e seleção,
sendo que cada concei o é u ilizado de o ma complemen a . F ança (2009) conside a que
“(…) o ec u amen o é a ase inicial pa a o p eenchimen o de uma aga em que es á em
abe o” (F ança, 2009: 29), enquan o Milko ich e Boud eau (2000) de endem que o
“ ec u amen o é o p ocesso de iden i icação e a ação de um g upo de candida os, en e os
66
obse ação do candida o na sua o alidade. Ou seja, a en e is a de seleção, conhecida como
con encional ou psicológica, é uma si uação semies u u ada de in e ação en e duas pessoas.
A en e is a, dependendo do momen o em que é u ilizada, pode comp eende
obje i os dis in os. As en e is as de iagem são u ilizadas no p ocesso de ec u amen o ou
numa p imei a ase do p ocesso de seleção, pa a con i ma as in o mações desc i as no
cu ículo do candida o. Es as en e is as possibili am ambém o ma uma p imei a imp essão
sob e o indi íduo que se disponibiliza pa a o ca go. Du an e as mesmas, o en e is ado e á
opo unidade de o nece in o mações sob e o ca go e a emp esa ao candida o, escla ece
dú idas sob e o p ocesso e e i ica o in e esse do candida o na pa icipação da seleção. É
impo an e que o en e is ado ouça odas as conside ações do candida o, apon ando dados e
imp essões que possam di igi as e apas seguin es e que u ilize pe gun as adequadas pa a
cap a essas mesmas in o mações. Es e ipo de en e is a de e se , acima de udo, obje i a.
O guião de en e is a di e e de unção pa a unção, mas de e á se idên ico pa a odos
os candida os que conco em à mesma unção. Num guião de en e is a inse e-se emas que
de em se desen ol idos, independen emen e da manei a como são abo dados. Se e,
ambém, de o ien ação pa a o en e is ado , con i mando se abo dou odas as emá icas. A
o ma como se consegue ecolhe a in o mação depende de en e is ado pa a en e is ado .
Não exis e um guião uni e sal, mas exis e um conjun o de pon os que podem su gi de
hipó ese pa a um guião de en e is a de seleção (Cae ano; Vala, 2002): dados biog á icos
(a ualiza ou con i ma dados do Cu ículo Vi ae); o mação escola e écnica;
expe iência/his ó ia p o issional; a o es pessoais de sa is ação ( a o es que cons i uem pa a o
indi íduo, mo i o de sa is ação p o issional; que ipo de a e as execu ou e com que ní el de
sa is ação); si uação amilia (o p e endido é iden i ica algum aspe o que possa impedi o
no mal desempenho na unção; as pe gun as de e ão se abe as pa a que seja o candida o a
delimi a a sua in imidade); a i idades ex e io es ao abalho (os hobbies dão-nos uma ideia
da manei a de se do candida o); e qualidades exigidas à unção (a a és da en e is a é
possí el sabe se o indi íduo analisa as si uações de o ma obje i a, se é uma pessoa mais
ex o e ida ou in o e ida e sob e a es abilidade emocional).
Na C uise Ship, é comum e -se em a enção alguns cuidados de p epa ação, do
ambien e e da en e is a, como po exemplo: con oca ó ia cla a e p ecisa com indicação
es imada do empo de du ação da a aliação. Es a solici ação é ealizada pelo Técnico de
Recu sos Humanos, ia Ou look, pa a os es an es colabo ado es que conduzi ão
67
conjun amen e a en e is a. Nes e agendamen o o Técnico de Recu sos Humanos
esponsabiliza-se po anexa o Cu ículo Vi ae do candida o e in o ma de algumas ques ões a
e em a enção caso seja necessá io21. Seguidamen e p ocede-se à escolha e p epa ação da sala
de en e is a, que não de e á se demasiado ia, assim como não de e á con e demasiados
obje os pessoais. Po úl imo, após o es udo po meno izado do Cu ículo Vi ae do candida o,
es e é imp esso com algumas no as e anspo ado pa a à en e is a, sendo ambém u ilizado
como guia e supo e pa a o en e is ado . No inal da en e is a é essencial aze uma
a aliação de odas as in o mações ap eendidas ace ca do candida o.
Ao longo da en e is a é cos ume conside a -se um conjun o de ases (Cae ano; Vala,
2002):
1. Acolhimen o – co esponde a i busca o candida o à sala de espe a e “queb a o
gelo” com uma con e sa inócua.
2. Ap esen ação – in o ma quem são, o que se i á abo da e da impo ância ao es ilo
de linguagem.
3. Fase não-di e i a – o obje i o é coloca o indi íduo a ala sob e as suas
mo i ações e expe iências p o issionais.
4. Fase emá ica – ap o undamen o de alguns aspe os abo dados na ase não di e i a,
bem como ou os que es ejam no Cu ículo Vi ae.
5. Fase de espelho – co esponde a um con on o de in o mação incoe en e em que se
p e ende que o candida o nos escla eça.
6. Fase de sín ese – consis e no esumo de udo o que oi di o dando a possibilidade
ao candida o de comen a . É o momen o ideal pa a o indi íduo ques iona o que
quise ace ca do p ocesso de seleção.
Realizada du an e o p ocesso de ec u amen o, es e ipo de en e is a com um ca á e
mais supe icial pode se ealizada po ele one ou de o ma p esencial. “Se ealizada de
o ma adequada, a en e is a de iagem se e como um il o que poupa empo e ecu sos da
emp esa no p ocesso de seleção, selecionando os candida os com maio po encial de
p eenche os equisi os exigidos pela aga em abe o” (Caxi o, 2007: 53).
Seguindo como base as ases desc i as po Cae ano e Vala (2002), os colabo ado es
esponsá eis pelo Rec u amen o e Seleção p epa am-se de alhadamen e pa a as en e is as.
21 Po exemplo de e-se in o ma caso o indi íduo já enha abalhado an e io men e na emp esa, ale a pa a o
caso da en e is a deco e ia Skype, en e ou os pon os.
68
Pa a um melho encaminhamen o da en e is a eco e-se ao auxílio de um guião de en e is a
que sin e iza as e apas da en e is a (Quad o IV). Se indo apenas como um guia da
en e is a, o guião pode so e al e ações. No deco e da en e is a, caso su jam dú idas
sob e os conhecimen os do candida o podem-se coloca ques ões conc e as ou iden i ica
si uações conc e as elacionadas com as unções, nas quais o p o issional seja capaz de
esponde . Além disso, é impo an e que o en e is ado aça algumas pe gun as mais as as
pa a es a a c ia i idade e a o ma de eação do candida o. Po exemplo, pedi pa a que lhe
indique um local a isi a na zona his ó ica do Po o e explica um pouco a his ó ia da egião.
É ele an e menciona que mui as das en e is as, são ealizadas na língua (Alemão ou Inglês)
que se p e ende que o candida o seja dis in o.
Quad o V - Guião de en e is a na emp esa C uise Ship
Guião de En e is a
1. Dados biog á icos
A ualiza ou con i ma os dados p esen es no
Cu ículo Vi ae.
2. Expe iência p o issional
Sín ese do pe cu so p o issional; azão de
despedimen o/mo i o da saída dos úl imos
emp egos; os abalhos que mais gos ou e os que
não ap eciou aze ; as elações com a che ia e com
os colegas an e io es; as suas mo i ações (po que
mo i o que muda de emp ego).
3. Au oa aliação
Pon os o es e pon os acos; si uações que
conseguiu esol e .
4. Disponibilidade
Disponibilidade pa a ausências p olongadas e
emba que; possibilidade de abalha Na al e
Passagem de Ano.
5. A i idades ex e io es ao abalho
O que ealiza nos empos li es.
6. Ap esen ação da emp esa e da unção
Desc e e os obje i os da emp esa e ap esen a o
que es a o e ece ao candida o ( a da, pa ilha de
alojamen o, egime de olgas, ho á io de abalho,
salá io e suplemen o de emba que – con a o a
e mo não eno á el, ou as ques ões legais);
escla ece as condições e algumas dú idas.
É undamen al pensa na o mulação das pe gun as, is o que a o ma como as
ques ões são colocadas pode in luencia a espos a do en e is ado. Em seguida, ap esen a-se
uma lis a ge al das pe gun as mais equen es nas en e is as da C uise Ship:
69
● Como desc e e o seu pe cu so p o issional?
● O que ez no emp ego an e io ?
● Po que deixou o emp ego an e io ?
● Já ez es e ipo de abalho? É algo que gos a de ealiza ?
● Onde ealizou a sua o mação? Quais as disciplinas p á icas e eó icas?
● Quais são as suas a i idades p e e idas nos empos li es?
● Como se conside a no seu ní el de inglês/alemão ou a ní el in o má ico (com que p og amas já
abalhou)?
● O que acha da expe iência de i e a bo do? Já e e expe iências de di idi alojamen o?
● Que ca ac e ís icas conside a mais ele an e em si?
● Quais são as suas aquezas?
● Quais são as suas ca ac e ís icas enquan o abalhado ?
● O que o le ou a conco e à nossa emp esa?
● O que nos di ia pa a o con a a mos a si e não a ou o candida o?
● Num p oje o a longo p azo, o que se imagina a aze ?
Em pa alelo à ealização des as ques ões ambém são ealizadas pe gun as
di ecionadas pa a a expe iência e ap idão na unção à qual o candida o conco e. Tome-se
como exemplo a unção de cama o ei a. É impo an e pe gun a ao indi íduo: Quan as
es elas inha o ho el em que abalhou? Quan os qua os azia? Quan os ho as abalha a?
Realiza a unções ligadas à la anda ia?. Todas as ques ões de em edi eciona -se pa a a
unção em análise e é nes e sen ido que as en e is as são conduzidas na C uise Ship.
Du an e a en e is a, a p óp ia a i ude do en e is ado pode e impac o sob e o
p o issional. O candida o pode delinea a sua pos u a e começa a agi de aco do com o que
julga se a p e e ência do en e is ado , o que anspo a p oblemas na análise da en e is a.
No inal da en e is a p ocede-se a um esumo da mesma e in o ma-se o candida o de
algumas conside ações que es e pode espe a segui , como po exemplo, se con ac ado
no amen e. Nes e seguimen o, o Técnico de Recu sos Humanos p ocede á à ealização dos
comen á ios e no as e i adas da en e is a no PHC, pa a pos e io men e e e ua -se uma
análise do esul ado das en e is as e p ocede ao enquad amen o dos candida os nas unções
especí icas.
As en e is as es u u adas ca ac e izam-se po um conjun o de ques ões p e iamen e
de inidas. No inal do p ocesso de seleção, o candida o de e se en e is ado e a aliado pelo
ges o esponsá el da á ea na qual abalha á caso seja admi ido. Nes a en e is a é possí el
70
iden i ica a adap abilidade do candida o à á ea, ao mesmo empo que se ealiza uma
a aliação dos conhecimen os écnicos do ca go p e endido. A en e is a inal não segue
necessa iamen e um guião, uma ez que assume um diálogo luen e en e o ges o e o
candida o. É undamen al que o en e is ado seja pe spicaz o su icien e pa a cap a e a alia
o candida o no deco e de uma en e is a. Des e modo, exis e um conjun o de ca ac e ís icas
e compo amen os que de em se analisados em en e is a:
O quad o abaixo de o ma ge al, odos os pon os a que o en e is ado de e da
a enção, po ém é impo an e e em conside ação que es es aspe os a iam com o ipo de
unção. Em momen os di e en es da ges ão dos ecu sos humanos de uma emp esa, o
p o issional de RH necessi a á a alia o desempenho dos abalhado es em elação às me as e
obje i os delineados à p io i. Es as a aliações podem deco e da necessidade de se e i ica
uma o mação; classi icação do colabo ado e p opo ciona a pa icipação de um p ocesso de
o mação; a alia a pe o mance do abalhado e p ocessos de a aliação o ganizacional.
As en e is as p imam-se pela di iculdade de ealização, pois o a aliado pode es a a
a ua com colegas, subo dinados ou a é supe io es hie á quicos. Se o p ocesso não o
e iden e pa a odos os en ol idos, pode-se le an a ques ionamen os pessoais não associados
ao desempenho do ca go. Alguns a aliados ambém se podem sen i pe u bados com a
a aliação, azendo com que o ní el de ensão aumen e du an e a en e is a. “O a aliado
expe ien e de e a alia o desempenho e não a condu a ou os hábi os do en e is ado. A
unção do a aliado não é ob iga o uncioná io a se desen ol e e melho a seu desempenho,
e sim suge i manei as de supe a os pon os acos” (Caxi o, 2007: 54). Ao planea uma
en e is a de a aliação é impo an e que o p o issional de RH e i e abo da apenas os pon os
acos e os p oblemas do uncioná io, os seus pon os o es e os sucessos de e ão ambém se
al o de a aliação. Em sín ese, a en e is a de a aliação des ina-se mui o mais a uma ação de
o ien ação do que punição.
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Quad o VI - A aliação da en e is a
Ca ac e ís icas
Compo amen o
Comunicação
• Capacidade de exp essão o al
• Fluência e bal
• Co eção ocabula
• Capacidade de edigi
• Capacidade de ou i
• Capacidade de au odomínio
• Empa ia
• Adap ação a si uações
imp e is as
A i udes
Colabo ação/ag essi idade
• Espon aneidade/ ges os
o çados
• Calma/ agi ação mo o a
Fo mação académica
• G au de ins ução
• Disciplinas p e e idas
• In e esse pelos es udos
• Cu sos/seminá ios
Cul u a
• Cul u a ge al
• A i idades associa i as e
cul u ais
Ap idões men ais
• Sen ido de esponsabilidade
• Papeis p o issionais
desempenhados
• Acei ação das a e as
• Espí i o de análise
• Espí i o de sín ese
• Capacidade de julga
• Ma u idade
• Es abilidade emocional
• Au ocon olo
• Coe ência
• O ganização men al
• Capacidade de a gumen a
• Equilíb io ge al
• Mudanças b uscas
• Alheamen o / segu ança
Po encialidades
• O imismo
• C ia i idade
• Capacidade de lide ança
• Facilidade de omada de
decisões
• Gos o po unções de di eção
• Inicia i a
• Adap abilidade
• En usiasmo
• Ambição
• Ene gia
• Pe se e ança
• Ve sa ilidade
• Sociabilidade
• Espí i o de equipa
• Gos o de a i idades de g upo
• Facilidade de elacionamen o
Fon e: Adap ado Gomes (2011) - “Jo nadas do Emp ego” do Ins i u o Poli écnico do Ca ado e do A e.
72
3.4 – Tes es psico écnicos
Com a eme gência da Escola da Psicologia Social, assis e-se a uma p imei a
p eocupação com os p oblemas de abalho. O es udo nes a á ea abo da p incipalmen e emas
como a adiga, seleção, análise de unções e o ien ação p o issional.
Gilbe Ta a (1973) de ine psicologia indus ial como “(...) um amo da psicologia
aplicada cons i uindo no conjun o de pesquisas que p ocu am o na e e i a uma melho
adap ação en e o homem e a sua a i idade p o issional” (Ta a , Ci . po Rocha, 1997: 21).
Es a psicologia não de ende uma ma iz concep ual pa a a ges ão dos ecu sos humanos,
limi a-se a in oduzi no abalho humano modelos e concei os de psicologia.
Os es es psicomé icos pe mi em iden i ica e a alia aspe os da pe sonalidade, bem
como as ap idões do candida o. As écnicas i enciais p ocu am es uda como o candida o
eage e a ua em si uações que podem se encon adas no dia-a-dia do ca go p e endido e
ambém como es e se elaciona com ou as pessoas.
Na C uise Ship são ealizados es es esc i os, pa a a alia as écnicas e as p á icas dos
candida os. Po ém, es es es es são aplicados apenas aos indi íduos que quei am inco po a a
Náu ica. T a a-se de um p ocesso de ec u amen o e seleção di e en e do que emos explanado
nes e ela ó io. Nes as unções exis e a capacidade de c escimen o e in eg ação na equipa, ou
seja, não se a a de um ec u amen o e seleção sazonal. Exis e ainda a possibilidade de es es
ob e em o mação, a a és de escolas de o mação no ex e io ou a a és do Di e o de
Na egação da emp esa.
Rela i amen e às ou as unções que cump em o p ocesso de ec u amen o e seleção
ap esen ado nes e ela ó io, es as ealizam es es de ap idão e p o as écnicas. Es as p o as
são essencialmen e e e uadas em con ex o de en e is a. Po exemplo, ques iona o indi íduo
quais os cock ails que já p epa ou e como os p epa ou.
Em esul ado dos exames médicos p e is os na legislação ela i a à segu ança e saúde
no abalho, são ambém ealizados es es de ap idão. Es es es es são e e uados po
p o issionais de saúde habili ados e a aliam a ap idão do indi íduo pa a a unção.
Pos e io men e os es es são eme idos pa a o depa amen o de ecu sos humanos.
Quan o à o ma adequada de a alia os candida os, se ia mais p odu i o o
acompanhamen o pos e io de um psicólogo, uma ez que a pe sonalidade humana é
73
demasiado complexa pa a se esumi em núme os. É impo an e sim comp eende as ap idões
e capacidades de cada candida o, mas essa in o mação de e se u ilizada como an agem pa a
emp esa de como sabe agi com os di e en es indi íduos. Não se p e ende que os candida os
sem condições psicológicas enham a se colocados em unções inadequadas, con udo, não
exis e uma manei a segu a de explica a pe sonalidade humana de cada indi íduo.
74
3.5 - Acolhimen o
Young e Lundbe g (1996) de endem a impo ância que se de e da aos no os
memb os no p imei o dia. Mais do que o nece mui as in o mações sob e a o ganização, es a
de e p eocupa -se em aze com que o no o memb o se sin a bem ecebido e apoiado do
pon o de is a emocional.
No quad o seguin e ap esen a-se um exemplo do que pode á se um p og ama de
acolhimen o e o qual a emp esa C uise Ship aplica:
Quad o VII - P og ama de acolhimen o na emp esa C uise Ship
Ações a desen ol e
Pessoas en ol idas
Boas indas e eceção
Di e o /Técnico de Recu sos Humanos
Ap esen ação da emp esa
- His ó ia
- Missão, obje i os
- Funcionamen o, o ganização (o ganig ama da
emp esa)
No mas in e nas de uncionamen o
- Legislação labo al
- No mas disciplina es e egulamen os in e nos
(en ega de um exempla )
- Polí ica de emune ações e egalias sociais
- Higiene e segu ança no abalho
Sis emas de segu ança
- Polí ica de ges ão de pessoal em segu ança
- Manu enção e legislação ( o mação a bo do)
- No mas de segu ança (ap esen ação de a igos-
o dem)
Comandan e de Ope ações
Condu a
- Aspe o compo amen al
- Espí i o de equipa
- Focus no passagei o
Di e o de Ope ações
Manu enção e segu ança
- Ci culações e condições clima é icas
- Ques ão segu ança e manu enção dos au oca os
Di e o BlueBus
Pos o de abalho
- Posicionamen o na es u u a
- In o mações sob e o pos o de abalho
- Conhecimen o do plano de o mação
Di e o Na io
Ap esen ação às ou as hie a quias
Visi a ge al às ins alações
In eg ação no pos o de abalho
75
“Faze com que o no o elemen o, logo nos p imei os dias, se sin a pa e de uma
amília ou equipa é, pois, undamen al pa a o seu ul e io desen ol imen o p o issional na
o ganização” (Cae ano; Vala, 2002: 215). O acolhimen o na o ganização o na-se a p á ica
esponsá el po ansmi i aos ecém- abalhado es as expec a i as do desempenho dos seus
papéis. É uma p á ica que ende a ap oxima os no os abalhado es aos obje i os da emp esa,
in eg ando-os na ealidade o ganizacional. Pa a al, a C uise Ship disponibiliza um Manual de
Acolhimen o e o Regulamen o In e no pa a cada no o memb o (Quad o VIII), que é en egue
no p óp io dia de acolhimen o. Após a admissão é ainda en egue, a odos os abalhado es,
um ca ão de iden i icação com o logo ipo da emp esa, o nome, núme o, depa amen o e
o og a ia do uncioná io. O ca ão possui ainda a da a de alidade, no malmen e associada à
du ação do ínculo do abalhado à emp esa.
Quad o VIII - Es u u a- ipo de um manual de acolhimen o na emp esa C uise Ship
Es u u a- ipo
In o mação con ida
Boas indas
Mensagem de boas- indas e ap esen ação do
manual e seus obje i os
Ap esen ação da o ganização
O igens; e olução his ó ica; es u u a in e na;
a i idades e á eas de negócio; missão e alo es
F o a
Ap esen ação dos na ios e ba cos
Se iços de apoio e assis ência social
Segu ança no abalho; egalias sociais (segu o de
saúde e aquisição de se iços da emp esa); ca ão
uncioná io; au o izações de despesa; u ilização
dos meios de comunicação
Bene ícios sociais
Saúde no abalho (aciden es de abalho)
Regulamen os das elações de abalho
Relações labo ais (código de abalho e aco do
cole i o); al as; é ias; emune ações
Fon e: Adap ado de Rocha (1997).
É impo an e conside a que cada Manual de Acolhimen o de e ado a um equilíb io
en e quan idade de in o mação e pe inência dessa in o mação. Em conclusão, é undamen al
que es e p ocesso seja con ínuo na ida dos no os abalhado es, uma ez que cada si uação
p o issional pessoal, bem como a o ganização, p og ide, a pa i da pe inência de cons an es
ap endizagens e ajus amen os mú uos.
82
polí icas de ges ão de ecu sos humanos pouco alo izadas do capi al humano explicam o
desemp ego, a p eca iedade e os p oblemas económicos do país. Nes a pe spe i a, a ibui-se
uma ele ância pa icula ao modo como os con ex os de abalho se ep esen am pa a
po encia ou condiciona o p og esso p o issional de uma mão-de-ob a es u u almen e
desquali icada ela i amen e às necessidades da compe i i idade mode na.
“Gene aliza polí icas de o mação p o issional o ien adas pa a o desen ol imen o
in eg ado de compe ências especí icas e de compe ências ans e sais e adop a o mas de
o ganização do abalho p og essi amen e mais en iquecedo as, pa ece se uma es a égia
adequada ao e o ço da emp egabilidade” (Almeida, 2007: 57). Es e plano pe mi i á de ende
a exclusão de um conjun o de abalhado es que mos am maio es di iculdades em molda -se
ao no o con a o social que subs i ui a sup emacia do emp ego pa a a ida pela
emp egabilidade pa a a ida.
A expe iência de es ágio o na-se ambém algo undamen al pa a pa ilha . Fo am
momen os de g ande ap endizagem, onde se i eu um ambien e de abalho bas an e
ag adá el e in o mal, onde odos pa ilha am conhecimen os e expe iências. Foi um pe cu so
que en iqueceu e dadei amen e a conclusão des e ela ó io de es ágio. No que se e e e à
au oa aliação do es ágio, pode-se dize que oi um p aze e uma mais- alia pode inse i uma
en idade de e e ência como a C uise Chip. Es e es ágio possibili ou o desen ol imen o e
ap o undamen o de sabe es eó icos adqui idos ao longo do pe cu so académico. Po ou as
pala as, o obje i o do es ágio oi cump ido com sucesso, hou e um con ac o eal com odo o
p ocesso de ec u amen o e seleção e exis iu ainda a possibilidade de coloca em p á ica
conhecimen os adqui idos ao longo do Mes ado. E apesa de mui as ezes pensa mos que a
eo ia em pouca aplicabilidade, na ealidade pe cebe-se que é a eo ia que sus en a a p á ica.
Gos a íamos de p opo uma úl ima e lexão: a anja um emp ego é absolu amen e
undamen al, mas sen i mo-nos bem onde abalhamos é o mais impo an e. Não de emos
pensa que é só a emp esa que nos elege, nós ambém podemos e de emos decidi onde e com
quem que emos abalha .
83
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90
91
ANEXOS
98
Anexo VII
Taxa de desemp ego po sexo, g upo e á io e ní el de escola idade
ANOS
2009
2010
2011
2012
2013
Taxa de desemp ego
H
8,8
9,8
┴12,3
15,6
16,0
M
10,1
11,9
┴13,0
15,5
16,4
To al
9,4
10,8
┴12,7
15,5
16,2
Taxa de desemp ego po idades (%)
<25
20,3
22,8
┴30,2
37,9
38,1
25-54
9,2
10,7
┴11,9
14,7
15,5
55-64
7,6
8,9
┴10,8
12,7
13,7
To al
9,4
10,8
┴12,7
15,5
16,2
Taxa de desemp ego po ní el de escola idade (%)
Nenhum
6,5
8,9
┴11,6
14,4
17,3
Básico
10,3
11,7
┴13,7
16,1
17,0
Secundá io e Pós-secundá io
9,6
11,4
┴13,4
17,6
17,4
Supe io
6,4
7,0
┴9,0
11,6
12,6
To al
9,4
10,8
┴12,7
15,5
16,2
Legenda: ┴ (queb a de sé ie)
Fon e: PORDATA e INE – Inqué i o ao Emp ego
99
Anexo VIII
A i idade económica
ANOS
2009
2010
2011
2012
2013
População emp egada - A i idade económica (%)
P imá io
┴ 564,8
542,2
┴ 478,5
486
448,1
Secundá io
┴ 1.425,7
1377,5
┴ 1.322,7
1188,3
1090,6
Te ciá io
┴ 3.063,6
3058,5
┴ 3.035,9
2960,4
2974,8
To al
┴ 5.054,1
4978,2
┴ 4.837,0
4634,7
4513,5
Legenda: ┴ (queb a de sé ie)
Fon e: PORDATA e INE – Inqué i o ao Emp ego
100