Medicina e Cirurgia de Animais de Companhia
Full text
Rela ó io Final de Es ágio
Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia
MEDICINA E CIRURGIA DE ANIMAIS DE COMPANHIA
Daniela Filipa dos San os Ben o
O ien ado
P o esso a Dou o a Cláudia So ia Na ciso Fe nandes Bap is a
Co-O ien ado (es)
D . Al ed Legend e (John & Ann Tickle Small Animal Teaching Hospi al, Uni e si y o Tennessee)
D . And é Gomes Pe ei a (Cen o Hospi ala Ve e iná io)
Po o 2014
Rela ó io Final de Es ágio
Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia
MEDICINA E CIRURGIA DE ANIMAIS DE COMPANHIA
Daniela Filipa dos San os Ben o
O ien ado
P o esso a Dou o a Cláudia So ia Na ciso Fe nandes Bap is a
Co-O ien ado (es)
D . Al ed Legend e (John & Ann Tickle Small Animal Teaching Hospi al, Uni e si y o Tennessee)
D . And é Gomes Pe ei a (Cen o Hospi ala Ve e iná io)
Po o 2014
III
Resumo
O meu es ágio cu icula oi ealizado na á ea de Medicina e Ci u gia de pequenos animais
com du ação o al de 16 semanas, 6 das quais o am ealizadas na Uni e si y o Tennessee
College o Ve e ina y Medicine (UTCVM), e as es an es 10 no Cen o Hospi ala Ve e iná io
(CHV). Nes e ela ó io são desc i os e deba idos 5 dos casos que acompanhei e que me
despe a am maio in e esse, sendo o e lexo da expe iência e ap endizagem que ob i nes e
cu o pe íodo.
Na UTCVM pa icipei nas o ações dos se iços de neu ologia, de ma ologia e o almologia,
du an e os quais, acompanhei e ealizei consul as, exames ísicos ge ais e di igidos, elabo ei
planos diagnós icos, execu ei alguns exames complemen a es e acei planos e apêu icos,
semp e sob supe isão médica. Tinha como esponsabilidade a moni o izaçao dos pacien es
que me e am a ibuidos e o desen ol imen o de ópicos de in e esse da especialdade que
e am discu idos jun amen e com os casos semanais.
No CHV i e opo unidade de con a a com a ealidade da medicina e e iná ia po uguesa e
acompanhei a o ina de uma equipa de excelen es médicos e e iná ios. Realizei consul as,
exames ísicos ge ais e di igidos, auxiliei na elabo ação de planos diagnós icos e e apêu icos
e acompanhei as u gências no u nas e in e namen o diu no. Pude obse a e pa icipa em
ci u gias de ecidos moles e o opedia e oi-me dada a opo unidade de execu a , sob
supe isão médica, alguns p ocedimen os mais simples como en ubação, colhei a de sangue,
algaliação, con ençao de animais. Semanalmen e e am ap esen ados e discu idos ópicos
ge ais da medicina e e iná ia.
Os obje i os açados pa a es e es ágio incluiam a aplicação dos conhecimen os eó icos
adqui idos du an e o cu so, a es imulação do aciocinio clínico, o aumen o da pe ícia na
ealização de a os medico- e e ina ios, o con a o com di e en es ealidades e a in eg ação no
abalho em equipa.
Posso conclui que os obje i os o am sem dú ida cump idos, e que es e pe íodo oi
essencial pa a o meu u u o, concedendo-me co agem, insip ação e mo i ação.
IV
Ag adecimen os
Aos meus pais, An ónio e An onie a, po me da em a opo unidade de es uda e es agia ão
longe de casa, mesmo com odas as di iculdades, e pelo ca inho, apoio e comp eensão ao
longo des es 6 anos. É a eles que dedico es a ese po se em o pila da minha educação e as
pessoas mais impo an es na minha ida.
À minha amília, pela união, o ça e companhei ismo, po es a em semp e p esen es, nos bons
e maus momen os. Um ob igada especial aos meus a ós, An ónio, Elisa e Ma ia da Luz pelas
pala as sábias, pela p eocupação e incen i o e po me incu i em alo es de humildade,
hones idade e é dos quais são um exemplo.
À minha co-o ien ado a, a P o esso a Cláudia Bap is a, po oda a a enção, disponibilidade e
ajuda na elabo ação des a ese.
Ao D . Al ed Legend e pela ma a ilhosa opo unidade de es agia no Hospi al Ve e iná io da
Uni e sidade do Tennessee, pela eceçao acolhedo a e pela p eocupação cons an e com o
meu bem es a e ap endizagem. A oda a equipa do hospi al, alunos e p o esso es, pela
simpa ia e exemplo de abalho á duo.
Ao D . And é Pe ei a, pela opo unidade de es agia no CHV e in eg a uma equipa de
excelência, pela paciência, simpa ia e disponibildade pa a me ensina e escla ece odas as
dú idas. À es an e equipa do hospi al, e e iná ios, en e mei as e in e nos, po me acolhe em
e ensina em, sendo um exemplo de boa disposição e ha monia no abalho.
Aos meus p o esso es do ICBAS pela o mação e educação. Um ob igada especial ao
P o esso Mi a da Fonseca, pela opo unidade de in eg a o seu p oje o de in es igação.
À equipa da UP VET, pela opo unidade de ap ende em casa e pela amizade e simpa ia a que
nos habi ua am.
À Ma alda, à Chica e à Racas pela companhia de es udo, pelo back up emocional, pelas
ga galhadas e discussões idículas e po se em as melho es amigas que se pode ia encon a .
À Resis ência po con inua a jun a um g ande g upo de amigos apesa de odas as
ad e sidades.
V
Aos meus amigos po o na em a minha ida no Po o ão acil e semp e ma a ilhosa, em
especial à Regina po e sido a minha p imei a amiga nes a cidade.
Às minhas meninas I one, Ca hy, Beni, Inês, DQ e Jo ge e pelas b incadei as e cumplicidade
ao longo des es anos.
Ao TOP 5 Tennessee, Ma a, Daniela, Sa a e Y e e e ao Gonsalsa pelos momen os pa os e
de descompensação depois de um longo dia de abalho, po se em amília quando mais se
p ecisa de uma. Ao Dudley, à Elena e E ick po se em os meus “Ame ican pa en s” du an e 3
meses.
À p axe de Biomédicas po me ecebe de b aços abe os e incu i os alo es in eg ação,
espei o, solida iedade e união.
À Cen opeia pelos seg edos e a en u as que pa ilhamos.
Ao Daniel, pelo amo , paciência, lealdade e exemplo de amizade que que o man e a meu lado,
pa a semp e.
À Flapy po e sido uma bola de pêlo i equie a e desobedien e que animou a ida amilia e
po se ago a uma elhinha que exige mimos e cuidados a oda a ho a.
VI
Ab e ia u as
ACTH – ho mona ad enoco ico ó ica
AINE – an i-in lama ó io não es e oide
ALT – alanina amino ans e ase
AST - aspa a o amino ans e ase
BID – de 12 em 12 ho as
bpm – ba imen os po minu o
CHCM – concen ação de hemoglobina
co puscula média
CHV – Cen o Hospi ala Ve e iná io
CRP – p o eína ea i a c
dl – decili o
ERG - ele o e inog ama
EDTA – E hylenediamine e aace ic acid
FA – os a ase alcalina
Fig – igu a
Fl – en oli o
g – g ama
GGT – gama-glu amil anspep idase
HCM – hemoglobina co puscula média
IBD – doença in lama ó ia in es inal
IECA – inibido es da enzima de con e são
da angio ensina
IRC – insu iciência enal c ónica
IRIS – In e nacional Renal In e es Socie y
ITU – in eção do a o u iná io
IV – ia endo enosa
Kg – quilog ama
L – li o
LGN – núcleo geniculado la e al
LR – limi e de e e ência
lT4 – i oxina li e
mEq - miliequi alen e
mg – milig ama
ml – milili o
mmHg – milíme os de me cú io
mm/min – milíme os po minu o
NaCl – clo e o de sódio
nm - nanóme o
OD – olho di ei o
OE – o i e ex e na
OS – olho esque do
OU – ambos os olhos
pg – picog ama
PLI – es e de imuno ea i idade da lípase
panc eá ica
PSTI – sec eção panc eá ica inibido a da
ipsina
PO – ia o al
PU – poliú ia
PD – polidipsia
QOD – de 48 em 48 ho as
q6h - de 6 em 6 ho as
RM – essonância magné ica
pm – espi ações po minu o
SARD – degene ação adqui ida súbi a da
e ina
SID – a cada 24 ho as
Tab – abela
TAB – pép ido de a i ação da ipsina
TC – omog a ia compu o izada
TFG – axa de il ação glome ula
TID – de 8 em 8 ho as
TLI – es e de imuno ea i idade da ipsina
TRC - empo de eplecção capila
T4 – i oxina o al
u – unidades
UP/C – ácio p o eína/ c ea inina u iná ia
VII
UTCVM – Uni e si y o Tennessee College
o Ve e ina y Medicine
VGM – olume globula médio
s – e sus
µg – mic og ama
® - p odu o egis ado
°C – g aus celsius
VII
Índice Ge al
RESUMO ................................................................................................................................... III
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................... IV
ABREVIATURAS ..................................................................................................................... VI
ÍNDICE ................................................................................................................................... VIII
CASO CLÍNICO NEUROLOGIA
Hé nia discal ce ical Hansen ipo - I .......................................................................................... 1
CASO CLÍNICO OFTALMOLOGIA
Degene ação adqui ida súbi a da e ina (SARD) ........................................................................ 7
CASO CLÍNICO DE DERMATOLOGIA
O i e ex e na c ónica ................................................................................................................. 13
CASO CLÍNICO DE GASTROENTEROLOGIA
Panc ea i e aguda ..................................................................................................................... 19
CASO CLÍNICO DE UROLOGIA
U e e oli íase unila e al obs u i a ............................................................................................. 25
ANEXO I ................................................................................................................................... 31
ANEXO II .................................................................................................................................. 32
ANEXO III ................................................................................................................................. 33
ANEXO IV ................................................................................................................................ 35
ANEXO V ................................................................................................................................. 36
Neu ologia
1
CASO DE NEUROLOGIA – Hé nia Discal Ce ical Hansen Tipo - I
Ca ac e ização do pacien e e mo i o de consul a: O Jaspe é um cão de aça Teckel,
macho cas ado, de 5 anos e 7,6 kg de peso. Foi azido à consul a de e e ência na UTCVM
com his ó ia de do ce ical.
Anamnese: O Jaspe eio e e enciado do seu e e iná io pa a a aliação neu ológica
de alhada e ealização de exames imagiológicos a ançados (Tomog a ia Compu o izada-TC ou
Ressonância Magné ica-RM). O episódio de do ce ical e e início duas semanas an es da
consul a de e e ência e desde en ão o Jaspe e i a a mo e o pescoço, ocaliza a
equen emen e quando manipulado e comia apenas quando o alimen o lhe e a colocado na
boca. O e e iná io local adiog a ou a zona ce ical e p esc e eu a amen o médico com
P ednisona (1 mg/kg) PO SID e Diazepam (0.5 mg/kg) PO TID, ambos du an e 14 dias, e
epouso em jaula du an e 4 semanas. Com es a e apia melho ou ligei amen e, não
ocalizando com an a equência, mas con inua a com sinais de do . O Jaspe ica a sozinho
em casa du an e o dia com acesso a um ja dim p i ado, não se inha p esenciado qualque
episódio de auma e e a alimen ado com ação seca de p o eína hid olisada (Hills Z/D®) de ido
a his o ial de in ole ância alimen a a p o eína de o igem animal. Ap esen a a um p o ocolo
acinal co e amen e e e uado e a despa asi ação in e na e ex e na es a am a ualizadas. Não
o am desc i os an eceden es ci ú gicos ele an es com exceção da o quie omia ele i a. Não
ha ia his ó ia de al e ações compo amen ais, nem con ac o com lixos ou p odu os óxicos. Na
anamnese di igida aos es an es sis emas não o am encon adas al e ações, além da do
ce ical de início apa en emen e agudo. Exame de es ado ge al: O Jaspe ap esen a a um
es ado men al no mal e empe amen o equilib ado. Na a i ude em es ação e em mo imen o
ap esen a a elu ância em mexe a cabeça e pescoço, man endo-os semp e baixos. Foi-lhe
a ibuída uma condição co po al no mal (5/9) e um g au de desid a ação in e io a 5%. O pulso
e os mo imen os espi a ó ios es a am no mais e oi egis ada uma equência ca díaca de 108
bpm, espi a ó ia de 30 pm e uma empe a u a de 38.5°C. Os es an es pa âme os do exame
ísico, mucosas, auscul ação ca díaca, palpação abdominal e gânglios lin á icos, encon a am-
se no mais. Exame neu ológico: Es ado men al – no mal. Pos u a – igidez e en o lexão
ce ical. Ma cha – no mal. Palpação muscula – ónus muscula ce ical aumen ado; ónus
no mal nos 4 memb os. Pa es c anianos – sem al e ações. Reações pos u ais – no mais
(+2) nos 4 memb os. Re lexos mio á icos e e lexo lexo – no mais. Re lexo pe ineal –
no mal. Re lexo panicula – sem al e ações. Sensibilidade – Hipe es esia ce ical,
sensibilidade supe icial e p o unda, ambas no mais. Localização neu oana ómica da lesão:
Segmen o medula ce ical c anial C1-C5. Lis a de p oblemas: Hipe es esia e igidez ce ical.
Diagnós icos di e enciais: Pa ologias Degene a i as – hé nia discal ce ical (Hansen ipo I).
O almologia
8
Diagnós icos Di e enciais: degene ação adqui ida súbi a da e ina (SARD), e ini e
imunomediada, ne i e ó ica, neoplasia p imá ia do ne o ó ico (glioma, meningioma),
neoplasias in il a i as do ne o ó ico (lin oma), neoplasias comp essi as do quiasma ó ico
(mac oadenoma hipo isá io) e desmielinização do a o ó ico. Exames complemen a es:
Ele o e inog a ia (ERG) – sem p esença de ondas, suge indo e ina não uncional.
Diagnós ico: SARD. Recomendações: Não oi p esc i o qualque a amen o médico ou
ci ú gico, endo em con a que a ceguei a causada po SARD é uma condição i e e sí el.
Fo am en ão dados alguns conselhos ao p op ie á io, como man e a o ina diá ia do B ody,
oma especial a enção a a i idades em que se pudesse lesiona , passea semp e com ela
cu a e man ê-lo a as ado de locais pe igosos como escadas e piscinas. Foi aconselhada a
descon inuação do a amen o com ilos ano e a ea aliação do hipe ad enoco icismo em 6
meses. P ognós ico: Ceguei a pe manen e com possí el esolução dos sinais sis émicos.
Discussão: O B ody oi e e ido pa a o se iço de o almologia do UTCVM, de ido a ceguei a
aguda, sinal clínico conside ado uma eme gência o almológica.1,2 De e se in es igada a
causa e iniciado o a amen o logo que possí el pa a aumen a a p obabilidade de ecupe ação
da isão. É impo an e começa po uma anamnese minuciosa, uma ez que mui as ezes os
donos in e p e am e adamen e as al e ações es u u ais do olho e al e ações compo amen ais
dos seus animais de companhia.1,2 De e a e igua -se quais as ci cuns âncias do início da
pe da de isão e, ainda mais impo an e, e i ica se o animal es á ealmen e cego.1,2 A aliou-
se a capacidade isual do B ody, obse ando-o em ambien es es anhos com obs áculos,
como o consul ó io e o co edo , onde se e i icou que o animal es a a deso ien ado e colidia
equen emen e com os obje os. Na a aliação o almológica não seguiu o pe cu so da bola de
algodão e não ap esen ou espos a de ameaça, pelo que se con i mou a pe da de isão
bila e al do pacien e.1,2 A capacidade de “ e ” eque um meio ocula anspa en e (có nea,
humo aquoso, c is alino e humo í eo) e e ina, ne o ó ico e ias de p ojeção cen al pa a o
có ex isual uncionais.2 A abo dagem ao pacien e cego inicia-se com a a aliação das
es u u as ocula es, no malmen e anspa en es. A diminuição da acuidade isual pode de e -
se ao aumen o de opacidade da có nea, po edema (“olho azul”, equen emen e associado a
glaucoma) ou po pigmen ação ( equen emen e causada po que a oconjun i i e seca), a
al e ações do humo aquoso, como hi ema, hipópion, ou “ la e aquoso” (de i os ge almen e
p esen es em casos de u eí e an e io ), a opaci icação do c is alino (ca a a as) e al e ações do
humo í eo, como hemo agia e in lamação (u eí e pos e io ).1,2 O exame o almológico do
B ody não e elou al e ações das es u u as ocula es, a não se a escle ose nuclea , e a
p essão in aocula e a p odução lac imal es a am den o do LR, pelo que se conside ou pouco
p o á el a o igem da ceguei a se alguma das sup a e e idas. A escle ose nuclea é um
p ocesso no mal que oco e com o en elhecimen o e se ca ac e iza-se po um aumen o da
opacidade do c is alino, o nando-se e iden e a pa i dos 7-8 anos de idade na população
O almologia
9
canina.1 Es a al e ação não a e a a capacidade de isão pois não impede a passagem da luz e
pe mi e inclusi amen e a obse ação do undo do olho.1 Pos o is o, não pode ia se a causa
e iológica da ceguei a do B ody. Po ou o lado, a ausência de al e ações no meio ocula
suge ia en ão uma lesão ao ní el das ias neu o almológicas.1,2 A a aliação dos e lexos
pupila es e do amanho e sime ia das pupilas é imp escindí el pa a localiza a lesão no
sis ema ne oso.1,2 O e lexo pupila e i ica-se quando a e ina é es imulada pela luz
esul ando na cons ição da pupila ipsila e al ( e lexo di e o) e da pupila con ala e al ( e lexo
consensual).1,2 A ia a e en e do e lexo pupila é comum à ia a e en e da isão. O es ímulo
luminoso é ecebido pela e ina e ansmi ido pelo ne o ó ico. No quiasma ó ico, uma
pe cen agem dos axónios c uza pa a o lado con ala e al, enquan o alguns se man êm no lado
ipsila e al, sendo po an o o a o ó ico o mado po axónios p o enien es de ambos os olhos.1,2
Apenas 80% dos axónios do a o ó ico a ingem o núcleo geniculado la e al (LGN) e con ibuem
pa a a pe ceção da isão.1 Os es an es 20% o mam a ia a e en e esponsá el pelos e lexos
ocula es, nomeadamen e o e lexo pupila . Es es axónios azem sinapse no núcleo p é- ec al e
são e ansmi idos pa a o núcleo pa assimpá ico do ne o oculomo o que az con ai a pupila
(anexo II, ig.1).1,2 Assim, lesões que a e em es u u as comuns à ia a e en e isual e à ia dos
e lexos cu sam com dé ices em ambos os campos (ceguei a e e lexos pupila es
ausen es/diminuídos), enquan o lesões que a e em es as ias quando já es ão indi idualizadas
(di e gem no a o ó ico) causam dé ices co esponden es apenas à ia a e ada.1,2 Resumindo,
ceguei a acompanhada de e lexos pupila es ausen es ou diminuídos suge e lesão da e ina,
ne o ó ico, quiasma ou a o ó ico os al e ceguei a com e lexos pupila es no mais suge e
lesão desde o a o ó ico caudal e LGN a é ao có ex isual ce eb al.1,2 Há, po ém, casos em
que es a eg a não se e i ica, po exemplo, em lesões p og essi as das ias a e en es em que
a isão pode se pe dida an es dos e lexos pupila es se em a e ados.1 Nes es casos, a
obse ação de mid íase à exposição à luz na u al é indica i a de lesão nas ias a e en es
enquan o al e ações de compo amen o suge em lesões co icais.1,2 O B ody ap esen a a
ceguei a bila e al com e lexos pupila es diminuídos OU e mid íase OU à luz na u al, suge indo
lesão em ambas as e inas, ambos os ne os ó icos, quiasma ou ambos os a os ó icos. Com
base nes a localização oi elabo ada en ão a lis a dos diagnós icos di e enciais. A e ini e
imunomediada e a SARD êm uma ap esen ação clínica mui o semelhan e com ceguei a
bila e al, sem do ocula e com undo do olho no mal, sendo mui as ezes apenas dis inguí eis
a a és de ERG.1,3 O descolamen o da e ina não oi incluído na lis a de di e enciais do B ody,
po não se e i ica em al e ações no undo do olho (á eas acinzen adas, ou mais pálidas,
semelhan es a dob as, com possí el hipe e le i idade no local de desinse ção).2 A ne i e ó ica
cu sa ambém com os sinais e e idos, podendo e o igem in eciosa ( i al, úngica, p o ozoá ia
ou bac e iana) e não in eciosa (meningi e, meningoence ali e g anuloma osa), e no exame de
undo do olho, o disco ó ico pode pa ece no mal, in lamado ou a o iado, consoan e a
O almologia
10
p og essão da in lamação.1,2 As neoplasias p imá ias e in il a i as do ne o ó ico, ambém
o am conside adas, dada a ap esen ação clínica e idade do pacien e.1 O mac oadenoma
hipo isá io é a pa ologia que mais equen emen e a e a o quiasma ó ico pois comp ime es a
es u u a causando ceguei a. Pode ambém causa sinais de hipe ad enoco icismo, al como
ap esen ado pelo B ody (PU/PD/poli agia). A pa ologia que a e a com maio equência ambos
os a os ó icos é a desmielinização, que em de se comple a pa a causa ceguei a e que
pode á e o igem degene a i a ou in eciosa.1 Op ou-se po se ealiza um ERG, uma ez que
es e exame pe mi e a alia a unção da e ina e a in eg idade dos seus o o ece o es, sendo o
mé odo diagnós ico de eleição pa a SARD.1,2,3 O ERG egis a as espos as elé icas da e ina
quando es imulada pela luz.2,3 O egis o de uma e ina uncional consis e numa linha g á ica
con ínua onde se e i icam oscilações (ondas a, b e c).1,2 O ERG do B ody não ap esen a a
oscilações, ca a e izando-se po uma linha ancamen e plana (“ la ”) e idenciando assim uma
e ina não uncional (anexo II ig.2). Es e egis o do ERG é ca a e ís ico de SARD e con i ma o
diagnós ico des a pa ologia.1,2,3,4 Em pa ologias que a e em as es u u as pós- e inianas o
mé odo diagnós ico de eleição é a essonância magné ica (RM) po o nece in o mação mais
de alhada sob e a ana omia de es u u as não ósseas, compa a i amen e à omog a ia
compu o izada (TC), e pe mi i localiza e ca a e iza a lesão.1,2,7 A SARD é uma pa ologia
canina não mui o equen e, sendo diagnos icados ce ca de 2000 casos anualmen e a ní el
mundial.3 Recen emen e, oi demons ado que as e inas de cães a e ados po es a pa ologia
ap esen am um g ande núme o de o o ece o es em apop ose, po ém a e iologia da doença é
ainda desconhecida.1,3 Vá ias eo ias o am p opos as como causa p imá ia de SARD desde a
sua descobe a, nomeadamen e, a exposição dos o o ecep o es a oxinas não iden i icadas, a
degene ação p o ocada po al e ações ho monais e endóc inas e a oxicidade po glu ama o,
mas nenhuma delas oi comp o ada.3. A ap esen ação clínica da doença, com ceguei a súbi a
e sem p esença de do , é idên ica a pa ologias imunomediadas da e ina ( e ini e
imunomediada) e de ac o, o am iden i icados an ico pos an i- e ina ci culan es em cães com
SARD, mas es es, ambém o am iden i icados em cães no mais, sem qualque dé ice de
isão4. Es udos ecen es de e a am a p esença de plasmóci os p odu o es de an ico pos nas
e inas a e adas suge indo uma ação mais localizada dos an ico pos que pode explica a
degene ação dos o o ece o es.3 Es a pa ologia a e a ge almen e cães de meia idade (8,5 a 10
anos) e em maio p e alência em êmeas es e ilizadas e de condição co po al ele ada (obesas
a mode adamen e obesas).1,3,4 O Teckel e o Schnauze minia u a ap esen am p edisposição
mas pode a e a igualmen e ou as aças 4. O p incipal sinal clínico é ceguei a bila e al de início
súbi o, mas pode ambém desen ol e -se ao longo de alguns dias,1,3 como acon eceu com o
B ody. Qua en a a 60% dos animais a e ados ap esen a al e ações sis émicas como PU e PD
(28-36%), poli agia (39%) e ganho de peso (57%).1 Al e ações analí icas ambém são
equen es como lin openia (30%) os a ase alcalina ele ada (30-40%) e hipe coles e olémia
O almologia
11
(42%).1 Es es sinais são suges i os de doença me abólica e su gem equen emen e an es do
pacien e ap esen a ceguei a, podendo ambém su gi simul aneamen e ou depois.1,3,4 Além
disso, os esul ados dos es es de es imulação com ho mona ad enoco ico ó ica (ACTH) e de
sup essão com dexame asona a doses baixas es ão, mui as ezes, al e ados, ap esen ando
pe il compa í el com hipe ad enoco icismo (17 a 22% dos casos).1 Es e pano ama le a mui os
clínicos a diagnos ica hipe ad enoco icismo e a inicia a amen o, como no caso do B ody,
mas, de ac o, es as al e ações me abólicas endem a esol e espon aneamen e en e 3 e 6
meses após o desen ol imen o de ceguei a.1,2,3 A ualmen e ecomenda-se o adiamen o do
a amen o e a con i mação do diagnós ico ao im desse pe íodo (6 a 9 meses).3 A elação
des as al e ações me abólicas com SARD ainda não es á de inida, mas algumas eo ias
de endem que a des egulação hipo isá ia pode le a à p odução excessi a de melanina pelo
epi élio pigmen a da e ina e causa degene ação da mesma.1,2,3 Inicialmen e, o undo do olho
em apa ência quase no mal com a enuação mínima dos asos da e ina e disco ó ico
apa en emen e mais pálido.1,2,3 Com o a ança da pa ologia, os asos ão-se o nando mais
a enuados, apa ecendo ocos hipe e le i os, ca ac e ís icos de degene ação da e ina.1,2 O
ERG é conside ado o mé odo diagnós ico de eleição mas é um exame de di ícil in e p e ação e
é necessá io anes esia o pacien e.1,2,3,4 Recen emen e, desen ol eu-se um apa elho (Melan
100®) que pe mi e o ápido diagnós ico de SARD com base na isiologia dos e lexos
pupila es.1,5 As pupilas de pacien es com SARD es ão, ge almen e, mid iá icas em epouso e
ap esen am e lexos pupila es ausen es ou diminuídos, mas con aem quase o almen e
quando iluminadas com uma luz b anca de al a in ensidade ou com luz azul (de comp imen o
de onda 480 nm).1,3,5 Es a espos a de e-se à es imulação de um o opigmen o, a melanopsina,
localizado nas células gangliona es da e ina, que induz e lexo pupila po uma ia
al e na i a.1,3,5 Assim, es e apa elho emi e uma luz azul que a i a a ia da melanopsina,
azendo con ai a pupila, e ou a luz e melha que a i a apenas a ia dos o o ece o es, que
es á ina i a na SARD, e, po isso, não p o oca con ação pupila (anexo II. ig.3).1,3,5 A SARD é
uma pa ologia que em sido conside ada i e e sí el, não endo sido ob idos esul ados
e apêu icos com a amen o an i-in lama ó io, an ibac e iano ou imunossup esso .3
Recen emen e, oi di ulgado um es udo expe imen al u ilizando imunoglobulinas humanas
adminis adas po ia in a enosa, que alega e es i uído a isão a alguns animais com SARD,
a ados numa ase inicial da doença. No en an o, es a e apia ap esen a g a es iscos, como
eação ana ilá ica e anemia hemolí ica, e nem odos os pacien es são elegí eis pa a o
a amen o. A degene ação da e ina le a à diminuição da sua espessu a o al, e quando es a é
meno que 150 µm deixa de se e i ica espos a a es e a amen o.1,3 Na a aliação a longo
p azo de pacien es com SARD, a poli agia oi o único sinal sis émico documen ado como
aumen ado em se e idade.6 Alguns cães ap esen am ambém a pe sis ência de ou os sinais
sis émicos, como PU e PD, mas mui os deles o am diagnos icados com pa ologias
O almologia
12
me abólicas que podem in luencia es es dados.6 Apesa da SARD cu sa com ceguei a
pe manen e, os animais a e ados podem e uma ida p a icamen e no mal. Cães
diagnos icados numa idade mais p ecoce ap esen am melho adap ação à no a condição e
melho qualidade de ida, segundo a aliação dos p op ie á ios.6 Assim, alguns donos e e em
que a ligação com o seu animal de companhia melho ou após o diagnós ico da pa ologia e a
maio ia desenco aja a eu anásia.6
Bibliog a ia
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De ma ologia
13
CASO DE DERMATOLOGIA – O i e ex e na c ónica
Ca a e ização do pacien e e mo i o de consul a: O Bax e é um cão cas ado da aça
S anda d Poodle, de 10 anos e 23 kg, que oi e e ido pa a o se iço de De ma ologia da
UTCVM de ido a o i e ex e na eco en e do ou ido esque do.
Anamnese: O Bax e ap esen a a o i es no ou ido esque do desde os 6 anos de idade, que,
no malmen e, e am esol idas com a amen o médico. Du an e o úl imo ano o na am-se mais
equen es, ecidi ando semp e após o a amen o. A úl ima o i e inha sido diagnos icada um
mês an es da consul a, momen o em que oi iniciado a amen o pa a o i e po Pseudomonas
ae uginosa com Su olan O ic® (ni a o de miconazol, sul a o de polimixina B, e ace a o de
p ednisolona) aplicado no canal audi i o esque do, BID, du an e 4 semanas e p ednisolona (0.5
mg/Kg PO BID) du an e 10 dias, seguida de pe íodo de desmame. Ins i uiu-se ambém uma
die a de eliminação com uma ação hipoale génica à base de pa o e a oz, sendo que, segundo
os p op ie á ios, nenhuma das e apias se mos ou e icaz. O Bax e abana a a cabeça e
coça a a o elha esque da equen emen e, ap esen ando um g au de p u ido de 7/10. Tinha
mau odo au icula e mani es a a do à manipulação do ou ido esque do, o que di icul a a a
aplicação do a amen o ópico. Não oi e e ido p u ido ou al e ações da pele e pelagem
nou as egiões co po ais. O Bax e encon a a-se acinado co e amen e e e a despa asi ado
ex e namen e com selamec ina uma ez po mês e in e namen e com D on al Plus® (pi an el,
p aziquan el e eban el) de 3 em 3 meses. Tinha li e acesso a água e a um ja dim p i ado e
e a passeado uma ez po dia com ela. Não inha acesso a lixos ou óxicos e não inha ou os
animais coabi an es. Não o am e e idos p oblemas de ma ológicos nas pessoas com quem
habi a a. Não o am desc i os ou os an eceden es médicos nem ci ú gicos, pa a além de uma
o quiec omia ele i a. Exame es ado ge al: O Bax e encon a a-se ale a, esponsi o e com
empe amen o equilib ado. Foi a ibuída uma condição co po al de no mal a mag o (4-5/9) e
um g au de desid a ação in e io a 5%. O pulso e os mo imen os espi a ó ios não
ap esen a am al e ações. As equências ca díaca e espi a ó ia e am de 84 bpm e 24 pm,
espe i amen e, e a empe a u a 38.0°C. Não se e i ica am al e ações nos es an es
pa âme os (mucosas, palpação abdominal, gânglios lin á icos). Exame De ma ológico: À
dis ância: pelo ma e e seco, com egiões oleosas no pa ilhão au icula esque do; P o a do
a ancamen o do pêlo: depilação di icul ada nas á eas lesionadas e no es o do co po;
Elas icidade da pele: no mal; Á eas al o: pa ilhão au icula esque do e i ema oso, edemaciado
e com esco iações. Espessamen o do condu o audi i o ex e no esque do com do á palpação e
p esença de exsudado pu ulen o (anexo III ig.1); O oscopia: ou ido di ei o - sem al e ações;
ou ido esque do - e i ema, p esença de ma e ial pu ulen o b anco-ama elado, e es enose do
condu o audi i o. Não oi possí el isualiza as memb anas impânicas de nenhum dos lados.
Lis a de p oblemas: o i e ex e na unila e al (esque da), e i ema e edema au icula , p u ido
De ma ologia
14
(7/10) e do au icula , o o eia pu ulen a no ou ido esque do, espessamen o e es enose do
condu o audi i o ex e no. Diagnós icos di e enciais: o i e po co po es anho, umo no
condu o audi i o (adenoca cinoma das glândulas ce uminosas, papiloma, ca cinoma das
células basais) hipe sensibilidade alimen a , hipo i oidismo, ans o nos p imá ios de
que a inização (adeni e sebácea, sebo eia p imá ia) e o i e pa asi á ia (O odec es cyno is,
Demodex canis). Exames complemen a es: aspagem supe icial (bo do au icula ): nega i a
pa a áca os; aspagem p o unda (pa ilhão au icula ): nega i a pa a Demodex spp.; ci ologia de
ou ido: ele ado núme o de neu ó ilos e bacilos G am-nega i os (ex acelula es e
in acelula es) no ou ido esque do, a os cocos G am-posi i os ex acelula es no ou ido di ei o;
cul u a e an ibiog ama (condu o audi i o esque do): Pseudomonas ae uginosa susce í el a
amicacina, gen amicina, ob amicina e polimixina B, esis en e a cip o loxacina, en o loxacina,
ma bo loxacina e clo an enicol; hemog ama: sem al e ações; bioquímica sé ica (enzimas
hepá icas, coles e ol, bili ubina o al, u eia, c ea inina, p o eínas o ais, albumina, glucose e
ionog ama - anexo III ab.1): sem al e ações; omog a ia compu o izada (TC) (anexo III, ig.2):
espessamen o, es enose e ligei a mine alização do condu o audi i o ex e no esque do, bolhas
impânicas p eenchidas de a , sem p esença de líquido, com espessu a adequada e sem
e idência de os eólise. Diagnós ico: O i e ex e na c ónica do ou ido esque do (e iologia po
con i ma ) T a amen o: O Bax e oi anes esiado e oi ei a ídeo-o oscopia do lado esque do.
O condu o audi i o es a a in lamado e con inha g andes quan idades de ma e ial pu ulen o
b anco-ama elado. Realizou-se en ão um lush com so o salino es é il pa a emoção do
con eúdo e isualização da memb ana impânica, que se ap esen a a in ac a, mas
se e amen e espessada. Foi descon inuada a aplicação de Sulo an O ic® e iniciou-se
a amen o com uma suspensão de ob amicina (0.3%) e dexame asona (0.1%) aplicada no
ou ido esque do (1ml BID) du an e 2 semanas. Foi ecomendada a con inuação da die a de
eliminação. Acompanhamen o: Duas semanas depois, o Bax e ol ou pa a a consul a de
con olo e os donos e e i am uma diminuição d ás ica na quan idade de ezes que abana a e
cabeça e coça a a o elha, endo sido a aliado o g au de p u ido em 3/10. O pa ilhão au icula
e o condu o audi i o não ap esen a am e i ema nem p esença de exsudado e a ci ologia de
ou ido não e elou mic o ganismos no ou ido esque do. Foi ei a medição de T4 o al ( T4)
cujo esul ado oi 2.9 ug/dL (LR: 1.0-4.0 ug/dL). A dose da solução de ob amicina e
dexame asona oi diminuída pa a 1 ml SID no ou ido esque do, du an e um mês, com no a
a aliação no inal desse pe íodo. P ognós ico: ese ado, po ha e p obabilidade de
eco ência da o i e. Discussão: A o i e ex e na (OE) é uma condição in lama ó ia que a e a o
ou ido desde o pa ilhão au icula a é à memb ana impânica.2 É uma condição ela i amen e
equen e, a e ando en e 7.5% e 16.5% da população canina e en e 2% e 6% dos elinos1.
T a a-se de uma pa ologia mul i a o ial, pelo que oi c iado um sis ema de classi icação pa a
ajuda no seu diagnós ico: a o es p edisponen es, p imá ios, secundá ios e pe pe uan es.1,2,3 É
De ma ologia
15
impe a i o iden i ica e co igi o maio núme o de a o es possí el pa a consegui um
a amen o e icaz e e i a ecidi as.1,2 Os a o es p edisponen es são esponsá eis po
al e ações no ambien e do canal audi i o, aumen ando a p obabilidade de oco ência de o i e.2,3
Algumas con o mações, canais audi i os com excessi a quan idade de pêlos, humidade
ele ada e massas obs u i as p edispõem a o i e ex e na.1,2 Os a o es p imá ios conseguem
induzi di e amen e a OE e incluem eações de hipe sensibilidade (a opia, ale gia alimen a ),
pa asi as (O odec es spp. Demodex spp.), co pos es anhos alojados no condu o audi i o,
ans o nos da que a inização p imá ios (sebo eia idiopá ica, adeni e sebácea) e secundá ios
(hipo i oidismo) pa ologias au oimunes e neoplasias.2,3 Os a o es secundá ios causam o i e
apenas quando adju ados po ou os a o es ou em ou idos sensibilizados.1,2,3 Es ão incluídas
nes e g upo as in eções po bac é ias (S aphylococcus spp., Pseudomonas spp), po le edu as
(Malassezia pachyde ma is) e po ungos (Aspe gillus spp).1,3 A in lamação dos ecidos
p o ocada pela in eção le a a al e ações ana ómicas e isiológicas do canal audi i o que
a o ecem in eções secundá ias, cons i uindo um ciclo icioso, esponsá el pela c onicidade
das o i es.3 Es as al e ações ana ómicas e isiológicas são os chamados a o es pe pe uan es e
incluem al e ação da mig ação das células epi eliais, edema e es enose do condu o audi i o,
o i e média, en e ou os. Com o auxílio da anamnese, dos exames ge al e de ma ológico e dos
exames complemen a es o am iden i icados alguns dos a o es esponsá eis pela o i e do
Bax e . Como a o es p edisponen es o am apon ados as o elhas penden es e o pêlo
excessi o no condu o audi i o, ca a e ís icos da aça Poodle, que es ão associados a uma
maio incidência de OE1. A causa p imá ia da o i e do Bax e não oi diagnos icada du an e o
acompanhamen o do caso, po ém em 32% dos casos de o i e nunca se chega a iden i ica a
causa subjacen e1. Os diagnós icos di e enciais mais p o á eis se iam co po es anho po se
a a de uma o i e unila e al, e neoplasia pela c onicidade, idade média-a ançada do Bax e e
la e alização dos sinais.1,2 Na ídeo-o oscopia não oi isualizado qualque co po es anho, que
pode ia e já degene ado de ido à in lamação c ónica ou não e sido iden i icado en e os
exsudados.1,2 Na ídeo-o oscopia e na TC não se isualiza am massas no canal audi i o ou
ou ido médio, pelo que se conside ou um umo uma causa imp o á el. Ce ca de 43% das OE
são de idas a eações de hipe sensibilidade, causa mais comum des a pa ologia no cão.1,3 A
hipe sensibilidade alimen a é um di e encial p o á el, uma ez que o Bax e ap esen ou os
p imei os sinais de o i e aos 6 anos e não inha his o ial de eações alé gicas p é ias. Em
animais de meia-idade é mais equen e o desen ol imen o de uma ale gia alimen a do que de
uma a opia. A ale gia alimen a cu sa com OE em 80% dos cães a e ados, sendo o único sinal
clínico em 20% dos casos.1 O ac o de não se e em e i icado melho ias dos sinais clínicos 4
semanas após a in odução da die a de eliminação, não nos pe mi e desca a es a pa ologia,
uma ez que a es ição alimen a de e á se ei a du an e um pe íodo mínimo 10 semanas,
associada a um con olo das es an es causas de o i e.1 Ge almen e, o hipo i oidismo a e a
De ma ologia
16
cães de meia-idade (6 a 10 anos), como o Bax e , e pode causa dis ú bios de que a inização
(a o ia das glândulas sebáceas, al e ação da concen ação dos ácidos go dos cu âneos) no
canal audi i o, o iginando OE e p edispondo a in eções secundá ias.1,2,3 Op ou-se po não
es a os alo es de T4 na p imei a consul a do Bax e , de ido ao a amen o ecen e com
p ednisolona. Os glucoco icóides diminuem a concen ação de T4 e T4 li e (lT4), le ando a
um diagnós ico e ado de hipo i oidismo, pelo que es á ecomendado es a 3 a 4 semanas
após a úl ima oma do glucoco icoide.1 Os alo es de TT4 es a am den o do limi e de
e e ência (LR) na consul a de con olo pelo que se excluiu es a pa ologia. A o i e pa asi á ia
ep esen a apenas 5-10% das o i es em cães.1,2 As aspagens nega i as e a despa asi ação
equen e com selamec ina o na am es e di e encial pouco p o á el. Foi iden i icado como
a o secundá io a in eção bac e iana po Pseudomonas ae uginosa, mic o ganismo p e alen e
em o i es c ónicas, que não é no malmen e encon ado em ou idos sem al e ações.1,2,4 A
in eção po Pseudomonas causa in lamação e ulce ação do pa ilhão au icula , p o ocando do
e descon o o.3 Es á ecomendada a ealização de cul u a e an ibiog ama quando são
iden i icados bacilos G am-nega i os na ci ologia do ou ido, uma ez que a sua sensibilidade é
imp e isí el.2 Pa a além disso, o a amen o p olongado a que o Bax e ha ia sido subme ido,
o na a impe a i a a ealização des e exame, endo em con a a possibilidade de
desen ol imen o de esis ências.1,2 Os a o es pe pe uan es iden i icados nes e caso incluíam
edema, es enose e mine alização do condu o audi i o esque do e espessamen o da memb ana
impânica. A exis ência de o i e média, p esen e em 52% dos casos de OE c ónica, é ida como
um dos a o es pe pe uan es mais impo an es no que oca ao p ognós ico e à escolha do
a amen o.1 A adiog a ia cons i ui um mé odo ba a o que pe mi e a alia a densidade,
con o no e espessu a das bolhas impânicas e ambém a in eg idade da memb ana impânica,
se usado con as e.2 Po ém, a a aliação adiog á ica es á limi ada pela di iculdade de
posicionamen o do pacien e pa a as p ojeções necessá ias e pela sob eposição de es u u as.4
Es e mé odo pe mi e diagnos ica o i e média, mas não desca á-la pe an e a inexis ência de
al e ações, uma ez que 25% das bolhas impânicas adiog a icamen e no mais ap esen am
lesões aquando da explo ação ci ú gica.1,2,4 A TC em maio sensibilidade que a adiog a ia,
pe mi indo isualiza lesões mais énues e colma a as di iculdades écnicas e de sob eposição
das es u u as.4 A essonância magné ica (RM) é mais equen emen e usada quando os
animais ap esen am sinais neu ológicos associados à o i e, pois pe mi e isualiza com melho
de alhe as es u u as a e adas. Na TC do Bax e não se e i icou en ol imen o do ou ido
médio, pelo que oi excluída o i e média. O a amen o médico da OE em como obje i o
es abelece as condições no mais do condu o audi i o e do pa ilhão au icula .2 A limpeza é de
ex ema impo ância, uma ez que acili a a a aliação do canal audi i o, emo e de i os e
co pos es anho alojados no canal e elimina ma e ial pu ulen o e in lama ó io que pode ina i a
a ação de alguns á macos.1,2 Pa a além disso, a limpeza au icula p omo e a diminuição da
De ma ologia
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in lamação local ao emo e oxinas bac e ianas, células degene adas e ácidos go dos.1,2 Em
alguns casos, o canal audi i o es á de al o ma edemaciado e es enosado que é necessá io
um a amen o p é io de cu a du ação com glucoco icóides ópicos ou sis émicos pa a
pe mi i o acesso ao canal. No Bax e op ou-se po aze um lush pa a e i a o ma e ial do
condu o audi i o, po que ap esen a a exsudado no canal e ical e ho izon al e es a écnica
pe mi e uma limpeza mais p o unda e igo osa que a limpeza manual.1,2 Po se a a de uma
limpeza ag essi a que pode causa in lamação e do es á ecomendada analgesia pós-
ope a ó ia e, em alguns casos, e apia an i-in lama ó ia sis émica. A escolha do p odu o de
limpeza é in luenciada pelo ipo de exsudado, pela in lamação local e pela in eg idade da
memb ana impânica2. Foi escolhido so o salino es é il, po não se i i an e nem o o óxico, uma
ez que não se conseguiu isualiza p e iamen e a memb ana impânica2: Ou os p odu os
podem se usados pa a limpeza do condu o audi i o. Os agen es ce uminolí icos são po en es
su a an es que emulsionam o ce úmen e os lípidos1. São i i an es se deixados em con ac o
com a epide me e ap esen am o o oxicidade, não es ando ecomendada a sua u ilização
quando a memb ana impânica es á u u ada. Os p odu os secan es/an issé icos são u ilizados
pa a seca o condu o audi i o, e i a a mace ação e con ola o sob ec escimen o dos
mic o ganismos.1 Ou os agen es de limpeza, com ação mais sua e, êm ação ce uminolí ica
mínima e ação an issép ica mode ada, são ecomendados como adju an es da e apia ópica
ou pa a a amen o p e en i o de OE a longo p azo1. Es es são conside ados uma boa opção
pa a aplicação pelos donos, já que não é necessá ia la agem pos e io . No en an o, mui os
des es p odu os êm na sua composição p opilenoglicol que em po encial o o óxico, de endo
e i a -se o seu uso em caso de u u a impânica.1,2 O Bax e iniciou e apia ópica com
dexame asona e ob amicina que se e elou e icaz. O uso da dexame asona es á
ecomendado nas in eções po Pseudomonas pois diminui o dano causado pelas endo oxinas
bac e ianas. Os glucoco icóides ópicos são bené icos na maio ia das OE de ido à sua ação
an i-p u iginosa e an i-in lama ó ia, além de diminuí em o edema e a o mação de cica izes,
con ibuindo pa a uma melho en ilação e d enagem do canal audi i o. Semp e que possí el
de em u iliza -se os glucoco icóides de meno po ência pa a diminui as eações sis émicas
ad e sas como a sup essão ad enal. Alguns glucoco icóides ópicos mais ecen es
(mome asona e acepona o de hid oco isona), apesa de mais po en es, ap esen am meno
p obabilidade de sup essão ad enal. A escolha do an ibió ico é baseada na ci ologia, cul u a e
an ibiog ama1,2,4. A Pseudomonas ap esen a equen emen e esis ência pela o mação de um
bio ilme que impede a pene ação do á maco1,4. Pa a a e apia se e icaz é necessá io queb a
o bio ilme com uma limpeza ag essi a, como o lush. Fá macos ge almen e adequados pa a
a a Pseudomonas incluem a polimixina b, os aminoglicosídeos, como a neomicina e a
ob amicina, e as luo oquinolonas1,4. Te apias al e na i as com bac e ió agos a i os con a
Pseudomonas êm ido esul ados posi i os com lise de 67% das bac é ias em 48 ho as e sem
Gas oen e ologia
24
con o e so uma ez que as in eções secundá ias são a as em cães.1,4 Con udo, quando
u ilizados, de e op a -se po um an ibió ico de la go espec o com boa pene ação panc eá ica,
po exemplo, luo oquinolonas como a en o loxacina adminis ada ao Gaspa . Quan o à
alimen ação, as ecomendações a uais p econizam a alimen ação en e al com die a pob e em
go du a e ica em hid a os de ca bono, logo que possí el.1,3 O adicional jejum híd ico e
alimen a acompanhado de alimen ação o almen e pa en e al es á ul apassado e é a é
con aindicado.1,3 Em cães com ano exia ecomenda-se a alimen ação a a és de um ubo
jejunal de o ma a e i a a libe ação de enzimas panc eá icas e consequen e aumen o da do .3
Em casos de panc ea i e mode ada os ubos eso ágicos ou gás icos são bem ole ados.1,3
Como o pacien e demons ou ape i e no segundo dia de in e namen o não oi necessá io
en ubá-lo. O p ognós ico da panc ea i e depende da se e idade dos sinais e das al e ações
encon adas, es ando a panc ea i e le e e mode ada (comp ome imen o de poucos sis emas
o gânicos), associada a um bom p ognós ico, enquan o a panc ea i e se e a, com alha
mul io gânica, es á associada a um p ognós ico mau e axa de mo alidade de 66%.4 O Gaspa
espondeu bem à e apia ins i uída: pa ecia con o á el, sem do , sem mais episódios de
ómi o, com ape i e e as al e ações do hemog ama encon a am-se co igidas 15 dias após a
e apia. A a aliação dos danos panc eá icos i ia ainda se e e uada, mas a endendo à pouca
se e idade dos sinais clínicos e ápida esolução dos mesmos não se espe am al e ações
g a es e i e e sí eis.
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U ologia
25
CASO DE UROLOGIA – U e e oli íase unila e al obs u i a
Ca ac e ização do pacien e e mo i o de consul a: A Nina é uma ga a es e ilizada de aça
eu opeu comum, de 9 anos e 2.8 kg, que oi ap esen ada à consul a no CHV de ido a his ó ia
de poliú ia (PU), polidipsia (PD) e hipo exia.
Anamnese: A p op ie á ia e e iu que a Nina es a a a come menos e inha pe dido algum
peso nas úl imas duas semanas. Desde há 2 meses que pa ecia ambém u ina mais (e a
necessá io muda a a eia mais equen emen e) e bebe mais água que o habi ual, não
ap esen ando descon o o ou aumen o exage ado da equência de micção. Quan o às ezes e
de ecação não o am e e idas al e ações. A sua alimen ação consis ia de uma ação come cial
seca de qualidade média, não inha sido al e ada ecen emen e, e inha acesso li e a água. A
Nina es a a co e amen e acinada e despa asi ada, i ia num apa amen o sem acesso ao
ex e io , não inha acesso a lixos ou óxicos, e não inha coabi an es. Não o am desc i os
an eceden es médicos ou ci ú gicos pa a além da o a iohis e ec omia ele i a e não es a a a
oma qualque medicação. Exame es ado ge al: A Nina encon a a-se ale a, esponsi a e
com empe amen o ag essi o. Foi-lhe a ibuída uma condição co po al de no mal a mag a (4/9)
e um g au de desid a ação in e io a 5%. As mucosas ocula e o al es a am co -de- osa pálido,
b ilhan es e o empo de epleção capila (TRC) e a in e io a 2 segundos O pulso e os
mo imen os espi a ó ios não ap esen a am al e ações. As equências ca díaca e espi a ó ia
e am de 172 bpm e 40 pm, espe i amen e, e a empe a u a 38.5°C. O abdómen es a a enso
e ap esen a a do à palpação. Os es an es pa âme os não ap esen a am al e ações. Exame
do sis ema u iná io: o abdómen es a a no mal à inspeção mas dolo oso à palpação na
po ção c anial, pelo que não se en a am palpa os ins. A bexiga es a a localizada no
abdómen caudal en al, cheia, não dis endida e sem e idência de do . A u e a não oi
a aliada. Lis a de p oblemas: PU e PD suspei as, hipo exia e do abdominal c anial.
Diagnós icos di e enciais: Diabe es melli us, hipe i oidismo, insu iciência enal c ónica - IRC
(Causa in lama ó ia, amiloidose, neoplasia, isquémia enal, glome ulopa ias, ne oli íase,
hid one ose bila e al, obs ução do a o u iná io), insu iciência hepá ica (neoplasia, ci ose),
lin oma, diabe es insípidus. Exames complemen a es: Hemog ama (anexo V ab.1) – sem
al e ações. Bioquímica sé ica (enzimas hepá icas, u eia, c ea inina, p o eínas o ais e glucose -
anexo V ab.2) – e i icou-se aumen o da ALT e azo émia. Res an es pa âme os den o do
limi e de e e ência (LR). U ianálise e sedimen o u iná io (anexo V ab.3.1 e 3.2) – U ina de co
ama elo-palha, límpida, densidade u iná ia 1.020 ( alo espe ado: 1.035-1.060). Ti a ea i a
com pH 6 (LR: 5,5-7,5), leucóci os 3+, p o eínas +1, e i óci os +1 e es an es pa âme os
no mais. Sedimen o u iná io sem al e ações assinalá eis. Ecog a ia abdominal (anexo V ig.1,2
e 3) – Rim di ei o aumen ado, com dila ação da pel e enal – hid one ose – e dila ação
p oximal do u e e di ei o secundá ia a cálculo obs u i o no e ço médio. Rim esque do com
U ologia
26
amanho ligei amen e diminuído, ligei a diminuição da di e enciação co icomedula e e idência
de ma e ial mine alizado na pel e, compa í el com cálculo de pequenas dimensões ou
calci icação da pel e. Res an es ó gãos sem al e ações. Medição de T4 o al (TT4): 1µg/dl (LR:
0.8-4) Diagnós ico: IRC de ido a u e e oli íase unila e al di ei a obs u i a e pa ologia c ónica
do im esque do. T a amen o: Foi ecomendada a al e ação da die a habi ual da Nina pa a
uma die a e apêu ica enal húmida e oi-lhe p esc i o ami ip ilina (2,5 mg-dose o al) PO SID,
pa a adminis a à noi e, e bup eno ina (0,01mg/kg) PO TID, ambos du an e 5 dias.
Acompanhamen o: 5 dias após a p imei a consul a a Nina não ap esen a a sinais de do
abdominal e a p op ie á ia e e iu que comia com ape i e a ação enal. Fez-se no a a aliação
ecog á ica, em que não se e i icou deslocação do cálculo u e e al, e medição de u eia e
c ea inina sanguíneas, cujos alo es inham diminuído ligei amen e, mas con inua am ainda
assim ele ados (anexo V. ab.2). A p essão a e ial oi medida e i icando-se ligei a
hipe ensão (sis ólica: 160 e dias ólica 110 mmHg). Foi p opos a a co eção ci ú gica da
u e e oli íase que oi ecusada, man endo-se apenas a e apia conse a i a com a die a enal.
Foi agendado no o con olo pa a 2 meses depois. P ognós ico: Rese ado. Discussão: A
queixa de sede excessi a e aumen o da p odução de u ina é mui o equen e em animais de
companhia.2 A PU e i ica-se quando a p odução de u ina excede 40-50 ml/kg/dia e a PD
quando o consumo de água ul apassa 80-100 ml/kg/dia.1,2 Os p op ie á ios podem con undi
PU com incon inência, polaquiú ia ou disú ia pelo que é impo an e con i ma a sua
exis ência.1,2 O mé odo de con i mação ideal se ia a medição da p odução de u ina e da
inges ão de água, po ém, na impossibilidade de execução da a e a, pode in e i -se
al e na i amen e a a és da densidade u iná ia e do g au de desid a ação.2 A Nina ap esen a a
um g au de desid a ação in e io a 5% e u ina minimamen e concen ada (1.020, ecolhida da
anspo ado a). Como densidades u iná ias baixas es ão no malmen e associadas a g andes
olumes de u ina, conside ou-se a PU /PD bas an e p o á el e lis a am-se os p incipais
diagnós icos di e enciais pa a es e sinal clínico.1 O exame ge al e di igido e ela am do
abdominal, que po si só é pouco especí ica pelo que se iniciou in es igação ealizando
hemog ama, bioquímica e medição de TT4. Os esul ados labo a o iais e ela am
no moglicémia, que pe mi iu desca a diabe es melli us, e aumen o da ALT e azo émia, que
suge iam pa ologia hepá ica e enal, espe i amen e. Realizou-se en ão uma ecog a ia
abdominal e i icando-se hid one ose do im di ei o e p esença de um cálculo obs u i o no
u e e ipsila e al, ob endo-se o diagnós ico de u e e oli íase unila e al. A medição de TT4 com
esul ado no mal e p óximo do LR in e io pe mi iu desca a o hipe i oidismo. A u e e oli íase é
a causa mais comum de obs ução u e e al em animais de companhia.1 Nos elinos, 98%
des es cálculos são compos os po oxala o de cálcio, não sendo possí el dissol ê-los
medicamen e, pelo que necessi am de emoção ci ú gica caso não sejam expulsos
espon aneamen e.3 Os cálculos u e e ais são ge almen e unila e ais, oco endo bila e almen e
U ologia
27
em apenas 19% dos elinos.3 A obs ução u e e al p o oca um aumen o da p essão hid áulica
no u e e que é ansmi ida ao im e consequen emen e aos ne ónios. O aumen o da p essão
diminui o luxo sanguíneo e a axa de il ação glome ula (TFG), além de p omo e a libe ação
de mediado es asoa i os, mig ação leucoci á ia e ib ose, o que causa danos no pa ênquima
enal.1,3 Es as al e ações le am à diminuição da exc eção de u eia e c ea inina pelo im
a e ado, mas, no malmen e, o im con ala e al aumen a a sua TFG e compensa es a
diminuição.1,3 Quando há comp ome imen o do im con ala e al, com pe da de 75% dos
ne ónios uncionais o ais, pode e i ica -se azo émia, como no caso da Nina.1 De ac o, o im
esque do, ap esen a a sinais ecog á icos de pa ologia enal c ónica inespecí ica, es ando
diminuído de amanho, com pe da da di e enciação co icomedula e ma e ial mine alizado na
pel e enal, o que explica os sinais clínicos e al e ações labo a o iais encon adas. Ge almen e,
os sinais clínicos da obs ução u e e al elina são inespecí icos e incluem ómi os, le a gia e
hipo exia com pe da de peso.1,3 Quando o animal em azo émia es ão p esen es sinais como
PU e PD, ano exia se e a, úlce as o ais e aqueza.3 Ra amen e se e i ica disú ia, a não se
que haja cálculos esicais ou u e ais simul aneamen e.3 No exame ge al pode obse a -se
palidez das mucosas e sop o ca díaco quando há anemia, que pode desen ol e -se de ido à
p odução diminuída de e i opoe ina.1,3 Na palpação abdominal pode encon a -se assime ia
enal e do , como a Nina ap esen a a, de ido ao es i amen o da cápsula enal e da possí el
in lamação local no u e e .1,3 Animais com u e e óli os unila e ais e o al unção do im
con ala e al podem não ap esen a sinais clínicos, sendo a iden i icação do cálculo um achado
aciden al.1,3,4 As al e ações labo a o iais encon adas são suges i as de doença enal, como a
anemia (48%), a azo émia (86%), a hipe os a émia (54%), a hipe calémia (35%) e a
hipe calcémia (14%) ou hipocalcémia (22%).3 A u ianálise e o sedimen o pe mi em a e igua a
exis ência de in eções do a o u iná io (ITU) e de e am al e ações em possí eis pa ologias
me abólicas.1 Nos elinos, a p e alência concomi an e de ITU com u e e oli íase é baixa (8 a
30%).3 A i a ea i a u iná ia da Nina de e ou p o eínas, leucóci os e e i óci os, mas como o
sedimen o não ap esen a a al e ações conside ou-se a ITU pouco p o á el. Apesa de, nes e
caso, não se e e i icado c is alú ia a p esença de c is ais oco e em 29% dos ga os, sendo
os c is ais de oxala o de cálcio os mais encon ados.1,3 O diagnós ico de obs ução u e e al é
con i mado a a és de exames imagiológicos. A adiog a ia em uma sensibilidade de 81% na
iden i icação de u e e óli os adiopacos em ga os.3 Es e mé odo pe mi e a alia e de e mina o
amanho, núme o e localização dos cálculos.3 A ecog a ia é um mé odo não in asi o que
pe mi e a alia a o ma, es u u a e amanho dos ó gãos, endo uma sensibilidade de 77% na
u e e oli íase elina.3 No malmen e, a obs ução u e e al causa dila ação ascenden e do u e e
e hid one ose, sendo a ecog a ia o mé odo ideal pa a a alia o g au de dila ação das
es u u as e a localização exa a do cálculo.1,3 Os cálculos apa ecem como es u u as
hipe ecogénicas com p esença de somb a acús ica, de endo e i ica -se odo o sis ema
U ologia
28
u iná io, pois 62% dos ga os ap esen am simul aneamen e ne óli os e 9% êm ambém
cálculos esicais.3 Es á ecomendado o uso combinado da adiologia e da ecog a ia pois
aumen a a sensibilidade do diagnós ico pa a 90%.1,3 Ou as opções imagiológicas se iam a
u og a ia exc e o a, que pe mi e a alia al e ações não isí eis nas adiog a ias não
con as adas, po ém é in luenciada pela TFG, que no caso da u e e oli íase es á diminuída, não
sendo po isso uma boa opção pa a es e caso. A pielog a ia an e óg ada, com injeção de
con as e na pel e enal, pe mi e uma boa isualização da pel e e do u e e , além de localiza
e a alia o g au de obs ução. O mesmo é conseguido com a u e e opielog a ia e óg ada, com
adminis ação de con as e a a és da abe u a u e e al no ígono esical.1,3 Apesa des es
mé odos ap esen a em al a sensibilidade e especi icidade, não se jus i ica a sua execução
nes e caso já que a ecog a ia e a adiologia o nece am in o mações su icien es. A omog a ia
compu o izada em sensibilidade ele ada e, apesa do seu uso não se ge almen e necessá io
no diagnós ico des a pa ologia, pode ealiza -se pa a auxilia no planeamen o ci ú gico.3 O
a amen o da obs ução u e e al pode se médico e/ou ci ú gico. O a amen o médico de e se
iniciado imedia amen e após o diagnós ico, com o obje i o de es abiliza o pacien e,
especialmen e os elinos, que ap esen am mui as ezes doença enal e azo émia. A axa de
esolução com e apia médica é mui o baixa (in e io a 10%), endo-se e i icado p og essão do
cálculo em apenas 17% dos casos. No en an o, mesmo com es a baixa p obabilidade, es á
ecomendada a e apia conse a i a an es de pa i pa a in e enções mais in asi as.3 Em
humanos, 98% dos u e e óli os com diâme o in e io a 5 mm esol e espon aneamen e, po ém
não exis em ainda es udos do géne o em animais de companhia.1,3 No malmen e, a e apêu ica
médica consis e em luidos in a enosos à axa de manu enção, somando a axa de
desid a ação quando necessá io, com o obje i o de aumen a a diu ese, ele ando assim a
p essão hid áulica no u e e e a o ecendo a p og essão dis al do cálculo a é à bexiga. Podem-
se associa diu é icos osmó icos em in usão con ínua, como o mani ol, mas o seu uso não é
ecomendado em pacien es com p oblemas ca díacos e de e se descon inuado após 24 ho as
se não hou e p og essão.3 No caso da Nina oi aconselhada a luido e apia mas, como o
animal não es a a desid a ado e ap esen a a empe amen o ag essi o, a p op ie á ia ecusou
o in e namen o. Opções e apêu icas adicionais incluem a adminis ação de ami ip ilina,
bloqueado es α-ad ené gicos ( ansulosina) e glucagon.3 Es es á macos êm ação
an iespasmódica e elaxan e do músculo liso u e e al acili ando a passagem dos cálculos.3 Os
an agonis as α-ad ené gicos, são o á maco de eleição em medicina humana, mas não se
comp o ou ainda o seu e ei o em ga os.3 A ami ip ilina, em uma po en e ação elaxan e no
músculo liso do a o u iná io, sendo inclusi amen e usado nas pa ologias do a o u iná io
in e io elino, e, po isso, oi o á maco escolhido pa a a Nina. O uso do glucagon é
con o e so, pois apesa de diminui a p essão in aluminal e o pe is al ismo u e e al, es e
e ei o não é conside ado ele an e nes a pa ologia e o seu uso pode causa e ei os
U ologia
29
secundá ios indesejá eis.3 O uso de analgésicos es á ecomendado quando o animal
ap esen a do . Foi escolhida a bup eno ina pa a a Nina, po ap esen a do mode ada, po se
a a de um á maco de ácil adminis ação em ga os (PO) e não ap esen a isco de ulce ação
gas oin es inal. Os an i-in lama ó ios não es e oides pode iam se uma al e na i a analgésica,
mas ap esen am po encial dano enal pelo que não es ão ecomendados nes e caso clínico.
Como a e apia médica não oi e icaz na Nina, a e apia ci ú gica es a ia en ão indicada.1,3 A
ap oximação ci ú gica es á ecomendada ambém em u u a u e e al, pielone i e e u emia
se e a.1 Em pacien es se e amen e azo émicos pode á aze -se hemodiálise pa a es abilização
p é-ci ú gica e pe mi i um maio empo de espe a em obs uções dinâmicas.1 An es de se
op a po um p ocedimen o mais adical, pode á coloca -se um ubo de ne os omia na pel e
enal de o ma a ali ia a sua p essão e a alia a unção enal, c iando uma ia de d enagem
al e na i a.3,4 As opções ci ú gicas co e i as são: u e e o omia, eimplan ação u e e al e
ne ec omia.1,3 O ipo de ci u gia depende da localização da obs ução, da p e e ência do
ci u gião e da p obabilidade de ecupe ação da unção enal.1 A u e e o omia e a eimplan ação
u e e al são as écnicas mais u ilizadas, sendo a úl ima mais equen emen e execu ada em
obs uções dis ais.3 A ne ec omia é a écnica mais simples e com meno es complicações pós-
ope a ó ias, po ém, como ce ca de 30% dos ga os desen ol e IRC e 40% em eco ência de
cálculos num in e alo médio de 12,5 meses, de e p ese a -se oda a unção enal possí el, o
que não se e i ica com es a écnica.1,3 A ci u gia es á associada a complicações secundá ias
em mais de 30% dos casos e ap esen a uma axa de mo alidade de 18 a 30%, pelo que se
desen ol e am écnicas menos in asi as, como a colocação de s en s desde a pel e enal a é
à bexiga (subcu âneos ou a a és do lúmen u e e al) e li o ipsia po ondas de choque.3,4 Os
s en s êm ap esen ado g ande e icácia e poucas complicações pós ci ú gicas, enquan o a
li o ipsia se em e elado pouco e icaz em ga os, de ido ao pequeno diâme o do u e e elino
e à maio sensibilidade do im às ondas de choque.3,4 Vá ios a o es in luencia am a decisão de
não ealiza co eção ci ú gica na Nina: o mau p ognós ico pa a a ecupe ação da unção enal
de ido ao g au ele ado de dila ação da pel e e pe da de pa ênquima enal, o ac o de mais de
50% dos elinos ap esen a em azo émia pe sis en e pós-ci u gia e, p incipalmen e, mo i os
mone á ios.3,4 A Nina ap esen a a a unção enal pe manen emen e diminuída, e, sendo a IRC
uma doença p og essi a, de e inicia -se um a amen o imedia o pa a a mesma.5,6 Segundo as
di e izes da In e nacional Renal In e es Socie y (IRIS), a Nina encon a a-se no es adio 2 de
IRC (concen ação da c ea inina sanguínea) e ap esen a a isco mode ado de dano dos
ó gãos al o de ido à hipe ensão mode ada.5 Um dos pa âme os do es adiamen o ( ácio
p o eína/c ea inina u iná ia - UP/C), oi adiado pa a uma p óxima consul a de ido a con enção
de cus os. As ecomendações pa a o a amen o isam a co eção das p incipais al e ações
me abólicas e incluem: 1) P e enção da desid a ação, pois a capacidade de concen ação da
u ina es á diminuída, o necendo água ad libi um e co igindo com luido e apia semp e que
U ologia
30
necessá io;5,7 2) Inicia die a especí ica enal, como a p esc i a à Nina, com baixo eo em
ós o o e p o eínas, pa a diminui a mine alização enal e e i a danos glome ula es.5 O
consumo des as die as es á po isso associado a um aumen o da longe idade dos pacien es;5,6
3) Con olo da hipe ensão, man endo a p essão a e ial sis ólica in e io a 160 mmHg pa a
e i a danos nos ó gãos al o (sis ema ne oso cen al, e ina, ins e co ação).7 Os á macos
ecomendados em elinos são os bloqueado es dos canais de cálcio (amlodipina) associados a
inibido es da enzima de con e são da angio ensina-IECA (benazep il).6,7 O alo da p essão
a e ial sis ólica da Nina e a de 160 mmHg, es ando no limi e pa a inicia a amen o. Op ou-se
po não se p esc e e e apia hipo enso a uma ez que o s ess causado pelo ambien e
es anho e pela manipulação pode iam e aumen ado es e alo . Es á ecomendado o con olo
mensal das p essões em pacien es com isco hipe ensi o mode ado;7 4) Co eção da
p o einú ia em ga os com UP/C supe io a 0.4, u ilizando IECA e die a enal, e aze
in es igação de causas concomi an es de p o einú ia;6,7 5) Diminuição da inges ão de ós o o
iniciando uma die a com baixos eo es, como a sup a e e ida no pon o 2).5,7 Se o maneio
alimen a não diminui a hipe os a émia pode eco e -se ao uso de quelan es de ós o o
(hid óxido de alumínio). Pon ualmen e, pode e i ica -se acidose me abólica e hipocalémia, que
de em se co igidas com bica bona o e po ássio, espe i amen e.5,7 O p ognós ico da Nina
elaciona-se com a espos a ao a amen o, p og essão da IRC e com possí eis complicações
da u e e oli íase, sendo po isso ese ado. Con udo, mui os pacien es i em du an e alguns
anos com boa qualidade de ida.
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31
ANEXO I – Neu ologia
Pa âme o
Valo es de e e ência
Resul ados
U eia
8-31 (mg/dl)
20
C ea inina
0,4-1,2 (mg/dl)
0,8
FA
15-164 (u/L)
100
ALT
21-97 (u/L)
87
AST
15-59 (u/L)
30
Bili ubina o al
0,2-0,5 (mg/dl)
0,4
Coles e ol
148-337 (mg/dl)
254
P o eínas o ais
5,4-6,8 (g/dl)
6,4
Albumina
3,2-4,9 (g/dl)
3,8
Sódio
142-149 (mEq/L)
145
Clo o
109-117 (mEq/L)
114
Po ássio
3,1-4,8 (mEq/L)
4,0
Fós o o
2,6-6,2 (mg/dl)
3,9
Cálcio
10-11,9 (mg/dl)
10,9
Glucose
84-120 (mg/dl)
100
Fig. 1 – Tomog a ia Compu ado izada em co e ans e sal ao ní el de C2-C3. O pacien e es a a
posicionado em decúbi o do sal. Ve i icou-se a p esença de ma e ial mine alizado hipe a enuan e
imedia amen e do sal ao espaço in e e eb al C2-C3 (se a). Es á localizado na linha média, en almen e
à medula exe cendo comp essão medula se e a e des io do sal da medula. (Imagem gen ilmen e cedida
pelo UTVMC)
Tab. 1- Análises bioquímicas do Bax e sem al e ações.
32
ANEXO II – O almologia
Fig. 1- Esquema ilus a i o das ias
a e en es isuais desde a e ina a é ao
có ex (adap ado de Ve e ina y
Oph halmology 4 h Ed.,Gela , K.N, Gilge
B, Ke n, T J, (2013), página 1407).
Fig. 2- ERG de pacien e con olo (em cima) e ERG de
pacien e com SARD (em baixo). O ERG de SARD não
ap esen a oscilações (“Fla ”) comp o ando que os
o o ece o es da e ina não es ão uncionais
(adap ado de “An ibody-media ed e inopa hies in
canine pa ien s: mechanism, diagnosis and ea men
modali ies”, Ve e ina y Clinics o No h Ame ica:
Small Animal P ac ice Vol. 38 (2), página 364).
Fig. 3- Respos a pupila ausen e com luz
e melha (A) e con ação pupila com luz
azul (B) em pacien e com SARD, usando o
Melan 100® (adap ado de “An ibody-
media ed e inopa hies in canine pa ien s:
mechanism, diagnosis and ea men
modali ies”, Ve e ina y Clinics o No h
Ame ica: Small Animal P ac ice Vol. 38
(2), página 378).
33
ANEXO III - De ma ologia
Fig. 1- Imagem ilus a i a de lesões semelhan es às
encon adas no pa ilhão au icula do B ody - e i ema,
edema e exsudado. (imagem disponí el em
h p://upload.wikimedia.o g/wikipedia/commons/ humb/
e/ea/Ea _in ec ion_in_cocke _spaniel.JPG/512px.Ea _
in ec ion_in_cocke _spaniel.JPG
Fig. 2- Tomog a ia Compu ado izada em co e ans e sal. Ve i ica-se espessamen o e es enose do condu o
audi i o ex e no esque do (cí culo), e ligei a mine alização supe icial dos ecidos (se a e melha). Bolhas
impânicas p eenchidas de a , sem p esença de líquido, espessu a adequada e sem e idência de os eólise (se as
e des). (Imagens gen ilmen e cedidas pelo UTVMC)