Efeito das próteses da anca no comportamento dinâmico do fémur humano
Abstract
Neste artigo é caracterizada a modificação do comportamento dinâmico do osso do fémur introduzida pela aplicação de próteses da anca. A modificação estrutural é identificada e quantificada pela variação das quatro primeiras frequências naturais, medidas experimentalmente, de modelos sintéticos do osso do fémur humano com e sem implante. É apresentada a metodologia experimental aplicada no processo de caracterização, bem como os resultados obtidos.
Full text
E ei o das p ó eses da anca no compo amen o
dinâmico do ému humano
J.F. Dias Rod igues
DEMEGI. Faculdade de Engenha ia da Uni e sidade do Po o
R. D . Robe o F ias, sn. 4200-465 Po o. Po ugal
jd @ e.up.p
R. S. Mo ei a
Depa amen o de Engenha ia Mecânica. Uni e sidade de A ei o
Campus San iago, 3810-193 A ei o. Po ugal
mo ei [email protected]
RESUMO
Nes e a igo é ca ac e izada a modi icação das p op iedades dinâmicas do osso do ému
in oduzida pela aplicação de p ó eses da anca. A modi icação es u u al é ca ac e izada e
quan i icada pela a iação das qua o p imei as equências na u ais, iden i icadas
expe imen almen e, de modelos sin é icos do osso do ému humano com e sem implan e. De
modo a a alia a in luência da geome ia e ma e ial da p ó ese, são ensaiadas e compa adas
di e en es con igu ações pa a o conjun o osso-p ó ese. A me odologia expe imen al aplicada no
p ocesso de ca ac e ização e os esul ados ob idos são ap esen ados.
INTRODUÇÃO
No esquele o humano, as solici ações a que os di e sos ossos es ão subme idos podem se de
na u eza dinâmica, em pa icula quando esul an es de equipamen os mecânicos. Os e ei os
p o ocados pela aplicação de o ças dinâmicas na espos a es u u al óssea e na sua
in eg idade dependem das equências na u ais e podem se ag a ados no caso de indi íduos
po ado es de p ó eses de anca.
A aplicação de p ó eses na pa e supe io do ému in oduz al e ações es u u ais signi ica i as
e dependen es da o ma e do amanho da has e do implan e assim como do p óp io ma e ial. A
modi icação es u u al in oduzida é, po um lado, de ida à massa adicional p opo cionada pela
elação en e a massa olúmica do ma e ial do implan e e do osso esponjoso e, po ou o, à
igidez mais ele ada da has e do implan e que é in oduzida na zona supe io do ému ,
esul ando, em consequência, uma al e ação das p op iedades dinâmicas do conjun o
ému -p ó ese, em pa icula das equências na u ais e dos amo ecimen os modais.
MATERIAIS E MÉTODOS
Pa a a alia os e ei os des as al e ações, desen ol eu-se um es udo expe imen al compa a i o
baseado em unções de espos a em equência de modelos do ému sem implan e e com
di e en es con igu ações de p ó eses, analisando as al e ações in oduzidas ao ní el das
equências na u ais do conjun o.
Os p o e es ensaiados são modelos sin é icos do ému humano (Sawbones Eu ope®, Re .
3103) e es ão ilus ados na Figu a 1. As p ó eses aplicadas nos modelos são as indicadas na
Tabela 1.
Tabela 1 – P ó eses da anca aplicados nos modelos de ému
P o e e
P ó ese
Ma e ial
Massa
Modelo 1 - - - - - -
Modelo 2
Modelo 3
Modelo 4
Modelo 5
Modelo 6
Figu a 1 – P o e es expe imen ais.
A a aliação das p op iedades dinâmicas assen a na de e minação expe imen al das
equências na u ais na gama de equências [0; 1.6] kHz a a és da medição de unções de
espos a em equência de ipo acele ância.
Pa a simula condições de on ei a li e-li e, os modelos de ému são suspensos de um
pó ico ígido po dois inos ios inelás icos de nylon que pe mi em o mo imen o de co po ígido
na di ecção da medição. As secções de ama ação dos ios aos modelos são
ap oximadamen e as secções nodais das duas p imei as o mas na u ais de ib ação. Pa a a
exci ação dos modelos é aplicada uma ca ga dinâmica alea ó ia com con eúdo espec al na
banda [0; 1.6] kHz a a és de um exci ado elec omagné ico LDS V200 alimen ado pelo
ampli icado LDS PA25E que ecebe o sinal do ge ado B&K??. A aplicação da o ça aos
modelos é ealizada a a és de uma has e me álica lexí el. A o ça dinâmica aplicada e a
espec i a espos a em acele ação são medidas po uma cabeça de impedância piezoeléc ica
B üel&Kjæ 8001. Com os sinais da exci ação e da espos a, depois de p é-condicionados, é
de e minada uma unção de espos a em equência di ec a e a espec i a unção coe ência
u ilizando o analisado dinâmico de sinal B üel&Kjæ 2035. A mon agem expe imen al es á
ilus ada na Figu a 2.
Pa a cada modelo, a exci ação é aplicada na cabeça do ému segundo duas di ecções
pe pendicula es, medindo-se assim duas unções de espos a em equência di ec as,
espec i amen e nos planos Oxy (la e al-medial) e Oxz. Na Figu a 3 es ão ep esen adas as
unções de espos a em equência de ipo acele ância medidas pa a cada modelo ensaiado e
sob a o ma de magni ude e ase.
x
y
z
O
Figu a 2 – Mon agem expe imen al.
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
1600Hz
0
π
-π
Fase
10
-1
10
0
10
1
10
2
10
3
Mag (Acele ância)
em_00
di
1
di
2
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
1600Hz
0
π
-π
Fase
10
-1
10
0
10
1
10
2
10
3
Mag (Acele ância)
em_01
di
1
di
2
Modelo 1 Modelo 2
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
1600Hz
0
π
-π
Fase
10
-1
10
0
10
1
10
2
10
3
Mag (Acele ância)
em_02
di
1
di
2
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
1600Hz
0
π
-π
Fase
10
-1
10
0
10
1
10
2
10
3
Mag (Acele ância)
em_03
di
1
di
2
Modelo 3 Modelo 4
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
1600Hz
0
π
-π
Fase
10
-1
10
0
10
1
10
2
10
3
Mag (Acele ância)
em_04
di
1
di
2
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
1600Hz
0
π
-π
Fase
10
-1
10
0
10
1
10
2
10
3
Mag (Acele ância)
em_05
di
1
di
2
Modelo 5 Modelo 6
Figu a 3 – Funções de espos a em equência di ec as medidas nos seis p o e es expe imen ais.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Da análise das unções de espos a em equência di ec as oi possí el iden i ica as
equências na u ais (Tabela 2) ela i as ao p imei o modo de lexão no plano Oyz (
1
), ao
p imei o modo de lexão no plano Oxy (
2
), ao p imei o modo de o ção (
3
) e ao segundo modo
de lexão no plano Oxy (
4
). Como se pode cons a a , os ému es com implan e ap esen am
al e ações es u u ais que se mani es am em equências na u ais dis in as en e si e das do
ému de e e ência. As equências na u ais do ému sem implan e ap esen am alo es
p óximos de um modelo idên ico analisado em [5-6].
Tabela 2 – F equências na u ais dos modos de lexão dos p o e es
P o e e
1
[Hz]
2
[Hz]
3
[Hz]
4
[Hz]
Modelo 1 318 344 618 846
Modelo 2 280 300 546 726
Modelo 3 294 326 626 876
Modelo 4 274 298 582 822
Modelo 5 284 300 578 798
Modelo 6 280 312 646 878
Na Figu a 4 ep esen a-se o des io ela i o en e as equências na u ais iden i icadas nos
modelos com p ó ese ela i amen e ao modelo 1 que ep esen a o ému sem p ó ese.
As modi icações in oduzidas pelos implan es nas equências na u ais são, po um lado,
de idas ao aumen o de massa, p incipalmen e na zona da cabeça do ému , e, po ou o,
de idas ao aumen o de igidez p opo cionado p incipalmen e pela has e da p ó ese.
Os alo es das duas p imei as equências na u ais dos ému es com implan e si uam-se nas
bandas de alo es [274-294] Hz e [298-326] Hz espec i amen e, in e io es em ambos os casos
aos espec i os alo es das equências na u ais do modelo sem p ó ese. Pa a es es dois
modos, modos de lexão, os modelos com p ó ese ap esen am, pois, uma igidez dinâmica
in e io , sendo o aumen o de massa p edominan e sob e o aumen o de igidez.
-11.9
-12.8
-11.7
-14.2
-7.5
-5.2
1.3
3.5
-13.8
-13.4
-5.8
-2.8
-10.7
-12.8
-6.5
-5.7
-11.9
-9.3
4.5
3.8
-20 -15 -10 -5 0 5 10
1
2
3
4
E o ela i o [%]
modelo 2
modelo 3
modelo 4
modelo 5
modelo 6
Figu a 4 – Des io ela i o das equências na u ais ela i amen e ao modelo 1
Pa a os e cei o e qua o modos, o ção e lexão, os modelos 2, 4 e 5 ap esen am alo es
in e io es enquan o que os modelos 3 e 6 ap esen am alo es supe io es, e i icando-se que
no p imei o caso o aumen o de massa não é acompanhado do co esponden e aumen o de
igidez e a si uação in e sa no segundo caso.
Enquan o que a al e ação de igidez é e idenciada sob e udo nos p imei os modos na u ais de
lexão (F1 e F2) a massa adicional, p incipalmen e a massa co esponden e à ex emidade
expos a da p ó ese (cabeça), ap esen a um e ei o mais no ó io nos modos de lexão de 2º g au
e no modo de o ção.
CONCLUSÕES
O es udo ealizado pe mi e cons a a que a aplicação de um implan e al e a as equências
na u ais do ému e, em consequência, da es u u a óssea cujas ca ac e ís icas de espos a
dinâmica são al e adas. No en an o, e de uma o ma global, as di e en es combinações de
geome ia e ma e ial da p ó ese conduzem a esul ados ela i amen e p óximos dos
obse ados no ému sem p ó ese. O es udo e ela, ainda, que a p ó ese aplicada no modelo 3
é aquela que mais se ap oxima do ému de e e ência em e mos de equências na u ais
p esen es na banda analisada e a p ó ese aplicada no modelo 2 é aquela que mais se a as a.
Assim, pode igualmen e conclui -se que a geome ia e os ma e iais podem se escolhidos de
o ma a minimiza as al e ações es u u ais do conjun o ému -p ó ese.
REFERÊNCIAS
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[2] Simões, J.A., Ma ques, A.T., 2004. Es udo y desa ollo de una p ó esis emo al de igidez
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Ingenie ía (CIMNE), Ba celona, pp. 451-476.
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