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"Caracterização da Consulta de Cessação Tabágica do Centro de Saúde de Vila Nova de Famalicão

Marta Maria de Moura Ferreira Queirós

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i A igo de In es igação Médica Mes ado In eg ado em Medicina CARACTERIZAÇÃO DA CONSULTA DE CESSAÇÃO TABÁGICA DO CENTRO DE SAÚDE DE VILA NOVA DE FAMALICÃO Ma a Ma ia de Mou a Fe ei a Quei ós O ien ado P o . D . An ónio Guilhe me de Almeida Gonçal es Co-O ien ado D a. Diana Mo ei a Con ac o Tele one: 911911715 e-mail: ma inhaquei os@ho mail.com Po o 2011 ii “Ciga e e smoking is p obably he mos addic i e and dependence-p oducing o m o objec -speci ic sel -adminis e ed g a i ica ion known o man.” (Russell e al, 1976) iii Resumo In odução: O consumo de abaco cons i ui um dos mais g a es p oblemas de saúde pública da ac ualidade, sendo a cessação abágica a ia mais e ec i a pa a ob e melho ias a cu o e médio p azo na mo bi-mo alidade associada ao abagismo.. Objec i os: Ca ac e iza a Consul a de Cessação Tabágica do Cen o de Saúde de Vila No a de Famalicão; desc e e e quan i ica os p ocessos implemen ados e as ca ac e ís icas sócio-demog á icas dos u en es; es ima a axa de êxi o e compa a as ca ac e ís icas de abs inen es e umado es. Me odologia: Pa a a ealização des e es udo o am colhidos dados dos p ocessos clínicos dos 144 u en es que i e am a sua p imei a consul a nos anos de 2007, 2008 e 2009. Resul ados: Os u en es da CCT inham em média 44,45 anos, e am maio i a iamen e homens (76,2%), 74,8% e am casados e 77,8% inham 9 ou menos anos de escola idade. Em média consumiam 24,23 ciga os po dia, a média de anos de consumo egula e a de 27,29 e a idade média do 1º ciga o 14,79. Após a p imei a consul a 45,5% dos u en es abandonou o p og ama e 19,6% ize am-no nas consul as seguin es. Ma ca dia D e a p edi i o de compa ece à 2ª consul a (p < 0,001). A abs inência na 2ª consul a o na a mais p o á el comple a o es an e p og ama (p < 0,001). A abs inência após comple a as cinco consul as e a mais p o á el se o u en e i esse ma cado dia D (p = 0,001). Os 78 u en es que compa ece am à 2ª consul a ob i e am uma axa de sucesso de 51,3% aos ês meses e de 32,0% ao ano. Conclusões: A Consul a de Cessação Tabágica de Famalicão ap esen a bons esul ados, de endo se man ida e apoiada, com es abelecimen o de c i é ios de e e enciação de modo a aumen a a adesão ao p og ama. Pala as-cha e: Cessação Tabágica, Ca ac e ização, Tabaco, Mo i ação. i Abs ac In oduc ion: Ciga e e smoking is one o he mos se ious public heal h p oblems o oday. Smoking cessa ion is he mos e ec i e way o achie e imp o emen s in mo bidi y and mo ali y amongs smoke s in bo h he sho and medium e m. Objec i es: To desc ibe he smoking cessa ion p og amme o Vila No a de Famalicão, in e ms o he me hodology used; o quan i y he success a e o he p og amme and o desc ibe he socio-demog aphic cha ac e is ics o clien s, compa ing hose who qui smoking and hose who con inued o smoke. Me hods: Clinical iles om 143 smoke s who had hei i s consul a ion be ween Janua y 2007 and Decembe 2009 we e analysed. Resul s: The a e age age o clien s was 44.5 yea s, hey we e mos ly men (76.2%), 74.8% we e ma ied and 77.8% had nine o less yea s o educa ion. The a e age age o s a ing o smoke was 14.79 yea s, hey smoked an a e age o 24.23 ciga e es a day o e a mean pe iod o 27.29 yea s. Six y- i e clien s (45.5%) d opped ou o he p og am a e he i s consul a ion and 19.6% d opped ou a e he second o subsequen consul a ions. Ha ing a scheduled “qui day” p edic ed a endance a he second consul a ion (p < 0.001) and being abs inen a he second consul a ion p edic ed compliance o he en i e p og am (p < 0,001). Clien s we e also mo e likely o ha e gi en up smoking by he end o he p og amme i hey had scheduled a “qui day” (p = 0,001). O e all, o he 78 clien s who a ended he 2nd consul a ion, 51.3% we e s ill no smoking h ee mon hs a e comple ing he p og amme, and 32% we e s ill no smoking a e one yea . Conclusion: Famalicão’s smoking cessa ion p og amme has achie ed good esul s and should con inue o be suppo ed, es ablishing e e al c i e ia o ensu e an e en highe success a e. Key wo ds: smoking cessa ion, epidemiology, obacco, mo i a ion Índice In odução ............................................................................................................... 1 Ma e ial e Mé odos ................................................................................................. 3 Resul ados .............................................................................................................. 5 1. Desc ição e quan i icação dos p ocessos 5 2. Ca ac e ização dos umado es 7 2.1. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas 7 2.2. Ca ac e ização do hábi o abágico 8 2.3. Dependência da nico ina e mo i ação 8 2.4. Ten a i as de cessação p é ias 9 2.5. Ou os hábi os 9 2.6. An eceden es pessoais 9 3.Adesão ao p og ama e al e ações de hábi os abágicos 10 4. Compa ação das ca ac e ís icas dos g upos de abs inen es e umado es após comple a em o p og ama de in e enção p e is o 13 5. Sucesso da in e enção 15 Discussão ............................................................................................................. 16 1. P incipais achados 16 2. Validade in e na do es udo 16 3. Validade ex e na e compa ação com achados de ou os es udos 17 4. P opos as pa a o u u o 20 Re e ências........................................................................................................... 21 Ag adecimen os.................................................................................................... 24 Anexo 1: Ques ioná io…………………………………………………………… ….25 Anexo 2: Tes e de Fage s om ............................................................................ 26 Anexo 3: Tes e de Richmond............................................................................... 27 1 In odução O abagismo é a p incipal causa e i á el de mo e em odo o Mundo 1-5 ep esen ando o p incipal ac o de isco pa a mo alidade p ema u a na Eu opa.6 Ce ca de me ade dos umado es mo e ão em consequência do abagismo, pe dendo em média 22 anos de ida.7 Em Po ugal 11,7% das mo es são di ec amen e a ibuí eis ao consumo de abaco.8 Es e con ibui com ce ca de 10,4% pa a o peso da doença em ge al exp esso em DALYs (anos de ida ajus ados pa a a incapacidade), es ando em 2º luga nos ac o es que con ibuem pa a a mo bilidade no nosso país.9 Um umado egula é de inido como um umado que consome pelo menos um ciga o po dia.9 Em 2008 oi es imado que 22% da população po uguesa com mais de 15 anos e a umado a egula 10, um alo ligei amen e in e io ao de 28,9% es imado pa a a zona eu opeia da O ganização Mundial de Saúde (OMS) 11, mas de qualque modo p eocupan e. Es ima-se que os gas os di ec os e indi ec os elacionados com o abagismo co espondam a 1,04% a 1,39% do PIB da União Eu opeia.11 Uma edução em 3% da população po uguesa umado a diminui ia os cus os pa a a saúde em 3.687.000 eu os a é 2020.12 O consumo de abaco ep esen a po udo is o um dos mais g a es p oblemas de saúde pública da ac ualidade, com epe cussões em oda a população, umado a e não umado a.7, 13-15 Em No emb o de 2005 oi adop ada po Po ugal a Con enção-Quad o pa a o Con olo do Tabagismo da OMS que con empla as medidas a adop a pa a comba e es a ealidade. En e elas des acam-se o aumen o do p eço do abaco, a p oibição o al de publicidade e pa ocínio aos p odu os do abaco, a es ição de uma em locais echados e a p omoção da cessação abágica.14-16 A OMS es ima que 75-85% dos umado es gos a iam de deixa de uma e que ap oximadamen e um e ço ize am pelo menos ês en a i as sé ias. No en an o, menos de me ade dos umado es êm sucesso na cessação abágica pe manen e an es dos 60 anos.11 2 Es udos comp o am que in e enções de apoio na cessação abágica aumen am o núme o de indi íduos que deixam de uma com sucesso.5, 11, 17 In e enções b e es ealizadas po clínicos ge ais jun o dos umado es êm uma e icácia de 3 a 15%.11 Es ima-se que em média uma mo e p ema u a se á e i ada po cada dois umado es que um clínico ajuda a deixa de uma .11 Com base em dados do Banco Mundial e da OMS, o in es imen o na cessação abágica cons i ui a ia mais e ec i a pa a ob e melho ias, a cu o e médio p azo, na mo bilidade e mo alidade associadas ao consumo de abaco.5, 14 Nos Es ados Unidos da Amé ica es ima-se que po cada dóla gas o em p og amas de cessação abágica se poupem en e 4 a 4,7 dóla es em cus os com a saúde.11 Tendo em con a es a ealidade, é consensual que os umado es de em se ac i amen e enco ajados e ajudados a deixa de uma , nomeadamen e a a és do acesso a consul as especializadas que o neçam in o mação, meios e apoio no p ocesso da cessação abágica.13, 14 As Consul as de Cessação Tabágica (CCT) são um ipo de in e enção de apoio in ensi o que assen a numa abo dagem p og amada ao longo de á ios meses, possibili ando um maio empo de in e acção en e o p o issional de saúde e o pacien e, o que pe mi e aumen a a axa de sucesso da cessação abágica.2, 14 Todas as in e enções em saúde de em se a aliadas.18 Isso aplica-se ambém às Consul as de Cessação Tabágica.1, 15 Segundo as ecomendações do EQUIPP 2011 11, o p og ama de cessação abágica não es á a se adequadamen e moni o izado e a aliado em Po ugal. Nes e con ex o, o objec i o ge al des a disse ação é ca ac e iza a implemen ação e uncionamen o da CCT do Cen o de Saúde de Vila No a de Famalicão. Pa a esse e ei o assumem-se como objec i os especí icos: desc e e e quan i ica os p ocessos e passos implemen ados na CCT; desc e e e quan i ica as ca ac e ís icas sócio-demog á icas dos u en es da CCT; es ima a axa de êxi o da CCT; compa a as ca ac e ís icas dos g upos de abs inen es e umado es após comple a em o p og ama de in e enção p e is o. 3 Ma e ial e Mé odos Pa a a ealização des e es udo o am analisados os 144 p ocessos clínicos e e en es aos u en es da CCT do Cen o de Saúde de Vila No a de Famalicão (VNF) que i e am a sua p imei a consul a no pe íodo de 1 de Janei o de 2007 a 31 de Dezemb o de 2009. Es a consul a es á em uncionamen o desde 2006. No en an o, a é 2007, a consul a não es a a es u u ada de aco do com o p o ocolo da Di ecção Ge al de Saúde (DGS), azão pela qual o am excluídos os p ocessos ela i os ao p imei o ano da CCT. Os dados co esponden es a 2010 o am ambém excluídos, endo em con a não exis i um pe íodo de empo su icien e pa a a alia a abs inência abágica des es u en es. Foi cons uída uma base de dados de aco do com o ques ioná io do P og ama de P e enção e T a amen o do Tabagismo da Adminis ação Regional de Saúde (ARS) do No e (Anexo 1) aplicado a odos os u en es des a consul a. Foi excluído o caso de um umado de ciga ilhas, ob endo-se uma amos a de 143 umado es dos quais se analisa am a iá eis sócio-demog á icas (sexo, idade, es ado ci il, p o issão e g au de escola idade), o mo i o que le ou o u en e a eco e à consul a, a iá eis elacionadas com a his ó ia abágica (nº de ciga os/dia, idade de início do consumo e anos de consumo egula ), a iá eis ela i as a en a i as de cessação p é ia, g au de dependência e de mo i ação, ou os hábi os ou compo amen os adi i os, co-mo bilidades e uso de medicação. Fo am ambém egis ados os dados ela i os à abo dagem e apêu ica adop ada na CCT (ma cação de dia D, e apia a macológica e não- a macológica) e es ado de abs inência nos di e sos passos do p og ama. A pa i das a iá eis o iginais do ques ioná io o am c iadas e/ou ecodi icadas algumas no as a iá eis. Com base nas espos as à pe gun a 51 do ques ioná io (Anexo 1) oi c iada a a iá el “psicopa ologia”, com as classes “sim” e “não”; o am classi icados com endo psicopa ologia, os que assinala am a exis ência de ano exia / bulimia, sínd ome dep essi o, psicose, alcoolismo / oxicodependência e a aques de pânico. Pa a e ei os de análise es a ís ica, a a iá el “es ado ci il” oi ecodi icada, ag egando na classe “casado” os casados e em união de ac o e na “não casado” os sol ei os, di o ciados e iú os. De o ma análoga, na a iá el “si uação labo al”, 4 ag ega am-se nos “não ac i os” os es udan es, desemp egados e e o mados. Na análise es a ís ica, conside ou-se o g upo de umado es que apenas mani es ou in enção de eduzi o consumo como “não endo ma cado dia D”. Fo am conside ados como “não abs inen es” aqueles u en es que apenas eduzi am o consumo abágico. Algumas a iá eis esul an es da análise do ques ioná io, com dados omissos (“missing”) pa a mui os u en es, não o am al o de análise es a ís ica, a não se em casos excepcionais cla amen e iden i icados nos “ esul ados”. Os egis os de ele onemas aos 6, 9 e 12 meses e am omissos nos p ocessos de mui os u en es. Assim, as in o mações esul an es desses ele onemas o am usadas pa a uma es ima i a de êxi o aos 12 meses, mas não o am conside adas na análise es a ís ica uni a iada adian e desc i a. A cons i uição e manipulação da base de dados, assim como a análise es a ís ica o am ealizadas com ecu so ao p og ama SPSS e são 17.0. Foi ei a uma análise desc i i a da dis ibuição dos u en es pelas di e sas a iá eis sócio-demog á icas, hábi os abágicos e ou as a iá eis a ás mencionadas, com in luência comp o ada no sucesso des e ipo de in e enções.15, 19 Foi ealizada uma análise uni a iada da associação en e as a iá eis ca egó icas po encialmen e p edi i as a ás mencionadas, e as seguin es a iá eis dependen es: “compa ência à 2ª consul a”, “adesão ao p og ama após a 2ª consul a” e “abs inência após comple a as cinco consul as”, u ilizando as p o as do χ2 e exac a de Fishe (casos com mais de 20% das células com alo es espe ados in e io es a 5). No caso de a iá eis con ínuas (“idade à da a da 1ª consul a” e “anos de consumo egula ”), oi u ilizado o es e de One Way Ano a pa a compa ação de médias em cada g upo das a iá eis dependen es sup a-ci adas. Fo am usados modelos de eg essão logís ica com as a iá eis es a is icamen e signi ica i as na análise uni a iada a ás desc i a. Foi conside ado como es a is icamen e signi ica i o o alo de p < 0,05. 11 Tabela III – Ca ac e ís icas do g upo que compa eceu à 2ª consul a e do g upo que desis iu após a 1ª consul a Compa eceu 2ª consul a Desis iu após 1ª consul a P Global n = 143 78 (54,5%) 65 (45,5%) Sexo Feminino 19 (55,9%) 15 (44,1%) 0,86 (χ2) Masculino 59 (54,1%) 50 (45,9%) Idade média em anos à da a da 1ª consul a 44,18 44,77 0,76 (Ano a) Es ado Ci il Casado 62 (57,4%) 46 (42,6%) 0,18 (χ2) Não casado 15 (44.1%) 19 (55,9%) Si uação Labo al Ac i o 54 (56,8%) 41 (43,2%) 0,37 (χ2) Não ac i o 23 (48,9%) 24 (51,1%) Nº de ciga os/dia ≤ 30 37 (57,8%) 27 (42,2%) O,48 (χ2) > 30 41 (51,9%) 38 (48,1%) Média de anos de consumo egula 26,99 27,65 0,75 (Ano a) Ho a do 1º ciga o < 30 minu os 42 (57,5%) 31 (42,5%) 0,25 (χ2) > 30 minu os 29 (47,5%) 32 (52,5%) Tipo de e e enciação Inicia i a p óp ia 53 (61,6%) 33 (38,4%) 0,04 (χ2) Inicia i a médica 22 (43,1%) 29 (56,9%) Ten a i a P é ia Sim 67 (54,0%) 57 (46,0%) 0,52 (χ2) Não 10 (62,5%) 6 (37,5%) P esc ição Fa macológica Sim 62 (62,0%) 38 (38,0%) 0,01 (χ2) Não 16 (37,2%) 27 (62,8%) Psicopa ologia Sim 11 (50,0%) 11 (50,0%) 0,64 (χ2) Não 67 (55,4%) 54 (44,6%) Ma cação dia D Sim 62 (79,5%) 16 (20,5%) <0,001 (χ2) Não 16 (24,6%) 49 (75,4%) Na análise uni a iada, obse ou-se uma associação es a is icamen e signi ica i a en e as a iá eis “ ipo de e e enciação pa a a CCT”, “p esc ição a macológica” e “ma cação do dia D”, e a “adesão à 2ª consul a”. E a mais p o á el compa ece à 2ª consul a, se o umado i esse sido e e enciado po inicia i a p óp ia (P = 0,04), se lhe i esse sido p esc i o um á maco na 1ª consul a (P = 0,01) ou se i esse ma cado dia D (P < 0,001). No modelo de eg essão logís ica mul i a iada com as ês a iá eis a ás mencionadas como a iá eis p edi i as, apenas “ma cação do dia D” se man ém como associada à “adesão à 2ª consul a” de o ma es a is icamen e signi ica i a (P < 0,001). Ou seja, as apa en es associações das a iá eis “mo i o de e e enciação pa a a CCT” e “p esc ição a macológica” esul am do e ei o de con undimen o 18 da 12 a iá el ma cação de dia D e não da e ec i a associação com a a iá el dependen e (“adesão à segunda consul a”). A Tabela IV compa a as ca ac e ís icas dos que comple a am ou não o p og ama de cinco consul as da CCT, es ingindo a análise aos 78 u en es que compa ece am à 2ª consul a. E a mais p o á el comple a as cinco consul as se o u en e es i esse abs inen e na 2ª consul a. Es a oi a única associação es a is icamen e signi ica i a (P < 0,001). Tabela IV – Ca ac e ís icas dos de umado es que comple a am o p og ama e dos que desis i am após a 2ª consul a P og ama Comple o Desis ência após 2ª consul a P Global n = 78 50 (64,1%) 28 (35,9%) Sexo Feminino 12 (63,2%) 7 (36,8%) O,92 (χ2) Masculino 38 (64,4%) 21 (35,6%) Idade média em anos à da a da 1ª consul a 44,80 43,07 0,49 (Ano a) Es ado Ci il Casado 42 (67,7%) 20 (32,3%) 0,13 (χ2) Não casado 7 (46,7%) 8 (53,3%) Si uação Labo al Ac i o 35 (64,8%) 19 (35,2%) 0,74 (χ2) Não ac i o 14 (60,9%) 9 (39,1%) Nº de ciga os/dia ≤30 24 (64,9%) 13 (35,1%) 0,89 (χ2) >30 26 (63,4%) 15 (36,6%) Média de anos de consumo egula 27,48 26,11 0,62 (Ano a) Ho a do 1º ciga o < 30 minu os 26 (61,9%) 16 (38,1%) 0,36 (χ2) >30 minu os 21 (72,4%) 8 (27,6%) Tipo de e e enciação Inicia i a P óp ia 35 (66,0%) 18 (34,0%) 0,84 (χ2) Inicia i a Médica 14 (63,6%) 8 (36,4%) Ten a i a P é ia Sim 44 (65,7%) 23 (34,3%) 0,48 (Fishe ) Não 5 (50,0%) 5 (50,0%) P esc ição Fa macológica Sim 39 (62,9%) 23 (37,1%) 0,66 (χ2) Não 11 (68,8%) 5 (31,3%) Psicopa ologia Sim 9 (81,8%) 2 (18,2%) 0,31 (Fishe ) Não 41 (61,2%) 26 (38,8%) Ma cação dia D Sim 41 (66,1%) 21 (33,9%) 0,46 (χ2) Não 9 (56,3%) 7 (43,8%) Abs inência 2ª consul a Sim 39 (79,6%) 10 (20,4%) <0,001 (χ2) Não 11 (37,9%) 18 (62,1%) 13 4. Compa ação das ca ac e ís icas dos g upos de abs inen es e umado es após comple a em o p og ama de in e enção p e is o Dos 50 u en es que comple a am o p og ama de cinco consul as, 40 (80%) es a am abs inen es na consul a dos 3 meses (Figu a 2). Es a abs inen e na 2ª consul a e a al amen e p edi i o de man e esse es ado no inal do p og ama (P < 0,001); a maio pa e (38/40 = 95,0%) dos abs inen es no inal do p og ama, já es a a nessa condição na 2ª consul a, enquan o apenas 2 dos não abs inen es na 2ª consul a inham deixado de uma no inal do p og ama. A Tabela V compa a as ca ac e ís icas dos g upos de abs inen es e umado es. Tabela V – Ca ac e ís icas dos g upos que, após comple a em o p og ama, es a am abs inen es ou não abs inen es Abs inen es Não Abs inen es P Global n=50 40 (80%) 10 (20%) Sexo Feminino 9 (75%) 3 (25%) 0,69 (Fishe ) Masculino 31 (81,6%) 7(18,4%) Idade média em anos à da a da 1ª consul a 44,6 45,8 0,73 (Ano a) Es ado Ci il Casado 35 (83,3%) 7 (16,7%) 0,14 (Fishe ) Não casado 4 (57,1%) 3 (42,9%) Si uação Labo al Ac i o 28 (80%) 7 (20%) 1,00 (Fishe ) Não ac i o 11 (78,6%) 3 (21,4%) Nº de ciga os/dia ≤30 20 (83,3%) 4 (16,7%) 0,73 (Fishe ) >30 20 (76,9%) 6 (23,1%) Média de anos de consumo egula 26,67 30,70 0,33 (Ano a) Ho a do 1º ciga o < 30 minu os 19 (73,1%) 7 (26,9%) 0,16 (Fishe ) >30 minu os 19 (90,5%) 2 (9,5%) Tipo de e e enciação Inicia i a P óp ia 31 (88,6%) 4 (11,4%) 0,02 (Fishe ) Inicia i a Médica 8 (57,1%) 6 (42,9%) Ten a i a P é ia Sim 35 (79,5%) 9 (20,5%) 1,00 (Fishe ) Não 4 (80%) 1 (20%) P esc ição Fa macológica Sim 33 (84,6%) 6 (15,4%) 0,20 (Fishe ) Não 7 (63,6%) 4 (36,4%) Psicopa ologia Sim 4 (44,4%) 5 (55,6%) 0,01 (Fishe ) Não 36 (87,8%) 5 (12,2%) Ma cação dia D Sim 39 (95,1%) 2 (4,9%) <0,001 (Fishe ) Não 1 (11,1%) 8 (88,9%) 14 Na análise uni a iada, obse ou-se uma associação es a is icamen e signi ica i a en e “mo i o de e e enciação pa a a consul a”, “exis ência de psicopa ologia” e “ma cação do dia D”, e a abs inência após comple a o esquema e apêu ico. E a mais p o á el es a abs inen e se o u en e i esse sido e e enciado po inicia i a p óp ia (P = 0,02), se não i esse his ó ia de psicopa ologia (P = 0,01) e se i esse ma cado dia D na 1ª consul a (P < 0,001). No modelo de eg essão logís ica com as ês a iá eis a ás mencionadas, apenas “ma cação do dia D” se man ém como associada à abs inência no inal do p og ama de o ma es a is icamen e signi ica i a (P = 0,001). Ou seja, as apa en es associações das a iá eis “ ipo de e e enciação” e “psicopa ologia” esul am do e ei o de con undimen o18 da a iá el “ma cação de dia D”. Tabela VI – Ma cação de dia D e es ado de abs inência Abs inen es Não Abs inen es To al P 2ª Consul a Ma ca am dia D 48 (61,5%) 14 (48,3%) 62 (79,5%) <0,001 (Fishe ) Não ma ca am dia D 1 (1,3%) 15 (19,2%) 16 (20,5%) To al 49 (62,8%) 29 (37,2%) 78 (100%) Consul a 15 dias Ma ca am dia D 42 (66,7%) 11 (17,5%) 53 (84,1%) <0,001 (Fishe ) Não ma ca am dia D 1 (1,6%) 9 (14,3%) 10 (15,9%) To al 43 (68,3% 20 (31,7%) 63 (100%) Consul a 1 mês Ma ca am dia D 44 (75,9%) 5 (8,6%) 49 (84,5%) <0,001 (Fishe ) Não ma ca am dia D 1 (1,7%) 8 (13,8%) 9 (15,5%) To al 45 (77,6%) 13 (22,4%) 58 (100%) Consul a 3 meses Ma ca am dia D 39 (78,0%) 2 (4,0%) 41 (82,0%) <0,001 (Fishe ) Não ma ca am dia D 1 (2,0%) 8 (16,0%) 9 (18,0%) To al 40 (80%) 10 (20%) 50 (100%) 15 Analisando em de alhe a associação en e ma cação inicial de dia D e abs inência, e i icou-se que, não só na úl ima consul a, mas ambém nos passos in e médios, oi encon ada uma associação es a is icamen e signi ica i a en e a ma cação de D e o es ado de abs inência abágica. E a mais p o á el es a abs inen e em qualque uma das consul as se o u en e i esse ma cado dia D (Tabela VI). 5. Sucesso da In e enção Como icou a ás desc i o (Tabela V) 80,0% dos u en es que chega am à consul a dos ês meses es a am abs inen es. Mas, se ossem conside ados como umado es odos os que abandona am o p og ama, a axa de sucesso aos ês meses se ia de 51,3% (40 dos 78 u en es que compa ece am à 2ª consul a). No en an o, como é ecomendado po á ios au o es/en idades 14,20,21 a alia es e ipo de in e enção aos 12 meses, ize am-se ês es ima i as da axa de êxi o com base nas in o mações disponí eis a pa i dos ele onemas ealizados e egis ados, apesa das suas limi ações. Ha ia egis o de ele onemas aos 12 meses, de 28 dos u en es que chega am à consul a do 3º mês (25 es a am “abs inen es”) e de qua o dos que inham abandonado o p og ama depois da 2ª consul a ( odos “não abs inen es”). Conside ando o “pio cená io possí el”, a axa de sucesso aos 12 meses se ia de 32,0% (25 abs inen es con i mados po ele onema / 78 u en es que compa ece am à 2ª consul a). Conside ando o “melho cená io possí el”, a axa de sucesso aos 12 meses se ia de 91,0% (apenas se e u en es decla a am que e am umado es, no ele onema aos 12 meses, assumindo-se que odos os ou os u en es es a iam abs inen es). Se se conside asse que a amos a de u en es com dados esul an es de ele onemas e a ep esen a i a de odos os que inham compa ecido à 2ª consul a, a axa de êxi o se ia de 78,1% (25/32). 16 Discussão 1. P incipais achados A CCT de VNF es á es u u ada de aco do com o P og ama Tipo de Ac uação na Cessação Tabágica da DGS.14 Embo a na 1ª consul a já seja ealizada in e enção, só se conside am ade en es ao p og ama, os u en es que compa ecem à 2ª consul a. Apenas 54,5% dos u en es compa ece am à 2ª consul a, o que es á posi i amen e associado à escolha, na 1ª consul a, de um dia D pa a deixa de uma . A maio ia dos u en es que ade e ao p og ama (compa ece à 2ª consul a) segue-o a é ao im (consul a dos ês meses), o que es á associado ao ac o de es a já abs inen e na 2ª consul a. Te escolhido um dia D pa a deixa de uma , es á posi i amen e associado ao es ado de abs inência em odas as consul as, nomeadamen e na dos ês meses. A axa de êxi o aos 12 meses si ua-se en e os 32,0% (“melho cená io”) e os 91,0% (“pio cená io”), não sendo possí el aze uma es ima i a p ecisa. 2. Validade in e na do es udo Os achados des e es udo são álidos? Is o é, são e dadei os? É habi ual esponde a es a pe gun a conside ando a possí el in luência de iés, con undimen o e acaso.18 Apesa de o ques ioná io não e sido sujei o a nenhum es udo o mal de alidação, pelas ca ac e ís icas das pe gun as e das a iá eis esul an es, não se iden i ica nenhum p oblema e iden e de alidade da in o mação ela i a às ca ac e ís icas sócio-demog á icas, hábi os e an eceden es dos u en es. Po ou o lado, as a iá eis com mui as obse ações omissas não o am analisadas. Rela i amen e à a iá el “abs inência”, o uso do es e do monóxido de ca bono no a expi ado na consul a dos ês meses, é a o á el à alidade 17 da mesma.25 A abs inência aos 12 meses oi a aliada a a és de um con ac o ele ónico, pelo que mais sujei a a po encial iés de in o mação.25 Alguns e ei os de con undimen o, nalgumas associações a aliadas, o am con olados pelo uso de modelos de eg essão logís ica mul i a iada. O amanho da amos a es udada oi su icien e pa a encon a algumas associações es a is icamen e signi ica i as. No en an o, não se sabe se e iam sido encon adas ou as, caso a amos a osse maio . Em qualque dos casos, es e abalho não oi especi icamen e desenhado como um es udo analí ico e o amanho amos al esul ou do ac o de se a a de uma amos a de con eniência. 3. Validade ex e na e compa ação com achados de ou os es udos Nas abelas VII a IX compa am-se algumas ca ac e ís icas e esul ados ob idos no p esen e es udo e em ou os es udos a ní el nacional. Tabela VII – Compa ação das ca ac e ís icas sócio-demog á icas em es udos nacionais N Idade média (anos) Sexo (%) % Casados % Ac i os < 10 anos de escola idade (%) Feminino Masculino CCT Famalicão 143 44,45 23,8 76,2 74,8 66,9 77,5 CCT Gaia 21 (Ig eja 2009) 328 46,47 32,3 67,7 69,8 76,8 67,7 CCT Bom Jesus 20 (Al es 2009) 869 ND* 49,0 51,0 56,0 73,0 50,0 CCT Al alade 22 (Rebelo 2008) 184 45,7 50,0 50,0 ND* 73,3 30,9 *ND – In o mação não disponí el A maio ia dos u en es da CCT de VNF e a do sexo masculino (76,2%), esul ado mais exp essi o que nou as consul as a ní el nacional (Tabela VII). 18 O alo obse ado es á de aco do com p opo ção de ês homens pa a cada mulhe umado a na população ge al, es imada pa a egião No e em 2005.23 No ge al, a população des a consul a em uma maio pe cen agem de u en es do sexo masculino, u en es casados e não p o issionalmen e ac i os, bem como um g au de escola idade in e io ao de ou as consul as. Tabela VIII – Compa ação dos hábi os abágicos em es udos nacionais N Nº de ciga os/ dia (média) Anos de consumo egula (média) Idade do 1º ciga o (média) CCT Famalicão (P esen e es udo) 143 24,2 27,29 14,79 CCT Gaia 21 (Ig eja 2009) 328 24,0 30,29 16,18 CCT Bom Jesus 20 (Al es 2009) 869 ND* ND* ND* CCT Al alade 22 (Rebelo 2008) 184 28,8 ND* 15,6 *ND – In o mação não disponí el A média de ciga os consumidos po dia (24,2) é semelhan e ao alo ela ado po Ig eja (24,0) 21, mas in e io ao ob ido po Rebelo (28,8) 22. A média de anos de consumo egula é in e io à da CCT de Gaia 21 (Tabela VIII). A idade média em que os u en es uma am o 1º ciga o é mais baixa na consul a de VNF (Tabela VIII). As consul as de Gaia 21 êm um uncionamen o semelhan e ao da CCT de VNF. A consul a de Al alade 22 em c i é ios es abelecidos pa a o acesso ao p og ama que incluem indicado es de mo i ação e dependência, ausência de “c ise psicossocial” e disponibilidade no ho á io da consul a. A consul a do Cen o de Saúde do Bom Jesus 20 exclui os umado es com ou as dependências e psicopa ologia não compensada, bem como aqueles que a i mam não e capacidade inancei a pa a supo a os cus os da e apêu ica. Es a CCT o e ece um esquema mais in ensi o e com apoio de ou os especialis as pa a odos os u en es. 19 As di e enças nas ca ac e ís icas sócio-económicas e de hábi os abágicos dos u en es, bem como nas ca ac e ís icas da p óp ia consul a, en e a CCT de VNF e ou as CCT po uguesas com dados publicados, limi am a sua compa abilidade e, po isso, alguns comen á ios e explicações em seguida a ançados de em se lidos com p udência e conside ados como especula i os. Tabela IX – Compa ação da axa de abandonos e abs inência em es udos nacionais N % Abandono após 1ª consul a % Abandono após 2ª consul a % Abandono o al % Abs inen es 12 meses CCT Famalicão 143 45,5 19,6 65,1 32,0 † CAICT Gaia 21 (Ig eja 2009) 328 51,5 14,3 65,8 30,2 CCT Bom Jesus 20 (Al es 2009) 869 24,9 ND* ND* 43,0 CCT Al alade 22 (Rebelo 2008) 184 ND* ND* 27,0 24,0 *ND – In o mação não disponí el † - “Pio cená io possí el” A axa de abandono da CCT de VNF du an e odos os passos do p og ama é compa á el à desc i a po Ig eja 21 mas mui o supe io à de Rebelo 22 (Tabela IX). A abs inência ao ano es imada segundo o “pio cená io possí el ” es á de aco do com ou os es udos nacionais (Tabela IX) e com as axas de abs inência aos 12 meses e e idas em es udos in e nacionais, que a iam en e 17,7% a 35%.2,5,17, 24 As di e enças nas axas de abandono podem se jus i icadas pelos di e en es c i é ios u ilizados pa a acesso à CCT. A consul a em es udo não exclui qualque u en e e e enciado pa a cessação abágica, sendo que, alguns dos umado es que êm acesso a es a consul a, não êm qualque in enção de deixa de uma (3,5%) ou não o que em aze em b e e (19,6%). A CCT de VNF em uma axa de sucesso al a, apesa de não e sido possí el es abelece o seu alo p eciso. 20 4. P opos as pa a o u u o A CCT de VNF es á a se um êxi o com po encial impac o mui o posi i o sob e a população umado a, pelo que de e se man ida e apoiada. A ealização des e es udo pe mi e deixa algumas suges ões ela i amen e ao seu uncionamen o. Se ia bené ica a exis ência de uma linha ele ónica disponí el pa a con ac a os umado es, que pa a a alia a sua abs inência aos 6, 9 e 12 meses, que pa a e en uais con ac os pos e io es pa a a alia a abs inência a longo p azo. A in o mação ela i a aos con ac os ele ónicos de e á se egis ada sis ema icamen e, inclusi amen e a dos con ac os que não ob i e am espos a. O in es imen o na o mação dos médicos de Medicina Ge al e Familia na á ea da cessação abágica, com compe ências pa a ealiza in e enções b e es e aplica c i é ios de e e enciação pa a a CCT, é de ex ema impo ância 1, 14, podendo con ibui pa a maio e icácia da CCT, nomeadamen e pa a diminui as axas de abandono. Aconselha-se ainda o uso dos es es de Richmond e Fage s om (Anexos 2 e 3) de o ma sis emá ica, pa a a aliação da mo i ação e g au de dependência dos umado es, endo em con a o seu alo p edi i o de adesão e sucesso na cessação abágica.26 27 28 29 30 31 32 26 Anexo 2 Tes e de Fage s om 27 27 Anexo 3 Tes e de Richmond 28