Estudo de uma escala de crenças e de estratégias de coping através do lazer
Full text
O laze pode se de inido como o que azemos
no empo li e e ambém as ac i idades ec ea-
i as em que pa icipamos en ol endo, sob e-
udo, a necessidade de es a olun á ia e signi-
ica i amen e ocupado. Também a libe dade e a
capacidade de cons ução pessoal de sen ido
a a és das acções indi iduais apa ecem na
li e a u a como ca ac e ís icas essenciais do la-
ze . A de inição do concei o e a o ma de o a a-
lia êm sido uma das di iculdades pa a o p o-
g esso do seu es udo, mas alguns au o es êm
conside ado al ac o como um desa io, sendo
mesmo is o como incen i o pa a con inua em
(Mannell & Kleibe , 1999).
Coping é um e mo de di ícil adução que
pode se de inido como o conjun o de es o ços
ealizados pa a lida com uma si uação, indepen-
den emen e do seu esul ado. Es es es o ços po-
dem se de na u eza a iada e nem semp e im-
plicam a esolução do p oblema, pois a e icácia
depende não só dos ecu sos do indi íduo no
momen o, como ambém do ipo de si uação in-
du o a de s ess. Podem ainda se o ien ados pe-
lo indi íduo pa a a esolução di ec a do p oble-
ma, pa a a a enuação das emoções sen idas, ou
pa a a busca de apoio social, o que não que di-
ze que sejam o çosamen e e icazes ou ine ica-
zes (Sa a ino, 1997; Se a, 1999).
Pa a além das es a égias ge ais de coping que
o indi íduo u iliza, o laze pode bene icia os
mecanismos pa a lida com uma si uação indu-
o a de s ess (Coleman, 1993). Lida com o
s ess depende essencialmen e dos ecu sos espe-
cí icos, pessoais e sociais, de cada um e dos seus
compo amen os de coping. Es es úl imos podem
es a mais cen ados no p oblema, e e po un-
ção muda uma elação di ícil en e as pessoas e
o meio en ol en e a a és de acção di ec a, ou
mais cen ados nas emoções, e unciona em no
sen ido da mudança dos pad ões de comp omis-
so, e i ando, po exemplo, pensa numa ameaça,
ou mudando o signi icado/in e p e ação do que
es á a acon ece eduzindo o s ess, apesa do
acon ecimen o se man e (Se a, 1987). Po ou o
lado, o laze pa ece capaz de p oduzi , ambém
ele mecanismos de coping que pe mi am lida
melho com os acon ecimen os desencadeado es
de s ess (Coleman & Iso-Ahola, 1993).
441
Análise Psicológica (2003), 4 (XXI): 441-451
Es udo de uma escala de c enças e de
es a égias de coping a a és do laze
LUÍSA R. SANTOS (*)
J. PAIS RIBEIRO (**)
LAURA GUIMARÃES (***)
(*) Escola Supe io de En e magem do Ins i u o Po-
li écnico de Viana do Cas elo.
(**) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Edu-
cação da Uni e sidade do Po o.
(***) Uni e sidade Fe nando Pessoa, Po o.
O modelo de ges ão do s ess a a és do laze ,
desen ol ido po Iwasaki e Mannell (2000),
consis e em á ias dimensões ou ca ego ias e
subdimensões o ganizadas hie a quicamen e,
a a és das quais o laze po encialmen e ajuda as
pessoas a lida com o s ess. As dimensões de
coping a a és do laze , subdi idem-se, a um
ní el ge al, em c enças de coping a a és do la-
ze e em es a égias de coping a a és do laze .
Es a dis inção é ú il pa a a comp eensão e p e-
isão de como o laze pode ajuda os indi íduos
a lida com o s ess.
A escala de c enças de coping a a és do laze
e e e-se às c enças gene alizadas das pessoas
sob e o laze e a possibilidade des e as ajuda a
lida com o s ess; es as c enças pa ecem co es-
ponde a disposições psicológicas, mais ou me-
nos es á eis, que se desen ol em g adualmen e
ao longo do empo e se man êm a a és do p o-
cesso de socialização. Com base na e isão dos
abalhos de á ios au o es sob e es e ema e nos
seus p óp ios esul ados, Iwasaki e Mannell
(2000) conside am que as c enças de coping
a a és do laze ac uam como amo ecedo ou
mode ado con a o s ess ajudando a man e o
es ado de saúde do indi íduo.
As es a égias de coping a a és do laze co -
espondem a compo amen os de coping, dispo-
ní eis aquando da ealização de ac i idades de
laze , pe mi indo a alia como es as ajudam os
indi íduos a lida com o s ess. As es a égias de
laze inse em-se no con ex o in encional e espe-
cí ico de si uações conc e as, p esumindo-se que
o seu uso e e icácia a iem em unção das ci -
cuns âncias de ida que os indi íduos en en em.
Po es as azões, e de aco do com á ios au o es,
as es a égias de coping medeiam o e ei o do
s ess na saúde (Coleman, 1993; Iso-Ahola,
1980; Iwasaki & Mannell, 2000).
À dimensão das c enças de coping a a és do
laze associam-se as seguin es subdimensões:
au ode e minação, empowe men e amizade no
laze , enquan o que à dimensão das es a égias
de coping a a és do laze se associam as sub-
dimensões: companhei ismo, laze como es a-
égia palia i a e in luência do laze no humo .
Uma disposição pa a a au ode e minação,
a a és do laze , sus en a-se na c ença de que os
compo amen os de laze são li emen e escolhi-
dos e di ec amen e con olados pelo indi íduo,
associada a uma mo i ação in ínseca. O em-
powe men no laze em a e com o ac o de as
pessoas ac edi a em que o laze é um di ei o, que
é me ecido e que es e ep esen a uma opo uni-
dade pa a a au oexp essão. Implica o desa io ou
esis ência ace às exigências ou obs áculos da
ida que in luenciam a manu enção de um sen i-
men o indi idual de au o alo ização. Também a
dimensão da amizade desen ol ida a a és do
laze se e e e à c ença do laze auxilia as pes-
soas a lida com o s ess a a és de di e en es
o mas, dependendo das p óp ias necessidades
indi iduais mani es adas na ges ão dos di e en-
es ipos de acon ecimen os que desencadeiem
s ess.
A dimensão do companhei ismo no laze e-
p esen a uma es a égia de coping, especí ica de
uma si uação, no momen o de lida com um
acon ecimen o capaz de induzi s ess e co es-
ponde a expe iências pa ilhadas de laze , esco-
lhidas e sen idas como ag adá eis, conside adas
como uma o ma de apoio social. Tan o as ami-
zades como o companhei ismo no laze são o -
mas de apoio social. No en an o, as amizades
es ão elacionadas com o apoio social pe cebido
(c ença), ao passo que o companhei ismo e-
p esen a uma acção eal de apoio social, quando
em si uações de s ess uma pessoa e ec i amen e
p ocu a companhia (es a égia) (Coleman & Iso-
Ahola, 1993; Iwasaki & Mannell, 2000). Uma
ou a subdimensão pa ece se , segundo os mes-
mos au o es, o laze como es a égia palia i a.
Es a es a égia de coping pode pe mi i melho a
a ene gia e encon a ou as pe spec i as pa a
lida com os desa ios da ida, a a és da pa ici-
pação em ac i idades cons u i as e i ando o
abo ecimen o, ou pe mi indo às pessoas escapa
a acon ecimen os que p o ocam s ess, ou a
expe iências dolo osas, ou, ainda, acul ando o
empo necessá io pa a uma eo ganização que
possibili e lida melho com as di iculdades.
Com e ei o, o abo ecimen o pode su gi como
um ac o a e em con a nas es a égias de co-
ping. Po ezes, apa ece associado à o ina do
laze ou, en ão, a um excesso de ob igações que
az com que se sin a o laze como uma p essão
ou, ainda, quando há poucas compe ências pa a a
ac i idade de laze escolhida (Iso-Ahola & Weis-
singe , 1987).
Algumas ac i idades de laze podem ambém
e um po encial de edução do s ess possibili-
ando uma melho ia do humo posi i o e a edu-
442
ção do humo nega i o, azendo com que a in-
luência do laze no humo seja uma ou a di-
mensão do coping a a és do laze (Iwasaki &
Mannell, 2000).
Do expos o, essal a de imedia o o in e esse do
es udo da adap ação da p esen e escala à popu-
lação po uguesa, e a comp eensão da impo ân-
cia do laze como o ma de ajuda a lida com o
s ess e a man e ou melho a a saúde das pessoas.
1. MÉTODO
1.1. Pa icipan es
Uma amos a de con eniência, o mada po
253 es udan es de ins i uições de Ensino Supe io
da egião No e de Po ugal, 73,8% do sexo e-
minino e com idades comp eendidas en e os 19 e
os 22 anos (M=20,6; DP=1,4), pa icipou num
es udo pa a a aliação da es u u a, consis ência
in e na e pode disc imina i o dos i ens das es-
calas adap adas de coping a a és do laze .
Uma ou a amos a, cons i uída po 55 es u-
dan es ambém do Ensino Supe io , oi objec o
de es udo, 74,4% do sexo eminino, e 96,4%
com idades en e os 19 e os 25 anos (M=20,6;
DP=1,3); 98,2% sol ei os. Fo am adminis adas
as Escalas de Coping a a és do Laze (após a a-
liação da sua es u u a na amos a an e io ); a
DASS, escala de dep essão, ansiedade e s ess; e
o SF-36, uma escala pa a a a aliação do es ado
de saúde.
1.2. Ma e ial
1.2.1. Escalas de Coping a a és do Laze (ECL)
As dimensões de coping a a és do laze ,
subdi idem-se, a um ní el ge al, em c enças de
coping a a és do laze e em es a égias de coping
a a és do laze (Iwaasaki & Mannell, 2000).
As ECL – Escala de C enças de Coping a a-
és do Laze (ECCL) e Escala de Es a égias de
Coping a a és do Laze (EECL) – cons i uídas
no o iginal, espec i amen e, po 30 e 18 i ens.
Os i ens da ECCL ag upam-se nas subdimensões
de au ode e minação, empowe men e amizade
no laze ; os i ens da EECL ag upam-se nas sub-
dimensões de companhei ismo, es a égia palia-
i a e in luência no humo (Iwasaki & Mannell,
2000).
A adap ação passou po um p ocesso inicial
que en ol eu a adução, a e o e são e a com-
pa ação des a com a e são o iginal pa a e i i-
cação de possí eis disc epâncias e, pos e io -
men e, a e adução. Nes e p ocesso oi ido em
con a essencialmen e o con eúdo dos i ens, endo
icado po abalha algumas ques ões colocadas
pela equi alência cul u al, que pe mi i ia op imi-
za a adap ação do ins umen o a uma cul u a de
laze di e en e (Ribei o, 1999). Ve i icou-se,
a a és de discussões en e especialis as, que o
con eúdo da e são dos i ens esul an es da a-
dução inha o sen ido p opos o pelos o iginais.
No inal da adução, man e e-se o núme o de
i ens em cada escala, de endo o sujei o espon-
de a cada i em numa escala de ipo Like de 1 a
5 (1, conco do mui íssimo; 2, conco do mui o; 3,
conco do mode adamen e; 4, conco do pouco;
5, não conco do). Os i ens 13, 17, 22 e 29 da es-
cala de c enças de coping a a és do laze e os
i ens 12, 13 e 15, da escala de es a égias de co-
ping a a és do laze são i ens de espos a in e -
ida. O passo seguin e consis iu na adminis ação
des as escalas de au o-a aliação a uma amos a
de 25 jo ens es udan es do Ensino Supe io , aos
quais oi explicado o objec i o da adminis ação
e pedido que indicassem, que no deco e que
após a espos a às escalas, as di iculdades e dú-
idas sen idas ou os comen á ios que conside as-
sem pe inen es. Des e passo não esul a am al-
e ações na escala uma ez que os i ens não sus-
ci a am dú idas à gene alidade dos alunos.
1.2.2. Dep ession, Anxie y and S ess Scales
A DASS é um ins umen o de au o-a aliação
da dep essão, ansiedade e s ess, cons i uído po
42 i ens numa escala ipo Like que a ia desde
0 (não se aplicou nada a mim) a 3 (aplicou-se a
mim a maio pa e do empo). Os i ens da DASS
ag upam-se em ês dimensões: dep essão, ansie-
dade e s ess, sendo o esul ado de cada subesca-
la dado pela soma dos esul ados dos espec i os
i ens (Lo ibond & Lo ibond, 1995). Es a escala,
segundo os seus au o es, demons ou boas p o-
p iedades psicomé icas.
443
1.2.3. The Medical Ou comes T us Sho Fo m 36
O SF-36 é uma medida de a aliação gené ica
do es ado de saúde, cons i uída po 36 i ens que
se ag upam em oi o dimensões – uncionamen o
ísico, desempenho ísico, do co po al, pe cep-
ção ge al de saúde, i alidade, saúde men al, un-
cionamen o social e desempenho emocional, e
ainda, um i em de ansição de saúde, que não
oi u ilizado no p esen e es udo. Pe mi e, ainda,
o ag upamen o des as dimensões em duas com-
ponen es, a componen e ísica, co esponden e
às p imei as qua o subescalas, e a componen e
men al, co esponden e às qua o subescalas se-
guin es. O esul ado de cada dimensão é ob ido
a a és da soma dos i ens co esponden es, após
ecodi icação dos mesmos. Os esul ados assim
ob idos são, depois, ans o mados numa escala
de 0 a 100. De aco do com os au o es em de-
mons ado e boas p op iedades psicomé icas
(The Medical Ou comes T us , 1993).
1.3. P ocedimen os
Os ins umen os o am p eenchidos, olun a-
iamen e, pelos inqui idos em ambien e de sala
de aula. A sua adminis ação oi an ecedida po
um escla ecimen o ela i o ao objec i o dos es-
udos, p ocedimen os de espos a e con idencia-
lidade dos esul ados. Pa a a escala de es a égias
de coping a a és do laze , oi pedido aos alunos
que eco dassem o e en o mais nega i o oco i-
do du an e o mês an e io e os sen imen os de
s ess po es e desencadeados. A colabo ação
dos alunos oi posi i a não endo su gido dú i-
das ou comen á ios ela i amen e a qualque
das escalas adminis adas.
2. RESULTADOS
2.1. Análise de dados
Dado que as escalas o iginais ap esen adas
po Iwasaki e Mannell (2000) êm po base um
modelo eó ico coe en e de coping a a és do
laze o qual decidimos segui , e po que a con i -
mação da es u u a ac o ial da escala, na p e-
sen e amos a, não e lec ia a es u u a o iginal,
op amos po abalha a dis ibuição de i ens pe-
las dimensões p opos as pelos au o es. Pa a de-
e mina a consis ência in e na o am calculados
os coe icien es Alpha de C onbach e analisadas
as co elações de cada i em com o ac o em que
se inse e. A alidade das escalas adap adas pa a
medi c enças e es a égias de laze oi inspec-
cionada pelo cálculo do coe icien e de co elação
de Spea man en e as subescalas das dimensões
de coping a a és do laze e ou as a iá eis psi-
cológicas medidas a a és da DASS e do SF-36.
Dos 253 ques ioná ios p eenchidos, um oi
eliminado po não e sido p eenchido na o ali-
dade. A desc ição da amos a cons i uída po 252
elemen os é ap esen ada no Quad o 1.
Há uma dis ibuição dos es udan es segundo o
sexo signi ica i amen e di e en e po idade (χ2
(2,252)=9,5; p<0,01). Obse a-se, po um lado,
uma sob e- ep esen ação de es udan es do sexo
masculino com idade supe io a 23 anos (21,3%),
po ou o, os es udan es do sexo eminino e-
quen am p edominan emen e o 1.º e o 3.º anos
(92,3%) e os do sexo masculino o 1.º ano (86,2%).
A análise inicial de es a ís ica desc i i a le ou
à eliminação do i em 25 da escala de c enças de
coping a a és do laze , «mui os dos meus com-
panhei os de laze icam sa is ei os po oma
con a da minha casa (apa amen o), das c ian-
ças ou dos animais domés icos quando es ou o-
a», ao qual apenas 6,6% dos es udan es espon-
de am. Uma equência ão ele ada de indi í-
duos que não esponde am a es a ques ão pode á
es a elacionada com a sua possí el al a de
aplicação ao con ex o po uguês, uma ez que
uma pa e impo an e dos es udan es des a aixa
e á ia i e ainda com os seus amilia es du an e
os pe íodos não lec i os, não possuindo apa a-
men o p óp io ou animais de es imação. Nes a
ase, nenhum i em oi eliminado da escala de es-
a égias de coping a a és do laze .
A a aliação da alidade disc iminan e mos-
ou que nenhuma das opções de espos a pa a os
di e sos i ens da escala de c enças de coping
a a és do laze e e uma equência supe io a
54%, ha endo, con udo, uma opção de espos a
(a opção 1 co esponden e a ‘conco do mui íssi-
mo’ pa a os i ens 4 e 6, espec i amen e «o meu
en ol imen o no laze o alece a minha capa-
cidade pa a ge i p oblemas na ida» e «sou eu
que de e mino as minhas ac i idades de laze »)
com 0% de equência. Na escala de es a égias
de coping a a és do laze a opção 5, co espon-
444
den e a não conco do, pa a o i em 13, «o laze
ez-me sen i is e», e e uma equência de
74,5%; pa a os es an es i ens, nenhuma opção
de espos a ob e e uma equência supe io a
53%. No en an o, a opção 1 (conco do mui íssi-
mo) pa a os i ens 1, 10 ( espec i amen e, «o la-
ze ez com que me sen isse melho » e «eu man-
i e uma boa disposição nos empos de laze ») e
13 e e equência de apenas 0,4%.
Nos Quad os 2 e 3, ap esen am-se o núme o
de i ens po subescala, os coe icien es de Alpha
de C onbach, as co elações dos i ens com os
o ais das subescalas em que se inse em e a es-
a ís ica desc i i a espec i amen e pa a a Escala
de C enças de Coping a a és do Laze (ECCL)
e pa a a Escala de Es a égias de Coping a a és
do Laze (EECL). Encon a am-se coe icien es
de consis ência in e na global ele ados, embo a
ligei amen e in e io es aos dos au o es das
escalas o iginais, pa a a ECCL (0,89 s 0,91) e
pa a a EECL (0,85 s 0,93). Po sua ez, os coe-
icien es de consis ência in e na encon ados
pa a as subescalas da Escala de C enças de Co-
ping a a és do Laze (ECCL) es ão mui o p ó-
ximos dos encon ados pelos au o es da escala
o iginal (Quad o 2): 0,66 pa a a au ode e mina-
ção; 0,76 pa a o empowe men ; 0,89 pa a a ami-
zade no laze . Os alo es de co elação de cada
i em com a subescala o al em que se inse e a-
iam en e: 0,22 e 0,54 pa a a au ode e minação;
0,29 a 0,69 pa a o empowe men ; 0,38 a 0,75
pa a a amizade no laze . A adap ação da escala a
es a amos a implicou a e i ada do i em 17,
« enho di iculdade em decidi o que aze nos
empos de laze », de espos a in e ida, po es e
ap esen a uma co elação mui o baixa (0,15)
com a subescala o al de au ode e minação. Re-
i a es e i em esul ou numa melho ia signi ica-
i a do alo de Alpha de C onbach, sem p o-
oca al e ações na alidade de con eúdo.
Na Escala de Es a égias de Coping a a és do
Laze (EECL), as subescalas ap esen am coe i-
cien es de consis ência in e na mode adamen e
ele ados, mas que são ligei amen e in e io es
aos encon ados po Iwasaki e Mannell (2000)
(Quad o 3): 0,79 pa a a subescala de companhei-
ismo no laze ; 0,75 pa a a subescala de laze co-
mo es a égia palia i a; 0,73 pa a a subescala de
in luência do laze no humo . Os alo es de
co elação de cada i em com a subescala o al em
que se inse e a iam en e: 0,37 e 0,71 pa a o
companhei ismo no laze ; 0,25 a 0,59 pa a o
laze como es a égia palia i a; 0,35 a 0,57 pa a
a in luência do laze no humo . A adap ação des-
a escala implicou a emoção do i em 15, «a al-
a de companhei ismo no laze impediu-me de
lida com o s ess», de espos a in e ida, que
inha uma co elação de 0,09 com a subescala
o al de companhei ismo no laze , melho ando
assim o Alpha de C onbach sem p o oca al e a-
445
QUADRO 1
Desc ição da amos a segundo o sexo
Sexo
Ca ac e ís icas Feminino Masculino Global Ní el Sig.
(n=186) (n=66) (n=252)
Idade (anos) 0,01
19-20 54,7 44,3 51,9
21-22 38,2 34,4 37,2
≥ 23 7,1 21,3 10,8
Ano de equência 0,05
1.º ano 68,1 86,2 72,9
3.º ano 24,2 7,7 19,8
4.º ano 7,7 6,2 7,3
446
QUADRO 2
Consis ência in e na, co elações dos i ens com os o ais das subescalas em que se inse em, e
es a ís ica desc i i a da escala de c enças de coping a a és do laze . En e pa ên esis indicam-se os
alo es de consis ência in e na ob idos pa a cada subescala pelos au o es (Iwasaki & Mannell, 2000)
da escala o iginal
Subescalas e i ens
α
Co elações M DP Mediana Limi es
i ens com
o ais das
subescalas
Au ode e minação a a és do laze 0,66 (0,71)
2. O laze o nece opo unidades pa a eencon a um 0,28 4,00 0,77 4 1-5
sen ido de libe dade
5. No laze adqui o sen imen os de con olo pessoal 0,30 3,57 0,83 4 1-5
6. Sou eu que de e mino as minhas ac i idades de laze 0,54 3,99 0,86 4 2-5
9. As minhas ac i idades de laze são escolhidas li emen e 0,50 4,07 0,79 4 1-5
22 (in e ido). Sin o-me cons angido(a) nos empos de laze 0,22 4,35 0,81 4 1-5
27. Sou eu p óp io que decido no meu empo de laze 0,50 3,88 0,82 4 1-5
Empowe men («au onomia de decisão») no laze 0,76 (0,82)
4. O meu en ol imen o no laze o alece a minha capacidade 0,44 3,60 0,78 4 2-5
pa a ge i p oblemas na ida
11. Aquilo que aço no laze pe mi e que me sin a bem comigo 0,49 4,20 0,72 4 1-5
p óp io/a
13 (in e ido). O laze con ibui pouco pa a me ajuda a lida 0,29 3,82 1,06 4 1-5
com p oblemas
15. Nos meus empos de laze , sou capaz de exp imi 0,35 3,72 0,88 4 1-5
abe amen e quem sou
19. As coisas que aço nos empos de laze ajudam-me a ganha 0,63 3,66 0,75 4 1-5
con iança
26. A minha pa icipação no laze o alece o meu au oconcei o 0,69 3,63 0,77 4 1-5
30. As opo unidades pa a me exp imi no laze o alecem o 0,61 3,63 0,76 4 1-5
meu au oconhecimen o
Amizade no laze 0,89 (0,80)
1. Os meus companhei os de laze ajudam-me a sen i bem 0,46 3,93 0,74 4 1-5
comigo p óp ia/a
3. Os meus companhei os de laze ajudam-me a decidi o que 0,38 2,78 0,86 3 1-5
de o aze
7. Os meus companhei os de laze escu am quando alo dos 0,59 3,80 0,81 4 1-5
meus sen imen os pessoais
8. Pa a mim, o laze é um meio pa a desen ol e amizades 0,43 4,13 0,81 4 1-5
10. Os meus companhei os de laze es imam-se mui o 0,61 3,84 0,78 4 1-5
12. Quando eu p eciso de algum objec o, os meus companhei os 0,62 3,86 0,85 4 1-5
de laze emp es am-mo
14. Se eu p eciso de ajuda ex a pa a ealiza ce as a e as, posso 0,68 3,64 0,82 4 1-5
eco e aos meus companhei os de laze
(con inua na página seguin e)
447
(con inuação da página an e io )
16. Os meus companhei os de laze pode ão, se eu p ecisa , 0,54 3,66 0,97 4 1-5
emp es a -me dinhei o
18. Os meus companhei os de laze dão-me conselhos quando 0,65 3,72 0,79 4 1-5
es ou com di iculdades
20. Os meus companhei os de laze dão-me, com equência, 0,62 3,56 0,73 4 1-5
in o mações ú eis
21. Sou espei ado(a) pelos meus companhei os de laze 0,63 4,12 0,77 4 1-5
23. Posso ala com os meus companhei os de laze quando não 0,61 3,55 0,82 4 1-5
enho a ce eza do que de o aze
24. Sin o-me ap eciado(a) pelos meus companhei os de laze 0,56 3,58 0,83 4 1-5
28. Sin o-me emocionalmen e apoiado(a) pelos meus 0,75 3,72 0,78 4 1-5
companhei os de laze
29 (in e ido). Fal a-me o apoio emocional dos meus 0,39 4,28 0,91 5 1-5
companhei os de laze
QUADRO 3
Consis ência in e na, co elações dos i ens com os o ais das subescalas em que se inse em, e
es a ís ica desc i i a da escala de es a égias de coping a a és do laze . En e pa ên esis
indicam-se os alo es de consis ência in e na ob idos pa a cada subescala pelos au o es
(Iwasaki & Mannell, 2000) da escala o iginal
Subescalas e i ens
α
Co elações M DP Mediana Limi es
i ens com
o ais das
subescalas
Companhei ismo no laze 0,79 (0,87)
2. O laze pe mi iu que es i esse na companhia de amigos 0,37 3,94 0,79 4 1-5
que me apoiam
5. Socializa a a és do laze oi uma manei a de ge i o s ess 0,61 3,65 0,87 4 1-5
7. Lidei com o s ess a a és dos momen os de laze que passei 0,65 3,46 0,98 4 1-5
com os meus amigos
8. Pa a mim, es a en ol ido em laze social oi uma es a égia 0,71 3,37 0,96 3 1-5
pa a lida com o s ess
18. Uma das minhas es a égias pa a lida com o s ess oi a 0,56 3,24 1,04 3 1-5
pa icipação em ac i idades de laze social
Laze como es a égia palia i a 0,75 (0,86)
3. En ol i-me numa ac i idade de laze pa a me li a 0,59 2,90 1,20 3 1-5
empo a iamen e de um p oblema
4. O escape a a és do laze oi uma manei a de lida com 0,57 3,62 1,01 4 1-5
o s ess
9. O laze oi um meio impo an e pa a me man e ocupado(a) 0,46 3,32 1,06 3 1-5
11. O en ol imen o no laze pe mi iu-me e uma ou a 0,44 3,35 0,88 3 1-5
pe spec i a dos meus p oblemas
(con inua na página seguin e)
ções na alidade de con eúdo. Cu iosamen e, os
i ens que ap esen am meno alo de co elação
com o o al da sua subescala são, em ge al,
i ens de espos a in e ida, à semelhança do que
Iwasaki e Mannell (2000) inham já encon ado.
Conside a-se que a idelidade assim a aliada
ap esen a alo es sa is a ó ios a ele ados e com-
pa á eis à escala o iginal.
Os esul ados da análise de a iância mos am
não exis i em di e enças signi ica i as ela i a-
men e ao sexo em nenhuma das subescalas, que
da Escala de C enças de Coping a a és do Laze
(ECCL), que na Escala de Es a égias de Co-
ping a a és do Laze (EECL).
A alidade dos i ens oi inspeccionada a a és
da co elação de cada i em com a escala o al
(consis ência in e na do i em), ap esen ada no
Quad o 3, e ainda a a és da co elação en e as
subescalas de cada uma das dimensões de coping
a a és do laze ap esen adas no Quad o 4. Es as
co elações são, em ge al, ele adas suge indo
que as subescalas das dimensões de coping
a a és do laze não se ão independen es. Uma
con inuidade en e subescalas de uma mesma
dimensão, que di icul a a o es udo da es u u a
ac o ial, inha já sido de ec ada pelos au o es
das escalas o iginais (Iwasaki, 1998).
Reco eu-se, ambém, à análise de co elação
en e cada uma das dimensões de coping a a és
do laze e ou as a iá eis ob idas a a és das sub-
escalas de saúde ge al e saúde men al do SF-36 e
das dimensões de dep essão, ansiedade e s ess
da DASS, ap esen adas no Quad o 5. Os esul a-
dos e elam que as Escalas de Coping com o La-
ze (ECL) ap esen am co elações es a is icamen-
e signi ica i as com as dimensões de saúde ge-
al e de saúde men al. Obse a am-se co ela-
ções posi i as ele adas en e a subdimensão in-
luência no humo (EECL) e a saúde ge al ( (53)
=0,62; p<0,001) e a saúde men al ( (53)=0,61;
p<0,001) e en e a subdimensão au ode e mina-
ção (ECCL) e a saúde ge al ( (53)=0,54; p<0,001)
e a saúde men al ( (53)=0,50; p<0,001). As mes-
mas subdimensões, de coping a a és do laze ,
ap esen am o es co elações nega i as com as
dimensões de dep essão, s ess e ansiedade. A
subdimensão in luência no humo co elaciona-
se nega i amen e com a dep essão ( (53)=-0,64;
p<0,001), com o s ess ( (53)=-0,57; p<0,001), e
com a ansiedade ( (53)=-0,57; p<0,001), am-
bém a subdimensão au ode e minação se co ela-
ciona nega i amen e com a dep essão ( (53)=
-0,52; p<0,001), com o s ess ( (53)=-0,46;
p<0,01) e com a ansiedade ( (53)=-0,34; p<0,05)
e a subdimensão empowe men com a dep essão
( (53)=-0,38; p<0,01) e com o s ess ( (53)=
-0,32; p<0,05) e ainda a subdimensão compa-
nhei ismo com a dep essão ( (53)=-0,28; p<0,05).
Es es alo es indicam que as c enças de coping
a a és do laze êm um e ei o posi i o na saúde,
que na sua componen e ísica que men al, o
que ambém se e lec e nos ní eis de dep essão,
448
(con inuação da página an e io )
14. Escapa dos p oblemas a a és do laze pe mi iu-me en en á-los 0,54 3,34 0,91 3 1-5
com ene gia eno ada
17. Fiz uma b e e pausa de laze pa a lida com o s ess 0,25 2,64 1,18 3 1-5
In luência do laze no humo 0,73 (0,85)
1. O laze ez com que me sen isse melho 0,55 4,06 0,81 4 1-5
6. O laze ez-me e sen imen os posi i os 0,57 3,92 0,81 4 1-5
10. Eu man i e uma boa disposição nos empos de laze 0,45 3,85 0,73 4 1-5
12 (in e ido). O meu en ol imen o no laze não me pe mi iu 0,46 1,91 0,98 4 1-5
melho a o humo
13 (in e ido). O laze ez-me sen i is e 0,35 1,35 0,66 5 1-5
16. O laze ajudou-me a ge i os sen imen os nega i os 0,42 3,44 0,85 3 1-5
s ess e ansiedade. Es e e ei o posi i o ap esen a-
se de o ma mais signi ica i a na elação da
au ode e minação e do empowe men , e ainda, na
da amizade ela i amen e à saúde. Es es esul-
ados ão no mesmo sen ido de ou os es udos,
como, po exemplo, Coleman e Iso-Ahola (1993)
que conside a am as c enças no laze como mo-
de ado es do impac o nega i o do s ess, ap e-
sen ando bene ícios pa a a saúde, especialmen e
quando os ní eis de s ess são ele ados. Ainda
segundo es es au o es, a amizade a a és do
laze em um impac o posi i o na saúde, sob e-
udo em si uações capazes de desencadea s ess.
Também no es udo ealizado po Coleman
(1993) se conside a que a au ode e minação un-
ciona como amo ecedo con a o s ess, pe mi-
indo assim man e uma boa saúde ge al, sob e-
udo em si uações capazes de induzi s ess.
Os alo es ap esen ados, no p esen e es udo,
suge em ainda que as es a égias de coping a a-
és do laze êm um e ei o ambém ele posi i o
na saúde, sob e udo no que se e e e à impo -
ância das subdimensões de in luência do humo
ela i amen e à saúde, à dep essão, ao s ess e à
ansiedade, e ambém da subdimensão de compa-
nhei ismo que ap esen a um e ei o posi i o, em-
bo a de meno dimensão ela i amen e à saúde e
à dep essão. Es es esul ados ap oximam-se do
449
QUADRO 4
Coe icien es de co elação en e as subescalas de coping a a és do laze
C enças de coping a a és do laze Es a égias de coping a a és do laze
ABC 123
A. Au ode e minação – 0,501 0,405 1. Companhei ismo no laze – 0,662 0,521
a a és do laze p<0,001 p<0,001 p<0,001 p<0,001
B. Empowe men no laze – – 0,508 2. Coping como es a égia – – 0,397
p<0,001 palia i a p<0,001
C. Amizade no laze – – – 3. In luência do laze no humo – – –
QUADRO 5
Coe icien es de co elação en e as dimensões de coping a a és do laze e as escalas DASS e SF-36
Saúde Ge al Saúde Men al Dep essão Ansiedade S ess
C enças de coping a a és do laze
Au ode e minação 0,54*** 0,50*** -0,52*** -0,34*** -0,46**
Empowe men 0,40** 0,36** -0,38** ns -0,32*
Amizade 0,34* 0,28* ns ns ns
Es a égias de coping a a és do laze
Companhei ismo 0,38** 0,28* -0,28* ns ns
Palia i o ns ns ns ns ns
Humo 0,62*** 0,61*** -0,64*** -0,49*** -0,57***
*p<0,05; **p<0,01; ***p<0,001; ns – não signi ica i o