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Ser professor nos dias de hoje... Formar professores num mundo em mudança

Carlinda Leite

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251 educação San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> “Se p o esso nos dias de hoje... Fo ma p o esso es num mundo em mudança” “Se p o esso nos dias de hoje... Fo ma p o esso es num mundo em mudança” Ca linda Lei e* Resumo Como o í ulo indicia, o ex o põe em e idência papéis que êm sido a ibuídos e que são de idos aos p o esso es pa a, em unção deles e do econhecimen o da ampliação da complexidade que a a essa a educação escola , pe spec i a aspec os a e em con a na o mação de p o esso es. São, pois, objec i os do ex o: equaciona sabe es e compe ências necessá ios no exe cício do abalho docen e; pe spec i a componen es e p ocedimen os de o mação de p o esso- es. Tendo po e e ência es es objec i os, o ex o, pa indo dos papéis que êm sido a ibuídos à escola e aos p o esso es nes as úl imas qua o décadas em Po ugal, cons ói uma e lexão sob e o que signi ica, hoje, se p o esso /a bem como sob e aspec os a con empla na o mação de p o esso es. Pala as-cha e: Fo mação de p o esso es. Papéis da escola. Manda os dos p o esso es. To be eache nowadays... The aining eache s in a changing wo ld Abs ac As he i le e eals, his pape poin s ou he oles ha ha e been assigned o eache s, acknowledging he inc easing complexi y o schola educa ion, in o de o enhance he aspec s o a end in eache s´ aining. The aims o his pape a e, he e o e, as ollows: de ining knowledge and abili ies necessa y o pe o m he eaching wo k; pu ing in pe spec i e he componen s and p ocedu es o eache s´ aining. Re e ing o hese aims and basing upon he oles ha ha e been assigned o he school and he eache s in Po ugal in he las ou decades, his pape builds up a e lec ion on he aspec s o look o on eache ’s aining. Keywo ds: Teache T aining. Roles o School. Teache s’ Manda es. * P o esso a Ca ed á ica da Uni e sidade do Po o, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Memb o do Cen o de In es igaçao e In e enção Educa i a (CIIE). 252 San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 educação Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> Ca linda Lei e No as de in odução Sendo in enção des e ex o aze ao deba e o que p essupõe se p o esso /a nos dias de hoje e o ma p o esso es pa a um u u o que, o çosa- men e, não se á igual ao momen o p esen e, oco aqui algumas das mudanças que êm oco ido na educação escola em Po ugal e nos manda os a ibuídos e de idos aos p o esso es nes es úl imos anos e que nos indiciam po onde e pa a onde se es á a caminha . Pa a enuncia essas mudanças, eco o à minha p óp ia expe iência p o issional, que como p o esso a de Ciências da Na u eza do ensino não supe io , que como o mado a de p o esso es dessa á ea disci- plina que , mais a de, como p o esso a da Uni e sidade do Po o e elemen o que em pe encido a o ganismos á ios elacionados com a o mação de p o- esso es. É baseada nes e pe cu so p o issional e no pensamen o que ao longo dele ui cons uindo que eço as ideias que aqui ap esen o. Pa a isso, começo po oca os papéis que e am a ibuídos e de idos aos p o esso es quando iniciei a minha ca ei a docen e em 1973, ou seja, nas éspe as da Re olução de Ab il de 1974, e os que o am sendo a ibuídos desde essa época. É em unção desse pe cu so e do que conside o se em os papéis de idos hoje aos p o esso- es que eço algumas conside ações ge ais sob e a o mação de p o esso es. Um olha sob e a escola e os papéis dos p o esso es na década de 70 (1970) em Po ugal Tendo começado a minha ca ei a p o issional em 1973, como p o- esso a de Ciências da Na u eza do ensino médio, e desejando já nessa al u a se uma boa p o issional, lemb o-me de conside a que, pa a o se , p ecisa ia de sabe ensina bem os con eúdos do p og ama da minha á ea disciplina e con- segui c ia um ambien e que a o ecesse a ap endizagem desses conhecimen- os escola es pelos meus alunos. Foi, de ce o modo, com es a imagem que me socializei du an e o empo que equen ei os ensinos secundá io e supe io e oi com essa expe iência que ui cons uindo a minha ep esen ação do o ício de p o esso a. Ou seja, pa a mim, um bom P o esso , e uma boa P o esso a, e a aquele ou aquela que conseguia despe a a a enção dos alunos pa a os con eúdos do p og ama, que expunha e explica a os assun os num discu so e numa lógica que osse passí el de se comp eendida pelos alunos e que os conseguia es imula pa a o cump imen o de um ce o núme o de a e as que ajudassem à aquisição e comp eensão desses con eúdos. E a o que hoje con- side amos co esponde ao pa adigma adicional de acionalismo acadêmico (LEITE, 2002), po concebe o cu ículo limi ado ao conjun o das ma é ias a ensina e à es u u a o ganiza i a dessa ansmissão e po p i ilegia como modo de abalho pedagógico a exposição no sen ido da ansmissão. Essa minha pe cepção do papel dos p o esso es e a acompanhada pelo en endimen o que ci cula a em elação à escola. A es a e a a ibuído o 253 educação San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> “Se p o esso nos dias de hoje... Fo ma p o esso es num mundo em mudança” papel de ansmi i o conjun o de sabe es conside ados necessá ios pa a a ida e pa a o supos o luga que, nela, cada um dos alunos, no u u o, i ia ocupa . No quad o des a ideia, oda a o ganização escola es imula a uma o ien ação do cu ículo em unção dos conhecimen os e do ecu so a p ocedimen os didác icos que alo izassem a e enção e comp eensão pelos alunos desses conhecimen- os ansmi idos. A p óp ia a aliação dos alunos es imula a es a concepção eco endo unicamen e a es es aplicados a meio e no inal dos pe íodos esco- la es cuja média de e mina am as classi icações a a ibui . Não se ala a ainda nessa ase, em Po ugal, da a aliação o ma i a sendo acei e es ingi o ac o de a alia ao de classi ica . Nes a b e e ca ac e ização da educação escola no pe íodo que an e- cedeu a en a i a de a democ a iza , pode ei ambém dize que, de um modo ge al, p e alecia a ideia de que o conhecimen o e a único e uni e sal (LEITE, 2002; 2003), ac edi ando-se ou azendo-se ac edi a que qualque que ele osse, e a neu o. Ou seja, e am igno adas as ques ões de pode que es ão na base da selecção do que é conside ado como impo an e pa a se ensinado e ap endido, a ibuindo-se a maio ou meno di iculdade em acompanha esse conhecimen o alo izado e ansmi ido no espaço escola a si uações de maio ou meno in e- ligência dos alunos. O a, como bem sabemos e como nos lemb am Mo ei a e Sil a, (1995, p. 7-8) o cu ículo não é um elemen o inocen e e neu o de ansmissão desin e- essada do conhecimen o social. De ac o, “ele es á o emen e comp ome ido com elações de pode que dis ibuem desigualmen e opo unidades de suces- so aos di e en es g upos sócio-cul u ais” (LEITE, 1997, p. 172). No en an o, sendo aquele o en endimen o que p e alecia na al u a em Po ugal é comp een- sí el que, nessas éspe as da Re olução de Ab il de 1974, enha sido con igu a- da uma e o ma da educação escola sus en ada na ese da me i oc acia. Es a p opos a de e o ma, a i mando-se o ien ada pa a uma igualdade de opo unida- des segundo o mé i o indi idual, es abelecia como p incípio a abe u a da esco- la a odos os g upos sociais a ibuindo a esponsabilidade de cada um dos alunos e , ou não, sucesso escola apenas às capacidades que possuíam. Como hoje bem sabemos, não bas a que a escola ab a as suas po - as a g upos sociais e cul u ais mais a as ados da cul u a da ins i uição escola e das suas eg as. Se depois de ecebe essas c ianças e esses jo ens a escola man i e as suas lógicas adicionais ou nada ize pa a inclui esses alunos, é e iden e que mui os deles dela se ão excluídos ou e ão menos possi- bilidades de sucesso. Hoje sabemos a in luência que êm os pon os de pa ida dos alunos e a in luência que exe cem os modos como o sis ema e o cu ículo se o ganizam (LEITE, 1997; STOER, 2002; CORTESÃO, 1995). No en an o, esse oi o quad o concep ual que p e aleceu nas éspe as de Ab il de 1974, em Po ugal, bem como em mui os ou os países que se o ien a am po p ocessos cu icula es adicionais. 254 San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 educação Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> Ca linda Lei e No quad o des as ideias comp eende-se que a p óp ia o mação de p o esso es se cen asse na aquisição de conhecimen os do campo disciplina a que i iam a ica inculados e nas écnicas de ansmissão desses conheci- men os. Da up u a com a concepção adicional da escola e dos papéis de p o- esso es limi ados à ansmissão Com a e olução, em Po ugal, de Ab il de 1974 e os ideais de demo- c a ização da sociedade, como é e iden e, as concepções adicionais unda- das na ideia de que nem odos êm di ei o ao sucesso e que o papel dos p o es- so es se limi a ao ac o de ins ui , is o é, de ansmi i os conhecimen os esul- an es da he ança cul u al, o am pos as em causa. Nes e sen ido, comp een- de-se que enham ido algum impac o co en es que alo iza am a ap endiza- gem em des a o do ensino e que enha sido sus en ada a necessidade dos p o esso es desen ol e em modos de abalho pedagógico que i essem como in enção p omo e essa ap endizagem. Ao mesmo empo, começou a se eco- nhecida a dimensão social que a a essa o ac o de educa , a é po que as dinâ- micas sociais que se começa am a ins i ui induzi am in e enções da socieda- de nos espaços escola es, ompendo como o isolamen o que os ca ac e iza a. Nessa ase, começa am ambém a e in luência lei u as de au o es que, com as suas posições, ale a am pa a o papel selec i o da educação escola e pa a a sua unção de ep odução cul u al (BOURDIEU; PASSERON, 1970). Po isso, mui os p o esso es, no desejo de pa icipa em na democ a ização da socieda- de, ade i am a ideias como as eiculadas po F ei e (1972) quando p opunha uma “educação p oblema izado a” e “cognoscen e” capaz de ompe com a “edu- cação bancá ia” que comp eende o ac o de o mação como um me o depósi o de conhecimen os ans azado de p o esso es pa a alunos. Nessa ase, o desejo de democ a iza a escola despe ou a a enção dos p o esso es e de ou os agen es educa i os pa a co en es eó icas e mo i- men os que se inham a a i ma nos domínios da ap endizagem, da elação pedagógica e do cu ículo. Po ou o lado, es a abe u a aos conhecimen os p oduzidos no con ex o in e nacional e e ambém como e ei o e em coexis ido p ocedimen os que se enquad am em co en es que se es u u am em p incípi- os mui o di e en es e às ezes a é opos os en e si. Uma análise dos p ocedimen os pedagógico-didác icos eiculados nesse pe íodo pa a o ien a a acção dos p o esso es e ela in luências mui o dis in as e que êm na sua base concepções po ezes an agónicas. Exemplo disso oi, como em ou o luga já o e e i (LEITE, 2003, p. 64), o ecu so a p ocedimen os de co en es cu icula es ecnicis as, beha io is as e uncionalis as, ou seja, de co en es que alo izam uma o ganização ins umen- al do cu ículo segundo um modelo aylo is a de p odução que eduz o ensino e a ap endizagem a um conjun o de écnicas ge ado as de soluções no malizadas e no malizado as, a pa de p ocedimen os de o ien ação humanis a e de aiz 255 educação San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> “Se p o esso nos dias de hoje... Fo ma p o esso es num mundo em mudança” social e democ á ica que apon a am pa a p á icas pedagógicas de a enção ao aluno, na sua indi idualidade, e que p e endiam adap a a escola ao mundo da época. Há no en an o que e e i que es a con adição pode se apenas apa- en e pois ac edi ou-se que a o ganização do cu ículo em unção de objec i os cla amen e de inidos, is o é, exp essos em e mos de compo amen os obse á eis, ao o na mais cla o o que e a espe ado dos alunos, o na ia mais anspa en e o código escola e acili a ia, assim, a comunicação com os alu- nos e com o meio amilia . Ou seja, ac edi ou-se que es e p ocedimen o, eco- nhecido eo icamen e po igno a as pessoas que habi am nos alunos, cons i ui- ia um disposi i o p omo o de si uações de maio equidade na in e p e ação do que é espe ado dos alunos pa a que enham sucesso escola . Exemplo ainda des as in luências en e si con adi ó ias oi a adesão às ideias de au o es como Roge s (1970), Neill (s/d) e Illich (1979) a pa das ideias sus en adas po Dewey (1967) e de au o es da co en e da escola no a, ais como Cousine (1978) e F eine (1975). Dos p imei os, e íamos, pa a o papel a desempenha como p o esso es, a impo ância da não-di ec i idade e a pe e sidade de uma ins i uição que exclui aqueles a quem ob iga a equen á- la. Deles, econhecíamos ainda a impo ância de omen a nos alunos a au o- disciplina e de c ia um clima de ap endizagem undado numa elação humana de acei ação, is o é, como o designa Roge s (1970) de uma não-di ec i idade posi i a. Po ou o lado, ejei á amos a ideia da sup essão do mes e escola e da escola como ins i uição (ILLICH, 1979) po conside a mos que ela pode cons- i ui um ac o de desen ol imen o pessoal e social e de democ a ização da sociedade. Do segundo g upo de au o es, e i á amos as ideias que apon a am pa a a necessidade da escola espei a os in e esses das c ianças e dos jo ens e do pe igo da acção deseduca i a de um es o ço que não osse em unção de um in e esse. Nesses papéis docen es so eu-se ambém a in luência do mé odo do abalho li e pelos g upos p econizado po Cousine e o seu apoio a Dewey e Dec oly pa a “ab i a escola à ida”, pa a que ela “seja uma ida”. No quad o des a ideia, p opunha-se que os p o esso es eco essem a p ojec os ocados em si uações eais e p óximas das i ências dos alunos, pois esse cuidado cons i ui ia um ac o de mo i ação pa a a ap endizagem. Sendo es as as in luências que de e mina am o papel a desempenha pelos p o esso es, é de des aca ambém a me odologia de abalho pedagógico e a o ganização dos g upos- u ma p opos as po F eine (1975), nomeadamen e po con e p ocedimen os conc e os do papel do mes e como um companhei o que abalha em conjun o com os alunos na con igu ação dos p ocessos de o ganização e de desen ol imen o do cu ículo, c iando uma elação onde es es pa icipam ac i amen e nas omadas de decisão e na a aliação dos pe cu sos de inidos e seguidos. 256 San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 educação Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> Ca linda Lei e Na de inição dos papéis assumidos pelos p o esso es, es as ideias con i iam com a impo ância a ibuída aos conhecimen os cons an es das dis- ciplinas que aziam pa e dos planos de es udo. Nes e campo, en e ou os, ma ca am posição Snyde s (1974) quando sus en ou a impo ância dos con eú- dos, embo a se conside asse que a Escola não se pode ica pela ins ução pois em de ge a educação. Tal ez po se a ibui impo ância ao domínio dos conhecimen os que azem pa e das disciplinas do cu ículo, se enham am- bém seguido algumas das ideias eiculadas pelo Ensino P og amado, ais como a ideia do e o ço imedia o sob e o alo da espos a, na in enção dele e in lu- ência na aquisição co ec a dos conhecimen os e de pode cons i ui um ac o de mo i ação dos alunos. Tal como em ou o luga mencionei (LEITE, 2003, p. 70-71), do pon o de is a ideológico, “nesses inais dos anos 70, ac edi a a-se que o ala gamen o da o mação escola a g upos da população a é aí a as ados da escola e ia consequências posi i as na dis ibuição de enda e na mobilidade social ascen- den e”. Po isso, se jus i ica a a exis ência de um g ande es o ço pa a ga an i que odos esses alunos que inham acendido aos espaços escola es i essem nela condições de ap ende em o que a escola lhes inha pa a ensina , mesmo que não se pusesse em causa o que inha sido seleccionado pa a se ensinado. As consequências des e en endimen o do papel dos p o esso es e das in luências eó icas dominan es na al u a, ao ní el da o mação de p o esso- es, o am o apelo a p ocessos em que es es ap endiam a elabo a planos que de iniam, ao po meno , os con eúdos a ensina , os objec i os de desempenho que os alunos de iam e ela no inal de cada aula, os ecu sos didác icos a mobiliza , os empos a despende em cada assun o e em cada es a égia e os p ocessos de e i icação de que aquela ap endizagem desejada inha sido, ou não, conseguida. Vi ia-se ainda o domínio da didác ica ge al, “en endida como o conjun o de écnicas pa a di igi e o ien a e icazmen e a ins ução” (LEITE; SILVA, 1991, p. 327) e os limi es impos os pela elação iangula objec i os/ con eúdos/mé odos (FORMOSINHO, 1991). Foi no quad o des as in luências que no inal dos anos 1970 e nos p incípios da década de 80 começa am a se di undidas as ideias subjacen es à a aliação o ma i a p opos a po Sc i en (1967). Es as, apelando à impo ância da ecolha de dados du an e os p ocessos de ensino-ap endizagem, i e am g ande in luência na concepção dos papéis dos p o esso es e ambém nos p o- cessos de o mação des es p o issionais da educação con e indo uma a enção especial ao diagnós ico dos sabe es dos alunos an es de se inicia um no o assun o e aos e ei os do ensino na ap endizagem de cada aluno. Ao ní el da o mação de p o esso es, espe ando-se que eles desem- penhassem um o e papel egulado da ap endizagem dos alunos, e am p i i- legiados aspec os ocados na plani icação de alhada da o ganização da aula e do acompanhamen o dos e ei os ge ados de modo a e i a des ios. 257 educação San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> “Se p o esso nos dias de hoje... Fo ma p o esso es num mundo em mudança” O pe íodo da e o ma cu icula em Po ugal Apesa do inal dos anos 70 (séc. XX) e em sido ma cados em Po u- gal po ideais democ á icos de conc e ização de uma escola de sucesso pa a odos os g upos sociais e cul u ais, chegados aos anos 80 mui os dos p oble- mas exis en es con inua am a pe sis i . O discu so legal da p imei a lei de ba- ses do sis ema educa i o po uguês, publicada em 1986 (lei n. 46/86), enunciou como um dos seus p incípios se da esponsabilidade do Es ado a c iação de condições de igualdade de opo unidades não só de acesso à escola mas am- bém de, nela, odos e em sucesso. Es e p incípio o çosamen e e e consequências ao ní el dos papéis a ibuídos à ins i uição escola e aos p o es- so es. Ao mesmo empo, o ala gamen o do pe íodo de escola idade ob iga ó ia de 6 pa a 9 anos, de inido pela lei de bases, exigiu uma a enção ac escida às si uações de insucesso escola . Po isso, no que aos p o esso es diz espei o, hou e um in es imen o na o mação ocada em p ocedimen os pedagógico- didác icos que a o ecessem expe iências de ensino e de ap endizagem cen adas nos con eúdos dos p og amas escola es. Ma cou essa o mação a Pedagogia pa a a Mes ia p opos a po Bloom na in enção de subs i ui a adicional Cu a de Gauss, da dis ibuição dos e- sul ados escola es, pela Cu a em J. Ou seja, segundo es a co en e pedagógi- ca os p o esso es o am inci ados a não acei a “como na u al um ensino e uma a aliação onde apenas me ade dos alunos ul apassa a média, sendo a ou a me ade o ada à a alidade de não a a ingi ” (LEITE, 1993: 20). Es a concepção do sucesso escola exigiu, pois, no os papéis dos p o esso es, nomeadamen e ao ní el da a enção a da à a aliação e à c iação de condições que a o eces- sem a ap endizagem. Como em ou o luga já sus en ei o am ques ões como es as que al ez enham es ado na base da mode nização das disciplinas, na Re o ma Cu icula do inal dos anos 80, i ida em Po ugal, e que, em pa e, jus i icam alguns dos a gumen os economicis as ap esen ados pa a essa mo- de nização do cu ículo. A e o ma cu icula dessa época é iden i icada pelas suas ca ac e ís- icas écnico-cien í icas (GONZALEZ GONZALEZ; ESCUDERO MUÑOZ, 1987), ou seja, po segui um p ocedimen o em que os deciso es eco e am a p oces- sos de plani icação de alhada das acções que o am p esc i as pa a a pe i e ia. Po isso, ela simbolizou mais a de inição de uma ideologia de mode nização do que a ins i ucionalização de g andes al e ações es u u ais. O que es ou aqui a a i ma é que, em e mos do cu ículo, a opção pe maneceu na alo ização das disciplinas adicionais, o ganizadas numa lógica de colecção (BERNSTEIN, 1990) e numa concepção de cul u a em mosaico apesa de e sido anunciado como in enção des a Re o ma Cu icula caminha -se no sen ido da a iculação en e as disciplinas e da alo ização das expe iências de ida dos alunos (LEI- TE, 2003) 258 San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 educação Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> Ca linda Lei e Não endo ido es a e o ma cu icula do inal dos anos 80 os e ei os que pa a ela inham sido anunciados, e e, no en an o, o e ei o de p oduzi uma e lexão sob e a inadequação de um cu ículo cons uído em unção apenas do aluno médio- ipo, pe encen e à classe média ins uída e a ambien es sociais amilia izados com o código escola . Es e econhecimen o e e ambém como consequência a cons i uição de g upos de pesquisa e de mo imen os ino ado- es que se unda am em p incípios do concei o do “p o esso in es igado ” (STENHOUSE, 1984; 1987) e de “p o esso e lexi o” (ZEICHNER, 1993). Es es concei os o am, al ez, os que i e am mais in luência na in e p e ação das si uações e são os que con inuam a jus i ica algumas das ideias p esen es ac ualmen e nos papéis dos p o esso es no cu ículo. P oclama-se hoje, como mais à en e en a ei escla ece , os p o esso es como con igu ado es do cu í- culo e como deciso es na adequação do cu ículo p esc i o a ní el nacional às ealidades locais. Foi no quad o des as ideias e de um con ex o polí ico educacional que colocou como bandei a da escola a esponsabilidade de con ibui pa a uma o mação global de odas as c ianças e jo ens que, no inal dos anos 90 (séc. XX), no o mo imen o de mudança cu icula e e o igem. Des a ez, aos p o es- so es oi dado g ande p o agonismo na con igu ação de cu ículos que se dese- ja am con ahegemónicos (CONNELL, 1997), is o é, de cu ículos o ien ados po p incípios de “jus iça cu icula ”, admi indo, po an o, que o cu ículo nacio- nal é ele ainda um p ojec o que em de se econ ex ualizado localmen e de modo a inco po a as especi icidades locais pa a que posi i amen e esponda a essas ca ac e ís icas (LEITE, 2005). Es as ideias, anspos as pa a a o mação de p o esso es, i e am como e ei o p ocessos de o mação con ex ualizada e cen ada em si uações eais do exe cício da p o issão. Reconheceu-se que a iden i icação pelos p o- esso es dos p oblemas que se colocam ao abalho docen e e o en ol imen o na p ocu a de meios pa a neles in e i é um ac o c ucial pa a que se cons ua a ino ação. O pe íodo da concepção do cu ículo como um p ojec o Como já indiciei, nes a ansição de séculos o mo imen o de e i o ialização da educação que acon eceu em Po ugal a ibuiu às escolas no os papéis implicando, po isso, ambém no os manda os pa a os p o esso- es. Es a si uação, ma iciada numa concepção de cu ículo que ai pa a além dos con eúdos a ensina e a aze ap ende , e mesmo dos objec i os a a ingi a cu o p azo, p essupõe que cada con ex o local conceba o seu p ojec o cu icula de aco do com os ecu sos, as ca ac e ís icas e as limi ações do con ex o onde oco e. No deba e académico e polí ico que em oco ido em á ios países sob e a opção po um cu ículo nacional ou um cu ículo local, a escolha polí ica, no sis ema educa i o po uguês, oi a de concebe que o cu ículo p esc i o a ní el nacional em de se en endido como um e e en e e não como uma p esc ição 259 educação San a Ma ia, . 34, n. 2, p. 251-264, maio/ago. 2009 Disponí el em: <h p://www.u sm.b / e is aeducacao> “Se p o esso nos dias de hoje... Fo ma p o esso es num mundo em mudança” ígida de odos os seus elemen os. Po isso, espe a-se que o cu ículo nacional con i a com aspec os de um cu ículo local que, endo em con a as si uações eais, dê sen ido e coe ência ao que pa a odos é p esc i o. Como é e iden e, num sis ema adicionalmen e cen alizado, como o po uguês, es a medida implica ia que as escolas deixassem de se dependen- es do cu ículo p esc i o, passando pa a uma si uação em que, não sendo o almen e independen es, e iam de e maio p o agonismo nas decisões cu icula es. Po ou o lado, no que ao papel dos p o esso es diz espei o, espe- a -se-ia que de uma pos u a écnica e de me o uncioná io dependen e do que lhe é p esc i o, es es passassem a assumi manda os ine en es a p o issionais de educação p omo o es de desen ol imen o, is o é, de p o issionais que iden- i icam p oblemas e pa a eles iden i icam as in e enções mais adequadas, a- zendo da escola uma “ins i uição cu icula men e in eligen e” (LEITE, 2003) que se assume, colec i amen e, como cons u o a da mudança. Em sín ese, nes es anos 10 do século XXI o discu so que em sido eiculado em Po ugal, an o no domínio dos enunciados legais como dos que concep ualizam a pedagogia de ges ão cu icula local ão no sen ido de conce- be os p o esso es como p o issionais que se assumem como in es igado es e que, num abalho de mediação en e o nacional e o local, con igu am os p ojec os cu icula es locais. Ao mesmo empo, espe a-se que es es p ojec os con em- plem as á eas cu icula es disciplina es mas ambém as á eas cu icula es não disciplina es, o que az dos p o esso es ambém educado es. Como já e e i, sendo es as as ca ac e ís icas dos discu sos que ci - culam no campo educacional, a sua conc e ização es á longe de se conseguida, não apenas po al a de expe iência de mui os dos p o esso es, mas ambém po al a de in e esse dos ó gãos da u ela educa i a. O ac o do sis ema educa i o po uguês se ca ac e iza , a é há poucos anos, po lógicas de uma g ande cen- alização em ido como e ei os a al a de in es imen o de mui os p o esso es pa a assumi em manda os de con igu ação cu icula . Ao mesmo empo, es a adição jus i ica ambém al ez a al a de con iança que a adminis ação da educação ainda em nas escolas pa a que elas possam goza da au onomia. Tal ez po isso, numa ecolha de opiniões a p o esso es sob e as an agens e as des an agens que a ibulam a es e p ocesso de ges ão cu icula local, es- ses p o esso es enham enunciado as seguin es di iculdades: – o p ocesso a oluma a bu oc acia; – há um g ande dispêndio de empo; – al am ecu sos; – al am coo denado es locais e apoios ex e nos que uncionem como p omo o es de desen ol imen o; – há alguma, ou mui a, incoe ência das polí icas educa i as que con- i em com es e modelo cu icula ;