Abates Sanitários de Tuberculose Bovina na Região Norte em 2015
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Relatório Final de Estágio Mestrado Integrado em Medicina Veterinária ABATES SANITÁRIOS DE TUBERCULOSE BOVINA NA REGIÃO NORTE EM 2015 Márcia Catarina Vilas Carvalho Orientadora Professora-Doutora Eduarda Maria Freitas Gomes da Silva Neves Coorientador Dr. Paulo Jorge Marcos Silva Pereira Porto 2016
Relatório Final de Estágio Mestrado Integrado em Medicina Veterinária ABATES SANITÁRIOS DE TUBERCULOSE BOVINA NA REGIÃO NORTE EM 2015 Márcia Catarina Vilas Carvalho Orientadora Professora-Doutora Eduarda Maria Freitas Gomes da Silva Neves Coorientador Dr. Paulo Jorge Marcos Silva Pereira Porto 2016
iii RESUMO A tuberculose bovina é uma doença infeto contagiosa responsável por importantes perdas económicas, constituindo um obstáculo à livre circulação de animais e dos seus produtos entre os Estados Membros, daí a necessidade da implementação de programas de erradicação com o objetivo de erradicar, prevenir e controlar a doença. Assim, desenvolveu-se um estudo retrospetivo dos abates sanitários por Tuberculose Bovina no ano de 2015, com o objetivo de fazer o levantamento de dados a nível nacional, bem como encontrar relações entre o número e localização das lesões, número e localização das regiões com lesões e dados referentes aos animais (idade, sexo e movimentos) com decisão sanitária aplicada na região Norte. De um total de 367152 bovinos abatidos em abate normal em Portugal continental, verificou-se que 154785 (42,1%) foram abatidos na região Norte, 34860 (9,5%) na região Centro, 94362 (25,7%) na região de Lisboa e Vale do Tejo e 16053 (4,4%) na região do Alentejo, tendo-se verificado 1340, 73, 234 e 37 rejeições totais, respetivamente. De um total de 653 animais sujeitos a abate sanitário por tuberculose bovina, 69 eram da região Norte (10,6%), 355 (54,4%) da região de Lisboa e Vale do Tejo, e 229 (35%) da região do Alentejo, resultando em 11, 22 e 24 bovinos rejeitados, respetivamente, Dos 69 bovinos sujeitos a abate sanitário por tuberculose bovina na região Norte 30 (43,5%) apresentaram lesões durante a inspeção sanitária, sendo que 17 (56,7%) apresentaram lesões somente numa região anatómica. A média de lesões por animal foi de 2,1 lesões, sendo que a maioria se localizavam nos linfonodos brônquico, mediastínico, retrofaríngeo e no pulmão (65,1% das lesões), o que significou uma superioridade da região do tórax (43,5%). É de referir que 18 (60%) dos 30 animais foram destinados a reprovação total. Esta decisão foi aplicada quando duas ou mais regiões estavam afetadas, enquanto dos animais com 1 região, 33,3% foram classificados como impróprios. A maioria dos animais sujeitos a abate sanitário eram do sexo feminino, com idade média entre os 5 e 6 anos tendo nascido e permanecido durante a maior parte da sua vida na região Norte.
iv AGRADECIMENTOS Desde já gostaria de referir que o pequeno espaço destinado a esta secção não me permitirá agradecer devidamente a todas as pessoas que, ao longo do meu Mestrado Integrado em Medicina Veterinária me ajudaram, direta ou indiretamente, a cumprir os meus objetivos e a atingir mais uma etapa da minha vida. À minha orientadora tutorial, a Professora-Doutora Eduarda Neves, pela sua orientação e apoio que elevaram os meus conhecimentos não só durante o estágio, como também durante toda a fase da minha carreira universitária. As suas aulas estimularam o meu desejo e gosto por esta área e a vontade de querer fazer tudo isto. Ao meu coorientador de estágio, o Dr. Paulo Silva Pereira por me ter proporcionado as condições necessárias para a aprendizagem nesta área e por todos os seus esforços na resolução de dúvidas ou contratempos que iam aparecendo. Agradeço a sua simpatia, disponibilidade e paciência. Ao GRANDE e MUI NOBRE Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, todos os professores e funcionários. Em especial à Professora Paula Ferreira, à Professora Graça Lobo, ao Professor Armando Lemos, à Professora Carla Mendonça, ao Professor Pablo Payo, à Professora Margarida Araújo, à Professora Ana Patrícia Sousa, ao Professor Alexandre Quintanilha e ao Professor Paulo Vaz Pires pela enorme capacidade de tornarem as suas aulas mais leves e animadas. Não podia esquecer a equipa maravilhosa da UpVet que tanta paciência teve para me ensinar desde os procedimentos mais básicos até aos que pensaria que nunca seria capaz de realizar sozinha. Um obrigada especial ao Dr. Jorge e à Doutora Liliana por todo o profissionalismo e amor à profissão que sempre me mostraram. A todos os animais, nomeadamente os nossos beagles e todos os animais de vairão que tanto me permitiram aprender, prestando uma contribuição fundamental para grande parte do que sei hoje. À DGAV, por me ter permitido realizar o estágio nas suas instalações e pela confiança que em mim depositou. A todos os inspetores sanitários com quem tive o orgulho e privilégio de trabalhar, agradeço a amabilidade e boa disposição com que me receberam. Em especial à Dra. Túlia Aires, ao Dr. Luiz Soncini, à Dra. Susana Gonçalves, à Dra. Manuela Carvalhas, ao Dr. David Paulo, ao Professor Doutor Paulo Ribeiro, ao Dr. Luís Serra, à Dra. Teresa Oliveira e ao senhor Américo Maia pela sua sabedoria e auxílio que foram essenciais neste percurso.
v A todos os matadouros onde tive o prazer de trabalhar. Um sincero obrigada aos seus funcionários pela gentileza e respeito com que sempre me trataram. Aos meus colegas e chefes de trabalho por sempre terem sido compreensivos e atenciosos, ajudando-me em trocas de horários para conseguir conciliar tudo. Aos meus amigos de longa e curta data que sempre me motivaram neste sonho. Em especial à Cláudia Nogueira por todo o apoio e preocupação, em todos os momentos estiveste presente, sempre com uma palavra amiga, um abraço confortante. À Daniela Queirós, minha amiga há mais de 20 anos que sempre me acompanhou e deu força. À Clarisse Fernandes, embora agora um pouco mais distante mas que sempre foi uma força, principalmente naquelas noitadas de estudo intermináveis em que só queria desistir. Ao João Souto, grande amigo que sempre me ouviu e aconselhou e nunca deixou que desistisse. À Cátia Dias por todos os desabafos e por toda a sua boa energia. Ao Jorge Nora, meu amigo e namorado, um agradecimento ainda mais especial pelo apoio e carinho diários, pelas palavras doces e pela transmissão de confiança e de força, em todos os momentos, principalmente naqueles em que deixei de acreditar em mim. Agradeço a enorme paciência e ternura com que sempre me apoiaste, não deixando, todavia, de me chamar à razão e de me fazer ver o que era certo e justo. À minha família sem qualquer exceção. Principalmente aos meus pais, sem eles nada seria possível, sempre me forneceram todas as ferramentas para chegar onde cheguei, sempre acreditaram em mim e se orgulharam das minhas pequenas conquistas. Aos meus avós maternos que sempre estiveram presentes, foram o meu maior suporte desde bem pequena, sempre deram tudo o que podiam e mimaram-me como ninguém. À minha tia Paula que foi a minha maior referência para ser uma estudante empenhada e lutadora. Ao meu irmão Daniel, chato como sempre, mas que nunca deixou de me ajudar e motivar. Para terminar, mas não menos importante: a DEUS. Porque sei que sem ti nada sou e sem ti não teria a sorte em agradecer a cada uma destas pessoas que fizeram e fazem do meu percurso e da minha vida um trilho mais brilhante.
vi ABREVIATURAS AS - Abate Sanitário BAAR - Bacilo Álcool-Ácido Resistente CE - Comissão Europeia CMT - Complexo Mycobacterium tuberculosis DDO - Doença de declaração obrigatória DGAV - Direção Geral de Alimentação e Veterinária DGV - Direção Geral de Veterinária DNA - Ácido Desoxirribonucleico DSSA - Direção de Serviços de Segurança Alimentar DSAVR - Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais DSAVRN – Direção de Serviços de Alimentação e Veterinária da Região Norte EFSA – Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos ELISA – Enzima - Linked Immunosorbent Assay EM - Estado-Membro EUA - Estados Unidos da América FEC-GM - Fator Estimulador de Colónias Granulocíticas e Monocíticas FIM - Fator Inibidor de Migração IDTC - Prova de intradermotuberculinização comparada IFN-γ - Interferão-Gamma, Fator de necrose tumoral IRCA - Informação relativa à cadeia alimentar IS - Inspeção Sanitária Kg - Quilograma Lnn - Linfonodos MVO - Médico Veterinário Oficial M. - Mycobacterium NOI - Não Oficialmente Indemne NUT - Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins estatísticos OI - Oficialmente Indemne OIE - Organização Internacional de Epizootias PCR - Polimerase Chain Reaction PE - Plano de Erradicação PETB - Programa de erradicação da tuberculose bovina PISA - Programa Nacional de Saúde Animal PPD - Purified Protein Derivative rRNA - Ácido Ribonucleico Ribossomal SIPACE - Sistema de Informação do Plano de Aprovação e Controlo dos Estabelecimentos SNIRA - Sistema Nacional de Identificação Animal TB - Tuberculose Bovina UE - União Europeia ZN - Ziehl Neelsen < - Menor que > - Maior que % - Percentagem
vii ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 - Estatuto dos países no que respeita à tuberculose Figura 2 – Mycobacterium bovis. Figura 3 – Microscopia eletrónica de Mycobacterium bovis Figura 4 – Lesões de tuberculose nos linfonodos mesentéricos Figura 5 – Granuloma circundado por células gigantes de Langhans, células epiteliais, linfócitos, macrófagos e fibroblastos Figura 6 – Granuloma da tuberculose Figura 7 - Infiltração granulomatosa e formação de células gigantes de Langhans no ápice das vilosidades do jejuno Figura 8 – Tuberculose Miliar Figura 9 – Gânglio linfático normal Figura 10 - Lesão com formato nodular de cor amarelada, com aspeto caseoso e cápsula fibrosa ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Distribuição do número de animais em função do número de lesões apresentada Gráfico 2 – Distribuição do número de animais em função do número de regiões afetadas Gráfico 3 – Distribuição do número de animais por localização das lesões apresentadas Gráfico 4 – Distribuição do número de animais por região das lesões apresentadas Gráfico 5 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além da cabeça Figura 11 – Lesões caseo-calcárias no linfonodo traqueobrônquico Figura 12 – Lesões tuberculosas no pulmão Figura 13 – Lesões tuberculosas no pulmão Figura 14 – Lesões tuberculosas no fígado Figura 15 – Lesões tuberculosas no rim Figura 16 – Prova da Intradermotuberculinização comparada (IDTC) Figura 17 – Medição da espessura da pele na prova de IDTC Figura 18 – Bacilos álcool-ácido resistentes no citoplasma de célula gigante em lesão de linfonodo bovino com tuberculose. Figura 19 – Modelo de inspeção post mortem dos abates sanitários de tuberculose bovina com descrição do quadro lesional enviado para o laboratório Gráfico 6 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além do tórax Gráfico 7 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além do trato gastrointestinal Gráfico 8 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além dos linfonodos periféricos Gráfico 9 – Decisão sanitária em função do número de lesões
viii Gráfico 10 – Decisão sanitária em função do número de regiões anatómicas afetadas Gráfico 11 – Distribuição do número de animais por grupo etário em função do número de lesões Gráfico 12 - Distribuição do número de animais por grupo etário em função do número de regiões afetadas ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Resumo das observações durante o estágio nos diferentes matadouros Tabela 2, 3 e 4 – Resumo das rejeições post mortem assistidas durante o período de estágio Tabela 5 - Prevalência da tuberculose bovina em Portugal, em 2014 Tabela 6 - Interpretação dos resultados da prova de IDTC. Tabela 7 – Região atribuída a cada localização de lesão Gráfico 13 - Distribuição do número de lesões pelo sexo dos animais Gráfico 14 – Distribuição do número de regiões com lesões pelo sexo dos animais Tabela 8 – Número total de bovinos abatidos e rejeitados (post mortem) em abate normal divididos por cada região Tabela 9 - Número de bovinos abatidos e rejeitados em abate normal em cada um dos matadouros que realiza abate sanitário por tuberculose bovina em Portugal Continental Tabela 10 – Número de bovinos abatidos e rejeitados em abate sanitário em Portugal continental
ix ÍNDICE GERAL Resumo……………………………………………………………………………………………………... iii Agradecimentos……………………………………………………………………………………………. iv Lista de abreviaturas………………………………………………………………………………….........vi Índice de figuras……………………………………………………………………………………………vii Índice de gráficos…………………………………………………………………………………………..vii Índice de tabelas…………………………………………………………………………………………..viii Índice geral…………………………………………………………………………………………………..ix Introdução……………………………………………………………………………………………………1 A – TUBERCULOSE BOVINA 1. Caracterização e enquadramento…………………………………………………………………….2 1.1. Perspetiva histórica da tuberculose……………………………………………………………..2 1.2. Epidemiologia mundial vs. nacional…………………………………………………………..…3 1.2.1. Epidemiologia mundial…………………………………………………………………….3 1.2.2. Epidemiologia nacional……………………………………………………………………4 1.3. Etiologia e transmissão……………………………………………………………………………5 1.4. Patogenia e resposta imunitária………………………………………………………..……..…7 1.5. Sinais clínicos e lesões……………………………………………………………………………8 1.5.1. Aspetos morfológicos das lesões de tuberculose bovina……………………………..8 1.5.2. Sinais clínicos………………………………………………………………………………9 1.6. Meios de diagnóstico…………………………………………………………………………….10 1.6.1. Testes de diagnóstico in vivo…………………………………………………………......10 1.6.2. Testes de diagnóstico in vitro…………………………………………………..………...11 1.6.2.1. Teste Interferão-Gamma………………………………………………………..12 1.6.3. Diagnóstico post mortem……………………………………………………………….....12 2. Programa de erradicação da tuberculose bovina……………………………………………....….13 B – TRATAMENTO DE DADOS ESTATÍSTICOS RELATIVOS AOS ABATES SANITÁRIOS POR TUBERCULOSE BOVINA EM 2015 1. Materiais e métodos 1.1. População em estudo…………………………………………………………………...15 1.2. Metodologia………………………………………………………………………………16
6 bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) (Quinn et al. 2011). Estas propriedades da parede celular conferem resistência à maior parte dos desinfetantes, ácidos e à dessecação. Desinfetantes como fenólicos, álcool e hipoclorito de sódio são bastante eficientes no combate ao bacilo, contudo a sua ação pode ser afetada pela concentração de produto, tempo de exposição, temperatura e presença de matéria orgânica. A sobrevivência do organismo no ambiente é influenciada pela temperatura, humidade, exposição ao efeito de dessecação da luz solar e da radiação ultravioleta. Em ambientes quentes e húmidos, e com proteção da luz solar, o agente pode permanecer viável durante algumas semanas e, por vezes, nas pastagens podem atingir os dois anos (Radostits et al. 2000). O Complexo Mycobacterium tuberculosis (CMT), que provoca alterações patológicas semelhantes numa diversidade de hospedeiros, engloba o M. bovis, o M. tuberculosis, o M. africanum, o M. bovis BCG, o M. microti (Brosch et al. 2002, Motoswy et al. 2002), o M. canettii (van Soolingen et al. 1997), o M. pinnipedii (Cousins et al. 2003) e o M. caprae (Aranaz et al. 2003). As micobactérias do CMT diferem essencialmente em termos de fenótipo e de tropismo por determinado hospedeiro. No entanto, a homologia do seu Ácido Desoxirribonucleico (DNA) é de 99,9% e são idênticas no gene 16S do Ácido Ribonucleico Ribossomal (rRNA) Hirsh & Zee 2003, Coetzer & Tustin 2004). A transmissão desta patologia ocorre, maioritariamente, por via aerógena, através do contacto direto com bovinos infetados, com subsequente infeção pulmonar (Gómez 2008). Os microrganismos são excretados no ar expirado, na tosse, nas fezes, na urina, nas secreções uterinas e vaginais e nas descargas dos linfonodos periféricos que possam eventualmente atingir o exterior. O foco primário pulmonar destaca-se na transmissão aerógena, sendo observada em 90% dos bovinos adultos com a doença. A infeção ocorre também pela ingestão de leite infetado no caso dos animais jovens e, no caso dos adultos, na ingestão de pastagens, água e alimentos, contaminados por secreções, urina e fezes infetadas com a bactéria (Gómez 2008). Todavia, a transmissão por via oral, exige a ingestão de doses muito superiores de M. bovis comparado com a transmissão aerógena (Quinn et al. 2011). Na fase inicial da doença, antes de qualquer sinal visível, os bovinos podem excretar microrganismos viáveis contribuindo assim para a propagação da doença (Radostits et al. 2000, Alfonso 2007). As gotículas em suspensão e a inalação de pó com o bacilo em questão (principalmente em animais confinados) são também fontes de infeção A transmissão transplacentária é muito rara nos bovinos, mas pode ser importante em explorações persistentemente infetadas e com uma elevada prevalência de TB. A intrauterina, pelo coito ou inseminação artificial com sémen ou material contaminado são incomuns. (Menzies & Neill 2000, Phillips et al. 2003).
7 A principal via de contágio entre explorações é a introdução de animais infetados em efetivos onde os animais estão livres da doença. Num estudo realizado em Portugal em 2007 isolaram-se 293 bovinos com Mycobacterium spp.), dos quais 256 bovinos, 1 caprino, 21 veados e 5 javalis estavam infetados com M. bovis, tendo sido também demonstradas evidências da transmissão do agente por contacto direto ou pela contaminação ambiental das pastagens e pontos de água comuns entre bovinos e veados, na Beira Interior e entre bovinos e javalis, no Alentejo (Duarte et al. 2008). Frequentemente a fauna silvestre atua como hospedeiro reservatório do agente, o que tem prejudicado a erradicação da tuberculose bovina em certas áreas do Reino Unido e da Irlanda. O Trichosurus vulpecula na Nova Zelândia e o búfalo africano (Syncerus caffer) em África são exemplos comprovados de hospedeiros que funcionam como reservatórios da TB (Quinn et al. 2002, Hirsh & Zee 2003, Coetzer & Tustin 2004). 1.4. Patogenia e resposta imunitária Após ocorrer a infeção de um animal por Mycobacterium, verifica-se uma resposta imunológica de hipersensibilidade tipo IV (hipersensibilidade tardia). Esta situação acontece porque a resposta do hospedeiro é sobretudo do tipo celular, por ativação do sistema mononuclear fagocitário, não estando dependente da formação de anticorpos. Animais que nunca tenham sido expostos ao agente, vão sofrer multiplicação local e ingestão por parte dos macrófagos. Os bacilos apresentam uma elevada resistência à destruição fagocítica devido à presença de sulfolípidos na membrana celular (que impede a fusão do fagossoma com o lisossoma e a não destruição das micobactérias), conduzindo à migração de macrófagos contendo bacilos viáveis de micobactérias, através da corrente sanguínea, para outros tecidos, órgãos e/ou linfonodos (Biberstein & Hirsh 2004, Olsen et al. 2010). É de referir que o desenvolvimento da tuberculose no hospedeiro ocorre em duas fases distintas: primeiro forma-se o complexo primário e depois ocorre a disseminação do agente. A lesão no local de entrada, associada a lesões similares nos gânglios regionais é designado de complexo primário. A ocorrência deste é frequente quando a via de infeção é aerógena e denomina-se completo quando a lesão existe tanto no local de entrada como no linfonodo associado e incompleto quando a lesão apenas aparece no linfonodo. Na infeção por via aerógena, o pulmão (principalmente o lobo caudo-dorsal) normalmente surge afetado, assim como os gânglios brônquicos e mediastínicos, enquanto a infeção pelo trato gastrointestinal é invulgar provocar lesão no local de entrada, sendo mais frequente o aparecimento de lesões nos linfonodos mesentéricos (ver figura 4 do anexo III) ou nos linfonodos retrofaríngeos (Amstutz et al. 1998, Coetzer & Tustin 2004).
8 Após a primeira semana, o hospedeiro deixa de responder como se fosse uma infeção por corpo estranho e responde através de reações imunitárias mediadas por células. As células apresentadoras de antigénios revelam uma grande dificuldade em destruir e dar a conhecer as micobactérias aos linfócitos T, no entanto algumas conseguem sensibilizar os linfócitos T CD4 e T CD8 (Paul 2007). Os linfócitos T CD4 ativos conduzem à produção da Interleucina 2, do fator de necrose tumoral (IFN-γ), do fator estimulador de colónias granulocíticas e monocíticas (FECGM) e do fator inibidor de migração (FIM), que atrai e ativa macrófagos, desenvolvendo assim uma reação de inflamação crónica. Por sua vez, os linfócitos CD8 (citotóxicos) destroem os tecidos circundantes infetados, levando à formação de granulomas frequentemente necrosados no seu interior (Tizard 2002). A capacidade dos macrófagos em destruir as micobactérias depende da eficácia da resposta imunitária e da virulência bacteriana (Hirsh & Zee 2003). É neste momento em que o foco primário começa a formar-se e, aproximadamente duas semanas depois, inicia-se a calcificação da mesma. O foco primário, ou tubérculo, consiste num granuloma que contém um núcleo central caseo-necrótico, parte do qual acaba por sofrer uma calcificação distrófica. Este núcleo central necrosado é circundado por células gigantes de Langhans, células epiteliais e, mais perifericamente, por linfócitos, macrófagos e por fibroblastos que acabam por formar tecido fibroso (ver figuras 5, 6 e 7 do anexo III) (Quinn et al. 2002). Quando generalizada, esta doença pode apresentar-se sob a forma miliar (ver figura 8 do anexo III), ocorrendo subitamente, encontrando-se um elevado número de bacilos circulantes ou sob a forma protraída, que é a forma mais comum, onde ocorre disseminação por via linfática ou sanguínea por praticamente todos os tecidos. 1.5. Sinais clínicos e lesões 1.5.1. Aspetos morfológicos das lesões de tuberculose bovina As lesões básicas da tuberculose são os tubérculos e, nas fases iniciais da doença, são mais frequentemente observados nos gânglios linfáticos (ver figura 9 do anexo III) da cabeça e do tórax (Cassidy 2006). Macroscopicamente, apresentam um formato nodular de cor amarelada, com dimensões variáveis, entre 1 mm a 2 cm de diâmetro. A superfície de corte do nódulo tuberculoso é também de coloração amarelada, possuí um aspeto caseoso, estando presente uma cápsula fibrosa (ver figura 10 do anexo III), habitualmente apresentando, no centro da lesão, uma necrose caseosa ou calcificação nos casos mais evoluídos. Estas lesões são mais comumente observadas nos linfonodos (ver figura 11 do anexo III), nos pulmões e no fígado. A consistência é explicada pelo fenómeno “ranger de faca”, expressão consagrada entre os inspetores de carnes que significa que a lesão está mineralizada ou calcária (Reis et al. 1996).
9 A forma mais comum em bovinos é o aparecimento de lesões nos linfonodos e pulmão (ver figuras 12 e 13 do anexo III), apesar de, esporadicamente também poderem surgir lesões no fígado (ver figura 14 do anexo III), rins (ver figura 15 do anexo III), baço, ossos, articulações, glândula mamária, testículos, útero e ovários, como consequência da disseminação por via hemática (Coetzer & Tustin 2004). Nos bovinos, o foco primário está localizado, em 95% dos casos, na cavidade torácica (Quinn et al. 2002). Uma vez que a maioria das infeções ocorre por inalação e ingestão, os tubérculos aparecem predominantemente nos linfonodos retrofaríngeo, brônquico, mediastínico e mesentérico (Coetzer & Tustin 2004, Alfonso 2007). A presença de lesões nestes locais segue o padrão típico dos animais de países onde a doença é ativamente controlada, como é o caso de Portugal (Coetzer & Tustin 2004, Alfonso 2007, DGAV 2012). 1.5.2. Sinais clínicos A TB é caracterizada por uma toxémia subclínica, podendo ocasionalmente constituir um processo agudo, tem geralmente um decurso crónico e ainda um longo período de latência (Radostits et al. 1999). Em casos de sinais clínicos evidentes, estes dependem, não só do órgão ou sistemas envolvidos, como também da severidade da infeção (Tizard 2002, Coetzer & Tustin 2004). As manifestações clínicas e patológicas variam consideravelmente e são, muitas vezes, condicionadas pelas diferentes medidas de controlo aplicadas pelos diversos países onde aparecem. Por exemplo, em países onde existem medidas ativas no controlo da doença, as manifestações são na maior parte dos casos respiratórias e a sua extensão é limitada. Já nos países onde a doença não é ativamente controlada, os casos de doença com disseminação sistémica são mais frequentes (Coetzer & Tustin 2004, Alfonso 2007). Esta doença define-se por uma variedade de sinais inespecíficos e relacionados com as regiões afetadas, tais como emaciação progressiva, perda de apetite, febre com oscilações, alterações na pelagem, linfadenomegália, alterações respiratórias e digestivas (Amstutz et al. 1998, Radostits et al. 1999, Hirsh & Zee 2003, Divers & Peek 2008). Esta infeção pode ainda levar a uma redução de até 25% na produção de leite e carne. As alterações respiratórias consistem em tosse crónica como consequência da broncopneumonia associada. A tosse é produtiva e suave, agravando-se quando a região da faringe é estimulada, atividade física e temperaturas baixas. As lesões nos linfonodos retrofaríngeos provocam disfagia, estridores e salivação devido à obstrução provocada na faringe e laringe. Em casos mais graves, também pode estar presente dispneia, resultante da constrição que os linfonodos brônquicos provocam nas vias respiratórias. Frequentemente são encontradas alterações durante a auscultação
10 e percussão do tórax, como por exemplo, áreas com ausência de som respiratório associadas a áreas onde se identificam crepitações bastante audíveis, principalmente localizadas nos lobos caudais. Os quadros digestivos geralmente estão relacionados com o aumento dos linfonodos mesentéricos ou mediastínicos (Radostits et al. 2000, Alfonso 2007). Neste último, podem ocorrer quadros de timpanismo ruminal recidivante, como consequência da compressão esofágica. A linfadenopatia mesentérica pode causar obstruções intestinais e a ocorrência de diarreia, como consequência de úlceras intestinais, é rara. No que respeita ao aparelho reprodutor, a tuberculose uterina é pouco comum e mais prevalente quando ocorre disseminação sistémica da doença. Pode verificar-se infertilidade, no entanto, caso haja conceção, ou ocorre o aborto no final da gestação ou o vitelo morre nos primeiros dias por tuberculose generalizada (Radostits et al. 2000). As lesões ao nível do aparelho mamário representam uma preocupação ao nível da saúde pública e propagam a transmissão da doença aos vitelos. Tem como característica principal o endurecimento e hipertrofia da glândula mamária, normalmente na parte superior do úbere e nos quartos traseiros. A palpação dos linfonodos supramamários é fundamental para todos os animais suspeitos de mastite por tuberculose. Macroscopicamente, na fase inicial, o leite apresenta uma aparência normal mas, mais tarde, aparecem uns finos flóculos que acabam por precipitar, tornando o leite num fluido claro de cor âmbar. Em casos mais graves, a secreção mamária pode já ser apenas constituída por este fluido (Radostits et al. 2000). 1.6. Meios de diagnóstico O diagnóstico da TB deve incluir uma variedade de recursos que permitam fornecer uma resposta fidedigna no mais curto espaço de tempo, devido às dificuldades que resultam da inespecificidade dos sinais clínicos da doença, do isolamento de M. bovis a partir de amostras do animal vivo e à reduzida produção de anticorpos durante as fases iniciais da patologia (de la Rua Domenech et al. 2006). Atualmente, nos Planos de Erradicação da Tuberculose Bovina (PETB), o diagnóstico in vivo é feito pelo exame clínico e pela prova intradérmica comparada (IDTC) e post mortem através de exames anatomopatológicos com confirmação histopatológica e bacteriológica das lesões suspeitas (OIE 2009). 1.6.1. Testes de diagnóstico in vivo Segundo a legislação europeia e a recomendação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o teste de rastreio consiste na injeção intradérmica na região cervical ou da prega ano-caudal de derivados antigénicos de proteínas purificadas (PPD – Purified Protein Derivative) e posterior mensuração da reação de hipersensibilidade do tipo IV. Esta reação, caracterizada por um infiltrado
11 de células mononucleares, manifesta-se através de um espessamento e endurecimento progressivo da pele no local da aplicação atingindo o seu pico por volta das 48-72 horas pós-inoculação e diminuindo em seguida (Pollock et al. 2005, de la Rua Domenech et al. 2006). A escolha deste teste prende-se com o fato de ter uma boa sensibilidade e especificidade, além da facilidade de execução e baixo custo (OIE 2009). Na prova de IDTC (ver figura 16 do anexo IV) recorre-se a duas tuberculinas, bovina e aviária, com aplicação simultânea na tábua do pescoço, estando separadas por cerca de 12 cm e com prévia tricotomia do local de inoculação. A espessura da pele é medida antes da injeção e 72 horas após a mesma (ver figura 17 do anexo IV) (Quinn et al. 2002). Um resultado positivo (ver tabela 6 do anexo IV) indica infeção no passado ou no presente, alterando o estatuto sanitário da exploração. Os bovinos infetados com M. bovis tendem a apresentar uma maior resposta à tuberculina bovina do que à aviária, enquanto infeções com outras micobactérias promovem o oposto (de la Rua Domenech et al. 2006). Algumas razões para a ausência de lesões em animais positivos ao teste intradérmico são as fases precoces da infeção, a localização incomum das lesões ou o tamanho microscópico das lesões (Hirsh & Zee 2003). Os falsos-negativos correspondem, na sua maioria, a casos de imunossupressão (de la Rua Domenech et al. 2006), mas também podem ocorrer quando os animais estão infetados há menos de 30 dias (Hirsh & Zee 2003), uma vez que a reatividade nos bovinos é normalmente detetada 30 a 50 dias pós-infeção (Paul 2007). Animais em estado avançado de infeção podem manifestar o fenómeno de anergia, definido como ausência de reatividade cutânea à tuberculina em indivíduos previamente sensibilizados, cujo mecanismo ainda não está bem elucidado. A obtenção de um diagnóstico tendo por base o exame clínico pode tornar-se importante nestes casos (de la Rua Domenech et al. 2006). Os animais com reações duvidosas devem ser retestados 42 dias depois da última tuberculinização. Este intervalo mínimo para repetição do teste visa evitar a ocorrência de falsos-negativos, uma vez que após a tuberculinização ocorre a dessensibilização do animal, na qual há uma diminuição temporária na capacidade de responder a novos testes (Buddle et al. 2009). 1.6.2. Testes de diagnóstico in vitro Os testes de diagnóstico in vitro são predominantemente utilizados como complemento ao teste intradérmico, uma vez que a sua complexidade e custo elevado não permite o seu uso como testes de rotina (Wedlock et al. 2002). Atualmente, estão à disposição a prova do interferão gama (IFN-γ), o teste da proliferação de linfócitos, o teste de Enzyme-Linked Immunosorbent Assay (ELISA) (Tizard 2002, de la Rua Domenech et al. 2006, Quinn et al. 2011) e as técnicas de tipificação baseadas no DNA.
12 1.6.2.1. Teste Interferão-Gamma Este teste é um teste oficial de diagnóstico na UE que identifica mais facilmente animais infetados em fases mais precoces que o teste da tuberculina (Coetzer & Tustin 2004). Em Portugal, é frequentemente utilizado em conjunto com a tuberculinização em explorações permanentemente infetadas ou em explorações com elevado número de casos positivos à prova IDTC (DGAV 2015). Baseia-se na medição da resposta imunitária do tipo celular, isto é, na quantificação da libertação da citoquina de IFN-γ por linfócitos T sensibilizados por M. bovis. Em animais previamente sensibilizados por M. bovis, há uma maior produção de IFN-γ após a estimulação com a tuberculina bovina (Coetzer & Tustin 2004, Quinn et al. 2011). Este teste tem como vantagens: não ser invasivo, ser rápido na obtenção de resultados, não necessitar de uma segunda visita à exploração, não interferir com o sistema imunitário do animal testado e poder ser repetido com um menor intervalo de tempo do que a tuberculinização, que necessita de um intervalo mínimo de 42 dias entre provas (DGAV 2015). 1.6.3. Diagnóstico post mortem A confirmação da infeção faz-se por isolamento e identificação da bactéria através de cultura e testes bioquímicos ou por técnicas moleculares (OIE 2009). O exame histopatológico pode ser utilizado como único meio de diagnóstico em regiões com alta prevalência da doença, devido ao rápido fornecimento de resultados (Corner 1994), no entanto apresenta limitações associadas ao facto de outros agentes produzirem lesões semelhantes à TB (Cousins 2001). Os procedimentos microbiológicos básicos incluem: visualização microscópica direta (baciloscopia) de amostras frescas coradas pelo método de ZN para pesquisa de BAAR (ver figura 18 do anexo IV) (Quinn et al. 2011) e a cultura dos agentes. Os principais fatores que influenciam o sucesso do isolamento do agente são: as condições asséticas da colheita, o tempo de acondicionamento da amostra, o processo de descontaminação, o meio de cultura utilizado e as condições de incubação (Corner 1994). A cultura de M. bovis apresenta colónias com relevo e rugosidade central e que quebram facilmente (Quinn et al. 2011). Todavia, este meio de diagnóstico apresenta várias desvantagens nomeadamente, baixa sensibilidade associada à necessidade de grande quantidade de bacilos que são muitas vezes eliminados devido aos métodos drásticos de descontaminação; grande quantidade de amostras inviáveis que chegam aos laboratórios (OIE 2009); longo período de tempo até à obtenção de resultados e impossibilidade de identificar estirpes dentro da mesma espécie.
13 2. Programa de erradicação da tuberculose bovina Os PETB nos diversos países estão adaptados à especificidade de cada região, no entanto o objetivo primordial de cada programa é a erradicação da doença no mais curto espaço de tempo. As responsabilidades de cada país pertencente à UE são definidas pela Diretiva 64/432/ECC do Conselho de 26 Junho de 1964. Em Portugal, o desenvolvimento de programas de erradicação tem melhorado o estatuto sanitário dos efetivos nacionais. O Decreto-Lei n.º 272/2000 (DGAV 2012) estabelece as normas técnicas de execução do PETB e os procedimentos relativos à classificação sanitária de efetivos e áreas em conformidade com a legislação comunitária. A DGAV é a autoridade competente responsável pela definição das estratégias, coordenação e acompanhamento do programa de erradicação da tuberculose bovina nacional. As Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais (DSAVR) controlam a execução das diferentes ações do programa na sua área, realizam as ações de polícia sanitária, atribuem o estatuto sanitário e validam a sua manutenção ou alteram-no de acordo com os resultados da prova de intradermotuberculinização e dos exames histopatológico e bacteriológico (DGAV 2015). Os testes de diagnóstico na exploração são executadas pelas Organizações de Produtores Pecuários (OPP) que apresentam para aprovação à DGAV um programa sanitário anual elaborado pelo seu Médico Veterinário Coordenador (DGAV 2015). Os resultados das provas de intradermotuberculinização são registados no programa nacional de saúde animal (PISA) pelas OPP que devem informar as DSAVR sempre que sejam detetados resultados positivos. O programa é elaborado para um período de vigência de 1 ano, prevendo-se uma diminuição da prevalência e incidência da doença, que permita elevar o estatuto das explorações e alcançar a indemnidade em sucessivas regiões do país a médio prazo e atingir o estatuto de estado membro indemne da doença no mais curto espaço de tempo (DGAV 2015). São abrangidos pelo programa todos os bovinos com mais de 6 semanas de idade das explorações abrangidas, exceto os machos destinados à engorda das explorações oficialmente indemnes das regiões em que, de acordo com a legislação nacional e comunitária, os indicadores epidemiológicos o justifiquem (DGAV 2015). O programa é implementado em todo o território de Portugal continental, tendo como exceção a região do Algarve que obteve o estatuto de região oficialmente indemne, assim como a Região Autónoma dos Açores (DGAV 2015). A prova oficial de diagnóstico é a prova de IDTC, podendo obter-se resultados positivos, negativos e duvidosos. Na sequência de um resultado duvidoso é efetuado uma nova IDTC 42 dias depois. Nestes casos, determina-se a positividade caso se obtenha um resultado positivo ou duvidoso nesta segunda prova (DGAV 2015). A prova do interferão gama é uma prova complementar de diagnóstico efetuada em simultâneo com a prova de IDTC nas explorações não indemnes de tuberculose bovina que
14 apresentem animais duvidosos à prova da IDTC; como alternativa ao abate total, nas explorações infetadas que apresentem sucessivamente animais positivos à prova de IDTC (positividade crónica) e nas explorações (com qualquer estatuto sanitário) que apresentem uma percentagem significativa de animais positivos a uma única prova de IDTC (DGAV 2015). Os estatutos sanitários dividem-se em oficialmente indemne (T3) e não indemne, que inclui não indemne em saneamento (T2) e não indemne infetado (T2.1). O estatuto T3 pode ser suspenso (T3S) ou retirado, passando a T2.1. De acordo com os resultados dos controlos necessários para retoma de estatuto, o efetivo adquire o estatuto de T2 e posteriormente o estatuto de T3 (DGAV 2015). Apenas a movimentação de animais a partir de efetivos T3 é permitida sem restrições, isto é, podem circular da sua exploração para outra exploração com o mesmo estatuto sanitário, cumprindo as determinações relativas aos testes de pré-movimentação, acompanhados de declaração de deslocação, emitida pelo próprio detentor e com obrigatoriedade de comunicação ao Sistema Nacional de Identificação Animal (SNIRA) (DGAV 2015). Os efetivos T3S ou não indemnes efetuam apenas movimentações com destino a abate, acompanhados por uma guia de circulação para abate imediato emitida pelos serviços veterinários e para explorações de engorda, devidamente autorizadas pelas DSAVR de origem e de destino, com a realização prévia (e com resultado negativo) de uma prova de IDTC nos animais a movimentar que fica registado no passaporte dos bovinos e no PISA. Para além disso deve ser emitida pela DSAVR da área de exploração de origem uma guia sanitária de circulação, tendo os animais como destino final obrigatoriamente o abate. São considerados T3 quando os testes referidos são cumpridos e quando os bovinos introduzidos com mais de 12 meses de idade têm um resultado negativo ao teste de IDTC nos 30 dias anteriores (teste de pré-movimentação). Sempre que a presença de M. bovis seja confirmada o estatuto sanitário T3 é retirado, ocorre sequestro sanitário passando o efetivo a ser classificado como T 2.1 e realiza-se um inquérito epidemiológico (DGAV 2015). Nestes casos, o teste IDTC é realizado: como teste de rotina para manutenção de estatuto sanitário, sendo determinados os animais a testar pelas regras descritas no programa e como teste de pré-movimentação, sendo testados todos os animais a movimentar com mais de 12 meses de idade. É importante referir que, para além dos resultados das provas de diagnóstico em vida, também a deteção de lesões suspeitas de tuberculose no exame de rotina em matadouro desencadeia a tomada de medidas na exploração. Por conseguinte, são colhidas amostras para diagnóstico laboratorial (histopatológico e bacteriológico) e é efetuada a investigação das explorações em que o animal esteve presente. Em consequência, nas explorações identificadas, todos os bovinos com mais de 6 semanas de idade são submetidos a IDTC. Se forem detetados animais com reação positiva são acionados os procedimentos já descritos (DGAV, 2015).
15 Os efetivos são considerados T3S por qualquer motivo considerado pertinente para a luta contra a tuberculose; sempre que o plano não esteja a ser cumprido; se o inquérito epidemiológico determinar a possibilidade de infeção; quando não estão reunidas as condições para ser considerado oficialmente indemne; se forem detetados animais com IDTC positiva ou em consequência da deteção de lesões suspeitas no exame de rotina em matadouro (DGAV 2015). A deteção de lesões suspeitas no matadouro implica a comunicação à DGAV através do modelo de doença de declaração obrigatória (DDO), que é inserido na base de dados SIPACE (DGAV 2015). São considerados não indemnes, os efetivos T2.1 e os efetivos T2 que correspondem a efetivos T2.1 com resultados negativos em 3 testes sucessivos após o abate do último animal positivo (um teste 42 dias após o abate e mais dois com intervalo de 60 dias) (DGAV 2015). Os testes de diagnósticos são feitos nos efetivos T2.1, onde são testados todos os bovinos do efetivo com mais de 6 semanas de idade, 42 dias após a retirada do último animal com reação positiva. Não ocorrendo mais reações positivas, efetua-se mais dois testes consecutivos, com um mínimo de 60 dias de intervalo, a todos os bovinos da exploração com mais de 6 semanas de idade. Se todos os resultados obtidos nestes últimos testes forem negativos o efetivo passa para T2. Fazem-se ainda nos efetivos T2, testando-se todos os bovinos da exploração com idade superior a 6 semanas, com um intervalo de 6 meses após a atribuição do estatuto T2. Se todos os bovinos reagirem negativamente a este teste o efetivo adquire estatuto T3 (DGAV 2015). A tuberculose bovina é uma doença de declaração obrigatória sendo expressamente proibido qualquer tratamento dessensibilizante, terapêutico e imunoprofilático, segundo o Decreto-lei n.º 272/2000 de 8 de novembro. B – TRATAMENTO DE DADOS ESTATÍSTICOS RELATIVOS AOS ABATES SANITÁRIOS DE 2015 1. Materiais e Métodos 1.1. População em estudo Para a realização do presente estudo foram recolhidos o número total de animais abatidos e rejeitados em abate normal em Portugal, bem como o número de animais sujeitos a abate sanitário por tuberculose bovina e rejeitados em Portugal continental. Posteriormente foram compilados todos os modelos de inspeção post mortem dos abates sanitários (AS) de TB (ver figura 19 do anexo V), realizados no Norte (Matadouro Carnagri-Pec/Nordeste SA e Matadouro e Carnes Linda Rosa) no período compreendido entre 1 de Janeiro de 2015 e 31 de Dezembro de 2015. Os modelos foram preenchidos e assinados pelo MVO presente no matadouro, enviados para a DSAVRN e inseridos na base de dados SIPACE, à qual têm acesso as DSAVR e a
22 formas como emaciação ou hidroémia das carcaças e não apenas como lesões caseosas em órgãos internos, o que poderá ter justificado a rejeição das carcaças destes animais (Tizard 2002, Coetzer & Tustin 2004). 2.3. Informação relativa aos animais que apresentavam lesões à inspeção post mortem na região norte 2.3.1. Idade Neste estudo composto por 30 bovinos, a idade média dos animais situou-se nos 5,6 anos, sendo que o animal mais novo possuía 1 ano de idade e apresentava uma lesão ao nível do pulmão, e o mais velho tinha 16 anos e apresentava lesões disseminadas. A distribuição do número de lesões por intervalo de idades pode ser observada com mais detalhe no gráfico 11 do anexo VII, enquanto no gráfico 12 do anexo VII observa-se a distribuição do número de regiões com lesão por esses intervalos. Em todos os intervalos etários predominaram os casos com 1 ou 2 lesões à exceção do grupo dos animais com idade igual ou superior a 9 anos, onde os casos com 4 lesões são ligeiramente superiores aos de 1 e 2 lesões. Constatou-se que a classe de idades entre o nascimento e os dois anos apresentou uma média de 1,33 lesões por indivíduo. O número mínimo de lesões observadas neste grupo etário foi de 1 lesão e o máximo de 2. Neste grupo verifica-se que todos os animais apresentavam apenas 1 região afetada, sendo por isso todos aprovados. O grupo etário entre os 3 e 4 anos apresentou uma média de 1,66 lesões por animal. O número mínimo de lesões observadas foi de 1 lesão e o máximo de 3. Neste grupo 58,3% dos animais foram reprovados, sendo que 25% foi devido a animais que apresentavam 2 regiões afetadas e 33,3% devido a animais, que apesar de apenas apresentarem 1 região afetada, apresentavam alterações secundárias, tais como emaciação e hidroémia. Os animais com idades compreendidas entre os 5 e 6 anos apresentaram uma média de 2,4 lesões. O número mínimo de lesões apresentadas foi de 1 lesão e o máximo de 4. Neste caso, 80% dos animais foram rejeitados devido a apresentarem lesões em 2 e 3 regiões. Em relação ao grupo etário dos 7 aos 8 anos, todos os animais apresentaram apenas uma lesão por animal, tendo por isso sido todos aprovados. Finalmente, no grupo de animais com mais de 9 anos verificou-se uma média de 3,13 lesões por indivíduo. O número mínimo de lesões observadas neste grupo etário foi de 1 lesão e o máximo de 5. Este foi o grupo que apresentou uma taxa de reprovação superior, correspondente a 88%. Este valor já era esperado tendo em conta que este animais, na sua maioria, apresentam lesões em várias regiões. O número máximo de regiões afetadas foram 3 e estavam presentes em animais com idade compreendida entre 5 e 6 anos e nos maiores de 9 anos. Estando o número de regiões que contabilizam lesões relacionado com o número de lesões detetadas, seria de esperar que os casos com 1 região afetada seriam predominantes, com a exceção do grupo com animais com mais de 9
23 anos. Para além deste, é de referir que o grupo que compreende animais entre os 5 e os 6 anos apresenta 2 regiões afetadas predominantemente. Desta forma, nos grupos etários mais elevados, o número médio de lesões vai aumentando gradualmente. O predomínio, na maioria dos grupos etário de apenas uma região afetada, deve-se principalmente ao facto de Portugal se encontrar numa fase de pré-erradicação da TB, com rastreios frequentes que permitem detetar os infetados em fases precoces da doença, reduzindo a propagação de lesões pelos diversos órgãos do organismo (DGAV 2012). O facto de os grupos etários mais elevados apresentarem um maior número de lesões e regiões afetadas deve-se à idade avançada desses animais, que se traduz num maior tempo de exposição ao agente e, consequentemente mais tempo para as lesões primárias se disseminarem para outros locais do organismo (Radostits et al. 2000). Assim, observando os resultados obtidos, verificou-se que o grupo de animais com mais de 3 anos foi o que reuniu um maior número de animais (27) o que corresponde a 90%. Estes resultados, apesar de pouco significativos, tendo em conta o reduzido número de animais testados, são concordantes com os obtidos num estudo realizado por Moaine et al. (2014) em Moçambique, onde se concluiu que, nos animais com mais de 3 anos de idade, havia maiores probabilidades de contrair a doença. Estudos realizados na Zâmbia e Tanzânia (Humblet et al. 2009) demonstraram que a idade é um fator de risco uma vez que aumenta a probabilidade de um animal ser exposto ao agente e, portanto de ser infetado. Em 1996, num estudo realizado na Irlanda que incluiu mais de 2.000 bovinos, os autores concluíram que era menos provável que os bovinos jovens fossem positivos à prova de IDTC do que os animais adultos, não significando porém que os animais jovens não se possam infetar, mas sugere que o M. bovis tem capacidade de se manter em estado de latência até à sua reativação na idade adulta (Humblet et al. 2009). Contudo, com os estudos realizados, ainda não foi possível concluir da existência de um verdadeiro estado de latência associado ao agente da TB (Humblet et al. 2009). 2.3.2. Sexo No estudo realizado verificou-se que 80% dos bovinos eram fêmeas, o que correspondeu a 24 animais. Analisando o gráfico 13 do anexo VII, relativo à distribuição do número de lesões pelo sexo dos animais, é possível verificar que, para 1, 4 e 5 lesões, as percentagens de animais do sexo masculino e de animais do sexo feminino estiveram sempre próximas das percentagens da sua representatividade no estudo. No grupo de animais com 3 lesões, registou-se 1 macho e 1 fêmea, mas o número de casos não é suficiente para ter alguma relevância estatística. Para além deste, no grupo dos animais com 2 lesões, identifica-se uma elevada percentagem de machos (40%) comparativamente à sua representatividade no total (20%). No gráfico 14 do anexo VII encontra-se a distribuição do número de regiões afetadas pelo sexo dos animais e, à semelhança do gráfico
24 anterior, a proporção entre machos e fêmeas em todos os grupos é equiparável à proporção entre machos e fêmeas no total. Apesar disto, a influência do género na suscetibilidade de uma infeção por M. bovis não está comprovada. O sexo apenas foi referido como fator de risco para a infeção por M. bovis em estudos realizados em África. Um estudo realizado na Tanzânia entre 1994 e 1997 revelou que os machos eram significativamente mais afetados pela tuberculose bovina do que as fêmeas (Kazwala et al. 2001). Num estudo realizado no Uganda em 2007, é referido que nas fêmeas o número de casos positivos ao teste IDTC é significativamente maior do que nos machos (Humblet et al. 2009). Estas discrepâncias estatísticas são provavelmente explicadas pelas diferenças que existem no maneio da vida produtiva entre sexos, que variam consoante o sistema produtivo e os hábitos locais onde estão inseridos os animais. Enquanto nos países em desenvolvimento os machos são muitas vezes usados como animais de trabalho, vivendo em média mais do que as fêmeas, estando dessa forma mais tempo expostos ao agente, em países desenvolvidos, como Portugal os animais do sexo masculino são destinados maioritariamente à engorda (apenas alguns animais com elevado valor genético são destinados à reprodução). Para além disso, o PETB não prevê o teste da IDTC em explorações de engorda, não sendo por isso tão frequentemente enviados para AS. Assim compreende-se que os bovinos do sexo masculino estejam presentes em menor percentagem do que os bovinos do sexo feminino, pois apesar de algumas fêmeas terem como destino as engordas, muitas outras são mantidas nas explorações para reprodução. 2.3.3. Movimentos dos animais Segundo Humblet et al. (2009), a incidência de TB numa dada região está intimamente relacionada com a história da doença nessa área, provavelmente porque a fonte da doença não foi eliminada e/ou os fatores de risco permanentes dessa região fazem dela particularmente suscetível à recorrência da infeção. Num estudo realizado por Moaine et al. (2014) em Moçambique, verificouse que a prevalência de TB é mais elevada em regiões onde a agricultura familiar é prática comum, possivelmente, devida ao tipo de gestão dessas explorações, que primam pelo regime extensivo, onde não existem medidas de biossegurança efetivas, ocorrendo o pastoreio de animais de explorações diferentes nos mesmos terrenos e muitas vezes em simultâneo, partilha do local de abeberamento e ainda mais facilidade de contacto com animais silváticos, promovendo assim a disseminação da doença. Estas informações estão de acordo com as informações divulgadas pela DGAV (2015) e as da bibliografia consultada (Humblet et al. 2009), que relaciona o histórico da existência da doença numa determinada região com o aparecimento de novos casos, que revelam que o Alentejo (onde predomina o regime extensivo) é a região com indicadores epidemiológicos mais elevados.
25 Nos 30 animais abatidos na região Norte, 17 eram provenientes da mesma exploração, a qual detinha o estatuto T2.1 e foram abatidos no mesmo dia. Todos os animais abatidos por AS desta exploração foram nascidos e criados na região Norte, tendo realizado 1 único movimento, sendo este para o matadouro. Esta razão justifica o elevado número de animais com apenas 1 movimentação e nascida e vivida maioritariamente na região Norte. Desta forma e, mais uma vez devido ao escasso número de animais não foi possível estabelecer uma relação entre a região de nascimento do animal, região da exploração em que o animal viveu o maior período da sua vida, número de movimentos efetuados pelos animais e número de animais enviados para AS por TB. Os dados referentes aos movimentos dos animais são fundamentais na medida em que determinar o local de nascimento e locais de passagem dos animais é uma boa ferramenta para identificar o momento em que ocorreu a infeção, ou mesmo qual a exploração onde houve maior probabilidade de ter ocorrido. Num estudo realizado no Reino Unido por Gilbert et al. (2005) ficou demonstrado que o movimento de animais infetados é um fator de risco na introdução da doença, tendo especial impacto se os animais provenientes de zonas com doença forem movimentados para zonas indemnes. No estudo conduzido por Gilbert et al., os animais infetados fizeram em média mais movimentos, o que implica terem estado em mais explorações e, portanto sujeitos ao contacto com mais animais de diferentes origens, o que aumenta o risco de exposição ao agente da tuberculose. Importa referir que, de acordo com o PETB em vigor, os animais que tenham que ser movimentados para outra exploração, não podem ser provenientes de explorações em saneamento (T2) ou infetadas (T2.1), o que deixa antever que no tempo de permanência dos animais em cada exploração não houve resultados positivos ao teste IDTC ou casos de tuberculose identificados no matadouro. Para além disso o plano institui um teste de pré-movimentação nos 30 dias anteriores ao movimento para todos os animais com mais de 12 meses. O exercício de identificar as regiões onde o animal permaneceu mais tempo é importante, pois o risco de exposição ao agente aumenta paralelamente ao aumento do tempo passado. Assim, esta informação referente ao histórico dos animais pode ser importante para os serviços veterinários, pois poderá ser um indicador de quais os efetivos a ser testados.
26 CONCLUSÃO A importância da tuberculose é conhecida pelas autoridades sanitárias e o seu controle e erradicação estão diretamente relacionados com a intensificação da fiscalização e vigilância sanitária, no sentido da consciencialização da importância da doença, tanto para os animais como para os humanos. Portugal possui um PE que já perdura há longos anos, contribuindo para a rápida deteção de animais infetados que, na maioria aquando do abate sanitário manifestam um baixo número de lesões, as quais maioritariamente pertencem à mesma região anatómica. O matadouro constitui um elemento chave no programa de erradicação não só pela deteção em abate normal de possíveis portadores de tuberculose bovina, como também com a eliminação de animais positivos a tuberculose bovina de uma exploração, que são sujeitos a abate sanitário. Os resultados obtidos neste estudo devem ser considerados com cautela dado ao reduzido tamanho da população em estudo. No entanto foi possível auferir, comparando com estudos realizados anteriormente, que a maior parte dos animais da região Norte que revelaram lesões à inspeção post mortem, expressaram-nas maioritariamente nos linfonodos retrofaríngeos, brônquicos, mediastínicos e no pulmão, o que significa que a região anatómica mais afetada por lesões foi o tórax. A decisão sanitária aplicada foi a reprovação total quando duas ou mais regiões anatómicas estavam afetadas. A maior parte dos animais submetidos a abate sanitário na região Norte em 2015 foram do sexo feminino com uma média de idades que ronda os 5,6 anos, o que pode estar relacionado com a proveniência dos animais (explorações leiteiras). Os resultados foram então concordantes com os resultados expectáveis de um país que se encontra num processo, que se espera terminal, do plano de erradicação da tuberculose bovina, no entanto é importante a realização de trabalhos futuros, principalmente numa abordagem nacional, para se poderem comparar resultados, sendo também interessante estudar a suscetibilidade da doença em animais jovens.
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31
38 Figura 18 – Bacilos álcool-ácido resistentes (setas) no citoplasma de célula gigante em lesão de linfonodo bovino com tuberculose. Coloração de ZiehlNeelsen, obj. 40x. Fonte: www.scielo.br ANEXO V Figura 19 – Modelo de inspeção post mortem dos abates sanitários de tuberculose bovina com descrição do quadro lesional enviado para o laboratório. Fonte: http://www.dgv.min-agricultura.pt/saude_animal/docs/Mod%20759.p
39 LESÃO REGIÃO LINFONODOS RETROFARÍNGEOS LINFONODOS MANDIBULARES LINFONODOS PAROTÍDEOS CABEÇA PULMÕES PLEURA LINFONODOS BRÔNQUICOS LINFONODOS MEDIASTÍNICOS LINFONODOS TRAQUEAIS TÓRAX TRATO GASTROINTESTINAL LINFONODOS MEDIASTÍNICOS LINFONODOS MESENTÉRICOS TRATO GASTROINTESTINAL BAÇO BAÇO FÍGADO LINFONODOS HEPÁTICOS FÍGADO E LINFONODOS RINS LINFONODOS RENAIS RINS E LINFONODOS PERITONEU PERITONEU ÓRGÃOS GENITAIS ÓRGÃOS GENITAIS LINFONODOS RETRO-MAMÁRIOS MAMA GLÂNDULA MAMÁRIA E LINFONODOS LINFONODOS POPLÍTEOS LINFONODOS PRÉ-ESCAPULARES LINFONODOS AXILARES LINFONODOS PRÉ-CRURAIS LINFONODOS PERIFÉRICOS OUTROS PELE OUTROS Tabela 7 – Região atribuída a cada localização de lesão. ANEXO VI Região Nº matadouros de bovinos Nº de bovinos abatidos em abate normal (%) Nº de bovinos rejeitados em abate normal (post mortem) (%) Norte 15 154785 (42,1%) 1340 (0,87%) Centro 6 34860 (9,5%) 73 (0,21%) Lisboa e Vale do Tejo 5 94362 (25,7%) 234 (0,25%) Alentejo 3 16053 (4,4%) 37 (0,23%) Ilhas 11 67092 (18,3%) - Total 39 367152 (100%) * 1684 (0,46%) Tabela 8 – Número total de bovinos abatidos e rejeitados (post mortem) em abate normal divididos por cada região. *Valor total corresponde ao valor do somatório de animais rejeitados em abate normal (post mortem) em Portugal Continental
40 Nº de bovinos abatidos em abate normal (%) % Regional % Nacional Número de bovinos mortos no transporte + abegoaria Nº de bovinos rejeitados em abate normal [ante mortem + post mortem] (%) NORTE PecNordeste + Matadouro e carnes Linda Rosa 67412 (78,2%) 43,5% 18,4% 61 + 46 3 + 733 (1,09%) (LISBOA E VALE DO TEJO **Ribasabores, Indústria de Carnes 15304 (17,8%) 16,2% 4,2% 2 + 4 1 + 79 (0,52%) ALENTEJO Matadouro Regional Alto Alentejo 3441 (4,0%) 21,4% 0,94% 0 + 0 0 + 13 (0,38%) Total 86157 - 23,5% 63 + 50 4 + 825 (0,96%) Tabela 9 - Número de bovinos abatidos e rejeitados em abate normal em cada um dos matadouros que realiza abate sanitário por tuberculose bovina em Portugal continental. ** Este matadouro realiza os abates sanitários por tuberculose bovina da região de Lisboa e Vale do Tejo e da região Centro Nº de bovinos abatidos em abate sanitário de tuberculose % Nacional Rácio entre bovinos de abate sanitário de tuberculose e de abate normal) Nº de bovinos rejeitados em abate sanitário (%) Rácio entre bovinos rejeitados no abate sanitário de tuberculose e no abate normal post mortem) NORTE PecNordeste + Matadouro e carnes Linda Rosa 69 10,6% 69 / 67412 11 (15,9%) 11 / 733 LISBOA E VALE DO TEJO Ribasabores, Indústria de Carnes 355 54,4% 355 / 15304 22 (6,2%) 22 / 79 ALENTEJO Matadouro Regional Alto Alentejo 229 35% 229 / 3441 24 (10,5%) 24 / 13 Total 653 100% 653 / 86157 57 (8,7%) 57 / 825 Tabela 10 – Número de bovinos abatidos e rejeitados em abate sanitário em Portugal continental
41 ANEXO VII Gráfico 1 – Distribuição do número de animais em função do número de lesões apresentada Gráfico 2 – Distribuição do número de animais em função do número de regiões afetadas Gráfico 3 – Distribuição do número de animais por localização das lesões apresentadas Gráfico 4 – Distribuição do número de animais por região das lesões apresentadas 12 10 2 5 1 1 2 3 4 5 Nº DE LESÕES Nº DE ANIMAIS 17 10 3 1 2 3 Nº DE REGIÕES AFETADAS Nº DE ANIMAIS 8 8 13 11 7 5 1 2 4 1 1 1 1 LOCALIZAÇÃO DAS LESÕES Nº DE ANIMAIS 8 19 7 1 1 10 Cabeça Tórax Gastro-intestinal Fígado Rim Lnn periféricos REGIÕES DAS LESÕES AFETADAS Nº DE ANIMAIS
42 Gráfico 5 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além da cabeça Gráfico 6 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além do tórax Gráfico 7 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além do trato gastrointestinal Gráfico 8 – Distribuição do número de animais por outras regiões com lesão para além dos linfonodos periféricos 4 3 1 Tórax Gastrointestinal Fígado Nº DE ANIMAIS 6 4 4 1 Gastrointestinal Cabeça Lnn periféricos Fígado Nº DE ANIMAIS 3 6 Cabeça Tórax Nº DE ANIMAIS 4 Tórax Nº DE ANIMAIS
43 Gráfico 9 – Decisão sanitária em função do número de lesões Gráfico 10 – Decisão sanitária em função do número de regiões anatómicas afetadas Gráfico 11 – Distribuição do número de animais por grupo etário em função do número de lesões Gráfico 12 - Distribuição do número de animais por grupo etário em função do número de regiões afetadas 8 4 0 0 0 4 6 2 5 1 12345 Nº DE LESÕES Nº DE ANIMAIS Animais reprovados Animais aprovados 12 0 0 5 10 3 123 Nº DE REGIÕES AFETADAS Nº DE ANIMAIS Animais reprovados Animais aprovados 2 5 1 1 2 1 6 2 0 1 0 1 1 0 00 0 1 0 4 0 0 0 0 1 [1 - 2] [3 - 4] [5 - 6] [7 - 8] [9 ou mais] Nº DE ANIMAIS GRUPO ETÁRIO 1 Lesão 2 Lesões 3 Lesões 4 Lesões 5 Lesões 3 9 12 2 0 3 3 0 4 0 0 10 2 [1 - 2] [3 - 4] [5 - 6] [7 - 8] [9 ou mais] Nº DE ANIMAIS GRUPO ETÁRIO 1 Região afetada 2 Regiões afetadas 3 Regiões afetadas
44 Gráfico 13 - Distribuição do número de lesões pelo sexo dos animais Gráfico 14 – Distribuição do número de regiões com lesões pelo sexo dos animais 12 5 1 4 1 1 4 1 0 0 1 2 3 4 5 Nº DE ANIMAIS Nº DE LESÕES Masculino Feminino 14 7 3 3 3 0 1 2 3 Nº DE ANIMAIS Nº DE REGIÕES AFETADAS Masculino Feminino