Avaliação da qualidade de vida em crianças com diabetes tipo I
Full text
1. INTRODUÇÃO
De ido ao sucesso das ciências médicas, as
g andes causas da mo alidade e mo bilidade do
início do século (como po exemplo a ube culo-
se designada na al u a po p aga b anca) passa-
am pa a luga es modes os enquan o causa de
mo bilidade e mo alidade, sendo subs i uídas
po doenças cuja e iologia é em g ande pa e
compo amen al, caso das doenças ca dio ascu-
la es e canc o que são as mais nume osas e, si-
mul aneamen e, mais dispendiosas. Com e ei o,
a iden i icação dos ge mes causado es das doen-
ças in ecciosas pe mi iu p oduzi acinas e ica-
zes no seu comba e. Concomi an emen e, os
a anços da bioquímica, da ísica, da gené ica,
e c., pe mi i am desen ol e ecnologias e p o-
du os que comba em e icazmen e esses ge mes.
O sucesso da medicina cu a i a e i a que as
pessoas mo am, mas em como consequência o
aumen o das doenças c ónicas, de al modo que
a segunda me ade do século XX iu as doenças
c ónicas assumi em o luga p incipal no sis ema
de saúde. A de inição de doenças c ónicas não é
uní oca, mas de um modo ge al acei a-se que
são doenças sem cu a ou de a amen o mui o
p olongado que impõem ao sujei o doen e mu-
danças impo an es no es ilo de ida de modo a
pode con i e dia iamen e, minu o a minu o,
com a doença, man endo uma qualidade de ida
ele ada. F equen emen e esse es ilo de ida im-
põe egimes de a amen o (medicamen oso ou
ou os) que se o nam o elemen o cen al na ida
do indi íduo e dos seus p óximos, como é, po
exemplo, o caso da hemodiálise.
A diabe es é uma das doenças c ónicas clás-
sicas que impõe mudanças p ecisas no es ilo de
ida das pessoas. Es a não é uma doença ecen e:
desc ições dos sin omas su gem já em esc i os
médicos na ci ilização g ega. Ela consis e numa
al e ação do sis ema esponsá el pela egulação
do a mazenamen o e u ilização da ene gia quími-
ca que p o ém da alimen ação. A glucose é a
p incipal on e de ene gia u ilizada pelo co po
91
Análise Psicológica (1998), 1 (XVI): 91-100
A aliação da qualidade de ida em c ianças
com diabe es ipo 1
JOSÉ L. P. RIBEIRO (*)
RUTE F. MENESES (*)
ISABEL MENESES (**)
GRU.PO- QVD (***)
(*) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Edu-
cação da Uni e sidade do Po o, Hospi al Ge al de
San o An ónio - Po o.
(**) Che e de Se iço de Endoc inologia - Hospi al
Ge al de San o An ónio - Po o.
(***) G upo Po uguês pa a o es udo da Qualidade
de Vida.
humano. O seu ní el no sangue é de e minado
pelo equilíb io en e a quan idade de glucose que
en a na co en e sanguínea e a que a deixa. A
insulina é a p incipal ho mona esponsá el po
essa egulação. Se o o ganismo é incapaz de
p oduzi ou u iliza a insulina su gem os sin o-
mas da diabe es (Shilli oe, 1994). Quando baixa
o ní el de insulina sobe o de glucose, dado a au-
sência de insulina impedi o o ganismo de u ili-
za a glucose. Ou seja, não sendo u ilizada, a
concen ação de glucose na co en e sanguínea
aumen a. Hipe glicemia é o nome dado a es e
es ado de aumen o de glucose no sangue. A
glucose em excesso p o oca al e ações na p es-
são osmó ica a que as células es ão sujei as: a
água sai das células e é eliminada esul ando em
desid a ação e sede. A mani es ação clássica da
diabe es não a ada é mui a sede e micção e-
quen e. Pa a além des as mani es ações oco em
ou as al e ações me abólicas como, po exem-
plo, o aumen o da quan idade de co pos ce óni-
cos com sob eca ga pa a os ins e ou os o gãos
sensí eis e undamen ais à ida.
2. DIABETES MELITUS
A diabe es meli us é, na ealidade, uma co-
lecção de sínd omes. Podem se jun os em dois
g andes g upos: aqueles em que a diabe es su giu
na in ância ou ju en ude, e a que se desen ol eu
em idades a ançadas. Es a classi icação não é,
no en an o, pe ei a e mui as pessoas não encai-
xam pe ei amen e numa des as ca ego ias
(Shilli oe, 1994).
U ilizam-se ge almen e duas g andes o mas
classi ica ó ias. Uma denomina a diabe es que
su ge na in ância de diabe es insulino dependen-
e ou ipo 1, a ou a diabe es não insulino depen-
den e ou ipo 2, mais equen e no adul o.
Na diabe es insulino dependen e, como a sua
designação suge e, a ida do diabé ico es á de-
penden e duma insulina exógena. A capacidade
de p odução de insulina pelas células panc eá-
icas oi comp ome ida. Des e modo, o doen e
com es e ipo de diabe es eque , desde o
diagnós ico, a injecção de insulina cuidadosa-
men e ge ida em quan idade e empo bem de e -
minados. Es a doença a ec a os dois sexos na
mesma p opo ção e o seu apa ecimen o pode
oco e desde o p imei o ano de ida. Segundo
Shilli oe (1994), a idade moda em que a doença
su ge na população inglesa é os 14 anos. A o -
ma de apa ecimen o é aguda com his ó ia ecen e
de sede, poliú ia, cansaço e pe da de peso. Es-
udos com gémeos mos am um ní el de conco -
dância de 35%, suge indo uma ulne abilidade
gené ica com possí eis ac i ado es do meio
ambien e que incluem í us, medicamen os e o-
xinas, assim como aspec os au o-imunes, mas
cujo mecanismo é, ainda, igno ado (Shilli oe,
1994).
Na diabe es não insulino dependen e, o doen e
não es á dependen e de uma insulino exógena –
embo a possa necessi a dela pa a a co ecção da
hipe glicemia – po que p oduz insulina su i-
cien e pa a e i a a o mação de co pos ce óni-
cos. Es e ipo de diabe es oco e, em mais de
70% dos casos, em indi íduos com mais de 55
anos, sendo mais equen e nas mulhe es. A
maio ia dos doen es com diabe es ipo 2 é obesa
e a conco dância en e gémeos ap oxima-se dos
100%, e idenciando uma componen e gené ica
o e. Es a é a o ma mais comum de diabe es,
co espondendo a 70-75% dos diabé icos.
A p e alência da diabe es ipo 1 e 2 a ia en-
e um e ês po cen o da população, sendo de
cinco a dez po cen o em indi íduos com mais
de 70 anos. Fac o es é nicos e económicos pa e-
cem e alguma in luência. A diabe es ipo 2, po
exemplo, é mais comum nos g upos sociais mais
des a o ecidos e em populações asiá icas.
3. DIABETES TIPO 1
O p esen e a igo oca a diabe es ipo 1, consi-
de ando somen e as c ianças a é aos 11 anos de
idade, já que, como oi a i mado, es e ipo de
diabe es oco e p edominan emen e nas idades
mais no as.
A mudança do es ilo de ida é undamen al.
Shilli oe (1994) e e e que o doen e em, desde o
início, de execu a cuidadosamen e um conjun o
de a e as, nomeadamen e: a) come uma die a
especí ica nos momen os ap op iados de modo a
man e o peso adequado, b) oma a medicação
na dosagem co ec a e no momen o ap op iado
de modo a que a glucose no sangue se man enha
nos alo es no mais, c) aze exe cício e oma
ou as medidas p e en i as pa a man e a condi-
ção ísica, d) aze o con olo da glucose no san-
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gue (ou u ina) de modo egula , pa a sabe se o
modo como es á a ge i a doença é o mais ade-
quado ou se o de e melho a .
A ges ão co ec a do compo amen o dos dia-
bé icos isa, en e ou as coisas, es abiliza a
doença. Com e ei o, a diabe es pode se conside-
ada es abilizada ou g a emen e ins á el (b i -
le). Os indi íduos com es a úl ima o ma de
diabe es êm uma qualidade de ida diminuída
ela i amen e aos ou os. Shilli oe (1995) e e e
que es e cons i ui um pequeno g upo de doen es
com diabe es, no malmen e mulhe es à ol a
dos 20 anos, e com excesso de peso. Ken , Gill e
Williams (1994) e e em que a causa mais plau-
sí el pa a a ins abilidade g a e da doença são
ac o es psicossociais e acon ecimen os de ida
ad e sos. A se assim, o apoio psicológico às
pessoas diabé icas o na-se um elemen o impo -
an e. Es e isa mobiliza os ecu sos pessoais,
sociais e do meio ambien e pa a en en a (co-
ping) a doença, nomeadamen e ao ní el das
consequências psicossociais. A a aliação da
Qualidade de Vida (QDV) é um passo de e mi-
nan e na iden i icação dos aspec os psicossociais
a ec ados pela doença.
4. QUALIDADE DE VIDA
A QDV em sido de inida de á ios modos.
Po exemplo Ho nquis e al. (1993) de inem-na
como «bem-es a indi idual e sa is ação com a
ida» (p. 265), enquan o C ame (1994) ap e-
sen a como de inição de QDV a mesma que a
O ganização Mundial de Saúde ap esen a como
de inição de saúde (WHO, 1948). Inúme as ou-
as podem, ainda, se encon adas na li e a u a,
espelhando a ju en ude e ima u idade do con-
cei o. Os concei os de QDV êm sido ag upados
em á ios modelos e conside ados a á ios
ní eis de complexidade (c . Ribei o, 1995a).
A ques ão QDV s es ado de saúde em sido
mo i o de discussão desde que os in es igado es
começa am a abo da o ema. Ela pode se is a
po á ios ângulos: um deles oca a QDV das
pessoas em ge al, es ejam ou não doen es, e
ab ange odos os domínios de ida das pessoas;
ou o ângulo possí el abo da a QDV das pessoas
que es ão, po qualque azão, ligadas ao sis ema
de saúde.
Na a aliação da QDV das pessoas em ge al,
odos os domínios de ida são abo dados, do
p o issional ao espi i ual, do laze à saúde.
Exemplo des e ipo de a aliação é o es udo de
Campbel, Con e se e Roge s (1976) sob e a
Qualidade de Vida da população ame icana.
Nes a in es igação a saúde cons i uía um dos
domínios a pa de odos os ou os. De salien a
que es e domínio – saúde – e a o que explica a
melho a a iância do sco e o al da QDV esul-
an e da soma das no as de odos os domínios.
A a aliação da QDV de pessoas que so em
de uma doença em a especi icidade do elemen o
cen al se a saúde das pessoas, ou melho , o que
se a alia é em que medida os di e sos domínios
são in luenciados pelas ca ac e ís icas da doença
que a ec a a pessoa. A QDV nes a pe spec i a é
equen emen e denominada Qualidade de Vida
Relacionada Com a Saúde, sendo suscep í el de
se con undida com «es ado de saúde».
Resumindo, pode-se dize que a QDV em
con ex os de saúde an o pode se conside ada
sinónimo de es ado de saúde, como de endem
Be gne (1989), C ame (1994), e F ies e Spi z
(1990), ou algo de dis in o, como conside am
Bullinge e al. (1993), He man (1993), Kaplan e
Ande son (1990) e Wa e (1991).
Es a in es igação deco e no con ex o de um
p ojec o global da a aliação da QDV em pessoas
com doenças c ónicas, ealizado pelo Gupo Po -
uguês pa a o es udo da Qualidade de Vida
(G u.Po-QDV). O modelo de QDV adop ado
pelo G u.Po-QDV é o adop ado pelo Medical
Ou comes T us , que Wa e (1991) quali ica como
abo dagem cen ada na comunidade, em que as
a iá eis conside adas podem se ag upadas em
cí culos concên icos, onde os pa âme os isio-
lógicos es ão sediados no cí culo cen al e cada
um dos cí culos que o en ol e sucessi amen e
inclui á ios domínios da pe sonalidade ao social
e comuni á io.
De qualque o ma, a QDV o nou-se um e-
ma cen al nas sociedades mode nas e oi
adop ada como objec i o undamen al nos esul-
ados (ou comes) dos cuidados de saúde. Com
e ei o, a ques ão ac ual mais impo an e, ao con-
á io de há 60 ou 70 anos a ás, não é sabe se o
doen e sob e i e ou mo e. As ciências médicas
já esol e am, em g ande pa e, esse p oblema.
A ques ão undamen al é a de sabe se os indi í-
duos que i em com uma doença c ónica (se-
gundo Sobel, 1979, as doenças c ónicas a ec am
93
50% das pessoas e, segundo Rodin e Salo ey,
1989, ep esen am 86% de odas as doenças)
conseguem i e o dia a dia com a mesma acili-
dade e o mesmo g au de sa is ação das pessoas
que não so em de nenhuma doença.
Não é po acaso que os cen os de in es i-
gação dos labo a ó ios que ab icam medicamen-
os se êm dedicado a es uda o impac o des es
na QDV das pessoas que os omam (Hende son-
James & Spilke , 1990). Inúme os compos os
químicos ou suas associações ac uam e icaz-
men e sob e as doenças, embo a com e ei os se-
cundá ios mui o a iados suscep í eis de in-
luencia a QDV dos doen es.
Cada doença c ónica em ca ac e ís icas e
impac os especí icos nos doen es e nos que os
odeiam. Po isso, jus i ica-se que os ques-
ioná ios de a aliação da QDV sejam desenha-
dos pa a a alia essas ca ac e ís icas e impac os
especí icos. Simul aneamen e, de e conside a -
se que a QDV em impac os e ca ac e ís icas
especí icos em cada cul u a e nação (Bullinge e
al., 1993; O ley & WHOQOL g oup, 1994;
Pa ick, 1995).
Nos á ios modelos de QDV uma das p in-
cipais ca ac e ís icas é a de que es a é uma a iá-
el de au o-pe cepção. Ou seja, só o p óp io
doen e pode da espos as p ecisas ace ca das
a iá eis subjec i as que lhe dizem espei o.
Com e ei o, a in es igação em demons ado
que a pe cepção dos á ios pa icipan es que
azem pa e do mundo do doen e não é coinci-
den e. Po exemplo, Taylo e Aspinwall (1990)
e e em um es udo clássico em que a médicos,
doen es e seus amilia es oi pedido pa a classi-
ica a QDV dos doen es. 100% dos médicos
es ima am que a QDV inha melho ado, apenas
49% dos doen es acha am que a sua QDV inha
melho ado e 96% dos amilia es es ima am que
não inha ha ido mudança ou que inha ha ido
de e io ação. Nou a in es igação no domínio
especí ico da diabe es (Ho nquis e al., 1993)
encon a am-se co elações a iando en e 0,29 e
0,70, com g ande pa e das co elações à ol a de
0,50. Não sendo alo es baixos ambém não
podem se conside ados ele ados. Es es esul a-
dos, con i mados aliás po inúme as ou as in-
es igações, colocam um p oblema especial na
p esen e in es igação. Di igindo-se es a ao g upo
in an il, ou seja, ao g upo que é conside ado
pouco ap o pa a exp essa a complexidade dos
seus sen imen os de ido à ima u idade cogni i a,
ques iona-se o modo de a alia a sua QDV –
abo da di ec amen e a c iança ou os seus p ó-
ximos? No en an o, á ias in es igações com
c ianças êm sido ei as, como o mos am os es-
udos de Clea y e al. (1994), Ch is ie e al.
(1991), Fabes (1987), F ench, Ch is ie e Sowden
(1994), Lewis e al. (1989) e Nespoli e al.
(1995). A discussão sob e es e assun o já oi ei-
a pelo p imei o au o (Ribei o, 1995b).
Realmen e, uma das soluções encon adas
em sido a de en e is a os pais da c iança ou os
que dela cuidam ace ca das eacções, compo a-
men os e sen imen os po ela mani es ados. Es e
modo de abo da o p oblema não é sa is a ó io e
necessi a á de se ape eiçoado no u u o. Po
um lado, quando se a a de c ianças a ges ão do
no o es ilo de ida é ei o po aqueles que cui-
dam dela o que signi ica uma al e ação no seu
p óp io es ilo de ida. O a não é po acaso que a
in es igação em demons ado que as doenças
c ónicas êm g ande impac o nas amílias. As
mães em pa icula , adicionalmen e conside a-
das na nossa sociedade como endo a maio es-
ponsabilidade no cuida dos ilhos, so em de
mais dep essão, ansiedade, queixas somá icas e
p oblemas de ajus amen o do que os pais, embo-
a em alguns casos oco a o opos o. P oblemas
semelhan es são mani es ados po i mãos de
doen es, embo a es as eacções a iem com as
doenças (Johnson, 1994). Po ou o lado, a
pe cepção da sua p óp ia QDV e lec i -se-á,
p o a elmen e, na pe cepção da QDV do seu
ilho. To na-se, assim, necessá io discu i e in-
es iga modos de a alia di ec amen e as c ian-
ças al o pa a decidi a é que pon o as suas es-
pos as são iá eis, como aliás é ei o po ou os
au o es pa a ou as doenças, caso do Childhood
As hma Ques ionnai es (F ench, Ch is ie &
Sowden, 1994).
5. PSICOLOGIA DA SAÚDE E DIABETES
Quando a diabe es ipo 1 a ec a uma c iança
de en a idade, oda a amília é igualmen e
a ec ada na medida em que ela é esponsá el
pela ges ão das a e as ine en es ao con olo da
doença e ao bem-es a da c iança. Es a esponsa-
bilidade é, p o a elmen e, ge ado a de g ande
s ess, ansiedade e dep essão, dado que qualque
94
alha é suscep í el de p o oca danos g a es e
mesmo a mo e.
Segundo B annon e Feis (1992), a psicologia
em-se en ol ido que no apoio ao a amen o da
diabe es que na in es igação. No p imei o caso,
os es o ços cen am-se na p oblemá ica da ade-
são ao a amen o. Quando se a a de c ianças o
p ocesso é mais complexo já que en ol e in e -
mediá ios que igiam a c iança, embo a possa
se mais e icaz is o que os adul os que cuidam
da c iança icam mui o cen ados na p oblemá-
ica em jogo e cuidam especialmen e dela. Ou a
dimensão impo an e no apoio psicológico
ab ange as eacções psicológicas dos amilia es e
p óximos do doen e. O modo de os apoia isa
diminui as eacções nega i as suscep í eis de
p ejudica o seu en ol imen o no a amen o.
Em e mos de in es igação, os es o ços êm-
se cen ado, segundo aqueles au o es, no modo
como as pessoas en endem a doença, no e ei o
do s ess no me abolismo da glucose, na dinâmi-
ca amilia e no modo de melho a a adesão ao
egime de a amen o.
Ho nquis e al. (1993) e i ica am, num es u-
do de ollow-up, que a QDV de 41% das pessoas
com diabe es ipo 1 inha diminuído. Assim
sendo, salien a-se a impo ância da moni o iza-
ção dos a amen os de modo a ga an i a melho-
ia da QDV e, an es disso, da cons ução de me-
didas de a aliação da QDV iéis, álidas, sen-
sí eis aos a amen os e aplicá eis em con ex os
médicos. Es e ex o co esponde a uma ase nes-
se sen ido, já que a p esen e in es igação isa
desenha um ques ioná io de a aliação da QDV
pa a c ianças a é aos 11 anos com diabe es meli-
us ipo 1.
6. PROCEDIMENTO
O p ocedimen o adop ado consis iu nos se-
guin es passos:
1- e isão bibliog á ica sob e es udos que i-
sassem a a aliação da QDV de c ianças a é
aos 11 anos;
2- e isão bibliog á ica sob e in es igações
que i essem isado a a aliação da QDV
ou de aspec os psicossociais de c ianças a é
aos 11 anos e diabe es ipo 1;
3- de inição dos domínios a inclui no ques-
ioná io;
4- en e is a a mães de c ianças com diabe es
ipo 1 há mais de um ano, cujas idades não
ul apassassem os 11 anos.
An es de mais con ém dize que a escolha dos
11 anos é a bi á ia. Em e mos cogni i os é o
momen o em que a c iança es á na ase inal do
aciocínio ope a ó io conc e o. Em e mos ísi-
cos es á, p o a elmen e, no início da pube dade
e na idade em que muda de escola do p imei o
pa a o segundo ciclo, em que lhe passam a se
exigidas mais esponsabilidades e se o na mais
ap a a ge i a sua ida. Es e c escimen o o na a
c iança cada ez mais ap a a ge i a sua doença.
Po exemplo, Inge soll e al. (1986), e e em que
a pa icipação pa en al nos cuidados da c iança
diabé ica cessa o almen e po ol a dos 15 anos.
As ases 1 e 2 não ap esen a am g andes e-
sul ados, mos ando quão pouca in es igação
em sido ei a com es e g upo e á io. A pa e 3
oi ei a com ecu so ao ma e ial p oduzido pelo
WHOQOL g oup, que es á a elabo a um ques-
ioná io mul icul u al e mul i-é nico. Nele de i-
nem-se os seguin es domínios: saúde ísica; saú-
de psicológica; ní el de independência; elações
sociais; ambien e; espi i ualidade. Cada um des e
domínios inclui ainda sub-domínios que, po
sua ez, incluem á ios i ens. Alguns des es
i ens e ão de se abo dados de modo di e en e
pa a as c ianças, enquan o alguns sub-domínios
não e ão mesmo sen ido.
Rosenbaum, Cadman e Ki palani (1990) sa-
lien am á ios p oblemas a conside a na a alia-
ção da QDV de c ianças. En e es es e e em
quais as á eas a conside a na a aliação. Re e-
em ainda limi ações do uncionamen o ísico,
social e emocional, e limi ações das ac i idades
diá ias no mais ais como o b inca ou joga .
A ase 4 oi ei a com ecu so a uma amos a
de 9 mães de c ianças nas condições acima des-
c i as, que equen a am o se iço de endoc ino-
logia do Hospi al Ge al de San o An ónio do
Po o. Es as mães cons i uem uma amos a in en-
cional pois o am escolhidas em unção do seu
ní el de di e enciação ins ucional. Ou seja, o
seu papel oi mais o de colabo ado as no es udo
do que o de objec o de es udo.
A en e is ado a, uma in es igado a einada
pe encen e ao G u.Po-QDV, explicou às mães a
95
impo ância da sua pa icipação pa a que possa
se cons uído um ques ioná io que ajude os
médicos a melho a o dia-a-dia das c ianças
diabé icas. Fo am a adas como pa cei as e pe-
diu-se-lhes que odos os acon ecimen os, com-
po amen os dos ilhos, sen imen os exp essos,
a e as de o ina ou excepcionais que i essem
oco ido apa en emen e associados à doença
ossem desc i os, explicados, comen ados, discu-
idos. Depois da p imei a en e is a abe a, oi-
lhes ap esen ada uma lis a de p oblemas psi-
cossociais que a li e a u a conside a di e encia
as c ianças diabé icas das que não o são, ques-
ionando-se ace ca da sua conco dância com a
pe inência da lis a. Finalmen e elabo a am-se os
i ens e o ques ioná io, dis ibuindo os i ens pelos
domínios com base na alidade de con eúdo de
cada um.
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RESUMO
O p esen e abalho inclui-se num p ojec o mais
as o do G upo Po uguês pa a o es udo da Qualidade
de Vida, e isa cons ui um ques ioná io des inado a
c ianças a é aos 11 anos que so em de diabe es ipo 1.
Es a é uma doença c ónica com ca ac e ís icas mui o
especí icas, sendo uma delas a p ecisão da a aliação
do es ado de glicemia, em empos ce os, e a sua
co ecção em medidas p ecisas. Es a o ina, no caso
das c ianças, é conduzida po quem cuida delas e,
ob iamen e, a ec a o es ilo de ida e é suscep í el de
p ejudica g a emen e a qualidade de ida da amília.
A a aliação do impac o do a amen o nessa qualidade
de ida o na-se um elemen o cen al nos p ocessos de
in e enção ac uais. Des e modo, com base na pesqui-
sa bibliog á ica, e na in o mação dada po no e mães
cujos ilhos, com idades iguais ou in e io es a 11 anos,
so iam de diabe es ipo 1 há mais de um ano, cons-
uiu-se um ques ioná io que de e á se aplicado à po-
pulação al o pa a de e minação das suas p op iedades
psicomé icas e clinimé icas.
Pala as-cha e: Qualidade de ida, diabe es ipo I,
c ianças, doenças c ónicas.
ABSTRACT
This pape is pa o a longe esea ch om he
G upo Po uguês pa a o Es udo da Qualidade de Vida.
The main objec i e o his pape is o discuss ques ions
abou how o buil a ques ionnai e o e alua e Quali y
o Li e in child en un il 11 yea s o age ha ing insu-
lino-dependen diabe es. This ype o diabe es each,
mainly, young people. We adop and jus i y a ques-
ionnai e ailo ed o a alua e mo he s´ pe cep ion o
he Quali y o Li e o hei child en ha ing insulino-
dependen diabe es, bu we admi ha i is possible o
buil ques ionnai es ailo ed di ec ly o he child en´s
pe cep ion o hei own Quali y o Li e.
Key wo ds: Quali y-o -li e, insulino-dependen dia-
be es, child en, ch onic disease.
97
98
ANEXO
QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO DA
QUALIDADE DE VIDA DE CRIANÇAS COM DIABETES TIPO 1
As ques ões seguin es pedem-lhe o seu pon o de is a ace ca da saúde de uma c iança. Es a
in o mação se á gua dada com o egis o médico e ajuda á o seu médico a comp eende o modo como
ela se sen e e a sua capacidade pa a ealiza as suas ac i idades diá ias.
Responda a cada uma das ques ões ma cando um cí culo à ol a do núme o que conside a
ap op iado (1, 2, 3...). Se não i e a ce eza ace ca da manei a como de e esponde a qualque das
ques ões, po a o dê a melho espos a que pude e aça um comen á io no espaço li e na ma gem
di ei a da página.
1- Em ge al como di ia que é a saúde des a c iança?
( aça um cí culo à ol a de um núme o)
Óp ima 1
Boa 2
Razoá el 3
F aca 4
2- Du an e os úl imos 3 meses, quan a oi a sua p eocupação com a saúde des a c iança?
( aça um cí culo à ol a de um núme o)
G ande p eocupação 1
Alguma p eocupação 2
Pouca p eocupação 3
Nenhuma p eocupação 4
3- Du an e os úl imos 3 meses, quan a do ou s ess es a c iança so eu po causa da doença?
( aça um cí culo à ol a de um núme o)
Mui a 1
Alguma 2
Pouca 3
Nenhuma 4
99
Po a o escolha a espos a que melho desc e e, pa a si, o g au de e acidade de cada uma das
seguin es a i mações.
(po a o assinale um núme o em cada linha)
Com que equência no úl imo mês (po a o assinale um núme o em cada linha)